Ano I - Nº 28
09 a 15 de Março de 2013
Começamos nossa costumeira saudação, agradecendo a
presença de todos(as) que estiveram conosco no encontro
com o Teólogo, Filósofo e Escritor Leonardo Boff. O
evento superou todas as nossas expectativas e nos trouxe
muita alegria e satisfação, pois tivemos a oportunidade de
nos reunirmos para, com muita humildade, aprendermos
um pouco mais. Veja mais informações na página 2.
Neste número, você poderá meditar junto com José
Antonio Pagola (pg. 1) e Gilberto Faggion (pg. 2), a
maravilhosa parábola do Filho Pródigo, mas sob uma ótica
diferente. Pagola nos propõe uma reflexão sobre a pessoa
do pai que corre ao encontro do filho que retorna,
mostrando-nos que, quem escuta esta parábola com o
coração, pode até chorar de alegria e agradecimento, pois
sentirá que no mistério último da vida há Alguém que nos
espera, nos acolhe e nos perdoa porque só quer a nossa
felicidade.
Faggion (pg. 02) nos mostra, que quando decidimos
voltar para os braços do Pai, dispostos a reconhecer todos
os erros e a lhe pedir perdão, expressando nosso
arrependimento através de palavras, descobrimos que o
Seu amor se antecipa às palavras e o silêncio do abraço, os
gestos mudos do Pai sussurram docemente ao filho que Ele
o ama.
Ainda na página 02 você verá fotos do encontro que tivemos
com Leonardo Boff a quem agradecemos profundamente
pelo carinho e atenção dispensada ao IPDM.
Jon Sobrino, na página 03 reflete com profundidade e
brilhantismo o ato de renuncia do Papa Bento XVI a partir
de situações distintas e cotidianas.
Em nosso Forum IPDM (pg. 04) sobre os jovens,
trazemos a reflexão feita por Carolina Silva Pedroso,
membro da Pastoral da Juventude da Paróquia Santa Luzia
do Jardim Nordeste, sobre o lema da Campanha da
Fraternidade.
Nas páginas 05 e 06, você encontrará os próximos
eventos a serem realizados pelo IPDM ou com seu apoio.
Chamamos sua atenção para a Santa Missa a ser celebrada
por dom Angélico no próximo dia 15 de março (sexta-feira)
em homenagem ao estudante Alexandre Vannucchi Leme,
morto sob tortura durante o regime militar.
Por fim, trazemos o endereços eletrônicos que podem
contribuir em suas pesquisas e trabalhos.
Boa leitura a todos.
Equipe de Redação
1ª Leitura: Is 5, 9ª. 10-12 - Salmo Responsorial: Sl 33 (34)
2ª Leitura: 2Cor 5, 17-21 - Evangelho: Lc 15, 1-3. 11-32
L I T U R G I A
I
T
U
R
G
I
A
José Antonio Pagola
Trad. Antonio M. A. Perez
Para não poucos, Deus é qualquer coisa menos alguém capaz de colocar alegria na sua
vida. Pensar Nele trás más recordações: no seu interior se desperta a ideia de um ser
ameaçador e exigente, que faz a vida mais fastidiosa, incomoda e perigosa.
Pouco a pouco prescindiram Dele. A fé ficou “reprimida” no seu interior. Hoje não
sabem se acreditam ou não. Ficaram sem caminhos para Deus. Alguns recordam, todavia
“a parábola do filho pródigo”, mas nunca a escutaram no seu coração.
O verdadeiro protagonista dessa parábola é o pai. Por duas vezes repete o mesmo grito de alegria: “Este filho meu
estava morto e voltou à vida; estava perdido e encontramo-lo”. Este grito revela o que há no seu coração de pai.
A este pai não lhe preocupa a sua honra, os seus interesses, nem o tratamento que lhe dão os seus filhos. Não utiliza
nunca uma linguagem moral. Só pensa na vida do seu filho: que não fique destruído, que não continue morto, que não viva
perdido sem conhecer a alegria da vida.
O relato descreve com todo o detalhe o encontro surpreendente do pai com o filho que abandonou o lar. Estando ainda
longe, o pai “viu-o” vir esfomeado e humilhado, e “comovia-se” até às entranhas. Este olhar bom, cheio de bondade e
compaixão é o que nos salva. Só Deus nos olha assim.
Em seguida “lança-se a correr”. Não é o filho que volta a casa. É o pai que sai a correr e procura o abraço com mais
ardor que o próprio filho. “Atirou-se ao pescoço e pôs-se a beija-lo“. Assim está sempre Deus. Correndo com os braços
abertos para quem volta para Ele.
