ESTUDOS
RBEP
A arquitetura dos grupos escolares do
Paraná na Primeira República
Elizabeth Amorim de Castro
Resumo
Busca apreender o processo de instituição e disseminação de grupos
escolares ocorrido durante a Primeira República no Estado do Paraná,
tomando como referência a identificação e a análise das edificações e da
sua arquitetura. Baseia-se no pressuposto de que o edifício escolar
concebido e construído para esse fim é uma resposta histórica e
geograficamente situada às demandas pedagógicas e higienistas vigentes.
Materializa a arte e técnica de construir espaços, de estabelecer ordem e
limites, de atender a demandas específicas, de expressar valores e de
simbolizar a importância que a educação representa no período.
Palavras-chave: grupo escolar; arquitetura escolar; história da
educação; Paraná.
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R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 90, n. 224, p. 122-148, jan./abr. 2009.
A arquitetura dos grupos escolares do Paraná na Primeira República
Abstract
Architecture of Schools in Paraná during the First Republic
The aim of this study is to apprehend the institution and dissemination
process of school buildings that took place in Paraná during the First
Republic period, based on the identification and analysis of the buildings
constructed by the time and their architectural design. It considers that a
school building constructed for such purpose is a historic response and it
is geographically placed within the pedagogic and sanitary demands of
the time. It materializes the art and technique of building spaces,
establishing order and limits, attending specific demands, expressing
values and symbolizing the importance of education at that period.
Keywords: elementary schools; school buildings; architectural design;
history of education; Paraná.
1 Considerações iniciais
A escola teve um papel de relevância no projeto de modernidade
republicana que buscou a construção da nacionalidade brasileira,
o desenvolvimento econômico e social, a ordem e o progresso.
Nesta perspectiva, houve a necessidade de especialização do edifício
escolar que, ao atender as novas necessidades pedagógicas e higienistas,
estaria contribuindo para a educação, um dos fundamentos da
modernidade.
Arte e técnica desse pensamento, a arquitetura escolar passou a
simbolizá-lo e, em última instância, a expressar esse projeto político de
modernização do País. Surgiram, então, edificações públicas destinadas
ao ensino que refletiam os avanços da técnica construtiva e apresentavam
uma linguagem estética diferenciada e imponente: o ecletismo.
O presente ensaio buscou identificar e analisar os edifícios construídos
para escolas públicas em áreas urbanas no Paraná, na Primeira República
(1889-1930). O objetivo foi reconhecer as permanências e as mudanças
no edifício escolar, sempre coerente, nos discursos, com as necessidades
pedagógicas e higienistas e com os avanços técnicos e estéticos.
Para atingir esse objetivo, realizaram-se um levantamento dos
edifícios escolares construídos e uma análise comparativa, tendo como
parâmetros critérios e elementos fundamentais para a elaboração do
projeto arquitetônico e a materialização do edifício escolar. Foram eles:
o programa arquitetônico de necessidades, que define os ambientes
necessários à escola; a técnica construtiva, que utiliza um conjunto de
métodos e procedimentos de edificação e de um grupo de materiais
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Elizabeth Amorim de Castro
construtivos aprimorados ao longo do tempo; a ordenação espacial, que
organiza e distribui os diferentes ambientes a partir de critérios como
setorização, hierarquia, fluxo de atividades, etc.; e a linguagem formal ou
plástica , que indica o tratamento estético recebido pelo edifício
considerando um vocabulário estilístico.
A Proclamação da República no Brasil, em 1889, de inspiração
positivista, buscou uma nova estruturação social procurando romper com
aquela vinculada ao Império, considerada arcaica, e trazer parâmetros
modernos ao País. Esse processo de modernização passava necessariamente
pela incorporação da ciência e das novas tecnologias surgidas na Europa e
nos Estados Unidos e pela inserção do País na economia burguesa.
A instrução pública, nesse contexto, assumiu um papel fundamental,
na medida em que era vista como transformadora da sociedade ou, ainda,
como “uma quase religião cívica” (Monarcha, 1997, p. 102). Essa importância dada à educação como formadora de cidadãos teve como inspiração
os Estados Unidos e vários países europeus que, desde o século 18, vinham
conformando uma educação secular, obrigatória, gratuita, sob a responsabilidade do Estado e com conteúdo voltado para um conhecimento mais
utilitário.
Uma das principais ações no período foi a sistematização do ensino
primário, estruturado na criação de grupos escolares e no estabelecimento de um novo programa de ensino: a escola graduada ou seriada.
A introdução de novos métodos, racionalização e padronização do ensino
– permitindo a classificação dos alunos por série, a divisão do trabalho
docente e a profissionalização do magistério –, de uma burocratização
administrativa e a necessidade de edifícios escolares concebidos
especialmente para este fim foram algumas dessas características.
Esta escola moderna passou a representar uma articulação entre a
expectativa da renovação do ensino, o projeto político de disseminação
da instrução popular e as vantagens econômicas da concentração de
diversas salas de aula em um único edifício. Surgiram os primeiros prédios
escolares projetados para essa finalidade, com características imponentes
que se tornaram “paradigmas para toda a nação” (Marcílio, 2006).
Foi, portanto, no Período Republicano que a relação educação,
instituição-escola e edifício-escola foi configurada, ou seja, não poderia
haver ensino sistemático sem uma escola que o abrigasse, e esta necessariamente deveria ter uma sede condizente com a sua função. A estreita
associação indicou a importância material e simbólica que o edifício escolar
e sua arquitetura adquiriram no processo de instituição e consolidação
da rede de escolas públicas, em particular, e no projeto de modernização
idealizado pelos republicanos, de uma forma geral. O edifício escolar no
limiar do século 20, portanto, passou a representar um projeto político
que buscou o desenvolvimento, a ordem e o progresso do País.
A valorização da arquitetura escolar também esteve relacionada com
o compromisso de adequação às novas necessidades pedagógicas e
higienistas, 1 contrapondo-se aos espaços de ensino improvisados,
freqüentes no Império. Esse edifício, concebido especificamente para essa
124
1
O higienismo pode ser considerado uma política de saúde
iniciada na Europa no século 18
que transcendia os limites da
medicina e integrava-se à gestão
política e econômica, visando à
racionalização da sociedade. Seu
objetivo básico era combater a
doença e a elevada taxa de
mortalidade que afetavam diretamente a produtividade no
trabalho. Sua atuação abrangia
todas as instâncias da vida individual e social. Tanto a Arquitetura como a Pedagogia foram
influenciadas por seus princípios (Castro, 2004, capítulo 1,
2005, p. 22).
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A arquitetura dos grupos escolares do Paraná na Primeira República
finalidade, estruturou-se numa abordagem integral que buscou corrigir,
educar e definir regras, “espaço modelador de hábitos, atitudes e
sensibilidades” (Faria Filho, 2005), espaço definidor e possibilitador da
ordem. Essas são características do espaço disciplinado identificado pelo
filósofo Michel Foucault: repartição de ambientes precisa, de acordo com a
função, controle da circulação e determinação do lugar de cada indivíduo.
Espaços reais e ideais, concretos e emblemáticos. Espaços de controle,
repletos de marcos físicos e simbólicos que definem não só essa vigilância,
mas também o rigor científico, os avanços pedagógicos e higienistas, os
princípios racionais e a modernidade das instalações. A arquitetura assumiu
o papel de transformadora de indivíduos, atuando diretamente sobre o
comportamento daquele que abriga (Foucault, 1987, p. 135, 154).
Considerando a arquitetura escolar aqui estudada como segmentação
do espaço (Pereira, 1999, p. 121), dotando-o de significados reais e ideais
e levando-se em conta que essa disciplina responde às demandas pedagógicas e higienistas vigentes, materializando, com base em técnicas
construtivas e linguagem formal avançadas, a importância atribuída na
primeira década do século 20 aos edifícios escolares se justifica. Mesmo
assim, o grande desafio republicano era superar as dificuldades financeiras
e construí-los.
Em 1902, Victor Ferreira do Amaral e Silva, então Diretor de Instrução
Pública do Paraná, ao relatar os problemas enfrentados pelo governo nesta
área, destacou esta carência:
Um dos escolhos para a boa distribuição das escolas, não só nas cidades
como nos pequenos povoados, continua a ser a falta de predios
apropriados, dificuldade que só será saneada quando o Estado puder
mandar construir casas escolares adequadas nos lugares mais
convenientes. [...]
