SUSCEPTIBILIDADE À FRAGILIZAÇÃO PELO HIDROGÊNIO DA JUNTA SOLDADA DO AÇO 2,25Cr-1Mo Léo Roberto de Oliveira Costa Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Engenharia Metalúrgica e de Materiais, COPPE, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Engenharia Metalúrgica e de Materiais. Orientador: Dílson Silva dos Santos Rio de Janeiro Dezembro de 2011 SUSCEPTIBILIDADE À FRAGILIZAÇÃO PELO HIDROGÊNIO DA JUNTA SOLDADA DO AÇO 2,25Cr-1Mo Léo Roberto de Oliveira Costa DISSERTAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DO INSTITUTO ALBERTO LUIZ COIMBRA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA DE ENGENHARIA (COPPE) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM CIÊNCIAS EM ENGENHARIA METALÚRGICA E DE MATERIAIS. Examinada por: ________________________________________________ Prof. Dílson Silva dos Santos, D.Sc. ________________________________________________ Prof. Luiz Henrique de Almeida, D.Sc. ________________________________________________ Prof. Tomaz Toshimi Ishikawa, D.Sc. RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL DEZEMBRO DE 2011 Costa, Léo Roberto de Oliveira Susceptibilidade à fragilização pelo hidrogênio da junta soldada do aço 2,25Cr-1Mo/ Léo Roberto de Oliveira Costa. – Rio de Janeiro: UFRJ/COPPE, 2011. IX, 78 p.: il.; 29,7 cm. Orientador: Dílson Silva dos Santos Dissertação (mestrado) – UFRJ/ COPPE/ Programa de Engenharia Metalúrgica e de Materiais, 2011. Referências Bibliográficas: p. 72-78. 1. Fragilização pelo hidrogênio. 2. Aços Cr-Mo. 3. Junta soldada. I. Santos, Dílson Silva dos. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE, Programa de Engenharia Metalúrgica e de Materiais. III. Título. iii A minha família e meus amigos iv AGRADECIMENTOS A minha mãe Luzia, um exemplo de vida pra mim, meu irmão Luiz e minha irmã Liza pelo apoio incondicional e formação da pessoa que sou hoje. Poucas palavras aqui ou todas as palavras do mundo não expressariam a gratidão e o meu amor por eles. Ao Professor Dílson Silva dos Santos pela orientação, apoio, por ter salvado minha vida por duas vezes, pelo seu humor e tiradas inigualáveis, pelo incentivo de me fazer criar e resolver quando não era possível, um verdadeiro professor e que muito me motivou no meu trabalho. Ao Oswaldo, Nelson e Robson por estarem sempre dispostos a ajudar na parte técnica de meu trabalho. Aos meus colegas de trabalho, em especial Alejandro pelo questionamento com uma visão física, Luís Lemus pela sabedoria, estar sempre disposto a resolver e melhorar o ambiente de trabalho, Leonardo Sales por compartilhar sua experiência metalúrgica em conversas, Monique pelo companheirismo no trabalho e ajuda mútua, ao ilustríssimo Matheus pelo humor, e por discordar e criticar proporcionando ótimos debates.A equipe do Laboratório de Microscopia Eletrônica do PEMM, em especial Carla e Adriana por estarem sempre dispostas a trabalhar comigo de sorriso aberto. Aos meus amigos pela compreensão de minha ausência e me apoiarem neste trabalho, em especial Eduardo Lagreca pelos conselhos e incentivos, e Leonardo Seródio pela motivação e ajuda. Ao PRH-35 pela formação acadêmica sólida no curso de pós-graduação e estreitamento com a indústria de petróleo com visitas de campo, palestras e etc. E A ANP pela bolsa de estudos cedida. A NUCLEP, seu corpo de engenheiros e técnicos, pelo suporte ao processo de soldagem da junta utilizada na presente tese. v Resumo da Dissertação apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Mestre em Ciências (M.Sc.) SUSCEPTIBILIDADE À FRAGILIZAÇÃO PELO HIDROGÊNIO DA JUNTA SOLDADA DO AÇO 2,25Cr-1Mo Léo Roberto de Oliveira Costa Dezembro/2011 Orientador: Dilson Silva dos Santos Programa: Engenharia Metalúrgica e de Materiais A presente dissertação teve como objetivo estudar a variação das propriedades mecânicas da junta do aço 2,25Cr-1Mo sob influência da tensão elástica em ambientes ricos em hidrogênio. Foram utilizados duas condições sendo uma na forma de chapa “como recebida” e outro uma junta soldada do mesmo aço. O estudo envolveu a caracterização microestrutural e ensaios mecânicos de tração uniaxial de amostras na condição hidrogenada com ou sem o efeito de tensão elástica durante o processo de hidrogenação. Para efeito comparativo algumas amostras foram tratadas termicamente após a hidrogenação com o objetivo de eliminar o hidrogênio difusivo e observar a possível degradação devido ao hidrogênio aprisionado ou os defeitos produzidos. A hidrogenação sob tensão provocou a formação de trincas que contribuíram para uma forte degradação do material. Fato este exposto pelo rompimento total do material durante hidrogenação sob tensão, abaixo do limite de escoamento. Para as amostras da junta soldada, houve uma mudança na região de ruptura final, quando a hidrogenação ocorreu sob tensão. A ruptura se localizou na zona termicamente afetada, diferentemente de quando somente hidrogenado sem tensão, onde a ruptura se localizou no material de base. Houve formação de microtrincas internas no material quando submetido à hidrogenação sob tensão, causando uma ductilidade nula nas amostras com ou sem tratamento térmico de desidrogenação. Os mecanismos de fragilização pelo hidrogênio sob efeito da tensão foram discutidos no presente trabalho. vi Abstract of Dissertation presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of Master of Science (M.Sc.) SUSCEPTIBILITY TO HYDROGEN EMBRITTLEMENT OF 2.25Cr-1Mo STEEL WELDED JOINT Léo Roberto de Oliveira Costa December/2011 Advisor: Dilson Silva dos Santos Department: Metallurgical and Materials Engineering The aim of this work was to study the mechanical properties of 2.25Cr-1Mo steel welded joint under the influence of elastic stress in hydrogen-rich environments. Two conditions were used, one as sheet in “as received” condition and the other one as a welded joint of the same steel. The study included the microstructural characterization and uniaxial tensile tests of the steel samples, hydrogenated with and without the effect of tensile straining during hydrogenation process. For comparison reasons, some samples were heat treated after hydrogenation in order to remove the diffused hydrogen and observe a possible degradation due to the trapped hydrogen or the defects produced. The hydrogenation under stress caused the formation of cracks that contributed to a strong degradation of the material. This fact was sustained by the total rupture of the material during hydrogenation under stress below the yield strength. For the steel welded joint samples, the region of final rupture changed when the hydrogenation was applied under stress. The rupture occurred in the heat affected zone, different to the case of samples hydrogenated without stress, where the rupture occurred in the substrate. Internal microcracks were observed in the material that was hydrogenated under stress, causing a null ductility in the analyzed samples, with or without dehydrogenation heat treatment. The mechanisms of hydrogen embrittlement under stress were discussed in this work. vii Índice Capítulo I. Introdução.....................................................................................................1 Capitulo II- Revisão Bibliográfica.................................................................................3 II.1. Aços Cr-Mo.......................................................................................3 II.2. Precipitação nos aços Cr-Mo.............................................................7 II.3. Microestrutura e propriedades do Aço 2,25Cr-1Mo........................10 II.3.1. Soldagem e influência na microestrutura.........................14 II.4. Fenômenos de degradação pelo hidrogênio....................................20 II.4.1. Ataque pelo hidrogênio.....................................................20 II.4.2.Fragilização pelo hidrogênio..............................................22 II.5. Interação do hidrogênio com os metais e ligas....................24 II.5.1 Sítios aprisionadores de hidrogênio...................................25 II.5.2 Mecanismos de fragilização pelo hidrogênio....................27 II.6.Efeito do hidrogênio no aço 2,25Cr-1Mo.........................................33 Capítulo III. Materiais e métodos...............................................................................36 III.1.Material.......................................................................................................36 III.2. Análise Metalográfica....................................................................39 III.2.1. Microscopia Ótica (MO).................................................39 III.2.2. Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV).................39 III.3. Teste de dureza...............................................................................39 III.4. Ensaio de tração..............................................................................40 III.5. Hidrogenação.................................................................................41 III.5. Hidrogenação sob tensão elástica constante...................................41 viii Capítulo IV Resultados e Discussão.............................................................................44 IV.1 Analise metalográfica do aço 2,25Cr-1Mo.....................................44 IV.1.2. Aço 2,25Cr-1Mo e hidrogênio....................................................46 IV.2. Análise da junta soldada.................................................................54 IV.2.1. Microscopia óptica de junta soldada................................54 IV.2.2. Dureza de junta soldada ..................................................58 IV.2.3. Microscopia eletrônica de Varredura de junta soldada....59 IV.2.4.Propriedades de junta soldada do aço 2,25Cr-1Mo .........61 Capitulo V- Conclusões………………………..................………….......…….……...71 Capitulo VI- Referências Bibliográficas......................................................................72 ix Capítulo I I. Introdução Nas indústrias petroquímicas e de refino de petróleo, o hidrogênio é largamente utilizado nos processos de hidrotratamento para dessulfurização e craqueamento catalítico do petróleo para obtenção de produtos com maior valor agregado, como a nafta e o diesel. Estes processos operam a elevadas temperaturas (acima de 450 ºC) e a altas pressões (de 6 a 20 MPa). Os processos de hidrotratamento são normalmente realizados em vasos de pressão, sob atmosfera rica em hidrogênio. Os materiais normalmente utilizados para a fabricação destes vasos são geralmente aços da família Cr-Mo devido a sua boa resistência a temperaturas elevadas, além da boa resistência ao ataque pelo hidrogênio (TSUCHIDA, 2004). A integridade estrutural dos componentes metálicos é de fundamental importância para que esta atividade seja economicamente viável, com a menor quantidade possível de paradas para reparo, além do aspecto de segurança para os operadores envolvidos. Para diminuir os problemas causados pelo hidrogênio, normalmente se utiliza revestimento de aço inoxidável austenítico AISI 347 aplicado pelo processo de soldagem conhecido como "welding-overlay clad". Dois fenômenos de degradação dos aços pelo hidrogênio são distinguidos de acordo com a faixa de temperatura e pressão atuantes. Um deles é o ataque pelo hidrogênio, que ocorre a temperaturas entre 350 a 550 ºC e pressões de 15 a 35 MPa. O outro é conhecido como fragilização pelo hidrogênio, que ocorre de -33 a +150 ºC e pressões baixas, de 0 a 16 MPa, que pode ocorrer durante os períodos de parada de operação (KUZYKOV, 2002). Os vasos de pressão usados na indústria do petróleo, especificamente nas linhas de hidrocraqueamento, são em geral construídos com chapas grossas de aços 2,25Cr1Mo. A espessura dessas chapas variam de 12 mm a 300 mm. Os vasos de pressão são soldados por processos MAG, em multipasses ou arco submerso, normalmente com material de adição de composição semelhante ao metal de base. Após a construção do 1 equipamento, é então realizado o processo de soldagem do revestimento protetor, que funciona como barreira para o hidrogênio. Ressalta-se que este revestimento não será objeto de estudo do presente trabalho. Ao longo do tempo de operação dos vasos de pressão em temperaturas elevadas, o hidrogênio pode se difundir através do revestimento de aço inoxidável e chegar ao aço estrutural que, em geral, possui estrutura bainítica. Como o hidrogênio tem solubilidade baixa nesses aços, esse elemento tende a segregar nos defeitos e precipitados, podendo dar origem a degradação induzida pelo hidrogênio (fragilização e/ou ataque). Da mesma forma que ocorre com o metal de base, as juntas soldadas também são expostas à contaminação com hidrogênio durante o serviço. Mediante a isso, o presente trabalho tem como objetivo estudar a suscetibilidade a fragilização pelo hidrogênio no aço 2,25Cr-1Mo e na sua junta soldada, simulando as condições em serviço, o que inclui o efeito da tensão elástica durante hidrogenação. Para tal, foram realizados testes de tração uniaxial em amostras antes e após a hidrogenação e ensaios de hidrogenação sob tensão elástica abaixo do limite de escoamento do material. Para avaliar a degradação induzida pelo hidrogênio foram realizados testes de tração e análise da microestrutura antes e após a hidrogenação. Os resultados obtidos são discutidos e confrontados com a literatura. Cabe ressaltar que este estudo se insere em um projeto de interesse da Petrobras que tem por objetivo estudar a degradação induzida pelo hidrogênio em aços estruturais amplamente utilizados nas unidades operacionais de refino da Petrobras. 