Revista Letras & Artes ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 Ano I - nº. 1 Jan-Mar/2014 R$ 7,00 Dia Nacional da Poesia 14 de março 14 de março Dia Nacional da Poesia Castro Alves A poesia é a arte da linguagem humana, do gênero lírico, que expressa sentimento através do ritmo e da palavra cantada. Seus fins estéticos transformaram a forma usual da fala em recursos formais, através das rimas cadenciadas. As poesias fazem adoração a alguém ou a algo, mas pode ser contextualizada dentro do gênero satírico também. Existem três tipos de poesias: as existenciais, que retratam as experiências de vida, a morte, as angústias, a velhice e a solidão; as líricas, que trazem as emoções do autor; e a social, trazendo como temática principal as questões sociais e políticas. A poesia ganhou um dia específico, sendo este criado em homenagem ao poeta brasileiro Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), no dia de seu nascimento, 14 de março. Castro Alves ficou conhecido como o “poeta dos escravos”, pois lutou grandemente pela abolição da escravidão. Além disso, era um grande defensor do sistema republicano de governo, onde o povo elege seu presidente através do voto direto e secreto. Sua indignação quanto ao preconceito racial ficou registrada na poesia “Navio Negreiro”, chegando a fazer um protesto contra a situação em que viviam os negros. Mas seu primeiro poema que retratava a escravidão foi “A Canção do Africano”, publicado em A Primavera. Cursou direito na faculdade do Recife e teve grande participação na vida política da Faculdade, nas sociedades estudantis, onde desde cedo recebera calorosas saudações. Castro Alves era um jovem bonito, esbelto, de pele clara, com uma voz marcante e forte. Sua beleza o fez conquistar a admiração dos homens, mas principalmente as paixões das mulheres, que puderam ser registradas em seus versos, considerados mais tarde como os poemas líricos mais lindos do Brasil. Por Jussara de Barros Graduada em Pedagogia Equipe Brasil Escola www.brasilescola.com Editorial Ao preparar palavras, poemas, entrevistas, curiosidades... para lançar uma nova revista, nos deparamos com fatos novos e desconhecidos, onde empenhamos esforços para conhecer e desvendar os mistérios, com dificuldades, onde estudamos para que tudo se torne possível; com barreiras diversas, quando juntamos forças e coragem para transpô-las. A revista acaba de nascer. São ideias e mais ideias que se unem para formar algo bom, bonito, cultural e informativo. Publicaremos entrevistas, poemas, divulgaremos eventos culturais, e tudo relacionado à linguagem poética e artística. Neste primeiro número de Letras & Artes, os nossos poemas versam sobre eles próprios, em estilo livre, para comemorar o dia da Poesia, em homenagem ao nosso grande poeta Castro Alves, (Antônio Frederico de Castro Alves) que viveu de 14 de marco de 1847 até 6 de Julho de 1871, além de outros poemas de temas livres. Para as demais revistas, além de poesias de estilos livres, escolheremos um estilo diferente para cada uma, o tema será livre. Para a segunda edição o estilo homenageado será o Cordel: quadra, sextilha, setilha, oitava ou décima. Convidamos a todos que divulguem a revista Letras & Artes, nos dê sugestões e envie colaborações para que possamos publicar. Ruth Hellmann L&A Ano I - nº. 1 Jan-Mar/2014 R$ 7,00 14 de março Dia Nacional da Poesia Contato Revista Letras & Artes e-mail: [email protected] www.revistaletraseartes.blogspot.com CEP 79804-970 / Dourados, MS Caixa Postal 177 ISSN 2357-7924 Idealização Ruth Hellmann Revisão Textual Marcos Coelho Projeto Gráfico Rogério Fernandes Lemes 67 9939-4746 Conselho Editorial Heleninha de Oliveira Marcos Coelho Rogério Fernandes Ruth Hellmann ENTREVISTA Heleninha de Oliveira (A poetisa dos sonhos) .......................................03 POESIAS Desculpe-me o Poeta - Cláudio A Broliani.............................................7 As Poesias - Ruth Hellmann ...................................................................7 O Mundo de Eva - Leidyanne Andrade ..................................................8 A gratidão pelo alimento - Rubens Corim ..............................................9 A triste sina do poeta - Davi Roballo......................................................9 Poesia da roça - Eli Coelho.....................................................................10 Inspiração - Aurineide Alencar...............................................................11 Sonatas sem direção - Valleria Gurgel ...................................................12 Palavras ao vento - Sandro Almeida .......................................................12 Eu, Ser e Poesia - Marcos Coelho ..........................................................13 ADL-J - Academia Douradense de Letras Jovem ..................................14 Maranguape, o Brasil nasceu aqui - Nathália Fernandes (ADL-J)........15 Novo Sentimento - Amanda Lima (ADL-J) ...........................................16 Rabiscos - Guilherme Martins (ADL-J) .................................................16 Mãe - Tainá Souza (ADL-J) ...................................................................17 Quando eu vejo - Leonardo Favaro (ADL-J).........................................17 Amo você - Gabriel Rodrigues (ADL-J)................................................18 Aromas do Brasil (e ilustração) - Rogério Fernandes............................19 Vida - Assunta Bortolon .........................................................................20 