FACULDADE DE PARÁ DE MINAS Curso de Administração Bruno Guimarães dos Santos O PERFIL DO EMPREENDENDOR E O SUCESSO EMPRESARIAL: estudo de caso de uma empresa do comércio varejista de vestuário. Pará de Minas 2012 1 Bruno Guimarães dos Santos O PERFIL DO EMPREENDENDOR E O SUCESSO EMPRESARIAL: estudo de caso de uma empresa do comércio varejista de vestuário. Monografia apresentada à coordenação do curso de Administração da Faculdade de Pará de Minas, como requisito parcial para a conclusão do curso de Administração. Orientador: Prof. Esp. Ednei Magela Duarte Pará de Minas 2012 2 Bruno Guimarães dos Santos O PERFIL DO EMPREENDENDOR E O SUCESSO EMPRESARIAL: estudo de caso de uma empresa do comércio varejista de vestuário. Monografia apresentada à Coordenação de Administração da Faculdade de Pará de Minas como requisito parcial para a conclusão do Curso de Administração de Empresas. Aprovada em: _____ / _____ / _____ _______________________________________ Prof. Esp. Ednei Magela Duarte _______________________________________ Prof. Esp. Renato Vasconcelos de Melo 3 Dedico este trabalho a Deus que tornou tantas coisas possíveis na minha vida. Ao meu pai e minha mãe que me conduziram em todas as conquistas. 4 AGRADECIMENTOS Agradeço Deus por estar sempre comigo, pela saúde, felicidade e por ter me dado uma família maravilhosa. Ao meu pai por mostrar que o melhor caminho para o sucesso é a persistência e a determinação. A minha mãe pelo esforço, amor e carinho infinitos dispensados a mim. A minha irmã e meu cunhado pelo incentivo e companheirismo. A minha namorada pela paciência, compreensão, cumplicidade e amor. Ao Professor Ednei Duarte pelo seu empenho, atenção e compromisso durante esse tempo de orientação. Ao Sr. Evander Costa, gestor da Paratex, que de prontidão concordou com o estudo de caso ser feito na sua empresa e por participar da pesquisa. Aos meus familiares e amigos que de alguma forma participaram na conquista desse objetivo. Muito Obrigado! 5 "A mente que se abre a uma nova ideia, jamais voltará a seu tamanho original”. Albert Einstein 6 RESUMO Atualmente, com a globalização e a alta competitividade, o fator determinante para o sucesso empresarial é a postura assumida pelos gestores das organizações. O empreendedorismo significa o estudo voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas à criação de um projeto. Estudos e pesquisas realizados sobre a figura do empreendedor provaram que as características empreendedoras tem uma relação muito estreita com o sucesso empresarial. O objetivo desse estudo é analisar o perfil do empreendedor e a sua influencia no sucesso da empresa. Esse trabalho foi desenvolvido por meio de uma pesquisa realizada com o empreendedor e os colaboradores da Paratex, uma empresa do comércio varejista de vestuário de Pará de Minas, o levantamento de dados foram feitos por meio de entrevista e questionário, correspondendo a pesquisa qualitativa e quantitativa. Os resultados alcançados indicam que o gestor da Paratex possui características de um empreendedor de sucesso. Palavras-chave: Empreendedor. Sucesso empresarial. Empresa. 7 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Gosta de aprender?.............................................................................. 42 Gráfico 2 - Relacionamento (Networking).............................................................. 43 Gráfico 3 - Está atento as oportunidades?............................................................. 44 Gráfico 4 - Segue apenas sua intuição para tomar decisões?............................... 45 Gráfico 5 - Corre riscos calculados? Procura minimizar os riscos?....................... 46 Gráfico 6 - É determinado e dedicado no que faz?................................................ 47 Gráfico 7 - Possui visão de negócios?................................................................... 48 Gráfico 8 - É um bom líder?................................................................................... 49 Gráfico 9 - Sabe motivar seus colaboradores?...................................................... 49 Gráfico 10 - Utiliza a inovação como forma de crescimento para a empresa?...... 50 8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.................................................................................................... 1.1 Considerações iniciais................................................................................... 1.2 Situação problemática................................................................................... 1.3 Objetivo geral.................................................................................................. 1.4 Objetivos específicos..................................................................................... 1.5 Justificativa..................................................................................................... 1.6 Caracterização da Empresa........................................................................... 09 09 09 10 10 10 10 2 REFERENCIAL TEÓRICO.................................................................................. 2.1 História do empreendedorismo..................................................................... 2.2 Conceitos de empreendedorismo................................................................. 2.3 Empreendedorismo no Brasil........................................................................ 2.4 Empreendedorismo por oportunidade e por necessidade......................... 2.5 Intra-empreendedorismo e inovação............................................................ 2.6 O perfil do empreendedor.............................................................................. 2.7 Tipos de empreendedores............................................................................. 2.8 O desafio empreendedor............................................................................... 2.9 O empreendedor como agente de inovação................................................ 2.10 O sucesso das inovações............................................................................ 2.11 O empreendedor e o sucesso empresarial................................................ 2.12 O empreendedorismo e o crescimento econômico.................................. 2.13 O empreendedorismo na atualidade........................................................... 2.14 O compromisso social do empreendedor.................................................. 12 12 14 16 18 19 22 25 28 29 30 31 33 34 36 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS............................................................ 3.1 Conceito de metodologia………………………………….…………………….. 3.2 Tipos de pesquisa.......................................................................................... 3.3 Abordagem...................................................................................................... 3.4 Método de pesquisa....................................................................................... 3.5 Tipos de fontes............................................................................................... 3.6 Seleção da amostra........................................................................................ 3.7 Procedimento para coleta de dados............................................................. 37 37 37 38 38 38 39 39 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS........................................ 4.1 Análise do questionário................................................................................. 4.2 Análise da entrevista...................................................................................... 41 41 50 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................ 5.1 Considerações................................................................................................ 5.2 Sugestões para a empresa............................................................................ 5.3 Limitações da pesquisa................................................................................. 5.4 Sugestões para trabalhos futuros................................................................ 58 58 59 59 59 REFERÊNCIAS...................................................................................................... 60 APÊNDICES........................................................................................................... 63 9 1 INTRODUÇÃO O tema empreendedorismo é um dos mais discutidos na atualidade. O empreendedor se tornou um indivíduo indispensável para o crescimento econômico do país. Diante do mercado competitivo e globalizado o empreendedorismo se tornou o principal caminho para obter sucesso. A inovação e a criatividade são ferramentas poderosas para alcançar êxito em qualquer negócio. Empreendedores são pessoas que agem de forma diferenciada das demais pessoas, ou seja, empreendedor é aquele não mede esforços para a realização de seu sonho, busca alternativas, aliados, transformando o sonho em realidade. Estão sempre a frente dos outros, principalmente por terem iniciativa, determinação, autoconfiança, propensão em assumir riscos, persistência, dentre outros, além de serem ótimo líderes e sendo capaz de identificar oportunidade onde ninguém mais as vê. As características empreendedoras são essenciais, existe uma relação muito estreita entre essas características e o sucesso empresarial. Neste trabalho vamos analisar quais são as influências do empreendedor em uma organização bem sucedida. 1.1 Considerações iniciais O empreendedorismo é hoje um fenômeno global que vem crescendo muito nos últimos anos, e está ganhando importância junto ao meio empresarial e acadêmico. Dessa forma o empreendedor se tornou uma peça muito importante para o desenvolvimento econômico do país, ele possui capacidade para influenciar tanto no ambiente externo como no ambiente interno de seu negócio. O empreendedor também tem a característica de motivar e incentivar outras pessoas, se tornando um exemplo a ser seguido. 1.2 Situação problemática Os brasileiros veem se tornando um dos povos mais empreendedores do mundo. Porém existem aqueles que empreendem sem qualquer tipo de planejamento, dessa forma a chance de fracassar é muito alta. Também há os 10 empreendedores que criam uma empresa do nada e esta se transforma numa organização de sucesso. Diante disso a situação problemática: Qual a influência do empreendedor no sucesso de uma organização? 1.3 Objetivo geral Analisar o perfil do empreendedor da empresa Paratex e verificar sua influência no sucesso da organização. 1.4 Objetivos específicos a) estudar sobre o empreendedorismo, suas origens e teorias, observando as características empreendedoras; b) discorrer sobre a importância do empreendedorismo na sociedade; c) analisar o empreendedor da empresa Paratex, verificando suas características empreendedoras. 1.5 Justificativa Os empreendedores de sucesso e seus empreendimentos estão se tornando essências, eles são vistos como motor da economia, como um agente de inovação e mudanças, capaz de desencadear o crescimento econômico. A motivação para pesquisar o tema decorre do fato de que o perfil do empreendedor representa um dos fatores que influenciam significativamente a gestão de uma empresa e, consequentemente, seu sucesso. Para a organização em estudo identificar tais características empreendedoras e fazer um paralelo com a atual forma de gestão. Dessa forma torna-se relevante a realização do estudo. 1.6 Caracterização da Empresa O estudo de caso será feito em uma empresa do comércio varejista de vestuário de Pará de Minas – MG, a organização foi fundada em 1995, possui sede própria e atualmente conta com 06 funcionários. Sua marca está consolidada em Pará de Minas e a empresa cresce a cada ano. Suas principais atividades são a 11 venda de roupas, calçados e artigos de cama, mesa e banho. O proprietário da empresa se mudou em 1992 para a cidade, é formado em Administração de empresas e acredita que a inovação é a chave para o sucesso. 