DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO SESSÃO: 235.2.54.O DATA: 04/09/12 TURNO: Vespertino TIPO DA SESSÃO: Ordinária - CD LOCAL: Plenário Principal - CD INÍCIO: 14h TÉRMINO: 20h06min DISCURSOS RETIRADOS PELO ORADOR PARA REVISÃO Hora Fase 14:16 PE 18:34 GE Obs.: Orador JANETE ROCHA PIETÁ JANETE ROCHA PIETÁ Ata da 235ª Sessão, da 2ª Sessão Legislativa Ordinária, da 54ª Legislatura, em 4 de setembro de 2012. Presidência dos Srs.: Marco Maia, Presidente. Inocêncio Oliveira, 3º Secretário. Geraldo Resende, 1º Suplente de Secretário. Onofre Santo Agostini, Amauri Teixeira, Paulo Feijó, § 2º do artigo 18 do Regimento Interno. ÀS 14 HORAS COMPARECEM À CASA OS SRS.: Marco Maia Rose de Freitas Eduardo da Fonte Eduardo Gomes Jorge Tadeu Mudalen Inocêncio Oliveira Júlio Delgado Geraldo Resende Manato Carlos Eduardo Cadoca Sérgio Moraes CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 I[CD1][CD2] - ABERTURA DA SESSÃO O SR. PRESIDENTE (Onofre Santo Agostini) - A lista de presença registra na Casa o comparecimento de 114 Senhoras Deputadas e Senhores Deputados. Está aberta a sessão. Sob a proteção de Deus e em nome do povo brasileiro iniciamos nossos trabalhos. A Sra. Secretária procederá à leitura da ata da sessão anterior. II - LEITURA DA ATA A SRA. BENEDITA DA SILVA, servindo como 2ª Secretária, procede à leitura da ata da sessão antecedente, a qual é, sem observações, aprovada. III - EXPEDIENTE 3 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD3][CD4] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Onofre Santo Agostini) - Passa-se ao IV - PEQUENO EXPEDIENTE Concedo a palavra, por 1 minuto, para dar seu discurso lido, ao Sr. Deputado Giovani Cherini. 4 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD5]O REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 SR. GIOVANI CHERINI (PDT-RS. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, estamos cansados. Com a campanha para as eleições municipais, chegamos aqui nos arrastando. O País para de 2 em 2 anos. É um absurdo não mudarmos a legislação eleitoral, que determina eleições de 2 em 2 anos. É simplesmente desumano o que sofremos nas estradas — andando, correndo; e, depois, temos que vir para cá, porque aqui temos obrigações a cumprir. Temos que mudar essa situação. Temos que ter eleições nacionais. Temos que aprovar o voto em lista. Temos que aprovar o financiamento público de campanha. Temos que passar o mandato dos Prefeitos e Vereadores para 6 anos. Temos que acabar com essa história de comprar votos, de contratar de cabos eleitorais. A nova forma de comprar voto no Brasil é contratar cabo eleitoral. As comissões provisórias dos partidos têm de acabar também, estabelecendo-se a unificação as eleições em dias diferentes, no mesmo ano. Pelo menos durante 3 anos o País irá andar. Do jeito que está, não há mais condições de prosseguir. Temos de mudar esse sistema até o final do ano. Vamos trabalhar, diuturnamente, para que isso aconteça, com eleições de 4 em 4 anos, definitivamente. Muito obrigado. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a reforma política tem de discutir a unificação das eleições no Brasil e ampliação atuais mandatos eletivos para 6 anos. Temos de unificar, a partir de 2016, a disputa para todos os cargos eletivos do Brasil. Câmaras Municipais e Prefeituras, Assembleias Estaduais e Câmara 5 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Legislativa, Governo dos Estados, Câmara dos Deputados, Senado Federal e Presidência da Republica. Eleições unificadas já. No próximo pleito, além de melhorar e democratizar mais as regras da eleição, precisamos diminuir o custo das campanhas e o custo das eleições. Essa prática de eleições a cada 4 anos é extremamente atrasada e de custo altíssimo. Precisamos, numa parte do ano eleitoral, eleger Prefeitos e Vereadores e, em outra, eleger Deputados Estaduais e Distritais, no caso do Distrito Federal, Deputados Federais, Senadores, Governadores e Presidente da Republica. O custo das eleições vai ser bem menor, sem falar que o País não vai parar a cada 2 anos. O Senador Cidinho (PR\MT) tem uma proposta que altera a legislação eleitoral em 2 aspectos: unifica as eleições, com mandatos de 5 anos, e limita o número de cabos eleitorais que trabalham em campanhas. Quanto ao número de cabos eleitorais, o PL do Senador mato-grossense prevê que, nas eleições para Prefeito e Vereador, possam ser contratados 200 profissionais e 400 voluntários por candidato. Aqui, na Câmara Federal, tramita proposta do Deputado Reginaldo Lopes (PT\MG), ora na CCJ, segundo a qual os Prefeitos e Veadores eleitos em 2012 teriam o mandato prorrogado ate 2018, quando seriam unificadas as eleições. Porém, a proposta prevê eleição única de Vereador até Presidente da Republica, o que acredito não ser algo muito viável, pois alguns eleitores poderiam se atrapalhar na hora de votar, bem como tiraria o foco dos programas e campanhas entre Município, Estado e União. 6 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Mas um ponto muito interessante na proposta do Deputado Reginaldo Lopes é o que extingue o suplente de Senador ser eleito na chapa, passando a ser o segundo mais votado, como ocorre no caso dos Deputados e Vereadores. Nesse ponto, tem meu total apoio o Deputado Reginaldo Lopes, pois hoje os suplentes de Senador, salvo alguns casos, sempre são os financiadores da campanha. Temos, sim, que mudar essa realidade. Era o que tinha a dizer. 7 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD6][CD7] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. SIBÁ MACHADO (PT-AC. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, os jornais de hoje publicam nota da Presidente Dilma em resposta a artigo escrito pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso. Desse fato, podemos extrair duas conclusões importantes. A primeira é que o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso deve estar preocupadíssimo com a situação do seu candidato nas eleições do Município de São Paulo. Ontem, o candidato Serra foi muito mal em debate realizado. Nas pesquisas, ele está caindo como uma jaca podre. A segunda é que ele, preocupado, não consegue dormir direito, porque o Governo do Presidente Lula foi melhor e o da Presidenta Dilma também está sendo muito, mas muito melhor, do que os seus dois mandatos somados. Assim sendo, devo entender que o Presidente Fernando Henrique Cardoso hoje está para o Brasil como um rolamento cheio de areia, uma engrenagem que não roda mais. Entendo também que o candidato Serra transporta esse tipo de concepção de Brasil para a eleição de São Paulo. Estão querendo nacionalizar a eleição e salvar a candidatura dele. Aliás, acredito que ele não irá se recuperar mais. Muito obrigado. 8 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD8] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. CELSO MALDANER (PMDB-SC. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero dar como lido pronunciamento em que homenageio uma entidade de enorme importância para a economia catarinense que completa agora 40 anos de fundação: a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina, que será homenageada hoje em sessão especial na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis. Com 40 anos de atividades, conquistas, desafios e vitórias, a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina foi fundada em 22 de setembro de 1972, durante Convenção Estadual do Comércio Lojista, realizada no Rio de Janeiro, tendo como primeiro presidente o empresário Moacyr Pereira de Oliveira. A data de fundação da entidade acabou se transformando no Dia do Lojista Catarinense, conforme instituiu a Lei nº 13.208, de 20 de dezembro de 2004, sancionada pelo Governador do Estado. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, gostaria de homenagear uma entidade de enorme importância para a economia catarinense que completa agora 40 anos de fundação: a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina, que será homenageada hoje em sessão especial na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis. Com 40 anos de atividades, conquistas, desafios e vitórias, a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina foi fundada em 22 de setembro de 1972, durante a Convenção Estadual do Comércio Lojista, realizada no Rio de Janeiro, tendo como primeiro presidente o empresário Moacyr Pereira de Oliveira. A 9 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 data de fundação da entidade acabou se transformando no Dia do Lojista Catarinense, conforme instituiu a Lei nº 13.208, de 20 de dezembro de 2004, sancionada pelo Governador do Estado. Atualmente, a Federação conta com 184 CDLs — Câmaras de Dirigentes Lojistas afiliadas, as quais, por sua vez, representam 34 mil empresas associadas. A presente gestão da Federação catarinense tem à frente o Presidente Sergio Alexandre Medeiros, que tomou posse no dia 11 de abril de 2008 e foi reconduzido ao cargo para a gestão 2011-2013 na Assembleia Geral da Federação das CDLs em 22 de outubro de 2010. Outra entidade de grande importância que acaba de completar aniversário é a UNOCHAPECÓ, uma das universidades mais respeitadas e ativas do nosso Estado. Para celebrar sua trajetória de 10 anos e marcar a data de seu aniversário, a UNOCHAPECÓ está realizando diferentes eventos e ações durante todo o mês de setembro. Já em agosto, foi iniciada a circulação de um informativo especial Unochapecó Notícias, alusivo aos 10 anos, o lançamento de um concurso de fotografia e o início da campanha de combate ao fumo. O programa alusivo também inclui a produção e exibição de minidocumentários produzidos pela UnoWebTV, disponibilizados também no Youtube e nas redes sociais. Esses minidocumentários mostram a relação de pessoas com a UNOCHAPECÓ e como a universidade transformou a vida delas nesses 10 anos. Ontem, houve a solenidade em comemoração aos 10 anos da universidade, às 19 horas, no salão de atos da UNOCHAPECÓ. O evento contou com sessão 10 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 solene do CONSUN, homenagens e apresentações de documentários e do Coral Unochapecó. Não tendo podido estar presente à solenidade, em face de outros compromissos, gostaria de registar aqui minha admiração e respeito por essa instituição tão séria e que contribui enormemente para o crescimento intelectual e profissional de nossos estudantes. Muito obrigado. 11 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD9][CD10] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. GERALDO SIMÕES (PT-BA. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, trago a esta Casa preocupação com um conflito, em minha região, o sul da Bahia, entre lideranças indígenas e pequenos agricultores da agricultura familiar. É sério o conflito que está ocorrendo nos Municípios de Ilhéus, Una e São José da Vitória em protesto contra um relatório da FUNAI repleto de erros, de equívocos e que, portanto, deve ser revogado. Desde o dia 10 de agosto, 200 pequenos agricultores protestam no Aeroporto de Ilhéus. Eles só têm aquilo na vida, Sr. Presidente. Há três gerações estão ali produzindo agricultura de subsistência. Recentemente, a FUNAI apresentou um relatório segundo o qual ali é terra do povo tupinambá. Esse relatório tramita na FUNAI e no Ministério da Justiça, o que deixa todos nós desses três Municípios preocupados. É preciso que esta Casa se manifeste, Sr. Presidente, assim como o Ministério da Justiça. Não há outro caminho a não ser a revogação do equivocado relatório da FUNAI, para que os agricultores possam produzir em paz. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero trazer a esta tribuna minha preocupação pelo que vem ocorrendo no sul da Bahia, com a continuidade do conflito entre lideranças indígenas e pequenos proprietários rurais. Como fato concreto — expressão do conflito que necessita ser tratado adequadamente —, desde o último dia 10 de agosto, pequenos proprietários ocuparam o Aeroporto de Ilhéus, solicitando solução imediata dos conflitos que se 12 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 prolongam há vários anos. A ocupação já dura quase um mês, com 14 barracas e cerca de 200 agricultores, que aguardam uma resposta do Ministério da Justiça. Em reunião com o Ministro da Justiça, no dia 15, na busca de entendimento e solução pacífica para o conflito, representantes dos pequenos agricultores solicitaram a desocupação das propriedades invadidas e posterior instalação de uma mesa de negociações que encontre uma solução definitiva. No entanto, o Ministério da Justiça não toma uma providência. Como já informei em outras ocasiões, a FUNAI apresentou um relatório confirmando uma área de mais de 40 mil hectares como de origem indígena. Esse relatório tem servido de pretexto para a invasão de terras, muitas vezes com emprego de violência, por parte de supostos indígenas. No mês passado, os pequenos agricultores estiveram em reunião na Câmara de Vereadores em Ilhéus, quando receberam o apoio dos Vereadores. Em torno de 200 pessoas participaram do ato. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, é inadmissível seguirmos impassíveis diante de um conflito que se agrava progressivamente. Nossas autoridades têm em mãos os meios e o poder de resolver o problema. Não é possível a continuidade da omissão, já responsável por vítimas dos dois lados em conflito. É necessária a revogação imediata do Relatório da FUNAI que originou o problema e a garantia que os pequenos proprietários que se encontram na terra há três gerações possam continuar nela, vivendo e produzindo em paz. Os índios têm direito a terras. Mas esse direito não pode ser exercido ferindo direitos legítimos e consolidados de produtores rurais. Além de um processo legal e 13 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 legítimo que solucione o conflito, considero que tem de ser instaurado um processo de negociação que atenda de maneira adequada às duas partes em seus direitos legítimos, evitando todo e qualquer ato de violência. 14 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD11] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. RAIMUNDO GOMES DE MATOS (PSDB-CE. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, nobres Parlamentares, no dia 28 de agosto, o Presidente da Federação da Agricultura do Ceará, Sr. Flávio Saboya, protocolou no Ministério Público um manifesto, também subscrito por vários presidentes de sindicatos rurais cearenses, em que demonstra o desabastecimento que o Ceará vem sofrendo no tocante à entrega de milho pela CONAB. E todos sabemos que a CONAB tem grãos em estoque. Com esse manifesto, os produtores apelam para o Ministério Público no sentido de que promova alguma ação perante o Governo Federal. Mais de 34 mil agricultores cadastrados não estão tendo acesso ao milho. Trata-se de um problema de logística. Como o manifesto revela, há falta de planejamento do Governo Federal para fazer com que o milho chegue aos pequenos produtores. Já se iniciam tensões sociais. Os rebanhos estão sendo dizimados. Muitos produtores estão vendendo seus animais a preços irrisórios. Tudo isso por falta de um trabalho de logística. No Ceará, praticamente não existem armazéns da CONAB. Todos estão deteriorados. No Nordeste, também não existem armazéns para receber a compra do milho pactuada com os produtores. Por outro lado, já há uma sinalização do próprio Governador Cid Gomes no sentido de fazer uma parceria: o Governo Federal remeteria o milho por navios e o Estado do Ceará seria responsável por sua distribuição nas regiões afetadas pela estiagem. 15 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Portanto, neste pronunciamento, fazemos um apelo no sentido de que o Ministério Público tome uma posição, porque existe um descaso total do Governo Federal em relação à estiagem no Estado do Ceará. 16 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD12][CD13] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 A SRA. BENEDITA DA SILVA (PT-RJ. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, peço a V.Exa. que autorize a transcrição, na íntegra, do meu pronunciamento em que parabenizo a Presidenta Dilma, que sancionou, na semana passada, a Lei do Sistema de Cotas. Com essa medida, 50% dos alunos da rede pública, entre negros, pardos, índios e aqueles que tenham renda inferior a um salário mínimo e meio, adquiriram o direito de ingressar nas universidades federais brasileiras. O Governo Federal tem mostrado, com atos como esse, a necessidade de contribuir para a consolidação da justiça social, além da democratização do acesso ao ensino superior. Hoje, Sr. Presidente, das 59 universidades federais, apenas 25 empregam o sistema de cotas. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELA ORADORA Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na semana passada, a nossa Presidenta Dilma sancionou a Lei do Sistema de Cotas. Dessa forma, com base no resultado do Exame Nacional do Ensino Médio — ENEM, 50% dos alunos da rede pública, entre negros, pardos, índios e também aqueles que tenham renda inferior a um salário mínimo e meio, adquiriram o direito de ingressar nas universidades federais brasileiras. Com medidas como essa, o Governo Federal tem mostrado a necessidade de contribuir para a consolidação da justiça social, além da democratização do acesso ao ensino superior. Atualmente, das 59 universidades federais, apenas 25 empregam o sistema de cotas. 17 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 É mais um ato com que se busca combater e diminuir a desigualdade social brasileira, além de interferir na solução de uma antiga dívida social com os negros, com os índios e com os pobres do nosso País. Sempre defendi o sistema de cotas nas universidades federais brasileiras. Sei que a cota faz parte de uma série de ações que combatem a discriminação e promovem a inclusão dos afro-brasileiros. Quando Governadora do Rio de Janeiro, sancionei a lei que deu à Universidade do Estado do Rio de Janeiro — UERJ condição de implantar o sistema que hoje tem um dos maiores resultados em aproveitamento no sistema de cotas. Sei que nosso País tem avançado na inclusão dos negros e índios na sociedade brasileira, mas precisamos continuar a luta para erradicar o preconceito. Agradeço à nossa Presidenta Dilma por ter dado continuidade a programas e projetos iniciados pelo então Presidente Lula, dando visibilidade a nós negros brasileiros. O reconhecimento da nossa raça e de nossa luta ainda não é total, mas continuo a dizer: não podemos tratar de forma igual os diferentes. Muito obrigada. 18 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD14] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PAULO FEIJÓ (Bloco/PR-RJ. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, neste final de semana, foi divulgado no norte fluminense uma pesquisa de intenções de voto no Município de Campos dos Goytacazes — pesquisa encomendada pelo Sistema Globo de Televisão, por meio da sua afiliada, a InterTV Planície. O resultado da pesquisa não me surpreendeu, Sr. Presidente. Ela aponta a Prefeita Rosinha com 63% de intenções de voto; o segundo colocado, Arnaldo Vianna, com 13%, e Makhoul, terceiro colocado, com 9%. Os demais candidatos não pontuaram. Se forem considerados os votos válidos, a Prefeita Rosinha ganha a eleição, no primeiro turno, com 74% dos votos. Sr. Presidente, esse resultado é fruto de 4 anos de uma belíssima administração. Tenho dito aqui, repetidamente, que a Prefeita Rosinha é hoje uma das Prefeitas de melhor avaliação no Brasil. Os recursos dos royalties do petróleo, quando bem aplicados, resultam imediatamente na melhoria da qualidade de vida do povo. É o que hoje estão experimentando os campistas. Nunca houve uma Prefeita tão bem avaliada e de tanto carisma quanto Rosinha. E o reconhecimento está se traduzindo nas intenções de voto, o que, com certeza, vai se consolidar nas eleições do dia 7 de outubro, quando a Prefeita Rosinha vencerá, no primeiro turno, com uma votação consagradora. Muito obrigado, Sr. Presidente. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente; Sras. Deputadas, Srs. Deputados; senhoras e senhores aqui presentes; crianças, jovens, senhoras e senhores que me ouvem e me veem pela Rádio e TV Câmara, Internet e redes sociais; pessoas com deficiência que me veem 19 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 e entendem minhas palavras pela Língua Brasileira de Sinais — LIBRAS; ilustres cidadãos do meu Estado, o Rio de Janeiro, a quem tenho o orgulho de aqui representar, o que todo o cidadão brasileiro deseja, e eu também, na condição de homem público, de Deputado Federal, é que possamos assistir de vez ao fim dos escândalos na política, com a prevalência da ética e da moral sustentando o compromisso com a transformação da qualidade de vida, da geração de bem-estar social e de cidadania. Isso somente é possível, nobres colegas, com o comprometimento de nós, políticos, e também com a participação da sociedade brasileira, que deve escolher seus representantes de forma responsável no momento das eleições, verificando sua história de prestação de serviços, de engajamento popular. Quando age assim, a população contribui para o desenvolvimento da sociedade, e com é muita satisfação que percebo isso ocorrer na minha cidade, Campos dos Goytacazes, cidade polo do norte do Estado do Rio de Janeiro, onde as pessoas têm reconhecido o valoroso trabalho desenvolvido pela Prefeita Rosinha Garotinho e por seu Vice-Prefeito Dr. Chicão. A população se envolve de forma maciça com a campanha à reeleição de Rosinha e do Dr. Chicão, acompanhando os atos programados, como carreatas, comícios e caminhadas, em reconhecimento ao quanto tem sido realizado pelo Governo Municipal, com programas e projetos em que são aplicando com seriedade os recursos públicos e que geram qualidade de vida para todos. Essa aprovação pode ser medida por recente pesquisa do IBOPE, encomenda pela InterTV Planície, emissora afiliada à Rede Globo, que demonstra a liderança absoluta de Rosinha e Dr. Chicão. 20 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Segundo Pesquisa IBOPE, a Prefeita Rosinha Garotinho aparece com 63% das intenções de voto, com seus principais adversários registrando 13% e 9%, respectivamente. Pela pesquisa, se a eleição fosse hoje, a Prefeita Rosinha seria reeleita com folga no primeiro turno, com 74% dos votos válidos, desprezados os votos brancos, nulos e os dos indecisos. A Pesquisa IBOPE relaciona também a rejeição dos candidatos a Prefeito em Campos. Neste quesito, a maior rejeição é do candidato Arnaldo Vianna (PDT), com 28%, seguido de perto por Makhoul Moussalém (PT). com 18%. A pesquisa ouviu 602 pessoas, com margem de erro de 4% para mais ou para menos, com brancos e nulos somando 6%, com 9% dos entrevistados informando que não sabem em que votar ou não respondendo. Esse bom desempenho da Prefeita Rosinha Garotinho é fruto de muito trabalho desse Governo que tanto tem feito pela promoção de inclusão social e pelo desenvolvimento econômico, graças a várias ações e políticas públicas, pioneiras e de forte alcance popular. Entre os vários projetos, poderia citar o maior programa habitacional do Brasil feito com recursos municipais, o Morar Feliz, que em Campos entregou mais de 5.400 casas populares. Posso citar também o maior programa de infraestrutura urbana do interior do Estado do Rio de Janeiro, o Bairro Legal, que promove intervenções urbanísticas de porte, com recuperação e pavimentação de ruas, com construção de calçadas padronizadas com acessibilidade, com implementação de paisagismo e nova iluminação pública, entre outras melhorias. 21 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Ao término deste pronunciamento, Sr. Presidente, quero ressaltar minha satisfação com o reconhecimento do trabalho desenvolvido pela `Prefeita Rosinha Garotinho e pelo Dr. Chicão e pelo acolhimento do povo às suas propostas. Muito obrigado. O Sr. Onofre Santo Agostini, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Geraldo Resende, 1º Suplente de Secretário. 22 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD15][CD16] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Geraldo Resende) - Concedo a palavra ao Sr. Deputado Onofre Santo Agostini. O SR. ONOFRE SANTO AGOSTINI (PSD-SC. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Santa Catarina realiza os Joguinhos Abertos, de 30 de agosto a 9 de setembro. O Brasil não teve um bom desempenho nas Olimpíadas de Londres. Um dos motivos é este: não estão preparando nossas crianças. Por isso, Santa Catarina saiu na frente, e a FESPORTE realiza os Joguinhos Abertos. Coincidentemente, acontecem na minha cidade de Curitibanos. A abertura dos Joguinhos ocorreu no dia 30. Foi muito bonita. Quero cumprimentar o Exmo. Sr. Prefeito Municipal, o Exmo. Sr. Governador do Estado e o Presidente da FESPORTE pela beleza dos Joguinhos Abertos, em Santa Catarina. Repito, o Brasil não teve bom desempenho nas Olimpíadas de Londres, e um dos motivos foi a não preparação de jovens e crianças nas escolas. Santa Catarina saiu na frente e está realizando os Joguinhos, com a participação de crianças e adolescentes. Assim, vai preparando a juventude para que, nas próximas Olimpíadas, o Brasil possa ter um bom desempenho. Como diz o ditado, Srs. Deputados, “é de pequenino que se torce o pepino”. A preparação das crianças, dos estudantes, sem dúvida, trará benefícios no futuro. Por isso cumprimento o Prefeito Municipal de Curitibanos, o Sr. Governador do Estado e o Presidente da FESPORTE. 23 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 A SRA. JANETE ROCHA PIETÁ (PT-SP. Sem revisão da oradora.) - DISCURSO DA SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ QUE, ENTREGUE À ORADORA PARA REVISÃO, SERÁ POSTERIORMENTE PUBLICADO. (Discurso a ser publicado na Sessão nº 262 , de 09/10/12.) 24 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD17][CD18] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. FERNANDO MARRONI (PT-RS. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, quero comentar relatório do UNICEF em que indica que, no Brasil, 1,4 milhão de crianças de 4 a 5 anos estão fora da pré-escola. Daí o desafio lançado pela Presidente Dilma com o PROINFÂNCIA, programa em que se prevê a construção de 6 mil creches para atender essa demanda. Penso que o Presidente Lula promoveu um grande avanço na área da educação, com o PROUNI, com as escolas técnicas, colocou mais de 1 milhão de jovens no ensino superior, mas o Brasil ainda tem esse desafio. Há o Programa Brasil Carinhoso, o PRONACAMPO. Todos eles têm a intenção de tratar do apoio à educação. E agora vem o tema dos 10% para a educação. O Congresso Nacional tem, sim, a obrigação de buscar, se for o caso, como diz a Presidente Dilma, recursos do pré-sal. Que daí venham os recursos para que se possa pagar o piso salarial dos professores, melhorar a escola, instituir a escola de educação integral e colocar todas as crianças na pré-escola. Muito obrigado, Sr. Presidente. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, aqueles que nos assistem, hoje ocupo este espaço para falar de um assunto de grande importância, que diz respeito ao presente, mas, sobretudo, ao futuro do Brasil. Um relatório lançado pelo UNICEF esta semana mostra que nosso País ainda tem 1,4 milhão crianças de 4 e 5 anos fora da escola. O dado é preocupante. Porém, se existe um governo que pode resolver esse problema, é o Governo da Presidenta Dilma. Até 2015 temos como objetivo colocar todas essas crianças na escola. E é isso o que faremos! 25 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Quando digo que o nosso Governo é o mais preparado para resolver esse problema, não estou falando da boca para fora ou porque, com muito orgulho, faço parte desse projeto. Digo isso porque, assim como o Governo do Presidente Lula, o Governo da Presidenta Dilma tem compromisso com a educação. Se alguém vai resolver o problema da educação, seremos nós. Desde 2003 o Brasil avançou muito, com a criação de diversos programas na área, como o PROUNI, que revolucionou o ensino superior. Colocamos mais de 1 milhão de jovens de baixa renda dentro das universidades. Além disso, o Governo do Presidente Lula criou mais de 350 escolas técnicas em todo o País. Temos compromisso com a educação. E agora chegou a vez da resolução do problema das crianças que ainda não têm acesso à escola. O desafio é grande, mas algumas iniciativas governamentais, como o PROINFÂNCIA, que tem a meta de construir 6 mil creches em todo o País até 2014, são respostas interessantes ao problema. Além disso, a última política do Governo, o Brasil Carinhoso, prioriza as famílias que estão abaixo da linha da pobreza, quanto ao acesso à creche, e ataca exatamente essa desigualdade. Há ainda o Programa Nacional de Educação do Campo — PRONACAMPO, que oferece apoio técnico e financeiro aos Estados e Municípios para implementação da política de educação do campo. Para concluir, Sras. e Srs. Deputados, quero dizer que, para conseguirmos enfrentar e vencer esse grande desafio, são necessários, além dos programas do Governo Federal, mais recursos para investimento na educação. Por isso vejo como fundamental o investimento de 10% do Produto Interno Bruto — PIB em educação, previsto no Plano Nacional de Educação — PNE, que está em debate no Congresso 26 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Nacional. Além disso, é importante que parte dos recursos decorrentes dos royalties do pré-sal seja investida em educação. Acredito que assim atingiremos a nossa meta. Muito obrigado, Sr. Presidente. 27 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD19]O[CD20] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 SR. LEONARDO MONTEIRO (PT-MG. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero cumprimentar a Caixa Econômica Federal, na pessoa de nossa Presidenta Dilma, porque ontem foi inaugurada mais uma agência dessa instituição, no Município de Itamarandiba, Vale do Jequitinhonha, com a presença da Gerente Nacional, a Sra. Márcia, e também de nossa Superintendente Regional do Norte de Minas, a Sra. Edma. Destaco a parceria do Município no sentido de viabilizar a instalação de agência da Caixa em Itamarandiba, com a doação do terreno e, sobretudo, a parceria com a Prefeitura, o esforço do Vice-Prefeito, o Sr. Ângelo, que muito batalhou, acompanhando o processo tanto em Brasília quanto em Belo Horizonte, na Superintendência, até a inauguração da agência da Caixa Econômica Federal na cidade de Itamarandiba. Parabenizamos, portanto, a Caixa Econômica Federal, a Presidenta Dilma e, sobretudo, o Município de Itamarandiba, por intermédio de nosso Vice-Prefeito Ângelo, da Prefeitura, da Câmara Municipal, enfim, de toda a população de Itamarandiba. Sem dúvida, a implantação de agência da Caixa naquele Município é um fator que induz o desenvolvimento de nossa cidade. Parabéns a todos! Muito obrigado, Sr. Presidente. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero informar que a Caixa Econômica Federal inaugurou, na manhã dessa segunda-feira, dia 3 de setembro, em Itamarandiba, mais uma unidade bancária em Minas Gerais. A nova agência 28 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 recebeu o nome da própria cidade e está localizada na Travessa Tiradentes, no centro da cidade, com equipe de oito servidores e cinco colaboradores para atendimento aos clientes. Representando a Vice-Presidência de Logística e Retaguarda da Caixa, esteve presente a essa inauguração a gerente nacional da instituição, Márcia Guimarães Guedes, que se emocionou ao lembrar-se da infância no Município de Itamarandiba. Também estive presente, tendo participado do evento juntamente com a Superintendente Regional do Norte de Minas, Edma Aparecida Duarte Gaspar, gerentes de diversas agências da Caixa e autoridades municipais. De acordo com a Caixa, a nova agência está alinhada aos desafios estratégicos de ser referência em atendimento, promovendo a inclusão social, valorizando a acessibilidade, a satisfação e a comodidade dos usuários. Quero destacar o empenho do nosso mandato para indicar a construção da agência em Itamarandiba, junto à Vice-Presidência da Caixa, com participação também de outros agentes políticos, como o Vice-Prefeito Ângelo Gomes de Melo, o Deputado Estadual Adelmo Leão e a Secretária de Finanças do Partido dos Trabalhadores em Minas Gerais, Gleide Andrade. Sr. Presidente, consideramos que a instalação da agência em Itamarandiba vai facilitar o acesso da população aos serviços geridos pela Caixa, sobretudo os benefícios concedidos aos trabalhadores pelo Governo Federal. A Caixa é o principal agente financeiro das políticas públicas do Governo Federal e está à frente dos mais importantes programas, como o Programa Minha Casa, Minha Vida — PMCMV, o Programa de Aceleração do Crescimento — PAC e o Bolsa Família. 29 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Também é por meio da Caixa Econômica Federal, Sr. Presidente, que o trabalhador saca benefícios como o seguro-desemprego e o FGTS. Com a participação também de casas lotéricas, a Caixa já está presente em todos os Municípios do Brasil. Ainda neste semestre, há a previsão de que serão inauguradas mais duas unidades na região: Jequitinhonha e Três Marias. Sr. Presidente, a instalação da Caixa Econômica Federal é uma vitória para o Município de Itamarandiba. Além de atender aos mais de 32 mil habitantes, a instituição realizará trabalhos, levando serviços, crédito e programas sociais não apenas para o Município de Itamarandiba, mas para todas as cidades da região. Muito obrigado. 30 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD21][CD22] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. AMAURI TEIXEIRA (PT-BA. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o ex-Presidente Fernando Henrique disse que a Presidenta Dilma recebeu herança maldita de Lula. Não sei se ele está com esclerose ou outra coisa. Foi Lula quem recebeu herança maldita de Fernando Henrique, como o apagão, o desemprego e o salário mínimo com baixo poder aquisitivo. O salário mínimo, à época de Fernando Henrique, era de 240 reais. Em 2013, vamos aumentar o salário mínimo em 179%. O desemprego, à época de Fernando Henrique, beirava 20%. Hoje, estamos com um dos menores índices de desemprego do mundo. A Espanha beira 20%. O Brasil está com índice de desemprego de país desenvolvido, de país de Primeiro Mundo. Nós reforçamos a infraestrutura do País. A Presidenta Dilma, que recebeu o Governo e tem condições de avaliar, diz que Lula é um estadista, ela diz que recebeu uma herança bendita, recebeu o País preparado para continuar avançando socialmente. O que nós queremos comparar são os índices sociais. Retiramos da miséria mais de 30 milhões de pessoas. E essa herança bendita permite que a Presidenta Dilma aponte para retirar mais 16 milhões e praticamente erradicar a miséria no Brasil. O Sr. Fernando Henrique, portanto, deve estar com esclerose. A Presidenta Dilma está certa, recebeu uma herança bendita do Presidente Lula. 31 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD23]O[CD24] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 SR. FERNANDO FERRO (PT-PE. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, quero manifestar apoio à consigna de 10% do PIB para a educação. Instado pela Liderança do meu partido, assinei um requerimento para trazer essa matéria para o plenário. Assinei de boa-fé, mas solicitei a retirada do meu nome, porque temos que fazer esse debate. O País, para dar sequência ao seu processo de crescimento, precisa ter educação de qualidade. O debate é para vermos de onde vamos tirar esse dinheiro. Concordo com que o Governo não pode ficar refém dessa discussão, criar um número sem ter um lastro para garantir isso. Mas nós temos condições de criar isso. Inclusive, a Presidente Dilma comentou que, nos royalties do petróleo do pré-sal, pode estar uma das soluções para esse imbróglio, para essa contenda sobre o financiamento da educação. Essa foi uma posição da bancada do PT. E nós vamos trabalhar nessa linha, até porque 10% devem ser um começo para uma preocupação com a educação. Nós temos que expandir, temos que ter mais educação, mais ciência, mais tecnologia, porque é isso que dá sustentabilidade para uma nação crescer, desenvolver-se e produzir para se inserir no plano de desenvolvimento mundial. Esse é o nosso compromisso. Vamos participar do debate, que virá para este plenário, e fecharemos, sim, nosso apoio aos 10% do PIB para a educação. Muito obrigado, Sr. Presidente. 32 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD25]O[CD26] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 SR. FABIO TRAD (PMDB-MS. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho para expressar ao Brasil a dor que as famílias de Mato Grosso do Sul estão sentindo por causa do brutal assassinato dos jovens universitários Breno Luigi Silvestrini de Araújo, de 18 anos, e Leonardo Batista Fernandes, de 19 anos. Esses assassinatos, de certa forma, foram profetizados desta tribuna da Câmara dos Deputados, quando a Bolívia legalizou a incorporação, em seu território, de carros roubados. O nosso Estado, Mato Grosso do Sul, que faz fronteira com a Bolívia, é vítima constante de prática de roubos e, agora, de latrocínios. Portanto, Sr. Presidente, é preciso que haja uma ação mais efetiva e enérgica tanto da diplomacia brasileira quanto do Ministério da Justiça em relação a esse comportamento, no mínimo, eticamente duvidoso do Governo boliviano, quanto a se praticar oficialmente receptação de veículos roubados no Brasil, sobretudo em Mato Grosso do Sul. Os assassinos, um de 19 anos e outro de 22, disseram à imprensa que o carro seria levado à Bolívia para ser trocado por cocaína. Seriam 3 quilos de cocaína. Disseram ainda que mataram porque, para eles, era muito mais importante a troca do carro por cocaína do que a vida de dois jovens universitários, que saíram da Universidade Anhanguera UNIDERP e tiveram a vida ceifada brutalmente, foram executados com tiro na nuca. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na manhã do último domingo, o alto da Avenida Afonso Pena em Campo Grande, um dos espaços urbanos mais belos e 33 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 festivos do Brasil, foi palco de manifestação de dor explícita e revolta silenciada, quando 2 mil pessoas expressaram tristeza e medo ante a violência brutal que, 2 dias antes, havia abatido dois jovens estudantes, assassinados porque estavam em um carro que interessava aos bandidos. A bestial covardia dos assassinos confessos dos universitários Breno Luigi Silvestrini de Araújo, 18 anos, e Leonardo Batista Fernandes, 19 anos, atende a uma perversa e diabólica “logística”: traficantes encomendam os carros que querem como moeda de troca no mercado das drogas, e os bandidos procuram esses veículos com a diligência de quem executa uma tarefa qualquer. O sequestro ou o assassinato das vítimas dependem do instinto de crueldade dos criminosos ou da estratégia definida para entregar o carro no Paraguai ou na Bolívia. A mesma lógica animalesca orientou a execução recente de um casal que ocupava um automóvel que interessava ao presidiário que “dirigiu” a ação de seu cúmplice, felizmente preso. “Não era para matar, mas estava com cachaça e droga na cabeça”, desculpou-se o bandido. O carro do casal foi encontrado no Paraguai. A diabólica engrenagem do tráfico move a barbárie também no varejo degradante de viciados, que matam para garantir a próxima porção. A Profa. Juliana Corraleiro da Silva, 42 anos, foi morta na primeira noite em que dormiu sozinha no endereço para o qual acabara de mudar-se. Sem ser visto, o ladrão já havia levado aparelhos de som, DVD e celular. O receptador mandou que fosse buscar um aparelho de tevê. Juliana acordou e foi morta. Um aparelho de tevê também foi o preço da vida do ancião Odilon de Souza Vaz, de 76 anos, em julho. 34 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Essa trágica sucessão de assassinatos, todos relacionados ao tráfico de drogas, denuncia, de maneira cruelmente dolorosa, a banalização dos crimes contra a pessoa. A vida humana se reduz a simples obstáculo a ser removido para que a engrenagem do crime siga funcionando. Mobilizar corações e mentes, a sociedade civil, a academia e organizações independentes é o primeiro e urgente passo para estancar essa selvageria. Nesse sentido, a passeata que, no último domingo, protestou ante o covarde assassinato dos dois jovens universitários constitui primeiro, doloroso e decisivo passo. Muito obrigado. 35 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD27]O[CD28] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 SR. VALDIR COLATTO (PMDB-SC. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ocupamos esta tribuna novamente para fazer um apelo ao Ministro da Agricultura, ao Governo em geral, à CONAB, para que se abasteçam os mercados carentes de milho. Há milho sobrando no Centro-Oeste, em Goiás e em Mato Grosso, e ocorre o problema da seca no Nordeste — o Deputado Raimundo Gomes de Matos, nosso Presidente da Comissão de Agricultura, falou a respeito disso — e também no Sul. Santa Catarina não tem mais milho, e a culpa não é dos produtores. A questão é de logística, Sr. Presidente. Não é possível levar até lá milho proveniente de Mato Grosso. O custo é de 18 a 20 reais a saca, e, quando ela chega a Santa Catarina, custa 40 reais. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a logística, que não existe ou está atrasada, é que está prejudicando o setor de carnes no Brasil. O setor de carne de suínos e de aves está indo à falência. As empresas estão falindo, fechando, e nós precisamos abastecer os mercados de milho. Vou estar, à tarde, com o Presidente da CONAB, com o Ministro Mendes Ribeiro, com o Ministro da Fazenda e com o Ministro do Planejamento, para lhes pedir que liberem os recursos para se fazer um VEP, para se realizar a distribuição de milho em balcão para os nossos pequenos produtores de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul e do Nordeste. A CONAB tem que resolver isso. Dia após dia, transfere-se essa decisão, não se toma nenhuma posição. Enquanto isso, o importante setor do agronegócio, da agroindústria brasileira, que gera milhões de empregos, está abandonado. 36 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Retiram-se os impostos dos carros e da linha branca, para favorecer o consumo, mas, na área de produção, não se faz nada. [CD29] Nós precisamos resolver urgentemente esse problema. Apelo para o Governo, para o Ministério da Agricultura, para a CONAB, para o Ministério da Fazenda, a fim de que liberem os recursos para que o milho chegue à base e, assim, não destruamos um dos setores que dá certo, que sustenta o Brasil, o agronegócio, principalmente a agroindústria, que não suporta mais a crise do milho e o custo de produção. Muito obrigado, Sr. Presidente. 37 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O[CD30] SR. SIMÃO SESSIM (PP-RJ. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero felicitar dois grandes ilustres brasileiros, os Ministros Felix Fischer e Gilson Dipp, que acabam de assumir, respectivamente, a Presidência e a Vice-Presidência do Superior Tribunal de Justiça — STJ. Além de felicitá-los, rogo a Deus que os ilumine para que, nos momentos decisivos, efetivem a manutenção do pleno Estado de Direito Democrático que todos nós brasileiros almejamos. Outro registro. O Ministro Alexandre Padilha esteve no Rio de Janeiro, na semana passada, e liberou 120 milhões de reais para serem aplicados na ampliação da capacidade de atendimento de 18 Unidades de Pronto Atendimento — UPAs 24 horas e também na manutenção de hospitais em todo o Estado, inclusive na minha cidade, Nilópolis. Foi uma boa notícia para todos nós, fluminenses, visto que, como bem frisou o Ministro Padilha, o objetivo dessa ação do Governo Federal é melhorar a qualidade do atendimento dos serviços da saúde, sobretudo das UPAs 24 horas, que, conforme já ficou comprovado, estão dando enorme contribuição para desafogar as Emergências e Urgências dos grandes hospitais da região. Nós, na cidade de Nilópolis, também estamos fazendo o dever de casa, investindo pesado — algo em torno de 10,5 milhões de reais —, para ajudar a minimizar o problema crônico da saúde pública, que tanto aflige a nossa população, de modo geral. (O microfone é desligado.) O SR. SIMÃO SESSIM - Sr. Presidente, para concluir. 38 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Geraldo Resende) - V.Exa. já dispôs de 2 minutos, Sr. Deputado. O SR. SIMÃO SESSIM - São recursos dos Governos Estadual e Federal, incluindo emenda de minha autoria ao Orçamento Geral da União, que estão sendo usados, sobretudo em um plano de reorganização da rede de saúde do Município, que inclui a modernização do Hospital Municipal Juscelino Kubitscheck, o fortalecimento das Unidades de Emergência, a ampliação da Estratégia de Saúde da Família e das equipes de apoio, bem como da cobertura de consultas especializadas, entre outros benefícios à população. Obrigado, Sr. Presidente. PRONUNCIAMENTOS ENCAMINHADOS PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a minha presença na tribuna desta Casa é para felicitar de público dois ilustres e honrados brasileiros que chegaram, na última sexta-feira, dia 31 de agosto de 2012, a um dos mais altos postos na hierarquia da Justiça desta Nação. Falo dos digníssimos Ministros Félix Fischer e Gilson Dipp. Os dois magistrados assumiram a Presidência e a Vice-Presidência do Superior Tribunal de Justiça — STJ, respectivamente, numa solenidade muito bonita e bastante concorrida, prestigiada inclusive pela Presidente da República, Sra. Dilma Rousseff, e pelo Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Félix Fischer e Gilson Dipp, como já de conhecimento de todo o País, são dois expoentes da magistratura brasileira, e a ascensão em ambos no STJ vem coroar, sem dúvida alguma, a brilhante carreira vivenciada por S.Exas. no Poder 39 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Judiciário, com atuação exemplar, sempre pautada pela ética e respeito à coisa pública. Faço minhas as palavras do Governador Sérgio Cabral, quando afirma que os Ministros Fischer e Dipp formam uma dupla de magistrados que, por sua experiência, reputação moral e história de vida, vai dar grandes resultados ao Brasil. Diante dessa constatação, só me resta rogar a Deus que os proteja e os ilumine sempre nos momentos decisivos para a efetiva manutenção do pleno Estado de Direito Democrático que todos nós brasileiros almejamos. Muito obrigado, Sr. Presidente! Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, há pouco mais de uma semana, S.Exa. o Ministro Alexandre Padilha, da Pasta da Saúde, esteve no Rio de Janeiro para, no Palácio Guanabara, liberar R$120 milhões a serem aplicados na ampliação da capacidade de atendimento de 18 Unidades de Pronto Atendimento — UPAs 24 horas e também na manutenção de hospitais em todo o Estado, inclusive em Nilópolis, cidade que representamos nesta Casa do povo. Foi uma boa notícia para todos nós, fluminenses, visto que, como bem frisou o Ministro Padilha, o objetivo dessa ação do Governo Federal é melhorar a qualidade do atendimento dos serviços da Saúde, sobretudo das UPAs 24 horas, que, conforme já ficou comprovado, estão dando enorme contribuição no sentido de desafogar as Emergências e Urgências dos grandes hospitais da região. Nós, na cidade de Nilópolis, também estamos fazendo o dever de casa, Sr. Presidente, investindo pesado — algo em torno de R$ 10,5 milhões —, para ajudar a 40 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 minimizar o problema crônico da saúde pública que tanto aflige a nossa população, de modo geral. São recursos dos Governos Estadual e Federal, incluindo emenda de minha própria autoria ao Orçamento Geral do Orçamento da União, que estão sendo usados, sobretudo em um plano de reorganização da rede de saúde do município, que inclui a modernização do Hospital Municipal Juscelino Kubitscheck, o fortalecimento das Unidades de Emergência, a ampliação da Estratégia de Saúde da Família e das equipes de apoio, bem como da cobertura de consultas especializadas, entre outros benefícios à população. O que queremos com isso, Sr. Presidente, é levar dignidade àquele povo que já não aguenta mais tanta humilhação em meio às peregrinações e filas nas Emergências e Urgências dos hospitais do Estado. Por isso mesmo, fazemos questão de manifestar nosso agradecimento público ao Ministro Padilha, certo que estamos de que o Governo da Presidente Dilma Rousseff haverá de nos ajudar a melhorar o atendimento público da saúde para também reduzir, literalmente, a dor de quem já não suporta sofrer pela falta de um serviço essencial à sua qualidade de vida e à sua dignidade. Muito obrigado, Sr. Presidente. 41 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD31] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. CHICO LOPES (PCdoB-CE. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, peço que conste nos Anais desta Casa, inclusive que seja publicada no jornal da Casa e divulgada na Rádio Câmara, a nota de Altamiro Borges: “Fantástico ataca farmácias populares”. A certa altura, diz a matéria: “Diante deste ataque, a Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar) divulgou ‘nota de repúdio à reportagem do programa dominical da Rede Globo’ e ‘em defesa do interesse público, da saúde e dos farmacêuticos’. Ela é assinada pelo Presidente da entidade Ronald Ferreira dos Santos.” Intitulada Em defesa do Interesse Público, da Saúde e dos Farmacêuticos, leio o parágrafo inicial da referida nota: “A categoria farmacêutica, sabedora de sua responsabilidade com a saúde do povo brasileiro, desde o início da década de 90 do século passado, colocou como sua prioridade máxima a luta pela transformação da Farmácia de comércio em um estabelecimento de saúde.” A nota Sr. Presidente, traz uma crítica sobre esse tipo de comportamento. Era o que tinha a dizer. 42 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 NOTA A QUE SE REFERE O ORADOR Altamiro Borges: Fantástico ataca farmácias populares O programa Fantástico, da TV Globo, exibiu do domingo (3) uma longa reportagem sobre a corrupção nas farmácias privadas com dinheiro do Sistema Único de Saúde (SUS). As denúncias devem ser apuradas e os criminosos, que desviam recursos públicos e penalizam a sociedade, devem ser exemplarmente punidos. A matéria, porém, faz crítica generalizada as chamadas “farmácias populares”, criadas no governo Lula para garantir acesso a medicamentos para a população mais carente. Por Altamiro Borges Diante deste ataque, a Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar) divulgou hoje “nota de repúdio à reportagem do programa dominical da Rede Globo” e “em defesa do interesse público, da saúde e dos farmacêuticos”. Ela é assinada pelo presidente da entidade, Ronald Ferreira dos Santos. Reproduzo-a na íntegra: Em defesa do Interesse Público, da Saúde e dos Farmacêuticos A categoria farmacêutica, sabedoura de sua responsabilidade com a saúde do povo brasileiro, desde o início da década de 90 do século passado, colocou como sua prioridade máxima a luta pela transformação da Farmácia de comércio em um estabelecimento de saúde. Em um país aonde o gasto das famílias (privados) com saúde representam 55% de toda a renda — e para as famílias que recebem até quatro salários mínimos os medicamentos representam mais de 60% dos gastos com saúde - medidas na direção de colocar o medicamento em uma posição estratégica na garantia do Direito à Saúde são fundamentais. Dados de 2011 do SINDUSFARMA-SP demostram que 77% das aquisições de medicamentos se deram por desembolso direto do cidadão nas farmácias e drogarias brasileiras, e o volume de 62 bilhões de reais que circularam no comércio varejista de produtos farmacêuticos, que o IBGE conseguiu identificar, é o mesmo valor do total que o Governo Federal aplicou em ações e serviços de saúde em 2010. 43 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Portanto, o papel do medicamento, dos Farmacêuticos e das Farmácias merecem das autoridades, da imprensa e das organizações da sociedade uma atenção maior e mais responsável. Ao abordarmos os desafios contratados em nossa Constituição Federal - particularmente no que diz respeito à Ordem Econômica, que se fundamenta na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, e que tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados diversos princípios, entre os quais a Função Social da propriedade — verificamos algumas contradições na atual conformação do setor farmacêutico nacional. No Brasil, a diferença da natureza da atividade econômica Comércio com atividade econômica Saúde ganhou maior destaque a partir da Constituição de 1988 — que elevou a Saúde à categoria de Direito. Porém, infelizmente, o que ainda preside a lógica do acesso aos medicamentos, elemento essencial na garantia do direito à saúde, é o interesse comercial. Interesses que os números revelam serem muito poderosos. Nós, farmacêuticos, desenvolvemos há mais de 15 anos a campanha “Farmácia Estabelecimento de Saúde. Sua vida não tem preço”. Por mais de três vezes já ocupamos a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, o Congresso Nacional, centenas de Praças, Universidades, espaços legislativos, e estivemos presentes em eventos diversos para afirmar que os Farmacêuticos Brasileiros, que a Farmácia Brasileira e que o medicamento devem estar inseridos nas ações e estratégias que garantam o direito à Saúde. Com o advento da Farmácia Popular do Brasil e do Aqui tem Farmácia Popular, testemunhamos importantes avanços, entre eles o estabelecimento do compromisso desta atividade econômica com ações estratégicas de saúde em relação à Hipertensão, Diabetes e Asma. Milhões de brasileiros que antes não tinham acesso aos medicamentos passaram a ter, é claro que em uma atividade na qual predomina o interesse meramente mercantil os riscos de desvios estão sempre presentes. Nós Farmacêuticos repudiamos e condenamos todo e qualquer malfeito com dinheiro público, mas também todo e qualquer malfeito com o dinheiro privado, 44 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 particularmente aquele que foi conseguido com muito suor pelo trabalhador brasileiro e é deixado na Farmácia. Nós farmacêuticos temos buscado nos preparar cada vez mais para as nossas reponsabilidades, temos dado uma grande contribuição para a melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro, voltando a ocupar com maior destaque o espaço das Farmácias, resgatando nosso papel de profissional da saúde, e podemos hoje afirmar com convicção que a sociedade pode confiar em nosso trabalho. Agora, quanto aos comerciantes inescrupulosos que apenas carregam o título de farmacêutico, para eles defendemos o mesmo tratamento que qualquer criminoso merece, lembrando que 66% dos farmacêuticos são empregados. Não só porque o “Saúde não tem preço” reforça o movimento dos farmacêuticos brasileiros, é que nos manifestamos favoravelmente ao Farmácia Popular, mas principalmente por se tratar de uma iniciativa que permite colocar a discussão sobre o acesso aos medicamentos sob uma ótica não presidida pelo interesse mercantil, e possibilita pautarmos entre outros temas de grande relevância a Farmácia Estabelecimento de Saúde e a tributação sobre medicamentos, o que ao nosso entender significa defender o Interesse Público, a Saúde e os Farmacêuticos. Ronald Ferreira dos Santos — Presidente da Fenafar — Federação Nacional dos Farmacêuticos em seu blog O Sr. Geraldo Resende, 1º Suplente de Secretário, deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Amauri Teixeira, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. 45 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD32] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Gostaríamos de registrar a presença nas galerias da Casa dos alunos do 4º ano primário do Colégio Jesus Maria José, de Taguatinga, Distrito Federal. Sejam bem-vindos. A Casa é de vocês. 46 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Com a palavra o Deputado Geraldo Resende. O SR. GERALDO RESENDE (PMDB-MS. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, primeiramente, quero também me associar à dor que se abateu sobre a família de Campo Grande, a Cidade Morena. Logo depois do aniversário da cidade, que completou 113 anos, a população se revoltou — hoje, há um grande movimento contra a violência —, tendo em vista que dois jovens, Breno e Leonardo, ao saírem da universidade, foram barbaramente assassinados por bandidos que tinham o único objetivo de roubar-lhes o carro e vendê-lo na Bolívia. Já abordei esse assunto desta tribuna, Sr. Presidente, ocasião em que mostrei o desacerto do Governo brasileiro em ter feito um pacto com o Governo Evo Morales. Carros são furtados no Brasil e vendidos ou trocados por 3 quilos de cocaína, como seria o caso do carro daqueles dois jovens que tiveram a vida ceifada. Sr. Presidente, quero também me reportar a um acontecimento muito positivo. No dia 29 de agosto, entidades médicas de todo o País reuniram-se em Campo Grande e lançaram o Movimento Saúde Mais Dez, na mesma linha do Movimento Ficha Limpa, projeto de lei de iniciativa popular assinado por mais de 1,5 milhão de pessoas. Neste ano, será realizada a primeira eleição sob a égide da Lei da Ficha Limpa. O Congresso Nacional não conseguiu dar uma resposta efetiva quando da regulamentação da Emenda Constitucional nº 29, porque faltou o Governo Federal aportar mais recursos para enfrentar o descalabro da saúde. E, por isso, todo o 47 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Brasil, hoje, está junto para coletar 1,5 milhão de assinaturas para fazer com que haja também um projeto que destine, no mínimo, 10% da receita bruta para a saúde, para tirar a saúde da crise em que está vivendo — a saúde pública está na UTI —, crise que se repete no dia a dia em todos os lugares do País. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no dia 29 de agosto, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, em uma bela solenidade, hipotecou apoio ao Movimento Saúde Mais Dez. A exemplo do que aconteceu com o projeto de Lei da Ficha limpa, que visou impedir a candidatura de políticos condenados ou que renunciaram ao mandato para se livrar da cassação, dezenas de organizações de classe, não governamentais, sindicais, estudantis, temáticas e de minorias se juntaram para travar uma batalha tão nobre quanto aquela que, posta em prática nesta eleição, proporciona a ocorrência de um pleito mais belo e mais limpo. No dia 17 de abril deste ano, a Ordem dos Advogados do Brasil, a Associação Médica Brasileira, os Conselhos Federais de Farmácia, Nutrição, Odontologia, Serviços Sociais, Associação dos Aposentados, dos Secretários Municipais e Estaduais de Saúde, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil — CNBB, além de centrais sindicais, federações, uniram-se em Brasília para lançar a campanha de coleta de 1,5 milhão de assinaturas, de modo a formular e apresentar um projeto de Lei de iniciativa popular que garanta o repasse integral de 10% da receita bruta da União para a saúde pública brasileira. 