Ano I - n.° I -Portal da Amazônia- Mato Grosso - Projeto Gestar - “Um jornal a serviço do desenvolvimento do território”
Produtores discutem bacia
leiteira em Carlinda
Arquivo
Projeto-piloto estuda junto
com a comunidade formas de
melhorar a produção de leite em
quatro comunidades do
município.
O objetivo é aumentar a renda
para os pequenos produtores no
Nortão, que enfrentam problemas
com pastagens degradadas e
produtividade baixa dos animais.
Durante as reuniões promovidas no projeto as comunidades
já identificaram os seus principais
problemas: a falta de oportunidadepara os jovens e a necessidade de maior união para
comercializar o leite.
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Projeto piloto visa melhorar produção leiteira em quatro comunidades
Projeto Gestar
incentiva gestão ambiental
nas propriedades rurais
Jovens do Nortão
participam de curso de
formação de lideranças
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Coopernova investe
na fruticultura
em Terra NovaPág. 06
Pág.05
Gisele Neuls
Maria Maia
conta sua história
Ex-garimpeira a atual vice-presidente do STR de
Peixoto de Azevedo, Maria Maia veio do Maranhão
para trabalhar e ajudar o pai doente. No MT casou,
desistiu do garimpo e hoje é assentada na União do
Norte.
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Na agricultura a gente não têm a violência do garimpo
Como as castanhas, que rompem a semente e nascem, mostrando-se para o sol, a Folha Portal da Amazônia se
apresenta para o os 16 municípios do Território Portal da Amazônia como semente de papel, que quer gerar informações aos
agricultores familiares e todas as instituições que de alguma forma têm relação com a agricultura familiar. É justamente para
isto que o Gestar criou este jornal que você está lendo agora.
Através da Folha Portal da Amazônia, queremos dar espaço para diferentes conhecimentos sobre a nossa região, seus
hábitos, sua gente, além de diversas formas de viver na Amazônia. Os assuntos abordados pela Folha, sintonizados com o
projeto Gestar, também podem servir como um instrumento de gestão do território, compartilhando experiências nos
municípios.
Através da Folha, você vai conhecer a história de algumas pessoas que vivem na região, como chegaram aqui, como
construíram suas vidas no norte. Vai saber como as cooperativas e associações funcionam no território e quais as vantagens
e cuidados necessários nessa forma de organização. Também vai saber quais são as principais ações que as secretarias de
agricultura do Portal vêm realizando, além de ler as notícias mais importantes do mês, conhecer dicas agroecológicas,
receitas amazônicas, ficar por dentro de projetos de desenvolvimento da região e ainda conhecer um pouco da nossa
biodiversidade.
E assim como a castanheira - apelidada de arvore cidadã da floresta porque mesmo com sua copa alta e frondosa permite
que a luz passe, abriga as orquídeas, permite que mamangava polinize as suas flores e dá seus frutos ainda pequenos para
as araras, deixando os maduros para outros animais, alimentando assim toda uma rede de vida na floresta - a Folha Portal da
Amazônia quer estar a serviço dos agricultores familiares, permitindo que informações possam ser espalhadas e que as
sementes das diferentes experiências e da solidariedade sejam trocadas, alimentando a cidadania e os muitos jeitos de viver
no Portal da Amazônia.
José Alesando Rodrigues - Coordenador do Gestar
Junho
III Festival Ecológico e Cultural das Águas
09 a 11 de junho em Alta Floresta
Com enfoque voltado para Águas da Amazônia, o festival terá
participantes de todo o Brasil. A programação conta com
conferências, mesas redondas, espaços de diálogos e culturais,
além de 58 atividades de oficinas e mini-cursos, feira solidária e
espaço áudio visual com sala para projeção de vídeos, exposição de
painéis, divulgação de eventos e rádio comunitária.
Inscrições: www.unemat.br/festaguas ou [email protected]
Coordenador Gestar:
José Alesando Rodrigues
Redação e Reportagem:
Gisele Neuls
Editoração Eletrônica
Juliana Arini
Jornalista Responsável
Seminário sobre produção de leite
28 de junho em Paranaíta
Palestras sobre nutrição, genética, qualidade do leite, higiene de
ordenha e cooperativismo.