2 Capítulo II II.Revisão Bibliográfica II.1. Aços Cr-Mo O processo de hidrotratamento, HDT, de frações do petróleo é feito com o objetivo de remover elementos e compostos contaminantes a base de enxofre, nitrogênio, oxigênio e metais pesados. A indústria de refino realiza o hidrotratamento basicamente por dois motivos: enquadramento de qualidade dos diferentes produtos, devido aos requisitos mundiais cada vez mais restritivos, principalmente para produtos como o querosene, gasolina, diesel, e nafta; e também para proteger os catalisadores de diversos processos através do pré-tratamento da carga para que, por exemplo, o nitrogênio e o enxofre não envenenem catalisadores. (DECKWER, 1992) Devido à sua alta resistência à fluência, elevada tenacidade e à sua resistência a corrosão, os aços da família Cr-Mo são largamente utilizados em componentes da indústria do petróleo, tais como tubulações vasos de pressão de hidrotratamento. A figura II.1 mostra uma fotografia de uma reator de HDT. (BÖHLER, 2005) Figura II.1. Reator de hidrotratamento feito em aço 2,25Cr-1Mo. (Adaptado de Böhler, 2005) Na linha de HDT que opera à temperatura na faixa de 370 ºC a 550 ºC torna-se impraticável a utilização de outros tipos de aços comuns devido principalmente aos 3 problemas de grafitização, fluência e ataque pelo hidrogênio. Existe uma variedade de aços Cr-Mo que viabilizam o projeto de acordo com a temperatura que o equipamento é usado em serviço. A possibilidade de ocorrência de oxidação nos aços Cr-Mo é contornada pela adição de cromo, ou seja, quanto maior a adição deste elemento maior será a resistência à oxidação. O teor de cromo em geral varia de 0,5 a 12% Cr para aços de baixa liga. Para teores maiores o aço muda de classe e passa a ser chamado aço inoxidável. Contudo, o cromo diminui a resistência à fluência do material, tal como mostrado na figura II.2 Figura II.2. Influência do teor de Cr na resistência à fluência de diferentes aços. (Adaptado de ASM METALS HANDBOOK,1990). Para aumentar a resistência à fluência dos aços com elevado teor de cromo é adicionado molibdênio que, devido ao seu efeito estabilizador dos carbonetos, evita a ocorrência de grafitização. Os mecanismos de aumento de resistência dos aços Cr-Mo são: o endurecimento por solução sólida, induzidos pelos elementos C, Mo e Cr; e o endurecimento por precipitação com a formação de carbonetos tipo de MC, M2C, M3C, M7C3 entre outros. Os mecanismos de endurecimento atuam mais eficientemente de acordo com a temperatura de serviço e tempo de exposição. Para temperaturas mais baixas e pouco 4 tempo de exposição, o endurecimento por solução sólida é o que predomina pois há pouca formação de precipitados. Com o aumento da temperatura, começa a ocorrer a precipitação de carbonetos que se tornam barreiras para a movimentação das discordâncias. Com o tempo, começa a ocorrer o coalecimento destes precipitados que, apesar de serem mais estáveis, têm uma contribuição menor na resistência do material (BAIRD et al. apud FURTADO, 2003). Até uma dada temperatura e tempo, os mecanismos de endurecimento são eficientes, mas para elevadas temperaturas e/ou tempos longo, os precipitados coalescem e crescem diminuindo fortemente a resistência mecânica dos aços, inviabilizando a continuação de sua utilização. Uma das formas de aumentar a temperatura de utilização desses aços tem sido substituir o molibdênio pelo tungstênio. (VISWANATHAN et al., 2000) A figura II. 3(a) mostra a contribuição dos mecanismos para a resistência à fluência em função do tempo. O uso do revenimento também é um importante fator que influencia o nível de endurecimento por precipitação e o endurecimento por solução sólida nos aços Cr-Mo. A contribuição inicial do endurecimento por precipitação será maior no aço normalizado e revenido do que para o aço apenas normalizado. Além disso, o efeito de endurecimento por precipitação no aço normalizado e revenido alcançará um máximo de resistência à fluência e começará a diminuir mais prematuramente devido à incidência mais cedo do envelhecimento durante o revenimento do material. Esta é uma consideração potencial em aplicações que requerem resistência durante longos tempos e a temperaturas altas. (BAIRD, apud da ASM METALS HANDBOOK, 1993). 5 (a) (b) Figura II.3. Contribuição na resistência a fluência nos aços (a) normalizado (b) normalizado e revenido. (Adaptado de BAIRD, apud da ASM METALS HANDBOOK, 1993). O carbono é um dos elementos de extrema importância para o aço. Isto porque ele promove a formação de carbonetos que aumentam a resistência mecânica. Contudo, ele reduz a ductilidade e a soldabilidade do aço. A precipitação pode ser controlada com a utilização de baixos teores de carbono no aço. Elementos como vanádio, nióbio e titânio podem ser adicionados ao aço para que o molibdênio não se precipite e forme carbonetos, pois estes elementos se associam ao carbono ou invés do molibdênio. 6 II.2.Precipitação nos aços Cr-Mo Os precipitados são caracterizados pela fórmula MiXi, com a letra M representando os metais de transição V, Cr, Fe, Co, Ni, Nb, Mo, Ti, ou o W e a letra X representando o carbono ou o nitrogênio. O carbonetos se distinguem em composição química, estrutura cristalina, morfologia e distribuição. Os carbonetos MC aparecem quando há adição de Nb, Ti ou V e tem uma estrutura cúbica, similar ao NaCl. (LUNDIN et al., apud SIQUEIRA, 1997). Os carbonetos M2C apresentam uma estrutura hexagonal compacta, é rico em Mo e tem alta solubilidade ao Cr e V. Este precipitado se apresenta sob a forma acicular, no interior do grão ou globular no contorno de grão. (LUNDIN et al., apud SIQUEIRA, 1997). Os carbonetos M3C são de estrutura ortorrômbica. Este é um tipo de carboneto primário e tem pequena solubilidade ao Cr e Mo. Não há mudança da sua forma original depois de sua precipitação, com exceção do seu coalecimento (LUNDIN et al., apud SIQUEIRA, 1997). O M7C3 se apresenta sob a forma pseudo hexagonal, precipita na matriz na forma acicular e no contorno de grão na forma globular. Este carboneto é rico em cromo e tem alta solubilidade ao ferro e manganês. O M3C pode servir de interface para a nucleação de M7C3 ou pode ser nucleado no seu interior (LUNDIN et al., apud SIQUEIRA, 1997). O M6C aparece na forma cúbica de face centrada. Ele é globular e nucleia nas interfaces dos contornos de grãos ou nas interfaces dos carbonetos. Este tipo de carboneto é uma fase estável tipicamente contendo ferro e molibdênio. (LUNDIN et al., apud SIQUEIRA, 1997). Aa figura II.4 apresenta os diferentes tipos de carbonetos, identificados por EDS, da família dos aços Cr-Mo (PILLING et al., apud FURTADO, 2003). 7 M 2C M 3C M7C3 M23C6 (MoCr)2CN M 6C Figura II.4. Espectros de EDS de carbonetos em aços 2,25Cr-1Mo (FURTADO, 2003). SENIOR (1988) mostrou que para altas temperaturas, pressões e para longos tempos prevalecem a formação de carbonetos do tipo M7C3, M27C6 e M6C. ANDREWS et al., apud FURTADO (2003) estudaram a evolução microestrutural dos aços Cr-Mo em função dos teores de cromo e de molibdênio após 8 1000h a 650ºC. A figura II.5 mostra a formação de diferentes tipos de fases com a variação dos teores de Cr e Mo. Figura II.5. Formação de carbonetos de acordo com a variação no teor de Cr e Mo, com aço tratado termicamente a 650ºC durante 1.000h (ANDREWS et al. apud FURTADO, 1959). 9 II.3. Microestrutura e propriedades do Aço 2,25Cr-1Mo O diagrama TTT (Tempo-Temperatura-Transformação), figura II.6 (a), mostra as diferentes fases possíveis para o aços 2,25Cr-1Mo para tratamentos isotérmicos, este diagrama só é valido para condições de tratamentos isotérmicos, e tal diagrama deve ser modificado para transformações que ocorrem quando são aplicados resfriamentos contínuos. Assim para tratamentos por resfriamento continuo (TRC), figura II.6(b), a liga é aquecida acima da temperatura de austenitização e resfriada continuamente até a temperatura ambiente. As microestruturas apresentam diferentes fases se a curva de resfriamento ultrapassar os campos monofásicos ou bifásicos. É necessário então se determinar as condições de projeto como o tempo e a temperatura para predizer qual será a microestrutura final desejada. (a) (b) Figura II.6. Digrama TTT diagrama expandido (a) diagrama de transformação por resfriamento continuo TRC (b). (Adaptado de SOUZA et al., 1996). Além da microestrutura ferrita e perlita, comumente utilizada, outras duas possíveis microestruturas podem ser aplicados nos aços 2,25Cr-1Mo. A normalização seguida de revenido e a têmpera seguida de revenido. A normalização e revenido consistem no aquecimento entre 910 a 940 ºC, resfriamento ao ar e revenimento entre 580 a 720 ºC, resultando em uma estrutura de ferrita e bainita. A têmpera e revenido consistem na austenitização de 940 a 980 ºC, resfriamento em óleo de 570 a 705 ºC, resultando em uma microestrutura de martensita e bainita. 10 As microestruturas martensitica e bainitica para o aço 2,25Cr-1Mo são apresentadas na figura II.7 e as propriedades mecânicas são listadas na tabela II.1. (a) (b) Figura II.7. Microestrutura apresentadas pelo Aço 2,25Cr-1Mo, martensita (a), bainita (b) logo após diferentes taxas de resfriamento. (SILVA, 2006) Tabela II.1. Propriedades mecânicas do aço 2,25Cr-1Mo. Aço Limite de escoamento (MPa) Limite de resistência (MPa) Deformação (%) ASTM A387(ASM, 1990) 205 415-585 18 (mínimo) 2,25Cr-1Mo bainítico (SIQUARA, 2006) 477 587 21,5 2,25Cr-1Mo martensítico 930 1130 13,4 (SILVA, 2006) A influência dos tratamentos térmicos do aço 2,25Cr-1Mo na resistência à fluência é observada na figura II.8. (ASM HANDBOOK, 1990) O efeito da temperatura nas propriedades mecânicas após tratamento térmico de endurecimento por precipitação e revenimento é mostrado na figura II.9. 11 Figura II.8. Influência do tratamento térmico na resistência à fluência (Adaptado de ASM HANDBOOK, 1990) Figura II.9. Efeito na temperatura de teste sob tensão do 2,25Cr-1Mo na resistência a tração, limite de escoamento, fluência (para taxa de 0,1 µm/m · h), tensão de ruptura 12 (para 100.000 h) de material recozido (linha tracejadas) material endurecido e revenido (linhas contínuas) (adaptado de ASM HANDBOOK, 1990) O aço 2,25Cr-1Mo foi estudado por VISWANATHAN apud ASM HANDBOOK (1993) e SMITH apud ASM HANDBOOK (1990) e foi observado que: • A bainita revenida tem maior resistência à fluência que a martensita revenida ou mesmo a estrutura ferrita-perlita à temperaturas até 565 °C e tempos até 100.000 h. Para tempos e temperaturas mais elevadas a estrutura de ferritaperlita é mais resistente. • A ductilidade diminui com a temperatura até atingir um mínimo a 400ºC e depois torna a aumentar com o aumento da temperatura, tal como mostrado na figura II.10. Figura II.10. Efeito da temperatura no alongamento total do aço 2,25Cr 1Mo (adaptado de SMITH et al. apud ASM HANDBOOK, 1972). TAN et al. (2005) estudaram a degradação do aço 2,25Cr- 1Mo usado na parede de um reator contendo solda durante 5 anos de exposição ao processo de hidrotratamento. Eles constataram que não houve significante perda das propriedades mecânicas do material estudado, mas ocorreu uma perda significativa de tenacidade, ocorrendo também maior degradação da região. 