INSTITUTO DE CIÊNCIAS DE SAÚDE FUNORTE Nadya Antero da Silva Batista A PSICOLOGIA HOSPITALAR E A IMPORTÂNCIA DA HUMANIZAÇÃO COMO UMA DAS CONDIÇÕES PARA A CONTRIBUIÇÃO DA MELHORIA DA QUALIDADE DA SAÚDE CACOAL – RO 2014 Nadya Antero da Silva Batista A PSICOLOGIA HOSPITALAR E A IMPORTÂNCIA DA HUMANIZAÇÃO COMO UMA DAS CONDIÇÕES PARA A CONTRIBUIÇÃO DA MELHORIA DA QUALIDADE DA SAÚDE Monografia apresentada ao Programa de Especialização em Psicologia Hospitalar e da Saúde do ICS – FUNORTE NÚCLEO CACOAL, como parte dos requisitos para obtenção do título de Especialista. ORIENTADOR: Prof. Esp. Maria Izabel Pereira Carneiro CACOAL – RO 2014 Nadya Antero da Silva Batista A PSICOLOGIA HOSPITALAR E A IMPORTÂNCIA DA HUMANIZAÇÃO COMO UMA DAS CONDIÇÕES PARA A CONTRIBUIÇÃO DA MELHORIA DA QUALIDADE DA SAÚDE Monografia apresentada ao Programa de Especialização em Psicologia Hospitalar e da Saúde do ICS – FUNORTE NÚCLEO CACOAL, como parte dos requisitos para obtenção do título de Especialista. Aprovada em _______/________/_________ BANCA EXAMINADORA ___________________________________________ Daniela Santos Bezzera ___________________________________________ Prof. Esp. Maria Izabel Pereira Carneiro ___________________________________________ Prof. Ms. Plínio Marinho de Carvalho Junior CACOAL 2014 Dedicação.... Ao meu marido e meus filhos, que e a razão da minha vida... AGRADECIMENTOS Agradeço inicialmente a Deus por me cobrir de bênçãos nessa caminhada, aproveito também para pedir-lhe que permita que eu me torne uma pessoa melhor a cada dia, ajudando no desenvolvimento de minha profissão que com muito amor e dedicação tenho escolhido e, sobretudo, que eu consiga auxiliar as pessoas sempre que possível. Ao meu esposo Fabio e aos meus filhos Nicole e Pedro, pelas horas e finais de semanas que fiquei ausente pelo motivo da dedicação a essa especialização, obrigada pela paciência, compreensão e força e por valorizarem tudo o que eu faço. A minha querida professora e orientadora Prof. Esp. Maria Izabel Pereira Carneiro, obrigada por me acolher em momentos em que precisei de amparo, pelas palavras de incentivo, pelos conselhos. Você é um ser humano ímpar, incrível e admirável, considero - me privilegiada por ter compartilhado contigo minha graduação - meu primeiro trabalho como psicóloga e minha primeira pós-graduação e espero assim compartilhar com você novas realizações de sonhos. Esse momento gratificante de minha trajetória só foi possível graças a todas as pessoas que direta e indiretamente compartilham momentos de minha vida. Não somos apenas o que pensamos ser. Somos mais: somos também o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos 'sem querer'. Sigmund Freud RESUMO A humanização tem sido um termo muito empregado no âmbito da saúde nas últimas décadas. A humanização ainda é de difícil conceituação, visto o seu caráter subjetivo e multidimensional, no entanto pode ser entendida como o atendimento de qualidade, em que é articulado o resgate do respeito à vida humana, considerando as circunstâncias sociais, éticas, educacionais, psíquicas e emocionais presentes em todo e qualquer relacionamento. A psicologia hospitalar tem a responsabilidade de colaborar no processo de humanização nesse – hospital - facilitando as comunicações, pois são profissionais habilitados para analisar as relações interpessoais, buscando compreender e identificar as dificuldades e falhas no entendimento do processo de adoecer. A atuação do psicólogo hospitalar oportuniza o entendimento do significado do percurso da vida: viver, adoecer, morrer. Nesse ambiente, o psicólogo visa ao aspecto humano, permitindo que o paciente expresse-se de forma livre os seus sentimentos, medos e desejos, tratando a sua dor como se fosse única, proporcionando a elaboração do processo do adoecimento. Desenvolver um processo de humanização, no campo hospitalar, não resulta de uma percepção isolada, mas se constituem de uma síntese de várias percepções, vivências e intervenções pautadas em valores e princípios humanos e éticos. Essa é uma revisão bibliográfica cujo objetivo é a contextualização da psicologia hospitalar e sua importância na humanização como uma das condições para a contribuição da melhoria da qualidade da saúde e diminuição do sofrimento psíquico de pacientes. Esse trabalho proporciona uma reflexão sobre a importância do psicólogo no contexto hospitalar e quais são as suas contribuições para a implantação de ações que visem à humanização englobando pacientefamília-equipe. Palavras-chave: Psicologia. Hospital. Humanização. Saúde Pública. ABSTRACT Humanization has been a frequently used term in health in recent decades. Humanization is still difficult concept, because its subjective and multidimensional character, but can be understood as the quality of care, in which is articulated the rescue of respect for human life, considering the social, ethical, educational, psychological and circumstances emotional present in any relationship. Hospital psychology has a responsibility to cooperate in the process of humanization in - hospital - facilitating communications, as they are qualified professionals to analyze interpersonal relationships, seeking to understand and identify the difficulties and lack of understanding of the disease process. The performance of hospital psychologists favors the understanding of the meaning of the path of life: living, sick, dying. In this environment, the psychologist seeks to human aspect, allowing the patient to express yourself freely their feelings, fears and desires, treating their pain as if it were unique, providing the development of the disease process. Develop a process of humanization in the hospital field, not the result of an isolated perception, but constitute a synthesis of various perceptions, experiences and guided interventions and human values and ethical principles. This is a literature review aimed at the contextualization of health psychology and its importance in humanization as a condition for the contribution improving the quality of health and decreased psychological distress of patients. This work provides a reflection on the importance of the psychologist in the hospital context and what are their contributions to the implementation of actions aimed at humanizing encompassing patient-family-team. Keywords: Psychology. Hospital. Humanization. Public Health. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 6 2 OBJETIVOS............................................................................................................ 8 2.1 Objetivo Geral ..................................................................................................... 8 2.2 Objetivos Específicos ......................................................................................... 8 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .............................................................................. 