UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS Pró-Reitoria de Pós Graduação e Pesquisa Programa de Pós-Graduação (Mestrado) em Ciências Ambientais e Saúde RECURSOS HÍDRICOS, SAÚDE E PRODUÇÃO ORGÂNICA DE ALIMENTOS – O CASO DA CIDADE DE SILVÂNIA GOIÁS HÉLIO MAURO UMBELINO LÔBO FILHO Goiânia – Goiás Agosto de 2005 UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS Pró-Reitoria de Pós Graduação e Pesquisa Programa de Pós-Graduação (Mestrado) em Ciências Ambientais e Saúde RECURSOS HÍDRICOS, SAÚDE E PRODUÇÃO ORGÂNICA DE ALIMENTOS – O CASO DA CIDADE DE SILVÂNIA GOIÁS HÉLIO MAURO UMBELINO LÔBO FILHO ORIENTADOR: PROFESSOR DR. ERIC SANTOS ARAÚJO CO-ORIENTADORES: PROFESSOR DR. LUIZ FABRÍCIO ZARA PROFESSOR DR. NILZIO ANTÔNIO DA SILVA Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e Saúde da Pró-Reitoria de Pesquisa e PósGraduação da Universidade Católica de Goiás, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Ciências Ambientais e Saúde Goiânia – Goiás Agosto de 2005 Lôbo Filho, Hélio Mauro Umbelino Recursos hídricos, saúde e produção orgânica de alimentos : o caso da cidade de Silvânia Goiás / Hélio Mauro Umbelino Lôbo Filho. – Goiânia, 2005. 80 f. Dissertação apresentada à Universidade Católica de Goiás, Programa de Pós-Graduação (Mestrado) em Ciências Ambientais e Saúde. Orientador : Araújo, Eric Santos 1. Recursos hídricos 2. Ecologia 3. Saúde Humana CDU – 556.18:631.95:613(817.3Silvânia) “Todas as substâncias são venenosas, não há uma que não seja venenosa, a dose certa diferencia o veneno do remédio” Paracelsus 1493-1541 Aos meus avós Hélio e Yvonne pelo exemplo de vida e coerência; aos meus tios Márcio e Nauriá pelos conselhos prudentes e harmoniosos; à minha mãe que me ensinou a sempre lutar pelo que acredito; às minhas irmãs Carla e Lara que tanto amo; aos meus filhos Carolina, Letícia e Matheus de quem tomei o mundo emprestado e a Andréa, minha esposa e companheira na viagem da vida. IV SUMÁRIO LISTA DE QUADROS LISTA DE FIGURAS RESUMO ABSTRAC VII VIII IX X 1. Introdução 1 2. Revisão Bibliográfica 2.1. Conhecendo o movimento ambientalista e entendendo a questão ambiental 2.1.1. Histórico do movimento ambientalista no mundo 2.1.2. Histórico do movimento ambientalista no Brasil 2.1.3. Fases da conservação ambiental brasileira 2.2. Modelo de desenvolvimento mundial atual e as propostas de conceito de desenvolvimento sustentável 2.3. Meio ambiente e saúde 2.3.1. Elementos químicos essenciais, não essenciais e elementos traço 2.3.2. Biodisponibilidade e geodisponibilidade 2.3.3. Cadeia alimentar, elementos e metais traço 2.3.4. Agroecologia e alimentos orgânicos 2.4. Área degradada e área contaminada, identificação e gerenciamento 2.4.1. Identificação e gerenciamento de áreas degradadas 2.5. Marco Legal 2.5.1. Valores de referência 05 05 3. Delimitação e caracterização da área geográfica e do público alvo em estudo 3.1. Aspectos Geológicos 43 4. Objetivos 4.1. Objetivo geral 4.2. Objetivos específicos 45 45 45 5. Materiais e Métodos 5.1. Estabelecimentos dos pontos de coleta de amostras 5.2. Identificação dos pontos onde foram realizadas as coletas de amostras 5.3. Adensamento das análises ou investigação comprobatória 5.4. Análises 5.4.1. Processos de digestão a) Amostras de Água b) Amostras de solo e sedimento 46 47 48 V 05 07 10 16 18 24 27 28 29 31 31 37 38 43 49 51 51 51 51 5.4.2. Processo de análise 5.4.3. Tratamento Estatístico 52 52 6. Resultados da pesquisa 6.1. Sedimentos de corrente 6.1.1. Matriz de correlação de amostras de sedimentos de corrente 6.1.2. Correlações de elementos nas amostras de sedimentos de corrente 6.1.3. Mapas de Concentração e Distribuição 6.2. Água Corrente 6.2.1. Matrizes de correlação de amostras de água corrente 6.2.2. Correlações de elementos nas amostras de água corrente 6.2.3. Mapas de Concentração e Distribuição 6.3. Solo 6.3.1. Correlações de elementos nas amostras de solo 6.3.2. Mapas de Concentração e Distribuição 54 54 56 7. Discussão dos resultados 7.1. Sedimentos de corrente 7.1.1. Parâmetros para sedimentos de corrente 7.2. Água Corrente 7.2.1. Parâmetros para água corrente 7.3. Solo 67 67 67 71 71 72 8. Considerações finais 74 9. Referências 76 VI 56 57 59 61 62 62 64 65 65 LISTA DE QUADRO 1 QUADRO 2 QUADRO 3 QUADRO 4 QUADRO 5 QUADRO 6 QUADRO 7 QUADRO 8 QUADRO 9 QUADRO 10 QUADRO 11 QUADRO 12 QUADRO 13 QUADRO 14 QUADRO 15 QUADRO 16 QUADRO 17 QUADRO 18 QUADRO 19 QUADRO 20 QUADRO 21 QUADRO 22 QUADROS Histórico do movimento ambientalista no mundo Histórico do movimento ambientalista no Brasil Padrão de potabilidade para substâncias químicas que representam risco à saúde Água padrão de aceitação para consumo humano Água Classe 1 – Teores máximos de substâncias potencialmente prejudiciais Programa de Controle de Resíduos em Carne Lista Holandesa de valores de qualidade do solo Concentrações máximas de metais pesados no solo (mg/Kg) Identificação e Informações sobre os locais de coleta de amostras de água Resultados das análises dos sedimentos de corrente Resultados das análises dos sedimentos de corrente Resultados das análises dos sedimentos de corrente Resultados das análises de água Resultados das análises de água Resultados das análises de água Resultados das análises de água – ânions Resultados das análises de solo Resultados das análises de solo Resultados das análises de solo Sedimentos de corrente – elementos que apresentaram alteração Água corrente alterações acima dos valores máximos Solo – elementos que apresentaram alteração VII 05 07 39 39 40 41 42 42 48 54 54 55 59 59 60 60 64 64 65 68 72 72 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 FIGURA 2 FIGURA 3 FIGURA 4 FIGURA 5 FIGURA 6 FIGURA 7 FIGURA 8 FIGURA 9 FIGURA 10 Mapa de Amostragem Mapa de Goiás, destaque em verde para os municípios de Silvânia (S), Leopoldo de Bulhões, Gameleira e Vianópolis onde se concentram os produtores associados à CENTRAL Matriz de correlação das amostras de sedimentos de corrente Mapas de Concentração e Distribuição dos elementos Cd, Mn, Cu, Hg, K, Mg, Te, Pb, Co, Cr, Ni e Zn Matriz de correlação de cátions Matriz de correlação de cátions e ânions Mapas de Concentração e Distribuição dos elementos Al, Cr, Ca, Sr, Te, Fluoreto, K e Na Mapas de Concentração e Distribuição dos elementos Al, Sn, Ca, Sr, Cr, Ni, Te e Mn Mapa de Concentração e Distribuição de Mercúrio - Hg Mapa de Concentração e Distribuição de Arsênio - As VIII 04 43 56 57 61 62 63 65 69 70 RESUMO Este trabalho buscou verificar as condições ambientais do solo e dos recursos hídricos de uma área produtiva delimitada utilizando ferramentas de Geomedicina e de Gerenciamento de Áreas Contaminadas e identificar se estas condições são ou não favoráveis à implantação de um pólo de produção de alimentos orgânicos. A área geográfica delimitada foi a cidade de Silvânia e suas imediações. Partindo da análise de amostras de água, sedimentos de corrente e solo coletados nas proximidades das propriedades de produtores rurais locais associados à Central de Associações de Pequenos Produtores Rurais de Silvânia – CENTRAL, foram estudados os recursos hídricos da região, sua interface com a produção de alimentos agroecológicos com certificação orgânica e possíveis influências sobre a saúde humana e animal. O fator inovador foi a utilização de ferramentas de Geomedicina e Gerenciamento de Áreas Contaminadas no planejamento para a implantação de um pólo de alimentos orgânicos. As condições auferidas indicam que a implantação de um pólo de produção de alimentos agroecológicos com certificação orgânica na região vai requerer especial atenção à possibilidade de contaminação por mercúrio, arsênio e cromo identificados nos sedimentos de corrente e no solo; e por alumínio, arsênio, boro, ferro, mercúrio, manganês, selênio e nitritos identificados nas drenagens pesquisadas. A presença de mercúrio, cromo e arsênio pode ser uma restrição para a implantação do pólo de alimentos agroecológicos, porém no processo de certificação orgânica os alimentos são criteriosamente avaliados afastando assim qualquer dúvida que possa permanecer e por isso os produtores da área em estudo devem ser incentivados por autoridades municipais, estaduais e federais a promoverem esta certificação. Este é o início de uma discussão que poderá propiciar uma nova e arrojada abordagem de planejamento de pólos agropecuários em sua desafiante busca por modelos mais sustentáveis de produção. IX ABSTRACT This study meant to verify the environmental conditions of the soil and hidric resources of a delimited productive area using Geomedicine and Contaminated Areas Management tools, and to identify if these conditions were or not favorable to the implementation of an organic cluster. The geografic area delimited was the city of Silvania, State of Goias, and its nearby farms. Starting from the analisys of samples of water, river sediments and soil, collected close to the properties of small farmers associated to the Small Farmers Association’s Central of the City of Silvania – CENTRAL, the hydro resources of the area and it´s interface to a production of organic food and it’s possible influence on human and animal health was studied. The innovation factor was the use of Geomedicine and Contaminated Areas Management tools in a strategic planning seeking the implementation of an organic food cluster. The results suggets that these implementation will require special attention to the possibility of contamination by Hg, As, Cr in river sediments and soil; and Al, As, B, Fe, Hg, Mn, Se and Nitrits in the waters. The presence of Hg, As, Cr can affect the implementation of the cluster, but the process of organic certification is very restrictive and will repel any doubts that may be, therefore the small farmers of the region in study should be motivated by local, state and federal Brazilian authorities to promote the organic certification. This is the begging of a discusson that can result in a new approach of planning organic clusters and a challenging search for more sustainable models of production. X 1. Introdução A questão ambiental exige uma visão diferenciada orientada para resolução de problemas, de acordo com os moldes da revolução científica moderna que propõe quebra total de paradigmas nas pesquisas acadêmicas, mudando do convencional reducionismo e mecanicismo para uma abordagem sistêmica e organicísmica da totalidade, que considera a complexidade e a conectividade múltipla de fatores quando no estudo de um único assunto (Naveh, 2000). Não há como compartimentalizar as consequências sofridas pelos seres vivos originárias da pressão antrópica ao meio ambiente, nem como dissociar conservação ambiental de eficiência econômica e de eqüidade social (Buarque, 2002). É preciso considerar a ambigüidade que existe entre estas três vertentes e assumir que não se chegará a um nível de equilíbrio sustentável entre humanidade e natureza sem uma integração estrutural e funcional da atratividade e produtividade da biosfera e uma tecnosfera saudável e vivível para esta e futuras gerações (Naveh, 2000). A grande decisão a ser tomada pela humanidade é “avançar na evolução biológica e cultural da vida na terra ou avançar na degradação e extinção definitiva” (Lazlo citado por Naveh, 2000). Os sinais são claros que o planeta está chegando ao limite máximo de exploração desordenada - aquecimento global, buracos na camada de ozônio, poluição das águas, extinção de espécies animais e vegetais, entre muitos outros (Lôbo Filho, 2003). A biosfera tem uma capacidade limitada de assimilar resíduos e poluição, capacidade esta que depende da biodegradabilidade, da quantidade do resíduo e do local onde a substância está sendo depositada. Traduzindo essa afirmativa em números, segundo Der Spiegel – citado pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo, CETESB (2001) – os custos ecológicos relacionados à exploração desordenada 1 dos solos e das águas na Alemanha foram calculados em cerca de U$ 83 Bilhões. A Comunidade Européia fez um levantamento e identificou cerca de 300.000 áreas contaminadas e aproximadamente 1.500.000 áreas potencialmente contaminadas nos seus 12 países membros iniciais (CETESB, 2001). As questões ambientais e sociais são intrínsecas. Surge então a indagação: “como construir um estilo de desenvolvimento socialmente justo e ambientalmente seguro num contexto de dependência econômica e exclusão social?” (Quintas, 2000). A quebra de paradigmas aqui defendida pode ser verificada com a fusão necessária entre ciências até então independentes na busca por respostas para problemas cujo grau de complexidade exigem abordagens diferenciadas e complementares. Um exemplo é a fusão entre a medicina e a geologia que resultou na Geologia Médica ou Geomedicina – considerada uma ciência de integração pois exige entrosamento e entendimento com outras ciências. A Geomedicina, um exemplo de abordagem sistêmica, estuda variações regionais na distribuição dos elementos, principalmente os metálicos e metalóides, seu comportamento geológico-geoquímico, as contaminações naturais e artificiais e os danos à saúde animal e/ou vegetal por excessos ou deficiências (Scarpelli, 2003). Dentro deste contexto surge a proposta deste trabalho, cujo objetivo é verificar as condições ambientais do solo e dos recursos hídricos de uma área produtiva delimitada utilizando ferramentas de Geomedicina e de Gerenciamento de Áreas Contaminadas e identificar se estas condições são ou não favoráveis a implantação de um pólo de produção de alimentos orgânicos. Os resultados e os conhecimentos gerados serão contextualizados com a realidade local e poderão sustentar tomadas de decisões coletivas que aproximem ao máximo a comunidade de um modelo sustentável de desenvolvimento. 2 Como pensar globalmente e agir localmente? Talvez a resposta esteja exatamente em trazer para o espaço regional a discussão com foco no esclarecimento e no desenvolvimento de uma consciência que respeite a autonomia de cada comunidade e tenha como pressuposto que as soluções definitivas sempre partirão de propostas coletivas e consensuais dos atores locais. Qualquer proposta, por mais revolucionária que seja, não deve estar descontextualizada da realidade do local de sua implementação. Questiona-se se os nativos de uma região realmente têm noção da complexidade do tema ambiental; o quanto esse tema afeta sua saúde e conseqüentemente suas vidas; e se eles sabem como mitigar impactos indesejáveis e transformar vantagens comparativas do meio ambiente local em vantagens competitivas na geração e distribuição de renda. Para este trabalho a área geográfica delimitada foi a cidade de Silvânia e suas imediações onde uma organização de pequenos produtores rurais, a Central de Associações de Pequenos Produtores Rurais de Silvânia – CENTRAL, objetiva implantar um pólo de produção de alimentos agroecológicos com certificação orgânica. Partindo da análise de amostras de água, sedimentos de corrente e solo coletados nas proximidades das propriedades de produtores rurais locais (conforme Figura 1), foram estudados os recursos hídricos da região, sua interface com a produção de alimentos agroecológicos com certificação orgânica e possíveis influências sobre a saúde humana e animal. O fator inovador está na utilização de conhecimentos de vanguarda – geomedicina e gerenciamento de áreas contaminadas – em um planejamento para a implantação de um pólo de alimentos agroecológicos com certificação orgânica. Este é o início de uma discussão que poderá propiciar uma nova e arrojada abordagem de planejamento de pólos agropecuários em sua desafiante busca por modelos mais sustentáveis de produção. 3 Figura 1: Mapa de Amostragem Elaborado pelo autor 4 2. Revisão Bibliográfica Os estudos sobre a contaminação do meio ambiente e suas conseqüências para a saúde humana estão sofrendo reviravoltas profundas, questiona-se principalmente como devem ser as pesquisas acadêmicas. As linhas mais inovadoras portanto mais polêmicas como as seguidas por Naveh (2000) e por Quintas (2000), argumentam que as pesquisas devem ser comprometidas e direcionadas para a resolução de problemas, ou seja, defendem a pesquisa aplicada que gera soluções e até riquezas para a comunidade alvo. A maior fonte de pressão ao meio ambiente é exatamente a antrópica, quer seja para atender às necessidades humanas de sobrevivência, quer seja para manter padrões de consumo e bem estar que exigem a utilização de recursos naturais existentes no Planeta Terra muito acima da capacidade natural de regeneração dos mesmos, causando sua exaustão. Surgem aí as contaminações geradas pelo modelo produtivo que não respeita o ciclo de recuperação da natureza e escoa seus subprodutos ou externalidades para o meio ambiente sem o devido controle, ou mesmo sem o conhecimento das conseqüências que serão geradas. Ao final os efeitos são extensivos a saúde de todos os seres vivos, entre eles o próprio homem. 