FACULDADE DE PARÁ DE MINAS
Curso de Administração
Bruno Guimarães dos Santos
O PERFIL DO EMPREENDENDOR E O SUCESSO EMPRESARIAL:
estudo de caso de uma empresa do comércio varejista de vestuário.
Pará de Minas
2012
1
Bruno Guimarães dos Santos
O PERFIL DO EMPREENDENDOR E O SUCESSO EMPRESARIAL:
estudo de caso de uma empresa do comércio varejista de vestuário.
Monografia apresentada à coordenação do
curso de Administração da Faculdade de Pará
de Minas, como requisito parcial para a
conclusão do curso de Administração.
Orientador: Prof. Esp. Ednei Magela Duarte
Pará de Minas
2012
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Bruno Guimarães dos Santos
O PERFIL DO EMPREENDENDOR E O SUCESSO EMPRESARIAL:
estudo de caso de uma empresa do comércio varejista de vestuário.
Monografia apresentada à Coordenação de
Administração da Faculdade de Pará de
Minas como requisito parcial para a conclusão
do Curso de Administração de Empresas.
Aprovada em: _____ / _____ / _____
_______________________________________
Prof. Esp. Ednei Magela Duarte
_______________________________________
Prof. Esp. Renato Vasconcelos de Melo
3
Dedico este trabalho a Deus que tornou
tantas coisas possíveis na minha vida.
Ao meu pai e minha mãe que me
conduziram em todas as conquistas.
4
AGRADECIMENTOS
Agradeço Deus por estar sempre comigo, pela saúde, felicidade e por ter me
dado uma família maravilhosa.
Ao meu pai por mostrar que o melhor caminho para o sucesso é a
persistência e a determinação. A minha mãe pelo esforço, amor e carinho infinitos
dispensados a mim.
A minha irmã e meu cunhado pelo incentivo e companheirismo.
A minha namorada pela paciência, compreensão, cumplicidade e amor.
Ao Professor Ednei Duarte pelo seu empenho, atenção e compromisso
durante esse tempo de orientação.
Ao Sr. Evander Costa, gestor da Paratex, que de prontidão concordou com o
estudo de caso ser feito na sua empresa e por participar da pesquisa.
Aos meus familiares e amigos que de alguma forma participaram na
conquista desse objetivo.
Muito Obrigado!
5
"A mente que se abre a uma nova ideia,
jamais voltará a seu tamanho original”.
Albert Einstein
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RESUMO
Atualmente, com a globalização e a alta competitividade, o fator determinante para o
sucesso empresarial é a postura assumida pelos gestores das organizações. O
empreendedorismo significa o estudo voltado para o desenvolvimento de
competências e habilidades relacionadas à criação de um projeto. Estudos e
pesquisas realizados sobre a figura do empreendedor provaram que as
características empreendedoras tem uma relação muito estreita com o sucesso
empresarial. O objetivo desse estudo é analisar o perfil do empreendedor e a sua
influencia no sucesso da empresa. Esse trabalho foi desenvolvido por meio de uma
pesquisa realizada com o empreendedor e os colaboradores da Paratex, uma
empresa do comércio varejista de vestuário de Pará de Minas, o levantamento de
dados foram feitos por meio de entrevista e questionário, correspondendo a
pesquisa qualitativa e quantitativa. Os resultados alcançados indicam que o gestor
da Paratex possui características de um empreendedor de sucesso.
Palavras-chave: Empreendedor. Sucesso empresarial. Empresa.
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LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 - Gosta de aprender?..............................................................................
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Gráfico 2 - Relacionamento (Networking)..............................................................
43
Gráfico 3 - Está atento as oportunidades?.............................................................
44
Gráfico 4 - Segue apenas sua intuição para tomar decisões?...............................
45
Gráfico 5 - Corre riscos calculados? Procura minimizar os riscos?.......................
46
Gráfico 6 - É determinado e dedicado no que faz?................................................
47
Gráfico 7 - Possui visão de negócios?...................................................................
48
Gráfico 8 - É um bom líder?...................................................................................
49
Gráfico 9 - Sabe motivar seus colaboradores?......................................................
49
Gráfico 10 - Utiliza a inovação como forma de crescimento para a empresa?......
50
8
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO....................................................................................................
1.1 Considerações iniciais...................................................................................
1.2 Situação problemática...................................................................................
1.3 Objetivo geral..................................................................................................
1.4 Objetivos específicos.....................................................................................
1.5 Justificativa.....................................................................................................
1.6 Caracterização da Empresa...........................................................................
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10
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2 REFERENCIAL TEÓRICO..................................................................................
2.1 História do empreendedorismo.....................................................................
2.2 Conceitos de empreendedorismo.................................................................
2.3 Empreendedorismo no Brasil........................................................................
2.4 Empreendedorismo por oportunidade e por necessidade.........................
2.5 Intra-empreendedorismo e inovação............................................................
2.6 O perfil do empreendedor..............................................................................
2.7 Tipos de empreendedores.............................................................................
2.8 O desafio empreendedor...............................................................................
2.9 O empreendedor como agente de inovação................................................
2.10 O sucesso das inovações............................................................................
2.11 O empreendedor e o sucesso empresarial................................................
2.12 O empreendedorismo e o crescimento econômico..................................
2.13 O empreendedorismo na atualidade...........................................................
2.14 O compromisso social do empreendedor..................................................
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3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS............................................................
3.1 Conceito de metodologia………………………………….……………………..
3.2 Tipos de pesquisa..........................................................................................
3.3 Abordagem......................................................................................................
3.4 Método de pesquisa.......................................................................................
3.5 Tipos de fontes...............................................................................................
3.6 Seleção da amostra........................................................................................
3.7 Procedimento para coleta de dados.............................................................
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4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS........................................
4.1 Análise do questionário.................................................................................
4.2 Análise da entrevista......................................................................................
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41
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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................
5.1 Considerações................................................................................................
5.2 Sugestões para a empresa............................................................................
5.3 Limitações da pesquisa.................................................................................
5.4 Sugestões para trabalhos futuros................................................................
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REFERÊNCIAS......................................................................................................
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APÊNDICES...........................................................................................................
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1 INTRODUÇÃO
O tema empreendedorismo é um dos mais discutidos na atualidade. O
empreendedor se tornou um indivíduo indispensável para o crescimento econômico
do país. Diante do mercado competitivo e globalizado o empreendedorismo se
tornou o principal caminho para obter sucesso. A inovação e a criatividade são
ferramentas poderosas para alcançar êxito em qualquer negócio.
Empreendedores são pessoas que agem de forma diferenciada das demais
pessoas, ou seja, empreendedor é aquele não mede esforços para a realização de
seu sonho, busca alternativas, aliados, transformando o sonho em realidade. Estão
sempre a frente dos outros, principalmente por terem iniciativa, determinação,
autoconfiança, propensão em assumir riscos, persistência, dentre outros, além de
serem ótimo líderes e sendo capaz de identificar oportunidade onde ninguém mais
as vê.
As características empreendedoras são essenciais, existe uma relação muito
estreita entre essas características e o sucesso empresarial.
Neste trabalho vamos analisar quais são as influências do empreendedor em
uma organização bem sucedida.
1.1 Considerações iniciais
O empreendedorismo é hoje um fenômeno global que vem crescendo muito
nos últimos anos, e está ganhando importância junto ao meio empresarial e
acadêmico. Dessa forma o empreendedor se tornou uma peça muito importante
para o desenvolvimento econômico do país, ele possui capacidade para influenciar
tanto no ambiente externo como no ambiente interno de seu negócio. O
empreendedor também tem a característica de motivar e incentivar outras pessoas,
se tornando um exemplo a ser seguido.
1.2 Situação problemática
Os brasileiros veem se tornando um dos povos mais empreendedores do
mundo. Porém existem aqueles que empreendem sem qualquer tipo de
planejamento, dessa forma a chance de fracassar é muito alta. Também há os
10
empreendedores que criam uma empresa do nada e esta se transforma numa
organização de sucesso. Diante disso a situação problemática: Qual a influência do
empreendedor no sucesso de uma organização?
1.3 Objetivo geral
Analisar o perfil do empreendedor da empresa Paratex e verificar sua
influência no sucesso da organização.
1.4 Objetivos específicos
a) estudar sobre o empreendedorismo, suas origens e teorias, observando as
características empreendedoras;
b) discorrer sobre a importância do empreendedorismo na sociedade;
c) analisar o empreendedor da empresa Paratex, verificando suas
características empreendedoras.
1.5 Justificativa
Os empreendedores de sucesso e seus empreendimentos estão se tornando
essências, eles são vistos como motor da economia, como um agente de inovação e
mudanças, capaz de desencadear o crescimento econômico. A motivação para
pesquisar o tema decorre do fato de que o perfil do empreendedor representa um
dos fatores que influenciam significativamente a gestão de uma empresa e,
consequentemente, seu sucesso. Para a organização em estudo identificar tais
características empreendedoras e fazer um paralelo com a atual forma de gestão.
Dessa forma torna-se relevante a realização do estudo.
1.6 Caracterização da Empresa
O estudo de caso será feito em uma empresa do comércio varejista de
vestuário de Pará de Minas – MG, a organização foi fundada em 1995, possui sede
própria e atualmente conta com 06 funcionários. Sua marca está consolidada em
Pará de Minas e a empresa cresce a cada ano. Suas principais atividades são a
11
venda de roupas, calçados e artigos de cama, mesa e banho. O proprietário da
empresa se mudou em 1992 para a cidade, é formado em Administração de
empresas e acredita que a inovação é a chave para o sucesso.
12
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 História do empreendedorismo
De acordo com Dornelas (2001) o exercício do empreendedorismo vem desde
a antiguidade, o homem, em todo o tempo inovou, persistiu e utilizou toda sua
criatividade para manter-se vivo e sobressair dos demais.
Segundo Pereira e Garcia (2006, p. 65):
a palavra empreender é derivada de “imprehendere”, do latim, e foi
incorporada à língua portuguesa no século XV. A expressão
“empreendedor”, segundo o Dicionário Etimológico Nova Fronteira, de 1986,
teria surgido na língua portuguesa no século seguinte. Todavia a expressão
empreendedorismo parece ter sido originada da tradução da expressão
“entrepreneurship”, da língua inglesa, que, por sua vez, é composta da
palavra francesa “entrepreneur” e do sufixo inglês “ship”, que indica posição,
grau, relação, estado, qualidade, perícia ou habilidade.
O empreendedorismo vem desde a época dos homens das cavernas, pois
estes empreendiam por necessidade, procuravam novos mercados (eram nômades),
eram persistentes (para sobreviver), eram inovadores (criavam armas e descobriam
o fogo), planejavam (ataques a grandes animais) e analisavam as oportunidades
(sabiam dos riscos, como sair da caverna a noite). Esse exemplo mostra que em
todos os tempos o ser humano foi empreendedor, porém às vezes inconsciente e
em outras conscientemente. (TOSCANO, 2005).
Segundo Dornelas (2001), um primeiro exemplo para a definição de
empreendedorismo consciente pode ser creditado a Marco Pólo, pois foi quem
colocou em prática a ideia de navegar explorando uma rota comercial da Europa
para o Oriente. O que tornou Marco Pólo um empreendedor foi o ato de assinar um
contrato com um homem que possuía dinheiro (hoje mais conhecido como
capitalista) para vender as mercadorias deste. Enquanto o capitalista era alguém
que assumia riscos de forma passiva, Marco Pólo assumia o papel de
empreendedor, um aventureiro que assumia os riscos das viagens que eram muitos,
atuava ativamente na atividade, correndo todos os riscos físicos e emocionais.
Na idade média, o termo empreendedor foi utilizado para definir aquele que
gerenciava grandes projetos de produção. O empreendedor nesta época não
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assumia grandes riscos, pois ele apenas gerenciava os projetos, muitas vezes
financiados pelos governos dos países. (DORNELAS, 2001).
No século XVII, ocorreram os primeiros indícios de relação entre assumir
riscos e empreendedorismo, o empreendedor firmava um acordo contratual com o
governo para realizar algum tipo de serviço ou fornecer algum produto. Porém nesta
época o governo ficava com uma boa parte dos lucros do empreendedor, este por
sua vez acabava ficando com os prejuízos. Richar Cantillon importante escritor e
economista do século XVII, identificou o empreendedor como aquele que assumia
riscos, diferentes daqueles que fornecia somente o capital.
