Jornal
Ilha Capital
Quase um
mártir
Ataque contra
marceneiro precisa
ser esclarecido.
Página 9
O nanico que incomoda
Ano V - Número 60 - Florianópolis, Setembro de 2009
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Cacá Menéia
Jururú Internacionáli,
não pode!
Nova servidão Dona
Cacá Menéia?
Essa póde!
Dás um banho...
3
ONGs
Aliança Nativa
condenada
pela Justiça
a exibir
documentos
POLÍTICA
6
Um soviete
ambiental em
articulação
O reforço dos
sindicatos
POLÍCIA
8
Meio século de
cadeia
A condenação do matador Anderson
Lima de Almeida,
o “Luca”, que
barbarizou o
Norte da Ilha.
9
PARAíSOS NÁUTICOS
Key West
Flórida - EUA
Um paraíso que tem lugar até
para quem quer
morar
no
barco
12
Cinco anos revelando o que os outros
tentam esconder de você
P
ensamos em exibir nesta
capa todas as manchetes
exclusivas do “nanico
que incomoda”. Não coube, o
que confirma que fomos fiéis
a nossa proposta inicial, de
quando foi criado o Jornal O
Bairro - Rio Vermelho, que
precedeu o Ilha Capital: fazer o diferente. Um jornaleco
com coragem para ficar de fora da corrente politicamente
correta que assola os meios de comunicação; que contrarie opiniões disseminadas como consenso; que divulgue
idéias discriminadas e fatos acobertados; que não se renda
ao esquemão tradicional em que “o cliente paga um anúncio, leva um informe comercial de brinde e a reportagem
fica de folga”.
Ao longo desses cinco anos, os ideólogos bocós da
esquerdinha pão dormido, pequenos ditadores de todos
os debates na “sociedade civil”, continuam enviando suas
mensagens - sempre eivadas dos mais básicos tropeços
gramaticais e ortográficos - com a perguntinha aquela:
“Quanto os empresários pagam a vocês para defendêlos?” Vamos aproveitar esta data querida para responder
na capa: escandalosamente menos do que eles pagam
para os outros jornais, que “criam” e omitem informação
para transformar em heróis da nação quem demanda para
matar o capitalismo e acabar... com os empresários.
Na verdade, se a gente quisesse abocanhar bons nacos
da riqueza que a classe empresarial produz neçepaíz, não
haveria melhor maneira do que bancar o anticapitalista e
ser dono de ONG sócioambiental.
É isso: o nosso negócio é expressar verdades
inconvenientes.
Ilha Capital
Rio Vermelho
O
Alessandro
Carvalho
publicitário Alessandro Pereira
Carvalho, diretor da produtora Cristal
Broadcast, faleceu às 12h 20min de
sábado, 29 de agosto. Ele estava internado na UTI do Hospital Celso Ramos
desde a tarde do dia 25, quando sofreu
um acidente com a motocicleta que pilotava no elevado do Itacorubi, imediações
da empresa.
Gaúcho de Porto Alegre, radicado em
Florianópolis há 18 anos, Alessandro, 33
anos, era o segundo filho de Luiz Carlos
Ortiz Carvalho, o “Cristo”, proprietário da
Cristal, e de Jane Teresinha Pereira Carvalho - moradores na Barra da Lagoa -,
e irmão de Cíntia e Martim. Casado com
Audrey, Alessandro era pai de Cauê, de
sete meses, e havia adotado como filha
do coração a menina Mariah (9), filha de
Audrey.
O casal havia comprado uma proprie-
Foto: Paulo Simões
J
dade na servidão Luiza Maria dos Santos
(Dona Zinha), no Rio Vermelho, onde
Alessandro investia suas horas de folga
em reformas e melhorias na residência e
muitos cuidados com o jardim. O sepultamento do jovem foi realizado às 11 da manhã de um belo e ensolarado domingo, no
alto de uma colina, no Cemitério Jardim
da Paz, acompanhado por uma grande
quantidade de parentes e amigos. A missa
de sétimo dia lotou a Igreja de São Sebastião, no Centro de Florianópolis.
Santinho
Foi lançado no dia 3 de setembro o
livro Conhecimento científico: subsídios
para gestão de serviços de referência e
informação, autoria de Manoel Agrasso
Neto e Aline França de Abreu. Eles são
professores e pesquisadores do Núcleo de Estudos em Inovação, Gestão
e Tecnologia da Informação da UFSC,
e autores de inúmeras outras obras e
artigos científicos, publicados no Brasil e
no Exterior.
O professor Agrasso é membro atuante no Distrito de Ingleses onde já presidiu o Conselho Comunitário do balneário
do Santinho.
A professora Aline é moradora em
São João do Rio Vermelho, onde reside
Civismo
Desde que foi inaugurada, a Escola
Básica Maria Tomazia Coelho, do balneário Santinho, em Ingleses, teve diretores
eleitos com participação popular. Como
a última eleição não realizou-se por falta
de quórum, a Secretaria nomeou a nova
diretora. E, finalmente, a comunidade
pode ver uma grande parcela de suas
crianças e jovens envolvida em uma
confraternização cívica pelo transcurso
da Semana da Pátria Amada, Idolatrada,
Salve, Salve!
No sexta-feira, 4 de setembro, a
estrada geral Vereador Onildo Lemos foi
tomada pelo primeiro desfile comemorativo à data que marca a Independência do
Brasil, promovido pelo corpo docente da
Serviço militar
oão Eduardo Pinto
Basto Lupi, Consul
Honorário de Portugal
em Florianópolis informa
que os cidadãos portugueses nascidos em 1991, que residam
legalmente no estrangeiro com caráter
permanente e contínuo no mínimo há
seis meses, podem solicitar dispensa
Sorveteria Ilhabela está recrutando operador de máquina
contínua de produção de sorvetes e auxiliar de produção.
Contatos: (48)3234-2313 - [email protected]
Conhecimento
científico
2
Utilidade Pública
Operador de máquina de sorvete e
auxiliar de produção
A
- Florianópolis, Setembro 2009 - www.ilhacap.com.br -
Foto: Api Nery
Canasvieiras
TCU condena presidente
de associação por irregularidade
(25/08/2009 - 09:30) O Tribunal de
Contas da União (TCU) condenou Daniel Schoroerder, presidente da Associação dos Moradores de Canasvieiras
em Santa Catarina (Amocan-SC), ao
pagamento da quantia atualizada de R$
92.042,52, por não ter comprovado a
aplicação de recursos repassados pelo
Ministério da Cultura à associação.
Relatório de auditoria do Tribunal
concluiu pela irregularidade devido ao
descumprimento do convênio assinado
para apoiar o Projeto Boi de Cá, no
desenvolvimento de pesquisa sobre o
folclore catarinense.
Além do débito principal, o responsável deve pagar multa de R$ de 5 mil.
Caso não atendida a determinação,
o TCU autorizou a cobrança judicial.
O Tribunal enviou cópia da decisão à
Procuradoria da República no Estado
de Santa Catarina para que sejam
tomadas as devidas providências. O
relator do processo foi o ministro Augusto Sherman Cavalcanti. Ainda cabe
recurso da decisão. (Fonte: Imprensa
- TCU)
Omissão
em um sitio da família.
Agrasso e Aline receberam um grande grupo de familiares, amigos e colegas
nas dependências da Universidade, para
um simpático coquetel de confraternização por mais esta importante realização.
Foto: Divulgação
EBM Maria Tomazia, liderado pela diretora Alba Mirian Ribeiro. A iniciativa encheu
as crianças de alegria e deixou os pais
muito orgulhosos e agradecidos.
A Banda de Percussão Laércio
Caldeira de Andrada veio de São José
especialmente para participar do desfile.
ao Dia da Defesa Nacional,
ou, caso se encontrem temporariamente no estrangeiro
devem requerer o adiamento ao cumprimento deste
dever militar, de acordo com
o procedimento constante
em: www.mdn.gov.pt/mdn/
pt/Recrutamento/dia/default2.htm. A
falta não justificada ao Dia da Defesa
Nacional implica em coima (multa).
Segundo o acórdão do ministro
relator Augusto Sherman Cavalcanti, uma tomada de contas especial
foi instaurada pela Coordenação de
Contabilidade da Secretaria Executiva
do Ministério da Cultura. A medida foi
determinada pela falta de prestação de
contas e de comprovação da execução do objeto do Convênio 531/2005,
celebrado pela Amocan. que vigorou a
partir de 29 de agosto de 2006, data da
liberação dos recursos. A importância
de R$ 58.697,59 foi requisitada para
“dar apoio financeiro ao Projeto Boi
de Cá, um grupo de estudos para o
desenvolvimento de pesquisa exploratória e bibliográfica sobre o folclore
catarinense”, coordenado pelo músico
Marco Oliva.
Daniel Schoroerder foi notificado da
instauração do procedimento “mas não
apresentou defesa ou qualquer justificativa para a omissão na apresentação
de prestação de contas dos recursos
repassados”, o que levou à execução
da auditoria, cujo relatório concluiu
pela irregularidade das contas.
