Variedades › Música
O ar que ele respira tem
aroma de som. Dos bons
Loran Regis comemora o sucesso de “Tudo Vai Passar”, enquanto
prepara o lançamento de “O Ar que eu Respiro”
Música
Alunos do Programa de
Educação Musical assistem a
apresentação de percussão
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Gripe A
Gastronomia
Palhoça registra a primeira
Chefs
de do
Ruavírus
levano
bom
público
suspeita
estado,
ao
Passeio saúde
Pedra Branca
colocando
em alerta
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FOTO: DIVULGAÇÃO
Para assistir ao clipe de “Tudo Vai Passar”, acesse:
http://migre.me/s9CLp
As primeiras fotos do making of das gravações do videoclipe de “O Ar que eu Respiro”, nova canção de
trabalho da banda Loran Regis, foram publicadas no
Facebook no último sábado, dia 14. A imagem dos
músicos reunidos, com o Passeio Pedra Branca como
cenário, ao fundo, já povoou de expectativa o imaginário dos fãs. De pré-contrato assinado com a poderosa gravadora Som Livre e comemorando o sucesso
do clipe de “Tudo Vai Passar”, lançado em julho, o
vocalista e instrumentista Loran Regis faz os últimos
ajustes na edição do novo vídeo, que deve ser lançado
no ano que vem, após o Carnaval.
Talvez pudesse ser lançado antes, se Loran não
fosse tão perfeccionista. Mas ele é. Não aceita menos
do que o melhor que pode extrair de cada cena, de cada movimento, de cada acorde, de cada palavra. Não
aceita menos do que a perfeição. E a noção de perfeição não vem dele, e sim, da própria arte. “Se a música ou o vídeo não te arrepiar, não está bom. Quando
estou compondo, a música pede o que ela quer, basta
abrir o ouvido para sentir o que a música está pedindo. Se você coloca um fraseado, uma melodia, uma
passagem, uma ponte ou uma letra que não é a ideal,
a música não aceita, não entra”, argumenta.
As imagens do novo vídeo foram quase todas
gravadas na Pedra Branca – o próprio Loran mora às
portas do bairro, no Passa Vinte. Boa parte foi captada em cima do espelho d’água que decora a praça do
passeio, o que está despertando ainda mais a curiosidade dos fãs em relação à fotografia do clipe. Outra
parte foi filmada em Florianópolis, como as cenas
ambientadas em um heliporto. A canção fala de um
amor altruísta, de uma vida que só tem sentido ao lado de outra. Talvez como a própria relação do músico
com a música. “É a única amante que eu permito que
ele tenha”, brinca a esposa, Jô Gonçalves.
A paixão foi despertada ainda na infância. Ou
melhor, as paixões: apaixonou-se pelo piano, depois
pela bateria, depois pelo órgão, depois pelo violão...
Já estudou de tudo, e continua estudando. Não vai
parar de se aperfeiçoar enquanto não encontrar a tal
perfeição. No caminho, vai colhendo os frutos de uma
vida dedicada a degustar notas e destrinchar acordes.
Um dos frutos mais recentes é promissor, e foi
colhido quase que por acaso. Loran tocava em um
Maior parte do clipe de “O Ar que eu Respiro” foi gravada na Pedra Branca
evento, em 2014, quando chamou a atenção de um
ouvido atento na plateia. “A princípio, ele não disse
quem era. Perguntou se eu era compositor também,
se eu teria músicas próprias para mostrar. Aí começou a entrar em um assunto mais técnico, então eu
pensei: não é um simples apreciador, eu vi que tinha
alguma coisa a mais no meio, mas ele não abria o jogo, quis se certificar primeiro com quem estava tratando”, relembra o cantor. No dia seguinte, o “apreciador misterioso” pediu que ele incluísse trabalhos
autorais no repertório. Loran atendeu ao pedido.
“Toquei umas três ou quatro músicas minhas. Aí,
quando acabou o evento, ele veio, nos deu o cartão
dele e foi aí que soube que ele era da gravadora Som
Livre”, relembra.
Ali começava um namoro “à moda antiga”,
com avanços lentos, mas constantes. O músico assinou um pré-contrato com a gravadora e recebeu as
primeiras orientações. Foi obrigado a tirar da internet
fotos, vídeos e gravações caseiras; principalmente o
trabalho autoral. Enquanto espera “na fila” pelo lançamento de um trabalho completo, e por recomendação da própria gravadora, Loran Regis vai mostrar
seu trabalho aos poucos na internet e nas rádios. “Foi
uma ideia da gravadora de fazer assim, disseram que
para a gente seria muito mais viável trabalhar desta
forma”, diz Jô, que acompanha de perto a carreira do
marido. “Mas ele gostou muito, disse que o trabalho
do Loran é muito novo para o mercado, e eles querem
coisas assim, porque o mercado está muito massacrado, e o trabalho dele é bem diferente. São melodias muito ricas, coisa que a gente não está acostumado a ver aqui no Brasil”, elogia. “Minha formação
é o piano clássico, então eu uso muito do erudito ao
compor, uso muito da música clássica no meu trabalho. Talvez isso chamou um pouco a atenção dele”,
pondera Loran.
