ESTUDO DE CASO 2003 PROGRAMA SANTO ANDRÉ MAIS IGUAL Intervenções em Sacadura Cabral, Tamarutaca, Capuava e Quilombo II Santo André – SP Trabalho elaborado pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM para a Caixa Econômica Federal, no âmbito do Programa CAIXA Melhores Práticas de Gestão Local PRESIDENTE DA REPÚBLICA Luiz Inácio Lula da Silva MINISTRO DA FAZENDA Antônio Palocci CAIXA ECONÔMICA FEDERAL PRESIDENTE DA CAIXA Jorge Eduardo Levi Mattoso VICE-PRESIDENTE DE DESENVOLVIMENTO URBANO E GOVERNO – VIURB Aser Cortines Peixoto Filho DIRETOR DE PARCERIAS E APOIO AO DESENVOLVIMENTO URBANO – DIDUP Jorge Luiz de Souza Arraes GERENTE NACIONAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM DESENVOLVIMENTO URBANO – GEURB Beatriz Loureiro Cerqueira Lima SUPERINTENDENTE DO ESCRITÓRIO DE NEGÓCIOS DO ABC/SP Elaine Maria Mascarenhas GERENTE GIDUR/REDUR Emeri Angela Massutti INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL SUPERVISÃO Marlene Fernandes COORDENAÇÃO Carlos Alberto Silva Arruda ASSISTENTES Bianca Coelho Nogueira Patrícia Azevedo de Oliveira ELABORAÇÃO DO ESTUDO DE CASO Adriana Araújo Larangeira Tânia Castro REVISÃO Cláudia Ajúz DIAGRAMAÇÃO CLAN Design Agosto de 2003 LARANGEIRA, Adriana Araújo Estudo de caso: PROGRAMA SANTO ANDRÉ MAIS IGUAL; intervenções em Sacadura Cabral, Tamarutaca, Capuava e Quilombo II – Santo André – SP / Adriana Araújo Larangeira, Tânia Castro. Supervisão de Marlene Fernandes. Coordenação de Carlos Alberto Arruda. - Rio de janeiro: IBAM/CEF, 2003. 124 p.; 21,0 x 29,7cm 1. Favelas-urbanização. I. Castro, Tânia (Colab.). II. Fernandes, Marlene (Sup.). III. Arruda, Carlos Alberto (Coord.). IV. Instituto Brasileiro de Administração Municipal. V. Caixa Econômica Federal. 728 (CDD 15.ed.) Apresentação da CAIXA Este ESTUDO DE CASO faz parte de uma série de publicações voltadas para a divulgação das dez experiências premiadas pelo Programa "Caixa Melhores Práticas em Gestão Local" no ciclo 2001/2002. O principal objetivo dessa série é propiciar uma avaliação em profundidade das práticas premiadas, permitindo aqueles que têm interesse em desenvolver iniciativas similares, identificar e extrair o máximo da experiência contida nesses projetos bem-sucedidos. Nesta publicação, apresentamos a experiência do Programa Santo André Mais Igual, desenvolvido pela Prefeitura Municipal de Santo André-SP nas comunidades de Sacadura Cabral, Tamarutaca, Capuava e Quilombo II. Trata-se de um programa de inclusão social que objetiva integrar a favela à cidade, como condição necessária para promover a integração sócio-econômica das famílias, contemplando um conjunto de projetos articulados no tempo e no espaço. Os resultados exitosos dessa prática renderam-lhe a premiação entre as 10 melhores práticas do mundo, que concorreram ao Prêmio Dubai, o Prêmio Internacional de Dubai de Melhores Práticas para Melhoria das Condições de Vida, constituindo-se referência para os demais Municípios brasileiros. A CAIXA tem como missão promover a melhoria contínua da qualidade de vida em nossa sociedade, intermediando recursos e negócios financeiros de qualquer natureza, atuando, prioritariamente, no fomento ao desenvolvimento urbano, portanto, nos segmentos de habitação, saneamento e infra-estrutura, e na administração de fundos, programas e serviços de caráter social. Como uma de suas estratégias de atuação, é importante ressaltar que a CAIXA estabelece parcerias com instituições afins, visando sempre um produto comprometido com a qualidade. A partir desse compromisso esperamos, com esta publicação, estar disseminando as boas práticas brasileiras que estamos apoiando/financiando e, sobretudo contribuindo para o aperfeiçoamento das políticas e programas sociais do nosso País. Outras publicações importantes para sua cidade e comunidade poderão ser encontradas no nosso site www.caixa.gov.br, opção download. Aser Cortines Vice-Presidente de Desenvolvimento Urbano e Governo Jorge Mattoso Presidente da CAIXA Apresentação pela Diretora Executiva do Programa das Nações Unidas Para os Assentamentos Humanos, UN-Habitat É com grande satisfação que apresento esses estudo de caso sobre a experiência de Santo André, no Brasil. O presente estudo faz parte de uma série de outros estudos e manuais voltados para a divulgação das lições aprendidas pelas Melhores Práticas Brasileiras. A Agenda Habitat, adotada em junho de 1996, convoca a todos para a documentação e a análise de melhores práticas como um dos principais meios de se monitorar condições, tendências e respostas emergentes oferecidas pelas políticas. Desde então, a comunidade internacional tem solicitado ao UN-Habitat e aos seus parceiros que apliquem as lições aprendidas das melhores práticas como base para a capacitação e a cooperação através do intercâmbio de conhecimentos, expertise e experiências práticas. A Caixa Econômica Federal (CAIXA) e o Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM) vêm demonstrando seus papéis de liderança neste esforço coletivo. Como parceiros de Best Practice and Local Leadership Programme do UN-Habitat, essas instituições estão suprindo a Região da América Latina e Caribe, assim como outras regiões, com valiosas lições aprendidas das experiências. A análise em profundidade da experiência do SANTO ANDRÉ MAIS IGUAL, que foi designada pelo UN-Habitat como uma das melhores práticas do ano 2002 no âmbito mundial, deveria ser de particular interesse para todos os envolvidos com a implementação das Metas de Desenvolvimento Para o Milênio (Millennium Development Goals). Este estudo oferece subsídios para que se possa enfrentar as questões referentes à urbanização sustentável, redução de pobreza e a melhoria das condições de vida da população pobre urbana. Isto demonstra que objetivos estratégicos da Agenda Habitat – como parcerias e participação, descentralização e capacitação – podem ser aplicados de uma maneira holística trazendo benefícios tangíveis e duradouros para a população e suas comunidades. Demonstra também que o desenvolvimento sustentável está cada vez mais dependente do equacionamento de problemas como urbanização, boa governança urbana, e acesso à terra, à moradia e aos serviços básicos para a população pobre urbana. Com esta finalidade, os estudos de caso e manuais oferecem aos parceiros da Agenda Habitat, em todo o mundo, direções para o futuro. Anna Kajamulo Tibaijuka Diretora Executiva Programa das Nações Unidas Para os Assentamentos Humanos Apresentação O Prêmio CAIXA Melhores Práticas em Gestão Local, instituído em 1999, vem cumprindo o duplo papel de conferir visibilidade aos projetos realizados com apoio técnico e financeiro da CAIXA, e de apoiar a implementação da Agenda Habitat no Brasil, estimulando a replicação de experiências sustentáveis que resultam em melhorias efetivas da qualidade de vida da população. A cada dois anos são premiados os dez melhores projetos, selecionados por um júri independente, dentre os mais de duzentos inscritos no banco de dados de Melhores Práticas da CAIXA abrangendo experiências nas áreas de habitação, saneamento básico, infra-estrutura, geração de renda, preservação ambiental, entre outras. Além de apoiar a inscrição das práticas selecionadas no Prêmio Global de Excelência do Programa Melhores Práticas, patrocinado pela Municipalidade de Dubai, em colaboração com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos – UN-HABITAT, também com periodicidade bienal, a CAIXA incentiva a replicação das práticas premiadas com a publicação de um Estudo de Caso onde são documentados os novos conhecimentos produzidos e as lições aprendidas. O Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM foi a instituição designada para elaborar estes Estudos de Caso. O primeiro deles, dedicado ao Projeto Vila-Bairro, em Teresina, foi editado em 2001. Hoje, cabe novamente ao IBAM apresentar Estudo de Caso sobre o Programa Santo André Mais Igual, desenvolvido na cidade de Santo André, na Região Metropolitana de São Paulo, selecionado como uma das Melhores Práticas em 2001. Com a denominação de Programa de Gênero e Cidadania, nada mais do que um enfoque do Programa Santo André Mais Igual, a Prefeitura Municipal de Santo André foi premiada em 2002 como uma das dez melhores práticas no quarto ciclo de premiação internacional do Best Practices, patrocinado pela Municipalidade de Dubai, nos Emirados Árabes, concorrendo com centenas de práticas de todas as regiões do mundo. Em sua primeira parte, o estudo trata de contextualizar a prática no espaço do Município de Santo André, considerando um breve histórico de sua formação, no qual se sublinha o processo de surgimento de favelas no Município. Conhecido o campo de aplicação potencial da prática, são explicitados os critérios de seleção das quatro áreas incluídas no Programa Santo André Mais Igual, caracterizando a sua abrangência em relação ao conjunto da cidade. A seguir são descritos a forma particular de organização institucional da Administração Municipal que suporta o desenvolvimento do programa; a construção das diversas parcerias – uma das características marcantes da prática; e seu processo de implementação. A segunda parte do estudo está dedicada ao detalhamento das metas fixadas, das ações empreendidas e dos resultados alcançados. Em vista do grande número de componentes simultâneos que delineiam o perfil de atuação do programa, optou-se por agregar as ações em blocos temáticos, focalizando as dimensões urbanística, social e econômica, tal como na estrutura do programa. Em cada um dos blocos foram destacadas aquelas ações que, por seu caráter inovador, ou por sua particular incidência nos resultados do programa, refletem com mais precisão o espírito da inclusão social, diretriz maior que orienta a atuação da Prefeitura de Santo André. O conjunto de indicadores que fundamenta o desenvolvimento anterior cumpre, ao mesmo tempo, a função de estabelecer comparações entre a situação socioeconômica da população beneficiária e o conjunto da cidade de Santo André e, com isso, assinalar em que pontos a situação das famílias de baixa renda diverge mais radicalmente do conjunto urbano, mapeando assim os setores críticos, que demandam intensificação das ações de inclusão social. Em sua parte final são sintetizadas as lições aprendidas até este ponto da implementação do programa, suas perspectivas de futuro, assim como observações e recomendações que, de modo geral, poderiam ser extrapoladas para a maioria de Municípios brasileiros que hoje empreendem esforços com o sentido de enfrentar a crescente informalidade no uso e ocupação do solo, com graves implicações na qualidade de vida da população, assim como na governabilidade e sustentabilidade urbanas. Sumário 1- O Contexto em que se Desenvolve o Programa ......................................... 9 1.1- A seleção das áreas de intervenção ................................................ 10 2- Abrangência do Programa e sua Relação com a Cidade ........................... 14 3- O Desenho Institucional ......................................................................... 17 4- A Construção das Parcerias .................................................................... 19 4.1- Parcerias de natureza financeira .................................................... 20 4.2- Parcerias de natureza técnica, administrativa e popular ................... 29 5- O Processo de Implementação ............................................................... 32 6- Metas Fixadas, Ações Empreendidas e Resultados Alcançados .................. 6.1- Dimensão urbanística e fundiária ................................................... 6.2- Dimensão social ............................................................................. 6.3- Dimensão econômica .................................................................... 34 35 51 55 7- Indicadores ............................................................................................ 7.1- Características físicas das áreas focalizadas pelo programa ............. 7.2- Caracterização do perfil sociodemográfico dos beneficiários do programa, em relação com o Município de Santo André .................. 7.3- Caracterização do perfil socioeconômico dos beneficiários do programa em relação com o Município de Santo André .................... 67 67 8- O Projeto Segundo as Variáveis Estratégicas de Análise ........................... 8.1- Parcerias ....................................................................................... 8.2- Impactos ....................................................................................... 8.3- Sustentabilidade ............................................................................ 8.4- Liderança e fortalecimento da comunidade ..................................... 8.5- Gênero e inclusão social ................................................................ 81 81 82 83 86 94 71 76 9- Conclusões: Lições Aprendidas e Perspectivas de Futuro ........................... 97 Referências Bibliográficas ............................................................................ 100 Anexos IIIIIIIVV- Metodologia de Elaboração do Estudo de Caso ...................................... 106 Síntese do Plano de Trabalho ................................................................ 109 Instrumentos da Pesquisa de Campo ..................................................... 111 Formulário de Apresentação da Prática .................................................. 118 Siglas ................................................................................................... 120 Responsável pelo Estudo de Caso Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM Largo do IBAM, n° 1 – Humaitá 22271-070 – Rio de Janeiro – RJ Telefone: (21) 2536-9797 – Fax (21) 2538-1613 E-mail: [email protected] Internet: www.ibam.org.br 1 O Contexto em que se Desenvolve o Programa O núcleo urbano de Santo André começa a se desenvolver a partir de uma estação da estrada de ferro, e tem seu crescimento impulsionado pela implantação da grande indústria (química, metalúrgica e de transformação) que se inicia nos anos de 1920, e se prolonga até a década de 1970. A partir dos anos 1980, e com mais intensidade na década seguinte, é iniciado um processo de evasão industrial no Grande ABC, com a substituição desta atividade pela comercial e de prestação de serviços, que afetou especialmente Santo André, com uma perda de valor agregado de cerca de 39%. Uma economia de 6 bilhões de reais se reduziu a apenas 3,6 bilhões no período 1980 a 20001 . O empobrecimento da cidade se refletiu no aumento de população residente em favelas, com um incremento de 3,78%, ao ano, de 1991 a 1996, enquanto no mesmo período a população da cidade aumentou em apenas 0,31%2 . Há hoje em Santo André 138 favelas, com aproximadamente 120.500 habitantes (cerca de 18,56% da população total do Município que é de 649.331 habitantes). Em levantamento preliminar realizado pelo Departamento de Habitação da Secretaria de Inclusão Social e Habitação – DEHAB, em 2001, concluiu-se que: "... por volta de 25.000 famílias, 35% dos núcleos e 63% de sua população moradora, habitam áreas de alta declividade, 23% dos núcleos e 28% das famílias habitam em áreas de várzea ou lindeiras a córregos e rios, 6% dos núcleos e 9% das famílias, em áreas de preservação ambiental e outros 16% dos núcleos e 18% das famílias, em áreas com outras restrições (sob rede de alta tensão, sobre o sistema viário, lixão, oleodutos). Apenas 37% dos assentamentos que abrigam cerca de 13% desta população excluída localizam-se em territórios sem restrições ambiental ou geotécnica à ocupação." 3 Deste universo, o Programa Santo André Mais Igual atua sobre quatro núcleos de favela selecionados: Sacadura Cabral, Tamarutaca, Capuava e Quilombo II. 1 VENTURINI, Walter. Quando favela se torna bairro. Livre Mercado, N.º XIV, ed. 163, abr. 2003. pp. 84-86. 2 SANTO ANDRÉ. Prefeitura. Programa de apoio às populações desfavorecidas (particularmente crianças e adolescentes) nas Regiões Metropolitanas do Rio de Janeiro e São Paulo. Diagnóstico. Santo André: Secretaria de Inclusão Social e Habitação/APD, [1998?]. Mimeo. 3 SPERTINI S. e DENALDI, R. As possibilidades efetivas de regularização fundiária em núcleos de favelas. Anais do Seminário Internacional 'Gestão da Terra Urbana e Habitação de Interesse Social'. Campinas, 7 e 8 de dezembro de 2001. Apesar de conter imprecisão, foi mantido o texto original com o fim de ilustrar a ordem de grandeza da questão. Dados mais precisos são apresentados no Quadro 3, concebido a partir de informações atualizadas da PSA. 9 Programa Santo André Mais Igual 1.1 A seleção das áreas de intervenção A seleção das áreas foi norteada, por um lado, por critérios técnicos: impacto da recuperação ambiental das áreas sobre a qualidade de vida dos moradores, situação jurídica das terras ocupadas pelas favelas, além da disponibilidade de financiamento4 , entre outras. Por outro, por critérios políticos: prioridades de atendimento definidas pela Administração Municipal a partir do orçamento participativo, espaço de discussão com as lideranças populares, onde o Movimento de Defesa dos Direitos dos Favelados de Santo André – MDDF/SA tem papel significativo, contemplando assim o grau de organização das comunidades. Também o tempo de existência de cada uma das favelas e a visibilidade da intervenção balizaram o processo de seleção, privilegiando aquelas de ocupação mais antiga. Antes da atuação do programa, as quatro favelas apresentavam situações de risco. Em Tamarutaca e Capuava havia risco de deslizamento de terra decorrente de ocupações em encostas. Na favela Sacadura Cabral o risco era de inundação. O Conselho de Orçamento Participativo apontou, em 1997, como prioritária a urbanização das favelas Capuava e Tamarutaca e, em 1998, foram apontadas Sacadura Cabral e Quilombo II. O fator, em princípio, facilitador da intervenção nestas áreas era a questão da propriedade das glebas5 . As favelas Tamarutaca e Capuava estão assentadas em áreas pertencentes à Prefeitura Municipal e a área da favela Sacadura Cabral pertence à Caixa Econômica Federal. Para esta última, foi firmado protocolo de intenções com a CAIXA a fim de que o domínio da área fosse repassado à Prefeitura. A favela Quilombo II está implantada parcialmente sobre terreno pertencente a três proprietários particulares. Está em trâmite o processo de acordo visando transferir aos ocupantes a propriedade da terra através de instrumento de compra e venda. Além de os quatro núcleos de favela terem sua ocupação datada de aproximadamente trinta anos, todos se localizam junto a grandes eixos viários intermunicipais o que lhes confere grande visibilidade. Sacadura Cabral A área denominada Sacadura Cabral está localizada na região noroeste do Município de Santo André, no bairro de mesmo nome, que faz divisa com o Município de São Bernardo do Campo. 4 No caso de Sacadura Cabral, já havia contrato de empréstimo firmado no âmbito do Programa PróMoradia (1996) para produção de duzentos apartamentos. No caso de Tamarutaca, havia a intenção da Administração Municipal de concluir a urbanização iniciada no primeiro governo Celso Daniel. 5 Veja-se no item 6.1.4. as dificuldades encontradas para levar a termo os processos de regularização fundiária das áreas contempladas pelo programa. 10 1- O Contexto em que se Desenvolve o Programa Trata-se de uma área inundável, com cerca de 75% de sua área na várzea do Ribeirão dos Meninos que, até a sua ocupação, funcionou como bacia de dissipação, absorvendo as vazões excedentes dos cursos d'água da região. Os moradores sofriam enchentes anuais que cobriam o primeiro pavimento de muitas das moradias6 . Em 1970, a Prefeitura decidiu controlar o adensamento da área proibindo a construção de novos barracos, assim como a comercialização dos existentes. A partir de 1972, quando houve um relaxamento desse controle, verificou-se um expressivo aumento da população, passando de cerca de 60 domicílios para os atuais 736 (748 famílias), que abrigam 3.020 habitantes, ocupando uma área de 35.400m². A favela Sacadura Cabral é uma área de ocupação consolidada, ainda que apresente sinais de recente expansão. Parcela significativa das edificações (580 domicílios) encontrava-se em área inundável. Estes imóveis são predominantemente de uso residencial, com pequeno número de cômodos e abrigando, em sua maioria, famílias pouco numerosas. A população é constituída de pessoas jovens, porém, com nível de escolaridade muito baixo, o que se reflete na sua situação ocupacional e na sua renda. A taxa de desemprego é de 22,1% entre os chefes de família. Embora elevada, não se distingue muito da registrada para o Estado de São Paulo. Tamarutaca A favela Tamarutaca, também localizada na zona noroeste da cidade, está assentada sobre área pública municipal, há 27 anos, de forma desordenada e com construções precárias. Um grupo de religiosos desenvolveu um trabalho de catequese junto à população deste núcleo, dando início ao trabalho de organização dos moradores. Assim surgiram as primeiras comissões de representantes dos moradores, junto à Prefeitura Municipal, reivindicando a implantação de infra-estrutura e melhorias na favela. Como resultado, em 1989 Tamarutaca foi incluída no programa de urbanização de favelas da Prefeitura de Santo André, sendo parcialmente urbanizada. Atualmente com 5.200 habitantes distribuídos em 1.300 domicílios, Tamarutaca alcançou um razoável grau de consolidação, apesar da elevada presença de construções precárias. Sua população economicamente ativa representa mais da metade da população total, porém o baixo nível de escolaridade dificulta a sua inserção no mercado de trabalho. É significativa a parcela de famílias em situação muito precária: muitas não têm qualquer rendimento, ou este é insuficiente para a sua sobrevivência. 6 DENALDI, R., ERVILHA, T. F. e SANTOS, C. D. Avaliação e monitoramento dos serviços de infra-estrutura em favelas urbanizadas em Santo André. In Terceiro Seminário Fluminense de Indicadores – Caderno de Textos. pp. 45-50. 11 Programa Santo André Mais Igual Capuava Localizada na zona norte do Município, a favela Capuava dista cerca de quatro quilômetros do centro administrativo da cidade. Das quatro áreas selecionadas, esta é a de maior porte com 1.327 domicílios cadastrados e uma população estimada em cerca de 7 mil pessoas. A favela foi formada há cerca de 30 anos, a partir da invasão de terreno público junto a uma das principais vias de acesso ao Município. A ocupação se deu de forma lenta e constante até o final dos anos de 1980, quando houve uma intensificação de ocupação que refletia a escassez de alternativas de moradia adequadas (em qualidade, localização e custo) às necessidades da população. A partir da organização de uma Comissão de Moradores, várias das demandas por infra-estrutura e serviços públicos foram atendidas pela Empresa Municipal de Habitação Popular da Prefeitura de Santo André – EMHAP. Hoje Capuava pode ser considerada como um assentamento consolidado, em função da presença significativa de edificações em alvenaria. Predominam as famílias nucleares, com número de membros inferior à média da região. A maioria da população é jovem e, embora o nível de escolaridade seja mais baixo que a média da cidade, é significativo o número de moradores que concluíram o primeiro grau. Ainda assim, a situação ocupacional revela a presença de muitas pessoas sem trabalho, além daquelas que só estudam e dos que estão desempregados, constituindo um elevado contingente de pessoas economicamente dependentes. O desemprego está presente em muitas famílias (16,3% dos chefes de família), o que contribui para aumentar, no Município, o contingente daqueles que se encontram abaixo da linha de pobreza. Quilombo II A favela Quilombo dos Palmares, conhecida como Quilombo II, é um dos núcleos de favela mais antigos da cidade, formado, a partir da ocupação de uma área particular, em 1966. Está situada na zona noroeste de Santo André, na divisa com o Município de São Caetano do Sul. No final dos anos de1970, o requerimento de reintegração de posse apresentado pelos proprietários deu origem a um processo de negociações, envolvendo não só moradores e proprietários, mas também a Prefeitura, que resultou na aquisição coletiva do terreno, conferindo a segurança da posse definitiva para grande parte dos moradores. Por ocasião do loteamento da área, os barracos originais foram derrubados e seus moradores ficaram temporariamente instalados em um terreno vizinho. Aquelas famílias que, por alguma razão, não entraram na sociedade para compra da área, permaneceram neste assentamento provisório, dando origem à Quilombo II. 12 1- O Contexto em que se Desenvolve o Programa No segundo semestre de 1997 foram cadastrados, nesse assentamento, 230 domicílios, muitos dos quais, embora habitados, encontravam-se fechados na ocasião do cadastramento, impossibilitando o contato com os chefes dessas famílias para a coleta de informações 7. Ainda assim, foi possível estimar que 71,6% dos chefes de família são mulheres. Apesar de ser significativa a presença de pessoas sem ocupação, são relativamente poucos os chefes de família desempregados (9,3%). A análise dos rendimentos familiares indica a presença de um grande contingente de famílias pobres (43,5%), ou seja, aquelas com renda mensal de até três salários mínimos. A população é constituída por uma maioria de pessoas muito jovens e, também, por um grande número de pessoas com formação escolar insuficiente para atender às exigências atuais do mercado de trabalho. IDA AVEN São Paulo CO STA E SILV A S DO São Caetano do Sul S DO ESTA SO ENTE IDA EN AV IN S L RIA ST DU PR ES TE Capuava AV EN ID A DOS Tamarutaca EST A AV .C Sacadura Cabral EL . AVENIDA AN TÔ NIO AIA AV. M Quilombo II O RD CA PRESID DIOGO ALVES DO S Centro AL FR ED O AV. TOS SAN NT MO DU AV. GIO VA NN AV. FL AC KE R I BATTISTA I ELL PIR ÃO PIT CA IO MÁR BA R DO TOLE RE TO São Bernardo do Campo A IR RE DE PE . AV CAMA RGO O RD NA BER DO O MP CA DA ESTRA O . SÃ AV DO ROSO PED Mapa 1– Mapa de localização das favelas contempladas com o Programa Santo André Mais Igual. 7 Conforme informação de Madalena Alves, o cadastramento se realiza, em geral, durante vários dias, em diversos horários (dia e noite, dias úteis e finais de semana). São deixados avisos para que os moradores tomem ciência de que o cadastramento está sendo feito. Entretanto, algumas famílias, muitas vezes por medo de despejo, já que sabem que sua situação é irregular, não abrem a porta e não dão retorno aos bilhetes deixados. Assim, nem sempre é possível abranger o número total de domicílios de cada um dos assentamentos nesta etapa. 13 Abrangência do Programa e sua Relação com a Cidade 2 A informação inicial de que o programa contempla apenas quatro, de um universo de 138 favelas no Município, sugere uma abrangência bastante tímida por volta de 2,9%. Entretanto, o número de favelas constitui uma abordagem imprecisa, já que estes assentamentos variam enormemente tanto em número de habitantes, como em superfície. As quatro favelas contempladas pelo Santo André Mais Igual – Capuava, Tamarutaca, Sacadura Cabral e Quilombo II – contam com populações de, respectivamente, 7.000, 5.200, 3.020 e 822, totalizando 16.042 habitantes, o que representa 13,31% dos moradores de favelas de Santo André e 2,47% da população total do Município, que conta com 649.331 habitantes8. FAVELA Capuava Quadro 1 Assentamentos incluídos no Programa Santo André Mais Igual Nº DE Nº DE Nº DE ÁREA LOTES FAMÍLIAS HABITANTES (M 2) 1.327 1.327 7.000 104.379 DENSIDADE (HAB./HA) 67,06 Quilombo II 230 230 822 14.000 58,71 Sacadura 736 748 3.020 35.400 85,31 Tamarutaca 1.300 1.300 5.200 101.700 51,13 Total 3.593 3.637 16.042 255.479 62,79 Fonte: SANTO ANDRÉ. Prefeitura. Santo André Mais Igual. Programa Integrado de Inclusão Social. 16.042 120.500 649.331 Diagrama 1 – Município de Santo André. Distribuição da população atendida pelo Programa Santo André Mais Igual, população residentes em favelas e população total do Município. Fontes: (1) Diagnóstico APD. (2) Estimativa SISH/DEHAB, 2002. (3) IBGE, Resultados do Universo do Censo Demográfico 2000. 8 IBGE, Resultados do Universo do Censo Demográfico 2000. 14 2- Abrangência do Programa e sua Relação com a Cidade Outra alternativa de aferição de amplitude do programa é a comparação entre a área total do Município, a área ocupada por favelas e a área de atuação do programa. Assim, também a proporção entre o território abrangido pelo programa (255.479,00 m2) e área total do Município (174.830.000,00m2) parece pouco ou nada significativa – apenas 0,15%. Entretanto, seria um equívoco mensurar os possíveis impactos do Programa unicamente como função desta variável. Considerando as altas densidades que caracterizam os assentamentos informais, o alcance das ações empreendidas nestas áreas tende a ser muito mais amplo que nas áreas formais da cidade. Conforme Angel9, apesar de que os setores de baixa renda possam chegar a representar 40% e até 50% da população urbana, ocupam somente de 10% a 20% do território. No caso de Santo André, esta proporção é de 18,5% dos habitantes ocupando 1,10% da área do Município, considerando exclusivamente as favelas. Quadro 2 Relação entre a área total do Município, as áreas favelizadas e as favelas incluídas no programa ÁREA (M2 ) % DA ÁREA OCUPADA POR FAVELAS % DA ÁREA TOTAL DO MUNICÍPIO 104.379,00 5,44 0,06 Quilombo II 14.000,00 0,73 0,01 Sacadura 35.400,00 1,84 0,02 Tamarutaca 101.700,00 5,30 0,06 Total do programa 255.479,00 13,31 0,15 1.919.038,74 100,00 1,10 174.830.000,00 – 100,00 Capuava Área ocupada por favelas (1) Área total do Município (2) Fontes: SANTO ANDRÉ. Prefeitura. Santo André Mais Igual. Programa Integrado de Inclusão Social. pp.22-25. (1) Estimativa. (2) IBGE, Censo Demográfico 2000. Obs.: Na ausência de informação precisa sobre a área total ocupada por favelas em Santo André, optou-se por estimar esta superfície a partir do número total de habitantes em favelas (120.500) e a densidade média dos quatro núcleos incluídos no Santo André mais Igual (62,79 Hab./ha). Assim, se obteve um total de 1.919.038,74m² de área favelizada no Município. Em termos gerais, pode-se concluir que, de fato, a escala de atuação do Programa é reduzida. Entretanto, do ponto de vista qualitativo da implantação destes assentamentos sobre o território, cabe assinalar que pelo menos 54,35% das favelas está localizada em territórios com restrições ambientais ou geotécnicas à ocupação urbana. Portanto, quando estas restrições não puderem ser eliminadas ou, pelo menos minimizadas, a alternativa mais indicada seria o remanejamento em lugar da consolidação dos assentamentos com ações de urbanização, o que reduz as áreas potencialmente aptas para a implantação do Programa. 