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REIS, JACINTHO RODRIGUES PEREIRA
Outros nomes e/ou títulos: Reis, Jacinto Rodrigues Pereira
DADOS PESSOAIS
TRAJETORIA PROFISSIONAL
PRODUÇÃO INTELECTUAL
FONTES
FICHA TÉCNICA
DADOS PESSOAIS
Jacintho Rodrigues Pereira Reis nasceu em 1768, na capitania de Minas Gerais (hoje Estado de
Minas Gerais). Era filho e neto de cirurgiões, sendo seu pai José Rodrigues Pereira, casado com
Joaquina Inácia da Rosa, e seu avô, também médico, Bartolomeu Pereira. Sua irmã Rita Soares de
Meirelles era casada com o médico Joaquim Cândido Soares de Meirelles, e sua filha Carolina
Leopoldina Reis Soares de Meirelles era esposa de Saturnino Soares de Meirelles, seu sobrinho.
Foi agraciado como Cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa, Comendador da Imperial Ordem de
Cristo, e Dignatário da Grã Cruz.
Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, já em idade avançada, com 104 anos, em 13 de março de
1872.
TRAJETORIA PROFISSIONAL
Jacintho Rodrigues Pereira Reis, ao término de seus estudos preliminares, partiu para a cidade do
Rio de Janeiro, onde se formou em cirurgia na Academia Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro no
ano de 1831. Após sua formatura, partiu para Lisboa com o intuito de aperfeiçoar seus
conhecimentos, voltando a se estabelecer no retorno, na capital do Império.
Participou da fundação da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, criada em 1829 na cidade do
Rio de Janeiro, juntamente com Joaquim Cândido Soares de Meirelles, Luís Vicente De Simoni,
José Francisco Xavier Sigaud, José Martins da Cruz Jobim, João Maurício Faivre, Antônio Américo
D’Urzedo, Octaviano Maria da Rosa, Cristóvão José dos Santos, Antônio Martins Pinheiro, Antônio
Joaquim da Costa Sampaio, José Maria Cambuci do Valle, José Augusto Cezar de Menezes, João
Alves Carneiro, Fidélis Martins Bastos, Joaquim José da Silva e José Mariano da Silva. Foi
membro titular da seção cirúrgica e presidente desta sociedade no 4º trimestre do ano de 1831.
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Jacintho Rodrigues Pereira Reis, juntamente com Francisco de Paula Cândido, Joaquim Cândido
Soares de Meirelles, Manuel Valladão Pimentel, José Martins da Cruz Jobim e José Francisco
Xavier Sigaud, participou de sessões especiais, realizadas na então Sociedade de Medicina do Rio
de Janeiro em 1835, para discussão e estudo de uma afecção caracterizada pela existência de
sangue na urina e então denominada de hematúria do Brasil (SANTOS FILHO, 1991).
Jacintho Rodrigues Pereira Reis foi cirurgião honorário da Imperial Câmara dos dois imperadores
do Brasil, D. Pedro I e D. Pedro II (1848).
Foi o primeiro inspetor geral do Instituto Vacínico do Império, tendo sido nomeado para tal cargo no
ano de 1846, e permanecido até 1872, quando foi substituto por João Francisco de Sousa. Em
1850, quando ainda era inspetor do Instituto Vacínico do Império, foi chamado para integrar a
Junta Central de Higiene Pública, então criada com o objetivo de indicar medidas para o combate à
epidemia de febre amarela que assolava o país naquele ano.
Foi um dos fundadores e 1º presidente do Instituto Hahnemanniano do Brasil, instalado na cidade
do Rio de Janeiro em 06 de junho de 1859, do qual também participaram Joaquim José da Silva
Pinto (vice-presidente), Saturnino Soares de Meirelles (1º secretário e redator da Gazeta do
Instituto Hahnemanniano do Brasil), José Henriques de Proença (2º secretário) e André Braz
Chalreo (tesoureiro). Na solenidade de instalação do Instituto, em 2 de julho de 1859, Jacintho
Rodrigues Pereira Reis pronunciou um discurso no qual homenageou os fundadores da
homeopatia no Brasil, defendeu a necessidade de reformas das escolas médicas, censurou os
inimigos da homeopatia e exaltou os amigos da ciência (GALHARDO, 1928).
Esta associação, criada com o objetivo de propagar a homeopatia teve curta duração devido à
dissidência do grupo de homeopatas reunidos em torno de Domingos de Azevedo Coutinho
Duque-Estrada, partidários da idéia de que era necessário para o exercício da homeopatia o
diploma de medicina emitido pelas faculdades oficiais do Império. Nesta ocasião, este grupo
fundou, em oposição ao Instituto, no mesmo mês e ano, a Congregação Médico-Homeopática
Fluminense. Mas, em 1880 a denominação de Instituto Hahnemanniano do Brasil acabaria sendo
adotada novamente em substituição a de Instituto Hahnemaniano Fluminense, criado em 1979.
Participou da Sociedade Defensora da Liberdade e da Independência Nacional, criada no Rio de
Janeiro em 19/5/1831, que foi uma sociedade de caráter político e de cunho nativista e libertário, e
da qual participavam deputados, advogados, médicos, militares, comerciantes e funcionários
públicos, como Evaristo Ferreira da Veiga.
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Teve atuação importante na vida política brasileira, tendo participado de movimentos liberais e
separatistas em Minas Gerais, como a Sedição de Ouro Preto, em 1833. Em relação a sua
participação como sedicioso em Ouro Preto registra a Revista do Arquivo Público Mineiro:
“... fatos numerosos ali praticados por Jacinto Rodrigues Pereira Reis, e o Coronel José de
Sá Bitencourt com seus irmãos, procedendo logo a captura do dito Jacinto Rodrigues
Pereira por ser furioso agente da revolta de Ouro Preto. (.....) Levo ao conhecimento de V.
