Pensei cjiie a actividade cooperativa é a melhor das actividades a que podem consatirar-se os jovens.
LEÃO
TOLSTOI
ft
ATIVISTA
Correspondência para
Rua da Cascalheira, 9— L I S B O A
COHFOSTO E IMPRESSO NA
A P O L I G R Á F I C A - R . de Alcântara, 5 2 - 3 - L I S B 0 4
COODENADO
POR
António
T
N
U
M
E
R
O
O U T U B R O
Sérgio
DISTRIBUIÇÃO
2 e
1955
GRATUITA
do C o o p e r a t i v i s m o , mas n u n c a sobressaindo o u buscando « i m p o r t â n c i a » , com h o r r o r à i d e i a de com a n d a r ou de d i r i g i r . Q u a n t o menos s o b r e s s a í r e m , mais ú t e i s pod e r ã o ser. O e s p í r i t o é t a n t o mais
e s p í r i t o q u a n t o mais d e s t i t u í d o
de poder, de i n s í g n i a s , de n o m e
nos j o r n a i s e de v u l t o . O o b j e c t i v o
do educador, do b o m e s t a d i s t a e
do a p ó s t o l o é p r e p a r a r o P o v o para
que eles se t o r n e m d i s p e n s á v e i s .
1 NQUÀNTO o poliIr:.^
ii\
—<
tico ostenta a J r k
| |
—1 p r e t e r i ç ã o
de
_
. f a z e r ele p r ó p r i o a f e l i c i d a d e do Povo, o
c o o p e r a t i v i s t a s ó p r e t e n d e c o n v e n c e r este ú l t i m o a dar-se a si mesmo
a q u i l o de q u e mais precisa, a l i b e r t a r - s e a s i mesmo e m r e l a ç ã o à s
c i r c u n s t a n c i a s que l h e s ã o c o n t r á r i a s , à s i n s t i t u i ç õ e s e c o n ó m i c a s que
António Sérgio
o prejudicam.
da Coop. Aliança Operária
E m meu entender, o Estado e os p o l í t i c o s d e v e m a u x i l i a r o coop e r a t i v i s m o , l e g i s l a t i v a , c u l t u r a l e f i n a n c e i r a m e n t e : mas de t a l man e i r a q u e n ã o d i r i j a m n u n c a , q u e n ã o o b r i g u e m nunca, que n u n c a C O M I S S Ã O
D E
t e n h a m a p r e t e n ç ã o de c o m a n d a r , p o r p o u q u í s s i m o que seja. O coop e r a t i v i s m o h á de ser s e m p r e a b s o l u t a m e n t e v o l u n t á r i o e l i v r e , nada C O N T A B I L I D A D E
deve nele e x i s t i r q u e seja o b r i g a t ó r i o . N o c o o p e r a t i v i s m o s ó cabe
Junto da Comissão Redactora do
d i r i g i r ao p r ó p r i o Povo, q u e r dizer, aos r e p r e s e n t a n t e s dos c o m p r a Boletim foi constituida uma Comissão
dores e dos p r o d u t o r e s p o r eles p r ó p r i o s e l e i t o s .
de Contabilidade.
N ã o q u e r i s t o dizer que nos a b s t e n h a m o s de p e d i r ao Estado que,
Esta Comissão vai iniciar um estudo
sem d i r i g i r , a u x i l i e ; e o q u e p o d e m o s desde j á p e d i r ao Estado sobre o funcionamento das escritas das
parece-me ser o s e g u i n t e :
cooperativas de Lisboa e arredores,
1. A c r i a ç ã o de u m a D i r e c ç ã o G e r a l , o u R e p a r t i ç ã o , o u Junta* com vista a futura projecção de um
onde se t r a t e m todas a r e l a ç õ e s e n t r e o Estado e as C o o p e r a t i v a s , método, quanto possível uniforme, da
de q u a l q u e r e s p é c i e que estas sejam (de consumo, i n d u s t r i a i s , de ha- contabilidade das cooperativas.
b i t a ç ã o , de c r é d i t o , a g r í c o l a s , p e c u á r i a s , etc.), de m a n e i r a a e v i t a r
Desde j á solicitamos das respectivas
^ c o n f l i t o s de j u r i s d i ç ã o e n t r e v á r i o s sectores o f i c i a i s q u a n d o se t r a t a Direcções o favor de lhe facultarem
ie c r i a r e fazer f u n c i o n a r c o o p e r a t i v a s ;
os meios necessários para o desempe2. A c r i a ç ã o de u m a C o m i s s ã o d o f o m e n t o d o C o o p e r a t i v i s m o , nho da sua tarefa.
A comissão propõe-se, também, atenc o m p o s t a de r e p r e s e n t a n t e s das c o o p e r a t i v a s e de f u n c i o n á r i o s e rep r e s e n t a n t e s do Estado, mas de m a n e i r a q u e os r e p r e s e n t a n t e s do der quaisquer consultas sobre a espeEstado n u n c a se i m p o n h a m à s C o o p e r a t i v a s e lhes cerceiem o s e u cialidade que os cooperativistas necessitem de apresentar-lhes.
c a r á c t e r de a b s o l u t a m e n t e v o l u n t á r i a s e l i v r e s ;
3. A e x e c u ç ã o do decreto j á e x i s t e n t e que c r i a a C a i x a de C r é d i t o
à s C o o p e r a t i v a s (na C a i x a G e r a l dos D e p ó s i t o s ) , a q u a l d e v e r i a ser
d i r i g i d a , p o r e x e m p l o p o r dois r e p r e s e n t a n t e s das C o o p e r a t i v a s e p o r Propagar o BoBetim
u m f u n c i o n á r i o d a C a i x a G e r a l dos D e p ó s i t o s , d e p o s i t a n d o as Coop e r a t i v a s n a q u e l a C a i x a de C r é d i t o todo o seu d i n h e i r o , e c o n c o r r e n d o
© dever
p a r a o c a p i t a l da C a i x a o E s t a d o , — c o n c e d e n d o - l h e , p o r e x e m p l o ,
todos os anos, a i m p o r t â n c i a com que c o n t r i b u e m os o p e r á r i o s p a r a
o F u n d o d o Desemprego, d e v e n d o essas i m p o r t â n c i a s consagrar-se à
c o n s t r u ç ã o , r e p a r a ç ã o e a m p l i a ç ã o de e d i f í c i o s das C o o p e r a t i v a s ;
4. A c r i a ç ã o de aulas sobre c o o p e r a ç ã o nas escolas de todos os
graus de e n s i n o ;
5. A c r i a ç ã o de c o o p e r a t i v a s escolares;
6. A p e r m i s s ã o da v e n d a ao p ú b l i c o pelas c o o p e r a t i v a s de cons u m o , sob c o n d i ç ã o de se e m p r e g a r e m e m obras de u t i l i d a d e g e r a l os
excedentes p r o v e n i e n t e s dessa v e n d a ao p ú b l i c o ;
7. A p r o m u l g a ç ã o de u m C ó d i g o do C o o p e r a t i v i s m o ;
8. A c o n s t r u ç ã o de u m e d i f í c i o p a r a a C o o p e r a t i v a em todos os
« b a i r r o s p o p u l a r e s » que se e d i f i c a r e m .
