ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Interfaces da Dança e Estados do Corpo – Setembro/2014 PESQUISA EM DANÇA: FLUXOS DE MAPEAMENTOS, CONSCIÊNCIA, SIGNIFICADO E ESTADOS DO CORPO ARTÍSTICO-PEDAGÓGICO Patrícia Cruz Ferreira (UFBA)* Denise Torraca Soares (UFBA)** RESUMO: O texto reflete sobre a ideia/imagem de relação na pesquisa em dança, de fluxos corporais que possibilitam a tradução da corponectividade (RENGEL, 2007) de espaços artístico-acadêmicos. As autoras propõem pensar como o corpo que pesquisa dança constrói espaços significativos por meio dos próprios processos que o configuram como tal e pelos quais agem no/com o mundo – mapeamentos, memória, consciência, estados do corpo (DAMÁSIO, 2011) e significado/significativo (JOHNSON, 2007). Esses constituíram aspectos fundamentais abordados nas pesquisas de mestrado delas e, aqui, criam novas vinculações/traduções em coautoria. PALAVRAS-CHAVE: Corporais. Pesquisa em Dança. Relação Artístico-Acadêmica. Fluxos RESEARCH IN DANCE: FLOW MAPPINGS, CONSCIOUSNESS, MEANING AND STATES OF ARTISTICEDUCATIONAL BODY ABSTRACT: The text reflects on the idea/image of relationship in research in dance, of physical flows that enable the translation of corponectividade (RENGEL, 2007) of artisticacademic spaces. The authors propose thinking about how the body builds significant dance research spaces through processes that configure themselves as such and for which act on/with the world - maps, memory, consciousness, body states (DAMASIO, 2011) and meaning/significant (JONHSON, 2007). These were key issues addressed in the researches of them and, here, create new linkages/ translations in coauthored. KEYWORDS: Research in Dance. Artistic-Academic Relationship. Flow Body. 1 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Interfaces da Dança e Estados do Corpo – Setembro/2014 Partindo de nossa experiência como pesquisadoras em dança, especialmente nos assuntos abordados em nossas Dissertações de Mestrado (PPGDança/UFBA, 2014), propomos pensar sobre a ideia/imagem de relação na pesquisa em dança, de fluxos corporais que possibilitam a tradução da corponectividade (RENGEL, 2007) e de espaços artístico-acadêmicos. Espaços que se tornam significativos no investigar dança através dos próprios processos pelos quais o corpo age no/conhece o mundo: mapeamentos, memória, consciência, estados corporais. Para tanto, iniciemos a reflexão por meio daquilo do qual tudo emerge: uma experiência, isto é, a experiência relacional entre corpo e ambiente que possibilita algo ser significativo para alguém. Pequeno experimento introdutório: Feche os olhos por alguns instantes. Pense em qualquer objeto, lugar ou pessoa que tenha alguma importância para você em sua vida. Em seguida, abra os olhos. Se, imediatamente, te perguntarem detalhes dessa imagem – do objeto, lugar ou pessoa na qual pensou - por exemplo, como era a imagem, o quando a imagem aconteceu/se fez notável, ou onde ela se localizava no espaço, provavelmente o leitor conseguirá formar alguma resposta. Características como a cor, a forma, o tamanho ou espessura; uma data ou momento temporal - passado, presente ou futuro no qual ela se insere, entre outros, são aspectos possíveis de serem descritos por quem praticou esse exercício. De fato, imagens-ideias não se geram solitariamente, mas por acompanhamentos de outras tantas imagens. Por exemplo, pensemos em uma forma triangular desenhada em um papel. Conforme nossa relação com o objeto (fatores sociais, culturais, emocionais, etc.) e os aspectos qualitativos do desenho, pode-se criar uma diversidade de novas imagens. Poderá, por exemplo, ligar a imagem triangular a ideia de uma casquinha de sorvete, a um telhado de uma casa; interpretá-la como uma possível formação espacial do corpo na organização de uma dança; pode lembrar-se da sensação 2 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Interfaces da Dança e Estados do Corpo – Setembro/2014 de alegria na comemoração de aniversário ao se remeter a um chapéu de festa ou de uma aula de geometria, entre outros. Certamente, para uma pessoa que diante do desenho de um triângulo desconheça culturalmente o que é um triângulo, ou seja, não tenha nenhuma espécie de familiaridade com esse objeto, a interpretação seria diferente. O desenho poderia lhe provocar um encantamento ou estranhamento apenas pelas formas da superfície ilustrada