O filho começa a sua confissão: preparou-a largamente no seu interior. O pai interrompe-o para poupar-lhe mais
humilhações. Não lhe impõem castigo algum, não lhe exige nenhum rito de expiação; não lhe põe condição para acolhê-lo
em casa. Só Deus acolhe e protege assim os pecadores.
O pai só pensa na dignidade do seu filho. Há que atuar depressa. Manda trazer o melhor vestido, o anel do filho e as
sandálias para entrar em casa. Assim será recebido num banquete que se celebra em sua honra. O filho há-de conhecer
junto ao seu pai a vida digna e ditosa que não pode desfrutar longe Dele.
Quem ouvir esta parábola de fora, não entenderá nada. Seguirá caminhando pela vida sem Deus. Quem a escute no seu
coração, talvez chore de alegria e agradecimento. Sentirá pela primeira vez que no mistério último da vida há Alguém que
nos acolhe e nos perdoa porque só quer a nossa alegria.
Em: http://eclesalia.wordpress.com/2013/03/07
Gilberto Faggion
Neste domingo de Quaresma, domingo da reconciliação e alegria, a
Igreja nos oferece uma das parábolas mais bonitas do Novo
Testamento. Ela situa-se no meio da viagem de Jesus a Jerusalém. Desta
vez, o evangelista define mais quem são os que rodeiam Jesus:
cobradores de impostos e pecadores, os marginalizados dessa época.
Essa proximidade de Jesus deles, com os quais partilha as refeições,
indo a suas casas, não é bem vista pelas autoridades religiosas.
No meio dessa tensão, entres os "pecadores" e os "justos", Lucas
coloca nos lábios de Jesus esta parábola. É preciso ter também em conta
que o evangelista viveu num contexto onde os judeus cristãos tinham
dificuldade de acolher com alegria aos pagãos que se convertiam ao
cristianismo.
Podemos nos perguntar: como são nossas relações com a nossa
família, e as pessoas de nosso bairro e de nossa comunidade.
Acolhemos os pequenos, os diferentes? Qual é nosso posicionamento?
Muitas vezes, lemos esta passagem e nos detemos mais nas figuras dos filhos. Por isso hoje quero convidá-los/as a centrar nossa
atenção no Pai. Tenhamos por premissa a seguinte pergunta: Qual é a imagem de Deus que Jesus quer nos comunicar através desta
parábola?
No início do relato, o evangelista diz que o Pai tem dois filhos, e o mais novo pede a parte da herança que lhe corresponde. Diante
desta solicitude o Pai poderia ter reagido fortemente, já que um filho pedir a herança é dá-lo por morto! Porém Ele lhe entrega sua parte,
e o deixa partir.
Chama a atenção esta atitude do Pai: não é por falta de amor que age dessa maneira, antes por amor. Com o coração sangrando
respeita a decisão tomada pelo filho. Prova do amor que ele sente pelo filho é que cada dia espera seu retorno. E é esse amor que o filho
experimentou tantas vezes ao longo de sua vida, a força que o faz "cair em si", no meio da miséria que está vivendo, e mais ainda é o
"ímã" que o coloca no caminho para a casa paterna.
O evangelista emprega cinco verbos para descrever o movimento do coração do Pai em direção ao seu filho. O primeiro é o verbo
"avistar", ver o filho quando ainda estava longe, porque seu coração de Pai lhe dizia que um dia ele voltaria!
O segundo verbo é "teve" compaixão, seguindo uma tradução mais literal "a compaixão invadiu sua entranhas". Quando o pai vê de
longe seu filho, sente a dor e a alegria que sente uma mãe quando dá à luz seu filho. São estas entranhas de compaixão, de ternura e
misericórdia que fazem o Pai correr ao encontro de seu filho. E aqui estamos num tema central do evangelho de Lucas, a misericórdia; o
Deus de Jesus é o Deus da misericórdia!
Contemplemos agora o que o Pai faz sem pronunciar nenhuma
palavra, seus gestos e seu silêncio pleno de amor o dizem tudo! O
evangelista diz que o "abraçou, e o cobriu de beijos".
Detenhamo-nos na cena do pai e do filho unidos num só abraço.
Segundo Álvaro Barreiro no seu livro “A Parábola do Pai
Misericordioso”, é o encontro de dois pobres, de dois mendigos do
amor e da comunhão. Para a cultura oriental, os beijos são sinais
tanto de afeto como do perdão paternos. O beijo no rosto era sinal de
igualdade, de comunhão e de reconciliação. Por isso, era dado aos que
tinham a mesma dignidade, aos filhos e não aos escravos.