12 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 História do empreendedorismo De acordo com Dornelas (2001) o exercício do empreendedorismo vem desde a antiguidade, o homem, em todo o tempo inovou, persistiu e utilizou toda sua criatividade para manter-se vivo e sobressair dos demais. Segundo Pereira e Garcia (2006, p. 65): a palavra empreender é derivada de “imprehendere”, do latim, e foi incorporada à língua portuguesa no século XV. A expressão “empreendedor”, segundo o Dicionário Etimológico Nova Fronteira, de 1986, teria surgido na língua portuguesa no século seguinte. Todavia a expressão empreendedorismo parece ter sido originada da tradução da expressão “entrepreneurship”, da língua inglesa, que, por sua vez, é composta da palavra francesa “entrepreneur” e do sufixo inglês “ship”, que indica posição, grau, relação, estado, qualidade, perícia ou habilidade. O empreendedorismo vem desde a época dos homens das cavernas, pois estes empreendiam por necessidade, procuravam novos mercados (eram nômades), eram persistentes (para sobreviver), eram inovadores (criavam armas e descobriam o fogo), planejavam (ataques a grandes animais) e analisavam as oportunidades (sabiam dos riscos, como sair da caverna a noite). Esse exemplo mostra que em todos os tempos o ser humano foi empreendedor, porém às vezes inconsciente e em outras conscientemente. (TOSCANO, 2005). Segundo Dornelas (2001), um primeiro exemplo para a definição de empreendedorismo consciente pode ser creditado a Marco Pólo, pois foi quem colocou em prática a ideia de navegar explorando uma rota comercial da Europa para o Oriente. O que tornou Marco Pólo um empreendedor foi o ato de assinar um contrato com um homem que possuía dinheiro (hoje mais conhecido como capitalista) para vender as mercadorias deste. Enquanto o capitalista era alguém que assumia riscos de forma passiva, Marco Pólo assumia o papel de empreendedor, um aventureiro que assumia os riscos das viagens que eram muitos, atuava ativamente na atividade, correndo todos os riscos físicos e emocionais. Na idade média, o termo empreendedor foi utilizado para definir aquele que gerenciava grandes projetos de produção. O empreendedor nesta época não 13 assumia grandes riscos, pois ele apenas gerenciava os projetos, muitas vezes financiados pelos governos dos países. (DORNELAS, 2001). No século XVII, ocorreram os primeiros indícios de relação entre assumir riscos e empreendedorismo, o empreendedor firmava um acordo contratual com o governo para realizar algum tipo de serviço ou fornecer algum produto. Porém nesta época o governo ficava com uma boa parte dos lucros do empreendedor, este por sua vez acabava ficando com os prejuízos. Richar Cantillon importante escritor e economista do século XVII, identificou o empreendedor como aquele que assumia riscos, diferentes daqueles que fornecia somente o capital. O capitalista e o empreendedor foram finalmente diferenciados, em 1800, provavelmente devido ao inicio da industrialização que ocorria no mundo. Um exemplo foi o caso das pesquisas referentes à eletricidade e química, de Thomas Edison, que só foram possíveis com o auxílio de investidores que financiaram o experimento. No final do século XIX e inicio do século XX, os empreendedores foram frequentemente confundidos com os gerentes ou administradores, (o que ocorre até nos dias atuais), pois com o avanço da tecnologia, crescimento da industrialização no mundo, recursos aplicados, a preocupação da produção em quantidade e qualidade, a busca pelo lucro, fez com as empresas investissem em administradores para manter a vitalidade das grandes indústrias e empresas, por esses motivos muitas vezes os empreendedores eram confundidos com administradores ou simples gerentes. A diferenciação veio com estudos de casos de pessoas que surgiram de pequenas empresas para conquistar o mundo, pessoas que transformaram empresas já desenvolvidas em potencias mundiais de vendas e produção, inovando e desenvolvendo formas de disseminar suas ideias, se tornando uma pessoa que marca a história de uma cidade, país ou até mesmo do mundo. (DORNELAS, 2001). Foi no século XX que se descobriu a importância do empreendedorismo para todas as civilizações, das construções das pirâmides do Egito a descoberta dos raios lasers. A partir do século XX o empreendedorismo foi despertando os interesses de muitos estudiosos para saber o motivo do sucesso destas pessoas. A partir do momento em que os pesquisadores começaram a correlacionar atitudes, características e pontos incomuns, começou-se a criar conceitos e definições baseados em estudos e pesquisas, que davam credibilidade ao processo do empreendedorismo. 14 Somente na década de 90 que a iniciativa privada e as iniciativas de governo dos países começaram a ver que o progresso econômico estava relacionado com o empreendedorismo e o surgimento de pequenos negócios. O crescimento do empreendedorismo na década de 1990 pode ser observado através das ações desenvolvidas ao tema. Um estudo do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) mostra alguns estudos nesse sentido. No final de 1998 o Reino Unido publicou um relatório a respeito do seu futuro competitivo, o qual enfatizava a necessidade de se desenvolver uma série de iniciativas para intensificar o empreendedorismo na região. A Alemanha tem implantado um número crescente de programas que destinam recursos financeiros e apoio na criação de novas empresas. Para se ter uma ideia, na década de 1990, aproximadamente duzentos centros de inovação foram estabelecidos, provendo espaço e outros para empresas start-up (iniciantes). Em 1995, o decênio do empreendedorismo foi lançado na Finlândia. Coordenado pelo Ministério de Comércio e Indústria, o objetivo era dar suporte às iniciativas de criação de novas empresas, com ações em três grandes áreas: criar uma sociedade empreendedora, promover o empreendedorismo como fonte de geração de emprego e incentivas a criação de novas empresas. Em Israel, como resposta ao desafio de assimilar um número crescente de imigrantes, uma gama de iniciativas tem sido implementada por meio do Programa de Incubadoras tecnológicas, com o qual mais de quinhentos negócios já se estabeleceram nas 26 incubadoras do projeto. Na França, há iniciativas para promover o ensino de empreendedorismo nas universidades, particularmente para engajar os estudantes. Incubadoras com sede nas universidades estão sendo criadas. (DORNELAS, 2001). 2.2 Conceitos de empreendedorismo Segundo Dolabela a palavra empreendedorismo é utilizada para identificar pessoas que têm visão, iniciativa, ousadia, coragem e inovam constantemente, transformando o ambiente interno e externo. De acordo com Dolabela (1999a, p. 68): 15 empreendedorismo é um neologismo derivado da livre tradução de entrepreneurship e utilizado para designar os estudos relativos ao empreendedor, seu perfil, suas origens, seu sistema de atividades, seu universo de atuação e é antes de tudo, aquele que se dedica à geração de riquezas em diferentes níveis de conhecimento, inovando e transformando conhecimento em produtos ou serviços em diferentes áreas. Existem muitas definições para o termo empreendedorismo, para Dolabela (1999a) é um fenômeno cultural, expressões, hábitos, práticas e valores das pessoas. Neste sentido, seu objetivo de estudo não é a empresa, mas o indivíduo empreendedor, responsável pela criação do negócio, gestão e posicionamento no mercado. O empreendedorismo ainda não é considerado uma ciência, embora seja uma das áreas onde mais se pesquisa e se publica. Isso quer dizer que ainda não existem paradigmas, padrões que possam nos garantir que, a partir de certas circunstâncias, haverá um empreendedor de sucesso. (DOLABELA, 1999a). É o processo dinâmico de criar mais riqueza. A riqueza criada por indivíduos que assumem os principais riscos em termos de patrimônio, tempo e/ou comprometimento com a carreira ou que proveem valor para algum produto ou serviço. Dessa forma, mesmo que o produto ou serviço não seja novo ou único, o empreendedor cria particularidades para que o valor aumente e para que o seu negócio sobressaia dos demais. (DEJANA, 1989). Empreendedorismo é o processo de criar algo diferente e com valor, dedicando o tempo e esforços necessários, assumindo os riscos financeiros e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação econômica e pessoal. (HISRICH; PETERS, 2004, p. 29). Empreendedorismo significa o estudo voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas à criação de um projeto. Tem origem no termo empreender que significa realizar, fazer ou executar. (DOLABELA, 1999a). É o movimento de mudança causado pelo empreendedor, cuja origem da palavra vem do verbo francês “entrepreneur” que significa aquele que assume riscos e começa algo de novo. (DOLABELA, 1999a). Também conforme Dolabela (1999a) é um fenômeno cultural, ou seja é fruto dos hábitos, práticas e valores das pessoas, ou seja os empreendedores nascem por influência do meio que vivem. 16 O empreendedorismo é o principal caminho para se obter sucesso em um mercado competitivo e globalizado, sendo assim não bastando administrar da forma tradicional, e sim se faz necessário utilizar da criatividade para que os negócios funcionem de forma satisfatória, ou seja, abre-se então espaço para o empreendedorismo. (DORNELAS, 2001). Segundo Dornelas (2001, p. 37): [...] em primeiro lugar o empreendedorismo envolve o processo de criação de algo novo, de valor. Em segundo, o empreendedorismo requer a devoção, o comprometimento de tempo e esforço necessário para fazer a empresa crescer. E em terceiro, o empreendedorismo requer ousadia, que se assumam riscos calculados, que se tomem decisões críticas e que não se desanime com as falhas e erros. Segundo Timmons (apud DOLABELA, 2002, p. 73), “o empreendedorismo é uma revolução silenciosa, que será para o século 21 mais do que a revolução industrial foi para o século 20”. Essa é a sua dimensão e importância na economia mundial na atualidade. 2.3 Empreendedorismo no Brasil O empreendedorismo no Brasil se firmou a partir da década de 90, e desde então cada vez mais vem se destacando e transformando o cenário econômico brasileiro, isso se deve as ações de órgãos como o Sebrae e subsídios governamentais que foram implementados com vistas a desenvolver a iniciativa empreendedora. (DORNELAS, 2001). Segundo Dornelas (2001), o movimento do empreendedorismo no Brasil começou a tomar forma na década de 1990, quando entidades como Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Softex (Sociedade Brasileira para Exportação de Software) foram criadas. Antes disso o empreendedorismo e a criação de empresas não eram temas muito abordados. O Sebrae é um dos órgãos mais conhecidos do empresário de micro e pequena empresa, que busca junto a essa entidade todo suporte de que precisa para iniciar sua empresa, bem como consultorias para resolver pequenos problemas pontuais de seu negócio. O Softex é uma entidade que foi criada com o intuito de levar as empresas de software do país ao mercado externo, por meio de várias 17 ações que proporcionavam ao empresário de informática a capacitação em gestão e tecnologia. (DORNELAS, 2005). Pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (SEBRAE) (2004) revela que, no Brasil, a pequena empresa representa 98,5 % das empresas existentes no país, 60% da oferta de emprego e 21% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. No entanto, segundo pesquisa realizada por essa instituição em 2004 nas cinco regiões brasileiras, em pequenas empresas constituídas e registradas no período de 2000 a 2002, o índice de mortalidade é de 49,4% para empresas com até dois anos de existência, 56,4% para as de três anos e de 59,9% para aquelas com até quatro anos de existência (SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO À MICRO E PEQUENA EMPRESA, 2004). Analisando essa pesquisa fica claro a importância do empreendedorismo para a economia, uma vez que as micros e pequenas empresas representam a maior parte das empresas existentes no Brasil, entretanto em muitas vezes não há o estudo e o planejamento, pois grande parte acabam morrendo nos primeiros anos. Estudo promovido pelo Grupo do Global Entrepreneurship Monitor, liderado pelo Babson College, nos Estados Unidos, e a Lodon Business School na Inglaterra, onde trata do mapeamento da atividade empreendedora dos países, buscando entender o relacionamento entre empreendedorismo e desenvolvimento econômico, e quanto às atividades empreendedoras de um país estão relacionadas à geração de riquezas desse mesmo país, constatou que no caso do Brasil o estudo tem trazido resultados interessantes no tocante às iniciativas empreendedoras, no entanto, por outro lado um dos fatores preocupantes no caso brasileiro é o fato de a maioria dos negócios gerados no país ser baseada no empreendedorismo de necessidade, ou seja, não são baseados na identificação de oportunidades de negócio e na busca da inovação com vistas à criação de negócios diferenciados, mas no suprimento das necessidades básicas de renda daquele que empreende, para que tenha condições de subsistência, mantendo a si e sua família. (DORNELAS, 2005). Com relação ao ensino do empreendedorismo no Brasil Dolabela afirma que no Brasil pode-se dizer que o empreendedorismo está apenas começando, mas os resultados alcançados no ensino indicam que estamos no início de uma revolução silenciosa. O primeiro curso de que se tem notícia na área surgiu em 1981, na 18 Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, São Paulo, por iniciativa do professor Ronald Degen e se chamava “Novos Negócios”. Hashimoto (2006, p. 56) destaca a sociedade brasileira como uma das mais propensas e difusoras do empreendedorismo: pesquisas internacionais apontam o brasileiro como um dos povos mais empreendedores do mundo. Muito desse empreendedorismo se dá por necessidade. Mas muito também é por oportunidade, ou seja, por meio das inovações ou identificação de necessidades não atendidas pelo mercado, que se transformam em novos produtos ou serviços. Os benefícios que o empreendedorismo pode trazer ao Brasil são enormes, e já podem ser vistos nos dias atuais, tanto através do número de entidades que acreditam