REVISTA INTERDISCIPLINAR A Revista Interdisciplinar, criada em outubro de 2008, órgão oficial de divulgação da Faculdade NOVAFAPI, com periodicidade trimestral, tem a finalidade de divulgar a produção científica das diferentes áreas do saber que seja de interesse das áreas da saúde, ciências humanas e tecnológicas. The Interdisciplinary Journal, founded in October of 2008, is the official publishing organ for NOVAFAPI School with publication every three months and has the objective of making public the scientific production in different areas of knowledge that are of interest to health areas, human sciences and technology. La revista interdisciplinar, creada en Octubre de 2008, órgano oficial de divulgación de la Facultad NOVAFAPI, con periodicidad trimestral, tiene la finalidad de propagar la producción científica de las diferentes áreas del saber que sea de interés de las áreas de la salud, ciencias humanas y tecnológicas. COMISSÃO DE PUBLICAÇÃO PUBLISHING COMMITTEE/COMISIÓN DE PUBLICACIÓN Diretora/Head/Directora Cristina Maria Miranda de Sousa Editor Científico/Scientific Editor/Redactor Científico Maria Eliete Batista Moura [email protected] Editor Associado/Associate Editor/Redactor Asociado Benevina Maria Vilar Teixeira Nunes Membros/Members/Miembros Ana Maria Ribeiro dos Santos CONSELHO EDITORIAL EDITORIAL BOARD/CONSEJO EDITORIAL Adriana da Cunha Menezes Parente Faculdade NOVAFAPI Ana Maria Escoval Silva Universidade Nova de Lisboa - Portugal Antônia Oliveira Silva UFPB Antonio Pereira Filho Faculdade NOVAFAPI Adriana Castelo Branco de Siqueira UFPI Carlos Alberto Monteiro Falcão Faculdade NOVAFAPI Carmem Milena Rodrigues Siqueira Carvalho Faculdade NOVAFAPI/UFPI Claudete Ferreira de Souza Monteiro Faculdade NOVAFAPI/UFPI Eucário Leite Monteiro Alves Faculdade NOVAFAPI Francílio de Carvalho Oliveira Faculdade NOVAFAPI Gerardo Vasconcelos Mesquita Faculdade NOVAFAPI/UFPI Gilderlene Alves Fernandes Faculdade NOVAFAPI Gillian Santana de Carvalho Mendes Faculdade NOVAFAPI Gizela Costa Falcão de Carvalho Faculdade NOVAFAPI José Zilton Lima Verde Santos Faculdade NOVAFAPI Laureni Dantas de França Faculdade NOVAFAPI/UFPI Luis Fernando Rangel Tura UFRJ Luciana Maria Ribeiro Pereira Faculdade NOVAFAPI Maria Cândida de Almeida Lopes Faculdade NOVAFAPI/UFPI Maria do Carmo de Carvalho Martins Faculdade NOVAFAPI/UFPI Maria do Socorro Costa Feitosa Alves UFRN Maria Zélia de Araújo Madeira UFPI Bibliotecário/Librarian/Bibliotecario: Secretária/Secretary/Secretaria: Capa/Cover/Capa: Editoração/Lay-out/Diagramación: Tiragem/Number of Issues/Tiraja: Projeto/Project/Projecto: Maria José Soares Monte Faculdade NOVAFAPI Maurício Mendes Boavista de Castro Faculdade NOVAFAPI Mitra Mobin Faculdade NOVAFAPI José Nazareno Pearce de Oliveira Brito Faculdade NOVAFAPI Norma Sueli Marques da Costa Alberto Faculdade NOVAFAPI Paulo Henrique da Costa Pinheiro Faculdade NOVAFAPI Telma Maria Evangelista de Araújo Faculdade NOVAFAPI/UFPI Yúla Pires da Silveira Fontenele de Meneses Faculdade NOVAFAPI Francisco Renato Sampaio da Silva Gelsemânia Barros Martins Carvalho Time Propaganda Time Propaganda 500 exemplares Faculdade NOVAFAPI Revisão dos Resumos/Abstract Review/Revisión de Resumen Inglês/English/Inglês: Espanhol/Spanish/Español: Bibliotecário/Librarian/Bibliotecario: Harold Marwell de Oliveira Ellyda Fernanda de Sousa Oliveira Francisco Renato Sampaio da Silva R454 Revista Interdisciplinar [publicação da] Faculdade NOVAFAPI. Coordenação de Pesquisa e Pós-Graduação v.2, n. 2, 2009. Teresina: Faculdade NOVAFAPI, 2009 Trimestral ISSN 1983-9413 Saúde Ciências Humanas Tecnologia CDD 613.06 Endereço/Mail adress/Dirección: Rua Vitorino Orthiges Fernandes, 6123 • Bairro Uruguai • 64057-100 • Teresina • Piauí • Brasil Web site: www.novafapi.com.br • E-mail: [email protected] SUMÁRIO / CONTENTS / SUMARIO Revista Interdisciplinar NOVAFAPI • Teresina-PI ISSN 1983-9413 v. 2, n. 2, 2009. EDITORIAL / PUBLISHING / EDITORIAL A produção do conhecimento sobre a Estratégia Saúde da Família...............................................................................................05 La producción del conocimiento sobre la Estratégia Salud de la Familia (06) The production of the knowledge about the Family Health Strategy (07) Maria de Jesus Lima Almeida PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN Avaliação do estilo de vida de adultos jovens universitários de uma instituição de ensino superior de Teresina – Piauí.......09 Evaluation of universitarians young adults life style of a high teaching instituition in Teresina – Piauí Evaluación del estilo de vida de adultos jóvenes universitarios de una institución de nseñanza superior de Teresina – Piauí Luana Gabrielle de França Ferreira, Éric da Silva A visão dos usuários sobre o atendimento prestado pelos profissionais da estratégia saúde da família.................................16 The view of health usuers about the consultation serviced by the profissionals of family health strategy La visión de los usuarios de salud sobre el atendimiento prestado por profesionales de la estratégia salud de la familia Francisca Cecília Viana Rocha, Érica Mara do Rêgo Nolêto, Louziany Brito da Silva, Luciana Pinto de Sousa Silveira, Maria do Rosário de Fátima Batista Franco, Fernando José Guedes da Silva Junior Abordagem sobre alimentação saudável na estratégia saúde da família.....................................................................................21 Approach about Health feeding in Family Health Strategy Abordaje sobre alimentación saludable en la Estrategia Salud de la Familia Janaina Vieira Siqueira Santos, Raul Alfonsyn de Moura Rodrigues, Maria Edna Rodrigues de Lima Grau de satisfação de funcionários de uma unidade de alimentação e nutrição em um hospital público estadual de Teresina-Pi........................................................................................................................................................................................28 Satisfaction degree of employees of a Nutrition and feeding Unit in a state public hospital in Teresina-PI. Grado de satisfacción de funcionarios de una Unidad de Alimentación y Nutrición en un Hospital Público Estatal de Teresina-PI. Mercia Maria da Silva Guede, Marinalva da Silva Moura, Clélia de Moura Fé Campos Situação vacinal no primeiro ano de vida numa unidade básica de saúde de Teresina-PI..........................................................34 Children vaccinal situation in the first year of life serviced in a health basic unit in Teresina-PI Situación de vacuna de niños en el primero año de vidas atendidas en una Unidad Básica de Salud de Teresina-PI Jesuína Maria Muniz Damasceno Holanda, Ivanilda Sepúlveda Gomes, Márcia Teles de Oliveira Gouveia A inclusão do nutricionista na equipe da estratégia saúde da familia...........................................................................................41 The inclusion of the nutricionist inclusion i n the team of family health stratégy La inclusión de la inclusión del nutricionista en el equipo de la estrategia salud de la familia Sulândia Maria de Sousa Melo, Theonas Gomes Pereira Análise do teor de cloro ativo em soluções de hipoclorito de sódio comercializadas em lojas de materiais odontológicos de Teresina-PI.............................................................................................................................................................................................47 Analysis of the chlorine content active in solutions of sodium hypochloret commercialized in dentistry material stores in Teresina-PI Análisis del teor de cloro activo en soluciones de hipoclorito de sódio comercializadas en tiendas de materiales odontológicos de Teresina-PI Gisele Torres Feitosa, Carlos Alberto Monteiro Falcão 3 SUMÁRIO / CONTENTS / SUMARIO REFLEXÃO / REFLECTION / REFLECIONE A paternidade socioafetiva: aspectos psicológicos e a consolidação no âmbito jurídico ..........................................................52 The socioaffetive paternity: psycolgical aspects and the consolidation in the juridic scope. La paternidad socioafetiva: aspectos psicológicos y la consolidación en el ámbito jurídico Suênya Marley Mourão Batista, Eduardo Diniz REVISÃO / REVIEW PAPER / REVISIÓN A produção científica sobre biossegurança na área da saúde com enfoque na odontologia.....................................................58 The scientific production about biosecurity in the health area with approach in dentistry La produción científica sobre bioseguridad en el área de la salud con enfoque en odontología Luana Kelle Batista Moura, Francisca Tereza Coelho Matos Prevenção e controle da infecção hospitalar: uma revisão da literatura.......................................................................................65 Prevention and control of hospital infection: a literature review. Prevención y control de la infección hospitalar: una revisión de la literatura. Danicler Tavares Cruz, Maria Eliete Batista Moura Saúde bucal do idoso: uma revisão da literatura..............................................................................................................................71 Elderly buco health: a literature review Salud bucal del anciano: una revisión de la literatura Thiago Alberto de Souza Monteiro, Claudete Ferreira de Souza Monteiro Percepção do usuário sobre a estratégia saúde da família: uma revisão da literatura................................................................77 Users perception about the strategy of family health: a literature review Percepción del usuario sobre la estrategia salud de la família: una revisión de la literatura Hévila Marques da Silva Mota, Maria Eliete Batista Moura Papilomavírus humano - HPV associado ao câncer cervical uterino: uma revisão da literatura.................................................83 Human virus papiloma - HVP associated to cervical womb cancer: a literature review. Papilomavirus humano - HPV asociado al cáncer cervical uterino: una revisión de la literatura Adriana de Medeiros Santos, Maria Eliete Batista Moura NORMAS PARA PUBLICAÇÃO...............................................................................................................................................................89 PUBLISHING NORMS.............................................................................................................................................................................93 NORMAS PARA PUBLICACIÓN.............................................................................................................................................................97 FICHA DE ASSINATURA.......................................................................................................................................................................101 4 EDITORIAL / PUBLISHING / EDITORIAL A produção do conhecimento sobre a Estratégia Saúde da Família Maria de Jesus Lima Almeida Coordenadora do Curso de Especialização em Saúde da Família - NOVAFAPI A Estratégia Saúde da Família (ESF) foi desenvolvida pelo Ministério da Saúde, há mais de dez anos, com o objetivo de implementar a Atenção Básica de Saúde nos municípios, por meio da disseminação de novas práticas de promoção da qualidade de vida, ajustadas às condições da população. Atualmente, é considerada como estratégia prioritária de reorganização da Atenção Básica no Brasil, reafirmando os princípios básicos do Sistema Único de Saúde (SUS): universalização, equidade, descentralização, integralidade e participação da comunidade, mediante o cadastramento e a vinculação dos usuários. Assim, para atender a família, integralmente, em seu espaço social, a ESF requer uma nova postura profissional, exigindo um alinhamento do processo de formação dos profissionais de saúde. A partir da compreenção desse novo paradigma, a Faculdade NOVAFAPI criou, desde o ano de 2006, os Cursos de Especialização em Saúde da Familia, contribuindo com a formação de aproximadamente 250 profissionais da área da saúde, e tornando-os aptos a trabalharem nessa perspectiva de saúde. A ESF tem sido também objeto de atenção dos pesquisadores da área de saúde no Brasil, visualizando-se uma considerável produção de conhecimento por pesquisadores brasileiros, em permanente desenvolvimento. Essa edição da Revista Interdisciplinar foi idealizada para divulgar os trabalhos de pesquisa desenvolvidos por pesquisadores sobre a saúde da familia. Os estudos publicados mencionam, sobretudo, a percepção do usuário sobre a mudança do cuidado a partir da implantação da ESF, bem como a educação em saúde como elemento central da prevenção e promoção da saúde em todas as faixas etárias. Com essa proposta, a Revista Interdisciplinar contrubui com o avanço do conhecimento nessa área, sendo o tema central desta edição de especial interesse para todos os profissionais comprometidos com a saúde pública. Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 5. 5 EDITORIAL / PUBLISHING / EDITORIAL The production of the knowledge about the Family Health Strategy Maria de Jesus Lima Almeida Head of the Especialization Course in Family Health – NOVAFAPI 6 The Family Health Strategy – Estratégia Saúde da Família (ESF) was developed by the Ministry of Health over ten years ago, with the objective of implementing Basic Health Care in municipalities, through the dissemination of new practices for promoting quality of life, adjusted to the population conditions. Currently, it is considered an essential strategy for the reorganization of Basic Care in Brazil, reaffirming the principles of the universal health care system - Sistema Único de Saúde (SUS): universalization, equity, decentralization, integrality and participation of the community, through the registration of users. Therefore, to serve the family integrally, in its social space, the ESF requires a new professional attitude, demanding an alignment of the formation process of health professionals. From the understanding of this new paradigm, Faculdade NOVAFAPI created, in 2006, the Specialization Courses in Family Health, contributing to the formation of approximately 250 health professionals, and making them able to work with this health perspective. ESF has also been an object of attention for researchers of health issues in Brazil, where a considerable amount of knowledge being produced by Brazilian researchers is in permanent development. This edition of Revista Interdisciplinar was idealized to publish the research papers developed by researchers on family health. The studies published mention, above all, the perception of the user about the change in care from the implementation of the ESF, as well as the health education as a central element for preventing and promoting health in all age groups. With this proposition, Revista Interdisciplinar contributes to the advancement of knowledge in this area, being the central theme of this edition of special interest to all the professionals committed to public health Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 6. EDITORIAL / PUBLISHING / EDITORIAL La producción del conocimiento sobre la Estratégia Salud de la Familia Maria de Jesus Lima Almeida Coordinanador del Curso de Especialização em Salud de la Família-NOVAFAPI La Estrategia Salud de la Familia (ESF) fue desarrollada por el Ministerio de la Salud, por más de diez años, con el objetivo de implementar la Atención Básica de Salud en los municipios, por medio de la diseminación de nuevas prácticas de promoción da calidad de vida, ajustadas a las condiciones de la población. Actualmente, es considerada como estrategia prioritaria de reorganización de la Atención Básica en Brasil, reafirmando los principios básicos del Sistema Único de Salud (SUS): universalización, equidad, descentralización, integralidad y participación de la comunidad, mediante el cadastro y el vínculo de los usuarios. Así, para atender la familia, integralmente, en su espacio social, la ESF requiere una nueva postura profesional, exigiendo un aliñamiento del proceso de formación de los profesionales de salud. A partir de la comprensión de ese nuevo paradigma, la Facultad NOVAFAPI creó, desde el año de 2006, los Cursos de Especialización en Salud da Familia, contribuyendo con la formación de aproximadamente 250 profesionales del área de la salud, y tornándolos aptos a trabajaren en esa perspectiva de salud. La ESF tiene sido también objeto de atención de los investigadores del área de salud en Brasil, visualizándose una considerable producción de conocimiento por investigadores brasileños, en permanente desarrollo. Esa edición de la Revista Interdisciplinar fue idealizada para divulgar los trabajos de pesquisa desarrollados por investigadores sobre la salud de la familia. Los estudios publicados mencionan, sobretodo, la percepción del usuario sobre el cambio del cuidado a partir de la implantación de la ESF, bien como la educación en salud como elemento central de la prevención y promoción de la salud en todas las fajas etarias. Con esa propuesta, la Revista Interdisciplinar contribuye con el avanzo del conocimiento en esa área, siendo el tema central de esta edición de especial interese para todos los profesionales comprometidos con la salud pública. Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 7. 7 PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN Avaliação do estilo de vida de adultos jovens universitários de uma instituição de ensino superior de Teresina – Piauí Evaluation of universitarians young adults life style of a high teaching instituition in Teresina – Piauí Evaluación del estilo de vida de adultos jóvenes universitarios de una institución de nseñanza superior de Teresina – Piauí Luana Gabrielle de França Ferreira RESUMO Acadêmica de Fisioterapia da Faculdade NOVAFAPI, Teresina, Piauí, Brasil. Éric da Silva Docente do curso de Fisioterapia da Faculdade NOVAFAPI, Teresina, Piauí, Brasil. A saúde de um indivíduo é determinada não só pela ausência de doenças, mas pela boa condição física, mental e social. A interação desses componentes caracteriza o estilo de vida que, de forma não adequada, pode gerar risco a ocorrência de doenças. O estudo objetiva caracterizar o estilo de vida de adultos jovens universitários de uma instituição privada de ensino superior de Teresina - PI. Trata-se de um estudo transversal realizado na Faculdade NOVAFAPI. Participaram da pesquisa 271 acadêmicos de ambos os sexos, adultos jovens de 20 a 40 anos. Para coleta de dados, foram utilizados dois questionários, um sobre os aspectos socioeconômicos e outro sobre “Estilo de Vida Fantástico”. Os dados foram analisados por estatística descritiva. Os resultados indicaram que os participantes possuíam uma média de 23 anos de idade, sendo 63,47% mulheres e 36,53% homens. Foram categorizados como estilo de vida “muito bom” 47% dos pesquisados. Item como uso de tabaco, álcool e prática de sexo seguro obtiveram pontuações desejáveis de vida saudável. Contudo, observou-se aspectos como sedentarismo e nutrição inadequada. Conclui-se que os indivíduos pesquisados possuem bons níveis socioeconômicos e estilo de vida “muito bom”, porém apresentaram pontuações não favoráveis na atividade física e nutrição, necessitando de orientações sobre práticas de saúde saudáveis. Descritores: Saúde do adulto. Estudantes. Estilo de vida. Saúde. ABSTRACT An individual health is determined not only by the absence of disease, but also by the good physique, mind and social condition. The interaction of these components caracterize the life style that, of adequate form, can generate risks to disease occurence. The study aims at characterizing The life of university Young adults of a private instituition of high teaching in Teresina - PI. It treats of a transversal study carried out at NOVAFAPI college. Participated of this resaerch 271 academics of both sex, Young adults age range 20 to 40 years of age. To data colleting were applied two quetionaire, one about the socioeconomic aspects and the other about “ Fantastic life style”. The data were analyzed by descriptive statistic. The results indicated that the participants possessed an average of 23 years of age, being 63,47% women and 36,53% men. Were cathegorized as “very good” 47% of the researched. Item such as the use of tabacco, alcohol and secure sexual practice got desirable ponctuations of healthy life. However, it was observed aspects such as sedentarism and inadequate nutrition. It is concluded that the individuals researched possess good socioeconomic levels and “very good” life style, however presented ponctuations not favorable in the physic activity and nutrition, needing orientation about practicing of healthy life. Descriptors: Adult health. students. Life style. Health. RESUMEN Submissão: 19/11/2008 Aprovação: 09/03/2009 La salud de un individuo es determinada no sólo por la ausencia de enfermedades, pero por la buena condición física, mental y social. La interacción de esos componentes caracteriza el estilo de vida que, de forma no adecuada, puede ocurrir riesgo a ocurrencia de enfermedades. El estudio objetiva caracterizar el estilo de vida de adultos jóvenes universitarios de una institución privada de enseñanza Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 9-15. 9 Júnior FJGS, et al. superior de Teresina - PI. Se trata de un estudio transversal realizado en la Facultad NOVAFAPI. Participaron de la pesquisa 271 académicos de ambos los sexos, adultos jóvenes de 20 a 40 años. Para coleta de datos fueron utilizados dos cuestionarios, uno sobre los aspectos socioeconómicos y otro sobre “Estilo de Vida Fantástico”. Los datos fueron analizados por estadística descriptiva. Los resultados indicaron que los participantes poseían una media de 23 años de edad, siendo 63,47% mujeres y 36,53% hombres. Fueron categorizados como estilo de vida “muy bueno” 47% de los pesquisados. Y tiene como causa el uso de tabaco, alcohol y práctica de sexo seguro obtuvieron puntuaciones deseables de vida saludables. Con todo, se observó aspectos como sedentarismo y nutrición inadecuada. Se concluye que los individuos pesquisados poseen buenos niveles socioeconómicos y estilo de vida “muy bueno”, sin embargo presentaron puntuaciones no favorables en la actividad física y nutrición, necesitando de orientaciones sobre prácticas de salud saludables. Descriptores: Salud del adulto. Estudiantes. Estilo de vida. Salud. 1 INTRODUÇÃO Atualmente, as doenças cardiovasculares (DCVs) representam a primeira causa de mortalidade e segunda causa de internações no Brasil. Estudo de série histórica observou que os principais grupos de causa de mortalidade são DCVs, neoplasias e causas externas, respectivamente (BARRETO; CARMO, 2007). A crescente incidência das DCVs e neoplasias nas últimas décadas geraram uma busca incessante pelos fatores de risco relacionados ao seu desenvolvimento. Grande parte dos fatores de risco é modificável através de intervenções no estilo de vida (ORTIZ; ZANETTI, 2001; RIQUE; SOARES; MEIRELLES, 2002). Apesar do maior impacto das doenças crônicas não transmissíveis e neoplasias nas faixas etárias mais elevadas, observa-se uma crescente aquisição de fatores de risco precocemente em adolescentes e jovens adultos. Destacam-se ainda condutas de saúde de forma geral que possuem impacto significativo na ocorrência de danos à saúde (FRANCA; COLARES, 2008). Em uma pesquisa com universitários da cidade de São Paulo para analisar o perfil socioeconômico e o estilo de vida observou-se que o álcool foi a substância mais utilizada entre os jovens, seguido do tabaco. Houve uma relação entre o uso de “drogas ilícitas” e o sexo masculino, “medicamentos com potencial de abuso” e alunos de períodos mais adiantados e maior renda familiar e o uso de álcool e drogas ilícitas. Os alunos fumantes praticavam menos esportes que os fumantes (SILVA, et al, 2006). Estudos semelhantes observaram alta prevalência do fator de risco sedentarismo em adultos jovens. Pesquisa com adolescentes e adultos jovens de São Paulo, para descrever freqüência de fatores de risco para doença aterosclerótica, observaram sedentarismo e ingestão inadequada de gordura em 78,9% e 77,5% dos pesquisados, respectivamente (RABELO, et al, 2008). Nos últimos anos diversas pesquisas relativas à epidemiologia de fatores de risco e condutas de saúde em adolescentes e adultos jovens vêm sendo desenvolvidas no país e suas regiões na tentativa de delinear o comportamento epidemiológico e determinar estratégias em saúde específicas. O presente estudo teve como objetivo caracterizar o estilo de vida de adultos jovens universitários de uma instituição privada de ensino superior da cidade de Teresina- PI. 10 2 MATERIAL E MÉTODOS Realizou-se um estudo seccional com a população de estudantes acadêmicos da Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí – NOVAFAPI, localizada na cidade de Teresina, Piauí, nos meses de outubro e novembro de 2009. A população foi composta por acadêmicos adultos jovens (20 a 40 anos) da Faculdade NOVAFAPI, com a amostra de 271 pessoas recrutadas por voluntariedade. Os alunos foram recrutados nos locais de maior fluxo em horários livres, como praças de alimentação. Os critérios de inclusão do estudo foram adultos jovens de ambos os sexos de graduação, regularmente matriculados no segundo semestre letivo de 2009 na instituição de ensino superior (IES) e que concordaram participar da pesquisa. Foram excluídos do estudo acadêmico aqueles que mencionaram problemas graves de saúde ou que não responderam o questionário de forma clara e/ou completa. O protocolo de pesquisa foi composto com questionário fase I e II. A fase I consistia em perguntas sobre características socioeconômicas, como idade, sexo, curso, período do curso e renda familiar mensal. A fase II investigava o estilo de vida por meio do Questionário “Estilo de Vida Fantástico”, versão brasileira traduzida e validada de questionário canadense (AÑEZ; REIS; PETROSKI, 2008). O questionário considera o comportamento dos indivíduos no ultimo mês cujos resultados permitem determinar o estilo de vida. O instrumento possui 25 questões divididas em nove domínios: família e amigos, atividade física, nutrição, cigarro e drogas, álcool, sono, cinto de segurança, estresse e sexo seguro, tipo de comportamento, introspecção e trabalho. As questões foram objetivas, sendo 23 delas com cinco alternativas cada e 2 com duas alternativas. Cada opção possui uma pontuação de 0 a 4. A soma de todos os pontos permitiu chegar a um escore final, classificando os indivíduos em cinco categorias: excelente (85 a 100 pontos), muito bom (70 a 84 pontos), bom (55 a 69 pontos), regular (35 a 54 pontos) e necessita melhorar (0 a 34 pontos). O questionário foi aplicado de forma auto-administrada pelos participantes da pesquisa. Após o levantamento dos dados, estes foram digitados em planilha eletrônica e os cálculos estatísticos foram feitos utilizando-se o programa Microsoft Excel 2007. Foi realizada análise estatística descritiva a partir dos percentuais encontrados para as variáveis categóricas. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade NOVAFAPI com processo CAAE n° 0318.0.043.000-09, atendendo ao disposto na resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Os participantes autorizaram a participação por meio do termo de consentimento livre e esclarecido com garantia de sigilo e anonimato. 3 RESULTADOS A tabela 01 apresenta as características socioeconômicas dos participantes da pesquisa. A média da idade da população pesquisada foi de 23 anos (desvio padrão: 3), sendo composta por 99 pessoas do sexo masculino e 172 do sexo feminino. Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 9-15. Tabela 01. Características socioeconômicas dos adultos jovens universitários pesquisados. Teresina (PI), 2009. Sexo Faixa Etária (anos) Curso Período do Curso Renda Familiar (SM) Feminino Masculino 20|---- 25 25|---- 30 30|---- 35 35|----|40 Nutrição Enfermagem Medicina Fisioterapia Fonoaudiologia Odontologia Biomedicina Educação Física Direito Administração 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 até 10 11 a 20 21 a 30 31 a 40 mais que 40 Nº 172 99 226 28 11 6 28 21 30 63 13 29 34 10 40 3 12 28 21 28 37 71 46 8 9 11 112 78 37 20 24 % 63.47 36.53 83.39 10.33 4.06 2.21 10.33 7.75 11.07 23.25 4.8 10.70 12.55 3.69 14.76 1.11 4.43 10.33 7.75 10.33 13.65 26.20 16.97 2.95 3.32 4.06 41.33 28.78 13.65 7.38 8.8 Os universitários foram classificados como estilo de vida “muito bom”, segundo o questionário. A classificação do estilo de vida encontra-se no gráfico 01. O instrumento de pesquisa do estilo de vida abordou nove domínios, verificando que itens como cigarro e drogas, álcool, prática de sexo seguro, dentre outros, contribuíram para a classificação citada anteriormente. Apesar da classificação satisfatória do estilo de vida, domínios como atividade física e nutrição apresentaram respostas pouco favoráveis Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 9-15. à saúde. Em atividade física, tabela 02, os pesquisados relataram a prática de atividade física vigorosa e moderada “menos de uma vez por semana” 49,82% e 31%, respectivamente. Em nutrição, tabela 03, a dieta balanceada foi relatada por 28,78% como conduta “algumas vezes” e que dentre os itens açúcar, sal, gordura animal e salgadinhos dois deles são ingeridos freqüentemente em excesso por 31,73% dos estudantes. 11 Tabela 02. Caracterização quanto à atividade física dos adultos jovens universitários, Teresina (PI), 2009. Atividade Física Vigorosamente Ativo Total Moderadamente Ativo Freqüência semanal Menos de 1 vez 1-2 vezes 3 vezes 4 vezes 5 ou mais vezes Menos de 1 vez 1-2 vezes 3 vezes 4 vezes 5 ou mais vezes Total N° 135 43 39 21 33 271 84 65 52 27 43 271 % 49,82 15,87 14,39 7,75 12,18 100,00 31,00 23,99 19,19 9,96 15,87 100,00 N° 60 60 78 43 30 271 69 53 86 42 21 271 36 14 34 37 150 271 % 22,14 22,14 28,78 15,87 11,07 100,00 25,46 19,56 31,73 15,50 7,75 100,00 13,28 5,17 12,55 13,65 55,35 100,00 Tabela 03. Caracterização quanto à nutrição dos adultos jovens universitários, Teresina (PI), 2009. Dieta balanceada Total Come em excesso: Sal, açúcar, gordura animal, salgados. Total Intervalo de peso Quase nunca Raramente Algumas vezes Com relativa freqüência Quase sempre 4 itens 3 itens 2 itens 1 item nenhum Mais de 8 kg 8 kg 6 kg 4 kg 2 kg Total Em cigarros e drogas, a questão fuma cigarros foi relatada como “nenhum nos últimos 5 anos” por 80,07%, item com maior pontuação. Já no quesito uso de drogas 97,42% respondeu “nunca” e abuso de remédios 68,27% relataram “nunca” como conduta. No domínio álcool, observou-se que 80,44% dos participantes consumiram no último mês uma média semanal de “0 a 7 doses” de álcool e 34,69% afirmaram “algumas vezes” dirigir após beber como mostra a tabela 04. Tabela 04. Caracterização quanto ao uso de álcool pelos adultos jovens universitários, Teresina (PI), 2009. Ingestão média álcool semanal Total Consumo mais de 4 doses em uma ocasião Total Dirigir após beber Total 12 Mais de 20 doses 13 a 20 doses 11 a 12 doses 8 a 10 doses 0 a 7 doses Quase diariamente Com relativa freqüência Ocasionalmente Quase nunca Nunca Algumas vezes Nunca N° 17 14 7 15 218 271 8 36 90 49 88 271 94 177 271 % 6,27 5,17 2,58 5,54 80,44 100,00 2,95 13,28 33,21 18,08 32,47 100,00 34,69 65,31 100,00 Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 9-15. Destacam-se ainda dados sobre condutas de saúde, como uso de cinto de segurança, na qual 48,34% dos universitários afirmaram fazer uso “sempre”. Quanto à prática de sexo de forma segura, verificou-se que 68,63% alegaram essa conduta como “sempre”. 4 DISCUSSÃO Por se tratar de uma instituição de ensino superior privada, pode-se caracterizar a população com poder aquisitivo relativamente alto. Portanto, os estudantes adultos jovens pesquisados não representam a realidade brasileira que, no geral, possui baixa renda familiar. Conhecer peculiaridades de cada população é fundamental para que estratégias de saúde pública na promoção da saúde e prevenção de doenças possam ser planejadas e executadas de forma efetiva. O questionário “estilo de vida fantástico” é um recurso canadense de saúde pública, traduzido e validado para os padrões brasileiros. Foi recentemente publicado, buscando tornar-se um instrumento de fácil aplicação, baixo custo, apropriado para pesquisas epidemiológicas, abordando comportamentos que permitem avaliar o estilo de vida e associá-lo à saúde (AÑEZ; REIS; PETROSKI, 2008). Por ser um recurso recentemente utilizado na realidade brasileira, ocorreram limitações nas comparações com outras pesquisas sobre os temas avaliados. Questionários autoaplicados possuem limitações, geralmente levam a taxas menores de relatos de comportamentos socialmente condenáveis. Buscou-se minimizar essa ocorrência por meio de questionários anônimos, de preenchimento voluntário e com garantia verbal e escrita pelo pesquisador de confidencialidade das informações. Foram avaliados aspectos relacionados à atividade física e nutricional a qual engloba grande parte das mudanças de estilo de vida necessárias na prevenção e controle de doenças cardiovasculares. A nutrição adequada pode alterar a incidência e a gravidade das coronariopatias. Níveis elevados de colesterol sérico são associados com aterosclerose prematura em adolescentes e adultos jovens (COELHO, et al, 2005). Um dos maiores benefícios da atividade física regular é a melhora do perfil lipídico em longo prazo (RIQUE; SOARES; MEIRELLES, 2002). Estudos com universitários mostraram alta prevalência para o sedentarismo e nutrição inadequada com destaque à ingestão de gordura, colaborando para o excesso de peso (FISBERG, et al, 2001; FONTES; VIANNA, 2009; RABELO, et al, 2008). Um estudo com objetivo de verificar o nível de atividade física e os hábitos alimentares de alunos de graduação da área da saúde observou um alto nível de sedentarismo: 65,5%, dos quais 66,7% justificaram tal ocorrência pela falta de tempo e 21,2% pela falta de disposição. Destacou também inadequação alimentar em 79,7% dos participantes e percentual de 74% de indivíduos com consumo inadequado de refrigerante e doce. Indivíduos com educação e níveis socioeconômicos elevados deveriam ter níveis adequados de atividade física e nutrição por deterem conhecimento sobre benefícios à saúde e condições financeiras chegar ao padrão de vida ideal (MARCONDELLI; COSTA; SCHMITZ, 2008). Em uma universidade pública do nordeste brasileiro encontrou-se baixo nível de atividade física em 31,2% dos discentes e o maior tempo de ingresso esteve associado a uma tendência de diminuição da intensidade da atividade física realizada. Excesso de peso foi encontrado em 21% dos estudantes, sendo 15,3% de sobrepeso e 5,7% de obesidade. As variáveis que tiveram associação estatística com o baixo nível de atividade física foram características econômicas (melhores rendas), institucionais (período do curso) e hábitos de vida. Não tiveram relação com o sexo, idade e consumo de fumo e álcool (FONTES; VIANNA, 2009). Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 9-15. Outra conduta a ser discutida é o uso de cigarros e drogas entre universitários. Na pesquisa observou-se baixa prevalência no uso de cigarros, drogas ilícitas e remédios, resultados possivelmente explicados devido ao grande número de estudantes de cursos da saúde que conhecem os danos causados pelas substâncias pesquisadas. Destaca-se que a prevalência do tabagismo no Brasil caiu de 35% para 16% de 1989 a 2006 e que o uso de cigarro mostra-se consistentemente mais concentrado entre os grupos populacionais com baixos níveis socioeconômicos (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2007). Estudos apontam que o uso de tabaco inicia-se precocemente na adolescência antes dos 18 anos e que as doenças cardiovasculares são as mais importantes conseqüências de seu consumo. Fumantes tendem a apresentar um perfil plasmático aterogênico mais comprometido, maior liberação de catecolaminas, aumento da concentração de monóxido de carbono na corrente sanguínea e aumento da agregação plaquetária. Evidências apontam relação entre ingestão de álcool e tabagismo (GUEDES, et al, 2007). Estudos com universitários observaram baixas prevalências para o hábito de fumar (FONTES; VIANNA, 2009; MARCONDELLI; COSTA; SCHMITZ, 2008). Pesquisa sobre uso de psicotrópicos em universitários amazonenses observou que o uso inicial de drogas foi aos 16 a 18 anos para o álcool e tabaco, sendo estas as drogas lícitas mais consumidas. No mesmo estudo, verificou-se que as drogas psicotrópicas ilícitas, as mais “usadas na vida”, foram solventes, maconha, anfetamínicos e cocaína, respectivamente, sendo a curiosidade o principal motivo apontado para o uso (LUCAS, et al, 2006). As mulheres são as maiores consumidoras de anfetamínicos (WAGNER; ANDRADE, 2008). Os alunos dos cursos de saúde tiveram maior uso de benzodiazepínicos nos últimos períodos, fato explicado pelo estresse de final de curso e sobrecarga de plantões (KERR-CORRÊA, et al, 1999). Os resultados encontrados apontaram uma ingestão moderada de álcool semanalmente pelos pesquisados. Pesquisas na área de cardiologia vêm mostrando um efeito protetor do álcool ingerido moderadamente nas coronariopatias (RIQUE; SOARES; MEIRELLES, 2002). Pesquisa sobre uso de psicotrópicos entre universitários da área da saúde observou que o “uso na vida” de álcool foi relatado por 87,7% dos estudantes sem diferença significativa entre os sexos. Discutiu ainda que a população de estudantes universitários não difere muito no “uso na vida” de álcool da população em geral, tampouco no “uso na vida” de tabaco (LUCAS, et al, 2006). Estudos encontraram maior prevalência para os psicotrópicos álcool e tabaco, respectivamente, com o uso possivelmente explicado por ser drogas lícitas e incentivadas nas relações sociais (KERR-CORRÊA, et al, 1999; LUCAS, et al, 2006; WAGNER; ANDRADE, 2008). Inquéritos constatam que o consumo de álcool entre estudantes universitários pode acarretar: acidentes automobilísticos, violência, comportamento sexual de risco, diminuição da percepção e estresse (WAGNER; ANDRADE, 2008). Universitários de Alfenas, Minas Gerais, do sexo masculino possuem maior freqüência de relações sexuais sem uso de preservativos quando estão sob uso de psicotrópicos e 23,5% dirigiram após consumirem bebidas alcoólicas, entre esses 17% já se envolveram em acidentes de trânsito (FIORINI, et al, 2003). Outro estudo para investigar comportamentos de risco para acidentes de trânsito entre universitários de medicina da região sul do Brasil, verificou que 44,6% dos estudantes do sexo masculino relataram ingestão prévia de bebida alcoólica à condução de veículo automotor. Jovens do sexo masculino tendem a assumir comportamentos de risco à saúde mais freqüente que o sexo feminino. Observou, ainda, uma alta e baixa freqüência do uso de cinto de segurança nos bancos dianteiro e traseiro do carro, 13 respectivamente (ANDRADE, et al, 2003). Os resultados expostos anteriormente mostram uma alta prevalência do uso de métodos preservativos e contraceptivos por meio do item prática de sexo seguro, o que corrobora com dados encontrados na literatura para universitários brasileiros. A prática sexual entre adolescentes e adultos jovens é bem discutida na comunidade científica com estudos de uso de contraceptivos, gravidez e doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Pesquisa sobre intenções reprodutivas e práticas de regulação da fecundidade entre universitários de São Paulo verificou resposta positiva em relação ao uso dos contraceptivos no grupo universitário. Comentase, ainda, que o perfil diferenciado desse grupo é explicado pela inserção na universidade e expectativas profissionais, ocorrendo um adiamento da maternidade/paternidade. A maioria das gestações entre estes universitários foi finalizada com aborto (PIROTTA; SCHOR, 2004). O número de anos de estudo estaria relacionado ao fazer uso de métodos anticoncepcionais e apresentar tendência a ter menos gestações não planejadas. Os principais métodos usados são condom e a pílula, usados separadamente ou combinados, observando tendência à substituição do condom pela pílula entre os estudantes que estão em relacionamentos (ALVES; LOPES, 2008; PIROTTA; SCHOR, 2004; RABELO, et al, 2006). Ressalta-se, ainda, o uso de métodos preservativos na prevenção de DSTs. Em estudo para detectar a opinião de estudantes universitários da área da saúde sobre uso de preservativos, 87% dos pesquisados referiram concordar com a afirmativa “o uso de camisinha evita Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) e outras DSTs” e 76,4% eram cientes da finalidade múltipla do preservativo, como protetor contra DSTs e contraceptivo (GIR; DUARTE; CARVALHO, 1997). Em estudo o uso de preservativo foi citado por 95% dos pesquisados do sexo masculino e feminino como uma das medidas preventivas contra AIDS e DSTs (GIR, et al, 1999). O instrumento utilizado proporcionou uma ampla exploração de condutas pertinentes à saúde, observando-se que, apesar do sedentarismo e inadequação nutricional verificados, a classificação do estilo de vida, segundo o questionário, foi satisfatória. Ressalta-se que a grande maioria dos participantes da pesquisa são acadêmicos de cursos de saúde sobre os quais se pressupõe um maior entendimento dos fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis e condutas de risco à saúde de forma geral. As características da população estudada são peculiares, não correspondendo aos padrões brasileiros e teresinenses, necessitando de pesquisas de maior abrangência para chegar a resultados conclusivos. REFERÊNCIAS ALVES, A. S.; LOPES, M. H. B. M. Uso de métodos anticoncepcionais entre adolescentes universitários. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 61, n. 2, p. 170-177, 2008. ANDRADE, S. M. et al. Comportamentos de risco para acidentes de trânsito: um inquérito entre estudantes de medicina na região sul do Brasil. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 49, n. 4, p. 439-444, 2003. AÑEZ, C. R. R.; REIS, R. S.; PETROSKI, E. L. Versão brasileira do questionário “Estilo de vida fantástico”: tradução e validação para adultos jovens. 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Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 9-15. PIROTTA, K. C. M.; SCHOR, N. Intenções reprodutivas e práticas de regulação da fecundidade entre universitários. Revista de Saúde Pública, v. 38, n. 4, p. 495-502, 2004. RIQUE, A. B. R.; SOARES, E. A.; MEIRELLES, C. M. Nutrição e exercício na prevenção e controle de doenças cardiovasculares. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 8, n. 6, p. 244-54, nov-dez. 2002. RABELO, L. M. et al. Fatores de risco para doença aterosclerótica em estudantes de uma universidade privada em São Paulo – Brasil. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 72, n. 5, p. 559-74, 2008. SILVA, L. V. E. R. et al. Fatores associados ao consumo de álcool e drogas entre estudantes universitários. Revista de Saúde Pública, v. 40, n. 2, p. 280-8, 2006. RABELO, S. T. O. et al. Gravidez e DST: práticas preventivas entre universitários. Jornal Brasileiro de Doenças Sexualmente Transmissíveis, v. 18, n. 2, p. 148-155, 2006. WAGNER, G. 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Louziany Brito da Silva Enfermeira Graduada pela Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí (NOVAFAPI), Teresina – PI. Luciana Pinto de Sousa Silveira A Estratégia Saúde da Família (ESF) constitui a principal forma de acesso dos usuários do Sistema Único de Saúde, tendo como porta de entrada a atenção básica. O estudo objetivou descrever a visão dos usuários da saúde sobre o atendimento prestado pelos profissionais da Estratégia Saúde da Família e analisar os aspectos apontados no desempenho desse serviço que favoreça a equidade e universalidade da assistência e integralidade das ações de saúde. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, realizada na Unidade Básica de Saúde da Piçarreira, no período de maio a junho de 2009, através de entrevista semi-estruturada feita com 20 usuários atendidos pela equipe 97. Os resultados indicaram duas categorias, a saber: limitações no atendimento ambulatorial e a escassez de visita domiciliar. Percebe-se que ainda existem dificuldades para a universalização do acesso dos usuários à saúde pública, devendo haver organização por parte do sistema de saúde, dos gestores municipais e dos profissionais, para melhor atender à população e, consequentemente, atingir os objetivos da estratégia. Descritores: Acesso aos serviços de saúde. Saúde da Família. Enfermagem. Enfermeira Graduada pela Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí (NOVAFAPI), Teresina – PI. Maria do Rosário de Fátima Batista Franco Enfermeira. Especialista em Saúde do Adulto e Idoso. Docente da Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí (NOVAFAPI), Teresina – PI. Fernando José Guedes da Silva Junior Graduando em Enfermagem pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). ABSTRACT Family Health Strategy (FHS) constitute the main form of users access “ Sistema Único de Saúde”, having as gateway the basic attention . The study aimed at discribing a the users health vision about the consultation serviced by the profissionals of the Family heath strategy and analyze the aspects pointed in this service performed that favor the equanimity and universality of the assistance and integrality of the health actions. It treats of a qualitative research, carried out in the Health Basic Unity of the Piçarreira district, in the period from may to june 2009, through interview semi-structured done with 20 users served by the team 97. The results indicated two cathegories, Knowing: limitatons in the consultation serviced in the out-patient clinic and the scarcity home visiting. It is realized that that there is still difficulties to the Access universalization of the health public users, there being organization by the part of system, gestors municipalities gestors and the profissionals, to improve the servecing of the population and consequently reach the startegic objetives. Descriptors: Access to health service. Famíly Health.Nursing. RESUMEN Submissão: 28/11/2008 Aprovação: 10/02/2009 16 La Estratégia Salud de la Familia (ESF) constituye la principal forma de aceso de los usuarios del Sistema Único de Salud, teniendo como porta de entrada la atención básica. El estudio objetivó describir la visión de los usuarios de salud sobre el atendimiento prestado po profesionales de la Estratégia Salud de la Familia y analizar los aspectos apuntados en el desempeño de ese servicio que favorezca la ecuidad y universalidad de la asistencia e integralidad de las acciones de salud. Se trata de una pesquisa cualitativa, realizada en la Unidad Básica de Salud de la Piçarreira, en el periodo de mayo a junio de 2009, a través de encuesta semi-estructurada hecha con 20 usuarios atendidos por el equipo 97. Los resultados indicaron dos categorias, a saber: limitaciones en el atendimiento ambulatorial y la escasez de visita domiciliar. Se percibe que aún existen dificultades para la universalización del aceso Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 16-20. de los usuarios a la salud pública, debiendo haver organización por parte del sistema de salud, de los gestores municipales y de los profesionales, para mejor atender la población y consecuentemente atingir a los objetivos de la estratégia. Descriptores: Aceso a los servicios de salud. Salud de la Familia. Enfermería. 1 INTRODUÇÃO O Programa de Saúde da Família (PSF) foi concebido pelo Ministério da Saúde (MS) em 1994, com o objetivo de proceder à reorganização da prática assistencial em novas bases e critérios, em substituição ao modelo tradicional de assistência: hospitalocêntrico e orientado para a cura de doenças. Nesta nova perspectiva sanitária, a atenção está centrada na família, entendida e percebida a partir do seu ambiente físico e social, o qual possibilita às equipes uma compreensão ampliada do processo saúde/doença e da necessidade de intervenções que vão além de práticas curativas (COQUEIRO; NERY; CRUZ, 2008). O PSF, atualmente denominado Estratégia Saúde da Família (ESF), desempenha papel estratégico para a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), ao favorecer a equidade e universalidade da assistência e integralidade das ações de saúde, por meio de ações inovadoras no setor. Seus pressupostos e diretrizes norteiam os processos de trabalho em saúde na perspectiva do diálogo entre equipe multiprofissional e usuário. A estratégia segue os princípios do SUS e está voltada para a promoção da saúde (BRASIL, 2004). Segundo pesquisas recentes, a região nordeste tem a maior cobertura do programa no país, cerca de 75% da população é acompanhada. Aproximadamente, três milhões de piauienses são acompanhados pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) da ESF. Os dados mostram que o Piauí é o primeiro colocado do Nordeste, cobrindo 99,5% de sua população, seguido da Paraíba e Sergipe, em Teresina 93% tem cobertura. (CURY; SÁ, 2008). É importante salientar que a ESF visa à reorganização da atenção básica no país, de acordo com os preceitos do SUS, o que nos leva a acreditar que este seja um instrumento fundamental na reestruturação do sistema público de saúde. Além disso, prioriza as ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde das pessoas, de forma integral e contínua. O atendimento é prestado na Unidade Básica de Saúde (USB) ou no domicílio, pelos profissionais que compõem as equipes de saúde da família. Assim, esses profissionais e a população acompanhada pela equipe criam vínculos de co-responsabilidade, o que facilita a identificação e a resolução dos problemas de saúde da comunidade (BRASIL, 2006). O trabalho desenvolvido pela ESF é considerado uma nova versão do modelo de atenção à saúde, pois cria novas formas de acesso ao sistema de saúde, com uma modalidade diferente no trabalho dos profissionais de saúde, direcionada ao individuo, a família e a comunidade, acompanhada de um melhor conhecimento da realidade do cliente, condições de vida e suas necessidades, colocando em prática o conceito de cidadania (SOUZA, 2000). A importância do trabalho em equipe na ESF é ressaltada, principalmente, pelo aspecto de integralidade nos cuidados de saúde. Considerado um dos princípios doutrinários do SUS, a integralidade reveste-se, no decorrer dos anos de 1990, e principalmente neste início de século, de uma importância estratégica ímpar para a consolidação de um novo modelo de atenção à saúde no Brasil (MATTOS, 2001; MATTOS, 2003; CECÍLIO, 2001). Considerando os princípios do SUS, a ESF é atualmente a mais importante mudança estrutural já realizada na saúde pública no Brasil, por Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 16-20. oferecer uma nova dinâmica de trabalho para a estruturação dos serviços de saúde, bem como para a sua relação com a comunidade e entre os diversos níveis e complexidade assistencial, causando, assim, uma verdadeira transformação do modelo de saúde. Para que a ESF desencadeie um processo de construção de novas práticas, considera-se imprescindível que os trabalhadores envolvidos nessa estratégia articulem uma nova dimensão no desenvolvimento do trabalho em equipe. Faz-se necessária a incorporação não apenas de novos conhecimentos, mas mudança na cultura e no compromisso com a gestão pública, a fim de garantir uma prática pautada nos princípios da promoção da saúde (ARAÚJO; ROCHA, 2007). O trabalho da equipe tem como objetivo a obtenção de impactos sobre os diferentes fatores que interferem no processo saúde-doença. A ação interdisciplinar pressupõe a possibilidade da prática de um profissional se reconstruir na prática do outro, ambos sendo transformados para a intervenção na realidade em que estão inseridos. No SUS, o modelo vigente valoriza a participação da comunidade que é garantida constitucionalmente através de suas entidades representativas, participando do processo das políticas públicas de saúde em todos os níveis, desde o federal até o nível local, deixando o usuário de ser apenas um consumidor, passando a integrar a gestão do sistema, com sua participação nos conselhos e nas conferências de saúde, atendendo a uma tentativa do Estado de resgatar o direito à cidadania da população. Os profissionais que atuam neste programa devem prestar assistência integral e contínua, com resolutividade à população da sua área de abrangência, atendendo às famílias em seu contexto social, de forma humanitária. Para isso, estes devem estabelecer vínculo com a população para organização da comunidade e, assim, tornar-se co-responsável pelas ações desenvolvidas pelo programa. Considerando este contexto, percebe-se a importância da ESF, haja vista ser um programa que contribui para melhoria da assistência à saúde das famílias e das comunidades assistidas pela estratégia, busca conhecer detalhadamente a realidade das famílias que residem na sua área de abrangência, incluindo aspectos físicos, mentais, demográficos e sociais, além de identificar os problemas de saúde prevalentes da área adstrita. Baseado neste modelo de atenção à saúde que vem se consolidando no Brasil, despertou-se a necessidade de desenvolvimento deste estudo, o qual tem como objeto conhecer a visão do usuário sobre o atendimento prestado pela equipe da Estratégia da Saúde da Família. Dessa forma, pretende-se responder ao questionamento “Qual a visão do usuário sobre o atendimento prestado pelos profissionais da Estratégia Saúde da Família?”, apresentando uma descrição da visão dos usuários sobre os serviços de saúde prestados por esta equipe e analisando os aspectos evidenciados no desempenho desse serviço. 