Tendo isso em conta, descobrimos que o amor do Pai se antecipa às
palavras arrependidas, estes gestos "mudos" do Pai sussurram
docemente ao filho quanto Ele o ama!
Neste encontro, o Pai que Jesus nos apresenta na sua parábola tem
atitudes, comportamentos que nos revelam seus rasgos maternos e
paternos. Lembro-me de uma pintura africana que representa este evangelho que desenha o pai e a mãe abraçando o filho que retorna.
Sim, o Deus de Jesus, nosso Deus é Pai e Mãe.
Depois do abraço, o Pai urgido pelo amor continua agindo: "Tragam a melhor túnica. Coloquem um anel, peguem o novilho...", tudo é
pouco para esta grande festa que celebra a nova vida do filho: "Porque este meu filho estava morto, e tornou a viver; estava perdido, e foi
encontrado".
Façamos uma parada em nosso caminho quaresmal. Onde cada um de nós se encontra? Não temos saudades da casa paterna? Não
desejamos também nós viver esse abraço com Deus Pai e Mãe?
Coragem! Deus nos aguarda para participar da festa da comunhão, da vida, da família de seus filhos e filhas!
Todos são convidados/as para este banquete. Olhemos novamente para o Pai da parábola, quando se da conta de que seu outro filho
mais velho não está na festa: "sai" a seu encontro, como saiu ao encontro do filho mais novo. Os dois são preciosos aos seus olhos.
Como os preconceitos, os rancores, as ambições podem nos excluir da festa fazer-nos excluir dela os outros/as!
Não resistamos a esse convite, mudemos todo pensamento, atitude, ação que exclui. Movidos pelo amor de Deus, empenhemos nossa
vida para que mulheres e homens de diferentes línguas, raças e religiões participemos no banquete, já nesta terra, do Deus da vida.
Em: www.ihu.unisinos.br – 07/03/13
L I T U R G I A
- ENCONTRO -
- E N C O N T RO -
Cerca de 1200 pessoas estiveram reunidas no último
sábado, 02 de março, no Santuário Nossa Senhora da Paz,
- Diocese de São Miguel Paulista, Zona Leste da cidade de
São Paulo- durante encontro com o Teólogo, Filósofo e
Escritor Leonardo Boff, que mais uma vez transmitiu
ensinamentos preciosos sobre Teologia, História e
Filosofia.
Queremos agradecer ao nosso querido Padre Dimas
que nos acolheu de braços abertos e a todos que
contribuíram para o sucesso do evento. Graças ao
empenho e esforço de cada um, acolhemos com amor a
todos os irmãos e irmãs que vieram das mais diversas
regiões da Grande São Paulo, do Estado e do País para conosco estarem
num momento tão enriquecedor. Muito obrigado!
Nosso próximo encontro nesse magnífico Santuário será realizado no
dia 27 de abril/2013 com o Padre Manoel Godoy, que irá tratar conosco
sobre Igreja Colegiada - Grupos de Rua.
Após o encontro, teremos a lançamento do livro “Dom Angélico
Sândalo Bernardino – Bispo Profeta dos Pobres e da Justiça” com a
presença de Dom Angélico.
Programe-se e participe conosco. Venha fazer parte da Família IPDM.
Juntos no caminho, queremos servir sempre mais na construção do Reino
de Jesus, pois somos Igreja – Povo de Deus - em Movimento.
Jon Sobrino, s.j.
A renúncia de Bento XVI é um fato importante. Pode mover a vida da
Igreja em uma ou outra direção. E, pelo que tem de "ruptura sem
precedentes” –dizemos isso sem saber o que acontecerá; porém, com
esperança de que aconteça- pode gerar um ambiente propício para a ruptura
de outras tradições eclesiais que parecem intocáveis. Umas, mais
categoriais, têm a ver com o mínimo acesso dos leigos, sobretudo da mulher,
à vida, missão e responsabilidade na Igreja. Outras, mais de fundo, têm a
ver com a concepção da Igreja –também dogmática- como Igreja dos
pobres.
1. A renúncia de Bento XVI. Honradez, esperança, liberdade e solidão ante Deus
O papa tomou uma decisão importante, e o fez com simplicidade na forma e profundidade. Disse: "não
posso mais”, o que parece evidente, dadas suas minguadas forças. Mais, no fundo, disse: "Já não está em
minhas mãos limpar a sujeira na Igreja”. Os vaticanistas discutirão em que isso consiste. Graves escândalos
na gestão econômica que há anos levou ao suicídio de Calvi. A sombra alargada de Maciel, que, também traz à
mente o desconhecimento e a inação de João Paulo II. As lutas pelo poder entre importantes cardeais da
Cúria. Os historiadores estudarão tudo isso; porém, sem dúvida, Bento XVI tem vivido sob fortes pressões.
