painel
Ano XVIII nº 241 abril/ 2015
AEAARP
No centro
da crise
O país atravessa um período de
turbulência com reflexos econômicos
que podem afetar também as carreiras
de engenheiros e a a�vidade de
empresas de engenharia
GESTÃO
AEAARP tem nova diretoria e
renova um terço do conselho
ORGÂNICOS
Veja como é o mercado e a
produção na região
MOBILIDADE
Cresce o número de ví�mas e a
frota de veículos nas ruas
Editorial
Eng. civil Carlos
Eduardo Alencastre
EM FRENTE
Houve um momento no país em que as associações de classe restringiam-se a espaços
de debates, muitas vezes acalorados, sobre o des�no da a�vidade profissional às quais
se dedicavam. Refle�am, por óbvio, o clima econômico e ins�tucional de cada momento.
Os anos impõem desafios gigantescos aos profissionais de todas as áreas, especialmente
àqueles do setor tecnológico. As en�dades que os representam devem acompanhar as
mudanças.
O país atravessa um período di�cil e a a�vidade de engenheiros, arquitetos e agrônomos
é diretamente afetada por essas turbulências econômicas, tendo em vista a retração da
economia e, por consequência, dos inves�mentos que são necessários para projetos,
obras, empreendimentos etc.
Avançando no tempo e na história, e para atender às demandas do momento, a AEAARP
deve ser o ambiente de congregação de ideias, de obje�vos, de valorização profissional
e, sobretudo, de a�vidades que proporcionem conhecimento técnico, convivência social
e de oportunidades de negócios.
Este é o propósito fundamental do grupo que assumiu a direção da en�dade para os
próximos dois anos. Nossos compromissos darão sequencia ao trabalho que já é feito na
en�dade, como a promoção da é�ca e da cidadania, promoção de discussões relevantes
de temas regionais e nacionais, difusão de tecnologias, par�cipação em conselhos, valorização da mulher na a�vidade tecnológica, incen�vo à par�cipação de universitários e
profissionais jovens, dentre outros. E iremos em frente, proporcionando aos associados
novas experiências de convívio.
A Associação tem deveres sociais, profissionais e polí�cos – do ponto de vista ins�tucional – que devem responder às necessidades dos associados e do conjunto da sociedade, uma vez que nosso papel é reconhecido desta forma por leis de u�lidade pública
do município e do estado de São Paulo.
Quando, em 1948, Guilherme De Felipe liderou a fundação da AEAARP, aquele grupo de
jovens profissionais idealistas já atendia a esses propósitos. Não fundaram uma en�dade
de amigos, mas uma organização com o firme propósito de defender a a�vidade profissional e oferecer seus conhecimentos para o aperfeiçoamento da sociedade na época.
Desde aqueles tempos, o que nos credencia é a capacidade técnica de todos os que
integram a en�dade, a sua robustez e a bela história que poucos no país têm condições
de ostentar. Dela nos orgulhamos e seguiremos escrevendo nos próximos dois anos.
Eng. civil Carlos Eduardo Alencastre
Presidente
Rua João Penteado, 2237 - Ribeirão Preto-SP - Tel.: (16) 2102.1700
Fax: (16) 2102.1717 - www.aeaarp.org.br / [email protected]
Expediente
Eng. civil Carlos Eduardo Nascimento Alencastre
Presidente
Eng. eletr. Tapyr Sandroni Jorge
1º Vice-presidente
Eng. civil Arlindo Antonio Sicchieri Filho
2º Vice-presidente
DIRETORIA OPERACIONAL
Diretor Administrativo: eng. agr. Callil João Filho
Diretor Financeiro: eng. agr. Benedito Gléria Filho
Diretor Financeiro Adjunto: eng. civil e seg. do trab. Luis Antonio Bagatin
Diretor de Promoção da Ética de Exercício Profissional: eng. civil Hirilandes Alves
Diretor Ouvidoria: eng. civil Milton Vieira de Souza Leite
ASSOCIAÇÃO
DE ENGENHARIA
ARQUITETURA E
AGRONOMIA DE
RIBEIRÃO PRETO
DIRETORIA FUNCIONAL
Diretor de Esportes e Lazer: eng. civil Rodrigo Fernandes Araújo
Diretor de Comunicação e Cultura: eng. agr. Paulo Purrenes Peixoto
Diretor Social: arq. e urb. Marta Benedini Vecchi
Diretor Universitário: arq. e urb. Ruth Cristina Montanheiro Paolino
DIRETORIA TÉCNICA
Agronomia, Agrimensura, Alimentos e afins: eng. agr. Jorge Luiz Pereira Rosa
Arquitetura, Urbanismo e afins: arq. Ercília Pamplona Fernandes Santos
Engenharia e afins: eng. Naval José Eduardo Ribeiro
CONSELHO DELIBERATIVO
Presidente: eng. civil Wilson Luiz Laguna
Conselheiros Titulares
Eng. civil Elpidio Faria Junior
Eng. agr. Dilson Rodrigues Cáceres
Eng. civil João Paulo de Souza Campos Figueiredo
Eng. mec. Giulio Roberto Azevedo Prado
Arq. Luiz Eduardo Siena Medeiros
Eng. agr. Geraldo Geraldi Jr
Eng. civil Edgard Cury
Arq. e eng. seg. do trab. Fabiana Freire Grellet Franco do Amaral
Arq. e urb. Maria Teresa Pereira Lima
Eng. agr. Gilberto Marques Soares
Eng. civil Ricardo Aparecido Debiagi
Eng. elet. Hideo Kumasaka
Índice
Conselheiros Suplentes
Eng. civil Fernando Brant da Silva Carvalho
Eng. agr. Denizart Bolonhezi
Eng. agr. Ronaldo Posella Zaccaro
Arq. e urb. Celso Oliveira dos Santos
Arq. e urb. Fernando de Souza Freire
Eng. agr. Alexandre Garcia Tazinaffo
ESPECIAL
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DIRETORIA
09
AGRONOMIA
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CONSELHEIROS TITULARES DO CREA-SP INDICADOS PELA AEAARP
Eng. mec. Giulio Roberto Azevedo Prado e eng. civil e seg. do trab. Hirilandes Alves
HOMENAGEM
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REVISTA PAINEL
Conselho Editorial: - eng. agr. Dilson Rodrigues Cáceres, eng. mec. Giulio Roberto
Azevedo Prado, eng. agr. Paulo Purrenes Peixoto e eng. civil e seg. do trab. Luis Antonio
Bagatin - [email protected]
TRÂNSITO
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AGRÔNOMOS
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Xeque-mate?
