Nilson Gatuzzo Júnior Especialização em Anatomia Funcional e Clínica DOR NO DORSO: QUESTÃO DE HUMANIZAÇÃO EM SAÚDE DO PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM __________________________________________________________ RESUMO Leandro Nobeschi Orientador e Coordenador do Curso de Pós-graduação em Anatomia Funcional e Clínica O trabalho de enfermagem em unidades de Urgência e Emergência é caracterizado por situações geradoras de riscos à saúde, muitas vezes desconhecidas. Com a finalidade de ampliar os conhecimentos sobre os fatores que podem contribuir para o aparecimento de doenças de origem ocupacional em especial a Dor no Dorso, durante atividade laboral, entendendo que qualquer doença de origem ocupacional passa pelo conhecimento de “como” e “onde” o trabalhador executa sua tarefa, realizamos este estudo em um Pronto Atendimento. Os resultados evidenciaram que 84% dos profissionais são portadores de algia na região dorsal, 66% estão com peso acima do ideal, a maioria identifica o acumulo de tarefas e o excessivo levantamento de peso demandado pela população em relação ao insuficiente número de trabalhadoras, como fator predisponente de estresse e dor na coluna vertebral que interferem na qualidade do trabalho. O ambiente apresenta inadequação de mobiliários nos setores de trabalho, ruído e temperaturas em níveis elevados. Pode-se inferir que a situação de trabalho vivida pelos profissionais de enfermagem interfere na organização e qualidade de vida no trabalho culminando na influência sobre sua saúde, desempenho e bem-estar. Palavras-Chave: Algia no dorso, Algia na coluna vertebral, Postura incorreta, Ergonomia em Enfermagem, Saúde ocupacional. __________________________________________________________ ABSTRACT The nursing work in units of Urgency and Emergency is characterized by generating situations of risks to the health, many ignored times. With the purpose of enlarging the knowledge especially about the factors that can contribute to the emergence of diseases of occupational origin the Pain in the Back, during activity labor, understanding that any disease of origin occupational raisin for the knowledge of "as" and "where" the worker executes his/her task, we accomplished this study in a Ready Service. The results evidenced that 84% of the professionals are pain bearers in the back region, 66% are with weight above the ideal, most identifies him/it accumulate of tasks and the excessive weight rising disputed by the population in relation to the insufficient number of workers, the factor stress predisposing and pain in the spine that you/they interfere in the quality of the work. The atmosphere presents inadequacy of furnitures in the work sections, noise and temperatures in high levels. It can be inferred that the work situation lived by the nursing professionals interferes in the organization and life quality in the work culminating in the influence on his/her health, acting and well-being. Keywords: Backache, Pain in backbone, Incorrect posture, Ergonomics in Nursing, Occupational health. 0 1. INTRODUÇÃO Barboza et al (2008) comentam que, as Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT) são afecções que envolvem os nervos, tecidos, tendões e estruturas de suporte do corpo, causadas por processo crônico desenvolvido por atividades realizadas durante o trabalho com destaque para Algia vertebral. Devido a sua grande prevalência, a doença tornou-se um problema de saúde pública por acometer trabalhadores tanto de países desenvolvidos quanto subdesenvolvidos. Murofuse e Marziale (2005) relatam que, dentre as Doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (DORT), as lesões do sistema musculoesquelético, mais precisamente as dores na coluna, têm despertado a atenção por serem importantes causas de morbidade, com destaque para os trabalhadores de enfermagem, onde a relação da dor nas costas com o trabalho geralmente ocorre por fatores ergonômicos traumáticos. Magnago et al (2007) afirmam... [...] “Em todo o mundo, esse distúrbio gera aumento de absenteísmo e de afastamentos temporários ou permanentes do trabalhador e também produz custos expressivos em tratamento e indenizações, devido a diferentes graus de incapacidade funcional decorrentes das DORT”. Segundo pesquisa realizada por Eriksen, Bruusgaard e Knardahl (2004), demonstram que 80% dos trabalhadores de enfermagem são vulneráveis à DORT, entre essas, destacam-se as lesões que comprometem a coluna vertebral, estas afecções vem despertando a atenção de especialistas em saúde ocupacional por ser uma das mais importantes causas de morbidade e incapacidade de adultos. Moreira e Mendes (2005) entendem que, o trabalhador da enfermagem ao desempenhar as suas atividades, muitas vezes, descuida-se da própria saúde por estar preocupado em satisfazer as funções instituídas para o cargo que ocupa. Ao abster-se do cuidado de sua saúde, expõe-se a riscos, predispondo-se ao desenvolvimento de Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT), porque, muitas vezes, sua atividade exige o dispêndio de forças físicas, mecânicas e psíquicas, muitas vezes, acima dos seus limites corpóreos. 