UMA REFLEXÃO SOBRE A PSICOLOGIA DA SAÚDE NA PERSPECTIVA DA SAÚDE DO TRABALHOR1 BERNI, Liana B.2; SOUTO, Bruna L. Carpes3 , BECK, Carmem L. Colomé4 1 Artigo apresentado a disciplina de Psicologia da Saúde do Mestrado em Psicologia _UFSM Aluna Mestranda do curso de Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil 3 Aluna Mestranda do curso de Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil 4 Professora Drª do curso de Mestrado em Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil E-mail: [email protected]; [email protected]; [email protected] 2 RESUMO Este trabalho buscou através de uma pesquisa bibliográfica, realizar uma breve reflexão sobre o surgimento da Psicologia como profissão da área da saúde, e apresentar o papel desta profissão na saúde do trabalhador. Bem como, compreender como o surgimento de uma nova inserção da Psicologia que a perspectiva clínica fosse transposta a novas demandas ao psicólogo, que não só a clínica individual. Como compreensão central aborda a mudança no campo de prática psicologia e mostra o quanto a Psicologia da Saúde é uma ciência nova ainda e que precisa ser mais bem fundamentada quanto a sua prática nas suas várias possibilidades de atuação. No que se refere à Saúde do Trabalhador, pode-se destacar que o movimento de novos lugares da psicologia contribuiu para novas visões sobre os sujeitos em diversos contextos. Palavras Chaves: Psicologia da Saúde; Saúde do Trabalhador; Prática da Psicologia social. 1. INTRODUÇÃO A Psicologia da Saúde foi uma área de que trouxe significativas contribuições a Psicologia como profissão. Uma vez que ao sair dos moldes clínicos tradicionais, a Psicologia ao entrar em um campo ampliado como a Saúde passou a ser uma ciência de intervenções sociais. Ao adentrar em uma nova área a Psicologia permitiu que movimentos paralelos que pensavam em uma Psicologia além da clínica individual, fossem possíveis de ser levados a novos campos de atuação e prática psicológica, como nas instituições educacionais organizacionais e comunitárias. A preocupação em atender demandas da saúde, permitiu a ampliação das práticas psicológicas, e uma significativa mudança em objeto de estudo e observação da psicologia como ciência. A mudança passou a ser um olhar preocupado em promover o bem estar e o estado de equilíbrio biopsicossocial dos sujeitos, ao invés de olhar para os sujeitos a 1 procura de uma patologia e de uma intervenção de cura. Este movimento de novos olhares e de uma psicologia clínica estendida a contextos sociais, deu precedência a efetiva inserção da Psicologia em novos lugares. Entre estes destacamos neste trabalho a emergência da Psicologia da Saúde voltada para saúde o trabalhador: a Psicologia do Trabalho. Antes em contextos de qualquer natureza tínhamos uma psicologia clínica, de abordagem fortemente psicanalista, preocupada em encontrar as psicopatologias, hoje o movimento de uma psicologia social da saúde permiti uma mudança de olhar clínico em lócus social, se é que da para se pensar uma psicologia que não seja social. Nesta perspectiva é que, é de suma importância compreender como o movimento de saída da Psicologia individual como prática clínica, para um lugar social impactou e contribuiu para que hoje, o Psicólogo esteja repensando as práticas em Psicologia. Mesmo no início, de forma intimista a inserção dos psicólogos em lugares ampliados, que não a clínica individual, trouxe significativas contribuições para a ampliação da Psicologia como ciência e conhecimento. Pois, hoje temos uma Psicologia que atende diversas demandas e contextos. Portanto, esta breve reflexão permite compreender os movimentos e as multi possibilidade de atuação do Psicólogo preocupado com a saúde dos sujeitos, em especial: os trabalhadores. 2. DESENVOLVIMENTO 2.1 CONCEPÇÃO DA PSICOLOGIA COMO PROFISSÃO DA ÁREA DA SAÚDE A Saúde foi por muito tempo um campo de atuação e objeto de estudo restrito, sendo entendido como privilégio de saber da área médica e suas ramificações. Tanto fora que, sistematicamente o estudo da saúde em nuances fisiológicas, orgânicas e biológicas, estavam organizados somente a partir das ciências médicas tradicionais, representado pelo modelo biomédico de pensar o homem e saúde. Já no século XIX, com as mesmas concepções cartesianas, é que se teve uma redimensão quanto à compreensão do homem em uma perspectiva dual de corpo e mente. No entanto, embasado na visão marxista, surge o interacionismo para contrapor as abordagens do empirismo e racionalismo no século XX. Esse conceito relaciona a proposição entre