Sociedade de Educação do Vale do Ipojuca - SESVALI Faculdade do Vale do Ipojuca - FAVIP Curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo CATENDE: A TRAGÉDIA DAS ÁGUAS A CATÁSTROFE DE JUNHO DE 2010 NO INTERIOR PERNAMBUCANO Joás Cezar Santos Ferreira Amorim Paulo Roberto da Silva Filho Caruaru 2010 1 Diretores Luiz de França Leite Vicente Jorge Espíndola Rodrigues Diretora Executiva Profª. Mauricélia Bezerra Vidal Diretor Acadêmico Prof. Aline Brandão Coordenadora do Curso de Jornalismo Profª Rosângela Araújo de Souza Professor Orientador Ubiratan Maciel de Oliveira Nunes Alunos Joás Cezar Santos Ferreira Amorim Paulo Roberto da Silva Filho 2 JOÁS CEZAR SANTOS FERREIRA AMORIM PAULO ROBERTO DA SILVA FILHO CATENDE: A TRAGÉDIA DAS ÁGUAS A CATÁSTROFE DE JUNHO DE 2010 NO INTERIOR PERNAMBUCANO Relatório de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado ao Curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da Faculdade do Vale do Ipojuca, como parte do requisito obrigatório para obtenção do título de bacharel em Jornalismo. Prof. Esp. Ubiratan Maciel de Oliveira Nunes Caruaru 2010 3 Catalogação na fonte Biblioteca da Faculdade do Vale do Ipojuca, Caruaru/PE S586c Silva Filho, Paulo Roberto. Catende: a tragédia das águas. A catástrofe de junho de 2010 no interior pernambucano / Paulo Roberto da Silva Filho e Joás Cesar Santos Ferreira Amorim. -- Caruaru : FAVIP, 2010. 31 f. Orientador(a) : Ubiratan Maciel de Oliveira Nunes. Trabalho de Conclusão de Curso (Jornalismo) -- Faculdade do Vale do Ipojuca. Inclui anexo e apêndice. 1. Fotografia. 2. Tragédia (Catende). I. Amorim, Joás Cesar Santos Ferreira. II. Título. CDU 070[11.1] Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário: Jadinilson Afonso CRB-4/1367 4 CATENDE: A TRAGÉDIA DAS ÁGUAS A CATÁSTROFE DE JUNHO DE 2010 NO INTERIOR PERNAMBUCANO aprovado em: 29 / 11 / 2010 Banca examinadora Ubiratan Maciel de Oliveira Nunes Professor orientador Carolina Dantas Figueiredo 1º prof. examinador Taciano Valério Alves da Silva 2º prof. examinador Caruaru 2010 5 A Deus por dar o dom da vida que nos fez conhecer esta área da comunicação, aos nossos pais e parentes por proporcionar o direito de obter o conhecimento que será para sempre realizações importante profissional, nas nossas aos nossos professores e amigos, por conhecer a nossa força de vontade. 6 AGRADECIMENTOS Ao nosso Pai Supremo por não nos deixar nunca desistir, quando a caminhada era longa nunca paramos, quando foi difícil conseguimos vencer e quando teve gente que atrapalhou, fizemos que os mesmos não existissem e seguimos em frente, obrigado DEUS. Paulo dedica aos seus pais, Vilma e Paulo Roberto, parentes como tia Tânia em especial que me concedeu esse direito de estudar mais uma graduação, a tia Telma e aos meus tios in memorian Tio Marcos e vó Tata, conhecida como dona Tata do Leite, e amigos, e aos que me ajudaram nesse trabalho como Wagnner Sales, Mário Flávio, Renata Torres pelas horas perdidas com esse trabalho e foram amigos a toda hora, que tiveram muita coragem em apostar em mim, no futuro vitorioso que DEUS vai me conceder profissionalmente, e a Cassi, pela paciência. Ao nosso orientador Ubiratan Maciel de Oliveira Nunes pelo grande apoio e dedicação na realização desse trabalho, pois não tinha hora que nós ligamos para ela não nos atender. Joás dedica a sua mãe Nivalda, a DEUS e a todos os meus familiares e amigos. E aos nossos amigos encontrados nessa caminha como Jurani Clementino, a Iraê Motta e Mário Flávio Lima que hoje é nosso amigo e irmão, e aos que não acreditaram na gente, mas estamos aqui... E sem esquecer de Chaves, Chiquinha, seu Madruga, Pica-Pau, He-Man, Oliver dos super campeões, a todos os Power Rangers pela dedicação a cada capítulo, aos Simpsons, por mostrar o exemplo que é uma família, a força do Popeye e a todos que fazem a alegria da gente, pois a inocência deles é melhor que a capacidade que muitos tem de tirar o mérito de muitos alunos quando ainda estão ai na faculdade. Doutor não sou, porque não quis, jornalista sou porque eu quero! 7 “Catende, Catende bendito, bendito seja...” (trecho do hino de Catende, de Josibias Cavalcanti e Pe André Coopman) 8 RESUMO Esse trabalho de conclusão de Curso mostrou por meio do ensaio fotográfico a enchente em Catende, que ocorreu nos mês de Junho de 2010 e causou um desastre no município. Fizemos o registro em 30 fotos coloridas e 30 em preto e branco. O intuito é chamar atenção das autoridades para que no futuro tragédias como essa, sejam evitadas. Quero deixar o fato marcado na história, e documentar como a população começou o processo recuperação do município, que foi parcialmente destruído com a enchente provocada pelos rios Pirangi e Panelas. Palavras chave: Fotografia, tragédia, Catende. 9 ABSTRACT His course conclusion work showed through the photo essay in Catende the flood, which occurred in June 2010 and caused a disaster in the county. We made the record in 30 color photographs and 30 black and white. The intention is to draw attention of the authorities so that in future such tragedies must be avoided. I let the fact recorded in the history, and the population began to document how the recovery process of the municipality, which was partially destroyed by the flooding caused by rivers and Pirangi and Panelas. Keywords: Photography, tragedy, Catende. 10 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 12 1.1. A PRIMEIRA FOTOGRAFIA .............................................................................. 12 1.2. FOTOJORNALISMO .......................................................................................... 