Revista do Grupo Cemig Ano 2 - Nº 7 - Setembro a Dezembro/2011 De olho no clima Novas tecnologias e o diálogo com as comunidades agregam mais eficiência à gestão de reservatórios Aquisições do Grupo Cemig abrem novos caminhos para o crescimento Sustentabilidade no DNA: Companhia entra no mercado de créditos de carbono Arquivo Cemig Companhia Energética de Minas Gerais EXPEDIENTE Diretor-Presidente: Djalma Bastos de Morais Diretor Vice-Presidente: Arlindo Porto Neto Diretor de Distribuição e Comercialização: José Carlos de Mattos Diretor de Finanças e Relações com Investidores: Luiz Fernando Rolla Diretor de Geração e Transmissão: Luiz Henrique de Castro Carvalho Diretor de Gestão Empresarial: Frederico Pacheco de Medeiros Diretor de Desenvolvimento de Negócios: Fernando Henrique Schuffner Neto Diretor Comercial: José Raimundo Dias Fonseca Diretor de Gás: Fuad Noman Diretora Jurídica: Maria Celeste Morais Guimarães Diretor de Relações Institucionais e Comunicação: Luiz Henrique Michalick Universo Cemig Revista institucional do Grupo Cemig Produzida pela Superintendência de Comunicação Empresarial Publicação da Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig Ano 2 – número 7 – Setembro a Dezembro / 2011 Av. Barbacena, 1.200 – 19º andar Tel.: (31) 3506-4949/3506-2052 Caixa Postal 992 Belo Horizonte/MG e-mail: [email protected] End. internet: www.cemig.com.br Editor responsável: Luiz Henrique Michalick - Reg. nº 2.211 SJPMG Coordenação de edição: Etevaldo Lucas Queiroz, Carlos Henrique Santiago e Jonatas Andrade Projeto Gráfico e Editorial: Press Comunicação Empresarial Produção e edição: Beatriz Debien, Deca Furtado e Jeane Mesquita Rede Comunicação de Resultado (Jornalista responsável – Flávia Rios/06013 JP) Redação: Deca Furtado Desireé Antônio Lucas Ávila Paulo Paiva Rita Cardoso Tarsis Murad Revisão: Liza Ayub Edição de arte e diagramação: Clayton Pedrosa (Rede Comunicação de Resultado) Impressão: Gráfica 101 Tiragem: 24.000 Foto capa: Usina Irapé (MG) / Arquivo Cemig Filiado à Aberje Fontes Mistas Grupo de produto proveniente de florestas bem manejadas e outras fontes controladas www.fsc.org Cert no.IMO-COC-029623 C 1996 Forest Stewardship Council O papel utilizado neste impresso foi produzido com madeira de florestas bem manejadas, garantindo o respeito ao meio ambiente. 2 Universo Cemig Presença sul-americana Em 59 anos, o Grupo Cemig investiu na diversificação e na qualidade de seus serviços, expandindo sua atuação no Brasil e na América do Sul. Confira onde a Companhia está presente e suas respectivas operações Arquivo Cemig EDITORIAL Advocacia corporativa na Cemig Dentre os grandes desafios da Cemig está a meta de crescer e atender, cada vez melhor, seus milhões de clientes. Para que isso aconteça, é fundamental que a Empresa esteja preparada para receber e gerir novas demandas. Nesse contexto, uma área jurídica bem-estruturada é fundamental. Foi com essa proposta que a Cemig criou, em janeiro deste ano, a Diretoria Jurídica, responsável por gerenciar não só os assuntos da área jurídica da Companhia, mas também das demais empresas do Grupo Cemig. Com o objetivo de manter seus leitores informados sobre os avanços implantados no Grupo, bem como sobre as inovações na gestão empresarial, a revista Universo Cemig dá início, a partir desta edição, ao acompanhamento permanente das ações da nova diretoria, que, em um curto espaço de tempo, já começa a mostrar resultados importantes. Entender a importância da Diretoria Jurídica passa, antes de tudo, por compreender a realidade de uma Empresa tão grande como a Cemig, com seus mais de sete milhões de consumidores e as milhares de ações judiciais que são abertas e envolvem também grandes valores. É proposta da Diretoria Jurídica agir de forma estratégica, dando andamento às ações que já existem, bem como estar mais próxima do consumidor, agir preventivamente e trabalhar de forma corporativa. O conceito de advocacia corporativa remete Maria Celeste Morais Guimarães Diretora Jurídica do Grupo Cemig não só às necessidades de uma empresa, mas de todo o Grupo, para que se possa traçar estratégias conjuntas de solução dos problemas, otimização de custos e troca de experiências. A aproximação com o consumidor e a implantação de um trabalho preventivo representam grandes objetivos que possuímos e também desafios que pretendemos vencer. Queremos demonstrar que a Cemig está do lado de seus clientes, e não o contrário. Que a Empresa quer andar junto, e não bater de frente, sem transtornos para ambos os lados. Nesta edição, os leitores da Universo Cemig poderão conhecer um dos primeiros resultados de sucesso deste novo momento pelo qual a Companhia atravessa: a Semana de Conciliação Cemig, realizada em parceria com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em agosto deste ano. Uma oportunidade sem igual em que se buscou a conciliação de mais de 1.200 ações. Os consumidores da Empresa puderam resolver, em questão de minutos, demandas judiciais que poderiam tramitar por anos. A Diretoria Jurídica da Cemig também está aberta para parcerias com instituições de ensino jurídico do Estado, tribunais, entidades de classe, associações e Ministério Público. Tudo isso para fortalecer a transparência e o compromisso com a qualidade na prestação de serviços da Empresa. Setembro - Dezembro/2011 3 Eugênio Paccelli SUMÁRIO Reservatório da Usina Irapé, entre os municípios de Berilo e Grão Mogol 03 Editorial 05 Comunicação Institucional 07 10 13 17 21 4 Advocacia corporativa na Cemig Imprensa brasileira elege a Cemig como uma das empresas que melhor se comunicam com jornalistas 23 Mercado de Ações 25 Sustentabilidade 27 Regionalismo 31 Dicas Culturais 33 Vitrine 34 Com a Palavra Atendimento Companhia chega a 100% dos municípios da área de atuação atendidos e abre novos canais de comunicação com o público Circuito Cemig Grupo Cemig: uma organização premiada e reconhecida. Circuito Arborização mostra que é possível harmonizar a urbanização com as árvores Expansão Novas aquisições vão fortalecer a presença do Grupo no setor energético nacional Capa Integração com as comunidades e investimento em novas tecnologias para enfrentar as adversidades climáticas Comunidade Transparência e agilidade na resolução de processos marcaram a Semana da Conciliação promovida pela Cemig e o TJMG Universo Cemig 35 Pelo 12º ano, a Companhia comemora sua presença no Índice Dow Jones e o Cemig Day, na Bolsa de Nova York Estreia no mercado de créditos de carbono e engajamento em prol da redução da emissão de CO2 Em Três Marias, moradores guardam na memória a história e a cultura de uma cidade que surgiu às margens da represa O longa Girimunho, filmado em São Romão, destaca-se nos principais festivais europeus Ciclovias e bicicletas começam a ganhar espaço na capital mineira Aristóteles Drummond destaca empresários, intelectuais e políticos que marcaram a história da democracia brasileira Retratos do Brasil A beleza microscópica da natureza Comunicação Institucional Com bons olhos Jornalistas elegem a Cemig como uma das empresas que melhor se comunicam com a imprensa C omunicar-se bem com a imprensa é vital a qualquer empresa. Uma resposta mal calculada ou a falta de retorno, a tempo e a hora, a um questionamento podem causar prejuízos à imagem corporativa. Na Cemig não é diferente. Transparência é um dos valores mais caros à companhia, sempre atenta às demandas dos jornalistas. Por isso mesmo, em promoção realizada pela revista Negócios da Comunicação, ela foi, junto à AES e à Eletrobras, uma das três ganhadoras do prêmio “As Empresas que Melhor se Comunicam com Jornalistas”, que ouviu mais de 2.500 periodistas de todo o País. A Cemig é uma empresa de utilidade pública e se envolve com diversos atores sociais. O consumidor é um deles. Na verdade, ela deve informações a toda a sociedade e reage às demandas que lhe chegam por meio da imprensa e de outros canais de comunicação. É esse trabalho que foi reconhecido. “Faz mais de 10 anos que a política de relacionamento da Companhia com a imprensa é uma via de mão dupla: mandamos notícias da Empresa, mas atendemos bem quando nos demandam”, afirma Luiz Henrique Michalick, diretor de Relações Institucionais e Comunicação da Cemig. “Nós temos a obrigação de não deixar a imprensa sem respostas, de não nos esconder quando ocorrem fatos desagradáveis. Foi o que fizemos, por exemplo, no episódio da tragédia de Bandeira do Sul, em Minas Gerais.” Setembro - Dezembro/2011 5 Jornalistas entrevistados pela revista Universo Cemig confirmam a percepção que a imprensa mostrou ter da companhia na pesquisa. Para Alexandre Canazio, editor do Canal Energia, site especializado no setor, “se peço alguma informação, a assessoria logo providencia a fonte para falar sobre o assunto. Se a Cemig considera a informação estratégica e, por isso, não fala sobre aquele aspecto, ela não enrola, diz logo. Isso é muito importante, pois tudo na imprensa é para ontem”. Rita Mundim não é jornalista, mas economista. E das mais conhecidas da praça, já que vai ao ar, três vezes por dia, na Rádio Itatiaia, onde prontifica sobre o sempre nervoso mercado de ações. “Lembro-me bem do 11 de setembro de 2001. A Cemig ia lançar ações na Bolsa de Nova York, mas, pouco antes, veio o ataque da Al Qaeda. Com aquela confusão toda, e mesmo com a pressão mundial para saber como a coisa ia ficar, fui atendida em tempo real e pude passar as informações para o meu público. Isso marcou o meu relacionamento com a Cemig.” O comunicador Eduardo Costa, também da Itatiaia, ressalta os cuidados que a Cemig toma com o que pensa o repórter: “Em 2009, todos os superintendentes foram