13 II.4.3.1 Soldagem e sua influência na microestrutura De uma forma geral a soldagem consiste em um processo de união que se dá com a utilização de depósito de material fundido ou não. Uma das técnicas utilizadas para soldagem consiste de fazer uso de eletrodo de tungstênio para abrir um arco elétrico que fornecerá calor para a fusão de material de adição e material a ser soldado, esta técnica á chama de "Tungsten Inert Gas" (TIG) ou "Gas Tungsten Arc weld" (GTAW). Diversos fenômenos físicos atuam simultaneamente e influenciam a microestrutura final da junta soldada. Uma das mais importantes variáveis físicas atuantes no processo é o fluxo de gás, este deve proteger completamente a junta soldada para que não ocorra oxidação ou contato com outros gases do ambiente. O tamanho da zona do gás de proteção está diretamente ligado com seu fluxo, este é influenciado pelas temperaturas do gás desenvolvidas no arco elétrico (FENGLIANG et al., 2007). As temperaturas no interior do arco elétrico na soldagem são temperaturas elevadíssimas podendo chegar a temperaturas presentes no Sol (FENGLIANG et al., 2007). A distribuição de temperatura é determinada pelo grau de ionização do gás, diferença de potencial e corrente fornecida pelo processo (VILARINHO, 2009). A diferença de potencial de um arco elétrico varia com a distância do eletrodo a peça e a condutividade elétrica do material de base (MODENEZI et al., 2006). As propriedades elétricas e térmicas dos materiais variam com a temperatura, alterando o potencial do arco. Alguns elementos químicos presentes no material de base vaporizam, tamanha a temperatura do arco, alterando a composição do gás e suas propriedades físicas. (YAMAMOTO et al., 2008) A figura II.11 mostra o perfil de temperatura para a soldagem de passe único, sua microestrutura pode ser prevista de acordo com as características da liga. As diversas microestruturas da junta soldada são divididas pelas temperaturas de transição como a temperatura de fusão, as temperaturas de transição de fases e ou temperaturas de dissolução de precipitados. (MODENEZI et al., 2006) Entre as fronteiras da temperatura de pico (Tp) e a de fusão (Tf) compreende a zona de fusão (ZF), da temperatura de fusão até uma temperatura crítica (Tc) é onde se 14 localiza a zona termicamente afetada pelo calor (ZTA), em diante o material de base (MB), figura II.11. Figura II.11. Representação esquemática de curva de partição de soldagem e suas microetruturas. (Adaptado de MODENEZI et al., 2006) A temperatura crítica é determinada de acordo com as características do metal de base, ela deve ser a menor entre as temperaturas de transição de fase, temperatura de dissolução de precipitados presentes ou outra que altere a microestrutura. Para o aço 2,25Cr-1Mo as temperaturas de fronteira são a temperatura de vapor (~2200ºC), temperatura de fusão (~1455ºC) e a temperatura de austenitização A1 (773ºC), esta é tomada sendo considerada como a crítica. (DENG et al., 2008) TSAI et al. (2002) estudaram a soldagem do aço 2,25Cr-1Mo e observaram diferentes microestruturas para aportes térmicos de 2kJ/mm, 5kJ/mm e 8kJ/mm. As microestruturas para cada aporte térmico, figura II.12, concordam as prováveis microestruturas dos processos industriais, ou seja, martensita para 1,5kJ/mm e o aparecimento de bainita entre 2,64 a 7,35kJ/mm. 15 Aporte Térmico Microscopia optica Microscopia de transmissão 2kJ/mm (a) (b) Martensita + bainita inferior 5kJ/mm (c) (d) Bainita inferior + bainita superior 8kJ/mm (e) (f) Bainita superior + ferrita Figura II.12. Aporte térmico e microestrutura para soldagem de 2,25Cr-1Mo. (Adaptado de TSAI et al., 2002) MOORTHY et al. (1997) avaliaram as diferentes microestruturas do aço 2,25Cr1Mo quando submetido a taxa de aquecimento e resfriamento simulando o processo de soldagem a arco e observou, por microscopia óptica, e identificaram as diversas regiões da zona termicamente afetada pelo calor tal como mostra a figura II.16. O perfil de dureza das regiões é também apresentado na figura II.13(f). 16 (a) (c) (b) (d) (e) (f) Figura II.13. Microestruturas das diferentes e dureza das regiões de junta soldada de aço 2,25Cr1Mo, (a) metal de solda(MS),(b) região de grãos grosseiros(GGZTA),(c) região de grãos finos(GFZTA),(d) região intercrítica (TA é austenita transformada e TF é ferrita revenida),(e) metal de base(MB),(f) perfil de dureza.(Adaptado de MOORTHY et al., 1997). Para elucidar a causa do aparecimento de trincas por fluência na zona termicamente afetada de juntas soldadas em aços 2,25Cr-1Mo, WATANABE et al. (2004) observaram amostras envelhecidas nos tempos de, 1.000 h e 10.000 h a 823 K, sem e sob tensão de 98 MPa. Foi observado que os precipitados no metal de adição e no 17 metal base sob tensão por 1.000 h eram mais finos que na ZTA e vazios de fluência se formaram somente na ZTA (figura II.14). Os vazios evoluíram posteriormente para trincas. Tensão (a) (b) (c) Vazio Vazio Vazio Figura II.14. Microestrutura de cada parte da junta solda envelhecida por 1000 h a 823 K, sob tensão de 98 MPa. (adaptado de WATANABE et al., 2004) AZEVEDO et al. (2008) estudaram o aparecimento de trincas em tubo de 2,25Cr-1Mo soldado e constataram que a falha prematura foi devido à oxidação intergranular associada a uma intensa degradação microestrutural. A oxidação interna era comparativamente muito mais profunda ao longo das regiões soldadas, crescendo preferencialmente junto o de grãos de austenita prévia e limites de ferrita de bainita, em ambos onde foi exibido interfaces com precipitação preferencial de carboneto. Intensa precipitação de intergranular de M7C3 e carboneto de M23C6 conduziram a uma diminuição total no conteúdo de Cr da matriz adjacente, assim diminuindo a resistência de oxidação localmente. Na região de junta soldada de vasos de pressão 2,25Cr-1Mo, a incidência de vazios de fluência e iniciação de trincas tipo IV(mecanismo na figura II.15) na região de grãos finos devido à acumulação de dano por fluência-fadiga foi informada. Com o propósito de elucidar o processo de dano por trinca do tipo IV em soldas de um aço 2.25Cr-1Mo, foi observado o processo de formação de trincas de fadiga em microscópio eletrônico, figura II.16. Foi concluído que a taxa de formação de vazios e velocidade de propagação de trincas estão diretamente relacionadas com a faixa de valores de tenacidade a fratura do material, quanto maior a tenacidade local, menor é a formação de vazios e taxa de propagação de trincas. (OGATA et al., 2007) 18 Vazio Figura II.15. Esquema de mecanismo de formação e propagação de trincas tipo IV. (Adaptado de OGATA et al., 2007) (a) (b) (c) (d) (e) Figura II.16. Fenômeno de formação de micro trincas em junta soldadas de 2,25Cr-1Mo. Iniciação (a), crescimento de vazios(b), crescimento de trincas(c), propagação de microtrincas (d) e iniciação de macrotrincas(e). "N" é o número de ciclos de carregamento. (Adaptado de OGATA et al., 2007) 19 II.4. Fenômenos de degradação pelo hidrogênio Embora o hidrogênio seja um elemento cujo raio atômico é muito pequeno, ele é extremamente deletério aos aços isso porque causa diversos problemas como a diminuição da resistência e da tenacidade devido ao ataque pelo hidrogênio além da à fragilização. Além desses fenômenos que são mais freqüentes nos aços, pode-se ainda citar a formação de lacunas induzida pelo hidrogênio em alta pressão e a formação de hidretos que se manifesta em vários metais e ligas metálicas, embora não seja observado nos aços em pressões menores que 3 GPa. A seguir serão descritos os principais tipos de degradação induzido pelo hidrogênio em metais e ligas. II.4.1. Ataque pelo hidrogênio A faixa de temperatura de 350 a 650 ºC e pressões de 15 a 35 MPa, os aços CrMo podem sofrer o fenômeno chamado ataque pelo hidrogênio (ASTM HANDBOOK). Em longos períodos de exposição a uma atmosfera rica em hidrogênio, pode ocorrer no interior dos aços a formação de metano na interface dos carbonetos, o que provoca um forte aumento da pressão interna. Para que isso aconteça, o gás hidrogênio se decompões e o hidrogênio atômico, portanto, se difunde na microestrutura, podendo atingir as cavidades, contorno de grãos e as interfaces entre a matriz e carbonetos. Em geral, a reação para formação de metano ocorre devido à decomposição de carbonetos pelo hidrogênio. O carbono em solução sólida pode igualmente reagir com os átomos soluto e também formar metano. Isto ocorre segundo a reação: C + 2H2 CH4 O ataque por hidrogênio é resultado de uma série de processos que começa com a difusão do hidrogênio, interação com carbonetos provocando a dissolução de diferentes tipos de carbonetos, formando metano e crescimento de vazios nos contornos de grãos, tal como ilustrado na figura II.17. 20 Figura II.17. Diagrama esquemático do ataque pelo hidrogênio (adaptado de SCHLO et al., 2001). O consumo de carbono devido à formação de metano empobrece a matriz do aço, consumindo tanto os carbonetos responsáveis pelo endurecimento quanto o carbono em solução sólida. É possível evitar o ataque pelo hidrogênio controlando a temperatura e pressão parcial de hidrogênio em serviço. Para isso, diversas curvas que relacionam pressão parcial de hidrogênio em função da temperatura para diferentes aços foram propostas de modo a fornecerem o limite de utilização dos aços sob atmosfera de hidrogênio. Assim, as condições de operação dos equipamentos devem estar abaixo da curva para o aço utilizado. A figura II.18 apresenta estas curvas, conhecidas como curvas de Nelson (ASM, 1990). É possível notar que, à medida que se aumenta o valor da porcentagem de cromo na liga, as curvas de Nelson são transladadas para cima, aumentando, assim, a possibilidade de operação a temperaturas mais elevadas. O efeito da soldagem no aço diminui a temperatura de operação dos aços carbonos. Para o aço 2,25Cr- 1Mo a descarbonização da superfície acontece a temperaturas mais baixas que o ataque pelo hidrogênio, figura II.18(b). 21 Figura II.18. Curvas de Nelson definindo o limite de operação para várias ligas(a), curvas de Nelson para três aços (b). (Adaptado de ASM, 1990) II.4.2. Fragilização pelo hidrogênio O fenômeno de fragilização pelo hidrogênio ocorre a temperaturas de -33 a +150 ºC e pressões relativamente baixas, de 0,1 a 16 MPa, limites inferiores aos de ataque pelo hidrogênio. 22 A fragilização se dá em ambientes onde há produção de hidrogênio como em equipamentos hidrotratamento. O hidrogênio se difunde através dos sítios intersticiais da rede cristalina afetando suas propriedades, diminuindo a resistência, a ductilidade, além de alterar a sua soldabilidade (OLIVEIRA et al., 2000). O hidrogênio diminui as forças de ligação entre os átomos podendo nuclear uma trinca que tende a se propagar e levar à fratura dos componentes. Este fenômeno não é facilmente observado, quando ele ocorre, pode dar origem a uma falha catastrófica. A absorção do hidrogênio na superfície do material pode formar bolhas e empolamento na região superficial. Isto ocorre devido à baixa solubilidade do hidrogênio nos aços ferríticos em contraste com a elevada difusibilidade. Por essa razão há um acúmulo de hidrogênio nas camadas subesuperficiais que, quando se recombinam, formam bolhas nos aços. Para que ocorra a fragilização pelo hidrogênio deve haver uma atmosfera rica em hidrogênio e um determinado potencial químico na superfície. Nestas condições o hidrogênio é adsorvido, absorvido e difundido na rede cristalina, segregando em defeitos como discordância, vazios e interfaces matriz precipitado (OLIVEIRA et al., 2000). A fragilização pelo hidrogênio é mais evidente em algumas ligas metálicas. Dependendo da microestrutura, há maior perda de ductilidade e diminuição da resistência mecânica e, com isso, há mudança no modo de fratura do material de dúctil para frágil. Os aços de maior resistência têm maior suscetibilidade à fragilização pelo hidrogênio (ELIAZ et al., 2002). Não é necessário atingir o limite de solubilidade para que ocorra o fenômeno de fragilização. A degradação das propriedades dos aços ferríticos e martensíticos é grande a baixas concentrações de hidrogênio. Um modo de se evitar a fragilização do hidrogênio é fazer um tratamento em forno a altas temperaturas, a fim de que o hidrogênio saia do material para atmosfera. Há que se considerar que a difusão do hidrogênio aumenta de forma exponencial com a temperatura. O tempo para diminuir a concentração de hidrogênio aumenta com o quadrado da espessura, tornando difícil a sua redução em grandes componentes, pois 23 necessitaria de longos tempos de permanecia no forno para o tratamento térmico (ELIAZ et al., 2002). Com a tendência natural de construção de novas estruturas cada vez mais leves, ocorre aumento da demanda por estruturas "esbeltas", tendo-se que recorrer aos aços de alta resistência. Com isso, o estudo do fenômeno de fragilização pelo hidrogênio, se torna de fundamental importância, haja vista esses aços de maior resistência serem também de maior suscetibilidade à fragilização (HOELZEL et al., 2004). II.5. Interação do hidrogênio com os metais e ligas FUKAI (1993) menciona que, devido ao hidrogênio possuir pequena massa e raio atômico menor que todos os outros átomos, seu coeficiente de difusão é elevado, sua energia de ativação para a difusão é pequena, com a difusão no interior do metal podendo ser retardada com a presença de aprisionadores como discordâncias, lacunas e outras imperfeições. O hidrogênio puro na pressão e temperatura ambientes se apresenta na forma de gás diatômico. Esta molécula é grande para se difundir nas ligas metálicas. Para que ocorra a difusão, o hidrogênio se decompõe na superfície do aço e se difunde na forma protônica (H+) através de saltos pelos interstícios da rede cristalina (FUKAI, 1993). A figura II.19 ilustra os diferentes sítios para as estruturas cristalinas. 