o corpo e mente na perspectiva do todo, situação esta fundada no modelo biomédico, por isso, há uma dificuldade em totalizar o sujeito como inteiro constituído por concepções biopsicossociais. Este entendimento foi responsável pelo surgimento de um novo modelo médico frente à compreensão de que o homem, possuidor de corpo e mente, passaria a ser compreendido de forma distinta ao modelo médico. Através dessa nova 2 perspectiva sobre a compreensão de homem e saúde, o modelo biomédico, fundado na crença que, qualquer alteração ou doença poderia ser esclarecida por meio de suscitações apenas fisiológicas, passa a ter contraponto pelo modelo biopsicossocial Uma visão contrária ao modelo tradicional em saúde, fez surgir a emergência de uma nova compreensão de homem, como um ser total. Esta concepção, já latente desde o tempo de Hipócrates no século XVIII, encarou o corpo e mente como interligadas e relacionadas. Já no final do final do século XX, este pensamento toma força através da concepção Freudiana de uma medicina com viés psicossomático (TRAVERSO YEPEZ, 2011). Para a compreensão da Psicologia da Saúde aponta-se dois aportes teóricos distintos: a concepção tradicional e a concepção crítica, esta em dimensões discursivas com percepção qualitativa e representativa da saúde. Já a concepção tradicional com uma perspectiva quantitativa e determinista, que sustenta ainda o modelo biomédico tradicional. Dessas vertentes surge a psicologia da saúde como uma prática da clínica individual, apenas transposta para o campo social. Sendo assim, esse passou a ser um grande desafio para os psicólogos, pois era necessário transformá-la e ajustá-la em uma prática viável neste novo lugar (social) e não mais naquele hermeticamente controlável e inviolável, que vem a ser a prática da clínica tradicional. Sendo assim, a ideia de organizar e compreender o conceito de Psicologia da Saúde em contextos sociais, foi um movimento importante, pois introduziu esta em um amplo campo de demandas e variadas áreas de conhecimento objetivadas em definir esse saber em ciência da saúde. Neste momento, no qual a Psicologia adentra no campo das profissões da saúde, surge a demanda de pensar em uma prática e intervenções adequadas a esta realidade (TEIXEIRA, 2004). Para tanto, foi em meados dos anos 70, que a Psicologia adentrou o “grupo” das profissões da saúde, com uma visão basicamente clínica. No início encontravam-se vários desafios para atender as demandas da ciência da saúde na perspectiva social, mas aos poucos, um novo saber e aplicabilidade vão sendo estruturados. Assim, revela-se uma prática específica em contexto social, com uma demarcação clínica-social, um contexto no qual as questões do individual (SPINK, 2009) são cunhadas com uma amplitude social intrínseca. Dessa forma a Psicologia se reorganizou em uma especificidade social, e pensar a sua atuação, instrumentalização, e técnica basicamente clínica no âmbito social, foi um movimento que revolucionou e revoluciona o saber em Psicologia. Na definição de Psicologia da Saúde, construída na década de 80 por Matarrazzo apud Spink (2009) está definido que esta seria a aplicação diferenciada das faculdades e dos saberes em Psicologia, que consiste em um conjunto de práticas e conhecimentos 3 utilizados para a realização de: promoção, manutenção, prevenção, tratamento e identificação de fatores preocupados com a melhoria e implantação de sistemas sanitaristas. Esta compreensão de trabalho somente ganhou forma após os diversos, e por vezes incertos, movimentos de se repensar a Psicologia em um novo campo de atuação: o social. No Brasil, foi a partir de 1982 que começa a construção do que seria a Psicologia estruturada nesse novo saber, no campo da Saúde. Aqui marca-se a entrada, embora entendida como tardia, em um espaço publicamente reconhecido, que veio por meio da secretaria de saúde mental, na rede básica, em São Paulo. Esse movimento de pensar em uma Psicologia da saúde, se é que é possível pensar esta, sem sua aplicação na saúde, gera o marco da entrada da Psicologia em uma nova área de atuação, que não a clínica individual, e sim uma aplicação qualitativa e social desta, em seu já conhecido objeto de estudo, a saúde mental (SPINK ,2009) Em contrapartida, as dúvidas apresentadas no início da inserção dos psicólogos no Campo Social (Spink, 2009) quanto como saber atuar neste novo lugar, ainda perdura no centro das discussões atuais sobre a prática clínica em Psicologia social em expressão clínica. Para tanto a concepção da Psicologia da saúde, tem sua história a partir da Psicologia no hospital, apoiada em aportes teóricos da clínica psicanalítica. Dentre as possíveis práticas da psicologia da saúde, neste estudo optou-se por buscar melhor compreender o da saúde do trabalhador. 