48 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Em Mato Grosso do Sul e, em especial, em Dourados, já estou coletando as assinaturas em unidades de saúde, na rede de doação de sangue, em meu escritório político e, principalmente, nas ruas. A saúde pública está prevista como uma das garantias fundamentais na Constituição Federal. A Carta Magna também garante a possibilidade da apresentação de projetos de lei de iniciativa popular, instigando assim a mobilização por uma causa tão justa: a vida. A criação do Sistema Único de Saúde — SUS significou um gigantesco avanço para a saúde pública no País. A intenção de universalizar os atendimentos à população chama a atenção de outros países e demonstra nossa vocação em priorizar o ser humano, em detrimento de rankings econômicos. Porém, a pujança de nossa economia, a sexta mundial, não está concretizando a consolidação de nosso sistema de saúde. Sempre defendi que, para minimizar as inúmeras queixas da população em relação ao SUS, um binômio deveria ser mais bem concatenado: recurso e gestão. Pela Pasta da Saúde, já passaram diversos quadros obstinados em alavancar a saúde pública no Brasil, porém todos indicaram a falta de recursos como principal gargalo para superar nossas deficiências. Os Governos que se sucederam criaram e mantiveram uma tributação que alocava recursos específicos para a área, mas, por divergências políticas e por falta de transparência na aplicação daqueles valores, o imposto não teve continuidade. Na atualidade, enfrentamos grave crise nos hospitais universitários, como é o caso do HU da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que chamou a atenção da mídia nacional por causa de suas limitações estruturais. Há poucas semanas, o 49 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 HU da Universidade Federal da Grande Dourados desativou leitos de UTIs, por não conseguir custear as unidades. Esse é apenas um dos diversos problemas que fazem com que a saúde pública seja o tema mais reprovado em pesquisas recentes. Estudiosos demonstram que alocar 10% da arrecadação brasileira para a saúde seria uma alternativa para diminuir as filas nos postos de saúde, diminuir a espera por exames e até mesmo por cirurgias. As entidades que representam os estudantes, os médicos, os psicólogos, as mulheres, os negros, os Secretários Estaduais e Municipais de Saúde estão organizados e imbuídos da importância de levar esse debate à sociedade, socializar a discussão e compartilhar as responsabilidades. Apesar da luta pela aprovação e regulamentação da Emenda Constitucional nº 29, o texto original, o PLS 127/2001, não foi aprovado pelo Senado e não significou nenhum recurso novo para a saúde pública. Apenas no ano passado, o Ministério da Saúde deixou de receber em seus cofres mais de R$32 bilhões. Na verdade, a percentagem dos investimentos em saúde vem diminuindo no Brasil. De 1995 a 2001, o Governo Federal aplicava 8,37% de sua receita nesses investimentos; este valor passou para 7,1% de 2002 a 2009, em média. Em valores reais por habitante, também podemos constatar que os recursos destinados para investimento em saúde estão encolhendo. No ano de 1997, destinávamos R$294,00 por habitante; em 2008, só alcançamos a cifra de R$289,00, porque destinamos recursos extras para combater a gripe suína. Quando analisado o percurso desses valores, encontramos um forte decréscimo, como é o caso do ano de 2003, em que apenas destinamos, por habitante, o valor de R$234,00. 50 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Estamos mobilizados. Percorreremos as Assembleias Legislativas e outros espaços democráticos para demonstrar tecnicamente que o Governo Federal, mesmo com o aumento da sua arrecadação, vem transferindo as responsabilidades com o custeio da saúde para Estados e Municípios. Em 1980, 75% do aplicado em saúde no Brasil eram oriundos de recursos Federais; em 2010, essa percentagem passou para 45%. O fim do subfinanciamento da saúde não resolverá todos os problemas. Esse coletivo, formado por associações que representam o conjunto da sociedade brasileira, também quer propor mecanismos de transparência, para que, com uma gestão de qualidade e com honestidade nos gastos públicos, esses valores não escorram pelo ralo da corrupção. Uma gestão de qualidade igualmente ocorrerá quando superarmos processos obsoletos e burocráticos que emperram as ações que já poderiam estar em funcionamento e salvando vidas, em detrimento de uma metodologia anacrônica e atrasada. Porém, essa verdadeira revolução por que clama a saúde publica perpassa, fundamentalmente, por um financiamento robusto. Estou aqui lutando para salvaguardar e ampliar com excelência os serviços prestados pelo SUS, que só em 2010 executou 3,6 bilhões de procedimentos, sendo 1,6 bilhão na atenção básica e 2 bilhões na alta e média complexidade. Foram 535 mil ações de vigilância em saúde; 138 milhões de vacinas; 1,5 bilhão de consultas e atendimentos; 11,7 milhões de internações; 435 milhões de exames bioquímicos; 92 milhões de exames de imagem, e 220 milhões de ações em saúde bucal. Números do tamanho do Brasil, que clamam por mais recursos. 51 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Desta forma, como já ocorreu nesta Casa, a exemplo da luta para aprovar e regulamentar a Emenda Constitucional 29, como médico e ex-Secretário Estadual de Saúde, farei parte dos coletivos municipais e estadual para angariar assinaturas, debaterei nos fóruns e, com o conjunto da sociedade, terei meu nome grafado neste documento histórico, popular e democrático. Muito obrigado pela atenção. 52 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD33][CD34]O REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 SR. MARLLOS SAMPAIO (PMDB-PI. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, gostaria de ressaltar as intervenções feitas no âmbito municipal de Teresina para a urbanização e revitalização de áreas degradadas. Cito, por exemplo, o Parque Linear Lagoas do Norte, que mudou a vida de milhares de teresinenses. É uma região que ainda se expandirá, vai alcançar mais de 11 bairros. Menciono também um projeto belíssimo desenvolvido pela Prefeitura de Teresina: a urbanização da Vila da Paz. Trata-se de um grotão que se encontra na Capital, a céu aberto, e carece de todos os investimentos básicos: saneamento, moradia, área de lazer, espaço para jovens e idosos. O[CD35] espaço abrigará apartamentos, para que se dê vida digna a milhares de habitantes da nossa Capital, Teresina. São intervenções como essa que estão mudando a Capital do Piauí e a vida de milhares de teresinenses. Já estão empenhados quase 2 milhões de reais para a Praça da Juventude, que será erguida na região do Grande Dirceu. A Prefeitura já doou o terreno, e a obra já está licitada. Depois das eleições, essa obra terá início — a legislação eleitoral não permite que seja iniciada agora — e beneficiará milhares de jovens e idosos. Será um parque belíssimo. O parque será erguido em uma área hoje degradada, onde faltam espaços de lazer. Esporte alia educação e saúde, combate as drogas e também as previne. Investimentos como esse são necessários. Os Deputados Federais têm que colaborar com suas capitais. Parabéns à administração municipal, à Vila da Paz e ao Lagoas do Norte! 53 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Sr. Presidente, solicito a divulgação deste pronunciamento no programa A Voz do Brasil, para que a população do Piauí e a do restante do Brasil tomem conhecimento dessas intervenções. 54 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD36][CD37] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. WALDENOR PEREIRA (PT-BA. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no último domingo, participamos da abertura oficial da 59ª Semana Espírita de Vitória da Conquista, um dos eventos religiosos mais importantes do Brasil. Houve a participação de caravanas de vários Estados e de comitivas de diversos Municípios do Estado da Bahia. [CD38] Esse evento está sendo realizado no Centro de Convenções Divaldo Franco e se estenderá até o próximo dia 9 de setembro. O tema central é Responsabilidade ante a era nova. Haverá a participação de renomados palestrantes da doutrina espírita: Divaldo Franco, Alberto Almeida, Haroldo Dutra, Suely Caldas, André Peixinho, Sandra Della Pola, Simão Pedro, Eliseu Florentino, João Neves, Nilo Calazans e José Ferraz. Parabenizo a União Espírita de Vitória da Conquista e todos os seus dirigentes, pela realização da 59ª Semana Espírita de Vitória da Conquista. A União Espírita é uma associação civil de caráter filantrópico e sem fins lucrativos, cujo objetivo é o estudo, a divulgação da doutrina espírita e a promoção social humana. Muito obrigado, Sr. Presidente, pela tolerância. 55 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O[CD39] SR. VALMIR ASSUNÇÃO (PT-BA. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, registro que a Rede Brasil Atual veiculou, no fim do mês de agosto, importante matéria importante: a apuração feita pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Tocantins e que libertou 56 pessoas que viviam em condições de trabalho análogas às de escravo na Fazenda Água Amarela, em Araguatins, no Estado de Tocantins, que pertence à empresa RPC Energética. Onde a grande novidade desse procedimento? A novidade é que essa empresa pertence ao irmão da Senadora Kátia Abreu. Trata-se de uma questão séria, e não podemos, de forma nenhuma, como Parlamentares, concordar com ela, nem mesmo admiti-la. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no último dia 31 de maio, esta Casa deu uma importante contribuição ao Brasil, ao aprovar a PEC 438, conhecida como PEC do Trabalho Escravo, e resgatar uma grande dívida social que este País tem com tantos trabalhadores e trabalhadoras. Convém lembrar que a aprovação foi por 360 votos contra 29 e 25 abstenções. Faço este preâmbulo para assinalar o quanto essa questão é viva e próxima, inclusive envolvendo o próprio Congresso Nacional. No fim do mês de agosto, a Rede Brasil Atual veiculou uma notícia gravíssima, que envolve parente de uma Senadora da República bastante ativa nas causas ruralistas e contra os trabalhadores e trabalhadoras rurais. 56 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Apurações da Superintendência Regional de Trabalho e Emprego do Tocantins — SRTE/TO, responsável pela libertação de 56 pessoas em condições análogas à de escravo da Fazenda Água Amarela, em Araguatins, Tocantins, revelaram que a empresa RPC Energética, que explorava fornos de carvão vegetal presentes na área, pertence a Paulo Alexandre Bernardes da Silva Júnior e André Luiz de Castro Abreu, irmão da senadora Kátia Abreu (PSD-TO). A fiscalização constatou condições degradantes nas frentes de trabalho e nos alojamentos, além de servidão por dívida, jornada exaustiva e aliciamento, o que caracterizavam trabalho análogo à escravidão, inclusive envolvendo menores de idade. O esquema, segundo a reportagem, era consumado pelo depósito de um adiantamento em dinheiro por parte do “gato”, que, dessa maneira, assegurava o vínculo dos trabalhadores. Essa verba ajudava não só a pagar o transporte dos locais de origem até o norte de Tocantins, mas também era canalizada para o sustento das famílias dos migrantes. Além do adiantamento, o “gato” mantinha uma cantina, na qual comercializava ferramentas de trabalho e equipamentos de proteção individual (EPIs), como peças de motosserra e botas, combustíveis, produtos alimentícios, bebidas alcoólicas e itens básicos para higiene pessoal. Tudo era anotado, inclusive os custos relativos às refeições diárias, para que depois serem descontados dos respectivos vencimentos. Por conta das subtrações, os pagamentos mensais eram inferiores ao salário mínimo. Cadernos com anotações foram apreendidos. Ainda de acordo com a reportagem, dedicado à extração de eucaliptos e ao carvoejamento, o grupo pertencente ao irmão da referida senadora produzia matéria-prima para a siderúrgica FERGUMAR — Ferro Gusa do Maranhão Ltda. 57 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Instalada em Açailândia, Maranhão, a FERGUMAR é dona da fazenda e recebeu 18 autos de infração lavrados na operação concluída na semana passada. Essa não é a primeira vez que a empresa foi implicada em caso de trabalho escravo. Leio parte da matéria que complementa essa grave questão: “Um contrato forjado de compra de ‘madeira em pé’ era a base da empreitada que vinha se realizando na fazenda. Pelo instrumento de fachada, a Fergumar aparecia como vendedora de matéria-prima para a RPC Energética, cujo dono seria Adenildo da Cruz Sousa. Ocorre que o mesmo Adenildo vem a ser funcionário registrado da Reflorestar Comércio Atacadista de Produtos Florestais Ltda., conforme apurou a fiscalização. Ou seja, ele desempenhava, conforme investigações da auditoria fiscal do trabalho, o papel de ‘laranja’ dos verdadeiros donos do negócio: Paulo Alexandre Bernardes da Silva Júnior (a quem inclusive havia concedido poderes por meio de uma procuração legal) e André Luiz de Castro Abreu, servidor do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Palmas (TO) e irmão da senadora ruralista Kátia Abreu (TO). O mesmo Paulo Alexandre estaria, ainda de acordo com as apurações da auditoria, à frente da Reflorestar, que já constou da ‘lista suja’ do trabalho escravo (cadastro de empregados envolvidos na exploração desse 58 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 tipo de crime mantido pelo governo federal) entre 2008 e 2010, por conta de uma libertação de abril de 2007, em Dois Irmãos (TO). Além da questão do ‘laranja’, a inspeção constatou também que o ‘gato’ que atuava na Fazenda Água Amarela havia sido demitido da RPC em março de 2012 e recontratado em junho, sem registro em carteira, enquanto ainda recebia o seguro-desemprego. A reportagem tentou contato com os responsáveis pela RPC e pela Reflorestar, mas não conseguiu parecer dos mesmos sobre o ocorrido. Também a senadora Kátia Abreu, que está temporariamente em licença médica do cargo parlamentar, não deu retorno até o fechamento desta matéria. O recente flagrante foi motivado por uma denúncia que, após ser protocolada anteriormente em representações dos órgãos responsáveis na região, acabou chegando à Polícia Federal (PF), que encaminhou a demanda à sede da SRTE/TO na capital do Estado. Além do jovem com idade inferior a 18 anos que foi encontrado realizando tarefas insalubres e perigosas, outras quatro mulheres foram resgatadas no decorrer da operação. A RPC pagou as verbas rescisórias às vítimas, que totalizaram mais de R$72 mil, mas se recusou a arcar 59 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 com as despesas de retorno de migrantes vindos de outros Estados. Representante da Procuradoria Regional do Trabalho da 10ª Região (PRT-10) em Araguaína (TO) que acompanhou o início da inspeção, Alexandre Marin Ragagnin afirmou à Repórter Brasil que aguarda o relatório final da SRTE/TO, com todos os documentos e depoimentos, para tomar providências quanto a possíveis acordos ou ações judiciais. Ele confirmou o quadro grave de degradância, aliciamento e servidão por dívida. Todo o carvão vegetal produzido na área tinha como destino a usina da siderúrgica Fergumar, que informa em seu site que escoa 80% de sua produção para os Estados Unidos da América (EUA), especialmente para grandes corporações do setor automobilístico. Todos os 18 autos de infração foram direcionados à Fergumar, que não atendeu aos pedidos de posicionamento perante o caso, solicitados pela reportagem. A Fergumar também foi incluída na ‘lista suja’ em meados de 2007. Conseguiu, porém, uma liminar na Justiça que a retirou da relação em agosto do mesmo ano. O ingresso esteve relacionado ao resgate de 23 empregados encontrados em situação análoga à de escravo em outra carvoaria no município de Dom Eliseu (PA), que fornecia carvão vegetal para a empresa. 60 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Com base no serviço de consulta pública, é possível verificar que a Fergumar mantém cadastro irregular junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama). A empresa teve quatro áreas embargadas em São João do Paraíso (MA), em julho de 2006, por exercer atividade potencialmente degradadora sem licença ambiental; desmatar florestas sem autorização do órgão responsável; e devastar florestas ou demais formas de vegetações de preservação permanente.” Quero parabenizar o bravo trabalho da Superintendência Regional de Trabalho e Emprego do Tocantins (SRTE/TO), que não se intimidou com as influências ou ameaças que possam ter ocorrido durante as fiscalizações que envolvem um parente de uma Senadora da República. Cabe ao Estado proceder às investigações e prender os responsáveis por esse crime que vai de encontro à dignidade humana. Sr. Presidente/a, solicito a V.Exa. que determine a divulgação deste pronunciamento no programa A Voz do Brasil e nos demais meios de comunicação da Casa. Muito obrigado. 61 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD40]O REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 SR. EDINHO BEZ (PMDB-SC. Sem revisão do orador.)- Sr. Presidente, meus colegas Parlamentares, falo nesta oportunidade sobre o encontro/jantar de que participei no último dia 22 de agosto com o Embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang, na Embaixada da China, nesta Capital. Atendendo ao convite do Embaixador, participei desse encontro acompanhado do Presidente Nacional do PMDB, Senador Valdir Raupp, e dos Deputados Federais Leonardo Quintão, Jaime Martins e Marinha Raupp. Conversamos, entre outros assuntos, sobre a importante relação entre os dois países, sobre as economias do Brasil e da China e, obviamente, sobre investimentos no Brasil e no Estado de Santa Catarina. Lembrei ao Embaixador as diversas vezes em que estive na República Popular da China, ocasião em que tive a oportunidade de integrar a missão oficial da Câmara dos Deputados e a missão oficial do Governo de Santa Catarina, na qualidade de Secretário de Estado da Infraestrutura no primeiro Governo de Luiz Henrique da Silveira. Ontem, participei de jantar com o Cônsul da China em São Paulo, ensejo em que discutimos sobre a atração de empresas para Santa Catarina. Sr. Presidente, solicito a V.Exa. que faça dar ampla divulgação ao meu pronunciamento. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na qualidade de Deputado Federal, membro da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Infraestrutura Nacional e de Vice-Líder do PMDB na Câmara dos Deputados, tomo a palavra nesta oportunidade 62 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 para falar sobre o encontro/jantar que tive no último dia 22 de agosto com o Embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang, aqui em Brasília, na Embaixada chinesa. Atendendo ao convite feito pelo Embaixador, participei desse encontro acompanhado do Presidente Nacional do PMDB, Senador Valdir Raupp, e dos Deputados Federais Leonardo Quintão (MG) e Jaime Martins (MG) e da Deputada Federal Marinha Raupp (RO). Entre outros assuntos, conversamos sobre a importante relação entre os dois países, sobre as economias do Brasil e da China, bem como a possível instalação de empresas chinesas na região sul de Santa Catarina. Lembrei ao Embaixador as diversas vezes em que estive na República Popular da China, seja integrando missão oficial da Câmara dos Deputados, seja integrando missão oficial do Governo de Santa Catarina, na qualidade de Secretário de Estado da Infraestrutura no primeiro Governo de Luiz Henrique da Silveira. Destacamos também o relacionamento estreito existente entre os países e que ambos têm potencial para os investidores. Reiterei o pedido de informações sobre a possibilidade de novos investidores/empresários aplicarem no Brasil. Na data de ontem, estive em São Paulo, em um jantar de trabalho com o Cônsul-Geral Adjunto da República Popular da China, Sr. Wang, responsável pela área de investimentos China/Brasil. Ficou acordado que eu farei um planejamento em Santa Catarina, mais especificamente da região sul. Entendo que Tubarão é um Município estratégico por várias razões: término da duplicação da BR-101; inauguração do Aeroporto Regional de Jaguaruna; estar 63 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 localizado a 40 quilômetros do Porto de Imbituba e do Porto Pesqueiro de Laguna, sem contar que se situa numa região privilegiada geograficamente. Com tudo isso, o sul do Estado ganha em competitividade e será uma ótima escolha para as empresas que quiserem investir na região. Assim que concluído o planejamento, que contará com a participação de inúmeras autoridades e de técnicos da UNISUL — Universidade do Sul de Santa Catarina, voltaremos a nos reunir com representantes da República Popular da China para elaborar uma estratégia objetivando atrair investidores para Tubarão e região. Era o que tinha a dizer. 64 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 A[CD41] SRA. JÔ MORAES (PCdoB-MG. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, quero ser porta-voz de apelo que recebi na portaria da Mannesmann, empresa metalúrgica de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no sentido de que, logo após o processo eleitoral, apreciemos o projeto de lei que põe fim ao famigerado fator previdenciário. Os metalúrgicos da região têm uma jornada de trabalho extremamente desgastante, além de enfrentarem horas extras que fazem com que a vida de cada trabalhador, mesmo com 45 ou 50 anos de idade, chegue à beira da exaustão. Por isso, faço este apelo: que coloquemos em pauta o projeto sobre o fim ao fator previdenciário, esse absurdo previdenciário que maltrata os trabalhadores em sua aposentadoria. Eram essas as minhas palavras, Sr. Presidente. 65 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD42][CD43] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. GONZAGA PATRIOTA (PSB-PE. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, registro mais uma ação do Governador Eduardo Campos em benefício do povo pernambucano, entre tantas outras. Até o fim deste mês, o Governador Eduardo Campos deverá inaugurar em Petrolina a maior UPA do Estado de Pernambuco. Aproveito estes 40 segundos para dizer que a campanha socialista em Pernambuco vai de vento em popa. Vimos os jornais noticiar que Fernando Filho não estava bem, mas ele está muito bem. Fizemos pesquisas internas. Vamos ganhar a eleição, para tirar Petrolina do atraso em que está há 4 anos, nas mãos daquele doutor. Um grande abraço. 66 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD44]. REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. RONALDO NOGUEIRA (PTB-RS. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, registro a presença, nesta Casa, do pastor Elias Moura de Carvalho, Presidente da União de Ministros Batistas Independentes; do pastor Eliezer Correia de Souza, Presidente Nacional das Igrejas Batistas Independentes do Brasil; e do pastor Getúlio Vargas, que integra a Igreja Batista do Estado do Rio Grande do Sul. Eles vieram entregar ao Presidente da Casa, Deputado Marco Maia, o livro Da Suécia ao Brasil, uma História Missionária. Esse livro, Sr. Presidente, registra as atividades de evangelização da Igreja Batista no Brasil. 67 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD45][CD46] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Passamos agora à fase do Pequeno Expediente de 5 minutos. Peço paciência aos Parlamentares, porque não vamos prorrogar o tempo, razoável para que avancemos o máximo. É um privilégio para todos os Parlamentares usar esse tempo. 68 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD47][CD48] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Concedo a palavra ao Deputado Marllos Sampaio, do PMDB do Piauí. S.Exa. dispõe de 5 minutos, improrrogáveis. O SR. MARLLOS SAMPAIO (PMDB-PI. Pela ordem. Sem revisão do orador) - Sr. Presidente, um Deputado Federal não deve ater-se apenas ao seu gabinete em Brasília ou a despachos com grandes lideranças, Prefeitos, Governadores ou Senadores. Prezo meu mandato por estar perto das bases comunitárias, perto do povo. Muitos que me veem no Piauí nem dizem que sou Deputado Federal. Talvez por isso, em todas as pesquisas, eu tenha uma aceitação popular que me coloca entre os primeiros Parlamentares do Estado. Estive no último fim de semana, precisamente no domingo à noite, na cidade de Valença do Piauí, a 20 quilômetros da zona urbana, na zona rural, em uma comunidade quilombola, onde participei de uma reunião com aproximadamente 100 moradores da comunidade, com o presidente da associação, Pedro Feliciano, conhecido como Pedro da Tranqueira, acompanhado do Vereador Bené, de lideranças comunitárias, de Paula Geane e de muitas lideranças que se preocupam com a comunidade. É impressionante como falta tudo em vários lugares do Brasil. Muitos estão acostumados a ficar apenas na zona urbana ou em lugares bonitos, mas não conhecem as necessidades das pessoas carentes. Naquela comunidade, eu presenciei um Ponto da Cultura. Foram instalados na primeira etapa computadores e sistema de som. No entanto, foram instalados somente os equipamentos, e eles me reclamaram que a segunda etapa, para 69 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 colocar os monitores e contratar os profissionais, até hoje não aconteceu. Há anos eles esperam a segunda etapa, para a instalação de um Ponto de Cultura, que vai beneficiar centenas de moradores de uma comunidade que também é Brasil. Não podemos achar que o Brasil é apenas aquele onde há apenas as grandes avenidas, os grandes prédios e as grandes cidades. Isso me sensibiliza, e eu estou aqui como porta-voz dessa comunidade. Falo de uma comunidade carente, para a qual falta estrada. São aproximadamente 20 quilômetros de Valença do Piauí, e eu demorei 40 minutos para chegar à localidade. Mas o povo é feliz, alegre, e nos dá satisfação ver como vivem. O Sr. Pedro Feliciano conseguiu levar luz à comunidade há 2 anos. Ele[CD49] me disse que fez isso sem a ajuda de nenhum Deputado Federal, de nenhum Deputado Estadual, de nenhum Prefeito. Praticamente sozinho, lutou e reivindicou seus direitos nos órgãos federais em Teresina, Capital do Piauí. Devemos valorizar esses cidadãos brasileiros, que fazem às vezes as partes que deveriam ser de um Deputado Federal, de um Deputado que se preocupa realmente com os cidadãos mais simples e necessitados. Deixo aqui este registro. Eu, na qualidade de Parlamentar, vou defender a comunidade que vive na zona rural de João Pires, que é a comunidade maior, que absorve geralmente as necessidades de educação e de saúde da comunidade quilombola, na Tranqueira. Deixamos um recado para o Brasil. Nós, Deputados Federais, temos que sair dos gabinetes, temos que ir para as bases, temos que descer ao chão, temos que ir para a terra, temos que manter contato, temos que ir para o corpo a corpo. 70 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Deputado Federal não é melhor do que ninguém, não é melhor do que nenhum cidadão. Nós somos representantes do povo e temos que estar nas bases eleitorais. Mas não é na base de Vereador, de Prefeito, de cabo eleitoral, não! Devemos estar na raiz, fincar o pé no chão, sair dos gabinetes com ar-condicionado. É isso que pedimos, Sr. Presidente. Quero que fique registrada no programa A Voz do Brasil a minha ação parlamentar como Deputado Federal, a minha preocupação com essa comunidade quilombola. Vou fazer os requerimentos necessários para que seja iniciada a segunda etapa do Ponto de Cultura: faltam Internet banda larga e algumas intervenções. Este Parlamentar prometeu lá que vai destinar 100 mil reais para a instalação de uma academia da saúde no povoado de João Pires, que vai beneficiar milhares de moradores daquela localidade rural. Um abraço, Pedro Feliciano. Você é um homem de bem. Parabéns! Sucesso! 71 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD50]O REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Concedo a palavra, pela ordem, ao Deputado Fabio Trad. O SR. FABIO TRAD (PMDB-MS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na manhã da última segunda-feira, dia 3, acompanhei, em Campo Grande, com o Deputado Vander Loubet, assembleia dos agentes da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul que discutiu os rumos da greve da categoria, já em seu segundo mês. Ao que se sabe, assembleias similares foram realizadas em todos os Estados da Federação com o objetivo de definir uma nova abordagem para as negociações, em face da posição do Governo de só retomar o diálogo com a volta ao trabalho. Sras. e Srs. Deputados, na qualidade de integrante da bancada de um Estado com boa parte de seu território situado em faixa de fronteira seca, o que o torna área de trânsito de contrabando, do tráfico de drogas e de armas e do tráfego de carros roubados, sou testemunha do extraordinário trabalho que a Polícia Federal, com contingente reduzido e recursos técnicos mínimos, realiza com notável presteza e dedicada vocação. Neste momento, reitero apelo para que o Governo retome as negociações de molde a encontrar uma solução para a greve dos agentes da Polícia Federal do Brasil. Muito obrigado. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na manhã da última segunda-feira, dia 3, acompanhei em Campo Grande, com o Deputado Vander Loubet, assembleia 72 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 dos agentes da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul que discutiu os rumos da greve de categoria, que já entra em seu segundo mês. Ao que se sabe, assembleias similares foram realizadas em todos os Estados da Federação, com o objetivo de definir uma nova abordagem para as negociações, em face da posição do Governo de só retomar o diálogo com a volta ao trabalho. Diante do impasse resultante, segundo acusações recíprocas, da posição irremovível do Governo e da intransigência dos agentes federais, as lideranças do movimento apelam agora para a interveniência do Congresso Nacional na busca do restabelecimento das negociações. Sou a favor de que o Congresso Nacional assuma prontamente essa mediação, por meio de uma comissão enxuta de representantes capazes de estabelecer parâmetros mínimos de convergência. Até porque, na origem desse grave impasse, está a vexatória omissão do Parlamento, que até hoje não votou o projeto de lei que estabelece os limites do direito de greve dos servidores públicos. Devendo aos dois lados e, principalmente, à sociedade, que de toda forma paga a conta, o Congresso Nacional ainda assim pode e deve ser o fiador desse delicado processo. Sras. e Srs. Deputados, na qualidade de integrante da bancada de um Estado com boa parte de seu território situado em faixa de fronteira seca, o que o torna área de trânsito de contrabando, do tráfico de drogas e armas e do tráfego de carros roubados, sou testemunha do extraordinário trabalho que a Polícia Federal, com contingente reduzido e recursos técnicos mínimos, realiza com notável presteza e dedicada vocação. 73 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Estou certo de que essa dedicação e esse profissionalismo da Polícia Federal se reproduzem em todas as unidades federadas, pois a competência técnica e o preparo humano de seus integrantes qualificam-na crescentemente como uma polícia republicana por excelência. Essa condição reforça ainda mais a responsabilidade do Congresso Nacional na solução de um impasse em que todos perdem. Muito obrigado. 74 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD51]O[CD52] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 SR. PRESIDENTE (Amauri Teixeira) - Concedo a palavra ao Deputado Assis Carvalho. O SR. ASSIS CARVALHO (PT-PI. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o tema que me traz aqui hoje é o combate às desigualdades sociais. O Brasil cresceu. Agora, é preciso dividir as conquistas do nosso País entre todos os brasileiros. Questões relativas à desconcentração da renda e do conhecimento e à partilha de avanços tecnológicos têm sido sempre polêmicas. Que o digam a batalha pela distribuição mais justa dos royalties do pré-sal, a justiça fiscal, a luta contra a exclusão do Nordeste dos investimentos nacionais para o desenvolvimento. É[CD53] preciso coragem para enfrentar a polêmica e tomar decisões justas. Foi isso o que acabou de acontecer com o sistema de cotas raciais e sociais para o ensino superior público. Na semana passada, a Presidenta Dilma Rousseff sancionou a lei que destina 50% das vagas em universidades e institutos federais para estudantes que tenham cursado o ensino médio em escolas públicas, com distribuição das vagas entre negros, pardos e indígenas, de acordo com a proporção dessas raças em cada Estado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IBGE. É uma ação afirmativa que visa ajudar a diminuir as diferenças sociais e auxilia no resgate da imensa dívida social do Brasil, fruto da escravidão e da discriminação com pobres, negros e índios — herança pesada que ainda hoje faz com que negros e índios tenham menos acesso à educação superior e, claro, ao mercado de trabalho. 75 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Segundo o IBGE, brasileiros brancos têm, em média, 2 anos a mais de escolaridade do que negros e pardos. Ou seja, o ensino superior é um retrato das desigualdades sociais e raciais no Brasil, o que nos indica que os critérios de diferenciação são a renda e a raça, porque a maioria de pobres é de negros e pardos. Os críticos da proposta — e é saudável que existam — argumentam que somos uma sociedade mestiça, e as cotas poderiam estimular a segregação racial; que a medida viola o princípio constitucional de igualdade; e que é discriminatória. Quanto à constitucionalidade, o próprio Supremo Tribunal Federal disse que o sistema de cotas raciais em universidades não contraria a Carta Magna brasileira, ao decidir contra a ação judicial do DEM sobre cotas na Universidade de Brasília — UnB, em vigor desde 2004. [CD54] Quanto à igualdade, é fato que tratar os desiguais desigualmente é uma forma de promover justiça social. E desigualdade é o que não falta no Brasil, segundo as pesquisas nacionais e internacionais que vemos frequentemente nos noticiários, que nos apontam como um dos países mais desiguais do mundo. O fato é que foi dado um passo importante para reduzir as desigualdades sociais no Brasil. E agora vamos ao passo seguinte, como sugeriu nossa Presidenta. Ela disse que de nada adianta manter uma universidade fechada e a população afastada em nome da meritocracia. Está certa a Presidenta. A meritocracia pura e simples sempre favoreceu os frequentadores dos melhores colégios de ensino no Brasil. Mas também de nada adianta abrir universidade e não preservar a meritocracia. Está novamente correta a nossa Presidenta. 76 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Vamos, pois, ao desafio seguinte: associar inclusão — para democratizar o acesso às universidades, possibilitando que mais estudantes possam ter ensino superior — à qualidade do ensino e, a partir disso, reduzir as desigualdades sociais. Sr. Presidente, gostaria também de aproveitar este momento para registrar o Dia Nacional de Luta, em todo o Brasil, realizado ontem pelos bancários, quando reivindicaram melhores salários e condições de trabalho. No Piauí, a categoria parou o atendimento de agências por 2 horas. As manifestações fazem parte da campanha salarial dos bancários, que têm hoje à tarde mais uma rodada de negociação com a Federação Nacional dos Bancos — FENABAN. Eles reivindicam segurança, combate ao assédio moral, queda dos juros e das tarifas, contratações de mais bancários, além de salários mais compatíveis com os altos lucros auferidos pelas instituições do sistema financeiro. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro — CONTRAF-CUT, os seis maiores bancos apresentaram lucro líquido de 25,2 bilhões de reais no primeiro semestre. Os trabalhadores querem reajuste de 10,25% (aumento real de 5%). A FENABAN propõe apenas 6% de reajuste salarial (ou 0,7% de aumento real). Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos — DIEESE mostram que 97% dos 370 acordos salariais fechados no primeiro semestre no Brasil foram superiores à inflação, com aumento real médio de 2,23%, ou seja, mais que o triplo do que a FENABAN propõe. Como bancário concursado da Caixa Econômica e ex-dirigente sindical, conheço as dificuldades enfrentadas pela categoria liderada, no Piauí, pelo companheiro José Ulisses, e presto minha solidariedade. Era isso, Sr. Presidente. Muito obrigado. 77 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O Sr. Amauri Teixeira, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Paulo Feijó, § 2º do art. 18 do Regimento Interno. 78 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD55][CD56] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Paulo Feijó) - Concedo a palavra ao Deputado Arnaldo Faria de Sá. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, a Liderança do Governo na Câmara tinha pedido ao Presidente Marco Maia um prazo até o final de agosto para apresentar sugestão a respeito do projeto que altera o fator previdenciário. Terminado o mês de agosto, não veio proposta nenhuma. Portanto, o Presidente Marco Maia — a urgência foi votada e aprovada — tem que colocar esse projeto em votação para que possamos alterar esse maldito fator previdenciário, que prejudica o trabalhador brasileiro — cerca de 40% dos homens após 35 anos de trabalho e até 50% das mulheres após 30 anos de trabalho. Queremos mudar esse maldito fator previdenciário e também queremos votar o projeto que trata da recuperação das perdas dos benefícios dos aposentados e pensionistas. O projeto está pronto para ser votado. Esperamos que o Presidente Marco Maia coloque em votação esse projeto o mais rápido possível. Lamento que a Presidente Dilma tenha vetado a emenda da LDO que garantia aumento real para os aposentados em 2013. Vamos tentar manter a emenda no Orçamento. Obrigado, Presidente. 79 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD57] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Paulo Feijó) - Com a palavra o ilustre Deputado Amauri Teixeira, representante da Bahia e um guerreiro a favor do Município baiano de Jacobina. (Pausa.) Antes, concedo a palavra, por 1 minuto, ao Deputado Luiz Nishimori. O SR. LUIZ NISHIMORI (PSDB-PR. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, desejo apenas deixar registrada nesta Casa a realização do 23º Festival Nipo-Brasileiro de Maringá, que começou no dia 1º e vai até o dia 9 de setembro. O evento, que reúne mais de 50 mil pessoas, é o segundo maior de Maringá e um dos maiores festivais nipo-brasileiros do País. Portanto, quero parabenizar a ACEMA — Associação Cultura e Esportiva de Maringá, a organizadora desse evento que compartilha a cultura japonesa com a brasileira, e os mais de 1.500 voluntários que nele trabalham. Muito obrigado, Sr. Presidente. 80 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD58] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Paulo Feijó) - Com a palavra o Deputado Amauri Teixeira. O SR. AMAURI TEIXEIRA (PT-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente Paulo Feijó, Sras. e Srs. Parlamentares, é com imensa alegria que subo novamente a esta tribuna. Desta vez, quero agradecer e parabenizar a Presidenta Dilma Rousseff, a Ministra Miriam Belchior, o Ministro José Eduardo Cardozo, a Ministra Gleisi Hoffmann e a Ministra Ideli Salvatti por terem enviado a esta Casa o Projeto de Lei nº 4.367, de 2012, que cria 789 cargos de Defensor Público. Fiz aqui um sem-número de pronunciamentos defendendo o fortalecimento da Defensoria Pública, esse órgão tão importante para a efetivação dos direitos dos mais necessitados, dos direitos dos pobres, dos direitos dos carentes. Quantas mães têm, às vezes, um filho preso por um pequeno delito, por um deslize, e não podem recorrer para a sua soltura? Quantas mulheres, às vezes, têm a impossibilidade de requerer o pagamento de pensão alimentícia no tempo correto? Quantos contribuintes e beneficiários da Previdência deixam de reclamar um benefício por falta de defensor público? Inúmeros. Precisamos, portanto, fortalecer a Defensoria Pública. Agora, vão ser criados 789 cargos: 732 defensores de segunda categoria, 48 de primeira categoria e 9 de categoria especial. Então, quero parabenizar a Presidenta Dilma Rousseff e a Ministra Miriam Belchior, mas quero parabenizar, principalmente, meus amigos do Sindicato dos Defensores Públicos e aqueles que lutaram conosco — Deputados Vicentinho, Chico Lopes, Mauro Nazif, Fernando Ferro e diversos outros Parlamentares que se somaram a essa luta pelo fortalecimento da Defensoria Pública. 81 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Sr. Presidente, quero também lamentar a ocorrência de determinadas práticas. Hoje, no Facebook, até vi algo sobre uma delas que me fez rir. Alguém postou que Prefeito que faz obra eleitoreira, que só faz obra em cima da eleição, não merece ser eleito, porque o povo merece um Prefeito e não um pedreiro. Determinados Prefeitos só fazem obra em cima da hora. A Prefeita de Jacobina está fazendo tudo quanto é ponta de rua — obra de mil metros, obra de 500 metros, obra de 200 metros; na cidade toda, está fazendo pequenas obras, achando que assim engana o povo. Ora, a saúde em Jacobina é um caos absoluto; a cidade está toda desestruturada, praticamente abandonada, mas, às vésperas da eleição, ela resolveu fazer o que não fez em 4 anos. Merece o nosso repúdio esse tipo de comportamento. Acham que o povo é bobo e que vai se deixar ser enganado. O povo de Salvador até se enganou com João Henrique. Ele não fez nada nos 4 anos passados e fez em 6 meses obras que não fez em 4 anos. O povo de Salvador se arrependeu profundamente de tê-lo eleito. Foi um desastre a gestão de João Henrique em Salvador. O povo de Jacobina conhece essa história e não vai repeti-la. Quero ainda abordar outro tema, Sr. Presidente, mas não pelo motivo que outro Parlamentar aqui levantou. Não dá para termos eleição no Brasil de 2 em 2 anos. E não dá por uma razão muito simples: paralisa-se a máquina pública de 2 em 2 anos, porque, quando há eleição, a legislação impede — e é correto — que a máquina pública funcione normalmente, que se façam licitações, que se realizem obras. De 2 em 2 anos, para-se as máquinas municipal e estadual ou a máquina federal, fora o dispêndio que uma eleição causa aos cofres públicos. 82 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Temos que unificar o calendário eleitoral. Temos que acabar com o financiamento privado, que leva à corrupção. Temos que instituir o voto em lista, para fortalecer a linha programática e os partidos. Temos que acabar com esse modelo de eleição que está levando o País à paralisia, Sr. Presidente. Peço que este pronunciamento seja divulgado no programa A Voz do Brasil. 83 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD59][CD60] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Paulo Feijó) - Com a palavra o Deputado Onofre Santo Agostini. Em seguida, por 1 minuto, Deputada Jaqueline Roriz e, por 5 minutos, Deputado Chico Lopes. O SR. ONOFRE SANTO AGOSTINI (PSD-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, vou tratar de um assunto de suma importância para o Brasil, mas, de modo especial, para Santa Catarina. É caótica a situação dos produtores de alho e de suas cooperativas no Estado de Santa Catarina. Diversos fatores estão influenciando essa triste realidade, os quais elencarei de forma breve. O principal deles é a incidência de 7% ou 12% sobre a comercialização do alho, dependendo do Estado destinatário da mercadoria, conforme disposição do art. 19, inciso III, alínea “e”, da Lei nº 10.297, de 1996. Como consequência, outros entraves surgiram: a redução significativa da área plantada; a importação de alho chinês e argentino, que chegam ao Brasil com preço bem abaixo do nosso. O mais triste de tudo isso e que para mim torna-se um contrassenso é saber que se cobra ICMS do alho em todo o Estado de Santa Catarina. A minha cidade, Curitibanos, foi considerada a capital nacional do alho, na década de 90, quando possuía área plantada de aproximadamente 5 mil hectares. Hoje, não passa de 1.400 hectares. [CD61] É lamentável como se permite tanta injustiça ao nosso querido produtor de alho. Só para ilustrar o que estou dizendo, a comercialização de alho no Estado de Santa Catarina representa grande parte da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Por que se cobra tanto imposto de nosso 84 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 querido produtor? Se o Governo Federal não agir rápido, criando uma barreira, uma espécie de salvaguarda para o alho, se não frear as importações e não reduzir o imposto, sem dúvida nenhuma, a situação vai se tornar terrível, não só em Santa Catarina, como também em todo o Brasil. É preciso ação rápida do Governo de Santa Catarina e, também, do Governo Federal. Não adianta o produtor ter uma pseudorredução de 50% do ICMS se ele tem que abrir mão depois dos créditos. Outro alerta, Sr. Presidente, é que o preço de venda do alho obedece a uma pauta de valores do Governo Federal e que vem tornando inviável a produção. E o incentivo fiscal oferecido pelo Estado de Santa Catarina para a comercialização do alho, além de não contribuir para aumentar a competitividade do produtor catarinense, ainda é responsável por criar desequilíbrio entre os valores anotados e os efetivamente recebidos. Veja bem, Sr. Presidente, produzir 1 quilo de alho custa para o produtor brasileiro na ordem de 1 dólar. O alho oriundo da China entra no País a 50 centavos de dólar. Evidentemente, não há como concorrer com o mercado chinês, haja vista que a China não tem imposto sobre o alho, e no Brasil ocorre a alta carga tributária. O Estado de Santa Catarina já foi o maior produtor de alho do Brasil. Agora já não é mais. O Rio Grande do Sul é um grande produtor; Goiás e Distrito Federal também são grandes produtores de alho. A[CD62] qualidade do alho brasileiro é muito superior à do alho chinês, mas, infelizmente, o aspecto do alho chinês concorre com o nosso mercado. Há uma razão para nossa preocupação, Sr. Presidente. Essa situação está inviabilizando a nossa produção de alho. Quem produz o alho, quem planta o alho, 85 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 quem colhe o alho é uma mão de obra sem especialidade alguma. Mulher, homem, velho, criança, todo mundo produz alho porque é manual. Quando eu digo criança, não me refiro a crianças pequenas, mas ao jovem, que pode plantar o alho. É uma mão de obra que não tem qualificação nenhuma. O plantio de alho gera empregos para milhares de pessoas. Se se inviabilizar a produção de alho no Brasil, essas pessoas não terão o que produzir e vão ficar desempregadas. O dano social será grave em Santa Catarina e no Brasil. Por isso, venho fazer um apelo à Presidenta da República e ao Governo de Santa Catarina para incentivarmos o produtor de alho. Santa Catarina já não é mais autossuficiente na produção de alho, o Brasil não é ainda autossuficiente, e o alho argentino concorre com o nosso produto sem nenhuma dificuldade. O nosso problema está no alho chinês, que entra de forma irregular no Brasil e concorre deslealmente com o produtor catarinense. A nossa maior preocupação é a mão de obra que ficará abandonada se não tomarmos providência: o pobre, a mão de obra sem qualificação, a mão de obra que é relegada, a mão de obra do nosso produtor de alho. Fico triste, Sr. Presidente, porque não se dá condições a essas pessoas. [CD63]Se não incentivamos o produtor de alho, haverá um problema social no Brasil inteiro, mas, de modo especial, no Estado de Santa Catarina, que vive um momento dramático. Por isso faço este apelo e solicito a V.Exa. que determine a publicação na íntegra deste nosso pronunciamento para fazermos um alerta à Nação brasileira: se não investirmos no produtor de alho, vamos gerar um problema social muito grande 86 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 no Brasil, porque é usada a mão de obra sem nenhuma qualificação para a produção de alho. Faço este alerta, agradecendo a V.Exa., e solicito que este discurso seja publicado nos meios de comunicação da Casa e, principalmente, no programa A Voz do Brasil. O SR. PRESIDENTE (Paulo Feijó) - Deputado Onofre Santo Agostini, V.Exa. será atendido. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é caótica a situação dos produtores de alho e de suas cooperativas no Estado de Santa Catarina. Diversos fatores estão influenciando essa triste realidade, os quais elencarei de forma breve. O principal deles é a incidência de 7% ou 12% sobre a comercialização do alho, dependendo do Estado destinatário da mercadoria, conforme disposição do artigo 19, inciso III, alínea “e”, da Lei nº 10.297, de 1996. Como consequência, outros entraves surgiram: a redução significativa da área plantada; a importação do alho chinês e argentino, que chegam ao Brasil com preço bem abaixo do nosso; e os incentivos que os produtores de outros Estados recebem do poder público. O mais triste de tudo e que para mim se torna um contrassenso, é saber que o nosso Estado já foi destaque no cenário nacional na produção de alho nobre roxo, e a cidade de Curitibanos, considerada a capital nacional do alho na década de 90, quando possuía área plantada de aproximadamente 5 mil hectares. Hoje, não passa 87 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 de 1.400 hectares, o que representa uma redução significativa e, ao mesmo tempo, preocupante. É lamentável como o Governo Estadual permite tal tragédia, tanto para os produtores quanto para a economia do Estado. Só para ilustrar o que estou dizendo, a comercialização de alho no Estado de Santa Catarina representa grande parte da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços — ICMS. Então, por que o Governo catarinense não cria incentivos para esses produtores e muda, de uma vez por todas, este terrível cenário? Se o Governo Federal não agir rápido, criando uma barreira, uma espécie de salvaguarda para o alho, frear as importações, e o Governo Estadual não reduzir de fato a alíquota do ICMS que incide sobre o alho, certamente teremos produtores catarinenses migrando para outras unidades da Federação à procura de proteção fiscal e de sobrevivência. É preciso uma ação pragmática e real do Governo de Santa Catarina, sobretudo na questão do subsídio da produção do alho. Não adianta o produtor ter uma pseudorredução de 50% do ICMS, se ele depois tem que abrir mão dos créditos efetivos do referido imposto, nas operações de saída do alho que ele promover. Isso é um verdadeiro engodo! Outro alerta que faço, Sr. Presidente, é o de que o preço de venda do alho obedece a uma pauta de valores previamente estabelecida, conforme a classe do produto vendido, não podendo ser comercializado por valor inferior ao pautado. Entretanto, o incentivo fiscal oferecido pelo Estado de Santa Catarina para a comercialização do alho, além de não contribuir para aumentar a competitividade do produtor catarinense, ainda é o responsável por criar desequilíbrio entre os valores anotados e os efetivamente recebidos. 88 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Os nossos produtores estão em defasagem e à beira do colapso, pois no competitivo mercado do alho, o vizinho Estado do Rio Grande do Sul, que tem sua safra e respectiva comercialização no mesmo período da catarinense, concede direito a crédito presumido; e o Estado de Goiás, isenção de imposto para comercialização. Portanto, Sr. Presidente, em nome da Cooperativa Regional dos Produtores de Alho; da Cooperativa Regional Agropecuária do Meio Oeste Catarinense; e da Cooperativa Regional dos Produtores da Agricultura Familiar, faço um apelo ao Governo do Estado de Santa Catarina para que eleve a redução da base de cálculo nas operações internas e interestaduais do alho de 50% para 90%; promova a elevação da pauta dos atuais valores, pois os atualmente praticados são insustentáveis; e reavalie os valores de pauta estipulados a cada início de safra, nos meses de dezembro, março e junho, por comissão formada por todas as cooperativas envolvidas na produção e comercialização do alho. Só assim poderemos dar um novo fôlego e uma nova sobrevida aos produtores desse importante produto catarinense: o olho. Era o que tinha a dizer. Muito obrigado. 89 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O[CD64] SR. PRESIDENTE (Paulo Feijó) - Concedo a palavra à Sra. Deputada Jaqueline Roriz. A[CD65] SRA. JAQUELINE RORIZ (PMN-DF. Sem revisão da oradora) - Sr. Presidente, retorno a esta tribuna para falar de um assunto de extrema gravidade. Refiro-me à matéria publicada na edição desta semana da revista ISTOÉ, com o título: Como o governo deixou estragar 55 mil bolsas de sangue? É uma trágica narrativa, em que se percebe que a má administração, o descaso e, como a própria revista define, a incompetência levaram à perda de 13,7 mil litros de plasma, com valor estimado de 1,6 milhão de dólares. O Tribunal de Contas da União, o Ministério Público Federal e o Ministério da Saúde abriram procedimentos investigatórios para saber como e por que tamanha quantidade de plasma de sangue se estragou e se há ou houve desvio dele para o chamado mercado negro de plasma, por pessoas inescrupulosas. [CD66]Os 12 mil hemofílicos precisam tomar injeções diárias dos Fatores 8 e 9 para coagular o sangue, o que na maioria das vezes não ocorre, pela escassez do produto administrado pelo Governo. Para se ter ideia do desperdício, esse volume de plasma de sangue perdido poderia abastecer por 2 anos e meio a rede hospitalar de uma unidade da Federação como o Distrito Federal, que consome diariamente 60 bolsas ou 15 litros de plasma de sangue. Eu, como irmã de um hemofílico, mãe de hemofílico e tia de hemofílico, sei o drama que isso representa para cada parente que convive com esse problema. Há escassez de plasma no mundo inteiro, e os preços internacionais são altíssimos, como demonstra a reportagem da revista ISTOÉ. Um litro do plasma 90 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 sanguíneo custa cerca de 120 dólares, o que, por si só, demonstra a dificuldade de as famílias de hemofílicos obterem o medicamento adequado. Portanto, Sras. e Srs. Deputados e Deputadas, o Ministério da Saúde e seus gestores devem uma explicação cabal quanto ao que aconteceu com esse lote de 55 mil bolsas de sangue, que poderiam aliviar a vida de milhares de hemofílicos brasileiros. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELA ORADORA Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, outro assunto de que tratarei aqui, nesta tribuna, é a greve da Polícia Civil do Distrito Federal, que afeta profundamente a vida dos brasilienses. Tenho denunciado desta tribuna a situação caótica em que se encontra a segurança, ou melhor, a insegurança pública em Brasília. A cada dia assistimos a cenas dramáticas, com pais, mães, esposas, maridos, filhos e filhas lamentando a morte violenta ou o sequestro-relâmpago de um ente querido. Os índices de criminalidade só aumentam. Os números são assombrosos sobre o crescimento da violência, por exemplo, em cidades como Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Brazlândia, Vicente Pires e Águas Clara. No primeiro semestre deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado, o número de homicídios subiu 22%, com o assassinato de 166 pessoas. O número de sequestros-relâmpagos cresceu 71%, atingindo 180 homens e mulheres. Os moradores de Taguatinga foram os mais atingidos, porque, nessa cidade, o aumento foi de 92%, alcançando 77 pessoas. 91 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O número de roubos de veículos aumentou 86% na região, e o assalto ao comércio cresceu 43%, com ocorrências em 555 estabelecimentos comerciais. Sr. Presidente, esses números são assustadores. Mas não é só a violência que preocupa. A insensibilidade do Governo petista que comanda o Distrito Federal só piora a situação. Na semana passada, a Polícia Civil do Distrito Federal fez uma greve de uma semana para protestar contra a intransigência do atual Governo do Distrito Federal, que insiste em sua política de “reajuste zero” para os servidores públicos locais. São cerca de 5 mil policiais civis, que atenderam apenas algumas ocorrências, como crimes hediondos, casos graves ou de flagrante delito, com as delegacias funcionando com somente três plantonistas, metade do efetivo normal de atendimento. Eles reivindicam a reestruturação de carreira, com reajuste, aumento do quadro de policiais civis e plano de saúde. São reivindicações justas. Aqui já tive a oportunidade de me manifestar por diversas vezes sobre a intransigência do atual Governo local em não conceder reajuste salarial, em que pesem a inflação e o aumento dos impostos e taxas administradas pelo próprio Governo. Os policiais civis também reclamam de que o atual Governo não cumpre acordos nem honra seus compromissos. Aliás, essa é uma queixa comum às demais categorias que também já fizeram greve — professores, agentes penitenciários, metroviários e rodoviários. Eles entraram em greve, Sr. Presidente, porque o Governo do Distrito Federal se recusa a negociar essas mudanças e reivindicações e porque o GDF transferiu 92 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 para o Governo Federal essa responsabilidade, sem sucesso, porque não há reunião marcada. Essa situação não pode continuar, porque a vida de todos nós corre perigo. O Governo local tem que ceder e negociar com os policiais civis. Só assim teremos, de fato, segurança no Distrito Federal. Muito obrigada. 93 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD67][CD68]O REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 SR. PRESIDENTE (Paulo Feijó) - Deputado Chico Lopes, V.Exa. disporá de 5 minutos. O SR. CHICO LOPES (PCdoB-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, eu venho à tribuna trazer um assunto que está na pauta do dia: ou se aprova essa reforma política das Sras. Deputadas e dos Srs. Deputados ou este País ficará com apenas três partidos. Gostaria de falar sobre dois pontos. Qual é a dificuldade de uma eleição como essa? Primeiro, tem que haver financiamento de campanha; segundo, a lista pré-ordenada. [CD69] Sr. Presidente, sem isso, nós vamos ter a eleição mais cara dos últimos tempos nos Municípios deste País. E por quê? Porque este ano a eleição será bem atípica. Enquanto não começa a propaganda na televisão, todo mundo está em pé de igualdade, e as pesquisas refletem exatamente o potencial de cada candidato. Iniciada a propaganda na televisão, como aconteceu em um Município deste País, com 3 dias ocorreram três prévias de institutos de pesquisa, e os candidatos que estavam em penúltimo e antepenúltimo lugares passaram para o segundo e terceiro lugares, porque os três são grandes e podem pagar pesquisa. E os institutos de pesquisas são uma coisa muito esquisita. Há alguns que apresentam até seis pontos de margem de erro; outros, quatro pontos. Como funciona? Quem pagou sobe os quatro pontos e quem não pagou desce os quatro pontos. Ganham-se aí oito pontos logo de saída. 94 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 E existe um público no Brasil que não quer perder o voto e, então, vota em quem está na frente. Não quer saber de programa, não quer saber da discussão. E isso está acontecendo demais! Lamentamos que, embora exista um tribunal só para cuidar da eleição, as coisas acontecem assim, e nada seja feito para moralização do processo e acompanhamento do desenvolvimento das eleições através dos rios de dinheiro e de financiamentos para quem está na frente. Os[CD70] pequenos partidos que participam de uma aliança podem até ter dinheiro para Vereador, mas nunca vão deixar de ser pequenos, porque não vão competir na cabeça. E só crescem aqueles que vão disputar o cargo principal que, neste caso, é a Prefeitura. Portanto, Sr. Presidente, faz-se urgente urgentíssimo que esta Casa aprove a reforma política, sob pena de não estarmos contribuindo com a democracia nem com a alternância de poder mais democrática. Li na Folha de S.Paulo de ontem que, em Goiás, uma ala teve que acionar a Polícia Federal para proibir a publicação de uma pesquisa. Evidentemente que hoje deve ter saído artigo dizendo que estão tolhendo a liberdade de imprensa. Ora, mas não está coisa nenhuma. A pesquisa é importante, mas tem que ser fiscalizada pelo Tribunal Regional Eleitoral, para que os candidatos possam, pelo menos, competir em pé de igualdade, sem correr o risco de saírem em pesquisas que mostram, numa hora, que estão em primeiro lugar e, depois, em último. Os institutos só vão finalizar quando faltarem 2 semanas para a eleição, para não saírem desprestigiados. Portanto, clamo aos Deputados desta Casa que votemos a reforma política para o bem da nossa democracia. Muito obrigado, Sr. Presidente. 