e estimulam a prática quanto ao crescente surgimento de micros e pequenas empresas. Dolabela (1999a, p. 45) afirma: o empreendedorismo deve conduzir ao desenvolvimento econômico, gerando e distribuindo riquezas e benefícios para a sociedade. Por estar constantemente diante do novo, o empreendedor evolui através de um processo interativo de tentativa e erro; avança em virtude das descobertas que faz, as quais podem se referir a uma infinidade de elementos, como novas oportunidades, novas formas de comercialização, vendas, tecnologia, gestão etc. 2.4 Empreendedorismo por oportunidade e por necessidade A criação de empresas por si só não leva ao desenvolvimento econômico, a não ser que esses negócios estejam focando oportunidades no mercado. Isso passou a ficar claro a partir do estudo anual do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) - utilizada para medir as taxas de empreendedorismo mundial. O GEM diferencia os empreendedores em função de sua motivação para desenvolver um negócio próprio. O objetivo é verificar se as iniciativas empreendedoras decorrem de oportunidades de negócios ou se estão relacionadas à falta de opções no mercado de trabalho. Tem-se, portanto, as taxas de empreendedorismo por oportunidade e por necessidade. Originam-se duas definições de empreendedorismo, a seguir: 19 1) a primeira seria empreendedorismo por oportunidade, em que o empreendedor visionário sabe aonde quer chegar, cria uma empresa com planejamento prévio, tem em mente o crescimento que quer buscar para a empresa e visa à geração de lucros, empregos e riqueza; 2) a segunda definição seria o empreendedorismo por necessidade, em que o candidato a empreendedor se aventura na jornada empreendedora mais por falta de opção, por estar desempregado e não ter alternativas de trabalho. Nesse caso, esses negócios costumam ser criados informalmente, não são planejados de forma adequada e muitos fracassam bastante rápido, não gerando desenvolvimento econômico e agravando as estatísticas de criação e mortalidades de negócios. De acordo com Greco (apud INSTITUTO BRASILEIRO DE QUALIDADE E PRODUTIVIDADE, 2009, p. 3): é impossível saltar, de um dia para o outro, do empreendedorismo por necessidade para o empreendedorismo por oportunidade. Para que isso ocorra, são necessárias medidas de caráter estrutural e, portanto, de longo prazo, relacionadas à educação, a capacitação gerencial, ao desenvolvimento tecnológico, econômico e inovativo. 2.5 Intra-empreendedorismo e inovação De acordo com Drucker (1987, p. 36): o empreendedor vê a mudança como norma e como sendo sadia. Geralmente, ele não provoca a mudança por si mesmo; mas, isto define o empreendedor e o empreendimento, o empreendedor sempre está buscando a mudança, reage e ela, e a explora como sendo uma oportunidade. O mundo tem passado por diversas mudanças, onde muitas invenções mudaram o estilo de vida das pessoas, essas inversões são frutos de inovação, de algo inédito ou de uma nova visão de como utilizar coisas já existentes. Para Dornelas (2001, p. 19): por trás dessa inovações, existem pessoas ou equipes de pessoas com características especiais, que são visionárias, que questionam, que arriscam, que querem algo diferente, que fazem acontecer, que empreende. Os empreendedores são pessoas diferentes, que possuem motivação 20 singular, apaixonadas pelo que fazem, não se contentam em ser mais um na multidão, querem deixar um legado. A inovação de acordo com Dornelas (2001), é um tema que vem sendo discutido dentro das empresas há muito tempo, seu significado está vinculado à mudança, criatividade e transformação, fatores que fazem o diferencial dentro das organizações, pois a inovação é o processo de criação de um novo produto ou serviço e transformação do ambiente onde está inserido. Ângelo (2003, p. 121), afirma que “a criatividade está se constituindo na maior vantagem competitiva no mercado de trabalho [...] criar é uma obrigação de quem pretende crescer na carreira ou fazer prosperar um novo negócio”. Assim Pinchot (1989, p.19-20) afirma que “a inovação rápida e econômica é o principal tipo de vantagem competitiva permanente no século XXI, outros tipos de vantagens competitivas são apenas temporários”. Toda inovação, pequena ou grande, promove certa dose de coragem, visão e o anseio de se comprometer e fazer acontecer, assim os intra-empreendedores possuem persistência desmedida e imaginação sendo estas essências para o sucesso de qualquer ideia nova. A inovação para Drucker (1987, p. 25): é o instrumento específico dos empreendedores, o meio pelo qual eles exploram as mudanças como uma oportunidade para um negócio diferente ou um serviço diferente. [...] Os empreendedores precisam buscar, com propósito deliberado, as fontes de inovação, as mudanças e seus sintomas que indicam oportunidade para que uma inovação tenha êxito. Empreendedores são aqueles que buscam a prática de inovação, não ficam esperando uma solução ou uma Ideia pronta, eles têm iniciativa e tomam ações proativas com finalidade de obterem inovações de forma sistemática. Por serem visionários e não se contentarem com a mesmice, procuram motivações em ações inovadoras. Ou seja, a busca pela inovação é prática comum aos empreendedores, tantos naqueles que abrem seu próprio negócio, ou nos empreendedores coorporativos que também são conhecidos como intra-empreendedores (pessoas que empreendem dentro das organizações). (DORNELAS, 2005). Segundo Dornelas (2005) o empreendedorismo corporativo, ou intraempreendedorismo, não se trata de algo novo ou adaptado, trata-se da ampliação do significado de empreendedorismo e sua aplicação em outras áreas, sem perda conceitual, assim, o empreendedorismo corporativo, define-se como sendo a 21 identificação, o desenvolvimento, a captura e implementação de novas oportunidades de negócios. As corporações necessitam de intra-empreendedores, pessoas inovadoras, competentes, entusiasmadas, além de serem flexíveis, racionais e persistentes, que sabem utilizar os recursos e influenciar pessoas. “Os intra-empreendedores nascem naturalmente dentro das organizações, estas pessoas possuem uma verdadeira paixão por transformar ideias em realidades comerciais”. (PINCHOT, 1989, p. 20). Os intra-empreendedores têm a função de alterar fatores internos e externos à organização, dessa forma Ângelo (2003, p. 28) afirma que: no ambiente externo, será responsável por procurar novos parceiros e investigar novas tecnologias e oportunidades de negócios. No ambiente interno, terá como atribuições mobilizar pessoas, aproveitar inteligentemente recursos materiais e financeiros, potencializar e adaptar os mecanismos produtivos já existentes, modificar hábitos e regularmente prestar contas de suas iniciativas. Geralmente empreendedoras, os ou intra-empreendedores seja, todos os trabalham integrantes são com equipes intra- multifuncionais ou multidisciplinares, desde que todos concordem com a ideia e trabalham consecutivamente para descobrir formas de torná-la real. Para que uma equipe empreendedora sobreviva por mais tempo é necessário à existência de um patrocinador, ou seja, uma pessoa com certa influência que oriente, proteja e dedique recursos à equipe. (PINCHOT, 1989). Para uma empresa ser considerada empreendedora é necessário três normas e práticas em diferentes áreas determinadas por Drucker (1987, p. 210), primeiramente: a organização deve ser receptiva à inovação e predisposta a ver mudança com uma oportunidade e não como ameaça (...) tornar um clima empreendedor. Segundo: apreciação do desempenho (...) inovador, bem como um aprendizado integrado para melhorias no desempenho e por fim, à administração empreendedora requer práticas específicas pertinentes à estrutura organizacional, ao fornecimento de pessoal e gerência e à remuneração, incentivos e recompensas. O empreendedorismo para Dornelas (2005), deve ser implementado dentro das empresas de forma absoluta e não apenas com uma ação isolada. Deve influenciar a maneira de gerir a organização, influenciar na visão, na missão, nas 22 estratégias, objetivos e estrutura, fazendo parte da cultura organizacional, pois a orientação empreendedora tem impacto direto e positivo no desempenho organizacional. 2.6 O perfil do empreendedor De acordo com Dornelas (2005, p. 39), uma das definições mais antigas e que talvez melhor reflita o espírito empreendedor seja de Shumpeter (1959, p. 45): “Empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela exploração de novos recursos materiais”. O empreendedor é aquele que faz as coisas acontecerem, pois além de ser capaz de identificar as oportunidades de mercado, possui uma aguçada sensibilidade financeira e de negócios, para transformar aquela ideia em um fato econômico em seu benefício. Ele busca atender os desejos de seus futuros consumidores como satisfazer as suas necessidades de realização profissional. Outra definição bastante interessante é: o indivíduo que cria uma empresa, qualquer que seja ela; pessoa que compra uma empresa e introduz inovações, assumindo riscos, seja na forma de administrar, vender, fabricar, distribuir, seja na forma de fazer propaganda dos seus produtos e/ou serviços, agregando novos valores; empregado que introduz inovação em uma organização, provocando o surgimento de valores adicionais. (DOLABELA, 1999a, p. 28). Segundo Degen (2005, p. 10) “ser empreendedor significa ter, acima de tudo, a necessidade de realizar coisas novas e por em prática ideias próprias (...)”. “O empreendedor aprende em um clima de emoção e é capaz de assimilar a experiência de terceiros”. (DOLABELA, 1999a, p. 36). “É a pessoa que consegue fazer as coisas acontecerem, pois é dotado de sensibilidade para os negócios, tino financeiro e capacidade de identificar oportunidades”. (CHIAVENATO, 2005, p. 5). “O empreendedor é aquele que faz as coisas acontecerem, se antecipa aos fatos e tem uma visão futura da organização”. (DORNELAS, 2005, p. 17). Conforme Drucker (1987), qualquer indivíduo que tenha à frente uma decisão a tomar pode aprender a ser um empreendedor, se tornar um empreendedor é ter 23 um comportamento e não um traço de personalidade, pois suas bases e aprendizados são conceitos e teorias, não a instituição. Segundo Brito e Wever (2003) as características a seguir são fundamentais para o empreendedor: a) criatividade e inovação: o empreendedor consegue enxergar oportunidades de negócios aonde ninguém mais consegue notar; b) habilidade para aplicar criatividade: ele consegue focar esforços em um único objetivo; c) força de vontade: o empreendedor acredita em suas habilidades para mudanças, te força e paixão para obter o sucesso; d) foco na geração de valor: ele deseja fazer as coisas da melhor forma, do modo mais rápido e mais barato; e) correr riscos: executando distância e quebrando regras. De acordo com o autor Dornelas (2005), o empreendedor para obter sucesso, deve apresentar os seguintes perfis: a) ser visionário: ter a visão de como será o futuro para o seu negócio, e implementar seus sonhos; b) saber tomar decisões: saber tomar a decisão certa na hora certa, principalmente em momentos difíceis, implementando rapidamente suas decisões, sendo isso um fator indispensável para seu sucesso; c) fazer a diferença: transformar ideias em algo concreto e saber agregar valor aos serviços e produtos colocados no mercado; d) explorar o máximo de oportunidades: para os empreendedores os grandes negócios são gerados das ideias que todos conseguem ver, mas não enxergam algo prático para torná-las em oportunidades, pois um bom empreendedor é aquele que inova e consegue identificar uma oportunidade no mercado, sendo um indivíduo curioso, identificador e atento as informações; e) determinação e dinamismo: são características essenciais o comprometimento, superação de adversidades, ultrapassar obstáculos, inconformismo com a rotina e fazer acontecer; 24 f) dedicação: dedicação de 100% de seu tempo ao seu negócio, ser um trabalhador exemplar, mesmo quando encontrar obstáculos pela frente, ter energia para continuar, ser incansável e louco pelo trabalho; g) otimismo e paixão pelo que faz: adorar o trabalho que realiza, ter paixão, é o combustível para manter animação e autodeterminação. O otimismo faz com que o empreendedor tenha visão de seu sucesso e não do fracasso; h) independência e direção do próprio destino: querer ser dono do próprio negócio, ser independente, determinar seu passos, ser patrão e gerar empregos; i) ficar rico: o verdadeiro empreendedor acredita que esse fator não seja o principal, e sim o sucesso, o dinheiro por conseqüência; j) ser líder e formador de equipe: saber que para obter o sucesso precisa de uma equipe competente, tendo assim um sendo de liderança incomum, recrutar as melhores cabeças e conseguir montar um time, sabendo valorizá-los e recompensá-los; k) bem relacionado: saber construir uma rede de contatos, com clientes, fornecedores e a sociedade; l) organizados: alocar recursos materiais, tecnológicos, humanos e financeiros, usando para o melhor desempenho de sua empresa; m) planejar: a cada passo que der tem que planejar, desde uma simples ação até as mais altas estratégias, tendo sempre a visão de seu próprio negócio; n) possuir conhecimento: ter sede pelo conhecimento, pois quanto maior ele for, maior serão as chances de ter êxito. Obter o conhecimento através de experiências, informações, cursos ou até pessoas que tem o mesmo tipo de empreendimento; o) assumir riscos calculados: essa é uma das maiores características dos empreendedores, o verdadeiro empreendedor assume riscos e sabe gerenciá-los, isso tem haver com desafios, e quanto maior mais estimulante é o seu trabalho; p) criar valor para a sociedade: gerar empregos com inovação e dinamismo, usando a criatividade para melhorar a vida das pessoas. 