9 3.1 A COMPREENSÃO SOBRE O PROCESSO DE ADOECIMENTO E INTERNAÇÃO ............................................................................................................. 9 3.1.1 Aspectos emocionais envolvidos no processo do adoecer ............................... 10 3.2 PSICOLOGIA HOSPITALAR: CONTRIBUIÇÕES E ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO 12 3.2.1 Psicologia Hospitalar ........................................................................................ 12 3.2.2 Contribuições .................................................................................................... 15 3.2.3 Atuação do psicólogo hospitalar ....................................................................... 16 3.3 A IMPLANTAÇÃO DA HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR ...................................... 18 3.4 A IMPORTÂNCIA DA HUMANIZAÇÃO NOS HOSPITAIS.................................. 21 3.5 ATUAÇÃO DA EQUIPE DE SAÚDE, DOS FAMILIARES E DO PSICÓLOGO NO PROCESSO DE HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR ..................................................... 22 3.5.1 Atuação da equipe de saúde processo de humanização hospitalar ................. 22 3.5.2 Atuação dos familiares processo de humanização hospitalar .......................... 23 3.5.3 Atuação do psicólogo processo de humanização hospitalar ............................ 24 4 MÉTODOS ............................................................................................................ 26 5 CONCLUSÃO ....................................................................................................... 27 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 29 6 1 INTRODUÇÃO A humanização pode ser entendida como a valorização dos sujeitos implicados no processo de produção de saúde, tendo como aspectos norteadores a autonomia e o protagonismo dos sujeitos. O conceito de humanização das práticas e da atenção à saúde vem ganhando destaque, nos últimos anos, na literatura científica nacional, principalmente nas publicações ligadas à saúde coletiva. A humanização é um conceito que se traduz numa constante busca pelo conforto físico, psíquico e espiritual do paciente, família e equipe, elucidando assim a importância da mesma durante o período da internação. Logo, a humanização representa um conjunto de ações que objetivam a produção de cuidados em saúde, aptos a harmonizar a melhor tecnologia disponível com promoção de acolhimento, respeito ético e cultural do paciente, espaços de trabalho favoráveis ao bom exercício técnico e a satisfação dos profissionais de saúde e usuários. A psicologia da saúde tem assumido grande relevância nos tempos atuais pela sua busca constante e dedicação na compreensão dos fenômenos que estão ligados à saúde e ao adoecimento humano. É sabido que o ser humano está em constante mudança que envolve vários fatores como orgânicos, ambientais e psicossociais, enfatizando cada vez mais seu papel ativo no processo de saúdedoença. É evidente o fato de que muitas patologias têm seu quadro clínico agravado por complicações emocionais do paciente. Daí a importância da psicologia hospitalar, que tem como objetivo principal minimizar o sofrimento causado pela hospitalização. A psicologia hospitalar é o campo da ciência de compreensão que visa aos aspectos psicológicos em torno do adoecimento. A experiência do adoecimento é vivida de maneira subjetiva por cada indivíduo. Sendo assim, a prática do psicólogo hospitalar busca a minimização do sofrimento e das seqüelas emocionais que implicam os aspectos saúde-doença do processo de hospitalização. A atuação do psicólogo no contexto hospitalar não se refere apenas à atenção direta ao paciente, mas também atenção à família e à equipe de saúde, dentro de sua atuação profissional. O psicólogo hospitalar promove mudanças, atividades curativas e de prevenção, diminuindo assim o sofrimento que a hospitalização e a doença causam ao sujeito. A prática da psicologia hospitalar é 7 definida por intervenções em um campo de ação de caráter clínico, que pode ser individual e/ou grupal. A origem da prática nessa área se baseia na clínica tradicional que depois se moldou e intitulou como psicologia hospitalar. O psicólogo hospitalar atua na busca da minimização do sofrimento dos pacientes que ao ser internado, é visto como um ser sem identidade, como uma doença a ser tratada. Nesse sentido é sua função informar os procedimentos utilizados no paciente e trabalhar o emocional do sujeito diante das exigências que a internação exige, levando em consideração sentimentos como medo, angústia e solidão não são ponderadas pelos demais profissionais do hospital. O objetivo dessa pesquisa foi à contextualização da psicologia hospitalar e sua importância para humanização como condições para a melhoria da qualidade da saúde e diminuição do sofrimento psíquico de pacientes internados. Por meio dos estudos realizados constatou-se que diante das funções inerentes ao psicólogo hospitalar, esse é o profissional capacitado para participar ativamente do processo de implantação e implementação da humanização nas unidades hospitalares. Pois se subtende que para ocorrer à humanização é fundamental que exista um ambiente psicológico favorável, uma cultura organizacional adequada, um estímulo individual e grupal para a melhoria e para a excelência nos atendimentos. Além se ser o profissional que dá lugar a um sujeito além da doença, ao abordar vivências relativas ao adoecer e possibilitando não só a elaboração do sofrimento psíquico implicado nesse contexto, bem como da reapropriação do sentido da vida. 8 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo Geral Contextualizar sobre a psicologia hospitalar e a importância da humanização como uma das condições para a contribuição da melhoria da qualidade da saúde e diminuição do sofrimento psíquico de pacientes internados. 2.2 Objetivos Específicos Compreender o processo de adoecimento, internação e identificar os aspectos envolvidos. Discorrer sobre a psicologia hospitalar, suas contribuições e atuação do psicólogo. Contextualizar sobre a implantação da humanização no contexto hospitalar, atuação dos familiares e equipe de saúde. Possibilitar a compreensão da importância da humanização no processo de adoecimento e internação. 