VII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL
Londrina de 08 a 10 novembro de 2011 - ISSN 2175-960X – Pg. 2879-2889
JOVENS E ADULTOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL: CARACTERÍSTICAS
DO COMPORTAMENTO SOCIAL, DA COMUNICAÇÃO ORAL E DA
COMUNICAÇÃO ESCRITA NA VISÃO DE SEUS RESPONSÁVEIS ¹
ROBERTA MORENO SÁS
(Universidade federal de São Carlos - UFSCAR. agencia financiadora CNPq) ²
MARIA AMELIA ALMEIDA
Universidade federal de São Carlos - UFSCAR)³
Resumo
A linguagem é o que caracteriza os "seres humanos", a criatividade lingüística faz com que o
homem se destaque em meio a todos os outros animais. Nas pessoas com deficiência
intelectual o desenvolvimento da linguagem pode aparecer em uma idade mais ou menos
tardia, e algumas podem apresentar dificuldades em habilidades de comunicação (MEC,
1997). Essas dificuldades acabam por limitar, muitas vezes, que a pessoa com a deficiência
tenha as oportunidades de vivências e contato social que são imprescindíveis para o
desenvolvimento da linguagem. Ressalta-se que para as pessoas com DI, o processo da
elaboração da linguagem deve estar vinculado ao uso social dessas habilidades respeitando as
habilidades e limitações desta população. Frente ao exposto, para que seja elaborado um
programa de intervenção em grupo voltado ao trabalho de linguagem para os jovens e adultos
com deficiência intelectual, necessita-se conhecer as dificuldades e, sobretudo as habilidades
relacionada a comunicação oral e escrita e ao comportamento social. Partindo da necessidade
de trabalhar a linguagem das pessoas jovens e adultas com deficiência intelectual, o estudo
em questão tem como objetivo apresentar as características de comportamento social, da
comunicação oral e da comunicação escrita de jovens e adultos com deficiência intelectual na
visão dos pais ou responsáveis. Participaram do estudo 8 pais ou responsáveis por jovens e
adultos com deficiência intelectual.O estudo foi realizado em uma sala de aula nas
dependências da instituição educacional. Como instrumento utilizou-se um Questionário de
Identificação aplicado aos participantes. Os resultados mostraram que tendo como base as
respostas dos pais ou responsáveis, sete dos 8 jovens apresentaram atraso no
desenvolvimento da linguagem oral uma vez que emitiram as primeiras palavras com sentido
por volta de 3 a 5 anos. Há dificuldade na emissão da linguagem e na compreensão de
palavras de duplo sentidos e nas “piadas”. Os pais consideram que os filhos sabem ler e
escrever pelo fato dos jovens fazerem cópias e leituras de letras e sílabas. Conclui-se que de
os jovens e adultos com deficiência intelectual apresentam dificuldades referentes a
comunicação oral e gráfica e que há dificuldades por parte dos responsáveis em compreender
o que realmente pode ser considerado ato de leitura e escrita.
Palavras-chave: Linguagem oral. Deficiência intelectual. Jovens e Adultos.
1. Introdução
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A linguagem é o que caracteriza os "seres humanos", a criatividade lingüística faz com que o
homem se destaque em meio a todos os outros animais. Estes possuem voz e exprimem dor e
prazer, o homem possui a palavra, o signo lingüístico composto de significante (imagem
sonora) e significado (representação mental) (Saussure, 1975).
Sabe-se que a linguagem é concebida em três dimensões: como representação do mundo e do
pensamento, como instrumento de comunicação e como forma de ação ou interação (Koch,
2003). O homem conversa, lê, escreve, participa em diálogos e assim constrói-se socialmente
pela linguagem. Geraldi (1984, p. 43) sintetiza: "a linguagem é uma forma de interação: mais
do que possibilitar a transmissão de informação de um emissor a um receptor, a linguagem é
vista como um lugar de interação humana: através dela o sujeito que fala pratica ações que
não conseguiria praticar a não ser falando".
Para que o se humano tenha um pleno desenvolvimento da linguagem são de grande
importância as vivências. As situações do dia a dia são importantes para o desenvolvimento
cognitivo, social e afetivo, por esse motivo as pessoas não podem ser privadas das mesmas,
pelo contrário, as pessoas devem receber diversas oportunidades de exploração da realidade
para que ela possa assimilá-la e reconstruí-la internamente com seus próprios recursos.