13 1.3. A IMAGEM COMO INTERPRETAÇÃO .............................................................. 13 1.4. A ENCHENTE EM CATENDE ............................................................................ 14 2. JUSTIFICATIVA .................................................................................................... 17 3. OBJETIVOS .......................................................................................................... 20 3.1. OBJETIVO GERAL............................................................................................. 20 3.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS .............................................................................. 20 4. PÚBLICO- ALVO ................................................................................................... 21 5. PROCEDIMENTOS TÉCNICO-METODOLÓGICOS............................................. 22 6. PRODUTO JORNALÍSTICO ................................................................................. 25 7. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES ........................................................................ 29 8. RECURSOS E ORÇAMENTO .............................................................................. 30 9. CONCLUSÃO ........................................................................................................ 31 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 32 APÊNDICES.............................................................................................................. 33 ANEXOS ................................................................................................................... 44 11 1. INTRODUÇÃO A proposta desse ensaio fotográfico é registrar o resultado das fortes chuvas que devastaram as cidades do interior de Pernambuco, com foco no município de Catende, na Zona da Mata Sul do Estado1. Apesar da cidade não ter relatos históricos sobre outras catástrofes naturais, queremos expor uma das maiores tragédias da história de Catende, que segundo a prefeitura municipal da cidade atingiu a mais de 17 mil pessoas2. Também iremos relatar por meio das imagens como a população da cidade tenta aos poucos reconstruir as vidas e tudo o que foi perdido na cheia. Desde os primórdios os seres humanos têm uma forte relação com ícones, basta apenas nos remetermos as pinturas rupestres, quando pela primeira vez o homem registrou com imagens as ações, que iriam ser o embrião da fotografia moderna. É nesse contexto que o homem passa a sonhar em perpetuar a história por meio de imagens. Segundo relatos históricos, no ano de 1500 o homem tem o primeiro contato com os sais de prata. Um grupo seleto de intelectuais. Juntaramse químicos e físicos para dar o pontapé inicial para a evolução de técnicas que possibilitassem retratar e fixar uma imagem em algum tipo de material. 1.1. A primeira fotografia Com a evolução das técnicas coube ao francês Joseph-Nicéphore Niépce fazer a primeira fotografia do mundo. O ano era 1826 e o curioso francês entrava para a história ao registrar pela primeira vez uma situação tornando-a em imagem. O ensaio foi realizado numa placa de estanho coberta com um derivado de petróleo chamado betume da Judeia. Para garantir que a ideia revolucionária 1 Zona da Mata Sul – Mesorregião do Estado de Pernambuco. Segundo a avaliação de danos do Sistema Nacional de Defesa Civil foram afetadas 9640 crianças entre 0 a 14 anos; 4660 pessoas entre 15 e 64 anos; e 2500 acima de 65 anos; além de 250 gestantes, que de alguma forma foram prejudicadas pela cheia. Os prejuízos com danos materiais foram estimados pelo Sistema Nacional de Defesa Civil em cerca de R$ 32 mil. No que diz respeito aos danos com saneamento básico e outros recursos ambientais os prejuízos ultrapassam a marca de R$ 300 mil. Com relação aos prejuízos com os setores da economia (agricultura, pecuária, indústria e serviços) as cifras ultrapassam R$ 15 mil. 2 12 desse certo foi utilizada uma câmera, que passou cerca de oito horas de exposição à luz solar. A evolução das técnicas continuaram e no ano de 1835 Jacques Daguerre usou uma placa de cobre denominado daguerreótipo. Em 1842, apenas três anos após o surgimento da fotografia, Carl Fiedrich Stelzner tornou-se o autor da que talvez tenha sido a primeira foto documental da história; uma reprodução desta foto feita em gravura, foi publicada neste mesmo ano no The Illustrated London (Souza, 1998, p. 12). Trata-se da imagem de incêndio no bairro de Hamburgo, na Alemanha. Feita com um daugerreótipo, seu valor não se deve a antiguidade nem por representar um objeto histórico, mas ao fato de Stelzner ter registrado um evento. Mais do que a imagem em si, é essa intenção testemunhal que prenuncia o uso da fotografia como suporte de informação: pela primeira vez, seu valor não se encontrava em si mesma, mas no que continha. Com efeito, a fotografia é o primeiro objeto pósindustrial: o valor se transferiu do objeto para a informação. (OLIVEIRA, 2009. p. 22) Junto aos dois primeiros experimentos William Fox Talbot também inovou com um procedimento chamado calotipo. Foi a grande novidade, já que ele usou folhas de papel cobertas com cloreto de prata. Até hoje esse processo é comparado com as técnicas utilizadas pela fotografia moderna. 