reunidos para que eu dissesse a eles sobre a minha leitura dos serviços prestados pela empresa. Dois anos depois, uma antiga sugestão minha e da Itatiaia, de unir Prefeitura da capital e Cemig para um estudo aprofundado das árvores da cidade, está acontecendo”. Martha San Juan França, repórter do jornal Brasil Econômico, elogia o trabalho da assessoria. “É tudo muito profissional, o que não depende só da política da empresa, mas também das pessoas. E elas têm sido maravilhosas comigo.” Prêmio justo Levantamento da assessoria mostra que o prêmio é justo. Afinal, em 2010, foram atendidas 4.115 solicitações da imprensa. Nos seis primeiros meses de 2011, elas já tinham chegado a 2.296. “O prêmio não é apenas da Assessoria de Comunicação, e sim de todas as fontes da empresa. Evidentemente, só ganha esse prêmio quem tem credibilidade e respeito. E isso nós temos, pois nos esforçamos para compreender o jornalista, sua ânsia e pressa pela informação. Fomos uma das primeiras empresas a adotar o plantão em fins de semana”, exemplifica Michalick. De onde vêm as demandas: 84% mídia regional Quem demanda: 38% 30% Mídia impressa TV 15% imprensa nacional 1% imprensa estrangeira 18% 7% Rádio 7% Outros Portais de notícias 6 Universo Cemig Atendimento Mais perto do consumidor Fotos: Arquivo Cemig Cemig atinge a marca de atendimento em 100% dos municípios onde atua e abre novos canais de comunicação com o público Pelo Projeto Representatividade, foram instalados 777 PCFAs, em 774 municípios mineiros, como no Serro A o passar pelo centro de Itaguara, cidade localizada a 85 quilômetros de Belo Horizonte, percebe-se que a fachada da farmácia Droga Lima está diferente. Ao lado do nome da empresa, há agora uma placa indicando que ali funciona também um Posto Cemig Fácil de Atendimento (PCFA), local onde os clientes da Cemig têm acesso a serviços como pagamento de contas, transferência de titularidade e outras requisições ligadas ao fornecimento de energia elétrica. A abertura do posto em Itaguara, realizada em setembro de 2009, integra o Projeto Representatividade, iniciativa que consiste na instalação de locais de atendimento presencial em todos os municípios onde a empresa atua. Os PCFAs têm a forma de agência, para as localidades com mais de 10 mil unidades consumidoras (UCs), ou de posto de atendimento associado a outro estabelecimento comercial, como farmácia e padaria, para aquelas com menos de 10 mil UCs. “O Projeto Representatividade inaugura uma nova era de relacionamento com o cliente, na qual nos aproximamos mais dele, abrindo condições para que ele se pronuncie com mais facilidade perante a Cemig”, diz Ricardo Rocha, superintendente de Relacionamento Comercial com Clientes. No total, foram instalados 777 pontos de atendimento nos 774 municípios da área de concessão da Cemig – sendo 156 agências e 621 postos, que receberam o nome de Cemig Fácil. A expectativa é de que, inicialmente, sejam feitos 20 mil atendimentos/dia em todo o Estado. O trabalho envolveu o esforço conjunto de todos os setores da casa e, mais diretamente, de uma equipe de cerca de 60 colaboradores da Gerência de Suporte e Relacionamento Comercial com Clientes. O grupo, coordenado pelo gerente Elieser Corrêa, percorreu mais de 200 mil quilômetros, avaliando mais de 1.000 estabelecimentos e organizando cerca de 500 licitações para permitir a parceria com aqueles que receberiam os Setembro - Dezembro/2011 7 Ronaldo Guimarães PCFAs. Ederson, da Droga Lima, teve suas vendas aumentadas com a instalação do Cemig Fácil em seu estabelecimento A equipe também vai monitorar a qualidade dos serviços oferecidos nos postos e agências. “Ao fim do atendimento, o consumidor faz uma avaliação de como foi atendido, através de um sistema automatizado. Com base nesses dados, se há problemas, agimos para saná-los”, explica Corrêa. Além de mais praticidade e segurança para o consumidor, o Projeto Representatividade também contribuiu para o aquecimento da economia local: 1.200 empregos de atendentes foram gerados em todo o Estado e os comércios que participam da rede de PCFAs já relatam incrementos em suas vendas. A presença da Cemig nos locais funciona como um chamariz para o estabelecimento, já que, geralmente, quem vai tratar de questões relacionadas ao fornecimento de energia elétrica também aproveita para fazer alguma compra. Na Droga Lima, de Itaguara, por exemplo, as vendas aumentaram 30% ao mês desde o contrato com a Cemig. “Com o atendimento, eu trago o cliente para fazer compras na minha drogaria”, revela Ederson Vilela, o proprietário. net e, agora, por mensagens de celular. Pioneira entre as distribuidoras de energia, a Cemig disponibiliza ao cliente, desde 2008, o tridígito 116 para acesso gratuito ao Fale com a Cemig, sua central de teleatendimento. Disponível 24 horas por dia e 7 dias por semana, o Fale com a Cemig dispõe de mais de 1.300 profissionais devidamente capacitados para prover atendimento aos seus clientes de forma ágil, eficaz e cortês. “Maior call center dentre as distribuidoras de energia do Brasil, o Fale com a Cemig realiza, diariamente, mais de 35.000 atendimentos”, diz o gerente das Centrais de Relacionamento com Clientes, Mauro Marinho. Além do atendimento pelos profissionais, o cliente pode ainda resolver seu pedido pelo atendimento telefônico automatizado, por meio da Unidade de Resposta Audível (URA). Através dela, sem a intervenção humana, o cliente pode reclamar da falta de luz, consultar débitos, solicitar a religação de imóvel cortado por falta de pagamento e informar a leitura de seu relógio de energia. Recentemente, a URA foi reformulada para tornar o atendimento mais simples e com um estilo mais próximo do cliente. Hoje, ela já realiza mais de 6.000 atendimentos/dia, de forma rápida e eficiente. Para todos os gostos Para quem tem hábitos mais modernos e pouco tempo no dia a dia, a Cemig oferece outras opções de atendimento remoto: por telefone, inter- 8 Universo Cemig Os mineiros já contam com 156 agências e 621 postos de atendimento em estabelecimentos comerciais, que receberam o nome de Cemig Fácil, como em Florestal Aos mais adeptos à internet, uma boa dica é a Agência Virtual, um canal de atendimento pelo qual o próprio consumidor pode requisitar serviços como alteração de data de vencimento, segunda via de conta e reclamação sobre falta de energia, dentre outros. “Essa nova geração de consumidores está muito familiarizada com esse tipo de tecnologia, e a Cemig vem explorando isso para estar mais perto dela”, afirma Sergio Mourthé, gerente de Planejamento e Acompanhamento do Relacionamento Comercial com Clientes. Atualmente, a Agência Virtual é responsável por 25% de todos os atendimentos, um número 3% maior do que no ano passado. Fechando o rol de canais de atendimentos, que chegam a realizar mais de 2,4 milhões de atendi mentos por mês, a distribuidora acaba de estabe lecer mais uma via de comunicação: o Cemig Tor pedo, que permite o contato com a empresa por meio de mensagens pelo celular enviadas para o número 29810. Gratuito, o novo serviço possibilita a solicitação de informações sobre débitos e in formar a leitura mensal do padrão e sobre a falta de energia. Assim que a mensagem é enviada, o cliente tem o retorno da empresa com o número de protocolo para acompanhar a resolução. O pro jeto, que começou a ser implantado em caráter piloto na cidade de Sete Lagoas (MG), foi lançado em dezembro para todo o Estado. “Nós disponibilizamos o mix de atendimentos, mas quem opta é o cliente, que tem a liberdade de saber o que é mais fácil para ele”, conclui Mourthé. A Agência Virtual está entre as tecnologias disponibilizadas pela Cemig para se aproximar mais do consumidor, facilitar e agilizar o atendimento http://atendimentovirtual.cemig.com.br Serviços Cemig Torpedo Faltou luz? Quer saber seu último débito? Envio de leitura? Digite “cemig luz”, o número do cliente e o número da instalação e envie para 29810. Esses números você encontra na conta de energia. Digite “cemig conta”, o número do cliente e o da instalação e envie para 29810. Esses números você encontra na conta de energia. Digite “cemig leitura”, o nº do cliente e o da instalação, além do número da leitura e envie para 29810. Esses números você encontra na conta de energia. Setembro - Dezembro/2011 9 Circuito Cemig Reputação em alta Pesquisa aponta marca da Cemig como uma das duas mais importantes de Minas Gerais A Cemig recebeu, pela segunda vez, o prêmio Marcas mais prestigiadas de Minas, da Ideia Comunicação Empresarial e do grupo Troiano de Branding. Ela ficou atrás apenas da Fiat. Nenhuma surpresa: são empresas de setores diferentes, que, entre outras coisas, se divulgam diferentemente, o que afeta o resultado final. A novidade está no fato de que, em empresas de serviços, a marca vale, em média, de 5 a 6% do valor de mercado. A da Cemig vale 10%. Por quê? “A Cemig é um caso raro em todo o mundo. Sua marca tem apelo racional e emocional. A população percebe, por exemplo, que, além de servi-la, a Empresa cuida do desenvolvimento com sustentabilidade”, diz Gilson Nunes, da Brand Finance, especialista em marcas. “A reputação e o valor da marca Cemig se baseiam em pilares como a sua contribuição ao desenvolvimento da sociedade e a qualidade dos serviços. A consistência com que ela propõe esses temas nos seus relacionamentos é o que tem contribuído para seu reconhecimento em Minas”, diz Marcus Dias, do Reputation Institute. A marca da Cemig não seria tão valiosa hoje caso, em 2004, os acionistas não aprovassem o Plano Diretor, visando ao crescimento além-fron- teiras. Houve uma cisão, e o grupo, antes com cinco empresas, passou às 60 de