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REVISTA NOVA ESCOLA (1998-2007):
ESTRATÉGIAS PARA SE CONSTITUIR UM VEÍCULO DE CREDIBILIDADE
Fábio Luís Santos Nunes∗
Professor da SEMED-Aracaju/SEED-SE/membro do CEMEFEL
Introdução: Entre os periódicos caracterizados como pertencendo a imprensa educacional1
destaca-se a Revista Nova Escola, publicação mensal da Fundação Victor Civita, órgão
pertencente a Editora Abril. Sua publicação se inicia em março de 1986, se configurando
como a principal revista na área educacional sob a responsabilidade da Fundação Victor
Civita, de modo a possuir edições mensais com distribuição em todo o país2. O impresso se
mostra um importante veículo de divulgação das temáticas inerentes a Educação Básica,
possuindo matérias que contemplam diversos assuntos da área educacional, sob as mais
variadas formas: artigos, ensaios, entrevistas com especialistas em educação do Brasil e do
exterior, relatos de experiências, idéias para aulas, orientações para confecção de material
pedagógico, entre outos. Assim, traz reportagens sobre todos os componentes curriculares
deste nível de ensino. De acordo com Silveira (2006), a Revista Nova Escola atinge uma
parcela significativa dos professores que lecionam na educação básica, sendo lida, desse
modo, por 80% dos profissionais que trabalham nesse nível de ensino. Dessa maneira, este
artigo busca analisar as estratégias3, adotadas pela Revista Nova Escola, entre 1998 e 2007,
nas reportagens que abordam os temas da Educação Física escolar, para criar uma
representação4 de credibilidade junto a seu público de professores leitores-consumidores. Para
isso lançamos um olhar para a história recente5 desse periódico, de modo que procedemos
inicialmente fazendo um levantamento das edições da Revista Nova Escola, entre 1998 e
2007, que possuem matérias sobre Educação Física escolar. Este levantamento foi feito por
∗
Especialista em Educação Física para a Educação Básica pela Universidade Federal de Sergipe (UFS); e-mail:
[email protected]
1
Para Beurier (1889 apud Catani e Bastos, 2002, p. 06) “o termo ‘imprensa didática’ ou ‘imprensa educacional’,
se refere ao conjunto de revistas que, destinadas aos professores, visam principalmente guiar a prática cotidiana
de seu ofício, oferecendo-lhes informações sobre o conteúdo e o espírito dos programas oficiais, a condução da
classe e a didática da disciplina. Essa imprensa (...) representa o espaço onde se desdobra e o ponto no qual se
concentra todo um conjunto de teorias e práticas educativas de origem tanto oficial quanto privada”.
2
Silveira (2006), observa que Nova Escola é a segunda maior tiragem de revista do Brasil, atrás apenas da
revista Veja, uma outra publicação do Grupo Abril. Nesse sentido, a revista, de acordo com a autora “atinge uma
quantidade significativa de professores que lecionam no ensino básico – 80% deles, totalizando um número de,
aproximadamente, 1,2 milhões de professores. Do total de exemplares distribuídos 5% se concentram no Norte e
31% no Nordeste do país, 7% na região Centro-Oeste, 44% na região Sudeste e 13% na região Sul” (Ibidem,
2006, p.13).
3
Para Certeau (1994, p. 99), estratégia é o “(...) cálculo (ou a manipulação) das relações de forças que se torna
possível a partir do momento em que um sujeito de querer e poder (uma empresa, um exercito, uma cidade, uma
instituição científica) pode ser isolado. A estratégia postula um lugar suscetível de ser circunscrito como algo
próprio a ser a base de onde se podem gerir as relações com uma exterioridade de alvos ou ameaças (os clientes
ou os concorrentes, os inimigos, o campo em torno da cidade, os objetivos e objetos da pesquisa etc.).”
