INTERVENÇÃO BREVE EM USUÁRIO DE ALCOOL E OUTRAS DROGAS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA (2012) ¹ TEIXEIRA, Joze Karlem da Silva²; SOCCOL, Keity Laís Siepmann3; TERRA, Marlene Gomes4; VASCONCELOS, Raissa Ottes5 ; SILVA, Cristiane Trivisiol da6;XAVIER, Mariane da Silva7 ; SOUTO, Valquíria Toledo 8; RIBEIRO, Danilo Bertasso9 1 Trabalho de Pesquisa. Curso Enfermagem, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Apresentador. Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil. 3, 6,9 Mestrandos do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil. 4 Professora Orientadora do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil. 7 Enfermeira. 58 Acadêmicas do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil. E-mail: [email protected] 2 RESUMO Este tratalho trata-se de um relato de experiência de acadêmicos de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria, do estado do Rio Grande do Sul/Brasil. Tem por objetivo relatar a experiência de um dia de curso do Centro Regional de Referência de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, onde as mesmas prestam monitoria. Os cursos acontecem na própria instituição, sendo que, a temática discutida neste dia foi sobre Intervenção Breve (IB) em usuários de álcool e outras drogas. A partir desse relato de experiência percebe-se a importância da discusão prosseguir, pois a IB tem o objetivo de detectar o problema e motivar o paciente usuário de álcool e outras drogas a alcançar determinadas ações. Palavras-chave: Intervenção Breve; Álcool; Usuário. 1. INTRODUÇÃO O alcoolismo tem sido considerado como um problema de saúde pública, acarretando consequências em todos os setores da vida, sendo uma droga lícita, acessível, subestimada e também considerada psicotrópica. Seu abuso acarreta transtornos físicos e psíquicos, alterando o comportamento e causando prejuízos aos consumidores, sendo esses prejuízos individuais e sociais (PENA, GONÇALVES 2010). O uso problemático de álcool foi escolhido pelo Ministério da Saúde para compor a lista dos dez problemas de saúde a serem priorizadas pelo Programa Saúde da Família. A atenção primária à saúde é 1 uma das mais eficazes formas de ações preventivas, por uma boa relação de custo-efeito e atendimento a um maior número de pessoas, conseguindo realizar uma intervenção antes que o padrão de uso de álcool provoque danos maiores à saúde do individuo (MINTO et al, 2007). A técnica terapêutica concisa e de curta duração, classificada como intervenção breve (IB), tem se tornado uma parte cada vez mais importante no espectro de cuidados disponíveis para o tratamento de problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas (MARQUES; FURTADO, 2004). A IB também pode ser definida segundo a literatura como orientações básicas, intervenções mínimas ou aconselhamento breve, elas podem ser simples recomendações para redução do consumo, fornecidas por um profissional (assistente social, enfermeira ou técnica de enfermagem, entre outros), como também podem incluir uma série de recursos oferecidos em um programa estruturado de tratamento (MARQUES; FURTADO, 2004). Tem-se como estratégia de tratamento para auxiliar o paciente a parar ou reduzir o uso de substâncias psicoativas ou a lidar melhor com outras questões da vida, a IB é uma estratégia onde se oferece uma terapia estruturada de curta duração, normalmente de 5 a 30 minutos (SENAD, 2006). As IBs são constituídas por uma curta sequência de etapas que incluem a identificação e dimensionamento dos problemas ou dos riscos e o oferecimento de aconselhamento, orientação e, em algumas situações, monitoramento periódico do sucesso em atingir metas assumidas voluntariamente pelo paciente. Segundo Marques e Furtado (2004), as IB objetivam, em primeiro lugar detectar o problema e motivar o paciente a alcançar determinadas ações, como por exemplo, iniciar um tratamento ou, melhorar seu nível de informação sobre riscos associados ao uso de álcool ou outras drogas, por meio de um aumento de seu senso de risco e de autocuidado. As IBs são intervenções que podem também complementar atividades assistenciais habituais e que são inseridas na rotina usual de atendimento, ocupando um tempo mínimo, utilizando recursos didáticos para obter rapidamente um maior nível de informação do paciente sobre seus problemas atuais, avaliando e eliciando a motivação para mudança, preparando-o para tomar decisões. Sendo assim, este trabalho tem por objetivo relatar a experiência de um dia de curso do Centro Regional de Referência de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, onde as mesmas prestam monitoria. 