hoje e se tornou mais poderoso. “Foi ali que começamos a estudar a nossa marca”, lembra Luiz Henrique Michalick, diretor de Relações Institucionais e Comunicação da Cemig. Então, não havia consenso sobre uma marca comum ao grupo. A pedido da Cemig, stakeholders ouvidos pela Troiano disseram que ela deveria ser única. Bastou colocar uma chancela, tipo Cemig Distribuidora, Cemig Geração, etc., pois a Companhia já era vista, fora de Minas, não como mineira, mas brasileira – o verde e o amarelo da logomarca surgiram no Governo Itamar Franco. Daí em diante, a marca se impôs de vez. Hoje se pode medir seu peso por episódios como o da sua entrada no consórcio construtor da usina de Belo Monte. Um dia após a divulgação do fato, o jornal Valor Econômico disse que isso significava governança, transparência. E explicou: o projeto, até então, era uma caixa-preta. Com a Cemig, todos os dados procurados, há tempos, pelos jornalistas foram publicados já no comunicado. “Essas atitudes também ajudam a manter a reputação da Cemig em alta”, diz Michalick. Cemig entre as líderes A Cemig foi, mais uma vez, reconhecida pelas boas práticas gerenciais e conquistou o segundo lugar entre as melhores empresas do setor energético no prêmio “As Melhores da Dinheiro 2011”, promovido pela revista IstoÉ Dinheiro. Dentro do setor, também conquistou o primeiro lugar na categoria “Recursos Humanos”, segundo lugar em “Governança Corporativa” e terceiro em “Sustentabilidade Financeira”. 10 Universo Cemig Todas as empresas foram avaliadas sob os seguintes aspectos: financeiro, de responsabilidade social, de sustentabilidade e meio ambiente, de inovação e qualidade e de governança corporativa. O resultado da premiação, que avaliou as 500 maiores companhias instaladas no Brasil, em 27 diferentes setores da economia, foi publicado no anuário da iniciativa. Amiga do esporte melhoria da questão social”, comenta a analista de Projetos da Superintendência de Comunicação Empresarial, Cecília Bhering. A Cemig destinou o investimento de R$ 3,7 milhões a projetos esportivos em 2010. Ao todo, seis projetos foram apoiados nas seguintes áreas: formação de crianças e adolescentes em atletas de futebol; realização de campeonatos de rugby; desenvolvimento da prática de esportes na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Ipatinga (MG); e formação de crianças e jovens nas práticas náuticas, por meio do Projeto Versol, uma parceria entre a Cemig, Projeto Grael e a Prefeitura de Três Marias (MG). Maíra Vieira/Divulgação O esporte é uma atividade que estimula a inclusão social, o respeito, a educação e o desenvolvimento humano. A Cemig mostrou que está em dia com esse estímulo e foi reconhecida pelo Prêmio “Empresário Amigo do Esporte”, do Ministério do Esporte. A Companhia ficou em primeiro lugar na categoria “Melhor Amigo do Esporte Regional” e em terceiro na categoria “Dedicação e Incentivo ao Esporte”. O prêmio reuniu os empreendedores que contribuíram com programas do âmbito esportivo, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte. “Um reconhecimento de que a Cemig busca todos os mecanismos possíveis, fiscais ou não, para apoiar bons projetos e continuar investindo na O time do BH Rugby, um dos projetos esportivos apoiados pela Cemig Boa vizinhança Para integrar os conhecimentos sobre as técnicas de plantio e cultivo de árvores com a urbanização em Minas Gerais, nasceu o Circuito Cemig de Arborização. Trata-se de uma das ações do Programa Premiar, criado em 2009 pela Companhia, que visa ao manejo eficiente da arborização urbana, garantindo a harmonização entre árvores e redes elétricas e a qualidade do fornecimento de energia. Iniciado em março de 2011, o Circuito já percorreu várias cidades do interior de Minas: Juiz de Fora, Divinópolis, Varginha, Governador Valadares, Uberlândia e também a capital mineira. O projeto refor- ça o pilar de sustentabilidade da Cemig, levando para as cidades importantes informações que reforçam o seu compromisso com o meio ambiente, a segurança e a qualidade de vida dos moradores. Em setembro foi a vez de Belo Horizonte receber o evento, com o lançamento do Manual de Arborização. A edição foi elaborada em parceria com a Fundação Biodiversitas e leva novas informações e conceitos sobre melhorias na convivência entre as áreas verdes e as redes de energia elétrica. O projeto terminou em outubro, na cidade de Montes Claros, no norte de Minas. Setembro - Dezembro/2011 11 A CemigTelecom, empresa de telecomunicações do Grupo Cemig, conquistou o reconhecimento de destaque do ano no Anuário Telecom, no segmento de serviços corporativos em 2010, e também uma posição entre as dez empresas mais rentáveis do ano passado. Além disso, garantiu o 55º lugar entre as 100 maiores empresas do ramo. Esse reconhecimento é reflexo e resultado do projeto de ampliação da empresa, que levou suas redes para mais de 22 cidades e contava com infraestrutura em 61 municípios de Minas Gerais, até o fim de 2010. “Além dos bons resultados financeiros, a CemigTelecom também expandiu suas redes e abriu novas oportunidades de negócio”, comemorou o presidente Djalma Bastos de Morais. O Anuário Telecom é publicado pela editora Plano Editorial e consiste na pesquisa e comparação dos resultados financeiros de empresas do mercado de telecomunicações no Brasil. Divulgação Plano Editorial Destaque no setor O diretor técnico da CemigTelecom, Sérgio Belisário, recebeu o troféu de “Destaque do Ano no Segmento Serviços Corporativos” da diretora de Publicidade da Plano Editorial, Silvia Meurer Nota do editor No último dia 21, a matéria “Ventos Cheios de Energia”, escrita pelo jornalista Roberto Angelo e publicada na revista Universo Cemig nº4, recebeu Menção Honrosa do Prêmio Allianz de Jornalismo, que, em sua quinta edição, premiou as melhores matérias na área de comunicação corporativa sobre o tema sustentabilidade. A Universo Cemig chega a sua sétima edição, provando que a decisão de produzir a revista foi acertada pois ela já alcança o objetivo de levar a mensagem de sustentabilidade para os seus leitores e o público em geral. A equipe da revista acredita que a seleção da matéria como finalista do Prêmio Allianz vai ajudar a ampliar ainda mais o alcance dessa mensagem. (Luiz Henrique Michalick) 12 Universo Cemig Expansão Aquisições estratégicas Novos negócios marcam mais um passo do Grupo Cemig rumo à meta de ser o segundo maior do setor energético no Brasil V isão de mercado e planejamento para expandir negócios. Com essa postura, o Grupo Cemig vem analisando oportunidades de negócios e aquisições de organizações nacionais e estrangeiras do setor energético, especialmente daquelas com atuação consolidada no ramo de fontes limpas e alternativas de energia. A estratégia visa à conquista da posição de segundo maior grupo do setor no Brasil, em 2020, mantendo-se como uma das empresas líderes em sustentabilidade em todo o mundo. Nos últimos anos, o Grupo tornou-se acionista da Light e da Taesa, que assumiram, há pouco, o controle da Renova e da Abengoa, respectivamente; passou a fazer parte do consórcio vencedor do leilão da Usina Santo Antônio, em Roraima; e adquiSistemas de aquecimento em moradias de Monte, no riu, em outubro, 9,77%solar da Usina de Belo Divinópolis (MG) reduzem gastos com energia Pará. A expansão, pois, vai bem. Com a Usina de Belo Monte, deverá ir melhor ainda. A Light é a parceira do Grupo na compra de participação nesta hidrelétrica, a maior em construção em todo o mundo – que, finalizada, terá uma potência assegurada de 4.571 MW médios. O início da operação está previsto para 2015. Ela tornará possível um acréscimo de 818 MW ao parque gerador administrado diretamente pela Cemig, garantindo um aumento da participação de mercado de 7% para 8%, e um aumento de 280 MW ao da Light. A Light, uma das mais tradicionais empresas de energia do País, dispensa apresentação. Pela sua localização geográfica e história, o Grupo Cemig enxergou um potencial enorme nela, logo após a aprovação do Novo Plano Diretor da Cemig, em meados da década passada. Não se enganou, pois uma completa a outra, e as sinergias não param. Por intermédio da Light, a Companhia comprou, ainda, Setembro - Dezembro/2011 13 Divulgação Light Pequena Central Hidrelétrica (PCH) de Lajes, no estado do Rio de Janeiro, foi construída pela Light, que, hoje, compõe o Grupo Cemig. A PCH é reconhecida por seu projeto de engenharia elaborado, com foco na preservação de um santuário ambiental a Renova Energias, talvez sua aquisição mais importante na área de fontes alternativas. “A Renova é o nosso veículo de crescimento em energias renováveis. Desenvolver expertise levaria tempo e queríamos crescer rápido nessa área”, justifica Fernando Henrique Schuffner Neto, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Cemig. “Numa empresa tradicional como a nossa, não se consegue dar prioridade às energias alternativas. A Renova tem foco preciso”, complementa Paulo Roberto Pinto, diretor de Novos Negócios da Light. O mar virou sertão A empresa era um poço de boas vantagens. Agressiva nos leilões e confiante no potencial eólico identificado em locais como Caetité, no sertão da Bahia, ela vendeu energia para entrega futura, certa de poder cumprir os contratos. Enquanto os competidores procuravam áreas à beira-mar, no litoral brasileiro, Pedro Pileggi, diretor de Relações com Investidores e Novos Negócios da Renova, ressalta que, “no sertão, de terras mais baratas, alguns fatores turbinam o desempenho dos parques eólicos”. A Renova optou por arrendar os terrenos em contratos de 35 anos, a fim de garantir a energia já contratada a longo prazo e de privilegiar o social: o arrendamento fixa o homem no campo e não contribui para o inchaço dos centros urbanos. 