2.1. Conhecendo o movimento ambientalista e entendendo a questão ambiental 2.1.1. Histórico do movimento ambientalista no mundo Quadro 1: Histórico do movimento ambientalista no mundo Ano 1869 1872 1947 1952 Acontecimentos Século XIX Ernst Haeckel, propõe o vocábulo ecologia para os estudos das relações entre as espécies e seu ambiente. Criação do primeiro parque nacional do mundo: Yellowstone, USA Século XX Funda-se na Suíça a UICN - União Internacional para a Conservação da Natureza Acidente de poluição do ar em Londres provoca a morte de 1600 pessoas Anos 60 5 1962 1965 1966 1968 1968 1972 1972 1973 1974 1975 1975 1976 1976 1977 1979 1980 1980 1980 1987 1987 1988 1989 1989 1990 1990 1991 Publicação da “Primavera Silenciosa” por Rachel Carlson É utilizada a expressão “Educação Ambiental” (Enviromental Education) na “Conferência de Educação” da Universidade de Keele, Grã-Bretanha Pacto Internacional sobre os Direitos Humanos - Assembléia Geral da ONU Fundação do Clube de Roma Manifestações de Maio de 68 na França Anos 70 Publicação do Relatório “Os Limites do Crescimento” - Clube de Roma Conferência de Estocolmo – Discussão do Desenvolvimento e Ambiente, Conceito de Ecodesenvolvimento. Recomendação 96 Educação e Meio Ambiente Registro Mundial de Programas em Educação Ambiental -USA Seminário de Educação Ambiental em Jammi, Finlândia – Reconhece a Educação Ambiental como educação integral e permanente Congresso de Belgrado – Carta de Belgrado estabelece as metas e princípios da Educação Ambiental Programa Internacional de Educação Ambiental - PIEA Reunião Subregional de EA para o ensino Secundário Chosica Peru. Questões ambientais na América Latina estão ligadas às necessidades de sobrevivência e aos direitos humanos. Congresso de Educação Ambiental Brasarville, África, Reconhece que a pobreza é o maior problema ambiental. Conferência de Tbilisi – Geórgia, estabelece os princípios orientadores da EA e remarca seu caráter interdisciplinar, critico, ético e transformador. Encontro Regional de Educação Ambiental para América Latina em San José, Costa Rica. Anos 80 Seminário Regional Europeu sobre EA , para Europa e América do Norte. Assinala a importância do intercâmbio de informações e experiências. Seminário Regional sobre EA nos Estados Árabes, em Manama, Bahrein, realização UNESCO/PNUMA. Primeira Conferência Asiática sobre EA Nova Delhi, Índia. Divulgação do Relatório da Comissão Brundtland, Nosso Futuro Comum. Congresso Internacional da UNESCO - PNUMA sobre Educação e Formação Ambiental – Moscou. Realiza a avaliação dos avanços desde Tbilisi , reafirma os princípios de Educação Ambiental e assinala a importância e necessidade da pesquisa, e da formação em Educação Ambiental. Declaração de Caracas, ORPAL/PNUMA, sobre Gestão Ambiental em América. Denuncia a necessidade de mudar o modelo de desenvolvimento. Primeiro Seminário sobre materiais para a Educação Ambiental, ORLEAC/UNESCO/PIEA, em Santiago, Chile. Declaração de HAIA, preparatório da RIO 92, aponta a importância da cooperação internacional nas questões ambientais. Anos 90 Conferência Mundial sobre Ensino para Todos, Satisfação das necessidades básicas de aprendizagem, em Jomtien, Tailândia. Destaca o conceito de Analfabetismo Ambiental. ONU Declara o ano 1990, Ano Internacional do Meio Ambiente. Reuniões preparatórias da Rio 92. 6 1992 1993 1993 1994 1994 1995 1995 1995 1996 1997 1997 1997 Conferência sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, UNCED, Rio/92 – Criação da Agenda 21. Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis. FORUN das ONG’s – compromissos da sociedade civil com a Educação Ambiental e o Meio Ambiente. Carta Brasileira de Educação Ambiental . Aponta as necessidades de capacitação na área, MEC. Congresso Sul-americano continuidade Eco/92 – na Argentina. Conferência dos Direitos Humanos, em Viena. Conferência Mundial da População, no Cairo. I Congresso Ibero Americano de Educação Ambiental. Guadalajara, México. Conferência para o Desenvolvimento Social. Copenhague. Criação de um ambiente econômico-político-social-cultural e jurídico que permita o desenvolvimento social. Conferência Mundial da Mulher, em Pequim. Conferência Mundial do Clima, em Berlim. Conferência Habitat II, no Istambul. II Congresso Ibero-americano de EA, junho, em Guadalajara México. Conferência sobre EA em Nova Delhi. Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade : Educação e Conscientização Pública para a Sustentabilidade, Thessaloniki, Grécia. Fonte: Sítio do Ministério do Meio Ambiente, 2005 (adaptado pelo autor). 2.1.2. Histórico do movimento ambientalista no Brasil Quadro 2: Histórico do movimento ambientalista no Brasil Ano 1808 1850 1876 1891 1896 1920 1932 1934 1937 1939 1961 1971 Acontecimentos Século XIX Criação do Jardim Botânico no Rio de Janeiro. Lei 601 de Dom Pedro II proibindo a exploração florestal nas terras descobertas, a lei foi ignorada, continuando o desmatamento para implantação da monocultura de café. André Rebouças sugere a criação de parques nacionais na Ilha de Bananal e em Sete Quedas. Decreto n.º 8.843 que cria a reserva florestal em Acre, que não foi implantada ainda. Foi criado o primeiro parque estadual em São Pablo, o Parque da Cidade. Século XX O pau-brasil é considerado extinto. Realiza-se no Museu Nacional a primeira Conferência Brasileira de Proteção à Natureza. Decreto n.º 23793 que transforma em Lei o Anteprojeto de Código Florestal. Cria-se o Parque Nacional de Itatiaia. Cria-se o Parque Nacional do Iguaçu. Anos 60 Jânio Quadros, declara o pau-brasil como árvore símbolo nacional, e o ipê como a flor símbolo nacional. Anos 70 Cria-se em Rio Grande do Sul a associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, AGAPAN. 7 1972 1972 1973 1976 1977 1977 1977 1977 1978 1978 1978 1979 1981 1984 1986 1986 1986 1987 1987 1987 1988 1988 A Delegação Brasileira na Conferência de Estocolmo declara que o país está “aberto à poluição, porque o que se precisa é dólares, desenvolvimento e empregos” . Apesar disto, contraditoriamente o Brasil lidera os países do Terceiro Mundo para não aceitar a Teoria do Crescimento Zero proposta pelo Clube de Roma. A Universidade Federal de Pernambuco inicia uma campanha de reintrodução do pau-brasil considerado extinto em 1920. Cria-se a Secretaria Especial do Meio Ambiente, SEMA, no âmbito do Ministério do Interior,que entre outras atividades, começa a fazer Educação Ambiental. A SEMA e a Fundação Educacional do Distrito Federal e a Universidade de Brasília realizam o primeiro curso de Extensão para professores do 1o Grau em Ecologia. Implantação do Projeto de Educação Ambiental em Ceilândia, 1977 – 1981. SEMA constitui um grupo de trabalho para elaboração de um documento de Educação Ambiental para definir seu papel no contexto brasileiro. Seminários Encontros e debates preparatórios à Conferência de Tbilisi são realizados pela FEEMA-RJ. A disciplina Ciências Ambientais passa a ser obrigatória nos cursos de Engenharia. A Secretaria de Educação de Rio Grande do Sul desenvolve o Projeto Natureza (1978 - 85). Criação de cursos voltados para as questões ambientais em varias universidades brasileiras. Nos cursos de Engenharia Sanitária inserem-se as disciplinas de Saneamento Básico e Saneamento Ambiental. O MEC e a CETESB/ SP, publicam o documento “Ecologia uma Proposta para o Ensino de 1o e 2o Graus”. Anos 80 Lei n.º 6938, de 31 de Agosto, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente (Presidente Figueiredo). Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), apresenta uma resolução estabelecendo diretrizes para a Educação Ambiental, que não é tratada. A SEMA junto com a Universidade Nacional de Brasília, organiza o primeiro Curso de Especialização em Educação Ambiental, 1986 – 1988. I Seminário Nacional sobre Universidade e Meio Ambiente. Seminário Internacional de Desenvolvimento Sustentado e Conservação de Regiões Estuarino – Lacunares (Manguezais), São Paulo. O MEC aprova o Parecer 226/87 do conselheiro Arnaldo Niskier, em relação a necessidade de inclusão da Educação Ambiental nos currículos escolares de 1o e 2o Graus. Paulo Nogueira Neto representa ao Brasil na Comissão Brundtland. II Seminário Universidade e Meio Ambiente, Belém, Pará. A Constituição Brasileira, de 1988, em Art. 225, no Capítulo VI - Do Meio Ambiente, Inciso VI, destaca a necessidade de ‘’promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente’’. Para cumprimento dos preceitos constitucionais, leis federais, decretos, constituições estaduais, e leis municipais determinam a obrigatoriedade da Educação Ambiental. Fundação Getúlio Vargas traduz e publica o Relatório Brundtland, Nosso Futuro Comum. 8 1988 1989 1989 1989 1989 1989 1990 1990 1991 1991 1991 1991 1992 1992 1992 1993 1993 1994 1994 1994 1995 1996 1996 1996 A Secretaria de Estado do Meio Ambiente de SP e a CETESB , publicam a edição piloto do livro “Educação Ambiental” Guia para professores de 1o e 2o Graus. Criação do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), pela fusão da SEMA, SUDEPE, SUDEHVEA e IBDF. Nele funciona a Divisão de Educação Ambiental. Programa de Educação Ambiental em Universidade Aberta da Fundação Demócrito Rocha, por meio de encartes nos jornais de Recife e Fortaleza. Primeiro Encontro Nacional sobre Educação Ambiental no Ensino Formal, IBAMA/ UFRPE em Recife. Cria-se o Fundo Nacional de Meio Ambiente FNMA no Ministério do Meio Ambiente MMA. III Seminário Nacional sobre Universidade e Meio Ambiente em Cuiabá MT. Anos 90 I Curso Latino-Americano de Especialização em Educação Ambiental, PNUMA/IBAMA/CNPq/CAPES/UFMT CUIABÁ MT, 1990 – 1994. IV Seminário Nacional sobre Universidade e Meio Ambiente, Florianópolis, SC. MEC resolve que todos os currículos nos diversos níveis de ensino deverão contemplar conteúdos de Educação Ambiental, Portaria n.º 678 de 14/05/91. Projeto de Informações sobre Educação Ambiental, IBAMA/MEC. Grupo de Trabalho para Educação Ambiental coordenado pelo MEC, preparatório para a Conferência do Rio 92. Encontro Nacional de Políticas e Metodologias para Educação Ambiental . MEC/ IBAMA/Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República/ UNESCO/ Embaixada do Canadá. Criação dos Núcleos Estaduais de Educação Ambiental do IBAMA, NEAs. Participação das ONGs do Brasil no Fórum de ONGs e na redação do Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis. Destaca-se o papel da Educação Ambiental na construção da Cidadania Ambiental. O MEC promove no CIAC do Rio das Pedras em Jacarepaguá Rio de Janeiro o Workshop sobre Educação Ambiental cujo resultado encontra-se na Carta Brasileira de Educação Ambiental, destacando a necessidade de capacitação de recursos humanos para EA. Uma Proposta Interdisciplinar de Educação Ambiental para Amazônia. IBAMA, Universidades e SEDUC’s da região, publicação de um Documento Metodológico e um de caráter temático com 10 temas ambientais da região, 1992 - 1994. Criação dos Centros de Educação Ambiental do MEC, com a finalidade de criar e difundir metodologias em Educação Ambiental. Aprovação do Programa Nacional de Educação Ambiental , PRONEA, com a participação do MMA/IBAMA/MEC/MCT/MINC. Publicação da Agenda 21 feita por crianças e jovens em português, UNICEF. 3º Fórum de Educação Ambiental. Todos os Projetos Ambientais e/ou de desenvolvimento sustentável devem incluir como componentes atividades de Educação Ambiental. Criação da Câmara Técnica de Educação Ambiental do CONAMA. Novos Parâmetros Curriculares do MEC, nos quais incluem a Educação Ambiental como tema transversal do currículo. Cursos de Capacitação em Educação Ambiental para os técnicos das SEDUC’s e DEMEC’s nos Estados, para orientar a implantação dos Parâmetros Curriculares, convênio UNESCO/MEC. 9 1996 1997 1997 1997 1997 1997 1998 1999 1999 1999 1999 1999 2000 2000 2002 2002 2005 Criação da Comissão Interministerial de EA no MMA. Criação da Comissão de Educação Ambiental do MMA. I Conferência Nacional de Educação Ambiental, em Brasília, ICNEA. Cursos de Educação Ambiental organizados pelo MEC – Coordenação de Educação Ambiental, para as escolas Técnicas e Segunda etapa de capacitação das SEDUC’s e DEMEC’s. Convênio UNESCO/MEC. IV Fórum de Educação Ambiental e I Encontro da Rede de Educadores Ambientais em Vitória. I Teleconferência Nacional de Educação Ambiental, em Brasília, no MEC. Publicação dos materiais surgidos da ICNEA. Criação da Diretoria de Educação Ambiental do MMA Gabinete do Ministro. Aprovada a Lei n.º 9.597/99 que institui a Política Nacional de EA. Programa Nacional de Educação Ambiental (PNEA). Criação dos Movimentos dos Protetores da Vida Carta de Princípios, em Brasília DF. A Coordenação de EA do MEC passa a formar parte da Secretária de Ensino Fundamental – COEA. Seminário de Educação Ambiental organizado pela COEA/ MEC, em Brasília DF. Curso Básico de Educação Ambiental a Distância DEA/ MMA UFSC/ LED/LEA. Lançado o Sistema Brasileiro de Informação sobre Educação Ambiental (SIBEA). Decreto n.º 4.281, de 25 de junho de 2002, que regulamenta a Lei que institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Workshop Internacional sobre ecologia médica, Rio de Janeiro, Julho. Fonte: Sítio do Ministério do Meio Ambiente, adaptado pelo autor. 2.1.3. Fases da conservação ambiental brasileira De acordo com Souza (2000), na primeira metade do século XX a preocupação ambiental é vista como luxo elitista e excentricidade científica, não gozando de qualquer prioridade para pessoas, governo ou ciência. Pouco se conhecia das relações entre o progresso econômico e a degradação ambiental. Só a partir da segunda metade do mesmo século inicia-se a preocupação com as questões ambientais, principalmente pelo advento dos ganhos de produtividade e incorporação dos trabalhadores às classes consumidoras resultante da massificação da produção e do consumo denominado sociedade “fordista”. A forma expressionista baseada na extensivação das atividades e na ocupação de novos espaços produtivos, regente até então, foi gradualmente abandonada. 