ou pelas suas cores. Ou reagir com curiosidade sobre a origem desse objeto e procurar buscar compreensões sobre aquelas formas, ou, ainda, podem-se até simplesmente concluir que o desenho se trata de algum objeto inútil. Não obstante, imagens – relações - seriam produzidas. Em cada exemplo de tentativas de interpretação e/ou resposta perante o objeto, o leitor teria realizado um recorte do mundo, do seu mundo experienciado, seja no momento atual ou anterior a experiência. Desse modo, relacional, um aluno de dança compreende e é capaz de executar um movimento como o plié, por exemplo, diante do comando de seu professor. Sem a experiência da forma triangular assim como de qualquer outro objeto, movimento, pessoa, lugar, movimento de dança, etc., não haveria sentido e/ou significado nos mesmos. Corpo é inseparável desses. Eles são dependentes do tipo de compreensão e imaginação que fazemos sobre as coisas experimentadas. O significado implica numa relação entre uma pessoa e a experiência perceptual dessa pessoa. Ou seja, o evento do significado sempre envolve uma experiência que é significativa para alguém. De acordo com a ampla e aprofundada explanação de Johnson (2007) sobre significado, sentido e significativo, eles têm a ver com o fato de como uma determinada coisa relata ou se conecta com outras coisas. O significado de algum aspecto de uma experiência são aspectos que estão ligados a outras partes de experiências passadas, presentes e possíveis de serem vividas (futuras). Isto é, não há significado sem o fluxo de experiência de um organismo biológico engajado com seu ambiente. Em outras palavras, o que Johnson (2007) propõe é uma teoria corporificada 1 do significado, na qual este é fundamentado na experiência corporal. 1 Em “Philosophy in the Flesh: The Embodied Mind and Its Challenge to Western Thought” (Filosofia na carne: a mente corporificada e seu desafio ao pensamento ocidental) (1999), o linguista cognitivo George Lakoff e o filósofo Mark Johnson desenvolveram a tese da mente corporificada (embodied mind) a qual 3 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Interfaces da Dança e Estados do Corpo – Setembro/2014 Em sua hipótese, Johnson (2007) defende que os aspectos do significado não são necessariamente conceituais ou proposicionais. O significado envolve a combinação tanto de dimensões conceituais, formais e estruturais quanto principalmente de dimensões não formais, sentidas. Nesse sentido, a operação de construção de significado ou de como algo se torna significativo para alguém surge através das interações corporificadas entre corpo e ambiente, nas quais qualidades ou padrões significantes dentro do fluxo da experiência são selecionados/notados, produzindo sentido e sendo levados adiante em situações possíveis. O que se entende por noções abstratas também é fruto das conexões entre significados sensório-motores e outros aspectos mais complexos do pensamento. Assim, argumentamos, é devido a esses processos corporificados que uma pesquisa em dança - especialmente a articulação artístico-acadêmico-pedagógica na dança - se torna possível e significativa. Cabe aqui salientarmos alguns desses processos corporificados: os mapeamentos cerebrais do corpo, memória, consciência e estados corporais. Para isso, voltemos ao nosso movimento constante de encontro com o mundo. Relação corpo-mundo-ambiente Ao estudar a complexidade dos processos cerebrais humano, Damásio (2011) explica que o cérebro é naturalmente capacitado para criar mapas das estruturas do corpo e de seus respectivos estados funcionais e, como os mapeamentos cerebrais funcionam como base para a ocorrência das imagens mentais, pode-se entender que o corpo é sempre um conteúdo da mente. No processo de mapeamento do corpo, o cérebro percorre um caminho amplamente abrangente de registro de informações, passando por vários mecanismos especiais da percepção. Desde os órgãos internos como o coração e o pulmão, por exemplo, e o sistema de músculos esqueléticos até os mecanismos de percepção argumenta que mente e corpo não são duas coisas separadas, independentes tal como postulado pela tradição metafísica ocidental, a exemplo do cartesianismo. Mente não é uma entidade que está incluída no corpo, mas emerge de e coevolui com corpo, pois é parte dele. O ser humano é um processo orgânico em contínuo desenvolvimento em interação com ambientes complexos. Nele, os sistemas cerebral e sensóriomotores funcionam em codependência. Corporificado (embodied) porque são dimensões que constituem as incessantes experiências corporais humanas, é corpo. 