REVISTA INTERDISCIPLINAR
A Revista Interdisciplinar, criada em outubro de 2008, órgão oficial de divulgação da Faculdade NOVAFAPI, com periodicidade trimestral, tem a finalidade de
divulgar a produção científica das diferentes áreas do saber que seja de interesse das áreas da saúde, ciências humanas e tecnológicas.
The Interdisciplinary Journal, founded in October of 2008, is the official publishing organ for NOVAFAPI School with publication every three months and has
the objective of making public the scientific production in different areas of knowledge that are of interest to health areas, human sciences and technology.
La revista interdisciplinar, creada en Octubre de 2008, órgano oficial de divulgación de la Facultad NOVAFAPI, con periodicidad trimestral, tiene la finalidad
de propagar la producción científica de las diferentes áreas del saber que sea de interés de las áreas de la salud, ciencias humanas y tecnológicas.
COMISSÃO DE PUBLICAÇÃO
PUBLISHING COMMITTEE/COMISIÓN DE PUBLICACIÓN
Diretora/Head/Directora
Cristina Maria Miranda de Sousa
Editor Científico/Scientific Editor/Redactor Científico
Maria Eliete Batista Moura
[email protected]
Editor Associado/Associate Editor/Redactor Asociado
Benevina Maria Vilar Teixeira Nunes
Membros/Members/Miembros
Ana Maria Ribeiro dos Santos
CONSELHO EDITORIAL
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Faculdade NOVAFAPI
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Faculdade NOVAFAPI
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Faculdade NOVAFAPI
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Faculdade NOVAFAPI
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Faculdade NOVAFAPI
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Faculdade NOVAFAPI
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Faculdade NOVAFAPI
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Faculdade NOVAFAPI
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Faculdade NOVAFAPI
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Faculdade NOVAFAPI
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Bibliotecário/Librarian/Bibliotecario:
Secretária/Secretary/Secretaria:
Capa/Cover/Capa:
Editoração/Lay-out/Diagramación:
Tiragem/Number of Issues/Tiraja:
Projeto/Project/Projecto:
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Faculdade NOVAFAPI
Maurício Mendes Boavista de Castro
Faculdade NOVAFAPI
Mitra Mobin
Faculdade NOVAFAPI
José Nazareno Pearce de Oliveira Brito
Faculdade NOVAFAPI
Norma Sueli Marques da Costa Alberto
Faculdade NOVAFAPI
Paulo Henrique da Costa Pinheiro
Faculdade NOVAFAPI
Telma Maria Evangelista de Araújo
Faculdade NOVAFAPI/UFPI
Yúla Pires da Silveira Fontenele de Meneses
Faculdade NOVAFAPI
Francisco Renato Sampaio da Silva
Gelsemânia Barros Martins Carvalho
Time Propaganda
Time Propaganda
500 exemplares
Faculdade NOVAFAPI
Revisão dos Resumos/Abstract Review/Revisión de Resumen
Inglês/English/Inglês:
Espanhol/Spanish/Español:
Bibliotecário/Librarian/Bibliotecario:
Harold Marwell de Oliveira
Ellyda Fernanda de Sousa Oliveira
Francisco Renato Sampaio da Silva
R454 Revista Interdisciplinar [publicação da]
Faculdade NOVAFAPI. Coordenação de Pesquisa e Pós-Graduação
v.2, n. 2, 2009.
Teresina: Faculdade NOVAFAPI, 2009
Trimestral
ISSN 1983-9413
Saúde
Ciências Humanas
Tecnologia
CDD 613.06
Endereço/Mail adress/Dirección: Rua Vitorino Orthiges Fernandes, 6123 • Bairro Uruguai • 64057-100 • Teresina • Piauí • Brasil
Web site: www.novafapi.com.br • E-mail: [email protected]
SUMÁRIO / CONTENTS / SUMARIO
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI • Teresina-PI
ISSN 1983-9413
v. 2, n. 2, 2009.
EDITORIAL / PUBLISHING / EDITORIAL
A produção do conhecimento sobre a Estratégia Saúde da Família...............................................................................................05
La producción del conocimiento sobre la Estratégia Salud de la Familia (06)
The production of the knowledge about the Family Health Strategy (07)
Maria de Jesus Lima Almeida
PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN
Avaliação do estilo de vida de adultos jovens universitários de uma instituição de ensino superior de Teresina – Piauí.......09
Evaluation of universitarians young adults life style of a high teaching instituition in Teresina – Piauí
Evaluación del estilo de vida de adultos jóvenes universitarios de una institución de nseñanza superior de Teresina – Piauí
Luana Gabrielle de França Ferreira, Éric da Silva
A visão dos usuários sobre o atendimento prestado pelos profissionais da estratégia saúde da família.................................16
The view of health usuers about the consultation serviced by the profissionals of family health strategy
La visión de los usuarios de salud sobre el atendimiento prestado por profesionales de la estratégia salud de la familia
Francisca Cecília Viana Rocha, Érica Mara do Rêgo Nolêto, Louziany Brito da Silva, Luciana Pinto de Sousa Silveira, Maria do Rosário de Fátima Batista Franco, Fernando José Guedes da Silva Junior
Abordagem sobre alimentação saudável na estratégia saúde da família.....................................................................................21
Approach about Health feeding in Family Health Strategy
Abordaje sobre alimentación saludable en la Estrategia Salud de la Familia
Janaina Vieira Siqueira Santos, Raul Alfonsyn de Moura Rodrigues, Maria Edna Rodrigues de Lima
Grau de satisfação de funcionários de uma unidade de alimentação e nutrição em um hospital público estadual
de Teresina-Pi........................................................................................................................................................................................28
Satisfaction degree of employees of a Nutrition and feeding Unit in a state public hospital in Teresina-PI.
Grado de satisfacción de funcionarios de una Unidad de Alimentación y Nutrición en un Hospital Público Estatal de Teresina-PI.
Mercia Maria da Silva Guede, Marinalva da Silva Moura, Clélia de Moura Fé Campos
Situação vacinal no primeiro ano de vida numa unidade básica de saúde de Teresina-PI..........................................................34
Children vaccinal situation in the first year of life serviced in a health basic unit in Teresina-PI
Situación de vacuna de niños en el primero año de vidas atendidas en una Unidad Básica de Salud de Teresina-PI
Jesuína Maria Muniz Damasceno Holanda, Ivanilda Sepúlveda Gomes, Márcia Teles de Oliveira Gouveia
A inclusão do nutricionista na equipe da estratégia saúde da familia...........................................................................................41
The inclusion of the nutricionist inclusion i n the team of family health stratégy
La inclusión de la inclusión del nutricionista en el equipo de la estrategia salud de la familia
Sulândia Maria de Sousa Melo, Theonas Gomes Pereira
Análise do teor de cloro ativo em soluções de hipoclorito de sódio comercializadas em lojas de materiais odontológicos de
Teresina-PI.............................................................................................................................................................................................47
Analysis of the chlorine content active in solutions of sodium hypochloret commercialized in dentistry material stores in Teresina-PI
Análisis del teor de cloro activo en soluciones de hipoclorito de sódio comercializadas en tiendas de materiales odontológicos de Teresina-PI
Gisele Torres Feitosa, Carlos Alberto Monteiro Falcão
3
SUMÁRIO / CONTENTS / SUMARIO
REFLEXÃO / REFLECTION / REFLECIONE
A paternidade socioafetiva: aspectos psicológicos e a consolidação no âmbito jurídico ..........................................................52
The socioaffetive paternity: psycolgical aspects and the consolidation in the juridic scope.
La paternidad socioafetiva: aspectos psicológicos y la consolidación en el ámbito jurídico
Suênya Marley Mourão Batista, Eduardo Diniz
REVISÃO / REVIEW PAPER / REVISIÓN
A produção científica sobre biossegurança na área da saúde com enfoque na odontologia.....................................................58
The scientific production about biosecurity in the health area with approach in dentistry
La produción científica sobre bioseguridad en el área de la salud con enfoque en odontología
Luana Kelle Batista Moura, Francisca Tereza Coelho Matos
Prevenção e controle da infecção hospitalar: uma revisão da literatura.......................................................................................65
Prevention and control of hospital infection: a literature review.
Prevención y control de la infección hospitalar: una revisión de la literatura.
Danicler Tavares Cruz, Maria Eliete Batista Moura
Saúde bucal do idoso: uma revisão da literatura..............................................................................................................................71
Elderly buco health: a literature review
Salud bucal del anciano: una revisión de la literatura
Thiago Alberto de Souza Monteiro, Claudete Ferreira de Souza Monteiro
Percepção do usuário sobre a estratégia saúde da família: uma revisão da literatura................................................................77
Users perception about the strategy of family health: a literature review
Percepción del usuario sobre la estrategia salud de la família: una revisión de la literatura
Hévila Marques da Silva Mota, Maria Eliete Batista Moura
Papilomavírus humano - HPV associado ao câncer cervical uterino: uma revisão da literatura.................................................83
Human virus papiloma - HVP associated to cervical womb cancer: a literature review.
Papilomavirus humano - HPV asociado al cáncer cervical uterino: una revisión de la literatura
Adriana de Medeiros Santos, Maria Eliete Batista Moura
NORMAS PARA PUBLICAÇÃO...............................................................................................................................................................89
PUBLISHING NORMS.............................................................................................................................................................................93
NORMAS PARA PUBLICACIÓN.............................................................................................................................................................97
FICHA DE ASSINATURA.......................................................................................................................................................................101
4
EDITORIAL / PUBLISHING / EDITORIAL
A produção do conhecimento sobre a Estratégia Saúde da Família
Maria de Jesus Lima Almeida
Coordenadora do Curso de Especialização em Saúde da
Família - NOVAFAPI
A Estratégia Saúde da Família (ESF) foi desenvolvida pelo Ministério da Saúde, há mais de dez
anos, com o objetivo de implementar a Atenção Básica de Saúde nos municípios, por meio da disseminação de novas práticas de promoção da qualidade de vida, ajustadas às condições da população.
Atualmente, é considerada como estratégia prioritária de reorganização da Atenção Básica no Brasil,
reafirmando os princípios básicos do Sistema Único de Saúde (SUS): universalização, equidade, descentralização, integralidade e participação da comunidade, mediante o cadastramento e a vinculação
dos usuários.
Assim, para atender a família, integralmente, em seu espaço social, a ESF requer uma nova
postura profissional, exigindo um alinhamento do processo de formação dos profissionais de saúde.
A partir da compreenção desse novo paradigma, a Faculdade NOVAFAPI criou, desde o ano de 2006,
os Cursos de Especialização em Saúde da Familia, contribuindo com a formação de aproximadamente 250 profissionais da área da saúde, e tornando-os aptos a trabalharem nessa perspectiva de saúde.
A ESF tem sido também objeto de atenção dos pesquisadores da área de saúde no Brasil,
visualizando-se uma considerável produção de conhecimento por pesquisadores brasileiros, em permanente desenvolvimento.
Essa edição da Revista Interdisciplinar foi idealizada para divulgar os trabalhos de pesquisa
desenvolvidos por pesquisadores sobre a saúde da familia. Os estudos publicados mencionam, sobretudo, a percepção do usuário sobre a mudança do cuidado a partir da implantação da ESF, bem
como a educação em saúde como elemento central da prevenção e promoção da saúde em todas
as faixas etárias.
Com essa proposta, a Revista Interdisciplinar contrubui com o avanço do conhecimento nessa área, sendo o tema central desta edição de especial interesse para todos os profissionais comprometidos com a saúde pública.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 5.
5
EDITORIAL / PUBLISHING / EDITORIAL
The production of the knowledge about the Family Health Strategy
Maria de Jesus Lima Almeida
Head of the Especialization Course in Family Health –
NOVAFAPI
6
The Family Health Strategy – Estratégia Saúde da Família (ESF) was developed by the Ministry
of Health over ten years ago, with the objective of implementing Basic Health Care in municipalities,
through the dissemination of new practices for promoting quality of life, adjusted to the population conditions. Currently, it is considered an essential strategy for the reorganization of Basic Care in
Brazil, reaffirming the principles of the universal health care system - Sistema Único de Saúde (SUS):
universalization, equity, decentralization, integrality and participation of the community, through the
registration of users.
Therefore, to serve the family integrally, in its social space, the ESF requires a new professional
attitude, demanding an alignment of the formation process of health professionals. From the understanding of this new paradigm, Faculdade NOVAFAPI created, in 2006, the Specialization Courses in
Family Health, contributing to the formation of approximately 250 health professionals, and making
them able to work with this health perspective.
ESF has also been an object of attention for researchers of health issues in Brazil, where a
considerable amount of knowledge being produced by Brazilian researchers is in permanent development.
This edition of Revista Interdisciplinar was idealized to publish the research papers developed
by researchers on family health. The studies published mention, above all, the perception of the user
about the change in care from the implementation of the ESF, as well as the health education as a
central element for preventing and promoting health in all age groups.
With this proposition, Revista Interdisciplinar contributes to the advancement of knowledge in
this area, being the central theme of this edition of special interest to all the professionals committed
to public health
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 6.
EDITORIAL / PUBLISHING / EDITORIAL
La producción del conocimiento sobre la Estratégia Salud de la Familia
Maria de Jesus Lima Almeida
Coordinanador del Curso de Especialização em Salud de la
Família-NOVAFAPI
La Estrategia Salud de la Familia (ESF) fue desarrollada por el Ministerio de la Salud, por más de
diez años, con el objetivo de implementar la Atención Básica de Salud en los municipios, por medio de
la diseminación de nuevas prácticas de promoción da calidad de vida, ajustadas a las condiciones de la
población. Actualmente, es considerada como estrategia prioritaria de reorganización de la Atención
Básica en Brasil, reafirmando los principios básicos del Sistema Único de Salud (SUS): universalización,
equidad, descentralización, integralidad y participación de la comunidad, mediante el cadastro y el
vínculo de los usuarios.
Así, para atender la familia, integralmente, en su espacio social, la ESF requiere una nueva postura profesional, exigiendo un aliñamiento del proceso de formación de los profesionales de salud. A
partir de la comprensión de ese nuevo paradigma, la Facultad NOVAFAPI creó, desde el año de 2006,
los Cursos de Especialización en Salud da Familia, contribuyendo con la formación de aproximadamente 250 profesionales del área de la salud, y tornándolos aptos a trabajaren en esa perspectiva de salud.
La ESF tiene sido también objeto de atención de los investigadores del área de salud en Brasil,
visualizándose una considerable producción de conocimiento por investigadores brasileños, en permanente desarrollo.
Esa edición de la Revista Interdisciplinar fue idealizada para divulgar los trabajos de pesquisa
desarrollados por investigadores sobre la salud de la familia. Los estudios publicados mencionan, sobretodo, la percepción del usuario sobre el cambio del cuidado a partir de la implantación de la ESF,
bien como la educación en salud como elemento central de la prevención y promoción de la salud en
todas las fajas etarias.
Con esa propuesta, la Revista Interdisciplinar contribuye con el avanzo del conocimiento en
esa área, siendo el tema central de esta edición de especial interese para todos los profesionales comprometidos con la salud pública.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 7.
7
PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN
Avaliação do estilo de vida de adultos jovens universitários de uma
instituição de ensino superior de Teresina – Piauí
Evaluation of universitarians young adults life style of a high teaching instituition in Teresina – Piauí
Evaluación del estilo de vida de adultos jóvenes universitarios de una institución de nseñanza superior de
Teresina – Piauí
Luana Gabrielle de França Ferreira
RESUMO
Acadêmica de Fisioterapia da Faculdade NOVAFAPI,
Teresina, Piauí, Brasil.
Éric da Silva
Docente do curso de Fisioterapia da Faculdade NOVAFAPI,
Teresina, Piauí, Brasil.
A saúde de um indivíduo é determinada não só pela ausência de doenças, mas pela boa condição
física, mental e social. A interação desses componentes caracteriza o estilo de vida que, de forma não
adequada, pode gerar risco a ocorrência de doenças. O estudo objetiva caracterizar o estilo de vida de
adultos jovens universitários de uma instituição privada de ensino superior de Teresina - PI. Trata-se de
um estudo transversal realizado na Faculdade NOVAFAPI. Participaram da pesquisa 271 acadêmicos
de ambos os sexos, adultos jovens de 20 a 40 anos. Para coleta de dados, foram utilizados dois questionários, um sobre os aspectos socioeconômicos e outro sobre “Estilo de Vida Fantástico”. Os dados
foram analisados por estatística descritiva. Os resultados indicaram que os participantes possuíam uma
média de 23 anos de idade, sendo 63,47% mulheres e 36,53% homens. Foram categorizados como
estilo de vida “muito bom” 47% dos pesquisados. Item como uso de tabaco, álcool e prática de sexo
seguro obtiveram pontuações desejáveis de vida saudável. Contudo, observou-se aspectos como sedentarismo e nutrição inadequada. Conclui-se que os indivíduos pesquisados possuem bons níveis
socioeconômicos e estilo de vida “muito bom”, porém apresentaram pontuações não favoráveis na
atividade física e nutrição, necessitando de orientações sobre práticas de saúde saudáveis.
Descritores: Saúde do adulto. Estudantes. Estilo de vida. Saúde.
ABSTRACT
An individual health is determined not only by the absence of disease, but also by the good physique, mind and social condition. The interaction of these components caracterize the life style that, of
adequate form, can generate risks to disease occurence. The study aims at characterizing The life of
university Young adults of a private instituition of high teaching in Teresina - PI. It treats of a transversal
study carried out at NOVAFAPI college. Participated of this resaerch 271 academics of both sex, Young
adults age range 20 to 40 years of age. To data colleting were applied two quetionaire, one about the
socioeconomic aspects and the other about “ Fantastic life style”. The data were analyzed by descriptive statistic. The results indicated that the participants possessed an average of 23 years of age, being
63,47% women and 36,53% men. Were cathegorized as “very good” 47% of the researched. Item such
as the use of tabacco, alcohol and secure sexual practice got desirable ponctuations of healthy life.
However, it was observed aspects such as sedentarism and inadequate nutrition. It is concluded that
the individuals researched possess good socioeconomic levels and “very good” life style, however
presented ponctuations not favorable in the physic activity and nutrition, needing orientation about
practicing of healthy life.
Descriptors: Adult health. students. Life style. Health.
RESUMEN
Submissão: 19/11/2008
Aprovação: 09/03/2009
La salud de un individuo es determinada no sólo por la ausencia de enfermedades, pero por la buena
condición física, mental y social. La interacción de esos componentes caracteriza el estilo de vida que,
de forma no adecuada, puede ocurrir riesgo a ocurrencia de enfermedades. El estudio objetiva caracterizar el estilo de vida de adultos jóvenes universitarios de una institución privada de enseñanza
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 9-15.
9
Júnior FJGS, et al.
superior de Teresina - PI. Se trata de un estudio transversal realizado en la
Facultad NOVAFAPI. Participaron de la pesquisa 271 académicos de ambos
los sexos, adultos jóvenes de 20 a 40 años. Para coleta de datos fueron utilizados dos cuestionarios, uno sobre los aspectos socioeconómicos y otro
sobre “Estilo de Vida Fantástico”. Los datos fueron analizados por estadística
descriptiva. Los resultados indicaron que los participantes poseían una media de 23 años de edad, siendo 63,47% mujeres y 36,53% hombres. Fueron
categorizados como estilo de vida “muy bueno” 47% de los pesquisados. Y
tiene como causa el uso de tabaco, alcohol y práctica de sexo seguro obtuvieron puntuaciones deseables de vida saludables. Con todo, se observó
aspectos como sedentarismo y nutrición inadecuada. Se concluye que los
individuos pesquisados poseen buenos niveles socioeconómicos y estilo
de vida “muy bueno”, sin embargo presentaron puntuaciones no favorables en la actividad física y nutrición, necesitando de orientaciones sobre
prácticas de salud saludables.
Descriptores: Salud del adulto. Estudiantes. Estilo de vida. Salud.
1
INTRODUÇÃO
Atualmente, as doenças cardiovasculares (DCVs) representam
a primeira causa de mortalidade e segunda causa de internações no
Brasil. Estudo de série histórica observou que os principais grupos de
causa de mortalidade são DCVs, neoplasias e causas externas, respectivamente (BARRETO; CARMO, 2007).
A crescente incidência das DCVs e neoplasias nas últimas décadas geraram uma busca incessante pelos fatores de risco relacionados
ao seu desenvolvimento. Grande parte dos fatores de risco é modificável através de intervenções no estilo de vida (ORTIZ; ZANETTI, 2001;
RIQUE; SOARES; MEIRELLES, 2002).
Apesar do maior impacto das doenças crônicas não transmissíveis e neoplasias nas faixas etárias mais elevadas, observa-se uma
crescente aquisição de fatores de risco precocemente em adolescentes e jovens adultos. Destacam-se ainda condutas de saúde de forma
geral que possuem impacto significativo na ocorrência de danos à
saúde (FRANCA; COLARES, 2008).
Em uma pesquisa com universitários da cidade de São Paulo
para analisar o perfil socioeconômico e o estilo de vida observou-se
que o álcool foi a substância mais utilizada entre os jovens, seguido do tabaco. Houve uma relação entre o uso de “drogas ilícitas” e o
sexo masculino, “medicamentos com potencial de abuso” e alunos de
períodos mais adiantados e maior renda familiar e o uso de álcool e
drogas ilícitas. Os alunos fumantes praticavam menos esportes que os
fumantes (SILVA, et al, 2006).
Estudos semelhantes observaram alta prevalência do fator de
risco sedentarismo em adultos jovens. Pesquisa com adolescentes e
adultos jovens de São Paulo, para descrever freqüência de fatores de
risco para doença aterosclerótica, observaram sedentarismo e ingestão inadequada de gordura em 78,9% e 77,5% dos pesquisados, respectivamente (RABELO, et al, 2008).
Nos últimos anos diversas pesquisas relativas à epidemiologia
de fatores de risco e condutas de saúde em adolescentes e adultos jovens vêm sendo desenvolvidas no país e suas regiões na tentativa de
delinear o comportamento epidemiológico e determinar estratégias
em saúde específicas.
O presente estudo teve como objetivo caracterizar o estilo de
vida de adultos jovens universitários de uma instituição privada de
ensino superior da cidade de Teresina- PI.
10
2
MATERIAL E MÉTODOS
Realizou-se um estudo seccional com a população de estudantes acadêmicos da Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí – NOVAFAPI, localizada na cidade de Teresina, Piauí, nos
meses de outubro e novembro de 2009. A população foi composta
por acadêmicos adultos jovens (20 a 40 anos) da Faculdade NOVAFAPI, com a amostra de 271 pessoas recrutadas por voluntariedade. Os
alunos foram recrutados nos locais de maior fluxo em horários livres,
como praças de alimentação.
Os critérios de inclusão do estudo foram adultos jovens de ambos os sexos de graduação, regularmente matriculados no segundo
semestre letivo de 2009 na instituição de ensino superior (IES) e que
concordaram participar da pesquisa. Foram excluídos do estudo acadêmico aqueles que mencionaram problemas graves de saúde ou que
não responderam o questionário de forma clara e/ou completa.
O protocolo de pesquisa foi composto com questionário fase
I e II. A fase I consistia em perguntas sobre características socioeconômicas, como idade, sexo, curso, período do curso e renda familiar
mensal. A fase II investigava o estilo de vida por meio do Questionário “Estilo de Vida Fantástico”, versão brasileira traduzida e validada de
questionário canadense (AÑEZ; REIS; PETROSKI, 2008). O questionário
considera o comportamento dos indivíduos no ultimo mês cujos resultados permitem determinar o estilo de vida. O instrumento possui
25 questões divididas em nove domínios: família e amigos, atividade
física, nutrição, cigarro e drogas, álcool, sono, cinto de segurança, estresse e sexo seguro, tipo de comportamento, introspecção e trabalho.
As questões foram objetivas, sendo 23 delas com cinco alternativas cada e 2 com duas alternativas. Cada opção possui uma pontuação de 0 a 4. A soma de todos os pontos permitiu chegar a um escore
final, classificando os indivíduos em cinco categorias: excelente (85 a
100 pontos), muito bom (70 a 84 pontos), bom (55 a 69 pontos), regular (35 a 54 pontos) e necessita melhorar (0 a 34 pontos).
O questionário foi aplicado de forma auto-administrada pelos
participantes da pesquisa. Após o levantamento dos dados, estes foram digitados em planilha eletrônica e os cálculos estatísticos foram
feitos utilizando-se o programa Microsoft Excel 2007. Foi realizada
análise estatística descritiva a partir dos percentuais encontrados para
as variáveis categóricas.
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
Faculdade NOVAFAPI com processo CAAE n° 0318.0.043.000-09, atendendo ao disposto na resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Os participantes autorizaram a participação por meio do termo de
consentimento livre e esclarecido com garantia de sigilo e anonimato.
3
RESULTADOS
A tabela 01 apresenta as características socioeconômicas dos
participantes da pesquisa. A média da idade da população pesquisada
foi de 23 anos (desvio padrão: 3), sendo composta por 99 pessoas do
sexo masculino e 172 do sexo feminino.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 9-15.
Tabela 01. Características socioeconômicas dos adultos jovens universitários pesquisados. Teresina (PI), 2009.
Sexo
Faixa Etária (anos)
Curso
Período do Curso
Renda Familiar (SM)
Feminino
Masculino
20|---- 25
25|---- 30
30|---- 35
35|----|40
Nutrição
Enfermagem
Medicina
Fisioterapia
Fonoaudiologia
Odontologia
Biomedicina
Educação Física
Direito
Administração
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
até 10
11 a 20
21 a 30
31 a 40
mais que 40
Nº
172
99
226
28
11
6
28
21
30
63
13
29
34
10
40
3
12
28
21
28
37
71
46
8
9
11
112
78
37
20
24
%
63.47
36.53
83.39
10.33
4.06
2.21
10.33
7.75
11.07
23.25
4.8
10.70
12.55
3.69
14.76
1.11
4.43
10.33
7.75
10.33
13.65
26.20
16.97
2.95
3.32
4.06
41.33
28.78
13.65
7.38
8.8
Os universitários foram classificados como estilo de vida “muito bom”, segundo o questionário. A classificação do estilo de vida encontra-se no gráfico 01.
O instrumento de pesquisa do estilo de vida abordou nove domínios, verificando que itens como cigarro e drogas, álcool, prática de sexo
seguro, dentre outros, contribuíram para a classificação citada anteriormente.
Apesar da classificação satisfatória do estilo de vida, domínios
como atividade física e nutrição apresentaram respostas pouco favoráveis
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 9-15.
à saúde. Em atividade física, tabela 02, os pesquisados relataram a prática
de atividade física vigorosa e moderada “menos de uma vez por semana”
49,82% e 31%, respectivamente. Em nutrição, tabela 03, a dieta balanceada foi relatada por 28,78% como conduta “algumas vezes” e que dentre
os itens açúcar, sal, gordura animal e salgadinhos dois deles são ingeridos
freqüentemente em excesso por 31,73% dos estudantes.
11
Tabela 02. Caracterização quanto à atividade física dos adultos jovens universitários, Teresina (PI), 2009.
Atividade Física
Vigorosamente Ativo
Total
Moderadamente Ativo
Freqüência semanal
Menos de 1 vez
1-2 vezes
3 vezes
4 vezes
5 ou mais vezes
Menos de 1 vez
1-2 vezes
3 vezes
4 vezes
5 ou mais vezes
Total
N°
135
43
39
21
33
271
84
65
52
27
43
271
%
49,82
15,87
14,39
7,75
12,18
100,00
31,00
23,99
19,19
9,96
15,87
100,00
N°
60
60
78
43
30
271
69
53
86
42
21
271
36
14
34
37
150
271
%
22,14
22,14
28,78
15,87
11,07
100,00
25,46
19,56
31,73
15,50
7,75
100,00
13,28
5,17
12,55
13,65
55,35
100,00
Tabela 03. Caracterização quanto à nutrição dos adultos jovens universitários, Teresina (PI), 2009.
Dieta balanceada
Total
Come em excesso:
Sal, açúcar,
gordura animal,
salgados.
Total
Intervalo de peso
Quase nunca
Raramente
Algumas vezes
Com relativa freqüência
Quase sempre
4 itens
3 itens
2 itens
1 item
nenhum
Mais de 8 kg
8 kg
6 kg
4 kg
2 kg
Total
Em cigarros e drogas, a questão fuma cigarros foi relatada como
“nenhum nos últimos 5 anos” por 80,07%, item com maior pontuação. Já
no quesito uso de drogas 97,42% respondeu “nunca” e abuso de remédios
68,27% relataram “nunca” como conduta.
No domínio álcool, observou-se que 80,44% dos participantes consumiram no último mês uma média semanal de “0 a 7 doses” de álcool e
34,69% afirmaram “algumas vezes” dirigir após beber como mostra a tabela
04.
Tabela 04. Caracterização quanto ao uso de álcool pelos adultos jovens universitários, Teresina (PI), 2009.
Ingestão média álcool semanal
Total
Consumo mais de 4
doses em uma ocasião
Total
Dirigir após beber
Total
12
Mais de 20 doses
13 a 20 doses
11 a 12 doses
8 a 10 doses
0 a 7 doses
Quase diariamente
Com relativa freqüência
Ocasionalmente
Quase nunca
Nunca
Algumas vezes
Nunca
N°
17
14
7
15
218
271
8
36
90
49
88
271
94
177
271
%
6,27
5,17
2,58
5,54
80,44
100,00
2,95
13,28
33,21
18,08
32,47
100,00
34,69
65,31
100,00
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 9-15.
Destacam-se ainda dados sobre condutas de saúde, como uso de
cinto de segurança, na qual 48,34% dos universitários afirmaram fazer
uso “sempre”. Quanto à prática de sexo de forma segura, verificou-se que
68,63% alegaram essa conduta como “sempre”.
4
DISCUSSÃO
Por se tratar de uma instituição de ensino superior privada, pode-se
caracterizar a população com poder aquisitivo relativamente alto. Portanto, os estudantes adultos jovens pesquisados não representam a realidade
brasileira que, no geral, possui baixa renda familiar. Conhecer peculiaridades de cada população é fundamental para que estratégias de saúde
pública na promoção da saúde e prevenção de doenças possam ser planejadas e executadas de forma efetiva.
O questionário “estilo de vida fantástico” é um recurso canadense de
saúde pública, traduzido e validado para os padrões brasileiros. Foi recentemente publicado, buscando tornar-se um instrumento de fácil aplicação,
baixo custo, apropriado para pesquisas epidemiológicas, abordando comportamentos que permitem avaliar o estilo de vida e associá-lo à saúde
(AÑEZ; REIS; PETROSKI, 2008). Por ser um recurso recentemente utilizado
na realidade brasileira, ocorreram limitações nas comparações com outras
pesquisas sobre os temas avaliados.
Questionários autoaplicados possuem limitações, geralmente
levam a taxas menores de relatos de comportamentos socialmente condenáveis. Buscou-se minimizar essa ocorrência por meio de questionários
anônimos, de preenchimento voluntário e com garantia verbal e escrita
pelo pesquisador de confidencialidade das informações.
Foram avaliados aspectos relacionados à atividade física e nutricional a qual engloba grande parte das mudanças de estilo de vida necessárias na prevenção e controle de doenças cardiovasculares. A nutrição adequada pode alterar a incidência e a gravidade das coronariopatias. Níveis
elevados de colesterol sérico são associados com aterosclerose prematura
em adolescentes e adultos jovens (COELHO, et al, 2005). Um dos maiores benefícios da atividade física regular é a melhora do perfil lipídico em
longo prazo (RIQUE; SOARES; MEIRELLES, 2002). Estudos com universitários
mostraram alta prevalência para o sedentarismo e nutrição inadequada
com destaque à ingestão de gordura, colaborando para o excesso de peso
(FISBERG, et al, 2001; FONTES; VIANNA, 2009; RABELO, et al, 2008).
Um estudo com objetivo de verificar o nível de atividade física e os
hábitos alimentares de alunos de graduação da área da saúde observou
um alto nível de sedentarismo: 65,5%, dos quais 66,7% justificaram tal
ocorrência pela falta de tempo e 21,2% pela falta de disposição. Destacou
também inadequação alimentar em 79,7% dos participantes e percentual
de 74% de indivíduos com consumo inadequado de refrigerante e doce.
Indivíduos com educação e níveis socioeconômicos elevados deveriam ter
níveis adequados de atividade física e nutrição por deterem conhecimento
sobre benefícios à saúde e condições financeiras chegar ao padrão de vida
ideal (MARCONDELLI; COSTA; SCHMITZ, 2008).
Em uma universidade pública do nordeste brasileiro encontrou-se
baixo nível de atividade física em 31,2% dos discentes e o maior tempo de
ingresso esteve associado a uma tendência de diminuição da intensidade
da atividade física realizada. Excesso de peso foi encontrado em 21% dos
estudantes, sendo 15,3% de sobrepeso e 5,7% de obesidade. As variáveis
que tiveram associação estatística com o baixo nível de atividade física foram características econômicas (melhores rendas), institucionais (período
do curso) e hábitos de vida. Não tiveram relação com o sexo, idade e consumo de fumo e álcool (FONTES; VIANNA, 2009).
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 9-15.
Outra conduta a ser discutida é o uso de cigarros e drogas entre
universitários. Na pesquisa observou-se baixa prevalência no uso de cigarros, drogas ilícitas e remédios, resultados possivelmente explicados devido
ao grande número de estudantes de cursos da saúde que conhecem os
danos causados pelas substâncias pesquisadas. Destaca-se que a prevalência do tabagismo no Brasil caiu de 35% para 16% de 1989 a 2006 e que
o uso de cigarro mostra-se consistentemente mais concentrado entre os
grupos populacionais com baixos níveis socioeconômicos (MINISTÉRIO DA
SAÚDE, 2007).
Estudos apontam que o uso de tabaco inicia-se precocemente na
adolescência antes dos 18 anos e que as doenças cardiovasculares são as
mais importantes conseqüências de seu consumo. Fumantes tendem a
apresentar um perfil plasmático aterogênico mais comprometido, maior
liberação de catecolaminas, aumento da concentração de monóxido de
carbono na corrente sanguínea e aumento da agregação plaquetária. Evidências apontam relação entre ingestão de álcool e tabagismo (GUEDES,
et al, 2007). Estudos com universitários observaram baixas prevalências
para o hábito de fumar (FONTES; VIANNA, 2009; MARCONDELLI; COSTA;
SCHMITZ, 2008).
Pesquisa sobre uso de psicotrópicos em universitários amazonenses observou que o uso inicial de drogas foi aos 16 a 18 anos para o álcool e
tabaco, sendo estas as drogas lícitas mais consumidas. No mesmo estudo,
verificou-se que as drogas psicotrópicas ilícitas, as mais “usadas na vida”, foram solventes, maconha, anfetamínicos e cocaína, respectivamente, sendo
a curiosidade o principal motivo apontado para o uso (LUCAS, et al, 2006).
As mulheres são as maiores consumidoras de anfetamínicos (WAGNER;
ANDRADE, 2008). Os alunos dos cursos de saúde tiveram maior uso de
benzodiazepínicos nos últimos períodos, fato explicado pelo estresse de
final de curso e sobrecarga de plantões (KERR-CORRÊA, et al, 1999).
Os resultados encontrados apontaram uma ingestão moderada de
álcool semanalmente pelos pesquisados. Pesquisas na área de cardiologia
vêm mostrando um efeito protetor do álcool ingerido moderadamente
nas coronariopatias (RIQUE; SOARES; MEIRELLES, 2002). Pesquisa sobre uso
de psicotrópicos entre universitários da área da saúde observou que o “uso
na vida” de álcool foi relatado por 87,7% dos estudantes sem diferença significativa entre os sexos. Discutiu ainda que a população de estudantes
universitários não difere muito no “uso na vida” de álcool da população em
geral, tampouco no “uso na vida” de tabaco (LUCAS, et al, 2006). Estudos
encontraram maior prevalência para os psicotrópicos álcool e tabaco, respectivamente, com o uso possivelmente explicado por ser drogas lícitas e
incentivadas nas relações sociais (KERR-CORRÊA, et al, 1999; LUCAS, et al,
2006; WAGNER; ANDRADE, 2008).
Inquéritos constatam que o consumo de álcool entre estudantes
universitários pode acarretar: acidentes automobilísticos, violência, comportamento sexual de risco, diminuição da percepção e estresse (WAGNER;
ANDRADE, 2008). Universitários de Alfenas, Minas Gerais, do sexo masculino possuem maior freqüência de relações sexuais sem uso de preservativos quando estão sob uso de psicotrópicos e 23,5% dirigiram após consumirem bebidas alcoólicas, entre esses 17% já se envolveram em acidentes
de trânsito (FIORINI, et al, 2003).
Outro estudo para investigar comportamentos de risco para acidentes de trânsito entre universitários de medicina da região sul do Brasil,
verificou que 44,6% dos estudantes do sexo masculino relataram ingestão
prévia de bebida alcoólica à condução de veículo automotor. Jovens do
sexo masculino tendem a assumir comportamentos de risco à saúde mais
freqüente que o sexo feminino. Observou, ainda, uma alta e baixa freqüência do uso de cinto de segurança nos bancos dianteiro e traseiro do carro,
13
respectivamente (ANDRADE, et al, 2003).
Os resultados expostos anteriormente mostram uma alta prevalência do uso de métodos preservativos e contraceptivos por meio do item
prática de sexo seguro, o que corrobora com dados encontrados na literatura para universitários brasileiros. A prática sexual entre adolescentes
e adultos jovens é bem discutida na comunidade científica com estudos
de uso de contraceptivos, gravidez e doenças sexualmente transmissíveis
(DSTs). Pesquisa sobre intenções reprodutivas e práticas de regulação da
fecundidade entre universitários de São Paulo verificou resposta positiva
em relação ao uso dos contraceptivos no grupo universitário. Comentase, ainda, que o perfil diferenciado desse grupo é explicado pela inserção
na universidade e expectativas profissionais, ocorrendo um adiamento da
maternidade/paternidade. A maioria das gestações entre estes universitários foi finalizada com aborto (PIROTTA; SCHOR, 2004).
O número de anos de estudo estaria relacionado ao fazer uso de
métodos anticoncepcionais e apresentar tendência a ter menos gestações
não planejadas. Os principais métodos usados são condom e a pílula, usados separadamente ou combinados, observando tendência à substituição
do condom pela pílula entre os estudantes que estão em relacionamentos
(ALVES; LOPES, 2008; PIROTTA; SCHOR, 2004; RABELO, et al, 2006).
Ressalta-se, ainda, o uso de métodos preservativos na prevenção
de DSTs. Em estudo para detectar a opinião de estudantes universitários
da área da saúde sobre uso de preservativos, 87% dos pesquisados referiram concordar com a afirmativa “o uso de camisinha evita Síndrome da
Imunodeficiência Adquirida (AIDS) e outras DSTs” e 76,4% eram cientes da
finalidade múltipla do preservativo, como protetor contra DSTs e contraceptivo (GIR; DUARTE; CARVALHO, 1997). Em estudo o uso de preservativo
foi citado por 95% dos pesquisados do sexo masculino e feminino como
uma das medidas preventivas contra AIDS e DSTs (GIR, et al, 1999).
O instrumento utilizado proporcionou uma ampla exploração de
condutas pertinentes à saúde, observando-se que, apesar do sedentarismo e inadequação nutricional verificados, a classificação do estilo de vida,
segundo o questionário, foi satisfatória. Ressalta-se que a grande maioria
dos participantes da pesquisa são acadêmicos de cursos de saúde sobre
os quais se pressupõe um maior entendimento dos fatores de risco para
doenças crônicas não transmissíveis e condutas de risco à saúde de forma
geral. As características da população estudada são peculiares, não correspondendo aos padrões brasileiros e teresinenses, necessitando de pesquisas de maior abrangência para chegar a resultados conclusivos.
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14
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Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 9-15.
15
PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN
A visão dos usuários sobre o atendimento prestado pelos
profissionais da estratégia saúde da família
The view of health usuers about the consultation serviced by the profissionals of family health strategy
La visión de los usuarios de salud sobre el atendimiento prestado por profesionales de la estratégia salud de
la familia
Francisca Cecília Viana Rocha
RESUMO
Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Docente da Faculdade
de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí
(NOVAFAPI), Teresina – PI. Endereço: Rua Dr. Natan Portela
Nunes, 4179 Ininga Email:[email protected]
Érica Mara do Rêgo Nolêto
Enfermeira Graduada pela Faculdade de Saúde, Ciências
Humanas e Tecnológicas do Piauí (NOVAFAPI), Teresina – PI.
Louziany Brito da Silva
Enfermeira Graduada pela Faculdade de Saúde, Ciências
Humanas e Tecnológicas do Piauí (NOVAFAPI), Teresina – PI.
Luciana Pinto de Sousa Silveira
A Estratégia Saúde da Família (ESF) constitui a principal forma de acesso dos usuários do Sistema
Único de Saúde, tendo como porta de entrada a atenção básica. O estudo objetivou descrever a
visão dos usuários da saúde sobre o atendimento prestado pelos profissionais da Estratégia Saúde
da Família e analisar os aspectos apontados no desempenho desse serviço que favoreça a equidade
e universalidade da assistência e integralidade das ações de saúde. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, realizada na Unidade Básica de Saúde da Piçarreira, no período de maio a junho de 2009,
através de entrevista semi-estruturada feita com 20 usuários atendidos pela equipe 97. Os resultados
indicaram duas categorias, a saber: limitações no atendimento ambulatorial e a escassez de visita
domiciliar. Percebe-se que ainda existem dificuldades para a universalização do acesso dos usuários à
saúde pública, devendo haver organização por parte do sistema de saúde, dos gestores municipais
e dos profissionais, para melhor atender à população e, consequentemente, atingir os objetivos da
estratégia.
Descritores: Acesso aos serviços de saúde. Saúde da Família. Enfermagem.
Enfermeira Graduada pela Faculdade de Saúde, Ciências
Humanas e Tecnológicas do Piauí (NOVAFAPI), Teresina – PI.
Maria do Rosário de Fátima Batista Franco
Enfermeira. Especialista em Saúde do Adulto e Idoso.
Docente da Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e
Tecnológicas do Piauí (NOVAFAPI), Teresina – PI.
Fernando José Guedes da Silva Junior
Graduando em Enfermagem pela Universidade Federal do
Piauí (UFPI).
ABSTRACT
Family Health Strategy (FHS) constitute the main form of users access “ Sistema Único de Saúde”,
having as gateway the basic attention . The study aimed at discribing a the users health vision about
the consultation serviced by the profissionals of the Family heath strategy and analyze the aspects
pointed in this service performed that favor the equanimity and universality of the assistance and
integrality of the health actions. It treats of a qualitative research, carried out in the Health Basic Unity
of the Piçarreira district, in the period from may to june 2009, through interview semi-structured done
with 20 users served by the team 97. The results indicated two cathegories, Knowing: limitatons in
the consultation serviced in the out-patient clinic and the scarcity home visiting. It is realized that
that there is still difficulties to the Access universalization of the health public users, there being organization by the part of system, gestors municipalities gestors and the profissionals, to improve the
servecing of the population and consequently reach the startegic objetives.
Descriptors: Access to health service. Famíly Health.Nursing.
RESUMEN
Submissão: 28/11/2008
Aprovação: 10/02/2009
16
La Estratégia Salud de la Familia (ESF) constituye la principal forma de aceso de los usuarios del Sistema Único de Salud, teniendo como porta de entrada la atención básica. El estudio objetivó describir
la visión de los usuarios de salud sobre el atendimiento prestado po profesionales de la Estratégia
Salud de la Familia y analizar los aspectos apuntados en el desempeño de ese servicio que favorezca
la ecuidad y universalidad de la asistencia e integralidad de las acciones de salud. Se trata de una
pesquisa cualitativa, realizada en la Unidad Básica de Salud de la Piçarreira, en el periodo de mayo a
junio de 2009, a través de encuesta semi-estructurada hecha con 20 usuarios atendidos por el equipo
97. Los resultados indicaron dos categorias, a saber: limitaciones en el atendimiento ambulatorial y la
escasez de visita domiciliar. Se percibe que aún existen dificultades para la universalización del aceso
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 16-20.
de los usuarios a la salud pública, debiendo haver organización por parte
del sistema de salud, de los gestores municipales y de los profesionales,
para mejor atender la población y consecuentemente atingir a los objetivos de la estratégia.
Descriptores: Aceso a los servicios de salud. Salud de la Familia. Enfermería.
1
INTRODUÇÃO
O Programa de Saúde da Família (PSF) foi concebido pelo Ministério
da Saúde (MS) em 1994, com o objetivo de proceder à reorganização da
prática assistencial em novas bases e critérios, em substituição ao modelo
tradicional de assistência: hospitalocêntrico e orientado para a cura de doenças. Nesta nova perspectiva sanitária, a atenção está centrada na família,
entendida e percebida a partir do seu ambiente físico e social, o qual possibilita às equipes uma compreensão ampliada do processo saúde/doença
e da necessidade de intervenções que vão além de práticas curativas (COQUEIRO; NERY; CRUZ, 2008).
O PSF, atualmente denominado Estratégia Saúde da Família (ESF),
desempenha papel estratégico para a consolidação do Sistema Único de
Saúde (SUS), ao favorecer a equidade e universalidade da assistência e integralidade das ações de saúde, por meio de ações inovadoras no setor.
Seus pressupostos e diretrizes norteiam os processos de trabalho em saúde na perspectiva do diálogo entre equipe multiprofissional e usuário. A
estratégia segue os princípios do SUS e está voltada para a promoção da
saúde (BRASIL, 2004).
Segundo pesquisas recentes, a região nordeste tem a maior cobertura do programa no país, cerca de 75% da população é acompanhada.
Aproximadamente, três milhões de piauienses são acompanhados pelos
Agentes Comunitários de Saúde (ACS) da ESF. Os dados mostram que o
Piauí é o primeiro colocado do Nordeste, cobrindo 99,5% de sua população, seguido da Paraíba e Sergipe, em Teresina 93% tem cobertura. (CURY;
SÁ, 2008).
É importante salientar que a ESF visa à reorganização da atenção
básica no país, de acordo com os preceitos do SUS, o que nos leva a acreditar que este seja um instrumento fundamental na reestruturação do
sistema público de saúde. Além disso, prioriza as ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde das pessoas, de forma integral e contínua.
O atendimento é prestado na Unidade Básica de Saúde (USB) ou no domicílio, pelos profissionais que compõem as equipes de saúde da família.
Assim, esses profissionais e a população acompanhada pela equipe criam
vínculos de co-responsabilidade, o que facilita a identificação e a resolução
dos problemas de saúde da comunidade (BRASIL, 2006).
O trabalho desenvolvido pela ESF é considerado uma nova versão
do modelo de atenção à saúde, pois cria novas formas de acesso ao sistema de saúde, com uma modalidade diferente no trabalho dos profissionais
de saúde, direcionada ao individuo, a família e a comunidade, acompanhada de um melhor conhecimento da realidade do cliente, condições de
vida e suas necessidades, colocando em prática o conceito de cidadania
(SOUZA, 2000).
A importância do trabalho em equipe na ESF é ressaltada, principalmente, pelo aspecto de integralidade nos cuidados de saúde. Considerado
um dos princípios doutrinários do SUS, a integralidade reveste-se, no decorrer dos anos de 1990, e principalmente neste início de século, de uma
importância estratégica ímpar para a consolidação de um novo modelo de
atenção à saúde no Brasil (MATTOS, 2001; MATTOS, 2003; CECÍLIO, 2001).
Considerando os princípios do SUS, a ESF é atualmente a mais importante mudança estrutural já realizada na saúde pública no Brasil, por
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 16-20.
oferecer uma nova dinâmica de trabalho para a estruturação dos serviços
de saúde, bem como para a sua relação com a comunidade e entre os diversos níveis e complexidade assistencial, causando, assim, uma verdadeira
transformação do modelo de saúde.
Para que a ESF desencadeie um processo de construção de novas
práticas, considera-se imprescindível que os trabalhadores envolvidos nessa estratégia articulem uma nova dimensão no desenvolvimento do trabalho em equipe. Faz-se necessária a incorporação não apenas de novos
conhecimentos, mas mudança na cultura e no compromisso com a gestão
pública, a fim de garantir uma prática pautada nos princípios da promoção
da saúde (ARAÚJO; ROCHA, 2007).
O trabalho da equipe tem como objetivo a obtenção de impactos
sobre os diferentes fatores que interferem no processo saúde-doença. A
ação interdisciplinar pressupõe a possibilidade da prática de um profissional se reconstruir na prática do outro, ambos sendo transformados para a
intervenção na realidade em que estão inseridos.
No SUS, o modelo vigente valoriza a participação da comunidade
que é garantida constitucionalmente através de suas entidades representativas, participando do processo das políticas públicas de saúde em todos
os níveis, desde o federal até o nível local, deixando o usuário de ser apenas
um consumidor, passando a integrar a gestão do sistema, com sua participação nos conselhos e nas conferências de saúde, atendendo a uma
tentativa do Estado de resgatar o direito à cidadania da população.
Os profissionais que atuam neste programa devem prestar assistência integral e contínua, com resolutividade à população da sua área
de abrangência, atendendo às famílias em seu contexto social, de forma
humanitária. Para isso, estes devem estabelecer vínculo com a população
para organização da comunidade e, assim, tornar-se co-responsável pelas
ações desenvolvidas pelo programa.
Considerando este contexto, percebe-se a importância da ESF, haja
vista ser um programa que contribui para melhoria da assistência à saúde
das famílias e das comunidades assistidas pela estratégia, busca conhecer detalhadamente a realidade das famílias que residem na sua área de
abrangência, incluindo aspectos físicos, mentais, demográficos e sociais,
além de identificar os problemas de saúde prevalentes da área adstrita.
Baseado neste modelo de atenção à saúde que vem se consolidando no Brasil, despertou-se a necessidade de desenvolvimento deste
estudo, o qual tem como objeto conhecer a visão do usuário sobre o atendimento prestado pela equipe da Estratégia da Saúde da Família.
Dessa forma, pretende-se responder ao questionamento “Qual
a visão do usuário sobre o atendimento prestado pelos profissionais da
Estratégia Saúde da Família?”, apresentando uma descrição da visão dos
usuários sobre os serviços de saúde prestados por esta equipe e analisando
os aspectos evidenciados no desempenho desse serviço.
2
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa de campo, com abordagem qualitativa,
realizada em uma Unidade de Saúde da Família (USF) do bairro Piçarreira,
situado na zona leste da cidade de Teresina-PI. A USF possui 4 equipes da
ESF, compostas por 4 médicos, 4 enfermeiros, 4 auxiliares de enfermagem,
23 agentes comunitários de saúde e 3 dentistas, 3 atendentes de dentistas.
A pesquisa foi desenvolvida com os usuários atendidos pela equipe 97
do turno da manhã a qual atende em média 682 pessoas, mensalmente.
