“CAPETINHAS” DO SERVIÇO PÚBLICO DE SAÚDE SOB A PERSPECTIVA DA
PSICANÁLISE
1
Maynara Flores, Faculdade da Alta Paulista.
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Maria Angélica Gonçalves da Silva, Faculdade da Alta Paulista.
3
Thais Barros, Faculdade da Alta Paulista.
4
Bárbara Sinibaldi, Faculdade da Alta Paulista
O presente trabalho parte de uma experiência de estágio realizado em um
serviço de saúde pública em um município do interior do estado de São Paulo. Os
atendimentos foram baseados no referencial teórico psicanalítico, desenvolvido por
Freud e seus seguidores a partir do sec. XIX. Pretende-se problematizar o
atendimento destinado a crianças no referido serviço de saúde mental. São
oferecidos pelo serviço oito grupos de psicoterapia infantil, do qual as estagiárias
participam, em média são atendidas cinco crianças por grupo, com idades entre
quatro e treze anos; com diversas queixas e encaminhamentos. Os métodos
utilizados para os atendimentos foram através de testes psicológicos e a ludoterapia
que proporciona a interpretação e posterior insight. Desta maneira serão
apresentados alguns conceitos teóricos acerca do atendimento psicoterapêutico em
grupo com crianças, relacionando com a importância do meio ambiente para o
desenvolvimento saudável da criança. Para Melanie Klein, o brincar da criança
representa a livre associação do adulto, é através dela que analisamos e intervimos.
Para proporcionar o brincar, necessitamos de espaço e material específico. Ao
brincar a criança demonstra sentimentos, o modo de compreender o mundo externo
e interno. Um bom atendimento deve proporcionar necessidade de reparação,
1
Maynara Flores, Faculdade da Alta Paulista, [email protected].
Maria Angélica Gonçalves da Silva, Faculdade da Alta Paulista, [email protected].
3
Thais Barros, Faculdade da Alta Paulista, [email protected].
4
Barbara Sinibaldi, Psicóloga, docente e supervisora de estágio do curso de Psicologia da Faculdade
da Alta Paulista,FAP, Tupã-sp, sinibarbara@gmailcom.
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capacidade de empatia, mediante a identificação projetiva e introjetiva, permitindo a
compreensão das relações objetais dos pacientes e seus conflitos. Deste modo em
alguns acontecimentos durante os atendimentos realizados foi possível identificar
que a agressividade aparece em momentos de explosões de raiva com o terapeuta
e com os colegas, e em outros momentos de intensa solicitação de que fosse
reparado o dano que lhe foi causado; tentando chamar a atenção das pessoas que
estão em sua volta através de comportamentos agressivos, demonstrando
insatisfação em relação ao meio em que vive. Levando em consideração a
importância do estudo das relações intrapsíquicas e familiares, os problemas
cotidianos são mais complexos do que podem parecer. Deste modo para ocorrer o
desenvolvimento saudável do bebe, a mãe deve ser suficientemente boa; porém ao
falhar ocorre o esvaecimento da lembrança e do objeto transicional, quando perde o
vinculo com a mãe que o abandona O abandono constitui a base da tendência
antissocial, que não é uma simples carência, mas sim um desapossamento e
mesmo que a criança consiga viver o momento de desapossamento fica um resto
que ela terá que lidar ao longo de sua vida, pois mesmo com o ambiente amoroso e
firme o sofrimento estará registrado no seu psiquismo (MAIA, 2007). A agressividade
tem o aspecto positivo relacionado à esperança, fazendo com que o afeto e as
condições ambientais acolhedoras tornem a criança responsável pelos seus atos
agindo de forma não destrutiva. O lado violento é causado pela ausência de
medidas de contenção e falta de um ambiente suficientemente bom onde a criança
não se sinta ameaçada. De acordo com o relatório Caminhos para uma Política de
Atenção Infanto-juvenil, há um novo modelo de cuidado, um novo modelo de
assistência, de base comunitária e não asilar. O trabalho em grupo com as crianças
é fundamentado por essas políticas. Para a efetividade dessa base comunitária o
Ministério da Saúde nos traz conceitos e princípios que facilitariam a formação deste
vínculo que a criança tanto busca, como o encaminhamento implicado, profissional
de referencia, posicionamento ético e o cuidado. A relação de uma equipe com o
sujeito deve ser singular, permitindo que as possibilidades de ajudar o sujeito se
multipliquem, além de manter a rede em permanente construção promovendo o agir
e o cuidar. No entanto, no serviço de saúde mental onde foi realizado o estágio,
pudemos verificar que há muita dificuldade em colocar em práticas os princípios e
diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) e a agressividade acaba sendo
trabalhada no âmbito das proibições e punições.
Palavras-chave: Agressividade; Saúde Pública; Psicanálise.
Referências Bibliográficas
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de
Ações Programáticas Estratégicas. Caminhos para uma Política de Saúde Mental
Infanto-juvenil. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento
de Ações Programáticas Estratégicas. Brasília: Editora do Ministério da Saúde,
2005.
BRASIL. Ministério da Saúde. Clínica Ampliada e Compartilhada. Brasília, DF.
2009.
MAIA, Maria Vitória Campos Mamede; ZAMORA, Maria Helena Rodrigues Navas;
VILHENA, Junia de; BITTENCOURT, Maria Inês. “Crianças ‘impossíveis’ – Quem as
quer, quem se importa com elas?” Psicologia em Estudo, Maringá, v. 12, n.2, p.
335-342, maio/ago. 2007.
ANDRADE, Elaine Vasconcelos de; BEZERRA Jr, Benilton. Uma reflexão acerca da
prevenção da violência a partir de um estudo sobre a agressividade humana.
Ciência & Saúde Coletiva, 14(2); 445-453, 2009.
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