A fim de que as escolas ficassem mais expostas ao publico, que se
tornaria assim um auxiliar da fiscalização, tenho distribuído taboletas
com o dístico «Escola Publica» para serem collocadas no frontispício
das casas das cadeiras publicas. (Paraná, 1903, p. 36)
A preocupação com a identificação das escolas públicas evidenciou a
necessidade de reconhecimento dessa função no edifício. Ao mesmo tempo
em que denunciava a falta de edifícios escolares adequados, Vitor do Amaral
colocava placas de identificação nas escolas existentes. O “caráter
identificador” das edificações, como chamou Carlos Lemos, era uma idéia
corrente no período. Os diferentes programas arquitetônicos deveriam ser
viabilizados de acordo com lógicas e critérios próprios e imutáveis.
As escolas, por sua vez, outro exemplo, deveriam ter alas
perpendiculares ao corpo principal da fachada nobre, quase sempre
provido de uma escadaria central, na maioria das vezes arrematada
por um pórtico guarnecido de colunata clássica. (Lemos, 1985, p. 102)
A descrição acima definiu uma solução de ordenação espacial, a planta
arquitetônica em “U”, e elementos formais de composição, fachada nobre
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Elizabeth Amorim de Castro
e escadaria com pórtico definindo o acesso principal. Não houve a referência
da necessária especialização programática sempre priorizada nos discursos
oficiais e de especialistas aqui estudados. A disposição em alas define uma
hierarquia; a “fachada nobre”, na qual são inseridos pórticos e escadarias
monumentais, indica a importância da instituição ali abrigada.
É preciso ressaltar que essas considerações foram feitas por um
arquiteto, destacando como caráter identificador do edifício seus aspectos
formais e de composição. Um pedagogo salientaria a sua necessária
adequação às práticas de ensino, já um médico insistiria no respeito às
orientações higienistas (ventilação, insolação, etc.); o administrador
público, responsável pela viabilização/construção/manutenção de uma
escola, procuraria reunir todos esses fatores. Foi o que fez Vitor do Amaral
ao clamar por edifícios escolares apropriados e colocar taboletas nos existentes, enquanto providenciava a construção do primeiro grupo escolar
do Paraná, o Dr. Xavier da Silva.
A arquitetura, portanto, não só respondeu às demandas pedagógicas
e higienistas, como também foi partícipe do processo de estruturação da
escola e da rede física escolar, tornando-se, com suas formas, paradigmas
para toda a nação. A expressão de Maria Luíza Marcílio (2006) contém
todas essas características: as primeiras escolas republicanas tornaramse modelos por reunir adequação às necessidades de ensino e às premissas
higienistas, por indicar a preocupação do governo com a instrução pública,
por exprimir plasticamente imponência, harmonia e sua condição de
transformadora social.
Outra questão importante: as novas técnicas construtivas adotadas
pelos edifícios escolares. A industrialização de materiais construtivos,
como o ferro e o cimento, e a introdução de uma nova forma de construir,
mais rápida, econômica e com materiais pré-fabricados, e de uma nova
estética, cujo predomínio foi o da funcionalidade técnica, possibilitaram
uma arquitetura de maior arrojo construtivo e, por conseqüência, de
expressão progressista (Argan, 1992, p. 84-91).
No Brasil, novas formas e técnicas construtivas começaram a ser
empregadas a partir da segunda metade do século 19, identificadas, nos
estudos dos arquitetos Reis Filho (1983) e Cerqueira Lemos (1985), com
o término do tráfico de escravos, o início da imigração européia e do
trabalho remunerado e a implantação do sistema ferroviário. As inovações
passavam pela implantação do edifício no terreno (que na fase colonial
era construído no alinhamento frontal), pelo uso de porão alto e de novos
materiais como tijolos, telhas francesas, elementos em ferro fundido ou
batido, chapas de cobre ou ferro zincado e madeira. Ladrilhos, tacos e
mosaicos revestiram os pisos, e sistemas de abastecimento de água, de
coleta de esgotos e de águas pluviais foram incorporados aos edifícios,
trazendo as instalações sanitárias para dentro da casa.
A vida na cidade passou a solicitar espaços mais especializados (escolas,
museus, bolsas de valores, bibliotecas, hotéis, hospitais, estações ferroviárias,
etc.), os quais tinham um programa arquitetônico de necessidades específico,
até então pouco conhecido ou inexistente (Campos, 1998, p. 25-31).
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A arquitetura dos grupos escolares do Paraná na Primeira República
2
Ver trabalhos de Colquhoun
(2004), Benévolo (1976), Reis
Filho (1983) e Lemos (1985),
entre outros.
3
Esta colocação não entende que
foi apenas neste contexto que a
arquitetura especializou-se. As
construções arquitetônicas, por
princípio, atendem a um
programa de necessidades, o
qual, no limite, define a sua
especificidade. A intenção aqui é
a de realçar a importância que tal
programa assumiu no momento
em que as demandas passaram,
também, a incorporar os conhecimentos científicos e técnicos
produzidos naquele momento. Foi
o que Argan classificou de
tipologia marcada pelas funções
práticas (de hospitais, escolas,
hotéis, etc.), instituída na segunda
metade do século 19 (Argan,
2001, p. 67)
Um exemplo dessa especialização é a do edifício hospitalar,
cujo programa construtivo, a
partir de meados do século 19,
tornou-se mais complexo com as
contribuições do higienismo e da
microbiologia. Para maiores detalhes ver os trabalhos anteriores
de Castro (2003, 2005).
Esse contexto propiciou uma arquitetura distinta da fase colonial,
com a utilização de aberturas mais amplas, de telhados mais elaborados
e de fachadas com maior movimento. Essa tendência de configurações
estéticas e espaciais mais complexas, baseadas na incorporação de novas
tecnologias na arquitetura brasileira, esteve associada a uma linguagem
plástica: o ecletismo.
Essa arquitetura estruturou-se dentro da corrente acadêmica marcada
pelos referenciais de diferentes épocas, variando ou mesclando elementos
decorativos de “tempos” históricos diferentes. Segundo Czajkowski (2000,
p. 7), o ecletismo expressou em suas linhas “dramaticidade, conforto,
expressividade, luxo, emoção e exuberância”. Diversos estudos relacionaram
esse movimento na arquitetura com o positivismo e com as correntes
evolucionistas presentes no século 19.2 De maneira geral, pode-se colocar
como predominante no pensamento europeu a valorização da técnica como
fundamento de uma arquitetura racional, com valores fincados na utilidade,
ordem e simplicidade e caráter. Havia um comprometimento da arquitetura
com a ciência e a tecnologia modernas (Colquhoun, 2004, p. 64).
Essa característica foi um fator importante para o desenvolvimento
deste ensaio. Mais do que entrar na questão do uso apenas ornamental
de diferentes estilos, arrancados de seu contexto original, o que se considerou aqui foi a incorporação da ciência e da tecnologia,3 a valorização da
adequação técnica e funcional aos novos programas4 e da racionalidade
construtiva. Concorda-se com Reis Filho (1983, p. 186), quando este afirma
que “o ecletismo foi, pois, em arquitetura, conciliação e progresso,
tradicionalismo e progresso ou, como se diria depois, ordem – com uma
conotação determinada – e progresso”.
Ou seja, o ecletismo na arquitetura brasileira, presente no período
de transição entre Império e República e estendendo-se até o início do
século 20, legitimou-se como uma expressão do seu tempo. O arquiteto
Eudes Campos (1998, p. 25), ao estudar o ecletismo paulistano, colocou
que o emprego desta linguagem formal foi “a única forma de demonstrar
o alto nível civilizatório atingido pela emergente burguesia cafeeira”.
Os edifícios dos grupos escolares concebidos e construídos especialmente
para este fim, aqui estudados, incorporaram os pontos acima relacionados.
Além de se caracterizarem como necessidade dos novos tempos e prioridade
do governo republicano, destacaram-se pela sua adequação espacial às
demandas pedagógicas e higienistas, pelo emprego de materiais e técnicas
construtivas vigentes e pela utilização da linguagem eclética.