Destas, foram selecionados 20 sujeitos de forma aleatória.
O critério utilizado para seleção dos sujeitos foi que os usuários tivessem idade superior a 18 anos, e que apresentassem condições de pres17
tar informações sobre os atendimentos prestados pela ESF, bem como
aceitassem participar do estudo mediante leitura e assinatura do Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido.
A produção dos dados ocorreu nos meses de maio e junho de 2009,
por meio de entrevistas semi-estruturadas, as quais foram realizadas após
o atendimento dos usuários pelos profissionais da equipe 97 da ESF. Os
dados coletados foram agrupados conforme similaridade semântica de
acordo com os pressupostos metodológicos de Minayo (2006).
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí (NOVAFAPI), tendo
sido aprovado pelo protocolo CAAE nº 0114.0.043.000-09, de acordo com
a Resolução nº 196/96, do Conselho Nacional de Saúde (BRASIL,1996).
3
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A ESF estrutura-se em uma unidade de saúde, com equipe multiprofissional, que assume a responsabilidade por uma determinada população, em território definido, onde desenvolve suas ações. Integra-se
numa rede de serviços, garantindo atenção integral aos indivíduos e famílias, assegurada a referência e contra-referência para os diversos níveis
do sistema, de problemas identificados na atenção básica. As categorias
encontradas foram: Limitações no atendimento ambulatorial aos usuários
na Estratégia Saúde da Família; e a escassez da visita domiciliar na Estratégia Saúde da Família.
Limitações no atendimento ambulatorial aos usuários na Estratégia
Saúde da Família
É fundamental conhecer como os usuários avaliam o atendimento
a eles prestado, para repensar esta prática profissional ou intervir sobre a
forma de organização dos serviços, visando ao seu aperfeiçoamento.
Nesta categoria, observaram-se aspectos negativos do ESF e o que
mais se repetiu foi a questão da demora para se conseguir uma consulta,
ou seja, existe limitação do número de consultas, dificultando, por conseguinte, o atendimento de todos que procuram o serviço, como é descrito
nas falas que seguem:
[...] Aí pra gente fazer marcação tem que vir dia de segundafeira cedo, aí atende só vinte e não sei quantos pacientes só pra
quarta-feira [...] antigamente a gente marcava e no mesmo dia
era atendido logo [...] (D 02).
[...] ela só atende se marcar, se não marcar a gente não vai atendido e tem que esperar daqui a dois meses que é quando ta
marcado pra gente voltar [...] (D 08).
O atendimento aqui só é ruim porque é só uma vez por semana
que é marcada a consulta, né? [...] ta com três segundas-feiras e
não consigo marcar, pois é muita gente pra pouco atendimento
[...] (D 13).
[...] e as vagas pra marcação de consultas é muito pouca e às
vezes eu venho muito cedo e não encontro vagas (D 14).
[...] marca pra terça e quinta, tem gente que vem pra cá e não
consegue porque já ta tudo lotado [...] (D 17).
[..] só tenho uma queixa a falar que é sobre as consultas, que é
dia de quinta-feira, só atende dez a quinze pessoas pro doutor
[...] (D 19).
18
Esse cenário precisa ser avaliado pelos gestores, pois o usuário que
busca a ESF dispõe de poucos recursos financeiros e depende exclusivamente deste serviço. Nesta perspectiva, ressalta-se que a saúde no Brasil deve ser
repensada em seu sistema, em sua estrutura, em seus processos e em seus
resultados.
A administração dos serviços de saúde deve, igualmente, ser redesenhada para dar-lhe a eficácia necessária. A responsabilidade do Estado para
com a saúde tem sido a de garantir o mínimo de assistência aos que não
podem pagar e a de se considerar que são estes os seguimentos populacionais que vivem permanentemente em situação de exclusão e os que menos
se beneficiam dos serviços de saúde, sendo que é dever do estado e direito
de todos priorizar essa parcela da sociedade (MERHK; MAGALHÃES JUNIOR;
RIMOLI, 2004).
Somente assim, o sistema e os serviços terão efetividade, ou seja, chegarão aos resultados desejados e eficientes. Da mesma forma, os resultados
serão adequados, o que quer dizer que os cuidados realizados dependerão
das necessidades dos pacientes (MEZOMO, 2001).
Todos os trabalhadores, usuários e gestores dos serviços sabem que
para mapear as possíveis finalidades buscadas pelos atos de saúde, como
atos de ações individuais e coletivas, como abordagem clínica problemática
de saúde enquanto práticas sanitárias, conjugam todos os saberes e práticas
implicadas com a construção dos atores cuidadores, enfim, como mecanismos tecnológicos produtores de atos de saúde que no seu conjunto formam
os modelos de atenção básica (MERHK; MAGALHÃES JUNIOR; RIMOLI, 2004).
Neste sentido, destaca-se que ainda existe um grande desafio por parte dos
gestores do SUS para governar as relações entre trabalhadores e usuários.
No que tange à demora para o atendimento, atribui-se que as filas no
serviço público de saúde são em parte causadas pela escassez de recursos
humanos capacitados para o atendimento a essa demanda social. É preciso
dar dignidade ao sistema de atenção à saúde, tornando-o mais responsável
e responsivo às necessidades dos seus usuários (MEZOMO, 2001).
Por experiência, os profissionais e consumidores sabem que, quanto
maior a composição das caixas de ferramentas utilizadas para a conformação
do cuidado pelos trabalhadores de saúde, individualmente ou em equipes,
maior será a possibilidade de se compreender o problema de saúde enfrentado e maior a capacidade de enfrentá-lo de modo adequado, tanto para
o usuário do serviço quanto a própria composição dos processos de trabalho. Quanto mais claro for o sentido da ação dos trabalhadores dado pelo
campo dos usuários, mais definitivo o modelo de atenção explícita como
comprometido com a defesa da vida.
Os serviços de saúde tem mostrado que, conforme os modelos de
atenção que são adotados, nem sempre a produção do cuidado em saúde
está comprometida efetivamente com a cura e a promoção. As duras experiências vividas pelos usuários e trabalhadores de saúde mostram isso cotidianamente, em nosso país.
É preciso deixar de avaliar os serviços de saúde apenas quantitativamente: equipamentos; paciente-dia; porcentagem de ocupação; consultas
realizadas; quantidade de profissionais e coisas do gênero, e começar a
avaliá-los qualitativamente: saúde “produzida”; educação dada; satisfação
garantida; sofrimento evitado; erros prevenidos e decisões acertadas (MEZOMO, 2001).
Portanto, a população atendida pela ESF deve ser esclarecida quanto à demanda existente para o atendimento, bem como a importância da
qualidade que estes devem receber. Porém o profissional também precisa
estabelecer critérios para selecionar melhor a clientela que precisa com
mais urgência deste atendimento no dia das marcações das consultas,
bem como orientar melhor sua equipe.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 16-20.
A escassez da visita domiciliar na Estratégia Saúde da Família
A ESF pressupõe a visita domiciliar como tecnologia de interação
no cuidado à saúde, sendo um instrumento de intervenção fundamental
utilizado pelas equipes de saúde como meio de inserção e de conhecimento da realidade de vida da população, favorecendo o estabelecimento
de vínculo com a mesma e a compreensão de aspectos importantes da
dinâmica das relações familiares.
Nesta categoria, foram ressaltadas pelos entrevistados as principais
dificuldades vivenciadas pelos usuários, destacando-se a falta de visita domiciliar, como é relatado pelas depoentes:
[...] a agente de saúde não é boa, porque ela não vai na casa
[...] (D 04).
[...] porque é muito ruim pra trazer ela que não enxerga e se
pudesse ir até o lugar que ela vive eu achava melhor [...] (D 09).
O agente de saúde demora muito ir na casa [...] (D 14).
[...] agente de saúde da vila não vai nas casas, que só vai em caso
de doença, essas coisas, e o direito dela é ir, saber mais, ir nas
casas, coisa que ela não faz (D 19).
É imprescindível a visita domiciliar para os pacientes impossibilitados por qualquer motivo de buscar o serviço na UBS. Sendo necessário o
acompanhamento desses pacientes por toda a equipe da ESF. Os depoimentos mostram que quando o usuário não é compreendido e respeitado
há uma sensação de desagrado contrariando as suas expectativas.
A comunidade é a razão da existência do programa e deve ser identificada como sujeito capaz de avaliar e intervir, modificando o próprio sistema, fortalecendo, assim, o fazer democrático da saúde. A abertura para a
avaliação do sistema de saúde pelos usuários favorece a humanização do
serviço, exercita a aceitação da visão e percepção do outro.
Mediante as falas foi possível evidenciar que a maioria dos usuários
relata receber visitas dos profissionais de saúde atuantes na ESF, somente
quando apresentam alguma situação mais crítica em relação a sua saúde
ou em casos em que não podem se deslocar até à unidade de saúde do
seu bairro. É possível inferir que os resultados encontrados destoam das
diretrizes da ESF, como lembra Rosa e Labate (2005). O Programa se apresenta como uma nova maneira de trabalhar a saúde, tendo a família como
centro de atenção, em que não espera a população chegar à unidade para
ser atendida, uma vez que suas ações envolvem a atenção preventiva à
saúde, inclusive em sua morada.
Quanto mais o profissional se limita ao atendimento na unidade de
saúde, restringindo-se ao atendimento em casos de doença a domicílio,
mais difícil se torna a reversão do modelo centrado na doença e mais se
distancia dos propósitos filosóficos do programa. É muito mais agradável
visitar para promover a saúde do que para tratar a doença. A família deve
ser o eixo norteador das ações de saúde, que vai além da dimensão curativa, alcançando as áreas preventivas e de promoção à saúde. Neste mesmo pensamento, Teixeira (2004), pontua que o Programa Saúde da Família
torna-se de fato “saúde da família” o foco da atenção deve ser a família e
sua morada, sendo que a visita domiciliar deve ser realizada por todos os
integrantes da equipe.
A visita domiciliar é um conjunto de ações de saúde voltadas para o
atendimento, tanto educativo como assistencial (KAWAMOTO et al., 1995).
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 16-20.
A visita, como é realizada no âmbito domiciliar, proporciona uma dinâmica aos programas de atenção à saúde e constitui uma atividade utilizada
com o intuito de subsidiar a intervenção no processo de saúde-doença de
indivíduos ou no planejamento de ações, visando a promoção da saúde da
coletividade (TAKAHASHI, 2000).
A VD é utilizada pelos integrantes das equipes de saúde para conhecer as condições de vida e sáude das famílias sob sua responsabilidade
e para isso devem utilizar as habilidades e competências não apenas para
o cadastramento dessas famílias, mas para identificação de suas características sociais, ou seja, condições de vida e trabalho, aspectos epidemiológicos, problemas de saúde e vulnerabilidades aos agravos de saúde. A sua
execução ocorre no local de moradia dos usuários dos serviços de saúde e
obedece uma sistematização prévia (TAKAHASHI, 2000).
Para o sucesso de uma visita domiciliar é necessário planejamento,
execução, registro de dados e avaliação. As prioridades para a visita domiciliar incluem os recém-nascidos, crianças com patologias graves ou faltosas
aos agendamentos das vacinas, portadores e comunicantes de doenças
transmissíveis, gestantes de alto risco ou com Venereal Disease Research
Laboratory (VDRL) positivo e/ou faltosas, além de acamados e deficientes
físicos (KAWAMOTO et al., 1995).
Ainda segundo estas autoras, a visita domiciliar é uma estratégia
que apresenta algumas vantagens e desvantagens. Dentre as vantagens,
pode-se citar: a presença do profissional de saúde in loco para levar informações de saúde ao grupo familiar, permitindo, com isto, uma visualização de condições peculiares de habitação, higiene e hábitos de vida; um
planejamento das ações mais factível, já que busca atender às condições
observadas no domicílio; o melhor relacionamento do grupo familiar com
o profissional de saúde por ser sigiloso e menos formal, além da liberdade
para se expor os mais variados problemas, já que o tempo disponível é
maior do que quando o atendimento é realizado nas dependências dos
serviços de saúde.
Evidenciaram-se como desvantagem as dificuldades de acesso; a
limitação dos encontros, devido ao horário de trabalho e os afazeres domésticos, que podem impossibilitar ou dificultar a sua realização; um tempo maior para o atendimento, seja pela locomoção ou pela execução da
visita; o que o torna um método dispendioso e de pouco alcance a uma
parcela numericamente maior da população.
O ACS mora na comunidade e está vinculado à ESF que atende a
comunidade. Este funciona como elo entre e a comunidade e está em contato permanente com as famílias, o que facilita o trabalho de vigilância e
promoção da saúde, realizado por toda a equipe (BRASIL, 2004). O número
de ACS varia de acordo com o número de pessoas sob a responsabilidade
da equipe numa proporção média de um agente para 550 pessoas acompanhadas (MERHK; MAGALHÃES JUNIOR; RIMOLI, 2004).
Neste sentido, cumpre destacar que é preconizado que o ACS realize, no mínimo, uma visita por família da área de abrangência ao mês, sendo que, quando necessário, estas podem ser repetidas de acordo com as
situações determinantes de cada realidade. Cabe aos demais profissionais
da ESF planejar suas visitas domiciliares, procurando atender às demandas
identificadas pelos ACS. A ESF e a VD assumem uma dimensão política e
assistencial de promoção em saúde que interfere, ou seja, atuam de maneira concreta na organização e produção dos serviços de saúde.
4
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados nos indicam caminhos para um maior aprofundamento no que diz respeito à satisfação dos usuários com a assistência
19
prestada nas visitas domiciliares pelas estratégias de saúde da família no
município de Teresina-PI.
De modo geral, a ESF é valorizada pela população e vem conquistando avanços significativos na atenção básica, assim como tem colaborado para a reorganização do sistema de saúde no Brasil. O estudo mostrou
aspectos negativos da Estratégia Saúde da Família e o que mais chamou
atenção foi a questão da limitação do número de consultas médicas e a
falta da visita domiciliar.
A visão do usuário é fundamental no processo de avaliação da atuação da equipe da ESF, uma vez que através dos reclamos da comunidade
podemos gerar mudanças no sistema para um maior investimento na
atenção básica, diminuindo os males da saúde pública no Brasil.
Considerando ser o Programa de Saúde da Família relativamente
novo, com pouco mais de dez anos de existência, acredita-se que a população não tem a total compreensão dos objetivos do programa. Portanto, faz-se necessário maior entendimento das mudanças de concepção
de modelo, bem como maior atuação no que se refere ao vínculo e coresponsabilidade da população, pressupostos importantes para o sucesso
do programa.
Ressaltamos a importância da equipe de saúde e em especial a do
agente comunitário, este representante legítimo da população, nas ações
de educação e informação dos objetivos, pressupostos e funcionamento
do ESF, bem como da importância do envolvimento da população neste
processo, para que possam ocorrer mudanças significativas nos perfis de
morbidade e condições de vida da comunidade.
No decorrer deste trabalho, pudemos perceber que as comunidades não têm mecanismos para se organizarem de forma que possa
viabilizar o encaminhamento de suas reivindicações. Uma sugestão para
melhorar esse quadro poderia ser a criação de um conselho de saúde na
localidade.
Este estudo permitiu conhecer a realidade sobre a visão dos usuários acerca do atendimento prestado pela equipe ESF, alcançando os
objetivos propostos. Os resultados mostraram dificuldades no acesso ao
serviço de saúde, o que mostra, por si só, o grande desafio que é reconstruir um modelo assistencial, conforme proposto, para construção dessa
política pública. Espera-se que esta realidade apresentada seja trabalhada,
visando a um melhor acompanhamento das condições de vida e saúde
das famílias e, consequentemente, melhoria da qualidade de vida da população, atendendo cada vez mais os objetivos do programa ESF.
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20
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 16-20.
PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN
Abordagem sobre alimentação saudável na estratégia saúde da
família
Approach about Health feeding in Family Health Strategy
Abordaje sobre alimentación saludable en la Estrategia Salud de la Familia
Janaina Vieira Siqueira Santos
RESUMO
Graduanda em Nutrição pela Faculdade NOVAFAPI.
[email protected]
Raul Alfonsyn de Moura Rodrigues
Graduando em Nutrição pela Faculdade NOVAFAPI,
[email protected]
Maria Edna Rodrigues de Lima
Especialista em Saúde Pública pela Universidade Federal do
Piauí e em Gestão de Políticas de Alimentação e Nutrição
pela FIOCRUZ Brasília. [email protected]
O objetivo deste estudo foi conhecer a abordagem sobre a alimentação saudável pela Estratégia da
Saúde da Família. Estudo de natureza qualitativa. Teve como sujeitos 17 profissionais de saúde de
nível superior atuantes na atenção básica de Teresina-Piauí. Adotou-se, para apresentação e discussão
dos resultados, seis categorias assim descritas: concepções sobre alimentação saudável, desenvolvimento de ações, fontes de informações ou conteúdos, alimentação e nutrição e sua relação com o
exercício da profissão, momentos de abordagem, público a quem se destinam as ações. Os resultados
evidenciam pouco ou nenhum conteúdo específico de nutrição na formação acadêmica desses
profissionais. Suas abordagens sobre alimentação saudável estão voltadas para a prevenção ou tratamento de agravos que prescindem da orientação nutricional, especialmente Doenças Crônicas Não
Transmissíveis, ou para os ciclos da vida: infância, gestação e idosos. Referem-se à alimentação e
nutrição como conteúdo essencial para o exercício de suas funções, seja em momentos individuais
ou coletivos. Pode-se dizer que as abordagens sobre alimentação saudável apontadas pelos profissionais, em parte, atendem ao preconizado pela Promoção da Alimentação Saudável definida na Política
Nacional de Alimentação e Nutrição do Mistério da Saúde.
Descritores: Alimentação. Atenção Básica. Saúde.
ABSTRACT
This study aimed at knowing an approach about health feeding by Family Health Strategy. Study
of qualitative nature. It had as person 17 health profissionals of superior level acting in the basic
attention of Teresina-Piauí. It was adopted, to the presentation and discussion of the results, six cathegories so described: conceptions about health feeding, action development, information source
or contents, feeding and nutrition and its relation with the profission exercise, approach moments,
public whom to the actions are destined. The results evidence little or any specific content nutrition
in the academic formation of these profissionals. Their approach about health feeding are turned to
prevention or treatament of aggravating that dispense nutritional, orientation specially Non Transmissible chronic disease, or to life cycles: Childhood, mamagement and elderly. It refer themselves
to feeding and nutrition as essential content to the functions’ exercises, be in collective or individual
moments. It can be Said that the approaches about health feeding pointed by the profissionals, in
part, deal with advocated by the Promotion of health feeding defined in the Nutrition Feeding National Politic of the Health Ministry.
Descriptors: Feeding. Basic Attention. Health.
RESUMEN
Submissão: 18/10/2008
Aprovação: 12/01/2009
El objetivo de este estudio fue conocer el abordaje sobre la alimentación saludable por la Estrategia
de la Salud de la Familia. Estudio de naturaleza calitativa. Tuvo como sujetos 17 profesionales de salud
de nivel superior actuantes en la atención básica de Teresina-Piauí. Se adoptó para presentación y discusión de los resultados, seis categorías así descriptas: concepciones sobre alimentación saludable,
desarrollo de acciones, fuentes de informaciones o contenidos, alimentación y nutrición y su relación
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 21-27.
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con el ejercicio de la profesión, momentos de abordaje, público a quién se
destinan las acciones. Los resultados evidencian poco o ningún contenido
específico de nutrición en la formación académica de esos profesionales.
Sus abordajes sobre alimentación saludable están vueltas para la prevención o tratamiento de agravios que prescinden de la orientación nutricional, especialmente Enfermedades Crónicas no Transmisibles, o para los
ciclos de la vida: niñez, gestación e idosos. Se refieren a la alimentación y
nutrición como contenido esencial para el ejercicio de sus funciones, sea
en momentos individuales o colectivos. Se puede decir que los abordajes
sobre alimentación saludable citadas por profesionales, en parte, asisten al
preconizado por la Promoción de la Alimentación Saludable definida en
la Política Nacional de Alimentación y Nutrición del Ministerio de la Salud.
Descriptores: Alimentación. Atención Básica. Salud.
1
INTRODUÇÃO
O Sistema único de Saúde - SUS representa a materialização de uma
nova concepção acerca da saúde em nosso país. Antes, a saúde era entendida como “o Estado de não doença”, o que fazia com que toda lógica
girasse em torno da cura de agravos à saúde. Essa lógica, que significava
apenas remediar os efeitos com menor ênfase nas causas, deu lugar a uma
nova noção centrada na prevenção dos agravos e na promoção da saúde.
Para tanto, a saúde passa a ser relacionada com a qualidade de vida da população, e composta pelo conjunto de bens que englobam a alimentação,
o trabalho, o nível de renda, a educação, o meio ambiente, o saneamento
básico, a vigilância sanitária e farmacológica, a moradia, o lazer etc. (BRASIL, 2006a).
Diante das atribuições da atenção básica, que constitui no primeiro
acesso dos usuários aos serviços de saúde, e com o objetivo de impulsionar esse atendimento, foi criada a Estratégia Saúde da Família (ESF),
em 1994, antecedida pelo Programa de Agentes Comunitários de Saúde
(PACS). A Saúde da Família é entendida como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial, operacionalizada mediante a implantação de
equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde. Estas equipes
são responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias, localizadas em uma área geográfica delimitada. As equipes atuam
com ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação
de doenças e agravos mais freqüentes, e na manutenção da saúde desta
comunidade (BRASIL, 2007)
Os dados do Ministério da Saúde, indicam que no Brasil há uma
cobertura de 48,88% da população pela ESF, o que corresponde a 90,73
milhões de pessoas. O país conta com 28. 865 equipes da ESF distribuídas
em 5.106 municípios. No estado do Piauí esta cobertura é de 96,31%, com
1058 equipes distribuídas em todos os 224 municípios, sendo que em 179
destes a cobertura chega a 100%, em 19 municípios tal abrangência é
superior a 80% e em 25 municípios a cobertura é inferior a 78%. Na cidade
de Teresina existem 236 equipes de ESF que perfazem uma cobertura de
94,34% da população (BRASIL 2008 a).
De acordo com COSTA et al. 2009), os problemas de saúde podem ser resolvidos, em 85% dos casos, no próprio ambiente familiar, pois
dentro da unidade da familiar a ESF promove atenção integral, visando
qualidade de vida, evitando internações desnecessárias, através de um
diagnóstico precoce.
A Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) é parte integrante da Política Nacional de Saúde (PNS). Estabelece diretriz para a
adequação de programas, projetos e planos de intervenção relacionados à
alimentação e nutrição no setor saúde e nas áreas afins que venham pro22
piciar a participação do nutricionista na interseção entre a PNAN e a ESF,
estimulando e ampliando práticas alimentares saudáveis na prevenção de
doenças advindas dos distúrbios nutricionais. (BRASIL, 2003a)
Visando apoiar a inserção da ESF na rede de serviços e ampliar a
abrangência e o escopo das ações da Atenção Primária bem como sua
resolutividade, além dos processos de territorialização e regionalização, o
Ministério da Saúde criou o Núcleo de Apoio à Saúde da Família - NASF,
através da Portaria GM nº 154, de 24 de Janeiro de 2008b. Tal núcleo deve
ser constituído por equipes compostas por profissionais de diferentes áreas de conhecimento, para atuarem em conjunto com os profissionais das
ESF, compartilhando as práticas em saúde nos territórios sob responsabilidade das ESF no qual o NASF está cadastrado ( BRASIL, 2008b) e onde o
nutricionista pode ser inserido (BRASIL, 2008b).
Em 2004, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização
Pan-Americana (OPAS) aprovaram, em nível mundial, com o apoio de 192
países, dentre eles o Brasil, a proposta de Estratégia Global para a Promoção da Alimentação Saudável e Atividade Física e Saúde. Este documento
fomenta a necessidade de formulações e implantação de estratégias nacionais efetivas e integradas para a redução dos custos diretos ou indiretos
com a morbidade e a mortalidade relacionadas à alimentação inadequada
e ao sedentarismo. (BRASIL, 2004).
A promoção de práticas alimentares e estilos de vida saudáveis correspondem a uma das diretrizes da PNAN e também se insere como um
dos eixos estratégicos da Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS).
Tal empreitada considera a ampliação e qualificação das ações de promoção nos três níveis de complexidade, desafiando a proposição de uma ação
transversal, integrada e intersetorial. A promoção da alimentação saudável
tem a finalidade de colaborar com a prevenção e o controle de doenças,
respeitando a identidade cultural alimentar das comunidades. Caracterizase pelo consumo de maneira variada a fim de fornecer diferentes nutrientes, necessários para o organismo. Além disso, tal promoção deve atentar
para a qualidade e quantidade dos alimentos necessários à obtenção de
uma nutrição adequada e buscar garantir acesso, sabor e custo acessível
(BRASIL, 2003b).
Admite-se que a atenção integral, conforme preconizada, só se
concretiza através da atuação de uma equipe multidisciplinar, pois a mudança nas formas de intervir é decorrente de uma “atuação e abordagem
interdisciplinar ao indivíduo e à população na realidade em que se inserem”. Além disso, a “interdisciplinaridade caracteriza-se pela intensidade
das trocas entre os especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas” (CARVALHO, 1993)
A dificuldade que os profissionais médicos e enfermeiros encontram para lidar com as questões de alimentação decorrem da complexidade do problema em si, do seu desconhecimento sobre ele e dos conflitos
que emergem das contradições entre eles, entre o que se sabe e o que se
pensa, também com o que se sente e o que se faz na prática. Resulta dessa
situação que o não reconhecimento dos problemas alimentares e nutricionais impede a busca de um trabalho em equipe. Não há a percepção
do problema e muita menos a percepção de que existe um profissional
tecnicamente habilitado para lidar com estas questões (BOOG, 1999).
Trabalhar questões de alimentação e nutrição vem tornando-se inegavelmente necessário, visto o atual perfil de morbi-mortalidade da população brasileira, o qual indica elevação das doenças crônicas não transmissíveis como o Diabetes Mellitus, a obesidade, neoplasias, a hipertensão
arterial e as hiperlipidemias. Por sua vez, essas doenças estão diretamente
relacionadas com a alimentação, nutrição e estilo de vida da população
(LIMA, 2008).
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 21-27.
O que pode fortalecer a atuação do nutricionista, chefiando ações
de nutrição na atenção básica, é a falta de embasamento teórico dos
outros profissionais da equipe da ESF no que concerne à orientação aos
pacientes acerca de alimentação bem como o desconhecimento dos mesmos sobre como abordar problemas referentes à nutrição (BOOG, 1999).
Portanto, faz-se necessário o uso de estratégias que valorizem a alimentação saudável na promoção da saúde e na prevenção de agravos a
partir da atenção básica, reduzindo assim, riscos para as doenças advindas
de uma alimentação inadequada e melhorando a qualidade de vida da
população.
Este estudo tem como objetivo conhecer a abordagem sobre a alimentação saudável na Estratégia da Saúde da Família.
2
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo qualitativo, dada a natureza do objeto de
estudo. A pesquisa qualitativa não se baseia em critério numérico para
garantir sua representatividade. Uma pergunta importante neste item
é “quais indivíduos sociais tem uma vinculação mais significativa para o
problema a ser investigado?”. A amostragem boa é aquela que possibilita
abranger a totalidade do problema investigado em suas múltiplas dimensões (MINAYO, 1999).
O estudo foi realizado no município de Teresina-Piauí, onde existem
236 equipes da ESF implantadas e distribuídas em três Coordenadorias
Regionais de Saúde. Participaram deste estudo 17 profissionais de nível
superior (médicos, enfermeiros e odontólogos) da ESF, vinculados a uma
UBS de cada Coordenadoria Regional de Saúde, previamente selecionada
mediante sorteio. Houve sete recusas de participação.
As entrevistas aconteceram na UBS, em ambiente reservado durante o horário de funcionamento, com agendamento prévio, a fim de se
evitar interrupções nas falas e no andamento do serviço. Foram realizadas
por dois pesquisadores no período de um mês. A adesão dos sujeitos se
deu de forma espontânea.
As entrevistas foram cessadas ao ser observado saturação das falas
dos sujeitos “pelo fato de indicar quando o conjunto de entrevistas realizadas já apresenta uma amplitude do problema estudado, bem como as suas
partes de diferenças e semelhanças”, como refere Minayo, 1999. O instrumento utilizado para registrar o discurso dos sujeitos foi um
formulário contendo questões abertas e fechadas, construído com base no
referencial teórico utilizado. As questões fechadas buscaram informações
referentes à identificação, formação dos sujeitos, sua concepção sobre
alimentação saudável, fontes de conteúdos e materiais disponíveis para
realização de ações de PAS. As questões abertas buscaram compreender a
abordagem sobre PAS pelos sujeitos do estudo.
Para melhor captação das falas, foi utilizado gravador e mp3 digital,
mediante consentimento dos sujeitos e garantido anonimato em relação
à sua identidade. Foram exaustivamente ouvidas e posteriormente transcritas na íntegra pelos pesquisadores, mantendo as informações e a ordenação dos dados. Em conformidade com a Resolução 196/96 do Conselho
Nacional de Saúde (CNS), a proposta de estudo foi aprovada pelo Comitê
de Ética e Pesquisa (CEP) da Faculdade Novafapi e pela Comissão de Ética
em Pesquisa Fundação Municipal de Saúde (FMS), instituição sede do estudo.
Para a análise dos dados, foi utilizada a técnica de análise de conteúdo, conforme foi proposto por Bardin. Segundo essa autora, “trata-se
de um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter,
por procedimentos sistemáticos e objetivos, a descrição do conteúdo das
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 21-27.
mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência
de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis
inferidas) destas mensagens”. (MINAYO, 2005)
Após a análise dos conteúdos, adotou-se, para apresentação e discussão dos resultados, seis categorias assim descritas: concepções sobre
alimentação saudável, desenvolvimento de ações, fontes de informações
ou conteúdos, alimentação e nutrição e sua relação com o exercício da
profissão, momentos de abordagem, público a quem se destinam as
ações.
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RESULTADOS E DISCUSSÕES
Após traçar o perfil dos sujeitos e analisar o conteúdo das falas, foram estabelecidas seis categorias essenciais para compreensão da abordagem sobre alimentação saudável na concepção de profissionais de nível
superior (enfermeiros, médicos, odontólogos) da atenção básica, quais sejam: concepções sobre alimentação saudável, desenvolvimento de ações,
fontes de informações ou conteúdos, alimentação e nutrição e relação
com o exercício da profissão, momentos de abordagem, público a quem
se destinam as ações.
Perfil dos Sujeitos
O estudo foi concluído com 17 entrevistas, sendo 03 médicos, 07
odontólogos, 07 enfermeiras. Dos profissionais de saúde que aceitaram e
participaram da entrevista, 13 (76,5%) eram do sexo feminino e 04 (23,5%)
do sexo masculino, sendo as categorias de enfermagem e odontologia as
que mais participaram desta pesquisa. A minoria foi a de médicos. O perfil
etário encontrou-se na faixa de 28 a 66 anos, com média geral de idade
de 47 anos, sendo os profissionais de odontologia os mais jovens, com 48
anos, e os médicos, os mais velhos, com 51 anos, em média.
Formação Acadêmica
Quanto à formação acadêmica, a maioria dos sujeitos revela que
pouco ou nenhum conteúdo de nutrição foi abordado, pois naquele período a nutrição, como disciplina, ainda não constava nos currículos. Os
participantes que responderam afirmativamente relataram terem recebido
informação introdutória, e que foram adquirir mais conhecimentos em serviço. O curso de enfermagem apresenta a disciplina, mas é optativa, como
pode ser percebido na fala:
Não, na realidade tinha disciplina optativas, mas por questões
de horários, eu não tive como pagar essas disciplinas, inclusive
são aquelas com carga horária bem reduzidas tipo 20 horas, ou
seja, optativas ( E 16)
E quanto à abordagem sobre os conteúdos de nutrição em outra
disciplina, a visão não foi diferente, a maioria respondeu que não havia, e
poucos refletiam a presença da nutrição no decorrer do curso. Somente
quando se falava em patologias, referiu uma das falas, ou ao fazerem cursos de pós-graduação, diz outra fala:
Só quando se falava de patologia, ai a nutrição entrava. Alimentação adequada mesmo, não tinha aquela coisa direcionada a
nutrição mesmo não (E 13)
No Brasil, constituem exceções os cursos de Medicina em que se
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ministram disciplinas na área de Nutrição e Dietética. Até 1994, Enfermagem era o único curso da área da Saúde que continha a disciplina Nutrição
dentro de seu currículo mínimo, alocada na área de Ciências Fisiológicas
(Resolução MEC 04/72), além dos próprios cursos de Nutrição.Com a última alteração do currículo mínimo dos cursos de Enfermagem, oficializada
através da Portaria 172/94 do Ministério da Educação e do Desporto, a disciplina Nutrição e Dietética deixa de integrá-lo, ficando, portanto, facultado
aos cursos oferecê-la ou não. Estes fatos refletem a tendência do ensino
na área de Saúde de privilegiar o ensino de técnicas de tratamento em
detrimento dos aspectos preventivos que se estabelecem na qualidade da
interação do homem com o meio ambiente (BOOG, 1999).
CATEGORIA 01 – Concepções sobre alimentação saudável
As falas dos profissionais mostram que eles concebem alimentação saudável como equilibrada, balanceada, variada, que fazem bem à
saúde, contendo nutrientes e considerando quantidade e qualidade. Concepções semelhantes são encontradas em estudos de Silva et al. (2002),
onde alimentação saudável é condição a alimentar que deve ser variada,
balanceada e equilibrada com nutrientes; que ofereça benefícios à saúde
para a adequação às necessidades nutricionais do indivíduo para um peso
saudável e que tenha alimentos frescos naturais e integrais.
Eu acho que uma alimentação que busca englobar os diversos
alimentos existentes dentro dos grupos dos carboidratos, proteínas, verduras, legumes, frutas procurando seguir aquela pirâmide alimentar mais básico que a gente vê desde que, agente
estuda no ensino médio, a gente vê alguma coisa, então acho
que concepção de alimentação é isso, e buscando redução de
gorduras e açúcares (E 05)
... é sem muita gordura saturada, sem muito sal (sódio), alimentação a base de frutas, alimentação que seja de fácil digestão
que não engorda essas coisas (E.07)
... alimentos que não contem excesso de gordura, excesso de
doces, excesso de massas. Esses são alimentos saudáveis! Ricos
em fibra. Alimentação saudável é isso! (E. 09)
... é você se alimentar de forma prática, é consumindo, frutas,
verduras , é evitando carne vermelha, é consumindo derivados
do leite é ter um equilíbrio de proteínas, vitaminas, sais minerais
, pra que você tenha uma conduta de vida com regularidade
, principalmente para as pessoas que já tem alguma patologia
pregressa e exigem uma alimentação realmente saudável (E.
16)
RRecomenda a Organização Mundial da Saúde que os países adotem estratégias de prevenção para modificar a dieta, a fim de alcançar injesta de nutrientes dentro dos limites aconselhados. As recomendações
específicas referem-se à diminuição de ingestão de gorduras, aumento de
alimentos amiláceos e uma ingestão considerável de frutas e hortaliças
(BRASIL, 2006b).
As mudanças no padrão de alimentação da população urbana brasileira, estudadas por Mondini & Monteiro (1994), evidenciam tendência
exatamente contrária. A participação de lipídios no consumo calórico total,
no Brasil, aumentou de 26% para 29,8% entre 1962 e 1988; a de carboidratos diminuiu de 62,1% para 57,4%, e a de frutas caiu de 3,8% para 2,5%, no
mesmo período. (BOOG 1999).
24
Em relação ao grupo especifico de frutas, legumes e verduras, considerando um consumo calórico médio de 1800 calorias (POF 2003), a participação relativa deste grupo é de 3,37%, com uma participação absoluta
em torno de 60 calorias e 132 gramas. Considerando a recomendação da
OMS, de consumir pelo menos 400 gramas de frutas, legumes e verduras
ao dia para prevenir doenças crônicas não transmissíveis, é necessário que,
em uma dieta de 2000 calorias, 9% das calorias totais (183 calorias) sejam
provenientes de frutas, verduras e legumes. Nesta análise, os dados indicam uma necessidade de triplicar o consumo de f,l&v no Brasil (PINHEIRO
e GENTIL, 2005).
De acordo com Silva et al. (2002), 15% dos profissionais de saúde
acreditam que o maior consumo de legumes, verduras, frutas e cereais integrais, bem como a redução de alimentos industrializados, fazem parte do
ideário da alimentação saudável.
Outro aspecto observado no estudo foi a alimentação saudável
como benéfica à saúde enquanto estratégia para recuperação de agravos,
a partir do consumo de frutas e verduras:
Alimentos que faz bem a saúde. de acordo com o diagnostico
que a pessoa tem, se for hipertenso tem dieta baseada na doença, se for desnutrido também (E. 02)
Silva et al. (2002), relatam em seus estudos que 30% dos profissionais de saúde referem que alimentação saudável é aquela que permite
qualidade à saúde e equilíbrio orgânico.
Abordar questões relativas à Promoção da Alimentação Saudável
dentro dos serviços de saúde, especificamente na ESF, é um desafio que
deve ser solucionado não somente por ações a partir de agravos para grupos específicos, mas com uma equipe multidisciplinar, buscando qualidade de vida aliada a estilos de vidas saudáveis. (COSTA et al., 2009).
A alimentação saudável foi associada, também, ao consumo de
alimentos naturais. Os profissionais, durante suas orientações, indicam
alimentos in natura, dão preferência ao consumo de carne branca (peixes
e frangos) além do consumo de frutas, verduras, legumes:
Alimentos naturais como: frutas, verduras, legumes a carne magra, carne branca, peixe, frango e a vermelha se for uma carne
com não muita gordura (E. 13)
E pôde-se perceber na fala de uma enfermeira a importância,
também, da procedência, cuidados higiênicos e qualidade da água:
... essa questão da gordura saturada, muita fibra muita verdura,
muita fruta e higienização, por que não adianta nada a gente
não saber de onde vem, a procedência dessa verdura. Então alimentação saudável é isso ai. Cuidado com a água, a água tratada. Acho que é o mínimo, é o básico a questão da gordura, fibra
e água tratada (E. 06)
Pode-se dizer que as concepções sobre alimentação saudável
apontadas pelos profissionais de saúde, em parte, estão de acordo com o
que preconiza a PAS do MS, definido na PNAN, pois consideram variedade,
quantidade, qualidade e aumento do consumo de L, F&V e redução de
açucares, gorduras e sódio.
Porém, quando as falas expressavam concepções sobre qualidade, não deixam claro se esta qualidade estava voltada para as condições
microbiológicas ou para as propriedades nutricionais dos alimentos.
Não há relato de concepção da alimentação saudável que conRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 21-27.
siderassem os aspectos culturais e a regionalização.
CATEGORIA 02 – Desenvolvem ações de promoções da alimentação saudável.
A maioria dos profissionais afirmou desenvolver ações de promoção da alimentação saudável e que as mesmas ocorrem através de palestras, nas consultas de rotina, ou em atividades educativas e para grupos
específicos, como hipertensos, diabéticos, gestantes, puericultura, ou seja,
de acordo com os agravos. Assim, explicam e orientam sobre alimentação
saudável.
Sim, nós fazemos palestras usando esses ‘formulários’, nós usamos os dez passos da alimentação saudável, nós usamos orientação alimentar para hipertensão e na puericultura de acordo
com o grupo lê e explica e orienta (E. 02)
Ao explicitar as atividades desenvolvidas para a PAS, a profissional
se refere aos materiais educativos (folders, folhetos) enviados pela FMS,
como formulários.
Desenvolvo na minha rotina nas consultas de enfermagem e
todas as oportunidades que eu tenho de qualquer grupo ou
criança ou adulto, sempre trabalho a prioridade do PSF que é
a prevenção ( E. 06)
Os profissionais expressaram, também, dificuldades de abordar
conteúdos sobre alimentação saudável, seja por que em sua formação
acadêmica não houve disciplinas que referentes à área de alimentação
e nutrição, seja por entender que o desenvolvimento destes conteúdos
compete a outros profissionais, ou por não terem participado de qualificação específica promovida pelo serviço. E ainda há o relato das dificuldades
quanto ao espaço físico e adesão do público, como foi relatado na fala de
uma enfermeira.
Bom aqui no nosso programa é meio complicado desenvolver
atividade devido o espaço físico, a minha área é uma área de
classe média que a gente tem um pouco de dificuldade de pegar as pessoas... (E. 16)
Percebeu-se nas falas dos profissionais odontólogos, maior freqüência quanto a não desenvolver ações de promoção da alimentação
saudável, pois acreditam ser atividade de competência de outros profissionais, e no caso da atenção básica, mais especificamente do profissional de
enfermagem. E, quando afirmaram desenvolver ações sobre PAS, o faziam
no sentido de prevenir agravos relativos à saúde bucal, mas especificamente sobre a prevenção de cárie, o que é grandemente potencializado
pelos alimentos cariogênicos (carboidratos simples).
rie, a gente cobra sempre da uma orientação pra mãe e fica até
cobrando das crianças essa coisas do bombom dos alimentos
cariogênicos (E .14)
CATEGORIA 03 – Fontes de informações ou conteúdos utilizados
Nas falas dos profissionais sobre fontes de conteúdos ou informações por eles utilizados para o desenvolvimento das ações de promoção
da alimentação saudável, foram identificados os seguintes: revistas, folders,
livros, no próprio serviço da Fundação Municipal de Saúde, materiais do
MS internet, cartilhas. Sendo os livros os mais citados.
Isto nos faz perceber que a maioria dos conteúdos utilizados para
promoção da alimentação saudável são construídos a partir de bases científicas confiáveis e sempre buscam atualizar essas informações.
Nos materiais educativos que nós temos um quite da família
brasileira fortalecida que orienta muito sobre alimentação saudável, e nos próprios treinamentos que a gente recebe da Fundação, da Regional que tem algum tema que envolveu sobre
alimentação saudável (E. 10)
A gente procura se informar, né. Através de leitura de livros ,
através de internet, pra ta sempre atualizado com as pesquisas,
inovações com o que esta aparecendo...” ,atualmente já não são.
Então a gente tem que esta sempre se atualizando... (E.17)
As informações/conteúdos utilizados para prática sobre alimentação saudável, em parte, são materiais de caráter informais. Em Boog, 1999,
apud Santos, 2007, encontramos controvérsias. Relata que os profissionais
de saúde adquirem conhecimentos para a prática da educação/orientação
nutricional na maioria das vezes baseados em materiais não científicos. O
estudo de Aquino e Campos (2007), revela que as informações adquiridas
pelos profissionais de saúde sobre alimentação, para realizarem seus atendimentos, são obtidas a partir de leituras informais e troca de opinião na
equipe, em reuniões.
CATEGORIA 04 - Relação com o exercício de sua profissão
As falas dos sujeitos denotam que o exercício de sua profissão tem
relação com a abordagem da alimentação e nutrição, mesmo nas mais específicas, como as dos odontologos.
Tem! Muito! Vai depender, porque nós somos como pessoas de
referencias. Nossas orientações valem muito para a comunidade. Vai depender muito é da educação também. A gente nota
também que o maior problema é educativo e também social
(E.02)
Quando os odontólogos afirmaram executarem ações de PAS, o faziam focado apenas na saúde bucal.
É importante a alimentação até porque, o meu trabalho especifico se refere a saúde da boca, mas a gente não pode ver somente saúde da boca ou do dente , mas temos que ver a saúde
integral. Então são dois profissionais a odontologia e a nutrição
que precisão trabalhar integrados, porque é questão de obesidade, questão de infecções bucais estão muito integradas a
essas duas profissões que precisam o andar juntas e fazer um
trabalho muito integrado pra termos um bom resultado pra o
paciente (E. 17)
Sim, principalmente com relação à criança a gente bate muito
em cima disso: evitar açúcar, bombom. Então a gente sempre
fica muito atento quando a criança tem um alto índice de ca-
A Promoção da saúde nos dias atuais ressalta que são necessárias
novas políticas e praticas de intervenção sobre o processo saúde – doença,
buscando melhoria da qualidade de vida da população em geral. Políticas
Não! Aqui basicamente é a enfermeira que direciona mais nesse
aspecto (E.03)
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 21-27.
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de promoção de vida saudável requerem a participação dos diversos setores de saúde, além de uma equipe multidisciplinar, para desenvolver as
mesmas (CARVALHO et al., 2004). Os demais profissionais da atenção básica também reconhecem a importância da interdisciplinaridade para promoção da alimentação
saudável:
Tem muito relacionamento. Por que a gente trabalha com promoção da saúde, o PSF que é a estratégia da atenção básica que
trabalha a prevenção, a proposta promoção alimentação saudável é uma proposta da política da promoção da saúde. Então
assim, tem tudo a ver (E. 06)
Com certeza! Relação sempre tem! Na realidade cada um tem
seu papel, mas as vezes acaba que a doença é comum pra todos
as profissões, então como a nutrição é importante para o nutricionista, acaba que ela é importante para outros profissionais
de saúde (E 16)
Promoção da alimentação saudável constitui-se numa das estratégias de saúde pública de vital importância para o enfrentamento dos problemas alimentares e nutricionais do contexto atual. Devem consistir em
uma abordagem integral capaz de prevenir ao mesmo tempo as doenças
causadas por deficiências nutricionais– reforçando a resistência orgânica
para as doenças infecciosas – e em uma redução da prevalência do excesso de peso e das outras doenças crônicas não transmissíveis associadas
(COUTINHO, 2008).
CATEGORIA 05 – Momentos de abordagem da alimentação saudável
Os profissionais referem-se à alimentação e nutrição como
conteúdo essencial para o exercício de suas funções, seja em momentos
individuais (consultas de rotina) ou coletivos.
Palestras educativas no uso da multimistura desnutridos, hipertensos e diabéticos e orientação para preparo dos alimentos (E.
01)
Percebe-se nesta fala a inclusão da multimistura como alimento
saudável. Contudo, a mesma não é reconhecida como tal pelo Ministério
da Saúde e pelo Conselho Federal de Nutrição, tanto pelos seus aspectos
antinutricionais já comprovados cientificamente como por não se constituir em uma estratégia adequada ao atendimento das necessidades alimentares e nutricionais da população brasileira, de modo que possa atender à amplitude da Segurança Alimentar e Nutricional. Porém, a ANVISA
publicou a Resolução nº 53, de 15 de junho de 2000 (DOU de 19/06/2000),
que fixa a identidade e as características mínimas de qualidade para a “mistura à base de farelo de cereais”, abrangendo sua composição obrigatória e
opcional, dentre outros itens.
As concepções dos profissionais de saúde apontaram ainda para
uma abordagem das ações de promoção da alimentação saudável na
atenção básica, voltadas para a prevenção ou tratamento de agravos que
prescindem da orientação nutricional, especialmente para as DCNT. Considerando também ciclos da vida como infância, gestação e idosos
Nos grupos de hipertenso, diabéticos, planejamento familiar,
com gestante, na puericultura, vendo as crianças desnutridas. E
26
então a gente sempre trabalha a alimentação saudável dependendo do grupo (E. 02)
CATEGORIA 06 – Público a quem se destinam as ações
O Estudo mostrou que o público prioritário para o qual são destinadas as ações da promoção alimentação saudável na atenção básica são:
os grupos de hipertensos , diabéticos, idosos, crianças, adolescentes nas
escolas, ou seja, a todos em qualquer fase da vida:
Criança, idoso, hipertenso, diabético, grupo de risco, doenças
crônicas, degenerativa e também na puericultura com as crianças (E. 02)
A alimentação e nutrição constituem direitos humanos fundamentais consignados na Declaração Universal dos Direitos Humanos e são requisitos básicos para a promoção e a proteção da saúde, possibilitando a
afirmação plena do potencial de crescimento e desenvolvimento humano
com qualidade de vida e cidadania (FERREIRA, 2007).
Os profissionais ainda percebem essa ação como integrada a partir
de uma equipe multidisciplinar, e reconhecem o nutricionista como parte
integrante da mesma.
Estes profissionais devem estar imbuídos da percepção de que os
usuários do serviço público não portam apenas doenças, portam desejos,
aspirações e sonhos. Dessa forma, o atendimento e o relacionamento de
profissionais como médicos, enfermeiros e nutricionistas, dentre outros,
deve ser integral (PINHEIRO, 2005).
Assim como Boog (1999), pressupõe-se que os profissionais cujo
trabalho tem relação com a promoção da saúde, prevenção de doenças
ou recuperação da saúde devam não só conhecer os processos nutricionais, mas também estar preparados para aquilatar a influência dos fatores
nutricionais nos problemas que se apresentam na prática profissional, atribuindo a eles a devida importância. Estes problemas de saúde emergentes
requerem a atuação de profissionais que saibam identificar e abordar problemas relacionados à alimentação.
4
CONSIDERAÇOES FINAIS
Fica evidente, a partir das falas dos sujeitos, pouco ou nenhum
conteúdo específico de nutrição abordado durante a sua formação acadêmica. Porém, referem-se à alimentação e nutrição como conteúdo essencial para o exercício de suas funções, seja em momentos individuais ou
coletivos.
As concepções dos profissionais de saúde apontaram para uma
abordagem das ações de promoção da alimentação saudável na atenção
básica voltadas para a prevenção ou tratamento de agravos que prescindem da orientação nutricional, especialmente DCNT, considerando também ciclos da vida como infância, gestação e idosos.
As falas dos sujeitos mostram uma concepção de alimentação saudável. Em parte estão de acordo com o que preconiza a PAS do MS definido na PNAN, pois consideram variedade, qualidade, quantidade, especialmente quanto ao aumento do consumo de frutas, legumes e verduras e
redução de gorduras e sal, com o objetivo de promover saúde e prevenir
doenças ou suas complicações.
Porém, quando as falas expressavam concepções sobre qualidade, não deixavam claro se esta qualidade está voltada para as condições
microbiológicas ou para as propriedades nutricionais dos alimentos.Não
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 21-27.
há relato de concepção da alimentação saudável, considerando os aspectos culturais e a regionalização.
Convém ressaltar que os profissionais reconhecem a importân-
cia da equipe multidisciplinar para uma ação bem sucedida de promoção
da alimentação saudável.
REFERÊNCIAS
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PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN
Grau de satisfação de funcionários de uma unidade de alimentação
e nutrição em um hospital público estadual de Teresina-Pi
Satisfaction degree of employees of a Nutrition and feeding Unit in a state public hospital in Teresina-PI.
Grado de satisfacción de funcionarios de una Unidad de Alimentación y Nutrición en un Hospital Público
Estatal de Teresina-PI.
Mercia Maria da Silva Guede
RESUMO
Graduanda em Nutrição pela Faculdade NOVAFAPI. mercia.
[email protected]
Marinalva da Silva Moura
Graduanda em Nutrição pela Faculdade NOVAFAPI.
