Estudo de Avaliação do Risco de Aluviões na Ilha da Madeira O EVENTO DE 20 DE FEVEREIRO DE 2011 E A DEFINIÇÃO DE CRITÉRIOS DE RISCO E DE DIMENSIONAMENTO 16 de Dezembro de 2011 IST, 31 de Janeiro de 2011 1 Estudo de Avaliação do Risco de Aluviões na Ilha da Madeira Princípios Orientadores de Protecção contra as Aluviões Funchal, 13 de Agosto de 2010 2 Organização da equipa Coordenação António Betâmio da Almeida (IST) e Rodrigo Proença de Oliveira (IST) Daniel Figueira da Silva (LREC) Paulo França (UMa) e Domingos Rodrigues (UMa) Geomática (IST) Geologia e Geotecnia (IST / LREC) Aspectos ambientais (UMa) Clima e meteorologia Sistemas de informação (LREC / IGOT) (DRIGOT / IST) Hidrologia Trabalho de campo (IST) (UMa) Hidráulica Infra-estruturas (IST) (IST / UMa) Hidrosedimentologia (IST) 3 Equipa Técnica Coordenação Geomática Geologia Geotecnia Ambiente e coberto vegetal António Jorge de Sousa (IST) Sandra Heleno (IST) Alexandre Gonçalves (IST) Ana Paula Falcão (IST) Maria João Pereira (IST) Pedro Pina (IST) Cristina Lira (Bols. Inv. IST) Magda Matias (Bols. Inv. IST) Maura Lousada (Bols. Inv. IST) Jaime Alberto dos Santos (IST) Isabel Lopes (IST) Manuel Francisco Pereira (IST) Amélia Dionísio (IST) Domingos Rodrigues (UMa) Uriel Abreu (UMa) Jaime Alberto dos Santos (IST) Rafaela Cardoso (IST) Fernando Vieira (LREC-IPRAM) Miguel Sequeira (UMa) Aida Pupo (UMa) Albano Figueiredo (UMa) José Jesus (UMa) António Betâmio de Almeida (IST) Rodrigo Proença de Oliveira (IST) Paulo França (UMa) e Domingos Rodrigues (UMa) Daniel Figueira da Silva (LREC-IPRAM) Clima e meteorologia Hidrologia Hidráulica Hidráulica sedimentológica Sérgio da Silva Lopes (LREC-IPRAM) António Lopes (IGOT/LREC-IPRAM) Marcelo Fragoso (IGOT/LREC-IPRAM) Maria João Alcoforado (IGOT/LREC-IPRAM) Manuela Portela (IST) Rodrigo Proença de Oliveira (IST) Sérgio da Silva Lopes (LREC-IPRAM) Gonçalo Saint-Maurice (Bols.Inv. IST) Artur Silva (Bols. Inv. IST) António Heleno Cardoso (IST) Rui Ferreira (IST) Gaspar Teixeira de Queirós (Bols.Inv. IST) Miguel Azevedo Coutinho (IST) Estruturas Trabalho de campo Sistemas de informação Paulo França (UMa) João Azevedo (IST) Paulo França (UMa) Susana Prada (UMa) Joana André Reis (UMa) Ana Vanessa Spínola (Aluna UMa) Celso Figueira (Bols.Inv. UMA) Nuno Aguiar (Bols. Inv. UMA) Hugo Teixeira (Aluno UMa) João Castro (Aluno UMa) Dário Fernandes (Aluno UMa) Alexandre Gonçalves (IST) Sérgio da Silva Lopes (LREC) Maria João Neves (DRIGOT) e a colaboração de um grupo de estudantes da UMa. 4 Colaborações Institucionais • Direcção Regional de Informação Geográfica e Ordenamento do Território (DRIGOT) • Instituto de Meteorologia, IP e a Delegação R. da Madeira • Investimentos e Gestão da Água, SA (IGA) • Instituto de Geografia e do Ordenamento do Território (IGOT) • Direcção Regional de Florestas (DRF) • Estradas da Madeira, SA • Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais • Câmara Municipal do Funchal • Serviço Regional de Protecção Civil 5 Âmbito geográfico do Estudo Cinco Bacias Hidrográficas: Documentos finais produzidos • • • • • • • • • Relatório Síntese c/ P. Orientadores - 179 pp Anexo A – Caracterização das precipitações intensas – 82 pp. Anexo B – O papel do coberto vegetal - 60 pp. Anexo C – Cartografia dos deslizamentos – 54 pp. Anexo D – Caracterização geotécnica – 172 pp. Anexo E - Avaliação da erosão distribuída pela aplicação da EUPS – 10 pp Anexo F – Escoamentos mistos ou bifásicos – 55 pp. Anexo G – Levantamento de dados de campo da ribeira João Gomes – 85 pp Anexo H – Levantamento de dados de campo da ribeira de Santa Luzia – 87 pp • Anexo I – Levantamento de dados de campo da ribeira de São João – 66 pp • Anexo J – Levantamento de dados de campo da ribeira Brava – 83 pp • Anexo K – Levantamento de dados de campo da ribeira da Tabua – 75 pp TOTAL: – 12 volumes – ~1000 páginas 7 Hidrologia e Escoamentos • Equipa: – – – – – – – Maria Manuela Portela (IST) Miguel Azevedo Coutinho (IST) Rodrigo Proença de Oliveira (IST) Rui Ferreira (IST) Sérgio Lopes (LREC) Maria João Pereira (IST) António Lopes / Marcelo Fragoso / Maria João Alcoforado (IGOT) IST, 31 de Janeiro de 2011 8 O LOCAL: A ILHA DA MADEIRA Orlando Ribeiro (1985) “A Ilha da Madeira até meados do Século XX” Síntese das Características Físicas CARACTERÍSTICAS FÍSICAS ILHA DA MADEIRA ILHA DO PORTO SANTO Altitude média 646 m 86 m Pico mais alto Pico Ruivo (1 862 m) Pico do Facho (517 m) Declive médio 56% 26% Perímetro 177,3 km 69,5 km Área 742 km2 43 km2 PICO DO AREEIRO (PRAM) Ilha da Madeira 18% Área Agrícola 25% Espaços Naturais 52% Área Florestal 5% Área Social Usos e Ocupação do solo Ribeira Brava “A Madeira é uma ilha desprovida de litoral...” (O. Ribeiro) RIBEIRA BRAVA Ponta do Sol (12/3/10) Antecedente:período prolongado de precipitação,queda de neve (pico do Areeiro) Precipitação intensa no dia 20 Ocorrência de cheias torrenciais (caudal líquido e caudal sólido muito significativos) em algumas bacias da ilha Deslizamentos,enxurradas,inundações, destruições (casas,vias de comunicação,infraestruturas...) Perda de vidas humanas (42...),deslocados (centenas),danos económicos (mil e quinhentos milhões de euros...) Abaixo pode ver-se a evolução da frente no dia 20 de Fevereiro, com a precipitação máxima sobre a Madeira a ocorrer precisamente entre as 10:30 e as 13:30. Estes dados foram obtidos através do produto 'Real time' da TRMM e foram facultados pelo doutorando José Saldanha Matos Precipitação acumulada até Fevereiro – Trapiche (Prof. Rodrigo de Oliveira) IST, 31 de Janeiro de 2011 22 Evolução da precipitação Figura 1 - Precipitação horária a 20 de Fevereiro de 2010 (5h00-11h00). Hora UTC IST, 31 de Janeiro de 2011 Figura 1 - Precipitação horária a 20 de Fevereiro de 2010 (11h00 – 17h00). Hora UTC 23 Precipitação no dia 20/2/2020 (0h00 – 24h00) IST, 31 de Janeiro de 2011 24 Precipitação máxima horária IST, 31 de Janeiro de 2011 25 Número de horas acima de 10 e 30 mm P>10 mm 3-5 horas P>30 mm 7-8 horas 8-9 horas 3-5 horas IST, 31 de Janeiro de 2011 26 Concelho do Funchal Funchal Funchal, 13dedeGeografia Sociedade Agosto dede2010 Lisboa, 26 de Abril de 2010 28 FUNCHAL - Ribeiras 1-São João 2-Santa Luzia 3-João Gomes 2 3 1 Ribeira de João Gomes Pico