Informações e inscrições na Secretaria de Agricultura de Paranaíta
(66) 563 1112
Julho
Oficina de Monitoramento e Avaliação da Ceaaf
André Alves (DRT/MT 740)
Endereço:
Avenida Ariosto da Riva, n.°3473
Centro - Alta Floresta/MT
Tiragem:
3 mil exemplares
Instituto Centro de Vida ICV
Programa Gestar
Julho em Guarantã do Norte
Informações com os representantes da Ceaaf de cada município
Data a confirmar.
Projeto Gestar
Gestar é a sigla do
projeto de Gestão
Ambiental Rural do Portal
da Amazônia, desenvolvido
pela Secretaria de Desenvolvimento Sustentável, do
Ministério do Meio Ambiente
(MMA). O projeto possui
duas linhas de ação: as
chamadas vertentes técnica
e comunitária. A vertente
comunitária, coordenada
por Jose Alesando
Rodrigues, é desenvolvida
pelo Instituto Centro de Vida
(ICV) e Instituto Ouro Verde
(IOV). A parte técnica é
desenvolvida pela
Universidade Estadual de
Mato Grosso (Unemat).
já em ação, além de integrar
políticas governamentais
federais, estaduais e municipais que envolvam diretamente as comunidades na
região. O projeto teve o
Seminário de Implantação
no Município de Guarantã
em junho de 2004 e iniciou
efetivamente as atividades
em fevereiro de 2005.
Ao todo, 16 municípios
do nortão formam o Portal
da Amazônia: Alta Floresta,
Apiacás, Carlinda, Colíder,
Guarantã do Norte, Marcelândia, Matupá, Nova Bandeirantes, Nova Canaã do
Norte, Nova Guarita, Santa
Helena, Nova Monte Verde,
Novo Mundo, Paranaíta,
Peixoto de Azevedo e Terra
Nova do Norte. Além do
Gestar Portal da Amazônia,
o MMA tem ações semelhantes sendo desenvolvidas nos territórios do
Baixo Araguaia, envolvendo
15 municípios, e Baixada
O objetivo do Gestar é
contribuir para o desenvolvimento rural sustentável, apoiando e valorizando as
iniciativas locais e regionais
A sigla significa
Comissão Executiva das
Ações da Agricultura
Familiar. Funciona com
uma espécie de conselho
da agricultura no Portal da
Amazônia, composto por 30
instituições que estão
ligadas direta ou
indiretamente à agricultura
familiar.
A CEAAF tem a missão
de elencar as prioridades
para investimento na
região, para que o
Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)
possa escolher as melhores
formas de incentivar o
desenvolvimento dos
municípios do território.
Em 2004, o primeiro de Agricultores Familiares,
encontro da CEAAF
a ser construído em
decidiu que as
Colider.
prioridades de
investimento
“A missão
A idéia
para a região
da
Central
s ã o
a
de
elencar
d
e
Cocomercializ
merciaação da
as prioridades
lização é
produção
ligar toda agriculpara
dos os
tura fami16
muniliar, a bacia
investimento
cípios do
leiteira e a
Portal da
agricultura
na região”.
Amazônia
orgânica. Além
em uma rede
disso, elaborou
de computadois projetos que
dores a ser alid e v e r ã o s e r
mentada com dados da
financiados pelo MDA ainda
este ano: uma Central de produção de cada um
Comercialização do Portal deles, para facilitar a
e um Cento de Formação localização de produtos e
organizar vendas em
grandes quantidades. A
CEAAF também vem
elaborando a construção
coletiva do Plano de
Desenvolvimento Rural
Sustentável (PDRS) para a
região.
O regimento interno do
conselho será votado em
julho, em uma assembléia
geral que acontecerá em
Guarantã do Norte. Para
garantir a integração de
todos os 16 municípios, a
CEAAF possui uma
articuladora territorial,
função assumida pela
veterinária Adrezza Alves
Spexoto, do Instituto Ouro
Verde (IOV).
