Pensei cjiie a actividade cooperativa é a melhor das actividades a que podem consatirar-se os jovens. LEÃO TOLSTOI ft ATIVISTA Correspondência para Rua da Cascalheira, 9— L I S B O A COHFOSTO E IMPRESSO NA A P O L I G R Á F I C A - R . de Alcântara, 5 2 - 3 - L I S B 0 4 COODENADO POR António T N U M E R O O U T U B R O Sérgio DISTRIBUIÇÃO 2 e 1955 GRATUITA do C o o p e r a t i v i s m o , mas n u n c a sobressaindo o u buscando « i m p o r t â n c i a » , com h o r r o r à i d e i a de com a n d a r ou de d i r i g i r . Q u a n t o menos s o b r e s s a í r e m , mais ú t e i s pod e r ã o ser. O e s p í r i t o é t a n t o mais e s p í r i t o q u a n t o mais d e s t i t u í d o de poder, de i n s í g n i a s , de n o m e nos j o r n a i s e de v u l t o . O o b j e c t i v o do educador, do b o m e s t a d i s t a e do a p ó s t o l o é p r e p a r a r o P o v o para que eles se t o r n e m d i s p e n s á v e i s . 1 NQUÀNTO o poliIr:.^ ii\ —< tico ostenta a J r k | | —1 p r e t e r i ç ã o de _ . f a z e r ele p r ó p r i o a f e l i c i d a d e do Povo, o c o o p e r a t i v i s t a s ó p r e t e n d e c o n v e n c e r este ú l t i m o a dar-se a si mesmo a q u i l o de q u e mais precisa, a l i b e r t a r - s e a s i mesmo e m r e l a ç ã o à s c i r c u n s t a n c i a s que l h e s ã o c o n t r á r i a s , à s i n s t i t u i ç õ e s e c o n ó m i c a s que António Sérgio o prejudicam. da Coop. Aliança Operária E m meu entender, o Estado e os p o l í t i c o s d e v e m a u x i l i a r o coop e r a t i v i s m o , l e g i s l a t i v a , c u l t u r a l e f i n a n c e i r a m e n t e : mas de t a l man e i r a q u e n ã o d i r i j a m n u n c a , q u e n ã o o b r i g u e m nunca, que n u n c a C O M I S S Ã O D E t e n h a m a p r e t e n ç ã o de c o m a n d a r , p o r p o u q u í s s i m o que seja. O coop e r a t i v i s m o h á de ser s e m p r e a b s o l u t a m e n t e v o l u n t á r i o e l i v r e , nada C O N T A B I L I D A D E deve nele e x i s t i r q u e seja o b r i g a t ó r i o . N o c o o p e r a t i v i s m o s ó cabe Junto da Comissão Redactora do d i r i g i r ao p r ó p r i o Povo, q u e r dizer, aos r e p r e s e n t a n t e s dos c o m p r a Boletim foi constituida uma Comissão dores e dos p r o d u t o r e s p o r eles p r ó p r i o s e l e i t o s . de Contabilidade. N ã o q u e r i s t o dizer que nos a b s t e n h a m o s de p e d i r ao Estado que, Esta Comissão vai iniciar um estudo sem d i r i g i r , a u x i l i e ; e o q u e p o d e m o s desde j á p e d i r ao Estado sobre o funcionamento das escritas das parece-me ser o s e g u i n t e : cooperativas de Lisboa e arredores, 1. A c r i a ç ã o de u m a D i r e c ç ã o G e r a l , o u R e p a r t i ç ã o , o u Junta* com vista a futura projecção de um onde se t r a t e m todas a r e l a ç õ e s e n t r e o Estado e as C o o p e r a t i v a s , método, quanto possível uniforme, da de q u a l q u e r e s p é c i e que estas sejam (de consumo, i n d u s t r i a i s , de ha- contabilidade das cooperativas. b i t a ç ã o , de c r é d i t o , a g r í c o l a s , p e c u á r i a s , etc.), de m a n e i r a a e v i t a r Desde j á solicitamos das respectivas ^ c o n f l i t o s de j u r i s d i ç ã o e n t r e v á r i o s sectores o f i c i a i s q u a n d o se t r a t a Direcções o favor de lhe facultarem ie c r i a r e fazer f u n c i o n a r c o o p e r a t i v a s ; os meios necessários para o desempe2. A c r i a ç ã o de u m a C o m i s s ã o d o f o m e n t o d o C o o p e r a t i v i s m o , nho da sua tarefa. A comissão propõe-se, também, atenc o m p o s t a de r e p r e s e n t a n t e s das c o o p e r a t i v a s e de f u n c i o n á r i o s e rep r e s e n t a n t e s do Estado, mas de m a n e i r a q u e os r e p r e s e n t a n t e s do der quaisquer consultas sobre a espeEstado n u n c a se i m p o n h a m à s C o o p e r a t i v a s e lhes cerceiem o s e u cialidade que os cooperativistas necessitem de apresentar-lhes. c a r á c t e r de a b s o l u t a m e n t e v o l u n t á r i a s e l i v r e s ; 3. A e x e c u ç ã o do decreto j á e x i s t e n t e que c r i a a C a i x a de C r é d i t o à s C o o p e r a t i v a s (na C a i x a G e r a l dos D e p ó s i t o s ) , a q u a l d e v e r i a ser d i r i g i d a , p o r e x e m p l o p o r dois r e p r e s e n t a n t e s das C o o p e r a t i v a s e p o r Propagar o BoBetim u m f u n c i o n á r i o d a C a i x a G e r a l dos D e p ó s i t o s , d e p o s i t a n d o as Coop e r a t i v a s n a q u e l a C a i x a de C r é d i t o todo o seu d i n h e i r o , e c o n c o r r e n d o © dever p a r a o c a p i t a l da C a i x a o E s t a d o , — c o n c e d e n d o - l h e , p o r e x e m p l o , todos os anos, a i m p o r t â n c i a com que c o n t r i b u e m os o p e r á r i o s p a r a o F u n d o d o Desemprego, d e v e n d o essas i m p o r t â n c i a s consagrar-se à c o n s t r u ç ã o , r e p a r a ç ã o e a m p l i a ç ã o de e d i f í c i o s das C o o p e r a t i v a s ; 4. A c r i a ç ã o de aulas sobre c o o p e r a ç ã o nas escolas de todos os graus de e n s i n o ; 5. A c r i a ç ã o de c o o p e r a t i v a s escolares; 6. A p e r m i s s ã o da v e n d a ao p ú b l i c o pelas c o o p e r a t i v a s de cons u m o , sob c o n d i ç ã o de se e m p r e g a r e m e m obras de u t i l i d a d e g e r a l os excedentes p r o v e n i e n t e s dessa v e n d a ao p ú b l i c o ; 7. A p r o m u l g a ç ã o de u m C ó d i g o do C o o p e r a t i v i s m o ; 8. A c o n s t r u ç ã o de u m e d i f í c i o p a r a a C o o p e r a t i v a em todos os « b a i r r o s p o p u l a r e s » que se e d i f i c a r e m . Q u a n t o aos i n t e l e c t u a i s que se i n t e r e s s a m pelo C o o p e r a t i v i s m o , compete-lhes m a n t e r e m - s e n a m a i o r d i s c r e ç ã o , a u x i l i a n d o o P o v o a v e r b e m os seus p r o b l e m a , p r o p o n