24 Figura II.19. Sítios intersticiais para o hidrogênio na estrutura cristalina (Adaptado de FUKAI, 1993). Devido ao tamanho, geometria e características diferentes destes sítios, há uma diferença entre os coeficientes de difusão e solubilidade do hidrogênio. Na rede cúbica de corpo centrado (ccc) o hidrogênio se difunde mais rapidamente (D=10-10m2/s) que na estrutura cúbica de face centrada (cfc) de 10-16m2/s. Todavia a solubilidade é maior nos aços cfc (105molH/m3) que nos ccc (10-1molH/m3) (DEVANATHAN et al., 1962). II.5.1. Sítios aprisionadores de hidrogênio A rede cristalina não é perfeita, ela possui uma grande variedade de defeitos como discordâncias, contornos de grão, precipitados e interfaces entre diferentes fases e inclusões. Estes lugares podem diminuir as tensões induzidas pelo hidrogênio na rede cristalina, fazendo com que haja uma preferência na sua permanência do que na passagem do hidrogênio. Isto se dá quando estes defeitos atuam como armadilhas, eles são então chamados de sítios aprisionadores de hidrogênio. Por conseqüência disso há uma queda na taxa de transporte pelo material. Os diferentes sítios aprisionadores são apresentados na figura II.20. 25 Figura II.20. Tipos de aprisionadores de hidrogênio. (a) Sítios interticiais, (b) adsorvido, (c) difundido, (d) contorno de grão, (e) discordâncias, (f) lacunas, (g) interfaces de precipitados. O acúmulo de hidrogênio nos defeitos pode causar a sua recombinação, promovendo assim a formação de hidrogênio molecular nas interfaces entre precipitados e matriz. Nas discordâncias, o hidrogênio atômico tende a ancorá-las, impedindo o seu movimento, resultando na diminuição da ductilidade e tendendo a uma fratura frágil (CARTER, 2001). PARVATHAVARTHINI et al. (2001) classificou os sítios aprisionadores em armadilhas fracas, intermediárias e fortes. Esta classificação depende da energia de ligação com o defeito. Um exemplo de aprisionador é a discordância que é classificada como fraca. Os precipitados finos e átomos soluto como o cromo e o molibdênio também são classificados como fracos aprisionadores, sendo este último com energia em torno de 10kJ/mol (que é metade da energia de aprisionamento para a discordância). Contornos de grão austeníticos e ripas de martensita possuem energia de ligação com o hidrogênio em torno de 50 kJ/mol, e são classificados como armadilhas intermediárias. Já energias de ligação em torno de 100 a 120 kJ/mol são classificadas como fortes. Os precipitados a base de titânio e de nióbio têm forte energia de aprisionamento (PARVATHAVARTHINI et al., 2001). Sabe-se que a solubilidade e a difusibilidade do hidrogênio é diretamente influenciada pelo tamanho dos sítios na estrutura cristalina. Como exemplo, cita-se a estrutura cúbica de face centrada com solubilidade maior que a estrutura cúbica de corpo centrado, devido ao maior tamanho dos sítios octaédricos. 26 II.5.2. Mecanismos de fragilização por hidrogênio. Diversas variáveis incluindo temperatura, fonte de hidrogênio, tensão, taxa de deformação e microestrutura influenciam no fenômeno de fragilização por hidrogênio. O efeito do dano causado pelo hidrogênio tem sido alvo de diversos estudos e vários mecanismos têm sido propostos. Dentre os diversos mecanismos encontrados na literatura os mais popularmente mencionados são: a teoria de pressão interna, a redução da força coesiva na rede cristalina, a redução de energia de superfície, a fragilização a frente da ponte de uma trinca e a indução de trincas por hidretos. Este último não é discutido no presente trabalho, pois o aço não forma hidretos a pressão ambiente. Contudo devido à complexidade do processo e variáveis envolvidas é proposta uma atuação simultânea dos mecanismos para diferentes ligas. Em síntese sobre as bases destas teorias dois principais efeitos do hidrogênio podem ser identificados: o hidrogênio diminui as forças de ligação entre os átomos da matriz facilitando a fratura frágil ou o hidrogênio pode aumentar a tensão requerida para emitir uma discordância necessária para uma fratura dúctil. Teoria da pressão interna. É proposto que o aumento da pressão interna para a estabilização do hidrogênio dentro de vazios ou defeitos como interface de carbetos e inclusões é proposta como a causadora de perda expressiva de ductilidade. (ZAPFFE et al. apud DAVID, 2008) Tem sido observado que em aços de alta liga a ocorrência de trincas de hidrogênio, mesmo a baixas pressões de hidrogênio, nestas regiões foi impossível a o estado de altas pressões internas, foi sugerido então que o mecanismo de pressão interna não é essencial para o fenômeno. Contudo este mecanismo tem sido proposto para explicar a ocorrência de formação de bolhas na superfície de materiais hidrogenados. (Lee et al. apud LIANG, 2008) Diminuição da coesão da rede cristalina. É sugerido que elementos intersticiais se difundem para regiões de alta triaxialidade de tensões a frente das pontas das trincas, levando uma a uma alta concentração de hidrogênio, figura II.21, atingindo o limite de solubilidade da região, 27 reduzindo as forças de ligação que podem resultar na nucleação de uma trinca frágil. (TROIANO apud KATZ et al., 2006) Figura II.21. Modelo sistemático proposto por Troiano. migração do hidrogênio para regiões de alta triaxialidade de tensão(a), propagação da trinca com efeito da redução de força atômica da região (b). Adaptado de Troiano apud Katz et al. , 2006. Entretanto, foi visto que o valor da tensão não é suficiente para as altas concentrações que promovem a fragilização devido a pequena deformação constatada. ORIANI (1977) propôs que a deformação elástica aumenta rapidamente a solubilidade local de hidrogênio, atingindo um máximo e as altas concentrações reduzem as forças de ligação entre os átomos de ferro, figura II.22. (a) (b) (c) Figura II.22. Figura esquemática do modelo de Oriani. Relação entre a concentração de hidrogênio(a) e a deformação e força de coesão (b) no modelo atômico de trinca(c), (Adaptado de ORIANI APUD TAKETOMI et al., 2007). 28 Energia de superfície. Ouro mecanismo que se relata na literatura é a diminuição da energia de superfície. É sugerido que a energia de superfície é termodinamicamente diminuída pela adsorção de hidrogênio nas interfaces o que conduz a uma redução de energia necessária para a propagação de uma trinca de forma frágil, figura II.23. Esta teoria se difere das demais, pois considera que a adsorção do hidrogênio na interface é responsável pela diminuição das forças de ligação e não ao aumento da concentração causada pela deformação elástica. (PUGH APUD STANSBURY et al., 2000) Figura II.23. Figura esquemática do mecanismo de energia de superfície. (Adaptado de PUGH apud STANSBURY et al.l, 2000). Recentemente foi observado por HADAM et al., 2009 que a aumento da tensão elástica causa um acréscimo na solubilidade do hidrogênio, mas este acréscimo é situado nos sítios de aprisionadores irreversíveis como interfaces onde é proposto o mecanismo de energia de superfície é atuante. Efeito da tensão sobre os aprisionadores de hidrogênio. De acordo com HUANG et al. (2003), a difusibilidade do hidrogênio no ferro não tem significante alteração na região elástica, enquanto na região plástica a difusibilidade diminui com a deformação, figura II.24. Já a permeabilidade, figura II.25, aumenta com a deformação elástica e plástica. Isto significa que o ferro absorve mais hidrogênio quando está sob deformação elástica ou plástica. (HUANG et al., 2003) 29 A figura II.26 mostra a concentração de hidrogênio total calculada "C0" em função da deformação justaposta com a curva de tensão-deformação. A concentração que C0 aumenta com a deformação. A concentração de hidrogênio é diretamente proporcional a tensão elástica aplicada no ferro, figura II.27. (HUANG et al., 2003) Figura II.24. Comportamento da difusibilidade do hidrogênio com a deformação elástica e plástica do ferro (Adaptado de HUANG et al., 2003). Figura II.25. Influência da deformação na permeabilidade do hidrogênio no ferro (Adaptado de HUANG et al., 2003). 30 Figura II.26. Efeito de deformação elástica e plástica na concentração do hidrogênio. (Adaptado de HUANG et al., 2003) Figura II.27. Logaritmo da dependência da concentração de hidrogênio no ferro sobre o quadrado da tensão elástica. (Adaptado de HUANG et al., 2003) O comportamento de transporte de hidrogênio foi estudado em uma liga de aço inoxidável ferrítico. Foi constatado que a difusibilidade aparente do hidrogênio aumenta com a corrente de geração de hidrogênio, mas a energia de ativação permanece aproximadamente a mesma. A presença de tensão elástica aumenta a energia de ativação para a difusão, mas a variação em difusibilidade não é consistente. O fluxo de permeação de hidrogênio foi aumentado devido à tensão elástica (HUANG et al., 1994). 31 HADAM et al. (2009) estudaram o efeito da tensão em tração no aprisionamento de hidrogênio no ferro e em um aço alto carbono e constatou que em ambos os materiais estudados, as quantias do hidrogênio aprisionado aumentaram fortemente com a tensão aplicada. No caso do ferro, quando este foi deformado plasticamente, foi observado um aumento do hidrogênio aprisionado o qual foi atribuído a geração de discordâncias pela deformação plástica. No caso de aço de alto-carbono, a tensão foi abaixo da tensão de escoamento, e o aumento do hidrogênio aprisionado pode ser explicado pela maior capacidade de aprisionamento das armadilhas com deformação elástica, presumivelmente as interfaces de ferrita-cementita internas. Pode ser visto uma redução de 27,3% e 56,7% de ductilidade do ferro e aço alto carbono, respectivamente, quando há presença de hidrogênio e o material está sob tensão, figura II.28. O aço alto carbono apresentou ruptura abaixo do limite de escoamento quando hidrogenado sob tensão, (HADAM et al., 2009) Figura II.28. Influência da tensão na quantidade de hidrogênio aprisionado em teste de tração de permeação de hidrogênio simultaneamente (Adaptado de HADAM et al., 2009). 32 II.6. Efeito do hidrogênio no aço 2,25Cr-1Mo SILVA (2006) e também SIQUARA (2006) constataram que o efeito do hidrogênio nas propriedades mecânicas do aço 2,25Cr-1Mo de diferentes microestruturas, sendo verificada expressiva redução da ductilidade e pequena perda nas propriedades mecânicas. É observado que, em especial, no aço com estrutura martensítica, houve uma perda quase que total da ductilidade, de 79.5%, conforme tabela II.4. Tabela II.4. Microestrutura e perda de propriedades com o hidrogênio. Material Perda no limite de escoamento (%) Perda no limite de resistência (%) Perda na ductilidade (%) Ferrita perlita 0,4 5,5 55,0 Bainita 1,7 2,2 55,4 Martensita 3,7 19,9 79,5 SILVA (2006) observou por teste de permeação de hidrogênio que o aço 2,25Cr1Mo na estrutura martensítica teve menor difusibilidade e maior solubilidade. Já na estrutura de ferrita perlita verificou-se possuir maior difusibilidade e menor solubilidade. SIQUARA (2006) constatou que a estrutura bainítica após ser envelhecida possuiu uma menor difusibilidade e uma maior solubilidade que foi atribuída ao coalecimento dos carbonetos. Também foi visto que no aço 2,25Cr -1Mo, após o envelhecimento por 20 anos, submetido a temperaturas na faixa de 450 a 650 ºC, ocorreu o fenômeno de trincamento nos grão ferríticos, preferencialmente nos contornos. A figura II.29 apresenta uma estrutura de ferrita e perlita do aço envelhecido em serviço. Este fato foi atribuído ao coalecimento de carbonetos dos contornos de grão pelo envelhecimento em serviço. 33 Figura II.29. Trincamento em degraus nos grãos ferríticos (SIQUARA, 2006). TSAY et al.