O ESPAÇO DO ANTIGO HORTO FLORESTAL HOJE SE ENCONTRA COMPARTILHADO Escrito por Jorge Feijó (publicado no jornal O Madalenense, Nº 16, de 15 de setembro de 2011). Durante muitos anos, na cidade de Santa Maria Madalena, havia três pontos de referência e atração pelas qualidades de trabalho, organização e lazer: o Departamento de Café, onde presentemente são realizadas as exposições agropecuárias, o Clube Montanhês, local ultrassimpático de encontro da juventude e o Horto Florestal, sítio aprazível, que, sem prejuízo da sua atividade-fim, propiciava momentos de diversão, contemplação de belezas florais e coleta de frutas. O Horto Florestal, criado sob a inspiração do notável botânico madalenense, Joaquim Santos Lima, ocupava sozinho a extensa área conhecida por todos nós. Depois, passou a ter a companhia da Secretaria Municipal de Agricultura e, com o passar dos anos, a parceria foi aumentando com a chegada da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, do Posto de Polícia Florestal e de Meio Ambiente, a Casa do Mel, o Banco de Sementes Florestais, o Centro de Visitantes e a Sede do Parque Estadual do Desengano. Estes últimos órgãos estão inseridos no grande sistema de proteção ecológica encimado pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEA), criado pelo Governo do Rio de Janeiro, em 2007, com a missão de proteger, conservar e recuperar o meio ambiente do Estado. Na oportunidade, unificou e ampliou a ação dos três setores vinculados à Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) que tinham responsabilidade nas questões ambientais e foram então extintos: o Fundo Estadual de Engenharia e Meio Ambiente (FEEMA), a Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (SERLA) e o Instituto Estadual de Florestas (IEF). Entre as seis diretorias existentes na organização do INEA encontra-se a Diretoria de Biodiversidade e Áreas Protegidas, à qual se subordinam, pelos respectivos canais competentes, os órgãos com atuação em Santa Maria Madalena: o Parque Estadual do Desengano (PED), o Horto Central Florestal Santos Lima e o Banco Estadual de Sementes Florestais. Presentemente, quem passa pela Avenida José Dantas do Santos, no bairro Itaporanga, tem a sua atenção despertada para a melhoria ocorrida nas vias de circulação da antiga área do Horto. É um trabalho em andamento, conduzido pelo mestre de obras Getúlio, consistindo no calçamento com blocos de concreto intertravados do arruamento e trilhas de acesso a determinados pontos. A citada obra está incluída no Projeto de Consolidação do PED e muitas outras irão dar continuidade ao esforço de melhoria da infraestrutura do Parque, o qual tem à sua frente a administradora Maria Manoela Alves Lopes, tendo a secundá-la o madalenense Felipe Lima Queiroz. Entre as futuras obras, algumas já iniciadas, citam- se as reformas da serraria e do orquidário, a ampliação do Posto de Polícia Florestal e de Meio Ambiente e a construção da Casa Ecológica, assim chamada por nela não se empregar material poluente. Para mais adiante, está prevista a reforma das instalações da sede do Parque e a criação de um museu, que comportará dois setores distintos: um referente à Geologia e o outro, denominado “Museu Santos Lima”, para abrigar o acervo de tudo o que se referir a Joaquim Santos Lima, o maior botânico na história do município madalenense. No segmento mais importante do PED, ou seja, o que diz respeito à reserva ecológica da Mata Atlântica, localizada nos municípios de Santa Maria Madalena, São Fidélis e Campos dos Goytacazes, a administração, dentro do Plano de Manejo do Parque Estadual do Desengano, está atuando prioritariamente no Circuito da Cascata, situado nos dois primeiros municípios citados, a fim de dotá-lo de recursos, como porteiras, mata-burros, pórticos, pinguelas, guarita para o controle de acesso e informações turísticas etc., que assegurem a sua funcionalidade. Diversas fontes de financiamento concorrem para a realização desses trabalhos, sendo a mais importante as chamadas “medidas compensatórias”, a que as empresas consideradas poluidoras do meio ambiente estão sujeitas, a fim de obter a devida licença para a execução dos respectivos projetos. Os valores assim auferidos vão para o Fundo de Biodiversidade, conhecido pela sigla FUNBIO. Através da compensação ambiental pela instalação da Usina Termoelétrica de Macaé, da El Paso, está sendo realizado o Projeto de Consolidação do Parque Estudual do Desengano, que inclui, entre outros benefícios, a elaboração do Plano de Manejo, já citado. Os projetos a cargo da administração pública implantados com dinheiro do FUNBIO são acompanhados pelo Conselho Consultivo do Parque, constituído por pessoas da sociedade civil organizada e por órgãos públicos. Nesse sistema de proteção ambiental, os hortos florestais do INEA cumprem papel de relevante importância, responsáveis que são pela produção de mudas para atender os programas de reflorestamento, a fim de recuperar áreas degradadas por razões antrópicas ou por fenômenos naturais. Além dessas unidades de produção de mudas, o INEA administra, através da Gerência do Serviço Florestal, o Banco Estadual de Sementes Florestais, localizado no município de Santa Maria Madalena, que tem como finalidade produzir sementes de espécies arbóreas nativas da Mata Atlântica. Os exemplares dessas sementes lá encontrados presentemente, em processo de secagem, são das árvores angico e paineira. O responsável pelo Banco de Sementes é Fábio Custódio e o responsável pelo Horto Central Florestal Santos Lima é Leonardo Barros. Na administração deste, ressalta-se o cuidado em fazer ressurgir o roseiral que, em outras épocas, ladeando a sede do órgão, tanto encantou os visitantes pela sua beleza. São prometidas outras iniciativas tendentes a ornamentar cada vez mais a histórica área do Horto Florestal de Santa Maria Madalena.