2 METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa de campo, com abordagem qualitativa, realizada em uma Unidade de Saúde da Família (USF) do bairro Piçarreira, situado na zona leste da cidade de Teresina-PI. A USF possui 4 equipes da ESF, compostas por 4 médicos, 4 enfermeiros, 4 auxiliares de enfermagem, 23 agentes comunitários de saúde e 3 dentistas, 3 atendentes de dentistas. A pesquisa foi desenvolvida com os usuários atendidos pela equipe 97 do turno da manhã a qual atende em média 682 pessoas, mensalmente. Destas, foram selecionados 20 sujeitos de forma aleatória. O critério utilizado para seleção dos sujeitos foi que os usuários tivessem idade superior a 18 anos, e que apresentassem condições de pres17 tar informações sobre os atendimentos prestados pela ESF, bem como aceitassem participar do estudo mediante leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A produção dos dados ocorreu nos meses de maio e junho de 2009, por meio de entrevistas semi-estruturadas, as quais foram realizadas após o atendimento dos usuários pelos profissionais da equipe 97 da ESF. Os dados coletados foram agrupados conforme similaridade semântica de acordo com os pressupostos metodológicos de Minayo (2006). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí (NOVAFAPI), tendo sido aprovado pelo protocolo CAAE nº 0114.0.043.000-09, de acordo com a Resolução nº 196/96, do Conselho Nacional de Saúde (BRASIL,1996). 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO A ESF estrutura-se em uma unidade de saúde, com equipe multiprofissional, que assume a responsabilidade por uma determinada população, em território definido, onde desenvolve suas ações. Integra-se numa rede de serviços, garantindo atenção integral aos indivíduos e famílias, assegurada a referência e contra-referência para os diversos níveis do sistema, de problemas identificados na atenção básica. As categorias encontradas foram: Limitações no atendimento ambulatorial aos usuários na Estratégia Saúde da Família; e a escassez da visita domiciliar na Estratégia Saúde da Família. Limitações no atendimento ambulatorial aos usuários na Estratégia Saúde da Família É fundamental conhecer como os usuários avaliam o atendimento a eles prestado, para repensar esta prática profissional ou intervir sobre a forma de organização dos serviços, visando ao seu aperfeiçoamento. Nesta categoria, observaram-se aspectos negativos do ESF e o que mais se repetiu foi a questão da demora para se conseguir uma consulta, ou seja, existe limitação do número de consultas, dificultando, por conseguinte, o atendimento de todos que procuram o serviço, como é descrito nas falas que seguem: [...] Aí pra gente fazer marcação tem que vir dia de segundafeira cedo, aí atende só vinte e não sei quantos pacientes só pra quarta-feira [...] antigamente a gente marcava e no mesmo dia era atendido logo [...] (D 02). [...] ela só atende se marcar, se não marcar a gente não vai atendido e tem que esperar daqui a dois meses que é quando ta marcado pra gente voltar [...] (D 08). O atendimento aqui só é ruim porque é só uma vez por semana que é marcada a consulta, né? [...] ta com três segundas-feiras e não consigo marcar, pois é muita gente pra pouco atendimento [...] (D 13). [...] e as vagas pra marcação de consultas é muito pouca e às vezes eu venho muito cedo e não encontro vagas (D 14). [...] marca pra terça e quinta, tem gente que vem pra cá e não consegue porque já ta tudo lotado [...] (D 17). [..] só tenho uma queixa a falar que é sobre as consultas, que é dia de quinta-feira, só atende dez a quinze pessoas pro doutor [...] (D 19). 18 Esse cenário precisa ser avaliado pelos gestores, pois o usuário que busca a ESF dispõe de poucos recursos financeiros e depende exclusivamente deste serviço. Nesta perspectiva, ressalta-se que a saúde no Brasil deve ser repensada em seu sistema, em sua estrutura, em seus processos e em seus resultados. A administração dos serviços de saúde deve, igualmente, ser redesenhada para dar-lhe a eficácia necessária. A responsabilidade do Estado para com a saúde tem sido a de garantir o mínimo de assistência aos que não podem pagar e a de se considerar que são estes os seguimentos populacionais que vivem permanentemente em situação de exclusão e os que menos se beneficiam dos serviços de saúde, sendo que é dever do estado e direito de todos priorizar essa parcela da sociedade (MERHK; MAGALHÃES JUNIOR; RIMOLI, 2004). Somente assim, o sistema e os serviços terão efetividade, ou seja, chegarão aos resultados desejados e eficientes. Da mesma forma, os resultados serão adequados, o que quer dizer que os cuidados realizados dependerão das necessidades dos pacientes (MEZOMO, 2001). Todos os trabalhadores, usuários e gestores dos serviços sabem que para mapear as possíveis finalidades buscadas pelos atos de saúde, como atos de ações individuais e coletivas, como abordagem clínica problemática de saúde enquanto práticas sanitárias, conjugam todos os saberes e práticas implicadas com a construção dos atores cuidadores, enfim, como mecanismos tecnológicos produtores de atos de saúde que no seu conjunto formam os modelos de atenção básica (MERHK; MAGALHÃES JUNIOR; RIMOLI, 2004). Neste sentido, destaca-se que ainda existe um grande desafio por parte dos gestores do SUS para governar as relações entre trabalhadores e usuários. No que tange à demora para o atendimento, atribui-se que as filas no serviço público de saúde são em parte causadas pela escassez de recursos humanos capacitados para o atendimento a essa demanda social. É preciso dar dignidade ao sistema de atenção à saúde, tornando-o mais responsável e responsivo às necessidades dos seus usuários (MEZOMO, 2001). Por experiência, os profissionais e consumidores sabem que, quanto maior a composição das caixas de ferramentas utilizadas para a conformação do cuidado pelos trabalhadores de saúde, individualmente ou em equipes, maior será a possibilidade de se compreender o problema de saúde enfrentado e maior a capacidade de enfrentá-lo de modo adequado, tanto para o usuário do serviço quanto a própria composição dos processos de trabalho. Quanto mais claro for o sentido da ação dos trabalhadores dado pelo campo dos usuários, mais definitivo o modelo de atenção explícita como comprometido com a defesa da vida. Os serviços de saúde tem mostrado que, conforme os modelos de atenção que são adotados, nem sempre a produção do cuidado em saúde está comprometida efetivamente com a cura e a promoção. As duras experiências vividas pelos usuários e trabalhadores de saúde mostram isso cotidianamente, em nosso país. É preciso deixar de avaliar os serviços de saúde apenas quantitativamente: equipamentos; paciente-dia; porcentagem de ocupação; consultas realizadas; quantidade de profissionais e coisas do gênero, e começar a avaliá-los qualitativamente: saúde “produzida”; educação dada; satisfação garantida; sofrimento evitado; erros prevenidos e decisões acertadas (MEZOMO, 2001). Portanto, a população atendida pela ESF deve ser esclarecida quanto à demanda existente para o atendimento, bem como a importância da qualidade que estes devem receber. Porém o profissional também precisa estabelecer critérios para selecionar melhor a clientela que precisa com mais urgência deste atendimento no dia das marcações das consultas, bem como orientar melhor sua equipe. Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 16-20. A escassez da visita domiciliar na Estratégia Saúde da Família A ESF pressupõe a visita domiciliar como tecnologia de interação no cuidado à saúde, sendo um instrumento de intervenção fundamental utilizado pelas equipes de saúde como meio de inserção e de conhecimento da realidade de vida da população, favorecendo o estabelecimento de vínculo com a mesma e a compreensão de aspectos importantes da dinâmica das relações familiares. Nesta categoria, foram ressaltadas pelos entrevistados as principais dificuldades vivenciadas pelos usuários, destacando-se a falta de visita domiciliar, como é relatado pelas depoentes: [...] a agente de saúde não é boa, porque ela não vai na casa [...] (D 04). [...] porque é muito ruim pra trazer ela que não enxerga e se pudesse ir até o lugar que ela vive eu achava melhor [...] (D 09). O agente de saúde demora muito ir na casa [...] (D 14). [...] agente de saúde da vila não vai nas casas, que só vai em caso de doença, essas coisas, e o direito dela é ir, saber mais, ir nas casas, coisa que ela não faz (D 19). É imprescindível a visita domiciliar para os pacientes impossibilitados por qualquer motivo de buscar o serviço na UBS. Sendo necessário o acompanhamento desses pacientes por toda a equipe da ESF. Os depoimentos mostram que quando o usuário não é compreendido e respeitado há uma sensação de desagrado contrariando as suas expectativas. A comunidade é a razão da existência do programa e deve ser identificada como sujeito capaz de avaliar e intervir, modificando o próprio sistema, fortalecendo, assim, o fazer democrático da saúde. A abertura para a avaliação do sistema de saúde pelos usuários favorece a humanização do serviço, exercita a aceitação da visão e percepção do outro. Mediante as falas foi possível evidenciar que a maioria dos usuários relata receber visitas dos profissionais de saúde atuantes na ESF, somente quando apresentam alguma situação mais crítica em relação a sua saúde ou em casos em que não podem se deslocar até à unidade de saúde do seu bairro. É possível inferir que os resultados encontrados destoam das diretrizes da ESF, como lembra Rosa e Labate (2005). O Programa se apresenta como uma nova maneira de trabalhar a saúde, tendo a família como centro de atenção, em que não espera a população chegar à unidade para ser atendida, uma vez que suas ações envolvem a atenção preventiva à saúde, inclusive em sua morada. Quanto mais o profissional se limita ao atendimento na unidade de saúde, restringindo-se ao atendimento em casos de doença a domicílio, mais difícil se torna a reversão do modelo centrado na doença e mais se distancia dos propósitos filosóficos do programa. É muito mais agradável visitar para promover a saúde do que para tratar a doença. A família deve ser o eixo norteador das ações de saúde, que vai além da dimensão curativa, alcançando as áreas preventivas e de promoção à saúde. Neste mesmo pensamento, Teixeira (2004), pontua que o Programa Saúde da Família torna-se de fato “saúde da família” o foco da atenção deve ser a família e sua morada, sendo que a visita domiciliar deve ser realizada por todos os integrantes da equipe. A visita domiciliar é um conjunto de ações de saúde voltadas para o atendimento, tanto educativo como assistencial (KAWAMOTO et al., 1995). Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 16-20. A visita, como é realizada no âmbito domiciliar, proporciona uma dinâmica aos programas de atenção à saúde e constitui uma atividade utilizada com o intuito de subsidiar a intervenção no processo de saúde-doença de indivíduos ou no planejamento de ações, visando a promoção da saúde da coletividade (TAKAHASHI, 2000). A VD é utilizada pelos integrantes das equipes de saúde para conhecer as condições de vida e sáude das famílias sob sua responsabilidade e para isso devem utilizar as habilidades e competências não apenas para o cadastramento dessas famílias, mas para identificação de suas características sociais, ou seja, condições de vida e trabalho, aspectos epidemiológicos, problemas de saúde e vulnerabilidades aos agravos de saúde. A sua execução ocorre no local de moradia dos usuários dos serviços de saúde e obedece uma sistematização prévia (TAKAHASHI, 2000). Para o sucesso de uma visita domiciliar é necessário planejamento, execução, registro de dados e avaliação. As prioridades para a visita domiciliar incluem os recém-nascidos, crianças com patologias graves ou faltosas aos agendamentos das vacinas, portadores e comunicantes de doenças transmissíveis, gestantes de alto risco ou com Venereal Disease Research Laboratory (VDRL) positivo e/ou faltosas, além de acamados e deficientes físicos (KAWAMOTO et al., 1995). Ainda segundo estas autoras, a visita domiciliar é uma estratégia que apresenta algumas vantagens e desvantagens. Dentre as vantagens, pode-se citar: a presença do profissional de saúde in loco para levar informações de saúde ao grupo familiar, permitindo, com isto, uma visualização de condições peculiares de habitação, higiene e hábitos de vida; um planejamento das ações mais factível, já que busca atender às condições observadas no domicílio; o melhor relacionamento do grupo familiar com o profissional de saúde por ser sigiloso e menos formal, além da liberdade para se expor os mais variados problemas, já que o tempo disponível é maior do que quando o atendimento é realizado nas dependências dos serviços de saúde. Evidenciaram-se como desvantagem as dificuldades de acesso; a limitação dos encontros, devido ao horário de trabalho e os afazeres domésticos, que podem impossibilitar ou dificultar a sua realização; um tempo maior para o atendimento, seja pela locomoção ou pela execução da visita; o que o torna um método dispendioso e de pouco alcance a uma parcela numericamente maior da população. O ACS mora na comunidade e está vinculado à ESF que atende a comunidade. Este funciona como elo entre e a comunidade e está em contato permanente com as famílias, o que facilita o trabalho de vigilância e promoção da saúde, realizado por toda a equipe (BRASIL, 2004). O número de ACS varia de acordo com o número de pessoas sob a responsabilidade da equipe numa proporção média de um agente para 550 pessoas acompanhadas (MERHK; MAGALHÃES JUNIOR; RIMOLI, 2004). Neste sentido, cumpre destacar que é preconizado que o ACS realize, no mínimo, uma visita por família da área de abrangência ao mês, sendo que, quando necessário, estas podem ser repetidas de acordo com as situações determinantes de cada realidade. Cabe aos demais profissionais da ESF planejar suas visitas domiciliares, procurando atender às demandas identificadas pelos ACS. A ESF e a VD assumem uma dimensão política e assistencial de promoção em saúde que interfere, ou seja, atuam de maneira concreta na organização e produção dos serviços de saúde. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados nos indicam caminhos para um maior aprofundamento no que diz respeito à satisfação dos usuários com a assistência 19 prestada nas visitas domiciliares pelas estratégias de saúde da família no município de Teresina-PI. De modo geral, a ESF é valorizada pela população e vem conquistando avanços significativos na atenção básica, assim como tem colaborado para a reorganização do sistema de saúde no Brasil. O estudo mostrou aspectos negativos da Estratégia Saúde da Família e o que mais chamou atenção foi a questão da limitação do número de consultas médicas e a falta da visita domiciliar. A visão do usuário é fundamental no processo de avaliação da atuação da equipe da ESF, uma vez que através dos reclamos da comunidade podemos gerar mudanças no sistema para um maior investimento na atenção básica, diminuindo os males da saúde pública no Brasil. Considerando ser o Programa de Saúde da Família relativamente novo, com pouco mais de dez anos de existência, acredita-se que a população não tem a total compreensão dos objetivos do programa. Portanto, faz-se necessário maior entendimento das mudanças de concepção de modelo, bem como maior atuação no que se refere ao vínculo e coresponsabilidade da população, pressupostos importantes para o sucesso do programa. Ressaltamos a importância da equipe de saúde e em especial a do agente comunitário, este representante legítimo da população, nas ações de educação e informação dos objetivos, pressupostos e funcionamento do ESF, bem como da importância do envolvimento da população neste processo, para que possam ocorrer mudanças significativas nos perfis de morbidade e condições de vida da comunidade. No decorrer deste trabalho, pudemos perceber que as comunidades não têm mecanismos para se organizarem de forma que possa viabilizar o encaminhamento de suas reivindicações. Uma sugestão para melhorar esse quadro poderia ser a criação de um conselho de saúde na localidade. Este estudo permitiu conhecer a realidade sobre a visão dos usuários acerca do atendimento prestado pela equipe ESF, alcançando os objetivos propostos. Os resultados mostraram dificuldades no acesso ao serviço de saúde, o que mostra, por si só, o grande desafio que é reconstruir um modelo assistencial, conforme proposto, para construção dessa política pública. Espera-se que esta realidade apresentada seja trabalhada, visando a um melhor acompanhamento das condições de vida e saúde das famílias e, consequentemente, melhoria da qualidade de vida da população, atendendo cada vez mais os objetivos do programa ESF. REFERÊNCIAS ARAUJO, M. B. S.; ROCHA, P. M.. Trabalho em equipe: um desafio para a consolidação da estratégia de saúde da família. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 12, n. 2, Abr. 2007. Disponível em: <http://www.scielosp.org/ scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232007000200022&lng=en& nrm=iso>. Acesso em: 05 Jan. 2009. BRASIL. Ministério da Saúde. Programa de Saúde da Família - PSF. Brasília, 2004. __________. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Atenção Básica. 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[email protected] Raul Alfonsyn de Moura Rodrigues Graduando em Nutrição pela Faculdade NOVAFAPI, [email protected] Maria Edna Rodrigues de Lima Especialista em Saúde Pública pela Universidade Federal do Piauí e em Gestão de Políticas de Alimentação e Nutrição pela FIOCRUZ Brasília. [email protected] O objetivo deste estudo foi conhecer a abordagem sobre a alimentação saudável pela Estratégia da Saúde da Família. Estudo de natureza qualitativa. Teve como sujeitos 17 profissionais de saúde de nível superior atuantes na atenção básica de Teresina-Piauí. Adotou-se, para apresentação e discussão dos resultados, seis categorias assim descritas: concepções sobre alimentação saudável, desenvolvimento de ações, fontes de informações ou conteúdos, alimentação e nutrição e sua relação com o exercício da profissão, momentos de abordagem, público a quem se destinam as ações. Os resultados evidenciam pouco ou nenhum conteúdo específico de nutrição na formação acadêmica desses profissionais. Suas abordagens sobre alimentação saudável estão voltadas para a prevenção ou tratamento de agravos que prescindem da orientação nutricional, especialmente Doenças Crônicas Não Transmissíveis, ou para os ciclos da vida: infância, gestação e idosos. Referem-se à alimentação e nutrição como conteúdo essencial para o exercício de suas funções, seja em momentos individuais ou coletivos. Pode-se dizer que as abordagens sobre alimentação saudável apontadas pelos profissionais, em parte, atendem ao preconizado pela Promoção da Alimentação Saudável definida na Política Nacional de Alimentação e Nutrição do Mistério da Saúde. Descritores: Alimentação. Atenção Básica. Saúde. ABSTRACT This study aimed at knowing an approach about health feeding by Family Health Strategy. Study of qualitative nature. It had as person 17 health profissionals of superior level acting in the basic attention of Teresina-Piauí. It was adopted, to the presentation and discussion of the results, six cathegories so described: conceptions about health feeding, action development, information source or contents, feeding and nutrition and its relation with the profission exercise, approach moments, public whom to the actions are destined. The results evidence little or any specific content nutrition in the academic formation of these profissionals. Their approach about health feeding are turned to prevention or treatament of aggravating that dispense nutritional, orientation specially Non Transmissible chronic disease, or to life cycles: Childhood, mamagement and elderly. It refer themselves to feeding and nutrition as essential content to the functions’ exercises, be in collective or individual moments. It can be Said that the approaches about health feeding pointed by the profissionals, in part, deal with advocated by the Promotion of health feeding defined in the Nutrition Feeding National Politic of the Health Ministry. Descriptors: Feeding. Basic Attention. Health. RESUMEN Submissão: 18/10/2008 Aprovação: 12/01/2009 El objetivo de este estudio fue conocer el abordaje sobre la alimentación saludable por la Estrategia de la Salud de la Familia. Estudio de naturaleza calitativa. Tuvo como sujetos 17 profesionales de salud de nivel superior actuantes en la atención básica de Teresina-Piauí. Se adoptó para presentación y discusión de los resultados, seis categorías así descriptas: concepciones sobre alimentación saludable, desarrollo de acciones, fuentes de informaciones o contenidos, alimentación y nutrición y su relación Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 21-27. 21 con el ejercicio de la profesión, momentos de abordaje, público a quién se destinan las acciones. Los resultados evidencian poco o ningún contenido específico de nutrición en la formación académica de esos profesionales. Sus abordajes sobre alimentación saludable están vueltas para la prevención o tratamiento de agravios que prescinden de la orientación nutricional, especialmente Enfermedades Crónicas no Transmisibles, o para los ciclos de la vida: niñez, gestación e idosos. Se refieren a la alimentación y nutrición como contenido esencial para el ejercicio de sus funciones, sea en momentos individuales o colectivos. Se puede decir que los abordajes sobre alimentación saludable citadas por profesionales, en parte, asisten al preconizado por la Promoción de la Alimentación Saludable definida en la Política Nacional de Alimentación y Nutrición del Ministerio de la Salud. Descriptores: Alimentación. Atención Básica. Salud. 1 INTRODUÇÃO O Sistema único de Saúde - SUS representa a materialização de uma nova concepção acerca da saúde em nosso país. Antes, a saúde era entendida como “o Estado de não doença”, o que fazia com que toda lógica girasse em torno da cura de agravos à saúde. Essa lógica, que significava apenas remediar os efeitos com menor ênfase nas causas, deu lugar a uma nova noção centrada na prevenção dos agravos e na promoção da saúde. Para tanto, a saúde passa a ser relacionada com a qualidade de vida da população, e composta pelo conjunto de bens que englobam a alimentação, o trabalho, o nível de renda, a educação, o meio ambiente, o saneamento básico, a vigilância sanitária e farmacológica, a moradia, o lazer etc. (BRASIL, 2006a). Diante das atribuições da atenção básica, que constitui no primeiro acesso dos usuários aos serviços de saúde, e com o objetivo de impulsionar esse atendimento, foi criada a Estratégia Saúde da Família (ESF), em 1994, antecedida pelo Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS). A Saúde da Família é entendida como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial, operacionalizada mediante a implantação de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde. Estas equipes são responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias, localizadas em uma área geográfica delimitada. As equipes atuam com ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes, e na manutenção da saúde desta comunidade (BRASIL, 2007) Os dados do Ministério da Saúde, indicam que no Brasil há uma cobertura de 48,88% da população pela ESF, o que corresponde a 90,73 milhões de pessoas. O país conta com 28. 865 equipes da ESF distribuídas em 5.106 municípios. No estado do Piauí esta cobertura é de 96,31%, com 1058 equipes distribuídas em todos os 224 municípios, sendo que em 179 destes a cobertura chega a 100%, em 19 municípios tal abrangência é superior a 80% e em 25 municípios a cobertura é inferior a 78%. Na cidade de Teresina existem 236 equipes de ESF que perfazem uma cobertura de 94,34% da população (BRASIL 2008 a). De acordo com COSTA et al. 2009), os problemas de saúde podem ser resolvidos, em 85% dos casos, no próprio ambiente familiar, pois dentro da unidade da familiar a ESF promove atenção integral, visando qualidade de vida, evitando internações desnecessárias, através de um diagnóstico precoce. A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) é parte integrante da Política Nacional de Saúde (PNS). Estabelece diretriz para a adequação de programas, projetos e planos de intervenção relacionados à alimentação e nutrição no setor saúde e nas áreas afins que venham pro22 piciar a participação do nutricionista na interseção entre a PNAN e a ESF, estimulando e ampliando práticas alimentares saudáveis na prevenção de doenças advindas dos distúrbios nutricionais. (BRASIL, 2003a) Visando apoiar a inserção da ESF na rede de serviços e ampliar a abrangência e o escopo das ações da Atenção Primária bem como sua resolutividade, além dos processos de territorialização e regionalização, o Ministério da Saúde criou o Núcleo de Apoio à Saúde da Família - NASF, através da Portaria GM nº 154, de 24 de Janeiro de 2008b. Tal núcleo deve ser constituído por equipes compostas por profissionais de diferentes áreas de conhecimento, para atuarem em conjunto com os profissionais das ESF, compartilhando as práticas em saúde nos territórios sob responsabilidade das ESF no qual o NASF está cadastrado ( BRASIL, 2008b) e onde o nutricionista pode ser inserido (BRASIL, 2008b). Em 2004, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana (OPAS) aprovaram, em nível mundial, com o apoio de 192 países, dentre eles o Brasil, a proposta de Estratégia Global para a Promoção da Alimentação Saudável e Atividade Física e Saúde. Este documento fomenta a necessidade de formulações e implantação de estratégias nacionais efetivas e integradas para a redução dos custos diretos ou indiretos com a morbidade e a mortalidade relacionadas à alimentação inadequada e ao sedentarismo. (BRASIL, 2004). A promoção de práticas alimentares e estilos de vida saudáveis correspondem a uma das diretrizes da PNAN e também se insere como um dos eixos estratégicos da Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS). Tal empreitada considera a ampliação e qualificação das ações de promoção nos três níveis de complexidade, desafiando a proposição de uma ação transversal, integrada e intersetorial. A promoção da alimentação saudável tem a finalidade de colaborar com a prevenção e o controle de doenças, respeitando a identidade cultural alimentar das comunidades. Caracterizase pelo consumo de maneira variada a fim de fornecer diferentes nutrientes, necessários para o organismo. Além disso, tal promoção deve atentar para a qualidade e quantidade dos alimentos necessários à obtenção de uma nutrição adequada e buscar garantir acesso, sabor e custo acessível (BRASIL, 2003b). Admite-se que a atenção integral, conforme preconizada, só se concretiza através da atuação de uma equipe multidisciplinar, pois a mudança nas formas de intervir é decorrente de uma “atuação e abordagem interdisciplinar ao indivíduo e à população na realidade em que se inserem”. Além disso, a “interdisciplinaridade caracteriza-se pela intensidade das trocas entre os especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas” (CARVALHO, 1993) A dificuldade que os profissionais médicos e enfermeiros encontram para lidar com as questões de alimentação decorrem da complexidade do problema em si, do seu desconhecimento sobre ele e dos conflitos que emergem das contradições entre eles, entre o que se sabe e o que se pensa, também com o que se sente e o que se faz na prática. Resulta dessa situação que o não reconhecimento dos problemas alimentares e nutricionais impede a busca de um trabalho em equipe. Não há a percepção do problema e muita menos a percepção de que existe um profissional tecnicamente habilitado para lidar com estas questões (BOOG, 1999). Trabalhar questões de alimentação e nutrição vem tornando-se inegavelmente necessário, visto o atual perfil de morbi-mortalidade da população brasileira, o qual indica elevação das doenças crônicas não transmissíveis como o Diabetes Mellitus, a obesidade, neoplasias, a hipertensão arterial e as hiperlipidemias. Por sua vez, essas doenças estão diretamente relacionadas com a alimentação, nutrição e estilo de vida da população (LIMA, 2008). Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 21-27. O que pode fortalecer a atuação do nutricionista, chefiando ações de nutrição na atenção básica, é a falta de embasamento teórico dos outros profissionais da equipe da ESF no que concerne à orientação aos pacientes acerca de alimentação bem como o desconhecimento dos mesmos sobre como abordar problemas referentes à nutrição (BOOG, 1999). Portanto, faz-se necessário o uso de estratégias que valorizem a alimentação saudável na promoção da saúde e na prevenção de agravos a partir da atenção básica, reduzindo assim, riscos para as doenças advindas de uma alimentação inadequada e melhorando a qualidade de vida da população. Este estudo tem como objetivo conhecer a abordagem sobre a alimentação saudável na Estratégia da Saúde da Família. 2 METODOLOGIA Trata-se de um estudo qualitativo, dada a natureza do objeto de estudo. A pesquisa qualitativa não se baseia em critério numérico para garantir sua representatividade. Uma pergunta importante neste item é “quais indivíduos sociais tem uma vinculação mais significativa para o problema a ser investigado?”. A amostragem boa é aquela que possibilita abranger a totalidade do problema investigado em suas múltiplas dimensões (MINAYO, 1999). O estudo foi realizado no município de Teresina-Piauí, onde existem 236 equipes da ESF implantadas e distribuídas em três Coordenadorias Regionais de Saúde. Participaram deste estudo 17 profissionais de nível superior (médicos, enfermeiros e odontólogos) da ESF, vinculados a uma UBS de cada Coordenadoria Regional de Saúde, previamente selecionada mediante sorteio. Houve sete recusas de participação. As entrevistas aconteceram na UBS, em ambiente reservado durante o horário de funcionamento, com agendamento prévio, a fim de se evitar interrupções nas falas e no andamento do serviço. Foram realizadas por dois pesquisadores no período de um mês. A adesão dos sujeitos se deu de forma espontânea. As entrevistas foram cessadas ao ser observado saturação das falas dos sujeitos “pelo fato de indicar quando o conjunto de entrevistas realizadas já apresenta uma amplitude do problema estudado, bem como as suas partes de diferenças e semelhanças”, como refere Minayo, 1999. O instrumento utilizado para registrar o discurso dos sujeitos foi um formulário contendo questões abertas e fechadas, construído com base no referencial teórico utilizado. As questões fechadas buscaram informações referentes à identificação, formação dos sujeitos, sua concepção sobre alimentação saudável, fontes de conteúdos e materiais disponíveis para realização de ações de PAS. As questões abertas buscaram compreender a abordagem sobre PAS pelos sujeitos do estudo. Para melhor captação das falas, foi utilizado gravador e mp3 digital, mediante consentimento dos sujeitos e garantido anonimato em relação à sua identidade. Foram exaustivamente ouvidas e posteriormente transcritas na íntegra pelos pesquisadores, mantendo as informações e a ordenação dos dados. Em conformidade com a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), a proposta de estudo foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da Faculdade Novafapi e pela Comissão de Ética em Pesquisa Fundação Municipal de Saúde (FMS), instituição sede do estudo. Para a análise dos dados, foi utilizada a técnica de análise de conteúdo, conforme foi proposto por Bardin. Segundo essa autora, “trata-se de um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos, a descrição do conteúdo das Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 21-27. mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens”. (MINAYO, 2005) Após a análise dos conteúdos, adotou-se, para apresentação e discussão dos resultados, seis categorias assim descritas: concepções sobre alimentação saudável, desenvolvimento de ações, fontes de informações ou conteúdos, alimentação e nutrição e sua relação com o exercício da profissão, momentos de abordagem, público a quem se destinam as ações. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES Após traçar o perfil dos sujeitos e analisar o conteúdo das falas, foram estabelecidas seis categorias essenciais para compreensão da abordagem sobre alimentação saudável na concepção de profissionais de nível superior (enfermeiros, médicos, odontólogos) da atenção básica, quais sejam: concepções sobre alimentação saudável, desenvolvimento de ações, fontes de informações ou conteúdos, alimentação e nutrição e relação com o exercício da profissão, momentos de abordagem, público a quem se destinam as ações. Perfil dos Sujeitos O estudo foi concluído com 17 entrevistas, sendo 03 médicos, 07 odontólogos, 07 enfermeiras. Dos profissionais de saúde que aceitaram e participaram da entrevista, 13 (76,5%) eram do sexo feminino e 04 (23,5%) do sexo masculino, sendo as categorias de enfermagem e odontologia as que mais participaram desta pesquisa. A minoria foi a de médicos. O perfil etário encontrou-se na faixa de 28 a 66 anos, com média geral de idade de 47 anos, sendo os profissionais de odontologia os mais jovens, com 48 anos, e os médicos, os mais velhos, com 51 anos, em média. Formação Acadêmica Quanto à formação acadêmica, a maioria dos sujeitos revela que pouco ou nenhum conteúdo de nutrição foi abordado, pois naquele período a nutrição, como disciplina, ainda não constava nos currículos. Os participantes que responderam afirmativamente relataram terem recebido informação introdutória, e que foram adquirir mais conhecimentos em serviço. O curso de enfermagem apresenta a disciplina, mas é optativa, como pode ser percebido na fala: Não, na realidade tinha disciplina optativas, mas por questões de horários, eu não tive como pagar essas disciplinas, inclusive são aquelas com carga horária bem reduzidas tipo 20 horas, ou seja, optativas ( E 16) E quanto à abordagem sobre os conteúdos de nutrição em outra disciplina, a visão não foi diferente, a maioria respondeu que não havia, e poucos refletiam a presença da nutrição no decorrer do curso. Somente quando se falava em patologias, referiu uma das falas, ou ao fazerem cursos de pós-graduação, diz outra fala: Só quando se falava de patologia, ai a nutrição entrava. Alimentação adequada mesmo, não tinha aquela coisa direcionada a nutrição mesmo não (E 13) No Brasil, constituem exceções os cursos de Medicina em que se 23 ministram disciplinas na área de Nutrição e Dietética. Até 1994, Enfermagem era o único curso da área da Saúde que continha a disciplina Nutrição dentro de seu currículo mínimo, alocada na área de Ciências Fisiológicas (Resolução MEC 04/72), além dos próprios cursos de Nutrição.Com a última alteração do currículo mínimo dos cursos de Enfermagem, oficializada através da Portaria 172/94 do Ministério da Educação e do Desporto, a disciplina Nutrição e Dietética deixa de integrá-lo, ficando, portanto, facultado aos cursos oferecê-la ou não. Estes fatos refletem a tendência do ensino na área de Saúde de privilegiar o ensino de técnicas de tratamento em detrimento dos aspectos preventivos que se estabelecem na qualidade da interação do homem com o meio ambiente (BOOG, 1999). CATEGORIA 01 – Concepções sobre alimentação saudável As falas dos profissionais mostram que eles concebem alimentação saudável como equilibrada, balanceada, variada, que fazem bem à saúde, contendo nutrientes e considerando quantidade e qualidade. Concepções semelhantes são encontradas em estudos de Silva et al. (2002), onde alimentação saudável é condição a alimentar que deve ser variada, balanceada e equilibrada com nutrientes; que ofereça benefícios à saúde para a adequação às necessidades nutricionais do indivíduo para um peso saudável e que tenha alimentos frescos naturais e integrais. Eu acho que uma alimentação que busca englobar os diversos alimentos existentes dentro dos grupos dos carboidratos, proteínas, verduras, legumes, frutas procurando seguir aquela pirâmide alimentar mais básico que a gente vê desde que, agente estuda no ensino médio, a gente vê alguma coisa, então acho que concepção de alimentação é isso, e buscando redução de gorduras e açúcares (E 05) ... é sem muita gordura saturada, sem muito sal (sódio), alimentação a base de frutas, alimentação que seja de fácil digestão que não engorda essas coisas (E.07) ... alimentos que não contem excesso de gordura, excesso de doces, excesso de massas. Esses são alimentos saudáveis! Ricos em fibra. Alimentação saudável é isso! (E. 09) ... é você se alimentar de forma prática, é consumindo, frutas, verduras , é evitando carne vermelha, é consumindo derivados do leite é ter um equilíbrio de proteínas, vitaminas, sais minerais , pra que você tenha uma conduta de vida com regularidade , principalmente para as pessoas que já tem alguma patologia pregressa e exigem uma alimentação realmente saudável (E. 16) RRecomenda a Organização Mundial da Saúde que os países adotem estratégias de prevenção para modificar a dieta, a fim de alcançar injesta de nutrientes dentro dos limites aconselhados. As recomendações específicas referem-se à diminuição de ingestão de gorduras, aumento de alimentos amiláceos e uma ingestão considerável de frutas e hortaliças (BRASIL, 2006b). As mudanças no padrão de alimentação da população urbana brasileira, estudadas por Mondini & Monteiro (1994), evidenciam tendência exatamente contrária. A participação de lipídios no consumo calórico total, no Brasil, aumentou de 26% para 29,8% entre 1962 e 1988; a de carboidratos diminuiu de 62,1% para 57,4%, e a de frutas caiu de 3,8% para 2,5%, no mesmo período. (BOOG 1999). 24 Em relação ao grupo especifico de frutas, legumes e verduras, considerando um consumo calórico médio de 1800 calorias (POF 2003), a participação relativa deste grupo é de 3,37%, com uma participação absoluta em torno de 60 calorias e 132 gramas. Considerando a recomendação da OMS, de consumir pelo menos 400 gramas de frutas, legumes e verduras ao dia para prevenir doenças crônicas não transmissíveis, é necessário que, em uma dieta de 2000 calorias, 9% das calorias totais (183 calorias) sejam provenientes de frutas, verduras e legumes. Nesta análise, os dados indicam uma necessidade de triplicar o consumo de f,l&v no Brasil (PINHEIRO e GENTIL, 2005). De acordo com Silva et al. (2002), 15% dos profissionais de saúde acreditam que o maior consumo de legumes, verduras, frutas e cereais integrais, bem como a redução de alimentos industrializados, fazem parte do ideário da alimentação saudável. Outro aspecto observado no estudo foi a alimentação saudável como benéfica à saúde enquanto estratégia para recuperação de agravos, a partir do consumo de frutas e verduras: Alimentos que faz bem a saúde. de acordo com o diagnostico que a pessoa tem, se for hipertenso tem dieta baseada na doença, se for desnutrido também (E. 02) Silva et al. (2002), relatam em seus estudos que 30% dos profissionais de saúde referem que alimentação saudável é aquela que permite qualidade à saúde e equilíbrio orgânico. Abordar questões relativas à Promoção da Alimentação Saudável dentro dos serviços de saúde, especificamente na ESF, é um desafio que deve ser solucionado não somente por ações a partir de agravos para grupos específicos, mas com uma equipe multidisciplinar, buscando qualidade de vida aliada a estilos de vidas saudáveis. (COSTA et al., 2009). A alimentação saudável foi associada, também, ao consumo de alimentos naturais. Os profissionais, durante suas orientações, indicam alimentos in natura, dão preferência ao consumo de carne branca (peixes e frangos) além do consumo de frutas, verduras, legumes: Alimentos naturais como: frutas, verduras, legumes a carne magra, carne branca, peixe, frango e a vermelha se for uma carne com não muita gordura (E. 13) E pôde-se perceber na fala de uma enfermeira a importância, também, da procedência, cuidados higiênicos e qualidade da água: ... essa questão da gordura saturada, muita fibra muita verdura, muita fruta e higienização, por que não adianta nada a gente não saber de onde vem, a procedência dessa verdura. Então alimentação saudável é isso ai. Cuidado com a água, a água tratada. Acho que é o mínimo, é o básico a questão da gordura, fibra e água tratada (E. 06) Pode-se dizer que as concepções sobre alimentação saudável apontadas pelos profissionais de saúde, em parte, estão de acordo com o que preconiza a PAS do MS, definido na PNAN, pois consideram variedade, quantidade, qualidade e aumento do consumo de L, F&V e redução de açucares, gorduras e sódio. Porém, quando as falas expressavam concepções sobre qualidade, não deixam claro se esta qualidade estava voltada para as condições microbiológicas ou para as propriedades nutricionais dos alimentos. Não há relato de concepção da alimentação saudável que conRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 21-27. siderassem os aspectos culturais e a regionalização. CATEGORIA 02 – Desenvolvem ações de promoções da alimentação saudável. A maioria dos profissionais afirmou desenvolver ações de promoção da alimentação saudável e que as mesmas ocorrem através de palestras, nas consultas de rotina, ou em atividades educativas e para grupos específicos, como hipertensos, diabéticos, gestantes, puericultura, ou seja, de acordo com os agravos. Assim, explicam e orientam sobre alimentação saudável. Sim, nós fazemos palestras usando esses ‘formulários’, nós usamos os dez passos da alimentação saudável, nós usamos orientação alimentar para hipertensão e na puericultura de acordo com o grupo lê e explica e orienta (E. 02) Ao explicitar as atividades desenvolvidas para a PAS, a profissional se refere aos materiais educativos (folders, folhetos) enviados pela FMS, como formulários. Desenvolvo na minha rotina nas consultas de enfermagem e todas as oportunidades que eu tenho de qualquer grupo ou criança ou adulto, sempre trabalho a prioridade do PSF que é a prevenção ( E. 06) Os profissionais expressaram, também, dificuldades de abordar conteúdos sobre alimentação saudável, seja por que em sua formação acadêmica não houve disciplinas que referentes à área de alimentação e nutrição, seja por entender que o desenvolvimento destes conteúdos compete a outros profissionais, ou por não terem participado de qualificação específica promovida pelo serviço. E ainda há o relato das dificuldades quanto ao espaço físico e adesão do público, como foi relatado na fala de uma enfermeira. Bom aqui no nosso programa é meio complicado desenvolver atividade devido o espaço físico, a minha área é uma área de classe média que a gente tem um pouco de dificuldade de pegar as pessoas... (E. 16) Percebeu-se nas falas dos profissionais odontólogos, maior freqüência quanto a não desenvolver ações de promoção da alimentação saudável, pois acreditam ser atividade de competência de outros profissionais, e no caso da atenção básica, mais especificamente do profissional de enfermagem. E, quando afirmaram desenvolver ações sobre PAS, o faziam no sentido de prevenir agravos relativos à saúde bucal, mas especificamente sobre a prevenção de cárie, o que é grandemente potencializado pelos alimentos cariogênicos (carboidratos simples). rie, a gente cobra sempre da uma orientação pra mãe e fica até cobrando das crianças essa coisas do bombom dos alimentos cariogênicos (E .14) CATEGORIA 03 – Fontes de informações ou conteúdos utilizados Nas falas dos profissionais sobre fontes de conteúdos ou informações por eles utilizados para o desenvolvimento das ações de promoção da alimentação saudável, foram identificados os seguintes: revistas, folders, livros, no próprio serviço da Fundação Municipal de Saúde, materiais do MS internet, cartilhas. Sendo os livros os mais citados. Isto nos faz perceber que a maioria dos conteúdos utilizados para promoção da alimentação saudável são construídos a partir de bases científicas confiáveis e sempre buscam atualizar essas informações. Nos materiais educativos que nós temos um quite da família brasileira fortalecida que orienta muito sobre alimentação saudável, e nos próprios treinamentos que a gente recebe da Fundação, da Regional que tem algum tema que envolveu sobre alimentação saudável (E. 10) A gente procura se informar, né. Através de leitura de livros , através de internet, pra ta sempre atualizado com as pesquisas, inovações com o que esta aparecendo...” ,atualmente já não são. Então a gente tem que esta sempre se atualizando... (E.17) As informações/conteúdos utilizados para prática sobre alimentação saudável, em parte, são materiais de caráter informais. Em Boog, 1999, apud Santos, 2007, encontramos controvérsias. Relata que os profissionais de saúde adquirem conhecimentos para a prática da educação/orientação nutricional na maioria das vezes baseados em materiais não científicos. O estudo de Aquino e Campos (2007), revela que as informações adquiridas pelos profissionais de saúde sobre alimentação, para realizarem seus atendimentos, são obtidas a partir de leituras informais e troca de opinião na equipe, em reuniões. CATEGORIA 04 - Relação com o exercício de sua profissão As falas dos sujeitos denotam que o exercício de sua profissão tem relação com a abordagem da alimentação e nutrição, mesmo nas mais específicas, como as dos odontologos. Tem! Muito! Vai depender, porque nós somos como pessoas de referencias. Nossas orientações valem muito para a comunidade. Vai depender muito é da educação também. A gente nota também que o maior problema é educativo e também social (E.02) Quando os odontólogos afirmaram executarem ações de PAS, o faziam focado apenas na saúde bucal. É importante a alimentação até porque, o meu trabalho especifico se refere a saúde da boca, mas a gente não pode ver somente saúde da boca ou do dente , mas temos que ver a saúde integral. Então são dois profissionais a odontologia e a nutrição que precisão trabalhar integrados, porque é questão de obesidade, questão de infecções bucais estão muito integradas a essas duas profissões que precisam o andar juntas e fazer um trabalho muito integrado pra termos um bom resultado pra o paciente (E. 17) Sim, principalmente com relação à criança a gente bate muito em cima disso: evitar açúcar, bombom. Então a gente sempre fica muito atento quando a criança tem um alto índice de ca- A Promoção da saúde nos dias atuais ressalta que são necessárias novas políticas e praticas de intervenção sobre o processo saúde – doença, buscando melhoria da qualidade de vida da população em geral. Políticas Não! Aqui basicamente é a enfermeira que direciona mais nesse aspecto (E.03) Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 21-27. 25 de promoção de vida saudável requerem a participação dos diversos setores de saúde, além de uma equipe multidisciplinar, para desenvolver as mesmas (CARVALHO et al., 2004). Os demais profissionais da atenção básica também reconhecem a importância da interdisciplinaridade para promoção da alimentação saudável: Tem muito relacionamento. Por que a gente trabalha com promoção da saúde, o PSF que é a estratégia da atenção básica que trabalha a prevenção, a proposta promoção alimentação saudável é uma proposta da política da promoção da saúde. Então assim, tem tudo a ver (E. 06) Com certeza! Relação sempre tem! Na realidade cada um tem seu papel, mas as vezes acaba que a doença é comum pra todos as profissões, então como a nutrição é importante para o nutricionista, acaba que ela é importante para outros profissionais de saúde (E 16) Promoção da alimentação saudável constitui-se numa das estratégias de saúde pública de vital importância para o enfrentamento dos problemas alimentares e nutricionais do contexto atual. Devem consistir em uma abordagem integral capaz de prevenir ao mesmo tempo as doenças causadas por deficiências nutricionais– reforçando a resistência orgânica para as doenças infecciosas – e em uma redução da prevalência do excesso de peso e das outras doenças crônicas não transmissíveis associadas (COUTINHO, 2008). CATEGORIA 05 – Momentos de abordagem da alimentação saudável Os profissionais referem-se à alimentação e nutrição como conteúdo essencial para o exercício de suas funções, seja em momentos individuais (consultas de rotina) ou coletivos. Palestras educativas no uso da multimistura desnutridos, hipertensos e diabéticos e orientação para preparo dos alimentos (E. 01) Percebe-se nesta fala a inclusão da multimistura como alimento saudável. Contudo, a mesma não é reconhecida como tal pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Federal de Nutrição, tanto pelos seus aspectos antinutricionais já comprovados cientificamente como por não se constituir em uma estratégia adequada ao atendimento das necessidades alimentares e nutricionais da população brasileira, de modo que possa atender à amplitude da Segurança Alimentar e Nutricional. Porém, a ANVISA publicou a Resolução nº 53, de 15 de junho de 2000 (DOU de 19/06/2000), que fixa a identidade e as características mínimas de qualidade para a “mistura à base de farelo de cereais”, abrangendo sua composição obrigatória e opcional, dentre outros itens. As concepções dos profissionais de saúde apontaram ainda para uma abordagem das ações de promoção da alimentação saudável na atenção básica, voltadas para a prevenção ou tratamento de agravos que prescindem da orientação nutricional, especialmente para as DCNT. Considerando também ciclos da vida como infância, gestação e idosos Nos grupos de hipertenso, diabéticos, planejamento familiar, com gestante, na puericultura, vendo as crianças desnutridas. E 26 então a gente sempre trabalha a alimentação saudável dependendo do grupo (E. 02) CATEGORIA 06 – Público a quem se destinam as ações O Estudo mostrou que o público prioritário para o qual são destinadas as ações da promoção alimentação saudável na atenção básica são: os grupos de hipertensos , diabéticos, idosos, crianças, adolescentes nas escolas, ou seja, a todos em qualquer fase da vida: Criança, idoso, hipertenso, diabético, grupo de risco, doenças crônicas, degenerativa e também na puericultura com as crianças (E. 02) A alimentação e nutrição constituem direitos humanos fundamentais consignados na Declaração Universal dos Direitos Humanos e são requisitos básicos para a promoção e a proteção da saúde, possibilitando a afirmação plena do potencial de crescimento e desenvolvimento humano com qualidade de vida e cidadania (FERREIRA, 2007). Os profissionais ainda percebem essa ação como integrada a partir de uma equipe multidisciplinar, e reconhecem o nutricionista como parte integrante da mesma. Estes profissionais devem estar imbuídos da percepção de que os usuários do serviço público não portam apenas doenças, portam desejos, aspirações e sonhos. Dessa forma, o atendimento e o relacionamento de profissionais como médicos, enfermeiros e nutricionistas, dentre outros, deve ser integral (PINHEIRO, 2005). Assim como Boog (1999), pressupõe-se que os profissionais cujo trabalho tem relação com a promoção da saúde, prevenção de doenças ou recuperação da saúde devam não só conhecer os processos nutricionais, mas também estar preparados para aquilatar a influência dos fatores nutricionais nos problemas que se apresentam na prática profissional, atribuindo a eles a devida importância. Estes problemas de saúde emergentes requerem a atuação de profissionais que saibam identificar e abordar problemas relacionados à alimentação. 4 CONSIDERAÇOES FINAIS Fica evidente, a partir das falas dos sujeitos, pouco ou nenhum conteúdo específico de nutrição abordado durante a sua formação acadêmica. Porém, referem-se à alimentação e nutrição como conteúdo essencial para o exercício de suas funções, seja em momentos individuais ou coletivos. As concepções dos profissionais de saúde apontaram para uma abordagem das ações de promoção da alimentação saudável na atenção básica voltadas para a prevenção ou tratamento de agravos que prescindem da orientação nutricional, especialmente DCNT, considerando também ciclos da vida como infância, gestação e idosos. As falas dos sujeitos mostram uma concepção de alimentação saudável. Em parte estão de acordo com o que preconiza a PAS do MS definido na PNAN, pois consideram variedade, qualidade, quantidade, especialmente quanto ao aumento do consumo de frutas, legumes e verduras e redução de gorduras e sal, com o objetivo de promover saúde e prevenir doenças ou suas complicações. Porém, quando as falas expressavam concepções sobre qualidade, não deixavam claro se esta qualidade está voltada para as condições microbiológicas ou para as propriedades nutricionais dos alimentos.Não Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 21-27. há relato de concepção da alimentação saudável, considerando os aspectos culturais e a regionalização. Convém ressaltar que os profissionais reconhecem a importân- cia da equipe multidisciplinar para uma ação bem sucedida de promoção da alimentação saudável. REFERÊNCIAS AQUINO, S.F. e CAMPOS. S.A.S. O olhar dos profissionais de saúde e de usuários de uma unidade básica de saúde sobre a educação nutricional. Rev Eletr. De Com. Inf. Inov. Saúde. Rio de Janeiro, v.1,n.2,p.215-223, jul-dez. 2007 BOOG, M. C. F. Dificuldades encontradas por médicos e enfermeiros na abordagem de problemas alimentares. Revista de Nutrição, v. 12, n.3, p. 261-272, set.- dez.1999. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Portaria Disponível em: <http://wwww.datasus.com. br.2008a CARVALHO, M. R. Modelos assistências de unidades básicas e o conceito de integralidade: In: Bodstein,R. C. A (Org.). Serviços locais de saúde: construção de atores e políticas. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1993, p.118-130. __________ Ministério da Saúde. Portaria GM n 154, de 24 de Janeiro que cria o núcleos a saúde da família NASF .Brasília -DF ,2008b CARVALHO, et al. Concepts and approaches in the evaluation of health promotion. Ciênc. saúde coletiva. vol.9, n.3, p. 521-529. 