Q u a n t o aos i n t e l e c t u a i s que se i n t e r e s s a m pelo C o o p e r a t i v i s m o ,
compete-lhes m a n t e r e m - s e n a m a i o r d i s c r e ç ã o , a u x i l i a n d o o P o v o a
v e r b e m os seus p r o b l e m a , p r o p o n d o - l h e p l a n o s de d e s e n v o l v i m e n t o de todas as Cooperativas
J
R E L E M B R A N D O
No Congresso da Aliança Cooperativa
Internacional Católica, realizado em 192 f,
em Zurich, íormulou-se um programa do
qual se destacava-a seguinte passagem :
<cE preciso instaurar um sistema económico tal que a satisfação das necessidades do povo tornem a lei de toda a
vida económica .. compreendendo não
somente a satisfação de todas as necessidades propriamente ditas, mas uma
diviíião mais justa do rendimento, assim
como uma fiscalização mais séria dos
preços .. a fim de que os interesses
privados, inspirados até ao presente
pela procura do lucro, sejam de futuro
subordinados ao interesse geral.
«Assim os mais fracos devem ser chamados a organizar-se em cooperativas,
instrumento que tornará valiosa a força
dos fracos."
Isto se dizia ja em 1921 e , . o interesse
privado evolue cada vez mais.
Que dizer e fazer hoje?
flCÇAO CULTURAL 10 BOLETIM
em g r ã o .
& ©
II
N o a r t i g o a n t e r i o r e x e m p l i f i c á m o s como u m a c o o p e r a t i v a p o d e r á
c o n s t i t u i r u m c a p i t a l a v u l t a d o p e l a contribuição
permanente dos associados.
N ã o obstante a l g u m a s r e f e r ê n c i a s p o s i t i v a s , ousamos crer que
m u i t o s s ó c i o s de c o o p e r a t i v a s de c o n s u m o se t e r ã o a d m i r a d o de v e r
v i n c a d a a c o n v e n i ê n c i a de t a l contribuição
permanente.
N ã o é de est r a n h a r a a d m i r a ç ã o na pequenez do a m b i e n t e c o o p e r a t i v o a que se
t ê m h a b i t u a d o , apesar das d e f i c i ê n c i a s que, d i a r i a m e n t e , s ã o os p r i m e i r o s a a p o n t a r ; t a n t o mais que c o o p e r a t i v a s h á onde a c o n t r i b u i ç ã o
dos s ó c i o s n e m sequer é conhecida como c a p i t a l associativo, mas
apenas como caução do s ó c i o para g a r a n t i a do cosumo a c r é d i t o .
E n t ã o , a considerar-se a c o n t r i b u i ç ã o m o n e t á r i a do associado
apenas sob a f u n ç ã o c a u c i o n a n t e do seu do seu c o n s u m o , q u a l é a
p o s i ç ã o l e g a l do s ó c i o p a r a com a Sociedade e a desta p a r a com aquela?
E o s ó c i o u m c o m p r a d o r e s t r a n h o ? É a Sociedade u m a e n t i d a d e à
q u a l ele n ã o p e r t e n ç a ? D e c e r t o todos os c o o p e r a t i v i s t a s h ã o - d e c o m p r e e n d e r que n ã o .
A d e n t r o de u m a sociedade c o o p e r a t i v a t r ê s f u n ç õ e s se s i n t e t i z a m ^
nas pessoas dos associados: os c a p i t a l i s t a s , os e m p r e s á r i o s e os c l i e n í
la Estmctnra Económica Portuguesa tes ou utentes. Os c a p i t a l i s t a s , p o r q u e s ã o q u e m f o r n e c e o c a p i t a l -moeda á sociedade; os e m p r e s á r i o s , p o r serem q u e m , pela p a r t i c i p a ção na assembleia g e r a l ou nos corpos gerentes, a d m i n i s t r a e t r a n A partir de Novembro, o Boletim sacciona os capitais e n t r e g u e s ; c, f i n a l m e n t e , os utentes p o r serem os
Cooperativista
vai dar seguimento à compradores da sociedade ou a q u e m esta presta os s e r v i ç o s p a r a
série de conferências sobre aspectos que f o i c r i a d a .
da estructura económica portuguesa,
Os s ó c i o s s ã o os donos, os c a p i t a l i s t a s — a c c i o n i s t a s da empresa e,
promovendo também um curso sobre p o r t a n t o , q u e m lhes deve f o r n e c e r o c a p i t a l — e n ã o esperemos d o u cooperativismo, ilustrado com pro- tros o que nos c u m p r e fazer p o r n ó s . O r a u m a c o o p e r a t i v a , como
jecções.
q u a l q u e r empresa, n ã o pode l i m i t a r o c a p i t a l ao v a l o r das t r a n s a c ç õ e s .
Relativamente às conferências sobre Precisa de c a p i t a l para a p l i c a r e i m o b i l i z a r nos u t e n s í l i o s n e c e s s á r i o s
a estructura económica portuguesa, o à cabal p r e s t a ç ã o dos seus s e r v i ç o s : i n s t a l a ç õ e s , a r m a ç õ e s , m o b i l i á r i o
Prof. Orlando Ribeiro proferiu a p r i - b a l a n ç a s , m e d i d o r a s e q u a n t o s mais . . Precisa t a m b é m de p o s s u i r
meira, sobre a população portuguesa. reserva de mercadorias em e x i s t ê n c i a p r o n t a para a s a t i s f a t a ç ã o i m e Seguir-se á, em 22 de Novembro, na d i a t a dos associados. Necessita, a i n d a , de reservas m o n e t á r i a s ou poC. operativa Trabalhadores de Por- tenciais p a r a p r o m o v e r novas i n i c i a t i v a s , para p r o g r e d i r . Para tanto
tugal : aspectos da estructura a g r á r i a consideremos, pois, i r r i s ó r i a s umas s i m p l e s c a u ç õ e s medidas escassaportuguesa, pelo Prof. Henrique de mente pelo v a l o r dos consumos caseiros h a b i t u a i s .
