UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO TECNOLÓGICO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO RODRIGO SOARES DOS SANTOS ESTUDOS DAS CARACTERISTICAS DO DEPÓSITO DO ARAME TUBULAR E81T1-NI1C COM VARIAÇÃO DA PROTEÇÃO GASOSA E ENERGIA DE SOLDAGEM VITÓRIA 2014 RODRIGO SOARES DOS SANTOS ESTUDOS DAS CARACTERISTICAS DO DEPÓSITO DO ARAME TUBULAR E81T1-NI1C COM VARIAÇÃO DA PROTEÇÃO GASOSA E ENERGIA DE SOLDAGEM Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Engenharia Mecânica do Centro Tecnológico da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do grau de Engenheiro Mecânico. Orientador: Temístocles de Sousa Luz, Prof. Dr. em Engenharia Mecânica VITÓRIA 2014 2 SOARES DOS SANTOS, Rodrigo. Estudos das características do depósito do arame tubular E81T1-NI1C com variação da proteção gasosa e energia de soldagem / Rodrigo Soares dos Santos – 2014. 59p. Orientador: Temístocles de Sousa Luz Trabalho de Conclusão de Curso – Universidade Federal do Espírito Santo, Centro Tecnológico, Departamento de Engenharia Mecânica. 1. Soldagem. 2. GS-FCAW. 3. Aço API 5L X70. 4. Microestrutura. 5. Dureza. 6. Tenacidade I. SOARES DOS SANTOS, Rodrigo. II. Universidade Federal Do Espírito Santo, Centro Tecnológico, Departamento de Engenharia Mecânica. IV. Estudo 4 AGRADECIMENTOS Primeiramente gostaria de agradecer a Deus. Gostaria de agradecer especialmente a minha mãe Geralda Glória Soares dos Santos (in memoriam) a quem devo a vida, e a minha mãe Júlia Trindade da Silva que foi a principal pessoa que me incentivou nos meus estudos e que esteve comigo nos momentos bons e ruins. A minha família e aos meus amigos de faculdade. Ao meu professor orientador Dr. Temístocles de Sousa Luz. A Agência Nacional do Petróleo (ANP), ao Programa de Recursos Humanos da Petrobrás (PRH29) e a UFES pela oportunidade e financiamento dessa pesquisa; Aos colaboradores do Laboratório de Tribologia, (TRICORRMAT) e do Laboratório de Soldagem. Corrosão e Materiais 5 RESUMO Com o aumento da prospecção e produção do petróleo e seus derivados se faz necessário a procura por materiais que garantam uma maior confiabilidade no que se refere no transporte dos mesmos. Essa demanda levou ao uso dos aços de alta resistência e baixa liga (ARBL), classificados na indústria do petróleo e gás pela norma API 5L. Dentre as propriedades mecânicas que motivam a utilização desses aços, os principais são: a tenacidade, inclusive às altas temperaturas; boa soldabilidade e boa resistência mecânica da liga. Na busca por maiores resistências mecânica as ligas da classe API 5L têm desenvolvido novas classes de aços, dentre essas classes podemos citar o aço da classe X70. Tal classe tende a garantir uma excelente resistência mecânica aliada ao alto nível de tenacidade. Tal fato estaria ligado aos baixos teores de carbono, o que garantiria uma boa soldabilidade. Sendo assim, devido à grande utilização de aços ARBL no setor petrolífero e a necessidade de soldagem dos mesmos, o trabalho em questão vem avaliar as variações mecânicas e metalúrgicas das regiões da solda do aço API 5L X-70, para tanto foi utilizado o processo FCAW com arame “metal cored” E81T1-Ni1C com variação de energia e proteção gasosa. Os resultados foram obtidos a partir de avaliação de micrografia, microdureza e ensaio de impacto Charpy. Os resultados obtidos foram considerados satisfatórios atendendo as especificações das normas. Palavras-chave: Aço API X70, E81T1-Ni1C, Variação Energética e Variação da Proteção Gasosa, microdureza, micrografia e ensaio de impacto Charpy. 6 ABSTRACT With the increase in exploration and production of oil and its derivatives to search for materials that ensure greater reliability as regards the transport of the same is needed. This demand has led to the use of high strength steels and low-alloy (HSLA), ranked in the oil and gas industry by the standard API 5L. Among the mechanical properties that motivate the use of these steels , the main ones are : toughness , even at high temperatures , good weldability and good mechanical strength of the alloy .In the search for greater mechanical strength alloys grade API 5L have developed new grades of steel , among these classes can cite the steel grade X70 . This class tends to ensure excellent mechanical strength combined with the high level of toughness. This would be related to low-carbon, which would ensure good weldability. Thus, due to the wide use of HSLA steels in the oil sector and the need for welding the same, the work in question is to evaluate the mechanical and metallurgical variations of the regions of welding steel API 5L X- 70 , for both the FCAW process was used with wire "metal cored " E81T1 - Ni1C ranging from energy and gas protection. The results were obtained from evaluation of micrographs, hardness and Charpy impact test. The results were considered satisfactory given the specifications of the standards. Keywords: API X70 steel, E81T1-Ni1C, Variation and Change in Energy Gas Protection 7 LISTA DE FIGURA Figura 1-Equipamento básico para soldagem com arame tubular [11]. .................................... 17 Figura 2- Soldaegem FCAW (a) Com proteção gasosa e (b) Com arame autoprotegido [7]. 18 Figura 3- Representação esquemática do ciclo térmico na soldagem em um só passe [6]. . 19 Figura 4- Ferrita acicular no metal de solda feita com o MEV [15]. ........................................... 21 Figura 5- Evolução dos aços para fabricação dos tubos de grande diâmetro [19].................. 23 Figura 7- Tubo doado pela Petrobrás ............................................................................................. 24 Figura 6- Micrografia características de três aços API, mostrando a evolução [20]. .............. 24 Figura 8- Metalografia do aço API 5L X70- aumneto de 500x. ................................................... 25 Figura 9- Microdurômetro Pantech HXD-100TM. .......................................................................... 26 Figura 10- a) Fonte IMC Inversal 450 e b) Tartílope SPS V2 ..................................................... 28 Figura 11- Porta amostra com a peça fixada. ................................................................................ 28 Figura 12- Foto da usinagem e de uma peça pronta do aço API 5L X70. ................................ 29 Figura 13- Dimensional da junta soldada com chanfro em ''V''................................................... 30 Figura 14 - Politriz STRUERDS DP-50. .......................................................................................... 32 Figura 15- Amostra para o ensaio de impacto Charpy. ................................................................ 33 Figura 16- Embutidora AROTEC PRE 30 Mi. ................................................................................ 