2. METODOLOGIA Trata-se de um relato de experiência de acadêmicas do curso de graduação em enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), onde as mesmas também atuam como monitoras dos cursos do Centro Regional de Referência de Enfrentamento ao 2 Crack e outras drogas, onde são ministrados cursos para capacitar profissionais da área da saúde, em relação ao tema crack e outras drogas. Os cursos são realizados na Universidade de Federal de Santa Maria (UFSM), no município de Santa Maria no estado do Rio Grande do Sul (RS). Ocorre uma vez por semana, todos os sábados, nos turnos da manhã e da tarde. Teve início no mês de Abril e continua ocorrendo até o presente momento. Sendo que, o tema abordado e discutido por alunos e coordenadores mediadores do curso neste encontro foi de como fazer uma intervenção breve em usuários de álcool e outras drogas. Tendo como mediadores do assunto os coordenadores do curso, teve-se uma forte discussão onde os alunos que já trabalham diretamente com esses usuários relatavam as suas experiências, como faziam as suas intervenções, sendo trabalhado o tema com forte problematização, sendo encerado com referenciais teóricos pelos coordenadores. 3. RESULTADOS E DISCUSSÕES O assunto em pauta foi de grande relevância para os acadêmicos de todos os cursos e para os profissionais que estavam presentes, já que em breve todos estarão inseridos nos campos de trabalhos com esses usuários, o que também fez render muitas discussões acerca da temática e de como fazer intervenção breve. Os primeiros referenciais teóricos utilizados como fundamentos para a criação deste tipo de intervenção são originários das teorias comportamental e cognitivista. A IB foi proposta como uma abordagem psicoterapêutica para dependentes de álcool, em 1972, por Sanchez-Craig et al, no Canadá. Com a aplicação de quatro sessões focalizadas e simples, seus autores observaram uma redução imediata do consumo de álcool em dependentes graves e, consequentemente, uma melhora na saúde, quando comparada a uma amostra semelhante de pacientes sem tratamento. A IB é uma forma de suporte imediato, que pode ser aplicada em qualquer espaço, com qualquer pessoa que necessite a intervenção. O objetivo fundamental de qualquer IB é reduzir o risco de danos proveniente do uso continuado de substâncias psicoativas ou, mais precisamente, reduzir as chances e condições que favoreçam o desenvolvimento de problemas relacionados ao uso de álcool ou outras substâncias (MARQUES; FURTADO, 2004 ). É essencial que os profissionais se capacitem a respeito de como fazer uma IB, para que se consiga realmente alcançar uma resolutividade. Segundo Ronzani et al., a efetividade da IB foi comprovada quando aplicada por profissionais especializados, porém ainda é preciso que se avalie seu desempenho quando administradas pelos próprios profissionais do serviço, sem estarem qualificados para intervir. Sendo assim, para que uma 3 disseminação de estratégias de implementação de IB seja eficiente, as características de cada serviço e dos profissionais envolvidos precisam ser conhecidas, para que assim se detecte quais fatores facilitam e quais fatores dificultam a implementação adequada dos programas, visando atingir um bom nível de efetividade, pesquisas de avaliação dos processos sobre implementação de rotinas de IB estão sendo realizadas em vários contextos, porém a IB em ambientes de trabalho ainda foi pouco estudada. Sabe-se das dificuldades de se implementar a IB, pois