UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA QUÍMICA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS DE PASTAS LEVES PARA APLICAÇÃO EM CIMENTAÇÃO DE POÇOS PETROLÍFEROS COM BAIXO GRADIENTE DE FRATURA Romero Gomes da Silva Araujo Filho Orientador: Prof. Dr. Marcus Antônio de Freitas Melo Co-orientador: Prof. Dr. Júlio Cezar de Oliveira Freitas NATAL – RN Março – 2012 Romero Gomes da Silva Araujo Filho DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS DE PASTAS LEVES PARA APLICAÇÃO EM CIMENTAÇÃO DE POÇOS PETROLÍFEROS COM BAIXO GRADIENTE DE FRATURA Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Engenharia Química da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como pré-requisito para a obtenção do título de Mestre em Engenharia Química, sob a orientação do Prof. Dr. Marcus Antônio de Freitas Melo e coorientação do Prof. Dr. Júlio Cezar de Oliveira Freitas. NATAL – RN Março – 2012 Catalogação da Publicação na Fonte. UFRN / CT / PPGEQ Biblioteca Setorial “Professor Horácio Nicolas Solimo”. Araujo Filho, Romero Gomes da Silva. Desenvolvimento de sistemas de pastas leves para aplicação em cimentação de poços petrolíferos com baixo gradiente de fratura / Romero Gomes da Silva Araujo Filho. - Natal, 2012. 133 f.: il. Orientador: Marcus Antônio de Freitas Melo. Co-orientador: Júlio Cezar de Oliveira Freitas. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Tecnologia. Departamento de Engenharia Química. Programa de PósGraduação em Engenharia Química. 1. Cimento - Dissertação. 2. Cimentação - Poços petrolíferos - Dissertação. 3. Pastas cimentantes - Dissertação. 4. Vermiculita - Dissertação. 5. Fratura Dissertação. I. Melo, Marcus Antônio de Freitas. II. Freitas, Júlio Cezar de Oliveira. III. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. IV. Título. RN/UF/BSEQ CDU 691.54(043.3) ARAUJO FILHO, Romero Gomes da Silva. Desenvolvimento de sistemas de pastas leves para aplicação em cimentação de poços petrolíferos com baixo gradiente de fratura. Dissertação de Mestrado, UFRN, Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química. Área de concentração: Engenharia Química. Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal/RN, 2012. Orientador: Prof. Dr. Marcus Antônio de Freitas Melo Coorientador: Prof. Dr. Júlio Cezar de Oliveira Freitas. RESUMO Em todo o mundo, ocorrem naturalmente depósitos de hidrocarbonetos, constituídos de petróleo e gás natural, contidos dentro de rochas denominadas "rochas reservatório", em geral arenitos ou carbonatos. Esses depósitos existem em variadas condições de pressão e profundidade, desde poucas centenas até milhares de metros. Em geral, reservatórios mais "rasos" têm a tendência a fraturar mais facilmente, pois possuem baixo gradiente de fratura, ou seja, as fraturas são formadas mesmo com colunas hidrostáticas de fluido relativamente baixas. Essas zonas de baixo gradiente de fratura são particularmente mais comuns em zonas onshore, como aqui no Rio Grande do Norte. Um dos momentos mais propícios para a ocorrência de fraturas é durante a cimentação do poço, ao se utilizar uma pasta cimentante de densidade superior ao máximo permitido pela estrutura rochosa. Além disso, em zonas já naturalmente fraturadas, o uso de cimentos comuns causa perda de fluido para a formação, o que pode dar causa a cimentações falhas. Comercialmente, existem alternativas para o desenvolvimento de sistemas de pastas de cimento leves, mas esses falham ou em razão de seu elevadíssimo custo, ou em função das propriedades da pasta obtida não serem suficientemente boas para aplicações mais genéricas, ficando restritas a cada operação para qual a pasta de cimento foi feita. Nesse trabalho foi realizado um planejamento estatístico para determinar a influência de três variáveis, definidas como a concentração de cloreto de cálcio, concentração de vermiculita e concentração de nano sílica, nas várias propriedades do cimento. O uso da vermiculita, um minério de baixa densidade presente em grandes quantidades no nordeste brasileiro, como extensor para pastas cimentantes, permitiu a produção de pastas estáveis, com alta razão água/cimento, propriedades reológicas excelentes e baixas densidades, que foram fixadas em 12,5 lb/Gal. Viu-se também que o cloreto de cálcio é um poderoso viscosificante e gelificante, e seu uso combinado com a nano sílica possui grande efeito nas forças géis do cimento. Estudos de estabilidade hidrotérmica mostraram que as pastas foram estáveis nessas condições, e os ensaios de resistência mecânica mostraram valores da ordem de até 10 MPa. Palavras-chave: ANOVA, cimento, cimentação, pastas leves, vermiculita, baixo gradiente de fratura. iii Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 ARAUJO FILHO, Romero Gomes da Silva. Desenvolvimento de sistemas de pastas leves para aplicação em cimentação de poços petrolíferos com baixo gradiente de fratura. Dissertação de Mestrado, UFRN, Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química. Área de concentração: Engenharia Química. Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal/RN, 2012. Orientador: Prof. Dr. Marcus Antônio de Freitas Melo Coorientador: Prof. Dr. Júlio Cezar de Oliveira Freitas. ABSTRACT All around the world, naturally occurring hydrocarbon deposits, consisting of oil and gas contained within rocks called “reservoir rocks”, generally sandstone or carbonate exists. These deposits are in varying conditions of pressure and depth from a few hundred to several thousand meters. In general, shallow reservoirs have greater tendency to fracture, since they have low fracture gradient, ie fractures are formed even with relatively low hydrostatic columns of fluid. These low fracture gradient areas are particularly common in onshore areas, like the Rio Grande do Norte basin. During a well drilling, one of the most favorable phases for the occurrence of fractures is during cementing, since the cement slurry used can have greater densities than the maximum allowed by the rock structure. Furthermore, in areas which are already naturally fractured, the use of regular cement slurries causes fluid loss into the formation, which may give rise to failures cementations and formation damages. Commercially, there are alternatives to the development of lightweight cement slurries, but these fail either because of their enormous cost, or because the cement properties were not good enough for most general applications, being restricted to each transaction for which the cement paste was made, or both reasons. In this work a statistical design was made to determine the influence of three variables, defined as the calcium chloride concentration, vermiculite concentration and nanosilica concentration in the various properties of the cement. The use of vermiculite, a low density ore present in large amounts in northeastern Brazil, as extensor for cementing slurries, enabled the production of stable cements, with high water/cement ratio, excellent rheological properties and low densities, which were set at 12.5 lb / gal, despite the fact that lower densities could be achieved. It is also seen that the calcium chloride is very useful as gelling and thickening agent, and their use in combination with nanosilica has a great effect on gel strength of the cement. Hydrothermal Stability studies showed that the pastes were stable in these conditions, and mechanical resistance tests showed values of the order of up to 10 MPa. Keywords: ANOVA, cement, cementing, low-density slurries, vermiculite, low fracture gradient. v Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Dedicatória Dedico esse trabalho a Deus pela graça alcançada. Aos meus pais, Rosângela e Romero, por sempre me acompanharem, me ajudarem e me darem os incentivos que eu precisei durante minha vida. À minha irmã, Renata, pelos apoios nas horas difíceis, brincadeiras, companheirismo, amizade, conversas, e tudo o mais que já passamos juntos. À Juli, pela imensa presença de espírito, capaz de ajudar qualquer pessoa, em qualquer momento. Aos amigos da Petrobras, que estiveram comigo no Curso de Formação de Engenheiros de Petróleo em Salvador, pela companhia, ajudas nas provas, horas incontáveis de conversas, horas incontáveis ao telefone para tirar dúvidas de última hora, estudos (em geral até altas horas da noite, nos momentos mais desesperadores), cafés após as aulas, e, principalmente, pelas fortes amizades que foram forjadas, em um momento em que apenas tínhamos uns aos outros e todos passavam pelas mesmas dificuldades. Dedico esse trabalho, em especial, para Ana Paula, Ilana Müller, Vívian Conceição, Karime Glitz, Cido Perissé, Alana Perissé, Samuel Arimatéia, Daniele Menezes, Fernando Henrique, Hélder Oliveira, Rodolpho Oliveira, Juan Pablo, Mary Ellen, Mayra Ferreira, Moema Martins, Pedro Loques e Tiago Leviski. Muito obrigado. Eu não teria conseguido sem vocês. Aos amigos da faculdade e da época da Iniciação Científica, pelas amizades que duram até hoje. Por mais distantes que estejamos, geograficamente falando, sempre poderemos contar um com o outro, e é isso que importa. Em especial, Bruno Medeiros, Renato Dantas, Igor Silva, Filipe Oliveira, Juliana Pivotto e Letícia Campos. Aos meus orientadores, Prof. Marcus Melo, Prof. Júlio Cezar e Profª Dulce, não tenho como agradecer por tudo que me fizeram, desde a graduação, até a obtenção do meu título de Mestre. Aos professores do DEQ/PPGEQ, pelos ensinamentos transmitidos e lições aprendidas durante toda a graduação e pós-graduação. A todos os outros que não tive como citar, meu muito obrigado. Eu jamais teria alcançado tudo o que alcancei se não fosse por todos vocês que cruzaram meu caminho e me ajudaram, de uma forma ou de outra. vi Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Sumário RESUMO ..................................................................................................................................iii ABSTRACT ..............................................................................................................................iv Dedicatória.................................................................................................................................vi Sumário ....................................................................................................................................vii Lista de Figuras ..........................................................................................................................x Lista de Tabelas .......................................................................................................................xiv Nomenclatura...........................................................................................................................xvi 1 Introdução.......................................................................................................................... 18 2 Revisão Bibliográfica ........................................................................................................ 22 2.1 Cimentação ................................................................................................................... 22 2.1.1 Cimentação primária .................................................................................................. 22 2.2 Cimentação secundária ................................................................................................. 25 2.2.1 Tampões de cimento................................................................................................... 25 2.2.2 Recimentação ............................................................................................................. 26 2.2.3 Compressão de cimento ou Squeeze .......................................................................... 26 2.3 Fatores que afetam uma cimentação............................................................................. 27 2.4 O Cimento..................................................................................................................... 28 2.4.1 Classificação dos Cimentos........................................................................................ 29 2.4.2 Hidratação do Cimento............................................................................................... 29 2.4.3 Efeitos da Temperatura na Hidratação do Cimento ................................................... 30 2.5 Desenvolvimento da Pasta Cimentante ........................................................................ 30 2.6 Aditivos......................................................................................................................... 31 2.6.1 Aceleradores de Pega ................................................................................................. 31 2.6.2 Retardadores de Pega ................................................................................................. 32 2.6.3 Extendedores .............................................................................................................. 33 2.6.4 Extendedores Pozolânicos.......................................................................................... 34 2.6.5 Extendedores Químicos.............................................................................................. 35 2.6.6 Cimento Aerado ......................................................................................................... 35 2.6.7 Agentes Adensantes ................................................................................................... 36 2.6.8 Dispersantes................................................................................................................ 36 2.6.9 Controladores de Filtrado........................................................................................... 37 vii Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 2.6.10 Bentonita............................................................................................................... 37 2.7 Geopressões .................................................................................................................. 38 2.8 Vermiculita ................................................................................................................... 39 2.9 Análise Experimental Estatística .................................................................................. 42 2.9.1 Conceitos Básicos de Estatística ................................................................................ 43 2.9.2 Análise de Variância (ANOVA) ................................................................................ 44 2.9.3 Desenvolvimento do Planejamento Experimental ..................................................... 46 2.9.4 Análise Fatorial 3³ ...................................................................................................... 53 2.10 Metodologia de Superfícies de Resposta ...................................................................... 54 3 Materiais e Métodos .......................................................................................................... 57 3.1 Seleção dos componentes ............................................................................................. 57 3.2 Metodologia para preparação das pastas leves visando à otimização e melhor desempenho dos aditivos utilizados.............................................................................. 58 3.2.1 Objetivo dos aditivos Utilizados ................................................................................ 58 3.2.3 Mistura das Pastas ...................................................................................................... 60 3.2.4 Homogeneização das Pastas....................................................................................... 60 3.3 Metodologia Para Ensaios E Testes.............................................................................. 61 3.3.1 Ensaios Reológicos..................................................................................................... 61 3.3.2 Ensaio de Consistometria ........................................................................................... 62 3.3.3 Ensaio de avaliação da Estabilidade........................................................................... 63 3.3.4 Ensaio de Resistência à Compressão.......................................................................... 65 4 Resultados e Discussões .................................................................................................... 68 4.1 Caracterização da Vermiculita...................................................................................... 69 4.1.1 Determinação da composição química....................................................................... 69 4.1.2 Determinação da área superficial ............................................................................... 71 4.1.3 Análise Termogravimétrica........................................................................................ 72 4.1.4 Difração de Raios-X................................................................................................... 74 4.1.5 Microscopia eletrônica de varredura .......................................................................... 76 4.2 Consistência.................................................................................................................. 78 4.3 Reologia ........................................................................................................................ 87 4.3.1 Reologia a 3 RPM ...................................................................................................... 88 4.3.2 Reologia a 300 RPM .................................................................................................. 94 4.3.3 Gel Inicial ................................................................................................................. 101 viii Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 4.3.4 Gel Final ................................................................................................................... 106 5 4.4 Estabilidade................................................................................................................. 111 4.5 Resistência à Compressão........................................................................................... 112 Conclusão ........................................................................................................................ 126 Referências ............................................................................................................................. 128 ix Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Lista de Figuras Figura 1.1 - Pressões no fundo do poço e suas conseqüências conforme peso específico. ...... 18 Figura 2.1 - Tipos de revestimento numa cimentação primária (COSTA, 2004) .................... 23 Figura 2.2 - Esquema de poço com falha de cimentação (THOMAS, 2004)........................... 24 Figura 2.3 - (a) Tampão de abandono e (b) Tampão de cimento (COSTA, 2004)................... 26 Figura 2.4 - (a) Falha na cimentação e (b) Squeeze de cimento para correção da falha (FREITAS, 2008). ............................................................................................................. 27 Figura 2.5 - Estruturas: (a) flogopita; (b) estrutura da vermiculita com cátions de Mg hidratado nas regiões entre camadas de H2O e (c) estrutura estratificada de flogopita com vermiculita. (UGARTE et al., 2005) ......................................................................... 40 Figura 2.6 - Interpretação geométrica dos efeitos num planejamento fatorial 23 ..................... 50 Figura 2.7 - Representação geométrica dos contrastes correspondendo aos efeitos principais (a) e de interação a dois fatores em um planejamento fatorial 23 (b) (BARROS NETO et al, 2001) ........................................................................................... 51 Figura 2.8 - Modelo de representação das relações entre a resposta experimental Y de uma reação e os fatores A e B que influenciam esta resposta associados à mesma reação................................................................................................................................. 54 Figura 3.1 – Diagrama do procedimento experimental e materiais utilizados no trabalho. ..... 57 Figura 3.2 - (A) Esquema Ilustrativo do Misturador; (B) Misturador de Palheta Chandler Modelo 80-60, com controlador de velocidade................................................................. 60 Figura 3.3 - Consistômetro atmosférico Chandler, modelo 1200 ............................................ 61 Figura 3.4 - Viscosímetro rotativo de cilindros coaxiais Chandler Modelo 3500.................... 62 Figura 3.5 - (a) Esquema Ilustrado da Câmara de pressurização do Consistômetro; (b) Consistômetro Pressurizado Chandler Modelo 7716 ........................................................ 63 Figura 3.6 - Tubo decantador. .................................................................................................. 