34 Figura 17- Nikon modelo Eclipse MA200. ...................................................................................... 35 Figura 18- Locais das micrografias feitas no último passe do metal de solda aço ABNT 1020. ............................................................................................................................................................... 36 Figura 19- Locais das micrografias da amostra de aço API 5L X70. ......................................... 36 Figura 20- Grade utilizada na contagem da FA sobre micrografia do metal de solda ............ 37 Figura 21- Locais de medição da dureza Vickers do metal de solda. ....................................... 38 Figura 22- Micrografias para os Metais de Solda com25 % de CO2 e energias impostas na soldagem de 2,1 (a), 1,6 (b) e 1,3 kJ/mm (c), respectivamente. ................................................ 40 Figura 23- Micrografias para os Metais de Solda com 15% de CO2 e energias impostas na soldagem de 2,1 (a), 1,6 (b) e 1,3 kJ/mm (c), respectivamente. ................................................ 41 Figura 24- Micrografias para os Metais de Solda com 08% de CO2 e energias impostas na soldagem de 2,1 (a), 1,6 (b) e 1,3 kJ/mm (c), respectivamente. ................................................ 41 Figura 25- Porcentagem de ferrita acicular em função da proteção gasosa. ........................... 43 Figura 26- Porcentagem da ferrita acicular em função da energia imposta na soldagem. .... 44 Figura 27- Porcentagem de ferrita acicular em função da energia imposta na soldagem e da proteção gasosa. ................................................................................................................................ 45 Figura 28- Variação da dureza em função da Energia Imposta na Soldagem. ........................ 47 Figura 29- Variação da dureza em função da proteção gasosa. ................................................ 48 Figura 30- Aspectos das das fraturas dos CP’s obtidos no MEV, usado para a avaliação da tenacidade ao impacto do metal de solda. a=2,1kJ/mm e 25%CO2; b=1,6kJ/mm e 25%CO2; c=1,3kJ/mm e 25%CO2; d=2,1kJ/mm e 15%CO2; e=1,6kJ/mm e 15%CO2; f=1,3kJ/mm e 15%CO2; g=2,1kJ/mm e 08%CO2; h=1,6kJ/mm e 08%CO2; i=1,3kJ/mm e 08%CO2. ............ 49 Figura 31- Variação da Energia Absorvida no Impacto em função da Energia Imposta na Soldagem............................................................................................................................................. 51 Figura 32- Variação da Energia Absorvida no Impacto em função da Proteção Gasosa. ..... 51 Figura 33- Variação da Energia Absorvida no Impacto em função da Energia Imposta na Soldagem juntamente com a Variação da Proteção Gasosa...................................................... 53 8 Figura 34- Micrografias da ZTA dos CP's aço API 5L X70- Energia de Soldagem a) 2,1 KJ/mm b) 1,6KJ/mm e c) 1,3KJ/mm................................................................................................ 54 Figura 35- Perfil de Microdureza do último passe de enchimento para os CP's de aço API 5L X70 em função da Energia na Soldagem. ...................................................................................... 55 9 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Resultado de alguns elementos contidos no metal de base aço API 5L X70. ...... 25 Tabela 2 - Proporções dos Gases de Proteção utilizados na soldagem ................................... 26 Tabela 3 - Propriedades Químicas e Mecânica do Arame Tubular E81T1-Ni1C .................... 27 Tabela 4 - Parâmetros encontrados para a soldagem dos CP's desse trabalho. .................... 30 Tabela 5 - Parâmetros utilizados para os CP's de aço API 5L X70. .......................................... 31 Tabela 6 - Parâmetros utilizados para os CP's de aço ABNT 1020........................................... 31 Tabela 7 - Porcentagem de Ferrita Acicular encontrada para cada CP de acordo com os parâmetros utilizados na soldagem. ................................................................................................ 40 Tabela 8 –Resultados obtidos a partir do software MINITAB, versão 6, para verificar a influencia dos parâmetros obsevados. DF=Graus de Liberdade; SS=Soma dos Quadrados; MS=Média dos Quadrados; F=Frequência Observada; P= nível de significância, R²=Medida de Ajustamento do Modelo. .............................................................................................................. 42 Tabela 9 - Valores de dureza para cada amostra do metal de solda. ....................................... 45 Tabela 10 - Resultados obtidos a partir do software MINITAB, versão 6, para verificar a influencia dos parâmetros observados. DF=Graus de Liberdade; SS=Soma dos Quadrados; MS=Média dos Quadrados; F=Frequência Observada; P= nível de significância, R²=Medida de Ajustamento do Modelo. .............................................................................................................. 46 Tabela 11 - Resultados obtidos após o ensaio de impacto para cada amostra do metal de solda de acordo com as variáveis de soldagem. .......................................................................... 48 Tabela 12 - Resultados obtidos a partir do software MINITAB, versão 6, para verificar a influencia dos parâmetros obsevados. DF=Graus de Liberdade; SS=Soma dos Quadrados; MS=Média dos Quadrados; F=Frequência Observada; P= nível de significância, R²=Medida de Ajustamento do Modelo. .............................................................................................................. 50 Tabela 14 - Valores do Ensaio de Impacto em função da Energia Imposta na Soldagem para a ZTA do aço API 5LX70................................................................................................................... 55 10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas API American Petroleum Institute ARBL Alta Resistência e Baixa Liga ASTM American Society for Testing and Materials AWS American Welding Society CCC Cúbica de Corpo Centrado CEq Carbono Equivalente FA Ferrita Acicular FCAW Flux Cored Arc Welding HV Microdureza Vickers IFES Instituto Federal do Espírito Santo MAG Metal Active Gas MB Metal de Base MIG Metal Inert Gas UFES Universidade Federal do Espírito Santo ZF Zona Fundida ZTA Zona Termicamente Afetada 11 SUMARIO 1. INTRODUÇÃO .......................................................................................... 13 2. OBJETIVOS .............................................................................................. 15 3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..................................................................... 16 3.1 Soldabilidade ..................................................................................... 16 3.2 Soldagem Arame Tubular ................................................................. 