O capitalista e o empreendedor foram finalmente diferenciados, em 1800,
provavelmente devido ao inicio da industrialização que ocorria no mundo. Um
exemplo foi o caso das pesquisas referentes à eletricidade e química, de Thomas
Edison, que só foram possíveis com o auxílio de investidores que financiaram o
experimento. No final do século XIX e inicio do século XX, os empreendedores foram
frequentemente confundidos com os gerentes ou administradores, (o que ocorre até
nos dias atuais), pois com o avanço da tecnologia, crescimento da industrialização
no mundo, recursos aplicados, a preocupação da produção em quantidade e
qualidade, a busca pelo lucro, fez com as empresas investissem em administradores
para manter a vitalidade das grandes indústrias e empresas, por esses motivos
muitas vezes os empreendedores eram confundidos com administradores ou
simples gerentes. A diferenciação veio com estudos de casos de pessoas que
surgiram de pequenas empresas para conquistar o mundo, pessoas que
transformaram empresas já desenvolvidas em potencias mundiais de vendas e
produção, inovando e desenvolvendo formas de disseminar suas ideias, se tornando
uma pessoa que marca a história de uma cidade, país ou até mesmo do mundo.
(DORNELAS, 2001).
Foi no século XX que se descobriu a importância do empreendedorismo para
todas as civilizações, das construções das pirâmides do Egito a descoberta dos
raios lasers. A partir do século XX o empreendedorismo foi despertando os
interesses de muitos estudiosos para saber o motivo do sucesso destas pessoas.
A partir do momento em que os pesquisadores começaram a correlacionar
atitudes, características e pontos incomuns, começou-se a criar conceitos e
definições baseados em estudos e pesquisas, que davam credibilidade ao processo
do empreendedorismo.
14
Somente na década de 90 que a iniciativa privada e as iniciativas de governo
dos países começaram a ver que o progresso econômico estava relacionado com o
empreendedorismo e o surgimento de pequenos negócios.
O crescimento do empreendedorismo na década de 1990 pode ser observado
através das ações desenvolvidas ao tema. Um estudo do Global Entrepreneurship
Monitor (GEM) mostra alguns estudos nesse sentido. No final de 1998 o Reino
Unido publicou um relatório a respeito do seu futuro competitivo, o qual enfatizava a
necessidade de se desenvolver uma série de iniciativas para intensificar o
empreendedorismo na região.
A Alemanha tem implantado um número crescente de programas que
destinam recursos financeiros e apoio na criação de novas empresas. Para se ter
uma ideia, na década de 1990, aproximadamente duzentos centros de inovação
foram estabelecidos, provendo espaço e outros para empresas start-up (iniciantes).
Em 1995, o decênio do empreendedorismo foi lançado na Finlândia.
Coordenado pelo Ministério de Comércio e Indústria, o objetivo era dar suporte às
iniciativas de criação de novas empresas, com ações em três grandes áreas: criar
uma sociedade empreendedora, promover o empreendedorismo como fonte de
geração de emprego e incentivas a criação de novas empresas.
Em Israel, como resposta ao desafio de assimilar um número crescente de
imigrantes, uma gama de iniciativas tem sido implementada por meio do Programa
de Incubadoras tecnológicas, com o qual mais de quinhentos negócios já se
estabeleceram nas 26 incubadoras do projeto.
Na França, há iniciativas para promover o ensino de empreendedorismo nas
universidades, particularmente para engajar os estudantes. Incubadoras com sede
nas universidades estão sendo criadas. (DORNELAS, 2001).
2.2 Conceitos de empreendedorismo
Segundo Dolabela a palavra empreendedorismo é utilizada para identificar
pessoas que têm visão, iniciativa, ousadia, coragem e inovam constantemente,
transformando o ambiente interno e externo. De acordo com Dolabela (1999a, p.
68):
15
empreendedorismo é um neologismo derivado da livre tradução de
entrepreneurship e utilizado para designar os estudos relativos ao
empreendedor, seu perfil, suas origens, seu sistema de atividades, seu
universo de atuação e é antes de tudo, aquele que se dedica à geração de
riquezas em diferentes níveis de conhecimento, inovando e transformando
conhecimento em produtos ou serviços em diferentes áreas.
Existem muitas definições para o termo empreendedorismo, para Dolabela
(1999a) é um fenômeno cultural, expressões, hábitos, práticas e valores das
pessoas. Neste sentido, seu objetivo de estudo não é a empresa, mas o indivíduo
empreendedor, responsável pela criação do negócio, gestão e posicionamento no
mercado.
O empreendedorismo ainda não é considerado uma ciência, embora seja uma
das áreas onde mais se pesquisa e se publica. Isso quer dizer que ainda não
existem paradigmas, padrões que possam nos garantir que, a partir de certas
circunstâncias, haverá um empreendedor de sucesso. (DOLABELA, 1999a).
É o processo dinâmico de criar mais riqueza. A riqueza criada por indivíduos
que assumem os principais riscos em termos de patrimônio, tempo e/ou
comprometimento com a carreira ou que proveem valor para algum produto ou
serviço. Dessa forma, mesmo que o produto ou serviço não seja novo ou único, o
empreendedor cria particularidades para que o valor aumente e para que o seu
negócio sobressaia dos demais. (DEJANA, 1989).
Empreendedorismo é o processo de criar algo diferente e com valor,
dedicando o tempo e esforços necessários, assumindo os riscos financeiros
e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da
satisfação econômica e pessoal. (HISRICH; PETERS, 2004, p. 29).
Empreendedorismo significa o estudo voltado para o desenvolvimento de
competências e habilidades relacionadas à criação de um projeto. Tem origem no
termo empreender que significa realizar, fazer ou executar. (DOLABELA, 1999a).
É o movimento de mudança causado pelo empreendedor, cuja origem da
palavra vem do verbo francês “entrepreneur” que significa aquele que assume riscos
e começa algo de novo. (DOLABELA, 1999a).
Também conforme Dolabela (1999a) é um fenômeno cultural, ou seja é fruto
dos hábitos, práticas e valores das pessoas, ou seja os empreendedores nascem
por influência do meio que vivem.
16
O empreendedorismo é o principal caminho para se obter sucesso em um
mercado competitivo e globalizado, sendo assim não bastando administrar da forma
tradicional, e sim se faz necessário utilizar da criatividade para que os negócios
funcionem de forma satisfatória, ou seja, abre-se então espaço para o
empreendedorismo. (DORNELAS, 2001).
Segundo Dornelas (2001, p. 37):
[...] em primeiro lugar o empreendedorismo envolve o processo de criação
de algo novo, de valor. Em segundo, o empreendedorismo requer a
devoção, o comprometimento de tempo e esforço necessário para fazer a
empresa crescer. E em terceiro, o empreendedorismo requer ousadia, que
se assumam riscos calculados, que se tomem decisões críticas e que não
se desanime com as falhas e erros.
Segundo Timmons (apud DOLABELA, 2002, p. 73), “o empreendedorismo é
uma revolução silenciosa, que será para o século 21 mais do que a revolução
industrial foi para o século 20”. Essa é a sua dimensão e importância na economia
mundial na atualidade.
2.3 Empreendedorismo no Brasil
O empreendedorismo no Brasil se firmou a partir da década de 90, e desde
então cada vez mais vem se destacando e transformando o cenário econômico
brasileiro, isso se deve as ações de órgãos como o Sebrae e subsídios
governamentais que foram implementados com vistas a desenvolver a iniciativa
empreendedora. (DORNELAS, 2001).
Segundo Dornelas (2001), o movimento do empreendedorismo no Brasil
começou a tomar forma na década de 1990, quando entidades como Sebrae
(Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Softex (Sociedade
Brasileira
para
Exportação
de
Software)
foram
criadas.
Antes
disso
o
empreendedorismo e a criação de empresas não eram temas muito abordados.
O Sebrae é um dos órgãos mais conhecidos do empresário de micro e
pequena empresa, que busca junto a essa entidade todo suporte de que precisa
para iniciar sua empresa, bem como consultorias para resolver pequenos problemas
pontuais de seu negócio. O Softex é uma entidade que foi criada com o intuito de
levar as empresas de software do país ao mercado externo, por meio de várias
17
ações que proporcionavam ao empresário de informática a capacitação em gestão e
tecnologia. (DORNELAS, 2005).
Pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa
(SEBRAE) (2004) revela que, no Brasil, a pequena empresa representa 98,5 % das
empresas existentes no país, 60% da oferta de emprego e 21% do Produto Interno
Bruto (PIB) brasileiro. No entanto, segundo pesquisa realizada por essa instituição
em 2004 nas cinco regiões brasileiras, em pequenas empresas constituídas e
registradas no período de 2000 a 2002, o índice de mortalidade é de 49,4% para
empresas com até dois anos de existência, 56,4% para as de três anos e de 59,9%
para aquelas com até quatro anos de existência (SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO
À MICRO E PEQUENA EMPRESA, 2004). Analisando essa pesquisa fica claro a
importância do empreendedorismo para a economia, uma vez que as micros e
pequenas empresas representam a maior parte das empresas existentes no Brasil,
entretanto em muitas vezes não há o estudo e o planejamento, pois grande parte
acabam morrendo nos primeiros anos.
Estudo promovido pelo Grupo do Global Entrepreneurship Monitor, liderado
pelo Babson College, nos Estados Unidos, e a Lodon Business School na Inglaterra,
onde trata do mapeamento da atividade empreendedora dos países, buscando
entender o relacionamento entre empreendedorismo e desenvolvimento econômico,
e quanto às atividades empreendedoras de um país estão relacionadas à geração
de riquezas desse mesmo país, constatou que no caso do Brasil o estudo tem
trazido resultados interessantes no tocante às iniciativas empreendedoras, no
entanto, por outro lado um dos fatores preocupantes no caso brasileiro é o fato de a
maioria dos negócios gerados no país ser baseada no empreendedorismo de
necessidade, ou seja, não são baseados na identificação de oportunidades de
negócio e na busca da inovação com vistas à criação de negócios diferenciados,
mas no suprimento das necessidades básicas de renda daquele que empreende,
para que tenha condições de subsistência, mantendo a si e sua família.
(DORNELAS, 2005).
Com relação ao ensino do empreendedorismo no Brasil Dolabela afirma que
no Brasil pode-se dizer que o empreendedorismo está apenas começando, mas os
resultados alcançados no ensino indicam que estamos no início de uma revolução
silenciosa. O primeiro curso de que se tem notícia na área surgiu em 1981, na
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Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, São Paulo, por
iniciativa do professor Ronald Degen e se chamava “Novos Negócios”.
Hashimoto (2006, p. 56) destaca a sociedade brasileira como uma das mais
propensas e difusoras do empreendedorismo:
pesquisas internacionais apontam o brasileiro como um dos povos mais
empreendedores do mundo. Muito desse empreendedorismo se dá por
necessidade. Mas muito também é por oportunidade, ou seja, por meio das
inovações ou identificação de necessidades não atendidas pelo mercado,
que se transformam em novos produtos ou serviços.
Os benefícios que o empreendedorismo pode trazer ao Brasil são enormes, e
já podem ser vistos nos dias atuais, tanto através do número de entidades que
acreditam e estimulam a prática quanto ao crescente surgimento de micros e
pequenas empresas.
Dolabela (1999a, p. 45) afirma:
o empreendedorismo deve conduzir ao desenvolvimento econômico,
gerando e distribuindo riquezas e benefícios para a sociedade. Por estar
constantemente diante do novo, o empreendedor evolui através de um
processo interativo de tentativa e erro; avança em virtude das descobertas
que faz, as quais podem se referir a uma infinidade de elementos, como
novas oportunidades, novas formas de comercialização, vendas, tecnologia,
gestão etc.
2.4 Empreendedorismo por oportunidade e por necessidade
A criação de empresas por si só não leva ao desenvolvimento econômico, a
não ser que esses negócios estejam focando oportunidades no mercado. Isso
passou a ficar claro a partir do estudo anual do Global Entrepreneurship Monitor
(GEM) - utilizada para medir as taxas de empreendedorismo mundial.
O GEM diferencia os empreendedores em função de sua motivação para
desenvolver um negócio próprio. O objetivo é verificar se as iniciativas
empreendedoras decorrem de oportunidades de negócios ou se estão relacionadas
à falta de opções no mercado de trabalho. Tem-se, portanto, as taxas de
empreendedorismo por oportunidade e por necessidade. Originam-se duas
definições de empreendedorismo, a seguir:
19
1) a primeira seria empreendedorismo por oportunidade, em que o
empreendedor visionário sabe aonde quer chegar, cria uma empresa com
planejamento prévio, tem em mente o crescimento que quer buscar para a
empresa e visa à geração de lucros, empregos e riqueza;
2) a segunda definição seria o empreendedorismo por necessidade, em que o
candidato a empreendedor se aventura na jornada empreendedora mais
por falta de opção, por estar desempregado e não ter alternativas de
trabalho.
Nesse
caso,
esses
negócios
costumam
ser
criados
informalmente, não são planejados de forma adequada e muitos
fracassam bastante rápido, não gerando desenvolvimento econômico e
agravando as estatísticas de criação e mortalidades de negócios.