Novo grupo, novos compromissos
Viver sem agrotóxico é possível?
Presidente do CREA-SP é um cidadão ribeirãopretano
Mobilidade urbana: sugestões e soluções
A cerimônia Deusa Ceres
SOCIAL
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CREA-SP
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Descontração
Cancelamento do registro
UNIVERSIDADE
Para escrever melhor
NOTAS E CURSOS
Coordenação Editorial: Texto & Cia Comunicação – Rua Joaquim Antonio Nascimento 39,
cj. 13, Jd. Canadá, Ribeirão Preto SP, CEP 14024-180 - www.textocomunicacao.com.br
Fones: 16 3916.2840 | 3234.1110 - [email protected]
Editores: Blanche Amancio – MTb 20907 e Daniela Antunes – MTb 25679
Colaboração: Bruna Zanuto – MTb 73044
Publicidade: Departamento de eventos da AEAARP - 16 2102.1719
Angela Soares - [email protected]
Tiragem: 3.000 exemplares
Locação e Eventos: Solange Fecuri - 16 2102.1718
Editoração eletrônica: Mariana Mendonça Nader
Impressão e Fotolito: São Francisco Gráfica e Editora Ltda.
Painel não se responsabiliza pelo conteúdo dos artigos assinados. Os mesmos também não
expressam, necessariamente, a opinião da revista.
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26
Horário de funcionamento
AEAARP
CREA
Das 8h às 12h e das 13h às 17h
Das 8h30 às 16h30
Fora deste período, o atendimento é restrito à portaria.
ESPECIAL
Xeque-mate?
Redução da a�vidade econômica e denúncias de corrupção
impõem dificuldades às profissões da área tecnológica
É celebre a história do engenheiro
paulistano Odil Garcez Filho: nos anos
de 1980, ele foi demi�do e ganhou as
manchetes dos jornais quando abriu
uma lanchonete na Avenida Paulista
ba�zando-a de “O engenheiro que virou
suco”. Aqueles foram anos di�ceis para
os profissionais da área tecnológica, que
são diretamente afetados pelos períodos
de retração econômica. E, aliada à crise financeira, polí�ca e ins�tucional da
Petrobras, é esta a conjuntura que, segundo algumas fontes, poderão fazer os
engenheiros voltarem àquela realidade.
Desde 2008, o Brasil vive sob a sombra
da crise econômica mundial que devastou o mundo. Apesar dela, uma análise
divulgada neste mês de abril pelo Ins�tuto de Pesquisa Econômica Aplicada
(IPEA) avalia que as engenharias, a arquitetura e a agronomia apresentaram
índices posi�vos de empregabilidade
entre os anos de 2008 e 2013, superados
apenas por profissionais de Tecnologia
da Informação (TI) e por professores e
profissionais de saúde, carreiras com
AEAARP
5
6
ESPECIAL
forte vínculo no setor público. De forma
geral, o número de vínculos trabalhistas
em ocupações de nível superior passou
de 5,1 milhões para 6,7 milhões naqueles cinco anos, um crescimento de 30%.
Engenharias e afins respondem por 5,1%
deste crescimento.
O engenheiro Odil faleceu no início dos
anos 2000. Não teve tempo de par�cipar
ou assis�r o período de riqueza. Hoje, segundos algumas fontes, os profissionais
do setor precisam adotar medidas para
que não passem pelas mesmas dificuldades dos anos de 1980 e 1990. Segundo
a Confederação Nacional da Indústria
(CNI), a a�vidade industrial e o emprego
registraram queda no primeiro trimestre
de 2015 ante o úl�mo de 2014. O maior
nível de retração está na comparação
com os três primeiros meses de 2014:
redução de 8,5% de horas trabalhadas
na indústria e 3,9% de queda nos postos
de trabalho.
As informações da pesquisa mostram
também que o faturamento real no setor
recuou 3,6% frente ao úl�mo trimestre
de 2014 e 6% ante o primeiro trimestre
do ano passado. A u�lização da capacidade instalada foi 0,2% menor em relação aos úl�mos três meses do ano passado e caíram 3,7% em relação ao primeiro
trimestre de 2014.
As causas
Para o engenheiro Marcio Cancellara, diretor vice-presidente da Associação Brasileira de Engenharia Industrial
(ABEMI), as denúncias inves�gadas pela
Operação Lava Jato, conduzida pela Polícia Federal, têm peso significa�vo no
volume de serviços contratados na inRevista Painel
7
dústria pelo fato de a�ngir a Petrobras,
que é a maior contratante do país. “No
entanto, a desaceleração da economia
influencia pra�camente todos os setores industriais, pois provoca retração
de inves�mentos, impactando toda a
cadeia”, explica.
Marcio lembra que o reflexo de movimentações da Petrobras nas empresas
de engenharia deste setor começou em
2012. “A companhia decidiu concentrar seus inves�mentos em exploração
e produção, reduzindo os aportes para
as áreas de refino. As empresas de engenharia por tradição, em sua grande
maioria, têm exper�se em unidades de
processo terrestres, não sendo automá�ca a migração para a área offshore
[prospecção, perfuração etc.], com caracterís�cas diversas da área de refino”,
detalha.
Para ele, a dificuldade econômica atual teve repercussão primeiro nas empresas que elaboram projetos e prestam
consultoria. “Devido à falta absoluta de
serviços, estão sendo obrigadas a desmobilizar equipes inteiras de profissionais qualificados e especialistas”, conta.
O resultado da crise, provavelmente o
mais grave em longo prazo, será a perda
de memória intelectual dos profissionais e das empresas brasileiras. Por enquanto, Marcio acredita que isso ainda
é apenas um risco.
“A contratação de projetos no exterior, como já ocorre em alguns casos,
vai acelerar esse processo e poderá resultar não só na eliminação de postos
de trabalho no Brasil, mas também na
ex�nção de várias empresas de engenharia do país”, afirma.
A ABEMI não tem números de demissões no setor, mas es�ma que desde
2013 pelo menos 50% dos funcionários
de empresas de engenharia foram demi�dos.
Credibilidade
Apesar de os no�ciários relatarem
constantemente o envolvimento de
engenheiros e de empresas de engenharia nas denúncias, a assessoria de
imprensa da Polícia Federal não informou quantos profissionais do setor são
inves�gados.
O engenheiro Francisco Kurimori,
presidente do CREA-SP, disse, em discurso proferido em Ribeirão Preto, que
o envolvimento de profissionais de engenharia e de empresas do setor nas
denúncias da Polícia Federal “coloca em
risco a engenharia como um todo perante a opinião pública”.
