Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro Escola Nacional de Botânica Tropical Programa de Pós-graduação Stricto Sensu Dissertação de Mestrado Distribuição altitudinal e diversidade das Samambaias e Licófitas na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. Elaine Ribeiro Damasceno Rio de Janeiro 2010 ii Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro Escola Nacional de Botânica Tropical Programa de Pós-graduação Stricto Sensu Distribuição altitudinal e diversidade das Samambaias e Licófitas na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. Elaine Ribeiro Damasceno Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Botânica, Escola Nacional de Botânica Tropical, do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de Mestre em Botânica. Orientadora: Dra. Ariane Luna Peixoto Co-orientadora: Dra. Lana da Silva Sylvestre Rio de Janeiro 2010 iii Distribuição altitudinal e diversidade das Samambaias e Licófitas na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. Elaine Ribeiro Damasceno Dissertação submetida ao corpo docente da Escola Nacional de Botânica Tropical, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro JBRJ, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Mestre. Aprovada por: Prof. Dra. Lana da Silva Sylvestre (Presidente) ____________________ Prof. Dr. André Fellipe Nunes-Freitas ____________________ Prof. Dr. Mateus Luis Barradas Paciencia ____________________ Em 26 de fevereiro de 2010. Rio de Janeiro 2010 iv D155d Damasceno, Elaine Ribeiro. Distribuição altitudinal e diversidade das Samambaias e Licófitas na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. / Elaine Ribeiro Damasceno. – Rio de Janeiro, 2010. xv, 66 f. : il. Dissertação (Mestrado) – Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro/Escola Nacional de Botânica Tropical, 2010. Orientadora: Ariane Luna Peixoto. Co-orientadora: Lana da Silva Sylvestre. Bibliografia. 1. fitossociologia. 2. Pteridófitas . 3. Floresta Montana. 4. Parque Nacional do Itatiaia (RJ e MG). I. Título. II. Escola Nacional de Botânica Tropical. CDD 587.098153 v Dedico este trabalho a todos que estiveram comigo em mais uma vitória! “We are the champions my friends and we’ll keep on fighting till the end...” (Freddie Mercury) vi “Deficiente” é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino. “Louco” é quem não procura ser feliz com o que possui. “Cego” é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores. “Surdo” é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês. “Mudo” é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia. “Paralítico” é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda. “Diabético” é quem não consegue ser doce. “Anão” é quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois: “Miseráveis” são todos que não conseguem falar com Deus. “A amizade é um amor que nunca morre.” (Deficiências - Mário Quintana) vii AGRADECIMENTOS As instituições de ensino, apoio logístico e financeiro: À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pela bolsa concedida. Aos funcionários e professores da ENBT/JBRJ pelo apoio e conhecimento compartilhado. Ao Parque Nacional do Itatiaia e ao Sr. Léo Nascimento pelo apoio logístico. Ao IBAMA/ICMBio pela concessão da licença de coleta. Aos familiares, professores e amigos que me ajudaram neste trabalho: Agradeço a Deus por não me deixar desistir nunca. A minha mãe Norma, por ser minha melhor amiga em todas as horas, sempre apoiar as minhas escolhas e me incentivar quando estava cansada. Eu te amo! E ao meu pai José Valdeluce. A minha irmã Vânia e meu cunhado Rodrigo pelo estímulo e apoio para continuar meus estudos. A Luíza, minha “sobrinha-filha”, que enche meu coração de alegria, e que um dia a levarei para conhecer as maravilhas da natureza. A todos da minha família, por ser a minha querida família! As minhas orientadoras, a Dra. Lana da Silva Sylvestre agradeço não só pelo aprendizado e amor que tenho pelas pteridófitas, mas pela amizade, paciência e confiança que sempre me deu. E a Dra. Ariane Luna Peixoto pela orientação e ensinamentos oferecidos nestes dois anos. Ao Dr. André Felippe Nunes-Freitas (UFRRJ), Dr. Jean Louis Valentin (UFRJ) e Msc. Alexandre G. Christo pelo auxílio nas análises estatísticas. Ao Dr. Mateus Luis Barradas Paciencia (UNIP) pelo envio de alguns artigos importantes para a metodologia e discussão. A Dra. Claudine Massi Mynssen (JBRJ) pelo empréstimo de bibliografias e auxílio na identificação das espécies de Diplazium. Ao pteridólogo João Paulo Condack pela amizade, caronas salvadoras a Itatiaia, auxílio valioso nas últimas parcelas, momentos (muito) engraçados e conversas sobre pteridófitas que foram de grande valor. Ao grande “irmão” Thiago Costa pelo trabalho em conjunto nas parcelas, presença e ajuda importantíssimas na execução deste projeto. A amizade nascida a partir deste viii trabalho ficará para sempre (assim como suas imitações da Marília Gabriela e do Pe. Fábio de Melo). Ao Sr. Wálter da Silva, o querido mateiro “Seu Vavá”, pelo apoio, amizade e dedicação em todo trabalho de campo. Sua ajuda foi fundamental e preciosa para execução deste trabalho. Aos companheiros mais que especiais: Alexandre Christo, Alexandre Gomes e Ana Luiza Moura pela amizade, carinho, conversas, conselhos, auxílios e etc. Agradeço demais por ter vivido este mestrado na companhia de vocês. Aos queridos amigos do Jardim Botânico e Museu Nacional: Aline Cavalcante, Danielle Capossoli, Déborah Hottz, Fabiana Filardi, Felipe Farjado, Gustavo Heiden, Jackeline Pires, Jacira Rabelo, João Iganci, Jordana Néri, Luciano Araújo, Marcelo Costa, Mariana Reis, Nívea Santos, Rafael “Garrafa” Marroig, Ricardo Bahia, Robson Daumas, Vanessa Francisco e Vitor Tenório pela maravilhosa companhia, amizade, incentivos e momentos únicos que fizeram deste mestrado uma fase inesquecível da minha vida (Uou, uou, uou...). Aos amigos da UFRuralRJ: Arthur Couto, Carla Gabriela Ramos, Lívia Cardoso, Mayara Martins, Renato “Tocan”, Sydney Jr. e Thiago Amorim pelo apoio, amizade, gargalhadas “de doer a barriga” e vídeos engraçados no trabalho de campo. E a minha querida amiga Juliana Santiago (Jujú) pelas conversas, conselhos e horas de paciência em me escutar em todos os momentos de ansiedade e dificuldades. As amigas do alojamento F3: Milane, Flavinha, Jéssica, Ariana, Nina e Fernanda por me abrigarem durante meus períodos de visita a UFRuralRJ, e pelos bons momentos vividos nesta universidade. Aos queridos “veteranos” do M1-136: Ryan, Rafael, Kadu e Diego por me apoiarem e sempre receberem muito bem seu “bichão”. A Andréa, Elaine Cristina e Wagner Oliveira (Waguinho), que mesmo longe me incentivaram e serão sempre meus grandes amigos. Aos eternos e pacientes Henrique, Lorena e Rui (GGM) por simplesmente existirem e serem os amigos que são. Aos amigos do “The Ville”, em especial Ísis, Filipe e Hiroshi pela amizade e apoio durante as madrugadas loucas e super cansativas de trabalho. À Fauna do Parque Nacional do Itatiaia, em especial a suçuarana, o macaco-prego, aos catetos e as aranhas-armadeiras, que sempre me recepcionaram calorosamente no alojamento e no trabalho de campo, durante a montagem das parcelas. E a aqueles, que de alguma forma me estimularam durante todo o mestrado, e que por ventura eu tenha esquecido de mencionar: Muito obrigada! ix RESUMO O Parque Nacional do Itatiaia está localizado na região Sudeste do Brasil, na Serra da Mantiqueira, nos limites dos Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. A análise da assembleia de samambaias e licófitas teve como objetivos descrever a estrutura e composição florística deste grupo em trechos de Floresta Atlântica no Parque Nacional do Itatiaia, e analisar a distribuição das espécies em função da altitude, apontando aquelas potencialmente indicadoras de gradientes altitudinais. Foram amostrados seis sítios na Floresta Atlântica, entre 800 m e 1.800 m de altitude, em intervalos de 200 m, com a implantação de 30 parcelas não contíguas de 5m x 5m (25 m2) em cada sítio, totalizando 180 parcelas (4.500 m2). Foram amostrados 5.533 indivíduos, representados por 115 espécies, distribuídas em 44 gêneros e 17 famílias. A família com maior riqueza específica foi Polypodiaceae (26) e o hábito predominante foi o epífito (55). As espécies mais abundantes foram Campyloneurum lapathifolium, Didymoglossum reptans e Campyloneurum major. A análise de similaridade entre as áreas destacou a cota 1.800 m das demais altitudes e a análise de correspondência indicou que esta faixa é floristicamente distinta das demais. Foram apontadas 23 espécies potencialmente indicadoras dos gradientes altitudinais, com o maior número registrado para a faixa 1.800 m, onde Thelypteris eriosora e Dicksonia sellowiana surgem como as principais espécies indicadoras de altitudes mais elevadas. Palavras chave: espécies indicadoras, fitossociologia, Floresta Montana, gradiente altitudinal, pteridófitas. x ABSTRACT The Itatiaia National Park is located in Mantiqueira Mountains, in Southeast Brazil, on the boundaries of the States of Rio de Janeiro and Minas Gerais. Analysis of the assembly of ferns and lycophytes aimed to describe the structure and floristic composition of this group in stretches of Atlantic Forest in the Itatiaia National Park, and to analyze the distribution of species with altitude, indicating those potentially indicative of elevation gradients. The analysis assembly was carried out in six sites of Atlantic Forest, between 800 and 1.800 meters elevation, in intervals of 200 meters, where were established 30 non-contiguous plots in each site, totalizing 180 parcels with 5x5m (4500m2). It was sampled a total of 5,533 specimens, distributed in 115 species, 44 genera and 17 families. The richest family was Polypodiacee (26 spp.), and the predominant habit was epiphytic (55 spp.). The most abundant species were Campyloneurum lapathifolium, Didymoglossum reptans and Campyloneurum major. The similarity analysis showed a high dissimilarity in the 1.800 meters sample when compared with the other altitudinal sites, and the Correspondence Analysis pointed that this area has a distinct flora. There were 23 species potentially indicatives to the altitudinal gradients, especially in 1.800 meters, where Thelypteris eriosora and Dicksonia sellowiana appear as the main indicative species of high altitudes. Key words: Atlantic rain forest, elevation, indicative species, phytosociology, pteridophytes. xi ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1: Mapa de localização do Parque Nacional do Itatiaia (verde), nos estados de Minas Gerais (Itamonte e Bocaina de Minas) e Rio de Janeiro (Resende e Itatiaia) Fonte: IBAMA (2009). .................................................................................................................... 6 Figura 2: Parque Nacional do Itatiaia, município de Itatiaia, estado do Rio de Janeiro. A) Limites (linha amarela), indicando a localização do vale do Rio Campo Belo (círculo vermelho); B) Sítios de alocação das parcelas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ (pinos vermelhos). Fonte: Google Earth® (2009). .................................................................................................................................. 8 Figura 3: Número de espécies e gêneros das famílias de samambaias e licófitas amostradas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. ............................................................................................................................................. 13 Figura 4: Número de espécies de samambaias e licófitas por hábito, amostradas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. ............................................................................................................................................. 21 Figura 5: Número de espécies de samambaias e licófitas por hábito para cada faixa altitudinal estudada na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. ............................................................................................................................................. 22 Figura 6: Número de indivíduos (em porcentagem) das famílias de samambaias e licófitas amostradas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. Demais famílias correspondem à Dicksoniaceae, Lomariopsidaceae, Woodsiaceae, Lindsaeaceae e Lygodiaceae somando 1% na abundância. ............................................... 25 Figura 7: Número de indivíduos (Ni), densidade (Der%) e frequência relativas (Fr%) das espécies de samambaias e licófitas registradas nas parcelas das faixas altitudinais 800 m (A) e 1.000 m (B) na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. Valores para as 10 espécies mais abundantes. ............................................................................................. 33 Figura 8: Número de indivíduos (Ni), densidade (Der%) e frequência relativas (Fr%) das espécies de samambaias e licófitas registradas nas parcelas das faixas altitudinais 1.200 m xii (A) e 1.400 m (B) na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. Valores para as 10 espécies mais abundantes. ............................................................................................. 34 Figura 9: Número de indivíduos (Ni), densidade (Der%) e frequência relativas (Fr%) das espécies de samambaias e licófitas registradas nas parcelas das faixas altitudinais 1.600 m (A) e 1.800 m (B) na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. Valores para as 10 espécies mais abundantes. ............................................................................................. 