2.2 UMA NOVA PERSPECTIVA: SAÚDE DO TRABALHADOR O início da preocupação com a saúde do trabalhador, surge junto com o crescimento da industrialização, pois nessa época aparecem necessidades de mudanças, e melhorias dentro desse contexto. Desde esse tempo já haviam médicos que faziam atendimentos clínico-individual nas empresas, mas esse campo de atuação foi ampliado entre os anos de 1950 e 1960, devido a novas demandas, esse profissional também passou a pensar nas causas do absenteísmo, na seleção de pessoal, e a analisar doenças e acidentes ocupacionais. Essas novas atribuições começam a gerar a preocupação com a Saúde Ocupacional dos trabalhadores. (TEXEIRA & OLIVEIRA, 1984). Na década de 1970, quando o estado brasileiro era gerido pelos militares, estes instituíram a criação dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho, atualmente conhecidos como SESMT. O motivo da criação desse serviço é buscar o aumento da produtividade na indústria, e sabe-se que a saúde é primordial para se 4 alcançar esse resultado. E assim, com a criação do SESMT, o estado passa para as empresas as responsabilidades com a saúde ocupacional. (LACAZ, 1996) Também foi a partir dos anos 70, que em virtude de uma nova visão do processo saúde-doença, iniciado pela Medicina Social Latino Americana, começou a ocorrer a incorporação das ciências sociais sobre os estudos do tema: trabalho-saúde. (MINAYOGOMEZ & THEDIM-COSTA, 2003). Essa nova corrente social, juntou-se ao movimento sanitário Brasileiro, que ocorria na mesma época, e dessa união começou haver uma preocupação com o social, o contexto que envolvia o trabalhador. (LACAZ, 1996) O Movimento Sanitário Brasileiro realizou a VIII Conferência Nacional de Saúde em março de 1986. A importância deste evento se da pela participação da sociedade na formulação da proposta do SUS, e através das demandas levantadas nesse evento, surge a Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador, em dezembro do mesmo ano. O principal assunto discutido no encontro foi a busca da consolidação das experiências dos Programas de Saúde do Trabalhador (PSTs) e suas atuações sobre as relações saúde e trabalho. (LACAZ, 2007) A definição encontrada para relação entre trabalho e saúde é “campo de atividades teóricas e práticas, subordinado de maneira abrangente e complexa às relações Capital/ Trabalho, nas sociedades capitalistas”. Essa proposta tinha o intuito de que, a Saúde do Trabalhador deveria atender em um âmbito mais geral as outras formas de ação usadas a mais tempo, ou seja, a Saúde Ocupacional e a Medicina do Trabalho tradicional. Dessa forma, inicialmente surgiu a Saúde Ocupacional com o objetivo principal de garantir a produção e/ou a produtividade da empresa e a redução dos custos, enfim, era preciso constantes avaliações para tentar garantir que o trabalhador não adoeça e não deixe de produzir (VASCONCELLOS & PIGNATI, 2006). Já a Saúde do Trabalhador preocupa-se com o “bem estar” e a qualidade de vida, baseando-se no trabalho como fator determinante da saúde, evidenciando sua importância para a subjetividade dos trabalhadores e para sua inserção social, além de também poder ser capaz de provocar mal estar, adoecimento e morte. (NEHMY & DIAS, 2010) No Brasil, o início dos estudos para formalizar o campo do saber da Saúde do Trabalhador ocorreu através do movimento sindical dos trabalhadores, de alguns setores da academia e de intelectuais da saúde que lutavam pela implantação do Sistema Único de Saúde (SUS). Vários estudiosos desse tema, determinados a entender o surgimento dessa preocupação com a Saúde do Trabalhador, consideram esses três, como os principais atores sociais dessa nova construção de conhecimento. (LACAZ & SANTOS, 2010) 5 Esse movimento começa a ocorrer no final dos anos 1970 e início dos 1980, quando os departamentos de Medicina Preventiva e Social, começaram a realizar estudos que iam ao encontro das demandas dos sindicatos dos trabalhadores. Esses sindicatos, dos mais variados ramos como: metalúrgicos, bancários, petroquímicos, marceneiros, entre outros, buscavam as universidades para apoiá-los com seu novo órgão técnico-científico o Departamento In-tersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho (Diesat), em 1980. (LACAZ, 1996). Se analisarmos, já se passaram muitos anos desde a primeira conferência Nacional