ANAPE - Associação Naviraiense de Poetas e Escritores ....................21 Ilustrações - Léya Cardoso .....................................................................22 Escadarias... - Alice Hellmann................................................................23 Mulher - Maria A. Pontes.......................................................................24 Poesia viva - Daniel Sabino....................................................................24 Apelo pela vida - Brígido Ibanhes..........................................................25 O que é um Limerique? .........................................................................26 3º Concurso de Poesia da Fundação José Francisco de Sousa ...............28 Atenção Autores! A responsabilidade da sua obra aqui publicada, é sua. Não faça plágio, não publique ofensas a ninguém. Escreva algo belo, poético e assine a sua obra. Nós a divulgamos com alegria! Entrevista “Eu sou a bula de como não ser” Heleninha de Oliveira Maria Helena Izidório de Oliveira, a Heleninha de Oliveira é filha de Manoel de Matos e de Noêmia de Oliveira Matos. Heleninha é natural de Dourados, MS e nasceu no dia 24 de dezembro de 1951. Gentilmente autorizou a publicação de uma entrevista que concedeu para Selmo Vasconcelos, em 2012. L&A: Quem é Heleninha de Oliveira? Heleninha de Oliveira: Na minha infância e adolescência eu brincava e trabalhava no campo, na lida com o rebanho leiteiro, juntamente com meu pai, também, vendia frutas e verduras, de casa em casa, no vilarejo onde residíamos. Mas, em seguida tornei-me costureira para satisfazer minha mãe, era o sonho dela, porém, por pouco tempo. Logo, prestei concurso público para o Ministério da Saúde, onde me aposentei. Sinto-me orgulhosa em ser mãe, avó e bisavó. No entanto, a existência nem sempre nos oferece apenas flores, em alguns momentos colhemos espinhos, ainda assim sou feliz. Sou apaixonada pela vida por mais árdua que ela seja. Creio que estamos aqui para aprendermos e evoluirmos; sinceramente, acredito que não estamos vivendo apenas por A guardiã da Usina Velha viver, com certeza, temos algo a cumprir, ou a escrever, marcar, nesta página chamada (caminhada ou passagem, enquanto, humana que estou). L&A: Quando Heleninha de Oliveira não está escrevendo, o que ela faz? Heleninha de Oliveira: Em circunstâncias especiais discorro sobre a ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 3 Usina Velha, na Academia Douradense de Letras, da qual sou membro fundador, ocupando a cadeira nove, e, a convite de Escolas e Universidades discorro sobre a Usina Senador Filinto Muller/Usina Velha, na própria Ruína, pois foi o que restou da mesma. Recentemente publiquei meu último livro: USINA VELHA: Raios na Chaminé; dessa feita, resgatando parte da história do Estado, Município, Academia Douradense de Letras e a história da decantada Usina. Sou 2ª tesoureira da ADL, Conselheira Fiscal da UBE MS, gestão 2010/2012, e tenho recebido alguma deferência, por conta, do livro e participação referente à cultura local. to algum, ainda assim, tenho parceria em letras de música sertaneja raiz, composta para viola, em parceria com o compositor e músico Benedito José de Freitas, o Dito Freitas. L&A: Quantos e quais os seus livros publicados? Heleninha de Oliveira: São cinco: Poemas e Poesias “Memórias”; Desespero Mudo – poesias; Asas no Tempo, Poesias, Cartas e Conto; Algumas Reflexões (Reflexões) e Usina Velha: Raios na Chaminé (História). Saliento que, meu estilo literário quase sempre versa pelo Místico, Espiritualista, Romântico e Ecológico. “quase tudo para mim se transforma em poesia, pois, a vida em si é o poema”. L&A: Como surgiu seu interesse literário? Heleninha de Oliveira: Aos onze anos, com a leitura do livro Ronda de Estrelas do autor Petrarca Maranhão e também com o incentivo de uma das professoras do ensino fundamental e da diretora. Sempre gostei das Artes em geral, em especial as Belas Letras e a Música Erudita, apesar de não tocar instrumen- 4 “Desejo” - Heleninha de Oliveira (2003) L&A: Em sua opinião, quais os elementos que produzem a poesia? ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 Heleninha de Oliveira: Com certeza vem da memória akáshica, e o canal seja: a música, a paixão e a solidão…, apesar de que “quase” tudo para mim se transforma em poesia, pois, a vida em si é o poema “superar-se-me-nos”, uma eterna busca e aprendizado constante que me faz viajar por universos outros…, e no retorno, contemplar-seme no espelho “Consciência” que é o meu guia…, e, em ruínas: fosforesce-me o plenilúnio sobre as águas errantes, onde o futuro é o ontem e o amanhã o hoje: Letras e Notas Ad Infinitum na memória arquetípica do meu outro eu… L&A: Quais os escritores que você admira? Heleninha de Oliveira: São vários os meus preferidos: Fernando Pessoa; José Mauro de Vasconcelos; Guimarães Rosa; José de Alencar; Florbela Espanca; Dante Alighieri; Antero de Quental; Humberto Del Maestro e muitos outros gênios da literatura. Selmo Vasconcellos é um deles, visto que o admiro profundamente! L&A: Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas? Heleninha de Oliveira: Que o hoje de cada leitor, seja o poema em prosa, escrito com o amor fraterno; ainda que, a vida possa ser brincalhona, festiva, amarga, profunda, superficial ou atrevida, pois algumas vezes o nosso viver exibe-se como trecho de algum conto que não se assemelha aos “Contos de Fadas”, mesmo assim, devemos acreditar no Deus do nosso coração e buscarmos