25 2.7 Tipos de empreendedores Segundo Dornelas (2005), não existe apenas um único tipo de empreendedor ou um modelo padrão que possa ser identificado, mesmo que várias pesquisas tenha o objetivo de encontrar um estereótipo universal. Dessa forma é difícil rotulálo. Dornelas (2005) apresenta e define vários tipos de empreendedores, tais como: Empreendedor nato (mitológico): são os mais conhecidos e aclamados. Suas histórias são brilhantes e, muitas vezes começaram do nada e criam grandes impérios. Começaram a trabalhar muito jovens e adquirem habilidades de negociação e de vendas. Geralmente, em países ocidentais, esses empreendedores natos são imigrantes ou seus pais ou avós foram. São visionários, otimistas, estão à frente do seu tempo e comprometem-se 100% para realizar seus sonhos e alcançar seus objetivos. Eles têm como referência os valores religiosos e familiares, e acabam também se tornando uma referência para muita pessoas. Os empreendedores natos admiram a figura paterna/materna ou algum familiar próximo, em poucos casos não tem nenhum caso específicos para citar. Exemplos: Bill Gates, Sílvio Santos, Andrew Carnegie. O Empreendedor que aprende (inesperado): é um tipo de empreendedor muito comum. Normalmente é uma pessoa que, quando menos esperava, se deparou com uma oportunidade de negócio e tomou a decisão de mudar o que fazia na vida para se dedicar ao negócio próprio. É o caso clássico de quando a oportunidade bate à porta. Essa pessoa nunca havia sentido o desejo de tornar um empreendedor, e sim o desejo de construir uma carreira sólida em uma grande empresa. O momento da decisão ocorre quando ele recebe uma proposta de sociedade ou ele próprio percebe que tem condição de criar um negócio próprio. Geralmente a decisão de mudar de carreira demora um pouco, a não ser que esteja para ser demitido, ou já tenha sido demitido. Antes de se tornar um empreendedor, acreditava que não gostava de assumir riscos. Tem que se adaptar às novas situações e se envolver em todas as atividades de um negócio próprio. Quem está pensando em uma alternativa à aposentadoria muitas vezes se encaixa neste tipo. 26 O Empreendedor serial (cria novos negócios): é o empreendedor que é apaixonado pelas empresas que cria, mas principalmente pelo ato de empreender. É uma pessoa que não se contenta em criar um negócio e ficar à frente dele até que se torne uma grande corporação. Como é uma pessoa dinâmica, prefere os desafios e a adrenalina envolvidos na criação de algo novo a assumir a postura de um executivo que lidera grandes equipes. Geralmente está sempre atento a tudo que ocorre ao seu redor e adora conversar com as pessoas, participar de eventos, associações, fazer networking. Para esse tipo de empreendedor tempo é dinheiro. Tem uma habilidade incrível de montar equipes, motivar as pessoas, captar recursos para o inicio do negócio e colocar a empresa em funcionamento. Sua habilidade maior é acreditar nas oportunidades e não descansar enquanto não as vir implementadas. Ao concluir um desafio, sempre procura outro para se manter motivado. Às vezes se envolve em vários negócios ao mesmo tempo e não é incomum ter histórias de fracasso. Mas estas servem de estímulo para superação do próximo desafio. Empreendedor corporativo: esse empreendedor tem ficado em evidência nos últimos anos, devido à necessidade das grandes organizações se renovar, inovar e criar e criar novos negócios. São geralmente executivos muito competentes, com capacidade gerencial e conhecimento de ferramentas administrativas. Trabalham de olho nos resultados para crescer no mundo corporativo. Assumem riscos e tem o desafio de lidar com a falta de autonomia, já que nunca terão o caminho 100% livre para agir. Isso faz com que desenvolvam estratégias avançadas de negociação. São hábeis comunicadores e vendedores de suas ideias. Convencem as pessoas a fazer parte de sua equipe e reconhece o seu empenho. Sabem se autopromover e são ambiciosos. Eles não se contentam com o que ganham e adoram planos com metas ousadas e recompensas variáveis. Podem ter problemas se saírem da corporação, pois estão acostumados com as regalias e o acesso de recursos do mundo corporativo. Empreendedor social: esse tipo de empreendedor tem como missão de vida construir um mundo melhor para as pessoas. Se preocupa com as causas humanitárias com comprometimento singular. Tem um grande desejo de mudar o mundo, proporcionando oportunidades para quem não tem acesso a elas. Suas características são similares as dos demais empreendedores, porém se realizam vendo seus projetos trazerem resultados para os outros e não para si próprios. Os 27 empreendedores sociais são um fenômeno mundial e, principalmente em países em países em desenvolvimento, como o Brasil, têm um papel social extremamente importante, já que preenchem lacunas deixadas pelo poder público, através de suas ações e organizações. É o único tipo de empreendedor que não busca aumentar o patrimônio financeiro e sim tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento das pessoas. Empreendedor por necessidade: esse empreendedor cria o próprio negócio porque não tem alternativa. Normalmente não tem acesso ao mercado de trabalho ou foi demitido. A única opção é trabalhar por conta própria. Geralmente se envolve em negócios informais, desenvolvendo tarefas simples, prestando serviços e conseguindo como resultado pouco retorno financeiro. Esse tipo de empreendedor é um problema para os países em desenvolvimento, pois não contribui para o desenvolvimento econômico. Na realidade eles estão reféns do modelo capitalista atual, porque não tem acesso a recursos, à educação e às mínimas condições de empreender de forma estruturada. Suas iniciativas empreendedoras são simples, geralmente não contribuem com impostos e outras taxas, e acabam por inflar as estatísticas empreendedoras de países em desenvolvimento, como o Brasil. Empreendedor herdeiro (sucessão familiar): esse tipo de empreendedor recebe logo cedo a missão de levar à frente o legado da família. Empresas familiares fazem parte da estrutura empresarial de todos os países, e muitos impérios foram construídos nos últimos anos por famílias empreendedoras, que mostraram a habilidade de passar o bastão a cada nova geração. Mais recentemente, porém, tem ocorrido a chamada profissionalização da gestão de empresas familiares, através da contratração de executivos de mercado para a administração da empresa e da criação de uma estrutura de governança corporativa, com os herdeiros opinando no conselho de administração e não necessariamente assumindo cargos executivos nas empresas. O seu desafio é multiplicar o patrimônio da família, o que está casa vez mais difícil. Ele aprende a arte de empreender com os exemplos da família, e normalmente segue seus passos. Começam cedo na empresa, aprende como o negócio funciona, assume responsabilidades e assumem cargos de direção ainda jovens. Uns têm senso de independência e desejo de inovar, outros são conservadores, preferindo não mudar o que vem dando certo. Existem variações no perfil do empreendedor herdeiro. Eles 28 têm buscado apoio externo, cursos de especialização, programas voltados para empresas familiares, para aumentar a chance de sucesso. O Normal (planejado): é o empreendedor que se planeja, faz lição de casa, busca minimizar os riscos, se preocupa com os próximos passos do negócio, tem uma visão de futuro clara e que trabalha em função de metas. A maioria dos empreendedores não se encaixa na categoria “normal”. Então o empreendedor normal seria o mais completo do ponto de vista da definição de empreendedor e o que a teria como referência a ser seguida, mas quer na prática não representa uma quantidade considerável de empreendedores. Os empreendedores bem-sucedidos na grande maioria das vezes fizeram o planejamento de seu negócio. 2.8 O desafio empreendedor Segundo Degen (2005), todos os dias iniciam-se milhares de empresas, porém poucas têm chance de prosperar. A maioria não passará da mediocridade e muitas irão fracassar, pois são muitos os desafios que envolvem a atividade empreendedora. Neste sentido Dolabela (1999a) destaca alguns dos principais desafios enfrentados pelo empreendedor, tais como: a) desenvolver o conceito de si: a empresa reflete a imagem de seu criador, portanto, é essencial que seu criador se conheça. O autor ressalta que as pessoas só realizam algo caso se julguem capazes de fazê-lo. A autoimagem é a base para a construção da crença individual de que se é capaz de mudar algo no mundo, de inovar e convencer pessoas, traços fundamentais do empreendedor; b) perfil empreendedor: ressalta a importância de se desenvolver ou aprimorar o próprio perfil como empreendedor, no sentido de usar as características individuais para obter sucesso na atividade empreendedora, utilizando-se dos pontos fortes, mudando ou represando pontos fracos, buscando complementaridade com sócios ou colaboradores; c) aumento da criatividade: as pequenas empresas surgem principalmente da identificação e aproveitamento de oportunidades relacionadas a nichos de mercado. Para isso é necessário inovar, criar ou introduzir algo que 29 provavelmente ainda não exista ou adaptar, modificar ou melhorar algo já existente. Portanto, para o autor, a criatividade tem papel essencial na atividade empreendedora; d) processo visionário: identificar oportunidades é a essência da atividade empreendedora. O empreendedor passa a vida toda identificando oportunidades, ou seja, o processo visionário além de ser uma forma de identificar boas oportunidades, é também uma forma de se agarrá-las e buscar recursos para transformá-las em um bom negócio; e) capacitação para negociar e apresentar uma ideia: a negociação é entendida como a cooperação entre pessoas, parceiros, ou empresas, para alcançar objetivos de tal forma que todos saiam ganhando. Negociar é uma atividade do dia-a-dia do empreendedor. 2.9 O empreendedor como agente de inovação A proposta do empreendedor schumpeteriano, como aquele que introduza inovação, gera desequilíbrio e provoca crescimento econômico, não é compartilhada por Kirzner. Shumpeter (1959) destaca papel fundamental da inovação no ato de empreender e seu impacto no crescimento econômico. Diferencia invenções (novas ideias e conceitos) de inovações (uma nova combinação de recursos produtivos). Segundo o autor, o desenvolvimento é possível quando ocorre inovação. Existem segundo ele, cinco diferentes tipos de inovação: a) introdução de novos produtos no mercado ou de produtos já existentes mas melhorados; b) novos métodos de produção; c) abertura de novos mercados; d) utilização de novas fontes de matérias primas; e) surgimento de novas formas de organização de uma indústria. O empreendedor é o agente detentor dos “mecanismos da mudança”, com capacidade de explorar novas oportunidades, pela combinação de recursos diferentes ou diferentes combinações do mesmo recurso. (VALE; WILKINSON; AMÂNCIO, 2008). 30 Conforme Vale, Wilkinson e Amâncio (2008): a temática da inovação e da capacidade empreendedora tem sido intensamente pesquisada. Destaca-se, nesse contexto, a literatura que associa inovação e crescimento econômico. Entre seus expoentes situase Metcalfe (2003). Segundo o autor, para compreender a natureza incansável do capitalismo contemporâneo, é necessário situar a noção do empreendedor no cerne da análise, pois o empreendedor é o agente crucial, cujo papel é de gerar novos conhecimentos econômicos. Salienta que o mais importante aspecto do moderno capitalismo não é, apenas, que o conhecimento gera novos conhecimentos, mas que o empreendedorismo cria mais empreendedorismo, através das instituições do mercado. Para Metcalfe, o capitalismo é fortemente ordenado, mas incansável, pois “como sistema não pode, jamais, estar em equilíbrio, pois o conhecimento não pode nunca estar em equilíbrio” (2003, p. 20, tradução nossa) e o empreendedor é o locus de experimentação na geração de novos conhecimentos. A sociedade moderna caracteriza-se, segundo o autor, não só pela existência de tecnologias sociais cada vez mais ligadas ao conhecimento, mas também pela presença substancial de tecnologias físicas, capazes de armazenar e de transmitir informações, aumentando, de maneira significativa, o número de indivíduos capazes de usufruir de tais condições. Na linha de abordagem neo-schumpeteriana, o empreendedor é um criador ou desbravador de novas oportunidades, capaz de alterar, eventualmente, o próprio paradigma tecnológico ou produtivo existente. 