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Opinião
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O Estado do Maranhão - São Luís, 11 de março de 2014 - terça-feira
OESTADOMaranhão
SECRETÁRIO DE REDAÇÃO: ADEMIR SANTOS - [email protected]
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DIRETOR DE REDAÇÃO: RIBAMAR CORRÊA
“O Maranhão é uma saudade que dói
e não passa. Não o esqueço um só dia,
um só instante. É amor demais.
Maranhão, minha terra, minha paixão.”
DIRETOR COMERCIAL: GUSTAVO ASSUMPÇÃO
José Sarney
FUNDADORES: JOSÉ SARNEY E BANDEIRA TRIBUZI
PRESIDENTE: TERESA SARNEY
Editorial
A luta contra o tráfico de seres humanos
N
a edição de domingo (9), O Estado publicou reportagem na qual informa que
uma rede de instituições e órgãos públicos atua, às vezes articulada, no combate ao
tráfico humano e à escravidão no Maranhão.
Motivada pelo tema da Campanha da Fraternidade – Fraternidade e tráfico humano e tendo como lema É para a liberdade que Cristo nos
libertou –, a reportagem elaborada pela jornalista Yane Botelho ouviu as principais personalidades maranhenses envolvidas nessa luta nobre. Levantou informações preocupantes sobre o tráfico de pessoas para exploração sexual e para o trabalho análogo ao escravo, mas
também registrou que, felizmente, o Maranhão
não está na rota do tráfico para a extração e
venda de órgãos humanos.
No contexto das informações, importantes
sob todos os aspectos, as declarações da titular da Secretaria de Estado da Mulher (Semu),
Catharina Bacelar. Numa entrevista curta, mas
muito densa em matéria de dados e informações, a secretária informou que desde 2009 a
Semu tem atuado no sentido de combater todas as formas de degradação humana, em es-
pecial a exploração sexual e o trabalho escra- a forma mais comum de tráfico de seres huvo. Com declarações lúcidas e equilibradas, a manos é o trabalho escravo. E também a exsecretária explicou que o tráfico de seres hu- ploração sexual.
manos é crime organizado com três vertentes:
As declarações da secretária de Estado da
a exploração sexual, o trabalho escravo e a re- Mulher são importantes em dois aspectos. O
moção de órgãos.
primeiro deles é que o Governo do Estado, por
De acordo com o que informou a secretária meio daquela pasta, tem plena consciência
Catharina Bacelar,
do tráfico de seres
a dificuldade de se
É imperativo que a política humanos e tem
configurar o tráfiuma política com o
estadual de combate ao
co de seres humaobjetivo de combanos reside no fato
tê-lo. Em todas as
tráfico de seres humanos
de que este não
situações que enexiste até que a víprossiga ativa, ampliando volvem o ser humatima se perceba
no, a consciência da
o raio e a capacidade
como tal. Acresexistência do procenta que, até que
blema é o passo dede ação da Semu
isso aconteça, o
cisivo para que se
Estado deve garanpossa definir fortir a segurança das pessoas que fazem a opção mas de combatê-lo. As declarações da titular
de viajar, acreditando que terão acesso a me- da Semu mostram que o Maranhão já deu os
lhores condições de trabalho nos seus desti- dois passos e avança para uma posição de
nos, com a ressalva de que a opção pela pros- combate efetivo, ampliando as possibilidades
tituição, dentro ou fora do país, é legítima, não de sucesso de salvar pessoas, principalmenconstituindo crime. E alerta que no Maranhão te mulheres, desse mundo subterrâneo, on-
Cabral
Sobe-Desce
A ativista Ana Paula
Maciel, 32 anos, vai
aparecer de biquíni
nas páginas da
Playboy de março,
informou a coluna de
Mônica Bergamo. A
bióloga não descarta
a posibilidade de posar nua e usar parte do
cachê para bancar um santuário de animais.
Justin Bieber pode até
tentar, mas realmente
não consegue ficar fora
de confusão. Na última
semana, o cantor foi
intimado pela polícia de
Miami para depor sobre
um incidente envolvendo um de seus seguranças
e um fotógrafo em junho do ano passado, e a
conversa foi, no mínimo, áspera.
Um dia
como hoje
11 de março
1769
Praça
1851
1985
Por ordem de dom José I, a praça
de Mazagão, em Marrocos, é
abandonada sendo a sua
população transferida para o
Brasil no mês de setembro
seguinte, onde funda a Vila Nova
de Mazagão, na Amazónia.