1.2. Fotojornalismo A fotografia ainda era uma arte para poucos, mas com o advento do uso das imagens nos jornais, a imagem passou a receber a importância ainda maior. Surgem as primeiras ideias do fotojornalismo. De início, os primeiros “fotojornalistas” capturaram imagens de acontecimentos com intenção de tornar aquela informação pública. Tudo o que acontecia virava notícias, fatos como incêndios, motins, guerras, revolucionaram a arte da fotografia. Nessa época, os registros fotográficos chamar atenção pelo forte uso da expressão cultural dos povos exteriorizada através das imagens. Os closes nos rostos, com todos os detalhes, a cultura e o cotidiano passaram a ser fonte de inspiração para os pioneiros do fotojornalismo, como explica Kossoy. 13 O registro das paisagens urbana e rural, a arquitetura das cidades, as obras de implantação das estradas de ferro, os conflitos armados e as expedições científicas [...] são alguns dos temas solicitados aos fotógrafos do passado. (KOSSOY, 2001, p. 26) 1.3. A imagem como interpretação Quando resolvemos usar como tema “Catende: a Tragédia das Águas” não pretende apenas obter uma boa nota e terminar o curso de Jornalismo. O maior foco foi registrar as imagens para que no futuro tragédias como essas sejam lembradas e possam até ser evitadas pelo poder público, que durante muito tempo se omitiu e permitiu que a população morasse em locais próximos aos leitos dos rios Pirangi e Panelas. Assim, as pessoas que nunca estiveram em Catende nesse momento trágico poderão entender por meio das imagens o que foi a cheia de 2010 e como as águas arrasaram os bairros: Centro; Dezoito; Canaã; Matadouro; Baixa Verde; Guabiraba; Nova Catende; Pavão; Travessia do Cruzeiro; Avilã (Queda de Barreiras); Diamante (Queda de Barreiras); Também foram atingidas as seguintes comunidades da zona rural: Engenho Buranhem; Engenho Niterói; Engenho Gameleira; Engenho Engorda; Engenho Ouricuri; Engenho Tabaiaré; Engenho Santa Cruz; Engenho Harmonia; Engenho Pau Dóleo; Engenho Manaus; Sítio do Boi; e os distritos de Laje Grande e Roçadinho. A infraestrutura da cidade também foi atingida com danos em 360 casas, três unidades de saúde; 14 unidades de ensino; 137 lojas e uma indústria (ver todos os dados nos anexos desse trabalho). 1.4. A enchente em Catende Com 82 anos de emancipação política Catende, segundo o censo atual (2010) do IBGE3 conta com mais de 37 mil habitantes, sendo que boa parte trabalha no comércio informal. O grande potencial econômico da cidade está no cultivo da cana de açúcar, sendo uma das principais produtoras de cana do 3 IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 14 Nordeste brasileiro, tendo uma relação histórica com a produção dessa iguaria na cidade, como explica Menezes. Fator importante para a criação do município, foi a visão progressista de Antônio Ferreira da Costa Azevedo (Seu Tenente), proprietário da Usina Catende, que ampliando o desenvolvimento da Usina Catende, aumentava a população da Vila, devido aos números de pessoas que se empregava em sua indústria. Graças ao progresso da Usina, muitas pessoas vieram de longe morar aqui, não só da Zona da Mata, mas também do Agreste e do Sertão. Muitos vinham por curiosidade, só para ver a Usina moer toneladas e toneladas de cana-de-açúcar, diariamente, e, aos poucos, foram fixando residência por essas terras. O comércio tornava-se, cada vez mais, próspero e desenvolvido. Mais casas iam sendo construídas, para manter que ia aparecendo à procura de trabalho. Os anos seguintes, nas décadas de 1930 e 1940, a cidade tornou-se um dos mais importantes polos da indústria canavieira do estado de Pernambuco, com a maior Usina da América Latina e uma das maiores do mundo. (MENEZES, 2007, p. 17) O município é banhado pelos rios Una, Pirangi4 e Panelas5, sendo que os dois últimos rios citados, que se unem no município, segundo a Defesa Civil do Município provocaram a enchente, que virou tema de estudo nesse Trabalho de Conclusão de Curso. O município de Catende é banhado pelo Rio Una, em Laje Grande, o qual serve de limite com o município de Bonito: pelo Rio Piranji (rio importante e famoso, o qual deu nome a uma região, “Vale do Piranji”), cortando o município no sentido oeste-leste e penetrando em Palmares, onde deságua no Rio Una; e, pelo Rio Panelas (este, calmo e raso), afluente do Rio Piranji. Além de inúmeros riachos distribuídos no espaço municipal. (MENEZES, 2007, p.24) É comum chover na região da Zona da Mata como afirma Menezes “O clima de Catende é do tipo tropical chuvoso com o verão seco. Sendo, os meses de maio a julho os mais chuvosos”. (2007, p.24). No dia 18 de junho de 2010 4 Rio Pirangi – Nasce no povoado de Pau Ferro, na cidade de Quipapá, no Agreste de Pernambuco. Banha vários municípios de Pernambuco, por último em Catende, para desaguar no rio Una. 5 Rio Panelas – O Rio nasce na cidade de Panelas, no Agreste de Pernambuco e banha várias cidades do Agreste e Mata Sul. Passa por Catende e deságua no Una. 15 Pernambuco e Alagoas sofreram uma das maiores tragédias da história recente dos dois Estados. As precipitações atingiram 54 municípios, deixando pelo menos 30 em situação de emergência e outras nove cidades em estado de calamidade pública. Em nosso Estado os municípios mais atingidos foram Barreiros, Palmares e Catende, que será foco desse trabalho. A situação pós-chuva era de cenas de destruição, toda a parte da cidade que fica as margens dos rios foi atingida, deixando 610 desabrigados e 510 pessoas desalojadas, segundo o relatório do Sistema Nacional de Defesa Civil. As famílias que perderam tudo foram para o Ginásio de Esportes Municipal Ascenso Ferreira e demais escolas da cidade, que serviram de moradia para essas pessoas. A lama tomou conta da cidade e as águas dos rios Panelas e Pirangi inundaram as comunidades ribeirinhas, além de destruir a ponte que servia de acesso aos moradores do Bairro do Matadouro e o Bairro do Dezoito, que ficaram praticamente isolados da cidade. Diante desse cenário o grupo sentiu a necessidade de registrar e documentar por meio de ensaio fotográfico a tragédia do dia 18 de junho de 2010. 