Ano I - n.° I -Portal da Amazônia- Mato Grosso - Projeto Gestar - “Um jornal a serviço do desenvolvimento do território” Produtores discutem bacia leiteira em Carlinda Arquivo Projeto-piloto estuda junto com a comunidade formas de melhorar a produção de leite em quatro comunidades do município. O objetivo é aumentar a renda para os pequenos produtores no Nortão, que enfrentam problemas com pastagens degradadas e produtividade baixa dos animais. Durante as reuniões promovidas no projeto as comunidades já identificaram os seus principais problemas: a falta de oportunidadepara os jovens e a necessidade de maior união para comercializar o leite. Pág.04 Projeto piloto visa melhorar produção leiteira em quatro comunidades Projeto Gestar incentiva gestão ambiental nas propriedades rurais Jovens do Nortão participam de curso de formação de lideranças Pág.03 Coopernova investe na fruticultura em Terra NovaPág. 06 Pág.05 Gisele Neuls Maria Maia conta sua história Ex-garimpeira a atual vice-presidente do STR de Peixoto de Azevedo, Maria Maia veio do Maranhão para trabalhar e ajudar o pai doente. No MT casou, desistiu do garimpo e hoje é assentada na União do Norte. Pág. 07 Na agricultura a gente não têm a violência do garimpo Como as castanhas, que rompem a semente e nascem, mostrando-se para o sol, a Folha Portal da Amazônia se apresenta para o os 16 municípios do Território Portal da Amazônia como semente de papel, que quer gerar informações aos agricultores familiares e todas as instituições que de alguma forma têm relação com a agricultura familiar. É justamente para isto que o Gestar criou este jornal que você está lendo agora. Através da Folha Portal da Amazônia, queremos dar espaço para diferentes conhecimentos sobre a nossa região, seus hábitos, sua gente, além de diversas formas de viver na Amazônia. Os assuntos abordados pela Folha, sintonizados com o projeto Gestar, também podem servir como um instrumento de gestão do território, compartilhando experiências nos municípios. Através da Folha, você vai conhecer a história de algumas pessoas que vivem na região, como chegaram aqui, como construíram suas vidas no norte. Vai saber como as cooperativas e associações funcionam no território e quais as vantagens e cuidados necessários nessa forma de organização. Também vai saber quais são as principais ações que as secretarias de agricultura do Portal vêm realizando, além de ler as notícias mais importantes do mês, conhecer dicas agroecológicas, receitas amazônicas, ficar por dentro de projetos de desenvolvimento da região e ainda conhecer um pouco da nossa biodiversidade. E assim como a castanheira - apelidada de arvore cidadã da floresta porque mesmo com sua copa alta e frondosa permite que a luz passe, abriga as orquídeas, permite que mamangava polinize as suas flores e dá seus frutos ainda pequenos para as araras, deixando os maduros para outros animais, alimentando assim toda uma rede de vida na floresta - a Folha Portal da Amazônia quer estar a serviço dos agricultores familiares, permitindo que informações possam ser espalhadas e que as sementes das diferentes experiências e da solidariedade sejam trocadas, alimentando a cidadania e os muitos jeitos de viver no Portal da Amazônia. José Alesando Rodrigues - Coordenador do Gestar Junho III Festival Ecológico e Cultural das Águas 09 a 11 de junho em Alta Floresta Com enfoque voltado para Águas da Amazônia, o festival terá participantes de todo o Brasil. A programação conta com conferências, mesas redondas, espaços de diálogos e culturais, além de 58 atividades de oficinas e mini-cursos, feira solidária e espaço áudio visual com sala para projeção de vídeos, exposição de painéis, divulgação de eventos e rádio comunitária. Inscrições: www.unemat.br/festaguas ou [email protected] Coordenador Gestar: José Alesando Rodrigues Redação e Reportagem: Gisele Neuls Editoração Eletrônica Juliana Arini Jornalista Responsável Seminário sobre produção de leite 28 de junho em Paranaíta Palestras sobre nutrição, genética, qualidade do leite, higiene de ordenha e cooperativismo. Informações e inscrições na Secretaria de Agricultura de Paranaíta (66) 563 1112 Julho Oficina de Monitoramento e Avaliação da Ceaaf André Alves (DRT/MT 740) Endereço: Avenida Ariosto da Riva, n.