do Areeiro (1818 m) (700) 8 km Os declives das ribeiras podem atingir 100/1000 Funchal (oceano) Santa Luzia S.João João Gomes Baptista Silva et alli FUNCHAL ANTIGO – Canalização (Gen. Oudinot) após as enxurradas de 1803 FUNCHAL – Ribeira entre muros Ribeira de João Gomes (Campo da Barca) Ribeira de João Gomes (Campo da Barca) Ribeira de João Gomes Ribeira de Santa Luzia Ribeira de Santa Luzia (Rua dos Tanoeiros) Ribeira de São João (São Lázaro) Ribeira de São João (Teatro Municipal ) Ribeira de São João (Santo António) Ribeira de Santa Luzia (Ponte do Cidrão 23 de Fevereiro Ribeiras de Santa Luzia e João Gomes 100 000 a 500 000 m3 ? Concelho da Ribeira Brava Ribeira Brava e da Tabua Funchal, 13dedeGeografia Sociedade Agosto dede2010 Lisboa, 26 de Abril de 2010 61 SERRA DE ÁGUA Serra d’ Água Serra d’Água Serra d’ Água Meia Légua Eiras (Caniço) Impacto em infraestruturas Estradas Pontes Sistemas de abastecimento de água e de saneamento Produção e transporte de energia eléctrica Linhas de telecomunicações Tabua Ribeiro da Pena (Acesso Via Rápida) ETA DO PORTO NOVO Concelho de Santa Cruz – Ribeira do Porto Novo “...por toda a parte, torrentes impetuosas, rolando durante as chuvadas massas De água barrenta e calhaus de grande calibre, que transportam até ao mar. Durante o Verão, os leitos estão secos e completamente entulhados por detritos volumosos...” Orlando Ribeiro (1985) “ A Ilha da Madeira até Meados do Século XX “ (p.21) Entre 1803 e 2001 – 30 episódios com maior ou menor relevância (Prof.Domingos Rodrigues - UMa) Número de mortos e feridos por ano no séc. XX (Prof.Domingos Rodrigues - UMa) Eventos por concelho séc.XX Eventos com vítimas (Prof.Domingos Rodrigues - UMa) Tipologia de Eventos PERIGO CONDIÇÕES CRÍTICAS –precipitação,teor de humidade,declive... ORIGEM PROPAGAÇÃO IMPACTO Instabilidades e deslizamentos na bacia de recepção Liquefação das massas em movimento Entrada e escoamento no canal de condução - capacidade de transporte amplificada Material do leito e da erosão das margens é transportado – geração da maior parte do volume sólido Escoamento com sedimentos (blocos) -”debris flow”- Paragens e arranques Ondas de instabilidades (“roll waves”) O declive diminui – cone de dejecção – Os sedimentos imobilizam A secção livre diminui significativamente O escoamento transborda – inundações incontroladas - DANOS EXPOSIÇÃO E VULNERABILIDADE DE BENS Cicatrizes Um trecho de Canal de Condução 20 de Fevereiro de 2010 Madalena do Mar Análise estatística de precipitações máximas anuais • 20 postos com séries longas de valores diários (9h00-9h00): – Ribeira Brava (ETA): 10 anos – Funchal: 70 anos • Um único posto com uma série longa de valores de precipitação para durações inferiores ao dia: – Funchal (1 hora): 30 anos – Funchal (10 min): 14 anos • Só é possível apresentar estimativas do período de retorno do evento para as durações criticas de 30 min a 3 h para o Funchal. IST, 31 de Janeiro de 2011 88 Intensidade média de precipitação para várias durações Valores máximos da intensidade média de precipitação para várias durações (mm/h) Duração Bacia João Gomes