PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE SÃO JOSÉ CENTRO UNIVERSITÁRIO MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ – USJ CURSO DE ADMINISTRAÇÃO ANDERSON SCHNEIDER AQUISIÇÃO DE MEDICAMENTOS POR DETERMINAÇÃO JUDICIAL: Estudo de caso no Setor de Compras da Secretaria de Saúde de São José/SC SÃO JOSÉ 2012 PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE SÃO JOSÉ CENTRO UNIVERSITÁRIO MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ – USJ CURSO DE ADMINISTRAÇÃO ANDERSON SCHNEIDER AQUISIÇÃO DE MEDICAMENTOS POR DETERMINAÇÃO JUDICIAL: Estudo de caso no Setor de Compras da Secretaria de Saúde de São José/SC Trabalho de Conclusão de Curso elaborado para a disciplina de Estágio Curricular Supervisionado II do Curso de Administração do Centro Universitário Municipal de São José – USJ. Professor: Prof. MSc. Lissandro Wilhelm SÃO JOSÉ 2012 ANDERSON SCHNEIDER AQUISIÇÃO DE MEDICAMENTOS POR DETERMINAÇÃO JUDICIAL: Estudo de caso no Setor de Compras da Secretaria de Saúde de São José/SC Trabalho de Conclusão de Curso elaborado como requisito final para obtenção do grau de bacharel em Administração do Centro Universitário Municipal de São José – USJ. Avaliado em 28 de Junho de 2012 pela seguinte banca examinadora: ________________________________________ Prof. MSc. Lissandro Wilhelm Orientador (a) ________________________________________ Prof. Dr. Edson Telê Campos Membro examinador ________________________________________ Prof. Dr. Gilson Karkotli Membro examinador São José, 28 de Junho de 2012. AGRADECIMENTOS Aos meus pais, Waldir e Zoraide, pela educação e apoio que sempre me deram. Se hoje eu estou conquistando mais uma etapa, eu devo a vocês, pois foi através dos seus ensinamentos que eu me tornei uma pessoa humilde, digna e de bom caráter. Em especial, obrigado mãe, por nunca medir esforços para me ajudar a enfrentar todos os obstáculos durante o curso. Só você sabe o que eu passei, da felicidade e emoção em ter passado numa faculdade, das angústias, das dificuldades devido à distância entre a casa e o Centro Universitário, e da vontade de desistir. Agradeço por estar sempre ao meu lado e acreditar que eu sou capaz. De fato, este trabalho não existiria sem a sua presença. Obrigado minha irmã Gisane, por ser prestativa quando eu sempre solicitei ajuda. Você ter entrado numa faculdade, me inspirou e me mostrou que nunca é tarde para realizar novas conquistas. Aproveito este espaço para fazer um agradecimento pessoal, obrigado por realizar um dos maiores sonhos da minha vida, o de ser tio. A Luiza, minha sobrinha amada, que nasceu no mesmo período que surgia as primeiras linhas deste trabalho. Obrigado por me trazer alegria e encher meu coração de felicidade nessa fase tão atribulada da minha vida. Obrigado ao meu orientador Lissandro, sempre disponível e atencioso quando precisei de suas instruções. Sua competência e sua visão sempre me direcionaram pelo caminho correto, sem deixar de perder minha identidade nessa pesquisa. A Luize Marie Angélico, melhor presente que a universidade me deu, obrigado por diversas vezes ler meu trabalho, me dando dicas preciosas e correções necessárias. Sua generosidade e seu enorme coração me impressionam. Obrigado pela amizade, afinal “quem tá junto, tá junto”. A Christiane Baron, minha alma gêmea, nossa sintonia sempre foi prova que as pessoas aparecem em nossas vidas por algum motivo muito especial. Nada é por acaso! Mesmo não continuando nessa caminhada, você sempre esteve ao meu lado. Obrigado pelo apoio e companhia. Ao Levi Édio da Silva, um amigo e uma grata surpresa que conheci na universidade, nossas semelhanças e coincidências nos aproximaram mais ainda. Quero sua amizade para sempre! Aos amigos de turma, que passamos tanto tempo juntos, momentos bons e ruins, dos jogos nos intervalos, dos lanches depois das aulas, das festas nos finais de semana. Obrigado a todos que participaram e vivenciaram esses momentos tão essenciais nessa jornada. Ao Pedro Paulo Furtuoso Júnior, Supervisor de Compras da Secretaria de Saúde, por me auxiliar nessa pesquisa com sua extrema competência. Obrigado por aceitar a responder à entrevista de forma tão generosa e detalhada. A equipe do Setor de Compras, obrigado por tornar o ambiente de trabalho mais divertido. A convivência com vocês só provou o quanto é bom trabalhar em equipe. Parabéns pelo profissionalismo e excelência nos serviços realizados. A ex-Secretária de Saúde Daniela Raquel Rabelo de Oliveira, por ter confiado no meu trabalho e na minha pesquisa. Obrigado pela oportunidade de me tornar um profissional mais competente. A Simone Machado e Josiane Silveira, Farmacêutica e Assessora Jurídica do NUTAJ, respectivamente, obrigado pelas informações necessárias e pertinentes a esta pesquisa. Ao Valdir Coelho Júnior, que além de um amigo da universidade, é um excelente funcionário da Secretaria de Saúde. Obrigado por sempre me ceder dados importantes para a realização deste trabalho. Aos Professores, que me ensinaram um pouco de tudo que aprendi com seus conhecimentos e experiências, e que de certa forma pude expressar nesse trabalho. De forma geral, agradeço a todos os amigos e familiares que contribuíram direta ou indiretamente durante todo o percurso dessa jornada. Não existiria som Se não houvesse o silêncio Não haveria luz Se não fosse a escuridão A vida é mesmo assim Dia e noite, não e sim. Lulu Santos/Nelson Motta RESUMO O presente estudo foi realizado na área de Administração de Materiais no Setor de Compras da Secretaria de Saúde de São José. O objetivo geral dessa pesquisa foi analisar a aquisição de medicamentos judiciais, fornecidos por meio de decisões judiciais. Entre os dados avaliados, destacam-se os processos de compra, as modalidades de licitações, o setor responsável pelo controle e distribuição dos medicamentos judiciais no município. Esta pesquisa, na sua metodologia caracteriza-se como qualitativa, exploratório, pesquisa bibliográfica, pois pretende-se apresentar como está estruturado o processo atual de compras da organização. O que se pode perceber através do questionário aplicado é que de forma ampla, os procedimentos de compras da Secretaria de Saúde de São José estão relativamente aplicados de forma correta e de acordo com os princípios e fundamentos da lei na sua maioria. Através dos resultados obtidos são apresentadas sugestões de melhorias a serem aplicadas à realidade encontrada e que poderão auxiliar nas atividades realizadas no setor. Palavras-chave: Processo de Compras; Licitações; Aquisição de Medicamentos. ABSTRACT This study was conducted in the Material Management Field and its main objective was to analyze the process of Purchase of Medication yelded on Law Suits. Purchase process, bid category, in-charge sectors responsible for controlling and distribuiting such medication were amongst data analyzed. This study is qualitative, exploratory and bibliographical since its aim is to show the whole structure which complies the purchase system. This study was brought to an end in the Health Bureau of the County of São José and what was realized is that the procedures used by the Administration are well put according to related law. Also through data obtained and analyzed, sugestions regarding alternative methods which could also improve services offered by the Health Bureau of the County of São José. Key-words: Purchase Process; Bid Categories; Medication Purchase. LISTA DE FIGURAS Figura 01: Proposta de Organograma da Secretaria de Saúde ................................ 21 Figura 02: Fluxograma do Setor de Compras – Compra Direta ................................ 23 Figura 03: Processo de compra ................................................................................ 33 LISTA DE QUADROS Quadro 01: Setores da Secretaria de Saúde............................................................. 24 Quadro 02: Relação das Unidades Básicas de Saúde e dependências. .................. 25 Quadro 03: Quantidade de servidores na Sede Administrativa. ................................ 26 Quadro 04: Procedimentos fundamentais de Administração..................................... 30 Quadro 05: Características de cada modalidade e a forma do procedimento. .......... 45 Quadro 06: Limites para dispensa............................................................................. 48 Quadro 07: Características de cada modalidade e a forma do procedimento. .......... 50 Quadro 08: Finalidade do Setor de Compras ............................................................ 54 Quadro 09: Procedimentos de compras .................................................................... 56 Quadro 10: Modalidade Carta Convite ...................................................................... 57 Quadro 11: Modalidade Pregão ................................................................................ 59 Quadro 12: Dispensa de Licitação ............................................................................ 59 Quadro 13: Aquisição de medicamentos judiciais ..................................................... 60 LISTA DE SIGLAS Ministério da Saúde (MS) ..........................................................................................13 Sistema Único de Saúde (SUS) ................................................................................13 Núcleo Técnico de Ações Judiciais (NUTAJ) ............................................................17 Componente de Medicamentos de Dispensação Excepcional (CMDE) ...................13 Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) ....................................53 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 13 1.1 TEMA DE PESQUISA ............................................................................. 14 1.2. DEFINIÇÃO DO PROBLEMA ................................................................. 15 1.3. OBJETIVOS............................................................................................ 15 1.3.1. Objetivo Geral .................................................................................... 15 1.3.2. Objetivos Específicos ....................................................................... 16 1.4. JUSTIFICATIVA...................................................................................... 16 2 AMBIENTE ORGANIZACIONAL ............................................................... 17 2.1. HISTÓRICO ............................................................................................ 17 2.2. FORMA DE GESTÃO, MISSÃO, VISÃO, VALORES ............................. 18 2.3. ÁREA DE ATUAÇÃO/SEGMENTO DE MERCADO ............................... 19 2.4. ORGANOGRAMA E FLUXOGRAMA ..................................................... 21 2.5 SETORES E COLABORADORES........................................................... 24 2.5.1 NÚCLEO TÉCNICO DE AÇÕES JUDICIAIS ....................................... 26 2.6. ANÁLISE INTERNA ................................................................................ 27 2.7. ANÁLISE EXTERNA ............................................................................... 28 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.................................................................. 29 3.1 ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS......................................................... 29 3.1.1 Conceitos ............................................................................................ 29 3.1.2 Procedimentos fundamentais............................................................ 30 3.2 COMPRAS............................................................................................... 32 3.2.1 Função e objetivos de compras ........................................................ 32 3.2.2 Etapas do processo de compra......................................................... 33 3.3 COMPRAS NO SETOR PÚBLICO .......................................................... 34 3.3.1 Aspectos importantes da licitação .................................................... 35 3.3.2 Definições, modalidades, tipos de licitação ..................................... 37 3.3.2.1 Definições ........................................................................................................ 37 3.3.2.2 Modalidades de licitação ................................................................................. 38 3.3.2.3 Tipos de Licitação ........................................................................................... 46 3.4 DISPENSA DE LICITAÇÃO E INEXIGIBILIDADE ................................... 47 3.4.1 Dispensa .............................................................................................. 47 3.4.2 Inexigibilidade ..................................................................................... 48 4 METODOLOGIA DE PESQUISA ............................................................... 51 4.1 TIPOS DE PESQUISA............................................................................. 51 4.2 COLETA DE DADOS ............................................................................... 52 4.3 FORMAS DE ANÁLISE ........................................................................... 53 5 RESULTADOS DA PESQUISA.................................................................. 54 5.1 COMPARAÇÃO ENTRE ORGANIZAÇÃO VERSUS LITERATURA ....... 54 5.2 ANÁLISE E SUGESTÕES DE MELHORIAS ........................................... 