d o - l h e p l a n o s de d e s e n v o l v i m e n t o de todas as Cooperativas J R E L E M B R A N D O No Congresso da Aliança Cooperativa Internacional Católica, realizado em 192 f, em Zurich, íormulou-se um programa do qual se destacava-a seguinte passagem : <cE preciso instaurar um sistema económico tal que a satisfação das necessidades do povo tornem a lei de toda a vida económica .. compreendendo não somente a satisfação de todas as necessidades propriamente ditas, mas uma diviíião mais justa do rendimento, assim como uma fiscalização mais séria dos preços .. a fim de que os interesses privados, inspirados até ao presente pela procura do lucro, sejam de futuro subordinados ao interesse geral. «Assim os mais fracos devem ser chamados a organizar-se em cooperativas, instrumento que tornará valiosa a força dos fracos." Isto se dizia ja em 1921 e , . o interesse privado evolue cada vez mais. Que dizer e fazer hoje? flCÇAO CULTURAL 10 BOLETIM em g r ã o . & © II N o a r t i g o a n t e r i o r e x e m p l i f i c á m o s como u m a c o o p e r a t i v a p o d e r á c o n s t i t u i r u m c a p i t a l a v u l t a d o p e l a contribuição permanente dos associados. N ã o obstante a l g u m a s r e f e r ê n c i a s p o s i t i v a s , ousamos crer que m u i t o s s ó c i o s de c o o p e r a t i v a s de c o n s u m o se t e r ã o a d m i r a d o de v e r v i n c a d a a c o n v e n i ê n c i a de t a l contribuição permanente. N ã o é de est r a n h a r a a d m i r a ç ã o na pequenez do a m b i e n t e c o o p e r a t i v o a que se t ê m h a b i t u a d o , apesar das d e f i c i ê n c i a s que, d i a r i a m e n t e , s ã o os p r i m e i r o s a a p o n t a r ; t a n t o mais que c o o p e r a t i v a s h á onde a c o n t r i b u i ç ã o dos s ó c i o s n e m sequer é conhecida como c a p i t a l associativo, mas apenas como caução do s ó c i o para g a r a n t i a do cosumo a c r é d i t o . E n t ã o , a considerar-se a c o n t r i b u i ç ã o m o n e t á r i a do associado apenas sob a f u n ç ã o c a u c i o n a n t e do seu do seu c o n s u m o , q u a l é a p o s i ç ã o l e g a l do s ó c i o p a r a com a Sociedade e a desta p a r a com aquela? E o s ó c i o u m c o m p r a d o r e s t r a n h o ? É a Sociedade u m a e n t i d a d e à q u a l ele n ã o p e r t e n ç a ? D e c e r t o todos os c o o p e r a t i v i s t a s h ã o - d e c o m p r e e n d e r que n ã o . A d e n t r o de u m a sociedade c o o p e r a t i v a t r ê s f u n ç õ e s se s i n t e t i z a m ^ nas pessoas dos associados: os c a p i t a l i s t a s , os e m p r e s á r i o s e os c l i e n í la Estmctnra Económica Portuguesa tes ou utentes. Os c a p i t a l i s t a s , p o r q u e s ã o q u e m f o r n e c e o c a p i t a l -moeda á sociedade; os e m p r e s á r i o s , p o r serem q u e m , pela p a r t i c i p a ção na assembleia g e r a l ou nos corpos gerentes, a d m i n i s t r a e t r a n A partir de Novembro, o Boletim sacciona os capitais e n t r e g u e s ; c, f i n a l m e n t e , os utentes p o r serem os Cooperativista vai dar seguimento à compradores da sociedade ou a q u e m esta presta os s e r v i ç o s p a r a série de conferências sobre aspectos que f o i c r i a d a . da estructura económica portuguesa, Os s ó c i o s s ã o os donos, os c a p i t a l i s t a s — a c c i o n i s t a s da empresa e, promovendo também um curso sobre p o r t a n t o , q u e m lhes deve f o r n e c e r o c a p i t a l — e n ã o esperemos d o u cooperativismo, ilustrado com pro- tros o que nos c u m p r e fazer p o r n ó s . O r a u m a c o o p e r a t i v a , como jecções. q u a l q u e r empresa, n ã o pode l i m i t a r o c a p i t a l ao v a l o r das t r a n s a c ç õ e s . Relativamente às conferências sobre Precisa de c a p i t a l para a p l i c a r e i m o b i l i z a r nos u t e n s í l i o s n e c e s s á r i o s a estructura económica portuguesa, o à cabal p r e s t a ç ã o dos seus s e r v i ç o s : i n s t a l a ç õ e s , a r m a ç õ e s , m o b i l i á r i o Prof. Orlando Ribeiro proferiu a p r i - b a l a n ç a s , m e d i d o r a s e q u a n t o s mais . . Precisa t a m b é m de p o s s u i r meira, sobre a população portuguesa. reserva de mercadorias em e x i s t ê n c i a p r o n t a para a s a t i s f a t a ç ã o i m e Seguir-se á, em 22 de Novembro, na d i a t a dos associados. Necessita, a i n d a , de reservas m o n e t á r i a s ou poC. operativa Trabalhadores de Por- tenciais p a r a p r o m o v e r novas i n i c i a t i v a s , para p r o g r e d i r . Para tanto tugal : aspectos da estructura a g r á r i a consideremos, pois, i r r i s ó r i a s umas s i m p l e s c a u ç õ e s medidas escassaportuguesa, pelo Prof. Henrique de mente pelo v a l o r dos consumos caseiros h a b i t u a i s . Barros. Os temas seguintes são sobre P a i a t a n t o é n e c e s s á r i o m u i t o mais. A s s i m , sem nos p o s s u i r m o s a estructura industrial e comercial. da p r e t e n s ã o de d e s c o b r i r m a t é r i a nova, a v a l i e m o s a vantagem de Conforme sucedeu após a primeira acrescentar os capitais constituídos com os bónus anuais. C o n h e c e m o B conferência, a assistência é convidada q u a n t o é grato ao s ó c i o , e e s t i m u l a n t e do sen consumo, a p e r c e p ç ã o a participar no esclarecimento do te- a n u a l do b ó n u s , mas estamos certos de que o s ó c i o , a menos que dele ma exposto. t e n h a necessidade, a c e i t a r á d e i x á - l o na c o o p e r a t i v a se esta l h e p r e s t a r No que respeita ao curso sobre contas de modo a c o n v e n c ê - l o que o b ó n u s l h e é averbado e acrescido cooperativismo, a realizar-se em breve, ao r e s p e t i v o c a p i t a l . é constituído pelos seguintes assuntos: Deste mo o , em vez de s o f r e r a sangria a n u a l , pela s a í d a do b ó n u s , l . parte — Dos primeiros passos a c o o p e r a t i v a goza do c r e s c i m e n t o