°3473 Centro - Alta Floresta/MT Tiragem: 3 mil exemplares Instituto Centro de Vida ICV Programa Gestar Julho em Guarantã do Norte Informações com os representantes da Ceaaf de cada município Data a confirmar. Projeto Gestar Gestar é a sigla do projeto de Gestão Ambiental Rural do Portal da Amazônia, desenvolvido pela Secretaria de Desenvolvimento Sustentável, do Ministério do Meio Ambiente (MMA). O projeto possui duas linhas de ação: as chamadas vertentes técnica e comunitária. A vertente comunitária, coordenada por Jose Alesando Rodrigues, é desenvolvida pelo Instituto Centro de Vida (ICV) e Instituto Ouro Verde (IOV). A parte técnica é desenvolvida pela Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat). já em ação, além de integrar políticas governamentais federais, estaduais e municipais que envolvam diretamente as comunidades na região. O projeto teve o Seminário de Implantação no Município de Guarantã em junho de 2004 e iniciou efetivamente as atividades em fevereiro de 2005. Ao todo, 16 municípios do nortão formam o Portal da Amazônia: Alta Floresta, Apiacás, Carlinda, Colíder, Guarantã do Norte, Marcelândia, Matupá, Nova Bandeirantes, Nova Canaã do Norte, Nova Guarita, Santa Helena, Nova Monte Verde, Novo Mundo, Paranaíta, Peixoto de Azevedo e Terra Nova do Norte. Além do Gestar Portal da Amazônia, o MMA tem ações semelhantes sendo desenvolvidas nos territórios do Baixo Araguaia, envolvendo 15 municípios, e Baixada O objetivo do Gestar é contribuir para o desenvolvimento rural sustentável, apoiando e valorizando as iniciativas locais e regionais A sigla significa Comissão Executiva das Ações da Agricultura Familiar. Funciona com uma espécie de conselho da agricultura no Portal da Amazônia, composto por 30 instituições que estão ligadas direta ou indiretamente à agricultura familiar. A CEAAF tem a missão de elencar as prioridades para investimento na região, para que o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) possa escolher as melhores formas de incentivar o desenvolvimento dos municípios do território. Em 2004, o primeiro de Agricultores Familiares, encontro da CEAAF a ser construído em decidiu que as Colider. prioridades de investimento “A missão A idéia para a região da Central s ã o a de elencar d e Cocomercializ merciaação da as prioridades lização é produção ligar toda agriculpara dos os tura fami16 muniliar, a bacia investimento cípios do leiteira e a Portal da agricultura na região”. Amazônia orgânica. Além em uma rede disso, elaborou de computadois projetos que dores a ser alid e v e r ã o s e r mentada com dados da financiados pelo MDA ainda este ano: uma Central de produção de cada um Comercialização do Portal deles, para facilitar a e um Cento de Formação localização de produtos e organizar vendas em grandes quantidades. A CEAAF também vem elaborando a construção coletiva do Plano de Desenvolvimento Rural Sustentável (PDRS) para a região. O regimento interno do conselho será votado em julho, em uma assembléia geral que acontecerá em Guarantã do Norte. Para garantir a integração de todos os 16 municípios, a CEAAF possui uma articuladora territorial, função assumida pela veterinária Adrezza Alves Spexoto, do Instituto Ouro Verde (IOV). Nos últimos 15 anos a produção de leite do país cresceu aproximadamente 22%, passando de cerca de 14 bilhões de litros de leite produzidos em 1990 para mais de 22 bilhões de litros em 2002. Somente no Mato Grosso, esse cresimento foi de 118,63%, fazendo a fronteira agrícola avançar em direção ao Norte. Atualmente o Território do Portal da Amazônia é responsável por cerca de 20% da produção de leite de todo o estado. Apesar de ser a principal fonte de renda para os pequenos produtores no Nortão, o rendimento da produção na região pequena, já que grande parte das pastagens estão degradadas e a produtividade dos animais é extremamente baixa (cerca de 1.052 litros/ vaca ordenhada/ano). Além disso, as comunidades sofrem com falta de assistência técnica, baixo preço do leite, êxodo dos jovens e endividamento. É pensando em melhorar esse quadro que o Gestar está desenvolvendo um projeto-piloto em quatro comunidades de Carlinda. A veterinária Andrezza Alves Spexoto, do Instituto Ouro Verde (IOV), parceiro Arquivo Arquivo do ICV no Gestar, visitou 26 propriedades