o que temos de melhor em nós para podermos abraçar o nosso semelhante, bem como, abraçar uma árvore que nos energiza, e dessa feita, escrever os nossos registros sem jamais deixar, a fé e a esperança, esquecidas. “A Revista Letras & Artes, com certeza, é um veículo condutor de informações no que tange o seu propósito Lítero-ArtísticoCultural”. L&A: Suas considerações finais. Heleninha de Oliveira: Fiquei profundamente honrada e agradecida aos editores da Revista Letras & Artes, do município de Dourados em Mato Grosso do Sul - Brasil, pelo convite a ocupar uma cadeira na coluna do Conselho Editorial, pois quê é uma Revista que surge com sua direção voltada às Belas Artes, e em especial às Belas Letras. Letras segmentadas; uma maneira inovadora de se apresentar ao seu público ledor. Espaço exclusivo no gênero artístico literário aos amantes das artes em geral. Agradeço ainda a distinção concebida a mim, uma vez que sou a primeira entrevistada desta já inveterada revista poética, que me fez escutar Liras e Violinos, e mais, contemplar Olimpos, através de suas páginas visualizadas no tom dourado de riquezas impares: ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 5 Jorrante do âmago de cada um que compõe este número e outras edições vindouras: Letras brotadas da alma... Entendo que, já no seu primeiro número nos mostra o atributo maior que é o “Saber” em suas formas poéticas, visto que, a Cultura é a manifestação do espírito de maneira intelectual; sapiente e com “o ideal pansófico”. A Revista Letras & Artes, com certeza, é um veículo condutor de Informações no que tange o seu propósito Lítero-ArtísticoCultural. Bem como COMENIUS: Visam passar Conhecimentos. A você que chegou ao final da entrevista: Votos de Luz, Vida, Amor e Paz Profunda. Curriculum Literário resumido de Heleninha de Oliveira Obras publicadas: Poemas e Poesias “MEMÓRIAS” (1990); Desespero Mudo (1991); Asas no Tempo (1998); Bandeira, Logomarca e Selo da ADL (2000); Algumas Reflexões (2001); USINA VELHA: Raios na Chaminé/Resgate Histórico (2010); Jornal Letras Douradenses/Diretor fundador. Obras Inéditas: Poemas de Esperança (poesia); Delírios em Sonhos (poesia); Infinito é o Limite (poesia); Momentos (poesia); Evidências Sutis (poesia); Rasgos na Chaminé (Resgate Histórico); Liberdade Poética (poesia); A Sementinha; (Infantil); ARQUÉTIPOS DE UMA ÉPOCA…: Da Pedra à “Era” da Deidade. “Enígma” - Heleninha de Oliveira (2004) 6 ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 DESCULPE-ME O POETA Cláudio A Broliani Curitiba, PR Prefiro a vida do romance que machuca, à ficção da poesia que conforta. Prefiro o romantismo e suas marcas profundas, às farsas e seus afagos poéticos. Prefiro a verdade poética do romântico, à ilusão romântica do poeta. Prefiro o segundo do romance sem tempo, à eternidade da poesia sem fim. Prefiro o cinza do romance imperfeito, Prefiro a triste lembrança do romance, à cor da poesia sem defeito. à feliz imaginação da poesia. Prefiro o calor de um abraço mudo, às palavras em folhas frias! AS POESIAS Poesias vem da alma e do fundo do coração, são versos, são rimas, são tudo e nada..., pra muito... repletas de alegrias, tristezas e solidão... são palavras que exibem carinho, amor, verdade e saudade.... Germinam, crescem, produzem... e então... Exalam perfumes iguais ao jasmim em um jardim. E... já são poesias que para sempre ficarão. ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 Ruth Hellmann Dourados, MS 7 O MUNDO DE EVA Leidyanne Andrade Cuiabá, MT Aqui, com os pés entre o ferro e o minério transformado e o vácuo do céu. Vejo o restante da cidade enevoada e mais a frente o por do sol, ou quem sabe a morte. Seguro minhas vestes como se sentisse vergonha. Como pode? Anjos não sentem vergonha a não ser que esses desejos tenham me retrocedido. Nunca desisti, mas não posso morrer quando eu mais queria, olho para aquelas almas abaixo e sinto querer estar perto deles. Vou me jogar, sem medo de recomeçar. O anjo caído precisa de cuidados. Quero viver no mundo de Eva sem remorso de perdê-lo, sei que tudo se transformará e não tenho medo, vou me jogar no mundo de Eva do mesmo modo em que me jogo deste prédio, tirando os meus pés do minério, sem medo de não usar minhas asas. 8 ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 Rubens Corim Dourados, MS A GRATIDÃO PELO ALIMENTO A gratidão pelo alimento é preciosa até mesmo o filho de Deus o fez. A palavra gratidão significa agradecimento. (Mateus 14.19). Jesus mandou que a multidão dos que lhe acompanhavam a se assentar a relva, tomou os cinco pães e dois peixes que estavam com os seus discípulos, e erguendo as mãos aos céus deu graças a Deus e mandou que repartisse ao povo. E, quase 5 mil pessoas foram alimentadas. Quando somos gratos a Deus pelo alimento, milagres acontecem ao nosso favor, isto é, milagres da multiplicação do nosso alimento. Antes de colocar o pão em nossa boca, sejamos conscientes do nosso dever de agradecer a Deus pelo alimento. O apóstolo Paulo foi um exemplo de pessoa grata a Deus pelo alimento. (Atos 27.35) Paulo foi mandado de viagem para a Itália, e o navio em que navegava naufragou, e por este motivo, os via- jantes do navio estavam sem comer nada por cerca de quatorze dias. Paulo exortou a todos para comer alguma coisa, pois era para o bem da saúde de todos. Após a exortação, Paulo tomando o pão, deu graças a Deus na presença de todos e partindo o pão a todos começou a comer. A gratidão a Deus pelo alimento é agradável a Deus, pois este ato de Fé e Amor demonstramos a Deus o nosso reconhecimento de quê, em tudo precisamos da ajuda do Senhor. A palavra de Deus exorta: em tudo dai graças, porque essa é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Tenhamos em Deus a nossa gratidão pelo alimento e reconhecimento que Deus acima de Tudo é o nosso provedor em todas as nossas necessidades. Davi Roballo Dourados, MS A TRISTE SINA DO POETA A triste sina Do poeta brasileiro É ser reconhecido E obter sucesso Somente depois de passar Pelas mãos do coveiro... ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 9 Eli Coelho Dourados, MS POESIA DE ROÇA Na roça, a gente vê a lua... Brilha cheia... É dia de colheita noturna, Vamos colher algodão, Que vai nos trazer o ganho, No cinturão rústico, Que a cintura me molda, Que o ganho nos garante. Venho no meio do roçado, Um vagalume brilhante, Voando com esperança, Como nós, só que bem verdinho... Sai, brilhando na escuridão... Em casa, só ascendemos à vida... E, acendemos também o lampião... Minha querida: a lamparina... Com querosene... Êita! Quanta fuligem... Tudo se empreteja... Mas queremos palavras... Com nosso grafite... Caderno simples... 10 Simples compor... Palavras trigueiras... Faceiras, rimas juvenis... Bem estas: roceiras, cristãs... Lembro-me de papai... Com seus repentes... Bem nordestino... Ou mamãe com as poesias... Trazidas na memória... Da vida e da virtude cristã... As palavras inesquecíveis... Quase que cíveis... Do poeta nordestino... Mario Barreto França. “No Calvário ou o Cego Bartimeu” Assim, foi que aprendi... Versos brancos... Meus rascunhos... Que eu cunho... Minhas rimas... Setembrinas... Abençoada por Deus... Acompanhada na Fé, Na Devoção e na Consolação... Do dever... De ser uma rústica poetisa... Que mais fale de campo e de vida... Que conserte e martele... Meus versos, Minhas palavras, hoje, minha poesia. ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 INSPIRAÇÃO Aurineide Alencar Dourados, MS Poesia? Penso que é arte Que de repente parte Torna-se tão profunda! Ocorre quando A nossa alma inunda Mesmo estando moribunda! Poesia? Penso que é arte E que em parte O artista é você! Tenho certeza É aquele que vê Aquele que lê! Poesia? Penso que é arte Glamour, estandarte Não há pessoa triste Quando nessa pessoa A poesia existe E nela persiste. Poesia? Penso que é arte Não descarte Faça sempre poesia Seguindo seu coração E o pensamento em sintonia Saindo da agonia! Nas veredas do cordel ISBN 978-85-64488-27-4 Páginas: 56 Ano: 2013 Poesia? Penso que é arte Então vou dar-te Para que alguém leia! Se o poeta continua E a inspiração semeia Precisa escrever, até na areia! ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 11 SONATAS SEM DIREÇÃO Valleria Gurgel Itabirito, MG A alma solfeja o caminho Na ânsia de mudar a canção Que embala os sons Sem pausas, sem compassos, sem métrica. As portas da maturidade Batem ao tom da consciência Que quer entoar nova melodia Para cantar o mundo Melhor e mais justo. Breve seja o tempo Onde as mínimas sejam as máximas Valores registrados na pauta da vida. PALAVRAS AO VENTO Sandro Almeida Antônio João, MS 12 Deus cruzou o nosso caminho num momento tão sublime me senti sozinho... Confundi-me com esse sorrisinho... Chega mais, aqui bem juntinho... Bem pertinho... Abrace-me apertadinho!!! Só um minutinho... Esqueça o seu mundinho! Venha aqui me dar carinho... Faça-me esquecer, por um instante... Melancolia, paixão, dor incessante... Mesmo que já seja o bastante! Ter um milhão de amigos torna-me mais confiante... Sonhar, pular, andar errante. Viver uma vida emocionante! Mesmo que eu caia, ter alguém que me levante Nesse universo distante, minha vida é abundante Tenho Deus no coração, o resto é restante! ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 Marcos Coelho Dourados, MS EU, SER E POESIA Ando em linhas retas... Palavras saem tortas... Ando em pedras não lapidadas... Palavras saem certas... As letras surgem de lágrimas... Surgem das chuvas... Surgem de brisas... Surgem perdidas... Encontro-as no sorriso... No desabrochar de uma flor... No barraco de lona... A beira da estrada... Numa pena perdida... Voando livre no vento... Como semente voadora... Esperando como o papel... Como o chão... O papel fertiliza a palavra... O chão, a semente. Um agricultor... Outro semeador... Sou um semeador de palavras... De versos em prosas... De prosas em versos... De Música na melodia da palavra... De Palavra na melodia da música... De o simples coaxar no lago... De um sapo ou gritinho de perereca... Ou de um cricrilar dos grilos... Nos sons noturnos... Morcegos... Corujas... Aves noturnas... No tocar no tambor... Cigarras... Na África... No berimbau da capoeira... No som do cavaquinho... Borboletas... No Frevo... Até a sorte de um trevo... Poesia nos paralelepípedos... Joaninhas... No chão de terra... José ou Joaquins... Na cantata do carro de boi... Marias... No som mudo do que já foi... Severinas... Nas lápides guardando despojos... Fúnebres... Seres amados, seres translúcidos... Almas... No mármore da igreja... Na sinfonia dos Anjos... Tudo me envolve como a uma nascente... Brotando gota a gota... Nascendo rio, riacho... Letra a letra, saem: palavras, texto, verso, poesia... Frenesi... Entorpecência... Cadência... Música... Minha própria Alma, meu próprio Ser... Eu, Poeta... Eu, Poesia... Eu, Poema... Eu, verso... Eu, trovas... Eu, todo teoria... Eu, teoria nenhuma... Eu sou a Poesia... Nas palavras, na essência do Poeta... Saúdo a todos e a Poesia... ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 13 Academia Douradense de Letras aposta na nova geração de escritores A Academia Douradense de Letras empossou no dia três de outubro de 2012, no Teatro Municipal de Dourados, doze membros da Academia de Letras Jovem (ADL-Jovem). A ADL-Jovem foi idealizada pelo escritor Brígido Ibanhes, na época presidente da ADL, é inédita no Brasil, sendo Dourados o precursor deste movimento. A academia douradense de Letras completou vinte e um anos no dia 15 de setembro. Os jovens imortais, empossados na academia, vêm de escolas públicas e particulares e já demonstraram talento para a escrita, alguns se destacam em prosa outros em versos. Para que fosse possível a criação desta Academia, foi feito um trabalho de conscientização nas escolas e alguns professores apoiaram a ideia e participaram das reuniões da Academia Douradense de Letras, chamadas de Roda de Tereré. Onde após um ano da criação da ADL-Jovem, houve a sessão solene com a posse dos novos imortais. No grupo são aceitos jovens de ambos os sexos, entre 13 e 17 anos, que permanecerão na entidade até os 21 anos, e depois, se houver vagas, poderão ingressar na Academia Douradense de Letras definitivamente. Os jovens empossados são os seguintes: 14 Alayni Aparecida Gaia dos Santos; Amanda Donzelli Bulcão de Lima; Bruno Palhano Meira; Débora Perentel de Sant'Ana; Gabriel Ribeiro Rodrigues; Guilherme Martins dos Santos; Leonardo Almeida Fávaro; Maria Eduarda Bezerra De Mello; Nathália da Silva Lemes; Sara Jenifer Pontes Pereira; Tainá Souza Miranda; Yan Gabriel Brandão. Os padrinhos e madrinhas de cada empossado são os patronos e patronesses da cadeira. Abrilhantaram o evento, alunos da Escola Municipal Etalívio Penzo, com a Orquestra Didática de Violão do Projeto Clave de Sol, regido pelo professor Delson Roberdo e o coral infantil da Escola MACE, sob a batuta do regente Phillip Guilherme. Destacamos dois nomes: Alayni Aparecida Gaia dos Santos e Guilherme Martins dos Santos, ambos, Violonistas da Orquestra Clave de Sol, os mesmos foram empossados na academia. A acadêmica Heleninha de Oliveira foi quem sugeriu a vestimenta dos jovens e o LEMA da nova Academia de Letras “ab origine ad immortalitatem” (desde a origem, rumo à imortalidade). Fonte: http://www.douradosnews.com.br/dourados/academiadouradense-de-letras-comemora-21-anos-e-aposta-na-novageracao-de-escritores ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 MARANGUAPE, O BRASIL NASCEU AQUI Nathália Fernandes ADL-Jovem / Dourados, MS Acróstico premiado em 11º lugar com Menção Especial no IV Concurso de Maranguape. Maranguape! Amada Terra, onde o Respeito é o que não falta As pessoas são hospitaleiras Não hesitam em servir aos Grandes amigos que Unidos sempre vencem, e Andando juntos, Perdendo ou ganhando Em um mesmo sentimento O maranguapense Brasileiro de coração Resistiu aos holandeses Até brilhar um novo dia, Simplesmente corajoso, Independentes das dificuldades e das Lutas por um mundo melhor Na cultura do café A cidade trabalhou e Simplesmente prosperou, foi Criada em 17 de novembro de 1851 E é terra natal de Capistrano e Chico Anysio; Um Município turístico Madrinha: Ruth Hellmann “A Poetisa das Crianças” Atividade agrícola Que se destaca no cenário nacional Unindo povos, línguas e culturas Independente de crença e religião. ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 15 Amanda Lima ADL-Jovem / Dourados, MS Guilherme Martins ADL-Jovem / Dourados, MS NOVO SENTIMENTO RABISCOS Luz ardente que esquenta a alma, Fogo insensível que não é usado como arma, Mas que prende o sentimento e a memória como refém, Faz meu coração ficar sem razão também... Quando perto, dor e felicidade juntas, e quando longe, ódio, Mas não se misturam, como água e óleo... Felicidade em te ver, E dor quando penso em te perder... Sentimento assim é nomeado de amor, Que dá vontade de cuidá-lo com penhor, não sei quem inventou, não sei de onde vem, Mas inunda no meu peito e me faz ir além... Sinto dor ao saber que não podes ser meu, Angústia que confunde até mesmo eu, Tomara que passe quando estiver perto, pois é ruim me preocupar assim como se nada estivesse certo. Qual seria a melhor forma De expressar o Sentimento? Sorrindo, chorando, cantando, pulando? Não sei! Mas uma delas é escrevendo. Letras Não te Agridem O papel não te machuca O lápis não te fere A borracha apaga o que quer esquecer O caderno guarda os segredos Que só você pode ver. Nos versos vêm as Lembranças, Dos tempos de criança Onde qualquer rabisco no chão Era um Livro feito pelo coração Hoje vejo que sou feliz Com os rabiscos que fiz Com a mãozinha da mamãe Dando aquela ajudinha Hoje posso escrever a minha vida Linha por linha. 16 ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 MÃE Tainá Souza ADL-Jovem / Dourados, MS Mãe... Eu gostaria de te dizer Que eu te amei ontem, Te amo hoje, E sempre te amarei. Mãe... Eu gostaria de te agradecer Por estar do meu lado, Sempre que eu precisei; Por nunca me deixar entristecer. Mãe... A senhora é muito especial; Te amo mais que tudo; Do seu lado, mãe É impossível ver alguém mal. Mãe... Contigo eu sempre estarei; Eu vou te amar pra sempre; Eu prometo que Eu nunca te deixarei. QUANDO EU VEJO Quando eu vejo este lugar Meu coração vai a mil; Jamais pretendo trocar Meu chão, chamado BRASIL. Quando eu vejo este lugar, De beleza sem igual, Local para se encantar Chamado PANTANAL. Leonardo Favaro ADL-Jovem / Dourados, MS Quando eu vejo este lugar, Com muitas árvores e céu azul, Prometo que vou amar Meu MATO GROSSO DO SUL. ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 17 AMO VOCÊ Gabriel Rodrigues ADL-Jovem / Dourados, MS Amar alguém é viajar a uma terra Aonde ninguém vai; Amar alguém é deixar o sentimento Fluir que te deixa incapaz; Amar alguém é sentir arrepio no toque Dos lábios, do beijo apaixonante, Na troca de olhares, No toque do coração. Quando os dois se tornam um só, Neste momento perceba: é o amor! Amo você como o vento que sopra O mundo a fora, Como o sol que raia os dias, Como o brilho de seu sorriso, Como o calor intenso de nosso corpo Você, razão de meu viver; Motivo de meus sorrisos. Uma menina, mulher que, Desde o dia em que a vi Logo percebi que meu amor haveria De brilhar por ali; Como a chuva que cai do céu; Como o canto dos pássaros Ei de dizer até mesmo Quando não a ver: Amo você com a razão De meu viver. Padrinho: Ilson Ozório “O Regionalista” 18 ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 Rogério Fernandes Amambai, MS AROMAS DO BRASIL A mistura das raças Fez do Brasil um bálsamo; Cada etnia contribui com o Aroma de suas culturas. Cada engenho, cada tecnologia, Cada um, dos saberes tradicionais, Perfuma este grande jardim De dimensões continentais. A terra molhada Produz o aroma da fartura; A história produz O aroma das lembranças. Algumas lembranças produzem Cheiro de morte; cheiro forte. Outras lembranças produzem O aroma do pertencimento: Do ‘ser’ brasileiro; Do Brasil da Amazônia; Do bálsamo global; Do mundo, o celeiro. Obras publicadas “O Homem Pós-moderno” - Rogério Fernandes (2014) ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 19 VIDA A vida é como uma viagem de trem; Cheia de embarques e desembarques, De pequenos acidentes pelo caminho, De surpresas agradáveis com alguns embarques e De tristezas com os desembarques. Mas, a vida deve ser um trem. Assunta Bortolon Naviraí, MS Durante a viagem embarcam pessoas que virão ser especiais como você! Às vezes passageiros tão especiais acomodam-se em Vagões diferentes do nosso. Isto nos obriga a fazer esta viagem separados deles, Mas isto não nos impede de com grande dificuldades Atravessarmos nosso vagão e chegarmos até eles. O difícil é aceitarmos que não podemos sentar ao seu lado, Pois outra pessoa está ocupando esse lugar... Agradeço muito por você fazer parte da minha viagem... E por mais que nossos assuntos não estejam lado a lado, Com certeza o vagão é o mesmo... Mas, a vida deve ser um trem. 20 ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 Em 25/10/2011, um grupo de poetas, escritores, apreciadores e intelectuais se reuniram em uma sala na UEMS - Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul e neste dia criaram a ANAPE - Associação Naviraiense de Poetas e Escritores. Em 07/11/2013 lançamos a primeira edição da Revista Literária da ANAPE, em homenagem ao cinquentenário de Naviraí, MS, com patrocínio da Prefeitura Municipal. Membros fundadores Dr. Raphael Chociai (presidente), Estácio Valentim Carlos (VicePresidente), Paulo Hamilton Santos Marinho (1º Secretário), Fátima de Lourdes Ferreira Liuti (2ª Secretária), Ciro José Toaldo (1º Tesoureiro), Diego da Silva Rodrigues (2º Tesoureiro), Assunta Maria Bortolon (Diretora de Eventos), Adriana Bronzatti Teixeira (Assistente de Eventos) e Valdecir dos Santos (Patrimônio). Conselho Fiscal Joana da Silva, Laércio Couto Lemos e Wanderson Pereira de Souza. Redação: Assunta Maria Bortolon Diretora de Eventos 67 3461-5838 ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 21 “degustem apreciando” Léya Coelho Cardoso Aquidauana, Ms 22 Léya é artesã e desenhista de moda; trabalha há muito anos com arte em tecido, bonecas de pano e personagens. Agora está adorando participar como ilustradora de duas obras literárias um romance e um livro de poesias. Ela tem 35 anos de idade e mora em Aquidauana, MS já alguns anos; é natural de Fátima do Sul, MS. Ela é um exemplo de superação, é uma pessoa com necessidades especiais e com outros agravantes na área de sua saúde, porém supera-se com a produção de seus belíssimos trabalhos. Dividi-se em ser mãe de dois filhos lindos Igor e Yasmin, esposa do artesão Jorge Castilho, ser dona de casa e artesã em tecidos e desenhos. Nessa edição, apresenta amostras de seu trabalho na produção cultural do Romance Diana, que está em produção para 2016, com ilustrações maravilhosas de seus personagens. ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 ESCADARIAS... Alice Hellmann Campo Grande, MS O sucesso vem de escada, mas, Desce de elevador... Eu vou de escada para elevar a dor. Pego as pedras e construo uma escada. Todos sobem em busca do topo (da luz). Os caminhos são diferentes, Mas o ápice é o mesmo. Cada degrau é um patamar. Estabilidade e subida, tempo para absorver. Cada um tem seu patamar. A subida deve ser paciente Para que o objetivo seja valorizado. Quanto mais difícil o caminho, Mais valor se dá. Do alto a vista é mais bonita. Seja curta, alta, larga, longa, desnivelada, Nos facilitam subir e descer, Me parece que a vida é um enorme Lance de degraus onde o objetivo É descansar no topo, alguns preferem Descer para conhecer o poço, quedas, Tropeços, atalhos, condição física, bagagem, Peso nos ombros, será que é necessário Ir de rolante ver o redentor? Não seria o aprendizado no percurso mais Importante do que o próprio fim da escada? Desenhos de Alice Hellmann ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 23 MULHER Mulher, geradora da vida, algumas lembradas, outras esquecidas. Maria A. Pontes Dourados, MS Mulher, a razão da vida no mundo bela, feminina de ventre fecundo... Mulher rica ou pobre, negra e branca também todas elas são nobres gerando outro ser. Minha poesia não pode morrer Com ela fico emocionado E ainda mais: Quando sinto-a sinto-me em paz. A beleza dos meus versos Deixam-me sempre Daniel Sabido entusiasmado Amambai, MS Com eles... lhe confesso; Vivo e sinto-me maravilhado. POESIA VIVA Meus versos, meus poemas, Hoje quero declamar Minha poesia... Declamar é minha São tudo, minha grande alegria Se não declamo não vivo satisfação, E não vive minha poesia. 