Ex. que se acham processados os Cabeças da sedição que teve lugar nesta Vila por
ocasião das eleições primárias, e revolta de Ouro Preto, os quais são Jacinto Rodrigues
Pereira Reis, José de Sá Bitencourt e Câmara e Guilherme Frederico de Sá ... Frederico
Carlos de Sá Bitencourt, Egídio Luiz de Sá, Cristiano Manoel de Sá...”. (A SEDIÇÃO, 1902,
p.177; 187, 1902. Apud GONÇALVES, 2006)
Foi suplente (1844) e vereador (1845-1848) da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Foi Juiz de Paz, diretor adjunto e Conselheiro do Monte Pio Geral d´Economia dos Servidores do
Estado, criado em 1835.
Em 1832 foi redator do periódico O Homem e a America: Jornal da Sociedade Defensora da
Liberdade e Independencia Nacional do Rio de Janeiro, juntamente com Francisco de Salles
Torres Homem, José Martins da Cruz Jobim, Francisco Freire Allemão de Cysneiros, Januario da
Cunha Barboza e Saturnino de Souza e Oliveira. Foi também redator do Despertador Mineiro,
entre os anos de 1833 e 1840.
No ano de 1857 e 1864 Jacintho Rodrigues Pereira Reis mantinha seu consultório particular, com
especialidade em homeopatia, na Rua São José nº 58, no centro da cidade do Rio de Janeiro
juntamente com Saturnino Soares de Meirelles, filho do médico Joaquim Cândido Soares de
Meirelles.
PRODUÇÃO INTELECTUAL
- “O amigo da razão, ou carta aos redactores do Reverbero, em que se mostram os Direitos, que
tem o Brasil a formar a sua Camara especial de Cortes no próprio território, conservando a união
com Portugal, em Ordem a salvar-se dos Horrores da Anarquia; e as pertenções das Cortes de
Portugal contrarias aos seus interesses”. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1822.
- “Reflexões às calumnias tecidas pelo cirurgião formado Joaquim José da Silva”. Rio de Janeiro:
Typographia Nacional, 1831.
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- “Requerimento encaminhado ao Ministério do Império, solicitando nomeação como inspetor da
Junta Vacinica do Rio de Janeiro”. Manuscrito. [s.l.], 1841.
- “Estado da vaccina no Brazil”. Annaes Brazilienses de Medicina, Rio de Janeiro, tomo 7º, 18511852.
- “Relatorio do Estado da Vaccinação, apresentado ao Ministerio do Imperio pelo Inspetor Geral do
Instituto Vaccinico Jacintho Rodrigues Pereira Reis”. Rio de Janeiro: [s.n.], 1852.
- “Requerimento encaminhado ao Ministério do Império, solicitando que seja abonado seu
ordenado, como inspetor geral do Instituto Vacinico, desde o dia em que deixou de receber ate o
dia de sua apresentaçao.” Manuscrito. [s.l.], 1853.
- “Medidas contra o cholera-morbus”. Annaes Brazilienses de Medicina, Rio de Janeiro, tomo 10º, 1856.
- “Memória sobre o tétano”. Apresentado à Academia Imperial de Medicina. Rio de Janeiro: [s.d.].
FONTES
- A SEDIÇÃO militar de Ouro Preto em 1833. Revista do Arquivo Público Mineiro, Belo Horizonte,
v.07, p.67-250, jan./jun. 1902.
- BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento. Diccionario Bibliographico Brazileiro. Rio de
Janeiro: Imprensa Nacional, 1893. v. 3
(BCOC)
- GALHARDO, José Emygdio Rodrigues. História da homeopatia no Brasil. In: Livro do 1°
Congresso Brasileiro de Homeopatia. Rio de Janeiro, 1928. p.271-1016. (BN)
- GONÇALVES, Andréa Lisly. “A Oligarquia Tenebrosa: um perfil sócio-econômico dos caramurus
mineiros (1831-1838)”. In: XII Seminário sobre a Economia Mineira. Economia, História,
Demografia e Políticas Públicas. Diamantina, MG. 29 de agosto a 1º de setembro de 2006. Online.
Capturado em 21 dez. 2011. Disponível na Internet:
http://www.cedeplar.ufmg.br/seminarios/seminario_diamantina/2006/D06A047.pdf
- JACINTHO Rodrigues Pereira Reis. Dados biográficos apresentados à Academia Nacional de
Medicina. Datilografado.
(ANM)
- MÉDICOS e Cirurgiões. In: Almanak Lamert de 1864. Almanak Administração, Mercantil e
Industrial do Rio de Janeiro (1844-1889). Obtido via base de dados PROJETO DE IMAGEM DE
PUBLICAÇÕES OFICIAIS BRASILEIRAS DO CENTER FOR RESEARCH LIBRARIES E LATINAMERICAN MICROFILM PROJECT. Capturado em 02 jun. 2003. Online. Disponível na Internet:
http://www.crl.edu/pt-br/brazil/almanak
- SANTOS FILHO, Lycurgo de Castro. História Geral da Medicina Brasileira. São Paulo:
HUCITEC/EDUSP, 1991. v. 2.
(BCCBB)
FICHA TÉCNICA
Pesquisa – Rodrigo Borges Monteiro.
Redação – Verônica Pimenta Velloso, Maria Rachel Fróes da Fonseca.
Revisão – Maria Rachel Fróes da Fonseca.
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