[email protected]
Clélia de Moura Fé Campos
Especialista em Nutrição Clínica pela Universidade São
Camilo - São Paulo. Especialistae em Qualidade Higiênico
Santinária de Alimentos pela Universidade Federal do Piauí,
[email protected]
Este estudo objetivou avaliar o grau de satisfação dos funcionários de uma Unidade de Alimentação e Nutrição de um Hospital Público Estadual de Teresina-PI, relacionado às condições de trabalho. Trata-se de uma pesquisa quantitativa, realizada na Unidade de Alimentação e Nutrição do
Hospital Areolino de Abreu, com 41 funcionários, 25 auxiliares de serviço, 3 zeladores, 6 nutricionistas, 3 auxiliares de nutrição e 4 copeiras. Os dados foram coletados através de um questionário
estruturado com perguntas fechadas, sobre as condições do cardápio; quantidade da alimentação;
instalações elétricas; conservação de portas, pisos e paredes; instrumentos de trabalho e qualidade da alimentação, no período de 21 a 29 de setembro de 2009. Posteriormente, os dados foram
processados através do programa estatístico SPSS versão 16.0 e organizados em categorias: sexo;
faixa etária; nível de escolaridade; renda e função. Os resultados indicaram que apesar de existirem
fatores que foram julgados como causas de insatisfação, os funcionários da Unidade de Alimentação e Nutrição, mostraram-se satisfeitos a cerca das condições de trabalho oferecidas dentro desta
unidade. Dessa forma, os pontos considerados negativos servirão de sugestões de melhorias, objetivando fortalecer os aportes necessários à completa satisfação dos funcionários usuários.
Descritores: Alimentação. Nutrição. Satisfação.
ABSTRACT
This study aimed at evaluating the satisfaction degree of the employees of a nutrition feeding Unit
in a state public Hospital in Teresina-PI, related to the work conditions. It treats of a quantitative research carried out, in the Nutrition feeding unit of Areolino de Abreu Hospital, with 41 employees,
25 service auxiliary, 3 zealors, 6 nutricionists, 3 nutrition auxiliary and 4 dinning servants. The data
were collected through a questionaire structured with closed questions, about the menu conditions; Food quantity; eletrics instalations; doors conservation , floors and walls; work instruments
food quality, in the period 21 to 29 of september 2009. subsequently, the data were processed
through statistic program SPSS version 16.0 and organized in cathegories: sex; age range; School
level; income and function. The results indicated that in spite of existing factors that were judged
as insatisfaction, The nutrition and feeding Units showed to be satisfied about the work conditions
offered . This way, The points considered negative will serve of suggestion and improvement, aiming at strengthening the necessary bottom to complete satisfaction of the users employees.
Descriptors: Feeding. Nutrition. Satisfaction
RESUMEN
Submissão: 10/08/2008
Aprovação: 04/02/2009
28
Este estudio objetivó evaluar el grado de satisfacción de los funcionarios de una Unidad de Alimentación y Nutrición de un Hospital Público Estatal de Teresina-PI, relacionado a las condiciones
de trabajo. Se trata de una pesquisa cuantitativa, realizada en la Unidad de Alimentación Nutrición del Hospital Areolino de Abreu, con 41 funcionarios, 25 auxiliares de servicio, 3 celadores, 6
nutricionistas, 3 auxiliares de nutrición y 4 camareras. Los datos fueron colectados a través de un
cuestionario estructurado con preguntas cerradas, sobre las condiciones del menú; cantidad de
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 28-33.
la alimentación; instalaciones eléctricas; conservación de puertas, pisos
y paredes; instrumentos de trabajo y calidad de la alimentación, en el
periodo de 21 a 29 de septiembre de 2009. Posteriormente, los datos
fueron procesados a través del programa estadístico SPSS versión 16.0
y organizados en categorías: sexo; faja etaria; nivel de escolaridad; renda y función. Los resultados indicaron que aunque existan factores que
fueron juzgados como causas de insatisfacción, los funcionarios de la
Unidad de Alimentación y Nutrición, se mostraron satisfechos a cerca de
las condiciones de trabajo ofrecidas dentro de esta unidad. De esa forma,
los puntos considerados negativos servirán de sugestiones de mejorías,
objetivando fortalecer los aportes necesarios a la completa satisfacción
de los funcionarios usuarios.
Descriptores: Alimentación. Nutrición. Satisfacción.
1
INTRODUÇÃO
A alimentação é uma das atividades mais importantes do ser
humano, tanto por razões biológicas óbvias quanto pelas questões
sociais e culturais que envolvem o comer (PROENÇA et al., 2005). Assim, o ato de se alimentar engloba vários aspectos que vão desde o
motivo da busca do alimento até a sua transformação, ou seja, o ato
da alimentação.
De acordo com Abreu, Spinelli e Zanardi (2003), o mercado da
alimentação é dividido em alimentação comercial e alimentação coletiva, sendo que os estabelecimentos que trabalham com produção
e distribuição de alimentos para coletividades atualmente recebem o
nome de Unidade de Alimentação e Nutrição - UAN.
Silva Junior (1995) afirma que a alimentação coletiva realiza-se
fora do recinto familiar e a preparação dos alimentos se dá de forma
prévia. Desta forma, busca-se através da mesma, atender, de forma
semelhante, a um grupo de usuários, utilizando-se, assim, uma sistemática de atendimento que vise à satisfação das necessidades da
clientela atendida.
Historicamente, as UANs surgiram no Brasil na década de 1920,
porém, foi no final da década de 1930 que o setor passou a ter um
pouco de sua importância reconhecida, a partir da reivindicação da
classe trabalhista por melhores condições de trabalho, incluindo a
alimentação subsidiada. Simultaneamente, ocorre a constatação da
classe empresarial de que um trabalhador bem alimentado e saudável
rendia mais, conduzindo as empresas a incluírem, em suas estruturas
funcionais, as Unidades de Alimentação e Nutrição (TEIXEIRA, 2007).
O objetivo de uma UAN é o fornecimento de uma refeição
equilibrada nutricionalmente, apresentando bom nível de sanidade, e que seja adequada ao comensal, denominação dada tradicionalmente ao consumidor em alimentação coletiva. Essa adequação
deve ocorrer tanto no sentido da manutenção e/ou recuperação da
saúde do comensal como visando a auxiliar no desenvolvimento de
hábitos alimentares saudáveis e na educação alimentar e nutricional.
Além desses aspectos ligados à refeição, uma UAN objetiva, ainda, satisfazer o comensal no que diz respeito aos serviços oferecidos. Este
item engloba desde o ambiente físico, incluindo tipo, convivências e
condições de higiene de instalações e equipamentos disponíveis até
o contato pessoal entre operadores da UAN e comensais, nos mais
diversos momentos (PROENÇA et al, 2005).
Matos (2000) observou que, apesar dos avanços tecnológicos
por que vem passando a produção de alimentação coletiva, a existência de espaços de trabalho adequados, o controle do ruído, da temRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 28-33.
peratura e umidade dentro das recomendações, fundamentadas no
conhecimento científico da ergonomia e adequadas ao setor, ainda
são um desafio para as unidades produtoras de refeições coletivas.
Para tanto, apresenta-se o seguinte problema de pesquisa: Qual a importância de conhecer a satisfação dos funcionários da UAN em um
hospital público no processo de desenvolvimento com qualidade?
O objeto de estudo justifica-se pelo fato da pesquisadora de
ter passado por experiências, nas quais se pôde perceber uma grande
deficiência no que diz respeito à satisfação de trabalhadores de UAN.
Então, com esta pesquisa pretende-se acrescentar mais informações
a respeito de Ergonomia, Condições de Trabalho em UAN e Satisfação
no Trabalho, intensificando o fato de que situações de trabalho desfavoráveis aos trabalhadores trazem apenas desvantagens à organização. Visa-se salientar a importância de um ambiente motivador para
a satisfação no trabalho e conseqüente melhoria da produtividade.
Com base nessas informações, o objetivo desse estudo foi estimar o grau de satisfação dos funcionários acerca do trabalho que
desenvolvem na Unidade de Alimentação e Nutrição de um Hospital
Público de Teresina - PI.
2
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa observacional transversal quantitativa. O estudo foi realizado na UAN do Hospital Areolino de Abreu,
localizado no município de Teresina–PI.
A UAN hospitalar contava com 41 funcionários, sendo estes divididos nas seguintes funções: 25 auxiliares de serviço, 3 zeladores, 6
nutricionistas, 3 auxiliares de nutrição e 4 copeiras. Desse total, participaram da pesquisa apenas 35 funcionários, os quais assinaram o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
A pesquisa se iniciou após a autorização da instituição envolvida, assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido pelos
funcionários e a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade NOVAFAPI, conforme prevê a Resolução 196/96 do Conselho
Nacional de Saúde.
O levantamento foi do tipo censitário, no conjunto do universo
estudado. O período da coleta de dados foi realizado no mês de setembro de 2009 pelas autoras da pesquisa através da aplicação de um
questionário estruturado com perguntas fechadas.
Os questionários foram processados através do programa
de análise de dados SPSS – versão 16.0, e os resultados apresentados
em tabela e gráficos. A análise estatística foi descrita a partir dos percentuais apresentados nos resultados.
3
RESULTADOS
A Tabela 1 apresenta o perfil do universo da pesquisa, de acordo com sexo, faixa etária, escolaridade e função desempenhada na
UAN. Constatou-se que dos 35 pesquisados, 80% são do sexo feminino e 20%, do sexo masculino; a faixa etária predominante está entre
45 e 63 anos. No item nível de escolaridade, a maioria tem ensino
fundamental ou médio (34,29%), apenas sete (20%) funcionários têm
ensino superior completo e três (8,57%), ensino superior incompleto.
Um funcionário é analfabeto.
29
Tabela 1: Perfil dos funcionários da UAN do Hospital de acordo com sexo, faixa etária, escolaridade, função e renda. Teresina (PI), 2009.
Sex
mas
fem
Total
Faixa etária
27 |----- 36
36 |----- 45
45 |----- 54
54 |----- 63
63 |----- 72
Total
Escolaridade
analfabeto
até ensino fundamental
até ensino médio
superior incompleto
superior
Total
Função
Aux. de servirço
Zelador
Copeiro
Nutricionista
Aux. de nutrição
Total
Renda (SM)
<1
1 |---- 2
2 |----| 3
>3
Total
N°
7
28
35
8
5
10
10
2
35
1
12
12
3
7
35
24
4
2
4
1
35
5
25
2
3
35
%
20,00
80,00
100,00
22,86
14,29
28,57
28,57
5,71
100,00
2,86
34,29
34,29
8,57
20,00
100,00
68,57
11,43
5,71
11,43
2,86
100,00
14,29
71,43
5,71
8,57
100.00
Tabela 2 Grau de satisfação com quantidade da alimentação oferecida na UAN por função. Teresina(PI), 2009.
Sexo
Faixa etária
Escolaridade
Renda(SM)
Função
Total
30
mas
fem
27 |----- 36
36 |----- 45
45 |----- 54
54 |----- 63
63 |----- 72
analfabeto
até ensino fundamental
até ensino médio
superior incompleto
superior
<1
1 |---- 2
2 |----| 3
>3
Aux. de servirço
Zelador
Copeiro
Nutricionista
Aux. de nutrição
Grau de satisfação em relação a quantidade da
alimentação oferecida na UAN
não sabe/
muito satisfeito
satisfeito
não opina
N°
%
N°
%
N°
%
7
100,00
2
7,14
25
89,29
1
3,57
7
87,50
1
12,50
5
100,00
10
100,00
2
20,00
8
80,00
2
100,00
1
100,00
2
16,67
10
83,33
11
91,67
1
8,33
3
100,00
7
100,00
1
20,00
4
80,00
1
4,00
23
92.00
1
4,00
2
100,00
3
100,00
2
8,33
21
87,50
1
4,17
4
100,00
2
100,00
4
100,00
1
100,00
2
5,71
32
91,43
1
2,86
Total
N°
7
28
8
5
10
10
2
1
12
12
3
7
5
25
2
3
24
4
2
4
1
35
%
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 28-33.
Em relação ao grau de satisfação dos funcionários da UAN, do ponto de vista do paladar, os funcionários do sexo feminino mostraram estar
mais satisfeitos (78,57%), o mesmo ocorrendo com os da faixa etária de 53
a 63 anos (100%). Quanto ao nível de escolaridade, verificou-se uma relação
inversa entre o nível de escolaridade e o grau de satisfação, ou seja, quanto maior o grau de escolaridade, menor é o nível de satisfação. A mesma
tendência é verificada quando se leva em conta a renda dos entrevistados:
maior renda, menor satisfação.
No estudo, pôde-se constatar o grau de satisfação dos entrevistados
acerca da apresentação do cardápio, onde novamente, o sexo feminino demonstrou estar mais satisfeito, representando 17% dos casos, e os do sexo
masculino com 14,29% de representantes. Verificando o nível de escolaridade, constata-se que os profissionais de nível superior e superior incompleto
são menos satisfeitos, ocorrendo, entretanto, um equilíbrio de satisfação entre os que possuem ensino fundamental ou médio, com 83,33% de casos em
ambos os níveis. A renda não foi um fator relevante para a verificação deste
parâmetro, pois ocorreu oscilação entre as funções. Apenas as nutricionistas
demonstraram estar 50% satisfeitas quanto à apresentação do cardápio.
Acerca da variedade de cardápio, observou-se que os entrevistados
de nível fundamental e médio foram os mais satisfeitos (83,3%), o mesmo
ocorrendo com os funcionários que desempenham funções de serviços gerais.
A Tabela 2 apresenta a satisfação dos funcionários da UAN com
relação à quantidade da alimentação servida. Houve um quase consenso
de satisfação ao se observar os elementos do sexo masculino: os de faixa
etária de 36 a 45 anos, os de escolaridade superior e os de renda mais alta.
Quando observamos a função exercida, os resultados apontaram que, dos
zeladores aos auxiliares de nutrição, todos são unânimes em considerar
como satisfatórias (100%) as quantidades servidas.
No item satisfação de funcionários da UAN com as instalações, os
pesquisados do sexo feminino opinaram com o maior índice de satisfação
(50%). Considerando a faixa etária, os funcionários com idade entre 36 e
45 anos representaram 40% de insatisfeitos. Os funcionários com curso
superior incompleto foram unânimes em termos de insatisfação, o mesmo ocorrendo com os de faixa salarial de 2 a 3 salários mínimos. Tomando
como base as funções, os merendeiros e auxiliares de nutrição representaram 100% de satisfação respectivamente. Os nutricionistas – três casos
(25%) – consideraram-se insatisfeitos.
A Tabela 3 expõe os resultados quando o item avaliado foi a qualidade da alimentação servida. Novamente, os profissionais de nível superior
representam 57,14% de insatisfação e, se considerarmos isoladamente os
nutricionistas, observa-se 75% de insatisfação.
Tabela 3 Grau de satisfação com a qualidade da alimentação oferecida na UAN por função. Teresina(PI).2009.
Sexo
Faixa etária
Escolaridade
Função
mas
fem
27 |----- 36
36 |----- 45
45 |----- 54
54 |----- 63
63 |----- 72
analfabeto
até ensino fundamental
até ensino médio
superior incompleto
superior
Aux. de servirço
Zelador
Copeiro
Nutricionista
Aux. de nutrição
Total
Grau de satisfação em relação a quantidade
da alimentação oferecida na UAN
nem satisfeito nem
satisfeito
insatisfeito
N°
%
N°
%
4
57,14
3
42,86
21
75,00
7
25,00
4
50,00
4
50,00
4
80
1
20,00
6
60,00
4
40,00
9
90,00
1
10
2
100,00
1
100,00
9
75,00
3
25,00
9
75,00
3
25,00
3
100,00
3
42,86
4
57,14
17
70,83
7
29,17
4
100,00
2
100,00
1
25,00
3
75,00
1
100,00
25
71,43
10
28,57
Total
N°
7
28
8
5
10
10
2
1
12
12
3
7
24
4
2
4
1
35
%
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
100,00
O Gráfico 1 mostra o índice de satisfação dos funcionários sobre a conservação das instalações elétricas, sendo que 77,1% consideram que as
instalações elétricas estão em um bom estado de conservação na UAN.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 28-33.
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5,7
Bom estado de conservação das instalações elétricas
Sim
Não
Não sabe / Não opina
17,1
71,1
Gráfico 1: Grau de satisfação dos funcionários da UAN do Hospital em relação ao estado de conservação das instalações elétricas. Teresina (PI), 2009.
Os percentuais de satisfação com a conservação das portas da UAN,
no geral, 85,7% dos entrevistados encontram-se satisfeitos. Já em relação
às condições do piso, este percentual passou para 80%. Já quanto à conservação das paredes/divisórias, a percentagem elevou-se para 91,4% de
satisfação entre os entrevistados. A pesquisa evidenciou que 73,5% dos
pesquisados apresenta satisfação quanto à utilidade dos instrumentos de
trabalho na UAN.
O Gráfico 2 indica que 74,3% dos pesquisados avaliaram como
ótimos/bons/regulares os instrumentos e/ou equipamentos da UAN.
5,7
Classificação dos instrumentos e /ou equipamentos executado no trabalho
Ótimo/bom/regular
Ruim/péssimo
Não sabe / Não opina
20
73,4
Gráfico 2: Avaliação pelos funcionários da UAN do Hospital a cerca dos instrumentos e/ou equipamento da UAN. Teresina (PI), 2009.
4
DISCUSSÃO
O estudo, desenvolvido na unidade de alimentação e nutrição de
um hospital público estadual de Teresina-PI, mostrou o nível de satisfação
dos profissionais atuantes neste complexo. Adotou-se como parâmetro o
conceito de Locke abordado por Martinez, Paraguay e Latorre (2004), que
determina que os elementos causais da satisfação no trabalho estão relacionados ao próprio trabalho e seu conteúdo, possibilidades de promoção,
condições e ambiente de trabalho, gerenciamento e políticas e competências da empresa.
Os resultados revelaram que os participantes do estudo são predominantemente do sexo feminino (86%), faixa etária entre 45 e 63 anos, ensino fundamental ou médio completos, auxiliares de serviços e com renda
entre 1 e 2 salários mínimos. De uma forma geral, os sujeitos da pesquisa
revelaram-se satisfeitos com o complexo da unidade de alimentação e nutrição, com uma média de satisfação acima de 76%.
De acordo com Martinez, Paraguay e Latorre (2004), satisfação no
trabalho é um fenômeno complexo e de difícil definição por se tratar de
um estado subjetivo, podendo variar de pessoa para pessoa, de circunstância para circunstância e, ao longo do tempo, para a mesma pessoa. A
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satisfação está sujeita a influências de forças internas e externas ao ambiente de trabalho imediato. Ela pode afetar a saúde física e mental do
trabalhador, interferindo em seu comportamento profissional e/ou social.
O desenvolvimento dos funcionários, com o objetivo de melhor
utilizar suas capacidades, deve ser uma preocupação constante do serviço
de recursos humanos de cada hospital. O acompanhamento de uma avaliação periódica do trabalho e da comunicação do funcionário pode ser útil
para um bom desempenho dentro da UAN (MEZOMO, 2002).
A partir do estabelecimento de metas pessoais de melhoria de resultados esperados e mensuráveis condizentes com as necessidades da
empresa, pode-se obter, segundo Moore (2000), “um resultado positivo
para a equação funcionários felizes e clientes satisfeitos”.
Segundo Abreu, Spinelli e Zanardi (2003), sem um elaborado programa de orientação e sem o desenvolvimento de treinamento e avaliação
dos empregados, não há condições de motivação. O sentido de satisfação
que alguém tem pelo trabalho feito é a mais forte motivação sobre a sua
atuação.
A ambiência do trabalho é considerada como o conjunto de elementos envolventes que condicionam as atividades administrativas e
operacionais e determinam, em grande parte, a qualidade e quantidade
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 28-33.
de trabalho produzido. O padrão dos cardápios oferecidos pela UAN deve
ser compatível com a disponibilidade financeira e de mercado, hábitos
alimentares, condições sócio-econômicas da clientela e peculiaridade de
cada unidade. As instalações (elétrica, hidráulica, de vapor, de emergência
etc.) proporcionam uma infra-estrutura adequada à UAN. Como tal, devem
ser dimensionadas corretamente (TEIXEIRA, 2007).
Para Abreu, Spinelli e Zanardi (2003), todo o processo que envolve
recursos humanos é de extrema importância para a UAN e está diretamente relacionada à qualidade do serviço prestado.
A comissão de avaliação dos serviços prestados é uma das estratégias organizacionais na UAN. Podem-se avaliar as possibilidades de soluções e melhorias ligadas ao fluxo operacional relacionadas a horários,
equipamentos, materiais, pessoais e condições de trabalho (PROENÇA et
al. 2005).
Nogueira (1996) ressalta a importância da satisfação de necessidades dos clientes internos, ou seja, dos funcionários, para que estes atuem
agregando características das quais o cliente, subseqüente no processo,
necessita. Para isto, deve estar satisfeito com o trabalho, crescer como ser
humano e receber um salário compatível com a função exercida (TAUBLIB,
1998).
5
CONCLUSÃO
Conclui-se que o nível de satisfação dos funcionários da UAN foi
considerado bom (acima de 76%), comprovando que há um envolvimento da instituição no sentido de oferecer condições ergonômicas e de alimentação aos funcionários da UAN estudada. Além de oferecer serviços a
uma população diferenciada (pacientes que apresentam não só distúrbios
psicológicos e psicossomáticos), as condições de trabalho dos servidores
de diferentes níveis de escolaridade, faixa etária e funções, atendem aos
anseios dos respectivos funcionários, mesmo daqueles que deixaram de
opinar ou se abstiveram de participar da pesquisa. Nenhum item atingiu
unanimidade de satisfação nem de insatisfação.
Os pontos considerados negativos durante a enquete servirão de
sugestões de melhorias que deverão ser encaminhadas à direção da UAN
e, por conseguinte, à direção do hospital, objetivando fortalecer os aportes
necessários à completa satisfação dos funcionários usuários. Acreditamos
haver atingido os objetivos colimados na pesquisa.
Apesar dos problemas verificados in loco, principalmente na parte de estrutura física da UAN em estudo, nota-se uma preocupação dos
profissionais da área de nutrição em fornecer informações e treinamentos
para os manipuladores de alimentos, mantendo-os constantemente higienizados, uniformizados e aptos a executar as tarefas da lida diária dentro da
UAN, criando assim, um clima de bem estar e satisfação.
REFERÊNCIAS
ABREU, E S, SPINELLI, M G N & ZANARDI, A. M. P. Gestão de unidades de
alimentação e nutrição: um modo de fazer. São Paulo: Editora Metha,
2003.
NOGUEIRA, L. C. L. Gerenciando pela qualidade total na saúde. Belo Horizonte: UFMG, 1996.
MATOS, C.H. Condições de trabalho e estado nutricional de operadores
do setor de alimentação coletiva: um estudo de caso. Florianópolis, 2000.
[Dissertação de Mestrado em Engenharia de Produção] – Programa de
Pós-graduação em Engenharia de produção, Universidade Federal de Santa Catarina.
MARTINEZ, M.C.; PARAGUAY, A.I.B.B.; LATORRE, M.R.D.O. Relação entre satisfação com aspectos psicossociais e saúde dos trabalhadores. Rev. Saúde
Pública, vol.38, n. 1. São Paulo, 2004
MOORE, D. Funcionários felizes = clientes satisfeitos. Revista Banas Qualidade. São Paulo, v. 9, n. 95, p. 70-75, abr. 2000.
PROENÇA, R.P.C. et al. Qualidade nutricional e sensorial na produção de refeições. Nutrição em Pauta, Campinas, v. 13, n.75 p. 4-16 nov.- dez. 2005.
SILVA JUNIOR, E A. Manual de controle higiênico- sanitário em alimentos. São Paulo: Livraria Varela, 1995.
TAUBLIB, D. Controle de qualidade total - da teoria à prática em um
grande hospital. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1998.
TEIXEIRA, S.M.F. et al. Administração aplicada às unidades de alimentação e nutrição. São Paulo: Atheneu, 2007.
MEZOMO, I. F. B. A Administração de serviços de alimentação. 4. ed. Rev. E.
Atual. São Paulo, 2002.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 28-33.
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PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN
Situação vacinal no primeiro ano de vida numa unidade básica de
saúde de Teresina-PI
Children vaccinal situation in the first year of life serviced in a health basic unit in Teresina-PI
Situación de vacuna de niños en el primero año de vidas atendidas en una Unidad Básica de Salud de
Teresina-PI
Jesuína Maria Muniz Damasceno Holanda
RESUMO
Aluna da Especialização em Saúde da Família da Faculdade
NOVAFAPI.
Ivanilda Sepúlveda Gomes
Enfermeira Especialista da Fundação Municipal de Saúde e
da UF PI.
Márcia Teles de Oliveira Gouveia
Mestre em Saúde da Criança e do Adolescente. Docente do
Curso de Graduação em Enfermagem da UFPI. R. Cel Pedro
Basílio, 1173.Teresina, Piauí. CEP 64056-500. marcia06@gmail.
com
Este trabalho abordou como temática o processo de vacinação de crianças de 0 a 23 meses e 29 dias.
Tem como objetivo geral: verificar a situação vacinal das crianças no primeiro ano de vida em uma
UBS do PSF, em Teresina (PI). Especificamente: descrever a situação vacinal das crianças no primeiro ano de vida e traçar o perfil sócio-econômico-demográfico dos responsáveis pelas crianças com
atraso na vacinação. Trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória, de abordagem quantitativa.
Realizou-se a coleta de dados nos cartões sombra de vacinação de cada agente de saúde em formulário e na aplicação de questionário aos responsáveis pelas crianças com atraso na vacinação.
Utilizou-se para tratamento de dados análise estatística. Os resultados demonstram que 23,80% das
crianças pesquisadas apresentaram atrasos no esquema vacinal básico para o primeiro ano de vida e
o perfil dos responsáveis demonstrou, entre outros aspectos, a maioria com faixa etária entre 19 a 29
ou 30 a 39 anos, ensino médio e renda familiar de um salário mínimo ou menos. Assim, os atrasos
na vacinação não se relacionam a um perfil específico da população, mas a atitudes pessoais, como
esquecimentos, e profissionais, como a falta de triagem nos cartões de vacina.
Descritores: Crianças. Vacinas. Imunização.
ABSTRACT
This work approached as thematic children vaccinal situation from 0 to 23 months and 29 days. Aims
at: verifying children vaccinal situation in the first year life in a health basic unit of Family Health
Program, in Teresina (PI); describe children vaccinal situation in the first year of life and set out the
socio-economic and demographic profile of the sponsors for the children with vaccination delay.
It treats of descriptive and exploratory research, of quantitative approach. The data collecting was
done through form with data regarding to the information contained in the vaccination shadow
cards of each health agent and a questionaire applied to the children sponsors with delaying in the
vaccination. The results indicated that 23,80% of the children researched presented delays in the
basic vaccinal scheme to the first year life and the sponsors profile of the children demonstrated the
age range between 19 to 29 and 30 to 39 years, school background at high school level and family
income of a minimum salary or less. Thus, the delayings in the vaccination does not relate to a specific
profile of the population, but personal attitudes, such as forgetfulness and problems related to work
of the health profissionals , as well as the lack of term in the vaccine cards.
Descriptors: Children. Immunization. Nursing
RESUMEN
Submissão: 12/12/2008
Aprovação: 02/02/2009
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Este trabajo abordó como temática la situación de vacuna de niños de 0 a 23 meses y 29 días. Tiene
como objetivos: verificar la situación de vacuna de los niños en el primer año de vida en una Unidad
Básica de Salud del Programa Salud de la Familia, en Teresina (PI); describirla en el primer año de
vida y trazar el perfil socioeconómico y demográfico de los responsables por niños con retraso en
vacunación. Se trata de una pesquisa descriptiva y exploratoria, de abordaje cuantitativa. La coleta
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 34-40.
de datos fue hecha a través de un formulario con datos referentes a las
informaciones en las tarjetas sombra de vacunación de cada agente de
salud y de un cuestionario aplicado a los responsables por niños con retraso en la vacunación. Los resultados indicaron que 23,80% de los niños
pesquisados presentaron retrasos en esquema de vacuna básico para el
primer año de vida y el perfil de los responsables por los niños demostró la
faja etaria entre 19 a 29 y 30 a 39 años, escolaridad en nivel de enseñanza
mediana y renda familiar de un sueldo mínimo o menos. Así, los retrasos
en la vacunación no se relacionan a un perfil específico de la población,
pero con actitudes personales, como olvido y problemas relacionados al
trabajo de los profesionales de la salud, como la falta de aplazamiento en
las tarjetas de vacuna.
Descriptores: Niños. Imunización. Enfermería
1
cimento sobre os reais motivos que levam as mães ou responsáveis
ao atraso das vacinas de seus filhos. E, assim, poderão promover um
trabalho educativo, voltado para a população, com bases mais sólidas.
Este é, portanto, um tema de interesse público que envolve o indivíduo, a família, o profissional de saúde, o governo e toda a sociedade.
A vacinação é composta por uma história de sucesso, com
avanços significativos nas últimas décadas: “A história das vacinações
é um dos mais belos e bem sucedidos capítulos da história da medicina, assim como a evolução do conhecimento nessa área” (NERES et
al., 2009, p.77).
Possui como referência, segundo Brasil (2003), os trabalhos do
médico sanitarista Osvaldo Cruz, no século XX, responsável por um
modelo de ação que inspira o PNI até a atualidade, o qual inseriu a
obrigatoriedade das vacinas.
INTRODUÇÃO
1.1
O Ministério da Saúde do Brasil estabeleceu o Programa Nacional de Imunizações (PNI), que fornece o esquema básico de vacinação
para o primeiro ano de vida. Desta forma, constam no Calendário Básico de Vacinação da Criança as vacinas que elas devem tomar desde
que nascem até os 10 anos de idade, de modo que cresçam saudáveis.
Aranda (2001) afirma que as vacinas são disponibilizadas gratuitamente aos brasileiros pelo Governo Federal através do Ministério
da Saúde (MS) do Brasil, as quais são administradas nas UBS, instituições locais de saúde administradas pelas Secretarias Municipais de
Saúde (SMS).
Em meio a isso, este trabalho norteia-se pelo seguinte problema de pesquisa: Diante da quantidade de cartões vacinais atrasados,
qual a situação da cobertura vacinal no primeiro ano de vida na UBS
Cidade Jardim, Equipe 107 do PSF, de Teresina-PI? O interesse em estudar o tema abrolhou durante estágio acadêmico nessa UBS, onde
surgiu o questionamento sobre a eficácia do PNI, e a necessidade de
se identificar os reais motivos que levam as mães/responsáveis ao
atraso no esquema básico de vacinação.
Desta forma, o objetivo geral deste trabalho consistiu em verificar a situação vacinal das crianças no primeiro ano de vida na UBS
Cidade Jardim, Equipe 107 do PSF, em Teresina (PI). Especificamente,
propôs-se descrever a situação vacinal das crianças no primeiro ano
de vida e a traçar o perfil sócio-econômico-demográfico das mães/
responsáveis pelas crianças atendidas na UBS Cidade Jardim, Equipe
107, em Teresina (PI).
Araújo (2005) enfatiza que as vacinas previnem as doenças,
acarretando menores custos aos cofres públicos, uma vez que os
investimentos em imunização são bem menores que os gastos com
medicamentos e internações decorrentes da cura de doenças. Além
disso, algumas dessas doenças, conforme Brasil (2003), quando não
levam à morte, podem ocasionar sérias seqüelas para os pacientes,
prejudicando a qualidade de vida das crianças e de sua família.
Portanto, a relevância do tema está não somente no fato de se
abranger o bem-estar físico e psíquico do indivíduo, como também,
de ser um assunto que envolve o bem-estar e a condição sócio-econômica familiar e os gastos em saúde pública.
Considerando-se que em nossa realidade os estudos sobre esta
temática ainda são escassos, entende-se que essa pesquisa tem viabilidade e justifica-se pela contribuição que poderá trazer aos serviços
de saúde, principalmente para as UBS de Teresina (PI). Pois a partir dos
seus achados, os profissionais de saúde poderão ter um maior conheRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 34-40.
Histórico da Vacinação no Brasil
O Brasil já possui quase 200 anos de imunizações. As primeiras
vacinas ocorreram em 1804. No entanto, avanços mais significativos
dos programas de imunizações ocorreram nas últimas três décadas
(BRASIL, 2003).
Lima et al. (2008) afirmam que o PNI incorporou as diretrizes
técnicas de atuação do PAI, sendo regulamentado a partir de 1975
pela Lei 6.259 ou Lei do Sistema Nacional de Saúde. Na Organização
Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço da Organização Mundial de
Saúde (OMS), o PNI brasileiro é citado como referência mundial. E desde 1981, o Ministério da Saúde vem implementando campanhas vacinais contra paralisia, sarampo, rubéola ou multivacinação, quando não
se atingem na vacinação de rotina os índices de coberturas esperados.
Segundo Santos et al (2006), o PNI foi criado em 1973. Araújo
(2005) informa que a principal meta do PNI é a ampla extensão de
cobertura vacinal de forma homogênea.
Aranda (2001) destaca como objetivos do PNI: contribuir para a
manutenção do estado de erradicação da poliomielite; contribuir para
o controle ou erradicação de sarampo, difteria, tétano neonatal e acidental, coqueluche, formas graves de tuberculose, rubéola, caxumba,
hepatite B, febre amarela, raiva e doenças causadas por Haemophilus
influenze tipo b; e contribuir para o controle de outros agravos.
Outro fator que se torna preponderante para que as vacinas
cumpram seu papel de agentes imunizadores da população são os
procedimentos adotados nas UBS, uma vez que estas assumem o papel de efetivar e concretizar as ações planejadas e elaboradas pelo
PNI.
1.2
O Papel das UBS na Vacinação no Brasil
De acordo com Aranda (2001), o PNI é de responsabilidade dos
governos Federal, Estadual e Municipal. A União é responsável pela
transferência de recursos federais para o Fundo Municipal de Saúde
para os municípios que estão habilitados.
Para que haja resultados satisfatórios do PNI e, principalmente,
na efetivação da cobertura vacinal, cujo índice ideal é a abrangência
100% dos indivíduos prioritários para todos os tipos de vacina, tornase primordial o papel das Unidades Básicas de Saúde. No Brasil, as
UBS são as responsáveis pela administração das vacinas, por meio da
equipe do PSF. No caso deste trabalho, o foco é a UBS Cidade Jardim,
Equipe 107, do PSF da cidade de Teresina-PI.
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Diante desse contexto, torna-se relevante a participação e o
comprometimento de todos os profissionais envolvidos. São essas
pessoas as responsáveis pela efetivação do PNI em cada localidade
do Brasil e pelos resultados da cobertura vacinal nacional, cujo índice
ideal é de 100% para vacina constante no Calendário Básico de Vacinação, de modo que todas as crianças sejam vacinadas, sem atraso, no
primeiro ano de vida. Para que essas ações sejam cumpridas de forma
eficaz, Miranda et al. (1995) ressaltaram que a equipe de profissionais
deve estar treinada e motivada.
1.3
A Vacinação de Crianças no Primeiro Ano de Vida
No Brasil, a vacinação abrange pessoas de todas as faixas etárias. Segundo o MS (2003), como as campanhas de vacinação são voltadas para diferentes faixas etárias, favorecem a conscientização social
sobre a cultura em saúde. No caso deste trabalho, o público-alvo são
as crianças no primeiro ano de vida. “A meta operacional básica do PNI
é vacinar 100% das crianças menores de 1 ano com todas as vacinas
indicadas no calendário básico” (BRASIL, 2003, p.17).
A vacinação dedica atenção diferenciada às crianças pequenas,
especialmente, às de 0 a 23 meses e 29 dias, alvo do Cronograma
Básico de Vacinação, fase em que estão mais vulneráveis às doenças
imunopreveníveis.
As vacinas obrigatórias e gratuitas no primeiro ano de vida,
que fazem parte do Calendário Básico de Vacinação, constituem o esquema básico de vacinação do PNI do Brasil, destacando-se sua composição, apresentação, doses e períodos recomendados pelo PNI, os
eventos esperados e adversos e as contra-indicações.
A BCG-ID (Bacilo de Calmette e Guerin Intradérmica) é a primeira vacina do Calendário Básico de Vacinação. Utilizada para proteger
as crianças contra as formas mais graves de tuberculose (miliar e meningea), é elaborada da seguinte forma: “Com bacilos vivos atenuados
da cepa de Mycobacterium bovis com glutamato de sódio” (GOMES,
2007, p.11).
Apresentada, conforme Gomes (2007), em frasco-ampola multidoses, a vacina contra hepatite b é recomendada pelo PNI em três
doses de 0,5 ml: ao nascer, um mês após o nascimento e aos seis meses. Diz ainda que os efeitos adversos esperados são: dor, inchaço, nódulo e febrícula, mas ocorre também, em menor freqüência, febre, dor
de cabeça, náuseas, vertigem e fadiga.
Segundo Sáfadi (2009), o rotavírus é o principal agente etiológico causador da gastroenterite grave em lactentes e crianças pequenas.
Apresentada em monodose, segundo Gomes (2007), a VORH
(vacina oral de rotavírus humano) é composta por frascos com pó liofilizado e seringa diluente, é recomendada pelo PNI em duas doses
de 1 ml cada, sendo uma aos 2 meses e outra aos 4 meses. Afirma
ainda que a VORH é contra-indicada para adultos, idosos, gestantes e
para pessoas com quadro agudo febril moderado a grave ou em uso
de medicamentos imunossupressores. Essa vacina, geralmente, não
apresenta reações adversas.
A VOP (vacinal oral contra poliomielite) é apresentada, segundo
Gomes (2007), em frascos multidoses, em bisnaga de plástico, é recomendada pelo PNI em três doses via oral de duas gotas cada, aos 2,
4 e 6 meses, 1º reforço aos 15 meses, e 2º reforço entre 4 e 6 anos de
idade. Ressalta que os eventos adversos são raros, podendo ocorrer
a própria doença, a poliomielite, quando já se tem adquirido o vírus
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antes da imunização. Não existe contra-indicação, mas recomenda-se
esperar a melhora clínica de crianças com diarréia e vômito ou estados
febris.
A vacina tetravalente (contra a Difteria, o Tétano, a Coqueluche
e a Infecção pelo Hemophilus Influenzae Tipo b (DTP + Hib) é recomendada pelo PNI, em 3 doses de 0,5 ml aos 2, 4 e 6 meses, com intervalo mínimo de 30 dias, administrada pela via intramuscular profunda.
Gomes (2007) afirma que essa vacina é contra indicada em casos de
reação anafilática à vacina ou aos componentes da fórmula, crianças
com quadro neurológico em atividade, que tenha apresentado convulsões até 72 horas após a administração da vacina. Não é recomendada para crianças a partir de 7 anos (BRASIL, 2003).
A VFA (Vacina contra Febre Amarela) é apresentada, segundo
Gomes (2007), em frasco de 05 doses mais ampola diluente de 2,5
ml, é recomendada pelo PNI dose única de 0,5 ml, em administração
subcutânea, aos 9 (nove) meses, a qual deve ser reforçada a cada 10
anos. A imunidade ocorre no 10º dia após a vacinação. Ribeiro (2009)
informa que o frasco aberto da VFA só deve ser utilizado por quatro a
seis horas. De acordo com Gomes (2007), os eventos esperados são:
cefaléia, mal-estar, dores musculares e febre, os quais ocorrem em cerca de 2% a 5% das pessoas.
A VTV (Vacina Tríplice Viral) ou SRC (Sarampo, Rubéola e Caxumba) é apresentada, conforme Gomes (2007), em frasco-ampola de
10 doses e ampola diluente ou monodose, deve ser aplicada até 8
horas depois de aberta, em via de administração subcutânea. É recomendada pelo PNI, uma 1ª dose de 0,5 ml a partir de 1 ano de idade e
0,5 ml entre 4 a 6 anos de idade (BRASIL, 2003).
Apresentada na forma líquida, em frascos multidoses, indica
a DTP (Tríplice Bacteriana) no esquema vacinal básico, apenas como
reforço, em doses de 0,5 ml, sendo o 1º reforço aos 15 meses e o 2º
reforço dos 4 aos 6 anos de idade. Pois o esquema de proteção contra
essas doenças já está incluso na aplicação da vacina DTP+Hib (BRASIL,
2003).
A vacinação assume papel preponderante na melhoria da qualidade de vida da população de países em desenvolvimento como
o Brasil. Possui a seguinte finalidade: “A redução da morbidade e da
mortalidade por doenças preveníveis por imunização é a principal finalidade da vacinação” (NERES et al., 2009, p.77).
Desta forma, para que as vacinas cumpram o seu papel de imunização e redução dos casos de doenças imunopreveníveis, torna-se
relevante que os pais ou responsáveis cumpram corretamente o calendário anual de vacinação. O cumprimento do calendário vacinal
é importante porque, conforme Farhat et al. (2000), seu objetivo é a
imunização universal, ou seja, é permitir que as vacinas sejam administradas a todos que necessitam.
“O sucesso do Programa de Imunização depende da qualidade
dos imunobiológicos aplicados” (SANTOS et al., 2006, p.91). Além de
cumprir o calendário anual, para que as vacinas sejam administradas
na idade certa e tenham sua eficácia garantida, manter a qualidade da
vacina é importante para que ela tenha o seu potencial de imunização
preservado e cumpra seu papel no controle das doenças. “A rede de
frios é o sistema de conservação dos imunobiológicos, onde se inclui
o armazenamento, o transporte e a manipulação destes produtos em
condições adequadas de refrigeração” (NERES et al., 2009, p.77).
Este estudo tem como objetivo expor a situação vacinal para
o primeiro ano de vida de crianças que foram assistidas pela Equipe
do PSF 107, cuja Unidade Básica de Saúde (UBS) é o Centro de Saúde
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 34-40.
Cidade Jardim, localizada na região norte de Teresina (PI).
2
METODOLOGIA
Este trabalho trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória,
tendo como método a abordagem quantitativa. Envolveu-se uma população composta de crianças nascidas no período de agosto de 2007
a junho de 2009, sendo determinada a idade mínima de 0 mês e idade
máxima de 23 meses e 29 dias como critério de inclusão na pesquisa.
Abrangeu-se, portanto, um total de 42 cartões sombra, inserindo-se
nesse contexto 100% dos cartões das crianças que se encontram no
primeiro ano de vida, ou seja, na fase de maior demanda de vacinação.
Na primeira fase da pesquisa, verificou-se a situação vacinal,
dividindo os cartões em dois grupos: sem atraso e com atraso. Na ocasião em que se determinou a composição dos grupos, também foi
possível traçar o perfil dos pesquisados, ou seja, das crianças atendidas no Centro de Saúde Cidade Jardim.
Após a análise documental, na segunda fase da pesquisa, aplicou-se um questionário com roteiro prévio aos responsáveis pelas
crianças, tendo como critério de exclusão o grupo ao qual as crianças
pertenciam. Assim, compôs a amostra crianças do grupo que se encontrava com esquema vacinal atrasado, que correspondiam a 23,80%
do total de cartões analisados.
Esse questionário, composto de perguntas fechadas e abertas,
versava sobre o perfil sócio-econômico-demográfico das mães ou responsáveis e os motivos que levaram àquela situação vacinal, o qual
foi preenchido sob esse critério. Realizou-se o preenchimento na residência da criança durante a visita domiciliar, previamente agendada
pela equipe do PSF da UBS, acompanhados pelo ACS da micro-área
correspondente a cada criança, através de formulário pré-testado. A
amostra atingiu 60% das famílias das crianças com atraso na vacinação, selecionadas pelo critério de acessibilidade, uma vez que alguns
responsáveis não se encontravam em suas residências, durante o período da pesquisa.
Os resultados da pesquisa, que tiveram como base os cartões
sombras das crianças e as respostas dos questionários aplicados aos
responsáveis por crianças que apresentaram atrasos na vacinação,
são decorrentes de uma análise de dados que ocorreu no período de
29/06 a 01/07/2009, cuja coleta foi realizada no início do mês de junho/2009. Apresentaram-se os dados através de análises estatísticas,
representadas numericamente por meio de porcentagens, demonstrando-os por meio da utilização de gráficos e tabelas dos programas
Microsoft Word e Excel/2000, conforme resultados a seguir.
Quanto aos preceitos éticos, este trabalho atendeu à Resolução
196/96 do CNS (BRASIL, 1996), cujos participantes assinaram “Termo
de Consentimento Livre e Esclarecido”. A pesquisa foi previamente solicitada e autorizada pela Fundação Municipal de Saúde - FMS, órgão
coordenador das Unidades Básicas de Saúde de Teresina e submetida
e autorizada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da NOVAFAPI.
3
APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
nesta UBS. E a terceira etapa refere-se ao perfil sócio-econômico-demográfico dos responsáveis pelas crianças que apresentaram atraso
na vacinação.
É importante ressaltar que nos gráficos estão expostas apenas
as alternativas que foram preenchidas nos questionários, aquelas que
não foram optadas, ou seja, tiveram 0% de marcação, embora fossem
importantes para a obtenção dos resultados numéricos, foram desconsideradas na exposição do gráfico, por uma questão de melhor
visualização dos resultados.
3.1
Categorização da Amostra
Para a análise do perfil das crianças atendidas pela UBS foram considerados os 42 cartões sombra que formaram o total
da amostra, esses cartões são de crianças nascidas de julho de
2007 a junho de 2009, ou seja, que atualmente possuem até 23
meses e 29 dias. Das 42 crianças identificadas nos cartões sombra, que compõem a amostra de 100% dos sujeitos da pesquisa, 30,95% reside na Vila Paraíso e 69,05% no Bairro Pedra Mole.
Observou-se que as crianças residem em bairros carentes da zona norte de Teresina, onde atua a equipe de PSF 107, sendo que a amostra
compõe-se de uma população com baixo poder aquisitivo.
Em relação ao local de nascimento, identificou-se nos cartões que 30,95% nasceram na Maternidade Dona Evangelina Rosa, e
28,57% na Clínica Santa Fé, 7,15% no Hospital do Bairro Satélite, 2,38%
no Hospital do Buenos Aires. No entanto, 30,95% do total dos cartões
não tinham esse dado. No que se refere ao sexo dessas crianças, das
42 crianças, 52,38% são do sexo masculino e 47,62% do sexo feminino.
Como a pesquisa abrangeu as crianças nascidas no período de
agosto de 2007 a junho de 2009, identificou-se as seguintes faixas
etárias das crianças, em 01.07.2009, data fim da análise dos dados: a
maioria ou 35,72% tinha de 13 a 18 meses; 30,95% situam-se na faixa
etária de 1 a 6 meses; 19,05% tem de 7 a 12 meses; 9,52% possui de
19 a 23 meses; e 4,76% tem mais de 23 meses
Constatou-se que as crianças se encontram em faixas etárias
bastantes diversificadas, fato comum para o estudo que trata do
calendário de vacinação, já que no primeiro ano de vida as crianças
tomam vacinas, em média, de dois em dois meses. Identificou-se a
maioria das crianças em idade iniciante de vacinação, que é de 1 a 6
meses, e crianças que estão terminando ou terminaram o calendário
vacinal para o primeiro ano, que são as que possuem de 13 a 18 meses.
Após a categorização da amostra, procedeu-se à pesquisa dos
cartões sombra para verificação da situação vacinal das crianças e
identificação do grupo em atraso.
3.2
Situação Vacinal das Crianças Atendidas na UBS
Para melhor visualização da situação vacinal, dividiram-se os
cartões de acordo com cada agente. Assim, verificou-se que dos 42
cartões analisados, 32, ou seja, 76,20% não apresentaram atrasos. No
entanto, 10 cartões, ou seja, 23,80% dos cartões tinham pelo menos
um atraso na vacina para o primeiro ano de vida.
Os resultados da pesquisa são divididos em três categorias: a
primeira demonstra a categorização da amostra, composta por crianças atendidas na UBS, de acordo com o total de cartões sombra envolvidos na pesquisa, ou seja, 42 cartões. A segunda etapa demonstra
a situação vacinal para o primeiro ano de vida das crianças atendidas
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 34-40.
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Quadro 1 – Avaliação dos cartões de vacinação conforme agentes de saúde. Teresina – Piauí, 2009.
CARTÕES QUE APRESENTARAM ATRASO
NA VACINAÇÃO POR AGENTE DE SAÚDE
Com Atraso
Sem Atraso
Agente
Amostra
Não Encontrado
Quantidade
%
Quantidade
%
Quantidade
%
Al
07
16,67
0
0
0
0
L
11
26,20
0
0
0
0
Ad
02
4,76
01
2,38
01
2,38
V
05
11,90
01
2,38
02
4,76
K
07
16,67
04
9,52
01
2,38
TOTAL
32
76,20
06
14,28
04
9,52
Fonte: Cartões Sombra da UBS.
Um dado interessante em relação a essa análise é que os cartões
de dois agentes de saúde não apresentaram atraso de qualquer natureza.
Diante desse contexto, é importante que os agentes de saúde cujos cartões possuam atrasos, tomem uma atitude mais proativa no sentido de
analisar os cartões e maximizar as oportunidades de vacinas, seja quando
os pacientes vêm até o posto de saúde, seja em visita domiciliar.
Em relação ao número de vezes que ocorreu os atrasos, os cartões
demonstram que a grande maioria, ou seja, 50% dos cartões têm a ocorrência de atraso em três ou mais vacinas, 30% atrasou apenas uma vacina e
20% atrasou duas vacinas, conforme demonstra o Gráfico 1 abaixo:
Grafico 1 - Quantidade de Vacinas Atrasadas - Teresina - PI, 2009.
Grafico 2 - Motivo do Atraso Vacinal - Teresina, Piauí, 2009.
33,33
50
30
33,33
16,67
20
3 ou mais vacinas
16,67
1 vacina
Nao tinha no posto
2 vacinas
Esquecimento
Mãe ou criança doente
Criança doente
Fonte: Cartões Sombra da UBS.
Fonte: Questionário de Pesquisa/2009.
A freqüência de atrasos detectada nos cartões sombra foi confirmada na amostra dos questionários, sendo que 50% dos que responderam
afirmativamente, disseram ter atrasado três vezes as vacinas.
Em relação à situação dos atrasos, verificou-se que eles ocorrem de
maneira muito diversificada para cada pessoa e em períodos de 1 mês até
4 meses, ou seja, há situações em que a criança deveria tomar a vacina com
2 meses e tomou apenas com 6 seis, entre outras, além de haver casos em
que não se tomou a vacina até a data da pesquisa.
Posteriormente, foi analisado no cartão sombra o tipo de vacina
atrasada e a situação de cada atraso. Na pesquisa constatou-se pelo menos
uma ocorrência de atraso para cada vacina, exceto BCG.