Nos últimos 15 anos a
produção de leite do país
cresceu aproximadamente
22%, passando de cerca de
14 bilhões de litros de leite
produzidos em 1990 para
mais de 22 bilhões de litros
em 2002. Somente no Mato
Grosso, esse cresimento foi
de 118,63%, fazendo a
fronteira agrícola avançar em
direção ao Norte. Atualmente
o Território do Portal da
Amazônia é responsável por
cerca de 20% da produção de
leite de todo o estado.
Apesar de ser a principal
fonte de renda para os
pequenos produtores no
Nortão, o rendimento da
produção na região pequena,
já que grande parte das
pastagens estão degradadas
e a produtividade dos animais
é extremamente baixa (cerca
de 1.052 litros/ vaca
ordenhada/ano). Além disso,
as comunidades sofrem com
falta de assistência técnica,
baixo preço do leite, êxodo
dos jovens e endividamento.
É pensando em melhorar
esse quadro que o Gestar
está desenvolvendo um
projeto-piloto em quatro
comunidades de Carlinda.
A veterinária Andrezza
Alves Spexoto, do Instituto
Ouro Verde (IOV), parceiro
Arquivo
Arquivo
do ICV no Gestar,
visitou 26
propriedades nas
comunidades de
Palestina,
Nazaré, Monte
Sinai e Rio
Jordão, no
município de
C a r l i n d a ,
conversando
com os produtores e avaliando a situação
da produção
leiteira. Ela
explica que o o
foco do projeto
não é desenvolver a atividade
As soluções estão sendo construídas pelas comunidades
leiteira, mas fazer
melhorar o que já
veterinária sobre a
existe, gerando
Segundo ela, as quatro permanência do jovem no
mais renda para que as
comunidade tenham uma comunidades já identificaram campo. Segundo Bragatti,
qualidade de vida melhor. "O que uma de suas principais m e l h o r a n d o a s p o s s i projeto não traz nada pronto", dificuldades é a falta de bilidades de renda, os jovens
diz Andrezza, "as soluções união. Andrezza diz que eles podem permanecer em suas
estão sendo construídas já se deram conta de que comunidades. "A gente
p e l a s c o m u n i d a d e s " , juntos podem negociar um espera com esse projeto uma
preço melhor para o leite melhoria em Carlinda, para
acrescenta.
junto ao laticínio. Além disso, os jovens do sítio não
Junto com Alexandre de querem dar aos jovens a precisarem ir para cidade,
Azevedo Olival, também do possibilidade de escolher irem só nos finais de semana
IOV, ela vem realizando reu- entre permanecer no sítio e ir ou pra estudar", diz ele.
niões nas comunidades para para as cidades. "Atualmente
Andrezza diz que a forma
discutir os problemas enfren- eles não têm perspectivas
tados pelos pecuaristas. A para permanecer nos sítios. de conduzir o projeto, sem
idéia estimular as próprias M u i t o s d i z e m q u e s e levar soluções milagrosas,
pessoas a identificarem os tivessem uma renda, ficariam pode ser um caminho mais
principais problemas e en- no sítio", conta. Para isso, as l o n g o e m d i r e ç ã o a o
cará-los de comunidades resolveram desenvolvimento esperado
forma autô- investir em capacitação pelas comunidades, mas é
noma. "Eles técnica para os jovens, sem dúvida mais duradouro.
estão acos- buscando cursos como E l a d i z a i n d a q u e o s
tumados a inseminação artificial de encontros periódicos com as
p r o g r a m a s animais. De quebra, a idéia comunidades servem de
que chegam p o d e r e s o l v e r o u t r o termômetro para medir o
c o m o s o - problema: o da falta de envolvimento de todos. "Até
agora o número de
luções mági- assistência técnica.
participantes nunca caiu,
cas, o Gestar
Derli José Bragatti, 27 pelo contrário, aumenta a
não quer
repetir isso", a n o s , p r o d u t o r d a cada encontro, aproximando
a n a l i s a a c o m u n i d a d e N a z a r é , inclusive as mulheres e os
confirma a avaliação da jovens", aponta.
veterinária.