16 2. JUSTIFICATIVA Por meio da fotografia podemos registrar os momentos mais marcantes na vida das pessoas, como é o caso desse Trabalho de Conclusão de Curso. Iremos por meio das imagens deixar marcado na lembrança das pessoas uma tragédia, que não será esquecida facilmente por aqueles moradores, principalmente os das áreas ribeirinhas, daquela cidade, diretamente atingidos pela tragédia ocorrida em junho passado. O grupo escolheu a modalidade de ensaio fotográfico para que possamos com essas imagens, poder mexer com a imaginação das pessoas, que não tiveram a oportunidade de ver de perto a enchente. Quero através desses ensaios, fazer um passeio pela imaginação das pessoas, que tiverem a oportunidade de assistir ao Trabalho de Conclusão de Curso. Escolher a cidade de Catende tem um motivo especial. Um dos acadêmicos do grupo (Paulo Roberto Filho) nasceu e tem moradia fixa na cidade. Por isso, o grupo não perdeu a oportunidade de registrar um fato tão marcante no município. Além disso, os dois componentes do grupo já atuam na área do fotojornalismo, com publicações na Revista Caruaru Vip6, Cadernos Especiais do Diario de Pernambuco 7, Folha de Pernambuco 8, Jornal Extra de Pernambuco9 e Jornal Vanguarda de Caruaru10. Selecionamos os aspectos para evidenciar com imagens, descrever com as fotos todos os fatos que se passaram naquela cidade, pois queremos passar a realidade como a fotografia que expressa várias manifestações da população, de tristeza, de dor, força, esperança e fé, como explica Samain. 6 Revista Caruaru Vip – Revista de variedades que há 5 anos é distribuída em Caruaru. Toda a parte de fotojornalismo é feita por Paulo Roberto Filho. 7 Diario de Pernambuco – Jornal mais antigo em circulação da América Latina. Participação com fotojornalismo no caderno especial Caruaru Avança com Pernambuco. 8 Folha de Pernambuco – Jornal que há 10 anos tem forte atuação no mercado local. O grupo já fez várias fotografias para a coluna social e eventos jornalísticos. 9 Jornal Extra de Pernambuco – Está em plena atividade em Caruaru faz 10 anos. Nesse periódico o grupo fez várias atividades free lancer. 10 Jornal Vanguarda – Jornal mais antigo em circulação de Caruaru. São 78 anos de história. Para o periódico são realizadas atividades free lancer. 17 Apesar de as imagens fílmica, fotográfica e videográfica estarem impregnadas de resíduos do real, elas não são uma extensão da realidade, mas sim uma criação interpretativa que é fruto de um imaginário social, e que, ao mesmo tempo, engendra outros, que podem até mesmo virem a se transformar em realidade. (SAMAIN, 2005, p. 111). Com esse trabalho queremos mostrar que a fotografia é capaz de informar vários fatos e traduzir do exato momento em que as coisas vão acontecendo. A seleção de um aspecto determinado do mundo natural ou social para o respectivo registro fotográfico, apesar de se constituir na questão fundamental da manipulação/interpretação, é apenas o inicio de uma sucessão de atos congêneres. (KOSSOY, 2001, p. 107). A intenção é ir além da imagem, já que não temos o intuito de apenas mostrar a tragédia em Catende, como relata Kossoy. A informação visual do fato representado na imagem fotográfica nunca é posta em dúvida. (...) o “caráter de realidade e de exatidão” das imagens fotográficas: instrumentos pelos quais “se poderá fazer a reconstituição real da história moderna”. Esta objetividade positivista creditada à fotografia tornou-se uma instituição alicerçada na aparência, no iconográfico enquanto expressão da verdade; um equivoco fundamental que ainda persiste. (KOSSOY, 2001. p. 102). No nosso trabalho pretendemos mobilizar toda a sociedade para que essas tragédias sejam amenizadas ao longo do tempo e com isso tentar ajudar a todos a identificar ou tentar localizar onde estão os problemas. Queremos registrar o momento, para que seja analisado e reportado por meio das fotos tudo que se passou na vida das pessoas que viveram aquele momento de incerteza. Acreditamos que a fotografia é um instrumento que serve para testemunhar o momento e coma as coisas vão acontecendo, como explica Kossoy. Toda fotografia é um testemunho segundo um filtro cultural, ao mesmo tempo em que é uma criação a partir de um visível fotográfico. Toda fotografia representa o testemunho de uma criação. Por outro lado, ela representará sempre a criação de um testemunho. (KOSSOY, 2001. p. 50). 18 Com esse testemunho do nosso ensaio queremos abrir portas para as pessoas que nunca passaram por um período tão ruim como é o caso das enchentes, que viva o momento de angústia, calamidade e encontrar um propósito para reconstruir suas casas e voltar a sua vida normal. Com o fotojornalismo é possível mostrar como apesar de todas as dificuldades, as pessoas conseguem se superar e dar a volta por cima. Não é apenas o acontecimento em si que é a meta a ser recuperada. (...) É o que cumpre descobrir mergulhando na vida passada e retornando aos documentos, mergulhando na realidade passada e retornando á sua imagem fragmentariamente registrada e desta para aquela, continuamente, buscando compreender as razões psicológicas que deram origem aos acontecimentos. (KOSSOY, 2001. p. 139). Com esse TCC poderemos deixar algumas questões na mente das autoridades e das pessoas que foram atingidas pelas precipitações e força das águas. São perguntas do tipo: Qual o motivo da enchente? Quais os