nas comunidades de Palestina, Nazaré, Monte Sinai e Rio Jordão, no município de C a r l i n d a , conversando com os produtores e avaliando a situação da produção leiteira. Ela explica que o o foco do projeto não é desenvolver a atividade As soluções estão sendo construídas pelas comunidades leiteira, mas fazer melhorar o que já veterinária sobre a existe, gerando Segundo ela, as quatro permanência do jovem no mais renda para que as comunidade tenham uma comunidades já identificaram campo. Segundo Bragatti, qualidade de vida melhor. "O que uma de suas principais m e l h o r a n d o a s p o s s i projeto não traz nada pronto", dificuldades é a falta de bilidades de renda, os jovens diz Andrezza, "as soluções união. Andrezza diz que eles podem permanecer em suas estão sendo construídas já se deram conta de que comunidades. "A gente p e l a s c o m u n i d a d e s " , juntos podem negociar um espera com esse projeto uma preço melhor para o leite melhoria em Carlinda, para acrescenta. junto ao laticínio. Além disso, os jovens do sítio não Junto com Alexandre de querem dar aos jovens a precisarem ir para cidade, Azevedo Olival, também do possibilidade de escolher irem só nos finais de semana IOV, ela vem realizando reu- entre permanecer no sítio e ir ou pra estudar", diz ele. niões nas comunidades para para as cidades. "Atualmente Andrezza diz que a forma discutir os problemas enfren- eles não têm perspectivas tados pelos pecuaristas. A para permanecer nos sítios. de conduzir o projeto, sem idéia estimular as próprias M u i t o s d i z e m q u e s e levar soluções milagrosas, pessoas a identificarem os tivessem uma renda, ficariam pode ser um caminho mais principais problemas e en- no sítio", conta. Para isso, as l o n g o e m d i r e ç ã o a o cará-los de comunidades resolveram desenvolvimento esperado forma autô- investir em capacitação pelas comunidades, mas é noma. "Eles técnica para os jovens, sem dúvida mais duradouro. estão acos- buscando cursos como E l a d i z a i n d a q u e o s tumados a inseminação artificial de encontros periódicos com as p r o g r a m a s animais. De quebra, a idéia comunidades servem de que chegam p o d e r e s o l v e r o u t r o termômetro para medir o c o m o s o - problema: o da falta de envolvimento de todos. "Até agora o número de luções mági- assistência técnica. participantes nunca caiu, cas, o Gestar Derli José Bragatti, 27 pelo contrário, aumenta a não quer repetir isso", a n o s , p r o d u t o r d a cada encontro, aproximando a n a l i s a a c o m u n i d a d e N a z a r é , inclusive as mulheres e os confirma a avaliação da jovens", aponta. veterinária. Grande parte das pastagens estão degradadas Gisele Neuls Mulheres Camponesas (MMC). Para ela, a lição mais esperada no final do ano, quando o curso se encerra, é a elaboração de projetos. "Nós perdemos muitas possibilidades porque não sabemos elaborar projetos, temos que ficar correndo atrás das pessoas que sabem e acabamos não conseguindo financiamentos, por exemplo". Segundo Joana, o resultado esperado pelo Buriti é que as comunidas comunidades, é uma dades consigam avaliar proposta diferenciada para seus problemas e elaborar educação no campo". Assim projetos para resolvê-los. A como o buriti, uma das educadora e coordenadora primeiras árvores a sofrer do projeto explica que o com o desmatamento, curso é dividido em cinco Joana diz que os jovens módulos, começane as mulheres são do com o fortalecios mais afetados mento da iden"O Buriti é pelo empobretidade e autocimento da estima dos um projeto agricultura participantes. que familiar, o que "Partimos do acredita na justifica a princípio que dedidação do nossa luta é construção projeto a coletiva, mas dos saberes esses dois temos que públicos. de forma cuidar do i ndivíduo, coletiva” Lucimara da fortalecer as Silva, 20 anos, uma pessoas para das alunas do curso, reconhecerem que diz que o aprendizado tem no seu jeito de ser há muito sido importante, porque valor", diz a coordenadora. trata diretamente das No segundo módulo, do necessidades da região. "A q u a l o g r u p o m a t o gente tem muita preca- grossense participou em riedade na formação, temos maio, na Unemat de Colider, muitas lideranças, mas s ã o t r a b a l h a d o s o s iniciando seu trabalho sem a