Grande parte das pastagens estão degradadas
Gisele Neuls
Mulheres Camponesas
(MMC). Para ela, a lição
mais esperada no final do
ano, quando o curso se
encerra, é a elaboração de
projetos. "Nós perdemos
muitas possibilidades
porque não sabemos
elaborar projetos, temos
que ficar correndo atrás
das pessoas que sabem e
acabamos não conseguindo financiamentos,
por exemplo".
Segundo Joana, o
resultado esperado pelo
Buriti é que as comunidas comunidades, é uma
dades consigam avaliar
proposta diferenciada para seus problemas e elaborar
educação no campo". Assim projetos para resolvê-los. A
como o buriti, uma das educadora e coordenadora
primeiras árvores a sofrer do projeto explica que o
com o desmatamento,
curso é dividido em cinco
Joana diz que os jovens
módulos, começane as mulheres são
do com o fortalecios mais afetados
mento da iden"O Buriti é
pelo empobretidade e autocimento da
estima dos
um projeto
agricultura
participantes.
que
familiar, o que
"Partimos do
acredita na
justifica a
princípio que
dedidação do
nossa luta é
construção
projeto a
coletiva, mas
dos saberes
esses dois
temos que
públicos.
de forma
cuidar do
i
ndivíduo,
coletiva”
Lucimara da
fortalecer as
Silva, 20 anos, uma
pessoas para
das alunas do curso,
reconhecerem que
diz que o aprendizado tem
no seu jeito de ser há muito
sido importante, porque valor", diz a coordenadora.
trata diretamente das No segundo módulo, do
necessidades da região. "A q u a l o g r u p o m a t o gente tem muita preca- grossense participou em
riedade na formação, temos maio, na Unemat de Colider,
muitas lideranças, mas s ã o t r a b a l h a d o s o s
iniciando seu trabalho sem a s p e c t o s r e l a t i v o s à
formação", aponta ela, que formação de lideranças. Em
participa da Pastoral da seguida, o curso aborda o
Juventude Rural (PJR) no f u n c i o n a m e n t o d a
município de Nova Canaã o r g a n i z a ç õ e s
do Norte e do Movimento de
O curso começa pelo fortalecimento da identidade e auto-estima
Terra que tem Buriti é
terra boa", diz Joana D'Arc,
coordenadora do Projeto
Buriti, do qual 38 jovens do
estado do Mato Grosso, a
maior parte deles de
municípios do Portal da
Amazônia, estão
participando. A analogia
com a palmeira tem razão
de ser, já que o projeto
busca a capacitação de
lideranças entre jovens e
mulheres do meio rural, os
dois grupos sociais que
determinam o êxodo para as
cidades, segundo Joana.
Iniciativa do Instituto de
Formação e Assessoria
Sindical Rural (Ifas),
entidade de Goiás com mais
de 20 anos de dedicação ao
povo do campo, o projeto
quer "contribuir para uma
educação libertadora e para
a autonomia, para fortalecer
as organizações da
agricultura familiar", explica
a coordenadora. "O Buriti é
um projeto que acredita na
construção dos saberes de
forma coletiva, no
reconhecimento e na
validação do conhecimento
governamentais e nãogovernamentais,
movimento sociais e a
estruturação do poder na
região. O quarto módulo
t r a b a l h a
c o m
sustentabilidade no meio
rural e o último a elaboração
de projetos.
Joana diz que os cursos,
iniciado em 2002 e com
cursos já realizados nos
estados de Goiás, Tocantins
e Mato Grosso do Sul, têm
demonstrado resultados
sensíveis. Segundo ela,
muitos ex-alunos
intensificaram a
participação em suas
organizações de origem.
"Resultados sociais não
ocorrem a curto prazo, mas
já dá pra identificar algumas
coisas. A gente observa o
desempenho das pessoas
se organizando mais,
escrevendo projetos, se
inserindo em rádios
comunitárias, pensando em
rádios para assentamentos,
etc", conta a educadora.
Para garantir a
realização dos cursos nos
quatro estados do centrooeste, Joana diz que o Ifas
conta com parceiros locais.