10 Como conseqüência houve crescimento da urbanização e do consumo, redução das taxas de mortalidade, elevação da expectativa de vida, aumento populacional, concentração espacial das atividades produtivas em função da escala e de economias de aglomeração e urbanização, modernização agrícola e, como subproduto, avolumou-se a poluição. Com a melhoria da qualidade de vida ocorreu a otimização das condições de educacionais, ocasionando uma melhor percepção dos efeitos da degradação ambiental sobre o bem-estar da população e fazendo crescer gradativamente uma consciência ambiental, principalmente nas duas décadas que sucedem a Segunda Guerra Mundial. Conforme a proposta de Souza (2000), o progresso do pensamento ambiental pode ser arbitrariamente dividido em quatro grandes fases seguindo critérios como grau de consciência da população e natureza dos danos ambientais identificados pela opinião pública, governos e movimentos ambientalistas. Estas fases são: I. Primeira Fase – fase seminal Primeira metade do século XX. a) Ênfase: conservação dos recursos e na natureza existencial e estética do meio ambiente. Ø Neste período são formados os movimentos conservacionistas e ecológicos e são lançadas as primeiras idéias sobre as relações homemnatureza; Ø Apenas uma significativamente pequena os parcela efeitos que das a pessoas intensificação comuns das sentia atividades econômicas ocasionavam sobre o ambiente natural; Ø Os problemas ambientais são pensados apenas por uma elite de intelectuais e políticos não sendo uma preocupação generalizada da população, muito menos uma prioridade; 11 Ø Não encontram ambiente econômico social configurado para refletir sobre elas; Ø População voltada aos benefícios lançados pela sociedade “fordista”, consumo em massa e melhoria da qualidade de vida; e Ø Principais preocupações desta fase: extinção de espécies, modificação de paisagens, desmatamento e a deterioração de ambientes naturais com possível destinação ao lazer. II. Segunda Fase – fase da massificação Meados século XX até início dos anos 70. a) Ênfase: a degradação ambiental que começa a afetar o bem-estar das pessoas. Ø Deriva do modelo de crescimento econômico mundial baseado no consumo e produção em massa, denominado “fordismo”, e suas conseqüências ambientais e culturais; Ø Características: concentração industrial, urbanização, crescimento econômico e populacional e o aumento significativo na renda e no consumo; Ø Resultados: degradação ambiental e efeitos negativos no bem-estar das pessoas e na saúde humana de forma generalizada; Ø O problema ambiental deixa de ter uma conotação existencial, ética e intangível, e passa a fazer parte do mundo concreto das pessoas; Ø Percebe-se uma maior profundidade dos efeitos da poluição do ar, água, solo e espaço urbano; Ø Nesta fase a visão ainda é de curto prazo e local, preocupação com o “aqui” e o “agora”; Ø Políticas ambientais incorporam aos seus princípios instrumentos de ação contra as atividades poluidoras e contra a degradação derivada de atividades produtivas em geral; e Ø Paradigma orientador: “Proteção Ambiental”, sentido essencialmente curativo e não preventivo, ameniza efeitos e não ataca as causas. Políticas 12 conhecidas como “de final do tubo” (“end-of-the-pipe”), muito difundida até hoje. III. Terceira Fase – fase da globalização I Início da década de 70 até início da década de 80. a) Ênfase: problema ambiental como limite ao crescimento. Ø Os problemas ambientais emergem como um poderoso fator de restrição do crescimento econômico e de possível inviabilização do modelo vigente de relação das atividades econômicas com o meio ambiente; Ø Primeiras percepções de que degradação ambiental e dos recursos naturais limitam o crescimento econômico (insustentabilidade do modelo de produção em massa e consumismo); Ø Problemas ambientais ascendem para uma dimensão global com fortes implicações sobre o futuro do modelo econômico vigente; Ø Primeiros passos da construção mundial de uma percepção oficial e hegemônica sobre a natureza dos problemas ambientais e sobre as suas implicações na vida do planeta; e Ø O tratamento dos problemas ambientais como parte do planejamento do próprio desenvolvimento, a prevenção ganha espaço sobre a remediação. b) Principais eventos: Ø Conferência de Estocolmo – Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, 1972; Ø Estudos do Clube de Roma, entre 1972 e 1976, “Limites do Crescimento”, “A Humanidade na Encruzilhada” e “Reformando a Ordem Internacional: Um Relatório para o Clube de Roma”; e Ø Relatório do Conselho Ambiental Americano intitulado “Relatório Global 2000 para o Presidente”, coordenado por Gerald Barner, por iniciativa do Presidente americano Jimmy Carter, publicado em 1980. 13 c) Marco dessa fase: Ø Evolução na priorização dos problemas ambientais entendidos agora como problemas globais do desenvolvimento, bem como um crescimento na conscientização de que esses deveriam ser tratados de forma planejada e sistêmica, dentro de um processo internacional de planejamento do desenvolvimento econômico. IV. Quarta Fase – fase da globalização II a) Ênfase: problema ambiental como risco à humanidade. Ø A partir da discussão sobre efeito estufa e sobre destruição da camada de ozônio, passa-se a uma conscientização global de que os problemas ambientais gerados pelo processo de desenvolvimento econômico afetam irremediavelmente o ecossistema terrestre causando riscos a própria sustentabilidade da vida no planeta e começa-se a admitir compatibilidade entre controle da degradação ambiental e desenvolvimento econômico, ou seja, a possibilidade de preservar e crescer simultaneamente; Ø A biodiversidade começa ser vista como um importante fator sistêmico de equilíbrio ecológico dos ecossistemas e como fonte de resistência desses contra alterações adversas no ambiente onde está inserido; Ø A preservação das florestas transcende a sua concepção tradicional para ser vista como um fator importante de conservação da biodiversidade e também para regulação dos sistemas climáticos e hídricos; Ø Elaboração do relatório “Nosso Futuro Comum” ou Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, presidida por Gro Harlem Brundtland, publicado em 1987. O relatório conceitua desenvolvimento sustentável como aquele que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades; Ø Relatório do Banco Mundial de 1992, ou concepção de desenvolvimento sustentável de mercado, preconiza que eliminar a pobreza e proporcionar condições de crescimento econômico aos países menos desenvolvidos é uma das principais estratégias para reduzir os problemas ambientais no 14 mundo (Lôbo Filho, 2003); e Ø “Crescimento Zero” defendido por aqueles que acreditam que o problema está na lógica dos padrões de vida e de consumo modernos, da produção capitalista e de como o capitalismo mundial coopta e explora países periféricos para garantir fluxos de riqueza elevados para países centrais. b) Principais Acordos e Convenções Internacionais sobre meio ambiente: Ø Acordo para a Proteção da Camada de Ozônio: conjunto de acordos que reúnem a Convenção de Viena (1985), Protocolo de Montreal (1987), e a Emenda de Londres (1990). Visa controlar ou banir o consumo de CFCs e substâncias afins; Ø Global Environmental Facility (GEF): objetiva promover o financiamento dos custos adicionais referentes a proteção ambiental (a partir de 1991), administrado pelo Banco Mundial, UNPD e UNEP, sendo considerado na Rio 92 como uma das principais fontes de financiamento dos pontos acordados pela Agenda 21; Ø Convenção da Mudança Climática: objetiva a atenuação e prevenção da mudança climática global por meio de redução das emissões de CO2, com resultados ainda pouco expressivos. A primeira conferência foi em Berlim (1995) e culminou na Conferência de Kyoto (1997) quando surgiu o Protocolo de Kyoto por meio do qual os países desenvolvidos comprometem-se em reduzir em no mínimo 5,0% as emissões de CO2 para o período 2008-2012, em relação aos níveis de 1990; Ø Convenção da Biodiversidade: acordada também na Eco-92, foi uma das responsáveis pela conscientização da importância da diversidade biológica para a manutenção dos sistemas da vida, do equilíbrio ecológico e para a manutenção da capacidade de a natureza absorver e adaptar-se a adversidade; e Ø Conferência do Rio – Eco-92: ápice desta construção teórica acerca do desenvolvimento sustentável e da mundialização da consciência sobre a necessidade de administração dos recursos ambientais. Resoluções aprovadas: 15 • Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento ou Carta da Terra; • Programa 21 ou Agenda 21 contendo 21 pontos a serem seguidos para alcançar o desenvolvimento sustentável; • Declaração Autorizada de Princípios, consenso mundial a respeito da ordenação, conservação e desenvolvimento sustentável das florestas de todo o tipo; e • Acordo de Madri (1995): prorroga por mais 50 anos a proibição de atividades econômicas na Antártida. 2.2. Modelo de desenvolvimento mundial atual e as propostas de conceito de desenvolvimento sustentável O modelo de desenvolvimento mundial, vigente até hoje, vem sendo bastante questionado desde a publicação do livro Primavera Silenciosa de Rachel Carson em 1962. Mas a crítica mais contundente e que ocasionou maior repercussão mundial foi o Relatório Brundtland da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – CMMAD publicado em 1987, quando surgiu a proposta de um modelo de desenvolvimento sustentável: “aquele que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades” (CMMAD,1988). O padrão de desenvolvimento atual tem como matriz energética os combustíveis fósseis não renováveis; da mesma forma se estrutura a agricultura conforme prega a Revolução Verde. Este é um modelo socialmente perverso, concentrador de renda, riqueza, oportunidade, conhecimento, ativos produtivos e poder. As conseqüências são a desintegração comunitária, fragmentação social, piora da qualidade de vida e, por conseqüência, degradação ambiental (Costa Matos, Tsuji e Miranda, 2002, citado por Lôbo Filho, 2003). Os Resultados deste padrão de desenvolvimento são: Ø Nos últimos 30 anos, o PIB do mundo cresceu cerca de 100%, já o 16 percentual da pobreza cresceu 1.000%; Ø Aproximadamente 25 milhões de pessoas tornam-se pobres por ano; Ø Pela primeira vez, desde 1990, o índice de desenvolvimento humano caiu em 30 países; Ø Cerca de 1,3 milhões de pessoas vivem com renda inferior a um dólar por dia; Ø A diferença de renda “per capitã” entre o país mais rico e o mais pobre do mundo é de 140 para 1; Ø No mundo, trezentas e cinqüenta e oito famílias são tão ricas quanto 2,5 bilhões de pessoas juntas, quase a metade da população da terra; e Ø Em cada três brasileiros um é pobre (Banco Mundial, 2004, citado por Lôbo Filho, 2003). Esta realidade causou uma reviravolta na definição de desenvolvimento sustentável. A partir da década de 90 o conceito proposto pelo CMMDA amadureceu e passou a incluir a perspectiva de pressupostos éticos e de solidariedade humana, partindo para o respeito e o comprometimento intragerações, não somente entre gerações (Buarque, 2002). Com a fusão entre a proposta do CMMDA e as considerações de Buarque têmse um conceito mais amplo de desenvolvimento sustentável: “É o desenvolvimento que faz face às necessidades das gerações presentes e sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer as suas próprias necessidades, mas que respeita o pressuposto que o bem estar de uma parcela da geração atual não pode ser construída em detrimento do bem estar de outra parcela desta mesma geração, somando o esforço conjunto da humanidade pela conservação da vida no Planeta Terra”. Este conceito fortalece a concepção de desenvolvimento sustentável de mercado preconizada pelo Banco Mundial que defende como uma das principais estratégias para reduzir os problemas ambientais no mundo a 17 eliminação da pobreza e proporcionar crescimento econômico aos países menos desenvolvidos (Relatório do Banco Mundial, 1992, citado por Lôbo Filho, 2003). O fato é que as alterações ao meio ambiente ocasionam direta ou indiretamente problemas à saúde humana e as principais alterações ao meio ambiente têm como origem o modelo vigente e insustentável de produção e consumo. A alternativa para aliviar a pressão antrópica imposta ao planeta está na mudança da matriz energética, do padrão de consumo mundial e em uma maior distribuição de ativos e de renda para diminuir as diferenças sociais mundiais. Como pano de fundo tem-se a definição e implementação de um modelo sustentável de desenvolvimento. 2.3. Meio ambiente e saúde “Todas as substâncias são venenosas, não há uma que não seja venenosa, a dose certa diferencia o veneno do remédio” – lei básica da toxicologia (Paracelsus 1493-1541, citado por Selinus, 2004). Os trabalhos do grego Hipócrates e outros escritores “helênicos”, do Período Clássico, 2400 anos atrás, apresentam os primeiros indícios que saúde e ambiente estão relacionados e demonstram quão antiga é a idéia. Textos chineses datados do século III a.C. já tratavam desta relação (Selinus, 2004), na mesma época Aristóteles noticiou envenenamento de mineradores por mercúrio (Finkelman, 2001). No século XIII, Marco Pólo relatou a impossibilidade de utilizar cavalos que não fossem nativos quando em viagem pelas regiões montanhosas da China. Os eqüinos europeus, por desconhecimento, se alimentavam de alguns tipos de folhagens e morriam. Atualmente é conhecido o fato que algumas ervas têm um elevado grau de selênio ocasionando envenenamento dos animais que se alimentam delas. Os documentos de Marco Pólo estão entre as mais antigas narrativas do que foi definido recentemente como Geologia Médica (Selinus, 2004). 18 Geologia Médica é a ciência que lida com as relações entre fatores naturais geológicos e a saúde de seres humanos e animais, assim como o entendimento da influência dos fatores ambientais ordinários em uma distribuição geográfica de tais problemas de saúde (Selinus, 2004). Geomedicina é o estudo dos efeitos dos materiais e processos geológicos na saúde de humanos, animais e plantas, com resultados ambíguos, benéficos e perigosos (Finkelman, 2001). De acordo com Cortecci (2002), Geologia Médica ou Geomedicina pode ser definida como a ciência que se ocupa dos fatores ambientais exteriores – principalmente os climáticos que interferem na qualidade ambiental condicionando as composições mineralógicas e químicas dos solos e das águas – que influenciam a distribuição geográfica de problemas patológicos e nutricionais que condicionam a saúde dos homens e animais. A Geomedicina têm sua origem nas observações que sugeriam que algumas doenças ocorriam com maior intensidade em regiões específicas, a partir de estudos científicos de causa-e-efeito entre os fatores ambientais e a saúde foram então confirmadas as suspeitas e originou-se a nova ciência (Cortecci, 2002). Geoquímica: “é o estudo da distribuição de elementos e isótopos nos vários compartimentos orgânicos e inorgânicos do planeta, em superfície e em profundidade, objetivando definir (1) a origem dos elementos químicos nas rochas, sedimentos, solos, águas e vegetação; (2) a idade e ambiente genético de sistemas fósseis; e (3) processos responsáveis pela distribuição dos elementos, quantificando seus efeitos” (Cortecci, 2002). A concentração de “doenças geoquímicas” pode estar relacionada ao grau de desenvolvimento do país. Populações de países em desenvolvimento padecem de uma série de patologias causadas pela maior presença de elementos e produtos químicos tóxicos ou pela escassez de elementos e compostos essenciais. Exemplos destas patologias são fluoração dental e esquelética, 19 aumento da tireóide, podocondise (elefantíase não filárica), entre outros (Cortecci, 2002). Há uma linha de pesquisadores que defende que os fatores ambientais estão profundamente relacionados com as causas de todas as formas de carcinoma. Um elemento que merece destaque é o semimetal denominado arsênio – símbolo As – ao qual são inúmeros os incidentes de contaminação relatados, principalmente por intermédio de água para consumo (Selenius, 2004). Ao arsênio são relacionados conjuntivite, melanose, despigmentação, queratose (feridas), tumores de bexiga, fígado, pulmão e rins (Cortecci, 2002). Porém, o arsênio – ou arsênico – já foi considerado um dos esteios da Matéria Médica muito utilizado em forma de líquido, pó misturado na alimentação (é inodoro e sem gosto), administrado endovenosamente e aplicado como enema para tratamento de diversos males como anorexia, reumatismo, asma, tuberculose, diabetes, diferentes tipos de febre, infecções, entre outros (Azevedo, 2003). Recentemente a OMS reduziu o valor máximo aceitável para arsênio em água potável de 50 ppb para 10 ppb em reconhecimento a sua alta toxidade para o homem. A ingestão de apenas cem miligramas de tri-óxido de arsênico (As2O3) pode ser letal a uma pessoa (Cortecci, 2002). Entre as muitas doenças de origem ambiental que afligem as crianças pode-se citar a acrodinia, também conhecida como “doença rosa”, resultante da exposição crônica ao mercúrio – símbolo Hg – que afeta o sistema nervoso central e periférico ocasionando insônia, esquecimento, perda de apetite, suaves tremores e cujos sintomas podem ser diagnosticados erroneamente como problemas psiquiátricos (Agency for Toxic Substances and Disease Registry, 2002). O caso de contaminação de mercúrio de maior repercussão foi o da cidade 20 japonesa de Minamata contaminada por uma indústria que usou mercúrio como catalisador na produção de acetaldeído e cloreto de vinila, lançando metilmercúrio nos efluentes que atingiam a baía de Minamata, costa sudeste de Kyushu, no total 150 toneladas de mercúrio foram lançadas na referida baía. Como resultado houve a contaminação da cadeia alimentar a partir do plâncton e outros microrganismos chegando aos animais domésticos e ao homem (Azevedo, 2003). A intoxicação resultante foi denominada Doença de Minamata, o mercúrio tem capacidade de ultrapassar as barreiras placentárias e hematencefálica atacando o sistema nervoso central causando dano cerebral crônicos, retardo mental, distúrbios no desenvolvimento, danos hepáticos, hipertensão, e distúrbios metabólicos. A exposição durante o período embrionário e fetal causam ataxia, tremores e convulsões (Azevedo, 2003). Colborn (2002), em uma investigação sobre os interferentes hormonais revisou mais de 5000 artigos, consultando centenas de cientistas ao redor do mundo. “Com atenção científica voltada para o fato que produtos químicos sintéticos