35 Figura 10: Ordenação das espécies de samambaias e licófitas mais abundantes em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. A relação numérica das espécies é apresentada na Tabela 7. ............................................................. 36 Figura 11: Curva do coletor das 115 espécies de samambaias e licófitas e 180 parcelas amostradas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. ....................................................................................................................................... 38 Figura 12: Variação de quatro estimadores não-paramétricos (ACE, Bootstrap, Chao 1 Jack 1) para as 115 espécies de samambaias e licófitas e 180 parcelas amostradas (Sobs) em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. ............................................................................................................................................. 39 Figura 13: Dendrograma de similaridade, baseado no coeficiente de Sørensen (rcs = 0,9226) para as espécies de samambaias e licófitas amostradas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. ............................................................................................................................................. 40 Figura 14: Diagrama de ordenação obtido a partir da Análise de Correspondência (AC) calculados através da abundância das espécies de samambaias e licófitas registradas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. ............................................................................................................................................. 42 Figura 15: Diagrama de ordenação obtido a partir da Análise de Correspondência (AC) calculados através da abundância das espécies de samambaias e licófitas (não indicadas no gráfico) registradas nas unidades amostrais em diferentes faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. (800 m – letras A em roxo; 1.000 m – letras B xiii em verde; 1.200 m – letras C em vermelho; 1.400 m – letras D em cinza e 1.600 m – letras E em preto). .............................................................................................................. 43 Figura 16: Diagrama de ordenação obtido a partir da Análise de Correspondência (AC) das espécies registradas nas unidades amostrais em diferentes faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. A relação numérica das espécies é apresentada na Tabela 7. .................................................................................................... 44 xiv ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1: Sítios de alocação das parcelas para análise da distribuição altitudinal das samambaias e licófitas na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ - localidade e coordenadas geográficas. ................................................................................................... 7 Tabela 2: Número médio de frondes (Fi) das espécies de samambaias e licófitas da Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ, submetidas ao método de contagem de frondes desenvolvido por Paciencia & Prado (2005). ................................................... 10 Tabela 3: Lista de espécies e hábito das samambaias e licófitas registradas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. Legenda: * espécies registradas como epífitas acidentais. .................................................................................. 14 Tabela 4: Parâmetros fitossociológicos analisados para as espécies de samambaias e licófitas registradas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ, onde: Ni = número de indivíduos; Ui = número de parcelas em que a espécie ocorre; Der = densidade relativa; Fa = frequência absoluta; Fr = frequência relativa. Espécies em ordem decrescente de Ni. .............................................................................. 29 Tabela 5: Parâmetros florísticos e fitossociológicos para as seis faixas altitudinais amostradas na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. ............................... 37 Tabela 6: Valores de similaridade, baseados no coeficiente de Sørensen, para as seis faixas altitudinais amostradas na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. ............................................................................................................................................. 41 Tabela 7: Legenda das 115 espécies de samambaias e licófitas amostradas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ, onde: ● – espécies presentes no gráfico de ordenação da Figura 10; ▲ – espécies presentes na Análise de Correspondência da Figura 16............................................................................................. 46 Tabela 8: Lista das espécies de samambaias e licófitas indicadoras por grupo (faixa altitudinal) baseada no teste ISA (Indicator Species Analysis): valores indicadores e probabilidade (p). ............................................................................................................... 47 xv SUMÁRIO Agradecimentos ............................................................................................................... vii Resumo .............................................................................................................................. ix Abstract .............................................................................................................................. x Índice de figuras ............................................................................................................... xi Índice de tabelas ............................................................................................................. xiv Introdução .......................................................................................................................... 1 Materiais e métodos ........................................................................................................... 5 Parque Nacional do Itatiaia .......................................................................................... 5 Coleta de dados ............................................................................................................. 6 Análise de dados .......................................................................................................... 11 Resultados e discussão .................................................................................................... 13 Composição florística .................................................................................................. 13 Análise estrutural ........................................................................................................ 25 Similaridade florística ................................................................................................. 39 Distribuição das espécies por faixas altitudinais ........................................................ 42 Espécies indicadoras ................................................................................................... 47 Conclusão ......................................................................................................................... 50 Referências bibliográficas ............................................................................................... 52 Anexos ............................................................................................................................... 61 1 INTRODUÇÃO Mudanças na composição florística e riqueza de espécies, em função de gradientes altitudinais, vêm sendo estudadas por vários cientistas, que procuram entender padrões na relação entre altitude e a diversidade da comunidade vegetal (Gentry 1995; Krömer et al. 2005; Grytnes et al. 2006; Zhang et al. 2009). A distribuição de espécies ao longo de gradientes altitudinais pode apresentar três padrões distintos. O primeiro é um padrão monotônico-decrescente, no qual o número de espécies diminui com o aumento da altitude. O segundo, constante-decrescente, a riqueza é relativamente constante nas altitudes mais baixas, e diminuindo com o aumento da altitude. O terceiro padrão representa uma “curva em sino” (humped shape), onde a riqueza de espécies estaria concentrada nas elevações intermediárias e reduzindo em altitudes mais elevadas, sendo este padrão o mais encontrado em estudos de gradientes altitudinais (Watkins et al. 2006). Uma das explicações para este padrão (“curva em sino”) seria a ocorrência de restrições geométricas na amplitude de distribuição das espécies dentro de um domínio limitado. A este padrão, em função de restrições geométricas, onde a riqueza específica aumenta em direção ao centro de domínios geográficos, é denominado MDE (Mid-domain effect) (Colwell & Less 2000). Watkins et al. (2006), ao pesquisarem a distribuição das plantas vasculares sem sementes epífitas e terrestres na Costa Rica, encontraram um “pico” na riqueza de espécies em torno de 1.000 m de altitude, caracterizado por uma “curva em sino”. Porém, os mesmos autores verificaram que este padrão clássico de “picos” em elevações intermediárias não foi observado para todas as formas de vida estudadas (epífitas de tronco, epífitas de dossel e terrestres), ocorrendo apenas para as epífitas, tanto de tronco, como de dossel. As diferenças entre os gradientes altitudinais nas florestas tropicais são notáveis do ponto de vista florístico, fisionômico e fisiológico (Richter 2008). Hemp (2002) atribuiu a riqueza de samambaias e licófitas aos diferentes hábitats formados pela variação altitudinal e as altas precipitações ocorrentes nas florestas tropicais montanas. Kluge et al. (2008) afirmaram que as diferenças na composição florística nas diferentes elevações são causadas principalmente em função da mudança gradual de fatores climáticos com a altitude. Kessler (2000), ao pesquisar as criptógamas andinas, verificou mudanças na comunidade de criptógamas em faixas altitudinais distintas. Entretanto, estas diferenças 2 não foram suficientes para delimitar zonas altitudinais entre estes grupos, pois estes respondem de maneira diferente as mudanças altitudinais. O mesmo autor ainda ressalta que zonas florísticas distintas são distinguidas com limites ecológicos bem definidos, como exemplo, por mudanças climáticas e edáficas. As variações na comunidade não estão somente relacionadas com a altitude, pois as mudanças na vegetação são respostas às diferentes condições ambientais as quais são impostas, por exemplo, umidade, temperatura, tipos de substratos e fertilidade do solo. (Hemp 2002). Um exemplo disto são os resultados encontrados por Tuomisto & Ruokolainen (1994), ao abordarem a distribuição de samambaias, licófitas e Melastomataceae em um gradiente edáfico na Amazônia Peruana, onde verificaram variações da distribuição destes grupos em função dos diferentes substratos e drenagem do solo (principalmente com samambaias e licófitas), com espécies restritas a solos argilosos ou arenosos. As florestas montanas neotropicais são pouco conhecidas com relação aos padrões de diversidade na composição florística e vem sofrendo um alto grau de ameaça na sua vegetação (Gentry 1995). Moran (1995) comentou como as florestas montanas influenciam na riqueza e endemismos em samambaias e licófitas, ao indicar que a alta riqueza encontrada nas regiões serranas tropicais é resultante dos variados microambientes criados pelas diferentes elevações, inclinações, luminosidade, solos, tipos de rochas e microclimas. Do mesmo modo, associado a esta riqueza, os maiores graus de endemismos estão concentrados em florestas montanas tropicais, nas quais a distribuição de espécies endêmicas em um gradiente de elevação está relacionada a processos evolutivos e a respostas ambientais distintas dos táxons (Kluge & Kessler 2006). No Brasil, a Floresta Atlântica abriga uma elevada diversidade vegetal, sendo considerada um dos principais centros de endemismos e prioritária para conservação (Myers et al. 2000). Porém, este é um dos biomas mais ameaçados, restando atualmente pouco mais de 7% de sua cobertura original, onde o Estado do Rio de Janeiro concentra 19,2% dos remanescentes florestais deste bioma (S.O.S Mata Atlântica/INPE 2009). Neste contexto, as plantas vasculares sem sementes são mais abundantes e diversas nas florestas tropicais. Representam 3% das plantas vasculares conhecidas, com cerca de 10.000 espécies (Schneider et al. 2004; Schuettpelz & Pryer 2008). São consideradas importantes indicadoras de qualidade ambiental, por estarem profundamente relacionadas a fatores abióticos (Ferrer-Castán & Vetaas 2005). Ocorrem preferencialmente em ambientes úmidos, devido a sua dependência de água em seu ciclo reprodutivo (Page 2002). Porém, 3 algumas espécies desenvolveram estratégias contra dessecação (poiquiloídricas) e são capazes de colonizar ambientes sazonalmente secos (Kornás 1985, Dubuisson et al. 2009). A ocorrência de espécies deste grupo em determinados hábitats caracteriza áreas degradadas, florestas primárias ou secundárias (Arcand & Ranker 2008). Estudos sobre a estrutura do componente herbáceo e arbustivo são escassos no Brasil (Müller & Waechter 2001), sendo poucos trabalhos que se referem às plantas vasculares sem sementes, tais como os desenvolvidos por Müller & Waechter (2001), Athayde-Filho (2002), Paciencia & Prado (2005), Condack & Sylvestre (2008), Inácio & Jarenkow (2008) e Paciencia (2008). O único que abordou a diversidade de samambaias e licófitas em gradientes altitudinais foi Paciencia (2008), que comparou três montanhas da Serra do Mar Paranaense, com variação de 1.500 m de altitude, encontrando relação entre a riqueza de espécies e o gradiente altitudinal nas três áreas. O Parque Nacional do Itatiaia (PNI) está inserido na região de mais alta diversidade de samambaias