No Mato Grosso, os
parceiros são a Comissão
P a s t o r a l d a Te r r a , o
S i n d i c a t o d o s
Trabalhadores Rurais de
L u c a s d o R i o Ve r d e ,
Instituto Ouro Verde (IOV) e
Instituto Floresta. Mesmo
depois do curso iniciado,
novos parceiros são bem
vindos. É o caso do Instituto
Centro de Vida (ICV), com o
qual Joana teve contato
pelo projeto Gestar.
Divulgação
processadas e vendidas
para indústrias de São
Paulo. O projeto, a médio
prazo, é abastecer também
o mercado de consumidores
finais do Mato Grosso nos
próximos anos.
No total, a cooperativa produz 70 mil litros de leite por dia
Assim como a maioria
dos municípios do Nortão,
Terra Nova do Norte surgiu
da colonização promovida
pelo Incra no final da década
de 70, com pioneiros e
assentados vindos do Sul do
Brasil. Mas uma de suas
peculiariades é a
Coopernova, cuja história se
confunde com a da própria
de Terra Nova.
Fundada em outubro de
1987, a Coopernova Cooperativa Agropecuária
Mista Terranova, começou
suas atividades com 202
associados. Hoje, com
quase 1.700 associados o
que torna uma das três
maiores cooperativas
agropecuárias do Estado
em número de associados
ela é responsável por pelo
menos 80% da produção
de leite dos municípios de
Terra nova do Norte, Nova
Guarita e Nova Santa
Helena, além de 25% em
Colíder e cerca de 10% da
produção de Peixoto de
Azevedo. No total, a
cooperativa produz 70 mil
litros de leite por dia, o que
dá uma renda média de R$
300 a R$ 400 mensais por
família.
R$ 450 por hectare, a
produção e processamento
de frutas pode render até R$
5 mil para cada hectare.
A fruticultura está nas
metas da Coopernova
desde 1993, mas somente
em 1999 a cooperativa pôde
se dedicar ao projeto. Daniel
relata que esta é uma
vontade antiga dos
associados, que também
têm trabalhado com
maracujá. "Optamos pelo
caju por ser cultura
permanente já com bons
resultados no Mato Grosso",
relata o presidente da
cooperativa. Segundo ele a
aposta no processamento
de frutas é uma
possibilidade sustentável de
desenvolvimento, na
medida em que promove a
variação de culturas com
grande aproveitamento no
caso do caju se aproveita
tanto a polpa quanto a
castanha mas não substitui
a vocação original da
cooperativa, que segue
buscando a melhoria das
condições de produção do
rebanho, atualmente de
cerca de 50 mil cabeças,
incluindo novilhas e
bezerros.
Daniel Robson Silva,
diretor-presidente da
Coopernova, diz que essa
Vários associados
renda é muito baixa,
plantaram juntos cerca de
considerando o potencial de
300 hectares de caju em
produção do gado leiteiro já
2000. Agora, com o primeiro
existente na região. Hoje,
ano da industrialização, a
cada animal produz uma
cooperativa espera absorver
média de 4 a 5 litros de leite
a produção de 150 hectares,
por dia, quando o ideal seria
processando tanto a polpa
uma produção de 8 a 10
quanto a castanha. A
litros por animal. "É preciso
previsão de Daniel é receber
m a i s i n v e s ti m e n to e m
em torno de mil toneladas de
tecnologias de produção",
fruta, que serão
afirma Daniel. É
para aumentar a
r e n d a d o s
associados que a
Coopernova está
investindo na
fruticultura. A
projeção do
diretor-presidente
da cooperativa é
de que o ramo
possa dobrar a
r e n d a d o s
produtores.
