Planeamento Familiar/ Saúde Reprodutiva O Poder da Integração: Associar o Planeamento Familiar aos Serviços de Saúde Reprodutiva Todos os dias, as mulheres que têm acesso a serviços de planeamento familiar ficam habilitadas a tomar decisões que salvam vidas, tais como atrasar a maternidade, espaçar as gravidezes e evitar gravidezes não desejadas e abortos. As mulheres que tomam estas decisões e planeiam as suas famílias evitam uma em três mortes maternas e a morte de mais de dois milhões de bebés e crianças todos os anos.1 No entanto, muitas mais vidas poderiam ainda ser salvas. Apesar dos extraordinários avanços alcançados no desenvolvimento de métodos de planeamento familiar eficazes e económicos, estima-se que 200 milhões de mulheres e 120 milhões de casais ainda não tenham acesso aos serviços de planeamento familiar de que necessitam.2 Fotografia de: Julia Perri O Planeamento Familiar Permite que as Mulheres Tomem Decisões que Podem Salvar Vidas Embu, Quénia, Trabalhadora do Centro de Saúde O Que Está a Jhpiego a Fazer Ao integrar o planeamento familiar com uma variedade de serviços de saúde reprodutiva, a Jhpiego conseguiu levar métodos contraceptivos modernos e outros serviços de planeamento familiar essenciais às mulheres que deles necessitam. As mulheres em idade reprodutiva necessitam de informação acerca de opções de contracepção, espaçamento de gravidezes e serviços de planeamento familiar. A Jhpiego aproveita cada oportunidade para facultar esta informação essencial a todas as mulheres que se deslocam a consultas pré-natais, dão à luz numa unidade, são encaminhadas para serviços de cuidados de emergência ou utilizam serviços de atendimento pós-natal. Planeamento familiar e cuidados pós-parto—As mulheres no período pós-parto devem estar informadas acerca das vantagens, para a sua própria saúde e a dos seus bebés, de planear e espaçar a gravidez seguinte e perceber que é possível engravidar antes do regresso dos períodos menstruais. Se não amamentarem, o estado fértil pode restabelecer-se seis semanas após o parto. No Quénia,3 o governo, com o apoio do Programa ACCESS-FP da Jhpiego, reforçou os serviços de cuidados pós-parto, dando destaque ao planeamento familiar. O programa ACCESS-FP desenvolveu o primeiro pacote de orientação sobre planeamento familiar pós-parto no Quénia, usado na formação de 98 prestadores de serviços. Através do programa, mais de 11.700 mulheres beneficiaram de consultas imediatamente a seguir ao parto, que incluíram aconselhamento e serviços de planeamento familiar. Planeamento familiar e cuidados pós-aborto—O estado fértil de uma mulher pode ser restabelecido num período de duas semanas após um aborto, espontâneo ou provocado. Assim, é essencial que as mulheres que recebem cuidados pós-aborto deixem as clínicas com métodos contraceptivos modernos e informação sobre planeamento familiar. Ao facultar aconselhamento sobre planeamento familiar e métodos contraceptivos adequados na mesma ocasião em que as mulheres utilizam os serviços de cuidados pósaborto, os prestadores de cuidados de saúde podem ajudar as mulheres a evitar o ciclo perigoso da gravidez não desejada e do aborto. Planeamento familiar e rastreio do cancro—83% dos cancros do colo uterino ocorrem nos países em desenvolvimento. A integração, numa consulta única, de métodos simples de inspecção e tratamento do colo uterino com os programas existentes de planeamento familiar pode ter um impacto significativo na saúde das mulheres dos países em desenvolvimento. Alternativamente, a integração do planeamento familiar com os programas existentes de rastreio do cancro do colo uterino pode alargar mais ainda o acesso das mulheres a estes serviços essenciais. Na Guiana Inglesa, a Jhpiego encontra-se em fase de exploração de oportunidades para integrar melhorias técnicas de planeamento familiar com os programas estabelecidos de formação em cancro do colo uterino de modo a que os prestadores de serviços possam oferecer serviços de planeamento familiar às utentes que beneficiam dos serviços de rastreio. O planeamento familiar e o aconselhamento e testagem do VIH—Os utentes que procuram serviços de aconselhamento e testagem de VIH são frequentemente os mesmos que procuram serviços de planeamento familiar, sendo na sua maioria mulheres. Os utentes, profissionais de saúde e programas podem todos beneficiar de sinergias entre estes dois tipos de serviços. Por exemplo, ao evitarem-se gravidezes não desejadas e de alto risco no grupo de mulheres seropositivas, o planeamento familiar reduz a transmissão 1 Gabinete de Referência Populacional. 2009. O Planeamento Familiar Salva Vidas. 4a edição Glaiser, Anna et al. (Outubro) 2006. Saúde sexual e reprodutiva: Uma questão de vida ou de morte. The Lancet Sexual and Reproductive Health Series. 