e licófitas no Brasil, que se configura em um dos centros primários de diversidade e especiação em samambaias e licófitas neotropicais (Tryon 1972). Brade (1956) observou que as variações nas formações florestais, em virtude da altitude, determinavam modificações na composição florística. Espécies ocorrentes na região baixa eram substituídas por outras na parte mais elevada. Em altitudes acima de 2.000 metros, o extrato arbustivo se tornava mais denso, o número de espécies diminuía progressivamente, mudando consideravelmente o aspecto da vegetação. Essas mudanças, segundo o autor, estariam relacionadas às diferentes condições ambientais proporcionadas pelas diferentes altitudes, como luminosidade, exposição ao vento e umidade, interferindo na flora da região. Segadas-Vianna (1965) foi um dos primeiros autores a abordar modificações na composição florística em decorrência da variação de altitude no maciço do Itatiaia, destacando os andares de vegetação de acordo com as espécies presentes nas diferentes faixas altitudinais. O autor apontou as faixas correspondentes à Floresta Montana como as que abrigavam maior diversidade vegetal, destacando as espécies arbóreas, herbáceas, fetos arborescentes (samambaiaçus), lianas e epífitas. Trabalhos desenvolvidos com a estrutura da assembleia de samambaias e licófitas no PNI são poucos e recentes. Condack & Sylvestre (2008) estudaram a região de Floresta Alto Montana, realizando uma análise estrutural em duas vertentes opostamente orientadas, de mesma altitude (1.900 m – 2.100 m). Os autores encontraram padrões semelhantes na 4 composição florística e abundância, e concluíram que não era possível detectar diferenças nesta composição baseando-se na orientação das vertentes. Com relação às samambaias e licófitas epífitas, Cardoso-Freitas (2008) abordou a estrutura da comunidade epifítica em samambaiaçus em um trecho de Floresta Montana no PNI. A autora registrou 39 espécies e a maior diversidade e abundância foi encontrada no estrato compreendido entre 0-2 metros no forófito. O conhecimento da pteridoflora da região Alto Montana, acima de 2.000 metros, tem se mostrado bastante satisfatório. Entretanto, o mesmo não pode ser afirmado para as demais formações florestais, como a Floresta Montana, que domina a maior parte da área do PNI. Estima-se que a Floresta Montana abrigue cerca de 250 espécies. Entretanto, é bastante provável que este número esteja subestimado. A pteridoflora do PNI e a sua estrutura em diferentes faixas altitudinais ainda não foram realizadas. Apenas estudos de samambaias e licófitas com abordagens florísticotaxonômicas foram realizados na região. Desta forma, o presente estudo tem como objetivos descrever a composição florística e a estrutura da assembleia de samambaias e licófitas em trechos de Floresta Atlântica no Parque Nacional do Itatiaia, analisando a distribuição das espécies em função da altitude e apontando aquelas potencialmente indicadoras dos diferentes gradientes altitudinais. 5 MATERIAIS E MÉTODOS Parque Nacional do Itatiaia O Parque Nacional do Itatiaia (PNI) ocupa uma área de 28.155,97 ha e está localizado na região Sudeste do Brasil, na Serra da Mantiqueira, nos limites dos municípios de Itatiaia e Resende, no Estado do Rio de Janeiro, e de Itamonte e Bocaina de Minas, no Estado de Minas Gerais (22° 15’e 22° 30’S; 44°30’, 44°45’W) (Fig. 1) (Morim 2006). É uma Unidade de Conservação de proteção integral, que tem como objetivo a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação, interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico (Ministério do Meio Ambiente 2006). Segundo Veloso et al. (1991), a área é classificada fitoecologicamente como Floresta Ombrófila Densa, sendo formada por três faixas altimétricas: Submontana (até 500 m); Montana (500 – 1.500 m) e Alto Montana (acima de 1.500 m). Na região mais elevada do maciço, acima de 2.000 m de altitude, existe o predomínio de uma vegetação campestre, com solos pouco drenados e rochosos, geralmente denominada como “campos de altitude”. Nesta região se eleva uma série de picos rochosos, correspondendo às maiores altitudes no estado, como o Pico das Agulhas Negras (Itatiaiuçu), com 2.791 m. O clima, de acordo com o sistema de Köeppen, é classificado como Cfb - temperado e úmido, com duas estações bem diferenciadas: quente/chuvosa e fria/seca (Segadas-Vianna & Dau 1965). A temperatura média anual varia entre 15º e 27ºC (Brade 1956). De acordo com os dados obtidos de Segadas-Vianna & Dau (1965), para as faixas altitudinais entre 700 m e 1.100 m, a precipitação média anual é de 1.699 mm, com a estação quente em torno de dezembro a fevereiro, com precipitação média de 818,3 mm; e a estação fria, de junho a agosto, com precipitação média de 102 mm. A umidade relativa anual média é de 83,5%. A estação quente/chuvosa tem umidade média em torno de 84,4% e a estação fria/seca com 81,9% de umidade. As bacias hidrográficas que compõem a região são as do Rio Paraná e Rio Paraíba do Sul. Desta última, destaca-se o Rio Campo Belo, considerado um dos principais do PNI, constituindo um importante componente na drenagem da região (Brade 1956). 6 Figura 1: Mapa de localização do Parque Nacional do Itatiaia (verde), nos estados de Minas Gerais (Itamonte e Bocaina de Minas) e Rio de Janeiro (Resende e Itatiaia) Fonte: IBAMA (2009). Coleta de dados As coleções de samambaias e licófitas do Parque Nacional do Itatiaia, depositadas nos herbários do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB) e na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (RBR), foram consultadas a fim de se obter informações referentes às espécies ocorrentes no local. Para a análise das assembleias de samambaias e licófitas no gradiente de altitude, foram estabelecidos sítios para alocação das parcelas em intervalos de 200 m de altitude, seguindo metodologia aplicada por Paciencia (2008) ao longo do vale do Rio Campo Belo (Tab. 1), com acesso aos locais de amostragem através da BR 485. Foram amostrados seis sítios, abrangendo trechos de Floresta Montana e Alto Montana, entre 800 m e 1.800 m de altitude, com a implantação de 180 parcelas, totalizando 4.500 m2 (0.45 ha). As altitudes correspondentes a 600 e 2.000 metros foram desconsideradas. A 7 formação florestal ocorrente na faixa de 600 m é bastante fragmentada, devido à proximidade de áreas residenciais, sendo inadequada para a amostragem. A faixa de 2.000 m já foi contemplada em outro estudo da estrutura de samambaias e licófitas (Condack & Sylvestre 2008), sendo também desconsiderada na análise. Os locais dos sítios de coleta estão indicados na Figura 2. Em cada sítio foram alocadas 30 parcelas (unidades amostrais) não contíguas de 5 m x 5 m (25 m2), totalizando 750 m2. Segundo Kessler & Bach (1999) para uma comparação adequada entre assembleias de samambaias e licófitas em áreas de florestas tropicais, o tamanho mínimo necessário é de 400 m2. Tabela 1: Sítios de alocação das parcelas para análise da distribuição altitudinal das samambaias e licófitas na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ - localidade e coordenadas geográficas. Sítio Localidade Coordenadas geográficas 800 m Centro de Visitantes (Parcelas PMA) S22°27'23.8" W44°36'45.8" 1.000 m Cachoeira do Poranga S22°26'17,8" W44°36'43,1" 1.200 m Trilha de acesso aos Três Picos S22°26'01" W44°36'12" 1.400 m Trilha de acesso ao Abrigo Lamego S22º25'30" W44º37'56" 1.600 m Trilha de acesso ao Abrigo Macieiras S22°25'19,1" W 44°38'07.4" 1.800 m Abrigo Macieiras S22º25.1’02” W44º38’07.4” Em cada parcela foram inventariados todos os indivíduos que cresciam sobre solo, rocha e forófitos (epífitas). Na análise das espécies epífitas, foram registrados somente os indivíduos que ocorriam até 2 metros do solo, conforme realizado por Tuomisto & Ruokolainen (1994), Tuomisto et al. (2002) e Paciencia (2008). Esta metodologia foi adotada por ser a mais utilizada em amostragem de epífitas de tronco, e devido à dificuldade de tomar dados referentes à abundância de indivíduos presentes no dossel das árvores (Gardette 1996; Ramos & Sylvestre 2010). As plântulas foram desconsideradas na amostragem, exceto quando era possível identificá-las ao nível de espécie. 8 A B Figura 2: Parque Nacional do Itatiaia, município de Itatiaia, estado do Rio de Janeiro. A) Limites (linha amarela), indicando a localização do vale do Rio Campo Belo (círculo vermelho); B) Sítios de alocação das parcelas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ (pinos vermelhos). Fonte: Google Earth® (2009). 9 Para as espécies que possuem propagação vegetativa formando estolões ou touceiras, a contagem poderia ser prejudicada pela dificuldade de se visualizar indivíduos distintos. Desta forma, os dados de abundância, das espécies que apresentam este tipo de crescimento, foram obtidos utilizando o método descrito por Paciencia & Prado (2005). Neste método, são coletados indivíduos inteiros, sem ter suas partes (raízes, caule e frondes) destruídas, em locais próximos a área onde as parcelas serão implantadas. As frondes de cada indivíduo por espécie são contadas, obtendo-se um valor médio de frondes por indivíduo adulto de uma determinada espécie (Fi), e este número é utilizado numa fórmula, como segue abaixo: Onde: Nij = número de indivíduos da espécie i na unidade amostral j; Fij = número observado de frondes da espécie i na parcela j; Fi = número médio de frondes da espécie i. O método foi utilizado por Paciencia (2008) como uma alternativa para evitar uma superamostragem no número de indivíduos. O mesmo autor atenta que a coleta de n indivíduos para contagem de frondes varia de acordo com a espécie a ser estudada e com o tamanho da população da mesma, e que nem todas as espécies com crescimento vegetativo necessitam ser submetidas a este método. Neste trabalho, o método foi empregado somente nas espécies que formavam touceiras ou estolões quando não era possível separar seus indivíduos no campo. As espécies submetidas a este método foram: Blechnum binervatum subsp. acutum, Campyloneurum lapathifolium, C. major, C. wacketii, Didymoglossum reptans, Hymenophyllum asplenioides, H. caudiculatum, H. polyanthos, Lomagramma guianensis, Lomariopsis marginata, Polybotrya cylindrica, Polybotrya speciosa, Polyphlebium angustatum, Polyphlebium pyxidiferum e Vandenboschia radicans (Tab. 2). 10 Tabela 2: Número médio de frondes (Fi) das espécies de samambaias e licófitas da Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ, submetidas ao método de contagem de frondes desenvolvido por Paciencia & Prado (2005). Espécies Blechnum binervatum subsp. acutum Campyloneurum lapathifolium Campyloneurum major Campyloneurum wacketii Didymoglossum reptans Hymenophyllum asplenioides Hymenophyllum caudiculatum Hymenophyllum polyanthos Lomagramma guianensis Lomariopsis marginata Polybotrya cylindrica Polybotrya speciosa Polyphlebium angustatum Polyphlebium pyxidiferum Vandenboschia radicans Fi 11,00 6,00 7,00 7,00 6,33 8,00 7,75 5,75 5,50 6,67 3,33 4,40 5,33 4,50 5,50 Para determinação do hábito, as espécies foram classificadas como: rupícola (planta encontrada sobre a rocha); arborescente (planta terrestre com cáudice); erva terrestre (planta terrestre herbácea), epífita (planta encontrada sobre forófitos não caídos, vivos ou mortos) e trepadeira (planta com hábito volúvel, com conexão ao solo). As epífitas foram classificadas de acordo com Benzing (1990) em: holoepífitas (espécies presentes sobre forófitos), epífitas facultativas (espécies presentes tanto sobre forófitos, como sobre o solo ou rocha), epífitas acidentais (espécies preferencialmente terrestres) e hemiepífitas secundárias (espécies que crescem inicialmente no solo e posteriormente adquirem o hábito epifítico, perdendo a conexão com o solo). A classificação para o hábito considerou o comportamento das espécies na área de estudo. Além das coletas realizadas nas parcelas, foram coletados materiais botânicos adicionais, especialmente os férteis, nas regiões adjacentes, para auxiliar a comparação dos espécimes durante a identificação dos materiais coletados na amostragem. Os espécimes foram herborizados segundo técnicas para plantas vasculares sem sementes (Windisch 11 1992) e incorporados ao acervo dos Herbários do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (RBR). A identificação dos táxons seguiu a bibliografia específica para cada grupo, bem como a comparação com espécimes depositados em herbários e identificados por especialistas. As pteridófitas, em um sentido amplo, constituem-se num grupo parafilético, formado por samambaias e licófitas (Pryer et al. 2004). Desta forma, neste trabalho o termo “pteridófita” foi substituído por samambaias e licófitas, seguindo a atual classificação para as plantas vasculares sem sementes. O sistema de classificação adotado para a samambaias foi o de Smith et al. (2006), e para as licófitas, seguiu-se a mesma circunscrição para gêneros e famílias utilizada por Moran & Riba (1995), para a Flora Mesoamericana. Os nomes dos autores seguem Pichi-Sermolli (1996). Análise dos dados Os parâmetros utilizados para a análise estrutural foram: abundância, densidade relativa, frequência absoluta e frequência relativa (Vuono 2002). A partir dos dados de abundância, as 10 espécies com maior número de indivíduos em cada faixa altitudinal foram ordenadas. A ordenação das espécies por abundância foi feita no programa Comunidata 1.5 (Dias 2006). A partir da amostragem dos indivíduos, gerou-se uma matriz com a abundância das espécies por faixa altitudinal e foi obtida a riqueza (S). A estimativa da diversidade da assembleia para as áreas estudadas foi baseada no índice de diversidade de Shannon (H’), escolhido de acordo com Magurran (1988) e Vuono (2002). Ainda com base nos dados