“Temos a obrigação de separar o joio
do trigo”, frisou. Ele defendeu o julga-
Marcio Cancellara
mento e, no caso de condenação, a punição dos envolvidos nas irregularidades
inves�gadas, sejam eles engenheiros ou
não. Defendeu que é necessário separar
a pessoa �sica do corrupto ou corruptor
da a�vidade profissional que ele exerce.
Kurimori lembra que as empresas denunciadas construíram a infraestrutura
do país e executam diversas obras no
Uma reportagem publicada em 2008 no jornal
O Estado de São Paulo revela que Odil Garcez Filho,
o engenheiro que virou suco, faleceu no início
dos anos 2000 e sua esposa, também engenheira,
lamentava o fato de o marido não ter sobrevivido
para testemunhar a nova fase da engenharia depois
daquele período de recessão.
AEAARP
8
ESPECIAL
exterior. Essas são mul�nacionais brasileiras na área de engenharia, o que não
é pouca coisa.
“Se os engenheiros não tomarem cuidado, vamos trabalhar nas empresas
estrangeiras e vamos virar chão de fábrica; essa é a grande verdade”, diz ele.
“Punir corruptos e corruptores, fazer
esse pessoal devolver o dinheiro, mas
daí a prejudicar as ins�tuições e empresas, não. É nesse momento que os
esper�nhos vão fazer o segundo ato da
corrupção, que é roubar o patrimônio
nacional”, completa.
Para o engenheiro Murilo Pinheiro,
Revista Painel
presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (SEESP),
as denúncias de corrupção devem ser
oportunas para combater desvios e impunidade, separando o que é público do
que é privado. “Como saldo, teremos
não só a preservação do dinheiro público, mas um país mais decente de modo
geral. O que não podemos permi�r em
hipótese alguma é que, a pretexto de
combater os malfeitos, joguemos por
água abaixo o que foi construído. É preciso preservar a capacidade produ�va e
tecnológica nacional”, ressalta.
Murilo Pinheiro
DIRETORIA
Novo grupo,
novos compromissos
Mandato será cumprido no biênio 2015-2017
Compromissos
da diretoria
• Promoção con�nua da é�ca
e da cidadania
• Destaque para a visibilidade
da mulher no campo
profissional
• Incen�vo à par�cipação
dos universitários e dos
profissionais jovens
Carlos Alencastre, presidente da diretoria, e Wilson Luiz Laguna, presidente do conselho,
ladeados por Callil João Filho, Tapyr Sandroni Jorge e Paulo Peixoto
Um renovado grupo de engenheiros,
arquitetos e agrônomos assumiu a direção da AEAARP para o próximo mandato, que tem duração de dois anos. O
engenheiro Carlos Eduardo Alencastre é
o novo presidente com os engenheiros
Tapyr Sandroni Jorge e Arlindo Sichieri
respec�vamente como primeiro e segundo vice-presidentes.
Para a eleição, que aconteceu no final
do mês de março, este grupo adotou o
nome “Profissionais Unidos”. A intenção
foi a de sinte�zar em uma expressão
a filosofia do trabalho que pretendem
executar no próximo período.
Alencastre diz que esta diretoria vai
aprofundar ações de aproximação com os
associados e de inves�mento em infraestrutura. “Cada um tem seu próprio es�lo
e cada período exige responsabilidades e
ações para atender às necessidades que
surgem”, explica o novo presidente.
A diretoria assumiu desafios, alguns
deles como aprofundamento dos compromissos traçados na úl�ma gestão, e
já adotou medidas para efe�vá-los. Veja
no quadro publicado nesta página.
O novo presidente e os diretores tomaram posse durante uma reunião do
Conselho Delibera�vo, no início do mês
de abril. Uma reunião fes�va está programada para maio e a Painel trará a
cobertura completa na próxima edição.
Conselho
O engenheiro civil Wilson Luiz Laguna
foi reeleito para a presidência do Conselho Delibera�vo. O mandato é de um
ano e esta é a quarta vez que ele presidirá o conselho. A primeira foi em 2008.
Antes disso ele presidiu a diretoria.
• Proa�vidade e divulgação
tecnológica, treinamentos e
atualizações profissionais
• Ênfases às áreas e
empreendedorismo
• Promoção de discussões de
relevantes temas regionais e
nacionais
• Destaque às questões
relacionadas ao meio
ambiente, saúde e
sustentabilidade
• Difusão de tecnologias
focadas na melhoria da
qualidade de vida
• Integração técnica, espor�va
e social com as associações
da região
• Par�cipação em conselhos,
comitês, ins�tuições e
federações locais e regionais
AEAARP
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AGRONOMIA
Viver sem defensivos
é possível?
Sim, mas o custo da produção é alto e os avanços são lentos
Entre janeiro de 2014 e janeiro de
2015, o número de agricultores que
optaram pela produção orgânica no
Brasil passou de 6.719 para 10.194,
um aumento de 51,7%, segundo o Ministério da Agricultura. Em Ribeirão
Preto o incremento desta produção é
discreto, segundo o engenheiro agrônomo Sérgio Veráguas Sanchez, assistente de planejamento da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral
(CATI) Regional. Ele não tem números
Revista Painel
concretos, mas o detalhamento dos
dados do Ministério da Agricultura
ajuda a compreender a relevância deste �po de produção no país.
O maior número de produtores orgânicos está na região Nordeste, com pouco
mais de 4 mil. Nos estados do Sul e Sudeste
eles são 2.865 e 2.333, respec�vamente.
Paradoxalmente, dos 750 mil hectares de
produção orgânica no país, 333 mil estão
nos estados do Sudeste. Veja no quadro os
números de todas as regiões do país.
Segundo o engenheiro agrônomo
Jorge Rosa, diretor de Agronomia da
AEAARP, os números são influenciados
pela concentração de assentamentos de
famílias rurais na região Nordeste, onde
está a maioria deles. Esses agricultores
atuam com agricultura familiar e muitos
deles se enquadram nos critérios de
produção orgânica. Por sua vez, nos
estados do Sudeste a área plantada é
grande e as empresas que atuam neste
mercado também.
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Produção
De acordo com o engenheiro agrônomo Rogério Dias, responsável pela Coordenação de Agroecologia da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e
Coopera�vismo (SDC) do Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento
(Mapa), a produção orgânica adota sistemas com prá�cas diferenciadas que
interferem no modo de uso do solo, da
água, do ar e da biodiversidade. Dias
argumenta que o cul�vo de orgânicos
reduz a contaminação e o desperdício
desses elementos e assegura o fornecimento de alimentos saudáveis, mais
saborosos e de maior durabilidade.