64 Figura 3.7 - Seccionamento da amostra de cimento curada: Topo (I); Intermediários (II) e (III); Fundo (IV). Fonte: Lima, 2004. ............................................................................... 65 Figura 3.8 - Banho Termostático Nova Ética Modelo 500/3DE. ............................................. 66 Figura 4.1 – TG / DTG Vermiculita bruta fina. ....................................................................... 73 Figura 4.2 – TG / DTG Vermiculita expandida fina. ............................................................... 73 Figura 4.3 – DRX Vermiculita natural fina.............................................................................. 75 Figura 4.4 – DRX Vermiculita expandida fina. ....................................................................... 75 x Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Figura 4.5 – Micrografia Eletrônica da Vermiculita bruta. ...................................................... 77 Figura 4.6 – Micrografia Eletrônica da Vermiculita expandida............................................... 77 Figura 4.7 – Micrografia eletrônica das pastas de cimento durante o processo de hidratação do cimento com vermiculita expandida. .......................................................... 78 Figura 4.8 – Diagrama de Pareto da influência das várias variáveis estudadas nos valores da consistência da pasta..................................................................................................... 81 Figura 4.9a – Superfície de Resposta dos valores de Consistência em função da concentração de cloreto de cálcio e vermiculita em representação 3D ............................. 82 Figura 4.9b – Superfície de Resposta dos valores de Consistência em função da concentração de cloreto de cálcio e vermiculita em representação 2D ............................. 83 Figura 4.10a – Superfície de Resposta dos valores de Consistência em função da concentração de cloreto de cálcio e nano sílica em representação 3D .............................. 84 Figura 4.10b – Superfície de Resposta dos valores de Consistência em função da concentração de cloreto de cálcio e nano sílica em representação 2D .............................. 85 Figura 4.11a – Superfície de Resposta dos valores de Consistência em função da concentração de nano sílica e vermiculita em representação 3D ...................................... 86 Figura 4.11b – Superfície de Resposta dos valores de Consistência em função da concentração de nano sílica e vermiculita em representação 2D ...................................... 87 Figura 4.12 – Diagrama de Pareto da influência das várias variáveis estudadas nos valores da reologia a 3RPM da pasta ............................................................................................. 90 Figura 4.13 – Relação entre valores observados experimentalmente e valores preditos pelo modelo do R3 ............................................................................................................ 91 Figura 4.14 – Superfície de Resposta dos valores de R3 em função da concentração de cloreto de cálcio e vermiculita........................................................................................... 92 Figura 4.15 – Superfície de Resposta dos valores de R3 em função da concentração de nano sílica e cloreto de cálcio............................................................................................ 93 Figura 4.16 – Superfície de Resposta dos valores de R3 em função da concentração de vermiculita e nano sílica.................................................................................................... 94 Figura 4.17 – Diagrama de Pareto da influência das várias variáveis estudadas nos valores da reologia a 300RPM da pasta ......................................................................................... 97 Figura 4.18 – Superfície de Resposta dos valores de R300 em relação à concentração de cloreto de cálcio e vermiculita........................................................................................... 98 xi Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Figura 4.19 – Superfície de Resposta dos valores de R300 em relação à concentração de cloreto de cálcio e nano sílica............................................................................................ 99 Figura 4.20 – Superfície de Resposta dos valores de R300 em relação à concentração de nano sílica e vermiculita.................................................................................................. 100 Figura 4.21 – Relação entre valores observados experimentalmente e valores preditos pelo modelo do R300 ...................................................................................................... 101 Figura 4.22 – Diagrama de Pareto da influência das várias variáveis estudadas nos valores do Gel Inicial da pasta ..................................................................................................... 103 Figura 4.23 - Superfície de Resposta dos valores de Gi em relação à concentração de cloreto de cálcio e vermiculita......................................................................................... 104 Figura 4.24 - Superfície de Resposta dos valores de Gi em relação à concentração de cloreto de cálcio e nano sílica.......................................................................................... 105 Figura 4.25 - Superfície de Resposta dos valores de Gi em relação à concentração de nano sílica e vermiculita........................................................................................................... 106 Figura 4.26 - Diagrama de Pareto da influência das várias variáveis estudadas nos valores do Gel Final da pasta ....................................................................................................... 108 Figura 4.27 - Superfície de Resposta dos valores de Gf em relação à concentração de cloreto de cálcio e vermiculita......................................................................................... 109 Figura 4.28 - Superfície de Resposta dos valores de Gf em relação à concentração de cloreto de cálcio e nano sílica.......................................................................................... 110 Figura 4.29 - Superfície de Resposta dos valores de Gf em relação à concentração de nano sílica e vermiculita........................................................................................................... 111 Figura 4.30 – Diagrama de Pareto da influência das várias variáveis estudadas nos valores da resistência mecânica da pasta ..................................................................................... 115 Figura 4.31a – Superfície de Resposta dos valores da resistência mecânica da pasta em relação à concentração de cloreto de cálcio e vermiculita .............................................. 116 Figura 4.31b – Superfície de Resposta dos valores da resistência mecânica da pasta em relação à concentração de cloreto de cálcio e vermiculita .............................................. 117 Figura 4.32a – Superfície de Resposta dos valores da resistência mecânica da pasta em relação à concentração de nano sílica e vermiculita........................................................ 118 Figura 4.32b – Superfície de Resposta dos valores da resistência mecânica da pasta em relação à concentração de nano sílica e vermiculita........................................................ 119 xii Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Figura 4.33a – Superfície de Resposta dos valores da resistência mecânica da pasta em relação à concentração de cloreto de cálcio e nano sílica ............................................... 120 Figura 4.33b – Superfície de Resposta dos valores da resistência mecânica da pasta em relação à concentração de cloreto de cálcio e nano sílica ............................................... 121 Figura 4.34 – Relação entre valores observados experimentalmente e valores preditos pelo modelo da resistência mecânica .............................................................................. 122 Figura 4.35 – Gráfico de valores observados experimentalmente pelos resíduos do erro do modelo ............................................................................................................................. 123 Figura 4.36 – Gráfico de valores preditos pelo modelo pelos resíduos do erro do modelo ... 124 xiii Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Lista de Tabelas Tabela 2.1 - Composição química (%) de vermiculitas comerciais brasileiras. ( UGARTE et al., 2005) ........................................................................................................................ 40 Tabela 2.2 – Exemplo de observações ..................................................................................... 44 Tabela 2.3 – Análise de variância completa usando os dados da Tabela 2.6 ........................... 45 Tabela 2.4 - Representação dos fatores e níveis para um planejamento fatorial 23................. 48 Tabela 2.5 - Representação da matriz para os cálculos dos efeitos principais e de interação para um planejamento fatorial 23. ..................................................................................... 49 Tabela 2.6 - Efeitos da variável A ............................................................................................ 49 Tabela 2.7 - Efeitos da variável B ............................................................................................ 50 Tabela 2.8 - Efeitos da variável C ............................................................................................ 50 Tabela 2.9 – Planejamento Fatorial 33 ...................................................................................... 53 Tabela 3.1 – Materiais utilizados na preparação de pastas de cimento. ................................... 58 Tabela 3.2 – Densidades absolutas e volumes específicos dos materiais utilizados. ............... 58 Tabela 4.1 – Formulações das pastas desenvolvidas no trabalho............................................. 68 Tabela 4.2 – Composição química (% em óxidos) Vermiculita Natural (Bruta) ..................... 70 Tabela 4.3 - Composição química (% em óxidos) Vermiculita Expandida ............................. 71 Tabela 4.4 - Área superficial .................................................................................................... 72 Tabela 4.5 - Identificação das Cartas Cristalográficas ............................................................. 74 Tabela 4.6 – Valores de Consistência das pastas estudadas ..................................................... 79 Tabela 4.7 – ANOVA completa para a consistência ................................................................ 80 Tabela 4.8 – ANOVA reduzida para a consistência................................................................. 80 Tabela 4.9 – Efeitos estudados para a R3................................................................................. 88 Tabela 4.10 – ANOVA completa para a R3............................................................................. 89 Tabela 4.11 – ANOVA reduzida para a R3.............................................................................. 89 Tabela 4.12 – Efeitos estudados para a R300........................................................................... 95 Tabela 4.13 – ANOVA completa para a R300......................................................................... 96 Tabela 4.14 – ANOVA resumida para a R300......................................................................... 96 Tabela 4.15 – Efeitos estudados para o Gi ............................................................................. 102 Tabela 4.16 – ANOVA completa para o Gi ........................................................................... 102 Tabela 4.17 – ANOVA resumida para o Gi ........................................................................... 102 xiv Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Tabela 4.18 – Efeitos estudados para o Gf ............................................................................. 107 Tabela 4.19 – ANOVA completa para o Gf ........................................................................... 107 Tabela 4.20 – ANOVA resumida para o Gf ........................................................................... 108 Tabela 4.21 – Efeitos estudados para a resistência................................................................. 113 Tabela 4.22 – ANOVA completa para a resistência............................................................... 114 Tabela 4.23 – ANOVA resumida para a resistência............................................................... 115 xv Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Nomenclatura # Abertura Mesh de peneira % Percentual γ Taxa de deformação τ Tensão de cisalhamento API American Petroleum Institute et al entre outros g grama Gi Gel inicial Gf Gel final h Hora Hn Unidade Hogans K Índice de Consistência LE Limite de escoamento min minuto mL mililitro MESH Tipo de classificação de abertura de peneira n NBR Índice de comportamento ou fluxo Norma Brasileira °C Grau Celsius °F Grau Fahrenheit rpm t Rotações por minuto Tempo Uc Unidade Bearden VP Viscosidade Plástica xvi Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 1. INTRODUÇÃO Introdução 1 Introdução A cimentação primária de poços de petróleo tem como função básica garantir a estabilidade mecânica e o isolamento zonal de um poço durante toda vida útil do mesmo. Já a cimentação secundária busca corrigir problemas advindos da cimentação primária, ou realizar algumas operações exigidas para a continuidade operacional do poço. Nas mencionadas operações de cimentação, são utilizados cimentos classificados pela API (American Petroleum Institute). Tais classes vão de cimento tipo “A” até cimento tipo “J”. A diferença entre essas classes está diretamente relacionada com a composição química do clínquer, que deve estar adequada às condições de uso, pela distribuição relativa das fases, profundidade e a temperatura dos poços (NELSON, 1990; THOMAS, 2004). Operações de cimentação primária em poços de petróleo em zonas geológicas com baixo gradiente de fratura requerem sistemas de pastas com baixas densidades, objetivando reduzir a pressão hidrostática no fundo do poço. Caso a pressão exercida pela coluna de cimento for superior à pressão de fratura da formação, a mesma poderá falhar e permitir a invasão do fluido para o interior das formações adjacentes ao poço. Esse processo é conhecido como perda de circulação (Figura 1.1) Pasta comum Maior peso específico Pasta espumada Menor peso específico P P SEM FRATURA FRATURA Invasão = Dano Baixa produtividade Sem invasão Maior produtividade Figura 1.1 - Pressões no fundo do poço e suas conseqüências conforme peso específico. 18 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Introdução Sistemas de pastas leves para aplicação em cimentação de poços petrolíferos possuem um elevado fator água/cimento, reduzindo, com isso, a resistência mecânica das pastas. Atualmente, são adicionados materiais mais leves para tentar reduzir as densidades das pastas de cimento sem comprometer a resistência mecânica. Materiais como micro esferas ocas e agentes incorporadores de ar são comumente aplicados em sistemas de pastas leves. A vermiculita é um silicato hidratado de magnésio, alumínio e ferro que apresenta uma estrutura micáceo-lamelar com clivagem basal. O termo vermiculita é utilizado também para designar comercialmente um grupo de minerais micáceos constituído por cerca de dezenove variedades de silicatos hidratados de magnésio e alumínio, com ferro e outros elementos. A vermiculita expandida tem muitas aplicações, especialmente em isolamentos acústicos e térmicos, agregados para concretos leves. Na forma hidrofobizada pode ser usada na remoção de camadas poluentes do petróleo em superfície de águas oceânicas e adsorventes para purificação de água (PINTO, 2000). O objetivo desse trabalho era o desenvolvimento de uma pasta de cimento de baixa densidade, para aplicação em operações de cimentação primária e secundária, em poços de petróleo com baixo gradiente de fratura. Para se atingir tal objetivo, se utilizou um planejamento estatístico, combinado com a metodologia de superfície de resposta, para se prever melhor o comportamento das propriedades estudadas (propriedades reológicas, resistência compressiva e estabilidade) das pastas cimentantes, e otimizar a fabricação da pasta. Além disso, se caracterizou a vermiculita nos ensaios de fluorescência de raios-x, determinação da área superficial, analise termogravimétrica, difração de raios-x e microscopia eletrônica de varredura. O presente trabalho foi dividido em cinco partes. A primeira parte compreende a introdução. Na segunda parte, realizamos uma extensa revisão da literatura, onde se discorreu acerca da operação de cimentação em poços de petróleo, aditivos utilizados no cimento, geopressões, vermiculita e análise experimental estatística. No terceiro capítulo, discorremos acerca dos materiais e métodos utilizados na confecção das pastas cimentantes e dos testes realizados nas mesmas. O quarto capítulo é dedicado à discussão e análise dos resultados obtidos. Os resultados do planejamento e análise estatística formam o cerne do trabalho: a busca por 19 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Introdução correlações que descrevam o comportamento das diferentes concentrações de aditivos (vermiculita, cloreto de cálcio de nanosílica) nas variáveis estudadas (reologia, resistência mecânica, consistência e estabilidade), além de se identificar a repetibilidade e relevância dos resultados obtidos nos testes realizados. Com base nas respostas e resultados adquiridos, pudemos desenvolver correlações e entender qual a real participação de cada um desses aditivos nas propriedades estudadas, com alto grau de confiabilidade dos dados. 20 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Revisão Bibliográfica 2 Revisão Bibliográfica 2.1 Cimentação A cimentação é uma das operações mais importantes realizadas em um poço de petróleo. Ocorre após o término da perfuração com o objetivo de compor a vedação entre as zonas permeáveis ou até mesmo em um único intervalo permeável, impedindo a intercomunicação de fluidos da formação que ficam por trás do revestimento, bem como propiciar suporte à coluna de revestimento (OLIVEIRA, 2004; VLACHOU, 1997). Em linhas gerais, uma cimentação consiste na mistura de uma pasta de cimento com água e a injeção da mesma pelo interior do revestimento, de forma a preencher o espaço entre o anular e a formação. Existem dois tipos de cimentação: a primária e a secundária (ou cimentação corretiva). A primária, como sua própria denominação já informa, ocorre logo após o término da perfuração de uma determinada seção. Além de isolar as zonas produtoras de óleo, gás e água, a cimentação primária busca proteger o revestimento de corrosão; prevenir eventuais kicks e blowouts, formando um selo protetor entre a formação e o revestimento; proteger o revestimento de eventuais choques causados pelo impacto da broca na continuação da perfuração; vedar zonas de perda de circulação (zonas ladronas) (CROOK, 2004). Já a cimentação secundária existe para corrigir eventuais problemas na cimentação primária. Em geral, caso a operação de perfuração e cimentação primária sejam bem planejadas, não há necessidade de se efetuar cimentações corretivas no poço. 2.1.1 Cimentação primária A cimentação primária é de grande importância para a construção de qualquer poço de petróleo, pois uma cimentação mal elaborada reduz o ciclo de vida do poço e implica em 22 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica custos adicionais em sua construção. Este tipo de cimentação é aquela realizada após a descida de cada coluna de revestimento, e sua qualidade é avaliada, geralmente, por meio de perfis acústicos corridos por dentro do revestimento (PELIPENKO E FRIGAARD, 2004; THOMAS, 2004). A Figura 2.1 detalha os tipos de revestimento mais comumente encontrados em uma cimentação primária. Figura 2.1 - Tipos de revestimento numa cimentação primária (COSTA, 2004) O revestimento condutor é o primeiro revestimento do poço, assentado a pequenas profundidades (geralmente, 10 a 50 metros), com a finalidade de sustentar sedimentos superficiais não consolidados. No revestimento de superfície, o comprimento varia na faixa de 100 a 600 metros e visa proteger os horizontes superficiais, prevenir o desmoronamento das formações não consolidadas, e serve ainda como base de apoio para os equipamentos de segurança de cabeça de poço. O revestimento intermediário tem a finalidade de isolar e proteger zonas de alta ou baixas pressões, zonas de perda de circulação, formações desmoronáveis, formações portadoras de fluidos corrosivos ou contaminantes de lama. Seu comprimento é variável, de acordo com a formação que se deseja atingir. Por fim, o 23 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica revestimento de produção, como o próprio nome indica, é descido com a finalidade de permitir a produção do poço, suportando suas paredes e possibilitando o isolamento entre os vários intervalos produtores (THOMAS, 2004). A função operacional da cimentação primária é de produzir um selo hidráulico impermeável cimentante no anular. Entretanto, alguns problemas advindos de uma má elaboração do projeto de pasta, ou até mesmo durante o processo de mistura e bombeio da pasta no campo de operações, podem provocar problemas na eficiência do selo. Estes problemas podem ser especificamente causados por: densidade incorreta da pasta, gelificação prematura, aderência deficiente na interface, fluxo de gás ascendente, entrada de gás na coluna de pasta, contração volumétrica, entre outros (SANTOS JÚNIOR, 2006; PELIPENKO et al., 2004). Na Figura 2.2 observa-se um caso típico de falha de cimentação. Bainha Cimentante Tubo de revestimento exposto à formação com zonas de gás ou sulfatos Formações rochosas adjacentes Falhas de Cimentação Figura 2.2 - Esquema de poço com falha de cimentação (THOMAS, 2004) Uma cimentação primária satisfatória está associada a uma boa aderência ao revestimento e à formação rochosa, além do preenchimento de todo o espaço anular. Antes do bombeamento da pasta de cimento, são feitos exames laboratoriais para garantir o sucesso na colocação da pasta no anular (SANTOS JÚNIOR, 2006). Embora com toda tecnologia e cuidados na elaboração e aplicação das pastas em todas as etapas da cimentação, essa operação nem sempre é realizada com sucesso em toda a extensão do poço, e pode ser necessária uma nova operação de cimentação para evitar acidentes (NELSON, 1990). Esta nova etapa de cimentação de correção é conhecida como cimentação secundária. 