Apesar de que, no profundo dos seres humanos, só podemos entrar com infinito cuidado e na ponta dos
pés, pensamos que Ratzinger tomou sua decisão por honradez com sua consciência, e que o fez com
esperança, mesmo que seja contra esperança: um sucessor, com mais energia e com novas luzes; com mais
graça ou com melhor fortuna poderá facilitar a mudança necessária. Tomou isso com liberdade, expressada na
dura linguagem sobre os fatos: miséria, sujeira; e sobre as exigências: conversão no interior da Igreja. As
palavras estão dirigidas a todos, in membris et in capite, dizia-se antes. E não soam como rotineiras; mas,
saídas do coração: a Igreja, e símbolos seus importantes,que se distanciaram de Jesus. E a Ele têm que
voltar.
Bento tomou a decisão em um momento importante de sua vida -no final-, quando os seres humanos,
normais e nobres, não costumam se enganar e nem enganar. E creio que tomou a decisão "só ante Deus”.
Deve ter consultado algumas pessoas, sem dúvida; porém, não a "um papa”, a alguém maior do que ele no
organograma da Igreja.
Não é fácil compreender o que significa estar "só ante Deus”. A parte final do Diário espiritual de Dom
Romero que, juntamente com o padre Ellacuría, publicamos na Revista Latinoamericana de Teología, me
ajudou desde que chegou às minhas mãos. Poucas semanas antes de ser assassinado, fez um retiro espiritual
e, em total privacidade, comunicou ao seu padre espiritual as três coisas que mais o preocupavam: seus
escrúpulos (que nele eram finura de espírito) por ter-se descuidado de sua vida espiritual; a possibilidade de
uma morte violenta; e a dificuldade extrema de trabalhar com seus irmãos bispos. Dom Romero colocou-se
diante de Deus; sozinho com Deus. O diálogo com seu confessor não lhe proporcionou um apoio à sua própria
experiência, apesar de que o ajudou a aprofundar-se nela, só ante Deus. É bom ter isso sempre presente
como possível experiência.
Outro exemplo: Poucos anos antes, o Padre Pedro Arrupe, superior geral dos jesuítas, propôs deixar o
cargo, que, na época, era vitalício. Em seu caso, sim, podia consultar ao papa e o fez. Porém, João Paulo II
não acedeu à sua petição. Não lhe parecia oportuno, pois temia que a Companhia de Jesus caísse em
problemas e perigos ainda maiores. E, quem sabe, pensasse também que a demissão do Geral dos Jesuítas
abriria a porta à expectativa de que também o papa pudesse demitir-se. Arrupe não pode demitir-se. E
manteve-se só ante Deus.
2. Deus e a fome
Em 1966, quando comecei a estudar teologia em Sankt Georgen, Frankfurt, dizíamos que o melhor
professor da faculdade era Ratzinger. Não ensinava lá, mas em Tübingen; porém, líamos com avidez seus
textos, que eram excelentes. Me alegrei por ter encontrado o teólogo Ratzinger e, anos mais tarde, aconteceu
a mudança mencionada por González-Faus, em um artigo.
Ratzinger, nem como teólogo e nem como papa, deixou de ‘transpirar’ a profundidade do Theos, de Deus;
porém, parecera que algo não chegou ao profundo de sua teologia: os pobres e oprimidos, imensa maioria
deste mundo.
Bento XVI sente como responsabilidade sua específica, talvez a maior, fazer com que Deus esteja presente
no mundo, especialmente no mundo onde Deus está mais ausente: o mundo de abundância. Busca tornar
Deus presente para "glória” de Deus e, simultaneamente, para a "humanização” do mundo. Sem Deus não é
possível um mundo humano, insiste. E daí que, desde o início de seu pontificado, insistiu na importância do
absoluto e no nocivo da relativização.
Bento é, portanto, muito sensível à desumanização que é produto do desaparecimento de "Deus”. Porém,
não se mostrou tão sensível ao absolutamente desumano e desumanizador, que é a fome das maiorias de
pobres, oprimidos, escravos, marginalizados, excluídos, assassinados, massacrados, as imensas maiorias da
humanidade.