2004. __________ Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. 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Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 18, n. 5, p. 1367-1377, set. – out. 2002. 27 PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN Grau de satisfação de funcionários de uma unidade de alimentação e nutrição em um hospital público estadual de Teresina-Pi Satisfaction degree of employees of a Nutrition and feeding Unit in a state public hospital in Teresina-PI. Grado de satisfacción de funcionarios de una Unidad de Alimentación y Nutrición en un Hospital Público Estatal de Teresina-PI. Mercia Maria da Silva Guede RESUMO Graduanda em Nutrição pela Faculdade NOVAFAPI. mercia. [email protected] Marinalva da Silva Moura Graduanda em Nutrição pela Faculdade NOVAFAPI. [email protected] Clélia de Moura Fé Campos Especialista em Nutrição Clínica pela Universidade São Camilo - São Paulo. Especialistae em Qualidade Higiênico Santinária de Alimentos pela Universidade Federal do Piauí, [email protected] Este estudo objetivou avaliar o grau de satisfação dos funcionários de uma Unidade de Alimentação e Nutrição de um Hospital Público Estadual de Teresina-PI, relacionado às condições de trabalho. Trata-se de uma pesquisa quantitativa, realizada na Unidade de Alimentação e Nutrição do Hospital Areolino de Abreu, com 41 funcionários, 25 auxiliares de serviço, 3 zeladores, 6 nutricionistas, 3 auxiliares de nutrição e 4 copeiras. Os dados foram coletados através de um questionário estruturado com perguntas fechadas, sobre as condições do cardápio; quantidade da alimentação; instalações elétricas; conservação de portas, pisos e paredes; instrumentos de trabalho e qualidade da alimentação, no período de 21 a 29 de setembro de 2009. Posteriormente, os dados foram processados através do programa estatístico SPSS versão 16.0 e organizados em categorias: sexo; faixa etária; nível de escolaridade; renda e função. Os resultados indicaram que apesar de existirem fatores que foram julgados como causas de insatisfação, os funcionários da Unidade de Alimentação e Nutrição, mostraram-se satisfeitos a cerca das condições de trabalho oferecidas dentro desta unidade. Dessa forma, os pontos considerados negativos servirão de sugestões de melhorias, objetivando fortalecer os aportes necessários à completa satisfação dos funcionários usuários. Descritores: Alimentação. Nutrição. Satisfação. ABSTRACT This study aimed at evaluating the satisfaction degree of the employees of a nutrition feeding Unit in a state public Hospital in Teresina-PI, related to the work conditions. It treats of a quantitative research carried out, in the Nutrition feeding unit of Areolino de Abreu Hospital, with 41 employees, 25 service auxiliary, 3 zealors, 6 nutricionists, 3 nutrition auxiliary and 4 dinning servants. The data were collected through a questionaire structured with closed questions, about the menu conditions; Food quantity; eletrics instalations; doors conservation , floors and walls; work instruments food quality, in the period 21 to 29 of september 2009. subsequently, the data were processed through statistic program SPSS version 16.0 and organized in cathegories: sex; age range; School level; income and function. The results indicated that in spite of existing factors that were judged as insatisfaction, The nutrition and feeding Units showed to be satisfied about the work conditions offered . This way, The points considered negative will serve of suggestion and improvement, aiming at strengthening the necessary bottom to complete satisfaction of the users employees. Descriptors: Feeding. Nutrition. Satisfaction RESUMEN Submissão: 10/08/2008 Aprovação: 04/02/2009 28 Este estudio objetivó evaluar el grado de satisfacción de los funcionarios de una Unidad de Alimentación y Nutrición de un Hospital Público Estatal de Teresina-PI, relacionado a las condiciones de trabajo. Se trata de una pesquisa cuantitativa, realizada en la Unidad de Alimentación Nutrición del Hospital Areolino de Abreu, con 41 funcionarios, 25 auxiliares de servicio, 3 celadores, 6 nutricionistas, 3 auxiliares de nutrición y 4 camareras. Los datos fueron colectados a través de un cuestionario estructurado con preguntas cerradas, sobre las condiciones del menú; cantidad de Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 28-33. la alimentación; instalaciones eléctricas; conservación de puertas, pisos y paredes; instrumentos de trabajo y calidad de la alimentación, en el periodo de 21 a 29 de septiembre de 2009. Posteriormente, los datos fueron procesados a través del programa estadístico SPSS versión 16.0 y organizados en categorías: sexo; faja etaria; nivel de escolaridad; renda y función. Los resultados indicaron que aunque existan factores que fueron juzgados como causas de insatisfacción, los funcionarios de la Unidad de Alimentación y Nutrición, se mostraron satisfechos a cerca de las condiciones de trabajo ofrecidas dentro de esta unidad. De esa forma, los puntos considerados negativos servirán de sugestiones de mejorías, objetivando fortalecer los aportes necesarios a la completa satisfacción de los funcionarios usuarios. Descriptores: Alimentación. Nutrición. Satisfacción. 1 INTRODUÇÃO A alimentação é uma das atividades mais importantes do ser humano, tanto por razões biológicas óbvias quanto pelas questões sociais e culturais que envolvem o comer (PROENÇA et al., 2005). Assim, o ato de se alimentar engloba vários aspectos que vão desde o motivo da busca do alimento até a sua transformação, ou seja, o ato da alimentação. De acordo com Abreu, Spinelli e Zanardi (2003), o mercado da alimentação é dividido em alimentação comercial e alimentação coletiva, sendo que os estabelecimentos que trabalham com produção e distribuição de alimentos para coletividades atualmente recebem o nome de Unidade de Alimentação e Nutrição - UAN. Silva Junior (1995) afirma que a alimentação coletiva realiza-se fora do recinto familiar e a preparação dos alimentos se dá de forma prévia. Desta forma, busca-se através da mesma, atender, de forma semelhante, a um grupo de usuários, utilizando-se, assim, uma sistemática de atendimento que vise à satisfação das necessidades da clientela atendida. Historicamente, as UANs surgiram no Brasil na década de 1920, porém, foi no final da década de 1930 que o setor passou a ter um pouco de sua importância reconhecida, a partir da reivindicação da classe trabalhista por melhores condições de trabalho, incluindo a alimentação subsidiada. Simultaneamente, ocorre a constatação da classe empresarial de que um trabalhador bem alimentado e saudável rendia mais, conduzindo as empresas a incluírem, em suas estruturas funcionais, as Unidades de Alimentação e Nutrição (TEIXEIRA, 2007). O objetivo de uma UAN é o fornecimento de uma refeição equilibrada nutricionalmente, apresentando bom nível de sanidade, e que seja adequada ao comensal, denominação dada tradicionalmente ao consumidor em alimentação coletiva. Essa adequação deve ocorrer tanto no sentido da manutenção e/ou recuperação da saúde do comensal como visando a auxiliar no desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis e na educação alimentar e nutricional. Além desses aspectos ligados à refeição, uma UAN objetiva, ainda, satisfazer o comensal no que diz respeito aos serviços oferecidos. Este item engloba desde o ambiente físico, incluindo tipo, convivências e condições de higiene de instalações e equipamentos disponíveis até o contato pessoal entre operadores da UAN e comensais, nos mais diversos momentos (PROENÇA et al, 2005). Matos (2000) observou que, apesar dos avanços tecnológicos por que vem passando a produção de alimentação coletiva, a existência de espaços de trabalho adequados, o controle do ruído, da temRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 28-33. peratura e umidade dentro das recomendações, fundamentadas no conhecimento científico da ergonomia e adequadas ao setor, ainda são um desafio para as unidades produtoras de refeições coletivas. Para tanto, apresenta-se o seguinte problema de pesquisa: Qual a importância de conhecer a satisfação dos funcionários da UAN em um hospital público no processo de desenvolvimento com qualidade? O objeto de estudo justifica-se pelo fato da pesquisadora de ter passado por experiências, nas quais se pôde perceber uma grande deficiência no que diz respeito à satisfação de trabalhadores de UAN. Então, com esta pesquisa pretende-se acrescentar mais informações a respeito de Ergonomia, Condições de Trabalho em UAN e Satisfação no Trabalho, intensificando o fato de que situações de trabalho desfavoráveis aos trabalhadores trazem apenas desvantagens à organização. Visa-se salientar a importância de um ambiente motivador para a satisfação no trabalho e conseqüente melhoria da produtividade. Com base nessas informações, o objetivo desse estudo foi estimar o grau de satisfação dos funcionários acerca do trabalho que desenvolvem na Unidade de Alimentação e Nutrição de um Hospital Público de Teresina - PI. 2 METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa observacional transversal quantitativa. O estudo foi realizado na UAN do Hospital Areolino de Abreu, localizado no município de Teresina–PI. A UAN hospitalar contava com 41 funcionários, sendo estes divididos nas seguintes funções: 25 auxiliares de serviço, 3 zeladores, 6 nutricionistas, 3 auxiliares de nutrição e 4 copeiras. Desse total, participaram da pesquisa apenas 35 funcionários, os quais assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A pesquisa se iniciou após a autorização da instituição envolvida, assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido pelos funcionários e a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade NOVAFAPI, conforme prevê a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. O levantamento foi do tipo censitário, no conjunto do universo estudado. O período da coleta de dados foi realizado no mês de setembro de 2009 pelas autoras da pesquisa através da aplicação de um questionário estruturado com perguntas fechadas. Os questionários foram processados através do programa de análise de dados SPSS – versão 16.0, e os resultados apresentados em tabela e gráficos. A análise estatística foi descrita a partir dos percentuais apresentados nos resultados. 3 RESULTADOS A Tabela 1 apresenta o perfil do universo da pesquisa, de acordo com sexo, faixa etária, escolaridade e função desempenhada na UAN. Constatou-se que dos 35 pesquisados, 80% são do sexo feminino e 20%, do sexo masculino; a faixa etária predominante está entre 45 e 63 anos. No item nível de escolaridade, a maioria tem ensino fundamental ou médio (34,29%), apenas sete (20%) funcionários têm ensino superior completo e três (8,57%), ensino superior incompleto. Um funcionário é analfabeto. 29 Tabela 1: Perfil dos funcionários da UAN do Hospital de acordo com sexo, faixa etária, escolaridade, função e renda. Teresina (PI), 2009. Sex mas fem Total Faixa etária 27 |----- 36 36 |----- 45 45 |----- 54 54 |----- 63 63 |----- 72 Total Escolaridade analfabeto até ensino fundamental até ensino médio superior incompleto superior Total Função Aux. de servirço Zelador Copeiro Nutricionista Aux. de nutrição Total Renda (SM) <1 1 |---- 2 2 |----| 3 >3 Total N° 7 28 35 8 5 10 10 2 35 1 12 12 3 7 35 24 4 2 4 1 35 5 25 2 3 35 % 20,00 80,00 100,00 22,86 14,29 28,57 28,57 5,71 100,00 2,86 34,29 34,29 8,57 20,00 100,00 68,57 11,43 5,71 11,43 2,86 100,00 14,29 71,43 5,71 8,57 100.00 Tabela 2 Grau de satisfação com quantidade da alimentação oferecida na UAN por função. Teresina(PI), 2009. Sexo Faixa etária Escolaridade Renda(SM) Função Total 30 mas fem 27 |----- 36 36 |----- 45 45 |----- 54 54 |----- 63 63 |----- 72 analfabeto até ensino fundamental até ensino médio superior incompleto superior <1 1 |---- 2 2 |----| 3 >3 Aux. de servirço Zelador Copeiro Nutricionista Aux. de nutrição Grau de satisfação em relação a quantidade da alimentação oferecida na UAN não sabe/ muito satisfeito satisfeito não opina N° % N° % N° % 7 100,00 2 7,14 25 89,29 1 3,57 7 87,50 1 12,50 5 100,00 10 100,00 2 20,00 8 80,00 2 100,00 1 100,00 2 16,67 10 83,33 11 91,67 1 8,33 3 100,00 7 100,00 1 20,00 4 80,00 1 4,00 23 92.00 1 4,00 2 100,00 3 100,00 2 8,33 21 87,50 1 4,17 4 100,00 2 100,00 4 100,00 1 100,00 2 5,71 32 91,43 1 2,86 Total N° 7 28 8 5 10 10 2 1 12 12 3 7 5 25 2 3 24 4 2 4 1 35 % 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 28-33. Em relação ao grau de satisfação dos funcionários da UAN, do ponto de vista do paladar, os funcionários do sexo feminino mostraram estar mais satisfeitos (78,57%), o mesmo ocorrendo com os da faixa etária de 53 a 63 anos (100%). Quanto ao nível de escolaridade, verificou-se uma relação inversa entre o nível de escolaridade e o grau de satisfação, ou seja, quanto maior o grau de escolaridade, menor é o nível de satisfação. A mesma tendência é verificada quando se leva em conta a renda dos entrevistados: maior renda, menor satisfação. No estudo, pôde-se constatar o grau de satisfação dos entrevistados acerca da apresentação do cardápio, onde novamente, o sexo feminino demonstrou estar mais satisfeito, representando 17% dos casos, e os do sexo masculino com 14,29% de representantes. Verificando o nível de escolaridade, constata-se que os profissionais de nível superior e superior incompleto são menos satisfeitos, ocorrendo, entretanto, um equilíbrio de satisfação entre os que possuem ensino fundamental ou médio, com 83,33% de casos em ambos os níveis. A renda não foi um fator relevante para a verificação deste parâmetro, pois ocorreu oscilação entre as funções. Apenas as nutricionistas demonstraram estar 50% satisfeitas quanto à apresentação do cardápio. Acerca da variedade de cardápio, observou-se que os entrevistados de nível fundamental e médio foram os mais satisfeitos (83,3%), o mesmo ocorrendo com os funcionários que desempenham funções de serviços gerais. A Tabela 2 apresenta a satisfação dos funcionários da UAN com relação à quantidade da alimentação servida. Houve um quase consenso de satisfação ao se observar os elementos do sexo masculino: os de faixa etária de 36 a 45 anos, os de escolaridade superior e os de renda mais alta. Quando observamos a função exercida, os resultados apontaram que, dos zeladores aos auxiliares de nutrição, todos são unânimes em considerar como satisfatórias (100%) as quantidades servidas. No item satisfação de funcionários da UAN com as instalações, os pesquisados do sexo feminino opinaram com o maior índice de satisfação (50%). Considerando a faixa etária, os funcionários com idade entre 36 e 45 anos representaram 40% de insatisfeitos. Os funcionários com curso superior incompleto foram unânimes em termos de insatisfação, o mesmo ocorrendo com os de faixa salarial de 2 a 3 salários mínimos. Tomando como base as funções, os merendeiros e auxiliares de nutrição representaram 100% de satisfação respectivamente. Os nutricionistas – três casos (25%) – consideraram-se insatisfeitos. A Tabela 3 expõe os resultados quando o item avaliado foi a qualidade da alimentação servida. Novamente, os profissionais de nível superior representam 57,14% de insatisfação e, se considerarmos isoladamente os nutricionistas, observa-se 75% de insatisfação. Tabela 3 Grau de satisfação com a qualidade da alimentação oferecida na UAN por função. Teresina(PI).2009. Sexo Faixa etária Escolaridade Função mas fem 27 |----- 36 36 |----- 45 45 |----- 54 54 |----- 63 63 |----- 72 analfabeto até ensino fundamental até ensino médio superior incompleto superior Aux. de servirço Zelador Copeiro Nutricionista Aux. de nutrição Total Grau de satisfação em relação a quantidade da alimentação oferecida na UAN nem satisfeito nem satisfeito insatisfeito N° % N° % 4 57,14 3 42,86 21 75,00 7 25,00 4 50,00 4 50,00 4 80 1 20,00 6 60,00 4 40,00 9 90,00 1 10 2 100,00 1 100,00 9 75,00 3 25,00 9 75,00 3 25,00 3 100,00 3 42,86 4 57,14 17 70,83 7 29,17 4 100,00 2 100,00 1 25,00 3 75,00 1 100,00 25 71,43 10 28,57 Total N° 7 28 8 5 10 10 2 1 12 12 3 7 24 4 2 4 1 35 % 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 O Gráfico 1 mostra o índice de satisfação dos funcionários sobre a conservação das instalações elétricas, sendo que 77,1% consideram que as instalações elétricas estão em um bom estado de conservação na UAN. Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 28-33. 31 5,7 Bom estado de conservação das instalações elétricas Sim Não Não sabe / Não opina 17,1 71,1 Gráfico 1: Grau de satisfação dos funcionários da UAN do Hospital em relação ao estado de conservação das instalações elétricas. Teresina (PI), 2009. Os percentuais de satisfação com a conservação das portas da UAN, no geral, 85,7% dos entrevistados encontram-se satisfeitos. Já em relação às condições do piso, este percentual passou para 80%. Já quanto à conservação das paredes/divisórias, a percentagem elevou-se para 91,4% de satisfação entre os entrevistados. A pesquisa evidenciou que 73,5% dos pesquisados apresenta satisfação quanto à utilidade dos instrumentos de trabalho na UAN. O Gráfico 2 indica que 74,3% dos pesquisados avaliaram como ótimos/bons/regulares os instrumentos e/ou equipamentos da UAN. 5,7 Classificação dos instrumentos e /ou equipamentos executado no trabalho Ótimo/bom/regular Ruim/péssimo Não sabe / Não opina 20 73,4 Gráfico 2: Avaliação pelos funcionários da UAN do Hospital a cerca dos instrumentos e/ou equipamento da UAN. Teresina (PI), 2009. 4 DISCUSSÃO O estudo, desenvolvido na unidade de alimentação e nutrição de um hospital público estadual de Teresina-PI, mostrou o nível de satisfação dos profissionais atuantes neste complexo. Adotou-se como parâmetro o conceito de Locke abordado por Martinez, Paraguay e Latorre (2004), que determina que os elementos causais da satisfação no trabalho estão relacionados ao próprio trabalho e seu conteúdo, possibilidades de promoção, condições e ambiente de trabalho, gerenciamento e políticas e competências da empresa. Os resultados revelaram que os participantes do estudo são predominantemente do sexo feminino (86%), faixa etária entre 45 e 63 anos, ensino fundamental ou médio completos, auxiliares de serviços e com renda entre 1 e 2 salários mínimos. De uma forma geral, os sujeitos da pesquisa revelaram-se satisfeitos com o complexo da unidade de alimentação e nutrição, com uma média de satisfação acima de 76%. De acordo com Martinez, Paraguay e Latorre (2004), satisfação no trabalho é um fenômeno complexo e de difícil definição por se tratar de um estado subjetivo, podendo variar de pessoa para pessoa, de circunstância para circunstância e, ao longo do tempo, para a mesma pessoa. A 32 satisfação está sujeita a influências de forças internas e externas ao ambiente de trabalho imediato. Ela pode afetar a saúde física e mental do trabalhador, interferindo em seu comportamento profissional e/ou social. O desenvolvimento dos funcionários, com o objetivo de melhor utilizar suas capacidades, deve ser uma preocupação constante do serviço de recursos humanos de cada hospital. O acompanhamento de uma avaliação periódica do trabalho e da comunicação do funcionário pode ser útil para um bom desempenho dentro da UAN (MEZOMO, 2002). A partir do estabelecimento de metas pessoais de melhoria de resultados esperados e mensuráveis condizentes com as necessidades da empresa, pode-se obter, segundo Moore (2000), “um resultado positivo para a equação funcionários felizes e clientes satisfeitos”. Segundo Abreu, Spinelli e Zanardi (2003), sem um elaborado programa de orientação e sem o desenvolvimento de treinamento e avaliação dos empregados, não há condições de motivação. O sentido de satisfação que alguém tem pelo trabalho feito é a mais forte motivação sobre a sua atuação. A ambiência do trabalho é considerada como o conjunto de elementos envolventes que condicionam as atividades administrativas e operacionais e determinam, em grande parte, a qualidade e quantidade Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 28-33. de trabalho produzido. O padrão dos cardápios oferecidos pela UAN deve ser compatível com a disponibilidade financeira e de mercado, hábitos alimentares, condições sócio-econômicas da clientela e peculiaridade de cada unidade. As instalações (elétrica, hidráulica, de vapor, de emergência etc.) proporcionam uma infra-estrutura adequada à UAN. Como tal, devem ser dimensionadas corretamente (TEIXEIRA, 2007). Para Abreu, Spinelli e Zanardi (2003), todo o processo que envolve recursos humanos é de extrema importância para a UAN e está diretamente relacionada à qualidade do serviço prestado. A comissão de avaliação dos serviços prestados é uma das estratégias organizacionais na UAN. Podem-se avaliar as possibilidades de soluções e melhorias ligadas ao fluxo operacional relacionadas a horários, equipamentos, materiais, pessoais e condições de trabalho (PROENÇA et al. 2005). Nogueira (1996) ressalta a importância da satisfação de necessidades dos clientes internos, ou seja, dos funcionários, para que estes atuem agregando características das quais o cliente, subseqüente no processo, necessita. Para isto, deve estar satisfeito com o trabalho, crescer como ser humano e receber um salário compatível com a função exercida (TAUBLIB, 1998). 5 CONCLUSÃO Conclui-se que o nível de satisfação dos funcionários da UAN foi considerado bom (acima de 76%), comprovando que há um envolvimento da instituição no sentido de oferecer condições ergonômicas e de alimentação aos funcionários da UAN estudada. Além de oferecer serviços a uma população diferenciada (pacientes que apresentam não só distúrbios psicológicos e psicossomáticos), as condições de trabalho dos servidores de diferentes níveis de escolaridade, faixa etária e funções, atendem aos anseios dos respectivos funcionários, mesmo daqueles que deixaram de opinar ou se abstiveram de participar da pesquisa. Nenhum item atingiu unanimidade de satisfação nem de insatisfação. Os pontos considerados negativos durante a enquete servirão de sugestões de melhorias que deverão ser encaminhadas à direção da UAN e, por conseguinte, à direção do hospital, objetivando fortalecer os aportes necessários à completa satisfação dos funcionários usuários. Acreditamos haver atingido os objetivos colimados na pesquisa. Apesar dos problemas verificados in loco, principalmente na parte de estrutura física da UAN em estudo, nota-se uma preocupação dos profissionais da área de nutrição em fornecer informações e treinamentos para os manipuladores de alimentos, mantendo-os constantemente higienizados, uniformizados e aptos a executar as tarefas da lida diária dentro da UAN, criando assim, um clima de bem estar e satisfação. REFERÊNCIAS ABREU, E S, SPINELLI, M G N & ZANARDI, A. M. P. Gestão de unidades de alimentação e nutrição: um modo de fazer. São Paulo: Editora Metha, 2003. NOGUEIRA, L. C. L. Gerenciando pela qualidade total na saúde. Belo Horizonte: UFMG, 1996. MATOS, C.H. Condições de trabalho e estado nutricional de operadores do setor de alimentação coletiva: um estudo de caso. Florianópolis, 2000. [Dissertação de Mestrado em Engenharia de Produção] – Programa de Pós-graduação em Engenharia de produção, Universidade Federal de Santa Catarina. MARTINEZ, M.C.; PARAGUAY, A.I.B.B.; LATORRE, M.R.D.O. Relação entre satisfação com aspectos psicossociais e saúde dos trabalhadores. Rev. Saúde Pública, vol.38, n. 1. São Paulo, 2004 MOORE, D. Funcionários felizes = clientes satisfeitos. Revista Banas Qualidade. São Paulo, v. 9, n. 95, p. 70-75, abr. 2000. PROENÇA, R.P.C. et al. Qualidade nutricional e sensorial na produção de refeições. Nutrição em Pauta, Campinas, v. 13, n.75 p. 4-16 nov.- dez. 2005. SILVA JUNIOR, E A. Manual de controle higiênico- sanitário em alimentos. São Paulo: Livraria Varela, 1995. TAUBLIB, D. Controle de qualidade total - da teoria à prática em um grande hospital. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1998. TEIXEIRA, S.M.F. et al. Administração aplicada às unidades de alimentação e nutrição. São Paulo: Atheneu, 2007. MEZOMO, I. F. B. A Administração de serviços de alimentação. 4. ed. Rev. E. Atual. São Paulo, 2002. Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 28-33. 33 PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN Situação vacinal no primeiro ano de vida numa unidade básica de saúde de Teresina-PI Children vaccinal situation in the first year of life serviced in a health basic unit in Teresina-PI Situación de vacuna de niños en el primero año de vidas atendidas en una Unidad Básica de Salud de Teresina-PI Jesuína Maria Muniz Damasceno Holanda RESUMO Aluna da Especialização em Saúde da Família da Faculdade NOVAFAPI. Ivanilda Sepúlveda Gomes Enfermeira Especialista da Fundação Municipal de Saúde e da UF PI. Márcia Teles de Oliveira Gouveia Mestre em Saúde da Criança e do Adolescente. Docente do Curso de Graduação em Enfermagem da UFPI. R. Cel Pedro Basílio, 1173.Teresina, Piauí. CEP 64056-500. marcia06@gmail. com Este trabalho abordou como temática o processo de vacinação de crianças de 0 a 23 meses e 29 dias. Tem como objetivo geral: verificar a situação vacinal das crianças no primeiro ano de vida em uma UBS do PSF, em Teresina (PI). Especificamente: descrever a situação vacinal das crianças no primeiro ano de vida e traçar o perfil sócio-econômico-demográfico dos responsáveis pelas crianças com atraso na vacinação. Trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória, de abordagem quantitativa. Realizou-se a coleta de dados nos cartões sombra de vacinação de cada agente de saúde em formulário e na aplicação de questionário aos responsáveis pelas crianças com atraso na vacinação. Utilizou-se para tratamento de dados análise estatística. Os resultados demonstram que 23,80% das crianças pesquisadas apresentaram atrasos no esquema vacinal básico para o primeiro ano de vida e o perfil dos responsáveis demonstrou, entre outros aspectos, a maioria com faixa etária entre 19 a 29 ou 30 a 39 anos, ensino médio e renda familiar de um salário mínimo ou menos. Assim, os atrasos na vacinação não se relacionam a um perfil específico da população, mas a atitudes pessoais, como esquecimentos, e profissionais, como a falta de triagem nos cartões de vacina. Descritores: Crianças. Vacinas. Imunização. ABSTRACT This work approached as thematic children vaccinal situation from 0 to 23 months and 29 days. Aims at: verifying children vaccinal situation in the first year life in a health basic unit of Family Health Program, in Teresina (PI); describe children vaccinal situation in the first year of life and set out the socio-economic and demographic profile of the sponsors for the children with vaccination delay. It treats of descriptive and exploratory research, of quantitative approach. The data collecting was done through form with data regarding to the information contained in the vaccination shadow cards of each health agent and a questionaire applied to the children sponsors with delaying in the vaccination. The results indicated that 23,80% of the children researched presented delays in the basic vaccinal scheme to the first year life and the sponsors profile of the children demonstrated the age range between 19 to 29 and 30 to 39 years, school background at high school level and family income of a minimum salary or less. Thus, the delayings in the vaccination does not relate to a specific profile of the population, but personal attitudes, such as forgetfulness and problems related to work of the health profissionals , as well as the lack of term in the vaccine cards. Descriptors: Children. Immunization. Nursing RESUMEN Submissão: 12/12/2008 Aprovação: 02/02/2009 34 Este trabajo abordó como temática la situación de vacuna de niños de 0 a 23 meses y 29 días. Tiene como objetivos: verificar la situación de vacuna de los niños en el primer año de vida en una Unidad Básica de Salud del Programa Salud de la Familia, en Teresina (PI); describirla en el primer año de vida y trazar el perfil socioeconómico y demográfico de los responsables por niños con retraso en vacunación. Se trata de una pesquisa descriptiva y exploratoria, de abordaje cuantitativa. La coleta Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 34-40. de datos fue hecha a través de un formulario con datos referentes a las informaciones en las tarjetas sombra de vacunación de cada agente de salud y de un cuestionario aplicado a los responsables por niños con retraso en la vacunación. Los resultados indicaron que 23,80% de los niños pesquisados presentaron retrasos en esquema de vacuna básico para el primer año de vida y el perfil de los responsables por los niños demostró la faja etaria entre 19 a 29 y 30 a 39 años, escolaridad en nivel de enseñanza mediana y renda familiar de un sueldo mínimo o menos. Así, los retrasos en la vacunación no se relacionan a un perfil específico de la población, pero con actitudes personales, como olvido y problemas relacionados al trabajo de los profesionales de la salud, como la falta de aplazamiento en las tarjetas de vacuna. Descriptores: Niños. Imunización. Enfermería 1 cimento sobre os reais motivos que levam as mães ou responsáveis ao atraso das vacinas de seus filhos. E, assim, poderão promover um trabalho educativo, voltado para a população, com bases mais sólidas. Este é, portanto, um tema de interesse público que envolve o indivíduo, a família, o profissional de saúde, o governo e toda a sociedade. A vacinação é composta por uma história de sucesso, com avanços significativos nas últimas décadas: “A história das vacinações é um dos mais belos e bem sucedidos capítulos da história da medicina, assim como a evolução do conhecimento nessa área” (NERES et al., 2009, p.77). Possui como referência, segundo Brasil (2003), os trabalhos do médico sanitarista Osvaldo Cruz, no século XX, responsável por um modelo de ação que inspira o PNI até a atualidade, o qual inseriu a obrigatoriedade das vacinas. INTRODUÇÃO 1.1 O Ministério da Saúde do Brasil estabeleceu o Programa Nacional de Imunizações (PNI), que fornece o esquema básico de vacinação para o primeiro ano de vida. Desta forma, constam no Calendário Básico de Vacinação da Criança as vacinas que elas devem tomar desde que nascem até os 10 anos de idade, de modo que cresçam saudáveis. Aranda (2001) afirma que as vacinas são disponibilizadas gratuitamente aos brasileiros pelo Governo Federal através do Ministério da Saúde (MS) do Brasil, as quais são administradas nas UBS, instituições locais de saúde administradas pelas Secretarias Municipais de Saúde (SMS). Em meio a isso, este trabalho norteia-se pelo seguinte problema de pesquisa: Diante da quantidade de cartões vacinais atrasados, qual a situação da cobertura vacinal no primeiro ano de vida na UBS Cidade Jardim, Equipe 107 do PSF, de Teresina-PI? O interesse em estudar o tema abrolhou durante estágio acadêmico nessa UBS, onde surgiu o questionamento sobre a eficácia do PNI, e a necessidade de se identificar os reais motivos que levam as mães/responsáveis ao atraso no esquema básico de vacinação. Desta forma, o objetivo geral deste trabalho consistiu em verificar a situação vacinal das crianças no primeiro ano de vida na UBS Cidade Jardim, Equipe 107 do PSF, em Teresina (PI). Especificamente, propôs-se descrever a situação vacinal das crianças no primeiro ano de vida e a traçar o perfil sócio-econômico-demográfico das mães/ responsáveis pelas crianças atendidas na UBS Cidade Jardim, Equipe 107, em Teresina (PI). Araújo (2005) enfatiza que as vacinas previnem as doenças, acarretando menores custos aos cofres públicos, uma vez que os investimentos em imunização são bem menores que os gastos com medicamentos e internações decorrentes da cura de doenças. Além disso, algumas dessas doenças, conforme Brasil (2003), quando não levam à morte, podem ocasionar sérias seqüelas para os pacientes, prejudicando a qualidade de vida das crianças e de sua família. Portanto, a relevância do tema está não somente no fato de se abranger o bem-estar físico e psíquico do indivíduo, como também, de ser um assunto que envolve o bem-estar e a condição sócio-econômica familiar e os gastos em saúde pública. Considerando-se que em nossa realidade os estudos sobre esta temática ainda são escassos, entende-se que essa pesquisa tem viabilidade e justifica-se pela contribuição que poderá trazer aos serviços de saúde, principalmente para as UBS de Teresina (PI). Pois a partir dos seus achados, os profissionais de saúde poderão ter um maior conheRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 34-40. Histórico da Vacinação no Brasil O Brasil já possui quase 200 anos de imunizações. As primeiras vacinas ocorreram em 1804. No entanto, avanços mais significativos dos programas de imunizações ocorreram nas últimas três décadas (BRASIL, 2003). Lima et al. (2008) afirmam que o PNI incorporou as diretrizes técnicas de atuação do PAI, sendo regulamentado a partir de 1975 pela Lei 6.259 ou Lei do Sistema Nacional de Saúde. Na Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço da Organização Mundial de Saúde (OMS), o PNI brasileiro é citado como referência mundial. E desde 1981, o Ministério da Saúde vem implementando campanhas vacinais contra paralisia, sarampo, rubéola ou multivacinação, quando não se atingem na vacinação de rotina os índices de coberturas esperados. Segundo Santos et al (2006), o PNI foi criado em 1973. Araújo (2005) informa que a principal meta do PNI é a ampla extensão de cobertura vacinal de forma homogênea. Aranda (2001) destaca como objetivos do PNI: contribuir para a manutenção do estado de erradicação da poliomielite; contribuir para o controle ou erradicação de sarampo, difteria, tétano neonatal e acidental, coqueluche, formas graves de tuberculose, rubéola, caxumba, hepatite B, febre amarela, raiva e doenças causadas por Haemophilus influenze tipo b; e contribuir para o controle de outros agravos. Outro fator que se torna preponderante para que as vacinas cumpram seu papel de agentes imunizadores da população são os procedimentos adotados nas UBS, uma vez que estas assumem o papel de efetivar e concretizar as ações planejadas e elaboradas pelo PNI. 1.2 O Papel das UBS na Vacinação no Brasil De acordo com Aranda (2001), o PNI é de responsabilidade dos governos Federal, Estadual e Municipal. A União é responsável pela transferência de recursos federais para o Fundo Municipal de Saúde para os municípios que estão habilitados. Para que haja resultados satisfatórios do PNI e, principalmente, na efetivação da cobertura vacinal, cujo índice ideal é a abrangência 100% dos indivíduos prioritários para todos os tipos de vacina, tornase primordial o papel das Unidades Básicas de Saúde. No Brasil, as UBS são as responsáveis pela administração das vacinas, por meio da equipe do PSF. No caso deste trabalho, o foco é a UBS Cidade Jardim, Equipe 107, do PSF da cidade de Teresina-PI. 35 Diante desse contexto, torna-se relevante a participação e o comprometimento de todos os profissionais envolvidos. São essas pessoas as responsáveis pela efetivação do PNI em cada localidade do Brasil e pelos resultados da cobertura vacinal nacional, cujo índice ideal é de 100% para vacina constante no Calendário Básico de Vacinação, de modo que todas as crianças sejam vacinadas, sem atraso, no primeiro ano de vida. Para que essas ações sejam cumpridas de forma eficaz, Miranda et al. (1995) ressaltaram que a equipe de profissionais deve estar treinada e motivada. 1.3 A Vacinação de Crianças no Primeiro Ano de Vida No Brasil, a vacinação abrange pessoas de todas as faixas etárias. Segundo o MS (2003), como as campanhas de vacinação são voltadas para diferentes faixas etárias, favorecem a conscientização social sobre a cultura em saúde. No caso deste trabalho, o público-alvo são as crianças no primeiro ano de vida. “A meta operacional básica do PNI é vacinar 100% das crianças menores de 1 ano com todas as vacinas indicadas no calendário básico” (BRASIL, 2003, p.17). A vacinação dedica atenção diferenciada às crianças pequenas, especialmente, às de 0 a 23 meses e 29 dias, alvo do Cronograma Básico de Vacinação, fase em que estão mais vulneráveis às doenças imunopreveníveis. As vacinas obrigatórias e gratuitas no primeiro ano de vida, que fazem parte do Calendário Básico de Vacinação, constituem o esquema básico de vacinação do PNI do Brasil, destacando-se sua composição, apresentação, doses e períodos recomendados pelo PNI, os eventos esperados e adversos e as contra-indicações. A BCG-ID (Bacilo de Calmette e Guerin Intradérmica) é a primeira vacina do Calendário Básico de Vacinação. Utilizada para proteger as crianças contra as formas mais graves de tuberculose (miliar e meningea), é elaborada da seguinte forma: “Com bacilos vivos atenuados da cepa de Mycobacterium bovis com glutamato de sódio” (GOMES, 2007, p.11). Apresentada, conforme Gomes (2007), em frasco-ampola multidoses, a vacina contra hepatite b é recomendada pelo PNI em três doses de 0,5 ml: ao nascer, um mês após o nascimento e aos seis meses. Diz ainda que os efeitos adversos esperados são: dor, inchaço, nódulo e febrícula, mas ocorre também, em menor freqüência, febre, dor de cabeça, náuseas, vertigem e fadiga. Segundo Sáfadi (2009), o rotavírus é o principal agente etiológico causador da gastroenterite grave em lactentes e crianças pequenas. Apresentada em monodose, segundo Gomes (2007), a VORH (vacina oral de rotavírus humano) é composta por frascos com pó liofilizado e seringa diluente, é recomendada pelo PNI em duas doses de 1 ml cada, sendo uma aos 2 meses e outra aos 4 meses. Afirma ainda que a VORH é contra-indicada para adultos, idosos, gestantes e para pessoas com quadro agudo febril moderado a grave ou em uso de medicamentos imunossupressores. Essa vacina, geralmente, não apresenta reações adversas. A VOP (vacinal oral contra poliomielite) é apresentada, segundo Gomes (2007), em frascos multidoses, em bisnaga de plástico, é recomendada pelo PNI em três doses via oral de duas gotas cada, aos 2, 4 e 6 meses, 1º reforço aos 15 meses, e 2º reforço entre 4 e 6 anos de idade. Ressalta que os eventos adversos são raros, podendo ocorrer a própria doença, a poliomielite, quando já se tem adquirido o vírus 36 antes da imunização. Não existe contra-indicação, mas recomenda-se esperar a melhora clínica de crianças com diarréia e vômito ou estados febris. A vacina tetravalente (contra a Difteria, o Tétano, a Coqueluche e a Infecção pelo Hemophilus Influenzae Tipo b (DTP + Hib) é recomendada pelo PNI, em 3 doses de 0,5 ml aos 2, 4 e 6 meses, com intervalo mínimo de 30 dias, administrada pela via intramuscular profunda. Gomes (2007) afirma que essa vacina é contra indicada em casos de reação anafilática à vacina ou aos componentes da fórmula, crianças com quadro neurológico em atividade, que tenha apresentado convulsões até 72 horas após a administração da vacina. Não é recomendada para crianças a partir de 7 anos (BRASIL, 2003). A VFA (Vacina contra Febre Amarela) é apresentada, segundo Gomes (2007), em frasco de 05 doses mais ampola diluente de 2,5 ml, é recomendada pelo PNI dose única de 0,5 ml, em administração subcutânea, aos 9 (nove) meses, a qual deve ser reforçada a cada 10 anos. A imunidade ocorre no 10º dia após a vacinação. Ribeiro (2009) informa que o frasco aberto da VFA só deve ser utilizado por quatro a seis horas. De acordo com Gomes (2007), os eventos esperados são: cefaléia, mal-estar, dores musculares e febre, os quais ocorrem em cerca de 2% a 5% das pessoas. A VTV (Vacina Tríplice Viral) ou SRC (Sarampo, Rubéola e Caxumba) é apresentada, conforme Gomes (2007), em frasco-ampola de 10 doses e ampola diluente ou monodose, deve ser aplicada até 8 horas depois de aberta, em via de administração subcutânea. É recomendada pelo PNI, uma 1ª dose de 0,5 ml a partir de 1 ano de idade e 0,5 ml entre 4 a 6 anos de idade (BRASIL, 2003). Apresentada na forma líquida, em frascos multidoses, indica a DTP (Tríplice Bacteriana) no esquema vacinal básico, apenas como reforço, em doses de 0,5 ml, sendo o 1º reforço aos 15 meses e o 2º reforço dos 4 aos 6 anos de idade. Pois o esquema de proteção contra essas doenças já está incluso na aplicação da vacina DTP+Hib (BRASIL, 2003). A vacinação assume papel preponderante na melhoria da qualidade de vida da população de países em desenvolvimento como o Brasil. Possui a seguinte finalidade: “A redução da morbidade e da mortalidade por doenças preveníveis por imunização é a principal finalidade da vacinação” (NERES et al., 2009, p.77). Desta forma, para que as vacinas cumpram o seu papel de imunização e redução dos casos de doenças imunopreveníveis, torna-se relevante que os pais ou responsáveis cumpram corretamente o calendário anual de vacinação. O cumprimento do calendário vacinal é importante porque, conforme Farhat et al. (2000), seu objetivo é a imunização universal, ou seja, é permitir que as vacinas sejam administradas a todos que necessitam. “O sucesso do Programa de Imunização depende da qualidade dos imunobiológicos aplicados” (SANTOS et al., 2006, p.91). Além de cumprir o calendário anual, para que as vacinas sejam administradas na idade certa e tenham sua eficácia garantida, manter a qualidade da vacina é importante para que ela tenha o seu potencial de imunização preservado e cumpra seu papel no controle das doenças. “A rede de frios é o sistema de conservação dos imunobiológicos, onde se inclui o armazenamento, o transporte e a manipulação destes produtos em condições adequadas de refrigeração” (NERES et al., 2009, p.77). Este estudo tem como objetivo expor a situação vacinal para o primeiro ano de vida de crianças que foram assistidas pela Equipe do PSF 107, cuja Unidade Básica de Saúde (UBS) é o Centro de Saúde Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 34-40. Cidade Jardim, localizada na região norte de Teresina (PI). 2 METODOLOGIA Este trabalho trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória, tendo como método a abordagem quantitativa. Envolveu-se uma população composta de crianças nascidas no período de agosto de 2007 a junho de 2009, sendo determinada a idade mínima de 0 mês e idade máxima de 23 meses e 29 dias como critério de inclusão na pesquisa. Abrangeu-se, portanto, um total de 42 cartões sombra, inserindo-se nesse contexto 100% dos cartões das crianças que se encontram no primeiro ano de vida, ou seja, na fase de maior demanda de vacinação. Na primeira fase da pesquisa, verificou-se a situação vacinal, dividindo os cartões em dois grupos: sem atraso e com atraso. Na ocasião em que se determinou a composição dos grupos, também foi possível traçar o perfil dos pesquisados, ou seja, das crianças atendidas no Centro de Saúde Cidade Jardim. Após a análise documental, na segunda fase da pesquisa, aplicou-se um questionário com roteiro prévio aos responsáveis pelas crianças, tendo como critério de exclusão o grupo ao qual as crianças pertenciam. Assim, compôs a amostra crianças do grupo que se encontrava com esquema vacinal atrasado, que correspondiam a 23,80% do total de cartões analisados. Esse questionário, composto de perguntas fechadas e abertas, versava sobre o perfil sócio-econômico-demográfico das mães ou responsáveis e os motivos que levaram àquela situação vacinal, o qual foi preenchido sob esse critério. Realizou-se o preenchimento na residência da criança durante a visita domiciliar, previamente agendada pela equipe do PSF da UBS, acompanhados pelo ACS da micro-área correspondente a cada criança, através de formulário pré-testado. A amostra atingiu 60% das famílias das crianças com atraso na vacinação, selecionadas pelo critério de acessibilidade, uma vez que alguns responsáveis não se encontravam em suas residências, durante o período da pesquisa. Os resultados da pesquisa, que tiveram como base os cartões sombras das crianças e as respostas dos questionários aplicados aos responsáveis por crianças que apresentaram atrasos na vacinação, são decorrentes de uma análise de dados que ocorreu no período de 29/06 a 01/07/2009, cuja coleta foi realizada no início do mês de junho/2009. Apresentaram-se os dados através de análises estatísticas, representadas numericamente por meio de porcentagens, demonstrando-os por meio da utilização de gráficos e tabelas dos programas Microsoft Word e Excel/2000, conforme resultados a seguir. Quanto aos preceitos éticos, este trabalho atendeu à Resolução 196/96 do CNS (BRASIL, 1996), cujos participantes assinaram “Termo de Consentimento Livre e Esclarecido”. A pesquisa foi previamente solicitada e autorizada pela Fundação Municipal de Saúde - FMS, órgão coordenador das Unidades Básicas de Saúde de Teresina e submetida e autorizada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da NOVAFAPI. 3 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS nesta UBS. E a terceira etapa refere-se ao perfil sócio-econômico-demográfico dos responsáveis pelas crianças que apresentaram atraso na vacinação. É importante ressaltar que nos gráficos estão expostas apenas as alternativas que foram preenchidas nos questionários, aquelas que não foram optadas, ou seja, tiveram 0% de marcação, embora fossem importantes para a obtenção dos resultados numéricos, foram desconsideradas na exposição do gráfico, por uma questão de melhor visualização dos resultados. 3.1 Categorização da Amostra Para a análise do perfil das crianças atendidas pela UBS foram considerados os 42 cartões sombra que formaram o total da amostra, esses cartões são de crianças nascidas de julho de 2007 a junho de 2009, ou seja, que atualmente possuem até 23 meses e 29 dias. Das 42 crianças identificadas nos cartões sombra, que compõem a amostra de 100% dos sujeitos da pesquisa, 30,95% reside na Vila Paraíso e 69,05% no Bairro Pedra Mole. Observou-se que as crianças residem em bairros carentes da zona norte de Teresina, onde atua a equipe de PSF 107, sendo que a amostra compõe-se de uma população com baixo poder aquisitivo. Em relação ao local de nascimento, identificou-se nos cartões que 30,95% nasceram na Maternidade Dona Evangelina Rosa, e 28,57% na Clínica Santa Fé, 7,15% no Hospital do Bairro Satélite, 2,38% no Hospital do Buenos Aires. No entanto, 30,95% do total dos cartões não tinham esse dado. No que se refere ao sexo dessas crianças, das 42 crianças, 52,38% são do sexo masculino e 47,62% do sexo feminino. Como a pesquisa abrangeu as crianças nascidas no período de agosto de 2007 a junho de 2009, identificou-se as seguintes faixas etárias das crianças, em 01.07.2009, data fim da análise dos dados: a maioria ou 35,72% tinha de 13 a 18 meses; 30,95% situam-se na faixa etária de 1 a 6 meses; 19,05% tem de 7 a 12 meses; 9,52% possui de 19 a 23 meses; e 4,76% tem mais de 23 meses Constatou-se que as crianças se encontram em faixas etárias bastantes diversificadas, fato comum para o estudo que trata do calendário de vacinação, já que no primeiro ano de vida as crianças tomam vacinas, em média, de dois em dois meses. Identificou-se a maioria das crianças em idade iniciante de vacinação, que é de 1 a 6 meses, e crianças que estão terminando ou terminaram o calendário vacinal para o primeiro ano, que são as que possuem de 13 a 18 meses. Após a categorização da amostra, procedeu-se à pesquisa dos cartões sombra para verificação da situação vacinal das crianças e identificação do grupo em atraso. 3.2 Situação Vacinal das Crianças Atendidas na UBS Para melhor visualização da situação vacinal, dividiram-se os cartões de acordo com cada agente. Assim, verificou-se que dos 42 cartões analisados, 32, ou seja, 76,20% não apresentaram atrasos. No entanto, 10 cartões, ou seja, 23,80% dos cartões tinham pelo menos um atraso na vacina para o primeiro ano de vida. Os resultados da pesquisa são divididos em três categorias: a primeira demonstra a categorização da amostra, composta por crianças atendidas na UBS, de acordo com o total de cartões sombra envolvidos na pesquisa, ou seja, 42 cartões. A segunda etapa demonstra a situação vacinal para o primeiro ano de vida das crianças atendidas Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 34-40. 37 Quadro 1 – Avaliação dos cartões de vacinação conforme agentes de saúde. Teresina – Piauí, 2009. CARTÕES QUE APRESENTARAM ATRASO NA VACINAÇÃO POR AGENTE DE SAÚDE Com Atraso Sem Atraso Agente Amostra Não Encontrado Quantidade % Quantidade % Quantidade % Al 07 16,67 0 0 0 0 L 11 26,20 0 0 0 0 Ad 02 4,76 01 2,38 01 2,38 V 05 11,90 01 2,38 02 4,76 K 07 16,67 04 9,52 01 2,38 TOTAL 32 76,20 06 14,28 04 9,52 Fonte: Cartões Sombra da UBS. Um dado interessante em relação a essa análise é que os cartões de dois agentes de saúde não apresentaram atraso de qualquer natureza. Diante desse contexto, é importante que os agentes de saúde cujos cartões possuam atrasos, tomem uma atitude mais proativa no sentido de analisar os cartões e maximizar as oportunidades de vacinas, seja quando os pacientes vêm até o posto de saúde, seja em visita domiciliar. Em relação ao número de vezes que ocorreu os atrasos, os cartões demonstram que a grande maioria, ou seja, 50% dos cartões têm a ocorrência de atraso em três ou mais vacinas, 30% atrasou apenas uma vacina e 20% atrasou duas vacinas, conforme demonstra o Gráfico 1 abaixo: Grafico 1 - Quantidade de Vacinas Atrasadas - Teresina - PI, 2009. Grafico 2 - Motivo do Atraso Vacinal - Teresina, Piauí, 2009. 33,33 50 30 33,33 16,67 20 3 ou mais vacinas 16,67 1 vacina Nao tinha no posto 2 vacinas Esquecimento Mãe ou criança doente Criança doente Fonte: Cartões Sombra da UBS. Fonte: Questionário de Pesquisa/2009. A freqüência de atrasos detectada nos cartões sombra foi confirmada na amostra dos questionários, sendo que 50% dos que responderam afirmativamente, disseram ter atrasado três vezes as vacinas. Em relação à situação dos atrasos, verificou-se que eles ocorrem de maneira muito diversificada para cada pessoa e em períodos de 1 mês até 4 meses, ou seja, há situações em que a criança deveria tomar a vacina com 2 meses e tomou apenas com 6 seis, entre outras, além de haver casos em que não se tomou a vacina até a data da pesquisa. Posteriormente, foi analisado no cartão sombra o tipo de vacina atrasada e a situação de cada atraso. Na pesquisa constatou-se pelo menos uma ocorrência de atraso para cada vacina, exceto BCG. Após a análise da situação vacinal no cartão sombra e na ocasião em que se aplicou o questionário às pessoas responsáveis pelas crianças que apresentaram atraso, questionou-se também acerca da situação vacinal, para verificar o motivo dessa ocorrência. Assim, os motivos alegados foram: 33,33% disseram que não havia vacina no posto no dia em que foi vacinar o filho, 33,33% alegaram esquecimento, 16,67% afirmaram que a criança estava doente no dia da vacina e 16,67% disseram que nos dias do atraso ou a criança ou a mãe estava doente: Entre os motivos alegados para esse atraso, verifica-se a falta de existência de vacina no posto, o esquecimento e doença da criança ou da mãe. Desta forma, os motivos alegados não são justificáveis para longos períodos de atrasos, porque há prazos certos para as vacinas serem repostas nos postos. 38 3.3 Perfil Sócio-Econômico- Demográfico dos Responsáveis Na terceira etapa da pesquisa, a aplicação do questionário teve como objetivo verificar o perfil sócio-econômico-demográfico dos responsáveis pelas crianças que apresentaram atrasos nos cartões sombras das vacinas que compõem o calendário de vacinação para o primeiro ano de vida. Do total de 10 (dez) cartões que apresentaram atrasos, correspondente a 23,80% do total de cartões pesquisados, apenas 6 (seis) cartões, ou 60%,entraram na segunda etapa, os outros 4 (quatro) ou 40% foram excluídos porque não foram localizados. Embora o número de pesquisado da terceira etapa da análise dos dados tenha atingido apenas 60% dos responsáveis pelas crianças que apresentaram atraso no cartão de vacinação, esse número atende ao esRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 34-40. tabelecido no projeto, o qual objetivava manter contato com no mínimo 20% dessas pessoas. Desta forma, a primeira investigação foi acerca do grau de paren- tesco do responsável por essas crianças. A grande maioria das crianças, ou 94% da amostra em questão, tinha como responsável a própria mãe. Conforme o Gráfico 3 a seguir: Grafico 3 - Responsáveis pelas Crianças que Apresentam Atrasos na Vacinação, Teresina, Piauí, 2009. Grafico 2 - Motivo do Atraso Vacinal - Teresina, Piauí, 2009. 