9 ANGEL, S., ARCHER, R.W., TANPHIPHAT, E. A. & WEGLIN, E.A. (eds.). Land for Housing the Poor. Singapure: Selected Books, 1982. p. 16. 15 Programa Santo André Mais Igual Quadro 3 Número total de favelas e localização predominante NÚMERO DE FAVELAS % Áreas com declividades acentuadas 48 34,78 Áreas inundáveis 22 15,95 Áreas de proteção/preservação ambiental 5 3,62 Outras situações 63 45,65 Total 138 100,00 Fonte: LARANGEIRA, Adriana (coord.). Estudo de avaliação da experiência brasileira sobre urbanização de favelas e regularização fundiária. Rio de Janeiro: IBAM/Banco Mundial, 2002. Apenas através do conhecimento detalhado da real aptidão de cada um dos assentamentos para os procedimentos de urbanização seria possível aquilatar de forma objetiva qual seria o universo de aplicação do programa e aferir com precisão sua abrangência potencial. 16 3 O Desenho Institucional O Município de Santo André já contava com experiências anteriores de urbanização de favelas10. Estes trabalhos estiveram suspensos de 1993 a 1996 por descontinuidade político-partidária na Administração local, sendo rediricionadas nas linhas prioritárias de ação municipal. Neste período, que coincide com a fase crítica de perda de postos de trabalho na cidade, o número de favelas na cidade aumentou de 84 para 13811 . A partir de 1997, a nova Administração redefine prioridades estabelecendo a inclusão social entre as linhas mestras de ação. Nesta oportunidade é também revista a estratégia de atuação em favelas, adotando-se uma abordagem mais ampla do que a melhoria física do habitat, agregando-se tanto a qualificação urbanística (através da introdução de equipamentos urbanos e paisagismo), como todo um conjunto de programas sociais e econômicos. Também o formato de gestão e o desenho institucional são objeto de reavaliação, com o objetivo de alcançar maior eficiência e eficácia nas iniciativas de âmbito local. Partiu-se da premissa de que a urbanização, restrita aos aspectos físicos e ambientais, era incapaz de gerar uma mudança expressiva na situação de exclusão dos habitantes dos assentamentos de baixa renda. Assim, procurou-se a formulação de um programa que articulasse as ações dos diversos setores da Administração, atuando de forma conjunta e concentrada nos territórios onde se havia constatado as situações de exclusão social mais prementes, de forma a criar as condições necessárias para elevar o nível socioeconômico e a qualidade de vida destas populações. A primeira iniciativa nesta direção foi a associação entre os Programas de Urbanização Integral12 e de Renda Mínima, elegendo para participar do segundo favelas já incluídas no primeiro. A intenção (que logo se confirmou) era de que se as áreas selecionadas fossem as mesmas, haveria a possibilidade de amplificação dos resultados. 10 Em concreto, de 1989-1992, na primeira administração Celso Daniel, quando a favela Tamarutaca foi parcialmente urbanizada. 11 Se bem o número de assentamentos não seja a aproximação mais precisa à real situação da informalidade na cidade, já que o número de domicílios é variável, serve, ao menos, para refletir uma ordem de grandeza da dificuldade que a população encontra para inserir-se formalmente na cidade. 12 Programa que "busca promover a manutenção da população no local com a subdivisão de terra, regularização fundiária, promoção de melhorias urbanas e ações socioeducativas buscando integrar a favela ao bairro. As melhorias urbanas constituem-se da abertura de vias e vielas, com provisão de infraestrutura como redes de água, esgoto, drenagem, eletrificação, da execução de pavimentação e equipamentos comunitários." SANTO ANDRÉ. Prefeitura. Política Habitacional de Santo André. Mimeo. 17 Programa Santo André Mais Igual Esta união de esforços introduz a idéia de concentração espacial das políticas, onde uma sucessão de ações se articula a partir de uma estratégia gerencial unificadora, dando lugar ao desenho atual do Santo André Mais Igual: o programa se caracteriza pela aplicação conjunta e simultânea de programas em um mesmo território da cidade, originando o lema "tudo junto, ao mesmo tempo e no mesmo lugar", que expressa a diretriz geral do programa. A integração das ações foi definida como base fundamental do programa, onde as informações pudessem circular horizontalmente, independente da abordagem setorial tradicional da Administração Pública, passando a cooperação entre diferentes setores a ultrapassar fronteiras organizacionais. Para isso, foram introduzidas três instâncias de gestão do programa, relacionadas entre si, sob a coordenação geral e executiva do Núcleo de Participação Popular do Gabinete do Prefeito. A promoção da integração e a simultaneidade das ações são os objetivos da criação destas instâncias, que são: , Equipe gestora, que exerce a coordenação geral. É formada pelos titulares das Secretarias envolvidas e responde pelo estabelecimento de diretrizes gerais e pela avaliação das iniciativas; , Equipe operadora, responsável pela coordenação técnica e define as estratégias de ação conjunta. É composta pelos responsáveis diretos de cada ação e responde pela integração entre elas; , Equipe local, formada pelos agentes responsáveis pelas diferentes linhas de trabalho. Atua diretamente na implementação das iniciativas nos quatro núcleos de favela contemplados pelo Santo André Mais Igual.13 A integração entre os diversos técnicos e setores participantes do programa é reforçada pela realização de reuniões quinzenais e de grupos de trabalho, onde é discutida cada uma das etapas de trabalho, permitindo a comunicação e facilitando a articulação entre os diversos setores. Seminários internos se prestam ao aprofundamento de questões conceituais, enquanto seminários internacionais (já foram promovidos dois, em 1999 e 2001 14 ) proporcionam a discussão conceitual de temas como monitoramento, avaliação e construção de indicadores com especialistas nestas áreas. 13 LACZYNSKI, Patrícia [1999?]. Texto retirado da página da Internet da Revista Pólis, em 19 de março de 2002. 14 A consolidação dos resultados do 2º seminário encontra-se em SANTO ANDRÉ. Prefeitura. II Seminário Internacional de Inclusão Social. Santo André: Comissão Européia/Gruppo CERFE, 2002. 18 4 A Construção das Parcerias A desarticulação das políticas públicas e o baixo grau de mobilização das comunidades se apresentaram como um desafio para a implementação do Santo André Mais Igual, demandando a definição de um modelo de gestão capaz de atenuar os impactos negativos desta situação de partida. A estratégia adotada foi provocar o diálogo com todos os agentes envolvidos na produção do espaço urbano e a população, num chamamento à participação. Paralelamente, a estrutura da Administração Municipal também é revisada, substituindo-se o formato tradicional hierárquico por um modelo matricial, mais articulado, mais ágil e com maior fluidez de comunicação. Esse formato ainda aportou uma maior permeabilidade à estrutura organizacional do Município, tornando-a mais apta para o estabelecimento de parcerias. Naturalmente, o redesenho da estrutura organizacional por si só não opera transformações de fundo no modo de operar de uma instituição. No caso de Santo André, o elemento impulsor da mudança foi a firme vontade política de que a Prefeitura operasse de forma integrada. Assim foi possível envolver os demais atores governamentais, não governamentais e, principalmente, a comunidade. Conforme depoimento da Secretária de Inclusão Social e Habitação, Rosana Denaldi, este é um processo que está em andamento, no qual ainda podem ser percebidos setores da Administração que não introjetaram completamente o conceito, dando lugar ao que se poderia chamar de "integração pela forma", ou seja, formalmente os trabalhos se desenvolvem de maneira integrada, enquanto outros alcançaram uma "integração pelo conteúdo" - uma integração de fato, indissociável, da forma de abordar, organizar e realizar o trabalho. A expectativa é de que, progressivamente, o trabalho intrinsecamente integrado e articulado venha permear toda a estrutura da instituição. O estabelecimento de parcerias se converteu em uma característica marcante da atuação do Santo André Mais Igual tanto em virtude do grande número de parceiros como pela forma inovadora de articulação que permitiu o estabelecimento das parcerias. Assim, em função da grande diversidade de contribuições, e embora, por vezes, seja difícil delimitar o campo de atuação de cada uma das entidades em uma única forma de contribuição, passamos a apresentar os parceiros em dois blocos. O primeiro, dedicado às parcerias onde predominaram os aportes financeiros (ainda que as contribuições possam ter sido mais amplas) e o segundo às contribuições e participações de natureza técnica, administrativa e popular. 19 Programa Santo André Mais Igual 4.1 Parcerias de natureza financeira Tanto no caso de Santo André, como para a quase totalidade de programas multissetoriais integrados no país, a captação de recursos se apresenta como uma das etapas mais críticas. De forma geral, as Administrações locais não dispõem de recursos suficientes diante da magnitude dos problemas que devem enfrentar. Esta situação é identificada como uma crise do sistema de financiamento dos Municípios, tema da mais absoluta atualidade15. Desde as recentes mudanças do marco institucional no âmbito do Governo Federal, com a criação do Ministério das Cidades, e frente às expectativas levantadas pela próxima Conferência das Cidades e pelo lançamento das Campanhas Mundiais das Nações Unidas pela Segurança da Posse da Moradia e Governança Urbana, está em processo de sistematização uma série de demandas relativas ao financiamento dos Municípios que, junto à regularização fundiária e à segurança pública, ocupa o foco das atenções das Administrações Públicas16. Desde já parece ser consensual a impossibilidade de os Municípios, de forma isolada, arcarem com os custos de urbanização e regularização dos assentamentos informais em seus territórios. O dilema que se coloca quando se comparam as necessidades de investimentos e as possibilidades reais dos orçamentos municipais é a definição da escala e da profundidade das intervenções. Uma alternativa seria restringir os escopos de trabalho ao orçamento disponível. No caso de Santo André esta alternativa teria resultado em um programa cujo impacto seria apenas perceptível à escala da cidade, ou estaria restrito, na melhor das hipóteses, à provisão de redes de saneamento básico. "O programa não assumiria um caráter estrutural"17, ou seja, não chegaria a produzir nenhum impacto significativo na situação de exclusão social que constitui o objetivo básico do programa. A alternativa adotada em Santo André foi a de apostar no estabelecimento de parcerias, chegando a uma composição onde os recursos do Tesouro Municipal representam cerca de 41% dos fundos. O Governo do Estado de São Paulo aporta uma pequena fração (0,70%), por intermédio da Secretaria de Estado de Assistência e Desenvolvimento Social, financiando parte do Programa de Renda Mínima. O Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, com parte dos recursos aplicados no Programa Saúde da Família. A Caixa Econômica Federal e a União, através do Programa Habitar-Brasil/BID, contribuem para as ações de urbanização com outros 6,363 milhões de reais, ou seja, 14,44 % do total de recursos investidos. 15 O tema, que já havia sido levantado na Segunda Seção da Consulta Intermunicipal, realizada em maio de 2002, numa iniciativa conjunta do Escritório Habitat e da Prefeitura do Rio, foi reiterado pela Secretária de Inclusão Social e Habitação de Santo André, Rosana Denaldi, em entrevista realizada em 28 de maio de 2003, na sede da Prefeitura, como parte das atividades de campo que compuseram a elaboração do presente Estudo de Caso. 16 Sobre o tema, veja-se a Carta de Aracaju, produto da 44ª Reunião Geral da Frente Nacional de Prefeitos, realizada em 6 de maio de 2003. 17 Entrevista com Rosana Denaldi, Secretária de Inclusão Social e Habitação, em 28 de maio de 2003. 20 4- A Construção das Parcerias No âmbito internacional, a Comissão Européia, mediante o Convênio de Apoio às Populações Desfavorecidas – APD, financia parte significativa do conjunto de programas desenvolvidos nas áreas de urbanização e desenvolvimento econômico e social, com um aporte que supera os 18 milhões de reais, cerca de 40% dos recursos totais investidos até o momento, enquanto o Programa de Gestão Urbana das Nações Unidas – PGU financia o acompanhamento das ações, a construção de indicadores de exclusão/inclusão social, além da sistematização e divulgação da experiência. Quadro 4 Santo André – Mobilização de recursos ORIGEM (FONTES) VALORES (EM R$) % Tesouro Municipal 18.200.674,32 41,29 Comissão Européia* 18.049.606,20 40,95 6.363.000,00 14,44 44.070,48 0,10 309.676,00 0,70 1.111.324,00 2,52 44.078.351,00 100,00 Governo Federal (Habitar-Brasil/BID)* ONU/ PGU* Governo do Estado de São Paulo* Ministério da Saúde Total * recursos não reembolsáveis. Fonte: Informações prestadas por Madalena Alves, por e-mail em ago/2003. Os custos de implantação do programa são parcialmente recuperados pela Prefeitura por meio de cobrança das despesas de urbanização dos lotes e de construção das unidades habitacionais, mediante prestações mensais estabelecidas de acordo com a capacidade de endividamento dos moradores. O pagamento do valor da concessão de direito real de uso reverte para o Fundo Municipal de Habitação como estratégia de recuperação dos custos de urbanização e conseqüente ampliação da capacidade de investimento do Município para a urbanização e regularização de novas áreas. Com amparo na Lei Municipal nº 8.292/01, que altera a forma da base de cálculo em alíquotas progressivas em função do valor venal dos imóveis, o valor lançado para recolhimento do Imposto Predial e Territorial Urbano – IPTU – para o exercício 2002 18 foi de 66 milhões de reais, substancialmente superior ao lançamento para o exercício anterior, de 47 milhões. Mesmo com os custos políticos de queda da popularidade etc. que a subida do valor do imposto poderia acarretar, a Prefeitura manteve sua posição, entendendo que os cidadão estariam de acordo 18 Os imóveis com valor venal inferior a R$33.186,41 são isentos do pagamento do imposto. Assim, cerca de 12 mil contribuintes foram enquadrados na faixa de isenção para o exercício 2002. Além disso, outros 4.031 contribuintes foram isentos do pagamento do imposto por ser considerado antieconômico o lançamento tributário de valores inferiores a R$8,18. 21 Programa Santo André Mais Igual com a retificação, sempre que fossem visíveis, como são, os investimentos na melhoria da qualidade de vida na cidade. Ainda assim, a arrecadação do Município é insuficiente para manter os padrões de qualidade e atendimento estabelecidos até este ponto. Portanto, em relação à sustentabilidade financeira, o programa atravessa uma fase delicada, especialmente neste momento em que se está encerrando o Convênio de Financiamento firmado com a Comissão Européia, sendo necessária a construção de novas parcerias. Para uma apreciação mais precisa do padrão de relacionamento entre os parceiros do Programa Santo André Mais Igual, os itens seguintes se dedicam ao detalhamento dos papéis exercidos pela APD e pela CAIXA no desenvolvimento do programa. Ao final do capítulo é apresentada uma síntese de todas as entidades envolvidas, com a finalidade de oferecer uma visão de conjunto e do impacto desta forma particular de organização sobre os resultados qualitativos do trabalho. Programa de Apoio às Populações Desfavorecidas – APD 19 Ao longo do ano de 1997, a Prefeitura Municipal de Santo André e a Comissão Européia estabeleceram os primeiros contatos visando à inclusão do Município no Programa de Apoio às Populações Desfavorecidas ou Programa – APD 20. Neste período, foram definidos o âmbito das ações do programa e suas modalidades de execução, celebrando-se a Convenção de Financiamento em abril de 1998. O Programa APD havia sido concebido como piloto na América Latina, dirigido à melhoria do habitat e desenvolvimento urbano em Regiões Metropolitanas. As cidades inicialmente propostas para participação no programa foram Rio de Janeiro e São Paulo, exatamente por sua visibilidade internacional. À época, a cidade de São Paulo não manifestou interesse no estabelecimento desta parceria, sendo então substituída por Santo André21, que igualmente cumpria a premissa de localização em Região Metropolitana. A proposta de trabalho se situa entre as primeiras que, ao longo da década de 1990, elegeram como parceiros as Administrações locais, em lugar dos Governos centrais, o que havia sido praxe das agências internacionais de financiamento até então. É inovadora também no seu modelo de gestão, 19 Síntese da entrevista com Joel Filipe, Coordenador do Programa APD, em 27 de maio de 2003, na sede da Prefeitura Municipal de Santo André. 20 Trata-se de um projeto-piloto de desenvolvimento urbano, redução da pobreza e da exclusão social, abrangendo nove favelas, quatro delas em Santo André, e cinco no Rio de Janeiro. 21 Para esta substituição contribuíram as gestões realizadas por Celso Daniel, então deputado federal e logo prefeito da cidade, que, em contato com a missão da Comissão Européia em Brasília, propôs a candidatura de Santo André. 22 4- A Construção das Parcerias compartilhada por dois co-diretores, um local e outro europeu, à frente da Unidade Técnica de Gestão do programa cuja atribuição principal foi a administração dos recursos financeiros22. O programa contava ainda com o apoio de assistência técnica fornecida pela CERFE, instituição internacional, com sede em Roma, com atuação nas áreas de pesquisa e gerenciamento de projetos23. Anteriormente, o Município de Santo André havia iniciado a concepção do Programa Integrado de Inclusão Social – PIIS, semelhante tanto em abordagem quanto em objetivos programáticos aos termos da convenção24. Portanto, o Programa APD e o PIIS: "...buscam atuar de maneira coordenada e concomitante, através da sinergia de ações das diversas secretarias municipais, considerando os diferentes elementos que compõem o processo de exclusão social num dado espaço geográfico" 25. O Programa APD inclui entre seus objetivos o melhoramento do habitat urbano, a geração de trabalho e renda, o microcrédito e projetos de desenvolvimento social nas áreas de saúde e educação. Os resultados esperados, portanto, foram: , "Geração de mecanismos permanentes de participação popular nos programas e intervenções urbanas e na manutenção das melhorias e serviços públicos implantados; , Incentivo e promoção da capacidade de autogestão da população incluída no programa e nas iniciativas de caráter econômico-social; , Estímulo ao processo institucional de planejamento urbano dos Municípios para a gestão das áreas de favelas; , Implantação de infra-estruturas e serviços sociais nas áreas das favelas selecionadas; , Incentivo à realização de melhoramento habitacional; , Apoio às iniciativas associativas de profissionalização, de microempresários e dos empreendedores de baixo rendimento fortalecidos e incluídos no mercado de trabalho; , Potencialização das capacidades profissionais, sejam coletivas ou individuais, 22 A Unidade de Gestão, além de exercer o controle cotidiano das operações que contavam com aporte de recursos da Comissão Européia, efetuou o controle periódico do estado de avanço do Programa APD e dos resultados alcançados em cada etapa. O sistema de monitoramento baseou-se, por um lado, em indicadores de pobreza, exclusão social e iniciativa social e, por outro, em indicadores específicos de eficácia, eficiência e pertinência. 23 Esta instituição foi selecionada mediante licitação promovida pela DGIB da Comissão Européia, no início de 1998. 24 A visita de consultores contratados pela Comissão Européia para elaboração do Termo de Referência do Contrato foi marcada pelas solicitações da Prefeitura para que o Programa tivesse esta concepção. 25 SANTO ANDRÉ. Prefeitura. Programa de apoio às populações desfavorecidas (particularmente crianças e adolescentes) nas Regiões Metropolitanas do Rio de Janeiro e São Paulo. Diagnóstico. Santo André: Secretaria de Inclusão Social e Habitação/APD, [1998?]. Mimeo. 23 Programa Santo André Mais Igual em diferentes níveis de profissionalização; , Fortalecimento dos núcleos familiares, visando à sua emancipação e inclusão social; , Geração de emprego e renda através do fornecimento de créditos a microempresários, incluindo o acompanhamento da gestão e otimização dos recursos recebidos; , Crianças e adolescentes fortalecidos e emancipados."26 Também buscando efeitos de sinergia entre as duas iniciativas, o (naquele momento) Prefeito Celso Daniel decide por fazer coincidir a atuação de ambos os programas sobre as mesmas áreas – Sacadura Cabral, Tamarutaca, Capuava e Quilombo II. Assim, o Programa APD complementava os recursos necessários à implementação do Programa Integrado de Inclusão Social. Entretanto, coordenar ambos os programas, atuando sobre os mesmos territórios, e com escopos praticamente coincidentes, foi um processo que não esteve isento de dificuldades. Esta situação gerou uma série de conflitos no início dos trabalhos, já que era difícil distinguir os aportes de cada parceiro. Com o amadurecimento das relações de parceria, esta dificuldade foi superada, e o sentido de integração interinstitucional passou a prevalecer, tal como vinha ocorrendo internamente à Prefeitura, a partir da revisão do desenho institucional, de substituição do modelo hierárquico tradicional por um modelo matricial. O papel reservado à Assistência Técnica Européia27 também foi objeto de fricções, até que se acomodassem com clareza as atribuições de cada uma das partes: a parceria estava composta pela Prefeitura de Santo André e a Comissão Européia, e à CERFE estava reservada uma função acessória (de acompanhamento cotidiano dos trabalhos), em lugar do papel por vezes assumido pela entidade, de representante da Comissão Européia. As várias substituições de pessoal dos quadros (pela co-direção passaram três diretores europeus e outros três brasileiros), que implicaram redirecionamentos dos trabalhos em função dos perfis de cada um destes profissionais 28 , contribuíram para que o programa tardasse em adquirir um ritmo de funcionamento mais constante. Superadas estas dificuldades, teve lugar o que Joel Filipe, atual Coordenador do Programa APD, qualifica como a "simbiose" entre os programas APD 26 Comissão Européia/Prefeitura de Santo André/Grupo CERFE. Programa de apoio às populações desfavorecidas (particularmente crianças e adolescentes) nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e Santo André. Folder. 6 p. 27 Durante a vigência do convênio, a assistência técnica foi prestada pela CERFE, de cujos quadros foi selecionado o co-diretor europeu. 28 A proposta do Programa de Microcrédito, inicialmente recusada, foi mais tarde incorporada ao programa em função do entendimento dos co-diretores tanto da pertinência da proposta, como de sua previsão nos termos do Convênio de Financiamento. 24 4- A Construção das Parcerias e PIIS. Em Santo André, a estrutura operativa da Unidade de Gestão se resumia a cinco pessoas, ficando todas as atividades (exceto aquelas estritamente de gestão dos recursos) compartilhadas com os quadros de praticamente todas as Secretarias Municipais. A maior articulação entre o Programa APD e a estrutura do Município, comparativamente ao caso do Rio de Janeiro, se atribui ao peso relativo que estes recursos representavam no conjunto de investimentos de cada uma das Prefeituras. Dos cerca de 5,6 milhões de euros contratados, que correspondem a cerca de do montante total investido nas quatro áreas de atuação, 4,625 milhões seriam depositados em conta específica da Prefeitura, juntamente com outros 2,2 milhões correspondentes à contrapartida municipal. A diferença, de aproximadamente um milhão de euros, tinha seu gerenciamento centralizado em Bruxelas, respondendo aos custos de assistência técnica, com co-diretores europeus, missões anuais de acompanhamento e auditoria e divulgação do Programa. 16%29 Do ponto de vista da regulamentação das atividades, além do documento de Convênio de Financiamento, foi estabelecido um Plano Operativo Global – POG, constituído pelas linhas gerais de ação e respectivos pré-orçamentos, que se desdobra em Planos Operativos Anuais – POAs (quatro no total). O primeiro deles, com vigência de agosto de 1998 a junho de 2000, logrou executar apenas 0,9% do montante total de recursos previstos pelo convênio. O segundo, de julho a dezembro de 200030, executou 7,1%. Durante a execução do terceiro POA – janeiro a dezembro de 2001, mesmo com uma significativa melhora na performance, "é quando o Programa começa efetivamente a deslanchar. Neste período foram executados 27,7% dos recursos" conforme o seu coordenador, ficou claro que não seria possível aplicar integralmente os recursos dentro dos prazos estabelecidos. As maiores dificuldades residiam nas atividades de urbanização, justamente o componente para o qual confluía a maior parte (52%) dos recursos. Os 48% restantes estavam destinados aos componentes de desenvolvimento econômico e desenvolvimento social. A gestão destes recursos era mais simples e os resultados mais imediatos31. A vertente da urbanização estava exposta a uma série de variáveis não controláveis, que vão desde a construção dos procedimentos jurídicoadministrativos, sobre os quais havia divergências, passando por atrasos nas obras em função de chuvas, tempos maiores de negociação com as famílias que precisavam ser remanejadas até problemas técnicos, como no caso do aterro de 29 Embora haja divergência em relação ao percentual apresentado no Quadro 4, de 40,95% dos investimentos totais, optou-se por manter o conteúdo textual da entrevista ao Coordenador do Programa APD. 30 Neste ponto, a periodicidade dos POAs teve que ser alterada para que coincidisse com os anos fiscais, em função da aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal. 31 Uma vez estabelecidos os convênios com as ONGs que executariam os serviços em campo, os procedimentos de gestão eram quase automáticos, de aditamento dos convênios a cada seis meses, dentro do prazo total de 50 meses. Os demais gastos eram basicamente os de custeio. 25 Programa Santo André Mais Igual Sacadura Cabral cuja consolidação tardou mais do que inicialmente se havia previsto, impactando negativamente o cronograma inicial. A Convenção de Financiamento havia sido firmada inicialmente para um período de 36 meses, e logo aditada por outros 18 meses. O quarto e último POA foi concluído em 28 de fevereiro deste ano (2003) ao mesmo tempo em que se encerrou o contrato do co-diretor europeu. Neste ponto, 8,746 milhões de euros haviam sido efetivamente repassados, restando, portanto, 2,018 milhões de euros32. Para cumprir com as obrigações financeiras contratadas durante o período de vigência do Convênio de Financiamento, a Unidade de Gestão foi transformada em Coordenadoria do Programa APD, com previsão de funcionamento por um período de 12 meses (até fevereiro de 2004), quando o convênio se extingue definitivamente. Quadro 5 APD – Quadro-resumo dos recursos aplicados GOVERNO MUNICIPAL (CONTRAPARTIDA) U. E. RUBRICA EUROS R$ EUROS R$ TOTAIS EUROS R$ Fundos de crédito , concessão de microcrédito , , crédito habitacional 595.000 1.628.531,78 0 0,00 595.000 1.628.531,78 30.000 82.110,85 0 0,00 30.000 82.110,85 175.000 478.979,94 0 0,00 175.000 478.979,94 800.000 2.189.622,56 0 0,00 800.000 2.189.622,56 Formação (capacitação e acompanhamento ) 1.200.000 3.284.433,85 0 0,00 1.200.000 3.284.433,85 Serviços de pessoal (projeto e contratação de ONGs) 400.000 1.094.811,28 0 0,00 400.000 1.094.811,28 1.800.000 4.926.650,77 1.600.000 4.379.245,13 3.400.000 9.305.895,90 Equipamentos 125.000 342.128,53 48.000 131.377,35 173.000 473.505,88 Funcionamento 300.000 821.108,46 52.200 142.872,87 352.200 963.981,33 22.500 61.583,13 246.900 675.772,26 269.400 737.355,40 4.647.500 12.720.338,58 1.947.100 5.329.267,62 6.594.600 18.049.606,20 geração de emprego e renda Subtotal Obras Pessoal local Totais Obs.: Conversão a reais à taxa de 2,737 R$/euro. Fonte: Coordenadoria do Programa APD, em meio magnético. 32 Todas as conversões de Euro, no presente trabalho, foram convertidas à taxa de R$ 2,737. 