JUVENTUDE E POLÍTICA: REFLEXÕES Otávio Menani Ercole 1 Deborah Karolina Perez 2 O presente trabalho propõe refletir e problematizar as políticas públicas brasileiras voltadas para o jovem segundo os textos: “O que dizem as pesquisas da UNESCO sobre juventudes no Brasil: Leituras singulares” de Mary Garcia Castro publicado em 2002, e “Políticas de juventude: Evolução histórica e Definição” de Elizeu de Oliveira Chaves Júnior de 2005. Concordamos com ambos os estudos que ressaltam a importância de se fazer política pública para os jovens e ratificamos a necessidade de dar visibilidade a essa categoria, a fim de contribuir para o exercício de cidadania. Se partimos da afirmativa: “Não há sociedade civil, sem sociedade política” (CASTRO, pág.5) podemos pensar que não importa qual seja a sociedade, ela será sempre composta por uma política. Uma sociedade é constituída por um grupo de pessoas totalmente diferentes uma das outras. Nesse sentido, como se fazer uma política de qualidade para todos? Adiantamos que não temos o intuito de responder todos os questionamentos, mas sim dar voz às problematizações que tangem tal assunto. Assim, será que os jovens realmente fazem parte da política pública no Brasil? A UNESCO tem trabalhado para que o jovem tenha mais visibilidade e para que suas necessidades sejam supridas. No entanto, o papel da juventude não é só ser um gasto ao poder nacional. Eles são sujeitos de direitos e devem ser inseridos nas políticas atuais. Para isso, há a necessidade de renovação dos objetivos das políticas públicas. 1 Graduando do curso de psicologia da Faculdade da Alta Paulista – FAP. Email: [email protected] 2 Mestre e graduada pelo curso de psicologia da UNESP-Assis, docente do curso de psicologia da Faculdade da Alta Paulista – FAP. Email: [email protected] As políticas públicas, ao longo da história da humanidade propuseram programas pontuais, tentando sempre amenizar os problemas, mas nunca extinguilos. Esse mesmo cenário ocorria na política do “pão e circo” que consistia em um pensamento para organizar uma política, na qual seus líderes escondiam os grandes problemas sociais como o desemprego ou a precariedade da saudade com festividades e o mínimo de alimentação para se viver, ou seja, um formato que deixa de criar programas definitivos e progressistas, para suprir somente o mínimo necessário, a fim de evitar revolta e/ou revoluções. Este formato de política também é oferecido aos jovens; o resultado é a presença contínua de violência, que muitas vezes é associada à pobreza e à vulnerabilidade. Além disso, dão conta de criar formas críticas de pensamento que combatam a discriminação e o preconceito, tampouco vagas de empregos formais, ao invés de trabalho (precário, quando há). É preciso compreender que o jovem não é “folgado”, a falta de experiência não o torna incapaz de fazer algo que um adulto produtivo faz. Por isso, pensar numa política inclusiva que vise superar a desigualdade social e as políticas oligárquicas é se fazer incluir cultura, lazer, esporte, saúde, moradia, trabalho e educação. Mas como se fazer uma política para, e da juventude? Toda política deve ser integral, de forma que não seja organizada somente por uma determinada faixa etária, como os adultos, mas há de se pensar numa forma que englobe, de maneira participativa, todos os grupos sociais e fazer uma política que beneficie à todos, sendo também sistematizada, inclusiva, participativa e principalmente descentralizada. Segundo Júnior (2005), desde 1985, com a comemoração do ano internacional da juventude, até a adoção do programa para juventude da Organização das Nações Unidas – ONU, no ano de 2000; e além, desde 1995, pela assembléia geral da organização, mais de 144 países, ou seja, cerca de 78% do total de membros da ONU, definiram modelos de política nacional de juventude, mas somente 73 países, 40% do total, realmente implementaram um programa nacional de ação. Com isso, percebemos que foram criadas políticas destinadas somente à juventude, mas da grande maioria dos países que aceitaram, poucos realmente implantaram. Nesse contexto, em 2013, foi lançado no Brasil o Estatuto da Juventude, constituindo-se num espaço político resguardado aos cidadãos de 15 a 29 anos. O estatuto que remonta o formato do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA propôs a criação de conselhos juventude, nos níveis da União, Estados e municípios, além de uma política nacional para essa categoria. Essa recente conquista constitui-se num avanço para a nação, pois dialoga com as políticas descentralizadas e participativas, bem como, reserva maior visibilidade para seu público. Contudo, a discussão proposta pela UNESCO acerca das políticas de juventude ainda se faz pertinente, pois possibilita questionar quem é o jovem de quem se falam, quais são suas necessidades e como ele pode ser visto ou compreendido no âmbito político. De acordo com o que foi discutido, apoiados nas pesquisas da UNESCO, concluímos que se o Homem vive numa sociedade, e esta mesma é composta por uma forma de política; logo, podemos pensar que as políticas criam a sociedade que influencia o sujeito. Sendo assim, as políticas influenciam o sujeito. Assim, pensar uma forma de construção do homem desconsiderando a política seria como desconsiderar sua sociedade, ou seja, o meio em que ele vive, e o ver de maneira parcial. Este homem do qual falamos é o jovem que como cidadão de direitos merece uma política nacional que dê visibilidade às suas necessidades específicas e que permita que ele participe ativamente sua construção. Palavras chave: juventude; políticas públicas; sociedade; REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRAMOVAY, M. (et. al.) Juventude, Violência e Vulnerabilidade Social na América Latina: Desafios para Políticas Publicas. Brasília: UNESCO/BID, 2002. BRASIL. Lei 12.852, Estatuto da Juventude, 2013. JÚNIOR, E. de O. C. Políticas de juventude: evolução histórica e definição. Textos Completos Cadernos Juventude. P.1-7. Disponível <http://www.bireme.br/bvs/adolec/P/cadernos/capitulo/cap03/cap03.htm> Acesso em: em: 06/11/2005. DIAS, A. Política do Pão e Circo. Disponível em http://www.parafrasear.net/2007/11/poltica-do-po-e-circo.html. Acesso em: 11 out. 2013.