Segundo Daniel,
a produção de
gado leiteiro
rende hoje aproUma das três maiores cooperativas agropecuárias do Estado
ximadamente
Divulgação
Do Garimpo ao assentamento a
história de uma lider comunitária
Foi o ouro que trouxe
Maria Maia de Souza, 46
anos, da beira do rio Grajaú,
no Maranhão, para o norte do
Mato Grosso. Maria chegou
em outubro de 1981, com a
esperança de conseguir
algum dinheiro para
melhorar a vida de seu pai,
agricultor maranhense que
adoeceu e não teve mais
condições de sustentar as
três filhas. Hoje, ela é vicepresidente do Sindicato dos
Trabalhadores Rurais de
Peixoto de Azevedo, e mora
em um assentamento de 840
famílias, na União do Norte.
“No que cheguei me
bateu um desespero, a gente
saiu de lá direto pra dentro do
baixão. Quando a gente
chegou naquela currutela, de
noite, tudo de plástico,
afogadinho no mato, eu
pensei 'meu Deus, sei que eu
não volto mais no
Maranhão'", lembra Maria,
que combinou com uma
amiga, também vinda do
Maranhão, juntar dinheiro criado na agricultura, quando
suficiente para pagar a chega no garimpo acha que
passagem e voltar para casa. tudo é muito fácil, depois pra
Um mês depois seu pai veio voltar pra agricultura de novo
em visita, pegou malária e acha difícil”, diz. Em Novo
Maria teve que gastar
Mundo ficaram quase 10
sua eco-nomia
anos, mas não tinham
com a doença.
o título das terras e
A c a b o u
a c a b a r a m
“Se a vida de
casando em
voltando para
1982 e
Peixoto de
garimpo não
n u n c a
Azevedo,
era fácil, voltar
m a i s
ocupar um
voltou.
novo assenpara a
tamento.
O gaagricultura
r i m p o
Em pouco
onde era
tempo, Maria
também não foi
cozi-nheira
M a i a
s e
d u r o u
destacou como
simples.”
pouco. Em
liderança na sua
cinco anos, ela
comunidade e
e o esposo saíram
compôs o conselho
da área e foram para
administrativo do Sindicato
Novo Mundo, trabalhar com ao longo de seis anos.
a terra. Se a vida de garimpo “Naquela época existia
não era fácil, voltar para a aquela coisa que era só
agricultura também não foi homem nos sindicatos, e o
simples. “Transformar um nosso resolveu incluir as
garimpeiro em colono é mulheres na administração.
muito difícil. Mesmo que seja Entrei como conselho por
Gisele Neuls
Foi o ouro que trouxe Maria Maia de Souza, 46 anos, do Maranhão, para o norte do Mato Grosso
duas eleições e agora sou
vice-presidente”.
A líder comunitária não
sente saudades do garimpo,
onde sobrava a violência e a
malária. Ela diz que o que
mais gosta na mudança é o
sossego. “Na agricultura a
gente não vê o número de
violências que a gente vê no
garimpo, também a malária é
pouca existe, mas numa
condição mais fácil da gente
cuidar”, reflete.
Mulher que aprendeu a
ler por esforço próprio,
fazendo umas poucas aulas
de alfabetização e lendo o
romance de cordel Pavão
Misterioso, Maria hoje é
sensível aos problemas de
educação na sua
comunidade. Para ela, o
principal problema é o
transporte escolar. “Apesar
de eu não ter filho na escola,
vejo o sofrimento das mães.
Já teve acidentes graves
com esse transporte”, diz.
Os estudantes preferem a
escola do município, com
qualidade de ensino melhor
que a do distrito. Assim,
algumas crianças chegam a
trilhar 20 quilômetros para
chegar na escola. “A
distância nem é tanta, o
perigo são as estradas. É
ponte quebrada, uma serra
desliza, essas coisas”.
Quando perguntada
sobre o que quer para o
futuro, a ex-garimpeira e
vice-presidente do Sindicato
dos Trabalhadores Rurais
não tem dúvidas, quer que
seu distrito vire um
município. E justifica:
“Quando o município fica
perto do assentamento tudo
fica mais fácil pros
assentados”.
A urina de vaca é rica em nutrientes e substâncias benéficas às
plantas, não custa dinheiro, não é marca registrada de empresa,
não causa risco à saúde do produtor e é tão, ou mais, fácil de aplicar
que muito agrotóxico.