26 4- A Construção das Parcerias Findo o convênio, se coloca o desafio de dar continuidade às ações empreendidas até aqui com o mesmo padrão de qualidade, tal como previsto no próprio Convênio de Financiamento. Da parte da Comissão Européia parece não haver intenção de seguir investindo em programas de desenvolvimento urbano. Ao contrário, no Acordo-Quadro, negociado com o Itamarati para o próximo ano, e que tem como espaço de referência toda a América Latina, o interesse da Comissão Européia se desloca de programas de desenvolvimento urbano para programas de desenvolvimento econômico, embora a avaliação do Programa APD pela comissão tenha sido absolutamente positiva. Assim, a captação de recursos para a continuidade do programa é um desafio que já se coloca para os próximos meses. Como saldo positivo se assinala, além do substantivo aporte financeiro (amplificado em função da variação cambial que duplicou o valor nominal inicial), que a participação da Comissão Européia teve o mérito de promover o que Joel Filipe considera como a "qualificação do programa", ou seja, permitiu a inclusão de uma série de componentes (prestação de assessoria à autoconstrução, construção de equipamentos comunitários e de unidades habitacionais, inserção da questão de gênero e sua interface com as iniciativas de geração de trabalho a renda e apoio e financiamento a pequenos empreendimentos, inclusão de programa dedicado à questão das pessoas portadoras de deficiências e vinculação entre as frentes de trabalho e profissionalização da mão-de- obra) que conferem ao programa um diferencial qualitativo apreciável. Caixa Econômica Federal 33 O envolvimento da CAIXA com a experiência de Santo André se deu em função do projeto de urbanização de Sacadura Cabral. A área ocupada pelo assentamento pertence em parte à CAIXA 34 e em parte à Prefeitura. Para ela se previa a construção de apartamentos para funcionários, através do Pró-Moradia35. Entretanto, a situação de risco em que se encontravam os moradores de Sacadura ensejou negociações nas quais se redefiniu a destinação do terreno, optando-se pela urbanização. Ao mesmo tempo, a CAIXA intermediava o financiamento para a construção de duzentos apartamentos em um conjunto habitacional próximo a Sacadura, o conjunto Prestes Maia, para onde foi transferida parte das famílias para permitir o início das obras de urbanização. Ainda como parte das negociações entre a CAIXA e a Prefeitura, uma das alternativas em estudo é a transferência do domínio à Prefeitura, oferecendo esta, como contrapartida, o cancelamento de dívidas de IPTU acumuladas no Município. Desta forma, será possível, ao final do processo, chegar a repassar os lotes aos 33 Síntese da entrevista com Emeri Massuti, Gerência de Negócio de São Paulo, Caixa Econômica Federal. 34 Alguns dos lotes pertencentes à CAIXA encontram-se compromissados a terceiros. 35 Programa do Governo Federal, financiado com recursos do FGTS. Visa apoiar o Poder Público no desenvolvimento de ações integradas e articuladas com outras políticas sociais, que resultem na melhoria da qualidade de vida da população de baixa renda, por meio de alternativas habitacionais. Paralelamente, a CAIXA realiza ainda a análise técnica e o acompanhamento dos projetos. 27 Programa Santo André Mais Igual moradores, mediante o instrumento de concessão de direito real de uso ou alienação, ficando o assentamento regular não só do ponto de vista da urbanização, mas também do jurídico-fundiário. Também em Capuava há aportes de recursos sob a gestão da CAIXA. Neste caso são recursos oriundos do Programa Habitar-Brasil/BID e do Orçamento Geral da União, que financiam as ações de urbanização e desenvolvimento institucional do Município, em especial, para a gestão do setor habitacional. Para Quilombo e Tamarutaca foram construídos 80 apartamentos e 43 unidades evolutivas com recursos do Orçamento Geral da União, através dos Programas Morar Melhor e Habitar Brasil. Para a sua aprovação junto à CAIXA, o programa passou por uma análise de crédito jurídica, social e da engenharia – a equipe multidisciplinar do Escritório de Negócios. Não foram registrados conflitos. Neste ponto, foi avaliado muito positivamente o fato de o programa oferecer uma cobertura ampla, que extrapola a intervenção física, incluindo iniciativas nas áreas da saúde, educação, geração de renda etc., conferindo sustentabilidade à proposta. O andamento se deu conforme o estabelecido, exceto por algum (inevitável) atraso no cronograma de obras. As parcelas do financiamento foram sendo liberadas à medida que a Prefeitura apresentava as respectivas medições. Os recursos gerenciados pela CAIXA e aplicados no Santo André Mais Igual já foram inteiramente desembolsados, tendo sido mantidos os valores inicialmente acordados. Como desdobramento ou ampliação desta parceria, também com recursos do Habitar-Brasil/BID (BID-II), estão previstas as ações de remanejamento para Capuava de famílias residentes na Gamboa (situada sob rede de alta tensão), na área do Precatório e na Capuava Unida. A CAIXA vem fortalecendo a sua posição como parceira das políticas públicas de inclusão social e agente da replicação destas experiências. Com este sentido, a parceria com o Santo André Mais Igual é considerada exemplar 36, especialmente por adotar a abordagem multidisciplinar, que ambas entidades – Prefeitura e CAIXA – avaliam muito positivamente. "É só as Prefeituras apresentarem projetos que a gente financia", afirma Emeri Massuti. Além disso, a partir da criação do Ministério das Cidades, e com base no Estatuto da Cidade, se estuda a criação de novas linhas de crédito que contemplem a questão da regularização fundiária, abrindo novas perspectivas nesta área tradicionalmente excluída dos contratos de financiamento. 36 "Deu luz a muita gente neste país e fora dele. A partir disso, eu penso que outras políticas, sim, estão sendo desenhadas." comenta Emeri Massuti a propósito da replicabilidade do programa. 28 4- A Construção das Parcerias Quadro 6 Repasse de recursos para habitação, por núcleo de favela SOMATÓRIO DE RECURSOS ORIUNDOS DE TODOS OS AGENTES FINANCEIROS CAIXA ECONÔMICA FEDERAL NÚCLEO DE FAVELA VALOR ABSOLUTO (R$) % VALOR ABSOLUTO (R$) % Sacadura Cabral 240.000,00 46,9 511.167,51 100,0 Tamarutaca 340.000,00 44,6 762.456,60 100,0 Capuava 220.649,00 39,4 559.239,00 100,0 Quilombo II 1.000.000,00 60,3 1.658.190,00 100,0 Total 1.800.649,00 51,6 3.491.053,01 100,0 Obs.: Estes valores não estão referidos à totalidade do investimento e sim à contrapartida contratual para o projeto/contrato de empréstimo. Até o momento foram liberados 40% dos recursos contratados. 4.2 Parcerias de natureza técnica, administrativa e popular Extrapolando a âmbito da Administração Municipal, o programa foi capaz de aglutinar uma grande diversidade de entidades, entre universidades, ONGs, organizações de base comunitária etc.. A cooperação com as diversas entidades rendeu como ganho adicional o efeito-demonstração do necessário envolvimento de uma enorme gama de agentes-usuários e transformadores do espaço da cidade – para a realização de programas conseqüentes de intervenção no meio urbano, considerado não só na acepção física, mas também na social e econômica. Assinale-se como saldos positivos o aprimoramento das capacidades de coordenação e administração de conflitos, indispensáveis ao manejo da multissetorialidade intrínseca à natureza do programa. Quadro 7 Síntese dos papéis desempenhados pelas instituições e organizações parceiras ENTIDADES TIPO DE APOIO PRESTADO Assessoria para Ações Sociais – PASSO Assessoria à população na autoconstrução das moradias, realizada a partir de convênio com a Secretaria de Inclusão Social e Habitação. Beneficiários Uma das diretrizes do programa é a participação da comunidade em todas as fases: construção das propostas, execução de parte das ações, avaliação permanente. Caixa Econômica Federal Agente financeiro e de acompanhamento das ações de urbanização a partir do convênio estabelecido entre o Governo Federal e o Banco Interamericano de Desenvolvimento. 29 Programa Santo André Mais Igual Quadro 7 (continuação) Síntese dos papéis desempenhados pelas instituições e organizações parceiras ENTIDADES 30 TIPO DE APOIO PRESTADO Centro de Educação, Estudos e Pesquisa – CEEP Desenvolve cursos de iniciação, reorientação e qualificação profissional, a partir de convênio com a Secretaria de Educação e Formação Profissional – Projeto Trabalhador Cidadão. Centro de Estudos de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina do ABC – CESCO Desenvolve as ações do programa Reabilitação Baseada na Comunidade, realizado a partir de convênio com a Secretaria de Inclusão Social e Habitação – Assessoria da Pessoa com Deficiência. Centro de Estudos para a Saúde – CES Desenvolve as ações do Programa Gênero e Cidadania, a partir de convênio com a Assessoria da Mulher/Secretaria de Inclusão Social e Habitação. Centro Universitário – Fundação Santo André Disponibiliza a estrutura física para os Programas Santo André Mais Igual, Incubadora de Cooperativas, e Mais Igual de Complementação de Renda (Renda Mínima e Geração de Trabalho de Interesse Social), além de recursos humanos da universidade para várias ações. Comissão Européia Financiamento de parte do conjunto de programas desenvolvidos nas áreas de intervenção do programa e cooperação técnica. Executivo Municipal A continuidade política no Executivo Municipal demonstrou ser um ponto forte na sustentabilidade do Programa. Não houve alternância de poder desde o seu início, em 1997. Fundação Faculdade de Medicina do ABC Desenvolvimento de ações do Programa Saúde da Família, a partir de convênio com a Secretaria de Saúde. Instituição Assistencial Amélia Rodrigues Desenvolve as ações do programa Sementinha, realizado a partir de convênio com a Secretaria de Educação e Formação Profissional. Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM Apoio na sistematização e divulgação da estratégia integrada de combate à exclusão adotada no programa, com financiamento do PGU – ONU. Instituto de Estudos Especiais – IEE / Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP Realização do Diagnóstico Participativo, instrumental pedagógico construído pelas expressões/impressões das comunidades das diversas áreas de intervenção. Instituto de Governo e Cidadania do ABC – Escola de Governo Parceiro local da Consulta Urbana do PGU na elaboração do Mapa da Inclusão/Exclusão Social de Santo André e na sistematização da metodologia de trabalho do programa. Instituto Municipal de Ensino Superior de São Caetano do Sul – IMES Execução de diversas pesquisas que subsidiam a política de geração de trabalho, emprego e renda (e acesso a microcrédito, capacitação e assessoria a empreendedores). Legislativo Municipal Parte das ações desenvolvidas exigiram leis autorizadoras. Exemplo disso foi o subsídio fornecido às famílias de Sacadura Cabral, a título de aluguel social, de forma a possibilitar o aterro de toda a área. 4- A Construção das Parcerias Quadro 7 Síntese dos papéis desempenhados pelas instituições e organizações parceiras ENTIDADES TIPO DE APOIO PRESTADO Ministério da Saúde Financiamento de parte das ações do Programa Saúde da Família, com recursos do Orçamento Geral da União. Movimento de Defesa dos Direitos dos Favelados – MDDF Movimento social representativo das entidades de favelas do Município, assume o papel de executor do Programa Criança Cidadã, a partir de convênio com a Secretaria de Inclusão Social e Habitação. Núcleo de Seguridade e Assistência Social /Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP Assessoria para construção do Diagnóstico Participativo das áreas do programa, com financiamento da Comissão Européia, em trabalho desenvolvido com as equipes de coordenação, técnica e locais do programa, para aprofundamento do debate conceitual, metodológico e de construção de indicadores. Organização das Nações Unidas (ONU)/Programa de Gestão Urbana – PGU Convênio com Instituto de Governo e Cidadania do ABC para acompanhamento das ações, construção de indicadores de exclusão/inclusão social. Peabiru – Trabalhos Comunitários e Ambientais Assessoria à população na autoconstrução das moradias, realizada a partir de convênio com a Secretaria de Inclusão Social e Habitação. Secretaria de Estado de Assistência e Desenvolvimento Social Financiamento de parte do programa de complementação de renda familiar. Politeuo – Rede Local de Economia Solidária Desenvolve ações dos Programas Empreendedor Popular e Incubadora de Cooperativas, a partir de convênio com a Secretaria de Desenvolvimento e Ação Regional. Fonte: SANTO ANDRÉ. Prefeitura. Gênero e cidadania no programa integrado de inclusão social. Santo André, [2002]. Apresentação ao Prêmio Internacional de Dubai sobre as Melhores Práticas para melhorar as Condições de Vida. p. 4-5. 31 5 O Processo de Implementação O programa começou a ser implantado em Sacadura Cabral e Tamarutaca, em novembro de 1998, estendendo-se a Capuava e Quilombo II a partir do ano seguinte. Foram contemplados tanto os componentes de caráter físicourbanístico (redução da densidade de ocupação do solo, implantação de infraestrutura, produção de lotes urbanizados, melhorias habitacionais), como os socioeconômicos – programas de complementação de renda, geração de trabalho e renda, educação profissionalizante e saúde domiciliar. Este conjunto de ações multissetoriais é introduzido de forma integral, porém a urbanização dos assentamentos é realizada em etapas. A premissa é a manutenção das famílias na área original de assentamento 37 , entretanto é freqüentemente necessária a retirada de parte da população, seja por remanejamento para alojamentos provisórios ou casas de parentes, durante o período das obras38, seja em caráter definitivo, transferindo-se as famílias para apartamentos. Estas transferências respondem, via de regra, a necessidades de redução da densidade de ocupação do solo, permitindo a melhoria das condições de acessibilidade e a implantação de equipamentos (centros comunitários, praças e unidades de comércio e serviços), além do estabelecimento de um lote mínimo – uma das diretrizes para os projetos urbanísticos. O processo de tomada de decisão sobre o número de famílias que precisam ser transferidas para os apartamentos é compartilhado com a população. Para tanto, vários condicionantes são levados em consideração: número de membros das famílias, sua capacidade econômica, relações de vizinhança, existência ou não de pequenos negócios que necessitassem do acesso direto à rua, além da preferência de cada família entre as duas tipologias habitacionais – uni ou multifamiliar 39. Na etapa de cadastramento das famílias, o procedimento de "selagem" dos domicílios auxilia a conter um possível adensamento da área motivado pela 37 A remoção de famílias para outros pontos da cidade é considerada uma ação desestruturadora das relações sociais. 38 Laczynski considera a transferência temporária uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos habitantes locais. op cit. p. 4. 39 "Este processo provocou, inclusive, uma série de trocas – precisava-se desocupar uma determinada área e famílias daquela área queriam permanecer... trocavam então de casa com famílias que queriam ir para os apartamentos. Técnicos da Prefeitura acompanharam e documentaram as negociações entre famílias". Comentário de Madalena Alves, por e-mail. 32 5- O Processo de Implementação expectativa de urbanização. Essa medida é reforçada pelo controle social exercido pelos moradores para que a imigração de novas famílias seja desencorajada. Adicionalmente, admite-se somente uma unidade habitacional construída por lote, correspondendo a um único cadastro. Os moradores têm ciência de que somente as famílias cadastradas poderão beneficiar-se do programa e que todas aquelas que não residiam na área à época da elaboração do cadastro, não serão incluídas. A implantação do projeto-piloto nos primeiros quatro núcleos selecionados – Sacadura Cabral, Tamarutaca, Capuava e Quilobo II – funciona como uma experiência que norteará a futura ampliação do Santo André Mais Igual a todas as favelas do Município. 33 6 Metas Fixadas, Ações Empreendidas e Resultados Alcançados O objetivo do Programa Santo André Mais Igual é a promoção da inclusão social de setores da população submetidos à situação de exclusão socioeconômica. Busca a melhoria da qualidade físico-ambiental dos assentamentos selecionados através de sua reestruturação e urbanização, bem como a qualidade de vida dos seus moradores através da concentração espacial e institucional de políticas tradicionalmente setoriais. Este objetivos foram definidos em conjunto pelas equipes dos diversos órgãos da Administração Municipal e seus parceiros, abrangendo as dimensões urbana, econômica e social. Assim, as atividades previstas para desenvolvimento durante a vigência do programa, podem ser sintetizadas nos seguintes tópicos: , Universalização dos serviços urbanos, habitação e desenvolvimento sustentável: , , , , , 34 execução de obras de consolidação geotécnica; saneamento básico (redes de esgoto, água e drenagem); abertura de sistema viário; regularização do parcelamento e posse/ propriedade dos lotes urbanizados. Aplicação conjunta e simultânea de programas voltados à inclusão social, gerenciados de forma participativa: , , , cursos para agentes de formação profissional; , , , , cursos de certificação da 4ª série do ensino fundamental; , , oficinas quinzenais com as famílias atendidas; cursos de alfabetização acompanhados de habilitação profissional; cursos profissionalizantes para jovens e adultos em áreas de interesse do mercado; curso de capacitação para lideranças locais com acompanhamento mensal; oficinas de sensibilização para mulheres; três cursos com treinamento sobre gravidez na adolescência e planejamento familiar; acompanhamento individual das famílias e, na escola das crianças; 6- Metas Fixadas, Ações Empreendidas e Resultados Alcançados , , , , , , mapeamento dos profissionais; , , , apoio às organizações autônomas da comunidade; acompanhamento dos casos de saúde; curso em várias etapas para agentes sociais; grupo de movimento corporal e grupos semanais para fortalecimento da auto-estima; mapeamento das lideranças de favelas; capacitação de empreendedores. Ação multidimensional do setor público envolvendo fatores econômicos, sociais, urbanos, culturais e políticos, que se articulam e reforçam mutuamente: , , , , , acompanhamento e orientação aos empreendedores; , criança cidadã – atividades sócioeducativas com crianças e adolescentes. análise para concessão de crédito; aprovação do comitê de crédito do Banco do Povo; liberação do crédito; desenvolvimento de formas de associação popular que permitam o atendimento de crianças situadas na faixa de 0 a 6 anos; Estabelecimento de novas formas de políticas locais para a inclusão social: , construção do processo de avaliação das ações junto à população e seus representantes; , construção do mapa da exclusão/ inclusão social e das iniciativas sociais da cidade e das áreas de intervenção; , diagnóstico socioeconômico do entorno. 6.1 Dimensão urbanística e fundiária O Programa Santo André Mais Igual tem estabelecida uma série de componentes que poderiam ser considerados constantes, ou seja, componentes presentes em todas as áreas de intervenção, como saneamento básico (sistemas de abastecimento de água, esgotamento sanitário e drenagem), distribuição de energia elétrica e iluminação pública, ou obras de consolidação geotécnica. São freqüentes as operações de redesenho do parcelamento, onde o lote mínimo admitido é de 40m², especialmente para o reassentamento de famílias retiradas de áreas de risco. Para a reconstrução das moradias, em sistema de autoconstrução, a 35 Programa Santo André Mais Igual população conta com assistência técnica gratuita, tanto na fase de projeto, como na de execução. Os projetos arquitetônicos são desenvolvidos pela equipe técnica da Prefeitura 40. Os demais projetos, assim como a execução das obras são, em sua maioria, terceirizados, mediante a realização de licitações públicas, com recursos da Prefeitura correspondentes à contrapartida da Convenção de Financiamento firmada com a União Européia. O processo de trabalho é discutido em várias instâncias: a equipe técnica realiza reuniões quinzenais, onde os diretores de departamento definem estratégias conjuntas de ação para as áreas. Mensalmente, há reuniões com todos os membros das equipes com atuação direta com a população, com o objetivo de aprofundar a formação destes agentes e discutir as situações cotidianas. Com o conjunto da população são realizadas assembléias a cada dois meses em cada um dos núcleos de favela. Além disso, são realizadas várias atividades como, por exemplo, uma exposição itinerante de fotos de autoria dos moradores de Sacadura e Tamarutaca, ocorrida em setembro de 1999. Finalmente, os procedimentos de regularização do parcelamento e posse/propriedade dos núcleos Sacadura Cabral e Quilombo II completam a inclusão dos núcleos de favela à cidade, já que as demais áreas de intervenção têm sua situação fundiária regularizada. O repasse dos lotes aos moradores será feito ao final do processo de intervenção, mediante concessão de direito real de uso. Sacadura Cabral O terreno em que está assentada Sacadura Cabral tinha cota inferior à cota de inundação do Ribeirão dos Meninos, que limita o assentamento a sul. A área era, portanto, sujeita a inundações. Assim, à primeira vista, a solução seria a remoção de todas as famílias para outro local. A opção pela recuperação da área – ainda que a um custo maior do que sua remoção – foi motivada pela consideração de que é importante manter as famílias nos locais originais de assentamento. Este condicionante ambiental conferiu ao projeto de urbanização um caráter específico, diferenciado das demais favelas contempladas pelo Santo André Mais Igual. Com o fim de viabilizar a permanência do maior número possível de famílias e solucionar o problema das enchentes, foi realizado o aterro de grande parte da área do assentamento, com uma elevação de nível de cerca de 2,4m41. Este procedimento implicou a retirada temporária e escalonada de 580 famílias42. Outras 40 Este trabalho foi precedido pela realização de um workshop para o aprofundamento dos conhecimentos da equipe sobre o tema, com a participação das Unidades de Gestão de Santo André e Rio de Janeiro. 41 Parte do material de aterro foi retirado de outra obra administrada pela Prefeitura, resultando em redução de custos. Os recursos economizados foram redirecionados para a montagem de uma usina para a reciclagem do entulho resultante da demolição dos barracos. Nesta usina, operada pelos moradores em sistema de cooperativa, o entulho foi reciclado, produzindo blocos de concreto, material para pavimentação de calçadas e briquetes de madeira para queima em fornos de restaurantes e de indústrias de pequeno porte do setor metalúrgico. 42 Todo o acompanhamento social da remoções das famílias foi feito por profissionais da Unidade de Gestão e da Secretaria de Inclusão Social e Habitação apoiado, em campo, por ONGs contratadas mediante licitação pública. 36 6- Metas Fixadas, Ações Empreendidas e Resultados Alcançados duzentas foram transferidas para apartamentos (de 41m2) do conjunto Prestes Maia (Foto 1), distante 600 metros do assentamento original, o que proporcionou o desadensamento da área43. Foto 1– Conjunto Residencial Prestes Maia. A área aterrada teve o parcelamento do solo inteiramente redesenhado, com o lançamento de um novo sistema viário que conferiu maior permeabilidade ao assentamento. O projeto de reparcelamento adotou lotes médios de 47m2 (5 x 9,5m) e vias com larguras variando de 4 a 10m 44. Foram implantadas redes de abastecimento de água, esgotamento sanitário e drenagem 45, além de eletrificação e iluminação pública, em substituição à conexões clandestinas. Com o desadensamento foi possível destinar 2.353m2 (cerca de 6% da área total) a equipamentos (centro comunitário, praças e unidades de comércio e serviços). A redefinição de critérios de uso e ocupação do solo foi discutida com a população, resultando numa proposta de "zoneamento", definindo-se gabaritos (variando de um a três pavimentos) e critérios de uso e ocupação do solo (lotes que admitem usos mistos – residencial e comercial). Da mesma forma que a seleção das famílias que foram transferidas para os apartamentos obedeceu a critérios de tamanho familiar e renda, também a adscrição de lotes às famílias remanescentes seguiu processo minucioso, quase artesanal, de identificação, caso a caso, de famílias numerosas ou com necessidades especiais. A estas foram destinados os lotes de maiores dimensões, os localizados 43 A densidade original de ocupação de Sacadura era de 85,31 Hab./ha, e foi reduzida a 62,5 Hab./ha com o projeto. 44 Os recursos aplicados nas obras de aterro (incluídos a consolidação e o acompanhamento geotécnico, realizados por empresas privadas) e os projetos de reparcelamento, sistema viário e equipamentos são oriundos da Prefeitura de Santo André, como contrapartida da convenção de financiamento, exceto pela execução do aterro, contratada através do SEMASA. 45 Também as obras de saneamento básico foram executadas por empresa privada contratada pela PSA com recursos da contrapartida. 37 Programa Santo André Mais Igual em esquinas ou aqueles que, segundo as normas de parcelamento e uso do solo, admitiam gabarito de três pavimentos. O descumprimento dos padrões estipulados, em especial no que concerne ao gabarito, só será passível de multa quando, após a conclusão do processo de urbanização, o órgão responsável pelas construções no Município vier a assumir a fiscalização das áreas46. Em Sacadura foram construídos 120 alojamentos provisórios para abrigar as famílias, em caráter temporário, durante as obras de consolidação geotécnica. A experiência com os alojamentos provisórios, entretanto, não obteve os resultados desejados. Os períodos de permanência das famílias nestes alojamentos se alongaram mais do que o previsto, já que estas não dispunham de recursos suficientes para construir e ocupar os novos lotes, imediatamente após a conclusão das obras de infraestrutura, cedendo lugar nos alojamentos para as famílias procedentes do próximo setor a sofrer intervenção, obliterando assim o sistema rotativo e de urbanização progressiva, e afetando negativamente o cronograma de trabalho. A situação foi contornada por meio da concessão de apoio financeiro à remoção provisória, possibilitando um aluguel social para 137 famílias, utilizando recursos da União Européia, aprovado em caráter excepcional pela Câmara de Vereadores, com o que estas famílias puderam mudar-se, sempre provisoriamente, para outros imóveis, e assim viabilizar a retomada do ritmo dos trabalhos de urbanização47. Para a reconstrução das moradias, em sistema de autoconstrução orientada, as famílias residentes em Sacadura vêm contando com assistência técnica. A execução das moradias vem sendo acompanhada pela Assessoria para Ações Sociais – PASSO, contratada pela Prefeitura para o fim específico de prestação de assistência técnica. O desempenho desta ONG vem sendo avaliado positivamente pela equipe técnica da Prefeitura, não só pela qualidade técnica do trabalho desenvolvido, mas também pelo sentido de cooperação, participação e aporte de sugestões. Adicionalmente, através de convênio firmado entre a Universidade do Grande ABC, em São Caetano, e a Prefeitura, 11 estudantes de arquitetura realizam semanalmente acompanhamento e assistência técnica voluntária e gratuita em Sacadura Cabral e Tamarutaca. Além de oferecer um trabalho real de campo aos estudantes, esta iniciativa contribui para a divulgação do programa. Em 2001, com as redes de infra-estrutura implantadas e o serviço de coleta de lixo em funcionamento, a Pesquisa de Qualidade dos Serviços de Sacadura Cabral, realizada no período de 6 a 21 de agosto, obteve os seguintes resultados48: 46 A regularização edilícia nestas áreas vem sendo estudada com a participação do Departamento de Controle Urbano. Por não atenderem à normativa municipal, as edificações em Áreas de Especial Interesse Social – AEIS – têm permanecido irregulares. Uma abordagem mais detalhada dos aspectos de regularização urbanística e fundiária é apresentada no item 6.1.4. 47 Além desta dificuldade, também o tempo compactação do aterro (mais longo do que o inicialmente previsto), contribuiu para o atraso dos trabalhos de urbanização. 48 DENALDI, R., ERVILHA, T. F. e SANTOS, C. D. op. cit. 38 6- Metas Fixadas, Ações Empreendidas e Resultados Alcançados Abastecimento de água 100% dos domicílios são abastecidos diariamente. Esgotamento sanitário 100% dos domicílios estão conectados à rede de esgotamento sanitário e possuem caixas de inspeção. Não foram registrados problemas de entupimento no sistema. Drenagem Após a implantação da rede de drenagem não foi registrada ocorrência de alagamento. Entretanto, ainda há lançamento de esgoto sanitário nas galerias de drenagem. Energia elétrica 100% dos domicílios estão conectados à rede de energia elétrica Coleta de lixo O objetivo de implantar coleta de lixo porta a porta, pelo menos três vezes por semana, com caminhão compactador não foi alcançado. Tão positivos quanto os resultados da pesquisa foram os procedimentos adotados para sua realização: moradores foram selecionados e treinados para as tarefas de observação, que incluíam não só o preenchimento de formulário previamente definido, como o estabelecimento de parâmetros de qualidade que a população deveria exigir, balizados pelo padrão de qualidade dos serviços urbanos fornecidos para o conjunto da cidade. Ao mesmo tempo foram esclarecidas as responsabilidades dos moradores para a manutenção e bom funcionamento dos sistemas, como a periodicidade de limpeza das caixa de inspeção de cada domicílio. O depoimento de Walkiria Góis durante visita a campo revelou que a proposta inicial da Eletropaulo era implantar as redes de energia elétrica somente quando todos os lotes estivessem ocupados, ou seja, os moradores das primeiras quadras permaneceriam sem luz até que a última quadra concluísse o processo de reassentamento. A negociação, frisando o caráter social da intervenção, e a argumentação de que a ausência da rede oficial terminaria por induzir ligações clandestinas foram as saídas encontradas para a resolução do impasse. Hoje Sacadura Cabral se encontra na fase final de reassentamento de famílias, sendo perceptível, em campo, o movimento de finalização e acabamento das moradias, ao mesmo tempo em que se procede a urbanização das praças, o plantio de árvores e a construção da Unidade de Negócios. Fotos 2 e 3 – Sacadura Cabral antes e depois da atuação do Programa Santo André Mais Igual. 39 Programa Santo André Mais Igual Planta 1 – Planta geral das intervenções em Sacadura Cabral Tamarutaca Embora Tamarutaca ocupe uma área quase três vezes mais extensa e conte com um número de famílias 43,38% superior, o volume de intervenções físicourbanísticas proposto foi comparativamente menor do que o realizado em Sacadura. Isso se deve, por um lado, a que este núcleo já tivesse sido parcialmente urbanizado por iniciativa da própria Prefeitura, em 1991, e por outro lado, por não contar com condições ambientais tão adversas. A elaboração de projetos básicos e a execução das obras de saneamento de Tamarutaca foram terceirizadas a partir de diretrizes da Prefeitura de Santo André e do SEMASA. O projeto de redesenho do parcelamento do solo foi elaborado pela equipe técnica da Prefeitura. As obras de contenção e infra-estrutura foram iniciadas em setembro de 1998. Para tanto, um grande número de famílias foi transferido para alojamentos provisórios em função de situações de risco. Estes alojamentos possuem capacidade 40 6- Metas Fixadas, Ações Empreendidas e Resultados Alcançados para 33 famílias, e são ocupados em sistema rotativo, tal como em Sacadura Cabral. 