Revista Eletrônica Novo Enfoque, ano 2012, v. 14, n. 14, p. 69 – 83
O EFEITO DA ATIVIDADE FÍSICA AERÓBICA NO TIPO E NO TEMPO DE
TRABALHO DE PARTO MEDIDOS ATRAVÉS DA PROLACTINA
SILVA ¹, Suellen Oliveira da.; FERNANDES 2, Dra. Paula Roquetti.; FILHO 3, Dr.
José Fernandes. *
RESUMO
Objetivo: verificar a relação da prática da atividade física aeróbica moderada com o
tipo e o tempo de trabalho de parto em gestantes a partir da 16ª semana gestacional até o
trabalho de parto através dos níveis de prolactina. Métodos: a amostra foi composta por
20 gestantes, sedentárias, primigestas e primíparas, com período gestacional a partir da
16ª semana. Foram separados 4 grupos compostos por 5 gestantes cada, sendo o 1º
grupo controle e os outros 3 grupos experimentais, no qual foram submetidos à
atividade física aeróbica moderada em diferentes frequências (2, 3 e 5 dias) por semana,
durante 5 meses. Durante a pesquisa foi realizada a coleta do plasma sanguíneo das
gestantes para análise hormonal da prolactina. Utilizou-se a estatística descritiva e
inferencial. O teste de Kruskal-Wallis para análise comparativa dos grupos controle e
experimental (mediana dos níveis de prolactina) ao nível de significância de 5% com o
teste significativo de Dunn’s de múltiplas comparações. Foi utilizada a correlação de
Pearson com p < 0,05 para relacionar os níveis de prolactina com tempo de trabalho de
parto e a prova exata de Fischer, com a utilização do Softwear Graph Pod Prism – 4,
para associar os níveis de prolactina e o tipo de trabalho de parto. Resultados: Houve
diferença significativa para (p<0,05) dos níveis de prolactina dos grupos experimentais
que realizaram atividade física. Os resultados não foram significativos para p>0,05 entre
os níveis de prolactina e o tipo e tempo de trabalho de parto. Conclusões: O presente
estudo teve resultado significativo entre a prática de atividade física aeróbica moderada
e os níveis de prolactina com os grupos das gestantes que realizaram atividade física
aeróbica moderada nas comparações entre os grupos experimental e controle.
Palavras-chave: gestação, atividade física aeróbica, prolactina.
ABSTRACT
Objetivo: To investigate the relationship of physical activity with moderate aerobic
type and duration of labor in pregnant women from the 16 th week of pregnancy until
labor through the levels of prolactin. Methods: The sample consisted of 20 pregnant
women, sedentary primigravidae and primíparas with pregnancy from week 16. There
were four separate groups each consisting of five pregnant women, and 1 control group
and the other three experimental groups, which underwent moderate aerobic physical
activity at different frequencies ( 2,3 and 5 days) per week for 5 months. During the
research was collected from blood plasma of pregnant women for analysis of hormone
prolactina. Used- it the descriptive and inferential statistics. The kruskal-wallis test for
*
(1) Mestre em Motricidade Humana, UCB-RJ, (2) Centro de Excelência em Avaliação
Física – CEAF – RJ; (3) Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro – EEFDUFRJ.
comparison of the experimental and control groups (median prolactina levels), the
significance level of 5% significant test with Dunn’s multiple comparisons. We used the
Pearson correlation with p<0.05 to relate the levels of prolactin and time of labor and
Fischer’s exact test, using the softwear Graph Pod Prism -4, to associate prolactin levels
and type of labor. Results: There was a significant difference (p<0.05) prolactin levels
of the experimental groups who performed physical activities. The results were not
significant (p>0.05) between prolactin levels and type and duration of labor.
Conclusions: This study was significant result between the practice of moderate aerobic
physical activity and prolactin levels with groups of pregnant women who performed
moderate aerobic physical activity in the comparisons between the experimental and
control groups.
Key words: pregnancy, aerobic physical activity, prolactin.
INTRODUÇÃO
Atualmente o número de mulheres que realizam atividade física durante o
período gestacional aumenta a cada dia, principalmente por se preocuparem com a
estética (controle do ganho de peso gestacional) e com uma recuperação pós-parto mais
rápida 6.
