PARANINFO DIGITAL MONOGRÁFICOS DE INVESTIGACIÓN EN SALUD ISSN: 1988-3439 - AÑO VII – N. 19 – 2013 Disponible en: http://www.index-f.com/para/n19/201d.php PARANINFO DIGITAL es una publicación periódica que difunde materiales que han sido presentados con anterioridad en reuniones y congresos con el objeto de contribuir a su rápida difusión entre la comunidad científica, mientras adoptan una forma de publicación permanente. Este trabajo es reproducido tal y como lo aportaron los autores al tiempo de presentarlo como COMUNICACIÓN DIGITAL en “CUIDADOS Y TECNOLOGÍA: UNA RELACIÓN NECESARIA” I Congreso Virtual, IX Reunión Internacional de Enfermería Basada en la Evidencia, reunión celebrada del 21 al 22 de noviembre de 2013 en Granada, España. En su versión definitiva, es posible que este trabajo pueda aparecer publicado en ésta u otra revista científica. Sistematização dos cuidados de enfermagem a um paciente com Lúpus Eritematoso Sistêmico: Um Relato de Experiência Autores Mayara Sousa Silva, Bianca Rosário, Gilmar Jesus dos Santos, Ingrid Bonfim Silva, Jefferson Santana Dias, Ana Carla Carvalho Coelho, Carolina Souza-Machado Título Centro/institución Ciudad/país Dirección e-mail Escola de Enfermagem, Universidade Federal da Bahia (EEUFBA) Salvador, Bahia, Brasil [email protected] RESUMEN Objetivo: Relatar a experiência de graduandos de enfermagem do 5º semestre de uma Universidade pública brasileira sobre o uso da sistematização da assistência de enfermagem a um paciente com Lúpus Eritematoso Sistêmico. Metodologia: Trata-se de um relato de experiência vivenciado por discentes nas práticas da disciplina Cuidados de enfermagem às pessoas no contexto hospitalar, do curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Bahia (EUFBA). As práticas da disciplina ocorreram no período de fevereiro a março de 2013 na clínica médica de um hospital público. A coleta de dados foi realizada através da análise do prontuário e por meio da escuta sensível e qualificada. Resultados: Após aproximação com o campo, equipe e paciente foram realizadas todas as etapas da sistematização de enfermagem, sendo levantados os problemas de enfermagem, elaborados os diagnósticos e respectivas intervenções. Devido ao curto período de estágio na unidade onde a paciente do caso clínico permaneceu internada, não foi possível implementar continuamente todas as intervenções elaboradas. Conclusão: Este estudo clínico foi fundamental para a compreensão e implementação de uma assistência de enfermagem eficaz. Evidenciou-se a partir desse estudo que é possível ampliar os conhecimentos sobre as características definidoras, o estabelecimento dos diagnósticos e intervenções de enfermagem. Palavras chave: Enfermagem/ Lúpus Eritematoso Sistêmico/ Sistematização da Assistência de Enfermagem. TEXTO DE LA COMUNICACIÓN Introdução Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), saúde corresponde à satisfação de três requisitos: bem-estar físico, psicológico e social e não apenas a ausência de afecção ou doença. A falta de saúde implica no não comprimento a uma ou mais dessas condições citadas, gerando desequilíbrio ou doença. A partir desse raciocino definido pela OMS, é possível afirmar que a saúde não é limitada apenas ao estado fisiopatológico do individuo; a saúde tende por englobar todas as relações do ser humano com o seu íntimo e a sociedade na qual este inserido1. O processo de adoecimento gera no individuo crises e momentos de desestruturação, que se expande para seus familiares que nesse momento de adoecimento estão mais próximos. Portanto, os profissionais de enfermagem devem ser capazes de identificar todos os fatores que envolvem o processo de saúde – doença do individuo e, a partir daí, traçar um plano de cuidados que englobe tanto os fatores intrínsecos da doença quanto aqueles biopsicosociais que se desenvolveram com o processo de adoecimento1. A sistematização da assistência de enfermagem (SAE) são condutas deliberadas de resolução de problemas para atender as necessidades de enfermagem e de cuidados de saúde das pessoas. Os componentes comuns da SAE são divididos em etapas que são o histórico, o diagnóstico, o planejamento, a implementação e a evolução. A SAE através das suas etapas tem como objetivo planejar as ações de enfermagem apropriadas para atingir metas e resultados desejados para o individuo sob os cuidados da enfermeira2. Portanto, a assistência de enfermagem deve adequar-se às reais necessidades do sujeito. Além da aplicação da técnica e realização de procedimentos, o enfermeiro precisa desenvolver a escuta qualificada da queixa do individuo, observar suas expressões e estabelecer uma diálogo com o seu