Após a análise da situação vacinal no cartão sombra e na ocasião
em que se aplicou o questionário às pessoas responsáveis pelas crianças
que apresentaram atraso, questionou-se também acerca da situação vacinal, para verificar o motivo dessa ocorrência. Assim, os motivos alegados
foram: 33,33% disseram que não havia vacina no posto no dia em que foi
vacinar o filho, 33,33% alegaram esquecimento, 16,67% afirmaram que a
criança estava doente no dia da vacina e 16,67% disseram que nos dias do
atraso ou a criança ou a mãe estava doente:
Entre os motivos alegados para esse atraso, verifica-se a falta de
existência de vacina no posto, o esquecimento e doença da criança ou da
mãe. Desta forma, os motivos alegados não são justificáveis para longos
períodos de atrasos, porque há prazos certos para as vacinas serem repostas nos postos.
38
3.3
Perfil Sócio-Econômico- Demográfico dos Responsáveis
Na terceira etapa da pesquisa, a aplicação do questionário teve
como objetivo verificar o perfil sócio-econômico-demográfico dos responsáveis pelas crianças que apresentaram atrasos nos cartões sombras
das vacinas que compõem o calendário de vacinação para o primeiro ano
de vida. Do total de 10 (dez) cartões que apresentaram atrasos, correspondente a 23,80% do total de cartões pesquisados, apenas 6 (seis) cartões,
ou 60%,entraram na segunda etapa, os outros 4 (quatro) ou 40% foram
excluídos porque não foram localizados.
Embora o número de pesquisado da terceira etapa da análise dos
dados tenha atingido apenas 60% dos responsáveis pelas crianças que
apresentaram atraso no cartão de vacinação, esse número atende ao esRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 34-40.
tabelecido no projeto, o qual objetivava manter contato com no mínimo
20% dessas pessoas.
Desta forma, a primeira investigação foi acerca do grau de paren-
tesco do responsável por essas crianças. A grande maioria das crianças,
ou 94% da amostra em questão, tinha como responsável a própria mãe.
Conforme o Gráfico 3 a seguir:
Grafico 3 - Responsáveis pelas Crianças que Apresentam Atrasos na
Vacinação, Teresina, Piauí, 2009.
Grafico 2 - Motivo do Atraso Vacinal - Teresina, Piauí, 2009.
33,33
0,94
33,33
16,67
0,06
16,67
Mãe
Avó
19 a 29 anos
30 a 39 anos
60 anos ou mais
não respondeu
Fonte: Questionário de Pesquisa
Fonte: Questionário de Pesquisa
Em seguida, questionou-se acerca da faixa etária correspondente
ao perfil desses responsáveis, os quais apresentaram: 33,33% de 19 a 29
anos; 33,33% de 30 a 39 anos; 16,67% com 60 anos ou mais; e 16,67% não
responderam.
Como a maioria dos responsáveis é a própria mãe da criança, o perfil demográfico demonstrou mulheres jovens e em idade fértil, característicos de pessoas com crianças no primeiro ano de vida.
Em relação ao estado civil, metade dos pesquisados (50%) não
identificou o seu estado civil, 33,33% afirmaram que são casadas e 16,67%
disseram serem solteiras. No que se refere à ocupação dos responsáveis
pelas crianças que apresentaram atraso no cartão de vacinação, quarto
quesito do questionário, a maior parte ou 66,66% é “do lar”, ou seja, não
trabalham fora de casa, 16,67% afirmou ser Operador de Caixa e 16,67%
Agente Comunitário de Saúde.
Uma das mães que atrasou a vacina é uma Agente Comunitária de
Saúde, ou seja, pessoa que deve promover e fazer chegar até as outras
pessoas a vacinação.
A quinta questão discorreu acerca do grau de instrução dos responsáveis pelas crianças que apresentaram atraso na vacinação. Assim, 66,67%
possuem ensino médio completo, 16,67, ensino fundamental completo e
16,67, ensino fundamental incompleto. Verificou-se, portanto, que os responsáveis possuem um bom grau de instrução.
Posteriormente, questionou-se sobre a renda familiar dessas pessoas, sendo que 33,33 informaram ter renda familiar de menos de 1(um)
salário mínimo, 33,33%, de 1 (um) salário mínimo, 16,67%, de 1(um) a 2
(dois) salário mínimo e 16,67%, de 2 (dois) a 5 (cinco) salários mínimos.
Verificou-se que embora a maioria das mães tenha um bom grau de escolaridade, elas possuem baixa renda familiar. Assim, são importantes as
atitudes profissionais como observância aos cartões de vacina e atuação
junto às famílias cujas crianças encontram-se com atraso na vacinação.
compatível com estudos realizados na capital piauiense.
Os principais motivos alegados para a ocorrência dos atrasos foram:
falta de vacina no posto, esquecimento, doença da criança ou da mãe. É
preciso haver mais comprometimento dos responsáveis, o esquecimento
é injustificável e os agentes devem trabalhar para a redução desses atrasos.
O perfil sócio-econômico-demográfico dos responsáveis pelas
crianças que apresentaram atraso no esquema vacinal básico demonstrou
que a maioria dos pesquisados possui as seguintes características: é a própria mãe; são jovens de 19 a 29 ou de 30 a 39 anos; metade não respondeu sobre o seu estado civil; são donas de casa; e tem uma renda familiar
muito baixa. Possuem um bom grau de instrução, o ensino médio, pois,
hoje, mesmo as famílias de baixa renda têm mais acesso à educação do
que antigamente.
Pressupõe-se, portanto, que pessoas bem instruídas deveriam ter
maiores cuidados com a saúde dos filhos. Por outro lado, elas possuem
baixa renda familiar, o que também não justifica os atrasos, já que a vacinação é gratuita. E um fato também importante é que a maioria é dona
de casa, ou seja, não podem alegar a falta de tempo com o trabalho como
motivo para não levarem seus filhos ao posto de saúde. Assim, percebeuse que o problema no atraso da vacinação das crianças em questão não
está no perfil sócio-econômico-demográfico dos responsáveis, mas em
atitudes relacionadas às mães, como o esquecimento, e aos profissionais
de saúde, como a triagem aos cartões de vacina. Como alguns agentes não
apresentaram atraso em seus cartões sombra, observou-se a necessidade
de mudanças na atitude dos profissionais de saúde, principalmente, em
relação à observância aos cartões de vacinação.
Sugere-se um trabalho focado na orientação aos responsáveis pelas
crianças sobre a importância da vacinação, da valorização do cumprimento do calendário básico, de métodos que fortaleçam o comprometimento
das mães, que evitem o esquecimento e que desmistifique certos medos
em vacinar os filhos, decorrentes de falsas contra-indicações. Além de investimentos em qualificação profissional, específicos para os procedimentos de acompanhamento e controle dos cartões vacinas e outros temas
afins, é necessário melhoria no inter-relacionamento e na comunicação
entre todos os profissionais da equipe de PSF de modo que se reduzam
cada vez mais os atrasos no esquema vacinal básico.
Desta forma, este trabalho direciona-se a todos os profissionais
de saúde, principalmente, os que trabalham diretamente com os proce-
4
CONCLUSÃO
A situação vacinal demonstrou um índice de 23,80% de atrasos na
vacinação para crianças no primeiro ano de vida, atendidas na UBS Cidade Jardim, Equipe 107 do PSF, em Teresina-PI. Constatou-se, portanto, que
embora a maioria dos responsáveis tenha cumprido com o calendário
anual de vacinação (76,20%) ainda há um índice significativo de atrasos,
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39
dimentos relacionados à imunização, às secretarias municipais de saúde,
aos coordenadores das unidades básicas de saúde, as equipes de PSF e
à sociedade em geral, de modo que sejam geradas atitudes proativas em
busca de melhores índices na cobertura vacinal para as crianças no primei-
ro ano de vida, e que se continue promovendo a saúde infantil através da
redução da mortalidade para a continuação de uma história de sucesso da
vacinação no Brasil.
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2008.
40
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 34-40.
PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN
A inclusão do nutricionista na equipe da estratégia saúde da familia
The inclusion of the nutricionist inclusion i n the team of family health stratégy
La inclusión de la inclusión del nutricionista en el equipo de la estrategia salud de la familia
Sulândia Maria de Sousa Melo
RESUMO
Nutricionista, graduada pela Faculdade NOVAFAPI.
Theonas Gomes Pereira
Nutricionista, Mestre em Ciências e Saúde, Coordenadora do
Curso de Graduação em nutrição da Faculdade NOVAFAPI.
Email: [email protected].
A pesquisa tem como objetivo ressaltar a inclusão do nutricionista na Estratégia Saúde da Família –
ESF. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica exploratória em que se pesquisou um total de 72 artigos
publicados no período de 1998 a 2008, usando os descritores: nutricionista, programa saúde da família e alimentação. Os resultados apontaram uma interação direta da ESF com a política de saúde,
especialmente a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), na qual o nutricionista atua na
promoção de práticas alimentares saudáveis e na prevenção e no controle de distúrbios nutricionais.
Coloca ainda, em relevo, o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) que está agregado às equipes
da ESF, ampliando a atenção à saúde da população com uma equipe multidisciplinar, garantindo,
assim, a integralidade da assistência à população, mas limita-se a garantir a presença do nutricionista
a partir da decisão do gestor. Por fim, demonstra que a atuação do nutricionista junto às equipes da
ESF está estabelecida em sua formação acadêmica que o instrumentaliza a realizar e a intervir sobre
o diagnóstico nutricional da população, enfatizando-se aqui a impossibilidade efetiva de transformar
a atenção básica à saúde sem o apoio desse profissional.
Descritores: Nutricionista, Programa Saúde da Família; Alimentação.
ABSTRACT
The research aimed at the importance of the nutricionist in the Family Health Strategy. It Treats of an
exploratory bibliographical research in which was researched a total of 72 articles published in the
period of 1998 to 2008, Through the descriptors: nutricionist, Family Health program .Health. The
results indicate direct interaction of the sphere Family Health Startegy–FHS, with the political health
connected specially to the Nutrition and Feeding Nacional Politics – NFNP, in which the nutritionist
act in the promotion of health feeding practices in the prevention and control of the nutricional disturbances. It is still put the importance of the aid Nucleus to Family health that is lodged to the team
of family health sphere - FHS, broadening the attention to the population health with a multidisciplinary team, guaranteeing, this way, the integrality of the assistance to the population, but limiting
itself to the presence of the nutricionist from the manager’s decision. At last, it demonstrates that the
acting of the nutricionist toghether is established in his academic formation that instrumentalize to
carry out the population nutritional diagnostic, stressing here the imposibility of transforming affectively the basic attention to health without this profissional support.
Descriptors: Nutricionist. Family Health program. Heath.
RESUMEN
Submissão: 15/01/2009
Aprovação: 05/03/2009
La pesquisa tiene como objetivo resaltar la importancia del nutricionista en la Estrategia Salud de la
Familia. Se trata de una pesquisa bibliográfica exploratoria en que se pesquisó un total de 72 artículos
publicados en el periodo de 1998 a 2008, a través de los descriptores: nutricionista, programa salud
de la familia y salud. Los resultados indicaron una interacción directa de la Esfera Salud de la Familia
– ESF, con la política de salud ligada especialmente a la Política Nacional de Alimentación y Nutrición
– PNAN, en la cual el nutricionista actúa en la promoción de prácticas alimentares saludables y en
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41
la prevención y en el control de disturbios nutricionales. Se coloca aún en
destaque el Núcleo de Apoyo a la Salud de la Familia que está agregado a
los equipos de la Esfera Salud de la Familia - ESF, ampliando la atención a
la salud de la población con un equipo multidisciplinar, garantiendo, así, la
integralidad de la asistencia a la población, pero limitándose la presencia
del nutricionista a partir de la decisión del gestor. En fin, demostrar que la
actuación de la nutricionista junto a los equipos está establecida en su formación académica que la instrumentaliza a realizar diagnóstico nutricional
de la población, enfatizando aquí la imposibilidad efectiva de transformar
la atención básica la salud sin el apoyo de ese profesional.
Descriptores: Nutricionista. Programa Salud de la Familia. Salud.
1
INTRODUÇÃO
O Sistema Único de Saúde (SUS) fundamenta-se em princípios e
diretrizes, sendo três os princípios: universalidade, igualdade e equidade. A
universalidade implica em acesso à saúde a todo brasileiro em qualquer lugar do país, a igualdade se refere a garantia a saúde a todos, independente
de cor, classe social ou idade. A equidade, como princípio complementar
ao da igualdade, significa tratar as diferenças em busca da igualdade. As
diretrizes do SUS são três: descentralização das ações e serviços; participação da comunidade na gestão colegiada através dos conselhos de saúde; e
o atendimento integral com vistas a promover, proteger e prover as ações
de saúde.
A consolidação do SUS demandou a existência de mecanismos de
regulação que dessem conta do dinamismo e da complexidade da atenção a saúde. Esse processo iniciou-se com a descentralização das ações e
serviços, efetivado pela edição de normas operacionais, especialmente nos
anos de 1990, passando a representar instrumentos fundamentais para a
concretização da diretriz de descentralização, estabelecida na Constituição
e na legislação do SUS (Leis 8.080 e 8.142, de 1990) (LEVCOVITZ, LIMA, MACHADO, 2009).
Esse movimento não aconteceu só no Brasil. No início da década de
1980, alguns países iniciaram os primeiros passos em direção a construção
do Programa Saúde da Família (PSF), aparecendo Canadá, Cuba, Inglaterra
e outros, como pioneiros das mudanças nos serviços primários de saúde
de reconhecida resolutividade e impacto. Refletindo esses movimentos, foi
implantado no Brasil, na década de 90, o Programa Saúde da Família (PSF),
oferecendo às famílias serviços de saúde preventiva e curativa em suas
próprias comunidades, resultando em melhorias importantes nas condições de saúde da população brasileira (BRASIL, 2005).
À medida que o processo foi avançando, construíram-se outras
estratégias para implementação do SUS. A Política Nacional da Atenção
Básica (PNAB) foi lançada tendo como eixo condutor o Programa Saúde
da Família (PSF). Ela foi gradualmente se fortalecendo e se constituiu como
porta de entrada preferencial do sistema único de saúde (SUS), sendo o
ponto de partida para a estruturação dos sistemas locais de saúde. (BRASIL,2006).
Em 4 de julho de 2007, foi criado pela portaria ministerial Nº
1065/GM o NASF (Núcleo de Apoio a Saúde da Família) com a finalidade
de ampliar a integralidade e a resolubilidade da Atenção à Saúde, atualizada pela portaria nº. 154, publicada no Diário Oficial da União em 25 de
janeiro de 2008. O Núcleo de Apoio à Saúde da Família é uma iniciativa
que amplia o número de profissionais vinculados às equipes da Saúde da
Família (BRASIL, 2008).
Os núcleos (NASF) reúnem profissionais das mais variadas áreas de
saúde, como médicos (ginecologistas, pediatras e psiquiatras), nutricionis42
tas, acupunturistas, homeopatas, farmacêuticos, assistentes sociais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, profissionais de educação física
e terapeutas ocupacionais. Esses profissionais atuarão em parceria e em
conjunto com as equipes da Estratégia Saúde da Família.
O profissional de nutrição tem como atribuição específica realizar
intervenção nos agravos nutricionais, o que lhe permite, a partir desse
diagnóstico e da observação dos valores sócio-culturais, propor orientações dietéticas cabíveis e necessárias, adequando-as aos hábitos da unidade familiar, à cultura, às condições fisiológicas dos grupos e à disponibilidade de alimentos.
Esse estudo objetiva fundamentar a inclusão do profissional nutricionista na ESF, ressaltando a necessidade do nutricionista, como profissional preparado para lidar com os problemas nutricionais no atual contexto
político, social e epidemiológico. A partir dessa contextualização, considera-se importante um estudo bibliográfico a cerca da produção científica
relevante a esse tema, qual seja a inserção do nutricionista na ESF.
2
METODOLOGIA
O presente estudo consiste numa pesquisa bibliográfica, exploratória, realizada em um período especifico com um recorte temporal de
10 anos, de 1998 a 2008, sendo pesquisado nos bancos de dados: Scielo e
livros de nutrição. Os artigos foram selecionados tendo como referência os
descritores nutricionista, programa saúde da família e alimentação.
A edificação de uma pesquisa bibliográfica e a organização do seu
processo passa por etapas que devem ser seguidas. A primeira etapa desse
estudo foi a escolha do tema e a possibilidade consultar fontes capazes de
dar sustentação à pesquisa. Marconi e Lakatos (2003), nesta etapa, ressaltam que a escolha do tema deve ir ao encontro das inclinações, tendências
e aptidões do pesquisador e merecer ser investigado.
A etapa seguinte foi pesquisar a existência de artigos sobre o
tema em artigos do scielo, livros e revistas de nutrição. Sendo seguido de
uma leitura e re-leitura do material, identificado e organizado em idéias
semelhantes, formando categorias de análise. Foram lidos um total de
72 artigos, distribuídos da seguinte forma: política de saúde(3), idoso(4),
SUS(10), nutrição(8), ESF(20), carência de ferro(3), deficiência vitamina
A(4), referência bibliográfica(1), metodologia(1), PNAB(4), epidemiologia(2), SISVAN(3), desnutrição infantil(2), NASF(5), aleitamento(2).
Após a leitura dos estudos, iniciou-se um processo de categorização
em temas e procedeu-se a analise observando-se as concordâncias e discordâncias entre os autores pesquisados.
3
RESULTADOS E ANÁLISE
Após analise do material, através da leitura e releitura, foi possível
categorizar esse estudo nos seguintes temas: 1- A Política Nacional da
Atenção Básica (PNAB) ; 2- A Política Nacional de Alimentação e Nutrição
(PNAN); 4- Transição epidemiológica no Brasil; 4- Núcleo de Apoio à Saúde
da Família (NASF).
3.1
A Política Nacional da Atenção Básica (PNAB)
Os termos atenção primária à saúde (APS) e atenção básica de saúde (ABS) têm sido empregados para designar o primeiro nível de organização da atenção no SUS. Após muita discussão, o termo ABS foi adotado
pelo Ministério da Saúde nos documentos oficiais e designa a política estabelecida para essa área. A organização do sistema de saúde brasileiro,
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 41-46.
na atualidade, está norteada pelo Pacto pela Saúde e em Defesa do SUS,
documento pactuado por técnicos do Ministério da Saúde, o Conselho
Nacional de Secretários Municipais de Saúde (CONASEMS) e o Conselho
Nacional de Secretários Estaduais (CONASS) e aprovado pela Comissão Intergestores Tripartite (CIT) e pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), no
início de 2006 (DIAS et al, 2009).
O componente Pacto pela Vida definiu como prioridade a consolidação da atenção básica de saúde como eixo ordenador das redes de
atenção à saúde do SUS, financiada pelas três esferas de gestão do SUS,
para atender as necessidades de saúde da população e conseguir a equidade social. A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) define as estratégias para sua operacionalização e consolidação. A PNAB foi aprovada pela
portaria de nº648\GM de 28 março de 2006, essa data ficou conhecida
como a marca da maturidade no que se refere à Atenção Básica em Saúde
( BRASIL, 2006).
A atenção básica em saúde é caracterizada pelo conjunto de intervenções de saúde, no âmbito individual e coletivo, abrangendo atividades
de promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação. É desenvolvida por meio de práticas gerenciais e sanitárias, democráticas e participativas, que privilegiam o trabalho em equipe, dirigidas a populações de
territórios (território-processo) delimitados. Utiliza tecnologias de elevada
complexidade e baixa densidade, que devem resolver os problemas de
saúde de maior frequência e relevância das populações, sendo considerado o contato preferencial dos usuários com o sistema de saúde (MOROSINI;
CORBO, 2007).
Essa política tem melhorado as condições de saúde da população
brasileira, trazendo uma aproximação maior entre a população e os profissionais da área de saúde. A ESF foi peça importante para as mudanças
propostas pelas Normas Operacionais Básicas (NOB), especialmente, a
NOB-96. Por essa norma, foi criado o Piso da Atenção básica (PAB), que
previa remuneração per capita para que os municípios desenvolvessem
ações básicas de saúde (parte fixa PAB), além de recursos adicionais para
aqueles que estivessem implantando a ESF (VIANA, 2005).
Essa equipe, composta por médico, enfermeiro, dentista, auxiliar
de enfermagem, técnico de higiene bucal e agente comunitário de saúde, constitui-se de equipes multiprofissionais que devem atuar em uma
perspectiva interdisciplinar. Os membros da equipe articulam suas práticas
e saberes no enfrentamento de cada situação identificada para propor soluções conjuntamente e intervir de maneira adequada já que todos conhecem a problemática. A equipe presta assistência integral, efetiva, contínua
e com qualidade, considerando a perspectiva da família, por meio da abordagem interdisciplinar, planejamento de ações, organizações do trabalho,
compartilhando decisões (OLIVEIRA, 2006).
A Atenção Básica tem a Saúde da Família como estratégia prioritária para sua organização de acordo com os preceitos do SUS. Define-se
como áreas estratégicas para atuação em território nacional: a eliminação
da hanseníase, o controle da tuberculose, o controle da hipertensão arterial, o controle do diabetes mellitus, a eliminação da desnutrição infantil, a
saúde da criança, a saúde da mulher, a saúde do idoso, a saúde bucal e a
promoção da saúde (BRASIL, 2006).
Os estudos pesquisados mostram uma convergência no desenvolvimento da política da atenção básica e a estratégia saúde da família.
Mostra, ainda, ações da atenção básica ligadas a intervenções no modo
de se alimentar da população brasileira. Conforme relatado acima, das dez
ações prioritárias da atenção básica, seis tem relação direta com a nutrição,
quais sejam, controle da hipertensão arterial, controle do diabetes mellitus,
eliminação da desnutrição infantil, saúde da criança, saúde da mulher e
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 41-46.
saúde do idoso. Esse fato reforça a importância da presença do nutricionista na estratégia saúde da família.
3.2
A política nacional de alimentação e nutrição (PNAN)
Em 1999, por um processo participativo de formulação, é homologada a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) junto ao
Conselho Nacional de Saúde, após as devidas pactuações nas instâncias
colegiadas que compõem o SUS. A PNAN assumiu como fundamentos
o entendimento da alimentação saudável enquanto um direito humano,
e a necessidade de articulação e da busca da garantia da segurança alimentar e nutricional. Desta forma, pressupõe- se que só haverá condições
de pleno exercício do direito humano à alimentação adequada através de
medidas institucionais que visem à segurança alimentar e nutricional (PINHEIRO; CARVALHO, 2008).
A PNAN, além de fundamentos, baseia-se em sete diretrizes. Sendo elas: o estímulo às ações intersetoriais com vistas ao acesso universal
aos alimentos; a garantia da segurança e da qualidade dos alimentos e da
prestação de serviços neste contexto; o monitoramento da situação alimentar e nutricional; a promoção de práticas alimentares e estilos de vida
saudáveis; a prevenção e controle dos distúrbios nutricionais e de doenças
associadas à alimentação e nutrição; a promoção do desenvolvimento de
linhas de investigação e o desenvolvimento e capacitação de recursos humanos (BRASIL, 2006).
Entende-se alimentação saudável como um direito humano que
contemple um padrão alimentar adequado às necessidades biológicas,
culturais, sociais e econômicas dos indivíduos, respeitando os princípios
de acessibilidade físico e financeiro, sabor, variedade, cor, harmonia e segurança sanitária, com ênfase em práticas alimentares que assumam os significados simbólico-culturais da comida nas relações sociais das populações
(PINHEIRO, FREITAS E CORSO, 2005).
Dentre as diretrizes da PNAN, o monitoramento da situação alimentar e nutricional, Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional – SISVAN, tem recebido destaque ao longo do desenvolvimento da política.
Caracteriza-se por um sistema de informação que tem por objetivo fazer
o diagnóstico descritivo e analítico da situação alimentar e nutricional da
população brasileira. Este monitoramento contribui para o conhecimento
da natureza e magnitude dos problemas de nutrição, identificando as áreas geográficas, segmentos sociais e grupos populacionais acometidos por
maior risco aos agravos nutricionais. No Brasil, esse sistema é previsto na
operacionalização do Sistema Único de Saúde (BRASIL, 2006).
Historicamente, esse sistema sempre esteve vinculado aos programas de alimentação e nutrição existentes no País. Atualmente, é considerado como instrumento de avaliação das condicionalidades da saúde no
Programa Transferência de Renda Programa Bolsa – Família, na ação de
monitorar o crescimento e desenvolvimento das famílias.
Nas ações de intervenções, visando a eliminação da deficiência
em micronutrientes, dois programas tem se destacado. O Programa de
Vitamina A e Programa do Ferro. Para redução da hipovitaminose A em
áreas endêmicas ( Nordeste e Vale do Jequitinhonha-MG). As estratégias
da intervenção são estabelecidas através da suplementação com megadoses de Vitamina A às crianças de 6 a 59 meses de idade residentes em
áreas consideradas de risco e mulheres no pós-parto imediato, associadas
a ações educativas implementadas pelos Agentes Comunitários de Saúde
e também através dos meios de comunicação de massa, disponibilizando
informações à população que visem à seleção de alimentos ricos em retinol (vitamina A de origem animal) e carotenóides (vitamina A de origem
43
vegetal), na composição de sua alimentação diária ( BRASIL, 2004).
Ainda na intervenção de deficiência de micronutrientes, a PNAN
organizou o Programa do Ferro com a distribuição da suplementação
terapêutica e profilática de ferro à gestantes, puérperas e crianças, como
opção para controlar essa deficiência nutricional. Aliado a isso, o programa
de fortificação de farinhas de trigo e milho com ferro e ácido fólico, foi
implantado em todo o país desde junho de 2004, mostrando a sintonia do
governo brasileiro com as recomendações internacionais e sua vontade
política em erradicar a anemia e minimizar a deficiência de ferro dentre os
problemas de saúde pública (SATO, 2008).
A carência nutricional de ferro tem sido considerada um importante
problema de saúde pública, sobretudo, nos países em desenvolvimento,
tanto em termos de magnitude, distribuição espacial, quanto nos seus reflexos negativos à saúde do indivíduo. Segundo estudo realizado em escolares na cidade de Teresina, constatou-se concentrações inadequadas de
ferritina sérica da ordem de 20,3%. Vale ressaltar que 63,0% dos escolares
apresentaram concentrações de ferritina sérica inferiores a 30 µg/L (SANTOS, 2008).
a hipertensão arterial e as hiperlipedemias já acenam como problemas importantes de saúde e se mostram fortemente associadas às condições de
nutrição e ao estilo de vida adotado e/ou imposto pela sociedade moderna. O perfil da morbi-mortalidade na população pré-escolar caracteriza-se
por expressiva redução da severidade das doenças infecciosas e parasitárias, embora as prevalências continuem altas (ASSIS et al,2002).
Com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, observa-se uma transição no estado nutricional da população
brasileira. A desnutrição em adultos apresenta-se em queda enquanto o
número de brasileiros com sobrepeso aumentou de 1975 a 2003. Atualmente, 40% dos adultos no país estão acima do peso considerado ideal,
com índice de massa corporal (IMC) superior a 25. Ao se levar em conta
o total de obesos, pessoas com IMC superior a 30, o percentual é de 8,8%
para os homens e 12,7% para as mulheres. A obesidade tem crescido entre
crianças e adolescentes, mostrando que 16,7% dos adolescentes entre 10 e
19 anos têm excesso de peso e, 2,3% obesidade ( BRASIL,2006).
3.3
A Portaria de nº 154, de 24 de janeiro de 2008, cria o núcleo de
apoio à saúde da família (NASF). Os núcleos devem funcionar em horário
de trabalho coincidente com o das equipes de Saúde da Família, devendo
ter uma carga horária de 40 horas semanais observando o seguinte - para
os profissionais médicos, em substituição a um profissional de 40 (quarenta) horas semanais, podem ser registrados 2 (dois) profissionais que
cumpram um mínimo de 20 (vinte) horas semanais cada um. Os profissionais do NASF devem ser cadastrados em uma única unidade de saúde,
localizada preferencialmente dentro do território de atuação das equipes
de Saúde da Família às quais está vinculado (BRASIL, 2008).
O NASF reúne profissionais de diversas áreas de saúde, como médicos especialistas, professores de Educação Física, nutricionistas, acupunturistas, homeopatas, farmacêuticos, assistentes sociais, fisioterapeutas,
fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais. Estes atuarão complementando o trabalho das equipes da ESF. Para implementar os núcleos,
o município deve elaborar projeto, contemplando o território de atuação,
as atividades que serão desenvolvidas, os profissionais e sua forma de contratação com especificação de carga horária, identificação das equipes do
PSF vinculadas ao NASF, e a unidade de saúde que credenciará o Nasf. Esse
projeto deverá ser aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde e pela Comissão Intergestores Bipartite de cada estado (BRASIL, 2008).
A importância da participação dos diferentes profissionais no processo de acolhimento se traduz pela questão de avanços no sentido de
construir uma educação permanente destes profissionais, que os coloca
em direção a uma atitude entre-disciplinar que desenha as possibilidades
dos mesmos desenvolverem atividades gerais ligadas à complexidade da
saúde, associadas a atividades profissionais específicas de sua profissão
(CECCIM, 2004). A Política Nacional de Atenção Básica estabelece que à
equipe de ESF cabe o desenvolvimento de um processo de trabalho voltado para o planejamento, organização e execução de ações de saúde no
território.
É importante considerarmos que embora desejável, a noção de
equipe colocada pelo MS apresenta uma perspectiva de recomposição do
trabalho coletivo no nível discursivo, pois no dia-a-dia dos serviços não
basta a definição de um perfil de atividades a serem desenvolvidas para se
garantir tal recomposição do trabalho individual e autônomo dos trabalhadores na direção da construção prática do trabalho em equipe (MISHIMA,
2003).
A transição epidemiológica no Brasil
A transição epidemiológica em curso no Brasil, fruto das mudanças
no perfil sócio-demográfico e nutricional da população, vem promovendo profundas alterações no padrão de morbi-mortalidade e no estado
nutricional em todas as faixas etárias, nas áreas urbanas e pequenas cidades. Embora o perfil da saúde da população brasileira possa ser caracterizado por decrescentes taxas de mortalidade em todas as faixas etárias,
destacam-se ainda as altas prevalências e incidências de varias doenças
infecciosas e parasitarias, de elevada ocorrência em países periféricos, somando-se a esse panorama aquelas morbidades características dos Países
centrais. O quadro de morbi-mortalidade desenhado na atualidade para o
Brasil associa-se com alimentação, a nutrição e o estilo de vida dos brasileiros (ASSIS et al, 2002).
Os dados recentes da POF verificaram um aumento expressivo da
obesidade entre homens em geral; e entre mulheres uma acentuação somente na população de baixa renda, principalmente no meio rural. Esses
dados sinalizam para uma mudança no perfil epidemiológico nutricional
da população brasileira; contudo, não refletem melhoria nesse perfil. Pelo
contrário, tais evidências deixam claro que a natureza da problemática
alimentar e nutricional requer ações para tratar a má-nutrição em sua
globalidade, seja manifestada pela carência; seja resultante do excesso
de consumo energético e inadequação alimentar ( PINHEIRO, FREITAS e
CORSO, 2005).
A pesquisa nacional por amostragem de domicílios (PNAD 2004)
confirmou essa tendência do envelhecimento da população brasileira.
O percentual de pessoas com 60 anos de idade ou mais era de 6,4% em
1981, subiu para 8,0% em 1993 e alcançou 9,8% em 2004. A projeção do
Brasil, em, em 2025, é de 15 a 20% da sua população total composta por
indivíduos com de 60 anos ou mais, ficando entre os 10 Países do mundo
com mais contingente de idosos. Em Países em desenvolvimento, a Organização das Nações Unidas (ONU) considera como idoso o individuo com
idade igual ou superior a 60 anos. No Brasil, a lei nº. 8.842\94 adota essa
mesma faixa etária como entrada na velhice (GERONUTTI, 2008).
Entre os adultos destaca-se a elevação das taxas de doenças como
diabetes, obesidade, neoplasia, hipertensão arterial e hiperlipidemias,
característica semelhante ao perfil de morbi-mortalidade de população
adulta de países desenvolvidos. Em relação aos adolescentes, a obesidade,
44
3.4
Núcleo de apoio à saúde da família (NASF)
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 41-46.
Entre esses profissionais, o município pode optar pelo nutricionista.
Com essa escolha, a comunidade local é beneficiada por um profissional
capacitado para apoiar a realização de ações educativas sobre a alimentação e a nutrição. Entre elas, estão a coordenação das ações de diagnóstico
populacional da situação alimentar e nutricional, o estímulo à produção e
ao consumo de alimentos saudáveis produzidos regionalmente e o atendimento para doenças relacionadas à alimentação e à nutrição. No entanto,
nestes Núcleos, o nutricionista não lida apenas com questões alimentares.
Seu trabalho deve incentivar a produção agrícola local, o que levará à geração de renda e empregos na região ( SILVA, 2009).
Assim, a inclusão do nutricionista na equipe da Estratégia Saúde da
Família só viria complementar as ações de saúde no sentido de que a nutrição tem seu papel de manutenção da saúde através da alimentação, o
que ajudaria a manter o caráter preventivo do modelo de atenção básica à
saúde, cuja consolidação é buscada através da Estratégia Saúde da Família
(ESF).
4
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo permite uma reflexão sobre a importância da presença
do profissional nutricionista na equipe Saúde da Família. A atenção básica
requer ações intersetoriais de cunho participativo. Os estudos pesquisados
revelam que o desenho metodológico de operacionalização e gestão desse modelo envolve ações que reflitam mudanças no quadro de transição
epidemiológica, nutricional e demográfico da população brasileira.
Nesse sentido, o NASF, como um apoio à Estratégia Saúde da Família, pode contribuir nesse processo. No entanto, ao limitar a escolha do
gestor, a composição da equipe multiprofissional, em especial do nutricionista, pode fragilizar a garantia da presença desse profissional.
Por outro lado, as diretrizes e prioridades da atenção básica encontram-se diretamente relacionadas com ações privativas do nutricionista.
De tal modo, podemos perceber que a inclusão do nutricionista na ESF
complementaria a promoção da saúde das famílias no sentido de que a
nutrição tem o papel de manutenção e prevenção da saúde através da
alimentação.
O NASF revela-se como um avanço no sentido de integralidade e
do trabalho em equipe, porém não garante a presença do nutricionista
no desenvolvimento de ações de alimentação e nutrição. Dessa forma,
pretende-se que seja referenciado o papel do nutricionista em particular,
pelo prisma da sua identidade profissional, sendo esse profissional detentor do saber científico na área da alimentação e nutrição, além do exercício
de se colocar em beneficio de outrem, e assim contribuir na melhoria da
qualidade de vida e conseqüentemente no prolongamento da mesma.
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Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 41-46.
PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN
Análise do teor de cloro ativo em soluções de hipoclorito de sódio
comercializadas em lojas de materiais odontológicos de Teresina-PI
Analysis of the chlorine content active in solutions of sodium hypochloret commercialized in dentistry
material stores in Teresina-PI
Análisis del teor de cloro activo en soluciones de hipoclorito de sódio comercializadas en tiendas de
materiales odontológicos de Teresina-PI
Gisele Torres Feitosa
RESUMO
Graduada em Odontologia pela Faculdade NOVAFAPI.
Especialista em Periodontia EAP/ABO-PI. Aluna do
Curso de Especialização em Endodontia da Faculdade
NOVAFAPI. Coordenadora do Projeto de Extensão – Plantão
Odontológico na Faculdade NOVAFAPI
Carlos Alberto Monteiro Falcão
Mestre em Dentística e Endodontia FOP/UPE. Aluno
do Programa de Doutorado em Clinicas Odontológicas
SLMandic. Professor e Coordenador do Curso de Odontologia
da Faculdade NOVAFAPI. Professor do Curso de Odontologia
da UESPI
Um dos principais objetivos da terapia endodôntica é a limpeza de restos pulpares, do material necrótico e dos microorganismos da cavidade pulpar; sendo utilizados instrumentos endodônticos associados às soluções irrigadoras realizando, o preparo químico-mecânico dentro dos princípios da
técnica e com soluções irrigadoras ideais, por isso o profissional deve ter confiança no produto químico que está sendo utilizado. Sabe-se que, dessas soluções, o hipoclorito de sódio continua sendo
o de escolha, mas estas soluções apresentam uma instabilidade química através da luz, ar, calor e
contaminantes orgânicos e metálicos. Devido a isso, esta pesquisa tem o objetivo de analisar o teor
de cloro ativo através da titulometria das soluções de hipoclorito de sódio encontradas em lojas de
matérias odontológicos de Teresina–Piauí, seu pH e o grau de conhecimento dos endodontistas em
relação a estocagem, formulação, armazenamento e tempo de vida útil das soluções. Observou-se
que as soluções analisadas estavam com o teor de cloro abaixo do esperado, todas com o pH alcalino
e que os endodontistas têm o conhecimento ideal sobre as soluções irrigadoras.
Descritores: Odontologia. Hipoclorito de Sódio. Endodontia.
ABSTRACT
One of the main objetives of endodontic therapy is the cleaning of the pulp rests , of the necrotic
material and of the microorganisms of the pulp cavity; being used endodontics instruments associated to the irrigating solutions realizing, Chimical-mecanic inside the principles of the technique
ideas solutions irrigating ideas, for this the profissional must have confidence in the chimical product
that is being udsed. It is known that, from these solutions, of the hyperchlorite of sodium continues
the choice , but these solutions present a chimical instability through the light,air, heat, color metalic
and organic contaminants. Due to it, this research aims at analysing the content of active chlorine of
the titulometry of sodium hypochlorite found at dentistry materials stores inTeresina –Piauí, its pH
and the knowledge degree of the endodontists in relation to the stocking, formulation, storing and
useful life style of the solutions. It was observed that the solutions analyzed were with content of
chlorine below of what was expected, all with pH alcaline and those the endodontists have the ideal
knowledge about the the solutions irrigators.
Descriptors: Dentistry. Sodium hypochlorite. Endodonty
RESUMEN
Submissão: 26/01/2009
Aprovação: 13/03/2009
Uno de los principales objetivos de la terapia endodóntica es la limpieza de restos pulpares, del material necrótico y de los microorganismos de la cavidad pulpar; siendo utilizados instrumentos endodónticos asociados a las soluciones irrigadoras realizando, el preparo químico-mecánico dentro
de los principios de la técnica y con soluciones irrigadoras ideales, por eso el profesional debe tener
confianza en el producto químico que está siendo utilizado. Se sabe que, de esas soluciones, el hipoclorito de sodio continua siendo lo de elegir, pero estas soluciones presentan una inestabilidad
química a través de la luz, aire, calor y contaminantes orgánicos y metálicos. Debido a eso, esta pesquisa tiene el objetivo de analizar el tenor de cloro activo a través de la titulometria de las soluciones
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 47-51.
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de hipoclorito de sodio encontradas en tiendas de materias odontológicas
de Teresina –Piauí, su pH y el grado de conocimiento de los endodontistas
en relación al estoque, formulación, almacenamiento y tiempo de vida útil
de las soluciones. Se observó que las soluciones analizadas estaban con el
tenor de cloro abajo del esperado, todas con el pH alcalino y que los endodontistas tienen el conocimiento ideal sobre las soluciones irrigadoras.
Descriptores: Odontología. Hipoclorito de sodio. Endodontía.
1
INTRODUÇÃO
Endodontia é a ciência e a arte que envolve a etiologia, a prevenção,
o diagnóstico e tratamento das alterações patológicas da polpa dentária e
de suas repercussões na região periapical e, consequentemente, no organismo (LEONARDO, 2005).
O tratamento endodôntico segue uma seqüência de abertura coronária, preparo biomecânico, controle da desinfecção, finalizando com a
obturação. A cada dia, esse tratamento alcança índices de sucesso devido a
um maior domínio do desenvolvimento técnico-científico. (SANTOS, 1999;
SPANÓ, 1999; VARGAS, 2000; LEONARDO, 2005).
Didaticamente, o preparo biomecânico é executado pelos seguintes meios: mecânico - ação dos instrumentos, alargando e modelando o
canal radicular; físico - ato de irrigar e aspirar uma solução irrigadora; químico - ação química de substâncias ou soluções irrigadoras nos componentes dos canais radiculares. A instrumentação juntamente com a irrigação e a sucção são etapas que devem ser contínuas, únicas e simultâneas,
com o objetivo de remover bactérias, dissolver tecido necrótico, materiais
inorgânicos e orgânicos dentre outros detritos do canal radicular. Vale lembrar que um canal bem irrigado, ou seja, bem limpo permite uma melhor
ação dos medicamentos ou material obturador.
Para Torres (2000), numerosas soluções irrigadoras são usadas em
Endodontia, visando encontrar uma que atenda a uma série de requisitos
básicos, tais como capacidade de lubrificação das paredes do canal para
facilitar a instrumentação, ação bactericida, propriedade de umedecimento e redução da tensão superficial das paredes dentinárias para penetração
dos medicamentos intra-canais, solvência de partículas orgânicas e inorgânicas, atividade clareadora e desodorizante, entre outras.
Essas soluções irrigadoras são classificadas em: compostos halogenados, detergentes sintéticos, quelantes, associações ou misturas e outras
soluções irrigadoras (LEONARDO, 2005; ESTRELA, 2000). Dentro desse leque de opções, deve-se realizar uma escolha relacionada com o caso em
questão para um melhor resultado. Sabe-se que ainda hoje a solução irrigadora mais utilizada são os hipocloritos de sódio do grupo dos compostos halogenados.
O ácido hipocloroso (NaOCl) é modificado pela luz, temperatura
elevada, metais, ar e tempo de vida útil que alteram o seu teor de cloro
ativo que é o principal componente para ações como a de solvência do
tecido e bactericida.
Considerando que a solução de hipoclorito de sódio é muito utilizada no tratamento endodôntico e tem uma instabilidade química que
altera o teor de cloro ativo da solução, esta pesquisa tem o propósito de
verificar, mediante prova de titulação química (iodometria), o real teor de
cloro ativo das soluções de NaOCl encontradas em algumas lojas de materiais odontológicos de Teresina, pois este cloro é o principal componente
ativo para as ações de solvência tecidual e bactericida. A pesquisa tem o
intuito de verificar também a atenção dos endodontistas quanto às condições de estocagem, formulação, armazenamento e tempo de vida útil
das soluções.
48
2
METODOLOGIA
As soluções de hipoclorito de sódio de várias concentrações foram
testadas através da titulometria (iodometria) para verificar o teor de cloro
destas. Essas análises foram realizadas na Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí (NOVAFAPI) no laboratório de Bioquímica.
Analisou-se 3 (três) frascos de lotes diferentes de soluções de hipoclorito de sódio para cada marca ou concentração disponíveis em lojas de
materiais odontológicos de Teresina. A análise foi comparada sobre algumas especificações do seu rótulo (marca, concentração de cloro ativo, lote
e tipo da embalagem).
O método da titulometria (iodometria) avalia a quantidade de iodo
consumido pela solução de tiossulfato de sódio, conseguindo de forma indireta o teor de cloro livre de uma solução de hipoclorito de sódio. Essa reação é possível porque o cloro é substituído pelo iodo (proporção de 1:1).
O método utilizado está em conformidade com Vorgel (2000) e
consiste em algumas etapas que serão explicadas a seguir
Primeiramente, prepararam-se as soluções utilizadas durante o
procedimento que foram: água destilada e deionizada; iodeto de potássio;
tiossulfato de sódio; e ácido sulfúrico 10M. A outra solução que é a de amido solúvel 2% só foi preparada na hora do uso.
Para iniciar o procedimento, pipetou-se 10ml da solução de hipoclorito de sódio a ser testada e colocou-se em um balão volumétrico de
100ml. Completou-se o volume com água destilada e deionizada. Pipetouse 15ml da amostra acima diluída, logo transferida para um Erlenmeyer de
250ml (Figura 01).
Para a substituição do cloro pelo iodo na solução (amostra diluída),
no vidro de Erlenmeyer, adicionou-se 1ml da solução de iodeto de potássio
e depois, 1,7ml da solução de ácido sulfúrico 10M. Com isso, a solução
adquire cor marrom, devido à liberação do iodo que foi acentuada pela
acidulação da solução, ou seja, liberação total de iodo (Figura 01).
Procedeu-se com a titulação da solução, utilizando o tiossulfato de
sódio (0,1M) com agente redutor do iodo. O ponto final da titulação se dá
com a perda total da cor da solução. É importante anotar a quantidade de
gotas da solução de tiossulfato de sódio utilizadas.
Para facilitar o ponto final da titulação, quando a solução iniciar a
mudança para amarelo-claro, prepara-se a solução de amido e a adiciona
a esta. O amido em contato com o resto de iodo produziu um azul intenso
que facilitou chegar a sua transparência, onde não existe mais iodo.
Com a transparência da solução teste, e com a quantidade em ml
de tiossulfato, passou-se para a etapa dos cálculos do teor de cloro ativo.
Com uma regra de três, obteve-se a quantidade de cloro presente
na solução testada. A regra é a seguinte:
0,0036g de Cloro está para 1ml tiossulfato de sódio, assim como um
valor X g (que se obter) de Cloro está para a quantidade de gotas utilizada
de tiossulfato de sódio.
0,0036g de Cloro_______1ml tiossulfato de sódio
(X )g de Cloro___________Volume de tiossulfato de sódio gasto
Depois esse valor X g de cloro seguiu para a segunda regra:
15ml_________________(X) g de cloro
100ml________________ g de cloro na diluição (Y)
Y= Resultado de cloro na diluição.
Encontrado esse valor Y, multiplicou-se por 10 e o resultado é igual
à porcentagem de cloro na diluição em 100ml de solução de hipoclorito
de sódio.
Para calcular o pH, utilizou-se um pHmetro digital da marca Quimis
(Q – 400H).
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 47-51.
Além dos testes aplicou-se também um questionário com os endodontistas da lista do CRO (Conselho Regional de Odontologia) para averiguar
como eles adquirem o produto, se observam a concentração de cloro ativo, tempo de validade e lote.
Figura 01 – Esquema da titulometria
Completou-se com água destilada e
deionizada
Pipetou-se 10 ml de NaOCl
Balão volumétrico 100ml
Pipetou-se 15 ml da amostra diluída e transfere para Erlenmeyer
Erlenmeyer 250 ml
Adiciona-se 1ml de iodeto de potássio
Adiciona-se 1,7 ml de ácido sulfúrico 10 M
3
DISCUSSÃO E RESULTADO
Um dos principais objetivos da endodontia é a limpeza e modelagem
do canal radicular que é obtida através de um preparo químico-mecânico bem
conduzido em todas as etapas. Dentre estas, a fase de irrigação assume um papel de destaque devido as suas aplicações desde a fase inicial até momentos
antes da obturação.
Sabe-se que dentre as soluções irrigadoras estudadas até os dias atuais,
o grupo dos compostos halogenados continua sendo o material de eleição para
a irrigação dos canais radiculares tanto de biopulpectomias como para as necropulpectomias devido as suas qualidades de detergente, bactericida, necrolítica,
antitóxica, desodorizante, dissolvente e neutralizante. Entretanto, deve-se ressaltar que estas qualidades podem ser afetadas pela sua instabilidade química, que
pode ser modificada pela luz, calor, ar, e presença de contaminantes orgânicos e
inorgânicos, levando a perda do índice de cloro ativo (PÉCORA et al., 1987; MILANO et al., 1991; LEONARDO, 1998; TORRES, 2000; VARGAS, 2000; SÓ et al., 2004).
Esse cloro livre presente nas soluções de hipoclorito de sódio é um
potente germicida que exerce ação antibacteriana e de solvência dos tecidos,
sendo estas suas duas principais qualidades (PÉCORA et al., 1987; MILANO et
al.1991; GABARI et al., 1998; TORRES, 2000; SÓ et al., 2004).
O ácido hipocloroso depende do pH da solução, sendo que em solução
neutra ou ácida ele não se dissocia (mais ativa e instável) e em meio alcalino
fica sob a forma iônica dissociada (menos ativa), com isso, conclui-se que a vida
útil das soluções com pH elevado é maior, pois libera cloro de forma mais lenta
(MILANO et al., 1991; SANTOS, 1999; TORRES, 2000; VARGAS, 2000). Na presente pesquisa, com os resultados encontrados, observa-se que todas as soluções
apresentaram um pH alcalino, que variou de 9,74 a 13,44 (Quadro 01).
SOLUÇÃO DE NaOCl / MARCA
LOTE
Ph
TEOR DE CLORO
Solução de Dakin (0,5 %)/Iodontosul
002
10,55
0,24
Solução de Milton (1 %) /Iodontosul
002
13,23
0,336
Soda Clorada (5 %) /Iodontosul
003
13,44
0,432
Solução de Dakin (0,5 %)/Biodinamic
398/05
10
0,504
Solução de Dakin (0,5 %) /Biodinamic
207/05
9,74
0,24
Solução de Dakin (0,5 %) /Biodinamic
244/05
9,94
0,12
Solução de Milton (1 %) /Biodinamic
356/05
9,92
0,9
Solução de Milton (1 %) /Biodinamic
141/05
10
0,24
Solução de Milton (1 %) /Biodinamic
443/05
10
0,432
Soda Clorada (5 %) /Biondinamic
263/05
12,19
0,6864
Soda Clorada (5 %) /Biodinamic
293/05
12,56
0,8
Soda Clorada (5 %) /Biodinamic
519/05
13
0,96
Quadro 01 – Soluções de NaOCl analisadas com sua marca, lote, pH e teor de cloro encontrado.Teresina - Piaui
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 47-51.
49
A ação solvente do hipoclorito de sódio contribui para a eliminação
dos tecidos necróticos e restos pulpares dos canais radiculares. É recomendado a fabricação de pequenas quantidades para uso imediato sendo descartada após dois meses de vida útil, pois, a presença de alta temperatura
e luz solar afetam esta atividade (GROSSMAN e MEIMAN, 1941; HAND, R. E.;
SMITH, M. L.; HARRISON, J. W.,1978; SANTOS,1999).
Observou-se que as soluções encontradas em lojas de matérias
dentários de Teresina, apresentavam-se com mais de dois meses de fabricação e com o prazo de validade para doze ou de vinte e quatro meses de
acordo com o fabricante.
É consenso entre autores que existem diferenças na quantidade
de cloro encontrado na maioria das soluções disponíveis no mercado ou
naquelas mal acondicionadas e esses autores utilizaram e recomendam o
teste da titulometria para analisar o teor de cloro das soluções de hipoclorito de sódio. O presente trabalho utilizou o referido método.
Realizando uma média de todos os resultados, tem-se a seguinte
amostra: dos 12 (doze) frascos de soluções de hipoclorito de sódio encontradas em lojas de materiais dentários de Teresina-PI, sendo de marcas e
lotes diferentes, 06 (seis) apresentaram o teor de cloro abaixo do indicado
no rótulo, 02 (duas) apresentaram o teor de cloro de acordo com o indicado no rótulo e 04 (quatro) apresentaram o teor de cloro abaixo de 0,3, não
sendo mais ativa contra a Candida albicans, e muito abaixo de especificado
(Tabela 1).