14 Universo Cemig A energia da empresa beneficiará o Grupo. Por contrato, 40% do que a Renova gerar vão para a Light vender aos consumidores livres. Com isso, ela e a Cemig poderão conquistar novos consumidores – o Grupo já é, hoje, o maior vendedor de eletricidade no mercado livre, com 25% da quantidade de energia negociada. “Quando o nível dos reservatórios está mais baixo é que o vento sopra mais forte. Com a Renova, não corremos risco de não entregar o que vendemos. Ela nos garante contra prejuízos”, afirma Paulo. A Renova também se beneficia: sua expertise foi unida à experiência em construção e compra de equipamentos do Grupo. “Já estamos colhendo as sinergias. Toda vez que temos uma questão técnica a resolver na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o corpo técnico dos nossos acionistas nos ajuda”, diz Pedro. As benesses não cessam aí. Segundo a Cemig, o potencial eólico mineiro é de 39 GW. “Com 20% disso, já teríamos o equivalente à atual capacidade da Cemig”, afirma Schuffner. Já a Renova possui um portfólio de mais de 2 GW em projetos eólicos só no Nordeste brasileiro. Leite com rapadura A ideia é somar a expertise da Cemig, pioneira na geração de energia eólica com a Usina de Ca- tudo isso, a Renova, a única do setor de energias alternativas listada na Bolsa de Valores de São Paulo, valorizou muito e é bem-vista no mercado. “Se a vendêssemos hoje, estaríamos ganhando muito. Não faremos isso, o objetivo é gerar valor ao acionista”, diz Schuffner. Mandamento A Taesa segue o mesmo mandamento. Comprada em 2009, ela, que já atuava em 11 estados, é o veículo de crescimento no setor de transmissão. O “carro” já andou com a compra de ativos da Abengoa, em junho de 2011, pelo valor de R$ 1,1 bilhão – em troca ganhou mais 2% de participação no mercado. Com a compra, a Taesa, que tinha 3.712 km de linhas e passou a 6.250 km – 68% a mais –, terá uma receita 33% maior. “E um aumento no Ebitda próximo a 30%. Ou seja, nosso lucro cresce na mesma proporção”, diz Domingos Horta, diretor financeiro. O mercado de ações viu a transação com bons olhos. Ainda mais porque a Abengoa, como todas as empresas do setor, é privilegiada pelo atual modelo do setor elétrico. A receita é protegida, e a tarifa, reajustada anualmente pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M). Seus ativos, de qualidade, ombreiam-se aos da Taesa. “Teremos nela o mesmo nível de eficiência que temos em Divulgação Ligth melinho no Brasil, com o portfólio da Renova e reforçar o poder de barganha da caçula do grupo. A razão disso é o preço da energia eólica. Ele tende a se estabilizar em volta dos R$ 100 por MW/h (mais competitivo do que o das Pequenas Centrais Hidrelétricas – PCHs). Como parte dos equipamentos eólicos ainda precisa ser importada, e o dólar está muito volátil, as incertezas persistem, porém o número de fornecedores nacionais cresceu muito. A tendência é de acirramento da competição, e isso favorece quem compra. Logo, com menos investimentos para gerar energia, o lucro tende a aumentar. Mas a eólica não é a única energia renovável. Por isso, a Renova poderá gerar também a partir da solar. “Estamos estudando o assunto”, revela Schuffner. De outro lado, ela gera, hoje, 42 MW via PCHs. Na Light, pensa-se em criar outro braço só para PCH, também uma energia renovável. “Na Renova, haverá um comitê de novas tecnologias que prospectará novos negócios. Apareceu? Estaremos dentro”, diz Paulo. Os primeiros parques eólicos da Renova despacharão energia em 2012. Quando da sua compra, a geração projetada era de 450 MW. Hoje ela tem contratos assinados para entregar, até 2015, mais de 1.000 MW. O investimento necessário, de até R$ 5 bilhões, já faz dela a maior do ramo. Por 3º Rodeio dos Eletricistas da Light, promovido em outubro, no Centro de Treinamentos da Light, em Queimados (RJ) Setembro - Dezembro/2011 15 Luis Felipe G. Semensato Uma das linhas de transmissão da Taesa, no trecho Rio das Eguas, em Bom Jesus da Lapa (BA), que faz a interligação entre as regiões Sudeste e Nordeste impossível ter zero de desconto porque há a manutenção, e ela é penalizada”, completa Horta. A Taesa ainda não tem ativos em Minas Gerais, onde estão as maiores linhas da Cemig GT. No âmbito nacional do setor, sua missão é replicar a holding. “Estamos atentos às oportunidades. Queremos negócios que agreguem valor a nossa empresa”, diz Ragone. “A Taesa, que já é grande, quer crescer de maneira sustentável, prudente, mas de forma a ser, em breve, o maior player de transmissão privado do Brasil.” Fotos: Divulgação Renova casa”, diz José Aloise Ragone, diretor-geral da Taesa. “As linhas de transmissão, espalhadas por todo o país, têm uma grande proximidade com as nossas. Teremos operação e manutenção conjuntas. Vamos cortar custos”, acrescenta Horta. O corte dos custos vai valer ouro: no setor, devido à regulação, esse é um dos poucos jeitos de aumentar o lucro. A receita das empresas é limitada por um teto. Mas ele sofre um desconto se as linhas ficam inoperantes. “Nosso nível de eficiência já é de 99%”, diz Ragone. “É praticamente Os primeiros parques eólicos da Renova estão em construção e despacharão energia a partir de 2012 16 Universo Cemig CAPA As águas vão rolar Cemig está preparada para enfrentar as adversidades climáticas e agregar mais segurança às populações vizinhas das represas N Boletins “Antes e depois das enchentes, passamos a informar a sociedade sobre os nossos passos”, diz Marcelo de Deus, gerente de Planejamento Energético e gestor do Plano de Integração. Desde então, quando os reservatórios estão perto de uma situação mais crítica e se tem de liberar água, a Empresa emite boletins esclarecedores. Se as chuvas se intensificam, todos são alertados para dificuldades maiores. Em eventos periódicos, formadores de opinião, como autoridades municipais, da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, recebem informações para serem replicadas nas comunidades. A Cemig dá a eles treinamento e combina emitir alertas e avisos sobre as liberações de água pelo reservatório, para que orientem os ribeirinhos com antecedência. Em 2011, 13 dos 66 reservatórios da Empresa receberam audiências públicas. Os assuntos abordados também são amplos. Operação de reservatóFotos: Arquivo Cemig a atualidade, parte do modo Cemig de ser é definido por inovação, pioneirismo e sustentabilidade. Ela inovou, por exemplo, com o Plano de Integração, que a aproximou das comunidades ribeirinhas. A Empresa foi a primeira do setor elétrico, e até agora é a única, a comprar um radar meteorológico. Na questão sustentabilidade, suas ações visam garantir a continuação do negócio, mas com respeito ao meio ambiente e atendendo vários aspectos sociais. Graças ao Plano de Integração, a Cemig está bem à frente quando o assunto é relacionamento com as comunidades. O Plano nasceu em 2006, após a Empresa ouvir centenas de pessoas do entorno das usinas. Elas desconheciam os esforços da Companhia no controle das cheias. Vista como culpada, na verdade, a Empresa sempre atuou para minimizar o efeito das águas. O que faltava era comunicação. O Plano resolveu isso. Atenta a todos os aspectos da sustentabilidade, às mudanças de clima e às coordenadas geográficas, entre outros fatores, a equipe de hidrologia da Cemig monitora a profundidade dos reservatórios Setembro - Dezembro/2011 17 rios, por exemplo, sempre foi um tema discutido, desde o início. Porém, surgiram demandas, e o leque se abriu. Agora eles são os mais diversos. “Focamos vários aspectos, como a segurança das barragens. Mostramos até como se gera energia”, diz Marcelo, que intenta transformar o Plano em programa permanente para levar os eventos a todos os reservatórios da Cemig. Usos da água Da energia gerada pela Cemig, 98% vêm de hidrelétricas. Portanto, é energia renovável, o que a obriga a gerir os reservatórios de forma sustentável. “Temos de garantir os diversos usos da água e lucrar o máximo para a empresa”, resume André Cavallari, engenheiro responsável pelo planejamento da geração. Para tanto, a Empresa tenta gerar sem abrir mão da sustentabilidade. A água dos reservatórios, na seca e na cheia, é destinada à energia e ainda, entre outras finalidades, à navegação e à pesca. Quanto mais água houver para geração, melhor para a Empresa. O Plano de Integração trabalha a favor da Companhia ao buscar o convívio harmônico com os diversos usuários da água. Nas audiências, procura-se também identificar eventuais conflitos entre os usuários e a Cemig e, se possível equacioná-los. Essa harmonia favorece a implantação de novas usinas onde houver viabilidade ambiental e econômica. “Portanto, o Plano visa também à continuidade do nosso negócio”, diz Valéria Almeida Lopes de Faria, engenheira da Gerência de Planejamento Energético da Cemig. Cadeia de comando O Plano de Integração está conectado a uma cadeia de comando na Gerência de Planejamento Energético. A equipe desse setor, a fim de garantir os usos da água, tem de saber o tempo todo, o que acontece à jusante e à montante das usinas e quanto de água haverá nas próximas horas, no dia seguinte e nos meses subsequentes. “A decisão sobre quanta água gastar em cada reservatório tem que ser certa e tomada a tempo e a hora. Se a postergamos, podemos ter errado e aí não há como corrigir”, diz Marcelo. É preciso ter, ano após ano, muitas informações sobre o clima. Daí a cadeia de comando começar pelo meteorologista Arthur Chaves, o homem do tempo da Cemig. Ele o prevê com dados de cem estações meteorológicas, que atualizam modelos matemáticos, cada