quantitativos, foi calculada a equabilidade através do índice de Pielou (J’), fornecendo dados referentes à uniformidade da assembleia nas áreas de estudo (Pielou 1977; Vuono 2002). Para o cálculo do índice de Shannon e da equabilidade de Pielou foi utilizado o programa PAST (Hammer et al. 2001). Para interpretação da suficiência amostral e comparação com a curva do coletor, foram calculados quatro estimadores não-paramétricos de riqueza de espécies (ACE, Bootstrap Chao 1 e Jack 1) de acordo com Magurran (2004). Estes estimadores foram escolhidos por se mostrarem os mais adequados para esta análise, e foram calculados no programa EstimateS 7.5 (Colwell 2009). A similaridade florística entre as cotas altitudinais foi obtida através da análise de agrupamento, a partir da matriz de dados binários (presença/ausência), onde foram 12 desconsideradas as espécies que ocorreram em uma e/ou todas as áreas amostradas. Para a o cálculo de similaridade entre as faixas foi utilizado o coeficiente de Sørensen (Magurran 1988). Na interpretação da similaridade florística entre as áreas empregou-se o agrupamento pelo método média de grupo (UPGMA) e foi calculado o coeficiente de correlação cofenética – rcs (Valentin 2000). As análises foram realizadas no pacote estatístico FITOPAC (Shepherd 1995). Para discutir a distribuição das espécies de samambaias e licófitas nas faixas altitudinais, foi feita uma Análise de Correspondência (AC), a partir dos dados de abundância das espécies (descritores), para as amostras em cada faixa altitudinal (Legendre & Legendre 1998). A fim de se obter uma melhor interpretação da análise, foram consideradas apenas as espécies que apresentaram pelo menos dois indivíduos na amostragem geral, e presentes em mais de uma unidade amostral. As ordenações foram feitas através do programa Statistica v. 7 (StatSoft 1984-2006). A análise de espécies indicadoras nas seis faixas altitudinais foi realizada pelo teste ISA - Indicator Species Analysis, resultando em um valor indicador para cada espécie (Dufrêne & Legendre 1997). De acordo com Dufrêne & Legendre (1997), o método consiste em calcular um valor indicador para as espécies de acordo com as amostras dos grupos analisados (neste caso, as faixas altitudinais), a partir de uma combinação de frequência e abundância relativa em vários grupos. Na mesma análise, o teste de Monte Carlo avalia a significância dos valores indicadores máximos de cada espécie para os grupos que estas são apontadas como indicadoras. No teste de Monte Carlo, foram feitas 1.000 aleatorizações e considerados valores significativos de p ≤ 0,05. As análises foram feitas no programa PC-Ord v. 5 (McCune & Mefford 2006). 13 RESULTADOS E DISCUSSÃO Composição florística Na análise das seis faixas altitudinais, em trechos de Floresta Montana e Alto Montana no PNI (800 m, 1.000 m, 1.200 m, 1.400 m, 1.600 m e 1.800 m de altitude), foram registradas 115 espécies, distribuídas em 44 gêneros e 17 famílias (Tab. 2). As famílias mais representativas em espécies foram Polypodiaceae (26), Aspleniaceae (18), Dryopteridaceae (17), Hymenophyllaceae (11) e Pteridaceae (10). Porém, com relação à riqueza genérica, Dryopteridaceae destacou-se com nove gêneros, seguida por Polypodiaceae com oito, Hymenophyllaceae com seis, e Pteridaceae com quatro gêneros (Fig. 3). As demais famílias apresentaram menos de três gêneros. 30 Nº de espécies 25 Espécies Gêneros 20 15 10 5 Po ly po A dia D sple ce a r H yop nia e ym te ce en rid a e op ac hy eae Pt llac er e Cy ida c ae at ea Bl hea e ec ce a M hna e a c Se rat eae t l Th a gi iace e l ne a e yp lla te c W rid eae oo ace ds ae i D Ane ace en m ae ns ia ta c D e dt eae ick ia so cea L Lo in niac e m dsa ea ar ea e io c ps ea Ly ida e go cea di e ac ea e 0 Famílias Figura 3: Número de espécies e gêneros das famílias de samambaias e licófitas amostradas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. 14 Tabela 3: Lista de espécies e hábito das samambaias e licófitas registradas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. Legenda: * espécies registradas como epífitas acidentais. Famílias/Espécies Hábito Faixas Altitudinais 800 m 1.000 m 1.200 m 1.400 m 1.600 m 1.800 m Material coletado Anemiaceae Anemia mandioccana Raddi Anemia phyllitidis (L.) Sw rupícola X X erva terrestre* X X Damasceno & Costa 135, 209 X Damasceno & Costa 187 X Damasceno & Costa 159 Damasceno & Costa 228, 280; Damasceno et al. 379, 396 Damasceno & Costa 273; Damasceno et al. 425 Aspleniaceae Asplenium alatum Humb. & Bonpl. ex Willd. rupícola Asplenium auriculatum Sw. epífita facultativa X Asplenium auritum Sw. epífita facultativa X Asplenium formosum Willd. rupícola X Asplenium harpeodes Kunze epífita facultativa Asplenium inaequilaterale Willd. rupícola Asplenium kunzeanum Klotzsch ex Rosenst. epífita facultativa Asplenium martianum C. Chr. Asplenium mourai Hieron. X X X X Damasceno & Costa 284 X X X X X X epífita facultativa X X X erva terrestre* X Asplenium mucronatum C. Presl holoepífita Asplenium oligophyllum Kaulf. epífita facultativa Asplenium pseudonitidum Raddi erva terrestre X X X X X Asplenium pteropus Kaulf. holoepífita X Asplenium raddianum Gaudich. holoepífita X Asplenium scandicinum Kaulf. holoepífita X X X X X X X X X X Damasceno & Costa 186; Damasceno et al. 352, 419 Damasceno & Costa 241 Damasceno & Costa 171, 179, 197; Damasceno & Silva 323; Damasceno et al. 403 Damasceno & Costa 166; Damasceno & Silva 306; Damasceno et al. 376 Damasceno & Costa 156, 163; Damasceno et al. 402 Damasceno & Costa 220 e 238 Damasceno & Costa 173, 214; Damasceno & Silva 327; Damasceno et al. 401 Damasceno & Condack 332; Damasceno et al. 382 Damasceno & Costa 297 Damasceno & Costa 290, 296; Damasceno & Silva 319; Damasceno et al. 345, 387 Damasceno & Costa 144, 199; Damasceno et al. 392 15 Tabela 3: continuação. Famílias/Espécies Hábito Faixas Altitudinais 800 m 1.000 m 1.200 m 1.400 m 1.600 m 1.800 m Material coletado Aspleniaceae Asplenium serra Langsd. & Fisch. erva terrestre Asplenium triquetrum N. Murak. & R. C. Moran rupícola* Asplenium uniseriale Raddi rupícola X X X X Damasceno & Costa 232; Damasceno et al. 397 Damasceno & Costa 133, 183, 288; Damasceno & Silva 305 Damasceno & Costa 299 X X Blechnaceae Blechnum binervatum subsp. acutum (Desv.) R.M. Tryon & Stolze Blechnum brasiliense Desv. hemiepífita X erva terrestre X Blechnum cordatum (Desv.) Hieron. erva terrestre Blechnum lehmanii Hieron. erva terrestre Blechnum sampaioanum Brade erva terrestre X X X X X X X X Damasceno & Costa 167, 226; Damasceno & Silva 324; Damasceno et al. 423 Damasceno & Costa 146 Damasceno et al. 358 Damasceno & Costa 177; Damasceno & Silva 301 X Damasceno & Costa 139, 243 Cyatheaceae Alsophila capensis J. Sm. arborescente X Alsophila setosa Kaulf. arborescente Cyathea atrovirens (Langsd. & Fisch.) Domin arborescente X Cyathea delgadii Sternb. arborescente X Cyathea dichromatolepis (Fée) Domin arborescente X Cyathea phalerata Mart. arborescente X Dennstaedtia globulifera (Poir.) Hieron. erva terrestre X Hypolepis repens (L.) C. Presl erva terrestre X X X Damasceno et al. 351 Damasceno & Costa 169 X Damasceno & Costa 206, 239 X X X X X X X X X Material não coletado. Damasceno & Condack 337; Damasceno & Costa 149, 218 Damasceno & Costa 268, 276; Damasceno & Silva 308 Dennstaedtiaceae X Damasceno & Costa 275; Damasceno et al. 385 X Damasceno et al. 353, 424 16 Tabela 3: continuação. Famílias/Espécies Hábito Faixas Altitudinais 800 m 1.000 m 1.200 m 1.400 m 1.600 m 1.800 m Material coletado Dicksoniaceae Dicksonia sellowiana Hook. arborescente X Material não coletado. Dryopteridaceae Arachniodes denticulata (Sw.) Ching erva terrestre X Damasceno & Silva 325 Ctenitis aspidioides (C. Presl) Copel. erva terrestre X Damasceno & Costa 207 Didymochlaena truncatula (Sw.) J. Sm. erva terrestre X Damasceno & Costa 205 Elaphoglossum gracile (Fée) C. Chr. rupícola X Damasceno et al. 394, 398 Elaphoglossum insigne (Fée) Brade epífita facultativa X Damasceno et al. 395 Elaphoglossum itatiayense Rosenst. holoepífita Elaphoglossum ornatum (Mett. ex Kuhn) H. Christ holoepífita Elaphoglossum schomburgkii (Fée) T. Moore holoepífita Elaphoglossum vagans (Mett.) Hieron. holoepífita Lastreopsis amplissima (C. Presl) Tindale Lomagramma guianensis (Aubl.) Ching Megalastrum grande (C. Presl) A.R. Sm. & R.C. Moran Megalastrum inaequale (Kaulf. ex Link) A.R. Sm. & R.C. Moran Megalastrum retrorsum R. C. Moran, J. Prado & Labiak X X X X Damasceno & Costa 162, 216, 247 X Damasceno & Costa 191 X erva terrestre* X hemiepífita X erva terrestre X erva terrestre X X X Polybotrya cylindrica Kaulf. hemiepífita X Polybotrya speciosa Schott hemiepífita X Damasceno et al. 415 Damasceno & Condack 330; Damasceno & Costa 176, 180; Damasceno et al. 377 Damasceno & Costa 219 Damasceno & Costa 140 X Damasceno & Costa 192, 230, 244 X rupícola* X X erva terrestre Olfersia cervina (L.) Kunze Damasceno et al. 367 X X X X X X Damasceno & Silva 309; Damasceno et al. 383, 350 Damasceno & Costa 154, 158; Damasceno & Silva 322 Damasceno & Costa 237 X X Damasceno & Costa 165, 189; Damasceno et al. 413 17 Tabela 3: continuação. Famílias/Espécies Hábito Faixas Altitudinais 800 m 1.000 m 1.200 m 1.400 m 1.600 m 1.800 m Material coletado Hymenophyllaceae Abrodictyum rigidum (Sw.) Ebihara & Dubuisson erva terrestre X Didymoglossum reptans (Sw.) C. Presl epífita facultativa X Hymenophyllum asplenioides (Sw.) Sw. holoepífita Hymenophyllum caudiculatum Mart. Hymenophyllum hirsutum (L.) Sw. Hymenophyllum microcarpum Desv. X epífita facultativa holoepífita X X X X X X X X X X X Damasceno & Costa 315; Damasceno & Costa 142; Damasceno et al. 346, 378 Damasceno & Costa 148, 190, 294; Damasceno & Silva 329; Damasceno et al. 386 Damasceno & Condack 340; Damasceno et al. 409 Damasceno & Costa 164; Damasceno & Silva 318; Damasceno et al. 388, 412 Damasceno & Costa 246; Damasceno et al. 414 X rupícola X X X Damasceno & Silva 316 Hymenophyllum polyanthos (Sw.) Sw. Polyphlebium angustatum (Carmich.) Ebihara & Dubuisson Polyphlebium pyxidiferum (L.) Ebihara & Dubuisson Trichomanes polypodioides L. epífita facultativa X Vandenboschia radicans (Sw.) Copel. epífita facultativa X erva terrestre X Damasceno & Costa 248 hemiepífita X Damasceno & Costa 147 trepadeira X Damasceno & Costa 240 holoepífita X X X X X epífita facultativa X X X X X holoepífita X X X Damasceno & Condack 335; Damasceno et al. 370 Damasceno & Costa 151, 193, 265; Damasceno & Silva 312; Damasceno et al. 390 Damasceno & Costa 196, 272, 291; Damasceno & Silva 307; Damasceno et al. 389 Damasceno & Costa 233 Damasceno & Costa 143, 204, 212, 293 Lindsaeaceae Lindsaea arcuata Kunze Lomariopsidaceae Lomariopsis marginata (Schrad.) Kuhn Lygodiaceae Lygodium volubile Sw. Marattiaceae Danaea geniculata Raddi erva terrestre Danaea moritziana C. Presl erva terrestre X X Damasceno & Costa 231 Damasceno & Costa 141 18 Tabela 3: continuação. Famílias/Espécies Hábito Faixas Altitudinais Material coletado 800 m 1.000 m 1.200 m 1.400 m 1.600 m 1.800 m Marattiaceae Eupodium kaulfussii (J. Sm.) J. Sm. erva terrestre Marattia cicutifolia Kaulf. erva terrestre X X X X Damasceno & Costa 211 X Damasceno 310 X Damasceno et al. 407 Polypodiaceae Campyloneurum aglaolepis (Alston) de la Sota Campyloneurum decurrens C. Presl Campyloneurum fallax Fée Campyloneurum lapathifolium (Poir.) Ching epífita facultativa erva terrestre* X X Damasceno & Costa 152, 184, 210 holoepífita epífita facultativa Campyloneurum major (Hieron. ex Hicken) epífita facultativa Lellinger Campyloneurum wacketii Lellinger epífita facultativa Lelingeria apiculata (Kunze ex Klotzsch) A.R. Sm. holoepífita & R.C. Moran Lellingeria depressa (C. Chr.) A.R. Sm. & R.C. holoepífita Moran Lellingeria schenckii (Hieron.) A.R. Sm. & R.C. holoepífita Moran Melpomene peruviana (Desv.) A.R. Sm. & R.C. holoepífita Moran Melpomene pilosissima (M. Martens & Galeotti) holoepífita A.R. Sm. & R.C. Moran Micropolypodium achilleifolium (Kaulf.) Labiak & holoepífita F. B. Matos Micropolypodium gradatum (Baker) Labiak & F. B. rupícola Matos Pecluma camptophyllaria (Fée) M. G. Price holoepífita Pecluma pectinatiformis (Lindm.) M.. G. Price X holoepífita X X X X X X X X X X X X X X X Damasceno et al. 408 Damasceno & Costa 138, 161, 185, 195; Damasceno & Silva 321 Damasceno & Costa 224, 242, 287; Damasceno & Silva 302; Damasceno et al. 372 Damasceno & Silva 304; Damasceno et al. 380 X Damasceno & Condack 336; Damasceno et al. 366 X Damasceno et al. 421 X Damasceno et al. 356, 365 X Damasceno et al. 355 X Damasceno et al. 416 X Damasceno et al., 420 X Damasceno & Condack, 343 X X Damasceno et al.. 417, 418 X X Damasceno et al. 393, 357, 369 19 Tabela 3: continuação. Famílias/Espécies Hábito Faixas Altitudinais 800 m 1.000 m 1.200 m 1.400 m 1.600 m 1.800 m Material coletado Polypodiaceae Pecluma recurvata (Kaulf.) M. G. Price holoepífita Pecluma sicca (Lindm.) M. G. Price holoepífita Pecluma truncorum (Lindm.) M. G. Price holoepífita Pleopeltis astrolepis (Liebm.) E. Fourn. holoepífita Pleopeltis hirsutissima (Raddi ) de la Sota Pleopeltis macrocarpa (Bory ex Willd.) Kaulf. epífita facultativa X X X X X X X X Damasceno & Condack 333; Damasceno & Costa 285; Damasceno et al. 354 Damasceno & Costa 188 Damasceno & Condack 338; Damasceno & Costa 213 X Damasceno & Costa 225 X Damasceno & Costa 283 holoepífita X Damasceno & Costa 174; Damasceno et al. 361 X Damasceno et al. 363 Damasceno & Condack 331, 334; Damasceno & Costa 172; Damasceno et al. 362 Damasceno & Costa 198, 279 Pleopeltis pleopeltidis (Fée) de la Sota Serpocaulon catharinae (Langsd. & Fisch.) A. R. Sm Serpocaulon fraxinifolium (Jacq.) A. R. Sm. epífita facultativa Serpocaulon latipes (Langsd. & Fisch.) A. R. Sm. rupícola X Damasceno et al. 406 holoepífita