1 A SAÚDE ENTRE OS ASPECTOS RELEVANTES PARA SE TER QUALIDADE DE VIDA: A FALA DE MOTORISTAS DE ÔNIBUS URBANO DE CAMPO GRANDE Elaine Cristina da Fonseca Costa Pettengill1 Sandra L. Haerter Armôa2 Resumo Este artigo apresenta contribuições da Psicologia da Saúde aos psicólogos que atuam em Psicologia do Trânsito, favorecendo a reflexão sobre a possibilidade de entrelaçamento destas duas áreas da Psicologia visando à promoção da saúde e o desenvolvimento de comportamentos seguros no trânsito. Voltada aos comportamentos relevantes relacionados à saúde, doença e cuidados, a Psicologia da Saúde tem por objeto de estudos a aplicabilidade da ciência psicológica visando a promoção e manutenção da saúde mediante sugestões para o sistema de saúde, contribuindo para a elaboração de políticas públicas. Práticas em Psicologia do Trânsito, respaldadas nos pressupostos da Psicologia da Saúde, podem significar ações direcionadas à prevenção de acidentes e de comportamentos de risco à segurança viária, promovendo-se concomitantemente a adoção de comportamentos seguros e a proteção da qualidade de vida, do bem-estar e da saúde das pessoas. Estas ações podem acontecer a nível primário (para evitar o envolvimento em acidentes), secundário (prevenção da ocorrência de novos acidentes pelo indivíduo) e terciário (ações direcionadas ao indivíduo sequelado em razão do acidente). O psicólogo do trânsito que se utiliza dos pressupostos teórico-metodológicos da Psicologia da Saúde, contribui para a prevenção de acidentes e a promoção da qualidade de vida, do bemestar e da saúde integral da sociedade, quando não se afasta da concepção biopsicosócio-ambiental do participante do trânsito, adotando uma postura favorável ao diálogo interdisciplinar e buscando estratégias de intervenção, prevenção e promoção de comportamentos seguros no trânsito. Palavras-Chave: Psicologia da Saúde. Psicologia do Trânsito. Interface. 1 Psicóloga Especialista em Psicologia do Trânsito; Mestre em Psicologia da Saúde pela UCDB; Professora do curso de Educação Física na FACSUL e Faculdade UNIGRAN Capital. 2 Psicóloga Mestre e Doutora em Engenharia da Produção; Professora dos cursos de Educação Física e Enfermagem na Faculdade UNIGRAN Capital. 2 Aspectos conceituais de Saúde e Psicologia da Saúde A saúde pode ser definida a partir de duas correntes de pensamento: a concepção Biomédica e a Biopsicossocial (WITTER, 2008). Para o modelo Biomédico de saúde, se os exames clínicos e laboratoriais não indicam presença de doenças, falência ou falhas no funcionamento orgânico, trata-se de uma pessoa com saúde. Assim, não ter doença é ter saúde, ainda que o indivíduo não se perceba em estado satisfatório de bem-estar, sinta-se infeliz, não desfrute de inclusão social ou de qualidade de vida; se não estiver "doente" (necessitando de medicamentos e acompanhamento médico) é considerado saudável. A centralidade das atenções unicamente nas causas e manifestações biológicas ou isoladas da doença, desprezando a natureza multifatorial de muitos transtornos de saúde, resulta em práticas deficientes e pouco eficazes, como no atendimento realizado aos sobreviventes de acidentes de trânsito, cuja preocupação dos profissionais de saúde fica restrita aos traumas e lesões físicas do indivíduo (DO CARMO, 2010). Na opinião de Dejours (1986), "saúde é algo que vem de dentro, que está em constante mudança; é possuir meios para traçar um caminho na busca do bem-estar, em que o papel de cada pessoa é fundamental". Nesta definição estão implícitos dois aspectos importantes: o papel do indivíduo na conquista de bem-estar e de saúde, e a participação de fatores que estão no seu entorno, como o contexto sócio-políticoeconômico e cultural em que vive enquanto meios que possibilitem o alcance de seu bem-estar. No que diz respeito ao indivíduo, cabe a ele e suas possibilidades psicológicas (onde sua biografia, características e dinâmica de personalidade estão em jogo) a busca de uma vida saudável. Quanto à realidade em que está inserido, a responsabilidade recai sobre aqueles que atuam diretamente no sistema político-econômico de uma nação, cujo poder de atuação deve estar em sintonia com princípios