Com os avanços tecnológicos e médicos, busca-se proporcionar às gestantes
uma maior segurança em relação à mortalidade materna e fetal. Sendo a prática de
atividade física incentivada por vários organismos nacionais e internacionais que visa à
promoção da saúde 2,43. Os principais aspectos relacionados entre a atividade física e o
trabalho de parto são: o risco de parto prematuro, facilidade do trabalho de parto,
melhor recuperação pós-parto e redução do número de cesáreas 6.
A prática de atividade física monitorada durante a gestação parece não contribuir
para a prematuridade, pois o efeito da estimulação da noradrenalina, que ocorre com a
atividade física, pode ser neutralizada tanto com o aumento de catecolaminas nas
gestantes, como através dos níveis de catecolaminas fetais que permanecem estáveis à
estimulação da noradrenalina materna, protegendo o feto do excesso de atividade
uterina Ao contrário, a atividade física regular fortalece a musculatura pélvica, sendo
mais um fator a proporcionar nascimentos a termo 6, 11, 24, 41.
Os obstetras acreditam que quando uma mulher faz algum tipo de exercício
durante a gestação poderá estar menos propensa a ter dificuldades durante o trabalho de
parto, e estimula, dessa forma, suas pacientes a serem fisicamente ativas para facilitar o
trabalho de parto23, 46.
O Brasil é um dos líderes mundiais em cesarianas, estima-se que no país mais
de 40% dos partos são cesáreos, sendo que os partos realizados em hospitais privados e
de convênio excedem em até 80% em algumas regiões 12, 18, 28, 37, 38, 44.
Embora o parto cesáreo seja seguro, a morbimortalidade nessa cirurgia
ultrapassa a do parto vaginal com aumento do risco de morte materna, complicações
como infecção puerperal, hemorragia, embolias e acidentes anestésicos 28, 38, 44.
O indicativo de parto cesáreo por parte das gestantes é o medo da dor no
momento do parto e a possibilidade de evitar dores após a cirurgia, através de fortes
analgésicos, permitindo à mulher manter intactas a anatomia e fisiologia da vagina e do
períneo, importante para o coito vaginal 13, 18.
70
Os benefícios que a atividade física proporciona durante o período gestacional estão
relacionados com a prevenção e redução de lombalgias, dores em mãos e pés, estresse
cardiovascular, fortalecimento muscular pélvico, maior flexibilidade e tolerância à dor
(diminui a dor e toleram melhor o trabalho de parto) em relação às gestantes não
treinadas ou do que as que se exercitam esporadicamente 10, controle do ganho ponderal
e elevação da autoestima da gestante com a diminuição do número de partos prematuros
e cesáreas, e aumento o número de partos vaginais 10, 11.
Para se determinar a atividade física adequada, deve-se propor uma atividade
física agradável e segura, procurando respeitar os limites físicos e funcionais (quadro
clínico) em que a gestante se encontra. A adequação das cargas de treinamento deve
estar em consonância com o nível da aptidão física da gestante, respeitando os
princípios da individualidade e da sobrecarga. 10, 33
Para a realização dos programas aeróbicos, a intensidade das atividades é
determinada ao aplicar percentuais sobre parâmetros fisiológicos ou metabólicos, tais
como a frequência cardíaca (FC), reserva da frequência cardíaca (RFC), consumo
máximo de oxigênio (VO2 máx), reserva do consumo de oxigênio (RVO máx), ponto
de compensação respiratória (PCR), equivalente metabólico (MET), entre outros 2, 26.
Através da frequência cardíaca (FC), que é um indicador fisiológico de atividade
física para a intensidade, há uma relação linear estabelecida entre ela (FC) e o consumo
de oxigênio devido ao débito cardíaco (DC), que é o produto da FC x o volume
Sistólico (VS). Como o consumo de Oxigênio (VO2) é igual ao DC x diferença
arteriovenosa de O2 e durante o exercício temos um incremento da FC com as cargas,
podemos inferir que há um aumento no VO2 33, 43.