Com base no relatório foi aberto
o processo no TCU, quando Daniel
foi novamente citado. Mais uma vez o
prazo regulamentar transcorreu sem
que ele apresentasse alegações de
defesa ou devolvesse o valor, razão
pela qual foi considerado omisso “no
dever de prestar contas” dos recursos
públicos repassados. No acórdão, os
ministros condenaram Schoroerder ao
pagamento, com prazo de quinze dias
para comprovar “o recolhimento da
dívida aos cofres do Tesouro Nacional,
atualizada monetariamente e acrescida
dos juros de mora calculados a partir
de 29.08.2006, até a data do efetivo
recolhimento, na forma prevista na
legislação em vigor”, inclusive a multa
de R$5 mil. O acórdão também autoriza, se necessária, a cobrança judicial
da dívida, e a remessa de cópia à
“Procuradoria da República no Estado
de Santa Catarina, para ajuizamento
das ações civis e penais que entender
cabíveis”.
Terceiro
No dia 8 de agosto último Daniel
Schoroerder, que é administrador distrital (intendente) de Canasvieiras desde
agosto de 2006, e que dirigiu a Associação de Moradores por dois mandatos consecutivos (2005/2009), deixou
a presidência da entidade e assumiu o
cargo de vice-presidente, na chapa de
Jocelino Plácido Tadeu para a gestão
2009/2011, eleita em assembléia realizada no dia 12 de julho.
Embora a condenação seja contra
a pessoa responsável pela AMOCAN,
à época do repasse dos recursos,
Daniel revela que “passou o assunto”
para a nova diretoria da Associação,
cujo presidente, Jocelino, confirma ter
assumida os contatos com o TCU. O
ex-presidente declarou ao Jornal Ilha
Capital que a empresa de contabilidade
contratada para assessorar a aplicação da verba - uma exigência desses
convênios - garantiu-lhe que “os documentos haviam sido enviados ao TCU”.
Admitiu, no entanto, nunca ter visto
nenhum protocolo que comprove isso.
Ele negou-se a revelar o nome da empresa, mas esclareceu que o escritório
contábil contratado também dispõe de
assessoria jurídica.
O atual presidente, Jocelino Tadeu,
diz que este é “um assunto interno”
da AMOCAN, e que o caso é “muito
delicado porque o dinheiro foi repassado para terceiro”. Mas Jocelino garante
que o projeto Projeto Boi de Cá, de
Marco Oliva, existe, e que isso pode
ser comprovado nas matérias dos jornais sobre o trabalho realizado.
Ilha Capital
Coluna da
- Florianópolis, Setembro 2009 - www.ilhacap.com.br -
Cacá Meneia
Jururú Internacionáli,
não pode!
Ó
Ria que é de graça
O bêbado e a procissão
O sujeito está no maior porre na
porta de um boteco e, de repente,
aparece uma procissão.
Centenas de pessoas reunidas,
carregando uma santa num andor
toda decorada em verde e rosa.
O cachaceiro berra:
- Olha a Mangueira aí, geeeeeeeente!!!
Enfezado, o padre se vira pro
bêbado e esbraveja:
- Que falta de respeito, seu excomungado! Fique aí com o seu
vício e nos deixe em paz com a
nossa fé!
Mal o padre acabou de falar, a
santa bate com a cabeça no galho
de uma mangueira, cai e se espatifa no chão.
E o bêbado:
- Eu bem que avisei... mas, esse
padre aí é todo estressadinho!!!
3
i, ói, ói, que sê manezinha às
vegi dói.
Sou só uma manezinha do Norte da
Ilha, nascida e criada no Rio Vremeio,
com muita difilcudade de entender as
côsa nesse mundo de Meu Deus!
Se alembra do Dirso da tia Nereide,
que contei no mês passado? O meu primo, que é casado com a Keca, a caçula
do Tinha, concunhado do Deca da Mana.
O Dirso, gente! Aquele que é que nem o
malino do seu Ruim Naldo Bem Vedete,
o secretáro da Insegurança Púlbica do
Indefeso Cidadão de Santa Catarina:
aspone profissionáli com diproma e
doutorado em Administração de Obras
Prontas... pois é.
Tresontonte o Dirso se arrecusou
assinar os popéli para vender as gleba
que o vô Delço deixou de herança. O vô
Delço, mô quiridos, é aquele que tava
entrevado na cadeira de roda, cego,
surdo e mudo, adipôji de um derrame
celebráli. O vô bateu as bota porque o
Dirso esqueceu o véinho tomando sóli na
varanda da casa em Aranhas. A careca
do vô fritou que nem ôvo na soleira da
tarde, em pleno janeiro, não tem?
Pois é. A empresa Sul Habita queria
comprar as gleba da herança no Rio
Vremeio pra construir um Jururú Internacionáli na volta das nossas casa, com
água, lugi, esgoto, carçada, pavimento,
praça e área vredi. Ô, ô! Vinhas tão bem,
ô! No mo fraco modi pensar, era um bom
negóço, mas... Sem conichões, mofas
c’a pomba na balaia!
O primo Dirso intentou de receber os
milhão em dinhêro vivo, tás tolo? Osvi
dizer que ele alegou que em cheque
não paga a pena: não dá pra sonegar os
imposto. Não teve quem convencesse
ele que milhão em dinheiro vivo, só nas
cueca e nas mala petista. Adipôji, o Dirso
desembestou tamém que não ia em Re-
[email protected]
sistro de Imóveis assinar os popéli como
a Sul Habita ezigia. E ainda mandou
recado pro tabelião: se dependesse dele,
os Cartóro tudo fechava.
Dijaôje, mô cravos, o Dirso tá milionáro. Reconstruiu a casa em sobrado, comprou uma 4x4 importada e vai de féria
pra Quioeste todo ano. Quioeste é uma
ilha perto de Miame, nos Estaduzunido,
onde se pode andar de barco. Barco é a
paixão do primo Dirso, que largou até as
boquinha no sivriço púlbico: ele agora só
mexe com imóveis. Ganha comissão nas
venda de todos lote das gleba que era do
vô. O Dirso passa a máquina pelo meio
dos pasto e batiza as picada de servidão
com os nome da veiarada da família
toda, morto ou vivo.
Começou pela servidão Delço da
Silva Menez (Vô Fritado, que é como os
bisneto conhece o falecido). Depois veio
a servidão Nereide Menez Oliveira (Dona
Nenê). A véia mãe do Dirso tá que só se
ri a toa. O vô Delço tinha tanta gleba, que
vai dar pra homenageiá toda famíla, dos
55 anos de idade pra fora. Tem lote de
todo tamanho que o cliente desejar. O
primo só vende a dinhêro e não percisa
dessas bobage de andar de correria pelas
repartição pra resistro e escritura: é toma
lá, dá cá. E nem percisa de licença pra
construir: o parente na fiscalização faz de
conta que não vê. Os parente na Casan
mandam água, os da Celesc mandam
lugi, os do Pró-Cidadão mandam carnê
de IPTU e os da Secretaria de Obras
mandam pavimento. Não se sabe quando, mas mandam... porque os parente da
Câmara mandam em tudo. Arrombassi!
E eu, tô só pelo momento da minha
veji: servidão Carlota Merentina Menez
da Silva (Dona Cacá Menéia). Dás um
banho!
Ói, ói, ói, que sê manezinha às vegi
dói.
Ilha Capital
- Florianópolis, Setembro 2009 - www.ilhacap.com.br -
Abaixo o povo brasileiro
Editorial
Discriminação e intimidação
Pronto, cinco anos completos. 60 edições, sem
falhar um só mês! Para quem pensou que não fosse
durar seis meses...
Ando trabalhando em um texto sobre a trajetória
do Jornal Ilha Capital, para uma publicação futura.
Sofro a tentação de antecipar alguns detalhes, mas
não vou cair nela. Apenas menciono que bem antes
da sexta edição do então Jornal O Bairro, eu e Paulo
Simões já vínhamos pensando em parar quando,
em fevereiro de 2005, o repórter Jéferson Bertolini
assinou no Diário Catarinense matéria intitulada
“Campo de golfe vira polêmica”. Enviei uma mensagem ao jornalista com alguns esclarecimentos sobre
a “polêmica”, solicitando espaço para manifestação
de um outro grupo de moradores, além daquele
único ouvido como se representasse o todo, e que,
por razões claramente ideológicas, tentava impedir a
implantação de um empreendimento que beneficiaria
toda a região em seu entorno. A reposta do Diário
Catarinense foi rigorosamente NENHUMA.
Poucos dias depois chega uma mensagem do
próprio então presidente da OAB, Adriano Zanotto,
em tom forte de censor contra uma manifestação
nossa em favor do Costão Golfe, numa clara tentativa de intimidação. Ora essa! O presidente da Ordem
atuando descaradamente como garoto de recados
de algumas lideranças do mesmo grupelho acolhido
pelo DC, com o qual (o grupelho, não o DC) Zanotto
também vinha trabalhando dentro da OAB com vistas
ao seu projeto eleitoral.
Era o que faltava para compreendermos a
dimensão da responsabilidade que deveríamos
assumir e que, dali em diante, pesaria muito sobre
nossos ombros, mas sempre proporcionando alegrias
suficientes: nós somos o OUTRO LADO OMITIDO, o
VERDADEIRO GRITO DOS EXCLUÍDOS, a VOZ DA
MASSA ACUADA NO SILÊNCIO.
Maria Aparecida Nery
FALHA NOSSA: Na edição de agosto, faltou constar o
crédito da fonte do texto “A religião política e a politização
da ciência”, autoria de Henrique Dmyterko, pelo que nos
escusamos com o site Mídia@Mais, de onde capturamos o
material: www.midiaamais.com.br
DIARISTA e/ou FAXINA?
Chame a Dila. Com referências.