33,33 0,94 33,33 16,67 0,06 16,67 Mãe Avó 19 a 29 anos 30 a 39 anos 60 anos ou mais não respondeu Fonte: Questionário de Pesquisa Fonte: Questionário de Pesquisa Em seguida, questionou-se acerca da faixa etária correspondente ao perfil desses responsáveis, os quais apresentaram: 33,33% de 19 a 29 anos; 33,33% de 30 a 39 anos; 16,67% com 60 anos ou mais; e 16,67% não responderam. Como a maioria dos responsáveis é a própria mãe da criança, o perfil demográfico demonstrou mulheres jovens e em idade fértil, característicos de pessoas com crianças no primeiro ano de vida. Em relação ao estado civil, metade dos pesquisados (50%) não identificou o seu estado civil, 33,33% afirmaram que são casadas e 16,67% disseram serem solteiras. No que se refere à ocupação dos responsáveis pelas crianças que apresentaram atraso no cartão de vacinação, quarto quesito do questionário, a maior parte ou 66,66% é “do lar”, ou seja, não trabalham fora de casa, 16,67% afirmou ser Operador de Caixa e 16,67% Agente Comunitário de Saúde. Uma das mães que atrasou a vacina é uma Agente Comunitária de Saúde, ou seja, pessoa que deve promover e fazer chegar até as outras pessoas a vacinação. A quinta questão discorreu acerca do grau de instrução dos responsáveis pelas crianças que apresentaram atraso na vacinação. Assim, 66,67% possuem ensino médio completo, 16,67, ensino fundamental completo e 16,67, ensino fundamental incompleto. Verificou-se, portanto, que os responsáveis possuem um bom grau de instrução. Posteriormente, questionou-se sobre a renda familiar dessas pessoas, sendo que 33,33 informaram ter renda familiar de menos de 1(um) salário mínimo, 33,33%, de 1 (um) salário mínimo, 16,67%, de 1(um) a 2 (dois) salário mínimo e 16,67%, de 2 (dois) a 5 (cinco) salários mínimos. Verificou-se que embora a maioria das mães tenha um bom grau de escolaridade, elas possuem baixa renda familiar. Assim, são importantes as atitudes profissionais como observância aos cartões de vacina e atuação junto às famílias cujas crianças encontram-se com atraso na vacinação. compatível com estudos realizados na capital piauiense. Os principais motivos alegados para a ocorrência dos atrasos foram: falta de vacina no posto, esquecimento, doença da criança ou da mãe. É preciso haver mais comprometimento dos responsáveis, o esquecimento é injustificável e os agentes devem trabalhar para a redução desses atrasos. O perfil sócio-econômico-demográfico dos responsáveis pelas crianças que apresentaram atraso no esquema vacinal básico demonstrou que a maioria dos pesquisados possui as seguintes características: é a própria mãe; são jovens de 19 a 29 ou de 30 a 39 anos; metade não respondeu sobre o seu estado civil; são donas de casa; e tem uma renda familiar muito baixa. Possuem um bom grau de instrução, o ensino médio, pois, hoje, mesmo as famílias de baixa renda têm mais acesso à educação do que antigamente. Pressupõe-se, portanto, que pessoas bem instruídas deveriam ter maiores cuidados com a saúde dos filhos. Por outro lado, elas possuem baixa renda familiar, o que também não justifica os atrasos, já que a vacinação é gratuita. E um fato também importante é que a maioria é dona de casa, ou seja, não podem alegar a falta de tempo com o trabalho como motivo para não levarem seus filhos ao posto de saúde. Assim, percebeuse que o problema no atraso da vacinação das crianças em questão não está no perfil sócio-econômico-demográfico dos responsáveis, mas em atitudes relacionadas às mães, como o esquecimento, e aos profissionais de saúde, como a triagem aos cartões de vacina. Como alguns agentes não apresentaram atraso em seus cartões sombra, observou-se a necessidade de mudanças na atitude dos profissionais de saúde, principalmente, em relação à observância aos cartões de vacinação. Sugere-se um trabalho focado na orientação aos responsáveis pelas crianças sobre a importância da vacinação, da valorização do cumprimento do calendário básico, de métodos que fortaleçam o comprometimento das mães, que evitem o esquecimento e que desmistifique certos medos em vacinar os filhos, decorrentes de falsas contra-indicações. Além de investimentos em qualificação profissional, específicos para os procedimentos de acompanhamento e controle dos cartões vacinas e outros temas afins, é necessário melhoria no inter-relacionamento e na comunicação entre todos os profissionais da equipe de PSF de modo que se reduzam cada vez mais os atrasos no esquema vacinal básico. Desta forma, este trabalho direciona-se a todos os profissionais de saúde, principalmente, os que trabalham diretamente com os proce- 4 CONCLUSÃO A situação vacinal demonstrou um índice de 23,80% de atrasos na vacinação para crianças no primeiro ano de vida, atendidas na UBS Cidade Jardim, Equipe 107 do PSF, em Teresina-PI. Constatou-se, portanto, que embora a maioria dos responsáveis tenha cumprido com o calendário anual de vacinação (76,20%) ainda há um índice significativo de atrasos, Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 34-40. 39 dimentos relacionados à imunização, às secretarias municipais de saúde, aos coordenadores das unidades básicas de saúde, as equipes de PSF e à sociedade em geral, de modo que sejam geradas atitudes proativas em busca de melhores índices na cobertura vacinal para as crianças no primei- ro ano de vida, e que se continue promovendo a saúde infantil através da redução da mortalidade para a continuação de uma história de sucesso da vacinação no Brasil. REFERÊNCIAS ARANDA, C. M. S. S. (Org.). Manual de Procedimentos para Vacinação. 4. ed. Brasília: Ministério da Saúde, Fundação Nacional de Saúde, 2001. ARAÚJO, T. M. E. Vacinação infantil: conhecimento, atitudes e práticas da população da área norte/ Centro de Teresina/ PI. 2002. 136 f. 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PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN A inclusão do nutricionista na equipe da estratégia saúde da familia The inclusion of the nutricionist inclusion i n the team of family health stratégy La inclusión de la inclusión del nutricionista en el equipo de la estrategia salud de la familia Sulândia Maria de Sousa Melo RESUMO Nutricionista, graduada pela Faculdade NOVAFAPI. Theonas Gomes Pereira Nutricionista, Mestre em Ciências e Saúde, Coordenadora do Curso de Graduação em nutrição da Faculdade NOVAFAPI. Email: [email protected]. A pesquisa tem como objetivo ressaltar a inclusão do nutricionista na Estratégia Saúde da Família – ESF. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica exploratória em que se pesquisou um total de 72 artigos publicados no período de 1998 a 2008, usando os descritores: nutricionista, programa saúde da família e alimentação. Os resultados apontaram uma interação direta da ESF com a política de saúde, especialmente a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), na qual o nutricionista atua na promoção de práticas alimentares saudáveis e na prevenção e no controle de distúrbios nutricionais. Coloca ainda, em relevo, o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) que está agregado às equipes da ESF, ampliando a atenção à saúde da população com uma equipe multidisciplinar, garantindo, assim, a integralidade da assistência à população, mas limita-se a garantir a presença do nutricionista a partir da decisão do gestor. Por fim, demonstra que a atuação do nutricionista junto às equipes da ESF está estabelecida em sua formação acadêmica que o instrumentaliza a realizar e a intervir sobre o diagnóstico nutricional da população, enfatizando-se aqui a impossibilidade efetiva de transformar a atenção básica à saúde sem o apoio desse profissional. Descritores: Nutricionista, Programa Saúde da Família; Alimentação. ABSTRACT The research aimed at the importance of the nutricionist in the Family Health Strategy. It Treats of an exploratory bibliographical research in which was researched a total of 72 articles published in the period of 1998 to 2008, Through the descriptors: nutricionist, Family Health program .Health. The results indicate direct interaction of the sphere Family Health Startegy–FHS, with the political health connected specially to the Nutrition and Feeding Nacional Politics – NFNP, in which the nutritionist act in the promotion of health feeding practices in the prevention and control of the nutricional disturbances. It is still put the importance of the aid Nucleus to Family health that is lodged to the team of family health sphere - FHS, broadening the attention to the population health with a multidisciplinary team, guaranteeing, this way, the integrality of the assistance to the population, but limiting itself to the presence of the nutricionist from the manager’s decision. At last, it demonstrates that the acting of the nutricionist toghether is established in his academic formation that instrumentalize to carry out the population nutritional diagnostic, stressing here the imposibility of transforming affectively the basic attention to health without this profissional support. Descriptors: Nutricionist. Family Health program. Heath. RESUMEN Submissão: 15/01/2009 Aprovação: 05/03/2009 La pesquisa tiene como objetivo resaltar la importancia del nutricionista en la Estrategia Salud de la Familia. Se trata de una pesquisa bibliográfica exploratoria en que se pesquisó un total de 72 artículos publicados en el periodo de 1998 a 2008, a través de los descriptores: nutricionista, programa salud de la familia y salud. Los resultados indicaron una interacción directa de la Esfera Salud de la Familia – ESF, con la política de salud ligada especialmente a la Política Nacional de Alimentación y Nutrición – PNAN, en la cual el nutricionista actúa en la promoción de prácticas alimentares saludables y en Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 41-46. 41 la prevención y en el control de disturbios nutricionales. Se coloca aún en destaque el Núcleo de Apoyo a la Salud de la Familia que está agregado a los equipos de la Esfera Salud de la Familia - ESF, ampliando la atención a la salud de la población con un equipo multidisciplinar, garantiendo, así, la integralidad de la asistencia a la población, pero limitándose la presencia del nutricionista a partir de la decisión del gestor. En fin, demostrar que la actuación de la nutricionista junto a los equipos está establecida en su formación académica que la instrumentaliza a realizar diagnóstico nutricional de la población, enfatizando aquí la imposibilidad efectiva de transformar la atención básica la salud sin el apoyo de ese profesional. Descriptores: Nutricionista. Programa Salud de la Familia. Salud. 1 INTRODUÇÃO O Sistema Único de Saúde (SUS) fundamenta-se em princípios e diretrizes, sendo três os princípios: universalidade, igualdade e equidade. A universalidade implica em acesso à saúde a todo brasileiro em qualquer lugar do país, a igualdade se refere a garantia a saúde a todos, independente de cor, classe social ou idade. A equidade, como princípio complementar ao da igualdade, significa tratar as diferenças em busca da igualdade. As diretrizes do SUS são três: descentralização das ações e serviços; participação da comunidade na gestão colegiada através dos conselhos de saúde; e o atendimento integral com vistas a promover, proteger e prover as ações de saúde. A consolidação do SUS demandou a existência de mecanismos de regulação que dessem conta do dinamismo e da complexidade da atenção a saúde. Esse processo iniciou-se com a descentralização das ações e serviços, efetivado pela edição de normas operacionais, especialmente nos anos de 1990, passando a representar instrumentos fundamentais para a concretização da diretriz de descentralização, estabelecida na Constituição e na legislação do SUS (Leis 8.080 e 8.142, de 1990) (LEVCOVITZ, LIMA, MACHADO, 2009). Esse movimento não aconteceu só no Brasil. No início da década de 1980, alguns países iniciaram os primeiros passos em direção a construção do Programa Saúde da Família (PSF), aparecendo Canadá, Cuba, Inglaterra e outros, como pioneiros das mudanças nos serviços primários de saúde de reconhecida resolutividade e impacto. Refletindo esses movimentos, foi implantado no Brasil, na década de 90, o Programa Saúde da Família (PSF), oferecendo às famílias serviços de saúde preventiva e curativa em suas próprias comunidades, resultando em melhorias importantes nas condições de saúde da população brasileira (BRASIL, 2005). À medida que o processo foi avançando, construíram-se outras estratégias para implementação do SUS. A Política Nacional da Atenção Básica (PNAB) foi lançada tendo como eixo condutor o Programa Saúde da Família (PSF). Ela foi gradualmente se fortalecendo e se constituiu como porta de entrada preferencial do sistema único de saúde (SUS), sendo o ponto de partida para a estruturação dos sistemas locais de saúde. (BRASIL,2006). Em 4 de julho de 2007, foi criado pela portaria ministerial Nº 1065/GM o NASF (Núcleo de Apoio a Saúde da Família) com a finalidade de ampliar a integralidade e a resolubilidade da Atenção à Saúde, atualizada pela portaria nº. 154, publicada no Diário Oficial da União em 25 de janeiro de 2008. O Núcleo de Apoio à Saúde da Família é uma iniciativa que amplia o número de profissionais vinculados às equipes da Saúde da Família (BRASIL, 2008). Os núcleos (NASF) reúnem profissionais das mais variadas áreas de saúde, como médicos (ginecologistas, pediatras e psiquiatras), nutricionis42 tas, acupunturistas, homeopatas, farmacêuticos, assistentes sociais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, profissionais de educação física e terapeutas ocupacionais. Esses profissionais atuarão em parceria e em conjunto com as equipes da Estratégia Saúde da Família. O profissional de nutrição tem como atribuição específica realizar intervenção nos agravos nutricionais, o que lhe permite, a partir desse diagnóstico e da observação dos valores sócio-culturais, propor orientações dietéticas cabíveis e necessárias, adequando-as aos hábitos da unidade familiar, à cultura, às condições fisiológicas dos grupos e à disponibilidade de alimentos. Esse estudo objetiva fundamentar a inclusão do profissional nutricionista na ESF, ressaltando a necessidade do nutricionista, como profissional preparado para lidar com os problemas nutricionais no atual contexto político, social e epidemiológico. A partir dessa contextualização, considera-se importante um estudo bibliográfico a cerca da produção científica relevante a esse tema, qual seja a inserção do nutricionista na ESF. 2 METODOLOGIA O presente estudo consiste numa pesquisa bibliográfica, exploratória, realizada em um período especifico com um recorte temporal de 10 anos, de 1998 a 2008, sendo pesquisado nos bancos de dados: Scielo e livros de nutrição. Os artigos foram selecionados tendo como referência os descritores nutricionista, programa saúde da família e alimentação. A edificação de uma pesquisa bibliográfica e a organização do seu processo passa por etapas que devem ser seguidas. A primeira etapa desse estudo foi a escolha do tema e a possibilidade consultar fontes capazes de dar sustentação à pesquisa. Marconi e Lakatos (2003), nesta etapa, ressaltam que a escolha do tema deve ir ao encontro das inclinações, tendências e aptidões do pesquisador e merecer ser investigado. A etapa seguinte foi pesquisar a existência de artigos sobre o tema em artigos do scielo, livros e revistas de nutrição. Sendo seguido de uma leitura e re-leitura do material, identificado e organizado em idéias semelhantes, formando categorias de análise. Foram lidos um total de 72 artigos, distribuídos da seguinte forma: política de saúde(3), idoso(4), SUS(10), nutrição(8), ESF(20), carência de ferro(3), deficiência vitamina A(4), referência bibliográfica(1), metodologia(1), PNAB(4), epidemiologia(2), SISVAN(3), desnutrição infantil(2), NASF(5), aleitamento(2). Após a leitura dos estudos, iniciou-se um processo de categorização em temas e procedeu-se a analise observando-se as concordâncias e discordâncias entre os autores pesquisados. 3 RESULTADOS E ANÁLISE Após analise do material, através da leitura e releitura, foi possível categorizar esse estudo nos seguintes temas: 1- A Política Nacional da Atenção Básica (PNAB) ; 2- A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN); 4- Transição epidemiológica no Brasil; 4- Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). 3.1 A Política Nacional da Atenção Básica (PNAB) Os termos atenção primária à saúde (APS) e atenção básica de saúde (ABS) têm sido empregados para designar o primeiro nível de organização da atenção no SUS. Após muita discussão, o termo ABS foi adotado pelo Ministério da Saúde nos documentos oficiais e designa a política estabelecida para essa área. A organização do sistema de saúde brasileiro, Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 41-46. na atualidade, está norteada pelo Pacto pela Saúde e em Defesa do SUS, documento pactuado por técnicos do Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (CONASEMS) e o Conselho Nacional de Secretários Estaduais (CONASS) e aprovado pela Comissão Intergestores Tripartite (CIT) e pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), no início de 2006 (DIAS et al, 2009). O componente Pacto pela Vida definiu como prioridade a consolidação da atenção básica de saúde como eixo ordenador das redes de atenção à saúde do SUS, financiada pelas três esferas de gestão do SUS, para atender as necessidades de saúde da população e conseguir a equidade social. A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) define as estratégias para sua operacionalização e consolidação. A PNAB foi aprovada pela portaria de nº648\GM de 28 março de 2006, essa data ficou conhecida como a marca da maturidade no que se refere à Atenção Básica em Saúde ( BRASIL, 2006). A atenção básica em saúde é caracterizada pelo conjunto de intervenções de saúde, no âmbito individual e coletivo, abrangendo atividades de promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação. É desenvolvida por meio de práticas gerenciais e sanitárias, democráticas e participativas, que privilegiam o trabalho em equipe, dirigidas a populações de territórios (território-processo) delimitados. Utiliza tecnologias de elevada complexidade e baixa densidade, que devem resolver os problemas de saúde de maior frequência e relevância das populações, sendo considerado o contato preferencial dos usuários com o sistema de saúde (MOROSINI; CORBO, 2007). Essa política tem melhorado as condições de saúde da população brasileira, trazendo uma aproximação maior entre a população e os profissionais da área de saúde. A ESF foi peça importante para as mudanças propostas pelas Normas Operacionais Básicas (NOB), especialmente, a NOB-96. Por essa norma, foi criado o Piso da Atenção básica (PAB), que previa remuneração per capita para que os municípios desenvolvessem ações básicas de saúde (parte fixa PAB), além de recursos adicionais para aqueles que estivessem implantando a ESF (VIANA, 2005). Essa equipe, composta por médico, enfermeiro, dentista, auxiliar de enfermagem, técnico de higiene bucal e agente comunitário de saúde, constitui-se de equipes multiprofissionais que devem atuar em uma perspectiva interdisciplinar. Os membros da equipe articulam suas práticas e saberes no enfrentamento de cada situação identificada para propor soluções conjuntamente e intervir de maneira adequada já que todos conhecem a problemática. A equipe presta assistência integral, efetiva, contínua e com qualidade, considerando a perspectiva da família, por meio da abordagem interdisciplinar, planejamento de ações, organizações do trabalho, compartilhando decisões (OLIVEIRA, 2006). A Atenção Básica tem a Saúde da Família como estratégia prioritária para sua organização de acordo com os preceitos do SUS. Define-se como áreas estratégicas para atuação em território nacional: a eliminação da hanseníase, o controle da tuberculose, o controle da hipertensão arterial, o controle do diabetes mellitus, a eliminação da desnutrição infantil, a saúde da criança, a saúde da mulher, a saúde do idoso, a saúde bucal e a promoção da saúde (BRASIL, 2006). Os estudos pesquisados mostram uma convergência no desenvolvimento da política da atenção básica e a estratégia saúde da família. Mostra, ainda, ações da atenção básica ligadas a intervenções no modo de se alimentar da população brasileira. Conforme relatado acima, das dez ações prioritárias da atenção básica, seis tem relação direta com a nutrição, quais sejam, controle da hipertensão arterial, controle do diabetes mellitus, eliminação da desnutrição infantil, saúde da criança, saúde da mulher e Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 41-46. saúde do idoso. Esse fato reforça a importância da presença do nutricionista na estratégia saúde da família. 3.2 A política nacional de alimentação e nutrição (PNAN) Em 1999, por um processo participativo de formulação, é homologada a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) junto ao Conselho Nacional de Saúde, após as devidas pactuações nas instâncias colegiadas que compõem o SUS. A PNAN assumiu como fundamentos o entendimento da alimentação saudável enquanto um direito humano, e a necessidade de articulação e da busca da garantia da segurança alimentar e nutricional. Desta forma, pressupõe- se que só haverá condições de pleno exercício do direito humano à alimentação adequada através de medidas institucionais que visem à segurança alimentar e nutricional (PINHEIRO; CARVALHO, 2008). A PNAN, além de fundamentos, baseia-se em sete diretrizes. Sendo elas: o estímulo às ações intersetoriais com vistas ao acesso universal aos alimentos; a garantia da segurança e da qualidade dos alimentos e da prestação de serviços neste contexto; o monitoramento da situação alimentar e nutricional; a promoção de práticas alimentares e estilos de vida saudáveis; a prevenção e controle dos distúrbios nutricionais e de doenças associadas à alimentação e nutrição; a promoção do desenvolvimento de linhas de investigação e o desenvolvimento e capacitação de recursos humanos (BRASIL, 2006). Entende-se alimentação saudável como um direito humano que contemple um padrão alimentar adequado às necessidades biológicas, culturais, sociais e econômicas dos indivíduos, respeitando os princípios de acessibilidade físico e financeiro, sabor, variedade, cor, harmonia e segurança sanitária, com ênfase em práticas alimentares que assumam os significados simbólico-culturais da comida nas relações sociais das populações (PINHEIRO, FREITAS E CORSO, 2005). Dentre as diretrizes da PNAN, o monitoramento da situação alimentar e nutricional, Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional – SISVAN, tem recebido destaque ao longo do desenvolvimento da política. Caracteriza-se por um sistema de informação que tem por objetivo fazer o diagnóstico descritivo e analítico da situação alimentar e nutricional da população brasileira. Este monitoramento contribui para o conhecimento da natureza e magnitude dos problemas de nutrição, identificando as áreas geográficas, segmentos sociais e grupos populacionais acometidos por maior risco aos agravos nutricionais. No Brasil, esse sistema é previsto na operacionalização do Sistema Único de Saúde (BRASIL, 2006). Historicamente, esse sistema sempre esteve vinculado aos programas de alimentação e nutrição existentes no País. Atualmente, é considerado como instrumento de avaliação das condicionalidades da saúde no Programa Transferência de Renda Programa Bolsa – Família, na ação de monitorar o crescimento e desenvolvimento das famílias. Nas ações de intervenções, visando a eliminação da deficiência em micronutrientes, dois programas tem se destacado. O Programa de Vitamina A e Programa do Ferro. Para redução da hipovitaminose A em áreas endêmicas ( Nordeste e Vale do Jequitinhonha-MG). As estratégias da intervenção são estabelecidas através da suplementação com megadoses de Vitamina A às crianças de 6 a 59 meses de idade residentes em áreas consideradas de risco e mulheres no pós-parto imediato, associadas a ações educativas implementadas pelos Agentes Comunitários de Saúde e também através dos meios de comunicação de massa, disponibilizando informações à população que visem à seleção de alimentos ricos em retinol (vitamina A de origem animal) e carotenóides (vitamina A de origem 43 vegetal), na composição de sua alimentação diária ( BRASIL, 2004). Ainda na intervenção de deficiência de micronutrientes, a PNAN organizou o Programa do Ferro com a distribuição da suplementação terapêutica e profilática de ferro à gestantes, puérperas e crianças, como opção para controlar essa deficiência nutricional. Aliado a isso, o programa de fortificação de farinhas de trigo e milho com ferro e ácido fólico, foi implantado em todo o país desde junho de 2004, mostrando a sintonia do governo brasileiro com as recomendações internacionais e sua vontade política em erradicar a anemia e minimizar a deficiência de ferro dentre os problemas de saúde pública (SATO, 2008). A carência nutricional de ferro tem sido considerada um importante problema de saúde pública, sobretudo, nos países em desenvolvimento, tanto em termos de magnitude, distribuição espacial, quanto nos seus reflexos negativos à saúde do indivíduo. Segundo estudo realizado em escolares na cidade de Teresina, constatou-se concentrações inadequadas de ferritina sérica da ordem de 20,3%. Vale ressaltar que 63,0% dos escolares apresentaram concentrações de ferritina sérica inferiores a 30 µg/L (SANTOS, 2008). a hipertensão arterial e as hiperlipedemias já acenam como problemas importantes de saúde e se mostram fortemente associadas às condições de nutrição e ao estilo de vida adotado e/ou imposto pela sociedade moderna. O perfil da morbi-mortalidade na população pré-escolar caracteriza-se por expressiva redução da severidade das doenças infecciosas e parasitárias, embora as prevalências continuem altas (ASSIS et al,2002). Com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, observa-se uma transição no estado nutricional da população brasileira. A desnutrição em adultos apresenta-se em queda enquanto o número de brasileiros com sobrepeso aumentou de 1975 a 2003. Atualmente, 40% dos adultos no país estão acima do peso considerado ideal, com índice de massa corporal (IMC) superior a 25. Ao se levar em conta o total de obesos, pessoas com IMC superior a 30, o percentual é de 8,8% para os homens e 12,7% para as mulheres. A obesidade tem crescido entre crianças e adolescentes, mostrando que 16,7% dos adolescentes entre 10 e 19 anos têm excesso de peso e, 2,3% obesidade ( BRASIL,2006). 3.3 A Portaria de nº 154, de 24 de janeiro de 2008, cria o núcleo de apoio à saúde da família (NASF). Os núcleos devem funcionar em horário de trabalho coincidente com o das equipes de Saúde da Família, devendo ter uma carga horária de 40 horas semanais observando o seguinte - para os profissionais médicos, em substituição a um profissional de 40 (quarenta) horas semanais, podem ser registrados 2 (dois) profissionais que cumpram um mínimo de 20 (vinte) horas semanais cada um. Os profissionais do NASF devem ser cadastrados em uma única unidade de saúde, localizada preferencialmente dentro do território de atuação das equipes de Saúde da Família às quais está vinculado (BRASIL, 2008). O NASF reúne profissionais de diversas áreas de saúde, como médicos especialistas, professores de Educação Física, nutricionistas, acupunturistas, homeopatas, farmacêuticos, assistentes sociais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais. Estes atuarão complementando o trabalho das equipes da ESF. Para implementar os núcleos, o município deve elaborar projeto, contemplando o território de atuação, as atividades que serão desenvolvidas, os profissionais e sua forma de contratação com especificação de carga horária, identificação das equipes do PSF vinculadas ao NASF, e a unidade de saúde que credenciará o Nasf. Esse projeto deverá ser aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde e pela Comissão Intergestores Bipartite de cada estado (BRASIL, 2008). A importância da participação dos diferentes profissionais no processo de acolhimento se traduz pela questão de avanços no sentido de construir uma educação permanente destes profissionais, que os coloca em direção a uma atitude entre-disciplinar que desenha as possibilidades dos mesmos desenvolverem atividades gerais ligadas à complexidade da saúde, associadas a atividades profissionais específicas de sua profissão (CECCIM, 2004). A Política Nacional de Atenção Básica estabelece que à equipe de ESF cabe o desenvolvimento de um processo de trabalho voltado para o planejamento, organização e execução de ações de saúde no território. É importante considerarmos que embora desejável, a noção de equipe colocada pelo MS apresenta uma perspectiva de recomposição do trabalho coletivo no nível discursivo, pois no dia-a-dia dos serviços não basta a definição de um perfil de atividades a serem desenvolvidas para se garantir tal recomposição do trabalho individual e autônomo dos trabalhadores na direção da construção prática do trabalho em equipe (MISHIMA, 2003). A transição epidemiológica no Brasil A transição epidemiológica em curso no Brasil, fruto das mudanças no perfil sócio-demográfico e nutricional da população, vem promovendo profundas alterações no padrão de morbi-mortalidade e no estado nutricional em todas as faixas etárias, nas áreas urbanas e pequenas cidades. Embora o perfil da saúde da população brasileira possa ser caracterizado por decrescentes taxas de mortalidade em todas as faixas etárias, destacam-se ainda as altas prevalências e incidências de varias doenças infecciosas e parasitarias, de elevada ocorrência em países periféricos, somando-se a esse panorama aquelas morbidades características dos Países centrais. O quadro de morbi-mortalidade desenhado na atualidade para o Brasil associa-se com alimentação, a nutrição e o estilo de vida dos brasileiros (ASSIS et al, 2002). Os dados recentes da POF verificaram um aumento expressivo da obesidade entre homens em geral; e entre mulheres uma acentuação somente na população de baixa renda, principalmente no meio rural. Esses dados sinalizam para uma mudança no perfil epidemiológico nutricional da população brasileira; contudo, não refletem melhoria nesse perfil. Pelo contrário, tais evidências deixam claro que a natureza da problemática alimentar e nutricional requer ações para tratar a má-nutrição em sua globalidade, seja manifestada pela carência; seja resultante do excesso de consumo energético e inadequação alimentar ( PINHEIRO, FREITAS e CORSO, 2005). A pesquisa nacional por amostragem de domicílios (PNAD 2004) confirmou essa tendência do envelhecimento da população brasileira. O percentual de pessoas com 60 anos de idade ou mais era de 6,4% em 1981, subiu para 8,0% em 1993 e alcançou 9,8% em 2004. A projeção do Brasil, em, em 2025, é de 15 a 20% da sua população total composta por indivíduos com de 60 anos ou mais, ficando entre os 10 Países do mundo com mais contingente de idosos. Em Países em desenvolvimento, a Organização das Nações Unidas (ONU) considera como idoso o individuo com idade igual ou superior a 60 anos. No Brasil, a lei nº. 8.842\94 adota essa mesma faixa etária como entrada na velhice (GERONUTTI, 2008). Entre os adultos destaca-se a elevação das taxas de doenças como diabetes, obesidade, neoplasia, hipertensão arterial e hiperlipidemias, característica semelhante ao perfil de morbi-mortalidade de população adulta de países desenvolvidos. Em relação aos adolescentes, a obesidade, 44 3.4 Núcleo de apoio à saúde da família (NASF) Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 41-46. Entre esses profissionais, o município pode optar pelo nutricionista. Com essa escolha, a comunidade local é beneficiada por um profissional capacitado para apoiar a realização de ações educativas sobre a alimentação e a nutrição. Entre elas, estão a coordenação das ações de diagnóstico populacional da situação alimentar e nutricional, o estímulo à produção e ao consumo de alimentos saudáveis produzidos regionalmente e o atendimento para doenças relacionadas à alimentação e à nutrição. No entanto, nestes Núcleos, o nutricionista não lida apenas com questões alimentares. Seu trabalho deve incentivar a produção agrícola local, o que levará à geração de renda e empregos na região ( SILVA, 2009). Assim, a inclusão do nutricionista na equipe da Estratégia Saúde da Família só viria complementar as ações de saúde no sentido de que a nutrição tem seu papel de manutenção da saúde através da alimentação, o que ajudaria a manter o caráter preventivo do modelo de atenção básica à saúde, cuja consolidação é buscada através da Estratégia Saúde da Família (ESF). 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS O estudo permite uma reflexão sobre a importância da presença do profissional nutricionista na equipe Saúde da Família. A atenção básica requer ações intersetoriais de cunho participativo. Os estudos pesquisados revelam que o desenho metodológico de operacionalização e gestão desse modelo envolve ações que reflitam mudanças no quadro de transição epidemiológica, nutricional e demográfico da população brasileira. Nesse sentido, o NASF, como um apoio à Estratégia Saúde da Família, pode contribuir nesse processo. No entanto, ao limitar a escolha do gestor, a composição da equipe multiprofissional, em especial do nutricionista, pode fragilizar a garantia da presença desse profissional. Por outro lado, as diretrizes e prioridades da atenção básica encontram-se diretamente relacionadas com ações privativas do nutricionista. De tal modo, podemos perceber que a inclusão do nutricionista na ESF complementaria a promoção da saúde das famílias no sentido de que a nutrição tem o papel de manutenção e prevenção da saúde através da alimentação. O NASF revela-se como um avanço no sentido de integralidade e do trabalho em equipe, porém não garante a presença do nutricionista no desenvolvimento de ações de alimentação e nutrição. Dessa forma, pretende-se que seja referenciado o papel do nutricionista em particular, pelo prisma da sua identidade profissional, sendo esse profissional detentor do saber científico na área da alimentação e nutrição, além do exercício de se colocar em beneficio de outrem, e assim contribuir na melhoria da qualidade de vida e conseqüentemente no prolongamento da mesma. REFERÊNCIAS ASSIS, A.M.O. et al. O Programa Saúde da Família: contribuições para uma reflexão sobre a inserção do nutricionista na equipe multidisciplinar. Rev. Nutr. Campinas, v.15, n.3, p. 255-266, set.out. 2002. de Janeiro, v. 14 n. 6, p.2061-65, dez. 2009. BRASIL . Ministério da Saúde. Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição. Vitamina A Mais. Programa Nacional de Vitamina A: Condutas Gerais. 3. ed. Brasília, 2004. GERONUTTI, D. et al. Vacinação de idosos contra a influenza em um centro de saúde escola do interior do estado de São Paulo. Texto & Contexto - Enfermagem. 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PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN Análise do teor de cloro ativo em soluções de hipoclorito de sódio comercializadas em lojas de materiais odontológicos de Teresina-PI Analysis of the chlorine content active in solutions of sodium hypochloret commercialized in dentistry material stores in Teresina-PI Análisis del teor de cloro activo en soluciones de hipoclorito de sódio comercializadas en tiendas de materiales odontológicos de Teresina-PI Gisele Torres Feitosa RESUMO Graduada em Odontologia pela Faculdade NOVAFAPI. Especialista em Periodontia EAP/ABO-PI. Aluna do Curso de Especialização em Endodontia da Faculdade NOVAFAPI. Coordenadora do Projeto de Extensão – Plantão Odontológico na Faculdade NOVAFAPI Carlos Alberto Monteiro Falcão Mestre em Dentística e Endodontia FOP/UPE. Aluno do Programa de Doutorado em Clinicas Odontológicas SLMandic. Professor e Coordenador do Curso de Odontologia da Faculdade NOVAFAPI. Professor do Curso de Odontologia da UESPI Um dos principais objetivos da terapia endodôntica é a limpeza de restos pulpares, do material necrótico e dos microorganismos da cavidade pulpar; sendo utilizados instrumentos endodônticos associados às soluções irrigadoras realizando, o preparo químico-mecânico dentro dos princípios da técnica e com soluções irrigadoras ideais, por isso o profissional deve ter confiança no produto químico que está sendo utilizado. Sabe-se que, dessas soluções, o hipoclorito de sódio continua sendo o de escolha, mas estas soluções apresentam uma instabilidade química através da luz, ar, calor e contaminantes orgânicos e metálicos. Devido a isso, esta pesquisa tem o objetivo de analisar o teor de cloro ativo através da titulometria das soluções de hipoclorito de sódio encontradas em lojas de matérias odontológicos de Teresina–Piauí, seu pH e o grau de conhecimento dos endodontistas em relação a estocagem, formulação, armazenamento e tempo de vida útil das soluções. Observou-se que as soluções analisadas estavam com o teor de cloro abaixo do esperado, todas com o pH alcalino e que os endodontistas têm o conhecimento ideal sobre as soluções irrigadoras. Descritores: Odontologia. Hipoclorito de Sódio. Endodontia. ABSTRACT One of the main objetives of endodontic therapy is the cleaning of the pulp rests , of the necrotic material and of the microorganisms of the pulp cavity; being used endodontics instruments associated to the irrigating solutions realizing, Chimical-mecanic inside the principles of the technique ideas solutions irrigating ideas, for this the profissional must have confidence in the chimical product that is being udsed. It is known that, from these solutions, of the hyperchlorite of sodium continues the choice , but these solutions present a chimical instability through the light,air, heat, color metalic and organic contaminants. Due to it, this research aims at analysing the content of active chlorine of the titulometry of sodium hypochlorite found at dentistry materials stores inTeresina –Piauí, its pH and the knowledge degree of the endodontists in relation to the stocking, formulation, storing and useful life style of the solutions. It was observed that the solutions analyzed were with content of chlorine below of what was expected, all with pH alcaline and those the endodontists have the ideal knowledge about the the solutions irrigators. Descriptors: Dentistry. Sodium hypochlorite. Endodonty RESUMEN Submissão: 26/01/2009 Aprovação: 13/03/2009 Uno de los principales objetivos de la terapia endodóntica es la limpieza de restos pulpares, del material necrótico y de los microorganismos de la cavidad pulpar; siendo utilizados instrumentos endodónticos asociados a las soluciones irrigadoras realizando, el preparo químico-mecánico dentro de los principios de la técnica y con soluciones irrigadoras ideales, por eso el profesional debe tener confianza en el producto químico que está siendo utilizado. Se sabe que, de esas soluciones, el hipoclorito de sodio continua siendo lo de elegir, pero estas soluciones presentan una inestabilidad química a través de la luz, aire, calor y contaminantes orgánicos y metálicos. Debido a eso, esta pesquisa tiene el objetivo de analizar el tenor de cloro activo a través de la titulometria de las soluciones Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 47-51. 47 de hipoclorito de sodio encontradas en tiendas de materias odontológicas de Teresina –Piauí, su pH y el grado de conocimiento de los endodontistas en relación al estoque, formulación, almacenamiento y tiempo de vida útil de las soluciones. Se observó que las soluciones analizadas estaban con el tenor de cloro abajo del esperado, todas con el pH alcalino y que los endodontistas tienen el conocimiento ideal sobre las soluciones irrigadoras. Descriptores: Odontología. Hipoclorito de sodio. Endodontía. 1 INTRODUÇÃO Endodontia é a ciência e a arte que envolve a etiologia, a prevenção, o diagnóstico e tratamento das alterações patológicas da polpa dentária e de suas repercussões na região periapical e, consequentemente, no organismo (LEONARDO, 2005). O tratamento endodôntico segue uma seqüência de abertura coronária, preparo biomecânico, controle da desinfecção, finalizando com a obturação. A cada dia, esse tratamento alcança índices de sucesso devido a um maior domínio do desenvolvimento técnico-científico. (SANTOS, 1999; SPANÓ, 1999; VARGAS, 2000; LEONARDO, 2005). Didaticamente, o preparo biomecânico é executado pelos seguintes meios: mecânico - ação dos instrumentos, alargando e modelando o canal radicular; físico - ato de irrigar e aspirar uma solução irrigadora; químico - ação química de substâncias ou soluções irrigadoras nos componentes dos canais radiculares. A instrumentação juntamente com a irrigação e a sucção são etapas que devem ser contínuas, únicas e simultâneas, com o objetivo de remover bactérias, dissolver tecido necrótico, materiais inorgânicos e orgânicos dentre outros detritos do canal radicular. Vale lembrar que um canal bem irrigado, ou seja, bem limpo permite uma melhor ação dos medicamentos ou material obturador. Para Torres (2000), numerosas soluções irrigadoras são usadas em Endodontia, visando encontrar uma que atenda a uma série de requisitos básicos, tais como capacidade de lubrificação das paredes do canal para facilitar a instrumentação, ação bactericida, propriedade de umedecimento e redução da tensão superficial das paredes dentinárias para penetração dos medicamentos intra-canais, solvência de partículas orgânicas e inorgânicas, atividade clareadora e desodorizante, entre outras. Essas soluções irrigadoras são classificadas em: compostos halogenados, detergentes sintéticos, quelantes, associações ou misturas e outras soluções irrigadoras (LEONARDO, 2005; ESTRELA, 2000). Dentro desse leque de opções, deve-se realizar uma escolha relacionada com o caso em questão para um melhor resultado. Sabe-se que ainda hoje a solução irrigadora mais utilizada são os hipocloritos de sódio do grupo dos compostos halogenados. O ácido hipocloroso (NaOCl) é modificado pela luz, temperatura elevada, metais, ar e tempo de vida útil que alteram o seu teor de cloro ativo que é o principal componente para ações como a de solvência do tecido e bactericida. Considerando que a solução de hipoclorito de sódio é muito utilizada no tratamento endodôntico e tem uma instabilidade química que altera o teor de cloro ativo da solução, esta pesquisa tem o propósito de verificar, mediante prova de titulação química (iodometria), o real teor de cloro ativo das soluções de NaOCl encontradas em algumas lojas de materiais odontológicos de Teresina, pois este cloro é o principal componente ativo para as ações de solvência tecidual e bactericida. A pesquisa tem o intuito de verificar também a atenção dos endodontistas quanto às condições de estocagem, formulação, armazenamento e tempo de vida útil das soluções. 48 2 METODOLOGIA As soluções de hipoclorito de sódio de várias concentrações foram testadas através da titulometria (iodometria) para verificar o teor de cloro destas. Essas análises foram realizadas na Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí (NOVAFAPI) no laboratório de Bioquímica. Analisou-se 3 (três) frascos de lotes diferentes de soluções de hipoclorito de sódio para cada marca ou concentração disponíveis em lojas de materiais odontológicos de Teresina. A análise foi comparada sobre algumas especificações do seu rótulo (marca, concentração de cloro ativo, lote e tipo da embalagem). O método da titulometria (iodometria) avalia a quantidade de iodo consumido pela solução de tiossulfato de sódio, conseguindo de forma indireta o teor de cloro livre de uma solução de hipoclorito de sódio. Essa reação é possível porque o cloro é substituído pelo iodo (proporção de 1:1). O método utilizado está em conformidade com Vorgel (2000) e consiste em algumas etapas que serão explicadas a seguir Primeiramente, prepararam-se as soluções utilizadas durante o procedimento que foram: água destilada e deionizada; iodeto de potássio; tiossulfato de sódio; e ácido sulfúrico 10M. A outra solução que é a de amido solúvel 2% só foi preparada na hora do uso. Para iniciar o procedimento, pipetou-se 10ml da solução de hipoclorito de sódio a ser testada e colocou-se em um balão volumétrico de 100ml. Completou-se o volume com água destilada e deionizada. Pipetouse 15ml da amostra acima diluída, logo transferida para um Erlenmeyer de 250ml (Figura 01). Para a substituição do cloro pelo iodo na solução (amostra diluída), no vidro de Erlenmeyer, adicionou-se 1ml da solução de iodeto de potássio e depois, 1,7ml da solução de ácido sulfúrico 10M. Com isso, a solução adquire cor marrom, devido à liberação do iodo que foi acentuada pela acidulação da solução, ou seja, liberação total de iodo (Figura 01). Procedeu-se com a titulação da solução, utilizando o tiossulfato de sódio (0,1M) com agente redutor do iodo. O ponto final da titulação se dá com a perda total da cor da solução. É importante anotar a quantidade de gotas da solução de tiossulfato de sódio utilizadas. Para facilitar o ponto final da titulação, quando a solução iniciar a mudança para amarelo-claro, prepara-se a solução de amido e a adiciona a esta. O amido em contato com o resto de iodo produziu um azul intenso que facilitou chegar a sua transparência, onde não existe mais iodo. Com a transparência da solução teste, e com a quantidade em ml de tiossulfato, passou-se para a etapa dos cálculos do teor de cloro ativo. Com uma regra de três, obteve-se a quantidade de cloro presente na solução testada. A regra é a seguinte: 0,0036g de Cloro está para 1ml tiossulfato de sódio, assim como um valor X g (que se obter) de Cloro está para a quantidade de gotas utilizada de tiossulfato de sódio. 0,0036g de Cloro_______1ml tiossulfato de sódio (X )g de Cloro___________Volume de tiossulfato de sódio gasto Depois esse valor X g de cloro seguiu para a segunda regra: 15ml_________________(X) g de cloro 100ml________________ g de cloro na diluição (Y) Y= Resultado de cloro na diluição. Encontrado esse valor Y, multiplicou-se por 10 e o resultado é igual à porcentagem de cloro na diluição em 100ml de solução de hipoclorito de sódio. Para calcular o pH, utilizou-se um pHmetro digital da marca Quimis (Q – 400H). Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 47-51. Além dos testes aplicou-se também um questionário com os endodontistas da lista do CRO (Conselho Regional de Odontologia) para averiguar como eles adquirem o produto, se observam a concentração de cloro ativo, tempo de validade e lote. Figura 01 – Esquema da titulometria Completou-se com água destilada e deionizada Pipetou-se 10 ml de NaOCl Balão volumétrico 100ml Pipetou-se 15 ml da amostra diluída e transfere para Erlenmeyer Erlenmeyer 250 ml Adiciona-se 1ml de iodeto de potássio Adiciona-se 1,7 ml de ácido sulfúrico 10 M 3 DISCUSSÃO E RESULTADO Um dos principais objetivos da endodontia é a limpeza e modelagem do canal radicular que é obtida através de um preparo químico-mecânico bem conduzido em todas as etapas. Dentre estas, a fase de irrigação assume um papel de destaque devido as suas aplicações desde a fase inicial até momentos antes da obturação. Sabe-se que dentre as soluções irrigadoras estudadas até os dias atuais, o grupo dos compostos halogenados continua sendo o material de eleição para a irrigação dos canais radiculares tanto de biopulpectomias como para as necropulpectomias devido as suas qualidades de detergente, bactericida, necrolítica, antitóxica, desodorizante, dissolvente e neutralizante. Entretanto, deve-se ressaltar que estas qualidades podem ser afetadas pela sua instabilidade química, que pode ser modificada pela luz, calor, ar, e presença de contaminantes orgânicos e inorgânicos, levando a perda do índice de cloro ativo (PÉCORA et al., 1987; MILANO et al., 1991; LEONARDO, 1998; TORRES, 2000; VARGAS, 2000; SÓ et al., 2004). Esse cloro livre presente nas soluções de hipoclorito de sódio é um potente germicida que exerce ação antibacteriana e de solvência dos tecidos, sendo estas suas duas principais qualidades (PÉCORA et al., 1987; MILANO et al.1991; GABARI et al., 1998; TORRES, 2000; SÓ et al., 2004). O ácido hipocloroso depende do pH da solução, sendo que em solução neutra ou ácida ele não se dissocia (mais ativa e instável) e em meio alcalino fica sob a forma iônica dissociada (menos ativa), com isso, conclui-se que a vida útil das soluções com pH elevado é maior, pois libera cloro de forma mais lenta (MILANO et al., 1991; SANTOS, 1999; TORRES, 2000; VARGAS, 2000). Na presente pesquisa, com os resultados encontrados, observa-se que todas as soluções apresentaram um pH alcalino, que variou de 9,74 a 13,44 (Quadro 01). SOLUÇÃO DE NaOCl / MARCA LOTE Ph TEOR DE CLORO Solução de Dakin (0,5 %)/Iodontosul 002 10,55 0,24 Solução de Milton (1 %) /Iodontosul 002 13,23 0,336 Soda Clorada (5 %) /Iodontosul 003 13,44 0,432 Solução de Dakin (0,5 %)/Biodinamic 398/05 10 0,504 Solução de Dakin (0,5 %) /Biodinamic 207/05 9,74 0,24 Solução de Dakin (0,5 %) /Biodinamic 244/05 9,94 0,12 Solução de Milton (1 %) /Biodinamic 356/05 9,92 0,9 Solução de Milton (1 %) /Biodinamic 141/05 10 0,24 Solução de Milton (1 %) /Biodinamic 443/05 10 0,432 Soda Clorada (5 %) /Biondinamic 263/05 12,19 0,6864 Soda Clorada (5 %) /Biodinamic 293/05 12,56 0,8 Soda Clorada (5 %) /Biodinamic 519/05 13 0,96 Quadro 01 – Soluções de NaOCl analisadas com sua marca, lote, pH e teor de cloro encontrado.Teresina - Piaui Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 47-51. 49 A ação solvente do hipoclorito de sódio contribui para a eliminação dos tecidos necróticos e restos pulpares dos canais radiculares. É recomendado a fabricação de pequenas quantidades para uso imediato sendo descartada após dois meses de vida útil, pois, a presença de alta temperatura e luz solar afetam esta atividade (GROSSMAN e MEIMAN, 1941; HAND, R. E.; SMITH, M. L.; HARRISON, J. W.,1978; SANTOS,1999). Observou-se que as soluções encontradas em lojas de matérias dentários de Teresina, apresentavam-se com mais de dois meses de fabricação e com o prazo de validade para doze ou de vinte e quatro meses de acordo com o fabricante. É consenso entre autores que existem diferenças na quantidade de cloro encontrado na maioria das soluções disponíveis no mercado ou naquelas mal acondicionadas e esses autores utilizaram e recomendam o teste da titulometria para analisar o teor de cloro das soluções de hipoclorito de sódio. O presente trabalho utilizou o referido método. Realizando uma média de todos os resultados, tem-se a seguinte amostra: dos 12 (doze) frascos de soluções de hipoclorito de sódio encontradas em lojas de materiais dentários de Teresina-PI, sendo de marcas e lotes diferentes, 06 (seis) apresentaram o teor de cloro abaixo do indicado no rótulo, 02 (duas) apresentaram o teor de cloro de acordo com o indicado no rótulo e 04 (quatro) apresentaram o teor de cloro abaixo de 0,3, não sendo mais ativa contra a Candida albicans, e muito abaixo de especificado (Tabela 1). Para os autores, o aumento da temperatura é o principal agravante para a perda do teor de cloro (PÉCORA et al, 1987; MILANO et al.,1991; PÉCORA, 1997; GAMBARINI, 1998; SÓ, 2002; 2004). Vale ressaltar que os experimentos foram realizados no período de julho a agosto de 2005, sendo um período com o clima muito quente. Essas soluções devem ser acondicionadas em frascos de vidro âmbar e local fresco (GROSSMAN e MEIMAN,1941; PÉCORA et al.,1987; MILANO et al.,1991; PÉCORA et al., 1997; TORRES, 2000; VARGAS, 2000; SÓ et al,,2004). Observou-se que a embalagem de todas as soluções analisadas, era de plástico, estando algumas ressecadas ou com a tinta do rótulo arranhada ou sumindo, acondicionadas em prateleiras e a marca predominante foi a da Biodinamic, sendo importante ressaltar a dificuldade de encontrar frascos de lotes diferentes. PÉCORA et al. (1987), cita em seu trabalho que os profissionais devem ficar atentos para não utilizarem soluções com o teor de cloro abaixo de especificado, perdendo o propósito para o qual está sendo aplicado. Aplicou-se um questionário para uma amostra de 30 (trinta) endodontistas, sendo que 26 (vinte e seis) responderam e 4 (quatro) não aceitaram participar, o que representa uma taxa de não resposta equivalente a 13,33% por recusa. Esse questionário analisava o grau de conhecimento dos endodontistas em relação a prazo de validade, local de aquisição, armazenamento, iluminação e quantidades de lotes adquiridos das soluções. Em relação ao prazo de validade, 13 (treze) cirurgiões dentistas responderam que observam antes de utilizar, 12 (doze) responderam que o cirurgião dentista e a auxiliar observam e 1 (um) respondeu que só a auxiliar é quem observa, o que evidencia que eles preocupam-se com o tempo de vida útil. 50 Na segunda pergunta, sobre onde costumam adquirir o produto, 18 (dezoito) profissionais responderam que em lojas de materiais dentários, 4 (quatro) em farmácia de manipulação, 3 (três) em lojas de materiais dentários e farmácia de manipulação e 1 (um) utiliza a água sanitária adquirida nos supermercados. A escolha pela farmácia de manipulação é recomendada, pois o produto é fabricado e logo utilizado, não perdendo muito teor de cloro. A água sanitária encontrada em supermercados apresenta maior rotatividade nas prateleiras e quando diluída é uma boa opção. Vale lembrar que a diluição da água sanitária para 1% é realizada adicionando 5 (cinco) partes de NaOCl para 2 (duas) de água, devendo ser filtrada com algodão ao gaze, e não se deve usar água sanitária aromatizada (MIRANDA, LOPES e SIQUEIRA JR.,2002; MARCHESAN et al., 2005) Sobre o armazenamento das soluções, 18 (dezoito) responderam que armazenam em armários e 8 (oito) em geladeiras e, sobre a iluminação desses locais, 2 endodontistas (dois) responderam que o lugar onde armazenam a solução é iluminado e 24 (vinte e quatro) que não é iluminado. A efetividade dessas soluções depende da concentração do cloro ativo e, de acordo com a literatura, a iluminação e temperatura afetam esse cloro (GROSSMAN e MEIMAN,1941; PÉCORA et al.,1987, 1988; MILANO et al.1991; TORRES, 2000; VARGAS, 2000; SÓ et al.,2004). Vale ressaltar que PÉCORA et al. (1997) e SÓ et al. (2002) citam em seus trabalhos que a luminosidade e armazenamento não têm uma influência significativa na diminuição do teor de cloro como a temperatura. Com relação à quantidade de frascos de um mesmo lote, 13 (treze) endodontistas adquirem 1 (um) frasco de NaOCl do mesmo lote, 10 (dez) adquirem 2 (dois) frascos e 3(três) não sabem ou não observam. Ressaltando que existe uma dificuldade em encontrar lotes diferentes, nas lojas de materiais dentários de Teresina. 4 CONCLUSÃO Com base na metodologia empregada e nos resultados obtidos, pode-se concluir que: • As soluções de hipoclorito de sódio encontradas no mercado estão com o teor de cloro abaixo do identificado no rótulo, estando algumas inadequadas para o uso em endodontia, por apresentaram teor de cloro muito baixo; • Das soluções de hipoclorito de sódio analisadas, a que obteve uma maior diferença entre seu teor de cloro real e o especificado pelo rótulo foi a Soda Clorada; • Em relação ao pH dessas soluções, observou-se que estavam dentro do padrão de alcalinidade; • Todas as soluções estavam acondicionadas em frascos de plástico coloridos, com especificações de fácil remoção e armazenadas em prateleiras. É importante relembrar que no mercado apenas duas marcas diferentes do produto (Iodontosul e Biodinamic) foram encontradas; • Os endodontistas entrevistados apresentaram um grau de conhecimento aceitável em relação à estocagem, formulação, armazenamento e tempo de vida útil das soluções. Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 47-51. REFERÊNCIAS ETRELA, C. R. A. Eficácia antimicrobiana de soluções irrigadoras de canais radiculares. 2000, Dissertação (Mestrado) – Instituto de Patologia Tropical de Saúde Pública, Universidade Federal de Goiás, Goiás, 2000. GAMBARINI, G.; DE LUCA, M.; GEROSA, R. Chemical stability of heated sodium hypochlorite endodontic irrigants. Jornal of Endodontics, v. 24, n. 6, p. 432-434, Jun. 1998. GROSSMAN, L. I.; MEIMAN, B. W. Solution of pulp tissue by chemical agents. J. Am. Dent. Assoc., v. 28, n. 2, p. 223-225, Fev. 1941. LEONARDO,M. R. Endodontia: tratamento de canais radiculares: princípios técnicos e biológicos. v. 1. 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E. Estudo “in vitro”das propriedades físico-químicas das soluções de hipoclorito de sódio, em diferentes concentrações, antes e após a dissolução de tecido pulpar bovino. 1999. 96p. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 1999. TORRES, C. B. B. Análise do teor de cloro livre e pH das soluções de hipoclorito de sódio disponíveis em lojas de materiais odontológicos de Teresina – PI. Jan. 41 p. Monografia (Especialização em Endodontia). Associação Brasileira de Odontologia – Secção Piauí, Teresina, 2000. VARGAS, M. R. C. Verificação do teor de cloro ativo em soluções comerciais de hipoclorito de sódio. 2000. 99 p. Dissertação (Mestrado), Faculdade de Odontologia de Pernambuco. Camaragibe, 2000. VOGEL, F.; MOTULSKY, A. G. Genética Humana: problemas e abordagens. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. 51 REFLEXÃO / REFLECTION / REFLECIONE A paternidade socioafetiva: aspectos psicológicos e a consolidação no âmbito jurídico The socioaffetive paternity: psycolgical aspects and the consolidation in the juridic scope. La paternidad socioafetiva: aspectos psicológicos y la consolidación en el ámbito jurídico Suênya Marley Mourão Batista RESUMO Bacharel em Direito pela Faculdade Santo Agostinho Eduardo Diniz Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Piauí – UFPI. Mestrando em Direito Constitucional – UFC. Diretor da Escola Superior de Advocacia do Piauí – ESAPI. Advogado. Com a significativa mudança no Direito de Família, principalmente no que tange às relações entre pais e filhos, houve uma valorização da socioafetividade e a relação de paternidade passou a revelar-se não somente nas questões da consanguinidade, mas na solidariedade mútua, gerando laços de afeto que derivam da convivência entre pai e filho. O estudo teve como objetivo desenvolver uma análise crítica sobre a paternidade socioafetiva nos âmbitos jurídico e psicológico, evidenciando a nova abordagem do Direito de Família. Trata-se de um estudo de reflexão que evidenciou a importância da presença paterna na estruturação e desenvolvimento do sujeito, abordada como co-responsável na estruturação emocional dos sujeitos envolvidos na trama familiar. A paternidade socioafetiva estrutura-se também no âmbito jurídico, tendo em vista os dispositivos de lei previstos na Constituição Federal e no Código Civil Brasileiro que permitem a concepção socioafetiva de família, assim como a jurisprudência pátria que tem consolidado a afetividade como princípio apto a atender a uma verdadeira significação de família. Certamente, são o envolvimento emocional e o sentimento de amor que fazem gerar responsabilidades e comprometimentos mútuos, revelando a presença de uma família. Assim, o estudo demonstra a importância do afeto e da presença paterna para o desenvolvimento psíquico do sujeito. Descritores: Paternidade. Afeto. Direito. Psicologia. ABSTRACT With minimum change in the Family right, specially in what concerns to the relations between parents and children, There had been a valuing of the socio affetivity and the paternity rights passed to reveal itself no more in the consanguinity questions, but in the mutual solidarity, generating affetive lasso that should derive from the close contact father and children. The study developed a critical analysis about the social affective paternity in the psychological and juridic scope, evidencing a new approach of Family right. It treats of a reflexive study that evidenced the importance of paternal structural presence and person development, approached as co-responsible in the emotional structurating of the sujected involved in the family plot. The socio affetive paternity. It also structures itself in the juridic scope having in view the dispositives of the law previewed in the Federal Constituition and in the Brazilian civil code that permit family socio affective conception, as well as the jurisprudence homeland that has consolidated the affectivity as suitable basis to serve a true family meaning. Certainly are emotional involvement and the Love feeling that make it generates responsibility and mutual commitment, revealing the presence of a family. Thus the study demonstrates the importance of affection in the paternal presence to the person psychic development. Descriptors: Paternity. Affection. Right. Psychology. RESUMEN Submissão: 03/12/2008 Aprovação: 11/02/2009 52 Con el significativo cambio en Derecho de Familia, principalmente en lo que toca a las relaciones entre padres e hijos, hubo una valorización de la socio afectividad y la relación de paternidad pasó a revelarse no más en las cuestiones de la consanguinidad, pero en la solidaridad mutua, generando Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 52-57. lazos de afecto que derivan de la convivencia entre padre e hijo. El estudio tuvo como objetivo desarrollar un análisis crítica sobre la paternidad socia afectiva en los ámbitos jurídica y psicológica, evidenciando el nuevo abordaje del Derecho de Familia. Se trata de un estudio de reflexión que evidenció la importancia de la presencia paterna en la estructuración y desarrollo del sujeto, abordada como co-responsable en la estructuración emocional de los sujetos envueltos en la trama familiar. La paternidad socioafectiva se estructura también en el ámbito jurídico teniendo en vista los dispositivos de ley previstos en la Constitución Federal y en el Código Civil Brasileño que permiten la concepción socio afectiva de familia, así como la jurisprudencia patria que tiene consolidado la afectividad como principio apto a atender una verdadera significación de familia. Seguro son el arrollamiento emocional y el sentimiento de amor que hacen generar responsabilidades y comprometimientos mutuos, revelando la presencia de una familia. Así el estudio demostra la importancia del afecto y de la presencia paterna para el desarrollo psíquico del sujeto. Descritores: Paternidade. Afeto. Direito. Psicologia. 1 INTRODUÇÃO O Código Civil Brasileiro de 1916 retratou o rigorismo de uma sociedade colonial, escravocrata, desigual e patriarcalista. O pai ostentava sua responsabilidade pela família, enquanto a mulher permanecia submissa ao marido. O citado ordenamento garantia proteção apenas à família legítima, ou seja, aquela com origem no casamento e na consangüinidade. Ser pai era considerado algo da ordem natural, um fenômeno meramente biológico (BRASIL, 2003). Fazia-se então necessário que houvesse uma modificação desse pensamento, o que veio acontecendo através do desenvolvimento histórico e da evolução científica do homem. Assim, do conceito unívoco de família que imperava à época do diploma civil de 1916, que identificava a família exclusivamente pela existência do casamento, chegamos às mais diversas estruturas familiares. Surgiram novos hábitos, novos conceitos e inovações na genética, que levaram a novos paradigmas, pois não se poderia viver nessa sociedade com regras do século passado. Redefiniu-se uma nova família, uma estrutura mais adequada aos novos tempos, que tem por base o afeto. Entende-se que este é o elemento distintivo da família moderna, pois é o vínculo afetivo que une as pessoas, gerando laços de amor, comprometimento mútuo, identidade de projetos de vida. O afeto então deixou de ser um sentimento unicamente interessante para aqueles que o sentiam e passou a ingressar no mundo jurídico, tendo assim uma importância externa. A Psicologia tem um papel fundamental na presente abordagem, uma vez que ela entende a profunda influência do aspecto afetivo sobre o desenvolvimento intelectual do indivíduo. Além disso, psicólogos afirmam que o afeto pode até mesmo acelerar ou diminuir o ritmo de desenvolvimento. O primeiro meio que proporciona ao ser humano esse estado psicológico é a família; por esse motivo, liga-se à ela os sentimentos mais elevados como amor, solidariedade e compreensão. Portanto, é de suma importância o presente estudo no sentido de ampliar a análise da paternidade sócioafetiva, abrindo novos horizontes no campo do Direito a partir dos fundamentos da Psicologia. É preciso conhecer, por exemplo, o papel do pai na estruturação psíquica do sujeito e fazer o resgate dessa função na sociedade brasileira atual. 2 A NOVA FAMÍLIA BRASILEIRA Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 52-57. O conceito de entidade familiar passou, no período compreendido entre 1916 e 1988, por um grande processo de transformação. O Código Civil de 1916 consagrou o modelo de família patriarcal, evidenciando a desigualdade entre homens e mulheres, que tinham papéis previamente determinados no lar. Ao marido cabia prover a manutenção da família enquanto a mulher deveria se ocupar dos cuidados da casa e dos filhos(BRASIL, 2003). A partir da Revolução Industrial, começaram as transformações no conceito de “família”. As uniões sem casamento foram gradativamente aceitas pela sociedade, surgiram famílias formadas apenas pela mãe ou pai e seus filhos e, em 1977, a Lei 6.515 regulamentou o divórcio. Logo, o modelo legal codificado tornou-se insuficiente, distante da realidade social que se delineava (BRASIL,1977) Desse modo, como o ordenamento jurídico deve estar atento às transformações sociais, o nosso sistema legal também passou por modificações a fim de regular a nova realidade social. De fato, com a Constituição Federal de 1988, houve uma flexibilização das normas referentes às entidades familiares. A Carta Magna afastou da idéia de família o pressuposto de casamento, além de estabelecer a igualdade de tratamento entre os filhos provenientes de matrimônio ou não (BRASIL, 1988). A família moderna valoriza o sentimento, o afeto como alicerce da relação familiar. A paternidade passou a ter um significado mais profundo do que apenas o aspecto biológico, ela vai se construindo pelo livre desejo de estar junto ao filho, formando verdadeiros laços afetivos, relações de sentimento que são cultivadas pelo convívio com a criança. Hoje, o objeto da proteção estatal é a pessoa humana e o desenvolvimento de sua personalidade. Logo, a perspectiva psicológica da entidade familiar tem sido primordial na sistematização do ordenamento jurídico pátrio. A Constituição Democrática de 1988, em seu artigo 226, estabelece que a família seja a base da sociedade, busca-se então a realização do indivíduo enquanto ser humano dentro da unidade familiar de que faz parte. Para isso, é necessária a formação de uma família emocionalmente estruturada, promovendo assim o equilíbrio mental da criança (BRASIL, 1988) Por essa razão, a jurisprudência deve buscar decisões que se adéqüem ao caso concreto, indo além do que a lei propõe e procurando sempre o princípio constitucional da dignidade humana da criança. O entendimento tem sido no sentido de observar se existe efetivamente uma relação sócioafetiva entre os membros da unidade familiar para estabelecer se há, a rigor, uma família. Hoje, os arranjos familiares pautados no afeto são os mais diversos, existe, nesses casos, uma real intenção de “ser” família. Nos ensinamentos de Luiz Edson Fachin (1999, p.14), “mais que fotos nas paredes ou quadros de sentido, família é possibilidade de convivência”. Ademais, se o afeto venceu a falta de consangüinidade, não cabe à justiça desconstituir a paternidade sócioafetiva que surgiu entre pai e filho. Os novos modelos de família tendem a tornar a instituição mais igualitária, além de adequá-la à nova realidade que se apresenta a cada dia, menos sujeita a regras e preconceitos e fomentadora do que de mais positivo pode haver no homem: o amor. Uma nova realidade tem surgido nos álbuns de família, formações familiares que fogem dos padrões e são geradas pelo afeto. Muitos apostavam no fim dessa instituição, contudo, ela reinventou-se no século XXI. Esses novos arranjos de afeto não são totalmente aceitos pela nossa sociedade, ainda tão conservadora, no entanto, a Psicologia já tem se posicionado há tempos sobre a relevância do afeto no seio familiar para o desenvolvimento do indivíduo. Faz-se, portanto, necessária a análise dos elementos apontados pela Psicologia para embasar o instituto da paternidade sócioafetiva no ordenamento jurídico brasileiro. 53 3 PATERNIDADE SOCIOAFETIVA Ao analisar-se a estrutura familiar contemporânea, percebe-se que as relações mais importantes que surgem nessa instituição são os vínculos estabelecidos entre pais e filhos. A maternidade, por questões óbvias, sempre foi de fácil constatação, no entanto, a paternidade sempre foi um aspecto mais complicado para o Direito devido à impossibilidade de se verificar se um determinado homem era realmente pai de uma criança. Na tentativa de solucionar essa questão, foram criadas regras baseadas em presunções, estabelecendo a paternidade legítima, ou seja, somente eram considerados filhos legítimos aqueles advindos do matrimônio dos pais. Em contraposição aos avanços da biogenética, que tem no exame de DNA a condição de afirmar com 99% de certeza a verdadeira origem genética de um indivíduo, passou a ser tutelada uma verdade além da consangüinidade. Esse novo paradigma pauta-se nas afinidades, na convivência, na troca de afeto e no exercício das responsabilidades típicas de um pai perante seu filho: o vínculo sócioafetivo. A paternidade sócioafetiva pode ser entendida como uma paternidade que se constrói no convívio cotidiano com base no afeto, numa criação digna, na preocupação com a educação e a saúde dos filhos, situações típicas entre pais e filhos. Assim, aquele que age como um pai perante seu filho, assumindo as responsabilidades inerentes à criação, educação, cuidados e amparo afetivo, mesmo não possuindo o liame genético, é tido como pai, pois como o provérbio popular há muito já prenuncia: “pai é quem cria”. O Código Civil de 2002 refletiu a mudança social e a estruturação da nova paternidade, cumprindo a expectativa de que se disciplinasse acerca das novas situações que vinham surgindo, trouxe, em seu art. 1593, a possibilidade de haver reconhecida a paternidade sócioafetiva: “O parentesco é natural ou civil, conforme resulte de consagüinidade ou outra origem” (BRASIL, 2003). Assim, a doutrina pôm-se no sentido de que, quando o dispositivo se refere à “outra origem”, o legislador quis significar que essa seria a origem sócioafetiva do parentesco, ou seja, aquele guiado pelo carinho, respeito, afeição e dedicação, mesmo que a relação existente entre seus sujeitos não advenha do parentesco biológico. A própria Constituição brasileira de 1988 traz uma valoração do afeto nas relações familiares, sob a forma do princípio da afetividade, presente nos seguintes dispositivos: a) todos os filhos são iguais, independentemente de sua origem(art.227§ 6°); b) a adoção, como escolha afetiva, conquistou integralmente a igualdade de direitos( art. 227§§ 5° e 6°); c) a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes, incluindo-se os adotivos, tem a mesma dignidade de família constitucionalmente protegida( art. 226§ 4°) (BRASIL, 1988). Os laços de sangue, ou melhor, os laços genéticos, deixam de ser o fator primordial para a determinação do vínculo de filiação, abrindo espaço para a dimensão humana, para a família sócioafetiva. Segundo Fachin (1996, p.65), “a verdadeira paternidade não pode se circunscrever na busca de uma precisa informação biológica; mais do que isso, exige uma concreta relação paterno-filial, pai e filho que se tratam como tal, donde emerge a verdade sócio-afetiva.” A paternidade sócioafetiva caracteriza-se pela reunião de três elementos clássicos que formam a chamada posse do estado de filho: nome, trato e fama. O nome verifica-se quando é utilizado pelo filho o sobrenome daquele que considera pai, como um modo de demonstrar a existência do laço de filiação. Já o trato corresponde ao comportamento, aos atos que expressam a vontade de tratar a criança como a trataria um pai. E por último, tem-se a fama constituidora da imagem social, os fatos 54 exteriorizados que revelem uma relação de paternidade para a pessoa que assim se considera, e para o filho que deve gozar do conceito de filho do pretendido pai. A esses requisitos, Fachin acrescenta mais dois, a notoriedade e a continuidade, para o reconhecimento da posse do estado de filiação. Por notoriedade, presume-se que o estado de filiação deva ser visível a todos da sociedade. A continuidade institui, por sua vez, que uma relação, para ser reconhecida como baseada no estado de filiação, deve ser contínua, ou seja, que tenha certa durabilidade para, assim, criar os laços de afeto presumidos nesse tipo de relação. Esses requisitos são elementos típicos e normais às relações embasadas no amor e no afeto. Relação esta em que há preocupação não só com enfoques físicos, mas também com os aspectos psicológicos dos envolvidos. A paternidade socioafetiva foi estruturando-se ao longo do tempo, tendo em vista a exigência, delineada pela sociedade atual, de um pai mais participativo e envolvido na criação dos filhos. Vários paradigmas sociais foram modificados para que se chegasse à figura desse “novo pai”. Uma das principais modificações diz respeito ao papel feminino. A mulher, na contemporaneidade, tem uma maior participação no mercado de trabalho, independência emocional e financeira, liberdade etc. De acordo com Diehl (2002), essas transformações trouxeram conseqüências ao mundo masculino, fizeram do homem um ser mais capaz de trocas afetivas e de demonstração de fragilidades. Além disso, ampliou-se o envolvimento dos homens na esfera doméstica e no cuidado com os filhos, abrindo a possibilidade de novas formas de interação entre pais e filhos. Temos hoje uma geração masculina que teve sua manifestação afetiva restringida pelos padrões culturais presentes na sociedade. Como uma forma de compensação, a maioria dos homens busca atualmente serem pais mais afetivos e expressar carinho. O modelo masculino patriarcal tradicional vem sendo afetado atualmente por esse movimento de resgate da natureza humana em termos psíquicos – ou resgate das emoções – que procura devolver ao gênero masculino o direito de reconhecer e expressar necessidades e sensibilidades. No entanto, os homens-pais da contemporaneidade enfrentam diversas contradições no âmbito legal ao buscarem exercer sua paternidade de maneira que atendam às novas demandas sociais. Encontramos, por exemplo, a forte disparidade em relação às licenças-maternidade e paternidade, com 120 e 5 dias de licença concedidos, respectivamente. Nesse aspecto, faz-se importante ressaltar que o Senado já aprovou projeto de lei no sentido de estender a licença paternidade para 15 dias, o que já revela um avanço na percepção da importante presença paterna nos primeiros dias de vida da criança. No entanto, o referido período ainda se manifesta insuficiente. Vale lembrar que até 1988 esse direito não era dado aos homens. A guarda dos filhos em processos de separação conjugal também ajuda a ilustrar esse fenômeno. Ainda que venham acontecendo alguns avanços, como a guarda compartilhada, sabe-se que a primazia materna no cuidado e proteção dos filhos é ainda uma realidade. A retirada da guarda materna acaba se dando, na prática, por alguma incapacidade ou impossibilidade da mãe. Segundo Wagner (2002), a mulher está amparada pela lei e respaldada pelo senso comum de que a ela compete a tarefa de educação na família (BRASIL, 2007). Ainda assim, vale lembrar que é crescente o número de pais que têm se mostrado desejosos de ficarem com a responsabilidade da criação dos filhos. Para isso, esforçam-se por construírem uma paternidade com maior envolvimento, buscando conciliar a paternidade e a vida profissional, num desafio constante de reconstruir e redefinir este papel. Vivida nessa dimensão, a paternidade promove uma redefiniRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 52-57. ção da vida, na medida em que os homens inserem seus filhos em seus projetos de vida, priorizando vínculos e as necessidades afetivas como homens. O homem tendo sido, historicamente, excluído da intimidade do lar, uma vez que sua função era predominantemente de prover o sustento do lar. Portanto, precisa hoje redescobrir seu lugar e sua forma de inserção na dinâmica familiar, se quiser participar desse movimento que aproxima homem e mulher, pai e mãe, em nome de uma maior igualdade de valores e de funções. 4 A IMPORTÂNCIA DO PAI AFETIVO NA ESTRUTURAÇÃO DO SUJEITO Entende-se por afetividade, em sentido lato, “o estado psicológico que permite ao ser humano demonstrar os seus sentimentos e emoções a outro ser vivo”. Em Psicologia, afeto vem a ser um estado sentimental que se caracteriza, por uma parte, pela inervação física perceptível e, por outra parte, por uma perturbação peculiar do processo representativo. Dentro da Psicanálise, o termo afeto seria a expressão de qualquer estado afetivo, penoso ou agradável que se manifesta sob a forma de uma descarga ou não. Para Sigmund Freud afeto é a mais pura expressão da quantidade de energia pulsional frente às suas variações, ou seja, podem-se notar explosões afetivas de alegria e podem-se notar diminutas explosões de alegria. A Psicologia classifica os afetos em positivos e negativos. A afetividade positiva (AP) se refere ao tipo de emoções positivas tanto de alta energia (entusiasmo e excitação) como de baixa energia (calma e tranqüilidade). O prazer e a alegria também são exemplos da afetividade positiva. Já a afetividade negativa (AN) se refere a emoções negativas como a ansiedade, a raiva, a culpa e a tristeza. Os pais têm papel primordial no desenvolvimento desses afetos, sendo de grande relevância a atuação de ambos na predominância da afetividade positiva, garantindo assim uma boa estruturação do sujeito. O primeiro amor da criança é, sem dúvida, sua mãe. Alguns estudiosos no assunto sobre o afeto afirmam que esse afeto da criança é aprendido através da associação do rosto, corpo e outras características físicas da mãe com o alívio de tensões biológicas internas, como fome e sede. No entanto, sobretudo a partir da década de 1980, as pesquisas e a observação refinada do comportamento dos recém-nascidos no contexto familiar mostram que desde os primeiros dias há também a percepção do pai. Portanto, o pai entra muito mais cedo na vida da criança do que se costumava supor. É importante que ele participe dos cuidados do filho, para construir um vínculo sólido com o bebê, o vínculo pai-filho(a), influenciando qualitativamente o desenvolvimento emocional mais saudável, minimizando possíveis rivalidades, somatizações e regressões. Suprir as necessidades materiais da criança é importante, mas o vínculo afetivo é mais significativo para o psiquismo do indivíduo. Ou seja, a formação do vínculo entre pais e filhos é fundamental para o desenvolvimento de uma personalidade bem estruturada, mais segura de si, enfim, sadia. Podemos dizer que a comida está para o corpo assim como o carinho e o amor estão para a boa formação da psique. A primeira condição para que uma criança se desenvolva bem é o afeto. A falta de afeto e de amor nos primeiros anos de vida pode deixar marcas definitivas no desenvolvimento da criança, constituindo-se em um dos riscos mais importantes para o seu desenvolvimento. A família, deste modo, tem dupla função: a primeira constitui satisfação de necessidades básicas, como alimentação, abrigo e proteção; a segunda função é a de proporcionar um ambiente no qual possa desenvolver ao máximo suas capacidades físicas, mentais e Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 52-57. sociais, sendo necessária uma atmosfera de afeição e segurança. Atualmente, crianças e adolescentes têm sofrido a ausência afetiva e lúdica de seus pais. Esse fato deve-se, na maioria dos casos, ao excesso de trabalho a que esses pais se submetem, muitos estão tão atarefados que se “esquecem” de como se relacionar com seus filhos, de como brincar, conversar, ou simplesmente expressar um gesto de carinho. Pais que ocupam altos cargos em empresas, políticos, artistas famosos e intelectuais, são os que mais têm filhos ressentidos, às vezes revoltados ao nível de terem contraído alguma patologia psíquica ou delinqüência social. São filhos e filhas que formam sintomas psíquicos como último recurso de serem escutados por seus pais, infelizmente surdos ou que simplesmente não se importam. Em um estudo realizado por uma empresa americana e divulgado no Brasil pelo psicólogo Malcolm Montgomery (sem ano), expõem-se dados alarmantes vinculados à ausência paterna: 72% dos adolescentes assassinos cresceram sem os pais; 70% dos delinqüentes juvenis em reformatórios cresceram com um só progenitor ou sem família; 60% dos estupradores da América cresceram sem seus pais; as crianças sem a presença paterna têm duas vezes mais probabilidade de repetir o ano escolar; é onze vezes mais provável que haja ausência do pai em crianças de comportamento violento nas escolas; a taxa de suicídio na adolescência triplicou entre 1960 e 2002, sendo que, em cada quatro, três ocorrem em lares onde o pai é ausente. Diz ainda que as crianças na ausência do pai estão mais propensas a risco de suicídio, doenças sexuais, drogas, alcoolismo, gravidez, aborto, criminalidade e baixa performance acadêmica; bem como mais vulneráveis a acidentes, asma, dores e dificuldades na elaboração da fala (gagueira). Em estudo realizado no Hospital Psiquiátrico de Nova Orleans, constatou-se que cerca de 80% das crianças de pré-escola que lá eram admitidas como doentes psiquiátricos, vinham de lares sem pai. A partir de estudos sobre a ausência paterna, alguns psicólogos defendem que tanto o pai, quanto a mãe, tem importante papel no desenvolvimento infantil, não apenas no sustento material como também na relação afetiva. A nova disposição para assumir o exercício da paternidade, a responsabilidade cotidiana pelo cuidar do outro, o ocupar-se e o permitir-se ser ocupado cotidianamente pelo filho, representa uma grande humanização e contribui para a modificação do papel tradicional do masculino. É esta presença que irá facilitar à criança a passagem do mundo da família para a sociedade. O afeto no desenvolvimento mental do sujeito O afeto tem uma importância fundamental no desenvolvimento intelectual da criança. Se bem atendido, ajudará o sujeito para que ele tenha êxito escolar. Para Bossa (1998), desde quando a criança nasce o ambiente precisa satisfazer suas necessidades básicas de afeto, apego, segurança e comunicação, pois é nele que se estrutura a mais importante forma de aprendizagem: a de estabelecer vínculos, isto é, a capacidade de se relacionar, tendo-se em conta que o ser humano é um ser social. Além disso, diversos psicólogos salientam que a evolução normal da atenção, memória, pensamento, juízo, percepção, linguagem, motricidade e afetividade dependem, em boa parte, das condições externas do meio, mais especificamente da relação mãe-bebê, na qual se estabelece uma comunicação especial desde os primeiros momentos da vida do recém-nascido. No entanto, faz-se essencial a participação do pai nessa fase para que construa com o filho um vínculo de confiança e carinho, pois a criança necessita do par conjugal adulto para construir dentro de si uma imagem positiva das trocas afetivas e de convivência. 55 Spitz (sem ano apud Boing e Crepaldi, 2004) foi o primeiro a chamar a atenção para a importância do afeto na relação mãe-filho no desenvolvimento da consciência do bebê e para a participação vital que a mãe tem ao criar um clima emocional favorável ao desenvolvimento da criança, sobre todos os aspectos. Atualmente, essa participação estendese também ao pai, que alcançou um lugar de destaque nessa fase do desenvolvimento emocional do indivíduo. Spitz também mostrou que bebês institucionalizados tendem a possuir uma falha no desenvolvimento por sentirem a ausência do afeto; tendo em vista que, na maioria dos casos, o ambiente físico e humano é carente de estimulação e resulta num atraso no desenvolvimento de diversas funções como a fala, a coordenação motora e o controle dos esfíncteres (SILVA, 1997). Wallon (1989) acredita que a afetividade não é apenas uma das dimensões da pessoa, mas também uma fase do desenvolvimento, a mais arcaica. Em sua teoria, o desenvolvimento da pessoa é visto como uma construção progressiva em que fases se sucedem com predominância alternadamente afetiva e cognitiva. No estágio impulsivo-emocional, que abrange o primeiro ano de vida, a emoção é o elo de interação da criança com o meio. Nessa fase, a afetividade predomina e orienta as primeiras reações do bebê às pessoas a sua volta. No estágio sensório-motor e projetivo, que vai até o terceiro ano, o interesse da criança se volta para a exploração sensório-motora do mundo físico. O pensamento manifesta-se através de gestos, aqui predominam as relações cognitivas com o meio. No estágio do personalismo, dos três aos seis anos de idade, predomina o processo de formação da personalidade. A construção da consciência de si, que se dá por meio das interações sociais, reorienta o interesse da criança para as pessoas, definindo o retorno das relações afetivas. Por volta dos seis anos, inicia-se o estágio categorial. Os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança para o conhecimento e conquista do mundo exterior, imprimindo preponderância do aspecto cognitivo às suas relações com o meio. Na adolescência, surge a necessidade de uma nova definição dos contornos da personalidade, desestruturados devido às modificações resultantes da ação hormonal, trazendo à tona questões pessoais, morais e existenciais, há uma retomada da predominância da afetividade. Na verdade, a afetividade na teoria walloniana é vista como instrumento de sobrevivência e, neste sentido, de acordo com Taille, Dantas e Oliveira (1992), a afetividade – que corresponde à primeira manifestação do psiquismo – impulsiona o desenvolvimento cognitivo. Por conseguinte, os instrumentos mediante os quais se desenvolverá o aprimoramento intelectual são garantidos por estes vínculos estabelecidos pela consciência afetiva. Destaca-se ainda, na Psicologia contemporânea, a teoria do desenvolvimento de Piaget, que considera o desenvolvimento intelectual um misto de dois componentes: um cognitivo e outro afetivo. Na sua visão, o afeto se desenvolve no mesmo sentido que a cognição ou inteligência e é responsável pela ativação da atividade intelectual. Piaget descreve cuidadosamente o desenvolvimento afetivo e cognitivo do nascimento até a vida adulta, centrando-se na infância. Com suas capacidades afetivas e cognitivas expandidas através da contínua construção, as crianças tornamse capazes de investir afeto e ter sentimentos validados nelas mesmas. Neste aspecto, a auto-estima mantém uma estreita relação com a motivação da criança para aprender. O afeto é o princípio norteador da auto-estima. Depois de desenvolvido o vínculo afetivo, a aprendizagem, 56 a motivação, a disciplina e o autocontrole são conquistas significativas. A criança que se sente amada, aceita, valorizada e respeitada, adquire autonomia, confiança e aprende a amar, desenvolvendo um sentimento de auto-valorização e importância. Se uma criança tem uma opinião positiva sobre si mesma e sobre os outros, terá maiores condições de aprender. O desenvolvimento do afeto e da inteligência são temas nucleares nos estudos sobre Psicologia da Educação, esses estudos orientam os pais a auxiliar na criação de um ambiente mais estimulante e feliz para seus filhos. Reconhece-se assim a importância não só da mãe, mas também da figura paterna no desenvolvimento da criança, a intervenção educativa de ambos no processo cognitivo. Atendendo às necessidades afetivas de seus filhos, desde cedo, eles se tornarão mais satisfeitos consigo mesmo e com os outros, e terão mais facilidades e disposição para aprender. 5 CONCLUSÃO Ao longo dos anos houve uma significativa mudança no Direito de Família, principalmente no que tange às relações entre pais e filhos, o que trouxe modificações ao nosso ordenamento jurídico, a fim de sustentar a nova conjuntura social. Houve uma valorização da sócioafetividade, a relação de paternidade passou a revelar-se pelo tratamento diário e solidariedade mútua, gerando laços de afeto que derivam da convivência e não do sangue. Um fator considerado fundamental para o estabelecimento da paternidade sócioafetiva foi a mudança do papel feminino e suas implicações no universo masculino. Atualmente, tem-se um contexto social que propiciou a saída da mulher da esfera doméstica, tornando o homem mais engajado na vida familiar e mais participativo na vida dos filhos. O homem teve sua subjetividade recriada, abrindo espaço para uma vivência mais plena dentro da família. Revela-se a importância da presença paterna na estruturação e desenvolvimento do sujeito. O pai é aquele que representa a lei, o limite, a segurança e proteção, sua ausência em alguns lares é um aspecto grave, dando ensejo, na maioria das vezes, a quadros de delinqüência social ou problemas psíquicos, por exemplo. Além disso, o afeto desempenha um papel essencial no funcionamento da inteligência. Sem afeto não haveria interesse, nem necessidade, nem motivação e, conseqüentemente, não haveria inteligência. A afetividade é uma condição necessária na constituição da inteligência. Dessa forma, estrutura-se a paternidade sócioafetiva também no âmbito jurídico, tendo em vista os dispositivos de lei previstos na Constituição Federal e no Código Civil Brasileiro que permitem a concepção sócioafetiva de família, assim como a jurisprudência pátria que tem consolidado a afetividade como princípio apto a atender uma verdadeira significação de família. A paternidade sociológica certamente atende à presente realidade brasileira e a utilização desse princípio no ordenamento jurídico tornará o Direito efetivo e útil em sua aplicação. Ao Judiciário cabe apenas louvar a relação afetiva estabelecida entre os membros da família, pois certamente garante a dignidade do ser humano. Trazer a temática do afeto é também trazer à tona a importância da presença paterna como co-responsável na estruturação emocional dos sujeitos envolvidos na trama familiar. Certamente, são o envolvimento emocional e o sentimento de amor que fazem gerar responsabilidades e comprometimentos mútuos, revelando a presença de uma família. Assim, faz-se salutar para o fortalecimento dessa noção o entendimento de Maria Berenice Dias: “ filho não é o que nasce da caverna do ventre, mas tem origem e se legitima no pulsar do coração.” Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 52-57. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Maria Beatriz Vidigal Barbosa de. Tornar-se pai: uma experiência subjetiva em transformação. Disponível em: < www.fazendogenero8. ufsc.br/.../Maria_Beatriz_Vidigal_Barbosa_de_Almeida_21.pdf - > Acesso em 22/01/10 às 10h32minh. BÖING, E.; CREPALDI, M. A . Os efeitos do abandono para o desenvolvimento psicológico de bebês e a maternagem como fator de proteção. 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Doutoranda em Endodontia pela UNAERP O estudo objetivou realizar um levantamento na literatura nacional sobre biossegurança na área da saúde com ênfase na odontologia; discutir as tendências dos estudos sobre biossegurança na área da saúde com ênfase na odontologia e analisar as medidas de biossegurança adotadas pelos profissionais de saúde, sua finalidade e relação com a prática profissional. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica realizada na base de dados SCIELO e LILACS, teses e monografias da área da saúde da Universidade Federal do Piauí e resumos de anais da Jornada Científica da Faculdade NOVAFAPI, publicados no período de 1988 a 2009. Os descritores utilizados foram: biossegurança, saúde, risco, odontologia. Foram encontrados 47 trabalhos, os quais foram agrupados para análise, considerando os enfoques priorizados em: aspectos históricos da Biossegurança; conceitos da Biossegurança; a Biossegurança e as políticas públicas de saúde; o controle dos riscos para infecção cruzada e o conhecimento dos profissionais da Odontologia sobre Biossegurança, controle de risco de Infecções e suas medidas preventivas. Percebe-se que a Biossegurança, ao longo de sua história, vem mudando o seu conceito e sendo melhor aplicada junto a políticas públicas de saúde, contribuindo para diminuir os riscos inerentes às infecções cruzadas nos serviços de saúde. Conclui-se que a Biossegurança é um tema de grande relevância na área da saúde, especificamente na odontologia, devendo os cirurgiões dentistas se conscientizar da necessidade da educação permanente para o desenvolvimento de uma prática de qualidade nos consultórios e serviços de saúde. Descritores: Biossegurança. Saúde. Risco ocupacional. Odontologia. ABSTRACT The study aimed at realizing a litarature raising in the national literature about biosecurity in the health area with emphasis in dentistry; discuss the tendencies of the studies about biosecurity in the health area with emphasis in dentistry and analyze the biosecurity measures adopted by the health profissionals , its finality and relation to the profissional practice. It treats of a bibliographical research carried out in the data base SCIELO and LILACS, thesis and monographies in the health area of the Federal University of Piauí and summaries of the annals scientific journies of NOVAFAPI college, published in the period from 1988 to 2009. The descriptors used were: biosecurity, health, risk, dentistry. Were found 47 works, which were grouped to analysis, considering the approaches priorized in: Biosecurity historical aspects; Biosecurity concepts; the Biosecurity and the health public politics; The risk control to crossed infetion and the knowledge of Dentistry profissionals about Biosecurity, Infections risk control and its preventive measures. It is perceived that the Biosecurity, through out its history, has changed its concept and being better applied together public health politics, contributing to diminish the inherent risk to the crossed infections in the health service. It is concluded that the Biosecurity is a theme of great relevance in the health area, specifically in Dentistry, owing the dentistry surgeons get aware of the necessities of permanent education to the development of quality practice in the consultation offices and health services. Descriptors: Biosecurity. Halth. Occupational risk. Dentistry Submissão: 12/01/2009 Aprovação: 19/03/2009 58 Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 58-64. RESUMEN El estudio objetivó realizar un levantamiento en la literatura nacional sobre bioseguridad en el área de la salud con énfasis en odontología; discutir las tendencias de los estudios sobre bioseguridad en el área de salud con énfasis en odontología y analizar las medidas de bioseguridad adoptadas por profesionales de salud, su finalidad y relación con la práctica profesional. Se trata de una pesquisa bibliográfica realizada en base de datos SCIELO y LILACS, teses y monografías del área de salud de la Universidad Federal de Piauí y resúmenes de anales de la Jornada Científica de la Facultad NOVAFAPI, publicados en el periodo de 1988 a 2009. Los descriptores utilizados fueron: bioseguridad, salud, riesgo, odontología. Fueron encontrados 47 trabajos, los cuales fueron agrupados para análisis, considerando los enfoques priorizados en: aspectos históricos de la Bioseguridad; conceptos de la Bioseguridad; la Bioseguridad y las políticas públicas de salud; el control de los riesgos para infección cruzada y el conocimiento de los profesionales de Odontología sobre Bioseguridad, control de riesgo de Infecciones y sus medidas preventivas. Se percebe que la Bioseguridad, a lo largo de su historia, viene cambiando su concepto y siendo mejor aplicada junto a políticas públicas de salud, contribuyendo para disminuir los riesgos inherentes a las infecciones cruzadas en los servicios de salud. Se concluye que la Bioseguridad es un tema de grande relevancia en el área de salud, específicamente en odontología, debiendo los cirujanos dentistas concientizarse de la necesidad de la educación permanente para el desarrollo de una práctica de calidad en los consultorios y servicios de salud. Descriptores: Bioseguridad. Salud. Riesgo ocupacional. Odontología. 1 INTRODUÇÃO O controle de infecção é um tema de extrema importância para os profissionais que trabalham em serviços de saúde e principalmente para os que manipulam materiais biológicos. Devemos, porém, salientar que a postura inadequada desses profissionais e a não execução das normas de segurança aumentam consideravelmente o risco de infecções cruzadas no ambiente de trabalho. O desconhecimento dos profissionais sobre as normas e os riscos aos quais eles podem estar expostos, especialmente pelo fato de não cumprirem as precauções necessárias, tem contribuído para aumentar o índice de infecções, resultando numa assistência sem qualidade. O emprego da prática segura se faz necessário, com a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s), técnicas assépticas, normas e condutas que visam a um tratamento sem riscos, tanto para o profissional, como para o paciente. Nos serviços de saúde, a Odontologia é uma área que apresenta riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes, tanto para os profissionais como para os pacientes. Tais riscos podem ser adquiridos através de acidentes de trabalho, em que os profissionais estão mais susceptíveis a adquirir doenças, de forma direta ou indireta. Porém a preocupação em adotar as normas de Biossegurança na prática odontológica, só surgiu no início da década de 80, com os primeiros casos de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). Como conseqüência, houve relatos de casos de Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV - Human Immunodeficiency Virus) na área da saúde. Com isso, as Precauções Universais foram instauradas pelo Centers of Disease Control and Prevention (CDC), tendo como principal motivo, o desconhecimento sobre as medidas de Biossegurança pelos profissionais e a prevenção contra o vírus da Hepatite B (SOUZA, 2000). Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 58-64. Segundo Rodrigues; Sobrinho e Silva (2005), os cirurgiões-dentistas estão envolvidos na pandemia da AIDS, considerando que atendem inúmeros pacientes, dentre eles, os portadores assintomáticos do vírus HIV. Porém, muitos profissionais da saúde e da odontologia, ainda apresentam posturas inadequadas e não adotam medidas de Biossegurança no seu ambiente de trabalho durante o procedimento que realizam o que pode ocasionar agravos à sua saúde e à do cliente sob seus cuidados (CORRÊA; DONATO, 2007). Com base nessa problemática, definiu-se como objeto de estudo o levantamento na literatura nacional sobre a Biossegurança na área da saúde com enfoque na odontologia. A partir dessa situação em que os profissionais parecem não realizar uma prática adequada no seu cotidiano, coloca-se em dúvida o seu real conhecimento sobre a Biossegurança, considerando ser um tema de extrema relevância. Tendo em vista o objeto do estudo, definiu-se como objetivos: realizar um levantamento na literatura nacional sobre Biossegurança na área da saúde com ênfase na odontologia; discutir as tendências dos estudos sobre Biossegurança na área da saúde com ênfase na odontologia e analisar as medidas de Biossegurança adotadas pelos profissionais de saúde, sua finalidade e a relação com a prática profissional. A justificativa deste trabalho deve-se ao fato de ter-se vivenciado situações em que profissionais e pacientes eram expostos às infecções cruzadas e à acidentes ocupacionais durante a realização de procedimentos odontológicos, com manipulação de material biológico (saliva, sangue, secreção purulenta) e procedimentos invasivos. Percebia-se que o comportamento dos profissionais relacionado à esterilização dos materiais, à manipulação de forma não muito adequada, podia resultar em complicações futuras para ambas as partes. Isso nos levou a questionar o nível de atenção que a Biossegurança vem recebendo na área da saúde, visto que muitos profissionais de Odontologia não têm demonstrado preocupação com a questão, por desconhecer ou mesmo negligenciar as normas de Biossegurança no seu cotidiano de trabalho. O estudo foi de grande relevância porque levantou um conjunto de informações e resultados já obtidos pelos investigadores, assim como, permitiu a identificação de diferentes olhares na área da saúde, duplicações ou contradições nas pesquisas acadêmicas publicadas sobre o tem. Espera-se que o estudo possa contribuir com a odontologia, no sentido de estimular um comportamento preventivo para diminuir os riscos de contaminação e transmissão de doenças decorrentes das práticas que ainda não incorporaram as medidas de Biossegurança. Considerando que a Biossegurança é um tema bastante abordado dentro da saúde e de extrema importância para os profissionais da odontologia, ressalta-se a relevância deste trabalho, em que se produziu conhecimentos que servirão para os profissionais da saúde, especificamente os cirurgiões-dentistas, criando assim, a cultura de que a biossegurança está relacionada com seu cotidiano, seja ela em ação coletiva ou individual e pode contribuir com o ensino e a pesquisa. 2 METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, conceituada como “aquela que é desenvolvida exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. (GIL, 2009). Para elaboração do estudo, segui-se o percurso metodológico sugerido por Marconi e Lakatos, (2000), que consiste nos seguintes passos: escolha do tema; elaboração do plano de trabalho; identificação; localização; compi59 lação; fichamento; análise e interpretação e redação. É uma pesquisa de natureza exploratória, em que foi feita ampla pesquisa bibliográfica a partir da literatura em periódicos, monografias, dissertações, teses e relatórios técnicos nacionais e resumos de anais. A busca eletrônica foi realizada na base de dados Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Teses e Monografias da área da saúde da Universidade Federal do Piauí e resumos de anais da Jornada Científica da Faculdade NOVAFAPI, publicados no período de 1988 a 2009, sendo consideradas somente as publicações nacionais, incluindo os resumos. Foram utilizados os descritores: Biossegurança, saúde, risco ocupacional e odontolologia. A seleção dos artigos baseou-se também na conformidade dos assuntos aos objetivos deste trabalho, tendo sido desconsiderados aqueles que, apesar de aparecerem no resultado da busca, não correlacionam odontologia e medidas de Biossegurança. Os textos foram agrupados para análise considerando os enfoques priorizados em: aspectos históricos e conceituais da Biossegurança, Biossegurança na área da odontologia, O conhecimento dos profissionais da Odontologia sobre Biossegurança, controle dos riscos de infecções e suas medidas preventivas e Controle dos riscos para infecção cruzada. 3 3 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 3.1 Aspectos históricos e conceituais da Biossegurança O interesse pelos aspectos históricos da Biossegurança não deve ser compreendido como curiosidade ou retrocesso, e sim como referência para um ponto de partida, e melhoria da compreensão no que hoje de fato é a Biossegurança e sua importância. Segundo Ito et al. (1998), as noções de Biossegurança, são tão antigas quanto à humanidade, pois existem registros de que o controle das infecções era realizado através de isolamento de indivíduos enfermos, incineração dos mortos e a sepultura de objetos contaminados, como forma de combate e prevenção das infecções feita pela sociedade. Ao longo da história, muitos estudiosos contribuíram com temas como: a infecção e seu controle, desinfecção e antissepsia e as barreiras de proteção, contribuindo assim para prevenção, minimização ou eliminação de riscos. De acordo com Guandalini (1999), somente no final do século XIX, o mundo compreendeu a importância do combate eficaz para com as infecções. Porém, a Biossegurança, apesar de já possuir alguns conceitos préformados, limitava-se aos riscos físicos, químicos e biológicos, sem abordar a proteção do paciente, o que contradizia todo o código de ética de qualquer profissional, no qual a prevenção e proteção são os principais requisitos para a preservação da vida, incluindo nesta o paciente. Porém, foi no século XX, com o desenvolvimento de técnicas de engenharia genética e biologia molecular, que surgiram debates com fundamentos na ética e na biossegurança, como temas de extrema importância na área da saúde. (HINRICHSEN, 2008) A lógica da construção do conceito de Biossegurança teve início na década de 70 na reunião de Asilomar no qual a comunidade científica iniciou a discussão sobre os impactos da engenharia genética na sociedade. Este conceito Segundo Goldim (1997), é um marco da história da ética aplicada pesquisa, pois foi a primeira vez que se discutiu os aspectos de proteção ao pesquisadores e demais profissionais envolvidos nas áreas onde se realiza o projeto de pesquisa. Para Teixeira; Valle,(1996 p. 13) entende-se por Biossegurança como: 60 o conjunto de ações voltadas para a prevenção, minimização ou eliminação de riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção, ensino, desenvolvimento tecnológico, prestação de serviços, visando à saúde do homem e dos animais, a preservação do meio ambiente e a qualidade dos resultados. Em 1970, pesquisas relataram inúmeros casos de profissionais da área de saúde tanto hospitalar quanto laboratorial na Inglaterra e Dinamarca com tuberculose e hepatite B, e com este acontecimento o conceito de Biossegurança ficou cada vez mais valorizado e difundido. A Biossegurança envolve desde o controle de uma ameaça de grande escala, como a gripe do frango até mesmo o simples hábito de lavar as mãos. E que esse conjunto de normas deve ser mais utilizado a cada dia, considerando que atualmente existe maior circulação de pessoas e mercadorias em todo o mundo cada vez mais intensa. Com o aumento populacional e a conseqüentemente maior circulação de pessoas, existe a possibilidade do uso de vírus ou bactérias em atentados terroristas. Com isso, a preocupação com a Biossegurança tem aumentado de forma rápida e ultrapassa ambientes hospitalares e ambulatoriais, constatando que os riscos, sejam eles físicos, químicos e biológicos estão presentes em outros ambientes. (ANVISA, 2005) No Brasil, em 1988, a Resolução de nº 1 do Conselho Nacional de Saúde, aprovou as normas de pesquisa e saúde, esta poderia ser considerada a primeira legislação sobre Biossegurança. Porém somente em 1995, com a Lei 8.974 e o Decreto 1.752 que regulamenta essa lei, foi que a mesma pôde ser regulamentada legalmente (BRASIL, 1995; BRASIL, 1988). Em fevereiro de 2002, foi publicada a Portaria número 343 / GM pelo Ministério da Saúde, no qual este instituía a Comissão de Biossegurança em Saúde, que visava acompanhar e participar da elaboração e reformulação das normas, e também promover debates públicos sobre o tema (BRASIL, 2002). De acordo com Brasil (2000), outras vias legais dão amparo às medidas de Biossegurança em ambiente hospitalar, bem como em outros ambientes da saúde, incluindo consultórios odontológicos, setor ambulatorial, alem de saúde do trabalhador e controle ambiental. 