“Orgânico não é grife, existe um custo
de produção, por isso é mais caro”, diz
Sérgio Veráguas. Ele acrescenta que, assim como todas as novidades de mercado, com o tempo os preços tendem a cair.
“Conforme vai melhorando a tecnologia
Brasil: maior
consumidor mundial
de agrotóxico
Sérgio Veráguas Sanchez
da produção e o produto se tornar mais
conhecido, o valor tende a diminuir”.
Já Jorge Rosa garante que a produção
de orgânicos é mais barata. Ele compara o custo do esterco de galinha com
o de um adubo químico. Segundo ele,
uma tonelada do primeiro custa em média R$ 150. Já a mesma quan�dade do
15
158
411
41
11
118,4
4.017
4.
10
101,8
568
56
333
33
2.333
2.
Área produ�va
Ár
em mil hectares
Número de produtores
37,6
37
2.865
2.
No Brasil, a venda de agrotóxicos saltou de US$ 2 bilhões
para mais de US$7 bilhões entre
2001 e 2008, alcançando valores
recordes de US$ 8,5 bilhões em
2011. Assim, em 2009, o Brasil alcançou a posição de maior
consumidor mundial de defensivos agrícolas, ultrapassando a
marca de 1 milhão de toneladas,
o que equivale a um consumo
médio de 5,2 kg de defensivos
por habitante, segundo relatório
divulgado este ano pelo Ins�tuto
Nacional de Câncer José Alencar
Gomes da Silva (INCA).
Em Ribeirão Preto, o Escritório de Defesa Agropecuária é
responsável pela fiscalização de
todo o processo de u�lização do
defensivo, desde a compra até a
devolução da embalagem vazia.
Juarez Henrique Fiorelli, assistente agropecuário do órgão, comenta que existem quatro agrônomos que fazem a fiscalização
do uso do defensivo em Ribeirão
Preto e em outras 18 cidades
vizinhas. Em média, são feitas
entre 90 e 110 fiscalizações no
ano na região. Essas fiscalizações
acontecem tanto em propriedade rural quanto nos estabelecimentos comerciais que vendem
o defensivo.
AEAARP
12
produto químico pode custar R$ 1.300.
“Deveria ser muito mais barato plantar
produto orgânico do que aquele que
precisa de produtos químicos. Porém, a
produção orgânica seria muito barata se
produzisse e ofertasse mais”, diz.
Sanchez alerta para outro ponto que
encarece a produção orgânica: a recuperação da terra que já está contaminada por defensivo agrícola. “Demora um
tempo para reorganizar os mecanismos
naturais de uma determinada terra sem
o uso de defensivos”, observa. Além
disso, os defensivos oferecem agilidade
na resolução de problemas: na produção agrícola convencional uma praga é
eliminada rapidamente com veneno e
em uma lavoura orgânica o produtor só
pode exterminá-la de forma natural, o
que demora mais tempo e pode acarretar a queda da produ�vidade. Jorge Rosa
considera a citronela eficiente no controle de algumas pragas, mas admite que
faltam pesquisas que apontem plantas
que possam combater pragas na lavoura.
Agrotóxico zero
Sanchez acredita que é possível viver
sem defensivos. Esta, segundo ele, é
uma realidade em lavouras de pequeno e médio portes. “Mas, é possível
também em grande escala. Só que para
alcançar isso é preciso antes passar por
um controle biológico nas plantações,
até a�ngir o equilíbrio ecológico”, diz.
Os produtores convencionais, entretanRevista Painel
to, não querem correr risco e perder a
produção ou a produ�vidade.
“Na fase de enchimento do grão, por
exemplo, se houver alguma doença, o
grão ficará pequeno e não desenvol-
verá”, exemplifica o agrônomo. Outro
temor recorrente entre os agricultores
é a preocupação com a saúde da terra
do vizinho. “Se você tem uma plantação
que está entrando em um ecossistema
Cer�ficação dos orgânicos
O Ministério da Agricultura criou três mecanismos para garan�r a
cer�ficação aos produtores orgânicos no Brasil:
▪ Cer�ficadoras – empresas que realizam auditorias e inspeções nos
processos produ�vos, seguindo procedimentos básicos estabelecidos
por normas reconhecidas internacionalmente. Sanchez afirma que as
melhores cer�ficadoras de produtores orgânicos estão no estado de
São Paulo, pois, segundo ele, o estado é pioneiro na pesquisa de tecnologias para produção orgânica.
▪ Organismo Par�cipa�vo de Avaliação da Conformidade (OPAC) –
organização que promove visitas de verificação da conformidade e
garantem a troca de experiências entre os par�cipantes do sistema e
a orientação dos fornecedores.
▪ Organizações de Controle Social (OCS) – é estabelecido pela par�cipação direta dos membros de uma associação para avaliar a conformidade das lavouras de produção orgânica associadas. Para solicitar
o cadastro de OCS, a en�dade envia uma série de documentos – descritos no Capítulo III da Instrução Norma�va n° 19, de 28 de maio de
2009 – para o Ministério de Agricultura. Aprovada a documentação,
o órgão recebe a Declaração de Cadastro de Organismo de Controle Social (documento que comprova que a associação está apta para
cer�ficar seus associados). Em Ribeirão Preto, a Terra Viva é a única
organização deste �po. Tem seis produtores credenciados que atuam
na cidade e na região.
As legislações que regulamentam a produção de orgânico estão
disponibilizadas no site da AEAARP.
www.aeaarp.org.br
aeaarp.org
13
Orgânico pode mudar vidas
De playboy a produtor de orgânicos, a entrevista que o herdeiro
do grupo Pão de Açúcar, Pedro Paulo Diniz, concedeu recentemente à revista Trip chamou a atenção pela mudança que promoveu
em sua vida e também por ver este mercado de forma grandiosa.
Ele investe em uma fazenda no interior do estado de São Paulo que
pretende transformar em uma gigantesca produtora de orgânicos.
Veja o atalho para a matéria completa no site da AEAARP.
equilibrado e a terra do vizinho �ver
pragas que não estão sendo controladas, é muito possível que elas invadam
sua produção. É o mesmo caso da dengue, não adianta você cuidar do seu
quintal se o vizinho não cuidar do dele”.
“A visão do engenheiro agrônomo no
que diz respeito à u�lização de adubo
químico e defensivo precisa mudar logo.