17 3.3 Ferrita Acicular .................................................................................. 21 3.4 Início e Evolução dos Aços API ....................................................... 22 4. MATERIAIS E METODOS......................................................................... 24 4.1. Materiais............................................................................................. 24 4.1.1 Material de Base.............................................................................. 24 4.1.2 Proteção Gasosa e Definição do Metal de Solda ......................... 26 4.1.3 Equipamentos Utilizados ............................................................... 27 4.1.4 Corpos de Prova ............................................................................. 28 4.2. Parâmetros Utilizados Na Soldagem ............................................... 30 4.3. Soldagem dos corpos-de-prova....................................................... 31 4.4. Preparação das Amostras ................................................................ 32 4.5. Tratamento Estatístico dos Resultados .......................................... 38 5. Resultados e Discussões........................................................................ 39 5.1. Avaliação do Metal de Solda ............................................................ 39 5.1.1 Variação Microestrutural do Metal de Solda................................. 39 5.1.1.1 Tratamento Estatístico dos Resultados de Ferrita ................... 42 Acicular..................................................................................................... 42 5.1.2 Ensaio de Dureza ............................................................................ 45 5.1.2.1 Tratamento estatístico do Resultado de Dureza no Metal ....... 46 5.1.3.1 Tratamento Estatístico dos Resultados de Energia Absorvida no Impacto do Metal de Solda ......................................................................... 50 5.2. Avaliação do Metal de Base ............................................................. 53 5.2.1 Influência da Variação da Energia de Soldagem na ZTA do .......... 53 5.2.2 Ensaio de Microdureza da ZTA ......................................................... 54 5.2.3 Ensaio de Impacto Charpy na ZTA ................................................... 55 6. Conclusões .............................................................................................. 56 12 Referências Bibliográficas..............................................................................57 13 1. INTRODUÇÃO O transporte de óleo e gás tem aumentado a procura por materiais que garantam uma maior confiabilidade, principalmente em relação à resistência mecânica. Essa demanda levou ao uso de aços de alta resistência e baixa liga (ARBL), classificados na indústria de petróleo e gás através da norma API 5L (API - “American Petroleum Institute”). Dentre as propriedades mecânicas que motivam a utilização desses aços, os principais são: a tenacidade, inclusive às altas temperaturas; boa soldabilidade e boa resistência mecânica da liga. Devido às boas propriedades mecânicas dos aços ARBL permite-se a fabricação de dutos que sejam utilizados em condições severas as quais alguns materiais da indústria do petróleo estão submetidos [1, 2]. Os aços de classe API 5L X60 – X100, em particular, são especificamente adequados à construção de tubulações e dutos empregados na indústria de petróleo e petroquímica. Essa classe de aços apresenta limite de escoamento na faixa de 400 a 700 MPa e possui estrutura metalúrgica refinada devido a adição de microligantes como Nb, V e Ti e o tipo de processamento[3, 4]. Dutos para aplicação offshore, soldados tanto em terra como em alto mar, estão submetidos a carregamentos dinâmicos que resultam em contração e expansão, há também preocupação de exposição do material a meios quimicamente agressivos, principalmente nas soldas circunferenciais dos dutos para uso em águas profundas [5]. Logo, necessita-se de soldas com características mecânicas compatíveis com as solicitações mecânicas desses ambientes. Cada vez mais se necessita que tais juntas soldadas mantenham as características específicas, mas também que a produção dos mesmos se dê em menor tempo possível, haja vista a grande demanda para tais dutos. Assim, cada vez mais é buscada a utilização de processos de alta produtividade para o atendimento a tais demandas. Entram em cena os processos com alimentação contínua, o que nos últimos anos ganharam uma fatia considerável no mercado produtor. Dentre eles citam-se o processo MIG/MAG e o Flux Cored Arc Welding – FCAW (arame tubular). A soldagem utilizando o arame tubular (FCAW) possui uma diferença em relação aos demais processos, como o MIG MAG, no que diz respeito às condições metalúrgicas finais do metal de solda, pois o fluxo interno do arame 14 permite que o mesmo possa formar microconstituintes que são resultado da formação de óxidos dada pela união do oxigênio presente na proteção gasosa com os elementos de liga do fluxo do arame. Essa versatilidade faz com que a soldagem com arame tubular venha sendo utilizada cada vez mais [6]. Sendo assim, o trabalho em questão vem avaliar as características microestruturais e mecânicas do depósito em aços API 5L X70, quando submetido à soldagem com arame tubular comercial E81T1-Ni1C do tipo metal cored, variando para tanto a energia de soldagem e o tipo de proteção gasosa. 15 2. OBJETIVOS O presente trabalho tem por finalidade avaliar as características mecânicas e metalúrgicas das chapas API 5L X70 soldadas com arame E81T1-Ni1C pelo processo FCAW com variação energética e de gás de proteção, onde se deseja encontrar uma melhor condição em relação a propriedades mecânicas dentro dos parâmetros utilizados. 16 3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 3.1 Soldabilidade Pode ser considerada como quão uma solda pode ser efetuada de forma a se obter a menor incidência de defeitos (trincas, por exemplo), boa propriedades mecânica e ainda resistência a degradação em serviço (danos por corrosão, por exemplo) [8]. Soldabilidade não é um parâmetro fixo para um dado material, mas dependerá dos detalhes das juntas, dos requerimentos em serviço, dos processos de soldagem e das facilidades disponíveis [13]. No processo de soldagem é importante que a junta soldada (metal de solda e a zona termicamente afetada pelo calor) possua propriedades mecânicas similares ao do metal base. Sendo a resistência e tenacidade a fratura duas das mais importantes. Por se tratar de uma região crítica, pode-se perder o equilíbrio entre resistência e tenacidade deve-se ter um maior cuidado com a zona termicamente afetada (ZTA). Com relação à baixa resistência deve-se controlar os teores de Nióbio (Nb) e vanádio (V), que não devem estar acima de 0,02% e 0,012% respectivamente. Como forma de se aumentar a resistência pode-se adicionar Ti, porém se não for feito corretamente, partículas grosseiras contendo Ti podem produzir iniciação de trincas [9,10]. A soldabilidade é dependente da composição química do aço e pode ser analisada quantitativamente em termos do carbono equivalente (Ceq), conforme as equações 1 e 2. Quanto maior o carbono equivalente, menor a soldabilidade do aço [10]. A norma API 5L[7] recomenda que o Ceq seja calculado pela equação 1, para teores de carbono acima de 0,12%, e pela equação2, para teores de carbono até 0,12%. 