s p e c t o s r e l a t i v o s à formação", aponta ela, que formação de lideranças. Em participa da Pastoral da seguida, o curso aborda o Juventude Rural (PJR) no f u n c i o n a m e n t o d a município de Nova Canaã o r g a n i z a ç õ e s do Norte e do Movimento de O curso começa pelo fortalecimento da identidade e auto-estima Terra que tem Buriti é terra boa", diz Joana D'Arc, coordenadora do Projeto Buriti, do qual 38 jovens do estado do Mato Grosso, a maior parte deles de municípios do Portal da Amazônia, estão participando. A analogia com a palmeira tem razão de ser, já que o projeto busca a capacitação de lideranças entre jovens e mulheres do meio rural, os dois grupos sociais que determinam o êxodo para as cidades, segundo Joana. Iniciativa do Instituto de Formação e Assessoria Sindical Rural (Ifas), entidade de Goiás com mais de 20 anos de dedicação ao povo do campo, o projeto quer "contribuir para uma educação libertadora e para a autonomia, para fortalecer as organizações da agricultura familiar", explica a coordenadora. "O Buriti é um projeto que acredita na construção dos saberes de forma coletiva, no reconhecimento e na validação do conhecimento governamentais e nãogovernamentais, movimento sociais e a estruturação do poder na região. O quarto módulo t r a b a l h a c o m sustentabilidade no meio rural e o último a elaboração de projetos. Joana diz que os cursos, iniciado em 2002 e com cursos já realizados nos estados de Goiás, Tocantins e Mato Grosso do Sul, têm demonstrado resultados sensíveis. Segundo ela, muitos ex-alunos intensificaram a participação em suas organizações de origem. "Resultados sociais não ocorrem a curto prazo, mas já dá pra identificar algumas coisas. A gente observa o desempenho das pessoas se organizando mais, escrevendo projetos, se inserindo em rádios comunitárias, pensando em rádios para assentamentos, etc", conta a educadora. Para garantir a realização dos cursos nos quatro estados do centrooeste, Joana diz que o Ifas conta com parceiros locais. No Mato Grosso, os parceiros são a Comissão P a s t o r a l d a Te r r a , o S i n d i c a t o d o s Trabalhadores Rurais de L u c a s d o R i o Ve r d e , Instituto Ouro Verde (IOV) e Instituto Floresta. Mesmo depois do curso iniciado, novos parceiros são bem vindos. É o caso do Instituto Centro de Vida (ICV), com o qual Joana teve contato pelo projeto Gestar. Divulgação processadas e vendidas para indústrias de São Paulo. O projeto, a médio prazo, é abastecer também o mercado de consumidores finais do Mato Grosso nos próximos anos. No total, a cooperativa produz 70 mil litros de leite por dia Assim como a maioria dos municípios do Nortão, Terra Nova do Norte surgiu da colonização promovida pelo Incra no final da década de 70, com pioneiros e assentados vindos do Sul do Brasil. Mas uma de suas peculiariades é a Coopernova, cuja história se confunde com a da própria de Terra Nova. Fundada em outubro de 1987, a Coopernova Cooperativa Agropecuária Mista Terranova, começou suas atividades com 202 associados. Hoje, com quase 1.700 associados o que torna uma das três maiores cooperativas agropecuárias do Estado em número de associados ela é responsável por pelo menos 80% da produção de leite dos municípios de Terra nova do Norte, Nova Guarita e Nova Santa Helena, além de 25% em Colíder e cerca de 10% da produção de Peixoto de Azevedo. No total, a cooperativa produz 70 mil litros de leite por dia, o que dá uma renda média de R$ 300 a R$ 400 mensais por família. R$ 450 por hectare, a produção e processamento de frutas pode render até R$ 5 mil para cada hectare. A fruticultura está nas metas da Coopernova desde 1993, mas somente em 1999 a cooperativa pôde se dedicar ao projeto. Daniel relata que esta é uma vontade antiga dos associados, que também têm trabalhado com maracujá. "Optamos pelo caju por ser cultura permanente já com bons resultados no Mato Grosso", relata o presidente da cooperativa. Segundo ele a aposta no processamento de frutas é uma possibilidade sustentável de desenvolvimento, na medida em que promove a variação de culturas com grande aproveitamento no caso do caju se aproveita tanto a polpa quanto a castanha mas não substitui a vocação original da cooperativa, que segue buscando a melhoria das condições de produção