92 famílias foram reassentadas em caráter definitivo, e há previsão de que até dezembro de 2003 mais 22 famílias sejam transferidas para apartamentos. Em Tamarutaca foi também construído um Centro Comunitário, complementando a dotação de equipamentos sociais da área (Foto 4). Foto 4– Centro Comunitário em Tamarutaca Fotos 5 e 6 – Tamarutaca antes e depois da atuação do Programa Santo André Mais Igual 41 Programa Santo André Mais Igual Planta 2 – Planta geral das intervenções em Tamarutaca Capuava e Quilombo II Além dos componentes comuns a todas as áreas incluídas no Programa Santo André Mais Igual, as obras do núcleo Capuava incluem a remoção de algumas famílias para 40 apartamentos construídos e implantação de infra-estrutura, além da construção de outros 60 apartamentos para possibilitar a abertura de vias. Outras 20 famílias foram remanejadas por motivo de risco geotécnico. As intervenções foram complementadas com a construção de 136 lotes urbanizados 42 6- Metas Fixadas, Ações Empreendidas e Resultados Alcançados com unidades habitacionais evolutivas, além de reparcelamento parcial, envolvendo trinta famílias assentadas sobre vias e a remoção de 58 famílias instaladas sobre o muro de arrimo. Para este núcleo também se propõe a construção de unidades mistas (habitação e boxes comerciais), bem como a implantação de centro comunitário49. Quilombo II se diferencia das demais áreas por suas pequenas dimensões – apenas 230 famílias. Assim como em Sacadura Cabral, em Quilombo II era necessário reduzir a densidade de ocupação da área para que tivessem início as obras de urbanização. Assim como nos casos anteriores, também em Quilombo II 60 famílias foram transferidas para o Conjunto Habitacional Prestes Maia. As demais famílias foram submetidas a deslocamentos internos, seja para alojamentos provisórios ou para casas de parentes e amigos, de modo que as obras abertura do sistema viário e implantação das redes de saneamento básico pudessem ser executadas. Foi também prevista a construção de unidades mistas (habitação e boxes comerciais) e a implantação de um centro comunitário. Foto 7 – Alojamento provisório em Capuava 49 Com exceção de Quilombo II, que já conta com este equipamento em seu entorno imediato, todos os projetos de urbanização prevêem a construção de Centros Comunitários. No caso de Capuava, a proposta era implanta-lo com recursos da Comissão Européia. A Prefeitura negociou a doação de uma área junto a uma empresa que pretendia instalar-se em Santo André, e aguardava a emissão de licença ambiental pelo organismo competente do Governo do Estado de São Paulo. Como a licença foi negada e o valor do terreno pretendido era demasiado elevado para que a Prefeitura o adquirisse, o projeto não pode ser executado a partir da fonte de recursos prevista. 43 Programa Santo André Mais Igual Planta 3 – Planta geral das intervenções em Capuava Fotos 8 e 9 – Capuava antes e depois da atuação do Programa Santo André Mais Igual. 44 6- Metas Fixadas, Ações Empreendidas e Resultados Alcançados Planta 4 – Planta geral das intervenções em Quilombo II Fotos 10 e 11 – Quilombo II antes e depois da atuação do Programa Santo André Mais Igual 45 Programa Santo André Mais Igual Quadro 8 Síntese das intervenções na dimensão urbanística e da regularização fundiária SACADURA TAMARUTACA CAPUAVA QUILOMBO II MELHORIA DA HABITABILIDADE Construção de 200 unidades habitacionais – Prestes Maia Remanejamento de 418 famílias instaladas sobre a área de aterro Concessão de parte do material para construção das fundações Doação de unidades de moradia móvel (kits) Implantação de 120 alojamentos provisórios Remanejamento de aproximadamente 20 famílias instaladas em área de risco e outras 30 famílias para desadensamento e abertura de sistema viário Construção de 43 unidades habitacionais (Rua Áurea) Remanejamento de aproximadamente 30 moradias para abertura de sistema viário, pavimentação e execução de infra-estrutura Remanejamento de 60 famílias Construção de 136 unidades evolutivas Implantação de 27 alojamentos provisórios Construção de 24 apartamentos com recursos da C.E. Construção de 80 apartamentos no Conjunto Habitacional Prestes Maia para receber 50 famílias removidas de Capuava e Quilombo e outras 30 famílias dos demais núcleos. Resultados esperados: , redução de 30% do nº de moradores por hectare; , de 80% para 100% de habitações sem pisos em terra batida; , 40% de substituição de moradias precárias por moradias projetadas e construídas em alvenaria. IMPLANTAÇÃO DE INFRA-ESTRUTURA E EQUIPAMENTOS Projeto e execução de obras de iluminação e eletrificação Projeto e execução de equipamento social (Centros Comunitários) 46 6- Metas Fixadas, Ações Empreendidas e Resultados Alcançados Quadro 8 (continuação) Síntese das intervenções na dimensão urbanística e da regularização fundiária SACADURA TAMARUTACA CAPUAVA QUILOMBO II IMPLANTAÇÃO DE INFRA-ESTRUTURA E EQUIPAMENTOS Melhoria do sistema viário e implantação de redes de esgoto, água e drenagem Execução de obras de consolidação geotécnica Desenvolvimento de projetos e execução de unidades mistas (40 habitações e 44 unidades de negócios), exceto Tamarutaca Resultados esperados: , de 30% para 100% de famílias com sistema de coleta de esgoto sanitário; , de 60% para 100% de habitações com abastecimento direto de água tratada; , ampliação da recuperação de custos com os serviços de água e esgoto; , extensão de 2km no sistema de eletrificação; , diminuição do número de eventos relevantes atendidos pela Defesa Civil (desmoronamentos, inundações, desastres industriais, incêndios etc.); , utilização efetiva de equipamentos públicos implantados no interior das áreas; , utilização efetiva de áreas livres, ajardinadas e equipadas nos núcleos. ACOMPANHAMENTO E ASSISTÊNCIA SOCIAL Apoio à autoconstrução – projeto e obra. Acompanhamento à relocação. Resultados esperados: , atendimento a 70% da população que permanece durante a execução das obras; , atendimento a 90% da população que permanece após a execução. REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA Regularização do parcelamento e posse/ propriedade dos lotes urbanizados. Resultados esperados: , de 10% a 100% das áreas selecionadas com processos de regularização fundiária. 47 Programa Santo André Mais Igual Regularização fundiária Em Santo André as Áreas de Especial Interesse Social – AEIS foram introduzidas em 1991, por meio da Lei Municipal 6.864/91, sob inspiração das ZEIS implantadas no Recife, partindo da premissa de participação da população nos processos de regularização, mediante a constituição de comissões de regularização e urbanização, denominadas COMULS, específicas para cada assentamento. Dez anos mais tarde, o progressivo esgotamento do estoque de terras públicas, por um lado, e o adensamento dos núcleos de favelas, por outro, indicaram a necessidade de atualização da legislação. A partir da aprovação da Lei 8.300/2001, foi possível verticalizar as edificações, com a instituição de lotes condominiais; admitir, além dos usos residenciais e mistos, também os comerciais e de prestação de serviços; permitir à Municipalidade a execução de obras em áreas particulares, mediante contrapartida do proprietário; simplificar os procedimentos de constituição das COMULs; simplificar a tipologia das AEIS em apenas duas classes: AEIS A, para áreas ocupadas e AEIS B, para áreas vazias; flexibilizar as dimensões dos lotes em AEIS; admitir a venda de lotes resultantes do parcelamento de terras púbicas como instrumento de regularização jurídica, além da concessão de direito real de uso – CDRU; e estabelecer nova fórmula de cálculo para o valor de urbanização, que serve como referência para o estabelecimento do valor da concessão em áreas municipais50. A declaração de Área de Especial Interesse Social é precedida de estudo de viabilidade técnica, jurídica e financeira. A partir da constituição da AEIS, formase a Comissão Municipal de Urbanização e Legalização – COMUL, composta por representantes da Prefeitura e por moradores do assentamento. Cabe a esta comissão elaborar e aprovar o Plano de Urbanização que estabelece a forma de parcelamento e ocupação dos lotes, decide sobre a oportunidade e conveniência de realização de obras de urbanização e/ou outras formas de atuação do Poder Público na área. O Plano de Urbanização é submetido à aprovação, por decreto, pelo chefe do Executivo Municipal. Aprovado o plano, têm início as obras de urbanização e a regularização administrativa do parcelamento da gleba. Até hoje, apenas o Jardim Sorocaba foi completamente regularizado, sendo considerada cono completa a regularização que compreende a urbanização da área, a legalização do parcelamento do solo com aprovação pelo Município e registro cartorial51 , com abertura de matrículas individuais, em lotes unifamiliares ou condominiais. 50 DENALDI, R. e DIAS, S. G. Limites da regularização fundiária: a experiência do Município de Santo André. Mimeo. 15 p. 51 Para o caso de áreas públicas, ao final do processo cada família recebe um termo de Concessão do Direito Real de Uso – CDRU, que deve ser averbado no correspondente Cartório Imobiliário. Este instrumento confere aos moradores a posse do imóvel por períodos que podem variar de 35 a 90 anos, renovável por igual período, mediante o pagamento de um valor mensal, proporcional ao tamanho do lote. Em caso de morte do concessionário, o direito é transmissível aos seus herdeiros. 48 6- Metas Fixadas, Ações Empreendidas e Resultados Alcançados No período 1997/2001, 72 processos iniciaram ou reiniciaram trâmites de regularização fundiária52. Destes, 39 núcleos foram delimitados como AEIS, 29 COMULS foram nomeadas, e 16 assentamentos alcançaram a regularização administrativa53 , isto é, com planos de urbanização e parcelamento aprovados pela Prefeitura. Os maiores obstáculos que se interpõem à conclusão dos procedimentos de regularização parecem radicar na etapa de registro imobiliário, como comenta Funes: "...visitando o Depto. de Regularização de Santo André pude obter informações que de dez planos de regularizações iniciados em 1991, apenas um foi concluído totalmente e que os maiores problemas estão nas questões registrárias." 54 Santo André possui 138 favelas, das quais 96 estão assentadas em áreas públicas municipais. Destas, 60 favelas (que abrigam cerca de 6.800 famílias) estão em áreas reservadas de loteamentos (áreas destinadas a equipamentos públicos ou áreas verdes), que passam ao domínio público automaticamente, em conformidade com o art. 22 da Lei 6.766/79. Por esta situação, supostamente, teriam os trâmites de regularização facilitados. Entretanto, os cartórios recusam-se a abrir matrícula de áreas destinadas a parcelamentos de interesse social sob a alegação de que o Município não dispõe de instrumento formal de doação destas áreas. A questão, remetida ao Judiciário, obteve a confirmação de que, sem dúvida, o Poder Público é o proprietário da área. Ainda assim, o Poder Judiciário entende que não é de interesse do Município a abertura de matrícula, já que esta providência só se faz necessária para fins de alienação do domínio, mantendo a negativa de abertura de matrícula e, portanto, obliterando o processo de regularização. Ainda no âmbito registrário, outros obstáculos, que não chegam a ser intransponíveis, mas que implicam demora dos processos de regularização, são, por um lado, as exigências de reconhecimento de firma nos termos administrativos de concessão e lavratura de procuração pública para suprir a ausência de assinatura de analfabetos, caso bastante freqüente em função do perfil do público-alvo das políticas habitacionais de interesse social. Por outro lado, a não coincidência entre a descrição e o tamanho real das glebas, o que obriga a ações prévias de retificação, normalmente bastante demoradas. 52 O fenômeno de "surto de ocupações irregulares que antecedem ou sucedem os períodos eleitorais de candidatos cuja plataforma contempla programas de regularização" observado por Smolka em relação a São Paulo, Rio de Janeiro e Recife "como estratégia para a conquista de um terreno regularizado…" nas administrações Erundina, Brizola e Arraes, respectivamente, aparece reeditado em Santo André para admistração Celso Daniel. Smolka, M.O. "Regularização da ocupação do solo urbano: a solução que é parte do problema, o problema que é parte da solução" In ABRAMO, Pedro. A cidade da informalidade. O desafio das cidades latino-americanas. Rio de Janeiro: Livraria Sette Letras/ FAPERJ, 2003. p. 129. 53 Destes 16 assentamentos, nove resultaram de ocupação de áreas públicas, e os demais sete, de áreas particulares. DENALDI e DIAS. "Limites da regularização fundiária: a experiência do Município de Santo André" In ABRAMO, Pedro. A cidade da informalidade. O desafio das cidades latino-americanas. Rio de Janeiro: Livraria Sette Letras/ FAPERJ, 2003. p. 317. 54 FUNES, Silvia. s/t. A ação dos cartórios de registro imobiliário no contexto dos programas de regularização de assentamentos informais para população de baixa renda. Capturado na Internet (www.comitefederativo.org.br) em 20 de junho de 2003. 49 Programa Santo André Mais Igual Sobre as áreas de reserva de loteamento pesa ainda a necessidade de desafetação e alteração de sua destinação de "bem comum do povo" para "bem dominial" para que seja possível a regularização dos assentamentos. Entretanto, a Constituição do Estado de São Paulo impede qualquer alteração55 , muito embora muitas destas áreas tenham sido ocupadas por populações de baixa renda alterando, portanto, de fato, sua destinação original- antes mesmo da instituição do dispositivo legal. A estes últimos somam-se ainda impedimentos legais derivados da aplicação de legislação ambiental e/ou da Lei 6.766/79, especialmente no que se refere à definição de áreas impróprias para a ocupação urbano-residencial. Considerando que à população de baixa renda restam apenas as áreas desprezadas pelo mercado imobiliário, exatamente por conter dificuldades ou custos agregados para a ocupação com segurança, a Prefeitura de Santo André propõe a revisão da legislação, admitindo a ocupação de áreas que, em princípio seriam de risco, mediante a adoção de medidas mitigadoras, como por exemplo a construção de diques que confiram condições de ocupação a áreas sujeitas a inundações, em lugar de vedar diretamente qualquer possibilidade de legalização de assentamentos já consolidados nestas áreas. No âmbito das áreas privadas, as maiores dificuldades residem na aplicação do instituto da usucapião, em especial quando pesam sobre as áreas que se pretende regularizar ações de reintegração de posse, o que inviabiliza a ação, ou quando o proprietário de direito não se considera responsável pela gleba, seja porque realizou sua alienação informalmente, seja porque não está em dia com as obrigações tributárias em relação à gleba. Em qualquer dos casos, o Poder Público fica impossibilitado de introduzir qualquer melhoria, sob pena de acusação de ser responsabilizado por contribuir para a consolidação de parcelamento irregular ou clandestino. A declaração de Áreas de Especial Interesse Social e a Concessão de Direito Real de Uso – CDRU têm se revelado instrumentos úteis, mas não suficientes para responder a todos os casos. Há expectativa de que novas reformas legislativas venham facilitar e agilizar os trâmites de regularização, já que na perspectiva atual prevalecem posturas legalistas e conservadoras em parte dos quadros técnicos municipais, que se constituem em constrangimento ao processo de regularização fundiária por seu temor à aprovação de projetos não convencionais. Estas posturas se manifestam tanto nos estudos de viabilidade técnica que precedem a declaração de AEIS, como nas reuniões das COMULs56. 55 "As áreas definidas em projeto de loteamento como áreas verdes ou institucionais não poderão, em qualquer hipótese, ter sua destinação, fim e objetivos originariamente estabelecidos alterados". Constituição do Estado de São Paulo, art. 180, inc. VII. 56 DENALDI, R. e DIAS, S. G. op.cit. 50 6- Metas Fixadas, Ações Empreendidas e Resultados Alcançados 6.2 Dimensão social Os programas de dimensão social visam potencializar a conquista de Direitos, promovendo a inserção social dos indivíduos a partir de uma estratégia de fortalecimento e autonomia das famílias. Assim, foram implantados programas nas áreas de saúde e complemento da escolaridade, além de outros programas de apoio e valorização de grupos vulneráveis, que envolvem crianças e adolescentes, pessoas com deficiências e a questão de gênero. As duas modalidades de complementação de renda -renda mínima e geração de trabalho de interesse social- atuam tanto nas relações sociais, como nas familiares. A sinergia entre os programas sociais e os demais programas visam à emancipação das populações de baixa renda através da melhoria da qualidade de vida, o aumento da auto-estima e seu reposicionamento perante a vida e cidadania. Os primeiros programas que compuseram a Dimensão Social foram os de Saúde da Família e Alfabetização de Jovens e Adultos – MOVA/SEJA. A estes, foram adicionados outros, que vieram contribuir para a eficácia da estratégia, complementando a ação dos demais programas. Os programas que compõem a dimensão social do Santo André Mais Igual são: , , , , , , Saúde na Família Alfabetização de Jovens e Adultos (MOVA/SEJA) Criança Cidadã (que atende a crianças de sete a 17 anos) Sementinha (que atende crianças dos três aos seis anos) Gênero e Cidadania (atividades relativas às relações de gênero); Reabilitação Baseada na Comunidade – RBC (inclusão de pessoas com deficiências). Somados a estes, situa-se o constante estímulo à participação da comunidade que abre canais de comunicação direta por meio de reuniões periódicas para discussão de assuntos específicos do programa. Esta participação acontece na elaboração de novos projetos a serem implementados, no monitoramento e na avaliação permanentes. Além disso, há projetos cujos agentes da implementação são moradores da área (devidamente treinados para isso), que se transformam em agentes comunitários de saúde, monitores de alfabetização, coletores comunitários, monitores de recreação para crianças e adolescentes etc. Além de gerar empregos na comunidade, esta prática aproxima os projetos do cotidiano das comunidades tornando-os mais adequados à sua realidade. Na medida em que o governo dialoga com a população, num processo pedagógico de construção das políticas a serem implementadas, se fortalece a capacidade de auto-organização destes cidadãos, que passam ao patamar de cogestores destas políticas, exercendo o direito de interferir na sua própria realidade e de participar das decisões políticas da cidade. 51 Programa Santo André Mais Igual Os principais objetivos destes programas são sinteticamente apresentados a seguir. Programa Saúde da Família O programa saúde na família baseia-se no acompanhamento das condições de saúde das famílias, através de visitas domiciliares feitas pelos agentes comunitários de saúde. Estes agentes são selecionados dentre os moradores, capacitados e permanecem orientados e monitorados pela Secretaria de Saúde. Os agentes são treinados para acompanhar os casos específicos, como gestantes, idosos e hipertensos, fazer diagnósticos das condições gerais de saúde e orientar sobre a prevenção de doenças e uso adequado dos equipamentos públicos de saúde disponíveis. Pelo fato de serem moradores dos núcleos, os agentes podem perceber, através de visitas domiciliares, as dificuldades vivenciadas nas áreas e enfrentadas pelas famílias, e orientar as pessoas quanto ao aproveitamento apropriado de outras ações disponíveis no Santo André Mais Igual. Dessa forma, os agentes de saúde tornam-se aliados de grande importância para o programa como um todo, pois colaboram para a sinergia dos programas oferecidos. Também a partir do acompanhamento domiciliar das famílias, os agentes de saúde têm acesso a informações de grande relevância para o programa, possibilitando o levantamento de pessoas com deficiência e a coleta de dados, como no caso da avaliação dos benefícios do Renda Mínima e Trabalhador Cidadão (Ensino Profissionalizante). O Programa Saúde da Família é exemplo de que, de fato, a sinergia entre ações pode contribui para a performance de cada um dos componentes do Santo André Mais Igual: nos quatro núcleos, o atendimento a gestantes é de 96%, enquanto em outras áreas da cidade onde o programa atua de forma isolada, o atendimento cai para 81%. O mesmo ocorre em relação à amamentação de crianças de 0 a 3 meses, nas demais comunidades o índice alcançado é 91%, enquanto nas áreas do programa, alcança 95%. A vacinação infantil também tem um índice mais alto nas áreas do Santo André mais Igual (91%) do que nas outras comunidades (83%). Alfabetização de Jovens e Adultos – MOVA/SEJA O principal objetivo do programa de Alfabetização de Jovens e Adultos é combater o analfabetismo. Para os jovens, é ampliação do acesso ao ensino básico prestado pela Prefeitura. Há ainda, nas áreas de atuação do programa, a oferta de cursos de alfabetização ministrados pelos educadores populares, que são capacitados e orientados tecnicamente de forma permanente. A busca ativa de possíveis usuários é feita por todos os agentes envolvidos com o programa, que 52 6- Metas Fixadas, Ações Empreendidas e Resultados Alcançados estimulam as pessoas a retomar os estudos. Os cursos de SEJA são um mix de alfabetização e profissionalização, atraindo jovens adultos que, na infância e adolescência, não tiveram acesso ao ensino regular. Programa Criança Cidadã O projeto Criança Cidadã oferece atividades esportivas e culturais às crianças de sete a 17 anos no período complementar à escola. A importância deste programa reside na ocupação dos menores em faixa etária de alta vulnerabilidade, quando há o maior risco de marginalização e envolvimento com o crime organizado. Cumpre também importante papel na socialização dos indivíduos e participação comunitária, ajudando a evitar a evasão escolar. Ressaltando a abrangência deste projeto, o Criança Cidadã já atendeu a 700 jovens e crianças moradores nas áreas abrangidas pelo Programa. Gênero e Cidadania 57 O programa Gênero e Cidadania é direcionado para o enfrentamento da feminização da pobreza. É um programa transversal, ou seja, atua a partir dos demais programas, afetando todas as dimensões do Santo André Mais Igual. Oficinas de afirmação de gênero são feitas com agentes dos demais programas e com a população, ocasiões de reflexão sobre os papéis sociais de homens e mulheres. São também realizadas campanhas de sensibilização voltadas, prioritariamente, para as situações de violência doméstica. Identificadas estas situações, os agentes de todos os programas fazem o encaminhamento para o seu atendimento. Os programas que trabalham com a população a partir de grupos – Renda Mínima e Saúde da Família – realizam ações em parceria com o Gênero e Cidadania num processo de discussão de planejamento familiar e de outras situações relacionadas com gênero. Por solicitação da própria população, estão sendo formados grupos com homens que, além das atividades reflexão e discussão, vem sendo complementado por um trabalho específico, voltado para homens agressores. Reabilitação Baseada na Comunidade – RBC Por último, o programa Reabilitação Baseada na Comunidade visa chamar a atenção das pessoas para o problema dos deficientes, buscando a sensibilização para o problema. Além disso, presta orientação às famílias para a utilização de tecnologia simplificada no atendimento aos deficientes físicos e informa sobre outros serviços disponíveis na cidade. Tem havido uma demanda grande de solicitações de inscrição nos programas de capacitação pelos beneficiários do RBC, o que demonstra que os deficientes estão conseguindo se inserir na sociedade58. 57 Sobre a questão de gênero, veja-se também o item 8.5. 58 Informação obtida no Grupo Focal de Desenvolvimento Econômico, em 29/05/03. 53 Programa Santo André Mais Igual Os investimentos em formação de recursos humanos na área de desenvolvimento social montam a mais de três milhões, dos quais, pouco mais de um milhão tem aplicação no Programa de Renda Mínima. Cerca de 1,5 milhões é investido na capacitação e suplência de profissionais, enquanto os recursos restantes são distribuídos entre os componentes dedicados aos grupos vulneráveis e à capacitação de agentes. Quadro 9 Desenvolvimento social – investimentos em formação RUBRICA EUROS Renda mínima GOVERNO MUNICIPAL PIIS* COMISSÃO EUROPÉIA R$ TOTAIS EUROS R$ EUROS R$ – – 1.083.327 2.965.097,00 1.083.327 2.965.096,55 Atividades socioeducativas com crianças e adolescentes 283.332 775.487,68 291.665 798.295,00 574.997 1.573.783,01 Curso de capacitação de agentes multiplicadores/ lideranças para prevençãode AIDS/DST 108.839 297.895,41 224.999 615.829,00 333.838 913.724,02 16.667 45.618,05 – – 16.667 45.618,05 Capacitação profissional 258.332 707.061,97 283.332 775.488 541.664 1.482.549,65 Atendimento a crianças de 0 a 6 anos 100.000 273.702,82 – – 100.000 273.702,82 Alfabetização de jovens e adultos – – 210.000 574.776 – – Suplência profissional – – 509.997 1.395.876 509.997 1.395.876,17 767.170 2.099.765,93 2.603.320 7.125.360 3.160.490 8.650.350,27 Oficinas com mulheres/violência Totais Obs.: As atividades e respectivos valores constantes da coluna denominada "PIIS" relacionam-se ao Programa Integrado de Inclusão Social da PSA e se realizam com fundos independentes daqueles da CE. Conversão a reais à taxa de 2,737 R$/euro. Fonte: Coordenadoria do Programa APD, em meio magnético. Os programas voltados para o fortalecimento e a emancipação da população residente nos núcleos em sua dimensão social se complementam com os programas da dimensão econômica, potencializando os seus efeitos. 54 6- Metas Fixadas, Ações Empreendidas e Resultados Alcançados 6.3 Dimensão econômica Entendendo que o fenômeno da exclusão social está diretamente relacionado à capacidade econômica das famílias, condicionada tanto pela falta de preparação para ingressar no mercado de trabalho, como de oportunidades concretas, em virtude de contingências macroeconômicas, o programa teve, desde de sua concepção, a preocupação de agregar a iniciativas de melhoria física dos assentamentos, ações de apoio à geração de trabalho e renda. De fato, quando da retomada dos programas de urbanização de favelas pela Administração Municipal, em 1997, a primeira sinergia buscada foi justamente a de interação entre a urbanização e o Programa de Renda Mínima. Desta forma inicial, partiu-se para a estruturação de todo um arcabouço de ações integradas, que abrangem desde a formação profissional, passando pelo fomento aos micro e pequenos empreendimentos, através do microcrédito, até a construção do centro de comércio e serviços em Sacadura Cabral. Por outra parte, persiste a preocupação (comum à maioria dos programas de urbanização de favelas no cenário nacional) com a manutenção das famílias nas áreas urbanizadas, temendo fenômenos de 'expulsão branca', muito embora sejam poucas as cidades que dispõem de estudos que quantifiquem este fenômeno e que, portanto, estejam em condições de subsidiar adequadamente o processo de tomada de decisões quanto à metodologia mais adequada para enfrentar o fenômeno, se é que ele se verifica. Com base nos resultados de pesquisa de Abramo 59, para o Rio de Janeiro, onde se verificou que a mobilidade residencial das famílias moradoras em áreas beneficiadas por programas de urbanização não se alterou significativamente, se reitera a sugestão de que as Municipalidades realizem estudos com este sentido, de forma a embasar ações mais conseqüentes e com maiores oportunidades de êxito. Programa de Renda Mínima O objetivo primeiro do Programa de Renda Mínima é fortalecer o desenvolvimento das famílias através de um conjunto articulado de ações socioeducativas e de complementação de renda, buscando alternativas de construção de estratégias de sobrevivência a partir de sua passagem pelo programa. Assim, é oferecido às famílias com rendimento inferior a meio salário mínimo per capita e que residam no Município há pelo menos três anos, um complemento em espécie, pelo período de dezoito meses60. Além do subsídio monetário, as famílias são acompanhadas por profissionais das áreas da Assistência Social e Psicologia, que as orientam para serviços capazes de aproveitar suas potencialidades e superar suas dificuldades. A partir de então, as famílias são encaminhadas para cursos profissionalizantes e de capacitação para a montagem de pequenos empreendimentos. 59 ABRAMO, Pedro e FARIA, Teresa. Mobilidade residencial no Rio de Janeiro: considerações sobre os setores formal e informal do mercado imobiliário. Paper apresentado à ANPUR, 1999. 60 As possibilidades de desligamento antes deste prazo são a emancipação da família, ou o não cumprimento do acordo de participação no programa. 