17 3.2 Soldagem Arame Tubular A soldagem arame tubular (Flux - Cored Arc Welding) processo de soldagem que uni as vantagens do MIG/MAG e do eletrodo revestido, possuindo assim como características principais, alto fator de trabalho do soldador, alta taxa de deposição, alto rendimento, alta versatilidade possibilidade de ajustes de composição química do metal de solda e facilidade de operação em campo [6]. Pela figura 1 abaixo podemos visualizar os principais equipamentos da soldagem de arame tubular, onde é notável a semelhança com o processo MIG/MAG. Figura 1-Equipamento básico para soldagem com arame tubular [11]. O processo de soldagem por arame tubular pode ser dividido em dois grupos: soldagem FCAW com proteção gasosa e soldagem FCAW com arame autoprotegido. Na soldagem FCAW com proteção gasosa têm-se ainda que o fluxo interno do arame pode ser metálico (metal cored) ou não metálico (flux cored), onde este fluxo possui funções desoxidante, formador de escória. Introdutor de elementos de liga e estabilização do arco. 18 Na soldagem FCAW com arame autoprotegido (self shielded) não é necessário a utilização de um gás proveniente de um cilindro para a proteção da atmosfera de solda, uma vez que os próprios ingredientes do arame desenvolvem esta função. Na figura 2 podemos observar as diferenças entre FCAW com proteção gasosa e arame autoprotegido. (a) (b) Figura 2- Soldaegem FCAW (a) Com proteção gasosa e (b) Com arame autoprotegido [7]. Podemos citar como gases utilizados para proteção na soldagem FCAW o CO2 (gás carbônico), Ar (argônio), He (Hélio), O2 (oxigênio). Dentre estes podemos destacar o CO2 (gás carbônico) e o Ar (argônio), que são muito utilizados numa mistura de 75% de Argônio e 25% de Oxigênio, uma vez que esta configuração confere propriedades mecânicas como alto limite de escoamento e resistência a tração. O tipo de gás ou mistura de gases es utilizado vai depender dos requisitos necessários para o metal de solda aliado com baixo custo [7]. Atualmente a soldagem FCAW vem sendo utilizada na indústria petroquímica, de geração de energia, uma vez que possui como características alta qualidade qualida de solda, baixo custo, além da possibilidade de se soldar aço de baixo carbono, inoxidáveis, os temperados, temperados os estruturais resistentes à corrosão, que são materiais importantes para esses segmentos de indústria [7]. 19 3.2.1 Fluxo de Calor Uma vez que na realização de soldagem por fusão a temperatura na poça de fusão varia de valores entre 2000 e 20.000 °C, sendo muitas vezes esse calor aplicado de forma concentrada em pequenas regiões se faz necessário a avaliação do fluxo de calor e de energia ao material uma vez que há alterações de microestrutura e de propriedades [6]. O fluxo de calor numa peça soldada pode ser dividido em duas etapas: fornecimento de calor a peça e dissipação de calor na mesma [6]. Desconsiderando a influência dos gases de proteção na energia de soldagem, temos que de uma forma geral para o processo de arco elétrico, a primeira etapa de fluxo de calor, fornecimento de calor a peça, pode ser definida como a quantidade de energia fornecida à peça pela seguinte formula: Onde E é a energia de soldagem (J/mm), η é eficiência térmica do processo, V e a tensão no arco(v), I é a corrente de soldagem (A), e v é a velocidade de soldagem (mm/s). A segunda etapa de fluxo de calor se dá pela dissipação que ocorre em sua grande parte pela condução. Cada ponto do material próximo a poça de fusão experimentará uma diferente variação de temperatura, que pode ser representado pela curva chamada de “ciclo térmico de soldagem”. Figura 3- Representação esquemática do ciclo térmico na soldagem em um só passe [6]. 20 De uma forma simplificada temos os seguintes pontos: • Temperatura de pico (Tp): temperatura máxima atingida, relacionada com as variações de microestrutura. Tp diminui com a distância ao centro da solda. • Tempo de permanência (tc) acima de uma temperatura crítica: tempo em que o ponto do material fica submetido a uma temperatura superior a temperatura crítica para ocorrer uma alteração microestrutural ou de propriedades significativas do material. • Velocidade de resfriamento (Φ): determinada pela inclinação de um determinado ponto na cura de “ciclo térmico de soldagem”. 3.2.2 Soldagem Com Gás de Proteção O uso de gases de proteção tem como objetivo proteger o metal de solda de oxidação e inclusões, que podem acarretar como fatores negativos como: problemas à resistência na junta soldada, fragilização da solda, inclusões, trincas a frio e porosidades. Assim os gases de proteção tendem a eliminar o contato do metal de solda com o ar atmosférico. Há a necessidade de se fazer isso uma vez que quando os metais são aquecidos até a fusão tendem a formar fortemente óxidos e, em menor extensão, nitretos, resultando em soldas deficientes, com retenção de escória, porosidade e conseqüente fragilização no cordão de solda, assim deve-se proteger a poça de fusão do oxigênio e do nitrogênio [12]. 21 3.3 Ferrita Acicular A ferrita acicular (FA) é uma microestrutura desejável nos cordões de solda por proporcionar boa resistência mecânica, sendo seu desenvolvimento facilitado por fatores como elementos de liga, gradiente de calor e teor de oxigênio no metal de solda [14,15]. Figura 4 -4Ferrita acicular nono metal dede solda feita com oo MEV [15]. Figura Ferrita acicular metal solda feita com MEV [15]. Sua formação ocorre no interior do grão austenítico a partir de inclusões do metal de solda [15]. O processo de formação de ferrita acicular é similar ao da bainita, podemos associar a diferença de microestrutura ao gradiente térmico, uma vez que com um maior gradiente térmico o grão austenítico aumenta o que facilita a nucleação intragranular o que leva a uma microestrutura consistindo em sua maior parte de ferrita acicular, enquanto que menores gradientes facilitam a nucleação de contorno e grão favorecendo a formação de bainita [15]. Apesar da contestação de algumas inclusões não-metálicas devido a difícil identificação da fase específica responsável pela nucleação da ferrita acicular, 22 podemos citar inclusões associadas à nucleação de ferrita acicular as seguintes : óxido de titânio e silicatos de manganês[15,16]. 