UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM PATRÍCIA DE CÁSSIA BEZERRA FONSECA INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO ASSOCIADA À SONDAGEM VESICAL NUMA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NATAL/RN 2009 PATRÍCIA DE CÁSSIA BEZERRA FONSECA INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO ASSOCIADA À SONDAGEM VESICAL NUMA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial para obtenção do título de mestre. Orientador: Prof. Dr. Gilson de Vasconcelos Torres NATAL/RN 2009 Catalogação da Publicação na Fonte. UFRN/ Biblioteca Setorial Especializada de Enfermagem Profª Bertha Cruz Enders F676i Fonseca, Patrícia de Cássia Bezerra. Infecção do trato urinário associada à sondagem vesical numa unidade de terapia intensiva / Patrícia de Cássia Bezerra Fonseca. – Natal, 2009. 98 f. : il. Orientador: Gilson de Vasconcelos Torres. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Ciências da Saúde. Departamento de Enfermagem. Programa de PósGraduação em Enfermagem. 1.Infecção urinária - Enfermagem - Dissertação. 2. Cateter vesical Enfermagem - Dissertação. 3. Unidade de terapia intensiva - Dissertação. I. Torres, Gilson de Vasconcelos. II. Título. RN/UF/BS-Enf. CDU 616.6-022.1-083(043.3) PATRÍCIA DE CÁSSIA BEZERRA FONSECA INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO ASSOCIADA À SONDAGEM VESICAL NUMA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial para obtenção do Título de Mestre. Aprovada em 29 de setembro de 2009, pela banca examinadora: ____________________________________________________ Professor Dr. Gilson de Vasconcelos Torres – Orientador (Departamento de Enfermagem/UFRN) ___________________________________________________ Professora Dra Wilma Dias de Fontes - Titular (Departamento de Enfermagem/UFPB) _________________________________________________ Professora Dra Raimunda de Medeiros Germano – Titular (Departamento de Enfermagem/UFRN) _________________________________________________ Professora Dra Bertha Cruz Enders – Titular (Departamento de Enfermagem/UFRN) A Deus por me dar sempre mais do que desejo. Aos meus pais Luiz e Francisca pelo amor incondicional, dedicação, confiança e muita força em todos os momentos de minha vida. Aos meus filhos Maria Clara e Luís Fernando por estarem sempre juntinho a mim, sempre demonstrando e dizendo que o amor deles por mim é bem maior que a vida deles. Obrigada mesmo pela compreensão fundamental em todas as fases da realização deste sonho. Ao meu amor, minha vida, meu tudo... Renato, meu marido, por ter me incentivado enormemente em todas as decisões de minha vida. À minha família, meus irmãos, sobrinhos, cunhados e cunhadas. Sem vocês eu não seria absolutamente nada. Aos meus sogros Dr. Antônio e D. Edna, pela demonstração de amor e carinho constantes. AGRADECIMENTO ESPECIAL Ao professor Dr. Gilson de Vasconcelos Torres, por acreditar e apostar em meu potencial, pela paciência com que soube aguardar meu crescimento, pela liberdade conferida, permitindo que eu escolhesse meus próprios caminhos e pela orientação baseada em muito conhecimento e competência, tornando nosso convívio uma experiência muito gratificante. Meu mestre para toda vida. AGRADECIMENTOS Aos professores do programa de pós-graduação em enfermagem, por me oferecerem ferramentas necessárias ao meu crescimento como pesquisadora. Aos Professores Doutores Raimunda de Medeiros Germano, Bertha Cruz Enders e Rejane Millions Viana Menezes pelas contribuições sugeridas para a qualificação do meu projeto de dissertação. À Coordenadora do curso de enfermagem da FARN, na pessoa de Juçara Machado Sucar, pela compreensão e motivação para a realização deste mestrado. A todos os meus amigos do mestrado, em especial a Walkíria e a Eurides. Agradeço imensamente a amizade, o convívio, a companhia e os conhecimentos compartilhados. As saudades são imensas, vocês moram no meu coração. À amiga Elisângela Franco de Oliveira Cavalcante, minha grande incentivadora. À Direção do HUOL, na pessoa do Dr. José Ricardo Lagreca, pela permissão que possibilitou a realização desta pesquisa em suas dependências. À Direção de Enfermagem do HUOL, na pessoa de Neuma Oliveira Medeiros, pela autorização e por acreditar na contribuição desta pesquisa para a enfermagem. À equipe de enfermagem da UTI do HUOL, que tão gentilmente facilitou do princípio ao fim durante a fase de coleta de dados. Aos pacientes e aos familiares, objeto de estudo desta pesquisa, que mesmo diante de suas dificuldades de saúde, permitiram que fossem observados em si os procedimentos relacionados à sondagem vesical. À bolsista Isabelle, pela ajuda na construção do banco de dados e na finalização da dissertação. Às acadêmicas da graduação em enfermagem da FARN que contribuíram na coleta de dados: Arianne, Bárbara,Cecília, Deise, Laryssa, Lebian, Márcia, Mariza, Rafaella e Renata Ciara. Destacando a dedicação e força das queridas Maria Helena, Mariana e Valéria, o meu muito obrigado. Às pessoas que direta ou indiretamente torceram por mim nesta conquista. RESUMO FONSECA, Patrícia de Cássia Bezerra. Infecção do trato urinário associada à sondagem vesical numa unidade de terapia intensiva. Natal, 2009. 98p. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Departamento de Enfermagem, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2009. Estudo descritivo, de abordagem quantitativa e observacional não participante, que teve como objetivo geral analisar a associação do conhecimento e conduta de inserção e manutenção da sonda vesical de demora pelos profissionais de enfermagem na ocorrência de infecção do trato urinário, realizado na UTI do Hospital Universitário Onofre Lopes em Natal/RN. A amostra pesquisada foi composta por 42 profissionais da equipe de enfermagem, sendo cinco (5) enfermeiros e 37 técnicos de enfermagem, deles 27 eram terceirizados (FUNPEC e bolsistas do IEL) e 10 servidores da UFRN. A coleta de dados foi realizada através de dois instrumentos, o primeiro utilizado na observação procedimentos de inserção e de manipulação da Sonda Vesical de Demora (SVD) e o segundo, com a aplicação de um questionário que abordou dados de caracterização dos pesquisados, conhecimentos e conduta na inserção e manipulação da SVD. Os resultados foram tabulados no Excel e analisados através do programa estatístico SPSS, versão 15.0. Encontramos a predominância de funcionários com vínculo institucional terceirizado – IEL e FUNPEC - (64,3%), do sexo feminino (69,0%), na faixa etária de 21 a 35 anos (59,5%) e com nível médio de escolaridade (88,1%). Quanto aos conhecimentos, verificamos que os enfermeiros apresentaram nível de bom a ótimo e os técnicos de enfermagem, de regular a ruim. Os enfermeiros erraram mais na escolha da SVD (40,0%) e na lavagem das mãos (30,0%) e os técnicos, na lavagem das mãos (74,4%) e no conteúdo da bandeja (34,7%). Em relação às condutas de inserção da SVD, os enfermeiros erraram mais na escolha da SVD (66,7%) e na lavagem das mãos (57,1%). Em relação à manipulação da SVD/sistema de drenagem, os técnicos erraram mais ao lavar as mãos (56,0%). Ao analisarmos as condutas inadequadas com a categorização do conhecimento, vimos que os técnicos de enfermagem que erraram mais apresentaram conhecimentos inadequados (ρ = 0,001). Ao final, vimos que o risco de um paciente adquirir ITU está maior em duas vezes e meia quando ocorre um número grande de inadequações, paciente passa mais tempo usando a SVD e internado na UTI. Quanto às hipóteses do estudo, aceitamos a Hipótese alternativa e rejeitamos a hipótese nula proposta no início desta pesquisa, onde a quantidade de inadequações no conhecimento e conduta aumenta a ocorrência de infecção do trato urinário. Descritores: Infecção urinária; cateter vesical; assistência de enfermagem; UTI. ABSTRACT FONSECA, Patricia de Cássia Bezerra. Urinary tract infection associated with urinary catheterization in the intensive care unit. Natal, 2009. 98p. Dissertation (Masters in Nursing) - Department of Nursing, Federal University of Rio Grande do Norte, 2009. A descriptive, quantitative approach and non-participant observation study, which was aimed at analyzing the association between knowledge and practice of inclusion and maintenance of urinary catheter by nursing professionals in the occurrence of urinary tract infection, performed in the ICU of Onofre Lopes University Hospital in Natal / RN. The original sample was composed of 42 nursing staff professional, five (5) nurses and 37 nursing technicians, 27 of them were outsourced (FUNPEC and IEL fellows) and 10 servers UFRN. Data collection was performed using two instruments, the first observation procedures used in the insertion and manipulation of indwelling urinary catheter (IUC) and the second with a questionnaire that addressed the characterization data of respondents, knowledge and conduct the insertion and manipulation of the IUC. The results were tabulated in Microsoft Excel and analyzed using SPSS software, version 15.0. We found the prevalence of institutional staff members on outsourcing - IEL and FUNPEC - (64.3%) were female (69.0%), aged 21 to 35 years (59.5%) and with mid-level education (88.1%). As to knowledge, we found that the nurses had levels of good to excellent and the nursing technicians, to regulate the poor. The nurses made a mistake when choosing IUC (40.0%) and washing hands (30.0%) and technicians on hand washing (74.4%) and the contents of the tray (34.7%). In relation to the conduct of insertion of IUC, the nurses made a mistake when choosing SVD (66.7%) and washing hands (57.1%). Regarding the handling of IUC/drainage system, the technicians were wrong more about washing their hands (56.0%). Analyzing the misconduct to the categorization of knowledge, we saw that the nursing staff who had missed more had inadequate knowledge (ρ = 0.001). At the end we found the risk of a patient to acquire UTI is higher in two and a half times when there is a large number of mismatches, patient spends more time using the IUC and hospitalized in the ICU. As regards the study hypotheses, we accept the alternative hypothesis and reject the null hypothesis proposed at the start of this research, where the number of gaps in knowledge and behavior increases the incidence of urinary tract infection. Keywords: Urinary tract infection, urinary catheter, nursing care, ICU. LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária AVC – Acidente Vascular Cerebral CCIH – Comissão de Controle de Infecção Hospitalar CDC – Centro de Controle e Prevenção de Doenças CEP – Comitê de Ética em Pesquisa COFEN – Conselho Federal de Enfermagem DV – Desvio Padrão EEN – Escola de Enfermagem de Natal EUA – Estados Unidos da América F – French FUNPEC – Fundação Norte Riograndense de Pesquisa e Cultura HUOL – Hospital Universitário Onofre Lopes IEL – Instituto Euvaldo Lodi IH – Infecção Hospitalar IMIP - Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira ITU – Infecção do Trato Urinário ITUS – Infecção do Trato Urinário Sintomático SAE – Sistematização da Assistência de Enfermagem SINAIS – Sistema de Notificação de Infecções em Serviços de Saúde SPSS - Statistical Package for Social Science SUS – Sistema Único de Saúde SRIS – Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica SVD – Sonda Vesical de Demora UFC – Unidades Formadoras de Colônia UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte UTI – Unidade de Terapia Intensiva LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 - Pontos de entrada de bactérias causadoras de infecção do trato urinário associada ao uso da SVD......................................... 29 Figura 2 - Modelo de associação entre as variáveis independente e dependente............................................................................... 48 Comparação de médias dos escores no conhecimento sobre SVD, segundo categoria profissional. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009.................................................................................... 58 Classificação do conhecimento sobre SVD, segundo categoria profissional. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009........................... 59 Escores de conhecimento sobre SVD, segundo categoria profissional. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009.......................... 60 Distribuição da ocorrência de pacientes que adquiriram ITU, segundo categoria de risco, tempo de permanência na UTI e tempo de permanência da SVD. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. 76 Comparação de médias de codutas inadequadas, segundo presença de ITU nos pacientes. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009.. 79 Figura 3 - Figura 4 - Figura 5 - Figura 6 - Figura 7 - LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Fatores de risco de infecção associados com a duração da cateterização, segundo a sua possibilidade de alteração de acordo com Stamm (1998)..................................................... 28 Quadro 2 - Caracterização das condutas do procedimento de sondagem vesical de demora pela equipe de enfermagem, segundo categorias de verificação. UTI/HUOL. Natal/RN, 2009.............. 40 Quadro 3 - Caracterização do conhecimento sobre o procedimento de sondagem vesical de demora, segundo sua definição teórica. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009.................................................... 42 Quadro 4 - Conhecimento quanto ao conteúdo da bandeja e lavagem das mãos, segundo categorização e freqüência. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009...................................................................... 44 Quadro 5 - Classificação final das adequações de conhecimento do procedimento sobre sondagem vesical, segundo os escores obtidos na avaliação do conhecimento. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009..................................................................... 44 Quadro 6 - Critérios diagnósticos de infecção sintomática do trato urinário em adultos (ITUS), segundo classificação........................... 45 Quadro 7 - Critérios diagnósticos de bacteriúria assintomática do trato urinário em adultos, segundo classificação............................. 46 Quadro 8 - Critérios diagnósticos de outras infecções do trato urinário em adultos, segundo classificação.................................................... 47 Quadro 9 - Variáveis de caracterização da população da equipe de enfermagem, segundo categorias de verificação. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009........................................................................ 48 Quadro 10 - Distribuição das ações por categoria profissional, segundo conhecimento de inserção e manutenção da SVD. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009..................................................... 61 Quadro 11 - Distribuição das ações dos enfermeiros na inserção da SVD, segundo condutas observadas. UTI – HUOL. Natal/RN............................................................................ 63 Quadro 12 - Distribuição das ações dos técnicos de enfermagem na manutenção da SVD, segundo as condutas observadas. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009........................................................ 67 Quadro 13 - Média ponderada da categoria profissional, segundo condutas inadequadas e conhecimento da SVD. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009.......................................................................................... 78 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Caracterização sócio-demográfica, segundo vínculo institucional. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009............................ 52 Tabela 2 - Caracterização dos pesquisados, segundo categoria profissional. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009......................... 54 Conhecimento do protocolo sobre SVD, segundo a freqüência de consulta pelos profissionais pesquisados. UTI- HUOL. Natal/RN, 2009................................................................. 56 Categorização da lavagem das mãos, segundo grau de conhecimento dos técnicos de enfermagem durante a manipulação da SVD. UTI- HUOL. Natal/RN, 2009.............. 69 Condutas inadequadas segundo a categorização do conhecimento dos profissionais pesquisados. UTI- HUOL. Natal/RN, 2009................................................................. 70 Condutas inadequadas dos procedimentos pesquisados, segundo sentir-se informado sobre a SVD. UTI- HUOL. Natal/RN, 2009.................................................................. 71 Ocorrência de infecção do trato urinário, segundo categorização de condutas inadequadas nos pacientes em uso de SVD. UTI- HUOL. Natal/RN, 2009................................. 72 Ocorrência de infecção do trato urinário nos pacientes observados, segundo tempo de permanência no setor. UTIHUOL. Natal/RN, 2009......................................................... 74 Condutas inadequadas pelo enfermeiro, segundo pacientes manipulados com ITU. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009........ 77 Tabela 3 - Tabela 4 - Tabela 5 - Tabela 6 - Tabela 7 - Tabela 8 - Tabela 9 - Tabela 10 - Condutas inadequadas pelo técnico de enfermagem, segundo pacientes manipulados com ITU. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009................................................................................. 77 LISTA DE APÊNDICES E ANEXOS Apêndice A - Instrumento de coleta de dados de ITU associada ao uso de SVD...................................................................................... 88 Apêndice B - Instrumento de coleta de dados relacionados ao conhecimento......................................................................... 90 Apêndice C - Carta de anuência da Direção do HUOL.............................. 92 Apêndice D - Carta de anuência da Direção de Enfermagem do HUOL...... 93 Apêndice E - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido......................... 94 Anexo A - 98 Parecer consubstanciado do Projeto de Pesquisa nº 278/09...... SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO..................................................................... 17 2 OBJETIVOS ......................................................................... 23 3 HIPÓTESES.......................................................................... 24 4 REVISÃO DE LITERATURA............................................ 25 4.1 INFECÇÃO HOSPITALAR................................................... 25 4.1.1 Infecção hospitalar na Unidade de Terapia Intensiva....... 25 4.1.2 Infecção hospitalar do trato urinário.................................. 27 4.2 PROCEDIMENTO DE SONDAGEM VESICAL DE DEMORA: INSERÇÃO E MANUTENÇÃO......................... 29 Indicação da sondagem vesical de demora, baseado em Potter (1998)........................................................................... 30 Procedimento para a inserção da SVD, segundo Constantino (1990), Homenko (2003) e Cruz (2005).......... 30 4.2.2.1 Feminino (posição ginecológica)............................................ 31 4.2.2.2 Masculino (decúbito dorsal, com os membros inferiores afastados)................................................................................. 31 Principais cuidados relacionados ao procedimento de sondagem vesical, segundo Homenko (2003)...................... 32 4.2.4 Cuidados com a SVD e sistema coletor de urina................ 33 4.3 34 5 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM.................................... . METODOLOGIA................................................................. 5.1 DELINEAMENTO METODOLÓGICO................................ 36 5.2 LOCAL DO ESTUDO............................................................ 36 5.3 POPULAÇÃO E AMOSTRA................................................. 37 5.3.1 Critérios de inclusão dos profissionais de enfermagem..... 38 5.3.2 Critérios de inclusão dos pacientes...................................... 38 5.3.3 Critérios de exclusão dos profissionais................................ 38 4.2.1 4.2.2 4.2.3 36 5.3.4 Critérios de exclusão dos pacientes...................................... 38 5.4 INSTRUMENTOS.................................................................. 39 5.5 VARIÁVEIS DO ESTUDO.................................................... 40 5.5.1 Variáveis independentes....................................................... 40 5.5.2 Variáveis dependentes........................................................... 44 5.5.3 Variáveis de caracterização.................................................. 47 5.6 ASPECTOS ÉTICOS.............................................................. 49 5.7 PROCEDIMENTOS PARA A COLETA DE DADOS.......... 49 5.7.1 Observação do procedimento............................................... 49 5.7.2 Entrevista............................................................................... 50 5.8 PROCEDIMENTOS PARA TRATAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS.......................................................................... 50 6 RESULTADOS E DISCUSSÃO.......................................... 51 6.1 CARACTERIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES DO ESTUDO (PACIENTES E PROFISSIONAIS)...................... 51 CONHECIMENTOS QUANTO À SONDAGEM VESICAL DE DEMORA....................................................... 57 CONDUTA DOS ENFERMEIROS PESQUISADOS FRENTE À INSERÇÃO DA SVD......................................... 62 CONDUTAS DOS TÉCNICOS DE ENFERMAGEM FRENTE À MANIPULAÇÃO DA SVD............................... 67 6.5 RISCO DE INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO................ 71 7 CONCLUSÃO....................................................................... 80 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................... 82 REFERÊNCIAS.................................................................... 83 APÊNDICES.......................................................................... 87 ANEXO.................................................................................. 