Na gestação ocorrem alterações cardiorrespiratórias em repouso, tais como o
aumento da FC, do consumo de oxigênio, do débito cardíaco e volume sistólico. Para
garantir o ajuste contínuo do volume sanguíneo ao leito vascular, as mulheres menos
condicionadas são orientadas a realizar atividades com menos intensidade 43.
As maiores discrepâncias entre os percentuais da RFC, tanto para o VO2 máx
como para o RVO2 máx, encontram-se nas áreas de baixa a moderada intensidade (45 a
60% do VO2 máx) e altas intensidades (90 a 95% do VO2 máx). Para indivíduos
sedentários, o trabalho será realizado nas regiões de baixa a moderada intensidade 26.
Para se obterem os benefícios maternos e fetais, independentes do tipo de
atividade a ser realizada, deve-se ter a intensidade de leve ou moderada, com a
frequência mínima de três vezes por semana, mantida regularmente, e respeitar o limite
de 140 bpm para a frequência cardíaca materna, e de 38°C para a temperatura ambiente
3, 28, 32
.
Durante a gestação, as funções do corpo da mãe se tornarão a cada dia mais
complexas para gerar e desenvolver o feto até o momento do parto, sofrendo
transformações psicológicas, fisiológicas e hormonais 3, 9.
Os hormônios são substâncias químicas secretadas por células especializadas ou
glândulas endócrinas para dentro da corrente sanguínea, causando respostas fisiológicas
que aceleram ou diminuem a velocidade das reações e funções biológicas, sendo
fundamentais para o funcionamento do corpo humano 9.
Dentre os hormônios que têm relação direta com o período gestacional
(progesterona, estrógeno, gonadotrofina coriônica humana, lactonêgio placentário
humano, prolactina e ocitocina) 7, 42, a ocitocina é o hormônio que atua sobre as células
musculares do útero e das glândulas mamárias, realizando contrações uterinas durante o
trabalho de parto até a evacuação total da placenta, atuando também na estimulação da
contração dos alvéolos, provocando a secreção do leite para dentro dos ductos, fazendo
com que a criança possa se alimentar por sucção 47.
71
Por se ter pouco conhecimento científico comprovado a respeito da influência da
atividade física aeróbica moderada sobre a regulação do hormônio ocitocina 9, 29 e por
não ser mensurável em laboratório no estado onde foi realizada a pesquisa, utilizou-se
na investigação um outro marcador biológico: o hormônio prolactina, principal
hormônio responsável pela secreção do leite materno e manutenção, que assim como a
ocitocina é produzido pela mesma glândula, hipófise, porém em lados opostos. A
ocitocina liberada pela neuro-hipófise e a prolactina liberada pela adenohipófise, sendo
ambos os hormônios liberados ao mesmo tempo.
A prolactina (PRL) funciona através da atuação do fator hipotalâmico, inibidor
de prolactina, que diminui a sua secreção, inibe a testosterona e mobiliza os ácidos
graxos. Antes da gestação, promove a proliferação e a ramificação dos ductos da mama
feminina, durante a gestação desenvolve os lóbulos dos alvéolos produtores de leite e,
após o parto, estimula a síntese e a secreção de leite. Durante a gestação os níveis de
prolactina aumentam de 10 a 20 vezes acima dos valores naturais, diminuindo para
níveis não gestacionais cerca de 3 a 4 semanas após o parto 4, 9, 22, 40, 45. O aumento da
prolactina induzido pelo exercício físico é acentuado, principalmente em mulheres que
correm do que as que se exercitam em bicicletas ergonômicas (estacionárias) 9.
Existem mecanismos fisiológicos que controlam a secreção de prolactina tais
como, a alimentação, o estresse, a atividade sexual o ciclo menstrual e a gravidez,
atuando na contratilidade uterina 40.
As atividades físicas praticadas durante a gestação, principalmente na fase final,
contribuem para o amadurecimento cervical e na contração uterina 6, 46.
Assim, o presente estudo objetivou verificar a relação da prática da atividade
física aeróbica moderada em gestantes com o tipo e o tempo de trabalho de parto em
gestantes a partir da 16ª semana gestacional até o trabalho de parto através dos níveis do
hormônio prolactina.
METODOLOGIA
O estudo foi desenvolvido através de pesquisa experimental longitudinal,
constituída de mulheres gestantes sedentárias, residentes no município de Marabá - PA.