Nós somos o reflexo daquilo que comemos”, afirma Jorge Rosa. Sanchez alerta
que países como Alemanha e Estados
Unidos têm comprado empresas de biotecnologia e inves�do muito em controle biológico para tratar das doenças nas
plantações. “As grandes empresas brasileiras também estão se conscien�zando
aos poucos e subs�tuindo o uso do agrotóxico, mas ainda existe uma pressão
muito grande da indústria agroquímica.
A�ngir o equilíbrio ecológico demora um
certo tempo, mas a tendência é caminhar
nesta direção”, diz Sanchez.
www.aeaarp.org.br
aeaarp.org
Sanchez acrescenta que o período
de transição da produção convencional para a orgânica depende do �po
de cultura adotada, dos defensivos que
foram aplicados naquela terra e, principalmente, do �po de solo. “Em Ribeirão Preto temos um solo argiloso e os
produtos químicos fixam muito mais
na argila, o que torna mais di�cil sua
recuperação”. Jorge Rosa explica que o
solo funciona como um estômago para
a planta, “portanto, qualquer melhoria
que queira fazer na produção, é preciso
primeiro melhorar o solo, transformando-o em um meio ideal para a cultura
em questão”.
Maria Dilma Favacho, do Terra Viva,
um Organismo de Controle Social (OCS)
que cer�fica agricultores orgânicos de
pequeno porte na região de Ribeirão Pre-
to, comenta que, na maioria das vezes,
quando alguém solicita a cer�ficação de
produção orgânica é porque já vem se
preparando para a mudança, o que torna
o processo de transição mais tranquilo.
Geni Arruda de Luca, produtora de orgânico há dois, e Maria Dilma, que tem
uma loja de produtos naturais e orgânicos, acreditam neste mercado. Geni
e o marido usam o 1,4 hectare do sí�o
Terra da Gente para o plan�o de verduras, legumes e frutas – que elas mesmas
comercializam em feiras e eventos e entregam para clientes avulsos – e revelam que em 2014 suas vendas aumentaram em 30%.
Já Maria Dilma, filha de trabalhadores rurais, nunca viu o pai usar defensivo em suas plantações. Ela e o marido
são naturalistas e sempre consumiram
produtos naturais e orgânicos, além de
manterem uma loja especializada. “Há
30 anos não era tão fácil comprar esses
produtos e, por isso, viajávamos com
frequência a São Paulo para comprar.
Orgânico não é encontrado na hora
que você quer; é na hora que a natureza produz”, conta. Ela exemplifica com
uma experiência pessoal: quando concedeu entrevista para esta reportagem,
estava há três semanas sem cenoura
para vender, em razão de um problema
na produção de seu fornecedor. Perdeu
vendas, mas manteve-se firme.
Transição para o orgânico
O sistema de produção orgânica é
complexo. Para migrar do modo convencional é preciso tempo e paciência.
A terra deve ser desintoxicada e técnicos devem proceder a uma minuciosa
análise da água e do solo para que se
tornem saudáveis e aptos para a produção orgânica.
AEAARP
14
HOMENAGEM
Presidente do CREA-SP é um
cidadão ribeirãopretano
Título foi concedido pela Câmara Municipal
Kurimori, ao centro, recebe a homenagem da
Câmara Municipal de Ribeirão Preto
Engenheiros e autoridades acompanharam a cerimônia em homenagem ao presidente do CREA-SP
Revista Painel
O engenheiro civil Francisco Kurimori, presidente do CREA-SP disse em discurso na Câmara Municipal de Ribeirão
Preto que um dos sonhos que acalentava na juventude era o de viver nesta
cidade. Natural de Igarapava-SP, ele fez
carreira e formou família em Lins-SP e
agora é também um cidadão ribeirãopretano, �tulo concedido pelo legisla�vo municipal por inicia�va do vereador
Ber�nho Scandiuzzi.
A cerimônia reuniu engenheiros da
cidade e de outros municípios paulistas, como Bebedouro, Monte Alto, São
Carlos e Batatais, representantes de associações de engenharia, de gerências
15
Tapyr Sandroni Jorge, no exercício da
presidência da AEAARP, falou sobre o
homenageado na tribuna da Câmara
Na sede da AEAARP, o presidente do CREA-SP conheceu a obra de ampliação do salão de festas
regionais do Conselho.
O engenheiro elétrico Tapyr Sandroni Jorge, vice-presidente da AEAARP,
representou o presidente, engenheiro
civil Carlos Eduardo Alencastre.
O vereador Ber�nho ressaltou as contribuições de Kurimori na valorização
profissional. Tapyr reafirmou as caracterís�cas técnicas e pessoais que a seu
ver levaram o presidente do CREA-SP a
Rodovia Régis Bittencourt
Duplicação e dispositivo
de acesso
construir uma carreira exitosa.
Em seu discurso, Kurimori se lembrou da infância, da formação como
engenheiro, da parceria com a esposa,
a engenheira civil Keiko Kurimori, que
preside a Associação dos Engenheiros,
Arquitetos e Agrônomos da Região Administra�va de Lins.
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16
TRÂNSITO
Mobilidade urbana:
sugestões e soluções
Urbanistas de Ribeirão Preto defendem condições
humanizadas no sistema de transporte
A Organização das Nações Unidas
(ONU) definiu, em 2010, que os países-membros deveriam reduzir em, no mínimo, 50% o número de ví�mas no trânsito entre 2011 e 2020. Na contramão
dessa meta, em Ribeirão Preto o número de ví�mas fatais em acidentes de
trânsito cresceu nos úl�mos dois anos:
em 2013 foram 55 e em 2014 foram 60,
segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo.
Uma das ferramentas para ampliar a
segurança no trânsito, segundo especialistas, é a adoção de um Plano de Mobilidade Urbana, que define diretrizes para
a redução da necessidade de viagens
motorizadas, es�mulo ao uso do transporte cole�vo e de veículos não-motorizados e condições seguras e humanizadas no sistema de transporte.
Revista Painel
Segundo os registros de março deste
ano do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), Ribeirão
Preto tem mais de 508 mil veículos em
circulação. Destes, 286.546 são automóveis e 135.184 motocicletas e similares, ou seja, 83% da frota estão vinculados ao sistema de transporte individual
e motorizado.
Para o arquiteto e urbanista Fernando Freire, uma das formas de melhorar
a mobilidade urbana e diminuir o fluxo
de veículos nas vias é criar um sistema
de transporte que valorize a locomoção
de pessoas e não só de veículos. “Quando se pensa no transporte de pessoas,
consideramos pequenos percursos a
pé, melhoramento das calçadas e praças e sombreamento, principalmente
em cidades quentes como Ribeirão”.