Para os autores, o aumento da temperatura é o principal agravante para a perda do teor de cloro (PÉCORA et al, 1987; MILANO et al.,1991;
PÉCORA, 1997; GAMBARINI, 1998; SÓ, 2002; 2004). Vale ressaltar que os experimentos foram realizados no período de julho a agosto de 2005, sendo
um período com o clima muito quente.
Essas soluções devem ser acondicionadas em frascos de vidro âmbar e local fresco (GROSSMAN e MEIMAN,1941; PÉCORA et al.,1987; MILANO et al.,1991; PÉCORA et al., 1997; TORRES, 2000; VARGAS, 2000; SÓ et
al,,2004).
Observou-se que a embalagem de todas as soluções analisadas, era
de plástico, estando algumas ressecadas ou com a tinta do rótulo arranhada ou sumindo, acondicionadas em prateleiras e a marca predominante
foi a da Biodinamic, sendo importante ressaltar a dificuldade de encontrar
frascos de lotes diferentes.
PÉCORA et al. (1987), cita em seu trabalho que os profissionais devem ficar atentos para não utilizarem soluções com o teor de cloro abaixo
de especificado, perdendo o propósito para o qual está sendo aplicado.
Aplicou-se um questionário para uma amostra de 30 (trinta) endodontistas, sendo que 26 (vinte e seis) responderam e 4 (quatro) não aceitaram participar, o que representa uma taxa de não resposta equivalente
a 13,33% por recusa. Esse questionário analisava o grau de conhecimento
dos endodontistas em relação a prazo de validade, local de aquisição, armazenamento, iluminação e quantidades de lotes adquiridos das soluções.
Em relação ao prazo de validade, 13 (treze) cirurgiões dentistas
responderam que observam antes de utilizar, 12 (doze) responderam que
o cirurgião dentista e a auxiliar observam e 1 (um) respondeu que só a
auxiliar é quem observa, o que evidencia que eles preocupam-se com o
tempo de vida útil.
50
Na segunda pergunta, sobre onde costumam adquirir o produto, 18
(dezoito) profissionais responderam que em lojas de materiais dentários, 4
(quatro) em farmácia de manipulação, 3 (três) em lojas de materiais dentários e farmácia de manipulação e 1 (um) utiliza a água sanitária adquirida
nos supermercados. A escolha pela farmácia de manipulação é recomendada, pois o produto é fabricado e logo utilizado, não perdendo muito
teor de cloro. A água sanitária encontrada em supermercados apresenta
maior rotatividade nas prateleiras e quando diluída é uma boa opção. Vale
lembrar que a diluição da água sanitária para 1% é realizada adicionando
5 (cinco) partes de NaOCl para 2 (duas) de água, devendo ser filtrada com
algodão ao gaze, e não se deve usar água sanitária aromatizada (MIRANDA,
LOPES e SIQUEIRA JR.,2002; MARCHESAN et al., 2005)
Sobre o armazenamento das soluções, 18 (dezoito) responderam
que armazenam em armários e 8 (oito) em geladeiras e, sobre a iluminação
desses locais, 2 endodontistas (dois) responderam que o lugar onde armazenam a solução é iluminado e 24 (vinte e quatro) que não é iluminado.
A efetividade dessas soluções depende da concentração do cloro ativo e,
de acordo com a literatura, a iluminação e temperatura afetam esse cloro
(GROSSMAN e MEIMAN,1941; PÉCORA et al.,1987, 1988; MILANO et al.1991;
TORRES, 2000; VARGAS, 2000; SÓ et al.,2004).
Vale ressaltar que PÉCORA et al. (1997) e SÓ et al. (2002) citam em
seus trabalhos que a luminosidade e armazenamento não têm uma influência significativa na diminuição do teor de cloro como a temperatura.
Com relação à quantidade de frascos de um mesmo lote, 13 (treze)
endodontistas adquirem 1 (um) frasco de NaOCl do mesmo lote, 10 (dez)
adquirem 2 (dois) frascos e 3(três) não sabem ou não observam. Ressaltando que existe uma dificuldade em encontrar lotes diferentes, nas lojas de
materiais dentários de Teresina.
4
CONCLUSÃO
Com base na metodologia empregada e nos resultados obtidos,
pode-se concluir que:
• As soluções de hipoclorito de sódio encontradas no mercado estão
com o teor de cloro abaixo do identificado no rótulo, estando algumas inadequadas para o uso em endodontia, por apresentaram
teor de cloro muito baixo;
• Das soluções de hipoclorito de sódio analisadas, a que obteve uma
maior diferença entre seu teor de cloro real e o especificado pelo
rótulo foi a Soda Clorada;
• Em relação ao pH dessas soluções, observou-se que estavam dentro
do padrão de alcalinidade;
• Todas as soluções estavam acondicionadas em frascos de plástico
coloridos, com especificações de fácil remoção e armazenadas em
prateleiras. É importante relembrar que no mercado apenas duas
marcas diferentes do produto (Iodontosul e Biodinamic) foram encontradas;
• Os endodontistas entrevistados apresentaram um grau de conhecimento aceitável em relação à estocagem, formulação, armazenamento e tempo de vida útil das soluções.
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51
REFLEXÃO / REFLECTION / REFLECIONE
A paternidade socioafetiva: aspectos psicológicos e a
consolidação no âmbito jurídico
The socioaffetive paternity: psycolgical aspects and the consolidation in the juridic scope.
La paternidad socioafetiva: aspectos psicológicos y la consolidación en el ámbito jurídico
Suênya Marley Mourão Batista
RESUMO
Bacharel em Direito pela Faculdade Santo Agostinho
Eduardo Diniz
Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Piauí –
UFPI. Mestrando em Direito Constitucional – UFC. Diretor da
Escola Superior de Advocacia do Piauí – ESAPI. Advogado.
Com a significativa mudança no Direito de Família, principalmente no que tange às relações entre pais e filhos, houve uma valorização da socioafetividade e a relação de paternidade passou a
revelar-se não somente nas questões da consanguinidade, mas na solidariedade mútua, gerando
laços de afeto que derivam da convivência entre pai e filho. O estudo teve como objetivo desenvolver uma análise crítica sobre a paternidade socioafetiva nos âmbitos jurídico e psicológico, evidenciando a nova abordagem do Direito de Família. Trata-se de um estudo de reflexão que evidenciou
a importância da presença paterna na estruturação e desenvolvimento do sujeito, abordada como
co-responsável na estruturação emocional dos sujeitos envolvidos na trama familiar. A paternidade
socioafetiva estrutura-se também no âmbito jurídico, tendo em vista os dispositivos de lei previstos
na Constituição Federal e no Código Civil Brasileiro que permitem a concepção socioafetiva de família, assim como a jurisprudência pátria que tem consolidado a afetividade como princípio apto
a atender a uma verdadeira significação de família. Certamente, são o envolvimento emocional e o
sentimento de amor que fazem gerar responsabilidades e comprometimentos mútuos, revelando a
presença de uma família. Assim, o estudo demonstra a importância do afeto e da presença paterna
para o desenvolvimento psíquico do sujeito.
Descritores: Paternidade. Afeto. Direito. Psicologia.
ABSTRACT
With minimum change in the Family right, specially in what concerns to the relations between parents and children, There had been a valuing of the socio affetivity and the paternity rights passed to
reveal itself no more in the consanguinity questions, but in the mutual solidarity, generating affetive
lasso that should derive from the close contact father and children. The study developed a critical
analysis about the social affective paternity in the psychological and juridic scope, evidencing a new
approach of Family right. It treats of a reflexive study that evidenced the importance of paternal
structural presence and person development, approached as co-responsible in the emotional structurating of the sujected involved in the family plot. The socio affetive paternity. It also structures itself
in the juridic scope having in view the dispositives of the law previewed in the Federal Constituition
and in the Brazilian civil code that permit family socio affective conception, as well as the jurisprudence homeland that has consolidated the affectivity as suitable basis to serve a true family meaning.
Certainly are emotional involvement and the Love feeling that make it generates responsibility and
mutual commitment, revealing the presence of a family. Thus the study demonstrates the importance of affection in the paternal presence to the person psychic development.
Descriptors: Paternity. Affection. Right. Psychology.
RESUMEN
Submissão: 03/12/2008
Aprovação: 11/02/2009
52
Con el significativo cambio en Derecho de Familia, principalmente en lo que toca a las relaciones
entre padres e hijos, hubo una valorización de la socio afectividad y la relación de paternidad pasó a
revelarse no más en las cuestiones de la consanguinidad, pero en la solidaridad mutua, generando
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 52-57.
lazos de afecto que derivan de la convivencia entre padre e hijo. El estudio tuvo como objetivo desarrollar un análisis crítica sobre la paternidad
socia afectiva en los ámbitos jurídica y psicológica, evidenciando el nuevo
abordaje del Derecho de Familia. Se trata de un estudio de reflexión que
evidenció la importancia de la presencia paterna en la estructuración y
desarrollo del sujeto, abordada como co-responsable en la estructuración
emocional de los sujetos envueltos en la trama familiar. La paternidad socioafectiva se estructura también en el ámbito jurídico teniendo en vista
los dispositivos de ley previstos en la Constitución Federal y en el Código
Civil Brasileño que permiten la concepción socio afectiva de familia, así
como la jurisprudencia patria que tiene consolidado la afectividad como
principio apto a atender una verdadera significación de familia. Seguro son
el arrollamiento emocional y el sentimiento de amor que hacen generar
responsabilidades y comprometimientos mutuos, revelando la presencia
de una familia. Así el estudio demostra la importancia del afecto y de la
presencia paterna para el desarrollo psíquico del sujeto.
Descritores: Paternidade. Afeto. Direito. Psicologia.
1
INTRODUÇÃO
O Código Civil Brasileiro de 1916 retratou o rigorismo de uma sociedade colonial, escravocrata, desigual e patriarcalista. O pai ostentava sua
responsabilidade pela família, enquanto a mulher permanecia submissa
ao marido. O citado ordenamento garantia proteção apenas à família legítima, ou seja, aquela com origem no casamento e na consangüinidade.
Ser pai era considerado algo da ordem natural, um fenômeno meramente
biológico (BRASIL, 2003).
Fazia-se então necessário que houvesse uma modificação desse
pensamento, o que veio acontecendo através do desenvolvimento histórico e da evolução científica do homem. Assim, do conceito unívoco de
família que imperava à época do diploma civil de 1916, que identificava a
família exclusivamente pela existência do casamento, chegamos às mais
diversas estruturas familiares. Surgiram novos hábitos, novos conceitos e
inovações na genética, que levaram a novos paradigmas, pois não se poderia viver nessa sociedade com regras do século passado.
Redefiniu-se uma nova família, uma estrutura mais adequada aos
novos tempos, que tem por base o afeto. Entende-se que este é o elemento distintivo da família moderna, pois é o vínculo afetivo que une as
pessoas, gerando laços de amor, comprometimento mútuo, identidade de
projetos de vida. O afeto então deixou de ser um sentimento unicamente
interessante para aqueles que o sentiam e passou a ingressar no mundo
jurídico, tendo assim uma importância externa.
A Psicologia tem um papel fundamental na presente abordagem,
uma vez que ela entende a profunda influência do aspecto afetivo sobre o
desenvolvimento intelectual do indivíduo. Além disso, psicólogos afirmam
que o afeto pode até mesmo acelerar ou diminuir o ritmo de desenvolvimento. O primeiro meio que proporciona ao ser humano esse estado
psicológico é a família; por esse motivo, liga-se à ela os sentimentos mais
elevados como amor, solidariedade e compreensão.
Portanto, é de suma importância o presente estudo no sentido de
ampliar a análise da paternidade sócioafetiva, abrindo novos horizontes no
campo do Direito a partir dos fundamentos da Psicologia. É preciso conhecer, por exemplo, o papel do pai na estruturação psíquica do sujeito e fazer
o resgate dessa função na sociedade brasileira atual.
2
A NOVA FAMÍLIA BRASILEIRA
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O conceito de entidade familiar passou, no período compreendido
entre 1916 e 1988, por um grande processo de transformação. O Código Civil de 1916 consagrou o modelo de família patriarcal, evidenciando
a desigualdade entre homens e mulheres, que tinham papéis previamente determinados no lar. Ao marido cabia prover a manutenção da
família enquanto a mulher deveria se ocupar dos cuidados da casa e dos
filhos(BRASIL, 2003).
A partir da Revolução Industrial, começaram as transformações no
conceito de “família”. As uniões sem casamento foram gradativamente
aceitas pela sociedade, surgiram famílias formadas apenas pela mãe ou
pai e seus filhos e, em 1977, a Lei 6.515 regulamentou o divórcio. Logo, o
modelo legal codificado tornou-se insuficiente, distante da realidade social
que se delineava (BRASIL,1977)
Desse modo, como o ordenamento jurídico deve estar atento
às transformações sociais, o nosso sistema legal também passou por modificações a fim de regular a nova realidade social. De fato, com a Constituição Federal de 1988, houve uma flexibilização das normas referentes às
entidades familiares. A Carta Magna afastou da idéia de família o pressuposto de casamento, além de estabelecer a igualdade de tratamento entre
os filhos provenientes de matrimônio ou não (BRASIL, 1988).
A família moderna valoriza o sentimento, o afeto como alicerce
da relação familiar. A paternidade passou a ter um significado mais profundo do que apenas o aspecto biológico, ela vai se construindo pelo livre desejo de estar junto ao filho, formando verdadeiros laços afetivos, relações
de sentimento que são cultivadas pelo convívio com a criança.
Hoje, o objeto da proteção estatal é a pessoa humana e o desenvolvimento de sua personalidade. Logo, a perspectiva psicológica da
entidade familiar tem sido primordial na sistematização do ordenamento
jurídico pátrio. A Constituição Democrática de 1988, em seu artigo 226,
estabelece que a família seja a base da sociedade, busca-se então a realização do indivíduo enquanto ser humano dentro da unidade familiar de que
faz parte. Para isso, é necessária a formação de uma família emocionalmente estruturada, promovendo assim o equilíbrio mental da criança (BRASIL,
1988)
Por essa razão, a jurisprudência deve buscar decisões que se
adéqüem ao caso concreto, indo além do que a lei propõe e procurando
sempre o princípio constitucional da dignidade humana da criança. O entendimento tem sido no sentido de observar se existe efetivamente uma
relação sócioafetiva entre os membros da unidade familiar para estabelecer se há, a rigor, uma família. Hoje, os arranjos familiares pautados no afeto
são os mais diversos, existe, nesses casos, uma real intenção de “ser” família.
Nos ensinamentos de Luiz Edson Fachin (1999, p.14), “mais que fotos nas
paredes ou quadros de sentido, família é possibilidade de convivência”.
Ademais, se o afeto venceu a falta de consangüinidade, não cabe à justiça
desconstituir a paternidade sócioafetiva que surgiu entre pai e filho.
Os novos modelos de família tendem a tornar a instituição mais
igualitária, além de adequá-la à nova realidade que se apresenta a cada dia,
menos sujeita a regras e preconceitos e fomentadora do que de mais positivo pode haver no homem: o amor. Uma nova realidade tem surgido nos
álbuns de família, formações familiares que fogem dos padrões e são geradas pelo afeto. Muitos apostavam no fim dessa instituição, contudo, ela
reinventou-se no século XXI. Esses novos arranjos de afeto não são totalmente aceitos pela nossa sociedade, ainda tão conservadora, no entanto,
a Psicologia já tem se posicionado há tempos sobre a relevância do afeto
no seio familiar para o desenvolvimento do indivíduo. Faz-se, portanto, necessária a análise dos elementos apontados pela Psicologia para embasar
o instituto da paternidade sócioafetiva no ordenamento jurídico brasileiro.
53
3
PATERNIDADE SOCIOAFETIVA
Ao analisar-se a estrutura familiar contemporânea, percebe-se que
as relações mais importantes que surgem nessa instituição são os vínculos estabelecidos entre pais e filhos. A maternidade, por questões óbvias,
sempre foi de fácil constatação, no entanto, a paternidade sempre foi um
aspecto mais complicado para o Direito devido à impossibilidade de se
verificar se um determinado homem era realmente pai de uma criança.
Na tentativa de solucionar essa questão, foram criadas regras baseadas em
presunções, estabelecendo a paternidade legítima, ou seja, somente eram
considerados filhos legítimos aqueles advindos do matrimônio dos pais.
Em contraposição aos avanços da biogenética, que tem no
exame de DNA a condição de afirmar com 99% de certeza a verdadeira origem genética de um indivíduo, passou a ser tutelada uma verdade
além da consangüinidade. Esse novo paradigma pauta-se nas afinidades,
na convivência, na troca de afeto e no exercício das responsabilidades típicas de um pai perante seu filho: o vínculo sócioafetivo.
A paternidade sócioafetiva pode ser entendida como uma paternidade que se constrói no convívio cotidiano com base no afeto, numa criação digna, na preocupação com a educação e a saúde dos filhos, situações
típicas entre pais e filhos. Assim, aquele que age como um pai perante seu
filho, assumindo as responsabilidades inerentes à criação, educação, cuidados e amparo afetivo, mesmo não possuindo o liame genético, é tido como
pai, pois como o provérbio popular há muito já prenuncia: “pai é quem cria”.
O Código Civil de 2002 refletiu a mudança social e a estruturação da nova paternidade, cumprindo a expectativa de que se disciplinasse
acerca das novas situações que vinham surgindo, trouxe, em seu art. 1593,
a possibilidade de haver reconhecida a paternidade sócioafetiva: “O parentesco é natural ou civil, conforme resulte de consagüinidade ou outra origem”
(BRASIL, 2003).
Assim, a doutrina pôm-se no sentido de que, quando o dispositivo se refere à “outra origem”, o legislador quis significar que essa seria a
origem sócioafetiva do parentesco, ou seja, aquele guiado pelo carinho,
respeito, afeição e dedicação, mesmo que a relação existente entre seus
sujeitos não advenha do parentesco biológico.
A própria Constituição brasileira de 1988 traz uma valoração
do afeto nas relações familiares, sob a forma do princípio da afetividade,
presente nos seguintes dispositivos: a) todos os filhos são iguais, independentemente de sua origem(art.227§ 6°); b) a adoção, como escolha afetiva,
conquistou integralmente a igualdade de direitos( art. 227§§ 5° e 6°); c) a
comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes, incluindo-se os adotivos, tem a mesma dignidade de família constitucionalmente
protegida( art. 226§ 4°) (BRASIL, 1988).
Os laços de sangue, ou melhor, os laços genéticos, deixam de
ser o fator primordial para a determinação do vínculo de filiação, abrindo espaço para a dimensão humana, para a família sócioafetiva. Segundo
Fachin (1996, p.65), “a verdadeira paternidade não pode se circunscrever na
busca de uma precisa informação biológica; mais do que isso, exige uma concreta relação paterno-filial, pai e filho que se tratam como tal, donde emerge a
verdade sócio-afetiva.”
A paternidade sócioafetiva caracteriza-se pela reunião de três
elementos clássicos que formam a chamada posse do estado de filho:
nome, trato e fama. O nome verifica-se quando é utilizado pelo filho o
sobrenome daquele que considera pai, como um modo de demonstrar a
existência do laço de filiação. Já o trato corresponde ao comportamento,
aos atos que expressam a vontade de tratar a criança como a trataria um
pai. E por último, tem-se a fama constituidora da imagem social, os fatos
54
exteriorizados que revelem uma relação de paternidade para a pessoa que
assim se considera, e para o filho que deve gozar do conceito de filho do
pretendido pai.
A esses requisitos, Fachin acrescenta mais dois, a notoriedade e
a continuidade, para o reconhecimento da posse do estado de filiação. Por
notoriedade, presume-se que o estado de filiação deva ser visível a todos
da sociedade. A continuidade institui, por sua vez, que uma relação, para
ser reconhecida como baseada no estado de filiação, deve ser contínua,
ou seja, que tenha certa durabilidade para, assim, criar os laços de afeto
presumidos nesse tipo de relação. Esses requisitos são elementos típicos
e normais às relações embasadas no amor e no afeto. Relação esta em
que há preocupação não só com enfoques físicos, mas também com os
aspectos psicológicos dos envolvidos.
A paternidade socioafetiva foi estruturando-se ao longo do
tempo, tendo em vista a exigência, delineada pela sociedade atual, de um
pai mais participativo e envolvido na criação dos filhos. Vários paradigmas
sociais foram modificados para que se chegasse à figura desse “novo pai”.
Uma das principais modificações diz respeito ao papel feminino. A mulher, na contemporaneidade, tem uma maior participação no mercado de
trabalho, independência emocional e financeira, liberdade etc. De acordo
com Diehl (2002), essas transformações trouxeram conseqüências ao mundo masculino, fizeram do homem um ser mais capaz de trocas afetivas e
de demonstração de fragilidades. Além disso, ampliou-se o envolvimento
dos homens na esfera doméstica e no cuidado com os filhos, abrindo a
possibilidade de novas formas de interação entre pais e filhos.
Temos hoje uma geração masculina que teve sua manifestação
afetiva restringida pelos padrões culturais presentes na sociedade. Como
uma forma de compensação, a maioria dos homens busca atualmente serem pais mais afetivos e expressar carinho. O modelo masculino patriarcal
tradicional vem sendo afetado atualmente por esse movimento de resgate
da natureza humana em termos psíquicos – ou resgate das emoções – que
procura devolver ao gênero masculino o direito de reconhecer e expressar
necessidades e sensibilidades.
No entanto, os homens-pais da contemporaneidade enfrentam
diversas contradições no âmbito legal ao buscarem exercer sua paternidade de maneira que atendam às novas demandas sociais. Encontramos, por
exemplo, a forte disparidade em relação às licenças-maternidade e paternidade, com 120 e 5 dias de licença concedidos, respectivamente. Nesse
aspecto, faz-se importante ressaltar que o Senado já aprovou projeto de lei
no sentido de estender a licença paternidade para 15 dias, o que já revela
um avanço na percepção da importante presença paterna nos primeiros
dias de vida da criança. No entanto, o referido período ainda se manifesta
insuficiente. Vale lembrar que até 1988 esse direito não era dado aos homens. A guarda dos filhos em processos de separação conjugal também
ajuda a ilustrar esse fenômeno. Ainda que venham acontecendo alguns
avanços, como a guarda compartilhada, sabe-se que a primazia materna no cuidado e proteção dos filhos é ainda uma realidade. A retirada da
guarda materna acaba se dando, na prática, por alguma incapacidade ou
impossibilidade da mãe. Segundo Wagner (2002), a mulher está amparada
pela lei e respaldada pelo senso comum de que a ela compete a tarefa de
educação na família (BRASIL, 2007).
Ainda assim, vale lembrar que é crescente o número de pais
que têm se mostrado desejosos de ficarem com a responsabilidade da
criação dos filhos. Para isso, esforçam-se por construírem uma paternidade
com maior envolvimento, buscando conciliar a paternidade e a vida profissional, num desafio constante de reconstruir e redefinir este papel.
Vivida nessa dimensão, a paternidade promove uma redefiniRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 52-57.
ção da vida, na medida em que os homens inserem seus filhos em seus
projetos de vida, priorizando vínculos e as necessidades afetivas como homens. O homem tendo sido, historicamente, excluído da intimidade do
lar, uma vez que sua função era predominantemente de prover o sustento
do lar. Portanto, precisa hoje redescobrir seu lugar e sua forma de inserção
na dinâmica familiar, se quiser participar desse movimento que aproxima
homem e mulher, pai e mãe, em nome de uma maior igualdade de valores
e de funções.
4
A IMPORTÂNCIA DO PAI AFETIVO NA ESTRUTURAÇÃO DO SUJEITO
Entende-se por afetividade, em sentido lato, “o estado psicológico
que permite ao ser humano demonstrar os seus sentimentos e emoções
a outro ser vivo”.
Em Psicologia, afeto vem a ser um estado sentimental que se caracteriza, por uma parte, pela inervação física perceptível e, por outra
parte, por uma perturbação peculiar do processo representativo. Dentro
da Psicanálise, o termo afeto seria a expressão de qualquer estado afetivo,
penoso ou agradável que se manifesta sob a forma de uma descarga ou
não. Para Sigmund Freud afeto é a mais pura expressão da quantidade de
energia pulsional frente às suas variações, ou seja, podem-se notar explosões afetivas de alegria e podem-se notar diminutas explosões de alegria.
A Psicologia classifica os afetos em positivos e negativos. A afetividade positiva (AP) se refere ao tipo de emoções positivas tanto de alta
energia (entusiasmo e excitação) como de baixa energia (calma e tranqüilidade). O prazer e a alegria também são exemplos da afetividade positiva. Já a afetividade negativa (AN) se refere a emoções negativas como a
ansiedade, a raiva, a culpa e a tristeza. Os pais têm papel primordial no
desenvolvimento desses afetos, sendo de grande relevância a atuação de
ambos na predominância da afetividade positiva, garantindo assim uma
boa estruturação do sujeito.
O primeiro amor da criança é, sem dúvida, sua mãe. Alguns estudiosos no assunto sobre o afeto afirmam que esse afeto da criança é aprendido através da associação do rosto, corpo e outras características físicas da
mãe com o alívio de tensões biológicas internas, como fome e sede. No
entanto, sobretudo a partir da década de 1980, as pesquisas e a observação refinada do comportamento dos recém-nascidos no contexto familiar
mostram que desde os primeiros dias há também a percepção do pai. Portanto, o pai entra muito mais cedo na vida da criança do que se costumava
supor. É importante que ele participe dos cuidados do filho, para construir
um vínculo sólido com o bebê, o vínculo pai-filho(a), influenciando qualitativamente o desenvolvimento emocional mais saudável, minimizando
possíveis rivalidades, somatizações e regressões.
Suprir as necessidades materiais da criança é importante, mas o
vínculo afetivo é mais significativo para o psiquismo do indivíduo. Ou seja,
a formação do vínculo entre pais e filhos é fundamental para o desenvolvimento de uma personalidade bem estruturada, mais segura de si, enfim,
sadia. Podemos dizer que a comida está para o corpo assim como o carinho e o amor estão para a boa formação da psique. A primeira condição
para que uma criança se desenvolva bem é o afeto. A falta de afeto e de
amor nos primeiros anos de vida pode deixar marcas definitivas no desenvolvimento da criança, constituindo-se em um dos riscos mais importantes para o seu desenvolvimento. A família, deste modo, tem dupla função:
a primeira constitui satisfação de necessidades básicas, como alimentação,
abrigo e proteção; a segunda função é a de proporcionar um ambiente
no qual possa desenvolver ao máximo suas capacidades físicas, mentais e
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 52-57.
sociais, sendo necessária uma atmosfera de afeição e segurança.
Atualmente, crianças e adolescentes têm sofrido a ausência afetiva
e lúdica de seus pais. Esse fato deve-se, na maioria dos casos, ao excesso de
trabalho a que esses pais se submetem, muitos estão tão atarefados que se
“esquecem” de como se relacionar com seus filhos, de como brincar, conversar, ou simplesmente expressar um gesto de carinho. Pais que ocupam
altos cargos em empresas, políticos, artistas famosos e intelectuais, são os
que mais têm filhos ressentidos, às vezes revoltados ao nível de terem contraído alguma patologia psíquica ou delinqüência social. São filhos e filhas
que formam sintomas psíquicos como último recurso de serem escutados
por seus pais, infelizmente surdos ou que simplesmente não se importam.
Em um estudo realizado por uma empresa americana e divulgado no Brasil pelo psicólogo Malcolm Montgomery (sem ano), expõem-se
dados alarmantes vinculados à ausência paterna: 72% dos adolescentes
assassinos cresceram sem os pais; 70% dos delinqüentes juvenis em reformatórios cresceram com um só progenitor ou sem família; 60% dos estupradores da América cresceram sem seus pais; as crianças sem a presença
paterna têm duas vezes mais probabilidade de repetir o ano escolar; é onze
vezes mais provável que haja ausência do pai em crianças de comportamento violento nas escolas; a taxa de suicídio na adolescência triplicou
entre 1960 e 2002, sendo que, em cada quatro, três ocorrem em lares onde
o pai é ausente. Diz ainda que as crianças na ausência do pai estão mais
propensas a risco de suicídio, doenças sexuais, drogas, alcoolismo, gravidez, aborto, criminalidade e baixa performance acadêmica; bem como
mais vulneráveis a acidentes, asma, dores e dificuldades na elaboração da
fala (gagueira). Em estudo realizado no Hospital Psiquiátrico de Nova Orleans, constatou-se que cerca de 80% das crianças de pré-escola que lá eram
admitidas como doentes psiquiátricos, vinham de lares sem pai.
A partir de estudos sobre a ausência paterna, alguns psicólogos
defendem que tanto o pai, quanto a mãe, tem importante papel no desenvolvimento infantil, não apenas no sustento material como também
na relação afetiva. A nova disposição para assumir o exercício da paternidade, a responsabilidade cotidiana pelo cuidar do outro, o ocupar-se e o
permitir-se ser ocupado cotidianamente pelo filho, representa uma grande
humanização e contribui para a modificação do papel tradicional do masculino. É esta presença que irá facilitar à criança a passagem do mundo da
família para a sociedade.
O afeto no desenvolvimento mental do sujeito
O afeto tem uma importância fundamental no desenvolvimento intelectual da criança. Se bem atendido, ajudará o sujeito para que ele tenha
êxito escolar.
Para Bossa (1998), desde quando a criança nasce o ambiente precisa satisfazer suas necessidades básicas de afeto, apego, segurança e comunicação, pois é nele que se estrutura a mais importante forma de aprendizagem: a de estabelecer vínculos, isto é, a capacidade de se relacionar,
tendo-se em conta que o ser humano é um ser social.
Além disso, diversos psicólogos salientam que a evolução normal
da atenção, memória, pensamento, juízo, percepção, linguagem, motricidade e afetividade dependem, em boa parte, das condições externas do
meio, mais especificamente da relação mãe-bebê, na qual se estabelece
uma comunicação especial desde os primeiros momentos da vida do
recém-nascido. No entanto, faz-se essencial a participação do pai nessa
fase para que construa com o filho um vínculo de confiança e carinho, pois
a criança necessita do par conjugal adulto para construir dentro de si uma
imagem positiva das trocas afetivas e de convivência.
55
Spitz (sem ano apud Boing e Crepaldi, 2004) foi o primeiro a
chamar a atenção para a importância do afeto na relação mãe-filho no
desenvolvimento da consciência do bebê e para a participação vital que
a mãe tem ao criar um clima emocional favorável ao desenvolvimento da
criança, sobre todos os aspectos. Atualmente, essa participação estendese também ao pai, que alcançou um lugar de destaque nessa fase do desenvolvimento emocional do indivíduo. Spitz também mostrou que bebês
institucionalizados tendem a possuir uma falha no desenvolvimento por
sentirem a ausência do afeto; tendo em vista que, na maioria dos casos, o
ambiente físico e humano é carente de estimulação e resulta num atraso
no desenvolvimento de diversas funções como a fala, a coordenação motora e o controle dos esfíncteres (SILVA, 1997).
Wallon (1989) acredita que a afetividade não é apenas uma das
dimensões da pessoa, mas também uma fase do desenvolvimento, a mais
arcaica. Em sua teoria, o desenvolvimento da pessoa é visto como uma
construção progressiva em que fases se sucedem com predominância alternadamente afetiva e cognitiva.
No estágio impulsivo-emocional, que abrange o primeiro ano
de vida, a emoção é o elo de interação da criança com o meio. Nessa fase,
a afetividade predomina e orienta as primeiras reações do bebê às pessoas
a sua volta.
No estágio sensório-motor e projetivo, que vai até o terceiro
ano, o interesse da criança se volta para a exploração sensório-motora do
mundo físico. O pensamento manifesta-se através de gestos, aqui predominam as relações cognitivas com o meio.
No estágio do personalismo, dos três aos seis anos de idade,
predomina o processo de formação da personalidade. A construção da
consciência de si, que se dá por meio das interações sociais, reorienta o
interesse da criança para as pessoas, definindo o retorno das relações afetivas.
Por volta dos seis anos, inicia-se o estágio categorial. Os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança para o conhecimento
e conquista do mundo exterior, imprimindo preponderância do aspecto
cognitivo às suas relações com o meio.
Na adolescência, surge a necessidade de uma nova definição
dos contornos da personalidade, desestruturados devido às modificações
resultantes da ação hormonal, trazendo à tona questões pessoais, morais e
existenciais, há uma retomada da predominância da afetividade.
Na verdade, a afetividade na teoria walloniana é vista como instrumento de sobrevivência e, neste sentido, de acordo com Taille, Dantas
e Oliveira (1992), a afetividade – que corresponde à primeira manifestação
do psiquismo – impulsiona o desenvolvimento cognitivo. Por conseguinte,
os instrumentos mediante os quais se desenvolverá o aprimoramento intelectual são garantidos por estes vínculos estabelecidos pela consciência
afetiva.
Destaca-se ainda, na Psicologia contemporânea, a teoria do desenvolvimento de Piaget, que considera o desenvolvimento intelectual um
misto de dois componentes: um cognitivo e outro afetivo. Na sua visão, o
afeto se desenvolve no mesmo sentido que a cognição ou inteligência e
é responsável pela ativação da atividade intelectual. Piaget descreve cuidadosamente o desenvolvimento afetivo e cognitivo do nascimento até
a vida adulta, centrando-se na infância. Com suas capacidades afetivas e
cognitivas expandidas através da contínua construção, as crianças tornamse capazes de investir afeto e ter sentimentos validados nelas mesmas.
Neste aspecto, a auto-estima mantém uma estreita relação com
a motivação da criança para aprender. O afeto é o princípio norteador da
auto-estima. Depois de desenvolvido o vínculo afetivo, a aprendizagem,
56
a motivação, a disciplina e o autocontrole são conquistas significativas. A
criança que se sente amada, aceita, valorizada e respeitada, adquire autonomia, confiança e aprende a amar, desenvolvendo um sentimento de
auto-valorização e importância. Se uma criança tem uma opinião positiva
sobre si mesma e sobre os outros, terá maiores condições de aprender.
O desenvolvimento do afeto e da inteligência são temas nucleares nos estudos sobre Psicologia da Educação, esses estudos orientam os
pais a auxiliar na criação de um ambiente mais estimulante e feliz para seus
filhos. Reconhece-se assim a importância não só da mãe, mas também da
figura paterna no desenvolvimento da criança, a intervenção educativa de
ambos no processo cognitivo. Atendendo às necessidades afetivas de seus
filhos, desde cedo, eles se tornarão mais satisfeitos consigo mesmo e com
os outros, e terão mais facilidades e disposição para aprender.
5
CONCLUSÃO
Ao longo dos anos houve uma significativa mudança no Direito de
Família, principalmente no que tange às relações entre pais e filhos, o que
trouxe modificações ao nosso ordenamento jurídico, a fim de sustentar a
nova conjuntura social. Houve uma valorização da sócioafetividade, a relação de paternidade passou a revelar-se pelo tratamento diário e solidariedade mútua, gerando laços de afeto que derivam da convivência e não
do sangue.
Um fator considerado fundamental para o estabelecimento da paternidade sócioafetiva foi a mudança do papel feminino e suas implicações no universo masculino. Atualmente, tem-se um contexto social que
propiciou a saída da mulher da esfera doméstica, tornando o homem mais
engajado na vida familiar e mais participativo na vida dos filhos. O homem
teve sua subjetividade recriada, abrindo espaço para uma vivência mais
plena dentro da família.
Revela-se a importância da presença paterna na estruturação e desenvolvimento do sujeito. O pai é aquele que representa a lei, o limite, a
segurança e proteção, sua ausência em alguns lares é um aspecto grave,
dando ensejo, na maioria das vezes, a quadros de delinqüência social ou
problemas psíquicos, por exemplo. Além disso, o afeto desempenha um
papel essencial no funcionamento da inteligência. Sem afeto não haveria
interesse, nem necessidade, nem motivação e, conseqüentemente, não
haveria inteligência. A afetividade é uma condição necessária na constituição da inteligência.
Dessa forma, estrutura-se a paternidade sócioafetiva também no
âmbito jurídico, tendo em vista os dispositivos de lei previstos na Constituição Federal e no Código Civil Brasileiro que permitem a concepção
sócioafetiva de família, assim como a jurisprudência pátria que tem consolidado a afetividade como princípio apto a atender uma verdadeira significação de família. A paternidade sociológica certamente atende à presente
realidade brasileira e a utilização desse princípio no ordenamento jurídico
tornará o Direito efetivo e útil em sua aplicação. Ao Judiciário cabe apenas
louvar a relação afetiva estabelecida entre os membros da família, pois certamente garante a dignidade do ser humano.
Trazer a temática do afeto é também trazer à tona a importância da presença paterna como co-responsável na estruturação emocional
dos sujeitos envolvidos na trama familiar. Certamente, são o envolvimento
emocional e o sentimento de amor que fazem gerar responsabilidades e
comprometimentos mútuos, revelando a presença de uma família. Assim,
faz-se salutar para o fortalecimento dessa noção o entendimento de Maria
Berenice Dias: “ filho não é o que nasce da caverna do ventre, mas tem
origem e se legitima no pulsar do coração.”
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 52-57.
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REVISÃO / REVIEW PAPER / REVISIÓN
A produção científica sobre biossegurança na área da saúde com enfoque
na odontologia
The scientific production about biosecurity in the health area with approach in dentistry
La produción científica sobre bioseguridad en el área de la salud con enfoque en odontología
Luana Kelle Batista Moura
RESUMO
Dentista. Mestranda em Endodontia pela Universidade de
Ribeirão Preto – UNAERP
Francisca Tereza Coelho Matos
Professora do Curso de Odontologia da Faculdade NOVAFAPI.
Doutoranda em Endodontia pela UNAERP
O estudo objetivou realizar um levantamento na literatura nacional sobre biossegurança na área
da saúde com ênfase na odontologia; discutir as tendências dos estudos sobre biossegurança na
área da saúde com ênfase na odontologia e analisar as medidas de biossegurança adotadas pelos
profissionais de saúde, sua finalidade e relação com a prática profissional. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica realizada na base de dados SCIELO e LILACS, teses e monografias da área da saúde
da Universidade Federal do Piauí e resumos de anais da Jornada Científica da Faculdade NOVAFAPI,
publicados no período de 1988 a 2009. Os descritores utilizados foram: biossegurança, saúde, risco,
odontologia. Foram encontrados 47 trabalhos, os quais foram agrupados para análise, considerando
os enfoques priorizados em: aspectos históricos da Biossegurança; conceitos da Biossegurança; a
Biossegurança e as políticas públicas de saúde; o controle dos riscos para infecção cruzada e o conhecimento dos profissionais da Odontologia sobre Biossegurança, controle de risco de Infecções e suas
medidas preventivas. Percebe-se que a Biossegurança, ao longo de sua história, vem mudando o seu
conceito e sendo melhor aplicada junto a políticas públicas de saúde, contribuindo para diminuir os
riscos inerentes às infecções cruzadas nos serviços de saúde. Conclui-se que a Biossegurança é um
tema de grande relevância na área da saúde, especificamente na odontologia, devendo os cirurgiões
dentistas se conscientizar da necessidade da educação permanente para o desenvolvimento de uma
prática de qualidade nos consultórios e serviços de saúde.
Descritores: Biossegurança. Saúde. Risco ocupacional. Odontologia.
ABSTRACT
The study aimed at realizing a litarature raising in the national literature about biosecurity in the
health area with emphasis in dentistry; discuss the tendencies of the studies about biosecurity in
the health area with emphasis in dentistry and analyze the biosecurity measures adopted by the
health profissionals , its finality and relation to the profissional practice. It treats of a bibliographical
research carried out in the data base SCIELO and LILACS, thesis and monographies in the health area
of the Federal University of Piauí and summaries of the annals scientific journies of NOVAFAPI college,
published in the period from 1988 to 2009. The descriptors used were: biosecurity, health, risk, dentistry. Were found 47 works, which were grouped to analysis, considering the approaches priorized
in: Biosecurity historical aspects; Biosecurity concepts; the Biosecurity and the health public politics;
The risk control to crossed infetion and the knowledge of Dentistry profissionals about Biosecurity,
Infections risk control and its preventive measures. It is perceived that the Biosecurity, through out
its history, has changed its concept and being better applied together public health politics, contributing to diminish the inherent risk to the crossed infections in the health service. It is concluded
that the Biosecurity is a theme of great relevance in the health area, specifically in Dentistry, owing
the dentistry surgeons get aware of the necessities of permanent education to the development of
quality practice in the consultation offices and health services.
Descriptors: Biosecurity. Halth. Occupational risk. Dentistry
Submissão: 12/01/2009
Aprovação: 19/03/2009
58
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 58-64.
RESUMEN
El estudio objetivó realizar un levantamiento en la literatura nacional sobre
bioseguridad en el área de la salud con énfasis en odontología; discutir las
tendencias de los estudios sobre bioseguridad en el área de salud con énfasis en odontología y analizar las medidas de bioseguridad adoptadas por
profesionales de salud, su finalidad y relación con la práctica profesional.
Se trata de una pesquisa bibliográfica realizada en base de datos SCIELO y
LILACS, teses y monografías del área de salud de la Universidad Federal de
Piauí y resúmenes de anales de la Jornada Científica de la Facultad NOVAFAPI, publicados en el periodo de 1988 a 2009. Los descriptores utilizados
fueron: bioseguridad, salud, riesgo, odontología. Fueron encontrados 47
trabajos, los cuales fueron agrupados para análisis, considerando los enfoques priorizados en: aspectos históricos de la Bioseguridad; conceptos de
la Bioseguridad; la Bioseguridad y las políticas públicas de salud; el control
de los riesgos para infección cruzada y el conocimiento de los profesionales de Odontología sobre Bioseguridad, control de riesgo de Infecciones y
sus medidas preventivas. Se percebe que la Bioseguridad, a lo largo de su
historia, viene cambiando su concepto y siendo mejor aplicada junto a
políticas públicas de salud, contribuyendo para disminuir los riesgos inherentes a las infecciones cruzadas en los servicios de salud. Se concluye que
la Bioseguridad es un tema de grande relevancia en el área de salud, específicamente en odontología, debiendo los cirujanos dentistas concientizarse de la necesidad de la educación permanente para el desarrollo de una
práctica de calidad en los consultorios y servicios de salud.
Descriptores: Bioseguridad. Salud. Riesgo ocupacional. Odontología.
1
INTRODUÇÃO
O controle de infecção é um tema de extrema importância para
os profissionais que trabalham em serviços de saúde e principalmente para
os que manipulam materiais biológicos. Devemos, porém, salientar que a
postura inadequada desses profissionais e a não execução das normas de
segurança aumentam consideravelmente o risco de infecções cruzadas no
ambiente de trabalho.
O desconhecimento dos profissionais sobre as normas e os riscos aos
quais eles podem estar expostos, especialmente pelo fato de não cumprirem
as precauções necessárias, tem contribuído para aumentar o índice de infecções, resultando numa assistência sem qualidade.
O emprego da prática segura se faz necessário, com a utilização de
Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s), técnicas assépticas, normas e
condutas que visam a um tratamento sem riscos, tanto para o profissional,
como para o paciente.
Nos serviços de saúde, a Odontologia é uma área que apresenta riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes, tanto para os
profissionais como para os pacientes. Tais riscos podem ser adquiridos através de acidentes de trabalho, em que os profissionais estão mais susceptíveis
a adquirir doenças, de forma direta ou indireta.
Porém a preocupação em adotar as normas de Biossegurança na
prática odontológica, só surgiu no início da década de 80, com os primeiros casos de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). Como conseqüência, houve relatos de casos de Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV
- Human Immunodeficiency Virus) na área da saúde. Com isso, as Precauções
Universais foram instauradas pelo Centers of Disease Control and Prevention
(CDC), tendo como principal motivo, o desconhecimento sobre as medidas
de Biossegurança pelos profissionais e a prevenção contra o vírus da Hepatite B (SOUZA, 2000).
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 58-64.
Segundo Rodrigues; Sobrinho e Silva (2005), os cirurgiões-dentistas
estão envolvidos na pandemia da AIDS, considerando que atendem inúmeros pacientes, dentre eles, os portadores assintomáticos do vírus HIV.
Porém, muitos profissionais da saúde e da odontologia, ainda apresentam posturas inadequadas e não adotam medidas de Biossegurança no
seu ambiente de trabalho durante o procedimento que realizam o que pode
ocasionar agravos à sua saúde e à do cliente sob seus cuidados (CORRÊA;
DONATO, 2007).
Com base nessa problemática, definiu-se como objeto de estudo o
levantamento na literatura nacional sobre a Biossegurança na área da saúde
com enfoque na odontologia. A partir dessa situação em que os profissionais
parecem não realizar uma prática adequada no seu cotidiano, coloca-se em
dúvida o seu real conhecimento sobre a Biossegurança, considerando ser
um tema de extrema relevância.
Tendo em vista o objeto do estudo, definiu-se como objetivos: realizar um levantamento na literatura nacional sobre Biossegurança na área da
saúde com ênfase na odontologia; discutir as tendências dos estudos sobre
Biossegurança na área da saúde com ênfase na odontologia e analisar as medidas de Biossegurança adotadas pelos profissionais de saúde, sua finalidade
e a relação com a prática profissional.
A justificativa deste trabalho deve-se ao fato de ter-se vivenciado situações em que profissionais e pacientes eram expostos às infecções cruzadas
e à acidentes ocupacionais durante a realização de procedimentos odontológicos, com manipulação de material biológico (saliva, sangue, secreção
purulenta) e procedimentos invasivos. Percebia-se que o comportamento
dos profissionais relacionado à esterilização dos materiais, à manipulação
de forma não muito adequada, podia resultar em complicações futuras para
ambas as partes.
Isso nos levou a questionar o nível de atenção que a Biossegurança
vem recebendo na área da saúde, visto que muitos profissionais de Odontologia não têm demonstrado preocupação com a questão, por desconhecer
ou mesmo negligenciar as normas de Biossegurança no seu cotidiano de
trabalho.
O estudo foi de grande relevância porque levantou um conjunto de
informações e resultados já obtidos pelos investigadores, assim como, permitiu a identificação de diferentes olhares na área da saúde, duplicações ou
contradições nas pesquisas acadêmicas publicadas sobre o tem.
Espera-se que o estudo possa contribuir com a odontologia, no sentido de estimular um comportamento preventivo para diminuir os riscos de
contaminação e transmissão de doenças decorrentes das práticas que ainda
não incorporaram as medidas de Biossegurança.
Considerando que a Biossegurança é um tema bastante abordado
dentro da saúde e de extrema importância para os profissionais da odontologia, ressalta-se a relevância deste trabalho, em que se produziu conhecimentos que servirão para os profissionais da saúde, especificamente os
cirurgiões-dentistas, criando assim, a cultura de que a biossegurança está relacionada com seu cotidiano, seja ela em ação coletiva ou individual e pode
contribuir com o ensino e a pesquisa.
2
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, conceituada como “aquela
que é desenvolvida exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. (GIL,
2009). Para elaboração do estudo, segui-se o percurso metodológico sugerido por Marconi e Lakatos, (2000), que consiste nos seguintes passos: escolha
do tema; elaboração do plano de trabalho; identificação; localização; compi59
lação; fichamento; análise e interpretação e redação.
É uma pesquisa de natureza exploratória, em que foi feita ampla pesquisa bibliográfica a partir da literatura em periódicos, monografias, dissertações, teses e relatórios técnicos nacionais e resumos de anais.
A busca eletrônica foi realizada na base de dados Scientific Eletronic
Library Online (SCIELO), Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências
da Saúde (LILACS), Teses e Monografias da área da saúde da Universidade Federal do Piauí e resumos de anais da Jornada Científica da Faculdade NOVAFAPI, publicados no período de 1988 a 2009, sendo consideradas somente as
publicações nacionais, incluindo os resumos. Foram utilizados os descritores:
Biossegurança, saúde, risco ocupacional e odontolologia.
A seleção dos artigos baseou-se também na conformidade dos assuntos aos objetivos deste trabalho, tendo sido desconsiderados aqueles
que, apesar de aparecerem no resultado da busca, não correlacionam odontologia e medidas de Biossegurança.
Os textos foram agrupados para análise considerando os enfoques
priorizados em: aspectos históricos e conceituais da Biossegurança, Biossegurança na área da odontologia, O conhecimento dos profissionais da
Odontologia sobre Biossegurança, controle dos riscos de infecções e suas
medidas preventivas e Controle dos riscos para infecção cruzada.
3
3 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
3.1
Aspectos históricos e conceituais da Biossegurança
O interesse pelos aspectos históricos da Biossegurança não deve ser
compreendido como curiosidade ou retrocesso, e sim como referência para
um ponto de partida, e melhoria da compreensão no que hoje de fato é a
Biossegurança e sua importância.
Segundo Ito et al. (1998), as noções de Biossegurança, são tão antigas
quanto à humanidade, pois existem registros de que o controle das infecções era realizado através de isolamento de indivíduos enfermos, incineração
dos mortos e a sepultura de objetos contaminados, como forma de combate e prevenção das infecções feita pela sociedade. Ao longo da história,
muitos estudiosos contribuíram com temas como: a infecção e seu controle,
desinfecção e antissepsia e as barreiras de proteção, contribuindo assim para
prevenção, minimização ou eliminação de riscos.
De acordo com Guandalini (1999), somente no final do século XIX,
o mundo compreendeu a importância do combate eficaz para com as infecções. Porém, a Biossegurança, apesar de já possuir alguns conceitos préformados, limitava-se aos riscos físicos, químicos e biológicos, sem abordar a
proteção do paciente, o que contradizia todo o código de ética de qualquer
profissional, no qual a prevenção e proteção são os principais requisitos para
a preservação da vida, incluindo nesta o paciente.
Porém, foi no século XX, com o desenvolvimento de técnicas de engenharia genética e biologia molecular, que surgiram debates com fundamentos na ética e na biossegurança, como temas de extrema importância
na área da saúde. (HINRICHSEN, 2008)
A lógica da construção do conceito de Biossegurança teve início na
década de 70 na reunião de Asilomar no qual a comunidade científica iniciou
a discussão sobre os impactos da engenharia genética na sociedade. Este
conceito Segundo Goldim (1997), é um marco da história da ética aplicada
pesquisa, pois foi a primeira vez que se discutiu os aspectos de proteção ao
pesquisadores e demais profissionais envolvidos nas áreas onde se realiza o
projeto de pesquisa.
Para Teixeira; Valle,(1996 p. 13) entende-se por Biossegurança como:
60
o conjunto de ações voltadas para a prevenção, minimização ou
eliminação de riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção, ensino, desenvolvimento tecnológico, prestação de serviços,
visando à saúde do homem e dos animais, a preservação do meio
ambiente e a qualidade dos resultados.