1 Magnago et al (2008) citam que, o sofrimento físico do trabalhador ocorre em função da exposição constante a fatores de riscos e condições inadequadas de trabalho, em especial, pela inobservância ergonômica e administrativa existente no ambiente de trabalho. Murofuse e Marziale (2005) comentam que, determinadas posturas e movimentações adotadas por um trabalhador repetidamente, durante anos, pode afetar a sua musculatura e a sua constituição óssea-articular, principalmente a da coluna e dos membros, resultando, em curto prazo, em dores que se prolongam além do horário de trabalho em longo prazo podem resultar em lesões permanentes e deformidades. Moreira e Mendes (2005) salientam que, especificamente em relação às atividades profissionais de enfermagem, sabe-se que o sistema locomotor pode ser agredido por fatores relacionados ao levantamento e transporte de cargas, às condições ambientais do posto de trabalho inadequadas, bem como a própria organização do trabalho mal distribuída entre outros fatores podendo acarretar afecções na coluna destes profissionais. Para Magnago et al (2007) entre essas afecções estão incluídas as enfermidades da coluna vertebral sendo que as dores e queixas crônicas relacionadas com a coluna vertebral constituem um complexo desafio para a Saúde Ocupacional. Magnago et al (2008) afirmam... [...] “A elucidação de fatores que causam lesões no sistema osteomuscular tem sido objeto de numerosos trabalhos que atualmente se voltam para aspectos amplos como fatores psicológicos, condições socioeconômicas, defeitos posturais e estilo de vida”. Portanto, o trabalhador necessita ser assistido por meio de um serviço de saúde ocupacional, capaz de elaborar e executar programas de promoção, prevenção e recuperação da saúde destes trabalhadores. Diante desta realidade e refletindo sobre essa temática, surgiu a motivação para a realização deste estudo, buscando avaliar a prevalência de algias na coluna vertebral e sua relação com o perfil dos profissionais de enfermagem, em especial da cervicalgia e lombalgia, decorrentes da má postura, durante atividade laboral. 2 2.. OBJETIVO Com objetivo realizar uma reflexão acerca da temática ergonomia, salientando a importância da inter-relação do tema dor no dorso ao exercício laboral dos trabalhadores de Enfermagem. 3. METODOLOGIA E TIPO DE ESTUDO Trata-se de uma pesquisa campo exploratória, de natureza descritiva, com abordagem quali-quantitativa, com o propósito de compreender o adoecimento laboral dos profissionais de enfermagem, inicialmente foi realizado o levantamento e análise das produções científicas, internacionais e nacionais, nos últimos dez anos, que abordam o tema: distúrbios osteomusculares relacionados aos profissionais de enfermagem. A revisão da literatura é conceituada por Justo et al (2005) como o tipo de investigação científica que tem por objetivo reunir, avaliar e conduzir a síntese dos resultados de múltiplos estudos primários e secundários, na qual se resume o que já foi publicado sobre o tema e se obtém uma visão da conclusão geral de autores especializados. A pesquisa de campo de caráter exploratório para Marconi e Lakatos (2001) tem por finalidade investigar empiricamente os fatos no próprio local onde os fenômenos ocorrem, com o objetivo de aumentar a familiaridade do pesquisador com um fato ou ocorrência, ou ainda modificar e clarificar conceitos. A pesquisa descritiva segundo Cervo e Bervian (2001) visa levantar as características de determinada população ou fenômeno, estabelecendo relações entre as variáveis, envolve o uso de técnicas padronizadas de coleta de dados, por meio de questionário e observação sistemática, através do levantamento quantitativo. 3 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES GRÁFICO 1 – CATEGORIA PROFISSIONAL DOS PARTICIPANTES Participaram 57 profissionais que compõem 100%, deste estudo sendo: 25% Enfermeiros, 16% Técnicos de Enfermagem e o maior contingente entre as categorias são Auxiliares de Enfermagem 60%. Justifica-se pelo papel importante que os mesmos desempenham no cuidado direto ao paciente, bem como o número de profissionais desse grupo em relação ao total da equipe de enfermagem e mesmo do pronto atendimento como um todo. Segundo Vasconcelos (2004) devido às atividades que os Auxiliares de Enfermagem desempenham essa categoria esta propensa a desenvolver distúrbios Osteomusculares, comprometendo a capacidade funcional. Para Junior e Esther (2001) as atividades em ambiente hospitalar abrange uma série de fatores geradores de insalubridade e penosidade, produzindo agravos à saúde do trabalhador. Nesse tipo de organização, dificilmente existe a preocupação em proteger, promover e manter a saúde de seus funcionários. Sem dúvida, trata-se de uma situação paradoxal, porque, ao mesmo tempo em que o hospital tem como missão salvar vidas e recuperar a saúde dos indivíduos enfermos, favorece o adoecer das pessoas que nele trabalham. 4 GRÁFICO 2 – SEXO DOS PARTICIPANTES Em relação ao sexo a maioria dos participantes pertence ao sexo feminino, ou seja, 45 mulheres que representam 79% para 12 homens 21%, distribuídos da seguinte forma: Sexo masculino 29% Enfermeiros; 22% Técnicos de Enfermagem; 18% Auxiliares de Enfermagem; Sexo feminino 71% Enfermeiras; 78% Técnicas de Enfermagem e 82% Auxiliares de Enfermagem. Pinho et al (2001) afirmam que, o sexo deve ser considerado como um fator de risco individual para desenvolvimento de patologias musculoesqueleticas, mesmo existindo homens inseridos nesta profissão, observa-se que estes são minoria no mercado de trabalho em todas as categorias profissionais. Conforme Ribeiro e Rocha (2001) apud Leite, Silva e Merighi (2007) as mulheres constituem maioria na área da enfermagem, considerando as diferenças fisiológicas e emocionais, bem como a necessidade de conciliação entre trabalho doméstico e atividade profissional, caracterizando jornada dupla e até mesmo tripla, é fácil perceber o porquê do desgaste físico, mental e emocional relacionado ao desempenho de suas funções, pois a inserção da mulher no mercado não a liberou completamente dos cuidados da casa e dos filhos, o que resulta em desgaste físico adicional. 