4
Chartier (1990, p.23) entende que o conceito de representação articula três possibilidades de relação com o
mundo social, assim, “(...) em primeiro lugar, o trabalho de classificação e de delimitação que produz as
configurações intelectuais múltiplas, através das quais a realidade é contraditoriamente construída pelos
diferentes grupos; seguidamente, as práticas que visam fazer reconhecer uma identidade social, exibir uma
maneira própria de estar no mundo, significar simbolicamente um estatuto e uma posição; por fim, as formas
institucionalizadas e objectivadas graças às quais uns ‘representante’(instâncias coletivas ou pessoas singulares)
marcam de forma visível e perpetuada a existência do grupo, da classe ou da comunidade”.
5
De acordo com Chauveau e Tétart (1999, p. 15), “a história não é somente o estudo do passado, ela também
pode ser, com um menor recuo e métodos particulares, o estudo do presente”.
2
meio de 12 exemplares, aos quais tivemos acesso6, e posteriormente observando o seu site7.
Para Silveira (2006) a Revista Nova Escola é o mais conhecido periódico dirigido a uma
categoria profissional, de modo que sua capacidade de aceitação e inserção deveu-se
principalmente a forma inicial como foi distribuída e divulgada. Assim, em seus cinco
primeiros anos um convênio entre a Fundação Victor Civita e o Ministério da Educação
(FAE) apoiava um contrato de assinatura de 300.000 exemplares, arcando com 70% de seu
custo, para que ela chegasse gratuitamente às escolas públicas de todo país. Parte significativa
da distribuição do periódico ocorria através deste convênio e o restante via banca de revistas e
assinaturas. Durante o governo de Fernando Collor de Melo, a partir de 1991, o subsídio
financeiro estatal foi retirado, o que dificultou a aquisição do periódico pelas escolas. A partir
do término de 1992, FAE e Fundação Victor Civita voltaram a assinar um acordo, que
restringia o envio de apenas um exemplar da revista às escolas urbanas. Dessa maneira, o
impacto editorial dos anos anteriores, que foi sustentado por sua forma de distribuição inicial;
e as suas ligações com a Editora Abril, em que os produtos editoriais têm eficiente sistema de
colocação junto a leitores e leitoras em potencial, criou as condições para Nova Escola
garantir sua fatia no mercado através da venda de seus exemplares em bancas e por meio de
assinaturas. Sobre o sucesso e aceitação da revista, BUENO (2007), observa que contribuíram
nesse sentido à popularização dos conteúdos, de maneira que a publicação tornou-se
semelhante a outras revistas do Grupo Abril. Assim, por meio de um vocabulário simples, ao
lado de ilustrações fartas, quase sempre a exibir professores e alunos sorridentes, repete-se,
exaustivamente, um pressuposto básico, que coloca que os problemas educacionais sempre
podem ser resolvidos, necessitando que para isso cada um “faça a sua parte”. Aliado a isso,
Costa e Silveira (1998) destacam o fato dessas publicações fazerem circular, de forma
reduzida e simplificada, as novas tendências, pesquisas e descobertas da área, que são assim
apresentadas, visando atingir leitores menos familiarizados com a linguagem científica e/ou
acadêmica. Dessa maneira, esses periódicos aproximam-se de outros periódicos tidos como
mais “populares”, que se propõem a “ensinar como fazer”, dando “dicas”, “sugestões”.
Assim, essas constatações contribuem para entender como o impresso se afirma enquanto
dispositivo que possui boa aceitação e circulação entre os professores que trabalham nas
escolas de educação básica. A partir do ano 2000, o impresso adota mais uma estratégia, qual
seja, mobilizar professores de diferentes IES e outras instituições para falarem e opinarem
sobre os saberes8 colocados pelas reportagens que tratam da Educação Física escolar. Dessa
maneira, Nunes (2008) constata que entre 1988 e 2007, das trinta edições pesquisadas, em
dezenove9 há professores de diferentes IES e outras instituições falando e opinando sobre os
saberes colocados pelas reportagens que tratam da Educação Física escolar. Assim, este
estudo que tem como objeto a Revista Nova Escola, publicação destinada aos docentes da
educação básica, procura entender como o impresso busca formular estratégias para criar uma
representação de credibilidade junto a seu público de professores leitores-consumidores.