do rebanho, atualmente de cerca de 50 mil cabeças, incluindo novilhas e bezerros. Daniel Robson Silva, diretor-presidente da Coopernova, diz que essa Vários associados renda é muito baixa, plantaram juntos cerca de considerando o potencial de 300 hectares de caju em produção do gado leiteiro já 2000. Agora, com o primeiro existente na região. Hoje, ano da industrialização, a cada animal produz uma cooperativa espera absorver média de 4 a 5 litros de leite a produção de 150 hectares, por dia, quando o ideal seria processando tanto a polpa uma produção de 8 a 10 quanto a castanha. A litros por animal. "É preciso previsão de Daniel é receber m a i s i n v e s ti m e n to e m em torno de mil toneladas de tecnologias de produção", fruta, que serão afirma Daniel. É para aumentar a r e n d a d o s associados que a Coopernova está investindo na fruticultura. A projeção do diretor-presidente da cooperativa é de que o ramo possa dobrar a r e n d a d o s produtores. Segundo Daniel, a produção de gado leiteiro rende hoje aproUma das três maiores cooperativas agropecuárias do Estado ximadamente Divulgação Do Garimpo ao assentamento a história de uma lider comunitária Foi o ouro que trouxe Maria Maia de Souza, 46 anos, da beira do rio Grajaú, no Maranhão, para o norte do Mato Grosso. Maria chegou em outubro de 1981, com a esperança de conseguir algum dinheiro para melhorar a vida de seu pai, agricultor maranhense que adoeceu e não teve mais condições de sustentar as três filhas. Hoje, ela é vicepresidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Peixoto de Azevedo, e mora em um assentamento de 840 famílias, na União do Norte. “No que cheguei me bateu um desespero, a gente saiu de lá direto pra dentro do baixão. Quando a gente chegou naquela currutela, de noite, tudo de plástico, afogadinho no mato, eu pensei 'meu Deus, sei que eu não volto mais no Maranhão'", lembra Maria, que combinou com uma amiga, também vinda do Maranhão, juntar dinheiro criado na agricultura, quando suficiente para pagar a chega no garimpo acha que passagem e voltar para casa. tudo é muito fácil, depois pra Um mês depois seu pai veio voltar pra agricultura de novo em visita, pegou malária e acha difícil”, diz. Em Novo Maria teve que gastar Mundo ficaram quase 10 sua eco-nomia anos, mas não tinham com a doença. o título das terras e A c a b o u a c a b a r a m “Se a vida de casando em voltando para 1982 e Peixoto de garimpo não n u n c a Azevedo, era fácil, voltar m a i s ocupar um voltou. novo assenpara a tamento. O gaagricultura r i m p o Em pouco onde era tempo, Maria também não foi cozi-nheira M a i a s e d u r o u destacou como simples.” pouco. Em liderança na sua cinco anos, ela comunidade e e o esposo saíram compôs o conselho da área e foram para administrativo do Sindicato Novo Mundo, trabalhar com ao longo de seis anos. a terra. Se a vida de garimpo “Naquela época existia não era fácil, voltar para a aquela coisa que era só agricultura também não foi homem nos sindicatos, e o simples. “Transformar um nosso resolveu incluir as garimpeiro em colono é mulheres na administração. muito difícil. Mesmo que seja Entrei como conselho por Gisele Neuls Foi o ouro que trouxe Maria Maia de Souza, 46 anos, do Maranhão, para o norte do Mato Grosso duas eleições e agora sou vice-presidente”. A líder comunitária não sente saudades do garimpo, onde sobrava a violência e a malária. Ela diz que o que mais gosta na mudança é o sossego. “Na agricultura a gente não vê o número de violências que a gente vê no garimpo, também a malária é pouca existe, mas numa condição mais fácil da gente cuidar”, reflete. Mulher que aprendeu a ler por esforço próprio, fazendo umas poucas aulas de alfabetização e lendo o romance de cordel Pavão Misterioso, Maria hoje é sensível aos problemas de educação na sua comunidade. Para ela, o principal problema é o transporte escolar. “Apesar de eu não ter filho na escola, vejo o sofrimento das mães. Já teve acidentes graves com esse transporte”, diz. Os estudantes preferem a escola do município, com qualidade de ensino melhor que a do distrito. Assim, algumas crianças chegam a trilhar 20 quilômetros para chegar na escola. “A distância nem é tanta, o perigo são as estradas. É ponte quebrada, uma serra desliza, essas coisas”. Quando