X Damasceno et al. 411 X Damasceno & Costa 155, 229; Damasceno et al. 404 Tepsichore reclinata (Brack.) Labiak X X epífita facultativa X holoepífita X X X X X Pteridaceae Doryopteris sagittifolia (Raddi) J. Sm. Polytaenium cajenense (Desv.) Benedict Polytaenium lineatum (Sw.) J. Sm. rupícola holoepífita X X Damasceno & Costa 145 epífita facultativa X Pteris decurrens C. Presl erva terrestre Pteris deflexa Link erva terrestre* Pteris lechleri Mett. erva terrestre Pteris schwackeana Christ in Schwacke erva terrestre X Pteris splendens Kaulf. erva terrestre X Vittaria graminifolia Kaulf. X rupícola X X X X X X X X Damasceno et al. 422 Damasceno & Silva 339; Damasceno et al. 384 Damasceno & Costa 202, 269; Damasceno & Silva 303; Damasceno et al. 374 Damasceno & Costa 266 Damasceno & Costa 215 X X Damasceno & Costa 168, 222; Damasceno et al. 381 X Damasceno et al. 399 20 Tabela 3: continuação. Famílias/Espécies Hábito Faixas Altitudinais 800 m 1.000 m 1.200 m 1.400 m 1.600 m 1.800 m Material coletado Pteridaceae Vittaria lineata (L.) Sm. holoepífita X Damasceno et al. 359 Selaginellaceae Selaginella contigua Baker erva terrestre* Selaginella flexuosa Spring erva terrestre* X Selaginella muscosa Spring rupícola X erva terrestre X Selaginella suavis (Spring) Spring X Damasceno & Costa 178 Damasceno & Costa 245 X X Damasceno & Costa 274; Damasceno & Silva 317 X Damasceno & Costa 227, 278 Thelypteridaceae Thelypteris eriosora (Fée) Ponce erva terrestre Thelypteris gardneriana (Baker) C.F. Reed erva terrestre Thelypteris regnelliana (C. Chr.) Ponce erva terrestre X X Damasceno et al. 360, 364 Damasceno & Silva 320, 326 X Damasceno et al. 391 Woodsiaceae Diplazium celtidifolium Kunze erva terrestre Diplazium leptocarpon Fée erva terrestre Diplazium rostratum Fée erva terrestre X Damasceno & Costa 137 X X Damasceno & Condack 341 X Damasceno & Costa 270; Damasceno et al. 349 21 De acordo com o hábito, as epífitas foram maioria na área estudada, com 55 espécies registradas (Fig. 4). Destas, 30 espécies foram classificadas em holoepífitas, 20 espécies em epífitas facultativas e cinco espécies em hemiepífitas secundárias. Porém, algumas espécies terrestres ou rupícolas foram registradas como epífitas acidentais, tais como Anemia phyllitidis, Asplenium mourai, A. triquetrum, Lastreopsis amplissima, Olfersia cervina, Campyloneurum decurrens, Pteris deflexa, Selaginella contigua e S. flexuosa. Entre as espécies epífitas, podemos destacar principalmente as que pertencem à família Polypodiaceae, com 23 espécies, seguida por Aspleniaceae, com 10 e Hymenophyllaceae, com nove espécies (Tab. 2). Epífitas sp Holoepífita Trepadeira 1 Facultativa Hemiepífita Hábito Arborescente 7 Rupícola 14 Erva 38 Epífita 20 30 0 10 20 30 40 5 50 60 Nº de espécies Figura 4: Número de espécies de samambaias e licófitas por hábito, amostradas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. As plantas herbáceas terrestres foram o segundo hábito dominante na área de estudo, com 38 espécies (Fig. 4), contribuindo com 33% da riqueza de samambaias e licófitas amostradas na área de estudo. As famílias que se destacaram neste hábito foram Dryopteridaceae (sete spp.), Pteridaceae (cinco spp.), Blechnaceae e Marattiaceae (quatro spp. cada). Dentre as espécies rupícolas, com 14 espécies registradas no total, a família com maior número de espécies foi Aspleniaceae. Porém, um indivíduo de Asplenium triquetrum, espécie tipicamente rupícola, foi observado como epífito acidental. A maioria das espécies que crescem sobre rocha também compartilha o hábito epifítico, neste caso, sendo aqui tratadas como epífitas facultativas, por exemplo: A. auriculatum e A. oligophyllum. Um 22 outro exemplo de espécie característica do hábito rupícola é Anemia mandioccana, espécie registrada em duas faixas altitudinais, 800 m e 1.000 m. Entre os fetos arborescentes, destacaram-se as famílias Cyatheaceae, com seis espécies, e Dicksoniaceae, representada por Dicksonia sellowiana. Apenas uma espécie com hábito trepador, Lygodium volubile, foi registrada nas parcelas. Nas faixas altitudinais separadamente, a análise do hábito mostrou respostas semelhantes à análise feita para todas as áreas em conjunto (Fig. 5). As epífitas foram dominantes nas seis áreas, seguida pelas espécies herbáceas terrestres. A faixa 1.600 m apresentou o maior número de espécies com hábito epifítico, e o maior número de espécies herbáceas terrestres foi registrado na faixa 800 m e nesta cota, ocorreu o único registro da espécie com hábito trepador. A faixa 1.800 m não apresentou nenhuma espécie com hábito rupícola. 30 Nº espécies 25 22 24 22 20 20 15 10 5 14 12 6 4 1 12 10 33 20 19 5 3 12 5 5 2 7 4 3 0 800 m 1.000 m 1.200 m 1.400 m 1.600 m 1.800 m Faixas Altitudinais Epífita Erva Rupícola Arborescente Trepadeira Figura 5: Número de espécies de samambaias e licófitas por hábito para cada faixa altitudinal estudada na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. Os resultados obtidos na análise florística confirmam as epífitas como o hábito de maior relevância entre as espécies registradas nas faixas altitudinais na Floresta Atlântica do PNI. Segundo Dubuisson et al. (2009) as samambaias e licófitas podem contribuir em aproximadamente 29% na diversidade de epífitas, sendo o segundo grupo de plantas vasculares mais diverso neste hábito. Benzing (1989) comenta que o epifitismo está 23 presente em pelo menos nove famílias de samambaias e licófitas. Os resultados deste estudo mostraram que as famílias em destaque na área estudada (Polypodiaceae, Aspleniaceae e Hymenophyllaceae) correspondem com as três famílias mais diversas e abundantes citadas por Benzing (1989). Polypodiaceae figura entre as famílias mais diversas em epífitas, composta por mais de 95% de espécies neste hábito (Dubuisson et al. 2009). Outros trabalhos enfocando a estrutura de epífitas também mostram esta família como uma das mais importantes nesta guilda (Kersten & Silva 2001; Giongo & Waechter 2004). Sylvestre (2009) apontou Itatiaia como o terceiro município do Rio de Janeiro com maior diversidade em Aspleniaceae, com 35% das espécies apresentando hábito epifítico. Das 18 espécies desta família inventariadas neste trabalho, dez são representadas por epífitas facultativas, hábito predominante nesta família (Sylvestre & Windisch 2003). Já Hymenophyllaceae, possui em torno de 600 espécies, onde 60% destas são classificadas como epífitas, que ocorrem preferencialmente em ambiente úmidos de florestas tropicais (Dubuisson et al. 2009). No caso das espécies terrestres registradas como epífitas acidentais, Schmitt et al. (2005) sugeriram que ocorre devido ao acúmulo de matéria orgânica na base dos troncos, com consequente decomposição, resultando em um substrato ideal para seu estabelecimento. Ainda que a amostragem de epífitas tenha consistido em até 2 m acima do solo, alguns estudos demonstraram que, na estratificação vertical, este intervalo abriga uma maior diversidade e riqueza quando comparado aos outros estratos no tronco do forófito. Tal fato foi demonstrado por Cardoso-Freitas (2008), com as epífitas em samambaiaçus no Parque Nacional do Itatiaia, por Arévalo & Betancur (2006), em duas formações florestais distintas na Guiana Colombiana, e por Paciencia (2008), que obteve resultados semelhantes com a amostragem de epífitas no mesmo estrato, sendo o hábito mais diverso nas áreas estudadas. Segundo Gentry & Dodson (1987) a flora epifítica varia em função de gradientes altitudinais, onde as epífitas estariam melhor representadas em médias elevações. Alguns estudos com estrutura de epífitas confirmam este fato, a destacar Cardelús et al. (2006) que discutiram a maior riqueza deste hábito concentrada em médias elevações dentro de um gradiente altitudinal na Costa Rica. Ao analisar a flora epífita, Cardelús et al. (2006) inferiram este “pico” em médias elevações ao efeito do domínio central (Mid domain effect) sobre a riqueza, além da influência significativa da precipitação. 24 A maior diversidade de epífitas é comumente atribuída a condições como umidade, médias elevações e riqueza de solo (substrato) (Gentry & Dodson 1987), e sua presença e abundância em florestas tropicais úmidas as tornam indicadoras de tais ambientes (Johansson 1974). Como já comentado por Segadas-Vianna & Dau (1965), modificações climáticas em virtude do aumento da altitude são fatores essenciais para a diferenciação da vegetação. Dados climáticos obtidos através de Segadas-Vianna & Dau (1965), mostram que as faixas altitudinais analisadas do PNI possuem uma umidade relativa média maior, quando comparadas às faixas altitudinais superiores e inferiores a que foi estudada. Para samambaias em geral, umidade é um fator importante para seu estabelecimento (Brade 1942; Page 2002), no caso das espécies epífitas (higrófitas), torna-se um fator essencial, visto que as mesmas desenvolveram estratégias adaptativas para utilizarem de maneira eficiente a água da chuva ou a umidade do ar para evitar a desidratação (Dubuisson et al. 2009). Já relacionado ao hábito herbáceo terrestre, Müller & Waechter (2001) discutiram que estas espécies podem contribuir em até 52% da riqueza de espécies em florestas tropicais. George & Bassaz (1999) consideraram o estrato herbáceo e arbustivo como um importante filtro ecológico em comunidades tropicais e temperadas, pois as espécies de sub-bosque funcionam como um filtro que podem determinar quais os indivíduos e as espécies irá sobreviver e, finalmente penetrar no estrato do sub-bosque até atingirem o dossel. Inácio & Jarenkow (2008) abordaram sobre a influência do dossel para o desenvolvimento desta sinúsia1, destacando a importância das samambaias e licófitas na estrutura herbácea e apontando as famílias Dryopteridaceae e Pteridaceae como as mais ricas na área estudada. Com relação às espécies arborescentes registradas na área de estudo, estas possuem grande importância como suporte mecânico para a ocorrência de epífitas, como destacado por (Cardoso-Freitas 2008). Fraga et al. (2008) discutiram como os representantes de D. sellowiana constituem microhábitats distintos para as espécies epífitas. No PNI foi possível notar a presença de muitas epífitas sobre samambaiaçus, destacando a ocorrência de holoepífitas que de desenvolvem preferencialmente nos cáudices destas plantas, como Alsophila setosa (Schmitt & Windisch 2005), que é o forófito preferencial de espécies como Asplenium mucronatum, Pecluma truncorum, Polyphlebium angustatum e Trichomanes polypodioides. 1 O termo “sinúsia” foi mantido de acordo com o conceito utilizado por Inácio & Jarenkow (2008). 25 A ocorrência de apenas um indivíduo de Lygodium volubile, indica o grau de preservação da área de estudo, pois espécie é comumente encontrada em áreas florestais mais alteradas e em baixas altitudes (Paciencia & Prado 2005; Damasceno 2007; Paciencia 2008). Análise estrutural Das seis faixas altitudinais analisadas, foram amostrados 5.533 indivíduos pertencentes a 115 espécies (Tab. 4). Os dados referentes à abundância mostraram que as famílias mais representativas foram Polypodiaceae, com 1.618 indivíduos, correspondendo a 29% do número total registrado nas unidades amostrais, seguida por Hymenophyllaceae (N = 25%), Aspleniaceae (N = 14%) e Dryopteridaceae (N = 10%) (Fig. 6). Estas quatro famílias corresponderam a 78% do número total de indivíduos amostrados para a Floresta Montana e Alto Montana, constituindo-se em importantes famílias, tanto na riqueza como na abundância da assembleia de samambaias e licófitas. Dicksoniaceae, Lomariopsidaceae, Woodsiaceae, Lindsaeaceae e Lygodiaceae obtiveram valores inferiores a 1% na abundância total (Fig. 6). 35% Nº de indivíduos (%) 30% 25% 29% 25% 20% 15% 10% 5% 14% 10% 4% 4% 3% 3% 3% 2% 1% 1% 1% Po ly po H di ym ac en ea op e hy lla ce A ae sp len D i ac ry ea op e ter id ac ea Bl e ec hn ac ea A e ne m Th ia ely ce ae pt er id ac Cy ea e ath ea ce ae Pt er id ac ea M e ar att i ac Se ea la e gi n D el en lac ns ea ta e ed tia D ce em ae ai sf am íli as 0% Famílias Figura 6: Número de indivíduos (em porcentagem) das famílias de samambaias e licófitas amostradas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. Demais famílias correspondem à Dicksoniaceae, Lomariopsidaceae, Woodsiaceae, Lindsaeaceae e Lygodiaceae somando 1% na abundância. 