9 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3.1 A COMPREENSÃO SOBRE O PROCESSO DE ADOECIMENTO E INTERNAÇÃO Lima e Oliveira (2009) afirmam que o ser humano constrói a sua história de vida e, nessa história estão presentes períodos em que obtém conquistas e outros períodos tem que enfrentar situações de fracasso, por exemplo, o adoecimento. O enfrentamento dessas circunstâncias – o adoecimento - é subjetivo, sendo que alguns enfrentarão de forma positivas, atuando na busca de soluções, enquanto que outras enfrentarão dificuldades e por isso necessitarão de auxílio para enfrentar seus próprios problemas. Logo, a maneira como esses momentos serão enfrentados, está relacionado à construção e história de vida de cada sujeito, através de suas vivências por meio de sua cultura e crenças. As autoras supracitadas argumentam que o adoecimento pode estar relacionado a acontecimentos de diferentes alterações psicológicas como medo, angústia, ansiedade, raiva, medo da morte, preocupação com o passado bem vivido ou mal vivido, fracassos, as más decisões, as escolhas e arrependimentos. A doença, neste momento, pode impedir e limitar o seu convívio com seu meio, assim como a redução do envolvimento com os trabalhos costumeiros que proporcionam prazer e felicidade. Esses prejuízos podem afetar o estado emocional do individuo e fazer com que papéis significativos, conquistados no decorrer da sua vida, se acabem. Camom (2003) citado por Cantarelli (2009) coloca que o processo de adoecer implica na aceitação em que o primeiro aspecto palpável é a ausência da saúde, ou ainda a falta de condições orgânicas para o enfrentamento de manifestações contrárias ao organismo. Para Santos, Sebastiani (2003) a doença é sentida pelo sujeito como uma forma de agressão, que gera abalo na condição de ser, tornando o futuro incerto. Segundo os autores a doença chega de maneira rude e não permite o indivíduo se adaptar gradativamente. O processo de adoecer envolve uma série de sentimentos confusos e dolorosos que poderá acompanhar o doente, sendo reforçados com a internação, em que a condição de dependência é agravada, que pode ser sentida 10 pelo indivíduo como uma agressão, porque se encontra sob o domínio de uma estrutura hospitalar, de profissionais de saúde, que tiram a sua autonomia e a capacidade de decisão do paciente. Angerami-Calmon (2003), coloca que o paciente internado ou hospitalizado sofre um processo total de despersonalização, em que deixa de ter o seu próprio nome e passa a ser um número de leito ou portador de uma determinada patologia. A despersonalização do sujeito deriva do da fragmentação ocorrida dos diagnósticos cada vez mais específicos fazendo com que ocorra uma amplitude de determinado sintoma em sua vida. O autor argumenta ainda que o adoecimento por meio da hospitalização é determinante de muitas situações consideradas invasivas e abusivas na medida em que não se respeita os limites e imposições do indivíduo hospitalizado, se tornando agressivas dependendo da forma como são conduzidas no contexto hospitalar. Santos, Sebastiani (2003) destacam que o diagnóstico desencadeia uma série de reações emocionais específicas, no momento inicial o sujeito sofre um choque que gera medo, depois depressão, choro e desespero. É um período breve que abrange o paciente, a família e o médico. 3.1.1 Aspectos emocionais envolvidos no processo do adoecer Angerami-Calmon (2003), citam que o hospital é uma instituição marcada pela luta entre a vida e morte. Quando um sujeito é hospitalizado há um rompimento do seu cotidiano na sua história pessoal, ocorrendo vários problemas na sua autonomia e no decorrer normal da sua vida. Por ser uma situação nova e desconhecida para o indivíduo, provoca fantasias e temores, os autores ainda destacam alguns sentimentos que contribuem para o seu descontentamento, dos quais se pode citar, o desgosto, sensação de abandono e medo do desconhecido. Nesse sentido Vechia ([20--?]) coloca que por ser a doença uma ameaça ao destino do indivíduo, ela é capaz de mudar a relação do sujeito com o mundo e consigo mesmo, a doença se tora uma ferida dolorosa ao sentimento de onipotência e de imortalidade. A autora argumenta que o tipo e a intensidade das dores emocionais variam de acordo com as características da doença e do indivíduo 11 internado. Essa variação abrange o caráter breve e duradouro da doença e seu prognóstico; a personalidade e capacidade de tolerância a frustrações do indivíduo e a relação com o médico e demais membros da equipe de saúde. As reações desses sujeitos podem ocorrer em torno de três possibilidades que são: os que se entregam à doença, à dor e ao desespero, são aqueles que não lutam; os que tratam a doença como se fosse banal, mesmo sendo grave e os que promovem mudanças em sua vida, tentando se adaptar à situação adversa. Para Kubler Ross (1989, apud SANTOS, SEBASTIANI, 2003) o paciente e a família quando tomam conhecimento do diagnóstico e da gravidade da doença estão sujeitos a passarem por pelo menos cinco estágios emocionais, que ocorrem nessa ordem: negação, revolta, (raiva), barganha, depressão e aceitação. Na negação o indivíduo fica convicto de que o seu resultado pode ter sido trocado, ou que o médico está enganado; nesse estágio o paciente, geralmente, procurará outros médicos para realizar novos exames na esperança de que o diagnóstico está errado. A negação tem a função de defesa temporária, que será substituída pelo estágio conseguinte ou qualquer um deles. A revolta é marcada por sentimentos de raiva, ressentimento e inveja. Nesse estágio o paciente projeta sua raiva, não muito raro, na equipe de saúde, na família e no ambiente hospitalar. Esse é o momento em que o indivíduo doente necessita ser compreendido, respeitado, aceito e cuidado. O estágio da barganha é curto e pouco conhecido. Consiste na tentativa de adiamento. Muitos pacientes estabelecem uma meta, uma promessa, ou associam uma culpa para se sentirem mais aliviados de seus temores. A família participa diretamente dessa busca pela cura do paciente. A depressão é a mais conhecida entre os profissionais que trabalham com pacientes em fase terminal. A depressão é subdividida em: depressão reativa e preparatória. Essa é a depressão que se leva em conta as perdas iminentes de todos os objetos amados. Aquela se refere à depressão inicial em que o paciente é obrigado a se submeter para se preparar, para quando tiver que deixar este mundo. No estágio da aceitação o paciente estará cansado e bastante fraco, sentindo necessidade de adormecer frequentemente com intervalos curtos, é quase uma fuga dos sentimentos, é como se a dor e a luta tivessem cessado e está chegando o momento de repouso antes da longa viagem. 12 Santos, Sebastiani (2003) a psicologia hospitalar atua junto ao doente no sentido de resgatar a sua essência de vida interrompida pela doença. O psicólogo hospitalar deve se basear numa visão humanística com atenção ao paciente e aos familiares, considerando o ser humano em sua totalidade e integridade, buscando o seu alívio emocional. Nesse sentido, é prática da psicologia hospitalar, a compreensão dos aspectos emocionais apresentados pelos pacientes no sentido de prevenir a sua desestruturação emocional. 