(1997) estudaram o modo de fratura para uma junta soldada de 2,25Cr-1Mo (ferrítico) com uma estrutura de bainita inferior mais martensita autorevenida na ZTA e notou que o material fraturava no metal de base longe da ZTA. Já o material exposto em ambiente com presença de H2S a fratura ocorreu na ZTA na região de coalescimento de grão (GGZTA). Tanto o material soldado como o soldado e posteriormente revenido apresentaram este comportamento, tabela II.5. Tabela II.5. Propriedades mecânicas do aço 2,25Cr-1Mo ferrítico e junta soldado, feito do ambiente de H2S no local de fratura e propriedades (TSAY et al., 1997). 542,9 530,2 515,5 411,6 Como soldado e revenido em H2S 412,6 Alongamento(%) 41,0 31,8 32,2 9,18 9,72 Local de fratura - Material base GGZTA GGZTA Propriedade Tensão Material base 2,25Cr-1Mo ASTM A387 Como soldado Como soldado Como e revenido soldado em H2S máxima(MPA) Material base 34 Foi constatado em estudos do comportamento em fratura por fadiga do 2,25Cr1Mo ferrítico e sua junta soldada com a presença de hidrogênio gasoso que a velocidade de propagação em fadiga é maior quando exposto ao hidrogênio. A fratura por clivagem e propagação pela região de grãos finos da ZTA (GFZTA) foi uma forte característica do aço quando exposto ao hidrogênio. Isso foi contrário ao comportamento do aço sem a presença de hidrogênio que apresentou um retardo na propagação na região GFZTA, uma região de maior tenacidade de microestrutura bainítica (TSAY et al., 2001). 35 Capítulo III III. Material e métodos III.1 Material O material analisado consiste de uma chapa de aço 2,25Cr-1Mo (ASTM A387 Gr22) de 12 mm de espessura cedida pela Petrobras e utilizada também no trabalho de tese de SIQUARA, 2006. A chapa foi recebida na condição normalizada, parte desta chapa foi usinada em forma de 2 tiras com sulco e soldada por método GTAW(Gas Tungsten Arc welding), processo este feito pela NUCLEP. A composição da chapa, por análise química e as referências da composição química do aço, e arame de consumível (ER90S-B3) são apresentados na Tabela III.1. Tabela III.1. Composição Química do aço 2,25Cr-1Mo e eletro de soldagem (% em peso). Material como BOEHLER CM 2 IG-B ASTM A387 recebido Arame Gr22 AWS ER90S-B3 Elementos C 0,05-0,15 0,192 0,090 Si 0,5 máx. 0,253 0,480 Mn 0,30-0,60 0,66 0,470 P 0,035 máx. 0,018 0,005 S 0,035 máx. 0,0094 0,005 Cr 2,00-2,50 2,22 2,420 Ni - 0,054 0,070 Mo 0,90-1,10 0,96 0,950 Al - 0,0069 - Cu - 0,022 0,250 O desenho com as dimensões da chapa onde se realizou a soldagem de preenchimento é mostrado na figura III.1(a). Os detalhes do sulco em relação a chapa de onde se retirou os corpos de prova de tração, são apresentados na figura III.1(b). Os parâmetros de soldagem manual são apresentados na Tabela III.2. A escolha destes parâmetros foi feita de forma que resultasse em uma microestrutura ao utilizado por ZHIJING et. al. (2006) e TSAI et. al., (2002), mas utilizando outro processo de soldagem (GTAW) na faixa recomendada por AWS B2.1-5A-225:1999. A figura III.2 apresenta a 36 curva de resfriamento prevista para os parâmetros da tabela Tabela III.2, onde pode ser observada a coincidência das curvas de resfriamento nesta figura. (a) Unidades em mm (b) Unidades em mm Figura III.1. Tira de chapa usinada para soldagem, grandezas em milímetros. (a) Dimensões da tira, (b) detalhe de superposição de corpo de prova de tração DIN planejado para posteriormente ser utilizado em ensaio de tração. Tabela III.2. Parâmetros de soldagem GTAW. Voltagem (V) 9-12 Corrente (A) 140 Velocidade média (cm/min) 5 Temperatura de preaquecimento 190-250ºC Gases Ar (comercialmente puro) Eletrodo Tungstênio+ 0,5% tório Diâmetro do eletrodo de tungstênio 2,6 (mm) Arame consumível AWS 5.28 ER90S-B3 Diâmetro do arame consumível (mm) 2,41 37 Figura III.2. Curvas de resfriamento da ZTA e ZF para os processo de ZHIJING et. al. (GMAW) e para os parâmetros escolhidos para soldagem por GTAW de microestrutura semelhante. Depois de soldada, a chapa foi cortada por eletro erosão de modo que o processo de corte não influenciasse na microestrutura, a figura final, depois da soldagem e corte, pode ser vista na figura III.3. Unidades em mm (a) (b) Figura III.3. (a) Esquema para o processo de corte por eletroerosão e (b) fotografia das barras cortadas antes da usinagem dos corpos de prova. Unidades em milímetros. 38 III.2. Análise Metalográfica III.2.1. Microscopia Ótica (MO) Para se analisar a microestrutura do metal de base e da região soldada, utilizouse inicialmente um microscópio óptico. Para tal, as amostras foram preparadas para a análise metalográfica na seqüência usual de preparo da superfície com lixas d’água de 100 até 1200# e posterior polimento fazendo uso de pasta diamante de 6 a 0,5µm impregnadas em pano. O ataque químico para revelar a microestrutura foi solução de nital 2% (98% alcool etílico + 2% ácido nítrico). III.2.2. Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV). Foi utilizada a técnica de microscopia eletrônica de varredura (MEV) após ataque químico. A tensão de operação do microscópio eletrônico de varredura foi de 15 a 20kV. As superfícies de fratura das amostras ensaiadas em tração, contendo ou não hidrogênio, foram também investigadas por MEV. III.3. Teste de dureza Para avaliar a variação das propriedades do material soldado foram realizados várias medidas de dureza desde o metal de base até o metal de adição. Foi utilizada escala Vickers de dureza com carga de 1kgf em tempos de ensaio iguais a 30 segundos cada. As posições das medidas de dureza para o material soldado e cortado em tiras foram: 1,5mm, 4,5mm e 7,5mm do topo da chapa, a figura III.4 ilustra isso em vermelho. 39 Unidades em mm Figura III.4. Esquema da posição das medidas de dureza em junta soldada. S é a linha superior, M é a linha média, e I é a linha inferior, 1,5mm, 4,5mm e 7,5mm do topo da chapa, respectivamente.Unidades em milímetros. III.4. Ensaio de tração Os corpos de prova de tração do material e junta soldada foram confeccionados de acordo com a norma DIN 50145/75, sua dimensão é apresentada na figura III.5. Unidades em mm Figura III.5. Esquema de corpo de prova de tração pela norma DIN 50145/75. Unidades em milímetros. As propriedades mecânicas da junta soldada foram também avaliadas a partir de testes em corpos de prova confeccionadas de acordo a Norma DIN 50145/75. De acordo com a norma AWS, o corpo de prova é fabricado do corte transversal à junta soldada. A taxa de deformação utilizada foi de 2x10-4 s-1. 40 III.5. Hidrogenação Os corpos de prova de tração foram hidrogenados eletroliticamente conforme ilustrado nas figuras III.6 e III.7 a seguir. Um grupo de amostras foi imersa em solução geradora de hidrogênio composta de 0,1M H2SO4. Neste caso não foi aplicada solicitação mecânica durante a eletrólise. No eletrólito foi utilizado um catalisador, 2mg/l de As2O3, para aumentar a fugacidade do hidrogênio. A densidade de corrente aplicada foi de 1 mA/cm2. Após um tempo determinado para hidrogenação, as amostras foram então submetidas a testes mecânicos e também a investigação microestrutural para a verificação de ocorrência de trincas retardadas. Figura III.6. Desenho esquemático para o processo de hidrogenação. III.6. Hidrogenação sob tensão elástica constante Conforme ilustrado na figura III.7, com o intuito de simular as condições reais de uso em um vaso de pressão, observou-se o efeito do hidrogênio em estruturas tensionadas. Para isso, corpos de prova foram imersos em solução para hidrogenação e ao mesmo tempo carregado em tração uniaxial, com tensão abaixo do limite de escoamento do material, produzindo deformação elástica constante, durante todo o tempo da hidrogenação. As tensões elásticas aplicadas foram 0,5σe ou 0,7σe, cada condição repetida no mínimo 3 vezes. Assim, foi possível avaliar os efeitos da tensão associada ao hidrogênio na estrutura do aço deformado elasticamente. 41 Figura III.7. Desenho esquemático do ensaio de hidrogenação sob tensão elástica constante. Para o método de hidrogenação sob tensão foram utilizados dois tipos de amostras sendo um na forma de corpo de prova de tração, figuras III.8(a) e III.8(b) e, e outro na forma de chapa fina, figuras III.8(c) e III.8(d). As áreas expostas ao hidrogênio limitam-se as áreas uteis dos corpos de prova. As dimensões das amostras em forma de chapa e a área hidrogenada podem ser vistos na figura III(d), a área hidrogenada da desta compreende um volume onde a tensão é constante, figura III(e). As amostras foram impermeabilizadas com esmalte e revestidas com teflon de forma que a hidrogenação ocorresse na parte central da amostra, área esta onde a tensão é constante. 42 As amostras na forma de corpos de prova de tração foram hidrogenadas por 72h, já as amostra na foram de chapa foram hidrogenadas por 24h sendo estes tempos suficientes para a se atingir o limite de solubilidade pelo hidrogênio saturando a amostra por completo. As amostras em forma de corpo de prova de tração foram utilizadas para serem posteriormente utilizadas em ensaio de tração para avaliar as propriedades mecânicas, as amostras em formas de chapa foram utilizadas para serem analisadas por microscopia sem a necessidade de corte que influenciaria na retirada de hidrogênio da amostra. (a) (b) (c) (d) (e) Figura III.8. Ilustração de esquema de amostras para ensaio de hidrogenação sob tensão. (a) Área de hidrogenação de corpo de prova de tração, (b) visualização em corte de volume a tensão constante, (c) montagem de acessório para chapa, (d) dimensões e área de hidrogenação para amostra na forma de chapa, (e) área a tensão constante no centro para hidrogenação. 43 Capítulo IV IV. Resultados e discussão IV.1. Análise metalográfica de 2,25Cr-1Mo. Microscopia Ótica e micodureza A figura IV.1 mostra a microestrutura do aço 2,25Cr-1Mo na condição como recebido. Foi observada uma microestrutura composta de bainítica em matriz ferrítica e uma grande quantidade de carbonetos finamente dispersos no interior nos grão. (a) (b) Figura IV.1. Microscopia óptica do aço como recebido ataque Nital 2%. Aumento de (a) 200x e (b) 500x. 44 O valor médio de dureza do material como recebido de 195 ± 2,1 Hv. Este resultado esta de acordo com o valor obtido por SIQUARA (2006) e SILVA (2006). Microscopia eletrônica de varredura As figuras IV.2(a) e IV.2(b) apresentam os resultados das observações por microscopia eletrônica de varredura do aço 2,25Cr-1Mo na condição como recebido. Pode ser observada uma forte precipitação de carbonetos no contorno de grão e uma fina dispersão no interior dos grãos ferríticos e grãos baíniticos. Este resultado está de acordo como encontrado na literatura para o aço 2,25Cr-1Mo de microestrutura ferrita e bainita. (a) (b) Figura IV.2. Microscopia eletrônica de varredura do aço como recebido ataque Nital 45 2%. Aumentos (a) 1000 X e (b)3000X. IV.1.2. Aço 2,25Cr-1Mo e hidrogênio Hidrogenação sob tensão em chapas finas Hidrogenação sob tensão a 50% da tensão de escoamento por 24h em chapas de 1mm de espessura. Com o intuito de observar a ocorrência de trincas retardadas no aço 2,25Cr-1Mo estudado, uma chapa com dimensões 1 x 10 x 20 mm hidrogenada sob tensão trativa (50% σe) por 24h, o que é suficiente para atingir o limite de solubilidade para esta espessura. Após a hidrogenação e o descarregamento da tensão trativa, a amostra foi atacada e observada por microscopia óptica. Inicialmente nenhuma trinca foi observada imediatamente após o ensaio e a amostra foi então guardada em um dessecador para posterior análise. Após uma semana do fim do ensaio a amostra foi novamente analisada por microscopia óptica, como mostra a figura IV.3. Foi constatada a presença de trincas retardadas em série que pode causar uma ruptura catastrófica no material quando estas trincas crescem a ponto de se conectarem. Isso ocorreu com a amostra após termino do teste e estocagem por sete dias sem tensão mecânica atuante. Trincas em série Figura IV.3. Microestrutura de material hidrogenado com a presença de trincas retardadas. Após estocagem por sete dias. 46 A análise da amostra por microscopia eletrônica de varredura no corpo em forma de chapa revelou a presença de trincas menores na microestrutura da amostra, pode também ser visto que as trincas maiores, figura IV.4(a), não foram originadas pelo crescimento de uma única trinca, mas do crescimento de trincas menores. Na figura IV.4(b) é observado um pequeno espaçamento entre duas trincas em série, isso mostrou que há uma tendência da união de pequenas trincas para a formação de uma trinca maior. Figura IV.4. Microscopia eletrônica de varredura de corpo de prova em forma de chapa hidrogenado sob 0,5 σe com aparecimento de trincas retardadas após 1 semana. Aumentos de 1000X(a) e 5000X(b). Propriedades mecânicas com e sem aplicação de tensão Os ensaios de tração para o aço 2,25Cr-1Mo na condição como recebido, hidrogenado e hidrogenado sob tensão (0,5σe) são apresentados na figura IV.5. Não houve como medir as propriedades dos corpos de prova hidrogenados sob 0,7 σe devido ao rompimento prematuro dessas amostras durante o ensaio de hidrogenação sob tensão, caracterizando-se assim como uma condição de extrema degradação. Foi observado, uma redução considerável da ductilidade do aço 2,25Cr-1Mo para as amostras hidrogenadas sem carregamento trativo, sendo esta redução de cerca de 30%, mas quando o material foi submetido à hidrogenação concomitante com aplicação de tensão (0,5σe) durante a hidrogenação, o material rompeu com uma ductilidade nula, a uma tensão abaixo do limite de escoamento, tal como mostra o gráfico da figura IV.5. 