das suas reservas, p r o g r i d e , p r e s t a até Rochdale (com 44 projecções) ; mais e m e l h o r e s s e r v i ç o s de que os s ó c i o s s ã o os b e n e f i c i á r i o s . Pro2J parte — Experiência Rochdale g r i d e p o r q u e , p o s s u i d o r a de m a i o r e s d i s p o n i b i l i d a d e s , p o d e r á aproe consequentes (46 proj.) ; v e i t a r as o p o r t u n i d a d e s mais f a v o r á v e i s de a q u i s i ç ã o dos g é n e r o s , 8. parte — Surto do movimento serve m e l h o r os c o n s u m i d o r e s , estes d ã o mais p r e f e r ê n c i a à cooperaCooperativo e seu desenvolvimento — t i v a , a u m e n t a - l h e s os l u c r o s e, por c o n s e g u i n t e , os seus b ó n u s pes1870-1914 (52 p r o j . ) ; soais que, m a n t i d o s na c o o p e r a t i v a , mais a v o l u m a m os seus capitais4 . parte — Surto do movimento - m e a l h e i r o s e, sucessivamente . o monte crescerá. Cooperativo (continuação) — desde Retomemos o e x e m p l o da c o o p e r a t i v a de 500 s ó c i o s a c o n t r i b u í 1914 (51 p r o j . ) ; rem m e n s a l m e n t e com quotas de c a p i t a l de i o $ o o . V i m o s que em 10 , >. parte — Ideal Cooperativo (56 anos cada s ó c i o r e a l i z a v a 1.200S00. A d m i t a m o s que todos c o n s u m i a m proj.); 6." parte — Movimento Cooperativo u m a m é d i a m e n s a l de 40o$oo, 4.8oo$oo anuais, que a c o o p e r a t i v a fechava os e x e r c í c i o s com os excedentes l í q u i d o s anuais de 10" n do no Mundo (67 p r o j . ) . Trata-se, em suma, duma adaptação c o n s u m o . Se r e t i r a v a m 40"/ para F u n d o s D i v e r s o s e se d i s t r i b u í a m ao movimento português de um curso 60 7„ de b ó n u s , o que c o r r e s p o n d i a a 6°/ do consumo, e que os s ó c i o s , elaborado pelo conhecido cooperati- os c o n s e r v a v a m na c o o p e r a t i v a . V e j a m o s q u a i s s e r i a m as p o s i ç õ e s da c o o p e r a t i v a e dos s ó c i o s ao vista inglês Gr. D . H . Cole, professor da Universidade de Londres, activo cabo de 10 anos, s u p o n d o , para s i m p l i c i d a d e do c á l c u l o , que todos e esclarecedor propagandista do ideal t i n h a m a c u m u l a d o os b ó n u s na t o t a l i d a d e . O c o n s u m o t o t a l seria de 48.000800 X 500 ( s ó c i o s ) = 24.000.000800. cooperativo. e Curso sobre cooperativismo ! a 1 a a r a 0 0 2 Posição da cooperativa. ôco.oooSoo Capital social = I.200$00 X 5 ° ° B ó n u s a c u m u l a d o s ; = 6o°'o s' 24.000.oooSoo: : I 4^0.000$00 960.000.SOO F u n d o s D i v e r s o s - :40 , o s 24.000.000S00 = : o ; Total acnmulado Posição de cada 3.000.000100 sócio: I.OOO$00 Capital realizado B ó n u s a c u m u l a d o s = 6 ° j s/ 48.000S00 = Total de cada sócio 2 88o$oo 4.080100 C o m o se v ê , cada s ó c i o p o s s u i r i a u m c a p i t a l t o t a l de 4.o8o$oo e a c o o p e r a t i v a t e r i a a c u m u l a d a a r i q u e z a de írês mil COMÍOS em dez anos! E que s ã o dez anos p a r a a v i d a d u m a c o o p e r a t i v a ? A i n d a aceitando se c o n s i d e r e m os c a p i t a i s como c a u ç ã o de d é b i tos, teremos as p o s i ç õ e s m u i t o f a v o r e c i d a s : para o s ó c i o , p o r d i s p o r de u m a c a u ç ã o capaz de l h e f a c u l t a r u m a c o m p r a e x t r a o r d i n á r i a mais a v u l t a d a ; para a c o o p e r a t i v a , p o r t e r mais g a r a n t i d o s os d é b i t o s dos sócios. H a v e m o s de c o n c l u i r que. se s o u b e r m o s e n v e r e d a r p o r este cam i n h o , o nosso c o o p e r a t i v i s m o s e r á u m a g r a n d e r e a l i d a d e . Desidério C o s t a Da Coop Caixa Económica Operária Q u e s t õ e s d U m leitor, trabalhador de uma empresa de Lisboa, a quem parece possível e útil organizar uma cooperativa do pessoal da sua empresa, anota uma «falha» nas indicações dadas aqui sobre as formalidades legais a preencher para a constituição de uma cooperativa, pois que não indicámos «quem autoriza a constituição de uma cooperativa» . Por mais estranho que pareça ao nosso correspondente, tão habituados estamos à necessidade de uma autorização para qualquer pequeno passo 110 agregado social, não existe a «falha» referida. ^ Com efeito, a cooperativa, para a ^ u a constituição, não necessita da autorização de alguém estranho aos seus próprios fundadores, desde que respeite as disposições do Código Comercial, no que respeita ás sociedades anónimas em geral e às cooperativas em particular. Isto quanto à sua constituição. Quanto ao exercício do seu comércio ou indústria, e no caso em que este comércio ou indústria está condicionado, h á que ter em atenção esse condicionamento e obter a respectiva autorização. Mas este não é em geral, o caso da quási totalidade das cooperativas de consumo que se constituem e, mais precisamente, o caso do nosso correspondente quanto á cooperativa de consumo e de empreza que deseja constituir. Neste caso seria útil, se bem que não sija indispensável, obter concordância dos dirigentes da respectiva empres, dado que, esta concordância existe, muitas facilidades podem ser dadas à nova cooperativa : sede gratuita, faci- e O r g a n i z a ç ã o lidades aos dirigentes da cooperativa quanto a tempo disponível para assegurar graciosamente o seu funcionamento, garantia da empresa para as transacções a crédito com as associados, etc", etc. Mas, repetimos, mesmo esta concordância ou autorização não é formalmente indispensável para a constituição da cooperativa. Cooperativa Aliança Operária A convite da Comissão de Cultura e Recreio desta cooperativa, realizou em 28 de Setembro pretérito, o nosso colaborador dr. Ferreira da Costa, uma conferência snbordinada ao tema: «Características fundamentais do movimento cooperativo Britânico». Esta conferência que foi escutada por numeroso público, que por completo encheu a vasta sala de sessões da Aliança Operária, foi ilustrada com