24 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica 2.2 Cimentação secundária Define-se cimentação secundária como toda cimentação realizada visando corrigir falhas na cimentação primária. Assim sendo, uma cimentação secundária pode ser realizada para eliminar a entrada de água de uma zona indesejável, reduzir a razão gás⁄óleo (RGO), através do isolamento da zona de gás adjacente a zona de óleo, abandonar zonas depletadas ou reparar vazamentos na coluna de revestimento. As cimentações secundárias são classificadas como: tampões de cimento, recimentação, e compressão de cimento ou Squeeze. 2.2.1 Tampões de cimento Os tampões de cimento são utilizados em casos onde ocorre perda de circulação, abandono total ou parcial do poço, entre outras funções. Um tampão, no geral, deve impedir a migração de fluidos entre formações ou entre uma formação e a superfície. Sem dúvida, o uso mais comum para os tampões de cimento é o abandono de zonas depletadas. Nesse caso, quando a produção de uma zona passa a ser comercialmente inviável, quer por causa de elevada produção de água, ou elevada razão gás-óleo, essa zona é isolada do resto do poço por um tampão, de forma a evitar a contaminação dos fluidos de diferentes zonas. Outro uso bastante comum para os tampões de cimento é sua utilização quando do “desvio” da perfuração de um poço por causa do surgimento de um material estranho no revestimento (conhecido no meio como “peixe”). Nesse caso, se isola o ponto imediatamente acima do peixe, para que a perfuração possa correr, desviando-se desse ponto. (CROOK, 2004). Os outros casos de uso de tampão de cimento são para controle do poço. Tanto em caso de se identificar zonas naturalmente fraturadas, o que pode causar perda de fluido para a formação, quanto em casos onde a pressão de poros da formação é idêntica à pressão de fraturamento, por causa da densidade do fluido de perfuração. Nesse caso, se cimenta a parte 25 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica inferior da coluna de perfuração, permitindo a troca do fluido de perfuração e a continuação da operação. A Figura 2.3 ilustra dois exemplos de usos de tampões de cimento. a) b) Figura 2.3 - (a) Tampão de abandono e (b) Tampão de cimento (COSTA, 2004). 2.2.2 Recimentação A recimentação é outra forma bastante comum de cimentação corretiva. Ela é empregada quando o cimento não alcança a altura desejada no anular. O mesmo é canhoneado em dois pontos próximos do local de falha na cimentação, e tenta-se circular cimento através destes canhoneados. Para possibilitar a circulação com retorno, a pasta é bombeada através da coluna de perfuração, dotada de um obturador (packer) para permitir a pressurização necessária para a movimentação da pasta pelo anular. 2.2.3 Compressão de cimento ou Squeeze Consiste na injeção forçada de cimento sob pressão, visando corrigir localmente a cimentação primária, sanar vazamentos no revestimento ou selar um determinado intervalo. 26 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica Nesse último caso, é comumente usada quando o intervalo a ser isolado encontra-se acima de outro intervalo produtor, cujo fechamento não seria viável (Figura 2.4). De todas as operações de cimentação secundária, o squeeze é a mais complexa, exatamente por lidar com pressões de trabalho altas, o que pode inclusive comprometer a formação rochosa próxima ao local do squeeze. Produção de água Squeeze de a) b) Figura 2.4 - (a) Falha na cimentação e (b) Squeeze de cimento para correção da falha (FREITAS, 2008). O squeeze pode ser realizado de várias formas, de acordo com a necessidade da operação. 2.3 Fatores que afetam uma cimentação Como a cimentação primária consiste no posicionamento de uma pasta cimentante no anular formado pelo revestimento e as paredes do poço, espera-se que a mesma, após a pega, proporcione: • Aderência mecânica ao revestimento; • Isolamento das formações; 27 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica • Proteção do revestimento contra corrosão e cargas dinâmicas decorrentes de operações no seu interior. Para que a pasta de cimento atenda aos requisitos mencionados acima, é necessário que alguns cuidados no projeto e na execução da cimentação primária sejam tomados. Os fatores listados abaixo são reconhecidamente responsáveis pelas deficiências na capacidade de um selante, embora essas deficiências não se limitem apenas a estes fatores: • Densidade incorreta da pasta, podendo resultar no desbalanceamento hidrostático e entrada de fluidos na pasta; • Fluido de perfuração e reboco com propriedades inadequadas, permitindo o fluxo de gás ascendente no anular; • Gelificação prematura, resultando na perda do controle da pressão hidrostática; • Perda de filtrado excessiva, permitindo a entrada do gás na coluna da pasta; • Pastas altamente permeáveis, contribuindo para deficiências no isolamento hidráulico e resistência ao fluxo de gás; • Contração volumétrica apreciável, devido ao processo de hidratação e fissuração da bainha de cimento sob tensão, gerando fraturas e microanulares que permitem a migração de fluidos; 2.4 O Cimento Praticamente a totalidade dos cimentos para completação de poços são cimentos Portland, uma mistura calcinada de calcário com certos tipos de argila. As pastas de cimento constituídas de cimento Portland e água são geralmente utilizadas devido a suas excelentes propriedades de promover a cura (enrijecimento da pasta) mesmo sob condições bastante adversas. 28 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica 2.4.1 Classificação dos Cimentos A indústria de petróleo usa as especificações da API (American Petroleun Institute) para, dentre outras coisas, definir as características dos cimentos usados nas operações de cimentação. A norma API 10A determina as diferentes classes de cimentos API, para variadas pressões em temperaturas. Classe A: usado em situações onde não são exigidas nenhuma propriedade especial do cimento, seu uso é muito restrito. Classe B: usado em situações que exijam alta resistência a sulfatos. Classe C: usado quando se requer que a resistência mecânica do cimento cresça rapidamente. Classe G/H: tipo de cimento mais utilizado na indústria de petróleo, é designado para cimentações básicas. Os elementos básicos para a manufatura de um cimento Portland, como já mencionado, é o carbonato de cálcio (calcário) e argila. Ferro e alumínio podem ser adicionados à composição, caso não estejam presentes em quantidades aceitáveis na argila. Esses materiais são misturados, e alimentados em um reator rotativo, que funde a mistura em temperaturas da ordem de 1500 ºC, transformando-a em um material chamado de clínquer. Após o resfriamento do clínquer, o mesmo é pulverizado com sulfato de cálcio (COOK, 2004). Ao se agregarem com a água, os clínquers formam quatro fases cristalinas, denominadas C2S, C3S, C3A, C4AF. A estrutura cristalina e suas respectivas fórmulas serão discutidas na seção posterior. 2.4.2 Hidratação do Cimento As reações envolvidas na mistura do cimento são bastante complexas, sendo que cada fase reage com um mecanismo de reação e velocidades diferentes (COOK, 2004). Entretanto, essas reações estão intimamente ligadas entre si. Durante a hidratação, o cimento forma quatro grupos cristalinos principais, como já mencionado. O C2S (Silicato de Dicálcio) e C3S (Silicato de Tricálcio) são similares, possuindo, respectivamente, fórmula molecular 2CaO·SiO2 e 3CaO·SiO2, e sendo gerados a partir da reação de hidróxido de sílica e cálcio com hidróxido de cálcio. Entretanto as 29 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica velocidades de reação de cada um são enormemente diferentes (COOK, 2004), sendo a concentração do segundo três vezes maior que a do primeiro. A sua principal função no cimento é a definição da resistência à compressão do material. C3A, Aluminato de Tricálcio (3CaO·Al2O3) e o C4AF, Aluminoferrita de Tetracálcio (4CaO·Al2O3·Fe2O3) são estruturas semelhantes, que possuem influência na reologia e gelificação da estrutura. 2.4.3 Efeitos da Temperatura na Hidratação do Cimento Na presença de uma fonte de energia térmica, as fases de hidratação do cimento ocorrerão muito mais rapidamente. Por causa disso, os tempos de pega da pasta serão bem menores. Um dos “testes” mais comuns em campo para se ver se a pasta já se enrijeceu, consiste em colocar uma amostra do cimento em um copo plástico e aguardar até que ocorra a pega do cimento dentro do copo. O erro nesse procedimento existe na temperatura ambiente, bastante inferior à do interior da terra. 2.5 Desenvolvimento da Pasta Cimentante Conforme bem nos lembra Cook, “as propriedades das pastas cimentantes devem ser modificadas de forma a preencher as demandas de trabalhos específicos”. Essas modificações são realizadas com o uso de aditivos específicos, que alteram a dinâmica de hidratação do cimento Na tabela abaixo, temos uma listagem com os aditivos mais comuns e seus usos. Na prática, dezenas de produtos químicos já foram, comprovadamente, eficientes na mudança das propriedades das pastas de cimento Portland. Todos esses aditivos possuem (logicamente) um efeito primário no cimento, que é benéfico para a pasta. Por outro lado, o mesmo elemento pode possuir efeitos secundários, quem nem sempre são benéficos. Esses efeitos, tanto secundários quanto primários, são alterados de acordo com o tipo de aditivo, quantidade dele ou, ainda, interações sinérgicas com outros aditivos. As principais propriedades alteradas por 30 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica esses aditivos são: tempo de pega, resistência à compressão, reologia, perda de filtrado, estabilidade e água livre. Uma pasta, quando bem projetada, lembra-nos COOK (2004), deve ter propriedades que a permitam ser utilizada nas condições do poço a ser cimentado. A pasta ideal não deve ter água livre, deve promover controle de filtrado para evitar danificar as formações, ser retardada o suficiente para não se enrijecer durante o tempo de bombeamento, e manter sua densidade, para promover controle hidrostático suficiente. Em geral, quando se projeta uma pasta, deve se ter em mente vários critérios (que, logicamente, afetarão as propriedades da pasta), como a profundidade do poço, qualidade da água de mistura, temperatura no local da cimentação, água livre, tipo de fluido de perfuração, qualidade do cimento (puro), regime de fluxo no bombeamento, densidade da pasta, aditivos, perdas de circulação, crescimento da resistência da pasta, possibilidade de migração de gás, tempo de bombeio e, até mesmo, pessoal de laboratório. 2.6 Aditivos Conforme já foi anteriormente dito, os aditivos são utilizados para modificar as propriedades do cimento, com base nas propriedades requeridas para cada operação de cimentação. Esses aditivos se dividem em várias categorias: aceleradores de pega, retardadores, controladores de filtrado, agentes expansivos, aditivos que alteram a densidade da pasta, entre vários outros. A seguir, iremos analisar brevemente cada um deles, incluindo os produtos mais comuns. 2.6.1 Aceleradores de Pega Os aceleradores de pega diminuem o tempo de espessamento da pasta, reduzindo o tempo necessário para que as reações ocorram. Os aceleradores de pega são bastante desejados principalmente nas situações onde se utilizam cimentos com baixa densidade (ou 31 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica seja, pouco teor de cimento), assim como em formações com baixo gradiente geotérmico, ou baixa temperatura no local da cimentação. O acelerador de pega mais utilizado é o cloreto de cálcio (CaCl2). O principal motivo para isso é seu baixo custo e farta disponibilidade. Além disso, ao contrário de outros sais, quando o cloreto de cálcio é usado, independentemente de sua concentração, o mesmo sempre atua como acelerador de pega. Em geral, sua concentração “ótima” é de 1 a 4% em massa. Acima desses valores, a pasta pode ficar bastante instável e promover a gelificação da mesma. Outro sal bastante utilizado é o cloreto de sódio (NaCl), sal de cozinha. Ao contrário do cloreto de cálcio, em concentrações altas o NaCl pode atuar como retardador de pega, e em qualquer concentração atua como dispersante. Comumente, o cloreto de sódio pode ser usado como acelerador em até 10% de concentração. O cloreto de potássio também pode ser usado como acelerador de pega, com um efeito secundário bastante benéfico em argilas e por não alterar o funcionamento de controladores de filtrado. 2.6.2 Retardadores de Pega Do lado dos aceleradores de pega, os retardadores de pega possuem uma participação essencial na indústria de petróleo: os cimentos Portland padrão não possuem um tempo de pega alto o suficiente para serem aplicados em temperaturas superiores a 38ºC. Isso é um problema principalmente em poços profundos, onde o tempo de deslocamento da pasta pode ser bastante elevado. O retardador mais usado atualmente são os ligno sulfonatos, sais metálicos derivados do processamento de rejeitos de madeira. Os mais comuns são os lignosulfonatos de cálcio e sódio. Os derivados de celulose também são bastante usadas como retardadores de pega. A hidroxietil celulose (HEC) e carboxi-metil-hidroxi-etil-celulose (CMHEC). Outra função do CMHEC é como controlador de filtrado. Por fim, como já citamos anteriormente, os sais também podem ser usados como retardadores. Concentrações acima de 20% podem efetivamente retardar a pega do cimento em várias horas. Essas pastas super salinas são bastante utilizadas para cimentações através de domos salinos, e ajudam a proteger zonas com argilas, prevenindo maiores danos à formação. 32 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica Por outro lado, as pastas super salinas são muito dispersadas, e requerem grandes quantidades de controladores de filtrado. 2.6.3 Extendedores A densidade de uma pasta de cimento “padrão” é em torno de 15 lb/Gal. Entretanto, vários fatores podem fazer com que essa densidade de pasta seja demasiado alta: em zonas naturalmente fraturadas, com histórico de perda de fluido para a formação, ou até mesmo zonas com baixo gradiente de fratura, se exige um cimento de baixa densidade, capaz de reduzir o gradiente hidrostático da coluna de fluido. Para isso, se utilizam materiais chamados de extendedores. Existem diversos tipos de extendedores, entre eles os extendedores físicos (argilas e compostos orgânicos, além da vermiculita, usada neste trabalho), extendedores pozolânicos, extendedores químicos e gases. Na prática, qualquer material que tenha densidade inferior à do cimento pode ser usado como extendedor. Esses materiais abaixam a densidade da pasta por um dentre esses três métodos: os extendedores físicos ocupam o lugar do cimento, diminuindo a densidade total da mistura. Os extendedores químicos (e os físicos, em menor proporção), absorvem água, permitindo que mais água seja adicionada à mistura, diminuindo a densidade do cimento sem que se produza água livre. Os gases, por fim, agem de maneira diferente, já que são usados para se produzir cimentos com densidades extremamente baixas, ao mesmo tempo em que retém resistências compressivas aceitáveis. Os extendedores físicos são os mais comuns de todos. Em geral eles funcionam ao aumentar a quantidade possível de água na pasta, ou por diminuição da densidade conjunta do sistema. Os extendedores físicos mais usados são a bentonita, perlita, além, claro, da vermiculita, usada nesse trabalho. A bentonita é um mineral argiloso composto basicamente de montmontrilonita sódica (NaAl2(AlSi3O10)·2OH). O uso de bentonita é tão comum que a mesma foi tratada em uma especificação da API. A bentonita pode ser adicionada a qualquer cimento API, e seus usos mais comuns, além da diminuição da densidade da pasta, são para prevenir a segregação dos sólidos, reduzir água livre, reduzir filtrado e aumentar o rendimento da pasta. Geralmente, se limita a concentração de bentonita até 16% de concentração mássica. 33 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica A Perlita vulcânica é um extendedor constituído de rocha vulcânica, tratada de forma a gerar um material com grande teor de ar em seu interior, resultando em uma baixa densidade. Exatamente por causa dessa característica, a Perlita tem grande tendência a se segregar do resto da pasta. Por isso, é necessário se adicionar cerca de 6% de bentonita. Por fim, a Perlita possui baixa compressibilidade, o que diminui consideravelmente a resistência compressiva das pastas com esse material. 2.6.4 Extendedores Pozolânicos Outra classe de extendedores bastante comum são os extendedores pozolânicos. Em geral, se utilizam, nesses casos, cinzas, micro sílica, metacaulim, micro esferas de vidro, entre outros. Em comparação com outros aditivos, os extendedores pozolânicos podem ser usados em grandes concentrações. As cinzas, por exemplo, podem ser adicionadas em volumes até quatro vezes superiores aos do cimento, sendo o material pozolânico mais usado, sendo classificados em dois tipos, Classe F e Classe C, sendo a Classe F a mais usada. A maior vantagem desse material é seu baixo custo e abundância. As características das cinzas variam pouco entre suas bateladas, desde que a “fonte” seja constante. As micro esferas são usadas quando se desejam pastas com densidades entre 8,5 a 11 lb/Gal. Elas consistem em pequenas esferas ocas, em geral, cinzas ocas, e estão sempre presentes em cinzas de Classe F, mas em quantidades reduzidas, e sua superfície é vítrea com aluminossilicatos, e seu interior é composto de gases de combustão, como CO2, NO2, SO2. Já as esferas sintéticas são de vidro com borosilicato e criadas de forma a possuir grande resistência contra quebra, e em geral são preenchidas com nitrogênio. A maior desvantagem do uso dessas esferas está exatamente em sua possibilidade de quebra durante a mistura e bombeamento da pasta pela coluna, e quando expostas a pressões hidrostáticas maiores do que o esperado. O principal efeito negativo disso é o aumento da densidade da pasta, aumento da viscosidade, diminuição do volume da pasta e pega antecipada. Certamente, se o projeto da pasta for bem executado, há a possibilidade de se obter vários efeitos positivos, como grande crescimento da resistência mecânica da pasta, controle da perda de fluido e água livre. Microsílica, também conhecida como pó de silício, é uma forma de sílica finamente dividida, com alta área superficial e que pode ser obtida tanto na forma líquida quanto em pó. 34 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica Além da diminuição de densidade, a micro sílica promove outros benefícios à pasta. Por causa de seu reduzido diâmetro, as partículas de sílica preenchem as zonas entre as partículas maiores de cimento, resultando em uma matriz estrutural densa e resistente. Além disso, ocorre uma melhoria significativa das propriedades reológicas, já que as partículas agem como se fossem micro esferas. A concentração mássica desejada de micro sílica deve ser da ordem de 3 a 30% da pasta. O maior problema da micro sílica é seu custo. Tratada como rejeito há alguns anos, a micro sílica passou a ser intensamente utilizada, o que acabou por dificultar o acesso ao material. As propriedades da sílica a fazem ser útil em diversas outras aplicações: desde melhorias na compressibilidade da pasta até melhoria das propriedades tixotrópicas do cimento para squeezes, perda de circulação, migração de gás e controle de filtrado. 