Em 1970, pesquisas relataram inúmeros casos de profissionais da
área de saúde tanto hospitalar quanto laboratorial na Inglaterra e Dinamarca com tuberculose e hepatite B, e com este acontecimento o conceito de
Biossegurança ficou cada vez mais valorizado e difundido. A Biossegurança
envolve desde o controle de uma ameaça de grande escala, como a gripe do
frango até mesmo o simples hábito de lavar as mãos. E que esse conjunto
de normas deve ser mais utilizado a cada dia, considerando que atualmente
existe maior circulação de pessoas e mercadorias em todo o mundo cada vez
mais intensa. Com o aumento populacional e a conseqüentemente maior
circulação de pessoas, existe a possibilidade do uso de vírus ou bactérias em
atentados terroristas. Com isso, a preocupação com a Biossegurança tem
aumentado de forma rápida e ultrapassa ambientes hospitalares e ambulatoriais, constatando que os riscos, sejam eles físicos, químicos e biológicos
estão presentes em outros ambientes. (ANVISA, 2005)
No Brasil, em 1988, a Resolução de nº 1 do Conselho Nacional de Saúde, aprovou as normas de pesquisa e saúde, esta poderia ser considerada a
primeira legislação sobre Biossegurança. Porém somente em 1995, com a Lei
8.974 e o Decreto 1.752 que regulamenta essa lei, foi que a mesma pôde ser
regulamentada legalmente (BRASIL, 1995; BRASIL, 1988).
Em fevereiro de 2002, foi publicada a Portaria número 343 / GM pelo
Ministério da Saúde, no qual este instituía a Comissão de Biossegurança em
Saúde, que visava acompanhar e participar da elaboração e reformulação
das normas, e também promover debates públicos sobre o tema (BRASIL,
2002).
De acordo com Brasil (2000), outras vias legais dão amparo às medidas de Biossegurança em ambiente hospitalar, bem como em outros ambientes da saúde, incluindo consultórios odontológicos, setor ambulatorial,
alem de saúde do trabalhador e controle ambiental.
3.2
Biossegurança na área da odontologia
Na área da saúde, como em qualquer outra o ambiente de trabalho,
pode envolver não só os profissionais, mas também os pacientes, visitantes e
equipamentos, podendo acarretar o aumento dos riscos e perigos durante o
exercício das funções dos profissionais.
Perigo é uma expressão denominada por aquela que apresente características de efeito maléfico para a saúde e/ou meio ambiente. Risco é a
probabilidade de ocorrer um evento, que cause dano à saúde. O importante
de diferenciar bem risco de perigo é que pode haver o perigo ao se manipular um resíduo biológico, mas o risco pode ser baixo se forem observados
os cuidados necessários e se usar os equipamentos de proteção adequados
(BRASIL, 2000).
Por isso é necessário se avaliar o risco ao início de cada procedimento
a ser realizado, pois com os conhecimentos sobre os possíveis prejuízos, resultará na minimização desses riscos .
O risco segundo a Portaria 3.214/78 do Ministério do Trabalho, pode
ser definido como uma condição e está classificado em cinco categorias: biológica, física, química, ergonômica ou acidental.
Os riscos físicos de acordo com Hirata; Mansini Filho (2002) são aqueles provocados por algum tipo de energia, podem ser enumerados de acordo com equipamento de manuseio do operador ou do ambiente. Temos
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 58-64.
como exemplos: equipamentos que geram calor, equipamentos de baixa
temperatura, material radioativo, pressões anormais, umidade, ruídos, vibrações, radiação ultravioleta, radiação não-ionizante, radiação infra-vermelha,
raio laser, ondas de radio, e campos elétricos.
Colocando em foco o campo odontológico, Fernandes; Carvalho
e Azevedo (2005), afirmam que os profissionais que realizam tomografias
computadorizadas tem uma quantidade média de quatro exames junto ao
paciente por dia, ou seja, o funcionário fica mais exposto à radiação ionizante
e o avental de chumbo não é suficiente para sua proteção total. Ou seja, além
de outros riscos como o ergonômico, o profissional também está sujeito ao
risco físico.
O risco biológico abrange uma amostra proveniente de seres vivos
(plantas, bactérias, fungos), de animais e de seres humanos, ou até mesmo
os organismos geneticamente modificados, em que os cuidados são mais
relevantes (HIRATA; MANSINI FILHO, 2002).
Na odontologia podemos citar riscos biológicos relacionados à saliva,
secreção purulenta ou sangue, presentes numa simples tartarectomia ou
mesmo em um procedimento mais invasivo como uma gengivectomia ou
gengivoplastia.
Zenkner (2006), afirma que é de suma importância que o dentista e
sua equipe conheçam os riscos biológicos no qual estão expostos e que é
vital adotar condutas eficazes para o controle de infecção cruzada, usando o
conceito precaução – padrão, tratando todos os pacientes como potencialmente infectados.
De acordo com Brito (2009), os riscos químicos são oriundos de substâncias ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória,
na forma de poeiras, nevoas, aerossóis, neblinas, vapores, contato de pele
ou ingestão.
São subdivididas em contaminantes do ar, substâncias tóxicas ou
altamente tóxicas, substâncias explosivas, substancias irritantes e nocivas,
substâncias oxidantes, corrosivas, inflamáveis, cancerígenas e líquidos voláteis. (HIRATA; MANSINI FILHO,2002)
Na odontologia, podemos citar os aerossóis formados, que são partículas e líquidos produzidos durante o tratamento odontológico através do
uso das turbinas de alta e baixa rotação, as seringas trípices e as pontas de
ultrasom, utilizadas para o refrigeramento da superfícies dentárias quando
em contato com as estruturas dentais e toda a microbiota da cavidade oral.
Esses aerossóis são comumente contaminados com bactérias, fungos,
vírus e freqüentemente com sangue. Assim, o ar contaminado produzido e
somados às secreções contido neste espaço é respirado pelo dentista, sua
equipe e seus pacientes, ou seja, sua composição é um importante fator em
potencial de ameaça para a saúde da equipe odontológica (BITTENCOURT,
et. al., 2003).
Moura e Matos (2008), afirmam que o risco com a influencia do
bioaerossol dental é mais pronunciado quando se realizam procedimentos
coletivos e simultâneos, em que os pacientes não estão protegidos pelos
mesmos equipamentos que os cirurgiões-dentistas e conseqüentemente
ficam vulneráveis à infecções por via ocular e mucosa do trato respiratório.
Os riscos ergonômicos são elementos físicos e organizacionais que
interferem no conforto da atividade realizada pelo trabalhador. O termo criado para este tipo risco foi LER ( Resolução da Secretaria Estadual de Saúde de
São Paulo, nº 180 e 197 de 1992), ou seja, são lesões causadas por esforços
repetitivos, que atualmente se denomina DORT, doenças osteomusculares
relacionadas com o trabalho (HIRATA; FILHO, 2002).
A odontologia é altamente acometida por esse tipo de risco, pois, os
cirurgiões dentistas são vítimas de seus próprios costumes, como não trabalhar com as mãos e pernas mais próximas ao tronco, pés não apoiados
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 58-64.
totalmente ao chão, não trabalhar com paciente de acordo com relação maxila – mandíbula, além dos movimentos repetitivos e a falta de alongamento
dos membros causando as DORTs e que vão se agravando com o tempo.
Os riscos de acidentes estão relacionados com os danos causados aos
trabalhadores de diversas formas. Temos como exemplos, os trabalhos com
equipamentos de vidros, equipamentos e instrumentos perfurocortantes,
manipulação e colheta de fluidos biológicos, equipamentos que utilizam gazes comprimidos, equipamentos de engrenagem e de sistema de trituração
e os equipamentos de emissão de ultra-som (HIRATA; MANSINI FILHO, 2002).
Na área da odontologia, os riscos de acidentes estão intimamente
ligados aos riscos biológicos. Murofuse, et. al. (2008), afirma que no estudo
realizado com os acadêmicos, docentes e técnicos- administrativos da Clínica Odontológica da Unioeste, consideram que os procedimentos realizados
não oferecem riscos à saúde, que é uma temeridade quando se considera
a possibilidade do não uso das medidas preventivas adotadas e recomendadas. Porém, os entrevistados revelaram desconhecer os mecanismos de
transmissão dos patógenos e evidenciam a necessidade de atualização e
educação continuada para uma melhora do uso das normas de Biossegurança.
3.3
O Conhecimento dos Profissionais da Odontologia sobre Biossegurança, Controle de Risco de Infecções e suas Medidas Preventivas
A Odontologia, através do tempo, vem se transformando de uma atividade puramente artesanal e empírica, para uma profissão técnico-científico-humanista. No entanto, a odontologia contemporânea ainda se depara
com o aumento da incidência de doenças infecto-contagiosas das mais variadas etiologias, impondo a necessidade de se discutir e adotar mecanismos
de proteção, para evitar a contaminação tanto do profissional e sua equipe,
quanto do seu paciente; todos os envolvidos nesta cadeia estão expostos,
igualmente, a essa grande variedade de agentes infecciosos (BRASIL, 2000).
A natureza única dos procedimentos odontológicos requer estratégias específicas direcionadas para a prevenção da transmissão de patógenos
entre a equipe de saúde e seus pacientes, que podem estar expostos a uma
grande variedade de microorganismos presentes nas secreções orais e respiratórias. Há patógenos que podem ser transmitidos durante o ato operatório
por diversos meios, como contato com secreções ou com o ar contaminado
por partículas e aerossóis formados durante o procedimento (CDC, 2003).
Uriarte Neto, et al (2007), realizaram pesquisa sobre conhecimento e
condutas de docentes de um curso de odontologia e recomendaram que
os cirurgiões-dentistas adquiram conhecimento sobre os riscos biológicos,
químicos e físicos que existem em um ambiente de consultório e devem adquirir responsabilidade para adotarem medidas de prevenção e precaução
na prática odontológica diária, e esta deve ser iniciada na faculdade.
Consideraram que, os cursos de odontologia em geral, oferecem conhecimento teórico necessário para o entendimento do controle de infecções, mas nem sempre a teoria está relacionada com a prática, e ressaltaram
a necessidade da implantação de um protocolo de medidas de precauçãopadrão aplicáveis ao cotidiano da academia e a vida profissional do egresso.
O consultório odontológico é um ambiente de alto risco, pelo contato
de saliva que possui vírus, bactérias e fungos, contribuindo para contaminação, se vê a importância do uso de barreiras de proteção física, procedimentos de desinfecção e esterilização visando maior segurança para toda a cadeia formada pelos profissionais (cirurgião-dentista, auxiliar, técnico, outros
funcionários), pacientes e meio ambiente.
61
Dentre as medidas de precaução contra as infecções as mais utilizadas são: lavagem das mãos, uso dos EPI’s, representados por: máscaras, gorros, protetores faciais e oculares; aventais e luvas; desinfecção e esterilização
dos materiais e instrumentais; e o manuseio de materiais perfurocortantes.
3.4
Controle dos riscos para infecção cruzada
O risco potencial se apresenta igualmente em todas as áreas de saúde, tanto para os profissionais, como para os pacientes, por serem portadores
de microorganismos que podem ser transmitidos pelo sangue sugestivos de
infecção (BOLICK et al, 2000).
Com isso, necessariamente temos a definição de infecção como:
“uma invasão ou colonização do hospedeiro por um microorganismo patogênico ou seus produtos, resultando em doença no hospedeiro” (NISENGARD & NEWMAN, 1997, p.90).
Porém, esta infecção não envolve somente o hospedeiro, pois pode
ocorrer a transmissão desses microorganismos de um paciente para outro,
ou mesmo para toda a equipe. Ou seja, desta forma ocorre o que denominamos de infecção cruzada.
O controle dos cinco riscos existentes, ou seja, biológico, químico, físico, ergonômico e acidentes, está diretamente relacionado com: uso de equipamento de proteção coletiva (EPC), uso de EPI’s (equipamentos de proteção individual, imunização e educação continuada para a conscientização
dos profissionais de saúde. Os equipamentos de proteção coletivo (EPC), são
dispositivos que atuam no controle de agentes agressores ao meio ambiente
e o ao homem. Temos como alguns tipos de EPC sinalizadores, câmara de
fluxo laminar, chuveiro de emergência, cabines para radioatividade que são
utilizadas no coletivo (BRITO,2009).
De acordo com o mesmo autor, os equipamentos de proteção individual são de uso pessoal e individual. Tem como objetivo proteger os profissionais de contatos infecto-contagiosos que as cinco categorias de risco
podem acarretar. Imunização é o método mais seguro e eficaz, pois visa
prevenir uma possível contaminação. Ou seja, a instituição responsável deve
ter um esquema periódico de vacinação e os profissionais devem ser imunizados contra hepatites B e C, sarampo, rubéola e outras patologias prevista
no esquema de vacinação apropriado
Porém deve ser considerada a possibilidade que um percentual dos
profissionais não ser soro-convertidos a vacinação, mesmo após todo o esquema de vacinação completa, visando assim a necessidade de implementar medidas educativas que mantenham o índice de cobertura vacinal em
crescimento e o aproxime mais da situação ideal, de que todos os profissionais estarão imunizados. (FARIAS, et al., 2007)
O profissional de saúde precisa adotar uma postura efetiva no uso de
equipamentos e procedimentos para sua segurança, e não somente o profissional juntamente com sua equipe e seus pacientes, e por conseqüência
atingir assim, seu objetivo que é prestar um serviço de qualidade, independente de o profissional ser dentista, médico, enfermeiro ou qualquer outro
(MASTROENI, 2006).
3.4.1 Higienização das mãos
Martinez, Campos, Nogueira (2009) afirmam que 30% dos casos de
infecções são preveníveis por medida simples, ou seja, a lavagem correta das
mãos pelos profissionais. Segundo os autores, as mãos são o principal meio
de se transmitir microorganismos aos pacientes, seja por contato direto ou
através de objetos.
O Ministério da Saúde (2005) recomenda que a lavagem deve ser fei62
ta anteriormente qualquer procedimento a ser realizado e após, manuseio
de pacientes, antes de administração de medicação, coleta de material biológica ou fisiológica desses pacientes
Segundo Torres (1999), a lavagem freqüente das mãos como procedimento básico deve ser realizado por toda equipe no trabalho. E também
afirma que barreira de proteção, cuidados com o ambiente, além da desinfecção e esterilização de instrumental são eficazes no combate da infecção
cruzada.
Tipple et al. (2008) em um estudo realizado com acadêmicos da área
de Saúde, demonstraram o conhecimento sobre a lavagem de mãos, mas indicaram baixa realização do procedimento quando realmente é necessário
fazer a lavagem, evidenciando mais uma vez a formação dos profissionais,
sua dicotomia entre o saber e o fazer. Então se faz necessário a conscientização quanto à educação continuada para todos os envolvidos nesse processo.
3.4.2 Equipamento de Proteção Individual (EPI)
Segundo Rezende e Lorenzato (2000), o cirurgião-dentista é responsável pelo desenvolvimento e implantação de medidas de segurança como
equipamentos de proteção individual, garantindo a redução de transmissão
de doenças no consultório odontológico.
Os EPI’s têm como finalidade proteger os profissionais da saúde dos
riscos de exposição, biológicos ou químicos, riscos com lâminas ou com ferramentas perfurocortantes ou não. Podem ser considerados de uso pessoal,
e neutralizam a ação de certos acidentes que podem causar lesões ao trabalhador e protegê-lo contra prováveis danos à saúde do trabalhador (SÊCCO
et. al., 2002).
Os tipos de EPI’s são: máscaras, gorros, protetores oculares e faciais,
avental (jalecos), sapatilhas e luvas.
No atendimento odontológico paciente e profissional ficam muito
próximos, facilitando assim a infecção cruzada. O uso da máscara descartável
é necessário para não inalação de aerossóis, bem como transmissão de outras doenças (BRITO,2009; MENDES, 2001).
O uso do gorro é importante na proteção dos cabelos para evitar a
contaminação contra aerossóis, germes e impurezas que estão presentes
no ambiente. Assim, deve ser descartável e utilizado pelo dentista, toda sua
equipe assim como pelo paciente (MENDES,2001).
Protetor ocular e facial tem como objetivo proteger os trabalhadores
assim como o paciente, especialmente mucosa ocular e face contra fluidos
do paciente. Existe uma certa resistência em seu uso, devido ao embaçamento da visão e escape da respiração pela máscara facial.
Kantz, Martins e Miguel (2006), ressaltam que nos dias atuais a freqüência de utilização de EPI’s é baixa, principalmente no que diz respeito à
proteção ocular, fato que tem levado a sérios danos oculares e à transmissão
de infecções, seguidos muitas vezes de processos judiciais.
Aventais (jaleco / bata), devem ser de uso exclusivo em consultório,
pode ser de tecido ou algodão, contendo gola alta e mangas longas e devem
ser mantidos abotoados para sua maior proteção (BRITO,2009).
Carvalho et al. (2009), afirma que o uso dos jalecos se tornou uma
prática obrigatória, com finalidade de proteção durante realização de procedimentos. É necessário que se realizem campanhas educativas para orientar
os profissionais sobre o seu uso e adoção de protocolos rígidos em seu uso e
sua descontaminação por parte das instituições de saúde.
As luvas classificam-se em: de procedimentos para realização de
procedimentos não – críticos e luvas de procedimentos críticos ou seja as
luvas estéreis, feitas de látex, descartáveis e não reutilizáveis.
Tem recomendação de uso habitual, pois nos procedimentos odonRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 58-64.
tológicos existe o contato direto ou indireto com sangue, entre outras substâncias que são consideradas infecciosas em potencial. Consideradas melhor
barreira de proteção para as mãos, não deve ser reutilizada, pois perdem
eficácia com seu uso contínuo. Devem ser descartadas após danificadas ou
prolongado tempo de uso (MENDES,2001).
As sapatilhas ou calçados fechados são artefatos de extrema importância no ambiente odontológico, pois evitam o contato com secreções
orgânicas ou instrumentos perfurocortantes como limas endodônticas, agulhas da seringa carpule entre outros,lançados ao chão repleto de microorganismo, favorecendo a contaminação e infecção dos profissionais.
3.4.3 Desinfecção e esterilização de materiais
Prevenir a infecção cruzada é um dos maiores desafios para os cirurgiões-dentistas no consultório odontológico atualmente. Apesar das barreiras de proteção individual para o combate contra as infecções, o ambiente
de trabalho se torna insalubre após o atendimento, necessitando assim de
uma desinfecção, caso a esterilização não seja possível, para a eliminação
dos microorganismos existentes, produzidos através de aerossóis durante o
atendimento.
De acordo com Gonçalves (1996) desinfecção é o processo que elimina os microorganismos patogênicos de seres inanimados, e que deve ser
utilizado somente quando o processo de esterilização for inviável.
As soluções mais utilizadas para a desinfecção de superfícies e materiais são: hipoclorito de sódio, compostos fenólicos, Iodo, gluteraldeído e o
álcool (SILVA e JORGE, 2002).
3.4.4 Manuseio de materiais perfurocortantes
A principal causa de acidentes de trabalho em profissionais de saúde
está relacionada ao uso de material perfuro cortante. Esse tipo de acidente
expõe o profissional a risco de infecções. É necessário o máximo de atenção
quando se estiver manuseando os instrumentos perfurocortantes para previnir acidentes Na odontologia, os instrumentais que mais causam acidentes
são: brocas, agulhas anestésicas, curetas, alavancas, lâminas de bisturi e limas
de endodontia É necessário também, utilização de recipientes próprios para
descarte do material perfurocortante utilizado no consultório, assim como,
adotar a rotina de descartar esses recipientes antes da sua superlotação (TEIXEIRA, et al., 2008; CAIXETA e BARBOSA – BRANCO; 2005)
4
CONCLUSÃO
Diante dos trabalhos analisados e discutidos, pode-se concluir que
as medidas de biossegurança utilizadas são: os Equipamentos de Proteção
Coletiva (EPC), os Equipamentos de Proteção Individual (EPI), imunização e
a educação continuada para a conscientização dos profissionais da área da
saúde com enfoque na odontologia.
Essas medidas têm como finalidade de proteção aos profissionais,
paciente e o ambiente em que estão inseridos e prevenção contra as doenças infecto- contagiosas e as infecções cruzadas nos mais diversos tipos de
ambiente, seja ele ambulatorial, hospitalar, consultório odontológico, dentre
outros.
Sobre as tendências atuais, a Biossegurança se mostra de grande importância para todos os profissionais, em qualquer que seja a área, pois todos
estão sujeitos a riscos. Com o crescimento populacional, os riscos bacteriológicos e os riscos de contaminação e de infecção em massa estão crescendo
cada vez mais, fazendo com que seja uma necessidade o cumprimento as
normas de Biossegurança por todos e para todos.
Observa-se que muitos profissionais, mesmo conhecendo na teoria
os riscos existentes, não adotam os protocolos de medidas de precaução na
sua prática cotidiana, por motivos afetivos e comportamentais que não justificam o descumprimento das normas de Biossegurança.
Combater as infecções nos consultórios odontológicos continua sendo um grande desafio para os cirurgiões- dentistas, pois mesmo com uso
das medidas de controle e prevenção, os germes conseguem superar essas
medidas adotadas. Biossegurança é dever de todos e direito do paciente, é
demonstração de respeito a si próprio, a toda sua equipe e aos pacientes,
fazer Biossegurança é uma das formas de se obter a tão esperada qualidade
de vida.
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64
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 58-64.
REVISÃO / REVIEW PAPER / REVISIÓN
Prevenção e controle da infecção hospitalar: uma revisão da literatura
Prevention and control of hospital infection: a literature review.
Prevención y control de la infección hospitalar: una revisión de la literatura.
Danicler Tavares Cruz
RESUMO
Enfermeira, especialista de Saúde da Família e Urgências e
Emergência
Maria Eliete Batista Moura
Pos-Doutora em Enfermagem. Professora da Faculdade
NOVAFAPI. Professora da Graduação e do Programa de
Mestrado da UFPI. [email protected]
O estudo tem como objetivo fazer um levantamento na literatura sobre infecção hospitalar, verificar
as tendências dos trabalhos encontrados e descrever os resultados e análises. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica feita na Biblioteca Virtual em Saúde – BVS e Biblioteca da Faculdade NOVAFAPI,
abrangendo pesquisas nacionais, publicadas no período de 2000 a 2008. A busca foi feita através dos
descritores: infecção hospitalar; prevenção e Enfermagem. Foram analisados 25 trabalhos ou fontes e apresentados nas categorias: prevenção e controle de infecção hospitalar; microorganismos
causadores de infecções e infecção do sítio cirúrgico. Observou-se que a infecção hospitalar é um
problema de saúde pública, e que as instituições prestadoras de serviços de saúde devem oferecer
melhores condições de trabalho para que os profissionais da saúde desenvolvam uma assistência
com qualidade e sem risco para o usuário.
Descritores: Infecção Hospitalar. Prevenção. Enfermagem.
ABSTRACT
The study aimed at doing a literature raising about hospital infection, verify the tendencies of the
work found and descibe the results and analysis. It Treats of a bibliographical research done in the period of 2000 to 2008. The eletronic search was done in the bank data SCIELO (Scientific Electronic Library Online) with the descriptors: hospital infection; prevention and nursing. This way were analyzed
25 articles written by nurses presented in the cathegories: prevention and control of hospital infection; infection in the cirurgic site; microorganisms causors of infections and cirugic paramentation. It
was observed that hospital infection is a problem of public health, and that the instituitions of health
rendering services should offer better work conditions in order the health profissionals develop an
assitance with quality and without risk to the health service users.
Descriptors: Hospital Infection. Prevention. Nursing.
RESUMEN
El estudio tiene como objetivo hacer un levantamiento en la literatura sobre infección de hospital,
verificar las tendencias de los trabajos encontrados y describir los resultados y análisis. Se trata de
una pesquisa bibliográfica hecha en el periodo de 2000 a 2008. La búsqueda electrónica fue hecha
en el banco de datos SCIELO (Scientific Electronic Library Online) con los descriptores: infección de
hospital; prevención y enfermería. Fueron. De esa forma fueron analizados 25 artículos escritos por
enfermeros presentados en las categorías: prevención y control de infección de hospital; infección del
sitio quirúrgico; microorganismos causadores de infecciones y paramentación quirúrgica. Se observó
que esta infección es un problema de salud pública, y que las instituciones prestadoras de servicios
de salud deben ofrecer mejores condiciones de trabajo para que los profesionales de salud desarrollen una asistencia con calidad y sin riesgo para el usuario de los servicios de salud.
Descriptores: Infección de Hospital. Prevención. Enfermería.
Submissão: 05/09/2008
Aprovação: 03/03/2009
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 65-70.
65
1
INTRODUÇÃO
A infecção hospitalar (IH) é um grave problema de saúde pública,
de tratamento difícil, causada por bactérias que se desenvolvem dentro
dos hospitais, sendo algumas resistentes aos tratamentos. É necessário tomar medidas para preveni-la, que incluem desde o treinamento das equipes de profissionais de saúde que estão em contato direto e indireto com
os doentes, até as condições de trabalho oferecidas pelas instituições de
saúde, além dos cuidados rigorosos por partes dos visitantes que vão levar
conforto aos seus entes queridos internados.
As infecções hospitalares podem ser definidas como as infecções
que ocorrem em pacientes durante a hospitalização, com diagnóstico confirmado por exames clínicos e de laboratório. Os microorganismos contagiosos podem se originar de fontes endógenas, como a flora comensal
endógena da qual o paciente é portador, ou de fontes exógenas, como
aquisição recente através de objetos animados ou inanimados dentro do
hospital (AGUIAR, LIMA, SANTOS, 2008). Segundo Cavalcanti p.10-22(2002),
Os microrganismos, causadores das infecções, existem e convivem no meio ambiente muito antes do surgimento do ser
humano. A relação entre microrganismo e o homem deve ser
equilibrada, porém, quando isso não ocorre, surgem as doenças
infecciosas causadas por microrganismos oportunistas que se
proliferam e causam sérios danos aos tecidos, órgãos e sistemas
dos homens, alterando seu funcionamento normal.
Assim, a infecção nosocomial tem sido a causa de risco de vida para
a maioria dos pacientes internados, de custo elevado, e que representa
atualmente um grande problema de saúde pública, devido à alta incidência, letalidade significativa, aumento prolongado de internação e ao custo
total do tratamento dos pacientes. Por esse motivo, o controle da IH, além
de atender a exigências éticas e legais da Portaria 2616/MS, tornou-se também uma necessidade.
A Portaria nº 2616 do Ministério da Saúde, publicada em 12 de maio
de 2008, aduz que:
As infecções hospitalares constituem risco significativo à saúde
dos usuários dos hospitais, e sua prevenção e controle envolvem
medidas de qualificação de assistência hospitalar, de vigilância
sanitária e outras, tomadas no âmbito do Estado, do município
e de cada hospital, atinentes ao seu funcionamento (BRASIL,
2008).
Assim, no Brasil, foi sancionada a Lei nº 9431, de 6 de janeiro de
1997, que obriga todos os hospitais a manterem um programa permanente de controle de infecção hospitalar, com vista a reduzir ao máximo os
índices de infecções nos hospitais (BRASIL, 1997).
Dessa forma, os profissionais de saúde são orientados e treinados
para atuar na prevenção e controle da infecção hospitalar, no entanto tem
sido observado que profissionais da equipe de enfermagem, embora demonstrem preocupação e muita atenção com os pacientes, ainda estão
favorecendo a disseminação de microrganismos no ambiente nosocomial.
A atuação da enfermagem nas Comissões de Controles de Infecções Hospitalares (CCIH) é de grande valia, já que é o profissional de saúde
que tem um contato direto com o paciente. O papel do enfermeiro nessa
comissão é de orientar os profissionais de saúde a respeito da prevenção
de infecções e contribuir com medidas específicas, para que a disseminação não ocorra dentro do ambiente hospitalar.
Para que as bactérias não se proliferem, algumas medidas devem
66
ser tomadas, como: a lavagem das mãos, para que não ocorra infecção
cruzada; o uso de Equipamentos de Proteção Individual – EPI; o cuidado
com os materiais perfurocortantes; a lavagem e esterilização correta dos
artigos, dentre outros.
Diante dessa problemática, definiram-se como objetivos: fazer um
levantamento na literatura sobre infecção hospitalar; verificar as tendências dos trabalhos encontrados e descrever os resultados e análises feitas
pelos autores dos trabalhos sobre este tema.
2
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica sobre Infecção Hospitalar.
Segundo Medeiros (2000), a pesquisa bibliográfica constitui-se em fonte
secundária, tendo como objetivo adquirir informações sobre um assunto de relevante interesse. Para a elaboração do estudo, seguiu-se o percurso metodológico sugerido por Marconi e Lakatos (2000), que consiste
nos seguintes passos: escolha do tema; elaboração do plano de trabalho;
identificação; localização; complicação; fichamento; análise; interpretação
e redação.
A busca dos artigos foi feita na Biblioteca Virtual em Saúde – BVS
e Biblioteca da Faculdade NOVAFAPI, abrangendo apenas publicações
nacionais, no período de 2000 a 2008. Os descritores: infecção hospitalar,
prevenção e Enfermagem, foram usados isoladamente para a seleção dos
artigos. Posteriormente, procedeu-se à leitura seletiva e somente 25 trabalhos ou fontes se enquadraram nos objetivos da pesquisa. A análise foi
feita conforme os focos apresentados nos estudos selecionados sobre o
tema infecção hospitalar.
3
APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Os resultados indicaram que existem 25 trabalhos ou fontes nacionais sobre Infecção Hospitalar, publicados na Biblioteca Virtual em Saúde
– BVS e na Biblioteca da Faculdade NOVAFAPIblioteca da NOVAFAPIo da
Saúde no período 2000 a 2008, categorizados em: prevenção e controle
de infecção hospitalar; microorganismos causadores de infecções e infecção do sítio cirúrgico.
Prevenção e controle de infecção hospitalar
Nesta categoria de trabalhos ou fontes, a técnica da lavagem das
mãos, a utilização dos equipamentos de proteção individual (EPI), como o
gorro, máscara, óculos, luvas, avental e protetores para pés, são colocados
como indispensáveis para a proteção do cliente e do profissional. O cuidado com os materiais perfurocortantes foi abordado como medida de
prevenção e controle das infecções hospitalares.
Segundo a pesquisa de Tipple (2003), essas medidas devem ser
adotadas visando, principalmente, minimizar o risco individual e coletivo,
quando não existir dispositivo adequado ao descarte de perfurocortantes
ou quando houver necessidade do uso da técnica de desconectar a agulha
da seringa, como no caso da coleta de sangue para exames e do uso da
seringa carpule.
Ao prestar assistência a um paciente em um ambiente hospitalar,
a lavagem das mãos deve ser um hábito entre os profissionais de saúde.
Segundo Fernandes, (2000), o médico húngaro, Semmelweis, em 1847,
demonstrou a importância desse ato na prevenção da infecção hospitalar
após constatar a diminuição das taxas de mortalidades das parturientes
pela febre puerperal. Mesmo com a constatação do valor da higienizaRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 65-70.
ção das mãos na prevenção das transmissões de doenças, muitos profissionais de saúde ainda continuam ignorando a importância desse gesto
tão simples, que é a lavagem das mãos, e também não compreendem os
mecanismos básicos da dinâmica de transmissão das doenças infecciosas
Moura et al. (2007) observou que pacientes internados nas Unidades de Terapia Intensiva – UTIs, com permanência prolongada, em ventilação mecânica e com procedimentos invasivos constantes, estão sujeitos
à prevalência de infecções, por isso é preciso uma vigilância incessante da
CCIH, para que se evite infecções cruzadas pelas mãos dos profissionais
de saúde do setor, devendo os mesmos realizarem as técnicas corretas da
lavagem das mãos como uma ação importante de prevenção e controle
de infecção hospitalar.
Por sua vez, Fernandes (2000) afirma que, além da lavagem das
mãos, os pesquisadores têm recomendado que as feridas, pontos de inserção de cateteres venosos ou arteriais, traqueostomias, tubos, drenos,
junções de cateter urinário e todos os outros sítios de entrada ao meio
interno do organismo do paciente, não devem ser tocados diretamente
pelas mãos dos profissionais, mesmo que lavadas ou escovadas.
O controle de Infecção Hospitalar (IH), ao longo dos anos, vem evoluindo muito, e não se restringe unicamente aos hospitais, mas engloba
todos os estabelecimentos da área da saúde, onde se deve primar por técnicas adequadas e precauções padrões, havendo também a necessidade
de investimentos científicos na busca incessante de medidas de prevenção
e controle de IH, juntamente com os profissionais de saúde. (PEREIRA et
al., 2005).
Santos et al. (2008), no que se refere à prevenção e controle das IHs,
afirmam que as medidas adotadas ainda têm sido pouco utilizadas pelos
profissionais da área, apesar de todos saberem que o melhor método de
prevenir a IH é utilização das precauções padrões, que são orientadas pela
CCIH.
Segundo Cucolo, Faria e Cesarino (2007), a educação permanente
dos profissionais desenvolvida pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar - SCIH os tornam multiplicadores de ações na prevenção e controle
de infecção, porém, ainda são escassos os serviços que desenvolvem estas
atividades e são poucos os profissionais que têm a visão de melhorar o seu
conhecimento e a sua prática.
A CCIH depende de vários profissionais para formar a comissão e
também precisa de exclusividade para que esses possam ter um desempenho favorável na busca de controlar a infecção nosocomial. Porém, há
falta de profissionais qualificados. Por conseguinte, o mesmo profissional
da comissão exerce cargo ou serviço que poderia ser desempenhado por
outros, por isso, seu desempenho exclusivo na CCIH fica prejudicado (ALVES; EVORA, 2002).
Sabe-se que a equipe de enfermagem, em relação aos outros profissionais, é a que fica mais tempo com o paciente, trabalhando para o seu
bem-estar físico e executando procedimentos e diagnósticos terapêuticos
na detecção, prevenção e controle de IH. Apesar do grande número de
profissionais envolvidos, ainda não é o suficiente para a demanda das necessidades dos hospitais. O artigo refere-se aos fatores de risco, à falta de
equipamentos, falta de leitos para separar as crianças infectadas das não
infectadas e à divisão inadequada da planta física. Pela falta de estrutura
do setor e falta de profissionais qualificados, o trabalho triplica e a assistência de enfermagem fica precária. Para que a equipe de enfermagem e
os outros profissionais trabalhem, é preciso, com urgência, dar garantia de
qualidade do serviço prestado, diminuindo, assim, os fatores de riscos aos
usuários (TURRINI, 2000).
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 65-70.
Microorganismos causadores de infecções
Para Ferrareze (2007), a pseudômona é uma bactéria encontrada
com freqüência no ambiente nosocomial que apresenta resistência aos antibióticos e anti-sépticos. Uma hipótese levantada sobre a presença dessa
bactéria relaciona-a ao uso e diluição incorreta dos desinfetantes, reutilização de artigos e esterilização, tudo isso deve ser levado em conta.
Kusahara, Peterlini e Pedreira (2007), relatam que a infecção resulta
do desequilíbrio entre os mecanismos imunitários e os patógenos. Porém,
a idade, tempo de internação, tempo de exposição a procedimentos por
métodos invasivos são fatores que contribuem para o aparecimento da
IH. O uso indiscriminado de antibióticos pode resultar no aparecimento
de microorganismos resistentes à medicação, tornando as infecções, especialmente nas UTIs, um sério problema e um grande desafio para os
profissionais.
A CCIH, apesar de todas as dificuldades, está conseguindo estruturar um serviço de prevenção e controle de infecção hospitalar, exigindo
dos profissionais de saúde uma atenção especial em relação às evoluções
dos microrganismos que apresentam resistências cada vez mais elevadas,
determinadas pelo uso indiscriminado dos antimicrobianos, dentre outros. Algumas medidas precisam ser tomadas no sentido de minimizar o
crescimento e mutação desses microrganismos, dentre elas, a indicação
consciente e fundamentada dos antibióticos.
É importante frisar que, com a evolução tecnológica, as técnicas
modernas de assistência foram sendo desenvolvidas e o tratamento das
doenças passou a ser feito através de procedimentos complexos. Assim, o
avanço na descoberta dos antimicrobianos e o seu uso indiscriminado têm
contribuído para o aparecimento de bactérias multirresistentes e de novas
formas de vida microbial (FONTANA; LAUTERT, 2006).
Segundo Lacerda, (2002), a evolução da produção científica de
infecção hospitalar envolvendo a participação da enfermagem ainda é
pequena em relação à produção geral, cabe à enfermagem discutir mais
sobre novas modalidades de infecção hospitalar e contribuir com novos
procedimentos no que se refere à assepsia, desinfecção e esterilização.
Infecção de sítio cirúrgico
Segundo Fontana (2006), a melhoria dos estudos sobre microbiologia se deu através de Joseph Lister, em 1860, que demonstrou uma técnica
para manter a incisão cirúrgica livre de contaminação, pois as infecções
cirúrgicas naquela época eram muito freqüentes.
Segundo Cataneo (2004), é importante o preparo da equipe cirúrgica para evitar a infecção do sítio cirúrgico, por saber que ela pode ser uma
fonte de patógenos. Destaca também que o uso da paramentação previne
a transmissão de contaminação tanto do profissional como do paciente,
servindo de barreira contra a penetração de microorganismos no sítio cirúrgico do paciente. A escovação das mãos também é outro processo de
precaução que visa à retirada de sujeira, reduzindo os riscos de contaminação durante as cirurgias.
Os pacientes que são submetidos a cirurgias de artroplastias de
quadril ainda são suscetíveis à infecção do sítio cirúrgico por estarem debilitados, pelo tempo de internação e pela falta de acompanhamento e de
informação adequadas na pós- cirurgias e pós sua alta (ERCOLE; CHIANCA,
2002).
Segundo Oliveira et al. (2002), a infecção do sítio cirúrgico ainda é
um grande problema dentre as IH. Apesar de se manifestar após a cirurgia,
a maior chance de contaminação é durante a mesma, por isso o controle
67
de infecção durante a cirurgia deve ser dobrado, para que após a alta a
infecção do sítio cirúrgico não venha a acontecer. O estudo demonstra
que o acompanhamento pós-alta das infecções do sítio cirúrgico (ISC) pela
CCIH deve ser feito, por todas as comissões, como rotina para que se possa
diminuir a taxa de incidências de infecção pós-alta, visando à melhoria da
assistência.
Ainda em relação às infecções relacionadas ao sítio cirúrgico, os fatores de riscos associados são: a idade acima de 50 anos; o estado em que
se encontra o paciente e a forma como foi feito a tricotomia, sabendo o
tempo de duração de cada cirurgia, para que isso não venha a aumentar
inda mais as chances de uma infecção (POVEDA, GALVÃO YASSHIDA, 2003).
Segundo Lacerda et al. (1992):
A infecção do sítio cirúrgico é uma das causas mais comuns de
infecção hospitalar. Apesar de se manifestar após a cirurgia, a
maior chance de contaminação é durante a cirurgia, já que os
sítios anatômicos são invadidos por tempo prolongado, com intensa manipulação. Portanto, é durante a cirurgia que o controle
de infecção deve ser redobrado.
Pesquisa desenvolvida por Moura et al. (2008), a partir da apreensão
das Representações Sociais da IH construídas por profissionais e estudantes da área da saúde, demonstra que os sujeitos representam a infecção
hospitalar como: paramentação; sondagem e mãos. Isso reforça a importância dada por esses profissionais e estudantes à paramentação dos que
desenvolvem os procedimentos no ambiente hospitalar para proteger a si
mesmos e aos pacientes de uma infecção, especialmente durante os procedimentos invasivos.
Em relação aos instrumentais cirúrgicos cada vez mais sofisticados
e à demanda cada vez maior do seu uso, relatado na pesquisa sobre instrumentais cirúrgicos, constata-se que artigos hospitalares, por não se desmontarem e não serem transparentes, acabam dificultando o processo de
limpeza, etapa fundamental do processo, e dando oportunidade às bactérias de se proliferarem. Por isso é preciso avaliar criteriosamente a tomada
de decisão quanto ao reuso destes materiais e também procurar encontrar
outros meios para a lavagem dos mesmos (FONTANA, 2008).
Graziano (2006) afirma que a dificuldade e os riscos relacionados
com o processo de limpeza dos artigos, pelo fato de não serem desmontáveis e transparentes dificulta a visibilidade interna residual, aumentando o
risco de infecção e favorecendo a disseminação de microorganismos.
Segundo Ribeiro (2006), no que se refere ao reprocessamento de
cateteres cardíacos, na Portaria nº 4, de 07/02/86, consta que não foi proibido o seu uso. Por isso devem ser avaliadas as condições dos processos
de esterilização deste material, para que não venha ocorrer infecção ao
paciente.
Vale ressaltar que a infecção hospitalar é causada, na grande maioria dos casos, por um desequilíbrio da relação entre o microbiota do corpo
humano normal e o mecanismo de defesa do hospedeiro. As localizações
dos microbiotas são: conjuntiva, mucosa nasal, mucosa oral, faringe, pele,
intestino grosso (cólon), reto, uretra e vagina. Esse desequilíbrio pode
ocorrer devido à própria patologia de base do paciente, como o modo de
proceder aos procedimentos invasivos. Os germes que predominam nas
infecções nosocomiais raramente causam infecções em outras situações
e geralmente estes agentes fazem parte da microbiota humana normal.
68
Dessa forma, os profissionais de saúde precisam estar atentos à vulnerabilidade e riscos relativos a esses procedimentos invasivos, pois eles
rompem as barreiras naturais do organismo humano, abrindo uma porta
para o seu meio interno, favorecendo assim a entrada de microrganismos
não existentes antes do processo.
Os antimicrobianos são necessários para eliminar infecções, mas,
infelizmente, o uso abusivo destes antibióticos está fazendo com que não
somente afetem o paciente que está fazendo uso dele, como o ambiente
microbiológico, interferindo na flora. O uso desnecessário de antimicrobianos está aumentando a resistência dos germes, fazendo com que se prolongue a permanência dos pacientes, e assim aumentando a morbidade,
mortalidade e custo para o hospital e também gerando mais problemas
para os médicos e para o pessoal que trabalha na CCIH (ANDRADE; LEOPOLDO; HAAS, 2006).
O uso da paramentação cirúrgica é o meio de proteção para clientes
e profissionais de saúde, contra contaminação do sítio cirúrgico por microorganismo, pessoas, materiais, equipamentos no ambiente operatório
(PAZ et al., 2000).
Para Monteiro et al. (2000), a paramentação cirúrgica é essencial
para a prevenção de riscos cirúrgicos em que os profissionais estão sujeitos a contatos com sangue e fluidos corpóreos liberados durante os
procedimentos com os pacientes. Por isso, é imprescindível a utilização de
precaução padrão como métodos de barreiras de proteção contra microorganismos.
Na realização de procedimentos invasivos e de cirurgias, sejam de
pequeno ou grande porte, a enfermagem precisa ter cuidado para não
contribuir com as infecções cruzadas no ambiente hospitalar. Sabemos
que no corpo humano reside uma rica flora microbiana com total equilíbrio com seu hospedeiro, e que após a realização de qualquer procedimento, por mais simples que o seja, seguem-se casos de infecção associada. Desta forma, verifica-se que a indicação de um procedimento invasivo
ou cirurgia deve ser criteriosa, e que seu papel é de extrema importância,
pois, através desses procedimentos, são fornecidas informações valiosas,
e até preventivas que podem contribuir com o tratamento do paciente.
4
CONCLUSÃO
Nos trabalhos levantados foram evidenciados três focos: prevenção
e controle de infecção hospitalar; microorganismos causadores de infecções e infecção do sítio cirúrgico. Os resultados apresentados nos artigos
refletem a dificuldade que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA tem para desenvolver o Programa de Prevenção e Controle das Infecções Hospitalares. Contudo, necessita-se de mais pesquisas para se discutir
problemas dos serviços de saúde relacionados ao tema, que refletem nos
altos índices de infecção hospitalar e, conseqüentemente, resultam em seqüelas, sofrimento e até a morte de pacientes. Dessa forma, conclui-se que a infecção hospitalar é um problema
de saúde pública, e que as instituições prestadoras de serviços de saúde
devem oferecer melhores condições de trabalho para que os profissionais
desenvolvam uma assistência com qualidade e sem riscos para o usuário
e para si próprios.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 65-70.
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70
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 71-76.
REVISÃO / REVIEW PAPER / REVISIÓN
Saúde bucal do idoso: uma revisão da literatura1
Elderly buco health: a literature review1
Salud bucal del anciano: una revisión de la literatura1
Thiago Alberto de Souza Monteiro
RESUMO
Cirurgião Dentista. Especialista em Saúde da Família e aluno
do Curso de Especialização em Ortodontia da NOVAFAPI.
Claudete Ferreira de Souza Monteiro
Doutora em Enfermagem. Professora do Curso de Graduação
e do Mestrado em Enfermagem da UFPI. Docente da
NOVAFAPI.
Estudo de revisão narrativa com o objetivo de analisar trabalhos que enfocam o tema saúde bucal
do idoso. O levantamento se fez por meio da BVS Odontologia, usando o descritor saúde bucal do
idoso. Foram identificadas 33 publicações e selecionadas 13 para análise. O critério de exclusão se
deu em função do não atendimento ao tempo cronológico usado para inclusão (2005 a 2009); por já
se tratar de revisão sistemática e por levantar dados sobre adultos e idosos em estudos comparativos.
Ressalta-se que o maior número de estudos foi realizado com idosos institucionalizados, denotando
que ainda é pouco presente na literatura científica nacional estudos sobre a saúde bucal de idosos na
atenção básica, mesmo após a inserção da odontologia no Programa Saúde da Família. Os resultados
apresentados confirmam as precárias condições de saúde bucal em que se encontra a população
idosa no Brasil e apontam para a necessidade de estratégias e mudanças de práticas na observância
da saúde bucal desse grupo populacional. Dada a lacuna em estudos sobre as condições de saúde
bucal dos idosos, sugere-se o desenvolvimento de novas pesquisas sobre a política da saúde bucal
na atenção básica.
Descritores: Saúde bucal. Idoso. Odontologia Comunitária.
ABSTRACT
Narrative study review aimed at analysing works that focus the theme elderly buco health. The searching was done through healthVirtual library - Dentistry, using the descriptors: buco health, elderly, communitary Dentistry. were identified 33 publications and selected from 13 to analysis. The
exclusion criterion was set in function of the non serving at chronological time used to the inclusion
that was from 2005 to 2009, for being already treated of systematic review and by raising data about
adults and elderly in comparative study. It is pointed out that the bigger number of study was carried
out with institutionalized elderly, denoting that it is little present in the national scientific studies
about elderly buco health in basic attention and even after the insertion of dentistry in the Family
Health Program . The results presented confirm the precarious buco health conditions in which is
found the elderly population in Brazil and point to the necessity of changing strategies in the observance practice of the buco health of this populational group. Given gap studies about elderly buco
health conditons, it is suggested the development of new research about the health buco politic in
basic attention.
Descriptors: Buco health. Elderly. Communitary Dentistry.
RESUMEN
Estudio de revisión narrativa con el objetivo de analizar trabajos que enfocan el tema salud bucal del
anciano. El levantamiento se hizo por medio de la Biblioteca Virtual en Salud - Odontología, usando los descriptores: salud bucal, anciano, odontología comunitaria. Fueron identificadas 33 publica-
Submissão: 21/09/2008
Aprovação: 15/12/2009
1 Trabalho apresentado ao Curso de Especialização em Saúde da Família da NOVAFAPI
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 71-76.
71
ciones y seleccionadas 13 para análisis. El criterio de exclusión ocurrió en
función del no atendimiento al tiempo cronológico usado para inclusión
que fue 2005 a 2009, por ya tratarse de revisión sistemática y por levantar
datos sobre adultos y ancianos en estudios comparativos. Se resalta que el
mayor número de estudios fue realizado con personas mayores institucionalizadas, denotando que aún es poco presente en la literatura científica
nacional estudios sobre la salud bucal de ancianos en la atención básica y
mismo después de la inserción de la odontología en el Programa Salud de
la Familia. Los resultados presentados confirman las precarias condiciones
de salud bucal en que se encuentra la población vieja en Brasil y apuntan
para la necesidad de estrategias y cambios de prácticas en la observancia
de la salud bucal de ese grupo poblacional. Dada la laguna en estudios sobre las condiciones de salud bucal de los ancianos, se sugiere el desarrollo
de nuevas pesquisas sobre la política de salud bucal en la atención básica.
Descriptores: Salud bucal. Anciano. Odontología Comunitaria.
etária são: xerostomia, lesões de tecidos moles, doença periodontal, edentulismo, abrasão/ erosão dentária, halitose, dificuldade de higienização,
dificuldade de mastigação e deglutição, necessidade de prótese ou uso de
prótese mal adaptada.
Com a inserção da odontologia na atenção básica através do Programa Saúde da Família, torna-se uma preocupação buscar contemplar
esse grupo e promover condições de garantir uma saúde bucal que permita uma vida com mais qualidade para os idosos.
Com base nestas considerações, esta pesquisa tem como objetivo
identificar estudos sobre a saúde bucal do idoso, a partir da base de dados
BVS Odontologia, observando variáveis relacionadas ao número de publicações, ano da publicação, tipo de periódico, objetivo do estudo; analisar
o foco dado ao tema em questão pelos estudiosos da odontologia e verificar se o tema já está sendo estudado dentro do Saúde da Família.
2
1
Historicamente, as práticas da saúde bucal no Setor Saúde indicam
que elas foram realizadas em consultórios, desenvolvidas à distância, feitas quase que exclusivamente entre quatro paredes e restritas à prática do
dentista com seu equipamento odontológico.À incorporação das ações de
saúde bucal pelas equipes do Saúde da Família visa transpor o modelo de
organização e as práticas anteriores, sendo altamente desafiador e difícil,
na medida em que procura integrar a prática dos profissionais da equipe
(BRASIL, 2006).
Essa incorporação da saúde bucal ao Saúde da Família ocorreu no
final do ano 2000, quando o Ministério da Saúde normatizou e passou a incentivar financeiramente a constituição de Equipes de Saúde Bucal, representando a mais importante iniciativa de assistência pública, expandindo
e reorganizando as atividades de saúde bucal de acordo com os princípios
e diretrizes do SUS (MARTELLI et al.,2008; LAZZAROTT, 2008). Para essa
consolidação, o Ministério da Saúde lançou o Programa de Saúde Bucal
através do Brasil Sorridente, que tem na Atenção Básica um de seus mais
importantes pilares.
Segundo Pucca Júnior (2006, p. 243), a política nacional de saúde
bucal tornou possível repensar o modelo de atenção aos diversos grupos,
como crianças, adolescentes, adultos e idosos, criando “fluxos que impliquem ações resolutivas das equipes de saúde. Essas ações devem estar
centradas no acolher, informar, atender e encaminhar”.