a projecção de várias gravuras e revistas escolhidas por este nosso colaborador, quando em Inglaterra frequentou o cuarso do Co-operative College. Presidiu a esta sessão o Prof. D r . António Sérgio, a quem os dirigentes da cooperativa, por intermédio do ueu Presidente da Assembleia Geral sr. Vasco Jorge de Carvalho, entregaram o diploma de Presidente Honorário. O elogio de tão ilustre cooperativista foi feito pelo sr. Manuel Eernandes Moreira, que também recordou a figura do falecido Prof. Raul Tamagnini, como antigo Presidente Honorário da Aliança Operária. M U I 1 SÓCO I Caixa Económica CooperatiYa O mealheiro, quase sempre aparece na nosso meninice como que a indicar-nos que nem tudo devemos gastar, mas guardar alguma coisa, reserva a cobrir alguma dificuldade, mealheiro que se vai sumindo na poeira dos tempos e à maneira que vamos crescendo. E pena que o mealheiro desapareça sem arreigar o hábito de amealhar, pois tal hábito daria ao indivíduo mais independência e liberdade de movimentos. O que não amealha raro é não estar suburdinado a outrem por favor recebido e mal servido, este o caso do que consome a crédito (fiado) por dificiência de meios e, mais aindo, por mau vício adquirido. O capital duma cooperativa é constituído somente pelas importâncias que os sócios nela depositam e forma o capital-acção de cada associado, mas que este levanta em géneros no crédito que lhe é concedido até X da importância do seu capital-acção, ficando assim a cooperativa sem o capital preciso para adquirir géneros e artigos para repor os levantados pelos associados para novo reabastecimento destes e não adquire mais acções de modo a cobrir os seus levantamentos de géneros e a cooperativa vegeta na penúria, pois quase todo o capital que constitui meio de cooperação voltou á posse dos associados em função de abastecimento, crédito crónico a dificultar a acção da cooperativa em prejuiso dos sócios que formam a cooperativa, pois esta não existiria se não tivesse associados. Portanto são os sócios que formam a cooperativa e nada têm a pedir a esta mas sim a si mesmos para poder abastecer-se e elevar o retorno. i E se as cooperativas instituíssem o mealheiro do sócio, não prestariam a este e a si mesmo um óptimo serviço? A bem do sócio cooperativamente associado devem instituir-se em cada cooperativa O Mealheiro do Sócio, que constituiria capital remunerado em função com o consumo do sócio que assim movimentaria o seu capital amealhado de modo a ser remonerado, mas só em função do bónus resultante do seu consumo. Por ser nova modalidade cooperativa e constituir capital móvel à disposição do associado e corresponder a aumento de capital para a expansão e poder de compra tanto da cooperativa como do associado, apraz-nos chamar a atenção para esta modalidede, de quantos se interessam pelo movimento cooperativista. Sabemos duma cooperativa onde há muitos anos instituimos Caixa Económica-Mealheiro onde se guardam 3 A Cooperativa de Lordelo do Ouro festejou o 58.° aniversário A Cooperativa de Lordelo do Ouro, uma das õ cooperativas de consumo situadas na parte ocidental da cidade do Porto, vem de há anos a esta parte aumentando extraordináriamente o seu movimento, numa demonstração insofismável de que quando h á dirigentes dedicados e decididos nada impede que as cooperativas progridam. Iniciado pela gerência de que foi presidente o sr. Manuel Nunes um período de tenaz recuperação, traduzido logo por grande aumento dos fornecimentos aos associados e resultados líquidos muitos elevados, que permitiram acrescentar ao património da Sociedade um imóvel vizinho, na previsão sensata de que as instalações existentes se tornassem insuficientes para fazer face a um movimento sempre crescente. A mesma gerência, com perfeita noção da vida moderna, exigente e vertiginosa, montou um serviço motorizado de entrega domiciliária, que, correspondendo então a necessidades imperiosas, havia de concorrer de maneira positiva para o contínuo aumento que se tem v e r i f i cado. maior rendimento do trabalho do pessoal, que, em nossa opinião, não deve afastar-se muito dos balcões, do que resultará economia de esforços e rrenos perda de tempo da parte dos associados. E m f i m , uma Cooperativa em franco progresso. A comemoração do seu 58 aniversário reflectiu de certa modo esta vitalidade e o dinamismo dos seus dirigentes, a que não foi estranho a colaboração do presidente da Assembleia Geral, Sr., Serafim dos Anjos Vieira de Castro, a cuja intervenção se deve em grande parte o aspecto cultural das festas que ali se vêm realizando de h á anos para cá. No dia 25 do corrente este nosso amigo deu início ás festas, dirigindo algumas palavras á numerosa assistência que enchia o salão da Cooperativa, enaltecendo o valor do cooperativismo, cujos resultados estão patentes na colectividade a cuja mesa da Assembleia Geral tem a honra de A gerência seguinte, presidida pelo presidir. sr. António Nunes, prosseguiu a obra Depois de encarecer a necessidade encftada com o mesmo entusiamo e vigor, tendo dedicado ao problema de todos se e s f o r ç a r e m por tornar dos débitos á Cooperativa, que era de maior a Cooperativa de Lordelo, certo modo grave, o melhor do seu concluiu por desejar que as festas esforço, do que resultou em 1954 um agora iniciadas decorram dentro da saldo francamente positivo. O pro- mais perfeita harmonia e com inteiro blema das compras mereceu também agrado para todos. da parte desta administração cuidados Seguidamente, o Grupo dos Momuito especiais, o que tudo conjugado destos, prestimosa agremiação de arte colocou a Sociedade numa posição dramática, levou a cabo o seu anunmuito sólida. ciado espectáculo, que arrancou á Presentemente preside à Direcção o assistência numerosas e merecidas sr. Joaquim Vasconcelos, o qual, pros- palmas. No dia seguinte, 26, foram passados seguindo na senda trilhada pelos seus antecessores, e ajudado, como aqueles, alguns filmes de curta