A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA PARA O ENGENHEIRO AGRÔNOMO NO OESTE DO PARANÁ
CHIES, Anderson Fabio1
LOCATELLI, Odair Marcelo1
MOREIRA, Renato1
INAGAKI, Thiago Noboru1
SIMONETTI, Ana Paula Moraes Mourão2
RESUMO
Em nosso cotidiano constantemente encontramos situações que nos colocam problemas morais e nos fazem pensar sobre nossas decisões, escolhas,
ações e comportamentos, onde seremos julgados entre o que é socialmente considerado correto e errado. O trabalho foi realizado na região Oeste do
Paraná no mês de Setembro de 2014, através de pesquisa aleatória com vinte e cinco engenheiros agrônomos. Utilizou-se a técnica de entrevista
estruturada através de um questionário fechado de caráter exploratório-descritivo. Com a análise dos resultados observou-se que mais de 70% dos
entrevistados conhecem o Código de Ética Profissional da Agronomia, demonstrando que nessa região a maioria dos Engenheiros Agrônomos tem
conhecimento sobre o conselho profissional e as implicâncias éticas da profissão.
PALAVRAS-CHAVE: Agronomia, ética e CREA.
THE IMPORTANCE OF ETHICS FOR Agronomist:
ABSTRACT
In our daily lives we constantly encounter situations that put us moral problems and make us think about our decisions, choices, actions and
behaviors, which will be judged between what is considered socially correct and wrong. The study was conducted in western Paraná in September
2014, by random survey of twenty-five agronomists. We used a structured interview technique through a closed questionnaire exploratory-descriptive.
With the analysis of the results showed that more than 70% of respondents know the Code of Professional Ethics of Agronomy, demonstrating that
this region most Agronomists have knowledge about professional advice and ethical implications of the profession.
Key words: Agronomy, ethics and CREA.
1. INTRODUÇÃO
No cotidiano constantemente encontramos situações que nos colocam problemas morais e nos fazem pensar
sobre nossas decisões, escolhas, ações e comportamentos, onde serão julgados entre o que é socialmente considerado
bom ou mau, justo ou injusto, certo ou errado. O homem geralmente age por força do hábito, dos costumes e da
tradição, mas ao avaliar suas decisões não pode esquecer-se de se responsabilizar por suas ações.
Segundo Ferrater, (1978) os termos moral e ética são utilizados indistintamente, embora o primeiro tenha um
significado bem mais amplo que o segundo. De acordo com Motta, (1984) ética é o conjunto de valores que orientam o
comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo, assim, o bem-estar
social.
A ética é a teoria do comportamento moral dos homens em uma sociedade (VÁZQUEZ 2005). Ainda Vázquez
(2005) já define a moral como um conjunto de normas, que regulam o comportamento individual e social dos homens.
Para Valls (2006), ética pode ser uma reflexão sobre comportamentos humanos, de uma forma diferente do que
os psicólogos, os sociólogos ou outros estudiosos fazem do comportamento humano.
Porém, ética também pode referir-se a um conjunto de princípios e normas que um grupo estabelece para seu
exercício profissional, como o Código de Ética Profissional da Agronomia. Para Vázquez (2005), os indivíduos
necessitam pautar o seu comportamento por normas que julgam mais apropriadas ou mais dignas de serem cumpridas.
Os Códigos de Ética são processos de controle, via órgãos estatais, que atingem a uma categoria profissional. No
âmbito das atividades da Engenharia, Agronomia, Meteorologia, Geografia e Geologia, técnicos e demais profissões
afins, o cumprimento do Código de Ética resulta na evolução dos profissionais. O documento trata do relacionamento
profissional, da intervenção profissional sobre o meio, da liberdade e segurança profissionais, dos deveres, dos direitos
e do objetivo, natureza, honradez e eficácia profissional (CONFEA, 2014).
Com sua Criação desde 11 de junho de 1934, o CREA - PR (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do
Paraná) tem poder absoluto para regulamentar e fiscalizar as empresas e profissionais da área de engenharia e suas
ramificações dentro do estado do Paraná sempre estando subordinada as regulamentações do CONFEA (CREA-PR,
2014).
Segundo Simões (2000), os códigos não são apenas a expressão da vontade de um grupo, mas correspondem a
uma exigência da sociedade, aos profissionais que têm certa margem de autonomia de trabalho, que age em função dos
interesses corporativistas e se impõe à sociedade como um todo.
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Acadêmico do Curso de Agronomia da Faculdade Assis Gurgacz ([email protected])
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Acadêmico do Curso de Agronomia da Faculdade Assis Gurgacz ([email protected])
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Acadêmico do Curso de Agronomia da Faculdade Assis Gurgacz ([email protected])
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Acadêmico do Curso de Agronomia da Faculdade Assis Gurgacz ([email protected])
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Engenheira Agrônoma Mestra Coordenadora e Professora do Curso de Agronomia da Faculdade Assis Gurgacz ([email protected])
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As pessoas que deles se utilizam precisam ter algum controle sobre eles. Os profissionais começam a refletir e
tomar consciência de que devem ter certa moral e que é necessário estabelecer certos padrões (SIMÕES, 2000).