2.6.5 Extendedores Químicos Diversos materiais são eficientes como extendedores químicos. Os mais comumente usados na indústria do petróleo são o silicato de sódio e a gipsita. O silicato de sódio pode ser até seis vezes mais eficiente do que a Bentonita quando usado como extendedor, sendo eficiente para criação de pastas com até 11,5 lb/Gal. 2.6.6 Cimento Aerado É possível se desenvolver pastas cimentantes com densidades variando de 4 a 18 lb/Gal, se aproveitando da aeração das pastas. Esses cimentos são compostos, geralmente, por uma mistura de cimento, agentes aeradores e um gás, em geral nitrogênio. Esse gás é injetado a alta pressão em uma pasta que tenha previamente recebido um agente aerante e um estabilizador de espuma. Esse processo leva a criação de uma pasta bastante leve, composta de milhares de pequenas bolhas que não coalescem, formando uma matriz de baixa densidade e alta resistência. 35 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica Em teoria, qualquer pasta de cimento pode ser passível de virar um cimento aerado. Da mesma forma, qualquer operação de cimentação pode ser passível de ser feita com cimentos aerados, quer seja uma cimentação primária ou secundária, em poços verticais ou horizontais. Apesar da operação com cimentos aerados ser mais difícil que o normal, o mesmo possui várias vantagens, como sua baixíssima densidade, excelente razão resistência/densidade, é facilmente bombeável, é expansível, ajuda a prevenir a migração de gás, melhora a isolação de zonas, não é necessário o uso de controladores de filtrado, estável em qualquer temperatura, dentre outros (COOK, 2004). 2.6.7 Agentes Adensantes Agentes adensantes são utilizados para de aumentar a densidade das pastas, para controlar poços de alta pressão de poros. Em geral, para cumprir bem a sua função, os materiais devem ter densidade superiores a 17 lb/Gal. O adensante mais utilizado é a hematita (Fe2O3). 2.6.8 Dispersantes Dispersantes são usados extensivamente na indústria de cimentação para melhorar as propriedades reológicas das pastas, de forma a diminuir as perdas de carga no bombeamento das mesmas. Outra vantagem dos dispersantes é sua habilidade de permitir uma alta carga de sólidos nas pastas. Dessa forma, cimentos com densidades superiores a 17 lb/Gal podem ser desenvolvidos sem o uso de agentes adensantes. O mesmo conceito, em teoria, pode ser utilizado para desenvolver pastas de baixíssima densidade, mas com alto teor de sólidos, e uso de extendedores. 36 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica 2.6.9 Controladores de Filtrado Controladores de filtrado são usados para manter um volume constante da pasta cimentante, de forma a garantir que as propriedades da pasta se mantenham dentro de um limite. Em geral, a variação de cada uma dessas propriedades depende da quantidade de água no cimento. Caso haja água em excesso, em geral o tempo de espessamento, perda de fluido, água livre, segregação, permeabilidade e porosidade do cimento serão maiores. Por outro lado, a densidade, viscosidade e resistência da pasta serão menores. E, tendo em vista que a previsibilidade das propriedades da pasta são uma das características mais desejadas nas mesmas, é essencial que se consiga controlar essas propriedades dentro de um range aceitável. As pastas de cimento, fisicamente falando, são suspensões coloidais com fases sólidas e líquidas distintas. Durante a operação de cimentação, caso ocorra das fases se segregarem, permitindo que zonas de alta densidade se formem dentro da pasta, o que pode causar, além da mudança brusca nas propriedades do cimento, até mesmo causando fraturamento da formação, pega instantânea, entre outros. Após o posicionamento da pasta, a fase fluida será filtrada para as formações permeáveis, resultando em uma diminuição do volume de pasta e da sua pressão hidrostática, além de vários outros pontos indesejáveis. Os inibidores de filtrado são, dessa forma, usados para controlar a segregação das fases, líquida e sólida, dentro da pasta de cimento, assim como controlar a taxa de infiltração da parte líquida da pasta na formação. As pastas sem inibidor possuem, em geral, uma perda calculada de acordo com as normas API de 1500 cm³/30 min. Esse valor deve ser alterado para cada formação, em cada trabalho de cimentação. 2.6.10 Bentonita A bentonita, apesar de ser um extendedor, ocupa um local de destaque no presente trabalho, tendo em vista que a mesma também pode ser usada como controlador de filtrado, é de fácil obtenção e baixo custo. Bentonita possui cerca de 85% do material argiloso smectita (também chamado de montmorilonita), e possui a propriedade pouco usual de se expandir 37 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica várias vezes quando em contato com água, o que aumenta a viscosidade e a força gel das pastas, além de sua estabilidade, por manter melhor os sólidos suspensos (NELSON, 1990). A bentonita, geralmente, é adicionada entre 6% a 20% em massa de água, e consegue atingir densidades até 12 lb/Gal. Entretanto, infelizmente ocorre uma diminuição considerável na resistência compressiva da pasta, que pode atingir valores de até 1 MPa, para concentrações próximas a 20% de bentonita. Além disso, a permeabilidade do cimento aumenta, o que diminui a resistência do mesmo a fluidos corrosivos. 2.7 Geopressões Nos inícios da produção e prospecção de petróleo, os poços eram perfurados em profundidades moderadas, e geralmente o entendimento das forças geológicas em uma região era desenvolvido a cada região produtora, na base do erro e acerto (MOOS, 2004). Desde então, os poços tem ficado cada vez mais caros e complexos, tanto por causa das maiores profundidades atingidas, quanto devido ao acesso a zonas de altas temperaturas, altas pressões e altas tensões. Por outro lado, muitas zonas possuem o problema contrário: sua pressão de fratura é bastante inferior ao comum, levando a problemas severos durante as operações de perfuração e cimentação dos poços. A composição de todas as tensões atuantes sobre uma rocha forma o chamado estado de tensões que, em certas condições, poderá levar à falha da rocha. Essa definição é de fundamental importância para o projeto e execução da perfuração do poço, uma vez que irá determinar os limites de pressões aos quais o poço poderá ser submetido. As pressões que levam à falha da rocha são chamadas pressão de colapso e pressão de fratura (ROCHA, 2007). A pressão de fratura, que é a mais importante nesse trabalho, é a pressão que leva à falha da rocha por tração. A principal conseqüência disso é a perda de fluido para a formação, fenômeno denominado de perda de circulação. Em uma determinada profundidade, a pressão de fratura seria matematicamente igual à tensão de compressão da rocha (pressão de overburding) somada à pressão de poros. Ao se projetar uma operação de cimentação, o projetista deve procurar determinar a melhor densidade de pasta, de forma a evitar o fraturamento da formação. 38 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica Em zonas produtoras rasas, como é o caso de boa parte dos poços do Nordeste Brasileiro, a pressão de overburden é muito baixa, o que leva a pressões de fraturas muito mais baixas do que o normal. Somado à possibilidade de existirem zonas naturalmente fraturadas, a importância de pastas cimentantes de baixa densidade é evidente. Existem diversas formas de determinação da pressão de fratura em uma determinada profundidade. Para um estudo mais aprofundado, recomendamos a leitura de FERREIRA, 2010. 2.8 Vermiculita A vermiculita é um argilomineral da família das micáceas, geralmente formada pela alteração hidrotérmica, como a biotita. No entanto, estudos da caracterização tecnológica (UGARTE et al., 2005) têm mostrado que as vermiculita de Santa Luzia (PB) e Sancrelândia (GO) são compostas de camadas mistas interestratificadas de vermiculita com outras fases mineralógicas (talco, hidrobiotita, biotita e flogopita). A Figura 2.5 ilustra um diagrama com estruturas da flogopita, vermiculita e uma estrutura mista estratificada, flogopita e vermiculita. 39 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica Figura 2.5 - Estruturas: (a) flogopita; (b) estrutura da vermiculita com cátions de Mg hidratado nas regiões entre camadas de H2O e (c) estrutura estratificada de flogopita com vermiculita. (UGARTE et al., 2005) A composição química da vermiculita encontrada em algumas das principais jazidas do Brasil é apresentada na Tabela 2.1. Tabela 2.1 - Composição química (%) de vermiculitas comerciais brasileiras. ( UGARTE et al., 2005) 40 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica Até a alguns anos atrás, o termo vermiculita era muito mal definido, sendo aplicado a todo mineral micáceo lamelar que fosse capaz de expandir ou esfoliar quando aquecidos. Através de estudos químicos e estudos através da difração de raios X, foi demonstrado que muitos minerais até então classificados como vermiculitas eram, na verdade, camadas interestratificadas de mica-vermiculita e clorita-vermiculita, que depois foi comprovado que também poderia ocorrer interestratificações ternárias e quaternárias de vermiculita com ilita, clorita e/ou montmorilonita. Além disso, também existe mistura lateral de vermiculita e clorita dentro da mesma camada estrutural. Dessa forma, existe uma grande variabilidade na estrutura cristalina dentro de uma mesma jazida, fazendo com que a sua caracterização mineralógica se torne bastante difícil (SANTOS, 1989). No Brasil há depósitos e jazidas de vermiculita nos estados da Paraíba, Goiás e Piauí. Os minérios brasileiros não contêm asbestos, o que confere aos concentrados de vermiculita maior valor agregado, além de favorecer o melhor aproveitamento econômico do bem mineral. Uma aplicação atrativa para a vermiculita é como material adsorvente/absorvente, devido às propriedades de troca iônica que possui, semelhante a algumas argilas e zeólitas, podendo ser utilizada em processos de remoção de contaminantes orgânicos e na purificação de águas residuais contendo sais dissolvidos (UGARTE et al., 2005). Possui o íon de magnésio Mg2+ como cátion trocável que ocupa as posições octaédricas e que pode estar substituído por Fe3+, Fe2+ e Al3+. Os íons de magnésio interlamelares são cercados por moléculas de água. Quando a vermiculita é aquecida acima de 230 ºC, as moléculas de água são expulsas violentamente perpendicularmente ao plano de clivagem das placas, causando um espaçamento entre as lamelas e, por conseguinte sua esfoliação ou expansão. Essa expansão pode chegar até 20 vezes do seu volume e causa uma variação apreciável na suas características físico-mecânicas (SANTOS, 1989). Cada floco aprisiona ar em seu interior que promove a propriedade isolante à vermiculita expandida. O produto, assim, obtido da expansão é então resistente ao fogo, inodoro, possui baixa densidade, não irrita a pele nem os pulmões, não é condutor de eletricidade, é isolante térmico e absorvente acústico, resistente à decomposição, não atrai insetos e pode absorver água até 5 vezes o seu peso. Em seu estado natural, a vermiculita tem poucas aplicações. Entretanto, depois que é expandida, ela se torna um material de baixa densidade com excelentes propriedades para 41 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica isolamento térmico e acústico. Essas propriedades fazem a vermiculita expandida um produto com larga aplicação, especialmente nas engenharias civil e naval e para uso industrial em geral. A vermiculita expandida tem muitas aplicações, especialmente em isolamentos acústicos e térmicos, agregados para concretos leves, na forma hidrofobizada pode ser usada na remoção de camadas poluentes do petróleo em superfície de águas oceânicas, adsorventes para purificação de água, etc. (PINTO, 1994; SILVA JR., 2000). Até o presente trabalho, seu uso com o cimento se restringia a confecção de concretos leves para construção de caixas de abelhas usadas na apicultura e na construção civil no uso como concreto para isolamento térmico e acústico. No entanto, diante das propriedades físicas da vermiculita, tem se iniciado estudos de seus efeitos nas propriedades de pastas de cimento para cimentação de poços de petróleo. 2.9 Análise Experimental Estatística A necessidade de se estudar simultaneamente os diversos fatores que interferem em um determinado processo assume um papel de destaque na implantação de muitos projetos industriais. A otimização de sistemas, produtos e processos, através de procedimentos experimentais tradicionais não é capaz de traduzir as melhores condições experimentais, sem que um grande número de experimentos seja empregado (MUNIZ, 2005). As subseções seguintes destinam-se a apresentar uma estratégia experimental bem elaborada, permitindo minimizar o custo e o número de experimentos envolvidos em uma investigação experimental, seja na indústria ou em um laboratório de pesquisas e desenvolvimento, ou mesmo em trabalhos acadêmicos (BARROS NETO et al, 2001). O interesse em desenvolver um planejamento experimental é justificado pela intenção de minimizar os custos, o número e o tempo dos experimentos necessários à realização e aplicação de um trabalho. 42 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica 2.9.1 Conceitos Básicos de Estatística Nessa introdução, iremos discutir brevemente os conceitos estatísticos essenciais para o bom entendimento do trabalho estatístico realizado na presente tese. A busca pela “natureza quantitativa” da realidade (isso é, a análise da realidade a partir dos dados presentes) (Nisbett, et al., 1987). Pela própria natureza do presente trabalho, a revisão bibliográfica a seguir deverá ser suficientemente curta, devendo o leitor interessado buscar auxílio de livros-texto mais aprofundados. Como recomendação, citamos Kachigan (1986), Runyon e Haber (1976); Hays (1988), Kendall e Stuart (1979) e Barros Neto, Scarmino e Bruns (2007). Inicialmente, é importante definirmos o que são variáveis. Variáveis são os fatores que medimos, controlamos ou manipulamos em pesquisa. Elas diferem em vários aspectos, em geral na sua importância para a pesquisa e na sua forma de mensuração. As variáveis se dividem em duas categorias: dependentes e independentes. Tal definição nada tem a ver com as características intrínsecas da variável, mas sim com o fato dessa ser controlada ou não durante o processo de experimentação. Por exemplo, nessa dissertação, a concentração de vermiculita é uma variável independente, já que ela é alterada e estudada independentemente das outras. A significância estatística de um resultado é a probabilidade de que a relação observada entre variáveis ocorreu por mero acaso, e que na população de qual a amostra foi retirada, nenhuma relação existe. Em outras palavras, a significância estatística indica o quanto uma relação entre um conjunto de dados é "verdadeiro". A maneira padrão de se analisar a significância estatística de uma amostra é através do seu valor-p, que é o nível descritivo da amostra. Em um teste, definem-se duas hipóteses, a hipótese nula (onde as relações entre variáveis não existem), e a alternativa (definida pelo estudo). Caso o valor-p seja inferior ao nível de significância da amostra (determinada pelo pesquisador), rejeita-se a hipótese nula, ou seja, aceita-se a hipótese formulada pelo pesquisador, em relação à relação entre variáveis estudada. Portanto, quanto maior o valor-p, menor seria a confiança que teríamos de que as relações encontradas seriam verdadeiras. No presente trabalho, foi utilizado um valor-p de 0,05, ou seja, permitiu-se que existisse 5% de “incerteza” nos valores estudados. Esse valor é eminentemente arbitrário, e foi decidido tanto por ser o padrão na indústria, quanto pela própria incerteza dos experimentos realizados. Entretanto, mesmo assim, a maior parte dos 43 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica fatores estudados e classificados como significantes se encaixaria dentro de limites bem inferiores, como p=0,01. 2.9.2 Análise de Variância (ANOVA) No geral, o objetivo da análise de variância (ANOVA) é testar diferenças significativas entre médias. Como base do método, temos o fato de que as variâncias podem ser divididas. Lembrando que a variância é calculada como a soma dos desvios quadráticos em relação a média, dividido pelo número de amostras menos um (grau de liberdade retirado por causa da média). Portanto, dado um certo n, a variância é função da soma dos desvios quadráticos (nesse trabalho, se usará o termo SS, proveniente de sums of squares, termo em inglês usado no software aplicado no estudo). A divisão das variâncias funciona da seguinte forma (Tabela 2.2): Tabela 2.2 – Exemplo de observações Grupo 1 Grupo 2 Observação 1 2 6 Observação 2 3 7 Observação 3 1 5 Média 2 6 SS 2 2 Média Total 4 SS Total 28 A média para os dois grupos é bem diferente (2 e 6), e a soma dos quadrados de cada um é igual a 2. Se repetirmos esse cálculo ignorando as ligações entre grupos, ou seja, calcularmos a SS total, obtemos o número 28. Em outras palavras, o cálculo da variância (soma dos quadrados) com base na variabilidade intra grupo produz uma estimativa muito menor do que a computação de variância que com base na variabilidade total (a média global). A razão para isto, no exemplo acima é claro que existe uma grande diferença entre as médias, e é esta diferença de que representa a diferença no SS. Na verdade, se fôssemos fazer uma análise de variância genérica nos dados acima, obteríamos o seguinte resultado (Tabela 2.3): 44 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica Tabela 2.3 – Análise de variância completa usando os dados da Tabela 2.6 SS dF MS F p Efeito 24 1 24 24 0,008 Erro 4 4 1 Como pode ser visto na tabela 2.3, a SS total (28) foi particionada em SS devido à variabilidade dentro do grupo (2 + 2 = 4) e variabilidade devido às diferenças entre os meios (28 - (2 + 2) = 24 ). A variabilidade dentro do grupo (SS) é normalmente determinada como a variância de erro. Em geral, esse termo compõe aqueles fatores não explicáveis experimentalmente. Nesse caso, entretanto, podemos explicar que se trata da diferença nas médias entre grupos. O teste de significância da amostra é feito com base na comparação da variância devido à variabilidade entre os grupos (chamados de Efeito Quadrático da Média, ou MSeffect) com a variabilidade dentro do grupo (chamado Efeito Quadrático do Erro, ou MSerror). Além disso, analisando o valor-p e o teste F de variância, vemos que o teste acima é bastante significativo. Em outras palavras, o propósito da análise de variância é testar as diferenças entre as médias (para os grupos ou variáveis) para significância estatística. Isto é conseguido por meio da análise da variância, isto é, através da partição da variância total para o componente que é devido ao erro aleatório verdadeiro (isto é, dentro do grupo-SS) e os componentes que são devidas às diferenças entre as médias. Estes componentes de variância últimos são então testados para significância estatística, e, se forem significativos, nós rejeitaremos a hipótese nula que afirma não haver nenhuma diferença entre os meios e aceitamos a hipótese alternativa de que as médias (na população) são diferentes um do outro. Agora, deveremos analisar uma situação um pouco mais realista: as análises de variância com vários fatores. Quase a totalidade dos fenômenos naturais são explicados por uma combinação de fatores. Do contrário, pouquíssimos seriam explicados por apenas um fator sozinho. Além disso, a ANOVA permite que analisemos vários fatores de uma só vez, diminuindo o esforço para realizar essa análise. Além disso, a ANOVA permite que se estude as interações entre fatores em relação a um resultado, o que é impossível com outros métodos de análise estatística. 