Gorbatchev
Mikhail Gorbatchev, da geração
dos “anos 50” da Universidade
de Moscou e “protegido” do exchefe da KGB e primeiroministro Yiuri Andropov, é
nomeado secretário geral do PCUS, dando início à
“Glasnost” e a “Perestroika”.
Ópera
A primeira performance da ópera
de Verdi, “Rigoletto,” ocorre em
Veneza. Foi com Rigoletto, Il
Trovatore e La Traviata que Verdi
conquistou o mundo. O sucesso
destas três obras foi incrível,
especialmente o de Il Trovatore.
Você expõe seu amor nas redes sociais?
ROSANA BRAGA
Na era da tecnologia é difícil imaginar quem não
esteja conectado pelo menos em algum momento do dia. Desta forma, pessoas se encontram, se
conhecem e se relacionam em partes por culpa do
destino, em partes por coincidência. Com a ajuda
da internet, há também aqueles que voltam a se
cruzar, dando uma nova chance a relações que não
deram certo no passado. Amores nas pontas dos
dedos, sem fronteiras e possíveis em qualquer lugar, basta expandir a mente e se permitir.
O mais interessante nesse mundo virtual, embora muitos apostem que não, é ser exatamente
quem somos. De um jeito ou de outro, direta ou indiretamente, por meio de verdades ou de mentiras,
sendo autêntico ou fake. O fato é que a virtualidade é o reflexo inexorável da realidade e isso fica muito claro, mais cedo ou mais tarde, revelando dores
e alegrias, beleza e feiura. Doa a quem doer.
Por isso vale a reflexão: o quanto é saudável (e
interessante) se expor nas redes sociais? Qual seria
a medida certa? Cito estes questionamentos porque algumas pessoas parecem se perder entre o
mundo virtual e o real. Mais do que viver de fato,
elas vivem de imagem e assim inventam uma vida
de flashes, de sentimentos digitalizados, de pala-
vras frias. Ainda mais quando se trata de amor.
“Fulano está num relacionamento sério”. Dias
depois: “fulano se casou com a Sicrana”. E mais alguns dias lá estão: frases feitas para demonstrar frustrações, desilusões e arrependimentos. Sem contar
quando, dias mais tarde, o Fulano e a Sicrana reatam, mas nessa altura do campeonato, já revelaram
pequenos pedaços da relação que jamais deveri-
O fato é que a
virtualidade é o reflexo
inexorável da realidade
e isso fica muito claro,
mais cedo ou mais tarde
am aparecer online simplesmente porque não cabe, porque não é dali. É particular, íntimo, da ordem do profundo e não do banal.
Não estou insinuando que nada deva ser contado nas redes sociais e nem compartilhar felicidades, conquistas e momentos que realmente valem a pena serem impressos na eternidade virtual. Estou sugerindo que haja cautela e discernimento para que o que seja mostrado na web, não
impacte a vida real diretamente, muitas vezes de
forma negativa.
Depois de nada adianta protestar contra a inveja, a bisbilhotice, a fofoca ou o olho gordo, afinal
quem se coloca na vitrine do mundo está aceitando as condições da exposição. Quais são as suas
condições? Faça as suas e assuma as consequências, mas lembre-se do sábio dito popular que nos
alerta “tudo o que é demais, faz mal”.
Publicações sobre seu relacionamento todos os
dias podem indicar que está faltando tempo no
mundo real para vocês dois. Por outro lado, brigas
públicas em forma de indiretas podem indicar que
vocês não estão conseguindo conversar frente a
frente. E pode apostar isso mais atrapalha do que
ajuda a resolver as coisas. Aqui cabe bem outro dito: “roupa suja se lava em casa”.
Por isso, recolha os excessos que ficaram espalhados pelo caminho e junte-se ao seu amor para
sentir mais de perto o que é particular. Seu relacionamento não precisa de aprovação do mundo virtual para prosperar no real. Viva cada sentimento
de coração e guarde o que importa do lado de dentro, porque é aí que está o amor de fato. Afinal, tudo que o amor precisa é verdade.
Consultora de relacionamento e comunicação do
ParPerfeito, palestrante, jornalista e escritora
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de impera o crime e onde a dignidade humana nada vale.
É imperativo que a política estadual de
combate ao tráfico de seres humanos prossiga ativa, ampliando o raio e a capacidade de
ação da Semu, que deve fortalecer seus laços
com a Secretaria de Estado de Direitos Humanos, comandada pela advogada Luiza Oliveira, e com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, passando ainda pelas pastas da
Educação e da Saúde. E a rede que mobiliza
também o Ministério Público, o Poder Judiciário e a Ordem dos Advogados do Brasil tem
de se fortalecer muito mais, para que as suas
ações sejam bem mais eficientes.