vez melhores, de cli- O radar meteorológico da Cemig vai potencializar a capacidade da Companhia de se preparar para as adversidades climáticas e alertar as comunidades ribeirinhas com relação à chegada das cheias 18 Universo Cemig ma e de tempo. Hoje, em uma hora, roda-se um modelo para dez dias de previsão. Há dez anos isso era inimaginável. “Quanto maior a capacidade de processamento – a da Cemig já é muito grande –, melhor é a técnica das previsões”, diz Arthur. Radar Com o radar meteorológico, que entrou em operação nas últimas semanas, em Mateus Leme (MG), tudo ficou mais preciso e rápido. Num raio de 200 km dali, ele mede a precipitação e diz se é líquida ou granizo. Acima dessa distância, e até 400 km, o radar identifica a chuva, mas sem quantificar o volume. Na prática, o radar acrescentou milhões de pluviômetros, que medem a quantidade de chuva, aos que a Cemig já dispunha. “Sabemos agora o quanto chove em todas as bacias hidrográficas dos reservatórios cobertos pelo radar e podemos estimar, com precisão, quanta água vai chegar até eles em poucas horas”, afirma Arthur. A rapidez do radar será mais útil nos pequenos reservatórios. Ao contrário do de Três Marias, por exemplo, o de Peti, em São Gonça- lo do Rio Abaixo (região central de Minas), enche em pouco tempo. Com dados atualizados a cada minuto pelo radar, alertas serão emitidos mais velozmente, assim como as decisões sobre liberação das vazões, que serão atualizadas, e a operação ficará mais precisa. O radar mede ainda a velocidade do vento, a variável que mais impacta o desligamento de redes de transmissão e distribuição. Com ele, será possível ter até três horas de alerta antecipado em Belo Horizonte, caso a tempestade se forme, por exemplo, em Divinópolis (MG), a 120 km da capital. É tempo suficiente para minimizar prejuízos, alocando equipes nos locais mais sujeitos a dano severo. Hidrologia A cadeia de comando se apoia também em dados hidrométricos e hidrológicos coletados pelo departamento de hidrologia da Cemig – no Brasil, há dados dos últimos 80 anos. A hidrologia tem modelos matemáticos que simulam o comportamento da água na natureza. Com eles, os hidrólogos imaginam o quanto a chuva caída dará de vazão no reservatório, uma informação de grande valia para a gestão. Engenheiros de planejamento de sistema elétrico, como Marcone Borges, monitoram as informações emitidas pelo radar, as quais possibilitam que usinas como a UHE Jaguara (à esquerda) minimizem as enchentes Setembro - Dezembro/2011 19 Para o secretário do Governo de Timóteo, Enéas, e o coordenador da Defesa Civil de Coronel Fabriciano, Irnac, as informações disseminadas nos encontros do Plano de Integração são importantes para planejar ações de prevenção junto às comunidades As informações são atualizadas constantemente – dependendo do reservatório, até a cada cinco minutos – e assim se decide a melhor maneira de manter o reservatório, cheio ou vazio. Se mais cheio, haverá mais energia gerada. Porém, com ele cheio, se chover muito, parte da água terá de ser jogada fora. Acontece que os reservatórios têm de ajudar a minimizar as enchentes. Volume de espera Como compatibilizar isso? Esvaziando as barragens no início das chuvas até o nível previamente estudado. Assim, é deixado um volume vazio no reservatório, conhecido como volume de espera, para, se chegar uma enchente significativa, ser amortecida e solta posteriormente pela turbina ou, às vezes, pelo vertedor. “Enquanto a chuva não cai, gera-se energia com o menor vertimento possível. Começou a chover? A coisa muda. A nossa missão é operar o reservatório com técnica, garantindo a segurança do empreendimento e minimizando os riscos e impactos para a comunidade”, diz o superintendente de Planejamento e Operação da Geração e Transmissão da Cemig, Nelson Benício. Cabe ainda à hidrologia controlar periodicamente o assoreamento, exigência ambiental imposta pelo Ibama. “Os sedimentos diminuem a vida útil dos reservatórios. Quanto mais a sociedade cuidar deles, maior será a vida das represas”, explica o engenheiro de Planejamento do Sistema Elétrico, Marcos Geraldo de Castro. “O plantio de matas ciliares, por exemplo, pode evitar que as enxurradas carreiem sedimentos”. Atenta a todos os aspectos da sustentabilidade, a Cemig recém inspecionou o fundo do reservatório de São Simão. O técnico de planejamento hidroenergético, Moretson Vasconcelos de Menezes, foi até lá 20 Universo Cemig munido com um DGPS – aparelho mais preciso que um GPS comum – e instalou marcos cujas coordenadas geográficas e altitude foram anotadas. Ele mediu também a profundidade do lago em vários pontos. Os procedimentos serão repetidos em cinco anos nos mesmos locais. “Comparando os resultados, saberemos se o lago está ou não sofrendo assoreamento”, diz Moretson. Conhecimento que vem dos mapas Nos eventos do Plano de Integração, são distribuídos mapas dos rios, usinas e cidades e mostra-se como se gera energia in loco. Demonstra-se a até 450 pessoas de cada vez como é a operação e todos os aspectos relacionados à gestão dos reservatórios, pois só assim a população se sente assistida. Enéas Souza Filho, secretário de Governo de Timóteo, participou, em setembro, da reunião sobre a usina de Sá Carvalho, subsidiária integral do Grupo Cemig, localizada no Vale do Aço (MG). “Vou repassar as informações e conscientizar o pessoal da cidade, e o da beirada do rio, a jogar lixo no local certo”, diz Enéas. Coordenador da Defesa Civil de Coronel Fabriciano (MG), Irnac Valadares da Silva também esteve no encontro. “Esta iniciativa é super importante para Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipatinga e Santana do Paraíso, cuja Defesa Civil é conjunta. De posse das informações, ordenamos evacuações com até oito horas de antecedência e, assim, salvamos a vida de ribeirinhos”, diz ele. Aliada ao trabalho de gestão de reservatórios, a estratégia do Plano de Integração deu certo por todos esses aspectos listados por quem participa da iniciativa e porque a percepção das pessoas mudou, abrindo um canal de comunicação mais ágil e eficiente entre a Empresa e a população. Comunidade Transparência que otimiza processos Cemig e TJMG promovem Semana de Conciliação com consumidores para solucionar ações em tramitação na justiça, de forma rápida e pacífica O Fotos: Eugêncio Paccelli bacharel em direito Júlio César de Oliveira enfrentava, desde o início do ano, um problema com sua conta de luz. Por causa de um medidor adulterado, ele pagava um valor acima do normal em suas contas. Problema parecido foi do aposentado Moacir Ferreira. Ao comprar um imóvel, foi surpreendido com um medidor adulterado. Ambos procuraram a Justiça e, junto a mais de 1.200 processos, puderam resolver seus problemas, com rapidez, na 1ª Semana de Conciliação, promovida de 19 a 23 de setembro, no Fórum Lafayette e no Juizado Especial de Relações de Consumo, em Belo Horizonte. Júlio e Moacir foram atendidos pela Cemig na Semana de Conciliação, tiveram seus processos resolvidos e se mostraram satisfeitos com os resultados da iniciativa Setembro - Dezembro/2011 21 A iniciativa do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em parceria com a Cemig, pôde concretizar, em cinco dias, inúmeros acordos, que representaram 49,4% dos mais de 1.200 processos que levariam anos na Justiça comum. Em questão de minutos, Oliveira resolveu o problema relativo à sua conta de luz. “Além da conciliação com a Cemig, recebi orientações e pude esclarecer dúvidas. Acho que a Semana representa uma preocupação a mais com o cliente”, conta. Ferreira também saiu satisfeito. “A iniciativa é bastante válida, e acredito que deveria haver em todas as esferas de consumo”, ressalta. Para o gerente de Relações de Consumo da Cemig, Robson Ferreira dos Santos, o índice de acordos foi muito positivo. “A realização de acordos, como na resolução de conflitos, é um mecanismo em que todos ganham: o consumidor, a Companhia, o Judiciário e a sociedade em geral”, ressalta. Além de irregularidades nos medidores de energia, a Semana da Conciliação atendeu a casos de inadimplência, acúmulo de contas e renegociação de débitos. Segundo a terceira vice-presidente do TJMG, a desembargadora Márcia Milanez, foram selecionados processos em que o acordo fosse possível. “A conciliação é uma alternativa de solução de pequenos conflitos sem passar pela Justiça comum, com mais agilidade e menos acúmulo de processos”, explica. O volume das audiências realizadas durante a Semana representa cerca de um terço do número total de processos da Cemig ligados às relações de consumo. A Empresa é a primeira no País, do setor energético, que realiza um mutirão de conciliação como esse. O presidente da Cemig, Djalma Bastos de Morais, também reforça que o convênio com o TJMG traz benefícios tanto ao consumidor quanto à Empresa. “Os usuários tiveram seus problemas resolvidos de maneira rápida, a Cemig melhora sua imagem e seu desempenho, e a Justiça desafoga processos pendentes”, ressalta. Para a diretora Jurídica da Cemig, Maria Celeste Morais Guimarães, a iniciativa sinaliza a nova cara da Empresa. “Nossos clientes são parceiros e, por isso, vamos expandir a Semana de Conciliação para outras cidades de Minas”, afirma. No interior, a Cemig já promove ações de aproximação com o Judiciário, através de seminários para esclarecer a atual legislação. Este ano, além da capital, já foram realizados encontros em Uberlândia, Ipatinga e Montes Claros. Outras alternativas Para facilitar as negociações com os usuários, a Cemig possui um escritório em Belo Horizonte, com profissionais especializados em débitos e irregularidades. Funciona