prejuízos para o futuro da cidade? Como ficaram essas pessoas? E como tentar se recuperar para tocar a vida? Com esse ensaio prendemos mostrar como a fotografia pode ajudar a entender tais motivos. Fotografia é memória e com ela se confunde. (...) Ela dá a noção precisa do micro espaço e tempo representado, estimulando a mente á lembrança, a reconstituição, a imaginação. É, para o historiador, uma possibilidade inconteste de descoberta e interpretação da vida histórica”. (KOSSOY, 2001. p. 156). Outro fator relevante no nosso Trabalho de Conclusão de Curso é o ineditismo, já que antes deste ensaio nenhum outro trabalho do tipo foi publicado. E a situação de utilizar essa tragédia para o lado do jornalismo, que é através das grandes coberturas, com esse registro fotográfico, e por ser um momento ímpar, tanto para a cidade, como para as nossas vidas, quanto para a população, por ter sido uma catástrofe causada pela natureza. 19 3. OBJETIVOS 3.1 - Objetivo Geral: Documentar na modalidade de ensaio fotográfico a catástrofe das enchentes de junho de 2010 na cidade de Catende. 3.2 - Objetivos Específicos: . Através deste projeto, incentivar os alunos a prática dos trabalhos fotográficos na faculdade. . Transmitir por meio das imagens fotográficas todo o sofrimento e a força para que a população reconstruísse sua vida; . Identificar o modo de viver e as dificuldades do pós-enchente, para as famílias desabrigadas; . Apresentar os estragos das fortes chuvas para ver o estado de calamidade pública que ficou à cidade; . Chamar a atenção das autoridades para a situação caótica que ficou a cidade, para que sejam criadas as políticas públicas de moradia. 20 4. PÚBLICO-ALVO Em primeiro lugar esse Trabalho de Conclusão de Curso é destinado às pessoas que enxergam na fotografia uma das grandes artes da modernidade. Também poderá servir no futuro como instrumento de pesquisa para as pessoas interessadas em entender o que foi e quais as causas dessa tragédia, que abalou parte da cidade de Catende. É destinado ainda aos estudantes de Jornalismo que pretendem realizar um trabalho nesse tipo de modalidade. Também pode ser utilizado por professores como ferramenta didáticopedagógica. À população do município de Catende e principalmente os moradores dos bairros afetados, por ter as imagens captadas irão se interessar pelo conteúdo, com cenas marcantes, que se tornaram dados documentais e passam a ter um maior conhecimento sobre quais são estas áreas de risco, como cita Koury: As ciências sociais no nosso país e no mundo, desde seu advento, sempre usaram imagens como ilustração do real ou como instrumento metodológico de captação de certas nuances do real que o simples olhar do observador, durante a estada em campo, não pode perceber. (...as imagens...) acompanham as ciências sociais desde o seu nascimento. A precisão e ampliando o campo etnográfico ao olhar do pesquisador, com nuances e pequenos detalhes que haviam escapado ou não haviam sido visualizados de forma sistemática. (KOURY, 1999, p.49-63). Aos governantes do Executivo e Legislativo e demais autoridades, que podem evitar o povoamento nestas localidades, para assim garantir proteção e bem-estar da sociedade catendense. Também é destinado aos ambientalistas, que podem usar o nosso TCC para alertar sobre a necessidade de políticas públicas moradias, para tentar evitar esse tipo de tragédia. 21 5. PROCEDIMENTOS TÉCNICO-METODOLÓGICOS A ideia central do trabalho surgiu no mês de junho, quando aconteceu a tragédia das enchentes nas cidades de Pernambuco e Alagoas. Devido a abrangência de municípios atingidos o grupo decidiu focar a cidade de Catende, uma das mais atingidas em Pernambuco. De início, foram feitas pesquisas de campo, para saber como as pessoas atingidas pelo desastre, qual era o tamanho real da tragédia. Foram momentos de muita emoção, nos quais as pessoas juntavam o que sobrou de suas casas e parte da memória de suas vidas. Partirmos para a coleta de informações com fontes diretas e indiretas, primárias (defesa civil) e secundárias (jornais, arquivos de fotos e internet). A Câmera utilizada para os registros fotográficos foi uma Nikon D 5.000, uma das mais modernas da atualidade. Foram utilizadas ainda duas objetivas, uma com 18-55 mm e abertura f/3.5-5.6, com alcance grande-angular a padrão. A segunda de 55-200 mm com abertura f/4-5.6. Essa segunda sai de padrão para uma teleobjetiva. Tendo a disposição essa duas lentes com filtros protetores, o grupo foi a campo, as imagens da tragédia falavam por si. Eram pessoas aflitas na rua e a lama tomando conta das casas, cobrindo quase que tudo, menos a esperança dessas pessoas. A dificuldade para transitar por entre entulhos era grande, porém a vontade de registrar o estrago causado pelas águas era maior, então trafegamos por bairros afetados pela enchente na cidade de Catende, entre eles: Matadouro, Dezoito, Pavão e Canaã. A partir da coleta de imagens montamos um banco de imagens marcantes do que sobrou da enchente. Durante a execução das fotografias trabalhamos com um misto de sensibilidade e a obrigação de concretizar o trabalho que estava ali, respeitando o lado emocional de tudo aquilo que estava a nossa frente. Ainda coube ao nosso lado profissional levar em consideração as regras para fazer uma boa imagem dando valor aos pontos de fuga, composições tonais, valorização de 1º e 2º plano, 22 fazendo fotos em alta e baixa velocidade, sempre observando o balanço do branco e o comportamento da luz. Com essas imagens captadas, partimos para a etapa da triagem das fotos. Logo em seguida dividimos as imagens em dois grupos: coloridas