Ao escolher o combate ao tráfico de seres
humanos como tema da Campanha da Fraternidade de 2014, a Igreja Católica dá uma grande contribuição no sentido de estimular mais
ainda os investimentos do Poder Público em
meios capazes de, mais do que solucionar problemas dessa natureza, preveni-los. E a julgar
pelo que tem dito a secretária Catharina Bacelar, o Governo do Estado do Maranhão está sintonizado com a realidade também nessa área.
A doença como um
capítulo da história
de uma pessoa
CLARISSA SILBIGER OLLITTA
Nas últimas décadas há um consenso de que fatores psicológicos participam do surgimento das doenças físicas. Tanto os profissionais da saúde como o público leigo admite que “estar doente” tem relação com
a mente - observamos pessoas que adoeceram gravemente após um grande problema na vida.
Das patologias reveladas pela psicanálise, a psicossomática ocupa um lugar diferenciado, pelo caráter
fundamental que unifica o corpo e a mente, mostrando a participação do fator psicológico tanto na manifestação como no tratamento de doenças físicas em geral. Desde uma simples alergia até o câncer, não se encontra mais quem conteste este fato incontornável.
Desde 1968, o médico psicanalista argentino Luis
Chiozza pesquisa como se dá a interação entre corpo
e psique na saúde e na doença. Para ele, a doença é
uma condição presente em nosso cotidiano e, frequentemente, vista como castigo que nos mobiliza,
nos atropela e nos atormenta. Se considerarmos que
passamos mais tempo da nossa vida com alguma
doença do que plenamente sadios, talvez pudéssemos repensar a noção de saúde como ausência total
de sintomas.
Quando pensamos em doença, a interpretamos
como um produto de uma causa que pode evoluir, retroceder ou estabilizar. Podemos cuidar deste desequilíbrio usando recursos aprendidos ao longo da vida, ou recorrer a um especialista quando percebemos
que não conseguimos nos curar sozinhos.
As diversas áreas do conhecimento têm se desenvolvido cada vez mais, as especialidades se sofisticam,
conhecemos melhor os mecanismos de funcionamento do corpo e os múltiplos avatares da mente. Porém, cada vez mais, os profissionais da saúde, entre
médicos, psicólogos, psicanalistas, nutricionistas, são
surpreendidos com perguntas de seus pacientes, como: Por que isso aconteceu comigo? O que eu fiz para ficar assim? Eu tenho cura?
A aprendizagem acadêmica ensina a reconhecer
os mecanismos gerais das patologias, aponta direções de tratamento, mas não nos auxilia na árdua
tarefa do cotidiano da nossa clínica. A singularidade de cada paciente obriga a rever nossos postulados, nosso campo de saber e involuntariamente cometemos equívocos.
Na minha experiência como professora e psicanalista me defronto com profissionais competentes que
são unânimes no reconhecimento de que o humano
é um ser integral. Porém, na prática terapêutica essa
verdade permanece cindida e dissociada.
Outro equívoco é que entendemos frequentemente a doença como um acidente indesejável que interfere no rumo da vida de um indivíduo. O tratamento
passa a ser visto como um recurso que recupera o equilíbrio perdido. É o caso da concepção do senso comum
de somatização, que explica as doenças orgânicas pela influência de uma força perniciosa psíquica interferindo no funcionamento do corpo. Assim, a psicoterapia passa a ser entendida como um bloqueio desta
influência psíquica na evolução de uma doença.
Para Chiozza, a doença aparece como um capítulo indissolúvel de uma biografia que completa a trama de uma história num conjunto mais amplo e com
significado mais rico. Desta forma, a doença deixa de
ser o acontecimento alheio que surge vindo de fora,
para transformar-se num drama que pertence inteiramente à própria vida pessoal. Tratar um sofrimento, quer se manifeste na área psíquica ou orgânica, implica no cuidado integral de um indivíduo, valendo da
colaboração multidisciplinar a partir da compreensão e de pressupostos comuns.
Entender uma doença significa contextualizá-la
na vida de uma pessoa, compreendê-la em suas diversas manifestações e integrá-la na sua biografia; ir
mais além do que eliminar seus sintomas; decifrar seu
sentido profundo para encontrar outras formas de expressão desse sofrimento, quando for possível.
Psicóloga e psicanalista psicossomática, supervisora
clínica e coordenadora do curso A Trama da Obesidade
e o Programa de Estudos e Tratamento do Obeso
(PRESTO), no Instituto Sedes Sapientae
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A luta contra o tráfico de seres humanos