3.2 PSICOLOGIA HOSPITALAR: CONTRIBUIÇÕES E ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO 3.2.1 Psicologia Hospitalar A Psicologia Hospitalar é um dos campos de atuação do psicólogo que mais cresceu no Brasil nos últimos anos. Autores citados por Tonetto, Gomes (2005) destacam que o termo psicologia hospitalar, no Brasil, tem sido utilizado para indicar o trabalho dos profissionais psicólogos em hospitais. Como especialidade essa área de atuação da psicologia só ficou demarcada a partir da década de 80 e só foi concretizada em dezembro de 2000 quando o Conselho Federal de Psicologia (CFP) publicou a Resolução n° 14 que regulariza a concessão de título especialista e inclui a psicologia hospitalar. Marini (2006) cita que a palavra hospital vem do latim hopes, e significa hóspede, e deu origem a hospitalis e hospitalium, que significa o local em que se hospedavam na antiguidade enfermos, viajantes e peregrinos. Segundo a autora o hospital, outrora, era um lugar em que se aglomeravam as pessoas doentes, destituídas de recursos, sendo a sua finalidade mais social que terapêutica. Essa realidade só foi mudada quando recebe influencias cristãs, no qual o homem passou a se preocupar mais com o seu semelhante. Para Simonetti (2013) a psicologia hospitalar é o campo de entendimento e tratamento dos aspectos psicológicos em torno do adoecimento. O autor relata que o objetivo dessa área da psicologia é a subjetividade do paciente, em que se propõe o registro da elaboração simbólica do adoecimento, pois o registro real a medicina já o 13 trata. A elaboração simbólica a que o autor se refere, é realizada por meio das palavras “Ao escutar, o psicólogo” sustenta” a angústia do paciente o tempo suficiente para que ele, o paciente, possa submetê-lo ao trabalho de elaboração simbólica”. (p.24). O autor supracitado faz um resumo da psicologia hospitalar no quadro abaixo. Quadro 1 : Aspectos Conceituais da Psicologia Hospitalar: Definição - a psicologia hospitalar é o campo de entendimento e tratamento dos aspectos psicológicos em torno do adoecimento. Objetivos - o objetivo da psicologia hospitalar é a subjetividade; é ajudar o sujeito a fazer a travessia da experiência do adoecimento. Filosofia - a filosofia da psicologia hospitalar é curar sempre que possível, aliviar quase sempre, escutar sempre; a filosofia da medicina é a cura, da psicologia hospitalar é além-da-cura. Estratégia - a estratégia da psicologia hospitalar é tratar do adoecimento no registro simbólico; pela palavra é que o psicólogo realiza seu trabalho. Técnica - escuta analítica e manejo situacional. Paradigma – o ser humano como um todo... Se não o todo, ao menos o plural; “não existem doenças, existem doentes”. (Perestrello). Fonte: Manual de psicologia hospitalar: o mapa da doença, p. 29. Tonetto, Gomes (2007), em estudo sobre competências e habilidades inerentes ao psicólogo hospitalar destacaram que é esperado desse profissional nesse ambiente de trabalho a capacidade de desenvolver ações de assistência, ensino e pesquisa. A assistência segundo os autores terá como objetivo a prestação de atendimentos a pacientes internados ou ambulatoriais e seus familiares, além de auxiliar as equipes hospitalares na definição de condutas e tratamentos. Em relação às ações de ensino cabe ao psicólogo hospitalar supervisionar estágios e, 14 esporadicamente, ministrar treinamentos, cursos, palestras e aulas. Já as ações de pesquisa os autores mencionam que essas práticas ainda são incipientes. Os autores supracitados ainda referem que o atendimento do psicólogo hospitalar pode ser demandado tanto pelo psicólogo quanto por outro profissional da saúde, no entanto cabe ao psicólogo verifica a existência da demanda, se é realmente do paciente ou da equipe de saúde. Em caso positivo de atendimento, o profissional psicólogo deverá avaliar o interesse e a disposição do paciente para receber a intervenção. O trabalho do psicólogo hospitalar deve ser o de obter resultados significativos em um curto espaço de tempo, requerendo assim instrumentos capazes de avaliar os resultados obtidos com a intervenção psicológica. É importante que o psicólogo saiba que essa é uma área de atuação que requer flexibilidade na intervenção, aqui as condutas e procedimentos necessitam ser adaptados aos recursos, às características e às necessidades e contexto de atendimento. Os profissionais psicólogos precisam estar aptos a lidar com a questão da morte e do morrer, além de serem eficazes na decifrar da demanda não verbal. Capacidades como a de empatia, de persistência e de tolerância à frustração são imprescindíveis tanto para os procedimentos de rotina quanto para o convívio com as equipes e com a cultura hospitalar. Rodriguez-Marín (2003 apud CASTRO; BORNHOLDT, 2004) resume as seis tarefas fundamentais do psicólogo que trabalha em ambiente hospitalar, são elas: função de coordenação: relativa às atividades com os funcionários do hospital; função de ajuda à adaptação: em que o psicólogo intervém na qualidade do processo de adaptação e recuperação do paciente internado; - função de interconsulta: atua como consultor, ajudando outros profissionais a lidarem com o paciente; - função de enlace: intervenção, através do delineamento e execução de programas junto com outros profissionais, para modificar ou instalar comportamentos adequados dos pacientes; - função assistencial direta: atua diretamente com o paciente, e a função de gestão de recursos humanos: para aprimorar os serviços dos profissionais da organização. Sebastiani; Maia (2005) argumentam que a psicologia hospitalar, reúne conhecimentos da ciência psicológica para empregar às situações específicas que envolvem o processo doença-internação-tratamento permeados por uma delicada e difícil relação determinada pela tríade enfermo-família-equipe de saúde. Os autores colocam que na psicologia hospitalar, não se trata, do simples fato de transpor o 15 modelo clássico de trabalho psicológico e psicoterápico clínico que é desenvolvido no consultório para o hospital, mas o desenvolvimento de teorias e técnicas especiais para a atenção aos sujeitos hospitalizados, pois geralmente os pacientes apresentam demandas psicológicas conexas ao processo doença-internaçãotratamento, tanto dos processos que determinam quanto das reações que agravam o quadro de base destes pacientes, ou impõe seqüelas, o que dificulta e inviabiliza o seu processo de reabilitação. Nesse sentido Angerami-Calmon (2003), destaca que a psicologia hospitalar visa à minimização dos sofrimentos provocados pela hospitalização, enfatizando também que o trabalho do psicólogo no ambiente hospitalar não é psicoterápico dentro dos moldes setting terapêutico. No ambiente hospitalar o psicólogo não deve abranger o seu trabalho só em torno da internação, mas principalmente as seqüelas e decorrências emocionais da hospitalização. O auto destaca ainda que independe a orientação teórica do psicólogo, o objetivo da psicologia hospitalar ser sempre o de autoconhecimento, autocrescimento e cura de determinados sintomas. 