estão afetando profundamente o sistema endócrino dos animais selvagens e seres humanos, vários e novos estudos estão sendo realizados e os resultados sendo publicados. Estas publicações têm mostrado que determinados produtos como por exemplo: o Hexaclorobenzeno, Pentaclorofenol, Aldcarb, DDT, Clordane, Benzo-Apireno, Chumbo, Cádmio, e Mercúrio, estes entre outros numa lista de mais de 50 produtos, são comprovados agentes na produção dos Interferentes hormonais, e por sua vez responsáveis por diversos distúrbios na saúde do ser humano, tais como deficiência imunológica, problemas no sistema reprodutivo, comportamento, inteligência, câncer, etc” (Associação de Combate aos POPs - ACP e Associação de Consciência à Prevenção Ocupacional - ACPO, 1999). Interferentes hormonais ou “agentes disruptores hormonais são agentes exógenos que interferem na síntese, reserva/liberação, transporte, metabolismo, ligação, ação ou eliminação de hormônios naturais do organismo responsáveis pela regulação da homeostase e dos processos de desenvolvimento” (Kavlock, 1996, citado por Silva, 1999). “Alguns produtos químicos sintéticos têm a capacidade de interferir no 21 mecanismo de ação dos hormônios, principalmente os esteróides (que regulam o colesterol - hormônios sexuais, adreno-cortical, ácidos biliares etc.) e os da tireóide” (Silva, 1999). Cresce a importância dos recursos hídricos como disseminadores de poluentes, pois, como afirma Maia (2003): “A composição química das águas e as propriedades específicas dos elementos químicos condicionam a biodisponibilidade química para os organismos animais e vegetais e, indiretamente para o homem. Segundo Cortecci (2002), a biodisponibilidade de cátions como Al, Cd, Pb, Hg, é maior em águas ácidas do que em águas básicas. O pH ácido favorece, além da dissolução dos minerais, a manutenção de íons simples em solução, que são mais facilmente absorvíveis pelos organismos do que os íons complexos. Ao contrário dos cátions, os metais em forma aniônica são mais biodisponíveis em meio básico. A dureza da água, essencialmente controlada pelo conteúdo de cálcio e magnésio, também influencia sensivelmente a biodisponibilidade e eventualmente a toxicidade dos elementos químicos. A biodisponibilidade também é aumentada pela formação de complexos de metais com moléculas orgânicas” (Maia, 2003). Segundo Colborn (2002), a discussão da contaminação dos seres vivos por elementos químicos e seus malefícios à saúde iniciam-se na própria fecundação do novo ser, ou seja, na placenta dos mamíferos ou ovos das aves, répteis e peixes. As células, com incrível precisão, se multiplicam e se movimentam formando o embrião composto de membros, cérebro, sistema reprodutivo, órgãos, entre outros, contribuindo para o maior milagre da terra, o despertar de uma nova vida. “Os homens, bem como seu ambiente, quer seja mineral, quer seja vegetal ou animal, são constituídos pelos elementos químicos que estão organizados na Tabela de Mendeleev. Estes elementos químicos constituem a base do ar, dos rios e oceanos e da própria Terra (Atkins, 1996, citado por Maia, 2003). O homem é constituído por 61% de hidrogênio, 25% de oxigênio, 10% de carbono, e 2% de nitrogênio. Total 98%. Os 2% restantes estão divididos entre outros elementos chamados microelementos, oligoelementos ou xenobióticos, tais como cobre, ferro, magnésio, cálcio, selênio, e outros metais e minerais (Steiger, 1998, citado por Maia, 2003), que são importantes para o perfeito funcionamento das funções biológicas humanas. Um desequilíbrio na quantidade destes elementos conduz a desequilíbrios bioquímicos, que se não forem sanados, levarão a desequilíbrios funcionais e em alguns casos a alterações anatômicas, que levarão a manifestação de sintomas de doenças” (Maia, 2003). 22 Desde o momento da concepção o desenvolvimento é orquestrado por mensageiros químicos chamados hormônios, através dos quais as células recebem suas instruções de quando se dividir, para onde se dirigir enquanto o sistema endócrino supervisiona a construção do novo organismo. Somente na última década os cientistas foram capazes de descobrir a medida de concentração de hormônios infinitamente pequena responsável por toda esta engenharia, sendo esta proporção de um décimo de trilhão de uma grama, ou seja, o equivalente esta um segundo em 3169 séculos (Colborn, 2002). Situando a discussão no âmbito nacional, um caso de malefícios à saúde pública causado por contaminação ambiental de grande repercussão foi o “Caso Rhodia” - denominado assim em função do nome da empresa Rhodia S/A, do Grupo Rhonê Poulenc, fabricante de pesticidas organoclorados – entre eles o pentaclorofenol ou pó-da-china – e de solventes clorados como o tetracloreto de carbono e percloroetileno. O processo de fabricação da Rhodia gerava vários tipos de resíduos organoclorados altamente tóxicos. Estas externalidades eram despejadas indiscriminadamente no interior da fábrica a céu aberto. Posteriormente, os resíduos foram espalhados pelos municípios de Cubatão, São Vicente e Itanhaém, deixando um rastro de mais de 80 quilômetros de poluição e contaminação de solo, lençol freático, rios, peixes, legumes, frutas e seres humanos, tudo e todos em um raio de quilômetros (ACP e ACPO, 1999). As principais conseqüências à saúde geradas aos contaminados do “Caso Rhodia”, segundo o trabalho de Augusto (citado por ACP e ACPO, 1999) foram: “Cerca de 76% dos funcionários e ex-funcionários da indústria apresentavam queixas neuropsicológicas dentre as quais as mais comuns eram a cefaléia, fadiga, irritabilidade, e dificuldade de memorização. Destes, 21% apresentavam problemas hepáticos, sendo que dentre estes, esteatose hepática, hepatite crônica e atividades enzimáticas aumentadas (TGO e TGP), dentre outros. As queixas osteomusculares apareceram em 44,7% dos trabalhadores, gastrintestinais em 36%, dermatológicas em 38,8%, imunológicas em 28,2%, respiratórias em 9,4%, cardiovasculares e genito-urinárias em 7,0% e outras diversas em 12,9%. A cloracne afetou próximo de 100% 23 dos trabalhadores da produção do pentaclorofenol - nos familiares dos trabalhadores da produção de solventes clorados, dos poucos casos aprofundados foram verificados que todos foram atingidos pela contaminação, devido as roupas impregnadas de resíduos levada para lavagem em casa” (Augusto, citado por ACP e ACPO, 1999). 2.3.1. Elementos químicos essenciais, não essenciais e elementos traço A matéria é a base de constituição dos corpos dotados ou não de vida. Matéria é tudo que ocupa espaço, que tem massa – quantidade de matéria que uma substância contém – podendo ser gasosa, líquida ou sólida. Os elementos químicos são as unidades básicas da matéria que não podem ser desdobrados em substâncias mais simples por meio de reações químicas comuns (Rocha, 2000). Os seres vivos são constituídos dos elementos contidos em seus alimentos. Todos os elementos químicos têm como origem a natureza, sendo muitos deles essenciais à vida (ferro, zinco, cobre, cromo, selênio, manganês, cálcio, fósforo, magnésio, potássio, sódio, entre outros), e outros não essenciais (níquel, cádmio, chumbo, mercúrio, arsênio, alumínio, entre outros) (Selinus, 2004). Concordando com Paracelsus, Selinus (2004) afirma que mesmo aqueles elementos considerados essenciais, quando em elevada concentração causam efeitos biológicos negativos, levando à inibição das funções biológicas e, eventualmente, à morte. Um elemento é considerado essencial a um organismo quando a redução de exposição a este elemento abaixo de um determinado limite irá reduzir consistentemente uma importante função fisiológica que seja parte integrante de uma estrutura orgânica com função vital para o referido organismo. A comprovação de que um elemento é essencial a uma espécie animal não é uma prova deste ser essencial para outras espécies, porém quanto maior o número de essencialidade comprovada em outras espécies maior a probabilidade que esta função seja essencial para qualquer espécie (Weisell, 1991). 24 Elementos traço são aqueles que se apresentam em pouca quantidade ou abundância natural no planeta Terra (Selinus, 2004). Alguns autores, como Rocha (2000) e Cortecci (2002) caracterizam elementos traço pela sua baixa concentração no corpo humano e não no planeta. Cortecci (2002) considera que de acordo com as necessidades vitais os elementos podem ser divididos em macronutrientes essenciais – cuja necessidade é de ~ 100 mg/dia: Ca, Cl, Mg, P, K, Na, S – e micronutrientes essenciais ou traço – cuja necessidade é de 10 mg/dia: Cr, Co, Cu, F, I, Fe, Mn, Mo, Se, Zn e possivelmente Ni, Si, Sn, V. “O termo elemento-traço tem sido usado para definir metais catiônicos e oxiânions presentes em baixas concentrações (usualmente < 0,1 dag kg1) em solos e plantas, muito embora Al, Fe e Ti, os quais ocorrem em concentrações mais elevadas na litosfera (principalmente em ecossistemas tropicais), também sejam tratados como elementos-traço por alguns autores com por exemplo McBridee e Kabata-Pendias & Pendias” (Guilherme, 2005). Os elementos traço essenciais são considerados mais importantes para a vida que as vitaminas por não poderem ser sintetizados, mas devem atender níveis de concentrações específicas para uma ótima função biológica. Os parâmetros de variação da dosagem dos elementos não essenciais para um organismo podem ser tolerável, tóxico e letal (Cortecci, 2002). No organismo humano são encontrados pelo menos vinte e seis elementos químicos essenciais, dos quais oxigênio, carbono, hidrogênio e nitrogênio constituem aproximadamente 96% da massa corpórea; outros elementos como cálcio, fósforo, potássio, enxofre, sódio, cloro, magnésio, iodo e ferro constituem aproximadamente 3,9% da massa corpórea e os treze elementos restantes – Alumínio, Boro, Cromo, Cobalto, Cloro, Flúor, Manganês, Molibdênio, Selênio, Silício, Estanho, Vanádio, Zinco, entre outros – são elementos traço, encontrados em baixas concentrações e constituindo 0,1% restante (Rocha, 2000). Atualmente os elementos traço não são mais examinados de forma isolada, mas de acordo com sua interação com outros componentes de uma dieta. Existem 25 pesquisas focadas na interação entre elementos traço como a que comprovou a correlação entre o enfraquecimento de absorção de iodo por indivíduos com deficiência de selênio. Outros estudos apontam também a correlação entre elementos traço essenciais e elementos traço potencialmente tóxicos como os estudos que comprovaram o fenômeno de menor absorção de chumbo em dietas ricas em fibras devido aos fito-sais e ácidos (Weisell, 1991). Cádmio, chumbo e mercúrio – considerados metais não essenciais (Azevedo, 2003) – têm destacada importância para essa dissertação devido a conhecida ocorrência de altas concentrações destes elementos em diferentes cadeias alimentares em várias partes do mundo e do potencial tóxico destes elementos aos organismos dos animais quando em níveis elevados de concentração. Destaque ao fato da comprovação – por intensivos estudos da OMS – e recomendação de pequenas ingestões de cádmio, chumbo e mercúrio elementos considerados tóxicos e, por conseqüência não essenciais (Weisell, 1991). Boro, cromo, manganês, níquel, estanho, vanádio, molibdênio, arsênico, lítio, alumínio, estrôncio, césio e silício foram considerados os novos elementos traço e incorporados à lista de elementos essenciais para a dieta humana no final dos anos 80 início dos anos 90 (Weisell, 1991). Podem ser observadas na literatura visões antagônicas em relação aos metais essenciais. Enquanto Azevedo (2003), (Selinus, 2004) e Rocha (2001) indicam o arsênio e o alumínio como metais não essenciais, Weisell (1991) apresenta estes elementos como essenciais à dieta humana desde que em concentrações mínimas. A OMS (1998) apresenta uma proposta alternativa de classificação de elementos traço: a) Elementos traço essenciais: iodo, zinco, selênio, cobre, molibidênio e cromo; 26 b) Elementos traço provavelmente essenciais: manganês, silício, níquel, boro e vanádio; e c) Elementos traço tóxicos, alguns possivelmente com funções essenciais: fluoreto, chumbo, cádmio, mercúrio, arsênico, alumínio, lítio e estanho. “Metais íons ocorrem naturalmente em rochas, solos, gases e águas com formas e concentrações tóxicas ou não. Mesmo em condições naturais as concentrações podem ser extraordinariamente altas e podem causar, ou terem causado, sérios problemas à saúde. Metais são muito importantes à saúde do meio ambiente e para o estudo de doenças humanas (patologias), pelo efeito tóxico potencial que podem causar a um ou mais órgãos. Exposição à metais tóxicos podem ocorrer por três rotas principais: absorção, ingestão e inalação” (Selinus, 2004, traduzido pelo autor). 2.3.2. Biodisponibilidade e geodisponibilidade “Biodisponibilidade é a descrição dos efeitos de qualquer processo, físico-químico ou fisiológico que influencie a fração de um elemento traço ingerido finalmente presente em tecidos nas formas que podem ser usadas para atingir as necessidades funcionais. O uso do termo neste contexto não é confinado ao fenômeno digestivo ou absortivo; os processos que modificam a utilização sistemática de elementos após sua absorção são incluídos” (OMS, 1998). Biodisponibilidade também é definida como o teor efetivamente disponível de uma substância ou elemento para a assimilação por organismos vivos, definida pela forma de ocorrência, mineralogia hospedeira, especiação química, pH e potencial de oxidação das soluções, clima, temperatura, características da biota do ambiente e pela interferência com outros elementos associados (Scarpelli, 2003). A Geodisponibilidade é a porção de um material geológico, seja o conteúdo total de um elemento ou composto, disponibilizado por processos mecânicos, físicos ou biológicos (Cortecci, 2002). A biodisponibilidade dos elementos é absoluta quando o teor máximo daquele elemento em um material geológico pode ser assimilado por um organismo vivo em suas funções vitais (Scarpelli, 2003). 27 2.3.3. Cadeia alimentar, elementos e metais traço A transferência dos elementos ao solo, às plantas, aos animais e aos seres humanos é controlada por fatores geológicos e processos geoquímicos relevantes. De acordo com a composição geológica e geoquímica do solo, há maior ou menor biodisponibilidade de elementos para as plantas e animais. Outro importante vetor de disponibilização de elementos – considerado o mais importante meio de conexão entre a geoquímica das rochas, solo e fisiologia humana – são as águas subterrâneas e superficiais (Cortecci, 2002). Porém, estudos que investigaram e compararam metais em sedimentos, águas e tecidos biológicos demonstram representativas variações da assimilação e acumulação de acordo com a mudança da região em análise (Cortecci, 2002). Habitualmente há um reflexo da composição das rochas do substrato no solo, águas e plantas, assim como em animais silvestres que destas se alimentam e nos seres humanos. Plantas, seres aquáticos, inalação e contato dermal são os principais meios de acesso dos elementos químicos às cadeias alimentares (Scarpelli, 2003). A presença de elementos tóxicos em solo e rochas – de origem geoquímica natural ou de atividade humana incluindo poluição – usualmente influencia a saúde humana de forma indireta por meio da ingestão de alimentos ou de água. Atividades humanas de todos os tipos resultam na redistribuição de metais de sítios onde são quase inofensivos para locais onde estes afetam a saúde dos seres vivos. Esta é uma questão que tem importantes implicações econômicas (Selinus, 2004). As correlações entre meio ambiente e saúde são particularmente importantes para populações muito dependentes do ambiente local para a geração de seus alimentos. Populações que podem adquirir alimentos de origens distintas sofrem menos com este problema (Selinus, 2004). 