Santa Luzia São João Ribeira Brava Tabua IST, 31 de Janeiro de 2011 30 min min max 76,5 198,2 51,0 204,1 51,6 119,7 62,4 78,5 70,9 75,4 1 hora min max 57,7 90,8 59,4 88,3 56,1 97,1 50,7 75,4 48,6 65,1 3 horas min max 39,5 50,4 40,9 52,2 29,1 58,8 38,0 54,9 38,2 40,1 89 The Rainfall Intensity: Duration Control of Shallow Landslides and Debris Flows Author(s): Nel Caine Source: Geografiska Annaler. Series A, Physical Geography, Vol. 62, No. 1/2 (1980), pp. 23-27 Fausto Guzzetti . Silvia Peruccacci . Mauro Rossi . Colin P. Stark The rainfall intensity–duration control of shallow landslides and debris flows: an update (2008) Precipitação máxima anual com duração de 1 dia (mm) Precipitação máxima anual com duração de 2 dias (mm) 200 Análise e tratamento de precipitações máximas anuais 180 160 Precipitação máxima anual com duração de 3 dias (mm) 300 250 250 200 140 200 120 150 100 150 80 100 100 60 40 50 Posto do Funchal 20 0 -3.0 -2.0 -1.0 0 0.0 1.0 2.0 3.0 -3.0 -2.0 -1.0 0.0 z -3.0 -3.0 -2.0 -2.0 -1.0 -1.0 -3.0 -2.0 -1.0 0.0 350 200 300 250 300 100 200 200 150 200 80 150 60 100 150 150 100 10040 100 50 100 50 20 50 0 50 0 50 0 1.0 2.0 2.0 3.0 3.0 -3.0 -3.0 -2.0 -2.0 -1.0 -1.0 0 0.0 0.0 z 1.0 1.0 2.0 2.0 3.0 3.0 -3.0 -3.0 -2.0 -2.0 -1.0 -1.0 0 0.0 0.0 z z 350 350 300 250 250 200 200 200 150 150 150 100 100 100 50 50 50 z 3.0 -3.0 -2.0 -1.0 3.0 3.0 0 0 2.0 2.0 2.0 Precipitação máxima anual com duração de 6 dias (mm) 300 1.0 1.0 1.0 z Precipitação máxima anual com duração de 5 dias (mm) 250 0.0 3.0 200 250 250 150 1.0 2.0 Precipitação máxima anual com duração de 3 dias (mm) Precipitação máxima anual 300 com duração de 6 dias (mm) 350 0 0.0 0.0z 1.0 z 160 300 140 250 120 0 -1.0 0 3.0 350 180 z -2.0 2.0 Precipitação máxima anual com duração de 2 dias (mm) Precipitação máxima anual 250com duração de 5 dias (mm) Precipitação máxima anual com duração de 4 dias (mm) Funchal com 350 2009/2010 300 -3.0 1.0 z Precipitação máxima anual com duração de 1 dia (mm) Precipitação máxima anual 200com duração de 4 dias (mm) Funchal sem 2009/2010 50 0.0 z 1.0 2.0 3.0 -3.0 -2.0 -1.0 0.0 1.0 2.0 3.0 z Para o posto udométrico do Funchal – único com informação compatível – comparação de resultados mediante a consideração ou não do ano de 2009/2010 (… só possível na medida em que o estudo se prolongou no tempo e que se dispunha de registos até Junho de 2010) IST, 31 de Janeiro de 2011 92 Curva de possibilidade udométrica Posto udométrico do Funchal – Observatório P(mm) 300 250 P2.00 D / P24(mm) 1.75 1.50 1.25 1.00 0.75 0.50 0.25 0.00 0 24 48 72 96 200 150 Duração (h) 100 50 T=10 anos T=20 anos T=50 anos T=100 anos T=1000 anos T=10 T=20 T=50 T=100 T=1000 0 0 IST, 31 de Janeiro de 2011 12 24 48 72 96 Duração (h) 93 Grau de excepcionalidade da precipitação de 20/2/2011 Periodo de retorno Posto D < 1h 1h 1h – 3h 3h – 6h 6 - 24 h 1 dia 2-6 dias 2-20 anos 80 anos 80 – 800 anos > 1000 anos ~1000 anos 600 anos 3 - 60 anos Funchal Posto D = 1 dia D = 2 dias D = 3 dias D = 4 dias D = 5 dias Areeiro 7 4 3 5 4 Poiso 210 18 14 48 11 S.Serra 20 4 5 3 3 C.Feiteiras 10 8 14 25 20 B.Cana 3 2 2 3 3 L.Baixo 1 7 5 18 17 R.Brava (ETA) 1 28 18 51 26 IST, 31 de Janeiro de 2011 95 (Prof.