De acordo com Greco (apud INSTITUTO BRASILEIRO DE QUALIDADE E
PRODUTIVIDADE, 2009, p. 3):
é impossível saltar, de um dia para o outro, do empreendedorismo por
necessidade para o empreendedorismo por oportunidade. Para que isso
ocorra, são necessárias medidas de caráter estrutural e, portanto, de longo
prazo, relacionadas à educação, a capacitação gerencial, ao
desenvolvimento tecnológico, econômico e inovativo.
2.5 Intra-empreendedorismo e inovação
De acordo com Drucker (1987, p. 36):
o empreendedor vê a mudança como norma e como sendo sadia.
Geralmente, ele não provoca a mudança por si mesmo; mas, isto define o
empreendedor e o empreendimento, o empreendedor sempre está
buscando a mudança, reage e ela, e a explora como sendo uma
oportunidade.
O mundo tem passado por diversas mudanças, onde muitas invenções
mudaram o estilo de vida das pessoas, essas inversões são frutos de inovação, de
algo inédito ou de uma nova visão de como utilizar coisas já existentes.
Para Dornelas (2001, p. 19):
por trás dessa inovações, existem pessoas ou equipes de pessoas com
características especiais, que são visionárias, que questionam, que
arriscam, que querem algo diferente, que fazem acontecer, que empreende.
Os empreendedores são pessoas diferentes, que possuem motivação
20
singular, apaixonadas pelo que fazem, não se contentam em ser mais um
na multidão, querem deixar um legado.
A inovação de acordo com Dornelas (2001), é um tema que vem sendo
discutido dentro das empresas há muito tempo, seu significado está vinculado à
mudança, criatividade e transformação, fatores que fazem o diferencial dentro das
organizações, pois a inovação é o processo de criação de um novo produto ou
serviço e transformação do ambiente onde está inserido.
Ângelo (2003, p. 121), afirma que “a criatividade está se constituindo na maior
vantagem competitiva no mercado de trabalho [...] criar é uma obrigação de quem
pretende crescer na carreira ou fazer prosperar um novo negócio”. Assim Pinchot
(1989, p.19-20) afirma que “a inovação rápida e econômica é o principal tipo de
vantagem competitiva permanente no século XXI, outros tipos de vantagens
competitivas são apenas temporários”. Toda inovação, pequena ou grande, promove
certa dose de coragem, visão e o anseio de se comprometer e fazer acontecer,
assim os intra-empreendedores possuem persistência desmedida e imaginação
sendo estas essências para o sucesso de qualquer ideia nova.
A inovação para Drucker (1987, p. 25):
é o instrumento específico dos empreendedores, o meio pelo qual eles
exploram as mudanças como uma oportunidade para um negócio diferente
ou um serviço diferente. [...] Os empreendedores precisam buscar, com
propósito deliberado, as fontes de inovação, as mudanças e seus sintomas
que indicam oportunidade para que uma inovação tenha êxito.
Empreendedores são aqueles que buscam a prática de inovação, não ficam
esperando uma solução ou uma Ideia pronta, eles têm iniciativa e tomam ações
proativas com finalidade de obterem inovações de forma sistemática. Por serem
visionários e não se contentarem com a mesmice, procuram motivações em ações
inovadoras. Ou seja, a busca pela inovação é prática comum aos empreendedores,
tantos naqueles que abrem seu próprio negócio, ou nos empreendedores
coorporativos que também são conhecidos como intra-empreendedores (pessoas
que empreendem dentro das organizações). (DORNELAS, 2005).
Segundo Dornelas (2005) o empreendedorismo corporativo, ou intraempreendedorismo, não se trata de algo novo ou adaptado, trata-se da ampliação
do significado de empreendedorismo e sua aplicação em outras áreas, sem perda
conceitual, assim, o empreendedorismo corporativo, define-se como sendo a
21
identificação,
o
desenvolvimento,
a
captura
e
implementação
de
novas
oportunidades de negócios.
As corporações necessitam de intra-empreendedores, pessoas inovadoras,
competentes, entusiasmadas, além de serem flexíveis, racionais e persistentes, que
sabem utilizar os recursos e influenciar pessoas. “Os intra-empreendedores nascem
naturalmente dentro das organizações, estas pessoas possuem uma verdadeira
paixão por transformar ideias em realidades comerciais”. (PINCHOT, 1989, p. 20).
Os intra-empreendedores têm a função de alterar fatores internos e externos
à organização, dessa forma Ângelo (2003, p. 28) afirma que:
no ambiente externo, será responsável por procurar novos parceiros e
investigar novas tecnologias e oportunidades de negócios. No ambiente
interno,
terá
como
atribuições mobilizar pessoas,
aproveitar
inteligentemente recursos materiais e financeiros, potencializar e adaptar os
mecanismos produtivos já existentes, modificar hábitos e regularmente
prestar contas de suas iniciativas.
Geralmente
empreendedoras,
os
ou
intra-empreendedores
seja,
todos
os
trabalham
integrantes
são
com
equipes
intra-
multifuncionais
ou
multidisciplinares, desde que todos concordem com a ideia e trabalham
consecutivamente para descobrir formas de torná-la real. Para que uma equipe
empreendedora sobreviva por mais tempo é necessário à existência de um
patrocinador, ou seja, uma pessoa com certa influência que oriente, proteja e
dedique recursos à equipe. (PINCHOT, 1989).
Para uma empresa ser considerada empreendedora é necessário três normas
e práticas em diferentes áreas determinadas por Drucker (1987, p. 210),
primeiramente:
a organização deve ser receptiva à inovação e predisposta a ver mudança
com uma oportunidade e não como ameaça (...) tornar um clima
empreendedor. Segundo: apreciação do desempenho (...) inovador, bem
como um aprendizado integrado para melhorias no desempenho e por fim, à
administração empreendedora requer práticas específicas pertinentes à
estrutura organizacional, ao fornecimento de pessoal e gerência e à
remuneração, incentivos e recompensas.
O empreendedorismo para Dornelas (2005), deve ser implementado dentro
das empresas de forma absoluta e não apenas com uma ação isolada. Deve
influenciar a maneira de gerir a organização, influenciar na visão, na missão, nas
22
estratégias, objetivos e estrutura, fazendo parte da cultura organizacional, pois a
orientação empreendedora tem impacto direto e positivo no desempenho
organizacional.
2.6 O perfil do empreendedor
De acordo com Dornelas (2005, p. 39), uma das definições mais antigas e que
talvez melhor reflita o espírito empreendedor seja de Shumpeter (1959, p. 45):
“Empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução
de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela
exploração de novos recursos materiais”.
O empreendedor é aquele que faz as coisas acontecerem, pois além de ser
capaz de identificar as oportunidades de mercado, possui uma aguçada
sensibilidade financeira e de negócios, para transformar aquela ideia em um fato
econômico em seu benefício. Ele busca atender os desejos de seus futuros
consumidores como satisfazer as suas necessidades de realização profissional.
Outra definição bastante interessante é:
o indivíduo que cria uma empresa, qualquer que seja ela; pessoa que
compra uma empresa e introduz inovações, assumindo riscos, seja na
forma de administrar, vender, fabricar, distribuir, seja na forma de fazer
propaganda dos seus produtos e/ou serviços, agregando novos valores;
empregado que introduz inovação em uma organização, provocando o
surgimento de valores adicionais. (DOLABELA, 1999a, p. 28).
Segundo Degen (2005, p. 10) “ser empreendedor significa ter, acima de tudo,
a necessidade de realizar coisas novas e por em prática ideias próprias (...)”. “O
empreendedor aprende em um clima de emoção e é capaz de assimilar a
experiência de terceiros”. (DOLABELA, 1999a, p. 36). “É a pessoa que consegue
fazer as coisas acontecerem, pois é dotado de sensibilidade para os negócios, tino
financeiro e capacidade de identificar oportunidades”. (CHIAVENATO, 2005, p. 5).
“O empreendedor é aquele que faz as coisas acontecerem, se antecipa aos
fatos e tem uma visão futura da organização”. (DORNELAS, 2005, p. 17).
Conforme Drucker (1987), qualquer indivíduo que tenha à frente uma decisão
a tomar pode aprender a ser um empreendedor, se tornar um empreendedor é ter
23
um comportamento e não um traço de personalidade, pois suas bases e
aprendizados são conceitos e teorias, não a instituição.
Segundo Brito e Wever (2003) as características a seguir são fundamentais
para o empreendedor:
a) criatividade e inovação: o empreendedor consegue enxergar oportunidades
de negócios aonde ninguém mais consegue notar;
b) habilidade para aplicar criatividade: ele consegue focar esforços em um
único objetivo;
c) força de vontade: o empreendedor acredita em suas habilidades para
mudanças, te força e paixão para obter o sucesso;
d) foco na geração de valor: ele deseja fazer as coisas da melhor forma, do
modo mais rápido e mais barato;
e) correr riscos: executando distância e quebrando regras.
De acordo com o autor Dornelas (2005), o empreendedor para obter sucesso,
deve apresentar os seguintes perfis:
a) ser visionário: ter a visão de como será o futuro para o seu negócio, e
implementar seus sonhos;
b) saber tomar decisões: saber tomar a decisão certa na hora certa,
principalmente em momentos difíceis, implementando rapidamente suas
decisões, sendo isso um fator indispensável para seu sucesso;
c) fazer a diferença: transformar ideias em algo concreto e saber agregar
valor aos serviços e produtos colocados no mercado;
d) explorar o máximo de oportunidades: para os empreendedores os grandes
negócios são gerados das ideias que todos conseguem ver, mas não
enxergam algo prático para torná-las em oportunidades, pois um bom
empreendedor
é aquele que inova
e consegue identificar
uma
oportunidade no mercado, sendo um indivíduo curioso, identificador e
atento as informações;
e)
determinação
e
dinamismo:
são
características
essenciais
o
comprometimento, superação de adversidades, ultrapassar obstáculos,
inconformismo com a rotina e fazer acontecer;
24
f) dedicação: dedicação de 100% de seu tempo ao seu negócio, ser um
trabalhador exemplar, mesmo quando encontrar obstáculos pela frente, ter
energia para continuar, ser incansável e louco pelo trabalho;
g) otimismo e paixão pelo que faz: adorar o trabalho que realiza, ter paixão, é
o combustível para manter animação e autodeterminação. O otimismo faz
com que o empreendedor tenha visão de seu sucesso e não do fracasso;
h) independência e direção do próprio destino: querer ser dono do próprio
negócio, ser independente, determinar seu passos, ser patrão e gerar
empregos;
i) ficar rico: o verdadeiro empreendedor acredita que esse fator não seja o
principal, e sim o sucesso, o dinheiro por conseqüência;
j) ser líder e formador de equipe: saber que para obter o sucesso precisa de
uma equipe competente, tendo assim um sendo de liderança incomum,
recrutar as melhores cabeças e conseguir montar um time, sabendo
valorizá-los e recompensá-los;
k) bem relacionado: saber construir uma rede de contatos, com clientes,
fornecedores e a sociedade;
l)
organizados:
alocar
recursos
materiais,
tecnológicos,
humanos
e
financeiros, usando para o melhor desempenho de sua empresa;
m) planejar: a cada passo que der tem que planejar, desde uma simples ação
até as mais altas estratégias, tendo sempre a visão de seu próprio
negócio;
n) possuir conhecimento: ter sede pelo conhecimento, pois quanto maior ele
for, maior serão as chances de ter êxito. Obter o conhecimento através de
experiências, informações, cursos ou até pessoas que tem o mesmo tipo
de empreendimento;
o) assumir riscos calculados: essa é uma das maiores características dos
empreendedores, o verdadeiro empreendedor assume riscos e sabe
gerenciá-los, isso tem haver com desafios, e quanto maior mais
estimulante é o seu trabalho;
p) criar valor para a sociedade: gerar empregos com inovação e dinamismo,
usando a criatividade para melhorar a vida das pessoas.
25
2.7 Tipos de empreendedores
Segundo Dornelas (2005), não existe apenas um único tipo de empreendedor
ou um modelo padrão que possa ser identificado, mesmo que várias pesquisas
tenha o objetivo de encontrar um estereótipo universal. Dessa forma é difícil rotulálo.
Dornelas (2005) apresenta e define vários tipos de empreendedores, tais
como:
Empreendedor nato (mitológico): são os mais conhecidos e aclamados.
Suas histórias são brilhantes e, muitas vezes começaram do nada e criam grandes
impérios. Começaram a trabalhar muito jovens e adquirem habilidades de
negociação e de vendas. Geralmente, em países ocidentais, esses empreendedores
natos são imigrantes ou seus pais ou avós foram. São visionários, otimistas, estão à
frente do seu tempo e comprometem-se 100% para realizar seus sonhos e alcançar
seus objetivos. Eles têm como referência os valores religiosos e familiares, e
acabam
também
se
tornando
uma
referência
para
muita
pessoas.