45 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica 2.9.3 Desenvolvimento do Planejamento Experimental A utilização de uma metodologia experimental como ferramenta na otimização de sistemas e/ou processos, tem sido largamente empregada em várias indústrias. Uma de suas vantagens é que essa metodologia fornece, de maneira objetiva, a visualização e análise do comportamento de um determinado sistema, bem como a significância estatística e a influência de determinados parâmetros pré-estabelecidos no estudo desse mesmo sistema. Para se fazer um tratamento de dados experimentais, utilizou-se um planejamento fatorial, o qual minimiza o número de ensaios, resultando em melhores condições de trabalho e permitindo uma melhor avaliação dos dados a partir de métodos matemáticos e estatísticos. Essa metodologia de resposta experimental permite a manipulação de vários parâmetros ou variáveis, bem como de todas as interações possíveis, sem ambigüidade dentro de um domínio experimental pré-determinado, com um número mínimo de experimentos. Inicialmente, iremos discutir um modelo mais simples de experimento, onde teremos a influência de três variáveis, A, B e C sobre uma resposta Y, em um plano fatorial 2n. Para isso, pode ser utilizado com vantagem um plano fatorial. Um plano fatorial 2n requer n variáveis, onde cada uma apresenta dois níveis de variação, representada pelo sinal (+) para o nível superior e pelo sinal (-) para o nível inferior. Para fazer um planejamento fatorial completo, devem-se realizar experimentos em todas as possíveis combinações dos níveis dos fatores. Cada um desses experimentos, em que o sistema é submetido a um conjunto de níveis definido, é um ensaio experimental. Em muitos projetos de simulação, o objetivo é encontrar os valores dos níveis das variáveis independentes os quais determinam à resposta ou variável dependente. Se as variáveis dependentes e independentes são quantitativas e contínuas, a metodologia de superfície de resposta (MSR) é usualmente a mais apropriada e pode ser expressa como (BARROS NETO et al, 2002): Y = f (x1, x2, ..., xk) (2.1) O modelo de planejamento experimental de Box-Wilson constitui-se em uma forma mais completa de investigação, incluindo em seu desenvolvimento uma função resposta 46 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica polinomial de 2ª ordem (lógico, quanto maior o número de fatores, maior a ordem do polinômio). Para investigação com duas variáveis x1 e x2, tem-se: Y = b0 + b1x1 + b2x2 + b11x12 + b22x22 + b12x12 (2.2) Y = b0 + b1x1 + b2x2 + b11x12 + b22x22 + b33x33 + b12 x1x2 + b13 x1x3 + b23 x2x3 (2.3) Uma vez determinado o modelo que represente com segurança o sistema em estudo, analise-se a função através de métodos matemáticos e numéricos. Os coeficientes desta função resposta são gerados a partir da análise de regressão dos resultados obtidos experimentalmente. A interpretação estatística é feita por técnicas de análise de variância, relacionando o modelo a sua confiabilidade estatística (análise de significância). A representação das relações existentes entre as respostas e os fatores estudados é através da: avaliação simples da função com as combinações escolhidas das variáveis para que se conheça a grandeza aproximada da influência de cada uma; representação mediante curvas de isorespostas das variáveis escolhidas; uma análise de perfil que caracteriza o comportamento da função em p dimensões. A metodologia do plano de experiência fornece respostas sobre a utilização das matrizes de experiências fatoriais. Essas matrizes são chamadas de completas se todas as interações estiverem compreendidas entre k fatores estudados, os quais podem ser definidos por um ou vários parâmetros. A realização de um plano fatorial completo, utilizando um número mínimo de experimentos, é capaz de modelar o fenômeno estudado, reduzindo assim o número de experimentos. Também é possível quantificar o efeito dos fatores estudados e, por conseguinte, estabelecer reduções apreciáveis de custo. Quando se estuda a influência dos fatores sobre uma resposta Y, em consideração às respostas Yi (1 < i < p) de n ensaios X1, X2,....,Xn de valores Xi1, Xi2,....,Xin, pode-se definir uma função resposta para p experiências da seguinte forma: Yi = f (Xi1, Xi2,....,Xin) + ei (2.4) Onde ei representa o erro associado a cada experimento ligado a determinação de Yi. 47 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica Supondo que a função seja contínua e infinitamente derivada, poderá obter-se uma boa aproximação a partir de um desenvolvimento da série de Taylor, obtendo-se a seguinte expressão: n n n n n n Y = β 0 + ∑ β j χ ij + ∑ β jj χ ij2 + ∑ ∑ β ij χ ij χ ik + ∑ ∑ ∑ β jkl χ ij χ il + ... + e1 j=1 j=1 j=1 k =1 j=1 k =1 l =1 (2.5) onde j ≠ k ≠ l e β é uma constante. O polinômio apresentado constitui um bom modelo para a função resposta. Pode ser realizada uma aproximação linear, mas não poderá ser efetuada uma extrapolação. Ou seja, para um grande domínio de fatores a estudar, deverá ser utilizado um modelo com um grau elevado, e por conseqüência, a investigação de várias constantes em numerosos experimentos (BARROS NETO et al, 2001). Neste trabalho, o plano experimental consiste em 27 experimentos, ou seja, 3³, o qual utilizam três níveis para cada variável. Para fazê-lo, devem-se realizar ensaios e registrar as respostas observadas em todas as 27 possíveis combinações dos níveis escolhidos. A lista dessas combinações é chamada matriz de planejamento. A formulação dessa matriz experimental no estudo de otimização de algum tipo de processo tem como objetivo agrupar todas as variáveis envolvidas no processo, facilitando a visualização do nível dessas variáveis, bem como suas interações. A Tabela 2.4 apresenta os fatores e seus respectivos níveis superiores e inferiores para um planejamento fatorial 2³. Tabela 2.4 - Representação dos fatores e níveis para um planejamento fatorial 23. Fatores Símbolos Nível Superior Nível Inferior 1 A + - 2 B + - 3 C + - A partir de uma matriz de planejamento pode-se formar a tabela de coeficientes de contraste, multiplicando os sinais das colunas apropriadas para obter as colunas 48 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica correspondentes às interações. Esta matriz experimental é para os cálculos dos principais efeitos de interação está representada na Tabela 2.5. Tabela 2.5 - Representação da matriz para os cálculos dos efeitos principais e de interação para um planejamento fatorial 23. Variáveis Interações Experimento Respostas A B C AB AC BC ABC 1 - - - + + + - Y1 2 + - - - - + + Y2 3 - + - - + - + Y3 4 + + - + - - - Y4 5 - - + + - - + Y5 6 + - + - + - - Y6 7 - + + - - + - Y7 8 + + + + + + + Y8 A cada linha da matriz, define-se uma experiência correspondente a uma combinação de níveis superiores e inferiores de cada fator, obtendo-se uma resposta Y correspondente à média dos ensaios em cada experiência. Quando o efeito de uma variável depende do nível de outra, diz-se que as duas variáveis interagem, e pode-se calcular o valor do efeito de interação entre elas. O efeito produzido por uma variável é, por definição, a mudança na resposta obtida quando se altera o valor desta variável mantendo todas as outras constantes. Os efeitos da variável A, B e C são ilustrados nas Tabelas 2.6, 2.7 e 2.8. Tabela 2.6 - Efeitos da variável A Medidas individuais do efeito da mudança de Condições em que as comparações foram realizadas A, de – para + B C Y2 - Y1 = Y21 - - Y4 - Y3 = Y43 + - Y6 - Y5 = Y65 - + Y8 - Y7 = Y87 + + 49 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica Tabela 2.7 - Efeitos da variável B Medidas individuais do efeito da mudança de Condições em que as comparações foram realizadas B, de – para + A C Y3 - Y1 = Y21 - - Y4 – Y2 = Y42 + - Y7 - Y = Y75 - + Y8 – Y6 = Y86 + + Tabela 2.8 - Efeitos da variável C Medidas individuais do efeito da mudança de Condições em que as comparações foram realizadas C, de – para + A B Y5 - Y1 = Y51 - - Y6 – Y2 = Y62 + - Y7 – Y3 = Y73 - + Y8 – Y4 = Y84 + + A média dos quatro valores obtidos é chamada de efeito principal e denotado por A. Onde é medido o efeito médio de A sobre todas as condições das outras variáveis. Devido à simetria geral do plano, conforme a Figura 2.6 existe um conjunto similar com quatro medidas para o efeito de B e de C. Figura 2.6 - Interpretação geométrica dos efeitos num planejamento fatorial 23 O efeito principal de cada uma das variáveis é a diferença entre duas médias, ou seja: 50 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica Efeito Principal = Y+ - Y- (2.6) Y+ = resposta média para os níveis superiores Y- = resposta média para os níveis inferiores Para as variáveis A, B e C e sendo n o número de réplicas realizadas para cada experimento, os efeitos podem ser calculados da seguinte forma: A= B= C= 1 (Y2 + Y4 + Y6 + Y8 − Y1 − Y3 − Y5 − Y7 ) 4n (2.7) 1 (Y3 + Y4 + Y7 + Y8 − Y1 − Y2 − Y5 − Y6 ) 4n (2.8) 1 (Y5 + Y6 + Y7 + Y8 − Y1 − Y2 − Y3 − Y4 ) 4n (2.9) Os efeitos principais podem ser vistos como um contraste entre observações sobre faces paralelas de um cubo, como indica a Figura 2.7 (a), da mesma forma que a interação entre dois fatores é um contraste entre resultados sobre dois planos diagonais, conforme pode ser visto na Figura 2.7 (b). Figura 2.7 - Representação geométrica dos contrastes correspondendo aos efeitos principais (a) e de interação a dois fatores em um planejamento fatorial 23 (b) (BARROS NETO et al, 2001) 51 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica A medida da interação de duas variáveis, como por exemplo, A e C, é fornecida pela diferença média entre o efeito médio de A com o nível negativo de C e o efeito médio de A, com o nível positivo de C, sendo denominada de interação do tipo AC. O cálculo das interações AC, AB e BC são mostrados a seguir: AC = AB = AC = 1 (Y1 + Y3 + Y6 + Y8 − Y2 − Y4 − Y5 − Y7 ) 4n (2.10) 1 (Y1 + Y4 + Y5 + Y8 − Y2 − Y3 − Y6 − Y7 ) 4n (2.11) 1 (Y1 + Y3 + Y6 + Y8 − Y2 − Y4 − Y5 − Y7 ) 4n (2.12) Para o cálculo da interação a três fatores, observa-se que, na interação AB, são disponíveis duas mediadas desta interação, uma para cada valor da variável C, ou seja: 1 AB com C = 4n [(Y8-Y7) – (Y6-Y5)] (2.13) 1 AB com C = 4n [(Y4-Y3) – (Y2-Y1)] (2.14) + - A diferença mede a consistência da interação do fator A com o B para os dois níveis disponíveis de C. A interação ABC é definida como a diferença da média entre a interação AB nos dois diferentes níveis de C. Dessa forma tem-se: 1 ABC = 4n [(Y8-Y7) – (Y6-Y5)] - [(Y4-Y3) – (Y2-Y1)] (2.15) 52 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica 2.9.4 Análise Fatorial 3³ Em alguns casos, deseja-se estudar mais do que dois níveis de variação de um determinado fator. Para isso, os fatoriais do tipo 2n não são mais eficientes. Esse é o caso do presente trabalho, onde as três variáveis estudadas possuem, cada uma, três níveis. O procedimento geral para gerar um planejamento fatorial 3³ é semelhante ao de um 2n. O planejamento usado no trabalho se encontra a seguir: Tabela 2.9 – Planejamento Fatorial 33 Ensaio Vermiculita Nanosílica CaCl2 1 0 0 0 2 0 0 1 3 0 0 -1 4 0 1 0 5 0 1 1 6 0 1 -1 7 0 -1 0 8 0 -1 1 9 0 -1 -1 10 1 0 0 11 1 0 1 12 1 0 -1 13 1 1 0 14 1 1 1 15 1 1 -1 16 1 -1 0 17 1 -1 1 18 1 -1 -1 19 -1 0 0 20 -1 0 1 21 -1 0 -1 22 -1 1 0 23 -1 1 1 24 -1 1 -1 25 -1 -1 0 26 -1 -1 1 27 -1 -1 -1 53 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica O trabalho de análise de um planejamento fatorial 3³ é semelhante aos 2n, e será melhor trabalhado juntamente dos resultados e discussões. 2.10 Metodologia de Superfícies de Resposta A metodologia de superfícies de respostas é uma técnica de otimização baseada em planejamentos fatoriais que foi introduzida por G. E. P. Box nos anos cinqüenta, e que desde então tem sido usada com grande sucesso na modelagem de diversos processos industriais (BARROS NETO et al, 2001). Esta metodologia consiste em otimizar uma determinada área demarcada dentro de uma região compreendida no domínio experimental. As superfícies são geradas e analisadas por curvas específicas chamadas de isorespostas ou contorno. A relação existente entre a resposta experimental Y e os fatores A e B que influenciam esta resposta em uma situação genérica, está representada na Figura 2.15. Figura 2.8 - Modelo de representação das relações entre a resposta experimental Y de uma reação e os fatores A e B que influenciam esta resposta associados à mesma reação De acordo com os resultados de consistência, reologias, géis finais e iniciais, compressibilidade e estabilidade realizados, as respostas seriam analisadas segundo um 54 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Revisão Bibliográfica conjunto de equações e modelos matemáticos compreendendo análises de regressão numérica e variância, obtidas pelo software Statistica 7.1. Também a partir do software serão geradas as superfícies de respostas nas quais serão apresentadas o comportamento das variáveis em todo o domínio experimental. 55 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 3. MATERIAIS E MÉTODOS Materiais e Métodos 3 Materiais e Métodos Para a realização do presente trabalho, será necessária a formulação, preparação e caracterização de diferentes pastas de cimento, adicionadas de vermiculita, e testadas de forma a se investigar a variação das propriedades tecnológicas obtidas a partir de ensaios como resistência mecânica, tempo de pega, filtrado, reologia, água livre e estabilidade. A Figura 3.1, abaixo, mostra de forma bastante sintetizada, o procedimento executado nesse trabalho, os materiais e os testes realizados em cada um deles. Figura 3.1 – Diagrama do procedimento experimental e materiais utilizados no trabalho. 3.1 Seleção dos componentes Na Tabela 3.1 encontra-se um resumo da descrição dos materiais utilizados para a preparação de uma pasta de cimento. 57 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Materiais e Métodos Tabela 3.1 – Materiais utilizados na preparação de pastas de cimento. MATERIAL DENOMINAÇÃO COMERCIAL PROCEDÊNCIA Poty Especial CIMESA Vermiculita Mícron - Min. S. Luzia Água - CAERN/Natal Nanosílica Nanosílica - Acelerador CaCl2 Petrobras Cimento A Tabela 3.2 nos mostra a densidade absoluta e volumes específicos dos materiais utilizados, de forma a se facilitar os cálculos de volume de aditivos necessários para a confecção das pastas: Tabela 3.2 – Densidades absolutas e volumes específicos dos materiais utilizados. Material Denominação Densidade (g/cm³) Densidade (lb/gal) Comercial Volume específico (gal/lb) Cimento Poty Especial 3,14 26,20 0,0382 Água Água 0,9969 8,319 0,1202 Vermiculita Mícron 0,6-0,7 5,91 0,1688 Nanosílica Nanosílica 3.2 Metodologia para preparação das pastas leves visando à otimização e melhor desempenho dos aditivos utilizados 3.2.1 Objetivo dos aditivos Utilizados • O anti-espumante evita a aeração da pasta, impedindo que se formem bolhas de ar e cause fratura à pasta; 58 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Materiais e Métodos • O acelerador visando diminuir o tempo de espessamento e aumentar a resistência compressiva inicial da pasta; • A vermiculita expandida mícron hidrofobizada com o objetivo de obter menor densidade, resultando em pastas mais leves, possibilitando maiores alturas de pasta por causarem menor pressão hidrostática; • A nano sílica funciona como viscosificante e possui a capacidade de melhorar a resistência mecânica da pasta, ao invadir os interstícios entre os grãos de cimento. 3.2.2 Metodologia para Preparação das Pastas Leves Para efetuar a mistura foi utilizado um misturador Chandler modelo 80-60. O procedimento de preparação das pastas segue como descrito abaixo: 1. Pesagem de todos os componentes da pastas; 2. Adição ao misturador de água e anti-espumante, agitação durante 02 minutos a uma rotação de 900 rpm; 3. Introdução do acelerador durante 05 mim, a uma rotação de 900 rpm; 4. Mistura do cimento com a vermiculita, com agitação manual, de forma a homogeneizar ambos os componentes na hora de adicioná-los na água de mistura; 5. Mistura do cimento a uma velocidade inicial de 4000 rpm ± 200 rpm, lançando-se o cimento em 15 s, durante os quais a velocidade foi mantida constante. Após todo cimento ser adicionado ao sistema água/aditivos, deve-se continuar a agitação a uma velocidade alta (12000 rpm ± 500 rpm) durante 35 s, de acordo com as recomendações práticas do PROCELAB. 59 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Materiais e Métodos 3.2.3 Mistura das Pastas A mistura das pastas foi realizada em um misturador Chandler modelo 80 - 60, mostrado na Figura 3.2. Depois de pesados, a água, o cimento e a vermiculita expandida, foram realizada a mistura dos componentes a uma velocidade de 4000 rpm ± 200 rpm por 15 segundos, durante os quais a velocidade mantida constante. Em seguida, ininterruptamente, a velocidade de agitação da pasta foi aumentada para 12000 rpm ± 500 rpm, onde permaneceu constante por 35 segundos de acordo com a norma NBR 9831:2006. Figura 3.2 - (A) Esquema Ilustrativo do Misturador; (B) Misturador de Palheta Chandler Modelo 80-60, com controlador de velocidade1. 3.2.4 Homogeneização das Pastas Imediatamente após a mistura, foi realizada a homogeneização das pastas em um consistômetro atmosférico Chandler modelo 1200 (Figura 3.3). Para cada ensaio as pastas 1 FOTO: (A) Manual Chandler do misturador de palhetas modelo 80-60; Cortesia do Laboratório de Cimentos (LabCim – UFRN). 60 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Materiais e Métodos foram homogeneizadas durante 20 minutos a 150 rpm ± 15 rpm nas temperaturas estudadas – ambiente, 27 ºC e aquecida, 51,6 ou 60 ºC dependendo do ensaio realizado após a homogeneização – conforme a norma NBR 9831:2006. Apenas as pastas destinadas ao ensaio de compressão e consistometria não foram homogeneizadas, conforme estabelece a mesma norma. Figura 3.3 - Consistômetro atmosférico Chandler, modelo 12002 3.3 Metodologia Para Ensaios E Testes 3.3.1 Ensaios Reológicos As propriedades reológicas das pastas formuladas foram determinadas através de um viscosímetro rotativo de cilindros coaxiais Chandler modelo 3500 (Figura 3.4) de acordo com procedimento padronizado pela NBR 9831:2006, de forma a gerar resultados reprodutíveis para a indústria de petróleo. 2 FOTO: Cortesia do Laboratório de Cimentos (LabCim – UFRN). 61 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Materiais e Métodos Figura 3.4 - Viscosímetro rotativo de cilindros coaxiais Chandler Modelo 35003 Depois de homogeneizadas por 20 minutos no consistômetro atmosférico, as pastas foram vertidas no copo do viscosímetro e cisalhadas aplicando-se várias taxas, de acordo com a norma de ensaios reológicos definidas pela API (American Petroleum Institute). As leituras foram realizadas aplicando-se taxas de cisalhamento ascendentes e descendentes a intervalos de 10 segundos, mantendo-se a temperatura constante. As taxas empregadas foram de 3, 6, 10, 20, 60, 100, 200 e 300 rpm. Após a última leitura de 3 rpm, aumentou-se a velocidade do rotor para 300 rpm, mantendo-a por 1 min. Em seguida, o motor foi desligado e após 10 s, o mesmo foi novamente ligado e acionado a 3 rpm, registrando-se a deflexão máxima observada, gel inicial (Gi). Desligou-se mais uma vez o motor por 10 min, no fim dos quais foi novamente ligado, registrando-se a deflexão máxima observada, gel final (Gf). Os Ensaios reológicos foram realizados nas duas temperaturas estudadas, 27 ºC e 51,6 ºC e os resultados comparados com os valores de referência para uma pasta contendo apenas água e cimento estabelecidos na norma NBR 9831:2006. 3.3.2 Ensaio de Consistometria Depois do processo de mistura as pasta foram vertidas em uma célula cilíndrica, onde também foi colocado um conjunto eixo-palheta do consistômetro. Depois de fechada, a célula 3 FOTO: Cortesia do Laboratório de Cimentos (LabCim – UFRN). 62 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Materiais e Métodos foi levada ao consistômetro pressurizado Chandler modelo 7716 (Figura 3.5), e colocada sobre a mesa rotativa dentro da câmara de pressão. Depois da colocação do termopar e do completo preenchimento da câmara com óleo, iniciou-se a pressurização e o aquecimento da pasta de acordo com o Schedule e conforme as condições de teste pré-determinadas. Os testes foram realizados de acordo com a norma NBR 9831:2006. A pressão inicial aplicada foi de 1000 psi com a pasta a 80 ºF, chegando ao final com 51160 psi a 125 ºF em 28 min. Estes parâmetros foram mantidos constantes até o final do ensaio, ou seja, até a pasta de cimento atingir uma consistência de 100 Uc. Figura 3.5 - (a) Esquema Ilustrado da Câmara de pressurização do Consistômetro; (b) Consistômetro Pressurizado Chandler Modelo 77164 3.3.3 Ensaio de avaliação da Estabilidade Neste ensaio, a pasta, depois de preparada e homogeneizada com descrito anteriormente, foi vertida dentro de um tubo decantador previamente engraxado. Bateu-se levemente no interior do cilindro com um bastão de vidro de modo a eliminar as bolhas de ar aprisionadas. Completou-se o volume até o transbordamento do recipiente, enroscou-se a tampa superior vazada e levou-se o cilindro à câmara de cura com água à temperatura ambiente, 80 ºF, e aquecida à 133 ºF conforme cada teste (NBR 9831:2006). 4 FOTO: Cortesia do Laboratório de Cimentos (LabCim – UFRN). 63 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Materiais e Métodos O cilindro foi posicionado verticalmente na câmara, submetendo-o ao processo de cura por 24 horas. O aquecimento foi desligado 1 h e 45 min antes do término da cura. Em seguida, o mesmo foi resfriado em água corrente por 5 mim (NBR 9831: 2006). Após o resfriamento, desenroscou-se a tampa superior do cilindro, eliminando-se os fluidos existentes no topo do cilindro por meio de papel absorvente; e com auxílio de uma seringa, injetou-se um volume, medido em cm3, de água até completar o volume total do cilindro conforme Figura 3.6. Converteu-se esse volume em comprimento, expresso em mm, denominando-se “Rebaixamento do Topo”, em seguida, utilizou-se um martelo de borracha para retirada do cilindro de pasta curada endurecida. A amostra foi lavada em água corrente e deixada imersa em água na temperatura ambiente (NBR 9831: 2006). Procedeu-se então, o corte do cilindro em 4 partes iguais, conforme o esquema da Figura 3.7, identificando as seções da seguinte maneira: topo (I), intermediárias (II e III) e fundo (IV), recolocando-as em água novamente por 30 min (NBR 9831: 2006). Figura 3.6 - Tubo decantador5. 