5 GRÁFICO 3 - FAIXA ETÁRIA DOS PARTICIPANTES Segundo Pinho et al (2001) a idade dos profissionais deve ser considerada um fator de risco traumático individual, segundo os autores o disco intervertebral vai perdendo a sua vascularização e tornando-se mais fraco, principalmente a partir da segunda ou terceira década de vida, acarretando queda na sua capacidade de amortecer cargas, ocasionando dores musculoesqueléticas. Buscando avaliar se os profissionais estão inseridos grupo de risco associados à idade, os dados relaram os seguintes resultados: 19,30% pertencem à faixa etária de 21 a 30 anos, sendo a maioria 64,91% entre 31 a 40 anos, a minoria 1,75% de 41 a 50 anos, com 8,77% de 51 a 60 e 5,26% tem mais de 60 anos. O fato de profissionais atuantes com mais de 60 anos merece atenção, estes estão em fase de aposentadoria. Pinho et al (2001) afirmam que, a maior incidência de dores nas costas nos profissionais de enfermagem se dá dos 20 aos 40 anos de idade, se agravando a partir dos 50 anos, incapacitando homes e mulheres com mais de 60 anos, quando se encontram no auge da sua capacidade produtiva e a demanda de sua ocupação pode estar exercendo um papel adicional sobre a ocorrência de dor. Através da análise da faixa etária dos participantes pode-se confirmar que a maioria dos entrevistados, pertence ao grupo de risco para desenvolver patologias relacionadas aos distúrbios musculoesqueléticos. 6 GRÁFICO 4 – ESTADO CIVIL DOS PARTICIPANTES Buscando analisar se os profissionais de enfermagem apresentam fatores de riscos associados às atividades de vida diária (AVDs) que podem sobrecarregar os mesmos, indagamos sobre o estado civil, obtendo os seguintes resultados: 17,54% são solteiros, 47,36% casados, 21,05% divorciados, 14,03% viúvos. Observa-se que a maioria dos profissionais são casados seguidos por divorciados e viúvos, o que exige um aumento das responsabilidades de suas atividades diárias, uma vez que na sociedade atual tanto o homem quanto a mulher ainda tem de se dividir entre o trabalho e a responsabilidade de cuidar das tarefas domesticas e familiares, gerando uma dupla ou até tripla jornada de trabalho, para os profissionais. Magnago et al (2007) afirmam que, um grande número de profissionais vivem a complexidade de serem pais/mães, maridos/esposas ressaltando que conciliar a atividade remunerada com o cotidiano familiar nem sempre é uma tarefa simples, isso muitas vezes é a causa de cansaço e estresse, sobrecarregando os profissionais com o acúmulo de funções. Para Alexandre e Moraes (2001) em estudo sobre avaliação físicofuncional da coluna vertebral constataram que mulheres e homens são penalizados pelo acumulo de trabalho domestico, o que pode contribuir para fadiga crônica, desgaste físico, além de patologias especificas tais como: cervicalgias, lombalgias, dorsalgias entre outras. 7 GRÁFICO 5 – PARTICIPANTES DE ACORDO COM O NÚMERO DE FILHOS Alexandre e Moraes (2001) relatam que a quantidade de filhos, é um relevante para os profissionais em qualquer área de atuação, principalmente para mulheres, acarretando um número maior de tarefas, e consequentemente maior desgaste físico e emocional. Buscando confirmar a incidência de dores nas costas dos profissionais de enfermagem, quanto ao acumulo de atividades domésticas e familiares, indagamos sobre a quantidade de filhos, obtendo os seguintes resultados: Um Filho: Enfermeiros 21%, Técnicos de Enfermagem 22%, Auxiliares de Enfermagem 35%; Dois Filhos: Enfermeiros 29%, Técnicos de Enfermagem 44%, Auxiliares de Enfermagem 38%; Três Filhos: Enfermeiros 14% e Auxiliares de Enfermagem 6%; Quatro Filhos: Técnicos de Enfermagem 11% e Auxiliares de Enfermagem 3%; Cinco Filhos: Auxiliares de Enfermagem 3%. Observa se que o fator filhos tem alta relevância para o acumulo de tarefas relacionadas às atividades diárias dos participantes, em conversa informal com o participante que tem cinco filhos, o mesmo nos relatou: “para sustentar seus filhos trabalha todas as noites, durante o período diurno cuida da casa, pois sua esposa trabalha no período diurno, assim dorme somente 3 horas por dia”. Fica nítido por este exemplo que, o acúmulo de atividades diárias relacionadas à quantidade de filhos, pode sim ser um dos fatores, predisponentes para desgaste físico e mental dos profissionais. 8 GRÁFICO 6 – IMC - DOS PARTICIPANTES DO SEXO MASCULINO Segundo Jean (2010) pessoas com sobrepeso tem um elevado risco de desenvolver dor musculoesquelética crônica, especificamente dor lombar (“dor nas costas”). Cientes que a obesidade é um dos fatores, de risco de lesões na coluna vertebral, calculamos o Índice de Massa Corpórea (IMC) dos participantes. Estes foram divididos por gênero e categoria profissional após realizou-se o cálculo do IMC individual, mediante os resultados, estes foram agrupados nas seguintes categorias: Saudável, Sobrepeso, Obesidade I, Obesidade II, Obesidade III. Com relação ao Índice de Massa Corpórea dos participantes do sexo masculino, observamos que: Saudável: 25% dos Enfermeiros e 50% dos Auxiliares de Enfermagem; Sobrepeso: 50% dos Técnicos de Enfermagem e 33% dos Auxiliares de Enfermagem; Obesidade I: 17% dos Auxiliares de Enfermagem; Obesidade II: 50% dos Enfermeiros; Obesidade III: nenhum participante do sexo masculino encontra-se inserido nesta categoria. Evidenciando que o índice de sobrepeso é maior nas categorias profissionais dos Técnicos e Auxiliares de Enfermagem. Jean (2010) relata que, 80% da população já experimentaram ou vai experimentar algum tipo de dor na costa. A má-postura, o sedentarismo e a obesidade, além do stress e da depressão, são causas que agravam a dor. 9 GRÁFICO 7 – IMC - DOS PARTICIPANTES DO SEXO FEMININO Com relação ao Índice de Massa Corpórea dos participantes do sexo feminino, observamos que: Saudável: 30% das Enfermeiras, 43% das Técnicas de Enfermagem e 32% das Auxiliares de Enfermagem; Sobrepeso: 40% das Enfermeiras, 43% das Técnicas de Enfermagem e 36% das Auxiliares de Enfermagem; Obesidade I: 30% das Enfermeiras e 21% das Auxiliares de Enfermagem; Obesidade II: 14% das Técnicas de Enfermagem e 7% das Auxiliares de Enfermagem; Obesidade III: 4% das Auxiliares de Enfermagem. Conforme Moreira e Mendes (2005) é importante salientar que o aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade tem se mostrado crescente principalmente perimenopausa, no sexo feminino, atingindo, esse aumento é aproximadamente, 60% ainda maior na das mulheres, provavelmente em virtude das alterações metabólicas inerentes a esse período, associadas ao sedentarismo, maus hábitos alimentares e, também, à predisposição genética de cada mulher. Nota-se que o índice de sobrepeso atinge todas as categorias profissionais, sendo que a Obesidade é um fator predominante no sexo feminino. Jean (2010) comenta que, no Brasil, a dor na costa atinge hoje cerca de 30% da população economicamente ativa, não é privilégio de idosos e nem dos jovens, magros ou gordos, homens ou mulheres. 