A TEOLOGIA ECOLÓGICA NO PENSAMENTO DE LEONARDO
BOFF.
Luís Fabiano Canatta [1]
Prof. Dr. Pe. Paulo Sergio Lopes Gonçalves [2]
Faculdade de Teologia e Ciências Religiosas
Grupo: Teologia Contemporânea.
Centro de Ciências Humanas
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Resumo: Este trabalho de iniciação Científica,
inserido no Grupo de Pesquisa “Teologia
Contemporânea”, cuja linha de pesquisa é
“Questões Contemporâneas de hermenêutica em
Teologia Fundamental”, procura abordar a crise
ecológica
denotativa
do
desequilíbrio
ecossistêmico do planeta Terra e da humanidade.
Sua luz teológica é a hermenêutica presente na
Teologia da Criação e sua mediação teóricoprática é o horizonte de uma ética de defesa e de
promoção da vida. Sendo assim, é construída ao
longo dos tempos por diversos teólogos aquilo
que conhecemos por Teologia Ecológica. Dentre
estes se destaca o brasileiro Leonardo Boff, cuja
obra é fonte da presente pesquisa, pois sua
teologia é capaz de suscitar a prática do cuidado,
da responsabilidade planetária e a consciência
ecológica. Deste modo, busca-se sistematizar as
questões denotativas da crise ecológica, a partir
do diálogo com as demais ciências, em busca de
uma nova ética mundial que vise à construção de
um mundo permeado pelo cuidado e pela
reciprocidade. Para isso, será utilizada uma
metodologia analítica que se desdobram em
algumas etapas. Primeiro foram lidas as obras
fundamentais, artigos indexados, verbetes de
dicionários e manuais de teologia e ecologia. Em
seguida, sistematizou-se o conteúdo inferido
tendo por objetivo apresentar a crise ecológica e,
por fim, o desenvolvimento da primeira e segunda
parte, as quais visam discutir o conteúdo
apreendido, almejando a efetividade do Plano de
trabalho.
Palavras-chave:
Ecologia.
Hermenêutica,
Teologia,
Área de conhecimento: Antropologia. Sub-Área:
Ciências da Religião e Teologia.
1 Introdução.
Vive-se um momento na história da humanidade
onde nunca se falou tanto em Ecologia,
preservação do meio ambiente e de tudo aquilo
que o compõe, aquecimento global e suas
drásticas conseqüências para o planeta e seus
habitantes. Sendo assim, um dos maiores
desafios que a humanidade encontra atualmente
é a necessidade de superar a crise ecológica do
planeta. Trata-se de uma crise denotativa de
rupturas sistêmicas que trazem á tona uma série
e problemas ameaçadores à vida planetária, tais
como efeito estufa, chuva ácida, abertura de
buraco na camada de ozônio e outros elementos
de características problemáticas. Toda a
humanidade está sendo interpelada a buscar
formas de superação da crise a fim de que não se
trace um destino devastador e totalmente
destruidor do planeta e, por conseqüência da
espécie humana. Por isso, não são poucos os
esforços humanos presentes nas diversas áreas
científicas para que o planeta encontre maior
equilíbrio e os ecossistemas tenham efetivamente
vida.
A teologia, por sua vez, compreendida
como ciência da fé e, por isso, metódica,
organizada, sistemática e crítica, não podem e
não deve ignorar esse desafio. E isso porque
deve
honrar
o
seu
estatuto
científico
demonstrando seu caráter contemporâneo de um
período histórico. Aliás, o maior desdobramento
da incidência da hermenêutica na teologia
contemporânea é a elaboração de complexos
teológicos que assumam os diferentes desafios
da atualidade. Por isso cabe a teologia responder
às questões referentes á crise ecológica,
interpretar a vida planetária à luz da criação
pensada em sua originalidade, continuidade e
novidade – creatio originalis, creatio continua e
creatio nova – a fim de que horizontes novos de
vida sejam teologicamente sejam apontados. Não
se trata de emitir uma única e última palavra
sobre o assunto, mas uma palavra que contribua
efetiva e eficazmente à defesa e promoção da
vida da Terra. Neste sentido, tem-se produzido
uma teologia ecológica que pretende assumir o
desafio supracitado, assimilando o momento atual
como uma “era planetária” que clama pela
construção de uma civilização marcada pela
complementaridade, pelo respeito, pelo cuidado e
pela comunhão de todos os seres.
Deste modo, o teólogo brasileiro
Leonardo Boff, expoente da teologia da libertação
latino-americana,
elabora
uma
verdadeira
Teologia Ecológica, capaz de suscitar uma
mística, consciência e prática ecológica capaz de
fazer do planeta Terra, uma verdadeira “Casa
Comum” denotativa da biodiversidade e de
diferentes ecossistemas de boa vitalidade. Por
isso é objetivo deste trabalho de pesquisa
sistematizar as contribuições significativas da
Teologia Ecológica desse pensador para o
desenvolvimento de uma civilização planetária
que se desenvolva como uma verdadeira
civilização do amor.