metragem, que por um grupo de bons colaboradores, deliciaram todas as pessoas presentes se bate denodadamente por levantar e em especial os filhos dos associados mais e mais aquele baluarte coopera- que acorreram em grande n ú m e r o . Esta sessão abriu com a passagem tivo, o que é notório aos olhos de todos que acompanham de perto a vida de um pequeno documentário sobre os novos processos de aviamento de daquela Sociedade. Segundo nos informou este nosso mercadoria, gentilmente cedido pelos amigo, pensam efectuar ali algumas representantes do The National Cash obras com vista ao aproveitamento Register, os quaes, não sendo possíveis racional do espaço existente e a um para j á entre nós, são contudo motivo de sugestão para que se introduzam nas nossas Cooperativas algumas inomuitas dezenas de milhar de escudos vações de grandes vantagens. dos associados, escudos que m a n t é m A 27 teve lugar um espectáculo de a cooperativa em desafogo e aos asso- actos variados, animado por alguns ciados presta os serviços que um artistas do fado, que, como é de calmealheiro sabe prestar. cular, atraiu à Cooperativa muitas Voltaremos ao assunto se a institui- centenas de pessoas. ção do Mealheiro nas cooperativas Esta série de espectáculos foi eninteressar a associados e principal- cerrada no dia seguinte pelo grupo mente dirigentes. dramático da casa, cuja actuação deixou a melhor das impressões em A. Rodrigues Graça quantos ali foram vê-lo, e tantas foda Coop, da AlcAntara «2* Comuna» 0 ram as pessoas que muitas se retiraram por não poderem entrar no salão literalmente à cunha. Esgotado o programa artístico-recreativo, chegámos a sábado, 30, dia da sessão solene na qual o sr. D r . António Sérgio, falaria do «programa cooperativo proposto ao povo português». E r a grande e justificado o interesse dos militantes em conhecer e ouvir este nosso querido amigo. A casa, conquanto cheia, não regorgitava como nos dias anteriores, a que não s e r á estranho, talvez, o cansaço que uma semana de festa provocara na população associativa. Dado a categoria do confereni^^ não seria ambicionar muito pretender que naquele salão não coubesse uma décima parte das pessoas que tinham o dever de o ir o u v i r . . . Isto não aconteceu, tendo conseguido entrar ali todas as pessoas que o quiseram fazer. A b r i u a sessão o sr. Serafim dos Anjos, que se fez rodear do representante da Junta de Freguesia e do sr. D r . Guilherme de Oliveira, abade da freguesia, tendo ocupado outros lugares os representante das Cooperativas dos Oficiais da G u a r n i ç ã o , de Moreira da Maia, Povo Portuense, Trabalhadores de Portugal, Problema da Habitação, bem como alguma personalidades de destaque da nossa vida intectelectual, ás quais nos referiremos quando relatarmos outro acto. / Depois das palavras de a p r e s e i ^ tacão proferidas pelo presidente da mesa, as quais realçaram o alto valor moral e intelectual do orador que a assistência iria ter o prazer de ouvir, o sr. D r . António Sérgio, recebido com uma prolongada salva de palmas, principiou a sua conferência. Porque viera falar aos sócios de uma cooperativa de consumo, predominantemente modestos trabalhadores, fa-lo-ia, disse, em tom de quem conversassem descer a aprofundar conceitos, repisando, por vezes, o que j á dissera e escrevera, pois é preciso repetir muitas vezes para que as verdades mais simples se apossem dos espíritos. E foi na verdade em tom de quem conversa que o querido mestre falou largamente sobre o que chamou o cooperativismo integral, analizando um a um os vários tipos de cooperativas, de entre os quais destacou o ramo consumo como o mais indicado Dara operar a transformação económica e social que se deseja — sem qualquer espécie de convulsão nem violências. No decurso das suas considerações, salientou o papel que cabe desempenhar á futura F e d e r a ç ã o das Cooperativas de Consumo, a qual, m e r c ê da concentração dos capitais das diferentes cooperativas pode realizar as maiores tarefas no domínio de produção e do crédito, para culminar na direcção económica do país, o que considera preferível a todas as planificações propostas. E numa breve fuga à história, referiu-se ao grande i stadista que foi Mousinho da Silveira e à obra por ele empreendida em favor do povo português, sobretudo da gente dos campos. Toda a palestra foi uma bela lição sobre o valor das ideias cooperaUstas, tendo sido da maior oportunidade a defesa que o orador fez dos organismos federativos numa altura em que tanto no Norte como no Sul se dão os primeiros passos em tal sentido. Estamos convencidos que os mili.^itantes presentes meditarão sobre quanto ouviram e não deixarão de procurar materializar a lição colhida. A sessão terminou com rápidas palavras do sr. Serafim dos Anjos, seguindo-se-lhe o habitual copo de águ*, durante o qual os srs. Américo, J o s é Antunes, Alberto Carneiro, Paulo Gonçalves, Joaquim Resende e o D r . Teixeira de Almeida, prestaram a sua homenagem ao conferencista da noite, à Cooperativa, bem como às senhoras presentes, que o Representante do Boletim destacou muito particularmente. No domingo, 30, num hotel desta cidade teve lugar o almoço de homenagem aos srs. Drs Martins Barbosa, António Emílio de Magalhães, Jaime Tamagnini Barbosa, E n g . Joaquim vTaveira, sr. J o s é Antunes e D r . • • A n t ó n i o Sérgio, tendo ali comparecido os srs. José Moreira da Silva, rev. dr Guilherme de Oliveira, D r . Teixeira de Almeida, Alberto Carneiro, Joaquim Pereira da Silva, capitão António Gomes e outros representantes das cooperativas citadinas. Foi mais uma bela tarde de franco convívio, tendo sido trocadas saudações muito amistosas entre todos os presentes e feitas afirmações de grande interesse para a marcha do cooperativismo p o r t u g u ê s . 0 E o 58.