3.4 Início e Evolução dos Aços API O inicio da produção dos aços da classe API ocorreu em 1959 quando foi desenvolvido o API X56, primeiro aço microligado utilizado para dutos que possuía como principais elementos de liga na sua composição, o Carbono e o Manganês e como característica, restrita Soldabilidade e baixa resistência à fratura [17]. Pode-se destacar como importante característica para a intensificação do desenvolvimento e utilização dos aços ARBL, o fato de que ao se produzir tubo com melhores propriedades mecânicas permitiu-se selecionar menores espessuras de paredes, o que leva a uma redução de custos na construção de oleodutos e gasodutos, isso sem ter a necessidade de se reduzir a pressão de trabalho. A menor espessura da parede dos tubos leva a redução de peso e da quantidade de solda depositada em cada junta [17]. Para atender a alta demanda, devido ao desenvolvimento da indústria de prospecção e beneficiamento do petróleo, foi necessário desenvolver os processos de produção de tais aços. Na figura 5 pode se observar a evolução nos processos de laminação e o resfriamento acelerado da chapa. Da década de 60 para 70, o processo de laminação convencional seguida de tratamento térmico de normalização evolui para laminação termomecânica controlada, o que permitiu refinamento dos grãos a menores temperaturas o que viabilizou a produção conforme a norma API 5L para o grau X70, com isso conferiu-se a estes materiais uma maior limite de escoamento (refinamento dos grãos), acompanhado de uma diminuição gradual do carbono (visando aumentar a soldabilidade e tenacidade do material). Para compensar a perda de resistência com a redução do carbono, faz-se necessária a adição de nióbio e vanádio [17]. Na década de 80 foi combinado o resfriamento controlado (accelerated cooling), com a laminação termomecânica, permitindo-se a produção de chapas conforme norma API 5L para o grau X80. Posteriormente, no final da década de 90 ocorreu à adição 23 de elementos de liga como molibidênio, cobre, níquel, cromo e/ou boro que associados a aplicação icação de esfriamento acelerado, eventualmente com tempera após a laminação a quente, foi possível a produção conforme a norma API 5L para o grau X100 e X120 [17,18]. Figura 5- Evolução dos aços para fabricação dos tubos de grande diâmetro [19]. Na figura 6 pode-se observar a evolução das miscroestruturas miscroe turas de acordo com a forma como os aços API foram sendo produzidos. Têm-se Têm se um microestrura típica de ferrita-perlita perlita com grãos grandes gr no aço API X60 na figura 6.a. Na figura 6.b 6 temos a microestrutura do aço API X70 que se apresenta mais refinada e com tamanho de grão ferrítico menor, até se alcançar uma microestutura mais uniforme e mais fina caracteristíca do aço API X80 [20]. 24 Figura 6- Micrografia características de três aços API, mostrando a evolução [20]. 4. MATERIAIS E METODOS 4.1. Materiais 4.1.1 Material de Base Foi utilizado como metal de base nesse trabalho o aço API 5L X70 que foi doado pela Petrobrás, figura 7, retirado de um pedaço de tubulação com solda longitudinal por arco submerso. Figura 7- Tubo doado pela Petrobrás Para comprovar se o material atendia as especificações da norma API 5L foram realizados ensaios. Inicialmente avaliou-se sua composição química no Espectrômetro de Emissão Óptica Foundry Master Pro no laboratório de metalurgia do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), onde se obteve o seguinte resultado: 25 Tabela 1 - Resultado de alguns elementos contidos no metal de base aço API 5L X70. Grau API %C máx. Norma X70 API 0,26 Medido no %Mn máx. Norma API Espectômetro 0,13 Medido no Espectômetro 1,65 1,64 %Ti máx. Norma Medido no API Espectômetro 0,06 0,02 Posteriormente foi realizada uma micrografia no laboratório com o auxílio do microscópio óptico OLYMPUSBX60M no Laboratório de Tribologia Corrosão e Materiais (TRICORRMAT) da UFES, onde foi verificado que o material de base possuía uma estrutura refinada obtida pela laminação controlada tendo uma estrutura ferrítica-perlítica conforme podemos observar na figura 8. No mesmo laboratório foi avaliado a microdureza do metal de base de acordo com a norma ASTM E384, com o microdurômetro PANTEC HXD – 100TM (figura 9), utilizando uma carga de 300 gramas para um tempo de aplicação de 20 segundos. As medidas foram feitas na face do tubo com um espaçamento mínimo de 0,5 mm, este resultado foi usado posteriormente para verificar a influência da variação da energia mecânica nessa propriedade mecânica. Figura 8- Metalografia do aço API 5L X70- aumneto de 500x. 26 Figura 9- Microdurômetro Pantech HXD-100TM. 4.1.2 Proteção Gasosa e Definição do Metal de Solda A proteção gasosa foi feita pela mistura de Ar + CO2 em diferentes proporções. Tabela 2 - Proporções dos Gases de Proteção utilizados na soldagem Proteções Gasosas Utilizadas Mistura 1 75% Ar + 25% CO2 Mistura 2 85% Ar + 15% CO2 Mistura 3 92% Ar + 08% CO2 Embora, comercialmente, o eletrodo E81T1-Ni1C seja utilizado com uma proteção gasosa contendo apenas CO2, a literatura [6], afirma que a mistura Ar + CO2, aumente a tenacidade da zona fundida. Assim, variou-se a composição destes gases de proteção, buscando o efeito dessa variação na tenacidade. 27 Escolhe-se o eletrodo de soldagem com base no limite de resistência do metal de base. Dessa forma o eletrodo deve produzir uma zona fundida com limite de resistência superior ao do metal de base. Uma vez que o aço API 5L X70 possui um limite de resistência de 70 ksi o consumível escolhido foi E81T1-Ni1C, que possui um limite de resistência de 80 ksi. A composição e limite de resistência a tração do consumível E81T1-Ni1C podem ser observada na tabela 3, dada pelo fornecedor. Tabela 3 - Propriedades Químicas e Mecânica do Arame Tubular E81T1-Ni1C Análise Química (%) C Si Mn P S Cr Ni Mo V 0,032 0,540 1,080 0,012 0,012 0,096 0,860 0,011 0,020 Limite de Resistência a Tração (MPa) = 580 4.1.3 Equipamentos Utilizados O processo de soldagem das chapas foi realizado no Laboratório de Soldagem da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Onde se utilizou a fonte de soldagem multiprocesso da marca IMC, modelo Inversal 450 como pode ser observado na figura 10.a um cabeçote alimentador de arame e um controle remoto para ativação da alimentação de arame. Com o intuito de simular um tecimento de soldagem real foi utilizado um sistema de movimentação automática (x,y) que permitia a translação da tocha de soldagem, da marca SPS, modelo Tartílope V2, conforme mostrado na figura 10.b. Para a proteção gasosa foram utilizados cilindros de gás de proteção da marca Airliquide. Utilizou-se um porta amostras conforme mostrado na figura 11 para evitar possíveis deformações durante a inserção de calor e resfriamento que pudessem dificultar análises posteriores das amostras. 