Barros. Os temas seguintes são sobre
P a i a t a n t o é n e c e s s á r i o m u i t o mais. A s s i m , sem nos p o s s u i r m o s
a estructura industrial e comercial. da p r e t e n s ã o de d e s c o b r i r m a t é r i a nova, a v a l i e m o s a vantagem
de
Conforme sucedeu após a primeira acrescentar
os capitais
constituídos
com os bónus anuais. C o n h e c e m o B
conferência, a assistência é convidada q u a n t o é grato ao s ó c i o , e e s t i m u l a n t e do sen consumo, a p e r c e p ç ã o
a participar no esclarecimento do te- a n u a l do b ó n u s , mas estamos certos de que o s ó c i o , a menos que dele
ma exposto.
t e n h a necessidade, a c e i t a r á d e i x á - l o na c o o p e r a t i v a se esta l h e p r e s t a r
No que respeita ao curso sobre contas de modo a c o n v e n c ê - l o que o b ó n u s l h e é averbado e acrescido
cooperativismo, a realizar-se em breve, ao r e s p e t i v o c a p i t a l .
é constituído pelos seguintes assuntos:
Deste mo o , em vez de s o f r e r a sangria a n u a l , pela s a í d a do b ó n u s ,
l . parte — Dos primeiros passos
a c o o p e r a t i v a goza do c r e s c i m e n t o das suas reservas, p r o g r i d e , p r e s t a
até Rochdale (com 44 projecções) ;
mais e m e l h o r e s s e r v i ç o s de que os s ó c i o s s ã o os b e n e f i c i á r i o s . Pro2J parte — Experiência Rochdale
g r i d e p o r q u e , p o s s u i d o r a de m a i o r e s d i s p o n i b i l i d a d e s , p o d e r á aproe consequentes (46 proj.) ;
v e i t a r as o p o r t u n i d a d e s mais f a v o r á v e i s de a q u i s i ç ã o dos g é n e r o s ,
8. parte — Surto do movimento serve m e l h o r os c o n s u m i d o r e s , estes d ã o mais p r e f e r ê n c i a à cooperaCooperativo e seu desenvolvimento — t i v a , a u m e n t a - l h e s os l u c r o s e, por c o n s e g u i n t e , os seus b ó n u s pes1870-1914 (52 p r o j . ) ;
soais que, m a n t i d o s na c o o p e r a t i v a , mais a v o l u m a m os seus capitais4 . parte — Surto do movimento - m e a l h e i r o s e, sucessivamente . o monte
crescerá.
Cooperativo (continuação) — desde
Retomemos
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500 s ó c i o s a c o n t r i b u í 1914 (51 p r o j . ) ;
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quotas
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$ o o . V i m o s que em 10
, >. parte — Ideal Cooperativo (56
anos
cada
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z
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a
1.200S00.
A
d
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t
a
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s
que todos c o n s u m i a m
proj.);
6." parte — Movimento Cooperativo u m a m é d i a m e n s a l de 40o$oo, 4.8oo$oo anuais, que a c o o p e r a t i v a fechava os e x e r c í c i o s com os excedentes l í q u i d o s anuais de 10" n do
no Mundo (67 p r o j . ) .
Trata-se, em suma, duma adaptação c o n s u m o . Se r e t i r a v a m 40"/ para F u n d o s D i v e r s o s e se d i s t r i b u í a m
ao movimento português de um curso 60 7„ de b ó n u s , o que c o r r e s p o n d i a a 6°/ do consumo, e que os s ó c i o s ,
elaborado pelo conhecido cooperati- os c o n s e r v a v a m na c o o p e r a t i v a .
V e j a m o s q u a i s s e r i a m as p o s i ç õ e s da c o o p e r a t i v a e dos s ó c i o s ao
vista inglês Gr. D . H . Cole, professor
da Universidade de Londres, activo cabo de 10 anos, s u p o n d o , para s i m p l i c i d a d e do c á l c u l o , que todos
e esclarecedor propagandista do ideal t i n h a m a c u m u l a d o os b ó n u s na t o t a l i d a d e . O c o n s u m o t o t a l seria de
48.000800 X 500 ( s ó c i o s ) = 24.000.000800.
cooperativo.
e Curso sobre cooperativismo
!
a
1
a
a
r
a
0
0
2
Posição
da
cooperativa.
ôco.oooSoo
Capital social
= I.200$00 X 5 ° °
B ó n u s a c u m u l a d o s ; = 6o°'o s' 24.000.oooSoo: : I 4^0.000$00
960.000.SOO
F u n d o s D i v e r s o s - :40 , o s 24.000.000S00 =
:
o
;
Total acnmulado
Posição
de cada
3.000.000100
sócio:
I.OOO$00
Capital realizado
B ó n u s a c u m u l a d o s = 6 ° j s/
48.000S00 =
Total de cada sócio
2 88o$oo
4.080100
C o m o se v ê , cada s ó c i o p o s s u i r i a u m c a p i t a l t o t a l de 4.o8o$oo e
a c o o p e r a t i v a t e r i a a c u m u l a d a a r i q u e z a de írês mil COMÍOS
em dez anos! E que s ã o dez anos p a r a a v i d a d u m a c o o p e r a t i v a ?
A i n d a aceitando se c o n s i d e r e m os c a p i t a i s como c a u ç ã o de d é b i tos, teremos as p o s i ç õ e s m u i t o f a v o r e c i d a s : para o s ó c i o , p o r d i s p o r
de u m a c a u ç ã o capaz de l h e f a c u l t a r u m a c o m p r a e x t r a o r d i n á r i a mais
a v u l t a d a ; para a c o o p e r a t i v a , p o r t e r mais g a r a n t i d o s os d é b i t o s dos
sócios.
H a v e m o s de c o n c l u i r que. se s o u b e r m o s e n v e r e d a r p o r este cam i n h o , o nosso c o o p e r a t i v i s m o s e r á u m a g r a n d e r e a l i d a d e .
Desidério C o s t a
Da Coop Caixa Económica Operária
Q u e s t õ e s
d
U m leitor, trabalhador de uma empresa de Lisboa, a quem parece possível e útil organizar uma cooperativa
do pessoal da sua empresa, anota uma
«falha» nas indicações dadas aqui sobre as formalidades legais a preencher
para a constituição de uma cooperativa, pois que não indicámos «quem
autoriza a constituição de uma cooperativa» .
Por mais estranho que pareça ao
nosso correspondente, tão habituados
estamos à necessidade de uma autorização para qualquer pequeno passo
110 agregado social, não existe a
«falha» referida.
^ Com efeito, a cooperativa, para a
^ u a constituição, não necessita da autorização de alguém estranho aos seus
próprios fundadores, desde que respeite as disposições do Código Comercial, no que respeita ás sociedades
anónimas em geral e às cooperativas
em particular.
Isto quanto à sua constituição.
Quanto ao exercício do seu comércio
ou indústria, e no caso em que este
comércio ou indústria está condicionado, h á que ter em atenção esse
condicionamento e obter a respectiva
autorização.