para mostrar o estrago feito pelas chuvas na integra e repassar em cores vivas, a realidade ali encontrada para chamar a atenção e mostrar a veracidade dos fatos, reforçando a vontade desse povo para a reconstrução do seu lugar; e as imagens em preto & branco, que tiveram a presença de pessoas para humanização do fato e dar esperança a esse povo. Com um tipo de imagem que é considerada clássica para o fotojornalismo. A primeira linguagem fotográfica desenvolvida foi a da fotografia em preto e branco. Ela desenvolveu-se junto com a própria fotografia, junto com a descoberta dos assuntos da vida humana como bons assuntos, junto com o desenvolvimento da narrativa fotográfica. Não me acho imprudente ao dizer que o estoque das fotografias em preto e branco ainda constituem o principal referencial de imagens, narrativas, modelos históricos que de soluções formais para os fotógrafos modernos, os quais, entretanto, estão condenados a produção atual ser inerentemente em cores. (ALMEIDA, 2010). Após essas etapas fomos para o tratamento das imagens e diagramação das fotografias para a montagem dos ensaios fotográficos. Nos momentos da 11 edição das imagens houve a preocupação com o ISO , que deixamos no momento da captação de imagens em 200. A meta era não “pixelizar” a imagem, mais conhecida como imagem granulada, devido aos grãos de prata. Como hoje as câmeras na maioria são digitais, as imagens são captadas diretamente em pixel. O ambiente não era muito diferente para a exposição da câmera, aquele aspecto sombrio pedia a câmera para ter uma abertura maior, para poder chegar a uma velocidade adequada, e não “tremer” a foto, principalmente para as fotografias em preto e branco, as quais foram selecionadas para conter pessoas 11 ISO – Ferramenta da câmera utilizada para medir a sensibilidade a luz para a captação da imagem. 23 no contexto da imagem. Nessa modalidade, o ensaio leva o de nome “Esperança”, já que existe o movimento das pessoas que são os personagens e reforçam a leitura fotográfica. Fazendo imagens de locais estáticos, no caso os destroços, pudemos utilizar a velocidade mais baixa e o obturador um pouco mais fechado, para ter mais profundidade de campo, podendo situar bem as pessoas da devastidão e o estado de calamidade em quase todos os planos das imagens. Para se ter, uma ideia da dimensão da tragédia, fomos até o ambiente que serviu como um dos locais de abrigo, o Ginásio de Esportes Ascenso Ferreira, onde existia muito forte a presença da cor preta fazendo com que fosse tido muito cuidado para não baixar demais a velocidade da câmera e não perder a imagem. No momento tivemos um cuidado maior com o diafragma da objetiva deixando-o mais aberto, para suprir a ausência de luz deste ambiente. Em seguida definimos as imagens que foram para a impressão e montamos a exposição das fotos para serem exibidas na defesa desse Projeto de Conclusão de Curso, paralelamente à construção desse relatório. 24 6. PRODUTO JORNALÍSTICO Para concluir o curso de Jornalismo foi feito um ensaio fotográfico com a meta de registrar a enchente de 18 de Junho de 2010 na cidade de Catende. As imagens foram feitas e impressas de acordo com a Normatização do Curso de Jornalismo da Faculdade do Vale do Ipojuca. Foram dois ensaios, cada um com 30 fotografias. Um preto & branco com o tamanho 18 x 24, e outro colorido com o tamanho 20 x 30, como determina a Normatização do Curso. O projeto, a produção, captação, o tratamento, a edição e a diagramação das imagens foram feitas pelos alunos integrantes do grupo. . Abaixo seguem duas fotografias de cada ensaio e as especificidades de cada ensaio: Ensaio Reconstrução: Fotografias coloridas. Para mostrar o estrago feito pelas chuvas na integra e repassar em cores vivas essa esperança para o povo, para tentar reconstruir o que é seu12; 12 Confira o restante do Ensaio no Apêndice. 25 Aspectos Técnicos da imagem: Velocidade: 250 Diafragma: 4 ISO: 200 Abertura da Lente: 85 mm Aspectos Técnicos da imagem: Velocidade: 150 Diafragma: 11 ISO: 200 Abertura da Lente: 24 mm Ensaio Esperança: Fotografias em preto & branco: Imagens com a presença de pessoas para humanização do fato e sem esquecer que é uma foto clássica, para a modalidade; 26 Aspectos Técnicos da imagem: Velocidade: 250 Diafragma: 8 ISO: 200 Abertura da Lente: 35 mm Aspectos Técnicos da imagem: Velocidade: 150 Diafragma: 8 ISO: 200 Abertura da Lente: 40 mm 27 Especificações Técnicas do Ensaio Fotográfico Nome dos ensaios: “Reconstrução” e “Esperança” Equipamentos utilizados para a captação das imagens: Câmera Nikon D 5.000 com duas lentes a disposição sendo uma que vai de grande-angular a padrão, que é a 18-55mm e outra que vai de uma lente padrão para uma teleobjetiva, que é a 55-200mm, filtro de proteção para a lente, devido a fotografar em locais empoeirados; Equipamentos utilizados para a captação do áudio: celular; Programa tratamento e edição: Adobe Photoshop CS4; Número de imagens: 60, sendo 30 em cada ensaio; Revelação: Art Collor; Tamanho das Fotografias: 20x30 coloridas e 20x30 e preto & branco. 28 7. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES Levantamento de Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro 2010 2010 2010 2010 2010 2010 2010 X dados Captura das fotos X X Orientação Definição das X X X X X X X X X x Pautas Entrevistas Tratamento das X X fotos Diagramação Produção do x X X X x x x Relatório Escolha das Fotos Revisão x Defesa do TCC x 29 8. RECURSOS E ORÇAMENTO INSUMO ESPECIF. Gasolina/Passagens Transportes QUANT. VALOR UNIT. (R$) VALOR TOTAL (R$) R$ 120,00 Telefone Ligações Revelação fotográfica Papel formato A4 Resma Cadernos de anotações ? ? R$ 160,00 60 R$ 2,00 R$ 120,00 1 R$ 11,00 R$ 11,00 2 R$ 3,00 R$ 6,00 R$ 0,10 R$ 40,00 Xerox Câmera Digital Nikon D 5.000 1 R$ 1.990,00 Lentes 55-200mm 1 R$ 1.100,00 Total --------------- ------------ ---------------- R$3.547,00 30 9. CONCLUSÃO A cidade escolhida para a realização desse Trabalho foi Catende, local de moradia de um dos integrantes do grupo. Uma cidade que foi parcialmente arrasada pela enchente provocada pelos rios Pirangi e Panelas. Mesmo assim o sentimento foi deixado um pouco de lado para executar o trabalho de uma forma mais profissional possível. O contato com a situação encontrada não era agradável, mas existia algo de bonito naquele povo, a esperança, tanto é que foi o nome dado a um dos ensaios. Para mostrar o que passou naquele município combinamos em apresentar a realidade do fato para as pessoas, por meio de imagens. Um grande ponto favorável a nós foi entender melhor o que significa a fotografia em uma hora dessas, não só pegar uma câmera e fotografar, mas passar esse sentimento para as imagens, devido ao grande embasamento encontrado nos artigos, livros e revistas sobre a fotografia jornalística e a tragédia que estava a li na nossa frente. Uma lição muito importante de humanidade, de pessoas que perderam tudo, algumas ficando apenas com a roupa que estava no corpo no dia da enchente, mas mesmo assim, não desistiram de tocar a vida em frente. A palavra chave deste trabalho poderia ser reconstrução, que é o nome do nosso outro ensaio, o colorido, e essa vontade foi o que nos levou a realizar este Trabalho de Conclusão de Curso. Para os integrantes do grupo não é apenas mais um trabalho e sim, também, um serviço de utilidade pública. Acreditamos que com esse trabalho possamos chamar atenção das autoridades para que tragédias como essa sejam evitadas, não do ponto de vista do fenômeno natural, mas da falta de moradia e políticas públicas, que permitem a construção de moradia em locais inadequados. . 31 REFERÊNCIAS KOSSOY, Boris. Os tempos da fotografia: o efêmero e o perpétuo. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2007. KOSSOY, Boris. Fotografia & História. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001. OLIVEIRA, Erivam Morais de; VICENTINI, Ari. Fotojornalismo: uma viagem entre o analógico e o digital. São Paulo: Cengage Learning, 2009. MENEZES, Eduardo. Memória Histórica de Catende. 1 Ed. Êxodus Editora, Pernambuco, 2007. SAMAIN, Etiene. O fotográfico. São Paulo: Hucitec, 1998. KOURY, M. A Imagem nas Ciências Sociais do Brasil: um balanço crítico. BIB, Rio de Janeiro, n.47, 1999. Sites consultados: ALMEIDA, Ivan de. O Paradoxo da fotografia digital em preto e branco. Disponível em: http://fotografiaempalavras.wordpress.com/2010/11/02/o-paradoxoda-fotografia-digital-em-preto-e-branco-parte-1/. Acesso em 10 de novembro de 2010 32 APÊNDICES APÊNDICE A - PAUTAS Retranca: Defesa Civil – Catende-PE Repórter e Fotógrafo: Paulo Roberto Filho Data Pauta: 5/10/2010 Data de Execução da Pauta: 12/11/2010 Histórico / Enfoque: Saber dados exatos da enchente de junho de 2010 no município; O que aconteceu com o pessoal afetado, como eles estão hoje; Como está a situação da cidade; Como será a reconstrução das casas perdidas e se haverá alguma mobilização nas políticas públicas para a melhoria e segurança nestes locais afetado. Sugestões de Perguntas: O que a prefeitura vai fazer, ou está fazendo para evitar uma nova catástrofe? O povo está de volta às casas afetadas? O censo 2010 tem já alguma resposta sobre se houve evasão no município? Qual a posição da prefeitura com relação às pessoas que estão querendo voltar para as áreas de risco? Marcação: Fernando “Enfermeiro” Melo – nº (81) 8699-3818 – Secretário de Meio Ambiente. 33 APÊNDICE B – Ensaio Preto e Branco Esperança Ver no rosto desse povo, de pessoas que estão em frente as suas casas destruídas e devastadas pelas águas que ali passaram sem deixar se quer uma gota de lágrima neste povo sofrido e honrado, juntando o que sobrou na esperança de começar de novo... Dizem que a esperança é a última que morre, mas chegamos até a pensar que ela nunca morrerá, ao ver a vontade desse povo, o brilho nos olhos destes catendenses, que estavam ali sem saber para onde ir, ou ao menos, quem era que estava carregando suas coisas, a sua memória, a sua vida. Vimos lágrimas sendo derramadas por sobre as águas dos rios Piranji e Panelas, que estavam invadindo a cidade sem pedir licença, e sem avisar, como um visitante deve fazer quando vai à sua casa. Se os rios falassem poderiam dizer: “Estou chegando”. Sem distinção de nada, de o que era cidade ou afluente, ou nascente de um rio ou da esperança desse povo catendense, para poder ressurgir das cinzas com somente um nada a sua frente, e desse nada reconstruir a sua história, a sua honra no seu habitar natural. Esperança de voltar a ter a felicidade, pessoas com essa vontade de luta, mas com o emocional abalado, mas em ter a certeza na crença que nada é impossível, e que essa possibilidade, pode mudar essa situação e retornar sua vida partindo para o ponto reconstrução, neste caso a RECONSTRUÇÃO é o primeiro passo para quando se tem ESPERANÇA, e a ESPERANÇA tem valor, quando se observa a luta pela RECONSTRUÇÃO. “Olha pra o céu meu amor...”, mas era para ver se parava de chover, se o tempo abria e se a chuva cessava para as águas baixar, se achava um lugar para colocar fogueira, não era para comemorar a época, mas sim para ser um ponto de luz, de ESPERANÇA vendo as coisas voltar ao normal para ver o que sobrou, pois só em lembrar que era junho, onde no nordeste a raiz cultural do São João é muito forte. Há quem diga até que o São João é o segundo Natal para os nordestinos, uma época de festa, e só em pensar que a música não tocaria do mesmo jeito, e justo esse ano seria diferente, em ver aquela imensidão de água, os olhos do povo seguia para a direção do céu e não podiam afirmar “Como ele estava lindo”, mas para ver se o tempo iria dar trégua. Faltou aquele balão multicor, que não tinha inspiração para ir surgindo, mas diante tudo isso a ESPERANÇA não largou esse povo catendense. 