61 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................ 63 REFERÊNCIAS ............................................................................................. 64 APÊNDICE A ................................................................................................ 67 ANEXO A ...................................................................................................... 69 13 1 INTRODUÇÃO Nem sempre o direito à saúde foi permitido a todos. O acesso à assistência era apenas a quem tinha carteira assinada e pagava a previdência social e aos que não vivenciavam nenhuma das duas situações, só tinham assistência se pagassem, a não ser que o Ministério da Saúde (MS) desenvolvesse alguma ação neste sentido, ou se os hospitais universitários, governos estaduais e municipais realizassem algum tipo de atendimento. Com a Constituição Federal, em 1988, surge e é implantado o Sistema Único de Saúde (SUS), onde a saúde consagra-se como um produto social e estabelece as bases legais dos municípios como responsáveis pela elaboração da política de saúde. Esse direito é efetivado “mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação” (Constituição Federal art. 196). O MS com o objetivo de disponibilizar medicamentos de alto custo e/ou destinados a pacientes com doenças raras pelo SUS, definiu o rol dos medicamentos dispensados em caráter excepcional, através da Portaria nº. 1318, de 23 de julho de 2002. Em 27 de outubro de 2006, foi publicada a Portaria do Gabinete do Ministério de Estado da Saúde nº. 2.577/06, que apresenta o Componente de Medicamentos de Dispensação Excepcional (CMDE), caracterizado como estratégia da política de assistência farmacêutica. O fornecimento desses fármacos é para o tratamento de agravos inseridos nos seguintes critérios: a) doença rara com indicação de uso de medicamento de alto valor, onde o uso crônico ou prolongado torne-se um tratamento de custo elevado; e b) doença prevalente, com uso de medicamento de alto custo unitário, ou que, em caso de uso crônico ou prolongado, seja um tratamento de custo elevado desde que: b.1) haja tratamento previsto para o agravo no nível da atenção básica, ao qual o paciente apresentou necessariamente intolerância, refratariedade ou evolução para quadro clínico de maior gravidade, ou b.2) o diagnóstico ou estabelecimento de conduta terapêutica para o agravo estejam. (MARIN, 2009). Constituído como direito social à saúde, o fornecimento gratuito de medicamentos excepcionais é dever do Estado, em todas as suas esferas de poder, 14 caracterizando-se entre União, Estados e Municípios. Consequentemente compete à Administração Pública a responsabilidade de planejar e organizar a distribuição dos fármacos para as pessoas que necessitam dos referidos medicamentos e que não puderem bancar com as despesas, sem privarem-se dos recursos necessários ao próprio sustento e de sua família. Expressada essa obrigatoriedade aos Municípios, cabe à Secretaria de Saúde, vinculada a Prefeitura Municipal de São José, realizar a implantação de políticas sociais, conforme Art. 2º, inciso 1º, da Lei nº. 8080/90: § 1º - O dever do Estado de garantir a saúde consiste na reformulação e execução de políticas econômicas e sociais que visem à redução de riscos de doenças e de outros agravos no estabelecimento de condições que assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para a sua promoção, proteção e recuperação. (BRASIL, 1990, p.1). Com o presente trabalho, pretende-se através de um levantamento dos atuais processos de compras da Secretaria de Saúde de São José verificar a adequação quanto aos princípios legais e procedimentos da Administração de Materiais, com o intuito de melhorar os serviços e consequentemente aperfeiçoar o atendimento aos munícipes. 1.1 TEMA DE PESQUISA A Administração de Materiais é definida como um conjunto de atividades desenvolvidas em uma organização, de forma centralizada ou não, destinadas a suprir as diversas unidades, com materiais necessários ao desempenho normal das respectivas atribuições. (ASSIS, et al, 2011). Para uma melhor estruturação, essas atividades possuem alguns procedimentos fundamentais, a fim de controlar com eficiência o movimento de entradas e saídas dos materiais, como: cadastramento, compras, recebimento, almoxarifado, transporte e fornecimento. O foco central dessa pesquisa será desenvolvido especificamente na compra de medicamentos no setor público, respeitando as modalidades de licitação com os seus devidos princípios fundamentais. Segundo Viana (2009), a atividade de compras tem por finalidade suprir as necessidades da empresa mediante a aquisição de materiais e/ou serviços, 15 emanadas das solicitações dos usuários, objetivando identificar no mercado as melhores condições comerciais e técnicas. 1.2. DEFINIÇÃO DO PROBLEMA No serviço público em geral, as aquisições de qualquer natureza obedecem à Lei nº. 8.666/93, a qual regulamenta e institui normas para as licitações e contratos da Administração Pública, respeitando princípios básicos, a fim de tornar os processos de compras mais transparentes. Segundo o artigo 6º, da Lei nº. 8080/90, a qual “dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências.”, está incluída no campo de atuação do SUS, além de outras ações, a assistência terapêutica integral, inclusive farmacêutica. Com a necessidade de manter a qualidade do serviço, a padronização de processos e a contenção de despesas dos cofres públicos, a gestão do Setor de Compras se torna um fator estratégico, a qual influencia nas tomadas de decisões dos setores administrativo e financeiro. Portanto, esta pesquisa tem a seguinte pergunta: Quais as melhores formas de se adquirir medicamentos fornecidos através de decisões judiciais na Secretaria de Saúde de São José/SC num processo de compra? 1.3. OBJETIVOS A seguir serão apresentados os objetivos geral e específicos do presente trabalho. 1.3.1. Objetivo Geral Analisar a adequação dos processos de compras de medicamentos fornecidos por meio de decisões judiciais na Secretaria de Saúde de São José/SC. 16 1.3.2. Objetivos Específicos Descrever o funcionamento do Setor de Compras; Confrontar as políticas utilizadas hoje com a fundamentação teórica apresentada; Propor sugestões visando à melhoria contínua das aquisições de medicamentos judiciais. 1.4. JUSTIFICATIVA A Secretaria de Saúde como órgão ligado diretamente à Prefeitura Municipal tem por obrigação planejar e realizar a aquisição de medicamentos e, posteriormente a distribuição dos mesmos aos munícipes, desde que comprovadas as enfermidades, e tão quanto, à insuficiência financeira do demandante a arcar com as eventuais despesas. Através disso é possível compreender que o direito à saúde deve ser concebido e as obrigatoriedades dos órgãos públicos devem ser cumpridas para com a sociedade, tornando assim a avaliação dessa pesquisa de total importância para a definição das diretrizes no que se refere à promoção da saúde pública e que integram o SUS e, consequentemente é possível fazer um levantamento das formas de aquisição de medicamentos excepcionais, fornecidos por meio de decisões judiciais, aos pacientes que desses o necessitem. Através dos resultados que serão obtidos, pretende-se abordar os processos atuais de compras no referido órgão público e recomendar melhorias para que assim seja possível aprimorar os serviços prestados a população. A análise desses resultados poderá auxiliar a organização nas tomadas de decisões, além de saber a real situação das atividades e procedimentos do Setor de Compras. Por fim, o presente estudo será de extrema importância para o acadêmico, onde irá vivenciar experiências novas em relação ao setor, além do aprendizado na troca de informações com a organização visando o crescimento de ambas as partes. 17 2 AMBIENTE ORGANIZACIONAL Neste capítulo serão apresentados o histórico, forma de gestão, área de atuação, organograma, fluxograma, análise interna e externa, além do Núcleo Técnico de Ações Judiciais (NUTAJ), que é o órgão responsável por atender as decisões judiciais e a distribuição dos mesmos aos pacientes. 2.1. HISTÓRICO A Secretaria de Saúde é um órgão público e está ligada diretamente à Prefeitura Municipal de São José e tem por responsabilidade a gestão do SUS, através da prestação de serviços como: consultas médicas, atendimentos e procedimentos de enfermagem e de odontologia, entre outros. Além das ações e serviços de saúde oferecidos ao município. O órgão é responsável pela formulação e implantação de políticas, programas e projetos que otimizam a qualidade da saúde dos munícipes de São José. Sua sede está localizada à Rua Domingos Pedro Hermes, 14, bairro Jardim Cidade Florianópolis, São José, Santa Catarina, onde a sua estrutura possui vários setores, que são divididos em: Gabinete da Secretária, Secretaria Adjunta, Diretoria Administrativa, Assessoria Jurídica, Compras, Fundo Municipal de Saúde, Diretoria Especializada, Planejamento, Diretoria de Atenção Básica, Coordenação de Distritos, Recursos Humanos, Tecnologia da Informação, Assistência Farmacêutica, Controle e Avaliação, Patrimônio e Setor de Transportes. Além da Sede Administrativa, a Secretaria coordena a Vigilância Epidemiológica, Vigilância Sanitária, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), Almoxarifado, Policlínica de Campinas, Farmácia Popular de Barreiros, Farmácia Popular de Campinas e 19 Unidades Básicas de Saúde. Atualmente, a Secretaria de Saúde possui aproximadamente 1002 servidores e funcionários distribuídos entre a sua sede e todos os departamentos citados anteriormente. O objetivo geral da secretaria é planejar e implementar ações que promovam, protejam e recuperem a saúde, visando à redução do risco ou da ocorrência de agravos no município de São José, bem como, a melhoria da 18 qualidade e eficácia no serviço municipal de atenção à saúde. André e Ciampone (2007) reforçam a ideia contida neste objetivo, quando dizem que a organização “por ser pública, o sistema de gestão também não dispensa a necessidade do foco na eficiência e na eficácia do uso dos recursos”. As ações e atividades realizadas pela secretaria são fragmentadas em forma de programas de saúde e serviços prestados como: Programa Saúde da Família, Programa Saúde da Mulher, Programa Saúde da Criança, Vigilância Sanitária, Vigilância Epidemiológica, Programa DST/HIV/AIDS, Programa de Controle da Tuberculose, Programa de Controle da Hanseníase, Programa Saúde Mental, Programa do Tabagismo, Serviço Social, Assistência Farmacêutica, Saúde do Idoso, vacinação, oftalmologia, nutrição, neurologia, cardiologia, urologia, psicologia, psiquiatria, endocrinologia, mastologia, ginecologia, odontologia, entre outros. Dentre todas as suas limitações, a secretaria não mede esforços para desenvolver as suas ações com responsabilidade e qualidade, para tanto conta com a participação e empenho de todos os envolvidos. Mota et al, (2008), reforça que “o alcance da qualidade pelos serviços de saúde passa a ser uma atitude coletiva, tornando-se um diferencial técnico e social necessário para atender a demanda de uma sociedade cada vez mais exigente”. 2.2. FORMA DE GESTÃO, MISSÃO, VISÃO, VALORES A forma de gestão da Secretaria de Saúde é baseada nas políticas de saúde e diretrizes do Sistema Único de Saúde. Através de cada esfera de poder do Estado, o gestor do SUS, no âmbito municipal, é representado pelo Secretário Municipal. É de responsabilidade do gestor comandar o SUS excercendo as funções de coordenção, formulação de políticas, regulação, controle e avaliação, além da prestação direta de serviços de saúde, entre outras. A Lei n.º 8.080/90, através do artigo 18, reforça a função do Secretário Municipal de Saúde: planejar, organizar, controlar e avaliar as ações e os serviços de saúde e gerir e executar os serviços públicos de saúde; 19 executar serviços de vigilância epidemiológica, vigilância sanitária, alimentação e nutrição, saneamento básico, e de saúde do trabalhador; dar execução, no âmbito municipal, à política de insumos e equipamentos para a saúde; colaborar na fiscalização das agressões ao meio ambiente, que tenham repercussão sobre a saúde humana, e atuar, junto aos órgãos municipais, estaduais e federais competentes, para controlá-las; gerir laboratórios públicos de saúde e hemocentros; controlar e fiscalizar os procedimentos dos serviços privados de saúde; normatizar complementarmente as ações e serviços públicos de saúde no seu âmbito de atuação. A Secretaria de Saúde não possui missão, visão e valores oficiais, porém seu obejtivo é “promover a política de saúde preventiva e corretiva em benefício de toda a população, a prevenção e combate de epidemias, com especial atenção às comunidades mais carentes do Município”. 