Mas este não é em geral, o caso da
quási totalidade das cooperativas de
consumo que se constituem e, mais
precisamente, o caso do nosso correspondente quanto á cooperativa de
consumo e de empreza que deseja
constituir.
Neste caso seria útil, se bem que não
sija indispensável, obter concordância
dos dirigentes da respectiva empres,
dado que, esta concordância existe,
muitas facilidades podem ser dadas à
nova cooperativa : sede gratuita, faci-
e
O r g a n i z a ç ã o
lidades aos dirigentes da cooperativa
quanto a tempo disponível para assegurar graciosamente o seu funcionamento, garantia da empresa para as
transacções a crédito com as associados, etc", etc.
Mas, repetimos, mesmo esta concordância ou autorização não é formalmente indispensável para a constituição
da cooperativa.
Cooperativa
Aliança Operária
A convite da Comissão de Cultura
e Recreio desta cooperativa, realizou
em 28 de Setembro pretérito, o nosso colaborador dr. Ferreira da Costa,
uma conferência snbordinada ao tema:
«Características fundamentais do movimento cooperativo Britânico».
Esta conferência que foi escutada
por numeroso público, que por completo encheu a vasta sala de sessões
da Aliança Operária, foi ilustrada com
a projecção de várias gravuras e revistas escolhidas por este nosso colaborador, quando em Inglaterra frequentou o cuarso do Co-operative College.
Presidiu a esta sessão o Prof. D r .
António Sérgio, a quem os dirigentes
da cooperativa, por intermédio do ueu
Presidente da Assembleia Geral sr.
Vasco Jorge de Carvalho, entregaram
o diploma de Presidente Honorário.
O elogio de tão ilustre cooperativista
foi feito pelo sr. Manuel Eernandes
Moreira, que também recordou a figura do falecido Prof. Raul Tamagnini,
como antigo Presidente Honorário da
Aliança Operária.
M U I 1 SÓCO
I
Caixa Económica CooperatiYa
O mealheiro, quase sempre aparece
na nosso meninice como que a indicar-nos que nem tudo devemos gastar,
mas guardar alguma coisa, reserva a
cobrir alguma dificuldade, mealheiro
que se vai sumindo na poeira dos tempos e à maneira que vamos crescendo.
E pena que o mealheiro desapareça
sem arreigar o hábito de amealhar,
pois tal hábito daria ao indivíduo mais
independência e liberdade de movimentos. O que não amealha raro é não
estar suburdinado a outrem por favor
recebido e mal servido, este o caso do
que consome a crédito (fiado) por dificiência de meios e, mais aindo, por
mau vício adquirido.
O capital duma cooperativa é constituído somente pelas importâncias que
os sócios nela depositam e forma o capital-acção de cada associado, mas que
este levanta em géneros no crédito
que lhe é concedido até X da importância do seu capital-acção, ficando assim a cooperativa sem o capital preciso para adquirir géneros e artigos para
repor os levantados pelos associados
para novo reabastecimento destes e
não adquire mais acções de modo a
cobrir os seus levantamentos de géneros e a cooperativa vegeta na penúria, pois quase todo o capital que
constitui meio de cooperação voltou á
posse dos associados em função de
abastecimento, crédito crónico a dificultar a acção da cooperativa em prejuiso dos sócios que formam a cooperativa, pois esta não existiria se não
tivesse associados. Portanto são os
sócios que formam a cooperativa e
nada têm a pedir a esta mas sim a si
mesmos para poder abastecer-se e
elevar o retorno.
i
E se as cooperativas instituíssem o
mealheiro do sócio, não prestariam a
este e a si mesmo um óptimo serviço?
A bem do sócio cooperativamente
associado devem instituir-se em cada
cooperativa O Mealheiro do Sócio, que
constituiria capital remunerado em
função com o consumo do sócio que
assim movimentaria o seu capital
amealhado de modo a ser remonerado,
mas só em função do bónus resultante
do seu consumo.
Por ser nova modalidade cooperativa e constituir capital móvel à disposição do associado e corresponder
a aumento de capital para a expansão
e poder de compra tanto da cooperativa como do associado, apraz-nos
chamar a atenção para esta modalidede,
de quantos se interessam pelo movimento cooperativista.
Sabemos duma cooperativa onde
há muitos anos instituimos Caixa Económica-Mealheiro onde se guardam
3
A Cooperativa de Lordelo do Ouro
festejou o 58.° aniversário
A Cooperativa de Lordelo do Ouro,
uma das õ cooperativas de consumo
situadas na parte ocidental da cidade
do Porto, vem de há anos a esta parte
aumentando extraordináriamente o seu
movimento, numa demonstração insofismável de que quando h á dirigentes
dedicados e decididos nada impede
que as cooperativas progridam.
Iniciado pela gerência de que foi
presidente o sr. Manuel Nunes um
período de tenaz recuperação, traduzido logo por grande aumento dos
fornecimentos aos associados e resultados líquidos muitos elevados, que
permitiram acrescentar ao património
da Sociedade um imóvel vizinho, na
previsão sensata de que as instalações
existentes se tornassem insuficientes
para fazer face a um movimento sempre crescente. A mesma gerência,
com perfeita noção da vida moderna,
exigente e vertiginosa, montou um
serviço motorizado de entrega domiciliária, que, correspondendo então a
necessidades imperiosas, havia de concorrer de maneira positiva para o
contínuo aumento que se tem v e r i f i cado.
maior rendimento do trabalho do pessoal, que, em nossa opinião, não deve
afastar-se muito dos balcões, do que
resultará economia de esforços e rrenos perda de tempo da parte dos
associados.
E m f i m , uma Cooperativa em franco
progresso.
A comemoração do seu 58 aniversário reflectiu de certa modo esta vitalidade e o dinamismo dos seus dirigentes, a que não foi estranho a colaboração do presidente da Assembleia
Geral, Sr., Serafim dos Anjos Vieira
de Castro, a cuja intervenção se deve
em grande parte o aspecto cultural
das festas que ali se vêm realizando
de h á anos para cá.
No dia 25 do corrente este nosso
amigo deu início ás festas, dirigindo
algumas palavras á numerosa assistência que enchia o salão da Cooperativa, enaltecendo o valor do cooperativismo, cujos resultados estão patentes na colectividade a cuja mesa
da Assembleia Geral tem a honra de
A gerência seguinte, presidida pelo
presidir.
sr. António Nunes, prosseguiu a obra
Depois de encarecer a necessidade
encftada com o mesmo entusiamo e
vigor, tendo dedicado ao problema de todos se e s f o r ç a r e m por tornar
dos débitos á Cooperativa, que era de maior a Cooperativa de Lordelo,
certo modo grave, o melhor do seu concluiu por desejar que as festas
esforço, do que resultou em 1954 um agora iniciadas decorram dentro da
saldo francamente positivo. O pro- mais perfeita harmonia e com inteiro
blema das compras mereceu também agrado para todos.
da parte desta administração cuidados
Seguidamente, o Grupo dos Momuito especiais, o que tudo conjugado destos, prestimosa agremiação de arte
colocou a Sociedade numa posição dramática, levou a cabo o seu anunmuito sólida.
ciado espectáculo, que arrancou á
Presentemente preside à Direcção o assistência numerosas e merecidas
sr. Joaquim Vasconcelos, o qual, pros- palmas.