Nela encontramos nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio,
enxofre, "ferro, manganês, boro, cobre, zinco, sódio, cloro, cobalto,
molibdênio, alumínio e os fenóis, que são substâncias que
aumentam a resistência das plantas. Também encontramos o ácido
indolacético, que é um hormônio natural de crescimento de plantas.
Benefício
Pode ser usada como fertilizante, estimulante do crescimento das
plantas e repelente contra insetos e outros invasores.
Como preparar
A urina deve ser recolhida em um balde e logo após ser envasada
em recipiente fechado por no mínimo três dias antes de usar. Em
recipientes fechados a urina poderá ser guardada por até um ano.
Como usar
Diluir a 1% (um litro de urina em 100 litros de água), fazer
pulverizações semanais em hortaliças e em frutíferas a cada quinze
dias. Para utilizar no solo, junto ao pé da planta, diluir a 5% (5 litros
de urina em 100 litros de água).
Fonte: Embrapa/RJ. (Pesagro-Rio. Documentos; n. 68)
Gestar firma parceria com a Fundação
Banco do Brasil para fortalecimento
da agricultura familiar
O projeto de Gestão Ambiental Rural (Gestar)
do Portal da Amazônia firmou
parceria com a Fundação Banco
do Brasil para promoção de projetos que
fortaleçam a agricultura familiar no norte de
Mato Grosso. Os recursos para
os primeiros projetos devem sair ainda no
primeiro semestre.
Entre os dos projetos pré-aprovados estão o
da industrialização e
comercialização de castanha-do-Brasil,
guaraná, caju e mandioca orgânica. O
projeto da castanha, proposto pela
Cooperagrepa, beneficiará o assentamento
da Gleba Cinco mil, em Novo Mundo, assim
como o beneficiamento de guaraná,
em Santa Helena, da mesma cooperativa.
Marcos Bergamasco
Em Terra Nova, a cooperativa beneficiada
será a Coopernova, cujo projeto
prevê a aquisição de maquinários para a
produção de polpa de frutas,
principalmente caju. Em Paranaíta,
o projeto de beneficiamento de farinha de
mandioca orgânica, do assentamento São
Pedro, está entre os selecionados. A
Associação dos Produtores de Frutas e
Derivados do Norte do MT, Afrunorte,
de Alta Floresta, também teve seu projeto de
ampliação e comercialização da
produção de frutas pré-aprovado.
Obras na Br163 deverão começar em outubro
O Ministério dos Transportes espera ver assinado o contrato de
concessão da BR-163, no trecho que liga Cuiabá e Santarém, até
outubro. Uma audiência pública será/foi realizada no dia 17 de
maio, em Brasília, discutindo as regras para a concessão da rodovia
para a iniciativa privada. Já existe um consórcio de 11 empresas de
produção e comercialização de soja interessadas em assumir a
concessão, entre elas o Grupo A. Maggi, Bunge, Coabra e Cargill. O
estudo do Instituto Militar de Engenharia para as obras projetou a
construção de oito praças de pedágio ao longo da rodovia.
O Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), composto de 21
órgãos do governo encarregados de elaborar a proposta de
desenvolvimento sustentável para a região da BR-163 de Mato
Grosso ao Pará, realizou oito consultas públicas sobre a CuiabáSantarém nos dois estados. O documento com medidas de fomento
a atividades produtivas, ordenamento territorial, gestão ambiental,
infra-estrutura e inclusão social e cidadania, foi apresentado no dia
13 de maio, em Brasília.
Cooperagrepa participaram de feira de
produtos orgânicos
Representantes da Cooperativa de
Agricultores Ecológicos do Portal da Amazônia
(Cooperagrepa), que reúne produtores
familiares de 10 municípios do Portal da
Amazônia, participaram da 1ª Feira
Internacional de Produtos Orgânicos e
Agroecologia (Bio Brazil Fair), entre os dias 7
e 10 de maio, em São Paulo. Eles levaram
para o estande do Ministério do
Desenvolvimento Agrário (MDA), guaraná,
café, castanha-do-Brasil (antiga castanha-doPará), melado e açúcar mascavo.
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Folha portal da Amazônia nº1