95 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD71][CD72] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Paulo Feijó) - Concedo a palavra ao Deputado Severino Ninho, do PSB de Pernambuco. O SR. SEVERINO NINHO (PSB-PE. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, apresentei, na semana passada, uma Proposta de Emenda à Constituição — PEC que visa permitir que nós Parlamentares possamos, pelo menos, ver nossos projetos votados. Segundo nossa proposta, a cada medida provisória aprovada pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, obrigatoriamente, será incluída na Ordem do Dia uma proposição de iniciativa parlamentar, desde que tenha o apoiamento de 20% dos membros da Casa onde ocorra a votação. Ora, Sr. Presidente, eu mesmo já desisti, por orientação da assessoria da Casa, de apresentar projetos de lei, porque eles não têm prosseguimento. Fui orientado a fazer indicações para os Ministérios. Nossa iniciativa é cerceada. Sabemos, principalmente os que estão aqui há muito, que os projetos de lei não têm prosseguimento, enquanto as medidas provisórias enchem nossa pauta. [CD73] De modo que é justo que a Presidenta da República, obviamente, a governante do País, tenha o privilégio, a competência constitucional de editar medida provisória, mas isso não deve tolher a nossa iniciativa. Os nossos projetos precisam ser votados. Então é justa a nossa proposição de que, para cada MP votada, entre na pauta uma proposição de autoria de membro da Casa Legislativa onde ocorreu a votação, a Câmara dos Deputados ou o Senado Federal. Outra PEC que eu apresentei se refere à segurança dos motociclistas. O País gasta fortunas em acidentes envolvendo motos. Em Pernambuco, o Governador 96 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Eduardo Campos ampliou em 300% os leitos de UTI em 5 anos e meio de Governo, mas a maioria deles estão ocupados por motociclistas acidentados. A minha proposta é que sejam isentos de impostos todos os equipamentos de segurança para motociclistas: capacete, airbag, colar para o pescoço, luvas, enfim, todos os equipamentos de proteção ao motociclista. Eles devem ser isentos de tributos porque o Governo arrecada, digamos, 1 bilhão de reais por ano e gasta 6 bilhões de reais com acidentes que envolvem essa modalidade de transporte. Aguardo o pronunciamento desta Casa sobre essas duas importantes propostas de emenda à Constituição. [CD74] E hoje apresentei projeto de lei que visa criar critério de desempate para quem faz concurso público e concorre para aqueles cargos em que a Constituição admite acumulação de dois empregos públicos. A proposta é no sentido de que, se houver empate nas notas de quem já tem um emprego de médico e de outro médico que está fazendo o concurso, aquele que ainda não tem o primeiro vínculo será beneficiado. É justo o critério. Alguns cargos públicos admitem acumulação: professores, profissionais da área de saúde. Como disse, às vezes o concursando já tem um vínculo e está concorrendo com outro que não tem vínculo nenhum, e acontece um empate nas notas. A nossa proposta é no sentido de que, nesse caso, a pessoa que ainda não tem o vínculo seja beneficiada no critério de desempate. Portanto, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, são três proposições que apresentei para melhorar o ordenamento jurídico do País. Eu destaco com primazia a que trata da questão da isenção de tributos para equipamento de segurança para motociclistas, porque é muito grave essa questão dos acidentes com motos no País. Na hora em que eles estiverem mais bem equipados, com capacete novo, blusão, 97 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 luvas, botas, enfim, tudo o que for possível para protegê-los, obviamente que os danos ao seu corpo, à sua saúde serão minorados. E aí as despesas serão menores com UTIs, e o INSS também terá menos despesas. Imaginem quantas despesas, quantas aposentadorias precoces são oriundas de acidentes com motos em nosso País. Muito obrigado, Sr. Presidente. 98 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD75][CD76] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Paulo Feijó) - O primeiro orador do Grande Expediente, Deputado Marcio Bittar, do PSDB do Acre, já se encontra presente. Informamos aos Srs. Parlamentares que não poderemos dar prorrogação de tempo. Concedemos a palavra, pela ordem, ao ilustre Deputado Fernando Ferro, do PT de Pernambuco. Logo após, daremos espaço aos Deputados Átila Lins, Valmir Assunção e Luiz Carlos Setim. A partir daí, iniciaremos o Grande Expediente. O SR. FERNANDO FERRO (PT-PE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, diz um ditado popular que “cabeça desocupada é oficina do diabo”. Eu só penso nessa frase quando vejo o Presidente Fernando Henrique criticando o Presidente Lula. Qual é o sentido de o ex-Presidente Fernando Henrique ficar criticando o Presidente Lula, querendo inclusive indispor o Presidente Lula com a Presidenta Dilma, dizendo que a Presidenta Dilma teria recebido uma herança maldita? Foi muito bem dada a resposta da Presidenta Dilma às pretensões do Sr. Fernando Henrique Cardoso. Vamos e venhamos, que tenha um pouco de humildade e não use o seu tempo de ex-Presidente para provocar uma intriga desnecessária entre dois governantes que fazem parte da história do Brasil. Como disse a Presidenta Dilma, a herança maldita veio, sim, lá da época de Fernando Henrique Cardoso. Quem não se lembra do Fundo Monetário Internacional exigindo, aqui no Brasil, políticas contra os aposentados, arrocho salarial, privatizações, demissões, de como eram provocadas naquele Governo? Quem não se lembra do Presidente Fernando Henrique Cardoso querendo levar o Brasil para a ALCA, a Área de Livre Comércio das Américas, dependendo dos Estados Unidos completamente, e entregar a nossa economia? 99 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Quem não se lembra de Fernando Henrique Cardoso chamando os aposentados de vagabundos, porque era esse conceito que ele tinha da luta dos aposentados? [CD77] Quem não se lembra da privataria do Governo Fernando Henrique Cardoso, que vendeu várias empresas, dilapidou o patrimônio público nacional e quebrou o Brasil três vezes? Quem não se lembra do programa de terceirização do Governo Fernando Henrique Cardoso, que acabou com o concurso público, tentou esvaziar e eliminar várias empresas públicas? Foi no Governo do Presidente Lula que nós iniciamos e retomamos o concurso público para renovar os servidores deste País, porque estávamos num processo de total desmonte e desmanche do Estado brasileiro. Quem não se lembra do Governo Fernando Henrique Cardoso atacando a PETROBRAS, querendo vendê-la e promovendo um processo de lesa-patrimônio nacional, algo inaceitável? Se tivéssemos enveredado por aquele caminho de privataria e de privatização proposto, nesta crise mundial, estaríamos arrebentados, como estão vários outros países na Europa. Portanto, acho que, numa hora como esta, o Sr. Fernando Henrique Cardoso deveria zelar pelo que lhe resta de biografia e evitar esse tipo de fala. Ele poderia muito bem se preservar e dar outro tipo de contribuição, em vez de querer criar uma futrica entre o Presidente Lula e a Presidenta Dilma. Na verdade, acho que isso tem a ver com esse processo de sua aposentadoria. Ou é demência intelectual, ou é incompetência política para saber seu papel na democracia brasileira. Que se critique, que se faça tudo, mas foi neste Governo do Presidente Lula e da Presidenta Dilma que as instituições voltaram a funcionar. O Ministério Público 100 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 teve liberdade para fazer investigação; a Polícia Federal teve — como nunca — liberdade para fazer investigações e atingiu, inclusive, membros do Governo, mostrando claramente que não havia um processo de abafa, como havia naquele Governo passado. Houve conquistas democráticas neste Governo. Houve[CD78] avanços democráticos, fortalecimento das instituições. Isso é muito importante, é um aprendizado para a democracia brasileira. Então, não cabe, não merece e não faz sentido esse tipo de comentário que o Sr. Fernando Henrique Cardoso vem fazer do Governo do Presidente Lula. Ele não tem autoridade política, nem moral. Inclusive comprou o processo de reeleição. O Presidente Lula teve dignidade. Ele poderia, se quisesse, abrir um processo para ter a reeleição, mas preferiu não o fazer, porque compreendeu que o melhor é respeitar a ordem política e democrática para ajudar na construção da democracia. O Brasil precisa avançar na construção da democracia, porque ainda não somos uma democracia plena, ainda temos gente na miséria, na pobreza. Um país democrático não admite seu povo conviver com isso. Por isso, nós refutamos esse comentário e queremos parabenizar a Presidenta Dilma pela maneira lúcida, inteligente e refinada com que rebateu as acusações de Fernando Henrique Cardoso contra o Presidente Lula. Espero que o sociólogo Fernando Henrique Cardoso faça melhor uso do seu tempo na política, para não ficar promovendo intrigas e tentando criar clima de desavença no Governo. Seria melhor orientar seus partidários a promover um debate político aqui sobre os problemas que afligem o Brasil e não promover esta trajetória lastimável que não esperávamos de um ex-Presidente: meter-se na vida 101 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 política de outro partido, de outro Governo, sem respeitar seu tempo, que passou. Ele agora pertence à história. Não faz mais sentido querer dar lição de política e de sociologia a ninguém, até porque dessa sociologia barata nós já estamos cheios. Muito obrigado, Presidente. 102 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD79][CD80] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Paulo Feijó) - Passo a palavra ao Deputado Átila Lins. S.Exa. dispõe de 3 minutos, improrrogáveis, dentro do acerto. Depois, falarão os Deputados Valmir Assunção e Valdir Colatto. O orador do Grande Expediente queria falar agora, mas está tendo a compreensão de ceder espaço aos demais Deputados. O SR. ÁTILA LINS (PSD-AM. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna registrar solenidade em Manaus, na última sexta-feira, quando o Governador Omar Aziz, acompanhado de vários Secretários de Estado e Parlamentares — eu estive presente —, implantou mais uma etapa do seu programa Ronda no Bairro, desta feita na zona centro-oeste da Capital. Esse é um programa arrojado na área de segurança pública que vai fazer o Governo do Estado investir no setor mais de 300 milhões de reais até o final de seu mandato e dotar todas as zonas de Manaus de infraestrutura extremamente importante para a manutenção da segurança pública do cidadão. Na sexta-feira, foi na zona centro-oeste, abrangendo vários bairros — Alvorada, Dom Pedro —, todos se beneficiando desse programa de segurança pública que pretende fazer uma ação efetiva em cada distrito, área ou bairro para diminuir a violência, os assaltos e dar mais segurança à sociedade manauara. [CD81] Portanto, quero aqui, Sr. Presidente, destacar essa ação do Governo do Amazonas e dizer que o Governador anunciou que até o final do ano vai implantar em todas as zonas de Manaus esse sistema de ronda nos bairros. Ele vai aumentar agora o número de policiais militares de 10 mil para 15 mil, para permitir que esse novo serviço, inédito e arrojado, com investimentos maciços do Governo Estadual, possa surtir o efeito desejado. E já estamos sentindo. 103 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Nas três primeiras zonas de habitação de Manaus já se percebeu um decréscimo na violência e nos assaltos em mais de 20%. Essa é uma prova de que é um programa que está e que vai continuar dando certo, para melhorar a segurança pública de Manaus. Quero reiterar meus cumprimentos ao Governador Omar Aziz, que estava lá com o Secretário de Estado de Segurança Pública, com o Delegado-Geral de Polícia Civil, com o Comandante-Geral da Polícia Militar, enfim, com todos os envolvidos, participando para que esse processo dê certo e Manaus volte a ter mais segurança, o que é o desejo de todos os seus habitantes. Muito obrigado. 104 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD82][CD83] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. ALEX CANZIANI (PTB-PR. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente Paulo Feijó, Srs. Deputados, hoje, nós estamos batendo recorde de greve nas universidades federais. Quero fazer um apelo ao Ministério da Educação, aos sindicatos, às entidades que representam os professores para chegarmos a um denominador comum. Temos tido reclamações por parte de várias famílias, de vários alunos. Entendemos o movimento, sabemos da importância de valorizarmos os professores, mas não é possível ficarmos neste impasse. O Governo já fez algumas propostas, já houve algum avanço, mas precisamos chegar a um denominador comum. [CD84] Então, faço um apelo ao Governo Federal, através do Ministério do Planejamento e do Ministério da Educação, e ao movimento grevista para que cheguem a um entendimento, a fim de que tenhamos o fim desta greve, que é justa, mas que inviabiliza a pretensão de milhares e milhares de alunos de todo País. Muito obrigado. 105 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD85][CD86] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Paulo Feijó) - Com a palavra pela ordem o Deputado Valmir Assunção. O SR. VALMIR ASSUNÇÃO (PT-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero fazer dois registros importantes. Primeiro, no final de semana, estive em Xique-Xique, na Bahia, participando de diversas atividades. A família Braga tem governado o Município por vários mandatos. Agora, o relato que se tem de lá é que há uma disputa muito acirrada com o candidato a Prefeito, Dr. Ricardo, do PT, e a Vice-Prefeito, Dr. Lula, do PDT. Essa disputa tirará os Braga do poder municipal. Pois bem, Sr. Presidente, o que ocorre naquele Município? Segundo o relato de todas as pessoas que encontrei, os Braga sempre governaram de maneira perseguidora, antidemocrática, intimidando as pessoas, utilizando o poder público para diminuir o cidadão e a cidadã. Essa[CD87] é a maneira dura que utilizam, em pleno século XXI, num processo democrático, chegando ao ponto de cortar a água da comunidade que não vota neles. Isso é algo que não pode mais existir, e lá existe. O número de denúncias de compra de votos é um absurdo. Todos dizem que o Prefeito utiliza toda a sua estrutura para comprar votos no Município. Policiais militares se licenciam para fazer sua segurança, como é o caso do sargento Hélio Andrade, que, segundo relatos, se licenciou para fazer sua segurança e amedrontar a população. Esse é um quadro terrível que existe em Xique-Xique, na Bahia. Eu vou requerer ao Tribunal Superior Eleitoral que mande uma força federal para 106 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 acompanhar o processo eleitoral e impedir que a compra de votos possa reinar naquele Município. Sr. Presidente, quero concluir dizendo que, no próximo dia 6, o Movimento dos Sem-Terra da Bahia vai comemorar 25 anos de luta. Mesmo hoje, depois de 25 anos, há 25 mil famílias acampadas, lutando pela reforma agrária, acreditando que há que se democratizar a terra para que centenas de milhares de pessoas tenham acesso à terra, desenvolvam sua produção, invistam na agricultura e melhorem a qualidade de vida das suas famílias. PRONUNCIAMENTOS ENCAMINHADOS PELO ORADOR Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, subo a esta tribuna para trazer a denúncia que recebi em Xique-Xique, na Bahia. De acordo com relatos do candidato a Prefeito, Dr. Ricardo, há um clima de forte tensão e violência na cidade, capitaneado por policiais militares que se licenciaram para a realização da segurança particular da campanha de eleição do candidato da Situação, Renan Braga, irmão do Deputado Estadual baiano Reinaldo Braga, que é tio do atual Prefeito da cidade. Os relatos de violência vão desde a coerção de militantes de Oposição a ameaças ao trabalho da imprensa. Dois jornalistas são diuturnamente ameaçados durante o trabalho de cobertura das eleições de Xique-Xique, sendo necessário que um deles, pertencente à rádio comunitária Cactus, saísse da cidade para que sua integridade física fosse garantida. Os relatos ainda denunciam o poder que o sargento Hélio Andrade, um dos policiais militares licenciados e que estaria realizando segurança particular para a 107 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 campanha da Situação, sobre o restante da polícia da cidade, coagindo militantes da Oposição e apreendendo instrumentos de campanha. Diante desta situação e como Deputado Federal, vou pedir para que o Tribunal Superior Eleitoral verifique imediatamente as denúncias. É preciso ainda que seja enviado ao Município de Xique-Xique força de segurança federal para que a violência seja coagida e as eleições possam acontecer dentro dos trâmites democráticos, conforme reza a nossa Constituição Federal. Sr. Presidente, solicito a V.Exa. que divulgue este pronunciamento pelo programa A Voz do Brasil e demais meios da Casa. Muito obrigado. Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, na próxima quinta-feira, 6 de setembro, o MST estará completando 25 anos de fundação na Bahia, a partir do surgimento do assentamento 40/45, no Município de Prado, no Extremo Sul da Bahia. Naquela data, em 1987, 600 famílias de trabalhadores e trabalhadoras rurais iniciaram uma jornada de luta que permanece 25 anos depois com um número expressivo de novos pequenos agricultores, com um único objetivo: a implantação da reforma agrária, e com ela o desenvolvimento socioeconômico do campo. O MST nasceu durante a realização do Primeiro Encontro Nacional, realizado entre os dias 21 e 24 de Janeiro de 1984, na cidade de Cascavel, Estado do Paraná. No Brasil começava, a partir desse primeiro encontro, uma trajetória de luta que hoje se espalha por 23 Estados brasileiros. Com a deliberação de massificar a luta, o MST se difundiu pelos Estados do Brasil, chegando à Bahia 3 anos depois. A reforma agrária, mais que uma bandeira, é a razão de viver desse movimento, que 108 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 reúne em seu bojo trabalhadores e trabalhadoras que querem justiça social e soberania alimentar. Na Bahia, a primeira ocupação do MST, composta por 600 famílias, foi feita em uma área da empresa multinacional Floriba. O Assentamento 40/45 foi o batismo da luta pela reforma agrária na Bahia. Uma luta que se estende até hoje. Que mobiliza não mais dezenas, mas milhares de famílias de trabalhadores rurais. Que desafia o agronegócio, o latifúndio, e luta pelo desenvolvimento no campo. Agora esse assentamento, como o próprio MST na Bahia, completa 25 anos. De lá para cá, o MST cresceu e se tornou referência da luta pela terra. Mais de 45 mil famílias já foram assentadas nesses 25 anos na Bahia. Contudo, existem pelo menos outras 25 mil famílias que vivem sob a lona preta dos barracos dos sem terras, à espera da reforma agrária. A reforma agrária é uma necessidade imperiosa não só para essas famílias que ainda vivem sob a lona preta, mas para o próprio desenvolvimento social do campo. Se hoje existem fortes motivos para se comemorar os 25 anos do MST na Bahia, a partir do seu ponto de partida, o Assentamento 40/45, ainda há muito por que lutar. E a luta pela reforma agrária é um direito de todo trabalhador do campo a um Brasil cada vez mais justo, onde a igualdade dos direitos seja respeitada, e as pessoas tenham o mínimo de condições e oportunidades para crescerem. Parabéns ao MST, que ao longo desses 25 anos soube capitalizar o sentimento de transformação social que se busca no campo e que vai de encontro aos anseios de milhares de famílias de trabalhadores e trabalhadoras rurais. Graças a essa luta, feita de persistência e muitas vezes de incompreensões, a reforma agrária, com todos os entraves e dificuldades que ainda enfrenta, vem se tornando 109 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 uma realidade cada vez mais presente na vida dos baianos que moram e vivem das atividades no campo. Lutar não é crime. E os que são a favor da reforma agrária lutam, antes de tudo, pelos direitos de todos aqueles que querem uma vida mais digna e contra as desigualdades sociais. Viva o MST! Viva a reforma agrária! Sr. Presidente, solicito a V.Exa. que divulgue este pronunciamento pelo programa A Voz do Brasil e demais meios da Casa. Muito obrigado. 110 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD88][CD89] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Paulo Feijó) - Com a palavra o Deputado Reguffe. O SR. REGUFFE (PDT-DF. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, quando tenho que criticar alguma coisa do Governo, tanto Federal quanto local, venho a esta tribuna, a este plenário. Na semana passada, critiquei a falta de policias nas ruas do Distrito Federal e esta explosão de sequestros-relâmpago. Agora, quando tenho que elogiar, tenho a obrigação com a minha consciência de também vir a este microfone. E quero elogiar este Governo por este mutirão de cirurgias que estão sendo realizadas no Distrito Federal. Considero[CD90] isso importantíssimo. Só no último final de semana, foram feitas 96 cirurgias de catarata. E estão previstas 16 mil cirurgias, segundo o programa publicado nos jornais, até julho do próximo ano. Então, considero positivo esse mutirão de cirurgias. Foi um pedido meu daquele microfone. Quero, portanto, parabenizar o Governo do Distrito Federal por essa medida. Muito obrigado, Sr. Presidente. 111 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD91][CD92] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. LUIZ CARLOS SETIM (DEM-PR. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, estamos usando esta tribuna para um desabafo. Fomos Prefeito de São José dos Pinhais, minha cidade natal, no Estado do Paraná, de 1997 a 2004, e agora Deputado Federal por 6 anos. Somos novamente candidato à Prefeitura de nossa cidade pelo Democratas, e fomos surpreendido, nesta semana, com uma reportagem da revista Veja, acusando-nos de algumas inverdades. Essa reportagem foi mal fundamentada e é errônea. Sem apurar os fatos, nem conversar conosco, a revista acabou cometendo um grande erro ao afirmar que nós usamos de informação privilegiada para comprar terrenos num bairro de nossa cidade. Esse bairro foi contemplado, em 1995, com o canal extravasor, que eliminou as cheias. Trata-se de um canal construído paralelamente ao Rio Iguaçu, que divide São José dos Pinhais e a Capital do Paraná, Curitiba. Nós assumimos a Prefeitura em 1997, e o canal foi feito em 1995. Por isso, não houve nenhuma informação privilegiada na aquisição de terrenos naquela localidade. Se[CD93] nós o adquirimos, nós o fizemos dentro da legislação, com escritura pública registrada e declarada no Imposto de Renda. O título da matéria diz que nós obtivemos um lucro de 12 milhões de reais. A reportagem deixou de considerar que esses valores referem-se ao volume geral da venda, definido pela Caixa Econômica Federal no Paraná, para estipular o valor do imóvel e liberar os empréstimos para os compradores dos apartamentos. 112 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 A matéria considerou como lucro o valor total avaliado pela Caixa Econômica. Mas esse foi um projeto construído em parceria, não foi feito por nós. O financiamento foi para o proprietário, para o morador, para aquele que, com sacrifício, obteve aprovação de crédito junto à Caixa Econômica. O Residencial Primavera foi um projeto lícito e certo, como foi lícita a nossa aquisição e declarada no Imposto de Renda. Ficamos preocupado com essa matéria, que nos prejudica sensivelmente, já que somos candidato à Prefeitura. E a revista não nos deu direito de resposta. Entramos com um pedido de direito de resposta na Justiça comum e de indenização por danos morais contra a revista Veja, bem como no Tribunal Regional Eleitoral, para que proíba a distribuição de panfletos com a divulgação dessa notícia, que é mentirosa e nos atingiu sobremaneira. Sr. Presidente, aqui fica o nosso desabafo e apelo aos cidadãos são-joseenses, que confiam em nós. Em nossa administração, por 8 anos, levamos o desenvolvimento econômico e social à nossa cidade, e agora somos candidato à Prefeitura novamente. [CD94] Nós acreditamos que a comunidade de São José dos Pinhais saberá avaliar aquilo que nós fizemos e os desmandos que estão sendo efetivados hoje na administração da nossa cidade. Fazemos um apelo, um desabafo, para dizer que nós acreditamos em você, eleitor de São José dos Pinhais, que nos conduzirá novamente à Prefeitura da nossa cidade, bem como conduzirá à Câmara de Vereadores os candidatos que fazem parte da nossa coligação. Dessa forma, nós teremos oportunidade de repetir as 113 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 administrações que fizemos junto com você, com as famílias, com as igrejas e com toda a comunidade. Por isso, Sr. Presidente, o nosso muito obrigado. O Sr. Paulo Feijó, § 2º do art. 18 do Regimento Interno, deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Inocêncio Oliveira, 3º Secretário. 114 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD95][CD96] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao último orador deste período, o ilustre Deputado Paulo Feijó, do Bloco PR do Rio de Janeiro. Em seguida, começaremos o Grande Expediente. O SR. PAULO FEIJÓ (Bloco/PR-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Deputado Inocêncio Oliveira, Sras. e Srs. Deputados, eu quero fazer o registro do falecimento, no dia 22 de agosto, do nosso sempre e já saudoso Deputado Flávio Palmier da Veiga. Flávio Palmier era um homem público de conduta totalmente ilibada, detentor de vários mandatos: foi Vereador do Município de Niterói, Deputado Estadual por seis mandatos e Deputado Federal por três mandatos. Ocupou vários cargos no Poder Executivo do nosso Estado. Era daqueles políticos que hoje estão em extinção. Dedicou-se, ao longo dos seus 80 anos de vida, à atividade pública. Foi uma dedicação integral. Palmier trabalhava muito e, em consequência desse reconhecimento, o eleitor comparecia às urnas. Portanto, foi um dos políticos que exerceu o maior número de cargos no Estado do Rio de Janeiro. Presto[CD97] esta homenagem a sua memória e peço a Deus que lhe dê o devido descanso, tanto a ele quanto a sua família. Aproveito a oportunidade para enviar um abraço a seu filho, Fábio Palmier. No Brasil de hoje, infelizmente, aqueles políticos que se dedicam integralmente à atividade pública estão escasseando. O eleitor não está votando mais nos políticos por reconhecimento, e esses políticos com dedicação integral estão ficando sem espaço. Aproveito este momento para pedir aos eleitores que façam essa reflexão nas eleições de 7 de outubro. Vamos conhecer o candidato em quem vamos votar, 115 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 vamos conhecer a sua história, de onde veio, o que pensa, qual é o seu idealismo, a sua família. Isso é importante para melhorarmos a qualidade da representação política brasileira. O eleitor reclama da classe política brasileira, mas a cada eleição consegue votar pior. É importante chegarmos a esta conclusão e, no dia 7, contribuirmos efetivamente para a melhoria da qualidade da representação nas Câmaras de Vereadores e nas Prefeituras Municipais. [CD98] Sr. Presidente, foi publicada neste final de semana, no Município de Campos dos Goytacazes, região norte do Estado do Rio de Janeiro, uma pesquisa realizada pela Rede Globo de Televisão, através da sua afiliada Inter TV Planície, que aponta a Prefeita Rosinha Garotinho com 63% das intenções de votos, o segundo colocado com 11% e o terceiro colocado com 9%. Isso quer dizer que, com os votos válidos, a Prefeita Rosinha detém 74% do eleitorado do Município. Isso quer dizer o quê? Quer dizer que ela deverá ganhar no primeiro turno das eleições com certa folga. É o voto do reconhecimento. No político que trabalha o eleitor vota. E a Prefeita Rosinha, que já é considerada a melhor Prefeita da história do Município de Campos dos Goytacazes, tem hoje todo esse reconhecimento. Com certeza, obterá uma votação consagradora, fruto do excelente trabalho que vem desempenhando. O dinheiro dos royalties, quando bem aplicado, traduz-se em melhor qualidade de vida para o povo de Campos. A nossa cidade reconhece esse trabalho. O eleitor campista, o povo campista está com a sua autoestima bastante elevada. E tudo isso será traduzido na votação consagradora da nossa Prefeita Rosinha Garotinho, que vencerá, com certeza, com muita folga, por reconhecimento, as eleições do próximo dia 7 de outubro. Muito obrigado. 116 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD99][CD100] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Passa-se ao V - GRANDE EXPEDIENTE 117 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD101][CD102] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Sobre a mesa o Ofício nº 391, de 2012, do Sr. Presidente da Mesa Diretora do Congresso Nacional: “Sr. Presidente, comunico a V.Exa. e, por seu alto intermédio, à Câmara dos Deputados, que esta Presidência, em entendimento com essa Casa Legislativa, convoca sessão solene do Congresso Nacional, a realizar-se no dia 10 de setembro do corrente, segundafeira, às 10 horas, no Plenário do Senado Federal, destinada a comemorar o centenário de nascimento de Augusto do Prado Franco, que se completará no dia 4 de setembro de 2012. Atenciosamente, Senador José Sarney Presidente da Mesa Diretora do Congresso Nacional” A correspondência foi dirigida ao Deputado Marco Maia, Presidente da Câmara dos Deputados. 118 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD103][CD104] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Marcio Bittar. O SR. MARCIO BITTAR (PSDB-AC. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, antes de iniciar a leitura do meu pronunciamento, manifesto daqui o meu repúdio às palavras proferidas pelo Deputado Fernando Ferro, do qual fui colega no mandato parlamentar de 1999 a 2003, em relação a Fernando Henrique Cardoso, chegando ao ponto de usar a palavra “demência” sobre artigo que escreveu e foi publicado nos jornais de circulação nacional. Acho que foi, além de mal-educado, grosseiro. Sei bem como funciona o velho grupo stalinista dentro do PT. Imagino que a cúpula petista deve ter dado uma ordem a Fernando Ferro para vir aqui combater o artigo, mas ele não precisava, ao fazer a crítica ao artigo, usar palavras dessa natureza sobre um homem que governou o Brasil, acima de tudo com espírito republicano, como fez Fernando Henrique Cardoso. [CD105] Imagine, Sr. Presidente, se eu fosse usar esse mesmo tipo de palavreado para falar de um homem que, depois de governar o Brasil por 8 anos, disse que ia usar todo o seu poder para fazer com que o mensalão fosse apagado da história, como Stalin conseguiu apagar da história, na época da União Soviética, vários personagens da fotografia. O ex-Presidente, aquele que proferia a frase “nunca antes na história deste País” — porque nunca antes na história deste País houve um mensalão daquele tamanho —, disse, logo depois de 8 anos de governo, que ia se dedicar, como fez, a tentar dizer ao Brasil que o mensalão não existiu. E o Supremo Tribunal Federal está provando que ele existiu e foi o maior caso de corrupção institucionalizada já ocorrido no Brasil. 119 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Imagine se eu fosse utilizar as mesmas palavras que Fernando Ferro utilizou agora há pouco, desta tribuna. Então, manifesto daqui o meu repúdio à forma maldosa, no mínimo, com que ele mencionou Fernando Henrique Cardoso. Sr. Presidente, venho hoje a esta tribuna para fazer um balanço do início do segundo semestre, da 2ª Sessão Legislativa desta Legislatura, para fazer uma retrospectiva do que foi, na minha ótica, a atuação do Congresso Nacional nesse período. A Legislatura começou com grandes esperanças e grandes temas: a reforma política e a reforma tributária, o novo Código Florestal e a redivisão dos royalties do petróleo explorado na plataforma continental. Eram esses, entre outros, os desafios que o Congresso deveria enfrentar. Entretanto, a crise econômica mundial tornou-se o centro das discussões políticas. É inegável que o País passa por um período delicado, causado pela crise econômica, e não tem apresentado soluções concretas para o enfrentamento dessa mazela. O Governo petista herdou o País das mãos do PSDB, que deixou um legado memorável de estabilidade monetária, de sustentabilidade financeira, de responsabilidade fiscal e de competitividade da economia. A[CD106] estabilidade econômica gerou o perfil de um Brasil diferente, em que as remarcações de preços foram banidas das preocupações diárias das famílias brasileiras. A vida passou a ser mais bem planejada, e a inflação deixou de corroer a renda dos trabalhadores e dos assalariados. Entretanto, a despeito da herança bendita recebida pelo PT, hoje o Brasil apresenta sinais que causam apreensão. Os indicadores econômicos são 120 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 preocupantes, e até agora não se ouviu do Governo ou da Presidente nenhuma explicação para a deterioração rápida da nossa economia. E o mais grave: nenhuma medida mais contundente foi proposta pelo Governo para o enfrentamento da crise, demonstrando uma inércia preocupante que o impede de negociar a tão necessária reforma tributária com o Congresso Nacional. O próprio Ministro da Fazenda, que apostava em um crescimento de 5% da economia brasileira, já admite que este ano o Brasil crescerá num índice menor do que os 2,7% do ano passado. A própria Presidente Dilma Rousseff tem afirmado não enxergar luz no fim do túnel para a crise europeia. Foi uma forma de dizer que, por aqui, a escuridão também deve preocupar. Na outra ponta, a perda da competitividade do setor industrial é alarmante. Segundo a Confederação Nacional da Indústria, as empresas brasileiras trabalham em média treze mais que as concorrentes estrangeiras somente para pagar impostos. Não podemos esquecer que a cobrança de vários impostos nas diversas etapas da cadeia de produção inibe os investimentos e aumenta os preços para o consumidor. Com isso, a produção industrial brasileira tem acumulado pesadas quedas nos últimos meses. As[CD107] ações necessárias para resgatar a capacidade de competição da indústria brasileira são conhecidas: precisamos de maior investimento na educação, inovação e infraestrutura. O Brasil investe menos de 2% do PIB em infraestrutura — um terço do que é gasto na China e no Chile e metade do que é investido na Índia. Enquanto isso, o País assiste à deterioração nos aeroportos, estradas, hidrovias, ferrovias, portos, que são instrumentos fundamentais para uma indústria e um Brasil fortes. 121 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 A reação do Governo a esse engessamento foi o anúncio de um novo pacote de concessões para destravar obras já prometidas com pompa e circunstância em outras oportunidades. É um pacote que já chega atrasado, diante das demandas brasileiras, e busca ser a solução para a crônica ineficiência do Governo petista. Sempre tão criticada pelos ideólogos do petismo, a privatização de rodovias, ferrovias e portos é, em diversas situações, solução necessária para um país refém de gargalos de todo tipo na área da infraestrutura. E o Governo poderia fazer muito mais do que tem feito para ampliar os investimentos públicos e estimular os privados, verdadeiras alavancas do crescimento sustentado e duradouro. Na área do saneamento básico, bastaria desonerar as empresas estaduais que respondem pela quase totalidade dos investimentos no setor, uma das promessas de campanha esquecidas pela Presidente. A medida resolveria a contradição de as empresas terem que pagar ao Governo Federal quase o mesmo volume de recursos que têm para investir. Isso em um país em que somente 37% do esgoto são tratados, em que metade da população não conta com rede de coleta, em que, dentre as cem maiores cidades, somente seis tratam mais de 80% de seus efluentes. O que há neste novo pacote é, mais uma vez, apenas um cesto de boas intenções, que joga no lixo da história o dogma ideológico petista que tanto retrocesso causou ao País nos últimos anos. Resta esperar para ver se o Governo Dilma terá competência para fazer o que o PT nunca conseguiu em todos esses anos. É preciso enfrentar o apagão gerencial que o Governo impôs ao País. Nós do PSDB sempre consideramos a Parceria Público-Privada como um grande avanço 122 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 para vencer mazelas logísticas do País e retirar a indústria nacional da UTI em que se encontra. [CD108] O mais grave, no próprio Plano de Investimentos em Logística, é que, mais uma vez, o Governo petista vira as costas para o Norte e para o Nordeste. Os recursos só estão destinados para rodovias no Sudeste e no Centro-Oeste, num total de 42 bilhões de reais, enquanto o Norte e o Nordeste foram totalmente excluídos. Só há uma rodovia do Nordeste nesse Plano, e ela começa no Porto de Salvador, na Bahia, mas toma o rumo de Vitória, no Espírito Santo. Ou seja, o Norte e o Nordeste continuaram sem um projeto de logística e de escoamento de sua produção, malgrado os sacrifícios feitos pelos Estados amazônicos, que preservam suas florestas e ficam marginalizados em qualquer projeto de investimento governamental. O grande problema do Governo do PT é que ele copia mal as propostas do PSDB, e isso tem um alto custo para o desenvolvimento do País. É necessário que o Governo petista aja mais, pois as únicas respostas encontradas até agora foram tributação e gastos com o custeio da pesada máquina pública. Os gastos públicos são exagerados em razão do modelo perdulário que foi adotado nos últimos 10 anos, em que a estrutura da administração pública é loteada entre os partidos que oferecem apoio político ao Governo. No Governo petista, a carga tributária foi para 35,8% do Produto Interno Bruto, representando um crescimento de 12,37% entre 2002 e 2008. O aumento de impostos e a incidência de várias taxas sobre uma mesma base reduzem a atração de investimentos, inibem a internacionalização de empresas e elevam os preços para o consumidor. 123 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O Governo brasileiro tem insistido na estratégia de aumento do consumo, julgando, de forma absolutamente equivocada, que a curva ascendente verificada nos últimos anos poderia durar para sempre. Sem cuidar dos investimentos e dos empreendimentos privados, o Governo esqueceu-se dos limites de endividamento do consumidor, e hoje as vendas no comércio apontam sério refluxo. Ora, Governos podem errar, o que não se admite é a insistência nesses erros, sem dar ouvidos aos alertas sobre a exaustão do modelo adotado. A pedra de toque na promoção dessa ciranda irresponsável de consumo e endividamento é a política de redução do IPI e o maior acesso ao crédito para a compra de automóveis, em uma prática deliberada de incentivo ao uso da gasolina, em detrimento do uso do etanol, provocando o aumento do uso do combustível fóssil, lotando as ruas e aumentando a poluição. E isso tem custado caro ao contribuinte e ao Tesouro brasileiro. A renúncia fiscal que beneficiou o setor automobilístico já chega a 27 bilhões de reais. O que poderia ser usado para financiar a contribuição do etanol está sendo usado para financiar o consumo da gasolina. Mas, continuando uma postura de “dicotomia política”, a Presidente Dilma lançou, com grande pompa, um selo de certificação de boas práticas na produção da cana-de-açúcar. Ora, Sr. Presidente, para continuar a política de etanol, deve haver mais que simples cerimônias. Os investimentos estão parados, os canaviais não são renovados. O etanol brasileiro está sucumbindo diante de uma política errada e imediatista do Governo, de segurar artificialmente os preços da gasolina para combater a inflação, como se fazia, aliás, durante o período da ditadura militar, em 124 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 que os preços públicos, as tarifas públicas eram naturalmente congeladas como uma forma de administrar a inflação. Por[CD109] um lado, o Brasil sedia a Rio+20 e lança medidas quiméricas de sustentabilidade; por outro, estimula o consumo de combustíveis fósseis, a qualquer preço, sem nenhum condicionamento de natureza ambiental, enquanto promove o desmantelamento da PETROBRAS. O primeiro plano de negócios divulgado pela atual Presidente da PETROBRAS, Graça Foster, não deixa margem para qualquer dúvida: o desempenho da estatal vem retrocedendo desde que o PT chegou ao poder, em 2003. O aparelhamento partidário e a péssima administração da empresa têm causado prejuízos que se refletiram na Bolsa de Valores de São Paulo. Se, em março de 2012, a PETROBRAS valia 311 bilhões e 700 milhões de reais, em junho ela passou a valer 242 bilhões e 200 milhões de reais, resultando em uma perda de 68 bilhões e 800 milhões de reais para os acionistas. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, não custa lembrar que, sob a batuta de Fernando Henrique Cardoso, com a flexibilização do monopólio da PETROBRAS, uma atuação firme da Agência Nacional do Petróleo e a realização de leilões anualmente, o Brasil viu sua produção de petróleo crescer em 150%. Hoje, ao contrário, sabemos que a área explorada sob concessão será reduzida para 114 mil quilômetros quadrados no final de 2012, em razão da falta de novos leilões, o que deverá comprometer ainda mais a produção futura de petróleo no País. Com[CD110] isso, fica cada vez mais distante o sonho da autossuficiência na produção de petróleo, alardeada aos quatro ventos pelo ex-Presidente Lula, no afã de eleger sua candidata. Os números falam por si: a importação de gasolina, por 125 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 parte do Brasil, passou de 9 mil barris diários em 2010 para 80 mil, de acordo com as estimativas previstas para este ano. Esta tem sido a natureza desta Legislatura: medidas atabalhoadas do Governo para evitar o desastre econômico que se avizinha, muita propaganda enganosa e uma reiterada atitude de desrespeito ao Parlamento. Nós Parlamentares somos submetidos a verdadeiras avalanches de medidas provisórias e dificilmente conseguimos votar um projeto de iniciativa do Congresso Nacional. Enfim, quando conseguimos discutir e votar um projeto de grande relevância para a sociedade, como foi o caso do Código Florestal, a Presidente da República manifesta-se com o veto a 12 pontos fundamentais do projeto original e mais 31 modificações, em uma clara afronta à independência do Parlamento. Ao vetar pontos do novo Código Florestal, engessando a produção agrícola brasileira, a Presidente baseou-se no “interesse social”. A Presidente desconhece, certamente, que a produção de alimentos é de alto interesse social. Ora, se a segurança alimentar do povo brasileiro não for de interesse social, o que será? O mote de propaganda do Governo Federal é o “combate à miséria”. Como a Presidente pretende combater a miséria do povo brasileiro? Lançando a produção agrícola no limbo da insegurança jurídica e importando feijão, arroz, mandioca para mitigar a fome do brasileiro? Este é o Governo dos dois pesos e das duas medidas. Ao mesmo tempo em que lança projetos de combate à crise econômica baseados no consumo e faz discursos em favor da produção, isenta de IPI automóveis movidos a combustíveis fósseis e faz pirotecnias junto aos ecologistas, mantendo engessado o pequeno 126 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 produtor rural. Está no momento de o Governo conectar o discurso à realidade. Este é o maior desafio que este Governo terá de enfrentar. A realidade é que o País não tem projeto. Responde estritamente às emergências, institucionalizando o regime do improviso. Acumulamos um semnúmero de medidas paliativas, quando a hora exige reformas profundas, corajosas, estruturais, capazes de remover os entraves ao desenvolvimento. Da[CD111] mesma forma, a gestão administrativa experimenta a omissão governamental. O País enfrentou uma onda de greves de servidores públicos federais desde o dia 18 de junho. Cerca de 500 mil trabalhadores ficaram parados, em 22 Estados da Federação, mais o Distrito Federal. São servidores da FUNASA, professores e funcionários de hospitais universitários federais e servidores da Secretaria Especial de Saúde Indígena, do banco de dados do Sistema Único de Saúde (DATASUS) e do Ministério da Saúde, entre tantos outros. Além disso, ainda não foi apresentada uma proposta definitiva aos professores das universidades federais que ponha fim aos mais de 100 dias de greve. Diante de pedidos legítimos dos servidores públicos, como a aprovação de reajustes anuais e a realização de concursos públicos, o Governo demonstrou sua incapacidade de negociação e uma inegável truculência, o que é surpreendente em um governo dominado por um partido dos “trabalhadores” que, nos Governos anteriores, mantinha uma feroz posição em favor da recuperação das perdas salariais desses mesmos servidores. A realidade é que o impasse prejudicou e ainda prejudica milhões de brasileiros, que sofrem com a falta de serviços públicos básicos. 127 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Curiosamente, enquanto as greves ecoavam em todo o País, o Sr. Vagner Freitas, Presidente da CUT, braço sindical do partido que dirige o Governo Federal, em seu 11º Congresso, preferiu discutir o processo do mensalão, emitindo ameaças aos Ministros do Supremo Tribunal Federal caso o julgamento não resulte em sentenças que inocentem os acusados. O Sr. Vagner segue os passos do seu líder, Lula, que não se envergonha em tentar pressionar os Ministros do STF na busca da absolvição dos seus amigos mensaleiros. Este é o exemplo pronto e acabado do modelo de democracia adotada pelo PT, em que não há limites para impor a vontade do partido, desrespeitando o Legislativo ou o Judiciário. Otto von Bismarck já advertia — entre aspas: “Um grande Estado não pode ser governado com base nas opiniões de um partido”. [CD112] Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Brasil se apequena diante dos desmandos e das posições ditatoriais impostas pelo partido governista, e o Parlamento brasileiro precisa resgatar a sua história, criando uma pauta que pense mais no País e menos na perpetuação de um partido no poder. Da nossa parte, nós do PSDB estaremos prontos para defender os princípios e valores democráticos, tendo como símbolos os grandes baluartes da redemocratização que, neste plenário, sustentaram a bandeira da liberdade, como Ulysses Guimarães, Franco Montoro, Tancredo Neves e Mário Covas. E estamos preparados para defender os ideais do PSDB em Rio Branco, com o nosso candidato Tião Bocalom, que irá transformar a Capital do Acre com um novo modelo de gestão pública, privilegiando o cidadão e permitindo que as diversas forças políticas convivam sem medos ou ameaças. A marca do nosso Governo em Rio Branco será a da tolerância. 128 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Bocalom é um candidato totalmente ficha limpa, sem processos judiciais, mas é, principalmente, um candidato com grande experiência administrativa e que certamente saberá combater as mazelas que atingem a sofrida população de Rio Branco. O Sr. Domingos Sávio - V.Exa. me permite um aparte, nobre Deputado Marcio Bittar? O SR. MARCIO BITTAR - Com muita honra. O Sr. Domingos Sávio - Prezado Deputado Marcio Bittar, quero cumprimentá-lo por esse brilhante pronunciamento em que V.Exa. faz um balanço, faz uma reflexão do momento político que vivemos, em que algumas máscaras estão caindo. V.Exa. traz primeiro, com muita propriedade, a preocupação com as dificuldades que enfrentam os produtores rurais em todo o Brasil, com o descaso do Governo, que, sempre diante de um grito da indústria automobilística ou dos bancos, acode. E quase sempre fazendo cortesia com o chapéu das Prefeituras e dos Estados, porque reduz um imposto que não é só do Governo Federal, o IPI, sacrificando ainda mais as Prefeituras. [CD113] Se não bastasse isso, ignora o caos em que está se transformando esse setor que sempre sustentou o nosso País, o da agricultura e da pecuária, que emprega a maioria dos brasileiros. Embora vivamos hoje a realidade de um país que caminha para ser concentrado nos grandes centros, com as populações indo para as cidades, é o meio rural que nos alimenta a todos e garante o superávit da balança comercial, exportando alimentos para o mundo inteiro. Mas V.Exa. foi mais fundo: V.Exa. alertou o País para a queda da máscara; V.Exa. alertou o País para o que temos vivido, e não é de agora. Já no passado, quando se dizia — e aqui na Casa do povo brasileiro — que havia uma quadrilha 129 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 estruturada para roubar o País e ferir de morte a democracia, houve aqueles, e o próprio Presidente da República, que disseram: “O mensalão não existe, não existe essa articulação orquestrada de corrupção e de compra de apoio”. Agora não é nosso partido, agora não é a Oposição. Agora é o Supremo Tribunal Federal, com boa parte dos Ministros nomeados pelo próprio ex-Presidente da República, aquele que disse que não havia mensalão, que agora condena. E condena em boa hora, para que a impunidade acabe no nosso Pais, para que os chefões possam pagar realmente pelos seus crimes. Infelizmente, isso não significa que as coisas melhoraram. Infelizmente, o fato de o Supremo estar punindo, já determinando a condenação daqueles que mais uma vez mancharam a honra deste Parlamento e do País, envolvendo-se com corrupção e desvio de dinheiro público, fazendo tráfico de influência. Insisto[CD114] em dizer que, infelizmente, a nossa CPI está tendo dificuldade de investigar a fundo uma empresa que é a maior prestadora de serviços do Governo Federal, a maior prestadora do PAC, que não começou agora, do qual a Presidente da República era considerada a mãe. E já naquela época essa empresa era a grande contratada. Tenho em mãos um relatório que mostra que mais de 400 milhões de reais foram investidos em empresas que comprovadamente são empresas laranja, empresas fantasmas. Deputado Marcio Bittar, quando V.Exa. faz um pronunciamento brilhante, V.Exa. se fundamenta na verdade. E a máscara está caindo. Não é só o julgamento do mensalão. A CPI, no princípio, tinha contornos claros de querer pressionar e, de alguma forma, até fazer uma verdadeira fogueira da Inquisição contra nosso partido, tentando culpá-lo da existência do crime organizado para o jogo ilegal, coisa que, infelizmente, existe no Rio de Janeiro, em São Paulo, Minas Gerais, aqui no Distrito Federal. Jogo ilegal, máquina caça-níquel. 130 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 E aí, de repente, é o Governo do PSDB. Mas CPI você sabe como começa e não sabe como termina. E hoje, diante daquilo que o Governo queria, que era nos achincalhar, fica claro que a empreiteira Delta e as seus empresas laranja estão ligadas ao Governo Federal. É preciso investigar o caminho do dinheiro. Concluo dizendo que V.Exa. dá uma grande contribuição ao País ao colocar essas verdades. A máscara está caindo. E isso não basta. Hoje mesmo vamos votar uma medida provisória — à qual somos a favor — para ajudar as famílias mais carentes na área da educação. Mas e os 10% do PIB para a educação, que nós lutamos para aprovar aqui? Veio a base do Governo e colheu assinaturas para tirar a matéria de pauta. E os 10% para a saúde, que o Governo não deixou aprovar? Parabéns a V.Exa. por ajudar o País a enxergar a verdade. [CD115] O SR. MARCIO BITTAR - Eu é que agradeço a V.Exa. Já mencionava hoje, meu querido colega das Minas Gerais — e repito isto sempre no meu Estado —, copiando a frase do ex-Presidente: “Nunca antes neste País se bolou um plano tão ousado como aquele do mensalão”. Sr. Presidente, ainda usando o tempo que me resta, quero dizer que ontem, segunda-feira, amanheci o dia — e V.Exa. é de Pernambuco, também é do interior — no Município de Jordão, que tem um dos dez piores IDH do Brasil, e à noite já estava em Brasília. É um choque amanhecer num Município em que as pessoas praticamente não possuem nada e, à noite, chegar a Brasília, que tem um dos dez maiores IDH do Brasil — se transformamos em Estado. É uma região em que, retiradas as cidades-satélites, o IDH é comparável ao dos melhores países do mundo. Então, no mesmo dia amanheço num Município do meu Estado em que as pessoas quase não têm nada e, à noite, estou em Brasília, onde as pessoas 131 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 praticamente possuem tudo o que a sociedade moderna produz e oferece às famílias. Sr. Presidente, costumo dizer — e quero repetir desta tribuna — que, na política, tenho um sonho, que é comungado no meu Estado por milhares de pessoas: eu sonho em ajudar a fazer com que o PSDB volte a governar o Brasil. Eu[CD116] tenho o sonho de ver um novo Presidente do PSDB governando o Brasil. E que esse homem, ao olhar para o Acre e para a Amazônia, não veja só floresta, mas, ao olhar para a nossa região, veja também, além da floresta, os homens e as mulheres que moram naquela região e que precisam melhorar de vida. Sonho com o PSDB voltando a governar o Brasil para olhar para a região que eu represento e não ver apenas eleitores, porque somos poucos, mas enxergar um Estado, o único do Brasil que lutou para ser brasileiro. Mas esse sonho não começará em 2014. Ele começa agora. No meu Estado, estou muito empenhado e com muita esperança de começar essa mudança pelas eleições municipais, ajudando a eleger um grande número de Prefeitos do nosso partido e dos partidos aliados, a começar por Bocalom, em Rio Branco, até vários aliados no interior do Estado. Queremos fazer a mudança municipal para dar o grande salto em 2014, elegendo o Governador do Estado e voltando a ter na Presidência do Brasil um Governo do PSDB. Sr. Presidente, muito obrigado. Era essa a nossa mensagem. 132 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD117] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O[CD118] SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Antes de passar a palavra ao segundo orador do Grande Expediente, concedo a palavra ao ilustre Deputado Afonso Florence, do PT da Bahia, para uma breve intervenção. O SR. AFONSO FLORENCE (PT-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, quero dar como lido pronunciamento em que destaco que a Presidenta Dilma lançou o Plano Nacional de Logística: Rodovias e Ferrovias, que terá a segunda etapa também com outros segmentos da logística, agora com 133 bilhões de reais. Serão feitas concessões, sem nenhuma venda de patrimônio público, com o preço da tarifa como referência fundamental, para garantia do interesse nacional e do interesse dos usuários, dos consumidores. [CD119]Meu Estado, a Bahia, foi contemplado com duas grandes intervenções: a duplicação da BR-101 e a construção da ferrovia Belo Horizonte-Salvador e, em seguida, do trecho de Salvador para o Nordeste. Uma grande medida. Somente o ambiente de crescimento econômico que o País vive permitiu o maior plano de logística... (O microfone é desligado.) PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, o Governo Federal lançou o Plano Nacional de Logística: Rodovias e Ferrovias. Este é o mais arrojado plano de investimentos em ferrovias e rodovias da história do Brasil. Para a primeira etapa, estão previstas intervenções em ferrovias e rodovias, enquanto para a segunda etapa, ainda maior, estão previstas concessões de portos e aeroportos. Com este conjunto de concessões, o Estado brasileiro pretende solucionar gargalos de infraestrutura que por décadas 133 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 vinham comprometendo o crescimento, a eficiência e a competitividade da economia brasileira. Somente o ambiente de crescimento econômico constituído pelos Governos do Presidente Lula e da Presidenta Dilma permitiu o lançamento de um plano desta envergadura. Vale registrar que, ao adotar o modelo de concessão, o Governo Federal convoca o setor privado a participar desta grande empreitada nacional, a construção da infraestrutura logística de que o Brasil necessita para continuar a crescer de forma cada vez mais competitiva. Serão concedidos 10 mil quilômetros de ferrovias e 7,5 mil quilômetros de rodovias, com investimentos estimados, para os próximos anos, de aproximadamente R$ 133 bilhões, sendo cerca de R$ 79,5 bilhões já nos primeiros 5 anos. A previsão é que sejam destinados R$ 42 bilhões para as rodovias e cerca de R$ 91 bilhões para as ferrovias. Sr. Presidente, o Estado da Bahia será contemplado, tanto no segmento ferroviário, quanto no rodoviário. No primeiro, com a construção das ferrovias Belo Horizonte-Salvador e Salvador-Recife, que recolocam o transporte ferroviário em lugar estratégico para a logística na Bahia e no Nordeste. No segundo, com a BR101, importante artéria que corta o Estado de norte a sul, com enorme fluxo de passageiros e de carga. Sr. Presidente, vale registrar que se soma aos benefícios a serem auferidos pela população com a utilização destes equipamentos o fato de que os investimentos realizados nessas obras repercutirão positivamente na economia nacional, que em decorrência das medidas adotadas pelo Governo da Presidenta Dilma vem sobrevivendo à crise mundial em curso. 134 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Consta ainda deste Plano, Sr. Presidente, a criação da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), que desenvolverá estudos, planejamento, coordenação, execução, fiscalização e administração de obras de infraestrutura de transporte ferroviário de alta velocidade e, especialmente, administrará os programas de operação da infraestrutura ferroviária de alta velocidade nas ferrovias outorgadas à EPL. O ineditismo deste Plano reside tanto na grande envergadura dos seus vultosos investimentos e na criação desta nova empresa, como, principalmente, no fato de que o sistema escolhido, de concessão, evita qualquer venda de patrimônio público e tem como parâmetro a oferta de menor tarifa pelas empresas concessionárias, o que combina a preservação do patrimônio nacional com os interesses mais imediatos dos usuários. Muito obrigado! 