3.2.2 Contribuições Sobre as contribuições da psicologia hospitalar, Cantarelli (2009) coloca que no hospital, o psicólogo tem papel ativo e real, e não simplesmente interpretativa. A atuação desse profissional ocorre ao nível de comunicação, no sentido de reforçar o trabalho estrutural e de adaptação do paciente e familiar ao enfrentamento da intensa crise. Nesse sentido a sua atuação se direciona ao apoio, atenção, compreensão, suporte ao tratamento, clarificação dos sentimentos, elucidação sobre a doença e fortalecimento dos vínculos familiares. Logo, a atuação do psicólogo é permeada por uma série de requerimentos como, por exemplo, a preparação do sujeito paciente para procedimentos cirúrgicos (pré e pós-operatório), exames, assistência ao enfrentamento da doença e seu tratamento, atenção aos transtornos mentais adjuntos à patologia, fazendo com o paciente seja ativo no seu processo de adoecimento e hospitalização. A autora cita ainda que o psicólogo contribui por meio da conversa com o paciente, sendo essa – conversa - a porta de entrada para o mundo de significados e sentidos, porque o que interessa à hospitalar não é a 16 doença em si, mas a relação que o paciente tem com seu sintoma ou seja, o que importa necessariamente não é o destino do sintoma e sim o que o paciente faz com a sua doença, qual o significado que lhe confere, e isso podemos saber só através da linguagem, pela palavra. Rodrigues (2006) menciona que a psicologia hospitalar tem como papel fundamental a diminuição do sofrimento e as sequelas ocasionadas pela hospitalização e também as decorrências emocionais dessa hospitalização, pois é inegável a influência dos aspectos emocionais nas complicações de muitas patologias fazendo com que o quadro clínico seja agravado, daí a importância da atuação do psicólogo no hospital. 3.2.3 Atuação do psicólogo hospitalar A Resolução n.º 013/2007 do Conselho Federal de Psicologia (CFP) institui a consolidação das resoluções relativas ao título profissional de especialista em psicologia e dispõe sobre normas e procedimentos para seu registro, descreve a função do psicólogo especialista em psicologia hospitalar é: atuar em instituições de saúde, participando da prestação de serviços de nível secundário ou terciário da atenção a saúde. Atua também em instituições de ensino superior e/ou centros de estudo e de pesquisa, visando o aperfeiçoamento ou a especialização de profissionais em sua área de competência, ou a complementação da formação de outros profissionais de saúde de nível médio ou superior, incluindo pós-graduação lato e stricto sensu. Atende a pacientes, familiares e/ou responsáveis pelo paciente; membros da comunidade dentro de sua área de atuação; membros da equipe multiprofissional e eventualmente administrativa, visando o bem estar físico e emocional do paciente; e, alunos e pesquisadores, quando estes estejam atuando em pesquisa e assistência. Oferece e desenvolve atividades em diferentes níveis de tratamento, tendo como sua principal tarefa a avaliação e acompanhamento de intercorrências psíquicas dos pacientes que estão ou serão submetidos a procedimentos médicos, visando basicamente a promoção e/ou a recuperação da saúde física e mental. Promove intervenções direcionadas à relação médico/paciente, paciente/família, e paciente/paciente e do paciente em relação ao 17 processo do adoecer, hospitalização e repercussões emocionais que emergem neste processo. O acompanhamento pode ser dirigido a pacientes em atendimento clínico ou cirúrgico, nas diferentes especialidades médicas. Podem ser desenvolvidas diferentes modalidades de intervenção, dependendo da demanda e da formação do profissional específico; dentre elas ressaltam-se: atendimento psicoterapêutico; grupos psicoterapêuticos; grupos de psicoprofilaxia; atendimentos em ambulatório e Unidade de Terapia Intensiva; pronto atendimento; enfermarias em geral; psicomotricidade no contexto hospitalar; avaliação diagnóstica; psicodiagnóstico; consultoria e interconsultoria. No trabalho com a equipe multidisciplinar, preferencialmente interdisciplinar, participa de decisões em relação à conduta a ser adotada pela equipe, objetivando promover apoio e segurança ao paciente e família, aportando informações pertinentes à sua área de atuação, bem como na forma de grupo de reflexão, no qual o suporte e manejo estão voltados para possíveis dificuldades operacionais e/ou subjetivas dos membros da equipe. Carvalho, Faustino, Carvalho ([20--?]) colocam que o papel do psicólogo no hospital é a busca pela minimização do sofrimento do paciente, uma vez que, ao ser internado o sujeito é visto sem identidade, como uma doença a ser tratada, informando os procedimentos utilizados no paciente e tratando o emocional frente às exigências que a internação exige, considerando sentimentos como medo, angústia e solidão que não são consideradas pelos demais funcionários do hospital e não chegam a impedir procedimentos invasivos como cirurgias. Os autores colocam também que o psicólogo que atua no hospital preocupa-se com a saúde física e mental dos sujeitos paciente e dos agentes da saúde, buscando o resgate da dignidade e do respeito ao paciente, além do fator humano que é imprescindível, o psicólogo atua na área organizacional, buscando melhoria na realização do trabalho, comprometimento dos trabalhadores e diminuição no tempo de internação dos pacientes. Marini (2006) coloca que o papel do psicólogo hospitalar é contribuir para a humanização dos pacientes. O trabalho do psicólogo deve abranger os pacientes e seus familiares. A assistência psicológica dentro de o ambiente hospitalar busca o alívio emocional do paciente e sua família, de modo que em muitos casos a ajuda prestada mobiliza forças em que a angústia e a ansiedade estão presentes. Aqui o psicólogo discute sobre a doença e suas implicações na vida: origem, desenvolvimento e tratamento, isso faz com que o paciente se sinta compreendido, 18 assistido, seguro, amparado como um todo, entendendo assim a sua doença do aspecto fisiológico e psicológico, fazendo com que ele tome consciência do que é real e do que é fantasia. A autora destaca que o trabalho do psicólogo deve ser de amenizar o sofrimento paciente e deve abranger a pessoa como um todo, ou seja, as sua história, suas aspirações e seus medos. Para Vieira (2011) o psicólogo hospitalar atua nas demandas do paciente, da família e da equipe profissional. A psicologia no ambiente hospitalar age a fim de melhorar a integração e compreensão das diferentes práticas teóricas, minimizando assim os espaços entre as diversidades dos saberes para que possa se estabelecido as condições adequadas de atendimento aos pacientes, familiares e também um melhor desempenho das equipes de saúde no hospital. Mota, Martins, Véras (2006) destacam que no contexto hospitalar o psicólogo atua, geralmente, em situações de crise e emergência, considerando que o indivíduo hospitalizado passa por situações novas de adaptação e mudança no seu cotidiando, quando se instalam muitas vezes regressões emocionais, negação da realidade, dependência, impotência, sentimentos que advêm da própria rotina de hospitalização do indivíduo. Cabe ao psicólogo, por função, perceber e compreender o que está envolvido na queixa, no sintoma e na patologia, a fim de obter uma visão extensa do que está se passando com o paciente e assim ajudá-lo no enfrentamento desse difícil processo, assim como dar à família e à equipe de saúde auxílios para uma compreensão melhor do momento de vida do sujeito enfermo. Como profissional de saúde, o psicólogo tem, portanto, que observar e ouvir pacientemente as palavras e interpretar os silêncios, pois é o profissional que mais pode oferecer, no campo da terapêutica humana, a possibilidade de confronto do paciente com sua angústia e sofrimento na fase de sua doença, buscando superar os momentos de crise. 