Trabalho 551
DIÁLOGOS ENTRE SABERES DO SENSO COMUM E DA CIÊNCIA NA CONSULTA DE
ENFERMAGEM
Pena, Daiana Albino1
Acioli, Sonia2
Este resumo é referente à dissertação apresentada como conclusão do curso de Mestrado do Programa de
Pós Graduação da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. O estudo
tem como objeto “A relação entre saber científico e senso comum na consulta de enfermagem”. O
objetivo geral deste é “Refletir acerca da presença e possíveis articulações entre o saber científico e o
senso comum nas consultas de enfermagem da Policlínica Piquet Carneiro”. Os objetivos específicos
são: “Compreender a percepção dos enfermeiros da Policlínica Piquet Carneiro acerca da consulta de
enfermagem”;” Identificar a presença do saber científico e do senso comum nas consultas de
enfermagem da Policlínica Piquet Carneiro” e “Identificar possíveis articulações entre o saber científico
e o senso comum nas consultas de enfermagem da Policlíclinica Piquet Carneiro”.Pretende- se discutir a
construção do conhecimento, associada às práticas diárias da profissão. Propõe um exercício de reflexão
acerca de algumas práticas da enfermagem à luz de conteúdos que são abordados com maior freqüência
nas Ciências Sociais e na Filosofia. As práticas de enfermagem, de maneira geral, envolvem o cuidado
com o outro. Dentre essas práticas, destacamos aqui as ações educativas. Essas ações perpassam os
diversos níveis de assistência, estando presentes desde o ambiente hospitalar aos programas da atenção
básica. Quando o enfermeiro se propõe a realizar educação em saúde deve estar preparado para se
deparar com diversas questões sejam elas sociais, políticas ou pessoais. Nesta prática mais do que a
relação entre duas pessoas há também a relação entre o que essas pessoas pensam, entre as experiências
que cada uma vivenciou, entre o que cada uma sabe.
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1- Mestre em Políticas e Práticas em Saúde Coletiva pela Faculdade de Enfermagem da UERJ.
Enfermeira. Endereço eletrônico: daí[email protected].
2- Doutora em Saúde Coletiva, Enfermeira, Professora Adjunta do Departamento de Saúde Pública da
Faculdade de Enfermagem e do PPGENF/UERJ
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Dentro da Saúde Coletiva a consulta de enfermagem configura-se como espaço que o enfermeiro pode
atuar de diversas maneiras. Porém tais ações não devem estar pautadas em opressão. E nem de opressão
disfarçada de generosidade. Cabe-nos compreender que o usuário é também sujeito do seu próprio
cuidado.Entretanto, para admitir o outro como sujeito em nossas práticas, temos de admitir aquilo que o
outro sabe. E mais, admitir que aquilo que o outro sabe é tão importante quanto o que nós sabemos.
“O reconhecimento do outro é muito mais
complexo e epistemologicamente difícil, pois
hegemonicamente o pensamento científico brasileiro, a nossa intelectualidade (formada na mentalidade
europeia) define esses sujeitos como carentes, lacunares, não somente no campo material como no
campo simbólico.” 1 Nossa tendência como profissionais é considerar como conhecimento apenas aquilo
que é cientificamente comprovado, o que os maiores pesquisadores afirmam ou o que a literatura apóia
como correto. Essa postura muitas vezes faz com que desconsideremos, por exemplo, saberes como os
saberes do senso comum. Nesse estudo trabalha-se com a perspectiva Freireana em que a educação
deve ser tratada como prática da liberdade, como meio para tal. Porém devemos ter cuidado para que
não se confunda libertação, que acontece quando o homem se descobre sendo sujeito, com a imposição
de um conhecimento nosso que consideramos o mais correto, o mais apropriado. Isso é sim opressão e
não libertação. Conforme o homem se descobre sujeito de si, relaciona-se com a própria realidade.