135 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD120][CD121] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao segundo orador do Grande Expediente, o ilustre Deputado Evandro Milhomen. S.Exa. dispõe de 20 minutos. Preferiu S.Exa. que fosse assim para que os colegas pudessem dispor de tempo também para fazer seus pronunciamentos. Agradecendo ao Deputado Evandro Milhomen, concedo a palavra a S.Exa. O SR. EVANDRO MILHOMEN (PCdoB-AP. Sem revisão do orador.) Obrigado, Sr. Presidente. Sras. e Srs. Deputados, faço aqui uma retificação ao Deputado Marcio Bittar: o Amapá também é um Estado que lutou para ser brasileiro, senão seríamos franceses. Guerreamos com os franceses para permanecer no Brasil. Sr. Presidente, quero utilizar este momento do Grande Expediente para falar principalmente de uma data importante para nós, o dia 5 de setembro, em que se comemora o Dia da Raça. [CD122] Registro isso para que possamos relembrar, neste País, os problemas enfrentados por negros, indígenas, ciganos e todos aqueles que estão no Brasil e se tornaram brasileiros. Lembro que houve uma luta no Congresso para a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, cuja sanção ocorreu em outubro de 2010. Foi uma luta incansável de vários companheiros e companheiras Parlamentares; da sociedade civil quilombola, que esteve presente nesta Casa, diversas vezes; das representações intelectuais; da população negra do País; dos magistrados, que fizeram com que pudéssemos concluir esse grande debate, que durou anos no Congresso Nacional. O Senador Paulo Paim, a então Ministra Matilde, o então Ministro Edson Santos, o então Ministro Eloi Ferreira e outros estiveram nessa luta, participaram dos 136 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 debates, do enfrentamento, com a sociedade civil e o poder público, para que pudéssemos, no mínimo, garantir à população negra os seus direitos. [CD123] Nós tivemos avanços importantes com esse Estatuto, que veio melhorar a lei que garante direitos à população negra, haja vista que, apenas de forma repressiva, tínhamos uma lei que representava o direito da população negra quando havia crime de racismo. Agora, não. Temos um Estatuto que propõe políticas públicas para atender as necessidades iminentes da população negra do nosso País. Nós temos uma população que foi, durante centenas de anos, discriminada, desvalorizada e que contribuiu muito para que nós chegássemos aonde chegamos hoje, em um País com a miscigenação que possui o Brasil, mas com a respeitabilidade daqueles que deram o suor, deram o sangue para que economicamente este País se posicionasse com a garantia de uma economia estável; uma população que veio trazida ao Brasil contra a sua própria vontade, mas que contribuiu muito para que tivéssemos uma manifestação cultural tão rica como temos, com nossa manifestação religiosa e a culinária que traz o sabor à mesa de todos nós, brasileiros, com a aparição da culinária negra. Ouço com prazer o Deputado Amauri Teixeira. O Sr. Amauri Teixeira - Meu Líder do PCdoB, a Vice-Prefeita de Salvador é do seu partido: Olívia Santana, uma mulher negra, de origem humilde, que sofreu as dificuldades dessa população. Em Salvador, hoje, está-se diante de um dilema positivo: ou se vota em um candidato que foi contra as quotas, em um candidato que está sendo contra a demarcação das terras quilombolas, que é o Sr. ACM Neto, que entrou com ações diretas de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal para inviabilizar esse avanço praticado pelo partido de V.Exa., praticado pelo nosso 137 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 partido — e Olívia faz parte dessa história —; ou[CD124] se vota em Nelson Pellegrino e Olívia Santana, que lutam pela afirmação, pela redução das desigualdades sociais e pela afirmação da igualdade de todos os brasileiros, com uma política afirmativa positiva, que o seu partido defende e que nós defendemos. Portanto, em Salvador, o PT e o PCdoB estão ombreados pela igualdade de todos os soteropolitanos e de todos os baianos na candidatura de Nelson Pellegrino e Olívia Santana. Muito obrigado. O SR. EVANDRO MILHOMEN - Obrigado, Deputado Amauri. Incorporo essa sua participação ao meu discurso. Quero dizer que V.Exa. tem muita razão com relação a isso, e a Bahia é o Estado com o maior número de população negra concentrada neste País. Também é verdadeira a relação que o PCdoB tem com o PT em toda a Bahia, com certeza, para eleger não só Olívia Santana e Nelson Pellegrino, mas também V.Exa., lá em Jacobina, que tem um parceiro nosso do PCdoB. E essa relação se repete em outros Municípios da Bahia. Isso demonstra claramente, Deputado Amauri, que essa faixa da sociedade, digamos assim, a burguesia retrógrada da nossa sociedade que lutou contra esse Estatuto, fez com que abríssemos mão de muitas coisas que estavam garantidas anteriormente, para que estabelecêssemos o início desta grande construção de política pública para a população negra do País. V.Exa. tem razão ao dizer que ficou definida no nosso debate a posição do Democratas contrária à demarcação das terras quilombolas, contrária à participação de negros nos meios de comunicação, contrária à quota universitária. 138 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD125] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Então, tudo isso é sinônimo de descaso da burguesia nacional em relação a uma população que contribuiu tanto e contribui até hoje com a sua formação intelectual e sua formação econômica e social. Nós precisamos dar, nesse dia 5 de setembro, a visibilidade necessária para esse Estatuto da Igualdade Racial, porque ele representa muito. No meu Estado, que tem uma população autodeclarada de 78,9% de negros e pardos, representa muito que tenhamos claramente as políticas públicas direcionadas a essa população, com mazelas e com problemas que são acumulados há anos, mas nem por isso há a sensibilidade daqueles que governam. A minha Capital, a cidade de Macapá, tem sido pouco representativa nas políticas públicas com relação à população negra. A população negra de Macapá, que circunda a Capital, está abandonada. Nós não temos políticas públicas claras de educação para a população negra das comunidades quilombolas. Nós não temos assistência social direcionada ao atendimento daqueles que estão abaixo da linha da pobreza. Nós não temos atendimento à saúde para a comunidade quilombola. Nós sabemos que a população negra sofre de anemia falciforme, mas nem por isso há sensibilidade por parte daqueles que governam de colocar à disposição dessa população atendimento médico, laboratórios para análise desse problema e, obviamente, tratamento. Nós temos um problema sério com aqueles quilombolas que moram nas comunidades em relação à agricultura familiar, pois não temos um programa direcionado a essa população, porque há ausência do poder público em levar aquilo que o Governo Federal já aplica em todas as comunidades. Nas comunidades 139 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 quilombolas ainda não temos essa atenção especial por parte daqueles que governam Macapá ou que governam o Estado. [CD126] Então, nós precisamos definitivamente tirar um exemplo claro de que, nesse debate da igualdade racial, não queremos mais, queremos apenas aquilo que é igual ou aquilo que é direito de oportunidade. A população negra não quer ser melhor que a população branca. Não é este o debate: ser negro ou branco, mas sim o de juntar claramente essas forças em favor daqueles que precisam mais e que sempre foram discriminados, sempre ficaram no segundo plano do poder público. Se não fosse a chegada do Presidente Lula ao poder, com a criação de políticas públicas como aquelas instituídas pelo Ministério da Igualdade Racial, não teríamos condições reais hoje de estar debatendo problemas como saneamento básico nas comunidades quilombolas, ou água potável para aquelas comunidades que ficaram sempre ausentes, durante centenas de anos, dessa política pública de saneamento público de água, esgoto e saneamento. Foi com o Governo Lula que isso começou. Foi lá que começamos a abrir os grandes debates. Grandes plenárias foram feitas em Brasília com a população negra para saber verdadeiramente qual a condição de cada Estado e de cada comunidade. É disso que precisamos. Amanhã, no Dia da Raça, precisamos ter capacidade de nos fazer entender ao conjunto da sociedade. Ainda se discrimina muito neste País. Às vezes, ouço de algumas pessoas que não há discriminação e não há racismo. Não é verdade. Há em qualquer lugar. Ocorre em momentos importantes, como, por exemplo, em um campo de futebol. O futebol é a manifestação mais popular e mais democrática deste País. Assim 140 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 mesmo, jogadores brasileiros ou que participam do Campeonato Brasileiro são achincalhados ou discriminados por membros de algumas torcidas. [CD127] Então, nós precisamos entender que, claramente, este País tem uma democracia plena, com direitos a serem garantidos. Nós temos também que dizer que precisamos levar aos Estados e Municípios as políticas públicas que estão estabelecidas no Governo Federal, para melhorar a vida das pessoas que estão nas cidades. Esta tem sido uma grande luta nossa, no meu Município, Macapá: fazer com que a população negra tenha educação de qualidade, possa acessar a universidade pública e tenha oportunidade de ir ao mercado de trabalho sem que o cidadão que a contrate peça dela o currículo com a fotografia, para saber se é negra ou se é branca. Que nós possamos acabar com essa discriminação velada, escondida, que existe e que não percebemos, mas está posta na hora em que necessitamos de um emprego ou na busca de uma vaga na escola ou em um atendimento de saúde. Está claro que há discriminação, sim, nesse atendimento. A população negra tem sido discriminada, tem sido vista de forma diferente, sim. Isso acaba fazendo com que tenhamos os problemas acumulados. Portanto, Sr. Presidente, esses são os grandes entraves que temos que debater. Quero aqui registrar a presença dos nossos agentes comunitários de saúde, que estão aqui nas galerias. Quero parabenizá-los porque são grandes homens e mulheres que tratam da saúde pública daqueles que estão lá na periferia, em invasões, nas favelas. Eles que chegam lá; a saúde pública que chega lá é essa, porque aquela saúde pública que foi construída neste País durante muitos anos só 141 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 atende aqueles que moram nos grandes centros, nos bairros mais ricos. São vocês que fazem a saúde pública, principalmente a preventiva. [CD128]Estão de parabéns todos os agentes comunitários de saúde deste País. Esses agentes comunitários de saúde precisam chegar às comunidades quilombolas, porque precisamos de um programa de saúde pública para atendimento à população negra. No meu Município, Macapá, o número de equipes do Programa Saúde da Família, ao invés de aumentar, diminuiu e não chega às comunidades, principalmente dos mais pobres, não chega à periferia de Macapá, que está abandonada quanto às políticas públicas. Precisamos governar de frente para essa periferia e não de costas, como tem sido feito até hoje, para que os problemas não cheguem ao centro. A saúde pública precisa chegar às comunidades quilombolas, porque lá estão as doenças tipicamente da população negra. Temos que ter a clareza de que, melhorando a vida das pessoas no local onde elas moram, vamos melhorar a sociedade. É dessa forma que vamos diminuir a violência; é dessa forma que vamos evitar que o tráfico de drogas corrompa aquele jovem que está abandonado pelas políticas públicas e fazer com que ele passe a ter direito à cidadania. Precisamos fazer e ampliar isso cada vez mais. O Governo Federal tem 9 mil programas de atenção à sociedade brasileira. Os Municípios precisam acessar esses programas na área da educação, da saúde, da geração de emprego e renda, de diminuição da pobreza. Infelizmente, quero ser aqui muito mais pragmático: Macapá ainda não conseguiu fazer isso. São problemas de décadas que estão acumulados naquele 142 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Município e que se acumulam cada vez mais. Temos que começar a fazer algo diferente. Nós[CD129] precisamos fazer algo que possa modificar a vida das pessoas. Não é mais da forma como tem sido feito: governando de forma contrária aos problemas. Nós temos que governar de frente para os problemas e tentar resolvêlos. A maioria deles está na periferia, está nas comunidades abandonadas. Nós precisamos enfrentá-los, para que tenhamos capacidade de ter uma Macapá muito mais bonita, muito melhor e, a partir daí, uma população como a nossa, que é de maioria negra e parda, possa ter os seus direitos garantidos. Para isso é que existe a política pública. A política pública está onde as pessoas estão morando, onde as pessoas estão acomodadas. Se não fosse assim, não existiria política pública, não existiria gestão pública. E nós temos que fazer, claramente, uma ação direta em favor da população periférica do País, do Estado do Amapá, do Município de Macapá e em favor da população negra, que precisa ser bem representada. Que amanhã seja um dia importante para nós, para os negros do Amapá, para os negros de Macapá, para os negros deste País. A mudança necessária virá. E nós teremos uma população mais igualitária, uma população mais bem servida. Muito obrigado, Sr. Presidente. 143 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD130][CD131] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Para uma breve intervenção, concedo a palavra ao ilustre Deputado Décio Lima, do PT de Santa Catarina. O SR. DÉCIO LIMA (PT-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, eu quero trazer a V.Exa. e a esta Casa, como lido, um pronunciamento acerca dos resultados fantásticos do programa Caminho da Escola, que foi lançado na época pelo Governo do Presidente Lula, em 2007. Trago aqui compilados os números e os resultados que impactaram positivamente a educação brasileira. Era isso, Sr. Presidente. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados: “Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”. Essa frase do grande educador Paulo Freire nos convida a uma reflexão acerca da importância da educação na vida de um povo, de uma sociedade, do mundo. É somente através dos bancos escolares que as nossas crianças estarão aptas a crescerem não só no tamanho, mas, principalmente, no intelecto. Com essa visão de que a educação é o caminho para um futuro de transformações, o Governo Federal lançou, em 2007, ainda no Governo do ex-Presidente Lula, um programa para garantir a presença da criança nas salas de aula, o Programa Caminho da Escola. O programa tem como objetivo a renovação da frota de veículos escolares, além de oportunizar outros meios de transporte para que as nossas crianças 144 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 possam chegar à escola, como bicicletas, implantadas em 2010, e embarcações, cujo início foi em 2011. Com esses reforços no transporte escolar, estaremos garantindo segurança e qualidade no traslado dos estudantes; contribuindo para a redução da evasão escolar; e ampliando, por meio do transporte diário, o acesso e a permanência na escola dos estudantes matriculados na educação básica. O programa também tem como premissa a padronização dos veículos de transporte escolar, a redução dos preços dos veículos e o aumento da transparência nessas aquisições. O Caminho da Escola consiste na aquisição, por meio de pregão eletrônico para registro de preços realizado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação — FNDE, de veículos padronizados para o transporte escolar. Os Estados e Municípios podem participar do programa de três maneiras: através de recursos próprios, bastando aderir ao pregão; via convênio firmado com o FNDE; ou por meio de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social — BNDES, que disponibiliza linha de crédito especial para a aquisição de ônibus, bicicletas e embarcações novas. Para complementar o Caminho da Escola, foi criado o Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar — PNATE. O PNATE destina recursos ao custeio de despesas com os transportes escolares como reformas, seguros, licenciamentos, impostos e taxas, pneus, serviços de mecânica, elétrica e funilaria, recuperação de assentos, combustível e lubrificantes do veículo ou da embarcação utilizada para o transporte de alunos. Abrange, também, o pagamento de serviços contratados junto a terceiros para o transporte escolar. 145 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Os investimentos no Programa Caminho da Escola têm sido significativos. Desde 2008, quando foram realizadas as primeiras licitações para aquisição de veículos escolares, foram entregues 15.136 ônibus, 113.086 bicicletas e 677 embarcações, produzidas pela Marinha, em todo País. Somente em 2011, os investimentos no Caminho da Escola totalizaram R$380 milhões. Para este ano de 2012, os recursos devem fechar em mais de R$858 milhões, sendo R$600 milhões para a aquisição de 3 mil ônibus escolares; R$62,6 milhões para a aquisição de 200 mil bicicletas e 200 mil capacetes; e R$196 milhões para a aquisição de 800 lanchas escolares. Segundo dados do Ministério da Educação, em Santa Catarina, o Programa Caminho da Escola já contemplou o Estado, de fevereiro de 2008 a maio de 2012, com 654 ônibus, no valor de mais de R$111 milhões, e 887 bicicletas, com recursos da ordem de R$235 mil. Um total de 133 Municípios catarinenses foi selecionado, através de emenda parlamentar da bancada de Santa Catarina no Congresso Nacional, coordenada por este Deputado, para receber ônibus do Programa Caminho da Escola. Esses ônibus já estão no Estado, no pátio do DNIT — Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, em São José, na Grande Florianópolis, aguardando cronograma de entrega aos Municípios, que será coordenado pelo Governo do Estado. Diante de tamanhos investimentos para que as nossas crianças possam chegar até a escola, temos a plena certeza da importância da educação no Governo da Presidenta Dilma Rousseff, não só através do Programa Caminho da Escola, mas também de tantos outros que estão sendo desenvolvidos. Somente através da educação é que será possível propiciar um futuro com desenvolvimento pleno, 146 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 focado no crescimento sustentável e nas transformações que nossa sociedade tanto anseia. Era o que tinha a dizer. Muito obrigado. 147 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD132][CD133] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Para uma breve intervenção, concedo a palavra ao ilustre Deputado Emiliano José, do PT da Bahia. O SR. EMILIANO JOSÉ (PT-BA. Pela ordem Sem revisão do orador) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, há uma operação fadada ao fracasso no País: aquela que se destina a separar o Presidente Lula da Presidenta Dilma. É uma operação que tem unido a velha mídia, que se acredita a encarnação da oposição política, e a oposição política propriamente dita. Essa operação tenta ignorar o fato de que o mandato da Presidenta Dilma é o terceiro mandato de um mesmo projeto político, projeto preferido do povo brasileiro desde 2002, quando elegeu o tão alvejado Lula, Luiz Inácio Lula da Silva. O último lance dessa operação foi um artigo do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso que, para além dos componentes freudianos, de seu impressionante mal-estar diante do sucesso do Governo Lula e do não menos impressionante fracasso de sua administração à frente do País, pretendia não só atacar Lula como, ao mesmo tempo, tentar demonstrar que Dilma vinha tentando consertar os erros de seu antecessor. Deu com os burros n’água. Foi buscar lã e saiu tosquiado. A Presidenta Dilma, para surpresa de quantos na oposição acreditam-na apenas uma pessoa de enorme capacidade técnica, uma grande gerente, de grandes qualidades administrativas, e infensa à política, revelou o quanto são ignorantes os que pensam dessa maneira, e o quanto se iludem os que acreditam na hipótese de separá-la de Lula. FHC recebeu a resposta que merecia e vale a pena registrá-la aqui: 148 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 “Citada de modo incorreto pelo ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo publicado neste domingo, nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, creio ser necessário recolocar os fatos em seus devidos lugares. Recebi do ex-Presidente Lula uma herança bendita. Não recebi um país sob intervenção do FMI, ou sob ameaça de apagão. Recebi uma economia sólida, com crescimento robusto, inflação sob controle, investimentos consistentes em infraestrutura e reservas cambiais recordes. Recebi um país mais justo e menos desigual, com 40 milhões de pessoas ascendendo à classe média, pleno emprego e oportunidade de acesso à universidade a centenas de milhares de estudantes. Recebi um país mais respeitado lá fora graças às posições firmes do ex-Presidente Lula no cenário internacional. Um democrata que não caiu na tentação de uma mudança constitucional que o beneficiasse. O exPresidente Lula é um exemplo de estadista. Não reconhecer os avanços que o país obteve nos últimos dez anos é uma tentativa menor de reescrever a história. O passado deve nos servir de contraponto, de lição, de visão crítica, não de ressentimento. Aprendi com os erros e, principalmente, com os acertos de todas as 149 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 administrações que me antecederam. Mas governo com os olhos no futuro.” É provável que FHC tenha confundido educação, fineza, modos civilizatórios demonstrados pela Presidenta Dilma para com ele com a omissão diante da agressão feita a Lula. Acreditava talvez que a Presidenta ficasse calada ou, ingenuamente, se embevecesse com os eventuais afagos do seu texto. Não se ataca um projeto político, social, econômico, cultural que está mudando o Brasil tão profundamente de modo impune, sobretudo se se pretendia uma espécie de adesão tácita de quem, neste momento, comanda tal projeto. Não, a Presidenta sabe que está seguindo um rumo iniciado com o Presidente Lula, sabe-se herdeira de tantas lições, como disse, sabe o roteiro a seguir, e que não se diferencia no essencial daquilo que fora feito durante os 8 anos do Governo Lula. É evidente que seu Governo é seu Governo, tem a sua marca, as suas características, na administração e na política. E isso também desmente as irresponsáveis acusações feitas durante a campanha presidencial, que a davam como incapaz de fazer as coisas por si mesma. Demonstrou toda sua capacidade, seu tirocínio, sua visão ampla do mundo e do Brasil, e o povo a reconhece como sua grande liderança, da mesma forma que ocorreu com Lula durante os 8 anos em que governou. E a Presidenta Dilma sabe, e disse que só pode estar fazendo a extraordinária administração que está realizando pelo fato de ter recebido uma herança bendita, como bem disse no seu texto, na sua dura resposta ao exPresidente Fernando Henrique Cardoso. O Governo FHC foi um desastre, uma hecatombe para o País. Foi no governo dele que o Brasil viveu a pior estagnação econômica da história como consequência 150 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 da política de juros exorbitantes, cujas consequências atingiram principalmente a qualidade de vida do povo brasileiro. Ninguém quer ouvir conselhos de um ex-Presidente como FHC, que vendeu de modo irresponsável as principais empresas estatais brasileiras a preço de banana, quebrou o País três vezes, aprofundou as desigualdades sociais e regionais. Chega a ser ridículo pretenda o ex-Presidente dar lições a quem quer que seja, sobretudo perorar sobre o extraordinário Governo do Presidente Lula. No Governo FHC, o patrimônio público foi alienado a preços irrisórios, como já se disse, a dívida pública foi triplicada como proporção do PIB. O País rastejava, subserviente, diante do FMI, a quem se recorreu frequentemente. Até hoje não explicou a compra de votos para a sua reeleição, não se explicou a defesa da ALCA, a aproximação estreita com políticos neoliberais da América Latina, que levaram os povos à miséria. Nós, todos nós, do PT e dos partidos aliados, queremos Lula em nosso palanque. É sempre uma honra recebê-lo. Nós o queremos e o povo quer. Continua a ser o maior líder popular de nossa história. Compreendem-se as dores freudianas de FHC, inconformado com o fato de esse retirante ter-se tornado também uma liderança mundial respeitada. Mas, e FHC: ninguém me ama, ninguém me quer. Ninguém o chama para palanque, nem os tucanos, que o preferem longe, e calado se possível. Tivesse ficado calado, enfiado a viola no saco, como o aconselharam seus amigos tucanos, não teria recebido a resposta dura que recebeu. A Presidenta Dilma sempre o tratará com educação e respeito. Mas agora ele sabe a avaliação, que ele deveria pressupor como óbvia, que ela tem do Governo e do Presidente Lula. É a mesma que tem o povo brasileiro, que o mantém em seu coração com muito carinho. 151 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD134][CD135] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Para uma breve intervenção, tem a palavra o ilustre Deputado Sibá Machado. O SR. SIBÁ MACHADO (PT-AC. Pela ordem. Sem revisão do orador) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna para homenagear a equipe econômica da Presidenta Dilma Rousseff. O Comitê de Política Monetária — COPOM, em sua última reunião, seguindo a série histórica de redução de taxa de juros, tirou mais 0,5%. Estamos hoje com a menor das taxas registradas desde a criação da SELIC. De cara, Sr. Presidente, isso leva a uma redução do custo da dívida pública em 10 bilhões de reais para cada 1% reduzido da taxa SELIC. Com isso, o Brasil está hoje preparadíssimo para fazer crescer sua economia e avançar ainda mais em distribuição de renda. Parabenizo o Ministro Guido Mantega, a Presidenta Dilma e toda equipe do Governo. 152 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD136][CD137] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Ronaldo Benedet. Em seguida, falará a Deputada Íris Araújo, PMDB, Goiás. O SR. RONALDO BENEDET (PMDB-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho à tribuna desta Casa para deixar marcado que solicitaremos ao Ministro da Agricultura, que vai nos receber amanhã, e também ao Ministro da Economia uma atenção especial para o setor da avicultura, notadamente para os pequenos frigoríficos de abate com foco na exportação de frango, uma vez que o Brasil é o maior exportador de frango do mundo e Santa Catarina é o maior exportador de frango do Brasil. O setor já vinha com uma dificuldade bastante grande em relação ao preço do frango em virtude da crise internacional e do dólar baixo. Melhorou o dólar, veio a situação da seca nos Estados Unidos e o consequente aumento do preço do milho no mercado internacional, que aumentou mais de 50%, com cotação na bolsa de Chicago. Nós temos milho no Centro-Oeste, especialmente no Mato Grosso. E Santa Catarina, que é o Estado maior consumidor de milho em relação a sua produção, não produz nem a metade do que consome, porque tem o maior número de aviários e uma suinocultura muito forte. Há ainda o consumo de milho pela produção de leite. Portanto, o Estado de Santa Catarina precisa de milho que vem do Centro-Oeste, cuja distância é bastante grande, aumentando o custo da produção do frango, que já atingiu quase 50% neste ano e tem um valor relevante no índice de inflação. [CD138] Quero, da tribuna desta Casa, levantar uma questão fundamental: a logística de transportes no Brasil. Temos uma deficiência de transporte ferroviário e 153 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 rodoviário, que está colocando em crise um País que tem superprodução. O milho está no Mato Grosso a céu aberto. Temos dificuldade de levar para os portos, para exportação, e para os Estados consumidores esse grão tão importante na conversão, para transformar em carnes que são consumidas especialmente no mercado interno e também exportadas, gerando riqueza. Por isso, precisamos da atenção especial do Governo para os pequenos abatedouros, pequenos frigoríficos de Santa Catarina e do Brasil, que passam por uma crise ainda maior, porque não são grandes, não são cooperativas, e precisam da proteção do Governo, pois geram riquezas e empregos para o nosso País, garantem nosso abastecimento e também a exportação de qualidade desse produto. Muito obrigado. 154 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD139][CD140] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra à ilustre Deputada Íris de Araújo, do PMDB de Goiás. S.Exa. dispõe de 3 minutos na tribuna. Em seguida, concederei a palavra ao Deputado Paulo Magalhães. A SRA. ÍRIS DE ARAÚJO (PMDB-GO. Pela ordem. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ocupo a tribuna, na tarde de hoje, para lembrar um triste e lamentável episódio ocorrido há 25 anos, quando Goiânia protagonizou o maior acidente radiológico do mundo, que ficou conhecido como a tragédia devastadora do Césio 137. No[CD141] dia 13 de setembro de 1987, os catadores de papel Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves encontraram um aparelho usado para o tratamento de câncer e o venderam a um ferro-velho. Devair Alves Ferreira, dono do ferro-velho, rompeu a cápsula de césio a céu aberto e expôs ao ambiente 19,26g de cloreto de césio 137, ficando encantado com o pó que emitia um brilho azul no escuro. Nessa época, o mundo ainda se recuperava do desastre causado por um vazamento na usina nuclear de Chernobyl, na antiga União Soviética, ocorrido 1 ano antes. “O brilho da morte”, entre aspas, como o césio foi chamado por Devair, primeira pessoa a entrar em contato direto com o elemento, que fez centenas de vítimas. O próprio Devair morreu 7 anos depois da tragédia. A menina Leide das Neves Ferreira, de apenas 6 anos de idade, encantada com o azul incandescente da pedra de Césio 137, espalhou o produto pelo seu corpo e também ingeriu pedaços do radioisótopo. Leide acabou morrendo no dia 23 de outubro de 1987, e o seu enterro virou uma briga judicial. Ela foi sepultada em um caixão de chumbo, lacrado, para que a radiação não fosse transmitida, sob vaias e 155 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 pedradas de um povo revoltado, pois muitos acreditavam que ali estava a desgraça trazida no encanto de um brilho azul. Após o desastre, os trabalhos de descontaminação produziram 13,4 toneladas de lixo radioativo entre roupas, utensílios, plantas, animais, restos de solo e materiais de construção. Tudo isso foi armazenado em cerca de 1.200 caixas, 1.900 tambores e 14 containers, guardados em um depósito construído na cidade de Abadia de Goiânia, a 24 quilômetros da Capital — e lá deve ficar por pelo menos 180 anos. A tragédia está completando 25 anos e muitas pessoas ainda necessitam de ajuda por causa da contaminação radioativa. Na comunidade científica internacional, o Césio 137 é conhecido como o maior acidente radiológico do mundo, diferentemente de Chernobyl que é tido como o maior acidente radioativo do planeta. Durante uma audiência pública no Senado Federal, que aconteceu em março de 2011, destinada a debater o Programa Nuclear Brasileiro e a segurança das nossas usinas, o Diretor de Radioproteção e Segurança Nuclear da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Laércio Vinhas, afirmou que não existe perigo e que a diretoria em que ele está trabalhando realiza anualmente inspeções para verificar as condições de armazenamento do material radioativo referente ao Césio 137. “Posso assegurar que o depósito está em perfeitas condições. Há uma série de barreiras entre o material radioativo e o meio ambiente.” Em outubro de 2009, o Governo do Estado de Goiás em parceria como Governo Federal lançou a pedra fundamental do Museu do Césio 137, a ser construído no local onde a cápsula de Césio foi aberta. 156 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O artista plástico Siron Franco foi escolhido para projetar o memorial. Ele, que é goiano, tem uma ligação particular com o bairro onde ocorreu a tragédia, pois passou sua infância, adolescência e acompanhou tudo de perto. Infelizmente, o projeto ficou apenas na intenção. Mas ainda está em tempo. Peço às autoridades competentes que retomem esse projeto, que construam o Museu do Césio. Não podemos permitir que essa tragédia fique apenas na memória daqueles que perderam seus entes queridos ou daqueles que convivem com as sequelas oriundas da contaminação com o Césio 137. Encerro minhas palavras lembrando o poeta Mário de Andrade que disse: “O passado é lição para refletir, não para repetir”. Era o que tinha a dizer. Muito obrigada. 157 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD142][CD143] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Paulo Magalhães, do PSD da Bahia. Em seguida, terá a palavra a Deputada Benedita da Silva. O SR. PAULO MAGALHÃES (PSD-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no dia 4 de setembro comemora-se o aniversário do Senador Antônio Carlos Magalhães. Se vivo estivesse, o Senador Antônio Carlos completaria hoje 85 anos — 85 anos de luta pela Bahia e pelos baianos. Eu, representante do povo baiano, mas principalmente seu amigo, tenho a obrigação de vir a esta tribuna exaltar as qualidades desse líder nacional, que fez do seu ideário de vida servir à Bahia, aos baianos e ao Brasil, e marcou a história com sua luta incansável para fortalecer o Nordeste, a Bahia e os baianos. Antônio Carlos colocou a Bahia entre os Estados mais respeitados da Federação. Neste dia, sinto-me extremamente feliz em vir a esta tribuna homenagear esse grande líder. Essa homenagem que hoje faço é a homenagem que os baianos todos gostariam de fazer a esse grande homem que passou e entrou de uma vez para sempre no coração do povo da Bahia. Muito obrigado, Sr. Presidente. 158 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD144]O[CD145] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra à ilustre Deputada Benedita da Silva, do PT do Rio de Janeiro. A SRA. BENEDITA DA SILVA (PT-RJ. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, destaco nesta tarde a importância de votarmos hoje a Medida Provisória nº 570, de 2012, que beneficia os inscritos no Programa Brasil Carinhoso e nos traz a oportunidade de respaldar o Governo Federal numa iniciativa louvável. O programa foi lançado no primeiro semestre deste ano pela Presidenta Dilma Rousseff com a intenção — todos nós sabemos — de aumentar os benefícios daquelas famílias que possuem renda per capita de até 70 reais. É importante apoiarmos este projeto, porque temos visto nesta Casa, várias vezes, certa oposição que não cabe em meio à crise internacional. Uma crítica, uma consideração política, entendemos que é da prática da democracia. Mas temos que pensar, sobretudo, numa multidão de pessoas que ainda necessitam, no nosso País, de uma renda mínima para sustentar sua família. [CD146] Por isso, o recente relatório apresentado em parceria com o UNICEF e a Campanha Nacional pelo Direito à Educação apontou que, para incluir todas as crianças e jovens brasileiros na escola, seria necessária a ampliação de recursos para a área. Ao votarmos a favor dessa medida provisória, estaremos, sem dúvida, colaborando para este nosso atual desafio, que é a inclusão das nossas crianças nas escolas. Nesta medida provisória, não cabe, segundo meu pensamento e meu sentimento, uma grande disputa entre a Oposição e a Situação, mas que haja 159 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 realmente uma unidade em favor do Brasil, em favor das famílias, em favor das nossas crianças, em favor da nossa juventude. Muito obrigada. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELA ORADORA Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero destacar a importância de votarmos hoje a Medida Provisória nº 570, de 2012, que estende benefício àqueles inseridos no Programa Brasil Carinhoso, lançado no primeiro semestre deste ano pela Presidenta Dilma. A intenção do Governo é aumentar o benefício daquelas famílias que atualmente possuem renda per capita de até R$70. Os recursos vão ampliar o acesso à educação infantil e creches públicas, o que é fundamental para que nossas crianças, desde pequenas, desenvolvam um aprendizado com qualidade. As ações desenvolvidas pelos Ministérios da Educação e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome garantem que nossos pequenos tenham segurança alimentar, aquisição de materiais didáticos e pessoal e uma boa estrutura nas instalações. Recentemente, um relatório realizado em parceria do UNICEF com a Campanha Nacional pelo Direito à Educação apontou que para incluir todas as crianças e jovens brasileiros na escola seria necessário a ampliação de recursos para a área. Ao votarmos em favor desta MP, vamos colaborar para nosso atual desafio, que é a inclusão das crianças e dos jovens na escola, a garantia de ensino de 160 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 qualidade, com professores capacitados e bem remunerados e instalações com boa infraestrutura. Esses investimentos servirão de estímulo para que as famílias matriculem seus filhos na escola. Ainda de acordo com relatório publicado pelo UNICEF, cerca de 1,5 milhão de crianças entre 4 e 5 anos estão fora das escolas brasileiras. O Brasil Carinhoso veio para mudar esse quadro, reforçando a transferência de renda e proporcionando o aumento de vagas nas creches federais. Com mais uma política pública, o Governo Federal tem mostrado que o Brasil Carinhoso chegou para priorizar as famílias que se encontram na linha da pobreza, a fim de erradicar a desigualdade e promover a inclusão social, permitindo que as crianças brasileiras tenham acesso facilitado às escolas. Muito obrigada. 161 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD147][CD148] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Esperidião Amin. O SR. ESPERIDIÃO AMIN (PP-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ocupo a tribuna para registrar, com muita satisfação, a aprovação, hoje, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, por unanimidade, do projeto de lei que reapresentei, que humaniza e racionaliza a questão dos pedágios nas rodovias federais. Quero agradecer a todos os Parlamentares que superaram divergências de orientação partidária, ou dúvidas pessoais, e praticaram esse gesto em benefício do povo brasileiro e do Governo. [CD149] A Presidente Dilma Rousseff anunciou, há pouco mais de duas semanas, que doravante, nas concessões, não haverá cobrança de pedágio por tráfego urbano. Infelizmente, remanescem casos absurdos. Quero registrar que o acordo consagrado hoje na Comissão de Constituição e Justiça prevê três atendimentos: primeiro, se não há alternativa, que o dono do veículo emplacado no Município onde está a praça de pedágio, no seu perímetro urbano, na área urbana principalmente, seja dispensado do pagamento; são concedidas ao concessionário e à ANTT duas outras possibilidades: a construção de uma via alternativa ou a transferência da praça de pedágio para o limite do Município ou da área conurbada, em caso de conurbação. Dessa forma, Sr. Presidente, se V.Exa. me permite, gostaria de agradecer a todos os Parlamentares presentes na reunião. Este projeto tinha sido apresentado pela Deputada Ângela Amin — já tinha sido aprovado em várias Comissões. Retomamos sua tramitação, e confio que seja aperfeiçoado, sim, até porque o 162 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Governo, de maneira inteligente, atendendo a determinação da Presidente Dilma Rousseff, também considera que não podemos cobrar pedágio em rodovia federal, incidindo sobre o tráfego urbano. Resta-me agradecer, portanto, e esperar que em breve, no Senado, o projeto seja aperfeiçoado e aprovado. Muito obrigado. 163 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD150][CD151] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Amauri Teixeira. O SR. AMAURI TEIXEIRA (PT-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, primeiro, quero me somar ao bom e sábio Esperidião Amin, primo do meu Vice, em Jacobina. O SR. ESPERIDIÃO AMIN - Que fortalece muito V.Exa. O SR. AMAURI TEIXEIRA - Em Camaçari, onde há uma experiência dessas, Esperidião, a população reclama uma via alternativa. Concordo com V.Exa. Quero me somar a sua posição. Segundo, Sr. Presidente, convido todos os Deputados para uma reunião hoje, às 17h30m, na sala 7, da Comissão de Seguridade Social e Família, com os agentes comunitários de saúde, quando discutiremos uma alternativa definitiva para fixar o piso salarial de duas categorias importantes: agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. O Ministro Padilha, comprometido com a categoria, propôs a criação de um fundo tripartite para garantir o piso salarial nacional dos agentes comunitários de saúde. Acredito que encontraremos uma solução. Vamos definitivamente estabelecer o marco regulatório para valorizar e profissionalizar essa categoria, além da desprecarização do vínculo trabalhista. A partir do momento em que fixarmos um patamar realista, estimulante, haverá maior desempenho, maior profissionalização dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias, que já prestam um grande serviço à população brasileira, à população baiana, especialmente à população de Jacobina. Muito obrigado, Sr. Presidente. 164 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD152][CD153] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Fernando Marroni, do PT do Rio Grande do Sul. O SR. FERNANDO MARRONI (PT-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ouvintes e telespectadores, há 190 anos, Dom Pedro I, às margens do Riacho Ipiranga, proclamava a independência do Brasil, com o famoso grito “Independência ou morte”. A partir desse marco, nossa independência se consolidou ao longo de 190 anos da história brasileira. Penso que, nesses últimos 8 anos, 10 anos, pudemos, também, comemorar avanços importantes na independência brasileira, principalmente nossa libertação do Fundo Monetário Internacional, que possibilitou ao País um projeto autônomo, soberano de desenvolvimento socioeconômico. Esse fato, que tem orgulhado a todos nós, brasileiros, levou esta Nação a ser hoje a sétima economia do mundo, com perspectiva de, logo, logo, ser a quarta ou quinta maior economia do mundo, com distribuição de riquezas, com igualdade, com solidariedade, sempre na busca da resolução dos problemas dos mais necessitados. [CD154] Portanto, ser independente hoje é poder ter acesso à casa própria, é poder equipar sua casa, é poder trocar a geladeira, é poder comprar um fogão novo, é poder comprar um automóvel, é poder colocar o filho na universidade, é poder ver seus filhos bem assistidos numa pré-escola, numa creche, é poder ter crédito para consumo interno. Essa independência ajuda a suprir as necessidades básicas da nossa população. Portanto, a semana do 7 de Setembro, quando comemoramos nossos 190 anos de independência, deve ser motivo de muito orgulho para todos nós, 165 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 brasileiros, para todos nós, classe trabalhadora, que lutamos por dias melhores para o Brasil. Muito obrigado, Sr. Presidente. 166 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD155][CD156] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Sibá Machado, do PT do Acre. O SR. SIBÁ MACHADO (PT-AC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, queria voltar ao assunto do início da tarde de hoje — eleições municipais. O artigo escrito pelo ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, respondido à altura pela Presidenta Dilma, nos leva à seguinte reflexão: o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo está perdendo muitos pontos, está caindo, foi mal no debate, perdeu-se, não apresentou nada de novo e caiu de moda. Isso é uma tendência natural das pesquisas eleitorais. Entendo que o artigo escrito pelo ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso trata de criar um fato para tentar melhorar o quadro eleitoral do candidato José Serra, em São Paulo. Imagino[CD157] também que ele não aceita em hipótese alguma o sucesso do Governo do Presidente Lula e, agora, o sucesso do Governo da Presidenta Dilma. O nosso Brasil não era respeitado no campo da política internacional, vivia dificuldades no campo financeiro, com injustiça social, concentração de renda, concentração do direito ao conhecimento, à escolaridade, ao acesso à universidade e a tantas coisas boas. Isso nos leva a acreditar que o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso não aceita esse tipo de coisa. Então, o assunto foi para esse campo. Acredito que aquele artigo foi muito bem respondido pela Presidenta Dilma, mas, se quiserem debater politicamente, vamos ao debate político. O que imaginamos é que cai a série histórica do PSDB no Município de São Paulo. Acredito fortemente que o segundo turno se dará entre o Russomanno e o 167 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 candidato do PT, ex-Ministro Fernando Haddad. Isso muda muito o quadro da política no Brasil. Um resultado como esse gera fortíssimas mudanças no quadro político brasileiro pós-2012. E nós aguardamos esperançosos, já que sou da Região Norte, da Amazônia, que esse seja o resultado das eleições 2012. Sr. Presidente, mais uma vez quero dizer que essa série histórica da SELIC — importante conquista da economia brasileira — faz com que o Brasil esteja hoje no rumo certo, para que possa reduzir a taxa de juros ao número mais baixo desde a criação da SELIC. Acho[CD158] que todos nós, da bancada do PT, vamos brindar esse sucesso até o dia 7 de outubro. Muito obrigado. 168 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD159][CD160] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. ROGÉRIO PENINHA MENDONÇA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. ROGÉRIO PENINHA MENDONÇA (PMDB-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, obrigado pelo espaço. Gostaríamos de fazer referência ao que estamos vivendo hoje na política brasileira. Ao percorrermos Municípios do Estado de Santa Catarina, temos visto uma verdadeira Torre de Babel: coligações com todos os partidos, sem coerência e sem definições ideológicas. Por isso, Sr. Presidente, cada vez mais vemos a necessidade de uma reforma política neste País. Há partidos demais, partidos sendo negociados — e muitas vezes não é possível demonstrar à opinião pública o que está por trás dos bastidores nessas negociatas. Além do mais, Sr. Presidente, há necessidade da coincidência das eleições. Tudo deve ficar no mesmo período. Sou contra a reeleição. Mudanças precisam ocorrer nesse sentido, até porque os Prefeitos que concorrem nessa condição têm uma vantagem muito grande. Há necessidade do financiamento público de campanha. São[CD161] mudanças que esta Casa tem que fazer urgentemente. Quando comecei meu mandato nesta Casa, falou-se na reforma política e dizia-se que no primeiro ano ela já haveria de acontecer. Ainda não aconteceu. Tenho medo que — vamos completar 4 anos de mandato, e novamente nada vai acontecer — continuemos com essa Torre de Babel, sem definição alguma, pois é o que estamos vivendo na política brasileira. Obrigado, Sr. Presidente. 169 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD162] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Para uma breve intervenção, concedo a palavra ao ilustre Deputado Antonio Imbassahy. O SR. ANTONIO IMBASSAHY (PSDB-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, em relação ao pronunciamento do Deputado Sibá Machado, quero dizer que o Presidente Fernando Henrique disse a verdade. Ninguém pode negar que a Presidente Dilma demitiu vários Ministros legados do exPresidente Lula, e a própria Presidente batizou aquelas demissões como faxina moral. Ninguém pode negar. Ninguém pode negar que o ex-Presidente Lula, em 8 anos de mandato, não produziu uma reforma estruturante sequer. Ninguém pode negar. Ninguém pode negar o descalabro que foi a administração da PETROBRAS, cujo Presidente foi demitido pela Presidente Dilma por incompetência. Ninguém pode negar. E ninguém pode afrontar a decisão da Suprema Corte, que acaba de condenar líderes políticos e empresários por falcatrua, formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro e outros crimes. O que eu quero dizer é que ninguém pode negar essas coisas e afrontar a Corte Suprema. O fato é o seguinte, Sr. Presidente: a verdade dói. 170 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD163][CD164] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Para uma breve intervenção, concedo a palavra ao ilustre Deputado Arnaldo Faria de Sá. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, eu queria registrar que é apresentada como uma grande vantagem para os aposentados e pensionistas a antecipação da metade do 13º salário, mas isso não é vantagem nenhuma. O dinheiro é deles. Estão antecipando e mostrando, com o chapéu alheio, alguma conquista. O mesmo ocorre com esses empréstimos consignados, que simplesmente iludem os aposentados. Na verdade, acabam sendo uma faca de dois gumes e um prejuízo muito grande. Nós temos é que votar a alteração do fator previdenciário. Essa modificação é fundamental. A culpa não é só do Governo, não, é desta Casa também, que tem que votar alguma coisa. Aqui parece só haver filho de chocadeira, que não tem pai nem mãe. Precisamos corrigir essa distorção. Precisamos votar também o projeto de lei, que está pronto para ser votado, sobre a recuperação das perdas de aposentados e pensionistas. Isso é que precisa ser votado. Enquanto esta Casa fica discutindo voto aqui e voto ali, não vota o essencial. Isso é o que esta Casa precisa votar. Muito obrigado. 171 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD165][CD166] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado André Moura, para uma Comunicação de Liderança, pelo PSC. S.Exa. dispõe de 5 minutos. O SR. ANDRÉ MOURA (PSC-SE. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, os que estão acessando a Internet e as redes sociais e sintonizando a Rádio e TV Câmara em todo Brasil, em especial a população do Estado de Sergipe, a quem me orgulho de aqui representar, ocupo este espaço na tarde de hoje para parabenizar a família Franco, que hoje comemora em Sergipe o centenário de nascimento do ex-Governador, ex-Senador e exDeputado Federal Dr. Augusto Franco. E aqui faço um breve resumo da trajetória brilhante desse cidadão, que foi um verdadeiro divisor de águas no desenvolvimento do Estado de Sergipe. A família Franco tem sua linhagem iniciada no ano de 1759, através do Coronel de Japaratuba, Albano do Prado Franco (I), ainda na época do Brasil Império. Foi somente na quarta geração que o Dr. Augusto do Prado Franco casou-se com Virgínia Leite Franco, Dra. Gina, filha, mãe e esposa de Senador, com quem teve Albano (ex-Presidente da CNI, ex-Deputado Estadual, ex-Senador, exGovernador de Sergipe, ex-Deputado Federal) Walter (ex-Deputado Estadual e empresário da Rede Atalaia de Televisão, com grande participação na luta pela redemocratização do País), Amélia (servidora aposentada do Tribunal Regional do Trabalho de Sergipe), Augusto César (empresário e sócio da TV Sergipe — já falecido), Antônio Carlos (ex-Deputado Federal da Constituinte e ex-Prefeito do Município de Laranjeira, Diretor da Usina Pinheiro — já falecido), Marcos 172 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 (empresário de sucesso), Maria Clara, Osvaldo (atual Diretor-Presidente da Usina Pinheiro) e Ricardo (empresário da indústria têxtil). Graduou-se em Medicina em 1937 pela Faculdade de Medicina da Bahia, com curso de Otorrinolaringologia no Hospital São Francisco de Assis, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Descendente de uma família cujo poderio advinha da indústria do açúcar, dirigiu a Usina Central Riachuelo, duas fábricas de tecido e uma empresa agropecuária. Com o tempo, expandiu seus negócios para o ramo das comunicações ao fundar a Rádio Atalaia, a TV Atalaia e o Jornal da Cidade em Aracaju. Presidente do Sindicato dos Produtores de Açúcar de Sergipe (1963-1969), foi também delegado da Confederação Nacional da Indústria. Augusto Franco foi eleito Deputado Federal, em 1966, e Senador, em 1970. Preterido por José Rollemberg, quando o Presidente Ernesto Geisel escolheu o novo Governador de Sergipe, em 1974, foi escolhido Governador pelo próprio Geisel, em 1978. Caros colegas de Parlamento, vale lembrar que, em novembro de 1979, o Congresso Nacional aprovou projeto restaurando o pluripartidarismo, e nisso o Dr. Augusto ingressou no PDS, o novo partido governista. Renunciou ao mandato por ocasião das eleições de 1982 e foi eleito para o seu segundo mandato de Deputado Federal com a maior votação proporcional do País. Foi aclamado Presidente do PDS em meio à crise deflagrada com a renúncia do Senador José Sarney. Seu último ato político foi a filiação ao PFL, visto que não disputou a reeleição em 1986. Com o passar dos anos, assumiu a Presidência da Fundação Augusto Franco. O ex-Governador é lembrado pelas obras estruturantes, que mudaram a vida dos sergipanos. O Dr. Augusto Franco construiu milhares de casas populares — 173 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 incluindo o conjunto que leva o seu nome na Zona Sul da Capital — e centenas de quilômetros de estradas principais e vicinais asfaltadas. Entre suas obras, estão também as adutoras — entre elas a Adutora do São Francisco, inaugurada, em 1982, pelo então Vice-Presidente da República, Aureliano Chaves, que considerou que aquela obra valia por um Governo, assim como escolas, prédios públicos, inclusive os primeiros do Centro Administrativo, no Bairro Capucho — e outras obras e serviços, atendendo aos reclamos de todos os Municípios sergipanos. Parlamentares que aqui se fazem presentes: o Dr. Augusto Franco morreu em Aracaju, aos 91 anos, em 15 de dezembro de 2003, deixando um legado que deve servir de referência a todos os governantes que lograrem êxito no comando do meu querido Estado. Abro[CD167] um parêntese para, com saudosismo, lembrar que era adolescente na época em que ele governou Sergipe. Tomei como fonte bibliográfica para este discurso meu pai, o conselheiro Reinaldo Moura, hoje Corregedor-Geral do Tribunal de Contas de Sergipe, que me disse ser a maior marca de Dr. Augusto Franco o cumprimento da palavra assumida. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a esse ilustre sergipano rendo minhas homenagens e, para tanto, sou o autor do Requerimento nº 5.556/2012, para a convocação de sessão solene em homenagem ao centenário do Dr. Augusto do Prado Franco. E, atendendo ao pedido do Senador Eduardo Amorim, faremos essa homenagem no dia 19 de novembro próximo, no Senado Federal, onde tenho absoluta certeza de que será um fato grandioso para entendermos mais do 174 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 brilhantismo deste cidadão, pai, político e, acima de tudo, um homem digno, que servirá de referência para muitas e muitas gerações. Portanto, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, deixo neste momento meu eterno agradecimento a esse ser que tem em seu legado a força de querer o melhor para seu povo. Dr. Augusto Franco é um exemplo de homem público, um exemplo de empresário de sucesso, um exemplo que dignifica muito a todos nós sergipanos. Tenho certeza de que hoje o Estado de Sergipe está muito feliz com a comemoração do centenário do Dr. Augusto Franco, como eu já disse anteriormente, médico, ex-Deputado Federal, ex-Senador, ex-Governador do Estado de Sergipe, que revolucionou o nosso Estado, revolucionou o seu tempo até os dias atuais. Todos nós, sergipanos, nos orgulhamos muito de ter como conterrâneo o cidadão que marcou a história no seu tempo e que faz história até hoje chamado Augusto Franco, pai do ex-Governador e ex-Deputado Federal por Sergipe Albano Franco, um sergipano que engrandece muito o nosso Estado. Sr. Presidente, solicito que meu pronunciamento seja amplamente divulgado pelos órgãos de comunicação da Casa. Era o que tinha a dizer. Muito obrigado. 175 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD168][CD169] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Para uma breve intervenção, concedo a palavra ao Deputado Laercio Oliveira. O SR. LAERCIO OLIVEIRA (Bloco/PR-SE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, eu gostaria de me somar neste momento ao meu colega Deputado André Moura pelo discurso proferido tão brilhantemente. Quero fazer minhas as palavras de S.Exa. quando se refere à pessoa ilustre que foi o sergipano Augusto Franco. Hoje é o dia do seu centenário de nascimento. Está acontecendo um seminário lá em Sergipe. Ex-Governador, Deputado Federal, médico, tudo o que já foi dito aqui no pronunciamento do Deputado André Moura reflete perfeitamente a figura desse homem público importante para o Estado de Sergipe e para o restante do Brasil. O Dr. Augusto Franco é pai do nosso querido amigo e também Deputado e Senador Dr. Albano Franco, a quem também nos somamos neste momento, numa corrente positiva, enaltecendo tudo o que esse homem público fez pelo Estado de Sergipe e pelo Brasil. Obrigado, Sr. Presidente. 176 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD170][CD171] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Paulo Feijó. O SR. PAULO FEIJÓ (Bloco/PR-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente Inocêncio Oliveira, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, um dos Municípios mais importantes do Brasil — logicamente todos o são —, em termos de crescimento, de importância estratégica para o País, é o Município de Macaé. E[CD172] é com muita satisfação que vejo hoje o crescimento e a solidez da candidatura do Deputado Dr. Aluizio à Prefeitura daquela cidade. Vejo isso com tranquilidade, por quê? Um dos principais Municípios do País, estrategicamente um dos mais importantes pela produção de petróleo, não poderia jamais se envolver em uma aventura política. E a eleição do Dr. Aluizio a Prefeito de Macaé significa que aquele Município saberá aproveitar todas as oportunidades e saberá oferecer ao Brasil essa solidez na sua administração. Quero aqui parabenizar os eleitores macaenses, que não estão se deixando levar por uma aventura de uma candidatura que não tem nada a ver com a cultura, com o povo macaense. O Dr. Aluizio é um Deputado de atuação ilibada na Câmara dos Deputados, um Deputado que já representa muitíssimo bem essa renovação tão necessária à política do nosso País. E, agora, eleito Prefeito do Município de Macaé, vai poder contribuir muito para o desenvolvimento daquela cidade do nosso País. Muito obrigado. 177 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD173][CD174] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra pela ordem ao ilustre Deputado Eduardo Azeredo, do PSDB de Minas Gerais. S.Exa. dispõe de 2 minutos. O SR. EDUARDO AZEREDO (PSDB-MG. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, inicialmente quero manifestar, em nome do nosso partido, o PSDB, a homenagem ao centenário de Augusto Franco, pai do nosso Deputado Albano Franco. Há cerca de 1 ano o Ministro da Fazenda fez um prognóstico de crescimento do País de 3,5% a 4%. Os números nesta semana mostram um crescimento da ordem de 1% a 1,4%, o menor crescimento entre os cinco países que compõem os BRICS, os países emergentes do mundo. O[CD175] Brasil, portanto, não está conseguindo crescer como seus concorrentes — China, Índia, Rússia e África do Sul. O fato é que existem amarras importantes que não deixam o Brasil crescer: o PAC é um verdadeiro fracasso; menos de metade do volume de recursos foi aplicado; o Governo não consegue se livrar das questões de licitação — aí está o DNIT praticamente parado. Existe um viés ideológico que não permite que as privatizações e concessões de parcerias público-privadas continuem adequadamente. Então, os empresários não conseguem investir porque não sentem segurança. O PT, durante muito tempo, soube colher o que foi plantado no Brasil. Está na hora de plantar para o futuro do Brasil, para que o País possa crescer, investindo na infraestrutura, como finalmente foi anunciado. Mas o fato é que esse crescimento 178 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 pequeno do Brasil preocupa, e não pode ser comemorado. Ao contrário, tem que ser motivo de preocupação. Além disso, Sr. Presidente, aproveitando os 30 segundos que me restam, nós estamos próximos ao 7 de setembro. Vamos ter aí a comemoração cívica, mas é também o aniversário de 4 anos de quando o Presidente Lula anunciou a compra de caças da França, ao lado do Presidente Sarkozy. Passaram-se 4 anos, e as Forças Armadas continuam sem seus caças. 