A primeira canção de trabalho foi ao ar cerca
de um ano depois do encontro com o diretor da Som
Livre. No dia 1º de julho, era lançado o videoclipe de
“Tudo Vai Passar”, gravado no estúdio Giant Steps,
em Balneário Camboriú. Uma espécie de abre-alas,
em que a complexidade musical do trabalho autoral
do cantor e instrumentista foi lapidada com traços
mais simples, “ao sabor da audiência”. “Em trabalho
Imagens do making of foram divulgadas na semana passada
novo, ou tu é deus ou é diabo, é 8 ou 80. Ou a proposta
nova cai no ostracismo, devido a não ter aquele apelo
pop que a pessoa está habituada a ouvir e dizem: ‘Pô,
isso não dá para ouvir no rádio’; ou tu cria uma pegada nova que a galera diz: ‘Que som diferente, legal pra
cacete’. Então, na verdade, sempre apostei no meu
trabalho nesta diferença, do conteúdo da obra”, define. “Mas esta música é mais rádio, porque tem mais a
cara do que rola no momento no mercado brasileiro.
É aquele negócio de abrir as portas”, justifica.
E pela recepção de público e do meio musical,
as portas parecem escancaradas. “O próprio cara da
gravadora já falou, sobre a ‘Tudo Vai Passar’: ‘Isso aqui
é hit, não tem como não estourar’”, comemora. O
público da Band FM, onde a canção tem tocado, também aprovou a canção, a julgar pelas mensagens que
a banda tem recebido nas redes sociais. Recentemente, um DJ comentou que a música estaria “estourada
nas rádios do Sul do país”. “Eu falei: é mesmo? Muito
bom, não sabia até agora, mas fico muito contente’”,
revela.
O sucesso não veio por acaso. A música foi
cuidadosamente arranjada “para cair nas graças da
geral”. Quando ouviu a versão original, o produtor sugeriu cortar boa parte da música (tinha quase
cinco minutos, o que é quase uma eternidade para
as rádios comerciais), para deixá-la mais enxuta e
mais “popular”; tinha refrões com letras diferentes,
resolveu padronizar um só. Ele reconheceu na canção um “hit por natureza”, mas alertou: “Não pode
enfeitar muito, é uma música para produzir simples,
a simplicidade dela é que vai fazer a diferença”. Loran
aquiesceu. Cortou dois versos, um refrão e um solo.
“Cortei muito a contragosto. Cortei a música e o meu
coração”, brinca. O resultado foi um pop rock com
“uma pincelada bem suave de sertanejo”. Loran colocou os pianos, os teclados e uma frase da guitarra;
experientes músicos do universo sertanejo se incumbiram do resto.
Mas o trabalho que vem por aí será “mais puro”,
mais próximo das características autorais do compositor. “Neste próximo clipe as pessoas já vão perceber
a diferença. É uma música muito mais trabalhada do
que a Tudo Vai Passar. O Ar Que eu Respiro tem uma
pegada um pouquinho mais rock, em relação à Tudo
Vai Passar, que é mais um abalada com uma pitadinha
de sertanejo”, antecipa. E o rock’n roll é seu caminho
natural. Tanto que já compôs até óperas rock, ao estilo de uma das canções mais emblemáticas de todos
os tempos, a transcendental “Bohemian Rhapsody”,
do Queen, uma de suas referências. “Eu tenho uma
límpida consciência de que se eu tento lançar uma
ópera rock como trabalho inicial, não tem como
ela se tornar um hit, de cara, porque não é cultural
daqui. Agora, Tudo Vai Passar tem uma linguagem
mais própria do momento”, reflete. “Quando você
se torna conhecido, as pessoas têm mais facilidade
de aceitar melhor as coisas, do que ele vir com uma
ópera rock de cara e ninguém conhece, pode não ter
aquela receptividade positiva, então esta música foi
intencional para isso mesmo”, concorda Jô. Por enquanto, ao que tudo indica, a estratégia parece estar
funcionando. Que venham as próximas!
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O ar que ele respira tem aroma de som. Dos bons