Os distúrbios de linguagem e de fala que podem acometer as pessoas com desenvolvimento
normal também podem ser observados na criança com deficiência intelectual. (Brauner, &
Brauner, 1989). Nas pessoas com deficiência intelectual o desenvolvimento da linguagem
pode aparecer em uma idade mais ou menos tardia, e algumas podem apresentar dificuldades
em habilidades de comunicação (MEC, 1997). Essas dificuldades acabam por limitar, muitas
vezes, que a pessoa com a deficiência tenha as oportunidades de vivências e contato social
que são imprescindíveis para o desenvolvimento da linguagem. Sobretudo nos jovens e
adultos com deficiência intelectual, o comprometimento das habilidades de linguagem
interfere na real inclusão da pessoa na sociedade dificultando seu convívio social e sua
autonomia como ser humano. E, como conseqüências são excluídas também de contextos
profissionais e culturais e de eventos de letramento e de comunicação e expressão oral de suas
idéias.
Segundo Boone e Plante (1994), o desenvolvimento da linguagem depende, pelo menos em
parte, do desenvolvimento de outras habilidades cognitivas e sócio-adaptativas. As pessoas
com deficiência intelectual, geralmente, apresentam à aquisição de habilidades de linguagem
mais tardiamente, o que afeta a forma com que aprendem conceitos importantes de seu
contexto de vida. Entretanto sabe-se que apesar de adquirirem a linguagem com maior
lentidão, com orientação podem ter melhor um desenvolvimento satisfatório. Desta forma, o
trabalho de estimulação de linguagem com o grupo de pessoas com deficiência intelectual é
de extrema importância inclusive para permitir a essas pessoas maiores oportunidades na
sociedade.
Ressalta-se que para as pessoas com DI, o processo da elaboração da linguagem deve estar
vinculado ao uso social dessas habilidades, por isso é preciso que sejam criadas situações de
ensino e aprendizagem onde essas pessoas elaborem praticas sociais de uso da escrita, da
leitura e da linguagem oral. É uma combinação de oralidade, leitura, escrita por meio do uso
de textos, figuras, situações e vivências. Frente ao exposto, para que seja elaborado um
programa de intervenção em grupo voltado ao trabalho de linguagem para os jovens e adultos
com deficiência intelectual, necessita-se conhecer as dificuldades e, sobretudo as habilidades
relacionada a comunicação oral e escrita e ao comportamento social. Para tal conhecimento,
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acredita-se, que além de avaliações que podem ser realizadas, umas das fontes para tais
informações são os responsáveis, que por terem contato com essas pessoas conhecem o
comportamento social e de linguagem dos mesmos. Tal pensamento corrobora com PereiraSilva e Dessen (2007), pois para eles a família e a escola são duas instituições que exercem
um papel de grande importância para o desenvolvimento do indivíduo. Segundo Polonia e
Dessen (2005), a família é a primeira mediadora entre o homem e a cultura, constituindo,
assim, a unidade dinâmica das relações de cunho afetivo, social e cognitivo de um dado grupo
social.
Partindo da necessidade de trabalhar a linguagem das pessoas jovens e adultas com
deficiência intelectual e acreditando-se na colaboração dos pais ou responsáveis, o trabalho
em questão tem como objetivo apresentar as características de comportamento social, da
comunicação oral e da comunicação escrita de jovens e adultos com deficiência intelectual na
visão dos pais ou responsáveis. Quanto ao comportamento social, a agitação e a tendência ao
isolamento não são características marcantes, porém seis dos oitos jovens foram relatados
como distraídos.
2. Método
2.1 Participantes:
Oito pais ou responsáveis por alunos jovens e adultos com DI.
2.2 Local de coleta de dados:
O estudo foi realizado em uma sala de aula nas dependências da instituição educacional onde
os alunos estão matriculados. Ressalta-se que a sala destinada a coleta de dados apresenta
boas condições: privacidade dos participantes, isenta de ruído e boa luminosidade. A
instituição está localizada em uma cidade de pequeno porte do interior do Estado de São
Paulo.
2.3 Equipamentos e Matérias:
Lápis, borracha, folha de papel A4, lápis grafite, caneta, bem como outros materiais
necessários a realização de uma pesquisa: Computador, impressora, cartuchos de tinta, papel
sulfite.