Entre os grupos que merecem atenção nessa ação está a população
idosa que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, nos países em
desenvolvimento, são os indivíduos a partir de 60 anos.
No Brasil, o número de pessoas com 60 anos ou mais aumentou
nos últimos dez anos de 10,7 milhões para 14,5 milhões, indicando um aumento de 35,5%. Estima-se que nos próximos 20 anos o número de idosos
brasileiros poderá ultrapassar os 30 milhões, o que representará 13% da
população. Assim, com o aumento populacional desse grupo é importante
para a área da saúde, e em especial para a odontologia, compreender além
da situação sistêmica, emocional, cognitiva, social e econômica do idoso,
as doenças bucais, o estado de conservação dos dentes e a prevalência
de edentulismo para a formulação de um plano preventivo/ terapêutico
adequado à sua realidade.
A promoção de saúde bucal em idoso é também garantia de bemestar, de melhoria da qualidade de vida e autoestima, resultado de uma
mastigação satisfatória,de uma melhor estética e da facilidade na comunicação. As condições precárias da saúde bucal mais relevantes a essa faixa
72
Metodologia
Introdução
A pesquisa bibliográfica desenvolve-se a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Embora em
quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho dessa natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. Boa parte dos estudos exploratórios pode ser definida como pesquisa
bibliográfica (GIL, 2002; SEVERINO, 2002).
Desse modo, este estudo se configura como uma revisão da literatura do tipo narrativa, na qual se utilizam publicações “ apropriadas para
descrever e discutir o desenvolvimento ou o “estado da arte” de um determinado assunto, sob ponto de vista teórico ou contextual”. Esse tipo de
revisão permite que em um curto espaço de tempo o leitor se atualize ou
mesmo adquira conhecimento sobre determinado tema, além de constituir um papel fundamental para a educação continuada (ROTHER, 2007).
Para Cordeiro et al. (2007, p.429), esta modalidade de revisão permite uma temática mais aberta e “dificilmente parte de uma questão específica bem definida, não exigindo um protocolo rígido para sua confecção”.
Os dados foram localizados na base dos dados BVS Odontologia,
usando o descritores: saúde bucal, idoso e odontologia comunitária. O primeiro passo para este trabalho foi identificar a viabilidade do estudo e,
após acessar o banco de dados citado, foram localizadas 33 publicações.
O passo seguinte foi a leitura do material para seleção e análise,
pois como critério de inclusão foram selecionados somente aqueles estudos que tratam especificamente da saúde bucal do idoso, sendo excluídos
estudos que abordavam outras patologias e faziam citação como consequências à questão da saúde bucal dos idosos. Após esta seleção, foram
compilados 13 artigos.
Em seguida, a quantificação foi organizada e apresentada em tabela
para melhor visualização dos resultados. A análise se fez pela construção
subjetiva, conforme os focos apresentados nos estudos selecionados sobre
o tema da saúde bucal do idoso e, por último, a construcão da conclusão
obtida acerca dos trabalhos analisados.
3
RESULTADOS
O quadro 1 apresenta dados sobre os artigos analisados quanto ao
ano de publicação, a revista onde foi publicado o artigo, os autores, objetivo do trabalho e resultados encontrados.
Quadro 1 – Características dos estudos sobre Saúde Bucal do Idoso
segundo o autor, ano de publicação, revista, objetivo do trabalho e resultados apontados. Teresina (PI), 2009. N= 13.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 71-76.
Autores
CARNEIRO, Rosane Maria do Valle
Ano de Publicação
2005
et al.
Revista
Objetivo do estudo
Resultados apontados
Cad. Saúde Pública
Verificar as condições de saúde bucal de idosos institucionalizados, na
cidade de São Paulo, Brasil, por meio
de exame epidemiológico.
A porcentagem de indivíduos totalmente edêntulos
foi de 68,3%. Os dados apresentados caracterizaram
condições clínicas insatisfatórias, podendo ser evidenciadas pelo elevado índice CPO-D e alta porcentagem de edentulismo
GAIAO, Luciene
Ribeiro; ALMEIDA, Maria Eneide
Leitão de; HEUKELBACH, Jorg
2005
Rev. bras. Epidemiol
Analisar a condição periodontal, o
uso e necessidade de prótese em
idosos institucionalizados em um
município do nordeste brasileiro.
Os dados mostram que a maioria dos idosos apresenta saúde bucal precária. Assim, são indispensáveis medidas intervencionais como educação em
saúde e tratamento precoce.
REIS, Sandra Cristina Guimarães
Bahia et al.
2005
Rev. bras. Epidemiol
Conhecer a condição de saúde bucal de idosos institucionalizados na
cidade de Goiânia-GO.
A situação de saúde bucal dos idosos institucionalizados em Goiânia é precária, especialmente devido à
alta prevalência de cárie e edentulismo.
MESAS, Arthur
Eumann;
ANDRADE, Selma
Maffei de; CABRERA, Marcos
Aparecido Sarriá.
2006
Rev. bras. Epidemiol
Verificar a condição dentária e periodontal, o uso e necessidade de
prótese, e a presença de lesões associadas ao uso de prótese em idosos residentes em uma área urbana
do município de Londrina, Paraná
Os resultados obtidos indicam que os idosos da comunidade avaliada apresentam elevadas prevalências de problemas bucais, com necessidade de tratamento odontológico, com diferenças entre homens
e mulheres, e que há necessidade de programas de
saúde bucal que atendam às necessidades específicas da população idosa.
UNFER,
Beatriz
2006
Interface
Analisar as percepções de um grupo
de idosos sobre a perda de dentes
Os principais resultados sugerem que a falta de dentes trouxe problemas funcionais e psicológicos, mas
que parecem ser compensados pela resolução do
problema estético.
H I R A M AT S U ,
Daniel Afonso;
FRANCO, Laércio
Joel; TOMITA, Nilce Emy
2006
Cad. Saúde Pública
avaliar a influência da aculturação
da população idosa na autopercepção de sua saúde bucal
Embora não tenha sido encontrada diferença na
autopercepção da saúde bucal entre os grupos issei
e nisei, este trabalho mostrou que a percepção dos
indivíduos idosos nipo-brasileiros refletiu uma situação de escassez de cuidados quanto à saúde bucal, revelando que ações de promoção e educação
voltadas para esta parcela da população se fazem
necessárias.
Autores
Ano de Publicação
Revista
Objetivo do estudo
Resultados apontados
MELLO,
Ana
Lúcia Schaefer
Ferreira de; ERDMANN, Alacoque
Lorenzini
2007
Physis
Apresentar e discutir as contradições no processo de cuidar da saúde bucal de idosos e indicar rumos
para a superação dessas contradições, na perspectiva do cuidado
complexo e da lógica da complexidade.
O cuidado à saúde bucal do idoso institucionalizado,
apresenta–se permeado de contradições, tanto nas
condições em que se estabelece, como em suas potencialidades para construir uma saúde bucal condizente com um viver saudável.
SALIBA, Nemre
Adas et al.
2007
Interface
Avaliar o perfil e conhecimento sobre saúde bucal de profissionais cuidadores de idosos, que atuam em
três asilos da cidade de Araçatuba
Constatou-se que os cuidadores precisam ser informados sobre aspectos de saúde bucal voltados para
idosos.
MATOS, Divane
Leite;
LIMACOSTA,
Maria
Fernanda
2007
Cad. Saúde Pública, Determinar a prevalência e os fatores associados ao uso de serviços
odontológicos entre idosos brasileiros em 1998 e 2003
Existência de profundas desigualdades sociais associadas ao uso de serviços odontológicos pela população idosa,
Tornam-se prementes políticas para a redução dessas desigualdades, garantindo o princípio da equidade no uso de serviços odontológicos por idosos
neste país
et al.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 71-76.
73
MELLO, A. L.
Schaefer Ferreira
de; ERDMANN,
Alacoque Lorenzini; CAETANO,
João Carlos
2008
Textocontexto enferm., Relacionar o significado do cuidado
à saúde bucal do idoso institucionalizado a questões referentes às
políticas públicas, no atual contexto
de implementação de políticas de
saúde e saúde bucal em nosso país
Mostra que a implementação de políticas públicas
que incluam o idoso nas ações de saúde bucal é
incipiente para assegurar comprometimento público-estatal-governamental e transformar a realidade
epidemiológica.
MARTINS, Andréa Maria Eleutério de Barros
Lima; BARRETO,
Sandhi
Maria;
PORDEUS, Isabela Almeida
2008
Rev. Saúde Pública
Analisar fatores associados a autopercepção da necessidade de tratamento odontológico entre idosos.
Evidenciou que a autopercepção da necessidade de
tratamento odontológico entre os idosos é influenciada preponderantemente pela autopercepção negativa de diversos aspectos da saúde bucal
Autores
Ano de Publicação
Revista
Objetivo do estudo
Resultados apontados
MESAS, Arthur
Eumann; TRELHA, Celita Salmaso; AZEVEDO,
Mauro José de.
2008
Physis,
Analisar as condições de saúde bucal de idosos restritos ao domicílio
em um bairro da periferia do município de Londrina, no Estado do
Paraná.
Os idosos restritos ao domicílio apresentam uma
condição de saúde bucal precária e equivalente a de
idosos institucionalizados, identificando nesses dois
grupos características comuns em relação à história
de dificuldades de acesso a tratamentos odontológicos conservadores, e à reduzida assistência odontológica preventiva e curativa às faixas etárias mais
avançadas nos dias de hoje
MARTINS, Andréa Maria Eleutério de Barros
Lima et al.
2008
Cad. Saúde Pública,
Investigou-se o uso de serviços
odontológicos por rotina entre
idosos brasileiros participantes do
Projeto SB Brasil.
Verificou-se uma precária condição de saúde bucal
entre os idosos brasileiros dentados e edentados.
As condições de saúde bucal dos idosos brasileiros
são precárias e ainda hoje o uso dos serviços odontológicos se dá, predominantemente, por dor
No quadro 1, observa-se que o maior número de publicações encontra-se no ano de 2008 e a revista com maior publicação no tema é o Caderno de Saúde Pública com 4 publicações, seguida pela Revista Brasileira
de Epidemiologia com 3 publicações e igual número de publicações (2) a
Revista Physis e a Interface. Verificou-se uma publicação na Revista de Saúde Pública. Estas publicações se encontram em periódicos multidisciplinares. Ressalta-se uma publicação em periódico da área da Enfermagem, a
Revista Texto e Contexto.
Quanto aos objetos de estudo, várias são as situações levantadas: significados, percepção, determinação da prevalência, fatores associados aos serviços de saúde bucal, perfil e conhecimento, dentre outros.
Os principais resultados apontados no quadro 1 mostram
que a saúde bucal dos idosos é precária; alta taxa de edentulismo, existência de desigualdades sociais para uso dos serviços odontológicos pelos
idosos e necessidade de implementação da política de saúde bucal que
contemple o grupo de idosos.
4
DISCUSSÃO
Os trabalhos analisados enfocam a necessidade de mais atenção
com a saúde bucal dos idosos, quer sejam institucionalizados ou na Estratégia Saúde da Família. Essa também vem sendo uma preocupação do
governo brasileiro quando aponta que na última década houve um avanço em relação à prevenção e ao controle da cárie em crianças. Contudo,
quando se trata de adolescentes, adultos e idosos este quadro encontra-se
entre os piores do mundo.
Para mudar esse panorama, o governo federal criou, pela primeira
vez, uma política de saúde bucal para a população, afirmando o comprometimento do governo com a redução das desigualdades e com a cons74
trução de uma política de inclusão social, pois, conforme levantamento
realizado antes do lançamento dessa política, os dados mostravam que
apenas 3,3% dos atendimentos odontológicos feitos no SUS correspondiam a tratamentos especializados. A quase totalidade era de procedimentos mais simples, como extração dentária, restauração, pequenas cirurgias,
aplicação de flúor (BRASIL, 2006).
Visando atender à população no que concerne à saúde bucal, em
17 de março de 2004, o Ministério da Saúde apresenta a Política Brasil Sorridente, propondo garantir as ações de promoção, prevenção e recuperação
da saúde bucal dos brasileiros, entendendo ser uma política fundamental
para a saúde geral e para a qualidade de vida da população. Esta política
encontra-se articulada a outras políticas de saúde e demais políticas públicas, de acordo com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde
(SUS). A Política Brasil Sorridente reúne uma série de ações em saúde bucal,
voltadas para cidadãos de todas as idades e aqui se destaca o grupo de 60
anos e mais.
O trabalho de Mello, Erdmann e Caetano (2008), que trata de investigação realizada em instituições de longa permanência para idosos sobre
cuidado à saúde bucal, traz a necessidade de maior inclusão desse grupo
populacional, haja vista que para os autores, mesmo com as garantias legais, o aporte de recursos e o aumento dos serviços, a implementação de
políticas públicas que incluam o idoso nas ações de saúde bucal é ainda
incipiente de tal modo que não há ainda resposta dos poderes públicos
que atendam às reais necessidades odontológicas dos idosos, grupo esse
que já compõe um quadro de latente insatisfação, embora sem manifestações coletivas dos envolvidos.
Entre os trabalhos analisados, os estudos de Gaião, Almeida e Heukelbach (2005), Carneiro et al. (2005) e Reis et al. (2005) também focalizam condições de saúde bucal em idosos institucionalizados, mostrando
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 71-70.
elevado valor do CPO-D (média de dentes cariados, perdidos, obturados),
evidenciando que essa situação constitui-se em grave problema de saúde bucal entre idosos institucionalizados nos quais é alta a prevalência de
edentulismo. Os estudos revelaram a inexistência de ações preventivas,
educativas e curativa no transcurso de vida desse grupo que evitassem
chegar a essa situação.
Resultado semelhante também foi encontrado por Mesas, Trelha e
Azevedo (2008) ao buscar as condições de saúde bucal em idosos no domicílio, evidenciando condição de saúde bucal precária e equivalente a de
idosos institucionalizados, cujas características são comuns quanto à história de dificuldades de acesso a tratamentos odontológicos conservadores,
e à reduzida assistência odontológica preventiva e curativa às faixas etárias
mais avançadas nos dias de hoje.
Mesas, Andrade e Cabreira (2006), também, ao avaliarem as condições de saúde bucal de idosos de uma comunidade de Londrina no Paraná, encontraram evidências significativas de edentulismo e de precárias
condições estruturais e funcionais das próteses em uso, bem como constataram precário estado de saúde geral e das condições de higiene bucal
dos idosos investigados.
Entretanto, o trabalho realizado por Mello e Erdmann (2007) apresenta uma análise das contradições do cuidar da saúde bucal de idosos
institucionalizados, na qual os profissionais reconhecem “o não-fazer” mas
têm dificuldades para promover ações transformadoras que resultem em
práticas de cuidado dotadas de eficácia.
Entre os estudos sobre saúde bucal com idosos institucionalizados
destaca-se também o de Saliba et al. (2007) que focalizou o conhecimento
em saúde bucal de profissionais cuidadores de idosos, mostrando carência
de informações, principalmente em relação aos problemas mais prevalentes que ocorrem na boca, pois mais da metade dos profissionais cuidadores acreditam que a perda dos dentes faz parte do envelhecimento.
Outro dado identificado nos estudos diz respeito aos serviços de
saúde bucal oferecidos aos idosos como rotina. No Brasil, o aumento da expectativa de vida leva à preocupação por uma política de saúde bucal capaz de oferecer funcionalidade e estética aos idosos, no entanto o uso de
serviços odontológicos por idosos ainda é considerado baixo. Assim, é que
o estudo de Martins et at. (2008) mostra baixa prevalência de uso dos serviços odontológicos como rotina por idosos brasileiros. Pontuam que essa
dificuldade advém de dificuldades de acesso, questões sócio-econômicas,
culturais ou mesmo da indisponibilidade desses serviços na zona rural.
O estudo de Matos e Lima-Costa (2007) também focaliza os serviços de saúde bucal e os resultados evidenciam que a visita ao dentista
em intervalo inferior a um ano por idosos brasileiros aumentou entre 1998
e 2003. Entretanto, apesar do aumento, a taxa de visita ao dentista nesse
intervalo permanece sendo muito inferior ao observado em países desenvolvidos. Os autores consideram que, sendo o idoso o grupo populacional
que mais cresce no Brasil, tornam-se prementes políticas para a redução
dessas desigualdades, garantindo o princípio da equidade no uso de serviços odontológicos por idosos neste país.
Assim, entende-se que a inserção da Odontologia no Programa
Saúde da Família (PSF) e a implantação do Programa Brasil Sorridente com
ações preventivas e de reabilitação bucal, traz um novo olhar e a perspectiva de melhoria da saúde bucal da população idosa brasileira e oferta de
serviços odontológicos mais próximos dos idosos.
Alguns estudos focalizaram a avaliação da saúde bucal dos idosos a
partir da percepção dos sujeitos pesquisados. Assim, o estudo de Martins,
Barreto e Pordeus (2008), ao analisar dados do inquérito domiciliar de saúde bucal realizado em 2002/2003 pelo Ministério da Saúde, mostrou que
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 71-76.
pouco mais da metade dos idosos percebiam a necessidade de tratamento odontológico. Ainda segundo os autores, as características que influenciam a autopercepção da necessidade de tratamento são as demográficas,
de predisposição e de condição de saúde bucal.
Já a percepção da necessidade de tratamento foi menor entre
aqueles que não obtiveram informações sobre como evitar problemas
bucais, sugerindo que o acesso à educação em saúde pode influenciar a
autopercepção da condição de saúde. Os autores indicam a necessidade
de reforçar a capacidade dos indivíduos de realizarem o autoexame bucal,
bem como a identificação precoce dos sinais e sintomas não dolorosos das
doenças bucais, assim como de associá–los à necessidade de tratamento
odontológico.
Resultado semelhante foi evidenciado por Unfer et al. (2006) ao levantar, por meio do discurso do sujeito coletivo, a falta de conhecimento
das causas das doenças bucais e as formas de prevenir e controlar suas
manifestações, antes que seja necessário intervir mediante procedimentos
cirúrgicos, restauradores ou reabilitadores e alertam para o desenvolvimento de iniciativas no campo da educação e prevenção em saúde bucal, enfatizando comportamentos voltados para autoexame, controle de
lesões cariosas , gengivo-periodontais, e manutenção das próteses.
Igual foco foi dado por Hiramatsu, Franco e Tomita (2006) ao estudar
a percepção de idosos nipo-brasileiros cujos resultados mostram escassez
de cuidados quanto à saúde bucal, revelando também que ações de promoção e educação devem ser voltadas para esta parcela da população.
5
CONCLUSÃO
As análises dos trabalhos levantados evidenciam três focos sobre
a saúde bucal dos idosos: mostram como se apresentam em instituições,
abrigos e domicílios; como os serviços de saúde bucal são utilizados como
rotina pelos idosos e a percepção e conhecimento das condições de saúde
bucal a partir dos próprios idosos.
Entre os trabalhos, ressalta-se que o maior número de estudos
foram realizados com idosos institucionalizados, denotando que ainda é
pouco presente na literatura científica nacional estudos sobre as condições
de saúde bucal da população de idosos em comunidades de zona urbana
e rural a partir da implantação da política de saúde bucal na atenção básica
e da inserção da odontologia no Programa Saúde da Família.
Os resultados apresentados nos artigos confirmam as precárias
condições de saúde bucal em que se encontra a população idosa no Brasil
e os autores apontam para a necessidade de estratégias e mudanças de
práticas na observância da saúde bucal desse grupo populacional.
Assim, por apresentar uma lacuna em estudos sobre as condições
de saúde bucal dos idosos, sugere-se o desenvolvimento de novas pesquisas neste campo do conhecimento, principalmente, buscando verificar se
a política da saúde bucal na atenção básica trouxe maior inclusão e procura dos idosos pelos serviços odontológicos disponíveis nas unidades de
saúde, bem como sobre dados epidemiológicos da saúde bucal dos idosos
brasileiros.
75
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76
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 71-70.
REVISÃO / REVIEW PAPER / REVISIÓN
Percepção do usuário sobre a estratégia saúde da família: uma revisão da
literatura
Users perception about the strategy of family health: a literature review
Percepción del usuario sobre la estrategia salud de la família: una revisión de la literatura
Hévila Marques da Silva Mota
RESUMO
Enfermeira, Psicóloga. Aluna do Curso de Especialização em
Saúde da Família da Faculdade NOVAFAPI.
[email protected]
Maria Eliete Batista Moura
Pos-Doutora em Enfermagem. Professora da Faculdade
NOVAFAPI. Professora da Graduação e do Programa de
Mestrado da UFPI. [email protected]
Este estudo teve como objetivo buscar na literatura nacional artigos publicados, no período de 2004
a 2009, sobre a percepção do usuário a cerca da Estratégia Saúde da Família, verificar como o tema foi
explorado, ano de publicação, fonte e foco dos estudos e discutir as conclusões das pesquisas. Tratase de uma revisão narrativa da literatura, realizada no banco de dados Scientific Electronic Library On
Line – SCIELO, através dos descritores: saúde da família; percepção e atenção a saúde. Os resultados
indicaram que foram publicados 135 artigos sobre a Estratégia Saúde da Família, sendo que nove se
enquadraram aos objetivos do estudo. A produção foi em torno de dois artigos a cada ano, exceto em
2006, ano em que não foi registrado publicação. A maioria dos estudos são resultados de pesquisas
nas regiões sudeste e nordeste. Oito publicações são de abordagem qualitativa e uma quantitativa.
Segundo a área profissional dos autores dos artigos selecionados observaram-se médicos, enfermeiros, cirurgiões dentistas, psicólogos, sociólogos e outros não identificados. Nos trabalhos, evidenciouse que os usuários dos serviços de saúde percebem mudanças quanto à assistência à saúde a partir
da implantação do programa. No entanto, os resultados apontam que os mesmos esperam mais
especialidades nas equipes e menos encaminhamentos para outros serviços. Percebem a relação
equipe-usuário como insatisfatória com necessidade de maior aproximação e interação por parte dos
profissionais com a comunidade. Conclui-se que se tem muito a avançar dentro da Estratégia Saúde
da Família no sentido de escutar o usuário, estar mais atento ao seu contexto de vida, aproximar-se
da população com intervenções extra consultas, de forma sistemática e contínua, mais criativa e em
grupo, com estratégias de maior impacto e significado social.
Descritores: Saúde da Família, Percepção, Usuário da Saúde.
ABSTRACT
The study aimed searching in the national literature articles published, in the period 2004 to 2009,
about the users perception concerning the Strategy of health Family, verify how the theme was
explored by the authors, referent to the year, source and study focus and discuss the research conclusions. It treats of a narrative review of the literature, done in the data bank Scientific Electronic
Library On Line – SCIELO, through the descriptors: family health; perception and attention to health.
The results indicated that were published 135 articles about the Strategy Family health, being that
nine of them fit in the study objectives. In the works, it was showed up the users of health service
perceived as for health assistance from the program implanting . Therefore, the results also point out
that wait more speciality in the teams and less passing on to other services. It is perceived a relation
user as unsatisfactory with necessity of bigger approximation and interaction by the profissionals part
with the community. It is concluded that there is much to advance inside the Family Health Strategy
in the sense of listening to the user, be more attentive to his life context , approximate of the population with extra interventions consultations, of systematic and contínuous form, more creative in
group, with high impact strategies of social meaning.
Descriptors: Family health. Perception. Attention to health.
Submissão: 19/10/2008
Aprovação: 14/01/2009
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 77-82.
77
RESUMEN
El estudio objetivó buscar en la literatura nacional artículos publicados, en
el periodo de 2004 a 2009, sobre la percepción del usuario a cerca de la
Estrategia Salud de la Familia, verificar como el tema fue explorado por los
autores, referente al año, fuente y foco de los estudios y discutir las conclusiones de las pesquisas. Se trata de una revisión narrativa de la literatura,
hecha en el banco de datos Scientific Electronic Library On Line – SCIELO,
a través de los descriptores: salud de la familia; percepción y atención a la
salud. Los resultados indicaron que fueron publicados 135 artículos sobre
la Estrategia Salud de la Familia, siendo que nueve se encuadraran a los
objetivos del estudio. En los trabajos, se evidenció que los usuarios de los
servicios de salud perciben cambios cuanto a la asistencia a la salud a partir de la implantación del programa. Sin embargo, los resultados también
apuntan que esperan más especialidades en los equipos y menos encaminamientos para otros servicios. Perciben la relación equipo-usuario como
insatisfatoria con necesidad de mayor aproximación e interación por parte
de los profesionales con la comunidad. Se conclui que se tiene mucho a
avanzar dentro de la Estrategia Saludd de la Familia en el sentido de escuchar el usuario, estar más atento al su contexto de vida, aproximar-se
de la población con intervenciones extra consultas, de forma sistemática
y continua, más creativa y en grupo, con estrategias de mayor impacto y
significado del social.
Descriptores: Salud de la Familia. Percepción. Atención a la Salud.
1
INTRODUÇÃO
Desde a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) e baseado em seus
princípios, diversos esforços foram desenvolvidos pelo governo federal, estadual e municipal, pela população e os profissionais de saúde para que os preceitos do sistema fossem devidamente respeitados e desenvolvidos. Apesar
das controvérsias, propostas sobre as formas de implementação efetiva de
políticas intersetoriais que garantam acesso universal, integral e diminuição
das desigualdades sociais vêm sendo apresentadas (REIS, 2004).
A partir da segunda metade da década de 1970, o Brasil vivenciou
uma crise no setor saúde que impulsionou a transformação das práticas das
ações de saúde com a proposta de que houvesse cobertura também da população excluída da assistência previdenciária (COTTA et al., 2002). Processo
denominado de Movimento da Reforma Sanitária, que envolveu a organização popular e diferentes atores sociais com um mesmo objetivo: reconhecer
a saúde como direito social, universalização do acesso e integralidade da
atenção.
Para a realização dessa proposta seria necessária a construção de bases constitucionais e legais de um sistema de saúde democrático, universal,
igualitário e integral. Assim, a determinação da responsabilidade do Estado
na provisão dessas ações e princípios foi incorporada ao texto constitucional
de 1988.
Isto veio permitir a definição da ampliação do curso da população
aos serviços de saúde inscritos nos princípios do universalismo para as ações
de saúde, a descentralização municipalizante e um novo formato organizativo para os serviços, sob a lógica da integralidade, da regionalização e da
hierarquização, com definição de porta de entrada. Além disso, as ações preventivas e curativas passaram a ser responsabilidade dos gestores públicos
(VIANA, 2005).
Estas ações colocam o Brasil como um país que pauta seus sistemas
de saúde em valores de solidariedade e cidadania. No entanto, a aprovação
desse modelo que se apresenta hoje passou em seu processo histórico por
78
duas questões complexas: a descentralização político-administrativa e a organização da atenção à saúde.
No Brasil, a origem do Programa de Saúde da Família (PSF) remonta
a criação do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) em 1991,
como parte do processo de reforma do setor da saúde, desde a Constituição,
com intenção de aumentar a acessibilidade ao sistema de saúde e incrementar as ações de prevenção e promoção da saúde. Em 1994, o Ministério da
Saúde lançou o PSF como política nacional de atenção básica, com caráter
organizativo e substitutivo, fazendo frente ao modelo tradicional de assistência primária baseada em profissionais médicos especialistas focais (CONILL,
2000).
No Estado do Piauí, a Estratégia Saúde da Família começou a ser implantada em 1997. Em 1999, contava com 40 equipes compostas de médicos, enfermeiros e agentes de saúde, com atendimento de 25% do total de
famílias residentes na capital. De acordo com os dados da Secretaria Estadual
do Piauí, atualmente, existem 720 equipes do Programa Saúde da Família
(PSF) no Estado, distribuídas em 219 municípios do Piauí, cobrindo 72% da
população (2.115.528 habitantes), além de 5.933 agentes nos 224 municípios do Estado.
O objetivo do programa foi a reestruturação do setor saúde com
adoção de nova concepção do processo saúde-doença com novas bases
e critérios, diferenciando do modelo tradicional voltado para a doença. Estes pressupostos, tidos como capazes de produzir um impacto positivo na
orientação do novo modelo e na superação do anterior, calcado na supervalorização das práticas da medicina curativa, especializada e hospitalar, e
que induz ao excesso de procedimentos tecnológicos e medicamentosos e,
sobretudo, na fragmentação do cuidado, encontra, em relação aos recursos
humanos para o Sistema Único de Saúde (SUS), um outro desafio. Com isso,
foi incorporada a prática da vigilância a saúde, com atenção centrada na família, compreendida em sua dimensão física e social em seu território com
intervenções que vão além de práticas curativas (BRASIL, 1999).
Baseado na Portaria nº 648, de 28 de março de 2006 ficaram definidas
as características do processo de trabalho da Saúde da Família, dentre elas a
prática do cuidado familiar ampliado, por meio do conhecimento da estrutura e da funcionalidade das famílias, com valorização dos diferentes saberes,
com uma abordagem integral e resolutiva, possibilitando a participação da
comunidade desde o planejamento até a execução e avaliação das ações,
proporcionando a criação de vínculos de confiança com ética, compromisso
e respeito.
Nesse sentido, reconhece-se que o PSF não é mais um programa e
sim Estratégia Saúde da Família (ESF), visto que o termo “programa” aponta
para uma atividade com início, desenvolvimento e finalização. Isto representa além da “reorientação do modelo de atenção e uma nova dinâmica da
organização dos serviços e ações de saúde”, a mudança para transferência de
incentivos financeiros fundo a fundo destinados ao PSF, do fundo Nacional
de Saúde para os fundos municipais de saúde.
O governo federal vem apostando na Estratégia Saúde da Família
com iniciativas como as ações de implantação do Piso de atenção Básica
(PAB), a criação de Pólos de Capacitação, Formação e Educação Permanente
dos Profissionais das equipes de Saúde da Família, a criação do Departamento de Atenção Básica e a elaboração do Plano Estratégico para o Desenvolvimento da Saúde da Família no Brasil (MARTINI, 2000).
A capacidade de propor alianças dentro do próprio sistema de saúde
é uma das principais estratégias do Saúde da Família, seja nas ações desenvolvidas com as áreas de saneamento, educação, cultura, transporte, entre
outras. Por ser um projeto reestruturante, precisa provocar uma transformação interna e externa do sistema, com vistas à reorganização das ações e
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 77-82.
serviços de saúde. Essa mudança implica na ruptura da dicotomia entre as
ações de saúde pública e a atenção médica individual, bem como entre as
práticas educativas e assistenciais (BRASIL, 2000).
Estas discussões sobre a Estratégia Saúde da Família nos fazem perceber um movimento conceitual na trajetória histórica do programa até os dias
de hoje em que entendemos a forma de abordagem preventiva de acordo
com as concepções do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, não é
possível omitir ou dispensar os conceitos e crenças geradas nos usuários sobre o PSF, numa perspectiva de compreensão dos mesmos como participantes desse processo e que possuem neste cenário a possibilidade de exercício
de suas autonomias enquanto sujeitos sociais.
O desejo de estudar esta temática partiu da compreensão da Estratégia Saúde da Família como uma tentativa de reorganizar a prática de atenção
à saúde, não mais compreendendo o indivíduo de forma isolada, mas buscando conhecê-lo em sua dimensão histórico-filosófica e como sujeitos de
direito. Tal prática também é entendida como uma maior aproximação entre
profissionais de saúde e usuários, com criação de vínculos e de laços de compromisso e co-responsabilidade entre os mesmos, numa relação interativa,
de forma que o usuário se perceba como parte desse processo.
Significa dizer que a percepção que o usuário constrói a respeito do
programa tem relação com sua maior participação e adesão nos processos
decisórios do cuidar e agir na promoção e prevenção de sua saúde e da sua
comunidade.
Diante dessa nova estratégia, surgiram alguns questionamentos
como: a percepção dos usuários tem sido objeto de estudo na produção
científica atual da área de enfermagem e na estratégia Saúde da Família?
Como será que este aspecto é explorado pelos autores? Há uma análise das
percepções como subsídios para planejamento da assistência em saúde?
Definiram-se então como objetivos buscar na literatura nacional os
artigos publicados no período de 2004 a 2009 a respeito da percepção do
usuário sobre a Estratégia Saúde da Família; verificar como o tema é explorado pelos autores quanto ao ano, fonte, foco de estudo e discutir as conclusões acerca da percepção do usuário sobre a ESF.
É interessante compreender essas concepções e submetê-las a uma
análise crítica e fundamentada, uma vez que o próprio programa sustenta
em seus documentos oficiais que a participação dos sujeitos é uma evidência das ações do cuidado. Isso significa que, ao apreender e compreender
como são elaboradas pelo indivíduo, nos diz como o mesmo participa dos
processos decisórios de sua saúde pessoal, de sua família, de sua comunidade e de como é capaz de exercer melhor sua cidadania.
As ações dentro do programa devem ser direcionadas de forma a
assegurar a eficácia na implantação das políticas públicas do SUS, da promo-
ção da saúde e do fortalecimento das ações comunitárias e até das habilidades pessoais dos profissionais, retificando a relação comunidade e equipe
técnica, valorizando e acolhendo sua forma de pensar, de forma que o usuário se perceba como parte desse processo.
A melhoria da qualidade de vida e saúde e a participação dos usuários nesse processo têm relação entre o que o sujeito pensa e acredita ser a
ESF, uma vez que esta se fundamenta na mudança de comportamento e de
estilo de vida, os quais para serem alcançados, requerem a compreensão do
outro em sua própria perspectiva e significação.
2
METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, desenvolvida com base
em material já publicado sobre o tema. Este tipo de estudo tem a vantagem
de proporcionar ao pesquisador contato com uma variedade de fenômenos
mais amplos, além de servir como fundamento para a utilidade de pesquisas
futuras sobre o estudo em questão (GIL, 2002).
Realizou-se uma revisão dos materiais bibliográficos publicados,
a partir das bases de dados SCIELO (Scientific Electronic Library On Line),
abrangendo publicações nacionais no período de 2004 a 2009 sobre a percepção do usuário a cerca da Estratégia Saúde da Família, verificando como o
tema foi explorado pelos autores, referente ao ano, fonte e foco dos estudos
e discutindo as conclusões das pesquisas.
Para as consultas foram utilizados os descritores: saúde da família;
percepção e atenção à saúde. Ao utilizar estas palavras-chave, encontraramse 135 referencias, mas após análise por meio de leitura seletiva, somente 09
trabalhos se enquadravam nos objetivos do estudo.
3
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Na base de dados SCIELO foram encontradas, no período de 2004 a
2009, 135 publicações sobre a Estratégia Saúde da Família, no entanto, apenas nove se enquadraram nos objetivos do estudo. A produção foi baseada
em torno de dois artigos a cada ano, exceto em 2006 em que não foi registrado publicação.
Quanto ao tipo de estudo, 8 (oito) publicações são de abordagem
qualitativa e 1(uma) quantitativa. Segundo a área profissional dos autores
dos artigos selecionados, observaram-se médicos, enfermeiros, odontólogos, psicólogos, sociólogos e outros não identificados.
Na Tabela 1 são apresentadas as regiões de origem dos artigos analisados. Verifica-se que a maioria dos estudos são resultados de pesquisas nas
regiões sudeste e nordeste.
Tabela 1: Distribuição do número de publicações analisadas, segundo a região de origem.
Região
Norte
Nordeste
Centro-oeste
Sudeste
Sul
Total
Quantidade
1
3
1
3
1
09
Fonte: Base de Dados Scielo 2009
Na Tabela 2 pode ser observado o ano das publicações, fonte e foco
de estudo de cada uma. Verifica-se uma variedade de questões focalizadas
dentro da temática como: atuação, utilidade, avaliação, práticas e desemRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 77-82.
penho da equipe do PSF. Dentre estes artigos, dois destacam a percepção
da mulher e dois especificam a percepção do acesso, da privacidade e da
confidencialidade das informações dentro do programa.
79
Tabela 2: Distribuição das publicações analisadas segundo ano, fonte e foco de estudo.
Ano
Fonte
Revista Brasileira em Promoção da Saúde – RBPS, v. 17, n. 4, p. 163-169,
2004.
Revista da UFG, v..6, n. especial, dez. 2004.
Foco de estudo
2005
Cad. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 13, n. 3, p. 687-704, 2005.
Revista Eletrônica de Ciências Sociais, n.9, p.1-15, set. 2005,
Avaliação do Programa
Desempenho da Equipe
2007
Rev. Bras. Matern. Infant., Recife, v. 7, n.1, p.31-38, jan./mar. 2007.
Práticas de Prevenção
2008
Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 24, n. Sup, p. 148-158, 2008.
Saúde Soc. São Paulo, v.18, n.1, p.42-49, 2008.
Ciência e Saúde Coletiva, v. 13, n. 1, p. 23-34, 2008.
Desempenho das Unidades Básicas com e sem Saúde da Família
Direito a Privacidade e a Confidencialidade das Informações
Avaliação do Programa
2009
Cad. de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 25, n. 5, p. 1054-1062, mai. 2009
Organização da Rede, Cuidado e Práticas.
2004
Atuação da Equipe do PSF
Utilidade do Programa
Fonte: Base de Dados Scielo, 2009.
As principais conclusões emitidas pelos autores dos artigos analisados neste estudo sobre a percepção dos usuários do Programa Saúde da Família
(PSF) estão apresentadas na Tabela 3.
Tabela 3: Distribuição das publicações analisadas, segundo título e discussões do estudo.
Título
Percepção do Usuário sobre a Atuação da
Equipe de Saúde da Família de um Distrito
de Caucaia-Ce.
Discussões
...mudanças quanto a assistência à saúde a partir da implantação do PSF. Foi identificada a necessidade
de melhoria do acesso ao serviço de saúde e que a escuta do usuário é fundamental ao processo de
avaliação e atuação da ESF, pois são capazes de apontar melhorias e desafios.
Percepções da População sobre o Programa
Saúde da Família em Palmas-TO
...confusão na compreensão entre o modelo de saúde tradicional e o atual com necessidade de mais
informações adequadas e suficientes quanto ao funcionamento do PSF e a existência do Conselho da
Saúde. É preciso estruturar o serviço de referência e contra-referência para facilitar o acesso e o retorno
do usuário ao serviço de atenção básica.
Percepção dos Usuários do Programa Saúde
da Família: uma experiência local.
...as percepções demonstram existir distanciamento entre a proposta do programa e a atuação das
equipes com pouca aproximação com a comunidade e desenvolvimento de atividades apenas no
ambiente da unidade básica. Conflito com o propósito da universalidade ao restringir atendimento
somente às pessoas das famílias cadastradas.
O Programa de Saúde da Família (PSF) sob
a ótica dos usuários nas comunidades Santa
Clara e Alto do Céu em João Pessoa-PB.
...alheamento na compreensão do significado da estratégia saúde da família. A grande maioria aponta aspectos positivos na assistência, tais como: as visitas domiciliares, atividades desenvolvidas pelos
agentes comunitários de saúde e a localização de unidade perto de casa. Verificou-se que a maioria
dos profissionais ainda não visualiza os usuários como sujeitos sociais.
Percepção das Usuárias sobre as Ações de
Prevenção do Câncer do Colo do Útero na
Estratégia Saúde da Família em uma Distrital
de Saúde do Município e Ribeirão Preto, São
Paulo, Brasil.
... a percepção das práticas de prevenção foram positivas uma vez que a maioria mostrou satisfação
com os atendimentos realizados. Notou-se também, que, embora considerem a assistência como
acolhedora, percebe-se certo rompimento na criação do vínculo profissional-usuário devido à rotatividade dos estagiários.
Percepção dos Usuários e Profissionais de
Saúde sobre a Atenção Básica: comparação
entre unidades com e sem saúde da família
na Região Centro-Oeste do Brasil.
...diferença entre a avaliação dos usuários e a dos profissionais da saúde e as percepções destes são
mais positivas. Observou-se que para todas as outras dimensões os dados das unidades com saúde
da família são mais favoráveis com exceção da dimensão do acesso. O enfoque familiar e a orientação
comunitária estão mais presentes nas equipes de saúde da família.
A Percepção do Usuário do Programa saúde
da Família sobre a Privacidade e a Confidencialidade de suas Informações.
... os usuários não consideram a entrada do agente comunitário de saúde em suas residências como
uma invasão a sua privacidade por ser visto como facilitador do acesso ao serviço de saúde. Acreditam
que as informações dadas em sigilo podem ser reveladas pelo ACS. Notou-se a importância das relações de gênero e do cuidado quando da revelação de determinadas condições de saúde.
O Programa de Saúde da Família segundo
Profissionais de saúde, gestores e usuários.
...verificou-se que os atores envolvidos no PSF têm expectativas diferentes quanto ao programa. Os
usuários ainda não compreendem a estrutura do programa e tem pouca participação nas atividades
extra-consulta promovidas pela equipe, a qual junto com gestores critica essa atitude por parte dos
usuários.
Práticas em Saúde no Contexto de Reorientação da Atenção Primária no Estado do Rio
de Janeiro, Brasil, na Visão das Usuárias e dos
Profissionais de Saúde.
...ocorre ainda pouca interação entre usuária e profissional. O acesso ao serviço e às ações se diferenciou na unidade de saúde da família pela adstrição da clientela e busca ativa, observando-se a
inexistência de uma rede estruturada de referência e co-referência.
Fonte: Base de Dados Scielo, 2009.
80
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 77-82.
De modo geral, os usuários pesquisados percebem mudanças com
a implantação do programa, embora os resultados apontem para seu
pouco conhecimento no que diz respeito às estratégias traçadas para sua
execução.
Nota-se que na dimensão cognitiva de como percebem a Estratégia
Saúde da Família, o que conseguimos extrair dos resultados é uma dificuldade em visualizar sua estrutura ou identificar com clareza sua lógica de
funcionamento. O programa parece ser, de fato, muito mais identificado a
partir da sua materialização em um Posto de Saúde.
Essa não compreensão pode ser decorrente tanto da pouca participação social dos usuários na gestão e controle do programa como da falta
de iniciativa das equipes em proporcionarem espaços de discussão e interação na comunidade, de forma a estimular o exercício da cidadania ativa
por meio do controle social. Para isso, os profissionais da saúde precisam
se aproximar da comunidade com atividades extra-consultas, de forma sistemática e contínua, mais criativa e em grupo, com estratégias eficientes
para atingir os objetivos de orientação quanto ao funcionamento da estratégia saúde da família, as funções de seus profissionais, direitos e deveres
dos usuários, além das atividades de prevenção e promoção da saúde.
Para Oliveira (2007), a construção da autonomia dos usuários está
contemplada nos princípios e diretrizes do SUS representada pela Estratégia Saúde da Família que tem o potencial de oferecer uma assistência
integral, humanizada, com divulgação de informações de seu próprio funcionamento.
Os autores Rozani e Silva (2008) ressaltam que as ações da gestão
municipal e das equipes precisam estar pautadas num planejamento prévio que preencha as lacunas de comunicação entre profissionais e usuários para efetivação das ações em saúde. Trabalho este que não pode ser
construído exclusivamente dentro da equipe, reproduzindo o modelo de
“pensar por”. O trabalho de planejamento e construção deve ser decidido
com usuários e profissionais.
Ao analisar a percepção dos usuários com a de gestores e profissionais da saúde, observa-se que possuem expectativas diferentes quanto ao
programa. Estes possuem um discurso inovador, destacam como características marcantes do programa: a educação, a assistência e a promoção da
saúde. Por outro lado, os usuários esperam mais especialidades na equipe
e menos encaminhamentos para outros serviços. O que demonstra que
ainda não está claro para a população o processo de descentralização e
hierarquização da rede de serviços.
Em relação ao componente organizacional, os usuários percebem
como insatisfatória a facilidade de acesso ao profissional e às ações de
saúde. Significa que a introdução da saúde da família não implica necessariamente uma melhoria do acesso porque, por um lado, a equipe muitas
vezes é composta com um mínimo de profissionais que não suprem a demanda da comunidade que acaba utilizando o programa para outros tratamentos devido a baixa cobertura assistencial das áreas cobertas pelo PSF;
por outro, destaca-se a pouca integração e incipiente formação da rede de
atenção à saúde como urgência e emergência, hospitais, saúde mental, o
que dificulta o sistema de referência e contra-referência (TAVARES, 2009).
Esse é o resultado de uma estratégia ainda em construção, além
de um problema de gestão, o que provoca na comunidade insegurança
quanto aos encaminhamentos (se estes serão atendidos), diminuição da
credibilidade e baixa expectativa quanto ao serviço oferecido. Em um dos
estudos foi destacada a dimensão relacional como ainda insatisfatória no
atributo aproximação e interação por parte dos profissionais da equipe
com a comunidade assistida. Isso nos permite entender que existe ainda
um distanciamento entre a proposta do programa e a atuação das equipes.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 77-82.
Nesta perspectiva, é preciso redirecionar a organização e distribuição das ações e serviços, estabelecendo como ponto central o estabelecimento de vínculos e a criação de laços de compromisso e de co-responsabilidade entre os profissionais de saúde e a população, esta entendida
a partir do ambiente onde vive e de suas relações intra e extra familiares,
com necessidade de intervenções de maior impacto e significado social
(BRASIL, 1997).
De modo geral, a análise dos dados permite entender que se tem
muito a avançar no sentido de escutar o usuário, estar mais atento a sua
história de vida, ao que podem oferecer e de como podem se organizar
para terem mais participação social. Para isso, é preciso que as equipes
da Estratégia Saúde da Família “rompa os muros das unidades de saúde e
enraíze-se para o meio onde as pessoas vivem, trabalham e se relacionam”
(BRASIL, 1997, p.8).
A prática dos profissionais da saúde dentro da ESF deve ser baseada
no vínculo, no compromisso e a “satisfação do usuário deve ser o objetivo
final de todo o serviço, e a busca do alcance desse objetivo deve fazer
parte de uma avaliação permanente, na qual os usuários expressem suas
expectativas em relação ao serviço e quais têm sido seus resultados” (SANTOS, 1995, p.109).
4
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Avaliando a produção científica sobre a percepção dos usuários da
Estratégia Saúde da Família, verifica-se que as publicações estão mais voltadas para questões como: atuação, utilidade, avaliação, práticas e desempenho da equipe da Estratégia Saúde da Família.
Na percepção dos usuários, constata-se ainda que a implantação
da proposta de uma nova dinâmica para o serviço de saúde, sua relação
com a comunidade e, principalmente, a aplicação cotidiana dos princípios
organizativos do SUS vêm se desenvolvendo de forma lenta, algumas vezes, contrastantes com o que seria atributo desejável para a integralidade.
Ainda não ocorreu a compreensão do processo de descentralização
dos serviços de saúde e nem das contribuições que a Estratégia Saúde da
Família pode oferecer quando se utiliza de práticas inovadoras com ações
em saúde contextualizadas para que o usuário, a partir de um conceito externo vivenciado em suas relações com a equipe e comunidade, possa elaborar e compreender que não basta ter acesso ao atendimento, mas que
este tenha que trazer resolução em relação aos seus problemas concretos e
acreditar no potencial transformador do Estratégia Saúde da Família.
Espera-se que este estudo seja capaz de contribuir para uma reflexão sobre a necessidade de dar direito de voz ao usuário para que esse possa identificar e reconhecer como estão sendo elaboradas sua compreensão
e assimilação do que seja o SUS, de como a Estratégia Saúde da Família se
insere nesta política e de seu papel nesse processo. Assim,juntos, equipes
e usuários, a partir da co-responsabilidade e dos vínculos estabelecidos,
transporão esses entraves que impedem a efetivação de suas ações.
81
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2007.
82
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 77-82.
REVISÃO / REVIEW PAPER / REVISIÓN
Papilomavírus humano - HPV associado ao câncer cervical uterino: uma
revisão da literatura
Human virus papiloma –hvp associated to cervical womb cancer: a literature review.
Papilomavirus humano-hpv asociado al cáncer cervical uterino: una revisión de la literatura
Adriana de Medeiros Santos
RESUMO
Enfermeira. Aluna do Curso de Especialização em Saúde da
Família da Faculdade NOVAFAPI.
Maria Eliete Batista Moura
Pos-Doutora em Enfermagem. Professora da Faculdade
NOVAFAPI. Professora da Graduação e do Programa de
Mestrado da UFPI. [email protected]
Este trabalho tem como objetivo realizar uma revisão da literatura, abordando a infecção pelo Papilomavirus humano - HPV e sua associação com o carcinoma cervical uterino, identificar o risco para
o desenvolvimento do câncer na mulher infectada pelo HPV e conhecer as formas de prevenção
do carcinoma cervical uterino. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica realizada a partir de coleta de
informações obtidas em artigos publicados nos bancos de dados LILAC’S E SCIELO, no período de
2003 a 2008, através dos descritores: HPV, carcinoma e colo do útero. Os resultados mostram que
o Papilomavirus humano - HPV, tem um papel importante na transformação das células cervicais e
desenvolvimento do carcinoma uterino, pois está presente em 99% dos casos e que além da infecção
causada pelo HPV, outros fatores contribuem para essa patologia, e dentre elas estão a idade prematura de início da vida sexual, múltiplos parceiros, tabagismo e co-infecção pelo HPV. Concluímos, portanto, que estratégias de prevenção e promoção da saúde desta infecção viral devem ser buscadas
no sentido de mudar o comportamento sexual, principalmente em relação às doenças sexualmente
transmissíveis.
Descritores: HPV. Carcinoma. Colo do útero.
ABSTRACT
This work aims at realizing a review of the literature, approaching the infection by Human virus
Papiloma - HVP and its association with the womb cervical carcinoma, identify the risk to the development of cancer in the woman infected by HVP and know prevention ways of the womb cervical carcinoma. It treats of a bibliographycal research realized from collecting of informaton got in
published articles in the data bank LILAC’S AND SCIELO, in the period of 2003 to 2008, through the
descriptors: HVP, carcinoma and womb lap. The results showed that the Human Virus Papiloma - HVP,
has an important role in the transformation of the cervical cells and development of the womb carcinoma, certainly is present in 99% of the cases and that beyond of the infection caused by HVP, other
factors contribute to this pathology, and among them are the premature age of sexual life beginning,
multiples partners, tabagism and co-infection by HVP. In conclusion, therefore, prevention strategies
and health promotion of this virus infection must be searched in the sense of changing the sexual,
behavior specially in relation to the sexual transmissible disease.
Descriptors: HPV. Carcinoma. Womb lap.
RESUMEN
Submissão: 17/08/2008
Aprovação: 20/02/2009
Este trabajo tiene como objetivo realizar una revisión de la literatura, abordando la infección por el
Papiloma virus humano - HPV y su asociación con el carcinoma cervical uterino, identificar el riesgo
para el desarrollo del cáncer en la mujer infectada por HPV y conocer las formas de prevención del
carcinoma cervical uterino. Se trata de una pesquisa bibliográfica realizada a partir de coleta de informaciones obtenidas en artículos publicados en bancos de datos LILAC’S E SCIELO, en el periodo de
2003 a 2008, a través de los descriptores: HPV, carcinoma y collo del útero. Los resultados muestran
que el Papiloma virus humano - HPV, tiene un papel importante en la transformación de las células
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 83-88.