97 6.2 6.3 6.4 17 1 INTRODUÇÃO As Infecções Hospitalares (IH), segundo Martins (2001), são todas as infecções adquiridas no hospital, podendo não se manifestar ou podem estar fora do período de incubação no ato da admissão, a não ser que possam ser relacionadas à internação prévia no mesmo hospital. No período medieval, foram criadas as instituições que serviam para alojar pessoas doentes, peregrinos, pobres e inválidos, constituindo, inclusive, locais de separação e de exclusão de seu convívio social. Naquele momento, ficava claro que a reunião indiscriminada dessas pessoas num ambiente confinado facilitava a transmissão de doenças contagiosas, originando assim, a IH (FOCAULT, 1985). Em 1847, Ignaz Semmelweis, preconizou a lavagem das mãos com “água clorada” para todo examinador, antes de tocar na parturiente. Esta medida contribuiu para reduzir drasticamente a mortalidade materna por febre puerperal, em apenas sete meses, de 12% a 3% (MARTINS, 2001). De acordo com a história, as IH existem desde o princípio dos hospitais. Este assunto só passou a ser valorizado e estudado pelos profissionais de saúde, a partir do trabalho de Florence Nightingale, enfermeira que atuava nos hospitais militares ingleses, em meados do século XIX. Ela transformou a instituição hospitalar e trouxe à tona uma nova concepção de doença, originando assim a enfermagem moderna. Foi através dela, que se iniciou o desenvolvimento de uma preparação formal e sistemática para a aquisição de um conhecimento e de uma maneira de trabalhar diferente do modo médico. A atuação de Florence Nightingale fez com que a percepção da doença como um esforço para restaurar a saúde se mostrasse como uma ideia fecunda, dando à Enfermagem uma dimensão original – a de favorecer esse processo reparativo mediante o uso do “ar puro, da luz, do calor, da limpeza, do repouso e da dieta”. Com isso, surgia uma abordagem epidemiológica das doenças infecciosas (NIGHTINGALE, 1989; LACERDA, 1997). É importante sabermos que a infecção hospitalar pode ocorrer durante a hospitalização ou mesmo após a alta do paciente, desde que seja possível associarmos aos procedimentos realizados durante a internação (MARTINS, 2001). De todos os pacientes numa instituição hospitalar, mais de 10% (dez por cento) necessitam utilizar a sonda vesical (mesmo que temporariamente) ou realizar alguma manipulação no trato urinário, e principalmente os de unidade de terapia intensiva (UTI). Pela complexidade desse setor, um número elevado de procedimentos invasivos e múltiplas 18 terapias precisam ser realizados nos pacientes lá internados. Tais procedimentos são citados como um dos fatores de grande relevância para a aquisição de IH, sendo assim sempre destacado como o setor de maior incidência de infecções hospitalares (JÚNIOR, 2003; SOUZA, 2007; NETO, 2008). Em se tratando de infecções hospitalares, Luchetti (2005) e Fernandes (2006) citam as infecções do trato urinário (ITU) entre as quatro de maior ocorrência no ambiente hospitalar, chegando a ser a de maior freqüência, com aproximadamente 40% do total, ocasionando aumento considerado de custos hospitalares, além de seqüelas e danos imensuráveis ao paciente. Estudos mostram que as infecções urinárias são normalmente associadas ao uso de cateter ou sonda vesical de demora (SVD), e seu uso tem sido bastante discutido na comunidade médica por se tratar de um dispositivo invasivo e que, dependendo dos critérios de inserção e de manutenção em seu uso, quase sempre levam à infecção do trato urinário (FERNANDES, 2000; STAMM, 2006; PRATT, 2007). Após o manuseio do trato urinário, como a sonda vesical de demora (SVD), a bacteriúria (presença de bactérias na urina) é a complicação mais freqüente. Esta realidade faz com que exista a necessidade de haver capacitação contínua do profissional executor, pois a falha na técnica correta poderá levar o paciente a adquirir ITU (LIMA, 2007; SOUZA, 2007). Para Martins (2001) e Neto (2008), essa bacteriúria pode acontecer por volta dos 7 a 10 dias após a sondagem vesical, podendo ser sintomática ou não. Mas Navarrete (2007), num estudo realizado na Espanha, diz que a partir do quarto dia de sondado, pode-se desenvolver a bacteriúria em até 96% dos casos, e que essa ocorrência acontece mais rapidamente nos usuários do sexo feminino. E a partir dessa infecção, de 13 a 30% dos pacientes morrem, mostrando assim, a elevação significativa em até três vezes da taxa de mortalidade nos pacientes hospitalizados que adquirem ITU. No desenvolvimento desta pesquisa, consideraremos como procedimento de sondagem vesical tanto a técnica de inserção da SVD, quanto cuidados de manutenção enquanto seu uso. Sem dúvida, o enfermeiro é o profissional que mais realiza o procedimento de sondagem vesical e, portanto, o principal responsável pela manutenção adequada do sistema de drenagem urinária enquanto uso deste dispositivo (SOUZA, 2007). No entanto ainda encontramos instituições que esses procedimentos têm sido realizados pelos técnicos de enfermagem, com certa freqüência. 19 O procedimento de sondagem vesical de demora é atribuição do enfermeiro, estando legalmente regularizado no Art.11 da Lei do Exercício Profissional da categoria, nº 7.498/86 (CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM, 1986, p.2), que cita como atividade privativa do enfermeiro: § 11 “Cuidados diretos de Enfermagem a pacientes graves com risco de vida.” § 12 “Cuidados de Enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos de base científica e capacidade de tomar decisões imediatas.” Indicadores de Infecção Hospitalar e do Trato Urinário foram solicitados, por diversas vezes, tanto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) como às Vigilâncias Estadual e Municipal, dados de ITU do Brasil, não se obtendo resposta alguma. Porém, sabese que existem dificuldades em ter esses valores, devido à falta de dados uniformizados de todos os Hospitais do país, e de envio à esfera federal de Vigilância Sanitária. A ANVISA tem, em fase de aprimoramento e implantação, um sistema de notificação de Infecção Hospitalar (SINAIS), on-line, que obriga os hospitais a notificarem mensalmente esses agravos, bem como consolidarem os dados anualmente, enviando pela internet todos os indicadores relativos às Infecções Hospitalares em todo o Brasil. As infecções urinárias ao acometerem o usuário do sistema de saúde, quando curadas, podem deixar seqüelas, principalmente no tocante a traumas relacionados ao procedimento de inserção, bem como em decorrência do manuseio inadequado do sistema enquanto seu uso, como por exemplo, a perda da integridade do esfíncter (LIMA, 2007). Pode, em casos extremos, também levar ao óbito por septicemia, uma vez que a ascensão bacteriana acontece diretamente pela e para a corrente sanguínea. Para facilitar a compreensão, precisamos ter o conhecimento que o profissional de saúde tem a responsabilidade de quebrar o círculo agente infeccioso – transmissão – hospedeiro, que resulta na ocorrência de infecção hospitalar, na prática de medidas de controle que gira em torno de procedimentos básicos, como a lavagem das mãos entre outras. O procedimento de sondagem vesical de demora é consenso entre estudiosos na área, mas quanto às condições presentes no momento da inserção (se assépticas ou não), encontramos no Guideline do CDC que alguns experts no assunto não acham vantagem em usar técnica asséptica no momento de limpar o meato uretral, antes da inserção do cateter. Eles acham que é prioritário ter instrumentais estéreis e lubrificantes também estéreis e, em porções de uso único (PRATT, 2007). No entanto, esse ponto pode ser questionável, uma vez que seria inadequada a não utilização de técnica asséptica na limpeza do meato uretral e usarem instrumentais e lubrificantes assépticos antes da inserção da sonda, pois estaria 20 contaminando todo o processo, promovendo a ascensão bacteriana ocasionada na introdução da SVD. Durante muito tempo, após a grande descoberta da sondagem vesical de demora achou-se ter descoberto a melhor forma de tratar pacientes com bexiga neurogênica ou aqueles que tinham incontinência urinária. No entanto, seu uso tem sido realizado de maneira, muitas vezes, indiscriminado, onde podemos até encontrar motivos absurdos para seu uso, como “diminuir o trabalho da equipe de enfermagem em profissionais sobrecarregados” (HOMENKO, 2003). Baseada na minha experiência profissional na área, foi percebido que nem todos os enfermeiros se preocupam em obedecer a um procedimento padronizado pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) da instituição, muitas vezes por desconhecerem quanto a sua real importância como profissional detentor do conhecimento que pode oferecer a segurança necessária, e garantir ao usuário a recuperação de sua saúde, o mais precoce possível, evitando complicações infecciosas ou não enquanto internado na UTI. Diante dos dados de ITU citados neste trabalho vimos que a responsabilidade da instalação de uma nova infecção e que, se essa prática for feita apenas nos casos bem avaliados, indicados e adequada, poderíamos prevenir novas ocorrências. A sondagem vesical de demora é considerada um procedimento complexo, que necessita da aplicação de conhecimentos de base científica ao executar, podendo também ser realizado em pacientes graves com risco de vida e que, muitas vezes, necessita de tomada de decisões imediatas por parte do enfermeiro. Não podemos esquecer que e a SVD está como um dos principais fatores de risco à aquisição de ITU em pacientes hospitalizados. Por esses motivos, o enfermeiro precisa assumir, de fato o que a legislação preconiza como atividade privativa da categoria, na execução desse procedimento, pois o que ainda ocorre freqüentemente é a execução desse procedimento pela equipe de enfermagem como um todo, não somente o enfermeiro. Dessa forma, acreditamos estar diminuindo a possibilidade de ocorrência de novas infecções. Partindo-se do pressuposto que o conhecimento sobre o procedimento da técnica e manutenção do sistema coletor de drenagem urinária tem sido ensinado nas universidades e cursos profissionalizantes e que ações inadequadas ao que é preconizado institucionalmente, acerca do procedimento, estão associadas à ocorrência de ITU, é necessário que o enfermeiro e técnicos de enfermagem se conscientizem quanto a sua importância nesse processo, através de estudo, pesquisas, práticas e supervisão como líder de equipe. Pois somente assim poderemos comprovar que existem deficiências quanto à referida prática e que pode estar 21 diretamente relacionada ao número crescente de ITU associadas ao uso de SVD. Essa deficiência pode estar atribuída muitas vezes, às políticas de gestão hospitalar existente no sistema de saúde, que muitas vezes, coloca atribuições outras para o enfermeiro, de maneira que ele acaba deixando de priorizar esse cuidado. Dessa forma, o profissional enfermeiro deixa de fazer ciência para simplesmente, fazer técnica. Ao escolhermos para esta pesquisa um hospital com característica de ensino, torna-se necessário estudar os conhecimentos e condutas da equipe de enfermagem no tocante ao procedimento de sondagem vesical de demora, de como a SVD é inserida e como é manuseada durante seu uso. Pois o que se vê, na prática, não contempla totalmente a um padrão que deveria estar estabelecido universalmente na referida instituição. Podemos afirmar que a infecção hospitalar de um modo geral pode aumentar os custos relacionados à internação hospitalar, tendo em vista a grande possibilidade de complicações infecciosas secundárias como septicemia, podendo levar até óbito, relacionando-se tanto com o retardo do tratamento do paciente como em sua alta. Dessa forma, também pode acontecer uma diminuição no índice de giro de leito (número de pacientes internados / número de leitos hospitalares), aumentando também as taxas de IH que, por sua vez, têm que ser divulgadas a toda comunidade médica. Esses fatores justificam a enorme preocupação dos administradores e gestores hospitalares ligados aos custos diretos e indiretos da assistência à saúde. Sendo a infecção do trato urinário a principal infecção hospitalar no Brasil e no mundo, e sabendo que o enfermeiro é o executor deste procedimento e o responsável pela sua manutenção, embora ainda seja realizado pelos demais membros da equipe de enfermagem, foi escolhido como objeto de estudo o desenvolvimento da ITU associado ao procedimento de sondagem vesical de demora realizado pela equipe de enfermagem. Por esse motivo, torna-se importante estudarmos nesta pesquisa, o procedimento de sondagem vesical de demora realizado pelo enfermeiro e pelo técnico de enfermagem e sua possível associação aos valores de ITU na população em estudo. Com base na problemática descrita, citaremos abaixo alguns questionamentos que tentamos responder por meio desta pesquisa. - Como a equipe de enfermagem desenvolve o procedimento de sondagem vesical de demora? - Qual o grau de conhecimento que o profissional de enfermagem tem sobre o procedimento de sondagem vesical de demora? - A adequação do conhecimento e procedimento de sondagem vesical de demora influencia no índice de ITU? 22 A relevância desta pesquisa se pauta nas frequentes necessidades dos usuários do sistema de saúde, de intervenções hospitalares, devendo assim receber a assistência pelas quais as instituições se propõem e direcionada à sua necessidade. Entretanto, muitas vezes esses procedimentos não oferecem a segurança adequada visando sua melhora clínica, aumentando sua exposição aos riscos de complicações e/ou seqüelas. Destacam-se assim, a frequente ocorrência da utilização, pelos usuários, da Sonda Vesical de Demora (SVD) proposta para esta pesquisa. As instituições, por sua vez, tem a responsabilidade enquanto prestadoras de serviços de saúde, de oferecer condições de infra-estrutura adequada para que seja prestada assistência ao paciente no tocante à recuperação de sua saúde, bem como na prevenção de Infecções Hospitalares, complicação tão comum na atualidade. Torna-se necessário também a realização urgente da realização de produção científica a respeito da temática, o que pode contribuir para o Controle das Infecções Hospitalares no Brasil. Aos profissionais de enfermagem recai a responsabilidade do cuidado integral durante a internação do usuário, devendo prestar assistência com competência científica e técnica, realidade essa que pode ser facilitada pela capacitação contínua deste profissional no tocante ao cuidado em saúde. Destacando a necessidade do envolvimento na realização de pesquisas científicas relacionadas à prevenção de ITU associada ao uso de SVD, procedimento inerente à prática diária da equipe de enfermagem. 23 2 OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL Analisar a associação do conhecimento e condutas de inserção e manutenção da sonda vesical de demora pelos profissionais de enfermagem na ocorrência de infecção do trato urinário. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Identificar o grau de conhecimentos relacionados aos procedimentos de sondagem vesical de demora executado pela equipe de enfermagem; Identificar a adequação de condutas relacionadas aos procedimentos de sondagem vesical de demora executado pela equipe de enfermagem; Identificar a associação entre a ocorrência de infecção do trato urinário em pacientes submetidos ao procedimento de sondagem vesical de demora com o conhecimento da equipe de enfermagem. 24 3 HIPÓTESES Pautado no pressuposto de que a infecção do trato urinário pode ser causada pelo procedimento de inserção da sonda vesical de demora bem como em decorrência de sua manipulação, ao final do estudo, tentaremos responder às seguintes hipóteses: - Hipótese Nula (H0): A inadequação do conhecimento e/ou procedimento de sondagem vesical de demora realizado pela equipe de enfermagem não influencia na ocorrência de ITU. - Hipótese Alternativa (H1): A inadequação do conhecimento e/ou procedimento de sondagem vesical de demora realizado pela equipe de enfermagem influencia na ocorrência de ITU. Para verificação das hipóteses do estudo, utilizamos as seguintes hipóteses estatísticas: H0 = µCONInad e/ou CONDInad ≤ f ITU (Teste Mann-Whitney U, ρ < 0,05) fCONInad e/ou CONDInad ≤f ITU (Teste x², ρ < 0,05, correlação de Spearman) H1 = µCONInad e/ou CONDInad > f ITU (Teste Mann-Whitney U, ρ < 0,05) fCONInad e/ou CONDInad > f ITU (Teste χ2, ρ < 0,05, correlação de Spearman) Onde, H0 = hipótese nula. H1 = Hipótese alternativa. CONInad = Conhecimento inadequado do procedimento de SVD. CONDInad = Conduta inadequada do procedimento de SVD. µCONInad = Média de conhecimentos inadequados do procedimento de SVD. fCONInad = Frequência de conhecimentos inadequados do procedimento de SVD. f ITU = Frequência da ocorrência de infecção do trato urinário Teste Mann-Whitney = Para amostras independentes, com ρ < 0,05, comparando as médias de condutas inadequadas do procedimento de SVD. Correlação de Spearman = Na analise da associação entre as variáveis de conhecimento e conduta do procedimento de SVD com ocorrência de infecção do trato urinário. 25 4 REVISÃO DA LITERATURA Neste capítulo contemplamos os seguintes tópicos: Infecção Hospitalar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Infecção Hospitalar do Trato Urinário, Procedimento do Cateterismo Vesical: Inserção e Manutenção e Assistência de Enfermagem. 4.1 INFECÇÃO HOSPITALAR 4.1.1 Infecção hospitalar na Unidade de Terapia Intensiva A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é um setor onde os pacientes necessitam passar por múltiplos procedimentos invasivos, devido suas condições críticas de manutenção de sua própria vida. O suporte de vida que são necessários para esses pacientes, enquanto internado em UTI, levam à quebra da integridade dos sistemas orgânicos, aumentando assim o risco de aquisição de infecção hospitalar (IH) (JUNIOR, 2008). Segundo Pittet (1998), mais que um terço dos pacientes internados em UTI acaba adquirindo infecções inesperadas, sendo assim considerada a complicação mais comum nesses pacientes. Podemos encontrar neste setor a associação de fatores propícios ao surgimento de IH, como a existência de pacientes graves e a necessidade de intervenções que são realizadas. Baseados em, Pittet (1998), Stamm (1999) e Júnior (2003), citaremos abaixo os principais fatores de risco à aquisição de IH em pacientes e UTI: a) Dispositivos vasculares: A maioria dos pacientes que necessitam de UTI terá que utilizar alguns desses dispositivos para diagnósticos e/ou terapêuticas. Eles levam à quebra da barreira de proteção da pele, facilitando o acesso dos microrganismos entre o ambiente e a corrente sanguínea. b) Administração de antiácidos e de antagonistas H2: Com o intuito de proteger a mucosa gástrica do paciente, acabam sendo muito utilizados, favorecendo a neutralização da acidez natural do estômago, mudando assim, a flora entérica. c) Cânulas endotraqueais: sua instrumentação, utilizada na intenção de ventilar o paciente, acaba possibilitando a infecção pulmonar pela duração de uso e manuseio do sistema. d) Cateteres urinários: Muito utilizados em pacientes que necessitam de cuidados intensivos, que pode levar à Infecção do Trato urinário principalmente pela contaminação na técnica, bem como nos cuidados durante seu uso. 26 e) Doenças de base: Portadores de patologias malignas apresentam respostas imunes anormais, resultantes da própria doença e dos tratamentos quimioterápicos, que levam à diminuição significante no número de células fagocitárias. f) Extremos de idade: devido à deficiência natural do sistema imunológico. g) Pacientes com deficiência nutricional: Levam à injúria tecidual, déficit na perfusão e modificação no consumo de oxigênio. A infecção se deve à taquicardia que é causada a partir de mediadores hormonais (citoquinas) e produtos de bactérias, como as endotoxinas. h) Traumas: As alterações na função das células T e B que ocorrem devido ao trauma, diminuem a resistência às infecções em pacientes politraumatizados. Os sítios de infecção mais comuns em pacientes de UTI são: pneumonia, infecção da corrente sanguínea, infecção urinária e infecção da ferida cirúrgica. A pneumonia é associada à alta mortalidade, principalmente quando se utiliza ventilação mecânica. Pode ser adquirida tanto pelo procedimento de entubação, quanto no manuseio e cuidados com a cânula enquanto sendo usada. Outro tipo de abordagem das vias respiratórias, como a nebulização, também deve ser citado como causadores dessas infecções através de água e/ou medicamentos contaminados, apesar de não tão comum (PITTET, 1998). Outras infecções de vias respiratórias também podem ocorrer como traqueobronquites, sinusites, síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SRIS) (PITTET, 1998). A infecção de corrente sanguínea se relaciona principalmente à utilização de dispositivos intravenosos e arteriais (FERNANDES, 2000). A infecção urinária é Considerada como a mais freqüente associada a procedimentos invasivos na maioria das instituições, é a mais prevenível, com atitudes relacionadas à educação e treinamento dos profissionais que os executam (GAGLIARDI, 2000). A infecção de ferida é a temida complicação decorrente de um ato operatório, associada principalmente à manipulação de tecidos durante o ato operatório (RABHAE, 2000). 