28 2.3.4. Agroecologia e alimentos orgânicos Agroecologia ou ecologia nas práticas agrícolas ou agricultura de bases ecológicas, definições: ➢ É uma ciência que estabelece as bases para a construção de estilos de agriculturas sustentáveis e de estratégias de desenvolvimento sustentável (Caporal, 2004); e ➢ É um enfoque científico que busca a aplicação dos princípios e conceitos da ecologia no manejo e desenho de agrossistemas sustentáveis. Entende-se por agrossistema a unidade fundamental de estudo na qual os ciclos minerais, as transformações energéticas, os processos biológicos e as relações sócio-econômicas são vistas e analisadas em conjunto (Caporal, 2004). Níveis fundamentais de um processo de transição agroecológico: a) Incremento das eficiências das práticas convencionais para reduzir o uso e o consumo de insumos não sustentáveis (fertilizantes e agrotóxicos de origem fóssil ou petroquímica); b) Substituição de insumos e práticas convencionais por práticas alternativas; e c) Redesenho dos agrossistemas que passam a funcionar com base em novos conjuntos de processos ecológicos. Produto orgânico: “é o resultado de um sistema de produção agrícola que busca manejar de forma equilibrada o solo e demais recursos naturais (água, plantas, animais, insetos, etc.), conservando-os em longo prazo e mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos. Para ofertar ao consumidor alimentos saudáveis e mais nutritivos, o agricultor necessita trabalhar em harmonia com a natureza, recorrendo aos conhecimentos de diversas ciências como a agronomia, ecologia, sociologia, economia e outras. A produção orgânica obedece a normas rígidas de certificação que exigem, além da não utilização de agrotóxicos e drogas venenosas, cuidados elementares com a conservação e preservação de recursos naturais e condições adequadas de trabalho (Associação de Certificação Instituto Biodinâmico – IBD, sítio oficial)”. Nem todo produto agroecológico é orgânico, pois nas fases iniciais do processo 29 de transição agroecológica é aceitável a utilização de insumos não sustentáveis, situação que impede uma certificação orgânica. O produto só é certificado como orgânico após análises laboratoriais que comprovam a inexistência de insumos químicos no produto, como agrotóxicos e fertilizantes entre outras exigências. A Lei Federal n.º 10.831 considera sistema orgânico de produção agropecuária: “Todo aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural, das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não renovável , empregando, sempre, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a prOteção do meio ambiente” (Lei 10.831 de 23/12/2003). O sistema orgânico tem como finalidades: a) Ofertar produtos saudáveis isentos de contaminantes intencionais; b) Preservar a diversidade biológica dos ecossistemas naturais e a recomposição ou incremento da diversidade biológica dos sistemas modificados; c) Incrementar a atividade biológica do solo; d) Promover o uso saudável do solo, da água, e do ar, e reduzir ao mínimo a contaminação resultante das práticas agrícolas; e) Manter e incrementar a fertilidade do solo a longo prazo; f) Reciclar de resíduos de origem orgânica, reduzindo o emprego de recursos não renováveis; g) Basear as práticas em recursos renováveis e em sistemas agrícolas organizados localmente; e h) Incentivar s integração das cadeias produtivas e de consumo de produtos orgânicos e a regionalização da produção e comércio; e i) Manter a integridade orgânica e as qualidades vitais do produto em todas as etapas. 30 2.4. Área degradada e área contaminada, identificação e gerenciamento Área degradada é o espaço delimitado onde ocorrem processos geoquímicos ou antrópicos que alteram as propriedades físico-químicas de um ou mais compartimentos do meio ambiente. Os processos podem ser somente químicos, somente físicos ou simultaneamente físicos e químicos (CETESB, 2001). De acordo com a Lei Federal n.º 6938/81, Art 3º, inciso III, “poluição é a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos”. Áreas contaminadas – tipos particulares de áreas degradadas – são: “áreas, locais ou terrenos onde há comprovadamente poluição ou contaminação, causada por quaisquer substâncias ou resíduos que nela tenham sido depositados, acumulados, armazenados, enterrados ou infiltrados de forma planejada, acidental ou até mesmo natural” (CETESB, 2001). 2.4.1. Identificação e gerenciamento de áreas degradadas A importância da identificação e gerenciamento de áreas degradadas ou contaminadas está no seu potencial deletério à saúde do ambiente, dos animais e dos seres humanos, assim como na possibilidade de expansão da contaminação para outras áreas, sítios e recursos ambientais. Os problemas principais gerados pelas áreas contaminadas são risco à segurança das pessoas, propriedades e infra-estrutura urbana e rural; riscos à saúde pública e dos ecossistemas; restrições ao desenvolvimento urbano; impossibilidade de utilização da colheita da produção agrícola e desvalorização das propriedades (CETESB, 2001). 31 O gerenciamento visa melhor conhecer as características da área e sua contaminação buscando identificar as origens do problema e a extensão dos impactos ocasionados para propiciar instrumentos que levarão ao planejamento e intervenção mais adequados para o controle da situação (CETESB, 2001). A CETESB estabeleceu uma metodologia de gerenciamento que visa otimizar recursos financeiros, tecnológicos e humanos sustentada por uma estratégia constituída por etapas seqüenciais na qual a informação obtida em cada etapa é a base para a execução da etapa posterior. Para fins deste estudo serão destacados da proposta da CETESB os processos iniciais de identificação e de recuperação. A metodologia CETESB (2001) propõe dois processos, o primeiro é o Processo de Identificação de Áreas Contaminadas e segundo é o Processo de Recuperação de Áreas Contaminadas. O Processo de Identificação de Áreas Contaminadas é composto de quatro etapas: a) Definição da região de interesse – quando são definidos os limites da área de estudo e estabelecidos os objetivos principais considerando os bens e áreas a proteger. O solo e a água subterrânea são prioritários por serem bens de alta importância e principais vias de propagação de contaminantes; b) Identificação de áreas potencialmente contaminadas – busca-se identificar áreas, por meio de técnicas de levantamento de dados existentes, investigações, utilizando fotografias aéreas ou feitas por satélite, denúncias ou reclamações. Os dados coletados devem ser tratados e apresentados preferencialmente em base cartográfica com escalas apropriadas; c) Avaliação preliminar – é a elaboração do diagnóstico inicial das áreas potencialmente contaminadas identificadas na etapa anterior; e d) Investigação confirmatória – fase final deste processo que objetiva principalmente confirmar ou não a existência de contaminação, utilizando 32 basicamente a coleta de amostras de solo e/ou águas subterrâneas para análises químicas. Para uma ação ótima o número de amostras deve ser reduzido, mas suficientes para comprovar a contaminação. Em função dos resultados obtidos as áreas serão novamente classificadas ou excluídas do cadastro (CETESB, 2001). Para a identificação é necessário levantar o nível de informações existentes referente a cada uma das áreas em estudo que possibilitarão a classificação destas áreas em: a) Áreas Potencialmente Contaminadas (APs) – são aquelas onde foram ou estão sendo realizadas atividades potencialmente contaminadoras, como manejo de substâncias cujas características físico-químicas, biológicas e toxicológicas podem causar danos e/ou riscos ao meio ambiente ou bens que se deseja proteger; b) Áreas Suspeitas de Contaminação (ASs) – são aquelas onde foram constatados indícios ou vazamentos efetivos que induzam a suspeita de presença de contaminantes no solo, nas águas ou em outros compartimentos de meio ambiente; e c) Áreas Contaminadas (ACs) – são aquelas onde, após as devidas análises, foi comprovada a contaminação e há riscos à segurança das pessoas, dos bens e/ou dos ecossistemas seja no local ou em seus arredores. Para o Processo de Recuperação de Áreas Contaminadas a CETESB (2001) – cujo objetivo principal é a adoção de medidas corretivas que possibilitem recuperar as áreas contaminadas para um uso compatível com metas estabelecidas a serem atingidas após a intervenção de acordo com o princípio da aptidão de uso – são definidas seis etapas: a) Investigação detalhada – objetiva determinar detalhadamente as características da fonte da contaminação e dos meios afetados, as dimensões das áreas ou volumes afetados, os tipos de contaminantes presentes e suas concentrações; b) Avaliação de risco – é a quantificação (baseada em princípios de toxicologia, química, e no conhecimento sobre o comportamento e 33 transporte dos contaminantes) dos riscos gerados pelas áreas contaminadas aos bens a proteger ; c) Investigação para remediação – objetiva selecionar as opções técnicas existentes (ou combinações dessas) possíveis, apropriadas e legalmente permitidas para o caso em análise; d) Projeto de remediação – base técnica para o órgão gerenciador avaliar e autorizar ou não a implantação e operação das remediações propostas; e) Remediação – implementação das medidas visando o saneamento da área e/ou material contaminado de acordo com o projeto de remediação; e f) Monitoramento – acompanhamento contínuo da área para verificar a eficiência da remediação implementada e alcance dos objetivos propostos. O elemento central do Gerenciamento de Áreas Contaminadas (CETESB, 2001) é a composição de um banco de dados onde serão armazenadas todas as informações obtidas que poderão ter inúmeras aplicações por distintas instituições, públicas e privadas, como controle e planejamento ambiental, planejamento urbano, planejamento produtivo, entre outros. A CETESB (2001) sugere como metodologia de constituição do banco de dados a criação do Cadastro de Áreas Contaminadas. As áreas estudadas deverão então ser priorizadas de acordo com critérios que consideram: a) A tipificação da fonte de contaminação (tipo de contaminante, tamanho da fonte, potencial toxicológico, etc.); b) As vias de transporte e propagação da contaminação; e c) A importância dos bens a proteger. Pela característica e objetivos deste trabalho é necessário destacar a utilidade dos resultados obtidos e das etapas a serem consideradas na avaliação de risco do Processo de Recuperação de Áreas Contaminadas (CETESB, 2001). a) Utilidade dos resultados obtidos: I. Determinar a necessidade de remediação em função do uso atual ou 34 proposto da área; II. Embasar o estabelecimento de níveis de remediação aceitáveis para a condição de uso e ocupação do solo no local e imediações; e III. Embasar a seleção das técnicas de remediação que serão empregadas. b) Etapas a serem consideradas: I. Identificação e quantificação dos principais contaminantes nos diversos meios; II. Identificação da população potencialmente atingida pela contaminação; III. Identificação das principais vias de exposição e determinação das concentrações de ingresso dos contaminantes; e IV.Avaliação do risco pela comparação das contaminações de ingresso com dados toxicológicos existentes. Para confirmar se existe ou não contaminação na área de pesquisa economizando tempo e investimentos são utilizados os métodos de “screening” rastreamento, reconhecimento e varredura. São utilizados métodos de campo rápidos, de baixo custo e, geralmente, de modo semiquantitativo que objetivam: a) Confirmar qualitativamente a existência de contaminantes orgânicos e inorgânicos; b) Delimitar a extensão da contaminação; c) Estabelecer a faixa de concentração quantitativa e qualitativamente em que a contaminação se encontra; d) Mapear os pontos de maiores concentrações (“hot spots”); e) Definir a localização de futuras amostragens; e f) Identificar as condições de trabalho, a segurança e possibilidades de contaminação da equipe de campo, principalmente quanto a existência de gases e vapores (CETESB, 2001). Os valores da análise de “screening” são comparados aos valores de referência e caso sejam identificados números que extrapolem os limites de segurança estabelecidos, dá-se continuidade passando para o Processo de Recuperação 35 de Áreas Contaminadas (CETESB, 2001). A pesquisa deve levar em conta duas premissas básicas: a) Ter os objetivos do estudo bem claros; e b) Utilizar ferramentas ou métodos mais apropriados para alcançar tais objetivos. Na fase de análise laboratorial utilizam-se metodologias já consagradas adaptadas para o uso de campo como miniaturizações e simplificações analíticas. Dentre as metodologias laboratoriais de identificação, as mais utilizadas são: cromatografia a gás, cromatografia / espectrometria de massa, sistemas de sensores químicos, espectrometria de fluorescência, amostragem e análise de ar e gases do solo (“soil gas”) e métodos de imunoassay. Obtidos os resultados laboratoriais, é necessário compará-los às tabelas de referência, essas tabelas variam de acordo com as vias de absorção (solohomem – via direta, solo-planta de cultivo e solo-águas subterrâneas) e as aplicabilidades (uso) às quais a área se destina (parque infantil, áreas residências, áreas de lazer ou parques e áreas industriais ou comerciais incluindo agricultura). A absorção solo-planta de cultivo pode ser potencializada de acordo com o uso do solo como agricultura – normalmente áreas de maior escala, utilizadas para cultivo de plantas alimentícias; horticultura – áreas de menores utilizadas para cultivo de plantas alimentícias como jardins e hortas cujo consumo em parte é da planta crua; pastagem – áreas verdes para consumo animal. Os valores identificados pela análise laboratorial determinarão se o uso do solo está compatível com a sua qualidade ou se é necessária à intervenção ou início do processo de recuperação (CETESB, 2001). A CETESB (2001) apresenta tabela de referência com critérios toxicológicos e de exposição para diversos elementos, destacam-se para este estudo as 36 seguintes substâncias arsênico, chumbo, cádmio, cromo, níquel e mercúrio. 2.5. Marco Legal Ø Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (última atualização 05/07/2005): Capítulo VI do Meio Ambiente, Artigo 225 (capitulo específico sobre meio ambiente): Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (Constituição Brasileira, 1988); Nos Artigos 5, 23, 24, 129, 170, 173, 185, 200 e 220 há citação de meio ambiente. Nos Artigos 20, 21, 23, 49 e 231 há citação de recursos hídricos; Ø Lei Federal n.º 6938/81, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Esta Lei, regulamentada pelo Decreto no 99.274/90, alterado pelo Decreto nº 2.120/97 e pelo Decreto nº 3.942/01, criou o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA; Ø Lei Federal n.º 9.433/97, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, e altera o art. 1º da Lei nº 8.001/90, que modificou a Lei nº 7.990/89; Ø Lei Federal n.º 9.605/98 – que trata das sanções penais e administrativas derivadas de lei de crimes ambientais, condutas e atividade lesivas ao meio ambiente, conhecida como Lei dos Crimes Ambientais; Ø Lei Federal n.º 10.831 – que dispõe sobre a agricultura orgânica e dá outras providências; Ø Resolução n.º 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, de 17/03/86, que dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências; 37 Ø Portaria n.º 1.469 do Ministério da Saúde, que aprova a Norma de Qualidade da Água para Consumo Humano e dispõe sobre procedimentos e responsabilidades inerentes ao controle e à vigilância da qualidade da água para consumo humano, estabelece o padrão de potabilidade da água para consumo humano, e dá outras providências; Ø Portaria n.º 518 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, de 25/03/04, que estabelece os procedimentos e responsabilidades relativas ao controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade, e dá outras providências; e Ø Portaria n.º 1, de 07/01/2005, da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, que aprova os Programas de Controle de Resíduos em Carne, Leite e Pescado. Segundo o Departamento de Defesa Animal do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – MAPA, há o controle microbiológico para aves que se destinam a reprodução, mas não uma necessidade mínima de potabilidade da água. O MAPA está estudando estabelecer uma referência para água de consumo de aves e para o cadastramento de unidades comerciais de produção e abate de frangos (MAPA, 2005). 2.5.1. Valores de referência I. Água: Os valores de referência da água para consumo humano foram estabelecidos pela Portaria n.º 518 da ANVISA (2004). É necessário então definir água potável: água para o consumo humano cujos parâmetros microbiológicos, físicos, químicos e radioativos atendam ao padrão de potabilidade e que não ofereça riscos à saúde em toda e qualquer situação, incluindo fontes individuais como poços, minas, nascentes, dentre outras (ANVISA, 2004). 