47 De forma a verificar se este forte o efeito fragilizante era causado pelo acumulo de hidrogênio introduzido no metal, decidiu-se então realizar um tratamento térmico de desidrogenação, tal como é realizado na indústria petroquímica durante os ciclos de parada. A amostra foi retirada da máquina de tração e então levada a um forno e realizado tratamento térmico a 450° C por cerca de 2h. Este procedimento é um meio adequado para a retirada do hidrogênio difusível do aço. Entretanto, foi verificado que não houve recuperação das propriedades mecânicas em tração, o que sugere que a entrada do hidrogênio causou defeitos permanentes no aço. Além disso, uma grande quantidade de hidrogênio pode ter sido aprisionada por sítios aprisionadores mais efetivos, os quais apenas são liberados em temperaturas maiores que 450°. Figura IV.5. Ensaios de tração para o 2,25Cr-1Mo nas condições como recebido, hidrogenado, hidrogenado sob tensão (0,5 σe) e hidrogenado sob tensão (0,5σe) seguido de tratamento térmico para remoção do hidrogênio. A mudança do modo de fratura de dúctil para frágil para este aço na condição como recebido e na condição de hidrogenado por 72h está de acordo com os resultados obtidos em trabalho anterior realizado por SIQUARA (2006). A tabela IV.1 a seguir relaciona os resultados de propriedades mecânicas das amostras do aço 2,25Cr-1Mo como recebido submetido a hidrogenação com e sem tensão aplicada. 48 Tabela IV.1. Média das propriedades mecânicas do aço 2,25Cr-1Mo em diferentes condições de hidrogenação. Hidrogenado sob tensão (0,5 σe) e tratado Como Hidrogenado sob termicamente para Propriedades recebido Hidrogenado tensão (0,5 σe ) desidrogenação Tempo de Hidrogenação (h) 0 72 72 72 σe (MPa) 475±25 474±35 360±56 422±31 σres (MPa) 583±15 582±45 361±19 422±26 σrup (MPa) 346±27 404±35 360±50 374±45 εrup(%) 21,0±2,1 15,0±1,1 <1 <1 Comparando os resultados das propriedades mecânicas das amostras sob tensão (0,5 σe) e sob tensão (0,5 σe) seguida de tratamento térmico, a influência no deste tratamento sobre a ductilidade foi mínima. Esta baixa influência na ductilidade das amostras hidrogenadas sob tensão (0,5 σe) sugere que a presença de empolamento (blisters) e trincas macroscópicas levaram o aço a fratura completamente frágil. Após ensaio de hidrogenação igual a 0,5 σe por 72h, os corpos de prova de tração apresentaram empolamento e trincas na superfície, isso foi atribuído ao grande aumento da solubilidade do hidrogênio no material induzido pela tensão. A figura IV.6 mostra a superfície lateral de um corpo de prova após ser carregado de hidrogênio sob tensão. Observa-se a presença de empolamento e trincas vistas mesmo em baixo aumento. Os corpos cilíndricos por terem uma espessura igual a 6 mm, o tempo de encharque de hidrogênio escolhido foi de 72h, de modo que o limite de solubilidade pudesse ser atingido. Foi verificada enormes trincas e várias regiões contendo empolamento. Em corpos de prova sob a forma de chapas de 1 mm a hidrogenação foi realizada por apenas 24h. Neste caso não foi verificada a formação de trincas imediatamente após a hidrogenação. Isto indica que há um tempo necessário para o aparecimento e crescimento das trincas durante o ensaio o que não ocorreu nos corpos 49 de prova em chapa de 1mm hidrogenados sob tensão(0,5 σe) por 24h, mesmo tendo sido atingindo o limite de solubilidade do hidrogênio na amostra. (a) (b) Figura IV. 6. Fotografia lateral de corpo de prova do material 2,25Cr-1Mo após 72h de hidrogenação sob tensão (0,5 σe), presença de empolamento e trincas superficiais. (a) grande trinca transversal e (b) grande concentração de trincas. Na macrografia do corte transversal ao corpo de prova após fratura, figura IV.7, do material hidrogenado sob tensão igual a 0,5σe, pode ser observada trincas profundas paralelas ao eixo do ensaio de tração e pequenas trincas transversais. 50 Trincas transversais Direção de tração Trincas paralelas 6mm Figura IV.7. Macrografia do corte transversal ao corpo de prova após fratura. O aspecto da fractografia para o material quando submetido à tensão de 0,5σe durante a hidrogenação é muito mais frágil, que aquela hidrogenada sem tensão. A superfície de fratura (figura IV.8) apresenta regiões contendo trincas e estrias típicas de fragilização induzida pelo hidrogênio. Resultado análogo foi obtido por MORO (2010) para o aço X-80 hidrogenado em tração. O material quando hidrogenado sob tensão igual a 0,7σe apresentou fratura ainda durante o carregamento de hidrogênio. A figura IV.9 mostra a superfície de fratura para diferentes aumentos, nesta condição, onde observa-se o forte acumulo de trincas e cavidades mesmo em baixo aumento. Comparando as superfícies de fratura das figuras IV.8 e IV.9 pode-se observar que a superfície de fratura é mais lisa na amostra 0,7σe secundárias e as trincas centrais e são bem mais profundas. Isto demonstra a extrema condição de carregamento imposto ao aço. A fractografia do material hidrogenado sob tensão igual a 0,5σe e posteriormente tratado termicamente é apresentado na figura IV.10. Neste caso também houve presença de trincas paralelas e fratura frágil. O modo de fratura foi misto, mas não houve nenhum sinal de ductilidade na curva de tração. Conforme foi mencionado, o tratamento térmico não foi capaz de reverter as propriedades mecânicas, pois danos permanentes já haviam sido formados. 51 (a) (b) (c) Figura IV. 8. Fractografia de corpo de prova de tração de material de base 2,25Cr-1Mo após 72h de hidrogenação a 0,5σe. (a) (b) (c) Figura IV. 9. Fractografia de corpo de prova de tração de material de base 2,25Cr-1Mo após 72h de hidrogenação a 0,7σe. 52 (a) (b) (d) (c) (e) Figura IV. 10. Fractografia de corpo de prova de tração de material de base 2,25Cr-1Mo após 72h de hidrogenação a 0,5σe, posteriormente tratado por 4h a 350ºC. 53 IV.2. Análise da junta soldada. IV.2.1. Microscopia óptica de junta soldada. A figura IV.11 (a) apresenta a macrografia da junta soldada e seus diversos passes de soldagem podem ser observados. A zona termicamente afetada (ZTA) é observada na figura IV.11(b), seu inicio pode ser diferenciado facilmente com uma transição abrupta de microestrutura mostrada em detalhe na figura IV.11(c). A transição gradual da microestrutura é de difícil distinção das zonas entre o metal de adição e a ZTA. A marcações na figura IV.11(a) representam os pontos onde foram observadas diferentes tipos de microestruturas da junta soldada. A figura IV.11(d) consiste na estrutura bainitica e representa o material de base (MB), a figura IV.11(e) representa a transição entre o material de base e o inicio da ZTA, esta é a região intercrítica (ICZTA) composta de austenita transformada (AT), e ferrita revenida (FT) a figura IV.11(f) mostra a estrutura de grãos finos (GFZTA), a figura IV.11(g) apresenta uma microestrutura de grãos grosseiros (GGZTA) com forte precipitação, na figura IV.11(h) é observado uma estrutura da zona de fusão (ZF) e a seguir, pelo efeito de revenimento de outro passe de soldagem, a figura IV.11(i) é uma zona de fusão revenida (ZFR). Esta microestrutura foi semelhante a encontrada por MOORTHY et al. (1997) em condições de soldagem semelhantes. 54 (a) (b) (c) (b) (d) (e) (f) (g) (h) (i) (c) (d) (e) (f) (g) (h) (i) Figura IV.11. Microscopia óptica das regiões da junta soldada. (a) Macrografia, (b) dimensão da ZTA, (c) detalhe de transição de microestrutura, (d) metal de base, (e) região intercrítica, (f) região de grãos finos, (g) região de grãos grosseiros , (h) região de metal de solda, (i) zona de fusão revenida. 55 A microestrutura da junta soldada apresentou um aumento gradual do tamanho da ZTA, figura IV.12, isso foi causado pela variação da temperatura, de forma crescente, do inicio ao final de cada passe de soldagem, o que foi retratado no processo de soldagem, nas medidas de temperatura máxima e mínima que são os pontos inicial e final da chapa, respectivamente, depois de cada passe. No início da soldagem a chapa vai sendo aquecida por condução térmica e no final a chapa tem temperaturas de patamar superiores a de preaquecimento. Como quanto maior a temperatura de preaquecimento da chapa, maior é a ZTA e zona fundida, assim já era esperado que houvesse variação da ZTA em função da distância do cordão. (a) (b) (c) Figura IV.12. Macrografia de tiras da junta soldada nas distâncias em relação ao inicio da soldagem sendo: (a) 8mm , (b) 32mm, e (c) 104mm. A figura IV.13, linha em vermelho, apresenta a solução analítica do tamanho da ZTA ao longo do cordão, de acordo com solução analítica de NGUYEN et al. (1999) para os parâmetros de soldagem utilizados. Também é apresentado às medidas feitas por microscopia óptica, nas posições de 8 mm, 32 mm, e 104 mm ao longo do cordão. 56 Foi observada uma variação na faixa entre 2 e 3 mm para a ZTA ao longo do cordão para cada chapa (figura IV.13) na região do corpo de prova. Isso condiz com o que foi obtido nos trabalhos de GOLDAK (1985) da solução analítica para a soldagem. MODENEZI (2006) mostrou que o tamanho da ZTA é fortemente influenciado pela temperatura de pré-aquecimento. Assim, pode-se inferir que o aumento da ZTA se deve ao acumulo de calor devido ao aquecimento contínuo da chapa desde o início da soldagem. Figura IV.13. Variação da ZTA e medidas de tamanho da ZTA por microscópio óptico na região entre 3 e 9 mm da superfície. Solução analítica proposta por Nguyen et al. (1999) em vermelho. A variação do tamanho da ZTA no material pela espessura da chapa, já era previsto pelo ciclo térmico, a cada passe de soldagem parte do material abaixo é novamente fundido e mais material acima é termicamente afetado. O formato da ZTA é também influenciado pelo número de passes por camada. A figura IV.16 apresenta a mudança no formato da ZTA na última camada, única camada de 3 passes. 57 IV.2.2. Dureza de junta soldada A figura IV.14 apresenta o perfil de dureza da junta soldada e evidencia as valores superiores encontrados na ZTA e metal de solda. Isso se deve a vários fatores como, a diminuição do tamanho de grão na junta soldada, aumento da precipitação. Figura IV.14. Perfil de dureza da linha superior (S) onde as microestruturas tiveram influencia de revenimento de passes posteriores. A figura IV.15 apresenta o perfil de dureza nas três linhas: superior (S) a 1,5mm da superfície, na linha média(M) e inferior(I), estas duas últimas compreendidas na zona do corpo de prova, a 4,5mm e 7,5mm da superfície da chapa, respectivamente. Pode ser notada uma redução no perfil de dureza causada pelo revenimento de passes posteriores. Isso mostra que há uma heterogeneidade de dureza no material, onde as camadas inferiores da solda têm uma precipitação mais grosseira e isso pode influenciar no processo de fratura do material. 58 Figura IV.15. Perfil de dureza de dureza para as regiões superior (S), média(M) e inferior(I). Observa-se na figura IV.15 que a região da ZTA e cordão de solda próxima a superfície do bloco metálico foi a que exibiu menor valor de dureza. A medida que se efetua o preenchimento ( passes subseqüentes) há um novo aporte térmico que induz a evolução da microestrutura, e consequentemente uma diminuição da dureza nos primeiros cordões. IV.2.3. Microscopia eletrônica de Varredura de junta soldada. A microscopia eletrônica de varredura pode revelar melhor a microestrutura, precipitação de carbonetos e morfologia das fases presentes. Na figura IV.16 é observada a seqüência de microestruturas como o material de base (MB) (figura IV.16 (a)), a região intercrítica (ICZTA) (figura IV.16 (b)) com presença de bainita de material de base, ferrita revenida e austenita transformada, a região das figuras IV.16 (c) e IV.16 (d) é onde pode ser visto o desaparecimento dos grãos ferríticos. Pode ser observado o aumento do tamanho de grão pelas figuras IV.16 (d) e IV.16 (e), a microestrutura do metal de solda é visto na figura IV.16 (f). 