2.3. ÁREA DE ATUAÇÃO/SEGMENTO DE MERCADO Através de programas que promovem a promoção à saúde, a Secretaria de Saúde divide diversas especialidades de acordo com o tipo de pacientes e suas respectivas enfermidades e/ou necessidades. A finalidade desses programas é promover a qualidade de vida dos pacientes em tempo hábil, prestando bons serviços de atendimento, e no tratamento e prevenção de doenças. Os programas são divididos da seguinte forma: Saúde da Mulher: programa de atenção à Saúde da Mulher através de atividades de assistência clínico-ginecológica, pré-natal, entre outros; Saúde do Idoso: envolve um conjunto de ações voltadas para promoção, prevenção e qualidade de vida, com a finalidade de atingir um máximo de vida ativa do indivíduo perante a comunidade; Saúde Bucal: ações que tem por objetivo melhorar as condições de saúde bucal e odontológica; 20 São José Criança: programa de atenção à Saúde da Criança com acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, aleitamento materno, entre outros; Além dos programas citados anteriormente, a Secretaria de Saúde gerencia a Vigilância Epidemiológica, onde se encontram os seguintes programas: Programa DST/AIDS: reduzir a vulnerabilidade da população do município em adquirir Doenças Sexualmente Transmissíveis, além de buscar qualidade de vida nas pessoas afetadas pelas doenças; Programa de Controle ao Tabagismo: combate de doenças na população através de ações que estimulem estilos de vida saudáveis e contribuam para redução de doenças relacionadas ao tabaco; Programa Nacional de Combate à Dengue: visa diminuir a incidência de casos de Dengue no município. Outra vigilância administrada pela Secretaria de Saúde é a Sanitária, a qual é definida como um “conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde”. (Art. 5, Lei 8.080/90). Outras dependências que estão vinculadas ao órgão são: o Serviço de Emergência Móvel (SAMU), cujo programa tem a finalidade de prestar socorro à população em casos de emergência; o Laboratório Municipal, responsável pela realização de testes de imunologia e análises biológicas; e a Farmácia Popular, com o intuito de ampliar o acesso a medicamentos para as doenças mais comuns entre os cidadãos, ambos em conjunto com o Governo Federal. 21 2.4. ORGANOGRAMA E FLUXOGRAMA Figura 01: Proposta de Organograma da Secretaria de Saúde Fonte: Diretoria Administrativa (2012). 22 Início Receber memorando com pedido de compra As especificações/ quantidades estão corretas? Não Corrigir memorando Sim Solicitar orçamentos Verificar e-mail/fax Recebeu orçamentos? Sim Escolher o orçamento mais vantajoso Fazer empenho 1 Não Contatar fornecedores e cobrar orçamentos 23 1 Enviar liberação de compra para fornecedor Aguardar material Material chegou? Não Contatar fornecedor e cobrar material Sim Encaminhar material para almoxarifado e nota fiscal para setor financeiro Fim Figura 02: Fluxograma do Setor de Compras – Compra Direta Fonte: Autor (2012). O fluxograma acima demonstra um processo de compra direta que representa uma forma de aquisição mais rápida, pois normalmente esse tipo de sistema é utilizado em compras emergenciais e de fornecimento imediato, mediante uma situação crítica previamente justificada. A aquisição desses produtos e materiais é preferencialmente realizada através de processos licitatórios, a fim de garantir a seleção das propostas mais vantajosas para a Administração. Caberá a administração da Secretaria de Saúde de São José determinar qual a melhor forma ou a forma mais eficiente para a compra dos materiais e produtos necessários. 24 2.5 SETORES E COLABORADORES Sua sede está localizada à Rua Domingos Pedro Hermes, 14, bairro Barreiros, São José, Santa Catarina. Sua estrutura possui vários setores, que são divididos em: Setor Descrição Controle e Avaliação Marcação de Consultas Gestão do Trabalho e Gestão dos Servidores Educação Permanente/RH Saúde da Criança Atenção Especializada as Crianças Saúde da Mulher Atenção Especializada a Saúde da Mulher Saúde do Idoso Atenção Especializada a Saúde do idoso Saúde Bucal Atenção Especializada a Saúde Bucal Coordenação de Distritos Coordenação dos Centros de Saúde Assistência Farmacêutica Entrega de medicamentos Atenção Básica Gestão da Estratégia da Família Atenção Especializada Gestão das especialidades médicas de alta e média complexidade Planejamento Gestão Estratégica da Secretaria de Saúde Compras Responsável pelas licitações e compras Fundo Municipal Responsável pelo financeiro Tecnologia da Informação Suporte técnico de informática Transporte Controle da Frota de Veículos Ouvidoria Recebimento de sugestões e reclamações Diretoria Administrativa Aplicação das diretrizes da Secretaria Assessoria Jurídica Auxílio Jurídico Gabinete da Secretária Planejamento das diretrizes Gabinete da Secretária Planejamento das diretrizes Adjunta Quadro 01: Setores da Secretaria de Saúde. Fonte: Autor (2012). Além da Sede Administrativa, a Secretaria coordena a Vigilância Epidemiológica, Vigilância Sanitária, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), Almoxarifado, Policlínica de Campinas, Farmácia Popular de Barreiros, Farmácia Popular de Campinas, Laboratório Municipal e 19 Unidades Básicas de Saúde. 25 Lotação Vigilância Epidemiológica Localização Rua Juscelino Kubitschek, s/nº Campinas Vigilância Sanitária Rua Juscelino Kubitschek, s/nº Campinas Serviço de Atendimento Móvel de Rua Gisela, 1233 - Bela Vista urgência (SAMU) Almoxarifado Rua Gisela, 1233 - Bela Vista Policlínica de Campinas Av. Jorge Lacerda, 193 - Campinas Laboratório Municipal Rua Artur Mariano, s/nº - Forquilhas Farmácia Popular Rua Leoberto Leal, s/nº - Barreiros Unidade Básica de Saúde Areias Rua Independência, s/n° - Areias Unidade Básica de Saúde Rua Virgilio Ferreira de Souza, s/nº Barreiros Barreiros Unidade Básica de Saúde Bela Rua das Orquídeas, 236 - Bela Vista I Vista Unidade Básica de Saúde Colônia Rua Geral da Colônia Santana, s/nº – Santana Colônia Santana Unidade Básica de Saúde Rua João Luiz de Farias s/nº - Bairro Fazenda Fazenda Unidade Básica de Saúde Rua Artur Mariano, s/nº - Forquilhas Forquilhas Unidade Básica de Saúde Rua Arthur Mariano, s/nº - Forquilhinha Forquilhinha Unidade Básica de Saúde Ipiranga Rua Otto Julio Malina, s/nº - Bairro Ipiranga Unidade Básica de Saúde Luar Rua Adulci Arqueis do Nascimento, s/nº Bairro Luar Unidade Básica de Saúde Morar Quadra 22, Lote Quatro - Jardim Bem Araucária Unidade Básica de Saúde Picadas Rua Tenente Lairton Costa, 115 do Sul Picadas do Sul Unidade Básica de Saúde Procasa Rua Guatemala s/nº - Procasa Unidade Básica de Saúde Roçado Rua João Grumiche, s/nº - Roçado Unidade Básica de Saúde Santo Rua Docilicio Vieira da Luz, s/nº - Morro Saraiva do Avaí Unidade Básica de Saúde Sede Praça Arnoldo de Souza, s/nº - Centro Histórico de São José Unidade Básica de Saúde Serraria Rua Jacinto Damásio, s/nº - Serraria Unidade Básica de Saúde Sertão Rua Francisco Antonio da Silva, s/nº do Maruim Sertão do Maruim Unidade Básica de Saúde Rua Nossa Senhora dos Navegantes, Zanelatto s/nº - Zanelatto Quadro 02: Relação das Unidades Básicas de Saúde e dependências. Fonte: Autor (2012). 26 Atualmente, a Secretaria de Saúde possui aproximadamente 1002 servidores e funcionários distribuídos entre a sua sede e todos os departamentos citados anteriormente. Os colaboradores que atuam na Sede Administrativa estão estruturados da seguinte forma: Setor Controle e Avaliação Gestão do Trabalho e Educação Permanente/RH Saúde da Criança Saúde da Mulher Saúde do Idoso Saúde Bucal Coordenação de Distritos Assistência Farmacêutica Atenção Básica Atenção Especializada Planejamento Compras Fundo Municipal Tecnologia da Informação Transporte Ouvidoria Diretoria Administrativa Gabinete da Secretária Gabinete da Secretária Adjunta TOTAL Quantidade 17 05 06 02 01 02 04 06 02 04 04 07 04 01 25 01 02 04 02 99 Quadro 03: Quantidade de servidores na Sede Administrativa. Fonte: Gestão do Trabalho e Educação Permanente/RH (2011) 2.5.1 Núcleo Técnico de Ações Judiciais Com o intuito de ampliar o acesso da população a medicamentos não incluídos na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) surge a necessidade da criação de um setor específico para atender as decisões judiciais, criando procedimentos de distribuição de medicamentos, e evitando multas pelo não cumprimento das aquisições desses fármacos excepcionais. Esse grupo de medicamentos excepcionais definido pelo Ministério da Saúde, geralmente possuem valor unitário elevado ou exige cronicidade no 27 tratamento, tornando-os excessivamente caros para serem pagos com recursos dos próprios pacientes. Assim, surge o Núcleo Técnico de Ações Judiciais (NUTAJ) da Secretaria de Saúde de São José, a fim de atender a demanda de ações judiciais e fornecer medicamentos não padronizados aos munícipes. Algumas atribuições do NUTAJ são: • Receber as ações judiciais; • Cadastrar medicamentos e pacientes; • Fornecer o medicamento quando em estoque – Almoxarifado, ou, encaminhar solicitação de aquisição para Setor de Compras; • Elaborar respostas de solicitações de medicamentos não padronizados ou fora das exigências da padronização; • Pactuar quando determinado nas decisões judiciais a responsabilidade de mais de um ente (Município/Estado/União); • Manter atualizado banco de dados com todos os medicamentos solicitados para que os Procuradores do Município possam ter fundamentação quando da defesa junto ao Poder Judiciário. Dentre essas atribuições, o setor é responsável pela solicitação de compra dos fármacos de alto custo, recebimento e distribuição dos mesmos aos pacientes devidamente cadastrados e autorizados a receber esse tipo de medicação por lei. O Setor mantêm um banco de dados com todos os pacientes cadastrados e seus respectivos dados, contendo informações pertinentes às ações judiciais, como, número de autos, medicação específica, princípios ativos, miligramagem, quantidades, entre outros. Através desse banco de dados, é calculada a quantidade mensal dos medicamentos consumidos e convertidos para uma quantidade anual, com o intuito de realizar processo licitatório. Para isso, é preciso haver uma comunicação com o Setor de Compras para que possa ser realizada as aquisições dos medicamentos através de licitação. 2.6. ANÁLISE INTERNA Através das suas competências, a Secretaria de Saúde não mede esforços para alcançar seus objetivos. Para isso, os gestores utilizam suas habilidades e 28 capacidades, atuando nas respectivas especialidades, para resolver e desmembrar todos os processos de forma técnica e precisa. Com a finalidade de imunizar a população de diversas doenças, a Secretaria atua em conjunto com o Governo Federal em campanhas de vacinação, respondendo a todas as expectativas e metas. Por outro lado, há forte presença política que dificulta algumas definições e ações de saúde, além da rotatividade de gestores em períodos eleitorais. Atualmente, existe uma carência nas instalações prediais, pois a infraestrutura não suporta a quantidade de funcionários e setores, além de não possuir um sistema de ventilação e ter poucas janelas, entre outros. Outro fator é a falta de intercomunicação entre os setores, a não padronização de procedimentos das atividades, além de poucas oportunidades relacionadas à capacitação e treinamento dos funcionários. Todas essas ocorrências citadas devem ser superadas e contornadas, pois elas restringem o desempenho da organização, além de trazer consequências negativas nos serviços prestados à população. 2.7. ANÁLISE EXTERNA Por se tratar de um órgão público, a Secretaria de Saúde não tem concorrentes diretos, pode-se dizer que outros estabelecimentos no segmento hospitalar como clínicas particulares, hospitais e laboratórios sejam considerados ameaças à organização. Outra ameaça que existe, porém de forma esporádica e por meio de fenômenos climáticos, são as chuvas e enchentes, que resultam em posteriores doenças e epidemias, tornando-se um caso de calamidade pública. Com o intuito de manter a qualidade dos serviços realizados, estão previstas e autorizadas a construção de 02 (duas) Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e o Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS II e CAPS AD), na qual respectivamente pretende-se realizar atendimento 24 horas aos pacientes nas mais diversas especialidades, e atendimento as indivíduos que possuem algum transtorno relacionado à saúde mental. 29 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Esta seção tem extrema importância neste trabalho acadêmico, pois a partir desta serão apresentados os conceitos da Administração de Materiais, as noções fundamentais de Compras, a aquisição de medicamentos no setor público, entre outros, através das principais teorias associadas ao tema central. Assim pretende-se associar o conhecimento teórico relacionando com as práticas adotadas pela Secretaria de Saúde de São José a fim de obter um melhor resultado para esta pesquisa. 3.1 ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS 3.1.1 Conceitos A gerência de materiais é uma função vital que pode resultar na redução de custos e no aperfeiçoamento do desempenho de uma organização, quando é adequadamente entendida e executada. É uma tarefa que deve estar contida na filosofia da empresa e em sua organização. O administrador de materiais é o principal responsável pelo controle e direção da Gestão de Materiais. É ele que gerencia e executa as ações, buscando os melhores resultados em termos de lucratividade e produtividade. Dessa forma, ele deverá planejar, organizar, comandar e controlar as atividades da organização, com o intuito de aumentar a produtividade, rentabilidade e controle dos resultados (VIANA, 2009, p. 40). Para isso, o administrador precisa entender alguns conceitos da Administração de Materiais, conforme Martinovich (apud VIANA, 2009) sintetiza: 1. Análise de Mercado: informações precisas sobre fornecedores, concorrentes e ambientes econômicos auxiliam na identificação de oportunidades; 2. Perfil do Público: é preciso identificar as necessidades do consumidor para traçar os objetivos e as formas de atuação da empresa, como estabelecimento de preços, canais de venda, etc; 30 3. Compras e Estoques: o estoque é o ponto fundamental da gestão operacional da empresa. É preciso saber quanto comprar e qual o estoque mínimo, para evitar falta de capital de giro; 4. Custos e Formação de Preço: pela análise dos custos, determina-se o preço ideal de venda do produto, o qual deve ser comparado com o mercado para avaliar a viabilidade do sucesso; 5. Fluxo de Caixa: as informações sobre os movimentos de entrada, saída e saldos permitem projetar estouros ou sobras de recursos. Vale à pena fazer esse controle diariamente; Identificado esses conceitos iniciais, o administrador precisa analisar e comparar com a situação atual da empresa, mesmo que de forma ampla e geral, a fim de destacar algumas informações necessárias e pertinentes ao planejamento da organização. 