38 Quadro 3: Água padrão de potabilidade para substâncias químicas que representam risco à saúde PARÂMETRO Unidade VMP(1) Antimônio mg/L 0,01 Arsênio mg/L 0,01 Bário mg/L 0,7 Cádmio mg/L 0,01 Cianeto mg/L 0,07 Chumbo mg/L 0,01 Cobre mg/L 2 Cromo mg/L 0,05 Fluoreto(2) mg/L 1,5 Mercúrio mg/L 0 Nitrato (como N) mg/L 10 Nitrito (como N) mg/L 1 Selênio mg/L 0,01 Notas: (1) Valor Máximo Permitido. (2) Os valores recomendados para a concentração de íon fluoreto devem observar à legislação específica vigente relativa à fluoretação da água, em qualquer caso devendo ser respeitado o VMP deste Quadro. Fonte: Portaria n.º 518 da ANVISA (2004) Quadro 4: Água padrão de aceitação para consumo humano PARÂMETRO Alumínio Amônia (como NH ) 3 Cloreto Cor Aparente Dureza Etilbenzeno Ferro Manganês Monoclorobenzeno Sódio Sólidos dissolvidos totais Sulfato Sulfeto de Hidrogênio Surfactantes Tolueno Turbidez Zinco Xileno Unidade mg/L mg/L mg/L uH(2) mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L UT(4) mg/L mg/L VMP(1) 0,2 1,5 250 15 500 0,2 0,3 0,1 0,12 200 1000 250 0,05 0,5 0,17 5 5 0,3 Notas: (1) Valor Máximo Permitido. § 1º Recomenda-se que, no sistema de distribuição, o pH da água seja mantido na faixa de 6,0 a 9,5. § 2º Recomenda-se que o teor máximo de cloro residual livre, em qualquer ponto do sistema de abastecimento, seja de 2,0 mg/L. Fonte: Portaria n.º 518 da ANVISA (2004) A Resolução CONAMA n.º 357 classifica as águas doces, salobras e salinas, de acordo com a qualidade requerida para os seus usos preponderantes, em treze 39 classes de qualidade. O foco deste trabalho está na classe 1 – ao abastecimento para consumo humano, após tratamento simplificado; à proteção das comunidades aquáticas; à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho; à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película e à proteção das comunidades aquáticas em Terras Indígenas. Quadro 5: Água Classe 1 – Teores máximos de substâncias potencialmente prejudiciais PARÂMETROS Clorofila Sólidos dissolvidos totais Alumínio Antimônio Arsênio Bário Berílio Boro Cádmio Chumbo Cianeto Cloreto Cloro residual total (combinado + livre) Cobalto Cobre Cromo Ferro Fluoreto Lítio Manganês Mercúrio Níquel Nitrato Nitrito Prata Selênio VALORES MÁXIMOS 10 μg/L 500 mg/L 0,1 mg/L Al 0,005mg/L Sb 0,01 mg/L As 0,7 mg/L Ba 0,04 mg/L Be 0,5 mg/L B 0,001 mg/L Cd 0,01mg/L Pb 0,005 mg/L CN 250 mg/L Cl 0,01 mg/L Cl 0,05 mg/L Co 0,009 mg/L Cu 0,05 mg/L Cr 0,3 mg/L Fe 1,4 mg/L F 2,5 mg/L Li 0,1 mg/L Mn 0,0002 mg/L Hg 0,025 mg/L Ni 10,0 mg/L N 1,0 mg/L N 0,01 mg/L Ag 0,01 mg/L Se Sulfato SO4 Sulfeto (H2S não dissociado) 250 mg/L SO4 0,002 mg/L S 0,02 mg/L U 0,1 mg/L V 0,18 mg/L Zn Urânio Vanádio Zinco Fonte: Resolução n.º 357 do CONAMA (2005) II. Carnes: O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, regulamentou 40 pela publicação da Portaria n.º01, de 07/01/2005, o Programa de Controle de Resíduos em Carne, Leite e Pescado. Esta é a primeira ação que demonstra a tendência de exigir um maior controle de elementos químicos nos alimentos de origem animal. No quadro 6 estão os limites impostos pela Portaria. Quadro 6: Programa de Controle de Resíduos em Carne Limite Máximo (ug/Kg/L) Grupo Analítico Matriz Bovinos Aves 500 Músculo 1000 Arsênio Fígado 1000 Rim Músculo 500 500 Cádmio Fígado 1000 1000 Metais Pesados Rim 100 100 Músculo 500 500 Chumbo Fígado 500 500 Rim Predadores 1000 Mercúrio Peixe Não predadores 500 Fonte: Portaria n.º 01 do MAPA (2005) III.Solo: No Brasil ainda não há lei de proteção do solo. “O solo foi considerado por muito tempo um receptor ilimitado de substâncias nocivas descartáveis, como o lixo doméstico e os resíduos industriais, com base no suposto poder tampão e potencial de autodepuração, que leva ao saneamento dos impactos criados. Porém essa capacidade, como ficou comprovado posteriormente, foi superestimada e, somente a partir da década de 70, direcionada maior atenção a sua proteção” (CETESB, 2001). Para estabelecer seus parâmetros de controle, a CETESB utilizou como referências as leis de outros países em especial a metodologia utilizada na Holanda e a Lei Federal de Proteção do Solo da Alemanha (que aponta índices e limites de absorção direta de substâncias perigosas em “playgrounds”, áreas residenciais, parques e áreas de lazer e áreas industriais e/ou comerciais) (CETESB, 2001). Os valores de concentração estabelecidos nas listas padrões da CETESB são a única referência até o momento no Brasil e portanto são utilizadas neste trabalho, mas é necessário enfatizar que a biodisponibilidade de elementos químicos depende da composição geológica e geoquímica do solo o que difere 41 de região para região e de estado para estado. Pode-se argumentar que as referenciais do Estado de São Paulo não sejam perfeitamente aplicadas para o Estado de Goiás, porém estes são os únicos parâmetros disponíveis. Quadro 7: Lista Holandesa de valores de qualidade do solo PARÂMETROS VALORES DE ALERTA Arsênio Bário Cádmio Cromo Cobalto Cobre Mercúrio Chumbo Molibidênio Níquel Zinco VALORES DE INTERVENÇÃO 42,00 413,00 6,40 240,00 130,00 113,00 5,20 308,00 105,00 123,00 430,00 55,00 625,00 12,00 380,00 240,00 190,00 10,00 530,00 200,00 210,00 720,00 Concentração em peso seco (mg.kg-1) Valores referenciais para solo, considerando-se um teor de argila de 25,0% e de matéria orgânica de 10,0% Fonte: CETESB 2001 Há uma tabela complementar da Associação de Certificação Instituto Biodinâmico - IBD (uma empresa brasileira sem fins lucrativos, que desenvolve atividades de inspeção e certificação agropecuária, de processamento e de produtos extrativistas, orgânicos e biodinâmicos) credenciado pelo “International Federation of Organic Agriculture Movements” – IFOAM, pelo ISO 65 da Alemanha e acreditado pelo “United States Department of Agriculture” – USDA. O IBD em sua publicação “Diretrizes para o Padrão de Qualidade Orgânico Instituto Biodinâmico” apresenta um quadro de concentrações máximas de metais pesados no composto e no solo. Quadro 8: Concentrações máximas de metais pesados no solo (mg/Kg) PARÂMETROS VALORES MÁXIMOS Cádmio Cobre Níquel Chumbo Zinco Mercúrio Cromo (VI) Cromo (total) 1,5 60 25 100 200 1,0 0 100 Fonte: IBD 2004 42 3. Delimitação e caracterização da área geográfica e do público alvo em estudo Este estudo foi desenvolvido nas imediações da cidade de Silvânia em uma área delimitada pela presença de propriedades de agricultores familiares associados à Central de Associações de Pequenos Produtores Rurais de Silvânia – CENTRAL. Os agricultores que tiveram suas fazendas estudadas foram selecionados pela própria CENTRAL seguindo como principal critério a participação no núcleo produtivo que esta se voltando para a implantação de um pólo de alimentos agroecológicos com certificação orgânica. Figura 2: Mapa de Goiás, destaque em verde para os municípios de Silvânia (S), Leopoldo de Bulhões, Gameleira e Vianópolis onde se concentram os produtores associados à CENTRAL S Elaborado pelo autor a partir de mapas do Governo do Estado de Goiás 3.1. Aspectos Geológicos No estudo da CPRM – Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, denominado Programa de Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil na Folha SE.22-X-B-V Leopoldo de Bulhões (Oliveira, 1994), escala 1:100.000, a área nas proximidades da cidade de Silvânia está representada principalmente por litologias da unidade metavulcanosedimentar, envolvendo a unidade 43 metavulcânica constituída por anfibolitos, metaandesitos e granada anfibolito. Ocorre também nas proximidades da cidade parte da unidade metasedimentar mista constituída por quartzo-mica xistos granadíferos, cianita-quartzo- estaurolitas-cloritas-granada-moscovita xistos. Associam-se a esta litologia grafita xistos, clorita-quartzo xistos e lentes de anfibolitos (Oliveira, 1994). Na região oeste da cidade ocorre um Complexo Granulítico Anápolis-Utauçu constituído principalmente por granulitos paraderivados: gnaisses sílicoaluminozos constituído por quartzo, granada, biotita-silimanita-granada gnaisses e cianita-granada gnaisses (Oliveira, 1994). 44 4. Objetivos 4.1. Objetivo geral: Ø Verificar as condições ambientais do solo e dos recursos hídricos da área produtiva localizada nas imediações da cidade de Silvânia e identificar qual a possível influência destas condições auferidas na implantação de um pólo de produção de alimentos agroecológicos com certificação orgânica. 4.2. Objetivos específicos: Ø Identificar qualitativamente a existência de contaminação por agentes químicos na bacia hidrográfica da região (especialmente metais pesados) utilizando a análise multielementar em amostras de água e sedimentos de corrente; Ø Delimitar a extensão da contaminação, estabelecer a faixa de concentração quantitativa e qualitativamente em que a contaminação se encontra, mapear os pontos de maior concentrações “hot spots” destes elementos químicos; Ø Repassar estas informações à comunidade como base para um projeto de desenvolvimento sustentável que compreenda as vertentes de proteção ambiental, crescimento econômico e equidade social, ponto de partida para o entendimento da complexidade e interatividade dos assuntos ambientais e como esses afetam diretamente várias vertentes do cotidiano de uma comunidade como a saúde e a economia – competitividade na produção de alimentos; Ø Avaliar a aplicabilidade das ferramentas de gerenciamento de áreas contaminadas e geomedicina na avaliação para implantação de pólos de produção de alimentos orgânicos. 45 5. Materiais e Métodos O ponto de partida deste trabalho foi o estudo da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – CPRM, denominado Programa de Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil – PLGB, que vem sendo executado desde 1985, os quais foram divididos em folhas, entre elas a Folha SE.22-X-B-V (Leopoldo de Bulhões) que foi elaborada pela CPRM – Superintendência Regional de Goiânia, concluída em maio de 1992 (Andrade, 1994). A equipe da CPRM continuou os estudos e Andrade (1994) realizou coleta de sedimentos de corrente no entorno de Leopoldo de Bulhões, cujas amostras foram analisadas por Espectrografia de Emissão. Araújo (2003) utilizou os resultados brutos das análises de Andrade e, por meio de uma matriz de correlação elaborada a partir do “software” denominado OASIS 5.1.8 – Módulo Chimera, verificou uma correlação entre R:Co-Sc = 0,68, R:Sc-Cr = 0,79 e RYLa=0,68. Nos levantamentos de Araújo (2003) ficou identificado que além dos elementos descritos acima, Fe (Ferro), Ni (Níquel), V (Vanádio) e Pb (Chumbo) mostraram correlações mais fracas, porém significantes. Araújo (2003) então selecionou três elementos Co (Cobalto), Cr (Cromo) e Pb (Chumbo) tendo como parâmetro concentração e importância. Para cada elemento foi elaborado um mapa de distribuição de sedimentos de corrente (Figuras 9, 10 e 11), estes mapas justificaram o adensamento da amostragem na área com o objetivo de localizar fontes anômalas, sejam elas naturais ou antrópicas. A área de estudo desta dissertação foi delimitada em apenas três dos quarenta e nove quadrantes que constam na Folha Leopoldo de Bulhões entre as coordenadas (UTM): 8160000 – 8144000 e 752000 – 760000 (Figuras 2, 3, 4 e 5). 46 Fazendo um paralelo entre as atividades desenvolvidas e a metodologia proposta pela CETESB (2001), até esta fase três das quatro etapas do Processo de Identificação de Áreas Contaminadas (definição da região de interesse, identificação das áreas potencialmente contaminadas e avaliação preliminar) foram cumpridas. A decisão de adensar as amostras e prosseguir com as análises laboratoriais significa a classificação da área como Área Suspeita de Contaminação e a necessidade de realizar uma investigação confirmatória. 5.1. Estabelecimentos dos pontos de coleta de amostras Inicialmente foi elaborado com auxílio de técnicos da Secretaria do Meio Ambiente de Goiás um mapa planialtimétrico georeferenciado da região ilustrado com imagens de satélites em escala 1/100.000. Nesse foram identificados: a) Os principais mananciais da região; b) Os limites territoriais dos municípios; c) A localização das áreas urbanas dos municípios; d) A malha rodoviária da região; e) Os pontos de coleta das análises efetuadas por Andrade (1994) (in Oliveira, 1994); f) As propriedades de um grupo de vinte pequenos produtores, membros da CENTRAL que estão envolvidos no projeto de criação de alimentos agroecológicos com certificação orgânica; g) O local destinado a uma agroindústria de alimentos agroecológicos com certificação orgânica (em fase de construção). Os pontos de coleta utilizados por Andrade (1994) foram incluídos no mapa a partir das informações de localização fornecidas pelo autor. Para a identificação das coordenadas das propriedades dos produtores e da área da futura agroindústria foi necessária uma primeira campanha com um equipamento denominada GPS – Posicionamento Global por Satélite – disponibilizado pela Agência Goiana de Obras Públicas, AGETOP. Cada ponto foi visitado e suas coordenadas registradas. 47 A pré-seleção dos produtores ficou a cargo da CENTRAL e teve como critério a escolha daqueles produtores que estavam ativos na produção de frangos caipiras, assim como o comprometimento do produtor com o projeto de implantação da cadeia produtiva de alimentos agroecológicos com certificação orgânica. Foi elaborado um novo mapa utilizado para definir – em conjunto com o orientador Professor Doutor Eric Araújo – os pontos onde seriam efetuadas as coletas de amostras. Os critérios de seleção dos pontos foram: a) Proximidade com as coletas feitas por Andrade (1994); b) Proximidade com as propriedades dos produtores identificados; c) Proximidade dos pontos de captação de água da SANEAGO; d) Importância do manancial na bacia hídrica da região. 5.2. Identificação dos pontos onde foram realizadas as coletas de amostras As amostras foram identificadas utilizando códigos de identificação, coordenadas, horário da coleta e denominação do local onde se procederam as coletas. No laboratório para cada código de identificação foi atribuído um ponto (ver exemplo na Quadro 9). Quadro 9: Identificação e Informações sobre os locais de coleta de amostras de água Amostra Identificação Ponto 1 Ponto 2 Ponto 3 Ponto 5 Ponto 6 Ponto 7 Ponto 8 Ponto 9 Ponto 10 Ponto 11 Ponto 12 Ponto 13 Ponto 1 ES-001 ES-01 ES-02 HMS-020 HMS-19 ES-103 HMS-001 HMS-002 HMS-006A HMS-006B HMS-007 HMS-008 HMS-03 Coordenadas UTH Longitude Latitude 751471 8133270 752632 8134127 748930 8138191 747665 8145737 747590 8145690 755952 757890 762608 762968 761196 760560 760747 8145396 8143945 8165203 8165072 8163610 8164220 8152842 Hora Denominação Local 10:43:16 11:08:25 11:38:31 12:42:37 12:55:33 13:23:21 15:25:23 15:50:38 17:07:36 17:21:03 17:48:14 18:11:28 13:51:04 Faz Dourival Batista Córrego Rio dos Bois Córrego Caídor Córrego Variado 48 Córrego Capão Chato Córrego Funil Córrego Marimbondo Córrego Tijuqueiro Córrego Caixão Córrego Guarirobal Ponto 2 HMS-04 759000 8153000 12:36:11 Afluente do Córr. Gameleira Ponto 3 HMS-004A 760403 8153059 13:02:37 Córrego Gameleira Ponto 4 Ponto 5 Ponto 6 Ponto 7 Ponto 8 Ponto 9 Ponto 10 HMS-005 HMS 009 HMS-10 HMS-11 HMS-12 HMS-13 HMS-14 762416 755910 754438 754479 750599 750599 755940 8158773 8156673 8156755 8156747 8158611 8158611 8158209 9:03:17 10:44:17 16:24:48 16:45:54 17:24:47 17:41:20 11:43:34 Ponto 11 HMS-15 751300 815900 18:16:09 Ponto 12 Ponto 13 Ponto 14 HMS-16 HMS-17 HMS-18 Ana Maria Batista Luciano Silva Abatedouro Rio Vermelho Albina Lemes 757333 756573 755237 8158898 8156060 8159103 12:48:34 11:24:32 15:34:32 Córrego Lameira Córrego Lava-pés Afluente do Rib. Vermelho (margem direita) Afluente do Rib. Vermelho (margem direita) Córrego Paiva Ribeirão Vermelho (reserva Ibama) Córrego das Cobras Afluente do Rib. Vermelho (margem esquerda Reserva Ibama) Afluente Rib. Vermelho (margem esquerda) Afluente Láva-pés Afluente do Rib. Vermelho (margem esquerda) 750331 8165290 14:06:07 Água de poço – Cisterna 755509 8153924 17:04:41 Mina de Água 755287 8157794 14:06:07 Ribeirão Vermelho perto da cidade 751113 8169455 16:09:00 Córrego Ponto 15 Ponto 16 Ponto 17 Ponto 18 Elaborada pelo autor. Os pontos selecionados e os respectivos locais onde foram coletadas as amostras estão identificados no Mapa de Amostragem (Figura 1). 