de segunda a sexta-feira, na Rua Itambé, 114, das 8h30 às 11h30 e das 13 às 16 horas. Em parceria com o TJMG, a Cemig também irá implantar, em breve, o Juizado Especial para Consumidores de Energia Elétrica, no qual ocorrerá a conciliação pré-processual, para que os consumidores possam, antes de propor ações judiciais relativas ao consumo, buscar um acordo. Inédito no País, a intenção é agilizar todos os processos e evitar novos. “Dessa maneira, o consumidor pode negociar diretamente com a Empresa e evitar o pagamento de um advogado”, afirma Maria Celeste. Em cinco dias, a Cemig solucionou 49,4% dos mais de 1.200 processos avaliados nas audiências da Semana de Conciliação 22 Universo Cemig Mercado de Ações Entre as melhores Cemig é listada, mais uma vez, no Índice Dow Jones, que reconhece as empresas mais comprometidas no mercado internacional elétrico da América Latina a fazer parte da seleção, fato que se repete desde a criação da lista, em 1999. Este ano, 2.500 empresas de 57 ramos industriais de 51 países diferentes tiveram sua gestão avaliada, e apenas 8 brasileiras entraram no ranking. Essa relação passa por revisões anuais, com base em questionários que são enviados às empresas, combinados com informações públicas Fotos: Arquivo Cemig E star listada entre as empresas mais sustentáveis é motivo de orgulho para a Cemig. O Dow Jones Sustainability Index, índice que é referência mundial e reconhece as empresas pelo desempenho econômico, social e ambiental, listou a Cemig entre as melhores companhias do mundo. A empresa completou o sucesso de 12 anos de participação no índice como a única do setor Fachada da Bolsa de Valores de Nova York preparada para as comemorações do Cemig Day, em 6 de outubro Setembro - Dezembro/2011 23 Arquivo Cemig Durante o Cemig Day, o presidente e a diretoria da Companhia participaram do “Closing Bell”, cerimônia que marca o encerramento das operações de comercialização de ações disponíveis na internet e em relatórios sobre suas atuações. O critério para seleção é conduzido pelo SAM Group - Sustainable Asset Management, empresa independente de gestão de ativos, voltada para investimentos sustentáveis. Luiz Augusto Barcelos Almeida, superintendente de Sustentabilidade Empresarial da Cemig, aponta os tópicos que destacaram a empresa: “Garantir retorno econômico aos acionistas, ter boas práticas de governança corporativa, boa postura frente à questão social e proteger o meio ambiente”. Ele ressalta que isso é resultado do esforço de todos os colaboradores. A sustentabilidade, com o desafio do equilíbrio entre as dimensões social, ambiental e econômica, está no DNA da Cemig. Além da preocupação ética com as gerações futuras, a prática de atividades sustentáveis posiciona as ações da Empresa entre as melhores do mercado internacional. Cemig Day Prova disso foi a homenagem realizada pela Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), o Cemig Day, comemorado em 6 de outubro passado na metrópole americana. Nesse dia, representantes da companhia participaram do “Closing Bell”, cerimônia que marca o encerramento das operações de comercialização de ações. Durante a ocasião, o presidente da Cemig, Djalma Bastos de Morais, reforçou a postura da Empresa como exemplo em governança corporativa, ou seja, com transparência em suas políticas, procedimentos e resultados. “Em paralelo, trabalhamos para pôr em prática um Plano Estratégico www.cemig.com.br/Sustentabilidade 24 Universo Cemig de Expansão”, destaca o presidente, garantindo a realização de investimentos seguros e com visão de retorno para os acionistas. O objetivo da homenagem organizada pela Nyse foi prestar um reconhecimento perante o mercado internacional da Cemig, uma das companhias brasileiras mais bem cotadas e negociadas nas bolsas de valores. Essa foi a sétima vez que o Cemig Day foi realizado, com a presença de diversos investidores internacionais e da imprensa especializada de todo o mundo. Este ano, o evento foi transmitido para mais de 200 milhões de telespectadores. Marco histórico Dez anos se passaram desde os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, que deixaram mais de 3 mil mortos e provocaram o fechamento da Bolsa de Nova York por uma semana. Em sua sessão de reabertura após os trágicos acontecimentos, as ações da Cemig foram as primeiras do mundo a serem negociadas. “Todos sabemos dos conturbados tempos que vivemos naquela época. Porém, nossa decisão permaneceu inabalável pela confiança que temos no mercado dos Estados Unidos. Assim, mantivemos nossa decisão de seguir com o total suporte da Bolsa de Nova York”, afirma Djalma. Os frutos dessa confiança mútua estão sendo colhidos. A intensa valorização das ações foi apresentada, no Cemig Day, pelo diretor de Finanças e Relações com Investidores da Cemig, Luiz Fernando Rolla. Nos últimos anos, os certificados de depósitos negociados na Nyse passaram do valor de US$ 5 para US$ 15. “Hoje temos 75% de controladores internacionais, e isso possivelmente aconteceu porque estamos aqui, na Bolsa de Valores de Nova York”, conclui Rolla. Sustentabilidade Na vanguarda da questão ambiental mundial Projetos do Grupo Cemig que visam à redução de emissões de CO2 fortalecem seu compromisso com a sustentabilidade Preservar o meio ambiente é, hoje, o mais importante e crucial desafio mundial. A vida do planeta depende, basicamente, do sucesso das ações de empresas e da sociedade nesse sentido. Ciente da importância da questão ambiental, a Cemig, empresa global com ações negociadas no Brasil, Estados Unidos e Europa, vem desenvolvendo uma série de ações ligadas à sustentabilidade, como a redução de emissão de gases que provocam o efeito estufa, conservação de energia e uso de fontes energéticas alternativas e projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), previstos no Protocolo de Kyoto. A Usina Hidrelétrica de Baguari é, hoje, o melhor exemplo da visão ambiental da Cemig. http://sustentabilidadecemig.blogspot.com/ Instalada no leste de Minas, Baguari iniciou suas operações em 2009, comandada pelo consórcio Baguari Energia, que reúne Neoenergia (51%), Cemig (34%) e Furnas (15%). O diferencial é que a usina já foi especialmente projetada para ser menos poluente e menos agressiva em relação ao meio ambiente, o que a capacitou, pelo Protocolo de Kyoto, a entrar no mercado de crédito de carbono. “Isso foi decidido já nas primeiras reuniões do consórcio, em 2006”, garante Arthur José Fernandes Braz, gerente de Negócios de Geração da Cemig. Baguari opera com um pequeno reservatório de água (16 km2), típico das hidrelétricas a fio d’água. Com isso, evita o alagamento www.cemig.com.br/saladeimprensa Setembro - Dezembro/2011 25 Fotos: Arquivo Cemig da rede de distribuição e transmissão; das Usinas Térmicas de Igarapé, Barreiro e Ipatinga; e da redução de 21,5% nas emissões do consumo de combustível da frota da empresa no período 2006/2010 (em comparação a 2009, a redução em 2010 foi de 8,27%) – colocam a Cemig na vanguarda da questão ambiental mundial. Ambientalmente correta e transparente Usina de Baguari, primeira hidrelétrica capacitada pelo Protocolo de Kyoto a entrar no mercado de créditos de carbono de grandes áreas, potencializa a geração de energia elétrica e reduz a emissão de gases. “Este é o diferencial de Baguari: a relação entre a potência de geração pela área alagada”, frisa Humberto Paganini, diretor da Baguari Energia. A capacidade instalada de geração de energia da usina é de 140 MW. Pelas regras de Kyoto, a energia produzida pela hidrelétrica representa uma redução anual de, aproximadamente, 65 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2). Cada tonelada corresponde a um crédito de carbono, que hoje é cotado a 10 euros nas bolsas mundiais ou para empresas interessadas. Portanto, Baguari poderá gerar (a partir de 2012) uma receita de R$ 9 milhões, nos próximos sete anos, somente em créditos de carbono – uma vitória ambiental. O projeto de Baguari foi validado pelo governo brasileiro e pela Organização das Nações Unidas (ONU), a quem cabe a palavra final sobre se uma empresa está ou não capacitada a vender créditos de carbono (ou seja, se contribui ou não para a melhoria do meio ambiente). Outra usina da Cemig, a Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Cachoeirão, também já está sendo avaliada pela ONU. A PCH Pipoca está em processo de validação do Project Design Document (PDD), e o projeto da PCH de Paracambi, em fase final de construção, encontra-se em elaboração. Há, ainda, um projeto da Efficientia (empresa do Grupo Cemig), em parceria com a siderúrgica mineira Siderpita, de aproveitamento dos gases emitidos pelo alto-forno, que também está em fase de aprovação pela ONU. Iniciativas como essas – além dos investimentos em energia alternativa, como a eólica; do monitoramento das emissões de equipamentos 26 Universo Cemig A empresa foi selecionada, pela segunda vez consecutiva, para compor o Índice Carbono Eficiente (ICO2), desenvolvido pela BM&FBovespa e BNDES. O indicador mostra para o mercado de capitais brasileiro e internacional quais empresas estão alinhadas com as discussões sobre mudanças climáticas e praticam ações efetivas para redução de emissões dos gases causadores do efeito estufa. “Ao aderir ao ICO2, a Cemig torna pública sua gestão para reduzir as emissões de gases”, explica o gerente de Responsabilidade Ambiental e Social da Cemig, Ricardo Prata. A Cemig também compõe o Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI World), da Bolsa de Nova York, há 12 anos e, desde 2007, responde ao Carbon Disclosure Project (CDP), integrando o maior banco de dados global em impacto