5 FOTO: Cortesia do Laboratório de Cimentos (LabCim – UFRN) 64 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Materiais e Métodos Figura 3.7 - Seccionamento da amostra de cimento curada: Topo (I); Intermediários (II) e (III); Fundo (IV). Fonte: Lima, 2004. Cada seção foi pesada da seguinte forma: a seção foi presa por meio de um fio à um suporte com garra, e depois imersa em um béquer com água sobre a balança até a metade da altura do volume de água. Registrou-se o peso da seção como “Peso da seção na água”; em seguida, cada seção foi apoiada no fundo do béquer, de modo que o fio não ficasse tensionado, registrando-se o peso indicado como “Peso da seção no ar”. Os cálculos dos pesos específicos em lb/gal de cada seção foram determinados por meio da seguinte equação: ρ = (ρar / ρágua) x 8,33 Onde: ρ = Peso específico da seção (lb/gal); ρar = peso da seção no ar; ρágua = Peso na seção na água. 3.3.4 Ensaio de Resistência à Compressão Para a realização deste ensaio, as pastas foram preparadas conforme descrito anteriormente, entretanto sem passar pela etapa de homogeneização conforme norma NBR 9831:2006. Neste ensaio, cada pasta, depois de preparada, foi vertida em três moldes plásticos cúbicos com 50,8 mm de aresta e ângulo entre as faces adjacentes deve ser de 90º ± 0,5. Com a ajuda de um bastão de vidro, mexia-se a pasta com movimentos circulares e dessa forma eliminava-se bolhas de ar aprisionadas na pasta à medida que o molde era preenchido. 65 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Materiais e Métodos Depois de fechados, os moldes foram levados à cura por 24 h, em um banho termostático Nova Ética modelo 500/3DE (Figura 3.8) com água à temperatura 38 ºC, e aquecida à temperatura de 52 ºC, que são as duas temperaturas usadas na especificação das pastas de cimento. Figura 3.8 - Banho Termostático Nova Ética Modelo 500/3DE6. Os moldes foram removidos do banho, após 24 h de cura e desmoldados. Depois foram secos com papel absorventes e suas dimensões foram medidas com um paquímetro para avaliar possíveis deformações, não ultrapassando cinco minutos nessa etapa. A ruptura dos mesmos foi realizada em uma máquina universal de ensaios Shimadzu Autograph modelo AG-I, controlada pelo programa TRAPEZIUM 2. Os ensaios de resistência à compressão foram realizados à temperatura ambiente e utilizou-se taxa de carregamento de 27,6 MPa/min ± 20%, ou seja, ± 5,52 MPa/min, como recomendado por Norma NBR 9831:2006. 6 FOTO: Cortesia do Laboratório de Cimentos (LabCim – UFRN). 66 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES Resultados e Discussões 4 Resultados e Discussões Para a realização desse trabalho, se buscou desenvolver uma pasta de cimento com baixa densidade e propriedades reológicas e resistência compressivas aceitáveis. Para isso, se fixou uma densidade de 12,5 lb/Gal e variou-se a vermiculita fina como extendedor, além de nano sílica para aprimorar o comportamento reológico da pasta e o cloreto de cálcio, que também possui influência nos parâmetros de reologia do cimento. Após a preparação de cada pasta, se realizaram os testes de reologia, resistência à compressão e estabilidade das formulações, e os dados obtidos foram usados para se fazer um levantamento estatístico através dos métodos ANOVA e de superfície de resposta para se analisar a influência de cada um dos aditivos nessas propriedades estudadas. Tabela 4.1 – Formulações das pastas desenvolvidas no trabalho Composição Cimento (g) Vermiculita (g) Água (ml) CaCl2 (g) Nano Sílica (g) 1 441,94 30,94 373,76 4,42 47,64 2 440,54 30,84 373,22 6,61 47,49 3 443,34 31,01 374,31 2,22 47,80 4 435,81 30,51 357,55 4,36 70,47 5 434,45 30,41 357,06 6,52 70,26 6 437,17 30,60 358,04 2,19 70,70 7 448,24 31,38 390,44 4,48 24,16 8 446,80 31,28 389,83 6,70 24,08 9 449,68 31,48 391,05 2,25 24,24 10 447,35 40,26 358,39 4,47 48,23 11 445,92 40,13 357,89 6,69 48,07 12 448,79 40,39 358,90 2,24 48,38 13 441,07 39,70 342,20 4,41 71,33 14 439,68 39,57 341,75 6,60 71,10 15 442,47 39,82 342,65 2,21 71,55 16 453,80 40,84 375,05 4,54 24,46 17 452,33 40,71 374,49 6,78 24,38 18 455,29 40,98 375,62 2,28 24,54 19 436,65 21,83 388,77 4,37 47,07 20 435,29 21,76 388,19 6,53 46,93 68 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões 21 438,03 21,90 389,36 2,19 47,22 22 430,67 21,53 372,54 4,31 69,64 23 429,35 21,47 372,02 6,44 69,43 24 432,01 21,60 373,07 2,16 69,86 25 442,81 22,14 405,45 4,43 23,87 26 441,41 22,07 404,81 6,62 23,79 27 444,22 22,21 406,10 2,22 23,94 propriedades do Foram estudadas quatro cimento: consistência, reologia, compressibilidade e estabilidade e a influência da concentração de cloreto de cálcio, vermiculita e nano sílica nas propriedades acima mencionadas. De forma a poder varrer todo o campo de posssibilidade das alterações, foi realizado um planejamento estatístico que levou em conta os três componentes variantes, gerando por fim 27 pastas a serem feitas. Com o uso do método ANOVA e de superfície de resposta, temos como determinar qual a formulação ideal para que se consiga obter a melhor pasta cimentante possível. De acordo com o planejamento experimental, se utilizou um padrão para a identificação das amostras. Cada componente que se alterasse (nano sílica, vermiculita e cloreto de cálcio) seria variado em três porcentagens: 0,5%, 1% e 1,5% para nano sílica e cloreto de cálcio, e 5%, 7% e 9% para a vermiculita. 4.1 Caracterização da Vermiculita 4.1.1 Determinação da composição química Foi realizada através de fluorescência de Raios-X (FRX) por energia dispersiva em um equipamento Shimadzu modelo EDX-820. Os espectros de fluorescência de Raios-X foram obtidos utilizando-se cerca de 300 mg de vermiculita na forma de um pó fino depositado em uma porta amostra formado por um filme plástico de polietileno, que apresenta baixa absorção de raios X na faixa de energia de interesse. Os resultados da composição química das diferentes vermiculitas (natural e expandida) utilizadas estão apresentados nas tabelas 4.2 e 4.3. Em geral, não se observou diferenças 69 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões significativas na composição, as variações são mínimas e não compromete seu uso em pastas de cimento em função da composição química, o mesmo não se pode afirmar em relação à granulometria, enquanto não se tiver as pastas prontas e caracterizadas quimicamente e tecnologicamente (caracterizações API). Tabela 4.2 – Composição química (% em óxidos) Vermiculita Natural (Bruta) Bruta Fina Elemento % SiO2 43.141 MgO 21.456 Al2O3 14.483 Fe2O3 12.537 K2O 4.396 SO3 1.588 CaO 0.920 TiO2 0.469 Cr2O3 0.165 NiO 0.103 MnO 0.099 SrO 0.033 Rb2O 0.008 ZnO 0.009 70 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Tabela 4.3 - Composição química (% em óxidos) Vermiculita Expandida Fina Expandida Elemento % SiO2 MgO Al2O3 Fe2O3 K2O SO3 TiO2 CaO Cr2O3 NiO MnO V2O5 Rb2O ZnO SrO 39.704 23.155 14.281 14.006 4.693 1.950 1.016 0.402 0.295 0.250 0.160 0.054 0.018 0.012 0.004 Verifica-se que não ocorreu variação significativa nos valores dos compostos identificados nas amostras na forma bruta e expandida, todas elas apresentam teor significativo de Silício, Magnésio, Alumínio e Ferro, próprio dos aluminossilicatos e encontram-se dentro das faixas estabelecidas para a maioria das vermiculitas de interesse econômico. Em relação aos outros elementos, a baixa concentração que apresentam, não afeta a qualidade do concentrado da vermiculita. 4.1.2 Determinação da área superficial A área superficial dos materiais foi determinada por meio de adsorção de N2 a 77K usando o método BET em um equipamento da Quantachrome modelo NOVA-2000. Antes de cada análise cerca de 1,0g de amostra, previamente calcinada, foi pré-tratada a 200 oC sob vácuo por 3 horas. Esse tratamento visa remover a umidade da superfície do sólido. As isotermas de adsorção de N2 para as amostras foram obtidas na faixa de P/Po entre 0,1 e 0,9, obtendo a da área superficial. Conforme tabela 4.4 71 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Tabela 4.4 - Área superficial Amostra Vermiculita Área Superficial Específica (m²/g) Bruta Fina 3.1381 Fina Expandida 7.2085 Foi observado um aumento na área superficial das vermiculitas expandidas de forma significativa, devido ao fenômeno de esfoliação, fazendo com que a vermiculita expandida tenha baixa densidade e capacidade de troca catiônica elevada. 4.1.3 Análise Termogravimétrica A análise termogravimétrica (TG/DTG) dos materiais em estudo foram realizadas em um sistema de análise térmica, modelo TGA 50H, da SHIMADZU a uma taxa de aquecimento de 10 oC min-1, na faixa de temperatura ambiente até 900 oC, utilizando-se atmosfera dinâmica de nitrogênio na vazão de 50 mL min-1. Em todas as análises foram utilizados cadinhos de alumina de 70 µL e uma massa de amostra de aproximadamente 15 mg. A figura 4.1 apresenta a análise termogravimétrica da vermiculita na forma não expandida, onde a linha pontilhada representa a curva DTG e a linha continua representa a curva TG. Já a figura 4.2 mostra a análise termogravimétrica da vermiculita expandida. 72 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Figura 1 Vermiculita Fina Bruta TGA % DrTGA mg/min VFB.D00TGA VFB.D00DrTGA 100.00 0.05 -2.590% -2.590% 22.46C 0.00 100.00C -0.05 -0.407% -0.407% 95.00 755.42C 888.60C -0.10 0.00 200.00 400.00 Temp [C] 600.00 800.00 Figura 4.1 – TG / DTG Vermiculita bruta fina. Figura 4 Vermiculita Fina Expandida TGA % 110.00 DrTGA mg/min VFEXP.D00 TGA VFEXP.D00 DrTGA 0.05 -5.720 % 100.00 21.57C 0.00 100.00C 90.00 -0.05 80.00 0.00 200.00 400.00 Temp [C] 600.00 800.00 Figura 4.2 – TG / DTG Vermiculita expandida fina. 73 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Para as vermiculitas brutas na faixa de temperatura 20-100OC verifica-se a desidratação da argila e a variação da massa entre 740-890°C é decorrente da desidroxilação da vermiculita, ou seja, à eliminação dos grupos OH- da própria estrutura da argila. Para as vermiculitas expandidas na faixa de temperatura 20-100°C também se observa a desidratação da argila, nas demais faixas de temperaturas não foi observado nenhum evento que caracterizasse perda de massa ou mudança na estrutura, confirmando que a vermiculita expandida se mantém estável acima de 100°C. 4.1.4 Difração de Raios-X As amostras foram caracterizadas por difração de raios X em um equipamento da Shimadzu modelo XRD-7000 utilizando-se uma fonte de radiação de CuKα com voltagem de 30kV, corrente de 30 mA . Os dados foram coletados na velocidade do goniômetro de 0,02° 2θ por passo com tempo de contagem de 1,0 segundo por passo e coletados de 3 a 70º 2θ, utilizando o spin cm 120rpm para diminuir erros causados pela orientação preferencial das argilas. A interpretação qualitativa do espectro foi efetuada por comparação com padrões contidos no banco de dados JCPDS. A tabela 4.5 mostra a identificação das fases através das cartas padrão. Tabela 4.5 - Identificação das Cartas Cristalográficas PDF Nome Fórmula 26-0911 Ilita (K, H3O) Al2Si3AlO10(OH)2 45-1371 Magnésio-hornblenda Ca2(Mg , Fe+2) 4Al(Si7Al)O22(OH, F )2 49-1057 Hidrobiotita K - Mg - Al - SiO2 - H2O 77-0022 Vermiculita ( Mg2. 36 Fe. 48 Al.16 ) ( Al1. 28 Si2.72 ) O10 ( OH )2 ( H2O )6 Mg. No minério da vermiculita foram identificados os filossilicatos vermiculita (77-0022) como mineral principal e a hidrobiotida (49-1057) em proporção elevada, a quantidade elevada de hidrobiotita, segundo De la Calle e Suquest provém de uma alteração 74 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões mineralógica na seguinte seqüência: biotita ou flogopita se transformando em vermiculita, que por sua vez se transforma em esmectita. Por ser um argilomineral de camadas interestratificadas, outrosminerais também foram identificados através do DRX, além dos mencionados anteriormente. Pequenas quantidades de Ilita(26-0911), e Magnésio-hornblenda (45-1371), conforme figuras 4.3 e 4.4. C ounts V__ 77-0022 V H__49-1057 M__45-1371 H 10000 H V V M H M H 2500 H M M M H V V H H M V M M M V M MH M H M MH 0 10 20 30 40 50 60 P osition [°2Theta] Figura 4.3 – DRX Vermiculita natural fina. Figura 4.4 – DRX Vermiculita expandida fina. Na forma expandida, mícron, figura 4.4, observou-se uma pequena decomposição e diminuição na intensidade dos picos de vermiculita e da hidrobiotita, com definição acentuada 75 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões dos picos das fases de magnésio-hornblenda. Esse resultado é conseqüência da transformação da mistura de vermiculita com hidrobiotita decorrente do processo de expansão. O processo de expansão provocou o desequilíbrio na seqüência de empilhamento desses minerais modificando sua rede cristalina. 4.1.5 Microscopia eletrônica de varredura A caracterização morfológica dos materiais foi feita por microscopia eletrônica de varredura. Os exames microscópicos das amostras foram realizados em um microscópio eletrônico de varredura da Philips modelo XL30 ESEM. O procedimento de preparação dos materiais para a análise consistiu na deposição de uma porção do sólido sobre uma fita adesiva de carbono fixada ao porta amostra. A figura 4.5 apresenta a micrografia eletrônica da vermiculita natural (bruta), a qual apresenta uma superfície parcialmente lisa, com algumas estruturas semelhantes a agregados. Também, se observa grande quantidade de finos, provavelmente por ser mais friável e possuir pouca uniformidade mineralógica. A figura 4.6 apresenta a vermiculita expandida, onde se observa o afastamento das lamelas. O fenômeno da expansão é claramente observado através da esfoliação da estrutura mineral. A presença de cristais não esfoliados na vermiculita expandida foi encontrada, porém a análise realizada demonstra que, provavelmente se trata de uma biotita; fato esse também observado no difratograma de raios X, da figura 4.4. 76 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Figura 4.5 – Micrografia Eletrônica da Vermiculita bruta. Figura 4.6 – Micrografia Eletrônica da Vermiculita expandida. A caracterização morfológica dos materiais foi feita por microscopia eletrônica de varredura. Os exames microscópicos das amostras foram realizados em um microscópio eletrônico de varredura da Philips modelo XL30 ESEM. O procedimento de preparação dos materiais para a análise consistiu na deposição de uma porção do sólido sobre uma fita adesiva de carbono fixada ao porta amostra. 77 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões A microscopia eletrônica, figura 4.7, foi realizada para observar como se comporta a vermiculita no período de hidratação da pasta, ou seja, verificar alguma mudança na morfologia da pasta e sua acomodação. Figura 4.7 – Micrografia eletrônica das pastas de cimento durante o processo de hidratação do cimento com vermiculita expandida. Para permitir que a vermiculita mantivesse suas características granulométricas em cada pasta estudada; esta foi adicionada ao cimento, após este ter sido homogeneizado, a rotação usada após a adição de vermiculita foi de 900rpm por 60 segundos. Percebeu-se também que em suas lamelas não ocorre nenhuma ação de hidratação, ficando as mesmas vazias, com ar. 4.2 Consistência A consistência é uma das formas de se medir a resistência de uma pasta. Quanto maior o teor de água da pasta, mais “mole” ela vai ser, e vice-versa. É a constante de proporcionalidade que relaciona a tensão exercida pelas palhetas do consistômetro à 78 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões resistência imposta pela pasta. Os valores das consistências encontrados nas pastas está na Tabela 4.6 abaixo, juntamente com a indicação da formulação. Tabela 4.6 – Valores de Consistência das pastas estudadas Formulação Vermiculita CaCl2 NanoSílica Consistência (Uc) 1 7% 1% 1% 15 2 7% 1% 1,50% 12 3 7% 1% 0,50% 16 4 7% 1,50% 1% 25 5 7% 1,50% 1,50% 18 6 7% 1,50% 0,50% 15 7 7% 0,50% 1% 7 8 7% 0,50% 1,50% 10 9 7% 0,50% 0,50% 13 10 9% 1% 1% 19 11 9% 1% 1,50% 20 12 9% 1% 0,50% 23 13 9% 1,50% 1% 17 14 9% 1,50% 1,50% 25 15 9% 1,50% 0,50% 14 16 9% 0,50% 1% 16 17 9% 0,50% 1,50% 12 18 9% 0,50% 0,50% 15 19 5% 1% 1% 7 20 5% 1% 1,50% 13 21 5% 1% 0,50% 18 22 5% 1,50% 1% 17 23 5% 1,50% 1,50% 20 24 5% 1,50% 0,50% 12 25 5% 0,50% 1% 5 26 5% 0,50% 1,50% 3 27 5% 0,50% 0,50% 3 Como podemos ver facilmente a partir dos dados obtidos, a consistência varia de acordo com a concentração de vermiculita de forma que concentrações maiores significam consistências maiores. Isso pode ser explicado porque a vermiculita, em sua forma fina, se assemelharia a esferas de diâmetro reduzido, o que terminaria por aumentar a resistência da pasta ao cisalhamento. 79 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Tendo sido realizada a análise de variância da consistência das diversas pastas estudadas, chegamos aos seguintes resultados (Tabela 4.7 e 4.8): Tabela 4.7 – ANOVA completa para a consistência SS (1)Verm (L) df MS F p 220,5000 1 220,5000 18,94511 0,002437 0,1667 1 0,1667 0,01432 0,907699 346,7222 1 346,7222 29,78998 0,000603 28,1667 1 28,1667 2,42005 0,158402 (3)NanoSil (L) 0,8889 1 0,8889 0,07637 0,789280 NanoSil (Q) 0,6667 1 0,6667 0,05728 0,816867 1L by 2L 52,0833 1 52,0833 4,47494 0,067305 1L by 2Q 2,2500 1 2,2500 0,19332 0,671805 1Q by 2L 0,6944 1 0,6944 0,05967 0,813173 1Q by 2Q 18,7500 1 18,7500 1,61098 0,240033 1L by 3L 0,3333 1 0,3333 0,02864 0,869815 1L by 3Q 1,0000 1 1,0000 0,08592 0,776891 1Q by 3L 7,1111 1 7,1111 0,61098 0,456927 1Q by 3Q 12,0000 1 12,0000 1,03103 0,339640 2L by 3L 65,3333 1 65,3333 5,61337 0,045299 2L by 3Q 5,4444 1 5,4444 0,46778 0,513330 2Q by 3L 44,4444 1 44,4444 3,81862 0,086439 2Q by 3Q 27,0000 1 27,0000 2,31981 0,166237 Error 93,1111 8 11,6389 926,6667 26 Verm (Q) (2)CaCl2 (L) CaCl2 (Q) Total SS Tabela 4.8 – ANOVA reduzida para a consistência SS df MS F p (1)Verm L+Q 220,6667 2 110,3333 9,47971 0,007754 (2)CaCl2 L+Q 374,8889 2 187,4444 16,10501 0,001567 (3)NanoSil L+Q 1,5556 2 0,7778 0,06683 0,935875 1*2 73,7778 4 18,4444 1,58473 0,268232 1*3 20,4444 4 5,1111 0,43914 0,777572 2*3 142,2222 4 35,5556 3,05489 0,083746 93,1111 8 11,6389 926,6667 26 Error Total SS 80 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Como já foi previamente discorrido, percebemos que, individualmente, apenas os fatores relacionados à concentração de vermiculita e cloreto de cálcio são significativas para a determinação da consistência nas pastas cimentantes. O cloreto de cálcio, como veremos durante todo esse trabalho, possui uma forte influência nas propriedades reológicas do cimento. No diagrama de Pareto abaixo (Figura 4.8), vemos claramente essa relação: todos os pontos à direita da linha tracejada de p=0,05 são relevantes para a consistência da pasta, e o cloreto de cálcio, de longe, é o fator mais impactante. Pareto Chart of Standardized Effects; Variable: Cons 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=11,63889 DV: Cons (2)CaCl2(L) (1)Verm(L) 2Lby3L 1Lby2L 2Qby3L CaCl2(Q) 2Qby3Q 1Qby2Q 1Qby3Q 1Qby3L 2Lby3Q 1Lby2Q 1Lby3Q (3)NanoSil(L) 1Qby2L NanoSil(Q) 1Lby3L Verm(Q) 5,458019 4,352598 2,369254 -2,11541 -1,95413 1,55565 -1,52309 -1,26924 1,015395 -,781651 ,6839448 ,4396788 ,2931192 ,2763554 ,244266 -,239331 ,1692324 ,1196654 p=,05 Standardized Effect Estimate (Absolute Value) Figura 4.8 – Diagrama de Pareto da influência das várias variáveis estudadas nos valores da consistência da pasta A Figura 4.9 abaixo mostra do gráfico da representação, em superfície de resposta, dos resultados de Consistência em função da concentração de cloreto de cálcio e vermiculita. O método de superfície de resposta permite que se obtenha uma modelagem tridimensional dos dados, em forma de uma função matemática que leva em consideração todos os efeitos calculados para a amostra estudada. 81 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Como podemos ver claramente, a consistência da pasta tem uma relação direta com a concentração de vermiculita e cloreto de cálcio, sendo que as maiores consistências se encontram exatamente nos pontos onde existem as maiores concentrações desses dois componentes. O gráfico abaixo possui a representação bidimensional da superfície de resposta. Fitted Surface; Variable: Cons 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=11,63889 DV: Cons 20 15 10 5 0 Figura 4.9a – Superfície de Resposta dos valores de Consistência em função da concentração de cloreto de cálcio e vermiculita em representação 3D 82 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: Cons 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=11,63889 DV: Cons 1,2 1,0 0,8 0,6 0,4 CaCl2 0,2 0,0 -0,2 -0,4 -0,6 -0,8 -1,0 -1,2 -1,2 -1,0 -0,8 -0,6 -0,4 -0,2 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 24 20 16 12 8 4 0 Verm Figura 4.9b – Superfície de Resposta dos valores de Consistência em função da concentração de cloreto de cálcio e vermiculita em representação 2D Analisando agora a interferência da concentração de nano sílica e cloreto de cálcio, percebemos, como já era esperado, que a concentração de nano sílica pouco interfere na consistência da pasta. Isso é facilmente comprovado tanto pelo diagrama de pareto já mostrado, quanto pela análise estatística, que mostra que a nano sílica, por si só, tem interação pouco representativa na amostra. 