Descobre que é capaz de influenciar o seu mundo, e que é uma influência dinâmica. Humaniza a própria
realidade, acrescenta-a.2 METODOLOGIA: Esta pesquisa caracteriza-se como um estudo descritivo de
abordagem qualitativa. A abordagem hermenêutica dialética demonstrou-se pertinente na medida em que
buscou-se identificar os saberes presentes na consulta de enfermagem e a forma como estes se
relacionam na figura de enfermeiro e usuário. A hermenêutica torna-se necessária para transformar a
ciência, de um objeto distante e incompatível com a nossa vida em algo mais próximo e familiar. 3 O
cenário do estudo foi a Policlínica Piquet Carneiro localizada na cidade do Rio de Janeiro. Os sujeitos
foram doze enfermeiros que realizam a consulta de enfermagem na Policlínica Piquet Carneiro. Para
coleta de dados foram utilizados de forma articulada os métodos de observação livre e entrevista semi-
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estruturada. Os participantes assinaram o termo de consentimento esclarecido autorizando a coleta e
divulgação dos dados e o estudo foi aprovado sob o protocolo 1309- CEP/ HUPE pelo Comitê de Ética
do Hospital Universitário Pedro Ernesto. A análise dos dados foi baseada na compreensão das falas dos
entrevistados e nos registros oriundos das observações. Após a leitura flutuante realizou-se a
identificação de temas e significados comuns. Após a identificação dos temas em todas as entrevistas e
anotações, estes foram associados por proximidade. Assim, identificou-se quatro categorias para análise
e discussão. RESULTADOS: As categorias selecionadas para análise e discussão dos dados foram: “A
consulta de enfermagem na percepção dos enfermeiros e enquanto espaço educativo”, “Sentidos do
senso comum”, “A expressão do saber científico na consulta de enfermagem” e “Articulações possíveis
entre o senso comum e o saber científico na consulta de enfermagem”. No que diz respeito à percepção
dos enfermeiros acerca da consulta de enfermagem concluímos que para os entrevistados a consulta de
enfermagem se associa fortemente aos sentidos de educação em saúde para os mesmos. Nas falas
analisadas a maioria dos enfermeiros citou que a consulta de enfermagem é um importante espaço para a
realização de Educação em Saúde. Os entrevistados consideram a consulta algo importante dentre as
práticas de enfermagem e indicam que esta necessita de mais aprofundamentos. Através dos resultados
percebemos que o saber da Enfermagem encontra-se em um meio interdisciplinar, um saber que transita
entre outros saberes além de possuir características muito próprias, um saber composto inclusive do
senso comum dos próprios enfermeiros. Os enfermeiros pensam que o senso comum é um saber
diferente do saber científico porém há certa dificuldade no reconhecimento do mesmo. Em relação ao
saber científico ficou evidente que este é utilizado algumas vezes na consulta de enfermagem algumas
vezes para sobrepor o senso comum. A ciência é utilizada para persuadir, convencer o cliente a seguir as
orientações dos profissionais de saúde. Este estudo indica o caminho de novas possibilidades. Um
caminho que certamente não será fácil, entretanto poderá revelar-se belíssimo. Para isso devemos trilhar
os riscos, ir além do que é comprovado. As novas possibilidades provavelmente não estão apenas nos
livros.
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DESCRITORES: Consulta de enfermagem; Ciência; Senso Comum.
ÁREA TEMÁTICA: Políticas e práticas de Educação e Enfermagem.
EIXO TEMÁTICO: Ciência da Enfermagem em tempos de Interdisciplinaridade.
REFERÊNCIAS
1- Tavares, MTG.. O intelectual, o professor, o militante: Um encontro com o pensamento de Victor
Valla. Rev. Bras. Educ. 2009; 42: 14 .
2- Freire, P. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro : Paz e Terra; 1996.
3- Santos, BS. Introdução a uma ciência pós- moderna. 4. ed. Afrontamento: Porto;1995.
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