2.4 Instrumentos:
Neste estudo de caracterização foi utilizado como instrumento de coleta de dados um
“Questionário de Identificação” aplicado aos responsáveis pelos participantes. O questionário
apresentou questões referentes ao parto, a casos de síndromes ou deficiências na família, a
doenças adquiridas, ao início da linguagem oral, do comportamento social, da comunicação
oral e da comunicação escrita dos jovens e adultos com deficiência intelectual.
2.5 Procedimentos de coleta e análise dos dados:
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Antes que fosse dado início ao estudo, o projeto de pesquisa foi submetido e aprovado pelo
Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFSCar por meio do Parecer nº
190/2009. Os participantes receberam orientações a respeito da pesquisa, dos procedimentos a
serem realizados e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE
aceitando a participação no referido estudo. Foram agendados horários para a aplicação
individual dos questionários. Após serem respondidos os questionários foram analisados e
discutidos com base na literatura da área.
3. Resultados e Discussão
Por meio dos questionários aplicados com os pais ou responsáveis pelos jovens e adultos com
deficiência intelectual foram coletados dois blocos de dados. O primeiro bloco traz
informações sobre parto, casos de síndromes ou deficiências na família, doenças adquiridas e
ao início da linguagem oral. O segundo bloco concentra dados do comportamento social, da
comunicação oral e da comunicação escrita dos jovens e adultos com deficiência intelectual.
Para uma melhor apresentação dos resultados obtidos com o questionário, os jovens e adultos
com deficiência intelectual cujos responsáveis foram os participantes do estudo, foram
denominados pela letra P seguida dos números de 1 até 8. Desta forma são apresentadas as
denominações dos jovens porém os dados se referem ás respostas oferecidas por seus pais ou
responsáveis durante a aplicação do questionário.
Os dados referentes ao primeiro bloco de informações (tipo de parto, a casos de síndromes ou
deficiências na família, a doenças adquiridas e ao início da linguagem oral) encontram-se na
tabela 1.
Na análise da tabela 1 tem-se que, segundo os responsáveis, no que se refere ao tipo de parto
os participantes P1, P5, P6 e P8 nasceram de parto do tipo cesária enquanto P2, P3, P4 e P7
nasceram de parto normal. P1, P6 e P8 nasceram pré-termos e os demais a termo.
Quanto a doenças adquiridas, há relato de que P6 apresentou rubéola e P8 sarampo. O
responsável pelo participante P4 não soube informar sobre doenças adquiridas e os
responsáveis pelos participantes P1, P2, P3, P5 e P7 negam doenças infecciosas adquiridas.
Somente os participantes P1 e P8, segundo relato, apresentam casos de síndromes ou
deficiências na família.
Com exceção do participante P4 cujo responsável não soube informação a aparição das
primeiras palavras com sentido, as respostas dos demais responsáveis chamou a atenção uma
vez que os outros sete jovens apresentaram atraso no desenvolvimento da linguagem oral uma
vez que emitiram as primeiras palavras com sentido por volta de 3 a 5 anos.
apresentam atraso na emissão das primeiras palavras com sentido uma vez que os mesmos
iniciaram a comunicação oral com sentido por volta de 3 a 5 anos. Os dados corroboram com
os estudos de Sás (2009) cuja análise dos dados das entrevistas realizadas com as mães de oito
estudantes com síndrome de Down e deficiência intelectual, confirmou que o aparecimento
dos primeiros sons e das primeiras palavras se deu por volta de três anos. Concordam também
com estes resultados os dados do MEC, 1997, segundo o qual nas pessoas com deficiência
intelectual o desenvolvimento da linguagem pode aparecer em uma idade mais ou menos
tardia, e algumas podem apresentar dificuldades em habilidades de comunicação.
No atual estudo pode-se inferir que os jovens com deficiência intelectual apresentaram atraso
quanto a emissão das primeiras palavras com sentido uma vez que em crianças sem a
deficiência, a fala comumente tem inicio por volta de 1 ano e 6 meses aproximadamente. A
informação sobre o atraso na emissão das primeiras palavras com sentido nos jovens com
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deficiência intelectual é confirmada por autores como Launay & Borel-Maisonny (1989) e
Peña-Casanova (1992), que considerando estudos sobre o desenvolvimento “normal” da
linguagem, descreveram que na fase que acontece de um a dois anos (primeiro
desenvolvimento sintático) há o surgimento das primeiras palavras funcionais e o crescimento
quantitativo em nível de compreensão e produção de palavras. Com um ano e seis meses
inicia-se a construção de frases com dois elementos. O que não ocorreu com os jovens e
adultos neste estudo.