27 4.1.2 Infecção hospitalar do trato urinário Segundo Stamm (1999) a infecção do trato urinário (ITU) é responsável por aproximadamente 35 a 45% de todas as infecções adquiridas no hospital. Dos internados num hospital, mais de 10% são expostos a sondagem vesical de demora (SVD). E somente de 20 a 30% dessas infecções são sintomáticas, sendo as assintomáticas as de maior freqüência, tornando-se o motivo de inquietações na comunidade médica. Rosenthal (2004) cita em seu trabalho que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) define como infecção do trato urinário, aquela que o paciente desenvolve ao menos um dos seguintes sinais e sintomas sem outra causa conhecida: febre (a partir de 38°C), urgência, freqüência, disúria, ou dor/desconforto supra-púbico, além de cultura positiva de urina tendo a partir de 105 unidades formadoras de colônia (UFC) e não mais que duas espécies de microrganismos identificadas na cultura. Stamm (1998) e Almeida (2007) afirmam que a ITU ocorre na maioria das vezes nas mulheres devido a alguns fatores inerentes ao aparelho feminino (como tamanho pequeno da uretra e proximidade ao ânus) quando comparado ao masculino (como extensão da uretra e colonização da região periuretral). Existem três tipos de infecções urinárias (linfáticas, hemática ou descendente e urógena ou ascendente), mas somente a ascendente pode ser relacionada ao aspecto preventivo no hospital. No entanto, também se pode considerar o uso de antibióticos como fator de risco importante, devido à interferência entre a droga e o organismo, bem como irritante à cavidade vesical. Porém, sabe-se que a interferência entre os demais fatores de risco e o organismo é dita sistêmica, e não direta, como é o caso da sonda vesical de demora (LIMA, 2007). Em se tratando da interferência direta, a introdução da SVD em um sistema orgânico estéril facilita a entrada de microrganismos da sonda na uretra, e promove a remoção dos mecanismos de defesa intrínsecos do hospedeiro, como a micção e o esvaziamento da bexiga, sendo considerado assim, como risco potencial de ITU (HOMENKO, 2003; LIMA, 2007). Para minimizar essa ocorrência, o sistema coletor fechado de drenagem urinária tem aperfeiçoado com o passar dos tempos, retardando, mas não eliminando o risco de ITU. Neste sistema, a sonda de Foley é introduzida pelo meato urinário, de forma asséptica, e conectada a uma bolsa coletora (STAMM, 1999). Stamm (1998) defende ainda quanto aos fatores de risco de ITU, os fatores alteráveis (variáveis) e inalteráveis (invariáveis). Os primeiros são os que podemos modificar com 28 medidas inerentes ao profissional de saúde e o segundo, são os que dependem exclusivamente do paciente e que o profissional não pode mudar com sua prática. O quadro a seguir, mostra esses fatores. FATORES DE RISCO ALTERÁVEIS FATORES DE RISCO INALTERÁVEIS Indicação da cateterização Sexo feminino Tempo de cateterização Idade avançada Técnicas de cuidado com o cateter Doença subjacente grave Tipo de drenagem do sistema Colonização do meato uretral Utilização de antimicrobianos Fonte: Stamm (1998). Quadro 1: Fatores de risco de infecção associados com a duração da cateterização, segundo a sua possibilidade de alteração de acordo com Stamm (1998). Existem várias vias para os microrganismos infectarem o trato urinário, vai depender do agente causador, do tamanho de seu inóculo e do mecanismo de defesa de seu hospedeiro, muitas vezes comprometido pela quantidade de procedimentos invasivos inerentes, como a cateterização vesical (GAGLIARDI, 2000). A Figura 1 mostra sinteticamente como pode ocorrer essa contaminação através da cateterização vesical. As vias de acesso nos pacientes que fazem uso de SVD à penetração de microrganismos no trato uretral são: contaminação durante a introdução, por via ascendente periuretral (espaço extraluminal entre o cateter e a luz da uretra) e contaminação do sistema de drenagem (intraluminal), como apresentado na figura a seguir (STAMM, 1998; FERNANDES, 2000; HOMENKO, 2003). 29 Fonte: Stamm (1998); Fernandes (2000) e Homenko (2003). Figura 1: Pontos de entrada de bactérias causadoras de infecção do trato urinário associada ao uso da SVD. Não podemos deixar de ressaltar a importância da existência do biofilme (restos de proteínas e toxinas de alguns microrganismos que ficam aderidos na luz do cateter) como importante para a ocorrência de ITU relacionada à SVD, e servem como meio de cultura para a proliferação bacteriana (MAKI, 2001). As complicações e seqüelas que ocorrem com mais freqüência nos pacientes que usam SVD por longo tempo (>10 dias), são elas: infecções recorrentes, prostatites, epididimite, vesiculite seminal e infecção renal. Mas a complicação de maior gravidade são as infecções de corrente sanguínea secundária ao uso de SVD. Essas complicações podem ser evitadas, minimizadas e controladas com a implementação de um programa de vigilância infecções hospitalares, pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) (JUNIOR, 2008). 4.2 PROCEDIMENTO DE SONDAGEM VESICAL DE DEMORA: INSERÇÃO E MANUTENÇÃO A Sondagem Vesical de Demora é um dos procedimentos mais comuns no ambiente de terapia intensiva, que podem ter algumas indicações como: drenagem urinária, mensuração do débito urinário, irrigação vesical em pacientes que apresentam obstrução (coágulos, cálculos ou tumores) ou em pós-operatório de cirurgias urológicas, instilação de 30 medicamentos em pacientes portadores de cistite intersticial (dimetilsulfóxido – DMSO) ou ONCO-BCG como imunoterapia no câncer de bexiga (HOMENKO, 2003). Potter (1998) e Cruz (2005) definem como sondagem ou cateterismo vesical, a introdução de um dispositivo plástico ou de borracha (sonda vesical) estéril pelo meato uretral até a bexiga para drenagem da urina, com o objetivo de promover o completo esvaziamento da urina e de maneira contínua. Porém recomenda-se recorrer a outros métodos de esvaziamento da bexiga, por representar um risco de aquisição de infecção do trato urinário. 4.2.1 Indicação da sondagem vesical de demora, baseado em Potter (1998): - Presença de algum obstáculo à eliminação da urina, como estenose uretral e aumento de volume da próstata. - Pacientes submetidos à cirurgia envolvendo a uretra e/ou as estruturas vizinhas. - Prevenção de obstrução da uretra por coágulos sanguíneos, como tumores de bexiga. - Controle rigoroso de diurese em pacientes inconscientes. - Evitar lesões de pele em pacientes inconscientes ou seriamente desorientados. - Favorecer irrigação contínua ou intermitente da bexiga. 4.2.2 Procedimento para a inserção da SVD, segundo e Homenko (2003) e Cruz (2005): - Verificar a indicação e a finalidade do procedimento; - Escolher a sonda de acordo com o objetivo e sexo do paciente: sexo feminino, do nº 10F ao 14F, e para o sexo masculino, pode-se chegar até ao nº 16F. - Lavar as mãos e preparar o material numa bandeja: pacote de cateterismo vesical esterilizado, contendo cuba-rim, cuba redonda (cúpula), gazes estéreis, luvas estéreis (2 pares), luvas de procedimento não estéril (01 par), solução antisséptica, ampola de água destilada (10 ml), seringa de 10 ml e agulha de 40x12, lubrificante (xylocaína gel), coletor de urina sistema fechado, fita adesiva para fixação da sonda. - Explicar o procedimento para o paciente. - Isolar o ambiente com biombos. - Realizar higiene íntima, com luvas de procedimento não estéril. - Lavar as mãos novamente. - Posicionar o paciente de acordo com o sexo. 31 3.2.1.1 Feminino (posição ginecológica) - Abrir o pacote de cateterismo. - Colocar o antisséptico na cúpula estéril. - Abrir o material descartável e colocá-lo sobre o campo (sonda, gaze, coletor de urina sistema fechado). - Colocar o lubrificante sobre a gaze. - Preparar a seringa com água destilada na quantidade indicada na sonda de Foley. - Calçar luvas estéreis e aproximar o material do cateterismo até a região vulvar. - Testar o balonete da sonda. - Conectar o coletor de urina à sonda de Foley. - Lubrificar a ponta da sonda, mantendo-a protegida com gaze. - Fazer a antissepsia da vulva com o auxílio de uma pinça e da gaze embebida em antisséptico. - Separar os grandes lábios com os dedos indicador e polegar até visualizar o meato urinário, mantendo essa posição até a introdução completa da sonda. - Iniciar a limpeza pelo meato urinário; utilizando uma gaze diferente para cada movimento. - Fazer movimentos de cima para baixo, no sentido púbis-ânus. - Introduzir a sonda no meato sem forçar, até observar a drenagem da urina. - Insuflar o balonete com a seringa e água destilada, tracionando delicadamente a sonda em seguida. - Fixar a sonda com adesivo e prender a bolsa coletora em nível abaixo do corpo (na cama, por exemplo). - Recolher o material, lavar as mãos e anotar no prontuário o procedimento realizado, bem como suas intercorrências. 4.2.2.2 Masculino (decúbito dorsal, com os membros inferiores afastados) - Abrir o pacote de cateterismo. - Colocar o antisséptico na cúpula. - Abrir o material descartável (sonda, gaze, coletor sistema fechado). - Preparar a seringa com água destilada na quantidade indicada pela sonda de Foley. - Calçar as luvas estéreis. - Conectar o coletor de urina sistema fechado à sonda. 32 - Fazer a antissepsia, erguendo o pênis com indicador e o polegar em posição perpendicular ao abdome e exponha a glande; fazendo limpeza em movimentos circulares, partindo sempre do meato urinário. - Lubrificar a sonda com xylocaína gel. - Introduzir a sonda no meato, sem forçá-la, até observar a drenagem da urina. - Insuflar o balonete com água destilada, tracionando delicadamente a sonda, fixando-a na região supra-púbica, mantendo o pênis elevado, prendendo o coletor de urina em nível baixo. - Recolher o material. - Lavar as mãos. - Registrar no prontuário o procedimento, anotando todas as observações e intercorrências. 4.2.3 Principais cuidados relacionados ao procedimento de sondagem vesical, segundo Constantino (1990), Homenko (2003) e Getliffe (2006) - Na escolha do diâmetro do cateter, vimos que quanto maior o diâmetro, melhor a drenagem. Porém, os cateteres de maior calibre podem levar à oclusão das glândulas parauretrais, levando a formação de abscessos e estenose, bem como erosão do esfíncter externo e do ângulo penoescrotal. Por esse motivo, deve-se escolher um diâmetro que, seguramente, não cause nenhum desses traumas, ou seja, um de menor calibre que também favoreça a uma boa drenagem (HOMENKO, 2003). A indicação dos cateteres mais calibrosos somente deve estar restrito a procedimentos urológicos passíveis da formação de coágulos (CONSTANTINO, 1990; GETLIFFE, 2006). - Quanto ao uso de lubrificantes para a introdução da sonda, é preferível o uso de substâncias hidrossolúveis, como a lidocaína geléia a 2%, pois têm sido relatados alguns casos de embolia gordurosa devido à absorção de substâncias oleosas, como a vaselina estéril (HOMENKO, 2003). - A drenagem da urina pode ser verificada da posição intravesical até a extremidade distal da sonda. Porém, em pacientes do sexo masculino, recomenda-se introduzir o cateter até a extremidade distal para que possamos confirmar que o balão de retenção está dentro da bexiga, inviabilizando sua insuflação na uretra. Em casos de imperícia, a extremidade distal do cateter não atingir o “oco” vesical, permanecendo na luz da uretra posterior, ao insuflar o balão, poderemos causar traumatismo uretral, causando graves seqüelas. 33 - Recomenda-se encher o balão de retenção com água destilada, pois as soluções salinas, ou com outros eletrólitos, trazem risco de cristalização após longos períodos, o que podem dificultar a deflação do balão no momento da retirada o cateter. - É ideal encher o balão de retenção com o volume de 5 – 10 ml de água destilada. Sabe-se que a hiperinsuflação pode causar irritação do colo vesical, podendo levar a contrações involuntárias da bexiga, e possíveis perdas urinárias pericateter. 4.2.4 Cuidados com a SVD e sistema coletor de urina - Segundo Pratt (2007), numa revisão no guideline baseado na prevenção de cuidados à saúde do CDC, refere à necessidade de ter uma cuidadosa higienização do meato uretral com água e sabão neutro, uma vez ao dia, ou somente quando necessário. - Utilização de um sistema de drenagem urinária que possa garantir a esterilidade do sistema como um todo, com o uso de bolsas plásticas descartáveis, munidas de alguns dispositivos que visam diminuir ainda mais a incidência de infecção urinária, como válvula anti-refluxo, câmara de gotejamento e local para coleta de urina, de látex auto-retrátil, para exames (HOMENKO, 2003). - Manter a bolsa coletora em nível abaixo do nível de inserção do cateter, evitando refluxo intravesical de urina. - Observar cor da urina drenada, prevenir dobras ou tensões no tubo extensor e monitorar rigorosamente os sinais e sintomas de infecção do trato urinário. - A desconexão do sistema coletor deve ser rigorosamente evitada, pois indicaria a quebra da esterilidade do sistema. Para Stamm (2001), o único motivo para haver a desconexão, é a obstrução do sistema. - Não mais se recomenda trocar a SVD em intervalos pré-determinados. Sua troca deverá ser avaliada individualmente (WONG, 2001; HOMENKO, 2003). - São imprescindíveis a lavagem e higienização das mãos imediatamente antes e após a manipulação de sondas e coletores de urina (HOMENKO, 2003). - A remoção da SVD o mais precoce possível, funciona como um dos principais fatores que devem ser considerados pela equipe de saúde, no âmbito da prevenção de ITU (HOMENKO, 2003; MURPHY, 2007). 34 4.3 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM Estamos no século XXI, onde o cuidar precisa estar numa posição que valorize o ser humano como um todo, sem dividi-lo, examinando-o de forma sistêmica, em sua totalidade, agregando as partes em conjunto, sem interligá-los, mas correlacionando-as. É o que chamamos de holismo, que se opõe ao ponto de vista cartesiano, que não permite interferência de valores humanos e religiosos, bem como qualquer variável relacionada à subjetividade (SILVA, 2003). No contexto da Enfermagem, Reppetto (2005) defende que ela se organiza e expressa sua ação no cuidado ou na assistência ao indivíduo em vários ambientes, nas suas condições de saúde (fenômeno multidimensional, com características individuais e coletivas, que envolve aspectos físicos, psicológicos e sociais da natureza humana). Todavia, os vários fatores que condicionam o bem-estar, o estado de saúde das pessoas, são objetos de preocupação do profissional de enfermagem. Cuidar é mais que um ato, é uma atitude, extrapolando a atenção pura e simples focada num ato, abrangendo zelo e desvelo, refletindo numa atitude de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro. Para realizar esse cuidar, o enfermeiro necessita dispor de alguns artifícios que possam facilitar, sistematizar e organizar todo o processo, visando uma assistência planejada fundamentada em conhecimentos, viabilizando um cuidado objetivo e individualizado, conseguindo assim, o alcance por completo dos objetivos da assistência (REPPETTO, 2005). Para que isso ocorra, usa-se o método da Sistematização da Assistência de Enfermagem – SAE. Ela possibilita que o enfermeiro detecte as necessidades humanas básicas afetadas nos pacientes internados, realize seu diagnóstico, propondo suas intervenções a serem estabelecidas. Em se tratando da melhoria da qualidade da assistência à saúde, sobretudo de enfermagem, é necessário que os gestores dos serviços de saúde tenham uma visão mais ampla no que tange ao alcance de padrões de atendimento cada vez mais elevados. A implementação do processo contínuo da SAE requer vontade política dos administradores, bem como a sensibilização e aceitação por parte dos profissionais das instituições de saúde, além de muito trabalho até sedimentar as atividades destinadas a este fim (ADAMI, 2000). Silva (2005) defende que a visão do enfermeiro da assistência se baseia na antecipação para a execução, com saber científico, enfatizando a necessidade de se anteciparem no preparo de condições para o atendimento das diversas situações clínicas apresentadas pelos pacientes. Para que isso possa acontecer, o enfermeiro deverá prestar o cuidado indireto, que 35 visa o planejamento, organização do ambiente, dos equipamentos e dos materiais para a realização de determinados procedimentos, bem como antes de iniciar sua jornada de trabalho, deve estar com seu espírito de cuidador, disposto a cuidar e ajudar, de maneira globalizada e subsidiada por atitudes humanísticas na relação interpessoal com o paciente. Já os técnicos e auxiliares de enfermagem, se referem à necessidade de se antecipar ou se preparar para o cuidado, sendo ancorado pela dimensão técnica do fazer (SILVA, 2005). No contexto humanização, os enfermeiros devem ressaltar a necessidade de incluir a participação da família no processo de cuidar, considerando que, ao propiciar a aproximação entre o paciente da UTI e seus entes, estão prestando cuidados. Isto pode ser justificado pelo fato de que junto à família, os doentes apresentam melhora no quadro clínico e demonstram bem-estar psicológico e emocional. Marcon (1999) afirma que a presença de alguma doença em um dos membros da família, afeta diretamente esta a família. Quando em um membro há uma hospitalização ou uma doença grave, isso pode alterar diretamente a dinâmica familiar, provocando muitas vezes até crises familiares pelo redimensionamento de papéis que precisa acontecer no núcleo familiar. Em setores críticos, especialmente em Unidade de Terapia Intensiva, a assistência de enfermagem está pautada no modelo biomédico que precedem aos comprometimentos orgânicos, que colocam em risco a vida do ser doente (NASCIMENTO, 2004). É um setor que sempre está em constante situação de emergência, onde a eminência da morte perdura por todo tempo, causando um grande nível de estresse e gerando uma atmosfera emocionalmente comprometida (LEITE, 2005). Em se tratando das infecções hospitalares, especialmente do trato urinário, vimos a necessidade contínua da realização de treinamentos e capacitações sistemáticos para toda a equipe de enfermagem, uma vez que pode ser considerada prevenível desde que se garanta a adequação de todo procedimento da sondagem vesical, que inclui desde a inserção perdurando enquanto seu uso, com todas as manipulações necessárias ao sistema de drenagem urinário. 36 5 METODOLOGIA 5.1 DELINEAMENTO METODOLÓGICO Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem quantitativa e observacional não participante. O estudo descritivo objetiva observar, registrar, analisar e correlacionar os fatos ou fenômenos (variáveis) sem nenhum tipo de manipulação. Descreve precisamente a freqüência da ocorrência do fenômeno, sua relação e ligação com os outros, bem como sua natureza e características, podendo envolver tanto indivíduos isoladamente quanto em grupos (CERVO; BERVIAN, 1996). Para Polit, Beck e Hungler (2004), estudo quantitativo permite a coleta sistemática de informação numérica, mediante condições controladas, analisando as informações coletadas através de estudos estatísticos. Estes afirmam que nesse estudo, o pesquisador se baseia por parâmetros mensuráveis, mostra em números as opiniões e informações referentes ao problema para serem classificadas e analisadas, buscando estabelecer a relação entre causa e efeito entre as variáveis. Segundo Marconi e Lakatos (2003), a observação não-participante somente permite que o pesquisador tenha contato com a realidade pesquisada, mas não se integra a ela, permanecendo fora do contexto. Está presente no fato, mas não participa dele, não permite o envolvimento pelas situações vivenciadas, assumindo o papel de puro expectador. Dessa forma, o procedimento de observação acontece de maneira sistemática, organizada, consciente, com um fim determinado. 5.2 LOCAL DO ESTUDO A pesquisa foi realizada no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), localizado no Município de Natal/RN. Pertencente ao Complexo de Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte/UFRN, o hospital é caracterizado como instituição de ensino universitário de médio porte. É considerado referência terciária para todo o estado tendo sido integrado à rede do Sistema Único de Saúde (SUS) através da Lei Orgânica 8080/90, que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços de saúde correspondentes e dá outras providências. A sua federalização assegura a manutenção, através do Ministério da Educação, das funções de Ensino, Pesquisa e Extensão, nas áreas de cirurgia experimental, medicina familiar e 37 comunitária, clínica médica, clínica cirúrgica, psicofarmacologia, enfermagem, nutrição, fisioterapia, psicologia e serviço social. O HUOL está localizado no distrito sanitário leste do município de Natal-RN. Realizou, em 2008, 108.414 atendimentos ambulatoriais; 3.708 internamentos e 2.731 cirurgias. Possui 179 leitos, para pacientes de ambos os sexos, dos quais 12 leitos são destinados à UTI, 10 leitos destinados à internação de pacientes com distúrbios neurológicos, dos quais destacamos o AVC (Acidente Vascular Cerebral), a esclerose múltipla, a miastenia gravis, e esclerose lateral amiotrófica, 169 leitos para internamentos em enfermaria de clínica médica e clínica cirúrgica. O referido hospital conta com uma Unidade de Diagnóstico por Imagem, que realiza exames de alto custo, com padrão de qualidade e precisão nos resultados tais como: exames radiológicos, ecocardiografia geral, tomografia computadorizada, ecografia mamária, densitometria óssea, exames vasculares, teste ergométrico, ecocardiograma bidimensional com Doppler, dentre outros. Por ser um hospital escola, o HUOL recebe discentes de graduação e pós-graduação dos cursos em medicina, enfermagem, farmácia, fisioterapia, psicologia, nutrição, não esquecendo a residência médica. Sua equipe de trabalho é constituída por 1.179 funcionários, sendo 367 (32,1%) terceirizados. Em se tratando da equipe de apoio, conta com o total de 214 funcionários; destes 112 (52,3%) também são terceirizados. O nível médio conta com 607 (231 terceirizados), e o superior com 358 profissionais, destes, 70 são enfermeiros. Os pacientes que são admitidos no referido hospital são provenientes ou referenciados por unidades básicas de saúde, através da central de marcação de consultas e de outras unidades hospitalares. Optamos em desenvolver a pesquisa na Unidade de Terapia Intensiva do HUOL, pelo fato de que o referido hospital é uma instituição de ensino, que serve como campo de práticas disciplinares e estágios supervisionados para profissionais da área da saúde em cursos de graduação e pós-graduação, e que, praticamente todos os pacientes em cuidados intensivos fazem uso de cateter vesical de demora. 5.3 POPULAÇÃO E AMOSTRA A população deste estudo é composta pela equipe de enfermagem da UTI do HUOL, perfazendo o total de 43 profissionais. Do total, 05 são enfermeiros (efetivos da instituição), 38 37 são técnicos de enfermagem, sendo 10 funcionários efetivos e 27 terceirizados (Instituto Euvaldo Lodi - IEL e Fundação Norte Riograndense de Pesquisa e Cultura - FUNPEC). 5.3.1 Critérios de inclusão dos profissionais de enfermagem - Trabalhar no referido setor; - Estar na escala mensal da UTI durante o período do estudo (maio a junho de 2009); - Que inserem e/ou manuseam a SVD durante o período de coleta de dados; - Participarem das duas etapas da pesquisa. 5.3.2 Critérios de inclusão dos pacientes - Forem admitidos na UTI já em uso da SVD e/ou que receberem a referida sonda (sistema fechado de drenagem urinária) no referido setor; - Na faixa etária compreendida entre 18 e 60 anos. 5.3.3 Critérios de exclusão dos profissionais - Se ausentarem do setor durante o procedimento de coleta de dados. - Recusar a participar de uma das etapas da pesquisa. 