perguntada sobre o que quer para o futuro, a ex-garimpeira e vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais não tem dúvidas, quer que seu distrito vire um município. E justifica: “Quando o município fica perto do assentamento tudo fica mais fácil pros assentados”. A urina de vaca é rica em nutrientes e substâncias benéficas às plantas, não custa dinheiro, não é marca registrada de empresa, não causa risco à saúde do produtor e é tão, ou mais, fácil de aplicar que muito agrotóxico. Nela encontramos nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, "ferro, manganês, boro, cobre, zinco, sódio, cloro, cobalto, molibdênio, alumínio e os fenóis, que são substâncias que aumentam a resistência das plantas. Também encontramos o ácido indolacético, que é um hormônio natural de crescimento de plantas. Benefício Pode ser usada como fertilizante, estimulante do crescimento das plantas e repelente contra insetos e outros invasores. Como preparar A urina deve ser recolhida em um balde e logo após ser envasada em recipiente fechado por no mínimo três dias antes de usar. Em recipientes fechados a urina poderá ser guardada por até um ano. Como usar Diluir a 1% (um litro de urina em 100 litros de água), fazer pulverizações semanais em hortaliças e em frutíferas a cada quinze dias. Para utilizar no solo, junto ao pé da planta, diluir a 5% (5 litros de urina em 100 litros de água). Fonte: Embrapa/RJ. (Pesagro-Rio. Documentos; n. 68) Gestar firma parceria com a Fundação Banco do Brasil para fortalecimento da agricultura familiar O projeto de Gestão Ambiental Rural (Gestar) do Portal da Amazônia firmou parceria com a Fundação Banco do Brasil para promoção de projetos que fortaleçam a agricultura familiar no norte de Mato Grosso. Os recursos para os primeiros projetos devem sair ainda no primeiro semestre. Entre os dos projetos pré-aprovados estão o da industrialização e comercialização de castanha-do-Brasil, guaraná, caju e mandioca orgânica. O projeto da castanha, proposto pela Cooperagrepa, beneficiará o assentamento da Gleba Cinco mil, em Novo Mundo, assim como o beneficiamento de guaraná, em Santa Helena, da mesma cooperativa. Marcos Bergamasco Em Terra Nova, a cooperativa beneficiada será a Coopernova, cujo projeto prevê a aquisição de maquinários para a produção de polpa de frutas, principalmente caju. Em Paranaíta, o projeto de beneficiamento de farinha de mandioca orgânica, do assentamento São Pedro, está entre os selecionados. A Associação dos Produtores de Frutas e Derivados do Norte do MT, Afrunorte, de Alta Floresta, também teve seu projeto de ampliação e comercialização da produção de frutas pré-aprovado. Obras na Br163 deverão começar em outubro O Ministério dos Transportes espera ver assinado o contrato de concessão da BR-163, no trecho que liga Cuiabá e Santarém, até outubro. Uma audiência pública será/foi realizada no dia 17 de maio, em Brasília, discutindo as regras para a concessão da rodovia para a iniciativa privada. Já existe um consórcio de 11 empresas de produção e comercialização de soja interessadas em assumir a concessão, entre elas o Grupo A. Maggi, Bunge, Coabra e Cargill. O estudo do Instituto Militar de Engenharia para as obras projetou a construção de oito praças de pedágio ao longo da rodovia. O Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), composto de 21 órgãos do governo encarregados de elaborar a proposta de desenvolvimento sustentável para a região da BR-163 de Mato Grosso ao Pará, realizou oito consultas públicas sobre a CuiabáSantarém nos dois estados. O documento com medidas de fomento a atividades produtivas, ordenamento territorial, gestão ambiental, infra-estrutura e inclusão social e cidadania, foi apresentado no dia 13 de maio, em Brasília. Cooperagrepa participaram de feira de produtos orgânicos Representantes da Cooperativa de Agricultores Ecológicos do Portal da Amazônia (Cooperagrepa), que reúne produtores familiares de 10 municípios do Portal da Amazônia, participaram da 1ª Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia (Bio Brazil Fair), entre os dias 7 e 10 de maio, em São Paulo. Eles levaram para o estande do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), guaraná, café, castanha-do-Brasil (antiga castanha-doPará), melado e açúcar mascavo.