10 GRÁFICO 8 – PRÁTICA DE ATIVIDADES FÍSICAS DOS PARTICIPANTES Segundo Pinho et al (2001), outro fator de risco traumático individual é falta de condicionamento físico, que pode estar associado ao aparecimento de dores nas costas. Buscando avaliar se o sedentarismo é um fator de risco que leva o profissional a desenvolver dores nas costas, indagamos dos participantes se estes praticam atividades físicas, obtendo os seguintes resultados: Praticam atividades físicas: Enfermeiros 50%, Técnicos de Enfermagem 33%, Auxiliares de Enfermagem 47%; Não praticam atividades físicas: Enfermeiros 50%, Técnicos de Enfermagem 67% e Auxiliares de Enfermagem 53%. Nota-se que em todas as categorias profissionais o sedentarismo é abundante, pois, a maioria dos participantes desta instituição não pratica atividade física, o que reforça o fato dos profissionais estarem e sobrepeso elevando o risco de morbidade de distúrbios musculoesqueléticos. Para Tribastone (2001), as algias posturais são alterações corriqueiras encontradas em indivíduos sedentários, devido à inatividade física destes, levando à desarmonia das alavancas musculares, ocasionando alterações no alinhamento postural levando a má-formação estrutural, degeneração articular, mudança no centro de gravidade, maus hábitos posturais ocasionando dor musculoesquelética. 11 GRÁFICO 9 – PARTICIPANTES DE ACORDO COM A OCUPAÇÃO Benito et al (2004) relata que a ocupação que profissional exerce dentro do serviço de enfermagem, devido ao acumulo de cargos, pois muitos profissionais tem mais de um vinculo empregatício, onde a variedade de atividades laborais, levam ao desgaste físico e mental desencadeando distúrbios musculoesqueléticos. Buscando avaliar se a prevalência de dor nas costas tem relação com a ocupação dos participantes, obtivemos os seguintes resultados: 64% dos Enfermeiros atuam no seu respectivo cargo, 36% dos Enfermeiros recémformados ainda trabalham nesta instituição como Auxiliares de Enfermagem, dos Técnicos de Enfermagem 100% atua como Auxiliares de Enfermagem, pois por ser uma instituição de órgão publico, no seu quadro de funcionários não foi instituído esta categoria, assim embora sejam Técnicos todos atuam como Auxiliares de Enfermagem, dos Auxiliares de Enfermagem 100% estão nos seus respectivos cargos. Para Barboza et al (2008), os Auxiliares de Enfermagem são os que enfrentam as maiores disfunções de ordem física. Aproximadamente 90% dos trabalhadores são mulheres, além do senso cognitivo e emocional, é exercido o esforço físico excessivo na atuação frente aos pacientes. Devido a este esforço, um grande número de Auxiliares de Enfermagem desenvolve problemas posturais e sofrem de dores de alguma espécie, principalmente na região lombar e cervical. 12 GRÁFICO 10 – PARTICIPANTES SEGUNDO A QUANTIDADE DE EMPREGOS Para Magnago et al (2007), a quantidade de empregos que o profissional da área de enfermagem atua reflete em seu cotidiano, influenciando positivamente ou negativamente em sua saúde e vida social, colaborando para o desenvolvimento de distúrbios musculoesqueléticos, interferindo em sua produtividade. Buscando avaliar a incidência de dor e desconforto musculoesquelético dos profissionais entrevistados relacionados à quantidade de empregos, obtivemos os seguintes resultados: Um Emprego: 29% Enfermeiros, 33% Técnicos de Enfermagem, 68% Auxiliares de Enfermagem; Dois Empregos: 64% Enfermeiros, 67% Técnicos de Enfermagem, 26% Auxiliares de Enfermagem; Mais de Dois Empregos: 7% Enfermeiros e 6% Auxiliares de Enfermagem. Confirma-se que a maioria dos profissionais, possui mais de um vinculo empregatício, sobrecarregando este profissional devido ao acúmulo de funções, tornando-os suscetíveis a desenvolver Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT). 13 GRÁFICO 11 – PARTICIPANTES DE ACORDO COM O TEMPO DE PROFISSÃO Pinho et al (2001) referem que, o tempo que um profissional de enfermagem esta atuando, interfere diretamente em sua saúde, pois as tarefas realizadas por estes profissionais são extremamente desgastantes tanto do ponto de vista físico quanto emocional. Dentro deste contexto questionamos o tempo de profissão dos participantes, obtendo os seguintes resultados: 1 a 5 anos: 21% Enfermeiros, 33% Técnicos de Enfermagem, 15% Auxiliares de Enfermagem. 6 a 10 anos: 14% Enfermeiros, 11% Técnicos de Enfermagem, 15% Auxiliares de Enfermagem. 11 a 20 anos: 29% Enfermeiros, 44% Técnicos de Enfermagem, 38% Auxiliares de Enfermagem. Mais de 20 anos: 36% Enfermeiros, 11% Técnicos de Enfermagem, 32% Auxiliares de Enfermagem. Nota-se que nesta instituição todas as categorias profissionais estão há muito tempo inseridos na profissão, Segundo Pinho et al (2001), a maior incidência de dores nas costas em profissionais de enfermagem ocorre durante o primeiro ano de trabalho, talvez devido a inexperiência desses profissionais em manusear adequadamente pacientes e equipamentos. Já em enfermeiros, a maior incidência de dores nas costas ocorre entre um e quatro anos de serviço, devido ao acúmulo de sobrecarga na coluna vertebral. 