28 Figura 10- a) Fonte IMC Inversal 450 e b) Tartílope SPS V2 Figura 11- Porta amostra com a peça fixada. 4.1.4 Corpos de Prova Foram utilizados dois tipos de corpos de prova o aço ABNT 1020 e o aço API 5L X70. 29 Com o intuito de avaliar a zona fundida, foram soldadas juntas de aço ABNT 1020. As razões para sua utilização se devem ao fato de ser economicamente mais viável para o estudo e também porque a sua composição química não causar interferência nas propriedades mecânicas e metalúrgicas da zona fundida. Os corpos-de-prova para este aço foram preparados no laboratório de usinagem do Instituto federal do Espírito Santo (IFES), onde foram retirados de chapas planas pelo processo de oxicorte e usinadas posteriormente, para a retirada da região afetada pelo calor. Os corpos de prova do aço API 5L X70 foram utilizados para se estudar a influência do processo de soldagem nas propriedades mecânicas e microestruturais do metal de base, sobretudo na região da ZTA. Os corpos-de-prova deste aço foram retirados de um tubo já utilizado, com diâmetro de 20’’ polegadas, no IFES Campus Vitória, onde no laboratório de usinagem do mesmo campus, foi feito um corte no sentido longitudinal com um maçarico de oxicorte para a retirada de placas do material. Posteriormente esses corpos-de-prova foram usinados no laboratório de usinagem da UFES para padronização dos mesmos em 170mm x 80mm x 15mm, conforme podemos observar na figura 12. Figura 12- Foto da usinagem e de uma peça pronta do aço API 5L X70. Os chanfros foram usinados conforme a figura 13. 30 Figura 13- Dimensional da junta soldada com chanfro em ''V''. 4.2. Parâmetros utilizados na soldagem Foram realizados pré-testes em corpos de prova do aço ABNT 1020 com o intuito de escolher parâmetros que proporcionassem a junta soldada uma raiz de solda com estanquiedade e homogeneidade adequada. Utilizou-se o aço ABNT 1020 devido a sua viabilidade econômica, uma vez que o processo de soldagem é um processo empírico. Depois das vários testes de soldagens chegou-se aos parâmetros da tabela 4, foi utilizado o mesmo parâmetro para o passe de raiz para todos os corpos-de-prova uma vez que esse nível de energia foi o que proporcionou estanqueidade e homogeneidade adequados. Tabela 4 - Parâmetros encontrados para a soldagem dos CP's desse trabalho. Passes Raiz (todos os cp’s) Enchimento (CP1, 4, 7 e 10) - 2 passes Enchimento (CP2, 5, 8 e 11) - 2 passes Enchimento (CP3, 6, 9 e 12) - 3 passes Tensão (V) Velocidade do Arame (m/min) Velocidade de Soldagem (cm/min) DBCP (mm) Abertura de raiz (mm) Fluxo de gás (l/min) 25 5,5 15 10 5 15 25 5,5 15 10 5 15 25 5,5 20 10 5 15 25 5,5 25 10 5 15 31 4.3. Soldagem dos corpos-de-prova Inicialmente as peças foram fixadas na porta-amostra, conforme a figura 11, para evitar possíveis deformações durante o processo de soldagem e também para tentar simular a restrição que existe na estrutura da tubulação. Foram soldados três corpos de prova (CP’s 1 a 3) do aço API 5L X70, para o qual se pretendia avaliar a influência dos parâmetros de soldagem na ZTA. Para o aço ABNT para o qual se pretendia avaliar a influência dos parâmetros de soldagem na zona fundida, foram soldados nove corpos de prova (CP’s 4 a 12). Para a limpeza entre os passes foi utilizada uma lixadeira manual com escova de aço. Percebe-se que a variação da velocidade de soldagem ocorreu apenas nos passes de enchimento e acarretou na variação da energia imposta na soldagem. Para proteção gasosa foram utilizadas combinações de Ar + CO2, conforme citado na tabela 2. Nas tabelas 5 e 6 pode-se visualizar os parâmetros utilizados para cada corpo - deprova. Tabela 5 - Parâmetros utilizados para os CP's de aço API 5L X70. Corpos de Prova de Aço API 5L X70 CP 01 CP 02 CP 03 Tipo de Gás 75%Ar + 25% CO2 Velocidade de Soldagem nos passes de enchimento (cm/min) 15 20 25 Energia de Soldagem (KJ/mm) 2,1 1,6 1,3 Tabela 6 - Parâmetros utilizados para os CP's de aço ABNT 1020. Corpos de Prova de Aço ABNT 1020 CP 04 CP 05 CP 06 CP 07 CP 08 CP 09 CP 10 CP 11 CP 12 Tipo de Gás 75%Ar + 25% CO2 85%Ar + 15% CO2 92%Ar + 08% CO2 Velocidade de Soldagem nos passes de enchimento (cm/min) 15 20 25 15 20 25 15 20 25 Energia de Soldagem (KJ/mm) 2,1 1,6 1,3 2,1 1,6 1,3 2,1 1,6 1,3 32 4.4. Preparação das Amostras Após a soldagem foram preparadas amostras para o ensaio de impacto de Charpy, ensaio de microdureza e a realização de micrografias. A preparação dessas amostras para os ensaios anteriormente citado incluiu o lixamento e polimento destas, no equipamento STRUERS DP-10 figura 14 situado no TRICORRMAT laboratório de Tribologia Corrosão e Materiais da UFES. Figura 14 - Politriz STRUERDS DP-50. 4.4.1 Ensaio de Impacto Charpy Foram preparados para este ensaio um total de 60 corpos de prova, sendo 15 do aço API 5l X70 (figura 15 b), onde se valiou a tenacidade na ZTA e 45 do aço ABNT 1020 (figura 15 a), onde se avaliou a energia absorvida durante o impacto no metal de solda. Para isto inicialmente foi localizado a zona fundida através de uma macrografia, onde as amostras sofreram um ataque químico numa solução de nital 10% por cerca de 15 segundos. Na figura 15 podemos visualizar as dimensões dos corpos-de-prova. 33 Figura 15- Amostra para o ensaio de impacto Charpy.. O ensaio de impacto de Charpy seguiu a norma ASTM E23-01.. Os corpos-de-prova corpos foram ensaiados no Laboratório de Testes Mecânicos da Arcelor Mittal Tubarão, na Serra-ES, por um técnico responsável utilizando a máquina da marca AMSLER RKP 450 a -20°C, 20°C, onde os valores máximos e mínimos obtidos para a condição soldada foram eliminados de acordo com a norma ASTM E23-07ael. 4.4.1 Avaliação Microestrutural Em função das características da junta soldada com o metal de base aço API 5L X70 especificamente na ZTA, foi necessário o procedimento de embutimento das amostras em resina a fim de facilitar a observação dessa região. Para tanto as amostras foram seccionadas utilizando o equipamento de corte LABOTOM-3 STRUERS no laboratório de Tribologia Corrosão e Materiais da UFES. Em seguida as amostras do aço API 5L X70 foram embutidas com baquelite na embutidora AROTEC PRE 30Mi, figura 16, onde cada amostra levou um tempo aproximado de 18 minutos entre a etapa de aquecimento e resfriamento. 34 Figura 16- Embutidora AROTEC PRE 30 Mi. Foram avaliadas 12 amostras no total, sendo 3 do aço API 5L X70 e 9 do aço ABNT 1020, isso foi feito para que se pudesse realizar o estudo relativo a influência da variação de energia e da proteção gasosa. Foi retirada uma amostra para cada parâmetro de soldagem conforme as Tabelas 5 e 6. Cada amostra teve sua superfície preparada para análise metalográfica nas etapas de lixamento, polimento e ataque químico. O lixamento foi realizado no equipamento STRUERS DP-10, começando pela lixa 80 indo até 800 mesh, com um tempo de lixamento aproximado de 30 minutos para cada amostra. Posteriormente cada amostra foi polida no mesmo equipamento com alumina de 1 µm, com um tempo aproximado de 5 minutos para cada amostra. Para realização das micrografias as amostras foram atacadas quimicamente com uma solução de nital 2% num temo entre 10 e 20 segundos. As micrografias foram realizadas com um microscópio óptico Nikon modelo Eclipse MA200, figura 17. 