éticos e morais que promovam o acesso 3 das pessoas à satisfação de necessidades importantes para a manutenção de sua qualidade de vida e saúde. No que se refere aos psicólogos que atuam na área do trânsito, cabe ressaltar a importância da pesquisa científica como forma de elucidação de questões importantes da mobilidade humana, bem como, com o propósito de produzir conhecimentos que venham a contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população por meio de práticas norteadoras às políticas públicas voltadas à prevenção dos acidentes de trânsito e à promoção de um trânsito mais seguro. No Brasil, o modelo e as práticas em saúde ainda acontecem a partir da concepção Biomédica, com atenções direcionadas principalmente ao tratamento e com ações preventivas pouco eficazes em razão de problemas relacionados à má administração do dinheiro público. A pessoa que necessita de auxílio à sua saúde ainda é percebida pelos profissionais de saúde como um ser fragmentado, dotado sim de um aparato psicológico, físico, uma vida social/familiar, mas não se nota uma inter-relação entre estes aspectos nos procedimentos adotados por estes profissionais, recaindo-se ainda no problema das especialidades e da dificuldade quanto a um diálogo interdisciplinar. Foi o que observaram Vieira et al. (2010) em estudo que teve por objetivo a análise dos relatos de uma equipe de saúde de um hospital público de referência no atendimento em urgência e emergência na cidade de Fortaleza-CE, quanto às práticas educativas ao vitimado no trânsito. Identificou-se que a orientação fornecida pela equipe é fragmentada (apesar de algumas tímidas iniciativas de assistência terapêutica integral) e dificulta a inserção dos princípios humanísticos e integrais, como preconizados pelas diretrizes da Educação em Saúde e Promoção da Saúde. A concepção de saúde enquanto algo processual, cujos atributos do indivíduo estão relacionados com os da estrutura social e o organismo humano é parte integrante de sistemas maiores, sendo complexa e profunda a influência de um fator sobre o outro, corresponde ao modelo Biopsicossocial de saúde (AREIAS, 2007). A saúde desta maneira é percebida de forma sistêmica, integrada e holística, e a inclusão 4 de fatores psicológicos, sociais, econômicos e ambientais, amplia o sentido da concepção monocausal da doença. O modelo Biopsicossocial leva em consideração a percepção da pessoa a respeito do próprio estado de saúde, ou seja, ainda que exames apontem que sua saúde encontra-se preservada, suas observações e queixas quanto à ausência de bem-estar apesar destes resultados favoráveis, são considerados. O poder, assim, não fica concentrado nas mãos do médico; é distribuído e partilhado. A Psicologia da Saúde aproxima-se, em termos teórico-metodológicos, ao modelo Biopsicossocial, uma vez que concebe o ser humano na sua totalidade biopsicosócioambiental, considerando que toda e qualquer prática voltada à sua saúde deve estar em consonância com este preceito. Definida como área da Psicologia que busca por meio da pesquisa psicológica dirigir-se a comportamentos relevantes relacionados à saúde, doença e cuidados, tem como objetivo central a aplicabilidade da Psicologia para a promoção e manutenção da saúde e análise e sugestões para o sistema de saúde, contribuindo para a implementação de políticas públicas (THE BRITISH PSYCHOLOGICAL, 2001 apud GRUBITS e GUIMARÃES, 2007). Visa tanto a prevenção quanto a promoção à saúde. Promover saúde envolve a busca pelo controle ou erradicação dos fatores causais das doenças relacionadas a aspectos biológicos, psicológicos e sociais, por meio de estratégias que visam mudanças nas condições de vida e trabalho dos indivíduos. São ações que agregam tanto a participação do Estado como a singularidade e autonomia das pessoas, visando fortalecer a capacidade individual e coletiva para lidar com saúde (VIZZOTTO, 2007). A autora observa que a prevenção e a promoção da saúde estão interligadas, uma vez que ao se fomentar saúde concomitantemente se está prevenindo doenças. Alguns conceitos denotam relação direta com os objetivos da Psicologia da Saúde, como o conceito de Qualidade de Vida, Bem-estar e