° aniversário da Cooperativa de Lordelo do Ouro foi encerrada com uma soiré dançante, especialmente dedicada ás senhoras e que decorreu encantadora. Os srs. D r . António Sérgio e J o s é Antunes aproveitaram a manhã de segunda-feira para visitar algumas Cooperativas e a L i g a de Profilaxia Social, regressando á tarde a Lisboa. As nossas saudações á Cooperativa de Lordelo do Ouro pelas magníficas jornadas que levou a cabo e os votos de contínuas prosperidades. — C. COOPERATIVA ALMADENSE Na progressiva vila de Almada, énSeu volume de distribuição de gécontra-se uma das maiores cooperati- neros pelos sócios atinge, anualmente, vas portuguesas: a Sociedade Coope- perto de 8.000.000^00 ! ! ! tiva Almadense. Sua missão tem sido Existem muitas secções para servilevar Bi O t l S t i dos trabalhadores de Alma- rem os sócios: mercearia, fanqueiro, da os benefícios económicos coopera- sapataria, drogaria, ménage, frutas, tivistas. Quem tem o prazer de ver hortaliças, talho, carvoaria e secções esta Cooperativa fica verdadeiramente especiais de matanças, artigos eléctrideslumbrado, não só com a imponên- cos, óptica, ourivesaria, padaria com cia do seu edifício, como também pela 2 fornos, biblioteca, etc , etc. Tem beleza das suas secções de distribui- 24 empregados ao serviço, todos eles ção de géneros e ainda pela higiene deligentes e activos. e asseio que se nota em toda ela Quando pensamos em cooperativisQuando ali fomos no dia 1 deste m ê s , em missão deste Boletim, receberam-nos, muito a m á v e l m e n t e , os nossos amigos srs. Celestino Ramos e Alfredo Cáceres, respectivamente Presidente e Tesoureiro da Direcção. Percorremos todo e edifício e tomámos conhecimento de grandiosas obras que ali se estão a realizar, as quais t e r m i n a r ã o em breve, pensando se realizar, j á no próximo dia 30, uma sessão solene comemorando tão grande acontecimento. Esta Cooperativa tem 900 sócios, todos consumidores, e pensam aumentar, dentro em breve, este número para 1.000!!! mo não podemos deixar de focar, com a maior saliência, esta grande Cooperativa, que tão brilhantemente tem exercido uma acção de relevo na expansão do Cooperativismo p o r t u g u ê s . A D i recção é composta pelos dedicados cooperativistas srs. Celestino de Campos Ramos, presidente; Francisco Soares Correia, 1.° secretário. Francisco Gomes Correia, 2.° secretário, e A l fredo Các res Alves, tesoureiro. Servem de vogais os srs. Joaquim de Almeida Sousa, Valentim dos Santos Ferreira e Manuel Velez Coelho. Agradecemos bastante penhorados pela maneira tão cativante e hospitaleira como fomos recebidos.—M. C. A . Na tarde do dia 19 de Setembro findo, fomos de abalada até à outra margem do Tejo, de visita a quatro prósperas cooperativas com uma população de 3.000 associados que lhe dão um movimento de V I N T E E D O I S M I L CONTOS, e são elas as Cooperativas da Amora, Piedense, Pragalense e Almadense, com os nossos amigos cooperativistas do norte srs. dr. Manuel Teixeira de Almeida e Serafim dos Anjos, acompanhados de suas E x . esposas e que se deslocaram ao sul para assistirem à inauguração do edifício da Ajudense. Começou a visita pela Cooperativa da Amora, onde fomos recebidos pelos directores e alguns dedicados sócios que nos cumularam de atenções imerecidas mas que estão dentro do espírito cooperativista que nos anima. Foram percorridas as instalações, que em todos deixaram a melhor impressão, terminando «num Porto» a selar a visita dos amigos representantes do norte que ali estiveram a admirar a novel cooperativa ((3 anos) a emparceirar com as mais antigas do concelho de Almada, para onde seguimos a caminho da Piedense, onde nos esperava um representante da Direcção, que, por impedimento desta, foi um cicerone inexcedível de precisão a todas as perguntas de esclarecimento que os cooperativistas do norte lhes dirigiam quando percorriam as diversas secções - da cooperativa, que conta 1.200 sócios e um movimento à volta dos nove m i l contos. Dali seguimos para a Almadense, ficando surpreendidos com a metamorfose por que estava passando a gloriosa Almadense no sentido de acompanhar Almada embelezada e alongada para além dos muros dos terrenos de cultura que a espartilhavam. Não pode a cooperativa, para se alargar, destruir as barbas do espartilho que a envolve mas pôde embelezar o edifício, remodelando todo o interior, de modo a torná-lo mais arejado, mais higiénico, mais confortável, mais digno duma cooperativa com os pergaminhos da Almadense e da vontade da massa associada que que lhe empresta toda a assistência. FWam os seus directores srs. Celestino Campos Ramos e Alfredo Cáceres Alves, raspectivamente presidente e tesoureiro, duma elegante amabilidade, franqueando á nosso admiração todas as secções de venda, produção, preparação, armazém, gabinetes e salas de Biblioteca e sessões, que, apesar de se encontrarem em obras de acabamento, nos deixava antever a harmonia e a beleza de conjunto, que em m a s 5 CONSELHO breve seriam inauguradas, (30 de Outubro) informa-nos um dos directores. S e r á dia de festa para a Cooperativa Almadense. Depois de percorridas todas as instalações fomos convidados a entrar num compartimento, onde, ao redor de duas secretárias, servindo de mesa, se fizeram considerações cooperativistas e amistosas saudações que muito calaram no espírito de todos. Feitas as despedidas retirámo-nos e seguimos para a Pragalense onde nos esperavam os Directores. Visita rápida, atendendo á hora tardia a que lá chegámos (quase meia noite), ela foi feita de maneira a que os nossos amigos do norte não deixassem de ver tudo que interessa para ajuizar da vontade, do valor e da persistência dos que ao cooperativismo dão todo o seu esforço com fé inabalável. Também ali os visitados nos forçaram (é o termo) a tomar alguma coisa, aperitivo para perguntas e respostas a esclarecer o movimento cooperativista que muito preocupa e prende os dirigentes deste movimento. JURIOICO (Continuação do Boletim n.