3.1.2 Procedimentos fundamentais Para que o administrador possa administrar com eficiência e exatidão o movimento de entradas e saídas dos materiais que serão utilizados na empresa, ele deve seguir uma linha de raciocínio, como “o quê”, “quanto”, “quando” e “como comprar”, conforme contextualizado na figura abaixo: PROCEDIMENTO O que deve ser comprado ESCLARECIMENTO Implica a especificação de compra, que traduz as necessidades da empresa. Como deve ser comprado Revela o procedimento mais recomendável. Quando deve ser comprado Identificar a melhor época. Onde deve ser comprado Implica o conhecimento dos melhores segmentos de mercado. De quem deve ser comprado Implica o conhecimento dos fornecedores da empresa. Por que preço deve ser comprado Evidencia o conhecimento da evolução dos preços no mercado. Em que quantidade deve ser comprado Estabelece a quantidade ideal, por meio da qual haja economia na compra. Quadro 04: Procedimentos fundamentais de Administração. Fonte: VIANA, (2009, p.40). 31 Administrar materiais não é tarefa simples, pois além de ter conhecimentos dos conceitos e procedimentos fundamentais, é preciso ter uma concepção mais complexa da amplitude da Administração de Materiais, que envolve outras etapas, conforme descritas abaixo: Cadastramento De acordo com Viana (2009, p. 42), a atividade cadastramento de materiais visa: Cadastrar os materiais necessários à manutenção e ao desenvolvimento da empresa, o que implica o reconhecimento perfeito de sua classificação, estabelecimento de codificação e determinação da especificação, objetivando a emissão de catálogo para utilização dos envolvidos nos procedimentos de Administração de Materiais. Gestão Essa atividade visa o gerenciamento dos estoques por meio de técnicas que permitam manter o equilíbrio com o consumo, definindo parâmetros e níveis de suprimento e acompanhamento da sua evolução; Compras A finalidade das compras é suprir as necessidades da organização mediante a aquisição de materiais e/ou serviços, objetivando identificar as melhores condições técnicas e comercias no mercado; Recebimento A finalidade do recebimento é garantir o rápido desembaraço dos materiais adquiridos pela empresa, para que as entradas confiram com a quantidade estabelecida, no tempo certo, ao preço contratado e na qualidade especificada; Almoxarifado A função do almoxarifado é cuidar da garantia e segurança dos materiais confiados pela empresa, objetivando sua preservação e integridade até o consumo final. 32 3.2 COMPRAS 3.2.1 Função e objetivos de compras O setor de compras ou suprimentos tem grande responsabilidade nos resultados de uma organização devido a sua ação de suprir as necessidades desta com os recursos materiais para o seu perfeito desempenho e continuidade dos serviços. Toda e qualquer atividade de uma empresa somente será possível se for abastecida com informações e materiais. Para isso, é necessário que os materiais estejam disponíveis em tempo hábil e com as devidas especificações. Segundo Pozo (2008, p. 148), “uma das definições de responsabilidade de compras é a capacidade de comprar materiais e produtos na qualidade certa, na quantidade exata, no tempo certo, no preço correto e na fonte adequada”. Claro que esta é a ação ideal que o setor de compras busca atingir e que a organização precisa para atender os serviços com qualidade. Porém, para alcançar essa meta, é necessário seguir alguns objetivos: a) permitir continuidade de suprimentos para o perfeito andamento dos serviços; b) coordenar os fluxos com o mínimo de investimentos em estoques e adequado cumprimento dos programas; c) comprar materiais e produtos aos mais baixos custos, dentro das especificações predeterminadas em qualidade, prazos e preços; d) evitar desperdícios e obsolescência de materiais por meio de avaliação e percepção do mercado; e) manter parceria com os fornecedores. Assim, o setor busca, constantemente, evitar duplicidades, estoques elevados, compras de urgência, que normalmente são desnecessárias e criam custos de planejamento, estoques e transportes. Outro fator importante é a seleção dos fornecedores, verificando sua capacidade técnica, atuação no mercado, produtos e materiais fornecidos, que permitirá uma aquisição mais confiável. 33 3.2.2 Etapas do processo de compra Além dos objetivos gerais, a atividade de compras envolve atender às especificações de qualidade exigidas, a adequação da quantidade desejada, prazos de entrega e condições de pagamento que permitam à organização maximizar seus recursos e reduzir seus custos. Conforme Pozo (2008, p. 149), estas são responsabilidades importantes do administrador de suprimentos, sempre fundamentado em seu conhecimento do processo operacional, interno e externo, para o sucesso organizacional. As negociações relativas a preço, prazo de entrega, especificações de fornecimento, embalagem, garantias de qualidade, performance e assistência técnica completam essa responsabilidade. Toda empresa tem seus procedimentos de compras consubstanciados em várias etapas, a fim de padronizar os processos de compra, conforme figura abaixo: Requisição de compra Pedido de cotação Compra Cotação 1 Cotação 2 Controle de estoque Cotação 3 Cadastro de fornecedores Armazenagem Cotação n C o t a ç õ e s Recebimento NF Pedido de compra Decisão Material Figura 03: Processo de compra Fonte: FRANCISCHINI; GURGEL, (2002. p. 21). 34 a) Requisição de compras As solicitações poderão ser originadas de vários setores da empresa e deverão ser aprovadas pelos respectivos responsáveis antes de serem remetidas ao setor de compras. Este procedimento evitará trabalhos desnecessários e prejuízos nas relações da empresa com seus fornecedores. É o documento que deverá conter as informações sobre o que comprar, com quantidade, justificativa, descrições dos itens, local e prazo de entrega, especificações técnicas, entre outros. b) Pedido de cotação A cotação de compras é o documento de registro da pesquisa de preços. Nele deve conter dados dos fornecedores, preço, prazo de entrega, condições de pagamento e especificações dos materiais/produtos e serviços. c) Análise de compras Com o orçamento em mãos, é feita a análise dos preços, verificando os dados nele contidos e um comparativo entre os fornecedores, avaliando o conjunto da proposta. Serão considerados, o melhor valor agregado, especificações dos produtos, condições de pagamento, capacidade técnica, entre outros. d) Pedido de compras O pedido de compras é a confirmação da entrega dos produtos ou serviços, ou seja, é o contrato formal entre a organização e o fornecedor classificado, e deverá cumprir com todas as condições estabelecidas no orçamento encaminhado. e) Recebimento O recebimento visa garantir a conferência das mercadorias, conferindo a quantidade estabelecida, no prazo correto, ao preço contratado e na qualidade especificada. 3.3 COMPRAS NO SETOR PÚBLICO Assim como as empresas da iniciativa privada, os órgãos públicos seguem procedimentos pertinentes aos processos de compras. Porém, as aquisições de qualquer natureza obedecem à Lei nº. 8.666/93, a qual estabelece normas gerais 35 sobre licitações e contratos da Administração Pública, direta e indireta, de qualquer dos Poderes da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, respeitando princípios básicos, a fim de tornar os processos de compras mais transparentes. 3.3.1 Aspectos importantes da licitação De acordo com Viana (2009, p. 250), o conceito de licitação é: O procedimento administrativo pelo qual a Administração Pública, em qualquer de seus níveis, prevendo comprar materiais e serviços, realizar obras, alienar ou locar bens, segundo condições estipuladas previamente, convoca interessados para apresentação de propostas, a fim de selecionar a que se revele mais conveniente em função de parâmetros preestabelecidos e divulgados. Neste contexto, esses parâmetros têm por finalidade proporcionar a igualdade de oportunidades entre os participantes licitantes que desejam contratar com a Administração Pública, nos padrões previamente definidos. Com o intuito de não haver fraude ou descaracterizar o resultado seletivo, o art. 3º da Lei nº 8.666/93 prevê a cumprimento dos seguintes princípios básicos: A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos. Na visão de Sundfeld (apud VIANNA, 2009, p. 26) “os princípios são normas de hierarquia superior à das meras regras, sendo que determinam a interpretação adequada destas e a colmatagem de suas lacunas, ou seja, através deles pode-se resolver problemas não previstos na legislação”. a) Princípio da Legalidade Considerado o primeiro fundamento de legitimidade dos atos da Administração Pública, esse princípio tem por objetivo ser legítimo, correto, válido, aceitável, regular em qualquer ato administrativo incluso no processo licitatório. 36 b) Princípio da Impessoalidade Este princípio visa resguardar o interesse público, que é o objetivo primordial a ser observado em qualquer atividade da Administração. A impessoalidade significa evitar favoritismos e privilégios e deve ser destinada a todos os administrados, dirigida aos cidadãos em geral, sem determinação de pessoa ou discriminação de qualquer natureza. c) Princípio da Moralidade Consiste na ideia de que a Administração Pública deve respeitar a moral, pautada em padrões éticos e adotar condutas honestas; d) Princípio da Igualdade Consagrado na Constituição de 1988, o princípio da igualdade: Descarta discriminação e que todos os participantes devem receber tratamento paritário, em situações uniformes, não sendo admitido privilégios ou discriminações arbitrárias. Este princípio veda cláusulas que desiguala os iguais, ou iguala os desiguais, favorecendo uns em detrimento de outros; (VIANA, 2009, p. 251). e) Princípio da Publicidade Caracterizado como um princípio dominante no processo licitatório, ele torna transparente as condutas e possibilita o conhecimento de todos os interessados, não existindo licitação sigilosa; f) Princípio da Vinculação ao Instrumento Convocatório A Administração e os licitantes ficam adstritos ao permitido no instrumento convocatório da licitação, não podendo mudar as regras de habilitação ou julgamento depois de iniciado o procedimento. Ademais, se assim agisse a Administração estaria beneficiando algum licitante em detrimento de outro, ferindo o princípio da isonomia. (SANTOS, CARRIJO, 2001, p. 12). g) Princípio do Julgamento Objetivo Obriga a Administração e efetuar o julgamento das propostas “com base em critérios objetivos, se possível mensuráveis, observando-se a qualidade, o rendimento do produto, os preços, os prazos de pagamento e entrega, e outros que possam ser solicitados no edital”. (NETO, 1998, p. 31). 37 3.3.2 Definições, modalidades, tipos de licitação 3.3.2.1 Definições A finalidade precípua da licitação será sempre a obtenção de seu objeto, ou seja, um serviço, compra, alienação, locação, concessão ou permissão, nas melhores condições para o Poder Público. “O objeto deve ser convenientemente definido no instrumento convocatório, sob pena de se dificultar ou até mesmo impedir a execução do consequente contrato”. (VIANA, 2009, p. 252). Obras No conceito legal, “obra é toda construção, reforma, fabricação, recuperação ou ampliação, realizada por execução direta ou indireta” (Artigo 6º, inciso I, Lei nº. 8.666/93). Todas as realizações pertinentes às obras, só poderão ser licitadas com projeto básico, executadas com projeto executivo. Serviços Segundo o inciso II do artigo 6º da Lei nº. 8.666/93, serviços é: toda atividade destinada a obter determinada utilidade de interesse para a Administração, tais como: demolição, conserto, instalação, montagem, operação, conservação, reparação, adaptação, manutenção, transporte, locação de bens, publicidade, seguro ou trabalhos técnico-profissionais; Para fins de processo licitatório, é necessário distinguir os serviços comuns, os serviços técnico-profissionais generalizados e técnico-profissionais especializados. Compras Compra é “toda aquisição remunerada de bens para fornecimento de uma só vez ou parceladamente”. (Artigo 6º, Inciso III, Lei nº. 8.666/93). Na licitação, a Administração deverá especificar o objeto, indicando a qualidade e quantidade a ser comprada, bem como as condições em que deseja adquirir. 