14 GRÁFICO 12 – PARTICIPANTES DE ACORDO COM A JORNADA DE TRABALHO Januário (2005) ressalta que a lei trabalhista, de forma contundente, impõe ao trabalhador longas jornadas de trabalho, especialmente para os profissionais de enfermagem, sendo que o tipo de atividade desenvolvida e setor de atuação aumentam os riscos para o desenvolvimento de distúrbios osteomusculares. Por isso questionamos sobre a jornada de trabalho dos profissionais. Devido à instituição onde ocorreu à pesquisa se tratar de uma unidade de urgência e emergência com atendimento 24 horas, a jornada de trabalho esta dividida entre diaristas e plantonistas sendo: Diaristas: 14% Enfermeiros, 22% Técnicos de Enfermagem, 18% Auxiliares de Enfermagem. Plantonistas: 86% Enfermeiros, 78% Técnicos de Enfermagem, 82% Auxiliares de Enfermagem. Os plantonistas compreendem a maior parte dos profissionais desta instituição, segundo Januário (2005), trabalhar em regime de plantão propicia ao profissional de enfermagem assumir horas extras e vínculos empregatícios adicionais que vem a ocasionar o acúmulo de funções, por este motivo surgem os riscos ergonômicos e psicossociais que decorrem da organização e gestão do trabalho, levando o profissional a ser suscetível a acidentes biológicos e acidentes físicos, causando dores musculoesqueleticas. 15 GRÁFICO 13 – PARTICIPANTES DE ACORDO COM O PERÍODO DE TRABALHO Marçal e Fantauzzi (2009), afirmam que turno de trabalho da equipe de enfermagem pode ser extremamente desgastante, devido aos horários rígidos, principalmente para os profissionais que atuam em regime de plantão, ou seja, 12X36 horas, no período noturno, ocasionando esforços físicos e psíquicos elevados, deixando-os suscetíveis aos agentes nocivos, como cansaço crônico, desgaste físico e envelhecimento precoce. Buscando avaliar a incidência de riscos ocupacionais relacionados ao período de trabalho, obtendo os seguintes resultados: Diurno: 71% Enfermeiros, 78% Técnicos de Enfermagem, 59% Auxiliares de Enfermagem; Noturno: 29% Enfermeiros, 22% Técnicos de Enfermagem, 41% Auxiliares de Enfermagem. Observa-se que no período noturno, a uma quantidade menor de profissionais que o diurno, o que vem a comprovar que os profissionais que atuam no período noturno assumem mais funções que os do diurno, devido ao acúmulo de tarefas esses profissionais estão propensos a desenvolver distúrbios osteomusculares. Marçal e Fantauzzi (2009) afirmam que o desgaste físico e emocional de profissionais que trabalham no período noturno, provoca dor/sofrimento ao ponto de transferirem estes sentimentos para o lar, e como conseqüência de desajuste, advêm o absenteísmo. 16 GRÁFICO 14 – CONSIDERAÇÕES DE SINAIS E SINTOMAS ESPECÍFICOS DE DOR 7 50% 4 45% 13 40% 35% 4 30% 25% 9 2 2 20% 5 4 15% 2 1 3 1 10% 5% 0% Enfermeiros (as) Cervical 50% Torácica 7% Lombar 29% Outra região 14% Técnicos de Enf. 22% 11% 45% 22% Auxiliares de Enf. 12% 15% 38% 9% Não sentem dor 26% De acordo com Vieira (2000), o trabalho realizado por profissionais de enfermagem por meses ou anos, constitui um campo propício a lesões osteomusculares. Sendo que o primeiro sinal de lesão é a dor. Cientes que a dor é uma resposta fisiológica relevante, indagamos quais as regiões anatômicas da coluna vertebral que os participantes sentem dor. Os dados revelaram: 50% Enfermeiros, 22% Técnicos de Enfermagem, 12% Auxiliares de Enfermagem, sentem dor na região cervical; 7% Enfermeiros, 11% Técnicos de Enfermagem, 15% Auxiliares de Enfermagem, sentem dor na região torácica; 29% Enfermeiros, 45% Técnicos de Enfermagem, 38% Auxiliares de Enfermagem, sentem dor na região lombar; 14% Enfermeiros, 22% Técnicos de Enfermagem, 9% dos Auxiliares de Enfermagem, afirmam que além de sentir dor nas regiões mencionadas, sentem dor em outras regiões; e 26% dos Auxiliares de Enfermagem, não sentem dor. Foi possível observar que os participantes apresentam as mais elevadas taxas de dor nas seguintes regiões anatômicas: região lombar com 112%, seguida por 84% na região cervical, e 33% na região torácica, isto é um fato extremamente preocupante para os profissionais de enfermagem, pois de 57 participantes, apenas 9 pessoas afirmam não sentir dor. Em um estudo realizado por Gurgueira et al (2003), em relação as regiões citadas como responsável por sintomas de dor musculoesquelética, a região lombar ficou em primeiro lugar, seguida pelos ombros, joelhos, e região cervical. 17 GRÁFICO 15 – IRRADIAÇÃO DA DOR Para Lincoln et al (2002), os fatores que favorecem a ocorrência de distúrbios osteomusculares são múltiplos, constituindo um conjunto complexo, que exercem seu efeito simultaneamente na gênese da doença, tendo como principal sintoma a irradiação da dor. Independente da região anatômica da coluna vertebral afetada os participantes afirmaram sentir dor em diversas regiões do corpo, tais como: Ombros: 21% Enfermeiros, 33% Técnicos de Enfermagem, 20% Auxiliares de Enfermagem; Cotovelos: 21% Enfermeiros, 11% Técnicos de Enfermagem, 16% Auxiliares de Enfermagem; Punhos/Mãos: 7% Enfermeiros, 11% Técnicos de Enfermagem, 4% Auxiliares de Enfermagem; Quadril/Coxas: 29% Enfermeiros, 11% Técnicos de Enfermagem, 20% Auxiliares de Enfermagem; Joelhos: 14% Enfermeiros, 11% Técnicos de Enfermagem, 16% Auxiliares de Enfermagem; Tornozelos/Pés: 7% Enfermeiros, 22% Técnicos de Enfermagem, 24% Auxiliares de Enfermagem. Barbosa (2002), as posturas inadequadas impõem esforços adicionais e desequilibrados e inesperados, podendo atingir a coluna vertebral e as extremidades inferiores e superiores, ocasionando a fadiga muscular pela manutenção prolongada de contrações musculares estáticas. Notamos durante a entrevista que além do acúmulo de tarefas executadas pelos profissionais as dores por eles referidas, podem ser resultado de movimentos repetitivos (flexão, extensão, lateralização, rotação), posturas inadequadas, levantamento de peso excessivo, durante a jornada de trabalho. 