Para que tais objetivos sejam alcançados,
foi utilizada uma metodologia analítica pela qual
foram lidas as obras fundamentais e artigos
indexados do autor pesquisado, além de
comentadores e verbetes de dicionários e
manuais tanto de ecologia como e teologia. Em
seguida, sistematizou-se o conteúdo inferido
buscando apresentar a crise ecológica atual, o
juízo hermenêutico teológico e os horizontes
ético-teológicos que visam defender e promover
ecologicamente a civilização planetária. O
processo de sistematização de conceitos seguiu
regras metodológicas necessárias e procedentes
à produção de artigo científico e outros
instrumentos denotativos de visibilidade e
passiveis de uso em eventos científicos.
Sendo assim, daquilo que era esperado,
foi efetivada uma autêntica teologia ecológica que
descreveu a crise ecológica como sendo a
profunda decadência ambiental e humana
presente em uma civilização técnico-científica que
dá razão a um processo de industrialização
descontrolado. Tudo deve ser concebido e
realizado em torno do progresso. Tal concepção
se move entre dois infinitos: o infinito dos
recursos da Terra e o infinito do futuro. Pensavase que a Terra era fonte inesgotável de recursos
e que dessa maneira nada poderia impedir o
crescimento, o progresso em direção ao futuro.
Tais infinitos são ilusórios. A constatação da crise
proporciona a tomada de consciência: os
recursos são limitados, nem todos são
renováveis, o crescimento indefinido para o futuro
é impossível, não é possível universalizar o
modelo de crescimento para todo o sempre [3].
Diante dos clamores que ouvimos da
Terra, que sangra, geme em dores de parto e
pede por socorro pela profunda degradação;
diante dos pobres e excluídos, que têm suas
vidas ceifadas diariamente em decorrência da
fome e da violência, como a Teologia
compreendida como ciência, analisa a luz da fé, a
crise ecológica? A teologia contemporânea vista
em seu conjunto atingiu profunda articulação
entre fé e história, fato importante para a eficácia
da teologia. Sobre esta articulação entre fé e
história, no campo da ecologia tem encontrado
um espaço amplo de reflexão teológica. E isso
porque voz de diferentes setores da sociedade,
das Igrejas cristãs e das diferentes religiões, tem
chamado a atenção para o fato de que se
necessita escutar a voz do planeta, que suplica
por vida. Sendo assim, por Teologia Ecológica,
entendemos ser a ação, a capacidade de poder
articular fé e história, de refletir teologicamente a
vida cósmica e planetária [4].
A partir da sistematização da crise
ecológica, da teologia ecológica, é possível
conjecturar sobre o advento de uma ética do
cuidado (cuidado com o nicho ecológico; com o
outro; com os pobres, marginalizados e excluídos;
com a nossa alma; com nosso espírito e com
Deus), como sendo fruto de uma nova
espiritualidade, a espiritualidade planetária. Deste
modo, podemos concluir que a ética do cuidado é
responsável
por
salvaguardar
a
Terra,
compreendendo-a como um macro-organismo
vivo, é responsável ainda, por garantir os direitos
dos seres humanos e de todas as criaturas, a boa
convivência,
a
solidariedade,
compaixão,
comunhão e principalmente o amor para com
toda a obra da criação, a fim de amando
profundamente aquilo que foi criado por Deus,
possamos ser sacerdotes da celebração e ação
de graças pela grandiosidade do cosmos e de
tudo o que nele contem. E tudo o que nos cerca
se torna motivo de louvor e de oração ao Deus da
vida! [5].
3. Agradecimentos.
Agradeço ao Deus da vida, Pai todo amoroso,
criador de todas as coisas, por ter colocado ao
meu lado pessoas generosas, que muito
contribuíram para a efetivação desta pesquisa de
iniciação científica. Dentre elas destaco de forma
especial: Professor Dr. Paulo Sergio Lopes
Gonçalves,
pela
orientação,
credibilidade,
paciência e incentivo; aos amigos alunos e
professores do grupo de pesquisa Teologia
Contemporânea,
pelo
companheirismo
e
incentivo; aos professores e funcionários da PUCCampinas por nos proporcionar um ambiente
acadêmico favorável de pesquisa e amizade;
também ao CNPq, pela credibilidade e incentivo
humano e financeiro à pesquisa.
4. Referências.
[1] Bacharel em Filosofia e aluno do oitavo
período da Faculdade de Teologia e
Ciências Religiosas da Pontifícia Universidade
Católica de Campinas. Desenvolveu a
pesquisa de Iniciação Científica sendo
bolsista PIBIC-CNPq.
[2] Licenciado em Filosofia e Bacharel em
Teologia pela PUC-Campinas, mestre em
Teologia pela Pontifícia Faculdade de
Teologia Nossa Senhora da Assunção.
Doutor em Teologia pela Pontifícia
Universidade Gregoriana de Roma
(Itália).
Atualmente
é
professor
pesquisador de teologia e diretor do
Centro de Ciências Humanas da PUCCampinas.
[3] BOFF. Leonardo. Princípio Terra: À volta à
Terra como pátria comum. São Paulo: Ática,
1995.
[4] GONÇALVES, P.S.L. Da possibilidade de
morte da Terra à afirmação da vida. A Teologia
Ecológica de J. Moltmann. São Leopoldo:
Unisinos, 2006.
[5] BOFF. Leonardo. Ecologia: Grito da Terra,
Grito dos pobres. São Paulo: Ática, 1996.
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