26 Resultados similares, com as mesmas famílias em relação à riqueza e abundância, foram encontrados por Paciencia (2008). Estas famílias são características de áreas preservadas e em estágios de regeneração avançados. A análise estrutural das seis faixas altitudinais mostrou três espécies com um grande número de indivíduos, quando comparadas às demais espécies observadas nas parcelas. Dentre elas, Campyloneurum lapathifolium foi a espécie mais abundante para a área estudada, com um total de 827 indivíduos registrados (Tab. 4), o equivalente a aproximadamente 15% do número total amostrado. Esta espécie ocorreu em quatro faixas altitudinais, de 800 m a 1.400 m, porém, sendo a espécie de maior abundância em duas: 1.000 m e 1.200 m (Fig. 7B e 8A). A maior densidade relativa apresentada (44,67%) foi na faixa 1.000 m, com 482 indivíduos, correspondendo a 58% do total desta espécie para as seis áreas estudadas. Com relação à frequência relativa, apresentou valores muito próximos nas duas faixas (1.000 m e 1.200 m), com 9,35% e 10,00% respectivamente. Outra espécie destacada na análise estrutural foi Didymoglossum reptans, a segunda mais abundante nas faixas analisadas, com 544 indivíduos. Foi registrada em quatro das cinco faixas altitudinais, estando ausente apenas na faixa 1.800 m. Ao comparar cada faixa em que foi observada, tanto na densidade, frequência relativa e abundância, a faixa 1.600 m (Fig. 9A) correspondeu à área onde esta espécie obteve os maiores valores para estes parâmetros. Além de D. reptans, outras espécies da família Hymenophyllaceae também foram abundantes na assembleia de samambaias e licófitas, como exemplo Polyphlebium angustatum e Polyphlebium pyxidiferum que ocorreram nas mesmas faixas altitudinais onde D. reptans foi observada (Tab. 3 e 4). A terceira espécie com maior abundância registrada foi Campyloneurum major, com 499 indivíduos amostrados. Esta espécie ocorreu em cinco faixas altitudinais, das quais esteve entre as três espécies mais abundantes em três faixas: 1.200 m, 1.400 m, e 1.600 m. O maior número de indivíduos foi na faixa 1.600 m, com 174 (Fig. 9A), porém, a densidade relativa foi maior na faixa 1.400m, com 21,70% (Fig. 8B). Os valores de frequência relativa foram muito próximos nas faixas 1.400 m (11,25%) e 1.600 m (11,27%). Já na faixa 800 m (Fig. 7A) apresentou a menor abundância, com somente cinco indivíduos observados. Considerando as demais espécies presentes nas diferentes faixas altitudinais, podemos destacar Blechnum binervatum subsp. acutum, que foi a única espécie presente em todos os sítios de amostragem. Na faixa 1.000 m registrou o maior número de indivíduos (61) e densidade relativa (5,65%), porém, com frequência relativa superior na faixa 1.200 m. 27 Outra espécie que convém citar é Cyathea dichromatolepis, espécie arborescente de pequeno porte, muito comum em áreas sombrias e úmidas, locais próximos a rios no interior de matas primárias (Fernandes 1997). Esta espécie foi observada em cinco faixas altitudinais, ausente apenas na faixa 1.200 m. Em relação à abundância, apresentou valores baixos nas áreas em que foi observada. Porém, na faixa 1.400 m, registrou o maior número de indivíduos quando comparados às outras faixas, totalizando 34 indivíduos, com densidade relativa de 4,82% (Fig. 8B). No PNI, a presença de rochas próximas a rios e córregos e o sombreamento formado no interior das florestas úmidas, constitui um ambiente adequado para o desenvolvimento de várias espécies. Espécies como C. lapathifolium e C. major compartilham ambientes similares, e tem a capacidade de se estabelecerem em diferentes substratos, colonizando tanto o ambiente epifítico quanto rochas com acúmulo de húmus (Boldrin & Prado 2007; Damasceno 2007), fato que pode ter influenciado na abundância e distribuição das mesmas na Floresta Atlântica do PNI e nas faixas onde foram observadas. A diversidade de hábitats em que as espécies de Hymenophyllaceae ocorrem, justifica a presença destas entre as mais relevantes na assembleia de samambaias e licófitas. Dubuisson et al. (2003) mostram como as espécies de Trichomanes s.l são bem adaptadas a colonizar diversos ambientes e hábitos, principalmente as florestas tropicais, onde estão presentes tanto como epífitas (facultativas ou holoepífitas) ou terrestres. Segundo Dittrich (2005) Blechnum binervatum subsp. acutum é muito comum no interior de florestas úmidas nas diferentes formações florestais das regiões sul e sudeste do Brasil. Se desenvolvem tanto no solo e como também sobre rochas com húmus, além de apresentar o hábito epifítico, sendo geralmente classificadas em holoepífitas ou hemiepífitas secundárias. No PNI, esta espécie pode ser observada em todos os hábitos citados. Com relação à Cyathea dichromatolepis, Sylvestre & Kurtz (1994) discutiram sobre a baixa representatividade fitossociológica desta espécie, em virtude dos baixos valores de densidade e frequência relativas. Na área de estudo, este fato pode ser observado, pois foram registrados 62 indivíduos desta espécie. Entre as faixas altitudinais inventariadas, podemos destacar a faixa 1.800 m (Fig 9B), que apresentou uma composição florística bem diferenciada das demais faixas, com algumas espécies registradas apenas nesta faixa altitudinal, tais como, Thelypteris eriosora, Hypolepis repens, Dicksonia sellowiana, Lellingeria depressa e Blechnum cordatum. As demais espécies registradas nesta faixa mostraram maior frequência e densidade relativas 28 apenas nesta faixa, como exemplo, Hymenophyllum polyanthos, que foi registrada em outras cotas altitudinais, porém, com maior abundância na faixa 1.800 m, com 107 indivíduos, assim como a densidade e frequência relativas (Fig. 9B). O mesmo ocorreu com Asplenium harpeodes, onde os parâmetros analisados só foram em maior destaque nesta faixa. Ao comparar os resultados, da estrutura da assembleia de samambaias e licófitas da faixa 1.800 m do presente estudo, com os registrados por Condack & Sylvestre (2008) para as áreas de 1.800 – 2.000 m em vertentes opostamente orientadas na mesma área de estudo, nota-se que espécies como A. harpeodes e D. sellowiana registraram valores altos, tais como abundância, densidade e frequência, a partir de 1.800 m. Porém, Sylvestre (2001) ressaltou que A. harpeodes ocorre desde o nível do mar até 2.400 m, onde geralmente é encontrada em ambientes úmidos, como por exemplo, no interior de Florestas Alto Montana, estando associadas a locais bem sombreados. De certa forma, existem espécies que se desenvolvem melhor em determinadas altitudes, devido às características intrínsecas a estas, já discutidas anteriormente. Um exemplo é Dicksonia sellowiana, que cresce em altitudes que variam de 60 m, no Rio Grande do Sul, até 2.200 m na Serra de Itatiaia, no Rio de Janeiro (Fernandes 2000). No PNI, é possível observar populações a partir de 1.600 m de altitude, e de um grande número de indivíduos desta espécie ainda jovens na faixa de 1.800 m. Medidas de altura dos esporófitos aferidas por Condack & Sylvestre (2008) de D. sellowiana na Floresta Alto Montana mostraram um maior número de indivíduos com alturas inferiores a 0,5 m. Estas observações indicam que as populações desta espécie estão se regenerando, demonstrando a renovação destas no ambiente de Floresta Atlântica do PNI. Devido ao seu histórico de exploração pelo valor ornamental e econômico (Fernandes 2000), D. sellowiana é uma das espécies em perigo de extinção de acordo com os critérios da IUCN, constando na lista oficial de espécies ameaçadas desde 1992. As diferenças na composição florística, entre as seis faixas altitudinais, podem ser notadas através do gráfico de ordenação das espécies mais abundante em cada cota altitudinal (Fig. 10). A faixa correspondente a altitude 1.800 m obteve uma composição florística peculiar em relação às demais faixas. 29 Tabela 4: Parâmetros fitossociológicos analisados para as espécies de samambaias e licófitas registradas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ, onde: Ni = número de indivíduos; Ui = número de parcelas em que a espécie ocorre; Der = densidade relativa; Fa = frequência absoluta; Fr = frequência relativa. Espécies em ordem decrescente de Ni. Espécies Ni Ui Der% Fa% Fr% Campyloneurum lapathifolium 827 53 14,95 29,44 4,42 Didymoglossum reptans 544 51 9,83 28,33 4,25 Campyloneurum major 499 68 9,02 37,78 5,67 Polyphlebium angustatum 242 24 4,37 13,33 2,00 Asplenium auriculatum 184 18 3,33 10,00 1,50 Lomagramma guianensis 183 29 3,31 16,11 2,42 Polyphlebium pyxidiferum 173 30 3,13 16,67 2,50 Asplenium triquetrum 151 19 2,73 10,56 1,58 Blechnum binervatum subsp. acutum 146 45 2,64 25,00 3,75 Anemia mandioccana 143 18 2,58 10,00 1,50 Thelypteris eriosora 139 26 2,51 14,44 2,17 Hymenophyllum polyanthos 125 13 2,26 7,22 1,08 Asplenium kunzeanum 111 37 2,01 20,56 3,08 Vandenboschia radicans 104 19 1,88 10,56 1,58 Lastreopsis amplissima 97 41 1,75 22,78 3,42 Pteris deflexa 85 33 1,54 18,33 2,75 Hymenophyllum caudiculatum 77 9 1,39 5,00 0,75 Danaea moritziana 69 15 1,25 8,33 1,25 Olfersia cervina 66 31 1,19 17,22 2,58 Cyathea dichromatolepis 62 26 1,12 14,44 2,17 Asplenium harpeodes 55 25 0,99 13,89 2,08 Hymenophyllum asplenioides 54 6 0,98 3,33 0,50 Anemia phyllitidis 52 19 0,94 10,56 1,58 Alsophila setosa 49 12 0,89 6,67 1,00 Polybotrya speciosa 47 15 0,85 8,33 1,25 Hypolepis repens 47 14 0,85 7,78 1,17 Selaginella contigua 46 11 0,83 6,11 0,92 Blechnum lehmanii 41 3 0,74 1,67 0,25 Dicksonia sellowiana 40 18 0,72 10,00 1,50 Abrodyctium rigidum 40 12 0,72 6,67 1,00 Asplenium raddianum 39 17 0,70 9,44 1,42 Asplenium pseudonitidum 38 19 0,69 10,56 1,58 Megalastrum inaequale 37 16 0,67 8,89 1,33 Ctenitis aspidioides 37 15 0,67 8,33 1,25 30 Tabela 4: continuação. Espécies Ni Ui Der% Fa% Fr% Lomariopsis marginata 35 12 0,63 6,67 1,00 Serpocaulon catharinae 33 13 0,60 7,22 1,08 Thelypteris gardneriana 33 7 0,60 3,89 0,58 Lellingeria apiculata 31 10 0,56 5,56 0,83 Cyathea phalerata 28 20 0,51 11,11 1,67 Lellingeria depressa 28 10 0,51 5,56 0,83 Asplenium martianum 27 15 0,49 8,33 1,25 Pleopeltis pleopeltidis 27 9 0,49 5,00 0,75 Asplenium oligophyllum 27 6 0,49 3,33 0,50 Campyloneurum wacketii 26 3 0,47 1,67 0,25 Marattia cicutifolia 25 12 0,45 6,67 1,00 Serpocaulon fraxinifolium 24 14 0,43 7,78 1,17 Campyloneurum decurrens 23 15 0,42 8,33 1,25 Polybotrya cylindrica 23 7 0,42 3,89 0,58 Asplenium mucronatum 21 10 0,38 5,56 0,83 Asplenium scandicinum 19 11 0,34 6,11 0,92 Asplenium mourai 19 10 0,34 5,56 0,83 Pecluma pectinatiformis 18 13 0,33 7,22 1,08 Elaphoglossum insigne 18 6 0,33 3,33 0,50 Blechnum cordatum 18 2 0,33 1,11 0,17 Arachnioides denticulata 17 3 0,31 1,67 0,25 Asplenium serra 17 3 0,31 1,67 0,25 Asplenium formosum 17 2 0,31 1,11 0,17 Pecluma truncorum 16 12 0,29 6,67 1,00 Megalastrum retrorsum 15 11 0,27 6,11 0,92 Pteris splendens 15 8 0,27 4,44 0,67 Eupodium kaulfussii 14 9 0,25 5,00 0,75 Selaginella flexuosa 14 6 0,25 3,33 0,50 Asplenium auritum 14 2 0,25 1,11 0,17 Pteris decurrens 12 8 0,22 4,44 0,67 Serpocaulon latipes 12 1 0,22 0,56 0,08 Cyathea atrovirens 11 8 0,20 4,44 0,67 Alsophila capensis 11 5 0,20 2,78 0,42 Elaphoglossum itatyaiense 10 6 0,18 3,33 0,50 Elaphoglossum gracile 10 2 0,18 1,11 0,17 Micropolypodium gradatum 9 2 0,16 1,11 0,17 Diplazium rostratum 8 5 0,14 2,78 0,42 Pleopeltis macrocarpa 8 5 0,14 2,78 0,42 31 Tabela 4: continuação. Espécies Ni Ui Der% Fa% Fr% Polytaenium cajenense 8 4 0,14 2,22 0,33 Pecluma camptophyllaria 8 3 0,14 1,67 0,25 Asplenium uniseriale 8 1 0,14 0,56 0,08 Blechnum sampaioanum 7 5 0,13 2,78 0,42 Doryopteris sagitifolia 7 3 0,13 1,67 0,25 Vittaria graminifolia 7 3 0,13 1,67 0,25 Pecluma sicca 7 1 0,13 0,56 0,08 Dennstaedtia globulifera 6 4 0,11 2,22 0,33 Didymochlaena truncatula 6 4 0,11 2,22 0,33 Selaginella muscosa 6 4 0,11 2,22 0,33 Cyathea delgadii 5 5 0,09 2,78 0,42 Pteris lechleri 5 4 0,09 2,22 0,33 Elaphoglossum ornatum 5 3 0,09 1,67 0,25 Selaginella suavis 5 3 0,09 1,67 0,25 Tersipchore reclinata 5 1 0,09 0,56 0,08 Pteris schwackeana 4 4 0,07 2,22 0,33 Blechnum brasiliense 4 3 0,07 1,67 0,25 Vittaria lineata 4 3 0,07 1,67 0,25 Asplenium pteropus 4 2 0,07 1,11 0,17 Pleopeltis astrolepis 4 2 0,07 1,11 0,17 Pecluma recurvata 3 3 0,05 1,67 0,25 Lellingeria schenckii 3 2 0,05 1,11 0,17 Asplenium alatum 3 1 0,05 0,56 0,08 Asplenium inaequilaterale 3 1 0,05 0,56 0,08 Campyloneurum fallax 2 2 0,04 1,11 0,17 Hymenophyllum hirsutum 2 2 0,04 1,11 0,17 Danaea geniculata 2 1 0,04 0,56 0,08 Diplazium celtidifolium 2 1 0,04 0,56 0,08 Megalastrum grande 2 1 0,04 0,56 0,08 Campyloneurum aglaolepis 1 1 0,02 0,56 0,08 Diplazium leptocarpon 1 1 0,02 0,56 0,08 Elaphoglossum schomburgkii 1 1 0,02 0,56 0,08 Elaphoglossum vagans 1 1 0,02 0,56 0,08 Hymenophyllum microcarpum 1 1 0,02 0,56 0,08 Lindsaea arcuata 1 1 0,02 0,56 0,08 Lygodim volubile 1 1 0,02 0,56 0,08 Melpomene peruviana 1 1 0,02 0,56 0,08 Melpomene pilosissima 1 1 0,02 0,56 0,08 32 Tabela 4: continuação. Espécies Ni Ui Der% Fa% Fr% Micropolypodium achileifolium 1 1 0,02 0,56 0,08 Pleopeltis hirsutissima 1 1 0,02 0,56 0,08 Polytaenium lineatum 1 1 0,02 0,56 0,08 Thelypteris regnelliana 1 1 0,02 0,56 0,08 Trichomanes polypodioides 1 1 0,02 0,56 0,08 33 34 35 36 Figura 10: Ordenação das espécies de samambaias e licófitas mais abundantes em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. A relação numérica das espécies é apresentada na Tabela 7. 37 Para cada área analisada, foi calculado o índice de Shannon (H’), a equabilidade de Pielou (J’) e o índice de Simpson (D’), referentes, respectivamente, a diversidade, equabilidade e dominância (Tab. 4). Entre as seis faixas, as áreas correspondentes às altitudes de 800 m e 1.400 m obtiveram os maiores valores de diversidade, com H’= 2,94 e 2,96, respectivamente. Entretanto, a área de 1.400 m apontou ser a mais uniforme (J’= 0,81), indicando a baixa dominância nas amostras (D’= 0,08). A faixa de 1.000 m obteve o menor valor de diversidade (H’= 2,48) e equabilidade (J’= 0,67) em suas amostras, correspondendo a uma área com alta dominância de algumas espécies (D’= 0,21), como pode ser notado pela densidade da espécie C. lapathifolium, que registrou um valor elevado em relação às outras espécies observadas na mesma faixa. O índice de diversidade de Shannon (H’), considerando as seis faixas altitudinais, foi de 3,65 nats/ind, (J’= 0,77 e D’= 0,05). Tabela 5: Parâmetros florísticos e fitossociológicos para as seis faixas altitudinais amostradas na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. Parâmetros Número de famílias Número de gêneros Riqueza (S) Número de indivíduos Índice de diversidade Shannon (H’) Índice de Equabilidade (J’) Índice de Simpson (D’) 800 m 1.000 m 1.200 m 1.400 m 1.600 m 1.800 m 15 10 10 11 11 12 27 25 21 22 24 22 47 40 38 38 44 31 981 1079 1217 705 965 586 2,94 2,48 2,68 2,96 2,77 2,57 0,76 0,67 0,73 0,81 0,73 0,75 0,07 0,21 0,10 0,08 0,10 0,11 Neste estudo, análise florística e estrutural indicou 115 espécies para os trechos de Floresta Montana e Alto Montana compreendidos entre 800 m a 1.800 m de altitude, enquanto que Condack & Sylvestre (2008) registraram 36 espécies para a Floresta Alto Montana, em altitudes entre 1.900 m e 2.100 m. Porém, o presente estudou englobou nas análises o componente epífito, que não foi amostrado por Condack & Sylvestre (2008), o que justifica a diferença na riqueza de espécies. Outros fatores que podem explicar as diferenças encontradas pelos dois estudos são o tamanho e as formações florestais característica da área amostrada. Este estudo amostrou, ao todo, 0,45 ha de trechos de Floresta Montana e Alto Montana e o de Condack & Sylvestre (2008) amostrou 0,2 ha de Floresta Alto Montana. Além de ser tratar de duas áreas com amostras diferentes, estas são de formações florestais distintas, com características estruturais e composições florísticas 38 próprias. Com estas diferenças, é esperado que a riqueza encontrada nas Florestas Montanas e Alto Montana sejam contrastantes. Em relação à suficiência amostral, a curva do coletor não indicou uma estabilização considerando as seis faixas analisadas (Fig. 11). Porém, em estudos de estrutura de comunidade, que utilizam a curva do coletor (ou cumulativa de espécies) como um estimador da riqueza de espécies para uma determinada região, a visualização de um patamar que indique a suficiência amostral é controversa, principalmente em se tratando de Nº cumulativo de espécies florestas tropicais, onde a diversidade é muito alta (Schilling & Batista 2008). 