179 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD176] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Paulo Rubem Santiago. O SR. PAULO RUBEM SANTIAGO (PDT-PE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o portal Universo Online publicou ontem o ranking das universidades brasileiras. Quero congratular-me com as universidades federais, porque estão na linha de frente da qualidade da educação superior em termos de ensino, de pesquisa e de pós-graduação em nosso País. É interessante que esse ranking que mostra a qualidade, a importância e o papel das universidades públicas seja publicado no mesmo momento em que as universidades federais ultrapassam 100 dias de greve, defendendo não questões corporativas, mas a carreira docente, a infraestrutura e a ampliação dos investimentos nas novas universidades, na expansão processada pelo Governo do Presidente Lula. Quero, mais uma vez, como Deputado da Comissão de Educação e Cultura e professor da Universidade Federal de Pernambuco, externar a minha total solidariedade à greve dos docentes das universidades federais. No mesmo momento em que ultrapassamos 100 dias de greve, o portal Universo Online destaca a excelência das nossas universidades. É lastimável que o Governo Federal demore tanto tempo para reconhecer a importância estratégica das universidades, mas quase que em um piscar de olhos, como vi hoje publicado na manchete do jornal Valor Econômico, já esteja decidido a conceder desonerações tributárias e incentivos fiscais para fundos de investimento. Mais mamata para o capital financeiro e mais de 100 dias de intransigência contra os docentes das universidades! 180 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O portal publica agora o grau de excelência das nossas universidades públicas e mostra a brutal disparidade entre os desempenhos das universidades públicas e da grande maioria das universidades privadas. Quero destacar aqui a brutal diferença do investimento na qualidade da educação processada na esfera pública, da qualidade auferida pelas universidades privadas. Há por parte das universidades federais um compromisso com a carreira, com a produção científica, com a expansão dos cursos, com a interiorização, embora ainda estejamos praticando percentuais de investimentos irrisórios para o nível do desafio que o Brasil precisa enfrentar agora, na segunda década do século XXI. Por isso, quero parabenizar o portal Universo Online pela publicação do ranking, parabenizar as universidades federais pela qualidade da sua inserção acadêmica, da sua inserção docente, e solidarizar-me com os meus companheiros docentes em greve há mais de 100 dias, apelando ao Governo que seja ágil na negociação com os docentes como é ágil na hora de conceder incentivos fiscais para a indústria e para o capital financeiro. 181 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD177][CD178] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra pela ordem ao ilustre Deputado Onofre Santo Agostini. Em seguida, ao Deputado Edson Santos. O SR. ONOFRE SANTO AGOSTINI (PSD-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, volto à tribuna para fazer referência aos Joguinhos Abertos de Santa Catarina. Primeiro, quero cumprimentar o Governador do Estado, através da FESPORTE, pela realização desses joguinhos abertos, coincidentemente lá na minha cidade, Curitibanos. Nas últimas Olimpíadas, em Londres, o Brasil não se saiu bem, porque não se preparam, neste País, os atletas de futuro. Esses joguinhos abertos são o início. Santa Catarina está dando o exemplo para o Brasil de como se preparam os futuros atletas para disputarem as Olimpíadas do mundo inteiro, Deputado Celso Maldaner. Realmente[CD179] é a forma que se tem. Diz um ditado popular: “É de pequeno que se torce o pepino”. Então, Santa Catarina, através da FESPORTE, através da Secretaria de Turismo e Esporte e através do Governo do Estado está começando a trilhar o caminho para o futuro. Quero parabenizar o Prefeito Municipal de Curitibanos, como também o Governo do Estado pela beleza do evento. A abertura foi dia 30, e os Joguinhos vão até o dia 09 deste mês. Devem chegar a Curitibanos aproximadamente 5 mil pessoas. É realmente uma grande obra, um projeto interessante para Santa Catarina e para o Brasil. Deus permita que o Brasil inteiro copie, Deputado Presidente, esse projeto, para que realmente os futuros atletas brasileiros possam bem representar o Brasil, trazendo muitas e muitas medalhas. Mas, para isso, 182 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 precisamos, desde pequenos, ensinar os atletas. Evitam-se as drogas, evita-se uma série de coisas se nós prepararmos para o esporte essa juventude. Esses Joguinhos Abertos de Santa Catarina são um grande modelo, Sr. Presidente. Que eles sirvam de exemplo para o Brasil inteiro. E os Joguinhos surgiram, Deputado Inocêncio Oliveira, lá na minha terra, através de um dos maiores desportistas do Brasil — Felipe Abrahão Neto — que era um grande conhecedor do esporte amador no Brasil. Foi assim que surgiram, então, esses Joguinhos, em Santa Catarina, em que crianças de 7 até 18 anos são colocadas para praticar esportes em suas escolas, em seus colégios, e assim por diante. Por isso, quero parabenizar o Governo do Estado de Santa Catarina e a Prefeitura Municipal de Curitibanos pela realização dos XXV Joguinhos Abertos do Estado de Santa Catarina. Muito obrigado, Sr. Presidente. 183 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD180][CD181] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra pela ordem ao ilustre Deputado Jesus Rodrigues, do PT do Piauí. O SR. JESUS RODRIGUES (PT-PI. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, o endividamento e o investimento do Governo numa política de consumo de massas têm causado um debate, de certa forma, distorcido de diversas maneiras. Agora há pouco, no Grande Expediente, esse assunto foi novamente debatido. E o que me causa estranheza é que nós percebemos que, dentro da crítica a esse programa de consumo de todas as famílias, há preconceito de um grupo político tucano que não consegue entrar num shopping e ver as pessoas do povo comprando a crediário ou à vista; que não conseguem chegar aos aeroportos do Brasil e ver pessoas humildes embarcando em aviões; que, na verdade, não conseguem ver um Brasil para todos, apenas tentam voltar àquele tempo em que o Brasil era para poucos. O Brasil já é um país para todos desde o Governo do Presidente Lula, e nós queremos continuar nesse caminho. Quero dizer às nossas famílias que o Governo do Partido dos Trabalhadores não vai restringir o crédito, não vai prejudicar as pessoas de consumirem, como faziam no Governo tucano, pois a primeira medida que tomavam era cortar o crédito, que encurtava as possibilidades de consumo e, com isso, reduzia o emprego. Nosso Governo vai continuar investindo com responsabilidade, no sentido de manter o crédito e o consumo ao nível que temos hoje. 184 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD182][CD183] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra pela ordem ao ilustre Deputado Miriquinho Batista, do PT do Pará. O SR. MIRIQUINHO BATISTA (PT-PA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero fazer dois registros. Primeiro, quero parabenizar o brasileiro, paraense, Alan Fonteles, que nesse domingo conquistou a Medalha de Ouro nos 200 metros rasos nos Jogos Paralímpicos. Todos os paraenses se orgulham de ter um atleta do porte de Alan Fonteles, inclusive pela sua deficiência. O segundo registro é para parabenizar o nosso Ministro Pepe Vargas, que ontem esteve em Belém e lançou o Plano Safra para a Agricultura Familiar para o Estado do Pará. A importância desse plano para o Pará está exatamente baseada no desenvolvimento, apresentando crédito, tratando de regularização fundiária, de assistência técnica e também do escoamento da produção da agricultura familiar. Portanto, quero dar como lidos meus pronunciamentos, Sr. Presidente. PRONUNCIAMENTOS ENCAMINHADOS PELO ORADOR Sr. Presidente, senhoras e senhores membros da Mesa, Sras. e Srs. Deputados e demais presentes neste plenário, boa tarde! Boa tarde aos que assistem aos nossos trabalhos pela TV ou pela Internet e a todos aqueles que nos escutam. Senhoras e senhores, peço que este registro conste nos Anais desta Casa e que se dê publicidade a ele no jornal impresso, na rádio, no site da Câmara e no programa A Voz do Brasil. 185 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Venho aqui parabenizar o paraense, o brasileiro Alan Fonteles, que conquistou, neste domingo, a Medalha de Ouro nos 200 metros rasos na classe T44 dos Jogos Paralímpicos. Ele completou a prova em 21 segundos e 45 centésimos e deixou para trás ninguém menos que o sul-africano Oscar Pistorius, que é considerado uma lenda do atletismo e era o ídolo de Alan. Alan Fonteles é vencedor desde bebezinho. Com apenas 21 dias de vida ele teve as duas pernas amputadas, em consequência de uma série de manifestações graves causadas por uma infecção intestinal. Alan nasceu em Marabá, e seu interesse por atletismo começou quando ele tinha apenas 8 anos. A vontade de correr era tão grande que o garoto começou a treinar com as mesmas próteses de madeira que usava para andar, totalmente inadequadas à prática esportiva, e seu joelho chegava a sangrar. Senhoras e senhores, imaginem! Um menino que não podia sequer andar, hoje corre e corre muito! Foi persistente e, logo depois de ganhar o primeiro par de próteses de fibra de carbono, chegou à primeira paralimpíada, em Pequim. Com apenas 16 anos, ficou em sétimo nos 200 metros T44 (com 24 segundo e 21 centésimos) e viu o ídolo Pistorius levar o ouro com um recorde paralímpico (21 segundos e 67 centésimos). A Medalha de Prata no revezamento 4 por 100 metros, no entanto, já indicava que Alan estava apenas começando uma promissora carreira nas pistas mundiais. Segundo sua mãe, a Sra. Cláudia, desde criança, Alan sempre teve um histórico de quem superou as suas limitações. Sua mãe conta que Alan aprendeu a andar antes de completar 2 anos. Aos três, já andava de bicicleta pelas ruas próximas de sua casa. Jogava futebol como qualquer outro menino da idade dele. O 186 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 menino superou as próprias limitações do corpo e correu rápido para conseguir driblar o destino. Mais que um grande atleta, Alan Fonteles é um exemplo para outros portadores de necessidades especiais e para todos nós que nos consideramos normais. Alan Fonteles é um exemplo de vida! Quantas pessoas a gente conhece que não tem deficiência alguma e não faz um terço do que este grande rapaz fez e faz. Parabéns, Alan! O Pará tem orgulho de ter um filho como você. Exemplo digno de vida! Passo agora a tratar de outro assunto. Tenho o prazer de informar que ontem, dia 3 de setembro, o Ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, lançou em Belém o Plano Safra para a Agricultura Familiar 2012/2013, para o Estado do Pará, do qual eu tive a oportunidade de participar. O plano prevê R$627,8 bilhões para o fortalecimento do setor no Pará. Para a Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) são mais de R$22 milhões. Pepe Vargas disse que “o momento é o de lutar pela universalização dos serviços de ATER”. Além da Assistência Técnica, serão destinados R$550 milhões em crédito para financiar investimento e atividades de custeio nas propriedades familiares pelo Programa Nacional da Agricultura Familiar (PRONAF). Os Programas Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e de Aquisição de Alimentos (PAA) devem comprar cerca de R$10 milhões em alimentos da agricultura familiar paraense. Quero ressaltar a fala do companheiro Carlos Augusto da Silva, Presidente da Federação dos Trabalhadores de Agricultura do Estado do Pará (FETAGRI), que disse, abre aspas, “a Assistência Técnica é uma ferramenta indispensável para 187 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 garantir uma melhor organização, um melhor planejamento e uma melhor aplicação dos recursos liberados pelo Ministério”. A possibilidade de ampliação do seguro Garantia-Safra para todo o Brasil foi outra novidade destacada pelo Ministro Pepe Vargas. A agricultura familiar é um modelo de desenvolvimento nacional nos últimos anos e os investimentos do Governo Federal no PRONAF aumentaram 400%. Em 2002/2003, os recursos do Plano Safra eram R$ 3,9 bilhões em crédito para o setor, atualmente, são R$ 18 bilhões. Além dos programas para a agricultura familiar que são orçados pelo MDA e pelo INCRA, o Governo Federal tem beneficiado os agricultores familiares com os Programas Luz para Todos, do Ministério de Minas e Energia, o Água para Todos, do Ministério de Integração Nacional, e o Programa Nacional de Habitação Rural. A agricultura familiar tem grande importância para o desenvolvimento econômico e social do País. Para facilitar o escoamento da produção de agricultores familiares que comercializam pelo PNAE e pelo PAA, foram entregues pelo MDA dois caminhões para transporte de produtos da agricultura familiar por meio do Apoio a Projetos de Infraestrutura e Serviços dos Territórios (PROINF). Esses veículos custaram cerca de R$300 mil, e vão beneficiar 400 famílias de agricultores dos Municípios de Mãe do Rio e de Ipixuna do Pará, do Território da Cidadania, no nordeste paraense. Os números do Plano Safra para a Agricultura Familiar para o Pará são: PRONAF: 550 milhões, sendo R$250 milhões para investimentos e R$300 milhões para custeio; ATER: R$22,2 milhões; PNAE R$5, 1 milhões; e PAA: R$ 4, 5 milhões. Parabenizo a nossa Presidenta Dilma Rousseff e o nosso Ministro Pepe Vargas por 188 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 essa ação e tantas outras que fazem o Brasil continuar a crescer, mesmo neste cenário de crise econômica mundial! Era o que eu tinha a dizer. Muito obrigado. 189 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD184][CD185] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra, pela ordem, para uma breve intervenção, ao ilustre Deputado Costa Ferreira. S.Exa. dispõe de 1 minuto. O SR. COSTA FERREIRA (PSC-MA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, parabenizo o Superior Tribunal de Justiça por ter anulado a decisão da 3ª Seção do próprio Superior Tribunal de Justiça, que inocentou um pedófilo acusado de abusar de três meninas. Em abril deste ano, a 3ª Seção do Superior Tribunal de Justiça absolveu um homem acusado de estuprar três meninas menores de 12 anos, acatando como bastante o argumento de que as meninas já se prostituíam, não havendo, dessa forma, violação da liberdade sexual. Além disso, o voto absolvitório ao réu também imputou às meninas longa prática de prostituição, como se tivessem idade para tanto. Associei-me, à época, ao caudal de protestos dos que se indignaram com a decisão em questão — de procuradores, da OAB, de Ministros do STF, de Parlamentares das duas Casas, da ONU, de ONGs defensoras dos direitos humanos, igrejas evangélicas, entre tantos outros. (O microfone é desligado.) PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, parabenizo o Superior Tribunal de Justiça (STJ) por ter anulado a decisão da 3ª Seção, do próprio STJ, que inocentou um pedófilo acusado de abusar de três meninas. 190 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Em abril deste ano, a 3ª Seção do STJ absolveu um homem acusado de estuprar três meninas menores de 12 anos, acatando como bastante o argumento de que as meninas já se prostituíam, não havendo, dessa forma, violação da liberdade sexual. Além disso, o voto absolvitório ao réu também imputou às meninas longa prática de prostituição, como se tivessem idade para tanto. A decisão da 3ª Secção abriu um gravíssimo precedente legal em favor dos abusadores de crianças e adolescentes, além de estimular pedófilos de todo o País a buscarem o mesmo privilégio na Justiça, além de pedidos de habeas corpus e de anulação de sentença. Associei-me, à época, ao caudal de protestos dos que se indignaram com a decisão em questão — de procuradores, da OAB, de Ministros do STF, de Parlamentares das duas Casas, da ONU, de ONGs defensoras dos direitos humanos, de igrejas evangélicas, entre tantos outros. Protestei desta tribuna e fiz um veemente apelo para que o Superior Tribunal de Justiça anulasse a decisão da 3ª Secção, fato ocorrido recentemente, o que mantém a validade do entendimento anterior de que relação sexual com menor de 14 anos é considerada presunção de estupro, lembrando que as três meninas têm apenas 12 anos. Mas a luta ainda não está vencida, pois a decisão do STJ não se baseou no mérito. Ateve-se ao decurso de prazo ao atestar que o recurso do réu ocorrera fora do tempo hábil. Como o réu será julgado novamente em segunda instância pelos mesmos crimes, é preciso que a sentença considere a defesa das crianças como uma prioridade. Admitir prostituição infantil é um total absurdo. Se tal admissão vier de um tribunal superior, estaremos instituindo a degradação moral nas casas brasileiras e 191 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 dando sinal verde para a exploração sexual de menores. Nos últimos 10 anos, mais de 50 mil crianças e adolescentes sofreram abuso, constata a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Se a legislação brasileira sobre o menor é considerada mundialmente um avanço, não permitindo imputar tipo criminal a um menor, qualquer que seja a prática, mesmo que esse menor seja um homem de 17 anos, torna-se um contrassenso deplorável classificar criança de prostituta. Outro desvio é evocar a exploração que sofreram como argumento justificador da conduta do pedófilo, quando o Estado deveria ter dado a elas o socorro social e legal necessários. Por conta desse episódio, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) se expressou em nota: “As diretrizes internacionais de direitos humanos estabelecem claramente que a vida sexual de uma mulher não deve ser levada em consideração em julgamentos sobre seus direitos e proteções legais, incluindo a proteção contra o estupro. Além disso, de acordo com a jurisprudência internacional, os casos de abuso sexual não devem considerar a vida sexual da vítima para determinar a existência de um ataque, pois essa interpretação constitui uma discriminação baseada em gênero.” Exatamente o que o Judiciário fez. Que a Justiça reformule essa decisão, mantendo a abrangência de proteção à integridade das crianças brasileiras. Somos um país que convive com o crescimento da criminalidade em praticamente todos os 192 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Estados. Um incandescente sinal vermelho a indicar que transigir na punição de crimes sexuais, mormente de menores, vai ampliar de forma imprevisível a violência. Muito obrigado. 193 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD186] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Vieira da Cunha. O SR. VIEIRA DA CUNHA (PDT-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, colegas Deputados, na semana passada, realizou-se na Cidade do Cabo, África do Sul, o XXIV Congresso da Internacional Socialista. A Internacional Socialista, organização à qual pertence o meu partido, o PDT — Partido Democrático Trabalhista, é hoje a maior organização político-partidária do mundo. Já são mais de 160 partidos políticos membros, todos de orientação trabalhista, social-democrata e socialista. Esse congresso foi muito importante porque, pela primeira vez, a direção da organização foi eleita através de eleições abertas. O grego George Papandreou, ex-Primeiro-Ministro da Grécia, foi reeleito por unanimidade. Já o chileno Luis Ayala teve que disputar o cargo com a sueca Mona Sahlin e sagrou-se vencedor na disputa. O PDT esteve lá com uma delegação da qual fez parte o Líder aqui presente, Deputado André Figueiredo, e companheiros e companheiras que representaram o nosso partido, que, desde o ano de 1989, pertence à organização. Tive a honra, Sr. Presidente, colegas Deputados, de ter sido reconduzido a uma das vice-presidências da Internacional Socialista. A minha honra é maior ainda porque estou ocupando a cadeira que foi de Leonel Brizola, o primeiro brasileiro a ocupar uma das vice-presidências da organização. Fica aqui o meu compromisso de continuar exercendo essa função com muita dedicação e responsabilidade, de continuar militando na luta por um mundo com uma cultura de paz, de justiça e de solidariedade. Muito obrigado, Sr. Presidente. 194 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD187][CD188] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra pela ordem ao ilustre Deputado Ivan Valente, do PSOL de São Paulo. O SR. IVAN VALENTE (PSOL-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, assumimos a tribuna nesta tarde para denunciar a privatização e a corrupção na saúde. Evocamos o programa Fantástico do último domingo, que tratou da relação do Governo com as organizações sociais. A reportagem foi bastante explicativa e explícita sobre o significado da privatização nos serviços públicos, particularmente na saúde. [CD189] Nós pudemos assistir à relação de assalto a verbas públicas do Sistema Único de Saúde praticado por organizações sociais. E não foram poucos os exemplos, em vários locais deste País. Em Maceió, por exemplo, centenas de crianças que não tinham problemas de saúde foram internadas em clínicas, diagnosticadas com pneumonia; partos foram pagos em duplicidade, pela cliente e pelo SUS, no Rio de Janeiro em particular. Mais do que isso, no Rio Grande do Norte e no interior de São Paulo, houve notas frias e também caixa dois. O PSOL se posicionou desde o primeiro momento contra as privatizações da saúde no nosso País. Sr. Presidente, nós entendemos que aí há uma drenagem de recursos públicos para o setor privado — inaceitável, sob todos os aspectos. É um roubo, um crime praticado por organizações sem idoneidade. Em São Paulo, os tucanos tentaram privatizar o CAPS, o Centro de Assistência e Promoção Social, o melhor centro de atenção à saúde mental do Estado. Houve também a criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, votada neste Congresso Nacional. 195 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Por isso nós defendemos um Sistema Único de Saúde cem por cento público e defendemos também que se acabe com as terceirizações e as privatizações, cujo resultado é a transferência de recursos públicos e o assalto aos cofres públicos. Sr. Presidente, quero que seja dado como lido este pronunciamento. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no último domingo, assistimos todos, pela televisão, a mais uma absurda denúncia de desvio de recursos públicos na área da saúde, desta vez praticado pelas chamadas Organizações Sociais. A reportagem do Fantástico, da TV Globo, mostrou inúmeros casos, em diferentes Estados do País, de assalto às verbas do SUS praticados pelas OSs, entidades para as quais o poder público tem, cada vez mais, transferido a tarefa de prestação do serviço de atendimento à saúde da população. Em Maceió, por exemplo, centenas de crianças que nunca ficaram doentes apareceram nos relatórios de duas OSs — a Clínica Infantil de Maceió e a Clínica Frei Damião —, como tendo sido internadas com pneumonia. A fraude foi descoberta depois que as famílias receberam uma carta do SUS com os dados da internação das crianças e o valor pago por elas: mais de R$500 cada. Ao todo, foram mais de 600 casos de internações falsas, forjadas para lucro ilegal em clínicas conveniadas com o SUS. Na Baixada Fluminense, o golpe foi parecido. Gestantes pagaram por cesarianas e, ao mesmo tempo, as OSs cobraram do SUS a realização de partos normais. Mulheres chegaram a pagar mais de R$1,5 mil por partos feitos na Associação de Caridade Hospital de São João de Meriti, e meses depois receberam 196 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 cartas do SUS informando quanto o Sistema Único tinha pago por seus partos normais: cerca de R$500. Segundo o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, toda resposta da carta SUS inicia uma investigação pelo Ministério. Após a apuração, o Governo recomenda ao gestor municipal que contrata a OS o descredenciamento da organização do SUS. O Fantástico também mostrou o resultado de operações do Ministério Público no Rio Grande do Norte e no interior de São Paulo, que encontraram indícios de fraudes na prestação de contas das OSs — com a emissão de notas frias por empresas de consultoria — e na contratação de funcionários, por meio de caixa dois. A própria reportagem da TV Globo mostrou as críticas de um integrante do Conselho Nacional de Saúde, ex-Secretário Nacional de Saúde, Francisco Batista Júnior, sobre as parcerias do poder público com as Organizações Sociais. Criadas durante a reforma do Estado implementada pelo Governo FHC, em teoria para agilizar a prestação do serviço público, essas organizações se transformaram numa forma privilegiada de o setor privado se apropriar indevidamente de recursos públicos do SUS. Enquanto idosos e crianças sofrem diariamente com a falta de estrutura para os atendimentos de emergência, o agendamento de consultas, a realização de exames e cirurgias, o acesso a medicamentos e até mesmo a uma política pública de saúde preventiva, os serviços cada vez mais são entregues à iniciativa privada, que, em busca do lucro, tem reforçado um modelo centrado no tratamento, mesmo que tardio, das doenças e não na prevenção e promoção da saúde. 197 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 No ano passado, denunciamos aqui desta tribuna diversas iniciativas de privatização e terceirização da saúde, seja no âmbito do Governo do Estado de São Paulo, seja na administração federal. Não fosse a mobilização da população e dos servidores públicos, o Governador Geraldo Alckmin teria transferido para uma Organização Social o Centro de Atenção Integral em Saúde Mental Dr. David Capistrano da Costa Filho, que funciona no Bairro da Água Funda, na capital paulista. O centro é modelo em saúde mental, com serviços como Centro de Assistência e Promoção Social (CAPS), residência terapêutica, internação de psicóticos agudos e oferta de leitos para tratamento de dependência química. É o único do Estado que atende distúrbios mentais e dependência, com profissionais qualificados e com atendimento inteiramente humanizado. A unidade foi considerada em 2005 uma das melhores do País, segundo avaliação do Ministério da Saúde. Mesmo assim, a gestão tucana queria transferi-la para o setor privado. A defesa de que as técnicas da gestão privada são o melhor caminho para a administração pública também ganhou o Governo Dilma. O Governo Federal apresentou e conseguiu aprovar no Congresso, com o voto contrário do PSOL e a resistência dos servidores públicos das universidades federais, a lei que criou a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), para administrar hospitais universitários federais. Assim, em nome da modernização de gestão, de contratação, concretizou-se mais uma privatização na saúde. Por isso, senhoras e senhores Deputados, o PSOL vem a público mais uma vez manifestar sua opinião contrária às terceirizações e privatizações na saúde. Transformar esse direito fundamental em mera mercadoria atinge os trabalhadores 198 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 do setor, ataca o caráter público da política de saúde e submete o povo brasileiro a condições ainda mais degradantes no momento em que o cidadão mais precisa do apoio do Estado. Reafirmamos assim o compromisso do PSOL com a luta em defesa do SUS 100% público, de qualidade para todos e com um serviço de saúde que coloque a dignidade da população brasileira em primeiro lugar. Por fim, também registramos a denúncia de desvios de recursos do Farmácia Popular, também mostrada pelo Fantástico, cobrando que o Ministério da Saúde desenvolva novos mecanismos de acompanhamento do programa, incluindo a contratação de novas equipes, e atue com rigidez para punir os responsáveis por mais esse ataque aos cofres públicos. Muito obrigado. 199 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD190][CD191] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra pela ordem ao ilustre Deputado Cesar Colnago, do PSDB do Espírito Santo. O SR. CESAR COLNAGO (PSDB-ES. Pela ordem. Sem revisão do orador) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no dia de hoje, a Organização das Cooperativas Brasileiras — OCB do Espírito Santo comemora 40 anos de existência. Sua criação decorreu do crescimento do número de cooperativas na década de 70 do século passado. Foi constituída com o objetivo de realizar estudos, promover a divulgação do sistema cooperativista, criar novas cooperativas, dar assessoria técnica, manter a integração com outros órgãos do cooperativismo e representar o Sistema perante as autoridades. Hoje, o Sistema OCB-SESCOOP/ES é o órgão máximo de representação, defesa, incentivo e treinamento do cooperativismo capixaba, realizando assessoria em diversas áreas, treinamentos para dirigentes, cooperados e funcionários de cooperativas, relevando os princípios e diretrizes do cooperativismo, bem como a profissionalização das cooperativas. No Espírito Santo, existem 145 cooperativas registradas, com aproximadamente 198 mil cooperados, gerando mais de 20 mil empregos diretos e indiretos. Elas estão distribuídas em nove ramos: agropecuário, crédito, consumo, educacional, habitacional, produção, saúde, trabalho e transporte. No ramo agropecuário, cerca de 60% da produção de leite e 15% da produção de café e ainda 14 mil toneladas de frutas diversificadas (maracujá, acerola, goiaba, manga, abacaxi e morango) vêm das cooperativas, sendo que 90% dessa produção de cooperativas é realizada pela agricultura familiar. 200 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Nos outros ramos de atividade, também não é diferente. As cooperativas educacionais atendem cerca de 2 mil alunos no Estado, com excelentes índices de aprovação em vestibulares das principais universidades do País. No ramo do crédito, somos o segundo maior repassador de crédito rural e o primeiro em repasse de recursos do FUNCAFÉ, atendendo a aproximadamente 148 mil cooperados. Na[CD192] saúde, foram registrados mais de 500 mil atendimentos ao SUS, ainda em 2010, e prestados serviços em 60% dos hospitais públicos do Espírito Santo. Na área do transporte, 42 mil alunos são transportados por dia, atendendo 40% dos Municípios capixabas. Dezessete por cento do transporte escolar de alunos do ensino médio e fundamental do Estado é realizado por cooperativas. Por todo esse desempenho positivo, há muito o que comemorar. Parabenizo o Sistema OCB-SESCOOP/ES e todos os que ajudaram e que contribuem para construir, dia a dia, a história do cooperativismo capixaba e do desenvolvimento do País. Parabenizo o Secretário-Executivo Carlos André, o Presidente Esthério Colnago e toda a Diretoria do Sistema SESCOOP-OCB e Presidentes e Diretorias das 145 cooperativas que constroem o cooperativismo no Espírito Santo. Muito obrigado, Sr. Presidente! PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Srs. e Srs. Deputados, infelizmente, não foi com surpresa que recebemos o anúncio, na última sexta-feira, 31, do baixo crescimento do nosso Produto Interno Bruto (PIB) — apenas 0,4% no segundo trimestre deste ano em relação ao primeiro. Tal resultado ocorreu mesmo com redução dos juros e medidas 201 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 tributárias e de estímulo creditício adotadas pelo Governo Dilma desde o segundo semestre de 2011. Recuos na indústria, nos investimentos e nas exportações foram os principais responsáveis pelo mau resultado do PIB. Essa retração foi contrabalançada pelo ritmo apenas moderado de crescimento dos serviços e do consumo das famílias, insuficiente para produzir um resultado mais animador do PIB total no segundo trimestre. Tais resultados consolidam o pessimismo em relação ao crescimento em 2012 e levam a projeções de 1,5% no ano ou até menos. Segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria registrou taxas negativas em três de suas quatro atividades. A retração da indústria da transformação chegou a 2,5%, seguida pela extrativa mineral, com queda de 2,3%, e a da construção civil também fechou o segundo semestre com taxa negativa: menos 0,7%. O único bom desempenho ficou por conta da agropecuária, que cresceu 4,9% no segundo trimestre em comparação com o primeiro. O setor foi puxado pelo crescimento das safras de milho, café e algodão. Porém, representando apenas 5,5% do PIB, a agropecuária não fez forte diferença no resultado total. Apesar de o Ministro Guido Mantega ter afirmado no dia do anúncio da queda do PIB que esperava maior crescimento nos próximos trimestres, o relatório Focus, que mede as expectativas do mercado, reduziu novamente sua projeção de crescimento do PIB em 2012 — agora para 1,64%. Na última semana, a previsão de crescimento era de 1,73%. A Presidente Dilma apelou para o que impulsiona o crescimento sustentável do País: os investimentos em infraestrutura por meio de um agressivo plano de privatizações, já chamado PAC das Concessões, mas o anúncio veio tarde demais para salvar o PIB de 2012. 202 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD193][CD194] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Domingos Sávio, do PSDB de Minas Gerais. O SR. DOMINGOS SÁVIO (PSDB-MG. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, colegas Parlamentares, hoje, não só aqui, a imprensa nacional fez repercutir artigo do Presidente Fernando Henrique e, depois, alguns comentários da Presidenta Dilma. São cidadãos, cada um com suas responsabilidades. Ele, por ter governado este País por 8 anos, por ter tido papel decisivo para que o Brasil encontrasse o caminho da estabilidade econômica, do desenvolvimento. [CD195] Ouvi aqui afirmações das mais absurdas de que o Brasil não tinha credibilidade. O Presidente Fernando Henrique foi recebido por grandes nações, homenageado nas mais diversas instâncias, e sempre dizia, de forma clara e objetiva, que isso era não só por ele, mas pelos brasileiros. Esta é a realidade: pelos brasileiros, pela nossa história, temos sido sim respeitados e valorizados. E não poderia ser diferente. Isso não é fruto do PT. Mas o artigo do Presidente fazia constatações não para agredir a Ordem dos Advogados do Brasil. São constatações que o Brasil inteiro enxerga. Ou o Supremo Tribunal Federal está em delírio? Ou o Supremo Tribunal Federal não está julgando e condenando aquilo que o Sr. Presidente Lula dizia não existir? Mais do que isso, as demissões feitas pela Presidenta Dilma de boa parte da equipe que herdou do Presidente Lula, dizendo que era uma faxina, por acaso são delírio? Foi em outro país ou no Brasil? Ele não disse tudo, Sr. Presidente. Ocupo a tribuna para dizer que o pior está por ser conhecido pelo povo brasileiro. Infelizmente, a faxina foi de fachada. Na verdade, o que existe é conluio entre empreiteiras e estruturas públicas. A Comissão 203 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Parlamentar Mista de Inquérito da qual faço parte tem a obrigação de aprofundar a análise desse assunto. Tenho aqui o relatório em que fica comprovado que a empreiteira Delta, a maior prestadora de serviço, cresceu no Governo do PT. A empreiteira Delta não era essa megaempreiteira, não. Mas[CD196] hoje tem contratos com o Governo para o Programa de Aceleração do Crescimento. Sozinha, tem mais do que as cinco maiores empreiteiras do Brasil. Ela teve uma ascensão violenta. Agora, curiosamente, está absolutamente envolvida com o Sr. Carlinhos Cachoeira e com dezenas de empresas fantasmas. Depositou mais de 400 milhões de reais nas contas delas, dinheiro que sai de contratos sob indícios claros de superfaturamento. Foi o Tribunal de Contas que disse, não eu. Ele verificou superfaturamento, medições fraudulentas da empreiteira Delta na prestação de serviço para o Governo Federal. Por acaso essa é a herança bendita que a Presidenta Dilma disse ter recebido? É preciso passar este País a limpo. 204 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD197][CD198] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Para uma Comunicação de Liderança, concedo a palavra ao ilustre Líder Antonio Carlos Mendes Thame, pela Minoria. S.Exa. dispõe de 6 minutos na tribuna. Em seguida, pela Liderança do Bloco PV/PPS, falará o ilustre Líder Rubens Bueno. O SR. ANTONIO CARLOS MENDES THAME (PSDB-SP. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Deputado Inocêncio Oliveira, Sras. e Srs. Deputados, a classe média tem sido a parcela da população que mais tem sofrido com a defasagem da correção da tabela do Imposto de Renda. Se os valores da tabela tivessem sido corrigidos de acordo com a inflação nesses últimos 13 anos em que está congelada, de 1998 a 2011, uma pessoa com salário base de 4.400 reais pagaria hoje 44% menos do que paga de Imposto de Renda. A gula do leão é tão grande que, nesses 13 anos, o total de tributos pagos pelos trabalhadores aumentou 370%, passando de 14,6 bilhões para 68,8 bilhões de reais em termos absolutos. Quando descontada a inflação no período, de 134%, o salto do Imposto de Renda sobre a renda do trabalhador foi de mais de 100%. Mas não é só a classe média que sofre. Quando eu não corrijo a tabela, cada vez menor fica o número de pessoas na parcela dos isentos, porque os salários vão crescendo nominalmente pela inflação, mas a tabela está fixa, congelada. Por isso, aquele que era isento acaba caindo numa faixa que vai pagar imposto. Portanto, ele também é prejudicado. Isso tudo, na verdade, é uma grande ilegalidade, porque um aumento de tributos só poderia ocorrer em nosso País através de uma lei, o que faz com que 205 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 esses aumentos todo ano, decorrentes do aumento da arrecadação no Imposto de Renda, sejam absurdamente inconstitucionais. Mas[CD199] há outro problema, não é apenas esse do Imposto de Renda, há também os impostos injustos. Hoje, grande parte da arrecadação de impostos do Brasil advém de impostos indiretos, cobrados sobre aquilo que consumimos, sobre produtos, bens e serviços. Sobre esses bens consumidos e serviços prestados pagos pelo trabalhador é que se cobram impostos, o que faz com que haja uma perversa regressão: quanto mais pobre é a população, maior é a percentagem que paga de impostos. A Câmara dos Deputados tem tentado corrigir isso. Acabamos de aprovar uma emenda do Deputado Bruno Araújo que isenta os bens de produtos da cesta básica, aqueles impostos que incidem sobre os alimentos. Para quê? Para que as pessoas que consomem alimentos tenham um ganho real e esses alimentos fiquem realmente mais baratos. A situação seria imensamente melhor porque o peso relativo da cesta básica nos gastos das camadas de rendas mais baixas é muito grande, é muito maior do que nas camadas mais ricas. [CD200] A carga tributária média sobre os alimentos industrializados no Brasil chega a 35%. Alguns exemplos: margarina, 35%; biscoito, 38%; molho de tomate, 36%; sal, 30%; açúcar, 40%. Entre os semielaborados: carne bovina, 18%; arroz, 18%; feijão, 18%; peixe, 18%. Sobre as frutas são pagos incríveis 22% de impostos. A tributação no Brasil é muito superior a de países com renda per capita muito mais elevada, como é o caso da Alemanha, onde a tributação é de 7%; da França, 5,5%; do Reino Unido, 0% sobre os alimentos. Nesses países, alimentos são 206 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 tratados com regimes especiais de tributação, e há significativas reduções em relação às alíquotas padrão. As maiores distorções da política tributária brasileira advêm de ICMS e de tributos federais cumulativos. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada — IPEA, a participação dos tributos cumulativos, como o PIS/COFINS, na carga total passou de 5%, em 1980, para quase 20%, em 2000, e passou de 20% em 2011. Como percentagem do PIB, o salto foi de 1,5% para 5,7% no período. O fato é que se houvesse esse desgravamento dos impostos dos preços dos alimentos, teríamos um aumento de 11% do valor real do salário mínimo, um crescimento de 8% na renda real das famílias, um aumento da ingestão calórica em todas as faixas de renda. O Governo precisa deixar de ser sócio faminto de um prato de comida. Precisamos desonerar definitivamente os alimentos da cesta básica alimentar. Muito obrigado. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a Câmara dos Deputados acaba de aprovar, em primeiro turno de votação, proposta de emenda à Constituição que institui a alimentação como um direito de todos e um dever do Estado, ao lado da saúde e educação. Se essa PEC for aprovada, na prática, o que muda? Nada. Mas pode mudar. Isso, se deixarmos de tributar tanto os alimentos. Nossa atual política tributária onera os produtos alimentícios com um impressionante número de impostos, os quais elevam os custos e estimulam a sonegação, sempre associada à redução da qualidade dos alimentos. 207 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 A situação fica ainda pior quando se considera o tremendo efeito social negativo do caráter regressivo da tributação: os mais pobres é que acabam pagando mais impostos, devido ao maior peso relativo da cesta alimentar nos gastos das camadas de rendas mais baixas. A carga tributária média sobre os alimentos industrializados no Brasil é de 34,7%. Alguns exemplos: margarina, 37%; biscoito, 38,5%; molho de tomate, 36%; sal, 29%; açúcar, 40%. Entre os semielaborados, carne bovina, 18%; arroz, 18%; feijão, 18%; peixe, 18. As frutas pagam incríveis 22%. A tributação é muito superior à de países com renda per capita mais elevada, como Alemanha (7%), França (5,5%) e Reino Unido (0%), onde os alimentos são tratados com regimes especiais de tributação e significativas reduções em relação às alíquotas padrão. As maiores distorções da política tributária brasileira advêm do ICMS e dos tributos federais cumulativos. Segundo o IPEA, a participação dos tributos cumulativos (como o PIS, a COFINS e a CPMF) na carga total passou de 5%, em 1980, para quase 18%, em 2000. Como porcentagem do PIB, o salto foi de 1,5% para 5,7%, no período. As propostas de desoneração com base no critério da essencialidade não têm ainda sensibilizado o poder público, mesmo sabendo que as famílias que ganham até dois salários mínimos gastam com alimentação quase 60% do que recebem. O fato é que a defesa do desgravamento dos impostos nos preços dos alimentos assenta-se em estudos do próprio Governo, os quais indicam o seu elevado impacto social: a) aumento de 11% no valor real do salário mínimo; 208 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 b) crescimento de 8% na renda real das famílias, na faixa abaixo de dois salários mínimos; c) aumento da ingestão calórica em todas as faixas de renda. Em outras palavras, desagravar a cesta básica implica imediatos aumentos reais de salário e melhora nas condições de saúde. A desoneração definitiva da cesta básica do brasileiro poderá vir com uma reforma tributária. Enquanto essa reforma não vem, a desoneração do ICMS, em caráter emergencial, pode ser negociada entre os Governos Federal e os Estaduais. Na hipótese de redução da alíquota do ICMS para 2%, o IPEA estima que o custo da desoneração da cesta básica representaria apenas 2,6% da arrecadação total de ICMS do Brasil, sendo 5,3% no Nordeste e 1,2% no Sudeste. Aqui está o ponto central da resistência à desoneração. É um círculo vicioso: os Estados mais pobres são os que mais dependem da tributação dos bens essenciais, por isso não aceitam desonerar os alimentos sem serem ressarcidos pelo Governo Federal. A saída é criar um fundo de compensação para a perda de receita dos Estados mais prejudicados. O custo da desoneração, nas contas do IPEA, é de R$ 2,4 bilhões anuais. É preciso tratar com seriedade e abrangência a desoneração da cesta básica alimentar. Os Governos precisam deixar de ser sócios famintos de um prato de comida. 209 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD201][CD202] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Rubens Bueno, para uma Comunicação de Liderança, pelo Bloco PV/PPS, que disporá de 3 minutos na tribuna. O SR. RUBENS BUENO (Bloco/PPS-PR. Como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quando foi instalada a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, a conhecida CPMI do Cachoeira, eu dizia — e continuei repetindo por muito tempo — que era um otimista com relação a ela. As denúncias tomavam conta, com a Operação Monte Carlo e a Operação Vegas, que veio depois. Ali havia, realmente, indícios graves de corrupção dos mais diferentes tipos, a começar pelos jogos ilegais, envolvendo a Região Centro-Oeste. Depois, as denúncias foram aumentando, e eu continuava otimista. Fomos encontrar os financiadores desse grande esquema de corrupção. Foram[CD203] grampeados telefonemas do Sr. Cavendish — dos seus diretores, da sua empresa Delta —, o grande financiador da corrupção. Ao longo do tempo, foi-se descobrindo, e a Polícia Federal insiste nisto, que o Sr. Cachoeira é sócio oculto da empresa Delta, uma grande empreiteira no Brasil. Sempre se busca o corrupto, sempre se vai em busca, com a denúncia, daquele que deve ser punido, mas nunca se pune o corruptor no País. Mais uma vez, quero externar minha tristeza ao ver que hoje está sendo sepultada, enterrada, possivelmente, a CPMI do Cachoeira. Há pouco tivemos uma reunião em que não se quer apurar nada, querem deixar suspensos os trabalhos da CPMI até depois das eleições, para só depois decidirem se querem ou não investigar, se querem ou não quebrar o sigilo das empresas laranjas da Delta, que consumiram mais de 400 milhões de reais. 210 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, fica este sentimento. Depois de 30 dias, com certeza, estaremos aqui e cada um de nós irá dizer para o outro: “Estamos agora fazendo a oração da missa de trigésimo dia da CPMI do Cachoeira”. E eu lamento muito, porque ali não estavam presentes aqueles que pela manhã poderiam dar quorum para a CPMI funcionar. Não estiveram lá, mas estiveram agora na reunião fechada com o Presidente da CPMI, para enterrá-la, para não apurar e não quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônico das empresas laranjas. Fica o registro da bancada do PPS. Se[CD204] há um grande acordo por trás disso, nós vamos denunciar. Não podemos de forma alguma ver o que está acontecendo neste momento. Os Parlamentares de boa-fé compareceram a todas as reuniões da CPMI e hoje ouvem que não dá mais, que temos que deixar para depois das eleições, e depois das eleições não haverá nenhum acordo para a quebra dos sigilos bancário e fiscal dessas empresas fantasmas. Fica o registro para esta Casa. Fica também o prenúncio de uma grande denúncia à Nação brasileira, daqueles que fazem parte da CPMI, do compromisso que têm com o País. Quero voltar, daqui a 30 dias, para dizer que eu estava enganado. Quero voltar daqui a 30 dias para dizer que eu estava equivocado, mas com a certeza, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, de que ainda há esperança para a CPMI funcionar. Senão, nós vamos rezar aqui daqui a 30 dias o que sendo prenunciado no dia de hoje, com esse acordo que possivelmente está sendo engendrado para acobertar a maior história de corrupção que estamos vendo. 211 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O[CD205] SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Para uma breve intervenção, tem a palavra o ilustre Deputado Eleuses Paiva, do PSD de São Paulo. O SR. ELEUSES PAIVA (PSD-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, todos os que nos acompanham pela TV Câmara e pela Rádio Câmara, uma revista semanal trouxe uma matéria que me deixou perplexo: 55 mil bolsas de sangue foram desperdiçadas. Com isso, o Governo Federal joga fora quase 2 milhões de dólares. Isso sem falar nas milhares de pessoas que deixaram de receber o plasma humano, tão importante e vital para aqueles que precisam. A cada ano o Governo gasta milhões de reais para incentivar a doação de sangue. A[CD206] maior parte desse sangue vai para fora do País, é processado e retornado como hemoderivados. O mais grave é que o Instituto Butantan, em São Paulo, está preparado para fazer esses hemoderivados, e não é utilizado. Sr. Presidente, o litro do plasma chega a custar 120 dólares para o Governo, para o Ministério da Saúde. Para nossa indignação, os três últimos Ministros da Saúde esconderam essa verdade ao País. A revista conseguiu processos no Ministério Público que atestam desvios na produção e estocagem dos plasmas coletados e lançam suspeitas sobre a existência de uma máfia dos vampiros, com conexões no exterior. Os lotes vencidos foram coletados em 41 hemocentros e bancos de sangue de diversos Estados do Brasil, entre 2003 e 2004. Espero, Sr. Presidente, que providências sejam tomadas pelo Ministério da Saúde, na figura do Sr. Ministro, primeiro, para que isso não venha a ocorrer e, segundo, para que haja explicações plausíveis sobre a razão de esse plasma não 212 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 ser processado no Brasil quando já dispomos de instituições que têm capacidade para fazê-lo. (O microfone é desligado.) 213 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD207][CD208] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Para uma breve intervenção, concedo a palavra à ilustre Deputada Rosinha da Adefal. V.Exa. dispõe de 1 minuto. A SRA. ROSINHA DA ADEFAL (Bloco/PTdoB-AL. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, uso a palavra, na tarde de hoje, para fazer uma homenagem ao para-atleta alagoano Yohansson Nascimento, meu conterrâneo, que está nas Paralimpíadas de Londres, fazendo a diferença. Já bateu o recorde nos 200 metros. Yohansson é um exemplo de garra, força e superação. Isso mostra que pessoa com deficiência é eficiente quando lhes damos qualidade para que suas eficiências sejam evidenciadas. Yohansson Nascimento é um exemplo para todas as pessoas com deficiência e para o Brasil inteiro, repito, exemplo de força, garra e superação. Quero deixar minha homenagem e conclamo os membros da Casa a prestarem esta homenagem não só a ele, mas a todos os para-atletas que estão representando muito bem nosso País nas Paralimpíadas de Londres. Muito obrigada, Sr. Presidente. 214 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD209] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Alfredo Sirkis, do PV do Rio de Janeiro. O SR. ALFREDO SIRKIS (Bloco/PV-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, nos anos 80, o Brasil tinha a triste condição de ser um dos vilões ambientais do planeta, situação que perdurou até os anos 90 e começou a ser transformada. Hoje em dia, pelo contrário, nosso País tem o prestígio de estar na vanguarda ambiental do planeta, tanto em relação às suas propostas na questão do clima, quanto na sua capacidade de reduzir de forma muito significativa o desmatamento da Amazônia e de outros ecossistemas. Essa situação, naturalmente, é sujeita a retrocessos. Está aí a tentativa de se votar um Código Florestal que representa um retrocesso, mas, de qualquer maneira, o Brasil neste momento tem esse papel perante o mundo. Por isso, Sr. Presidente, caros colegas, eu queria manifestar uma preocupação em relação a um fato que se vem repetindo e que temos a responsabilidade de apurar, em primeiro lugar, e coibir, em segundo lugar. Refiro-me à ação, fora de território nacional, de cidadãos e empresas brasileiras que, aparentemente, estão causando não só dano ambiental como também séria violação de direitos humanos. Temos que apurar a denúncia formulada pela imprensa de que 80 índios ianomâmis teriam sido assassinados por garimpeiros brasileiros em território venezuelano. Então[CD210], se o Governo de Hugo Chávez não tem neste momento capacidade de apurar esse delito, o Brasil deve fazê-lo. Da mesma forma, leio, pasmo, no jornal O Estado de S. Paulo que veículos de uma empresa brasileira, a Vale do Rio Doce, foram utilizados na repressão a uma 215 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 greve de trabalhadores na República da Guiné. Considero isso um fato grave. As empresas brasileiras que atuam fora do território nacional não estão isentas de respeitar a legislação ambiental que existe no Brasil, pelo menos seus critérios, pelo menos no espírito, muito menos estão isentas de respeitar direitos humanos e liberdades democráticas. Não pode a infraestrutura de uma empresa brasileira, com é o caso da Vale do Rio Doce, ser utilizada na repressão a trabalhadores de outros países, que lutam pelos seus legítimos direitos sociais. Sr. Presidente, isso deve ser rigorosamente apurado. 216 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD211] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O[CD212] SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra à nobre Deputada Fátima Bezerra, do PT do Rio Grande do Norte. A SRA. FÁTIMA BEZERRA (PT-RN. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, nesta quarta-feira, a Convenção Nacional dos Trabalhadores em Educação realizará a 6ª Marcha Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública. São esperados aproximadamente 5 mil trabalhadores em educação de todo o País. O tema da marcha este ano é Independência é Educação de Qualidade e Trabalho Decente. Nessa[CD213] marcha de quarta-feira, os trabalhadores em educação de todo o País, mais uma vez, reafirmarão a luta pelo cumprimento da lei do piso salarial do magistério, pelos 10% do PIB para a educação e pelo envio imediato ao Senado Federal do relatório que trata do Plano Nacional de Educação. A concentração começa amanhã, na Torre de Televisão. A marcha vai percorrer a Esplanada dos Ministérios. Haverá um ato no Congresso Nacional e uma vigília na Praça dos Três Poderes. Sr. Presidente, às 15 horas, o Deputado Marco Maia vai receber uma comissão, a pedido da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Articulamos essa audiência com o Presidente Marco Maia, que irá receber a Campanha, a CNTE, a UNDIME, a UBES, a UNE e a CUT, ocasião em que, Deputado Inocêncio Oliveira, será entregue ao Presidente da Casa um abaixo-assinado com mais de 5 mil assinaturas defendendo os 10% do PIB para a educação, bem como o envio imediato do Plano Nacional de Educação ao Senado da República. 217 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD214][CD215] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Celso Maldaner, do PMDB de Santa Catarina. O SR. CELSO MALDANER (PMDB-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, foi realizada hoje audiência pública da Comissão de Agricultura — a mais concorrida deste ano —, no Auditório Nereu Ramos, que estava superlotado, não tinha lugar para entrar mais gente, com a presença de motoristas autônomos e trabalhadores do País. A Lei nº 12.619, de 2012, aprovada na Câmara e no Senado, teve o veto da Presidente Dilma na parte de infraestrutura. [CD216]Não foram analisados os impactos que essa lei trará ao nosso País. Foi analisada mais a questão trabalhista, para evitar ações no Ministério do Trabalho e para fazer justiça aos trabalhadores. Infelizmente, a implantação dessa lei agora inviabilizaria o nosso País. E nós não queremos mais uma grave dos caminhoneiros. Por isso, nós estamos trabalhando em uma Comissão na Câmara Federal, para encontrarmos um entendimento, uma flexibilização para, em 240 dias, melhorarmos essa lei, para não inviabilizar o País. Hoje, 60% do transporte de cargas é feito por rodovias e, infelizmente, o nosso País não está preparado para receber, a curto prazo, e colocar em prática essa legislação relativa a cargas. Então, precisamos da sensibilidade de todos os Parlamentares para encontrarmos uma solução para esse grave problema. Só para citar um exemplo, nós, lá em Santa Catarina, estamos sem soja e sem milho. A própria Companhia Nacional de Abastecimento — CONAB não 218 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 consegue levar milho para Santa Catarina, em razão do aumento do custo do transporte. Não há caminhões para levar o milho para Santa Catarina. Estamos muito preocupados, Sr. Presidente. 219 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD217] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Para uma breve intervenção, concedo a palavra à ilustre Deputada Carmen Zanotto. A SRA. CARMEN ZANOTTO (Bloco/PPS-SC. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, eu gostaria de parabenizar a artista plástica de Santa Catarina Nádya Becker, do Município de Braço do Norte, no sul do Estado, e convidar todos os Deputados, Deputadas e servidores desta Casa a visitarem a exposição Brasil 500 Anos, que acabamos de abrir. Gostaria de parabenizar também a equipe da Casa pelo belo trabalho realizado com a nossa artista de Santa Catarina. Todos os Estados estão lá representados e será muito gratificante para os senhores verem a beleza com que a artista Nádya Becker retratou cada Estado brasileiro nesta sua exposição Brasil 500 Anos. Muito obrigada, Sr. Presidente. 220 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD218] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao Sr. Deputado Sérgio Barradas Carneiro. O SR. SÉRGIO BARRADAS CARNEIRO (PT-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, pedimos a V.Exa. que, depois de o Deputado Edson Santos falar, dê início à Ordem do Dia, porque já atingimos o quorum para deliberação há mais de 1 hora. Senão vamos invadir a noite. Muito obrigado a V.Exa. pela atenção. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - O Deputado Marco Maia disse que já está vindo. 221 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD219] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Maurício Quintella Lessa por 1 minuto. O SR. MAURÍCIO QUINTELLA LESSA (Bloco/PR-AL. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no ano de 2011, a ELETROBRAS de Alagoas foi considerada a pior empresa federalizada do setor elétrico brasileiro. E para surpresa de todos os alagoanos, na semana passada, a ANEEL permitiu o aumento da tarifa de energia em mais de 10% para o consumidor residencial e em mais de 12% para o consumidor industrial do Estado. Apresentamos um requerimento de fiscalização e controle dos cálculos que concederam esse aumento aos consumidores alagoanos. Ontem, o Deputado Nelson Marquezelli apresentou seu relatório, apoiando nossa iniciativa. Esse relatório será votado amanhã, na Comissão de Defesa do Consumidor. Eu não tenho dúvida de que essa auditoria apontará o aumento abusivo da ELETROBRAS de Alagoas na tarifa de energia, que, sem dúvida, hoje é o maior problema para o desenvolvimento do Estado. 222 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD220] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Glauber Braga, do PSB do Rio de Janeiro. O SR. GLAUBER BRAGA (PSB-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, hoje discutiremos matéria relevante nesta Casa, o Programa Brasil Carinhoso. Mais do que isso, hoje também devemos votar, nominalmente, o chamado Regime Diferenciado de Contratação. No momento em que uma questão como essa é discutida, não podemos deixar de falar da capacidade institucional das Prefeituras, capacidade essa que hoje ainda é muito fragilizada. O Governo Federal tem disponibilizado um conjunto de recursos para os Municípios brasileiros, mas as Prefeituras têm uma dificuldade muito grande em formatar os projetos, em atender as diligências, em fazer o encaminhamento daquilo que é necessário para que o projeto seja bem-sucedido. Por isso, é urgente um programa específico, que possa ser realizado em conjunto com o Governo Federal, com os Governos Estaduais e com as Prefeituras, de fortalecimento da capacidade institucional dos Municípios. Isso tem uma relação direta, claro, com os gastos públicos. Finalizo agradecendo a V.Exa. e dizendo que é urgente para o Brasil fortalecermos a capacidade institucional dos Municípios. 