Amostra
A amostra foi composta por 20 gestantes com idade entre 18 (dezoito) e 35 (trinta e
cinco) anos, sedentárias, primíparas e primigestas com idade gestacional a partir da 16ª
(décima sexta) semana, sendo estimada pela data da última menstruação, quando
conhecida e confiável, pela ultrassonografia e estar realizando pré-natal com ausência
de doença clínica ou obstétrica.
Foram excluídas as amostras que apresentaram doenças cardíacas, insuficiência
cardíaca, risco de parto prematuro, sangramento ou membrana rompida, hipertensão,
retardo no crescimento intrauterino, pré-eclâmpsia ou toxemia, anemia e outras
desordens sanguíneas, doenças da tireoide, baixo peso materno, obesidade excessiva,
diabetes, contrações uterinas que durem várias horas após o exercício,
superaquecimento, gestação múltipla, doença vascular periférica, hipoglicemia,
arritmias cardíacas ou complicações, dor de qualquer tipo com o exercício, medicação
que altera o metabolismo ou a capacidade pulmonar da mãe, fumo, álcool, drogas
ilícitas, consumo excessivo de cafeína e cérvix incompetente 36.
Os dados foram coletados por meio de formulários com perguntas aplicadas em
entrevista após terem passado pelo obstetra e antes de iniciarem o protocolo de
72
atividade física aeróbica moderada. Os prontuários médicos das entrevistadas foram
analisados para confirmação dos dados coletados.
Foram separados quatro grupos: grupo controle (GC), grupo experimental 1 (GE1),
grupo experimental 2 (GE2) e grupo experimental 3 (GE3), com cinco gestantes cada, que
foram formados de forma subsequente até completar 20 participantes. O grupo controle não
sofreu nenhum outro tipo de intervenção, além da assistência pré-natal (obstétrica),
avaliação fisioterápica, avaliações físicas e as coletas de sangue. Os três grupos
experimentais realizaram o protocolo de atividade física aeróbica moderada em esteira
ergométrica com diferentes frequências (2, 3 e 5 dias). O GE1 realizou atividade aeróbica
duas vezes por semana, o GE2 realizou exercício aeróbico três vezes por semana, e o GE3
realizou atividade aeróbica cinco vezes por semana, durante cinco meses, compreendidos
entre janeiro a junho de 2009.
A atividade física foi realizada em uma academia localizada na mesma cidade onde
as gestantes residem, no horário das 9h às 11h e 17h às 19h, de segunda à sexta-feira.
Coleta de dados
Após definida, a amostra passou à coleta de dados, que foram realizadas em três
etapas:
Avaliação
Na primeira etapa, foi realizada a entrevista que consta nos protocolos de
exclusão, avaliação fisioterápica e avaliação física. A entrevista para exclusão das
amostras e avaliação fisioterápica foi realizada pela pesquisadora e fisioterapeuta
composta por dados pessoais (idade, raça, cidade, estado civil, nome do médico, tipo de
parto que pretende ter); dados relacionados à gestação (estatura da paciente, massa
corporal inicial e massa corporal atual da paciente, idade gestacional, data da última
menstruação, data provável do parto, e as alterações apresentadas no organismo como
sistema digestório cardiovascular, urinário, músculoesquelético respiratório e atividades
da vida diária), anamnese (queixa principal), história moléstia pregressa da gestação
(HMP), história moléstia atual da gestação (HMA) 35, 36. Exames físicos (marcha,
edema, patologias associadas e testes como diástase de retos, dor lombar, varicosidade,
frouxidão articular, amplitude de movimentos, respiração tônus muscular, frequência
cardíaca e pressão arterial antes da gestação e durante a gestação), avaliação postural,
sendo excluídas as gestantes que apresentaram problemas posturais e osteomusculares.
A avaliação física foi realizada por um educador físico, através do risco
coronariano - inventário/questionário; o protocolo de teste, que teve como objetivo
determinar a frequência cardiorrespiratória. A monitorização foi feita através de um
frequecímetro, equipamento da marca Polar, e a esteira ergométrica, equipamento RT
250 Moviment. As variáveis mensuradas durante a avaliação foram estatura, massa
corporal (Kg), perímetros de tronco e membros (cm), percentuais (%) de gordura
corporal - protocolo de Pollock (3 dobras), idade gestacional do parto, FC real, FC
máxima e FC repouso 5.