83 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: Cons 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=11,63889 DV: Cons 24 20 16 12 8 Figura 4.10a – Superfície de Resposta dos valores de Consistência em função da concentração de cloreto de cálcio e nano sílica em representação 3D 84 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: Cons 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=11,63889 DV: Cons 1,2 1,0 0,8 0,6 NanoSil 0,4 0,2 0,0 -0,2 -0,4 -0,6 -0,8 -1,0 -1,2 -1,2 -1,0 -0,8 -0,6 -0,4 -0,2 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 24 20 16 12 8 CaCl2 Figura 4.10b – Superfície de Resposta dos valores de Consistência em função da concentração de cloreto de cálcio e nano sílica em representação 2D Mais uma vez, vemos no gráfico abaixo (concentração de vermiculita e de nano sílica contra a consistência) que a nano sílica pouco interfere na consistência da pasta, mas a vermiculita, por outro lado, possui grande interferência em altas concentrações. Tal resultado é esperado, tendo em vista que, quanto maior a concentração de vermiculita na pasta, mais “esferas” estariam presentes, o que aumentaria a consistência da pasta. 85 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: Cons 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=11,63889 DV: Cons 26 22 18 14 10 Figura 4.11a – Superfície de Resposta dos valores de Consistência em função da concentração de nano sílica e vermiculita em representação 3D 86 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: Cons 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=11,63889 DV: Cons 1,2 1,0 0,8 0,6 0,4 Verm 0,2 0,0 -0,2 -0,4 -0,6 -0,8 -1,0 -1,2 -1,2 -1,0 -0,8 -0,6 -0,4 -0,2 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 26 22 18 14 10 NanoSil Figura 4.11b – Superfície de Resposta dos valores de Consistência em função da concentração de nano sílica e vermiculita em representação 2D 4.3 Reologia Os ensaios de reologia medem as tensões cisalhantes da pasta cimentante, e sua dificuldade de fluxo. Tais testes são de vital importância no desenvolvimento de uma pasta específica, pois uma boa pasta deve tanto possuir reologias altas o bastante para evitar a segregação natural das partículas do cimento, assim como baixas o bastante para que a pasta seja bombeada sem problemas. Para isso, se estudaram quatro fatores de reologia: a tensão da pasta com 3 RPM, 300 RPM, gel final e gel inicial. A reologia a 3 RPM é importante pois mostra o início e o final do bombeio da pasta, onde a bomba está partindo. De acordo com os estudos, comprovou-se que, apesar da nano sílica aparentar exercer forte influência na reologia da pasta, percebeu-se que o principal efeito realmente é a 87 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões concentração de cloreto de cálcio, assim como o efeito combinado desses dois últimos aditivos. 4.3.1 Reologia a 3 RPM Como já explicado, a reologia a 3 RPM mostra os pontos de início e parada do bombeamento da pasta cimentante, e a partir dos dados dos efeitos mostrados abaixo, vemos que a concentração de cloreto de cálcio, a interação entre vermiculita e cloreto de cálcio e a interação entre cloreto de cálcio e a concentração ao quadrado de nano sílica são os efeitos realmente importantes nessa corrida de amostras. Da mesma forma, todas as interações com cloreto de cálcio contam como mais importantes na tabela da análise de variância. Tabela 4.9 – Efeitos estudados para a R3 Effect Std.Err. t(8) p Mean/Interc. 25,38889 1,099593 23,08935 0,000000 (1)Verm (L) 0,72222 2,693442 0,26814 0,795375 Verm (Q) -4,75000 2,332589 -2,03636 0,076102 (2)CaCl2 (L) 22,72222 2,693442 8,43613 0,000030 CaCl2 (Q) -0,41667 2,332589 -0,17863 0,862670 (3)NanoSil (L) 3,61111 2,693442 1,34070 0,216838 NanoSil (Q) -4,91667 2,332589 -2,10782 0,068104 1L by 2L -9,08333 3,298779 -2,75354 0,024922 1L by 2Q 4,70833 2,856827 1,64810 0,137945 1Q by 2L -6,54167 2,856827 -2,28984 0,051278 1Q by 2Q 4,93750 2,474084 1,99569 0,081056 1L by 3L 4,50000 3,298779 1,36414 0,209662 1L by 3Q 6,33333 2,856827 2,21691 0,057458 1Q by 3L 2,16667 2,856827 0,75842 0,469952 1Q by 3Q 2,12500 2,474084 0,85890 0,415386 2L by 3L 4,00000 3,298779 1,21257 0,259884 2L by 3Q -9,91667 2,856827 -3,47122 0,008428 2Q by 3L -2,08333 2,856827 -0,72925 0,486649 2Q by 3Q 4,50000 2,474084 1,81885 0,106439 88 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Tabela 4.10 – ANOVA completa para a R3 SS df MS F p (1)Verm (L) 2,347 1 2,347 0,07190 0,795375 Verm (Q) 135,375 1 135,375 4,14678 0,076102 (2)CaCl2 (L) 2323,347 1 2323,347 71,16826 0,000030 CaCl2 (Q) 1,042 1 1,042 0,03191 0,862670 (3)NanoSil (L) 58,681 1 58,681 1,79749 0,216838 NanoSil (Q) 145,042 1 145,042 4,44288 0,068104 1L by 2L 247,521 1 247,521 7,58200 0,024922 1L by 2Q 88,674 1 88,674 2,71623 0,137945 1Q by 2L 171,174 1 171,174 5,24335 0,051278 1Q by 2Q 130,021 1 130,021 3,98277 0,081056 1L by 3L 60,750 1 60,750 1,86088 0,209662 1L by 3Q 160,444 1 160,444 4,91470 0,057458 1Q by 3L 18,778 1 18,778 0,57520 0,469952 1Q by 3Q 24,083 1 24,083 0,73772 0,415386 2L by 3L 48,000 1 48,000 1,47033 0,259884 2L by 3Q 393,361 1 393,361 12,04935 0,008428 2Q by 3L 17,361 1 17,361 0,53180 0,486649 2Q by 3Q 108,000 1 108,000 3,30823 0,106439 Error 261,167 8 32,646 Total SS 4395,167 26 Tabela 4.11 – ANOVA reduzida para a R3 SS df MS F p (1)Verm L+Q 137,722 2 68,861 2,10934 0,183765 (2)CaCl2 L+Q 2324,389 2 1162,194 35,60009 0,000104 (3)NanoSil L+Q 203,722 2 101,861 3,12019 0,099603 1*2 637,389 4 159,347 4,88109 0,027386 1*3 264,056 4 66,014 2,02212 0,184081 2*3 566,722 4 141,681 4,33993 0,037020 Error 261,167 8 32,646 Total SS 4395,167 26 Como podemos ver no Diagrama de Pareto abaixo, quase todas as interações estudadas são pouco influentes no estudo do comportamento da reologia a 3 RPM, com a concentração de cloreto de cálcio possuindo papel essencial nas propriedades reológicas do cimento. 89 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Pareto Chart of Standardized Effects; Variable: R3 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=32,64583 DV: R3 (2)CaCl2(L) 2Lby3Q 1Lby2L 1Qby2L 1Lby3Q NanoSil(Q) Verm(Q) 1Qby2Q 2Qby3Q 1Lby2Q 1Lby3L (3)NanoSil(L) 2Lby3L 1Qby3Q 1Qby3L 2Qby3L (1)Verm(L) CaCl2(Q) 8,436128 -3,47122 -2,75354 -2,28984 2,216912 -2,10782 -2,03636 1,995688 1,818855 1,648099 1,364141 1,340705 1,21257 ,8589036 ,7584173 -,729247 ,268141 -,178628 p=,05 Standardized Effect Estimate (Absolute Value) Figura 4.12 – Diagrama de Pareto da influência das várias variáveis estudadas nos valores da reologia a 3RPM da pasta Analisando o gráfico que mostra a relação dos valores observados de reologia a 3 RPM com os valores previstos pelo modelo-padrão desse estudo, ou seja, modelo quadrático com interações de 2ª ordem. Podemos ver que a correlação entre os dois conjuntos de valores é excelente, indicando que o modelo se ajusta muito bem à realidade. 90 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Observed vs. Predicted Values 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=32,64583 DV: R3 70 60 Predicted Values 50 40 30 20 10 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 Observed Values Figura 4.13 – Relação entre valores observados experimentalmente e valores preditos pelo modelo do R3 Abaixo, temos a superfície de resposta a R3 (reologia a 3 RPM) em função da concentração de cloreto de cálcio e vermiculita. Como era de se esperar, já que a interação entre a concentração de vermiculita e a concentração de cloreto de cálcio são fatores importantes nesse estudo, a R3 aumenta com o aumento dessas duas propriedades, embora a concentração de CaCl2 possua influência maior. Da mesma forma, podemos ver que a interação entre o cloreto de cálcio e a concentração quadrática de vermiculita é um fator (quase) influenciável, o que está evidenciado no aumento da R3 encontrado a altas concentrações de CaCl2 e baixas/altas concentrações de vermiculita. Nos pontos próximos das concentrações intermediárias de vermiculita, os valores da R3 são bastante baixos. 91 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: R3 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=32,64583 DV: R3 40 30 20 10 Figura 4.14 – Superfície de Resposta dos valores de R3 em função da concentração de cloreto de cálcio e vermiculita Na superfície de resposta envolvendo a concentração de nano sílica e cloreto de cálcio com o R3, percebemos que os maiores valores se encontram nos pontos onde ambas as concentrações estão em seus máximos. Como vemos no Diagrama de Pareto, a relação entre a concentração de nano sílica e a de CaCl2 é quadrática para o segundo e linear para o primeiro, ou seja: os maiores valores da variável estudada estão localizados nos pontos onde ambos fatores estão presentes em concentrações maiores, e os menores valores onde as concentrações forem menores. Por outro lado, podemos ver também que a concentração de nano sílica pouco interfere per se nos valores de R3. Isso é explicado pela influência muito superior do cloreto nessa variável. 92 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: R3 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=32,64583 DV: R3 50 40 30 20 10 Figura 4.15 – Superfície de Resposta dos valores de R3 em função da concentração de nano sílica e cloreto de cálcio. Por fim, analisando o gráfico de superfície de resposta da concentração de vermiculita contra a concentração de nano sílica, vemos que a influência de ambos os fatores é praticamente nula, assim como todas suas interações cruzadas. Por isso, a superfície de reposta é quase plana. 93 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: R3 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=32,64583 DV: R3 30 20 Figura 4.16 – Superfície de Resposta dos valores de R3 em função da concentração de vermiculita e nano sílica. 4.3.2 Reologia a 300 RPM Em seguida à análise da reologia a 3 RPM, temos o estudo da reologia a 300 RPM (R300). Esse estudo é importante pois trata da reologia da pasta no momento do bombeio contínuo, isso é, no meio da operação de cimentação, enquanto se está bombeando o cimento por dentro do revestimento, de forma a preencher o anular entre a parede do poço e a superfície externa do revestimento. Como não poderia deixar de ser, as influências na variável R300 são bem parecidas às vistas em R3. Entretanto, algumas diferenças surgem, inclusive pela própria natureza dos testes. Enquanto que no R3 a freqüência de rotação é muito baixa, no R300 ela é muito mais alta, o que leva ao mesmo fator de influência que encontramos quando estudamos a consistência: o efeito das “esferas” de vermiculita, que aumentam a resistência do cimento ao 94 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões escoamento. Como a R3 é realizada com rotações muito baixas, as partículas de vermiculita pouco interferem no meio, fluindo quase da mesma forma do resto do cimento, agindo como se fosse uma só unidade. Já quando a R300 é feita, a velocidade de fluxo do cimento é muito maior. Por causa disso, se forma um gradiente de fluxo maior, que, devido à baixa densidade da vermiculita, faz com que essa tente se movimentar a uma velocidade diferente da do resto da pasta, de forma que a “atrapalha” o fluxo normal do cimento, aumentando sua viscosidade. Tabela 4.12 – Efeitos estudados para a R300 Effect Std.Err. t(8) p Mean/Interc. 120,5926 4,63829 25,99937 0,000000 (1)Verm (L) 48,4444 11,36144 4,26394 0,002747 Verm (Q) 1,7778 9,83930 0,18068 0,861111 (2)CaCl2 (L) 60,8889 11,36144 5,35926 0,000678 CaCl2 (Q) 21,4444 9,83930 2,17947 0,060913 (3)NanoSil (L) 19,6667 11,36144 1,73100 0,121697 NanoSil (Q) -10,3889 9,83930 -1,05586 0,321873 1L by 2L -23,6667 13,91486 -1,70082 0,127395 1L by 2Q -2,8333 12,05063 -0,23512 0,820023 1Q by 2L -5,1667 12,05063 -0,42875 0,679419 1Q by 2Q 11,9167 10,43615 1,14186 0,286533 1L by 3L 32,6667 13,91486 2,34761 0,046856 1L by 3Q 5,1667 12,05063 0,42875 0,679419 1Q by 3L -2,5000 12,05063 -0,20746 0,840836 1Q by 3Q -5,8333 10,43615 -0,55895 0,591491 2L by 3L 33,5000 13,91486 2,40750 0,042675 2L by 3Q -6,4167 12,05063 -0,53248 0,608864 2Q by 3L -4,2500 12,05063 -0,35268 0,733441 2Q by 3Q 2,2917 10,43615 0,21959 0,831690 Da mesma forma que no R3, a análise de variância mostra que a concentração de cloreto de cálcio e seus fatores de relação com as outras variáveis são a parte mais importante na R300, embora nesse caso, a vermiculita também tenha forte influência. 95 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Tabela 4.13 – ANOVA completa para a R300 SS df MS F p (1)Verm (L) 10560,89 1 10560,89 18,18115 0,002747 Verm (Q) 18,96 1 18,96 0,03265 0,861111 (2)CaCl2 (L) 16683,56 1 16683,56 28,72165 0,000678 CaCl2 (Q) 2759,19 1 2759,19 4,75009 0,060913 (3)NanoSil (L) 1740,50 1 1740,50 2,99637 0,121697 NanoSil (Q) 647,57 1 647,57 1,11483 0,321873 1L by 2L 1680,33 1 1680,33 2,89279 0,127395 1L by 2Q 32,11 1 32,11 0,05528 0,820023 1Q by 2L 106,78 1 106,78 0,18382 0,679419 1Q by 2Q 757,37 1 757,37 1,30385 0,286533 1L by 3L 3201,33 1 3201,33 5,51127 0,046856 1L by 3Q 106,78 1 106,78 0,18382 0,679419 1Q by 3L 25,00 1 25,00 0,04304 0,840836 1Q by 3Q 181,48 1 181,48 0,31243 0,591491 2L by 3L 3366,75 1 3366,75 5,79604 0,042675 2L by 3Q 164,69 1 164,69 0,28353 0,608864 2Q by 3L 72,25 1 72,25 0,12438 0,733441 2Q by 3Q 28,01 1 28,01 0,04822 0,831690 Error 4646,96 8 580,87 Total SS 46780,52 26 Tabela 4.14 – ANOVA resumida para a R300 SS df MS F p (1)Verm L+Q 10579,85 2 5289,926 9,10690 0,008674 (2)CaCl2 L+Q 19442,74 2 9721,370 16,73587 0,001385 (3)NanoSil L+Q 2388,07 2 1194,037 2,05560 0,190376 1*2 2576,59 4 644,148 1,10894 0,415625 1*3 3514,59 4 878,648 1,51264 0,286124 2*3 3631,70 4 907,926 1,56304 0,273473 Error 4646,96 8 580,870 Total SS 46780,52 26 O Diagrama de Pareto abaixo demonstra bem o que já foi comentado anteriormente: a forte influência da concentração de vermiculita e cloreto de cálcio nos valores de R300, sendo 96 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões que a nano sílica é pouco participativa nesse ponto, agindo mais em conjunto com os outros aditivos. Pareto Chart of Standardized Effects; Variable: R300 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=580,8704 DV: R300 (2)CaCl2(L) (1)Verm(L) 2Lby3L 1Lby3L CaCl2(Q) (3)NanoSil(L) 1Lby2L 1Qby2Q NanoSil(Q) 1Qby3Q 2Lby3Q 1Qby2L 1Lby3Q 2Qby3L 1Lby2Q 2Qby3Q 1Qby3L Verm(Q) 5,359258 4,263935 2,407497 2,347609 2,17947 1,731001 -1,70082 1,141864 -1,05586 -,558955 -,532476 -,428747 ,4287467 -,352679 -,235119 ,2195893 -,207458 ,1806814 p=,05 Standardized Effect Estimate (Absolute Value) Figura 4.17 – Diagrama de Pareto da influência das várias variáveis estudadas nos valores da reologia a 300RPM da pasta Ao analisarmos o gráfico de superfície de resposta da concentração de CaCl2 contra a de vermiculita, percebemos que o mesmo possui valores maiores nos pontos de alta concentração dos dois aditivos, um comportamento esperado, já que ambos os elementos influenciam linearmente na R300. São esses pontos que devemos evitar no momento de desenvolver a pasta, pois quanto maior esse valor, mais esforço será transmitido à bomba que estiver bombeando o cimento. 97 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: R300 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=580,8704 DV: R300 160 140 120 100 80 60 40 Figura 4.18 – Superfície de Resposta dos valores de R300 em relação à concentração de cloreto de cálcio e vermiculita Da mesma forma, a superfície de nano sílica x CaCl2 mostra que a nano sílica por si praticamente não influencia na R300, mas a sua sinergia com o cloreto ajuda a elevar os valores da reologia da pasta: o ponto com altas concentrações de ambos aditivos possui as maiores reologias. 98 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: R300 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=580,8704 DV: R300 180 160 140 120 100 80 60 Figura 4.19 – Superfície de Resposta dos valores de R300 em relação à concentração de cloreto de cálcio e nano sílica Por fim, podemos analisar a superfície de resposta da nano sílica contra a vermiculita, e constatar que a nano sílica não tem grandes influências na R300 da pasta cimentante, enquanto que a vermiculita garante, em altas concentrações, elevadas reologias. Mais uma vez, deve-se procurar, se for do interesse do projetista, pontos com baixas R300, ou seja, baixa concentração de vermiculita, ou concentrações médio-altas de vermiculita, com baixas concentrações de nano sílica. 99 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: R300 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=580,8704 DV: R300 160 140 120 100 Figura 4.20 – Superfície de Resposta dos valores de R300 em relação à concentração de nano sílica e vermiculita 100 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Observed vs. Predicted Values 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=580,8704 DV: R300 240 220 200 Predicted Values 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220 240 260 Observed Values Figura 4.21 – Relação entre valores observados experimentalmente e valores preditos pelo modelo do R300 4.3.3 Gel Inicial O estudo do gel inicial é também de vital importância para o desenvolvimento das pastas cimentantes: o gel inicial procura simular o aumento da viscosidade no cimento quando ocorre uma rápida parada no bombeamento desta. O cimento possui propriedades de sol e gel, e no momento que este para de se mover, rapidamente a estrutura coloidal do mesmo passa para a fase gel. Pela análise de variância do estudo, vemos que, assim como nos outros estudos de reologia, a concentração de cloreto de cálcio possui grande influência no gel inicial, assim como a interação entre concentração de vermiculita e concentração de cloreto. 101 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Tabela 4.15 – Efeitos estudados para o Gi Effect Std.Err. t(17) p Mean/Interc. 33,8889 1,389891 24,38241 0,000000 (1)Verm (L) 1,7778 3,404523 0,52218 0,608282 Verm (Q) 0,0000 2,948403 0,00000 1,000000 (2)CaCl2 (L) 26,0000 3,404523 7,63690 0,000001 CaCl2 (Q) 3,3333 2,948403 1,13056 0,273941 (3)NanoSil (L) 6,0000 3,404523 1,76236 0,095977 NanoSil (Q) -4,3333 2,948403 -1,46972 0,159901 1L by 2L -11,0000 4,169672 -2,63810 0,017262 1L by 3L 5,3333 4,169672 1,27908 0,218054 2L by 3L 7,8333 4,169672 1,87864 0,077552 Tabela 4.16 – ANOVA completa para o Gi SS df MS F p (1)Verm (L) 14,222 1 14,222 0,27267 0,608282 Verm (Q) 0,000 1 0,000 0,00000 1,000000 (2)CaCl2 (L) 3042,000 1 3042,000 58,32223 0,000001 CaCl2 (Q) 66,667 1 66,667 1,27816 0,273941 (3)NanoSil (L) 162,000 1 162,000 3,10592 0,095977 NanoSil (Q) 112,667 1 112,667 2,16008 0,159901 1L by 2L 363,000 1 363,000 6,95956 0,017262 1L by 3L 85,333 1 85,333 1,63604 0,218054 2L by 3L 184,083 1 184,083 3,52931 0,077552 Error 886,694 17 52,158 Total SS 4916,667 26 Tabela 4.17 – ANOVA resumida para o Gi SS df MS F p (1)Verm L+Q 14,222 2 7,111 0,13634 0,873493 (2)CaCl2 L+Q 3108,667 2 1554,333 29,80019 0,000003 (3)NanoSil L+Q 274,667 2 137,333 2,63300 0,100892 1*2 363,000 1 363,000 6,95956 0,017262 1*3 85,333 1 85,333 1,63604 0,218054 2*3 184,083 1 184,083 3,52931 0,077552 Error 886,694 17 52,158 Total SS 4916,667 26 102 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões O Diagrama de Pareto abaixo demonstra bem a importância da concentração de cloreto de cálcio para determinação dos géis iniciais. É interessante notar que, para esse modelo, a influência do cloreto de cálcio é tão grande que praticamente não existem relações quadráticas entre as variáveis independentes. Dessa feita, o modelo utilizado nesse estudo difere do outro, por contar apenas com relações de primeira ordem entre as diferentes variáveis. Pareto Chart of Standardized Effects; Variable: Gi 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=52,1585 DV: Gi (2)CaCl2(L) 7,636899 1Lby2L -2,6381 2Lby3L 1,878645 (3)NanoSil(L) 1,762361 NanoSil(Q) -1,46972 1Lby3L 1,279077 CaCl2(Q) 1,130555 (1)Verm(L) Verm(Q) ,5221812 0, p=,05 Standardized Effect Estimate (Absolute Value) Figura 4.22 – Diagrama de Pareto da influência das várias variáveis estudadas nos valores do Gel Inicial da pasta Inicialmente, podemos ver, pela superfície de resposta abaixo, que a importância da concentração de vermiculita é quase nula diante do cloreto de cálcio. Podem-se obter valores altos de géis iniciais, com baixas concentrações de vermiculita e altas concentrações de cloreto. Em geral, tais valores são pouco desejados, tendo em vista a elevada carga transmitida às bombas em caso de parada e reinício do bombeamento. 103 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: Gi 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=52,1585 DV: Gi 50 40 30 20 10 Figura 4.23 - Superfície de Resposta dos valores de Gi em relação à concentração de cloreto de cálcio e vermiculita Poderíamos ver aqui uma leve influência da relação entre concentração de nano sílica e cloreto de cálcio, entretanto, tal deve ser pouco considerado, tendo em vista tal interação não ser representativa estatisticamente. De qualquer forma, vemos mais uma vez a importância da concentração de cloreto de cálcio na reologia da pasta. 104 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: Gi 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=52,1585 DV: Gi 50 40 30 20 Figura 4.24 - Superfície de Resposta dos valores de Gi em relação à concentração de cloreto de cálcio e nano sílica Por fim, a superfície de resposta relacionando a concentração de vermiculita com a de nano sílica é praticamente plana: não existem grandes variações significativas em nenhum ponto, já que, como sabemos, ambas variáveis (e suas interações) não são estatisticamente significativas na determinação do gel final, sendo, portanto, a explicação para a aparência da superfície de resposta a seguir. 