climático corporativo. “A Companhia é uma empresa de ponta, indutora, e está saindo na frente neste mercado de crédito de carbono. Isso contribui para sua reputação e boa imagem, alinhadas com processos de boa governança para organizações de capital aberto”, afirma Fernando Figueiredo, professor e consultor na área de Desenvolvimento Ambiental da Fundação Dom Cabral (FDC). www.cemig.infovest.com.br A PCH Cachoeirão também está sendo avaliada pela ONU para entrar no mercado de créditos de carbono Regionalismo Nas águas da memória Quando o pescador Norberto Antônio dos Santos, então com 11 anos de idade, e hoje com 63, chegou a Três Marias, em 1959, o local era um sertão só. O Brasil também era outro: menos urbano, mais rural e também cordial. “A mata era tão fechada que não dava pra ver o céu. Se alguém matava uma galinha na Rua 2, todo mundo da 16 ficava sabendo. Era tempo de lamparina e de socar arroz no pilão”, diz Norberto. “Nessa mesma época, estavam começando a fazer o aterro para a barragem. O pessoal da obra morava na Vila da Satélite. Lembro bem: eram 960 casas. Nossa diversão era, toda sexta-feira, assistir filmes de faroeste ao ar livre, na praça da Vila”, rememora o saudosista “seu” Norberto, que morava e mora, até hoje, na Beira-Rio, a apenas “dez passos” do Rio São Francisco. A construção da barragem de Três Marias teve início em 1957, durante o governo do então presidente da República Juscelino Kubitschek, visando regular o curso das águas do Rio São Francisco nas cheias periódicas, aumentar o potencial hidrelétri- Arquivo Cemig A Usina Hidrelétrica de Três Marias vive em meio a um caldeirão efervescente de manifestações culturais, cenários turísticos, literatura e muitas lembranças Represa de Três Marias: o ponto de partida para uma história rica em cultura e preservada na memória dos moradores da cidade, batizada com o mesmo nome da usina e do reservatório Setembro - Dezembro/2011 27 Arquivo Museu Manuelzão Companheiro de Guimarães Rosa em suas viagens pela região, Manuelzão é um personagem admirado pela população de Três Marias, tendo sua história de vida guardada no museu criado em sua homenagem co e melhorar a navegabilidade do rio. A conclusão da obra se deu em janeiro de 1961. A usina, por sua vez, foi inaugurada em 1962 e, portanto, encontra-se às vésperas de completar 50 anos. A 2.221 Km da foz rio acima, a barragem forma um reservatório para 21 trilhões de litros de água. Ela foi construída com recursos da Comissão do Vale do São Francisco (CVSF) e da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), sendo administrada pela Cemig. Sua potência instalada, de 396 MW, fornece 80% da energia consumida na região norte de Minas Gerais. De tanto viver ali, “seu” Norberto ajuda a complementar os dados. “Sei de cor e salteado. A represa tem 1.042 Km2 de área inundada, o que dá 519 Lagoas da Pampulha e 7 Baías da Guanabara. A barragem possui 2.700 metros de comprimento, 75 de altura e 30 de largura. Na crista, tem a largura de uma ‘BR’.” A Usina Hidrelétrica de Três Marias funciona como um termostato, ou seja, um termômetro de regulação do volume de água. Ela garante uma vazão média de 500 m3/s e permite fluxo de água para o Lago de Sobradinho, na Bahia, e deste para outros, como o complexo de Paulo Afonso, em Pernambuco. Assim, possibilita uma melhor funcionalidade das usinas hidrelétricas instaladas e o aproveitamento do potencial de geração de energia que abastece o Sudeste e o Nordeste do País. 28 Universo Cemig Atividade pesqueira Três Marias tem na pesca uma de suas principais atividades econômicas. Novamente, “seu” Norberto é quem revela toda a capacidade do município: são mil famílias que têm o seu sustento na represa, e cerca de 500 que vivem da pesca no rio. Ele faz questão de diferenciar os pescadores de um local e de outro, deixando entrever um quê de rivalidade dos grupos. “O pescador de represa precisa, no mínimo, de dois mil metros de rede. Pra nós, do rio, uma tarrafa, uma redinha e um barco já são suficientes”, conta. Por falar em peixe, alimento abundante na região (são cerca de 156 espécies), a esposa de “seu” Norberto, dona Maria José Delfina de Oliveira, ensina uma deliciosa receita de dourado recheado, cuja técnica de retirar a espinha fez fama (confira na pág. 30). Cultura, turismo, literatura e memória Fama também não falta à cidade, plena em cenários turísticos e manifestações culturais. São vários lugares que merecem ser visitados: praia Mar de Minas, lago da represa, Rio São Francisco, Núcleo Histórico Igreja da Satélite (único bem que ficou da vila operária, demolida durante o regime militar), as cachoeiras Barreirama, Riachão e Guará e, ainda, o Museu Manuelzão e o Clube Náutico. Entre as festividades mais importantes estão o Festival Canto das Águas, de música regional, que acontece a cada dois anos; o carnaval tem- Arquivo Cemig O selo comemorativo dos 10 anos da Cemig homenageou a Usina de Três Marias, uma das mais antigas de Minas porão, realizado em setembro; as cavalgadas; a Folia de Reis; a Festa do Peixe; os campeonatos de vela; e a Semana Cultural Festa do Manuelzão, que, este ano, completou sua décima edição. Para a secretária de Educação e Cultura do município, Cléria Maria de Oliveira Melo, por tudo isso dá orgulho morar em Três Marias. “É uma cidade jovem, progressista e acolhedora, com grande potencial turístico e muitas belezas. São veredas, cachoeiras, a usina, o lago e, sobretudo, a cultura sertaneja, que nasceu das barrancas do Rio São Francisco. Nossa maior riqueza é o nosso jeito de ser”, afirma. Três Marias também é conhecida por causa do Grupo de Bordadeiras de Andrequicé, distrito onde residiu Manuelzão, capataz da viagem de Guimarães Rosa em 1952, acompanhando uma boiada. E é justamente o memorável autor que dá vida aos bordados que resgatam a temática encontrada na obra Grande Sertão: Veredas. Uma das bordadeiras, Maria Nardi, de 70 anos, é filha de Manuelzão. Sobre seu ofício, ela suspeita: “Acho que estou mostrando o nosso mundo pras outras pessoas”. Maria tem lembranças quase vivas de seu pai e de Guimarães Rosa, de quem fala com muito carinho. “O ‘seu’ Guimarães era um homem muito inteligente, mas também muito simples e bom. Ajuntava um monte de gente pra ouvi-lo contando suas histórias.” A família conheceu Guimarães As lendas sobre o nome Três Marias A origem do nome Três Marias é, até hoje, fruto de muitas dúvidas e fonte de várias lendas que povoam o imaginário popular. Conheça algumas delas: • Origem astronômica: o nome se deve às três estrelas da constelação de Orion, facilmente vistas da região. • Origem geográfica: há referências de que o nome se deva ao número de cachoeiras (três) existentes no local onde a represa foi construída. • Origem popular: na crendice popular, a denominação é, às vezes, atribuída às três irmãs Marias, que, conta-se, oravam à margem direita do rio. Outras vezes a história fala das irmãs trigêmeas que moravam no sopé de uma cachoeira extinta com a construção da barragem. Por fim, outra lenda cita a tragédia das irmãs Maria Francisca, Maria Geralda e Maria das Dores, proprietárias de hospedagem às margens do Rio São Francisco, que teriam morrido afogadas. Rosa em 1952. “Meu pai tomava conta da Fazenda Sirga, de propriedade do ‘seu’ Chico Moreira, primo do Guimarães Rosa. E aí ele pediu pra ficar de hóspede lá em casa porque precisava terminar de escrever umas coisas. Ele chegou até a juntar uma boiada com meu pai numa viagem que durava dez dias pra ir e dez pra voltar.” Maria puxa ainda mais pela memória: “O pai, uma vez, encontrou um velho andarilho na beira do São Francisco. Ele ficou com dó e levou o homem pra morar com a gente. O nome dele era Miguilim. E não é que o Guimarães fez um livro chamado Manuelzão e Miguilim?”, diverte-se a filha de Manuelzão. Campeonato de Velas Em janeiro de 2012, Três Marias estará em evidência no circuito turístico nacional por um motivo inédito: a cidade foi eleita para sediar o Setembro - Dezembro/2011 29 38º Campeonato Brasileiro de Vela da Classe Laser, categoria que já deu diversas medalhas olímpicas ao Brasil. O evento, geralmente promovido no litoral, pela primeira vez acontecerá em Minas Gerais e também em uma represa. A proposta, elaborada pela Prefeitura de Três Marias em parceria com a Cemig, envolve atletas das cinco regiões do País e conta com a participação de velejadores de 23 grandes reservatórios brasileiros. Para o secretário da Associação Brasileira de Classe Laser, José Carlos Reis, a realização do campeonato em Três Marias será uma grande oportunidade de incentivar a interiorização do evento. “Além disso, fomentará a prática em outros locais além do litoral, exigindo mais técnica por parte do velejador”, acrescenta. Dourado recheado sem espinha *Receita gentilmente cedida pela ribeirinha Maria José Delfina de Oliveira, da localidade Beira-Rio, em Três Marias Ingredientes • 1 dourado de 3 Kg • 100 g de alho • 50 g de sal • 2 pimentões verdes • 2 tomates grandes • 2 cebolas médias • 200 g de bacon • 100 g de azeitona verde sem caroço Modo de preparo Depois de limpar o peixe, tempere com alho e sal. Deixe em descanso por 30 minutos. Pique os pimentões, tomates, cebolas, bacon e azeitonas em uma vasilha. Misture e recheie. Amarre com barbante fino e leve para assar. Tempo de preparo • Em fogão a lenha, 1h30. • Em fogão a gás, 2 horas. Rendimento • 8 pessoas Sugestão de acompanhamento • Arroz branco Fotos: Arquivo Cemig Muito procurado para a prática de esportes náuticos, o lago de Três Marias foi escolhido para sediar o 38º Campeonato Brasileiro de Vela Classe Laser 30 Universo Cemig Dicas Culturais Nos redemoinhos