Vera Migliorini, arquiteta e urbanista
docente do Centro Universitário Moura
Lacerda, comenta que os planos de mobilidade urbana deveriam contemplar,
além dos pedestres, o uso de veículos
não-motorizados, como a bicicleta.
Ciclovia
O Plano Diretor de Ribeirão Preto, divulgado no início deste ano, reconhece
como ciclovia os 3,5 km implantados na
Via Expressa Norte, entre as avenidas
Antônio e Helena Zerrenner e Thomaz
Alberto Whately. Aos finais de semana,
das 7h às 13h, na Avenida Maurílio Biagi funciona a ciclofaixa com a função de
lazer. Freire defende o uso da bicicleta
como um meio de transporte de fato e
não só como uma ferramenta de lazer.
É o que acontece em países da Europa,
17
Frota de veículo de Ribeirão Preto – março/2015 | Detran-SP
Fernando Freire
por exemplo.
Vera defende a bicicleta como a melhor alterna�va para percorrer distâncias reduzidas. Ela vê alterna�vas urbanís�cas para comportar as ciclovias. Um
dos exemplos são os largos canteiros
centrais das avenidas na Zona Sul da
cidade. Para ela, caso a ciclovia fosse
construída no período do loteamento o
custo seria baixo.
“Não se defende que todos andem de
bicicleta, mas sim que os planos diagnos�quem um local seguro para os ciclistas, definindo onde podem circular
sem atrapalhar ou serem atrapalhados
por outros veículos”, ressalta José Antonio Lancho�, professor de Urbanismo
no Centro Universitário Moura Lacerda
e membro do Conselho Nacional das Ci-
Ciclomotor, motoneta, motociclo, triciclo e quadriciclo
135.184
Micro-ônibus, camioneta, caminhonete, u�litário
56.756
Automóvel
286.546
Caminhão
13.235
Reboque e semirreboque
9.269
Ônibus
1.811
Outros*
5.250
Total
508.051
* caminhão-trator, trator de rodas, trator de esteiras, trator misto,
chassi/plataforma, sidecar, motor-casa
dades do Ministério das Cidades.
Ele pondera que para muitas pessoas
a bicicleta pode não ser uma boa opção.
Ou, existem pessoas que simplesmente
não gostam de pedalar. Lancho� acredita que a variedade dos modais é a melhor maneira para equilibrar e democra�zar a u�lização do espaço urbano.
José Antônio Lanchotti
Outros modais
Vera Lucia Migliorini
A cidade de São Paulo pretende ampliar a infraestrutura cicloviária
para 1.522 km até 2030. Na Europa foi lançado um projeto que pretende
construir uma ciclovia de 70 mil km ligando 43 países, até 2020. Saiba
mais sobre esses projetos no site da AEAARP.
www.aeaarp.org.br
aarp.org
A elaboração dos planos de mobilidade prevê análise completa de todos
os meios de transporte que impactam
na circulação nas cidades assim como a
infraestrutura associada a esses meios –
terminais, estacionamento, etc.
A gestão dos municípios, porém, é
dissociada do plano de mobilidade. “A
par�r do momento que os gestores
considerarem o planejamento urbano
como instrumento de gestão, as cidades
vão conquistar melhorias no transporte
urbano”, opina Freire.
AEAARP
18
Em 2015, Brasília ultrapassou o
município do Rio de Janeiro e
tornou-se a cidade com maior
estrutura cicloviária do Brasil. Veja
abaixo o gráfico publicado, no
mês de abril, pelo portal Mobilize.
Para Vera, o controle do transporte
urbano não deveria ser feito por uma
empresa, assim como acontece em
Ribeirão Preto, e sim por um organismo público, como uma Secretaria de
Transporte de Mobilidade Urbana. Este
modelo já existe nas cidades de Belo
Horizonte-MG e Curi�ba-PR.
Segundo ela, o recém-publicado Plano de Mobilidade Urbana de Ribeirão
Preto prevê poucas linhas de conexão
interbairros dos transportes cole�vos.
“As rotas de ônibus ainda estão muito
direcionadas nas linhas que passam
Revista Painel
pelo centro da cidade e também seriam
necessários outros terminais em regiões periféricas”.
A urbanista defende que veículos de
grande porte deveriam ser impedidos
de circular no centro da cidade. “O centro tem vias muito estreitas, algumas
pessoas não estacionam direito e alguns motoristas passam com a roda dos
ônibus nas beiradas das calçadas danificando a via de acesso dos pedestres”.
Para diminuir a grande circulação
de pessoas e veículos na zona central,
Freire afirma que os serviços públicos
– escola, hospital e lazer – deveriam
ser distribuídos nos bairros e regiões
periféricas, para garan�r o menor deslocamento possível de pessoas e assim
desafogar o sistema viário.
O aumento do fluxo viário na cidade
deve-se em muito às motocicletas e similares, que hoje representam 26,6%
da frota de veículos de Ribeirão Preto.
Para Freire, as motos não deveriam ter
o mesmo tratamento dos outros veículos motorizados – automóveis, caminhões – e que por conta do volume que
elas representam no fluxo é necessário
19
repensar e até mesmo readaptar as vias
em alguns casos específicos.
Vera concorda que as condições de
circulação das motocicletas não são
seguras, porém defende o uso do transporte cole�vo para diminuir o fluxo de
motos nas vias. Já Lancho� não vê necessidade de intervenções no plano viário exclusivamente para esse modal. Segundo ele, se os motociclistas seguirem
as regras do Código Brasileiro de Trânsito já será o suficiente para melhorar a
circulação das vias e diminuir o número
de acidentes de trânsito.
Todo município com mais de 20 mil habitantes é obrigado
a elaborar o Plano de Mobilidade Urbana, de acordo com a
Lei n° 12.587/2012. As diretrizes que norteiam a composição
dos planos são criadas pelo Departamento de Transporte e
Mobilidade, do Ministério das Cidades, e os links para acessar
o manual de elaboração, assim como o Plano de Mobilidade
Urbana de Ribeirão Preto, estão disponíveis no site da AEAARP. “Um bom planejamento deve considerar a melhoria da
qualidade de vida da maioria das pessoas. Como já dizia Bertold Brecht: a unanimidade é burra, a diversidade produz a
democracia”, finaliza Lancho�.
www.aeaarp.org.br
aeaarp.org
AEAARP
20
AGRÔNOMOS
A cerimônia
Deusa Ceres
Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de
São Paulo homenageou profissionais em Ribeirão Preto
Durante a feira Agrishow, um evento
reverenciou o trabalho dos profissionais que contribuem com o avanço do
agronegócio no país. A Associação dos
Engenheiros Agrônomos do Estado de
São Paulo (AEASP) homenageou os profissionais que representa na cerimônia
Deusa Ceres, que acontece desde 1972.