2 Grupos Escolares do Paraná
4
2.1 Primeira fase: as casas escolares
O número de escolas brasileiras cresceu significativamente durante
a Primeira República. No Paraná, essa situação repetiu-se, surgindo no
cenário urbano importantes edifícios escolares públicos, que se tornaram
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marcos do período. Logo nos primeiros anos do século 20, no aniversário
de 50 anos da criação da Província do Paraná, em 19 de dezembro de
1903, foi inaugurado em Curitiba o Grupo Escolar Dr. Xavier da Silva,5
destinado à instrução primária.
Figura 1 – Planta do pavimento térreo do Grupo Escolar Dr. Xavier da Silva,
em 1903
Fontes: PARANÁ. FUNDEPAR. Planta de Implantação e Arquitetônica. Curitiba, sem data. Planta do
pavimento térreo e implantação, apresentada em uma prancha. Levantamento Arquitetônico
em arquivo digital. Acervo: FUNDEPAR e Planta de Implantação do Translado da Escritura
Pública de compra e venda do terreno onde se situa o Grupo Escolar Xavier da Silva. Curitiba,
sem data. Implantação apresentada em uma prancha. Levantamento Arquitetônico em cópia
heliográfica. Acervo: Coordenadoria do Patrimônio do Estado da SEAD (Pasta 6).
Foto 1 – Grupo Escolar Dr. Xavier da Silva, em Curitiba – 1930
Fonte: Acervo da Casa da Memória/ Diretoria do Patrimônio Cultural/ Fundação Cultural de Curitiba (FCC).
128
5
A escola, ainda existente,
situa-se à Rua Silva Jardim, 613,
Bairro Rebouças e atualmente é
denominada Colégio Estadual Dr.
Xavier da Silva.
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A arquitetura dos grupos escolares do Paraná na Primeira República
No grupo escolar Xavier da Silva, em adiantada construcção á rua
Marechal Floriano Peixoto, pretendo installar tres escolas para cada
sexo, completamente separadas, sendo uma para a 1ª serie do primeiro grao, uma para a 2ª serie do 1º grao e a 3ª para ambas as series do
2º grão. (Paraná, 1904, p. 12).
6
Este edifício, já demolido,
localizou-se na Praça Pedro
Kaled, 22, onde hoje encontra-se
a sede da Prefeitura Municipal de
Castro.
7
Relatorio apresentado ao
Exmº. Sr. Dr. Secretario do
Interior, Justiça e Instrucção
Publica pelo Dr. Victor Ferreira do
Amaral e Silva, Director Geral da
Instrucção Publica do Estado, em
31 de dezembro de 1902 (p. 3643, apud Paraná, 1903a, p. 11.
8
O edifício, situado na Avenida
Bispo Dom José, 2006, sedia atualmente a Delegacia Antitóxicos.
Iniciou-se, desta forma, a estruturação do ensino primário e público
com os novos critérios republicanos: a escola graduada e agrupada. Desde
o princípio, o Xavier da Silva foi considerado um grupo modelo. “O novo
edifício destinado ao grupo escolar Xavier da Silva, contendo espaçosas
salas e recreios cobertos, ao ar livre, despertou a ideia de formar-se em
outros predios, como o antigo Gymnasio, novos grupos” (Paraná, 1905,
p. 23).
A escola, projetada pelo engenheiro civil Candido Ferreira de Abreu,
foi implantada no alinhamento predial, na esquina das Ruas Marechal
Floriano Peixoto e Silva Jardim. Desta maneira, acompanhou a linha construtiva de toda a quadra. Sua forma em “L” voltada para as faces externas
do terreno possibilita que o edifício se desenvolva a partir de um eixo de
simetria (localizado na diagonal do terreno) e define um pátio interno,
protegido do movimento e dos olhares da rua. São duas alas laterais,
correspondentes às seções feminina e masculina, que se encontram no
hall central. Cada uma possui três salas de aula e uma área de recreio
coberta.
A presença de áreas cobertas para recreação nas extremidades do
edifício deve ser destacada. Esses ambientes eram considerados imprescindíveis em manuais franceses de arquitetura escolar (Tubeuf, [1890],
p. 7-8; Guadet, 1909, p. 218-219), estando adequados ao clima frio e
úmido da cidade e às recomendações sobre a importância do pátio
recreativo.
O edifício, filiado ao ecletismo, apresentou um programa arquitetônico
de necessidades simplificado e uma ordenação espacial e linguagem formal
singulares em relação aos similares paulistas. Como um projeto modelar,
serviu de referência, mas não foi repetido nas escolas posteriormente
construídas no Estado.
Nos anos seguintes, foram construídos três edifícios escolares:
o Grupo Escolar Vicente Machado, em Castro, o Cruz Machado, em
Curitiba, e o Jesuíno Marcondes, em Palmeira. O primeiro foi inaugurado
em 29 de novembro de 1904. O edifício,6 projetado e construído pelo
governo, possuía “quatro escolas para dois sexos” (Paraná, 1903, p. 18)
e, segundo Vitor Ferreira do Amaral e Silva,7 Diretor de Instrução Pública,
era “de singela e elegante architectura” (Paraná, 1903a, p. 11).
O Grupo Escolar Cruz Machado, localizado no arrabalde do Batel8 e
concluído no final de 1906, foi projetado por Ângelo Bottechia, arquiteto
do quadro da Diretoria de Obras e Viação (Paraná, 1907, p. 29). Está
implantado no alinhamento predial, com duas salas de aula e duas de
apoio, dispostas simetricamente em torno de um hall central aberto para
o exterior, no qual se insere a escadaria que vence o desnível entre a rua
e o pavimento térreo.
R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 90, n. 224, p. 122-148, jan./abr. 2009.
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Elizabeth Amorim de Castro
A um programa de necessidades enxuto, correspondeu uma
ordenação espacial compacta, que manteve a divisão em duas seções –
masculina e feminina – e a diferenciação de acessos – um principal e dois
secundários. Uma singularidade deste projeto foi a incorporação das
instalações sanitárias ao prédio, situadas no porão e com entradas voltadas
para o pátio interno, próximas às escadas posteriores. O tratamento formal
é aprimorado, com uma ornamentação eclética sofisticada.
O Grupo Escolar Jesuíno Marcondes,9 em Palmeira, também com
autoria de Ângelo Bottechia, foi inaugurado em 1907.
Figura 2 – Planta do pavimento térreo do Grupo Escolar Jesuíno Marcondes,
em Palmeira
Fonte:
Paraná. Departamento de Obras e Viação. Grupo Escolar Telêmaco Borba – Tibagi. Ponta Grossa,
sem data. Planta do pavimento térreo apresentada em uma prancha. Levantamento arquitetônico
em cópia heliográfica. Acervo: Coordenadoria do Patrimônio do Estado.
Foto 2 – Grupo Escolar Jesuíno Marcondes, em Palmeira – sem data
Fonte: Acervo da Coordenadoria do Patrimônio Cultural da Seec.
130
9
Este edifício situa-se à Rua Cel.
Pedro Ferreira, 223, e foi
tombado pelo Patrimônio
Estadual, em 2004, sob o número
152–II.
R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 90, n. 224, p. 122-148, jan./abr. 2009.
A arquitetura dos grupos escolares do Paraná na Primeira República
O edifício consta de um vestíbulo, dois gabinetes de 3,85m por 2,28m,
e quatro salas de aula, de 9m por 5,625m cada uma; é todo de alvenaria
de tijollo e situado em local elevado, bem no centro da cidade. Do portão
para a área fronteiriça ao edifício tem-se acesso por uma escada de 6
degraus feita de pedra grés apparelhada. (Paraná, 1907, p. 31-32).
Seu programa arquitetônico foi composto por um vestíbulo, quatro
salas de aula e dois ambientes de apoio, sendo, portanto, maior que o
exemplar anterior. No entanto, permanecem a ordenação espacial, a
configuração simétrica em bloco único, a definição de dois setores (masculino
e feminino) e a hierarquia de acessos (um central e dois secundários).
Novamente há um esmero formal, de linguagem eclética, embora com
padrões distintos em relação à escola de Curitiba. O acesso é marcado por
um avanço da fachada, com colunas e platibanda com frontão.
Um novo conjunto de escolas foi construído a partir de 1910. O Grupo
Escolar Professor Cleto,10 concluído em Curitiba, iniciou esse processo.
Seu programa arquitetônico mostrou uma maior simplificação: apenas
quatro salas de aula (Paraná, 1910, p. 40).