4 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Interfaces da Dança e Estados do Corpo – Setembro/2014 localizados na superfície da pele, nos olhos, nos ouvidos, nas mucosas do olfato e do paladar são cuidadosamente mapeados. Ao interagir com o meio circundante o corpo é afetado em todos os seus aspectos e modos de operar e tudo é registrado pelo cérebro criando as imagens-mapas do corpo. (DAMÁSIO, 2011). Katz (2005) exemplifica como se dão os registros ou padrões de conexões sinápticas quando da interação do corpo e seu objeto, ou sua ação na dança, fato que ela afirma ser resultado de sequências simultâneas de micropercepções e microações em regiões distintas do corpo. Um bailarino flexiona sua perna de base (plié) e desloca o seu quadril para a esquerda do seu tronco. Seus córtices somatosensórios responderão à forma que a perna, o quadril e o tronco tomam nesse deslocamento, a cada um dos movimentos implicados neste deslocamento, à temperatura do ambiente onde ele se encontra, e às mudanças de qualidade (prazer ou desprazer) que tudo isso produz no seu corpo. O cérebro representa o que está fora, mas também registra como o corpo explora o mundo e reage a ele. (KATZ, 2005, p. 231) Desse modo, ao mesmo tempo em que há a interação do corpo com objetos ou eventos do mundo, há uma reação cerebral de registro das mudanças sensitivas e motoras correspondente aos fatos, ou seja, há o registro de cada novo estado corporal. Graças a essa ação corporal continuamente vigilante que são geradas as imagens, os mapas, as representações dos objetos da percepção. Outra decorrência da interação entre corpo e objetos (substâncias, lugares, pessoas, palavras, movimentos, movimentos de dança, etc.) é a capacidade do cérebro de fazer registros de entidades como, por exemplo, da sua aparência e das consequências sensitivas e motoras relacionadas a essa interação, aprendendo tais informações (gerando imagens perceptuais em diferentes domínios sensoriais), preservando-as (armazenando os padrões dessas imagens em algum lugar e de algum modo) e evocando-as (recuperando os padrões) em situações futuras: os registros da memória deste objeto. (DAMÁSIO, 2011). A capacidade do cérebro de mapear o corpo, registrar a memória destes mapas sensoriais e poder reproduzir um conteúdo com certa proximidade do original (evocação parcial do conteúdo) é que possibilita a percepção e recordação de pessoas e eventos, o uso da imaginação e, especialmente, a construção de significado e/ou sentido das coisas no mundo, incluindo para os modos de fazer/ver/pesquisar dança. 5 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Interfaces da Dança e Estados do Corpo – Setembro/2014 Há que se ressaltar que, nessa perspectiva, memória não é um compartimento do cérebro com a função de reter informações inalteráveis. Devido à própria natureza relacional do corpo com seu entorno, refletida na forma da continuidade dos mapeamentos cerebrais do corpo, a memória não pode ser algo estanque. Do contrário, apesar de reter certos padrões de aspectos advindos das experiências perceptuais, essas informações são atualizadas/reorganizadas sempre a cada novo acontecimento. Desse modo, evocar, recuperar, repetir um gesto ou movimento de dança é assumir o elemento criativo na projeção do tempo. Relação artístico-acadêmico-pedagógica: corponectividade na pesquisa em dança A pesquisa em dança é realizada por um corpo, o corpo-pesquisador de dança. Entender corpo é sabê-lo constituído e coimplicado em suas várias dimensões: biológica (que entende o corpo como um organismo biológico em funcionamento, capaz de perceber, se mover, transformar e responder ao seu ambiente); social (o corpo participa de um ambiente humano composto pelas relações intersubjetivas – a comunicação com os outros de significados compartilhados); cultural (nossos ambientes são constituídos por artefatos culturais, instituições, rituais, práticas e modos de interação que moldam os corpos e suas ações); fenomenológicas (é o corpo como nós o experienciamos enquanto viventes, pelo qual temos consciência e percepção de nós mesmos e de estar no mundo); psicológicas, entre outras. (JOHNSON, 2007). Nessas várias instâncias