No dia seguinte, 26, foram passados
seguindo na senda trilhada pelos seus
antecessores, e ajudado, como aqueles, alguns filmes de curta metragem, que
por um grupo de bons colaboradores, deliciaram todas as pessoas presentes
se bate denodadamente por levantar e em especial os filhos dos associados
mais e mais aquele baluarte coopera- que acorreram em grande n ú m e r o .
Esta sessão abriu com a passagem
tivo, o que é notório aos olhos de todos que acompanham de perto a vida de um pequeno documentário sobre
os novos processos de aviamento de
daquela Sociedade.
Segundo nos informou este nosso mercadoria, gentilmente cedido pelos
amigo, pensam efectuar ali algumas representantes do The National Cash
obras com vista ao aproveitamento Register, os quaes, não sendo possíveis
racional do espaço existente e a um para j á entre nós, são contudo motivo
de sugestão para que se introduzam
nas nossas Cooperativas algumas inomuitas dezenas de milhar de escudos vações de grandes vantagens.
dos associados, escudos que m a n t é m
A 27 teve lugar um espectáculo de
a cooperativa em desafogo e aos asso- actos variados, animado por alguns
ciados presta os serviços que um artistas do fado, que, como é de calmealheiro sabe prestar.
cular, atraiu à Cooperativa muitas
Voltaremos ao assunto se a institui- centenas de pessoas.
ção do Mealheiro nas cooperativas
Esta série de espectáculos foi eninteressar a associados e principal- cerrada no dia seguinte pelo grupo
mente dirigentes.
dramático da casa, cuja actuação
deixou a melhor das impressões em
A. Rodrigues Graça
quantos ali foram vê-lo, e tantas foda Coop, da AlcAntara «2* Comuna»
0
ram as pessoas que muitas se retiraram por não poderem entrar no
salão literalmente à cunha.
Esgotado o programa artístico-recreativo, chegámos a sábado, 30, dia
da sessão solene na qual o sr. D r .
António Sérgio, falaria do «programa
cooperativo proposto ao povo português».
E r a grande e justificado o interesse
dos militantes em conhecer e ouvir
este nosso querido amigo. A casa,
conquanto cheia, não regorgitava como
nos dias anteriores, a que não s e r á
estranho, talvez, o cansaço que uma
semana de festa provocara na população associativa.
Dado a categoria do confereni^^
não seria ambicionar muito pretender
que naquele salão não coubesse uma
décima parte das pessoas que tinham
o dever de o ir o u v i r . . . Isto não
aconteceu, tendo conseguido entrar
ali todas as pessoas que o quiseram
fazer.
A b r i u a sessão o sr. Serafim dos
Anjos, que se fez rodear do representante da Junta de Freguesia e do sr.
D r . Guilherme de Oliveira, abade da
freguesia, tendo ocupado outros lugares os representante das Cooperativas
dos Oficiais da G u a r n i ç ã o , de Moreira
da Maia, Povo Portuense, Trabalhadores de Portugal, Problema da Habitação, bem como alguma personalidades de destaque da nossa vida intectelectual, ás quais nos referiremos
quando relatarmos outro acto.
/
Depois das palavras de a p r e s e i ^
tacão proferidas pelo presidente da
mesa, as quais realçaram o alto valor
moral e intelectual do orador que a
assistência iria ter o prazer de ouvir,
o sr. D r . António Sérgio, recebido
com uma prolongada salva de palmas,
principiou a sua conferência.
Porque viera falar aos sócios de
uma cooperativa de consumo, predominantemente modestos trabalhadores,
fa-lo-ia, disse, em tom de quem conversassem descer a aprofundar conceitos, repisando, por vezes, o que j á
dissera e escrevera, pois é preciso
repetir muitas vezes para que as verdades mais simples se apossem dos
espíritos.
E foi na verdade em tom de quem
conversa que o querido mestre falou
largamente sobre o que chamou o
cooperativismo integral, analizando
um a um os vários tipos de cooperativas, de entre os quais destacou o
ramo consumo como o mais indicado
Dara operar a transformação económica e social que se deseja — sem
qualquer espécie de convulsão nem
violências. No decurso das suas considerações, salientou o papel que cabe
desempenhar á futura F e d e r a ç ã o das
Cooperativas de Consumo, a qual,
m e r c ê da concentração dos capitais
das diferentes cooperativas pode realizar as maiores tarefas no domínio de
produção e do crédito, para culminar
na direcção económica do país, o que
considera preferível a todas as planificações propostas.
E numa breve fuga à história, referiu-se ao grande i stadista que foi
Mousinho da Silveira e à obra por ele
empreendida em favor do povo português, sobretudo da gente dos campos.
Toda a palestra foi uma bela lição
sobre o valor das ideias cooperaUstas,
tendo sido da maior oportunidade a
defesa que o orador fez dos organismos federativos numa altura em que
tanto no Norte como no Sul se dão os
primeiros passos em tal sentido.
Estamos convencidos que os mili.^itantes presentes meditarão
sobre
quanto ouviram e não deixarão de
procurar materializar a lição colhida.
A sessão terminou com rápidas palavras do sr. Serafim dos Anjos, seguindo-se-lhe o habitual copo de águ*,
durante o qual os srs. Américo, J o s é
Antunes, Alberto Carneiro, Paulo
Gonçalves, Joaquim Resende e o D r .
Teixeira de Almeida, prestaram a sua
homenagem ao conferencista da noite,
à Cooperativa, bem como às senhoras
presentes, que o Representante do
Boletim
destacou muito particularmente.
No domingo, 30, num hotel desta
cidade teve lugar o almoço de homenagem aos srs. Drs Martins Barbosa,
António Emílio de Magalhães, Jaime
Tamagnini Barbosa, E n g . Joaquim
vTaveira, sr. J o s é Antunes e D r .
• • A n t ó n i o Sérgio, tendo ali comparecido
os srs. José Moreira da Silva, rev.
dr Guilherme de Oliveira, D r . Teixeira de Almeida, Alberto Carneiro,
Joaquim Pereira da Silva, capitão
António Gomes e outros representantes das cooperativas citadinas.
Foi mais uma bela tarde de franco
convívio, tendo sido trocadas saudações muito amistosas entre todos os
presentes e feitas afirmações de grande
interesse para a marcha do cooperativismo p o r t u g u ê s .