24 Mulher, mãe da vida que Deus escolheu que pena!... muitas esquecidas pelos filhos seus! Que Deus abençoe as mulheres de todas as raças, porque todas elas são cheias de graças! São minha grande emoção de viver Meus versos, meus poemas, Minha poesia... Não são fantasias, não podem morrer. Hoje quero declamar E tudo o que peço E que por mais simples Que seja o verso Não interrompam no que estou a falar Minha poesia é minha voz Não posso nem devo calar-me. ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 APELO PELA VIDA (anti-aborto) Brígido Ibanhes Dourados, MS Eu estou no escuro, Mas meu coraçãozinho já pulsa; Estou ainda disforme, obscuro; Mas, a alma em mim já sopra; Algo me diz que lá fora Existem cores, cascatas, flores e o mar. Faço, então, uma oração à mamãezinha nesta hora, Para não me deixar matar, mas sim, deixar amar Aquela que Deus me predestinou. Mas, se você, mamãe, me matar, Ela não encontrará sua alma gêmea que findou Em mãos brutas que nem souberam me tocar. Por favor, mamãezinha, não me mate, Como um animalzinho que se abate Sem compaixão No coração. Em dezembro de 2013 os escritores/poetas Rubens Corim, Marcos Coelho e Ruth Hellmann organizaram o livro "DOURADOS E SUA NATUREZA EM PROSA, POESIA E CORDEL", uma coletânea escrita por 22 autores, com 230 páginas e muitas fotos da cidade. O valor do livro custa R$ 40 reais para qualquer parte do Brasil. Frete grátis! ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 25 O que é um Limerique? Criado por Jack.aw - Mediawiki Um limerique é um poema curto, cômico e quase musical que beira o absurdo ou o obsceno. Ele foi popularizado em inglês por Edward Lear (e, portanto, o dia do Limerique é celebrado no seu aniversário, 12 de maio). Para escrever um, você precisa de um pouco de prática, mas não vai demorar para você ficar viciado em criar rimas espirituosas e imaginativas. Escrevendo seu próprio Limerique Características básicas - padrão de rimas: são cinco versos: o 1º, o 2º e o 5º rimam entre si, e o 3º e o 4º entre eles. Número de sílabas: o primeiro, segundo e quinto versos devem ter oito ou nove sílabas, enquanto o terceiro e o quarto devem ter cinco ou seis. Métrica: um limerique tem um certo “ritmo” criado pela ênfase dada às sílabas. Verso Anapéstico – duas sílabas curtas seguidas por uma longa (pa-pa-pam, pa-pa-pam) Aqui vai um exemplo (note que a ênfase naturalmente cai nas sílabas em itálico): Es-ta-“rei” a-ma-“nhã” por-a-“qui”/ Es-tu-“dan”-do, o-ter-“ná”-rio-ca-“paz”. Verso Anfíbraco – uma sílaba longa entre duas curtas (pa-pam-pa, pa-pam-pa. Exemplo: No“ber”-ço pen”den”te de “ra”mos flo”ri”dos/Em “que eu” peque”ni”no fe”liz” dormi”ta”va. Os versos podem começar com duas, uma ou ocasionalmente nenhuma sílaba átona. Alguns preferem continuar o ritmo de uma linha para a próxima, especialmente quando uma frase continua na linha seguinte, mas isso não é essencial. Escolha o fim do seu primeiro 26 verso, geralmente um lugar. Por exemplo, São “Pau”lo. Note que a primeira sílaba de Paulo é tônica, resultando em uma sílaba curta no fim do verso. Outro exemplo: Bau”ru”. Note que a segunda sílaba de Bauru é tônica. Pense em diversas palavras que rimem com o fim do primeiro verso. Deixe a história e a graça do seu limerique se originarem das rimas que pensar. Desse modo você vai parecer engraçado, espirituoso e esperto. Exemplo 1: Como a sílaba tônica de Paulo é a primeira, você terá que rimar a palavra toda. Algumas palavras que vêm à mente: alto, falo, calo, calvo, fidalgo. Exemplo 2: Em Bauru a sílaba tônica é a segunda, então você só precisa encontrar uma rima para ela. Algumas palavras que vêm à mente: Canguru, azul, jaburu, baiacu. Anote sua própria lista. Faça associações com as palavras rimadas. Exemplo 1: Com palavras como alto, calvo e fidalgo você pode fazer um limerique sobre um senhor e suas qualidades. Exemplo 2: Com a combinação azul, baiacu e jaburu, você pode pensar em um limerique sobre animais coloridos. Vá pela lista que criou e invente pequenas histórias sobre o que pode ter acontecido e como suas ideias podem estar relacionadas. Escolha uma história que te atraia, e decida quem é a pessoa que você introduz no primeiro verso. O que é importante sobre ela? Você vai se concentrar na profissão ou status social dela, ou na idade, saúde ou fase da vida? Exemplo 1: Para o limerique de São Paulo, você pode escolher a palavra “idoso.” Exemplo 2: Para o limerique de Bauru, você pode escolher “animais”. ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 Escreva o primeiro verso de acordo com a métrica. Exemplo 1: A sílaba tônica de idoso é a segunda. Em São Paulo, a sílaba do meio é a tônica. Isso significa que precisamos de mais três sílabas, e a do meio deve ser tônica. Então temos: “Um homem idoso de São Paulo.” Exemplo 2: Animais é formado por duas sílabas curtas e uma longa. Combinado com Bauru, isso nos deixa com quatro sílabas restantes. Você pode resolver isso, por exemplo, assim: Animais no fogão em Bauru. Escolha uma situação ou ação com a qual começar o limerique. Esse é o início da sua história ou piada. Use uma das rimas da lista. Exemplo 1: “Um homem idoso de São Paulo, era bom, mas um tanto calvo.” Exemplo 2: “Animais no calor de Bauru, era um cachorro e um baiacu.” Note como a rima no verso 2 parece se adequar com o assunto do verso 1, quando na verdade é o contrário. Pense em uma reviravolta para sua história, tendo em mente as rimas do terceiro e quarto verso, mas salve a piada para o último verso. Exemplo 1: Algumas partes da história podem ficar avacalhadas, já que limeriques muitas vezes beiram o obsceno. Por exemplo, você pode fazer os hormônios do herói se descontrolarem (sem deixar muito explícito). Que tal: “Ele sempre sonhava, que uma moça amava”? Exemplo 2: Pensando em baiacu e jaburu, você pode ter percebido como animal é uma palavra com muitas rimas. Volte para a sua lista de rimas e encontre uma boa para encerrar a história com uma boa piada. Essa é a parte mais difícil. Não desanime se os seus primeiros limeriques não são engraçados o bastante. Lembre-se primeiramente de que é tudo uma questão de gosto e em segundo lugar: tudo precisa de prática. Exemplo 1: “Um homem idoso de São Paulo, era bom, mas um tanto calvo. Ele sempre sonhava, que uma moça amava, mas ele caiu do cavalo.” Exemplo 2: “Animais no calor de Bauru, era um cachorro e um baiacu.” “Foram cozidos, quase comidos, mas tinham sabor de jaburu.” Algumas dicas Passe por todo o alfabeto para achar rimas. Isso vai te ajudar a lembrar rapidamente de um grande número de rimas. Por exemplo, pegue a palavra “Wiki” e troque o W por todas as letras do alfabeto. Quando você tiver passado mentalmente por todas as 26 letras, você terá: dique, fique, pique, tique. Também há dicionários de rima que podem ajudar. Tente começar a primeira linha com “Era uma vez um ____ de ____”. Assim fica mais fácil. Escolha animais, plantas ou pessoas como tópicos no começo. Não comece com nada abstrato demais. Se você estiver sem saber como continuar, tente dar uma olhada em alguns limeriques que outras pessoas escreveram. Os limeriques de cada escritor tem sua atmosfera especial. Você nunca sabe qual deles pode quebrar seu bloqueio de escritor. Bata palmas quando ler seus limeriques em voz alta. Isso vai te ajudar com a métrica do poema, e a verificar se está com o ritmo certo. Leia alguns limeriques de Sousândrade. Poemas de amor são difíceis de escrever. Limeriques são piadas, não poemas de amor. Quando você tiver dominado o básico, experimente rima interna, aliteração ou assonância para deixar seu poema ainda mais especial. MINHA TERRA Quando penso em minha terra, No meu peito há uma guerra; Pra lá quero voltar E parar de escutar, A saudade que ainda berra. (Rogério Fernandes) ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 27 Resultado do 3º Concurso de Poesia da Fundação José Francisco de Sousa 1 - Categoria Cordel 1º J. Sousa – Meu pé de juazeiro – Itaporanga, PB. 2º João Zito - Os dramas da violência – Itaporanga, PB. 3º Ruth Hellmann – A lenda da borboleta – Dourados, MS. 4º Ricardo Alexandre Peixoto Barbosa Lampião em Hollywood – Natal, RN. 5º Nicário Palmeira Honorato – Sexo Seguro – Itaporanga, PB. 6º Demir Cabral - Mulher não tem dono – Itaporanga, PB. 7º Rage – Que piada!- Americana, SP. 8º Wlange Keindé Pinho Oliveira – Athayde – Guapimirim, RJ. 9º Hosmá Passos da Silva Filho – Voluntário Esforçado – Piancó, PB. 10º Fabinho do Acordeon – As coisas que lá deixei – Itaporanga, PB. 11º Jucemar Severino de Sousa – Que mundo é esse? – Olho D’água, PB. 12º José Ronaldo Siqueira Mendes – Toada do bom Jesus – Mutum, MG. 13º Joésio de Oliveira Menezes – De janeiro a dezembro – Planaltina, DF. 14º Lucas Feitoza Diniz – Canto I, II, III e IV – Jurema, PE. 15º Aurineide Alencar de Freitas Oliveira – Bênçãos – Dourados, MS. 2 - Categoria Erudito 1º Reginaldo Costa de Albuquerque – O pilão – Campo Grande, MS. 2º Jucemar Severino de Sousa – Transtorno de um desejo – Olho D’água, PB. 3º José Antônio de Sousa Neto – Infante – 28 Belém, Pará. 4º Antônio Pereira da Costa Junior – Menino Morto – Guarabira, PB. 5º Tristão José Macedo – O rapto – Belo Horizonte, MG. 6º Cláudio Bento – O espelho de Narciso – Belo Horizonte, MG. 7º Robison José da Silva – Indigente – Morrinhos, GO. 8º José Eugênio Borges de Almeida – Encontro – Maragogi, AL. 9º André Luiz Soares – Poesia em carne viva – Guarapari, ES. 10º Antônio Cabral Alves de Souza – Fatalidade – Piancó, PB. 11º Ricardo Alexandre Peixoto Barbosa – Poema de uma desmesura – Natal, RN. 12º Paulo Rômulo Aquino de Sousa – Natal de um cético sociável – Iguatu, CE. 13º Fernando Antônio Fonseca – Amor – Belo Horizonte, MG. 14º Jardim – Um dia – Niteroi, RJ. 15º Adriele Reis de Oliveira – Um vendedor de jornais - Simões Filho – BA. 16º Leonardo César Venâncio dos Reis – Algorítmo moderno – São Paulo, SP. 17º Carlos Eduardo Pereira Freitas – Indiferença – Fortaleza, CE. 18º Vânia Campos Machado – Despedida – Katuete, Paraguai. 19º Ruth Hellmann – O mesmo caminho – Dourados, MS. 20º Daniel Perico Graciano – Elegia elétrica – Santa Cruz das Palmeiras, SP. José Francisco de Sousa Neto Diretor-Presidente (83) 9994-2794 e-mail: [email protected] ISSN 2357-7924 Ano I - Edição nº. 1 | Jan-Mar/2014 Anuncie conosco Evento Literário 28/03/2014 às 19h AABB de Dourados-MS Literatura de Cordel e-mail: [email protected] www.revistaletraseartes.blogspot.com.br CEP 79804-970 / Dourados, MS Caixa Postal 177