5.3.4 Critérios de exclusão dos pacientes - Portadores de doenças de base que possam comprometer a pesquisa, como patologias oncológicas ou urológicas ou AIDS; - Que forem admitidos na UTI com alguma infecção urinária ou em qualquer outro sítio corpóreo; Na fase observacional e inicial desta pesquisa tivemos a participação de 43 profissionais de enfermagem. No entanto, para a aplicação das entrevistas, tivemos uma negação ao responder a entrevista, ficando com 42 pesquisados, totalizando 97,7% de profissionais, deles cinco foram enfermeiros e funcionários efetivos, e 37 técnicos de enfermagem, sendo 27 terceirizados (bolsistas) e 10 funcionários efetivos da UFRN. 39 Na primeira fase desta pesquisa (observacional), tivemos a participação de 43 profissionais de enfermagem. No entanto, para segunda a fase (entrevistas), tivemos uma negação ao responder, permanecendo com 42 pesquisados (97,7% de profissionais); deles, cinco foram enfermeiros e funcionários efetivos, e 37 técnicos de enfermagem, sendo 27 terceirizados (bolsistas) e 10 funcionários efetivos da UFRN. 5.4 INSTRUMENTOS Os instrumentos são considerados como uma técnica para a coleta de dados utilizada na pesquisa descritiva (como entrevista, questionário e o formulário), necessitando serem elaborados baseados no problema a ser estudado. Dependem dos diversos fatores relacionados à pesquisa, ou seja, da natureza dos fenômenos, do objeto da pesquisa, dos recursos financeiros, da equipe humana e de outros elementos que possam surgir no durante a investigação (CERVO; BERVIAN, 1996; MARCONI; LAKATOS, 2003). A construção do instrumento é uma etapa muito importante na pesquisa, onde se precisa de tempo para seu planejamento adequado (MARCONI; LAKATOS, 2003). Na primeira fase desta pesquisa (observacional: check list), tivemos a participação de 43 profissionais de enfermagem. No entanto, para segunda a fase (entrevistas), tivemos uma negação ao responder, permanecendo com 42 pesquisados (97,7% de profissionais); deles, cinco foram enfermeiros e funcionários efetivos, e 37 técnicos de enfermagem, sendo 27 terceirizados (bolsistas) e 10 funcionários efetivos da UFRN. O primeiro instrumento de coleta de dados foi constituído por um roteiro estruturado de observação não participante, tipo check list baseado no procedimento de sondagem vesical de demora, segundo Potter (1998) e Cruz (2005), nos principais cuidados relacionados ao procedimento de sondagem vesical, segundo Homenko (2003) e Pratt (2007) (Apêndice A). O segundo instrumento destinado à avaliação de conhecimento é um questionário estruturado, elaborado pelo pesquisador, onde buscamos captar o conhecimento dos participantes sobre os passos do procedimento de sondagem vesical de demora, incluindo tanto a inserção quanto a manutenção da SVD enquanto seu uso (Apêndice B). Este instrumento é composto de três partes, sendo 10 questões de caracterização da população, 9 relacionados ao procedimento de sondagem vesical de demora e 5 sobre os cuidados quanto à manutenção da sonda. Os dois instrumentos (check list e questionário) foram testados previamente a partir de simulações de situações por alunos de enfermagem, também testados com alguns 40 profissionais de enfermagem que atuam em outros setores do referido hospital, objetivando validar o conteúdo, formatação e adequação dos itens presentes no instrumento aos objetivos do estudo. 5.5 VARIÁVEIS DO ESTUDO As variáveis do trabalho são os aspectos, propriedades ou fatores reais que possam conter medidas ou classificação, algo que apresenta valores, que podem ser quantidades, qualidades, características, magnitudes, traços, etc., que podem se alterar em cada caso particular (CERVO; BERVIAN, 1996). Para Marconi e Lakatos (2003), as variáveis são divididas em variáveis independentes e dependentes. As variáveis independentes são aquelas que influenciam, alteram, determinam ou afetam outra variável. É o fator que pode ser manipulado pelo pesquisador na tentativa de assegurar a relação do fator com um fenômeno observado ou a ser descoberto, checar que influência exerce sobre um possível resultado, sendo numa pesquisa chamada de antecedente (MARCONI, 2003). Para este estudo, consideraremos como variáveis independentes o conhecimento, conduta do procedimento de sondagem vesical de demora e cuidados com o sistema coletor. Estas variáveis foram coletadas por meio de check list de observação e questionário utilizados (Apêndices A e B). 5.5.1 Variáveis independentes O quadro a seguir abordará os indicadores relacionados às variáveis de conduta quanto ao procedimento de sondagem vesical de demora e os cuidados com o sistema durante seu uso, os quais foram categorizados como adequados ou inadequados. Utilizamos para esse fim, as sugestões e recomendações dadas por Cruz (2000), Fernandes (2000), Wong (2001) e Homenko (2003). INDICADORES CATEGORIZAÇÃO DA OBSERVAÇÃO 1 Variáveis do Procedimento da sondagem vesical de demora 1.1 Indicação clínica para Adequado (A): controle hidro-eletrolítico rigoroso. inserção da SVD Inadequado (I): quando não contemplar o item anterior. 1.2 Escolha da sonda de Adequado (A): feminino nº 10 a 14; masculino até o nº16. acordo com o sexo Inadequado (I): quando não contemplar os itens anteriores. 1.3 Lavagem das mãos Adequado (A): uso de água e sabão líquido neutro, contemplando todas as áreas das mãos (palma e dorso da mão, 41 1.4 Conteúdo da bandeja para o procedimento de sondagem vesical 1.5 Realização da higiene íntima com luvas de procedimento não estéril 1.6 Abertura do pacote de cateterismo 1.7 Abertura do material descartável e colocação sobre o campo 1.8 Preparação da seringa com água destilada na quantidade indicada na sonda de Foley 1.9 Lubrificação da ponta da sonda, mantendo-a protegida com gaze 1.10 Sexo feminino: Realização antissepsia da vulva com auxílio de uma pinça e da gaze embebida em antisséptico 1.11 Sexo masculino: Realização da antissepsia do pênis unhas, dedos (incluindo polegares), interdígitos, punhos). Antes e após o manuseio dos referidos dispositivos. Inadequado (I): quando não contemplar os itens anteriores. Adequado (A): cuba-rim, cúpula, gazes estéreis, 01 par de luvas estéril, pinças, solução antisséptica, ampola de água destilada (10 ml), seringa de 10 ml, agulha, lidocaína gel, sonda vesical de demora e coletor de urina sistema fechado. Inadequado (I): quando não contemplar os itens anteriores. Adequado (A): seguindo sentido unidirecional da genitália (do limpo para o sujo). Inadequado (I): quando não contemplar o item anterior. Adequado (A): tocando com as mãos na parte externa do pacote, com cuidado para não tocar a parte interna (estéril). Inadequado (I): quando não contemplar o item anterior. Adequado (A): sonda, gaze e coletor de urina sistema fechado, com cuidado para não contaminar o campo. Inadequado (I): quando não contemplar os itens anteriores. Adequado (A): com cuidado para não contaminar a mão enluvada. Inadequado (I): quando não contemplar o item anterior. Adequado (A): desprezar a primeira porção e colocar sobre a gaze a porção seguinte, com cuidado para não tocar a gaze. Em seguida, passar o lubrificante na sonda da porção proximal para a distal. Inadequado (I): quando não contemplar os itens anteriores. Adequado (A): separar os grandes lábios com os dedos indicador e polegar até visualizar o meato urinário, mantendo essa posição até a introdução da sonda. Iniciar a limpeza pelo meato urinário; utilizando uma gaze diferente para cada movimento. Fazer movimentos de cima para baixo, no sentido púbis-ânus. Inadequado (I): quando não contemplar os itens anteriores. Adequado (A): erguer o pênis com indicador e polegar em posição perpendicular ao abdome e expor a glande, limpando em movimentos circulares, partindo sempre do meato urinário. Inadequado (I): quando não contemplar os itens anteriores. 1.12 Introdução da sonda sem forçar, até a drenagem Adequado (A): realizando movimentos suaves com as mãos. urinária, insuflando o balão Inadequado (I): quando não contemplar os itens anteriores. em seguida. 2 Variáveis de Cuidados com a SVD e sistema coletor de urina Adequado (A): utilizar água e sabão neutro pelo menos uma vez 2.1 Higienização do meato ao dia ou sempre que necessário. uretral Inadequado (I): quando não contemplar os itens anteriores. 2.2 Utilização do sistema Adequado (A): sistema com válvula anti-refluxo, câmara de fechado de drenagem gotejamento e látex auto-retrátil para coleta de urina. urinária Inadequado (I): quando não contemplar os itens anteriores. Adequado (A): colocando-a em nível abaixo ao da inserção da 2.3 Posicionamento da bolsa SVD. coletora evitando dobras Inadequado (I): quando não contemplar o item anterior. 2.4 Troca do sistema de Adequado (A): somente em casos de obstrução do sistema. 42 drenagem Inadequado (I): quando não contemplar os itens anteriores. Adequado (A): somente em casos de problemas de 2.5 Troca de SVD funcionamento da sonda. Inadequado (I): quando não contemplar o item anterior. Adequado (A): quando não houver mais indicação clínica do uso 2.6 Remoção da SVD da SVD. Inadequado (I): quando não contemplar o item anterior. 3 Coleta de urina para cultura 3.1 Durante a inserção da Adequado (A): utilizar local específico existente no sistema. sonda Inadequado (I): quando não contemplar o item anterior. 3.2 Após 7 (sete) dias Adequado (A): utilizar local específico existente no sistema. ininterruptos do uso da SVD Inadequado (I): quando não contemplar o item anterior. Quadro 2: Caracterização das condutas do procedimento de sondagem vesical de demora pela equipe de enfermagem, segundo categorias de verificação. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. A seguir, mostramos um quadro que retrata a variável de conhecimento sobre o procedimento de inserção/manutenção da SVD, sistema de drenagem fechado e seus indicadores operacionais. INDICADORES CATEGORIZAÇÃO DA RESPOSTA 1 Variáveis sobre procedimento de sondagem vesical de demora 1.1 Referência a existência de 1. Sim protocolo sobre a sondagem vesical 0. Não de demora 1.2 Freqüência de consulta ao 1. Sim/Às vezes protocolo institucional durante a 0. Raramente/Nunca realização do procedimento 1.3 Procedimento na escolha do 1. Indicação clínica, sexo, idade e biotipo diâmetro da SVD 0. Quando não responde ao item acima 1. Cuba-rim, cúpula, gazes estéreis, 02 pares de luvas estéreis, 01 par de luvas de procedimento não estéril, solução antisséptica, ampola de água destilada (10 1.4 Conteúdo da bandeja da SVD ml), seringa de 10 ml, agulha, lidocaína gel, coletor de urina sistema fechado, fita adesiva. 0. Quando não responde ao item acima 1. Uso de água e sabão líquido neutro, contemplando todas as áreas das mãos (palma e dorso da mão, 1.5 Procedimento de lavagem e unhas, dedos-incluindo polegares-, interdígitos, higienização das mãos punhos). 0. Quando não responde ao item acima 1.6 Tempo de execução da 1. Antes e após o manuseio dos referidos dispositivos lavagem e higienização das mãos 0. Quando não responde ao item acima Quando executar a lavagem e higienização das mãos 1. Um ou dois pares, a depender da existência de kit de 1.7 Número de pares de luvas cateterismo vesical. estéreis 0. Quando não responde ao item acima 43 1.8 Momento de conecção do sistema coletor de urina 1. Antes inserção 0. Após inserção 1. Vulva: Separar os grandes lábios com os dedos indicador e polegar até visualizar o meato urinário, mantendo essa posição até a introdução da sonda. Iniciar a limpeza pelo meato urinário; utilizando uma gaze diferente para cada movimento. Fazer 1.9 Procedimento da antissepsia da movimentos de cima para baixo, no sentido púbisvulva e do pênis ânus. Pênis: Erguer com indicador e polegar em posição perpendicular ao abdome e expor a glande, limpando em movimentos circulares, partindo sempre do meato urinário. 0. Quando não responde ao item acima 1.10 Se masculino: lubrifica a ponta 1. 1. Lubrifica a ponta da sonda da sonda ou introduz anestésico na 0. 0. Introduz anestésico no meato com seringa antes da uretra com seringa antes da inserção inserção 2 Variável de conhecimento sobre os cuidados na manutenção da SVD 2.1 Realização da higienização do 1. Uma vez ao dia ou quando necessário; com água e meato uretral: momento, freqüência sabão neutro. Sempre após as eliminações urinárias e e produtos que utiliza intestinais ou quando necessário. 0. Quando não responde ao item acima 2.2 Utilização do sistema fechado de 1. Sim drenagem urinária 0. Não 2.4 Conhecimento das características 1. Sim necessárias ao sistema fechado de 0. Não drenagem urinária 2.4 Medidas para eventual 1. Trocar sistema desconexão da SVD e sistema de 0. Reconectar drenagem 2.5 Troca da SVD em intervalos 1. Não previamente determinados 0. Sim Quadro 3: Caracterização do conhecimento sobre o procedimento de sondagem vesical de demora, segundo sua definição teórica. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. Com o intuito de melhor avaliar o conhecimento ao abordarmos as questões onde possibilitam a existência de várias respostas, decidimos elaborar o quadro a seguir, onde categorizamos o conhecimento como adequado e inadequado, de acordo com a composição da bandeja da SVD e como executa a lavagem das mãos. Com o intuito de melhor avaliar o conhecimento ao abordarmos as questões onde possibilitam a existência de várias respostas, decidimos elaborar o quadro a seguir, que demonstra o conhecimento como adequado e inadequado, de acordo com o número de acertos sobre a composição da bandeja da SVD e com a forma de execução da lavagem das mãos. O instrumento de conhecimento continha 03 itens (subdividido em 25 subitens), em dois itens (Procedimento de sondagem vesical de demora e Cuidados na manutenção da SVD) 44 foi necessário fazer uma recategorização por estar subdividido em várias opções, adotando a classificação por número de acertos e erros em cada um deles, para a classificação final do item, como correto e incorreto. Tendo em vista que as variáveis de conteúdo eram compostas cada uma delas, por 8 subitens, tivemos que categorizar o escore referido desses 2 itens, adotando como critério para o conhecimento correto, o número igual a superior subitens corretos (70%) como sendo escore 1 e freqüência inferior a 5 acertos, como escore 0. VARIÁVEIS DE CONHECIMENTO Conteúdo da bandeja da SVD Como executar a lavagem e higienização das mãos CATEGORIZAÇÃO ESCORE Conhecimento correto 1 > 5 acertos (70%) Conhecimento incorreto 0 < 5 acertos (70%) Quadro 4: Conhecimento quanto ao conteúdo da bandeja e a lavagem das mãos, segundo categorização e freqüência. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. Para categorizar o grau de conhecimento, apresentaremos a seguir um quadro resumido que mostra os escores do conhecimento, a classificação do grau e a categorização. ESCORE DO CONHECIMENTO CLASSIFICAÇÃO CATEGORIZAÇÃO PRIMÁRIA CLASSIFICAÇÃO FINAL 30 a 26 Ótimo 25 a 21 Bom 20 a 15 Regular < 15 Ruim Adequado Inadequado Quadro 5: Classificação final das adequações de conhecimento do procedimento sobre sondagem vesical, segundo os escores obtidos na avaliação do conhecimento. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. 5.5.2 Variáveis dependentes Podemos dizer que as variáveis dependentes são os valores a serem descobertos ou explicados, por serem influenciados pela variável independente. É o fator que pode aparecer 45 ou desaparecer de acordo com o momento vivenciado, onde o pesquisador pode introduzir, retirar ou modificar a variável independente; onde o resultado é o produto de algo que foi manipulado. Numa pesquisa é a chamada de conseqüente (MARCONI; LAKATOS, 2003). Consideraremos como variável dependente desta pesquisa a presença da Infecção do Trato Urinário. Para diagnosticar a infecção do trato urinário de maneira universal, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças/EUA estabeleceu alguns critérios a serem seguidos, e basicamente estão relacionadas aos achados clínicos e resultados laboratoriais, a observação direta do paciente, e a impressão dos clínicos e cirurgiões na determinação das condutas. O CDC classifica a bacteriúria em sintomática do trato urinário, bacteriúria assintomática e outras infecções do trato urinário. Vale salientar que os sintomas citados pelo mesmo órgão, exceto a febre, somente é identificada após a remoção da SVD. Apresentaremos no quadro 6 os critérios diagnósticos de infecção do trato urinário sintomático (ITUS) segundo Tambyah (2000) e Maki (2001). CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DE ITUS PRIMÁRIOS - Febre (T > 37,8ºC) - Urgência e frequência miccional - Disúria ou dor/sensibilidade suprapúbica SECUNDÁRIOS - Teste em fitas, para estearase de leucócitos e/ou nitrato; - Piúria (> 10 leucócitos/ml³ ou > 3 leucócitos/campo. - Organismos vistos em coloração de Gram de urina não-centrifugada; - Duas culturas de urina com o mesmo agente (gram-negativa ou Staphylococcus saprophyticus) com > 10² colônias/ml de urina; - Cultura de urina com > 105 colônias/ml de um único patógeno em paciente tratado com antibioticoterapia adequada; - Cultura de urina com > 105 colônias/ml de um único patógeno em paciente tratado com terapia antimicrobiana adequada; - Diagnóstico médico, bem como a instituição de antibioticoterapia apropriada. CATEGORIZAÇÃO DA ITU SINTOMÁTICA Presença: a partir de dois dos sinais primários descritos e mais um dos secundários Ausência: apenas um sinal primário com ou sem os secundários Fonte: Elaborado pelo investigador a partir de Tabyah (2000) e Maki (2001). Quadro 6: Critérios diagnósticos de infecção sintomática do trato urinário (ITUS) em adultos e categorização, segundo classificação. Em se tratando de outras infecções do trato urinário, também encontramos a bacteriúria assintomática como de bastante frequência em pacientes de UTI. Vale salientar 46 que se não forem obedecidos critérios para o diagnóstico de bacteriúria assintomática, tornase difícil sua detecção, pela ausência de sintomatologia urinária e/ou sistêmica que caracteriza este tipo de infecção, sendo assim considerada como uma infecção silenciosa, e que pode causar complicações e/ou sequelas ao paciente. Mostramos no quadro 7 os critérios diagnósticos de bacteriúria assintomática em adultos segundo Tambyah (2000) e Maki (2001). CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DE BACTERIÚRIA ASSINTOMÁTICA DO TRATO URINÁRIO CATEGORIZAÇÃO DA BACTERIÚRIA PRIMÁRIOS SECUNDÁRIOS - Presença de cateter urinário 7 dias antes da urocultura (normalmente sem febre T > 37,8ºC) - Urgência, freqüência, disúria ou dor/sensibilidade suprapúbica - Cultura de urina de > 105 organismos/ml, com no máximo duas espécies de bactérias - Não existência de cateter urinário 7dias antes da primeira das 2 uroculturas a serem realizadas Urocultura com > 105 organismos/ml do mesmo agente causador, com até duas espécies de bactérias - E o paciente não apresentar febre (> 37,8ºC), urgência, frequência, disúria ou dor/sensibilidade suprapúbica. Presença: todos os sinais primários ou todos os secundários Ausência: apenas um ou dois sinais primários ou secundários Fonte: Elaborado pelo investigador a partir de Tabyah (2000) e Maki (2001). Quadro 7: Critérios diagnósticos de bacteriúria assintomática do trato urinário em adultos e categorização, segundo classificação. Observa-se que o Quadro 7 mostra dois grupos de critérios, primários e secundários. Para estabelecer o diagnóstico de bacteriúria assintomática, é necessário considerar a presença de todos os sinais e sintomas dos critérios primários ou dos secundários. Para finalizar, apresentamos resumidamente os critérios diagnósticos para outras infecções que atingem o trato urinário. Nelas estão incluídas as infecções que atingem o rim, ureter, bexiga ou tecidos outros envolvendo o espaço retroperitoneal ou perinefrético. 47 CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DE OUTRAS INFECÇÕES DO TRATO URINÁRIO CATEGORIZAÇÃO OUTRAS ITU PRIMÁRIOS SECUNDÁRIOS - Agentes isolados de cultura ou de fluido (que não seja urina) ou de tecido de local afetado. Febre (> 37,8ºC), dor localizada ou - Abscesso ou sensibilidade no outra evidência de sítio envolvido. infecção observada diretamente, durante cirurgia ou por exame histopatológico. TERCIÁRIOS - Drenagem purulenta do local afetado; - Organismo isolado de cultura sanguínea sem outro foco aparente de infecção; - Evidência radiográfica de infecção (resultados anormais de ultrasonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, cintilografia); - Diagnóstico médico, bem como instituição de antibioticoterapia pelo médico. Presença: um dos sinais primários descritos e dois dos secundários e um dos terciários Ausência: nenhum dos primários, um dos secundários e nenhum dos terciários Fonte: Elaborado pelo investigador a partir de Tabyah (2000) e Maki (2001). Quadro 8: Critérios diagnósticos de outras infecções do trato urinário em adultos, segundo classificação. 5.5.3 Variáveis de caracterização Nesta pesquisa, as variáveis de caracterização da população da equipe de enfermagem que foram trabalhadas foram: vínculo institucional e/ou em outra instituição, categoria profissional, escolaridade, sexo, idade, tempo de experiência em UTI, quantidade de procedimentos de sondagem vesical de demora (SVD) no último mês, informação sobre os conhecimentos de SVD e se participou de algum treinamento nos últimos dois anos de serviço. 48 VARIÁVEIS DE CARACTERIZAÇÃO Pessoal Sexo Idade Escolaridade Profissional Categoria profissional Vínculo institucional Vínculo em outra instituição Tempo de atuação em UTI Quantidade de procedimentos de sondagem vesical de demora no último mês Quanto aos conhecimentos sobre SVD, sente-se informado? Participação em curso ou treinamento sobre SVD nos últimos 2 anos? ESCALAS / CRITÉRIOS Masculino/Feminino Em anos Ensino médio completo/Graduação Técnico em enfermagem/Enfermeiro UFRN/IEL/FUNPEC (estagiário bolsista) Sim/Não < 2 anos e > 2 anos Número de vezes Sim/Não Sim/Não Quadro 9: Variáveis de caracterização da população da equipe de enfermagem, segundo categorias de verificação. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. Em se tratando do pressuposto que existe uma associação entre a ocorrência de ITU (variável independente) e o conhecimento e conduta sobre o procedimento de SVD (variável dependente), propomos o seguinte modelo esquemático (Figura 2). VARIÁVEL INDEPENDENTE Conhecimento e conduta sobre o procedimento de SVD VARIÁVEL DEPENDENTE Ocorrência de ITU Figura 2: Modelo de associação entre as variáveis independente e dependente. Finalizando, na descrição e apresentação das variáveis desta pesquisa, abordamos a seguir os aspectos éticos específicos e atendidos para sua execução. 49 5.6 ASPECTOS ÉTICOS A pesquisa foi desenvolvida após o consentimento prévio da Direção do Hospital Universitário Onofre Lopes/HUOL, bem como da Direção de Enfermagem (APÊNDICE C e D); em seguida o projeto foi submetido à apreciação do Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) do HUOL/UFRN, respeitando a normatização da Resolução 196/96 (BRASIL, 1997), no que se refere aos aspectos éticos observados quando da realização da pesquisa envolvendo seres humanos (ANEXO A). O projeto foi aprovado pelo CEP sob parecer nº 278/09, em 05 de maio de 2009. Somente a partir da aprovação, procedemos com o início dos procedimentos cabíveis para a coleta de dados observacionais dos pacientes incluídos na pesquisa e das entrevistas aos profissionais de enfermagem, após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) dos participantes da pesquisa (pacientes e profissionais entrevistados). 5.7 PROCEDIMENTO PARA A COLETA DE DADOS Antes do início da coleta de dados, 13 acadêmicos de enfermagem foram treinados com aulas teóricas e práticas observacionais. As aulas teóricas e práticas foram ministradas em 40 horas em curso de extensão, no laboratório de Semiotécnica do Departamento de Enfermagem/UFRN. Após esta etapa, os alunos foram para os setores do HUOL aplicar os primeiros instrumentos como teste, sob a responsabilidade direta da mestranda e com supervisão do orientador. 5.7.1 Observação do procedimento Iniciou-se a coleta de dados e informações através do acompanhamento e observação de todos os procedimentos relacionados à sondagem vesical que ocorreram entre os períodos de 7 até 22 horas, todos os dias da semana, pela pesquisadora e acadêmicos de enfermagem devidamente treinados e escalados, após consentimento voluntário do paciente ou responsável (assinando o TCLE). Primeiramente foi aplicado, pelo pesquisador e colaboradores, instrumento individual (Apêndice A) no momento da realização do procedimento de cateterismo vesical de demora realizado pela equipe de enfermagem, bem como registrados todos os manuseios com o sistema de drenagem urinário, durante o período de 18/05/09 até 10/07/09. 50 5.7.2 Entrevista Somente após a conclusão da primeira etapa (observacional), partimos para a realização da entrevista com a aplicação do questionário (Apêndice B) para detectarmos o conhecimento da equipe de enfermagem perante o procedimento de sondagem vesical, no período de 11/07 até 18/07/09. Durante as duas etapas, foram observadas a coleta de algumas culturas de urina urocultura, bem como levantados dados em prontuário acerca da realização deste procedimento devendo, quando necessário, ser colhida pela enfermagem no momento do procedimento de sondagem vesical, bem como após 7 (sete) dias consecutivos e ininterruptos da utilização da mesma SVD, ou quando indicado para o diagnóstico de ITU. 5.8 PROCEDIMENTO PARA TRATAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS Os dados coletados foram transferidos para uma planilha do aplicativo Microsoft Excel, em seguida, exportado e analisado no programa Statistical Package for Social Science (SPSS) versão 15.0 Windows. Para analisar o conhecimento e as condutas do procedimento de sondagem vesical, aplicamos as análises estatística descritiva - distribuição em freqüências relativas e absolutas, média e desvio padrão (DV) e testes inferenciais não paramétricos, teste Qui-Quadrado - χ2, Teste Exato de Fisher e Mann-Whitney U. Foi adotado o ρ < 0,05 como nível de significância estatístico, tendo em vista que a nossa população de estudo não apresenta distribuição normal e pareada. Para verificação da diferença significativa entre as variáveis nominais, entre as variáveis de conduta (quantidade de inadequações com a SVD e sistema, tempo de permanência na UTI e com a SVD) e a ocorrência de ITU nos pacientes pesquisados, realizamos os testes de Mann-Whitney U; coeficiente de contingência (r) e o teste QuiQuadrado - χ2, e para frequências inferiores a 5, usamos o Teste Exato de Fisher em substituição ao χ2; risco relativo e correlação de Spearman (r < 0,50 = fraca; 0,50 ≥ r ≤ 0,74 = moderada; r ≥ 0,75= forte), na análise da associação entre as variáveis independentes e dependente do estudo. 51 Para a identificação do grau de conhecimento e adequação de condutas, usamos o teste Mann-Whitney e correlação de Spearman na verificação de associação entre essas variáveis e a ocorrência de infecção urinária nos pacientes do estudo. Para a definição do cálculo de risco, utilizamos a média da ocorrência de erros dos profissionais pesquisados e estabelecemos duas categorias, abaixo da média como sendo menor risco e acima da média, como maior risco de infecção urinária. 6 RESULTADOS E DISCUSSÃO Abordamos a seguir, os resultados obtidos pelo presente estudo. Para facilitar o entendimento, os resultados são apresentados em resposta aos objetivos propostos para esta pesquisa. Para isso, iniciamos caracterizando os participantes, seguindo-se dos achados que se trata dos conhecimentos do procedimento de sondagem vesical de demora. Logo após, mostramos as condutas relacionadas aos procedimentos de sondagem vesical de demora executados pelo enfermeiro e técnico de enfermagem, e por último, mostramos a associação entre a inserção e manutenção da SVD/sistema de drenagem com a ocorrência de infecção do trato urinário. 6.1 CARACTERIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES DO ESTUDO (PACIENTES E PROFISSIONAIS) Foram observados 38 pacientes que usaram SVD durante o período da coleta, deles 6 (15,8%) inseriram a sonda na UTI e foram observados desde a inserção até a manipulação, e 32 (84,2%) foram observados apenas na manipulação do sistema. Quanto a equipe de enfermagem, foram pesquisados 42 profissionais, sendo cinco (5) enfermeiros e 37 técnicos de enfermagem, deles 73,0% eram terceirizados (FUNPEC e bolsistas do IEL) e 27,0% servidores da UFRN, enfermeiros e técnicos de enfermagem. 52 Tabela 1: Caracterização sócio-demográfica dos profissionais de enfermagem, segundo vínculo institucional. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. CARACTERIZAÇÃO SÓCIODEMOGRÁFICA VÍNCULO INSTITUCIONAL Terceirizado χ2/Fisher * Total Funcionário ρ N % N % N % Sexo Masculino Feminino 9 18 21,4 42,9 4 11 9,5 26,2 13 29 31,0 69,0 0,466 * Faixa etária (anos) 21 a 35 36 a 50 19 8 45,2 19,0 6 9 14,3 21,4 25 17 59,5 40,5 0,055 Escolaridade Nível médio Nível superior Total 27 0 27 64,3 0,0 64,3 10 5 15 23,8 11,9 35,7 37 5 42 88,1 11,9 100,0 0,004 * Analisando a tabela acima, observamos que há maior predominância de funcionários do sexo feminino, 29 (69%), sendo em sua maioria com vínculo terceirizado (bolsista), com 18 (42,9%). Em relação à faixa etária, predominou 21 a 35 anos, com 25 (59,5%), presentes em sua maioria também no vínculo terceirizado 19 (45,2%). Encontramos significância estatística no que se refere à escolaridade (ρ = 0,004), onde 37 (88,1%) dos participantes estão no nível médio, sendo 27 (64,3%) no vínculo terceirizado. No setor em estudo, os profissionais são mais jovens, com uma maior predominância de técnicos de enfermagem, talvez em decorrência da alta rotatividade de bolsistas terceirizados (FUNPEC E IEL). Percebemos que os funcionários servidores tem mais idade que os terceirizados, e que existe uma predominância de estagiários jovens na instituição, especialmente os técnicos de enfermagem. Esse fato, provavelmente é justificado pela forma de contratação terceirizada, que por ter um tempo determinado de contrato, são periodicamente trocados por outros novatos e inexperientes, mantendo sempre equipes novas em idade e necessitando de constante treinamento. 53 Shimizu (2002) também cita a predominância de profissionais de enfermagem do sexo feminino, que pode ser justificado pela necessidade de se ter qualidades inerentes ao sexo feminino para o cuidar dos doentes. Já Lopes (2005), complementa com o fato de que coexiste com cuidado doméstico às crianças, aos doentes e aos velhos, associados à figura da mulhermãe, que desde sempre foi curandeira e detentora de um saber informal de práticas de saúde além da marca religiosa impressa, transmitido de mulher a mulher; e que a sustentação do trabalho masculino na enfermagem se dá pelos atributos relacionados à força física. Ainda Lopes (2005) refere em seu estudo que em 1987, existia em todas as categorias da equipe de enfermagem, uma predominância do sexo feminino, sendo 94,1% dos enfermeiros e de 89% para os técnicos. Informa também que até 2003, esses valores apresentado um aumento de caráter gradual e estável na quantidade de profissionais de enfermagem do sexo masculino. Comparando na categoria de enfermeiros, o índice aumentou de 5,9% (na década de 80) para 7,9% (20 anos depois). Dados semelhantes aos nossos foram encontrados por Koizumi (1998) num estudo realizado nas UTIs do município de São Paulo, onde a faixa etária predominante foi de até 35 anos; e tinham de 1 a 10 anos de tempo de formatura. Em seu trabalho de Miyadahira (1999) mostra, uma predominância de 26 a 35 anos (59,5%) de enfermeiros numa Unidade de Terapia Intensiva do município de São Paulo. Após a conclusão das discussões sobre a caracterização da população pesquisada, abordaremos a seguir, a discussão a respeito de seus dados profissionais complementares, estabelecendo associação entre eles e ao procedimento de sondagem vesical de demora (inserção e manutenção). 54 Tabela 2: Caracterização dos pesquisados, segundo categoria profissional. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. CATEGORIA PROFISSIONAL CARACTERIZAÇÃO Enfermeiro Técnico de enfermagem % N χ2 Total N % ρ 23,3 65,1 15 27 34,9 65,1 0,001 25 12 59,5 27,9 30 12 71,4 27,9 0,168 4,8 7,1 19 18 45,2 42,9 21 21 50,0 50,0 0,500 0 5 0,0 11,9 13 24 31,0 57,1 0 29 31,0 69,0 0,140 Sente informado Sim Não 5 0 11,9 0,0 36 1 85,7 2,4 41 1 97,6 2,4 0,881 Total 5 11,9 37 88,4 42 100,0 N % Vínculo Institucional UFRN Terceirizado 5 0 11,6 0,0 10 27 Outra instituição Sim Não 5 0 11,6 0,0 Tempo de experiência em UTI Até 5 anos > 5 anos 2 3 Participou de treinamento SVD Sim Não Vimos que os profissionais com vínculo da UFRN perfazem o total de 34,9%, sendo todos os enfermeiros servidores (100%) e 23,3% dos técnicos, em detrimento de 65,1% de técnicos de enfermagem que possuem outro vínculo empregatício, como FUNPEC e IEL. Em se tratando de vínculo empregatício, encontramos diferença significativa (ρ = 0,001) quanto ao número maior de profissionais que não possuem vínculo seguro (65,1%). Estes profissionais são trocados frequentemente (contrato temporário), sempre existindo profissionais novos e necessitando de constante treinamento. Acerca da existência de outro vínculo empregatício, nota-se que 71,4% dos observados apresentaram a existência de outro e que 59,5% deles são técnicos de enfermagem, o que nos leva a crer que com a duplicidade de carga horária diária a serem 55 cumpridas, possa levar a uma maior ocorrência de desgaste físico, emocional e de concentração, podendo levar a equívocos iatrogênicos na prática diária (ρ = 0,168). Em relação ao tempo de experiência em UTI, a tabela acima mostra que 21 (50,0%) dos pesquisados tinham experiência de mais de cinco anos em UTI, e 21 (50,0%) referiram ter até cinco anos de experiência, o que nos leva a concluir a não existência de interferência dos seus conhecimentos nas suas condutas observadas. Encontramos na maioria dos pesquisados a presença de outro vínculo empregatício, com 30 (71,4%), sendo 25 (59,5%) na categoria de técnico de enfermagem e 5 (11,6%) enfermeiros. Em relação à questão se sente informado sobre o procedimento de SVD, a maioria refere que sim, com 97,7% do total, sendo 11,9% dos enfermeiros e 85,7% dos técnicos de enfermagem. No item que questiona o quantitativo de procedimentos de sondagem vesical no último mês, a média referida pelos enfermeiros pesquisados foi de aproximadamente 5 procedimentos, mas que não realizados todos na UTI do hospital em questão. Em pesquisa realizada por Silva (2008) afirma que, por ser um hospital de ensino justificaria a contratação de técnicos terceirizados (IEL e FUNPEC), que ali existiam para serem treinados e que não assumiriam em sua totalidade os cuidados diretos ao paciente crítico, mas sim, acompanhados por um funcionário efetivo e sob a supervisão do enfermeiro do setor. No entanto, foi evidenciado que os bolsistas assumem os cuidados em sua totalidade. Quando se tem mais de um vínculo empregatício, existe uma maior possibilidade de ocorrência de equívocos, devido sua sobrecarga. Essas ocorrências iatrogênicas não são somente efeitos indesejáveis ao paciente, são extremamente prejudiciais, remetendo inevitavelmente ao contexto da avaliação da qualidade nos serviços de saúde (PADILHA, 2001). Este mesmo autor relata que a maioria das iatrogenias estava relacionada ao manuseio das vias aéreas e dos drenos, tubos e cateteres. No entanto dados contrários aos deste estudo foram encontrados por Miyadahira (1999), onde mais da metade dos pesquisados, 52,3% trabalhava na área de terapia intensiva num período de 1 a 5 anos. E concordando conosco no tocante a existência de outros vínculos empregatícios (51,9%). 56 No mesmo trabalho, Miyadahira (1999) indagou 9 enfermeiros de várias instituições sobre a questão de se contratar enfermeiros recém-graduados para trabalhar numa UTI. Deles, 4 afirmaram que sim, mas que antes seriam treinados noutros setores até estarem capacitados a assumirem sozinhos a assistência de enfermagem no referido setor; e 5 disseram não contratar, preferindo enfermeiros já experientes na área. Na tabela abaixo, vimos que dos 42 profissionais de enfermagem pesquisados, 25 (59,5%) afirmaram que conhecem o protocolo sobre SVD. Ao analisarmos o conhecimento sobre o protocolo SVD com a variável freqüência de consulta, encontramos 13 (31,0%) que referiram consultar raramente ou às vezes e 12 (28,6%) raramente ou nunca o consulta. Encontramos 17 (40,5%) profissionais que referiram não conhecer o protocolo nem consultar, enquanto 10 (23,8%) raramente ou nunca consultá-lo e 7 (16,7%) às vezes o consulta. O que parece ser um dado incoerente, pois teoricamente se não conhecemos o protocolo, não temos como consultá-lo. No entanto, existe a possibilidade do profissional ler o protocolo sem saber o que está lendo. Os dados apresentados na tabela abaixo não apresentaram significância estatística (ρ = 0,491). Tabela 3: Conhecimento do protocolo sobre SVD, segundo a frequência de consulta pelos profissionais pesquisados. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. CONHECE O PROTOCOLO FREQUÊNCIA DE CONSULTA Não Sim Total N % N % N % Raramente/nunca 10 23,8 12 28,6 22 52,4 Às vezes 7 16,7 13 31,0 20 47,6 Total 17 40,5 25 59,5 42 100,0 Para Turrini (2000), a ocorrência de infecções hospitalares pode ser considerada uma iatrogenia decorrente da hospitalização do paciente, e relatos tem sido feitos desde a antiguidade sobre a disseminação das doenças epidêmicas e sobre a inevitabilidade de infecções cirúrgicas. Por isso, a falta de conhecimento acerca dos procedimentos invasivos na área de saúde é fator agravante à aquisição de infecções hospitalares. 57 Em virtude da complexidade do setor, onde são internados pacientes graves e que necessitam de assistência contínua e com a eminência de possíveis situações de emergência a todo tempo, os profissionais devem estar sendo capacitados constantemente para que possam garantir a qualidade naquilo em que se propõe, principalmente no que diz respeito à realização de procedimentos invasivos, oferecendo assim segurança a ponto de se ter menor risco possível de erros, minimizando assim, possíveis complicações que podem levar ao paciente a piora de seu quadro clínico ou até ao óbito. Informação essa reforçada por Leite (2005), que refere em seu trabalho que o entrosamento de uma equipe de UTI em sua rotina diária é imprescindível no bom andamento das situações que frequentemente são expostos, e que quando isso não ocorre, gera-se estresse e frustração no grupo de trabalho, podendo refletir na qualidade da assistência e, consequentemente no paciente. Diante do exposto, podemos caracterizar resumidamente a equipe pesquisada como predominantemente técnicos de enfermagem e do sexo feminino, a maioria terceirizada, que trabalha em outra instituição, com tempo de experiência em UTI maior que cinco anos e que não participou de treinamento nos últimos dois anos, mas que mesmo assim, sente-se informados sobre o procedimento em questão. 6.2 CONHECIMENTOS QUANTO À SONDAGEM VESICAL DE DEMORA Abordamos nesta parte os resultados a respeito dos dados relacionados ao conhecimento dos profissionais pesquisados, quanto ao procedimento da sondagem vesical de demora (inserção e manutenção), bem como dos fatores ligados diretamente à qualidade na sua execução. A Figura 3 mostra a avaliação dos conhecimentos acerca do procedimento de sondagem vesical de demora (inserção e manutenção) com a categoria profissional, bem como suas médias. O escore total de conhecimento dos pesquisados sobre a SVD, variou de 9 a 30 (15,9 + 3,7). Ao verificarmos os escores por categoria profissional, a categoria enfermeiro apresentou melhor desempenho, variando de 17 a 30 (22,0 + 5,15) e o técnico de enfermagem, 9 a 21 (15,3 + 2,8), demonstrando uma diferença significativa (ρ = 0,002) no Teste de MannWhitney, o que afirma que o enfermeiro apresentou melhor conhecimento do que o técnico 58 de enfermagem, dado este já esperado pelo fato da abordagem de um curso de graduação extrapolar ao mecanicismo da realização de técnicas, o que pode ser observado na figura seguir. O escore total de conhecimento dos pesquisados sobre a SVD, variou de 9 a 30 (15,9 + 3,7). Ao verificarmos os escores por categoria profissional, a categoria enfermeiro apresentou melhor desempenho, variando de 17 a 30 (22,0 + 5,15), o técnico de enfermagem apresentou escores de 9 a 21 (15,3 + 2,8), demonstrando uma diferença significativa (ρ = 0,002) no Teste de Mann-Whitney, o que se permite afirmar que o enfermeiro possui um maior conhecimento do que o técnico de enfermagem. Este dado já era esperado pelo fato da abordagem de um curso de graduação extrapolar ao mecanicismo da realização de técnicas. Os resultados da comparação podem ser observados na Figura a seguir. 30 ρ = 0,002 Escore do conhecimento 25 20 15 10 Enfermeiro (n=5) Técnico (n=37) Categoria Profissional Figura 3: Comparação de médias dos escores no conhecimento sobre SVD, segundo categoria profissional. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. Analisamos a seguir os resultados classificação do conhecimento sobre a SVD e sua distribuição de acordo com a categoria profissional. 59 Figura 4: Classificação do conhecimento sobre SVD, segundo categoria profissional. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. Ao classificarmos o conhecimento sobre a SVD por categoria profissional, podemos observar que os enfermeiros apresentaram a classificação variando de bom a ótimo e os técnicos de enfermagem, de regular a ruim (Figura 4). Ao verificarmos a existência de diferença significativa nclassificação de conhecimento dos profissionais pesquisados, reclassificamos os escores ótimo e bom como conhecimento adequado, e regular e ruim como inadequado, o que mostrou ser estatisticamente significantivo (ρ=0,001), com moderada correlação (r= 0,602) da adequação do conhecimento do enfermeiro em relação aos técnicos de enfermagem (Figura 5). 60 Figura 5: Escores de conhecimento sobre SVD, segundo categoria profissional. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. O instrumento que foi utilizado para a caracterização do conhecimento do profissional de enfermagem e abordou dados diretamente relacionados ao procedimento a ser estudado, tais como conhecimento do protocolo sobre SVD, se o profissional o consulta e com que freqüência, como procede na escolha do diâmetro, o que deve conter na bandeja da SVD, quando e como executar a lavagem das mãos. O quadro a seguir mostra resumidamente, em percentual, os acertos efetuados pelos enfermeiros e técnicos de enfermagem nesses grupos supracitados. Os profissionais foram indagados quanto ao conhecimento a respeito do procedimento de sondagem vesical, e dividimos em categorias/grupos. O Quadro 10 mostra a distribuição, em percentual, de adequações, inadequações e principais motivos das respostas inadequadas em cada grupo de conhecimento, por categoria profissional. Observamos que os enfermeiros cometeram mais inadequações quando referiram a escolha inadequada da SVD (40,0%), não citando a indicação clínica como critério (60%). Sobretudo, na lavagem das mãos, apresentaram 30,0% de inadequações no conhecimento, onde a utilização da água e sabão não foram citados e sim, de antissépticos. 