2.10 O sucesso das inovações Embora seja esperado o impacto direto e significativo do empreendedorismo na performance da empresa, seu papel na organização não deve ser restrito, pois o sucesso ao empreendedor difere daquele do administrador. Para o administrador sucesso é tudo que se pode medir como lucro, participação de mercado, preço de ações, retorno do investimento, retorno de ativos, e assim por diante. O administrador não busca alterar a ação produtiva se o lucro continua a crescer. A administração apresenta em geral, um padrão de comportamento ocupado em reconhecer falhas nos processos organizacionais e indicar ações que resolvam problemas. Utiliza da eficácia e eficiência como melhorias incrementais, mas não a inovação em si. O administrador não está profundamente interessado em criar algo novo por uma causa própria. Sucesso para o empreendedor significa engajar-se num processo de “criação destrutiva”, isto é, revolucionar o processo produtivo atual e a dinâmica competitiva, concentrada muitas vezes em custos, ao introduzir um novo produto, novas formas de distribuição, ou novas ideias de comunicação e posicionamento, frequentemente sob condições de riscos e de incertezas. (SHUMPETER, 1959). Portanto para o 31 empreendedor, sucesso está relacionado com a capacidade de inovar, e não restrito ao desempenho. A capacidade de inovar depende da empresa e é definida como a “orientação cultural de uma organização (valores e crenças) frente à inovação” e compõe uma das dimensões do empreendedorismo. Através do processo de orientação empreendedora de identificação de oportunidades, rejuvenescimento de objetivos, renovação e redefinição da própria organização, de seu mercado, ou de sua indústria, que nascem novas ideias de produtos bem-sucedidos. É importante distinguir entre processo e resultado, e, portanto orientação empreendedora e sucesso de inovação são coisas distintas. Dessa forma é possível concluir que a orientação empreendedora da organização terá impacto positivo no sucesso da inovações. (VALE; WILKINSON; AMÂNCIO, 2008). O sucesso das inovações está relacionado com a maximização do desempenho, e esta não precisa ser alcançada através da otimização dos recursos existentes, mas por uma abordagem empreendedora e tolerante ao risco, que desafie o mercado e enfrente incertezas. (SHUMPETER, 1959). Sendo assim o sucesso das inovações influenciará positivamente o desempenho da empresa. 2.11 O empreendedor e o sucesso empresarial Timons (1994 apud DOLABELA, 2002, p. 89) cita alguns segredos para o sucesso do empreendedor: não há segredos. Somente o trabalho duro dará resultados; tão logo surge um segredo, todos o conhecem imediatamente; nada mais importante do que um fluxo de caixa positivo; se você ensina uma pessoa a trabalhar para outras, você a alimenta por um ano; mas, se você a estimula a ser empreendedor, você a alimenta, e a muitas outras, durante toda a vida; não deixe o caixa ficar negativo; o empreendedorismo, antes de ser técnico ou financeiro, é fundamentalmente um processo humano; a felicidade é um fluxo de caixa positivo. Faça o que lhe dá energia. Divirta-se; diga “posso fazer”, em lugar de “não posso fazer” ou “talvez”; Imagine como fazer funcionar algo; Tenacidade e criatividade irão triunfar; Qualquer coisa é possível se você acredita que pode fazê-la; Se você não sabe que não pode ser feito, vá em frente e fará; Veja o copo meio cheio e não meio vazio; Seja insatisfeito com o jeito como as coisas estão e procure melhorá-las; Faça coisas de forma diferente; Não assuma riscos desnecessários, mas assuma um risco calculado se considerar que a oportunidade é certa para você; Os negócios fracassam; Os empreendedores de sucesso aprendem. Mas tente manter baixo o custo do aprendizado; Faça da oportunidade e dos resultados a sua obsessão; Fazer dinheiro é mais divertido do que gastá-lo; Uma equipe constrói um negócio; Um só indivíduo ganha a vida; Tenha orgulho das sua realizações; 32 Isso é contagiante; É mais fácil implorar perdão do que pedir permissão. (TIMONS, 1994 apud DOLABELA, 2002, p. 61). Dutra (2002) afirma que a produtividade nas empresas sempre foi alvo perseguido pela ciência da Administração. Mas a origem deste objetivo organizacional remete a outro, talvez mais importante: o sucesso empresarial. Os estudiosos e outros profissionais buscaram alcançar a eficiência e eficácia nos negócios e encontrar determinantes para seus efeitos, a fim de alcançar meios para garantir o seu sucesso, ou de outra forma, a fim de evitar o seu fracasso. Na Administração, a preocupação crescente com o sucesso e seu estudo nos últimos 10 (dez) anos parecem ter correlação com dois fatos: 1) o declínio de grandes empresas tradicionais e a ascensão de novas empresas líderes; 2) a difusão do conceito de “capital intelectual” (o valor de uma idéia) para compreender as grandes diferenças entre o valor de mercado e o respectivo valor contábil das empresas (DUTRA, 2002, p. 170). A grande quantidade de estudos sobre como o administrador pode obter sucesso aponta vários caminhos, mas não os determina definitivamente. “Não existe nenhuma fórmula capaz de garantir o sucesso”. (DOLABELA, 1999b, p. 92). O próprio conceito de sucesso é muito amplo e discutido em diversas áreas de conhecimento. O sucesso é aquilo que sucede a um resultado, uma conclusão. É algo que teve bom êxito ou resultado feliz. Ele também afirma que o empreendedor tem seu próprio conceito de sucesso. Ele não necessariamente reconhece o sucesso nos termos do conceito de “sucesso empresarial” ou em ganhos materiais. Deste ponto de vista, Solomon e Winslow (1988 apud DUTRA, 2002) realizaram uma entrevista com 61 empreendedores, em que as questões tiveram o propósito de encontrar o perfil deste indivíduo. Sobre o sucesso, perguntou: “Como você define sucesso?” Muitos relataram o sucesso como a independência financeira, mas nenhum indicou desejar uma grande riqueza. Na maior parte da amostra, eles mencionaram a independência, a auto-estima, a autosatisfação, orgulho de fazer um serviço, e prazer. Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000) defendem a idéia de que, no campo do empreendedorismo, a organização empreendedora volta sua atenção para o perfil do empreendedor, como um dos elementos chaves do sucesso. O indivíduo com este perfil lidera a sua organização. Ele estende suas necessidades para a 33 organização e as satisfaz por meio dela. Por esta razão, o sucesso do empreendedor se edifica ou se reflete no sucesso da empresa e vice-versa. Machado e Gimenez (2000) ressaltam que o empreendedorismo é melhor visto como um comportamento transitório, que apresenta muito da situação sendo enfrentada pelo empreendedor. Eles observam nos dirigentes de sucesso características predominantes do empreendedor, conforme exposto na seção anterior. Quer dizer: não há garantias para alcançar sucesso, mas pessoas com estas características têm mais chances de ser bem sucedidas. Há que se considerar, então, que o sucesso ou o fracasso podem aparecer como causas dos resultados das empresas, aos olhos do mercado ou de grupos de stakeholders, e mesmo da sociedade. Mas aos olhos do empreendedor pode ser diferente. Um produto de grande sucesso pode ser originário de um produto ou negócio que fracassaram anteriormente. Os empreendedores têm grande capacidade de aprender com os fracassos. (DOLABELA, 1999b). 2.12 O empreendedorismo e o crescimento econômico Segundo Dolabela (2002) o empreendedorismo maximiza a renda nacional através de criação de novos empregos, o empreendedorismo também atua com uma força positiva no crescimento econômico, ao estimular a interação entre inovação e mercado. Dessa forma, um dos melhores recursos de que dispomos para solucionar os graves problemas socioeconômicos pelos quais o Brasil enfrenta, é a liberação da criatividade dos empreendedores, incentivos e iniciativas a fim de produzir bens e serviços. Empreendedorismo e educação têm uma relação complexa, Bill Gates, criador da Microsoft, e Larry Ellison, que fundou a Oracle, são sempre citados como pessoas que não se graduaram em nenhum curso e tornaram-se membros ilustres da lista dos maiores empreendedores do mundo, além de outra, bem mais atraente, a das pessoas mais ricas do mundo. Segundo Mossato (apud SHUMPETER, 1959, p. 82): o empreendedor é visto como motor da economia, como um agente de inovação e mudanças, capaz de desencadear o crescimento econômico. O empreendedorismo vai além de uma solução do problema do desemprego. 34 A atividade empreendedora promove a iniciativa de liderar e coordenar o esforço no sentido do seu próprio crescimento econômico. Através da indução de atividades inovadoras, capazes de agregar valores econômicos e sociais, é possível alterar a curva de estagnação econômica e social. Dolabela (2002) acredita que o empreendedorismo é o principal fator de crescimento e desenvolvimento econômico de um país. Pois a abertura ou crescimento de um negócio proporciona queda na taxa de desemprego, aumento na renda e consequentemente crescimento para o país. 2.13 O empreendedorismo na atualidade De acordo com Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas (2004), os empreendedores estão entendendo que para iniciar e gerenciar um empreendimento com sustentabilidade, o melhor caminho é sempre o do conhecimento. Quanto mais informação o empresário tiver, mais competitiva será a sua empresa. O Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas tem disponibilizado conhecimento, informação e apoio a um número cada vez maior de empreendedores, e os resultados desses trabalhos estão sendo muito satisfatórios. Uma tendência que vê aumentando segundo o SEBRAE é o aumento do empreendedorismo por oportunidade e uma queda do empreendedorismo por necessidade. Em 2008 foram registrados conforme pesquisa da GEM (Global Entrepreneurship Monitor) uma pesquisa sobre empreendedorismo, dois empreendedores por oportunidade para cada empreendedor por necessidade. Uma vez que esse dados já foram o contrário, é uma excelente notícia. Outra tendência é o aumento da atividade empreendedora entre os mais novos. Jovens entre 18 e 24 anos tiveram a mais alta taxa de empreendedorismo entre as faixas etárias analisadas. (SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO À MICRO E PEQUENA EMPRESA, 2004). No que se refere ao empreendedorismo, existe um equilíbrio entre os gêneros. Foram poucas as diferenças na proporção de participação de homens e mulheres na atividade empreendedora, isso conforme pesquisa da GEM. Em 2009, as mulheres se sobrepuseram aos homens, 53% foram mulheres e 47% homens. Existe uma grande oscilação entre os gêneros, a mulher brasileira é considerada 35 uma das mais empreendedoras do mundo. (GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR, 2005). O empreendedorismo não está ligada ao fato de você estar envolvido com uma empresa global. Não é preciso ter que se desenvolver lá fora, o importante é você dispor de uma equipe bem montada. Desde o primeiro momento, na criação de uma loja ou empresa, o fundamental buscar um time competente. No inicio fala mais alto o lado técnico, aquele que empreende, que vê uma coisa nova e vai atrás de seu sonho. No momento seguinte, quando se impõe a necessidade de crescimento é preciso desenvolver o lado administrativo. O lado empreendedor que mais exige do proprietário é o lado administrativo. Ambos os lados devem andar junto em prol do crescimento da empresa. Existe uma diferença entre ser empreendedor e estar empreendedor: empreender é estar constantemente com uma visão de futuro, é criar condições de prosperidade. O empreendedorismo nunca para e cada vez mais isso vem acontecendo no Brasil. Um dos fatores do empreendedorismo ter crescido no Brasil, foi o fato do Brasil ter se aberto para o exterior. O mercado antigamente ara muito menos competitivo, havia falta de produtos e uma série de regulamentações. No Brasil não podia fazer importação, e dessa forma a demanda era maior que a oferta, não havia a necessidade de ser competitivo. A partir do momento que o Brasil entrou como um país de economia de mercado, com a liberação de importação, as condições melhoraram sensivelmente. Atualmente a sociedade brasileira tem acesso a tudo com a internet, tem a oportunidade de saber o que tem lá fora, a que custo e a que preço. Isso fez com que as empresas instaladas aqui dentro buscassem cada vez mais ter uma melhor qualidade no menor custo possível. Para isso é necessário uma boa gestão. O mesmo vê um diferencial no Brasil, que tem muitos empreendedores porque a diversidade pressiona para a evolução. Os empresários tiveram que lidar com o desafios impostos pelo sistema tributário e financeiro, pelos planos econômicos, o que obrigou as idas e vindas da estratégia empreendedora. 