Figura 3 – Planta de implantação e do pavimento térreo do Grupo Escolar
Professor Cleto, em Curitiba
Fonte: Paraná. Departamento de Obras e Viação. Grupo Escolar Professor Cleto. Curitiba, 26 de janeiro
de 1940. Planta do pavimento térreo apresentada em uma prancha. Levantamento arquitetônico
em cópia heliográfica. Acervo: Coordenadoria do Patrimônio do Estado da Sead (Pasta 26).
10
Esta escola, ainda em funcionamento, denomina-se atualmente Colégio Estadual Professor
Cleto e situa-se na Rua Visconde
de Nácar, 544, Centro.
Foto 3 – Grupo Escolar Professor Cleto, em Curitiba – sem data
Fonte: Acervo da Coordenadoria do Patrimônio Estadual da Sead.
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O edifício, em bloco único, apresenta uma ordenação espacial
composta de uma circulação transversal, funcionando como eixo de
simetria, com duas salas de aula de cada lado. Nas extremidades deste
corredor encontram-se os acessos ao edifício. Essa disposição permite a
separação em duas seções. Não há salas de professores, nem acesso
principal. O edifício está definido por dois conjuntos, cada um com duas
salas de aula.
A implantação do edifício proporciona uma visão panorâmica e
permite compreender que a divisão em seções não se limita ao edifício,
estando presente em todo o terreno. Um muro separa meninos e meninas,
que possuem acessos, pátios de recreação e instalações sanitárias distintas.
Também merece destaque a distância que estas estavam do edifício
principal, sendo necessário atravessar o pátio do recreio para utilizá-las.
A linguagem formal contida e austera desta escola é condizente com
seu programa arquitetônico e sua ordenação espacial. A fachada, de
orientação eclética, apresenta pouca ornamentação e as entradas são
marcadas com pequeno frontão.
Embora nas mensagens e relatórios de governo não houvesse
referência a projetos padronizados, esse recurso foi utilizado com
freqüência. Outras escolas foram construídas utilizando o projeto do Grupo
Escolar Professor Cleto: o Grupo Escolar Macedo Soares, em Campo
Largo,11 o Barão de Antonina, em Rio Negro, o Professor Raposo, em
Jacarezinho, e o Isabel Branco, em Jaguariaiva12 – todos concluídos
em 1911 (Paraná, 1910, p. 41).
Outros exemplos podem ser dados: o Grupo Escolar Dias da Rocha,
em Araucária, o Manoel Eufrásio, em Piraquara, o Conselheiro Zacarias e
o Presidente Pedrosa, ambos em Curitiba, possuem o mesmo projeto
e foram concluídos no início de 1912 (Paraná, 1912, p. 23-25).
Essas “casas escolares” apresentam “dois salões de 7,40m x 10,50m
[e] um vestíbulo commum de 4,70m x 2,00m” (Paraná, 1910, p. 41).
Com um número de salas de aula menor em relação aos grupos escolares
anteriores, este projeto não apresenta circulação interna. O vestíbulo
corresponde a um avanço da fachada e marca o acesso principal ao
edifício e os salões comunicam-se diretamente com ele. Nas duas laterais
do prédio localizam-se as entradas de alunos. É uma solução simétrica
e compacta.
Ainda em 1912, foram construídos, com o mesmo projeto, os Grupos
Escolares Professor Brandão, em Curitiba, e dr. Franco Valle, em Imbituva
(Paraná, 1912, p. 25).
Trata-se de uma variação da solução anterior. A planta é a mesma,
só que posicionada de forma invertida, o vestíbulo foi posicionado na
parte posterior do edifício, transformando-se em sala de apoio. A fachada
frontal da escola passa a ter apenas janelas, com um pequeno ressalto
nas janelas centrais, acompanhado de um acabamento diferenciado na
platibanda, onde fica a identificação da escola.
No final de 1912, mais um conjunto de cinco escolas foi concluído
apresentando o mesmo projeto: o Grupo Escolar Visconde de Guarapuava,
132
11
O edifício hoje abriga o Museu
Histórico de Campo Largo , sito
à Praça Getúlio Vargas, s/n°.
12
Este edifício situa-se à Rua
Marieta Camargo, 385, e foi tombado pelo Patrimônio Estadual,
em 2001, sob o número 139–II.
R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 90, n. 224, p. 122-148, jan./abr. 2009.
A arquitetura dos grupos escolares do Paraná na Primeira República
em Guarapuava, o Professor Serapião, em União da Vitória, o Barão de
Capanema, em Prudentópolis, o Silveira da Motta, em São José dos Pinhais,
e o Senador Correia, em Ponta Grossa (Paraná, 1912, p. 24-26; 1912a,
p. 59-60).
Os ambientes de apoio retornam ao programa arquitetônico dessas
escolas. As duas seções estão completamente separadas, sem comunicação
interna. Um pequeno vestíbulo faz a distribuição das salas. São duas
entradas localizadas em extremidades opostas do edifício, marcadas pelo
avanço da fachada. Assim como as escolas anteriores, não há acesso
diferenciado para professores e visitantes; o tratamento formal é eclético
e assemelha-se ao encontrado na escola relacionada a seguir.
O Grupo Escolar Barão do Rio Branco, construído em Curitiba entre
1910 e 1913 (Paraná, 1910, p. 40; 1912, p. 23), apresentou um tratamento formal e uma ordenação espacial semelhante àquela encontrada
nas escolas de Ponta Grossa e São José dos Pinhais, sem a presença das
salas de apoio.
Outra escola em Curitiba merece destaque na presente análise:
o Grupo Escolar 19 de Dezembro. Seu projeto arquitetônico traz uma
solução ímpar no universo estudado.
O edifício compõe-se de dois corpos distinctos, separados por um espaço
de 10 metros.
Cada corpo é constituído por dois salões de 11,00m x 9,00m
correspondendo a cada um delles, um vestíbulo de 3,00m x 3,00m,
uma saleta central de 3,00m x 3,00m para o professor, e um gabinete
para latrina e mictorio, com 3,00m x 3,00m.
Os salões das classes e compartimentos accessorios são completamente
independentes uns dos outros. Amplamente ventilados e illumminados
a satisfazem a todas as regras pedagógicas exigidas [...]. (Paraná, 1910,
p. 40).
13
O edifício situa-se à Rua João
Ribeiro da Fonseca, 74, e foi tombado pelo Patrimônio Histórico
Estadual em 1991 sob o número
113-II.
Infelizmente, o projeto original dessa escola não foi encontrado.
A separação dos sexos foi levada ao extremo: meninos e meninas foram
abrigados em edifícios diferentes. Estabeleceu-se um núcleo – sala de
aula, sala de professores e instalações sanitárias – repetido quatro vezes.
Esta célula incorporou, de forma inédita, no mesmo pavimento que as
salas de aula, o banheiro no corpo do edifício. A disposição é simétrica e
a implantação dos edifícios foi feita no alinhamento predial.
No final de 1913, Marins Alves de Camargo, respondendo pela
Secretaria de Estado dos Negócios de Obras Públicas e Colonização,
anunciou a construção dos grupos escolares Telêmaco Borba, em Tibagi,
e Dr. Claudino dos Santos, em Ipiranga. 13 Os dois edifícios foram
construídos com o mesmo projeto da escola de Palmeira, de 1907. Além
desses, em Santo Antônio da Platina, edificou-se uma escola com duas
salas de aula, duas para professores e um vestíbulo (Paraná, 1913,
p. 105-106).
Os edifícios escolares apresentados até aqui, com exceção do Grupo
Escolar Dr. Xavier da Silva, de 1903, podem ser divididos em dois tipos:
R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 90, n. 224, p. 122-148, jan./abr. 2009.
133
Elizabeth Amorim de Castro
de duas e de quatro salas de aula. O relatório que Francisco Ribeiro de
Azevedo Macedo, então Diretor Geral de Instrução Pública, redigiu no
final de 1913, explicou que, por imposições do Regulamento de 1901,14
até aquele momento
[...] os grupos escolares não obstante possuirmos com esse nome casas
onde funccionam duas, quatro e até mais de quatro escolas, que,
independentes sem a mínima relação entre si, naturalmente se fazem
concurrencia e se pertubam, em vez de se combinaren e se auxiliarem.
[...]