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 Número de Parcelas Figura 11: Curva do coletor das 115 espécies de samambaias e licófitas e 180 parcelas amostradas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. Além disto, Magurran (2004) abordou que as curvas cumulativas de espécies ilustram a proporção nas quais novas espécies são encontradas, e as curvas não revelam a riqueza total, por não se ter certeza do esforço amostral realizado. Neste caso, uma das maneiras de se testar a suficiência da amostra foi calcular a riqueza de espécies total através da extrapolação da curva cumulativa de espécies, utilizando estimadores não-paramétricos de riqueza, aplicado as 115 espécies registradas nas 180 parcelas analisadas no PNI (Fig. 12). Comparando os valores indicados pelos estimadores com o observado na área (Fig. 12), a riqueza amostrada pela metodologia aplicada neste estudo correspondeu a 39 aproximadamente 93% da riqueza esperada pelo estimador ACE (S = 123,68), 92% pelo Bootstrap (S = 125,51), 88% pelo Chao 1 (S = 130,17) e 83 % pelo Jack 1 (S = 137,87). Estes resultados mostram que o esforço amostral empregado indicou ser suficiente, uma vez que o valor de riqueza observado foi próximo ao esperado. 140 Nº cumulativo de espécies 120 100 80 60 40 20 0 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 Número de Parcelas Sobs ACE Mean Chao 1 Mean Jack 1 Mean Bootstrap Mean Figura 12: Variação de quatro estimadores não-paramétricos (ACE, Bootstrap, Chao 1 Jack 1) para as 115 espécies de samambaias e licófitas e 180 parcelas amostradas (Sobs) em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. Similaridade florística Na análise de similaridade entre as cotas altitudinais, a faixa de 1.800 m se destacou das demais faixas analisadas, que compuseram dois grupos: o primeiro composto pelas faixas 800 m e 1.000 m e o segundo por 1.200 m, 1.400 m e 1.600 m (Fig. 13). A maior similaridade encontrada foi entre as faixas 800 m e 1.000 m, com aproximadamente 70% (Tab. 5). Estas faixas possuem em comum 22 espécies, e dentro da variação altitudinal amostrada, são as que correspondem às altitudes inferiores. Entre as espécies que foram registradas nestas faixas, podemos destacar as que ocorreram exclusivamente nestas duas faixas, como Anemia mandioccana, Asplenium mucronatum, 40 Cyathea atrovirens, Lomagramma guianensis, Megalastrum inaequale, Serpocaulon fraxinifolium e Selaginella suavis. Figura 13: Dendrograma de similaridade, baseado no coeficiente de Sørensen (rcs = 0,9226) para as espécies de samambaias e licófitas amostradas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. Outro grupo formado constitui-se nas três faixas intermediárias do gradiente estudado, compostas pelas seguintes cotas: 1.200 m, 1.400 m e 1.600 m (Fig. 13). As áreas 1.400 m e 1.600 m obtiveram uma semelhança de um pouco mais de 65% (Tab. 5), com 22 espécies compartilhadas. Junto a este grupo está a faixa 1.200 m, com aproximadamente 56% de similaridade (Fig. 13). Podemos destacar neste grupo, espécies como Asplenium martianum, A. raddianum, Campyloneurum wacketti e Hymenophyllum caudiculatum, que foram restritas a estas três faixas. A faixa de 1.800 m registrou uma baixa similaridade (25%) com as demais (Fig. 13), separada dos demais grupos, formando um grupo isolado. Através da análise florística, a faixa 1.800 m mostrou ter uma composição distinta das demais áreas, com espécies 41 características de região de Floresta Alto Montana, como por exemplo, Dicksonia sellowiana, Hypolepis repens, Thelypteris eriosora, etc., o que explica sua posição no dendrograma. Os grupos formados reuniram faixas altitudinais mais próximas entre si, e de certa forma, este agrupamento pode estar relacionado com a proximidade entre elas, onde possivelmente áreas mais próximas tenham uma flora mais similar. Ao analisar os valores de similaridade entre as seis faixas altitudinais (Tab. 6, em negrito) nota-se que estes valores se apresentaram próximos, entre 56% a 69%, nas faixas entre 800 m a 1.600m. Quando comparados com o valor de similaridade com a faixa 1.800 m, observa-se que o mesmo reduz consideravelmente, estando inferior a 36% de similaridade. Com isto, pode-se perceber uma notável diferença na composição florística da faixa 1.800 m, a partir da dissimilaridade desta faixa com as demais. Brade (1956) atentou sobre a mudança da composição florística da Floresta Montana para a Alto Montana, considerando que a altitude a partir de 1.800 m (Abrigo Macieiras) corresponderia às áreas de transição entre estas duas formações, diferente das faixas altitudinais proposta pela classificação fitoecológica de Veloso et al. (1991). Tabela 6: Valores de similaridade, baseados no coeficiente de Sørensen, para as seis faixas altitudinais amostradas na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. Altitudes 800 m 1.000 m 1.200 m 1.400 m 1.600 m 800 m - 1.000 m 69,84 - 1.200 m 49,23 56,25 - 1.400 m 50,00 41,27 61,54 - 1.600 m 38,81 45,45 52,94 65,67 - 1.800 m 20,41 12,50 24,00 36,73 30,77 1.800 m - 42 Distribuição das espécies por faixas altitudinais Na primeira Análise de Correspondência (AC) realizada, considerando apenas as faixas altitudinais, a área 1.800 m destacou-se das demais e, desta forma, mostrou ser distinta das outras faixas (Fig. 14). A partir deste resultado, para uma melhor interpretação da distribuição das espécies nas outras cotas altitudinais, uma segunda AC foi feita com as unidades amostrais (parcelas), retirando desta análise as espécies e parcelas correspondentes a faixa 1.800m. 1,5 Eixo 2 Autovalor: 0,55055 (24,42% de inércia) 1,0 1.000 m 800m 0,5 1.800 m 0,0 1.200 m -0,5 1.400 m -1,0 -1,5 -1,0 1.600 m -0,5 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 Eixo 1 Autovalor: 0,89464 (39,67% de inércia) Figura 14: Diagrama de ordenação obtido a partir da Análise de Correspondência (AC) calculados através da abundância das espécies de samambaias e licófitas registradas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. Na segunda análise, houve uma separação das unidades amostrais correspondentes as diferentes faixas altitudinais, principalmente entre as áreas 800 m, 1.000 m e 1.200 m. (Fig. 15). As parcelas referentes a faixa altitudinal 800 m estiveram distribuídas na parte esquerda do diagrama, enquanto que as unidades amostrais das cotas altitudinais 1.000 m e 1.200 m estiveram distribuídas ao longo dos eixos 1 e 2. 43 Este resultado mostra que as unidades da faixa 800 m mostraram-se distintas, devido a presença de espécies distribuídas principalmente nesta altitude (Fig. 16), como por exemplo, Blechnum sampaioanum, Danaea moritziana, Lomariopsis marginata, Polytaenium cajenense, etc. Da mesma forma, podemos perceber que a faixa 1.000 m, obteve algumas amostras distribuídas próximas as amostras da faixa 800 m, devido estas faixas compartilharem espécies como Anemia mandioccana, Asplenium scandicinum, A. mucronatum, Elaphoglossum ornatum e Megalastrum inaequale. Já as parcelas das faixas altitudinais 1.400 e 1.600 m ficaram restritas ao outro extremo do diagrama, no lado direito (Fig. 15). Os eixos, da Figura 15, não separaram por completo as amostras das cotas 1.400 m e 1.600 m, que ficaram sobrepostas no diagrama. As sobreposições destas amostras corresponderam com as espécies distribuídas nestas faixas altitudinais (Fig. 16), presentes em maior abundância em uma ou ambas as faixas, como exemplo, Asplenium pseudonitidum, Hymenophyllum asplenioides, Pteris decurrens, Thelypteris gardneriana e etc. 3,0 2,5 A12 Eixo 2 Autovalor: 0,58471 (5,438% de inércia) 2,0 1,5 A19 A13 A15 A16 A10 A20 A8 A5 A14A11 A17 1,0 0,5 0,0 -0,5 -1,0 -1,5 -2,0 -1,5 A6 D116 D103 D98 D107 D118 D102 C81 D114 E124 B58 D104 A25 E122 D109 D113 A28 A18 B47 D105 D120 D96 E126 D99D119 D112D100 E125 C78 E121 D106 B59 E130 C77 A7 A9 E129 E127 A24 C82 D94 D117 E147E148 A1 E136 B31 E149 E150 B49 A2 A23 D95 E142 D97 E132 C86 E131 D101 C90 E138 B34 E146 A22 A26 E144 E145 E143 E128 A27 C85C72 C88 D93 E140 B48 E134 C87 E139 E137 E135 B44 B33 C69C75 A21 C61 D110 C83 E141 B41 C74 C79 C62 C76 C71 B43B45 B42 C84 C70C89 C65 B50 B60 B52 C80 B36 B57 B53 B37 C64 B56 C66 B54 B51 B55 B38 B35 B39 B32 C67C63 B40 B46 C68 A3 -1,0 -0,5 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 Eixo 1 Autovalor: 0,70858 (6,591% de inércia) Figura 15: Diagrama de ordenação obtido a partir da Análise de Correspondência (AC) calculados através da abundância das espécies de samambaias e licófitas (não indicadas no gráfico) registradas nas unidades amostrais em diferentes faixas altitudinais na Floresta 44 Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. (800 m – letras A em roxo; 1.000 m – letras B em verde; 1.200 m – letras C em vermelho; 1.400 m – letras D em cinza e 1.600 m – letras E em preto). 3,0 2,5 70 94 Eixo 2 Autovalor: 0,58471 (5,438% de inércia) 2,0 42 29 102 1,5 800 m 90 69 110 92 26 1,0 04 98 16 54 31 1.000 m -0,5 03 11 97 99 36 37 100 45 -1,0 -1,5 -2,0 80 -1,5 -1,0 57 106 33 91 113 86 25101 104 34 05 49 85 19 46 93 50 13 105 0,0 58 75 38 6264 22 20 82 08 14 18 51 114 52 15 17 59 1.400 m / 1.600 m 1.200 m -0,5 96 72 40 43 103 23 21 0,5 0,0 39 01 74 0,5 1,0 1,5 2,0 Eixo 1 Autovalor: 0,70858 (6,591% de inércia) Figura 16: Diagrama de ordenação obtido a partir da Análise de Correspondência (AC) das espécies registradas nas unidades amostrais em diferentes faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ. A relação numérica das espécies é apresentada na Tabela 7. As demais espécies representadas no diagrama da Figura 16, não incluídas no gráfico em uma faixa altitudinal específica, correspondem àquelas que não possuíram uma relação direta com alguma cota altitudinal em especial, estando presentes em diferentes faixas, o que indica a ampla distribuição destas nas unidades amostrais na área de estudo. Como é o caso de espécies como Abrodictyum rigidum, presente tanto na faixa 800 m, como nas faixas 1.400 m e 1.600 m, e Polyphlebium angustatum, presentes nas faixas 800 m a 1.600 m. Ao relacionar os resultados obtidos na análise de correspondência com o dendrograma de similaridade entre as faixas altitudinais, nota-se que as assembleias de samambaias e 45 licófitas exibiram respostas semelhantes nas duas análises. As faixas 800 m e 1.000 m estiveram mais próximas, o que corresponde às altitudes inferiores dentro do gradiente estudado; a faixa 1.200 m registrou espécies comuns tanto nas faixas inferiores (800 m e 1.000 m) e nas altitudes superiores, formadas pelas cotas 1.400 m e 1.600 m, que também exibiram o mesmo padrão de agrupamento em ambas análises. Já a faixa altitudinal 1.800 m destacou-se nas duas análises, evidenciando obter uma composição florística diferenciada em relação às outras faixas. A partir destes resultados, fica claro que a faixa 1.800 m destacou-se em todas as análises devido sua composição florística estar relacionada à Floresta Alto Montana. As demais faixas, de 800 m a 1.600 m, mostraram um padrão mais similar em sua composição, indicando que a transição da Floresta Montana para Alto Montana, quando utilizando as samambaias e licófitas como padrão, ocorre em torno de altitudes próximas a 1.700 m – 1.800 m, e não em 1.500 m, como sugerido por Veloso et al. (1991). Como já mencionado antes, Brade (1956) já apontava as altitudes em torno de 1.800 m como a área de transição entre as Florestas Montana e Alto Montana no PNI. O mesmo foi observado por Segadas-Vianna (1965), que considerava o ponto de transição entre estas duas formações em torno de 1.700 m de altitude. E como os diferentes grupos taxonômicos, observados por estes autores, nestas formações florestais obtêm respostas distintas de acordo com a variação altitudinal, é possível que para as samambaias e licófitas, a resposta ao gradiente altitudinal seja diferente dos demais grupos. Então, em se tratando de assembleia de samambaias, sua composição florística dentro do gradiente de altitude analisado respondeu de forma a mostrar que a faixa 1.600 m tem mais espécies relacionadas à flora de Floresta Montana do que com áreas de transição para Alto Montana, sendo está transição muito mais visível em torno da faixa 1.800 m amostrada neste estudo. Desta forma, podemos inferir que, para a assembleia de samambaias e licófitas do PNI, a faixa altitudinal que melhor corresponde à transição da Floresta Montana para Alto Montana seja em meados de 1.700 m a 1.800 m, e não em 1.500 m de altitude, revendo assim, o que foi apontado por Veloso et al. (1991). 