Em minha opinião, uma grande contribuição da Teologia da Libertação -a de Gustavo Gutiérrez; a de Ignacio
Ellacuría; a de Pedro Casaldáliga-, talvez a maior, é precisamente ter radicalizado o absoluto; porém, de uma
maneira específica: o absoluto de Deus e o co-absoluto da fome. Sem manter-se o primeiro (ou seu
equivalente no Deus não explicitado dos crentes anônimos, na linguagem de K. Rahner); e, certamente, sem
manter o segundo (segundo Mateus 25), nos desumanizamos. Pedro Casaldáliga diz isso em palavras
lapidares: "Tudo é relativo, menos Deus e a fome”.
3. Nós. Humanização e desmistificação do Papa
Tomara que possamos humanizar e desmistificar o papa. A tarefa não é nada fácil.
Com dificuldade aceitamos que o Cristo foi Jesus de Nazaré, um ser humano, um homem.
Praticamente não conhecemos o que diz a Carta aos Hebreus, que o Cristo é Jesus de Nazaré –com esse
nome é mencionado por oito vezes na Carta; que foi feito menor que os anjos; que teve que aprender a
obedecer, gemer e chorar ante Deus. E que é mediador não por possuir dons sobre-humanos, sobrenaturais,
mas por ter exercitado em sua vida a fidelidade a Deus e a misericórdia para com os homens. E mesmo
quando o conhecemos assim, dificilmente o tornamos central em nossas vidas e em nossa Igreja.
Com facilidade desumanizamos e mistificamos a Jesus. E também ao papa. Dizemos que ele é o vigário de
Cristo; ou seja, aquele que faz as vezes de Cristo sobre a terra. Dito mais provocativamente, o que faz as
vezes de Jesus sobre a terra. Durante a Idade Média, vigários de Cristo eram os pobres. E se mal não recordo,
um frade, o primeiro que chamou ao papa de "vigário de Cristo”, sofreu uma sanção canônica.
O que está em jogo não é desvalorizar que haja vigários de Cristo sobre a terra. Ao contrário. Todos os
seres humanos, homens e mulheres, estamos chamados a torná-lo realmente presente. E todos somos ele na
medida em que somos seu sacramento. Expressamos sua realidade na medida em que nos parecemos a ele,
vivemos, falamos e trabalhamos como ele. E os mártires morrem como ele. São os vigários de Jesus de
Nazaré na terra. Isso não nos torna desumanamente divinos; mas, divinamente humanos.
Custa ver o papa assim. Porém, será bom comprometer-nos dentro de nossas possibilidades para que seja
eleito alguém que, além de amplos dotes de governo pastoral se pareça a Jesus e nos anime a parecer-nos
também a ele.
www.adital.com.br/2013/03/07
“O Protagonismo dos Jovens na História da Igreja”
O tema sobre os jovens para fevereiro, leva em consideração a Campanha da Fraternidade
deste ano e a Jornada Mundial da Juventude que acontecerá no Rio de Janeiro no mês de
junho.
No que tange à Campanha da Fraternidade, e em sintonia com ela, o IPDM propõe uma
reflexão sobre as condições que os jovens encontram atualmente para desenvolverem seus
ideais e se desenvolverem como cidadãos participantes da vida de seu bairro, sua cidade, seu
país. Não menos importante, como estamos acolhendo os nossos jovens em nossas paróquias,
comunidades, grupos.
O tema do Forum, pretende conduzir a uma reflexão que não se fixe apenas na presença e
ação dos jovens na Igreja, mas também no sentido contrário: a presença da igreja e suas ações
entre e para os jovens.
Oportuna, a Campanha da Fraternidade, por certo, trará a tona novas discussões a respeito
das necessidades prementes dos jovens diante da realidade ainda opressora, preconceituosa
e discriminatória que muitos enfrentam em seus locais de moradia, trabalho, estudo e lazer.
Os Setores de Juventude de cada Diocese, através da Pastoral da Juventude e de outras pastorais podem dar continuidade
ao processo iniciado com a CF e a JMJ. Temos certeza de que os jovens responderão positivamente como sempre o fizeram
quando foram chamados. Mas é necessário que as Dioceses se atualizem em relação ao mundo jovem.
Quais ideias você pode nos apresentar para um trabalho com jovens? Você já participou de grupos, comunidade ou
pastorais na Igreja? Como foi sua experiência? Em sua comunidade, há trabalhos com a juventude? Escreva-nos. Suas palavras
serão publicadas em nosso informativo para que possamos criar um elo de comunicação em trono deste importantíssimo
assunto. Envie suas opiniões para: [email protected] ou [email protected]
“O dinamismo, a impetuosidade e o amor dos jovens podem transformar qualquer realidade”
(Is 6,8)
Carolina Silva Pedroso
Pastoral da Juventude Paróquia Santa Luzia - Jardim Nordeste
2013 é o Ano da Fé, da primeira Jornada Mundial da Juventude no Brasil, da Campanha da
Fraternidade que volta refletir o tema Juventude e da renúncia do Papa Bento XVI. Embora nem todos
esses acontecimentos estejam necessariamente relacionados entre si – é pouco provável que a renúncia
do pontífice tenha relação com o foco dado à Juventude –, todos eles nos obrigarão a refletir sobre a
missão da Igreja nesses novos tempos que se anunciam e, principalmente, sobre o papel da Juventude em
tal conjuntura.