3 O ACCESS-FP, um programa de cinco anos patrocinado pela USAID, é uma concessão associada no âmbito do Programa ACCESS, liderado pela Jhpiego. O ACCESS-FP concentra-se em responder às necessidades das mulheres, no que se refere ao planeamento familiar e saúde reprodutiva, no período do pós-parto 2 vertical do VIH. Na Etiópia, a Jhpiego trabalha com o Instituto Gates e a organização Pathfinder International no sentido de disponibilizar aconselhamento e serviços de planeamento familiar aos utentes no contexto de aconselhamento e testagem do VIH. Colaboramos com as principais partes interessadas no desenvolvimento de mensagens e auxiliares de tarefas de aconselhamento sobre planeamento familiar para os prestadores de serviços de aconselhamento e testagem do VIH. Com estas ferramentas, os profissionais de saúde podem adaptar os serviços de planeamento familiar às necessidades específicas dos utentes infectados com o VIH. Planeamento familiar e cuidados de saúde da criança—As mulheres que não procuram cuidados pós-natais para si mesmas podem ser sensibilizadas durante consultas pediátricas de rotina (por exemplo, para vacinação). Ao facultarmos um pacote integrado de cuidados durante estas consultas pediátricas—acrescentando informação para as mulheres sobre as suas opções de planeamento familiar e amamentação—podemos informar mulheres que de outra forma perderiam a oportunidade de evitar gravidezes não desejadas. Componentes Essenciais para uma Prestação de Serviços de Planeamento Familiar/Saúde Reprodutiva de Qualidade Superior A qualidade e disponibilidade de serviços de planeamento familiar/saúde reprodutiva depende de políticas, directrizes e normas nacionais, actualizadas e baseadas em evidência. (Até à data, a Jhpiego desenvolveu e divulgou directrizes nacionais de planeamento familiar e saúde reprodutiva em 25 países.) Além disso, a prestação de serviços de planeamento familiar/saúde reprodutiva de qualidade superior exige uma infra-estrutura estável que suporte sistemas de educação de pré-serviço e formação profissional. Estes sistemas, por sua vez, dão origem e sustentam uma equipa sólida de profissionais de saúde. A Jhpiego trabalha com parceiros nos próprios países de forma a assegurar-se de que estes componentes não só estão operacionais, como são reforçados e actualizados sempre que necessário. Outro Objectivo de Saúde Reprodutiva: Prevenção do Cancro do Colo Uterino Todos os anos, ocorrem cerca de 493.000 novos casos de cancro do colo uterino, resultando na morte de aproximadamente 274.000 mulheres. No entanto, ao contrário de muitos cancros, o cancro do colo uterino pode ser prevenido. Em colaboração com as partes interessadas e seus parceiros, a Jhpiego foi pioneira na introdução da abordagem de consulta única—uma abordagem única, segura do ponto de vista clínico, aceitável e eficaz na prevenção do cancro do colo uterino em cenários de recursos reduzidos. A abordagem de consulta única consiste na inspecção visual do colo uterino com ácido acético diluído, para detectar lesões pré-cancerígenas, seguida de proposta de tratamento recorrendo a uma técnica de congelamento (crioterapia) na mesma consulta. Até à data, receberam formação mais de 50.000 pessoas: em planeamento familiar/saúde reprodutiva, 276 profissionais; em saúde reprodutiva comunitária e distribuição da pílula e preservativos, 268 agentes de saúde comunitária; e em múltiplos tópicos de saúde comunitária, 438 líderes comunitários. Além disso, as taxas de aceitação de planeamento familiar aumentaram dramaticamente. Entre Maio de 2007 e Outubro de 2008, por exemplo, a taxa de aceitação da pílula contraceptiva aumentou 123% e a de aceitação do DIU aumentou 146%. Destaque do Programa: A Jhpiego Apoia Soluções de Concepção e Responsabilidade Local nos Bairros de Lata do Quénia Podem ser observados os mesmos desafios de saúde nos bairros urbanos degradados de todo o mundo. Desde 2004 que a Jhpiego tem vindo a reforçar os esforços das comunidades, nos bairros de lata de Nairobi, no Quénia, para assumirem a responsabilidade pela sua própria saúde. A Jhpiego cativou prestadores de cuidados de saúde e comunidades no sentido de trabalharem com o objectivo de facultarem o acesso equitativo a serviços de planeamento familiar e saúde reprodutiva a todos os habitantes dos bairros. • • • • As partes interessadas reuniram-se para obter o apoio das comunidades, prestadores de cuidados de saúde e órgãos governamentais que supervisionam e gerem as unidades de saúde. A formação e assistência logística fortaleceu a capacidade dos supervisores. Os prestadores de cuidados de saúde podem agora oferecer serviços de qualidade superior e estabelecer, juntamente com os supervisores, relações benéficas com os utentes e outros profissionais de saúde. Os conhecimentos e aptidões dos prestadores de cuidados de saúde melhoraram em áreas como a tecnologia de contracepção e integração do planeamento familiar e VIH. Agentes de saúde leigos, de base comunitária, receberam formação no sentido de oferecerem orientação e aconselhamento a residentes que necessitam de serviços de planeamento familiar/saúde reprodutiva. Até à data, receberam formação mais de 50.000 pessoas: em planeamento familiar/saúde reprodutiva, 276 profissionais; em saúde reprodutiva comunitária e distribuição da pílula e preservativos, 268 agentes de saúde comunitária; e em múltiplos tópicos de saúde comunitária, 438 líderes comunitários. Além disso, as taxas de aceitação de planeamento familiar aumentaram dramaticamente. Entre Maio de 2007 e Outubro de 2008, por exemplo, a taxa de aceitação da pílula contraceptiva aumentou 123% e a de aceitação do DIU aumentou 146%.