3.2 Biossegurança na área da odontologia Na área da saúde, como em qualquer outra o ambiente de trabalho, pode envolver não só os profissionais, mas também os pacientes, visitantes e equipamentos, podendo acarretar o aumento dos riscos e perigos durante o exercício das funções dos profissionais. Perigo é uma expressão denominada por aquela que apresente características de efeito maléfico para a saúde e/ou meio ambiente. Risco é a probabilidade de ocorrer um evento, que cause dano à saúde. O importante de diferenciar bem risco de perigo é que pode haver o perigo ao se manipular um resíduo biológico, mas o risco pode ser baixo se forem observados os cuidados necessários e se usar os equipamentos de proteção adequados (BRASIL, 2000). Por isso é necessário se avaliar o risco ao início de cada procedimento a ser realizado, pois com os conhecimentos sobre os possíveis prejuízos, resultará na minimização desses riscos . O risco segundo a Portaria 3.214/78 do Ministério do Trabalho, pode ser definido como uma condição e está classificado em cinco categorias: biológica, física, química, ergonômica ou acidental. Os riscos físicos de acordo com Hirata; Mansini Filho (2002) são aqueles provocados por algum tipo de energia, podem ser enumerados de acordo com equipamento de manuseio do operador ou do ambiente. Temos Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 58-64. como exemplos: equipamentos que geram calor, equipamentos de baixa temperatura, material radioativo, pressões anormais, umidade, ruídos, vibrações, radiação ultravioleta, radiação não-ionizante, radiação infra-vermelha, raio laser, ondas de radio, e campos elétricos. Colocando em foco o campo odontológico, Fernandes; Carvalho e Azevedo (2005), afirmam que os profissionais que realizam tomografias computadorizadas tem uma quantidade média de quatro exames junto ao paciente por dia, ou seja, o funcionário fica mais exposto à radiação ionizante e o avental de chumbo não é suficiente para sua proteção total. Ou seja, além de outros riscos como o ergonômico, o profissional também está sujeito ao risco físico. O risco biológico abrange uma amostra proveniente de seres vivos (plantas, bactérias, fungos), de animais e de seres humanos, ou até mesmo os organismos geneticamente modificados, em que os cuidados são mais relevantes (HIRATA; MANSINI FILHO, 2002). Na odontologia podemos citar riscos biológicos relacionados à saliva, secreção purulenta ou sangue, presentes numa simples tartarectomia ou mesmo em um procedimento mais invasivo como uma gengivectomia ou gengivoplastia. Zenkner (2006), afirma que é de suma importância que o dentista e sua equipe conheçam os riscos biológicos no qual estão expostos e que é vital adotar condutas eficazes para o controle de infecção cruzada, usando o conceito precaução – padrão, tratando todos os pacientes como potencialmente infectados. De acordo com Brito (2009), os riscos químicos são oriundos de substâncias ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, na forma de poeiras, nevoas, aerossóis, neblinas, vapores, contato de pele ou ingestão. São subdivididas em contaminantes do ar, substâncias tóxicas ou altamente tóxicas, substâncias explosivas, substancias irritantes e nocivas, substâncias oxidantes, corrosivas, inflamáveis, cancerígenas e líquidos voláteis. (HIRATA; MANSINI FILHO,2002) Na odontologia, podemos citar os aerossóis formados, que são partículas e líquidos produzidos durante o tratamento odontológico através do uso das turbinas de alta e baixa rotação, as seringas trípices e as pontas de ultrasom, utilizadas para o refrigeramento da superfícies dentárias quando em contato com as estruturas dentais e toda a microbiota da cavidade oral. Esses aerossóis são comumente contaminados com bactérias, fungos, vírus e freqüentemente com sangue. Assim, o ar contaminado produzido e somados às secreções contido neste espaço é respirado pelo dentista, sua equipe e seus pacientes, ou seja, sua composição é um importante fator em potencial de ameaça para a saúde da equipe odontológica (BITTENCOURT, et. al., 2003). Moura e Matos (2008), afirmam que o risco com a influencia do bioaerossol dental é mais pronunciado quando se realizam procedimentos coletivos e simultâneos, em que os pacientes não estão protegidos pelos mesmos equipamentos que os cirurgiões-dentistas e conseqüentemente ficam vulneráveis à infecções por via ocular e mucosa do trato respiratório. Os riscos ergonômicos são elementos físicos e organizacionais que interferem no conforto da atividade realizada pelo trabalhador. O termo criado para este tipo risco foi LER ( Resolução da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, nº 180 e 197 de 1992), ou seja, são lesões causadas por esforços repetitivos, que atualmente se denomina DORT, doenças osteomusculares relacionadas com o trabalho (HIRATA; FILHO, 2002). A odontologia é altamente acometida por esse tipo de risco, pois, os cirurgiões dentistas são vítimas de seus próprios costumes, como não trabalhar com as mãos e pernas mais próximas ao tronco, pés não apoiados Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 58-64. totalmente ao chão, não trabalhar com paciente de acordo com relação maxila – mandíbula, além dos movimentos repetitivos e a falta de alongamento dos membros causando as DORTs e que vão se agravando com o tempo. Os riscos de acidentes estão relacionados com os danos causados aos trabalhadores de diversas formas. Temos como exemplos, os trabalhos com equipamentos de vidros, equipamentos e instrumentos perfurocortantes, manipulação e colheta de fluidos biológicos, equipamentos que utilizam gazes comprimidos, equipamentos de engrenagem e de sistema de trituração e os equipamentos de emissão de ultra-som (HIRATA; MANSINI FILHO, 2002). Na área da odontologia, os riscos de acidentes estão intimamente ligados aos riscos biológicos. Murofuse, et. al. (2008), afirma que no estudo realizado com os acadêmicos, docentes e técnicos- administrativos da Clínica Odontológica da Unioeste, consideram que os procedimentos realizados não oferecem riscos à saúde, que é uma temeridade quando se considera a possibilidade do não uso das medidas preventivas adotadas e recomendadas. Porém, os entrevistados revelaram desconhecer os mecanismos de transmissão dos patógenos e evidenciam a necessidade de atualização e educação continuada para uma melhora do uso das normas de Biossegurança. 3.3 O Conhecimento dos Profissionais da Odontologia sobre Biossegurança, Controle de Risco de Infecções e suas Medidas Preventivas A Odontologia, através do tempo, vem se transformando de uma atividade puramente artesanal e empírica, para uma profissão técnico-científico-humanista. No entanto, a odontologia contemporânea ainda se depara com o aumento da incidência de doenças infecto-contagiosas das mais variadas etiologias, impondo a necessidade de se discutir e adotar mecanismos de proteção, para evitar a contaminação tanto do profissional e sua equipe, quanto do seu paciente; todos os envolvidos nesta cadeia estão expostos, igualmente, a essa grande variedade de agentes infecciosos (BRASIL, 2000). A natureza única dos procedimentos odontológicos requer estratégias específicas direcionadas para a prevenção da transmissão de patógenos entre a equipe de saúde e seus pacientes, que podem estar expostos a uma grande variedade de microorganismos presentes nas secreções orais e respiratórias. Há patógenos que podem ser transmitidos durante o ato operatório por diversos meios, como contato com secreções ou com o ar contaminado por partículas e aerossóis formados durante o procedimento (CDC, 2003). Uriarte Neto, et al (2007), realizaram pesquisa sobre conhecimento e condutas de docentes de um curso de odontologia e recomendaram que os cirurgiões-dentistas adquiram conhecimento sobre os riscos biológicos, químicos e físicos que existem em um ambiente de consultório e devem adquirir responsabilidade para adotarem medidas de prevenção e precaução na prática odontológica diária, e esta deve ser iniciada na faculdade. Consideraram que, os cursos de odontologia em geral, oferecem conhecimento teórico necessário para o entendimento do controle de infecções, mas nem sempre a teoria está relacionada com a prática, e ressaltaram a necessidade da implantação de um protocolo de medidas de precauçãopadrão aplicáveis ao cotidiano da academia e a vida profissional do egresso. O consultório odontológico é um ambiente de alto risco, pelo contato de saliva que possui vírus, bactérias e fungos, contribuindo para contaminação, se vê a importância do uso de barreiras de proteção física, procedimentos de desinfecção e esterilização visando maior segurança para toda a cadeia formada pelos profissionais (cirurgião-dentista, auxiliar, técnico, outros funcionários), pacientes e meio ambiente. 61 Dentre as medidas de precaução contra as infecções as mais utilizadas são: lavagem das mãos, uso dos EPI’s, representados por: máscaras, gorros, protetores faciais e oculares; aventais e luvas; desinfecção e esterilização dos materiais e instrumentais; e o manuseio de materiais perfurocortantes. 3.4 Controle dos riscos para infecção cruzada O risco potencial se apresenta igualmente em todas as áreas de saúde, tanto para os profissionais, como para os pacientes, por serem portadores de microorganismos que podem ser transmitidos pelo sangue sugestivos de infecção (BOLICK et al, 2000). Com isso, necessariamente temos a definição de infecção como: “uma invasão ou colonização do hospedeiro por um microorganismo patogênico ou seus produtos, resultando em doença no hospedeiro” (NISENGARD & NEWMAN, 1997, p.90). Porém, esta infecção não envolve somente o hospedeiro, pois pode ocorrer a transmissão desses microorganismos de um paciente para outro, ou mesmo para toda a equipe. Ou seja, desta forma ocorre o que denominamos de infecção cruzada. O controle dos cinco riscos existentes, ou seja, biológico, químico, físico, ergonômico e acidentes, está diretamente relacionado com: uso de equipamento de proteção coletiva (EPC), uso de EPI’s (equipamentos de proteção individual, imunização e educação continuada para a conscientização dos profissionais de saúde. Os equipamentos de proteção coletivo (EPC), são dispositivos que atuam no controle de agentes agressores ao meio ambiente e o ao homem. Temos como alguns tipos de EPC sinalizadores, câmara de fluxo laminar, chuveiro de emergência, cabines para radioatividade que são utilizadas no coletivo (BRITO,2009). De acordo com o mesmo autor, os equipamentos de proteção individual são de uso pessoal e individual. Tem como objetivo proteger os profissionais de contatos infecto-contagiosos que as cinco categorias de risco podem acarretar. Imunização é o método mais seguro e eficaz, pois visa prevenir uma possível contaminação. Ou seja, a instituição responsável deve ter um esquema periódico de vacinação e os profissionais devem ser imunizados contra hepatites B e C, sarampo, rubéola e outras patologias prevista no esquema de vacinação apropriado Porém deve ser considerada a possibilidade que um percentual dos profissionais não ser soro-convertidos a vacinação, mesmo após todo o esquema de vacinação completa, visando assim a necessidade de implementar medidas educativas que mantenham o índice de cobertura vacinal em crescimento e o aproxime mais da situação ideal, de que todos os profissionais estarão imunizados. (FARIAS, et al., 2007) O profissional de saúde precisa adotar uma postura efetiva no uso de equipamentos e procedimentos para sua segurança, e não somente o profissional juntamente com sua equipe e seus pacientes, e por conseqüência atingir assim, seu objetivo que é prestar um serviço de qualidade, independente de o profissional ser dentista, médico, enfermeiro ou qualquer outro (MASTROENI, 2006). 3.4.1 Higienização das mãos Martinez, Campos, Nogueira (2009) afirmam que 30% dos casos de infecções são preveníveis por medida simples, ou seja, a lavagem correta das mãos pelos profissionais. Segundo os autores, as mãos são o principal meio de se transmitir microorganismos aos pacientes, seja por contato direto ou através de objetos. O Ministério da Saúde (2005) recomenda que a lavagem deve ser fei62 ta anteriormente qualquer procedimento a ser realizado e após, manuseio de pacientes, antes de administração de medicação, coleta de material biológica ou fisiológica desses pacientes Segundo Torres (1999), a lavagem freqüente das mãos como procedimento básico deve ser realizado por toda equipe no trabalho. E também afirma que barreira de proteção, cuidados com o ambiente, além da desinfecção e esterilização de instrumental são eficazes no combate da infecção cruzada. Tipple et al. (2008) em um estudo realizado com acadêmicos da área de Saúde, demonstraram o conhecimento sobre a lavagem de mãos, mas indicaram baixa realização do procedimento quando realmente é necessário fazer a lavagem, evidenciando mais uma vez a formação dos profissionais, sua dicotomia entre o saber e o fazer. Então se faz necessário a conscientização quanto à educação continuada para todos os envolvidos nesse processo. 3.4.2 Equipamento de Proteção Individual (EPI) Segundo Rezende e Lorenzato (2000), o cirurgião-dentista é responsável pelo desenvolvimento e implantação de medidas de segurança como equipamentos de proteção individual, garantindo a redução de transmissão de doenças no consultório odontológico. Os EPI’s têm como finalidade proteger os profissionais da saúde dos riscos de exposição, biológicos ou químicos, riscos com lâminas ou com ferramentas perfurocortantes ou não. Podem ser considerados de uso pessoal, e neutralizam a ação de certos acidentes que podem causar lesões ao trabalhador e protegê-lo contra prováveis danos à saúde do trabalhador (SÊCCO et. al., 2002). Os tipos de EPI’s são: máscaras, gorros, protetores oculares e faciais, avental (jalecos), sapatilhas e luvas. No atendimento odontológico paciente e profissional ficam muito próximos, facilitando assim a infecção cruzada. O uso da máscara descartável é necessário para não inalação de aerossóis, bem como transmissão de outras doenças (BRITO,2009; MENDES, 2001). O uso do gorro é importante na proteção dos cabelos para evitar a contaminação contra aerossóis, germes e impurezas que estão presentes no ambiente. Assim, deve ser descartável e utilizado pelo dentista, toda sua equipe assim como pelo paciente (MENDES,2001). Protetor ocular e facial tem como objetivo proteger os trabalhadores assim como o paciente, especialmente mucosa ocular e face contra fluidos do paciente. Existe uma certa resistência em seu uso, devido ao embaçamento da visão e escape da respiração pela máscara facial. Kantz, Martins e Miguel (2006), ressaltam que nos dias atuais a freqüência de utilização de EPI’s é baixa, principalmente no que diz respeito à proteção ocular, fato que tem levado a sérios danos oculares e à transmissão de infecções, seguidos muitas vezes de processos judiciais. Aventais (jaleco / bata), devem ser de uso exclusivo em consultório, pode ser de tecido ou algodão, contendo gola alta e mangas longas e devem ser mantidos abotoados para sua maior proteção (BRITO,2009). Carvalho et al. (2009), afirma que o uso dos jalecos se tornou uma prática obrigatória, com finalidade de proteção durante realização de procedimentos. É necessário que se realizem campanhas educativas para orientar os profissionais sobre o seu uso e adoção de protocolos rígidos em seu uso e sua descontaminação por parte das instituições de saúde. As luvas classificam-se em: de procedimentos para realização de procedimentos não – críticos e luvas de procedimentos críticos ou seja as luvas estéreis, feitas de látex, descartáveis e não reutilizáveis. Tem recomendação de uso habitual, pois nos procedimentos odonRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 58-64. tológicos existe o contato direto ou indireto com sangue, entre outras substâncias que são consideradas infecciosas em potencial. Consideradas melhor barreira de proteção para as mãos, não deve ser reutilizada, pois perdem eficácia com seu uso contínuo. Devem ser descartadas após danificadas ou prolongado tempo de uso (MENDES,2001). As sapatilhas ou calçados fechados são artefatos de extrema importância no ambiente odontológico, pois evitam o contato com secreções orgânicas ou instrumentos perfurocortantes como limas endodônticas, agulhas da seringa carpule entre outros,lançados ao chão repleto de microorganismo, favorecendo a contaminação e infecção dos profissionais. 3.4.3 Desinfecção e esterilização de materiais Prevenir a infecção cruzada é um dos maiores desafios para os cirurgiões-dentistas no consultório odontológico atualmente. Apesar das barreiras de proteção individual para o combate contra as infecções, o ambiente de trabalho se torna insalubre após o atendimento, necessitando assim de uma desinfecção, caso a esterilização não seja possível, para a eliminação dos microorganismos existentes, produzidos através de aerossóis durante o atendimento. De acordo com Gonçalves (1996) desinfecção é o processo que elimina os microorganismos patogênicos de seres inanimados, e que deve ser utilizado somente quando o processo de esterilização for inviável. As soluções mais utilizadas para a desinfecção de superfícies e materiais são: hipoclorito de sódio, compostos fenólicos, Iodo, gluteraldeído e o álcool (SILVA e JORGE, 2002). 3.4.4 Manuseio de materiais perfurocortantes A principal causa de acidentes de trabalho em profissionais de saúde está relacionada ao uso de material perfuro cortante. Esse tipo de acidente expõe o profissional a risco de infecções. É necessário o máximo de atenção quando se estiver manuseando os instrumentos perfurocortantes para previnir acidentes Na odontologia, os instrumentais que mais causam acidentes são: brocas, agulhas anestésicas, curetas, alavancas, lâminas de bisturi e limas de endodontia É necessário também, utilização de recipientes próprios para descarte do material perfurocortante utilizado no consultório, assim como, adotar a rotina de descartar esses recipientes antes da sua superlotação (TEIXEIRA, et al., 2008; CAIXETA e BARBOSA – BRANCO; 2005) 4 CONCLUSÃO Diante dos trabalhos analisados e discutidos, pode-se concluir que as medidas de biossegurança utilizadas são: os Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC), os Equipamentos de Proteção Individual (EPI), imunização e a educação continuada para a conscientização dos profissionais da área da saúde com enfoque na odontologia. Essas medidas têm como finalidade de proteção aos profissionais, paciente e o ambiente em que estão inseridos e prevenção contra as doenças infecto- contagiosas e as infecções cruzadas nos mais diversos tipos de ambiente, seja ele ambulatorial, hospitalar, consultório odontológico, dentre outros. Sobre as tendências atuais, a Biossegurança se mostra de grande importância para todos os profissionais, em qualquer que seja a área, pois todos estão sujeitos a riscos. Com o crescimento populacional, os riscos bacteriológicos e os riscos de contaminação e de infecção em massa estão crescendo cada vez mais, fazendo com que seja uma necessidade o cumprimento as normas de Biossegurança por todos e para todos. Observa-se que muitos profissionais, mesmo conhecendo na teoria os riscos existentes, não adotam os protocolos de medidas de precaução na sua prática cotidiana, por motivos afetivos e comportamentais que não justificam o descumprimento das normas de Biossegurança. Combater as infecções nos consultórios odontológicos continua sendo um grande desafio para os cirurgiões- dentistas, pois mesmo com uso das medidas de controle e prevenção, os germes conseguem superar essas medidas adotadas. Biossegurança é dever de todos e direito do paciente, é demonstração de respeito a si próprio, a toda sua equipe e aos pacientes, fazer Biossegurança é uma das formas de se obter a tão esperada qualidade de vida. REFERÊNCIAS ANVISA - AGENCIA NACIONAL DE VIGILANCIA SANITARIA. Biossegurança. Rev. 2005 Saúde Pública [online]. Rio de Janeiro, v.39, n. 6, p. 989-991, 2005. _______, Ministério da Saúde. Portaria nº 2616 de12 de maio de 1998. BITTENCOURT, E. l, et al. Avaliação da contaminação das canetas de altas rotação na clínica odontológica. In: Rev. ABO Nac, v. 11, n. 2. P. 92-98, Abr.-Mai. 2003. Estabelece normas e diretrizes para a prevenção e controle das infecções hospitalares. Brasília, DF, 12 de maio de 1988. 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São Paulo : Editora Atheneu, 2006. 64 Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 58-64. REVISÃO / REVIEW PAPER / REVISIÓN Prevenção e controle da infecção hospitalar: uma revisão da literatura Prevention and control of hospital infection: a literature review. Prevención y control de la infección hospitalar: una revisión de la literatura. Danicler Tavares Cruz RESUMO Enfermeira, especialista de Saúde da Família e Urgências e Emergência Maria Eliete Batista Moura Pos-Doutora em Enfermagem. Professora da Faculdade NOVAFAPI. Professora da Graduação e do Programa de Mestrado da UFPI. [email protected] O estudo tem como objetivo fazer um levantamento na literatura sobre infecção hospitalar, verificar as tendências dos trabalhos encontrados e descrever os resultados e análises. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica feita na Biblioteca Virtual em Saúde – BVS e Biblioteca da Faculdade NOVAFAPI, abrangendo pesquisas nacionais, publicadas no período de 2000 a 2008. A busca foi feita através dos descritores: infecção hospitalar; prevenção e Enfermagem. Foram analisados 25 trabalhos ou fontes e apresentados nas categorias: prevenção e controle de infecção hospitalar; microorganismos causadores de infecções e infecção do sítio cirúrgico. Observou-se que a infecção hospitalar é um problema de saúde pública, e que as instituições prestadoras de serviços de saúde devem oferecer melhores condições de trabalho para que os profissionais da saúde desenvolvam uma assistência com qualidade e sem risco para o usuário. Descritores: Infecção Hospitalar. Prevenção. Enfermagem. ABSTRACT The study aimed at doing a literature raising about hospital infection, verify the tendencies of the work found and descibe the results and analysis. It Treats of a bibliographical research done in the period of 2000 to 2008. The eletronic search was done in the bank data SCIELO (Scientific Electronic Library Online) with the descriptors: hospital infection; prevention and nursing. This way were analyzed 25 articles written by nurses presented in the cathegories: prevention and control of hospital infection; infection in the cirurgic site; microorganisms causors of infections and cirugic paramentation. It was observed that hospital infection is a problem of public health, and that the instituitions of health rendering services should offer better work conditions in order the health profissionals develop an assitance with quality and without risk to the health service users. Descriptors: Hospital Infection. Prevention. Nursing. RESUMEN El estudio tiene como objetivo hacer un levantamiento en la literatura sobre infección de hospital, verificar las tendencias de los trabajos encontrados y describir los resultados y análisis. Se trata de una pesquisa bibliográfica hecha en el periodo de 2000 a 2008. La búsqueda electrónica fue hecha en el banco de datos SCIELO (Scientific Electronic Library Online) con los descriptores: infección de hospital; prevención y enfermería. Fueron. De esa forma fueron analizados 25 artículos escritos por enfermeros presentados en las categorías: prevención y control de infección de hospital; infección del sitio quirúrgico; microorganismos causadores de infecciones y paramentación quirúrgica. Se observó que esta infección es un problema de salud pública, y que las instituciones prestadoras de servicios de salud deben ofrecer mejores condiciones de trabajo para que los profesionales de salud desarrollen una asistencia con calidad y sin riesgo para el usuario de los servicios de salud. Descriptores: Infección de Hospital. Prevención. Enfermería. Submissão: 05/09/2008 Aprovação: 03/03/2009 Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 65-70. 65 1 INTRODUÇÃO A infecção hospitalar (IH) é um grave problema de saúde pública, de tratamento difícil, causada por bactérias que se desenvolvem dentro dos hospitais, sendo algumas resistentes aos tratamentos. É necessário tomar medidas para preveni-la, que incluem desde o treinamento das equipes de profissionais de saúde que estão em contato direto e indireto com os doentes, até as condições de trabalho oferecidas pelas instituições de saúde, além dos cuidados rigorosos por partes dos visitantes que vão levar conforto aos seus entes queridos internados. As infecções hospitalares podem ser definidas como as infecções que ocorrem em pacientes durante a hospitalização, com diagnóstico confirmado por exames clínicos e de laboratório. Os microorganismos contagiosos podem se originar de fontes endógenas, como a flora comensal endógena da qual o paciente é portador, ou de fontes exógenas, como aquisição recente através de objetos animados ou inanimados dentro do hospital (AGUIAR, LIMA, SANTOS, 2008). Segundo Cavalcanti p.10-22(2002), Os microrganismos, causadores das infecções, existem e convivem no meio ambiente muito antes do surgimento do ser humano. A relação entre microrganismo e o homem deve ser equilibrada, porém, quando isso não ocorre, surgem as doenças infecciosas causadas por microrganismos oportunistas que se proliferam e causam sérios danos aos tecidos, órgãos e sistemas dos homens, alterando seu funcionamento normal. Assim, a infecção nosocomial tem sido a causa de risco de vida para a maioria dos pacientes internados, de custo elevado, e que representa atualmente um grande problema de saúde pública, devido à alta incidência, letalidade significativa, aumento prolongado de internação e ao custo total do tratamento dos pacientes. Por esse motivo, o controle da IH, além de atender a exigências éticas e legais da Portaria 2616/MS, tornou-se também uma necessidade. A Portaria nº 2616 do Ministério da Saúde, publicada em 12 de maio de 2008, aduz que: As infecções hospitalares constituem risco significativo à saúde dos usuários dos hospitais, e sua prevenção e controle envolvem medidas de qualificação de assistência hospitalar, de vigilância sanitária e outras, tomadas no âmbito do Estado, do município e de cada hospital, atinentes ao seu funcionamento (BRASIL, 2008). Assim, no Brasil, foi sancionada a Lei nº 9431, de 6 de janeiro de 1997, que obriga todos os hospitais a manterem um programa permanente de controle de infecção hospitalar, com vista a reduzir ao máximo os índices de infecções nos hospitais (BRASIL, 1997). Dessa forma, os profissionais de saúde são orientados e treinados para atuar na prevenção e controle da infecção hospitalar, no entanto tem sido observado que profissionais da equipe de enfermagem, embora demonstrem preocupação e muita atenção com os pacientes, ainda estão favorecendo a disseminação de microrganismos no ambiente nosocomial. A atuação da enfermagem nas Comissões de Controles de Infecções Hospitalares (CCIH) é de grande valia, já que é o profissional de saúde que tem um contato direto com o paciente. O papel do enfermeiro nessa comissão é de orientar os profissionais de saúde a respeito da prevenção de infecções e contribuir com medidas específicas, para que a disseminação não ocorra dentro do ambiente hospitalar. Para que as bactérias não se proliferem, algumas medidas devem 66 ser tomadas, como: a lavagem das mãos, para que não ocorra infecção cruzada; o uso de Equipamentos de Proteção Individual – EPI; o cuidado com os materiais perfurocortantes; a lavagem e esterilização correta dos artigos, dentre outros. Diante dessa problemática, definiram-se como objetivos: fazer um levantamento na literatura sobre infecção hospitalar; verificar as tendências dos trabalhos encontrados e descrever os resultados e análises feitas pelos autores dos trabalhos sobre este tema. 2 METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa bibliográfica sobre Infecção Hospitalar. Segundo Medeiros (2000), a pesquisa bibliográfica constitui-se em fonte secundária, tendo como objetivo adquirir informações sobre um assunto de relevante interesse. Para a elaboração do estudo, seguiu-se o percurso metodológico sugerido por Marconi e Lakatos (2000), que consiste nos seguintes passos: escolha do tema; elaboração do plano de trabalho; identificação; localização; complicação; fichamento; análise; interpretação e redação. A busca dos artigos foi feita na Biblioteca Virtual em Saúde – BVS e Biblioteca da Faculdade NOVAFAPI, abrangendo apenas publicações nacionais, no período de 2000 a 2008. Os descritores: infecção hospitalar, prevenção e Enfermagem, foram usados isoladamente para a seleção dos artigos. Posteriormente, procedeu-se à leitura seletiva e somente 25 trabalhos ou fontes se enquadraram nos objetivos da pesquisa. A análise foi feita conforme os focos apresentados nos estudos selecionados sobre o tema infecção hospitalar. 3 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Os resultados indicaram que existem 25 trabalhos ou fontes nacionais sobre Infecção Hospitalar, publicados na Biblioteca Virtual em Saúde – BVS e na Biblioteca da Faculdade NOVAFAPIblioteca da NOVAFAPIo da Saúde no período 2000 a 2008, categorizados em: prevenção e controle de infecção hospitalar; microorganismos causadores de infecções e infecção do sítio cirúrgico. Prevenção e controle de infecção hospitalar Nesta categoria de trabalhos ou fontes, a técnica da lavagem das mãos, a utilização dos equipamentos de proteção individual (EPI), como o gorro, máscara, óculos, luvas, avental e protetores para pés, são colocados como indispensáveis para a proteção do cliente e do profissional. O cuidado com os materiais perfurocortantes foi abordado como medida de prevenção e controle das infecções hospitalares. Segundo a pesquisa de Tipple (2003), essas medidas devem ser adotadas visando, principalmente, minimizar o risco individual e coletivo, quando não existir dispositivo adequado ao descarte de perfurocortantes ou quando houver necessidade do uso da técnica de desconectar a agulha da seringa, como no caso da coleta de sangue para exames e do uso da seringa carpule. Ao prestar assistência a um paciente em um ambiente hospitalar, a lavagem das mãos deve ser um hábito entre os profissionais de saúde. Segundo Fernandes, (2000), o médico húngaro, Semmelweis, em 1847, demonstrou a importância desse ato na prevenção da infecção hospitalar após constatar a diminuição das taxas de mortalidades das parturientes pela febre puerperal. Mesmo com a constatação do valor da higienizaRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 65-70. ção das mãos na prevenção das transmissões de doenças, muitos profissionais de saúde ainda continuam ignorando a importância desse gesto tão simples, que é a lavagem das mãos, e também não compreendem os mecanismos básicos da dinâmica de transmissão das doenças infecciosas Moura et al. (2007) observou que pacientes internados nas Unidades de Terapia Intensiva – UTIs, com permanência prolongada, em ventilação mecânica e com procedimentos invasivos constantes, estão sujeitos à prevalência de infecções, por isso é preciso uma vigilância incessante da CCIH, para que se evite infecções cruzadas pelas mãos dos profissionais de saúde do setor, devendo os mesmos realizarem as técnicas corretas da lavagem das mãos como uma ação importante de prevenção e controle de infecção hospitalar. Por sua vez, Fernandes (2000) afirma que, além da lavagem das mãos, os pesquisadores têm recomendado que as feridas, pontos de inserção de cateteres venosos ou arteriais, traqueostomias, tubos, drenos, junções de cateter urinário e todos os outros sítios de entrada ao meio interno do organismo do paciente, não devem ser tocados diretamente pelas mãos dos profissionais, mesmo que lavadas ou escovadas. O controle de Infecção Hospitalar (IH), ao longo dos anos, vem evoluindo muito, e não se restringe unicamente aos hospitais, mas engloba todos os estabelecimentos da área da saúde, onde se deve primar por técnicas adequadas e precauções padrões, havendo também a necessidade de investimentos científicos na busca incessante de medidas de prevenção e controle de IH, juntamente com os profissionais de saúde. (PEREIRA et al., 2005). Santos et al. (2008), no que se refere à prevenção e controle das IHs, afirmam que as medidas adotadas ainda têm sido pouco utilizadas pelos profissionais da área, apesar de todos saberem que o melhor método de prevenir a IH é utilização das precauções padrões, que são orientadas pela CCIH. Segundo Cucolo, Faria e Cesarino (2007), a educação permanente dos profissionais desenvolvida pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar - SCIH os tornam multiplicadores de ações na prevenção e controle de infecção, porém, ainda são escassos os serviços que desenvolvem estas atividades e são poucos os profissionais que têm a visão de melhorar o seu conhecimento e a sua prática. A CCIH depende de vários profissionais para formar a comissão e também precisa de exclusividade para que esses possam ter um desempenho favorável na busca de controlar a infecção nosocomial. Porém, há falta de profissionais qualificados. Por conseguinte, o mesmo profissional da comissão exerce cargo ou serviço que poderia ser desempenhado por outros, por isso, seu desempenho exclusivo na CCIH fica prejudicado (ALVES; EVORA, 2002). Sabe-se que a equipe de enfermagem, em relação aos outros profissionais, é a que fica mais tempo com o paciente, trabalhando para o seu bem-estar físico e executando procedimentos e diagnósticos terapêuticos na detecção, prevenção e controle de IH. Apesar do grande número de profissionais envolvidos, ainda não é o suficiente para a demanda das necessidades dos hospitais. O artigo refere-se aos fatores de risco, à falta de equipamentos, falta de leitos para separar as crianças infectadas das não infectadas e à divisão inadequada da planta física. Pela falta de estrutura do setor e falta de profissionais qualificados, o trabalho triplica e a assistência de enfermagem fica precária. Para que a equipe de enfermagem e os outros profissionais trabalhem, é preciso, com urgência, dar garantia de qualidade do serviço prestado, diminuindo, assim, os fatores de riscos aos usuários (TURRINI, 2000). Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 65-70. Microorganismos causadores de infecções Para Ferrareze (2007), a pseudômona é uma bactéria encontrada com freqüência no ambiente nosocomial que apresenta resistência aos antibióticos e anti-sépticos. Uma hipótese levantada sobre a presença dessa bactéria relaciona-a ao uso e diluição incorreta dos desinfetantes, reutilização de artigos e esterilização, tudo isso deve ser levado em conta. Kusahara, Peterlini e Pedreira (2007), relatam que a infecção resulta do desequilíbrio entre os mecanismos imunitários e os patógenos. Porém, a idade, tempo de internação, tempo de exposição a procedimentos por métodos invasivos são fatores que contribuem para o aparecimento da IH. O uso indiscriminado de antibióticos pode resultar no aparecimento de microorganismos resistentes à medicação, tornando as infecções, especialmente nas UTIs, um sério problema e um grande desafio para os profissionais. A CCIH, apesar de todas as dificuldades, está conseguindo estruturar um serviço de prevenção e controle de infecção hospitalar, exigindo dos profissionais de saúde uma atenção especial em relação às evoluções dos microrganismos que apresentam resistências cada vez mais elevadas, determinadas pelo uso indiscriminado dos antimicrobianos, dentre outros. Algumas medidas precisam ser tomadas no sentido de minimizar o crescimento e mutação desses microrganismos, dentre elas, a indicação consciente e fundamentada dos antibióticos. É importante frisar que, com a evolução tecnológica, as técnicas modernas de assistência foram sendo desenvolvidas e o tratamento das doenças passou a ser feito através de procedimentos complexos. Assim, o avanço na descoberta dos antimicrobianos e o seu uso indiscriminado têm contribuído para o aparecimento de bactérias multirresistentes e de novas formas de vida microbial (FONTANA; LAUTERT, 2006). Segundo Lacerda, (2002), a evolução da produção científica de infecção hospitalar envolvendo a participação da enfermagem ainda é pequena em relação à produção geral, cabe à enfermagem discutir mais sobre novas modalidades de infecção hospitalar e contribuir com novos procedimentos no que se refere à assepsia, desinfecção e esterilização. Infecção de sítio cirúrgico Segundo Fontana (2006), a melhoria dos estudos sobre microbiologia se deu através de Joseph Lister, em 1860, que demonstrou uma técnica para manter a incisão cirúrgica livre de contaminação, pois as infecções cirúrgicas naquela época eram muito freqüentes. Segundo Cataneo (2004), é importante o preparo da equipe cirúrgica para evitar a infecção do sítio cirúrgico, por saber que ela pode ser uma fonte de patógenos. Destaca também que o uso da paramentação previne a transmissão de contaminação tanto do profissional como do paciente, servindo de barreira contra a penetração de microorganismos no sítio cirúrgico do paciente. A escovação das mãos também é outro processo de precaução que visa à retirada de sujeira, reduzindo os riscos de contaminação durante as cirurgias. Os pacientes que são submetidos a cirurgias de artroplastias de quadril ainda são suscetíveis à infecção do sítio cirúrgico por estarem debilitados, pelo tempo de internação e pela falta de acompanhamento e de informação adequadas na pós- cirurgias e pós sua alta (ERCOLE; CHIANCA, 2002). Segundo Oliveira et al. (2002), a infecção do sítio cirúrgico ainda é um grande problema dentre as IH. Apesar de se manifestar após a cirurgia, a maior chance de contaminação é durante a mesma, por isso o controle 67 de infecção durante a cirurgia deve ser dobrado, para que após a alta a infecção do sítio cirúrgico não venha a acontecer. O estudo demonstra que o acompanhamento pós-alta das infecções do sítio cirúrgico (ISC) pela CCIH deve ser feito, por todas as comissões, como rotina para que se possa diminuir a taxa de incidências de infecção pós-alta, visando à melhoria da assistência. Ainda em relação às infecções relacionadas ao sítio cirúrgico, os fatores de riscos associados são: a idade acima de 50 anos; o estado em que se encontra o paciente e a forma como foi feito a tricotomia, sabendo o tempo de duração de cada cirurgia, para que isso não venha a aumentar inda mais as chances de uma infecção (POVEDA, GALVÃO YASSHIDA, 2003). Segundo Lacerda et al. (1992): A infecção do sítio cirúrgico é uma das causas mais comuns de infecção hospitalar. Apesar de se manifestar após a cirurgia, a maior chance de contaminação é durante a cirurgia, já que os sítios anatômicos são invadidos por tempo prolongado, com intensa manipulação. Portanto, é durante a cirurgia que o controle de infecção deve ser redobrado. Pesquisa desenvolvida por Moura et al. (2008), a partir da apreensão das Representações Sociais da IH construídas por profissionais e estudantes da área da saúde, demonstra que os sujeitos representam a infecção hospitalar como: paramentação; sondagem e mãos. Isso reforça a importância dada por esses profissionais e estudantes à paramentação dos que desenvolvem os procedimentos no ambiente hospitalar para proteger a si mesmos e aos pacientes de uma infecção, especialmente durante os procedimentos invasivos. Em relação aos instrumentais cirúrgicos cada vez mais sofisticados e à demanda cada vez maior do seu uso, relatado na pesquisa sobre instrumentais cirúrgicos, constata-se que artigos hospitalares, por não se desmontarem e não serem transparentes, acabam dificultando o processo de limpeza, etapa fundamental do processo, e dando oportunidade às bactérias de se proliferarem. Por isso é preciso avaliar criteriosamente a tomada de decisão quanto ao reuso destes materiais e também procurar encontrar outros meios para a lavagem dos mesmos (FONTANA, 2008). Graziano (2006) afirma que a dificuldade e os riscos relacionados com o processo de limpeza dos artigos, pelo fato de não serem desmontáveis e transparentes dificulta a visibilidade interna residual, aumentando o risco de infecção e favorecendo a disseminação de microorganismos. Segundo Ribeiro (2006), no que se refere ao reprocessamento de cateteres cardíacos, na Portaria nº 4, de 07/02/86, consta que não foi proibido o seu uso. Por isso devem ser avaliadas as condições dos processos de esterilização deste material, para que não venha ocorrer infecção ao paciente. Vale ressaltar que a infecção hospitalar é causada, na grande maioria dos casos, por um desequilíbrio da relação entre o microbiota do corpo humano normal e o mecanismo de defesa do hospedeiro. As localizações dos microbiotas são: conjuntiva, mucosa nasal, mucosa oral, faringe, pele, intestino grosso (cólon), reto, uretra e vagina. Esse desequilíbrio pode ocorrer devido à própria patologia de base do paciente, como o modo de proceder aos procedimentos invasivos. Os germes que predominam nas infecções nosocomiais raramente causam infecções em outras situações e geralmente estes agentes fazem parte da microbiota humana normal. 68 Dessa forma, os profissionais de saúde precisam estar atentos à vulnerabilidade e riscos relativos a esses procedimentos invasivos, pois eles rompem as barreiras naturais do organismo humano, abrindo uma porta para o seu meio interno, favorecendo assim a entrada de microrganismos não existentes antes do processo. Os antimicrobianos são necessários para eliminar infecções, mas, infelizmente, o uso abusivo destes antibióticos está fazendo com que não somente afetem o paciente que está fazendo uso dele, como o ambiente microbiológico, interferindo na flora. O uso desnecessário de antimicrobianos está aumentando a resistência dos germes, fazendo com que se prolongue a permanência dos pacientes, e assim aumentando a morbidade, mortalidade e custo para o hospital e também gerando mais problemas para os médicos e para o pessoal que trabalha na CCIH (ANDRADE; LEOPOLDO; HAAS, 2006). O uso da paramentação cirúrgica é o meio de proteção para clientes e profissionais de saúde, contra contaminação do sítio cirúrgico por microorganismo, pessoas, materiais, equipamentos no ambiente operatório (PAZ et al., 2000). Para Monteiro et al. (2000), a paramentação cirúrgica é essencial para a prevenção de riscos cirúrgicos em que os profissionais estão sujeitos a contatos com sangue e fluidos corpóreos liberados durante os procedimentos com os pacientes. Por isso, é imprescindível a utilização de precaução padrão como métodos de barreiras de proteção contra microorganismos. Na realização de procedimentos invasivos e de cirurgias, sejam de pequeno ou grande porte, a enfermagem precisa ter cuidado para não contribuir com as infecções cruzadas no ambiente hospitalar. Sabemos que no corpo humano reside uma rica flora microbiana com total equilíbrio com seu hospedeiro, e que após a realização de qualquer procedimento, por mais simples que o seja, seguem-se casos de infecção associada. Desta forma, verifica-se que a indicação de um procedimento invasivo ou cirurgia deve ser criteriosa, e que seu papel é de extrema importância, pois, através desses procedimentos, são fornecidas informações valiosas, e até preventivas que podem contribuir com o tratamento do paciente. 4 CONCLUSÃO Nos trabalhos levantados foram evidenciados três focos: prevenção e controle de infecção hospitalar; microorganismos causadores de infecções e infecção do sítio cirúrgico. Os resultados apresentados nos artigos refletem a dificuldade que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA tem para desenvolver o Programa de Prevenção e Controle das Infecções Hospitalares. Contudo, necessita-se de mais pesquisas para se discutir problemas dos serviços de saúde relacionados ao tema, que refletem nos altos índices de infecção hospitalar e, conseqüentemente, resultam em seqüelas, sofrimento e até a morte de pacientes. Dessa forma, conclui-se que a infecção hospitalar é um problema de saúde pública, e que as instituições prestadoras de serviços de saúde devem oferecer melhores condições de trabalho para que os profissionais desenvolvam uma assistência com qualidade e sem riscos para o usuário e para si próprios. Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 65-70. REFERÊNCIAS AGUIAR D. F.; LIMA, A. B. G; SANTOS, R. B. Uso das precauções-padrão na assistência de enfermagem: um estudo retrospectivo. Esc Anna Nery Rev Enferm, Rio de Janeiro, UFRJ, v.12, n.3, p. 571-575, set. 2008. ALVES, D. C. I.; EVORA, Y. D. M. Questões éticas envolvidas na prática profissional de enfermeiros da comissão de controle de infecção hospitalar. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 10, n. 3, jun. 2002 . Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010411692002000300002&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 02 mar. 2010. ANDRADE, D.; LEOPOLDO, V. C.; HAAS, V. J. 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O levantamento se fez por meio da BVS Odontologia, usando o descritor saúde bucal do idoso. Foram identificadas 33 publicações e selecionadas 13 para análise. O critério de exclusão se deu em função do não atendimento ao tempo cronológico usado para inclusão (2005 a 2009); por já se tratar de revisão sistemática e por levantar dados sobre adultos e idosos em estudos comparativos. Ressalta-se que o maior número de estudos foi realizado com idosos institucionalizados, denotando que ainda é pouco presente na literatura científica nacional estudos sobre a saúde bucal de idosos na atenção básica, mesmo após a inserção da odontologia no Programa Saúde da Família. Os resultados apresentados confirmam as precárias condições de saúde bucal em que se encontra a população idosa no Brasil e apontam para a necessidade de estratégias e mudanças de práticas na observância da saúde bucal desse grupo populacional. Dada a lacuna em estudos sobre as condições de saúde bucal dos idosos, sugere-se o desenvolvimento de novas pesquisas sobre a política da saúde bucal na atenção básica. Descritores: Saúde bucal. Idoso. Odontologia Comunitária. ABSTRACT Narrative study review aimed at analysing works that focus the theme elderly buco health. The searching was done through healthVirtual library - Dentistry, using the descriptors: buco health, elderly, communitary Dentistry. were identified 33 publications and selected from 13 to analysis. The exclusion criterion was set in function of the non serving at chronological time used to the inclusion that was from 2005 to 2009, for being already treated of systematic review and by raising data about adults and elderly in comparative study. It is pointed out that the bigger number of study was carried out with institutionalized elderly, denoting that it is little present in the national scientific studies about elderly buco health in basic attention and even after the insertion of dentistry in the Family Health Program . The results presented confirm the precarious buco health conditions in which is found the elderly population in Brazil and point to the necessity of changing strategies in the observance practice of the buco health of this populational group. Given gap studies about elderly buco health conditons, it is suggested the development of new research about the health buco politic in basic attention. Descriptors: Buco health. Elderly. Communitary Dentistry. RESUMEN Estudio de revisión narrativa con el objetivo de analizar trabajos que enfocan el tema salud bucal del anciano. El levantamiento se hizo por medio de la Biblioteca Virtual en Salud - Odontología, usando los descriptores: salud bucal, anciano, odontología comunitaria. Fueron identificadas 33 publica- Submissão: 21/09/2008 Aprovação: 15/12/2009 1 Trabalho apresentado ao Curso de Especialização em Saúde da Família da NOVAFAPI Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 71-76. 71 ciones y seleccionadas 13 para análisis. El criterio de exclusión ocurrió en función del no atendimiento al tiempo cronológico usado para inclusión que fue 2005 a 2009, por ya tratarse de revisión sistemática y por levantar datos sobre adultos y ancianos en estudios comparativos. Se resalta que el mayor número de estudios fue realizado con personas mayores institucionalizadas, denotando que aún es poco presente en la literatura científica nacional estudios sobre la salud bucal de ancianos en la atención básica y mismo después de la inserción de la odontología en el Programa Salud de la Familia. Los resultados presentados confirman las precarias condiciones de salud bucal en que se encuentra la población vieja en Brasil y apuntan para la necesidad de estrategias y cambios de prácticas en la observancia de la salud bucal de ese grupo poblacional. Dada la laguna en estudios sobre las condiciones de salud bucal de los ancianos, se sugiere el desarrollo de nuevas pesquisas sobre la política de salud bucal en la atención básica. Descriptores: Salud bucal. Anciano. Odontología Comunitaria. etária são: xerostomia, lesões de tecidos moles, doença periodontal, edentulismo, abrasão/ erosão dentária, halitose, dificuldade de higienização, dificuldade de mastigação e deglutição, necessidade de prótese ou uso de prótese mal adaptada. Com a inserção da odontologia na atenção básica através do Programa Saúde da Família, torna-se uma preocupação buscar contemplar esse grupo e promover condições de garantir uma saúde bucal que permita uma vida com mais qualidade para os idosos. Com base nestas considerações, esta pesquisa tem como objetivo identificar estudos sobre a saúde bucal do idoso, a partir da base de dados BVS Odontologia, observando variáveis relacionadas ao número de publicações, ano da publicação, tipo de periódico, objetivo do estudo; analisar o foco dado ao tema em questão pelos estudiosos da odontologia e verificar se o tema já está sendo estudado dentro do Saúde da Família. 2 1 Historicamente, as práticas da saúde bucal no Setor Saúde indicam que elas foram realizadas em consultórios, desenvolvidas à distância, feitas quase que exclusivamente entre quatro paredes e restritas à prática do dentista com seu equipamento odontológico.À incorporação das ações de saúde bucal pelas equipes do Saúde da Família visa transpor o modelo de organização e as práticas anteriores, sendo altamente desafiador e difícil, na medida em que procura integrar a prática dos profissionais da equipe (BRASIL, 2006). Essa incorporação da saúde bucal ao Saúde da Família ocorreu no final do ano 2000, quando o Ministério da Saúde normatizou e passou a incentivar financeiramente a constituição de Equipes de Saúde Bucal, representando a mais importante iniciativa de assistência pública, expandindo e reorganizando as atividades de saúde bucal de acordo com os princípios e diretrizes do SUS (MARTELLI et al.,2008; LAZZAROTT, 2008). Para essa consolidação, o Ministério da Saúde lançou o Programa de Saúde Bucal através do Brasil Sorridente, que tem na Atenção Básica um de seus mais importantes pilares. Segundo Pucca Júnior (2006, p. 243), a política nacional de saúde bucal tornou possível repensar o modelo de atenção aos diversos grupos, como crianças, adolescentes, adultos e idosos, criando “fluxos que impliquem ações resolutivas das equipes de saúde. Essas ações devem estar centradas no acolher, informar, atender e encaminhar”. Entre os grupos que merecem atenção nessa ação está a população idosa que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, nos países em desenvolvimento, são os indivíduos a partir de 60 anos. No Brasil, o número de pessoas com 60 anos ou mais aumentou nos últimos dez anos de 10,7 milhões para 14,5 milhões, indicando um aumento de 35,5%. Estima-se que nos próximos 20 anos o número de idosos brasileiros poderá ultrapassar os 30 milhões, o que representará 13% da população. Assim, com o aumento populacional desse grupo é importante para a área da saúde, e em especial para a odontologia, compreender além da situação sistêmica, emocional, cognitiva, social e econômica do idoso, as doenças bucais, o estado de conservação dos dentes e a prevalência de edentulismo para a formulação de um plano preventivo/ terapêutico adequado à sua realidade. A promoção de saúde bucal em idoso é também garantia de bemestar, de melhoria da qualidade de vida e autoestima, resultado de uma mastigação satisfatória,de uma melhor estética e da facilidade na comunicação. As condições precárias da saúde bucal mais relevantes a essa faixa 72 Metodologia Introdução A pesquisa bibliográfica desenvolve-se a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Embora em quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho dessa natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. Boa parte dos estudos exploratórios pode ser definida como pesquisa bibliográfica (GIL, 2002; SEVERINO, 2002). Desse modo, este estudo se configura como uma revisão da literatura do tipo narrativa, na qual se utilizam publicações “ apropriadas para descrever e discutir o desenvolvimento ou o “estado da arte” de um determinado assunto, sob ponto de vista teórico ou contextual”. Esse tipo de revisão permite que em um curto espaço de tempo o leitor se atualize ou mesmo adquira conhecimento sobre determinado tema, além de constituir um papel fundamental para a educação continuada (ROTHER, 2007). Para Cordeiro et al. (2007, p.429), esta modalidade de revisão permite uma temática mais aberta e “dificilmente parte de uma questão específica bem definida, não exigindo um protocolo rígido para sua confecção”. Os dados foram localizados na base dos dados BVS Odontologia, usando o descritores: saúde bucal, idoso e odontologia comunitária. O primeiro passo para este trabalho foi identificar a viabilidade do estudo e, após acessar o banco de dados citado, foram localizadas 33 publicações. O passo seguinte foi a leitura do material para seleção e análise, pois como critério de inclusão foram selecionados somente aqueles estudos que tratam especificamente da saúde bucal do idoso, sendo excluídos estudos que abordavam outras patologias e faziam citação como consequências à questão da saúde bucal dos idosos. Após esta seleção, foram compilados 13 artigos. Em seguida, a quantificação foi organizada e apresentada em tabela para melhor visualização dos resultados. A análise se fez pela construção subjetiva, conforme os focos apresentados nos estudos selecionados sobre o tema da saúde bucal do idoso e, por último, a construcão da conclusão obtida acerca dos trabalhos analisados. 3 RESULTADOS O quadro 1 apresenta dados sobre os artigos analisados quanto ao ano de publicação, a revista onde foi publicado o artigo, os autores, objetivo do trabalho e resultados encontrados. Quadro 1 – Características dos estudos sobre Saúde Bucal do Idoso segundo o autor, ano de publicação, revista, objetivo do trabalho e resultados apontados. Teresina (PI), 2009. N= 13. Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 71-76. Autores CARNEIRO, Rosane Maria do Valle Ano de Publicação 2005 et al. Revista Objetivo do estudo Resultados apontados Cad. Saúde Pública Verificar as condições de saúde bucal de idosos institucionalizados, na cidade de São Paulo, Brasil, por meio de exame epidemiológico. A porcentagem de indivíduos totalmente edêntulos foi de 68,3%. Os dados apresentados caracterizaram condições clínicas insatisfatórias, podendo ser evidenciadas pelo elevado índice CPO-D e alta porcentagem de edentulismo GAIAO, Luciene Ribeiro; ALMEIDA, Maria Eneide Leitão de; HEUKELBACH, Jorg 2005 Rev. bras. Epidemiol Analisar a condição periodontal, o uso e necessidade de prótese em idosos institucionalizados em um município do nordeste brasileiro. Os dados mostram que a maioria dos idosos apresenta saúde bucal precária. Assim, são indispensáveis medidas intervencionais como educação em saúde e tratamento precoce. REIS, Sandra Cristina Guimarães Bahia et al. 2005 Rev. bras. Epidemiol Conhecer a condição de saúde bucal de idosos institucionalizados na cidade de Goiânia-GO. A situação de saúde bucal dos idosos institucionalizados em Goiânia é precária, especialmente devido à alta prevalência de cárie e edentulismo. MESAS, Arthur Eumann; ANDRADE, Selma Maffei de; CABRERA, Marcos Aparecido Sarriá. 2006 Rev. bras. Epidemiol Verificar a condição dentária e periodontal, o uso e necessidade de prótese, e a presença de lesões associadas ao uso de prótese em idosos residentes em uma área urbana do município de Londrina, Paraná Os resultados obtidos indicam que os idosos da comunidade avaliada apresentam elevadas prevalências de problemas bucais, com necessidade de tratamento odontológico, com diferenças entre homens e mulheres, e que há necessidade de programas de saúde bucal que atendam às necessidades específicas da população idosa. UNFER, Beatriz 2006 Interface Analisar as percepções de um grupo de idosos sobre a perda de dentes Os principais resultados sugerem que a falta de dentes trouxe problemas funcionais e psicológicos, mas que parecem ser compensados pela resolução do problema estético. H I R A M AT S U , Daniel Afonso; FRANCO, Laércio Joel; TOMITA, Nilce Emy 2006 Cad. Saúde Pública avaliar a influência da aculturação da população idosa na autopercepção de sua saúde bucal Embora não tenha sido encontrada diferença na autopercepção da saúde bucal entre os grupos issei e nisei, este trabalho mostrou que a percepção dos indivíduos idosos nipo-brasileiros refletiu uma situação de escassez de cuidados quanto à saúde bucal, revelando que ações de promoção e educação voltadas para esta parcela da população se fazem necessárias. Autores Ano de Publicação Revista Objetivo do estudo Resultados apontados MELLO, Ana Lúcia Schaefer Ferreira de; ERDMANN, Alacoque Lorenzini 2007 Physis Apresentar e discutir as contradições no processo de cuidar da saúde bucal de idosos e indicar rumos para a superação dessas contradições, na perspectiva do cuidado complexo e da lógica da complexidade. O cuidado à saúde bucal do idoso institucionalizado, apresenta–se permeado de contradições, tanto nas condições em que se estabelece, como em suas potencialidades para construir uma saúde bucal condizente com um viver saudável. SALIBA, Nemre Adas et al. 2007 Interface Avaliar o perfil e conhecimento sobre saúde bucal de profissionais cuidadores de idosos, que atuam em três asilos da cidade de Araçatuba Constatou-se que os cuidadores precisam ser informados sobre aspectos de saúde bucal voltados para idosos. MATOS, Divane Leite; LIMACOSTA, Maria Fernanda 2007 Cad. Saúde Pública, Determinar a prevalência e os fatores associados ao uso de serviços odontológicos entre idosos brasileiros em 1998 e 2003 Existência de profundas desigualdades sociais associadas ao uso de serviços odontológicos pela população idosa, Tornam-se prementes políticas para a redução dessas desigualdades, garantindo o princípio da equidade no uso de serviços odontológicos por idosos neste país et al. Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 71-76. 73 MELLO, A. L. Schaefer Ferreira de; ERDMANN, Alacoque Lorenzini; CAETANO, João Carlos 2008 Textocontexto enferm., Relacionar o significado do cuidado à saúde bucal do idoso institucionalizado a questões referentes às políticas públicas, no atual contexto de implementação de políticas de saúde e saúde bucal em nosso país Mostra que a implementação de políticas públicas que incluam o idoso nas ações de saúde bucal é incipiente para assegurar comprometimento público-estatal-governamental e transformar a realidade epidemiológica. MARTINS, Andréa Maria Eleutério de Barros Lima; BARRETO, Sandhi Maria; PORDEUS, Isabela Almeida 2008 Rev. Saúde Pública Analisar fatores associados a autopercepção da necessidade de tratamento odontológico entre idosos. Evidenciou que a autopercepção da necessidade de tratamento odontológico entre os idosos é influenciada preponderantemente pela autopercepção negativa de diversos aspectos da saúde bucal Autores Ano de Publicação Revista Objetivo do estudo Resultados apontados MESAS, Arthur Eumann; TRELHA, Celita Salmaso; AZEVEDO, Mauro José de. 2008 Physis, Analisar as condições de saúde bucal de idosos restritos ao domicílio em um bairro da periferia do município de Londrina, no Estado do Paraná. Os idosos restritos ao domicílio apresentam uma condição de saúde bucal precária e equivalente a de idosos institucionalizados, identificando nesses dois grupos características comuns em relação à história de dificuldades de acesso a tratamentos odontológicos conservadores, e à reduzida assistência odontológica preventiva e curativa às faixas etárias mais avançadas nos dias de hoje MARTINS, Andréa Maria Eleutério de Barros Lima et al. 2008 Cad. Saúde Pública, Investigou-se o uso de serviços odontológicos por rotina entre idosos brasileiros participantes do Projeto SB Brasil. Verificou-se uma precária condição de saúde bucal entre os idosos brasileiros dentados e edentados. As condições de saúde bucal dos idosos brasileiros são precárias e ainda hoje o uso dos serviços odontológicos se dá, predominantemente, por dor No quadro 1, observa-se que o maior número de publicações encontra-se no ano de 2008 e a revista com maior publicação no tema é o Caderno de Saúde Pública com 4 publicações, seguida pela Revista Brasileira de Epidemiologia com 3 publicações e igual número de publicações (2) a Revista Physis e a Interface. Verificou-se uma publicação na Revista de Saúde Pública. Estas publicações se encontram em periódicos multidisciplinares. Ressalta-se uma publicação em periódico da área da Enfermagem, a Revista Texto e Contexto. Quanto aos objetos de estudo, várias são as situações levantadas: significados, percepção, determinação da prevalência, fatores associados aos serviços de saúde bucal, perfil e conhecimento, dentre outros. Os principais resultados apontados no quadro 1 mostram que a saúde bucal dos idosos é precária; alta taxa de edentulismo, existência de desigualdades sociais para uso dos serviços odontológicos pelos idosos e necessidade de implementação da política de saúde bucal que contemple o grupo de idosos. 4 DISCUSSÃO Os trabalhos analisados enfocam a necessidade de mais atenção com a saúde bucal dos idosos, quer sejam institucionalizados ou na Estratégia Saúde da Família. Essa também vem sendo uma preocupação do governo brasileiro quando aponta que na última década houve um avanço em relação à prevenção e ao controle da cárie em crianças. Contudo, quando se trata de adolescentes, adultos e idosos este quadro encontra-se entre os piores do mundo. Para mudar esse panorama, o governo federal criou, pela primeira vez, uma política de saúde bucal para a população, afirmando o comprometimento do governo com a redução das desigualdades e com a cons74 trução de uma política de inclusão social, pois, conforme levantamento realizado antes do lançamento dessa política, os dados mostravam que apenas 3,3% dos atendimentos odontológicos feitos no SUS correspondiam a tratamentos especializados. A quase totalidade era de procedimentos mais simples, como extração dentária, restauração, pequenas cirurgias, aplicação de flúor (BRASIL, 2006). Visando atender à população no que concerne à saúde bucal, em 17 de março de 2004, o Ministério da Saúde apresenta a Política Brasil Sorridente, propondo garantir as ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde bucal dos brasileiros, entendendo ser uma política fundamental para a saúde geral e para a qualidade de vida da população. Esta política encontra-se articulada a outras políticas de saúde e demais políticas públicas, de acordo com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). A Política Brasil Sorridente reúne uma série de ações em saúde bucal, voltadas para cidadãos de todas as idades e aqui se destaca o grupo de 60 anos e mais. O trabalho de Mello, Erdmann e Caetano (2008), que trata de investigação realizada em instituições de longa permanência para idosos sobre cuidado à saúde bucal, traz a necessidade de maior inclusão desse grupo populacional, haja vista que para os autores, mesmo com as garantias legais, o aporte de recursos e o aumento dos serviços, a implementação de políticas públicas que incluam o idoso nas ações de saúde bucal é ainda incipiente de tal modo que não há ainda resposta dos poderes públicos que atendam às reais necessidades odontológicas dos idosos, grupo esse que já compõe um quadro de latente insatisfação, embora sem manifestações coletivas dos envolvidos. Entre os trabalhos analisados, os estudos de Gaião, Almeida e Heukelbach (2005), Carneiro et al. (2005) e Reis et al. (2005) também focalizam condições de saúde bucal em idosos institucionalizados, mostrando Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 71-70. elevado valor do CPO-D (média de dentes cariados, perdidos, obturados), evidenciando que essa situação constitui-se em grave problema de saúde bucal entre idosos institucionalizados nos quais é alta a prevalência de edentulismo. Os estudos revelaram a inexistência de ações preventivas, educativas e curativa no transcurso de vida desse grupo que evitassem chegar a essa situação. Resultado semelhante também foi encontrado por Mesas, Trelha e Azevedo (2008) ao buscar as condições de saúde bucal em idosos no domicílio, evidenciando condição de saúde bucal precária e equivalente a de idosos institucionalizados, cujas características são comuns quanto à história de dificuldades de acesso a tratamentos odontológicos conservadores, e à reduzida assistência odontológica preventiva e curativa às faixas etárias mais avançadas nos dias de hoje. Mesas, Andrade e Cabreira (2006), também, ao avaliarem as condições de saúde bucal de idosos de uma comunidade de Londrina no Paraná, encontraram evidências significativas de edentulismo e de precárias condições estruturais e funcionais das próteses em uso, bem como constataram precário estado de saúde geral e das condições de higiene bucal dos idosos investigados. Entretanto, o trabalho realizado por Mello e Erdmann (2007) apresenta uma análise das contradições do cuidar da saúde bucal de idosos institucionalizados, na qual os profissionais reconhecem “o não-fazer” mas têm dificuldades para promover ações transformadoras que resultem em práticas de cuidado dotadas de eficácia. Entre os estudos sobre saúde bucal com idosos institucionalizados destaca-se também o de Saliba et al. (2007) que focalizou o conhecimento em saúde bucal de profissionais cuidadores de idosos, mostrando carência de informações, principalmente em relação aos problemas mais prevalentes que ocorrem na boca, pois mais da metade dos profissionais cuidadores acreditam que a perda dos dentes faz parte do envelhecimento. Outro dado identificado nos estudos diz respeito aos serviços de saúde bucal oferecidos aos idosos como rotina. No Brasil, o aumento da expectativa de vida leva à preocupação por uma política de saúde bucal capaz de oferecer funcionalidade e estética aos idosos, no entanto o uso de serviços odontológicos por idosos ainda é considerado baixo. Assim, é que o estudo de Martins et at. (2008) mostra baixa prevalência de uso dos serviços odontológicos como rotina por idosos brasileiros. Pontuam que essa dificuldade advém de dificuldades de acesso, questões sócio-econômicas, culturais ou mesmo da indisponibilidade desses serviços na zona rural. O estudo de Matos e Lima-Costa (2007) também focaliza os serviços de saúde bucal e os resultados evidenciam que a visita ao dentista em intervalo inferior a um ano por idosos brasileiros aumentou entre 1998 e 2003. Entretanto, apesar do aumento, a taxa de visita ao dentista nesse intervalo permanece sendo muito inferior ao observado em países desenvolvidos. Os autores consideram que, sendo o idoso o grupo populacional que mais cresce no Brasil, tornam-se prementes políticas para a redução dessas desigualdades, garantindo o princípio da equidade no uso de serviços odontológicos por idosos neste país. Assim, entende-se que a inserção da Odontologia no Programa Saúde da Família (PSF) e a implantação do Programa Brasil Sorridente com ações preventivas e de reabilitação bucal, traz um novo olhar e a perspectiva de melhoria da saúde bucal da população idosa brasileira e oferta de serviços odontológicos mais próximos dos idosos. Alguns estudos focalizaram a avaliação da saúde bucal dos idosos a partir da percepção dos sujeitos pesquisados. Assim, o estudo de Martins, Barreto e Pordeus (2008), ao analisar dados do inquérito domiciliar de saúde bucal realizado em 2002/2003 pelo Ministério da Saúde, mostrou que Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 71-76. pouco mais da metade dos idosos percebiam a necessidade de tratamento odontológico. Ainda segundo os autores, as características que influenciam a autopercepção da necessidade de tratamento são as demográficas, de predisposição e de condição de saúde bucal. Já a percepção da necessidade de tratamento foi menor entre aqueles que não obtiveram informações sobre como evitar problemas bucais, sugerindo que o acesso à educação em saúde pode influenciar a autopercepção da condição de saúde. Os autores indicam a necessidade de reforçar a capacidade dos indivíduos de realizarem o autoexame bucal, bem como a identificação precoce dos sinais e sintomas não dolorosos das doenças bucais, assim como de associá–los à necessidade de tratamento odontológico. Resultado semelhante foi evidenciado por Unfer et al. (2006) ao levantar, por meio do discurso do sujeito coletivo, a falta de conhecimento das causas das doenças bucais e as formas de prevenir e controlar suas manifestações, antes que seja necessário intervir mediante procedimentos cirúrgicos, restauradores ou reabilitadores e alertam para o desenvolvimento de iniciativas no campo da educação e prevenção em saúde bucal, enfatizando comportamentos voltados para autoexame, controle de lesões cariosas , gengivo-periodontais, e manutenção das próteses. Igual foco foi dado por Hiramatsu, Franco e Tomita (2006) ao estudar a percepção de idosos nipo-brasileiros cujos resultados mostram escassez de cuidados quanto à saúde bucal, revelando também que ações de promoção e educação devem ser voltadas para esta parcela da população. 5 CONCLUSÃO As análises dos trabalhos levantados evidenciam três focos sobre a saúde bucal dos idosos: mostram como se apresentam em instituições, abrigos e domicílios; como os serviços de saúde bucal são utilizados como rotina pelos idosos e a percepção e conhecimento das condições de saúde bucal a partir dos próprios idosos. Entre os trabalhos, ressalta-se que o maior número de estudos foram realizados com idosos institucionalizados, denotando que ainda é pouco presente na literatura científica nacional estudos sobre as condições de saúde bucal da população de idosos em comunidades de zona urbana e rural a partir da implantação da política de saúde bucal na atenção básica e da inserção da odontologia no Programa Saúde da Família. Os resultados apresentados nos artigos confirmam as precárias condições de saúde bucal em que se encontra a população idosa no Brasil e os autores apontam para a necessidade de estratégias e mudanças de práticas na observância da saúde bucal desse grupo populacional. Assim, por apresentar uma lacuna em estudos sobre as condições de saúde bucal dos idosos, sugere-se o desenvolvimento de novas pesquisas neste campo do conhecimento, principalmente, buscando verificar se a política da saúde bucal na atenção básica trouxe maior inclusão e procura dos idosos pelos serviços odontológicos disponíveis nas unidades de saúde, bem como sobre dados epidemiológicos da saúde bucal dos idosos brasileiros. 75 REFERÊNCIAS BRASIL, Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Básica nº 17. Saúde Bucal. Ministério da Saúde, Brasília, 2006. CARNEIRO, R.M.V. et al . Saúde bucal de idosos institucionalizados, zona leste de São Paulo, Brasil, 1999. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 21, n. 6, dez. 2005 . Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S0102-311X2005000600018&lng=pt&nrm=iso>. acesso em21 set. 2009. doi: 10.1590/S0102-311X2005000600018. CORDEIRO, A. M. et al . Revisão sistemática: uma revisão narrativa. Rev. Col. Bras. 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Professora da Graduação e do Programa de Mestrado da UFPI. [email protected] Este estudo teve como objetivo buscar na literatura nacional artigos publicados, no período de 2004 a 2009, sobre a percepção do usuário a cerca da Estratégia Saúde da Família, verificar como o tema foi explorado, ano de publicação, fonte e foco dos estudos e discutir as conclusões das pesquisas. Tratase de uma revisão narrativa da literatura, realizada no banco de dados Scientific Electronic Library On Line – SCIELO, através dos descritores: saúde da família; percepção e atenção a saúde. Os resultados indicaram que foram publicados 135 artigos sobre a Estratégia Saúde da Família, sendo que nove se enquadraram aos objetivos do estudo. A produção foi em torno de dois artigos a cada ano, exceto em 2006, ano em que não foi registrado publicação. A maioria dos estudos são resultados de pesquisas nas regiões sudeste e nordeste. Oito publicações são de abordagem qualitativa e uma quantitativa. Segundo a área profissional dos autores dos artigos selecionados observaram-se médicos, enfermeiros, cirurgiões dentistas, psicólogos, sociólogos e outros não identificados. Nos trabalhos, evidenciouse que os usuários dos serviços de saúde percebem mudanças quanto à assistência à saúde a partir da implantação do programa. No entanto, os resultados apontam que os mesmos esperam mais especialidades nas equipes e menos encaminhamentos para outros serviços. Percebem a relação equipe-usuário como insatisfatória com necessidade de maior aproximação e interação por parte dos profissionais com a comunidade. Conclui-se que se tem muito a avançar dentro da Estratégia Saúde da Família no sentido de escutar o usuário, estar mais atento ao seu contexto de vida, aproximar-se da população com intervenções extra consultas, de forma sistemática e contínua, mais criativa e em grupo, com estratégias de maior impacto e significado social. Descritores: Saúde da Família, Percepção, Usuário da Saúde. ABSTRACT The study aimed searching in the national literature articles published, in the period 2004 to 2009, about the users perception concerning the Strategy of health Family, verify how the theme was explored by the authors, referent to the year, source and study focus and discuss the research conclusions. It treats of a narrative review of the literature, done in the data bank Scientific Electronic Library On Line – SCIELO, through the descriptors: family health; perception and attention to health. The results indicated that were published 135 articles about the Strategy Family health, being that nine of them fit in the study objectives. In the works, it was showed up the users of health service perceived as for health assistance from the program implanting . Therefore, the results also point out that wait more speciality in the teams and less passing on to other services. It is perceived a relation user as unsatisfactory with necessity of bigger approximation and interaction by the profissionals part with the community. It is concluded that there is much to advance inside the Family Health Strategy in the sense of listening to the user, be more attentive to his life context , approximate of the population with extra interventions consultations, of systematic and contínuous form, more creative in group, with high impact strategies of social meaning. Descriptors: Family health. Perception. Attention to health. Submissão: 19/10/2008 Aprovação: 14/01/2009 Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 77-82. 77 RESUMEN El estudio objetivó buscar en la literatura nacional artículos publicados, en el periodo de 2004 a 2009, sobre la percepción del usuario a cerca de la Estrategia Salud de la Familia, verificar como el tema fue explorado por los autores, referente al año, fuente y foco de los estudios y discutir las conclusiones de las pesquisas. Se trata de una revisión narrativa de la literatura, hecha en el banco de datos Scientific Electronic Library On Line – SCIELO, a través de los descriptores: salud de la familia; percepción y atención a la salud. Los resultados indicaron que fueron publicados 135 artículos sobre la Estrategia Salud de la Familia, siendo que nueve se encuadraran a los objetivos del estudio. En los trabajos, se evidenció que los usuarios de los servicios de salud perciben cambios cuanto a la asistencia a la salud a partir de la implantación del programa. Sin embargo, los resultados también apuntan que esperan más especialidades en los equipos y menos encaminamientos para otros servicios. Perciben la relación equipo-usuario como insatisfatoria con necesidad de mayor aproximación e interación por parte de los profesionales con la comunidad. Se conclui que se tiene mucho a avanzar dentro de la Estrategia Saludd de la Familia en el sentido de escuchar el usuario, estar más atento al su contexto de vida, aproximar-se de la población con intervenciones extra consultas, de forma sistemática y continua, más creativa y en grupo, con estrategias de mayor impacto y significado del social. Descriptores: Salud de la Familia. Percepción. Atención a la Salud. 1 INTRODUÇÃO Desde a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) e baseado em seus princípios, diversos esforços foram desenvolvidos pelo governo federal, estadual e municipal, pela população e os profissionais de saúde para que os preceitos do sistema fossem devidamente respeitados e desenvolvidos. Apesar das controvérsias, propostas sobre as formas de implementação efetiva de políticas intersetoriais que garantam acesso universal, integral e diminuição das desigualdades sociais vêm sendo apresentadas (REIS, 2004). A partir da segunda metade da década de 1970, o Brasil vivenciou uma crise no setor saúde que impulsionou a transformação das práticas das ações de saúde com a proposta de que houvesse cobertura também da população excluída da assistência previdenciária (COTTA et al., 2002). Processo denominado de Movimento da Reforma Sanitária, que envolveu a organização popular e diferentes atores sociais com um mesmo objetivo: reconhecer a saúde como direito social, universalização do acesso e integralidade da atenção. Para a realização dessa proposta seria necessária a construção de bases constitucionais e legais de um sistema de saúde democrático, universal, igualitário e integral. Assim, a determinação da responsabilidade do Estado na provisão dessas ações e princípios foi incorporada ao texto constitucional de 1988. Isto veio permitir a definição da ampliação do curso da população aos serviços de saúde inscritos nos princípios do universalismo para as ações de saúde, a descentralização municipalizante e um novo formato organizativo para os serviços, sob a lógica da integralidade, da regionalização e da hierarquização, com definição de porta de entrada. Além disso, as ações preventivas e curativas passaram a ser responsabilidade dos gestores públicos (VIANA, 2005). Estas ações colocam o Brasil como um país que pauta seus sistemas de saúde em valores de solidariedade e cidadania. No entanto, a aprovação desse modelo que se apresenta hoje passou em seu processo histórico por 78 duas questões complexas: a descentralização político-administrativa e a organização da atenção à saúde. No Brasil, a origem do Programa de Saúde da Família (PSF) remonta a criação do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) em 1991, como parte do processo de reforma do setor da saúde, desde a Constituição, com intenção de aumentar a acessibilidade ao sistema de saúde e incrementar as ações de prevenção e promoção da saúde. Em 1994, o Ministério da Saúde lançou o PSF como política nacional de atenção básica, com caráter organizativo e substitutivo, fazendo frente ao modelo tradicional de assistência primária baseada em profissionais médicos especialistas focais (CONILL, 2000). No Estado do Piauí, a Estratégia Saúde da Família começou a ser implantada em 1997. Em 1999, contava com 40 equipes compostas de médicos, enfermeiros e agentes de saúde, com atendimento de 25% do total de famílias residentes na capital. De acordo com os dados da Secretaria Estadual do Piauí, atualmente, existem 720 equipes do Programa Saúde da Família (PSF) no Estado, distribuídas em 219 municípios do Piauí, cobrindo 72% da população (2.115.528 habitantes), além de 5.933 agentes nos 224 municípios do Estado. O objetivo do programa foi a reestruturação do setor saúde com adoção de nova concepção do processo saúde-doença com novas bases e critérios, diferenciando do modelo tradicional voltado para a doença. Estes pressupostos, tidos como capazes de produzir um impacto positivo na orientação do novo modelo e na superação do anterior, calcado na supervalorização das práticas da medicina curativa, especializada e hospitalar, e que induz ao excesso de procedimentos tecnológicos e medicamentosos e, sobretudo, na fragmentação do cuidado, encontra, em relação aos recursos humanos para o Sistema Único de Saúde (SUS), um outro desafio. Com isso, foi incorporada a prática da vigilância a saúde, com atenção centrada na família, compreendida em sua dimensão física e social em seu território com intervenções que vão além de práticas curativas (BRASIL, 1999). Baseado na Portaria nº 648, de 28 de março de 2006 ficaram definidas as características do processo de trabalho da Saúde da Família, dentre elas a prática do cuidado familiar ampliado, por meio do conhecimento da estrutura e da funcionalidade das famílias, com valorização dos diferentes saberes, com uma abordagem integral e resolutiva, possibilitando a participação da comunidade desde o planejamento até a execução e avaliação das ações, proporcionando a criação de vínculos de confiança com ética, compromisso e respeito. Nesse sentido, reconhece-se que o PSF não é mais um programa e sim Estratégia Saúde da Família (ESF), visto que o termo “programa” aponta para uma atividade com início, desenvolvimento e finalização. Isto representa além da “reorientação do modelo de atenção e uma nova dinâmica da organização dos serviços e ações de saúde”, a mudança para transferência de incentivos financeiros fundo a fundo destinados ao PSF, do fundo Nacional de Saúde para os fundos municipais de saúde. O governo federal vem apostando na Estratégia Saúde da Família com iniciativas como as ações de implantação do Piso de atenção Básica (PAB), a criação de Pólos de Capacitação, Formação e Educação Permanente dos Profissionais das equipes de Saúde da Família, a criação do Departamento de Atenção Básica e a elaboração do Plano Estratégico para o Desenvolvimento da Saúde da Família no Brasil (MARTINI, 2000). A capacidade de propor alianças dentro do próprio sistema de saúde é uma das principais estratégias do Saúde da Família, seja nas ações desenvolvidas com as áreas de saneamento, educação, cultura, transporte, entre outras. Por ser um projeto reestruturante, precisa provocar uma transformação interna e externa do sistema, com vistas à reorganização das ações e Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 77-82. serviços de saúde. Essa mudança implica na ruptura da dicotomia entre as ações de saúde pública e a atenção médica individual, bem como entre as práticas educativas e assistenciais (BRASIL, 2000). Estas discussões sobre a Estratégia Saúde da Família nos fazem perceber um movimento conceitual na trajetória histórica do programa até os dias de hoje em que entendemos a forma de abordagem preventiva de acordo com as concepções do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, não é possível omitir ou dispensar os conceitos e crenças geradas nos usuários sobre o PSF, numa perspectiva de compreensão dos mesmos como participantes desse processo e que possuem neste cenário a possibilidade de exercício de suas autonomias enquanto sujeitos sociais. O desejo de estudar esta temática partiu da compreensão da Estratégia Saúde da Família como uma tentativa de reorganizar a prática de atenção à saúde, não mais compreendendo o indivíduo de forma isolada, mas buscando conhecê-lo em sua dimensão histórico-filosófica e como sujeitos de direito. Tal prática também é entendida como uma maior aproximação entre profissionais de saúde e usuários, com criação de vínculos e de laços de compromisso e co-responsabilidade entre os mesmos, numa relação interativa, de forma que o usuário se perceba como parte desse processo. Significa dizer que a percepção que o usuário constrói a respeito do programa tem relação com sua maior participação e adesão nos processos decisórios do cuidar e agir na promoção e prevenção de sua saúde e da sua comunidade. Diante dessa nova estratégia, surgiram alguns questionamentos como: a percepção dos usuários tem sido objeto de estudo na produção científica atual da área de enfermagem e na estratégia Saúde da Família? Como será que este aspecto é explorado pelos autores? Há uma análise das percepções como subsídios para planejamento da assistência em saúde? Definiram-se então como objetivos buscar na literatura nacional os artigos publicados no período de 2004 a 2009 a respeito da percepção do usuário sobre a Estratégia Saúde da Família; verificar como o tema é explorado pelos autores quanto ao ano, fonte, foco de estudo e discutir as conclusões acerca da percepção do usuário sobre a ESF. É interessante compreender essas concepções e submetê-las a uma análise crítica e fundamentada, uma vez que o próprio programa sustenta em seus documentos oficiais que a participação dos sujeitos é uma evidência das ações do cuidado. Isso significa que, ao apreender e compreender como são elaboradas pelo indivíduo, nos diz como o mesmo participa dos processos decisórios de sua saúde pessoal, de sua família, de sua comunidade e de como é capaz de exercer melhor sua cidadania. As ações dentro do programa devem ser direcionadas de forma a assegurar a eficácia na implantação das políticas públicas do SUS, da promo- ção da saúde e do fortalecimento das ações comunitárias e até das habilidades pessoais dos profissionais, retificando a relação comunidade e equipe técnica, valorizando e acolhendo sua forma de pensar, de forma que o usuário se perceba como parte desse processo. A melhoria da qualidade de vida e saúde e a participação dos usuários nesse processo têm relação entre o que o sujeito pensa e acredita ser a ESF, uma vez que esta se fundamenta na mudança de comportamento e de estilo de vida, os quais para serem alcançados, requerem a compreensão do outro em sua própria perspectiva e significação. 2 METODOLOGIA Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, desenvolvida com base em material já publicado sobre o tema. Este tipo de estudo tem a vantagem de proporcionar ao pesquisador contato com uma variedade de fenômenos mais amplos, além de servir como fundamento para a utilidade de pesquisas futuras sobre o estudo em questão (GIL, 2002). Realizou-se uma revisão dos materiais bibliográficos publicados, a partir das bases de dados SCIELO (Scientific Electronic Library On Line), abrangendo publicações nacionais no período de 2004 a 2009 sobre a percepção do usuário a cerca da Estratégia Saúde da Família, verificando como o tema foi explorado pelos autores, referente ao ano, fonte e foco dos estudos e discutindo as conclusões das pesquisas. Para as consultas foram utilizados os descritores: saúde da família; percepção e atenção à saúde. Ao utilizar estas palavras-chave, encontraramse 135 referencias, mas após análise por meio de leitura seletiva, somente 09 trabalhos se enquadravam nos objetivos do estudo. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES Na base de dados SCIELO foram encontradas, no período de 2004 a 2009, 135 publicações sobre a Estratégia Saúde da Família, no entanto, apenas nove se enquadraram nos objetivos do estudo. A produção foi baseada em torno de dois artigos a cada ano, exceto em 2006 em que não foi registrado publicação. Quanto ao tipo de estudo, 8 (oito) publicações são de abordagem qualitativa e 1(uma) quantitativa. Segundo a área profissional dos autores dos artigos selecionados, observaram-se médicos, enfermeiros, odontólogos, psicólogos, sociólogos e outros não identificados. Na Tabela 1 são apresentadas as regiões de origem dos artigos analisados. Verifica-se que a maioria dos estudos são resultados de pesquisas nas regiões sudeste e nordeste. Tabela 1: Distribuição do número de publicações analisadas, segundo a região de origem. Região Norte Nordeste Centro-oeste Sudeste Sul Total Quantidade 1 3 1 3 1 09 Fonte: Base de Dados Scielo 2009 Na Tabela 2 pode ser observado o ano das publicações, fonte e foco de estudo de cada uma. Verifica-se uma variedade de questões focalizadas dentro da temática como: atuação, utilidade, avaliação, práticas e desemRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 77-82. penho da equipe do PSF. Dentre estes artigos, dois destacam a percepção da mulher e dois especificam a percepção do acesso, da privacidade e da confidencialidade das informações dentro do programa. 79 Tabela 2: Distribuição das publicações analisadas segundo ano, fonte e foco de estudo. Ano Fonte Revista Brasileira em Promoção da Saúde – RBPS, v. 17, n. 4, p. 163-169, 2004. Revista da UFG, v..6, n. especial, dez. 2004. Foco de estudo 2005 Cad. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 13, n. 3, p. 687-704, 2005. Revista Eletrônica de Ciências Sociais, n.9, p.1-15, set. 2005, Avaliação do Programa Desempenho da Equipe 2007 Rev. Bras. Matern. Infant., Recife, v. 7, n.1, p.31-38, jan./mar. 2007. Práticas de Prevenção 2008 Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 24, n. Sup, p. 148-158, 2008. Saúde Soc. São Paulo, v.18, n.1, p.42-49, 2008. Ciência e Saúde Coletiva, v. 13, n. 1, p. 23-34, 2008. Desempenho das Unidades Básicas com e sem Saúde da Família Direito a Privacidade e a Confidencialidade das Informações Avaliação do Programa 2009 Cad. de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 25, n. 5, p. 1054-1062, mai. 2009 Organização da Rede, Cuidado e Práticas. 2004 Atuação da Equipe do PSF Utilidade do Programa Fonte: Base de Dados Scielo, 2009. As principais conclusões emitidas pelos autores dos artigos analisados neste estudo sobre a percepção dos usuários do Programa Saúde da Família (PSF) estão apresentadas na Tabela 3. Tabela 3: Distribuição das publicações analisadas, segundo título e discussões do estudo. Título Percepção do Usuário sobre a Atuação da Equipe de Saúde da Família de um Distrito de Caucaia-Ce. Discussões ...mudanças quanto a assistência à saúde a partir da implantação do PSF. Foi identificada a necessidade de melhoria do acesso ao serviço de saúde e que a escuta do usuário é fundamental ao processo de avaliação e atuação da ESF, pois são capazes de apontar melhorias e desafios. Percepções da População sobre o Programa Saúde da Família em Palmas-TO ...confusão na compreensão entre o modelo de saúde tradicional e o atual com necessidade de mais informações adequadas e suficientes quanto ao funcionamento do PSF e a existência do Conselho da Saúde. É preciso estruturar o serviço de referência e contra-referência para facilitar o acesso e o retorno do usuário ao serviço de atenção básica. Percepção dos Usuários do Programa Saúde da Família: uma experiência local. ...as percepções demonstram existir distanciamento entre a proposta do programa e a atuação das equipes com pouca aproximação com a comunidade e desenvolvimento de atividades apenas no ambiente da unidade básica. Conflito com o propósito da universalidade ao restringir atendimento somente às pessoas das famílias cadastradas. O Programa de Saúde da Família (PSF) sob a ótica dos usuários nas comunidades Santa Clara e Alto do Céu em João Pessoa-PB. ...alheamento na compreensão do significado da estratégia saúde da família. A grande maioria aponta aspectos positivos na assistência, tais como: as visitas domiciliares, atividades desenvolvidas pelos agentes comunitários de saúde e a localização de unidade perto de casa. Verificou-se que a maioria dos profissionais ainda não visualiza os usuários como sujeitos sociais. Percepção das Usuárias sobre as Ações de Prevenção do Câncer do Colo do Útero na Estratégia Saúde da Família em uma Distrital de Saúde do Município e Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil. ... a percepção das práticas de prevenção foram positivas uma vez que a maioria mostrou satisfação com os atendimentos realizados. Notou-se também, que, embora considerem a assistência como acolhedora, percebe-se certo rompimento na criação do vínculo profissional-usuário devido à rotatividade dos estagiários. Percepção dos Usuários e Profissionais de Saúde sobre a Atenção Básica: comparação entre unidades com e sem saúde da família na Região Centro-Oeste do Brasil. ...diferença entre a avaliação dos usuários e a dos profissionais da saúde e as percepções destes são mais positivas. Observou-se que para todas as outras dimensões os dados das unidades com saúde da família são mais favoráveis com exceção da dimensão do acesso. O enfoque familiar e a orientação comunitária estão mais presentes nas equipes de saúde da família. A Percepção do Usuário do Programa saúde da Família sobre a Privacidade e a Confidencialidade de suas Informações. ... os usuários não consideram a entrada do agente comunitário de saúde em suas residências como uma invasão a sua privacidade por ser visto como facilitador do acesso ao serviço de saúde. Acreditam que as informações dadas em sigilo podem ser reveladas pelo ACS. Notou-se a importância das relações de gênero e do cuidado quando da revelação de determinadas condições de saúde. O Programa de Saúde da Família segundo Profissionais de saúde, gestores e usuários. ...verificou-se que os atores envolvidos no PSF têm expectativas diferentes quanto ao programa. Os usuários ainda não compreendem a estrutura do programa e tem pouca participação nas atividades extra-consulta promovidas pela equipe, a qual junto com gestores critica essa atitude por parte dos usuários. Práticas em Saúde no Contexto de Reorientação da Atenção Primária no Estado do Rio de Janeiro, Brasil, na Visão das Usuárias e dos Profissionais de Saúde. ...ocorre ainda pouca interação entre usuária e profissional. O acesso ao serviço e às ações se diferenciou na unidade de saúde da família pela adstrição da clientela e busca ativa, observando-se a inexistência de uma rede estruturada de referência e co-referência. Fonte: Base de Dados Scielo, 2009. 80 Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 77-82. De modo geral, os usuários pesquisados percebem mudanças com a implantação do programa, embora os resultados apontem para seu pouco conhecimento no que diz respeito às estratégias traçadas para sua execução. Nota-se que na dimensão cognitiva de como percebem a Estratégia Saúde da Família, o que conseguimos extrair dos resultados é uma dificuldade em visualizar sua estrutura ou identificar com clareza sua lógica de funcionamento. O programa parece ser, de fato, muito mais identificado a partir da sua materialização em um Posto de Saúde. Essa não compreensão pode ser decorrente tanto da pouca participação social dos usuários na gestão e controle do programa como da falta de iniciativa das equipes em proporcionarem espaços de discussão e interação na comunidade, de forma a estimular o exercício da cidadania ativa por meio do controle social. Para isso, os profissionais da saúde precisam se aproximar da comunidade com atividades extra-consultas, de forma sistemática e contínua, mais criativa e em grupo, com estratégias eficientes para atingir os objetivos de orientação quanto ao funcionamento da estratégia saúde da família, as funções de seus profissionais, direitos e deveres dos usuários, além das atividades de prevenção e promoção da saúde. Para Oliveira (2007), a construção da autonomia dos usuários está contemplada nos princípios e diretrizes do SUS representada pela Estratégia Saúde da Família que tem o potencial de oferecer uma assistência integral, humanizada, com divulgação de informações de seu próprio funcionamento. Os autores Rozani e Silva (2008) ressaltam que as ações da gestão municipal e das equipes precisam estar pautadas num planejamento prévio que preencha as lacunas de comunicação entre profissionais e usuários para efetivação das ações em saúde. Trabalho este que não pode ser construído exclusivamente dentro da equipe, reproduzindo o modelo de “pensar por”. O trabalho de planejamento e construção deve ser decidido com usuários e profissionais. Ao analisar a percepção dos usuários com a de gestores e profissionais da saúde, observa-se que possuem expectativas diferentes quanto ao programa. Estes possuem um discurso inovador, destacam como características marcantes do programa: a educação, a assistência e a promoção da saúde. Por outro lado, os usuários esperam mais especialidades na equipe e menos encaminhamentos para outros serviços. O que demonstra que ainda não está claro para a população o processo de descentralização e hierarquização da rede de serviços. Em relação ao componente organizacional, os usuários percebem como insatisfatória a facilidade de acesso ao profissional e às ações de saúde. Significa que a introdução da saúde da família não implica necessariamente uma melhoria do acesso porque, por um lado, a equipe muitas vezes é composta com um mínimo de profissionais que não suprem a demanda da comunidade que acaba utilizando o programa para outros tratamentos devido a baixa cobertura assistencial das áreas cobertas pelo PSF; por outro, destaca-se a pouca integração e incipiente formação da rede de atenção à saúde como urgência e emergência, hospitais, saúde mental, o que dificulta o sistema de referência e contra-referência (TAVARES, 2009). Esse é o resultado de uma estratégia ainda em construção, além de um problema de gestão, o que provoca na comunidade insegurança quanto aos encaminhamentos (se estes serão atendidos), diminuição da credibilidade e baixa expectativa quanto ao serviço oferecido. Em um dos estudos foi destacada a dimensão relacional como ainda insatisfatória no atributo aproximação e interação por parte dos profissionais da equipe com a comunidade assistida. Isso nos permite entender que existe ainda um distanciamento entre a proposta do programa e a atuação das equipes. Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 77-82. Nesta perspectiva, é preciso redirecionar a organização e distribuição das ações e serviços, estabelecendo como ponto central o estabelecimento de vínculos e a criação de laços de compromisso e de co-responsabilidade entre os profissionais de saúde e a população, esta entendida a partir do ambiente onde vive e de suas relações intra e extra familiares, com necessidade de intervenções de maior impacto e significado social (BRASIL, 1997). De modo geral, a análise dos dados permite entender que se tem muito a avançar no sentido de escutar o usuário, estar mais atento a sua história de vida, ao que podem oferecer e de como podem se organizar para terem mais participação social. Para isso, é preciso que as equipes da Estratégia Saúde da Família “rompa os muros das unidades de saúde e enraíze-se para o meio onde as pessoas vivem, trabalham e se relacionam” (BRASIL, 1997, p.8). A prática dos profissionais da saúde dentro da ESF deve ser baseada no vínculo, no compromisso e a “satisfação do usuário deve ser o objetivo final de todo o serviço, e a busca do alcance desse objetivo deve fazer parte de uma avaliação permanente, na qual os usuários expressem suas expectativas em relação ao serviço e quais têm sido seus resultados” (SANTOS, 1995, p.109). 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Avaliando a produção científica sobre a percepção dos usuários da Estratégia Saúde da Família, verifica-se que as publicações estão mais voltadas para questões como: atuação, utilidade, avaliação, práticas e desempenho da equipe da Estratégia Saúde da Família. Na percepção dos usuários, constata-se ainda que a implantação da proposta de uma nova dinâmica para o serviço de saúde, sua relação com a comunidade e, principalmente, a aplicação cotidiana dos princípios organizativos do SUS vêm se desenvolvendo de forma lenta, algumas vezes, contrastantes com o que seria atributo desejável para a integralidade. Ainda não ocorreu a compreensão do processo de descentralização dos serviços de saúde e nem das contribuições que a Estratégia Saúde da Família pode oferecer quando se utiliza de práticas inovadoras com ações em saúde contextualizadas para que o usuário, a partir de um conceito externo vivenciado em suas relações com a equipe e comunidade, possa elaborar e compreender que não basta ter acesso ao atendimento, mas que este tenha que trazer resolução em relação aos seus problemas concretos e acreditar no potencial transformador do Estratégia Saúde da Família. Espera-se que este estudo seja capaz de contribuir para uma reflexão sobre a necessidade de dar direito de voz ao usuário para que esse possa identificar e reconhecer como estão sendo elaboradas sua compreensão e assimilação do que seja o SUS, de como a Estratégia Saúde da Família se insere nesta política e de seu papel nesse processo. Assim,juntos, equipes e usuários, a partir da co-responsabilidade e dos vínculos estabelecidos, transporão esses entraves que impedem a efetivação de suas ações. 81 REFERÊNCIAS AGUIAR, A.C.S. e MOURA, E.R.F. Percepção do usuário sobre a atuação da equipe de saúde da família de um distrito de Caucaia-Ce. Revista Brasileira em Promoção da Saúde – RBPS, v. 17, n. 4, p. 163-169. 2004. REIS, C.C.L, HORTALE VA. Programa Saúde da Família: supervisão ou “convenção”? Estudo de caso em município de médio porte. Caderno de Saúde Pública. Rio de Janeiro, v. 20, n. 2, p. 492-501, mar.- abr. 2004. ARAUJO, M.F.S. et al. 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[email protected] Este trabalho tem como objetivo realizar uma revisão da literatura, abordando a infecção pelo Papilomavirus humano - HPV e sua associação com o carcinoma cervical uterino, identificar o risco para o desenvolvimento do câncer na mulher infectada pelo HPV e conhecer as formas de prevenção do carcinoma cervical uterino. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica realizada a partir de coleta de informações obtidas em artigos publicados nos bancos de dados LILAC’S E SCIELO, no período de 2003 a 2008, através dos descritores: HPV, carcinoma e colo do útero. Os resultados mostram que o Papilomavirus humano - HPV, tem um papel importante na transformação das células cervicais e desenvolvimento do carcinoma uterino, pois está presente em 99% dos casos e que além da infecção causada pelo HPV, outros fatores contribuem para essa patologia, e dentre elas estão a idade prematura de início da vida sexual, múltiplos parceiros, tabagismo e co-infecção pelo HPV. Concluímos, portanto, que estratégias de prevenção e promoção da saúde desta infecção viral devem ser buscadas no sentido de mudar o comportamento sexual, principalmente em relação às doenças sexualmente transmissíveis. Descritores: HPV. Carcinoma. Colo do útero. ABSTRACT This work aims at realizing a review of the literature, approaching the infection by Human virus Papiloma - HVP and its association with the womb cervical carcinoma, identify the risk to the development of cancer in the woman infected by HVP and know prevention ways of the womb cervical carcinoma. It treats of a bibliographycal research realized from collecting of informaton got in published articles in the data bank LILAC’S AND SCIELO, in the period of 2003 to 2008, through the descriptors: HVP, carcinoma and womb lap. The results showed that the Human Virus Papiloma - HVP, has an important role in the transformation of the cervical cells and development of the womb carcinoma, certainly is present in 99% of the cases and that beyond of the infection caused by HVP, other factors contribute to this pathology, and among them are the premature age of sexual life beginning, multiples partners, tabagism and co-infection by HVP. In conclusion, therefore, prevention strategies and health promotion of this virus infection must be searched in the sense of changing the sexual, behavior specially in relation to the sexual transmissible disease. Descriptors: HPV. Carcinoma. Womb lap. RESUMEN Submissão: 17/08/2008 Aprovação: 20/02/2009 Este trabajo tiene como objetivo realizar una revisión de la literatura, abordando la infección por el Papiloma virus humano - HPV y su asociación con el carcinoma cervical uterino, identificar el riesgo para el desarrollo del cáncer en la mujer infectada por HPV y conocer las formas de prevención del carcinoma cervical uterino. Se trata de una pesquisa bibliográfica realizada a partir de coleta de informaciones obtenidas en artículos publicados en bancos de datos LILAC’S E SCIELO, en el periodo de 2003 a 2008, a través de los descriptores: HPV, carcinoma y collo del útero. Los resultados muestran que el Papiloma virus humano - HPV, tiene un papel importante en la transformación de las células Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 83-88. 83 cervicales y desarrollo del carcinoma uterino, pues está presente en 99% de los casos y que además de la infección causada por el HPV, otros factores contribuyen para esa patología, y entre ellas están la edad prematura del inicio de la vida sexual, múltiplos compañeros, tabagismo y co-infección por el HPV. Concluimos, por lo tanto, que estrategias de prevención y promoción de salud de esta infección viral deben ser buscadas en el sentido de cambiar el comportamiento sexual, principalmente en relación a las enfermedades sexualmente transmisibles. Descriptores: HPV. Carcinoma. Colo del útero 1 INTRODUÇÃO O papilomavírus é um vírus DNA, pertence à família papovoviridae e possui forma icosaédrica não envelopada, com 72 capsômeros; apresenta genoma circular, composto por dupla fita de DNA, com comprimento de 7900 kilobases e massa molecular de 5x 106 dáltons. A classificação do HPV é feita primeiramente pela espécie de hospedeiro natural (humano, bovino, vírus de Shope) e subclassificado em tipos, de acordo com a organização das sequências de nucleotídeos de DNA. Estudos têm sido feitos para a descrição do HPV. Enquanto um novo subtipo de HPV é definido como tendo carga viral com 90 a 98%. Até o momento, mais de 120 tipos de papilomavírus humano foram descritos (QUEIROZ; CANO; ZAIA, 2007). O papilomavirus humano (HPV) é um DNA-vírus do grupo papovavírus. Estão divididos em 2 grupos, de acordo com seu potencial de oncogenicidade. Os tipos de alto risco oncogênico, quando associados a outros co-fatores, Tem relação direta com o desenvolvimento de neoplasias intra-epiteliais e do câncer invasor do colo uterino, da vulva, da vagina e da região anal. (BRASIL, 2006). A relação entre o câncer cervical e infecção por papilomavírus humano (HPV) é bem estabelecida. O DNA do HPV de alto risco é detectado na maioria dos espécimes (92,9% a 99,9%) de câncer cervical invasivo (RAMA et al., 2008). De acordo com Caetano et al. (2006), o carcinoma que acomete o colo uterino é uma das neoplasias mais comuns em mulheres em todo o mundo e, no Brasil, encontra-se como a quarta causa de morte por câncer em mulheres, sendo o tipo mais comum em algumas áreas menos desenvolvidas do país. A infecção pelos tipos virais de alto risco do HPV é condição necessária, porém não suficientemente para desenvolvimento do câncer cervical (RAMA et al. 2008). O prognóstico no câncer de colo uterino depende muito da extensão da doença no momento do diagnóstico, estando sua mortalidade fortemente associada ao diagnóstico tardio em fases avançadas (CAETANO et a., 2006). Relatos mostram que no desenvolvimento do câncer cervical, o HPV é fator determinante. Dentre as principais formas de surgimento para a carcinogênese estão o epitélio de transição cervical, a presença de um ou mais dos 12 a 18 tipos oncogênicos, a persistência da infecção viral e a progressão clonal do epitélio com infecção persistente para pré-câncer e invasão (NADAL; MANZIONE, 2006). No Brasil, o câncer cervical representa o terceiro mais frequente entre mulheres, sendo que mais de 70% dos diagnósticos ocorrem em fase avançada da doença (BRASIL, 2001). Segundo Silva et al. (2006), entre os fatores de risco para o aparecimento do câncer cervical uterino e de suas lesões percussoras estão a infecção cervical por tipos oncogênicos do papilomavírus humano (HPV), a qual tem sido bem estabelecida dentro dos critérios de causalidade. Os métodos diagnósticos das lesões induzidas por HPV são mor84 fológicas e incluem o exame clínico, a colposcopia, a citologia oncológica e a histologia. Já a infecção por HPV propriamente dita inclui os métodos biológicos (RAMA et al. 2006). De acordo com Rama et al. (2006) o papanicolau é um teste de rastreamento que vem sendo empregado a mais ou menos 50 anos, sua introdução reduziu de forma espetacular os índices de mortalidade por câncer cervical. Caetano et al. (2006) define o teste de Papanicolau como capaz de detectar o câncer em fase pré-maligna ou incipiente, quando é curável com medidas relativamente simples. Ainda que seja um exame rápido, sua técnica de realização é vulnerável a erros em sua preparação na lâmina e a incompleta interpretação dos dados. As infecções pelo papilomavírus humano (HPV) são disseminadas e ocorrem em todo o mundo. Os HPVs infectam a pele e as mucosas e podem induzir a formação de tumores benignos e malignos (CASTRO; BUSSOLOTI, 2006). Por isso, o incentivo à prevenção através dos exames é importante, pois quanto mais precoce a infecção for detectada mais fácil obter a cura com tratamento adequado. 