Foram concedidas medalhas e premiações para 11 agrônomos.
Manoel Ortolan, Wilson Luiz Laguna, João Paulo Figueiredo, Carlos Alencastre e Zuleica Perez
Carlos Alencastre, Roberto Rodrigue e Tapyr Sandroni Jorge
Carlos Alencastre, Sylmar Denucci e Geraldo Geraldi Júnior
Destaque
Fernando Penteado Cardoso, Callil João Filho e Angelo Petto Neto,
presidente da AEASP
Revista Painel
Carlos Alencastre, Arnaldo Jardim e Tapyr Sandroni Jorge
O novelista Benedito
Rui Barbosa foi o único
homenageado da AEASP que
não é engenheiro agrônomo.
A deferência foi concedida
em razão da temá�ca das
novelas que escreve, com
referências ao homem do
campo e à a�vidade rural.
A cerimônia Deusa Ceres aconteceu durante a feira Agrishow
O presidente da AEAARP, engenheiro Carlos Eduardo Alencastre, e o engenheiro agrônomo Geraldo Geraldi
Júnior, conselheiro da en�dade, entregaram a homenagem ao engenheiro
agrônomo Sylmar Denucci, que recebeu
a Medalha Fernando Costa na categoria Assistência Técnica e Extensão Rural.
Geraldo discursou e ressaltou a contribuição de Sylmar para várias áreas da
produção agrícola, principalmente no
melhoramento gené�co do milho. O
engenheiro agrônomo Manoel Ortolan,
que foi o Profissional do Ano AEAARP
2008, recebeu a Medalha Fernando
Costa na categoria Coopera�vismo.
O Prêmio AEASP 70 Anos foi concedido ao engenheiro agrônomo Fernando Penteado Cardoso. Ele graduou-se
agrônomo pela ESALQ-USP em 1936 e,
aos 100 anos de idade, ainda exerce a
profissão. Ele foi secretário de Agricultura do Estado de São Paulo em 1964,
fundou e presidiu a empresa Manah
S.A., da área de fer�lizantes e adubos
químicos, e criou a Agrisus.
Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São
Paulo, destacou a importância dos engenheiros agrônomos para a economia
brasileira e para os necessários avanços
tecnológicos para o campo.
Destine
16% do
valor
da ART
para a
AEAARP
(Associação de
Engenharia, Arquitetura
e Agronomia de
Ribeirão Preto)
Agora você escreve o nome
Os homenageados
Medalha Fernando Costa
Ação ambiental – Zuleica Maria de Lisboa Perez
Assistência técnica e extensão rural – Sylmar Denucci
Pesquisa – José Osmar Lorenzzi
Inicia�va privada – Luiz Rossi Neto
Ensino – Sinval Silveira Neto
Colecionador de plantas – Harri Lorenzi
Coopera�vismo – Manoel Ortolan
Defesa agropecuária – Geysa Josefina Pala Ruiz
Engenheiro agrônomo emérito
Julio Cesar Durigan
da entidade e destina parte do
valor arrecadado pelo CREA-SP
diretamente para a sua entidade
Prêmio AEASP 70 Anos
Fernando Penteado Cardoso
Engenheiro do ano
Luiz Carlos Sayão Ferreira Lima
Contamos com sua
colaboração!
SOCIAL
Descontração
22
Foi este o clima do
happy hour que reuniu
associados e seus
familiares no salão de
festas da AEAARP em abril.
Revista Painel
revistapainel
23
ANUNCIE
NA
PAINEL
16 | 2102.1719
[email protected]
AEAARP
24
CREA-SP
Cancelamento
do registro
Comentários acerca do artigo 64 da Lei 5194 de 1966
De acordo com a Lei Federal 5194 de
24 de dezembro de 1966, que regula o
exercício das profissões ligadas às áreas
da engenharia e agronomia em nosso
país:
Art. 35 - Cons�tuem rendas dos Conselhos Regionais:
I - anuidades cobradas de
profissionais e pessoas jurídicas;
II - taxas de expedição de carteiras
profissionais e documentos
diversos;
III - emolumentos sobre registros,
vistos e outros procedimentos;
IV - quatro quintos da arrecadação da
taxa ins�tuída pela Lei nº 6.496,
de 7 de dezembro de 1977;
Revista Painel
V - multas aplicadas de conformidade
com esta Lei e com a Lei nº6.496,
de 7 de dezembro de 1977;
VI - doações, legados, juros e receitas
patrimoniais;
VII - subvenções;
VIII - outros rendimentos eventuais.
O não pagamento da taxa anual de
pessoa �sica ou empresa implica cancelamento do registro do mesmo junto ao
CREA-SP.
O profissional ou empresa que deixar
de pagar anuidade por dois anos consecu�vos terá seu registro cancelado,
conforme estabelece o ar�go 64 da Lei
5194/66:
Art. 64 da Lei 5194/66 - Será auto-
ma�camente cancelado o registro do
profissional ou da pessoa jurídica que
deixar de efetuar o pagamento da anuidade a que es�ver sujeito, durante 2
(dois) anos consecu�vos sem prejuízo
da obrigatoriedade do pagamento da
dívida.
Parágrafo único
O profissional ou pessoa jurídica que
�ver seu registro cancelado nos termos
deste Ar�go, se desenvolver qualquer
a�vidade regulada nesta Lei estará exercendo ilegalmente a profissão, podendo
reabilitar-se mediante novo registro, sa�sfeitas, além das anuidades em débito,
as multas que lhe tenham sido impostas
e os demais emolumentos e taxas regulamentares.
UNIVERSIDADE
Para escrever
melhor
Ferramenta on-line auxilia na
redação de trabalhos cien�ficos
O Portal da Escrita Cien�fica, man�do pela USP de São Carlos, reúne ferramentas de apoio à produção de ar�gos,
dissertações, teses e outras publicações, gerenciamento de referências bibliográficas, editoração e outros recursos. O obje�vo é auxiliar na redação de
trabalhos cien�ficos. Entre os recursos
oferecidos estão materiais informa�vos
e didá�cos, cursos on-line, videoaulas, workshops, tutoriais e ferramentas
computacionais de auxílio à escrita em
português e em inglês desenvolvidas
pelo Ins�tuto de Ciências Matemá�cas
e de Computação (ICMC), que auxiliam
na organização da estrutura e do conteúdo dos trabalhos.