3.3 A IMPLANTAÇÃO DA HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR A humanização é constitucionalmente respaldada no artigo primeiro inciso III da Constituição Federal do Brasil (CF, 1988) quando aborda a “dignidade da pessoa humana” como um dos fundamentos do Estado de Democrático de Direito do Brasil. 19 Com base nas prerrogativas da CF (1988) em 2003 foi criada a Política Nacional de Humanização da Atenção e da Gestão – HumanizaSUS (PNH) como reconhecimento das experiências inovadoras na Rede Sistema Único de Saúde (SUS). A PNH é composta pelo Documento Base da Política Nacional de Humanização para Gestores e Trabalhadores do SUS e pelas Cartilhas temáticas que representam um marco teórico orientador da Política, sistematizando as marcas, estratégias gerais e diretrizes. A humanização é descrita como a valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde: usuários, trabalhadores e gestores, com a proposta de mudanças nos modelos de atenção e gestão dos processos de trabalho tendo como foco as necessidades dos cidadãos e a produção de saúde. Os princípios norteadores da PNH são transversalidade, indissociabilidade da atenção e da gestão e produção de sujeitos autônomos, protagonistas e co-responsáveis pelo processo de produção de saúde. (MARTINS, LUZIO, 2011). Segundo a PNH o campo da humanização será realizado pela intersecção nas diferentes políticas de saúde, trabalhando em ações decididas com as áreas de modo a integrá-las, além de facilitar contatos e interagir com as instâncias do SUS nos lugares em que tais políticas se concretizem e que suas funções de núcleo de humanização devem ser definidas a partir da garantia, de forma estratégica, a espeficidade da PNH, para assim estabelecer as linhas de implantação, integração, pactuação e difusão da PNH. (BRASIL, 2004). A PNH delimita ainda alguns princípios, como: - valorização da dimensão subjetiva e social fortalecendo/estimulando em todas processos as práticas de integradores atenção e e gestão, promotores de compromissos/responsabilização; - estímulo a processos comprometidos com a produção de saúde e com a produção de sujeitos; - fortalecimento de trabalho em equipe multiprofissional. Estimulando a transdisciplinariedade e a grupalidade; atuação em rede com alta conectividade, de modo cooperativo e solidário, em conformidade com as diretrizes dos SUS e a utilização da informação, da comunicação, da educação permanente e dos espaços da gestão na construção de autonomia e protagonismo de sujeitos e coletivos. (BRASIL, 2004). A Política Nacional de Humanização em saúde é uma permanente construção de laços de cidadania, em que há a valorização de todos os sujeitos envolvidos no processo de promoção de saúde, que gera autonomia e co-responsabilidade, além 20 do estabelecimento de vínculos solidários e de participação grupal no processo de gestão, o comprometimento na mudança dos modelos de atenção e gestão vigorantes e o compromisso com o meio ambiente e com a melhoria das condições de atendimento e de trabalho. A humanização visa à valorização dos usuários, os trabalhadores e os gestores, com valores que orientam para a autonomia, o protagonismo dos sujeitos, a co-responsabilidade entre eles, a fim de construir redes de cooperação e a participação coletiva no processo de gestão operando com o princípio da transversalidade. O objetivo da humanização da assistência à saúde é um valor para a aquisição de melhoras na qualidade de atendimento à saúde do usuário e de melhores condições de trabalho para os profissionais. Enfim a proposta da humanização na saúde visa à melhoria da qualidade de atendimento ao usuário e das condições de trabalho para os profissionais, visa ainda ao alinhamento com as políticas mundiais de saúde e à redução dos custos exagerados e supérfluos decorrentes da ignorância, do descaso e do despreparo que ainda fazem parte das relações de saúde em todas as instâncias. (Brasil, 2005). Mello (2008) coloca que os termos humanização, humanização da assistência hospitalar ou humanização em saúde já são de domínio público, apesar de haver estranhamento e resistência por parte de muitos profissionais da saúde em aceitálos, argumentando que a humanização é parte inerente à prática de quem cuida de seres humanos. Mota, Martins, Véras (2006) definem humanização em saúde como uma rede de construção em laços permanentes de cidadania, olhando cada indivíduo em sua singularidade, sua história de vida, mas também como sujeito de um grupo, como participante da história de muitas vidas. Segundo Martins (2001) citado por Mota, Martins, Véras (2006) a humanização é um procedimento amplo, demorado e difícil, em que envolve resistências, porque promove mudanças de comportamentos que despertam insegurança. Segundo Bazon, Campanelli, Blascovi-Assis (2004) a humanização tem sido analisada no âmbito da saúde objetivando proporcionar um tratamento que compreenda a totalidade do indivíduo. Os autores definem humanização como o resgate do respeito à vida humana, considerando as circunstâncias sociais, éticas, educacionais, psíquicas e emocionais presentes em todo e qualquer relacionamento. Sendo assim, a humanização pode ser entendida como uma forma de assistência 21 que valoriza a qualidade do cuidado do ponto de vista técnico e o reconhecimento dos direitos dos pacientes. Carvalho, Faustino, Carvalho ([20--?]) citam que a humanização pode ser vista como forma de reforço social utilizada no ambiente hospitalar. 