55 Programa Santo André Mais Igual No período de junho de 1998 a dezembro de 2000, 968 famílias foram atendidas com 11.309 benefícios mensais, com valor médio próximo de 200 reais, o que equivale a um montante de quase 2,3 milhões de reais de recursos investidos. Quadro 10 – Programa Renda Mínima Quantidade mensal famílias e complemento médio por família. jun./1998 a dez./2000, em reais FAMÍLIAS INSCRITAS TOTAL DE BENEFÍCIOS PAGOS FAMÍLIAS DESLIGADAS 1998 (jun. a dez.) 1999 335 1.549 26 273.513,00 176,57 131 4.358 150 871.329,00 199,94 2000 502 5.402 328 1.148.722,00 212,65 Total 968 11.309 504 2.293.564,00 202,81 ANOS RECURSOS APLICADOS BENEFÍCIO MÉDIO Fonte: Programa Renda Mínima de Santo André – Depto. Assistência Social / SISH / PSA. Uma aproximação aos impactos do programa sobre a condição objetiva de vida das famílias beneficiárias antes e depois de participar do programa foi possível com base na pesquisa de desempenho do Renda Mínima, realizada pela Prefeitura de Santo André em 2001, considerando um universo de 389 entrevistados. O perfil dos entrevistados em relação à escolaridade é de 14% de analfabetos, 76% que cursaram o 1º grau (apenas 6% concluíram o curso), e 2% (seis entrevistados) que participaram dos Programas MOVA e SEJA. A situação ocupacional, que em grande medida reflete o baixo grau de escolaridade, revela uma taxa de desemprego de 22%, contra 27% de empregados (com ou sem vínculo empregatício formal). As donas de casa conformam o grupo majoritário, representando 30% do universo pesquisado, como se reflete no quadro seguinte: Quadro 11 Situação ocupacional dos beneficiários do Programa Renda Mínima SITUAÇÃO ABSOLUTO % Dona de casa 117 30 Desempregado 87 22 Emprego sem carteira 53 14 Emprego com carteira 52 13 Faz bico 40 10 Dona de casa/desempregado 11 3 Desempregado/faz bico 11 3 Nunca trabalhou 5 1 Aposentado 5 1 Dona de casa/faz bico 4 1 Autônomo 4 1 389 100 Total 56 6- Metas Fixadas, Ações Empreendidas e Resultados Alcançados A partir da caracterização dos beneficiários, a pesquisa se dedica a investigar se houve ou não mudança na situação das famílias através da comparação entre o período em que eram beneficiárias e o momento em que se realiza a pesquisa, quando os entrevistados já haviam se desligado do programa. O questionário inclui itens relativos à capacidade de poupança; aquisição e/ou realização de melhorias na moradia; cuidados com a saúde, aquisição de móveis, eletrodomésticos, roupas, alimentos, material escolar e pagamento de dívidas. Em relação à capacidade de poupança das famílias beneficiárias, pôde-se concluir que o aporte representado pelo programa não foi significativo, com números muito próximos de respostas positivas e negativas para o período de vigência do benefício, e uma grande maioria, 84%, que continuava não tendo capacidade para poupar após o desligamento. No quesito moradia, o programa também não produziu impacto significativo: a diferença entre pessoas que conseguiram realizar melhorias na casa durante o Programa Renda Mínima e as que não conseguiram é de apenas seis pontos percentuais. Entretanto, este resultado deve ser relativizado, já que parte dos entrevistados seria removida de suas casas devido ao processo de urbanização de Sacadura Cabral e, portanto, não teria sentido investir na reforma de suas moradias naquele momento. Resultados similares se verificam em relação à saúde, seja na compra de medicamentos, seja na realização de tratamento médico, assim como nos investimentos em capacitação com vistas à geração de renda. Também nos itens de consumo os resultados são semelhantes, tanto no relativo à aquisição de bens duráveis (móveis, eletrodomésticos) e não duráveis (roupas), ou seja, a participação no programa não alterou significativamente a situação das famílias. Entretanto, se nos itens anteriores o número de respostas positivas e negativas foi, em grande medida, equivalente, a pesquisa foi reveladora no concernente às prioridades estabelecidas pelas famílias ou, talvez, das aplicações que as famílias consideraram proporcionais ao montante do benefício. Os quesitos onde a participação no programa influenciou positivamente o orçamento familiar foram alimentos, material escolar e pagamento de dívidas, nesta ordem. Diagrama 2 – Avaliação do PRM, por itens, durante a participação no programa 57 Programa Santo André Mais Igual Diagrama 3 – Avaliação do PRM, por itens, após o desligamento do programa Em síntese, pode-se concluir que os impactos do programa se concentraram nas necessidades mais imediatas e proporcionais ao montante do benefício concedido. Os resultados sugerem que o aporte de cerca de 200 reais mensais talvez não tenha sido suficiente para encorajar as famílias a realizar investimentos de mais fôlego, como a aquisição ou reforma da moradia, por exemplo. Embora os dados disponíveis não sejam suficientes para extrair conclusões mais aprofundadas, seria de interesse avaliar quais seriam os resultados para um prazo de vigência mais longo e/ou para um beneficio com valor equivalente ao rendimento que a família estaria auferindo, não fosse pela situação de desemprego. Cooperativa de Costureiras Olho Vivo, um efeito agregado do Programa de Renda Mínima DEPOIMENTO "A Olho Vivo surgiu assim: na realidade ela surgiu através do Renda Mínima de Santo André. Foi um incentivo a um grupo de mulheres que estavam no renda mínima, né, então as assistentes sociais que trabalhavam com as pessoas carentes que estavam no Renda Mínima – o primeiro lugar em que ele foi implantado aqui foi lá em Sacadura Cabral – e essas pessoas foram incentivadas a montar uma cooperativa de costura, então, foram me procurar. Já tinham me procurado antes, aliás o MDDF... me procurou, mas eu disse não, eu nem sei o que é isso ... Então, passando depois com o Renda Mínima, me procuraram de novo e já existia uma incubadora de cooperativas bem próspera.... Nós fomos lá, nos informamos, fizemos o curso... e montamos a cooperativa." 61 61 Depoimento colhido durante a reunião do Grupo Focal 2, em 29 de maio de 2003. 58 6- Metas Fixadas, Ações Empreendidas e Resultados Alcançados Microcrédito Em que pese o ambiente macroeconômico favorável e a estabilização de preços derivada do Plano Real, ainda persiste no Brasil a falta de experiência do setor financeiro no trato com uma clientela composta por microempresários. Essa deficiência adquire maior relevância considerando-se o quadro de restruturação produtiva em marcha na região do Grande ABC, que tem resultado no aumento do nível de desemprego e em quedas do valor agregado gerado na região. Além disso, verifica-se a dita 'flexibilização das relações de trabalho' e a crescente informalização do setor produtivo. Foi considerando estes aspectos que a Prefeitura de Santo André se decidiu pelo estabelecimento de uma política de microcréditos. Assim, em maio de 1998, foi criado o Banco do Povo de Santo André tendo como público-alvo os empreendedores locais de micro, pequeno e médio portes, com atividade formalizada ou não, que não conseguem acesso ao crédito no sistema financeiro tradicional. Inspirado no modelo de Porto Alegre, e em parceria com atores relevantes do Município, teve lugar a criação de uma organização não governamental. Com o aporte de capital de todos os sócios62 formou-se, em maio de 1998, o fundo de 600 mil reais que deu início ao programa de crédito rotativo. Buscou-se, assim, instrumentalizar iniciativas capazes de gerar trabalho e renda no Município. A política de juros1 adotada pelo Banco do Povo tem como objetivo a auto-suficiência da instituição, permitindo assim a continuidade de concessão de crédito. O diferencial da política de microcrédito reside na abordagem e captação do cliente realizadas pelos agentes de crédito em trabalho de campo. O atendimento e monitoramento individual a cada cliente têm por objetivos, por um lado, a orientação no desenvolvimento de seu negócio, a fim de melhor operacionalizar o empréstimo contraído e, por outro, a minimização de riscos para o banco (riscos de inadimplência, em especial). Desde o ponto da vista de estrutura organizacional, o Banco do Povo conta com organismos de deliberação63, compostos pela Assembléia Geral dos sócios; Conselho Fiscal e Conselho de Administração, enquanto sua estrutura operacional conta com um Gerente Administrativo-financeiro, um Gerente Executivo, um Agente Administrativo, um Auxiliar Administrativo e seis Agentes de Crédito. O banco possui ainda, como instrumento auxiliar, um banco móvel, funcionando em um ônibus, com roteiro preestabelecido para cada área da cidade, favorecendo, em especial, o contato com as populações desfavorecidas. 62 Prefeitura de Santo André, Associação Comercial e Industrial de Santo André – ACISA, Sindicato das Empresas de Transportadores de Carga do ABC – SETRANS, Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sindicato dos Bancários do ABC e SEBRAE-SP. 1 A atual taxa média de juros cobrada nos créditos é de 4,5% ao mês e é ajustada de acordo com as condições gerais do mercado de capitais. 63 Ressalte-se que a participação da PSA nos organismos de deliberação é minoritária, preservando assim a independência da tomada de decisões pelo Banco do Povo. 59 Programa Santo André Mais Igual Em seu primeiro ano de atuação, o Banco do Povo não concedeu créditos nas áreas favelizadas da cidade. Foi a partir da definição dos Programas APD e PIIS que o banco passou a estender suas atividades às quatro áreas selecionadas – Sacadura, Tamarutaca, Capuava e Quilombo II, através de uma linha de crédito especial – o Crédito Solidário, estabelecendo as seguinte metas: , Criação e consolidação de aproximadamente 50 novas unidades de negócios auto-sustentáveis; , , Criação e consolidação de, no mínimo, oito cooperativas (duas em cada favela); , Aumento de 50% no faturamento das unidades de negócios existentes nas favelas e em suas áreas de entorno. Capacitação de 90% dos microempreendedores de baixo rendimento, através de oficinas desenvolvidas pelo programa; A fim de subsidiar a operacionalização do Programa de Microcrédito foi realizada pesquisa quantitativa e qualitativa das quatro favelas selecionadas e suas áreas de entorno, a fim de identificar a oferta e a demanda potenciais dos negócios instalados. Com base nos resultados da pesquisa, o programa incluiu, em sua primeira fase, atividades de formação de agentes de crédito, com concentração nas áreas de viabilidade financeira de empreendimentos e ampliação de mercados. Os agentes formados atuaram como multiplicadores, organizando oficinas de formação de pequenos e microempreendedores. Os fundos do Programa APD destinados ao microcrédito foram utilizados para desencadear as atividades do banco nas quatro áreas selecionadas. Neste caso concreto, considerando o perfil do grupo-alvo nas áreas de favela, espera-se que o fundo alcance o equilíbrio de caixa aproximadamente no final do quinto semestre de operação. Quadro 12 Concessão de crédito para microempreendimentos ÁREAS EUROS R$ Sacadura Cabral 101.600 278.082,07 Tamarutaca 248.400 679.877,81 Capuava 192.000 525.509,42 53.000 145.062,49 625.000 1.710.642,63 Quilombo II Total Obs.: Conversão a reais à taxa de 2,737 R$/euro. Fonte: Unidade de Gestão Local. 60 FONTE: COMISSÃO EUROPÉIA 6- Metas Fixadas, Ações Empreendidas e Resultados Alcançados Todas as modalidades de crédito disponíveis respeitam o prazo de pagamento de até 12 meses. Para microempresários residentes no entorno das áreas de favela, o prazo é de até 14 meses, de acordo com o regulamento de crédito. Para as áreas de favela incluídas no Programa foi elaborado um regulamento específico – o Crédito Solidário. Quadro 13 Limites de concessão de crédito, por modalidades MODALIDADES LIMITES (EM R$) Capital de giro (até 100%) de 200,00 a 5.000,00 Capital fixo de 200,00 a 10.000,00 Cooperativas até 25.000,00 Como resultados concretos cabe assinalar a concessão de crédito em todo Município a 1.919 clientes, por um valor total de R$4.696.688,14, a uma taxa de juros de 4,5% ao mês, até maio de 2002. Para os assentamentos incluídos no Santo André Mais Igual, o volume de empréstimos monta a R$98.100,61, a uma taxa de juros de 2,5% ao mês. Os empréstimos foram concedidos a 98 clientes, dos quais 56% eram homens e 44% mulheres. O valor médio destes empréstimos foi de R$1.850,95, destinados em grande parte (80,48%) a capital de giro. A maioria dos tomadores de empréstimo (89,46%) era de empreendedores informais, e a inadimplência foi de apenas 1,13%, correspondendo a dois clientes64. As atividades do Banco do Povo em Capuava Dos R$182.645,00 emprestados pelo Banco do Povo na linha especial criada para o Santo André Mais Igual, R$ 77.510,00 foram destinados a Capuava. Dos 74 créditos concedidos, 39 foram para moradores e 35 para entorno imediato. Vinte créditos foram renovados, sendo nove no núcleo e 11 no entorno, demonstrando o potencial de integração das atividades do banco. Apesar destes resultados, e das estratégias adotadas para a captação de clientes, ainda se verificam reservas por parte da população quanto à prática das operações financeiras, certamente novas para a grande maioria dos clientes potenciais: "O microcrédito é uma possibilidade interessante para os moradores, porém muitos não se sentem confortáveis em pegar o crédito, pois há o entendimento de contrair uma dívida e a possibilidade de não poder pagar esta dívida depois. Além disso, os resultados não são imediatos, o que deixa as pessoas ainda mais preocupadas e com medo de pegar o crédito". 65 64 Posição das atividades do Banco do Povo até 31 de maio de 2002. 65 Depoimento colhido na reunião do Grupo Focal 2, em 29 de maio de 2003. 61 Programa Santo André Mais Igual Ou seja, o programa ainda necessita investir mais agressivamente na captação de clientes, talvez reforçando o seu componente de capacitação de forma a conferir aos clientes potenciais mais segurança no momento de contrair a dívida. Os recursos investidos em formação e acompanhamento aos microempreendedores em cada uma das áreas de atuação do programa montaram a quase 270 mil euros, com notável concentração em Tamarutaca e Capuava. Quadro 14 Geração de Emprego e Renda – Formação e acompanhamento aos microempreendedores ÁREAS COMISSÃO EUROPÉIA EUROS R$ GOVERNO MUNICIPAL PIIS* EUROS R$ TOTAIS EUROS R$ Sacadura Cabral 31.590 86.462,72 16.950 46.392,63 48.540 132.855,35 Tamarutaca 68.000 186.117,92 36.725 100.517,36 104.725 286.635,28 Capuava 63.180 172.925,44 33.900 92.785,26 97.080 265.710,70 Quilombo II 12.230 33.473,85 6.592 18.042,49 18.822 51.516,34 175.000 478.979,94 94.167 257.737,73 269.167 736.717,67 Totais Obs.: As atividades e respectivos valores constantes da coluna denominada "PIIS" relacionam-se ao Programa Integrado de Inclusão Social da PSA e se realizam com fundos independentes daqueles da UE. Conversão a reais à taxa de 2,737 R$/euro. Fonte: Unidade Técnica de Gestão – APD, em meio magnético. Unidades de negócios Por sua localização estratégica, em um dos principais eixos de acesso ao Município, a Unidade de Negócios 66 de Sacadura Cabral (Foto12), hoje em construção, cumpre plenamente o objetivo de conferir visibilidade às iniciativas do Santo André Mais Igual. Paralelamente, tem a intenção de funcionar como elo de ligação entre a favela em processo de urbanização e a cidade. Tal como os demais equipamentos urbanos, a unidade de negócios compõe a estratégia de integração física e social dos assentamentos informais, atuando, ao mesmo tempo, no enfrentamento de preconceitos socioespaciais, na geração de trabalho e renda (incrementada pela captação de renda de fora da favela para o fortalecimento dos empreendimentos locais), além de responder às carências de dotação de equipamentos do bairro e da cidade. 66 Estão abertas inscrições para o concurso que definirá o nome definitivo para a Unidade de Negócios. 62 6- Metas Fixadas, Ações Empreendidas e Resultados Alcançados Foto 12 – Unidade de Negócios de Sacadura Cabral. A proposta se fundamenta na oferta de um conjunto de atividades comerciais e de serviços, algumas de iniciativa dos moradores (salão de cabeleireiro, chaveiro etc.), outras da iniciativa privada tradicional, como uma casa lotérica, uma agência bancária, uma loja de alimentação e uma livraria. São ao todo, 24 lojas, com 21 metros quadrados cada. As iniciativas da comunidade foram apoiadas pelo Programa Empreendedor Popular que, durante 18 meses, trabalhou na formação destes novos empreendedores, ajudando a consolidar seus Planos de Negócios para que pudessem se habilitar ao uso de um dos boxes de serviços. Além das iniciativas da comunidade e das tradicionais, o conjunto receberá espaços de serviços orientados pela Prefeitura: um Posto de Atendimento Integrado – Posto SIM, voltado para os munícipes em geral; um Show Room das Cooperativas, que será administrado pela Incubadora de Cooperativas e uma Central de Trabalhadores Autônomos, voltada para a oferta de serviços de profissionais como pedreiros, faxineiros etc.. Quando esta ação estava sendo definida, o Centro Universitário Municipal de São Caetano – IMES foi contratado pela Secretaria de Desenvolvimento e Ação Regional para fazer o estudo do potencial econômico do entorno, o que orientou a capacitação dos novos empreendedores. Os primeiros sinais de 'diálogo' com o entorno imediato já se fazem notar: os moradores de áreas próximas começam a utilizar a calçada ao longo do assentamento para a prática de caminhadas todas as manhãs. O Centro Universitário Fundação Santo André, situado em frente a Sacadura (Foto 13), abriu um novo acesso, ampliando a perspectiva de integração. A expectativa é de que tanto alunos, como moradores, sejam usuários deste centro comercial. Os recursos provenientes do pagamento de concessão ou permissão de uso das lojas reverterão para um fundo destinado à manutenção da própria unidade de negócios. 63 Programa Santo André Mais Igual Foto 13 – Unidade de Negócios de Sacadura Cabral e sua relação com o entorno imediato. Programas de estímulo ao empreendedorismo e ao cooperativismo O Programa Trabalhador Cidadão visa à indivíduos e sua inserção no mercado de trabalho, importante com o programa Empreendedor Popular. pequenos e microempreendimentos, estimulando iniciativas, seu crescimento e consolidação. capacitação profissional dos estabelecendo uma sinergia Este último, oferece apoio a o aparecimento de novas Também neste caso, são buscadas interação e sinergias positivas entre os programas: o suporte para os pequenos empreendedores é dado pelo Banco do Povo, através da concessão de microcrédito para abertura de atividades geradoras de renda, e pela Incubadora de Cooperativas, que presta assessoria na formação e solidificação de cooperativas de produção e serviços. Estas iniciativas são potencializadas pela Unidade de Negócios 67 , que é constituída por um conjunto de unidades de serviços e comércio localizadas nas bordas dos assentamentos, cujo objetivo é propiciar a geração de renda dentro da favela, atuando como um elemento de ligação entre esta e o entorno próximo. "No caso das cooperativas, ainda há dificuldades a serem vencidas. As pessoas se sentem mais à vontade de se tornarem empreendedores individuais. Trabalhar com um grupo é difícil e as pessoas não têm essa cultura. Na maior parte das vezes, preferem ter negócios com familiares ou amigos próximos. As cooperativas começam com cerca de 30 pessoas, muitos saem e no final acaba ficando com 15. É importante lembrar que uma cooperativa necessita legalmente de ter 20 cooperados. 67 A Unidade de Negócio que está sendo construída em Sacadura Cabral, assim como as propostas para Capuava e Prestes Mais, vão ser utilizadas pelos pequenos empreendedores locais mediante concessão onerosa, seguindo regras fixadas em conjunto com a população local. A seleção dos empreendimentos será feita com base nos Planos de Negócios apresentados pelos candidatos a ocupar as unidades de negócios. A eles também foi oferecido o curso de empreendedor popular. 64 6- Metas Fixadas, Ações Empreendidas e Resultados Alcançados Uma outra questão que se coloca, no caso das cooperativas, é a dificuldade de vida que as pessoas enfrentam. As cooperativas precisam sustentar os cooperativados e, enquanto não consegue ainda ter lucros, as pessoas têm que buscar outras fontes de renda para poderem viver." 68 O Programa Trabalhador Cidadão capacitou mais de 2,5 mil pessoas69. Porém, apesar da proposta ser bastante interessante, a inserção no mercado de trabalho tem se mostrado reduzida em virtude da retração deste mercado, como mostra o quadro a seguir. Quadro 15 Situação de ocupação remunerada antes e depois do curso SITUAÇÃO OCUPACIONAL DOS ALUNOS 1º SEMESTRE 2001 2º SEMESTRE 2001 ANTES 30 APÓS 34 % +13,33 ANTES 23 APÓS 36 % +56,52 Desempregado com atividade remunerada 23 36 +56,52 13 21 +61,54 Desempregado sem atividade remunerada 69 52 -24,64 46 25 -45,65 Outras situações (2) 22 22 13 13 Total 144 144 95 95 Empregado (1) (1) Assalariado(a), com relação de trabalho definida em uma empresa, com ou sem registro em carteira (2) Do lar, aposentados, dependentes diversos etc. Os técnicos envolvidos nos programas, tanto na área social como na econômica, percebem com clareza este fenômeno, como se depreende de depoimento colhido na reunião do Grupo Focal: DEPOIMENTO "Os alunos de cursos de capacitação profissional oferecidos, como o Trabalhador Cidadão, não conseguiram se inserir no mercado de trabalho, devido à escassa oferta de empregos existente. Alguns tiveram mais facilidade de arranjar um emprego formal, porém não na área em que se capacitaram. Outros puderam agregar algum rendimento à renda familiar, através de trabalhos esporádicos ("bicos"). Foram observados alguns impactos positivos, como um reposicionamento frente a sua situação ao trabalho. É necessário haver clareza na política pública, pois não é a qualificação que vai gerar o emprego. Há a expectativa de que, através da Central de Autônomos, onde profissionais diversos como pedreiros, azulejeiros, chaveiros etc., poderão ser contratados, venha a ser suprida uma demanda do bairro do entorno." 68 Depoimento colhido na reunião do Grupo Focal 2, em 29 de maio de 2003. 69 VENTURINI, Walter. op. cit. 65 Programa Santo André Mais Igual Ainda assim, perguntados sobre mudanças em sua vida profissional a partir de sua participação no programa, 60% dos alunos do primeiro semestre e 48% dos do segundo semestre de 2001 declararam mudanças positivas. Quadro 16 Impacto na vida profissional e ocupação 1º SEMESTRE 2º SEMESTRE 2001 VAL. ABSOLUTO % VAL. ABSOLUTO % VAL. ABSOLUTO % Sim 86 60% 47 48% 133 55,19% Não 57 40% 51 52% 108 44,81% Fonte: CENTRO DE EDUCAÇÃO, Estudos e Pesquisas – CEEP. Relatório da Pesquisa de Diagnóstico e Acompanhamento Pós-Curso. Projeto Trabalhador Cidadão, fevereiro 2003. 66 7 Indicadores 7.1 Características físicas das áreas focalizadas pelo programa Como assinalado anteriormente, é justamente nas áreas mais frágeis do ponto de vista ambiental que tendem a se concentrar os assentamentos informais, não por coincidência, mas, como assinala Erminia Maricato: "As novas favelas e loteamentos ilegais surgem em áreas vazias, abandonadas pelo mercado imobiliário privado. Não é por outro motivo que as favelas se localizam, em sua maioria, em áreas de proteção ambiental (desvalorizadas em função da restrição à ocupação) e em áreas públicas. Em vazios urbanos valorizadas pelo mercado imobiliário, e mesmo em áreas públicas, não se admite a invasão." 70 Santo André não foge à regra, apresentando a seguinte distribuição de suas favelas, por tipo de implantação sobre o território: Quadro 17 Número total de favelas e localização predominante NÚMERO DE FAVELAS % Áreas com declividades acentuadas 48 34,78 Áreas inundáveis 22 15,95 Áreas de proteção/preservação ambiental 5 3,62 Outras situações 63 45,65 Total 138 100,00 Fonte: LARANGEIRA, Adriana (coord.). Estudo de avaliação da experiência brasileira sobre urbanização de favelas e regularização fundiária. Rio de Janeiro: IBAM/Banco Mundial, 2002. 70 MARICATO, Erminia. No centro da crise urbana, a questão fundiária. Trabalho apresentado ao Seminário Internacional sobre Vazios Urbanos: Novos Desafios e Oportunidades. Rio de Janeiro, 26 a 30 de abril de 1999. 67 Programa Santo André Mais Igual Quadro 18 Áreas e percentual do Município de Santo André situados em área de proteção ambiental ÁREAS KM² % Área urbana 66,45 38,11 Área de expansão urbana 96,14 55,13 Área da vertente do rio Mogi 11,79 6,76 174,38 100,00 Área Total Fonte: GPU / DDU / SDU / PSA. Caracterização física dos assentamentos. Infra-estrutura e edificações , Nas áreas de intervenção do Santo André mais Igual, o programa logrou uma cobertura da rede de distribuição de água superior à da cidade que, de per si, é bastante elevada. Quadro 19 Número de ligações domiciliares de água executadas pelo programa ÁREAS N.º DE FAMÍLIAS Sacadura Cabral N.º DE LIGAÇÕES COBERTURA (%) 780 748 95,90 Tamarutaca 1.300 1.350 * 103,85 Capuava 1.327 1.327 100,00 230 235 * 102,17 3.637 3.660 * 100,63 Quilombo II Total Obs.: * Consideradas as ligações domiciliares e as dos equipamentos comunitários. Fonte: LARANGEIRA, Adriana (coord.). Estudo de avaliação da experiência brasileira sobre urbanização de favelas e regularização fundiária. Rio de Janeiro: IBAM/Banco Mundial, 2002. Quadro 20 Município de Santo André – Porcentagem da população atendida pelos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário, 1996-2001 1996 1997 1998 1999 2000 Rede de água 98 98,97 98 98 98 98 Rede de esgoto 96 96,19 95 95 96 96 Fonte: SEMASA. 68 2001 7- Indicadores , Com relação à distribuição de energia elétrica, o número de contas pagas por unidades residenciais revela a dimensão da informalidade na ocupação e uso do solo no Município, que extrapola em muito a presença de favelas: o número de domicílios cadastrados durante todo o período 1996/2001 é muito inferior ao de contas de energia elétrica. Quadro 21 Município de Santo André – Evolução dos domicílios não cadastrados 1996 1997 1998 1999 2000 2001 N.º de contas de energia elétrica – classe residencial (1) 480.988 499.624 516.420 635.634 537.422 554.082 Total de domicílios (2) 145.937 147.262 153.761 157.128 158.727 158.986 Domicílios não cadastrados (1) - (2) 335.051 352.362 362.659 478.506 378.695 395.096 Fontes: (A) ELETROPAULO (B) Gerência de Tributos Imobiliário, Secretaria de Finanças, PSA , Quanto à iluminação pública nas áreas de intervenção do programa, o quadro que relaciona a quantidade de lâmpadas queimadas esclarece que a insuficiência da iluminação pública apontada por 25% dos entrevistados, se refere a questões de manutenção e não à ausência de postes e luminárias. Quadro 22 Iluminação pública RESPOSTAS % Suficiente 75,0 Insuficiente 25,0 Total 100,0 Fonte: Pesquisa Cumulativa – Entrega de resultados. CERFE / DEHAB. Out./2001. Quadro 23 Iluminação Pública – Quantidade de lâmpadas queimadas RESPOSTAS % Todas 0,0 Muitas 75,0 Poucas 0,0 Nenhuma Total 25,0 100,0 Fonte: Pesquisa Cumulativa – Entrega de resultados. CERFE / DEHAB. Out./2001. 69 Programa Santo André Mais Igual , O serviço de limpeza urbana do Município de Santo André tem uma cobertura exemplar, atendendo à totalidade do território. Nas áreas de intervenção do Santo André Mais Igual, entretanto, este índice não foi alcançado. Pesquisa realizada pela CERFE revela que o atendimento é de apenas 50%. Quadro 24 Coleta de lixo nas áreas de intervenção do programa % RESPOSTAS Há coleta de lixo 50,0 Não há coleta de lixo 50,0 Total 100,0 Fonte: Pesquisa Cumulativa – Entrega de resultados. CERFE / DEHAB. Out./2001. Quadro 25 Destino final do lixo coletado nas áreas de intervenção do programa RESPOSTAS % É coletado porta a porta pelo caminhão de lixo 0,0 É coletado porta a porta pelo coletor comunitário 25,0 Os moradores levam o lixo até a caçamba 25,0 Os moradores jogam o lixo em um local de onde será retirado pelo caminhão 50,0 Os moradores levam o lixo a qualquer lugar onde não há coleta 0,0 Os moradores jogam o lixo no córrego 0,0 Total 100,0 Fonte: Pesquisa Cumulativa – Entrega de resultados. CERFE / DEHAB. Out./2001. , Pela própria natureza dos assentamentos, não surpreende que o uso do solo predominante seja o residencial, superior a 90% para todos os casos, exceto por Tamarutaca, onde os usos mistos representam 8,2% do total. Quadro 26 Uso dos imóveis SACADURA CABRAL ABSOLUTO Residencial % TAMARUTACA ABSOLUTO % CAPUAVA ABSOLUTO % ABSOLUTO % 710 96,4 1.102 84,8 – – 1.242 93,6 0 0,0 5 0,4 – – 25 1,9 Misto 12 1,6 107 8,2 – – 37 2,8 Outros 14 1,9 0 0,0 – – 0 0,0 S/ info. 1 0,1 86 6,6 230 100,0 23 1,7 736 100,0 1.300 100,0 230 100,0 1.327 100,0 Comercial Total Fonte: Resumo dos diagnósticos das áreas. PSA. 70 QUILOMBO II 7- Indicadores Quadro 27 Distribuição dos imóveis por técnicas construtivas SACADURA CABRAL ABSOLUTO % TAMARUTACA ABSOLUTO QUILOMBO II % ABSOLUTO CAPUAVA % ABSOLUTO % Madeira 456 62,0 624 48,0 85,56 37,2 137 10,3 Alvenaria 277 37,6 498 38,3 125,58 54,6 1.039 78,3 Misto 0 0,0 92 7,1 5,06 2,2 123 9,3 S/ info. 3 0,4 86 6,6 13,80 6,0 28 2,1 736 100,0 1.300 100,0 230 100,0 1.327 100,0 Total Fonte: Resumo dos diagnósticos das áreas. PSA. 7.2 Caracterização do perfil sociodemográfico dos beneficiários do programa, em relação com o Município de Santo André Com o fim de contextualizar a situação de Santo André no panorama nacional, é apresentada a seguir a evolução do número de habitantes no país, no Estado de São Paulo, na Região Metropolitana da São Paulo, na Região do Grande ABC e no Município de Santo André, a partir dos Censos Demográficos de 1970, 1980, 1991 e 2000 e da Contagem de População de 1996. Quadro 28 Evolução do número de habitantes do Brasil, Estado de São Paulo, Grande São Paulo, Região do Grande ABC e Santo André, 1970-2000 1970 1980 1991 1996 2000 Brasil 93.139.037 119.002.706 146.868.808 157.079.573 169.799.170 Estado de São Paulo 17.771.948 25.040.698 31.548.008 34.120.886 37.032.403 8.139.730 12.588.725 15.417.637 16.583.234 17.878.703 Região do Grande ABC 988.677 1.652.781 2.048.674 2.224.096 2.354.722 Santo André 418.826 553.072 616.991 625.564 649.331 Região Metropolitana de SP Fonte: IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Considerando os 649.331 habitantes de Santo André e os 16.042 beneficiários do programa Santo André Mais Igual, são obtidas as seguintes distribuições por sexo e faixas etárias: 71 Programa Santo André Mais Igual Quadro 29 Município de Santo André – Distribuição da população residente por sexo e faixas etárias – 2000 FAIXAS ETÁRIAS HOMENS % MULHERES TOTAL 0a4 24.224 3,73 23.461 3,61 47.685 5a9 24.852 3,83 24.223 3,73 49.075 10 a 14 27.788 4,28 27.302 4,20 55.090 15 a 19 30.780 4,74 30.781 4,74 61.561 20 a 24 29.807 4,59 30.446 4,69 60.253 25 a 29 26.745 4,12 28.022 4,32 54.767 30 a 34 25.348 3,90 26.917 4,15 52.265 35 a 39 25.225 3,88 27.518 4,24 52.743 40 a 44 23.079 3,55 25.191 3,88 48.270 45 a 49 19.778 3,05 21.712 3,34 41.490 50 a 54 15.863 2,44 17.892 2,76 33.755 55 a 59 11.729 1,81 13.588 2,09 25.317 60 a 64 9.903 1,53 11.886 1,83 21.789 65 a 69 7.353 1,13 9.321 1,44 16.674 70 a 74 5.548 0,85 7.613 1,17 13.161 75 e mais 5.793 0,89 9.643 1,49 15.436 313.815 48,33 335.516 51,67 649.331 Total Fonte: IBGE – Censo Demográfico 2000. Mulheres Homens 75 e mais 70 a 74 65 a 69 60 a 64 55 a59 50 a54 45 a 49 40 a 44 35 a 39 30 a 34 25 a 29 20 a 24 15 a 19 10 a 14 5a9 0a4 Diagrama 4 – Município de Santo André. Pirâmide demográfica 72 % 7- Indicadores Quadro 30 Distribuição da população beneficiária por faixas etárias 71 FAIXAS SACADURA CABRAL ABSOLUTO % TAMARUTACA ABSOLUTO QUILOMBO II % ABSOLUTO CAPUAVA % ABSOLUTO % 0a6 589 19,50 811 15,60 110 13,40 1.197 17,10 7 a 10 290 9,60 499 9,60 90 10,90 707 10,10 11 a 14 281 9,30 426 8,20 80 9,70 637 9,10 15 a 17 196 6,50 333 6,40 65 7,90 392 5,60 18 a 21 248 8,20 333 6,40 69 8,40 1.071 15,30 22 a 29 501 16,60 910 17,50 125 15,20 1.610 23,00 30 a 49 713 23,60 1.196 23,00 197 24,00 959 13,70 50 a 59 130 4,30 172 3,30 33 4,00 252 3,60 + de 60 72 2,40 135 2,60 21 2,60 21 0,30 S/ Info. 0 0,00 385 7,40 32 3,90 161 2,30 3.020 100,0 5.200 100,0 822 100,0 7.000 100,0 Total Fonte: Resumo dos diagnósticos das áreas. PSA. , Enquanto o população total do Município apresenta uma distribuição bastante constante por faixas etárias, curiosamente, nos núcleos de favela se observa uma maior concentração na faixa do 18 aos 49 anos. Na distribuição por sexos, por outra parte, não se observam diferenças apreciáveis. Quadro 31 Distribuição da população beneficiária, por sexo SEXO SACADURA CABRAL ABSOLUTO % TAMARUTACA ABSOLUTO QUILOMBO II % ABSOLUTO CAPUAVA % ABSOLUTO % Homens 1.516 50,2 2.662 51,2 399 48,5 3.549 50,7 Mulheres 1.504 49,8 2.512 48,3 423 51,5 3.444 49,2 0 0,0 26 0,5 0 0 7 0,1 3.020 100,0 5.200 100,0 822 100,0 7.000 100,0 S/ Info. Total 71 Grande parte dos dados relativos ao perfil socioeconômico das famílias residentes nas quatro áreas de intervenção foi extraída de SANTO ANDRÉ. Prefeitura. Programa de apoio às populações desfavorecidas (particularmente crianças e adolescentes) nas Regiões Metropolitanas do Rio de Janeiro e São Paulo. Diagnóstico. Santo André: Secretaria de Inclusão Social e Habitação/APD, [1998?]