Temos hoje, nas cidades mais importantes do Estado, casas escolares
onde funccionam, independentes, quatro escolas, cada uma com
excessivo numero de alumnos, distribuídos em quatro classes. (Paraná,
1914, p. 11-12).
Ou seja, as classes ou séries estariam reunidas em um mesmo edifício,
mas não agrupadas administrativamente. Se as escolas, até 1913, funcionaram de forma independente umas das outras, justifica-se a ordenação
espacial encontrada, que privilegia a divisão do edifício em duas seções
com acessos independentes e, em muitos casos, sem ligação interna. Ao
mesmo tempo, os ambientes de apoio, quando existentes, são dois, um
para cada seção, ou quatro, um para cada sala e, provavelmente,
destinariam-se às salas de professores. Não há salas para direção, secretaria ou portaria, uma vez que as escolas não possuíam administração
centralizada. Configura-se, então, uma célula programática composta por
1 ou 2 salas de aula + 1 sala de professor que é multiplicada.
Francisco Ribeiro de Azevedo Macedo procurou, em 1914, implantar
a escola graduada:
Durante o anno de 1914, foram postas em execução nesta Capital e em
diversas outras localidades que eu pude visitar, as instrucções que foram
expedidas por esta Directoria e approvadas pela Secretaria do Interior
(Portaria n. 4 de 17 de Janeiro de 1914) para a reorganisação das escolas
publicas primarias, sendo o ensino dividido em quatro series, com um
programma comprehensivo de todas as disciplinas essenciaes para a
educação popular, de accordo com os mais adeantados ensinamentos
da pedagogia.
Reuni escolas systematisando e dividindo os trabalhos, por series, entre
os respectivos professores e confiando a um destes a funcção de director;
formei, assim o que em falta de melhor denominação, chamamos grupos
e semigrupos escolares.
Sem duvida, esses estabelecimentos não são organisados à feição dos
afamados grupos escolares paulistas, compostos de uma secção para
meninas e outra para meninos, dispondo de todo o material technico
para o ensino e tendo pessoal administrativo differente do pessoal docente.
As nossas actuaes casas escolares são, em regra, de bello estylo
architectonico, têm todas as condições de aeração e de luz, dotadas umas
de quatro amplos salões, outra apenas de dous: nas de quatro salões
pudemos installar as quatro séries do ensino, uma a cargo de cada
professor, - é o nosso grupo escolar; nas de dous salões deixamos cada
professor com duas séries, - é o semigrupo. (Paraná, 1915, p. 3-4).
134
14
Decreto nº 93, de 11 de março
de 1901, Regulamento da
Instrução Pública do Estado do
Paraná.
R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 90, n. 224, p. 122-148, jan./abr. 2009.
A arquitetura dos grupos escolares do Paraná na Primeira República
O então Diretor Geral de Instrução Pública estabeleceu nessa
reorganização das escolas publicas uma reforma estrutural em seu
funcionamento. No texto, elogiou os edifícios escolares existentes, a seu ver,
adequados às exigências higienistas e de bello estylo architectonico. No
entanto, quando afirmou que não eram organisados à feição dos afamados
grupos escolares paulistas, explicou que, em termos de espaço construído,
não havia seções feminina e masculina. Não é o que foi mostrado até aqui:
todos os edifícios apresentam as duas seções. Porém, ao querer implantar
um grupo escolar de quatro séries (o que exigiria oito salas de aula, quatro
para meninas e quatro para meninos) ou um semigrupo de duas (necessitaria
de quatro salas, duas para meninas e duas para meninos), os edifícios existentes não conseguiram atender a essa demanda. Provavelmente, os grupos
escolares e os semigrupos de Francisco Ribeiro de Azevedo Macedo reuniam,
na mesma sala de aula, alunos dos dois sexos.
Voltando ao texto de Marins Alves de Camargo, datado de 1913,
que, como Secretário de Estado dos Negócios de Obras Públicas e
Colonização, era colega de Francisco Ribeiro de Azevedo Macedo, foi
anunciada a elaboração de novos projetos de construções escolares:
Pretendendo esta Secretaria construir diversas casas escolares em varias
localidades do Estado, foram pela Directoria Technica confeccionados
diversos typos para esses prédios, sendo notável a economia que aquella
Directoria introduzio nos respectivos projectos, graças a reducção das
exaggeradissimas espessuras com que até aqui eram feitas as paredes
dessas casas, o que constituía um verdadeiro attentado aos cofres
do Estado, pois que nenhum motivo de ordem technica justifica o
desperdício de material que se nota nessas construcções em todo
o Estado. (Paraná, 1913a, p. 115).
A primeira argumentação tratou da redução de custos construtivos,
baseada na diminuição da espessura da alvenaria – uma questão de técnica
construtiva. Marins Alves de Camargo acrescentou ainda que as alterações
dos novos projetos não se limitavam a esses aspectos: apresentavam
melhorias estéticas, higienistas e pedagógicas.
Alem dessa modificação foram feitas outras, não só sob o ponto de
vista esthetico, como em relação a hygiene e outras exigências de ordem
pedagógica, que os actuaes predios não possuem, chegando estes a
causar certa impressão desagradavel ao viajante que percorre as nossas
cidades do Interior, pois depara sempre com o mesmo typo de prédio
escolar, o que lhe faz conjecturar desfavoravelmente do nosso gosto
artístico. (Paraná, 1913a, p. 116).
Os mesmos edifícios elogiados pelo Diretor Geral de Instrução Pública,
no texto de 1914 anteriormente apresentado, como de bello estylo
architectonico [e com] todas as condições de aeração e de luz, foram
definidos como inadequados sob o ponto de vista higienista, pedagógico
e estético. As demandas de ensino já foram explicitadas e referem-se
basicamente ao número de salas de aula. A questão higienista não está
esclarecida. Em relação ao ponto de vista esthetico, não há dúvidas de
que se referiu à repetição de um mesmo projeto em cidades diferentes,
R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 90, n. 224, p. 122-148, jan./abr. 2009.
135
Elizabeth Amorim de Castro
prática corrente no período. Na continuação do texto, Marins Alves de
Camargo explicou que não abriu mão de projetos padronizados, mas que
seus projetos apresentariam mais opções:
Os projectos confeccionados ultimamente pela Directoria Technica são
de construcção leve e elegante e variam de typo embora conservem,
mais ou menos o estylo. Para cada ordem de grupo escolar foram
estudados 2 ou 3 typos.
Assim temos: grupos escolares modelos, com 8 salas de aula, um grande
salão para aulas em commum, gabinete para a Directoria, professores,
porteiro, etc., variando o custo desses prédios de 60 a 80:000$000;
grupos com 4 salas de cidade e de villa, variando o seu custo entre 12
e 16:000$000 se é de madeira ou entre 30 ou 40:000$000 se é de
alvenaria; grupos com duas salas typo de villa e povoado, variando o
respectivo custo entre 15 e 20:000$000 se é de alvenaria e entre 5 e
8:000$000 se a construcção é de madeira. (Paraná, 1913a, p. 116).
O programa arquitetônico das novas escolas apresentou edifícios de
duas e quatro salas de aula. Essa configuração do edifício escolar já tinha
sido disseminada pelo Estado, sendo, no mesmo documento, alvo de
críticas. Entretanto, atendia à demanda de cidades pequenas, tanto que
escolas deste porte foram construídas, pelo menos, até a metade do século
20. O texto também apresentou novidades com os “grupos escolares
modelos”, compostos por oito salas de aula15 (atendendo de forma plena
as duas seções – meninos e meninas – de quatro séries primárias) e
ambientes administrativos e de apoio: diretoria, sala de professores,
portaria e um salão. Esse programa aproxima-se daqueles encontrados
nos primeiros grupos escolares paulistas. A visita oficial que o então
Diretor de Instrução Pública do Paraná, Claudino Rogoberto Ferreira dos
Santos, fez às escolas de São Paulo, em meados de 1912, contribuiu para
a conformação dos novos projetos (Paraná, 1912a).