36 2.14 O compromisso social do empreendedor Dornelas (2001, p. 221) afirma que o empreendedor deve ter responsabilidade social e alto comprometimento com o ambiente, segundo ele: o empreendedor deve ter alto comprometimento com o ambiente, em todos os seu aspectos: cidadania, ética, economia, justiça social, ecológica. Fortalecendo e preservando o seu ambiente, contribuindo para a economia, ele estará criando melhores condições para o seu próprio desenvolvimento como cidadão e empreendedor. Ainda de acordo com Dornelas (2001) o empreendedor deve ter a consciência de que só se tem a felicidade plena quando todos os cidadãos ao redor têm um mínimo de dignidade, as opções para se tornar um agente de transformações estão disponíveis. Mesmo não sendo as soluções definitivas, são indicativos de que uma parcela da sociedade já teve a atitude de não esperar que “as coisas” aconteçam e que é possível fazer a diferença. 37 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Esse capítulo apresentará as formas da pesquisa, cujo objetivo é analisar o perfil do empreendedor da Empresa Paratex e sua influência no sucesso da organização. A pesquisa será realizada na empresa Paratex na cidade de Pará de Minas/MG, onde o tipo de pesquisa do estudo e as estratégias para a coleta e tratamento dos dados serão descritos. 3.1 Conceito de metodologia Segundo Richardson (1999) a metodologia são os procedimentos e regras utilizadas por algum método. Por exemplo, o método cientifico é o meio da ciência para chegar a um objetivo. A metodologia são as regras estabelecidas para o método cientifico, por exemplo: a necessidade de observar, analisar, examinar, criar hipóteses e etc. De acordo com Marconi e Lakatos (2006), a metodologia é uma atividade sistemática e racional que, com segurança e economia, permite o alcance dos objetivos, traçando o caminho a ser seguido, detectando erro e auxiliando nas decisões. 3.2 Tipos de pesquisa Com o intuito de atender a abordagem proposta no problema, optou-se por uma pesquisa de natureza exploratória, que segundo Vergara (2000) é realizada em área na qual há pouco conhecimento acumulado e sistematizado que, por sua natureza de sondagem não comporta hipóteses que, todavia, poderão surgir durante ou ao final da pesquisa. Quanto à finalidade, para Gil (2002), essas pesquisas têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a tornálo mais explícito ou a construir hipóteses. Pode-se dizer que estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições. Seu planejamento é, portanto, bastante flexível, de modo que possibilite a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado. 38 Considerando os objetivos apresentados deste estudo, que é identificar a influência do empreendedor no sucesso da organização. 3.3 Abordagem A abordagem será quantitativa e qualitativa. A pesquisa quantitativa traduz em números as opiniões e informações para serem classificadas e analisadas e são utilizadas técnicas estatísticas. Essa será feito através de um questionário aplicado aos funcionários da Paratex, onde eles responderão perguntas sobre o proprietário e empreendedor da organização. A pesquisa qualitativa é descritiva, as informações não podem ser quantificáveis, os dados obtidos são analisados indutivamente. Essa se dará por meio de um questionário com perguntas abertas aplicado ao proprietário e empreendedor da organização. 3.4 Método de pesquisa Considerando os objetivos apresentados neste estudo, acerca do delineamento da pesquisa acredita-se que as finalidades desta pesquisa podem ser alcançadas utilizando o método de estudo de caso, na qual a unidade a ser estudada é a empresa Paratex e consistirá em um estudo de caso único. Para Yin (2005), o estudo de caso significa uma pesquisa empírica e compreende um método abrangente, com a lógica do planejamento, da coleta e da análise de dados. Pode incluir tanto estudos de caso único quanto de múltiplos, assim como abordagens quantitativas e qualitativas de pesquisa. Conforme Vergara (2000), o estudo de caso tem caráter de profundidade e detalhamento, podendo ou não se realizado no campo. 3.5 Tipos de fontes As fontes secundárias serão utilizadas através de pesquisa bibliográfica que explica um problema a partir das referências publicadas em artigos, livros, dissertações e teses, buscando assim fontes referentes ao assunto abordado na pesquisa. 39 Significa o conjunto de textos científicos e livros produzidos relativamente a determinado tema, sendo a pesquisa bibliográfica o exame desse conhecimento já existente, para levantamento e análise do que já foi produzido. As fontes secundárias são as que possuem dados que já foram coletados, tabulados e analisados, e que se encontram disponíveis à consulta. As fontes primárias são as que fornecem dados brutos, ou seja, que nunca foram coletados, tabulados e analisados. Os dados primários serão coletados mediante aplicação de entrevista com o empreendedor da organização em estudo e também por meio da aplicação de questionário com os funcionários da referida empresa. 3.6 Seleção da amostra Para a amostra de pesquisa foram selecionados os funcionários da empresa Paratex, situada na cidade de Pará de Minas – MG, totalizando seis funcionários e o próprio empreendedor da empresa. A amostra desse estudo caracteriza-se como não probabilística e definida pelo critério de tipicidade, que de acordo com Vergara (2000) a amostra por tipicidade é constituída pela seleção de elementos que o pesquisador considere representativos da população alvo, o que requer profundo conhecimento dessa população. 3.7 Procedimento para coleta de dados A coleta dos dados primários deste estudo serão obtidos mediante aplicação de questionários com os funcionários da Paratex, com o intuito de compor um conjunto de informações relevantes acerca do problema da pesquisa. (APÊNDICE A). Cervo e Bervian (1996) assinalam que o questionário representa a técnica de coleta de dados mais utilizada em pesquisas. Para os autores, o questionário representa um meio de obter respostas sobre um assunto de forma que o respondente forneça as informações de seu domínio e conhecimento. Um questionário compreende uma série de perguntas ordenadas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do pesquisador. Cervo e Bervian (1996, p. 40 22) ensinam que “todo questionário deve ser impessoal, para assegurar a uniformidade na avaliação de uma situação”. Para coleta de dados será realizada também uma entrevista com o empreendedor da Paratex, no qual, o motivo para sua escolha consiste em buscar conhecimento minucioso sobre as manifestações do comportamento empreendedor, bem como identificar o seu perfil empreendedor e como ele exerce influência em sua organização. (APÊNDICE B). Conforme Marconi e Lakatos (2006) a entrevista é o encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional. É um procedimento utilizado na investigação social, para a coleta de dados ou para ajudar no diagnóstico ou no tratamento de um problema social. 41 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 4.1 Análise do questionário O trabalho teve como objetivo analisar se existe relação entre o sucesso da empresa e o perfil do empreendedor, os instrumentos para a coleta dos dados foram o questionário aplicado aos funcionários da organização estudada e a entrevista realizada com o empreendedor. Foram utilizadas técnicas de análise quantitativa e qualitativa para analisar os dados. Nesse capítulo serão apresentados e analisados os resultados das informações colhidas através dos instrumentos de coleta de dados, primeiramente será analisado o questionário, logo em seguida a entrevista. O questionário foi formado por 24 questões de múltipla escolha nas quais eram: (insuficiente, suficiente, regular, bom e ótimo) e eram questões voltadas para o perfil do empreendedor baseadas nas características atribuídas pela literatura ao empreendedor de sucesso. De acordo com as repostas obtidas no questionário: a) Conhecimento: Para começar houve duas questões relacionadas a característica conhecimento, a primeira indagava se o empreendedor da Paratex gosta de aprender, ou seja, se busca novos conhecimentos. Dos seis funcionários entrevistados, cinco assinalou a opção ótimo e um a opção bom, o que quer dizer que na visão de seus funcionários o empreendedor sempre busca novos conhecimentos. Outra pergunta sobre essa característica foi se ele conhece o mercado onde atua, todos marcaram a opção ótimo, dessa forma na interpretação de seus colaboradores, ele conhece muito bem o mercado onde atua. O conhecimento é tido como uma das características dos empreendedores de sucesso. De acordo com Dornelas (2005) empreendedores são curiosos por natureza, procuram aprender tudo o que seja relativo ao seu negócio ou mesmo fora dele. Buscam inteirar-se sobre o que acontece no mundo, para isso participam de cursos e palestras, leem jornais e revistas especializadas, comparecem à feiras e congressos, fazem parte de associações voltadas para o segmento em que atuam, 42 visitam periodicamente clientes, concorrentes e fornecedores. Acreditam que o aprendizado traz melhorias a ele e à sua empresa. GRÁFICO 1 – Gosta de aprender? Fonte: dados da pesquisa, 2012. b) Relacionamento (networking) A respeito dessa característica também foram formuladas duas questões. A primeira é se ele é bem relacionado e a segunda é se possui uma rede de contatos bem estabelecida. Em ambas todos os funcionários marcaram a opção ótimo. Essas questões têm como objetivo ressaltar a importância das relações para uma organização, sendo um fator importante para o sucesso. Segundo Dornelas (2005) o empreendedor de sucesso deve ser bem relacionado, construir uma rede de contatos com clientes, fornecedores e a sociedade. Para os empreendedores qualquer ocasião pode transformar-se em um momento para se conhecer pessoas que podem ser úteis, seja na implantação ou no dia-a-dia da empresa. Procuram se relacionar com pessoas diferentes, tais como: gerentes de banco, outros empresários, presidentes de sindicato e associações de classe, fornecedor ou qualquer outro indivíduo que possa estar abrindo as portas e contribuindo para o crescimento da empresa. (Dornelas, 2005). 43 GRÁFICO 2 – Relacionamento (Networking) Fonte: dados da pesquisa, 2012. c) Oportunidade Sobre a característica oportunidade a questão está atento às oportunidades também teve um saldo positivo, dos seis funcionários entrevistados quatro marcaram a opção ótimo e dois marcaram a opção bom. Dessa forma, na visão de seus funcionários o empreendedor percebe e aproveita as oportunidades que aparecem. Conforme Brito (2003) o empreendedor de sucesso deve explorar o máximo de oportunidades, pois ele inova e consegue identificar uma oportunidade no mercado, sendo um indivíduo curioso, identificador e atento as informações. Ainda conforme Brito, empreendedores possuem um senso de oportunidades muito aguçado e onde muitos enxergam dificuldades e ameaças, eles percebem boas oportunidades de negócios. Outra questão ainda na característica oportunidade foi: procura ter conhecimento das necessidades dos clientes? O resultado foi o seguinte: Cinco funcionários marcaram a opção ótimo e um marcou a opção, o que leva a crer que na interpretação dos colaboradores o empreendedor conhece e procura atender as necessidades dos clientes. De acordo com Dornelas (2005), empreendedores conseguem identificar, avaliar e aproveitar rapidamente as oportunidades do mercado. 44 GRÁFICO 3 – Está atento as oportunidades? Fonte: dados da pesquisa, 2012. d) Planejamento Com relação ao planejamento, sabendo de sua importância dentro de uma organização, buscou identificar através de três questões em que são baseadas as decisões do empreendedor da organização estudada, nas quais consistem: a primeira buscava identificar se ele toma decisões apenas pela intuição, de acordo com o gráfico, na visão de seus colaboradores, isso acontece raramente. A segunda pergunta foi se todas as suas decisões são tomadas baseadas no planejamento, cinco marcaram a opção ótimo e um marcou a opção bom, dessa forma, podemos notar que de acordo com os colaboradores ele se planeja antes de tomar alguma decisão. A terceira pergunta foi se utiliza do planejamento, quatro marcaram a opção ótimo, um marcou a opção bom e um preferiu não responder. Para Dornelas (2005), os empreendedores de sucesso planejam cada passo de suas atividades no negócio em que estão envolvidos, sempre tendo como base a forte assimilação da visão da corporação para a qual trabalham. Constantemente, revisam seus planos, levando em conta os resultados obtidos e as mudanças circunstanciais. Segundo Brito (2003), para atingir seus propósitos os empreendedores planejam cuidadosamente suas ações. Para isso definem como alcançar suas metas, quando isso irá ocorrer, quanto vai se gastar e quais pessoas o ajudarão. 45 GRÁFICO 4 – Segue apenas sua intuição para tomar decisões? Fonte: dados da pesquisa, 2012. e) Risco As empresas atualmente, devido a vários fatores estão mais propensas a correr riscos, dessa forma é necessário se preparar, planejar e tomar o controle da situação, para que esses riscos não gerem um fator negativo para a empresa. Com relação ao risco foram formuladas três perguntas. São elas: Corre riscos calculados (analisa tudo antes de agir)? Procura minimizar os riscos? Não gosta de correr riscos? Nas três perguntas todos os funcionários marcaram a opção ótimo. Então, na visão de seus colaboradores o empreendedor sempre analisa tudo antes de agir, corre riscos calculados, procura sempre minimizar os riscos prefere não correr riscos. Segundo Dornelas (2005) empreendedores assumem riscos calculados e moderados. Os riscos são assumidos se as chances de sucesso forem maior que as de fracasso. Isto é o que distingue um empreendedor de aventureiro. Todas as decisões tomadas baseiam-se em dados, informações e números que o empreendedor busca junto ao mercado (clientes, concorrentes, fornecedores, entidades de apoio, e etc.). 