0
E o 58.° aniversário da Cooperativa
de Lordelo do Ouro foi encerrada
com uma soiré dançante, especialmente dedicada ás senhoras e que
decorreu encantadora.
Os srs. D r . António Sérgio e J o s é
Antunes aproveitaram a manhã de
segunda-feira para visitar algumas
Cooperativas e a L i g a de Profilaxia
Social, regressando á tarde a Lisboa.
As nossas saudações á Cooperativa
de Lordelo do Ouro pelas magníficas
jornadas que levou a cabo e os votos
de contínuas prosperidades. — C.
COOPERATIVA
ALMADENSE
Na progressiva vila de Almada, énSeu volume de distribuição de gécontra-se uma das maiores cooperati- neros pelos sócios atinge, anualmente,
vas portuguesas: a Sociedade Coope- perto de 8.000.000^00 ! ! !
tiva Almadense. Sua missão tem sido
Existem muitas secções para servilevar Bi O t l S t i dos trabalhadores de Alma- rem os sócios: mercearia, fanqueiro,
da os benefícios económicos coopera- sapataria, drogaria, ménage, frutas,
tivistas. Quem tem o prazer de ver hortaliças, talho, carvoaria e secções
esta Cooperativa fica verdadeiramente especiais de matanças, artigos eléctrideslumbrado, não só com a imponên- cos, óptica, ourivesaria, padaria com
cia do seu edifício, como também pela 2 fornos, biblioteca, etc , etc. Tem
beleza das suas secções de distribui- 24 empregados ao serviço, todos eles
ção de géneros e ainda pela higiene deligentes e activos.
e asseio que se nota em toda ela
Quando pensamos em cooperativisQuando ali fomos no dia 1 deste m ê s ,
em missão deste Boletim, receberam-nos, muito a m á v e l m e n t e , os nossos
amigos srs. Celestino Ramos e Alfredo
Cáceres, respectivamente Presidente
e Tesoureiro da Direcção.
Percorremos todo e edifício e tomámos conhecimento de grandiosas obras
que ali se estão a realizar, as quais
t e r m i n a r ã o em breve, pensando se realizar, j á no próximo dia 30, uma sessão solene comemorando tão grande
acontecimento.
Esta Cooperativa tem 900 sócios,
todos consumidores, e pensam aumentar, dentro em breve, este número
para 1.000!!!
mo não podemos deixar de focar, com
a maior saliência, esta grande Cooperativa, que tão brilhantemente tem exercido uma acção de relevo na expansão
do Cooperativismo p o r t u g u ê s . A D i recção é composta pelos dedicados
cooperativistas srs. Celestino de Campos Ramos, presidente; Francisco Soares Correia, 1.° secretário. Francisco
Gomes Correia, 2.° secretário, e A l fredo Các res Alves, tesoureiro. Servem de vogais os srs. Joaquim de
Almeida Sousa, Valentim dos Santos
Ferreira e Manuel Velez Coelho.
Agradecemos bastante penhorados
pela maneira tão cativante e hospitaleira como fomos recebidos.—M. C. A .
Na tarde do dia 19 de Setembro
findo, fomos de abalada até à outra
margem do Tejo, de visita a quatro
prósperas cooperativas com uma população de 3.000 associados que lhe
dão um movimento de V I N T E E
D O I S M I L CONTOS, e são elas as
Cooperativas da Amora, Piedense,
Pragalense e Almadense, com os nossos amigos cooperativistas do norte
srs. dr. Manuel Teixeira de Almeida
e Serafim dos Anjos, acompanhados
de suas E x .
esposas e que se deslocaram ao sul para assistirem à inauguração do edifício da Ajudense.
Começou a visita pela Cooperativa
da Amora, onde fomos recebidos pelos
directores e alguns dedicados sócios
que nos cumularam de atenções imerecidas mas que estão dentro do espírito cooperativista que nos anima.
Foram percorridas as instalações, que
em todos deixaram a melhor impressão,
terminando «num Porto» a selar a
visita dos amigos representantes do
norte que ali estiveram a admirar a
novel cooperativa ((3 anos) a emparceirar com as mais antigas do concelho de Almada, para onde seguimos
a caminho da Piedense, onde nos esperava um representante da Direcção,
que, por impedimento desta, foi um
cicerone inexcedível de precisão a todas as perguntas de esclarecimento
que os cooperativistas do norte lhes
dirigiam quando percorriam as diversas secções - da cooperativa, que
conta 1.200 sócios e um movimento à
volta dos nove m i l contos.
Dali seguimos para a Almadense,
ficando surpreendidos com a metamorfose por que estava passando a
gloriosa Almadense no sentido de
acompanhar Almada embelezada e
alongada para além dos muros dos
terrenos de cultura que a espartilhavam.
Não pode a cooperativa, para se
alargar, destruir as barbas do espartilho que a envolve mas pôde embelezar o edifício, remodelando todo o
interior, de modo a torná-lo mais
arejado, mais higiénico, mais confortável, mais digno duma cooperativa
com os pergaminhos da Almadense e
da vontade da massa associada que
que lhe empresta toda a assistência.
FWam os seus directores srs. Celestino Campos Ramos e Alfredo Cáceres Alves, raspectivamente presidente
e tesoureiro, duma elegante amabilidade, franqueando á nosso admiração
todas as secções de venda, produção,
preparação, armazém, gabinetes e salas de Biblioteca e sessões, que, apesar
de se encontrarem em obras de acabamento, nos deixava antever a harmonia e a beleza de conjunto, que em
m a s
5
CONSELHO
breve seriam inauguradas, (30 de Outubro) informa-nos um dos directores.
S e r á dia de festa para a Cooperativa
Almadense.
Depois de percorridas todas as instalações fomos convidados a entrar
num compartimento, onde, ao redor de
duas secretárias, servindo de mesa,
se fizeram considerações cooperativistas e amistosas saudações que muito
calaram no espírito de todos.
Feitas as despedidas retirámo-nos e
seguimos para a Pragalense onde nos
esperavam os Directores. Visita rápida, atendendo á hora tardia a que lá
chegámos (quase meia noite), ela foi
feita de maneira a que os nossos amigos do norte não deixassem de ver
tudo que interessa para ajuizar da
vontade, do valor e da persistência
dos que ao cooperativismo dão todo o
seu esforço com fé inabalável. Também ali os visitados nos forçaram
(é o termo) a tomar alguma coisa,
aperitivo para perguntas e respostas a
esclarecer o movimento cooperativista
que muito preocupa e prende os dirigentes deste movimento.