Quatro anos mais tarde, foi promulgado um novo Código de Ensino
(Decreto nº 17 de 1917), no qual, entre outros temas, definiu que o ensino
primário dividia-se em quatro séries (Artigo 55, Seção III, Capítulo II),
instituiu um grupo escolar modelo em Curitiba, com “8 cadeiras, 4 para
cada sexo” (Artigo 70, Seção III, Capítulo II) e ainda estabeleceu
parâmetros para os edifícios escolares, que mantiveram muitas características até então vigentes. As instalações sanitárias permaneceram
externas, assim como os pátios de recreação e de ginástica – não foram
mencionados salões ou galpões cobertos. As exigências higienistas foram
explicitadas: implantação em terreno que não acumule umidade e afastada de locais ruidosos e insalubres, isolamento do edifício em relação ao
solo (porão alto) e índices de área mínima de iluminação e por aluno. Em
relação ao programa arquitetônico, foram definidos grupos escolares
modelos, já mencionados em 1913, com oito salas de aula e a necessidade
de um ambiente para “um pequeno museu escolar e para o acondicionamento dos trabalhos manuaes e materiais respectivos”. Os demais
ambientes já previstos nos projetos de 1913, tais como diretoria, portaria
e salão, nem sequer foram citados.
136
15
É preciso lembrar que o Grupo
Escolar Xavier da Silva, até então
modelo para as demais escolas,
possuía seis salas de aula.
R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 90, n. 224, p. 122-148, jan./abr. 2009.
A arquitetura dos grupos escolares do Paraná na Primeira República
O Código de Ensino de 1917 foi promulgado em um período de
pouquíssimas construções escolares. O governo de Francisco Xavier
da Silva, Presidente do Paraná entre 1908 e 1912, construiu 11 escolas,
a grande maioria nos dois últimos anos. Seu sucessor, Carlos Cavalcanti
de Albuquerque (1912-1916), edificou oito16 e a gestão de Affonso
Alves de Camargo (1916-1920) erigiu apenas uma. No próprio Código
de Ensino, essa dificuldade foi exposta no Artigo 157 do Capítulo IX:
“à medida que os recursos financeiros do Estado o permittirem,
construir-se-ão casas escolares nas cidades, villas e importantes
povoações que ainda não tiverem sido dotadas desses melhoramentos”
(Paraná, 1917).
O único edifício escolar construído nesse período foi a nova sede do
Grupo Escolar Professor Serapião, em União da Vitória, devido a uma
situação específica. Em função da perda de território do Paraná para Santa
Catarina, ocorrida após o fim da Guerra do Contestado (1912-1916), União
da Vitória foi dividida entre os dois Estados. O primitivo centro urbano
passou a pertencer à nova cidade catarinense de Porto União. O governo
paranaense teve que projetar “uma nova sede para o município”. Esse
planejamento compreendeu o traçado de ruas, com aproveitamento e
prolongamento das existentes e criação de novas, e a construção de três
edifícios – situados em torno da praça central e inaugurados em 1917 –
um para a sede conjunta da Câmara Municipal, Fórum, Coletoria e Quartel,
outro para um hotel e o terceiro para uma escola, uma vez que a primeira
sede do Grupo Escolar Professor Serapião encontrava-se na região que
ficou para Santa Catarina.17
Attendendo ás condições financeiras excepcionaes que experimenta o
Estado, no actual momento, esses edifícios foram estudados de modo a
ser adoptado o maxximo coefficiente de economia, d’ahi porque cada
um possue tão somente as imprescindíveis dependências. (Paraná,
1917a, p. 19)
A “máxima economia” e apenas “ambientes imprescindíveis”
determinaram a adoção de um programa arquitetônico para o edifício
escolar já conhecido: quatro salas de aula e duas administrativas, divididas
em duas seções definidas e com acessos diferenciados.18
2.2 Segunda fase: os grupos escolares
16
Estes números referem-se às
construções em alvenaria
situadas em centros urbanos.
17
Na nova condição, sua denominação passou a ser Grupo
Escolar Balduino Cardoso (Silva,
1934, p. 109).
18
O edifício situa-se na esquina
da Praça Coronel Amazonas com
a Rua Castro Alves e foi tombado
pelo Patrimônio Histórico Estadual
em 1988, sob o número 92-II.
A gestão de Caetano Munhoz da Rocha (1920-1928) empenhou-se
em reverter a escassez de construções escolares no Paraná, apoiado por
um período de maior estabilidade econômica. César Pietro Martinez, então
diretor da Escola Normal de Pirassununga, foi convidado a coordenar
uma reestruturação da instrução pública paranaense. Segundo Alir
Ratacheski (1953, p. 31), Martinez, entre 1920 e 1925, “estabeleceu as
linhas mestras do ensino” no Estado, reformou o Código de Ensino de
1917 e impôs novos parâmetros para a educação primária.
R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 90, n. 224, p. 122-148, jan./abr. 2009.
137
Elizabeth Amorim de Castro
Convictos de que uma das bases da educação primária é o professor,
Caetano Munhoz da Rocha e César Pietro Martinez investiram na formação
docente criando uma rede de escolas normais, todas com sedes construídas
especialmente para este fim, em Curitiba (1922), Ponta Grossa (1925) e
Paranaguá (1927).
Proveniente de São Paulo, Estado pioneiro na implantação da escola
graduada e na construção de prédios especialmente destinados ao ensino,
Martinez não pôde deixar de citar essa experiência, assim como não deixou
de enaltecer o trabalho especializado dos projetistas dessas escolas. Com
esse conhecimento, o Diretor de Instrução Pública desqualificou a maioria
dos prédios escolares do Paraná:
Peccam esses prédios pela falta de hygiene, pela desproporção das salas
de aula, pela irregular distribuição de luz natural, pela disposição das
salas de aula que quasi sempre se communicam entre si, ou estão
isoladas da administração central: pelo desabrigo dos pateos de
recreação pela falta de água abundante, pela installação de sanitarias
contíguas ás salas de aula, ou improprias porque de todo sacrificam o
serviço de limpeza, ou de todo são incommodas.
Quatro edifícios fazem júz a uma excepcional referencia e merecem
ser apontados, em suas linhas geraes, como modelos que podem ser
seguidos. São elles os de Tybagy, Palmeira e Ypiranga, de um só typo,
projectados pelo Dr. Niepce da Silva19 e o União da Victoria pelo Dr.
Moreira Garcez. (Paraná, 1924, p. 44).
No entanto, dentro deste universo, destacou quatro edifícios, os quais
estariam em condições de serem considerados modelos; todos esses
exemplares já foram analisados individualmente na seção anterior. Resta
traçar algumas considerações ante as palavras de Martinez. Em relação ao
programa arquitetônico, os grupos escolares citados apresentam quatro
salas de aula e duas de apoio. Em relação à ordenação espacial, há uma
distribuição simétrica de ambientes sempre a partir de um vestíbulo.
As duas seções, feminina e masculina, estão definidas e com acessos
diferenciados. Em termos de técnica construtiva, foram edificados em
alvenaria de tijolos, não possuem instalações sanitárias internas e utilizam
o porão alto para nivelamento do edifício e isolamento em relação ao terreno.
As janelas são amplas, proporcionando insolação e ventilação abundantes;
a linguagem formal é a eclética, sendo mais aprimorada nos três primeiros
exemplares; e nenhum deles possui uma área coberta para recreação.
Muitas dessas características poderiam ser encontradas em outros
grupos escolares, por exemplo, nos de Guarapuava e de São José dos
Pinhais. As dimensões das salas de aula são muito semelhantes: nestes
edifícios são de (8,80 x 5,90)m, no de União da Vitória, (8,40 x 5,45)m e
nos demais, (8,70 x 5,65)m. Martinez explica que:
As salas com 10 e 12 metros de comprimento são em parte inaproveitáveis
e, em certos logares, o que é muito peior, servem para duas professoras
regendo classes differentes. Como é natural, esta pratica dá péssimos
resultados pela quebra constante da disciplina, e difficulta sobremaneira
o trabalho de cada professor (Paraná, 1920, p. 27).
138
19
A informação de autoria destes
projetos não coincide com aquela
encontrada no relatório apresentado por Francisco Gutierrez
Beltrão (Paraná, 1907, p. 29). Ali
consta que o autor do projeto do
Grupo Escolar de Palmeira,
construído em 1907, foi Ângelo
Bottechia, naquele momento
desenhista da Diretoria de Obras
e Viação. José Niepce da Silva foi
relacionado, no mesmo documento, como Engenheiro-Diretor
(p. 6). Os edifícios de Tibagi e
Ipiranga foram erguidos cinco
anos mais tarde, em 1913, e
apresentam o mesmo projeto
arquitetônico. Vale ressaltar que
Ângelo Bottechia foi apresentado
como desenhista da mesma
diretoria, em 1912 (Indicador
Paranaense, 1912).