34 Algumas imagens do ensaio ESPERANÇA Seu Elias na frente de sua casa destruída Everaldo no horário do almoço indo na sua antiga casa 35 Um cochilo para aliviar a dor de quem perdeu até sua cadeira de rodas 36 Águas que vem agora para lavar Um descanso no meio do nada, no meio das tralhas 37 APÊNDICE C – Ensaio Colorido Reconstrução É ver e sentir na pele, saber que alguém passou por lá, que alguém estava ali, que alguém morava ali, até não poder estar mais, até não ter o direito de não estar mais ali, no seu lugar, no seu lar, na sua casa, mas espera acalmar, ou seja, as águas baixarem e voltar para ver que ali é o seu lugar, onde há uma história de vida, onde estão suas raízes, onde cada esquina conta o que você fez e quem você é. Parecem as águas de março fechando o verão, mas talvez seja abrindo o inverno, e, ou trazendo o inferno para a vida de um povo que só quer viver e não ter a vergonha de ser feliz. Mas a vida, é alegria, não é sofrimento e esse povo sabe bem como é se reerguer e refazer para ter uma vida feliz e com o que é seu, com esse direito que você tem de ser feliz. Olhar essas imagens e despertar a vontade, esse desejo de reconstruir sua vida, erguer a cabeça e pensar também que os danos causados à natureza pelo ser humano podem ser traduzidos por ela, pois DEUS não quer ver ninguém sofrer, por isso ELE nos manda a força na medida certa para RECONSTRUIR a sua vida, o seu lar, o seu lugar. Pois já dizia um sábio chinês: isso vai passar e quando as coisas melhorarem, isso também vai passar! Por isso temos que ter consciência de que temos que conviver com os altos e baixos dessa vida, e que realmente isso vai passar, basta começar a RECONSTRUIR para renascer um novo dia, já que o sol nasce para todos e todos tem esse direito de refazer a sua vida no local onde eles têm as suas raízes, mas com o cuidado de não estar em área de risco, para não passar mais uma vez, por essa situação. Vamos colocar as suas vidas no lugar, a tempestade já passou, agora é tempo de bonança, de fazer o que tem que ser feito para voltar às coisas ao normal, e tudo ser reconstruído. 38 Algumas imagens do ensaio RECONSTRUÇÃO Os moldes não faz perder totalmente as esperanças As coisas que sobraram de uma família no outro lado da Usina, bairro do Pavão 39 Abalou mas não quebrou Só não abalou a fé 40 Rua principal do bairro do Matadouro 41 APÊNDICE D – Entrevista com Fernando ‘Enfermeiro’ Melo da Silva, secretário de Meio Ambiente e responsável pela Defesa Civil em Catende, na época da enchente. O que a prefeitura vai fazer, ou está fazendo para evitar uma nova catástrofe? R – Primeiro está juntamente com o governo do estado, com uns projetos sociais de moradia, que é tirar o povo da região ribeirinha, esse é o principal projeto da gente, mas a prefeitura só não tem condições de arcar com esse compromisso, tem que ser em conjunto com o governo federal, governo do estado e também o governo municipal e esse é o pensamento. E o povo que está de volta às estas casas afetadas? R – No momento não temos uma forma que possa impedir esse povo de voltar a essas casas, pois estas pessoas não receberam estas casas que foram propostas, ai eles estão voltando, tem alguns que estão dando uma melhorada e estão voltando, mas o pensamento é o seguinte, a partir do momento em que for sendo construída, essas residências, desse pessoal, a gente vai ter que tirar esse povo dessa região e, levar para esses locais que possivelmente a água não chega, esse é o objetivo. Com relação ao censo 2010, tem já alguma resposta sobre se houve evasão no município? R – Não, muito pelo contrário, veja bem, nós tivemos um avanço agora, Catende passou de 37 mil habitantes, pelo novo censo, então isso significa que as pessoas, aquelas que foram atingidas pela enchente, elas não foram embora de Catende, estão em casas de parentes, em casas alugadas, mas não foram embora de Catende, não houve esse tipo de êxodo, no nosso município. Qual a posição da prefeitura com relação às pessoas que estão querendo voltar para as áreas de risco? 42 R – Como eu lhe disse, nós dependemos quase que totalmente das políticas públicas de moradia do governo federal, como minha casa, minha vida, que faz parte de tudo isso, e os terrenos já foram liberados, o governo do estado junto com o município já liberaram os terrenos para a construção da casa dessas pessoas, então o que é que acontece, nós não impedimos desse pessoal ir, até porque estamos no verão e o povo não se preocupa em enchente, naturalmente, porém o pensamento nosso é que essas pessoas, num futuro muito próximo, muito em breve consiga sair de vez dessas áreas ribeirinhas, e a gente possa; no ponto de vista ambiental, da uma melhorada nas matas ciliares, com o governo do estado com a prefeitura, que é o projeto Pernambuco Verde, para replantar as matas ciliares, até para que no futuro não haja mais catástrofe dessa natureza em Catende e na nossa região. 43 ANEXOS ANEXO A – Avaliação de Danos – SINDEC 44 45 46 47 48 49 ANEXO B – Autorização do Uso de Imagem 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65