JURIOICO
(Continuação do Boletim n.° 22)
I m p o s t o do
Seio
A tabela isenta deste imposto (Isenções, I I I , X X I X , X X X V e X L ) :
— Os actos de constituição das sociedades cooperativas formadas por
sócios de associações de classe só de
operários;
— As cooperativas de consumo reconhecidas pelo Governo como exercendo uma função económica de utilidade pública;
— Os livros de escrituração e mais
documentos e papéis de todas as sociedades cooperativas, fundadas segundo os preceitos legais;
As cooperativas e sociedades que se
constituam, nos termos do Decreto
u.° 1G.055, de 12 de Outubro de 1928,
para construir, vender ou ceder de
arrendamento casas económicas, pelo
imposto de selo dos actos necessários
à sua constituição, dissolução e liquidação, e bem assim do selo nas acções
e obrigações que emitirem.
Esta isenção foi mantida na Base
X I I I da L e i n.° 2.007, de 7 de Maio
de 1945.
E s t ã o isentos de sisa os actos necessários à constituição de sociedades
cooperativas (pie se instituirem para
a construção de casas de renda económica (Lei n.' 2.007, de 7 de Maio
de 1945, Base X I I I n.° 1.°).
Terminada aqui a visita, retiramo-nos a caminho da capital, trazendo os
nossos amigos as melhoros impressões
de tudo quanto viram, não tantas,
talvez, como aquelas que trouxemos
do norte quando ali nos deslocámos
para uma aproximação de relações
cooperativistas.
| 2." — A subscrição de mais capital será feita pelos sócios ou por
outras pessoas que, no gozo dos seus
direitos civis, sejam admitidas pela
Direcção, sob proposta de qualquer
outro sócio possuidor de acções liberadas.
§ 3.° — Os pagamentos das quantias
que forem de novo subscritas serão
efectuadas por quotas semanais de
contra simples recibos assinados pela Direcção.
| 4.° — Os sócios que não pagaram
pontualmente as prestações do capital
que subscreveram
serão onerados
com j u r o á taxa de
. sobre as
quantias vencidas e não pagas, duranta
o tempo da mora; e se no prazo de três
meses depois de vencida a última pr£i_
tação não se houverem desobrigado^
serão excluídos da sociedade, com direito apenas à restituição de
por cento das prestações que tiverem
paço.
| 5 . ° — As acções só serão estregues
depois de liberadas e à medida que o
forem sendo.
| 6.° — Ninguém pode subscrever
quantia superior a. . . . . . com direito
a dividendo.
A r t . 5 — As acções só poderão ser
transmitidas com autorização da D i recção, que tem o direito de a recusar,
sempre que assim o entenda.
A r t . G . ° — A soc edade sò reconhece um proprietário para cada acção,
e, assim, nenhuma acção poderá ser
averbada a duas ou mais pessoas.
| único — No caso de transferência
de acções por h e r a n ç a ou sucessão, Qe
respectivos interessados, se não s?
combinarem àcerca daquele a quem
há-de ser feito o averbamento, poderão exigir o reembolso do capital com
que o faleedo houver entrado, sem
direito a ITIMÍS coisa alguma.
A r t . 7.° — A venda dos produtos
que a sociedade fabricar será feita aos
sócios, a dinheiro ou a crédito, mas
neste caso só a t é . . . . . . por cento
do capital com que houverem entrado.
| único — Os sócios que, fornecendo-se a credito, não pagarem os seus
débitos nas épocas que se estipularam,
serão onerados com j u r o à taxa de. .
sobre as quantias que deverem,
durante o tempo de mora
Art.
— Os sócios entram no gozo
de todos as seus direitos, logo que te
nham liberado uma acção e p a g o . . .
. . . . por um exemplar do estatuto.
A r t . 9.° — Serão excluídos os sócios
que, sendo devedores à sociedade, não
pagarem os seus débitos dentro de seis
meses.
(Termina no próximo número)
0
:
Do ilustre cooperador sr. José Mof ó r m u l a do E s t a t u t o
reira da Silva, da Cooperativa dos
Outorgantes — (Os fundadores, com
Pedreiros Portuenses, recebemos uma
os
seus nomes, estados, profissões,
simpática sugestão que não queremos
de deixar de entregar à consideração naturalidades, filiações, e morodas).
E por eles foi dito:
dos nossos leitores.
Que pela presente escritura, e sob
Convindo dar o máximo de publici- a forma de sociedade anónima, constituem definitivamente a sociedade
dade aos princípios de Cooperação por
cooperativa de responsabilidade limiintermédio do Boletim Cooperativista, tada, cujos estatutos são os seguintes:
fazendo-o chegar aos lares daqueles que
A r t . 1.° — E criada, e será regida
ainda não estão filiados nas Coopera- por estes estatutos e pelas disposições
tivas locais, julgo haver
necessidade do direito aplicável, uma sociedade
cooperativa sob a forma anónima de
da criação de um grupo de Amigos do
responsabilidade limitada, d e n o m i Boletim que tomarão o
compromisso nada.
com sede em
mensal, do pagamento dos Boletins que
A r t . 2.° — O objecto social é exrequisitarem,
os quais seriam enviados clusivamente, o fabrico de
para
veDda aos associados, no estabelecipelo correio.
mento que vai ser instalado na rua
Será possível levar por diante esta
n.°... .
sugestão, pagando-se
#.'50 (cincoenta
A r t . 3." — A duração da sociedade
centavos) por cada exemplar que se re- é por tempo indeterminado, a contar
de hoje. O ano social é o ano civil.
quisite ?
A r t . 4." — O capital social é vaj á realiAos leitores a quem esta suges- riável, do mínimo de
tão merecer aplauso e que queiram zado e representado por acções nomicolaborar nesta iniciativa, agradece- nativas de
mos que se nos dirijam, pois estamos
| 1.° — A importância do capital
prontos a dar inteira satisfação às suas mínimo foi subscrita e paga por eles
indicações.
outorgantes, pela forma seguinte
0
t
0
0
0
o
0
ORGANIZAÇÃO
Á criação de secções técnicas torna-se cada vez mais necessária para um eficaz desenvolvimento das cooperativas.
Assim, após a criação do Conselho Jurídico e da Secção de
Contabilidade, desejamos criar
uma secção de assistência t é cnica aos estabelecimentos de
distribuição a retalho, destinado a dar sugestões para uma
adaptação realista das nossas
lojas às condições actuais do
mercado.
Torna-se de facto necessário
adoptar as modernas técnicas de
venda ao nosso meio, apresentar
os artigos de modo mais atraente, aumentar, enfim, o volume
dos artigos distibuidos com um
mínimo de aumento de despedis. Esta secção técnica não
se dispõe a fornecer todos
os elementos técnicos precisos,
como projectos para novos estabelecimentos, nos quais se
f a r á ressaltar as inovações que
tenham j á provado a sua eficiência.