38 A compra pode ser a vista ou a prazo, com entrega total ou parcelada, sendo sempre realizada por intermédio de um contrato bilateral perfeito, comutativo e oneroso, isto é, “com obrigações recíprocas, com equivalência nessas obrigações e com pagamento do preço, como contraprestação da transferência do domínio da coisa”. (VIANA, 2009, p. 254) Alienações Resumidamente, alienação é “toda transferência de domínio de bens a terceiros”. (Artigo 6º, Inciso IV, Lei nº. 8.666/93). Ou seja, é a “transferência voluntária de domínio de um bem ou direito, como a compra e venda e a doação”. (JUSTEN FILHO, 2000, p. 167). 3.3.2.2 Modalidades de licitação De acordo com o Portal do Tribunal de Contas da União: Modalidade de licitação é a forma específica de conduzir o procedimento licitatório, a partir de critérios definidos em lei. O valor estimado para contratação é o principal fator para escolha da modalidade de licitação, exceto quando se trata de Pregão, que não está limitado a valores. Conforme citado acima, além do Pregão – contemplado na Lei nº. 10.520/02 - existem outras modalidades de licitação, que são o Convite, Tomada de Preços, Concorrência, Concurso e Leilão. Cada uma possui características próprias, vantagens, desvantagens e restrições legais, que serão apresentas a seguir: a) Pregão Fernandes (2009, p. 419) conceitua pregão como: Procedimento administrativo por meio do qual a Administração Pública, garantindo a isonomia, seleciona fornecedor ou prestador de serviço, visando a execução de objeto comum no mercado, permitindo aos licitantes, em sessão pública, reduzir o valor das propostas por meio de lances verbais e sucessivos. O pregão possui duas formas para ser realizado: presencial e eletrônica. 39 Presencial O pregão presencial possui duas fases, uma interna ou preparatória, comum a todas as modalidades e uma fase externa, na qual se podem corrigir eventuais diferenças. A fase interna inicia-se com a requisição do objeto, com a respectiva justificativa da necessidade da aquisição. Além de constar o Termo de Referência, que deverá ser elaborado pelo órgão requisitante, em conjunto com a área de compras, que deverá conter todas as informações pertinentes à contratação, como, descrição dos itens, local de execução ou entrega, prazo de validade do contrato, normas técnicas, disposições gerais e dotações orçamentárias, esta última, conforme a previsão da disponibilidade dos recursos financeiros. Após a definição do objeto da licitação, devem-se definir os documentos a serem apresentados pelos licitantes para a habilitação. Neles devem expressar, conforme a parte final do inciso XXI do artigo 37 das Constituição Federal, “as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações”. Definidos os documentos, serão determinados os critérios referentes às propostas, de acordo com a conformidade da proposta com o objeto definido; aceitabilidade do preço quanto ao valor máximo; e aceitabilidade do preço quanto ao valor mínimo. E também, das definições das sanções, na qual prevê a possibilidade de aplicação de advertência; suspensão temporária de participação em licitação pública e impedimento de contratar com a Administração, por prazo não superior a dois anos. A partir dessa etapa é realizada a confecção da minuta do futuro contrato, com as cláusulas e disposições a respeito dos prazos para o fornecimento de bens ou para a prestação de serviços definidas e aprovadas pela assessoria jurídica e, encaminhada para assinatura do edital. A fase externa inicia-se com a publicação de aviso de edital, conforme artigo 21 da Lei nº. 8.666/93, que informa as formas de veiculação: (I) no Diário Oficial da União, quando se tratar de licitação feita por órgão ou entidade da Administração Pública Federal e, ainda, quando se tratar de obras financiadas parcial ou totalmente com recursos federais ou garantidas por instituições federais; (II) no Diário Oficial do Estado, ou do Distrito Federal quando se tratar, respectivamente, de licitação feita por órgão ou entidade da Administração Pública Estadual ou Municipal, ou do 40 Distrito Federal; (III) em jornal diário de grande circulação no Estado e também, se houver, em jornal de circulação no Município ou na região onde será realizada a obra, prestado o serviço, fornecido, alienado ou alugado o bem, podendo ainda a Administração, conforme o vulto da licitação, utilizar-se de outros meios de divulgação para ampliar a área de competição. O prazo mínimo para a publicidade do edital é de 08 dias úteis, conforme artigo 4º da Lei nº. 10.520/02. Esse é o tempo de que dispõem os interessados para retirada do edital, reunirem os documentos exigidos para a habilitação, formularem e entregarem as suas propostas à Administração. O primeiro ato a ser praticado antes da abertura da sessão é a apresentação dos documentos para o credenciamento, na qual os licitantes os apresentam a fim de declarar que estão aptos a oferecerem lances orais e participarem do certame. Passada essa etapa, começa-se a sessão do pregão, onde acontecem a abertura dos envelopes contendo as propostas e verificação da conformidade, fase de lances, julgamento e classificação das propostas, negociação e declaração do licitante vencedor. Declarado o vencedor, é feita a adjudicação e homologação da licitação, feita pelo pregoeiro ou autoridade competente. Eletrônico O pregão eletrônico também ocorre em sessão pública, porém com a utilização da internet, na qual os licitantes devidamente credenciados oferecem seus lances, podendo cobrir seus próprios preços durante o decorrer da sessão. Niebuhr (2008, p. 324) define pregão eletrônico como: Modalidade de licitação pública em que os procedimentos do pregão presencial são adaptados à tecnologia da informação. Isto é, em vez de desenvolver-se o pregão em ambiente físico, contando com a participação física dos licitantes, a modalidade, sob a perspectiva eletrônica, desenvolve-se por meio da internet, promovendo-se a comunicação entre os licitantes e a Administração Pública, bem como, praticamente, toda a execução da licitação. No ano de 2005, o Decreto nº. 5.504, estabeleceu: A obrigatoriedade da utilização do pregão, preferencialmente na forma eletrônica, para entes públicos ou privados, nas contratações de bens e serviços comuns, realizadas em decorrência de transferências voluntárias 41 de recursos públicos da União, decorrentes e convênios ou instrumentos congêneres, ou consórcios públicos”. (VIANNA, 2009, p. 92). b) Convite O artigo 22, inciso III da Lei n° 8.666/93, conceitua convite, nos seguintes termos como: é a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao objeto, cadastrados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo de 3 (três) pela unidade administrativa, a qual afixará, em local apropriado, cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos demais cadastrados na correspondente especialidade que manifestarem seu interesse com antecedência de até 24 horas das apresentação das propostas. A Administração Pública deve expedir a carta-convite, que é um chamamento do processo licitatório, àqueles cadastrados que atuem no respectivo ramo de atividade do objeto em questão. A divulgação da publicação da licitação na modalidade convite é de no mínimo 05 dias úteis. Considerando o princípio da igualdade no procedimento licitatório, fica aberto o acesso de outros que manifestem interesse em contratar com a Administração Pública, até 24 horas antes do certame. Algumas características contidas na lei, tornam a modalidade convite mais simples e destinada à contratação mais ágil e econômica de objetos de pequeno vulto. Isso caracteriza, por exemplo, as fases de habilitação e julgamento de propostas apresentarem finalidades muito específicas. A fase de habilitação está relacionada ao licitante, à sua existência enquanto pessoa física ou jurídica, capacidade técnica, econômica e sua regularidade fiscal. Caso haja alguma irregularidade na comprovação dos documentos da regularidade fiscal, a lei permite um prazo para posterior para regularização, conforme o parágrafo I do artigo 43 da Lei Complementar nº. 123/06: Havendo alguma restrição na comprovação da regularidade fiscal, será assegurado o prazo de 2 (dois) dias úteis, cujo termo inicial corresponderá ao momento em que o proponente for declarado o vencedor do certame, prorrogáveis por igual período, a critério da Administração Pública, para a regularização da documentação, pagamento ou parcelamento do débito, e emissão de eventuais certidões negativas ou positivas com efeito de certidão negativa. 42 Já na fase de julgamento de propostas devem-se analisar questões referentes ao produto oferecido pelo licitante, preço cotado e as condições comerciais. Se ainda alguma irregularidade fiscal persistir, a Administração deverá convocar o licitante remanescente na ordem de classificação para o cumprimento das demais etapas do procedimento licitatório. Se porventura, todos os outros licitantes forem inabilitados ou todas as propostas forem desclassificadas, a administração poderá fixar aos licitantes o prazo de 03 (três) dias úteis para a apresentação de nova documentação ou de outras propostas. c) Tomada de Preços Segundo o artigo 22, parágrafo 2º da Lei n.º 8.666/93, define a tomada de preços: modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas, observada a necessária qualificação. Aqueles que estiverem cadastrados, ou não cadastrados, poderão participar da tomada de preços, desde que atendam às condições necessárias de cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas. Consequentemente, essa modalidade possui uma fase de habilitação prévia dos licitantes não cadastrados. O prazo mínimo entre a divulgação do aviso e a data marcada para entrega das propostas na tomada de preços, será de 15 (quinze) dias. Quando se tratar de tomada de preços do tipo “melhor técnica” ou “técnica ou preço”, o prazo será de 30 (trinta) dias. (VIANNA, 2009, p. 54). Outra característica dessa modalidade é a possibilidade de competição em licitações internacionais, desde que o órgão ou entidade disponha de cadastro internacional de fornecedores. 43 d) Concorrência O conceito legal de concorrência, segundo o artigo 22, parágrafo 3º da Lei nº. 8.666/93 é: a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, na fase inicial de habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de qualificação exigidos no edital para execução de seu objeto. Essa modalidade busca a participação do maior conjunto de ofertantes, podendo concorrer qualquer um que preencha as condições estabelecidas no edital. O Decreto-Lei nº. 2.300 de 21 de novembro de 1986, alterado na Lei nº. 8.666/93, estabeleceu a concorrência como modalidade adequada para a alienação de imóveis: [...] “alienação dos bens imóveis da União, das autarquias, das sociedades de economia mista, empresas e fundações públicas e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, salvo expressa determinação legal deve ser processada mediante concorrência, independentemente de seu valor”. O prazo entre a divulgação do aviso e a data marcada para entrega das propostas na concorrência será de 45 (quarenta e cinco) dias quando se tratar do tipo “melhor técnica” ou “melhor técnica e preço” e 30 (trinta) dias nos demais casos. Assim, como na modalidade tomada de preços, a concorrência permite a possibilidade de competição em licitações internacionais. e) Concurso Na definição legal, conforme a Lei nº. 8.666/93, concurso é: Art. 22 §4º [...] a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante a instituição de prêmios ou remuneração aos vencedores, conforme critérios constantes de edital publicado na imprensa oficial com antecedência mínima de 45 (quarenta e cinco) dias. No objeto dessa modalidade, Fernandes (2009, p. 103) complementa: a Administração visa um resultado concreto predominantemente intelectual, técnico, científico ou artístico. Por isso, a regra é o prêmio, pago de uma só vez. Se no concurso de seleção de pessoal, o trabalho inicia-se após a contratação, no concurso modalidade de licitação, o trabalho, ao tempo do julgamento, como regra, já está realizado, cabendo apenas a premiação. 44 O prazo mínimo para a divulgação é de 45 (quarenta e cinco) dias, contados entre a publicação do edital e o recebimento das propostas, conforme artigo 21, inciso II, alínea “a” da Lei nº. 8.666/93. Esse prazo poderá ser maior estabelecido em lei, para a concorrência do tipo “melhor técnica” e “melhor técnica e preço”, e deverá ser suficiente para que os interessados realizem o objeto pretendido ou elaborem a proposta técnica. f) Leilão O leilão é definido pela Lei nº. 8.883, de junho de 1994, que altera dispositivos da Lei nº. 8.666/93, que regulamenta e institui normas para licitações e dá outras providências: Art. 22 §5º Leilão é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda de bens móveis inservíveis para a Administração ou de produtos legalmente apreendidos ou penhorados, ou para a alienação de bens imóveis prevista no artigo 19, a quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação. O prazo mínimo para a divulgação da publicação contendo o resumo do edital é de 15 (quinze) dias, conforme artigo 21, inciso II da Lei de Licitações e Contratos Administrativos. No leilão, os interessados comparecem na data marcada da sessão, para formular propostas verbais, como contextualiza Filho (apud VIANNA, 2009, p. 5758): [...] a regra do leilão é a inexistência de sigilo quanto ao conteúdo das propostas. Muito pelo contrário, é da essência do leilão que tais propostas sejam públicas e de amplo conhecimento. Os proponentes ficam vinculados por sua proposta até que outra, mais elevada, seja formulada. A população de proposta mais elevada por outro licitante retira a eficácia da proposta menos elevada, autorizando o interessado a formular outra proposta (desde que mais elevada do que a última). Será considerada a proposta elevada. Outra característica do leilão, sendo um procedimento licitatório que visa alienar bens pelo menor preço, torna-se desnecessária uma fase de habilitação, apesar da Administração poder exigir documentos que comprovem as condições 45 econômicas dos interessados, a fim de cumprir sua proposta, reduzindo o risco de participações de aventureiros que desaparecem após obterem a vitória. Para um entendimento maior, é importante apresentar algumas características de cada modalidade de licitação evidenciando as diferenças, limites de valores e prazos, sinteticamente, conforme quadro abaixo: Modalidades Convite Tomada de Preços Concorrência Leilão Concurso Pregão 30 a 45 dias 15 dias 45 dias 8 dias Técnica Menor preço Prazo entre a divulgação do ato convocatório e a data da licitação. 