3269-2433, 3269-9180, 9159-5282
Rio Vermelho
Ilha Capital
Publicação: Conta Comigo Serviços
CNPJ 94.968.088/0001-83
Diretor Responsável: Paulo Roberto Simões - DRT 02291SC
Produção de Textos: Maria Aparecida Nery - DRT 2284SC
Produção Gráfica: Paulo Roberto Simões
Tiragem desta edição: 8.000 exemplares
Impressão: Diário Catarinense
Cartas para email:
[email protected]
[email protected]
Fones: (48) 3269-8265 / 9618-4185 / 9611-0052
Veículo de informação produzido por moradores do
Norte da Ilha, com distribuição gratuíta. Todos os materiais
assinados são de inteira responsabilidade de seus autores, não
traduzindo obrigatoriamente a opinião do veículo.
Assessoria Jurídica:
Dr. Gustavo Vieira de Moraes e Souza - Fone: 3333-1616
OAB/SP 165.620 e OAB/SC 22.618A
www.rvm.adv.br - [email protected]
C
onfirma-se pela enésima vez
aquilo que venho dizendo há
anos: a maioria absoluta dos
brasileiros, especialmente jovens, é um eleitorado maciçamente
conservador desprovido de representação política, de ingresso nos
debates intelectuais e de espaço na
“grande mídia”. É um povo marginalizado, escorraçado da cena pública
por aqueles que prometeram abrirlhe as portas da democracia e da
participação.
Enquanto as próximas eleições
anunciam repetir a já tradicional
disputa em família entre candidatos
de esquerda, mais uma pesquisa,
desta vez realizada pela Universidade Federal de Pernambuco,
mostra que, entre jovens universitários, 81% discordam da liberação
da maconha e 76% são contra o
aborto. “É um comportamento de
aceitação das leis... a gente vê a
religião influenciando muito a vida
dos jovens”, explica o coordenador
da pesquisa, Pierre Lucena, na
notinha miúda, quase confidencial,
com que O Globo, a contragosto,
fornece a seus leitores essa notícia
abominável (v. http://g1.globo.com/
jornalhoje/0,,MUL1268367-16022,00-OS+JOVENS+ESTAO+MAIS+C
ONSERVADORES+E+PREOCUPA
DOS+COM+O+FUTURO.html).
Na Folha de S. Paulo, no Estadão e no Globo, quem quer que
pense como esses jovens - ou seja,
o eleitorado nacional quase inteiro - é considerado um extremista
de direita, indigno de ser ouvido.
Nas eleições, nenhum partido ou
candidato ousa falar em seu nome.
A intelectualidade tagarela refere-se
a eles como a uma ralé fundamentalista, degenerada, louca, sifilítica.
Qualquer político, jornalista ou
intelectual que fale como eles entra
imediatamente no rol dos tipos
excêntricos e grotescos, se não
na dos culpados retroativos pelos
“crimes da ditadura”, mesmo se
cometidos quanto o coitado tinha
três anos de idade.
Nunca o abismo entre a elite
falante e a realidade da vida popular foi tão profundo, tão vasto, tão
intransponível. Tudo o que o povo
ama, os bem-pensantes odeiam;
tudo o que ele venera, eles desprezam, tudo o que ele respeita,
eles reduzem a objeto de chacota,
quando não de denúncia indignada,
como se estivessem falando de
um risco de saúde pública, de uma
ameaça iminente à ordem constitucional, de uma epidemia de crimes
e horrores jamais vistos.
Trinta anos atrás eu já sabia
que isso ia acontecer. Era o óbvio
dos óbvios. Quando uma vanguarda revolucionária professa defender
os interesses econômicos do povo
mas ao mesmo tempo despreza a
sua religião, a sua moral e as suas
tradições familiares, é claro que
ela não quer fazer o bem a esse
povo, mas apenas usar aqueles
interesses como chamariz para lhe
impor valores que não são os dele,
firmemente decidida a atirá-lo à lata
de lixo se ele não concordar em
Cuba de mal a pior
T
enho uma implicância com o
adjetivo “diferenciado”. Quando
o sujeito não sabe o que vai
dizer para qualificar alguma coisa a
palavra escolhida é sempre essa:
diferenciado. Não é diferente, não é
especial, não é original, não é exclusivo, nem de qualidade superior. É
diferenciado e pronto.
O regime cubano completou meio
século de subsistência no começo
deste ano. Meio século ao longo do
qual a antiga “Pérola do Caribe” virou
um calhambeque dos infernos ancorado no paraíso do trópico. Quando
Fidel fez sua revolução, metade do
planeta acreditava que o mundo marchava para o comunismo. Digamos,
pois, que acreditar nessa bobagem
era, à época, um erro frequente.
Pronuncie-se, então, uma penitência leve, de três ave-marias, para o
simpatizante de meados do século
20 e despache-se o tolinho: “Vai em
paz, meu filho. Ocupa tua mente com
ideias sadias e não tornes a pensar
besteira”. Os outros, os que foram
militantes, os que mataram, roubaram, mentiram, traíram, mistificaram
e praticaram toda sorte de vilanias
em nome da causa, bem como os
que ainda hoje envenenam as mentes juvenis com tais ideias, vão ter
que se explicar a Deus.
De fato, a segunda metade do
século passado exibiu as entranhas
do sistema mais perverso que a
maldade humana já concebeu.
Caiu o Muro de Berlim, por podre e
pobre. Desfez-se o Império Soviético. Contabilizaram-se mais de
cem milhões de vítimas da insânia
vermelha. O comunismo foi um
fracasso geral de público e renda.
Sobraram apenas os mais renitentes. Mas sequer os mais renitentes
ousam defender os regimes que
caíram ou os estão em processo de
transformação.
Sobrou-lhes Cuba. E Cuba é
um péssimo cliente para qualquer
publicidade. A partir de junho passado, o que lá era péssimo ficou
pior ainda. Despencou o turismo.
Reduziu-se a mesada enviada por
Chávez. O níquel perdeu preço no
mercado mundial. Ampliaram-se os
cortes de energia, os fornos das
padarias não podem funcionar à
noite e a produção de alimentos
continua insuficientíssima. Mas
Cuba é o que lhes sobrou. Com
o ancião Fidel e o bandido Che,
eternamente jovem, como mito
sexual da juventude desajustada
(se Che fosse velho e feio duvido
que algum garotão andasse por aí
com seu vulto estampado na cami-
4
Olavo de Carvalho
(Reproduzido do Diário do Comércio,
da Associação Comercial de São Paulo)
remoldar-se à imagem e semelhança de seus novos mentores e
patrões. É precisamente isto o que
está acontecendo. Jogam ao povo
as migalhas do Bolsa-Família, mas,
se em troca dessa miséria ele não
passa a renegar tudo o que ama
e a amar tudo o que odeia, se ele
não consente em tornar-se abortista, gayzista, quotista racial, castrochavista, pró-terrorista, defensor
das drogas e amante de bandidos,
eles o marginalizam, excluem-no
da vida pública, e ainda se acreditam merecedores da sua gratidão
porque lhe concedem de quatro em
quatro anos, democraticamente,
generosamente, o direito de votar
em partidos que representam o
contrário de tudo aquilo em que ele
crê.
Pense bem. Se alguém lhe
promete algum dinheiro mas não
esconde o desprezo que tem
pelas suas convicções, pelos seus
valores sagrados, por tudo aquilo
que você ama e venera, você pode
acreditar ele lhe tem alguma amizade sincera, por mínima que seja?
Não está na cara que essa é uma
amizade aviltante e corruptora, que
aceitá-la é jogar a honra e a alma
pela janela, é submeter-se a um rito
sacrificial abjeto em troca de uma
promessa obviamente enganosa?
Só um bajulador compulsivo, uma
alma de cão, aceitaria essa oferta.
Mas as mentes iluminadas que nos
governam querem não apenas que
o povo a aceite, mas que a aceite
abanando a cauda de felicidade.
Percival Puggina
Fonte: Instituto Millenium www.imil.org.br/
seta). Depois que se abriram os
Arquivos de Moscou, depois que
se destaparam os gulags, depois
que se exibiram as cenas da Praça
da Paz Celestial e chegaram ao
conhecimento público o que os
comunistas fizeram no Vietnã após
a retirada dos Estados Unidos em
1973, ninguém aparecerá em público para defender o comunismo.
Mas Cuba é um caso diferenciado,
sacou mano?
Cuba só tem a seu favor a impopularidade dos Estados Unidos. E
mesmo assim é difícil escolher um
verbo para definir o que Cuba faz
em relação aos Estados Unidos.
Enfrentar não enfrenta. Lutar não
luta. Combater não combate.
Resistir não resiste porque só foi
atacada uma vez em 1961. Cuba,
digamos assim, mantém com
os Estados Unidos uma relação
diferenciada. E é exatamente disso
que os comunistas impenitentes do
resto do mundo se valem.
Eles elogiam o regime desde
fora (que ninguém é doido para ir
viver na Ilha). E criaram uma forma
diferenciada de ser comunista:
vivem sob as benesses da democracia e da liberdade e sustentam
que comunismo é um regime bom
para os outros.
Ilha Capital
- Florianópolis, Setembro 2009 - www.ilhacap.com.br -
5
m setembro de 2007
já havia sido feita uma
tentativa formal de vistas da
documentação da Aliança
Nativa, da FEEC - Federação das Entidades Ecologistas Catarinenses e da UFECO - União Florianopolitana
de Entidades Comunitárias,
mediante requerimento por
carta registrada. A UFECO sequer respondeu ao
pedido. A FEEC e a Aliança
Nativa responderam com
evasivas - Alexandre Lemos,
diretor executivo da ONG,
também é o coordenador
geral da Federação das
Entidades Ecologistas.