59 (a) (b) (c) (d) (e) (f) Figura IV.16. Evolução da microestrutura do material base ao metal de solda. Aumentos de 1000x. Em aumentos de 3000X foi possível observar à disposição e morfologia dos carbonetos. Na figura IV.17 (a) a microestrutura de bainita é revelada e uma fina precipitação é observada, há um aumento de precipitados da figura IV.17(b) a IV.17(c). Na região de grãos grosseiros da zona termicamente afetada (GGZTA), figura IV.17(c), pode ser notado, a maior presença de precipitados mais grosseiros devido a permanência a temperaturas maiores por mais tempo. Isso é comumente o referido na literatura para juntas soldadas de materiais endurecidos por precipitação como em Modenezi (2006). 60 Para a região de grãos do metal de solda, figura IV.17(d), com o uso de aumentos maiores, pode ser notado um preenchimento do contorno de grão de precipitados e no interior do grão uma morfologia acicular em orientações paralelas. (a) (b) (c) (d) Figura IV.17. Microscopias eletrônicas de regiões da junta soldada. (a) metal base, (b) região de grãos finos, (c) região de grãos grosseiras e (d) zona fundida. Aumentos de 3000x. IV.2.4. Propriedades mecânicas da junta soldada do aço 2,25Cr-1Mo. As propriedades da junta soldada foram avaliadas nas condições de "como soldado", junta soldada hidrogenada e junta soldada hidrogenada sob tensão (0,5σe), ambos com tempos de hidrogenação de 72 horas. Comparando os resultados de tração, figura IV.18, a junta soldada hidrogenada teve uma redução de 30%, as amostras hidrogenadas sob tensão (0,5σe) tiveram uma grande variação nas propriedades mecânicas de limite de resistência, tensão de ruptura e ductilidade, tabela IV.2. Todos os ensaios com um mínimo de 3 testes por condição. 61 Na figura IV.18 pode ser notada a grande variação da ductilidade da junta soldada hidrogenada sob tensão (0,5 σe). Os resultados mostraram que mesmo com grande variação de propriedades a ductilidade da junta soldada hidrogenada sob tensão (0,5σe) sempre foi inferior a junta soldada somente hidrogenada sem efeito da tensão. Figura IV.18. Ensaios de tração no aço 2,25Cr-1Mo em diferentes condições. Curvas máximas. Tabela IV.2. Propriedades mecânicas de junta soldada de aço 2,25Cr1Mo em diferentes condições. Como Solda Solda hidrogenada sob solado hidrogenada tensão(0.5 σe ) 0 72 72 σe (MPa) 467±16 409±55 481±16 σres (MPa) 585±20 525±26 539±66 σrup (MPa) 304±17 404±35 513±74 εrup(%) 17,0±2,2 12,0±1,1 <8 Propriedade Tempo de hidrogenação(h) Para o material na condição como soldada houve empescoçamento típico de fratura dúctil, figura IV.19 (a) que se localizou no metal de base, a macrografia do corte transversal deste evidencia isso, IV.19 (b).Na análise das fractografias do material na condição como soldado pode ser notado que durante ensaio de tração a região de metal 62 de solda contraiu pouco em relação ao resto do material durante a deformação plástica, tendo um aspecto de uma região mais resistente a deformação. A presença de microcavidades, típico de uma fratura dúctil, pode ser visto na figura IV.19(c). (a) (b) (c) Figura IV.19. Fractografia de corpo de prova de tração de material soldado. (a) cone, (b) Macrografia de corte transversal, onde “MB" é o metal de base, "ZTA" é a zona termicamente afetada, e "MS" é o metal de solda, (c) microcavidades. Embora não tenha sido objeto deste estudo a realização de tratamento póssoldagem, pode se notar com base nos resultados que a solda não fragilizou pelo acumulo de tensões internas, o que é típico de uma junta soldada de aço Cr-Mo. Portanto a amostra quando submetida a ensaio mecânico sem hidrogênio fraturou no metal de base. A fractografia da junta soldada hidrogenada pode ser observada na figura IV.20(a). Pode ser notado o aspecto frágil da fratura com presença de facetas típica de uma fratura frágil. As cavidades, figura IV.20(b) e IV.20 (c), revelam uma fractografia similar àquela do material hidrogenado sob tensão sem solda, isso foi justificado pelo 63 rompimento do material sempre ocorrer no material de base, figura IV.20 (d) e figura IV.20(e). Mesmo com variação no tamanho da ZTA as propriedades tiveram pouca variação, tabela IV.2. O material de base hidrogenado foi mais susceptível a fragilização pelo hidrogênio que outras regiões da junta soldada. Isso evidencia que os mecanismos de degradação pelo hidrogênio foram predominantes no material de base. (a) (b) (d) (c) Fratura no metal base (e) ZTA Continuação Figura IV.20. Fractografia de corpo de prova de tração de material soldado após 72h de hidrogenação. 64 O material hidrogenado sob tensão apresentou uma fratura mista (dúctil-frágil). A fractografia, figura IV.21(a), mostra um mistura de regiões frágeis e dúcteis, todos os corpos de prova de solda hidrogenados sob tensão (0,5 σe) tiveram este comportamento. A figura IV.21(a) apresenta o patamar com aspecto de fratura frágil sempre evidente, este patamar frágil é sempre rodeado de uma região de fratura dúctil-frágil. O corte transversal do corpo de prova hidrogenado sob tensão (0,5 σe) pode ser visto na figura IV.21 (b) e IV.21 (c), este corte revelou que o patamar frágil, figura IV.21 (a) é localizado na região de grão grosseiros da ZTA nas camadas inferiores onde a precipitação foi mais grosseira, figura IV.21(c). Isso está de acordo com que é visto na literatura em que ocorre maior fragilização em materiais mais revenidos. A região de fratura dúctil-frágil, figura IV.21 (d) e IV.21 (e), sempre ocorreu dentro da ZTA, entre a região intercrítica e a de grãos grosseiros. Estes resultados convergem com TSAY et al. (1997) que analisaram o aço 2,25Cr-1Mo em ambiente de H2S e a fratura se iniciou na região de grãos grosseiros com presença de fratura frágil. Metalografia de corte (b) (a) Região mista Grãos grosseiros Frágil Dúctil e frágil (d) Região de grãos grosseiros (c) (e) Frágil Dúctil Figura IV.21. Corte transversal de corpo de proca de tração para o material hidrogenado sob tensão (0,5 σe). 65 Um detalhe da região de grãos grosseiros é apresentado na figura IV.22. Esta região por conter maior densidade de precipitados grosseiros resultou em ponto preferencial para a iniciação de trincas. Isto sugere que o hidrogênio tenha segregado nessa região originando assim a fratura. Figura IV.22. Microscopia eletrônica de região de grãos grosseiros da zona termicamente afetada pelo calor. O tamanho da região frágil para as amostras hidrogenadas sob tensão (0,5 σe) teve uma variação e relação direta com as propriedades mecânicas, a figura IV.22 retrata o tamanho da região frágil e a ductilidade da amostra. A amostra de cuja a ductilidade foi igual a 8% , figura IV.23(a) teve um menor patamar de região frágil quando comparada as demais amostras cuja ductilidade foi menor (5,7 e 2 como mostra as figuras IV.23(c) e IV.23(e) respectivamente. A região adjacente ao patamar apresenta uma fratura de forma mista dúctil-frágil com presença de regiões frágeis contendo um precipitado no interior, figuras IV.23(d) e IV.23(f), pode ser notado que estes círculos frágeis são rodeados por regiões dúcteis. O tamanho das regiões de círculos frágeis depende fortemente da ductilidade ou seja quanto menor forem essas regiões, menor será a presença destes círculos, figura IV.23(b), IV.23(d) e IV.23(e). As regiões frágeis exibidas por esses círculos são provocadas pelo acumulo de hidrogênio ao redor dos precipitados ou inclusões não metálicas no aço. Isso está de acordo com teoria de aprisionamento do hidrogênio e sua preferência em preferência em segregar no entorno dos precipitados, figura IV.23(f), ou campos de tensões gerados 66 por discordâncias ou ponta de trincas. Na região de patamar frágil não ocorreu o mesmo mecanismo, isso sugere que o fator preponderante para a existência dessa zona frágil seja a diferença da microestrutura da junta soldada. (a) (b) Dúctil Dúctil e frágil Frágil ZTA=2,0mm Ductilidade=8% (c) (d) Dúctil e frágil Frágil Dúctil Frágil ZTA=2,7mm Ductilidade=5.7% (e) (f) Dúctil Dúctil e frágil Frágil Frágil ZTA=3 mm Ductilidade=2% Figura IV.23. Comparação entre os tamanhos das regiões frágeis com a ductilidade do material. 67 O aço 2,25Cr-1Mo soldado e hidrogenado sob tensão (0,5 σe) apresentou uma tendência de diminuição da ductilidade em função do aumento da ZTA em relação ao comprimento do cordão de solda. Isso ocorreu porque a propagação e colapso do material sempre ocorreram dentro da ZTA. As propriedades mecânicas ao longo da chapa são apresentadas na tabela IV.3. Tabela IV. 3. Propriedades mecânicas da solda do aço 2,25Cr1Mo ao longo do cordão de solda . Posição relativa ao ponto de inicio do cordão (mm) 20 56 68 104 σe (MPa) 409 494 475 455 σres (MPa) 525 502 491 455 σrup (MPa) 420 452 350 344 εrup(%) 8,9 5,7 2,0 0,4 A figura IV.24 a seguir mostra a variação da ductilidade em função distancia da posição inicial da soldagem, ou seja, quanto maior o tamanho da ZTA maior foi a perda de ductilidade. Figura IV.24. Ductilidade e ZTA ao longo do cordão de solda. 68 Independentemente do tamanho da ZTA, o material hidrogenado sob tensão (0,5 σe) apresentou sempre uma ductilidade inferior ao material hidrogenado. Isso pode ser explicado pelo aumento da concentração de hidrogênio, causado pela tensão elástica no material, como visto em HADAM et al. (2009). O aumento da concentração de hidrogênio dissolvido e aprisionado no metal diminui a ductilidade, tornando-o mais susceptível à fragilização pelo hidrogênio. O aumento da solubilidade dos sítios aprisionadores de hidrogênio, pelo efeito da tensão, tornou a microestrutura da ZTA mais susceptível à fragilização, o que levou a uma mudança no local da fratura da junta soldada com o efeito da tensão. Isso sugere que os mecanismos de fragilização por hidrogênio atuaram mais fortemente na região de ocorrência da maior quantidade de sítios aprisionadores irreversíveis, como maior quantidade de precipitados na região da ZTA. Isso está de acordo com o que é reportado na literatura sobre o aumento da solubilidade dos sítios aprisionadores irreversíveis com a tensão elástica de acordo com HADAM et al. (2009). Para as regiões contendo maior ZTA a degradação pelo hidrogênio foi mais acentuada apresentando inclusive ductilidade nula. Isso sugere que regiões de maior ZTA, por terem uma estrutura mais grosseira face ao maior aporte térmico, sofreram uma fragilização mais acentuada. A maior incidência de sítios aprisionadores irreversíveis, bem como a maior quantidade de precipitados mais grosseiros é atribuída a região da ZTA de grãos mais grosseiros. Os resultados apontaram que o aço 2,25Cr-1Mo sem hidrogênio teve fratura dúctil, já quando hidrogenado sem tensão teve perda de ductilidade e a fratura foi dúctil contendo regiões frágeis. A perda de ductilidade do aço 2,25Cr-1Mo ocorreu em todas as amostras hidrogenadas como visto por TAN et al. (2005). O hidrogênio diminuiu a ductilidade do material tendendo a uma fratura frágil como visto em CARTER (2001). O efeito da tensão durante a hidrogenação teve uma completa perda de ductilidade (nula) com uma fratura de aparência completamente frágil, consequência do aumento da concentração de hidrogênio no material o que foi tal como reportado por Huang et al. (2003). Para a junta soldada do aço 2,25Cr-1Mo ocorreu fratura dúctil na região do metal de base. Quando o aço 2,25Cr-1Mo é hidrogenado sem aplicação de tensão a 69 fratura é dúctil contendo regiões frágeis, e ocorrer também no metal de base. A curva de tração para esta condição exibe apenas perda de ductilidade mantendo inalteradas as tensões de escoamento e resistência. O hidrogênio sem efeito da tensão tornou o material de base mais susceptível a fragilização e fratura frágil. Na junta soldada do aço 2,25Cr-1Mo hidrogenado sob tensão ocorreu fratura frágil na ZTA. Houve uma preferência na formação e iniciação de trincas na região nessa região. Isso condiz com que foi encontrado por TSAY et al. (2000) onde foi reportado que a iniciação de trinca e uma maior facilidade de propagação na região da ZTA quando hidrogenado sob carregamento cíclico (fadiga). A aplicação da tensão durante a hidrogenação aumenta, portanto a susceptibilidade a fragilização pelo hidrogênio na ZTA. 70 Capítulo V V. Conclusões Com base nos resultados obtidos no presente trabalho foi possível concluir: O uso do esforço mecânico em tração, concomitante à hidrogenação, causa uma redução expressiva na ductilidade no aço 2,25Cr-1Mo e isso se deve ao fato do material absorver mais hidrogênio com o efeito da tensão. O hidrogênio causa um dano progressivo devido à maior absorção na hidrogenação sob tensão trativa. Isso ocorreu devido à presença de trincas retardadas nas amostras do aço 2,25Cr-1Mo de estrutura bainítica, após ser hidrogenado sob 0,5 σe por 24h. Quanto maior a tensão elástica aplicada na hidrogenação maior é a probabilidade do material sofrer ruptura catastrófica durante o ensaio de tração. Fato confirmado pelo rompimento de amostras no ensaio de hidrogenação sob tensão a 0,7 σe. A presença de trincas e empolamento nas amostras hidrogenadas sob 0,5 σe por 72h durante o ensaio foi devida ao maior tempo de exposição e uma maior formação de trincas. A formação de trincas internas durante a hidrogenação sob tensão foi a causa da perda expressiva da ductilidade no aço 2,25Cr-1Mo. Em corpos de prova cujo o hidrogênio foi retirado por tratamento térmico a ductilidade foi também muito baixa. O hidrogênio causa um forte efeito deletério na junta soldada. A região do metal de base é mais susceptível a fragilização pelo hidrogênio que as outras regiões, quando submetido à hidrogenação sem efeito da tensão. A fratura se inicia fora da região da solda, ou seja, no metal de base. A região mais afetada pelo hidrogênio quando se aplica tensão durante a hidrogenação foi a região da ZTA de grãos grosseiros, devido ao expressivo acréscimo da concentração de hidrogênio nessa região. 