3.4 A IMPORTÂNCIA DA HUMANIZAÇÃO NOS HOSPITAIS Autores citados por Lima e Oliveira (2009) argumentam que humanizar é instituir ações de assistência à saúde, em benefício dos usuários que usam esses serviços e dos profissionais de saúde que desempenham suas funções no contexto hospitalar. As ações humanizadas podem colaborar para a melhora da saúde dos sujeitos internados. Por meio das ações humanizadas é possível perceber que essas contribuem para estabelecimento de um novo modelo de respeito e valorização da vida humana através do atendimento ao paciente. Sendo assim, a assistência humanizada parte do princípio de valorização da qualidade do cuidado, juntamente com o respeito aos direitos do paciente e seus valores. Mota, Martins, Véras (2006) citam que a principal característica da humanização é o cuidado do ser humano doente. Os autores argumentam que o processo de humanização hospital visa à autonomia do paciente, de forma que ele possa participar das decisões sobre o seu tratamento a ser realizado, promovendo assim o bem estar completo, isto é, físico, mental, social e espiritual, tendo como prioridade a beneficência, que representa fazer o bem ao doente internado. Para Jeammet & Consoli, (2000, apud MOTA, MARTINS, VÉRAS, 2006) a humanização no hospital deve partir do pressuposto de cada sujeito paciente precisa continuar vivendo como ser humano, levando em consideração os seus valores de referencias, requerendo ao máximo o conjunto de suas possibilidades de funcionamento, não só as fisiológicas, mas as mentais, a fim de evitar que o paciente seja desorganizado pela angústia e submergido por suas reações emocionais e facilitar seu acesso à palavra é a possibilidade de unir e de simbolizar seus afetos. Segundo Louzada; Stang; Calabrez (2008) humanizar no contexto hospitalar significa muito mais que tornar humano, é uma ação solidária e promove o cuidar, 22 colocando o serviço em função de gente cujo objetivo é o de garantir um atendimento de qualidade superior. Para as autoras o cuidar humanizado tem como consequência a ampliação da concepção de qualidade, pois o cuidador é visto como alguém dinâmico, que se dispõe a acolher e a prestar assistência com sensibilidade, com solidariedade, com ética e competência profissional. 3.5 ATUAÇÃO DA EQUIPE DE SAÚDE, DOS FAMILIARES E DO PSICÓLOGO NO PROCESSO DE HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR 3.5.1 Atuação da equipe de saúde processo de humanização hospitalar A discussão sobre a humanização nas práticas hospitalares está diretamente ligada à subjetividade e às discussões sobre o que se entende por necessidade de saúde. O processo de adoecimento, seu cuidado e sua prevenção é central na proposta de humanização. Por ser um conceito político, social e cultural, a humanização traz implicações institucionais, que trata de um plano existencial para os sujeitos. Com a preocupação da humanização no exercício da saúde, o profissional tem uma nova forma de prática e definição de funções. Na visão da humanização o profissional estabelece uma relação de construção entre a técnica da atividade profissional e o aspecto humanista da atenção à saúde. Nessa construção é importante distinguir a noção de saúde e doença como processo dinâmico e pensar que a onipotência de cura não existe, o que faz o profissional de saúde deparar-se com os limites e possibilidades de sua prática de cuidado. Nesse sentido, entende que na atual prática de saúde, a unidade hospitalar deixou de ser o lugar de afastamento entre as pessoas e, que as relações são apenas transcorridas pela avaliação biomédica na qual seu corpo físico, seus sintomas observáveis são os únicos mediadores dessa relação. A hospitalização não é mais percebida como um processo de anulação do sujeito e sim da possibilidade do estabelecimento de uma relação de cuidado. (MOREIRA; MESQUITA; MELO, 2010). Backes, Filho, Lunardi (2006) colocam que a humanização na visão da equipe de saúde da humanização, constitui, preferencialmente, a criação de um clima 23 organizacional favorável ao atendimento do paciente, e não se resume ao atendimento técnico e mecânico do paciente, mas na inclusão e cuidado do sujeito como um todo. Nesse sentido, o paciente necessita de ser atendido de forma integral, e para que isso ocorra a equipe deve trabalhar de forma integrada buscando melhorar a comunicação entre os profissionais, promovendo os trabalhadores, valorizando as iniciativas e o compartilhamento de ideias, colocando ênfase na socialização das ações humanas para estabelecer um melhor convívio. Os autores supracitados destacam ainda que a humanização, nesse contexto, implica, necessariamente, mudanças de atitudes e comportamentos, por parte dos gestores e dos profissionais que atuam nas instituições, porque ainda que cientes, de que todo o trabalho de humanização se dá a partir da equipe e em equipe, os profissionais assinalam para a existência de dificuldades nas relações de trabalho, na comunicação e no reconhecimento do papel efetivo de cada um dos integrantes na própria equipe. Por isso, o foco da humanização na equipe deve ser, inicialmente, humanizar-se, enquanto equipe, para humanizar o atendimento dos pacientes. Sendo assim, os profissionais devem participar de encontros da equipe de humanização, abrindo espaço para reflexões e expressão de sentimentos e contribuir com novas ideias e iniciativas e também desenvolver oficinas de integração entre os profissionais. É possível concluir, segundo as ideias dos autores, que aos profissionais de saúde podem contribuir diretamente para o processo de humanização, construindo de forma coletiva um ambiente favorável para o trabalho, pois supõe que todos têm potencial para essa construção, nesse sentido a humanização não deve ser, necessariamente, de um grupo, mas de todos os envolvidos no trabalho, para tanto é necessário o despertamento e a sensibilização do lado humano dos trabalhadores. 3.5.2 Atuação dos familiares processo de humanização hospitalar Para Amin (2001) o sujeito, ao buscar atendimento na unidade hospitalar, leva com ele não só seu corpo para ser tratado, mas vai por completo e, por extensão, atingindo diretamente a sua família, que compartilha do seu adoecer, de suas internações e de seu restabelecimento. 24 A família pode ser considerada como um sistema e/ou unidade em que seus membros podem ou não estar unidos por laços de parentesco ou casamento, vivendo juntos ou não, comprometidos por vínculos afetivos e de solidariedade, como um grupo social. Entre seus membros deve haver um compromisso de crenças, valores, saberes próprios e laços para a manutenção desde sistema, que implica em proteção, alimentação, socialização, promoção da saúde, prevenção e tratamento da doença. (BRONDANI, 2008). Sobre a família no processo de humanização, Peres e Lopes (2012) citam que a PNH, não faz referência de forma direta sobre o lugar da família nesse processo. Afirma que essas políticas e programas há apenas indicação dispersa de que os serviços hospitalares devem abarcar a família nas ações em saúde. A inclusão ocorre de acordo com cada instituição hospitalar, pois a PNH é apenas uma diretriz, o que não garante atenção à família durante a internação do paciente. 