A reavaliação física foi feita num total de três vezes, durante os cinco meses de
gestação em que foi realizado o protocolo de atividades, sempre no momento quando
era realizada a coleta do plasma sanguíneo, na 16ª, na 28ª e na 36ª semanas gestacionais.
73
Coleta de sangue
A segunda etapa foi a coleta do plasma sanguíneo realizado por um enfermeiro
em um hospital local, na 16ª, 28ª, 36ª semana gestacional. A análise dos níveis de
prolactina no sangue foi feita por um bioquímico em um laboratório da cidade, pela
metodologia da quimioluminescência.
Os partos foram realizados no Hospital Materno Infantil localizado na mesma
cidade onde foi realizada a pesquisa de campo.
Aplicação do protocolo de atividade física aeróbica moderada
A terceira etapa foi a aplicação do protocolo de atividade física aeróbica
moderada em esteira para os três grupos experimentais com frequência semanal de dois
(GE1), três (GE2) e cinco (GE3) dias, durante cinco meses. Não foi utilizada a bicicleta
ergométrica, pois com o aumento da barriga durante a gestação causaria desconforto
para a mãe ao pedalar, ocasionando dores na região baixa do abdômen, nem
hidroginástica, devido aos exercícios sob imersão diminuírem as contrações uterinas,
uma vez que a expansão de volume plasmático faria possivelmente diminuir os níveis
de ocitocina circulantes, por diluição 11, 14, 15, 16, 21. A intensidade da FCR foi de 50% a
60% moderada para não elevar a temperatura da mãe e do feto ( limite de até 140 bpm)
2
.
A duração da atividade física foi de 30 a 40 minutos com a respiração de dois
passos, com inspiração profunda, e dois passos seguintes, com expiração profunda, a
intensidade da caminhada, chegando por volta de 60% da FCReserva 20.
Foram realizados alongamentos antes e após o exercício físico em superfícies
firmes e regulares (solo), sobre colchonetes para assegurar melhor controle da
percepção corporal dos principais grupos musculares, com alongamentos dos músculos
cervicais, peitorais, cadeia anterior e posterior dos membros superiores e inferiores 3, 27,
29
.
As gestantes foram acompanhadas e monitoradas durante toda a atividade física
pelo educador físico, auxiliado pela fisioterapeuta (pesquisadora).
Aspectos éticos
Este estudo respeitou as normas da Resolução n° 196/96 do Conselho Nacional
de Saúde para pesquisa em seres humanos. A realização do protocolo de atividade física
aeróbica moderada só foi realizada após submissão e análise do Comitê de Ética da
Universidade Castelo Branco – RJ, protocolo N° 0006/2009.
Todas as gestantes foram devidamente informadas sobre os procedimentos e
objetivos da pesquisa e somente foram incluídas ao concordarem livremente em
participar assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, podendo desistir
da participação na pesquisa caso apresentassem problemas de saúde. Após as amostras
terem sido submetidas ao protocolo de exclusão, e não tiveram nenhuma contraindicação, foram consideradas aptas à pesquisa.
Análise estatística
A análise dos resultados foi apresentada por meio das estatísticas descritiva e
inferencial.
O teste de Kruskal-Wallis, para análise comparativa dos grupos controle e
experimentais (mediana dos níveis de prolactina), ao nível de significância de 5%, com
o teste significativo de Dunn’s de múltiplas comparações. Foi utilizado a correlação de
74
Pearson com P< 0,05 para relacionar os níveis de prolactina com o tempo de trabalho de
parto; e a prova exata de Fischer com a utilização do Softwear Graph Pod Prism – 4,
para associar os níveis de prolactina e o tipo de trabalho de parto.
RESULTADOS
a) Comparação dos níveis hormonais de prolactina entre os grupos controle e
experimentais x atividade física aeróbica moderada.
Tabela 1 - Análise das medianas dos níveis de prolactina do grupo controle e grupos
experimentais (GE1, GE2 e GE3) na 1ª, 2ª e 3ª coleta sanguínea.