105 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: Gi 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=52,1585 DV: Gi 47,9689 46 44 42 40 38 36 34 Figura 4.25 - Superfície de Resposta dos valores de Gi em relação à concentração de nano sílica e vermiculita 4.3.4 Gel Final Finalmente, analisaremos agora o comportamento do gel final (Gf), a última propriedade reológica estudada nesse trabalho. O gel final é uma medida estimada da gelificação da pasta após longos períodos sem bombeamento. Valores altos de gel final significam que as bombas ficariam mais sobrecarregadas no momento que as mesmas voltassem a operar. Em geral, deve se buscar valores de gel final e inicial semelhantes, para que a operação das bombas seja o mais constante possível. Portanto, nessa parte do trabalho, buscaremos analisar os pontos onde teremos valores de gel inicial e final semelhantes. 106 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Como vemos, assim como no gel inicial, o efeito de maior importância é a concentração de cloreto de cálcio e a relação entre vermiculita e cloreto de cálcio, embora essa última seja ainda menos importante no Gf do que no Gi. Tabela 4.18 – Efeitos estudados para o Gf Effect Std.Err. t(17) p Mean/Interc. 47,0370 3,71067 12,67614 0,000000 (1)Verm (L) -11,4444 9,08926 -1,25912 0,225003 Verm (Q) -7,7222 7,87153 -0,98103 0,340333 (2)CaCl2 (L) 50,2222 9,08926 5,52545 0,000037 CaCl2 (Q) -4,8889 7,87153 -0,62109 0,542782 (3)NanoSil (L) 1,8889 9,08926 0,20782 0,837842 NanoSil (Q) -9,3889 7,87153 -1,19277 0,249344 1L by 2L -24,8333 11,13202 -2,23080 0,039454 1L by 3L 13,0000 11,13202 1,16780 0,259005 2L by 3L 3,1667 11,13202 0,28446 0,779490 Tabela 4.19 – ANOVA completa para o Gf SS df MS F p (1)Verm (L) 589,39 1 589,39 1,58538 0,225003 Verm (Q) 357,80 1 357,80 0,96242 0,340333 (2)CaCl2 (L) 11350,22 1 11350,22 30,53057 0,000037 CaCl2 (Q) 143,41 1 143,41 0,38575 0,542782 (3)NanoSil (L) 16,06 1 16,06 0,04319 0,837842 NanoSil (Q) 528,91 1 528,91 1,42269 0,249344 1L by 2L 1850,08 1 1850,08 4,97648 0,039454 1L by 3L 507,00 1 507,00 1,36376 0,259005 2L by 3L 30,08 1 30,08 0,08092 0,779490 Error 6320,02 17 371,77 Total SS 21692,96 26 107 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Tabela 4.20 – ANOVA resumida para o Gf SS df MS F p (1)Verm L+Q 947,19 2 473,593 1,27390 0,305129 (2)CaCl2 L+Q 11493,63 2 5746,815 15,45816 0,000150 (3)NanoSil L+Q 544,96 2 272,481 0,73294 0,495075 1*2 1850,08 1 1850,083 4,97648 0,039454 1*3 507,00 1 507,000 1,36376 0,259005 2*3 30,08 1 30,083 0,08092 0,779490 Error 6320,02 17 371,766 Total SS 21692,96 26 O Diagrama de Pareto abaixo mostra que o cloreto de cálcio é o grande elemento de influência no gel final de uma amostra, sendo que esse cresce diretamente com o aumento daquele. Por outro lado, o Gf é inversamente proporcional ao aumento conjunto de vermiculita e cloreto, ou seja: é inversamente proporcional à concentração de vermiculita. Pareto Chart of Standardized Effects; Variable: Gf 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=371,7658 DV: Gf (2)CaCl2(L) 5,525448 1Lby2L -2,2308 (1)Verm(L) -1,25912 NanoSil(Q) -1,19277 1Lby3L 1,167802 Verm(Q) CaCl2(Q) 2Lby3L (3)NanoSil(L) -,981032 -,621085 ,2844646 ,2078155 p=,05 Standardized Effect Estimate (Absolute Value) Figura 4.26 - Diagrama de Pareto da influência das várias variáveis estudadas nos valores do Gel Final da pasta 108 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: Gf 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=371,7658 DV: Gf 100 80 60 40 20 Figura 4.27 - Superfície de Resposta dos valores de Gf em relação à concentração de cloreto de cálcio e vermiculita 109 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: Gf 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=371,7658 DV: Gf 80 60 40 20 Figura 4.28 - Superfície de Resposta dos valores de Gf em relação à concentração de cloreto de cálcio e nano sílica 110 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: Gf 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=371,7658 DV: Gf 60 40 Figura 4.29 - Superfície de Resposta dos valores de Gf em relação à concentração de nano sílica e vermiculita 4.4 Estabilidade O teste de estabilidade hidrotérmica é muito importante para determinação da aplicabilidade ou não de uma pasta cimentante. A estabilidade determina se a pasta se manterá coesa após um longo período de tempo, isso é: se sua fração líquida não se separará da fração sólida. Isso é especialmente crítico quando se trabalha com pastas de baixas densidades, como é o caso em estudo. Nessas situações, a elevada razão água-óleo do cimento faz com que a estabilidade seja um fator crítico de estudo. Caso alguma pasta não possua estabilidade suficiente, a mesma deve ser imediatamente descartada. No presente estudo, apenas duas pastas (de 27 amostras) se mostraram instáveis: as pastas de número 21 e 25, curiosamente, ambas contendo baixas quantidades de vermiculita. Já foi mostrado que a vermiculita absorve 111 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões parte da água adicionada à pasta, portanto, uma diminuição na concentração do mineral aumenta a água livre da amostra, deixando a pasta mais instável. Outro fator importante a se estudar é a variação de densidade das diferentes camadas do cimento. Em uma pasta teórica 100% estável, não existiria a formação de um gradiente de densidade no corpo da mesma: as camadas inferiores terão a mesma densidade das superiores. Como essa situação hipotética é pouco provável de se acontecer na realidade, deve-se buscar valores de densidade semelhantes nas diferentes camadas da pasta. Estudaremos a seguir os valores encontrados para as densidades da camada do meio e do fundo da pasta. Podemos ver, pelo planejamento estatístico abaixo, que a densidade no meio da amostra é completamente indiferente da composição da pasta. Nenhum dos fatores estudados foi estatisticamente significativo para o estudo da estabilidade do material. Isso possui duas implicações: a primeira, que a mostra que a estabilidade da pasta é dependente de algum outro fator que não a concentração dos três componentes em si. Essa hipótese deve ser descartada, pois a pasta só era composta desses três elementos. Outra, é que a estabilidade seria dependente eminentemente da densidade da pasta. Essa hipótese é mais provável, pois como nos bem lembra NELSON, um dos efeitos colaterais da adição de dispersantes (e, por tabela, da diminuição da densidade da pasta), é que o cimento pode mostrar sedimentação, com a formação de um gradiente de densidade do topo ao fundo da pasta, com ou sem a presença de água livre, identificada pela formação de uma pequena camada de água no topo do recipiente. Quando as partículas de cimento em suspensão não estão completamente dispersas, elas interagem através de forças eletrostáticas. Nesse caso, o peso das partículas é transmitido para o fundo do recipiente que contém a pasta, e começa a ocorrer uma deformação plástica, levando à expulsão da água da parte inferior, sendo transferida, por gradiente de densidade, para as camadas superiores. Quando se tem excesso de água acima da pasta, se forma a água livre (NELSON, 1990). 4.5 Resistência à Compressão A resistência à compressão é uma maneira bastante prática de se identificar o comportamento de uma pasta em condições de poço, após a cura. Em pastas de cimento de 112 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões baixa densidade, devido à sua própria natureza, com elevado teor água/cimento, a resistência mecânica é consideravelmente inferior às pastas tradicionais. Dessa feita, a busca pela maximização da resistência mecânica deve ser um fator determinante na criação de uma pasta de cimento de baixa densidade. Não seria exagero afirmar que esse seria o teste mais importante do presente estudo, afinal, por melhores que sejam as outras propriedades da pasta cimentante, caso seja descoberto que a mesma não possua resistência compressiva suficiente para a aplicação em poços petrolíferos, a mesma seria descartada, já que a mesma poderia causar problemas na cimentação, levando a acidentes sérios, e até mesmo à perda do poço. Fazendo uma rápida análise com o fator “p”, vemos que a maioria dos fatores estudados tem influência no comportamento da resistência mecânica da pasta. Em especial, como é de se esperar, a concentração de vermiculita e todas as interações entre ela possuem forte interferência. Isso pode ser facilmente explicado pela função que a vermiculita tem na pasta, que é, além de ocupar volume de cimento, diminuindo a densidade total da pasta, absorver água, tornando possível a adição de mais água na pasta, o que diminui ainda mais a densidade do cimento. Outro fator de grande importância na resistência mecânica, curiosamente, é a relação entre a concentração de vermiculita e a concentração de cloreto de cálcio. Isso poderia ser explicado por causa das propriedades adsortivas da vermiculita: em ambientes com alta concentração de íons cloreto Tabela 4.21 – Efeitos estudados para a resistência Effect Std.Err. t(8) p Mean/Interc. 7,05787 0,049284 143,2073 0,000000 (1)Verm (L) 0,84576 0,120721 7,0059 0,000112 Verm (Q) -0,95964 0,104548 -9,1790 0,000016 (2)CaCl2 (L) -0,27240 0,120721 -2,2564 0,054022 CaCl2 (Q) -0,31426 0,104548 -3,0059 0,016918 (3)NanoSil (L) 0,10661 0,120721 0,8831 0,402939 NanoSil (Q) 0,37054 0,104548 3,5442 0,007573 1L by 2L -1,13346 0,147853 -7,6661 0,000059 1L by 2Q 0,03871 0,128044 0,3023 0,770116 1Q by 2L -0,89824 0,128044 -7,0151 0,000111 1Q by 2Q -0,89992 0,110890 -8,1154 0,000039 113 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões 1L by 3L 0,00227 0,147853 0,0154 0,988126 1L by 3Q 0,29167 0,128044 2,2779 0,052245 1Q by 3L -0,52637 0,128044 -4,1109 0,003387 1Q by 3Q -0,38022 0,110890 -3,4288 0,008970 2L by 3L -0,11315 0,147853 -0,7653 0,466069 2L by 3Q 0,70118 0,128044 5,4761 0,000590 2Q by 3L -0,22382 0,128044 -1,7480 0,118596 2Q by 3Q -0,33345 0,110890 -3,0071 0,016889 Tabela 4.22 – ANOVA completa para a resistência SS df MS F p (1)Verm (L) 3,21889 1 3,218886 49,08228 0,000112 Verm (Q) 5,52547 1 5,525473 84,25361 0,000016 (2)CaCl2 (L) 0,33391 1 0,333908 5,09150 0,054022 CaCl2 (Q) 0,59257 1 0,592569 9,03562 0,016918 (3)NanoSil (L) 0,05114 1 0,051145 0,77986 0,402939 NanoSil (Q) 0,82381 1 0,823814 12,56170 0,007573 1L by 2L 3,85416 1 3,854161 58,76908 0,000059 1L by 2Q 0,00599 1 0,005994 0,09140 0,770116 1Q by 2L 3,22736 1 3,227358 49,21146 0,000111 1Q by 2Q 4,31922 1 4,319220 65,86041 0,000039 1L by 3L 0,00002 1 0,000015 0,00024 0,988126 1L by 3Q 0,34028 1 0,340282 5,18869 0,052245 1Q by 3L 1,10827 1 1,108269 16,89912 0,003387 1Q by 3Q 0,77104 1 0,771035 11,75692 0,008970 2L by 3L 0,03841 1 0,038410 0,58568 0,466069 2L by 3Q 1,96660 1 1,966600 29,98714 0,000590 2Q by 3L 0,20038 1 0,200380 3,05544 0,118596 2Q by 3Q 0,59301 1 0,593012 9,04237 0,016889 Error 0,52465 8 0,065581 Total SS 27,49518 26 114 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Tabela 4.23 – ANOVA resumida para a resistência SS df MS F p (1)Verm L+Q 8,74436 2 4,372180 66,66795 0,000010 (2)CaCl2 L+Q 0,92648 2 0,463238 7,06356 0,017087 (3)NanoSil L+Q 0,87496 2 0,437479 6,67078 0,019745 1*2 11,40673 4 2,851683 43,48309 0,000018 1*3 2,21960 4 0,554900 8,46124 0,005658 2*3 2,79840 4 0,699600 10,66766 0,002714 Error 0,52465 8 0,065581 Total SS 27,49518 26 O diagrama de Pareto abaixo mostra a importância de quase todos os fatores estudados. Pareto Chart of Standardized Effects; Variable: RM 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=,0655814 DV: RM Verm(Q) 1Qby2Q 1Lby2L 1Qby2L (1)Verm(L) 2Lby3Q 1Qby3L NanoSil(Q) 1Qby3Q 2Qby3Q CaCl2(Q) 1Lby3Q (2)CaCl2(L) 2Qby3L (3)NanoSil(L) 2Lby3L 1Lby2Q 1Lby3L -9,17898 -8,11544 -7,6661 -7,01509 7,005875 5,476051 -4,11085 3,544249 -3,42884 -3,00705 -3,00593 2,277869 -2,25644 -1,74798 ,8830986 -,765299 ,3023236 ,0153531 p=,05 Standardized Effect Estimate (Absolute Value) Figura 4.30 – Diagrama de Pareto da influência das várias variáveis estudadas nos valores da resistência mecânica da pasta A superfície de resposta abaixo mostra a curva da resistência mecânica em função da concentração de cloreto de cálcio e vermiculita. Em densidades reduzidas, os cimentos de 115 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões classe Portland possuem resistências mecânicas bastante baixas. A vermiculita age exatamente nesse ponto, devido às suas características expansivas. Quando a amostra é submetida à compressão, a vermiculita se comprime primeiro, sendo necessário um maior peso sobre a superfície do cimento de forma a começar o rompimento do corpo de prova. Em teoria, quando a concentração de vermiculita atingisse valores mais altos, a resistência mecânica do cimento poderia diminuir, já que a estrutura desse seria mais “frágil”. Entretanto, no intervalo estudado (até 9% de concentração mássica de vermiculita) não vemos isso, e, pelo contrário, a resistência mecânica mostra sinais de estar sempre subindo. Em estudos posteriores, seria interessante se averiguar esse limite de concentração da vermiculita onde o cimento passa a perder suas propriedades. Fitted Surface; Variable: RM 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=,0655814 DV: RM 9 8 7 6 5 Figura 4.31a – Superfície de Resposta dos valores da resistência mecânica da pasta em relação à concentração de cloreto de cálcio e vermiculita 116 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: RM 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=,0655814 DV: RM 1,2 1,0 0,8 0,6 0,4 CaCl2 0,2 0,0 -0,2 -0,4 -0,6 -0,8 -1,0 -1,2 -1,2 -1,0 -0,8 -0,6 -0,4 -0,2 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 9 8 7 6 5 Verm Figura 4.31b – Superfície de Resposta dos valores da resistência mecânica da pasta em relação à concentração de cloreto de cálcio e vermiculita A superfície de resposta abaixo mostra a resistência mecânica como função da concentração de vermiculita e nano sílica. Como podemos ver no diagrama de Pareto, o fator mais importante no presente estudo é a concentração ao quadrado de vermiculita. Logo, faz sentido o fato que, tanto em baixas quando em altas concentrações (definidas como -1 e +1 no presente trabalho), os valores de resistência sejam elevados. Isso pode ser explicado, além do que já foi dito na análise anterior, com o fato que, em baixas concentrações, a pasta já começa a se comportar como cimento puro, que teria resistência mecânica mais alta por natureza. Por outro lado, podemos ver que a nano sílica pouco interfere na resistência mecânica do cimento. Mais uma vez, analisando o diagrama de Pareto, vemos que a nano sílica e suas interações com os outros aditivos pouco interferem na resistência mecânica. A suposta interferência da nano sílica em concentração quadrática pode ser considerada algum erro experimental, tendo em vista que a interação linear (mais importante) não é significativa. 117 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Dessa forma, é de se esperar que a superfície de resposta abaixo tenha um formato parecido com as demais, isso é, resistência elevada nos pontos de concentração de vermiculita muito alta ou muito baixa. Fitted Surface; Variable: RM 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=,0655814 DV: RM 9 8 7 6 5 Figura 4.32a – Superfície de Resposta dos valores da resistência mecânica da pasta em relação à concentração de nano sílica e vermiculita 118 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: RM 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=,0655814 DV: RM 1,2 1,0 0,8 0,6 NanoSil 0,4 0,2 0,0 -0,2 -0,4 -0,6 -0,8 -1,0 -1,2 -1,2 -1,0 -0,8 -0,6 -0,4 -0,2 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 9 8 7 6 5 Verm Figura 4.32b – Superfície de Resposta dos valores da resistência mecânica da pasta em relação à concentração de nano sílica e vermiculita Por fim, podemos tratar da superfície de resposta que traz a concentração de nano sílica e cloreto de cálcio juntas. A importância da concentração ao quadrado de cloreto de cálcio já foi tratada anteriormente, assim como o fato que o cloreto de cálcio promove melhor resistência à pasta em baixas concentrações. Isso ocorre, principalmente, por causa da vermiculita, que absorve água em seus sítios ativos, através do pólo negativo centrado no átomo de oxigênio de sua molécula. Quando se adiciona altas concentrações de CaCl2, o ambiente fica permeado de íons - Cl , provenientes da dissociação da molécula de cloreto de cálcio. Por terem cargas negativas muito mais fortes que as da água, os íons cloreto tem “prioridade” no processo absortivo da vermiculita. Isso faz com que o sistema passe a ter mais água livre, diminuindo a resistência mecânica como um todo. No caso presente, a nano sílica pouco interfere na resistência mecânica do corpo de prova, por isso, a resistência mecânica varia quase que de maneira constante na direção da 119 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões diminuição da concentração de cloreto de cálcio, com um pequeno aumento no ponto de maior concentração do aditivo. Fitted Surface; Variable: RM 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=,0655814 DV: RM 8 7 6 5 Figura 4.33a – Superfície de Resposta dos valores da resistência mecânica da pasta em relação à concentração de cloreto de cálcio e nano sílica 120 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Fitted Surface; Variable: RM 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=,0655814 DV: RM 1,2 1,0 0,8 0,6 NanoSil 0,4 0,2 0,0 -0,2 -0,4 -0,6 -0,8 -1,0 -1,2 -1,2 -1,0 -0,8 -0,6 -0,4 -0,2 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 8,5 8 7,5 7 6,5 6 5,5 5 CaCl2 Figura 4.33b – Superfície de Resposta dos valores da resistência mecânica da pasta em relação à concentração de cloreto de cálcio e nano sílica Os três gráficos abaixo mostram a correlação entre os pontos obtidos no estudo e os valores preditos pelo modelo de segunda ordem com interações entre dois compostos, assim como os valores dos resíduos desses dados. Fica claro que o modelo usado foi excelente para a correlação dos dados experimentais, com erro residual médio de apenas 6,5% e erros brutos na casa de ± 0,1 MPa. 121 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Observed vs. Predicted Values 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=,0655814 DV: RM 9,0 8,5 Predicted Values 8,0 7,5 7,0 6,5 6,0 5,5 5,0 4,5 4,5 5,0 5,5 6,0 6,5 7,0 7,5 8,0 8,5 9,0 9,5 Observed Values Figura 4.34 – Relação entre valores observados experimentalmente e valores preditos pelo modelo da resistência mecânica 122 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Observed vs. Residual Values 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=,0655814 DV: RM 0,4 0,3 Raw Residuals 0,2 0,1 0,0 -0,1 -0,2 -0,3 -0,4 4,5 5,0 5,5 6,0 6,5 7,0 7,5 8,0 8,5 9,0 9,5 Observed Values Figura 4.35 – Gráfico de valores observados experimentalmente pelos resíduos do erro do modelo 123 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 Resultados e Discussões Predicted vs. Residual Values 3 3-level factors, 1 Blocks, 27 Runs; MS Residual=,0655814 DV: RM 0,4 0,3 Raw Residuals 0,2 0,1 0,0 -0,1 -0,2 -0,3 -0,4 4,5 5,0 5,5 6,0 6,5 7,0 7,5 8,0 8,5 9,0 Predicted Values Figura 4.36 – Gráfico de valores preditos pelo modelo pelos resíduos do erro do modelo 124 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 5. CONCLUSÃO Conclusão 5 Conclusão O estudo realizado nesse trabalho teve como objetivo analisar a viabilidade do uso de vermiculita como extendedor, ao mesmo tempo que se mantivessem as propriedades desejadas nas pastas cimentantes. Além disso, se buscou fazer uma análise estatística dos dados obtidos, de forma a otimizar os experimentos realizados e sua quantidade. Devido aos estudos estatísticos e análise de variância realizados nos dados, os resultados foram otimizados, permitindo que se descobrisse qual seria a concentração ótima dos aditivos para cada uma das variáveis estudadas. Desta forma, chegou-se às seguintes conclusões: • O aditivo vermiculita apresentou excelentes propriedades como extensor, e mesmo à baixas densidades de pasta, permitiu que a mesma fosse estável e com boas propriedades mecânicas e reológicas; • O aditivo nano sílica, em conjunto com o cloreto de cálcio, é bastante eficiente na viscosificação da pasta cimentante; • Foi possível estimar, através das superfícies de resposta, quais seriam as concentrações ideais de cada um dos aditivos, de forma a maximizar as propriedades de resistência mecânica e otimizar a reologia dos mesmos; • Foi possível obter relações matemáticas para prever o comportamento da pasta cimentante em relação à sua reologia e resistência mecânica, em função da concentração de vermiculita, nano sílica e cloreto de cálcio; • Ficou comprovada a possibilidade de utilização de materiais alternativos de baixo custo na cimentação de poços de petróleo: apesar do custo reduzido, os materiais tem a capacidade de substituir completamente os produtos comercialmente disponíveis, permitindo que o cimento adquira propriedades iguais ou superiores às obtidas com as soluções comerciais disponíveis. 126 Romero Gomes da Silva Araujo Filho, Março/2012 REFERÊNCIAS Referências Referências AGZAMOV, F.; KARIMOV, N.; AKCHURIN, K. 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