ainda se tem uma visão foca na doença e não na promoção e prevenção da saúde. As dificuldades apresentadas se referem à preservação do enfoque biomédico, ainda, dificuldade para dar continuidade ao trabalho devido à rotatividade dos profissionais por motivos políticos e para estabelecer políticas para áreas de pouco acesso (PIRES; WEBSTER, 2011). Estima-se que no Brasil 17,1% dos homens e 5,7 % das mulheres estejam dependentes de álcool, mas que apenas 4 % deste universo tenham frequentado algum serviço para tratamento (RONZANI et al., 2007). Desta forma, é essencial que se consiga por em prática a IB como uma forma de prevenção dos agravos decorrentes do uso das drogas, más a discussão a respeito da IB é bastante instigante, se tem a teoria, más na hora de colocar em prática constatasse a dificuldade que é para se intervir em um curto espaço de tempo e, que seja uma intervenção eficaz. Constatou-se que alguns profissionais da área da saúde tem muita dificuldade em fazer essa intervenção, porém estão abertos para apreender, enquanto que, outros realizavam nas suas práticas a IB, más relatando várias dificuldades, como por exemplo: conseguir fazer um vinculo em um curto espaço de tempo, não terem uma estrutura adequada, entre outras. Percebe-se o comprometimento por parte dos profissionais em querer resultados possitivos para o seu trabalho, estarem se capacitando para intervir da melhor forma, é prova real disso. 4. CONCLUSÃO Durante o encontro neste dia de curso conseguimos perceber o quanto é importante nos doarmos pela nossa profissão, da importância de se fazer o que se gosta, da responsabilidade que temos como futuros profissionais de enfermagem em cuidar, intervir, acompanhar, respeitar, compreender, aconselhar, ajudar cada um desses usuários dentro da singularidade de cada um. Acredita-se que muitos destes alunos que participaram do curso irão semear e multiplicar, que sejam futuros gestores, enfermeiros, assistentes sociais e etc, que consigam em seus locais de trabalho fazerem muitas intervenções breves e que não esperem de braços cruzados para intervirem quando as doenças já estiverem instaladas, espera-se que como futuros planejadores e ou gestores de saúde, adotem a IB 4 como um recurso básico, economicamente viável e efetivo, para assistência de milhares de pessoas com problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas. Conclui-se que deve-se ter uma visão não focada na doença, mas sim na prevenção e promoção da saúde. A luta é grande, pois não basta apenas nossa intervenção breve, temos que ser muito fortes para que se nossa intervenção breve não funcionar, não desistirmos do nosso paciente, pois certamente ele vai voltar por muitas vezes, e a cada vez que ele voltar temos que atendê-lo como se fosse a primeira. 5. REFERÊNCIAS PENA, Ana Paula Sparapan, GONÇALVES, Jurema Ribeiro Luiz. Assistência de enfermagem aos familiares cuidadores de alcoolistas. SMAD, Rev. eletrônica saúde mental alcool drog; 6 (1):1-13, 2010. MINTO, Elaine Cristina; CORRADI-WEBSTER, Clarissa Mendonça; GORAYEB, Ricardo; LAPREGA, Milton Roberto; FURTADO, Erikson Felipe. Intervenções breves para o uso abusivo de álcool em atenção primária. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília, 16 (3): 207-220, jul-set, 2007. SENAD. Glossário de álcool e drogas. Secretaria Nacional Antidrogas.Brasilia,2006. MARQUES, Ana Cecília Petta Roselli; FURTADO, Erikson Felipe Furtado. Intervenções breves para problemas relacionados ao álcool. Rev Bras Psiquiat 2004; 26(Supl I): 28-32. RONZANI, Telmo Mota; RODRIGUES, Thiago Pavin; BATISTA, Andréia Geraldo; LOURENÇO, Lélio Moura; FORMIGONI, Maria Lucia Oliveira de Souza. Estratégias de rastreamento e intervenções breves para problemas relacionados ao abuso de álcool entre bombeiros. Estudos de Psicologia 2007 12 (3),285-290 PIRES, Rodrigo Otávio Moretti; CORRADI-WEBSTER, Clarissa Mendonça. Implementação de intervenções breves para uso problemático de álcool na atenção primária, em um contexto amazônico Rev. Latino-Am. Enfermagem 2011 May-June; 19 Spe No:813-20 5