Nesse sentido, nota-se que contribuiu para a construção dessa representação a forma inicial
como a revista foi distribuída e divulgada aproveitando o convênio com o MEC e suas
6
Possuem matérias sobre Educação física escolar as edições 120, 122, 132, 134, 137, 142, 187, 190, 192, 202,
205 e 208.
7
revistaescola.abril.com.br. Aqui foram lidas e analisadas as reportagens das edições 140, 145, 148, 149, 151,
152, 155, 162, 167, 169, 171, 174, 179, 181, 185, 191, 194 e 200. Severino (2002, p. 133) afirma que a internet
“(...) tornou-se uma indispensável fonte de pesquisa para os diversos campos do conhecimento (...) porque
representa hoje um extraordinário acervo de dados que está colocado à disposição de todos (...)”.
8
Forquim (1993, p. 83) entende “[...]os saberes e os conteúdos simbólicos veiculados pelo ensino, como
produtos sociais, como aquilo que ocorre no interior de uma “arena social” enquanto resultado precário de
interações e de interpretações “negociadas” entre parceiros colocados em posições sociais diferentes e, por isso,
portadores de “perspectivas” divergentes”.
9
São as edições 132, 134, 137, 142, 148, 151, 152, 155, 162, 174, 179, 181, 185, 191, 192, 194, 200, 202 e 208.
3
ligações com a Editora Abril, em que os produtos editoriais têm eficiente sistema de
colocação. Foi determinante também nesse projeto a popularização dos conteúdos, de maneira
que o impresso tornou-se parecido com outras revistas do Grupo Abril, que possuem um
vocabulário simples ao lado de ilustrações fartas. Por fim, a partir do ano 2000, a Revista
Nova Escola lança uma nova estratégia, que consiste em mobilizar professores de diferentes
IES e outras instituições para falarem e opinarem sobre os saberes da Educação Física escolar.
Por tanto, na medida em que a publicação utiliza desse expediente passa a compartilhar do
capital simbólico10 que os profissionais que ali falam possuem se constituindo, dessa maneira,
em dispositivo que opina, autoriza e confere credibilidade sobre os saberes da Educação
Física escolar no Brasil.
Referências
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2007. Disponível em:<http ://www.scielo.br>. Acesso em 03 de março de 2008.
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REVISTA NOVA ESCOLA, n. 122, mai 1999.
REVISTA NOVA ESCOLA, n. 132, mai 2000.
REVISTA NOVA ESCOLA, n. 134, ago 2000.
REVISTA NOVA ESCOLA, n. 137 nov 2000.
REVISTA NOVA ESCOLA, n. 187 nov 2005.
REVISTA NOVA ESCOLA, n. 190 mar 2006.
REVISTA NOVA ESCOLA, n. 192 mai 2006.
REVISTA NOVA ESCOLA, n. 202 mai 2007.
REVISTA NOVA ESCOLA, n. 205 set 2007.
REVISTA NOVA ESCOLA, n. 208 dez 2007.
10
Schineider (2003), ao estudar a Revista Educação Phisyca, percebe essas relações ao observar que diferentes
personalidades /autoridades emitem suas opiniões em seu interior. Assim, coloca que conforme Bourdieu capital
simbólico “manifesta-se na possibilidade de ser conhecido e reconhecido [o que] também significa deter o poder
de reconhecer, consagrar, dizer, com sucesso, o que merece ser conhecido e reconhecido” (ibdem, 2003, p. 49).
4
RIOUX, J.-P. Pode-se fazer uma história do presente? In. CHAUVEAU, A.; TÉTART, P.
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Site da Revista Nova Escola. Disponível em:<http://revistaescola.abril.com.br>. Acesso em
01 de abril 2008.
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