Fator de Risco, e devem ser levados em conta quando se pretende colocar em prática ações condizentes com os pressupostos desta área. 5 A Qualidade de vida (QV) tem sido objeto de estudo de muitas ciências, e até o momento não se chegou a um consenso a respeito de sua definição. No entanto, três aspectos mostram-se presentes entre as várias definições de QV: a questão da Subjetividade, em que a percepção da pessoa do que seja importante para sua QV é considerada; o aspecto da Multidimensionalidade, cujas dimensões biopsicosócioambiental e espiritual devem ser levadas em consideração quando se pretende conhecer a QV de alguém; e a Bipolaridade, que se refere à presença ou ausência de prejuízo à saúde do indivíduo, como por exemplo a presença ou ausência de insônia, dor, dependência química ou afetiva, entre outros (FLECK, 2008). A Organização Mundial de Saúde (OMS) por meio de seu grupo de qualidade de vida, assim a define: “A percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto de sua cultura e dos sistemas de valores nos quais vive, e em relação às suas expectativas, objetivos, padrões e preocupações” (THE WHOQOL GROUP, 1995). O conceito de bem-estar, assim como a qualidade de vida, também transita no território da subjetividade, enquanto estado de prazer e felicidade vivenciado pela pessoa (Bem-estar Subjetivo); o pleno funcionamento de suas potencialidades e capacidade de pensar e raciocinar, é definido como Bem-estar Psicológico (DIENER, RYAN e DECI apud VIZZOTTO, 2007; SIQUEIRA e PADOVAM, 2008). Fatores de Risco são definidos por Schenker e Minayo (2005) como “condições ou variáveis associadas à possibilidade de ocorrência de resultados negativos para a saúde, o bem-estar e o desempenho social”, ou seja, fatores que expõem o indivíduo a fragilidades ou prejuízos à sua qualidade de vida. Os acidentes de trânsito e suas implicações à saúde Os acidentes de trânsito são considerados uma das maiores causas de morte no mundo atual, perdendo (no geral) apenas para os homicídios. A Organização PanAmericana de Saúde mostra que, 6% das deficiências físicas são causadas por acidentes de trânsito e, no Brasil, 14,5% da população apresentam algum tipo de deficiência física, mental, visual ou auditiva em decorrência destes acidentes (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA e ESTATÍSTICA, 2007). Do Carmo (2010) se 6 refere à necessidade de que sejam desenvolvidos estudos visando o conhecimento do impacto dos acidentes de trânsito na saúde e na vida dos sobreviventes. Gonçalves, Morita e Haddad (2007) caracterizam os sobreviventes dos acidentes de trânsito em cinco níveis: 1º) Pessoas envolvidas diretamente no acidente e que sofreram nível máximo de exposição ao mesmo; 2º) Os familiares próximos das pessoas acidentadas; 3º) Os profissionais que atuam na emergência e socorro às “vítimas”; 4º) Pessoas pertencentes à comunidade, os profissionais responsáveis em veicular notícias sobre os acidentes de trânsito, pessoas do poder público; 5º) Indivíduos que sofrem o estresse pelo que vêem ou pelo que ficam sabendo a respeito do acidente por meio dos veículos de comunicação de massa. Diante disso, pode-se pensar que os acidentes de trânsito configuram-se em fatores de risco à saúde das pessoas, que a partir destas vivências podem vir a desenvolver transtornos psíquicos como fobias específicas (medo de dirigir ou de permanecer dentro de um veículo); o transtorno do estresse pós-traumático; síndromes depressivas e o desenvolvimento de outros quadros psicopatológicos. Conforme vários estudos (ACHKAR, 2006; MAYER, 2006; TRIGO, TENG e HALLAK, 2007; SILVA e GOMES, 2009; TELLES e PIMENTA, 2009), os profissionais que atendem junto aos serviços de emergência e socorro aos acidentados do trânsito estão expostos ao risco de desenvolver a Síndrome de Burnout, definida por Maslach e Leiter (1999) como resultado do estresse ocupacional crônico e constituída por três dimensões: a Exaustão Emocional (sensação de extremo desgaste); a Despersonalização (cinismo e frieza emocional demonstrados pelo profissional no atendimento aos clientes e pessoas com quem trabalha); e a Baixa Realização Profissional (sentimento de que não apresenta mais a eficiência no trabalho que um dia julgou possuir). 