de Saúde do Trabalhador, mas ainda existem pontos a serem melhor discutidos. Ainda não temos uma Política Nacional de Saúde do Trabalhador interdisciplinar e capaz de propor ações, formas de implementação e de avaliação efetivas e adequadas às necessidades dos trabalhadores. Outra preocupação está na fragmentação dos saberes dessa área, do conhecimento denominado “campo de saúde do trabalhador”. E atualmente, com o enfraquecimento dos movimentos sociais e sindicais, diminuíram as pressões tanto para a área acadêmica como para os governos investirem em mais conhecimento nessa área.. (GOMEZ & LACAZ, 2005) O ato de trabalhar e o trabalho em si, ganha conotação de muita importância na vida dos sujeitos, em especial no que se refere a configuração de sua identidade social. O trabalho assume os diferentes enfoques quanto ao processo de saúde e adoecimento do sujeito. Pois, as aproximações com as experiências que o sujeito vivencia implicam em sua qualidade das relações, exercício de sua prática, compreensão sobre a sociabilidade e principalmente nas implicações sobre a construção de sua identidade. Bem como, sobre a condição de saúde-doença que são ações flutuantes as representações sociais vindas do âmbito político, econômico e cultural do contexto imediato de trabalho. (MACHIN, COUTO, ROSSI, 2009) O trabalho por ter significado próprio de acordo com a experiência dos sujeitos, infere, como força motriz que determina possibilidades teóricas de compreensão e suscitam questionamentos sobre os fatores sociais que os representam, tais como: condições de trabalho, prática laboral condições interpessoais que impreterivelmente geram sentido ao estado de saúde ou doenças aos sujeitos. Nesta proposta a saúde do trabalhador é comum ser ponto de questionamento quanto ao seu tipo, riscos, e forma de interação relativa ao seu contexto. Concepção convergente a compreensão que a Psicologia social infere a organização social que a ação trabalho emerge como subjetividade. Nesta perspectiva as diferentes concepções de trabalho e suas relações, exercem funções na sustentação da 6 identidade social e condições de equilíbrio do sujeito social. No campo da saúde, o trabalhador passa a ser objeto de estudo no processo saúde doença do trabalhador e seu trabalho, estando os trabalhadores na posição de sujeitos essenciais de transformação das condições de trabalho e de saúde e adoecimento. (MOREIRA, SILVA, ALVES, 2004) 3. MÉTODO O trabalho foi realizado a partir de uma demanda da disciplina de Psicologia da Saúde, do Mestrado em Psicologia na Universidade Federal de Santa Maria. O mesmo se trata de um estudo a partir de uma revisão Bibliográfica referente à compreensão da Psicologia no campo da Saúde. A pesquisa do tipo Bibliográfica (GIL, 2010) se refere a uma elaboração em base de material já publicado, a qual englobou a utilização de textos básicos da disciplina, bem como, materiais complementares para aprofundamento dos dados. A busca de material se deu em consulta a artigos, dissertações, teses, monografias, e livros disponibilizados no programa da disciplina, nas fontes online, e acervo físico da biblioteca setorial da Universidade Federal de Santa Maria. 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES A inserção da Psicologia em um novo lócus, agora não mais privado e individual, mas sim, coletivo e público, abriu outras concepções e campos de atuação para o psicólogo. Esta perspectiva impactou em mudanças relacionadas as problemáticas psicopatológicas, pois se saiu dos consultórios para o ingressou no campo da saúde, em um lugar coletivo. Neste processo de novos lugares para se fazer Psicologia, é que se permitiu a abertura de práticas psicológicas nas comunidades, em grupos e nas instituições. Dessa forma, o que tange a Psicologia em lugares coletivos, surgem as Instituições como um novo campo de trabalho. As mesmas começaram a serem vistas como um grande organismo, que merece ser atendido em virtude de suas demandas, relacionadas aos fenômenos humanos que nelas circulam. A partir desta nova proposição, o conceito de Psico- higiene proposto por Bleger passa a ser entendido como: promover saúde e bem estar nas institucionais, e isso, no lugar da higiene mental como era conhecido anteriormente (BLEGER, 1984). Assim, surge a Psicologia Institucional como uma prática de atuação coletiva, com uso de método clínico para atender demandas humanas dentro de um organismo vivo: as instituições. A proposta de uma Psicologia Institucional se difere de uma Psicologia na instituição, onde, esta se limitaria