Discutiremos então o lema da CF 2013: “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8). Ele nos remete ao sim do
profeta Isaías e deve ser entendido em suas duas dimensões: a primeira, “Eis-me aqui”, nos incentiva a “mostrar a cara”, a protagonizar
nossa própria história; já a segunda, “envia-me”, é a resposta ao convite feito por Deus para sermos discípulos missionários de seu Reino
de Justiça e Paz. Entende-se, pois, que a CF pretende ressaltar o protagonismo do jovem diante da missão do cristão no mundo. Sabemos
que assimilar a Juventude como ator principal de um processo de mudança na Igreja é ainda um tema controverso e uma utopia
dificultada pelas barreiras burocráticas da hierarquia eclesial. No entanto, não podemos omitir este aspecto da Campanha, mesmo tendo
em vista que a posição da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) sobre essa questão, por vezes, permaneça nebulosa. Se, por
um lado, há o incentivo para uma reflexão profunda sobre o papel do jovem na Igreja e na sociedade – vide material amplamente
distribuído pela CNBB para conduzirmos a CF em nossos grupos –, por outro os espaços para o fortalecimento da Pastoral da Juventude e
de outras articulações independentes do Setor Juventude, por exemplo, parecem estar cada vez mais fechados 1.
Feita essa pequena digressão, retornemos ao “Eis-me aqui”. Em um mundo em que as frivolidades e relações fugazes são
superestimadas em detrimento de laços humanos profundos e verdadeiros e em que o “caminho mais fácil” é muito chamativo e sedutor,
o que poderia motivar o jovem a engajar-se, a assumir um lado, a comprometer-se com uma missão que, desde o início, implica
envolvimento e dedicação? É uma equação de difícil solução, considerando que a Juventude é também o principal alvo da sociedade de
consumo e do hedonismo e, por este motivo, está mais suscetível ao desinteresse, à irresponsabilidade, à falta de amor e compaixão, à
violência e à marginalidade. Um dos caminhos – e digo isso porque pretendo evitar a presunção de apontar “a” resposta definitiva diante
da imensa gama de maneiras com que o Espírito Santo pode agir – é o de “colocar a mão na massa”, tendo em vista que o engajamento
não vem sem o encantamento. Em outras palavras, é preciso envolver o jovem em um projeto maior que faça sentido para ele, em que as
decisões levem em conta sua visão e conhecimento prévio de mundo, e, sobretudo, em que ele se sinta útil no serviço ao próximo. Os
olhos da juventude brilham ao contemplar a realização de um projeto que foi feito e pensado por ela, e não é diferente quando os jovens
se deparam com a face do irmão necessitado que pôde ser confortado e apoiado por eles. Esse deve ser o incentivo inicial: permitir ao
jovem protagonizar pequenos gestos de ação concreta pelo próximo, espelhando-se sempre no também jovem Jesus de Nazaré. A
“vontade de mudar o mundo inteiro” 2, que lhe é premente, e sua natureza inquieta e cheia de vigor devem ser, portanto, os elementos
centrais no processo de encantamento para o engajamento.
A segunda parte do lema da CF, “o envio”, também está presente no bojo da Jornada Mundial da Juventude através do Evangelho de
Matheus: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28, 19). Mais uma vez acredito ser necessário fazer um pequeno adendo antes
de prosseguir nessa discussão. O mega evento que será a JMJ 2013 está sendo preparado para a sua Juventude, porém não pela
Juventude. Obviamente um encontro que reunirá milhões de católicos do mundo todo requer uma organização competente e eficaz, cuja
proporção talvez não permita que os diversos grupos juvenis espalhados pelo país possam tomar à frente. A grande questão aqui é que o
cerne da Jornada reside somente na participação do jovem, e não em seu protagonismo, o que não significa, todavia, que reflexões desse
tipo não ocorram entre os peregrinos3.