71 Capítulo VI Referências Bibliográficas ANDREWS, K.W., HUGES, H., 1959, “Hexagonal Carbide and Nitride Phases and their occurrence in some alloys steels”. Journal of the Iron and Steel Institute, pp. 304-311 ANSI-AWS B4.0-1998 - Standard Methods for Mechanical Testing of Welds ASM HANDBOOK, 1990, “Properties and Selection: Irons, Steels, and High Performance Alloys”, Metals HandBook, v. 1, Metals Park, Ohio. ASM METALS HANDBOOK, 1993, "Welding, Brazing, and Solderi", Metals Handbook, V.6 ASME VIII D3, 2007, " ASME BOILER & PRESSURE VESSEL CODE" AWS WELDING HANDBOOK, 1974 "Welding process", AWS AWS A5.23, 1998, "Specification for Low Alloy Steel Electrodes and Fluxes for Submerged Arc Welding" AWS A5.5, 1998, "Specification for Low-Alloy Steel Electrodes for Shielded Metal Arc Welding" AWS B2.1-5A-225:1999, 1999, "Standard Welding Procedure Specification (WPS) for Gas tungsten Arc Welding (Consumable insert Root) of chromium-Molybdenum Steel (M5A/P-5A), 1/8 though 1/2 in. Thick, As-Welded condition, IN521 and ER90S-B3, Primarily Pipe Applications" AZEVEDO, C.R.F., BENEDUCE NETO, F., BRANDI, S.D., TSCHIPTSCHIN, A.P., 2008, Cracking of 2.25Cr–1.0Mo steel tube/stationary tube-sheet weldment of a heatexchanger. Engineering Failure Analysis 15,pag. 695–710 BAIRD, J.D., 1974, “Strengthening Mechanisms in Ferritic Creep Resitant Steels, in Creep Strength in Steel and High Temperature Alloys, The Metals Society, pag. 207-216 72 BAKER, R.G.; NUTTING, J.; 1959. “The tempering of 2 ¼ Cr-1Mo steel after quenching and normalizing”. Journal of Iron and Steel Institute, 192, pp. 257-268. BRASS, A.-M. AND CHÊNE, J. (2005), "Diffusion and strain-assisted transport and trapping of hydrogen in ferritic steels", ICF XI - 11th International Conference on Fracture. BÖHLER, S. Welding consumables for the petrochemical industry. [S.l.]: Catalog, 2005. Disponível em: http://www.t-put.com/Petrochemie_EN.pdf. Acesso em: 30 jan. 2010, 22:27:30. CARTER. T.J., CORNISH, L. A., 2001," Hydrogen in metals", Engineering Filure Analysis, vol. 8, pg. 113-121. CHIAVERINI, V., 1986, "Tecnologia mecânica", 2.ed. São Paulo. Mc Graw-Hill. DECKWER, W. D., 1992. "Bubble Column Reactors, John Wiley and Sons", New York, pag. 29 DENG, D., MURAKAWA, H., 2008, "Finite element analysis of temperature field, microstructure and residual stress in multi-pass butt-welded 2.25Cr–1Mo steel pipes". Computational Materials Science 43 681–695 DEVANATHAN, M. A.V., STACHURSKI, Z., 1962, "The adsorption and diffusion of electrolytic hydrogen in palladium", Proceeding Royal Society, A vol. 270, pp 90-102. El-KADDAH, E., ARENAS, M., ACOFF, V. L.; 1999. "Heat transfer and fluid flow in stationary GTA welding af γ-TiAl based alloys: effect of thermocapillary flow". Second international Conference on CFD in the Minerals and Process industries CSIRO, Melbourne, Australia. ELIAZ, N.; SHACHAR, a.; TAL, B.; ELIEZER, D., 2002, "Characteristics of hydrogen embrittlement, stress corrosion cracking and tempered martensite embrittlement in highstrength steels", Engineering Failure Analysis, vol. 9, pag 167-184. FAN, H.G., TSAI, H.L., NA, S.J., 2001, " Heat transfer and fluid flow in a partially or fully penetrated weld pool in gas tungsten arc welding". International Journal of Heat and Mass Transfer 44 417-428 73 FASSANI, R. N. S., TREVISAN, O. V., 1999, "Analytical Modeling of Multipass Welding Process with Distributed Heat Source", COBEM 99 – 15th Brazilian Congress of Mechanical Engineering.22-26, São Paulo. SP. Brazil. FENGLIANG, Y., Hu, S., Yu, C., Li. L., 2007, "Computational simulation for the constricted flow of argon plasma arc". Computational Materials Science 40 389–394 FUKAI, Y., 1993, “The metal-hydrogen system”, Springer Series in Material. Science Letters, v. 9. FURTADO, H.C., 2003, "Avaliação de aços ferríticos Cr-Mo operando em regime de fluência." Tese de D.Sc., Programa de Engenharia Metalúrgica e de Materiais COPPE/UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil,. GOLDAK J., CHAKRAVARTI, A., BIBBY, M., 1985. "A Double Ellipsoid Finite Element Model for Welding Heat Sources", IIW Doc. No. 212-603-85. HADAM, U., ZAKROCZYMSKI, T., 2009, " Absorption of hydrogen in tensile strained iron and high-carbon steel studied by electrochemical permeation and desorption techniques", International Journal of Hydrogen Energy 34 2449–2459. HARDIE, A., D., XU, J., CHARLESA, E.A., WEI, Y., 2004,"Hydrogen embrittlement of stainless steel overlay materials for hydrogenators", Corrosion Science 46 3089–3100 HILKES, J., GROSS, V., 2009, "Welding CrMo steels for Power Generation and Petrochemical Applications - Pas, Present & Future-", Böhler Schweisstechnik Deutschland GmbH, Unionstrasse 1, D-59067 Hamm, Germany. HOELZEL, M., DANILKIN, S. A, EHRENBERG, H., TOEBBENS, D. M.; UDOVIC, T. J., WIPF, H., 2004, "Effects of high-pressure hydrogen charging on the austenitic stanless steels" Materials Science and Engineering, A 384, pag. 255-261. HUANG, Y., NAKAJIMA, A., NISHIKATA, A., TSURU, T., 2003, " Effect of Mechanical Deformation on Permeation of Hydrogen in Iron". ISIJ International, Vol. 43 (2003), No. 4, pp. 548–554 74 HWANG, L. C., PERNG, T. P., 1994, "Hydrogen transport in ferritic stainless steel under elastic stress", Materials Chemistry and Physics, 36 (1994) 231-235. KUZYKOV, A.N.; NIKHAYENKO, YU. YA.; LEVCHENKO, BORISENKO, V.A.;MOISA, V.G.; 2002, "How hydrogen affects operability of chemical and petrochemical equipment made of carbon and low alloy steel", International Journal of Hydrogen Energy, 27 pag. 813-817. LUNDIN, C.D.; LIU, P.; LUI, Y.; 1986. “A literature review on characteristics of high temperature ferritic Cr-Mo steel and weldments”. Materials Joining Research WRC 454, Department of Material Science and Engineering. University of Tennessee LUNDIN C. D., KHAN ,K., YANG, D.,1997." Effect of Carbon Migration on the Metallurgical Structure and Mechanical". Science and Engineering. MITCHELL, D.R.G., BALL, C.J., 2001, “A quantitative X-Ray diffraction and analytical electron microscopy study of service-exposed 2,25Cr-1Mo steels”, Materials Characterization, 47, pp. 17-26. MODENEZI, P. J., MARQUES, P. V., SANTOS, D. B., 2006, "Introdução à Metalurgia da Soldagem"; Belo Horizonte. Universidade Federal de Minas Gerais. Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais NOVIKOV, I., 2004, "Teoria dos tratamentos térmicos dos metais"; trad. Teodósio, J. R., Rio de Janeiro. Editora UFRJ. NGUYEN, N.T., OHTA, A., MATSUOKA, K., SUZUKI, N., MAEDA Y., 1999, "Analytical Solutions for Transient Temperature of Semi-Infinite Body Subjected to 3D Moving Heat Sources", Weld. Res. Suppl., Welding Journal. OLIVEIRA, S. P., MIRANDA, P. E. V., 2000, "Caracterização crítica de hidrogênio para a fragilização de hidrogênio em aços", Revista Matéria, vol. 5, pag. 1-14. OGATA, T., YAGUCHI, M., 2007, "Damage mechanism in weldment of 2.25Cr–1Mo steel under creep–fatigue loading". Engineering Fracture Mechanics 74 (2007) 947–955 75 PARVATHAVARTHINI, N.; SAROJA, S.; DAYAL, R. K.; KHATAK, H. S.; 2001, “Studies on Hydrogen Permeability of 2,25%Cr-1%Mo Ferritic Steel: Correlation with Microstructure”. Journal of Nuclear Materials. 288, pp.187-196. PARVATHAVARTHINI, N., SAROJA, S., DAYAL, R. K., KHATAK, H.S., 2001, "Studies on hydrogen permeability of 2,25Cr 1Mo ferritic steel: correlation with microestructure", Journal of Nuclear Materials, 288 pag. 187-196. PILLING, J.; RIDLEY, N.; GOOCH, D.J.; 1983. “The effect of titanium on creep strength in 2,25 Pct Cr – 1 Pct Mo Steels”. Metal. Trans., 14A, pp. 1443-1449. RODRIGUES, J. A., Miranda, P. E. V. e Rodrigues, J.A., 1994, "Gases em metais e ligas Fundamentos e aplicações em engenharia", Editora Didática Científica, Rio de janeiro, pag. 29-48. SCHLO, S. M., SVOBODA, J., GIESSEN E. V. D., 2001, " Evolution of the methane pressure in a 2.25Cr–1Mo steel dureing hydrogen" Acta mater. 49, pag. 2227–2238 SILVA R.A.F., 2006, "Efeitos do hidrogênio na microestrutura e propriedades mecânicas no aço 2.25 1Mo", Monografia de fim de curso, Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais/ UFRJ, Rio de Janeiro, R.J., Brasil. SENIOR B.A., 1988, "A critical review of precipitation behavior in 1Cr-Mo-V rotor steels". Materials Science and Engineering, pp.263-271 SIQUARA, P.C., 2006, "Influencia da microestrutura nas propriedades física e mecânicas de aços 2.25Cr 1 Mo usados em ambientes ricos em hidrogênio". Tese de Msc, COPPE/UFRJ, Rio de Janeiro, R.J., Brasil. SIQUEIRA, M.H.S,1997, Caracterização de juntas soldadas de tubos de aço 5Cr 0.5 Mo novas e envelhecidas em serviço. Tese de Msc, COPPE/UFRJ, Rio de Janeiro, R.J., Brasil. SMITH, E., NUTTING, J., 1957, “The tempering of low alloy creep resistance steels containing chromium, molybdenum, and vanadium”, Journal of Iron and Steel Institute, 187, pp. 314-329. 76 TAN J., CHAO Y. J., 2005, " Effect of service exposure on the mechanical properties of 2.25Cr–1Mo pressure vessel steel in a hot-wall hydrofining reactor", Materials Science and Engineering A 405 214–220 TODD, J.A.;1986, "The early stages of tempering in 3Cr-1.5Mo steel". Script Metallurgica, v.20, pp. 269-274. TSAI, M.C., YANG, J.R., 2003, " Microstructural degeneration of simulated heat-affected zone in 2,25Cr-1Mo steel during high-temperature exposure" Materials Science and Engineering A340 15/32 TSAY, L. W., LIN, W. L., SULPHIDE STRESS CHENGT, S. W., LEUS, G. S., 1997, " HYDROGEN CORROSION CRACKING OF 2.25Cr-Mo STEEL WELDMENTS", Corrosion Science, Vol. 39, No. 7, pp. 1165-l 176. TSAY, L. W., LIU, C.C., CHAO, Y. H., SHIEH, Y.H., 2001, "Fatigue crack propagation in 2.25 Cr–1.0Mo steel weldments in air and hydrogen". Materials Science and Engineering A299 pag. 16–26. TSUCHIDA, Y., INOUE, T., SUZUKI, T., 2004, “Creep rupture strength of V-modified 2.25–1Mo steel “, International Journal of Pressure Vessels and Piping, 81, 191-197. VARIN, R.A., HAFTECK, 1984, “Structural changes in ferritic heat-resistent steel after long term service”, Materials Science Eng., 62, pp. 129-136. VILARINHO, O. L., 2009. "As Dimensões do Arco Elétrico". Soldagem Insp. São Paulo, Vol. 14, No. 3, p.271-275, Jul/Set 2009 VISWANATHAN, R., 1989, "Damage mechanisms and life assessment of hightemperature components". ASM International, Metals Park, Ohio. VISWANATHAN, R., BAKKER, W.T., 2000. “Materials for Boilers in Supercritical Power Plants” In: Proceedings of 2000 International Joint Power Generation Conference, pp. 1-22, Miami Beach, July 2000. 77 WATANABE, T., YAMAZAKI, M., HONGO, H., TABUCHI, M., TANABE, T., 2004 " Effect of stress on microstructural change due to aging at 823 K in multi-layer welded joint of 2.25Cr–1Mo steel ", International Journal of Pressure Vessels and Piping 81 279–284 YAMAMOTO, K., TANAKA, M.,TASHIRO, S., NAKATA, K., YAMAZAKI, K., YAMAMOTO, E., SUZUKI, K. MURPHY, A.B., 2008. " Numerical simulation of metal vapor behavior in arc plasma", Surface & Coatings Technology 202 5302–5305 YUKATA TSUCHIDA, TKASSHI INOE, TKASHI SUZUKI, 2004, " Creep rupture strength of V- modified 2,25Cr-1Mo steel", International Journal of Pressure Vessels and Piping, vol. 81, pag. 191-197. ZHIJING, N., HONGAN, Q., 2006, "Welding procdure specification DJ2-WPS-306", Shanxi Power Constrution General Company, Standard Code ASME Section IX. (http://cokhitruongxuan.vn/upload/images/welding%20procedure%20qualification%20rep ort%206.pdf ) visto em maio de 2010. 78