R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 90, n. 224, p. 122-148, jan./abr. 2009.
A arquitetura dos grupos escolares do Paraná na Primeira República
As salas de aula com profundidade superior a dez metros aparecem
somente em algumas escolas, como, por exemplo, nos grupos escolares
Professor Brandão, Barão do Rio Branco e 19 de dezembro, todos em
Curitiba, e Dr. Franco do Vale, em Imbituva.
Ao se considerar que a construção do edifício do grupo escolar de
Palmeira data de 1907 e que o relatório de Martinez é de 1924, constatase que há uma diferença de 17 anos. Nesse período, os métodos de ensino foram discutidos, a estrutura organizacional da instrução pública foi
modificada, vários governos passaram e os edifícios permaneceram
condizentes em relação à atividade ali desenvolvida.
No início de seu trabalho no Paraná, Martinez definiu o que seria a nova
diretriz de construção de edifícios escolares: os “grandes grupos”, implantados
nas “cidades populosas, [oferecendo] múltiplas vantagens de ordem pedagógicas como de ordem econômica, pois uma mesma direcção aproveita ao
ensino de centenas de creanças alem de tornar possível formação de classe
homogêneas” (Paraná, 1920, p. 27-28). Essa questão esteve presente no
relatório de 1913, que apresentou novos projetos arquitetônicos de escolas,
e no Código de Ensino de 1917. Ambos os documentos fizeram referência ao
grupo escolar modelo, com oito salas de aula e demais dependências. Também
nas duas oportunidades, foi colocada a conveniência de grupos escolares
menores, com duas e quatro salas de aula, para cidades e localidades menores.
As propostas de Martinez, portanto, não apresentavam novidades; a grande
questão era a efetiva implantação dessas idéias.
O primeiro grupo escolar foi construído por Caetano Munhoz da Rocha
e César Pietro Martinez em Ribeirão Claro, no ano de 1925. Seu projeto
apresenta um programa arquitetônico conhecido: quatro salas de aula e duas
salas de apoio, destinadas ao diretor e aos professores. Entretanto, sua
ordenação espacial possui características distintas em relação aos edifícios
anteriormente construídos. Pela primeira vez em uma escola primária
paranaense foi utilizada uma implantação em U, simétrica, repetindo a configuração das recém-projetadas escolas normais. Esse formato define três alas:
uma central e duas laterais. Nestas, situam-se as salas de aula e os acessos
ao edifício, naquela os ambientes de apoio, um para o diretor e outro para os
professores. Com essa disposição, as seções feminina e masculina ficam espacialmente delimitadas. O programa arquitetônico é enxuto e não apresenta
entrada principal. A linguagem formal é eclética. O edifício foi construído em
alvenaria, possui porão alto e as instalações sanitárias são externas.
Em janeiro de 1928, no final do mandato de Caetano Munhoz, sete
grupos escolares apresentando o projeto com seis salas de aula foram inaugurados em Piraí do Sul, São Mateus do Sul, Colônia Mineira (depois Siqueira
Campos), Carlópolis, Cambará, Santo Antônio da Platina e Tomazina.
A solução espacial é a mesma de Ribeirão Claro, acrescida de mais dois
ambientes de ensino colocados no prolongamento das alas laterais. Esta
característica define uma padronização do projeto arquitetônico (considerado
aqui de forma integral, ou seja, de programa de necessidades, ordenação
espacial, técnica construtiva e linguagem formal) e a possibilidade de
ampliação. Essa é, sem dúvida, a maior diferença entre este conjunto
R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 90, n. 224, p. 122-148, jan./abr. 2009.
139
Elizabeth Amorim de Castro
de projetos e os demais aqui apresentados, uma vez que os edifícios em
bloco único não têm esta flexibilidade. Entendendo que há um crescimento
da população em idade escolar, a ordenação espacial em U permite um
aumento do número de salas de aula sem comprometimento da área já
construída. Essa solução irá se consolidar nos anos seguintes.
Além dos edifícios já relacionados, Caetano Munhoz inaugurou, no
final de seu mandato, grupos escolares em Entre Rios, Foz do Iguaçu e
Curitiba. O primeiro era composto de quatro salas de aula e gabinete de
direção (Paraná. Governo, 1928, p. 111). O projeto arquitetônico, fotografias
do edifício e outras informações sobre a escola não foram encontrados.
O Grupo Escolar de Foz do Iguaçu, concluído em dezembro de 1927 e
inaugurado em janeiro de 1928, possuía seis salas distribuídas em dois pavimentos, embora a Mensagem de 1928 anunciasse “oito salas de aula, gabinete
do diretor, etc. distribuídos em dois pavimentos” (Paraná, 1928, p. 111).
Figura 4 – Plantas dos pavimentos térreo e superior do Grupo Escolar
D. Pedro II, em Curitiba
Fonte: Paraná ( 1925). Relatório da Secretaria Geral de Estado para a Presidência do Estado, relativo ao
exercício financeiro 1924-25. Curityba: Livraria Mundial e França e Cia., 31 de dezembro de 1925.
Foto 4 – Grupo Escolar D. Pedro II, em Curitiba – 1928
Fonte: Acervo do Memorial Lysimaco Ferreira da Costa.
140
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A arquitetura dos grupos escolares do Paraná na Primeira República
O projeto arquitetônico mostra uma planta em “U”, configurada de
forma semelhante aos projetos anteriores. No entanto, o aclive acentuado
do terreno determinou o uso de dois pavimentos na parte frontal do edifício.
As duas laterais apresentam apenas um pavimento. A solução formal
semelhante a das demais escolas da época. Edifício eclético, linhas sóbrias.
No governo de Affonso Camargo recebeu a denominação de Bartolomeu
Mitre (Foz do Iguaçu, 2007).
O anúncio da conclusão da construção do Grupo Escolar D. Pedro II
foi feito apenas com uma descrição sucinta: “Construcção
commemorativa do primeiro centenario do nascimento do grande
Imperador do Brazil, com dezesseis salas de aula, gabinete do director,
gabinete dentário, museu, etc.” (Paraná. Governo, 1928, p. 110). Foi
inaugurado em 24 de fevereiro de 1928, ao final de oito anos na
Presidência do Paraná de Caetano Munhoz da Rocha. O projeto
arquitetônico já tinha sido apresentado no final de 1925 (Paraná, 1925)
e a obra iniciou-se em 1926. A planta em U novamente está presente.
Na ala central, um vestíbulo de dimensões generosas faz a transição
entre o ambiente externo e interno. As duas alas laterais abrigam juntas
as 12 salas de aula, os ambientes administrativos e, nas extremidades,
as instalações sanitárias.
O programa arquitetônico do último grande grupo escolar construído
na Primeira República é mais complexo que os dos demais edifícios escolares aqui analisados. As salas apresentam as mesmas proporções que as
encontradas anteriormente, assim como também possuem um bom índice
de iluminação e ventilação proporcionado por amplas aberturas. Mas sua
concentração é maior, as doze salas de aula ultrapassam a demanda das
oito salas para o ensino primário (quatro séries, com separação de meninos
e meninas). Ou seja, o Grupo Escolar D. Pedro II notabilizou-se pelo seu
porte, por ser um grande empreendimento.
Além disso, incorporou tecnologia ao apresentar dois pavimentos e
instalações sanitárias internas e agregou a seu programa construtivo um
salão de recepção no primeiro pavimento e ambientes administrativos
que vão além de uma sala para diretor e outra para professores, tais
como a portaria e o vestiário.
Com a construção do Grupo Escolar D. Pedro II, estava implantada a
política dos “grandes grupos”, anunciada oito anos antes, em 1920, por
César Pietro Martinez (Paraná, 1920, p. 27-28). Esse foi o último edifício
escolar construído na Primeira República. Affonso Camargo, sucessor de
Caetano Munhoz da Rocha no Governo do Paraná, não construiu escolas.
Na Mensagem de 1929, anunciou que, entre outras coisas, “augmentar o
numero dos edificios escolares” era “objeto de determinações já dadas
no sentido de se proceder a estudos e projectos, obedientes á situações,
natureza e fins dos edifícios a construir” (Paraná. Governo, 1929, p. 83).