5.3. Adensamento das análises ou investigação comprobatória O adensamento das análises, que buscou confirmar a existência de contaminação utilizando métodos de “screening” – rastreamento, reconhecimento e varredura. Para tanto aconteceram duas campanhas de campo. O objetivo foi coletar amostras de água, sedimentos de corrente e solo para identificar elementos sólidos e estabelecer correlações estatísticas das concentrações de 24 elementos químicos (Ag, Al, As, B, Ba, Be, Ca, Cd, Co, Cr, Cu, Fe, Hg, K, Li, Mg, Mn, Na, Ni, Pb, Se, Sn, Sr, Te e Zn) e a partir destas correlações elaborar mapas contendo os pontos com as maiores concentrações – “hot spots”. Os trabalhos de campo foram realizados nos meses de maio e junho de 2004, contando com técnicos da Universidade Católica de Brasília – UCB, do CPRM, da Agência Goiana de Desenvolvimento representantes da CENTRAL. 49 Regional – AGDR, e com Para a coleta de água (corrente e de consumo) foram utilizados dois tipos de recipientes, um para análise que buscava identificar os ânions e o outro para a análise de cátions. Os do primeiro tipo eram frascos de coloração turva que impediam a penetração de luz, com capacidade para um litro e contendo 5mL de ácido nítrico. Os do segundo tipo eram também frascos de coloração turva que impediam a penetração de luz, com capacidade para um litro, porém secos e sem adição de qualquer outro elemento. Utilizando luvas de borracha, os vidros foram manipulados e as coletas efetuadas seguindo as técnicas recomendadas de acordo com os padrões da UCB. Não foi feito qualquer processo de filtragem durante a coleta de água. Para a coleta de amostras de sedimentos de corrente foram utilizados recipientes plásticos devidamente preparados e higienizados pela UCB para evitar qualquer possibilidade de contaminação da amostra. As amostras de solo foram coletadas nos quintais das propriedades (perfurações máximas de cinco centímetros feitas com espátula) e armazenadas em sacos plásticos. Todo o material coletado foi encaminhado aos laboratórios da Universidade Católica de Brasília para análise e identificação das concentrações dos elementos químicos já descritos, assim como de nitrogênio amoniacal, nitrato, nitrito, sulfato, cloreto e fluoreto. Os resultados são apresentados neste estudo. Posteriormente, foram elaboradas as correlações estatísticas das concentrações destes elementos, novamente utilizando o “software” OASIS 5.1.8 – Módulo Chimera – e produzidos os mapas de concentrações dos elementos que apresentaram correlação entre si. Por último foi a comparação interpretação dos resultados das análises com as 50 lista padrões das instituições públicas e privadas pertinentes. 5.4. Análises 5.4.1. Processos de digestão a) Amostras de Água Mediu-se o volume coletado da amostra (a amostra estava acidificada com 5mL de ácido nítrico) e transferiu-se o mesmo para um béquer de 1L. Em seguida efetuou-se a pré-concentração que consiste em colocar a amostra em uma chapa aquecedora até que seu volume seja reduzido para 50 mL sem que a mesma entre em ebulição. Posteriormente este volume foi transferido para um erlenmayer de 125mL, adicionou-se a mesma 5mL de ácido nítrico e colocou-se na chapa aquecedora para digestão completa de toda a matéria orgânica encontrada. Quando esta entrava em processo de fervura adicionava-se 10mL de peróxido de hidrogênio, em seguida avolumou-se para 50mL com auxilio de um balão volumétrico e transferiu-se para frascos âmbar e conservou-se as amostras em geladeira até o momento da quantificação dos metais. b) Amostras de solo e sedimento Secagem: colocou-se a amostra bem espalhada e identificada para secar em sacos plásticos com auxilio de uma lâmpada, por dois ou três dias. Homogeneização: após a secagem, foram retiradas das amostras pedaços de madeira, pedras e materiais não pertencentes ao solo. Em seguida com auxílio de um almofariz e um pistilo efetuou-se a homogeneização das amostras afim de que estas virem um pó bem fino. Acondicionou-se em sacos plásticos identificados. 51 Digestão: pesou-se 1g da amostras em tubo do bloco digestor e adicionou-se 5mL de ácido nítrico e 15mL de ácido clorídrico. Colocou-se no bloco digestor e efetuou-se a rampa de aquecimento de acordo com a descrição abaixo. Posteriormente avolumou-se para 50mL e acondicionou-se em frascos âmbar. Temperatura (°C) 30 50 100 120 Tempo (minuto) 30 40 60 30 5.4.2. Processo de análise Foram realizadas análises multielementares dos elementos químicos nas amostras de água e sedimento de corrente através de ICP-OES - Inductively Coupled Plasma-Optical Emission Spectrometers (Espectroscopia de Plasma e Ótico Acoplado), determinando os níveis de contaminação indesejáveis nos recursos hídricos da região foco. 5.4.3. Tratamento Estatístico O tratamento estatístico foi elaborado utilizando o “software” OASIS 5.1.8 módulo Chimera da Geosoft. Com os resultados das análises laboratoriais foram elaboradas quatro planilhas – uma para sedimentos de corrente, uma para solo, uma para água corrente e uma para água de consumo – parametrizadas de acordo com as necessidades do programa OASIS. Os dados contidos nestas planilhas foram importados para o programa OASIS. Então foi realizado o tratamento estatístico para obtenção dos parâmetros para cada elemento químico (média aritmética, desvio-padrão e valores anômalos de 1a, 2a e 3a ordem) e para a construção das matrizes de correlação desses elementos. 52 A partir das matrizes de correlação foram identificadas as associações geoquímicas (afinidades entre elementos) que definiram a confecção dos mapas de distribuição dos elementos selecionados. Para melhor visualização os mapas têm a forma de figuras que indicam, de acordo com uma variação de cores, a concentração e distribuição de cada elemento na área geográfica em estudo. 53 6. Resultados da pesquisa 6.1. Sedimentos de corrente Quadro 10: Resultados das análises dos sedimentos de corrente Identificação Ag Al As ES-01 ND 39315.09 ES-02 ND 58341.35 HMS-19 ND HMS-001 HMS-002 B Ba Be Ca Cd Co Cr ND ND 26.81 0.65 216.52 0.00 4.62 75.00 ND 0.07 24.43 0.58 52.45 0.00 0.00 92.28 41860.07 ND ND 37.27 0.60 49.12 0.00 0.00 193.54 ND 44399.81 ND ND 35.26 0.33 ND 0.00 0.00 146.15 ND 78580.67 ND ND 51.69 0.19 13.59 0.00 0.00 101.40 HMS-006 A ND 62884.23 81.71 0.07 29.41 0.17 105.03 0.00 0.00 9.55 HMS-006 B ND 25261.08 79.47 ND 18.71 0.25 124.73 0.00 0.00 9.52 HMS-007 HMS-008 ND ND 9294.75 24427.08 ND 76.88 0.22 ND 8.66 ND 0.33 0.22 85.58 45.40 0.00 0.00 0.00 0.00 80.54 7.80 HMS-03 ND 29495.23 ND 1.26 ND 0.61 480.76 ND 0.17 54.84 HMS-04 ND 79829.79 ND 0.56 128.08 1.31 1263.44 0.05 1.13 60.51 HMS-004 A ND 13827.61 ND ND ND 0.21 282.43 ND 3.49 44.68 HMS-005 ND 42823.03 ND 0.39 ND 0.35 422.77 0.07 ND 82.47 HMS-09 ND 43963.57 ND 0.69 48.05 0.95 2251.36 0.19 1.16 128.49 HMS-10 ND 29786.44 ND 0.04 ND 0.57 423.35 0.08 0.63 133.59 HMS-11 ND 33525.27 ND 0.21 2.22 0.71 445.44 0.27 ND 459.22 HMS-12 ND 11037.98 1.38 ND ND 0.17 213.56 ND ND 85.15 HMS-13 ND 14703.63 ND ND ND 0.25 206.38 ND ND 149.44 HMS-14 ND 67519.14 ND 0.71 ND 0.73 1000.33 0.62 10.86 775.12 HMS-15 ND 17870.76 ND 1.58 ND 0.28 282.64 0.07 ND 225.61 HMS-16 ND 36951.71 ND 0.24 10.64 0.77 473.67 0.03 ND 27.26 HMS-17 ND 29306.91 ND 0.11 ND 0.39 205.12 0.04 ND 63.25 HMS-18 ND 74824.77 190177.1 6 131358.9 1 10498.41 ND ND ND 0.63 661.52 0.02 1.14 275.39 ND 1.66 ND 0.23 1949.04 0.23 ND 172.32 ND 0.60 27.54 2.29 719.23 0.09 4.30 197.02 ND ND ND 0.22 255.61 ND ND 12.54 Luciano Silva Rio Vermelho – Abatedouro Albina Leme ND ND ND Elaborado pelo autor Quadro 11: Resultados das análises dos sedimentos de corrente Identificação Cu Fe Hg K Li Mg Mn Na Ni Pb ES-01 24.57 40265.53 40.09 577.98 3.64 141.48 301.20 49.49 15.80 11.53 ES-02 19.76 36685.96 57.52 161.36 2.62 39.19 211.55 23.20 31.71 14.14 HMS-19 23.65 49856.97 85.14 82.41 1.53 41.00 455.49 28.28 24.12 16.08 HMS-001 25.81 34656.03 86.95 24.59 0.73 8.52 227.08 8.76 10.32 17.07 HMS-002 15.69 49347.32 96.66 93.59 0.84 12.45 266.17 13.68 9.53 10.22 HMS-006 A 2.20 7616.40 30.60 535.57 3.97 154.00 63.04 ND 2.01 7.18 HMS-006 B 0.96 6051.34 2.85 527.01 2.24 418.63 73.72 ND 2.00 8.02 HMS-007 16.34 53645.63 115.32 593.01 2.11 477.73 166.80 ND 3.60 13.57 HMS-008 1.44 6933.07 30.02 601.40 2.98 562.83 54.62 ND 1.98 2.56 HMS-03 8.37 21249.18 8.86 386.90 3.55 261.11 295.79 439.70 6.90 16.69 54 HMS-04 17.25 45981.52 52.66 2627.04 12.57 2766.56 619.40 661.54 19.23 13.82 HMS-004 A 3.09 19478.24 ND 330.04 1.34 406.39 1103.77 382.95 5.51 4.28 HMS-005 3.82 49203.10 40.29 195.35 2.39 206.60 452.18 431.86 4.79 9.01 HMS-09 34.28 68832.42 94.23 1406.06 7.06 1736.80 1381.73 515.51 23.60 22.03 HMS-10 28.70 69187.83 115.59 747.88 3.86 934.45 810.38 394.68 17.90 18.09 HMS-11 58.76 135869.86 210.50 120.56 0.72 251.94 1413.28 369.99 17.45 33.11 HMS-12 5.13 48933.78 17.94 393.63 1.31 465.18 206.53 440.60 5.73 12.40 HMS-13 6.02 54688.76 55.36 152.53 0.91 285.88 510.66 292.78 8.97 17.63 HMS-14 63.50 106187.10 238.10 200.73 7.01 570.89 2351.47 425.09 36.62 23.82 HMS-15 14.55 29464.03 81.14 196.27 0.83 235.27 561.85 327.86 12.24 10.96 HMS-16 11.09 83797.92 145.98 1068.68 13.10 937.73 229.62 522.11 6.19 11.62 HMS-17 6.17 36813.62 66.49 348.90 3.34 297.60 161.40 301.83 5.77 10.50 HMS-18 50.61 58549.67 223.41 225.96 4.74 384.33 886.63 396.88 29.67 17.50 Luciano Silva Rio Vermelho – Abatedouro Albina Leme 49.58 183632.84 313.61 379.14 2.84 366.19 666.64 544.93 19.64 27.72 75.62 59628.95 260.40 455.19 7.63 816.07 873.89 521.49 65.60 26.11 1.62 10852.97 27.18 436.02 2.45 430.95 56.60 279.42 2.16 3.86 Elaborado pelo autor Quadro 12: Resultados das análises dos sedimentos de corrente Identificação Se Sn Sr ES-01 ND 4.02 ES-02 ND 5.31 HMS-19 ND HMS-001 Te Zn 6.68 9.65 37.32 5.24 11.34 29.70 34.52 3.43 14.18 41.87 ND 29.56 1.97 11.43 28.56 HMS-002 ND 0.00 1.97 12.35 22.45 HMS-006 A ND 5.29 5.52 2.27 10.48 HMS-006 B ND 1.67 4.17 0.9 10.51 HMS-007 HMS-008 ND ND 1.86 3.30 4.46 2.22 12.56 1.92 28.07 9.64 HMS-03 ND 7.59 6.96 5.14 19.73 HMS-04 ND 3.79 18.02 8.92 73.74 HMS-004 A ND ND 2.20 2.82 12.41 HMS-005 ND 5.14 5.19 9.89 15.95 HMS-09 ND 27.24 10.80 16.46 89.74 HMS-10 ND 5.08 3.65 16.45 50.33 HMS-11 ND 8.52 4.68 37.87 69.64 HMS-12 ND 65.65 1.35 13.62 18.18 HMS-13 ND 30.77 1.45 16.52 22.84 HMS-14 ND 32.01 9.27 29.03 69.22 HMS-15 ND 16.18 2.07 11.65 27.83 HMS-16 ND 5.13 5.39 4.93 32.11 HMS-17 ND 5.26 2.11 4.98 14.87 HMS-18 ND 6.64 5.50 25.16 66.98 Luciano Silva Rio Vermelho – Abatedouro Albina Leme ND 66.24 22.46 22.86 44.60 ND 40.08 14.68 20.86 78.84 ND 1.25 3.19 1.94 8.79 Elaborado pelo autor 55 6.1.1. Matriz de correlação de amostras de sedimentos de corrente Figura 3: Matriz de correlação das amostras de sedimentos de corrente Elaborado pelo autor 6.1.2. Correlações de elementos nas amostras de sedimentos de corrente a) Correlações muito fortes: Ø R: Cd-Mn = 0,91; R: Cu-Hg = 0,88; R: K-Mg = 0,95 e R: Te-Pb = 0,89. b) Correlações fortes: Ø R: Cd-Co = 0,86; R: Cd-Cr = 0,88; R: Cu-Ni = 0,85; R: Cu-Pb = 0,86; R: Cu-Te = 0,85; R: Cu-Zn = 0,83. 56 6.1.3. Mapas de Concentração e Distribuição De acordo com as correlações muito fortes e fortes, os seguintes elementos foram selecionados para elaboração dos Mapas de Concentração Distribuição: Ø Cd, Mn, Cu, Hg, K, Mg, Te, Pb, Co, Cr, Ni e Zn. Figura 4: Mapas de Concentração e Distribuição dos elementos Cd, Mn, Cu, Hg, K, Mg, Te, Pb, Co, Cr, Ni e Zn 57 e 58 Elaborado pelo autor 6.2. Água Corrente Quadro 13: Resultados das análises de água Identificação ES-01 ES-02 HMS-19 HMS-001 HMS-002 HMS-006 A HMS-006B HMS-007 HMS-008 HMS-03 HMS-04 HMS-004 A HMS-005 HMS-09 HMS-10 HMS-11 HMS-12 HMS-13 HMS-14 HMS-15 HMS-16 HMS-17 HMS-18 Luciano Silva Rio Vermelho – Abatedouro Albina Leme Ag ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND 0.0008 ND Identificação Cu ES-01 ES-02 HMS-19 HMS-001 0.0001 0.0010 0.0023 0.0009 Al 0.0868 1.6987 2.6711 1.6404 1.3497 0.6940 0.4675 0.1255 1.3442 0.7105 0.0077 0.7461 0.8935 0.5298 0.1657 0.4246 0.4665 1.4481 0.0917 0.7825 0.0916 0.5930 0.0649 0.0115 As B Ba 0.0018 0.0468 0.0153 0.0271 0.0345 0.0091 0.0157 0.0409 0.0117 0.0092 0.4290 0.0064 0.0260 0.5475 0.0074 0.0198 0.1766 0.0257 0.0169 0.1376 0.0274 0.0209 0.2798 0.0310 0.0154 0.0912 0.0266 0.0155 2.3783 0.0131 0.0061 0.1108 0.0161 0.0180 2.1597 0.0171 0.0240 3.9317 0.0269 0.0175 1.9999 0.0271 0.0097 1.5502 0.0189 0.0119 1.0129 0.0129 0.0040 6.8760 0.0191 0.0230 2.1906 0.0180 0.0034 0.1390 0.0075 0.0035 0.0353 0.0150 0.0147 0.0772 0.0428 0.0071 3.0843 0.0109 0.0089 5.4947 0.0076 0.0018 0.1395 0.0176 ND 0.4357 0.0010 ND 0.1773 0.0004 Ca 2.1934 1.0256 1.0923 0.6273 0.9758 3.1690 4.3376 6.0744 3.4579 1.5868 2.7981 2.1061 3.0723 2.6278 2.1769 1.9572 1.6567 1.2610 2.9114 1.6813 2.8542 1.5171 3.0388 9.8451 Cd 0.0000 0.0001 0.0001 0.0000 0.0001 0.0000 0.0001 0.0001 0.0001 0.0001 0.0001 0.0000 0.0000 0.0003 0.0000 0.0000 0.0001 0.0001 0.0000 0.0001 0.0000 0.0000 0.0000 0.0001 0.0171 0.0000 1.7822 0.0000 ND 0.0025 0.1147 0.0188 0.0000 2.2869 Elaborado pelo autor 0.0001 ND 0.0003 Na Ni Pb 0.0468 Be ND 0.0000 0.0000 0.0000 ND 0.0000 0.0000 ND 0.0000 0.0000 ND ND ND 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 0.0000 ND ND 0.0000 0.0000 ND 0.0000 Co Cr 0.0002 0.0003 ND 0.0026 0.0000 0.0055 ND 0.0025 ND 0.0020 ND 0.0006 ND 0.0006 ND 0.0005 ND 0.0011 0.0000 0.0010 ND 0.0003 0.0001 0.0012 0.0003 0.0011 0.0006 0.0010 ND 0.0003 ND 0.0012 ND 0.0008 0.0001 0.0030 0.0004 0.0003 ND 0.0015 ND 0.0002 ND 0.0007 0.0001 0.0004 0.0007 ND Quadro 14: Resultados das análises de água Fé Hg K Li 1.3031 0.0274 1.7003 0.0001 2.0123 0.0410 0.3766 0.0002 1.8677 0.0101 0.2492 0.0002 0.8900 ND 0.1455 0.0001 59 Mg 1.2617 0.2914 0.2642 0.1581 Mn 0.0857 2.4202 ND 0.0003 0.0194 1.0259 0.0006 ND 0.0205 1.0727 ND 0.0041 0.0040 0.8809 0.0029 ND HMS-002 HMS-006 A HMS-006B HMS-007 HMS-008 HMS-03 HMS-04 HMS-004 A HMS-005 HMS-09 HMS-10 HMS-11 HMS-12 HMS-13 HMS-14 HMS-15 HMS-16 HMS-17 HMS-18 Luciano Silva Rio Vermelho – Abatedouro Albina Leme 0.0006 ND 0.0002 0.0001 0.0004 0.0002 ND 0.0003 ND 0.0004 ND ND ND 0.0006 ND 0.0000 0.0001 0.0008 ND ND 2.3535 0.0014 1.7046 ND 1.7002 ND 1.7002 ND 1.7464 ND 1.7166 ND 0.8385 ND 1.7737 ND 2.0143 ND 1.7227 ND 3.2363 ND 1.0903 ND 0.6475 ND 2.1049 ND 0.8117 ND 1.3140 ND 1.6414 ND 1.0635 ND 1.3850 ND 0.6964 ND 0.0002 0.4404 ND 0.6520 ND ND 0.2322 2.2038 2.7728 3.2576 1.4226 0.7397 1.2348 0.6349 0.7841 1.3138 0.8972 0.4487 1.1609 0.8187 0.1667 0.9408 2.7408 0.4890 0.1321 1.7488 0.0003 0.0007 0.0005 0.0002 0.0008 0.0005 0.0001 0.0002 ND 0.0002 0.0001 0.0003 0.0001 0.0004 0.0002 0.0004 0.0008 0.0005 0.0002 0.0008 0.3505 1.0948 1.5616 2.3484 1.3544 0.6752 0.9735 1.1279 1.6193 1.3652 0.6997 1.0635 0.7221 0.5192 1.4112 0.8963 1.1206 0.4806 1.2644 1.1514 0.0461 0.0245 0.0726 0.0940 0.0312 0.0659 0.0300 0.0723 0.1706 0.2190 0.1210 0.0189 0.0247 0.0501 0.0758 0.0321 0.0300 0.0052 0.0872 0.3524 0.9296 8.5334 8.9159 9.8857 6.5766 2.4709 10.4065 2.5807 3.3858 3.3112 4.4479 1.8538 2.3836 1.7966 2.3485 1.5040 7.3319 2.5086 3.0069 6.7712 ND ND 0.0002 ND ND ND ND 0.0004 0.0007 ND ND ND 0.0006 0.0003 ND ND ND ND 0.0007 ND 0.2814 ND 1.1483 ND 1.3453 ND 3.1628 0.0011 0.8695 0.0016 Elaborado pelo autor ND ND ND ND ND 0.0000 ND 0.0005 ND ND ND ND ND ND 0.0002 ND 0.0006 ND 0.0002 ND ND 8.7231 0.0002 0.0003 Quadro 15: Resultados das análises de água Identificação ES-01 ES-02 HMS-19 HMS-001 HMS-002 HMS-006 A HMS-006B HMS-007 HMS-008 HMS-03 HMS-04 HMS-004 A HMS-005 HMS-09 HMS-10 HMS-11 HMS-12 HMS-13 HMS-14 HMS-15 HMS-16 HMS-17 HMS-18 Luciano Silva Rio Vermelho – Abatedouro Albina Leme Se 0.0177 0.0265 0.0241 0.0148 0.0369 0.0253 0.0277 0.0280 0.0267 0.0244 0.0105 0.0268 0.0252 0.0218 0.0012 0.0123 0.0091 0.0284 0.0094 0.0192 0.0235 0.0137 0.0187 ND Sn ND ND ND ND ND ND ND ND ND 0.0252 0.0046 ND ND 0.0052 0.0019 ND 0.0077 ND 0.0221 ND 0.0030 0.0040 0.0096 0.0110 Sr 0.0158 0.0038 0.0061 0.0044 0.0059 0.0551 0.0578 0.0953 0.0441 0.0139 0.0330 0.0169 0.0272 0.0233 0.0258 0.0154 0.0107 0.0079 0.0215 0.0104 0.0364 0.0115 0.0213 0.0928 Te ND 0.0008 0.0010 ND 0.0003 0.0003 ND 0.0002 ND 0.0000 0.0000 0.0025 0.0001 0.0003 0.0033 0.0006 0.0008 ND ND ND ND ND ND ND Zn 0.0029 0.0023 0.0059 0.0020 0.0021 0.0027 0.0025 0.0039 0.0062 0.0034 0.0009 0.0016 0.0023 0.0053 0.0002 0.0032 0.0025 0.0039 0.0015 0.0025 0.0029 0.0006 0.0022 0.0018 122.7644 0.0015 0.0155 ND 0.0010 0.0082 123.8804 0.0221 0.0346 Elaborado pelo autor ND 0.0010 ND Si 136.7089 161.6179 312.4703 396.0642 173.2539 175.3342 214.7788 244.6984 331.5234 347.5101 428.3606 801.7260 755.8348 18.4527 44.2577 42.5943 48.1959 50.0796 62.3112 70.7237 64.8826 83.2225 96.2807 106.5404 Quadro 16: Resultados das análises de água - ânions Identificação ES-01 ES-02 HMS-19 HMS-001 HMS-002 HMS-006 A HMS-006B HMS-007 NITROGENIO AMONIACAL NA 0.1980 NA 0.2520 NA 0.2220 NA 0.2280 NITRATO NITRITO SULFATO CLORETO FLUORETO NA 0.2000 NA NA 1.1000 NA 0.3000 NA 1.0000 NA 3.0000 NA ND NA ND NA 0.6000 NA 0.3000 NA 0.5000 NA 0.6000 NA 1.1700 NA 1.3100 NA 1.6400 NA 1.5700 NA ND NA 0.2400 NA 0.4100 NA 0.2600 60 HMS-008 HMS-03 HMS-04 HMS-004 A HMS-005 HMS-09 HMS-10 HMS-11 HMS-12 HMS-13 HMS-14 HMS-15 HMS-16 HMS-17 HMS-18 Luciano Silva Rio Vermelho – Abatedouro Albina Leme NA 0.1490 0.0760 0.1720 0.2420 0.1930 0.2500 0.0750 0.0750 0.1370 0.0750 0.1380 0.1910 0.1110 0.0700 0.0640 NA 0.5000 2.0000 0.6000 0.1000 1.5000 0.8000 1.3000 1.4000 1.0000 1.9000 1.0000 0.9000 0.9000 1.2000 1.1000 NA 14.0000 ND 3.0000 ND ND 3.0000 4.0000 3.0000 4.0000 1.0000 3.0000 1.0000 ND 1.0000 3.0000 NA 1.0000 0.4000 1.2000 0.8000 0.7000 1.2000 0.5000 0.8000 1.5000 0.5000 0.8000 0.8000 0.4000 0.4000 0.9000 NA 1.0100 0.7400 1.1400 0.3000 1.8600 2.8600 0.3900 0.6900 1.1100 0.8100 0.6700 0.7200 0.6500 0.3700 0.9200 NA ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND ND 0.1960 0.6000 3.0000 1.0000 1.0900 ND 0.1110 1.1000 1.0000 Elaborado pelo autor 0.5000 0.6300 ND 6.2.1. Matrizes de correlação de amostras de água corrente a) Matriz somente de cátions Figura 5: Matriz de correlação de cátions Elaborado pelo autor 61 b) Matriz de cátions e ânions Figura 6: Matriz de correlação de cátions e ânions Elaborado pelo autor 6.2.2. Correlações de elementos nas amostras de água corrente a) Correlações muito fortes: Ø R: Al-Cr = 0,89; R: Ca-Sr = 0,92; e R: Te-Fluoreto. b) Correlações fortes: Ø R: K-Na = 0,84. 