61 CATEGORIAS PROFISSIONAIS VARIÁVEIS ENFERMEIROS (%) Adequadas Escolha do diâmetro da sonda 60,0 Conteúdo da bandeja Realização da lavagem das mãos 77,1 70,0 Inadequadas MOTIVOS PRINCIPAIS DE ERROS (%) 40,0 - Indicação clínica e peso (60,0%) - Idade (40,0%) 22,8 - Antisseptico (80%) - Gazes (40,0%) 30,0 TÉCNICOS DE ENFERMAGEM (%) Adequadas - Não referiu uso de água e sabão (25,0%) - Não lava punhos, dedos e unhas (20,0%) 34,4 62,2 25,6 MOTIVOS PRINCIPAIS DE ERROS (%) Inadequadas 65,5 - Indicação clínica (78,4) - Idade e Sexo (73,0) - Peso (40,5) 34,7 - ABD (78,1) - luvas estéreis e Lubrificantes (77,7) - SVD (77,4) 74,4 - Não lava unhas (89,2) - Não lava punhos nem dedos (86,5) Quadro 10: Distribuição das ações por categoria profissional, segundo conhecimento de inserção e manutenção da SVD. UTI-HUOL. Natal/RN, 2009. Na lavagem das mãos, os técnicos de enfermagem cometeram mais erros inadequações (74,4%), referindo não lavar as unhas em 89,2%, sendo referido não lavar unhas nem dedos em 86,5%. Quanto ao conteúdo da bandeja os técnicos apresentaram 34,7% de inadequações, com a ausência da ABD (78,1%), luvas estéreis e lubrificante (77,2% cada). Quanto ao conhecimento dos profissionais diante da conduta frente a uma possível desconexão acidental do sistema de drenagem, encontramos 28 profissionais que responderam que trocariam todo o sistema, com uma nova sondagem. Mas ainda encontramos quem lavaria a SVD e conectaria novamente o sistema ou trocaria apenas o sistema de drenagem. Para o Pratt (2007), a desconecção do sistema de drenagem da SVD só deve ser indicada em casos de obstrução deste. Porém, Homenko (2003) recomenda que essa prática seja rigorosamente evitada, pois “quebraria” a integridade do sistema fechado, podendo causar uma invasão bacteriana e, consequentemente ITU. 62 Alguns profissionais pesquisados responderam que não trocariam a SVD em intervalos previamente determinados (22), enquanto 18 trocariam com intervalos que variam entre 7 a 14 dias. Maioria essa que demonstrou ter seus conhecimentos coincidentes com a opinião de Homenko (2003), de que devemos avaliar individualmente cada indivíduo que necessite de cateterização prolongada quanto à troca da SVD, somente indicando a troca quando houver obstrução intra ou extra-luminal parcial ou total do cateter. Essa obstrução pode ocorrer de duas a quatro semanas após o início do uso, e acontece devido à formação de cristais inerentes à alcalinização da urina, por esse motivo, a identificação prévia dos pacientes que tenham essa característica urinária deve ser levada em consideração. No que diz respeito à importância da lavagem das mãos, a adesão a essa medida tem sido o grande desafio às Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) das instituições de saúde. Entretanto, quando se questiona o profissional acerca do conhecimento e da prática de tal execução, o assunto se torna até embaraçoso, pois dificilmente ele assume que pode ter falhas num aspecto tão simples, porém fundamental. Pesquisa desenvolvida numa Sala de Recuperação Pós-Anestésica de um Hospital escola de Goiânia mostra que a freqüência da lavagem das mãos antes e após os procedimentos foi maior na categoria de enfermeiro. Entretanto, tanto o enfermeiro quanto o técnico tiveram baixa adesão ao procedimento (BARRETO, 2009). Finalizamos a primeira fase desta pesquisa, no que se refere à caracterização da população quanto as suas características profissionais e ao conhecimento referido acerca da inserção as SVD e da manutenção do sistema de drenagem fechado de urina. Apresentamos a seguir os resultados dos dados levantados sobre a adequação da conduta dos enfermeiros frente à inserção da SVD. 6.3 CONDUTAS DOS ENFERMEIROS PESQUISADOS FRENTE À INSERÇÃO DA SVD. A seguir, são apresentados os resultados inerentes à conduta do enfermeiro durante a inserção da SVD, a partir dos dados coletados através da aplicação do instrumento de observação. 63 CONDUTA Posição Dorsal (masculino) Ginecológica (feminino) Escolha da SVD Feminino 0-14F Masculino até 16F CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES DOS ENFERMEIROS ADEQUADAS INADEQUADAS MOTIVOS (%) (%) (%) 71,4 28,6 100,0 71,4 28,6 - Dorsal (28,6) 33,3 66,7 33,3 66,7 33,3 66,7 Lavagem das mãos 42,9 57,1 Conteúdo bandeja Higiene íntima Abrir kit SVD Abrir os descartáveis Testar balão Preparar seringa Lubrificar Antissepsia feminina Antissepsia masculina 100,0 85,7 100,0 85,7 85,7 85,7 100,0 80,0 100,0 14,3 14,3 14,3 14,3 20,0 - - Tamanhos 16F, 18F (33,3) - Tamanho 18F (66,7) - Nem antes nem após (28,5) - Não lavou antes (14,3) - Presença de adornos (14,3) - Contaminou (14,3) - Contaminou (14,3) - Não testou (14,3) - Tirou o êmbolo (14,3) - Contaminou (20,0) - Quadro 11: Distribuição das ações dos enfermeiros na inserção da SVD, segundo as condutas observadas. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. O Quadro 11 apresenta percentual máximo de acertos (100%) para os itens posição dorsal (para homens), montar a bandeja, abrir pacote da SVD, lubrificar a sonda, e na antissepsia masculina. Entretanto, os maiores valores de erros estão na escolha do tamanho da SVD (66,7%), pela lavagem das mãos (57,1%), principalmente no que se diz respeito a não execução da lavagem nem antes nem após os procedimentos observados com 28,5%. Quanto ao item montagem da bandeja e abrir pacote da SVD, encontramos valores para ambos de 100%, o que mostra que todo material necessário para o procedimento de inserção da SVD foi adequadamente previsto e colocado na bandeja. Quanto ao item abrir material descartável, encontramos 85,7% de adequações, a inadequação que ocorreu foi por contaminação sendo justificada pela situação de emergência que o referido paciente se encontrava. Casos de quebra da técnica asséptica na inserção da SVD podem ocorrer em decorrência de uma má previsão do material necessário, recolhendo itens avulsos estéreis durante o procedimento, possibilitando a quebra da técnica. A higiene do meato deve ser realizada previamente tanto na inserção quanto na manipulação do cateter pela remoção da sujidade presente no genital, principalmente na troca 64 de fraldas. Encontramos 85,7% de higienização íntima adequada antes da inserção da SVD, tanto nos produtos utilizados quanto na técnica. Já os 14,3% que erraram na higienização contaminaram o processo. O teste do balonete foi observado em 5 (85,7%) dos seis procedimentos de inserção observados nesta pesquisa. Apenas 1 (14,3%) insuflou o balonete somente após a inserção, fato justificado pela situação emergencial que se encontrava o paciente. Existe divergência de autores quanto à lubrificação prévia à inserção da SVD. Souza (2007) observou que quanto ao uso de lubrificante para a inserção da SVD, 27 (93,1%) os enfermeiros indicaram o hidrossolúvel. Porém foi observado que 8 (100%) o utilizaram, porém sem desprezar a primeira porção (na ausência de gel estéril). A maioria 7 (24%) informou injetar o gel diretamente na uretra masculina, fato ainda controverso devido ao empirismo de considerar que para os pacientes com idade acima de 40 anos, passíveis de hipertrofia prostática, o uso desta forma facilitaria na introdução da sonda. Homenko (2003) sugere no homem, injetar 15 a 20 ml de lubrificante diretamente na uretra, enquanto que na mulher esta lubrificação pode ser feita diretamente no cateter urinário. Esta pesquisa mostrou um dado próximo aos de Homenko (2003) e Souza (2007) levantaram. Obtivemos um total de 100% de enfermeiros que realizam uma lubrificação adequada, com gel hidrossolúvel e desprezando a primeira porção. Porém os lubrificantes observados não eram de único uso. Quanto ao procedimento de antissepsia, nas pacientes do sexo feminino, nossos resultados nos mostraram que 3 (80%) foram feitos adequadamente, enquanto 1 (20%) errou por contaminar com movimentos repetitivos com a mesma gaze. Já nos pacientes do sexo masculino, vimos que nos 2 (100%) pacientes que tiveram os procedimentos observados, foram adequadamente realizados. Em se tratando da antissepsia, para esta pesquisa, foi obedecido sempre o sentido do menos para o mais contaminado, tanto para o sexo feminino quanto para o masculino. Quanto ao momento em que se conecta o sistema de drenagem urinária, 100% dos enfermeiros procedem antes da inserção da SVD, confirmando com o que Fernandes (2000) recomenda. Em se tratando da escolha da sonda, Hinrichsen (2009) evidencia a necessidade da escolha de um diâmetro que não traumatize o meato uretral, pois cateteres mais calibrosos podem causar espasmos na bexiga, enquanto que os cateteres mais finos apresentam maior 65 propensão à necrose por compressão da mucosa uretral. No mesmo trabalho, recomenda inserir o cateter com técnica asséptica, que vai desde a montagem da bandeja até sua inserção. Escolha esta reforçada por Homenko (2003), que considera que os cateteres de maior calibre podem levar à obstrução das glândulas parauretrais, favorecendo o surgimento de abscessos e estenoses, causando erosão o esfíncter externo e do ângulo penoescrotal. Sendo assim, a escolha dentre 12F a 16F em adultos. Os de maiores calibres são recomendados para procedimentos urológicos que possam complicar com a formação de coágulos. Cruz (2005) recomenda para o sexo feminino, o diâmetro de 10F a 14F e para o masculino, até o 16F. Porém, Hinrichsen (2009) recomendou os diâmetros de 12F a 18F para o sexo feminino, podendo ser colocada por qualquer profissional de saúde (médico, médicoresidente, enfermeiro, técnico de enfermagem ou estudante sob supervisão). Sendo o ideal para a escolha uma boa avaliação do paciente, levando em conta o biotipo e suas condições clínicas gerais. Esse fato é citado por Homenko (2003), num estudo sobre verdades e mitos no seguimento de pacientes com cateteres vesicais de demora, colocando o ato da lavagem das mãos antes e após toda manipulação dos cateteres e sistema de drenagem como uma prática imprescindível, sendo a equipe de saúde responsável na execução desse ato, devendo-se conscientizar da importância de uma medida tão simples, mas completamente eficaz, incorporando a sua prática diária. Numa pesquisa feita com 29 enfermeiros e 25 técnicos/auxiliares de enfermagem que realizavam inserção e/ou manuseio da SVD e sistema de drenagem, bem como os coordenadores de enfermagem, apresentam dados semelhantes aos encontrados nesta pesquisa, onde referem que 27 (93,1%) lavam as mãos antes e após o procedimento, mas dos oito (8) cateterismos observados, 6 (75%) lavaram as mãos somente antes do procedimento e 8 (100%) somente após. Calçar as luvas não substitui o ato da lavagem das mãos, ao contrário, antes e após seu uso, as mãos devem ser lavadas (SOUZA, 2007). Souza (2007) também ressalta que a lavagem das mãos surge como a mais simples e importante medida na prevenção de infecção nosocomial e que, sendo feita adequadamente, remove os microrganismos transitórios adquiridos no contato com os pacientes. Considera-se um ato de baixo custo e fácil, mas que vale muito para as instituições e que é um grande desafio sua adesão na prática diária pelos profissionais de saúde. 66 Dados semelhantes foram encontrados no estudo de Souza (2007), que mostrou nos procedimentos observados que 5 (62,5%) profissionais realizaram a higiene prévia ao cateterismo vesical, citados na entrevista por 15 (51,7%) dos enfermeiros. Reforça a higiene íntima como medida fundamental na prevenção da ITU associada à SVD, pois os antissépticos perdem rapidamente sua ação na vigência de matéria orgânica. Para garantir a integridade do balonete, a realização da insuflação prévia à inserção do cateter é recomendada por Souza (2007), pois evita a saída acidental da SVD, o que pode ocasionar a uma nova cateterização, traumatizando o meato do paciente e elevando o risco de adquirir ITU. Ele constatou que 25 (86,2%) dos enfermeiros pesquisados, referiram o teste do balonete como importante. No entanto, foi observado apenas por 2 (40%). Enchimento esse que deve ser realizado com 5 a 10 ml de água destilada, e não com solução fisiológica ou outros eletrólitos, uma vez que este último pode causar, com o tempo, uma cristalização dificultando a deflação do balonete ao tentar retirar o cateter. Também não se recomenda encher o balonete com ar, pela facilidade de favorecer ao vazamento do ar, secando-o precocemente e consequentemente, saída acidental da SVD. A hiperinsuflação do balonete pode causar irritação do colo vesical, levando a contrações involuntárias da bexiga e possíveis perdas urinárias pericateter, podendo também lesar o colo vesical pelo peso exacerbado do balonete (HOMENKO, 2003). Hinrichsen (2009), recomenda para o enchimento do balonete, um volume de 10 a 20 ml de água destilada, sem comprometer o sistema de drenagem fechado. Corroborando com autores citados anteriormente em se tratando do uso de lubrificantes hidrossolúveis, Homenko (2003) recomenda o uso da lidocaína geléia a 2% (lubrificante hidrossolúvel) por prevenir casos de embolias gordurosas devido à absorção de substâncias oleosas, já relatados na literatura. Enquanto Fernandes (2000) recomenda que o lubrificante deva ser estéril, o que nos leva a concluir que nas instituições onde existem lubrificantes hidrossolúveis em tubo, bisnaga, só a primeira porção está estéril, as demais não mais. Souza (2007) recomenda que a antissepsia seja realizada no sentido anterior para posterior (púbis/ânus), fazendo fricção por três vezes, obedecendo sempre à ordem para a realização do menos contaminado para o mais contaminado, ou seja, começando sempre pelo meato. Mas ainda encontrou cinco enfermeiros (17,2%) que fizeram a antissepsia em sentido inverso. 67 No entanto, Cruz (2005) recomenda a realização da antissepsia no sexo feminino, iniciando pelo lado externo dos grandes e dos pequenos lábios, seguindo do lado interno e, por último, o meato urinário, utilizando uma gaze para cada movimento. Entretanto Fernandes (2000) sugere que a antissepsia na mulher seja feita afastando os grandes lábios com a mão não-dominante e a com a mão dominante, realizar o procedimento no sentido ântero-posterior. No homem, o pênis deve estar seguro com uma das mãos, e a pele que recobre o prepúcio afastada, procedendo sempre de dentro para fora. Concluindo a observação dos procedimentos realizados pelos enfermeiros no tocante à inserção da SVD/sistema coletor fechado, passaremos a seguir para a apresentação dos dados que analisará o risco existente entre o procedimento de SVD e a aquisição de ITU em pacientes internados numa UTI. 6.4 CONDUTAS DOS TÉCNICOS DE ENFERMAGEM FRENTE À MANIPULAÇÃO DA SVD. Nesta parte, apresentamos os resultados acerca das condutas dos técnicos de enfermagem frente à manipulação da SVD e sistema de drenagem enquanto uso, durante sua internação. Para se chegar aos seguintes resultados, foi aplicado um instrumento estruturado de observação não participante, tipo check-list, elaborado com base na literatura levantada para este estudo. Para facilitar o entendimento, mostramos um quadro explicativo que representa de forma percentual, os acertos e erros para cada conduta, bem como os motivos das suas inadequações. CONDUTA Manter sistema fechado Posicionar bolsa coletora Higienizar meato Lavar as mãos DISTRIBUIÇÃO DAS AÇÕES DOS TÉCNICOS ADEQUADAS INADEQUADAS MOTIVOS (%) (%) (%) 100,0 - 98,4 1,6 82,2 17,8 44,0 56,0 - Nível acima (0,9) - Coletor dobrado (0,7) - Somente água (13,1) - Contaminou (4,7) - Nem antes nem após (33,2) - Não lavou antes (16,3) - Não lavou após (6,4) Quadro 12: Distribuição das ações dos técnicos de enfermagem na manutenção da SVD, segundo condutas observadas. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. 68 No Quadro 12, percebemos um comportamento entre acertos e erros em crescimento inversamente proporcional, onde quanto maior a ocorrência de adequações, menores são os das inadequações e vice-versa. Quanto à manutenção do sistema fechado, tivemos 100% de adequações. Em todos os momentos observados, não foi visto a quebra na integridade do sistema de drenagem urinária. Em relação ao posicionamento da bolsa coletora, foram observados 98,4% de adequações, sendo 1,6% de inadequações observadas, presente no que diz respeito à permanência do sistema de drenagem em nível acima do corpo e existência de dobra no pertuito do coletor, que pode ter sido ocasionado por falta de conhecimento ou por esquecimento. Na higienização do meato, vimos que o percentual de adequações chegou a 82,2% em detrimento de 17,8% de inadequações. Na observação foi visto que essas inadequações foram ocasionadas pela utilização somente de água (excluindo sabão neutro), bem como com a contaminação durante o procedimento. Entretanto, na lavagem das mãos, os valores de adequações chegaram a 44%, enquanto que as inadequações chegaram a 56%, visto que a maioria dos erros ocorreu na ausência da lavagem das mãos antes e após a realização dos procedimentos, com 33,2% (124). Corroborando com a prática do posicionamento da bolsa coletora e manutenção do sistema de drenagem, alguns autores mostram a importância de se manter a integridade do sistema urinário, visto que possibilitaria a ascensão bacteriana à bexiga e consequentemente bacteriúria e/ou ITU (HOMENKO, 2003; SOUZA, 2007). Consideramos como essencial na manutenção do sistema fechado (estéril), o posicionamento da bolsa coletora abaixo do nível do corpo, uma vez que ao elevarmos, há possibilidade de haver o refluxo urinário pelo tubo coletor da bolsa à bexiga. Ressaltamos a importância de ter alguns cuidados preventivos de ITU enquanto uso da SVD, como observar constantemente a coloração, aspecto e volume da urina em intervalos pré-estabelecidos em sua rotina diária, evitando também dobras ou tensões no tubo coletor (FERNANDES, 2000; HOMENKO, 2003). Em se tratando da higienização do meato, foram citados pelos técnicos de enfermagem que deve ser realizado em sua maioria no banho (15), na troca de fraldas ou quando for necessário. Quanto ao produto que usa na higienização, foram citados água e sabão, na sua 69 maioria (21), antisséptico degermante (12), solução fisiológica a 0,9% (3) e um funcionário afirmou não saber com que material realizar esse procedimento. Em seu estudo, Homenko (2003) posiciona a higienização do meato como um importante ato a ser executado sempre que for necessário, com água e sabão neutro, ou seguindo uma rotina da Instituição, na prevenção de ITU com o uso da SVD. Ainda em se tratando da lavagem das mãos, optamos em cruzar dados de categorização do conhecimento (adequado ou inadequado) com o grau de conhecimento calculado a partir do total de acertos, assim ficando: bom (maior e igual a 21 adequações), regular (20 a 15 adequações) e ruim (menor que 15 adequações). Essa prática é consensual quanto sua realização, pois quando realizada com produtos e com a técnica inadequados, aumenta sensivelmente a transmissão de microrganismos entre pacientes (transmissão cruzada), elevando as taxas de infecções hospitalares, o tempo de internação do paciente, o risco de complicações clínicas, além dos custos hospitalares em decorrência do exposto, sendo assim essencial a realização de atividades institucionais para favorecer a adesão dos profissionais à lavagem das mãos. Mostraremos na tabela a seguir o resultado da análise entre o grau de conhecimento apresentado pelos profissionais pesquisados e a conduta da lavagem das mãos observada durante a pesquisa. Tabela 4: Categorização da lavagem das mãos, segundo o grau de conhecimento dos técnicos de enfermagem durante a manipulação da sonda vesical de demora. UTI-HUOL. Natal/RN, 2009. LAVAGEM DAS MÃOS GRAU DE CONHECIMENTO Inadequada Total Adequada Regular (20 a 15) N 21 % 56,8 N 3 % 8,1 N 24 % 64,9 Ruim (< 13) 11 29,7 2 5,4 13 35,1 Total 32 86,5 5 13,5 37 100,0 Teste exato de Fisher ρ 0,849 Observamos na Tabela 4 que no item lavagem das mãos, os técnicos apresentaram uma deficiência em sua execução (86,5%), mostrando maiores percentuais quanto ao grau de 70 conhecimento concentrados entre regular e ruim, totalizando 56,8% de inadequação, não alcançando valores significativos (ρ = 0,849). Ao realizar teste de correlação de Pearson entre as variáveis de conhecimentos acertos totais com a lavagem inadequada das mãos antes e após os procedimentos, encontramos significância de ρ = 0,021, deduzindo-se que o referido pelas categorias profissionais nas entrevistas realizadas, não confirmou com a prática observada durante a pesquisa. Encontramos forte correlação ao analisamos, através do teste de Spearman, a variável de total de acertos em relação ao conhecimento e condutas observados pelos técnicos de enfermagem durante a manipulação da SVD e sistema (r = 0,874, ρ = 0,000). Considerando desta forma, que os profissionais que mais demonstraram conhecerem o procedimento, mais acertaram nos procedimentos observados. Turrini (2000) afirma em seu trabalho sobre a percepção das enfermeiras sobre fatores de risco para infecção hospitalar, realizado em um hospital público, com abordagem fenomenológica, que a lavagem das mãos pode ter sido um fator relacionado à manutenção dos níveis de infecção hospitalar, porém de difícil adesão. Ainda refere existir proporções inadequadas entre profissionais e pacientes, ocasionando a lavagem das mãos de forma inadequada na técnica e no seu tempo de duração, dessa forma, a instituição estaria encorajando às infrações. Ao ser aplicado o teste de Mann-whitney nos itens relacionados às condutas inadequadas e conhecimentos adequados de SVD, encontramos na conduta, uma variação de 1 a 19,com média 7,4 + 4,3 (ρ = 0,000); e nos conhecimentos de SVD, a variação de 9 – 3, com média 15,9 + 3,7 (ρ = 0,796). Tabela 5: Condutas inadequadas segundo a categorização do conhecimento dos profissionais pesquisados. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. CONDUTAS INADEQUADAS CATEGORIZAÇÃO DO CONHECIMENTO Inadequado Adequado Total N % N % N % Não (até 10) 2 4,8 3 7,1 5 11,9 Sim (>10) 37 88,1 0 0,0 37 88,1 Total 39 92,9 3 7,1 42 100,0 Teste Exato de Fisher ρ 0,001 71 Na Tabela 5, vimos um total de 88,1% de condutas inadequadas, e todas apresentaram o conhecimento inadequado. Sendo assim, podemos dizer que o conhecimento dos profissionais pesquisados interferiram nas condutas observadas, pois quem errou mais, demonstrou ter mais conhecimentos inadequados (ρ = 0,001). 6.5 RISCO DE INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO Durante os dois meses de coleta de dados, foram observados 1.701 procedimentos, dentre eles, acompanhamos seis procedimentos de sondagem vesical de demora no referido setor, quatro do sexo feminino e dois do sexo masculino. Observados 77 procedimentos quanto aos passos existentes na cateterização vesical de demora e 1.624 procedimentos de manuseio da SVD e do sistema de drenagem em 34 pacientes internados. De todos os pacientes que participaram da pesquisa, seis adquiriram infecção do trato urinário, sendo três que inseriram o cateter em outro setor e três que inseriram na UTI. Detalhes quanto aos resultados, demonstraremos a seguir. Tabela 6: Condutas inadequadas dos profissionais pesquisados, segundo sentir-se informado sobre a SVD. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. INFORMADO SOBRE SVD CONDUTAS INADEQUADAS Sim Não Total Até 8 erros N 22 % 64,7 N 1 % 2,9 N 23 % 67,6 > 9 erros 11 32,4 0 0,0 11 32,4 Total 33 97,1 1 2,9 34 100,0 Teste Exato de Fisher ρ 0,483 A Tabela 6 mostra que a maioria dos profissionais referiu se sentir informado sobre SVD 33 (97,1%), com um total de 22 (64,7%) para os profissionais que cometeram mais inadequações (até 8 erros), e 11 (32,4%) referiram conhecer sobre o assunto e cometeram um número maior que 9 erros (ρ = 0,483). 