SERVIÇO SERVIÇO Automóveis Automóveis Como lubrificar seu carro Não erre ao comprar o óleo lubrificante. O Idec dá algumas dicas simples e importantes para a hora da troca odo mundo diz que sabe, mas usar corretamente o óleo lubrificante no carro tem seus truques. A função do óleo é lubrificar, evitar o contato entre as superfícies metálicas e refrigerar o motor. A boa lubrificação ocorre quando o óleo atinge o anel mais próximo da câmara de combustão, onde é parcialmente queimado e consumido. Ao fazer a escolha do óleo lubrificante correto para o seu carro é importante consultar o Manual do Proprietário feito pelo fabricante do veículo ou as tabelas de recomendação disponíveis nos postos de serviços, e ficar atento às especificações quanto à viscosidade (SAE) e ao desempenho (API). Não se atenha à cor do óleo, pois ela não influencia o seu desempenho. Como o lubrificante é composto por óleos básicos e aditivos, a cor final depende das tonalidades deles. O conceito de que o óleo de motor deve ser claro e o de engrenagem escuro é errado. Além disso, a cor não se relaciona à viscosidade do óleo: o mais 32 Revista do Idec | Março 2005 ANA BEATRIZ T A boa lubrificação prolonga a vida útil do motor claro pode ser mais grosso e viceversa. O óleo do seu carro vai ficar mais escuro com o tempo, mas isso não é nenhum problema. O óleo retém as impurezas que iriam se depositar em várias partes do motor, e por isso escurece. Não há necessidade de adicionar aditivos ao óleo para melhorar o desempenho do motor. Os lubrificantes recomendados já possuem todos os aditivos necessários para atender perfeitamente ao nível de qualidade exigido. Cuidado ao misturar marcas diferentes. Apesar de os óleos existentes no mercado serem compatíveis entre si, evitar as misturas permite um melhor desempenho do lubrificante. Se não houver outra alternativa, certifique-se de que os produtos misturados possuem o mesmo nível de desempenho e a mesma faixa de viscosidade. TIPOS DE ÓLEO Existem três tipos de lubrificante, e a diferença está no processo de obtenção dos óleos básicos. ● Minerais: obtidos da sepa- ração de componentes do petróleo, são uma mistura de vários compostos. ● Sintéticos: formulados por reação química, o que permite a obtenção de vários tipos de cadeias moleculares, e com diferenças características físico-químicas, são produtos mais puros. ● Semi-sintéticos ou de base sintética: empregam mistura em proporções variáveis de básicos minerais e sintéticos, para reunir as melhores propriedades de cada tipo, associando a otimização de custo, uma vez que as matérias-primas sintéticas possuem custo muito elevado. Não se recomenda misturar óleos minerais com sintéticos, principalmente se forem de empresas diferentes. Seus óleos básicos apresentam naturezas químicas diferentes, e a mistura pode comprometer o desempenho de sua aditivação, existindo a possibilidade de depósitos. Além disso, não é uma atitude economicamente vantajosa, já que o óleo sintético é muito mais caro que o mineral e a mistura dos dois equivale praticamente ao mineral. O consumo normal de óleo é de 0,5 litro a cada 1.000 quilômetros rodados com carros de passeio, mas cada fabricante de motor especifica um consumo normal para seu motor, de acordo com o projeto. É bom ressaltar que os carros novos consomem mais óleo. A validade do óleo lubrificante é indeterminada, desde que o produto seja armazenado de maneira correta, ou seja, lacrado em sua embalagem, em local seco e livre de exposição ao calor e à luz do sol. HORA DA TROCA A troca deve ser feita quando atingir o período recomendado pelo fabricante do veículo, especificado no Manual do Proprietário. Atualmente, esses períodos estão cada vez maiores, dependendo do tipo de serviço e da manutenção do carro. Os tipos de serviço dizem respeito aos termos usados pelos fabricantes em relação aos intervalos de troca. Serviço severo refere-se aos carros que andam nos centros urbanos, percorrem pequenas distâncias (de até 6 quilômetros) ou trafegam por estradas poeirentas. Serviço leve diz respeito aos veículos que rodam percursos longos com velocidades quase constantes em rodovias pavimentadas, como no caso de viagens. Nível correto Ao contrário do que pensa a maioria das pessoas, o nível correto se encontra entre os dois traços do marcador, e não apenas no traço superior. Se o óleo ficar abaixo do mínimo, o motor pode ser prejudicado por falta de lubrificação. No entanto, se o óleo ficar acima do máximo, a pressão no cárter irá aumentar, podendo ocorrer vazamento e até ruptura de bielas, além do óleo em excesso ser queima- do na câmara de combustão, sujando velas, válvulas e danificando o catalisador no sistema de descarga do veículo. Com o uso do carro, o nível do óleo baixa um pouco devido às folgas do motor e à queima parcial na câmara de combustão. Por isso, o óleo deve ser completado, quando necessário, enquanto não atingir o período de troca recomendado. Fique atento às informações de quilometragem para troca. Em carros de passeio, os valores do manual geralmente fazem referência ao serviço leve. Mas se o seu caso é de serviço severo, o período adotado deve ser a metade do especificado. Na hora da troca é importante observar se o motor ainda está quente. O calor faz com que o óleo fique mais fino e escorra com mais facilidade. Feita a troca, espere pelo menos 5 minutos após o motor ter sido desligado para medir o nível do óleo. Nesse tempo, ele irá descer das partes mais altas do motor para o cárter, permitindo, assim, que se obtenha a medida real do volume de óleo. Se você usa óleos sintéticos, o período de troca não difere muito de quem usa óleos minerais, embora os lubrificantes sintéticos possuam características de qualidade superior. Recomendamos seguir a indicação do Manual do Proprietário para os intervalos de troca. O período de troca do filtro de óleo também está no Manual do Proprietário. Normalmente, ela é feita a cada duas trocas de óleo. Porém, já existem fabricantes que recomendam a troca do filtro a cada troca do óleo. Uma dica interessante refere-se à troca do óleo mineral por sintético. É importante trocar o filtro de óleo junto com a primeira carga de lubrificante no período normal de troca, em função de sua utilização. Além de outras coisas, o uso de óleo lubrificante incorreto pode causar borra no motor. A formação de borra decorre da oxidação precoce do lubrificante, mesmo que se reduza o período de troca. A borra também pode ser conseqüência do uso de aditivação extra. Combustíveis adulterados e extensão do período de troca também podem causar o problema por contaminação e oxidação. Revista do Idec | Março 2005 33