paciente, para assim proporcionar ao individuo uma assistência integral, individualizada e humanizada. O Ministério da Saúde define o lúpus eritematoso sistêmico (LES) como uma doença autoimune sistêmica caracterizada pela produção de auto-anticorpos, formação e deposição de imunocomplexos, inflamação em diversos órgãos e dano tecidual. Afirma que a etiologia é desconhecida, porém sabe-se da importante participação de fatores hormonais, ambientais, genéticos e imunológicos para o surgimento da doença. A evolução costuma ser crônica, com períodos de exacerbação e remissão1. O LES afeta indivíduos de todas as raças, sendo 9 a 10 vezes mais frequente em mulheres durante a idade reprodutiva, a mortalidade dos pacientes com LES é cerca de 3 a 5 vezes maior do que na população em geral e está relacionada com atividade inflamatória da doença, especialmente quando há acometimento renal e do sistema nervoso central, ao maior risco de infecções graves decorrentes da imunossupressão e, tardiamente, às complicações da própria doença e do tratamento, sendo a doença cardiovascular um dos mais importantes fatores de morbidade e mortalidade nestes pacientes3. Por ser de origem autoimune o LES traz severas complicações sistêmicas aos seus portadores, podendo desenvolver outras doenças associadas como a Doença de Kikuchi, Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAAF), Síndrome de Sjogren4. O presente estudo tem como objetivo relatar a experiência de graduandos de enfermagem do 5º semestre de uma Universidade pública brasileira sobre o uso da sistematização da assistência de enfermagem a um paciente com LES. Para alcançar o objetivo foi realizado o estudo clínico de uma paciente internada em um hospital público em Salvador-BA, Brasil, durante as aulas práticas de clínica médica da disciplina ENFA 91 – Cuidado de enfermagem às pessoas no contexto hospitalar. Metodologia Trata-se de um relato de experiência vivenciado por graduandos de enfermagem nas práticas da disciplina Cuidados de enfermagem às pessoas no contexto hospitalar, do curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Bahia (UFBA). As práticas da disciplina ocorreram no período de fevereiro a março de 2013 na unidade de clínica médica em um hospital público. Os graduandos envolvidos ficaram responsáveis por prestar assistência integral a paciente escolhida, por meio da aplicação de todas as etapas da SAE e todo julgamento clínico do estado de saúde do individuo. No final do turno discutia-se com todo o grupo e o preceptor: a enfermidade, os medicamentos em uso, a assistência prestada e a evolução do quadro. Após a discussão, eram levantados possíveis diagnósticos, intervenções plausíveis para a paciente e as condutas a serem seguidas pela equipe de enfermagem. Ao término, registrava-se evolução do quadro e intervenções de enfermagem. A coleta de dados foi realizada através da análise do prontuário, que foi de extrema importância para o levantamento da história clinica e exames realizados e do histórico de enfermagem e por meio da uma escuta sensível e qualificada, onde o diálogo e, principalmente, a escuta das queixas, angústias e história de vida foram elementos fundamentais. O histórico de enfermagem trata-se de um instrumento de coleta semiestruturado, com questões relativas a necessidade psicossocial, psicoespiritual e psicobiológicas. O histórico de enfermagem foi o instrumento responsável pelo embasamento para correlacionar os sinais e sintomas com os problemas colaborativos apresentados pela paciente em estudo. Resultados O reconhecimento da unidade e equipe a ser trabalhada no período de prática foi uma das primeiras etapas a serem realizadas no estudo, além de uma aproximação e aprofundamento teórico com a SAE. Posteriormente contatos subseqüentes para conhecimento e aproximação com a paciente escolhida, foram realizados. Considerando que a paciente apresentava uma enfermidade não aprofundada em sala de aula, a mesma foi escolhida pelos graduandos envolvidos e respectivos preceptor. Após um primeiro contato, foi realizada a entrevista com a paciente e as respostas foram obtidas por meio da uma escuta sensível e qualificada. Desta forma, foi realizado o levantamento dos problemas de enfermagem, elaboração dos diagnósticos e construção de um plano de cuidados pertinentes a atual situação da paciente, para posterior aplicação e orientação do individuo e seus familiares. As intervenções foram realizadas, entretanto não se pôde obter resultado completo da eficácia, devido ao curto período da prática na enfermaria. Os principais problemas de enfermagem encontrados foram: infecção, mobilidade física prejudicada, hipertermia