. Mimeo. e apresentam as seguintes ressalvas: Na ocasião do levantamento de dados, 348 domicílios de Tamarutaca encontravam-se fechados e não foi possível obter as informações dos respectivos chefes de família. Assim, os dados referem-se ao universo de 952 domicílios, cuja população é de 4.277 pessoas. Durante o levantamento de dados de Capuava, foram obtidas informações de 1.209 domicílios, nos quais foi registrado um total de 4.633 moradores. Em Quilombo II, somente 183 dos 230 domicílios puderam ser pesquisados. Aplicando-se a média de 4,5 membros por família, chegou-se ao total de 1.035 moradores. 73 Programa Santo André Mais Igual Quadro 32 Distribuição dos chefes de família*, por sexo SEXO SACADURA CABRAL TAMARUTACA CAPUAVA QUILOMBO II Masculino 75,1% 52,3% 54,5% 28,4% Feminino 24,7% 46,4% 45,5% 71,6% 0,1% 1,4% 0,0% 0,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% S/ Info. Total * Considerou-se chefe de família aquele indivíduo que sustenta financeiramente o núcleo familiar, independentemente do sexo. Quadro 33 Distribuição dos chefes de família*por Estado de origem REGIÕES / ESTADO Norte SACADURA CABRAL TAMARUTACA CAPUAVA QUILOMBO II 0,72% 0,00% 0,00% – 65,11% 67,30% 38,30% – Pernambuco 22,12% 23,30% 18,40% – Piauí 17,09% 21,80% 19,90% – 0,00% 9,00% 0,00% – Bahia 12,05% 5,70% 19,90% – Outros Estados 13,85% 7,50% 15,60% – 0,18% 0,10% 0,40% – 31,47% 22,30% 21,30% – São Paulo 20,32% 14,50% 14,80% – Outros Estados 11,15% 7,80% 6,50% – Sul 2,52% 4,90% 3,80% – Sem informação 0,00% 5,40% 0,60% – 100,0% 100,0% 100,0% – Nordeste Paraíba Centro-oeste Sudeste Total * Considerou-se chefe de família aquele indivíduo que sustenta financeiramente o núcleo familiar, independentemente do sexo. , 74 Embora os núcleos tenham se formado há cerca de 30 anos, a maior concentração por tempo de moradia se situa entre os seis e dez anos. 7- Indicadores Quadro 34 Distribuição das famílias beneficiárias, por tempo de residência na área TEMPO DE RESIDÊNCIA SACADURA CABRAL ABSOLUTO Até 1 ano % TAMARUTACA ABSOLUTO QUILOMBO II % ABSOLUTO CAPUAVA % ABSOLUTO % 80 10,3 48 3,7 19 8,2 66 5,0 1a5 234 30,0 273 21,0 52 22,4 230 17,3 6 a 10 193 24,7 364 28,0 81 35,0 210 15,8 Mais de 10 244 31,3 542 41,7 63 27,3 245 18,5 29 3,7 73 5,6 16 7,1 575 43,3 780 100,0 1.300 100,0 230 100,0 1.327 99,9 S/ Info. Total Fonte: Resumo dos diagnósticos das áreas. PSA. Composição e estrutura familiar média , O número médio de membros por família é sensivelmente maior nas comunidades atendidas pelo programa do que para o conjunto da cidade: 3,5 para Santo André, frente a 4,18, em média, para os quatro núcleos incluídos no programa, dentro de uma faixa de variação de 3,57 em Quilombo II a 5,28 em Capuava. Quadro 35 Município de Santo André – Número de habitantes por domicílio e densidades demográficas médias, 1991, 1996 e 2000 ANO POPULAÇÃO TOTAL POPULAÇÃO MASCULINA POPULAÇÃO FEMININA TOTAL DE DOMICÍLIOS N.º MÉDIO HAB./DOM. DENSIDADE MÉDIA (HAB./KM2 ) 1991 615.655 302.055 313.600 162.922 3,78 3.530,48 1996 624.820 304.700 320.120 173.822 3,59 3.583,09 2000 649.331 313.815 335.516 185.461 3,50 3.723,66 Fonte: IBGE – Censos Demográficos 1991/2000 / Contagem 1996 / GPU/ DDU / SDU / PSA. Quadro 36 Número de habitantes por domicílio Nº PESSOAS 1 SACADURA CABRAL TAMARUTACA CAPUAVA QUILOMBO II 6,5% 5,9% 8,4% 2,7% 2a3 39,4% 28,3% 37,8% 26,2% 4a5 37,4% 40,0% 37,8% 46,4% 6a8 14,6% 24,4% 0,0% 0,0% Mais de 8 1,9% 1,4% 0,0% 0,0% 6 a 10 0,0% 0,0% 15,5% 24,0% Mais de 10 0,0% 0,0% 0,5% 0,5% Sem informação 0,1% 0,1% 0,0% 0,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% Total 75 Programa Santo André Mais Igual Quadro 37 Número de membros por família ÁREAS Nº DE HABITANTES Nº DE FAMÍLIAS 7.000 1.327 5,28 822 230 3,57 Sacadura Cabral 3.020 780 3,87 Tamarutaca 5.200 1.300 4,00 649.331 185.461 3,50 Capuava Quilombo II Santo André* HAB./FAM. Fontes: SANTO ANDRÉ. Prefeitura. Santo André Mais Igual. Programa Integrado de Inclusão Social. pp.22-25. IBGE – Censo Demográfico 2000*. 7.3 Caracterização do perfil socioeconômico dos beneficiários do programa em relação com o Município de Santo André Quadro 38 Distribuição dos chefes de família, por situação ocupacional SITUAÇÃO OCUPACIONAL SACADURA CABRAL ABSOLUTO % TAMARUTACA ABSOLUTO QUILOMBO II % % ABSOLUTO % Empregado 375 48,1 618 47,5 102 44,3 674 50,8 Vive de bico 63 8,1 53 4,1 1 0,5 119 9,0 141 18,1 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Empregador 2 0,3 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Aposentado 26 3,3 69 5,3 18 7,7 38 2,9 Não trabalha 0 0,0 229 17,6 75 32,8 234 17,6 172 22,1 207 15,9 21 9,3 216 16,3 Só estuda 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Pensionista 0 0,0 31 2,4 9 3,8 37 2,8 Sem informação 1 0,1 95 7,3 4 1,6 8 0,6 780 100,1 1.300 100,1 230 100,0 1.327 100,0 Autônomo Desempregado Total Obs.: Foram mantidas as imprecisões contidas no original. 76 ABSOLUTO CAPUAVA 7- Indicadores Quadro 39 Distribuição da população beneficiária por situação ocupacional SITUAÇÃO OCUPACIONAL SACADURA CABRAL ABSOLUTO % TAMARUTACA ABSOLUTO QUILOMBO II % ABSOLUTO CAPUAVA % ABSOLUTO % Empregado 1.105 36,6 1.399 26,9 364 44,3 1.708 24,4 Vive de bico 184 6,1 140 2,7 4 0,5 301 4,3 Autônomo 417 13,8 36 0,7 0 0,0 28 0,4 Empregador 6 0,2 140 2,7 0 0,0 273 3,9 Aposentado 79 2,6 99 1,9 0 0,0 77 1,1 Não trabalha 725 24,0 525 10,1 270 32,8 875 12,5 Desempregado 504 16,7 645 12,4 77 9,4 672 9,6 Só estuda 0 0,0 1.695 32,6 0 0,0 2.359 33,7 Pensionista 0 0,0 36 0,7 94 11,4 63 0,9 Sem Informação 3 0,1 484 9,3 13 1,6 637 9,1 3.020 100,0 5.200 90,7 822 100,0 7.000 90,8 Total Obs.: Foram mantidas as imprecisões contidas no original. Quadro 40 Renda familiar média em salários mínimos SACADURA CABRAL ABSOLUTO s/ rend. % TAMARUTACA ABSOLUTO QUILOMBO II % ABSOLUTO CAPUAVA % ABSOLUTO % 131 16,8 194 14,9 27 11,7 0 0,0 até 1 S.M. 23 2,9 66 5,1 14 6,1 85 6,4 de 1 a 2 134 17,2 333 25,6 59 25,7 494 37,2 de 2 a 3 170 21,8 0 0,0 0 0,0 0 0,0 de 3 a 4 152 19,5 385 29,6 67 29,1 435 32,8 de 4 a 5 71 9,1 0 0,0 0 0,0 0 0,0 de 5 a 7 53 6,8 146 11,2 38 16,5 139 10,5 >7 45 5,8 146 11,2 25 10,9 61 4,6 1 0,1 30 2,3 0 0,0 113 8,5 780 100,0 1.300 100,0 230 100,0 1.327 100,0 Sem Informação Total Obs.: Foram mantidas as imprecisões contidas no original. 77 Programa Santo André Mais Igual , Apesar de o número de moradores com trabalho regular ser bastante elevado (47,68%), os rendimentos são baixos, devidos provavelmente à baixa escolaridade. Quadro 41 Renda familiar per capita SACADURA CABRAL ABSOLUTO % TAMARUTACA ABSOLUTO QUILOMBO II % ABSOLUTO CAPUAVA % ABSOLUTO % sem renda* 72 9,2 194 14,9 28 12,0 0 0,0 até 0,25* 17 2,2 51 3,9 14 6,0 72 5,4 >0,25 a 0,50* 70 9,0 202 15,5 26 11,5 194 14,6 >0,50 a 0,75 131 16,8 408 31,4 77 33,3 435 32,8 86 11,0 1 0,1 0 0,0 0 0,0 >1 a 2 259 33,2 350 26,9 70 30,6 377 28,4 >2 a 3 86 11,0 64 4,9 10 4,4 85 6,4 >3 a 5 49 6,3 22 1,7 5 2,2 37 2,8 mais de 5 9 1,2 9 0,7 0 0,0 16 1,2 Sem informação 1 0,1 0 0,0 0 0,0 11 8,4 780 100,1 1.300 100,0 230 100,0 1.327 100,0 >0,75 a 1 Total Obs.: * Campo de aplicação do Programa de Renda Mínima. Educação Quadro 42 Distribuição dos chefes de família*, por sexo EQUIPAMENTO/ SACADURA CABRAL DEMANDA ATENDIDA TAMARUTACA CAPUAVA QUILOMBO II Creche 75 162 100 110 EMEI 84 400 290 294 Escola de 1º grau 1.040 900 680 450 Escola de 2º grau 200 998 380 140 1.399 2.460 1.450 994 Total Fonte: SANTO ANDRÉ. Prefeitura. Programa de apoio às populações desfavorecidas (particularmente crianças e adolescentes) nas Regiões Metropolitanas do Rio de Janeiro e São Paulo. Diagnóstico. Santo André: Secretaria de Inclusão Social e Habitação/APD, [1998?]. Mimeo. 78 7- Indicadores Quadro 43 Escolaridade da população beneficiária SACADURA CABRAL ABSOLUTO % TAMARUTACA ABSOLUTO QUILOMBO II % ABSOLUTO CAPUAVA % ABSOLUTO % Analfabeto 196 6,5 489 9,4 39 4,8 546 7,8 Alfabetizado 69 2,3 0 0,0 0 0,0 0 0,0 2.356 78,0 3.749 72,1 530 64,5 4.543 64,9 1º grau completo 302 10,0 515 9,9 120 14,6 1.694 24,2 2º grau completo 85 2,8 161 3,1 21 2,5 175 2,5 Superior 3 0,1 5 0,1 0 0,0 0 0,0 Sem informação 6 0,2 281 5,4 112 13,6 35 0,5 3.020 99,9 5.200 100,0 822 100,0 7.000 99,9 1º grau incompleto Total Quadro 44 Nível médio de escolaridade dos chefes das famílias beneficiárias SACADURA CABRAL ABSOLUTO % TAMARUTACA ABSOLUTO QUILOMBO II % ABSOLUTO CAPUAVA % ABSOLUTO % Analfabetos 88 10,3 198 15,2 26 11,5 133 10,0 Alfabetizados 27 3,5 0 0,0 0 0,0 0 0,0 585 75,0 684 53,4 129 56,3 238 17,9 65 8,3 286 22,0 50 21,9 896 67,5 Ensino médio completo Ensino superior 23 2,9 21 1,6 6 2,7 38 2,9 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Sem informação 0 0,0 101 7,8 17 7,6 23 1,7 780 100,0 1.300 100,0 230 100,0 1.327 100,0 Ensino fundamental incompleto Ensino fundamental completo Total Saúde , A rede de saúde de Santo André está organizada com equipamentos próprios da Prefeitura, da Fundação de Assistência à Infância de Santo André – FAISA, da Fundação ABC, além da rede privada (conveniada ou não). Com um total de 502 leitos, o Município fica aquém da recomendação da Organização Mundial de Saúde – OMS – de um leito para cada 4 mil habitantes72. 72 O serviço de saúde pública não conta com nenhum centro de tratamento e reabilitação para pessoas com deficiências e para tratamento de drogaditos, prioridade essas apontadas em plenárias do Orçamento Participativo realizadas em junho/julho de 1997. 79 Programa Santo André Mais Igual Quadro 45 Município de Santo André – Equipamentos na área da saúde, 1999-2000 QUANTIDADE ANO 5 2000 502 2000 Unidades ambulatoriais 68 1999 Centros de saúde 31 1999 4 1999 Hospitais Leitos hospitalares Ambulatórios em unidade hospitalar geral Fonte: IBGE, Cidades@, Saúde. Censo 2000. Quadro 46 Equipamentos na área da saúde disponíveis nas áreas de intervenção e no seu entorno imediato EQUIPAMENTO SACADURA TAMARUTACA CAPUAVA QUILOMBO II Unidade básica de saúde – UBS 2 2 1 1 Ambulatório 0 0 1 1 Ambulatório de especialidades 1 1 0 1 Ambulatório de saúde mental 0 1 0 0 Total 3 4 2 3 , Com relação à expectativa de vida, para o conjunto do Município de Santo André 19,43% da população ultrapassam os 50 anos, nos núcleos, em média, apenas 6,35% atingem esta idade. Quadro 47 Expectativa de vida SACADURA 0 a 49 50 e + S/ inf. Total 80 TAMARUTACA QUILOMBO II ABS. ABS. % ABS. % 2.817 93,3 4.508 86,7 203 3,7 307 0 0,0 3.020 100,0 CAPUAVA SANTO ANDRÉ % ABS. % ABS. % 735 89,5 6.566 93,8 523.199 80,56 5,9 54 6,6 434 6,2 126.132 19,43 385 7,4 32 3,9 0 0,0 0 0,0 5.200 100,0 822 100,0 7.000 100,0 649.331 100,0 8 O Projeto Segundo as Variáveis Estratégicas de Análise 8.1 Parcerias O estabelecimento de parcerias assume um papel fundamental na forma de estruturação do Santo André Mais Igual, tanto pela quantidade de parceiros envolvidos nas diversas etapas de concepção e implementação do programa como pela qualidade das relações estabelecidas, onde foi observado um intercâmbio efetivo de conhecimentos, técnicas e, principalmente, de desenvolvimento de habilidades na administração de conflitos e de aprendizado no âmbito da gestão compartilhada e participativa de políticas públicas. Estas parcerias foram formalizadas, para a maioria dos casos, através de contratos ou convênios. A partir das duas principais parcerias de caráter financeiro – os repasses de recursos federais, gerenciados pela CAIXA e o Convênio de Financiamento, firmado com a Comissão Européia -, desdobraram-se os contratos e/ou convênios de prestação de assessorias técnicas, de realização de estudos e pesquisas, de estímulo à participação comunitária, de projeto e execução das intervenções físicas. Ao longo do processo, os papéis assumidos pelos diversos parceiros se mantiveram praticamente inalterados, exceto pela substituição de algumas ONGs73, ou pela acomodação de atribuições, como no caso da CERFE, comentado no item 4.1.1. As conseqüências destas mudanças são óbvias: os processos de acomodação a novas situações demandam tempo e, por extensão, ocasionam atrasos nos cronogramas: "Em cronograma você sempre tem alterações, principalmente do físico. E é claro que isso tem um impacto no trabalho social. À medida que essas pessoas têm uma expectativa de mudança, de que a urbanização vai chegar, então você vai ter agilidade nos dois processos. Quando não acontece, você tem um descrédito também da população. Você tem o trabalho que está sendo feito de forma ativa, que o programa está acontecendo. (...) Acho que as lideranças, neste aspecto, foram muito positivas. Porque ela agregava, ela tinha aquele papel conciliador, o projeto está indo, ele vai ser entregue. Na entrega das chaves, os representantes foram lá, era a cristalização do próprio sonho...Então, essas alterações acontecem em todo cronograma. Deve ter tido um atraso no que foi pensado, mas, no geral, as ações foram acontecendo." 74 73 Como a UNISOL, vinculada ao Programa de Microcrédito, que se desligou no programa, ou o ingresso da Politeuo, que se incorporou já durante o andamento dos trabalhos. 74 Entrevista com Emeri Massutti, da Gerência de Desenvolvimento Urbano de São Paulo/Caixa Econômica Federal, em 29 de maio de 2003. 81 Programa Santo André Mais Igual A Superintendência de Negócios da CAIXA em São Paulo tem uma avaliação tão positiva da experiência de parceria com o Santo André Mais Igual que o considera um estímulo para a replicação da prática em outros Municípios. De fato, o programa vem sendo apontado como referência pelo Governo Federal para a estruturação dos programas do Ministério das Cidades75. No entendimento da CAIXA, a gestão matricial do programa é também um elemento facilitador da implantação, sendo em grande parte responsável pelo seu sucesso. Este modelo de gestão motivou a ampliação do financiamento do Santo André Mais Igual, no que se convencionou chamar BID-II: "Em Santo André, o que acontece é que eles têm um desenvolvimento institucional potencializado. Todo trabalho que é feito aqui é multidisciplinar também. Eles têm a prática de capacitar os próprios funcionários para estar apresentando o projeto. A gente já está financiando o BID-II em etapas, finalizando alguns, porque vários núcleos aí tiveram programas pipocados em todo Município, seja de infra-estrutura, que era o PAR, Pró-Infra, Habitar Brasil, Morar Melhor. Acho que já está se pensando também para algumas áreas até o próprio programa de subsídios. É o que vem atender à população que está nas áreas especiais." 76 O relacionamento estabelecido entre o programa e os moradores dos núcleos de favela foi também de parceria, através do envolvimento dos moradores em todas as etapas de trabalho. Os diversos níveis de participação dos moradores, que têm início com a indicação das áreas a serem incluídas no programa através do Orçamento Participativo, contemplaram mecanismos inovadores de comunicação, como o plantão semanal implantado em Capuava, com a função de ouvidoria. Além de toda uma gama de programas de natureza social e econômica, que, por seu próprio perfil, requerem níveis de participação intensiva, também as intervenções físicas foram objeto de reuniões freqüentes, especialmente em Sacadura Cabral, onde se discutia, quadra por quadra, todo o processo de reestruturação do assentamento. A participação ativa dos moradores propiciou, em grande medida, a completa compreensão da proposta e a adesão da população a ela, e cumpriu o papel de foro de diluição de conflitos, reduzindo os possíveis impactos negativos ou traumáticos de operações de "cirurgia urbana". Dos relatos dos moradores se depreende que os conflitos ocorridos durante os procedimentos de remoção e relocação (etapas críticas da implementação do programa) foram sempre administrados através de diálogo e transparência de ações. Esta característica da prática lhe confere credibilidade, consolidando vínculos de confiança entre moradores e técnicos. 8.2 Impactos Mantendo a mesma estrutura de abordagem do programa, nas dimensões urbanística, social e econômica, os seus principais impactos podem ser resumidos 75 VENTURINI, Walter. Quando favela se torna bairro. Livre Mercado, Nº XIV, ed. 163, abr. 2003. pp. 84-86. 76 Entrevista com Emeri Massuti. op. cit. 82 8- O Projeto Segundo as Variáveis Estratégicas de Análise como de pequeno a moderado impacto quantitativo e de impacto muito positivo no que se refere ao patamar de qualidade dos trabalhos realizados e de seu potencial de replicabilidade, visto que a metodologia matricial e participativa dá sinais de haver se enraizado tanto na estrutura administrativa do Município, como na forma de abordar o processo de trabalho de cada um dos parceiros. Assim, do ponto de vista da melhoria das condições de habitabilidade nos núcleos de favelas compreendidos pelo programa, os resultados foram altamente positivos, ainda que não possam ser considerados homogêneos em todas as áreas de intervenção: a situação de precariedade do habitat em Sacadura Cabral no momento zero do programa conferiu a esta experiência um diferencial qualitativo bastante superior à Tamarutaca, por exemplo, que já havia sido parcialmente urbanizada. Capuava teve a construção de sua Unidade de Negócios frustrada, até o momento, pela não concretização de uma parceria com empresa privada e, Quilombo, por suas pequenas dimensões, tem seu impacto reduzido na mesma proporção. Assim, a opção por acrescentar o título "Santo André Mais Igual" ao "Programa Integrado de Inclusão Social" teve por objetivo marcar a diferença entre a urbanização integral (com todos os componentes assinalados ao longo do estudo) de uma forma mais flexível, onde os componentes podem ser progressivamente incorporados, sem dar à população a impressão de que o escopo de trabalho tenha se deteriorado, ou que as quatro áreas inicialmente selecionadas tenham funcionado como "vitrine" e que para as demais áreas as intervenções propostas são mais superficiais. É inegável que o objetivo maior de inclusão social, apoiado no desenvolvimento social e econômico, ou seja, uma alteração qualitativa de conteúdo, não é alcançável sem que haja a concomitante melhoria do continente – o espaço físico no qual se desenvolvem estas atividades, seja do ponto de vista da saúde pública, seja do ponto de vista do reconhecimento dos moradores e pelos moradores de núcleos de favela do seu pertencimento à cidade. Neste ponto os objetivos do programa podem ser considerados como amplamente alcançados. O marco lógico que orientou a formatação inicial do programa teve uma cobertura ampla, considerando praticamente a totalidade dos possíveis desdobramentos e impactos que o programa poderia alcançar. Assim, na verdade, não se pode assinalar impactos excedentes àqueles previstos no momento inicial. Talvez a forma como melhor se expressem os resultados em relação à inserção social da população beneficiária sejam, por um lado os resultados das diversas pesquisas realizadas ao longo da implementação da prática e, por outro, os depoimentos dos moradores, narrando sua experiência pessoal de participação no programa: 83 Programa Santo André Mais Igual DEPOIMENTO DEPOIMENTO DEPOIMENTO DEPOIMENTO "O que é bom neste programa de inclusão social é porque uma coisa vem desencadeando a outra. Primeiro você começa lá no Renda Mínima e começa a fazer curso, faz curso de uma coisa, de outra, você vai aprendendo, aí depois vem o curso de incubadores, um monte de coisas e, então, vem desencadeando... Porque a Olho Vivo, a Angelina pode explicar, surgiu através de uma incubadora, .... de costureiras...." (morador de Sacadura Cabral) 77 "... muita coisa melhorou ali mesmo, em termos de moradia. Porque foram vários programas. É o Renda Mínima, o Sementinha, que elas citaram aí, vários outros programas, o MOVA, alfabetização de adultos... Porque a maioria da população ali veio do Nordeste, inclusive eu sou nordestina, sou do sul da Bahia, a maioria analfabeta, não sabia ler.... Ela que é agente de saúde via um lugar onde os ratos entravam, mordiam as crianças,. Essa pessoa construiu sua vida com o Renda Mínima ..." (morador de Capuava) 77 "A urbanização tem uma atuação bem grande em Tamarutaca.... as ruas ficam largas, tem ruas, não são mais becos, né..." (morador de Tamarutaca) 77 " Quando se falava de urbanização, de melhoria, lá prá comunidade, houve muita participação mesmo, a Prefeitura falava. Nossa, a gente fica admirado como o pessoal de Capuava está presente em todas as reuniões. Porque lá a gente não tem um espaço comunitário, mas a gente tem a igreja, e um salão, né, comporta mais ou menos 60 pessoas, ou mais, quando tinha reunião da Prefeitura, com as pessoas da urbanização, que é uma reivindicação nossa há muitos anos, nossa, aquilo não cabia, né, então, acabava fazendo fora, né Ieda? Não temos Associação de Moradores, mas quando a Prefeitura convoca, ou mesmo quando surge algum problema, as pessoas vêm, aquelas que não trabalham, ou então deixam sempre algum parente, olha vai você, quando chegar eu quero estar informado, e isso que a gente via lá, né..." (morador de Capuava) 77 77 Depoimentos colhidos durante a Reunião do Grupo Focal 4, em 30 de maio de 2003. Moradores de Sacadura Cabral, Capuava e Tamarutaca. 84 8- O Projeto Segundo as Variáveis Estratégicas de Análise 8.3 Sustentabilidade No ponto de vista da CAIXA, segundo as avaliações econômicofinanceiras realizadas, o projeto é sustentável. Além destes critérios, aspectos gerais foram utilizados para definir sua sustentabilidade: "Com referência ao aspecto de projeto com sustentabilidade no geral, é um projeto completo, porque garante como um todo: família, saúde da família, educação, possibilidade de renda, incubadora de cooperativa e por aí vai. A sustentabilidade do projeto é que dá essa garantia de auto-sustentabilidade daquela população. Não vai mais depender de forma assistencial, exceto em alguns casos que são bem pontuais, em que se aplica outros programas, como o Renda Mínima". 78 Entretanto, do ponto de vista da sustentabilidade financeira do programa e manutenção dos atuais patamares de qualidade, o encerramento do Convênio de Financiamento firmado com a Comissão Européia representa um sério risco à expansão para novas áreas. Embora, desde o princípio se soubesse que estes aportes financeiros seriam concedidos por prazo determinado, e que o próprio termo de convênio estipulasse que o programa deveria alcançar um patamar de autosuficiência que garantisse sua continuidade, a busca de novo(s) parceiro(s) capazes de suprir as necessidades de recursos é ainda uma questão não equacionada. Em estudo elaborado em 2002 pelo IBAM, no âmbito do Programa Cities Alliance79 , já se assinalava a preocupação com a replicação/extensão do programa para outros assentamentos informais da cidade. A perspectiva naquele momento era a de inclusão de mais sete áreas no programa, quatro em 2003 e outras três dois anos mais tarde. Conforme depoimento da Secretária de Inclusão Social e Habitação, ainda há necessidade de recursos adicionais, já que os disponíveis no Tesouro Municipal são insuficientes para este fim. Entretanto, esta situação não é específica de Santo André. De fato tem sido identificada como uma "crise no padrão de financiamento dos Municípios brasileiros", que vêem ampliadas suas competências sem que os repasses de recursos federais e estaduais se incrementem na mesma proporção. Assim, o Município "não tem pernas", conforme a Secretária, para dar resposta à magnitude dos problemas localizados em seus territórios. O problema se agrava pelo fato de as linhas de financiamento, além de escassas, terem um modelo pouco compatível com as necessidades das Administrações locais. Em concreto, muitas das ofertas de crédito estão ainda ancoradas em um modelo de atuação setorial, com financiamentos específicos para habitação, saneamento básico etc., separadamente. Em nenhum caso há financiamento para aquisição de terras para fins de regularização fundiária. Item considerado sempre como contrapartida dos Municípios. 78 Entrevista com Emeri Massutti. op. cit. 79 LARANGEIRA, Adriana (coord.). Estudo de avaliação da experiência brasileira sobre urbanização de favelas e regularização fundiária. Rio de Janeiro: IBAM/Banco Mundial, 2002. 85 Programa Santo André Mais Igual Frente a esta contingência, os Municípios se vêem obrigados a "malabarismos" financeiros, captando e administrando recursos de fontes diversas, e empreendendo esforços tremendos para fazer coincidir os fluxos financeiros para um único programa, com itens de prazos interdependentes. Portanto, atender às necessidades do modelo dominante de intervenção em assentamentos informais através de programas multissetoriais integrados, se coloca como um desafio para as Administrações locais. O objetivo (ambicioso) de intervir tanto nos espaços públicos como nos privados impõe ao programa uma carga de investimentos (não só financeiros, mas também técnicos, já que a abordagem se faz individualmente) que, se por um lado, confere ao programa um diferencial de qualidade apreciável, por outro significa um desafio à sua sustentabilidade e replicabilidade. 8.4 Liderança e fortalecimento da comunidade Tal como diagnosticado no início dos trabalhos, um dos grandes desafios era o fraco nível de organização das comunidades incluídas no programa. Apenas em Sacadura Cabral e Tamarutaca há Associações de Moradores formalizadas, ainda assim, com representatividade pouco expressiva. Em Capuava, uma Comissão de Moradores havia sido formada com auxílio da Igreja e, através dela, foram obtidas várias melhorias para a comunidade, mesmo antes da criação do Santo André Mais Igual. Formalizada desde 1994, a Associação de Moradores de Sacadura Cabral ainda não dispõe de sede e conta com aproximadamente 250 associados. A pequena quantidade de sócios com participação efetiva é atribuída ao fato de muitos terem se mudado para o Conjunto Habitacional Prestes Maia, ou estarem ainda vivendo de aluguel, enquanto são reconstruídas as moradias, conforme depoimento de um morador: DEPOIMENTO "... inclusive, vários associados não estão lá no núcleo. Porque, com a urbanização, têm pessoas em alojamento, têm pessoas em aluguel, pessoas que mudaram de lá, então está muito assim..." 80 Embora a comunidade já tivesse experiência de organização comunitária anterior81, as reuniões quinzenais contam com a presença de número irregular de moradores. A única fonte de recursos é a mensalidade paga pelos sócios contribuintes (únicos com direito à voz e voto). O número de sócios contribuintes quase coincide com 80 Depoimento colhido durante a reunião do Grupo Focal 4, em 30 de maio de 2003. 81 "É inegável a gente falar que não houve, porque já houve, a Associação Sociedade Amigos do Vale do Rio, que foi o pontapé inicial, levou luz pra nós ...". ibid. 86 8- O Projeto Segundo as Variáveis Estratégicas de Análise o número de membros da diretoria82 – 17 no total. Os dirigentes são eleitos pelo voto destes mesmos 20 sócios contribuintes, portanto, trata-se de uma associação ainda frágil e pouco representativa. Em Tamarutaca, a Associação de Moradores funciona em um edifício de dois pavimentos, recém-construído pelo programa. A sala de reuniões tem capacidade para 50 pessoas. Entretanto, os moradores desconhecem a freqüência das reuniões (muitas vezes, não tomam conhecimento de quando as reuniões acontecem). Os moradores não dispõem de informação sobre o número de associados ou sobre o processo de escolha dos dirigentes e a composição da diretoria. O motivo da escassa mobilização dos moradores de Tamarutaca parece estar relacionado à questão da violência. Embora já tenha existido uma associação de moradores bastante ativa, deixou de existir possivelmente por causa do "poder paralelo" instaurado no assentamento através de grupos ou facções criminosas. Os moradores se mostram pouco cômodos quando se menciona o assunto, fazem referências vagas, porém é clara a sua preocupação e temor. O fato de o programa ter contemplado a Associação de Moradores com uma edificação é indicativo da intenção da Prefeitura de estimular a organização dos moradores de Tamarutaca83. A despeito da fragilidade das organizações comunitárias existentes nos quatro núcleos de favela, o grau de participação na concepção e implementação do programa é considerado, unanimemente, como muito satisfatório, como expressado por um morador de Sacadura Cabral: DEPOIMENTO "O grau de participação lá é muito bom... A gente está muito satisfeito. Em vista do que era e do que é hoje, melhorou 100%. Tá certo que a gente tem algumas reclamações também, mas se a gente for pegar as reclamações e pela diferença que está hoje, pelo menos no meu ponto de vista, as reclamações são pequenas..."84 Mesmo não havendo uma instância representativa dos moradores, não houve prejuízo na comunicação entre as partes, pois o programa foi capaz de implantar canais adequados, que propiciaram o diálogo entre os técnicos e a população local: 82 A direção da Associação está composta por um Presidente, um Vice-Presidente, Primeiro e Segundo Secretários, Primeiro e Segundo Tesoureiros, seis Diretores Executivos e cinco membros do Conselho Fiscal. 