5 dias 15 a 30 dias (art. 21 da Lei 8.666 e art. 4º, V, da Lei 10.520) Maior Tipo de Licitação Todos Todos Todos lance/melh or oferta Obras e Serviços de Engenharia, art. Até R$ Até R$ Acima de R$ 23, I, e art. 120 da 150.000,00 1.500.000,00 1.500.000,00 Lei 8.666 Compras e Até R$ Até R$ Acima de R$ Serviços art. 23, II 80.000,00 650.000,00 650.000,00 Ver art. 17, § 6º da Lei 8.666 Não tem limite Não tem limite Trabalho Restrição ao objeto Não há Não há Não há Alienação técnico, de bens científico ou Bens e serviços comuns artístico Servidor Condução do ato ou Pode ser Comissão Comissão Comissão ou não Pregoeiro ou Comissão equipe de servidor apoio Instituída pela Medida Provisória Art. 22, § Fundamento Legal 3º, 6º e 7º Art. 22, § 2º Art. 22, § 1º da da Lei da Lei 8.666 Lei 8.666 8.666 Art. 22, § 5 da Lei 8.666 Art. 22, § 4 2.026, alterada da Lei 8.666 pela Medida Provisória 2.182 e convertida na Lei 10.250 Quadro 05: Características de cada modalidade e a forma do procedimento. Fonte: FERNANDES (2009. p 160). 46 3.3.2.3 Tipos de Licitação A Administração deve efetuar o julgamento das propostas com base nos critérios já definidos no instrumento convocatório, conforme o Princípio do julgamento objetivo. E é através desses critérios e dos tipos de licitação que serão julgadas as propostas dos licitantes participantes. São quatro tipo de licitação: “menor preço”, “maior lance ou oferta”, “melhor técnica” e “técnica e preço”. “Menor preço”: Conforme artigo 45, inciso I, da Lei n. º 8.666/93: Art. 45 [...] quando o critério de seleção da proposta mais vantajosa para a Administração determinar que será vencedor o licitante que apresentar proposta de acordo com as especificações do edital ou convite e ofertar o menor preço. Ou seja, “o critério decisivo para esse tipo de licitação será o menor preço ofertado pelos licitantes participantes”. (DINIZ, 1998, p. 147). “Maior lance ou oferta”: A Administração está na condição de quem aliena, vende, portanto, “será vencedora a proposta que oferecer o lance mais alto. É utilizado especialmente para venda de bens, outorga onerosa de concessões e permissões de uso de bens ou serviços públicos e locação em que a Administração Pública é a locadora”. (GASPARINI apud VIANNA, 2009, p. 59) “Melhor técnica” ou “técnica e preço”: Art. 46 Os tipos de licitação "melhor técnica" ou "técnica e preço" serão utilizados exclusivamente para serviços de natureza predominantemente intelectual, em especial na elaboração de projetos, cálculos, fiscalização, supervisão e gerenciamento e de engenharia consultiva em geral e, em particular, para a elaboração de estudos técnicos preliminares e projetos básicos e executivos, ressalvado o disposto no § 4º do artigo anterior. O parágrafo 4º do artigo 45, da Lei nº. 8.666/93 completa: 47 Para contratação de bens e serviços de informática, a administração observará o disposto no artigo 3º da Lei nº. 8.248, de 23 de outubro de 1991, levando em conta os fatores especificados em seu parágrafo 2º e adotando obrigatoriamente o tipo de licitação "técnica e preço", permitido o emprego de outro tipo de licitação nos casos indicados em decreto do Poder Executivo. 3.4 DISPENSA DE LICITAÇÃO E INEXIGIBILIDADE 3.4.1 Dispensa Por lei, é permitido a dispensação de licitação por parte da Administração, assim que lhe convier ou se mostrar contrária ao interesse público, utilizando o uso da contratação direta sem licitação. Algumas principais hipóteses para que ocorra a dispensa são: emergência ou calamidade pública; licitação deserta; e aquisição ou locação de imóvel. Emergência ou calamidade pública Pode-se caracterizar emergência ou calamidade pública, toda situação emergencial que ocorre de forma imprevisível, ou que possa gerar algum dano relevante e, que deverá ser afastado com o máximo imediatismo. A situação calamitosa deve ser decretada pela autoridade competente, e espera-se que a contratação afastará o risco do dano à Administração. Licitação deserta O parágrafo 5º do artigo 24 da Lei nº. 8.666/93 define licitação deserta como: Quando não acudirem interessados à licitação anterior e esta, justificadamente, não puder ser repetida sem prejuízo para a Administração, mantidas, neste caso, todas as condições preestabelecidas. Aquisição ou locação de imóvel O imóvel deverá ter destinação para fim precípuo da Administração e suas condições de instalação e localização deverão ser determinantes para a sua 48 escolha. Além disso, o preço deverá ser compatível com o mercado e o prazo do contrato será de acordo com a lei de locações. LIMITES PARA DISPENSA Aquisição de materiais para Obras e serviços de contratação de serviços engenharia Até R$ 8.000,00 Até R$ 15.000,00 Art. 24 inciso II Art. 24 inciso I Quadro 06: Limites para dispensa. Fonte: VIANA (2000, p. 255). 3.4.2 Inexigibilidade O caput do artigo 25 da Lei 8.666/93 estabelece que “é inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição, em especial, quando ocorrer uma das três hipóteses retratadas nos incisos que anuncia”. Ou seja, licitação inexigível é toda aquela cuja competição se demonstra fática ou juridicamente inviável. Algumas principais hipóteses para que se ocorra a inexigibilidade são: inviabilidade de licitação; atividade em monopólio; e notória especialização e singularidade do objeto. Inviabilidade de licitação Alguns livros caracterizam a inviabilidade de licitação, quando só um futuro contratado ou só um objeto vendido por fornecedor exclusivo puderem satisfazer o interesse da Administração. Para isso, a Administração pode colocar critérios objetivos para o credenciamento e uma possível pré-qualificação para a contratação de serviços médicos, jurídicos e de treinamento. 49 Atividade em monopólio Também é considerada inexigível a licitação, atividades em monopólio, tornando-se inviável a competição. Essas atividades estão relacionadas à serviços de correios, telefonia, venda de combustíveis. Notória especialização e singularidade do objeto Art. 25. É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição, em especial: [...] II - para a contratação de serviços técnicos enumerados no art. 13 desta Lei, de natureza singular, com profissionais ou empresas de notória especialização, vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação; [...] §1º Considera-se de notória especialização o profissional ou empresa cujo conceito no campo de sua especialidade, decorrente de desempenho anterior, estudos, experiências, publicações, organização, aparelhamento, equipe técnica, ou de outros requisitos relacionados com suas atividades, permita inferir que o seu trabalho é essencial e indiscutivelmente o mais adequado à plena satisfação do objeto do contrato. Outros Há outros tipos de objeto que tornam o processo licitatório inexigível, como: vale-transporte, manutenção de elevadores, tradutores e intérpretes, empresas de publicidade e propaganda, hospedagem, jornais, revistas, passagem aérea, entre outros. 50 Convite Tomada de Preços Concorrência Pregão Contratação direta sem licitação Verificação da necessidade do objeto Elaborar a definição do objeto Elaborar a justificativa das restrições à competição inserida na definição do objeto Definir as regras da execução do objeto Elaborar projeto Elaborar termo de básico – no caso Elaborar projeto básico – no caso de obras e serviços referência de obras e serviços Elaborar a estimativa de preços – art. 15, V, da Lei nº. 8.666/93 Elaborar a minuta do contrato Elaborar a minuta do edital Submeter minuta do edital e seus anexos ao órgão jurídico Elaborar a cartapara aprovação convite Publicar o aviso do edital Abrir a sessão e receber os Abrir o envelopes de credenciamento habilitação e dos licitantes Pedir proposta e Abrir a sessão e receber o envelope da proposta verificar a proposta dos licitantes habilitados conformidade do Abrir o envelope Abrir a sessão e previamente objeto com o de habilitação e receber a pedido analisar declaração de documentos habilitação Julgar a habilitação No pregão presencial receber Receber desistência do recurso da os envelopes de habilitação ou aguardar prazo e julgar habilitação e recurso da habilitação se houver proposta Abrir os envelopes de propostas e verificar a conformidade do objeto com o edital Justificar a razão Julgar as propostas da escolha do fornecedor No pregão Receber desistência do recurso das propostas ou aguardar presencial, Justificar preço prazo selecionar lançadores Decidir pela Julgar recurso da proposta se houver Etapas de lances contratação direta Negociação da Ratificar a Adjudicar o objeto proposta contratação direta Julgar a habilitação Consultar sobre interesse em recorrer Adjudicar o objeto, se não houver Publicar o ato de Encaminhar para a homologação recurso e contratação direta, encaminhar para a nos casos homologação previstos no art. 26 Se houver recurso, da Lei nº. 8.666/93 receber as razões e contra-razões do recurso Homologar a licitação Julgar o recurso Publicada em Adjudicar e Publicar o resultado órgão oficial homologar Quadro 07: Características de cada modalidade e a forma do procedimento. Fonte: FERNANDES (2009. p 161-162). 51 4 METODOLOGIA DE PESQUISA Neste capítulo apresenta-se a metodologia que será adotada para a obtenção dos dados e informações no presente estudo. Segundo Andrade (1999, p. 111), a metodologia para elaboração de trabalhos acadêmicos tem por objetivo tratar de um “conjunto de métodos ou caminhos que são percorridos na busca do conhecimento”. 4.1 TIPOS DE PESQUISA Para tanto a metodologia abordada, a natureza será básica, pois se pretende analisar o processo de compra de medicamento, onde o “pesquisador tem como meta o saber, buscando satisfazer a uma necessidade intelectual pelo conhecimento”. (CERVO, 2007, p.65). Com o problema de pesquisa definido, este trabalho terá uma abordagem qualitativa, que conforme Oliveira (1999, p. 117): facilita descrever a complexidade de uma determinada hipótese ou problema, analisar a interação de certas variáveis, compreender e classificar processos dinâmicos experimentados por grupos sociais, apresentar contribuições no processo de mudança, criação ou formação de opiniões de determinado grupo e permitir, em maior grau de profundidade, a interpretação das particularidades dos comportamentos ou atitudes dos indivíduos. Esta pesquisa se caracteriza como pesquisa exploratória, a fim de alcançar o objetivo geral e os objetivos específicos de forma satisfatória. Segundo Gil (2002, p. 41) este tipo de pesquisa: [...] tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir hipóteses. Pode-se dizer que estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de idéias ou a descoberta de intuições. Seu planejamento é, portanto, bastante flexível, de modo que possibilite a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado. 52 Os procedimentos técnicos utilizados no presente trabalho serão por meio de pesquisas bibliográficas, pesquisas documentais e estudo de caso. Conforme Vergara (2004, p. 48), a pesquisa bibliográfica “é o estudo sistematizado desenvolvido com base em material publicado em livros, revistas, jornais, redes eletrônicas, isto é , material acessível as público em geral”. Já a pesquisa documental, que assemelha-se muito à pesquisa bibliográfica, na visão de Gil (2002, p. 45) “vale-se de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetos da pesquisa”. Ainda de acordo com Gil (2002, p. 54), o estudo de caso é uma: modalidade de pesquisa amplamente utilizada nas ciências biomédicas e sociais. Consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento, tarefa praticamente impossível mediante outros delineamentos já considerados. 4.2 COLETA DE DADOS A coleta de dados será realizada por meio de levantamentos bibliográficos, pesquisa documental e entrevistas semi-estruturadas que serão realizadas com alguns diretores e supervisores da organização. Para Cervo (2007, p. 60), o levantamento bibliográfico procura “explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas em artigos, livros, dissertações e teses, onde busca-se conhecer e analisar as contribuições culturais ou científicas do passado sobre determinado assunto, tema ou problema”. De acordo com Severino (2007, p. 122), a pesquisa documental “tem-se como fonte documentos no sentido amplo, ou seja, não só de documentos impressos, mas sobretudo de outros tipos de documentos, tais como jornais, fotos, filmes, gravações, documentos legais”. A entrevista consiste em “uma conversação envolvendo duas ou mais pessoas com o propósito de se obter informações para uma investigação. Contudo, não é somente uma simples conversa, mas sim, uma conversa orientada para um objetivo definido”. (GRESSLER, 2004, p. 164). 