sistêmicas, corpóreas e codependentes, que os processos mentais e o conhecimento são integrados com os sistemas sensório-motores. Mentes e corpos conectados incessantemente com o entorno. Por meio da tradução/reflexão do sentido dado ao termo embodied por Varela, Thompson e Rosch (1993), Rengel (2007) desenvolve o entendimento de corponectividade e corponectivo indicando que corpos e mentes são integrados, estão/são em atividade conjunta. São mutuamente transitados. A palavra/conceito não se remete a ideia de uma conexão que está para acontecer ou de uma ação prestes a ocorrer, mas de algo que já é conectado e está em ação ininterrupta com o entorno. Se o processo de cognição é corpo, logo os processos mentais são corpóreos, são corponectivos e coevoluem junto com o ambiente. Segundo Rengel: 6 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Interfaces da Dança e Estados do Corpo – Setembro/2014 Claro que há várias instâncias sistêmicas corpóreas, porém codependentes. Claro, também, que podemos dizer: padrões mentais, exercício mental, ou experimento mental, por exemplo. Entretanto (e é disso que estamos tratando), fatos menteS são processos que coemergem com os sistemas sensórios-motores. (RENGEL, 2007, p. 38). Desse modo, entendemos uma ação na dança, especialmente o seu pesquisar, como corponectiva porque envolve o corpo em todos os seus aspectos conectados, impossíveis de serem concebidos e constituídos de forma separada. Corponectividade define um estado do corpo, uma situação do corpo que é permanente enquanto somos seres/organismos biológicos em funcionamento. Posicionamo-nos no mundo de modo corponectivo. Ela enfatiza que os processos cognitivos são construídos e constituídos desde a nossa infância (e mesmo anterior a ela), sem cessar, com corpo e por meio de nossas interações com ambientes, sejam eles físicos, sociais, morais, religiosos, familiares, políticos, etc. Conhecemos o mundo, o representamos com nossas capacidades perceptuais junto a processos de raciocínio, de memória, de significação, de consciência, inseparáveis dos contextos. Por isso é que a respeito do processo de consciência, em sua forma elementar, o neurocientista António Damásio (2011) diz que ela [...] é um estado mental que ocorre quando estamos acordados e no qual existe o conhecimento pessoal e privado de nossa existência, situada em relação ao ambiente circundante do momento, seja ele qual for. Necessariamente, os estados mentais conscientes lidam com o conhecimento servindo-se de diferentes materiais sensitivos – corporais, visuais, auditivos etc. – e manifestam propriedades qualitativas diversas para os diferentes fluxos sensitivos. Os estados mentais conscientes são sentidos. (DAMÁSIO, 2011, p. 198) A consciência, então, é um estado e é na consciência da própria pessoa que os processos de significação são originados, que algo se torna significativo, pois ela só pode ser vivenciada a partir da perspectiva de cada um, ou cada uma (cada corpo, cada intérprete, cada dançarino, cada pesquisador). Nossa corponectividade que nos faz sujeitos ativos do nosso desenvolvimento implica em sermos corponectivos com o mundo. (RENGEL, 2007) No universo da dança, especialmente na pesquisa em dança, o corpo não poderia funcionar diferentemente. Plausível argumentar que tais proezas do corpo - tais ações corponectivas de mapas e memorizações, consciência, estados corporais no/com o mundo - concede aos corpos, na experiência da pesquisa em dança, a capacidade de cocriar e transformar 7 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Interfaces da Dança e Estados do Corpo – Setembro/2014 significativamente as informações advindas de suas interações nesse ambiente, seja no seu fazer artístico, pedagógico, político, e, ainda, de outros contextos. O corpo que pesquisa dança se faz por corponectividade, com corpo (tudo funcionando junto: órgãos internos, sistema nervoso, emoções, sentimentos, juízos de valores, raciocínio, memória, esquemas de imagens, etc.) e não apenas por meio dele. Ele se dá em constantes trocas de informação, em fluxos associativos que transitam do domínio da razão, da mente, ao domínio da percepção, do controle motor. Corpo-dançarino, corpo-professor de dança, corpo-aluno de dança, corpoespectador de dança, corpo-crítico de dança, corpo-teórico de dança, corpo-curioso da dança, entre outros, são todos modos de agir no