Os
empreendedores natos admiram a figura paterna/materna ou algum familiar próximo,
em poucos casos não tem nenhum caso específicos para citar. Exemplos: Bill Gates,
Sílvio Santos, Andrew Carnegie.
O Empreendedor que aprende (inesperado): é um tipo de empreendedor
muito comum. Normalmente é uma pessoa que, quando menos esperava, se
deparou com uma oportunidade de negócio e tomou a decisão de mudar o que fazia
na vida para se dedicar ao negócio próprio. É o caso clássico de quando a
oportunidade bate à porta. Essa pessoa nunca havia sentido o desejo de tornar um
empreendedor, e sim o desejo de construir uma carreira sólida em uma grande
empresa. O momento da decisão ocorre quando ele recebe uma proposta de
sociedade ou ele próprio percebe que tem condição de criar um negócio próprio.
Geralmente a decisão de mudar de carreira demora um pouco, a não ser que esteja
para ser demitido, ou já tenha sido demitido. Antes de se tornar um empreendedor,
acreditava que não gostava de assumir riscos. Tem que se adaptar às novas
situações e se envolver em todas as atividades de um negócio próprio. Quem está
pensando em uma alternativa à aposentadoria muitas vezes se encaixa neste tipo.
26
O Empreendedor serial (cria novos negócios): é o empreendedor que é
apaixonado pelas empresas que cria, mas principalmente pelo ato de empreender. É
uma pessoa que não se contenta em criar um negócio e ficar à frente dele até que
se torne uma grande corporação. Como é uma pessoa dinâmica, prefere os desafios
e a adrenalina envolvidos na criação de algo novo a assumir a postura de um
executivo que lidera grandes equipes. Geralmente está sempre atento a tudo que
ocorre ao seu redor e adora conversar com as pessoas, participar de eventos,
associações, fazer networking. Para esse tipo de empreendedor tempo é dinheiro.
Tem uma habilidade incrível de montar equipes, motivar as pessoas, captar recursos
para o inicio do negócio e colocar a empresa em funcionamento. Sua habilidade
maior é acreditar nas oportunidades e não descansar enquanto não as vir
implementadas. Ao concluir um desafio, sempre procura outro para se manter
motivado. Às vezes se envolve em vários negócios ao mesmo tempo e não é
incomum ter histórias de fracasso. Mas estas servem de estímulo para superação do
próximo desafio.
Empreendedor corporativo: esse empreendedor tem ficado em evidência
nos últimos anos, devido à necessidade das grandes organizações se renovar,
inovar e criar e criar novos negócios. São geralmente executivos muito competentes,
com capacidade gerencial e conhecimento de ferramentas administrativas.
Trabalham de olho nos resultados para crescer no mundo corporativo. Assumem
riscos e tem o desafio de lidar com a falta de autonomia, já que nunca terão o
caminho 100% livre para agir. Isso faz com que desenvolvam estratégias avançadas
de negociação. São hábeis comunicadores e vendedores de suas ideias.
Convencem as pessoas a fazer parte de sua equipe e reconhece o seu empenho.
Sabem se autopromover e são ambiciosos. Eles não se contentam com o que
ganham e adoram planos com metas ousadas e recompensas variáveis. Podem ter
problemas se saírem da corporação, pois estão acostumados com as regalias e o
acesso de recursos do mundo corporativo.
Empreendedor social: esse tipo de empreendedor tem como missão de vida
construir um mundo melhor para as pessoas. Se preocupa com as causas
humanitárias com comprometimento singular. Tem um grande desejo de mudar o
mundo, proporcionando oportunidades para quem não tem acesso a elas. Suas
características são similares as dos demais empreendedores, porém se realizam
vendo seus projetos trazerem resultados para os outros e não para si próprios. Os
27
empreendedores sociais são um fenômeno mundial e, principalmente em países em
países em desenvolvimento, como o Brasil, têm um papel social extremamente
importante, já que preenchem lacunas deixadas pelo poder público, através de suas
ações e organizações. É o único tipo de empreendedor que não busca aumentar o
patrimônio financeiro e sim tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento das
pessoas.
Empreendedor por necessidade: esse empreendedor cria o próprio negócio
porque não tem alternativa. Normalmente não tem acesso ao mercado de trabalho
ou foi demitido. A única opção é trabalhar por conta própria. Geralmente se envolve
em negócios informais, desenvolvendo tarefas simples, prestando serviços e
conseguindo como resultado pouco retorno financeiro. Esse tipo de empreendedor é
um problema para os países em desenvolvimento, pois não contribui para o
desenvolvimento econômico. Na realidade eles estão reféns do modelo capitalista
atual, porque não tem acesso a recursos, à educação e às mínimas condições de
empreender de forma estruturada. Suas iniciativas empreendedoras são simples,
geralmente não contribuem com impostos e outras taxas, e acabam por inflar as
estatísticas empreendedoras de países em desenvolvimento, como o Brasil.
Empreendedor herdeiro (sucessão familiar): esse tipo de empreendedor
recebe logo cedo a missão de levar à frente o legado da família. Empresas
familiares fazem parte da estrutura empresarial de todos os países, e muitos
impérios foram construídos nos últimos anos por famílias empreendedoras, que
mostraram a habilidade de passar o bastão a cada nova geração. Mais
recentemente, porém, tem ocorrido a chamada profissionalização da gestão de
empresas familiares, através da contratração de executivos de mercado para a
administração da empresa e da criação de uma estrutura de governança corporativa,
com os herdeiros opinando no conselho de administração e não necessariamente
assumindo cargos executivos nas empresas. O seu desafio é multiplicar o
patrimônio da família, o que está casa vez mais difícil. Ele aprende a arte de
empreender com os exemplos da família, e normalmente segue seus passos.
Começam cedo na empresa, aprende como o negócio funciona, assume
responsabilidades e assumem cargos de direção ainda jovens. Uns têm senso de
independência e desejo de inovar, outros são conservadores, preferindo não mudar
o que vem dando certo. Existem variações no perfil do empreendedor herdeiro. Eles
28
têm buscado apoio externo, cursos de especialização, programas voltados para
empresas familiares, para aumentar a chance de sucesso.
O Normal (planejado): é o empreendedor que se planeja, faz lição de casa,
busca minimizar os riscos, se preocupa com os próximos passos do negócio, tem
uma visão de futuro clara e que trabalha em função de metas. A maioria dos
empreendedores não se encaixa na categoria “normal”. Então o empreendedor
normal seria o mais completo do ponto de vista da definição de empreendedor e o
que a teria como referência a ser seguida, mas quer na prática não representa uma
quantidade considerável de empreendedores. Os empreendedores bem-sucedidos
na grande maioria das vezes fizeram o planejamento de seu negócio.
2.8 O desafio empreendedor
Segundo Degen (2005), todos os dias iniciam-se milhares de empresas,
porém poucas têm chance de prosperar. A maioria não passará da mediocridade e
muitas irão fracassar, pois são muitos os desafios que envolvem a atividade
empreendedora.
Neste sentido Dolabela (1999a) destaca alguns dos principais desafios
enfrentados pelo empreendedor, tais como:
a) desenvolver o conceito de si: a empresa reflete a imagem de seu criador,
portanto, é essencial que seu criador se conheça. O autor ressalta que as
pessoas só realizam algo caso se julguem capazes de fazê-lo. A autoimagem é a base para a construção da crença individual de que se é
capaz de mudar algo no mundo, de inovar e convencer pessoas, traços
fundamentais do empreendedor;
b) perfil empreendedor: ressalta a importância de se desenvolver ou aprimorar
o próprio perfil como empreendedor, no sentido de usar as características
individuais para obter sucesso na atividade empreendedora, utilizando-se
dos pontos fortes, mudando ou represando pontos fracos, buscando
complementaridade com sócios ou colaboradores;
c) aumento da criatividade: as pequenas empresas surgem principalmente da
identificação e aproveitamento de oportunidades relacionadas a nichos de
mercado. Para isso é necessário inovar, criar ou introduzir algo que
29
provavelmente ainda não exista ou adaptar, modificar ou melhorar algo já
existente. Portanto, para o autor, a criatividade tem papel essencial na
atividade empreendedora;
d) processo visionário: identificar oportunidades é a essência da atividade
empreendedora. O empreendedor passa a vida toda identificando
oportunidades, ou seja, o processo visionário além de ser uma forma de
identificar boas oportunidades, é também uma forma de se agarrá-las e
buscar recursos para transformá-las em um bom negócio;
e) capacitação para negociar e apresentar uma ideia: a negociação é
entendida como a cooperação entre pessoas, parceiros, ou empresas,
para alcançar objetivos de tal forma que todos saiam ganhando. Negociar
é uma atividade do dia-a-dia do empreendedor.
2.9 O empreendedor como agente de inovação
A proposta do empreendedor schumpeteriano, como aquele que introduza
inovação, gera desequilíbrio e provoca crescimento econômico, não é compartilhada
por Kirzner. Shumpeter (1959) destaca papel fundamental da inovação no ato de
empreender e seu impacto no crescimento econômico. Diferencia invenções (novas
ideias e conceitos) de inovações (uma nova combinação de recursos produtivos).
Segundo o autor, o desenvolvimento é possível quando ocorre inovação. Existem
segundo ele, cinco diferentes tipos de inovação:
a) introdução de novos produtos no mercado ou de produtos já existentes
mas melhorados;
b) novos métodos de produção;
c) abertura de novos mercados;
d) utilização de novas fontes de matérias primas;
e) surgimento de novas formas de organização de uma indústria.
O empreendedor é o agente detentor dos “mecanismos da mudança”, com
capacidade de explorar novas oportunidades, pela combinação de recursos
diferentes ou diferentes combinações do mesmo recurso. (VALE; WILKINSON;
AMÂNCIO, 2008).
30
Conforme Vale, Wilkinson e Amâncio (2008):
a temática da inovação e da capacidade empreendedora tem sido
intensamente pesquisada. Destaca-se, nesse contexto, a literatura que
associa inovação e crescimento econômico. Entre seus expoentes situase
Metcalfe (2003). Segundo o autor, para compreender a natureza incansável
do capitalismo contemporâneo, é necessário situar a noção do
empreendedor no cerne da análise, pois o empreendedor é o agente crucial,
cujo papel é de gerar novos conhecimentos econômicos. Salienta que o
mais importante aspecto do moderno capitalismo não é, apenas, que o
conhecimento gera novos conhecimentos, mas que o empreendedorismo
cria mais empreendedorismo, através das instituições do mercado. Para
Metcalfe, o capitalismo é fortemente ordenado, mas incansável, pois “como
sistema não pode, jamais, estar em equilíbrio, pois o conhecimento não
pode nunca estar em equilíbrio” (2003, p. 20, tradução nossa) e o
empreendedor é o locus de experimentação na geração de novos
conhecimentos. A sociedade moderna caracteriza-se, segundo o autor, não
só pela existência de tecnologias sociais cada vez mais ligadas ao
conhecimento, mas também pela presença substancial de tecnologias
físicas, capazes de armazenar e de transmitir informações, aumentando, de
maneira significativa, o número de indivíduos capazes de usufruir de tais
condições. Na linha de abordagem neo-schumpeteriana, o empreendedor é
um criador ou desbravador de novas oportunidades, capaz de alterar,
eventualmente, o próprio paradigma tecnológico ou produtivo existente.
2.10 O sucesso das inovações
Embora seja esperado o impacto direto e significativo do empreendedorismo
na performance da empresa, seu papel na organização não deve ser restrito, pois o
sucesso ao empreendedor difere daquele do administrador. Para o administrador
sucesso é tudo que se pode medir como lucro, participação de mercado, preço de
ações, retorno do investimento, retorno de ativos, e assim por diante. O
administrador não busca alterar a ação produtiva se o lucro continua a crescer. A
administração apresenta em geral, um padrão de comportamento ocupado em
reconhecer falhas nos processos organizacionais e indicar ações que resolvam
problemas. Utiliza da eficácia e eficiência como melhorias incrementais, mas não a
inovação em si. O administrador não está profundamente interessado em criar algo
novo por uma causa própria.