7 Entende-se que a Exaustão Emocional no caso dos profissionais que atendem os acidentados, se desenvolve como resposta do indivíduo frente à exposição continuada a vivências de forte impacto emocional, como o sofrimento do acidentado no momento do socorro (em razão dos ferimentos e estresse psicológico); a visão de corpos dilacerados no local do acidente; o nível de expectativa relativo à sua eficácia nesta tarefa, tanto por parte do acidentado como de familiares e chefes, entre outros. A Despersonalização pode ocorrer enquanto estratégia defensiva de autoproteção do profissional em relação ao sofrimento das pessoas acidentadas e de seus familiares, como quando alguém sofre mutilações físicas em decorrência do acidente e apresenta grandes dificuldades em lidar com isto. A Baixa Realização Profissional decorre do sentimento de impotência do profissional frente o sofrimento do acidentado, aliado a fatores da organização do trabalho como pouca autonomia ou controle sobre os processos de trabalho e a falta de reconhecimento. A ausência do reconhecimento pelo trabalho realizado pode trazer sérios prejuízos à qualidade de vida, ao bem-estar e à saúde do trabalhador, como aponta os estudos de Mendes (1999/2008). Quando o sobrevivente de acidente de trânsito é alguém que sofre a mutilação de uma perna, por exemplo, em razão disto pode sofrer conseqüências não só à sua autoimagem e auto-estima, como também repercussões negativas na qualidade de suas relações sociais (tendendo ao isolamento), e se esta vivência for por demais dolorosa ao indivíduo, pode sofrer inclusive prejuízos à cicatrização do ferimento (após a cirurgia) e sua recuperação física (VIEIRA et al., 2010). Se o indivíduo do exemplo exposto for um trabalhador que precisa utilizar como instrumento de seu trabalho um veículo motorizado como uma moto (moto-taxistas ou moto-entregadores), e se vê diante da realidade de ter que se afastar de sua prática laboral em razão da perda da perna, este fato pode trazer conseqüências ainda mais graves à sua auto-imagem, especialmente se esta profissão foi a única exercida pelo indivíduo em toda sua história profissional. 8 Nos casos em que a pessoa necessite de afastamento do trabalho devido comprometimento físico e/ou psíquico relacionado ao acidente de trânsito referido, a interrupção do exercício profissional pode gerar ao indivíduo prejuízos à sua identidade pois, por meio do trabalho pode desfrutar do sentimento de controle sobre si mesmo e sobre o ambiente que o cerca, bem como experimentar valorização e autoreconhecimento pelo trabalho desempenhado à medida que observa a valorização e o reconhecimento de outras pessoas a respeito dos bens ou serviços produzidos (DAVIES e SHACKLETON, 1977; CODO, SAMPAIO e HITOMI, 1993; CODO e SAMPAIO, 1995). Freud (1930/1997) refere que o trabalho é a segunda oportunidade oferecida ao ser humano (a primeira foi por meio do brincar/jogo, durante a vida infantil) para elaborar ou ressignificar angústias e frustrações provenientes do sofrimento fundamental que todo ser humano naturalmente vivencia, constituído de três aspectos: não ter o controle que deseja sobre a natureza; a fragilidade de seu corpo; ter de adequar-se às regras da civilização a fim de resguardar relações familiares/sociais harmoniosas. O fortalecimento da identidade por meio de relações satisfatórias com o coletivo de trabalho (clientes, colegas de trabalho, chefia) é de grande relevância para o desenvolvimento de processos de saúde, uma vez que por meio destas relações sócioprofissionais o indivíduo tem a chance de desenvolver seu potencial humano para o trabalho, como sua inteligência astuciosa, a capacidade imaginativa, a criatividade, seu "saber fazer" particular, entre outras capacidades que, quando oportunizadas contribuem de modo importante para a saúde e o bem-estar da pessoa. O indivíduo afastado do trabalho em razão de acidente de trânsito, perde portanto a possibilidade de usufruir dos benefícios que o trabalho (quando em condições adequadas) pode a ele oferecer. Desta forma, os prejuízos que um acidente pode trazer à vida dos sobreviventes vão muito além do que se pode presumir quando se decide pensar sobre eles e, cabe à Psicologia do Trânsito enquanto área interessada pelo comportamento humano no trânsito e pelas questões da mobilidade humana, adentrar-se neste universo. 