46 Tabela 7: Legenda das 115 espécies de samambaias e licófitas amostradas em seis faixas altitudinais na Floresta Atlântica do Parque Nacional do Itatiaia, RJ, onde: ● – espécies presentes no gráfico de ordenação da Figura 10; ▲ – espécies presentes na Análise de Correspondência da Figura 16. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 Abrodictyum rigidum ▲ Alsophila capensis Alsophila setosa ●▲ Anemia mandioccana ●▲ Anemia phyllitidis ●▲ Arachnioides denticulata Asplenium alatum Asplenium auriculatum ●▲ Asplenium auritum Asplenium formosum Asplenium harpeodes ●▲ Asplenium inaequilaterale Asplenium kunzeanum ●▲ Asplenium martianum ●▲ Asplenium mourai▲ Asplenium mucronatum▲ Asplenium oligophyllum▲ Asplenium pseudonitidum ●▲ Asplenium pteropus▲ Asplenium raddianum ●▲ Asplenium scandicinum▲ Asplenium serra▲ Asplenium triquetrum ●▲ Asplenium uniseriale Blechnum binervatum subsp. acutum ●▲ Blechnum brasiliense▲ Blechnum cordatum Blechnum lehmanii Blechnum sampaioanum▲ Campyloneurum aglaolepis Campyloneurum decurrens ▲ Campyloneurum falax Campyloneurum lapathifolium ●▲ Campyloneurum major ●▲ Campyloneurum wacketii Ctenitis aspidioides ●▲ Cyathea atrovirens▲ Cyathea delgadii▲ Cyathea dichromatolepis ●▲ Cyathea phalerata ▲ Danaea geniculata Danaea moritziana ●▲ Dennstaedtia globulifera▲ Dicksonia sellowiana ● Didymochlaena truncatula▲ Didymoglossum reptans ●▲ Diplazium celtidifolium Diplazium leptocarpon Diplazium rostratum▲ Doryopteris sagitifolia▲ Elaphoglossum gracile▲ Elaphoglossum insigne ●▲ Elaphoglossum itatiayense Elaphoglossum ornatum▲ Elaphoglossum schomburgkii Elaphoglossum vagans Eupodium kaulfussii▲ Hymenophyllum asplenioides ●▲ 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 111 112 113 114 115 Hymenophyllum caudiculatum ●▲ Hymenophyllum hirsutum Hymenophyllum microcarpum Hymenophyllum polyanthos ●▲ Hypolepis repens ● Lastreopsis amplissima ● ▲ Lellingeria apiculata ● Lellingeria depressa ● Lellingeria schenckii Lindsaea arcuata Lomagramma guianensis ●▲ Lomariopsis marginata ●▲ Lygodim volubile Marattia cicutifolia ●▲ Megalastrum grande Megalastrum inaequale▲ Megalastrum retrorsum▲ Melpomene peruviana Melpomene pilosissima Micropolypodium achileifolium Micropolypodium gradatum Olfersia cervina ●▲ Pecluma camptophyllaria Pecluma pectinatiformis ●▲ Pecluma recurvata Pecluma sicca Pecluma truncorum▲ Pleopeltis astrolepis▲ Pleopeltis hirsutissima Pleopeltis macrocarpa Pleopeltis pleopeltidis ● Polybotrya cylindrica▲ Polybotrya speciosa ●▲ Polyphlebium angustatum ●▲ Polyphlebium pyxidiferum ●▲ Polytaenium cajenense▲ Polytaenium lineatum Pteris decurrens▲ Pteris deflexa ●▲ Pteris lechleri▲ Pteris schwackeana▲ Pteris splendens▲ Selaginella contigua ●▲ Selaginella flexuosa▲ Selaginella muscosa▲ Selaginella suavis▲ Serpocaulon catharinae ●▲ Serpocaulon fraxinifolium ●▲ Serpocaulon latipes Terpsichore reclinata Thelypteris eriosora ● Thelypteris gardneriana ●▲ Thelypteris regnelliana Trichomanes polypodioides Vandenboschia radicans ●▲ Vittaria graminifolia▲ Vittaria lineata 47 Espécies indicadoras Algumas espécies ocupam preferencialmente determinados hábitats, e podem ser consideradas como indicadoras destes ambientes. A partir da análise da assembleia de samambaias e licófitas por faixas altitudinais, a presença de possíveis espécies indicadoras para as diferentes altitudes foi testada através do ISA – Indicator Species Analysis (Dufrêne & Legendre 1997). Com os valores encontrados, é possível relacionar os táxons em diferentes tipos de hábitats, grupos funcionais, ou ainda aqueles que se distinguem dentro da comunidade (Legendre & Legendre 1998). Na interpretação do teste ISA, foram consideradas indicadoras aquelas que obtiveram p≤ 0,05 e valor indicador (IndVal) ≥ 25%, como sugerido por Dufrêne & Legendre (1997). A lista das espécies indicadoras com seus respectivos valores indicadores e probabilidade encontram-se na Tabela 8. Tabela 8: Lista das espécies de samambaias e licófitas indicadoras por grupo (faixa altitudinal) baseada no teste ISA (Indicator Species Analysis): valores indicadores e probabilidade (p). Grupo 800 m 1.000 m 1.200 m 1.400 m 1.600 m 1.800 m Espécies Valor Indicador (IndVal) p ≤ 0,05 Danaea moritziana Lomagramma guianensis Anemia mandioccana Lomariopsis marginata Ctenitis aspidioides Serpocaulon fraxinifolium Campyloneurum lapathifolium Polybotrya speciosa Asplenium kunzeanum Selaginella contigua Marattia cicutifolia Asplenium pseudonitidum Lastreopsis amplissima Asplenium martianum Campyloneurum major Thelypteris eriosora Dicksonia sellowiana Asplenium harpeodes Hypolepis repens Lellingeria depressa Lellingeria apiculata Hymenophyllum polyanthos Pleopeltis pleopeltidis 50.0 49.1 41.3 40.0 50.0 35.0 44.7 32.3 37.7 36.7 35.2 44.9 33.4 30.5 26.7 86.7 60.0 52.4 46.7 33.3 29.0 25.7 25.7 0.001 0.001 0.001 0.001 0.001 0.001 0.001 0.001 0.001 0.001 0.001 0.001 0.001 0.001 0.001 0.001 0.001 0.001 0.001 0.001 0.001 0.001 0.001 48 Os resultados obtidos apontaram 23 espécies indicadoras para as seis faixas altitudinais analisadas no PNI. A faixa altitudinal com o maior número de espécies indicadas foi a de 1.800 m, com oito espécies. Nesta mesma faixa, também estão presentes as espécies que apresentaram os maiores valores indicadores pelo ISA. Lomagramma guianensis, espécie indicada para a faixa 800 m, é típica de interior de Florestas Submontanas, principalmente em áreas de vegetação secundária, ocorrendo entre 50 m – 600 m de altitude (Tryon & Tryon 1982). A ocorrência desta espécie em altitudes superiores a 600 m sugere sua amplitude máxima, da mesma forma como também encontrada por Paciencia (2008), onde a espécie ocorreu desde 50 m a 800 m de altitude na Serra do Mar paranaense. O mesmo pode ser discutido em relação à Lomariopsis marginata, Anemia mandioccana e Danaea moritziana, onde a amplitude altitudinal destas varia desde o nível do mar até 1.300 m (Tryon & Tryon 1982; Moran 2000). As espécies indicadas para as faixas 1.000 m a 1.600 m são compostas por espécies endêmicas ao Brasil, comuns no interior de Floresta Atlântica, como Ctenitis aspidioides, Polybotrya speciosa, Marattia cicutifolia e Selaginella contigua. Para as espécies de Asplenium, Sylvestre (2001) indicou a ocorrência de A. kuzeanum até 1.300 m de altitude, A. pseudonitidum de 100 m a 2.000 m e A. martianum desde o nível do mar até 1.700 m. As demais espécies indicadas, por exemplo, Campyloneurum lapathifolium, possui ampla ocorrência na América do Sul. Porém, esta espécie ocorreu em quatro faixas altitudinais e sua indicação para a cota 1.000 m atribui-se ao fato de que nesta altitude a espécie obteve maior abundância e frequência. O mesmo pode ser citado em relação à Serpocaulon fraxinifolium, que possui ocorrência desde o nível do mar até 1.700 m, com ampla distribuição no Neotrópico (Labiak & Prado 2008). Na altitude em torno de 1.800 m, as espécies apontadas como indicadoras desta faixa são características de matas de altitude, como por exemplo, Thelypteris eriosora, com distribuição restrita ao Sudeste do Brasil, nos estados de Rio de Janeiro e São Paulo, onde ocorre preferencialmente em florestas de altitude na Serra da Mantiqueira, em torno de 1.500-1.800 m (Salino & Semir 2004). Dicksonia sellowiana, segunda espécie com maior valor indicador para a faixa 1.800 m, constitui um importante componente na caracterização de diferentes formações florestais, desempenhando um papel fisionômico e florístico fundamental, servindo de suporte para diversas espécies epífitas (Fernandes 2000; Fraga et al. 2008; Schmitt et al. 2005). Seu valor indicador para esta faixa mostra a preferência desta espécie por regiões de elevadas 49 altitudes no Sudeste do Brasil, uma vez que dentro da variação altitudinal estudada neste trabalho foi registrada somente nesta cota. Labiak & Prado (2005) comentam que Lellingeria apiculata é muito comum em regiões nebulares e de maior altitude nas florestas montanas. O valor indicador desta espécie atribui-se a sua maior abundância na faixa de 1.800 m e, na outra faixa em que foi observada (1.400 m), registrou apenas um indivíduo. O fato de estas espécies serem apontadas como indicadoras para cada faixa não necessariamente significa que elas estejam restritas a esta, mas sim, que dentro de sua amplitude altitudinal, estas faixas representem provavelmente um ambiente adequado, em que encontram condições ideais para seu estabelecimento. É importante atentar que o teste ISA serve para descrever ambientes ou locais característicos de acordo com as espécies indicadoras presentes nestes ambientes. Neste estudo, o teste objetivou mostrar espécies características da assembleia de samambaias e licófitas, que tenham alguma relação com a variação altitudinal, porém, não restringindo a interpretação deste às espécies limitadas a uma determinada altitude. 50 CONCLUSÃO A composição florística nas seis faixas altitudinais, compreendendo trechos de Floresta Montana e Alto Montana, apontou as famílias Aspleniaceae, Polypodiaceae, Dryopteridaceae, Hymenophyllaceae e Pteridaceae como as mais ricas e abundantes na estrutura da assembleia de samambaias e licófitas, sendo características de florestas tropicais preservadas e indicadoras da diversidade da pteridoflora nestes ambientes. O hábito epífito, o de maior destaque na região e em todas as faixas analisadas, mostrou que a Floresta Montana abriga uma alta riqueza, confirmando esta formação como um dos ambientes favoráveis para a diversidade e estrutura deste hábito. A amostragem de epífitas até 2 metros sobre o forófito apontou ser satisfatória para a análise da estrutura da comunidade de epífitas. Em alguns trabalhos com assembleias de samambaias e licófitas, este hábito não é incorporado à análise devido dificuldades em tomar dados relativos à abundância, ou acesso ao dossel. Dessa forma, constitui-se em uma alternativa, para incorporação das epífitas neste tipo de estudo, que visam comparar de maneira adequada as assembleias em diferentes grupos taxonômicos. Em todas as análises realizadas neste estudo para comparação entre as assembleias de samambaias e licófitas nas faixas altitudinais, foi unânime a diferença da estrutura e composição florística na faixa 1.800 m em relação às outras cotas. As demais faixas, ou seja, de 800 m a 1.600 m, estão mais relacionadas floristicamente, correspondendo aos resultados encontrados por Brade (1956) e Segadas-Vianna (1965). Em se tratando de assembleias de plantas vasculares sem sementes, estes resultados apontam uma tendência já observada em outros estudos realizados no PNI, que indicavam altitudes em torno de 1.800 m como uma área de transição da Floresta Montana para a Floresta Alto Montana, caracterizada pelas mudanças na composição florística em virtude da variação altitudinal, o que contrapõe com o sistema de classificação de Veloso et al. (1991), que indica a transição entre estas formações em torno de 1.500 m de altitude. Com isto, este estudo mostrou que, quando relacionado à composição florística das plantas vasculares sem sementes, o gradiente altitudinal em que corresponde a Floresta Montana é diferente do proposto por Veloso et al. (1991), ou seja, de 500 m a 1.500 m. Desta forma, para o grupo de samambaias e licófitas, a Floresta Montana se estende além deste limite altitudinal, estando próximo a 1.800 m. Ainda em resposta a variação altitudinal, a análise de espécies indicadoras apontou a preferência a áreas de altitudes mais elevadas, como exemplo, Thelypteris eriosora, 51 Dicksonia sellowiana, Hypolepis repens e Lellingeria apiculata, bem como aquelas com ampla distribuição altitudinal, como Anemia mandioccana e Campyloneurum lapathifolium, o que caracteriza o seu grau de estabilidade e desenvolvimento no PNI. Além do mais, as espécies indicadoras revelaram o status de conservação da área de estudo, visto que as espécies apontadas são características de Florestas Montana e Alto Montana bem preservadas. Estes resultados corroboram com os encontrados em diferentes estudos de samambaias e licófitas, principalmente para a Floresta Alto Montana do PNI, como o de Condack & Sylvestre (2008), bem como com comentários de diversos especialistas, tais como Fernandes (1997), Salino & Semir (2004), Labiak & Prado (2005) entre outros, em relação à preferência destas espécies em resposta ao ambiente. Os resultados encontrados para as assembleias de samambaias e licófitas nas diferentes faixas altitudinais mostraram como as espécies se distribuem ao longo do gradiente altitudinal na Floresta Atlântica do PNI. Parte da formação estudada, a Floresta Montana é a formação dominante no parque e também a menos conhecida no que diz respeito à estrutura e diversidade de samambaias e licófitas. Mesmo tendo abordado diferentes hábitos como o terrestre, rupícola e epífito, este estudo não supre a lacuna no conhecimento da diversidade das epífitas de dossel, pois constituem um hábito pouco explorado visto que a amostragem é mais trabalhosa, demandando uma metodologia específica para este fim. Além disto, a Floresta Montana mostrou ser uma das formações que abrigam uma elevada diversidade e riqueza de samambaias e licófitas, servindo de base para outros estudos que visem compreender a relação da comunidade vegetal com os gradientes altitudinais. 52 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Arcand, N. N. & Ranker, T. A. 2008. Conservation biology. In: Ranker, T. A. & Haufler, C. H. (eds.). The Biology and Evolution of Ferns and Lycophytes. Cambridge University Press. Pp. 259-285. Arévalo, R. & Betancur, J. 2006. Vertical distribution of vascular epiphytes in four forest types of the Serranía de Chiribiquete, Colombian Guayana. Selbyana 27 (2): 175-185. Athayde Filho, F. P. 2002. 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