“Para escrever um trabalho cien�fico
é necessário considerar uma série de
elementos, desde o problema abordado, a metodologia adotada, os resultados e as contribuições para a literatura
de determinada área e, muitas vezes,
para a sociedade em geral. O portal
busca auxiliar no processo de redação,
oferecendo orientações nas diversas
etapas da produção”, explica Osvaldo
Novais de Oliveira Júnior, do Ins�tuto
de Física de São Carlos (IFSC), presidente da Comissão de Implantação do
portal.
A inicia�va é dos docentes do ICMC,
do Ins�tuto de Química de São Carlos
(IQSC), do IFSC, do Ins�tuto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) e da Escola de
Engenharia de São Carlos (EESC). Implementada em parceria com a Prefeitura
do Campus (PUSP-SC) e colaboradores
das bibliotecas de todas as unidades, o
portal funciona como um repositório de
ferramentas e orientações para alunos
e pesquisadores interessados em aperfeiçoar a escrita cien�fica.
“Diante do desconhecimento da estrutura do ar�go cien�fico, um problema muito comum no meio acadêmico,
o portal trabalha com modelos que
podem ser padronizados respeitando
as par�cularidades de cada área e diferenças na escrita para audiências específicas ou mais amplas, considerando
sempre a clareza e a concisão”, esclarece Oswaldo.
Entre os recursos disponibilizados
gratuitamente pelo portal estão os que
os desenvolvedores chamam de “ambientes para a escrita”, um conjunto
de ferramentas computacionais que
dão suporte a partes do processo de
redação, do agrupamento das ideias à
composição de um texto con�nuo, com
editores gráficos.
O SCiPo, por exemplo, é uma ferramenta de suporte à escrita que auxilia
na redação de resumos e introduções
com base em modelos de textos cien�ficos em português, elaborados a par�r
de teses e dissertações de várias áreas
de pesquisa disponíveis para o redator
apreender a estruturação retórica do
texto. A produção realizada pela ferramenta passa ainda por uma etapa de
crí�cas, na qual uma estrutura proposta é avaliada pelo sistema, e por uma
etapa de classificação de um resumo já
escrito.
Já o SCiEn-Produção é um conjunto
de ferramentas que auxiliam na redação de ar�gos cien�ficos em inglês. O
recurso se baseia na análise de textos
da área de engenharia de produção.
Há ainda uma série de outras ferramentas desenvolvidas em específico
para diversos campos do conhecimento, como o CALeSE, so�ware de suporte
à escrita de introduções com textos modelos da área de �sica.
O portal oferece também ferramentas an�plágio, como o so�ware An�Plagiarist - ACNP, que compara múl�plos
documentos rapidamente, procurando
por trechos de textos que foram copiados. Os fragmentos suspeitos são relatados em um formato de fácil compreensão, com os números das linhas e das
colunas em que foram encontrados.
Os recursos disponibilizados incluem
ferramentas de gestão bibliográfica,
como o Cita�on Machine, gerador automá�co de citação e referência que ajuda estudantes e pesquisadores a citar
corretamente as fontes u�lizadas, em
vários es�los, e o CiteUlike, site colabora�vo que permite armazenar, organizar e par�lhar informação bibliográfica.
Os serviços do Portal da Escrita Cien�fica da USP de São Carlos podem ser
acessados em www.escritacien�fica.
sc.usp.br.
Fonte: Agência Fapesp
AEAARP
25
26
NOTAS E CURSOS
Agrishow 2015
O engenheiro Carlos Eduardo Alencastre par�cipou da
abertura da feira ao lado do governador Geraldo Alkimin, do
secretário de Agrocultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, e
do engenheiro Antônio Duarte Nogueira Júnior, secretário de
Transportes do Estado de São Paulo. A en�dade, representada
por diretores, conselheiros e colaboradores, esteve no recinto
da feira todos os dias, visitando estandes e estreitando
relacionamentos com profissionais do setor.
Concurso para docente
A Escola de Engenharia de São Carlos da
Universidade de São Paulo (EESC-USP) abriu
inscrições para três concursos públicos de
�tulos e provas para dois cargos de professor
�tular para o Departamento de Hidráulica
e Saneamento e um para o Departamento
de Engenharia Mecânica. A seleção é para
docentes nas áreas de Tratamento de Águas
Residuárias, Ecologia de Ecossistemas: Ecotoxicologia e para a área de conhecimento
Projeto de Máquinas de Precisão. As três
oportunidades são no regime de dedicação
integral à docência e à pesquisa. O salário é
de R$ 14.364,32, segundo comunicado da
Agência Fapesp. As inscrições podem ser
feitas até o dia 16 de outubro no Serviço de
Assistência aos Colegiados da EESC, das 8h30
às 11h30 e das 14h às 17h, em dias úteis,
pessoalmente ou por procuração. Os editais
estão disponíveis no site www.eesc.usp.br
(em “Concursos Públicos”).
Fonte: Agência Fapesp
Revista Painel
Austrália investe em parceria em pesquisa
A University of Melbourne, da Austrália, pretende criar um centro de
estudos sobre cidades do hemisfério Sul, reunindo pesquisadores de universidades e ins�tuições de pesquisa australianas e de países da América
do Sul das áreas de arquitetura e urbanismo. A proposta foi apresentada
por Thomas Kvan, diretor da Faculdade de Arquitetura, Construção e Planejamento da universidade australiana em um encontro entre pesquisadores
do estado de Victoria – que abriga Melbourne –, na Austrália, e do Brasil.
O governo australiano quer fomentar parcerias para pesquisa em planejamento urbano. Modelos de governança e financiamento de projetos de
polí�ca urbana, saúde e ambientes urbanos, ecologia e urbanismo, infraestrutura e déficit habitacional serão alguns dos temas a serem estudados no
centro de pesquisa que será implantado na University of Melbourne. Steve
Herbert, ministro para formação e competências do governo do estado de
Victoria, explica que a intensão é estudar e discu�r questões urbanís�cas
relacionadas às cidades do hemisfério Sul. “A maioria das pesquisas sobre
isso é relacionada a metrópoles dos Estados Unidos e da Europa e, muitas
vezes, não refletem a realidade de cidades do nosso hemisfério”, disse Kvan.
Fonte: Agência Fapesp
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