18 GRÁFICO 16 – DURAÇÃO DA DOR Para Barbosa (2002) é importante observar a duração da dor, devido aos movimentos que os profissionais de enfermagem realizam em seu posto de trabalho, membros superiores e inferiores podem sofrer um processo de desgaste, acometendo a coluna vertebral, resultando em dor desencadeada e/ou agravada pelo movimento repetitivo. Por meio da análise das respostas obtidas pelos participantes mediante a classificação e duração da dor, obtivemos os seguintes resultados: Aguda (1 a 4 semanas): 50% Enfermeiros, 67% Técnicos de Enfermagem, 48% Auxiliares de Enfermagem. Subaguda (5 a 12 semanas): 21% Enfermeiros e 11% Técnicos de Enfermagem, 24% Auxiliares de Enfermagem. Crônica (mais de 12 semanas): 29% Enfermeiros, 22% Técnico de Enfermagem, 28% Auxiliares de Enfermagem. Nota-se que a ocorrência de dor é crescente entre os participantes, a Algia é o principal sintoma de alerta para que o indivíduo busque ajuda especializada. Ressaltando ainda que a dor, frequentemente causada por afecções do aparelho locomotor, está presente em mais de 70% dos doentes que buscam os consultórios brasileiros por razões diversas. É a razão das consultas médicas em um terço dos doentes (TEIXEIRA, 2003). 19 GRÁFICO 17 – HORÁRIO DA DOR Teixeira (2003), afirma que a profissão de enfermagem esta inserida no processo de cuidar, mas para cuidar do próximo o cuidador necessita de estar em plenas condições de bem-estar físico e mental, segundo o autor a algia significa dor e sofrimento, produzido por lesão ou por qualquer estado anormal do organismo, que resulte em sofrimento físico ou moral, que venha a afetar a qualidade de vida deste profissional. Para avaliar se os participantes estão em plenas condições de bemestar, questionamos o horário em que estes apresentam dor, obtendo os seguintes resultados: Manhã: 21% Enfermeiros, 33% Técnicos de Enfermagem, 20% Auxiliares de Enfermagem; Tarde: 29% Enfermeiros, 11% Técnicos de Enfermagem, 20% Auxiliares de Enfermagem; Noite: 29% Enfermeiros, 33% Técnicos de Enfermagem, 8% Auxiliares de Enfermagem; Contínua: 21% Enfermeiros, 22% Técnicos de Enfermagem, 52% Auxiliares de Enfermagem. Estes dados revelam que os profissionais apresentam dor em todos os horários, com maior ou com menor intensidade, ficando evidente que a qualidade de vida dos participantes esta em estágio de alerta. Pois, durante a jornada de trabalho os profissionais de enfermagem realizam movimentos de forma repetitiva ou errônea, considerados fatores de risco que sobrecarregam as articulações solicitadas na execução de suas tarefas. 20 GRÁFICO 18 – PREVALÊNCIA DOS SINTOMAS MÚSCULOS-ESQUELÉTICOS Vasconcelos (2004) relata que, mais de 50% dos profissionais de enfermagem apresentam dor nas costas por algum período durante a sua atividade laboral e que por mais de 4 horas por ano, o profissional deixa de trabalhar devido a estas dores. Acrescente-se que 85% dos portadores de dor nas costas têm crises repetitivas, o que gera um alto índice de absenteísmo. Buscando correlacionar se os profissionais desta instituição se afastaram do trabalho devido à prevalência de sinais e sintomas de dor, obtivemos os seguintes resultados: Últimos 7 dias: 14% Enfermeiros, 11% Técnicos de Enfermagem, 16% Auxiliares de Enfermagem, passaram por consulta e afastamento médico; Durante 12 meses: 57% Enfermeiros, 44% Técnicos de Enfermagem, 32% Auxiliares de Enfermagem, consulta e afastamento médico; Não tiveram consulta: 29% Enfermeiros, 44% Técnicos de Enfermagem, 52% Auxiliares de Enfermagem, embora sentissem a maior parte deles ainda não procurou auxilio médico. Neste gráfico fica evidente que o absenteísmo, esteve presente em todas as categorias profissionais, tendo um alto índice de consultas e afastamento médico no período de 12 meses. Segundo Vasconcelos (2004), é fundamental que os profissionais busquem a prevenção, através da pratica de exercícios, alongamentos, para se evitar o aparecimento de distúrbios musculoesqueléticos, principalmente algias dorsais. 21 GRÁFICO 19 - PARTICIPANTES DE ACORDO COM DESVIO DE FUNÇÃO Batista et al (2010), a saúde do trabalhador deveria ser uma prioridade estabelecida para os serviços de saúde, pois reflete em casos de licença saúde, e, em situações onde se faz necessária a readaptação funcional. Por a isso indagamos se nesta instituição existiam profissionais em desvio de função, ou seja, remanejados, e obtivemos os seguintes resultados: em desvio de função encontram-se: 11% dos Técnicos de Enfermagem e 16% dos Auxiliares de Enfermagem. Sendo que 1 Técnico de Enfermagem foi remanejado, devido a Hérnia de Disco na região Torácica, 4 Auxiliares de Enfermagem também permanecem remanejados, 1 devido a um Rompimento do Ligamento Roteador do Braço Direito, 1 devido a um Acidente Ocorrido entre uma ambulância e uma viatura policial, ocasionando Esmagamento de Vértebras, 1 devido a Hérnia de Disco na região Cervical, e 1 devido a Hérnia de Disco na Região Lombar. Observamos durante a entrevista que mesmo estando desviados de função, estes profissionais continuam realizando tarefas rotineiras as suas atividades laborais, o que demonstra a conveniência dos gerentes desta instituição, que mesmo cientes das condições adversas e limitantes sofridas pelo profissional o mantem no setor, prejudicando sua qualidade de vida. Para justificar este fato, os mesmos relataram que devido à estrutura organizacional burocrática e á escassez de recursos humanos, se faz necessário que se mantenha os profissionais no mesmo setor. 