mundo e de buscar compreensões dele e do universo dessa arte, por uma operacionalização corponectiva que se traduz em pesquisa. Pesquisa advinda dos fluxos corporais. Fluxos que possibilitam e traduzem a articulação entre ver/fazer/pesquisar dança, entre a relação artístico-acadêmicapedagógica. E você, leitor que investiga dança, consegue se encontrar em algum(s) do(s) corpo(s) citado(s) acima? Finalizemos a reflexão com uma nova experiência. Pequeno experimento/desenlace: Feche os olhos por alguns instantes. Pense em uma imagem/ideia de pesquisa em dança. Em seguida, abra os olhos. Conforme nossa relação com o objeto sobre o qual se propôs a ser pensado (fatores sociais, culturais, emocionais, políticos, etc.), pode-se criar uma diversidade de imagens a respeito deste. De fato, imagens-ideias não se geram solitariamente, mas por acompanhamentos de outras tantas imagens. Fluxos corporais. Relações. Considerações finais 8 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Interfaces da Dança e Estados do Corpo – Setembro/2014 A forma como experimentamos a arte da dança em seu fazer investigativo decorre de como a entendemos por meio de nossas capacidades sensório-motoras, sistemas emocional e cerebral, de dimensões culturais, psicológicas, sociais, biológicas, etc. – tudo implicado. Os próprios processos que configuram o corpo como tal e pelos quais ele age no/com o mundo – mapeamentos e memória, consciência, estados do corpo (DAMÁSIO, 2011) e significado/significativo (JOHNSON, 2007) possibilitam a tradução da corponectividade (RENGEL, 2007) de espaços artístico-acadêmicos na pesquisa em dança. São processos relacionais, no sentido de que envolve a relação ativa entre corpo, ambiente e todos os aspectos imagináveis da experiência passada, presente ou possível. Uma vez que formam aspectos da experiência são, também, componentes do conhecimento gerado por ela, constituindo corpos, identidades distintas que assim formulam questões e correlacionam informações de modo também distinto. Compreende-se, então, que no ambiente acadêmico, enfatizado aqui como o ambiente de estudo da dança – envolvendo signos verbais e não verbais, esquemas corporais, sensações, etc. - o processo investigativo/comunicacional é mais um resultante dos fluxos corporais. Um transitar de informação geradora e constituinte do processo artístico-acadêmico-pedagógico na dança. Fluxos que evidenciam a articulação entre fazer/ver/pesquisar dança, que possibilitam a experiência artística e acadêmica comungar do mesmo espaço e/ou seguir criando tantos outros para além de formas textuais como essa. Referências DAMÁSIO, António. R. E o cérebro criou o Homem. Tradução de Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. JOHNSON, Mark. The meaning of the body: aesthetics of human understanding. Chicago & London: The University of Chicago Press, 2007. KATZ, Helena. Um, Dois, Três. A dança é o pensamento do corpo. Belo Horizonte: Helena Katz, 2005. LAKOFF, George; JOHNSON, Mark. Philosophy in the flesh: the embodied mind and its challenge western thought. New York: Basic Books, 1999. 9 http://www.portalanda.org.br/anai ANAIS DO III CONGRESSO NACIONAL DE PESQUISADORES EM DANÇA Comitê Interfaces da Dança e Estados do Corpo – Setembro/2014 RENGEL, Lenira Peral. Corponectividade. Comunicação por procedimento metafórico nas mídias e na educação. Tese de Doutorado, Comunicação e Semiótica, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2007. Disponível em: <http://www.sapientia.pucsp.br//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=5263>. Acesso em: 03 mar. 2012. * Mestre em Dança pelo Programa de Pós-Graduação da Escola de Dança Universidade Federal da Bahia – UFBA (2014). Licenciada em Letras (FUNCESI - 2005) e bacharel e licenciada em Dança (UFV - 2011). Membro do Grupo de Pesquisa Corponectivos em Dança, Artes e Interseções coordenado pela Profª. Dra. Lenira Peral Rengel na Escola de Dança (UFBA). E-mail: [email protected] ou [email protected] ** Mestre em Dança pelo Programa de Pós-Graduação da Escola de Dança Universidade Federal da Bahia – UFBA (2014). Licenciada em Pedagogia (UFSC - 2012) e formação Técnica em Dança (FUNCEB - 2008). Membro do Grupo de Pesquisa Corponectivos em Dança, Artes e Interseções coordenado pela Profª. Dra. Lenira Peral Rengel na Escola de Dança (UFBA). E-mail: [email protected]. 10 http://www.portalanda.org.br/anai