Cumprindo exigência do
Ministério da Justiça, de
adoção pelas ONGs dos
princípios de transparência e
boa gestão para a obtenção
do certificado de OSCIP -
E
inda antes da análise do mérito
do processo, o magistrado fez
considerações acerca de preliminares suscitadas pela ONG em
sua contestação, requerendo a
extinção da demanda. A Aliança
Nativa acusou “inépcia da petição
inicial” e protestou pela “ausência
de interesse de agir” dos autores
da ação, mas o juiz Fornerolli refutou a pretensão, fundamentando
amplamente sua negativa. Houve
uma tentativa de impugnação de
etiqueta de “justiça gratuita” na
capa dos autos, também refutada
pelo magistrado. Ele citou que
“exigir o pagamento das custas,
neste caso, dificultaria o acesso
às informações” e aos “direitos de
cidadania e deveres do cidadão
de fiscalização do bom emprego
das rendas públicas. Penalizar
o autor popular com o ônus das
custas processuais é impedir,
quando não dificultar, a sua ação”,
A
endereço; relação atualizada de
associados com data de filiação;
balancetes contábeis dos últimos
cinco anos; discriminação das fontes de receita, por origem: pública
e privada e, no caso de fontes
públicas: prestação de contas;
projetos executados com respectivos memoriais demonstrativos.
A ONG também foi condenada
a pagar os honorários do advogado dos autores, arbitrados em R$
500, com correção monetária pelo
INPC a partir da data da sentença.
Instado a tomar conhecimento
da ação, o Ministério Público respondeu declinando de manifestarse.
O prazo de cinco dias designado pelo magistrado, só passa
a valer a partir da publicação
da sentença no Diário Oficial da
Justiça, que pode demorar até
90 dias. A Aliança Nativa pode
recorrer da decisão.
Os advogados de Maria
Aparecida Nery e Paulo Simões
são Gustavo Vieira de Moraes e
Souza e Juliana Cristina Rizelo.
de “interesses difusos” da coletividade e
aparentemente representando os anseios
de significativa parcela da população, não
disponibilizam à análise da sociedade
não organizada nada além daquilo que
submetem a registro no Cartório de
Títulos e Documentos: estatuto e atas de
assembleias bianuais.
restringindo-o “na utilização do
instrumento que a própria Carta
Política lhe propiciou”.
Na decisão do mérito, Fornarolli registrou que “a associação
requerida, em momento algum,
asseverou a impossibilidade
de demonstração de tais documentos, permanecendo apenas
a argumentar a inexistência de
finalidade para tal requisição”. Ele
aduziu que, como a exibição não
poderia ser negada “em face do
disposto no inc. XXXIII do art. 5o
da Constituição da República, o
pedido visado é medida que se
impõe”. O juiz determinou que a
Aliança Nativa “entregue, no prazo de cinco dias, a documentação
pretendida pelos autores, sob
pena de busca e apreensão”: conjunto completo de estatuto original
e alterações com as respectivas
atas e listas de presença; cópia
do cartão de CNPJ; certificados
de utilidade pública; conta bancária: banco, agência, número,
código de operação; nominata da
atual diretoria com qualificação e
autodenominados “movimentos sociais”
e “sociedade civil organizada” com
incisiva atuação “sócioambientalista” em
Florianópolis. A partir de determinado
ponto, a pesquisa ficou restrita a mero
acompanhamento das repercussões
midiátiacas das entidades, haja vista que,
embora elas ajam supostamente em favor
Direito e dever de
fiscalizar
decisão foi prolatada em ação cautelar
impetrada em abril de 2008 por Maria
Aparecida Nery e Paulo Roberto Simões,
respectivamente produtora e diretor do
Jornal Ilha Capital.
Maria Aparecida vem produzindo
uma pesquisa sobre as atividades de
um grupo de ONGs e entidades de
Organização da Sociedade
Civil de Interesse Público,
o capítulo 12o do estatuto
da Aliança Nativa, em seu
artigo 51, expressa claramente que os interessados
poderão obter cópias da
documentação da entidade,
“quando devidamente solicitado por escrito, num prazo
de 2 dias úteis”. Na prática,
no entanto, o artigo não é
cumprido.
Entre a data do ingresso
da ação (14 de abril de
2008) e a efetiva citação da
ONG (4 de novembro), os
oficiais de Justiça fizeram
infrutíferas tentativas nos
dois endereços divulgados
como sendo “sede” da
Aliança Nativa. O impasse
só foi solucionado quando o
juiz, a pedido dos advogados dos autores, determinou
a citação postal por aviso
de recebimento, que voltou
assinado por um “auxliar
administrativo”.
m sentença datada de 28 de agosto
último o juiz Luiz Antônio Fornerolli
da Vara da Fazenda Pública de
Florianópolis condenou a ONG Aliança
Nativa a, num prazo de cinco dias, exibir
um conjunto completo de documentos
que comprovem sua existência legal e
a regularidade de seu funcionamento. A
Princípio da
transparência
Ilha Capital
lexandre Lemos, diretor
executivo da Aliança
Nativa, é fundador da entidade e foi seu presidente
durante as três primeiras
gestões, entre 2002 e
2005. Entre maio de 2005
e junho de 2007, quem
presidiu a entidade foi o
advogado Marcelo de Déa
Roglio - assessor especial
do então presidente do Tribunal de Justiça SC, Jorge
Mussi, nomeado ministro
do STJ em novembro de
2007. O atual presidente
da Aliança Nativa, já em
segundo mandato, é o
também advogado Rodrigo Brisighelli Salles. filho
caçula do ex-presidente
do TJ-SC, Geraldo Gama
Salles. Os advogados da
ONG na ação são Clóvis
Brisighelli Salles e Urbano
Müller Salles Neto.
Por indicação da Federação das Entidades Ecologistas, a Aliança Nativa
A
RS 3 milhões
representa o “segmento
sócioambientalista” em
diversos conselhos municipais, estaduais e federais,
e integrou o Núcleo Gestor
do Plano Diretor Participativo de Florianópolis.
Representando a ONG,
Alexandre Lemos é um
dos quatro membros
eleitos pela FEEC para
integrar o corpo de nove
conselheiros - com função
deliberativa - do Fundo
Especial de Proteção ao
Meio Ambiente – FEPEMA,
vinculado a Secretaria de
Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável - SDS. O FEPEMA
apóia financeiramente
programas e projetos sócioambientais, inclusive
os das ONGs indicadas
pela FEEC, como a própria
Aliança Nativa, Grupo
Pau Campeche (ONG de
João de Deus Medeiros,
ex-coordenador geral da
FEEC e atual diretor de
área protegidas do IBAMA,
Justiça condena ONG a exibir documentos
- www.ilhacap.com.br - Florianópolis, Setembro 2009 -
E
6
agora identificado pela
imprensa apenas como
“João de Medeiros”),
Fundação Lagoa (Jefrey
Hoff) e INMAR - Instituto
para o Desenvolvimento
da Mentalidade Marítima
(Gert Schinke), todas de
Florianópolis, e Vidaverde,
de Joinville.
Pelos valores que constam no plano de ações da
entidade, a Aliança Nativa
pode ter movimentado perto de R$ 3 milhões entre
os anos de 2005 e 2008,
em parcerias com instituição e empresas como
Petrobrás, Eletrosul, Ministério do Meio Ambiente,
Ministério da Pesca, MPF,
Câmara Federall, Assembléia Legislativa, Prefeitura e Câmara Municipal,
IPUF, FLORAM, Brazil
Foundation, RBS, Intech e,
acredite!, até o Sinduscon,
aquele antro de malditos
capitalistas, criminosos,
selvagens devoradores do
meio ambiente sagrado!
A FEEC, que foi fundada
em 1989 por representantes
de 15 ONGs, declara representar mais de 60 entidades
em todo estado. No entanto,
em nenhuma das seis assembleias gerais que se seguiram,
havia mais de 10 entidades
representadas (em 1992 - 10;
2001 - 9; 2003 - 9; 2005 - 5).
Em março de 2008, 11
pessoas de nove entidades
aprovaram uma alteração
estatutária, embora o estatuto
anterior exigisse um quórum
de 2/3 de filiadas. Em abril
de 2008, havia 14 pessoas
na assembléia de eleição da
nova diretoria, representando
oito entidades. Duas delas
sequer são filiadas à FEEC: o
ISA-Instituto Sócio Ambiental
- Campeche, que emplacou
a vice-coordenadora geral na
nova gestão, Tereza Cristina
Barbosa; e o INMAR - Instituto
para a Mentalidade Marítima,
que elegeu o conselheiro fiscal
Gert Schinke.
FEEC na ADIN
- Florianópolis, Setembro 2009 - www.ilhacap.com.br -
o dia 5 de agosto de 2009
o ministro Celso de Mello,
do Supremo Tribunal Federal, entendeu que se achavam “atendidas, na espécie, as
condições fixadas no art. 7º, §
2º, da Lei nº 9.868/99”, relativas aos requisitos da representatividade da FEEC – Federação das Entidades Ecologistas
Catarinenses, para ser admitda
no pólo ativo da Ação Direta de
Inconstitucionalidade (ADIN)
4252, na condição de amicus
curiae (Amigo da Corte).