e dores articulares. Para estes problemas foram traçados os diagnósticos de enfermagem de hipertermia relacionado à doença autoimune, caracterizado por aumento na temperatura corporal acima dos parâmetros normais e taquicardia; dor crônica relacionada com as consequências da evolução da doença evidenciado por relato verbal de dor; risco de quedo relacionado à mobilidade física prejudicada e artrite e infecção relacionada à doença autoimune, exposição aumentada a patógenos, defesas primárias e secundárias inadequadas, caracterizado por diminuição de hemoglobina, leucopenia e supressão da resposta inflamatória5. A paciente durante a nossa abordagem mostrou-se bastante receptiva e colaborativa o que facilitou a visualização dos problemas e suas evidencias. Nos primeiros dias de abordagem devido ao quadro de manifestação da enfermidade, a paciente encontrava-se impossibilitada de uma prolongada recepção aos alunos. Nos dias subseqüentes de acompanhamento, a paciente encontrava-se mais confortável e com disposição melhorada, o que possibilitou evolução no fechamento do caso clínico. Discussão Toda assistência desenvolvida deve ser minuciosamente planejada em concordância multiprofissional e, imprescindivelmente individualizada, devido à singularidade de cada individuo. As nuances que o cercam biopscicoespirutualmente devem ser relevantes e priorizadas no momento de sistematização do plano de cuidados. Todo o processo da assistência deve ser realizado em consonância com o paciente e/ou familiares, embasando-se sempre nos aspectos éticos e bioéticos. A singularidade de cada individuo deve ser relevante e priorizada no momento da sistematização do plano de cuidados6. Assim, para assegurar a implementação eficaz do plano de cuidados da paciente em estudo, foi necessário um planejamento prévio de acordo com a literatura que preconiza o inicio do planejamento dos cuidados, no momento em que o paciente é admitido e desenvolvido durante o período de internação2. Os pacientes portadores do Lúpus são indivíduos que permanecem muito tempo em condições de internamento devido a cronicidade do seu quadro de saúde, e trazem muitos custos para as instituições de saúde. Para melhorar a qualidade de vida desses indivíduos, os profissionais de saúde e, em particular o enfermeiro, devem ser capazes de elaborar um plano de assistência que promova a continuidade do cuidado em seu domicílio. Assim, devemos reforçar e promover a dignidade desses pacientes, sempre respeitando as suas necessidades, individualidades e autonomia3. Conclusão A elaboração deste estudo clínico foi fundamental para a compreensão e implementação de uma assistência de enfermagem eficaz, alcançando assim o objetivo proposto. O estudo clínico contribuiu de forma significativa para a formação acadêmica, pois nos mostrou uma visão aprimorada da SAE e assim contribuiu para a construção de uma intervenção qualificada. Foi possível realizar a associação entre os conteúdos teóricos e práticos, que vão corroborar para o nosso desenvolvimento como profissionais e indivíduos humanizados. A humanização é um atendimento das necessidades biológicas, psicológicas, sociais e espirituais de um indivíduo, ou seja, cada um deve ser compreendido e aceito como um ser único e integral e, portanto, com necessidades e expectativas particulares. Durante a assistência de enfermagem, a humanização é uma questão que deve ser resgatada. Referências 1. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas- Lupus Eritematoso Sistêmico. Consulta pública n.3, de 16 de maio de 2012. Disponível em: http:// www.saude.gov.br/consultapublica. Acessado em: 04 de março de 2013. 2. BRUNNER & SUDDARTH. Tratado de enfermagem médico cirúrgica. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro. 12ª Edição. 3. SATO, EI et al. Lúpus eritematoso sistêmico: tratamento do acometimento sistêmico. Rev. Bras. Reumatol. [online]. 2004; 44(6): 458-463. 4. REICHERT, A. et al. Doença de Kikuchi e Fujimoto, Lisboa. Acta Méd Port.2005; 4(1): 09-15. 5. Diagnósticos de Enfermagem NANDA: definições e classificação, 2009/2011. 6. SANTOS, Neuma et al. Importância da anamnese e do exame físico para o cuidado do enfermeiro.Bahia. Rev. Bras. Enfermagem. 2010 7. DOENGES, Marilynn E.; MOORHOUSE, Mary F.; MURR, Alice C. Diagnóstico de enfermagem: intervenções, prioridades, fundamentos. Revisão técnica Sonia Regina de Souza; Tradução Carlos Henrique Cosendey. Rio de Janeiro: Guanabara Koogn, 2011. 8. FELBERG, S. DANTAS, P. Diagnóstico e tratamento da Síndrome de Sjogren, Arq Bras Oftalmol. 2006; 2(3): 13-18. 9. NOVAES, G. Síndrome do Antifosfolípide, Rev. Fac. Ciênc. Méd. Sorocaba. 2003; 5(1): 12-17.