° 22) I m p o s t o do Seio A tabela isenta deste imposto (Isenções, I I I , X X I X , X X X V e X L ) : — Os actos de constituição das sociedades cooperativas formadas por sócios de associações de classe só de operários; — As cooperativas de consumo reconhecidas pelo Governo como exercendo uma função económica de utilidade pública; — Os livros de escrituração e mais documentos e papéis de todas as sociedades cooperativas, fundadas segundo os preceitos legais; As cooperativas e sociedades que se constituam, nos termos do Decreto u.° 1G.055, de 12 de Outubro de 1928, para construir, vender ou ceder de arrendamento casas económicas, pelo imposto de selo dos actos necessários à sua constituição, dissolução e liquidação, e bem assim do selo nas acções e obrigações que emitirem. Esta isenção foi mantida na Base X I I I da L e i n.° 2.007, de 7 de Maio de 1945. E s t ã o isentos de sisa os actos necessários à constituição de sociedades cooperativas (pie se instituirem para a construção de casas de renda económica (Lei n.' 2.007, de 7 de Maio de 1945, Base X I I I n.° 1.°). Terminada aqui a visita, retiramo-nos a caminho da capital, trazendo os nossos amigos as melhoros impressões de tudo quanto viram, não tantas, talvez, como aquelas que trouxemos do norte quando ali nos deslocámos para uma aproximação de relações cooperativistas. | 2." — A subscrição de mais capital será feita pelos sócios ou por outras pessoas que, no gozo dos seus direitos civis, sejam admitidas pela Direcção, sob proposta de qualquer outro sócio possuidor de acções liberadas. § 3.° — Os pagamentos das quantias que forem de novo subscritas serão efectuadas por quotas semanais de contra simples recibos assinados pela Direcção. | 4.° — Os sócios que não pagaram pontualmente as prestações do capital que subscreveram serão onerados com j u r o á taxa de . sobre as quantias vencidas e não pagas, duranta o tempo da mora; e se no prazo de três meses depois de vencida a última pr£i_ tação não se houverem desobrigado^ serão excluídos da sociedade, com direito apenas à restituição de por cento das prestações que tiverem paço. | 5 . ° — As acções só serão estregues depois de liberadas e à medida que o forem sendo. | 6.° — Ninguém pode subscrever quantia superior a. . . . . . com direito a dividendo. A r t . 5 — As acções só poderão ser transmitidas com autorização da D i recção, que tem o direito de a recusar, sempre que assim o entenda. A r t . G . ° — A soc edade sò reconhece um proprietário para cada acção, e, assim, nenhuma acção poderá ser averbada a duas ou mais pessoas. | único — No caso de transferência de acções por h e r a n ç a ou sucessão, Qe respectivos interessados, se não s? combinarem àcerca daquele a quem há-de ser feito o averbamento, poderão exigir o reembolso do capital com que o faleedo houver entrado, sem direito a ITIMÍS coisa alguma. A r t . 7.° — A venda dos produtos que a sociedade fabricar será feita aos sócios, a dinheiro ou a crédito, mas neste caso só a t é . . . . . . por cento do capital com que houverem entrado. | único — Os sócios que, fornecendo-se a credito, não pagarem os seus débitos nas épocas que se estipularam, serão onerados com j u r o à taxa de. . sobre as quantias que deverem, durante o tempo de mora Art. — Os sócios entram no gozo de todos as seus direitos, logo que te nham liberado uma acção e p a g o . . . . . . . por um exemplar do estatuto. A r t . 9.° — Serão excluídos os sócios que, sendo devedores à sociedade, não pagarem os seus débitos dentro de seis meses. (Termina no próximo número) 0 : Do ilustre cooperador sr. José Mof ó r m u l a do E s t a t u t o reira da Silva, da Cooperativa dos Outorgantes — (Os fundadores, com Pedreiros Portuenses, recebemos uma os seus nomes, estados, profissões, simpática sugestão que não queremos de deixar de entregar à consideração naturalidades, filiações, e morodas). E por eles foi dito: dos nossos leitores. Que pela presente escritura, e sob Convindo dar o máximo de publici- a forma de sociedade anónima, constituem definitivamente a sociedade dade aos princípios de Cooperação por cooperativa de responsabilidade limiintermédio do Boletim Cooperativista, tada, cujos estatutos são os seguintes: fazendo-o chegar aos lares daqueles que A r t . 1.° — E criada, e será regida ainda não estão filiados nas Coopera- por estes estatutos e pelas disposições tivas locais, julgo haver necessidade do direito aplicável, uma sociedade cooperativa sob a forma anónima de da criação de um grupo de Amigos do responsabilidade limitada, d e n o m i Boletim que tomarão o compromisso nada. com sede em mensal, do pagamento dos Boletins que A r t . 2.° — O objecto social é exrequisitarem, os quais seriam enviados clusivamente, o fabrico de para veDda aos associados, no estabelecipelo correio. mento que vai ser instalado na rua Será possível levar por diante esta n.°... . sugestão, pagando-se #.'50 (cincoenta A r t . 3." — A duração da sociedade centavos) por cada exemplar que se re- é por tempo indeterminado, a contar de hoje. O ano social é o ano civil. quisite ? A r t . 4." — O capital social é vaj á realiAos leitores a quem esta suges- riável, do mínimo de tão merecer aplauso e que queiram zado e representado por acções nomicolaborar nesta iniciativa, agradece- nativas de mos que se nos dirijam, pois estamos | 1.