22 GRÁFICO 20 – FATORES QUE PIORAM A DOR DOS PARTICIPANTES Para Barboza et al (2008), a ergonomia e as condições de trabalho são representadas por um conjunto de fatores interdependentes que atuam direta ou indiretamente na qualidade de vida das pessoas. Considerando os profissionais como componentes da situação de trabalho, que devem ser analisados, indagamos na opinião destes quais seriam os fatores que pioram a dor, obtendo os seguintes resultados: Acúmulo de tarefas: 7% Enfermeiros, 44% Técnicos de Enfermagem, 32% Auxiliares de Enfermagem; Movimentos repetitivos: 21% Enfermeiros, 11% Técnicos de Enfermagem, 12% Auxiliares de Enfermagem; Posições inadequadas: 14% Enfermeiros, 16% Auxiliares de Enfermagem; Esforço físico: 14% Enfermeiros, 33% Técnicos de Enfermagem, 24% Auxiliares de Enfermagem; Tensão emocional: 43% Enfermeiros, 11% Técnicos de Enfermagem, 12% Auxiliares de Enfermagem; Outros: apenas 4% dos Auxiliares de Enfermagem. Os dados revelaram que na opinião dos Técnicos e Auxiliares de Enfermagem o acúmulo de tarefas, seguido de esforço físico, são fatores predominantes para piora da dor, pois são eles que realizam a maior parte do serviço braçal, a tensão emocional é sentida pelos Enfermeiros, isto se justifica, pois são eles responsáveis por toda a parte burocrática da unidade. 23 GRÁFICO 21 – FATORES QUE ALIVIAM A DOR DOS PARTICIPANTES Para Barboza et al (2008), o estresse e os problemas osteomusculares são frequentes na enfermagem, como consequência das más condições de trabalho, o que interfere na saúde. Os problemas de saúde dos executores dessas atividades contribuem para o entendimento de que existem fatores biopsicossociais que interferem no trabalho de enfermagem. Por isso, indagamos na opinião destes quais seriam os fatores que contribuíram para melhora da dor, obtendo os seguintes resultados: Alongamento: 7% Enfermeiros, 11% Técnicos de Enfermagem, 8% Auxiliares de Enfermagem; Calor/Gelo Local: 11% Técnicos de Enfermagem e 12% Auxiliares de Enfermagem; Fisioterapia: 14% Enfermeiros e 8% Auxiliares de Enfermagem; Medicação: 36% Enfermeiros, 33% Técnicos de Enfermagem, 32% Auxiliares de Enfermagem; Repouso: 36% Enfermeiros, 44% Técnicos de Enfermagem, 40% Auxiliares de Enfermagem; Outro: apenas 7% dos Enfermeiros. Os dados revelam que na opinião dos profissionais a medicação é o principal fator de alivio da dor, seguido de repouso, durante conversa informal com os entrevistados observamos que a maioria deles se automedica, o repouso por ser uma unidade de urgência e emergência, a rotatividade do atendimento ao público é grande, ocasionando assim um maior desgaste físico por parte desses profissionais, que durante uma jornada de 12 horas, tem somente 45 minutos para o almoço. 24 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS No exercício da profissão, inúmeras são às vezes em que os profissionais de Enfermagem adotam posturas corporais impróprias, como é o caso de várias tarefas desempenhadas à beira do leito, como realizar curativo (por vezes de longa duração), puncionar acesso venoso, auxiliar no banho de leito, realizar trocas de decúbito ou passagem leito-maca-leito dentre outras. Todas as tarefas mencionadas tornam esses profissionais vulneráveis a desenvolver doenças comprometendo o sistema musculoesquelético, entre as quais estão Distúrbios Osteomusculares. Em relação à vulnerabilidade dos profissionais de enfermagem presentes neste estudo, nota-se que é elevada a ocorrência de algia comprovado por 84% dos entrevistados relatarem “dor” apenas 16% não. As algias referidas pelos participantes ocorrem no total de 27% na região cervical; 15% torácica; 44% lombar, sendo 15% dos profissionais referem sentir esta dor se irradia para outras regiões (cotovelos, punhos/mãos quadril/coxas joelho, tornozelos/pés). Quanto à duração da dor; 52% dos profissionais encontram-se na fase aguda, 21% subaguda, 27% a dor tornou-se crônica. 23% dos participantes relatam sentir dor durante horários matutino, 21% vespertino, 19% noturno, 38% dor continua, dados preocupantes que confirmam o comprometimento da qualidade de vida dos participantes. A dor osteomuscular persistente é fator principal de absenteísmo e procura por auxílio médico, do total de profissionais deste pronto atendimento 15% procuraram atendimento medico durante o período de 7 dias anterior a entrevista e 42% se afastaram do serviço nos últimos 12 meses. Os dias de trabalho perdidos devido às dores nas costas e sua interferência na execução das atividades cotidianas dos profissionais demonstram o quanto à dor pode comprometer a vida pessoal e profissional. Ao enfrentar o seu dia-a-dia em uma Unidade de Urgência e Emergência. É preciso considerar também o alto grau de responsabilidade do profissional Enfermeiro (a), frente aos serviços técnicos, administrativos e burocráticos pelo longo e exaustivo período de trabalho, ocasionando tensão emocional, onde 50% Enfermeiros entrevistados referem sentir cervicalgia com irradiação para os ombros. 25 Com relação à postura, esta é influenciada pela organização, dimensionamento do mobiliário, armazenagem e movimentação de cargas e ambientes de trabalho da equipe. Os Auxiliares e Técnicos de Enfermagem, permanecem em pé a maior parte do plantão, curvados sobre os leitos, durante banho entre outras atividades, mantendo-se sobre as pontas dos pés na sala de medicação fazendo hiperextensão dos braços e da coluna vertebral para alcançar medicações localizadas nos armários demasiadamente altos para o perfil antropométrico da maioria dos profissionais da equipe. Quanto aos fatores de risco que pioram a dor dos participantes 27% referem ser o acúmulo de tarefas, 15% movimentos repetitivos, 13% posturas inadequadas, 23% esforço físico, 21% tensão emocional, dentre os fatores que melhoram a dor 8% alongamento, 8% calor e gelo local, 8% fisioterapia, 33% medicação, 40% repouso. Evidencia-se que medidas simples e viáveis como a alternância das tarefas, pausas, redução da jornada de trabalho, revisão da produtividade e das formas de controle/supervisão dos trabalhadores de enfermagem bem como o treinamento e o acompanhamento daqueles que já estão acometidos, podem contribuir, na profilaxia dos distúrbios osteomusculares que além de gerarem danos físicos e psicológicos aos profissionais de enfermagem, podem reduzir a sua capacidade produtiva. Ressalta-se ainda a importância do conhecimento sobre saúde ocupacional por parte dos profissionais de enfermagem, visto que estes podem atuar como agentes de prevenção e promoção na saúde da equipe de enfermagem. Diante das considerações, conclui-se ser essencial que os profissionais de enfermagem, tenham um bom ambiente de trabalho, bem como aperfeiçoamento técnico-científico para que possam realizar suas tarefas com respeito aos fatores ergonômicos e antropométricos, aos seus limites biomecânicos a fim de primar pela manutenção de sua saúde física e mental, além de uma melhor qualidade de vida ainda poderão prestar um cuidado mais humanizado e eficiente aos seus clientes sem que isso lhes acarrete danos. 