83 "Os dois prédios contruídos (Sacadura e Tamarutaca) são Centros Comunitários e temos estimulado os moradores a assumi-los e gerenciá-los – criamos Conselhos Gestores de cada Centro Comunitário. Ou seja, nem em Sacadura e nem em Tamarutaca o prédio é da associação. O que é diferente é o modo de reagir dos moradores das duas áreas. Como as duas associações estão dirigindo os centros – ainda que com a colaboração de outros moradores que não são da associação – permite que eles a usem. Sacadura continua dizendo que quer outra sede que não aquela... Tamarutaca acha que aquela é suficiente. Interessante observar que em Tamarutaca ainda deve ser construído outro prédio (ao lado do Centro Comunitário) que será um centro comunitário da Igreja. A Igreja Católica tinha um espaço ali e este foi preservado mas ainda não conseguiram construir. Esta mesma Igreja está junto com os moradores no Conselho Gestor do Centro Comunitário". Comentário de Madalena Alves, por e-mail. 84 Reunião do Grupo Focal 4. op. cit. 87 Programa Santo André Mais Igual DEPOIMENTO "As pessoas querem saber quando será a próxima reunião, eles querem estar por dentro dos acontecimentos... Não tem uma Associação de Moradores, mas as pessoas têm um interesse muito grande de estar sabendo, será que minha casa vai sair, às vezes eles perguntam a gente, como Agente de Saúde, oi meninas, quando é que vão retomar as obras?" 85 Exemplo destes canais de comunicação foi o plantão semanal montado pela Prefeitura para ouvir as aspirações da população de Capuava e prestar esclarecimentos. Este plantão teve um impacto importante na satisfação dos moradores, que se sentiram amparados e orientados. A sensação geral é de que a Prefeitura respondeu às suas demandas, incorporando suas reivindicações ao escopo de trabalho do programa. Em Tamarutaca, a ausência de uma associação que fosse capaz de representar os moradores pode ter sido o motivo pelo qual moradores que participaram do Grupo Focal se abstiveram de comentários sobre a forma de participação popular na concepção e implementação do programa. Quando solicitados a classificar o grau de satisfação com a estrutura participativa implementada, inicialmente, a resposta foi "média". O motivo de não estarem plenamente satisfeitos se prende, principalmente, aos conflitos causados pela relocação e reassentamento: DEPOIMENTO "O problema da urbanização é o seguinte: a gente é a favor de direitos iguais para todo mundo. Se o meu terreno é de 3,5x14, obviamente o do meu vizinho também deveria ser de 3,5x14 ..... Dependendo da área em que você more, se tem mais moradores, se divide pelos moradores e o que der, deu. ..... Então, eu sou insatisfeita nesta parte..." "Lá dentro tem outros casos, porque em reuniões que a gente participou da urbanização, foi dito que todo mundo nesta urbanização de agora, porque teve uma antes e está tendo uma agora, todos iriam estar com lote X, todos, não ia ter um que ia ter maior nem outro menor. Só que lá tem pessoas que têm casas enormes e outros que não tem nada. E falam ... que está em processo e isso não é verdade." 86 85 ibid. Morador de Capuava. 86 ibid. Moradores de Tamarutaca. Sobre este depoimento, Madalena Alves comenta: "Existe uma parcela do território de Tamarutaca que ainda está em processo de urbanização por ter havido resistência de dois proprietários quanto à diminuição do lote. A Prefeitura precisou acionar a justiça. Houve ganho de causa, mas a ordem judicial ainda não se cumpriu e com isso aquele pedaço ainda tem esta disparidade". 88 8- O Projeto Segundo as Variáveis Estratégicas de Análise O depoimento dos moradores de Tamarutaca denota, claramente, que o diálogo não se estabeleceu com a mesma eficiência que em Sacadura, onde os moradores alegam como motivo de sua satisfação com o sistema participativo implantado pela Prefeitura o fato de seus objetivos terem sido alcançados: DEPOIMENTO "Porque a maioria tem assim, a gente tem às vezes objetivos, por que nosso grau de satisfação é grande (...) a gente tá com isso aí desde quanto tempo faz? Vinte anos? Quase? Mais de vinte anos! Então... e hoje nós conseguimos nosso objetivo, o pessoal lutou..." 87 A intervenção física é percebida com uma melhoria significativa na vida das pessoas. Reflete na questão da segurança no nível subjetivo dos indivíduos, eles se sentem mais valorizados como cidadãos ao morar em um bairro urbanizado, com ruas mais largas, limpo. DEPOIMENTO "Urbanizar é a rede de esgoto, é mais limpo, asfalto, acaba a viela, é diferente." "A urbanização envolve o bem-estar das pessoas, a saúde mesmo, .... não ter mais aquele esgoto a céu aberto, com moscas e ratos, não é Ieda? Melhora pra saúde, melhora a auto-estima das pessoas. Passar em vielas não mais tão estreitas, mas ainda têm vielas muito estreitas, que ainda não aconteceu a urbanização. Se uma pessoa passar mal ali, nossa, vai ser muito difícil entrar." 88 A urbanização sempre é citada como um benefício importante, pois é a parte tangível da intervenção. No entanto, a satisfação com a prática, em geral, é sensivelmente grande, o que se pode observar claramente nas falas dos moradores. DEPOIMENTO "Porque, às vezes, é assim: tem muita gente que fala que é discriminado porque tem o nome de favela, porque tem barraco. Lá não, lá já estão as casinhas tudo bonitinhas, o pessoal fica mais à vontade de levar um amigo, de levar uma patroa, um patrão..." 89 87 ibid. Morador de Sacadura Cabral. 88 ibid. Moradores de Capuava. 89 ibid. Morador de Sacadura Cabral. 89 Programa Santo André Mais Igual É interessante notar que, em Tamarutaca, um dos parceiros considerados mais presentes é a "Urbanização". Esta percepção demonstra a relevância das melhorias físicas para os moradores. Além desta, foram considerados como melhores parceiros o Banco do Povo e o Programa Sementinha. Já em Capuava, o parceiro considerado mais presente na implementação do programa foi a própria Prefeitura. Os parceiros considerados mais presentes na implementação do programa em Sacadura Cabral foram a Prefeitura, a equipe da urbanização e Comunidade Européia. É bastante grande a satisfação com a integração dos programas sociais. Quanto às demandas atuais dos moradores, a titulação aparece eleita por todos como fundamental, o único elemento que pode realmente garantir estabilidade de permanência aos moradores. DEPOIMENTO "Ou a questão da segurança da outra forma, sem o título de propriedade, entra um outro Prefeito, sei lá, troca o Governo, quer tirar pode tirar... E a gente não vai ter garantia nenhuma. E com o título de propriedade, a gente pode brigar..." "... é mais seguro.... Porque é aquele negócio, tem um endereço, tem como se localizar, dizer eu moro em tal lugar. Também... se chegar um outro Governo pode tomar, como que aqui é seu se não está legalizado?" "É importante, e bastante, né... Porque os moradores se sentem mais seguros e passam a ser donos de suas próprias casas, então é aquilo, pra não chegar uma outra gestão e falar: isso aqui não é de vocês, tá?" 90 Apesar da importância atribuída à urbanização, a relocação aparece como um elemento gerador de conflito em todos os núcleos, registrando-se muita resistência, por parte dos moradores, de serem retirados de suas casas. Na verdade, observa-se este fenômeno em muitos programas de urbanização de favelas, em outros Municípios. DEPOIMENTO "A casa tá pronta lá, tá linda a casa, depois vai ter que construir, vai ter que construir tudo de novo, então foram esses os motivos, né?" 91 90 ibid. Moradores de Tamarutaca, Capuava e Sacadura Cabral, respectivamente. 91 ibid. Morador de Sacadura Cabral. 90 8- O Projeto Segundo as Variáveis Estratégicas de Análise Nem sempre os moradores ficam objetivamente satisfeitos, seja com o tamanho da unidade de reassentamento, seja com o alojamento provisório etc. A insatisfação pode ser interpretada subjetivamente como manifestação de insegurança frente à perspectiva de mudança. Quando são oferecidas opções – mudar-se para um apartamento ou permanecer no núcleo (e para aqueles que permanecem, promover a redistribuição dos lotes de forma a preservar os laços de vizinhança e solidariedade existentes)-, além da possibilidade de troca entre moradores, proporcionando a oportunidade para que cada um aderisse à alternativa que considerasse melhor, como aconteceu de forma especialmente cuidadosa em Sacadura, em função do redesenho quase que total do assentamento, são minimizadas as tendências ao conflito: DEPOIMENTO "Lá em Sacadura, em nada a Prefeitura tomava decisões, assim, quem vai morar lá é a gente, então, quem sabe o que é melhor é a gente. ... Conforme foram liberando os lotes, foram chamando uma remessa de pessoas que já estavam removidas ... e falando, esse lote aqui tá liberado, .... a pessoa escolhia o lote, escolhia os vizinhos. .....À medida que eles iam chamando as pessoas, as pessoas escolhiam o lote, o pessoal da Engenharia pegava a planta, e o pessoal já ia construindo, né... mas de acordo com suas possibilidades." 92 No caso dos embriões financiados pela CAIXA, o morador tem que pagar uma amortização mensal. Realizar este desembolso e, paralelamente, investir na ampliação da casa é tarefa que, muitas vezes, ultrapassa a capacidade econômica das famílias, como explica um morador de Capuava: DEPOIMENTO "Na verdade, o embrião é bom, quando você está com dinheirinho para aumentar. Só que eu, ela e um bocado de gente, nunca teve. Então ela não tem como entrar hoje e amanhã fazer os quartos... Mas porque ela não tem o dinheiro seguro, lá, guardado. ... porque ela vai pagar R$68,00 pela casa, quer dizer, não é dela, ela está pagando ainda. E são vinte anos que ela vai pagar, não é dela, ela está indo pra uma melhoria, e está pagando...R$68,00 para quem ganha R$220,00..." Quando perguntados sobre as condições da moradia anterior, os relatos reiteram a condição de moradia em área de risco e, em muitas oportunidades, em casas precárias ou barracos de madeira. Apesar da dificuldade de pagamento da amortização mensal, todos concordaram ser justo pagar a mensalidade, principalmente levando em conta que as casas serão de propriedade dos moradores. 92 ibid. 91 Programa Santo André Mais Igual DEPOIMENTO "Não é injusto, a gente está pagando pra garantir o melhor para os nossos filhos e nossos netos. Mas é que se você não tem uma renda melhor, se você não ganha... Tem muita gente que mora de aluguel dentro da favela, ela vai pagar mas vai ser dela." (morador de Capuava) Os moradores que foram retirados das casas em área de risco em Capuava enquanto aguardam a edificação dos embriões, foram colocados em alojamentos provisórios, construídos em madeirite. São instalações simples, mas os moradores compreendem que é provisório e não demonstram insatisfação, como esclarece a moradora de Capuava: DEPOIMENTO "Está bom, eu visitei lá, tem o banheiro direitinho, tem o tanque de lavar roupa, eles são unidos, passei um dia lá, é gostoso, a minha comadre se mudou para ali, que ela tem sete ou oito filhos, e ela vai para essa casinha. Só que ela fala com tanto orgulho que ela vai construir em cima..." O fato indica, por um lado, que ficou claro para os moradores o escalonamento das etapas do trabalho de urbanização ao longo do tempo e, por outro, a confiança que os moradores depositam na Prefeitura de que o projeto será integralmente implantado, incluindo a construção das moradias definitivas. A questão da violência permanece como uma constante na fala dos moradores de Tamarutaca. Na visão deles, a situação da segurança não se alterou com a implantação do Programa. DEPOIMENTO "... na realidade, segurança eu acho que é um problema do país inteiro, não é um problema só da Tamarutaca, ou da Sacadura, todos os lugares têm problemas de segurança ... então, ficou indiferente." "Não alterou nada, não houve nenhuma modificação. Permanece igual. Está lá, você vê, a polícia passa, vê também, todo mundo vê... A mesma coisa." "Esta questão de direitos, nós que moramos nos núcleos, na questão policial temos um grande problema, porque eles entram na nossa casa..." "Invadem... Se você não estiver e se sua casa estiver fechada, eles arrombam a porta e vão entrar..." 92 8- O Projeto Segundo as Variáveis Estratégicas de Análise Em Sacadura Cabral e Capuava, por outro lado, a questão da violência é percebida de forma diferente: DEPOIMENTO "Em Sacadura, a polícia não chega mais na casa de ninguém e entra, não... Só quando eles têm um suspeito muito forte. Caso contrário, não acontece." "Lá em Capuava também não acontece de um policial entrar assim, não." Em síntese, não se pode afirmar que a implementação do programa tenha contribuído para a afirmação de lideranças no âmbito das comunidades diretamente afetadas, pois não se registrou o aparecimento de novos líderes, nem as antigas lideranças parecem ter sido fortalecidas. Também não houve, em nenhuma das comunidades, a formação de grupos de interesse, como grupos de mães, de idosos etc., nem foram estabelecidas parcerias entre as organizações comunitárias e outras instituições, independentemente do programa. Entretanto, há que se considerar que a motivação primeira das organizações comunitárias é a reivindicação de melhorias físicas e serviços urbanos. A satisfação destas demandas, com a introdução do programa, em paralelo com o temor à participação, em função da presença de grupos ligados ao crime organizado, especialmente em Tamarutaca, podem ser os motivos que determinam o escasso interesse manifestado pelos moradores de vincular-se à associações de moradores. Perguntada sobre qual seria o papel da Associação de Moradores após a urbanização, uma moradora de Sacadura Cabral responde: DEPOIMENTO "Porque hoje a Prefeitura está lá pra fazer as coisas pra gente, o que a gente precisa. Só que depois, a Prefeitura não vai estar mais lá, tão centralizada em cima da gente. E a Associação tem que existir pra fazer, entre aspas, o papel da Prefeitura." 93 Como principais lições aprendidas em relação ao fortalecimento das lideranças se assinalam as dificuldades inerentes ao processo de retirada das famílias das moradias originais para proceder ao desadensamento e redesenho do sistema viário. Estes procedimentos implicaram dificuldades e atrasos na execução das obras em Sacadura Cabral. Nas demais áreas, as soluções propostas mantiveram, na medida do possível, o traçado original das vias. Não fosse pelo trabalho social de envolvimento da população em todo o processo, possivelmente estas dificuldades teriam sido ainda maiores. 93 ibid. 93 Programa Santo André Mais Igual 8.5 Gênero e inclusão social A questão de gênero assume no conjunto de iniciativas do Santo André Mais Igual uma função transversal, isto é, está presente em cada uma das formas de atuação, abrangendo desde as intervenções de caráter físico-urbanístico, até as diversas modalidades de programas de natureza social e econômica (saúde, educação, geração de emprego e renda, atividades de cultura e lazer etc.). O crescente número de mulheres chefes de família, que tende a confirmar-se como tendência em todo o país94, não deixa dúvidas quanto à necessidade de atentar para os novos papéis sociais que as mulheres vêm assumindo, seja na manutenção da família, seja na sua crescente participação nas atividades coletivas e de tomada de decisões no âmbito da cidade. Já é bastante conhecida a relação entre a pobreza urbana e as questões de gênero, ou a "feminização da pobreza", referida, em especial, às mulheres chefes de família que enfrentam as duplas e triplas jornadas, trabalhando (ou buscando emprego) e cuidando da casa e dos filhos. A partir da experiência do Centro de Apoio à Mulher em Situação de Violência – Vem Maria, a Assessoria dos Direitos da Mulher iniciou, em 1999, trabalhos com foco nos temas de gênero e violência junto às famílias participantes do Programa de Renda Mínima, somando-se aos esforços de integração e territorialização das ações nas áreas de intervenção do Santo André Mais Igual. No segundo semestre de 2000, os trabalhos foram ampliados, passando a contar com o apoio do Centro de Educação para a Saúde e Assessoria ao Direitos da Mulher – CES, mediante convênio firmado no âmbito do Programa Santo André Mais Igual, com financiamento da Comissão Européia95. Entre os principais objetivos do programa se assinalam: , Identificar as situações de violência nas áreas de atuação do programa, através da atuação de seus diversos agentes (Guarda Municipal, agentes comunitárias de saúde, educadores, estagiários etc.), qualificando o atendimento oferecido à população e valorizando o sentido da cidadania; , Discutir com a população – homens e mulheres de diversas faixas etárias – seu papel social, demonstrando que todos têm direitos iguais e devem ter acesso às mesmas oportunidades; , Estimular para que as políticas públicas levem em conta o recorte de gênero, oferecendo à população equidade no acesso aos serviços públicos. 94 No último intervalo intercensal, a porcentagem de mulheres chefes de família no Brasil subiu de 18,12%, em 1991, para 24,91%, registrados no Censo 2000. 95 Adicionalmente, o programa estimula a interface com outras entidades direta ou indiretamente vinculadas ao tema, como a Delegacia de Defesa da Mulher; o Centro Hospitalar, em questões específicas de saúde; ou ainda assistência legal, através da Assistência Judiciária e da Ordem do Advogados do Brasil. 94 8- O Projeto Segundo as Variáveis Estratégicas de Análise A observação da performance do Centro Vem Maria, no período 19982001, oferece uma boa aproximação à oportunidade de constituição do Programa Gênero e Cidadania96. O crescimento exponencial do número de atendimentos que, em princípio, poderia ser interpretado como indicativo do recrudescimento das situações de violência doméstica, pode, entretanto, ser lido como fenômeno de conscientização das mulheres, que passam a reagir e denunciar as situações de violência, trazendo à luz a verdadeira dimensão do problema. Quadro 48 Centro de Apoio à Mulher em Situação de Violência – VEM MARIA Número de atendimentos – 1998/2001 TIPO DE ATENDIMENTO 1998 1999 2000 Casos Novos Retornos Total 2001 62 141 237 240 – 390 923 1.082 62 531 1.160 1.322 Fonte: Departamento Defesa e Direitos de Cidadania / SPC / PSA (Internet). Desde 2000, participaram do Programa Gênero e Cidadania 708 mulheres, 297 homens e 134 adolescentes de ambos os sexos97. Foram realizados 112 grupos de reflexão para homens e campanhas pelo fim da violência contra a mulher98, conferindo maior visibilidade social ao tema. A avaliação do Programa de Gênero e Cidadania é de avanço tanto na quantidade, como na qualidade do atendimento à população-alvo, tendo sido relatado um único caso em que o empoderamento da mulher foi mal interpretado e, contrariando os objetivos do programa, a vítima de violência doméstica terminou por assumir o papel de agressora, invertendo papéis, em lugar de solucionar o conflito. É interessante observar a expansão da representação feminina verificada na vida comunitária desde o início das atividades do programa: hoje, 60% das conselheiras e delegadas do Orçamento Participativo são mulheres. É notável a participação feminina tanto em cursos de formação profissional, como entre os tomadores de empréstimos junto ao Banco do Povo (47% dos créditos forma concedidos a mulheres99) para alavancar micro e pequenos empreendimentos. 96 Foi justamente centrando o foco de atenção na questão de gênero que o Programa Integrado de Inclusão Social resultou vencedor da Premiação de Dubai, em 2002. SANTO ANDRÉ. Prefeitura. Gênero e Cidadania no Programa Integrado de Inclusão Social. Santo André, [2002?]. Apresentação ao Prêmio Internacional de Dubai sobre as Melhores Práticas para Melhorar as Condições de Vida. p. 8. 97 SANTO ANDRÉ. Prefeitura. Programa Gênero e Cidadania no Santo André Mais Igual. Santo André: Assessoria dos Direitos da Mulher/SISH, [2003]. 3 p. Mimeo. 98 Destaque-se a Campanha do Laço Branco, que traz como divisa "Meninos não choram! Homens fazem chorar". 99 Informação prestada por Maria Madalena Alves, por e-mail, em 20 de junho de 2002. 95 Programa Santo André Mais Igual A expressiva participação de mulheres nos cursos de capacitação oferecidos pelo Programa Trabalhador Cidadão produziu um impacto inesperado, ainda que não necessariamente negativo, de aumento no número de separações de casais. A maior autonomia destas mulheres, adquirida com seu ingresso no mercado de trabalho possibilitou a ruptura de relações que, provavelmente, se mantinham unicamente em função da dependência econômica100. Também na vida política esta representatividade se faz notar: duas moradoras dos núcleos incluídos no Santo André Mais Igual se candidataram a cargos eletivos101 . Embora não tenham sido eleitas, constitui uma demonstração de seu engajamento na vida política da cidade ou, de forma ampla, de exercício pleno de cidadania. 100 Depoimento de Vandelma di Paula, do CEEP/PTC, durante a Reunião do Grupo Focal 2, em 29 de maio de 2003. 101 Informação colhida entre os depoimentos do Grupo Focal 2, em 29 de maio de 2003, na sede da Prefeitura Municipal de Santo André. 96 9 Conclusões: Lições Aprendidas e Perspectivas de Futuro O estabelecimento de parcerias, seja entre os setores público e privado ou entre esferas da Administração Pública, vem se consagrando como a saída mais imediata e viável para operacionalizar programas de âmbito local. Com este sentido, a experiência de Santo André é paradigmática, não só por sua capacidade de aglutinar parceiros e colaboradores, mas pela reestruturação de seu desenho institucional, mais flexível e receptivo à consolidação deste tipo de relacionamento. Entretanto, cabe assinalar que as parcerias devem ser entendidas como esforços (por vezes, grandes esforços) de suplementação de recursos – financeiros, técnicos e humanos, geralmente escassos frente à magnitude dos problemas –, que requerem habilidades de gestão e dissolução de conflitos nem sempre fáceis de administrar. Em Santo André, a gestão matricializada e participativa contou com o apoio incondicional dos chefes do Executivo, onde a continuidade político-partidária contribuiu de forma decisiva para o sucesso da prática. Da mesma forma, o Poder Legislativo se encontra entre os parceiros do Santo André Mais Igual. Na área jurídica, entretanto, se percebe alguma resistência à aplicação interpretativa da legislação, o que vem ocasionando entraves nos procedimentos de regularização fundiária. Para o envolvimento da população, foram desenvolvidas metodologias participativas em todas as esferas de atuação do programa, isto é, nas dimensões físico-urbanística, social e econômica. Uma ordem de grandeza quantitativa da capacidade de mobilização do Santo André Mais Igual se expressa no número de pessoas diretamente envolvidas em sua implementação: 85 agentes comunitários, 105 funcionários da Prefeitura, e outros 102 de ONGs e agências internacionais102. Embora a proposta de trabalho seja pela integração e pela atenção integral a todos os aspectos condicionantes da situação de exclusão social, a urbanização dos assentamentos continua tendo um peso relativo maior dentro do escopo de trabalho, seja por ser o componente para o qual conflui a maior parte dos recursos financeiros, seja porque na apreciação da população beneficiária este seja o componente mais tangível e de impacto mais imediato na melhoria de sua qualidade de vida. 102 VENTURINI, Walter. op. cit. 97 Programa Santo André Mais Igual Os efeitos esperados no tocante ao fortalecimento das lideranças comunitárias em médio e longo prazos são ainda incertos. A satisfação das demandas imediatas esvazia, em alguma medida, o papel tradicional das Associações de Moradores, impondo a necessidade de que elas o revejam, bem como e sua forma de inserção e representatividade junto às comunidades, migrando da condição de porta-vozes das reivindicações para o de co-gestoras. A relativa desmobilização, se não está condicionada pela presença de grupos do crime organizado, pode ser inclusive interpretada como um indicador positivo de ganho de autonomia em relação ao acesso à cidade e aos serviços públicos, onde um canal específico de reivindicação deixou de ser necessário. No sentido de integração dos assentamentos com a cidade formal, a estratégia das Unidades de Negócio merece destaque. Um espaço de referência que cumpre o duplo papel de estimular as iniciativas de geração de trabalho e renda e de promover a integração entre o assentamento urbanizado e a cidade. Até este ponto se pode afirmar que a experiência do Santo André Mais Igual foi um êxito, embora tenha resultados quantitativos de pequena expressão, exatamente por abranger apenas quatro de mais de uma centena de favelas existentes na cidade (correspondendo a cerca de 13% da população em favelas). Conta com um marco conceitual sólido, uma articulação entre ações bem resolvida e uma grande fluidez de comunicação entre as equipes de trabalho e a população beneficiária que, juntamente com a capacidade de aglutinação de parcerias, constituem os pontos fortes do programa. Entretanto, suas perspectivas de futuro são, neste momento, incertas. Embora haja um compromisso formal de continuidade do programa, expresso no Convênio de Financiamento firmado com a Comissão Européia, e permaneça a vontade política – o programa é uma das marcas de Governo da Administração João Avamileno – da previsão de ampliação do programa para mais quatro áreas, o que representaria a extensão da abrangência do programa para cerca de 25% da população favelada do Município, não conta ainda com todos os recursos necessários, necessitando de captação de recursos externos. As alternativas são, por um lado, o estabelecimento de novas parcerias, por outro, o aumento das transferências da União no bojo da reforma tributária, que vêm sendo pleiteadas pelos Municípios, como resposta à chamada "crise no modelo de financiamento municipal". A ampliação da arrecadação do Município através da revisão das alíquotas do IPTU foi uma medida acertada, com o sentido de ampliar a capacidade de investimento do Município, mas ainda insuficiente para cobrir todas as necessidades de recursos. Quanto à replicabilidade, se estabelece um paradoxo: se, por um lado a rática alcançou um grau de excelência, internacionalmente reconhecido pelos vários prêmios a que fez jus, exatamente por sua capacidade de articular uma enorme gama de ações, todas elas concorrendo para promover a inclusão social em todas as suas dimensões, de forma simultânea e intensiva – "tudo junto, ao mesmo tempo, no 98 9- Conclusões: Lições Aprendidas e Perspectivas de Futuro mesmo lugar" – e oferecendo às famílias beneficiárias um atendimento quase que individualizado, o que confere à prática um notável diferencial de qualidade; por outro, reproduzir estas condições, em escala, não é tarefa simples. As alternativas, frente a uma disponibilidade de recursos finitos, para não dizer insuficientes, são: ou o atendimento intensivo de poucas áreas, ou o atendimento extensivo de muitas áreas. De momento, Santo André fez opção pela primeira alternativa, mas não perdeu de vista o objetivo de ter: "Tudo junto, ao mesmo tempo, em TODOS OS LUGARES" 99 Referências Bibliográficas ABRAMO, Pedro e FARIA, Teresa. Mobilidade residencial no Rio de Janeiro: considerações sobre os setores formal e informal do mercado imobiliário. Paper apresentado à ANPUR, 1999. ANGEL, S., ARCHER, R.W., TANPHIPHAT, E. A. & WEGLIN, E.A. (eds.). Land for Housing the Poor. Singapure: Selected Books, 1982. BREMAEKER, François E. J. de. Distribuição das favelas no Brasil. Rio de Janeiro: IBAM, [2001?]. 3f. _____. Instrumentos de gestão urbana existentes nos municípios. Rio de Janeiro: IBAM/APMC/IBAMCO, 2001. 23p. (Série estudos especiais, 24) _____. Instrumentos e desempenho da arrecadação do imposto predial e territorial urbano. Rio de Janeiro: IBAM/APMC/IBAMCO, 2001. 38p. (Serie estudos especiais, 28). _____. O papel do município na política habitacional. Rio de Janeiro: IBAM/APMC/IBAMCO, 2001. 49p. (Serie estudos especiais, 32). CENTRO DE EDUCAÇÃO, Estudos e Pesquisas – CEEP. Relatório da Pesquisa de Diagnóstico e Acompanhamento Pós-Curso. Projeto Trabalhador Cidadão, fevereiro 2003. Comissão Européia/Prefeitura de Santo André/Grupo CERFE. Anais do II Seminário Internacional de Inclusão Social. 5 a 7 de novembro de 2001, Santo André/SP. _____. Programa de apoio às populações desfavorecidas (particularmente crianças e adolescentes) nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e Santo André. Folder. 6 p. _____. Programa de apoio às populações desfavorecidas nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e São Paulo. Folder. 12 p. DENALDI, R., ERVILHA, T. F. e SANTOS, C. D. Avaliação e monitoramento dos serviços de infra-estrutura em favelas urbanizadas em Santo André. In Terceiro Seminário Fluminense de Indicadores – Caderno de Textos. pp. 45-50. DENALDI, R. e DIAS, S. G. Limites da regularização fundiária: a experiência do Município de Santo André. Mimeo. 15 p. _____. "Limites da regularização fundiária: a experiência do Município de Santo André" In ABRAMO, Pedro. A cidade da informalidade. O desafio das cidades latinoamericanas. Rio de Janeiro: Livraria Sette Letras/ FAPERJ, 2003. 