35 Figura 17- Nikon modelo Eclipse MA200. Para evitar que as amostras oxidassem cada amostra foi lixada, polida, ataca quimicamente e depois realizada micrografia. Nas amostras do aço ABNT 1020, foram realizadas diversas micrografias em 5 pontos compreendidos num retângulo de 2X3 mm, à uma distância de 1mm da superfície do último passe de enchimento, conforme esquema mostrado na figura 18. Para a análise da ZTA, para qual se utilizou as amostras do aço API 5L X70 foram feitas diversas micrografias na região compreendida num raio de 2mm tangente a zona fundida, onde se encontra a região do último passe de solda, para ver o tamanho de grão da ZTA, conforme figura 19. Para ambos os casos de aço as micrografias foram realizadas na região do último passe de enchimento, pois segundo a equação de Rosenthal, nas soldas de múltiplos passes, os passes anteriores sofrem pré-aquecimento, que é feito pelos passes subsequentes. Sendo assim o último passe é o único passe que não sofreu nenhum tipo de alteração microestrutural. 36 Figura 18- Locais das micrografias feitas no último passe do metal de solda aço ABNT 1020. Figura 19- Locais das micrografias da amostra de aço API 5L X70. 37 4.4.2 Análise da Ferrita Acicular Foi utilizada uma grade de 400 pontos feita em AutoCAD para se realizar a contagem de FA no metal de solda, conforme mostrado na figura 20, o circulo mostra a ferrita primária, enquanto o símbolo da cruz sinaliza a ferrita acicular. FA FA FA FA Figura 20- Grade utilizada na contagem da FA sobre micrografia do metal de solda 4.4.3 Ensaio de Dureza Este ensaio teve como objetivo avaliar a resistência do metal de solda à deformação plástica permanente à temperatura ambiente. Inicialmente as amostras do aço ABNT 1020 foram lixados, polidos e atacados quimicamente com nital 10 % para que a região do metal de solda fosse revelada. O procedimento para o ensaio seguiu a norma ASTM E10-93. Para tal ensaio, foi empregada a técnica Brinell com uma carga de 187,5 kgf com uma esfera de 2,5 mm de diâmetro e um tempo de duração da carga de 15 segundos (HBw 2,5/187,5). Foram feitas 3 medições na região transversal do metal de solda a cerca de 1,5mm abaixo da superfície do reforço, conforme figura 21. 38 Figura 21- Locais de medição da dureza Vickers do metal de solda. 4.4.4 Ensaio de Microdureza Este ensaio foi realizado na região da ZTA do aço API 5L X70 e teve como objetivo avaliar a influência da variação dos parâmetros de soldagem nessa propriedade mecânica no metal de base. O local de medição foi à região adjacente ao último passe de solda conforme nforme pode ser observado na figura 19 segui guiu-se a norma ASTM E384-99 e utilizou-se se o microdurômetro PANTEC HXD – 100TM.. A carga utilizada foi de 300 gramas (HV 0,3), o tempo de aplicação de 20 segundos, o espaçamento longitudinal linear médio entre impressões impressões de 0,25 mm, seguindo o sentido metal de solda até o metal de base e as impressões foram feitas até que o valor encontrado fosse próximo à valores que diz respeito à microdureza do aço API 5LX70. 4.5. Tratamento Estatístico dos Resultados realizou se um estudo estatísco por Para auxiliar a avaliação dos resultados obtidos realizou-se análise de variância. Foi utilizado o nível de significância α=5,0% (índice utilizado na 39 comunidade acadêmica), para avaliar a influência dos parâmetros de soldagem na dureza, quantidade de ferrita acicular e energia absorvida no impacto do metal de solda. 5. Resultados e Discussões Este capítulo tem como objetivo avaliar, através dos resultados obtidos nos ensaios, a influência da variação de energia de soldagem e variação da proteção gasosa na dureza, na microestrutura, na quantidade de ferrita acicular e na energia absorvida no impacto do metal de solda. 5.1. Avaliação da zona fundida 5.1.1 Variação Microestrutural do Metal de Solda Avaliou-se a relação de quantidade de FA com as variações de energia e de proteção gasosa utilizados na soldagem. A presença de FA já era esperada, uma vez que nesse trabalho utilizou-se parâmetros próximos ao utilizado no trabalho de Ventrella [22], que também soldou aço API X70 com o mesmo arame tubular e encontrou uma quantidade significativa desse microconstituinte. Pode-se associar a formação de FA ao fato do eletrodo possuir na sua composição interna elementos de liga. Na tabela 7 pode-se observar uma variação da quantidade de ferrita acicular, que além da influência dos parâmetros pode ser associado aos erros na medição do operador. 40 Tabela 7 - Porcentagem de Ferrita Acicular encontrada para cada CP de acordo com os parâmetros utilizados na soldagem. Proteção Gasosa 75%Ar + 25% CO2 85%Ar + 15% CO2 92%Ar + 08% CO2 Energia Imposta na Ferrita Soldagem (KJ/mm) Acicular (%) 2,1 80% ± 0,5 1,6 87% ± 0,6 1,3 86% ± 0,9 2,1 75% ± 0,7 1,6 75% ± 0,3 1,3 87% ± 0,9 2,1 69% ± 0,5 1,6 79% ± 0,1 1,3 88% ± 0,4 É possível visualizar nas figuras 22, 23 e 24 abaixo as micrografias para os corpos de prova, onde a ferrita acicular é assinalada com uma cruz. Figura 22- Micrografias para os Metais de Solda com25 % de CO2 e energias impostas na soldagem de 2,1 (a), 1,6 (b) e 1,3 kJ/mm (c), respectivamente. 41 Figura 23- Micrografias para os Metais de Solda com 15% de CO2 e energias impostas na soldagem de 2,1 (a), 1,6 (b) e 1,3 kJ/mm (c), respectivamente. Figura 24- Micrografias para os Metais de Solda com 08% de CO2 e energias impostas na soldagem de 2,1 (a), 1,6 (b) e 1,3 kJ/mm (c), respectivamente. respec Comparando os dados da tabela 7 e as micrografias contidas nas figuras 22, 23 e 24 pode-se observar que para as condições de menor energia as microestruturas são mais refinadas e apresentam um maior percentual de ferrita acicular. Segundo Badeshia [15],, a formação de ferrita acicular é favorecida pelas altas taxas de resfriamento, pois nas temperaturas mais baixas é demasiado lento para a formação form de outros microconstituintes no interior do grão. A proteção gasosa com maior teor de CO2 resultou numa maior porcentagem de ferrita acicular. Isso pode ser devido ao fato de que o arame utilizado possui elementos de liga que, com a dissociação do CO2, formam óxidos que são pontos de início para a formação dessa microestrutura [14,15,16]. Em relação ao tamanho de grão houve um maior crescimento destes para os maiores valores de energia de soldagem. O tamanho dos grãos também sofreu influência ncia da quantidade de CO2. Para a condição de menor energia as amostras soldadas com maiores teores deste e gás de proteção apresentaram grãos mais grosseiros. Isto sto se deve ao fato de que misturas ricas deste gás provocar um efeito similar ao de um aumento de energia, energia influenciando assim a taxa de resfriamento e por sua vez o tamanho de grão, grão pois o CO2 tem uma maior capacidade de transferência de calor [6]. ]. 