Sucesso para o empreendedor significa engajar-se num processo de “criação
destrutiva”, isto é, revolucionar o processo produtivo atual e a dinâmica competitiva,
concentrada muitas vezes em custos, ao introduzir um novo produto, novas formas
de distribuição, ou novas ideias de comunicação e posicionamento, frequentemente
sob condições de riscos e de incertezas. (SHUMPETER, 1959). Portanto para o
31
empreendedor, sucesso está relacionado com a capacidade de inovar, e não restrito
ao desempenho. A capacidade de inovar depende da empresa e é definida como a
“orientação cultural de uma organização (valores e crenças) frente à inovação” e
compõe uma das dimensões do empreendedorismo. Através do processo de
orientação empreendedora de identificação de oportunidades, rejuvenescimento de
objetivos, renovação e redefinição da própria organização, de seu mercado, ou de
sua indústria, que nascem novas ideias de produtos bem-sucedidos. É importante
distinguir entre processo e resultado, e, portanto orientação empreendedora e
sucesso de inovação são coisas distintas. Dessa forma é possível concluir que a
orientação empreendedora da organização terá impacto positivo no sucesso da
inovações. (VALE; WILKINSON; AMÂNCIO, 2008).
O sucesso das inovações está relacionado com a maximização do
desempenho, e esta não precisa ser alcançada através da otimização dos recursos
existentes, mas por uma abordagem empreendedora e tolerante ao risco, que
desafie o mercado e enfrente incertezas. (SHUMPETER, 1959). Sendo assim o
sucesso das inovações influenciará positivamente o desempenho da empresa.
2.11 O empreendedor e o sucesso empresarial
Timons (1994 apud DOLABELA, 2002, p. 89) cita alguns segredos para o
sucesso do empreendedor:
não há segredos. Somente o trabalho duro dará resultados; tão logo surge
um segredo, todos o conhecem imediatamente; nada mais importante do
que um fluxo de caixa positivo; se você ensina uma pessoa a trabalhar para
outras, você a alimenta por um ano; mas, se você a estimula a ser
empreendedor, você a alimenta, e a muitas outras, durante toda a vida; não
deixe o caixa ficar negativo; o empreendedorismo, antes de ser técnico ou
financeiro, é fundamentalmente um processo humano; a felicidade é um
fluxo de caixa positivo.
Faça o que lhe dá energia. Divirta-se; diga “posso fazer”, em lugar de “não
posso fazer” ou “talvez”; Imagine como fazer funcionar algo; Tenacidade e
criatividade irão triunfar; Qualquer coisa é possível se você acredita que
pode fazê-la; Se você não sabe que não pode ser feito, vá em frente e fará;
Veja o copo meio cheio e não meio vazio; Seja insatisfeito com o jeito como
as coisas estão e procure melhorá-las; Faça coisas de forma diferente; Não
assuma riscos desnecessários, mas assuma um risco calculado se
considerar que a oportunidade é certa para você; Os negócios fracassam;
Os empreendedores de sucesso aprendem. Mas tente manter baixo o custo
do aprendizado; Faça da oportunidade e dos resultados a sua obsessão;
Fazer dinheiro é mais divertido do que gastá-lo; Uma equipe constrói um
negócio; Um só indivíduo ganha a vida; Tenha orgulho das sua realizações;
32
Isso é contagiante; É mais fácil implorar perdão do que pedir permissão.
(TIMONS, 1994 apud DOLABELA, 2002, p. 61).
Dutra (2002) afirma que a produtividade nas empresas sempre foi alvo
perseguido pela ciência da Administração. Mas a origem deste objetivo
organizacional remete a outro, talvez mais importante: o sucesso empresarial. Os
estudiosos e outros profissionais buscaram alcançar a eficiência e eficácia nos
negócios e encontrar determinantes para seus efeitos, a fim de alcançar meios para
garantir o seu sucesso, ou de outra forma, a fim de evitar o seu fracasso.
Na Administração, a preocupação crescente com o sucesso e seu estudo
nos últimos 10 (dez) anos parecem ter correlação com dois fatos:
1) o declínio de grandes empresas tradicionais e a ascensão de novas
empresas líderes;
2) a difusão do conceito de “capital intelectual” (o valor de uma idéia) para
compreender as grandes diferenças entre o valor de mercado e o respectivo
valor contábil das empresas (DUTRA, 2002, p. 170).
A grande quantidade de estudos sobre como o administrador pode obter
sucesso aponta vários caminhos, mas não os determina definitivamente. “Não existe
nenhuma fórmula capaz de garantir o sucesso”. (DOLABELA, 1999b, p. 92). O
próprio conceito de sucesso é muito amplo e discutido em diversas áreas de
conhecimento. O sucesso é aquilo que sucede a um resultado, uma conclusão. É
algo que teve bom êxito ou resultado feliz.
Ele também afirma que o empreendedor tem seu próprio conceito de sucesso.
Ele não necessariamente reconhece o sucesso nos termos do conceito de “sucesso
empresarial” ou em ganhos materiais. Deste ponto de vista, Solomon e Winslow
(1988 apud DUTRA, 2002) realizaram uma entrevista com 61 empreendedores, em
que as questões tiveram o propósito de encontrar o perfil deste indivíduo. Sobre o
sucesso, perguntou: “Como você define sucesso?” Muitos relataram o sucesso como
a independência financeira, mas nenhum indicou desejar uma grande riqueza. Na
maior parte da amostra, eles mencionaram a independência, a auto-estima, a autosatisfação, orgulho de fazer um serviço, e prazer.
Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000) defendem a idéia de que, no campo do
empreendedorismo, a organização empreendedora volta sua atenção para o perfil
do empreendedor, como um dos elementos chaves do sucesso. O indivíduo com
este perfil lidera a sua organização. Ele estende suas necessidades para a
33
organização e as satisfaz por meio dela. Por esta razão, o sucesso do
empreendedor se edifica ou se reflete no sucesso da empresa e vice-versa.
Machado e Gimenez (2000) ressaltam que o empreendedorismo é melhor
visto como um comportamento transitório, que apresenta muito da situação sendo
enfrentada pelo empreendedor. Eles observam nos dirigentes de sucesso
características predominantes do empreendedor, conforme exposto na seção
anterior. Quer dizer: não há garantias para alcançar sucesso, mas pessoas com
estas características têm mais chances de ser bem sucedidas.
Há que se considerar, então, que o sucesso ou o fracasso podem aparecer
como causas dos resultados das empresas, aos olhos do mercado ou de grupos de
stakeholders, e mesmo da sociedade. Mas aos olhos do empreendedor pode ser
diferente. Um produto de grande sucesso pode ser originário de um produto ou
negócio
que
fracassaram anteriormente.
Os
empreendedores têm grande
capacidade de aprender com os fracassos. (DOLABELA, 1999b).
2.12 O empreendedorismo e o crescimento econômico
Segundo Dolabela (2002) o empreendedorismo maximiza a renda nacional
através de criação de novos empregos, o empreendedorismo também atua com uma
força positiva no crescimento econômico, ao estimular a interação entre inovação e
mercado.
Dessa forma, um dos melhores recursos de que dispomos para solucionar os
graves problemas socioeconômicos pelos quais o Brasil enfrenta, é a liberação da
criatividade dos empreendedores, incentivos e iniciativas a fim de produzir bens e
serviços.
Empreendedorismo e educação têm uma relação complexa, Bill Gates,
criador da Microsoft, e Larry Ellison, que fundou a Oracle, são sempre citados como
pessoas que não se graduaram em nenhum curso e tornaram-se membros ilustres
da lista dos maiores empreendedores do mundo, além de outra, bem mais atraente,
a das pessoas mais ricas do mundo.
Segundo Mossato (apud SHUMPETER, 1959, p. 82):
o empreendedor é visto como motor da economia, como um agente de
inovação e mudanças, capaz de desencadear o crescimento econômico. O
empreendedorismo vai além de uma solução do problema do desemprego.
34
A atividade empreendedora promove a iniciativa de liderar e coordenar o
esforço no sentido do seu próprio crescimento econômico. Através da
indução de atividades inovadoras, capazes de agregar valores econômicos
e sociais, é possível alterar a curva de estagnação econômica e social.
Dolabela (2002) acredita que o empreendedorismo é o principal fator de
crescimento e desenvolvimento econômico de um país. Pois a abertura ou
crescimento de um negócio proporciona queda na taxa de desemprego, aumento na
renda e consequentemente crescimento para o país.
2.13 O empreendedorismo na atualidade
De acordo com Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas
(2004), os empreendedores estão entendendo que para iniciar e gerenciar um
empreendimento com sustentabilidade, o melhor caminho é sempre o do
conhecimento. Quanto mais informação o empresário tiver, mais competitiva será a
sua empresa.
O Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas tem
disponibilizado conhecimento, informação e apoio a um número cada vez maior de
empreendedores, e os resultados desses trabalhos estão sendo muito satisfatórios.
Uma tendência que vê aumentando segundo o SEBRAE é o aumento do
empreendedorismo por oportunidade e uma queda do empreendedorismo por
necessidade. Em 2008 foram registrados conforme pesquisa da GEM (Global
Entrepreneurship
Monitor)
uma
pesquisa
sobre
empreendedorismo,
dois
empreendedores por oportunidade para cada empreendedor por necessidade. Uma
vez que esse dados já foram o contrário, é uma excelente notícia. Outra tendência é
o aumento da atividade empreendedora entre os mais novos. Jovens entre 18 e 24
anos tiveram a mais alta taxa de empreendedorismo entre as faixas etárias
analisadas. (SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO À MICRO E PEQUENA EMPRESA,
2004).
No que se refere ao empreendedorismo, existe um equilíbrio entre os
gêneros. Foram poucas as diferenças na proporção de participação de homens e
mulheres na atividade empreendedora, isso conforme pesquisa da GEM. Em 2009,
as mulheres se sobrepuseram aos homens, 53% foram mulheres e 47% homens.
Existe uma grande oscilação entre os gêneros, a mulher brasileira é considerada
35
uma das mais empreendedoras do mundo. (GLOBAL ENTREPRENEURSHIP
MONITOR, 2005).
O empreendedorismo não está ligada ao fato de você estar envolvido com
uma empresa global. Não é preciso ter que se desenvolver lá fora, o importante é
você dispor de uma equipe bem montada. Desde o primeiro momento, na criação de
uma loja ou empresa, o fundamental buscar um time competente. No inicio fala mais
alto o lado técnico, aquele que empreende, que vê uma coisa nova e vai atrás de
seu sonho. No momento seguinte, quando se impõe a necessidade de crescimento
é preciso desenvolver o lado administrativo. O lado empreendedor que mais exige
do proprietário é o lado administrativo. Ambos os lados devem andar junto em prol
do crescimento da empresa.
Existe uma diferença entre ser empreendedor e estar empreendedor:
empreender é estar constantemente com uma visão de futuro, é criar condições de
prosperidade. O empreendedorismo nunca para e cada vez mais isso vem
acontecendo no Brasil.
Um dos fatores do empreendedorismo ter crescido no Brasil, foi o fato do
Brasil ter se aberto para o exterior. O mercado antigamente ara muito menos
competitivo, havia falta de produtos e uma série de regulamentações. No Brasil não
podia fazer importação, e dessa forma a demanda era maior que a oferta, não havia
a necessidade de ser competitivo. A partir do momento que o Brasil entrou como um
país de economia de mercado, com a liberação de importação, as condições
melhoraram sensivelmente.
Atualmente a sociedade brasileira tem acesso a tudo com a internet, tem a
oportunidade de saber o que tem lá fora, a que custo e a que preço. Isso fez com
que as empresas instaladas aqui dentro buscassem cada vez mais ter uma melhor
qualidade no menor custo possível. Para isso é necessário uma boa gestão.
O mesmo vê um diferencial no Brasil, que tem muitos empreendedores
porque a diversidade pressiona para a evolução. Os empresários tiveram que lidar
com o desafios impostos pelo sistema tributário e financeiro, pelos planos
econômicos, o que obrigou as idas e vindas da estratégia empreendedora.
36
2.14 O compromisso social do empreendedor
Dornelas
(2001,
p.
221)
afirma
que
o
empreendedor
deve
ter
responsabilidade social e alto comprometimento com o ambiente, segundo ele:
o empreendedor deve ter alto comprometimento com o ambiente, em todos
os seu aspectos: cidadania, ética, economia, justiça social, ecológica.
Fortalecendo e preservando o seu ambiente, contribuindo para a economia,
ele estará criando melhores condições para o seu próprio desenvolvimento
como cidadão e empreendedor.
Ainda de acordo com Dornelas (2001) o empreendedor deve ter a consciência
de que só se tem a felicidade plena quando todos os cidadãos ao redor têm um
mínimo de dignidade, as opções para se tornar um agente de transformações estão
disponíveis. Mesmo não sendo as soluções definitivas, são indicativos de que uma
parcela da sociedade já teve a atitude de não esperar que “as coisas” aconteçam e
que é possível fazer a diferença.
37
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Esse capítulo apresentará as formas da pesquisa, cujo objetivo é analisar o
perfil do empreendedor da Empresa Paratex e sua influência no sucesso da
organização.