° — A importância do capital prontos a dar inteira satisfação às suas mínimo foi subscrita e paga por eles indicações. outorgantes, pela forma seguinte 0 t 0 0 0 o 0 ORGANIZAÇÃO Á criação de secções técnicas torna-se cada vez mais necessária para um eficaz desenvolvimento das cooperativas. Assim, após a criação do Conselho Jurídico e da Secção de Contabilidade, desejamos criar uma secção de assistência t é cnica aos estabelecimentos de distribuição a retalho, destinado a dar sugestões para uma adaptação realista das nossas lojas às condições actuais do mercado. Torna-se de facto necessário adoptar as modernas técnicas de venda ao nosso meio, apresentar os artigos de modo mais atraente, aumentar, enfim, o volume dos artigos distibuidos com um mínimo de aumento de despedis. Esta secção técnica não se dispõe a fornecer todos os elementos técnicos precisos, como projectos para novos estabelecimentos, nos quais se f a r á ressaltar as inovações que tenham j á provado a sua eficiência. DAS j|||f22HHHHH!IHHHHHBl cular felicidade adoptar alguns méto- que todas as experiências de interesse Para concretizar apresentamos hoje dos correntes no estrangeiro ao caso devem ser estudadas com espírito imum exemplo de um estabelecimento co- p o r t u g u ê s . Podem certos «ortodoxos» parcial. mercial, na rua Pascoal de Melo, 146 extranhar que citemos aqui o exemplo Conforme se vê peia gravura que em Lisboa, que conseguiu com parti- de uma casa comercial, mas supomos reproduzimos, a loja apresenta um aspecto moderno e atraente. Oque interessasobretudo r e g i s t a r á a adaptação do sistema do «pré-apaeotamentii», «selecção visual» e «selecção prévia». O empacotamento prévio consiste na venda de. determinados artigos que geralmente são pesados e empaC o m sede na Calçada do Duque, 2 5 cotados à f r t n t è do cliente (como açúcar, farinha, arroz, etc.}, serem préviamente embalados para venda imediata, evitando-se as perdas de tempo 470$00 1/2 p e n s ã o (só 30 refeições).. 255$00 resultante do aviamento directo dos ;nsao, produtos. Deve notar-se que em regiRefeições isoladas. 10$00 me de «transição» ainda se manteem as velhas tulhas com os mesmos a r t i gos, mas agora quase sem uso, visto que os clientes preferirem o artigo pré-empacotado. Cooperativa dos Trabalhadores de Portugal Mn aos seus sócias mm i M a k e bem confeccionadas, aos segolotss preços: Aspecto parcial do restaurante da C . T . P . em dia de festa JL A «selecção visual» consiste no melhor e maior aproveitamento possível do espaço para exposição dos artigos, resultando daí uma venda maior, visto ser artigo que se «faz lembrado» em vez de aguardar que o consumidor se Lembre dele. A «selecção prévia» consiste numa cuidadosa distribuição dos artigos em mostruário, dando maior relevo aos produtos que deixam maior margem, sendo estes colocados nos sítios de passagem obrigatória dos consumidores. l l á ainda a anotar o facto de haver uma secção separada para os g é n e r o s de mercearia menos apresentáveis, conseguindo-sc que os clientes aceitem de bom agrado deslocarem-se a essa secção de aviamento directo. BOLETIM pede às cooperativas o Iavor de subir esto escada r 12.000 11.600 11.000 10.500 10.000 9.500 9.000 8.500 8.000 7.500 7.000 6.500 6.000 5.500 5.000 2.000 Para ir além dos DEZ MIL ] _ é preciso que as Coope| rativas subam esta esj cada. Querer é poder. |_â subida será fácil ] so todas as Cooj_petiyas ° P " j rarem. | Yamos. I SubamDP Aí C0 nos provaremos que com a fOIIAIUIOUD 8 I você obterá Outubro d e 19S5 O u t u b r o d e 1954 [' isi I tÉssnoiilii kstudos, montagens o I S O L O U c assistência por técnicos especializados no estrangeiro O Boletim Cooperativista não é desta ou daquela cooperativa mas de todas. São elas e ainda algumas dedicadas vontades que m a n t ê m o seu custo e mais despesas. O Boletim é o melhor meio de propaganda ao alcance das cooperativas e o mais económico; leva aos associados conhecimentos úteis e cultiva a ideia cooperativista. Precisa de mais páginas, para poder focar o que vai pelo mundo cooperativista, para relatar o movimento que se vai operando no nosso país e para criar confiança nos cépticos e . . . até menos crentes. Repete-se a lista das cooperativas que requisitam o Boletim, j á acrescida de mais exemplares pedidos: Piedense Seixal Caixa Econ. O p e r á r i a . . . . Sacavenense Aliança Operária 2." Comuna Popular de Portugal Mealheiro Fraternidade Operária . . . Trabalhadores de Portugal . Amora Ajudense . , Carcavelos (em organização) Emancipadora Beato e Poço do Bispo . . Alhos Vedros Loriga Almadense Barreirense E s p e r a n ç a no Futuro . . . . Construção e H a b i t a ç ã o . . . Operária da Lapa Junta de Compras do Norte , . . , . . . . . 1000 250 200 200 100 130 100 100 lOO 100 100 200 60 BO 50 50 50 60 40 40 25 20 1300 E s p e r a n ç a no Futuro, por lapso, não figurou na anterior lista. 8 • PEÇA UMA DEMONSTRAÇÃO AVENIDA JOÃO X X I . GRÁTIS 4 -A Piedense requisitou mais 150 ex.; Ajudense, 120 ex.; « 2 . Comuna», 30 ex. T a m b é m a Cooperativa Almadense requisitou e recebeu do anterior número 50 ex. Lembramos ás cooperativas que devem meter o Boletim dentro da caderneta de cada sócio, para que este lá o encontre quando se abastecer. É uma original maneira de fazer boa distribuição e propaganda, j á adoptado por algumas cooperativas. T a m b é m os sócios depois de lerem o Boletim, devem entregá-lo a n ã o sócios para que estes tomem conhecimento do cooperativismo e saibam o quanto lhe podem ficar devendo na economia do lar e acção social que a. cooperativa pode exercer quando bem orientada. (AO AREEIRO) LISBOA-TELEF: 7 7 7 0 2 0 a A Comissão Cultural, da C o o p e r a ^ va Piedense organizou, sob a d i r e c ç ^ ^ do competentíssimo professor da sua Escola Nocturna, sr. dr. Pinto de Mesquita, uma exposição de trabalhos escolares dos alunos que frequentam a escola que a Piedense mantém com grande aprazimento dos sócios. A exposição foi inaugurada no dia 17, pelas 10 horas e teve a assistência de muitos sócios e suas famílias que muito admiraram o elevado número de trabalhos expostos, que denotam vocação e gosto dos alunos das cinco disciplinas que a Piedense m a n t é m e são: Desenho à vista, Estonografia, Dactilografia, Caligrafia e P o r t u g u ê s . No p a s s a d o domingo, 3 0 , foi s o l e n e m e n t e inaugurado o s g r a n d e s m e l h o r a m e n t o s introduzidos nesta cooperativa a que desejávamos dar m e r e c i d o r e l e v o n e s t e n ú m e r o . A falta do espaço, p o r é m , i m p e d e - n o s de o f a z e r , o que f a r e m o s no p r ó x i m o . BOLETIM COOPEATIVISTA RUA DA CASCALHEIRA, 9 ( A l c â n t a r a ) - LISBOA DISTRIBUIÇÃO GRÁTIS