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cervicales y desarrollo del carcinoma uterino, pues está presente en 99%
de los casos y que además de la infección causada por el HPV, otros factores contribuyen para esa patología, y entre ellas están la edad prematura
del inicio de la vida sexual, múltiplos compañeros, tabagismo y co-infección por el HPV. Concluimos, por lo tanto, que estrategias de prevención y
promoción de salud de esta infección viral deben ser buscadas en el sentido de cambiar el comportamiento sexual, principalmente en relación a las
enfermedades sexualmente transmisibles.
Descriptores: HPV. Carcinoma. Colo del útero
1
INTRODUÇÃO
O papilomavírus é um vírus DNA, pertence à família papovoviridae
e possui forma icosaédrica não envelopada, com 72 capsômeros; apresenta genoma circular, composto por dupla fita de DNA, com comprimento
de 7900 kilobases e massa molecular de 5x 106 dáltons. A classificação do
HPV é feita primeiramente pela espécie de hospedeiro natural (humano,
bovino, vírus de Shope) e subclassificado em tipos, de acordo com a organização das sequências de nucleotídeos de DNA. Estudos têm sido feitos
para a descrição do HPV. Enquanto um novo subtipo de HPV é definido
como tendo carga viral com 90 a 98%. Até o momento, mais de 120 tipos
de papilomavírus humano foram descritos (QUEIROZ; CANO; ZAIA, 2007).
O papilomavirus humano (HPV) é um DNA-vírus do grupo papovavírus. Estão divididos em 2 grupos, de acordo com seu potencial de oncogenicidade. Os tipos de alto risco oncogênico,
quando associados a outros co-fatores, Tem relação direta com
o desenvolvimento de neoplasias intra-epiteliais e do câncer
invasor do colo uterino, da vulva, da vagina e da região anal.
(BRASIL, 2006).
A relação entre o câncer cervical e infecção por papilomavírus humano (HPV) é bem estabelecida. O DNA do HPV de alto risco é detectado na maioria dos espécimes (92,9% a 99,9%) de câncer cervical invasivo
(RAMA et al., 2008). De acordo com Caetano et al. (2006), o carcinoma que
acomete o colo uterino é uma das neoplasias mais comuns em mulheres
em todo o mundo e, no Brasil, encontra-se como a quarta causa de morte
por câncer em mulheres, sendo o tipo mais comum em algumas áreas
menos desenvolvidas do país.
A infecção pelos tipos virais de alto risco do HPV é condição necessária, porém não suficientemente para desenvolvimento do câncer cervical (RAMA et al. 2008). O prognóstico no câncer de colo uterino depende
muito da extensão da doença no momento do diagnóstico, estando sua
mortalidade fortemente associada ao diagnóstico tardio em fases avançadas (CAETANO et a., 2006).
Relatos mostram que no desenvolvimento do câncer cervical, o
HPV é fator determinante. Dentre as principais formas de surgimento para
a carcinogênese estão o epitélio de transição cervical, a presença de um
ou mais dos 12 a 18 tipos oncogênicos, a persistência da infecção viral e a
progressão clonal do epitélio com infecção persistente para pré-câncer e
invasão (NADAL; MANZIONE, 2006). No Brasil, o câncer cervical representa o terceiro mais frequente entre mulheres, sendo que mais de 70% dos
diagnósticos ocorrem em fase avançada da doença (BRASIL, 2001).
Segundo Silva et al. (2006), entre os fatores de risco para o aparecimento do câncer cervical uterino e de suas lesões percussoras estão a
infecção cervical por tipos oncogênicos do papilomavírus humano (HPV),
a qual tem sido bem estabelecida dentro dos critérios de causalidade.
Os métodos diagnósticos das lesões induzidas por HPV são mor84
fológicas e incluem o exame clínico, a colposcopia, a citologia oncológica
e a histologia. Já a infecção por HPV propriamente dita inclui os métodos
biológicos (RAMA et al. 2006).
De acordo com Rama et al. (2006) o papanicolau é um teste de
rastreamento que vem sendo empregado a mais ou menos 50 anos, sua
introdução reduziu de forma espetacular os índices de mortalidade por
câncer cervical. Caetano et al. (2006) define o teste de Papanicolau como
capaz de detectar o câncer em fase pré-maligna ou incipiente, quando
é curável com medidas relativamente simples. Ainda que seja um exame
rápido, sua técnica de realização é vulnerável a erros em sua preparação na
lâmina e a incompleta interpretação dos dados.
As infecções pelo papilomavírus humano (HPV) são disseminadas
e ocorrem em todo o mundo. Os HPVs infectam a pele e as mucosas e
podem induzir a formação de tumores benignos e malignos (CASTRO;
BUSSOLOTI, 2006). Por isso, o incentivo à prevenção através dos exames é
importante, pois quanto mais precoce a infecção for detectada mais fácil
obter a cura com tratamento adequado.
1.1
Objetivo
Realizar uma revisão da literatura, abordando a infecção pelo Papilomavirus humano e sua associação com o carcinoma cervical uterino.
1.2
Justificativa
Considerando as evidências da associação da infecção por HPV com
o desenvolvimento do câncer de colo do útero assim como sua ampla distribuição e alta incidência na população humana, percebi a relevância da
temática e a necessidade de realizar o presente estudo com o intuito de
servir de subsídio para os profissionais da saúde.
2
METODOLOGIA
A realização deste trabalho desenvolveu-se através de uma pesquisa bibliográfica, a qual constitui uma excelente técnica para fornecer ao
pesquisador a bagagem teórica, de conhecimento, e o treinamento científico que habilitam a produção de trabalhos originais e pertinentes. Segundo Marconi e Lakatos (2001), pesquisa bibliográfica é todo documento
de bibliografia já publicada, em livros, revistas, imprensa escrita, cuja finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo aquilo que foi
escrito sobre determinado assunto.
A pesquisa foi realizada a partir de coleta de informações obtidas
em artigos científicos veiculados nacionalmente, pesquisados na base de
dados LILAC’S E SCIELO. Estes foram selecionados por data e ano de publicação, entre os anos de 1999 e 2008. A este estudo foi acrescido ainda
informações pesquisadas em referências bibliográficas (livros) relacionadas
com o tema.
Na localização deste trabalho, foi necessário utilizar alguns descritores em ciência da saúde como: HPV, câncer, colo uterino e prevenção.
Uma pesquisa tem como objetivo conhecer e explicar os fenômenos que ocorrem no mundo existencial, a mesma sempre parte de um
tipo de problema, de uma interrogação, respondendo, assim, às necessidades de conhecimento destes (MARCONI; LAKATOS, 2001). Portanto, tratase de uma pesquisa do tipo descritiva, retrospectiva, onde destacou-se
informações gerais a cerca de HPV, bem como conceito, prevenção, tratamento, exame citológico, visando uma melhor apresentação do conteúdo
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selecionado.
Neste trabalho, foi construído um banco de dados através do
levantamento de 20 artigos encontrados a partir dos descritores utilizados
no mesmo.
Em virtude da natureza da pesquisa, não foi necessária a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa.
3
APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
A pesquisa mostra que o vírus do papiloma humano (HPV) tem um
papel importante na transformação das células cervicais e desenvolvimento do carcinoma uterino, pois ele está presente em 99% dos casos. E que,
além da infecção causada pelo HPV, outros fatores contribuem para essa
patologia, dentre elas estão a idade prematura de início da vida sexual,
múltiplos parceiros, tabagismo e co-infecção pelo HPV.
Estratégias na prevenção e promoção da saúde desta infecção
viral devem ser buscadas no sentido de mudar o comportamento sexual,
principalmente em relação a doenças sexualmente transmissíveis (WOLSCHICK et al.,2007).
Há uma grande necessidade do desenvolvimento de vacinas para o
tratamento de infecções já constatadas ou condições pré-malignas. A vacinação terapêutica deve ser utilizada em estágios iniciais da doença, para
evitar doença residual após cirurgia ou para controlar lesão intra-epitelial
escamosa (WOLSCHICK et al.,2007).
Hoje o papel do profissional da saúde, principalmente os atuantes na área de oncologia, não deve se resumir em ajudar a família na
convivência com a morte. Cabe a ele dar suporte às pacientes que enfrentam esta doença, pois o tratamento é prolongado e é passível de efeitos
adversos. Portanto, deve-se dar atenção à mulher e sua família no conjunto
de transformações sociais e pessoais que a doença ocasiona.
3.1
O HPV e seus aspectos epidemiológicos
Em 1999, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estimou um total
de 340 milhões de casos novos por ano de DST curáveis em todo o mundo,
em pessoas entre 15 e 49 anos, 10 a 12 milhões destes casos foram constatados no Brasil. Ainda, segundo a OMS ocorrem anualmente milhões de
DST não curáveis, entre elas, o herpes genital (HSV-2), infecções pelo papilomavirus humano (HPV), hepatite B (HBV) e infecção pelo HIV (BRASIL,
2006).
O Papilomavírus humano (HPV) faz parte de uma grande família de vírus, os papovaviridae. É formado por um capsídeo que possui 72
capsômeros de estruturas icosaédricas, não possui envelope lipoprotéico
em uma única molécula circular dupla de DNA. Eleutério Junior et al. (2007)
mostram que o tipo 16 é o que mais acomete todo o mundo e isso independe da gravidade da lesão escamosa e, em geral, os HPV identificados
como de alto risco prevalecem em mulheres imunocompetentes em cerca
de 20% dos quadros histológicos negativos (CASTRO; BUSSOLOTI, 2006).
Os HPVs são encontrados em muitos vertebrados como anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Geralmente, cada tipo de papilomavírus
é específico para cada espécie, tipo de epitélio e localização anatômica
(QUEIROZ; CANO; ZAIA, 2007).
O HPV resulta em 99,7% dos casos de câncer cervical do mundo
inteiro, possuindo cerca de 200 tipos de HPV que já foram identificados
através da análise de seqüência de DNA, e 85 genótipos do HPV foram
bem caracterizados até agora. Os HPVs genitais tendem a infectar o epitélio escamoso e as membranas mucosas da cérvice, da vagina, da vulva, do
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pênis e da região perianal, podendo resultar no aparecimento de verrugas
anogenitais, lesões intra-epiteliais escamosas pré-cancerosas ou cânceres
(WOLSCHICK et al, 2007).
O HPV de mucosa apresenta-se em três tipos de riscos, dependendo da lesão à qual está associado: alto, intermediário e baixo. Tipos de alto
risco são frequentemente associados ao câncer cervical, enquanto que os
tipos de baixo risco são comumente apresentados em verrugas genitais
(RIVOIRE et al. 2006).
O surgimento do HPV veio como a principal suspeita ao ser encontrada em cerca de 90% dos cânceres cervicais e por possuírem oncogenes
(E6 e E7) com potencial de transformação (RIVOIRE et al., 2006). Analisando
seu mecanismo oncogênico, notou-se que as proteínas E6 e E7, produzidas pelo HPV de alto risco, são as responsáveis pela transformação maligna
por causa de sua habilidade em ligar-se e inativar as proteínas supressoras
tumorais p53 e pRb do hospedeiro, respectivamente (FEDRIZZI et al. 2004).
Nos últimos 20 anos, de acordo com estudos epidemiológicos das
lesões cervicais uterinas, observou-se a participação de agentes carcinogênicos venéreos (sêmen, citomegalovírus, herpes simples tipo II). O HPV
surgiu como principal suspeita por ser encontrado em cerca de 90% dos
cânceres cervicais (RIVOIRE et al. 2006). São vários tipos de HPV que estão
associados ao câncer do colo do útero, porém o HPV 16 e o 18 são os tipos
mais comumente associados a lesões malignas do colo. Com isso, a infecção é geralmente crônica, mesmo se apresentando na adolescência, quando o sistema imunológico está francamente ativo (UCHIMURA et al., 2005).
3.2
Modo de transmissão
A transmissão do HPV pode ser pelas vias sexual, não-sexual (familiar, nasocomial ou por fômites) ou materno-fetal, podendo ser gestacional, intra e periparto. Destas, a via sexual é a que apresenta maior número
de casos. Na via não-sexual, é provável que o HPV possa ser transmitido por
toalhas, roupas íntimas, instrumentos ginecológico – quando não esterilizado adequadamente (QUEIROZ; CANO; ZAIA, 2007).
A grande maioria das mulheres infectadas pelo HPV são assintomáticas e auto-limitadas e somente 10 a 20% apresentam anormalidades
citológicas. Atualmente, a preocupação é ainda maior com a melhoria do
diagnóstico da infecção por HPV (WOLSCHICK et al. 2007).
Na fase da inoculação (fase 0) o vírus penetra no hospedeiro através
de microtraumatismos. Seu genoma é então transportado para o núcleo
das células basais onde irá ocorrer tanto a tradução quanto a transcrição.
O período de incubação (fase 1) que está relacionado com estado imunológico de cada indivíduo, varia de 2-3 semanas a 8 meses e sua progressão
depende de três fatores: do estado imunológico do hospedeiro, do tipo de
vírus e da permissividade celular. Na fase 2 (fase precoce) aproximadamente 3 meses após o surgimento das primeiras lesões, ocorre uma resposta
imune podendo conter a infecção, onde pode ocorrer a regressão ou então, se a resposta for insuficiente para eliminá-la, pode acontecer a fase de
expressão ativa. Já na fase tardia (fase 3) que acontece cerca de 9 meses
após o aparecimento das primeiras lesões pode ocorrer a recidiva, expressando doença ativa ou a continuidade da remissão (potencial infectante)
(QUEIROZ; CANO; ZAIA, 2007).
A infecção pelo HPV não ocorre suficientemente para a carcinogênese. A progressão tumoral do câncer ocorre em pequena porcentagem
nos indivíduos infectados e ocorre devido a estímulos por metágenos químicos, físicos e infecciosos. A entrada do vírus nas células basais do epitélio
se dá pelo surgimento de três eventos: (1) DNA viral é mantido na forma
epissomal, estabelecendo uma infecção latente; (2) conversão da infecção
85
latente em produtiva, a qual associa-se com a montagem de partículas virais completas; (3) o DNA viral integra-se ao genoma da célula hospedeira
(WOLSCHICK et al.,2007).
Para que ocorra a indução da infecção pelo HPV é necessário trauma no epitélio. Os locais mais comuns para o desenvolvimento da infecção
são as áreas sujeitas à abrasão no momento do ato sexual, como o intróito
posterior nas mulheres e o prepúcio, nos homens. A infecção pelo HPV no
trato genital inferior pode ocorrer: infecção clínica, que pode ser evidenciada a olho nu; nas regiões perianais e genitália externa aparece o condiloma
acuminado ou condiloma esofítico. Macroscopicamente, a lesão aparece
em forma de cristas, coberta por um epitélio hiper e paraceratótico e localizam-se em áreas úmidas especialmente nas expostas ao atrito sexual;
a infecção subclínica é vizualizada através de colposcópico após aplicação
de ácido acético a 5% no canal vaginal e no colo uterino, caracterizando-se
pela presença de condiloma e infecção latente que é evidenciada somente
através de técnicas de biologia molecular. Onde não há forma de lesão, somente o vírus pode ser detectado. A infecção pelo HPV, depois de instalada, pode estacionar, regredir ou progredir e transformar-se, dando origem
às displasias e/ou carcinomas (QUEIROZ; CANO; ZAIA, 2007).
3.3
Fatores de risco
Os fatores de risco para aquisição de infecção pelo HPV são: idade, onde a maior incidência ocorre entre os vinte e quarenta anos, e que
coincide com o pico da atividade sexual no qual existe uma associação
entre idade do início da atividade sexual e números de parceiros; tabagismo que diminui significativamente a função e quantidade das células de
Langherans, responsáveis pela ativação da imunidade celular local contra
HPV, dentre outros fatores como anticoncepcional oral, infecções genitais
transmitidas sexualmente ou não, Gardinerella Vaginalis, doenças sexualmente transmissíveis como herpes e clamídia (MARANA; DUARTE; QUINTANA, 1999).
A maior incidência de infecção pelo HPV ocorre entre os vinte e
quarenta anos de idade e é considerada uma doença sexualmente transmissível, onde fatores como vários parceiros e início precoce da atividade
sexual aumentam a probabilidade de infecção. Cerca de 75% da população sexualmente ativa entra em contato com um ou mais tipo de HPV
durante sua vida, porém na maioria dessas infecções são eliminados pelo
sistema imune e não desenvolvem sintomas no hospedeiro (MARANA; DUARTE; QUINTANA, 1999).
O aparecimento do câncer cervical está mais relacionado à infecção
pelo HPV e a fatores coexistentes, pois estes favorecem a persistência da
infecção, entre os quais: tabagismo, uso de contraceptivos orais, antecedente de múltiplos parceiros sexuais, multiparidade, início precoce das
relações sexuais e déficit nutricional e imunológico, além de fatores genéticos (SILVA et al.,2006).
3.4
Diagnóstico e prevenção
O diagnóstico da infecção pelo HPV apresenta-se frequentemente
durante a gravidez, em mulheres jovens com múltiplos parceiros sexuais,
com início da atividade sexual antes dos 18 anos de idade, nas fumantes e
usuários de anticoncepcionais hormonais (MURTA et al., 1999).
O conhecimento dos mecanismos que envolvem a ampogênese
cervical tem sido possível por causa de novas técnicas de biologia molecular. Essas técnicas permitem a identificação de grupos de HPV de alto ou
baixo risco ou identificação de tipos virais específicos (RIVOIRE et al. 2006).
86
O Brasil tem hoje um rápido envelhecimento populacional, que
se dá em maior escala nas mulheres, que morrem mais por doenças cardiovasculares e neoplasias malignas, onde se destaca o câncer de colo do
útero. O exame papanicolau é de extrema importância para diminuição
da morbimortalidade feminina por câncer de colo uterino. Este exame é
de baixo custo, fácil aplicabilidade, sem nenhum ônus e prejuízo para o
paciente (YASSOYAMA, SALOMÃO, VICENTINI, 2005).
As lesões oriundas de infecção pelo hpv provocam alterações morfológicas características, que podem ser detectáveis em citologia de raspados cervico-vaginais e biópsias. Dessa forma, são muito importantes os
exames rotineiros de detecção precoce de câncer através de esfregaços
corados pelo método papanicolau. O exame citológico periódico usado
na prevenção do câncer cervical tem sido uma grande estratégia de saúde
pública para detectar lesões pré-neoplásicas e neoplásicas, sendo também
muito útil na identificação de alterações citomorfológicas relacionadas ao
HPV (JORDÃO et al. 2003).
O Papanicolau é um exame citopatológico recomendado como
método de busca de grandes populações com a finalidade de detectar
lesões pré-malignas e maligna. Porém, tal exame apresenta limitações com
relação a sensibilidade para a detecção das lesões pré-malignas (WOLSCHICK et al., 2007).
3.5
Tratamento
A NIC é considerada lesão precursora do câncer cervical, no entanto
muitas lesões podem regredir espontaneamente. Estudos com seguimentos longos mostram que apenas cerca de 11% das NIC 1 progridem para
a NIC 2 ou 3 e, dessa forma, existe um dilema: qualquer terapia pode ser
considerada exagerada, com estresse desnecessário e custos adicionais,
mas deixar um NIC 1 sem tratamento pode predispor a mulher a um risco
maior de desenvolver câncer invasor (DERCHAIN; LONGATTO FILHO; SYRJANEN, 2005).
A conduta imediata nos casos de diagnóstico de lesão pré-maligna cervical inicia com o resultado citológico atípico. As mulheres com
lesões em alto grau devem ser encaminhadas para investigação posterior,
devendo sempre ser tratadas (WOLSCHICK et al.,2007).
Alguns médicos optam por realizar seguimento cuidadoso com visitas semestrais, incluindo coleta de nova citologia e colposcopia , porém,
esta conduta só pode ser considerada quando a citologia apresentar lesão
intra-epitelial de baixo grau, a colposcopia satisfatória e a biópsia confirmar
NIC 1. Infelizmente, não existe ainda um marcador para identificar a mulher
de maior risco para progressão. Desta forma, qualquer tratamento ablativo
como cauterização elétrica, a laser ou por crioterapia ou mesmo excisional,
como excisão da zona de transformação ou com bisturi a frio é aceitável
diante do NIC 1 com colposcopia satisfatória(DERCHAIN; LONGATTO FILHO; SYRJANEN, 2005).
Somente uma pequena proporção das lesões leves e moderadas evolui para o câncer invasivo, porém o risco de avanço de uma
anormalidade celular cervical severa para o câncer é de pelo menos 12%
(WOLSCHICK et al, 2007). O tratamento para o câncer diagnosticado pode
ser realizado de diversas formas, tais como:
. Métodos cirúrgicos: divide-se em (a) técnicas ablativas como a
crioterapia e a vaporização a laser de CO2 que são feitas nas lesões intraepiteliais não-invasivas identificadas apenas microscopicamente, e (b) a
técnica excisional, trata-se da conização que é a retirada de cone tecidual
incluindo o orifício externo do colo uterino, a junção escamocolunar e a
zona de transformação (WOLSCHICK et al.2007).
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 83-88.
. Radioterapia: esta utiliza radiação ionizante para ajudar no tratamento do câncer e algumas doenças benignas. Ela atua no DNA das células, impedindo-a de se multiplicar e/ou facilitando sua morte direta por
apoptose. Trata-se de um tratamento direto na célula maligna, sendo uma
das formas mais utilizadas no tratamento do câncer de colo do útero, associada ou não à cirurgia (FRIGATO; HOGA, 2003).
. Vacinas: estão sendo desenvolvidos atualmente dois tipos que
são (a) as profiláticas que previnem o hospedeiro de adquirir a infecção
pelo HPV e (b) as terapêuticas que vão agir como curativas na regressão
de lesões pré-malignas ou do câncer de colo avançado (WOLSCHICK et
al.,2007).
. Quimioterapia: age tanto nas células normais quanto nas neoplásicas e atinge principalmente as células que possuem uma reprodução
mais rápida, como as da medula óssea, da mucosa intestinal e dos folículos
pilosos. Possui ação nociva contra as células normais, acarretando muitos
efeitos colaterais. É utilizada como tratamento adjuvante à radioterapia por
proporcionar sucesso na associação (FRIGATO; HOGA, 2003).
A histerectomia foi muito utilizada no passado para o tratamento
do carcinoma, mas com o reconhecimento maior da doença e a descoberta de novos métodos mais conservadores tem diminuído o seu emprego a
poucas circunstâncias e, principalmente, quando existe patologia uterina
associada (WOLSCHICK et al.,2007).
Nas lesões de alto grau, histologicamente confirmadas,toda a zona
de transformação deve ser retirada. Não é recomendado o tratamento
ablativo, pois não permite uma avaliação histilógica. A excisão da zona
de transformação é o tratamento de eleição, tanto para o tratamento da
NIC 1 ou 3 quanto para detecção de microinvasão ou lesões glandulares.
A conização pode ser realizada por bisturi a frio ou a laser e, mais recentemente e amplamente divulgado, por alça diatérmica. A infecção por HPV
é frequentemente eliminada após tratamento da NIC 2 ou 3, sendo que
a persistência viral é o principal fator associado à recorrência da doença
(DERCHAIN; LONGATTO FILHO; SYRJANEN, 2005).
3.6
Relação do HPV com o câncer cervical uterino
O papilomavírus humano (HPV) possui um papel estrutural no
crescimento e desenvolvimento do câncer cervical, segundo evidências
clínicas e experimental. Sabe-se, portanto, que a carcenogênese trata-se
de um processo de múltiplas etapas. Mudanças no equilíbrio citogenético
acontecem no momento da transformação do epitélio cervical normal em
câncer. Vários estudos defendem a hipótese de que a infecção por HPV
está associada ao desenvolvimento de alterações malignas e pré-malignas
do trato genital inferior (RIVOIRE et al., 2006).
A estimativa do Ministério da Saúde, segundo pesquisa elaborada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), para o ano de 1999, foi de
104.200 óbitos e 261.900 casos novos de câncer, onde o câncer de mama
ocupa o segundo lugar e o câncer de colo do útero o terceiro lugar em
incidência e o quarto em mortalidade.
O câncer de colo de útero trata-se de um verdadeiro problema para
a saúde pública nos países em desenvolvimento, onde programas organizados de rastreamento não existem ou são esporádicos e de baixa qualidade (CORDEIRO et al. 2005).
O Câncer de colo uterino tem uma evolução lenta, representando
fases pré- invasivas e, portanto, benignas. Desta forma, o período de evolução de lesão cervical inicial para a forma invasiva ,e portanto maligna, é
cerca de 20 anos (BARROS; LOPES, 2007).
Vários tipos de HPV estão associados ao câncer do colo do útero,
porém o HPV 16 e o 18 são os tipos mais comumente associados a lesões
malignas do colo. Com isso, a infecção é geralmente crônica, mesmo se
apresentando na adolescência quando o sistema imunológico está francamente ativo (UCHIMURA et al., 2005).
4
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados do presente estudo mostraram a grande incidência
da infecção do vírus HPV em mulheres e sua importante relação com o
diagnóstico do carcinoma uterino. Constatou-se que em 99% dos casos
desse câncer o HPV se faz presente.
A prevenção feita através do exame Papanicolau mostrou-se de
grande importância, por ser um exame rápido e de diagnóstico fácil no
caso de alterações presentes no colo do útero. E, juntamente com o exame,
o fornecimento de orientações de medidas preventivas para identificação
dos primeiros sintomas.
Os estudos concluíram, ainda, que o câncer de colo uterino
relacionado ao papilomavírus humano é uma patologia passível de prevenção e que pode ser efetuada através da erradicação do HPV, detecção
e tratamento precoce das lesões precursoras, assim como através da conscientização das mulheres para que elas possam aderir aos programas de
controle.
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Ago 2009.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina 2009 Abr-Mai-Jun; 2(2): 83-88.
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Depoimentos: seguir as mesmas regras das citações, porém em itálico. O código que representa cada depoente deve ser apresentado entre
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tanásia In: _____.Distanásia: até quando prolongar a vida?
São Paulo: Loyola, 2001. p.67-93.
Congressos, simpósios, jornadas, etc.
CONGRESSO BRASILEIRO DE EPIDEMIOLOGIA, 5., 1999, Rio
de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro:ABRASCO, 1999.
Trabalhos apresentados em congressos, simpósios, jornadas, etc.
Citações no texto: Nas citações, as chamadas pelo sobrenome do
autor, pela instituição responsável ou título incluído na sentença devem
ser em caixa-alta baixa, e quando estiverem entre parênteses caixa-alta. Ex.:
SOUZA, G. T. Valor proteíco da laranja. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE NUTRIÇÃO. 3., 2000, São Paulo. Anais...São Paulo:
Associação Brasileira de Nutrição. 2000. p.237-55.
Exemplos:
Dissertações, Teses e Trabalhos acadêmicos
Conforme Frazer (2006), a música sempre foi o ponto central na vida
de Madame Antoine
“No caso de Madame Antoine, o gosto pela música foi, desde a infância, central em sua vida.” (FRASER, 2006, p.37)
As citações diretas, no texto, de até três linhas, devem estar contidas
entre aspas duplas. As aspas simples são utilizadas para indicar citação no
interior da citação. Ex:
“Ele se conservava a estibordo do passadismo, tão longe quanto
possível” (CONRAD, 1988, p.77)
As citações diretas, no texto, com mais de três linhas, devem ser
destacadas com recuo de 4 cm da margem esquerda, espaço simples, com
letra menor que a do texto utilizado e sem as aspas. No caso de documentos datilografados, deve-se observar apenas o recuo. Ex:
A sete pessoas, Daniel Seleagio e sua mulher Giovanni Durant, Lodwich Durant, Bartolomeu Durant, Daniel Revel e
Paulo Reynaud, encheram a boca de cada um com pólvora,
a qual, inflamada, fez com que suas cabeças voassem em
pedaços (FOX, 2002, p.125)
LISTAGEM DAS REFERÊNCIAS - EXEMPLOS
Livros como um todo
SILVA, A. F. M. Genética humana. 7.ed. Rio de Janeiro: Livros
Técnicos e Científicos, 2005. 384p.
BUENO, M.S.S. O salto na escuridão: pressupostos e desdobramentos das políticas atuais para o ensino médio. 1998 f.
Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Filosofia e
Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília.
Publicações periódicas consideradas no todo (relativo à coleção)
CADERNOS DE SAÚDE PÚBLICA. Rio de janeiro: Fiocruz,
1965- . Semestral
Artigo de publicações periódicas
LIMA, J. Saúde pública: debates. Revista Saúde. Rio de Janeiro, v.18, n.2, p.298-301, nov.1989.
Partes de revista, boletim, etc.
Inclui volume, fascículo, números especiais e suplementos, entre
outros, sem título próprio. Ex:
VEJA. São Paulo: Abril, n.2051, 12 mar. 2008. 98p.
Artigo de Jornal
ALVES, Armando. Minha Teresina não troco jamais. Meio
Norte, Teresina , 16 ago. 2006. Caderno 10, p. 16.
Legislações - Constituição
BRASIL. Código civil. 46. ed. São Paulo: Saraiva, 1995
Capítulo de livro
Leis e decretos
a.
b.
90
Autor do capítulo diferente do responsável pelo livro no
todo.
ANJOS, M. F. dos. Bioética: abrangência e dinamismo. In:
BARCHIFONTAINE, Christian de Paul de; PESSINI; Leo. Bioética: alguns desafios. São Paulo: Loyola, 2001. p.17-34.
Único autor para o livro todo – Substitui-se o nome do autor
por um travessão de seis toques após o “In.”:
PESSINI, L. Fatores que impulsionam o debate sobre a dis-
BRASIL., Decreto n.89.271, de 4 de janeiro de 1984. Dispõe
sobre documentos e procedimentos para despacho de aeronave em serviço internacional. Lex: Coletânea de Legislação
e Jurisprudência. São Paulo, v.48,p.3-4, jan./mar. 1984.
Documentos em Meio Eletrônico
Artigos de periódicos (revistas, jornais, boletim)
SOUZA. A. F. Saúde em primeiro lugar. Saúde em Foco,
Campus, V.4 n.33. jun.2000. Disponível em: www.sus.inf.br/
frame-artig.html. Acesso em: 31 jul.2000.
XIMENES, Moacir. O que é uma biblioteca pública. Diário do
Povo do Piauí, Teresina, 11 mar. 2008. Disponível em: http://
www.biblioteca.htm. Acesso em: 19 mar. 2008.
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discussion and final conclusions.
Reviews: systemized critical evaluations of scientific literature or
opinions about certain subjects, with conclusions. The procedures adopted and the delimitation of the theme should be included. Its length is
limited to fifteen pages.
Original case studies: evaluated studies, or brief notes on research
containing new and relevant subjects, they should follow the same norms
as the original articles and are limited to five pages.
The Student Page: dedicated to publishing articles developed by
undergraduate students. These articles will have footnotes written by supervising professors. Their presentations follow the same norms as those
demanded by the original articles, limited to five pages.
All manuscripts will be turned in with an information sheet which will have the names of the authors, their academic backgrounds, employers, current positions, complete addresses and e-mails. One of the
authors will take responsibility for any needed correspondence.
Once the article is accepted for publication, it is with the condition
that the copyright belongs exclusively to the magazine, (see attachment).
The papers will be evaluated by the Editorial Council, and the Publishing Commission. The articles that are rejected will not be returned.
The authors will receive a written explanation for the refusal.
All concepts, ideas, and prejudices contained in the publications are
the sole responsibility of its authors.
In research involving persons, the authors should clearly state whether or not their project was approved by the Research Ethics Committee
(CEP) It is also necessary to show clearly that the participants involved give
their total consent, in accordance with resolution number 196 of the National Health Council of October 10, 1996.
THE FORM AND PREPARATION OF THE MANUSCRIPT
The Interdisciplinary Magazine recommends that the papers follow
the orientations of the norms of the ABNT to make a list of references and
indicate them together with the quotes.
THE MANUSCRIPTS
Three copies of the manuscript should be printed, and one put on
CD with an archive developed on the MS WORD TEXT EDITOR.
The Identification Page: title and subtitle of the article with a maximum of fifteen words, concise, though informative, in three languages
(Portuguese, English and Spanish);with the name(s) of the author(s), six
maximum, their university status, position(s), the name of the institution
the work should be attributed to, city, state, complete address, including
the e-mail of the researcher responsible for the group.
The Abstracts and Key words: the abstract, written in the three
languages mentioned above, should contain one hundred to two hundred
words, be single spaced, stating the objective of the research, methodology, along with the main results and conclusions. The newest and most
important aspects of the study should be emphasized. Underneath the
abstract should be three to five keywords related to the theme. The three
abstracts will be presented in sequence on the first page, including titles
and keywords in their respective languages.
The Illustrations: Charts should be consecutively numbered using
algorisms, in the order which they are mentioned in the text, charts use
only one set of numerations for the whole text. The same should be done
for any images (Photographs, designs, graphics, etc) they are to follow the
same rules as mentioned for charts.
The Footnotes: should be mentioned in alphabetical order, appe93
aring at the beginning of the page, and be restricted to three footnotes
per article.
Testimonies: follow the same rules as quotes, but are in italics. The
code which each testimony represents should be in parenthesis, and unmarked.
Quotes in the text:
Examples
In the quotes where the last name of the author, or the responsible
institution is mentioned, the name should begin with a capital letter, the
rest small., but when in parenthesis should be completely in Capital letters..
According to Frazer (2006), music was always a main part of Madame Antoine’s life.
“In the case of Madame Antoine, her love of music was, since childhood, a main part of her life” (FRASER, 2006, p.37)
Direct quotes of up to three lines in the text, should be between
double quotation marks. Singular quotation marks are to be used for quotes within quotes. Ex:
“He maintained himself to the starboard of living in the past, as far
away as possible.” (CONRAD, 1988, p.77)
Direct quotes from the text with more than three lines, should have
a left margin of 4 cm, be single spaced, with a smaller sized letter than the
text, and without quotation marks, in the case of typed documents, the
margin is all that must be done. Ex:
Congresses, symposiums, etc.
CONGRESSO BRASILEIRO DE EPIDEMIOLOGIA, 5, 1999, Rio de
Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: ABRASCO, 1999.
Work presented in congresses, symposiums, etc
SOUZA, G. T. Valor proteíco da laranja. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE NUTRIÇÃO. 3., 2000, São Paulo. Anais...São Paulo:
Associação Brasileira de Nutrição. 2000. p.237-55.
Dissertations, Theses and Academic papers.
BUENO, M.S.S. O salto na escuridão: pressupostos e desdobramentos das políticas atuais para o ensino médio. 1998 f.
Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Filosofia e
Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília. 5
Periodical Publications considered as one.
CADERNOS DE SAÚDE PÚBLICA. Rio de janeiro: Fiocruz,
1965- . Semestral
Publication of a periodical article
LIMA, J. Saúde pública: debates. Revista Saúde. Rio de Janeiro, v.18, n.2, p.298-301, nov.1989.
Parts of a magazine, bulletin, etc.
Include volume, number, and special editions, without a specific title,.:
VEJA. São Paulo: Abril, n.2051, 12 mar. 2008. 98p.
The seven people, Daniel Seleagio and his woman Giovanni
Durant, Lodwich Durant, Bartolomeu Durant, Daniel Revel
and Paulo Reynaud, filled their mouths with gunpowder,
which when lit, blew their heads apart. (FOX, 2002, p.125)
REFERENCE LISTS - EXAMPLES
Articles from Journals
ALVES, Armando. Minha Teresina não troco jamais. Meio
Norte, Teresina , 16 ago. 2006. Caderno 10, p. 16.
Legislations – Constitution
Entire Books
BRASIL. Código civil. 46. ed. São Paulo: Saraiva, 1995
SILVA, A. F. M. Genética humana. 7. ed. Rio de Janeiro: Livros
Técnicos e Científicos, 2005. 384p.
The Chapter of a Book
a.
b.
94
The author of the chapter not being the author of the book
ANJOS, M. F. dos. Bioética: abrangência e dinamismo. In: BARCHIFONTAINE, Christian de Paul de; PESSINI; Leo. Bioética: alguns desafios. São Paulo: Loyola, 2001. P.17-34.
The book having only one author – substitute the name of
the author with an underline of six spaces after the word IN:
PESSINI, L. Fatores que impulsionam o debate sobre a distanásia In: _____.Distanásia: até quando prolongar a vida?
São Paulo: Loyola, 2001.p.67-93.
Laws and Decrees
BRASIL, Decreto n.89.271, de 4 de janeiro de 1984. Dispõe
sobre documentos e procedimentos para despacho de aeronave em serviço internacional. Lex: Coletânea de Legislação
e Jurisprudência. São Paulo, v.48,p.3-4, Jan./mar. 1984.
Documents in the Electronic Medium.
Articles in periodicals (magazines, journals)
SOUZA. A. F. Saúde em primeiro lugar. Saúde em Foco, Campus, V.4 n.33. jun.2000. Disponível em: HYPERLINK “http://
www.sus.inf.br/frame-artig.html”
www.sus.inf.br/frame-
artig.html. Acesso em: 31 jul.2000.
XIMENES, Moacir. O que é uma biblioteca pública. Diário do
Povo do Piauí, Teresina, 11 mar. 2008. Disponivel em http
www.biblioteca.htm. Accesso em 19. mar. 2008.
TERMS OF RELEASE
Each author should read and sign the documents (1) Declaration of
Responsibility and) Transference of Copyright
First author: _________________________________________________________________________________________
Title of the manuscript: _________________________________________________________________________________
All the people involved in the project with the authors should sign and swear to the release form below.
•
I certify that I participated sufficiently enough in this research to sign a term of release making the content of my work
public.
•
I certify that the article is an original paper and was not, nor is being considered to be published in any form, printed or
electronic
Signature of the author(s) Date: ___________________________________________________________________________
TRANSFER OF COPYRIGHT:
I declare, in the case of my article being accepted, to agree to the copyright being signed over exclusively to the magazine, Revista Interdisciplinary.
Signature of the author (s) Date: SHIPPING OF MANUSCRIPTS
Three printed copies of the manuscripts should be sent to Revista Interdisciplinary, together with a copy on CD to the following address:
Rua Vitorino Orthiges Fernandez, 6123 Bairro Uruguai
Teresina – Piauí - Brasil
CEP: 64057-100
Telefone: + 55 (86) 2106-0726
Fax: + 55 (86) 2106-0740
E-mail: [email protected]
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REVISTA INTERDISCIPLINAR - NORMAS PARA PUBLICACIÓN
CATEGORIAS DE ARTICULOS
de los derechos autorales y exclusividad de la publicación (ver anexo).
La Revista Interdisciplinar publica articulos originales, revisiones,
relatos de casos, reseñas y página del estudiante, en las áreas de la salud,
ciencias humanas y tecnológicas.
Los trabajos serán evaluados por el Consejo Editorial y por la Comisión de Publicación. Los trabajos recusados no serán devueltos y los autores
receberán parecer sobre los motivos de la recusa.
Articulos originales: son contribuciones destinadas a divulgar resultados de investigación original inédita. Digitados (Times New Roman
12) e impresos en hojas de papel A4 (210 X 297 mm), con espacio duplo,
margen superior y izquierda de 3,0cm e inferior y derecha de 2,0 cm, haciendo un total mínimo de 15 páginas y máximo de 20 páginas para los
articulos originales (incluyendo en negro y blanco las ilustraciones, gráficos, tablas, fotografias etc). Las tablas y figuras deben ser limitadas a 5 en
el conjunto. Figuras serán aceptas, desde que no repitan datos contidos en
tablas. Se recomenda que el número de referencias bibliográficas sea el
máximo 20. La estructura es la convencional, conteniedo introdución, metodología, resultados y discusión y conclusiones o consideraciones finales.
Todos los conceptos, ideas y presupuestos contidos en las materias
publicadas por este periódico son de intera responsabilidad de sus autores.
Revisiones: evaluación crítica sistematizada de la literatura o reflexión sobre determinado asunto, debendo contener conclusiones. Los procedimientos adoptados y la delimitación del tema deben estar inclusos. Su
extensión se limita a 15 páginas.
Relatos de casos: estudios evaluativos, originales o notas prévias
de pesquisa conteniedo datos inéditos y relevantes. La presentación debe
acompañar las mismas normas exigidas para articulos originales, limitandose a 5 páginas.
Reseñas: reseña crítica de la obra, publicada en los últimos dos
años, limitandose a 2 páginas.
Página del Estudiante: espacio destinado a la divulgación de estudios desarrollados por alumnos de la graduación, con explicitación del
orientador en nota de rodapie. Su presentación debe acompañar las mismas normas exigidas para articulos originales, con extensión limitada a 5
páginas.
Todos los manuscritos deverán venir acompañados de ofício identificando el nombre de los autores, titulación, lugar de trabajo, cargo atual,
dirección completa, incluyendo el eletrónico e indicación de uno de los
autores como responsable por la correspondencia.
La aceptación para publicación está condicionado a la transferencia
En las pesquisas que envolucran seres humanos, los autores deberán dejar claro se el proyecto fue aprovado por el Comité de Ética en
Pesquisa (CEP), así como el proceso de obtención del consentimiento libre
y aclarado de los participantes de acuerdo con la Resolución nº 196 del
Consejo Nacional de Salud de 10 de octubre de 1996.
FORMA Y PREPARO DEL MANUSCRITO
La Revista Interdisciplinar recomenda que los trabajos sigan las
orientaciones de las Normas de la ABNT para elaborar lista de referencias e
indicarlas junto a las citaciones.
Los manuscritos deverán ser encamiñados en tres copias impresas y
una copia en CD con arquivo elaborado en el Editor de Textos MS Word.
Página de identificación: título y subtítulo del articulo con máximo
de 15 palabras (conciso, pero informativo) en tres idiomas (portugués, inglés y español); nombre de lo(s) autor(es), máximo 06 (seis) indicando en
nota de rodapié lo(s) título(s) universitario(s), cargo(s) ocupado(s), nombre
de la Institución a los cuales el trabajo debe ser atribuído, Ciudad, Estado
y dirección completos incluyendo el eletrónico del pesquisador proponiente.
Resumenes y Descriptores: el resumen en portugués, inglés y
español, deberá contener de 100 a 200 palabras en espacio simples, con
objetivo de la pesquisa, metodología, principales resultados y las conclusiones. Deverán ser destacados los nuevos y más importantes aspectos del
estudio. Abajo del resumen, incluir 3 a 5 descriptores alusivos a la temática. Presentar secuencialmente los tres resumenes en la primera página
incluyendo títulos y descriptores en los respectivos idiomas.
Ilustraciones: las tablas deben ser numeradas consecutivamente
con algarismos arábicos, en el orden en que fueron citadas en el texto. Los
cuadros son identificados como tablas, siguiendo una única numeración
97
en todo el texto. El mismo debe ser seguido para las figuras (fotografias,
dibujos, gráficos, etc). Deben ser numeradas consecutivamente con algarismos arábicos, en el orden en que fueron citadas en el texto.
Notas de Rodapie: deverán ser indicadas en ordem alfabética, iniciadas a cada página y restrictas al máximo de 03 notas de rodapie por
artículo.
Testimonios: seguir las mismas reglas de las citaciones, pero en itálico. El código que representa cada depoente debe ser presentado entre
parentesis y sin grifo.
b.
Único autor para todo el libro – Se sustituye el nombre del
autor por una raya de seis toques después del “In.”:
PESSINI, L. Fatores que impulsionan el debate sobre la distanásia In: _____.Distanásia: ¿hasta cuando prolongar la vida?
São Paulo: Loyola, 2001. p.67-93.
Congresos, simposios, jornadas, etc.
CONGRESO BRASILIERO DE EPIDEMIOLOGÍA, 5., 1999, Rio de
Janeiro. Anais... Rio de Janeiro:ABRASCO, 1999.
Trabajos presentados en congresos, simposios, jornadas, etc.
Citaciones en el texto: En las citaciones, las llamadas por el sobrenombre del autor, por la institución responsable o título incluso en la
sentencia deven ser en caja-alta baja, y cuando estea entre parentesis cajaalta. Ex.:
Ejemplos:
Conforme Frazer (2006), la música siempre fue el punto central en
la vida de Madame Antoine
“En el caso de Madame Antoine, el gusto por la música fue, desde la
infancia, central en su vida.” (FRASER, 2006, p.37)
Las citaciones directas, en el texto, de hasta tres líneas, deben estar
contenidas entre aspas duplas. Las aspas simples son utilizadas para indicar
citación en el interior de la citación. Ex:
“Él se conserbaba a estibordo del pasadismo, tan lejos cuanto posíble” (CONRAD, 1988, p.77)
Las citaciones directas, en el texto, con más de tres línas, deben ser
destacadas con recuo de 4 cm de la margen izquierda, espacio simples,
con letra menor que la del texto utilizado y sin las aspas. En el caso de
documentos datilografados, se debe observar sólo el recuo. Ex:
Las siete personas, Daniel Seleagio y su mujer Giovanni Durant, Lodwich Durant, Bartolomeu Durant, Daniel Revel y
Paulo Reynaud, rellenaron la boca de cada un con pólvora, la
cual, inflamada, hizo con que sus cabezas volasen en pedazos (FOX, 2002, p.125).
Listagen de las Referências - Ejemplos
Libros como todo
SILVA, A. F. M. Genética humana. 7.ed. Rio de Janeiro: Libros
Técnicos y Científicos, 2005. 384p.
SOUZA, G. T. Valor proteíco de la naranja. In: CONGRESSO
BRASILIERO DE NUTRICIÓN. 3., 2000, São Paulo. Anais...São
Paulo: Asociación Brasiliera de Nutrición. 2000. p.237-55.
Disertaciones, Tesis y Trabajos académicos
BUENO, M.S.S. El salto en la oscuridad: presupuestos y desdobramientos de las políticas atuales para la enseñanza media.
1998 f. Tesis (Doctorado en Educación) – Facultad de Filosofia y Ciencias, Universidad Estatal Paulista, Marília.
Publicaciones periódicas consideradas en el todo (relativo a la
colección)
CUADERNOS DE SALUD PÚBLICA. Rio de janeiro: Fiocruz,
1965-. Semestral
Articulos de publicaciones periódicas
LIMA, J. Salud pública: debates. Revista Salud. Rio de Janeiro,
v.18, n.2, p.298-301, nov.1989.
Partes de la revista, boletín, etc.
Incluye volumen, fascículo, números especiales y suplementos, entre otros, sin título próprio. Ex:
VEJA. São Paulo: Abril, n.2051, 12 mar. 2008. 98p.
Artículo de Periodico
ALVES, Armando. Mi Teresina no cambio jamás. Meio Norte,
Teresina , 16 ago. 2006. Cuaderno 10, p. 16.
Legislaciones - Constitución
BRASIL. Código civil. 46. ed. São Paulo: Saraiva, 1995
Capítulo de libro
Leyes y decretos
a.
98
Autor del capítulo diferente del responsable por todo el libro.
ANJOS, M. F. dos. Bioética: abrangencia y dinamismo. In:
BARCHIFONTAINE, Christian de Paul de; PESSINI; Leo. Bioética: algunos desafios. São Paulo: Loyola, 2001. p.17-34.
BRASIL. Decreto n.89.271, de 4 de enero de 1984. Dispõe sobre documentos y procedimientos para despacho de aeronave en servicio internacional. Lex: Coletanea de Legislación
y Jurisprudencia. São Paulo, v.48,p.3-4, ener./mar. 1984.
Documentos en Meio Eletrónico
Artículos de periódicos (revistas, periodicos, boletín)
SOUZA. A. F. Salud en primero lugar. Saúde em Foco, Campus, V.4 n.33. Jun.2000. Disponible en: www.sus.inf.br/frameartig.html. Aceso en: 31 jul.2000.
XIMENES, Moacir. Qué es una biblioteca pública. Diário do
Povo do Piauí, Teresina, 11 mar. 2008. Disponible en: http://
www.biblioteca.htm. Aceso en: 19 mar. 2008.
Termo de Responsabilidad
Cada autor debe leer y asinar los documentos (1) Declaración de Responsabilidad y (2) Transferencia de Derechos Autorales.
Primer autor: _ _______________________________________________________________________________________
Título del manuscrito: __________________________________________________________________________________
Todas las personas relacionadas como autores deben asinar declaración de responsabilidad en los termos abajo:
•
Certifico que participé suficientemente del trabajo para tornar pública mi responsabilidad por el contenido;
•
Certifico que el artículo representa un trabajo original y que no fue publicado o está siendo considerado para publicación
en otra revista, que sea en el formato impreso o en el eletrónico;
Asinatura de lo(s) autor(es) Fecha: _________________________________________________________________________
Transferencia de Derechos Autorales
Declaro que en caso de aceptación del artículo, concordo que los derechos autorales a él referentes se tornaron propiedad exclusiva de la Revista
Interdisciplinar.
Asinatura do(s) autor(es) Fecha: _ _________________________________________________________________________
Envio de manuscritos
Los manuscritos deben ser direccionados para la Revista Interdisciplinar, en 3 vias impresas, juntamente con el CD ROM gravado para la siguiente
dirección:
Revista Interdisciplinar
Rua Vitorino Orthiges Fernandez, 6123 Bairro Uruguai
Teresina – Piauí - Brasil
CEP: 64057-100
Telefone: + 55 (86) 2106-0726
Fax: + 55 (86) 2106-0740
E-mail: [email protected] 99
REVISTA INTERDISCIPLINAR
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Caro leitor: Para ser assinante da Revista Interdisciplinar, destaque esta folha, preencha-a e envie por correio ou fax, anexando cópia do depósito
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BAIRRO: ____________________________________________________________________________________________
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FONE: _ _____________________________________________FAX:_ ___________________________________________
E-MAIL: ____________________________________________________________________________________________
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Tipo de Assinatura (anual)
Valor
Profissional
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Estudante
R$ 50,00
Institucional
R$ 200,00
NÚMERO AVULSO ________________________________________________________________R$ 35,00
Número avulso desejado – Volume _ ___________________________________ Número _ ____________________________
INSTRUÇÕES DE PAGAMENTO
O valor referente à assinatura ou número avulso deverá ser depositado em favor de:
Faculdade NOVAFAPI
Banco do Brasil S/A Conta Corrente: 8000-4 Agência: 3178-X Teresina – Piauí
ENDEREÇO PARA ENVIO DO COMPROVANTE
Endereço/Mail adress//Dirección: Rua Vitorino Orthiges Fernandes, 6123 • Bairro Uruguai • 64057-100 • Teresina - Piauí - Brasil
Web site: www.novafapi.com.br • E-mail: [email protected]
FONE: 86 2106.0726 • FAX: 86 2106.0740
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