1ª, 2ª e 3ª coleta prolactina – pré e pós 1 e pós 2
Controle
GE1
GE2
GE3
129/129/129 70.6/102.6/102.6 150/150/150 150/150/150
15.4/15.4/15.4
150/150/150
150/150/150 150/150/150
44.9/88.9/88.9
150/150/150
150/150/150 150/150/150
102/148/150
150/150/150
150/150/150 150/150/150
106/106/106
111/111/111
150/150/150 150/150/150
Na 1ª coleta, os níveis de prolactina do grupo controle apresentou níveis mais
baixos em relação aos grupos experimentais antes de realizarem a atividade física
aeróbica moderada.
Na 2ª, os níveis hormonais de prolactina no grupo controle elevaram-se em
relação à primeira coleta, aumentando também o nível hormonal no grupo experimental
1(GE1). Os níveis hormonais nos grupos experimentais 2 e 3 ( GE2 e GE3),
mantiveram-se constantes em relação à primeira coleta sanguínea.
Na 3ª coleta, os níveis hormonais de prolactina do grupo controle se manteve
estável em relação à segunda coleta.
Tabela 2 - Comparação dos níveis de prolactina (mediana) pelo teste de significância de
Dunn’s entre os grupos controle e experimentais (GE1, GE2 e GE3).
1ª, 2ª e 3ª coleta prolactina – pré e pós 1 e 2 (atividade física,
respectivamente)
Kruskal-Wallis statistic = 13.18 ---> P value = 0,0034
Do the medians vary signif. (P < 0.05)
Kruskal-Wallis statistc = 13.18----> P value = 0,0043
Kruskal-Wallis statist = 9,92----> P value = 0,0193
75
Dunn's
Multiple
Difference
Comparison in rank
Test
sum
Controle
-6.4/-6/vs GE1
4.4
P > 0.05 ns
Controle
-10.2/vs GE2
10/-8.2 P < 0.01/P< 0.05
Controle
-10.2/vs GE3
10/-8.2 P < 0.01 P<0.05
GE1 vs
-3.8/-4/GE2
3.8
P > 0.05
ns
GE1 vs
-3.8/-4/GE3
3.8
P > 0.05
ns
GE2 vs
GE3
0/0/0
P > 0.05
ns
P value
Entre os grupos controle e experimentais (GE2 e GE3) para (p<0,01) e entre os
grupos experimentais (GE1, GE2 e GE3) para (p>0,05), na 1ª coleta. Entre os grupos
controle e experimental (GE2 e GE3) houve uma diferença em relação à primeira coleta
de sangue com resultado de significância para (p< 0,05), e entre os grupos
experimentais (GE1, GE2 e GE3), o resultado de significância permanece para
(p>0,05). Nos grupos controle e experimentais (GE2 e GE3), na 3ª coleta, não houve
diferença em relação à segunda coleta de sangue e o resultado de significância
permaneceu para (p<0,05), e entre os grupos experimentais (GE1, GE2 e GE3), o
resultado de significância permaneceu para (p>0,05).
Quando comparamos as medianas do GC X GE1, GE2 e GE3 nos três
momentos da coleta de sangue (antes, durante e após a prática da atividade física
aeróbica moderada), apenas a comparação GC X GE1, de todas as coletas, não
apresentou resultado significativo para (p>0,05). Nas comparações entre os grupos GC
X (GE2 e GE3), os níveis de prolactina na 2ª e 3ª coletas apresentaram valores iguais e
significativos para (p< 0,05), logo, houve diferença nos níveis de prolactina após a
atividade física.
b) Correlação entre os níveis de prolactina x tempo de trabalho de parto cesáreo e
vaginal.
Tabela 3 - Correlações de Pearson entre os níveis de prolactina e o tempo de trabalho
de parto.
Resultados das correlações de Pearson
Correlações
r
p valor
Tempo x 1ª coleta-Pré
-0.4725
0.1208
Tempo x 2ª coleta-Pós 1
-0.1871
0.5604
Tempo x 3ª coleta-Pós 2
-0.1826
0.5699
76
Na tabela 3, aplicou-se a correlação de Pearson entre o tempo de trabalho de
parto (cesáreo e vaginal) e os níveis de prolactina. Todos os resultados de r (coeficiente
de correlação de Pearson) apresentaram baixa relação (r =-0.4880) e não significativa
para (p >0,05).
c) Associação entre os níveis de prolactina e o tipo de parto.