46 GRÁFICO 5 – Corre riscos calculados? Procura minimizar os riscos? Fonte: dados da pesquisa, 2012. f) Dedicação Outra característica muito importante também atribuída ao empreendedor é a dedicação, na qual significa que ao ter um empreendimento é preciso ter disposição para investir tempo e algumas vezes abdicar da vida pessoal pela empresa, levando em consideração essa característica foram estabelecidas três questões em que procuravam identificar se o empreendedor da Paratex apresenta aspectos relacionados à dedicação. A primeira indaga se ele é dedicado no que faz, a segunda se ele é apaixonado pelo seu negócio e a terceira se ele é persistente, não desistindo daquilo que deseja. Novamente nas três perguntas, todos os funcionários entrevistados marcaram a opção ótimo. Sendo assim, na visão de seus funcionários, o empreendedor é muito dedicado com sua organização. Para Dornelas (2005) o empreendedor de sucesso deve dedicar 100% do seu tempo ao seu negócio, ser um trabalhador exemplar, mesmo quando encontrar obstáculos pela frente, ter energia para continuar, ser incansável e louco pelo trabalho. Determinação e dinamismo também são características essenciais do empreendedor de sucesso, comprometimento e inconformismo com a rotina. 47 GRÁFICO 6 – É determinado e dedicado no que faz? Fonte: dados da pesquisa, 2012. g) Visão Outra característica muito importante para o sucesso empresarial é visão. É essencial para o empreendedor ter uma visão sistêmica, pois dessa forma ele consegue entender a organização como um todo, conhece o mercado e fica atento as tendências para o futuro do seu segmento. Sobre essa característica foram formuladas duas perguntas. A primeira é se ele possui visão de negócios, todos marcaram a opção ótimo, o que mostra que de acordo com seus colaboradores ele conhece bem e possui uma visão ampla de negócios. A segunda pergunta foi se ele enxerga o que está a sua volta e procura agir de forma planejada. Cinco funcionários marcaram a opção bom e um marcou a opção ótimo, dessa forma, na visão de seus colaboradores ele consegue ter essa visão sistêmica e sempre está atento ao que ocorre a sua volta. Ainda de acordo com Dornelas (2005) o empreendedor de sucesso deve ser um visionário, ter a visão de como será o futuro para o seu negócio. 48 GRÁFICO 7 – Possui visão de negócios? Fonte: dados da pesquisa, 2012. h) Liderança Uma característica indispensável é a liderança, um bom líder consegue motivar e tirar o melhor de seus colaboradores. Na pergunta é um bom líder, três funcionários marcaram a opção ótimo, dois marcaram regular e um preferiu não responder. De acordo com Dornelas (2005) o empreendedor de sucesso deve ser líder e formador de equipe: saber que para obter o sucesso precisa de uma equipe competente, tendo assim um sendo de liderança incomum, recrutar as melhores cabeças e conseguir montar um time, sabendo valorizá-los e recompensá-los. 49 GRÁFICO 8 – É um bom líder? Fonte: dados da pesquisa, 2012. Ainda na característica liderança o aspecto motivação é muito importante. Na pergunta: Sabe motivar seus colaboradores? Dois marcaram regular, três marcaram bom e um marcou ótimo. A capacidade de influenciar pessoas a executar tarefas levando em consideração que cada um tem sua vida pessoal e suas aspirações. O líder dá exemplo, estimula seus colaboradores e os mantêm motivados. GRÁFICO 9 – Sabe motivar seus colaboradores? Fonte: dados da pesquisa, 2012. 50 i) Inovação A busca por inovação tem sido uma constante por parte das empresas, visto em um mercado cada vez mais de incertezas a inovação se tornou um dos mecanismos mais utilizados pelas empresas, visando sua permanência no mercado e ganhar competitividade, com isso é considerada como uma das principais características atribuídas ao empreendedor. Com relação a inovação foram feitas duas perguntas. A primeira: Utiliza a inovação como forma de crescimento para a empresa? Dois funcionários marcaram ótimo, dois marcaram bom, um regular e um preferiu não responder. Sendo assim, podemos observar que não visão de seus colaboradores o empreendedor sempre inova quando é possível. De acordo com Dornelas (2005) a inovação tem a ver com a mudança, fazer as coisas de forma diferente, de criar algo novo, de transformar o ambiente onde se está inserido. É algo mais abrangente que apenas a comum relação que se faz com a criação de novos produtos ou serviços. GRÁFICO 10 – Utiliza a inovação como forma de crescimento para a empresa? Fonte: dados da pesquisa, 2012. 4.2 Análise da entrevista Nessa parte será feita a análise qualitativa dos dados obtidos através da entrevista. A entrevista foi feita através de um questionário com perguntas abertas. A 51 transcrição da entrevista será de acordo com as perguntas que foram feitas ao entrevistado, visando selecionar e destacar as informações mais relevantes para a pesquisa. Na primeira pergunta feita ao entrevistado foi indagado qual motivo teria levado a empreender e porque escolheu o segmento em que atua. Ele respondeu: “A vontade de ter o próprio negócio e a necessidade de gerar renda, após sair de uma empresa na qual trabalhei por seis anos. Quanto a escolha do segmento foi natural uma vez que já existia na minha família uma tradição neste ramo”. Através da resposta é possível identificar que o empreendedor da Paratex se caracteriza como um empreendedor normal ou planejado que de acordo com Dornelas (2005) é o empreendedor que se planeja, faz lição de casa, busca minimizar os riscos, se preocupa com os próximos passos do negócio e tem uma visão do futuro. Sobre sua percepção com relação ao ambiente interno e externo a sua organização o empreendedor da Paratex apresenta a seguinte interpretação. “Considero que internamente a Paratex já atingiu seu ponto de maturidade, no qual todo processo funcional é transparente e muito bem definido, sendo monitorado de forma contínua e sistêmica. Quanto ao ambiente externo, é monitorado constantemente e sistematicamente, tanto a nível local e macro econômico, pois, considero de suma importância para bom desempenho da empresa, que ela procure atuar externamente, adaptando-se às condições externas que estão além de sua capacidade de intervenção”. No depoimento do entrevistado, ele tem uma visão da empresa como um todo, reconhecendo seu limite e sua capacidade de crescer. Sua resposta, também mostra que tem uma visão sistêmica do que acontece no ambiente externo, fazendo com que sua empresa esteja preparada para as mudanças que ocorrem no mercado. Quando lhe foi perguntado a respeito de quais mudanças ocorreram na organização desde sua implantação até os dias de hoje que foram fundamentais 52 para o crescimento da organização e o que levou a essas mudanças, a sua resposta foi a seguinte: “Ao longo de quase dezessete anos de existência, posso afirmar que entre várias mudanças ocorridas, três foram de fundamental importância para que a Paratex chegasse hoje à posição que está. Estas mudanças seram descritas a seguir: 1ª mudança: Inicialmente, a proposta da Paratex era de atuar no segmento de tecidos e armarinhos, em uma loja de 40m2, no bairro São Francisco em Pará de Minas. A primeira mudança ocorreu já no segundo mês de funcionamento, quando percebi a necessidade de oferecer mais opções de produtos aos meus clientes. Comecei então uma fase de experimentos, acrescentando vários itens à linha inicial, desde artigos de cama, mesa, banho a vestuários e brinquedos, afim de perceber o que se encaixaria melhor no perfil do meu comércio. 2ª mudança: a segunda grande mudança ocorreu quando em 2001, seis anos após o inicio da Paratex, foi inaugurada a atual loja, com sede própria, na rua Porciúncula, com uma área útil de aproximadamente 400m2, ou seja, dez vezes maior que a loja inicial. Nesta loja, a linha tecidos e armarinho, foco inicial da empresa, foi abandonada, passando então a serem artigos de cama, mesa, banho, decoração e vestuário, os principais itens ofertados pela empresa. Esta mudança de foco no mix de produtos, foi devido ao fato de que os tecidos apresentavam giro lento e demandavam grandes volumes de estoque, se comparados ao itens que entraram como substitutos. 3ª mudança: esta mudança foi conceitual, pois a partir de 2005, passei a atuar mais como gestor, abandonando um pouco a linha de frente, e contratei uma gerente para cuidar do salão de vendas e da equipe de colaboradores, me liberando para exercer funções estratégicas e assumindo, ela, a gerente, as funções táticas da empresa. Esta medida, permitiu um grande avanço nos processos funcionais da Paratex e certamente influenciou muito nos resultados que hoje a empresa alcança”. É possível constatar que através desse depoimento do entrevistado, que ele é uma pessoa aberta a mudanças e que sua empresa não diferente de outras já passou por várias mudanças e que estas trouxeram resultado positivo que ajudaram no crescimento de seu empreendimento. A sua posição referente às mudanças, o coloca como empreendedor visionário no sentido de que atualmente as empresas passam por constantes 53 transformações inerente ou não ao mercado que atuam, muitas se veem resistentes as mudanças organizacionais, mas para se manter hoje no mundo dos negócios e para ser uma empresa competitiva no mercado é necessário que esta procure se adaptar a essa transformações, buscando estratégias que visem a sua permanência no mercado e direcionar práticas visando o futuro e aceitá-las de maneira positiva, pois as mudanças na maioria das vezes trazem bons resultados e crescimento para a empresa. Segundo Drucker (1987), a mudança deve ser encarada como uma oportunidade. Ele relata: A inovação é o instrumento específico dos empreendedores, o meio pelo qual eles exploram as mudanças como uma oportunidade para um negócio diferente ou um serviço diferente. [...] Os empreendedores precisam buscar, com propósito deliberado, as fontes de inovação, as mudanças e seus sintomas que indicam oportunidade para que uma inovação tenha êxito. (DRUCKER, 1987, p. 25). Outra pergunta feita ao empreendedor foi a seguinte: Considerando a sua experiência profissional como empreendedor, no que você acha que ela tem influenciado na organização e em você? “Como todo negócio, para dirigir uma pequena empresa de varejo, creio que seja de fundamental importância estar sempre disposto a aprender, no real sentido da palavra, pois, diariamente nos deparamos com situações inusitadas que requerem decisões muitas vezes rápidas e que tem de apresentar logicamente um índice de acertos muito maior que o de erros. Ao longo do tempo, tantos os acertos quanto os erros, vão se acumulando e se encararmos esses fatos como lições de aprendizado, que é o que procuro fazer até hoje, naturalmente vamos amadurecendo, tanto a pessoa como a empresa. Isto faz com que as decisões passem a serem tomadas de forma mais segura e acertada, permitindo à empresa um desempenho mais natural, sem grandes oscilações, o mesmo ocorrendo na vida pessoal. Daí, a importância de se registrar o mais detalhadamente possível, tudo o que ocorre no processo funcional da organização”. Com essa resposta do empreendedor da Paratex, observa-se que a sua experiência adquirida é sempre um aprendizado, com ela vem a maturidade 54 profissional e até mesmo pessoal. Dessa forma a empresa tem um desempenho estável, minimizando os erros. Fica clara então a importância da experiência profissional para a empresa. De acordo com Dornelas (2005) além da preparação técnica e profissional, em muitos casos a experiência auxilia o empreendedor a conhecer o mercado, suas falhas e demandas, levando-o a perceber e aproveitar oportunidades. Quando foi perguntado quais valores ele considera primordiais para o bom funcionamento da organização e como são repassados, o empreendedor deu a seguinte resposta: “A Paratex possui um planejamento estratégico, dentro do qual estão inseridos a missão, visão e os valores da empresa, que são citados diariamente por todo a equipe de colaboradores, durante a reunião que ocorre antes da abertura do salão de vendas, afim de preparar a equipe para mais um dia de trabalho. Os valores da Paratex são os seguintes: - valorizar o cliente procurando sempre atender às suas necessidades de forma efetiva; - promover o espírito de cooperação entre a equipe de colaboradores; - agir com simplicidade, transparecia, ética e responsabilidade junto ao mercado; - atuar com responsabilidade social afim de promover o desenvolvimento do comércio local”. Dentre os valores destacados pelo empreendedor: ética, responsabilidade e transparência, observa-se a sua preocupação em passar para os seus colaboradores, onde foi criado o planejamento estratégico