Dito isso, voltemos ao “envia-me”. Ele nos faz pensar que há uma missão à qual devemos ser enviados. Mas que missão é essa? Me
atrevo a dizer: é a mesma que os jovens Maria e Jesus abraçaram. Ressalto a juventude de Jesus e Maria porque, apesar e talvez até em
decorrência da pouca idade, eles não temeram em levar adiante a maior prova de amor filial que Deus nos proporcionou: a Cruz. E qual é
a Cruz que os jovens de hoje devem carregar? Mais uma vez reitero que não há uma só resposta, pois não se pode limitar a ação do
Espírito Santo, porém a essência de qualquer caminho a ser percorrido é somente uma: o amor ao próximo. Amar implica suportar,
tolerar, aceitar, zelar, interceder; não é uma tarefa fácil, mesmo sendo recompensadora. As grandes lições de Jesus de Nazaré foram o
profundo amor ao próximo, o olhar compassivo ao irmão que sofre e o perdão àqueles que lhe fizeram mal. Muitas vezes, quando
pensamos na atuação do jovem na Igreja, imaginamos que a participação ativa no dia a dia de nossas comunidades é suficiente para
agradarmos a Deus. Acabamos por esquecer que “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a
vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7, 21). Ou seja, “nos enfiarmos” na Igreja e nos mantermos alheios ao que ocorre ao nosso
redor não faz de nós cristãos melhores. Ao contrário, pode até nos fazer desmerecer o título de seguidores de Cristo, já que Sua
peregrinação deu-se nas ruas, com o povo humilde e sofredor de sua época, longe das sinagogas que estava repleta de hipócritas. Não
estou querendo dizer que o trabalho feito nas nossas comunidades deva ser descartado – ao contrário, sem conhecermos os caminhos
percorridos pelos profetas, nunca saberemos imitá-los –, mas sim que ele não será completo sem o serviço ao próximo, seja ele feito
dentro ou fora das paredes das igrejas. É preciso colocar em prática o que aprendemos nas catequeses, pois de nada serve a teoria sem a
experimentação. O encantamento dos jovens não ocorre por meio da teoria, mas sim quando ele é colocado frente a frente aos desafios da
verdadeira missão, quando é enviado para a entrega total ao outro.
Para finalizar, recorro às palavras do grande mestre Paulo Freire: “É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz,
até que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática”. Que consigamos converter a reflexão que os acontecimento deste ano ensejam
em ação concreta, a partir do protagonismo dos jovens e do seu envio para a missão. Que assim seja!
1
Isso é uma mera percepção da autora, que pode ser questionada e, certamente, merece uma reflexão mais aprofundada.
Trecho da Hino da Campanha da Fraternidade 2013, disponível no site www.edicoescnbb.com.br.
3
Sobre essa questão, recomendo a leitura do texto “A PJ Peregrina na JMJ 2013” de Rogério Oliveira, publicado em seu blog Pejotando: http://pejotando.blogspot.com.br/2013/02/a-pj-peregrina-na-jmj-2013
2
Tema:
Av. Maria Luiza Americano, 1550 – Cidade Líder – São Paulo
Inscrições via Internet podem ser feitas através dos e-mails
[email protected] - [email protected] - [email protected]
enviando os seguintes dados:
Nome – Data de Nascimento - Endereço Completo – Telefone – Celular – E-mail Comunidade/Paróquia a que pertence
AS INSCRIÇÕES SÃO GRATUITAS – FAÇA JÁ A SUA
Andarilho nos
caminhos dos homens,
em busca de Deus.
Com a presença de Dom Angélico Sândalo Bernardino, o lançamento do livro
será realizado imediatamente após o encontro com o Padre Manoel Godoy.
Não perca esta oportunidade. Participe de dois eventos de grande
importância para todo o Povo de Deus.
Grande Encontro com a Teóloga, Socióloga e Escritora
Tema do encontro
Local: Igreja Santuário Nossa Senhora da Paz
Av. Maria Luiza Americano, 1550 - Cidade Líder – São Paulo – SP
R E U N I Õ E S
COORDENAÇÃO
as
Os membros da Coordenação do IPDM realizarão suas reuniões bimestrais sempre nas 3 Terças-Feiras dos meses impares.
12 de Março / 21 de Maio / 16 de Julho / 17 de Setembro / 19 de Novembro
As reuniões serão realizadas sempre às 20h00 na Paróquia São Francisco de Assis da Vila Guilhermina
Praça Porto Ferreira, 48 - Próximo ao Metro Guilhermina - Esperança
PADRES – RELIGIOSOS - RELIGIOSAS
as
As reuniões entre os padres, religiosos e religiosas serão realizadas sempre as 3 Terças-Feiras dos meses pares.