a execução de tarefas determinadas pela instituição, já na Psicologia Institucional, o psicólogo deve conseguir autonomia para projetar ações e intervir dentro de ações diagnosticadas. O psicólogo institucional deve (BLEGER, 1984) conseguir 7 atuar como um técnico em prol da interação entre as pessoas, deve estar a serviço das relações humanas neste espaço. A psicologia institucional surge no sentido de compreender a dinâmica que constitui o sujeito e o envolve nas instituições, compreendendo-a como partes constituintes e integrantes na formação da personalidade dos sujeitos. Já a criação do termo Psicologia Organizacional nasce em meados dos anos 90, para explicar a atuação do psicólogo nas instituições, mas acrescentando em sua preocupação atender as demandas neste contexto a partir da entrada dos conceitos como: o estudo de comportamento e subjetividade no trabalho. Mais tarde o termo foi “reajustado” para Psicologia Organizacional e do Trabalho, com a proposta de atender e contemplar uma prática de Psicologia que relaciona o sujeito, a subjetividade, a saúde, e o trabalho envolvidos na organização como um meio social de manifestação de constituição subjetiva (TONETTO, 2008). O ano de 1984 foi o pensamento de Dejours sobre Saúde mental ligada ao trabalhador, este ano ficou registrado pela participação de Dejours no I Colóquio Nacional de Psicopatologia do trabalho. E entre o período de 1986 e 1987 a participação e contribuição de Dejours, se torna significativa, pois em um Seminário Interdisciplinar, seu trabalho foi absolutamente destaque de discussões. Quando em 1990 organizado por um modelo Japonês, influenciado por Hirata, Dejours assume o laboratório de Psicologia do Trabalho em CNAM (Paris) onde aprofunda o pensamento sobre as ações e condições mobilizadoras do trabalho a partir da inteligência criativa. Dois anos mais tarde, houve a proposição de uma nova denominação do que era conhecido como sofrimento e Psicologia do trabalho, vem a toma a expressão Psicodinâmica do trabalho. Deste esforço e trabalho em nova denominação é que surgiu o livro de Dejours Da Psicopatologia à Psicodinâmica do trabalho. Já em 1993 ao contrario do esperado, sai a publicação da segunda edição deste ultimo trabalho, onde Dejours apresenta uma nova formatação de conceito, trazendo como centro de discussão o termo e conceito de uma Psicologia do Trabalho, o que trata a relação entre trabalho, subjetividade do homem, e inteligência criativa (como uma resposta mobilizada pelo trabalho). Dejours apresentou também, neste estudo a conceituação de olhar não somente a psicopatologia do trabalho, mas o sofrimento e as formas que os sujeitos enfrentam o sofrimento, de modo a mobilizar ações astuciosas. Já em 1995 é publicado no Brasil um texto de Dejours que ressalta esta compreensão, o mesmo chamado o Fator Humano (LACMAN e AZNELMAM, 2004). 8 4. CONCLUSÃO Através deste estudo bibliográfico buscou-se entender o papel do psicólogo da saúde frente às demandas de saúde em diversos contextos sociais. Uma vez que a Psicologia como profissão e ciência seja de origem social e seu lugar seja hoje muitas vezes discutido entre o lócus, da área da saúde ou das humanas, a principal, consideração que trazemos é que a Psicologia como uma ciência permite olhar o homem como sujeito biopsicossocial. E a entrada da Psicologia em um campo intimamente social que é a Saúde está permitindo não mais pensar na criação de limites estruturais de até onde se pode intervir com a contribuição da Psicologia como conhecimento. Pois está como uma Profissão, também da Saúde, permite com o seu entendimento social a formatação de Psicologias, e todas as possíveis preocupadas em atender e promover o bem estar dos sujeitos sejam, estes na clínica individual, nos grupos, nas instituições, na comunidade ou em qualquer lócus. Portanto, essa pequena reflexão serviu para mostrar o quanto a psicologia da Saúde é uma ciência nova ainda e precisa ser melhor fundamentada quanto a sua prática nas suas várias possibilidades de atuação. No que se refere a essa atuação frente a Saúde do Trabalhador, nota-se que a mesma surgiu praticamente junto com a Psicologia da Saúde, e no Brasil aos poucos os psicólogos estão se apropriando dessas novas demandas. REFERÊNCIAS BARROS, José Augusto Carlos. Pensando o processo saúde-doença: a que responde o modelo Biomédico? Saúde e Sociedade 11(1) 67:84, 2002. BLEGER, J. Psico-higiene e Psicologia Institucional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1984. 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