9 Fatores de risco à segurança viária e possibilidades de atuação do psicólogo do trânsito A Psicologia do Trânsito é definida por Rozestraten (1988, p. 09) como "área da Psicologia que estuda através de métodos científicos e válidos, os comportamentos humanos no trânsito e os fatores e processos externos e internos, conscientes e inconscientes que os provocam ou os alteram". De acordo com este autor, 80% dos acidentes de trânsito são causados por falha humana, o que explica, entre outros fatores, a existência de uma área da Psicologia preocupada e interessada em estudar em profundidade os problemas da mobilidade humana. Os acidentes de trânsito no Brasil configuram-se em um problema de saúde pública, haja vista o seu alto índice de ocorrência no país e os custos gerados ao mesmo para dar conta de resolver os problemas sócio-econômicos que deles resultam. Mas, por que acontecem os acidentes de trânsito? Para Gouveia et al. (2008), diante do consumismo exacerbado e a busca por exclusividade, o carro já não é só um meio de transporte; constitui-se em objeto de poder e prestígio ou troféu/cartão de visita estampando o sucesso profissional do sujeito. Distorções desta natureza não tardam em potencializar a agressividade do indivíduo, logo convertida em violência no trânsito. A partir dos estudos de Rozestraten (1988) a respeito das causas dos acidentes de trânsito, é possível organizar os fatores de risco à segurança viária em quatro grupos: fatores provenientes do indivíduo; do veículo; do ambiente do trânsito e do ambiente geral. Dirigir sob o efeito de bebida alcoólica ou medicamento que tem ação sobre o sistema nervoso central, causando sonolência e lentificação dos reflexos, é um exemplo de fator de risco de natureza individual, assim como o comportamento de atender a chamadas do celular enquanto se está dirigindo. Falha mecânica ou pneu descalibrado são considerados por Rozestraten (1988) como fatores de risco do veículo, mas pode também ser apontado como um fator do indivíduo, afinal, de quem é a responsabilidade por manter o veículo em estado 10 satisfatório à segurança no trânsito? O mesmo vale para fatores como sinalização em condições inadequadas (proveniente do ambiente do trânsito) e vegetação (ambiente geral) comprometendo a visualização de um sinal semafórico em razão de negligência quanto ao descuido da realização das devidas podas periódicas, cuja responsabilidade (tanto em um caso como no outro) fica ao encargo do indivíduo - autoridades, administradores, prestadores desse tipo de serviço. Em estudo que teve por objetivo caracterizar os fatores de exposição a acidentes e os antecedentes de trânsito de 624 estudantes universitários (208 do sexo masculino; 416 do sexo feminino) de Ponta Grossa-PR, Labiak et al. (2008) observaram que 60,41% dos estudantes aprenderam a dirigir com menos de 18 anos; 13,94% do sexo feminino e 13,11% do sexo masculino dirigiam sem habilitação; 42,24% do sexo masculino e 22,18% do sexo feminino tinham antecedentes em acidentes no trânsito como motorista, e, desses estudantes que se envolveram em acidentes como motorista, 42,42% possuíam habilitação e 15,22% dirigiam sem habilitação. Os autores da pesquisa concluem que o comportamento inadequado no trânsito persiste e agrava-se mesmo depois que esse motorista se torna habilitado para a direção veicular, advertindo que o "(...) o Código de Trânsito é um instrumento eficiente, porém, se a lei não for colocada em prática com rigor pelas autoridades responsáveis, os motoristas continuarão transgredindo as leis de trânsito sem consciência social e, desse modo, a punição torna-se um recurso para coibir esse tipo de comportamento" (LABIAK et al., 2008, p. 40). Desta forma, a punição contra atitudes e comportamentos inadequados e favoráveis à aceitação de risco no trânsito, pode atuar como fator de proteção aos acidentes. Pensar sobre os fatores de risco e de proteção aos acidentes de trânsito