Quanto ao segundo bloco de informações do questionário (comportamento social,
comunicação oral e comunicação escrita dos jovens e adultos com deficiência intelectual),
cujos dados coletados encontram-se no quadro 1 temos:
Sobre o comportamento social foram relatados como distraídos os participantes P1, P2, P4,
P5, P6 e P8 enquanto P3 e P7, segundo os responsáveis não são distraídos. No que diz
respeito ao comportamento de agitação, é tido como agitado apenas P1. Nenhum dos jovens
apresenta, segundo os responsáveis, tendência ao isolamento. Verifica-se que na população
de jovens com deficiência intelectual deste estudo, a agitação e a tendência ao isolamento
não são características marcantes, porém seis dos oitos jovens foram relatados como
distraídos. Estes dados corroboram com Sás, 2009 onde os alunos com Síndrome de Down e
deficiência intelectual também não são relatados pelos responsáveis como agitados, e não
apresentam tendência ao isolamento, porem contraria este mesmo autor quanto ao
comportamento de distração uma vez que em seu estudo a maior parte dos participantes não
são distraídos segundo informações de seus responsáveis.
Nos dados de comunicação oral, as respostas dos pais ou responsáveis foi a presença de
problemas na produção de apenas em três (P1, P5 e P7) dos oito jovens, para os outros cinco
(P2, P3, P4, P6 e P8) não foram relatados problemas na produção de fala. Quanto à linguagem
expressiva, que seria a capacidade dos participantes de relatarem fatos oralmente e serem
compreendidos pelo outro, há relato de dificuldade relacionada aos participantes P1, P3, P5 e
P7 e ás vezes com P2, P4 e P6. Quanto a P8 não há queixas de linguagem expressiva. A
dificuldade em expressar idéias concordam com Brauner e Brauner (1989), pois segundo eles,
muitas pessoas com deficiência intelectual possuem um vocabulário reduzido, considerável
dificuldade em estruturar frases, em expressar e compreender uma idéia.
Sobre a dificuldade em compreender palavras de duplo sentido e “piadas”, há relato de
dificuldade de todos os jovens com exceção de P6 e P7 cujos responsáveis relatam que ás
vezes compreendem. Todas as respostas foram negativas quando questionados sobre uma
maior dificuldade na compreensão em ambientes ruidosos. A dificuldade de compreensão é
enfatizada também por outros autores. Launay, Borel-Maisonny (1989) relataram que as
pessoas com deficiência intelectual têm como característica da sua linguagem a incapacidade
de compreender pronomes interrogativos e, no geral, o sentido das perguntas.
Para a comunicação escrita os dados do quadro 1 mostram que, segundo os pais, somente P2
não sabe escrever, os demais relatam que os alunos escrevem. Quando questionados sobre o
que os jovens escrevem relataram que P1 e P5 escrevem letras e sílabas por meio de cópia e
P3 escreve letras por meio de cópia e escrita espontânea, P4 escreve apenas letras por meio de
cópia, P6, P7 e P8 escrevem letras, sílabas e palavras apenas por meio de cópia. Vale ressaltar
que o fato de fazerem cópias de letras, sílabas ou palavras fazem com que os responsáveis
considerem que os participantes sabem escrever, fato que não condiz com a realidade uma vez
que a escrita envolve habilidades de codificação e decodificação e ainda compreensão da
linguagem gráfica, habilidades estas que vão além do simples fato de copiar formas gráficas.
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Sobre a habilidade de leitura, os responsáveis por P2 e P3 relatam que os mesmos não sabem
ler, todos os demais responsáveis relatam haver habilidade de leitura. P1 e P4 segundo os
responsáveis lêem letras, P5 lê letras e sílabas e P6, P7 e P8 lêem letras, sílabas e palavras.
Mais uma vez chamou-nos a atenção o fato de reconhecer letras e sílabas ser considerado uma
leitura pelos responsáveis. Sabemos que além de decodificar as formas gráficas a leitura exige
compreensão do que se lê. Há dificuldades por parte dos responsáveis pelos jovens em
compreender o que realmente pode ser considerado ato de leitura e escrita.