da empresa que funciona como um manual para um bom andamento da empresa. Uma organização deve ser constituída de valores, pois eles que vão estabelecer de que maneira conduziram os negócios e de que forma irão trabalhar, por isso é importante determiná-los e repassá-los a todos os colaboradores. Dornelas (2005) fala que os valores organizacionais devem ser claros e entendidos por toda a empresa, levando em consideração a estrutura organizacional. A respeito de sua relação com seus colaboradores, ele relata: “Procuro ter uma relação respeitosa e transparente com minha equipe, em todos os aspectos, seja pessoal ou profissional, deixando tudo sempre muito bem 55 definido, tanto minhas responsabilidades quanto a de todos os meus colaboradores. Isto facilita muito o relacionamento.” Observa-se que o empreendedor preza muito o respeito mútuo e a transparência na relação com seus colaboradores, isso gera um relacionamento saudável. Segundo Dornelas (2005), uma das características do empreendedor é saber valorizar e recompensar a sua equipe de colaboradores, mantendo sempre o respeito e uma relação de cooperação. Quando foi indagado se a organização adota ideias sugeridas pelos seus colaboradores e como são recebidas, a resposta foi a seguinte: “Sim, a Paratex possui um programa denominado ‘ideias premiadas’, no qual toda sugestão de inovação ou melhoria proposta por um colaborador e que venha a ser aplicado no processo funcional da empresa, gera ao autor da ideia um prêmio acompanhado de um reconhecimento por parte da empresa diante de toda a equipe de colaboradores, afim de estimular novas ideias. Como se trata de uma pequena empresa, com menos de dez colaboradores, as ideias são apresentadas diretamente à gerência,ou até mesmo para mim, pois tenho contato direto com toda a equipe. Quanto à frequência de novas ideias, está é muito relativa. Há períodos em que ocorrem mais sugestões, principalmente em momentos mais críticos, e períodos de maior comodidade”. O empreendedor dá muita importância as ideias sugeridas pelos seus colaboradores e os incentivam. Eles estão dia-a-dia na empresa e conhecem todos os processos. Dessa forma eles podem atentar para detalhes que talvez nem mesmo o empreendedor tenha percebido. As corporações necessitam de pessoas inovadoras, competentes, entusiasmadas, além de serem flexíveis, racionais e persistentes, que sabem utilizar os recursos e possuem uma verdadeira paixão por transformar ideias em realidades. Quando os empreendedores escutam seus funcionários, enviam a mensagem de estes são importantes, e de que empresa está comprometida com eles e isso estimula o comprometimento por parte dos funcionários. 56 Em relação as competências que os seus colaboradores devem possuir e que são necessárias para o gerenciamento eficaz dos negócios, ele fez o seguinte depoimento: “As competências necessárias variam de acordo com a função que cada um deve exercer. A equipe de vendas tem que estar sempre na mesma sintonia, trabalhando em harmonia e com muito dinamismo, para este pessoal é fundamental saber trabalhar em equipe (ter espírito de cooperação aprimorado) e gostar de vender, para estar sempre atendendo da melhor forma possível nossos clientes. Para o pessoal administrativo (gerente e auxiliares), além de todas as características acima, é fundamental que possuam espírito de liderança, para exercer uma gestão de pessoal efetiva”. De acordo com a resposta do empreendedor as competências que os seus colaboradores devem possuir vão de acordo com o ambiente de trabalho. Dentre as que ele cita estão a sintonia e o dinamismo, que são características essenciais para a superação das adversidades. Outra pergunta foi: na sua visão de empreendedor, como você acha que a inovação contribuiu para o crescimento da organização? Você considera que a sua organização seja inovadora? Resposta foi a seguinte: “Inovação contribui para o desenvolvimento de uma organização, somente quando gera resultados tangíveis, que possam ser traduzidos em números positivos. Inovar simplesmente por modismo, não leva a nada. No caso da Paratex, ao longo de quase dezessete anos de existência, três inovações foram cruciais para que a empresa chegasse hoje ao ponto que está. São as três que já foram citadas na questão 3 do questionário. Quanto à análise se minha empresa é inodora ou não, considero que seja moderadamente inovador, pois tenho o perfil de agir com cautela dando passos ao invés de grandes saltos. Um pouco de conservadorismo, pela minha ótica faz bem, embora a opinião de grande parte dos teóricos seja de que o empreendedor deva ter um perfil mais arrojado, de estar sempre na vanguarda, não seja compartilhada por mim na íntegra”. 57 Observa-se que o empreendedor vem inovando, mas de uma forma mais cautelosa, planejando muito antes agir. Ele se mostra um pouco conservador. A inovação de acordo com Dornelas (2005) é um tema que vem sendo discutido dentro das empresas há muito tempo, seu significado está vinculado à mudança, criatividade e transformação, fatores que fazem o diferencial dentro das organizações, pois a inovação é o processo de criação de um novo produto ou serviço e transformação do ambiente onde está inserido. Na sua concepção como o empreendedor, o que seria uma organização bem sucedida, ou seja, qual o significado do sucesso para você? “Uma organização é bem sucedida quando atinge os objetivos a que se propõe alcançar. Por isto, é de fundamental importância estar bem claro para o empreendedor e para todos os colaboradores, qual a missão, visão e valores da empresa. Em outras palavras, o sucesso de uma organização para mim é quando ela se torna um negócio sustentável, onde todas as partes envolvidas ganham e se sentem satisfeitas”. A grande quantidade de estudos sobre como o administrador pode obter sucesso aponta vários caminhos, mas não os determina definitivamente. “Não existe nenhuma fórmula capaz de garantir o sucesso”. (DOLABELA, 1999b, p. 92). O próprio conceito de sucesso é muito amplo e discutido em diversas áreas de conhecimento. O sucesso é aquilo que sucede a um resultado, uma conclusão. É algo que teve bom êxito ou resultado feliz. Ele também afirma que o empreendedor tem seu próprio conceito de sucesso. Ele não necessariamente reconhece o sucesso nos termos do conceito de “sucesso empresarial” ou em ganhos materiais. Deste ponto de vista, Solomon e Winslow (1988 apud DUTRA, 2002) realizaram uma entrevista com 61 empreendedores, em que as questões tiveram o propósito de encontrar o perfil deste indivíduo. Sobre o sucesso, perguntou: “Como você define sucesso?” Muitos relataram o sucesso como a independência financeira, mas nenhum indicou desejar uma grande riqueza. Na maior parte da amostra, eles mencionaram a independência, a auto-estima, a autosatisfação, orgulho de fazer um serviço, e prazer. 58 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 5.1 Considerações Este estudo foi realizado com base na definição de uma situação problema, no qual consistiu em responder “como o perfil do empreendedor da Paratex influencia no sucesso de sua empresa”. O objetivo geral do estudo foi analisar o perfil do empreendedor e sua influencia no sucesso da organização. O referido estudo confirma que sim, existe uma grande relação entre o perfil do gestor da Paratex e o sucesso da empresa. De acordo com a pesquisa feita com seus funcionários, pode-se observar que ele possui características de um verdadeiro empreendedor, sendo elas: a busca constante pelo conhecimento, tem um networking bem estabelecido, está atento as oportunidades, utiliza do planejamento antes de tomar alguma decisão, busca minimizar os riscos, é muito dedicado, tem uma visão sistêmica e inova sempre que possível. Somente dois quesitos pedem um pouco mais de atenção por parte do empreendedor: saber motivar seus colaboradores, que teve dois funcionários que marcaram a opção regular e outro quesito: se é paciente e saber ouvir, que teve um que marcou a opção insuficiente e um que marcou regular. A ideia de um espírito empreendedor está de fato associada a pessoas realizadoras, que mobilizam recursos e correm riscos para iniciar organizações de negócios e analisando a entrevista com o empresário pode-se observar que ele possui esse perfil. Suas respostas refletem comprometimento, persistência, vasto conhecimento, ampla visão de negócios e paixão pelo trabalho. O estilo de gestão inteligente, ousado e comprometido aplicado pelo empreendedor, com certeza influenciou muito na consolidação e no sucesso de sua organização. Atualmente, pouco adianta a existência de uma boa oportunidade, a disponibilidade de capital ou o uso das melhores máquinas e equipamentos, isto não é garantia de sucesso para nenhuma empresa. O fator determinante para o êxito é a postura assumida por quem está à frente do negócio, e o gestor da Paratex mostrou uma postura de um verdadeiro empreendedor. 59 5.2 Sugestões para a empresa O empreendedor poderia ser um pouco mais arrojado, em algumas respostas percebe-se que ele se acomodou um pouco. Ele poderia utilizar mais da inovação como forma de diferenciação para outras empresas. Dessa forma, seu negócio poderia se expandir, pois ele possui capacidade e conhecimento para isso. 5.3 Limitações da pesquisa Literatura muito limitada sobre o tema na biblioteca da faculdade, sendo necessário buscar livros em outras instituições de ensino. Com relação à pesquisa, não houve nenhuma dificuldade. 5.4 Sugestões para trabalhos futuros Conclui-se então esse trabalho sugerindo que estudos futuros abordem de forma mais ampla a importância de empreender de acordo com os conceitos de gestão de negócios, de uma forma planejada e não de uma forma empírica, para dessa forma diminuir o índice de mortalidade de pequenas empresas. 60 REFERÊNCIAS ÂNGELO, E. B. Empreendedor coorporativo: a nova postura de quem faz a diferença. 4.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. BRITO, Francisco; WEVER, Luiz. Empreendedores brasileiros: vivendo e aprendendo com grandes nomes. 4.ed. Rio de Janeiro: Campus, 2003. CERVO, Amando Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia científica. São Paulo: Makron Books, 1996. CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo: dando asas ao espírito empreendedor. São Paulo: Saraiva, 2005. COSSTE, P. Carte cognitives et organizations. Paris: Éditions eska, 1994. DEGEN, Ronald Jean. 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D) Planejamento 7 - Segue apenas sua intuição para tomar decisões ? 8 - Todas as suas decisões são tomadas baseadas no planejamento ? 9 - Utiliza do planejamento em algumas situações? E) Risco 10 - Corre riscos calculados (analisa tudo antes de agir) ? 11 - Procura minimizar riscos ? 12 - Não gosta de correr riscos ? F) Dedicação 13 - É determinado e dedicado no que faz ? 14 - É apaixonado pelo seu negócio ? 15 - É persistente, não desiste fácil daquilo que deseja ? G) Visão 16 - Possui visão de negócios ? 17 - Enxerga o que está a sua volta e procura agir de forma planejada ? H) Liderança 18 - É um bom líder ? 19 - Tem bom relacionamento com seus colaboradores ? 20 - Sabe motivar seus colaboradores ? 21 - Transmite integridade e confiabilidade ? 22 - É paciente e sabe ouvir ? I) Inovação 23 - Utiliza a inovação como forma de crescimento para a empresa? 24 - Incentiva a inovação dentro de sua organização ? Questionário que será aplicado aos funcionários da empresa estudada, onde eles responderão perguntas sobre o empreendedor da empresa. ÓTIMO BOM REGULAR SUFICIENTE CARACTERÍSTICAS INSUFICIENTE APÊNDICE A - Questionário 64 APÊNDICE B - Questões para a entrevista com o empreendedor da empresa 1- Quais motivos influenciaram a empreender e porque escolheu o segmento em que atua? 2- Quais as suas percepções como empreendedor sobre o ambiente interno e externo a sua organização? 3- Quais mudanças ocorreram na organização desde a sua implantação até os dias de hoje que foram fundamentais para o crescimento da organização? E o que levou a essas mudanças? 4- Considerando a sua experiência profissional como empreendedor, no que você acha que ela tem influenciado na organização e em você? 5- Dentro da organização quais valores você considera que são primordiais para o bom funcionamento da organização e como são repassados esses valores? 6- Como você define a sua relação profissional e social com os seus colaboradores? 7- A organização adota ideias sugeridas pelos seus colaboradores, como são recebidas essas ideias, são frequentes? 8- Quais as competências (ex: lidar com as pessoas, comunicação, etc.) que os seus colaboradores devem possuir e que você considera como necessárias para o gerenciamento eficaz nos negócios? 9- Na sua visão de empreendedor, quais competências (ex: iniciativa, criatividade, inovação, etc.) que seriam necessárias para que um empreendedor tenha sucesso nos negócios? 10- Na sua visão de empreendedor, como você acha que a inovação contribuiu para o crescimento da organização? Você considera que a sua organização seja inovadora? 11- Na sua concepção como empreendedor o que seria uma organização bem sucedida, ou seja, qual o significado de sucesso para você?