A ADIN foi proposta pelo
Partido Verde e pela Procuradoria Geral da República,
a partir de representações
encaminhadas pelo Ministério
Público Estadual e MPF-SC.
Eles pretendem a declaração
de inconstitucionalidade de dispositivos do Código Ambiental
de Santa Catarina, aprovado
pela Assembleia Legislativa e
sancionado pelo governador
Luiz Henrique da Silveira em
abril deste ano.
N
Ilha Capital
7
Política
Um soviete ambiental
em articulação
Ilha Capital
- Florianópolis, Setembro 2009 - www.ilhacap.com.br -
8
Propaganda bolchevista divulgando
os soviets. Radicalismo parecido
guia os homens que cuidam da
agricultura no Brasil
Várias medidas estão aumentando o controle sindical.
A revisão dos índices de produtividade, por exemplo, dará mais força ao MST.
Denis Rosenfield
Fonte: www.midiaamais.com.br
N
o dia 8 de agosto a CUT e o
A experiência histórica mostra que
Ministério do Meio Ambiente
esse tipo de conselho, na ex-União
assinaram um Protocolo de
Soviética e nos estados socialistas e
Entendimento que dará aos sin- comunistas que seguiram essa oriendicatos e às representações nos locais
tação, foi o embrião de um poder que
de trabalho “o poder de participar dos
passou a controlar as empresas. Na
projetos de política ambiental no inteépoca, chamavam-se “sovietes” ou
rior das empresas de todos os ramos
“conselhos de trabalhadores”, que
de atividade”. Na mesma ocasião, o
foram, progressivamente, controlados
ministro Carlos Minc também anunciou
pelas centrais sindicais e pelos gouma portaria governamental, assinada
vernos e partidos – que controlavam,
pelo Meio Ambiente e pelo Ibama, que
por sua vez, essas mesmas centrais
garante aos sindicatos “participação
sindicais.
direta na elaboração e aprovação
O protocolo de acordo prevê que
dos Relatórios de Impacto Ambiental
os sindicatos “poderão analisar se
(RIMA) e do licenciamento para novos
as empresas, de todos os ramos de
empreendimentos.”
atividade, têm políticas
Temos aí dois moambientais adequadas
A experiência histórica
vimentos simultâneos:
para a saúde de seus
mostra que esse tipo de trabalhadores e para as
a) o de um Protoconselho, na ex-União
colo de Entendimento
comunidades no entorSoviética
e nos estados
entre a CUT e o Minisno e propor soluções
tério do Meio Ambien- socialistas e comunistas tecnológicas e produtite, inaugurando a parvas mais limpas”.
que seguiram essa
ticipação sindical nos
Observe-se: a) a
orientação, foi o embrião
assuntos ambientais.
de um poder que passou apresentação politiSegundo os termos
a controlar as empresas: camente correta do
desse protocolo, essa
problema, de forma a
os sovietes.
central sindical e, logo,
melhor passar sua menas demais, passarão a
sagem junto à opinião
ter ingerência nos assuntos empresapública, que é aqui seu alvo; b) com
riais relativos ao meio ambiente;
tal objetivo, o protocolo cria um maior
b) o Ministro Carlos Minc também
embaraço administrativo porque, para
assinou um projeto de portaria goveralém das instâncias já existentes que
namental, junto com o Ibama, que con- cuidam da saúde do trabalhador, e que
cederá às centrais sindicais o “direito”
são suficientemente presentes, tería essa participação.
amos ainda uma outra, duplicando o
Observe-se que a portaria em
mesmo trabalho. Além dos Ministérios
questão frisa que sua abrangência
da Saúde e do Trabalho, do Ministédiz respeito às “empresas de todos os
rio Público do Trabalho, entre outros,
ramos de atividade”. Ou seja, na criateríamos, agora, o Ibama, os sindicação de qualquer empresa, além dos já
tos e as confederações sindicais. Um
demorados trâmites burocráticos, será
novo empreendimento seria facilmente
necessário consultar os sindicatos e
inviabilizado.
suas centrais. Em vez de maior agilidaO projeto de portaria conjunta Mide administrativa, temos a criação de
nistério do Meio Ambiente/IBAMA frisa
uma nova instância, que é, ademais,
que o Ibama deverá submeter o licende caráter eminentemente político e
ciamento ambiental à “central sindical
sindical.
à qual o sindicato da categoria majoSe essa portaria vier a ser publicaritária está filiada” (Art. 3º), da mesma
da, será criada uma espécie de soviete maneira que deverá repetir o mesmo
ambiental. Os dois textos, a portaria e
procedimento quando da Licença de
o protocolo, ressaltam a participação
Instalação. Logo, todo o processo de lisocial e sindical, conferindo a esses
cenciamento ambiental e de instalação
conselhos, que seriam então formados, efetiva das empresas ficaria subordinapoder de ingerência e decisão dentro
do ao – estando na decisão do – Poder
das próprias empresas. A questão é
Sindical, que passaria a legislar em
basicamente política e só aparentequestões ambientais. Imaginem os
mente ambiental, porque se trata da
trâmites burocráticos e as pressões
instituição, dentro da própria empresa,
políticas daí advindas!
de um poder sindical com poder de
Não se trata de uma mera consulta,
dizer “não” a um novo empreendimento mas de um poder de voto – e de veto –
empresarial. Poderia apresentar-se
conferido a esses sindicatos e a essas
como defendendo o meio ambiente,
centrais. No Protocolo de Entendimenquando, na verdade, estará somento, é dito claramente que se trata de
te consolidando o seu próprio poder
aumentar o “controle social”, eufemissindical.
mo para caracterizar o Poder Sindical.
O Protocolo de Entendimento parte de um diagnóstico
seu, de crise do capitalismo,
para justificar esse maior controle social, apresentado como
contraparte de um maior papel
a ser exercido pelo Estado. Em
seu considerando inicial, está escrito:
“1. que o modelo de desenvolvimento vivenciado pelo planeta nas
últimas décadas, de superexploração
de mão de obra e destruição do meio
ambiente, levou à situação de hoje:
crise alimentar, social, energética,
ambiental e financeira, e que a melhor
resposta é a recuperação do papel do
Estado como regulador da economia e
promotor do desenvolvimento sustentável”. Ou seja, uma crise cíclica do
capitalismo, sobretudo na área financeira, é aproveitada para aumentar o
controle social, o que é uma forma de
engessar ainda mais as empresas,
vindo, inclusive, a prejudicar sua recuperação. E tudo isto é apresentado
sob a forma de uma “recuperação do
papel do Estado”.
Nada disso é casual. Há um conjunto de medidas tomadas nos últimos
anos que vai no sentido de um controle
social que significa, na verdade, controle sindical. As centrais sindicais passaram a usufruir do imposto sindical,
tornando-se ainda mais atreladas ao
Estado. O rodízio até então observado
na presidência do Codefat não foi mais
seguido, com as confederações empresariais mais importantes abandonando
esse conselho, que passa a responder
diretamente ao Ministro do Trabalho.
Os índices de produtividade são
objeto de revisão, conferindo, assim,
um enorme poder ao MST, que aumentará o ritmo e a abrangência de suas
invasões. Trata-se de ações articuladas, que procuram cercear a liberdade
econômica e relativizar o direito de
propriedade.
Denis Lerrer Rosenfield é professor de
Filosofia na UFRGS
Justiça Federal condena União a
indenizar por erro de procurador do MPF
A
Justiça Federal condenou a
União a pagar indenização por
danos morais a uma pessoa
que, em função de um erro cometido
por um procurador da República, foi
incluída como réu em uma ação civil
pública (ACP) por improbidade administrativa, de autoria do Ministério
Público Federal. O erro consistiu em
usar o CPF de um homônimo do legítimo réu, o que causou o bloqueio da
poupança do terceiro indevidamente
envolvido. A sentença é do juiz Osni
Cardoso Filho, da 3ª Vara Federal de
Florianópolis, que estabeleceu em R$
8 mil o valor da indenização.
De acordo com a sentença, o
procurador da República que deflagrou a ACP nº 2006.51.17.002385-0,
distribuída à 2ª Vara Federal de São
Gonçalo (RJ), embora tenha proposto a ação contra o ex-presidente
da Fundação Municipal de Saúde
local, indicou o CPF de outra pessoa
que nunca exerceu nenhuma atividade naquela instituição. O terceiro
acabou excluído da ação quando o
equívoco foi comprovado. Residente
em Florianópolis, o homônimo do
ex-presidente precisou ir até o Rio de
Janeiro para resolver a situação. O
fato aconteceu em agosto de 2006.
“O só fato de ser arrolado como
réu em ação de improbidade administrativa seria suficiente para amparar
a pretensão indenizatória, principalmente levando-se em consideração
que o autor é militar, função em que a
idoneidade moral e a probidade são
especialmente valorizadas”, afirmou Cardoso na sentença proferida
segunda-feira (24/8/2009). “Com
alguma diligência, portanto, poderia o
membro do Ministério Público evitar a
incorreta qualificação e os prejuízos
dela decorrentes”, observou o juiz.
O bloqueio da poupança provocou, segundo a sentença, “inegável
vexame frente aos funcionários da
instituição bancária, além da indisponibilidade de vultoso numerário,
compelindo-o a contrair empréstimos
perante instituições financeiras”. A
União também terá que ressarcir R$
324 gastos com a viagem ao Rio de
Janeiro. Cabe recurso ao Tribunal
Regional Federal da 4ª Região, em
Porto Alegre.