Ser ético significa viver coerentemente com uma linha ética, aproximando o que penso daquilo que faço,
buscando o benefício e a qualidade de vida de todos, da humanidade e sendo que a finalidade da ética é orientar a
prática (VALLS, 2006).
O objetivo deste trabalho é avaliar o conhecimento do profissional Engenheiro Agrônomo sobre o conselho de
sua categoria (CREA) e o Código de Ética.
2. METODOLOGIA
O trabalho foi desenvolvido por meio de visitas e entrevista estruturada através de um questionário fechado de
caráter exploratório-descritivo contendo nove questões com o intuito de se verificar o conhecimento do Engenheiro
Agrônomo em relação ao Código de Ética Profissional da Engenharia, da Arquitetura, da Agronomia, da Geologia, da
Geografia e da Meteorologia e ao sistema CONFEA/CREA. Segundo Gil (1999), este tipo de entrevista possibilita a
análise estatística dos dados, já que as respostas mantem um padrão por ser realizada através de perguntas fixas e de
ordem invariável. A partir dos resultados obtidos no questionário, os mesmos foram tabulados e gerados os gráficos
com auxilio do programa Microsoft Excel 2010.
3. ANÁLISES E DISCUSSÕES
Analisando o resultado do questionário, percebe-se que 44% dos entrevistados estão na faixa etária de 20 a 29
anos de idade, 32% estão acima dos 40 anos de idade e 24% estão entre 30 e 39 anos, onde 80% dos profissionais são
homens. Buscando a inserção da mulher no sistema CONFEA/CREA que é onde corresponde os outros 20%, o
conselho ratifica a sua responsabilidade para com a valorização das mulheres, tanto em sua vida profissional como na
do Sistema, buscando a garantia da igualdade de direitos e de oportunidades entre os profissionais de ambos os sexos
(CREA-RJ, 2008).
Ao serem questionados se possuíam registro junto ao órgão regularizador, verificou-se na figura 1 que 80%
estavam registrados junto ao CREA e 20% ainda não haviam se registrados sendo que o registro Profissional é a
autorização concedida pelo CREA para o exercício de atividades vinculadas às áreas de Engenharia e Agronomia neste
Estado, de acordo com a Legislação vigente (CREA-PR, 2014).
Figura 1: Registro junto ao órgão regularizador dos profissionais Engenheiros Agrônomos.
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Observando a figura 2 percebe-se que 80% dos Engenheiros Agrônomos conhecem sobre a fiscalização onde
consta no Art. 4º do regimento interno que - O CREA-PR tem por finalidades principais a fiscalização, o controle, a
orientação e o aprimoramento do exercício das atividades profissionais da Agronomia, bem como outras lhe atribuídas
por lei e atos legais do CONFEA, no território de sua jurisdição, exercendo para tanto ações que são fiscalizadora,
deliberativa, normativa, regulamentar, institucional e administrativa, (CREA-PR). Os demais ficaram divididos entre
CONFEA com 12% e Ministério Público com 8%.
Figura 2: Órgão fiscalizador dos profissionais Engenheiros Agrônomos.
Quando questionados se pagavam mensalidade ao órgão regularizador da região de atuação, observando a figura
3 nota-se que 56% declararam que não pagavam e apesar de 80% terem registro no conselho, somente 44% pagam sua
mensalidade e estão efetivamente exercendo a profissão.
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Figura 3: Mensalidade ao órgão regulador dos profissionais Engenheiros Agrônomos.
Verificando a figura 4 observa-se que 72% dos profissionais tem conhecimento sobre a ART. Sabe-se que a
ART é um instrumento legal, necessário à fiscalização das atividades técnico-profissionais, nos diversos
empreendimentos sociais. De acordo com o Artigo 3º da Resolução nº 1025/2009, do CONFEA, “Todo contrato, escrito
ou verbal, para a execução de obras ou prestação de quaisquer serviços referentes à Engenharia, Arquitetura e
Agronomia fica sujeito a “Anotação de Responsabilidade Técnica (ART)”, no Conselho Regional em cuja jurisdição for
exercida a respectiva atividade”. Instituída também pela Lei Federal nº 6496/1977, a ART caracteriza legalmente os
direitos e obrigações entre profissionais e usuários de seus serviços técnicos, além de determinar a responsabilidade
profissional por eventuais defeitos ou erros técnicos (CREA, 2014).
Figura 4: Conhecimento sobre ART.
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Segundo o Art. 13 do Código de Ética Profissional da Agronomia - Constitui-se infração ética todo ato cometido
pelo profissional que atente contra os princípios éticos, descumpra os deveres do ofício, pratique condutas
expressamente vedadas ou lese direitos reconhecidos de outrem (CREA-PR, 2014). Observando a figura 5 nota-se que
72% dos profissionais tem conhecimento sobre o código de Ética e suas infrações e 28% não tem conhecimento algum.