3.5.3 Atuação do psicólogo processo de humanização hospitalar Para Pessini e Bertachini (2004), a humanização do atendimento pelos profissionais psicólogos nos hospitais abrange observar todos os aspectos relacionados ao processo de adoecer, o respeito aos temores, crenças e fragilidades dos pacientes e de seus familiares. Somar na integração da equipe técnica com os usuários no sentido de promover a diminuição da angústia e da tensão, são meios dinâmicos para se mudar a impressão prevalente dos indivíduos internados, isso faz com que os pacientes vejam a unidade hospitalar como um lugar que tem possibilidades de oferecer condições não só para a manutenção de sua saúde, mas também da sua recuperação. No contexto hospitalar o profissional psicólogo é visto como um agente de saúde que promove a busca pelo respeito, sendo a voz ativa nas reivindicações e discussões sobre questões relacionadas ao estado de saúde dos sujeitos hospitalizados. Ao atuar no ambiente hospitalar em que há o trabalho de humanização, o psicólogo tende a preocupar-se com a saúde física e mental dos indivíduos hospitalizados e também dos agentes da saúde, no sentido de buscar o resgate da dignidade e do respeito ao paciente, assim como de um ambiente de 25 trabalho saudável. O fator humano é imprescindível para o psicólogo, no entanto a sua atuação possibilita resultados organizacionais, dos quais pode-se citar a melhoria na realização dos trabalhos, comprometimento dos profissionais e também a diminuição no tempo de internação dos pacientes. (CARVALHO; FAUSTINO; CARVALHO, ([20--?])). Os autores supracitados expõem na figura abaixo a posição do psicólogo na humanização hospitalar. Quadro 2: Posição do Psicólogo na Humanização Hospitalar Fonte - Humanização hospitalar: parceria entre a psicologia e o voluntariado, p. 7. Na visão desses autores, o psicólogo é o agente principal no processo de humanização, visto que seu trabalho ultrapassa as práticas psicológicas dirigidas ao paciente, mas também à equipe à médica, administrativa, aos familiares e aos voluntários que trabalham na instituição. Sendo assim o psicólogo se torna o elo humanizador entre os profissionais da unidade hospitalar, uma vez que convivem com a dor e o sofrimento de pessoas e seus familiares, assim como a morte e o abandono. 26 4 MÉTODOS Tratou-se de uma pesquisa de revisão bibliográfica cuja trajetória metodológica percorrida foi a de leituras exploratória. Esse é um tipo de pesquisa que segundo Mancini (2006) visa à realização de análises e sínteses de informações disponibilizadas por estudos relevantes sobre determinado assunto. Para efetivação do levantamento bibliográfico realizou-se leituras e compreensões da literatura já existente presente em livros do acervo pessoal e artigos científicos especializados encontrados através de busca nos bancos de dados scielo, BIREME, BVS-psi, PePSIC além das fontes Medline e LILACS. As palavras-chaves utilizadas nas buscas foram: humanização/saúde/psicologia/hospitalar/hospital. Após a classificação do material bibliográfico, foi realizada a leitura exploratória, obtendo assim uma visão global do material, considerando-o de interesse ou não à pesquisa. Os estudos selecionados permitiram definir qual material bibliográfico realmente era de interesse desta pesquisa sendo então selecionados e citados no decorrer da pesquisa. 27 5 CONCLUSÃO O processo de humanização nas unidades hospitalares implica na compreensão do significado da vida do ser humano, o que não é uma tarefa fácil, envolvendo vários fatores, além dos princípios éticos, aspectos culturais, econômicos, sociais e educacionais. A humanização abrange questões extensas que vão desde a operacionalização de um projeto político de saúde calcado em valores como a cidadania, o compromisso social e a saúde como também a qualidade de vida do paciente, e vai desde a revisão das práticas de gestão tradicionais até pequenos espaços de atuação profissional nos quais saberes, poderes e relações interpessoais estão presentes. Nesse sentido, é imprescindível compreender a humanização como temática difícil que permeia o fazer de diferentes sujeitos. Ao abordar a humanização da assistência hospitalar, pensa-se na possibilidade de um olhar diferenciado, singular. Um olhar para a pessoa do paciente e não apenas para um órgão doente. É uma possibilidade de ter uma visão global do processo de adoecer, procurando ressaltar todos os aspectos abarcados no adoecer, pois adoecer é mais que um sintoma somático, é deixar de viver, é sofrer, é um conflito existencial, é um isolamento, é sentir dor, é ter medo, é até morrer. A humanização pode ser apresentada como a valorização do outro, respeitando enquanto pessoa Humanizar o atendimento não é somente chamar o paciente pelo nome e nem tão pouco sorrir para ele constantemente, mas compreender seus medos, angústias e incertezas. Humanizar é muito mais que o atendimento fraterno e humano, é buscar o aperfeiçoamento de conhecimentos continuadamente, é valorizar, no sentido antropológico e emocional, todos os elementos envolvidos na assistência. A psicologia hospitalar é uma área que trabalha para o entendimento e o tratamento dos aspectos psicológicos em torno do adoecimento. Atua no sentido de apontar e estabelecer o que está relacionado aos aspectos psicológicos. Sendo assim, a psicologia hospitalar trabalha não apenas nas doenças com causas psíquicas, as denominadas psicossomáticas, mas dos aspectos psicológicos de toda e qualquer doença, considerando que, toda doença encontra-se repleta de 28 subjetividade, e por isso pode se beneficiar do trabalho da psicologia hospitalar. O auxílio do psicólogo nesse contexto, busca amenizar o sofrimento e a angústia do sujeito hospitalizado, ampliando a sua visão sobre a doença, diminuindo a ansiedade, facilitando a comunicação com a equipe de saúde, melhorando a qualidade de adesão ao tratamento, aumentando a capacidade do paciente de verbalização e conscientização e estabelecendo a ligação entre o estresse e o estado emocional. A psicologia hospitalar contribui diretamente quando se fala em humanização, que contribui na melhora significativa dos pacientes. Sendo assim, é possível afirmar que o trabalho do psicólogo, no contexto hospitalar, não só ajuda para que o paciente não seja visto e cuidado somente em relação aos aspectos orgânicos, mas tem a missão primordial, de objetivar e de transmitir a expressão emocional e/ou subjetiva do paciente, buscando recursos e elaborando ações para que a humanização neste contexto seja cada vez mais eficaz. 29 REFERÊNCIAS AMIN, T. C.C. O paciente internado no hospital, a família e a equipe de saúde: redução de sofrimentos desnecessários. 2001. Disponível em: < http://www.arca.fiocruz.br/bitstream /icict/4596/2/552.pdf>. Acesso em: 21 nov. 2014 ANGERAMI-CALMON, V. A. O psicólogo no hospital. In: ANGERAMI-CALMON, V. A. (Org.). Psicologia hospitalar: teoria e prática. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003. p.15-28. BACKES, D. S.; FILHO, V.D. L.; LUNARD, V. L. 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