Fonte: Seção de Comunicação
Social - JF-SC
Ilha Capital
- Florianópolis, Setembro 2009 - www.ilhacap.com.br -
Polícia
Quase um mártir...
N
a noite de quinta-feira, 10
de setembro, dois homens - com aparência de
adolescentes - tripulando um
automóvel Meriva atacaram o
marceneiro Modesto Severino
de Azevedo, 53 anos, quando
ele caminhava na Praça XV, em
frente ao Palácio Cruz e Souza.
A dupla rendeu Modesto
ameaçando-o com uma arma.
Ele foi encapuzado, obrigado a
entrar no carro e levado até o
aterro das obras da Beira Mar
Continental, no bairro Estreito.
A vítima foi amarrada e, já fora
do carro, os bandidos derramaram um líquido inflamável sobre
sua cabeça, atearam fogo e
deixaram o local. O marceneiro
rolou na areia até chegar ao
mar, conseguiu apagar o fogo e
desamarrar-se.
Cerca das 22 horas, um
amigo dele que passava de
carro pela rua Santos Saraiva
reconheceu-o e desceu para
ajudá-lo. O amigo contou que,
ao reconhecê-lo, Modesto
gritou:
- Aprontaram pra mim, eles
me pegaram. Foram duas pessoas, me pegaram.
O marceneiro estava sem
camisa e não podia baixar os
braços, por causa das queimaduras, praticamente só da cintura para cima. Havia um pedaço
de cordão amarrado ao seu pé
esquerdo.
Uma equipe de socorro foi
chamada e encontrou um ferido
consciente mas aturdido. E cheirando a thinner. Para os policiais
militares, Azevedo não conseguiu sequer dizer seu nome ou
contar o que havia acontecido.
E, como não houve relato de
testemunha, inicialmente a
vítima foi identificada pelos PMs
como um “andarilho”, informação que permaneceu no Plantão
de Notícias do site ClicRBS, de
00h01min até as 17h23min de
sexta-feira, dia 11.
Modesto precisou de ajuda
dos socorristas para entrar na
ambulância. Ele foi conduzido
ao Hospital Universitário onde
recebeu os primeiros socorros.
Só então disse seu nome e os
nomes de alguns amigos, que
foram avisados e dirigiram-se
ao HU onde o marceneiro foi
internado para tratamento. Os
médicos garantiram que os feri-
Meio século na cadeia
A
Vara do Tribunal do Júri
da Comarca da Capital
condenou Anderson Lima
de Almeida, o “Luca”, à pena de
49 anos, 10 meses e 15 dias de
prisão, pelos homicídios praticados contra Jairo João Marcelino,
Marcos José da Silva e Paulo
Eduardo Fernando Silveira e,
também, pela tentativa de homicídio contra Guilherme Veloso
Silvério.
A sessão de julgamento foi
realizada na terça-feira, dia 8 de
setembro, presidida pela juíza
Andréia Régis Vaz. O promotor de Justiça Luiz Fernando
Fernandes Pacheco representou
o Ministério Público estadual e
o advogado Valdir Mendes fez a
defesa do réu.
Faroeste no Rio
Vermelho
Na noite de quinta-feira, 16
de fevereiro de 2006, por volta
das 22h 30min, em um boteco
na servidão Maurílio Nunes, no
Caminho do Travessão, “Luca”
executou a tiros Marcos José da
Silva (23) e Jairo João Marcelino
(42), e feriu um menor. Segundo
os autos do processo, Marcelino
foi vítima de erro de pontaria do
homicida, atingido que foi por
disparos que eram destinados
a Guilherme Veloso Silvério,
com 16 anos à época. Guilherme sobreviveu aos tiros que o
acertaram.
O júri acatou as teses da
acusação, de que os crimes fo-
ram cometidos por motivo torpe,
pois Anderson e um comparsa
pretendiam dominar o tráfico de
drogas na região. Além disso,
ele usou do recurso da surpresa,
que impossibilitou a defesa das
vítimas.
Apenas dois dias depois,
em 18 de fevereiro, na entrada
da servidão Caminho do Arvoredo, a poucos metros do local
dos outros três crimes, “Luca”
executou uma vingança contra
Paulo Eduardo Fernando Silveira, matando-o a tiros quando a
vítima caminhava para o ponto do
transporte coletivo no Travessão,
para ir ao bailão do Albino, em
Ingleses, onde trabalhava como
segurança. A promotoria defendeu as mesmas teses dos outros
três crimes, também aceitas pelo
júri. O homicídio foi praticado por
motivo fútil: semanas antes Paulo
Eduardo - de quem o criminoso
era vizinho há cerca de quatro
meses na servidão Caminho do
Arvoredo - havia impedido Anderson de entrar no bailão portando
uma arma de fogo. E o criminoso
usou recurso que impossibilitou a
defesa da vítima, armando uma
tocaia noturna e atacando Paulo
de surpresa. Luca foi preso no
dia 21 de fevereiro e recolhido à
Penitenciária Estadual de Florianópolis.
Seu currículo criminal já registrava participação em pelo menos
16 homicídios no Paraná - onde
tinha sete mandatos de prisão - e
em Santa Catarina, para onde
Foto: Paulo Simões
mentos não deixarão seqüelas.
Albertina Silva, primeira
pessoa que chegou ao HU
e conversou com Modesto,
declarou à imprensa que agora
os amigos só querem que ele se
recupere para que depois, “com
o seu consentimento”, possa
ser averiguado “quem poderia
ter cometido tamanha violência”
contra o baiano com familiares
em São Paulo, que vive em Floripa desde 94 e mora sozinho no
bairro Tapera, Sul da Ilha.
Uma irmã de Azevedo, que
veio de São Paulo quando soube
da ocorrência, declarou que tão
logo ganhasse alta - o que acorreu no dia 15 -, iria levar Modesto
com ela para São Paulo, para
“ele ficar um pouco longe dos
problemas”. Donata (55) também
disse que vai providenciar uma
terapia para o irmão.
Foto: Divulgação PC
Não foi assalto
“O capitalismo mata... Morte ao
capitalismo!”
O delegado Ricardo Régis, da
3ª DP, nem esperou pelo consentimento da vítima e já saiu por aí
averiguando o caso. A possibilidade de assalto foi imediatamente
afastada. Régis declarou que não
havia registro policial de furto ou
roubo de Meriva e que, quando
localizado, o dono do veículo terá
que dar explicações à polícia. As
câmeras de monitoramento existentes no Estreito poderiam ajudar na identificação dos criminosos, mas justo naquela noite elas
não funcionaram. A averiguação,
então, voltou-se para as gravações das câmeras do Centro, que
podem ter testemunhado o momento do sequestro. As imagens
estão sendo peneiradas a partir
dos trajes que a vítima usava
quando foi seqüestrada. As peças
foram descritas para a Polícia por
Albertina, que recolheu as roupas
de Azevedo. Para o delegado, os
dois homens pretendiam “dar um
susto” em Modesto, hipótese que
se dá bem com diversas motivações. Espera-se que, qualquer
que seja o móvel desse crime,
todas as informações sobre o seu
desvendamento sejam devidamente democratizadas, doa a
quem doer. Independemente do
consentimento da vítima.
leceu-se no bairro Espinheiros,
com a esposa grávida e a mãe,
e conseguiu emprego de garçom
em uma lanchonete.
crimes em Palhoça. O Máscara,
com condenação de 30 anos por
um duplo latrocínio em Cascavel
(PR), foi preso em Ingleses no
domingo, 10 de setembro de
2006, quando assistia a uma
partida de futebol suiço. Jamanta havia sido capturado meses
antes.
Mas Luca só passou a ser
um dos criminosos mais procurados de Santa Catarina quando
as investigações em Palhoça
levaram à sua lista de nomes
jurados de morte na Grande
Florianópolis, entre eles alguns
policiais. Segundo o delegado
responsável pela DP, à época,
o foragido planejava a morte de
um dos investigadores da própria
equipe que o investigava, que
seria executado durante uma
partida de futebol.
O endereço de Luca em
Joinville foi apurado através de
uma quebra de sigilo telefônico.
Na noite de sexta-feira, 22 de setembro de 2006, quatro policiais
dividiram-se em uma vigília nas
imediações. Na manhã de sábado ele foi reconhecido ao sair de
casa e dirigir-se a um mercado
próximo. Estava desarmado e
não reagiu à prisão.
O mesmo júri que condenou
Anderson Lima de Almeida decidiu pela absolvição de Anderson
Marques da Silva, o Jamanta, da
acusação de ter concorrido para
os crimes contra João Marcelino,
Marcos José da Silva e Guilherme Veloso Silvério. Segundo o
inquérito, Jamanta teria avisado
Luca sobre a localização das vítimas e orientado sobre o melhor
momento para executá-los.
Ninguém acusa ninguém
objetivamente, mas já está razoavelmente implícito nas diversas
declarações abrigadas pelo
nosso jornalismo isento que os
únicos problemas que Modesto
têm na vida estão ligados à sua
atuação política, o que remete
diretamente à conclusão de que
houve um atentado de cunho
político-ideológico.
O ex-petista Modesto Azevedo integra a direção do PSOL,
partido que também promove a
luta de classes para a implantação do socialismo no Brasil.