Tabela 4 - Níveis de prolactina e o tipo de parto nas 3 coletas sanguíneas.
Observou-se que na tabela 4 não houve alteração nos valores grupados antes e
após à atividade física, conforme 1ª, 2ª e 3ª coletas. Pelo cálculo da Prova Exata de
Tipo de parto - antes e pós à atividade física - 1ª, 2ª e 3ª coletas e os níveis de
prolactina maior e menor que 150.
Nível de
Tipo de parto
Cesáreo
Vaginal
Prolactina
Total
≥150
6/6/7
7/7/7
13/13/14
<150
6/6/2
1/1/1
7/7/6
Total
12/12/12
8/8/8
20/20/20
Fisher p=0,1577(1ª e 2ª coletas)
Fischer p= 0,3246(3ª coleta)
Fisher, resultou p = 0,1577. A dosagem da prolactina, após a atividade física, também
não ocorreu resultado significativo, a Prova de Fisher calculada teve um p = 0,3246 ,
isto é (p >0,05).
DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Na comparação do GC e GE1, todas as coletas não apresentaram resultado
significativo para p>0,05. Entretanto, para os demais grupos experimentais GC X (GE2
e GE3), os níveis hormonais de prolactina foram significativos p<0,05, houve, portanto,
diferença desses níveis hormonais nos grupos experimentais após a prática de atividade
física aeróbica moderada, comprovando a hipótese apresentada inicialmente nesta
pesquisa: que existe diferença significativa entre os níveis de prolactina sanguíneo com
a prática da atividade física aeróbica moderada, confirmando que a atividade física
serve de estímulo para a secreção de determinados hormônios 9, 17.
Os resultados do presente experimento se contrapõem ao que alguns autores
relatam que a atividade física aeróbica tem influência sobre o hormônio prolactina,
como sua meia-vida bastante curta (aproximadamente 10 minutos) com seu tempo
reduzido no organismo. Seus níveis inicias começam baixar cerca de 45 minutos depois
do final do exercício 39. Comprovou-se, através desse estudo, que os níveis hormonais
de prolactina se mantiveram no organismo por mais tempo (durante toda a gestação),
até a hora do trabalho de parto, e não apenas se elevando após o parto, permitindo a
ocorrência de lactação e o retorno da função do ciclo menstrual 8. Discordando que,
77
após o parto, com a saída da placenta, com a queda dos níveis hormonais de
progesterona no sangue, ocorra uma rápida elevação na concentração de prolactina, com
a indução da síntese de colostro não sendo estimulados apenas pela sucção do bebê
durante a amamentação, mas, possivelmente, durante a gestação, pela prática da
atividade física 1.
No momento da entrevista, as gestantes não relataram ser fumantes nem ex-fumantes,
o que poderia causar alteração nos níveis hormonais da prolactina, pois uns dos fatores que
alteram os níveis de prolactina em gestantes é o tabagismo. Em pesquisa realizada,
verificaram que a cotinina, o metabólito da nicotina, facilita a ação vasoconstritora da
prostaglandina E2, e o acúmulo de cotinina na circulação fetal poderia contribuir para a
indução do trabalho de parto prematuro e o aborto espontâneo em fumantes na circulação
fetal 34, 30. Em seres humanos, observou-se que os níveis de prolactina foram 40% menores
em mulheres fumantes e o tempo de desmame foi menor. Diferente dos estudos com animais,
os incrementos de prolactina sérica, durante a mamada, não foram significativamente
diferentes entre tabagistas e não tabagistas, nem foi obtido uma correlação entre os níveis de
prolactina e produção láctea 19, 30.