1.1 Objetivo Realizar uma revisão da literatura, abordando a infecção pelo Papilomavirus humano e sua associação com o carcinoma cervical uterino. 1.2 Justificativa Considerando as evidências da associação da infecção por HPV com o desenvolvimento do câncer de colo do útero assim como sua ampla distribuição e alta incidência na população humana, percebi a relevância da temática e a necessidade de realizar o presente estudo com o intuito de servir de subsídio para os profissionais da saúde. 2 METODOLOGIA A realização deste trabalho desenvolveu-se através de uma pesquisa bibliográfica, a qual constitui uma excelente técnica para fornecer ao pesquisador a bagagem teórica, de conhecimento, e o treinamento científico que habilitam a produção de trabalhos originais e pertinentes. Segundo Marconi e Lakatos (2001), pesquisa bibliográfica é todo documento de bibliografia já publicada, em livros, revistas, imprensa escrita, cuja finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo aquilo que foi escrito sobre determinado assunto. A pesquisa foi realizada a partir de coleta de informações obtidas em artigos científicos veiculados nacionalmente, pesquisados na base de dados LILAC’S E SCIELO. Estes foram selecionados por data e ano de publicação, entre os anos de 1999 e 2008. A este estudo foi acrescido ainda informações pesquisadas em referências bibliográficas (livros) relacionadas com o tema. Na localização deste trabalho, foi necessário utilizar alguns descritores em ciência da saúde como: HPV, câncer, colo uterino e prevenção. Uma pesquisa tem como objetivo conhecer e explicar os fenômenos que ocorrem no mundo existencial, a mesma sempre parte de um tipo de problema, de uma interrogação, respondendo, assim, às necessidades de conhecimento destes (MARCONI; LAKATOS, 2001). Portanto, tratase de uma pesquisa do tipo descritiva, retrospectiva, onde destacou-se informações gerais a cerca de HPV, bem como conceito, prevenção, tratamento, exame citológico, visando uma melhor apresentação do conteúdo Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 83-88. selecionado. Neste trabalho, foi construído um banco de dados através do levantamento de 20 artigos encontrados a partir dos descritores utilizados no mesmo. Em virtude da natureza da pesquisa, não foi necessária a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa. 3 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS A pesquisa mostra que o vírus do papiloma humano (HPV) tem um papel importante na transformação das células cervicais e desenvolvimento do carcinoma uterino, pois ele está presente em 99% dos casos. E que, além da infecção causada pelo HPV, outros fatores contribuem para essa patologia, dentre elas estão a idade prematura de início da vida sexual, múltiplos parceiros, tabagismo e co-infecção pelo HPV. Estratégias na prevenção e promoção da saúde desta infecção viral devem ser buscadas no sentido de mudar o comportamento sexual, principalmente em relação a doenças sexualmente transmissíveis (WOLSCHICK et al.,2007). Há uma grande necessidade do desenvolvimento de vacinas para o tratamento de infecções já constatadas ou condições pré-malignas. A vacinação terapêutica deve ser utilizada em estágios iniciais da doença, para evitar doença residual após cirurgia ou para controlar lesão intra-epitelial escamosa (WOLSCHICK et al.,2007). Hoje o papel do profissional da saúde, principalmente os atuantes na área de oncologia, não deve se resumir em ajudar a família na convivência com a morte. Cabe a ele dar suporte às pacientes que enfrentam esta doença, pois o tratamento é prolongado e é passível de efeitos adversos. Portanto, deve-se dar atenção à mulher e sua família no conjunto de transformações sociais e pessoais que a doença ocasiona. 3.1 O HPV e seus aspectos epidemiológicos Em 1999, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estimou um total de 340 milhões de casos novos por ano de DST curáveis em todo o mundo, em pessoas entre 15 e 49 anos, 10 a 12 milhões destes casos foram constatados no Brasil. Ainda, segundo a OMS ocorrem anualmente milhões de DST não curáveis, entre elas, o herpes genital (HSV-2), infecções pelo papilomavirus humano (HPV), hepatite B (HBV) e infecção pelo HIV (BRASIL, 2006). O Papilomavírus humano (HPV) faz parte de uma grande família de vírus, os papovaviridae. É formado por um capsídeo que possui 72 capsômeros de estruturas icosaédricas, não possui envelope lipoprotéico em uma única molécula circular dupla de DNA. Eleutério Junior et al. (2007) mostram que o tipo 16 é o que mais acomete todo o mundo e isso independe da gravidade da lesão escamosa e, em geral, os HPV identificados como de alto risco prevalecem em mulheres imunocompetentes em cerca de 20% dos quadros histológicos negativos (CASTRO; BUSSOLOTI, 2006). Os HPVs são encontrados em muitos vertebrados como anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Geralmente, cada tipo de papilomavírus é específico para cada espécie, tipo de epitélio e localização anatômica (QUEIROZ; CANO; ZAIA, 2007). O HPV resulta em 99,7% dos casos de câncer cervical do mundo inteiro, possuindo cerca de 200 tipos de HPV que já foram identificados através da análise de seqüência de DNA, e 85 genótipos do HPV foram bem caracterizados até agora. Os HPVs genitais tendem a infectar o epitélio escamoso e as membranas mucosas da cérvice, da vagina, da vulva, do Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 83-88. pênis e da região perianal, podendo resultar no aparecimento de verrugas anogenitais, lesões intra-epiteliais escamosas pré-cancerosas ou cânceres (WOLSCHICK et al, 2007). O HPV de mucosa apresenta-se em três tipos de riscos, dependendo da lesão à qual está associado: alto, intermediário e baixo. Tipos de alto risco são frequentemente associados ao câncer cervical, enquanto que os tipos de baixo risco são comumente apresentados em verrugas genitais (RIVOIRE et al. 2006). O surgimento do HPV veio como a principal suspeita ao ser encontrada em cerca de 90% dos cânceres cervicais e por possuírem oncogenes (E6 e E7) com potencial de transformação (RIVOIRE et al., 2006). Analisando seu mecanismo oncogênico, notou-se que as proteínas E6 e E7, produzidas pelo HPV de alto risco, são as responsáveis pela transformação maligna por causa de sua habilidade em ligar-se e inativar as proteínas supressoras tumorais p53 e pRb do hospedeiro, respectivamente (FEDRIZZI et al. 2004). Nos últimos 20 anos, de acordo com estudos epidemiológicos das lesões cervicais uterinas, observou-se a participação de agentes carcinogênicos venéreos (sêmen, citomegalovírus, herpes simples tipo II). O HPV surgiu como principal suspeita por ser encontrado em cerca de 90% dos cânceres cervicais (RIVOIRE et al. 2006). São vários tipos de HPV que estão associados ao câncer do colo do útero, porém o HPV 16 e o 18 são os tipos mais comumente associados a lesões malignas do colo. Com isso, a infecção é geralmente crônica, mesmo se apresentando na adolescência, quando o sistema imunológico está francamente ativo (UCHIMURA et al., 2005). 3.2 Modo de transmissão A transmissão do HPV pode ser pelas vias sexual, não-sexual (familiar, nasocomial ou por fômites) ou materno-fetal, podendo ser gestacional, intra e periparto. Destas, a via sexual é a que apresenta maior número de casos. Na via não-sexual, é provável que o HPV possa ser transmitido por toalhas, roupas íntimas, instrumentos ginecológico – quando não esterilizado adequadamente (QUEIROZ; CANO; ZAIA, 2007). A grande maioria das mulheres infectadas pelo HPV são assintomáticas e auto-limitadas e somente 10 a 20% apresentam anormalidades citológicas. Atualmente, a preocupação é ainda maior com a melhoria do diagnóstico da infecção por HPV (WOLSCHICK et al. 2007). Na fase da inoculação (fase 0) o vírus penetra no hospedeiro através de microtraumatismos. Seu genoma é então transportado para o núcleo das células basais onde irá ocorrer tanto a tradução quanto a transcrição. O período de incubação (fase 1) que está relacionado com estado imunológico de cada indivíduo, varia de 2-3 semanas a 8 meses e sua progressão depende de três fatores: do estado imunológico do hospedeiro, do tipo de vírus e da permissividade celular. Na fase 2 (fase precoce) aproximadamente 3 meses após o surgimento das primeiras lesões, ocorre uma resposta imune podendo conter a infecção, onde pode ocorrer a regressão ou então, se a resposta for insuficiente para eliminá-la, pode acontecer a fase de expressão ativa. Já na fase tardia (fase 3) que acontece cerca de 9 meses após o aparecimento das primeiras lesões pode ocorrer a recidiva, expressando doença ativa ou a continuidade da remissão (potencial infectante) (QUEIROZ; CANO; ZAIA, 2007). A infecção pelo HPV não ocorre suficientemente para a carcinogênese. A progressão tumoral do câncer ocorre em pequena porcentagem nos indivíduos infectados e ocorre devido a estímulos por metágenos químicos, físicos e infecciosos. A entrada do vírus nas células basais do epitélio se dá pelo surgimento de três eventos: (1) DNA viral é mantido na forma epissomal, estabelecendo uma infecção latente; (2) conversão da infecção 85 latente em produtiva, a qual associa-se com a montagem de partículas virais completas; (3) o DNA viral integra-se ao genoma da célula hospedeira (WOLSCHICK et al.,2007). Para que ocorra a indução da infecção pelo HPV é necessário trauma no epitélio. Os locais mais comuns para o desenvolvimento da infecção são as áreas sujeitas à abrasão no momento do ato sexual, como o intróito posterior nas mulheres e o prepúcio, nos homens. A infecção pelo HPV no trato genital inferior pode ocorrer: infecção clínica, que pode ser evidenciada a olho nu; nas regiões perianais e genitália externa aparece o condiloma acuminado ou condiloma esofítico. Macroscopicamente, a lesão aparece em forma de cristas, coberta por um epitélio hiper e paraceratótico e localizam-se em áreas úmidas especialmente nas expostas ao atrito sexual; a infecção subclínica é vizualizada através de colposcópico após aplicação de ácido acético a 5% no canal vaginal e no colo uterino, caracterizando-se pela presença de condiloma e infecção latente que é evidenciada somente através de técnicas de biologia molecular. Onde não há forma de lesão, somente o vírus pode ser detectado. A infecção pelo HPV, depois de instalada, pode estacionar, regredir ou progredir e transformar-se, dando origem às displasias e/ou carcinomas (QUEIROZ; CANO; ZAIA, 2007). 3.3 Fatores de risco Os fatores de risco para aquisição de infecção pelo HPV são: idade, onde a maior incidência ocorre entre os vinte e quarenta anos, e que coincide com o pico da atividade sexual no qual existe uma associação entre idade do início da atividade sexual e números de parceiros; tabagismo que diminui significativamente a função e quantidade das células de Langherans, responsáveis pela ativação da imunidade celular local contra HPV, dentre outros fatores como anticoncepcional oral, infecções genitais transmitidas sexualmente ou não, Gardinerella Vaginalis, doenças sexualmente transmissíveis como herpes e clamídia (MARANA; DUARTE; QUINTANA, 1999). A maior incidência de infecção pelo HPV ocorre entre os vinte e quarenta anos de idade e é considerada uma doença sexualmente transmissível, onde fatores como vários parceiros e início precoce da atividade sexual aumentam a probabilidade de infecção. Cerca de 75% da população sexualmente ativa entra em contato com um ou mais tipo de HPV durante sua vida, porém na maioria dessas infecções são eliminados pelo sistema imune e não desenvolvem sintomas no hospedeiro (MARANA; DUARTE; QUINTANA, 1999). O aparecimento do câncer cervical está mais relacionado à infecção pelo HPV e a fatores coexistentes, pois estes favorecem a persistência da infecção, entre os quais: tabagismo, uso de contraceptivos orais, antecedente de múltiplos parceiros sexuais, multiparidade, início precoce das relações sexuais e déficit nutricional e imunológico, além de fatores genéticos (SILVA et al.,2006). 3.4 Diagnóstico e prevenção O diagnóstico da infecção pelo HPV apresenta-se frequentemente durante a gravidez, em mulheres jovens com múltiplos parceiros sexuais, com início da atividade sexual antes dos 18 anos de idade, nas fumantes e usuários de anticoncepcionais hormonais (MURTA et al., 1999). O conhecimento dos mecanismos que envolvem a ampogênese cervical tem sido possível por causa de novas técnicas de biologia molecular. Essas técnicas permitem a identificação de grupos de HPV de alto ou baixo risco ou identificação de tipos virais específicos (RIVOIRE et al. 2006). 86 O Brasil tem hoje um rápido envelhecimento populacional, que se dá em maior escala nas mulheres, que morrem mais por doenças cardiovasculares e neoplasias malignas, onde se destaca o câncer de colo do útero. O exame papanicolau é de extrema importância para diminuição da morbimortalidade feminina por câncer de colo uterino. Este exame é de baixo custo, fácil aplicabilidade, sem nenhum ônus e prejuízo para o paciente (YASSOYAMA, SALOMÃO, VICENTINI, 2005). As lesões oriundas de infecção pelo hpv provocam alterações morfológicas características, que podem ser detectáveis em citologia de raspados cervico-vaginais e biópsias. Dessa forma, são muito importantes os exames rotineiros de detecção precoce de câncer através de esfregaços corados pelo método papanicolau. O exame citológico periódico usado na prevenção do câncer cervical tem sido uma grande estratégia de saúde pública para detectar lesões pré-neoplásicas e neoplásicas, sendo também muito útil na identificação de alterações citomorfológicas relacionadas ao HPV (JORDÃO et al. 2003). O Papanicolau é um exame citopatológico recomendado como método de busca de grandes populações com a finalidade de detectar lesões pré-malignas e maligna. Porém, tal exame apresenta limitações com relação a sensibilidade para a detecção das lesões pré-malignas (WOLSCHICK et al., 2007). 3.5 Tratamento A NIC é considerada lesão precursora do câncer cervical, no entanto muitas lesões podem regredir espontaneamente. Estudos com seguimentos longos mostram que apenas cerca de 11% das NIC 1 progridem para a NIC 2 ou 3 e, dessa forma, existe um dilema: qualquer terapia pode ser considerada exagerada, com estresse desnecessário e custos adicionais, mas deixar um NIC 1 sem tratamento pode predispor a mulher a um risco maior de desenvolver câncer invasor (DERCHAIN; LONGATTO FILHO; SYRJANEN, 2005). A conduta imediata nos casos de diagnóstico de lesão pré-maligna cervical inicia com o resultado citológico atípico. As mulheres com lesões em alto grau devem ser encaminhadas para investigação posterior, devendo sempre ser tratadas (WOLSCHICK et al.,2007). Alguns médicos optam por realizar seguimento cuidadoso com visitas semestrais, incluindo coleta de nova citologia e colposcopia , porém, esta conduta só pode ser considerada quando a citologia apresentar lesão intra-epitelial de baixo grau, a colposcopia satisfatória e a biópsia confirmar NIC 1. Infelizmente, não existe ainda um marcador para identificar a mulher de maior risco para progressão. Desta forma, qualquer tratamento ablativo como cauterização elétrica, a laser ou por crioterapia ou mesmo excisional, como excisão da zona de transformação ou com bisturi a frio é aceitável diante do NIC 1 com colposcopia satisfatória(DERCHAIN; LONGATTO FILHO; SYRJANEN, 2005). Somente uma pequena proporção das lesões leves e moderadas evolui para o câncer invasivo, porém o risco de avanço de uma anormalidade celular cervical severa para o câncer é de pelo menos 12% (WOLSCHICK et al, 2007). O tratamento para o câncer diagnosticado pode ser realizado de diversas formas, tais como: . Métodos cirúrgicos: divide-se em (a) técnicas ablativas como a crioterapia e a vaporização a laser de CO2 que são feitas nas lesões intraepiteliais não-invasivas identificadas apenas microscopicamente, e (b) a técnica excisional, trata-se da conização que é a retirada de cone tecidual incluindo o orifício externo do colo uterino, a junção escamocolunar e a zona de transformação (WOLSCHICK et al.2007). Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 83-88. . Radioterapia: esta utiliza radiação ionizante para ajudar no tratamento do câncer e algumas doenças benignas. Ela atua no DNA das células, impedindo-a de se multiplicar e/ou facilitando sua morte direta por apoptose. Trata-se de um tratamento direto na célula maligna, sendo uma das formas mais utilizadas no tratamento do câncer de colo do útero, associada ou não à cirurgia (FRIGATO; HOGA, 2003). . Vacinas: estão sendo desenvolvidos atualmente dois tipos que são (a) as profiláticas que previnem o hospedeiro de adquirir a infecção pelo HPV e (b) as terapêuticas que vão agir como curativas na regressão de lesões pré-malignas ou do câncer de colo avançado (WOLSCHICK et al.,2007). . Quimioterapia: age tanto nas células normais quanto nas neoplásicas e atinge principalmente as células que possuem uma reprodução mais rápida, como as da medula óssea, da mucosa intestinal e dos folículos pilosos. Possui ação nociva contra as células normais, acarretando muitos efeitos colaterais. É utilizada como tratamento adjuvante à radioterapia por proporcionar sucesso na associação (FRIGATO; HOGA, 2003). A histerectomia foi muito utilizada no passado para o tratamento do carcinoma, mas com o reconhecimento maior da doença e a descoberta de novos métodos mais conservadores tem diminuído o seu emprego a poucas circunstâncias e, principalmente, quando existe patologia uterina associada (WOLSCHICK et al.,2007). Nas lesões de alto grau, histologicamente confirmadas,toda a zona de transformação deve ser retirada. Não é recomendado o tratamento ablativo, pois não permite uma avaliação histilógica. A excisão da zona de transformação é o tratamento de eleição, tanto para o tratamento da NIC 1 ou 3 quanto para detecção de microinvasão ou lesões glandulares. A conização pode ser realizada por bisturi a frio ou a laser e, mais recentemente e amplamente divulgado, por alça diatérmica. A infecção por HPV é frequentemente eliminada após tratamento da NIC 2 ou 3, sendo que a persistência viral é o principal fator associado à recorrência da doença (DERCHAIN; LONGATTO FILHO; SYRJANEN, 2005). 3.6 Relação do HPV com o câncer cervical uterino O papilomavírus humano (HPV) possui um papel estrutural no crescimento e desenvolvimento do câncer cervical, segundo evidências clínicas e experimental. Sabe-se, portanto, que a carcenogênese trata-se de um processo de múltiplas etapas. Mudanças no equilíbrio citogenético acontecem no momento da transformação do epitélio cervical normal em câncer. Vários estudos defendem a hipótese de que a infecção por HPV está associada ao desenvolvimento de alterações malignas e pré-malignas do trato genital inferior (RIVOIRE et al., 2006). A estimativa do Ministério da Saúde, segundo pesquisa elaborada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), para o ano de 1999, foi de 104.200 óbitos e 261.900 casos novos de câncer, onde o câncer de mama ocupa o segundo lugar e o câncer de colo do útero o terceiro lugar em incidência e o quarto em mortalidade. O câncer de colo de útero trata-se de um verdadeiro problema para a saúde pública nos países em desenvolvimento, onde programas organizados de rastreamento não existem ou são esporádicos e de baixa qualidade (CORDEIRO et al. 2005). O Câncer de colo uterino tem uma evolução lenta, representando fases pré- invasivas e, portanto, benignas. Desta forma, o período de evolução de lesão cervical inicial para a forma invasiva ,e portanto maligna, é cerca de 20 anos (BARROS; LOPES, 2007). Vários tipos de HPV estão associados ao câncer do colo do útero, porém o HPV 16 e o 18 são os tipos mais comumente associados a lesões malignas do colo. Com isso, a infecção é geralmente crônica, mesmo se apresentando na adolescência quando o sistema imunológico está francamente ativo (UCHIMURA et al., 2005). 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados do presente estudo mostraram a grande incidência da infecção do vírus HPV em mulheres e sua importante relação com o diagnóstico do carcinoma uterino. Constatou-se que em 99% dos casos desse câncer o HPV se faz presente. A prevenção feita através do exame Papanicolau mostrou-se de grande importância, por ser um exame rápido e de diagnóstico fácil no caso de alterações presentes no colo do útero. E, juntamente com o exame, o fornecimento de orientações de medidas preventivas para identificação dos primeiros sintomas. Os estudos concluíram, ainda, que o câncer de colo uterino relacionado ao papilomavírus humano é uma patologia passível de prevenção e que pode ser efetuada através da erradicação do HPV, detecção e tratamento precoce das lesões precursoras, assim como através da conscientização das mulheres para que elas possam aderir aos programas de controle. REFERÊNCIAS BRASIL, Ministério da Saúde, 2001 São Paulo, v. 72, n. 2, 2006 . Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 11 Mar 2009. __________, Organização Mundial de Saúde, 2006. BARROS, D. O.; LOPES, R. L. M. Mulheres com câncer invasivo do colo uterino: suporte familiar como auxílio. Rev. bras. enferm. , Brasília, v. 60, n. 3, 2007 . Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 18 Out 2009. CAETANO, R. et al . Custo-efetividade no diagnóstico precoce do câncer de colo uterino no Brasil. Physis, Rio de Janeiro, v. 16, n. 1, 2006 . Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 11 Mar 2008. CASTRO, T. P. P. 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REVISTA INTERDISCIPLINAR - NORMAS PARA PUBLICAÇÃO CATEGORIAS DE ARTIGOS A Revista Interdisciplinar publica artigos originais, revisões, relatos de casos, resenhas e página do estudante, nas áreas da saúde, ciências humanas e tecnológicas. Artigos originais: são contribuições destinadas a divulgar resultados de pesquisa original inédita. Digitados (Times New Roman 12) e impressos em folhas de papel A4 (210 X 297 mm), com espaço duplo, margem superior e esquerda de 3,0 cm e inferior e direita de 2,0 cm, perfazendo um total de no mínimo 15 páginas e no máximo 20 páginas para os artigos originais (incluindo em preto e branco as ilustrações, gráficos, tabelas, fotografias etc). As tabelas e figuras devem ser limitadas a 5 no conjunto. Figuras serão aceitas, desde que não repitam dados contidos em tabelas. Recomenda-se que o número de referências bibliográficas seja de, no máximo 20. A estrutura é a convencional, contendo introdução, metodologia, resultados e discussão e conclusões ou considerações finais. Revisões: avaliação crítica sistematizada da literatura ou reflexão sobre determinado assunto, devendo conter conclusões. Os procedimentos adotados e a delimitação do tema devem estar incluídos. Sua extensão limita-se a 15 páginas. Relatos de casos: estudos avaliativos, originais ou notas prévias de pesquisa contendo dados inéditos e relevantes. A apresentação deve acompanhar as mesmas normas exigidas para artigos originais, limitando-se a 5 páginas. Resenhas: resenha crítica de obra, publicada nos últimos dois anos, limitando-se a 2 páginas. Página do Estudante: espaço destinado à divulgação de estudos desenvolvidos por alunos de graduação, com explicitação do orientador em nota de rodapé. Sua apresentação deve acompanhar as mesmas normas exigidas para artigos originais, com extensão limitada a 5 páginas. Todos os manuscritos deverão vir acompanhados de ofício identificando o nome dos autores, titulação, local de trabalho, cargo atual, endereço completo, incluindo o eletrônico e indicação de um dos autores como responsável pela correspondência. O aceite para publicação está condicionado à transferência dos direitos autorais e exclusividade de publicação (ver anexo). Os trabalhos serão avaliados pelo Conselho Editorial e pela Comissão de Publicação. Os trabalhos recusados não serão devolvidos e os autores receberão parecer sobre os motivos da recusa. Todos os conceitos, idéias e pressupostos contidos nas matérias publicadas por este periódico são da inteira responsabilidade de seus autores. Nas pesquisas que envolvem seres humanos, os autores deverão deixar claro se o projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), bem como o processo de obtenção do consentimento livre e esclarecido dos participantes de acordo com a Resolução nº 196 do Conselho Nacional de Saúde de 10 de outubro de 1996. FORMA E PREPARO DO MANUSCRITO A Revista Interdisciplinar recomenda que os trabalhos sigam as orientações das Normas da ABNT para elaborar lista de referências e indicálas junto às citações. Os manuscritos deverão ser encaminhados em três cópias impressas e uma cópia em CD com arquivo elaborado no Editor de Textos MS Word. Página de identificação: título e subtítulo do artigo com máximo de 15 palavras (conciso, porém informativo) nos três idiomas (português, inglês e espanhol); nome do(s) autor(es), máximo 06 (seis) indicando em nota de rodapé o(s) título(s) universitário(s), cargo(s) ocupado(s), nome da Instituição aos quais o trabalho deve ser atribuído, Cidade, Estado e endereço completo incluindo o eletrônico do pesquisador proponente. Resumos e Descritores: o resumo em português, inglês e espanhol, deverá conter de 100 a 200 palavras em espaço simples, com objetivo da pesquisa, metodologia, principais resultados e as conclusões. Deverão ser destacados os novos e mais importantes aspectos do estudo. Abaixo do resumo, incluir 3 a 5 descritores alusivos à temática. Apresentar seqüencialmente os três resumos na primeira página incluindo títulos e descritores nos respectivos idiomas. Ilustrações: as tabelas devem ser numeradas consecutivamente com algarismos arábicos, na ordem em que foram citadas no texto. Os quadros são identificados como tabelas, seguindo uma única numeração em todo o texto. O mesmo deve ser seguido para as figuras (fotografias, desenhos, gráficos, etc). Devem ser numeradas consecutivamente com 89 algarismos arábicos, na ordem em que foram citadas no texto. Notas de Rodapé: deverão ser indicadas em ordem alfabética, iniciadas a cada página e restritas a no máximo 03 notas de rodapé por artigo. Depoimentos: seguir as mesmas regras das citações, porém em itálico. O código que representa cada depoente deve ser apresentado entre parênteses e sem grifo. tanásia In: _____.Distanásia: até quando prolongar a vida? São Paulo: Loyola, 2001. p.67-93. Congressos, simpósios, jornadas, etc. CONGRESSO BRASILEIRO DE EPIDEMIOLOGIA, 5., 1999, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro:ABRASCO, 1999. Trabalhos apresentados em congressos, simpósios, jornadas, etc. Citações no texto: Nas citações, as chamadas pelo sobrenome do autor, pela instituição responsável ou título incluído na sentença devem ser em caixa-alta baixa, e quando estiverem entre parênteses caixa-alta. Ex.: SOUZA, G. T. Valor proteíco da laranja. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE NUTRIÇÃO. 3., 2000, São Paulo. Anais...São Paulo: Associação Brasileira de Nutrição. 2000. p.237-55. Exemplos: Dissertações, Teses e Trabalhos acadêmicos Conforme Frazer (2006), a música sempre foi o ponto central na vida de Madame Antoine “No caso de Madame Antoine, o gosto pela música foi, desde a infância, central em sua vida.” (FRASER, 2006, p.37) As citações diretas, no texto, de até três linhas, devem estar contidas entre aspas duplas. As aspas simples são utilizadas para indicar citação no interior da citação. Ex: “Ele se conservava a estibordo do passadismo, tão longe quanto possível” (CONRAD, 1988, p.77) As citações diretas, no texto, com mais de três linhas, devem ser destacadas com recuo de 4 cm da margem esquerda, espaço simples, com letra menor que a do texto utilizado e sem as aspas. No caso de documentos datilografados, deve-se observar apenas o recuo. Ex: A sete pessoas, Daniel Seleagio e sua mulher Giovanni Durant, Lodwich Durant, Bartolomeu Durant, Daniel Revel e Paulo Reynaud, encheram a boca de cada um com pólvora, a qual, inflamada, fez com que suas cabeças voassem em pedaços (FOX, 2002, p.125) LISTAGEM DAS REFERÊNCIAS - EXEMPLOS Livros como um todo SILVA, A. F. M. Genética humana. 7.ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 2005. 384p. BUENO, M.S.S. O salto na escuridão: pressupostos e desdobramentos das políticas atuais para o ensino médio. 1998 f. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília. Publicações periódicas consideradas no todo (relativo à coleção) CADERNOS DE SAÚDE PÚBLICA. Rio de janeiro: Fiocruz, 1965- . Semestral Artigo de publicações periódicas LIMA, J. Saúde pública: debates. Revista Saúde. Rio de Janeiro, v.18, n.2, p.298-301, nov.1989. Partes de revista, boletim, etc. Inclui volume, fascículo, números especiais e suplementos, entre outros, sem título próprio. Ex: VEJA. São Paulo: Abril, n.2051, 12 mar. 2008. 98p. Artigo de Jornal ALVES, Armando. Minha Teresina não troco jamais. Meio Norte, Teresina , 16 ago. 2006. Caderno 10, p. 16. Legislações - Constituição BRASIL. Código civil. 46. ed. São Paulo: Saraiva, 1995 Capítulo de livro Leis e decretos a. b. 90 Autor do capítulo diferente do responsável pelo livro no todo. ANJOS, M. F. dos. Bioética: abrangência e dinamismo. In: BARCHIFONTAINE, Christian de Paul de; PESSINI; Leo. Bioética: alguns desafios. São Paulo: Loyola, 2001. p.17-34. Único autor para o livro todo – Substitui-se o nome do autor por um travessão de seis toques após o “In.”: PESSINI, L. Fatores que impulsionam o debate sobre a dis- BRASIL., Decreto n.89.271, de 4 de janeiro de 1984. Dispõe sobre documentos e procedimentos para despacho de aeronave em serviço internacional. Lex: Coletânea de Legislação e Jurisprudência. São Paulo, v.48,p.3-4, jan./mar. 1984. Documentos em Meio Eletrônico Artigos de periódicos (revistas, jornais, boletim) SOUZA. A. F. Saúde em primeiro lugar. Saúde em Foco, Campus, V.4 n.33. jun.2000. Disponível em: www.sus.inf.br/ frame-artig.html. Acesso em: 31 jul.2000. XIMENES, Moacir. O que é uma biblioteca pública. Diário do Povo do Piauí, Teresina, 11 mar. 2008. Disponível em: http:// www.biblioteca.htm. Acesso em: 19 mar. 2008. TERMO DE RESPONSABILIDADE Cada autor deve ler e assinar os documentos (1) Declaração de Responsabilidade e (2) Transferência de Direitos Autorais. Primeiro autor: _______________________________________________________________________________________ Título do manuscrito: _ _________________________________________________________________________________ Todas as pessoas relacionadas como autores devem assinar declaração de responsabilidade nos termos abaixo: • Certifico que participei suficientemente do trabalho para tornar pública minha responsabilidade pelo conteúdo; • Certifico que o artigo representa um trabalho original e que não foi publicado ou está sendo considerado para publicação em outra revista, que seja no formato impresso ou no eletrônico; Assinatura do(s) autor(es) Data: ___________________________________________________________________________ TRANSFERÊNCIA DE DIREITOS AUTORAIS Declaro que em caso de aceitação do artigo, concordo que os direitos autorais a ele referentes se tornarão propriedade exclusiva da Revista Interdisciplinar. Assinatura do(s) autor(es) Data: ___________________________________________________________________________ ENVIO DE MANUSCRITOS Os manuscritos devem ser endereçados para a Revista Interdisciplinar, em 3 vias impressas, juntamente com o CD ROM gravado para o seguinte endereço: Revista Interdisciplinar Rua Vitorino Orthiges Fernandez, 6123 Bairro Uruguai Teresina – Piauí - Brasil CEP: 64057-100 Telefone: + 55 (86) 2106-0726 Fax: + 55 (86) 2106-0740 E-mail: [email protected] 91 INTERDISCIPLINARY MAGAZINE - NORMS FOR PUBLICATION ARTICLE CATEGORIES The Interdisciplinary Magazine publishes original articles, reviews, case studies, and also a student’s page, all this in the areas of health, human sciences and technology. Original articles: contributions destined to reveal results of new research. They are typewritten (using New Roman Times, #12) and printed on sheets of A4 sized (210 X 297 mm) paper, double spaced, with an upper left margin of 3.0 cm., and a lower right one of 2.0 cm. The original articles are at least 15 pages long, and at most 20 pages (including black and white illustrations, graphics, charts, photographs etc.) The charts and figures should be limited to five per group. Figures will be accepted, as long as they do not repeat data contained in the tables. It is recommended that the number of bibliographic references be twenty at most. The structure is conventional and is made up of an introduction, methodology, results, discussion and final conclusions. Reviews: systemized critical evaluations of scientific literature or opinions about certain subjects, with conclusions. The procedures adopted and the delimitation of the theme should be included. Its length is limited to fifteen pages. Original case studies: evaluated studies, or brief notes on research containing new and relevant subjects, they should follow the same norms as the original articles and are limited to five pages. The Student Page: dedicated to publishing articles developed by undergraduate students. These articles will have footnotes written by supervising professors. Their presentations follow the same norms as those demanded by the original articles, limited to five pages. All manuscripts will be turned in with an information sheet which will have the names of the authors, their academic backgrounds, employers, current positions, complete addresses and e-mails. One of the authors will take responsibility for any needed correspondence. Once the article is accepted for publication, it is with the condition that the copyright belongs exclusively to the magazine, (see attachment). The papers will be evaluated by the Editorial Council, and the Publishing Commission. The articles that are rejected will not be returned. The authors will receive a written explanation for the refusal. All concepts, ideas, and prejudices contained in the publications are the sole responsibility of its authors. In research involving persons, the authors should clearly state whether or not their project was approved by the Research Ethics Committee (CEP) It is also necessary to show clearly that the participants involved give their total consent, in accordance with resolution number 196 of the National Health Council of October 10, 1996. THE FORM AND PREPARATION OF THE MANUSCRIPT The Interdisciplinary Magazine recommends that the papers follow the orientations of the norms of the ABNT to make a list of references and indicate them together with the quotes. THE MANUSCRIPTS Three copies of the manuscript should be printed, and one put on CD with an archive developed on the MS WORD TEXT EDITOR. The Identification Page: title and subtitle of the article with a maximum of fifteen words, concise, though informative, in three languages (Portuguese, English and Spanish);with the name(s) of the author(s), six maximum, their university status, position(s), the name of the institution the work should be attributed to, city, state, complete address, including the e-mail of the researcher responsible for the group. The Abstracts and Key words: the abstract, written in the three languages mentioned above, should contain one hundred to two hundred words, be single spaced, stating the objective of the research, methodology, along with the main results and conclusions. The newest and most important aspects of the study should be emphasized. Underneath the abstract should be three to five keywords related to the theme. The three abstracts will be presented in sequence on the first page, including titles and keywords in their respective languages. The Illustrations: Charts should be consecutively numbered using algorisms, in the order which they are mentioned in the text, charts use only one set of numerations for the whole text. The same should be done for any images (Photographs, designs, graphics, etc) they are to follow the same rules as mentioned for charts. The Footnotes: should be mentioned in alphabetical order, appe93 aring at the beginning of the page, and be restricted to three footnotes per article. Testimonies: follow the same rules as quotes, but are in italics. The code which each testimony represents should be in parenthesis, and unmarked. Quotes in the text: Examples In the quotes where the last name of the author, or the responsible institution is mentioned, the name should begin with a capital letter, the rest small., but when in parenthesis should be completely in Capital letters.. According to Frazer (2006), music was always a main part of Madame Antoine’s life. “In the case of Madame Antoine, her love of music was, since childhood, a main part of her life” (FRASER, 2006, p.37) Direct quotes of up to three lines in the text, should be between double quotation marks. Singular quotation marks are to be used for quotes within quotes. Ex: “He maintained himself to the starboard of living in the past, as far away as possible.” (CONRAD, 1988, p.77) Direct quotes from the text with more than three lines, should have a left margin of 4 cm, be single spaced, with a smaller sized letter than the text, and without quotation marks, in the case of typed documents, the margin is all that must be done. Ex: Congresses, symposiums, etc. CONGRESSO BRASILEIRO DE EPIDEMIOLOGIA, 5, 1999, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: ABRASCO, 1999. Work presented in congresses, symposiums, etc SOUZA, G. T. Valor proteíco da laranja. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE NUTRIÇÃO. 3., 2000, São Paulo. Anais...São Paulo: Associação Brasileira de Nutrição. 2000. p.237-55. Dissertations, Theses and Academic papers. BUENO, M.S.S. O salto na escuridão: pressupostos e desdobramentos das políticas atuais para o ensino médio. 1998 f. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília. 5 Periodical Publications considered as one. CADERNOS DE SAÚDE PÚBLICA. Rio de janeiro: Fiocruz, 1965- . Semestral Publication of a periodical article LIMA, J. Saúde pública: debates. Revista Saúde. Rio de Janeiro, v.18, n.2, p.298-301, nov.1989. Parts of a magazine, bulletin, etc. Include volume, number, and special editions, without a specific title,.: VEJA. São Paulo: Abril, n.2051, 12 mar. 2008. 98p. The seven people, Daniel Seleagio and his woman Giovanni Durant, Lodwich Durant, Bartolomeu Durant, Daniel Revel and Paulo Reynaud, filled their mouths with gunpowder, which when lit, blew their heads apart. (FOX, 2002, p.125) REFERENCE LISTS - EXAMPLES Articles from Journals ALVES, Armando. Minha Teresina não troco jamais. Meio Norte, Teresina , 16 ago. 2006. Caderno 10, p. 16. Legislations – Constitution Entire Books BRASIL. Código civil. 46. ed. São Paulo: Saraiva, 1995 SILVA, A. F. M. Genética humana. 7. ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 2005. 384p. The Chapter of a Book a. b. 94 The author of the chapter not being the author of the book ANJOS, M. F. dos. Bioética: abrangência e dinamismo. In: BARCHIFONTAINE, Christian de Paul de; PESSINI; Leo. Bioética: alguns desafios. São Paulo: Loyola, 2001. P.17-34. The book having only one author – substitute the name of the author with an underline of six spaces after the word IN: PESSINI, L. Fatores que impulsionam o debate sobre a distanásia In: _____.Distanásia: até quando prolongar a vida? São Paulo: Loyola, 2001.p.67-93. Laws and Decrees BRASIL, Decreto n.89.271, de 4 de janeiro de 1984. Dispõe sobre documentos e procedimentos para despacho de aeronave em serviço internacional. Lex: Coletânea de Legislação e Jurisprudência. São Paulo, v.48,p.3-4, Jan./mar. 1984. Documents in the Electronic Medium. Articles in periodicals (magazines, journals) SOUZA. A. F. Saúde em primeiro lugar. Saúde em Foco, Campus, V.4 n.33. jun.2000. Disponível em: HYPERLINK “http:// www.sus.inf.br/frame-artig.html” www.sus.inf.br/frame- artig.html. Acesso em: 31 jul.2000. XIMENES, Moacir. O que é uma biblioteca pública. Diário do Povo do Piauí, Teresina, 11 mar. 2008. Disponivel em http www.biblioteca.htm. Accesso em 19. mar. 2008. TERMS OF RELEASE Each author should read and sign the documents (1) Declaration of Responsibility and) Transference of Copyright First author: _________________________________________________________________________________________ Title of the manuscript: _________________________________________________________________________________ All the people involved in the project with the authors should sign and swear to the release form below. • I certify that I participated sufficiently enough in this research to sign a term of release making the content of my work public. • I certify that the article is an original paper and was not, nor is being considered to be published in any form, printed or electronic Signature of the author(s) Date: ___________________________________________________________________________ TRANSFER OF COPYRIGHT: I declare, in the case of my article being accepted, to agree to the copyright being signed over exclusively to the magazine, Revista Interdisciplinary. Signature of the author (s) Date: SHIPPING OF MANUSCRIPTS Three printed copies of the manuscripts should be sent to Revista Interdisciplinary, together with a copy on CD to the following address: Rua Vitorino Orthiges Fernandez, 6123 Bairro Uruguai Teresina – Piauí - Brasil CEP: 64057-100 Telefone: + 55 (86) 2106-0726 Fax: + 55 (86) 2106-0740 E-mail: [email protected] 95 REVISTA INTERDISCIPLINAR - NORMAS PARA PUBLICACIÓN CATEGORIAS DE ARTICULOS de los derechos autorales y exclusividad de la publicación (ver anexo). La Revista Interdisciplinar publica articulos originales, revisiones, relatos de casos, reseñas y página del estudiante, en las áreas de la salud, ciencias humanas y tecnológicas. Los trabajos serán evaluados por el Consejo Editorial y por la Comisión de Publicación. Los trabajos recusados no serán devueltos y los autores receberán parecer sobre los motivos de la recusa. Articulos originales: son contribuciones destinadas a divulgar resultados de investigación original inédita. Digitados (Times New Roman 12) e impresos en hojas de papel A4 (210 X 297 mm), con espacio duplo, margen superior y izquierda de 3,0cm e inferior y derecha de 2,0 cm, haciendo un total mínimo de 15 páginas y máximo de 20 páginas para los articulos originales (incluyendo en negro y blanco las ilustraciones, gráficos, tablas, fotografias etc). Las tablas y figuras deben ser limitadas a 5 en el conjunto. Figuras serán aceptas, desde que no repitan datos contidos en tablas. Se recomenda que el número de referencias bibliográficas sea el máximo 20. La estructura es la convencional, conteniedo introdución, metodología, resultados y discusión y conclusiones o consideraciones finales. Todos los conceptos, ideas y presupuestos contidos en las materias publicadas por este periódico son de intera responsabilidad de sus autores. Revisiones: evaluación crítica sistematizada de la literatura o reflexión sobre determinado asunto, debendo contener conclusiones. Los procedimientos adoptados y la delimitación del tema deben estar inclusos. Su extensión se limita a 15 páginas. Relatos de casos: estudios evaluativos, originales o notas prévias de pesquisa conteniedo datos inéditos y relevantes. La presentación debe acompañar las mismas normas exigidas para articulos originales, limitandose a 5 páginas. Reseñas: reseña crítica de la obra, publicada en los últimos dos años, limitandose a 2 páginas. Página del Estudiante: espacio destinado a la divulgación de estudios desarrollados por alumnos de la graduación, con explicitación del orientador en nota de rodapie. Su presentación debe acompañar las mismas normas exigidas para articulos originales, con extensión limitada a 5 páginas. Todos los manuscritos deverán venir acompañados de ofício identificando el nombre de los autores, titulación, lugar de trabajo, cargo atual, dirección completa, incluyendo el eletrónico e indicación de uno de los autores como responsable por la correspondencia. La aceptación para publicación está condicionado a la transferencia En las pesquisas que envolucran seres humanos, los autores deberán dejar claro se el proyecto fue aprovado por el Comité de Ética en Pesquisa (CEP), así como el proceso de obtención del consentimiento libre y aclarado de los participantes de acuerdo con la Resolución nº 196 del Consejo Nacional de Salud de 10 de octubre de 1996. FORMA Y PREPARO DEL MANUSCRITO La Revista Interdisciplinar recomenda que los trabajos sigan las orientaciones de las Normas de la ABNT para elaborar lista de referencias e indicarlas junto a las citaciones. Los manuscritos deverán ser encamiñados en tres copias impresas y una copia en CD con arquivo elaborado en el Editor de Textos MS Word. Página de identificación: título y subtítulo del articulo con máximo de 15 palabras (conciso, pero informativo) en tres idiomas (portugués, inglés y español); nombre de lo(s) autor(es), máximo 06 (seis) indicando en nota de rodapié lo(s) título(s) universitario(s), cargo(s) ocupado(s), nombre de la Institución a los cuales el trabajo debe ser atribuído, Ciudad, Estado y dirección completos incluyendo el eletrónico del pesquisador proponiente. Resumenes y Descriptores: el resumen en portugués, inglés y español, deberá contener de 100 a 200 palabras en espacio simples, con objetivo de la pesquisa, metodología, principales resultados y las conclusiones. Deverán ser destacados los nuevos y más importantes aspectos del estudio. Abajo del resumen, incluir 3 a 5 descriptores alusivos a la temática. Presentar secuencialmente los tres resumenes en la primera página incluyendo títulos y descriptores en los respectivos idiomas. Ilustraciones: las tablas deben ser numeradas consecutivamente con algarismos arábicos, en el orden en que fueron citadas en el texto. Los cuadros son identificados como tablas, siguiendo una única numeración 97 en todo el texto. El mismo debe ser seguido para las figuras (fotografias, dibujos, gráficos, etc). Deben ser numeradas consecutivamente con algarismos arábicos, en el orden en que fueron citadas en el texto. Notas de Rodapie: deverán ser indicadas en ordem alfabética, iniciadas a cada página y restrictas al máximo de 03 notas de rodapie por artículo. Testimonios: seguir las mismas reglas de las citaciones, pero en itálico. El código que representa cada depoente debe ser presentado entre parentesis y sin grifo. b. Único autor para todo el libro – Se sustituye el nombre del autor por una raya de seis toques después del “In.”: PESSINI, L. Fatores que impulsionan el debate sobre la distanásia In: _____.Distanásia: ¿hasta cuando prolongar la vida? São Paulo: Loyola, 2001. p.67-93. Congresos, simposios, jornadas, etc. CONGRESO BRASILIERO DE EPIDEMIOLOGÍA, 5., 1999, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro:ABRASCO, 1999. Trabajos presentados en congresos, simposios, jornadas, etc. Citaciones en el texto: En las citaciones, las llamadas por el sobrenombre del autor, por la institución responsable o título incluso en la sentencia deven ser en caja-alta baja, y cuando estea entre parentesis cajaalta. Ex.: Ejemplos: Conforme Frazer (2006), la música siempre fue el punto central en la vida de Madame Antoine “En el caso de Madame Antoine, el gusto por la música fue, desde la infancia, central en su vida.” (FRASER, 2006, p.37) Las citaciones directas, en el texto, de hasta tres líneas, deben estar contenidas entre aspas duplas. Las aspas simples son utilizadas para indicar citación en el interior de la citación. Ex: “Él se conserbaba a estibordo del pasadismo, tan lejos cuanto posíble” (CONRAD, 1988, p.77) Las citaciones directas, en el texto, con más de tres línas, deben ser destacadas con recuo de 4 cm de la margen izquierda, espacio simples, con letra menor que la del texto utilizado y sin las aspas. En el caso de documentos datilografados, se debe observar sólo el recuo. Ex: Las siete personas, Daniel Seleagio y su mujer Giovanni Durant, Lodwich Durant, Bartolomeu Durant, Daniel Revel y Paulo Reynaud, rellenaron la boca de cada un con pólvora, la cual, inflamada, hizo con que sus cabezas volasen en pedazos (FOX, 2002, p.125). Listagen de las Referências - Ejemplos Libros como todo SILVA, A. F. M. Genética humana. 7.ed. Rio de Janeiro: Libros Técnicos y Científicos, 2005. 384p. SOUZA, G. T. Valor proteíco de la naranja. In: CONGRESSO BRASILIERO DE NUTRICIÓN. 3., 2000, São Paulo. Anais...São Paulo: Asociación Brasiliera de Nutrición. 2000. p.237-55. Disertaciones, Tesis y Trabajos académicos BUENO, M.S.S. El salto en la oscuridad: presupuestos y desdobramientos de las políticas atuales para la enseñanza media. 1998 f. Tesis (Doctorado en Educación) – Facultad de Filosofia y Ciencias, Universidad Estatal Paulista, Marília. Publicaciones periódicas consideradas en el todo (relativo a la colección) CUADERNOS DE SALUD PÚBLICA. Rio de janeiro: Fiocruz, 1965-. Semestral Articulos de publicaciones periódicas LIMA, J. Salud pública: debates. Revista Salud. Rio de Janeiro, v.18, n.2, p.298-301, nov.1989. Partes de la revista, boletín, etc. Incluye volumen, fascículo, números especiales y suplementos, entre otros, sin título próprio. Ex: VEJA. São Paulo: Abril, n.2051, 12 mar. 2008. 98p. Artículo de Periodico ALVES, Armando. Mi Teresina no cambio jamás. Meio Norte, Teresina , 16 ago. 2006. Cuaderno 10, p. 16. Legislaciones - Constitución BRASIL. Código civil. 46. ed. São Paulo: Saraiva, 1995 Capítulo de libro Leyes y decretos a. 98 Autor del capítulo diferente del responsable por todo el libro. ANJOS, M. F. dos. Bioética: abrangencia y dinamismo. In: BARCHIFONTAINE, Christian de Paul de; PESSINI; Leo. Bioética: algunos desafios. São Paulo: Loyola, 2001. p.17-34. BRASIL. Decreto n.89.271, de 4 de enero de 1984. Dispõe sobre documentos y procedimientos para despacho de aeronave en servicio internacional. Lex: Coletanea de Legislación y Jurisprudencia. São Paulo, v.48,p.3-4, ener./mar. 1984. Documentos en Meio Eletrónico Artículos de periódicos (revistas, periodicos, boletín) SOUZA. A. F. Salud en primero lugar. Saúde em Foco, Campus, V.4 n.33. Jun.2000. Disponible en: www.sus.inf.br/frameartig.html. Aceso en: 31 jul.2000. XIMENES, Moacir. Qué es una biblioteca pública. Diário do Povo do Piauí, Teresina, 11 mar. 2008. Disponible en: http:// www.biblioteca.htm. Aceso en: 19 mar. 2008. Termo de Responsabilidad Cada autor debe leer y asinar los documentos (1) Declaración de Responsabilidad y (2) Transferencia de Derechos Autorales. Primer autor: _ _______________________________________________________________________________________ Título del manuscrito: __________________________________________________________________________________ Todas las personas relacionadas como autores deben asinar declaración de responsabilidad en los termos abajo: • Certifico que participé suficientemente del trabajo para tornar pública mi responsabilidad por el contenido; • Certifico que el artículo representa un trabajo original y que no fue publicado o está siendo considerado para publicación en otra revista, que sea en el formato impreso o en el eletrónico; Asinatura de lo(s) autor(es) Fecha: _________________________________________________________________________ Transferencia de Derechos Autorales Declaro que en caso de aceptación del artículo, concordo que los derechos autorales a él referentes se tornaron propiedad exclusiva de la Revista Interdisciplinar. Asinatura do(s) autor(es) Fecha: _ _________________________________________________________________________ Envio de manuscritos Los manuscritos deben ser direccionados para la Revista Interdisciplinar, en 3 vias impresas, juntamente con el CD ROM gravado para la siguiente dirección: Revista Interdisciplinar Rua Vitorino Orthiges Fernandez, 6123 Bairro Uruguai Teresina – Piauí - Brasil CEP: 64057-100 Telefone: + 55 (86) 2106-0726 Fax: + 55 (86) 2106-0740 E-mail: [email protected] 99 REVISTA INTERDISCIPLINAR FORMULÁRIO DE ASSINATURA Caro leitor: Para ser assinante da Revista Interdisciplinar, destaque esta folha, preencha-a e envie por correio ou fax, anexando cópia do depósito bancário. NOME: _____________________________________________________________________________________________ ENDEREÇO: _ ________________________________________________________________________________________ BAIRRO: ____________________________________________________________________________________________ CEP: _ ______________ CIDADE: ____________________________________________________________ UF:_ _________ PROFISSÃO: _________________________________________________________________________________________ FONE: _ _____________________________________________FAX:_ ___________________________________________ E-MAIL: ____________________________________________________________________________________________ TIPO DE ASSINATURA DESEJADA Tipo de Assinatura (anual) Valor Profissional R$ 100,00 Estudante R$ 50,00 Institucional R$ 200,00 NÚMERO AVULSO ________________________________________________________________R$ 35,00 Número avulso desejado – Volume _ ___________________________________ Número _ ____________________________ INSTRUÇÕES DE PAGAMENTO O valor referente à assinatura ou número avulso deverá ser depositado em favor de: Faculdade NOVAFAPI Banco do Brasil S/A Conta Corrente: 8000-4 Agência: 3178-X Teresina – Piauí ENDEREÇO PARA ENVIO DO COMPROVANTE Endereço/Mail adress//Dirección: Rua Vitorino Orthiges Fernandes, 6123 • Bairro Uruguai • 64057-100 • Teresina - Piauí - Brasil Web site: www.novafapi.com.br • E-mail: [email protected] FONE: 86 2106.0726 • FAX: 86 2106.0740 101