53 A escolha de entrevista semi-estruturada irá permitir uma maior flexibilidade, já que no decorrer da entrevista, novas perguntas que não estão no questionário poderão ser questionadas. 4.3 FORMAS DE ANÁLISE Após a coleta de dados, deverá identificar os métodos e técnicas a serem utilizados para análise e interpretação dos dados, visando à solução do problema de pesquisa, além dos objetivos definidos e para testar as hipóteses. Conforme Barros (2007, p. 110), nesta fase, o pesquisador irá “registrar os dados obtidos, examiná-los e transformá-los em elementos importantes para a comprovação ou não de hipóteses”. Essa análise evidenciará as relações existentes entre os dados obtidos e os fenômenos estudados. O pesquisador deverá utilizar do seu senso crítico para interpretar as conclusões e sugestões pertinentes ao enfoque do assunto investigado da pesquisa. 54 5 RESULTADOS DA PESQUISA Na análise dos conteúdos coletados para este trabalho, utilizou-se a entrevista como o instrumento de pesquisa, através de um questionário semiestruturado. Durante a entrevista foram realizadas outras perguntas que não estavam contidas no questionário, porém pertinentes, a fim de obter maiores informações. A entrevista foi realizada na Secretaria de Saúde de São José com a participação do Supervisor de Compras, Pedro Paulo Furtuoso Júnior. Através do questionário semi-estruturado foi produzido um quadro comparativo na qual foram confrontadas as informações obtidas pelo Supervisor de Compras da Secretária de Saúde de São José e as teorias utilizadas na fundamentação teórica deste trabalho. 5.1 COMPARAÇÃO ENTRE ORGANIZAÇÃO VERSUS LITERATURA Literatura Secretaria de Saúde Finalidade do Setor de Compras O setor de compras ou suprimentos tem Organizar de forma coesa e sintética as grande responsabilidade nos resultados de compras e licitações através da lei. Tudo uma organização devido a sua ação de que precisa ser comprado e licitado para a suprir as necessidades desta com os Secretária de Saúde é feita pelo Setor de recursos materiais para o seu perfeito Compras. Desde da intenção de compra, do desempenho e continuidade dos serviços. planejamento e do ato da compra em si. A Toda e qualquer atividade de uma empresa responsabilidade do setor é muito grande, somente será possível se for abastecida pois se tratando de saúde, os prazos são com informações e materiais. Para isso, é muito curtos e obrigados a cumpri-los por lei. necessário que os materiais estejam O Setor de Compras trabalha para suprir as disponíveis em tempo hábil e com as necessidades devidas especificações. e dar todo suporte à Secretaria de Saúde realizar seu trabalho e atendimento a população. Quadro 08: Finalidade do Setor de Compras Fonte: Autor (2012) 55 A finalidade do Setor de Compras é muito importante e deve ser cumprida, pois toda a organização depende dos insumos e materiais necessários no andamento e execução dos serviços prestados à população. O Setor de Compras age e trabalha incansavelmente para atender a todas as solicitações de diversos setores em tempo hábil e com as devidas especificações e normas técnicas exigidas. Procedimentos de compras Requisição de compras: É encaminhada ao Setor de Compras uma As solicitações poderão ser originadas por solicitação, com o que os setores requisitam vários setores da empresa e deverão ser comprar, pra quê precisam comprar, e por aprovadas pelos respectivos responsáveis que eles precisam comprar, através do antes de serem remetidas ao setor de Termo de Referência. Através desse termo, compras. Este procedimento evitará cada coordenação ou setor especifica os trabalhos desnecessários e prejuízos nas pedidos, pois na Secretaria de Saúde há relações da empresa com seus muito termos técnicos, como por exemplo, fornecedores. Deverá conter as informações equipamentos médicos que necessitam de sobre o que comprar, quantidade, maiores informações. justificativa, descrições dos itens, local e prazo de entrega, especificações técnicas, entre outros. Essa Pedido de cotação: cotação requisição de transforma-se compras, que numa é uma Documento de registro da pesquisa de solicitação que fazemos dentro do nosso preços. Deve conter dados dos sistema, que hoje usamos em toda a fornecedores, preço, prazo de entrega, Administração da Prefeitura de São José, condições de pagamento e especificações com a média de preços dos orçamentos dos materiais/produtos e serviços. solicitados, de onde surge o pedido de Análise de compras: abertura do processo licitatório. Ele é Verificam-se os dados do orçamento, onde é encaminhado para a Secretaria de feito comparativo entre os fornecedores, Administração, onde é entregue para a avaliando o conjunto da proposta. Serão Comissão Permanente de Licitação, onde considerados, o melhor valor agregado, montam e fazem o processo licitatório, com especificações dos produtos, condições de vistas da Procuradoria, que advoga e dão pagamento, outros. capacidade técnica, entre pareceres sobre o edital, para que o processo dê andamento a vigor, aos olhos 56 Análise de compras: da lei. Depois de realizado o processo Verificam-se os dados do orçamento, onde é licitatório, o Setor de Licitações monta o feito comparativo entre os fornecedores, contrato e encaminha para o Setor de avaliando o conjunto da proposta. Serão Compras, onde o mesmo gerencia o considerados, o melhor valor agregado, contrato e sua vigência. especificações dos produtos, condições de pagamento, capacidade técnica, entre outros. Quadro 09: Procedimentos de compras Fonte: Autor (2012) Nos procedimentos de compras, todas as solicitações devem conter as devidas especificações, quantidades, prazos, entre outras informações referentes às aquisições de bens e/ou contratações de serviços. Essas informações, quando repassadas de maneira correta, facilitam o andamento dos pedidos de cotações e análises de compras, pois não há necessidade de devolução da solicitação para correção. Modalidade Carta Convite A Administração Pública deve expedir a Para as empresas participarem de uma carta-convite, que é um chamamento do Carta Convite na Secretaria de Saúde de processo licitatório, àqueles cadastrados São José, que é a modalidade que faz com que atuem no respectivo ramo de atividade que se “convide’” no mínimo três empresas; do objeto em questão. não havendo três empresas pode-se A divulgação da publicação da licitação na convidar duas, ou no último caso, uma única modalidade convite é de no mínimo 05 dias empresa. Mas para que possam convidar, úteis. as empresas precisam estar cadastradas no Algumas características contidas na lei sistema da Prefeitura de São José, onde tornam a modalidade convite mais simples e existe um cadastro, onde as empresas destinada à contratação mais ágil e dizem o que vendem, os serviços prestados, econômica de objetos de pequeno vulto. qual as suas finalidades, entre outros. E na Isso caracteriza, por exemplo, as fases de possibilidade habilitação e julgamento de dessa Carta Convite, as propostas empresas são convidadas a entregar os apresentarem finalidades muito específicas. A fase de habilitação está relacionada ao licitante, à sua existência enquanto pessoa orçamentos e participar do processo. 57 física ou jurídica, capacidade técnica, econômica e sua regularidade fiscal. Já na fase de julgamento de propostas devem-se analisar questões referentes ao produto oferecido pelo licitante, preço cotado e as condições comerciais. Quadro 10: Modalidade Carta Convite Fonte: Autor (2012) Assim como outras modalidades de licitação, a Carta Convite obedece aos princípios da Lei nº 8.666/93, porém a algumas características contidas na lei a torna mais simples das demais, pois se destina à contratação mais ágil e econômica de objetos de pequeno vulto. Modalidade Pregão Presencial Todo processo licitatório é feito na Possui duas fases, uma interna, comum a Administração, no Setor de Licitação. O todas as modalidades e uma fase externa, Setor de Compras só orienta a primeira na qual se podem corrigir eventuais parte da licitação. O setor prepara uma solicitação e abre o processo que dá origem diferenças. A fase interna inicia-se com a requisição do a licitação, e encaminha à Comissão objeto e justificativa da necessidade da Permanente de Licitação. Hoje, a maioria aquisição. Além de constar o Termo de dos processos é na modalidade de Pregão, Referência, que deverá ser elaborado pelo que está regido na Lei 10.520, a qual criou o órgão requisitante, em conjunto com a área Pregão Presencial, com o intuito de facilitar de compras, que deverá conter todas as e de melhor gerir os recursos da Administração Pública, e ela toma por base informações pertinentes à contratação. Após a definição do objeto da licitação, muitas questões de contrato e da fase devem-se definir os documentos a serem interna da Lei nº. 8.666/93. A diferença está apresentados pelos licitantes para a na inversão das fases, enquanto na Lei nº. habilitação, contendo as exigências de 8.666/93 toda a documentação coletada dos qualificação técnica e econômica. Definidos os documentos, proponentes é analisada e depois passa serão para o ato licitatório aqueles que estão de determinados os critérios referentes às acordo com a documentação pronta para a propostas, de acordo com o objeto definido seguinte fase. Já no pregão é inverso, e aceitabilidade do preço máximo e mínimo. vamos ao certame, analisar a melhor 58 E também, das definições das sanções, na proposta, onde só as propostas mais qual prevê a possibilidade de aplicação de vantajosas são analisadas, para depois advertência; suspensão temporária; ou adjudicar ou não. Por isso, por essa impedimento de participação. inversão, não só em São José, mas outros A partir dessa etapa, é a realizada a municípios, Estado e União priorizam o confecção da minuta do contrato, com as Pregão. Hoje, em especial é muito utilizado cláusulas e disposições a respeito dos o Pregão Eletrônico, que é o mesmo pregão, prazos para o fornecimento de bens ou para só que é de feito através do sistema online, a prestação de serviços definidas. para que pessoas do Brasil inteiro possam A fase externa inicia-se com a publicação de participar através da internet. Desse pregão aviso de edital por 08 dias no Diário Oficial eletrônico origina-se uma Ata de Registro de da União, do Estado ou em jornal diário de Preços, que é a forma mais usada em São grande circulação no Estado ou Município. José. Tudo que pode ser registrado como Esse é o tempo de que dispõem os preço, serviços e produtos, como orienta a interessados para retirada do edital e para lei. O Registro de Preços está previsto na reunirem os documentos exigidos para a Lei nº. 8.666/93 – antigamente usado para habilitação. Concorrência. Ou seja, hoje a modalidade O primeiro ato é a apresentação dos mais utilizada no município é o Pregão documentos para o credenciamento, o qual eletrônico, na forma de Registro de Preços. os licitantes os apresentam a fim de declarar que estão aptos a oferecerem lances orais e participarem do certame. Passada essa etapa, começa-se a sessão do pregão, onde acontece a abertura dos envelopes contendo as propostas e verificação da conformidade, fase de lances, julgamento e classificação das propostas, negociação e declaração do licitante vencedor. Declarado o vencedor, é feita a adjudicação e homologação da licitação, feita pelo pregoeiro ou autoridade competente. Eletrônico O pregão eletrônico também ocorre em sessão pública, porém com a utilização da internet, na qual os licitantes devidamente 59 credenciados oferecem seus lances, podendo cobrir seus próprios preços durante o decorrer da sessão. Quadro 11: Modalidade Pregão Fonte: Autor (2012) Atualmente, o Pregão é o mais utilizado no Setor de Compras da Secretaria de Saúde de São José. Esta modalidade é normalmente recorrida, pois através dela pode-se originar a Ata de Registro de Preços, na qual facilita a contratação de serviços e/ou aquisição de bens, onde, se pode firmar um contrato sem a obrigatoriedade de usufruí-lo na sua totalidade. Dispensa de Licitação Por lei, é permitido a dispensação de A Dispensa de Licitação pode ser feita de licitação por parte da Administração, assim diversas formas. Há uma forma de dispensa que lhe convier ou se mostrar contrária ao que é a Compra Direta, onde a lei permite interesse público, utilizando o uso da até 10% (dez por cento) do valor da contratação direta sem licitação. modalidade Convite, que é de R$ 80.000,00 Algumas principais hipóteses para que (oitenta mil reais). Mas para serviços de ocorra a dispensa são: emergência ou engenharia, mudam-se os valores, que calamidade pública; licitação deserta; e passam para R$ 150.000,00 (cento e aquisição ou locação de imóvel. cinquenta mil reais). Outras formas de dispensa de licitação são casos que ultrapassam a nossa vontade, denominados de força maior, calamidade, que urgência, são casos de emergência decretada e de fato comprovada. Tudo na Administração Pública precisa ser justificado, informando o porquê da compra, para que se possa comprar e dispensar a licitação. Quadro 12: Dispensa