223 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD221] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Edson Santos. O SR. EDSON SANTOS (PT-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, solicito que seja dado como lido pronunciamento em defesa da comunidade do Horto Florestal, área limítrofe ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro, local onde nasci e vivi toda a minha infância, adolescência e juventude — tenho 58 anos de idade. Ocorre que setores que chegaram depois, a classe média alta do Jardim Botânico, pretendem retirar daquela área 600 famílias que lá residem para fazer uma área de lazer. O meu mandato sempre se colocou em defesa da população, na luta por habitação, em defesa da dignidade do ser humano, e disso eu não recuo, mesmo que o jornal O Globo hoje esteja mobilizando artistas e intelectuais para atacarem o meu mandato. Solicito a publicação deste discurso que, na verdade, é a defesa de uma comunidade pobre da Zona Sul que não é tolerada pela elite conservadora do Rio de Janeiro, que quer fazer dos locais nobres de nossa cidade um espaço somente seu. É a dificuldade da elite brasileira de conviver com os pobres, é a dificuldade da elite brasileira de conviver com os diferentes. Portanto, Sr. Presidente, faço o meu pronunciamento e digo que manterei o meu mandato em defesa dos moradores do Horto Florestal. 224 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Srs. e Srs. Deputados, há mais de três décadas arrasta-se o conflito fundiário que opõe a bicentenária comunidade do Horto e a direção do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (IPJB). O assunto voltou a ganhar destaque no noticiário quando, recentemente, o diretor do IPJB anunciou que vai pedir exoneração do cargo pelo fato de sua posição, em defesa da remoção dos moradores do Horto, estar sendo questionada pelo Governo. Embora o pedido de demissão também sirva para, como uma cortina de fumaça, encobrir uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) em andamento no IPJB, o diretor do Instituto busca com o seu gesto criar uma situação de constrangimento no Governo para fortalecer sua tese. Para tanto, conta com o apoio de poderosa empresa de comunicação, cuja sede da emissora de TV está situada em área limítrofe à região do litígio. O que tem acontecido desde então é um verdadeiro massacre midiático, no qual só um lado é ouvido, o lado de Liszt Vieira. Acuados pelo bombardeio de informações parciais publicadas sobre o assunto, os moradores do Horto não estão tendo a oportunidade de demonstrar, dentre outros pontos, estes que destaco: - Embora seja frequentemente rotulado como “invasora” ou “ilegal”, o núcleo inicial da comunidade é anterior à criação do Jardim Botânico. Em 1808, após a criação do Real Horto, atualmente conhecido como IPJB, várias gerações de famílias de funcionários foram convidadas a morar nas proximidades, com autorização formal e informal de sucessivas administrações do Jardim Botânico. - As casas do Horto não estão nem estarão dentro do parque. Tanto o IPJB quanto a comunidade do Horto estão em terras da União, e a instância 225 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 governamental responsável por essa gestão é a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), que, baseada em orientações democráticas, pautadas em nossa Constituição Federal de 1988 e em marcos legais internacionais pelo direito à moradia histórica, conduz o processo de regularização fundiária em favor da permanência da população tradicional do lugar. Detalhado estudo elaborado pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU), com apoio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, já demonstrou que é perfeitamente possível conciliar a permanência dos moradores do Horto com a expansão da área de visitação do Jardim Botânico. Ao contrário do que afirmam alguns comentaristas — sem me ouvir, é importante frisar —, não nos opomos ao reassentamento das casas em situação de risco e outras dentro da área do Jardim Botânico para localidade próxima. Essa é a minha posição desde quando, na condição de Relator da Lei Orgânica do Município do Rio de Janeiro, acrescentei dispositivo que determina que, no caso de necessidade de remanejamento de construções, serão adotadas, em ordem de preferência, as seguintes medidas: reassentamento em terrenos na própria área; reassentamento em locais próximos; reassentamento em locais dotados de infraestrutura, transporte coletivo e equipamentos urbanos. É isto que a SPU propõe: reassentar em localidade próxima as pessoas que hoje ocupam imóveis em situação de risco ou construídos na área atualmente abrangida pelo arboreto. Em área próxima, e não em Nova Sepetiba, como chegou a defender o atual presidente do Jardim Botânico. Pautado por preconceitos e impulsionado pela pressão imobiliária, o grupo em defesa da remoção se traveste de uma falsa defesa do meio ambiente para alcançar 226 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 seus objetivos. O que acontece de forma seletiva, pois não lhes causa incômodo os clubes, as casas e os condomínios de alto padrão que ocupam a mesma área, muitos dos quais causando danos às árvores e cursos de água, além de estarem em desacordo com a legislação por terem sido edificados acima da chamada Cota 100. Apenas os moradores da comunidade tradicional são qualificados como “invasores” e “ilegais”. Sr. Presidente, solicito que este pronunciamento seja divulgado pelos meios de comunicação da Casa, permitindo a expressão de outro ponto de vista e o esclarecimento de questões que estão sendo, deliberadamente, distorcidas. 227 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD222] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Fabio Trad, do PMDB do Mato Grosso do Sul. O SR. FABIO TRAD (PMDB-MS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é no mínimo um paradoxo criticar, em pleno século XXI, a tentativa de empastelamento de um jornal que sempre consagrou o seu mister em defesa da liberdade de expressão e manifestação do pensamento. Mas[CD223] me reporto ao que aconteceu em Campo Grande na última quintafeira — e isso precisa ser repercutido para todo o Brasil. O jornal Correio do Estado, o mais importante diário de Mato Grosso do Sul, foi alvo de uma incursão de agentes da Polícia Federal que, ainda que formalmente cumprissem mandado judicial, acabaram perpetrando autêntica invasão contra aquele veículo de comunicação e, consequentemente, um ataque à democracia. A crônica desses tristes dias para a liberdade de imprensa de Mato Grosso do Sul — e do Brasil, portanto — tem sido pródiga em detalhes sobre a fatídica invasão. Inicialmente respaldada em mandado judicial e, depois, em precária e discutível “ordem oral” da juíza eleitoral, a melancólica sortida policial não surtiu o efeito desejado porque o objeto da própria ação simplesmente não existia. Informada, ou melhor, “desinformada” por dois candidatos a Prefeito de Campo Grande de que o Correio do Estado publicaria uma pesquisa que supostamente favoreceria um terceiro postulante, a Juíza Elizabeth Rosa Baisch, da 36ª Zona Eleitoral, restaurou, de uma só e pernóstica penada, a censura prévia. O fato de não se haver perpetrado a censura prévia, pela razão elementar de não ter o que censurar, não redime nem ameniza os efeitos perversos do ímpeto 228 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 arbitrário da juíza, seja porque houve coação consumada contra jornalistas e técnicos do jornal, seja pelo grave e desarvorado precedente. Com[CD224] esta convicção, ao solidarizar-me com jornalistas, funcionários e diretores do Correio do Estado, na pessoa de seu publisher, o ex-Senador, Antônio João Hugo Rodrigues, referencio o clarividente saber do Exmo. Sr. Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Carlos Ayres Britto. Para ele, a liberdade constitucional não quer dizer o temor do abuso, porque através dele não se vai proibir o uso. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na última quinta-feira, o jornal Correio do Estado, o mais importante diário de Mato Grosso do Sul, foi alvo de uma incursão de agentes da Polícia Federal que, ainda que formalmente cumprissem mandado judicial, acabaram perpetrando autêntica invasão contra aquele veículo de comunicação e, consequentemente, um ataque à democracia. A crônica desses tristes dias para a liberdade de imprensa de Mato Grosso do Sul — e do Brasil, portanto — tem sido pródiga em detalhes sobre a fatídica invasão. Invasão que, ainda que não tenha cumprido seu trágico intento, materializou o fantasma insepulto da censura prévia, que já julgávamos morta e enterrada. Inicialmente respaldada em mandado judicial e, depois, em precária e discutível “ordem oral” da juíza eleitoral, a melancólica sortida policial não surtiu o efeito desejado porque o objeto da própria ação simplesmente não existia. Informada, ou melhor, “desinformada” por dois candidatos a Prefeito de Campo Grande de que o Correio do Estado publicaria pesquisa que supostamente 229 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 favoreceria um terceiro postulante, a Juíza Elizabeth Rosa Baisch, da 36ª Zona Eleitoral, restaurou, de uma só e pernóstica penada, a censura prévia e instrumentalizou em verdugos contra a liberdade de imprensa agentes da Polícia Federal, a mais republicana de nossas instituições policiais. O fato de não se haver perpetrado a censura prévia, pela razão elementar de não ter o que censurar, não redime nem ameniza os efeitos perversos do ímpeto arbitrário da juíza, seja porque houve coação consumada contra jornalistas e técnicos do jornal, seja pelo grave e desarvorado precedente. Como já disse, a chancela judicial que teria legitimado essa violência transforma a caneta de juiz em punhal de verdugo. E a vítima é a democracia. Contudo, ainda que a agressão ao Correio do Estado e à liberdade de imprensa deva ser prontamente repelida com os remédios que o próprio regime democrático assegura, ela constitui um episódio tão isolado quanto melancólico. Com essa convicção, ao solidarizar-me com jornalistas, funcionários e diretores do Correio do Estado, na pessoa de seu publisher, o ex-Senador Antônio João Hugo Rodrigues, referencio o clarividente saber do Exmo. Sr. Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Ayres Britto. Ao observar recentemente que a Constituição de 1988 define que, em caso de choque da liberdade de imprensa com os valores da intimidade, da vida privada, da imagem e da honra o que prevalece é a liberdade de imprensa, com as consequências pelo cometimento de eventuais abusos, o Ministro Ayres Britto foi peremptório: “A Constituição quis dizer que não é pelo temor do abuso que se vai proibir o uso”. 230 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Como se vê, há fundadas esperanças de que, apesar de solavancos e sobressaltos, a democracia brasileira será cada vez mais vigorosa, e a nossa imprensa sempre mais independente e plural. Muito obrigado. 231 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD225] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Luis Carlos Heinze. O SR. LUIS CARLOS HEINZE (PP-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, colegas Parlamentares, mais uma vez venho a esta tribuna para chamar a atenção do Ministro Mendes Ribeiro e também do Ministério da Fazenda para um assunto de que tratamos há quase 2 anos: o endividamento de agricultores. Houve uma seca brutal no Rio Grande do Sul. As perdas foram da ordem de mais de 9 bilhões de reais, basicamente em soja, milho e arroz. Os produtores carecem de uma negociação. Na sexta-feira, o Ministro anunciou, em Porto Alegre, mas até agora ainda não saiu, uma resolução do Banco Central. Os produtores de arroz e outros segmentos estão necessitando dessa negociação. Sabemos que há insistência e boa vontade do Ministro Mendes Ribeiro, mas há impedimento no Ministério da Fazenda. Nós precisamos resolver esse problema, que se iniciou com o arroz, há 4 anos, Deputado Duarte Nogueira, e também com a soja, em função das constantes estiagens. Precisamos de uma solução. Infelizmente, a protelação que enfrentam Rio Grande do Sul e Santa Catarina neste momento, certamente, Deputado Ronaldo Caiado, outros Estados também enfrentam. Portanto, mais uma vez chamo a atenção da Presidente Dilma Rousseff para o caso, especificamente, do arroz. Deputado Ronaldo Caiado, havia 30 mil contratos na safra de 2009. Em 2012, foram 19 mil contratos. Onze mil produtores ficaram fora do processo porque não há mais acesso ao crédito. 232 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Por isso, novamente venho aqui reclamar e dizer que, apesar de o Ministro Mendes Ribeiro Filho entender essa questão, seguramente, a área econômica do Governo não está atendendo aos anseios de milhares e milhares de produtores, principalmente dos Estados do Sul, que sofreram com esse problema. Assim, viemos aqui, mais uma vez, fazer essa reivindicação aos Ministros da Agricultura e da Fazenda. 233 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD226] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Para uma breve intervenção, concedo a palavra ao ilustre Deputado Mauro Benevides. O SR. MAURO BENEVIDES (PMDB-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na próxima quinta-feira, às 10 horas, no Passaré, em nossa metrópole, com a honrosa presença do Ministro Guido Mantega, deverá empossar-se o novo Presidente do Banco do Nordeste, Dr. Ary Joel Lanzarin, com a imensa responsabilidade de reabilitar a imagem da modelar instituição, após desacertos ali ocorridos e que a mídia incumbiu-se de destacar, reclamando por providências do poder central, através do Ministério da Fazenda e do Ministério da Integração Nacional, confiados a Guido Mantega e Fernando Bezerra Coelho. A associação dos funcionários da entidade aguarda realmente com expectativa a atuação do novo Presidente A mim cabe, como ex-Presidente daquela instituição, aplaudir essa decisão, na expectativa de que o novo Presidente cumpra seus objetivos, impulsionando o desenvolvimento daquele banco, agora com a recapitalização assegurada de 4 bilhões de reais. Muito obrigado, Sr. Presidente. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na próxima quinta-feira, às 10 horas, no Passaré, em nossa metrópole, com a honrosa presença do Ministro Guido Mantega, deverá empossar-se o novo Presidente do Banco do Nordeste, Dr. Ary Joel Lanzarin, com a imensa responsabilidade de reabilitar a imagem da modelar 234 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 instituição, após desacertos ali ocorridos e que a mídia se incumbiu de destacar, reclamando por providências do poder central, através do Ministério da Fazenda e do Ministério da Integração Nacional, confiados a Guido Mantega e Fernando Bezerra Coelho. Apoiado em sucessivos expedientes da associação dos funcionários da entidade, reportei-me aqui ao delicado momento do nosso BNB, reiterando a adoção de medidas inadiáveis, como assim o exigia a complexa conjuntura ali instalada nos últimos meses, causando impacto desfavorável junto à opinião pública de nossa Região. Embora sem conhecimento exato das dificuldades históricas do Polígono das Secas, o dirigente agora escolhido reúne experiência e tirocínio bastantes no âmbito das finanças, como servidor de carreira do Banco do Brasil, onde acumulou acuidade bastante para superar percalços que ali se instalaram, sob estarrecimento geral. Na condição de ex-Presidente do BNB e sempre disposto a defender, a exemplo do que fiz desta tribuna, a recapitalização como postulação primordial, registro que o Congresso, recentemente, garantiu mais 4 bilhões de reais para concretizar aquele objetivo pleiteado pelos que vivenciam a evidente realidade sempre posta em destaque pela Associação dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil — AFBNB. Não seria demais relembrar que, no processo constituinte, em 1987-1988, fizemos inserir na Carta Magna o art. 159, criando o Fundo Constitucional, transformado em maior fonte de aporte, a julgar pelas aplicações sob essa rubrica no exercício passado, ultrapassando a casa de 11 bilhões de reais. 235 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 A mim, sucedendo, no passado, o sempre relembrado Camilo Calazans, coube a missão de prosseguir a pertinaz porfia daquele inesquecível amigo e, anos depois, como Senador da República, criar vaga para o banco no Conselho Monetário Nacional, quando Ministro da Fazenda o saudoso Dilson Funaro, na gestão do Presidente José Sarney. Saúdo, desta tribuna, e creio poder fazê-lo em nome de nossa bancada, o novo titular, Dr. Ary Joel Lanzarin, absolutamente convicto de que, com o apoio dos diretores e funcionários, se cumprirá mais uma etapa na trajetória desse órgão creditício modelar, já com relevantes serviços prestados ao País. 236 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra à ilustre Deputada Jô Moraes. S.Exa. dispõe de 2 minutos, da tribuna. A SRA. JÔ MORAES (PCdoB-MG. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) Sr. Presidente, caros Deputados, queridas Deputadas, acabo de vir de uma audiência pública realizada no Senado Federal, na Comissão Especial que aprecia o novo Código Penal, com a presença do Ministro da Justiça. Quero, em primeiro lugar, cumprimentar o Relator, Senador Pedro Taques, por ter apresentado um projeto inovador. Trata-se de um anteprojeto, mas que absorve temas novos, como é o tema da corrupção. Cumprimento também o Ministro da Justiça, que, diante de alguns questionamentos, teve a coragem de tomar posições avançadas, como a posição contrária à redução da imputabilidade penal e contrária à inclusão da atividade dos movimentos sociais em crimes de terrorismo. Mas quero registrar aqui, caros Deputados, queridas Deputadas, que nós ainda temos um enorme desafio: incorporar, no Código Penal, determinados procedimentos que levem em conta que cresce no País o feminicídio, o assassinato de mulheres, acompanhado de um volume de crueldade crescente. No Ceará, no último ano, foram 118 assassinatos de mulheres. Em Minas Gerais, no último ano, foram 63 assassinatos de mulheres. E o acompanhamento, o rigor do tratamento dos criminosos não é acompanhado. A crueldade cresce, mas a pena continua flexibilizada, sobretudo nos casos de tentativas de homicídio. Por isso, faço um apelo a todos os que debatem este tema, no sentido de que possam levar em conta o crescimento do feminicídio em nosso País. Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente. Muito obrigada. 237 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao Sr. Deputado Roberto Freire. O SR. ROBERTO FREIRE (Bloco/PPS-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, quero apenas registrar que enquanto o País assiste, evidentemente com satisfação, ao Supremo Tribunal Federal cumprir com suas atribuições constitucionais no julgamento do Mensalão, nós assistimos a um certo desespero de setores do PT, a partir inclusive do Presidente Nacional do partido, que não segue Lula, que falava do golpe do Mensalão como vindo da Oposição, como vindo do Supremo Tribunal Federal. Ora, isso é uma estultice! Como um presidente nacional de um partido vem falar de golpe, por causa da ação do Supremo Tribunal Federal ao julgar um processo criminal? Golpe é o que ele pretende! Vai querer fechar o Supremo Tribunal Federal, por acaso, porque está condenando mensaleiro? É fundamental alertar que o País está vivendo um momento de mudança política. Poderoso não está acima da lei. Está começando a existir no País a cultura do fim da impunidade. E por isso queremos saudar o posicionamento que vem tendo, de dignidade, o Supremo Tribunal Federal. Muito obrigado. 238 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Com a palavra o ilustre Deputado Onofre Santo Agostini; depois falarão Arnaldo Faria de Sá e Edinho Bez. O SR. ONOFRE SANTO AGOSTINI (PSD-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, sei que não é culpa de V.Exa. Há 319 Deputados presentes. São 18h15min, e na Ordem do Dia existe matéria, Sr. Presidente. Estamos conversando, conversando, e não votamos nada. Apelo a V.Exa. que chame a assessoria, para que votemos a pauta da Ordem do Dia, Sr. Presidente. 239 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD230] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Arnaldo Faria de Sá. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, quero desta tribuna cumprimentar os atletas paralímpicos brasileiros, que têm obtido um êxito extremamente importante para nosso País nas Paralimpíadas de Londres. Fico contente porque, em 1993, quando eu era Secretário de Esportes em São Paulo, lancei o Projeto Integrar, que permitia a prática de atividades esportivas nas quatro áreas de deficiência: mental, física, auditiva e visual. Os resultados têm sido importantes, até mais importantes do que o dos próprios atletas olímpicos brasileiros. Não recebendo eles o mesmo apoio financeiro, a mesma ajuda e a mesma estrutura, têm obtido resultados extremamente importantes. Em uma das provas o Brasil conquistou as três medalhas: ouro, prata e bronze. E por várias vezes houve a exibição do atleta brasileiro que se superou, conquistando uma grande corrida com pernas amputadas. Parabéns aos atletas paralímpicos! 240 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Para uma breve intervenção, tem a palavra o Deputado Edinho Bez, do PMDB de Santa Catarina. O SR. EDINHO BEZ (PMDB-SC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, meus colegas Parlamentares, agora falo do requerimento que apresentei, solicitando a realização da sessão solene extraordinária conjunta requerida pela Deputada Marinha Raupp, conforme o Requerimento nº 5.801, de 2012, para homenagem aos 128 anos da Estrada de Ferro Tereza Cristina, localizada no Município de Tubarão, Estado de Santa Catarina. A Ferrovia Tereza Cristina, inicialmente projetada para o transporte de carvão mineral entre a então localidade de Minas (hoje Lauro Müller) e o Porto de Imbituba, é o menor corredor ferroviário brasileiro. Sua linha é isolada, não sendo interligada ao restante da malha nacional, e conta com apenas 164 quilômetros de extensão. Essa homenagem é justa. Apresentamos projetos para construir também uma ferrovia litorânea. Vamos emendar a linha a Lauro Müller, Tubarão e Araquari, no norte do Estado de Santa Catarina. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, tomo a palavra nesta oportunidade para falar, na qualidade de Vice-Líder nacional do PMDB nesta Casa, sobre o Requerimento nº 6.013, de 2012, de autoria deste Deputado Federal, que solicita a realização de Sessão Solene Extraordinária Conjunta, requerida pela Deputada Federal Marinha Raupp, conforme o Requerimento nº 5.801, de 2012, para 241 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 homenagearmos os 128 anos da Estrada de Ferro Tereza Cristina, localizada no Município de Tubarão, Estado de Santa Catarina. A Ferrovia Tereza Cristina é uma ferrovia inicialmente projetada para o transporte de carvão mineral entre a então localidade de Minas (hoje Lauro Müller) e o Porto de Imbituba. Ela é o menor corredor ferroviário brasileiro. Sua linha é isolada, não sendo interligada ao restante da malha nacional, contando apenas 164 quilômetros de extensão. A estrada de ferro foi inaugurada em 1º de setembro de 1884, ao som da Banda Musical de Imaruí. A sede da Ferrovia, estabelecida em Imbituba, foi transferida para Tubarão no ano de 1906, onde se mantém até os dias de hoje. A Ferrovia Tereza Cristina tem papel fundamental nesse quadro, realizando o transporte do carvão das minas aos Portos de Imbituba e de Laguna. Em 1957, ela foi incorporada ao patrimônio da estatal RFFSA — Rede Ferroviária Federal S/A. O estabelecimento da indústria Carboquímica Catarinense (ICC) em Imbituba, no ano de 1978, com o objetivo de aproveitar os rejeitos piritosos do carvão como fonte de enxofre, aumentou significantemente a demanda de transporte ferroviário. Meus cumprimentos ao caro amigo e competente, Benony Schmitz Filho, diretor-presidente da Ferrovia Tereza Cristina, pela excelente administração frente aos trabalhos realizados, extensivos a todos os servidores e colaboradores diretos e indiretos pela importância histórica da Ferrovia Tereza Cristina. Muito obrigado. 242 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado José Airton Cirilo, do PT do Ceará. O SR. JOSÉ AIRTON (PT-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, venho aqui relatar o drama da estiagem no Nordeste, principalmente no Ceará. Faço um apelo à Companhia Nacional de Abastecimento — CONAB, no sentido de que libere milho para os rebanhos dos agricultores. Realmente, a situação é dramática! O que foi liberado até agora, 4 mil toneladas, não tem condição de atender à nossa necessidade, que é de no mínimo 50 mil toneladas. Por isso fazemos este apelo. Marquei uma audiência com o Presidente da CONAB, para que possamos tratar deste tema com urgência e relevância, pela sua importância. Quero também, Sr. Presidente, registrar aqui o importante documento que recebi ontem das entidades governamentais do setor lagosteiro cearense, trabalho feito e articulado pelo IBAMA. 243 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra, pela ordem, para uma breve intervenção, ao Deputado Otavio Leite. O SR. OTAVIO LEITE (PSDB-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é digno de registro o êxito dos atletas paraolímpicos brasileiros. Já são 15 medalhas conquistadas, em uma perspectiva que se projeta de resultado muito superior, em comparação aos atletas ditos normais. Assim já vem sendo ao longo das outras paraolimpíadas. É a revelação da capacidade de superação do ser humano, do brasileiro que se dedica a uma atividade desportiva de alto rendimento, embora no campo da deficiência visual, auditiva, intelectual ou física. Portanto, esse é um exemplo que merece de todos nós o aplauso sincero, para que sirva de fonte de inspiração para muitos e muitos outros atletas, que queiram ganhar medalhas para o Brasil. Mas, mais do que isso, é preciso dar oportunidade a que todos, deficientes ou não, possam praticar atividades desportivas. Parabéns aos atletas brasileiros! 244 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra, pela ordem, para uma breve intervenção de 1 minuto, ao ilustre Deputado Edinho Araújo, do PMDB de São Paulo. O SR. EDINHO ARAÚJO (PMDB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, participei hoje do 5º Brasil nos Trilhos, um encontro aqui em Brasília que tem como objetivo trocar informações e experiências sobre a complexidade do setor ferroviário brasileiro. O Brasil possui hoje 28 mil quilômetros de ferrovias, pouco mais de 10% do tamanho da malha ferroviária dos Estados Unidos, por exemplo. Optamos por ser um país rodoviário. Recentemente, assistimos à greve no setor. Ela parou o Brasil, Sr. Presidente, nobres Srs. Deputados. Portanto, esse encontro é um momento importante para refletirmos sobre os meios de transporte do nosso País, para que possamos ser mais competitivos e em condições de escoar nossa produção. E a ferrovia é indiscutivelmente um meio de transporte muito mais econômico. Muito obrigado, Sr. Presidente. Peço que V.Exa. dê como lido o meu pronunciamento. PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, como sabem, uma das minhas bandeiras de luta nesta Casa é o fortalecimento da ferrovia como meio de transporte de cargas e passageiros, integrando este nosso País de dimensões continentais. 245 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Entendo a ferrovia como elemento de integração entre as regiões brasileiras mais desenvolvidas e as que apontam agora para o pleno desenvolvimento, e também como alternativa importante para o transporte nas áreas urbanas. Quero registrar, Sr. Presidente, a abertura, hoje, do V Brasil nos Trilhos, um encontro aqui em Brasília que tem como objetivo trocar informações e experiências sobre a complexidade do setor ferroviário brasileiro. O Brasil possui hoje 28 mil quilômetros de ferrovias, pouco mais que 10% do tamanho da malha ferroviária dos Estados Unidos, por exemplo. Optamos por ser um país rodoviário, com os problemas que isso acarreta: alto custo do transporte, desgaste do pavimento, necessidade de altos investimentos em abertura e recuperação de rodovias. Falando na abertura do evento, o Ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, voltou a garantir que o País continuará investindo em infraestrutura ferroviária, rodoviária e portuária, para reduzir os custos logísticos e, consequentemente, aumentar a competitividade brasileira. Ampliar a malha ferroviária brasileira, integrando o Brasil e levando a progresso aos pontos mais distantes é uma necessidade imperiosa no caminho do progresso e do crescimento econômico do País. 246 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra, pela ordem, ao ilustre Deputado Roberto Britto. O SR. ROBERTO BRITTO (PP-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no momento em que tanto se fala em segurança pública e tanto se comenta da insegurança nas cidades, venho a esta tribuna, neste instante, render minhas homenagens à Polícia Militar do Estado da Bahia, especificamente a do Município de Jequié, cidade onde tive a honra de ser Prefeito. Essa cidade tem quase 200 mil habitantes, e recentemente houve a troca de comando da Polícia. O novo comandante, Coronel Serpa, fez uma mudança geral na atitude da Polícia, colocando-a nas ruas; e começou a fazer um policiamento ostensivo. O resultado disso é que, em 60 dias, tivemos uma redução de homicídios em 82%, de furtos e roubos, em 76%, e de arrombamentos, em 94%. Realmente, está de parabéns a gloriosa Polícia Militar do Estado da Bahia, especificamente o Coronel Serpa, o Coronel Castro, o seu Comando Geral, o Major Silvério. Enfim, parabenizo todos aqueles que compõem a Polícia Militar pelo belo trabalho e, de um modo mais alto, o nosso Governador Jaques Wagner, que é o grande comandante de tudo isso! Muito obrigado. 247 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD236] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra, pela ordem, ao ilustre Deputado Jutahy Junior, para uma breve intervenção. O SR. JUTAHY JUNIOR (PSDB-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, sempre defendi que as eleições municipais fossem separadas das eleições nacionais, porque é importante discutirmos os temas locais, a questão da vida do cidadão no seu próprio Município. Fico muito feliz por ter percebido que a estratégia do PT de tentar nacionalizar as campanhas em todos os Municípios do Brasil, como se estes fossem franchise de campanha, como se cada Município tivesse exatamente a mesma característica de outro Município, seja São Paulo, seja Salvador, seja Vitória, seja Xorroxó, seja Central, seja Irecê, porque tudo é igual — ou seja, o time de Lula, o time da Dilma, o “time do 13”, o time do que quer que seja —, não está funcionando. Há uma reação brutal, positiva e democrática no País, rejeitando essa estratégia do PT, que será derrotada. O melhor candidato vencerá, seja de que partido for, independente dessa ideia de se nacionalizar a campanha. 248 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD239]O REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra, pela ordem, ao ilustre Deputado Luiz Couto, do PT da Paraíba, por 2 minutos. O SR. LUIZ COUTO (PT-PB. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, temos hoje grande preocupação com relação ao crescimento das denúncias sobre exploração sexual, abuso sexual, como também com a pedofilia, principalmente a pedofilia via Internet. Nós consideramos que houve um aumento das denúncias, pelo DisqueDenúncia, de 71%, o que mostra que é preciso cuidar efetivamente das nossas crianças e adolescentes, para que não continuem sendo violentados sexualmente. [CD240] Nós consideramos que as políticas públicas devem ser no sentido de assegurar a cada criança, a cada adolescente escola em tempo integral; e que eles possam ter o espaço da escola para o lazer, porque o lúdico é importante na vida da criança e do adolescente. Não dá para aceitarmos a conivência, a omissão, a participação de pessoas que deveriam combater e que, muitas vezes, abafam as denúncias, seja porque envolvam alguém ligado a sua base política ou sua base parlamentar. Nesse sentido, Sr. Presidente, esperamos que a CPI que está investigando as redes de exploração sexual e a pedofilia via Internet nos dê uma resposta e condições para o enfrentamento global a essa situação. Muito obrigado. 249 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD241] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra, pela ordem, ao ilustre Deputado Major Fábio, do DEM da Paraíba. O SR. MAJOR FÁBIO (DEM-PB. Pela ordem. Sem revisão do orador) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, fizemos uma indicação ao Ministério da Justiça, pelo fato de ter tirado o helicóptero da Polícia Rodoviária Federal na Paraíba há quase 2 anos. Hoje, o Estado da Paraíba não tem uma aeronave dessas. Enquanto[CD243] São Paulo, a capital paulista, é a segunda cidade com maior circulação de helicópteros, um Estado brasileiro, a Paraíba, não tem um helicóptero sequer para atender, para socorrer ou para combater o crime. Isso é uma vergonha! Eu exijo que o Ministério da Justiça devolva o helicóptero à nossa Polícia Rodoviária. Outra coisa é que nós estamos assistindo a um monte de promessas de candidatos a prefeito e vereador, e ficamos até assustados. Eu quero cobrar da Presidenta da República, Dilma Rousseff, que prometeu, no seu plano de governo, a criação do Fundo Nacional. E tenho certeza de que a Presidenta, que não mente, não vai faltar, porque ninguém a obrigou a prometer a criação do Piso Nacional. Então, nós esperamos que a Presidenta da República cumpra com sua palavra. Ela prometeu a criação do Fundo, e eu quero que ela cumpra com sua palavra. Muito obrigado. 250 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD244] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. VITOR PENIDO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. VITOR PENIDO (DEM-MG. Pela ordem. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, os portadores de doenças graves e/ou incuráveis enfrentam diversos problemas em nossa sociedade, desde a simples rejeição social, passando pela discriminação, até a dificuldade de acesso a tratamentos e aos locais onde esses tratamentos poderiam ser disponibilizados. [CD246] Quando uma pessoa descobre ser portadora de uma doença grave ou incurável, ela fica abalada, necessitando ser amparada, seja por entes queridos, seja pelo próprio Estado. Contudo, esse abalo, esse choque inicial de se saber portador de patologia crônica e/ou incurável tem que ser superado, e coisas práticas têm que ser pensadas. Dentre tais coisas se encontram a busca pelo tratamento efetivo e a busca pelos benefícios tributários. Sabemos que esses cidadãos, muitas vezes, desconhecem direitos garantidos por lei, criados para trazer uma possível folga no orçamento doméstico. E existem inúmeros benefícios para esses cidadãos. A Constituição Federal, Lei Maior de nosso País, assegura que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Isso significa que todos os cidadãos residentes no Brasil, quando acometidos por qualquer doença, têm direito de receber tratamento pelos órgãos de assistência médica mantidos pela União, pelos Estados e pelos Municípios, assistência esta denominada SUS — Sistema Único de Saúde. Mas o tratamento não é a maior barreira que o acometido por patologias crônicas e/ou incuráveis enfrenta. O custo do tratamento é alto, sendo que a maioria da população não possui condições financeiras para arcar com o tratamento. 251 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Aqueles[CD247] que possuem alguma condição financeira para custear o tratamento, ou parte dele, necessitam de condições especiais para transporte aos locais onde o tratamento é dispensado à população, para compra de medicamentos, uma vez que a tabela dos medicamentos que são fornecidos pelo SUS é limitada, vendo assim todo o dinheiro que era destinado à manutenção do lar se esvair para custear um tratamento que, muitas vezes, é doloroso e cercado de sofrimento. Visando facilitar a vida dessas pessoas, o Estado passa a abrir mão de parte de sua receita tributária, já que qualquer incremento no orçamento dessas pessoas significa um aumento em sua qualidade de vida. Assim, está ligado intimamente o tratamento de pessoas doentes com a matéria tributária, uma vez que, se por um lado é decorrente dos impostos que se sustenta a saúde, por outro é através da concessão de benefícios tributários que se ajudam diretamente os cidadãos no custeio do tratamento. Hoje há isenções de Imposto de Renda, ICMS, IPVA, IPI, IOF, possibilidade de saque antecipado de FGTS, concessão de passe livre e de benefícios previdenciários, como o auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, amparo assistencial, andamento prioritário de processo judicial e adicional de 25% sobre a aposentadoria. A lista, no entanto, poderia ser ainda maior caso fossem criadas leis específicas para estender o amparo a essas pessoas. Embora os direitos tenham perfil diferenciado, a grande maioria destina-se, como se vê, a desonerar o paciente com gastos tributários e garantir incremento no bolso para ajudar no custeio do tratamento, em geral, oneroso, já que os tratamentos demandam a utilização de muitos remédios, suplementos alimentares, fibras e alimentação pouco convencional. 252 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Entende-se que a descoberta dos benefícios que a legislação assegura passa a ser fundamental para a pessoa, uma vez que o tratamento, além de ser longo, é dispendioso. Contudo, os direitos dos portadores de patologias crônicas são muito escassos, pelo menos aqueles já positivados. Assim, o grande problema enfrentado pelos cidadãos acometidos dessas patologias, além da própria doença, é a falta de legislação que lhes garanta o mínimo de dignidade e de direitos. Verificamos, ao que tudo indica, que o direito desses cidadãos hoje é tratado de forma secundária em nossa norma. Os direitos são tão escassos que podem ser conhecidos, decorados salteados, sendo expostos em preciosíssimas cartilhas veiculadas em instituições de tratamento também preciosas para toda a sociedade. A partir de tal problema diagnosticado, propusemos a esta casa o Projeto de Lei Complementar nº 432/2008, atualmente na Comissão de Finanças e Tributação aguardando parecer do Relator. Nossa proposição acrescenta dispositivo à Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), visando isentar do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) a todas as pessoas acometidas de patologias crônicas. A isenção tributária é hipótese de não incidência do tributo. Retira-se do campo de incidência o fato isento, afastando-se o surgimento da obrigação tributária. Refletindo sobre a Lei nº 7.713/1988, depreende-se da norma que o legislador quis aferir vantagens significativas, como a isenção de Imposto de Renda, àqueles indivíduos e contribuintes que, seja por razões da velhice ou por doença grave, apresentam notória dificuldade financeira para a sua própria subsistência, de modo que a exação fiscal não a comprometa. 253 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Igualmente, nossa proposição de nº 432/2008 visa ampliar o rol de isenções tributárias para aqueles que, acometidos de graves patologias, poderão contar com esta pequena, porém significativa contribuição, de viés social, que garante densidade suficiente para alicerçar posições juridicamente protetivas ao cidadão. Apesar de serem notórios os avanços encontrados no Brasil na área de saúde, ainda há um longo caminho a ser trilhado rumo à sociedade ideal com investimentos e benefícios tributários substanciais por parte do Estado, além, é claro, de se aumentar os benefícios tributários aos menos favorecidos, portadores de patologias crônicas. Além disso, é imprescindível a participação de toda a sociedade na busca de se garantir uma melhor qualidade de vida aos cidadãos acometidos por doenças graves e/ou incuráveis. A isenção é um benefício do direito tributário concedido pelo poder público em casos especiais. A concessão é justificada pelo fato de a doença limitar a força produtiva dessas pessoas, além de aumentar os gastos pessoais e familiares com tratamento. A medida proposta pelo PLC nº 432, de 2008, confere inegável mérito à proposição, visto que a isenção do IPTU para os portadores de doenças crônicas é uma forma de compensar os enormes gastos por eles efetuados para o controle das enfermidades e o tratamento das suas complicações. É também uma forma de possibilitar que o contribuinte disponha de mais recursos para cuidar da sua saúde e, dessa maneira, evitar complicações e diminuir a necessidade de procedimentos terapêuticos especializados e de custo elevado. Era o que tinha a dizer. 254 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD248]O REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - A Presidência tem o prazer de anunciar a visita oficial da Delegação Parlamentar da Comissão Especial para elaboração do novo Regimento Interno da Assembleia Nacional de Cabo Verde. Essa delegação está no Brasil desde ontem, dia 3, e ficará até o dia 5 de setembro de 2012. Seu objetivo é conhecer aspectos relativos ao papel das Comissões Permanentes, ao Código de Ética e Decoro Parlamentar, à descentralização dos trabalhos do Parlamento e à aproximação do Parlamento aos cidadãos. A delegação é composta pelos seguintes Parlamentares: Deputado Lívio Fernandes Lopes, Presidente da Comissão; Deputada Joana Gomes Rosa; Deputado Euclides Vieira Cardoso; Deputada Filomena Mendes Gonçalves; e Deputado António Alberto Mendes Fernandes. Saúdo, portanto, essa delegação e lhe rendo as nossas homenagens. (Palmas.) 255 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Para fazer uma saudação, concedo a palavra à ilustre Deputada Janete Rocha Pietá, que está inscrita. (Pausa.) O SR. MAURO BENEVIDES (PMDB-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, enquanto a Deputada se dirige à tribuna, comunico aos ilustres Deputados que a UNILAB, instalada no Município cearense de Redenção, prepara-se para receber agora 40 representantes de Cabo Verde. A UNILAB tem um processo integracionista, criado no outro Governo e do qual fui relator nesta Casa. É a comunicação auspiciosa que faço aos Srs. Deputados que nos visitam neste momento. Muito obrigado. 256 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra à ilustre Deputada Janete Rocha Pietá, do PT de São Paulo. A SRA. JANETE ROCHA PIETÁ (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - DISCURSO DA SRA. DEPUTADA JANETE ROCHA PIETÁ QUE, ENTREGUE À ORADORA PARA REVISÃO, SERÁ POSTERIORMENTE PUBLICADO. (Discurso a ser publicado na Sessão nº 008, de 19/02/13.) 257 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD251]O REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao ilustre Deputado Otavio Leite, que disporá de 3 minutos na tribuna. O SR. OTAVIO LEITE (PSDB-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, inicialmente quero trazer ao conhecimento dos colegas algo que está praticamente consolidado em minha consciência como Parlamentar e como homem público neste instante em que disputo a Prefeitura do Rio de Janeiro. Tenho para mim que para o País será melhor haver uma coincidência de mandatos, para que se unifiquem todos os debates relativos às esferas municipal, estadual e nacional, e de uma vez só. Está mais do que provado que esse interstício de 2 anos acaba por diminuir o ritmo e a operação de vários Poderes da República, e, por assim dizer, o nosso também. Quero, desde já, ao tempo em que reflito sobre as eleições, dar o meu veredito. Sou absolutamente a favor a coincidência dos mandatos. Acho que devemos ter 5 anos, sem reeleição. Em função disso, a sociedade teria muito mais dividendos em relação ao futuro. Nós estamos num processo de debate de uma medida provisória que visa oferecer mais recursos aos Municípios que evoluem em termos de atendimento ao ensino infantil, à educação infantil, às creches, em especial. Há demandas reprimidas em todo lugar no Brasil. Na cidade do Rio de Janeiro não há uma área popular em que não haja mulheres com os seus filhos no colo a requerer creches; e o Município não as oferece. 258 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Aqui está uma oportunidade para que o Município do Rio de Janeiro disponha de mais oferta do que é essencial: o acesso à educação, o acesso à creche, o acesso à base da pirâmide educacional. Sr. Presidente, como estou inscrito, voltarei a falar deste assunto. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Obrigado, Deputado Otavio Leite. O Sr. Inocêncio Oliveira, 3º Secretário, deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Marco Maia, Presidente. 259 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 VI[CD253][CD254] - ORDEM DO DIA PRESENTES OS SEGUINTES SRS. DEPUTADOS: 260 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - A lista de presença registra o comparecimento de 338 Senhoras Deputadas e Senhores Deputados.[CD255] 261 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. ARNALDO JARDIM (Bloco/PPS-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, eu, Deputado Arnaldo Jardim, solicito a V.Exa. que consigne a minha presença, porque não estou conseguindo marcá-la. Por favor. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Tudo bem, Deputado.[CD256] 262 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Item 1 da pauta. Nós fechamos um entendimento no Colégio de Líderes para votar a Medida Provisória nº 570, de 2012, na sessão ordinária. E depois vamos convocar sessão extraordinária para votar três projetos de lei, os quais eu já informo a V.Exas. Aliás[CD257], são dois projetos de lei: o PL nº 370, de 2007, e o PL nº 1.631, de 2011, além do requerimento de urgência para o projeto que trata do fim do Exame da Ordem, a pedido do Deputado Eduardo Cunha. 263 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Passa-se à apreciação da matéria sobre a mesa e da constante da Ordem do Dia. Item 1 da pauta. Medida Provisória nº 570, de 2012 (do Poder Executivo) Discussão, em turno único, da Medida Provisória nº 570, de 2012, que altera a Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004. 264 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O[CD258] SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Não há oradores inscritos. O SR. DUARTE NOGUEIRA - Para discutir, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - V.Exa. não está inscrito aqui. O SR. DUARTE NOGUEIRA - Para discutir a favor. Estou inscrito. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Está inscrito. O SR. DUARTE NOGUEIRA - Obrigado, Presidente Marco Maia. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Para falar contrariamente, concedo a palavra ao Deputado Nelson Marchezan Junior. (Pausa.) Com a palavra o Deputado Domingos Sávio. (Pausa.) Com a palavra o Deputado Otavio Leite. (Pausa.) Para falar a favor, com a palavra o Deputado Amauri Teixeira. (Pausa.) O SR. DUARTE NOGUEIRA - Presidente Marco Maia. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Com a palavra a Deputada Carmen Zanotto. (Pausa.) Com a palavra o Deputado Duarte Nogueira. (Pausa.) Com a palavra o Deputado Sibá Machado. (Pausa.) O SR. DUARTE NOGUEIRA (PSDB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Presidente Marco Maia, com a anuência de V.Exa. e do orador já chamado à tribuna, eu gostaria, para conhecimento do Plenário, que V.Exa. nos apresentasse se houve entendimento na reunião de Líderes e se nós caminhamos nesta sessão ordinária, tendo em vista que na pauta consta a Medida Provisória nº 570. Como vai ser o rito do acordo no andamento desta reunião? Gostaria que V.Exa. nos informasse. 265 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD259] REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Nós tecemos um acordo para votar a Medida Provisória nº 570 nesta sessão ordinária, e depois vamos votar dois projetos de lei e um regime de urgência — o Projeto de Lei nº 370, de 2008, e o Projeto de Lei nº 1.631, de 2011. O Projeto de Lei nº 370 retorna do Senado Federal, para votarmos as emendas que tratam dos crimes de extermínio de seres humanos. Nós já o votamos nesta Casa, ele foi ao Senado Federal, e vamos votar as emendas do Senado Federal. O Projeto de Lei nº 1.631 trata do programa de tratamento e atenção às pessoas portadoras de autismo. O SR. DUARTE NOGUEIRA - Sr. Presidente, tão logo seja esgotada e votada a Medida Provisória nº 570, V.Exa. convocará uma sessão extraordinária com a pauta que anunciou? O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Isso. Uma sessão extraordinária para a votação. O SR. DUARTE NOGUEIRA - Muito obrigado. O SR. CHICO ALENCAR (PSOL-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Nessa ordem, Sr. Presidente? O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Nós ainda vamos tratar, no dia de amanhã, já que não houve acordo para a votação da Medida Provisória nº 571. Estão acontecendo negociações, articulações, para tentarmos chegar a um entendimento para a sua votação. Vamos tratar desse tema no dia de amanhã. O SR. CHICO ALENCAR - Sr. Presidente, apenas um esclarecimento, para a boa dinâmica dos trabalhos. A sessão extraordinária tramitará de acordo com a 266 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 ordem anunciada por V.Exa.: dois projetos. O requerimento de urgência para o debate sobre o Exame de Ordem da Ordem dos Advogados do Brasil é polêmico, e nós nos reservamos o direito de pedir verificação. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - É o terceiro item da pauta. O SR. CHICO ALENCAR - Como exige uma audiência pública, eu sugiro que este seja o último item da pauta. Se não, cai a sessão. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Isso. Muito bem. O SR. CHICO ALENCAR - Pode cair, não é? 267 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Com a palavra o Deputado Otavio Leite. O SR. OTAVIO LEITE (PSDB-RJ. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, essencialmente, eu gostaria de fazer um apelo à base do Governo, para que possa acolher um destaque que apresentamos com o objetivo de tornar mais viáveis, no bojo desta medida provisória, no que diz respeito ao apoio financeiro para a expansão da educação infantil, especialmente as creches, as unidades de ensino que ofereçam estimulação precoce. Estamos[CD260] falando de crianças com deficiência, em geral com paralisia cerebral, para as quais a prática de estimulação precoce permite avanços formidáveis. Portanto, a inclusão da Emenda nº 8 no bojo do projeto não trará nenhum óbice ao que já foi estatuído, mas sobretudo vai oferecer uma oportunidade a alguns milhares de brasileiros jovens, pequenos, que precisam de estimulação precoce. Na verdade, a medida provisória propõe apoio financeiro aos Municípios que expandam a sua base de oferta de educação infantil, especialmente as creches. Todos hão de concordar que não há saída para um mundo melhor que não seja por meio da educação, e a educação infantil como base é princípio elementar. Há uma carência brutal de creches. Não há uma comunidade mais simples, mais pobre do Rio de Janeiro em que não haja demanda reprimida, assim como a pré-escola, em relação à qual precisamos abrir no Rio de Janeiro 20 mil vagas imediatamente. Além disso, na alfabetização também há toda uma precariedade. É preciso corrigir todo esse processo. Esta medida provisória vem na direção de oferecer mais oportunidades de expansão da oferta de vagas, especificamente em creches, em unidades de ensino, na educação infantil de zero a 3 anos. No Rio de Janeiro, por exemplo, nascem 75 268 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 mil crianças. A oferta pública de creches não atinge 30% da demanda. É preciso ampliá-la. Portanto, em apoio a essa proposta, a medida provisória oferece a retaguarda financeira, nos valores concebidos pelo FUNDEB. Muito bem. O que se quer? Eu[CD261] quero adiantar, por uma economia processual, e sugerir à base do Governo — e não sei quem está conduzindo a votação pelo Governo — que acolha a emenda da Deputada Mara Gabrilli e minha, com o objetivo meramente de autorizar o credenciamento desses benefícios instituídos na medida provisória para as turmas de estimulação precoce que atendam às crianças com deficiência em instituições de ensino, em instituições que previamente tenham adotado e cumprido os critérios que a lei exige e, portanto, aptas a receberem e a serem computadas como gastos em manutenção de ensino. Queria anunciar que destacamos essa emenda, mas, antes de tudo, o meu objetivo é o de ponderar que, consensualmente, Sr. Presidente, devemos aprovar a Emenda nº 8, apresentada ao projeto. 269 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O[CD262] SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Para falar a favor, concedo a palavra ao Deputado Amauri Teixeira. O SR. AMAURI TEIXEIRA - Sr. Presidente, havia três inscrições contrárias. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Aviso a V.Exas. que temos oito ou nove destaques a serem votados nesta medida provisória. Portanto, quanto mais rapidamente iniciarmos as votações, mais rapidamente encaminharemos a nossa vida no dia de hoje. O SR. AMAURI TEIXEIRA (PT-BA. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, se as defesas contrárias forem na linha da do Deputado Otavio Leite, vamos ter um consenso. Podemos até ter emendas... A emenda que o Deputado Otavio Leite está propondo tem pertinência. Nós vamos avaliá-la. Mas é importante que esta medida provisória seja aprovada, porque hoje a Ciência e a Neurociência provam que a primeira infância é que determina o conhecimento, a formação cognitiva e não cognitiva, até mesmo a sociabilidade da criança e a sua perspectiva de liderança. Tudo está na primeira infância. [CD263] A Presidenta Dilma Rousseff tem feito um programa extraordinário para proteger a primeira infância. Esta medida provisória vem fortalecer esse programa, não só na construção de creches, não só na ampliação do custeio das creches, mas também na ampliação do Bolsa Família para as famílias que têm crianças com idade de até 6 anos. Protege construindo uma rede poderosa e financiando creches qualificadas para atender a primeira infância; também protege a família dessas crianças, para que haja uma alimentação melhor, uma casa mais adequada e mais protegida. 270 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Então, Sr. Presidente, espero que as inscrições da Oposição tentem apenas aperfeiçoar esta medida provisória tão importante para o futuro do Brasil. Muito obrigado.[CD264] 271 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Para falar a favor, concedo a palavra à Deputada Carmen Zanotto. A SRA. CARMEN ZANOTTO (Bloco/PPS-SC. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em primeiro lugar, quero destacar que somos favoráveis à Medida Provisória nº 570, mas com o destaque contrário ao RDC, incluído pelo nobre Deputado Pedro Uczai. O PPS é absolutamente contrário a essa inclusão na medida provisória. Por outro lado, Sr. Presidente, esta medida provisória busca melhorar um pouco mais o acesso das nossas crianças de zero a 6 anos. [CD265] Ela não é tudo o que desejamos, uma vez que nós precisamos efetivamente investir nessa população, nas nossas crianças, porque é na primeira infância que vamos preparar os nossos jovens e adultos. Em especial, Sr. Presidente, quero destacar duas emendas de minha autoria — uma delas apresentada em conjunto com a Deputada Rosane Ferreira —, que falam da aplicação de recursos financeiros abrangidos por esta medida provisória. Os Municípios e o Distrito Federal deverão assegurar condições de acessibilidade para as pessoas com deficiência, bem como o direito das crianças e dos profissionais da educação infantil a espaço adequado e bem planejado para o desenvolvimento das atividades. Nós temos relatos, Sr. Presidente, de que em algumas creches não há espaço adequado para que as mães possam amamentar os seus filhos. Essa emenda foi rejeitada. Mas nós temos também uma emenda. E quero daqui fazer um apelo ao conjunto de Parlamentares para um destaque. É importante a ampliação dos conjuntos habitacionais? É importante darmos moradia para as pessoas de baixa 272 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 renda? Com certeza! Mas é inadmissível que as famílias que venham a morar nesses conjuntos habitacionais tenham que percorrer quilômetros em busca de uma creche. A Emenda nº 39, de minha autoria e da Deputada Rosane Ferreira, do PV, destaca que, para cada conjunto de 150 unidades, nós precisaremos ter, sim, creches com qualidade. Quero lembrar aos senhores que, se estamos investindo em habitação, precisamos investir conjuntamente em educação infantil, que é a mola mestra da chamada MP do Programa Brasil Carinhoso. [CD266] Sr. Presidente, pedimos a cada Deputado e a cada Deputada desta Casa que, na hora de votarem esse destaque, a Emenda 39, pensem, por favor, nas famílias que vão residir nos conjuntos habitacionais e que precisam de uma vaga na creche. A mãe ou o pai de família precisa atravessar a cidade em busca de vaga em creche porque não garantimos isso no planejamento e na concepção daquele conjunto habitacional. Era isso, Sr. Presidente.[CD267] 273 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Concedo a palavra ao Deputado Duarte Nogueira, para falar a favor. O SR. DUARTE NOGUEIRA (PSDB-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, discutimos favoravelmente esta matéria, a Medida Provisória nº 570, que trata do aprimoramento de políticas públicas na área de educação para a primeira infância. E, portanto, há um componente diretamente ligado a recursos, para atender as crianças em idade de creche, de zero a 48 meses, e as crianças da primeira etapa do ensino infantil, de 4 a 5 anos de idade, que antecede o ensino fundamental, a partir dos 6 anos de idade, quando elas ingressam no primeiro ano da etapa do ensino básico. O Governo Federal agora acorda para a importância de transferir recursos para os Municípios e o Distrito Federal, mesmo que tardiamente, até porque grande parcela das pessoas que têm crianças e trabalham, sejam mulheres, sejam homens, precisa deixar suas crianças nas creches, precisa de apoio, tanto das escolas municipais quanto das escolas conveniadas, para que essas crianças possam estar em regime de atendimento, de acolhimento e de conforto, com os cuidados de professores e de cuidadores dedicados a essa tarefa, para que possam aguardar as mães e os pais durante o seu horário de trabalho. [CD268] O importante é que se tira uma trava, que é o aguardo do ano anterior para efeito de cadastro no IDEB. O que acontece hoje? Para efeito de transferência de recursos federais do FUNDEB, as Prefeituras precisam mandar o cadastro das crianças matriculadas até a última semana do mês de maio, para a transferência do ano seguinte. Esse instrumento permite a antecipação, com a fiscalização do Tribunal de Contas da União e dos Ministérios, tanto do Ministério do 274 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Desenvolvimento Social e Combate à Fome quanto do Ministério da Educação, que serão os responsáveis por essa transferência de recursos. O Relator produziu duas alterações — iremos destacar uma. Já que o Governo conseguiu alterar a Lei de Licitações e Contratos para abrir mão do uso desse instrumento de fiscalização e de contenção de irregularidades nas obras do PAC e da Copa, agora quer liberar geral. Vamos destacar a matéria para impedir que isso aconteça. Mas uma mudança positiva que o Relator faz nós vamos apoiar porque investimentos feitos pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, nas áreas institucionais desses empreendimentos, ficam impedidos de perceber recursos públicos... Com essa alteração, poderemos usar as áreas institucionais para escolas, creches, postos de saúde, centros comunitários, com recursos do Programa Minha Casa, Minha Vida. O Sr. Marco Maia, Presidente, deixa a cadeira da presidência, que é ocupada pelo Sr. Inocêncio Oliveira, 3º Secretário.