26 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALEXANDRE, N. M. C.; MORAES, M. A. Modelo de um curso de orientação sobre determinados aspectos ergonômicos e posturais no trabalho do pessoal de enfermagem. Brasília: Revista Brasileira de Enfermagem, v.19, n.74, 2001, p. 1-5. BARBOSA, Luis Guilherme. Fisioterapia Preventiva nos Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT): a fisioterapia do trabalho aplicada. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. BARBOZA, Nachtigall Cristiene Michele et al. Doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (DORT) e sua associação com a enfermagem ocupacional. Porto Alegre: Revista Gaúcha de Enfermagem, v.29, n.4, 2008, p.8-633. BATISTA, A. A. V et al. Fatores de motivação e insatisfação no trabalho do enfermeiro. São Paulo: Revista da Escola de Enfermagem - USP, v.39, n.1, 2010, p. 85-91. BENITO, Vélez Amélia Gladys et al. Análise ergonômica das posturas que envolvem a coluna vertebral no trabalho da equipe de enfermagem. Florianópolis: Revista Texto Contexto Enfermagem, v.1, n.1, 2004, p. 23-115. CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia Científica. 5ª ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2001, p. 229. ERIKSEN, W.; BRUUSGAARD, D.; KNARDAHL, S. Work factors as predictors of intense or disabling low back pain: a prospective study of nurses aides. London: Occupational Environmental Medicine, 2004, p. 398404. JUNIOR, Lima V. H. José; ESTHER, Brigato Ângelo. Transições, prazer e a dor no trabalho de enfermagem. São Paulo: Revista de Administração de Empresas, v.41, n.3, 2001, p. 20-30. FANTAUZZI, Oliveira de Marcela; MARÇAL, Alves Márcio. Avaliação da prevalencia de lombalgia em uma equipe de enfermagem e as condições ergonômicas de seu trabalho. Salvador: Congresso Brasileiro de Fisioterapia do Trabalho, 2009. GURGUEIRA, G. P.; ALEXANDRE, N. M. C.; CORRÊA, H. R. Prevalência de Sintomas Músculo-Esqueléticos em Trabalhadoras de Enfermagem. Ribeirão Preto: Revista Latino-Americana de Enfermagem, v.11, n.5, 2003, p. 608-613. JANUÁRIO, F. V. O. O trabalho de enfermagem na unidade de terapia intensiva: conseqüências e implicações no corpo das enfermeiras. Riod e Janeiro: Escola de Enfermagem Alfredo Pinto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2005. p.128. 27 JEAN, Kléper. Dor Lombar e Obesidade. 2010. Disponível http://oreumatologista.blogspot.com, acesso em 26 de Abril de 2011. em: JUSTO, L. P et al. Revisão sistemática, metanálise e medicina baseada em evidências: considerações conceituais. Rio de Janeiro: Jornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 54, n. 3, 2005, p. 242-247. LEITE, Patrícia Campos; SILVA, Arlete; MERIGHI, Mirian Aparecida Barbosa. A mulher trabalhadora de Enfermagem e os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. São Paulo: Revista da Escola de Enfermagem da USP, v.41, n.2, 2007, p. 287-291. LINCOLN, A. E. et al. Impact of case manager training on worksite accommodations in workers compensation claimants with upper extremity disorders. Journal of Occupational and Environmental Medicine, v.44, n.3, 2002, p.45-237. MAGNAGO, Tânia S. B. de Souza; LISBOA, Márcia T. Luz; GRIEP, Rosane Harter. Trabalho da enfermagem e distúrbio musculoesquelético: revisão das pesquisas sobre o tema. Rio de Janeiro: Escola de Enfermagem Anna Nery, v.12, n.3, 2008, p. 560-565. MAGNAGO, Tânia S. B. de Souza; LISBOA, Márcia T. Luz; SOUZA, Ivis Emilia de Oliveira; MOREIRA, Marléa Chagas. Distúrbios musculo-esqueléticos em trabalhadores de enfermagem: associação com condições de trabalho. Brasília: Revista Brasileira de Enfermagem, v.60, n.6, 2007, p. 701-705. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia Científica. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2001. MOREIRA, A. M. R.; MENDES, R. Fatores de risco dos distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. Rio de Janeiro: Revista Enfermagem Uerj, 2005, p. 19-26. MUROFUSE, N. T.; MARZIALE, M. H. P. Doenças do sistema osteomuscular em trabalhadores de enfermagem. Ribeirão Preto: Revista Latino-Americana de Enfermagem, 2005, p.73-264. PINHO, de Lucinéa et al. Dores na coluna em profissionais de enfermagem. São Paulo: Acta Fisiátrica, v.8, n.2, 2001. ROCHA, L. E.; RIBEIRO, M. Debert. Trabalho, saúde e gênero: um estudo comparativo sobre analistas de sistemas. São Paulo: Revista de Saúde Pública, v.35, v.6, 2001, p. 47-539. TEIXEIRA, Manoel Jacobsen. Dor: Manual para o Clínico. São Paulo: Atheneu, 2003. TRIBASTONE, F. Tratado de exercícios Corretivos Reeducação Motora postural. São Paulo: Manole, 2001. aplicados à 28 VASCONCELOS, José Tupinambá Sousa. Anatomia Aplicada e Biomecânica da Coluna Vertebral. In: NATOUR, Jamil. Coluna Vertebral: Conhecimentos Básicos. 2ª ed. São Paulo: Etcetera, 2004, p. 17-35. VIEIRA, D. A Aspectos ergonômicos da rotina de trabalho dos carteiros relacionados ao desconforto corporal e problemas posturais. Florianópolis: Universidade do Estado de Santa Catarina, 2000. 29