de Licitação Fonte: Autor (2012) De certo modo, pode-se afirmar que a Dispensa de Licitação é um procedimento que deveria ser recorrido esporadicamente, apesar de que a utilização 60 deste se motiva por forças maiores. As aquisições realizadas por dispensação acabam prejudicando o planejamento financeiro da organização, pois normalmente não estão previstas e nem quando ocorrerão. Aquisição de medicamentos judiciais O NUTAJ é o setor responsável pela O NUTAJ administra todos esses processos solicitação de compra dos fármacos de alto judiciais custo, recebimento mesmos aos e distribuição pacientes na compra de medicamentos. dos Lembrando, que não só medicamentos, mas devidamente também alguns equipamentos, produtos de cadastrados e autorizados a receber esse enfermagem, fórmulas lácteas, entre outros tipo de medicação por lei. insumos. Também prepara todo o processo O Setor mantém um banco de dados com e analisa se é de fato a Secretaria de Saúde todos os pacientes cadastrados e seus que deverá fazer essa compra, entra em respectivos dados, contendo informações contato pertinentes às ações judiciais, com o Setor de Compras e como, encaminha as solicitações, conforme foi número de autos, medicação específica, julgado, de que forma será entregue os princípios ativos, miligramagem, produtos, quando precisa ser entregue, quantidades, entre outros. entre outros, para que se possa providenciar Através desse banco de dados, é calculada a compra. Essa análise requer uma atenção a quantidade mensal dos medicamentos especial, pois há prazos a serem cumpridos consumidos e convertidos para uma pelo Judiciário. Por isso hoje, o setor quantidade anual, com o intuito de realizar disponibiliza uma pessoa, somente pra processo licitatório. Para isso, é cuidar dos processos judiciais. preciso haver uma A aquisição de medicamentos judiciais comunicação com o Setor de Compras para também é feita através de licitação, porém, a que possa ser realizada as aquisições dos demanda de processos judiciais é muito medicamentos através de licitação. grande. Se esses medicamentos estão licitados ou tem em estoque, é solicitada a entrega deles. Caso não haja em estoque, é preciso ser feita a dispensa de licitação, pois é uma ordem judicial que precisa ser cumprida. Quadro 13: Aquisição de medicamentos judiciais Fonte: Autor (2012) 61 5.2 ANÁLISE E SUGESTÕES DE MELHORIAS Analisando os dados obtidos no que se refere à finalidade do Setor de Compras, pode-se perceber que o setor age com grande responsabilidade para suprir as necessidades da Secretaria de Saúde em tempo hábil, com os devidos materiais necessários, trabalhando com prazos curtos e obrigados a serem cumpridos por lei, não havendo sugestão de melhoria nesse item. No que se refere aos procedimentos de compras, as requisições de compras são encaminhadas ao setor de forma correta, onde todos os pedidos de bens e/ou serviços são solicitados através do Termo de Referência com as descrições e especificações necessárias. Já no tópico referente a pedido de cotação, análise de compras e pedido de compras, os procedimentos no Setor de Compras ocorrem de maneira diferente, não necessariamente estejam incorretos, porém difere da ordem que a literatura sugere. Inicialmente, o pedido de cotação ocorre de forma similar à literatura, onde na cotação deverão conter informações pertinentes à aquisição, como dados dos fornecedores, preço, prazo de entrega, condições de pagamento e especificações dos materiais/produtos e serviços. O processo de análise de compras não sofre grandes alterações, pois é realizado um comparativo entre as cotações obtidas, onde são lançados os valores médios das cotações. A partir desse ponto, todo trâmite realizado no Setor de Compras é repassado à Comissão Permanente de Licitação, localizada na Prefeitura Municipal de São José, através de uma solicitação de um software específico. Pode-se ressaltar que nesta etapa o processo funciona de forma mais demorada e burocrática, porém necessária, pois se trata de obedecer aos princípios da lei de licitações. É preciso uma análise tanto da Comissão Permanente quanto da Procuradoria, que advoga e dão pareceres sobre as cláusulas do edital. Sugere-se a criação de uma Comissão Permanente de Licitação na própria sede da Secretaria de Saúde, pois atualmente toda comunicação e envio de processos para a Licitação é processada de forma lenta. Além de haver distância entre a Prefeitura e a Secretaria, o processo licitatório passa por diversos setores, isso dificulta a localização do mesmo, ou em que fase do processo ele se encontra. 62 Já no Pregão, a organização segue as diretrizes da Lei nº 10.520, na qual institui a modalidade referida. Além do pregão presencial, atualmente é muito utilizado a forma eletrônica, agilizando toda a negociação na formalização do contrato, não sendo necessária sugestão de melhoria. De acordo com a pesquisa a modalidade Carta Convite é um chamamento do processo licitatório àqueles cadastrados que atuem no respectivo ramo de atividade do objeto em questão. Dessa forma, todos os procedimentos relacionados a esta modalidade são realizados conforme a lei, de forma comprovada e justificada, não havendo sugestões de melhoria a ser indicada. Na hipótese de emergência; calamidade pública; licitação deserta; e aquisição ou locação de imóvel, pode-se adquirir ou contratar por Dispensa de Licitação, permitido por lei. Por se tratar de uma organização onde os serviços prestados envolvem a saúde pública, tudo o que precisa ser adquirido é muito urgente e com prazos curtos. Essa modalidade não deve ser muito recorrente, exceto nos casos citados acima, pois muitas vezes não está prevista no orçamento, além de correr o risco de atrapalhar todo o planejamento da organização. Neste item é inviável sugerir algum ponto a ser melhorado, pois está diretamente ligado a fenômenos, normalmente externos, que não se podem prever. Considerando a saúde como um fator emergencial, a aquisição de medicamentos judiciais, produtos de enfermagem, fórmulas lácteas, entre outros insumos podem ser classificados como urgentes, pois trata-se de cumprir a decisão determinada pelo juiz. O NUTAJ analisa, recebe e responde as decisões judiciais da melhor maneira possível, comunicando o Setor de Compras na eventual compra desses medicamentos. Ambos os setores não medem esforços, com a finalidade de atender em tempo hábil toda a população que recorre e necessita desses serviços. Neste caso não há sugestão de melhoria a ser indicada. Cabe ressaltar, que se tratando de um órgão público, todos os procedimentos nas aquisições de bens e produtos e/ou contratação de serviços devem ser feitas de acordo com os preceitos legais. A Secretaria de Saúde na sua esfera municipal trabalha para que todos os procedimentos sejam sempre realizados de maneira ética e transparente. 63 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo geral deste trabalho foi analisar os processos atuais de compra de medicamentos judiciais na Secretaria de Saúde de São José. Para as considerações finais deste estudo foi necessário o bom entendimento do tema pesquisado, que alguns fundamentos fossem pesquisados, como também a realização de consultas bibliográficas de autores variados, com o objetivo do levantamento de dados e informações importantes para a organização em estudo. É possível afirmar que a pergunta de pesquisa foi respondida e os objetivos geral e específicos atingidos de forma satisfatória. Dentre os objetivos específicos, foi descrito todo o funcionamento dos serviços realizados no Setor de Compras foram abordados, além da finalidade, funções e procedimentos e outros conceitos pertinentes ao setor. Através do levantamento bibliográfico realizado nesta pesquisa com a utilização de citações de diversos autores, artigos da legislação brasileira, além de documentos e informações dos setores envolvidos nesse trabalho e dados da própria Secretaria de Saúde de São José, pôde-se fazer uma confrontação desses dados com as políticas realizadas atualmente na organização. Espera-se que as ações que foram sugeridas sejam implantadas e auxiliem nos processos do setor, visando a excelência nos serviços e principalmente no que diz respeito na qualidade ao atendimento aos munícipes. Por fim, o presente estudo foi de extrema importância para o acadêmico, onde pôde vivenciar experiências novas em relação ao setor, além do aprendizado na troca de informações com a organização visando o crescimento de ambas as partes. 64 REFERÊNCIAS ANDRADE, Maria Margarida. Introdução à metodologia do trabalho científico: elaboração de trabalhos na graduação. 6ª ed. Editora Atlas. São Paulo, 1999. ANDRÉ, A. M.; CIAMPONE, M. H. T. Desafios para a gestão de Unidades Básicas de Saúde. Revista de Administração em Saúde. P18. São Paulo, 2007. Disponível em: < http://www.cqh.org.br/files/RAS34_desafios.pdf > ASSIS, P. F.; SOUZA, S.; FRANCISCHETTO, M. A. Gestão de materiais do serviço autônomo de água e esgoto de Alegre-ES. P14. Disponível em: < http://ww.aedb.br/seget/artigos09/214_Gestao%20de%20Materiais%20no%20SAAE %20-%20ES.pdf >. Acesso em: 03 abr. 2011. BARROS, A. J. S.; LEHFELD, N. A. S.. Fundamentos de metodologia científica. 3ª ed. Editora Pearson. São Paulo, 2007. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro 1988. Brasília, 1988. BRASIL. Lei Complementar nº 123 de dezembro de 2006. Institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Brasília, 2006. BRASIL. Lei nº. 8080 de 19 se setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Brasília, 1990. BRASIL. Lei nº. 8.666 de 21 de junho de 1993. Regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências. Brasília, 1993. BRASIL. Lei nº 10.520 de 17 de julho de 2002. Institui, no âmbito da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, nos termos do art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, modalidade de licitação denominada pregão, para aquisição de bens e serviços comuns, e dá outras providências. Brasília, 2002. BRASIL. Ministério de Estado da Saúde. Portaria GM nº. 2.577 de 27 de outubro de 2006. Aprova o Componente de Medicamentos de Dispensação Excepcional. Brasília, 2006. 65 BRASIL. Ministério de Estado da Saúde. Portaria nº. 1318 de 23 de julho de 2002. Define o rol dos medicamentos dispensados em caráter excepcional de alto custo e/ou destinados a pacientes com doenças raras pelo SUS – Sistema Único de Saúde. Brasília, 2002. CERVO, Amado Luiz. Metodologia Científica. 5ª ed. Editora McGraw-Hill. São Paulo, 2002. DINIZ, Paulo de Matos Ferreira. Licitações e contratos: Manual do empresário: Lei nº 8.666/93. 1ª ed. Editora Brasília Jurídica Ltda. Brasília, 1998. FERNANDES, J. U. Jacoby. Contratação direta sem licitação: comentários às modalidades de licitação, inclusive o pregão. 8ª ed. Editora Fórum. Belo Horizonte, 2009. FRANCISCHINI, G. Paulino; GURGEL, F. do Amaral. Administração de Materiais e do Patrimônio. Editora Pioneira. São Paulo, 2002. GRESSLER, Lori Alice. Introdução à pesquisa: projetos e relatórios. 2ª ed. Editora Loyola. São Paulo, 2004. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. Editora Atlas. São Paulo, 2002. JUSTEN FILHO, Marçal. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. 7ª ed. 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Ferramenta contra o fracionamento ilegal de despesa: a União do sistema de Registro de Preço (SRP) e a modalidade pregão. 2ª ed. Editora Scortecci. São Paulo, 2009. 67 APÊNDICE A ROTEIRO DE ENTREVISTA 1) Como o Setor de Compras está estruturado na Secretaria de Saúde? 2) Dentro desta estrutura que a Secretaria de Saúde tem atualmente, você acha que o Setor de Compras tem algum papel estratégico que impacta nos recursos disponíveis? 3) Qual a finalidade do Setor de Compras? 4) De forma detalhada, como são realizados os procedimentos de compras? 5) Para que serve o Termo de Referência? E como ele é elaborado? 6) Como é definida a modalidade de licitação? E quais são as mais utilizadas na Secretaria de Saúde? 7) De que maneira os licitantes são convidados a participarem da modalidade Convite? Há algum cadastro ou tipo de critério na escolha deles? 8) Nos casos de emergência e/ou calamidade pública, a lei permite a Dispensa de Licitação. Como o Setor de Compras está preparado para atender de forma rápida e eficaz a esses acontecimentos? 9) Atualmente como é realizada a aquisição de medicamentos por meio de ações judiciais? 10) Quem solicita a compra desses medicamentos judiciais ao Setor de Compras? 11) Como funciona a relação e a comunicação entre o Setor de Compras e o NUTAJ? 68 12) Na visão de supervisor de Compras, como você enxerga a atuação do NUTAJ na Secretaria de Saúde? Você sugeria algumas mudanças? Quais por exemplo. 13) O Setor de Compras tem grande responsabilidade nos resultados da organização e na prestação de serviços à população. De que maneira o setor trabalha para atingir o desempenho desejado pela Secretaria de Saúde? 14) Se você pudesse sugerir algumas melhorias na área de Compras, quais seriam? 69 ANEXO A AUTORIZAÇÃO SÃO JOSÉ, XX DE XXXXX DE 2012 A Secretaria de Saúde de São José, pelo presente instrumento, autoriza o Centro Universitário Municipal de São José, a publicar, em sua Biblioteca, o Trabalho de Conclusão executado durante o período do curso, disciplinas TCC I e TCC II, pelo acadêmico Anderson Schneider. _________________________________________ (Nome do responsável da empresa) (carimbo)