ª Manuela Portela) (Anexo A) Os períodos de retorno referentes a duraçõe de precipitação superiores a 1 h indicam que no posto Funchal- Observatório o acontecimento pluvioso de 20 de Fevereiro consubstancia uma ocorrência muito excepcional, com reduzidas probabilidades de ocorrência, equivalentes a condições projecto com períodos de retorno superiores a 100 anos. O facto de os períodos de retorno aumentarem com a duração da precipitação indica claramente a manutenção de condições particularmente excepcionais para além das durações que lhe são habituais. Secções de avaliação do caudal de ponta de cheia IST, 31 de Janeiro de 2011 97 Estimativa do caudal de ponta de cheia DASE 2010/11 Área (km2) Tempo concent. i (mm/h) Qmax (m3/s) João Gomes 11,4 1,1 horas 67 215 Santa Luzia 15,6 1,2 horas 65 280 São João: 14,7 1,1 horas 67 275 Ribeira Brava 40,9 1,4 horas 55 625 Tabua: 8,8 1,3 horas 53 130 98 Tipos de aluviões Escoamento estratificado (sheet flow) Escoamento de frente abrupta (debris flow) Transporte sólido de material grosseiro junto ao fundo Material mais grosseiro transportado na frente da onda • Debris flow nos 2000 m iniciais da ribeira de S.João (até 9000 m da foz): – Velocidade da onda da ordem dos 2,6 m/s, para 25 000 m3 de material sólido Variação fundo (m) Resultados 8 6 4 2 0 -2 -4 -6 -8 0 2000 4000 6000 8000 Distância (m) 10000 12000 • Sheet flow a partir dos 3000 m: – Erosão generalizada até 7000 m (4000 m da foz); – Deposição nos troços regularizados a jusante de 7000 m (4000 m da foz), a montante de estreitamentos (que em regime rápido provocam aumento da altura de escoamento e redução da velocidade); – Deposição no troço final da ribeira IST, 31 de Janeiro de 2011 10 Resultados – Rib. São João • 30 min: – Troço completo: Erosão de 13 000 m3 – A jusante de 7000: Deposição de 7500 m3 • 60 min: – Troço completo: Erosão de 32 000 m3 – A jusante de 7000: Deposição 26 000 m3 • 90 min: – Troço completo: Erosão de 20 000 m3 – A jusante de 7000: Deposição de 46 500 m3 • Volume total de material grosseiro transportado para o mar: – TOTAL: 132 000 m3 IST, 31 de Janeiro de 2011 10 ( Prof. Rui Ferreira - IST) ANEXO F Estruturas de Retenção Critérios de dimensionamento Critérios de Tolerabilidade (Prof.Domingos Rodrigues - UMa) Risco = P.E.V Avaliação do Risco - Pressupostos e enquadramento conceptual O RISCO é uma função da: • P - Perigosidade do processo em consideração, caracterizada pela probabilidade ou frequência de ocorrência de cenários com determinadas intensidades; • E - Exposição de bens ou valores ao impacto do processo perigoso e que se encontram em zonas de propagação desse processo; • V - Vulnerabilidade dos bens expostos: caracteriza o efeito do impacto ou o grau de dano ou de perda num bem exposto. 