Sendo assim, Affonso Camargo solicitou, ou iria solicitar, novos projetos
arquitetônicos de escolas, para depois construí-las, mas não houve tempo
para isso. Em 5 de outubro de 1930 deixou seu cargo, sendo substituído
pelo interventor Mário Alves Monteiro Tourinho.
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Considerações finais
No Paraná, durante a Primeira República, 36 edifícios destinados à
instrução primária foram construídos. O Mapa 1 mostra a localização deles
e possibilita verificar sua concentração na região leste, conhecida como
Paraná Velho. Também destaca o grande número dessas escolas na capital
do Estado, 22% do total. Curitiba ganhou, no período, oito edifícios
projetados e construídos como escolas primárias, enquanto as demais
cidades, quando contempladas, receberam apenas um.
Mapa 1 – Grupos escolares construídos no Paraná – 1903-1930
Nota: Mapa elaborado por Eduardo Vedor de Paula tendo como base os dados municipais do Paraná
Cidade e os mapas disponíveis no acervo digital do Instituto de Terras, Cartografia e Geociências
do Paraná (ITCG).
São curitibanos o primeiro e o último grupo escolar da Primeira
República, o Dr. Xavier da Silva e o D. Pedro II. Eles podem ser considerados marcos referenciais da arquitetura escolar e do processo de constituição e disseminação de escolas públicas no Paraná. O primeiro iniciou o
processo, dentro da concepção de graduação do ensino; o segundo materializou a sua consolidação, já amadurecida pelo percurso de 25 anos.
Em 1903, o Grupo Escolar Dr. Xavier da Silva foi inaugurado. Com
seis salas de aula, tinha por objetivo atender as quatro séries primárias,
com seções separadas para meninos e meninas e, para isso, seriam três
salas para cada sexo. Os dois últimos anos (naquele momento, 1ª e 2ª
série do 2º grau) foram reunidos em uma única sala. Não poderia ser uma
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A arquitetura dos grupos escolares do Paraná na Primeira República
situação ideal. No entanto, ao compararmos esta escola pública com as
demais existentes, pode-se perceber um grande avanço. As Escolas
Carvalho, Oliveira Bello e Tiradentes, construídas no final do século 19,
possuíam cada uma duas salas de aula (Paraná, 1904, p. 12).
Outras características destacadas foram a presença dos recreios
cobertos no corpo do edifício e a ausência da sala do diretor e dos
professores. É provável que esta última seja a que mais surpreenda. Como
um grupo escolar foi projetado sem este(s) ambiente(s)? Se a referência
para a implantação de grupos escolares no Paraná foi a experiência paulista,
suas escolas contemplaram pelo menos uma sala para professores.
Os responsáveis por este empreendimento eram pessoas de grande
destaque no cenário paranaense. Vitor Ferreira do Amaral e Silva, médico
e professor do Ginásio Paranaense, foi fundador, alguns anos mais tarde,
da Universidade do Paraná. Como Diretor Geral de Instrução Pública
implantou a escola graduada no Estado. Naquele momento, nem todos os
professores eram formados, os pouquíssimos inspetores escolares não
eram eficientes, não havia mobiliário nem material escolar adequado, a
situação era precária. Se, ao definir o programa arquitetônico do Grupo
Escolar Dr. Xavier da Silva, Vitor do Amaral não incluiu a sala do diretor,
não havia esta demanda, tanto que este ambiente só foi criado somente
dez anos depois, em 1913, com a divisão do vestíbulo.
Candido Ferreira de Abreu, engenheiro formado na Escola Politécnica
do Rio de Janeiro, trabalhou nas obras da estrada de ferro MadeiraMamoré, no norte do País e foi diretor de Obras Públicas da Província do
Paraná, em 1887 (Sutil, 2003, p. 54). Era considerado um profissional
experiente.
O Grupo Escolar Dr. Xavier da Silva atendeu, nas palavras de Vitor
do Amaral, a “todas condições technicas exigidas para obras deste genero”
(Paraná, 1903a, p. 8). Esta declaração não surpreende. Primeiramente,
porque ele mesmo definiu o programa arquitetônico. Em segundo lugar,
o arquiteto ou o engenheiro, ao desenvolver um projeto para um edifício,
tem como pressuposto atender às necessidades das atividades que serão
ali desenvolvidas. Para isso, ele necessariamente relaciona e compreende
tais demandas e, após uma interpretação, coloca-as no papel e as materializa no espaço construído. Esse produto arquitetônico (projeto e/ou
edifício) é elaborado com base em um saber específico da disciplina, que
envolve teoria e prática, técnicas projetivas e construtivas, etc. Da mesma
forma, é uma resposta histórica e geograficamente situada, uma vez que
a produção desse conhecimento é cultural, situada em determinado tempo
e espaço, ou seja, o projeto e o edifício do Grupo Escolar Dr. Xavier da
Silva foram uma resposta a uma demanda específica.
Os edifícios escolares construídos posteriormente podem ser
divididos, de acordo com seu programa arquitetônico, em dois tipos: com
duas e quatro salas de aula. Do Dr. Xavier da Silva e dos grupos escolares
paulistas permaneceram como características a separação física das seções
masculina e feminina, a diferenciação e hierarquização de acessos, a
preocupação com uma correta iluminação e ventilação e com a salubridade,
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a técnica construtiva que reunia conforto e durabilidade e uma linguagem
formal eclética. Estas configurações conservaram-se válidas durante todo
o período, mesmo quando em meados da década de 1910, uma estrutura
maior começou a ser idealizada. Alguns anos se passaram entre o querer
e o fazer. Somente em 1928, foi edificado de forma plena um grupo escolar
em Curitiba.
Já foi visto que o D. Pedro II foi o último grupo escolar a ser construído
na Primeira República. Seu programa arquitetônico é o mais completo do
período, estabelecendo um novo parâmetro para as construções escolares,
marcando toda a plenitude da concepção pedagógica, da adoção de critérios
higienistas, das inovações técnicas e artísticas da composição arquitetônica
e da ação política. O D. Pedro II foi um marco referencial e um modelo.
Poucos foram os grupos escolares construídos posteriormente que
adotaram plenamente seus padrões. No entanto, eles estavam
estabelecidos, orientando as soluções mais correntes.
Os edifícios escolares aqui estudados foram concebidos e construídos
para atender, de forma adequada, às necessidades pedagógicas e higienistas vigentes, de acordo com a demanda e as condições específicas
locais e regionais. Para isso, adotaram técnicas construtivas e linguagem
formal condizentes com o momento. Persistiu, em todos eles, a intenção
de valorização formal e o comprometimento com a função e com a importância social atribuída à escola primária. Dessa forma, encontrou-se o
atendimento a todos os critérios analisados: programa arquitetônico,
técnica construtiva, configuração espacial e linguagem formal.
O edifício escolar, enquanto produto arquitetônico, expressa a arte e
a técnica de construir espaços, de estabelecer ordem e limites, de atender
a demandas específicas, de traduzir valores, de materializar e simbolizar
uma ação. É, portanto, uma manifestação cultural que, analisada de forma
plena, pode contribuir para o entendimento do processo de instituição e
consolidação de escolas e, em última instância, com a historiografia da
educação no Paraná.
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Elizabeth Amorim de Castro, arquiteta e urbanista, é doutoranda em
História na Universidade Federal do Paraná (UFPR). É pesquisadora de
História da Arquitetura, com ênfase nos seguintes temas: História de
Curitiba/Paraná, Urbanização/Higienismo de Curitiba, Hanseníase no
Paraná, Arquitetura/História de Hospitais de Isolamento, Arquitetura/
História de Colégios e Educandários e de Conventos e Seminários em
Curitiba, Arquitetura Escolar e Escolas/Educação no Paraná. Atualmente
desenvolve estudo sobre a arquitetura escolar no Paraná. Publicou os
seguintes livros: A arquitetura do isolamento em Curitiba na República
Velha, Ensaios sobre a arquitetura em Curitiba (volume 1: Conventos e
seminários; volume 2: Colégios e educandários) e Grupos escolares de
Curitiba na primeira metade do século 20.
[email protected]
Recebido em 25 de abril de 2008.
Aprovado em 21 de novembro de 2008.
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