A pesquisa será realizada na empresa Paratex na cidade de Pará de
Minas/MG, onde o tipo de pesquisa do estudo e as estratégias para a coleta e
tratamento dos dados serão descritos.
3.1 Conceito de metodologia
Segundo Richardson (1999) a metodologia são os procedimentos e regras
utilizadas por algum método. Por exemplo, o método cientifico é o meio da ciência
para chegar a um objetivo. A metodologia são as regras estabelecidas para o
método cientifico, por exemplo: a necessidade de observar, analisar, examinar, criar
hipóteses e etc.
De acordo com Marconi e Lakatos (2006), a metodologia é uma atividade
sistemática e racional que, com segurança e economia, permite o alcance dos
objetivos, traçando o caminho a ser seguido, detectando erro e auxiliando nas
decisões.
3.2 Tipos de pesquisa
Com o intuito de atender a abordagem proposta no problema, optou-se por
uma pesquisa de natureza exploratória, que segundo Vergara (2000) é realizada em
área na qual há pouco conhecimento acumulado e sistematizado que, por sua
natureza de sondagem não comporta hipóteses que, todavia, poderão surgir durante
ou ao final da pesquisa. Quanto à finalidade, para Gil (2002), essas pesquisas têm
como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a tornálo mais explícito ou a construir hipóteses. Pode-se dizer que estas pesquisas têm
como objetivo principal o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições. Seu
planejamento é, portanto, bastante flexível, de modo que possibilite a consideração
dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado.
38
Considerando os objetivos apresentados deste estudo, que é identificar a
influência do empreendedor no sucesso da organização.
3.3 Abordagem
A abordagem será quantitativa e qualitativa. A pesquisa quantitativa traduz
em números as opiniões e informações para serem classificadas e analisadas e são
utilizadas técnicas estatísticas. Essa será feito através de um questionário aplicado
aos funcionários da Paratex, onde eles responderão perguntas sobre o proprietário e
empreendedor da organização. A pesquisa qualitativa é descritiva, as informações
não podem ser quantificáveis, os dados obtidos são analisados indutivamente. Essa
se dará por meio de um questionário com perguntas abertas aplicado ao proprietário
e empreendedor da organização.
3.4 Método de pesquisa
Considerando
os
objetivos
apresentados
neste
estudo,
acerca
do
delineamento da pesquisa acredita-se que as finalidades desta pesquisa podem ser
alcançadas utilizando o método de estudo de caso, na qual a unidade a ser
estudada é a empresa Paratex e consistirá em um estudo de caso único.
Para Yin (2005), o estudo de caso significa uma pesquisa empírica e
compreende um método abrangente, com a lógica do planejamento, da coleta e da
análise de dados. Pode incluir tanto estudos de caso único quanto de múltiplos,
assim como abordagens quantitativas e qualitativas de pesquisa.
Conforme Vergara (2000), o estudo de caso tem caráter de profundidade e
detalhamento, podendo ou não se realizado no campo.
3.5 Tipos de fontes
As fontes secundárias serão utilizadas através de pesquisa bibliográfica que
explica um problema a partir das referências publicadas em artigos, livros,
dissertações e teses, buscando assim fontes referentes ao assunto abordado na
pesquisa.
39
Significa o conjunto de textos científicos e livros produzidos relativamente a
determinado tema, sendo a pesquisa bibliográfica o exame desse conhecimento já
existente, para levantamento e análise do que já foi produzido.
As fontes secundárias são as que possuem dados que já foram coletados,
tabulados e analisados, e que se encontram disponíveis à consulta. As fontes
primárias são as que fornecem dados brutos, ou seja, que nunca foram coletados,
tabulados e analisados.
Os dados primários serão coletados mediante aplicação de entrevista com o
empreendedor da organização em estudo e também por meio da aplicação de
questionário com os funcionários da referida empresa.
3.6 Seleção da amostra
Para a amostra de pesquisa foram selecionados os funcionários da empresa
Paratex, situada na cidade de Pará de Minas – MG, totalizando seis funcionários e o
próprio empreendedor da empresa.
A amostra desse estudo caracteriza-se como não probabilística e definida
pelo critério de tipicidade, que de acordo com Vergara (2000) a amostra por
tipicidade é constituída pela seleção de elementos que o pesquisador considere
representativos da população alvo, o que requer profundo conhecimento dessa
população.
3.7 Procedimento para coleta de dados
A coleta dos dados primários deste estudo serão obtidos mediante aplicação
de questionários com os funcionários da Paratex, com o intuito de compor um
conjunto de informações relevantes acerca do problema da pesquisa. (APÊNDICE
A).
Cervo e Bervian (1996) assinalam que o questionário representa a técnica de
coleta de dados mais utilizada em pesquisas. Para os autores, o questionário
representa um meio de obter respostas sobre um assunto de forma que o
respondente forneça as informações de seu domínio e conhecimento. Um
questionário compreende uma série de perguntas ordenadas, que devem ser
respondidas por escrito e sem a presença do pesquisador. Cervo e Bervian (1996, p.
40
22) ensinam que “todo questionário deve ser impessoal, para assegurar a
uniformidade na avaliação de uma situação”.
Para coleta de dados será realizada também uma entrevista com o
empreendedor da Paratex, no qual, o motivo para sua escolha consiste em buscar
conhecimento minucioso sobre as manifestações do comportamento empreendedor,
bem como identificar o seu perfil empreendedor e como ele exerce influência em sua
organização. (APÊNDICE B).
Conforme Marconi e Lakatos (2006) a entrevista é o encontro entre duas
pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado
assunto, mediante uma conversação de natureza profissional. É um procedimento
utilizado na investigação social, para a coleta de dados ou para ajudar no
diagnóstico ou no tratamento de um problema social.
41
4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
4.1 Análise do questionário
O trabalho teve como objetivo analisar se existe relação entre o sucesso da
empresa e o perfil do empreendedor, os instrumentos para a coleta dos dados foram
o questionário aplicado aos funcionários da organização estudada e a entrevista
realizada com o empreendedor. Foram utilizadas técnicas de análise quantitativa e
qualitativa para analisar os dados. Nesse capítulo serão apresentados e analisados
os resultados das informações colhidas através dos instrumentos de coleta de
dados, primeiramente será analisado o questionário, logo em seguida a entrevista.
O questionário foi formado por 24 questões de múltipla escolha nas quais
eram: (insuficiente, suficiente, regular, bom e ótimo) e eram questões voltadas para
o perfil do empreendedor baseadas nas características atribuídas pela literatura ao
empreendedor de sucesso.
De acordo com as repostas obtidas no questionário:
a) Conhecimento:
Para
começar
houve
duas
questões
relacionadas
a
característica
conhecimento, a primeira indagava se o empreendedor da Paratex gosta de
aprender, ou seja, se busca novos conhecimentos. Dos seis funcionários
entrevistados, cinco assinalou a opção ótimo e um a opção bom, o que quer dizer
que na visão de seus funcionários o empreendedor sempre busca novos
conhecimentos.
Outra pergunta sobre essa característica foi se ele conhece o mercado onde
atua, todos marcaram a opção ótimo, dessa forma na interpretação de seus
colaboradores, ele conhece muito bem o mercado onde atua.
O conhecimento é tido como uma das características dos empreendedores de
sucesso. De acordo com Dornelas (2005) empreendedores são curiosos por
natureza, procuram aprender tudo o que seja relativo ao seu negócio ou mesmo fora
dele. Buscam inteirar-se sobre o que acontece no mundo, para isso participam de
cursos e palestras, leem jornais e revistas especializadas, comparecem à feiras e
congressos, fazem parte de associações voltadas para o segmento em que atuam,
42
visitam periodicamente clientes, concorrentes e fornecedores. Acreditam que o
aprendizado traz melhorias a ele e à sua empresa.
GRÁFICO 1 – Gosta de aprender?
Fonte: dados da pesquisa, 2012.
b) Relacionamento (networking)
A respeito dessa característica também foram formuladas duas questões. A
primeira é se ele é bem relacionado e a segunda é se possui uma rede de contatos
bem estabelecida. Em ambas todos os funcionários marcaram a opção ótimo. Essas
questões têm como objetivo ressaltar a importância das relações para uma
organização, sendo um fator importante para o sucesso.
Segundo Dornelas (2005) o empreendedor de sucesso deve ser bem
relacionado, construir uma rede de contatos com clientes, fornecedores e a
sociedade.
Para os empreendedores qualquer ocasião pode transformar-se em um
momento para se conhecer pessoas que podem ser úteis, seja na implantação ou no
dia-a-dia da empresa. Procuram se relacionar com pessoas diferentes, tais como:
gerentes de banco, outros empresários, presidentes de sindicato e associações de
classe, fornecedor ou qualquer outro indivíduo que possa estar abrindo as portas e
contribuindo para o crescimento da empresa. (Dornelas, 2005).
43
GRÁFICO 2 – Relacionamento (Networking)
Fonte: dados da pesquisa, 2012.
c) Oportunidade
Sobre a característica oportunidade a questão está atento às oportunidades
também teve um saldo positivo, dos seis funcionários entrevistados quatro marcaram
a opção ótimo e dois marcaram a opção bom. Dessa forma, na visão de seus
funcionários o empreendedor percebe e aproveita as oportunidades que aparecem.
Conforme Brito (2003) o empreendedor de sucesso deve explorar o máximo
de oportunidades, pois ele inova e consegue identificar uma oportunidade no
mercado, sendo um indivíduo curioso, identificador e atento as informações.
Ainda conforme Brito, empreendedores possuem um senso de oportunidades
muito aguçado e onde muitos enxergam dificuldades e ameaças, eles percebem
boas oportunidades de negócios.
Outra questão ainda na característica oportunidade foi: procura ter
conhecimento das necessidades dos clientes? O resultado foi o seguinte: Cinco
funcionários marcaram a opção ótimo e um marcou a opção, o que leva a crer que
na interpretação dos colaboradores o empreendedor conhece e procura atender as
necessidades dos clientes.
De acordo com Dornelas (2005), empreendedores conseguem identificar,
avaliar e aproveitar rapidamente as oportunidades do mercado.
44
GRÁFICO 3 – Está atento as oportunidades?
Fonte: dados da pesquisa, 2012.
d) Planejamento
Com relação ao planejamento, sabendo de sua importância dentro de uma
organização, buscou identificar através de três questões em que são baseadas as
decisões do empreendedor da organização estudada, nas quais consistem: a
primeira buscava identificar se ele toma decisões apenas pela intuição, de acordo
com o gráfico, na visão de seus colaboradores, isso acontece raramente. A segunda
pergunta foi se todas as suas decisões são tomadas baseadas no planejamento,
cinco marcaram a opção ótimo e um marcou a opção bom, dessa forma, podemos
notar que de acordo com os colaboradores ele se planeja antes de tomar alguma
decisão. A terceira pergunta foi se utiliza do planejamento, quatro marcaram a opção
ótimo, um marcou a opção bom e um preferiu não responder.
Para Dornelas (2005), os empreendedores de sucesso planejam cada passo
de suas atividades no negócio em que estão envolvidos, sempre tendo como base a
forte assimilação da visão da corporação para a qual trabalham. Constantemente,
revisam seus planos, levando em conta os resultados obtidos e as mudanças
circunstanciais.
Segundo Brito (2003), para atingir seus propósitos os empreendedores
planejam cuidadosamente suas ações. Para isso definem como alcançar suas
metas, quando isso irá ocorrer, quanto vai se gastar e quais pessoas o ajudarão.
45
GRÁFICO 4 – Segue apenas sua intuição para tomar decisões?
Fonte: dados da pesquisa, 2012.
e) Risco
As empresas atualmente, devido a vários fatores estão mais propensas a
correr riscos, dessa forma é necessário se preparar, planejar e tomar o controle da
situação, para que esses riscos não gerem um fator negativo para a empresa. Com
relação ao risco foram formuladas três perguntas. São elas: Corre riscos calculados
(analisa tudo antes de agir)? Procura minimizar os riscos? Não gosta de correr
riscos?
Nas três perguntas todos os funcionários marcaram a opção ótimo. Então, na
visão de seus colaboradores o empreendedor sempre analisa tudo antes de agir,
corre riscos calculados, procura sempre minimizar os riscos prefere não correr
riscos.
Segundo Dornelas (2005) empreendedores assumem riscos calculados e
moderados. Os riscos são assumidos se as chances de sucesso forem maior que as
de fracasso. Isto é o que distingue um empreendedor de aventureiro. Todas as
decisões tomadas baseiam-se em dados, informações e números que o
empreendedor busca junto ao mercado (clientes, concorrentes, fornecedores,
entidades de apoio, e etc.).