pode ser considerada ação preventiva contra a ocorrência dos mesmos, cuja participação do psicólogo do trânsito é de grande relevância. É neste sentido que práticas em Psicologia do Trânsito respaldadas nos pressupostos da Psicologia da Saúde podem significar ações visando à prevenção de acidentes e comportamentos de risco à segurança viária, fomentando-se concomitantemente a promoção de comportamentos seguros e a proteção da 11 qualidade de vida, do bem-estar e da saúde das pessoas. Estas ações podem acontecer em três níveis: 1º) Primário: ações que visem evitar o envolvimento das pessoas em acidentes, promovendo a adoção de comportamentos seguros no trânsito; 2º) Secundário: o indivíduo já se acidentou, mas busca-se a prevenção de novas ocorrências por meio da análise dos fatores e comportamentos que estejam representando risco à sua segurança; apontam-se medidas ou orientações para a melhoria de sua qualidade de vida e faz-se recomendações ou encaminhamentos a outros profissionais da área da saúde quando necessário; 3º) Terciário: auxílio ao indivíduo que sofre seqüelas biopsicossociais em decorrência do acidente de trânsito e que apresente comprometimento em sua funcionalidade. Busca-se o enfrentamento de suas limitações e investimento em maior qualidade de vida, a fim de se evitar o desenvolvimento ou agravamento de quadros psicopatológicos relacionados a esta vivência. Na prevenção primária, portanto, as ações são no sentido de ir ao encontro dos fatores que expõem o indivíduo à ocorrência de acidentes, identificando ao mesmo tempo aquilo que possa protegê-lo neste sentido. No que se refere em especial ao psicólogo perito-examinador do trânsito, sua atuação reflete consonância com os pressupostos da Psicologia da Saúde à medida que faz uso dos testes e demais procedimentos técnicos de avaliação visando a identificação de fatores de risco à segurança do indivíduo no trânsito, como a detecção de capacidade atentiva e senso perceptiva prejudicada, ou dificuldades no plano relacional com níveis acentuados de ansiedade, apontando para a manifestação de possíveis comportamentos impulsivos no trânsito. Quando este profissional detecta elementos na avaliação do indivíduo que podem representar riscos à direção veicular, e decide diante disto encaminhá-lo a outros profissionais de saúde, ele está demonstrando tanto sua preocupação com a 12 prevenção de acidentes quanto com a saúde e bem-estar deste sujeito, atuando de modo a promover melhor qualidade de vida ao mesmo. Perfeito e Hoffmann (2003) propõem ações preventivas aos acidentes, relacionadas a três instâncias: a Ergonomia/Engenharia e seu papel no planejamento de veículos condizentes com o conforto do condutor e a segurança da dirigibilidade; a Fiscalização/Controle policial para inibir comportamentos de risco à segurança viária; a Educação, em que o psicólogo do trânsito nas escolas, universidades, comunidades e centros de saúde, pode contribuir para a formação de outros profissionais (professores, pedagogos, psicólogos, líderes comunitários) a fim de propagarem esta prática preventiva. Utilizando-se das contribuições de Rozestraten (1988) quanto às diferentes formas de atuação do psicólogo do trânsito, é possível identificar em algumas destas práticas, formas preventivas de atuação a nível primário frente aos acidentes de trânsito, como pesquisar, elaborar, aperfeiçoar e aplicar testes capazes de selecionar efetivamente motoristas mais aptos. Buscando conhecer de que modo 389 estudantes de cursos de uma universidade pública de João Pessoa, percebem alguém que agride em situações hipotéticas de trânsito, Gouveia et al. (2008) verificaram que o próprio traço de agressão dos participantes observadores influenciou no seu juízo acerca do comportamento do motorista agressor das histórias hipotéticas que lhes foram apresentadas, sugerindo a possibilidade de que este instrumento possa vir a contribuir para avaliação da agressividade em motoristas. O desempenho da Memória de Trabalho como fator preditivo ao comportamento seguro no trânsito entre condutores acidentados e não acidentados, foi verificado por Armôa (2009) por meio do Instrumento de Medida da Memória