Ele é membro executivo da
UFECO - União Florianopolitana
das Entidades Comunitárias e
da UNMP - União Nacional por
Moradia Popular SC. Exerce
ativa liderança em “movimentos
sociais” e na “sociedade civil
organizada”, militando em defesa dos pobres e oprimidos e da
preservação ambiental, contra
os efeitos do liberalismo econômico e do capitalismo selvagem.
Na foto do marceneiro, intitulada “Advertência”, estampada
no site público de relacionamento Sonico, ele manda um “olhar
43” para a câmera, trajando uma
camiseta com a frase “Reforma urbana já” inscrita no peito,
diante de um quadro onde se lê:
Policiais marcados
para morrer
veio em meados de 2006, em
companhia de Jeferson Bortolato Nogueira, o “Júnior”. Luca
e Júnior haviam fugido de uma
penitenciária paranaense, onde
cumpriam pena por envolvimento
em diversos crimes e aguardavam julgamento por outros.
Eram cerca de 10h 30min do
dia 12 de março de 2006 quando, durante o banho de sol, Luca
e mais dois presos aproveitaramse da troca do plantão para
escalar o muro da ala provisória
da Penitenciária, usando uma
escada humana feita por outros
detentos. Eles fugiram para o
Morro do Horácio e cada um
tomou seu próprio rumo.
Apenas um mês depois da
fuga Anderson Lima de Almeida
já era acusado por uma outra
tocaia com tentativa de homicídio, no mesmo Travessão do Rio
Vermelho. O crime ocorreu na
noite de 12 de abril, na servidão
Manoel Sabino de Menezes.
Mesmo atingida por vários disparos, a vítima sobreviveu.
Foragido, o criminoso passou
uns tempos em Cascavel (PR).
Depois, mudou-se para a zona
Sul de Joinville, onde estabe-
9
Considerado um meliante de
altíssima periculosidade, quando
Luca passou a barbarizar o Norte
da Ilha, em fevereiro de 2006,
seu paradeiro já vinha sendo
investigado há meses pela Delegacia de Polícia de Palhoça, por
diversos outros crimes. Em 14 de
outubro de 2005 ele assassinara
Júnior, o parceiro de fuga do
Paraná, morto com seis tiros. O
corpo foi abandonado na estrada
geral da Guarda do Cubatão.
Por volta das 23 horas do dia
3 de janeiro de 2006, na Praia de
Fora, João Carlos da Silva, 36
anos, proprietário do bar Drive in
Tata, foi morto com seis tiros calibre 38. O corpo foi encontrado
por PMs no banheiro do bar.
No dia 30 de janeiro, na
cidade de Palhoça, os alvos de
Luca foram os irmãos Adriano e
Wilson Alcidez de Mello, e Ivanilda Silveira André (58). Wilson
sobreviveu, mas Adriano morreu
na hora e Ivanilda, hospitalizada,
veio a falecer cinco dias depois.
Nas investigações, a DP de
Palhoça apurou que os crimes
eram provocados por rixas em
função de drogas. Anderson
Lima de Almeida era traficante e
chefe de uma quadrilha formada
por outros dois meliantes: Anderson Kurschner da Silva (22), o
“Máscara”, e Anderson Marques
da Silva, o “Jamanta”, ambos
presos por participação nos
Ilha Capital
Conexão Desterro
Terça, 22 de setembro...
Na hora de votar para qualquer cargo em que Luiz Henrique da Silveira
esteja concorrendo, não esqueça: ele
sacrificou a população no altar da criminalidade, mantendo como Secretário
da Segurança seu amigo incompetente
Ronaldo Benedet.
...vou passar o dia trabalhando muito.
E andando de carro, que acho uma das
melhores invenções do homem. Eu não
devo nada das minhas atitudes para nenhuma causa. Ainda mais uma supostamente humanitária que, na verdade, camufla enorme campanha demonizando
um segmento empresarial (o dos automóveis) em prol dos negócios de outro:
o das bicicletas. Me poupem, né? Eu
não nasci ontem! Não tenho bicicleta,
uso muito transporte coletivo, caminho
bastante. E detesto gente que se arvora falar em nome de “coletivos sociais”
para dar lições politicamente corretas
da “moral do momento”, de cima do palanque de ONGs que só funcionam com
verba pública, embora sejam propriedade de empresários disfarçados de militantes verdolengos. Considero - salvo
pequenas correções necessárias, aqui
e ali - que o transporte público de Florianópolis é bom. Seria melhor com menos
intervenção da demagogia e do populismo de governos e politicos rendidos a
“movimentos sociais”. Eu ando com as
listas de horários na bolsa, me organizo em função delas e sempre cumpro
meus compromissos nos prazos. Gostaria que a passagem fosse bem mais
cara para lugares como o Rio Vermelho,
para reduzir o movimento migratório de
baixa renda. Já tem desempregado por
falta de preparo profissional demais por
aqui. Por isso: bicicleta? Pfiu... dia de
deixar o carro na garagem? Ah, vão se
catar!
Não deixe de ler o artigo de João Luiz
Mauad, Ecobabaquice, sobre essa propaganda idiota “ensinando” a fazer xixi
no banho, em www.midiaamais.com.br/
cultura/1012-ecobabaquice. Picles: “A
força e o prestígio da religião ambientalista são imensos, realmente. Mesmo a
maior das bobagens produzida por essa
gente consegue verba e disponibilidade
para ir adiante. Tanto que, recentemente,
a TV Globo começou a fazer inserções
de anúncios dessa mesma ONG (SOS
Mata Atlântica), propagando sabe o que,
caro leitor? Isso mesmo: o famigerado
xixi no chuveiro.” Não há mistério: a Globo é sócia do movimento ambiental.
Manezão
Frase que circula na Web: “Não esmoreça e nem desista, trabalhe duro,
porque milhões de pessoas que vivem
do Bolsa-Família, sem trabalhar, dependem de você, seu MANEZÃO!”
Gerenciamento costeiro
Não adianta só regular o uso do mar
e da costa. Tem que REGULAR primeiro
as atividades de quem tem criado, livremente, os mais esdrúxulos obstáculos
para que Florianópolis viva, em plenitude, sua condição de cidade-ilha.
Comissão de Saneamento
A ONG Floripamanhã “está solicitando” participação na Comissão Municipal
de Saneamento. É como “imaginam” que
as coisas funcionam. Dormem de touca
e usam luva de pelica pra não magoar quem quer acabar com eles. E onde
estavam os pragmáticos da Floripamanhã quando a Comissão estava sendo
formada só com os pobristas da cidade?
No escritório, planejando 2030, é claro.
Pois é. Mas os donos da Ufeco, FEEC,
Aliança Nativa, Inmar, Conselho Comunitário de Ingleses, ISA Campeche, etc
e tal, que COMANDAM a cidade HOJE,
estão sempre nos “lugares certos e momentos apropriados”, aparelhando todas
as vagas destinadas à tal da “sociedade
civil”. Isso é coisa pra profissional da militância, gente boa na guerrilha cultural
de Lênin e especialista nos dez mandamentos de Stálin! Se for o caso, que selecionem e contratem alguém. Mas, por
favor, acorda Floripamanhã! Acorda Acif!
Acorda CDL! Acorda Sinduscon! Enquanto vocês trabalham e planejam o futuro de
Florianópolis, o aparelho de profissionais
do petralhismo executa hoje, dentro dos
gabinetes mais influentes, a favelização
nossa de cada dia, por todos os séculos e
séculos... Amém!
10
“A atitude dos ambientalistas em relação à natureza é análoga à abordagem marxista relacionada à economia.”
Václav Klaus, presidente da República Tcheca
Insegurança
Mais ecobabaquice
- Florianópolis, Setembro 2009 - www.ilhacap.com.br -
Não entendo...
...por que os tais “movimentos sociais” e “sociedade civil organizada” lutam por tantos investimentos em saneamento básico, se depois de as redes
colocadas e as estações de tratamento
funcionando, a parte mais importante
não se coça? Os responsáveis pelos
imóveis não fazem sua ligação à rede,
e cadê protesto contra o zé povinho?
Dele não se exige providências?
Não entendo 2...
...por que é que tantas pessoas que
dão tanta importância a ruas sem poeira e sem lamaçal, e endereço para fazer crediário, vão morar em servidões
clandestinas sem nome, adquiridas de
“empresários” que não executam pavimento antes de vender os lotes.
Clima no lugar
Não tem nada de errado com o clima em Santa Catarina. Fora de lugar
estão as pessoas que “estabelecem residência” em locais inadequados como
encostas de morro e beiras de rios. Isso
também é um baita crime ambiental. Tirem essa gente, tudo volta ao normal e
nós paramos de pagar a conta de sua
imprevidência e irresponsabilidade.
Maria Aparecida Nery
[email protected]
A cara do Lula e...
“A notícia acima é a cara do governo Lula. Na semana passada, o
país parecia uma potência que tivesse ido às compras. E Lula ironizava
a sua capacidade de movimentar a
índústria, como chamarei?, aerobélica
mundial. Aquele era o país de propaganda. Como há o PAC de propaganda, o pré-sal de propaganda, o Lula
de propaganda… E há o Brasil real,
precisamente este em que o Exército é
obrigado a fechar as portas mais cedo
porque falta grana até para a comida.
Se alguém provocar a gente pra guerra
na sexta à tarde, a gente pede pra
voltar na terça… Lula quer “cuidar das
nossas riquezas” contingenciado R$
580 milhões do Exército…” Reinaldo
Azevedo, comentando a notícia da
Folha de S. Paulo de 15 de setembro:
“Exército diz que falta verba até para
comida e reduz expediente”.