A infração ao Código de Ética Profissional pode acarretar aplicação de penalidades após o devido Processo Ético
Disciplinar. Os procedimentos para a instauração, instrução, julgamento do processo e aplicação das penalidades são os
definidos na Resolução 1.004/2003 (CREA-PR, 2014) dos 72% que conhecem as infrações citaram como penalidade
máxima sobre infringir o Código de Ética a perda do registro.
Figura 5: Conhecimento sobre a infração do Código de Ética e penalidade ao Infringir o Código dos profissionais
Engenheiros Agrônomos.
Verificando a figura 6 nota-se que 68% dos entrevistados não fazem parte de nenhuma associação de
Engenheiros Agrônomos desconhecendo a importância da união da classe, capazes não apenas de identificar os
principais problemas do setor que representam, como também de propor ações efetivas para solucioná-los. É conhecido
que grupos maiores têm maior poder de barganha, maior influência, maior possibilidade de serem ouvidos e de fazer
pressão e é fato que a mobilização da classe se mostra mais forte por meio das Associações, mas somente 16% estão
ligados a alguma associação e os outros 16% gostariam de fazer parte.
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Figura 6: Participação de alguma Associação ligada a Agronomia.
Observando a figura 7 percebe-se que 72% dos entrevistados tem acesso a alguma informação ligada a
agronomia e 28% não recebe nenhum tipo de informativo, dos 72% que recebem 61% é atraves de e-mail e os outros
39% é atraves de revistas.
Figura 7: Recebe algum informativo e que tipo de informativo relacionado a agronomia.
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Com relação ao que fazer se algum colega estivesse infringindo o Código de Ética, percebe-se na figura 8 que
52% orintariam estes profissionais para que revessem suas atitudes, porém 36% estariam agindo corretamente
denunciando os colegas ao orgão competente de sua jurisdição, onde no Art. 10 II c do Código de Ética da Agronomia omitir ou ocultar fato de seu conhecimento que transgrida à ética profissional (CREA-PR, 2014) e os outros 12% não
sabiam que decisão tomar.
Figura 8: Atitude sobre um colega que está infringindo o Código de Ética.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com análise nos resultados podemos concluir que 72% os profissionais Engenheiros Agrônomos da região Oeste
do Paraná tem conhecimento do Código de Ética Profissional da Agronomia, sabendo que a infração ao Código de Ética
Profissional pode acarretar aplicação de penalidades após o devido Processo Ético Disciplinar, onde o objetivo é ser um
profissional coerentemente com uma linha ética, buscando o benefício e a qualidade de vida de todos. Demonstrando
que nessa região a maioria dos Engenheiros Agrônomos tem conhecimento sobre o conselho profissional e as
implicâncias éticas da profissão.
REFERENCIAS
CONFEA. Conselho Federal de Engenharia e Agronomia. O Código de Ética começa por você Profissional. 8º Ed.
Brasília. Confea, 2013. Disponível em http://www.confea.org.br/media/codigo_etica_sistemaconfea_8edicao_2014.pdf
acesso em: 12 set. 2014.
Anais do 12º Encontro Científico Cultural Interinstitucional - 2014
ISSN 1980-7406
7
CREA-PR. Conselho Regional de Engenharia e Agronomia. Legislação: Código de Ética.
pr.org.br/crea2/html/docs/codigo_etica.pdf> Acesso em: 20 set. 2014.
<http://www.crea-
CREA-PR. Conselho Regional de Engenharia e Agronomia. Produtos e Serviços: ART. Disponível em
<http://produtos-servicos.crea-pr.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=83&Itemid=21> Acesso em:
20 set. 2014.
CREA-PR. Conselho Regional de Engenharia e Agronomia. Produtos e Serviços: Formulários e Documentos:
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Sou
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Disponível
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CREA-PR. Conselho Regional de Engenharia e Agronomia. Institucional: Sobre o CREA-PR. Disponível em
<http://www.crea-pr.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=897&Itemid=75> Acesso em: 10 set.
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CREA-PR. Conselho Regional de Engenharia e Agronomia. Institucional: Regimento Interno. Disponível em
<http://www.crea-pr.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=59&Itemid=63&limitstart=2>
Acesso
em: 15 set. 2014
CREA-RJ. Conselho Regional de Engenharia e Agronomia. Comunicação e Publicações: Debate Mulheres e Trajetória
Profissional, 2008. Disponível em <http://www.crea-rj.org.br/blog/debate-mulheres-e-trajet%c3%b3ria-profissional/>
Acesso em 22 set. 2014.
FERRATER, J. M. Dicionário de Filosofia. Lisboa: Dom Quixote, 1978.
GIL, A. C. Métodos e técnicas em pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1999.
MOTTA, N. S. Ética e Vida Profissional. Rio de Janeiro: Âmbito Cultural, 1984.
SIMÕES, C. A. Ética das profissões. In. Serviço Social e Sociedade 32. São Paulo, Cortez, 2000.
VALLS, A.L.M. O que é ética. Coleção Primeiros Passos. São Paulo: Brasiliense, 2006.
VÁZQUEZ, A. S. Ética. 27ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.
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