da vida Girimunho, filme ambientado na mineira São Romão, é sucesso no circuito europeu com sua mistura de realidade e ficção filme mescla elementos como a regionalidade viva do sertão, as cores, o rio e o encantamento provocado por suas personagens, compondo uma produção de beleza única. A história – tanto a real quanto a inventada – gira em torno da sonhadora Dona Bastu, 81 anos, que, após a morte de seu marido, busca recomeçar a vida, reencontrando-se no tempo atual e em meio às suas lembranças. Toda essa transformação se dá ao lado das netas – Branca e Preta – e de Maria do Boi, 83 anos, uma senhora que conta as tradições de seus antepassados pelo toque do seu tambor. Cinema de exportação A película, produzida pela Teia Produções em parceria com a Setembro - Dezembro/2011 Ivo Lopes Araújo U ma linha tênue separa o real do imaginário, as pessoas dos personagens, a lucidez da fantasia. Tudo aparece em igual medida e se funde na construção do enredo de Girimunho, longa-metragem mineiro que está dizendo a que veio no circuito europeu. “O filme revela uma tensão sutil entre a realidade e a invenção, entre a tradição e o modo de vida contemporâneo, entre a vida e a morte, o tempo passado e o tempo presente. A realidade foi o começo de tudo. E, nela, a fantasia está presente”, escreveram os diretores Helvécio Marins Jr. e Clarissa Campolina em nota publicada no blog oficial do filme (www.girimunho.com). Ambientado em São Romão e à beira do Rio São Francisco, o 31 Bianca Aun Os diretores de Girimunho, Helvécio Marins Jr. e Clarissa Campolina. Considerado cinema de qualidade tipo exportação, o longa-metragem mineiro faz sucesso entre os europeus sença do filme nos festivais internacionais é motivo de orgulho para todos nós. Não posso deixar de agradecer e dedicar o sucesso à equipe, pois, sem ela, esse filme não existiria”, diz Helvécio Marins. Filme em Minas O Filme em Minas – Programa de Estímulo ao Audiovisual busca fomentar as diversas formas de manifestação do setor audiovisual em Minas Gerais, contribuindo para o fortalecimento do mercado no Estado. De periodicidade bienal, conta com patrocínio da Secretaria de Cultura de Minas Gerais em parceria com a Cemig, com base na Lei do Audiovisual e na Lei Federal de Incentivo à Cultura. Já ocorreram cinco edições do programa, que contemplaram 143 projetos distintos, com investimento de quase R$18 milhões. Na última edição (2010-2011), foram contemplados 32 projetos, com valor total de R$4,5 milhões. Ivo Lopes Araújo Dezenove Som e Imagens, é patrocinada pelo Filme em Minas (Edição 2009-2010 na categoria “Produção de Longa”; Edição 2011-2012 na categoria “Distribuição”). Girimunho contou, também, com investimentos da Espanha e da Alemanha para ser realizado. O longa-metragem é cinema de qualidade tipo exportação. Nunca antes o “estrangeiro” esteve tão atento às produções brasileiras, sobretudo pelo olhar antropológico típico do cinema nacional – e tão peculiar a quem o vê “de fora”. O longa foi exibido na mostra Orizzonti, do Festival de Veneza, e ganhou o prêmio Interfilm, dedicado a reconhecer o filme promotor do intercâmbio entre os povos e que incentiva o diálogo entre as diversas manifestações individuais e subjetivas no mundo de hoje. Na sequência, foi para Toronto e Espanha, no famoso Festival San Sebastián, e tem distribuição garantida em circuitos de arte da Alemanha, França e Países Baixos. “A pre- GIRIMUNHO Brasil, Espanha, Alemanha | 2011 ficção | 90 min | 35mm | cor Estreia no circuito comercial brasileiro: 2012 32 Universo Cemig VITRINE Pedaladas ecológicas O uso de bicicletas traz benefícios quase incalculáveis. Silenciosas, evitam a poluição sonora dos motores. Ecológicas, não emitem gases poluentes. Econômicas, não gastam combustível fóssil. E, de quebra, proporcionam ganhos em saúde e bem-estar aos ciclistas, que praticam um esporte e, ainda, reduzem o nível de estresse causado pelo trânsito. Em Belo Horizonte, há tempos, a Prefeitura fez planos para dotar a cidade com mais de 100 quilômetros de ciclovias, que hoje já são uma realidade. Em 2011, por meio do programa Pedala BH, a da Savassi, região Centro-Sul, foi entregue à população em setembro. Ela tem 2,8 quilômetros de extensão e 2,4 metros de largura e foi precedida, em julho, pela da Avenida Risoleta Neves, que liga a já existente ciclovia da Avenida Saramenha à Estação BHBus São Gabriel, na região Nordeste. Outras três rotas estão previstas ainda para 2011: Avenida Américo Vespúcio, Rota Leste e Estação Barreiro. Ciclovias e veículos movidos a energia elétrica são excelentes para quem se preocupa com o meio ambiente Quem opta pela bicicleta na capital mineira conta ainda com mais 22 quilômetros de pistas exclusivas. Uma delas é a da orla da Lagoa da Pampulha, com 11 quilômetros, que recebeu iluminação da Cemig este ano. Ali a empresa investiu R$ 3,5 milhões em 176 postes de luz e 401 luminárias para levar segurança e comodidade aos usuários do local. Porém, não só as bikes comuns são boas alternativas de transporte. A Kasinski, agora parte do Grupo Cemig, oferece algumas opções desses veículos, mas com motores elétricos. São sete bicicletas de alto rendimento – como a Velle 1000 e a Velle 3000 –, que podem ser recarregadas em qualquer tomada e que serão produzidas no Brasil em 2012. Ideais para uso urbano, elas são silenciosas e livres da emissão de poluentes. Veja mais informações em www.kasinski.com.br. Arquivo Cemig http://bhtrans.pbh.gov.br A ciclovia da orla da Pampulha, de 11 quilômetros, recebeu, este ano, a implantação do projeto de iluminação da Cemig Setembro - Dezembro/2011 33 Arquivo Cemig Com a palavra A propósito de mineiros ilustres A Revolução de 30 revelou ao Brasil, em seus desdobramentos, uma excepcional safra de políticos, intelectuais, juristas e lideranças sindicais, que marcaram a história brasileira até a virada do milênio. Getúlio Vargas teve, em Benedito Valadares, o governador que só lhe deu alegrias e nenhuma preocupação. Contou com Antônio Carlos Ribeiro de Andrada nos momentos mais delicados vividos pelo seu governo e teve, em Francisco Campos, a inteligência que o ajudou a manter o Brasil afastado dos extremistas que dividiam o mundo em meados dos anos 30. A redemocratização, em 45, surgiu do brado do Manifesto dos Mineiros, de 1943, que repercutiu de tal forma na consciência nacional que ninguém lhe nega a retomada da democracia, afastados os perigos radicais. Os signatários do documento eram alguns dos mais ilustres representantes do pensamento liberal dos inconfidentes, unindo empresários, intelectuais e políticos. Muitos desses notáveis se revelaram em mais de uma atividade, além da política. Entre os da velha UDN, Oscar Correa, tribuno excepcional, foi grande professor de Direito e homem cuja cultura o levou à Academia Brasileira. Virgílio Melo Franco, que não chegou aos 51 anos, deixou a marca da liderança política e da capacidade gerencial e empresarial. Afonso Arinos deu quase 60 anos de sua vida ao Brasil, no Parlamento e na literatura, tendo galgado também a Academia Brasileira, e depois a Mineira, feito repetido agora por seu filho, de mesmo nome. Magalhães Pinto, outro signatário do Manifesto, projetou-se na vida pública como presidente da Associação Comercial de Minas, banqueiro e modernizador, com seu sobrinho José Luiz e os filhos Eduardo, Marcos e Fernando, do sistema bancário nacional. Foi 34 Universo Cemig deputado e, como senador, presidiu a Câmara Alta, além de ter sido governador de Minas e líder civil da Revolução de 64, quando mostrou, mais uma vez, que seu compromisso público estava acima de tudo, pois arriscou não só a carreira, mas uma potência do mercado financeiro de então. Bilac Pinto foi outra admirável e completa personalidade: deputado, presidente da UDN, bravo líder na oposição ao governo Goulart, editor da histórica Forense, embaixador do Brasil na França e ministro do Supremo Tribunal Federal. Teve sua biografia escrita por Murilo Badaró quando este se tornou presidente da Academia Mineira e personagem da vida pública, um pouco mais tarde. Badaró nos deixou ainda biografias de notáveis mineiros como Milton Campos, Gustavo Capanema e José Maria Alckmin. A presidente Dilma Roussef, que é mineira de BH, mandou incluir, por decreto, na galeria dos ex-presidentes da República, Pedro Aleixo, talvez o mais admirado desta geração. Homem da UDN e da luta contra Vargas, tinha entre seus grandes amigos JK e Francisco Negrão de Lima, ambos do getulismo. Neste momento, em que o panorama de nossa vida pública anda pobre, embora Minas continue a se fazer bem representada, é preciso que estes exemplos e estas figuras não sejam esquecidas. Muito pelo contrário, só poderemos melhorar nossos padrões de presença política lembrando o passado, especialmente quando o político também era empresário, intelectual, profissional liberal e participava das bancadas de seus estados por idealismo. O documentário sobre Tancredo Neves está fazendo grande sucesso e exibe toda esta importância mineira nos destinos nacionais. Em breve, teremos o centenário de Ozanan Coelho, que foi outro exemplo positivo. Aristóteles Drummond Jornalista e escritor, fez carreira no setor elétrico e faz parte do Conselho Fiscal da Cemig desde 1999 Wesller Schmidt/Centro de Microscopia da UFMG RETRATOS DO BRASIL Beleza microscópica: o que, no primeiro olhar, parece uma geleira é um pedaço de concha de um mexilhão dourado, do tamanho da metade de um fio de cabelo. A foto, produzida pelo Programa de P&D da Cemig, foi premiada no concurso A Arte por trás da Ciência, da Sociedade Brasileira de Microscopia e Microanálise Setembro - Dezembro/2011 35