46
GRÁFICO 5 – Corre riscos calculados? Procura minimizar os riscos?
Fonte: dados da pesquisa, 2012.
f) Dedicação
Outra característica muito importante também atribuída ao empreendedor é a
dedicação, na qual significa que ao ter um empreendimento é preciso ter disposição
para investir tempo e algumas vezes abdicar da vida pessoal pela empresa, levando
em consideração essa característica foram estabelecidas três questões em que
procuravam identificar se o empreendedor da Paratex apresenta aspectos
relacionados à dedicação. A primeira indaga se ele é dedicado no que faz, a
segunda se ele é apaixonado pelo seu negócio e a terceira se ele é persistente, não
desistindo daquilo que deseja. Novamente nas três perguntas, todos os funcionários
entrevistados marcaram a opção ótimo. Sendo assim, na visão de seus funcionários,
o empreendedor é muito dedicado com sua organização.
Para Dornelas (2005) o empreendedor de sucesso deve dedicar 100% do seu
tempo ao seu negócio, ser um trabalhador exemplar, mesmo quando encontrar
obstáculos pela frente, ter energia para continuar, ser incansável e louco pelo
trabalho. Determinação e dinamismo também são características essenciais do
empreendedor de sucesso, comprometimento e inconformismo com a rotina.
47
GRÁFICO 6 – É determinado e dedicado no que faz?
Fonte: dados da pesquisa, 2012.
g) Visão
Outra característica muito importante para o sucesso empresarial é visão. É
essencial para o empreendedor ter uma visão sistêmica, pois dessa forma ele
consegue entender a organização como um todo, conhece o mercado e fica atento
as tendências para o futuro do seu segmento. Sobre essa característica foram
formuladas duas perguntas. A primeira é se ele possui visão de negócios, todos
marcaram a opção ótimo, o que mostra que de acordo com seus colaboradores ele
conhece bem e possui uma visão ampla de negócios. A segunda pergunta foi se ele
enxerga o que está a sua volta e procura agir de forma planejada. Cinco funcionários
marcaram a opção bom e um marcou a opção ótimo, dessa forma, na visão de seus
colaboradores ele consegue ter essa visão sistêmica e sempre está atento ao que
ocorre a sua volta.
Ainda de acordo com Dornelas (2005) o empreendedor de sucesso deve ser
um visionário, ter a visão de como será o futuro para o seu negócio.
48
GRÁFICO 7 – Possui visão de negócios?
Fonte: dados da pesquisa, 2012.
h) Liderança
Uma característica indispensável é a liderança, um bom líder consegue
motivar e tirar o melhor de seus colaboradores. Na pergunta é um bom líder, três
funcionários marcaram a opção ótimo, dois marcaram regular e um preferiu não
responder.
De acordo com Dornelas (2005) o empreendedor de sucesso deve ser líder e
formador de equipe: saber que para obter o sucesso precisa de uma equipe
competente, tendo assim um sendo de liderança incomum, recrutar as melhores
cabeças e conseguir montar um time, sabendo valorizá-los e recompensá-los.
49
GRÁFICO 8 – É um bom líder?
Fonte: dados da pesquisa, 2012.
Ainda na característica liderança o aspecto motivação é muito importante. Na
pergunta: Sabe motivar seus colaboradores? Dois marcaram regular, três marcaram
bom e um marcou ótimo.
A capacidade de influenciar pessoas a executar tarefas levando em
consideração que cada um tem sua vida pessoal e suas aspirações. O líder dá
exemplo, estimula seus colaboradores e os mantêm motivados.
GRÁFICO 9 – Sabe motivar seus colaboradores?
Fonte: dados da pesquisa, 2012.
50
i) Inovação
A busca por inovação tem sido uma constante por parte das empresas, visto
em um mercado cada vez mais de incertezas a inovação se tornou um dos
mecanismos mais utilizados pelas empresas, visando sua permanência no mercado
e ganhar competitividade, com isso é considerada como uma das principais
características atribuídas ao empreendedor.
Com relação a inovação foram feitas duas perguntas. A primeira: Utiliza a
inovação como forma de crescimento para a empresa? Dois funcionários marcaram
ótimo, dois marcaram bom, um regular e um preferiu não responder. Sendo assim,
podemos observar que não visão de seus colaboradores o empreendedor sempre
inova quando é possível.
De acordo com Dornelas (2005) a inovação tem a ver com a mudança, fazer
as coisas de forma diferente, de criar algo novo, de transformar o ambiente onde se
está inserido. É algo mais abrangente que apenas a comum relação que se faz com
a criação de novos produtos ou serviços.
GRÁFICO 10 – Utiliza a inovação como forma de crescimento para a empresa?
Fonte: dados da pesquisa, 2012.
4.2 Análise da entrevista
Nessa parte será feita a análise qualitativa dos dados obtidos através da
entrevista. A entrevista foi feita através de um questionário com perguntas abertas. A
51
transcrição da entrevista será de acordo com as perguntas que foram feitas ao
entrevistado, visando selecionar e destacar as informações mais relevantes para a
pesquisa.
Na primeira pergunta feita ao entrevistado foi indagado qual motivo teria
levado a empreender e porque escolheu o segmento em que atua. Ele respondeu:
“A vontade de ter o próprio negócio e a necessidade de gerar renda, após sair
de uma empresa na qual trabalhei por seis anos. Quanto a escolha do segmento foi
natural uma vez que já existia na minha família uma tradição neste ramo”.
Através da resposta é possível identificar que o empreendedor da Paratex se
caracteriza como um empreendedor normal ou planejado que de acordo com
Dornelas (2005) é o empreendedor que se planeja, faz lição de casa, busca
minimizar os riscos, se preocupa com os próximos passos do negócio e tem uma
visão do futuro.
Sobre sua percepção com relação ao ambiente interno e externo a sua
organização o empreendedor da Paratex apresenta a seguinte interpretação.
“Considero que internamente a Paratex já atingiu seu ponto de maturidade, no
qual todo processo funcional é transparente e muito bem definido, sendo monitorado
de forma contínua e sistêmica. Quanto ao ambiente externo, é monitorado
constantemente e sistematicamente, tanto a nível local e macro econômico, pois,
considero de suma importância para bom desempenho da empresa, que ela procure
atuar externamente, adaptando-se às condições externas que estão além de sua
capacidade de intervenção”.
No depoimento do entrevistado, ele tem uma visão da empresa como um
todo, reconhecendo seu limite e sua capacidade de crescer. Sua resposta, também
mostra que tem uma visão sistêmica do que acontece no ambiente externo, fazendo
com que sua empresa esteja preparada para as mudanças que ocorrem no
mercado.
Quando lhe foi perguntado a respeito de quais mudanças ocorreram na
organização desde sua implantação até os dias de hoje que foram fundamentais
52
para o crescimento da organização e o que levou a essas mudanças, a sua resposta
foi a seguinte:
“Ao longo de quase dezessete anos de existência, posso afirmar que entre
várias mudanças ocorridas, três foram de fundamental importância para que a
Paratex chegasse hoje à posição que está. Estas mudanças seram descritas a
seguir: 1ª mudança: Inicialmente, a proposta da Paratex era de atuar no segmento
de tecidos e armarinhos, em uma loja de 40m2, no bairro São Francisco em Pará de
Minas. A primeira mudança ocorreu já no segundo mês de funcionamento, quando
percebi a necessidade de oferecer mais opções de produtos aos meus clientes.
Comecei então uma fase de experimentos, acrescentando vários itens à linha inicial,
desde artigos de cama, mesa, banho a vestuários e brinquedos, afim de perceber o
que se encaixaria melhor no perfil do meu comércio. 2ª mudança: a segunda grande
mudança ocorreu quando em 2001, seis anos após o inicio da Paratex, foi
inaugurada a atual loja, com sede própria, na rua Porciúncula, com uma área útil de
aproximadamente 400m2, ou seja, dez vezes maior que a loja inicial. Nesta loja, a
linha tecidos e armarinho, foco inicial da empresa, foi abandonada, passando então
a serem artigos de cama, mesa, banho, decoração e vestuário, os principais itens
ofertados pela empresa. Esta mudança de foco no mix de produtos, foi devido ao
fato de que os tecidos apresentavam giro lento e demandavam grandes volumes de
estoque, se comparados ao itens que entraram como substitutos. 3ª mudança: esta
mudança foi conceitual, pois a partir de 2005, passei a atuar mais como gestor,
abandonando um pouco a linha de frente, e contratei uma gerente para cuidar do
salão de vendas e da equipe de colaboradores, me liberando para exercer funções
estratégicas e assumindo, ela, a gerente, as funções táticas da empresa. Esta
medida, permitiu um grande avanço nos processos funcionais da Paratex e
certamente influenciou muito nos resultados que hoje a empresa alcança”.
É possível constatar que através desse depoimento do entrevistado, que ele é
uma pessoa aberta a mudanças e que sua empresa não diferente de outras já
passou por várias mudanças e que estas trouxeram resultado positivo que ajudaram
no crescimento de seu empreendimento.
A sua posição referente às mudanças, o coloca como empreendedor
visionário no sentido de que atualmente as empresas passam por constantes
53
transformações inerente ou não ao mercado que atuam, muitas se veem resistentes
as mudanças organizacionais, mas para se manter hoje no mundo dos negócios e
para ser uma empresa competitiva no mercado é necessário que esta procure se
adaptar a essa transformações, buscando estratégias que visem a sua permanência
no mercado e direcionar práticas visando o futuro e aceitá-las de maneira positiva,
pois as mudanças na maioria das vezes trazem bons resultados e crescimento para
a empresa.
Segundo Drucker (1987), a mudança deve ser encarada como uma
oportunidade. Ele relata:
A inovação é o instrumento específico dos empreendedores, o meio pelo
qual eles exploram as mudanças como uma oportunidade para um negócio
diferente ou um serviço diferente. [...] Os empreendedores precisam buscar,
com propósito deliberado, as fontes de inovação, as mudanças e seus
sintomas que indicam oportunidade para que uma inovação tenha êxito.
(DRUCKER, 1987, p. 25).
Outra pergunta feita ao empreendedor foi a seguinte: Considerando a sua
experiência profissional como empreendedor, no que você acha que ela tem
influenciado na organização e em você?
“Como todo negócio, para dirigir uma pequena empresa de varejo, creio que
seja de fundamental importância estar sempre disposto a aprender, no real sentido
da palavra, pois, diariamente nos deparamos com situações inusitadas que
requerem decisões muitas vezes rápidas e que tem de apresentar logicamente um
índice de acertos muito maior que o de erros. Ao longo do tempo, tantos os acertos
quanto os erros, vão se acumulando e se encararmos esses fatos como lições de
aprendizado, que é o que procuro fazer até hoje, naturalmente vamos
amadurecendo, tanto a pessoa como a empresa. Isto faz com que as decisões
passem a serem tomadas de forma mais segura e acertada, permitindo à empresa
um desempenho mais natural, sem grandes oscilações, o mesmo ocorrendo na vida
pessoal. Daí, a importância de se registrar o mais detalhadamente possível, tudo o
que ocorre no processo funcional da organização”.
Com essa resposta do empreendedor da Paratex, observa-se que a sua
experiência adquirida é sempre um aprendizado, com ela vem a maturidade
54
profissional e até mesmo pessoal. Dessa forma a empresa tem um desempenho
estável, minimizando os erros. Fica clara então a importância da experiência
profissional para a empresa.
De acordo com Dornelas (2005) além da preparação técnica e profissional,
em muitos casos a experiência auxilia o empreendedor a conhecer o mercado, suas
falhas e demandas, levando-o a perceber e aproveitar oportunidades.
Quando foi perguntado quais valores ele considera primordiais para o bom
funcionamento da organização e como são repassados, o empreendedor deu a
seguinte resposta:
“A Paratex possui um planejamento estratégico, dentro do qual estão
inseridos a missão, visão e os valores da empresa, que são citados diariamente por
todo a equipe de colaboradores, durante a reunião que ocorre antes da abertura do
salão de vendas, afim de preparar a equipe para mais um dia de trabalho. Os
valores da Paratex são os seguintes: - valorizar o cliente procurando sempre atender
às suas necessidades de forma efetiva; - promover o espírito de cooperação entre a
equipe
de
colaboradores; -
agir
com simplicidade,
transparecia,
ética
e
responsabilidade junto ao mercado; - atuar com responsabilidade social afim de
promover o desenvolvimento do comércio local”.
Dentre os valores destacados pelo empreendedor: ética, responsabilidade e
transparência,
observa-se
a
sua
preocupação
em passar
para os seus
colaboradores, onde foi criado o planejamento estratégico da empresa que funciona
como um manual para um bom andamento da empresa.