100 Referências Bibliográficas DENALDI, R., SAMPAIO, C. e GÓIS, W. Urbanização de Favelas em Santo André: Intervenções num cenário de exclusão social. Trabalho apresentado no Fórum América Latina HABITAR 2000 – 15 a 19/05/2001, Salvador. DENALDI, R., ERVILHA, T. F. e SANTOS, C. D. Avaliação e monitoramento dos serviços de infra-estrutura em favelas urbanizadas em Santo André. In Terceiro Seminário Fluminense de Indicadores – Caderno de Textos. pp. 45-50. DENALDI, R. e DIAS, S. G. Limites da regularização fundiária: a experiência do Município de Santo André. Mimeo. 15 p. _____. "Limites da regularização fundiária: a experiência do Município de Santo André" In ABRAMO, Pedro. A cidade da informalidade. O desafio das cidades latinoamericanas. Rio de Janeiro: Livraria Sette Letras/ FAPERJ, 2003. DENALDI, R., SAMPAIO, C. e GÓIS, W. Urbanização de Favelas em Santo André: Intervenções num cenário de exclusão social. Trabalho apresentado no Fórum América Latina HABITAR 2000 – 15 a 19/05/2001, Salvador. FARAH, Marta Ferreira Santos, LACZINSKI, Patrícia, JABALI Jr., Paulo (Orgs.). Et al. A administração pública brasileira inovando a forma de governar: apresentação dos 946 programas inscritos no ciclo de premiação 2000. São Paulo: Ed. da FGV, 2000. 206p. (Cadernos gestão pública e cidadania, 19). FONTES, Ângela (Coord.). Projeto inclusão social como um elemento intrínseco de uma estratégia emancipadora de combate à pobreza: estudo de uma abordagem integrada de Santo André: relatório de avaliação. Rio de Janeiro: IBAM, 2000. 67p. _____ (Coord.). Projeto inclusão social como um elemento intrínseco de uma estratégia emancipadora de combate à pobreza: estudo de uma abordagem integrada de Santo André: relatório de sistematização. Rio de Janeiro: IBAM, 1999. 30p. FORMULÁRIOS de apresentação da Prática – CAIXA: comentários e sugestões do IBAM – Projeto Terra e Sacadura Cabral – Santo André. Disponível em: www.caixa.gov.br. FUNES, Silvia. s/t. A ação dos cartórios de registro imobiliário no contexto dos programas de regularização de assentamentos informais para população de baixa renda. Capturado na Internet (www.comitefederativo.org.br) em 20 de junho de 2003. IBGE. Resultado do universo do censo demográfico 2000. Disponível em: http://www.ibge.gov.br. Acesso em mar. 2002. LACZYNSKI, Patrícia [1999?]. 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Disponível em: http://www.bestpractice.org 103 104 ANEXOS 105 Programa Santo André Mais Igual ANEXO I Metodologia de Elaboração do Estudo de Caso Objetivo Principal Contribuir para a produção e sistematização de conhecimento sobre o Programa Santo André Mais Igual, considerando o universo integral do programa, correspondente aos núcleos Sacadura Cabral, Tamarutaca, Capuava e Quilombo II, a partir da avaliação de resultados alcançados e impactos (positivos e negativos) gerados a partir de sua implementação, identificando tanto os motivos de êxito, como as lições aprendidas ao longo do processo, com o fim de ampliar as perspectivas de replicação de seus 'pontos fortes' em outras práticas e projetos de perfil similar, em Municípios empenhados em desenvolver iniciativas de melhoria da qualidade de vida da população, ordenação do uso e ocupação do solo e mitigação da pobreza urbana. Objetivos Secundários , A partir da avaliação dos resultados e impactos decorrentes, oferecer elementos para o aperfeiçoamento da própria Prática; , Dar prosseguimento à construção do acervo de estudos de caso do Programa Best Practices and Local Leadership, do Centro das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos – HABITAT, contribuindo assim para a disseminação de boas e melhores práticas entre todo o público interessado. Metodologia A metodologia aplicada para elaboração do presente estudo de caso fundamentou-se na análise de variáveis estratégicas da prática, conforme orientação do Termo de Referência para a Elaboração de Estudos de Caso, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM – para a Caixa Econômica Federal, no âmbito do Programa CAIXA Melhores Práticas em Gestão Local, em outubro de 2000, quais sejam: a) Impactos da iniciativa, onde, a partir do conhecimento da situação inicial e dos objetivos propostos, foram avaliados os resultados alcançados, não alcançados e superados, à luz dos motivos determinantes de cada uma destas situações. Paralelamente, foram examinados os eventuais impactos não previstos, mas que, claramente, se derivaram da implantação da Prática; b) Parcerias, observadas sob a ótica da capacidade de concatenação de recursos materiais e humanos, em apoio à implementação e manutenção futura dos benefícios introduzidos pela Prática; 106 Anexos c) Sustentabilidade, considerada em suas vertentes institucional, econômicofinanceira, ambiental e sociocultural; d) Liderança e fortalecimento da comunidade, entendida como amadurecimento da participação popular, ampliação da sua representatividade e garantia de livre expressão da população-alvo da prática, para a consecução da autogestão, manutenção dos benefícios e construção de melhorias futuras; e) Gênero e inclusão social, item salientado como recorte da sustentabilidade social. A observação dessas variáveis fundamentou e balizou, constantemente, a consecução do trabalho de pesquisa, desenvolvido sobre dois cortes temporais da prática em estudo: a) Levantamento da situação de partida, compreendendo além dos componentes básicos de diagnose da situação dos assentamentos antes da intervenção (perfil socio-econômico da população-alvo, dotação de infra-estrutura, equipamentos e serviços urbanos, situações de risco ambiental etc.), também o conjunto de objetivos propostos, o contexto institucional em que estes foram desenhados e os recursos previstos para sua consecução. b) Levantamento e análise dos resultados alcançados e dos impactos gerados em cada uma das cinco variáveis estratégicas consideradas. Fontes de Pesquisa e Bibliografia Para observação das variáveis estratégicas anteriormente mencionadas, validação e análise de indicadores foram exploradas fontes primárias e secundárias. A abordagem inicial do objeto de estudo se fez a partir da bibliografia básica, constando de publicações, estudos, teses e artigos produzidos até o momento sobre o Programa Santo André Mais Igual, direcionados à aferição da eficácia e efetividade das propostas e ações previstas, além de consulta à ficha de identificação da prática, base do processo de seleção do concurso promovido pela CAIXA; o diagnóstico elaborado pela Prefeitura Municipal de Santo André e demais documentos relacionados à avaliação ex-ante da prática. Com base neste conhecimento prévio do objeto de estudo, deu-se início à exploração de fontes primárias, através de pesquisa de campo, de fundamental importância para a observação das relações de apropriação do ambiente construído e o desenvolvimento de novas relações, estruturadas sob a influência da prática. Os métodos utilizados para a exploração sistemática das fontes primárias foram: entrevistas de profundidade, orientadas por roteiros pré-definidos (Anexo 3.) em virtude da natureza da atuação dos entrevistados; e realização de reuniões com grupos focais, direcionadas à ação específica de cada grupo reunido (Anexo 3). As entrevistas de profundidade tiveram por objetivo o contato com 107 Programa Santo André Mais Igual representantes das instituições formuladoras, executoras, e de apoio expressivo à prática. Para o contato com grupos específicos de atuação na prática, recorreu-se à técnica de grupos focais, enquanto que para o contato com as lideranças comunitárias foi dedicada uma seção exclusiva, sem a presença dos técnicos da Prefeitura Municipal de Santo André. Para todos os casos a Prefeitura contribuiu com o agendamento e convocação de participantes, como no quadro seguinte: 3.ª FEIRA – 27/MAIO/03 Entrevista 1 Coordenador APD Visita aos núcleos Grupo Focal 1 Urbanização e Meio Ambiente 4.ª FEIRA – 28/MAIO/03 Entrevista 2 Secretária de Inclusão Social e Habitação Entrevista 3 Tesouro Municipal 5.ª FEIRA – 29/MAIO/03 Entrevista 4 CAIXA Grupo Focal 2 Desenvolvimento Econômico 6.ª FEIRA – 30/MAIO/03 Visita aos núcleos Grupo Focal 4 Participação Comunitária Grupo Focal 3 Desenvolvimento Social Entretanto, cabe salientar que as dinâmicas inicialmente propostas para os Grupos Focais 1, 2 e 3 foram alteradas no momento das reuniões por solicitação dos participantes, que preferiram tratar unicamente da dimensão qualitativa de sua participação, comprometendo-se a enviar a informação quantitativa a posteriori. Ambos os recursos citados, vale dizer, foram fundamentais e complementares à análise da percepção de diferentes atores acerca do processo de implantação da prática e de seus efeitos sobre os ambientes físico e social. Dessa forma, o processo avaliativo em questão beneficiou-se por dados e informações fornecidos por parte dos gestores da prática (externos e internos), dos atores locais, titulares ou representantes das agências setoriais atuantes na implementação, e dos beneficiários/partícipes da experiência. A compreensão sobre as considerações de distintos atores, públicos e privados, localizados em diferentes posições em relação à prática e ao cenário político, econômico e social, foi de extrema valia para consecução do trabalho realizado. 108 Anexos ANEXO II Síntese do Plano de Trabalho Etapa 1: Exploração de fontes secundárias 1.A: , , , Detalhamento do Plano de Trabalho; Revisão bibliográfica; Consulta à(s) entidade(s) responsável(is) pela implementação da prática a fim de verificar a disponibilidade das informações pretendidas e prazos de fornecimento. 1.B: , Desenho do conjunto de indicadores, em função dos temas propostos e dos dados disponíveis. 1.C: , Processamento e análise da informação quantitativa; 1.D: , Mapeamento dos 'pontos fortes', objetos prioritários de indicação para replicação; , , Mapeamento de pontos potenciais de conflito; Extração de conclusões preliminares. Etapa 2: Exploração de fontes primárias Com base nos mapeamentos da etapa anterior, identificação dos atores (individuais e grupos) a serem incluídos na pesquisa de campo: 2.A: , , Agendamento das entrevistas e reuniões; Desenho de guias e roteiros orientadores das entrevistas e reuniões; 2.B: , Realização dos trabalhos de campo; 2.C: , Processamento da informação qualitativa. 109 Programa Santo André Mais Igual Etapa 3: Análise e Avaliação 3.A: , , , Síntese dos impactos, explicitando suas relações de causalidade; Destaque para 'ponto fortes' com vistas à replicação; Destaque para as principais lições aprendidas. 3.B: , , 110 Extração de conclusões finais; Elaboração de relatório final. Anexos ANEXO III Instrumentos da Pesquisa de Campo 103 Roteiros das reuniões com grupos focais Grupo 1 – Urbanização, regularização e meio ambiente Etapa de levantamentos 1. Quais foram os critérios de seleção e inclusão de núcleos no programa? 2. Havia disponibilidade de mapeamentos, cadastros, bancos de dados ou estudos diversos da área de projeto? 3. Havia cadastros da infra-estrutura, equipamentos e serviços urbanos disponíveis, antes da implantação da prática? 4. Havia planos, programas e projetos federais, estaduais e municipais incidentes sobre a área? Qual a sua interferência (mesmo que potencial) sobre a prática? 5. Havia outros programas, projetos e atividades previstos, em execução ou executados na área de intervenção (caracterizar as entidades envolvidasONGs, Universidades, Igrejas etc.)? Características originais dos núcleos 6. Descrição da situação geomorfológica de cada núcleo. 7. Quais as características de ocupação espacial das comunidades? Esta ocupação tem características sócio-espaciais diferenciadas, ou há uma uniformidade? 8. Em que época se deu a formação do núcleo? 9. Qual a densidade de ocupação das comunidades? Há uma tendência à verticalização das edificações? 10. Como era a questão da acessibilidade nas comunidades? Qual a proporção de vias carroçáveis versus as de pedestres? 11. Qual a tipologia construtiva das edificações originais? 12. Quais as situações prioritárias para solução de problemas ambientais? 13. Qual foi o conceito de "risco" adotado? 14. Que tipos de situação de risco foram identificadas? As situações consideradas como de risco estavam concentradas em alguma área ou encontravam-se espalhadas pela comunidade? 15. Que sistemas de infra-estrutura estavam disponíveis? 16. Que equipamentos urbanos existiam? 17. Quais as metas físicas estabelecidas para a urbanização dos núcleos? 18. Houve alguma alteração nas metas inicialmente propostas? Por quê? 103 Em função do grande volume de materiais preparados para os trabalhos de campo, para fins desta publicação foram incluídos unicamente aqueles considerados de maior interesse. Entretanto, o conjunto completo estará à disposição para consulta no relatório técnico referente ao presente estudo de caso, na biblioteca do Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM. 111 Programa Santo André Mais Igual Características da intervenção física 19. Qual o partido urbanístico adotado? 20. Quais as medidas adotadas a fim de favorecer a acessibilidade ao interior dos núcleos? 21. Foram consideradas necessidades especiais de acessibilidade (deficientes físicos)? 22. Qual o partido adotado para resolver situações de risco? 23. Qual o grau de satisfação com as soluções adotadas? 24. Quais foram as medidas preventivas adotadas: , , , de caráter geotécnico? relacionando meio ambiente e saúde? referentes à contaminação do solo, da água e do ar? 25. Quais foram os critérios (além do risco) para a retirada de moradias? 26. Quais foram as modalidades de produção habitacional (unifamiliares/ multifamiliares, autoconstrução/empreitada, dentro/fora do núcleo, etc.)? Quantas unidades foram produzidas, segundo estas modalidades? 27. Como foi equacionada a participação de deficientes físicos, idosos e gestantes nos processos de mutirão? 28. Qual o papel assumido pelas mulheres na produção habitacional? 29. O programa implantou ou realizou melhorias em edificação destinada à reunião de lideranças/membros da comunidade e demais agencias promotoras ou de apoio à experiência? 30. Que sistemas de infra-estrutura foram/estão sendo implantados no núcleo? 31. Que equipamentos urbanos foram/estão sendo implantados no núcleo? 32. Como é feita a administração das edificações que abrigam programas de cunho social? 33. Como foi tratada a questão das unidades de comércio? 34. Quais as alternativas de vinculação entre meio ambiente e geração de trabalho e renda? Características da regularização urbanística e fundiária 35. Como se dá o processo de regularização urbanística? Tem alcançado suas metas? 36. Foi registrada/há expectativa de alteração nas condições de uso e ocupação do solo no entorno imediato e na cidade? 37. Como se dá o processo de regularização fundiária? Tem alcançado suas metas? Quantos imóveis foram regularizados? 38. Está sendo aplicado algum critério de gênero na titulação dos imóveis? Características dos processos de monitoramento e avaliação 39. Como se faz o monitoramento? Que funções exercem os moradores? Quais as 112 Anexos alternativas de exercício de controle urbano adotadas? Que mecanismos estão disponíveis para a eventual introdução de medidas corretivas ao longo do processo? Que resultados foram apurados? 40. As metas fixadas oportunidades? foram atingidas? Quais os principais desafios e Reflexões propostas , Quais as principais implicações da produção do espaço urbano pela via da informalidade? Quais os riscos para a sustentabilidade urbana? , Que impacto(s) se pode atribuir à urbanização construção/recuperação de um ambiente saudável? , Houve contribuição efetiva da prática para a reversão de comprometimentos, preservação e recuperação dos ativos ambientais diretamente afetados ou situados em sua área de influência da intervenção? , As soluções encaminhadas e implementadas no projeto possibilitam a sustentabilidade ambiental da área de intervenção e do entorno? , Considerando a urbanização de favelas como uma medida de caráter curativo/corretivo, quais seriam as alternativas de programas de caráter preventivo que gerariam sinergias positivas na ampliação da base legal na ocupação do solo urbano e obtenção de uma efetiva inclusão social? de favelas na Grupo 2 – Desenvolvimento econômico Questões gerais 1. Programas implantados, por núcleo 2. Demanda potencial 3. Nº de atendimentos, por programa 4. Tempo de implantação Questões específicas, por temas 5. Em que medida os trabalhadores capacitados pelos programas tem, efetivamente, conseguido melhorar sua inserção no mercado de trabalho? 6. Quais tem sido as alternativas e resultados de iniciativas de fomento aos empreendimentos dos moradores? 7. Após o período de assessoria administrativa, econômica e jurídica desenvolvido pelo Programa Incubadora de Cooperativas, como tem sido observado o desempenho das cooperativas? 8. Quais vem sendo os resultados alcançados pelo renda mínima? 9. Após findo o período de complementação de renda familiar, tem sido constatado que as famílias realmente passam a demonstrar maior capacidade de auto gerenciamento? Tem sido percebido um fortalecimento da estrutura familiar? 113 Programa Santo André Mais Igual 10. Que papéis mais relevantes tem sido assumidos pelas mulheres nos processos de gestão e implementação dos programas? 11. Quais tem sido as formas mais efetivas de inclusão social dos portadores de deficiências? 12. O Programa de Geração de Trabalho de Interesse Social tem produzido que tipos de impactos nos seus beneficiários? Após o término do contrato, o que acontece? 13. Como tem sido a procura pelas unidades de negócio? Tem atraído iniciativas de comerciantes de fora dos núcleos? Os moradores dos núcleos têm conseguido manter seus negócios após sua transferência para a área das bordas? 14. Tem sido observado que o aumento da escolaridade dos adultos tem resultado em possibilidade maior de emprego? Reflexões propostas , Avaliação de resultados. Há necessidade de ampliação dos programas? Há perspectivas para sua expansão? , Quais foram os aportes concretos da população-alvo no processo participativo de tomada de decisões e de implementação da prática? Em que medida o saber popular foi incorporado à construção cotidiana da prática? , Indicação de efeitos de sinergia entre programas a fim de alcançar o objetivo de erradicação da pobreza e inclusão social. Grupo 3 – Desenvolvimento social Questões gerais 1. Programas implantados, por núcleo 2. Demanda potencial 3. Nº de atendimentos, por programa 4. Tempo de implantação Questões específicas, por temas 5. Que indicadores ilustrariam com mais precisão os impactos do programa sobre a melhoria das condições de saúde da população-alvo? 6. Além da redução de absenteísmo escolar e melhoria do rendimento, que outros ganhos podem ser associados aos programas dedicados à infância? 7. Em que medida o atendimento a crianças na faixa de 2 a 6 anos tem incidido no aumento de empregabilidade das mães? 8. Quais os efeitos do atendimento na sociabilidade das crianças? 9. Quais os efeitos observados na saúde, de forma geral, e em especial, na nutrição das crianças? 10. Quais são as alternativas de atendimento às crianças portadoras de deficiências? 114 Anexos 11. Em que aspectos se pode assinalar melhoria da condição de vida das mulheres como resultados da implantação da prática? 12. Quais os impactos da implantação da prática sobre a organização comunitária? Reflexões propostas , Avaliação de resultados. Há necessidade de ampliação dos programas? Há perspectivas para sua expansão? , Quais foram os aportes concretos da população-alvo no processo participativo de tomada de decisões no desenho dos programas e de implementação da prática? Em que medida o saber popular foi incorporado à construção cotidiana da prática? , Indicação de efeitos de sinergia entre programas a fim de alcançar o objetivo de erradicação da pobreza e inclusão social. Grupo 4 – Organização comunitária (participação exclusiva de moradores) 1. Existe associação de moradores formalizada? 2. A associação dispõe de sede? Quais as suas características? 3. Qual o número de associados? Qual a freqüência de reuniões? Quantos moradores participam, em média das reuniões? Quais as fontes de recursos que mantêm a associação? Qual a composição da diretoria? Qual é o processo de escolha de dirigentes? 4. A comunidade já possuía experiência anterior em atividades e trabalhos conjuntos? 5. Como se deu a participação da comunidade na concepção do projeto? 6. Como se deu a participação da comunidade depois do início do processo de implementação do projeto? 7. Houve formação de associações cujo âmbito extrapole a comunidade local? 8. Quais eram as principais demandas da comunidade antes do programa? Quais as principais demandas atuais? 9. Surgiram ou se firmaram outros grupos de interesse na comunidade tais como grupos de mães, de idosos, para a prática de esportes etc.? 10. Quais os parceiros mais presentes na implementação do programa? 11. Qual o grau de satisfação com as estruturas de participação comunitária oferecidas pelo programa? Por que? 12. Houve algum conflito relativo à implantação do projeto? Em caso positivo, qual? 13. Houve estabelecimento de parceria entre as organizações comunitárias e outras instituições, independentemente do programa? Quais? Qual a motivação? 14. Os moradores se sentem mais seguros após a implantação do programa de 115 Programa Santo André Mais Igual urbanização? O que mais falta para que eles se sintam completamente seguros? 15. Ter o título de propriedade das casas é importante para os moradores? Por que? 16. Os moradores estão satisfeitos em morar em um bairro urbanizado? Reflexões propostas , Como os moradores vêem a questão da regularização, onde terão que aceitar e obedecer às normas urbanas? O que isso significa nos costumes locais? , Como a comunidade vê a perspectiva do pagamento de tarifas urbanas? O orçamento médio das famílias comporta este pagamento? , Qual será o papel da associação de moradores após a urbanização? Roteiro para entrevistas individuais Agencias financiadoras Temas: , , Fontes de recursos e parcerias potenciais considerados. , Perspectivas a futuro. Avaliação da participação do agente financiador na prática; dificuldades e facilidades encontradas. Representantes: , , , Caixa Econômica Federal. Convênio de Apoio às Populações Desfavorecidas – APD. Tesouro Municipal. - previsão de recursos a serem mobilizados vs. recursos efetivamente alocados. Montantes e fontes de financiamento, por instituição (verificar eventuais alterações). Processo de negociação de recursos externos e administração da alocação do fluxo de recursos. Questões: 116 1. Como se deu a agregação da instituição no processo de implementação da prática? Porque houve este engajamento? 2. Inicialmente, qual a previsão de recursos a serem mobilizados no projeto? Esta previsão foi realmente mantida ou houve alguma mudança na previsão inicial? Por que? Quais foram os recursos efetivamente alocados? Há previsão de aportes adicionais? 3. No processo de parceria da instituição com a prática, houve algum conflito? Qual? 4. Quais foram as alternativas de solução encontradas? 5. Como se deu o processo de alocação de recursos e que impacto se produziu no andamento da prática? Anexos 6. Quais foram os critérios considerados para a avaliação de sustentabilidade econômica e financeira da prática? 7. A partir desta experiência, se desenvolveram/ampliaram financiamento visando a replicação de práticas similares? linhas de Secretaria de Inclusão Social e Habitação Questões 1. O grande número de parceiros envolvidos nas etapas de concepção, implantação, monitoramento e avaliação é uma característica marcante do programa. Quais os instrumentos utilizados para captar e manter tal número de parcerias? 2. Qual o grau de participação dos parceiros nas etapas de implementação, monitoramento e avaliação da prática? 3. Dentre os diversos parceiros envolvidos no programa, houve alguma mudança de papéis? Quais foram as causas e conseqüências mais destacadas? 4. No desenvolvimento do trabalho houve algum tipo de conflito envolvendo as parcerias? Quais foram os mecanismos utilizados para a administração de conflitos de interesses adotados pelo programa? 5. Quais foram as lições aprendidas especificamente no desenvolvimento destas parcerias? 6. Entendendo as organizações comunitárias igualmente como parceiras, qual a sua contribuição específica para o desenvolvimento da prática? 7. Qual a relação entre o número previsto de envolvidos no projeto, o número de pessoas efetivamente mobilizadas na implantação da prática e o número de habitantes dos núcleos? 8. Houve registro de transferência / absorção de conhecimento entre técnicos e população-alvo (incluindo: comportamentos e práticas sociais, ferramentas e métodos de trabalho, sistemas de gestão, tecnologias etc.)? 9. Em que áreas se destacariam os maiores ou mais expressivos ganhos da prática? concepção, 10. Em que áreas se destacariam as maiores dificuldades encontradas? 11. Quais os impactos – positivos e negativos - (esperados e não esperados), gerados pela prática? 12. Quais as perspectivas de sustentabilidade institucional, econômica e financeira da prática, em especial sobre as garantias de continuidade dos processos desencadeados e de manutenção dos equipamentos instalados? 13. Há entraves que possam comprometer a sustentabilidade da prática? Como superá-los? 117 Programa Santo André Mais Igual ANEXO IV Formulário de Apresentação da Prática Identificação da prática Título Contrato de Patrocínio – Prêmio do Programa Caixa Melhores Práticas Santo André Mais Igual Localização Comunidades de Capuava, Quilombo II, Tamarutaca e Sacadura Cabral, Santo André/SP Objetivo geral Possibilitar a inclusão social de setores excluídos da sociedade e da economia, através da ação pública norteada por uma concepção multidimensional. Para tanto, a prática se propõe a construir uma estratégia sustentável de inclusão social em territórios urbanos, de forma a ampliar o leque de possibilidades para a efetiva autonomização das populações desfavorecidas. Esta estratégia privilegia a integração das ações, rompendo com a cultura institucional da oferta setorializada de serviços e benefícios. Objetivos secundários A estratégia baseia-se na articulação de ações e na mobilização integrada e concentrada em âmbitos espaciais determinados – núcleos de favela -, de recursos públicos e ativos sociais que permitam a transição da condição de exclusão para a de inclusão social, com participação da comunidade nos processos decisórios e de execução dos diversos componentes do programa. Desde o ponto de vista da gestão, a prática se propõe a reverter cultura institucional da oferta compartimentalizada de serviços e benefícios, integrando-se as ações de diferentes programas, nas dimensões urbana, econômica e social. Os objetivos e estratégias foram definidos pela equipe do governo local, enquanto o estabelecimento de parcerias com agências internacionais, instituições acadêmicas e de pesquisa e organizações não-governamentais locais viabilizou o aprofundamento conceitual e metodológico da proposta. Instituição responsável pela iniciativa Prefeitura Municipal de Santo André Instituições parceiras Caixa Econômica Federal Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social União Européia Principais metas atingidas Universalização dos serviços urbanos e habitação digna; Aplicação conjunta e simultânea de programas voltados à inclusão social, gerenciados de forma participativa; Ação multidimensional do setor público envolvendo fatores econômicos, sociais, urbanos, culturais e políticos, buscando efeitos de sinergia; Estabelecimento de novas formas de políticas locais para a inclusão social. 118 Anexos Identificação da prática (continuação) Recursos financeiros mobilizados (até 2002) R$ 22.950.259,00 Componentes e subcomponentes do projeto Urbanos: , saneamento básico , infra-estrutura urbana , recuperação física e ambiental de áreas degradadas , consolidação geotécnica , introdução de equipamentos urbanos , introdução de serviços de manutenção urbana , melhorias habitacionais , pavimentação , eletrificação , iluminação pública , coleta de lixo Econômicos: , , , , complementação de renda capacitação profissional microcrédito geração de trabalho e renda, empreendedorismo e cooperativismo Sociais: , , , , educação saúde proteção à criança e ao adolescente combate às discriminações de gênero, de raça, às pessoas com deficiência etc. 119 Programa Santo André Mais Igual ANEXO V Siglas Siglas 120 AEIS Áreas de Especial Interesse Social APD Convênio de Apoio às Populações Desfavorecidas BID Banco Interamericano de Desenvolvimento CDRU Concessão de Direito Real de Uso CEEP Centro de Educação, Estudos e Pesquisa CES Centro de Estudos para a Saúde CESCO Centro de Estudos de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina do ABC COMUL Comissão Municipal de Urbanização e Legalização DEHAB Departamento de Habitação- Secretaria de Inclusão Social e Habitação ELETROPAULO Eletricidade de São Paulo SA EMHAP Empresa Municipal de Habitação Popular da Prefeitura de Santo André FAISA Fundação de Assistência à Infância de Santo André FAPESP Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo IBAM Instituto Brasileiro de Administração Municipal IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IEE/PUC/SP Instituto de Estudos Especiais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo IMES Instituto Municipal de Ensino Superior de São Caetano do Sul IMES Centro Universitário Municipal de São Caetano IPTU Imposto Predial e Territorial Urbano MDDF Movimento de Defesa dos Direitos dos Favelados OMS Organização Mundial de Saúde ONG Organização Não Governamental ONU/PGU Programa de Gestão Urbana da Organização das Nações Unidas PASSO Assessoria para Ações Sociais PIIS Programa Integrado de Inclusão Social Anexos Siglas (continuação) PSA Prefeitura de Santo André POA Plano Operativo Anual POG Plano Operativo Global RBC Reabilitação Baseada na Comunidade SEMASA Serviço Municipal de Saneamento de Santo André SISH Secretaria de Inclusão Social e Habitação UG Unidade de Gestão UTG Unidade Técnica de Gestão ZEIS Zonas de Especial Interesse Social 121