72 Tabela 7: Ocorrência de infecção do trato urinário, segundo categorização de condutas inadequadas nos pacientes pesquisados em uso de SVD. UTI do HUOL. Natal/RN, 2009. PRESENÇA DE ITU CONDUTAS Não INADEQUADOS Sim Total N % N % N % Até 8 erros 23 67,6 0 0,0 23 67,6 ≥ 9 erros 5 14,7 6 17,6 11 32,4 Total 28 82,4 6 17,6 34 100,0 Teste Exato de Fisher ρ 0,000 A Tabela 7 demonstra que todos os pacientes que adquiriram ITU (6) tiveram um maior número de procedimentos inadequados, a partir de 9 erros, com percentual de 17,6%, valor este com significância de ρ = 0,000. Coeficiente de contingência de 0,556. Para verificarmos associação entre as variáveis, foi realizado correlação de Spearman (r) e Qui-Quadrado (χ2), onde comparamos a presença de ITU em pacientes em uso de SVD com tempo de permanência deste no referido setor, tempo de permanência de SVD, bem como com o total de procedimentos executados de maneira inadequada. Vimos que ao cruzarmos a variável de tempo de permanência na UTI com o número total de inadequações, a correlação foi forte (r = 0,880) e moderada, quando cruzamos com a presença de ITU (r = 0,642). Ao analisarmos a correlação entre as variáveis presença de ITU com número de procedimentos inadequados e com o tempo de permanência na UTI, encontramos valores moderados de r = 0,642 e r = 0,619, respectivamente. O risco de adquirir ITU também pode ser aumentado de acordo com a ocorrência de iatrogenias ocorridas durante o manuseio, com quebra da assepsia e longo tempo de permanência do cateter. Tal fato reforça a necessidade de capacitar frequentemente os recursos humanos, para que possa ocorrer uma maior adesão às recomendações institucionais no sentido de minimizar esse risco (SOUZA, 2007). Ainda buscando associação entre as variáveis de ocorrência de ITU com as quantidades de inadequações realizadas pelos técnicos de enfermagem, pelos enfermeiros e pelo total geral, aplicamos o teste de Mann-Whitney U. A partir de seus resultados, vimos que dos 34 pacientes observados, 28 não adquiriram ITU e receberam maior número de inadequações pelos técnicos de enfermagem, e 6 pacientes adquiriram ITU, dado este 73 considerado significante (ρ = 0,000). Em relação às inadequações dos enfermeiros, três pacientes não adquiriram ITU e três adquiriram (ρ = 0,825). No momento que associamos com o total de inadequação geral, vimos dados iguais aos dos técnicos, com 28 pacientes que não adquiriram ITU com 6 que adquiriram (ρ = 0,000). Em nossa pesquisa, dos seis pacientes que adquiriram ITU enquanto uso de SVD, quatro foram do sexo masculino e dois do feminino. No entanto Stamm (2006) encontrou num grupo de pacientes submetidos à cateterização vesical de demora, 50,9% de ITU nas mulheres, o que pode ser explicado pelos fatores anatômicos inerentes ao sexo feminino, que tem o meato uretral de menor comprimento e muito próximo ao ânus, bem como causas hormonais, pela diminuição dos níveis de estrógeno apresentado no climatério, modificando assim a flora vaginal. Os dados encontrados não foram significativos estatisticamente. Já Homenko (2003) refere que o risco de mulheres hospitalizadas em adquirir ITU é maior em torno de 10% a 20% do que nos homens, progredindo na ordem de 4% a 7,5% ao dia. Num estudo realizado num hospital público de Recife/PE, Lima (2007) também encontrou dados semelhantes aos de Homenko (2003), onde encontrou a ocorrência de ITU mais predominante no sexo feminino (43%), e ainda complementa que o risco pode aumentar devido também aos episódios prévios de cistite, o ato sexual, o uso de certas geléias espermicidas, a gestação e o número de gestações, o diabetes (no sexo feminino) e a higiene deficiente (mais frequente em pacientes com piores condições sócioeconômicas) e obesas. No homem, os fatores de risco que devemos levar em consideração são a instrumentação das vias urinárias e a hiperplasia prostática. Em se tratando do diagnóstico de ITU nos pacientes pesquisados, somente foi observada uma através do resultado da coleta de cultura de urina (positiva para Candida spp), três através de sintomatologia clinica, uma através da presença de grumos na urina e uma com exame de urina (Elementos Anormais do Sedimento) sugestivo de ITU, porém sem cultura de urina colhida. As coletas das culturas de urina que foram observadas neste estudo foram executadas adequadamente (local e técnica adequados). No ambiente hospitalar a coleta de urina para cultura era uma prática comum, pela simplicidade dos sistemas coletores que eram usados, onde se desconectava o cateter e perfurava sua extensão. Atualmente, a maioria dos sistemas fechados de urina possui dispositivo de látex auto-retrátil, elaborado exclusivamente para coleta de urina para cultura, 74 onde somente é necessária a realização de uma desinfecção prévia à coleta com álcool a 70% e perfurar com agulha de fino calibre e colher o espécime em seringa (HOMENKO, 2003). O mesmo autor complementa também que a realização rotineira este exame microbiológico só tem sido recomendada na evidência de sinais e sintomas de infecção urinária, devendo-se evitar sua execução como monitorização bacteriológica de rotina (HOMENKO, 2003). Complementa Lima (2007) que o fator limitante à coleta de urina para cultura é a demora exigida para a obtenção do resultado, muitas vezes, levando ao início de um tratamento empírico, voltado à sintomatologia apresentada pelo paciente que não pode esperar. Para Fernandes (2000) a cultura de urina deve ser sempre realizada antes do início da antibioticoterapia quando a infecção urinária é sintomática. Mas se um paciente está sondado há mais que sete dias e tem infecção urinária, recomenda-se trocar a sonda e coletar urina para cultura após nova sondagem. Porém no ambiente ambulatorial, Hinrichsen (2009) recomenda a realização pelo próprio paciente, desde que tenha sido adequadamente orientado quanto à higienização do genital e, da importância de desprezar o primeiro jato antes de colocar urina no frasco coletor estéril. Mostraremos a seguir os dados encontrados relacionados à ocorrência de ITU e algumas categorias que consideramos como sendo de risco, que são: tempo de permanência na UTI, tempo de sondagem vesical e quantidade de inadequações. Tabela 8: Ocorrência de infecção do trato urinário nos pacientes observados, segundo tempo de permanência no setor. UTI-HUOL. Natal/RN, 2009. TEMPO DE PERMANÊNCIA NA UTI PRESENÇA DE ITU Não Sim Total Até 10 dias N 22 % 64,7 N 0 % 0,0 N 22 % 64,7 >10 dias 6 17,6 6 17,6 12 35,3 Total 28 82,4 6 17,6 34 100,0 Teste Exato de Fisher ρ 0,001 75 A Tabela 8 mostra que os pacientes que permaneceram até 10 dias na UTI não adquiriram ITU (64,7%), e que todos os pacientes que adquiriram a referida infecção passaram mais que 10 dias de internação (17,6%), com valores de significância de ρ = 0,001. Nestes pacientes que adquiriram ITU, encontramos uma média de 30,8 dias de tempo de permanência da SVD, o que consideramos também como um fator de risco importante para aquisição de ITU e todos tiveram infecção do trato urinário sintomático (ITUS). Analisamos com teste de Spearman a correlação entre as variáveis relacionadas à categoria de risco (total de inadequações), tempo de permanência na UTI, tempo de permanência com a SVD e a presença de ITU nos pacientes pesquisados. Encontramos uma associação forte apenas quando analisamos o tempo de permanência na UTI com o total de inadequações (r = 0,805, ρ = 0,000). Obtivemos uma correlação moderada quando cruzamos as seguintes variáveis: categoria de risco com presença de ITU (r = 0,669, ρ = 0,000), pacientes que passaram mais tempo na UTI e a presença de ITU (r = 0,627), presença de ITU com maior ocorrência de erros (r = 0,669, ρ = 0,000) e presença de ITU com tempo de permanência no setor (r = 0,627, ρ = 0,000). O que nos leva a acreditar que existe correlação entre a ocorrência de ITU em pacientes que passam por um número maior de inadequações e que passa mais tempo na UTI. Num estudo de 1.092 casos de cateterização vesical na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Stamm (2006) encontrou que a média em dias de duração da cateterização vesical foi aproximadamente três vezes maior nos pacientes que adquiriram ITU quando comparados aos pacientes sem infecção. Entretanto Stamm (2006) afirma que o tempo de duração da cateterização é o fator mais importante para aquisição de ITU, e mostra que o risco para desenvolvimento de ITU aumenta em 2,5% para um dia de cateterização, 10% para dois a três dias, 12,2% para 4 a 5 dias, atingindo até 26,9% em tempos de duração da cateterização maior que 6 dias. Num estudo de coorte de uma pesquisa de dissertação realizado por Stamm (1994), encontrou uma média de sete dias de duração da cateterização nos pacientes infectados e 3,4 dias nos que não apresentaram infecção. No estudo realizado por Hinrichsen (2009), uma análise observacional e analítica no Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP). Determinou os principais fatores associados à bacteriúria após sondagem vesical na cirurgia ginecológica e mostrou que o tempo médio de duração da cateterização foi de 24 horas, não encontrando associação 76 significativa de nenhuma das variáveis pesquisadas com a ocorrência de bacteriúria após 7/10 dias de sondagem vesical. E informa também que as taxas de infecção variam em torno de 8% após única cateterização breve, e aumenta de 5% a 8% a cada dia durante o período de cateterização, sugerindo ser um importante fator de risco para aquisição de ITU o tempo de permanência que o cateter fica introduzido na uretra. A partir dos dados apresentados, vimos à necessidade de estabelecer critérios na indicação da cateterização vesical, bem como medidas para restringir ao máximo a inserção da SVD. Quando sim, proceder a sua retirada o mais precoce possível, tendo em vista que quanto maior o tempo de utilização, maior a necessidade de intervenções do sistema na rotina diária e a probabilidade de ocorrências iatrogênicas crescem no mesmo sentido. A figura seguinte mostra resumidamente que os pacientes que adquiriram ITU tiveram um número de inadequações e um tempo de permanência elevados. ρ = 0,000 ρ = 0,000 ρ = 0,309 Figura 6: Distribuição da ocorrência de pacientes que adquiriram ITU, segundo categoria de risco, tempo de permanência na UTI e tempo de permanência da SVD. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. 77 Na tentativa de mostrar a associação entre o conhecimento sobre a sondagem vesical, as condutas observadas e a ocorrência de Infecção, veremos a seguir o resultado de algumas análises estatísticas. A Tabela 9 mostra que 60,0% dos enfermeiros realizaram inadequações na inserção da SVD na categoria de baixo risco (1 a 7 erros), e que 1 (20,0%) deles adquiriram infecção. Porém o número de pacientes que tiveram inserção de SVD pelo enfermeiro foi pequeno e sem significação estatística. Tabela 9: Condutas inadequadas pelo enfermeiro, segundo pacientes manipulados com ITU. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. PACIENTES COM ITU MANIPULADOS PELA EQUIPE CATEGORIA PROFISSIONAL Enfermeiro CONDUTAS INADEQUADAS Não Sim Total 1 a 7 erros N 2 % 40,0 N 1 % 20,0 N 3 % 60,0 >7 erros 1 20,0 1 20,0 2 40,0 3 60,0 2 40,0 5 100,0 Total Teste Exato de Fisher ρ 0,700 A seguir estão apresentadas as condutas inadequadas dos técnicos de enfermagem na manipulação da SVD e sistema de drenagem e sua associação com a ocorrência de infecção nos pacientes por eles manipulados. Tabela 10: Condutas inadequadas pelo técnico de enfermagem, segundo pacientes manipulados com ITU. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. PACIENTES COM ITU MANIPULADOS PELA EQUIPE CATEGORIA PROFISSIONAL CONDUTAS INADEQUADAS Não Sim Total N % N % N % Técnico de 1 a 7 erros 18 48,6 4 10,8 22 59,5 enfermagem >7 erros 4 10,8 11 29,7 15 40,5 22 59,5 15 40,5 37 100,0 Total Teste Exato de Fisher ρ 0,001 78 Situação oposta encontramos com os técnicos de enfermagem quando analisando as condutas inadequadas na manipulação dos pacientes, vimos que 40,5% deles estavam na categoria de alto risco (>7 erros) e 11 (29,7%) desenvolveram infecção, com correlação fraca (r = 0,483), mas significante (0,001) e com estimativa de risco de 12,4 (IC = 1,170 – 5,341). O quadro a seguir apresentará os resultados do teste de Mann-Whitney U das médias ponderadas entre a categoria profissional e as condutas inadequadas e conhecimento adequado de SVD. VARIÁVEIS Condutas inadequadas Conhecimento SVD TESTE MANN-WHITNEY U CATEGORIA PROFISSIONAL N Média ponderada Enfermeiro 5 25,6 Técnico 37 21,0 Enfermeiro 5 37,4 Técnico 37 19,3 ρ 0,424 0,002 Quadro 13: Média ponderada da categoria profissional, segundo condutas inadequadas e conhecimento de SVD. UTI – HUOL. Natal/RN, 2009. O Quadro 13 mostra que dos 42 profissionais pesquisados, o técnico de enfermagem teve uma média ponderada de inadequações de 25,6% e o enfermeiro 25,6%, sem significância estatística. Porém, encontramos diferença significativa (ρ = 0,002) no que se refere ao conhecimento adequado sobre a SVD, onde o enfermeiro teve uma média ponderada de 37,4% em detrimento de 19,3% dos técnicos. Ainda como resultado do Mann-Whitney, quando analisamos a ocorrência de ITU nos pacientes manipulados, condutas inadequadas e conhecimento sobre SVD. Observamos na conduta, uma média ponderada de 29,97% de pacientes que adquiriram ITU e tiveram um número maior de erros, enquanto 15,74% não desenvolveram ITU (ρ = 0,000). E em relação ao conhecimento, não encontramos dados significativos, quanto à influência na ocorrência da infecção (ρ = 0,796). Na correlação de Spearman, encontramos relação moderada (r = 0,578 com ρ = 0,000) entre os pacientes com infecção manipulados pela equipe de enfermagem e as condutas inadequadas. Feita estimativa de risco relativo, que mostrou que o risco de um paciente de adquirir infecção é de duas vezes e meia maior (2,5) nos casos de maior tempo de permanência na 79 UTI, tempo de permanência em uso da SVD (maior que 10 dias para ambos), obtiveram e em pacientes que sofreram maior número de inadequações (intervalo de confiança de 1,170 – 5,341). A Figura 7 mostra as médias de condutas inadequadas realizadas pelos profissionais de enfermagem segundo a existência da ITU, através do teste de Mann-Whitney. Condutas Inadequadas 40 30 20 10 0 Não Sim Presença ITU Figura 7: Médias de condutas inadequadas segundo presença de ITU nos pacientes. UTIHUOL. Natal/RN, 2009. A Figura 7 mostra que os pacientes que adquiriram ITU apresentaram uma média de 29,3 de condutas inadequadas, com desvio padrão de + 5,625, enquanto os que não tiveram a referida infecção, tiveram a média de 4,6 de inadequações, com desvio padrão de + 0,931. No início desta pesquisa propomos duas hipóteses que seriam respondidas ao final e de acordo com os dados apresentados nos resultados desta pesquisa, sendo assim, a Hipótese alternativa foi aceita e a Hipótese nula, rejeitada. 80 7 CONCLUSÃO Os profissionais se caracterizam por serem predominantemente com vínculo institucional terceirizado (64,3%), do sexo feminino (69,0%), na faixa etária de 21 a 35 anos (59,5%) e com nível médio de escolaridade (88,1%). Deles, 11,6% são enfermeiros e 88,4% técnicos de enfermagem. Quanto ao tempo de experiência em UTI, a distribuição ficou ao meio, sendo 50% na categoria de até 5 anos e > 5 anos, 69,0% não participaram de treinamento sobre SVD nos últimos 2 anos. Desta forma, denotamos a existência de precarização no vínculo empregatício e na assistência de enfermagem prestada aos usuários, uma vez que a alta rotatividade dos profissionais terceirizados os deixa em situação de necessidade de constante treinamento. No tocante ao grau de conhecimento acerca do procedimento de SVD, observamos que os enfermeiros apresentaram o nível variando de bom a ótimo e os técnicos de enfermagem, de regular a ruim. A partir do grau de conhecimento do procedimento de SVD, verificamos diferença significativa no nível de conhecimento dos profissionais pesquisados. Dessa forma, reclassificamos os escores ótimo e bom como conhecimento adequado, e regular e ruim como inadequado, o que mostrou ser significante (ρ = 0,001) com moderada correlação (r = 0,602) da adequação do conhecimento do enfermeiro em relação aos técnicos de enfermagem. Ao avaliarmos os escores de conhecimentos, vimos à predominância dos inadequados, com diferenças significativas entre os enfermeiros e os técnicos de enfermagem com diferença significativa (ρ =0,001). Observamos a ocorrência de mais inadequações nas respostas pelos enfermeiros, quando referiu à escolha inadequada da SVD (40,0%), não citando a indicação clínica como critério (60%). Quanto à lavagem das mãos, cometeu 30,0% de respostas inadequadas, onde a utilização da água e sabão não foram citados e sim, de antissépticos (25,0%). Entretanto, os técnicos de enfermagem obtiveram maiores erros na lavagem das mãos, (74,4%), referindo não lavar as unhas (89,2%), punhos nem dedos em 86,5%. Quanto ao conteúdo da bandeja os técnicos apresentaram 34,7% de erros, com a ausência da ABD (78,1%), luvas estéreis e lubrificantes (77,2% cada). Quanto às inserções das SVD observada, os enfermeiros apresentaram condutas com mais inadequações na escolha da SVD (66,7%) e na lavagem das mãos (57,1%). Porém, a falha na lavagem das mãos pode ser determinante na ocorrência de ITU uma vez que podem 81 estar veiculando microorganismos ao paciente, levando a uma provável infecção. No entanto, encontramos itens que tiveram 100% de adequações nos procedimentos observados, como conteúdo da bandeja, forma de abrir o pacote da SVD, lubrificação da SVD e na antissepsia masculina. Em relação à manipulação da SVD e sistema, verificamos que os técnicos apresentaram maiores inadequações ao lavar as mãos (56,0%). Porém tiveram 100% de adequações quanto à manutenção do sistema fechado de drenagem. Quando analisamos as condutas inadequadas com a categorização do conhecimento, vimos que os técnicos de enfermagem que cometeram mais erros apresentaram conhecimentos inadequados (ρ = 0,001). Ao correlacionarmos a ocorrência das infecções urinárias diagnosticadas nos pacientes pesquisados com o total de inadequações, tempo de permanência com uso de SVD e na UTI, encontramos o risco de um paciente adquirir este tipo de infecção, está duas vezes e meia maior em pacientes que receberam mais inadequações e passaram muito tempo em uso do cateter e internados na UTI. Dados que conferem com as características dos 6 pacientes que adquiriram ITU durante o estudo. Encontramos associação entre as inadequações realizadas pelos profissionais e a ocorrência de ITU (ρ = 0,000), aceitando a Hipótese alternativa e rejeitando a Hipótese nula propostas neste estudo. Houve relevância quando cruzamos os dados de conhecimentos inadequados com condutas inadequadas (ρ = 0,001), e como o risco de adquirir ITU cresce quanto maior o número de inadequações, podemos dizer que o conhecimento interfere na ocorrência de ITU. Dessa forma, torna-se importante utilizar critérios restritos quanto à indicação do uso deste dispositivo, e quando necessário, inserir e mantê-lo de forma adequada, deixá-lo por um tempo restrito, removendo-o em tempo mais precoce possível, assim que existirem condições clínicas para sua retirada. Cabe a nós profissionais de saúde administrar o uso de cateteres vesicais de demora, especialmente em pacientes que necessitam de cuidados intensivos, de tal maneira que possa assegurar ao paciente a melhora ou resolutividade de sua patologia de base, minimizando os riscos do surgimento de complicações infecciosas secundárias, possíveis de serem evitadas. Em sendo hospital de ensino, percebe-se a necessidade de ser rediscutida a questão de vínculo empregatício, priorizando o efetivo, para que a ocorrência das inadequações não só restrito ao procedimento de SVD, sejam minimizadas. 82 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS Durante o procedimento de coleta de dados, enfrentamos a problemática quanto ao número reduzido de inserções de cateterismo vesical na UTI. Entretanto, quase todos os pacientes estavam em uso do referido dispositivo, porém, inseridos em sua grande maioria no centro cirúrgico. Por esse motivo, optamos em observar alguns procedimentos de inserção da SVD no centro cirúrgico, para que pudéssemos acompanhar o procedimento de inserção naqueles pacientes que fossem fazer o pós-operatório na UTI. Mas por dificuldades operacionais, os dados não puderam fazer parte desta pesquisa. Tendo em vista a importância da temática estudada, acreditamos estar contribuindo com a instituição pesquisada, uma vez que trará subsídios para a melhoria da assistência prestada aos pacientes em uso de sonda vesical de demora. Dessa forma, algumas sugestões serão citadas abaixo: 1. Estratégias são importantes serem elaboradas pelas instituições, de forma insistente, com treinamentos e atualizações à equipe de enfermagem, no que se refere aos cuidados com esse tipo de dispositivo urinário, pois muitas vezes atitudes simples, podem levar a complicações não previstas e indesejáveis para todo paciente. 2. Deixar os procedimentos escritos sempre atualizados e disponíveis em local de fácil acesso a todos os que necessitarem. 3. Trabalhar em parceria com a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) quanto à temática, auxiliando no acompanhamento e na divulgação dos indicadores de processo à comunidade médica. 83 REFERÊNCIAS ADAMI, N. P. A melhoria da qualidade nos serviços de enfermagem. Acta Paul Enf., v.13, número especial, p.190-196, 2000. ALMEIDA, M. C.; SIMÕES, M. J. S.; RALDI, M. S. G. Ocorrência de infecção urinária em pacientes de um hospital universitário. Revista de Ciências Farmacêuticas Básica e Aplicada, v.28, n.2, p.215-219, 2007. BARRETO, R. A. S. S.; et al. Higienização das mãos: a adesão entre profissionais de enfermagem da sala de recuperação pós-anestésica. Revista eletrônica de enfermagem, v.11, n.2, p.334-340, 2009. CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A. Metodologia científica. 4. ed. São Paulo: Makron Books, 1996. CONSTANTINO, G., Catheterization. In: JETER, K. F. et al. Nursing for Continence. W. B. Saunders Company, cap.15, p.241-266, 1990. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Lei do Exercício Profissional nº 7.498/86. Brasília, 25 de junho de 1986. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução nº 311/2007. Código de ética dos profissionais de enfermagem. Rio de Janeiro, 08 de fevereiro de 2007. CRUZ, A. P. C. Curso didático de enfermagem. Módulo I, p. 112-117, 2005 FERNANDES, A. T. et al. Infecção Hospitalar da Corrente Sanguínea. In: FERNANDES, A. T. et al. Infecção hospitalar e suas interfaces na área da saúde. São Paulo: Atheneu, 2000. FERNANDES, M. V. L.; LACERDA, R. A.; HALLAGE, N. M.. Construção e validação de indicadores de avaliação de práticas de controle e prevenção de infecção do trato urinário associada a cateter. Acta Paulis Enferm, v.19, n.2, p. 174-189, 2006. FOCAULT, M. Microfísica do poder. 5. ed. Rio de Janeiro: Graal, 1985. GAGLIARDI, E. M. D. B. et al. infecção do Trato Urinário. In: FERNANDES, A. E. et al. Infecção hospitalar e suas interfaces na área da saúde. São Paulo: Atheneu, 2000. GETLIFE, K.; NEWTON, T. Catheter-associated urinary tract infection in primary and community health care. Age and Ageing, n. 35, 2006. HINRICHSEN, S. C. A.; et al. Fatores associados à bacteriúria após sondagem vesical na cirurgia ginecológica. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 55, n.2, p.181-187, 2009. HOMENKO, A. S.; LELIS, M. A. S.; CURY, J. Verdades e mitos no seguimento e pacientes com cateteres vesicais de demora. Sinopse de urologia, v.7, n. 2, p.35-40, 2003. 84 JÚNIOR, C. T et al. Prevalence rates of infection in intensive care units of a tertiary hospital. Rev. Hosp. Clín., v.58, n.5, 2003. Disponível em: < HTTP://www.scielo.br>. Acesso em: 13 de dezembro de 2008. KOIZUMI, M. S.; et al. Educação continuada da equipe de enfermagem nas UTIs do Município de São Paulo. Revista Latino-americana de Enfermagem, v.6, n.3, p.33-41, 1998. LACERDA, R. A. et al. As infecções hospitalares e sua relação com o desenvolvimento da assistência hospitalar : reflexões para análise de suas práticas atuais de controle. Revista latino-americana de enfermagem, v.5, n.4, p.13-23, 1997. LEITE, M. A.; VILA, V. S. C. Dificuldades vivenciadas pela equipe multiprofissional na unidade de terapia intensiva. Revista Latino-americana de Enfermagem, v.13, n.2, p.45-50, 2005. LIMA, L. S. et al. Infecções do trato urinário em pacientes com sonda vesical de demora internados em uma unidade de terapia intensiva do Recife (PE), Brasil. Enfermería Global, n.11, p.1-10, 2007. LOPES, M. J. M.; LEAL, S. M. C. A feminização persistente na qualificação profissional da enfermagem brasileira. Cadernos Pagu, v. 24, p.105-125, jan./jun. 2005. LUCHETTI, G. et al. Infecções do trato urinário: análise da freqüência e do perfil de sensibilidade dos agentes causadores de infecções do trato urinário em pacientes com cateterização vesical crôniza. J Bras Patol Med Lab, v.41, n.6, p.383-389, 2005. MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003. MAKI, D. G.; TAMBYAH, P. A. Engineering out the risk of infection with urinary catheters. Emerging Infection Diseases, v.7, n.2, p.1-6, 2001. MARCON, S. S.; ELSEN, I. A enfermagem com um novo olhar... a necessidade de enxergar a família. Farm. Saúde Desenv., v.1, n. 5, p. 21-26, 1999. MARTINS, M. A. Aspectos gerais das Infecções Hospitalares. In: MARTINS, M. A. Manual de infecção hospitalar. Minas Gerais/BH: MEDSI, p.3-9, 2001. MIYADAHIRA, A. M. K. et al. Recursos humanos das unidades de terapia intensiva do município de São Paulo. Revista Latino-americana de Enfermagem, v.7, n.5, p.15-23, 1999. MURPHY, D. et al. Reducing urinary tract infection: a nurse-initiated program. Pennsylvania Nurse, v.10, n.2, p.20, 2007. NASCIMENTO, E. R. P.; TRENTINI, M. O cuidado de enfermagem na unidade de terapia intensiva (UTI): teoria humanística de Paterson e Zderad. Revista latino-americana de enfermagem, v.12, n.2, p.250-257, 2004. 85 NAVARRETE, R. V.; et al. Infecciones Del aparato urinário motivadas por La sonda permanente. Historia natural, mecanismos infectivos y estratégias de prevención. Uma revisión de conjunto basada em nuestra experiência clinica e investigaciones. Arch. Esp. Urol., v.60, n.9, p.1.040-1.056, 2007. NETO, J. L. S; et al. Infecção do trato urinário relacionado com a utilização do cateter vesical de demora: resultados da bacteriúria e da microbiota estudadas. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgia, v.35, n.1, p.28-33, 2008. NIGHTINGALE, F. Notas sobre enfermagem: o que é e o que não é. São Paulo: Cortez, 1989. PADILHA, K. G. Ocorrências iatrogênicas na UTI e o enfoque de qualidade. Revista Latinoamericana de Enfermagem, v.9, n.5, p.91-96, 2001. PITTET, D. et al. The Intensive Care Unite. In: BENNET, J. V. et al. Hospital infections. USA: Lippincott – Raven, 1998. PLATT, R. et al. Risk factors for nosocomial urinary tract infection. American Journal of Epidemiology, v.124, n.16 , 1986. POLIT, D. F.; BECK, C.T.; HUNGLER, B. P. Fundamentos de pesquisa em enfermagem: métodos, avaliação e utilização. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2004, 487p. POTTER, P. A.; PERRY, A. G. Grande tratado de enfermagem prática clínica e prática hospitalar. 3.ed. São Paulo: Santos, 1998. Cap 14. PRATT, R. J. et al. Guidelines for preventing infections associated with the use of shortterm indwelling uretral catheters. The journal of hospital infection. 65S, S1-64, 2007. RABHAE, G. N. et al. Infecção do Sítio Cirúrgico. In: FERNANDES, A. E. et al. Infecção hospitalar e suas interfaces na área da saúde. São Paulo: Atheneu, 2000. REPPETTO, M. A.; SOUZA, M. F. Avaliação da realização e do registro da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) em um hospital universitário. Rev Bras Enferm., v. 3, n. 58, 2005. ROSENTHAL, V. D.; GUZMAN, S.; SAFDAR, N. Effect of education and performance feedback on rates of catheter-associated urinary tract infection in intensive care units in Argentina. Infection Control and Hospital Epidemiology, v.25, n.1, p.47-50, 2004. SHIMIZU, H. E.; CIAMPONE, M. H. T. As representações sociais dos trabalhadores de enfermagem não enfermeiros (técnicos e auxiliares de enfermagem) sobre o trabalho em unidade de terapia intensiva em um hospital escola. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 36, n.2, p.148-155, 2002. SILVA, A. L.; CIAMPONE, M. H. T. um olhar paradigmático sobre a assistência de enfermagem – um caminhar para o cuidado complexo. Rev Esc Enferm USP, v. 4, n.37, p. 13-23, 2003. 86 SILVA, L. F.; DAMASCENO, M. M. C. Modos de dizer e fazer o cuidado de enfermagem em terapia intensiva cardiológica: reflexão para a prática. Texto Contexto Enferm., v.2, n. 14, p. 258-265, 2005. SILVA, M. A. Atuação dos profissionais de enfermagem durante o processo transfusional na UTI de um hospital universitário. Natal, 2008, 121f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem em Assistência à Saúde) – Departamento de Enfermagem da UFRN, 2008. SOUZA, A. C. S., TIPPLE, A. F. V., BARBOSA, J. M. Cateterismo urinário: conhecimento e adesão ao controle de infecção pelos profissionais de enfermagem. Revista Eletrônica de Enfermagem, v.9, n.3, p.724-735, 2007. STAMM, A. M. N. F. Fatores de risco e incidência da infecção do trato urinário relacionada à cateterização vesical. Florianópolis, 1994, 111f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Santa Catarina, 1994. STAMM, A. M. N. F.; COUTINHO, M. S. S. A. Urinary tract infection associated with indwelling catheteres: Incidence and risk factors. Rev. Assoc. Med. Bras., v.45, n.1, p.27-33, 1999. STAMM, A. M. N. F.; et al. Cateterização vesical e infecção do trato urinário: estudo de 1.092 casos. Arquivos Catarinenses de Medicina, v. 35, n.2, p.72-77, 2006. STAMM, W. E. Urinary Tract infectons. In: BENNET, J. V. et al. Hospital infections. Pensylvania. Lippincott – Raven, 1998. TAMBYAH, P. A.; MAKI, D. G. Catheter-associated urinary tract infection is rarely symptomatic. A prospective study of study of 1497 catheterized patients. Arch. Intern. Med., v.160, n.13, p. 678-682, 2000. TURRINI, R. N. T. Percepção das enfermeiras sobre fatores de risco para infecção hospitalar. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 34, n.2, p.174-184, 2000. WONG, E. S. Guideline for prevention of catheter associated urinary tract infections. CDC – Centers for Disease Control and Prevention. Dez. 2001. 87 APÊNDICES 88 APÊNDICE A – Instrumento para coleta de dados de ITU associada ao uso de SVD UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM INSTRUMENTO PARA COLETA DE DADOS DE ITU ASSOCIADA AO USO DE SVD N°.: DATA: TURNO: CATEGORIA DE VERIFICAÇÃO: ADEQUADO (A) INADEQUADO (I) 1. PROCEDIMENTO DA SONDAGEM VESICAL DE DEMORA Prof. Conduta Se I, justifique: Indicação clínica para inserção da SVD. ( ( )A )I Escolher a sonda de acordo com o sexo: feminino (nº 10 a 14) e masculino (até nº 16). ( ( )A )I Lavagem adequada das mãos ( ( )A )I Montar bandeja coom: cuba-rim, cúpula, gazes estéreis, 02 pares de luvas estéreis, 01 par de luvas de procedimento não estéril (para higienização da genitália), solução antisséptica, ampola de água destilada (10 ml), seringa de 10 ml e agulha 40x12, lidocaína gel, coletor de urina sistema fechado, fita adesiva. ( ( )A )I Realizar higiene íntima, com luvas de procedimento não estéril. ( ( )A )I Abrir o pacote de cateterismo ( ( )A )I Abrir o material descartável e colocá-lo sobre o campo (sonda, gaze, coletor de urina sistema fechado). ( ( )A )I Colocar o lubrificante sobre a gaze, lubrificando a ponta da sonda ( ( )A )I Preparar a seringa com água destilada na quantidade indicada na sonda de Foley. ( ( )A )I Lubrificar a ponta da sonda, mantendo-a protegida com gaze. ( ( )A )I Sexo feminino: Realiza antissepsia da vulva com o auxílio de uma pinça e da gaze embebida em antisséptico. ( ( )A )I Separar os grandes lábios com os dedos indicador e polegar até visualizar o meato urinário, mantendo essa posição até a introdução da sonda. ( ( )A )I Iniciar a limpeza pelo lado externo dos grandes e pequenos lábios, a seguir, o lado interno e, por último, o meato urinário; utilizando uma gaze diferente para cada movimento. ( ( )A )I Fazer movimentos de cima para baixo, no sentido púbis-ânus. ( ( )A )I 89 Sexo masculino: Realizar antissepsia erguendo o pênis com indicador e o polegar em posição perpendicular ao abdome e exponha a glande, limpando em movimentos circulares, partindo sempre do meato urinário. ( ( )A )I Introduzir a sonda no meato sem forçar, observando a saída da urina. ( ( )A )I Insuflar o balonete com a seringa e água destilada, tracionando delicadamente a sonda em seguida. ( ( )A )I Fixar a sonda com adesivo e prenda a bolsa coletora em nível abaixo do corpo (na cama, por exemplo). ( ( )A )I Recolher o material, lavar as mãos e anotar o procedimento realizado, bem como suas intercorrências. ( ( )A )I Os cinco passos a seguir são comuns aos dois sexos: 2. CUIDADOS COM A SVD E SISTEMA COLETOR DE URINA Higienizar o meato uretral. ( ( )A )I Utilizar sistema fechado de drenagem de urina. ( ( )A )I Posicionar a bolsa coletora, evitando dobras. ( ( )A )I ( ( ( ( ( ( ( ( )A )I )A )I )A )I )A )I No momento da inserção da sonda. ( ( )A )I Sete dias após o uso ininterrupto da SVD, utilizando local específico do sistema. ( ( )A )I Evitar troca do sistema de drenagem rigorosamente. Só realizar em casos de obstrução do sistema. Evitar troca da SVD e sistema em períodos pré-determinados, quando sim, deverá ser avaliado isoladamente. Lavar e higienizar as mãos antes e após manipulação da SVD e sistema. Remover a SVD o mais precoce possível. 3. COLETA DE URINA PARA CULTURA 90 APÊNDICE B – Instrumento para coleta de dados relacionados ao conhecimento UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM PROJETO DE PESQUISA: INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO ASSOCIADA AO CONHECIMENTO E AO PROCEDIMENTO DE SONDAGEM VESICAL PELA EQUIPE DE ENFERMAGEM NUMA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA 1. CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO a. b. c. d. e. f. g. h. Vínculo institucional: ( ) UFRN ( ) SESAP ( ) IEL ( ) FUNPEC Vínculo em outra instituição: ( ) Sim ( ) Não Categoria profissional: ( ) Enfermeiro ( ) Técnico de enfermagem Escolaridade: ( ) Ensino médio completo ( ) Graduação ( ) Pós-graduação Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino Idade: ________ anos. Tempo de experiência em UTI: _____________ anos. Quantidade de procedimentos de sondagem vesical de demora (SVD) no último mês? _________________________________ i. Quanto aos conhecimentos sobre SVD, sente-se informado? ( ) Sim ( ) Não j. Participou de algum curso ou treinamento sobre SVD nos últimos 2 anos? ( ) Sim ( ) Não. 2. PROCEDIMENTO DE SONDAGEM VESICAL DE DEMORA, SEGUNDO CRUZ (2005) E HOMENKO (2003) a. Conhece a existência de protocolo sobre a sondagem vesical de demora? ( ) Sim ( ) Não ( ) Em parte b. Com que freqüência consulta o protocolo institucional durante a realização do procedimento? ( ) Sim ( ) Às vezes ( ) Raramente ( ) Nunca c. Como procede na escolha do diâmetro da SVD? ________________________________________________________________ d. O que deve conter na bandeja da SVD? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ ______________________________________________________ e. Como e quando executa a lavagem e higienização das mãos?________________________________________________________________ ___________________________________________________________ 91 f. Utiliza quantos pares de luvas estéreis? ________________________________ g. Momento em que conecta o sistema coletor de urina? ( ) Antes inserção ( ) Após inserção h. Como procede a antissepsia da vulva e do pênis?________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ ____________________________________________ i. Se masculino, lubrifica a ponta da sonda ou introduz anestésico na uretra com seringa antes da inserção? ___________________________________________ 3. CUIDADOS NA MANUTENÇÃO DA SVD, SEGUNDO O CENTRO DE CONTROLE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS (2001) a. Momento em que se realiza higienização do meato uretral, com qual freqüência e quais produtos costuma utilizar? _____________________________________________________________________ ___________________________________________________________ b. Utiliza sistema fechado de drenagem urinária? ( ) S ( )N c. Tem conhecimento das características necessárias ao sistema fechado de drenagem urinária? ( ) S ( )N d. Após eventual desconexão da SVD e sistema de drenagem, quais as medidas costuma tomar? ________________________________________________________________ e. Troca a SVD em intervalos previamente determinados? ( ) S ( )N 92 APÊNDICE C – Carta de anuência da Direção do HUOL UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM Ilmo Sr Dr.José Ricardo Lagreca de Sales Cabral. Diretor do Hospital Universitário Onofre Lopes. O Departamento de Enfermagem do Centro de Ciências da Saúde da UFRN conta atualmente, no seu programa de pós-graduação, com o Curso de Mestrado em Enfermagem. Nesse contexto, a mestranda Patrícia de Cássia Bezerra Fonseca está realizando uma pesquisa sobre a infecção do trato urinário associado ao conhecimento e ao procedimento de sondagem vesical pela equipe de enfermagem numa unidade de Terapia Intensiva, necessitando, portanto, coletar dados que subsidiem este estudo junto a essa instituição. Assim sendo, solicitamos de V.Sª., a valiosa colaboração, no sentido de autorizar tanto o acesso da referida mestranda para a realização da coleta de dados, como a utilização do nome da instituição no relatório final da investigação. Salientamos que os dados coletados serão mantidos em sigilo e utilizados tão somente para realização deste trabalho. Na certeza de contarmos com a compreensão e empenho dessa direção, agradecemos antecipadamente. Natal, _____ de _____________de 2008. ____________________________ ______________________________ Enfa Patrícia de Cássia Bezerra Fonseca Prof. Dr. Gilson de Vasconcelos Torres (Mestranda) (Orientador) ( ) Concordamos com a solicitação ( ) Não concordamos com a solicitação ________________________________ Dr.José Ricardo Lagreca de Sales Cabral. 93 APÊNDICE D – Carta de anuência da Direção de Enfermagem do HUOL UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM Ilma Sr.ª Enfª. Neuma Oliveira de Medeiros Diretora de enfermagem do Hospital Universitário Onofre Lopes. O Departamento de Enfermagem do Centro de Ciências da Saúde da UFRN conta atualmente, no seu programa de pós-graduação, com o Curso de Mestrado em Enfermagem. Nesse contexto, a mestranda Patrícia de Cássia Bezerra Fonseca está realizando uma pesquisa sobre infecção do trato urinário associado ao conhecimento e ao procedimento de sondagem vesical pela equipe de enfermagem numa Unidade de Terapia Intensiva, necessitando, portanto, coletar dados que subsidiem este estudo junto a essa instituição. Assim sendo, solicitamos de V.Sa., a valiosa colaboração, no sentido de autorizar tanto o acesso da referida mestranda para a realização da coleta de dados, como a utilização do nome da instituição no relatório final da investigação. Salientamos que os dados coletados serão mantidos em sigilo e utilizados tão somente para realização deste trabalho. Na certeza de contarmos com a compreensão e empenho dessa direção, agradecemos antecipadamente. Natal, _____ de _____________de 2008. _____________________________ ________________________________ Enfa Patrícia de Cássia Bezerra Fonseca Prof. Dr. Gilson de Vasconcelos Torres (Mestranda) (Orientador) ( ) Concordamos com a solicitação ( ) Não concordamos com a solicitação ________________________________ Enfª Neuma Oliveira de Medeiros 94 APÊNDICE E – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido HUOL TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Título do Projeto: “Infecção do trato urinário associado ao conhecimento e ao procedimento de sondagem vesical pela equipe de enfermagem numa Unidade de Terapia Intensiva” O (a) Sr (a) está sendo convidado (a) a participar, voluntariamente, na qualidade de profissional de saúde para a pesquisa sobre conhecimentos e condutas do profissional de enfermagem perante o procedimento de sondagem vesical de demora, Justificativa e objetivos da pesquisa: Trata-se de uma pesquisa relevante, que tem como objetivos detectar os conhecimentos e condutas relacionadas aos procedimentos de sondagem vesical de demora executado pela equipe de enfermagem, bem como associar a ocorrência de infecção do trato urinário (ITU) ao procedimento de sondagem vesical de demora realizado pela equipe de enfermagem em pacientes da Unidade de Terapia Intensiva, podendo promover vários benefícios tanto aos usuários do referido procedimento, tendo em vista uma melhoria na qualidade da assistência de enfermagem na Unidade de Terapia Intensiva, beneficiando também a instituição hospitalar, no tocante a possível diminuição dos custos da internação hospitalar. Vale a pena ressaltar a possibilitar de favorecer a uma ampliação da produção científica e conseqüentemente renovação dos conhecimentos nesta área. Desconfortos, riscos e benefícios: Os riscos associados à participação neste estudo são mínimos e estes serão minimizados pelo cuidado que teremos com os procedimentos que realizarmos. Todos os dados que obtivermos serão guardados e manipulados em sigilo. Nós assumimos o compromisso de não disponibilizarmos esses dados para terceiros (outras pessoas): Os benefícios em participar deste estudo são decorrentes do estudo sobre o conhecimento e condutas da equipe de enfermagem diante do procedimento de sondagem vesical em pacientes de terapia intensiva. As medidas de proteção para minimizar possíveis riscos serão realizadas mediante a autorização prévia da instituição, já concedida, assim como, a assinatura deste Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pelo participante e pesquisador, ficando estabelecido o sigilo absoluto sobre as informações recebidas e sua identidade por parte do pesquisador. 95 Participação voluntária: Sua participação neste estudo é totalmente voluntária, podendo recusar-se a fazer parte do mesmo ou interromper se julgar conveniente, sem prejuízo para o andamento do trabalho de pesquisa. Confidencialidade do estudo: Os registros de sua participação no estudo serão mantidos em sigilo. Eles serão guardados e somente os pesquisadores trabalhando com a pesquisa terão acesso. Se qualquer relatório ou publicação resultar deste trabalho, a identificação dos participantes não será revelada. Forma de acompanhamento: Durante e após o término da pesquisa você receberá toda assistência e acompanhamento por parte da equipe responsável pela pesquisa, podendo entrar em contato com o Professor Dr. Gilson de Vasconcelos Torres através do telefone (84) 32153839 no Departamento de Enfermagem da UFRN, localizado no Campus universitário, Lagoa Nova. Se algum dano ocorrer, decorrente da pesquisa, toda assistência lhe será assegurada pelo pesquisador e pela instituição. Ressarcimento de despesas: Se você tiver algum gasto que seja devido à sua participação na pesquisa, você será ressarcido, caso solicite. Comitê de Ética: Este projeto foi avaliado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Onofre Lopes-Natal, RN. Informações adicionais podem ser obtidas pelo telefone CEP-HUOL, 32023719 - ramal 276. 119 96 CONSENTIMENTO PARA PARTICIPAÇÃO Eu fui devidamente esclarecido quanto aos objetivos da pesquisa, aos procedimentos aos quais serei submetido e os possíveis riscos envolvidos. Estou de acordo em participar voluntariamente no estudo, sendo que minha participação não implicará em custos ou prejuízos, sejam esses custos ou prejuízos de caráter econômico, social, psicológico ou moral, sendo garantido o anonimato e o sigilo dos dados referentes à minha identificação. O pesquisador responsável me garantiu disponibilizar qualquer esclarecido adicional que eu venha a solicitar durante o curso da pesquisa e o direito de desistir da participação em qualquer momento, sem que a minha desistência implique em qualquer prejuízo a minha pessoa ou minha família. ___________________________________________ Assinatura do participante Compromisso do investigador: Eu discuti as questões acima com o (a) participante do presente estudo ou com seus responsáveis legais. É minha convicção que o (a) entende os riscos, benefícios e obrigações relacionados com este projeto. ________________________________________ Professor Dr. Gilson de Vasconcelos Torres Data: _____ / _____ / ______ 97 ANEXO 98 ANEXO A – Parecer consubstanciado do Projeto de Pesquisa nº 278/09