10 District of North Vancouver PROBABILIDADE DE OCORRÊNCIA (%) NO PERÍODO DE EXPOSIÇÃO T (anos) PERÍODO DE EXPOSIÇÃO (anos) Medidas de Mitigação ALVO a proteger Origem EVENTO Propagação e Impacto M. de Prevenção Factores desencadeadores do evento M. de Protecção Princípios Orientadores • • • • • • Retenção de material sólido Controlo do transporte de material sólido (detritos) Atenuação da vulnerabilidade das áreas expostas Controlo da exposição ao risco Previsão e aviso – Sistema estruturado de protecção Formação e informação ao público 11 Controlo do transporte de material sólido • Interceptação e retenção do maior volume possível de material sólido em movimento; – Estruturas “leves”, eventualmente do tipo “rede”, em linhas de água secundárias ou ravinas ; – Estruturas concentradas, de maior porte, a localizar em secções estratégicas das ribeiras, capazes de reter um volume relativamente apreciável de material sólido com dimensões maiores. • As estruturas concentradas devem constituir barreiras eficazes na protecção contra eventos excepcionais e, simultaneamente, garantir a passagem de escoamentos líquidos e do material sólido em períodos normais, de forma a minimizar os impactes ambientais a jusante. 11 Visita 21-22 de Junho de 2010 Medidas Mitigadoras Princípios Gerais das Medidas de Mitigação • Diminuir a perigosidade das aluviões nas zonas sensíveis de impacto (e.g. a zona da cidade do Funchal) – diminuir a intensidade e, se possível, a frequência de aluviões mais intensas. • Diminuir a exposição ao perigo, quando possível. • Diminuir a vulnerabilidade dos bens potencialmente expostos. • Promover a prática da decisão informada pelo risco associado, nas situações em que a segurança das pessoas e a economia da Região estejam em causa. Recomendações Controlo de Erosão – Coberto Vegetal Estabilização de Leitos Medidas Estruturais Intercepção e Retenção de Sedimentos Reforço da Capacidade de Vazão Hidráulica Protecção ou Remoção/Habitações em Risco Medidas de Mitigação Rede Integrada de Monitorização Cartas de Zonamento e Susceptibilidade Sistema de Previsão e Aviso Medidas Não-Estruturais Investigação e Desenvolvimento Informação e Formação Transf. do Risco - Seguros Justificação de múltiplas medidas: complexidade e incertezas Ordenamento do Território Critérios de Ocupação e de Medidas Conclusões O estudo permitiu: • O aprofundamento dos conhecimentos científicos e técnicos relativos ao processo de formação e desenvolvimento de aluviões. • A caracterização do evento de 20/2/2010 com base em dados disponíveis e em tecnologias de detecção remota. • A elaboração de princípios orientadores das intervenções de protecção, nomeadamente as promovidas pela SRES em fase de projecto. • O apoio científico às equipas de projecto responsáveis pelas obras especiais de protecção. Conclusões • A análise dos dados permitiu concluir que a precipitação horária no Funchal (IM Funchal – Observatório) durante o período crítico do evento 20/2 correspondeu a um período de retorno da ordem de 80 a 100 anos. • As condições de dimensionamento das obras e o nível de risco a adoptar devem ter em conta as características estimadas dos escoamentos líquidos e sólidos do evento 20/2. • Análises de custo/benefício na atenuação do risco e das condições económicas de exploração/manutenção deverão orientar as decisões relativas às intervenções em projecto.