Uma organização deve ser constituída de valores, pois eles que vão
estabelecer de que maneira conduziram os negócios e de que forma irão trabalhar,
por isso é importante determiná-los e repassá-los a todos os colaboradores.
Dornelas (2005) fala que os valores organizacionais devem ser claros e
entendidos
por
toda
a
empresa,
levando
em
consideração
a
estrutura
organizacional.
A respeito de sua relação com seus colaboradores, ele relata:
“Procuro ter uma relação respeitosa e transparente com minha equipe, em
todos os aspectos, seja pessoal ou profissional, deixando tudo sempre muito bem
55
definido, tanto minhas responsabilidades quanto a de todos os meus colaboradores.
Isto facilita muito o relacionamento.”
Observa-se que o empreendedor preza muito o respeito mútuo e a
transparência na relação com seus colaboradores, isso gera um relacionamento
saudável.
Segundo Dornelas (2005), uma das características do empreendedor é saber
valorizar e recompensar a sua equipe de colaboradores, mantendo sempre o
respeito e uma relação de cooperação.
Quando foi indagado se a organização adota ideias sugeridas pelos seus
colaboradores e como são recebidas, a resposta foi a seguinte:
“Sim, a Paratex possui um programa denominado ‘ideias premiadas’, no qual
toda sugestão de inovação ou melhoria proposta por um colaborador e que venha a
ser aplicado no processo funcional da empresa, gera ao autor da ideia um prêmio
acompanhado de um reconhecimento por parte da empresa diante de toda a equipe
de colaboradores, afim de estimular novas ideias. Como se trata de uma pequena
empresa, com menos de dez colaboradores, as ideias são apresentadas
diretamente à gerência,ou até mesmo para mim, pois tenho contato direto com toda
a equipe. Quanto à frequência de novas ideias, está é muito relativa. Há períodos
em que ocorrem mais sugestões, principalmente em momentos mais críticos, e
períodos de maior comodidade”.
O empreendedor dá muita importância as ideias sugeridas pelos seus
colaboradores e os incentivam. Eles estão dia-a-dia na empresa e conhecem todos
os processos. Dessa forma eles podem atentar para detalhes que talvez nem
mesmo o empreendedor tenha percebido.
As
corporações
necessitam
de
pessoas
inovadoras,
competentes,
entusiasmadas, além de serem flexíveis, racionais e persistentes, que sabem utilizar
os recursos e possuem uma verdadeira paixão por transformar ideias em realidades.
Quando os empreendedores escutam seus funcionários, enviam a mensagem
de estes são importantes, e de que empresa está comprometida com eles e isso
estimula o comprometimento por parte dos funcionários.
56
Em relação as competências que os seus colaboradores devem possuir e que
são necessárias para o gerenciamento eficaz dos negócios, ele fez o seguinte
depoimento:
“As competências necessárias variam de acordo com a função que cada um
deve exercer. A equipe de vendas tem que estar sempre na mesma sintonia,
trabalhando em harmonia e com muito dinamismo, para este pessoal é fundamental
saber trabalhar em equipe (ter espírito de cooperação aprimorado) e gostar de
vender, para estar sempre atendendo da melhor forma possível nossos clientes.
Para o pessoal administrativo (gerente e auxiliares), além de todas as características
acima, é fundamental que possuam espírito de liderança, para exercer uma gestão
de pessoal efetiva”.
De acordo com a resposta do empreendedor as competências que os seus
colaboradores devem possuir vão de acordo com o ambiente de trabalho. Dentre as
que ele cita estão a sintonia e o dinamismo, que são características essenciais para
a superação das adversidades.
Outra pergunta foi: na sua visão de empreendedor, como você acha que a
inovação contribuiu para o crescimento da organização? Você considera que a sua
organização seja inovadora? Resposta foi a seguinte:
“Inovação contribui para o desenvolvimento de uma organização, somente
quando gera resultados tangíveis, que possam ser traduzidos em números positivos.
Inovar simplesmente por modismo, não leva a nada. No caso da Paratex, ao longo
de quase dezessete anos de existência, três inovações foram cruciais para que a
empresa chegasse hoje ao ponto que está. São as três que já foram citadas na
questão 3 do questionário. Quanto à análise se minha empresa é inodora ou não,
considero que seja moderadamente inovador, pois tenho o perfil de agir com cautela
dando passos ao invés de grandes saltos. Um pouco de conservadorismo, pela
minha ótica faz bem, embora a opinião de grande parte dos teóricos seja de que o
empreendedor deva ter um perfil mais arrojado, de estar sempre na vanguarda, não
seja compartilhada por mim na íntegra”.
57
Observa-se que o empreendedor vem inovando, mas de uma forma mais
cautelosa, planejando muito antes agir. Ele se mostra um pouco conservador.
A inovação de acordo com Dornelas (2005) é um tema que vem sendo
discutido dentro das empresas há muito tempo, seu significado está vinculado à
mudança, criatividade e transformação, fatores que fazem o diferencial dentro das
organizações, pois a inovação é o processo de criação de um novo produto ou
serviço e transformação do ambiente onde está inserido.
Na sua concepção como o empreendedor, o que seria uma organização bem
sucedida, ou seja, qual o significado do sucesso para você?
“Uma organização é bem sucedida quando atinge os objetivos a que se
propõe alcançar. Por isto, é de fundamental importância estar bem claro para o
empreendedor e para todos os colaboradores, qual a missão, visão e valores da
empresa. Em outras palavras, o sucesso de uma organização para mim é quando
ela se torna um negócio sustentável, onde todas as partes envolvidas ganham e se
sentem satisfeitas”.
A grande quantidade de estudos sobre como o administrador pode obter
sucesso aponta vários caminhos, mas não os determina definitivamente. “Não existe
nenhuma fórmula capaz de garantir o sucesso”. (DOLABELA, 1999b, p. 92). O
próprio conceito de sucesso é muito amplo e discutido em diversas áreas de
conhecimento. O sucesso é aquilo que sucede a um resultado, uma conclusão. É
algo que teve bom êxito ou resultado feliz.
Ele também afirma que o empreendedor tem seu próprio conceito de sucesso.
Ele não necessariamente reconhece o sucesso nos termos do conceito de “sucesso
empresarial” ou em ganhos materiais. Deste ponto de vista, Solomon e Winslow
(1988 apud DUTRA, 2002) realizaram uma entrevista com 61 empreendedores, em
que as questões tiveram o propósito de encontrar o perfil deste indivíduo. Sobre o
sucesso, perguntou: “Como você define sucesso?” Muitos relataram o sucesso como
a independência financeira, mas nenhum indicou desejar uma grande riqueza. Na
maior parte da amostra, eles mencionaram a independência, a auto-estima, a autosatisfação, orgulho de fazer um serviço, e prazer.
58
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
5.1 Considerações
Este estudo foi realizado com base na definição de uma situação problema,
no qual consistiu em responder “como o perfil do empreendedor da Paratex
influencia no sucesso de sua empresa”. O objetivo geral do estudo foi analisar o
perfil do empreendedor e sua influencia no sucesso da organização. O referido
estudo confirma que sim, existe uma grande relação entre o perfil do gestor da
Paratex e o sucesso da empresa. De acordo com a pesquisa feita com seus
funcionários, pode-se observar que ele possui características de um verdadeiro
empreendedor, sendo elas: a busca constante pelo conhecimento, tem um
networking bem estabelecido, está atento as oportunidades, utiliza do planejamento
antes de tomar alguma decisão, busca minimizar os riscos, é muito dedicado, tem
uma visão sistêmica e inova sempre que possível. Somente dois quesitos pedem um
pouco mais de atenção por parte do empreendedor: saber motivar seus
colaboradores, que teve dois funcionários que marcaram a opção regular e outro
quesito: se é paciente e saber ouvir, que teve um que marcou a opção insuficiente e
um que marcou regular.
A ideia de um espírito empreendedor está de fato associada a pessoas
realizadoras, que mobilizam recursos e correm riscos para iniciar organizações de
negócios e analisando a entrevista com o empresário pode-se observar que ele
possui esse perfil. Suas respostas refletem comprometimento, persistência, vasto
conhecimento, ampla visão de negócios e paixão pelo trabalho. O estilo de gestão
inteligente, ousado e comprometido aplicado pelo empreendedor, com certeza
influenciou muito na consolidação e no sucesso de sua organização.
Atualmente, pouco adianta a existência de uma boa oportunidade, a
disponibilidade de capital ou o uso das melhores máquinas e equipamentos, isto não
é garantia de sucesso para nenhuma empresa. O fator determinante para o êxito é a
postura assumida por quem está à frente do negócio, e o gestor da Paratex mostrou
uma postura de um verdadeiro empreendedor.
59
5.2 Sugestões para a empresa
O empreendedor poderia ser um pouco mais arrojado, em algumas respostas
percebe-se que ele se acomodou um pouco. Ele poderia utilizar mais da inovação
como forma de diferenciação para outras empresas. Dessa forma, seu negócio
poderia se expandir, pois ele possui capacidade e conhecimento para isso.
5.3 Limitações da pesquisa
Literatura muito limitada sobre o tema na biblioteca da faculdade, sendo
necessário buscar livros em outras instituições de ensino. Com relação à pesquisa,
não houve nenhuma dificuldade.
5.4 Sugestões para trabalhos futuros
Conclui-se então esse trabalho sugerindo que estudos futuros abordem de
forma mais ampla a importância de empreender de acordo com os conceitos de
gestão de negócios, de uma forma planejada e não de uma forma empírica, para
dessa forma diminuir o índice de mortalidade de pequenas empresas.
60
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63
A) Conhecimento
1 - Sedento pelo saber/ gosta de aprender?
2 - Conhece o mercado onde atua?
B) Relacionamento (Networking)
3 - É bem relacionado?
4 - Possui uma rede de contatos bem estabelecida?
C) Oportunidade
5 - Está atento as oportunidades ?
6 - Procura ter conhecimentos das necessidades dos clientes ?
D) Planejamento
7 - Segue apenas sua intuição para tomar decisões ?
8 - Todas as suas decisões são tomadas baseadas no planejamento ?
9 - Utiliza do planejamento em algumas situações?
E) Risco
10 - Corre riscos calculados (analisa tudo antes de agir) ?
11 - Procura minimizar riscos ?
12 - Não gosta de correr riscos ?
F) Dedicação
13 - É determinado e dedicado no que faz ?
14 - É apaixonado pelo seu negócio ?
15 - É persistente, não desiste fácil daquilo que deseja ?
G) Visão
16 - Possui visão de negócios ?
17 - Enxerga o que está a sua volta e procura agir de forma planejada ?
H) Liderança
18 - É um bom líder ?
19 - Tem bom relacionamento com seus colaboradores ?
20 - Sabe motivar seus colaboradores ?
21 - Transmite integridade e confiabilidade ?
22 - É paciente e sabe ouvir ?
I) Inovação
23 - Utiliza a inovação como forma de crescimento para a empresa?
24 - Incentiva a inovação dentro de sua organização ?
Questionário que será aplicado aos funcionários da empresa estudada, onde
eles responderão perguntas sobre o empreendedor da empresa.
ÓTIMO
BOM
REGULAR
SUFICIENTE
CARACTERÍSTICAS
INSUFICIENTE
APÊNDICE A - Questionário
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APÊNDICE B - Questões para a entrevista com o empreendedor da empresa
1- Quais motivos influenciaram a empreender e porque escolheu o segmento em
que atua?
2- Quais as suas percepções como empreendedor sobre o ambiente interno e
externo a sua organização?
3- Quais mudanças ocorreram na organização desde a sua implantação até os dias
de hoje que foram fundamentais para o crescimento da organização? E o que levou
a essas mudanças?
4- Considerando a sua experiência profissional como empreendedor, no que você
acha que ela tem influenciado na organização e em você?
5- Dentro da organização quais valores você considera que são primordiais para o
bom funcionamento da organização e como são repassados esses valores?
6- Como você define a sua relação profissional e social com os seus colaboradores?
7- A organização adota ideias sugeridas pelos seus colaboradores, como são
recebidas essas ideias, são frequentes?
8- Quais as competências (ex: lidar com as pessoas, comunicação, etc.) que os seus
colaboradores devem possuir e que você considera como necessárias para o
gerenciamento eficaz nos negócios?
9- Na sua visão de empreendedor, quais competências (ex: iniciativa, criatividade,
inovação, etc.) que seriam necessárias para que um empreendedor tenha sucesso
nos negócios?
10- Na sua visão de empreendedor, como você acha que a inovação contribuiu para
o crescimento da organização? Você considera que a sua organização seja
inovadora?
11- Na sua concepção como empreendedor o que seria uma organização bem
sucedida, ou seja, qual o significado de sucesso para você?
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FACULDADE DE PARÁ DE MINAS