DAS
j|||f22HHHHH!IHHHHHBl
cular felicidade adoptar alguns méto- que todas as experiências de interesse
Para concretizar apresentamos hoje dos correntes no estrangeiro ao caso devem ser estudadas com espírito imum exemplo de um estabelecimento co- p o r t u g u ê s . Podem certos «ortodoxos» parcial.
mercial, na rua Pascoal de Melo, 146 extranhar que citemos aqui o exemplo
Conforme se vê peia gravura que
em Lisboa, que conseguiu com parti- de uma casa comercial, mas supomos reproduzimos, a loja apresenta um
aspecto moderno e atraente.
Oque interessasobretudo r e g i s t a r á a
adaptação do sistema do «pré-apaeotamentii», «selecção visual» e «selecção
prévia». O empacotamento prévio consiste na venda de. determinados artigos
que geralmente são pesados e empaC o m sede na Calçada do Duque, 2 5
cotados à f r t n t è do cliente (como açúcar, farinha, arroz, etc.}, serem préviamente embalados para venda imediata, evitando-se as perdas de tempo
470$00
1/2 p e n s ã o (só 30 refeições).. 255$00 resultante do aviamento directo dos
;nsao,
produtos. Deve notar-se que em regiRefeições isoladas.
10$00
me de «transição» ainda se manteem
as velhas tulhas com os mesmos a r t i gos, mas agora quase sem uso, visto
que os clientes preferirem o artigo
pré-empacotado.
Cooperativa dos Trabalhadores
de Portugal
Mn aos seus sócias mm i M a k e bem confeccionadas, aos segolotss preços:
Aspecto parcial do restaurante da C . T . P . em dia de festa
JL
A «selecção visual» consiste no melhor e maior aproveitamento possível
do espaço para exposição dos artigos,
resultando daí uma venda maior, visto
ser artigo que se «faz lembrado» em
vez de aguardar que o consumidor se
Lembre dele.
A «selecção prévia» consiste numa
cuidadosa distribuição dos artigos em
mostruário, dando maior relevo aos
produtos que deixam maior margem,
sendo estes colocados nos sítios de passagem obrigatória dos consumidores.
l l á ainda a anotar o facto de haver
uma secção separada para os g é n e r o s
de mercearia menos apresentáveis,
conseguindo-sc que os clientes aceitem
de bom agrado deslocarem-se a essa
secção de aviamento directo.
BOLETIM pede às cooperativas
o Iavor de subir esto escada
r
12.000
11.600
11.000
10.500
10.000
9.500
9.000
8.500
8.000
7.500
7.000
6.500
6.000
5.500
5.000
2.000
Para ir além dos DEZ MIL
] _ é preciso que as Coope| rativas subam esta esj cada. Querer é poder.
|_â subida será fácil
] so todas as Cooj_petiyas ° P "
j rarem.
| Yamos.
I SubamDP Aí
C0
nos provaremos
que com a
fOIIAIUIOUD
8
I
você obterá
Outubro d e 19S5
O u t u b r o d e 1954
[' isi I tÉssnoiilii
kstudos, montagens
o
I S O L O U
c assistência por técnicos
especializados no estrangeiro
O Boletim Cooperativista não é desta ou daquela cooperativa mas de todas.
São elas e ainda algumas dedicadas
vontades que m a n t ê m o seu custo e
mais despesas.
O Boletim é o melhor meio de propaganda ao alcance das cooperativas
e o mais económico; leva aos associados conhecimentos úteis e cultiva a
ideia cooperativista.
Precisa de mais páginas, para poder
focar o que vai pelo mundo cooperativista, para relatar o movimento que
se vai operando no nosso país e para
criar confiança nos cépticos e . . . até
menos crentes.
Repete-se a lista das cooperativas
que requisitam o Boletim, j á acrescida
de mais exemplares pedidos:
Piedense
Seixal
Caixa Econ. O p e r á r i a . . . .
Sacavenense
Aliança Operária
2." Comuna
Popular de Portugal
Mealheiro
Fraternidade Operária . . .
Trabalhadores de Portugal .
Amora
Ajudense . ,
Carcavelos (em organização)
Emancipadora
Beato e Poço do Bispo
. .
Alhos Vedros
Loriga
Almadense
Barreirense
E s p e r a n ç a no Futuro . . . .
Construção e H a b i t a ç ã o . . .
Operária da Lapa
Junta de Compras do Norte
,
.
.
,
.
.
.
.
.
1000
250
200
200
100
130
100
100
lOO
100
100
200
60
BO
50
50
50
60
40
40
25
20
1300
E s p e r a n ç a no Futuro, por lapso, não
figurou na anterior lista.
8
•
PEÇA
UMA DEMONSTRAÇÃO
AVENIDA
JOÃO
X X I .
GRÁTIS
4 -A
Piedense requisitou mais 150 ex.;
Ajudense, 120 ex.; « 2 . Comuna», 30
ex. T a m b é m a Cooperativa Almadense requisitou e recebeu do anterior
número 50 ex.
Lembramos ás cooperativas que devem meter o Boletim dentro da caderneta de cada sócio, para que este lá o
encontre quando se abastecer. É uma
original maneira de fazer boa distribuição e propaganda, j á adoptado por
algumas cooperativas.
T a m b é m os sócios depois de lerem
o Boletim, devem entregá-lo a n ã o sócios para que estes tomem conhecimento do cooperativismo e saibam o
quanto lhe podem ficar devendo na
economia do lar e acção social que a.
cooperativa pode exercer quando bem
orientada.
(AO
AREEIRO)
LISBOA-TELEF:
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a
A Comissão Cultural, da C o o p e r a ^
va Piedense organizou, sob a d i r e c ç ^ ^
do competentíssimo professor da sua
Escola Nocturna, sr. dr. Pinto de Mesquita, uma exposição de trabalhos
escolares dos alunos que frequentam
a escola que a Piedense mantém com
grande aprazimento dos sócios.
A exposição foi inaugurada no dia
17, pelas 10 horas e teve a assistência
de muitos sócios e suas famílias que
muito admiraram o elevado número de
trabalhos expostos, que denotam vocação e gosto dos alunos das cinco
disciplinas que a Piedense m a n t é m e
são:
Desenho à vista, Estonografia,
Dactilografia, Caligrafia e P o r t u g u ê s .
No p a s s a d o domingo, 3 0 , foi s o l e n e m e n t e inaugurado o s g r a n d e s m e l h o r a m e n t o s
introduzidos nesta cooperativa a que desejávamos dar m e r e c i d o r e l e v o n e s t e n ú m e r o .
A falta do espaço, p o r é m , i m p e d e - n o s de o f a z e r , o que f a r e m o s no p r ó x i m o .
BOLETIM
COOPEATIVISTA
RUA DA CASCALHEIRA, 9 ( A l c â n t a r a ) - LISBOA
DISTRIBUIÇÃO
GRÁTIS
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Boletim Cooperativista nº 25, outubro 1955