Na análise correlacional entre o tempo de trabalho de parto e o nível de prolactina,
tanto no parto cesáreo quanto no vaginal, observamos que a correlação foi pequena,
negativa e não significativa para p>0,05, divergindo de autores que relatam que as
mulheres esperam que a atividade física lhes proporcione uma gestação mais fácil e um
tempo de trabalho de parto mais curto 32. Constatou-se que no grupo de mulheres, a
termo, não existindo os riscos de prematuridade, a maioria das gestantes que não entram
em trabalho de parto em seis horas, irá fazê-lo em 12 horas; e a maioria daqueles que
não entrarem em 12 horas, irá fazê-lo em 18 horas. Apenas uma minoria das gestantes
que não entrar em trabalho de parto em até 18 horas, irá fazê-lo dentro de 24 horas ou
mais 46.
Em relação ao estudo acima mencionado, as gestantes desta pesquisa, tanto do
grupo controle quanto dos grupos experimentais (GE1, GE2 e GE3), não ultrapassaram
o tempo de 10h de trabalho de parto.
Ao verificar a associação entre os níveis de prolactina e o tipo de parto, nenhuma
das três coletas realizadas nos grupos controle e experimental foram significativa
(p<0,05), não tendo influência no tipo de parto realizado pelas gestantes praticantes e
não praticantes de atividade física aeróbica moderada. Embora obstetras acreditem que a
prática da atividade física contribua para a diminuição do número de partos prematuros
e cesáreos e aumento do número de partos vaginais 10, 11, não se pode ter confirmação
desses dados através da dosagem hormonal de prolactina.
Das 20 gestantes que participaram da pesquisa, 11 realizaram parto cesáreo e 8
realizaram parto vaginal. Apesar de não ter sido significativo o tipo de parto em relação
ao nível hormonal de prolactina, das gestantes que tiveram parto vaginal, todas eram do
grupo experimental GE2 e GE3 (realizaram atividade física mais de duas vezes por
semana). Estudos demonstram que a participação de gestantes em atividade física,
especialmente nos dois primeiros trimestres, esteve associada efetivamente ao menor
risco de parto cesáreo 6.
Das gestantes que realizaram parto vaginal, concordamos com os resultados que se
referem às mulheres que se exercitam durante a gestação, pois tendem a ganhar menos
massa corporal e parir bebês menores que os de controle 31. Todas as mulheres
diminuíram sua frequência respiratória com o desenvolvimento da gestação, realizando
as atividades com mais dificuldade, principalmente nos últimos meses gestacionais, e as
mulheres que realizaram atividade física toleraram melhor a dor do parto do que as
fisicamente inativas 10.
78
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após a realização desta pesquisa, verificou-se que a comparação entre os níveis de
prolactina e a prática de atividade física (GC X GE1) de todas as coletas não
apresentaram resultados significativos (p>0,05). Já nos grupos experimentais (GE2 X
GE3), como os níveis de prolactina foram iguais e significativos (p<0,05), houve
diferença significativa dos níveis de prolactina desses grupos experimentais com a
prática da atividade física durante a gestação.
Na análise da correlação dos níveis de prolactina com o tempo de trabalho de parto
(cesáreo e vaginal), a correlação de Pearson entre o tempo de trabalho de parto cesáreo e
os níveis de prolactina, todos os resultados de r (correlação do coeficiente de Pearson)
apresentaram correlação negativa e não significativa (p> 0,05). Nos trabalhos de parto
vaginal, os níveis de prolactina permanecem constantes nas três coletas sanguíneas
realizadas, e a correlação de Pearson r apresentou baixa relação r =-0,1577 e não
significativo( p<0,05).
A associação entre os níveis de prolactina e o tipo de parto, de acordo com os níveis
hormonais de prolactina coletados, apresentaram valores de p= 0,1577 para as duas
primeiras coletas sanguíneas em todos os grupos, mostrando que não há associação
entre os níveis de prolactina e o tipo de parto (p>0,05). Na terceira coleta também não
ocorreu resultados significativos p=0,3246, isto é, (p>0,05).
Com base nas análises observadas acima, em todos os casos ocorreu resultado
significativo nos níveis hormonais, porém, nas variáveis tipo e tempo de trabalho de
parto, esses níveis hormonais não tiveram significância. A importante correlação
encontrada no presente estudo está nos níveis hormonais de prolactina e a prática da
atividade física aeróbica moderada, sendo o resultado significativo para (p<0,05) nas
comparações dos grupos.
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