...o corpo de Marina Silva
“Quase ninguém sabe que, se todas
as leis ambientais que há no Brasil forem seguidas para valer, a população
meio obesa vai ficar com a cara da senadora verde. Se ela é magra daquele
jeito por opção, o país ficaria magríssimo de fome mesmo (nunca digam
“magérrimo”, esta aberração aceita por
muitos: ou é “magríssimo” ou é “macérrimo”). Sobraria 29% do território brasileiro para as cidades, as obras de infraestrutura, a agricultura e as pastagens.
Nem daria para substituir grãos por
capim. O capim ficaria com as vacas
e com os burros. Viveríamos de luz!!!”
Reinaldo Azevedo
Estarrecedor
“É estarrecedor a quantidade de
pessoas que pensam que quem derruba árvores o faz por não gostar da
natureza. Mais estarrecedor ainda, é
ninguém discutir o custo de se manter a
natureza intacta descartando a construção de novos prédios, fábricas, usinas,
ou seja lá o que for... como se manter
uma árvore em pé não tivesse custo social algum.” Eduardo Paiva, em coment
ao artigo Ecobabaquice, de João Luiz
Mauad, sobre a propaganda idiota que,
a pretexto de “ensinar” que fazer xixi
no banho é bom para o meio ambiente,
doutrina criancinhas nos mandamentos
da ecoreligião. Leia www.midiaamais.
com.br/cultura/1012-ecobabaquice.
ANABA
Não deixe de visitar o blog da
Associação Nacional dos Bloqueiros
Anônimos: blogdaanaba.blogspot.com/
Balaio de Ideli
Para entender tudo sobre a empresa da famiglia petista Salvatti & Mescolotto Ltda., vá ao post de sábado,
19 de setembro, no blog do Coronel,
o Coturno Noturno: coturnonoturno.
blogspot.com/
A filha
A filha da Ideli com o Eurides, advogada Mariana Salvatti Mescolotto, tem
planos de tornar-se referência na área
trabalhista em Florianópolis, São José e
Palhoça. Ela virou filiada da ACIF - Associação Comercial e Industrial de Florianópolis, na expectativa de contribuir
para a qualificação dos debates na entidade dos empresários. É o que diz a
matéria de meia página sobre a advogada, na edição da Revista Líder Capital. E
assim, a gente vai descobrindo o quanto
a legislação trabalhista e os empresários
ajudam a reduzir as desigualdades neçepaíz...
Revolução na saúde
A pressão arterial de um morador
do Rio Vermelho foi a 24 por 12 no dia
21 de setembro, ao deparar-se com o
anúncio da “Prefeitura de Florianópolis”, que rouba duas páginas coloridas
do Diário Catarinense para anunciar
que foi triplicado o número de médicos,
dentistas e enfermeiros nas unidades.
Depois de muitas andanças, ele espera desde 1o de abril por uma consulta
para levar os exames que fez a pedido
do Dr. Nilton - aquele, que foi afastado
do postinho porque vendia por R$30
atestados de dispensa do serviço (é
claro que a administração municipal só
ficou sabendo do que ele fazia depois
que a imprensa denunciou!). Vai ver, o
anúncio no DC é uma estratégia revolucionária do Dário e do João Batista para
reduzir as filas de espera: levar a óbito
os pacientes mais graves.
Planeta Música
Depois de ter algumas datas
canceladas por causa da Gripe A, as
apresentações do Planeta Música
finalmente estão de volta às escolas
de Florianópolis, sempre às 15 horas
de sábado: dia 26 de setembro o belo
espetáculo que integra música erudita
e popular está na EBM Maria da Conceição Nunes, no Rio Vermelho. No dia
24 de outubro é a vez da EBM Henrique Veras, na Lagoa da Conceição
receber o Planeta Música, que tem direção musical de João Eduardo Titton,
único projeto catarinense selecionado
entre os mais de dois mil do Brasil todo
apresentados à Fundação Votorantin.
Salve Roque Sponholz!
Ao completarmos cinco anos de
circulação ininterrupta prestamos uma
sincera e agradecida homenagem a
este “colaborador compulsório” do Ilha
Capital, profissional consagrado com
um coração de ouro do tamanho do
Brasil. “Crítico ríspido do governo e do
partido de Lula da Silva”, para Sponholz “o país está mais para garranchos que para arte final”. “Charge sem
crítica não é charge, é piada de salão”,
diz. Divirta-se a valer: www.sponholz.
arq.br
Paulo Simões
[email protected]
Ilha Capital
A Igreja de Nossa
Senhora dos
Remédios,
em Ratones.
No sábado, 22 de agosto, na Cachoeira
do Bom Jesus, Digo Tertschittsch pilotou
a cozinha da dona Rejane para oferecer
a seleto grupo um carreteiro de frescal,
de estalar os beiços. O primo Ricardo
“Rico” Lobato e sua Agata estavam
por lá, assim como a simpática Leda
Martorano.
Foto: Paulo Simões
- Florianópolis, Setembro 2009 - www.ilhacap.com.br -
11
Foto: Paulo Simões
Quase mil pessoas fizeram a festa no 5o Risoto
Fraterno realizado pela loja maçônica Lara Ribas,
na noite de sexta, 18 de setembro, no Jurerê Sports
Center. O evento reuniu 40 notáveis - como diremos?
Chefs, vá lá! -, com suas receitas para no mínimo 50
convivas cada um, servidos pelo próprio cozinheiro.
No flagrante, um grupo dos mão na massa, isto
é, no arroz, devidamente paramentados para o
evento, cuja renda foi integralmente revertida para
comunidades carentes da cidade.
Foto: Api Nery
A família Rosa Silveira, do Santinho, curtindo Francisco, de
apenas dois meses. No flagrante: Ricardo, José Luiz, Joice
e Pedro. Lucas, o irmão mais velho, não saiu na foto por
uma boa causa: estudava para o vestibular de Ciências da
Computação, na casa de um colega.
Foi grande a mobilização no sábado, 19 de setembro, na
sede da Sociedade Esportiva Aliança, no Rio Vermelho.
Um disputadíssimo campeonato de futebol solidário - que
rolou bola da manhã até a noite - arrecadou mais de 180
kg de alimentos não perecíveis, 54 litros de leite e uma
boa reserva de materiais de limpeza diversos. Tudo foi
entregue para o Lar Recanto da Esperança, vizinho da
SEA. Em outubro, a grande confraternização vai ser em
comemoração ao Dia das Crianças.
Imagem: Divulgação
Moradora da
Vargem Pequena,
a artista plástica
Walkiria Cassanaz,
está levando
ao público sua
exposição Cacos
do Brasil, nos
restaurantes mais
categorizados da
Ilha. Em setembro
e outubro, as obras
estão no Antonio’s,
na Cachoeira do Bom Jesus (Av. Luiz Boiteux Piazza, 3465).
Durante a
travessia
para a
Costa da
Lagoa, no
feriado de 7
de Setembro,
Api Nery
produziu
o flagrante
do martimpescador em
pleno almoço.
Foto: Paulo Simões
Ilha Capital
Tiragem desta edição: 8.000 (oito mil exemplares)
Florianópolis, 21 de Setembro de 2009
Junior Zaguini
Comercial Gráfico / Diário Catarinense
Ano V - Número 60 - Florianópolis, Setembro de 2009 - DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Foto: Peter Richard
Paraísos náuticos:
Key West - EUA
D
etentora do título de cidade extremo sul da
América, Key West é capital do Condado
de Monroe, Flórida, o Estado Ensolarado
dos EUA.
Ela ocupa completamente Stock Island, a
última das ilhas do arquipélago Florida Keys,
conjunto composto por mais de 1500 ilhotas conectadas ao continente por uma fantástica rota
de estradas e pontes, num trajeto que excede
os 100 quilômetros. Apenas uma das pontes do
roteiro que leva a Key West, a Seven Mile Bridge, tem mais de dez quilômetros de extensão:
uma viagem fantástica através de uma linha
reta, riscada sobre oceano a perder de vista.
A cidade está localizada exatamente diante
da ilha de Cuba: pouco menos de 150 quilômetros (78 milhas náuticas) separam Smathers Beach da praia de Varadero (enfocada na edição
de agosto). Centenas de pessoas já morreram
na tentativa de abandonar o paraíso comunista
da bendita família Castro, para trocá-lo - vejam
só! - pelo inferno do maldito capitalismo americano. Afogaram-se ou foram comidos pelos
tubarões que infestam as águas caribenhas.
Muitos são pegos pela guarda costeira e entregues aos “direitos humanos” de Cuba. Mas
milhares conseguem entrar em Key West, de
onde espalham-se por todos os Estados Unidos
onde, mesmo na clandestinidade, são mais
livres do que sob o regime de Fidel.
A principal fonte de renda da cidade é o
turismo, e as atividades aquáticas e náuticas são
os grandes atrativos: mergulho, scuba, passeios
embarcados, pesca, jet ski, kite surf...
Key West dispõe de um movimentado porto
turístico e, como o índice de barcos per capita
entre os residentes é elevado, há marinas e
piers em profusão. E até um atracadouro pitoresco e pouco usual, mesmo em paraísos náuticos: um abrigo infraestruturado e bem seguro
para confortáveis casas-barco.
Foto: Ecobio
Foto: Cayobo
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Cinco anos revelando o que os outros tentam