de Trabalho (IMMT) com fins de validação deste instrumento. Observou mediante tarefas propostas aos participantes, uma freqüência de acertos maior em condutores não acidentados. Segundo a pesquisadora, o IMMT se mostrou preditor nas tarefas que exigem Memória de Trabalho, constituindo-se em um novo instrumento que poderá ser 13 utilizado futuramente entre psicólogos perito-examinadores do trânsito em sua prática de avaliação psicológica voltada a motoristas e candidatos à Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Ainda que exista na literatura científica um bom número de pesquisas voltadas às questões do trânsito, Pettengill e Martins (2009) observaram que poucas são as que foram desenvolvidas por psicólogos do trânsito, fato que gerou o interesse das pesquisadoras em elaborar um artigo como forma de convidar psicólogos desta área da Psicologia à realização de pesquisas científicas, oferecendo contribuições teóricas acerca do construto Qualidade de Vida que possam auxiliá-los na elaboração de estudos sobre a qualidade de vida de motoristas profissionais. A pesquisa científica enquanto meio de verificação, conhecimento, constatação ou compreensão de diversos fenômenos como as questões referentes ao comportamento humano no trânsito, pode se constituir em um importante veículo norteador de políticas públicas que viabilizem possíveis soluções aos mais diferentes problemas enfrentados por uma sociedade, como os acidentes automobilísticos e suas conseqüências, podendo por isso ser considerada tanto uma ação preventiva como promotora de saúde e qualidade de vida. No que se refere a formas de prevenção secundária em Psicologia do Trânsito, as ações devem ser direcionadas no sentido de se evitar a ocorrência de novos acidentes ou comportamentos que denotem imprudência no trânsito, como a recorrência de infrações por parte da pessoa. A atuação dos psicólogos do trânsito nas unidades e centros de saúde, bem como, em hospitais, visando reunir grupos de acidentados em recuperação para oportunizar momentos de reflexão e discussão a respeito dos fatores de risco a que estiveram expostos na ocasião dos acidentes, é ao mesmo tempo, promotora de comportamentos mais seguros e conseqüentemente, de hábitos mais saudáveis que poderão se refletir em sua qualidade de vida, como um indivíduo alcoólatra que pode desta forma vir a sentir-se motivado a buscar ajuda para seu problema de alcoolismo. 14 É indispensável que o indivíduo vivencie algum tipo de intervenção educativa e psicológica durante o período em que esteja passando pelas intervenções médicas relacionadas ao acidente de trânsito, como forma de desencorajar novas ocorrências, especialmente nos casos em que fica comprovada a participação direta da pessoa, como o uso de bebida alcoólica e direção, o não uso de instrumentos de proteção (cinto de segurança, capacete), o desrespeito ou indiferença às regras de circulação e demais normas de trânsito, entre outros (VIEIRA et al., 2010). O psicólogo perito-examinador do trânsito tem a chance de, por meio do trabalho de avaliação psicológica junto aos motoristas profissionais, identificar os indivíduos que apesar de ainda não terem se envolvido em acidentes, apresentam um grande número de multas por infrações de trânsito. Oferecer a estas pessoas um espaço para a discussão dos motivos que possivelmente motivaram tais infrações seria de grande relevância, uma vez que se teria acesso aos fatores de risco biopsicossociais que emolduraram aquelas ocorrências infracionais. A partir da identificação destes fatores de risco com o auxílio do psicólogo, o indivíduo tem a chance de refletir sobre o investimento em maiores cuidados com a própria saúde bem como com a sua segurança e a dos demais no trânsito. A prevenção de acidentes de trânsito a nível terciário está relacionada a ações voltadas às conseqüências dos acidentes para a qualidade de vida do indivíduo. Um indivíduo que tem por profissão o trabalho de moto-taxista, por exemplo, e que, em decorrência de acidente de trânsito perde uma perna, irá necessitar de atendimento que vise não só sua reabilitação física, como também o enfrentamento desta mudança em sua auto-imagem (caso demonstre dificuldades quanto a isto) e das mudanças sócio-econômicas em razão da perda salarial e do status de profissional moto-taxista. O acompanhamento psicoterapêutico aliado ao suporte sócio-ambiental, pode favorecer a recuperação das lesões físicas, a cicatrização satisfatória referente à cirurgia e o tratamento fisioterápico dos acidentados. Foi o que constataram Vieira et al. (2010) por meio da análise dos relatos de uma equipe de saúde quanto às práticas educativas ao vitimado no trânsito durante a hospitalização/reabilitação num hospital de emergência de Fortaleza-CE, cujo acesso do deficiente físico (em razão do acidente) 15 a informações pertinentes aos benefícios do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT) aos quais teria direito, parece ter favorecido sua recuperação física e psicológica, em razão de possibilitar ao indivíduo segurança e tranqüilidade quanto a estas questões. Ações interdisciplinares que visem portanto, o investimento em melhor qualidade de vida do indivíduo que apresenta uma deficiência física em decorrência de acidente de trânsito, observando junto ao mesmo o que venha a ser importante para que desfrute de qualidade de vida a partir desta vivência, contribui tanto para a prevenção de transtornos psicopatológicos, como para a promoção de atitudes de comprometimento com a vida futura e com o desenvolvimento de novas expectativas no campo profissional e pessoal apesar de suas limitações físicas. O psicólogo do trânsito pode desempenhar um papel de grande importância no processo de reabilitação de indivíduos que vivenciam tais experiências, especialmente se busca por meio dessas práticas fazer uso dos pressupostos da Psicologia da Saúde na promoção de saúde e bem-estar. Considerações Finais Constituindo-se em um dos pilares da Psicologia da Saúde, o conceito de saúde amparado no Modelo Biopsicossocial considera, entre outros aspectos, a autonomia e a capacidade de auto-reflexão e de discernimento das pessoas quanto ao que seja importante para seu bem-estar, sua saúde e qualidade de vida. Neste sentido, práticas em Psicologia do Trânsito devem ocorrer de modo a facilitar um processo em que os participantes do trânsito devam assumir sua responsabilidade pela própria segurança e a dos demais. As ações do psicólogo do trânsito devem acima de tudo fomentar a preservação da vida e da saúde, promovendo bem-estar e qualidade de vida à medida que se compromete com a prevenção de acidentes e suas conseqüências nocivas à vida do indivíduo que, de acordo com os preceitos da Psicologia da Saúde, não pode ser tratado apenas como um corpo ferido ou mutilado diante do acidente, mas como 16 alguém que tem uma vida psíquica (dotado de uma subjetividade) e uma realidade sócio-ambiental, e que vai necessitar ser atendido conforme estes aspectos. Estudos científicos, como as pesquisas que foram apresentadas neste trabalho, representam contribuições e caminhos apontando subsídios para a adoção de políticas públicas mais coerentes e eficazes à segurança viária, constituindo-se em ferramentas imprescindíveis à transformação deste quadro mundialmente caótico que é a violência no trânsito. O psicólogo do trânsito que utiliza-se dos pressupostos teórico-metodológicos da Psicologia da Saúde, contribui para a prevenção de acidentes de trânsito e a promoção da qualidade de vida, do bem-estar e da saúde integral da sociedade, quando não se afasta da concepção biopsicosócio-ambiental do participante do trânsito, adotando uma postura favorável ao diálogo interdisciplinar e buscando estratégias de intervenção, prevenção e promoção de comportamentos seguros no trânsito. Referências - ACHKAR, T. C. S. Síndrome de Burnout: repercussões na qualidade de vida no trabalho de profissionais de saúde de um hospital privado da cidade de Cascavel-PR. Dissertação de Mestrado em Psicologia. Campo Grande-MS: Universidade Católica Dom Bosco, 2006. - AREIAS, M. E. Q. Psicologia da Saúde e dor lombar. In: GRUBITS, S.; GUIMARÃES, L. A. M. (Orgs.). Psicologia da Saúde: especificidades e diálogo interdisciplinar. São Paulo: Vetor, 2007, p. 195-205. - ARMÔA, S. H. 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