A dificuldade em assumir as dificuldades dos filhos no que se refere às habilidades de leitura
e escrita, segundo Sás (2009) pode estar relacionada com a carga sentimental que pode
“mascarar” informações corretas, ou que os pais desconhecem as habilidades acadêmicas de
seus filhos.
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Variáveis
Tipo de parto
Parto
Tempo do nascimento
Doenças Adquiridas
Síndromes e/ou deficiências na família
Primeiros sons de fala
Desenvolvimento
da fala
P1
CE
PR
n
P2
NT
AT
n
P3
NT
AT
n
s
n
n
2 anos
4 anos
1 ano e
6
meses
Participantes
P4
P5
NT
CE
AT
AT
NS
n
N
n
NS
3 anos
P6
CE
PR
R
P7
NT
AT
n
P8
CE
PR
S
n
n
s
1 ano
2 anos
3 anos
Primeiras palavras com
sentido
3 anos
5 anos 3 anos
NS
5 anos
3 anos 5 anos 5 anos
Tabela 1 - Caracterização do tipo de parto, casos de síndromes ou deficiências na família, doenças adquiridas e o início da linguagem oral dos
jovens e adultos com deficiência intelectual segundo informações coletadas no questionário com os responsáveis.
Legenda:
NS=Não soube informar
n = Não
s = Sim
CE = Parto do tipo Cesária
NT = Parto do tipo Natural
AT = Nascido a termo
PR = Prematuro
C = catapora
CA = caxumba
S = sarampo
R = rubéola
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Variáveis
Comportamento
Social
Comunicação
Oral
Participantes
GE4
GE5
S
S
Distração
GE1
N
GE2
S
GE3
S
GE6
N
GE7
N
GE8
S
Agitação/hiperatividade
N
N
N
N
N
N
N
N
Tendência ao isolamento
Problemas de produção de fala
N
N
N
N
N
N
N
N
S
N
N
N
S
N
S
N
Problemas de linguagem expressiva
S
AV
S
AV
S
AV
S
N
Dificuldade compreender “piadas”
Dificuldade de compreender no
ruído
Sabe escrever?
S
S
S
S
S
AV
AV
S
N
N
N
N
N
N
N
N
S
N
S
S
S
S
S
S
Se sim, o que escreve?
Letra e
sílaba
---
Letra
Letra e
sílaba
Letra,
sílaba e
palavra
Letra,
sílaba e
palavra
Letra,
sílaba e
palavra
Se escreve, utiliza:
cópia
cópia e
escrita
livre
cópia
cópia
cópia
cópia
cópia
cópia
Sabe ler?
S
N
N
S
S
S
S
S
Comunicação
Escrita
Letra
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letra,
letra,
letra,
Se sim, o que lê?
letra
----letra
sílaba e sílaba e sílaba e
palavra palavra palavra
Quadro 1 - Caracterização do comportamento social, da comunicação oral e da comunicação escrita dos jovens e adultos com deficiência
intelectual por meio de informações coletadas no questionário com os responsáveis.
Legenda:
S = sim
N = não
AV = às vezes
letra e
sílaba
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4. Conclusões
Após a análise dos dados obtidos por meio dos questionários aplicados aos pais ou
responsáveis pelos jovens e adultos com deficiência intelectual conclui-se:
- No atual estudo pode-se inferir que os jovens com deficiência intelectual apresentaram
atraso quanto a emissão das primeiras palavras com sentido.
- Na população de jovens com deficiência intelectual deste estudo, a agitação e a tendência
ao isolamento não são freqüentes, porém a distração é uma característica marcante.
- Há relato de dificuldade na linguagem expressiva, ou seja, na capacidade dos jovens e
adultos com deficiência intelectual, relatarem fatos oralmente e serem compreendidos pelo
outro.
- Há dificuldade de compreensão de palavras de duplo sentido e piadas por parte dos jovens e
adultos com deficiência intelectual cujos responsáveis foram participantes deste estudo.
- O fato de fazerem cópias de letras, sílabas ou palavras fazem com que os responsáveis
considerem que os participantes sabem ler e escrever, fato que não condiz com a realidade
uma vez que a escrita envolve habilidades de codificação e decodificação e ainda
compreensão da linguagem gráfica, habilidades estas que vão além do simples fato de copiar
formas gráficas.
- Há dificuldades por parte dos responsáveis pelos jovens em compreender o que realmente
pode ser considerado ato de leitura e escrita.
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