22 de Fevereiro / 26 de Abril / 28 de Junho / 30 de Agosto / 25 de Outubro / 27 de Novembro
As reuniões serão realizadas sempre às 9h30 no CIFA – Paróquia Nossa Senhora do Carmo de Itaquera
Rua Flores do Piauí, 182
A T Ede
NÇ
ÃO
Centro
Itaquera
A reunião da Coordenação agendada para o dia 19 foi antecipada para o dia 12 de março (Terça-Feira)
Nesta reunião, são esperados todos os padres do IPDM trazendo alguém de sua paróquia para compor a
Coordenação geral.
Contamos com o apoio e presença de todos.
Missa na Catedral da Sé
Sexta-Feira – 15 de março de 2013 às 18h00
Dom Angélico Sândalo Bernardino presidirá a celebração
da Santa Missa em homenagem ao Estudante
Alexandre Vannucchi Leme
que em 1973, após ter sido detido pelo regime militar foi
barbaramente torturado e morto.
Estaremos prestando nossas homenagens não apenas ao
Alexandre, mas a todos os homens e mulheres que
tombaram diante da truculência do poder, mártires que
deram suas vidas em defesa dos oprimidos.
Venha celebrar conosco.
COMO SER SÁBIO NO SÉCULO XXI
- Uma leitura diferente do livro dos Provérbios –
[Baseado num texto de Frei Gorgulho no INTERNATIONAL BIBLE COMMENTARY]
De Março a Outubro de 2013 sempre aos Sábados das 9h00 às 11h00
Março: 16 e 23 - Abril: 13 e 27 – Maio: 11 e 25 – Junho: 8 e 22
Agosto: 10 e 24 – Setembro: 14 e 28 – Outubro: 5 e 26
Inscrições: R$ 100,00 (pode ser parcelado)
Local: Igreja Nossa Senhora do Rosário de Fátima
Av. Doutor Arnaldo – em Frente a Estação Sumaré do Metrô
Os endereços eletrônicos abaixo indicados contêm riquíssimo material para estudos e pesquisas. Por
certo, poderão contribuir muito para o aprendizado de todos nos mais diversos seguimentos.
www.adital.org.br - Esta página oferece artigos/opiniões sobre movimentos sociais, política, igrejas e
religiões, mulheres, direitos humanos dentre outros. O site oferece ainda uma edição diária especial
voltada aos jovens.Ao se cadastrar você passa a receber as duas versões diárias.
www.amaivos.com.br - Um dos maiores portais com temas relacionados à cultura, religião e sociedade
da internet na América Latina, em conteúdos, audiência e serviços on-line.
www.cebi.org.br - Centro de estudos bíblicos, ecumênico voltado para a área de formação abrangendo
diversos seguimentos tais como: estudo bíblico, gênero, espiritualidade, cidadania, ecologia, intercâmbio e
educação popular.
www.cnbb.org.br - Página oficial da CNBB disponibiliza notícias da Igreja no Brasil, além de documentos
da Igreja e da própria Conferência.
www.ihu.unisinos.br - Mantido pelo Instituto Humanitas Unisinos o site aborda cinco grandes eixos
orientadores de sua reflexão e ação, os quais constituem-se em referenciais inter e retrorrelacionados,
capazes de facilitar a elaboração de atividades transdisciplinares: Ética, Trabalho, Sociedade Sustentável,
Mulheres: sujeito sociocultural, e Teologia Pública.
www.jblibanio.com.br - Página oficial do Padre João Batista Libânio com todo material produzido por
ele.
www.mundomissao.com.br - Mantida pelo PIME aborda, sobretudo, questões relacionadas às missões
em todo o mundo.
www.religiondigital.com - Site espanhol abordando questões da Igreja em todo o mundo, além de
tratar de questões sobre educação, religiosidade e formação humana.
www.cartamaior.com.br - Site com conteúdo amplo sobre arte e cultura, economia, política,
internacional, movimentos sociais, educação e direitos humanos dentre outros.
www.nossasaopaulo.org.br - Página oficial da Rede Nossa São Paulo. Aborda questões de grande
importância nas esferas político-administrativas dos municípios com destaque à cidade de São Paulo.
www.pastoralfp.com - Página oficial da Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de São Paulo. Pagina
atualíssima, mantém informações diárias sobre as movimentações políticas-sociais em São Paulo e no
Brasil.
www.vidapastoralfp.com - Disponibilizado ao público pela Paulus editora o site da revista Vida Pastoral
torna acessível um vasto acervo de artigos da revista classificados por áreas temáticas. Excelente fonte de
pesquisa.
www.paulus.com.br – A Paulus disponibiliza a Bíblia Sagrada edição Pastoral online/pdf.
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