6.2.3. Mapas de Concentração e Distribuição De acordo com as correlações muito fortes e fortes, os seguintes elementos foram selecionados para elaboração dos Mapas de Concentração e Distribuição: Al, Cr, Ca, Sr, Te, Fluoreto, K e Na. 62 Figura 7: Mapas de Concentração e Distribuição dos elementos Al, Cr, Ca, Sr, Te, Fluoreto, K e Na 63 Elaborado pelo autor 6.3. Solo Quadro 17: Resultados das análises de solo Identificação Dorival Leomar Francisco; Maracujá Leomar Francisco; Quintal Ana Maria Batista; Acima Ana Maria Batista; Abaixo Luciano Silva (criatório) Albina Lemes (criatório) Ag 6.58 Al 37753.92 As ND B Ba 5.81 57.83 Be 0.71 Ca 761.97 Cd 0.04 Co 2.07 Cr 24.19 7.46 194676.8 ND 1.05 40.9 0.32 331.19 ND ND 99.74 14.71 245186.4 ND ND 30.93 0.24 108.74 0.08 ND 103.87 ND 45496.6 ND 0.37 ND 0.39 265.82 0.21 0.18 267.63 ND 31438.14 ND 1.34 ND 0.9 448.26 0.18 ND 22.72 ND 36598.4 ND 1.63 ND 0.62 4128.69 0.08 ND 32.75 ND 15637.65 ND 0.47 ND 0.3 2483.61 ND ND 17.21 Elaborado pelo autor Quadro 18: Resultados das análises de solo Identificação Dorival Leomar Francisco; Maracujá Leomar Francisco; Quintal Ana Maria Batista; Acima Ana Maria Batista; Abaixo Luciano Silva (criatório) Albina Lemes (criatório) Cu 19.64 Fe 24250.03 Hg K 28.37 1287.53 Li 7.09 Mg 827.54 Mn 327.26 Na 37.71 Ni 9.3 Pb 12.45 49.78 36381.2 142.1 464.75 13.27 327.23 86.76 22.36 17.95 7.98 29.9 49402.46 182.4 237.44 9.61 94.37 104.08 ND 10.11 10.44 29.19 52897.86 161.14 275.57 4.61 322.93 1137.45 351.02 25.31 19.78 4.12 40818.71 101.74 746.7 8.24 334.42 164.2 447.65 6.78 15.86 13.95 80130.82 121.24 964.85 8.64 770.73 241.52 467.75 6.91 15.75 7.62 11648.23 3.25 1046.79 151.42 408.94 4.2 16.23 39.33 825.46 Elaborado pelo autor 64 Quadro 19: Resultados das análises de solo Identificação Se Sn Sr Dorival ND 4.01 10.9 Leomar Francisco; 6.86 36.74 4 Maracujá Leomar Francisco; 6.1 49.87 1.72 Quintal Ana Maria Batista; Acima ND 7.68 2.36 Na Maria Batista; Abaixo ND 6.11 3.54 Luciano Silva (criatório) ND 6.5 20.42 Albina Lemes (criatório) ND 0.36 17.83 Elaborado pelo autor Te 5.29 Zn 48.84 7.18 25.36 5.1 16.93 22.71 5.65 6.7 1.07 51.78 18.86 49.86 29.95 6.3.1. Correlações de elementos nas amostras de solo c) Correlações muito fortes: Ø R: Al-Sn = 1,0 e R: Ag-Cd = 1,0. d) Correlações fortes: Ø R: Ca-Sr = 0,94; R: Cr-Ni = 0,93; R: Cr-Te = 0,92; R: Mn-Te = 0,94. 6.3.2. Mapas de Concentração e Distribuição De acordo com as correlações muito fortes e fortes, os seguintes elementos foram selecionados para elaboração dos Mapas de Concentração Distribuição: Al, Sn, Ca, Sr, Cr, Ni, Te e Mn. Figura 8: Mapas de Concentração e Distribuição dos elementos Al, Sn, Ca, Sr, Cr, Ni, Te e Mn 65 e Elaborado pelo autor 66 7. Discussão dos resultados O objetivo da discussão dos resultados é identificar concentrações anômalas a partir de uma interpretação das análises laboratoriais das amostras coletadas que são comparadas aos valores de concentração estabelecidos em listas de padrões originárias de instituições pertinentes. Não se discute neste trabalho se as concentrações anômalas são de origem natural ou antrópica. 7.1. Sedimentos de corrente 7.1.1. Parâmetros para sedimentos de corrente Não foram encontradas referências para valores de alerta, de intervenção ou máximos permitidos para sedimentos de corrente. A legislação brasileira não estabelece listas. Na Resolução n.° 357 do CONAMA (2005) há uma referência sobre sedimentos de corrente no Capitulo III – das condições e padrões de qualidade das águas, Artigo 9°, Parágrafo 2°, que dispõe que quando a metodologia analítica for insuficiente para quantificar as concentrações de substâncias nas águas, se poderá recorrer à investigação de sedimentos de corrente. Porém, a referida portaria não determina parâmetros de referência. Existem parâmetros para determinar limites para elementos químicos nos solos – como a Lista Holandesa (Quadro 7) que estabelece valores de alerta e de intervenção para a qualidade do solo e a lista do IBD (Quadro 8). Porém, estes parâmetros não podem ser utilizados para sedimentos de corrente. O estudo apresentou considerável variação de valores entre as amostras coletadas dos elementos químicos mercúrio, cromo e arsênio, todos com 67 potencial deletério. O ponto “Luciano Silva” apresentou a maior concentração de mercúrio – 313,61 mg/Kg, vide Quadro 20 e Figura 9. Quanto ao arsênio três pontos apresentaram os maiores valores HMS-006A, HMS-006B e HMS-8, vide Quadro 20 e Figura 10. O cromo é encontrado em valores superiores nos pontos HMS-11, HMS-14 e HMS-18, vide Quadro 20. Quadro 20: Sedimentos de corrente – elementos que apresentaram alteração Identificação As Cr Hg ES-01 ND 75.00 40.09 ES-02 ND 92.28 57.52 HMS-19 ND 193.54 85.14 HMS-001 ND 146.15 86.95 HMS-002 ND 101.40 96.66 HMS-006 A 81.71 9.55 30.60 HMS-006 B 79.47 9.52 2.85 HMS-007 ND 80.54 115.32 HMS-008 76.88 7.80 30.02 HMS-03 ND 54.84 8.86 HMS-04 ND 60.51 52.66 HMS-004 A ND 44.68 ND HMS-005 ND 82.47 40.29 HMS-09 ND 128.49 94.23 HMS-10 ND 133.59 115.59 HMS-11 ND 459.22 210.50 HMS-12 1.38 85.15 17.94 HMS-13 ND 149.44 55.36 HMS-14 ND 775.12 238.10 HMS-15 ND 225.61 81.14 HMS-16 ND 27.26 145.98 HMS-17 ND 63.25 66.49 HMS-18 ND 275.39 223.41 Luciano Silva Rio Vermelho – Abatedouro Albina Leme ND 172.32 313.61 ND 197.02 260.40 ND 12.54 27.18 Elaborado pelo autor 68 Figura 9: Mapa de Concentração e Distribuição de Mercúrio – Hg Elaborado pelo autor 69 Figura 10: Mapa de Concentração e Distribuição de Arsênio - As Elaborado pelo autor Estes elementos, juntamente com cádmio e chumbo, são alvos específicos do Programa de Controle de Resíduos em Carne, Leite e Pescado do MAPA (2005), Portaria n.º01 (Quadro 6). Portanto esta constatação é um alerta quanto à possibilidade de contaminações que podem comprometer a cadeia de alimentos agroecológicos. Porém, por falta de parâmetros de referência, por haver sido coletada apenas 70 uma amostra de sedimentos de corrente em cada ponto e destacando a possibilidade de ter ocorrido contaminação das amostras durante o processo de coleta e/ou análise, os resultados não são considerados conclusivos, mas um alerta para o aprofundamento dos estudos na região. 7.2. Água Corrente 7.2.1. Parâmetros para água corrente Para análise da água corrente foi utilizado como referência o estabelecido pela Resolução n.° 357 do CONAMA (2005) (Quadro 5), para Água Doce Classe I. A Portaria 518 da ANVISA (2004) (Quadros 3 e 4) que estabelece o padrão de potabilidade da água relaciona menos parâmetros inorgânicos e os valores máximos permitidos são menos restritivos que a Resolução do CONAMA, razão pela qual neste trabalho adotou-se como padrão para a água corrente a Resolução n.° 357. Dos trinta e dois elementos químicos que se buscou identificar nas análises laboratoriais, apenas dezoito constam na Resolução n.° 357. Destes, oito apresentaram níveis de concentração preocupantes. Dos oito, somente o alumínio apresentou correlação estatística com outro elemento o cromo (R: AlCr = 0,89). Esta informação sugere uma dissociação entre correlação estatística e valores absolutos que representam risco a saúde de seres vivos. Pelos parâmetros analisados identifica-se que os elementos alumínio, arsênio, boro, ferro, mercúrio, manganês, selênio e nitrito apresentam alterações acima dos valores máximos permitidos (ver Quadro 21) o que, de acordo com as concentrações apresentadas e com os limites máximos estabelecidos pelo CONAMA (2005), torna parte das drenagens estudadas fontes impróprias de água para consumo humano e não classificáveis como Água Doce Classe I. A classificação como Água Doce Classe I é o desejável para a produção de alimentos, principalmente frutas, verduras e legumes. 71 Quadro 21: Água corrente alterações acima dos valores máximos Identificação Al As B Fe Hg Mn Se NITRITO ES-01 0.0868 0.0018 0.0468 1.3031 0.0274 0.0857 0.0177 NA ES-02 1.6987 0.0271 0.0345 2.0123 0.0410 0.0194 0.0265 1.0000 HMS-19 HMS-001 HMS-002 2.6711 1.6404 1.3497 0.0157 0.0092 0.0260 0.0409 0.4290 0.5475 1.8677 0.8900 2.3535 0.0101 ND 0.0014 0.0205 0.0040 0.0461 0.0241 0.0148 0.0369 NA 3.0000 NA HMS-006 A 0.6940 0.0198 0.1766 1.7046 ND 0.0245 0.0253 ND HMS-006 B 0.4675 0.0169 0.1376 1.7002 ND 0.0726 0.0277 NA HMS-007 0.1255 0.0209 0.2798 1.7002 ND 0.0940 0.0280 ND HMS-008 HMS-03 HMS-04 1.3442 0.7105 0.0077 0.0154 0.0155 0.0061 0.0912 2.3783 0.1108 1.7464 1.7166 0.8385 ND ND ND 0.0312 0.0659 0.0300 0.0267 0.0244 0.0105 NA 14.0000 ND HMS-004 A 0.7461 0.0180 2.1597 1.7737 ND 0.0723 0.0268 3.0000 HMS-005 ND ND 0.8935 0.0240 3.9317 2.0143 0.1706 0.0252 HMS-09 ND ND 0.5298 0.0175 1.9999 1.7227 0.2190 0.0218 HMS-10 0.0097 ND 0.0012 0.1657 1.5502 3.2363 0.1210 3.0000 HMS-11 ND 0.0189 0.4246 0.0119 1.0129 1.0903 0.0123 4.0000 HMS-12 0.0040 ND 0.0247 0.0091 0.4665 6.8760 0.6475 3.0000 HMS-13 ND 0.0501 1.4481 0.0230 2.1906 2.1049 0.0284 4.0000 HMS-14 0.0917 0.0034 0.1390 ND 0.0758 0.0094 1.0000 0.8117 HMS-15 0.0035 0.0353 ND 0.0321 0.7825 1.3140 0.0192 3.0000 HMS-16 0.0916 0.0772 ND 0.0300 1.0000 0.0147 1.6414 0.0235 HMS-17 0.0071 ND 0.0052 ND 0.5930 3.0843 1.0635 0.0137 HMS-18 0.0649 0.0089 ND 0.0872 1.0000 5.4947 1.3850 0.0187 Luciano Silva 0.0115 0.0018 0.1395 ND ND 0.6964 0.3524 3.0000 Rio Vermelho 0.0010 0.0468 ND ND ND 0.4357 0.4404 3.0000 Abatedouro Albina Leme 0.0004 0.1147 ND 0.0016 0.0082 1.0000 0.1773 0.6520 Concentrações acima do valor máximo permitido conforme a Resolução n.° 357 do CONAMA (2005) Elaborado pelo autor 7.3. Solo Devido a falta de regulamentação federal que estabeleça parâmetros para contaminação de solo foram utilizados como parâmetros os índices da Lista Holandesa (CETESB, 2001) e a tabela de referência do IBD (2004). O primeiro registro é que foram coletadas sete amostras em cinco propriedades diferentes para analisar vinte e cinco tipos de elementos, vide Quadros 17, 18 e 19 . Quadro 22: Solo – elementos que apresentaram alteração Identificação Cr Dorival 24.19 Leomar Francisco; Maracujá 99.74 Leomar Francisco; Quintal 103.87 Ana Maria Batista; Acima 267.63 Ana Maria Batista; Abaixo 22.72 Luciano Silva (criatório) 32.75 Albina Lemes (criatório) 17.21 Valor de intervenção Valor de alerta Elaborado pelo autor 72 Hg 28.37 142.1 182.4 161.14 101.74 121.24 39.33 Foram identificados níveis excessivos de mercúrio – valor de alerta 5,2 mg/Kg e valor de intervenção 10 mg/Kg – em todas as sete amostras, o ponto “Leomar Francisco” apresenta a maior concentração, 182,4 mg/Kg, vide Quadro 22. Esta informação conjuntamente o alerta apresentado nas análises dos sedimentos de corrente indica uma possibilidade de contaminação por este elemento assim como sugere um aprofundamento dos estudos na região. Por levantamentos feitos com os nativos descobriu-se que na área urbana da cidade de Silvânia já existiu um garimpo de ouro, um dado importante quando se analisa contaminação por mercúrio. No ponto de propriedade de “Ana Maria Batista” foi identificada uma concentração de cromo de 267,63 mg/Kg que pelos parâmetros da Lista Holandesa é considerado um Valor de Alerta. 73 8. Considerações finais A utilização da combinação de ferramentas de gerenciamento de áreas contaminadas e de geomedicina demonstrou ser uma alternativa bastante viável para se verificar as condições ambientais do solo e dos recursos hídricos em uma determinada região produtiva, otimizando recursos financeiros, tecnológicos e humanos. A metodologia Gerenciamento de Áreas Contaminadas da CETESB, sustentada pela estratégia constituída de etapas seqüenciais, realmente possibilita identificar melhor conhecer as características de uma área e identificar se existe ou não contaminação. Essa metodologia agregada aos conhecimentos de geomedicina se torna um importante instrumento de planejamento para a utilização dos recursos naturais para a geração e distribuição de renda de maneira sustentável no meio rural. Alguns pontos a serem destacados da metodologia: Ø A padronização dos trabalhos permite que um maior número de comunidades conheça as características e recursos ambientais de suas regiões e suas implicações para a saúde e para a competitividade produtiva; Ø Facilidade de utilização da metodologia de gerenciamento da CETESB, os manuais são auto-explicativos e o sítio da instituição na Internet disponibiliza vasto referencial bibliográfico; Ø A geomedicina como ciência está em franca ascensão e sua abrangência e aplicabilidade são ainda pouco exploradas; Ø O elemento central do Gerenciamento de Áreas Contaminadas é a composição de bancos de dados onde devem ser armazenadas todas as informações obtidas em campo. No Brasil há poucos bancos de dados e os que existem não estão disponíveis. É necessário um esforço conjunto das três instâncias governamentais e da sociedade organizada para se avançar neste sentido; 74 Ø Há necessidade de serem feitos levantamentos específicos das características peculiares dos recursos hídricos e solo de cada região do Brasil, seus distintos biomas e origens geológicas criando assim listas de referência para futuros trabalhos científicos; e Ø Há necessidade de divulgar os princípios de geomedicina e a ampla possibilidade que essa ciência possibilita para produção e consumo sustentáveis, ainda mais quando a Organização das Nações Unidas lidera um esforço global para avançar nesta direção. As condições auferidas indicam que a implantação de um pólo de produção de alimentos agroecológicos com certificação orgânica na região vai requerer especial atenção à possibilidade de contaminação por mercúrio, arsênio e cromo identificados nos sedimentos de corrente e no solo; e por alumínio, arsênio, boro, ferro, mercúrio, manganês, selênio e nitritos identificados nas drenagens pesquisadas. Especial atenção deverá ser dispensada ao uso de água próximo aos pontos onde a classificação como “Água Doce Classe I” não foi alcançada segundo os parâmetros da resolução do CONAMA. Os agricultores que utilizam destas águas para produção de alimentos (principalmente frutas, verduras e legumes) deverão estudar a utilização de novas fontes. A presença de mercúrio, cromo e arsênio pode ser uma restrição para a implantação do pólo de alimentos agroecológicos, porém no processo de certificação orgânica os alimentos são criteriosamente avaliados em laboratório afastando assim qualquer dúvida que possa permanecer e por isso os produtores da área em estudo devem ser incentivados por autoridades municipais, estaduais e federais a promoverem esta certificação. Enfatiza-se que as informações não são conclusivas quanto a identificação de contaminação. Sugere-se a contraprova dos dados apresentados neste estudo através de nova coleta e análise de material utilizando os mesmos pontos. 75 9. Referências ANDRADE, R. S. Relatório de geoquímica da folha Leopoldo de Bulhões. Relatório Interno da CPRM - Serviço Geologico do Brasil. Goiânia: CPRM, 1994. ANVISA, BRASIL. Portaria n.º 518 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, de 25/03/04. Brasília, 2005. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em 20 de julho de 2005. 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