[CD269] 275 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Concedo a palavra ao Deputado Sibá Machado. O SR. SIBÁ MACHADO (PT-AC. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, gostaria apenas de registrar que esta medida provisória, de largo alcance nacional, é relevante e urgente. O Estado brasileiro vai poder atender a milhões de crianças que ainda vivem em estado de miséria e de pobreza, porque suas famílias não podem ajudá-las tanto. Assim sendo, somos favoráveis a esta medida provisória, Sr. Presidente. 276 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Encerrada a discussão. Passa-se à votação. A Presidência prorroga a sessão por mais 1 hora. 277 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Em votação o parecer da Comissão Mista, na parte em que manifesta opinião favorável quanto ao atendimento dos pressupostos constitucionais de relevância e urgência e de sua adequação financeira e orçamentária, nos termos do art. 8º da Resolução nº 1, de 2002. 278 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Aqueles que forem pela aprovação permaneçam como se encontram. (Pausa.) APROVADO. 279 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O[CD270] SR. DUARTE NOGUEIRA - Orientação, Presidente. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Agora, vamos à orientação. O SR. DUARTE NOGUEIRA (PSDB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, pela bancada do PSDB, orientamos o voto “sim”, conforme já anunciamos da tribuna. Entendemos que, mesmo que tardiamente, o Governo Federal, ao publicar esta Medida Provisória nº 570, vai ao encontro de uma questão nacional, que é a enorme necessidade de ampliarmos as vagas nas creches e no ensino infantil. Se fizermos um levantamento do Censo populacional nas cidades brasileiras, veremos demonstrado que o volume de ofertas e vagas oferecido pelo sistema público em creches é muito aquém das necessidades das pessoas que precisam, sobretudo dos pobres, que precisam trabalhar e que não têm onde deixar suas crianças no horário do trabalho. [CD271] Portanto, esta medida provisória vai ao encontro dessa questão. Acho importante que ela seja aprovada. A bancada do PSDB vai se manifestar favoravelmente porque são recursos que vão permitir a Municípios e ao Distrito Federal ampliar o número de vagas nas escolas e nas creches, no ensino fundamental.[CD272] 280 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Requerimento de votação em globo dos destaques: “Requeremos, nos termos do art. 162, inciso XIV, do Regimento Interno, a votação em globo dos destaques simples apresentados à MP 570/2012.” Assinado pelo Deputado Sibá Machado. 281 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. EDUARDO CUNHA (PMDB-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, só para esclarecer: V.Exa. já votou a admissibilidade da MP? A orientação era para isso. 282 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Em votação o requerimento de votação em globo dos destaques simples. 283 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Aqueles que forem pela aprovação permaneçam como se encontram e os que forem contrários levantem os braços. (Pausa.) Vou repetir a votação para que entendam. Votação do requerimento de votação em globo dos destaques simples. Quem permanecer como se encontra aprova votar todos os destaques separadamente. Os que forem contrários levantem os braços. (Pausa.) O SR. RUBENS BUENO - Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Os destaques simples serão votados... 284 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Votação, em globo, da admissibilidade dos requerimentos de destaques simples. 285 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Aqueles que forem pela aprovação permaneçam como se encontram. Os que forem contrários levantem os braços. (Pausa.) [CD273] 286 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. RUBENS BUENO (Bloco/PPS-PR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, sou o autor de um destaque simples e gostaria de saber se é o meu destaque. Estou perguntando, estou ao microfone. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Foi votado o requerimento; agora, a admissibilidade. [CD274] 287 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Aqueles que forem pela aprovação permaneçam como se encontram e os que são contrários levantem os braços (Pausa.) REJEITADA. Estão prejudicados todos os destaques simples. 288 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Em votação o Projeto de Lei de Conversão nº 16, de 2012, adotado pela Comissão Mista, ressalvados os destaques. 289 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Para encaminhar, concedo a palavra ao ilustre Deputado Nelson Marchezan Junior, do PSDB do Rio Grande do Sul. (Pausa.) Desiste. O SR. AFONSO FLORENCE - Sr. Presidente, pelo PT. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Todos desistem. 290 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Então, em votação o Projeto de Lei de Conversão nº 16, adotado pela Comissão Mista, ressalvados os destaques. 291 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Aqueles que forem pela aprovação permaneçam como se encontram. (Pausa.) APROVADO. 292 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Em votação a emenda apresentada na Comissão Mista, de nº 13, com parecer pela aprovação, ressalvados os destaques. 293 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Aqueles que forem pela aprovação permaneçam como se encontram. APROVADA. 294 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Em votação os destaques. A Presidência pergunta se algum partido quer desistir de algum destaque. O primeiro é do PSDB, sobre a Emenda nº 8; o segundo, do DEM, do Deputado Ronaldo Caiado, sobre a Emenda nº 11; o terceiro, do Deputado Ronaldo Caiado, sobre o art. 11 do PLV; depois, do PSDB; depois, do PV/PPS; depois, do PMDB. (Pausa.) Então, todos os destaques permanecem. 295 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD275][CD276]O REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Vamos votar os destaques. 296 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Sobre a mesa requerimento “Sr. Presidente, requeiro, nos termos do art. 161, II, e § 2º, combinado com o art. 117, IX, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, destaque para votação em separado da Emenda nº 08, oferecida à Medida Provisória nº 570/12.” Assina o Vice-Líder do PSDB. [CD277] 297 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Para falar a favor, concedo a palavra ao ilustre Deputado Cesar Colnago, autor do destaque. (Pausa.) O SR. OTAVIO LEITE (PSDB-RJ. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, por generosa delegação do eminente Deputado Cesar Colnago, vou fazer uso da palavra, dirigindo-me essencialmente à base do Governo e aos que estão no comando da votação desta matéria. Em síntese, o que se pretende é incluir dispositivo para sublinhar um percurso que a lei tem que oferecer, tem que pavimentar, para as crianças com deficiência especial, aquelas que precisam de estimulação precoce. Isso tem íntima relação com as crianças com paralisia cerebral, que[CD278] têm direito a creche, que têm direito a educação, que têm direito a evolução, que têm direito aos princípios, consagrados na Constituição, de acesso ao saber, ao conhecimento e ao desenvolvimento. Quando se sugere a mera autorização, quanto ao credenciamento aos benefícios que esta medida provisória institui, para as instituições de ensino — lógico, as instituições que estão cadastradas, que estão atendendo a todas as exigências, que estão atendendo, com estimulação precoce, a crianças com deficiência —, nós estamos abrindo oportunidade para que os Municípios ofereçam mais chances a crianças com paralisia cerebral, a fim de que tenham acesso àquilo que é fundamental para o seu desenvolvimento, a técnica da estimulação precoce. Então, eu queria sugerir que possamos absorver no texto essa proposta não como um inciso de pré-condição do § 1º do art. 2º, mas como um dispositivo autônomo do projeto, já que ele é autorizativo, já que ele apenas traça uma diretriz 298 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 que poderá ser utilizada pelas instituições de ensino que ofereçam estimulação precoce, um dado extremamente específico que requer uma técnica toda especial. Portanto, uma vez podendo oferecer esse tipo de serviço, os Municípios poderão considerar esse serviço também como despesa de desenvolvimento do ensino e educação, para fins de contabilização do FUNDEB. É algo, portanto, absolutamente adequado, correto, factível. Não vejo qualquer tipo de problema. Eu[CD279] vou, no encaminhamento, Sr. Presidente, sustentar, de maneira completamente inequívoca, que se trata de uma proposta para se fazer a adição ao texto apenas onde couber, e não se introduzindo o inciso IV. Eu queria solicitar ao eminente Deputado Arlindo Chinaglia, que conduz a votação pelo Governo, que possamos aprovar consensualmente matéria sugerida pela Deputada Mara Gabrilli e por este Deputado, a qual, acho, contribui para o aprimoramento do texto. Muito obrigado.[CD280] 299 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - A Presidência informa que, como foi a MP transformada em projeto de lei de conversão, a Emenda nº 13, apresentada com parecer pela aprovação na Comissão Mista, perdeu a essência. Então, não prevalece. O que prevalece é o projeto de conversão. 300 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. AFONSO FLORENCE - Sr. Presidente, a emenda não vai à votação, então? O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Para falar contra, tem a palavra o Deputado Eduardo Cunha. (Pausa.) O SR. AFONSO FLORENCE (PT-BA. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o PT encaminha pela manutenção do texto, contra a emenda, por favor. Sr. Presidente, reconhecemos as boas intenções e o mérito da proposta da emenda. Entretanto, destacamos que, ao mesmo tempo em que o atendimento às crianças que precisam de estimulação precoce está previsto na legislação do FUNDEB, na medida provisória há a previsão da ampliação da oferta de vagas de creches com recursos para crianças de até 6 anos. 301 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Orientação de bancada. O SR. AFONSO FLORENCE (PT-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, a nossa orientação, pelo Partido dos Trabalhadores, é pela manutenção do texto. [CD281] O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Obrigado. O PT vota “não”. Como vota o PMDB, Deputado Eduardo Cunha? O SR. EDUARDO CUNHA (PMDB-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Vota pela manutenção do texto, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Vota “não”. Como vota o PSDB, ilustre Líder Otavio Leite? O SR. OTAVIO LEITE (PSDB-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, queria mais uma vez insistir, em nome da bancada do PSDB, representando inclusive a Deputada Mara Gabrilli, uma das autoras dessa proposta, para que possamos absorvê-la no texto. Há um velho ditado popular que diz que “o que abunda não prejudica”. Esse já é um pressuposto de boa vontade com a ideia em si. Agora, recorrer a um tecnicismo de generalização, considerando que a lei que criou o FUNDEB, por si só, já oferece espaço para a educação especial, é um preciosismo que não deveria ser utilizado neste momento. A estimulação precoce é indispensável para as crianças com paralisia cerebral. Será melhor se pudermos propiciar mais condições ao Município de receber por isso, e também às instituições de ensino que ofereçam esse serviço de fazerem a contabilização no Município, que receberá mais. 302 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O nosso encaminhamento é favorável. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Vota “sim” ou “não”? O SR. OTAVIO LEITE - Sr. Presidente, que a Mesa recepcione essa emenda não como aditivo ao § 1º, mas como dispositivo autônomo, caiba onde couber. Encaminhamos o voto “sim”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - A Presidência agradeceria àqueles que, quando da orientação, dissessem apenas “sim” ou “não”. [CD282] O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Como vota o PSD? O SR. HOMERO PEREIRA (PSD-MT. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, vou ser econômico: o PSD vota “não”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - O PSD vota “não”. Como vota o Bloco PR? O SR. BERNARDO SANTANA DE VASCONCELLOS (Bloco/PR-MG. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Vota “não”, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Vota “não”. Como vota o PP? O SR. JERÔNIMO GOERGEN (PP-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - O Partido Progressista vota “não”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Vota “não”. Como vota o PSB? O SR. LEOPOLDO MEYER (PSB-PR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) O PSB vota “não”, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Vota “não”. Como vota o DEM? (Pausa.) 303 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Como vota o PDT? O SR. MARCOS ROGÉRIO (PDT-RO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) O PDT vota “não”, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Vota “não”. Como vota o PTB? O SR. JOSUÉ BENGTSON (PTB-PA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, o PTB recomenda o voto “não”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Vota “não”. Como vota o Bloco PV/PPS? O SR. RUBENS BUENO (Bloco/PPS-PR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Vota “sim”, Sr. Presidente. A emenda aditiva do Deputado Otavio Leite e da Deputada Mara Gabrilli tem razão de ser, até porque isto está previsto na convenção da ONU, em seu art. 24: autorizar o credenciamento dos benefícios às turmas de estimulação precoce. Portanto, o Bloco PV/PPS vota “sim”, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Vota “sim”. Como vota o PSC? O SR. ANDRÉ MOURA (PSC-SE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - O PSC, Sr. Presidente, vota “não”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Como vota o PCdoB? (Pausa.) Como vota o PRB? (Pausa.) Como vota o PSOL? O SR. CHICO ALENCAR (PSOL-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, o PSOL entende que, ao contrário do Regime Diferenciado de 304 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Contratação, colocado como contrabando nesta medida provisória, esta emenda aditiva se refere ao escopo da iniciativa do Governo, ao Programa Brasil Carinhoso, agregando os direitos da pessoa com deficiência e a possibilidade da sua estimulação nas instituições de ensino. Nosso voto, portanto, é claramente “sim”, e será “não” ao RDC. [CD283] O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Como vota a representação do PEN? (Pausa.) Como vota a representação do PMN? (Pausa.) O SR. RONALDO CAIADO - Sr. Presidente, o Democratas... O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Como vota a Minoria? O SR. ANTONIO CARLOS MENDES THAME (PSDB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o argumento que vem sendo apresentado pelo PT e por partidos aliados que dão sustentação ao Governo é algo absolutamente inacreditável. Dizem que não precisa, que estão de acordo com a emenda, que realmente corresponde a um texto da ONU, mas vão votar contra porque já está isso em outro local, escrito de forma diferente. Ora, não há justificativa plausível para votar contra! Nós estamos claramente defendendo crianças com deficiência, grupo de estimulação. Estamos defendendo que elas possam, dessa forma — possam, possam, não há obrigatoriedade! —, vir a receber auxílio do Governo. Nesse sentido, a Minoria, os partidos de oposição, todos, encaminham o voto “sim” à emenda. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - A Minoria vota “sim”. Como vota o DEM? 305 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. RONALDO CAIADO - Sr. Presidente... O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Como vota o PCdoB? A SRA. JANDIRA FEGHALI (PCdoB-RJ. Pela ordem. Sem revisão da oradora.) - Sr. Presidente, o nosso problema não é com o mérito da emenda. O mérito é justo. No entanto, o Relator dá caminhos, para esse mesmo credenciamento, para outras instituições. Por isso, acompanhamos o Relator quanto ao encaminhamento do voto “não”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Vota “não”. Como vota o DEM? O SR. RONALDO CAIADO (DEM-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, a posição do Democratas é “sim”. Não há por que excluir esta emenda, este destaque apresentado à Medida Provisória nº 570. Isso é mais para universalizar o atendimento às crianças. Não sei por que, Sr. Presidente, a posição do Relator contrária a um texto que só faz acrescentar a oportunidade a essas crianças todas que recebem esse tipo de ensinamento estimulado. O voto é “sim”.[CD284] 306 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Em votação a emenda destacada. Lembro aos Srs. Parlamentares que, se votarem “sim”, ficará como está. Os que votarem “não” rejeitarão a emenda. 307 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Os Srs. Deputados que a aprovam permaneçam como se encontram, e os que forem contrários a sua aprovação levantem os braços. (Pausa.) REJEITADA. 308 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. MARCOS MONTES (PSD-MG. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, na votação anterior, o PSD alterou o voto para “sim”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Sim, está bom, fica alterado. 309 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Destaque da bancada do Democratas: “Sr. Presidente, requeremos a V.Exa., nos termos do art. 161, § 2º, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, destaque para votação em separado da Emenda nº 11 à MP 570/12.” Assina o Deputado Ronaldo Caiado, Vice-Líder do DEM. [CD285] 310 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Com a palavra o autor do destaque, o Deputado Ronaldo Caiado. S.Exa. dispõe de 3 minutos na tribuna. O SR. RONALDO CAIADO (DEM-GO. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, este destaque apresentado pelo Democratas foi muito bem trabalhado pela Deputada Professora Dorinha, que honra a nossa bancada e conhece profundamente a área da educação. Qual é a proposta especificamente apresentada aqui e que trago ao Plenário? É a inclusão, Sr. Presidente, no art. 2º da medida provisória, do § 5º. [CD286]Nesse § 5º se propõe exatamente que 90% dos recursos que são recebidos de acordo com o número de alunos matriculados em instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas, sem fins lucrativos, conveniadas com o poder público, sejam transferidos diretamente para as respectivas instituições. O que acontece é que, hoje, o dinheiro é repassado ao Município, e o Município tem a prerrogativa de decidir quanto vai passar a essas instituições que são conveniadas com o poder público. As pessoas podem dizer: “Mas isso daria uma flexibilidade enorme, para que eles possam gastar de acordo com o interesse apenas daqueles que estão dirigindo essas entidades”. Não. O parágrafo também é bem específico, diz que o investimento é exclusivo para pagamento a profissionais da educação, equipamentos e manutenção da educação infantil. Então, é exatamente com este objetivo que a Deputada Professora Dorinha e o Democratas destacam esta emenda: dar sobrevivência a essas instituições, que hoje ficam ao bel-prazer do poder público, ou seja, do Executivo do Município. 311 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O que nós estamos dizendo? Olha, quando essa verba chegar, 90% dela tem que ser repassada a essas instituições. E essas instituições têm o compromisso de aplicá-la de acordo com aquilo que acabei de dizer. Nesse sentido, Sr. Presidente, eu peço o apoio da base do Governo, como dos demais Parlamentares, já que esta matéria não é de oposição ou de governo. E realmente para melhorar a educação e para dar sobrevivência a essas entidades sem fins lucrativos. Muito obrigado, Sr. Presidente. Era o que tinha a dizer.[CD287] 312 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Orientação de bancada. Como vota o PT? O SR. SIBÁ MACHADO (PT-AC. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, só para reiterar que a ideia é positiva — devemos louvá-la —, mas há outro problema: não dá para concordar com o destaque apresentado pelo DEM, porque vai ferir a autonomia dos entes federados. Por essa razão, o PT vota contra o destaque apresentado. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Vota “não”. Como vota o PMDB, Líder Eduardo Cunha? O SR. EDUARDO CUNHA (PMDB-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, o PMDB vota “não”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Como vota o PSDB, nobre Líder Duarte Nogueira? O SR. DUARTE NOGUEIRA (PSDB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o PSDB vota “sim”. Resumidamente, são recursos que serão destinados diretamente às APAEs, as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais, e a entidades que trabalham com crianças portadoras de deficiência. Portanto, são recursos mais do que justos. A justificativa do Governo em não aceitar essa emenda não se sustenta pelos argumentos aqui apresentados, de que isso rompe com qualquer natureza do pacto federativo. Nós precisamos do pacto federativo para aumentar os recursos da educação, principalmente quando serão voltados para o atendimento de educação especial. 313 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Portanto, nós do PSDB vamos encaminhar o voto “sim”, lamentando a postura do Governo em não querer aprovar este destaque, mas esperando que o Plenário seja soberano e o aprove, em favor das APAEs do nosso País. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - A Presidência agradece àqueles que, na orientação, disserem apenas “sim” ou “não”. Como vota o PSD? O SR. HOMERO PEREIRA (PSD-MT. Pela ordem. Sem revisão do orador.) O PSD vota “não”, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Como vota o Bloco PR? O SR. BERNARDO SANTANA DE VASCONCELLOS (Bloco/PR-MG. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Vota “não”, Sr. Presidente. [CD288] O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Como vota o PP? (Pausa.) Como vota o PSB? O SR. GLAUBER BRAGA (PSB-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - O PSB, Sr. Presidente, mesmo compreendendo a importância que muitas instituições filantrópicas têm no atendimento às crianças e aos adolescentes, entende que esta proposta, este projeto do Governo tem exatamente o objetivo de fortalecimento do serviço público. Está-se procurando garantir que crianças possam ter um atendimento desde os seus primeiros anos. Como a regra se torna aberta, não poderia haver um atendimento adequado do ponto de vista público se neste momento a política não tivesse um foco. Então, pelo atendimento ao serviço público, que tem que ser de qualidade, com a capacidade institucional das Prefeituras em dar um bom atendimento, principalmente às creches, por esse motivo, o PSB vota “não”. 314 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Como vota o DEM, nobre Líder Ronaldo Caiado? (Pausa.) Como vota o PDT? O SR. MARCOS ROGÉRIO (PDT-RO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, a despeito de ser uma proposta aparentemente boa, ela é perigosa e não atende ao objetivo a que se propõe. Dessa forma, o PDT encaminha o voto “não”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Como vota o PTB? O SR. JOSUÉ BENGTSON (PTB-PA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) O PTB encaminha o voto “não”, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Como vota o Bloco PV/PPS, nobre Líder Rubens Bueno? O SR. RUBENS BUENO (Bloco/PPS-PR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, nós vamos encaminhar o voto “sim”, até porque esta proposta estabelece exatamente o contrário do que fala o Relator. Ela especifica claramente a destinação dos recursos para as instituições e o investimento em pagamento a profissionais da educação. E o que é melhor: diz respeito àquelas instituições que são comunitárias, que são privadas, que têm o caráter mais democrático e mais amplo e que não têm fim lucrativo. [CD289] Daí a nossa aprovação a esta emenda da Deputada Dorinha Seabra, que, nós asseguramos, tem todas as condições de ser aprovada, para atender bem as entidades conveniadas com o poder público. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Como vota o PP? 315 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. ARTHUR LIRA (PP-AL. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - O PP vota “não”, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Vota “não”. Como vota o PSC? O SR. ANDRÉ MOURA (PSC-SE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o PSC, por entender que a emenda não alcança o objetivo proposto, encaminha o voto “não”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Vota “não”. Como vota o PCdoB? (Pausa.) Como vota o PRB? O SR. OTONIEL LIMA (PRB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o PRB encaminha o voto “não”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Vota “não”. Como vota o PSOL? O SR. CHICO ALENCAR (PSOL-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, as entidades privadas sem fins lucrativos, comunitárias, associativas, todas filantrópicas, continuarão tendo seus convênios com o poder público, mas nós entendemos que a prioridade máxima, absoluta, tem que ser dada às instituições públicas. Temos um histórico às vezes muito problemático nessa vinculação do dinheiro público com entidades, mesmo as filantrópicas. Então, preferimos não abrir esse leque, como já foi mencionado aqui por outros Líderes, notadamente o Líder do PSB, Deputado Glauber, posição de que compartilhamos. Portanto, o nosso voto “não”. 316 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - O voto é “não”. Como vota a representação do PMN? (Pausa.) [CD290]Como vota o DEM? O SR. RONALDO CAIADO (DEM-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, a posição do Democratas é “sim”, pedindo apoio a este destaque, em que propomos que 90% daquela verba repassada aos Municípios seja encaminhada a todas as entidades filantrópicas conveniadas com o poder público. Hoje, muitas vezes, elas são asfixiadas por não receberem os recursos do Poder Executivo, que tem a prerrogativa de definir para onde irão. Há um estudo, feito pelo partido, que mostra o sucateamento dessas entidades, o seu empobrecimento e a dificuldade de angariar ou de acrescentar nos seus quadros de professores a melhor qualificação. Por isso, Sr. Presidente, peço o voto “sim”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Como vota a Minoria? O SR. ANTONIO CARLOS MENDES THAME (PSDB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a nossa proposição é no sentido de que essas instituições voltadas ao ensino, notadamente as APAEs, possam ter garantia de recebimento direto. Não haveria risco, justificativa posterior, apresentação de contas, porque essas instituições, quando recebem algum recurso público, têm que prestar contas ao Tribunal de Contas. Isso é diferente do caso que ocorreu aqui, em que o partido do Governo votou a favor da não submissão das contas de um sindicato a qualquer órgão fiscalizador. Ao contrário, essas instituições têm que prestar contas. Portanto, não há nenhuma justificativa para que essa emenda não seja aprovada. O nosso encaminhamento é “sim”. 317 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Em votação a emenda destacada. Lembro aos Srs. Parlamentares que aqueles que votarem “sim” votarão pela aprovação da emenda que acrescenta o § 5º ao art. 2º, e os que votarem “não” rejeitarão a emenda. 318 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Os Srs. Parlamentares que a aprovam permaneçam como se encontram, e os que são contrários a ela levantem os braços. (Pausa.) REJEITADA A EMENDA. 319 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Destaque de bancada do Democratas: “Sr. Presidente, requeremos (...) destaque para votação em separado do art. 11 do PLV apresentado à MP 570/12.” Assina o Deputado Ronaldo Caiado. 320 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Para falar a favor, concedo a palavra ao Deputado Ronaldo Caiado. S.Exa. dispõe de 3 minutos na tribuna. O SR. RONALDO CAIADO (DEM-GO. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, nós estamos propondo uma emenda supressiva exatamente ao art. 11, que tem o objetivo primeiro de repassar apenas 25% do valor mínimo por aluno, definido este ano. Nós queremos manter aquilo que está exatamente no corpo do projeto de lei, ou seja: “São obrigatórias as transferências da União aos Municípios e ao Distrito Federal, com a finalidade de prestar apoio financeiro suplementar à manutenção e desenvolvimento da educação infantil para o atendimento em creches de crianças de 0 a 48 meses cadastradas no Censo Escolar da Educação Básica, cujas famílias sejam beneficiárias do Programa Bolsa Família” (...) Isto é exatamente o que está aqui como sendo esse valor suplementar a ser repassado: “o valor suplementar corresponderá a 50% do valor anual mínimo por aluno, definido nacionalmente para a educação infantil.” A medida provisória propõe que neste ano específico de 2012 o Governo repasse apenas 25%, e não os 50%, desse apoio financeiro suplementar a todas aquelas que são entidades com finalidade de prestar atendimento a crianças de 0 a 48 meses. Por isso, queremos que esse repasse financeiro suplementar seja mantido exatamente nos 50%. Com isso, essas entidades poderão remunerar e aperfeiçoar seu corpo docente, fazer a aquisição do material didático, ampliar e construir as creches e fazer investimento melhor na área de segurança alimentar. 321 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Como é emenda supressiva, o Democratas solicita o voto “não”, para excluí-la do texto e fazer com que esse repasse suplementar seja de 50% no ano de 2012 e não de 25%, como propõe a medida provisória. Muito obrigado. 322 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - Para orientação das bancadas. Como orienta o PT? O SR. AFONSO FLORENCE (PT-BA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, o PT orienta pela manutenção do texto. Nós previmos no texto os 50%, e só temos metade do ano pela frente. O propósito da emenda é legítimo. Entretanto, esse propósito já está contemplado com 25% para a previsão até o final do ano. Portanto, “sim”. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - A Presidência agradece a quem disser somente “sim” ou “não”. PMDB, nobre Líder Eduardo Cunha. O SR. EDUARDO CUNHA (PMDB-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, o PMDB vota pela manutenção do texto. O SR. PRESIDENTE (Inocêncio Oliveira) - PSDB, nobre Líder Duarte Nogueira. O SR. DUARTE NOGUEIRA (PSDB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o PSDB vai votar favoravelmente a este destaque. Portanto, a orientação de voto é “não”, para suprimir do texto essa limitação que tira a metade dos recursos deste ano para as transferências, conforme está na medida provisória. Se retirarmos essa parte do texto, ao invés de transferirmos 25%, vamos transferir 50%, em relação ao valor que cada aluno da creche e do ensino infantil recebe do Governo Federal nas transferências do FUNDEB. Portanto, o PSDB vai votar favoravelmente à emenda. A orientação de voto é “não”, para tirar do texto essa limitação, para garantir não 25% este ano, mas, sim e 323 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 já, 50% dos recursos, conforme estabelece a medida provisória, no seu conjunto, para os anos seguintes. O PSDB vota favoravelmente à transferência de recursos para as creches e o ensino infantil. O Sr. Inocêncio Oliveira, 3º Secretário, deixa a cadeira da Presidência, que é ocupada pelo Sr. Marco Maia, Presidente. 324 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Como vota o PSD? (Pausa.) PR? (Pausa.) PP? (Pausa.) PSB? O SR. GLAUBER BRAGA (PSB-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, o PSB vota “sim”. O SR. BERNARDO SANTANA DE VASCONCELLOS (Bloco/PR-MG. Pela ordem. Sem revisão do orador. ) - Sr. Presidente, PR, “sim”. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Como vota o Democratas? O SR. RONALDO CAIADO (DEM-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, nosso voto é “não”. Este destaque supressivo foi apresentado pelo Democratas. O objetivo é fazer com que essa verba suplementar seja repassada na sua totalidade. Não há por que descumprir aquilo que é exatamente o objetivo da medida provisória original. Só por estarmos na metade do ano não é razão para cortarmos a 25% esse valor, já que deixamos de fazer com que essa verba seja destinada também à segurança alimentar, à aquisição de material e a tantas outras melhorias que se podem dar às creches que recebem crianças de zero a 48 meses de idade. O Democratas vota “não”. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Como vota o PDT? O SR. ANDRÉ FIGUEIREDO (PDT-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o PDT vota “sim”. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Como vota o PTB? 325 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. JOSUÉ BENGTSON (PTB-PA. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, o PTB encaminha o voto “sim”. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Como vota o Bloco PV/PPS? O SR. RUBENS BUENO (Bloco/PPS-PR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o Bloco PV/PPS vê aqui, na leitura da medida provisória, a ampliação da oferta de educação infantil. O § 3º do art. 4º diz que o valor de apoio financeiro suplementar corresponderá a 50%. Agora nós estamos votando os 25%. Ou seja, estamos recusando o que o Governo diz na medida provisória: ampliação de oferta e recursos devidamente adequados. Porque agora estamos mudando para 25%. Por isso, nós votamos “não”, pela manutenção do texto, dos 50%. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Como vota o PSC? O SR. ANDRÉ MOURA (PSC-SE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o PSC orienta o voto “sim”. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Como vota o PCdoB? O SR. JOÃO ANANIAS (PCdoB-CE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, o PCdoB orienta o voto “sim”. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Como vota o PRB? O SR. OTONIEL LIMA (PRB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o PRB encaminha o voto “sim”. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - PSOL. O SR. CHICO ALENCAR (PSOL-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) O PSOL diz “não” e explica, ao contrário dos que dizem “sim”, porque é difícil explicar como não garantir, através de medida provisória, que tem efeitos tão logo 326 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 editada, os recursos que ela prevê. Para o futuro, apenas? Não. Entendemos que não podemos, não devemos subtrair 25% dos recursos destinados à creche, à educação infantil, desde já, desde quando a medida provisória é editada. É curioso que, quando se trata de isenções fiscais para as grandes indústrias, de incentivos para os bancos, há generosidade; mas quando se trata do aspecto social, mesmo a partir de iniciativa meritória do Governo, há toda essa cautela e restrição. Por isso, nosso voto é “não” a esta restrição. O SR. HOMERO PEREIRA (PSD-MT. Pela ordem. Sem revisão do orador.) O PSD, Sr. Presidente, encaminha o voto “sim”. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Pois não. Minoria. O SR. ANTONIO CARLOS MENDES THAME (PSDB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, nós achamos inacreditável que possa haver no texto um dispositivo como este, que é um brutal retrocesso! O PT está provando que nós não estamos no fundo do poço em educação infantil; estamos no meio. Ou seja: ela pode ficar pior. Porque vão cortar pela metade os recursos no primeiro ano. É inacreditável! Não há uma justificativa para esse profundo retrocesso, que é diminuir de 50% para 25% os recursos destinados à educação infantil. É interessante que hoje praticamente todos os votos do PT foram nesta mesma linha: diz um “sim” ou diz um “não”, mas não se explica nada e vai-se cortando tudo aquilo que poderia melhorar a ajuda para os deficientes físicos e, agora, de forma tão acintosa, para a educação infantil. 327 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Nós orientamos “não”. O SR. JERÔNIMO GOERGEN (PP-RS. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - O Partido Progressista orienta “sim”, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Governo, como vota? (Pausa.) 328 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Em votação o dispositivo. 329 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Os Srs. Deputados que o aprovam permaneçam como se encontram. (Pausa.) O DISPOSITIVO FOI MANTIDO. 330 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - São dois destaques com o mesmo teor, os Destaques nºs 4 e 5, para votação em separado do art. 14 do PLV apresentado à Medida Provisória nº 570, de 2012. 331 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Para falar a favor do destaque, tem a palavra o Deputado Marcus Pestana. O SR. MARCUS PESTANA (PSDB-MG. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o fundamento do processo licitatório se deve à natureza dos recursos que estão em jogo. São recursos públicos, não são recursos privados, embora muita gente ande confundindo isso no Brasil dos nossos dias. Por serem recursos públicos, recursos de todos, não há a possibilidade de um comportamento como o de uma pessoa física que vai ao supermercado ou a uma agência de automóveis, ou de um empresário que compra um maquinário, faz a escolha pelo custo/benefício e é punido por ineficiência a posteriori. Mas ele faz a escolha que quer no mercado. Recurso[CD292] público, não; é recurso da sociedade, é recurso de todos. E aí vem o fundamento do processo licitatório. A Lei nº 8.666/93 nasceu em um ambiente da crise do Collor, em um ambiente carregado de denúncias, de desconfianças. É verdade que houve rigidez excessiva. A Lei nº 8.666/93 precisa, sim, ser alterada. O Regime Diferenciado de Contratação tem vários avanços. Isso faz parte da cultura gerencial acumulada ao longo dos últimos anos, de se buscar agilidade e eficiência. Inversão de etapas é bom; não existência de um orçamento prévio de referência é bom. Agora, há um aspecto, que é a falta de projeto. A inexistência de projeto executivo para nortear a licitação introduz um problema porque não baliza a competição e a precificação. Como é que a competição na licitação vai se instalar? E aí há uma coisa inédita no Congresso: nós não estamos percebendo que estamos abrindo mão de nossas prerrogativas. 332 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Uma metodologia de licitação, um processo, uma nova Lei de Licitação está passando homeopaticamente a conta-gotas, está passando, e sugando a prerrogativa do Congresso Nacional. O caminho verdadeiro seria o envio de um projeto de lei para aqui ser discutido em audiências públicas, com especialistas, com os nossos setorialistas mergulhando fundo, aprimorando. Ou um regime de licitação é bom para tudo ou não é bom para nada. Não há meio termo. E o que está acontecendo? Fazemos para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas; um mês depois, estendemos para o PAC; agora, em mais uma medida provisória, estendemos para a educação; depois, para a saúde, para o meio ambiente, e por aí vai. Lá em Minas, o nosso interiorano fala: onde passa um boi, passa também a boiada. Abrimos o RDC para as Olimpíadas e para a Copa — passou um boi, passou a boiada. E o Congresso abre mão de suas prerrogativas ao não discutir profundamente uma verdadeira nova Lei de Licitação, e aprova a conta-gotas — um contrabando em medida provisória — a extensão de um regime que, se é bom para a Copa, deve ser bom para tudo. Parte-se então para transformar a Lei de Licitação. Mas isso tem defeitos graves, e o mais grave é não ter projeto executivo, o que não permite precificar corretamente, regular a competição. E daí tudo deriva em aditivos e realinhamento de preços. 333 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD293]O REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Para falar contra, Deputado Sibá Machado. O SR. SIBÁ MACHADO (PT-AC. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, essas preocupações apresentadas aqui por um dos Líderes da Oposição não é preciso tê-las, porque estamos vivendo principalmente um momento de tirar mais de 17 milhões de brasileiros da situação de pobreza e miséria. A medida provisória trabalha exatamente sobre isso, atendendo a um dos mais frágeis alvos, que são as crianças. Os programas do Governo avançam sobre a educação em todos os seus níveis, ampliando o número de escolas técnicas, ampliando o número de universidades novas, ampliando o número de campi das universidades já estabelecidas. A velocidade é tamanha, e é tão grande o número de brasileiros a serem atendidos, que não podemos ficar presos aos rigores de uma burocracia interminável; temos de atingir velocidade no atendimento de construção desses novos centros de ensino no Brasil, mantidos na Lei nº 8.666/93. Infelizmente, a Lei nº 8.666/93 permite um atraso crônico na velocidade da infraestrutura do nosso País. E, diante desses fatos, o Relator sabiamente coloca o Regime Diferenciado de Contratos, dentro dessa medida provisória, para atender única e exclusivamente à ampliação do ensino infantil, à ampliação dos cursos técnicos do nosso País, a fim de que mais jovens brasileiros possam ter uma profissão melhor e, por fim, para que haja a ampliação do ensino superior. Por esta razão, estamos aqui pedindo a não aprovação deste destaque, Sr. Presidente. Precisamos rejeitar este destaque. Esta é a posição do PT. 334 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O RDC é uma brilhante sacada do Relator para levar esse regime diferenciado a esse ramo da educação brasileira. 335 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Para falar contra, Deputado Duarte Nogueira. O SR. DUARTE NOGUEIRA (PSDB-SP. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, eu fico aqui analisando a falta de convicção daqueles representantes do Governo e do PT ao defenderem algo em que, no fundo, não acreditam. Não existe melhor política pública do que a da boa aplicação do dinheiro do contribuinte brasileiro. Se você deixa de ter transparência, se reduz a publicidade, se limita a competição na hora da licitação ou da concorrência pública, é claro que há um prejuízo para o interesse da população. Então não se justificam os argumentos que o Governo coloca. O que eles fizeram? Em 2011, com a Medida Provisória nº 527, tiraram a Lei de Licitações da obrigatoriedade das obras das Olimpíadas de 2016, da Copa das Confederações de 2013 e da Copa do Mundo de 2014, porque não estavam conseguindo fazer os estádios, não por falta de dinheiro, não por falta de projetos, mas por falta de competência gerencial, por falta de previdência, por falta de planejamento adequado. E, ao invés de se zelar pelo interesse do dinheiro público, atropela-se a Lei de Licitações e Contratos para se fazer obras a toque de caixa. E o que aconteceu? As obras encareceram várias vezes, milhões, bilhões de reais. É dinheiro que deveria estar sendo usado nos programas de transferência de renda para atender à população de baixa renda, se tivesse sido economizado, isso se tivesse sido bem planejado, se tivesse sido tratado com eficiência e qualidade. Pela Medida Provisória nº 559, não contentes, eles também estenderam essa liberação para as obras do PAC — pelas mesmas razões de incompetência 336 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 gerencial. Agora querem fazê-lo, mediante esta Medida Provisória nº 570, para todas as obras! Ora, se a Lei de Licitações e Contratos tem as suas imperfeições, vamos corrigi-la, vamos readequá-la, mas não jogá-la no lixo para deixar o “liberou geral”, deixando o lobo tomando conta dos cordeiros. É isso que nós não queremos permitir. É por isso que defendemos este nosso ponto de vista. A Lei de Licitações e Contratos limita os entes públicos, trabalha na contenção da corrupção, das irregularidades, e zela pelo interesse público, sem prejuízo das obras. Ali está muito claro: dependendo do volume da obra, tem-se a tomada de preços, que é um valor, a carta-convite mais barata, ou a licitação pública mais cara. Se há necessidade de aditamento, há uma limitação de até 25%. Se fatores supervenientes que não foram previstos acontecerem, pode-se rever, inclusive, mas não se fazer como o Governo quer. O Governo deseja — o que já fez com relação às obras das Olimpíadas, as obras da Copa das Confederações, as obras da Copa do Mundo, as obras do PAC — fazer o “liberou geral”. É melhor, ao invés de fazer uma medida provisória excepcionalizando os casos, o Governo ter a coragem, aí sim, de mandar para cá um projeto de lei ou uma medida provisória extinguindo a Lei de Licitações e Contratos e colocando outra coisa no lugar. Só que o Governo, como não tem coragem de afrontar a sociedade brasileira com esse acinte, faz com mão do gato, através de emendas de relator, e não de maneira transparente, como deve ser em qualquer democracia. Portanto, nós vamos votar contra esse “liberou geral” e vamos defender a lisura na Lei de Licitações e Contratos para as obras, como ela já prevê. 337 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Para falar pela Liderança do PDT, Deputado André Figueiredo. O SR. AFONSO FLORENCE - Sr. Presidente, estou inscrito para falar a favor. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - V.Exa. está inscrito, mas o Líder tem precedência. Com a palavra o Deputado André Figueiredo, para falar pela Liderança do PDT. Aviso a V.Exas. que vamos chamar uma sessão extraordinária, para continuar a votação dessa medida provisória. 338 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Concedo a palavra ao Deputado André Figueiredo, para uma Comunicação de Liderança, pelo PDT. O SR. ANDRÉ FIGUEIREDO (PDT-CE. Como Líder Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Deputado Marco Maia, Sras. e Srs. Deputados, ocupo a tribuna em um momento que creio ser de extrema importância para o Parlamento nacional. Durante meses, realizamos reuniões na Comissão que estudou o Plano Nacional de Educação, que obteve aprovação consagradora, por unanimidade, quanto à destinação, até 2023, de 10% do PIB para a educação do nosso País. Como regra do Regimento desta Casa, foi impetrado recurso para trazer essa discussão ao Plenário, e não enviá-la diretamente ao Senado da República de forma a acelerar o processo, conforme queria a Comissão. Nós conseguimos hoje, Sras. e Srs. Deputados, derrubar esse recurso. Nós conseguimos que 46 Deputados e Deputadas retirassem a assinatura desse recurso, propiciando, assim, que o Plano Nacional de Educação, da forma como foi aprovado, pudesse ir direto ao Senado da República, na perspectiva de acelerarmos a aprovação desse projeto de tamanha importância para o nosso País e para o nosso povo, especialmente para aqueles que carecem de uma educação verdadeiramente como instrumento de igualdade e de oportunidade. Não posso deixar de mencionar o trabalho hercúleo de vários colegas Parlamentares, a exemplo do Deputado Paulo Rubem Santiago, meu colega de bancada, que trabalhou exaustivamente desde a Comissão Especial; do Deputado Arnaldo Faria de Sá, também outro grande companheiro nessa luta; do Deputado Giovanni Queiroz, do Deputado Chico Alencar e de tantos Deputados e Deputadas 339 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 que trabalharam conosco para que pudéssemos reparar esse equívoco de ação que, infelizmente, iria atrasar, e muito, a aprovação desse sonho de décadas. Sras. e Srs. Deputados, a destinação de 10% do PIB para a educação até 2023 não significa a adoção de um instrumento ad aeternum. A Coreia do Sul, durante uma década, destinou 10% para a educação logo após a guerra que a devastou. E estamos vendo hoje o resultado. Hoje a Coreia destina para a educação apenas 4%, porque durante aquela década ela corrigiu totalmente as desigualdades. Vamos trabalhar, junto com o Senado Federal, para fazer um Plano Nacional de Educação que seja a marca deste Parlamento, a marca do Governo da Presidenta Dilma, a marca do Brasil que tanto sonhamos. Parabéns a esta Casa! Que o Senado da República aprove, com a maior celeridade possível, esse sonho de todo o povo brasileiro. Muito obrigado. O SR. CHICO ALENCAR (PSOL-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Parabéns. Senado: 10% do PIB para a educação, sem protelação! 340 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. ARLINDO CHINAGLIA - Sr. Presidente, peço a palavra como Líder do Governo. 341 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Concedo a palavra ao Deputado Bruno Araújo, para uma Comunicação de Liderança, pelo PSDB. O SR. BRUNO ARAÚJO (PSDB-PE. Como Líder. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o Líder do PDT traz uma das mais importantes notícias deste ano para o conhecimento do Brasil: caiu o recurso imposto pelo Governo ao Plano Nacional de Educação. Quero, seguramente, afirmar que o dia 19 de setembro iria ser um dos dias mais importantes deste ano na Câmara dos Deputados, com a possibilidade de derrubarmos, no plenário, a disposição do Governo de evitar que 10% das riquezas nacionais produzidas fossem para a educação. O Líder do PDT traz uma das notícias que reafirmam a posição do Congresso Nacional com muita força. O PSDB tem, com muita clareza, trabalhado no sentido de colaborar com a votação das matérias para chegarmos ao dia 19 de setembro. Com esse novo momento, com essa importante notícia agora trazida, o Senado da República vai, seguramente, aprovar essa matéria. Esperemos nós que, a exemplo da redução ou do fim dos impostos federais sobre os produtos da cesta básica, matéria decidida pela unanimidade do Congresso e já vaza a notícia de que o Palácio pode ou vai vetar, não se esteja anunciando a existência no Senado de um processo para evitar a votação da matéria ou que a Presidência da República, recebendo essa disposição no Congresso Nacional, deixe de cumprir a decisão de garantirmos grande parte das nossas riquezas para o investimento na educação. 342 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Com isso, Sr. Presidente, há um novo desenho, que passa pela votação de agora. Será mais um presente à educação brasileira — mais uma vez, dirijo-me ao PDT — evitarmos que o regime de contratação diferenciada seja aplicado nessa medida provisória. Aliás, é importante afirmar que toda vez que se falou nisso e o Congresso assumiu posição em relação ao Regime Diferenciado de Contratação, não o fez por iniciativa ou por coragem do Executivo, que trouxe essa proposta no bojo da matéria original. O Executivo sempre buscou socorro em emenda de Relatores para pegar carona na medida provisória e trazer essa matéria que, Sras. e Srs. Deputados, no mínimo, não traz isonomia quando não há o mesmo tratamento para os 27 Governadores da Federação, para os mais de 5 mil Prefeitos de todo o País. Portanto, a votação neste momento, neste destaque, é essencial. E é fundamental que nós possamos retirar essa matéria. Nós percebemos, na reunião de Líderes, a clareza da grande maioria das bancadas, o constrangimento de ver esse dispositivo trazido mais uma vez de carona, de contrabando numa medida provisória. Presidente Marco Maia, desde já quero compartilhar com V.Exa. que, às 20 horas, vamos solicitar novo painel, para podermos com tranquilidade ter tempo de negociar essa medida provisória. Ela[CD294] é importante, é relevante para o País. Mas a grande notícia que o Brasil tem hoje é a de que o Plano Nacional de Educação, que foi construído na Câmara dos Deputados, agora vai ao Senado da República. De modo muito especial, quero cumprimentar todos os Deputados Federais que retiraram seus nomes desse recurso. Quero dizer que esses Deputados 343 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Federais contribuíram para nós avançarmos meses ou talvez anos ao levar dinheiro para a educação. Um segundo momento é chamarmos agora a votação desta medida provisória, chamarmos o feito à ordem e negociar com o Presidente Marco Maia e com os demais Líderes, permitindo que essa medida provisória possa seguir sem o Regime Diferenciado de Contração. E que depois possamos chegar à Medida Provisória nº 571, que dá sequência às tratativas aqui discutidas do Código Florestal, que na Comissão Especial recebeu a unanimidade dos votos de seus membros, na Câmara e no Senado, que votaram sob o argumento de que ali havia um consenso. Os ambientalistas recuaram e a bancada ligada ao agronegócio avançou. O agronegócio recuou para poder permitir uma composição com aqueles que defendem de forma mais enfática o meio ambiente. E chegamos a um entendimento, que agora é reproduzido como ninguém do Governo sabendo quem compôs ou acertou pelo Palácio do Planalto. Uma coisa é certa: ou a Presidenta Dilma desautorizou suas Ministras de Estado que fizeram acordo com o Congresso ou os Líderes do Congresso Nacional assumiram compromissos que não podiam. Quem acertou o que não podia acertar tem que dar satisfação ao Brasil e aos Deputados e Senadores que foram levados a votar achando que havia um entendimento. Respeitamos o poder de veto da Presidenta da República, é constitucional. Mas quando o Executivo vem ao Congresso e propõe acordo para o entendimento, aí, sim, o veto deixa de ter o poder político e é preciso respeitar as composições. Por isso, Sr. Presidente, nós vamos trabalhar para que esta medida seja retirada na tarde de hoje. 344 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - O Líder Arlindo Chinaglia está no plenário? (Pausa.) O SR. EDUARDO CUNHA - Sr. Presidente, a sessão... O SR. RONALDO CAIADO - Sr. Presidente... O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Eu vou ter que encerrar a sessão, mas antes quero propor um entendimento na Casa. Como já foi anunciado que vai ser pedido um novo painel e nós sabemos que, como hoje é terça-feira, a maioria dos Deputados ainda está chegando à Casa, e alguns deles com outros compromissos, quero propor um entendimento. Como essa matéria, de fato, é estranha a esta medida provisória e precisa de uma discussão mais aprofundada, queria ver da possiblidade de votarmos favoravelmente ao destaque apresentado pelo PDT e pelo PSDB. Já que há aqui manifestações do PSD, do PR e de outros partidos no sentido de que não têm vontade de votar essa matéria no dia de hoje, nós votaríamos o destaque e retiraríamos essa matéria do texto. Assim, teríamos mais tempo para discuti-la em outra oportunidade. E convocaríamos uma sessão extraordinária para rapidamente concluir a votação dessa medida provisória, que é importantíssima para o Brasil, e votar os projetos que estão... O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Qual é a emenda, Sr. Presidente? O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - É a emenda do RDC, é o destaque que trata da retirada do RDC do texto. 345 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. ARLINDO CHINAGLIA - Sr. Presidente, eu havia pedido a palavra como Líder. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - Não pode mais. O SR. ARLINDO CHINAGLIA - Eu quero falar. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Eu tenho que encerrar a sessão. O SR. ARLINDO CHINAGLIA - Se eu tivesse tido a palavra, V.Exa. não poderia encerrar a sessão. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Não, já havia passado o tempo. O SR. ARLINDO CHINAGLIA - Não, não havia. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ - Já havia sim. O SR. ARLINDO CHINAGLIA - Não, não havia. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Eu quero ouvi-lo. O SR. ARLINDO CHINAGLIA - Mas eu quero falar sobre o Fundo da Educação. Acho que devo uma explicação sobre isso. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - V.Exa. poderá falar na outra sessão que vamos abrir imediatamente. Eu quero resolver o problema da votação da medida provisória. O SR. NELSON MARQUEZELLI (PTB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Vamos votar, Deputado. Educação, gente! O SR. ARLINDO CHINAGLIA (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) A orientação do Governo é para votarmos contrariamente à retirada do tema RDC do texto. Inclusive, a hora em que eu for falar, quero falar da educação e também do RDC. O SR. NELSON MARQUEZELLI - Setor da educação! É importante isso. 346 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Eu temo, Deputado Arlindo Chinaglia, que se nós encerrarmos a sessão e convocarmos outra, com um painel novo, com a obstrução que está sendo proposta aqui, nós vamos ficar aqui até... O SR. ARLINDO CHINAGLIA - Sr. Presidente, perdoe-me interrompê-lo, mas para haver um ar coloquial, veja... O SR. NELSON MARQUEZELLI - Sr. Presidente, decida. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Eu quero fazer um acordo para nós votarmos essa medida provisória. O SR. ARLINDO CHINAGLIA - Deixe-me fazer uma ponderação a V.Exa. Eu gosto de fazer acordos. Mas eu queria ver, primeiro, se de fato essa obstrução acontece. Não estou desafiando. É que eu preciso conhecer um pouco o posicionamento do Plenário, até porque vários partidos disseram para o próprio Governo, inclusive partidos da Oposição, que não vão obstruir. Então, eu preciso me inteirar mais e melhor disso. O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Eu vou encerrar a sessão. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PTB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, encerre a sessão e espere 15 minutos para abrir a outra, porque, se houver acordo, vai zerar o painel. O SR. RONALDO CAIADO (DEM-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, nós concordamos com a tese de V.Exa. Se não for retirado, logicamente, nós vamos pedir novo painel. Nós concordamos com a decisão de V.Exa. de tirar exatamente o RDC do texto. 347 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Não é decisão minha. Estou querendo propor para chegarmos a um entendimento. Mas não há um entendimento por parte do Governo. Nós vamos abrir uma nova sessão, com um novo painel. O SR. JILMAR TATTO - Sr. Presidente, um minutinho só... 348 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. DUARTE NOGUEIRA (PSDB-SP. Questão de ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, art. 65, uma questão de ordem. Nós precisamos encerrar a sessão. A manifestação, na tribuna, do Líder do Governo foi em desacordo com aquilo que foi proposto por V.Exa. Portanto, se o Presidente imediatamente vai convocar uma sessão extraordinária, ela será convocada com o painel zerado, porque não houve entendimento com o Líder do Governo para que nós suprimíssemos do texto o RDC, conforme proposto pelo Presidente Marco Maia. O SR. CHICO ALENCAR (PSOL-RJ. Pela ordem. Sem revisão do orador.) O PSOL também já pede novo painel para a próxima sessão, caso seja convocada, e concorda com a proposta de acordo de V.Exa. Tira o RDC, discute melhor, aprova o escopo da medida provisória, como ela veio. Não se pode fazer carinho para licitação. O SR. RUBENS BUENO (Bloco/PPS-PR. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o Bloco PV/PPS também está em busca do acordo que V.Exa. propõe. E havendo convocação de nova sessão, evidentemente, zerado o painel. O SR. ANDRÉ MOURA (PSC-SE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, o PSC também está de acordo com a proposta. 349 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Eu vou encerrar a sessão e vamos abrir novo painel. O SR. ARNALDO FARIA DE SÁ (PDT-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Encerre logo, Sr. Presidente! O SR. RONALDO CAIADO (DEM-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) Sr. Presidente, a maioria dos Líderes acolheu a proposta de V.Exa. O SR. ANDRÉ MOURA (PSC-SE. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - O PSC também acolhe a proposta do Presidente Marco Maia, pois entende que é o mais sensato neste momento. 350 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 PRONUNCIAMENTOS ENCAMINHADOS À MESA PARA PUBLICAÇÃO O SR. ANTONIO BULHÕES (PRB-SP. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o dia 12 de agosto foi instituído, pela Lei nº 10.515 de 2002, como o Dia Nacional da Juventude. A ocasião serve à divulgação de todos os temas relativos ao segmento juvenil, e ao maior envolvimento de toda a sociedade na definição de políticas públicas sobre a questão. Em que pese o clichê, nunca será demais afirmar que está na infância e na juventude o futuro do País. Nos tempos atuais, a assertiva torna-se ainda mais pertinente, porquanto depende da educação, de modo radical, o papel e a participação do Brasil no cenário internacional. Educação, aqui, ultrapassa conceitualmente a educação formal. Trata-se também de dar acesso à cultura, ao esporte, às tecnologias de informação. O indivíduo bem formado é aquele que obteve o melhor aproveitamento nas instituições de ensino e, paralelamente, adquiriu senso crítico, desenvolveu sensibilidade social, compreendeu a importância da consolidação de referências culturais e se encontra capacitado para viver um universo informatizado. Infelizmente, Sr. Presidente, nosso País não se encontra no patamar desejado no quesito educação — aí incluída, é claro, a educação formal. Ainda patinamos na péssima remuneração do magistério, na carência de material didático e instalações adequadas, que redunda na má qualidade do ensino e na defasagem em relação aos países de igual condição econômica. Temos ainda de nos haver 351 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 com a urgência da inclusão digital, indispensável para a capacitação da mão de obra brasileira em termos de competitividade e produção de tecnologia. A esse contexto desfavorável, soma-se a indisponibilidade renitente de recursos para o acesso à cultura, para a promoção do esporte, para a oferta de lazer sadio nas grandes e pequenas cidades. O resultado não pode ser bom — e aqui chegamos ao ponto que nos interessa, por ocasião do transcurso do Dia da Juventude. Não temos dúvidas de que a estrutura familiar é fundamental na formação e no desenvolvimento do indivíduo. O desemprego dos pais, a violência doméstica, a ignorância em relação às peculiaridades de cada faixa etária são fatores importantes na desestabilização emocional e na inadequação social de tantos jovens brasileiros. Por outro lado, é certo que vivemos um momento de ruína gradativa dos valores, a reboque de uma cultura de individualismo exacerbado e de materialismo acachapante. Em um cenário como esse, em que se veem desaparecer as referências civilizatórias, cria-se uma profunda falta de perspectiva individual e social — é como se a juventude já não vislumbrasse seu lugar no mundo, não compreendesse as imposições da vida adulta, incapazes que são de lidar com progressivas frustrações. Sem querer simplificar um processo tão complexo, Sr. Presidente, não hesitamos em atribuir a tal situação a avassaladora onda de consumo de drogas que se verifica em nosso País. De modo cada vez mais ostensivo e violento, as drogas vêm avançando todos os limites: se até pouco tempo estava disponível em cada esquina, agora está disponível até mesmo nas salas de aula. A maconha, a cocaína e o crack, entre as ilegais, e o álcool e o cigarro, entre as legais, fazem parte do 352 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 cotidiano de jovens brasileiros de todas as idades e classes sociais. Pois bem, Sr. Presidente, a despeito de todos os programas de prevenção e repressão ao uso de drogas, parece que assistimos a uma guerra perdida. A única reviravolta possível consiste na priorização dos investimentos em educação, formal e informal, para que se estabeleça um novo patamar de expectativas para o jovem brasileiro. É preciso que se criem condições efetivas e materiais de construção da autoestima, da consciência de si e do respectivo potencial e da compreensão do papel de cada qual como ser político e cidadão. É preciso que se ofereçam horizontes e perspectivas, a partir da oferta maciça e consistente de espaços culturais, como bibliotecas, videotecas, salas de teatro, dança e música, bem como o contato pessoal dos estudantes com as diversas formas de expressão artística. Tudo isso, Sr. Presidente, requer a implantação das políticas públicas para a juventude, de modo prioritário, sobretudo no que se refere a liberação de recursos e capacitação de pessoal. Será esse, certamente, o caminho de redenção no que se refere às drogas, que é atualmente o mais dramático problema da juventude brasileira. Essa a nossa mensagem e o nosso compromisso, mais uma vez reiterado no Dia Nacional da Juventude. Muito obrigado, Sr. Presidente. 353 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. INOCÊNCIO OLIVEIRA (Bloco/PR-PE. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a segurança pública está entre as principais reivindicações dos brasileiros hoje em dia. É também um dos indicadores de qualidade de vida de uma nação. Preocupado em combater a criminalidade no País, o Governo lançou, no final de junho, o Plano Brasil Mais Seguro. Trata-se de um pacto pela redução da violência que prevê o enfrentamento ao crime organizado, ações estruturantes na área de perícia e justiça criminal, implantação da polícia de proximidade com repressão qualificada, incluindo o monitoramento e a ocupação de áreas onde são registrados os maiores índices de criminalidade, além da campanha de desarmamento e de cultura de paz. O programa foi iniciado em Alagoas, Estado que enfrenta hoje os maiores índices de violência: são 65 homicídios para cada 100 mil habitantes. Dados recentemente divulgados pelo Sistema Nacional de Mortalidade do Ministério da Saúde mostram que em 3 décadas o número de homicídios em Alagoas cresceu mais de 420%. O Brasil Mais Seguro prevê três eixos de atuação: a melhoria da investigação das mortes violentas; o fortalecimento do policiamento ostensivo e de proximidade (comunitário); e o controle de armas. Serão investidos a princípio cerca de 25 milhões em Alagoas. Os recursos federais se destinam ao Sistema de Justiça, às Polícias Federal e Rodoviária Federal que atuam no Estado, à aquisição de equipamentos, à capacitação e ao aperfeiçoamento da polícia técnica, além de instalação de bases fixas e móveis de videomonitoramento. O Estado se comprometeu a abrir concurso na área de segurança para as Polícias Civil e Militar e a criar um departamento especializado para investigação de homicídios, dentro da Polícia Civil. Será fortalecido também o projeto de bonificação aos policiais que 354 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 apreenderem armas. A parceria prevê ainda o reforço da atuação da Força Nacional de Segurança Pública no fortalecimento da perícia criminal e no monitoramento das áreas de maiores índices de criminalidade. Os resultados alcançados pelo Estado serão avaliados periodicamente e as ações poderão ser adaptadas de acordo com a necessidade. Depois, o programa será estendido a outros Estados da Federação. Neste início de agosto, recebemos uma ótima notícia: uma primeira avaliação, feita exatamente 1 mês após a implantação do programa, mostra que os resultados são bastante satisfatórios. Alagoas registrou no primeiro mês de funcionamento do Programa Brasil Mais Seguro uma redução dos índices de criminalidade em todo o Estado, principalmente nos crimes violentos dolosos, que diminuíram 18% em comparação com o mesmo período do ano passado. A taxa de homicídios em Maceió registrou uma queda de 39,72%, de 28 de junho a 25 de julho, com 44 ocorrências. No mesmo período de 2011, foram 73 mortes. Como se vê, meus caros colegas Parlamentares, em apenas 1 mês foi possível conquistar resultados muito bons, o que demonstra que, ao ser estendido aos demais Estados da Federação, esse plano nacional de combate à violência tem tudo para ser um sucesso. Vale ressaltar que, quando o Governo Federal se dedica a investir no combate à criminalidade, os resultados aparecem. São Paulo, por exemplo, há alguns anos recebeu investimentos na área e conseguiu, em 2004, reduzir os índices de violência em 300%! Isso mostra que vale a pena investir em segurança pública. Em meu Estado de Pernambuco, o Governador Eduardo Campos reduziu drasticamente a insegurança, a violência e os crimes, com índices cada vez menores de mortes, através do Pacto pela Vida, que serve de modelo para outros Estados. 355 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Agora, é esperar a expansão do Brasil Mais Seguro para todos os Estados e apostar que com investimentos estratégicos conseguiremos combater a violência e oferecer a todos os cidadãos brasileiros tranquilidade em suas casas, nas ruas, enfim, segurança para viver em paz em qualquer parte do nosso imenso Brasil. Era o que eu tinha a dizer, Sr. Presidente. Muito obrigado. 356 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PAULO WAGNER (Bloco/PV-RN. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, da mesma forma que, periodicamente, os brasileiros são chamados às urnas para eleger seus governantes, com igual intervalo de tempo observamos o despertar e o adormecer de discussões e tentativas de promover reformas nos sistemas eleitoral, político e partidário do País. Com parcimônia, algumas mudanças importantes vêm sendo adotadas nos últimos anos, mas a grande reforma política, de reestruturação completa da legislação atinente ao tema, tem sido sempre adiada, ora por falta de oportunidade, ora por adversidades de interesses políticos. A Lei da Ficha Limpa é o exemplo mais emblemático de alterações pontuais do nosso sistema eleitoral, carregando, como marca indelével, a virtude de ter sido suscitada por iniciativa da população, um grito dos cidadãos em defesa de padrões éticos no jogo democrático em que estão inseridos os pleitos eleitorais. Na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, a reforma política recebeu atenção dos Parlamentares logo no início da atual Legislatura, e importantes avanços foram alcançados após amplos debates, com a participação da sociedade. As proposições com tramitação iniciada no Senado já foram aprovadas na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania daquela Casa e aguardam inclusão na Ordem do Dia do Plenário. Na Câmara, a matéria está um passo atrás, uma vez que o relatório e as proposições sugeridas pelo Relator, Deputado Henrique Fontana, estão pendentes de aprovação da Comissão Especial criada para efetuar estudos e apresentar propostas em relação à temática. Analisando a situação que se apresenta, com projetos semelhantes 357 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 tramitando em direções contrárias, acreditamos que a falta de articulação entre as duas Casas do Congresso Nacional pode acabar por prejudicar a consolidação da reforma almejada. Os desenhos expostos na Câmara e no Senado atualmente partem de colunas semelhantes: o financiamento público exclusivo de campanhas e mudanças nas regras do sistema eleitoral. Seriam esses os itens cruciais da reforma política, se aprovada fosse sem alterações. Itens, aliás, que configuram modelos muito diferentes dos que estão em vigor. As campanhas eleitorais com financiamento público exclusivo viriam derrubar prática antiga na política brasileira, qual seja, a submissão ao poder econômico, que torna as disputas desiguais, com vantagem evidente a quem dispõe de recursos financeiros de empresas para custear os gastos de campanha. Como não é ponto de consenso, o fim da permissividade atual contraria interesses de quem se beneficia dela e, por isso, o andamento da reforma política segue lento. A agremiação à qual sou filiado, o Partido Verde, tem marcado posição em defesa de um sistema eleitoral em que o poder econômico não seja o elemento preponderante para eleger os representantes da população. Defendemos a ideia de que a democracia direta deve ser forte, com caráter participativo. E a democracia representativa deve ser aperfeiçoada. No que se refere ao novo sistema eleitoral, com a adoção de cálculos e fórmulas diversos para compor os assentos das Casas Legislativas das três esferas de governo, a falta de assentimento é ditada pelos interesses de cada partido. Esses interesses, no entanto, mudam de acordo com o desempenho das legendas em cada eleição. Aquelas que conseguem bons resultados em determinado pleito 358 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 acabam por perder o interesse em mudar o conjunto de normas e deixar o jogo mais equilibrado. E assim o descompasso entre os anseios da população e o comportamento dos ocupantes do poder vai se estendendo. Destaco, como ponto positivo das proposições em estudo no Congresso, o juízo de legislar no sentido do reforço da coesão partidária. Estou certo de que é benéfico para o sistema a centralização de decisões partidárias e o fortalecimento de suas direções, respeitando — claro! — parâmetros para as resoluções baseadas em princípios democráticos resguardados em lei. Sras. e Srs. Deputados, os cidadãos brasileiros cobram de nós atitudes que os permitam voltar a confiar nas instituições representativas e na classe política. Não deixemos passar, mais uma vez, a oportunidade de dar-lhes a resposta a que aspiram e de reedificar um dos pilares do Estado Democrático de Direito. No momento em que assistimos ao julgamento da ação penal que resultou em um dos maiores escândalos do cenário político brasileiro, e em que a sociedade recobra parte de sua fé na justiça e no fim da impunidade, assumamos o nosso papel e ofereçamos ao povo brasileiro a reforma política esperada. É somente do debate franco de ideias e do comprometimento com os nossos eleitores e com os valores da democracia que podem vir à tona as melhores soluções. Polêmicos ou não, não nos furtemos a expor nossas divergências e consensos sobre toda a proposta de reforma política, que tem como pontos principais: a forma de escolha dos candidatos pelos partidos; a formação da lista partidária; a proibição de coligações em eleições proporcionais; as regras de suplência para Senador; a alteração dos requisitos para apresentação de propostas de iniciativa popular; e a alteração das datas de posse nos cargos do Poder 359 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Executivo. Sr. Presidente, sabemos que as conveniências partidárias e individuais dos políticos são os fatores que mais pesam quando chegamos às instâncias deliberativas sobre a reforma política. Devemos, pois, ficar atentos ao que pensa e quer a população brasileira em relação ao assunto. Era o que tinha a dizer. 360 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. JOÃO DADO (PDT-SP. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, assunto complexo e polêmico, o aborto vai muito além dos domínios da saúde pública e dos programas do Governo de atenção à mulher, pelos fatores morais, éticos e religiosos que o condicionam. Deve, pois, ser debatido com lucidez e com serenidade, para que o diálogo não acabe em discussão, e a discussão, em briga, o que gera desentendimentos pessoais e confrontos de grupos. Nas últimas décadas, o povo brasileiro tem se manifestado enérgica e peremptoriamente contra a interrupção da gravidez, admitida por lei em apenas 2 casos: estupro e risco de morte da gestante. Como não poderia deixar de ser, a Câmara dos Deputados é porta-voz dessa convicção, a exemplo do que fez em 2008, ao derrotar o Projeto de Lei nº 1.135, de 1991, que propunha a desapenação da prática do aborto, contra o sentimento de respeito à vida que prevalece em nossa população. Passados 4 anos, recrudesce o movimento dos que são a favor desse crime, agora com o deplorável apoio do Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde. Entre as iniciativas que se prometem para já há uma cartilha de orientação para mulheres dispostas a abortar, assim como a liberação, para venda ao público, de remédios abortivos. Verdadeiros atentados à família brasileira, pela dissolução moral e pela decadência ética defendida pelos que confundem liberdade com libertinagem, modernização com a perda dos princípios e dos valores que devem orientar a nossa conduta. Surpreende o raciocínio torto e equivocado de representantes do Governo, para quem crime é a prática do aborto, não a orientação oferecida às mulheres que 361 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 desejem abortar. Em nome do art. 196 da Constituição Federal, que estabelece a saúde como direito de todos e dever do Estado, insiste-se em descriminalizar um procedimento que constitui inaceitável agressão aos direitos humanos e à família brasileira. Trata-se de problema que, como todos sabem, não é melancólico privilégio do Brasil, mas fruto de um gigantesco movimento internacional, com poderosos defensores norte-americanos e europeus, por meio de entidades que recebem milhões de dólares e de euros para difundir a campanha pelo mundo afora. E as armas são sempre as mesmas: manipulação da imprensa, apoio a pesquisas que reforcem os dados pró-aborto, realização de lobbies junto a governantes e a parlamentares, tudo para que a mentira, milhares de vezes repetida, torne-se verdade, de acordo com a satânica fórmula do nazista Joseph Goebells. Nessa luta contra o mal, compete aos legisladores manter a atenção, exercer com rigor o papel que lhes cabe, para que outros poderes não se arroguem o direito de desempenhá-lo. Lembremo-nos do que prescreve o art. 49 da Constituição em vigor, ao inscrever, como competência exclusiva do Congresso Nacional, “zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes”. Falamos a propósito do Supremo Tribunal Federal, que de uns tempos para cá passou a gerar normas, como as referentes a posse de candidatos derrotados, devido à cassação de governadores de Estado; relação entre pessoas do mesmo sexo; e, mais recentemente, prática de aborto de fetos com anencefalia. Ao STF incumbe, precipuamente, a guarda da Constituição, como ela própria reza no caput do art. 102, e não legislar, como se, em vez de Ministros indicados pelo Presidente da República, ele fosse constituído de Parlamentares eleitos pelo povo. 362 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Assim, pleiteamos ao Presidente Marco Maia que aprove os Recursos nº 147/2012 e 148/2012, com o que o Plenário da Câmara poderá pronunciar-se sobre a suspensão do que tem decidido o Supremo Tribunal Federal, em desrespeito à competência exclusiva do Poder Legislativo. É o que nos cumpre fazer, Sr. Presidente. Muito obrigado. 363 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. WALTER FELDMAN (PSDB-SP. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no dia 28 de maio passado, o Brasil perdeu um dos grandes nomes da comunicação brasileira e um símbolo da comunidade judaica, o Sr. Francisco Gotthilf Z”L. O Sr. Mosaico, como era conhecido, faleceu aos 88 anos. Destes, mais de 60 dedicados ao rádio e à TV. O jornalista e radialista chegou ao Brasil nos anos de 40 com seu pai, o alemão Siegfried Gotthilf. Em São Paulo, montaram uma pequena oficina de consertos de aparelhos de rádio, que mais tarde se transformou em uma loja completa de eletrodomésticos. Além disso, Siegfried assumiu o comando do programa Hora Israelita, na Rádio Piratininga. Pouco tempo depois, durante o Estado Novo, o Governo Federal proibiu a transmissão de programas étnicos. Essa alteração fez com que a atração mudasse para o seu nome atual, já que um diretor da Rádio Tupi sugeriu Mosaico, que vem de Moisés. Após a morte de seu pai, em 1952, Francisco passou a comandar a transmissão e, no início da década de 1960, percebendo o potencial da televisão como ferramenta de comunicação, lançou a versão televisiva do Mosaico. O programa teve estreia ao vivo no dia 16 de julho de 1961, no Teatro Cultura Artística (principal estúdio da TV Excelsior paulistana), e contou com a presença de diversas autoridades. Após 2 anos, transferiu-se para a TV Cultura, depois para a TV Tupi paulista, até que entrou no ar pela TV Gazeta, onde permaneceu por mais de 25 anos e consolidou um público fidelíssimo. Mesmo com as mudanças de emissoras e as dificuldades marcadas pelas fases de transformações da televisão, o programa Mosaico nunca parou e, hoje, 364 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 completa 51 anos ininterruptamente no ar. É considerado pelo Livro Guinness dos Recordes, um dos programas mais antigos ainda em veiculação da TV Mundial. Atualmente, a atração é veiculada por emissoras a cabo — abertas e fechadas. Francisco e sua equipe sempre seguiram o ideário com o qual o Mosaico foi criado: uma visão liberal e aberta do judaísmo, preservando a continuidade dos valores e tradições judaicas; a promoção das relações entre Brasil e Israel e a defesa dos ideais da paz. O programa sempre recebeu convidados de diferentes religiões, bem como de todos os setores da Comunidade Judaica. Segundo Francisco, o papel do Mosaico era como uma ponte pelo entendimento e contra o preconceito. Como político, representante da comunidade judaica e um dos lutadores pela propagação da cultura de paz no mundo, deixo nesta Casa uma singela homenagem a um homem que se dedicou, além da sua família, a um bom jornalismo, exercido com ética e responsabilidade, que contribuiu para a construção de uma sociedade onde todos os cidadãos tenham acesso a uma informação de qualidade, servindo de inspirações para outras gerações. Francisco deixará saudades, ele faz parte da história da TV e do povo judeu no Brasil. Como disse seu filho Roni Gotthilf, Chico, para os mais próximos, era um homem simples, otimista e engraçado. “Meu pai viveu a vida que ele quis viver”, afirma Roni. Toda a história desse visionário, que foi um homem a frente do seu tempo, pode ser vista no documentário com a história do programa chamado de Sr. Mosaico. A digitalização de todo o acervo audiovisual do programa foi doado para o Arquivo Histórico Judaico de São Paulo. 365 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Não poderia deixar de registrar aqui nosso apreço e nossa dor pela perda de mais dois grandes líderes judaicos a quem queremos agradecer pela grande contribuição deixada: o Sr. Berel Aizenstein, exemplo de liderança, ex-Presidente da Confederação Israelita do Brasil, que veio a falecer no dia 25 de abril passado, e o Sr. Hélio Bialsk, ilustre advogado criminalista e assíduo defensor dos direitos, que nos deixou no ultimo dia 30 de abril. Nossas eternas saudades. Obrigado. 366 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. MIRIQUINHO BATISTA (PT-PA. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, peço que este registro conste nos Anais desta Casa e que a ele se dê publicidade no jornal impresso, na rádio e no site da Câmara e no programa A Voz do Brasil. Venho aqui parabenizar o brasileiro paraense Alan Fonteles, que conquistou neste domingo a medalha de ouro nos 200 metros rasos na classe T44 dos Jogos Paralímpicos. Ele completou a prova em 21 segundos e 45 centésimos e deixou para trás ninguém menos que o sul-africano Oscar Pistorius, que é considerado uma lenda do atletismo e era o ídolo de Alan. Alan Fonteles é vencedor desde bebezinho. Com apenas 21 dias de vida, ele teve as duas pernas amputadas em consequência de uma série de manifestações graves causadas por uma infecção intestinal. Alan nasceu em Marabá, e seu interesse por atletismo começou quando ele tinha apenas 8 anos. A vontade de correr era tão grande que o garoto começou a treinar com as mesmas próteses de madeira que usava para andar, totalmente inadequadas à prática esportiva, e seu joelho chegava a sangrar. Senhoras e senhores, imaginem: um menino que não podia sequer andar hoje corre — e corre muito! Foi persistente e logo depois de ganhar o primeiro par de próteses de fibra de carbono chegou à primeira Paralimpíada, em Pequim. Com apenas 16 anos, ficou em sétimo lugar nos 200 metros T44, com 24 segundos e 21 centésimos, e viu o ídolo Pistorius levar o ouro com um recorde paralímpico (21 segundos e 67 centésimos). A medalha de prata no revezamento de 4X100 metros, no entanto, já indicava que Alan estava apenas começando uma promissora carreira nas pistas mundiais. 367 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Segundo a sua mãe, Sra. Cláudia, desde criança Alan sempre teve um histórico de quem superou as suas limitações. Sua mãe conta que Alan aprendeu a andar antes de completar 2 anos. Aos 3 anos, já andava de bicicleta pelas ruas próximas de sua casa. Jogava futebol como qualquer outro menino da idade dele. O menino superou as próprias limitações do corpo e correu rápido para conseguir driblar o destino. Mais que um grande atleta, Alan Fonteles é um exemplo para outros portadores de necessidades especiais e para todos nós, que nos consideramos normais. Alan Fonteles é um exemplo de vida! Quantas pessoas conhecemos que não têm deficiência alguma e não fazem um terço do que esse grande rapaz fez e faz. Parabéns, Alan! O Pará tem orgulho de ter um filho como você, exemplo digno de vida! Era o que eu tinha a dizer. Muito obrigado. 368 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. ALEX CANZIANI (PTB-PR. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ocupo hoje esta tribuna para ressaltar a relevância do trabalho da nossa Comissão Especial que analisa as reformas do ensino médio. Estamos trabalhando nesta Casa para apresentar propostas de mudanças no nosso ensino médio, que atualmente é um dos gargalos da educação. “Vamos ouvir professores, secretários de educação e especialistas no assunto, para reformularmos nosso ensino médio, que hoje é o grande gargalo da educação brasileira”, destacou o Deputado da educação. A qualidade dos alunos que saem do ensino médio é muito ruim. E muitos nem o fazem. Também acho que há muitas matérias. Temos que reduzir a quantidade, para que haja mais qualidade. Faltam professores para tanta matéria. Na Comissão, vamos levantar como é o ensino médio em outros países. Vamos discutir com o MEC a respeito de que maneira podemos fazer um novo ensino médio para Brasil. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica — IDEB, no caso do ensino médio, calculado por amostragem, permaneceu praticamente estagnado em 2011. O crescimento foi de apenas 0,1. O maior IDEB do País em relação ao ensino médio é o de Santa Catarina, com 4,3. Além desse Estado do Sul, São Paulo (4,1) e Paraná (4) são os únicos com o índice acima ou igual a 4. O índice reúne os dados de desempenho e fluxo de escolas da rede pública e da rede privada. Segundo especialistas, se o País continuar nesse ritmo, essa etapa de ensino só atingirá o IDEB 6 — média equivalente ao nível dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico — em 2057. Precisamos de mudanças estruturais com urgência no ensino médio, para não comprometermos o futuro de nossos jovens, que precisam estar bem preparados 369 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 para o mercado de trabalho, cada vez mais exigente e competitivo. Portanto, vejo esse trabalho da Comissão Especial para o ensino médio como avanço para alcançarmos uma educação de qualidade para todos. 370 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 A SRA. BRUNA FURLAN (PSDB-SP. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é motivo de grande satisfação ocupar esta tribuna para elogiar o desempenho de uma escola da minha cidade natal nos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), divulgados recentemente. A Escola de Ensino Fundamental, Médio e Técnico Professora Dagmar Ribas Trindade, de Barueri, foi a primeira colocada entre as escolas públicas no ranking estadual do IDEB nas séries finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano), com média 6,6, que leva em conta o rendimento escolar dos alunos e a nota obtida pelos estudantes na Prova Brasil 2011, aplicada pelo Ministério da Educação. A mesma escola ficou em sétimo lugar na lista estadual das unidades de ensino das séries iniciais, com a média de 7,7. Em um universo de quase 31 mil escolas públicas com classes do 6º ao 9º ano, avaliadas em todo o País, a Escola Professora Dagmar Ribas Trindade ficou na 28ª colocação, enchendo de orgulho alunos, professores, funcionários e dirigentes da instituição, bem como toda a população de Barueri. A excelente posição ocupada no ranking nacional demonstra que o compromisso coletivo, ao aliar bom projeto pedagógico, infraestrutura de primeira qualidade, integração de alunos e participação das famílias, resulta em êxito. No caso daquela escola, é importante enfatizar a seriedade da Fundação Instituto de Educação de Barueri, entidade sem fins lucrativos, criada em 1994 e mantida pela Prefeitura Municipal, que administra a unidade e outras 7 instituições de ensino. Com o objetivo de oferecer boas condições para que seus alunos ingressem com sucesso em cursos de nível superior e no mercado de trabalho, a Fundação vem 371 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 realizando elogiável trabalho no aparelhamento humano e material de suas unidades escolares. Merece também reconhecimento a eficiente política educacional adotada pela Prefeitura de Barueri e pela Secretaria de Educação nas duas recentes gestões. Desde 2005, a área de educação é tratada com a devida prioridade, e com visíveis avanços. Em pouco mais de 7 anos, foram construídas 36 unidades escolares, entre maternais, de educação infantil e de ensino fundamental, técnico e superior; outras 12 foram reconstruídas e 9, ampliadas e reformadas. Melhorando o aparato educacional, com espaços adequados e investimentos maciços para melhorar a remuneração, formação e qualificação de professores, educadores e dirigentes, os bons frutos já estão sendo colhidos. A nota média das escolas de Barueri, no último IDEB, foi de 5,9 nas séries iniciais, e de 5 nas séries finais. Esses valores estão muito acima das médias nacionais apuradas: 5 para os primeiros anos e 4,1 para os últimos. Também em relação ao desempenho das escolas paulistas o Município sobressai, com médias maiores que as averiguadas no conjunto estadual, já alcançando as metas estabelecidas para 2013. Sr. Presidente, os bons exemplos e as boas práticas em políticas públicas precisam ser reconhecidos e divulgados para que sejam replicados. O que está acontecendo na rede pública de ensino de Barueri deve ser visto como modelo e inspiração para os administradores públicos de todo o Brasil. Apesar de parecer lugar-comum, o discurso de que a educação deve ter a primazia dos investimentos dos governos se quisermos o real desenvolvimento do nosso País, ainda observamos que, em muitos lugares, a realidade está a quilômetros de distância das promessas anunciadas em campanhas eleitorais. Milhares de Municípios brasileiros 372 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 aguardam incrementos dos repasses federais para poder lançar mão de políticas educacionais promissoras. Porém, com a interposição de recurso meramente protelatório, o Governo impediu que o projeto do Plano Nacional de Educação seguisse desta Casa para o Senado. A manobra evidencia falta de compromisso do Executivo Federal com a área. A deliberação sobre esse recurso deverá acontecer depois das eleições de outubro, caso não sejam criados novos obstáculos à aprovação do aumento do repasse de recursos para a educação nos Estados e Municípios. Esta realidade entristecedora faz aflorar ainda mais os méritos das administrações e das instituições que se destacam pela boa qualidade de ensino oferecida às crianças e adolescentes. Reforço, por fim, minhas congratulações à Prefeitura Municipal de Barueri, pela seriedade com que conduz sua rede de ensino, composta por mais de 90 unidades escolares. Cumprimento também os alunos, professores, equipe pedagógica e a diretora Marlene de Azevedo, que levaram a Escola de Ensino Fundamental, Médio e Técnico Professora Dagmar Ribas Trindade ao rol das melhores instituições de ensino do País. Parabéns! 373 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 A SRA. FLÁVIA MORAIS (PDT-GO. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero registrar a passagem do Dia do Profissional de Educação Física, comemorado em 1º de setembro, data da regulamentação dessa profissão tão importante para todos nós. A vida moderna, sobretudo nas grandes cidades, tornou imprescindível o trabalho dos profissionais de educação física, responsáveis pela organização de uma atividade indispensável para todas as pessoas submetidas ao estresse cotidiano, agravado pelo sedentarismo. Mais do que nunca, as atividades físicas bem orientadas se constituem num dos pilares fundamentais da saúde física e mental de homens, mulheres e crianças. Basta dizer que essas atividades fazem parte do tratamento para várias das doenças comuns nos dias de hoje, como obesidade, diabetes, pressão alta e doenças nervosas em geral. Junto com a reeducação alimentar, as práticas esportivas reforçam positivamente o sistema ósseo-muscular e fortalecem o coração e os pulmões, produzindo maior tônus e vitalidade no organismo como um todo. A educação física caminha na direção apontada pela medicina do futuro, que terá seus esforços direcionados prioritariamente para a prevenção das doenças. Inúmeros estudos, nos mais diversos países, já comprovaram a relação direta entre a movimentação física e o controle das enfermidades. Se, por um lado, os indivíduos ativos vivem mais e melhor do que os sedentários, também, por outro, os sistemas públicos de saúde se beneficiam diretamente com essas ações preventivas. A redução de custos com internações e medicamentos é bastante significativa quando as práticas preventivas são 374 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 intensificadas. Devemos, portanto, louvar, mais uma vez, o trabalho realizado pelos profissionais de educação física, que tantos benefícios oferecem à formação de nossas crianças e adolescentes, ao fortalecimento da condição fisiológica dos adultos engajados no mercado de trabalho, e à melhor qualidade de vida na velhice. Uma criança que pratica esportes na escola recebe uma estimulação positiva que proporciona não apenas um corpo mais saudável, mas também uma condição propícia ao bom desempenho nos estudos teóricos. Essa realidade se repete no caso dos adultos, que melhoram sua participação no trabalho, fato já reconhecido pelas grandes corporações, que estimulam a atividade física por parte de seus empregados. Num momento em que a urbanização se mostra como tendência predominante em todo o mundo e quando se verificam os riscos trazidos pelo sedentarismo, devemos incentivar cada vez mais o desenvolvimento dos profissionais de educação física, requisitando sua participação em todos os setores da vida cotidiana. Quanto mais reconhecermos, individual e coletivamente, a unidade psicossomática dos seres humanos, quanto mais pensarmos que somos fruto da integração entre corpo e mente, mais chances teremos de encontrar o caminho da vida saudável que todos desejamos. E a construção dessa mentalidade só será possível com o trabalho abrangente e sistemático realizado pelos profissionais de educação física. Obrigada. 375 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. FÁBIO FARIA (PSD-RN. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, desde o início de agosto, a cidade de Natal conta com um aeroporto totalmente remodelado e reequipado. A inauguração das obras realizadas no Aeroporto Internacional Augusto Severo era aguardada há muito tempo, com a promessa da INFRAERO, empresa pública que o administra e encarregou-se da reforma, de oferecer conforto e serviços mais eficientes aos usuários e trabalhadores do complexo. De fato, as dependências do aeroporto estão em boas condições. As salas de embarque e desembarque foram ampliadas, novos elevadores e escadas rolantes foram instalados, banheiros e fraldário foram reformados e foram abertos doze novos guichês para check-in. A capacidade do aeroporto foi ampliada para bem acomodar a chegada e partida de mais de 5 milhões de passageiros anualmente, número já bem próximo da demanda estimada para este ano. No entanto, Sr. Presidente, toda aquela bela estrutura recém-entregue está com o seu pleno funcionamento comprometido pela falta de recursos humanos aptos a operar os equipamentos instalados e a dar fluidez ao movimento de passageiros. Recebi reclamações de funcionários da INFRAERO em relação à sobrecarga de trabalho a que estão sendo submetidos no setor de segurança e fiscalização de bagagens. Apenas uma equipe tem trabalhado na operação dos detectores de metais e aparelhos de raios X nos embarques domésticos, o que tem causado grande desconforto para os turistas. Os próprios funcionários lamentam os prejuízos provocados pela impossibilidade de dar boa vazão ao fluxo de passageiros, mas afirmam que somente quando houver outros conjuntos de equipamentos em funcionamento, além de mais operadores, a situação poderá melhorar. 376 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Ora, Natal é um dos principais destinos turísticos do Brasil, recebe número cada vez maior de viajantes brasileiros e estrangeiros e é uma das portas de entrada de turistas europeus no Nordeste, com voos regulares e fretados provenientes de Portugal, Itália, Holanda e outros países. Não é razoável, portanto, que a situação vexatória e de incômodo que temos observado no Aeroporto Augusto Severo permaneça como está. É importante ressaltar que o funcionamento desse aeroporto para voos comerciais está com os dias contados. Assim que o novo complexo aeroportuário da Grande Natal, em construção no Município de São Gonçalo do Amarante, estiver pronto, apenas as operações militares deverão continuar no aeroporto atual. Mas até que o novo terminal fique pronto, como ficamos? Os potiguares e os turistas deverão suportar as filas e dificuldades operacionais do Aeroporto Augusto Severo sem que seus administradores tomem providências para mudar o quadro vigente? Espero, sinceramente, que não! O compromisso de dar a Natal nova, moderna e ampla estrutura para aviões e passageiros em menos de 2 anos não pode inibir ou prejudicar o funcionamento da que já existe. Reitero, portanto, que é necessária a atenção da INFRAERO ao Aeroporto Augusto Severo no que tange à alocação de pessoal para assegurar o bom funcionamento e atendimento aos milhares de passageiros que passam diariamente pelo local. Era o que tinha a dizer. 377 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 A SRA. ALINE CORRÊA (PP-SP. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, quero aproveitar esta oportunidade para prestar minha homenagem ao Sr. Oscar Augusto Guelli, emérito professor paulista, cuja memória evoca tanto a dedicação incondicional ao magistério quanto o vigor democrático de um combatente da Revolução Constitucionalista de 1932. Oscar Guelli nasceu em 1898, na cidade paulista de Pirassununga, e iniciou a carreira como docente no Município de Taiúva, tendo sido, logo em seguida, nomeado Delegado Regional de Ensino na cidade de Bauru, responsabilizando-se pela implantação de Delegacias em Botucatu, São José do Rio Preto, Casa Branca, Presidente Prudente e Jundiaí. Continuou a exercer o magistério, com a mesma competência e brilhantismo, nas cidades de Franca e Casa Branca, conquistando tamanha admiração que acabou designado Diretor-Geral de Educação do Estado de São Paulo, cargo no qual se notabilizaria, pela seriedade, pela dedicação e pela retidão de caráter, deixando exemplo marcante para as gerações que o sucederam. Mas o homem que colocaria o melhor de sua energia e criatividade nas salas de aula e no planejamento da educação foi também um idealista, capaz de lançar-se de corpo e alma à resistência formada no Estado de São Paulo contra a ditadura imposta ao País por Getúlio Vargas. Defensor apaixonado da causa constitucionalista, Oscar Augusto Guelli participou ativamente das lutas em defesa da legalidade, contribuindo, lado a lado com seus correligionários, para o esforço de guerra que incluiu não apenas doação de dinheiro e recursos para custear as tropas, mas também o sangue e a vida de muitos combatentes. 378 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 O conflito armado produziu inúmeras REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 mortes, sobretudo no lado constitucionalista, que dispunha de menos armamentos e soldados, e deixou como legado a confirmação da bravura e do heroísmo dos paulistas, que, naquele episódio, deram ao País e ao mundo um exemplo admirável de civismo e solidariedade. Homens como Oscar Augusto Guelli mostraram, com palavras e ações, o verdadeiro valor da cidadania e da democracia e escreveram uma das mais belas e significativas páginas de nossa história. Aproveito esta oportunidade, portanto, para registrar minha homenagem a todos os combatentes do Movimento de 32, que lutaram, mesmo isolados, mesmo traídos, com as poucas armas que tinham, para defender a dignidade e a independência política de São Paulo. Nesse sentido, Oscar Guelli simboliza, com sua trajetória, aquilo que nós identificamos como valores fundamentais para o Brasil hoje: educação e liberdade. Educação como base para o desenvolvimento sustentável, e liberdade como motivação para a verdadeira cidadania e a justiça social. Oscar Augusto Guelli casou-se com a Profa. Cecilia Rolemberg Porto Guelli, com quem teve cinco filhos: Cid Augusto Guelli, Rubens Oscar Guelli, Oscar Augusto Guelli Filho, Enio Leonidio Guelli e Edith Guelli. Faleceu em 1974, na cidade de Americana. Que a memória desse grande homem continue a iluminar os caminhos dos que acreditam na possibilidade de construirmos um mundo sempre melhor, mais justo e mais humano. Era o que tinha a destacar. Muito obrigada. 379 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. JEFFERSON CAMPOS (PSD-SP. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o profissional de Psicologia é, como o próprio nome da teoria sugere, um conhecedor da mente humana. A palavra remete ao significado de uma ciência da alma, por sua definição mais antiga. Os primeiros filósofos começaram a fazer especulações em relação a problemas psicológicos, em busca de respostas sobre a natureza da alma e de sua relação com o corpo. Daí a razão para se afirmar que a Filosofia é a mãe da Psicologia ou que os filósofos foram os precursores dos psicólogos. O termo “psicologia” apareceu pela primeira vez em uma publicação do humanista croata Marco Marulik, ao tratar o pensamento humano, suas angústias e inquietações. No século XIX surgiu o primeiro laboratório de Psicologia, em Leipzig , na Alemanha, criado em 1879 por Wilhelm Wundt. Este cientista contribuiu com uma visão mais fisiológica sobre a mente humana. Através destes preceitos, o emocional e o biológico, o conceito de Psicologia foi modificado para os dias de hoje. Atualmente, a definição da Psicologia é outra e remete à sua missão como ciência: “estudar os fenômenos da mente e do comportamento do homem com o objetivo de orientar os indivíduos a enfrentar suas dificuldades emocionais e ajudá-los a encontrar o equilíbrio entre a razão e a emoção”. Portanto, o objeto de estudo do psicólogo é o comportamento humano e o seu principal objetivo é compreender o homem. Outros profissionais também se dedicam a essa complexa compreensão, já que antropólogos, sociólogos e economistas se esforçam neste sentido. Porém, existe uma ênfase sobretudo nos grupos e sociedades, enquanto os psicólogos 380 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 fixam seu estudo no indivíduo. Por outro lado, existe a importante relação do indivíduo com o coletivo, e para isso há vários ramos que abordam essas situações específicas dentro da Psicologia, como a clínica, a jurídica, a social, a do desenvolvimento e a experimental, de peculiar importância para as pesquisas da área, dentre outras tantas que prestam serviço fundamental para a sociedade como um todo, contribuindo para seu desenvolvimento. No dia 27 de agosto próximo passado, foi comemorado no Brasil o Dia do Psicólogo. Nessa mesma data, no ano de 1962, a profissão foi regulamentada através da Lei nº 4.119. Diversas escolas de Psicologia foram-se desenvolvendo: behaviorismo, psicanálise, Gestalt, desenvolvimentista, humanismo. Cada uma dessas escolas tem uma perspectiva diferente de estudo da Psicologia: para os behavioristas é o comportamento, para os psicanalistas é a alma através do inconsciente, para os gestaltistas é o homem por meio de sua percepção; e, para os desenvolvimentistas, a relação desenvolvimento/aprendizagem. Cada escola aborda o “eu” conforme sua ótica, mas todas se empenham em tratar os conflitos, as angústias e o equilíbrio emocional do indivíduo. A todos os profissionais que se dedicam ao bem estar psíquico das pessoas, sejam eles seguidores de Freud, Jung ou outros pensadores, presto esta singela homenagem. Solicito, Sr. Presidente, que meu pronunciamento seja divulgado nos meios de comunicação da Casa e no programa A Voz do Brasil. Muito obrigado. 381 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 A SRA. IRACEMA PORTELLA (PP-PI. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no último dia 29 de agosto, a Presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que institui o sistema de cotas raciais e sociais para acesso a instituições públicas de ensino superior de todo o Brasil. A nova legislação, que representa um avanço no sentido da inclusão social, estabelece que as universidades públicas federais e os institutos técnicos federais reservem metade das vagas para estudantes que tenham cursado todo o ensino médio em escolas públicas. Elas serão prioritariamente preenchidas por alunos negros e indígenas, seguindo a proporção dessa população em cada Estado. Além disso, das vagas reservadas, 50% serão destinadas a alunos de escolas públicas que tenham renda per capita familiar de até R$933. Trata-se, sem dúvida, de uma medida de extrema importância e de grande alcance social, que deve merecer o nosso apoio e o nosso aplauso. Essa ação afirmativa, que é fundamental, traz, entretanto, gigantescos desafios para o Brasil. É importante ressaltar que precisamos associar a essa medida de inclusão e de democratização do acesso ao ensino superior políticas públicas capazes de acelerar o processo de melhoria da qualidade de todas as etapas da educação. Aprimorar a qualidade no ensino médio é especialmente desafiador e deve ser uma missão encarada pelo poder público como urgente e essencial. É uma ação que precisa ser colocada em prática em consonância com a política de cotas. De acordo com o Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ao assinar a lei, a Presidente Dilma disse que o mecanismo tem de aliar inclusão e qualidade do 382 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 ensino superior público. “Ela falou que temos dois grandes desafios: um é o da inclusão, para permitir que um maior número de estudantes possa acessar as universidades. O outro é a meritocracia, a excelência das universidades. Os dois critérios têm que estar presentes na implantação dessa política”, sublinhou o Ministro. A Presidente vetou o art. 2º, que criava um coeficiente para selecionar os estudantes que poderiam ingressar nas vagas destinadas às cotas. Com isso, o Governo resolveu que o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) será o instrumento que definirá o preenchimento das vagas reservadas. Conforme explicou Mercadante, as universidades poderão adotar mecanismos complementares. As universidades e os institutos federais terão 4 anos para implantar progressivamente o percentual de reserva de vagas estabelecido pela nova lei, mesmo as que já adotam algum tipo de sistema afirmativo na seleção de estudantes. As regras e o cronograma de transição serão estabelecidos pela regulamentação da lei, que deve acontecer ainda neste ano para assegurar a entrada da legislação em 2013. A regulamentação deverá criar, por exemplo, medidas para compensar eventuais diferenças entre alunos que ingressaram pelas cotas e os egressos do sistema universal. “Teremos que ter uma política das universidades para acolher esses estudantes. Muitas universidades federais já fazem isso, já temos experiências de tutoria — professores que acompanham esses alunos — e de nivelamento, para que 383 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 aqueles que tenham alguma deficiência possam se preparar para os desafios do curso que em que vão ingressar”, disse o Ministro. As políticas afirmativas devem ser um mecanismo transitório, cuja função central é corrigir distorções e combater as desigualdades sociais. Sobre isso é importante levar em conta as palavras da Ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal. “As ações afirmativas não são as melhores opções. A melhor opção é ter uma sociedade na qual todo mundo seja livre para ser o que quiser. A cota é uma etapa, um processo, uma necessidade em uma sociedade onde isso não aconteceu naturalmente”, afirmou a Ministra. Por fim, gostaria de lembrar o célebre discurso de Ruy Barbosa, Oração aos Moços, para paraninfar os formandos da turma de 1920, da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo: “A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade. O mais são desvarios da inveja, do orgulho, ou da loucura. Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real.” Era o que tinha a dizer. Muito obrigada. 384 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. LEONARDO QUINTÃO (PMDB-MG. Pronuncia o seguinte discurso.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, um dos melhores indicadores do desenvolvimento de um país é a infraestrutura, relativa principalmente a portos, aeroportos, estradas e ferrovias. Sem ela, o esforço pelo crescimento da economia, os recursos gastos pelo Governo se perdem por não haver como levar a produção (agrícola, sobretudo) de um ponto a outro do território nacional, e pelas dificuldades de fazê-la chegar às mãos dos estrangeiros que a compram. Esses gargalos impõem gigantescos prejuízos a todos: ao Estado, ao mercado interno e ao nosso comércio com o exterior. Para responder a desafio tão grande, a Presidente Dilma Rousseff anunciou, no dia 15 de agosto, um “Pacote de Indução do Crescimento”, que já se legitima, antes mesmo de que saia do papel, como verdadeiro marco histórico na luta contra as limitações e as carências que, há séculos, nos escravizam ao atraso econômico e à pobreza social. Em ação noticiada pela imprensa como “choque de capitalismo”, o poder público vai transferir para a iniciativa privada a construção, a administração e a manutenção de 5 portos, 5 aeroportos, 50 mil quilômetros de estradas e 12 mil quilômetros de ferrovias, com o que, de acordo com a própria Chefe de Governo, desataremos o “nó Brasil”, responsável pelo custo que agrega ônus devastador à nossa produção. Segundo o novo programa do Governo, 50 mil quilômetros de rodovias federais (45 mil já existentes, 5 mil projetados) serão concedidos a empresas privadas, que por eles pagarão aproximadamente 20 bilhões de reais, a serem obrigatoriamente investidos na conservação e duplicação das próprias estradas. 385 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Deverão ser recuperados, prioritariamente, os trechos Belo Horizonte-Vitória e Goiânia-Palmas. Quanto ao transporte ferroviário, o leilão deverá atrair outros 20 bilhões de reais em investimentos, para a modernização de uma velha e pequena rede, 40% construída há mais de 60 anos, com apenas 12 mil quilômetros de extensão, insignificante se comparada aos 35 mil quilômetros da Argentina e aos 200 mil quilômetros dos Estados Unidos. Entre as obras previstas, destacam-se a Ferrovia de Integração Centro-Oeste, com 1.600 quilômetros; o Ferroanel de São Paulo, até o Porto de Santos; e a reforma de trechos como Belo Horizonte-Salvador e Rio de Janeiro-Vitória. No que concerne ao sistema portuário, planeja-se a construção de 3 portos: em Ilhéus, na Bahia; em Vitória, no Espírito Santo; e em Manaus, no Amazonas. E 2 passarão para a iniciativa privada, o de Salvador e o já existente em Vitória. Empresas donas de terminais, a exemplo da Vale, poderão, durante a entressafra, abrir suas instalações para outras exportadoras. O custo estimado é de 10 bilhões de reais. Relativamente aos aeroportos, parcerias com empresários terão por objeto o do Galeão, no Rio de Janeiro, o de Confins, em Belo Horizonte, e um terceiro no Nordeste, em Salvador ou em Recife, a ser ampliado para funcionar como tronco regional. A segunda etapa do processo contemplará os aeroportos Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e Congonhas, em São Paulo. Para evitar candidaturas de empresas sem a devida qualificação, estabeleceu-se como obrigatória a experiência na administração de aeroportos com movimento superior a 30 milhões de passageiros por ano. 386 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Como se vê, a Presidente Dilma Rousseff tornará ainda maior o impressionante canteiro de obras em que já transformou o Brasil. Mais do que apenas um “choque de capitalismo”, o que hoje nos faz viver um momento histórico é a construção de um novo futuro, com sólidos alicerces na prosperidade econômica e na justiça social. Assim, a Nação brasileira finalmente poderá cumprir o papel que lhe cabe, como edificante exemplo de determinação, de firmeza e de trabalho para os povos do mundo. Muito obrigado. 387 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PAUDERNEY AVELINO (DEM-AM. Pronuncia o seguinte discurso.) Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a conjuntura nacional, neste momento, está mostrando o quanto o atual Governo, implantado há 1 ano e 9 meses, vem patinando em suas hesitações em matéria de política econômica. Como não há plano de governo, foram, no início, adotadas políticas fiscais e monetárias de curto prazo, e nada mais consistente, até porque quase todo o ano de 2011 teve de ser dedicado a administrar problemas criados com denúncias de irregularidades contra alguns membros da equipe do novo governo, num troca-troca de Ministros a cada mês e, às vezes, até a cada semana. Seguiram-se pacotes sucessivos de medidas protecionistas de caráter pontual que não produziram resultados positivos. O discurso oficial vinha sendo teimosamente o de que o Brasil estaria imune a qualquer contágio externo. E, em matéria de providências governamentais, tudo se resumia em incentivar o crescimento do consumo e a expansão do crédito. Muito se fez nessa linha e nada adiantou. E a crise externa recrudesceu, entrando numa espiral de efeitos negativos sobre o nosso PIB. O Governo acreditava que, depois de crescer apenas 2,7% em 2011, o PIB reagiria já nos primeiros meses de 2012. Os sinais, porém, vêm sendo desoladores: o ritmo de expansão recuou ainda mais na primeira metade do ano e agora o PIB pode crescer abaixo de 2% em 2012. O agravamento da crise econômica mundial e diversos contatos recentes com chefes de Estado levaram a Presidente Dilma Rousseff a se convencer de que o mundo não ajudaria o Brasil a crescer no médio prazo e o País teria de “se virar sozinho”. 388 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 Sobreveio, então, o último relatório do Fundo Monetário Internacional, em que, no contexto da avaliação da economia mundial, há um tópico que se refere explicitamente ao Brasil, registrando a geral expectativa de que surja aqui uma mudança de visão estratégica do momento econômico, na linha de se preocupar menos em incentivar o consumo, que já deu o que tinha de dar, e de buscar, sem tardança, o aumento do investimento e da poupança interna. E fica também claro, na argumentação do relatório, que, a fim de ser a ênfase transferida para o investimento, será preciso um choque de competitividade, pois assim se daria maior equilíbrio ao crescimento econômico. O Fundo chegou a lembrar que essa é a hora de se adotarem arranjos estratégicos capazes de sustentar a expansão a longo prazo da atividade econômica sem riscos inflacionários e de bolhas, até porque a economia brasileira segue a tendência de desaquecimento mundial, em grau de intensidade ainda maior do que a verificada no final de 2008, início desse ciclo histórico de turbulências mundiais. O alerta do FMI parece ter despertado as preocupações da Presidente Dilma Rousseff, pois, mais do que depressa, foi concebido e lançado um pacote de concessões à iniciativa privada bastante amplo, que, se for bem gerido, supervisionado e controlado, poderá ser um passo importante para o desenvolvimento da infraestrutura do País. Toda a discussão sobre maior ou menor participação da iniciativa privada perdeu importância. O que importa agora é o Custo Brasil e a geração de competitividade com instrumentos efetivos e eficazes para enfrentar a concorrência no mercado internacional. É certo que a Presidente, assim procedendo, está afrontando suas próprias convicções estatistas, bem como as dos companheiros do PT, que terão de achar 389 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 argumentos para justificar essa súbita guinada em direção ao liberalismo que combateram de forma barulhenta na era FHC. É o caso de lhes dizer que ideologia não enche barriga e muito menos vende produtos no mercado externo. Afinal, o Governo reconheceu a ineficiência da máquina estatal e a eficiência do setor privado, enquanto os técnicos descobriram que sem estradas, sem ferrovias, sem portos e sem aeroportos não vai ser possível ir muito além do que o Brasil já alcançou. Era o que tinha a dizer. 390 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 [CD295][CD296]VII REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 - ENCERRAMENTO O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Nada mais havendo a tratar, vou encerrar a sessão. 391 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - COMPARECEM MAIS OS SRS.: 392 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 DEIXAM DE COMPARECER OS SRS.: 393 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 O SR. PRESIDENTE (Marco Maia) - Encerro a sessão, convocando sessão extraordinária para hoje, terça-feira, dia 4 de setembro, às 20h10min, com a seguinte ORDEM DO DIA 394 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Número Sessão: 235.2.54.O Data: 04/09/2012 REDAÇÃO FINAL Tipo: Ordinária - CD Montagem: 1966 (Encerra-se a sessão às 20 horas e 6 minutos.) 395