42 5.1.1.1 Tratamento Estatístico dos Resultados de Ferrita Acicular Na tabela 8 pode-se observar os dados estatísticos da quantidade de ferrita acicular devido à influência da energia de soldagem e da proteção gasosa. Temos que os valores de P(quando <0,05) asseguram a influencia de todas as variáveis sobre a quantidade FA. Tabela 8 –Resultados obtidos para verificar a influencia dos parâmetros obsevados. DF=Graus de Liberdade; SS=Soma dos Quadrados; MS=Média dos Quadrados; F=Frequência Observada; P= nível de significância, R²=Medida de Ajustamento do Modelo. Fonte Constante Proteção Gasosa Energia de Soldagem Proteção Gasosa x Energia de Soldagem DF 8 2 SS MS F 0,114398 0,0142997 401,135 0,020012 0,0100058 280,682 P 0,000 0,000 2 0,070062 0,0350308 982,682 0,000 4 0,024325 0,0060811 170,588 0,000 R² = 99% Através dos gráficos das figuras 25 e 26 plotados, pode-se observar que se confirma as considerações feitas no item anterior em relação à proteção gasosa e energia de soldagem e os dados da tabela 7. Conforme citado anteriormente, em relação ao CO2, pela figura 25 abaixo pode-se verificar que uma maior quantidade deste gás promove uma maior formação de óxido e por conseguinte uma maior formação de óxidos que leva a formação de ferrita acicular. 43 86% 85% 84% Ferrita Acicular (%) 83% 82% 81% 80% 79% 78% 77% 25% CO 2 15% CO2 08% CO 2 Proteção Gasosa Figura 25- Porcentagem de ferrita acicular em função da proteção gasosa. Pela figura 26 pode-se observar a influência da energia de soldagem na formação de ferrita acicular. Segundo Bhadeshia [15] o fluxo de calor interfere na formação da FA, pela figura 26 tem-se a princípio que com a diminuição da energia de soldagem ocorre um aumento da quantidade de ferrita acicular, isto é resultado da taxa de resfriamento, pois nas temperaturas mais baixas é demasiado lento para a formação de ferrita de Widmanstatten no interior do grão. 44 90% 88% 86% Ferrita Acicular (%) 84% 82% 80% 78% 76% 74% 72% 2,1 kJ/mm 1,6 kJ/mm 1,3 kJ/mm Energia Imposta na Soldagem (kJ/mm) Figura 26- Porcentagem da ferrita acicular em função da energia imposta na soldagem. Na figura 27 pode-se comparar o efeito em conjunto da variação da proteção gasosa e da energia de soldagem. Podemos observar que existe uma tendência de se ter maiores quantidade de ferrita acicular nos valores de energia de soldagem mais baixos. O gráfico mostra que nos valores de baixa energia de soldagem, não há diferença significativa da quantidade de ferrita acicular para as diferentes misturas de gases de proteção. No entanto com o valor de energia de 1,3 KJ/mm pode-se observar ligeiramente uma maior quantidade de ferrita acicular, o que pode ser devido às melhores relações de tamanho de grão versus quantidade de carbono, onde a formação de FA é favorecida pela difusão inicial do carbono e, nas condições com menor quantidade de CO2, não resta muito carbono para a formação de outros microconstituintes. 45 95% 25% CO2 15% CO2 08% CO2 90% Ferrita Acicular (%) 85% 80% 75% 70% 65% 2,1 kJ/mm 1,6 kJ/mm 1,3 kJ/mm Energia Imposta na Soldagem (kJ/mm) Figura 27- Porcentagem de ferrita acicular em função da energia imposta na soldagem e da proteção gasosa. 5.1.2 Ensaio de Dureza Pela tabela 9 pode-se observar que os maiores valores de dureza encontrados no metal de solda foram para os menores valores de energia de soldagem, isso pode ser explicado pelo fato que nessas condições tem-se taxas de resfriamentos maiores, que leva a rápidas transformações de fase o que favorece a formação de microconstituintes duros e frágeis. Tabela 9 - Valores de dureza para cada amostra do metal de solda. Proteção Gasosa 75%Ar + 25% CO2 85%Ar + 15% CO2 92%Ar + 08% CO2 Energia Imposta na Soldagem (KJ/mm) Dureza (HB) 2,1 210 ± 4 1,6 1,3 2,1 1,6 1,3 2,1 1,6 1,3 218 ± 3 235 ± 2 223 ± 4 220 ± 7 263 ± 4 238 ± 7 228 ± 1 242 ± 19 46 5.1.2.1 Tratamento estatístico do Resultado de Dureza na Zona Fundida Pode-se visualisar na tabela 10 os dados estatísticos de dureza, que mostram como essa propriedade mecânica foi influenciada pela energia de soldagem e pelos gases de proteção. Temos que os valores de P(quando <0,05) asseguram a influencia de todas as variáveis sobre a dureza. Tabela 10 - Resultados obtidos para verificar a influencia dos parâmetros observados. DF=Graus de Liberdade; SS=Soma dos Quadrados; MS=Média dos Quadrados; F=Frequência Observada; P= nível de significância, R²=Medida de Ajustamento do Modelo. Fonte Constante Proteção Gasosa Energia de Soldagem Proteção Gasosa*Energia de Soldagem DF 8 2 SS 5979,85 1253,85 MS 747,48 626,93 F 13,7106 11,4993 P 0,0000032 0,0006061 2 3385,85 1692,93 31,0523 0,0000015 4 1340,15 6,1454 0,0026702 335,04 R² = 80% Pela figura 28 pode-se observar a influência da energia de soldagem na dureza da zona fundida. Visualisa-se que se tem para o menor valor de menor energia de soldagem a maior dureza, isso pode ser explicado pelo fato que nessa condição tem-se uma alta taxa de resfriamento que favorece a formação de microconstituintes duros. 47 260 255 250 245 Dureza (HB) 240 235 230 225 220 215 210 2,1 kJ/mm . 1,6 kJ/mm 1,3 kJ/mm Energia Imposta na Soldagem (kJ/mm) Figura 28- Variação da dureza em função da Energia Imposta na Soldagem. Na figura 29 pode-se observar a influência da proteção gasosa na dureza da zona fundida. A princípio têm-se os maiores valores de dureza para os menores teores de CO2, isso pode ser explicado pelo fato que nos menores teores de CO2 tem-se a menor quantidade de ferrita acicular, devido a menor formação de óxidos que são nucleantes deste microconstituinte. 48 245 240 Dureza (HB) 235 230 225 220 215 210 25% CO2 15% CO2 08% CO2 Proteção Gasosa Figura 29- Variação da dureza em função da proteção gasosa. 5.1.3 Ensaio de Impacto Charpy no Metal de Solda Nesta secção será avaliada a influência do gás de proteção e da energia de soldagem na energia absorvida no impacto pelo metal de solda, através do ensaio de Charpy realizado no Laboratório de Teste Mecânicos da Arcelor Mittal Tubarão. Na tabela 11 tem-se o comportamento do corpos-de- prova durante ensaio, onde o foram avaliados a energia absorvida no impacto e o aspecto da superfície de fratura. Tabela 11 - Resultados obtidos após o ensaio de impacto para cada amostra do metal de solda de acordo com as variáveis de soldagem. Proteção Gasosa Energia Imposta na Soldagem (KJ/mm) 75%Ar + 25% CO2 2,1 1,6 1,3 2,1 1,6 1,3 2,1 1,6 1,3 85%Ar + 15% CO2 92%Ar + 08% CO2 Energia Absorvida no Impacto (J) 64 ± 4 76 ± 6 63 ± 2 53 ± 4 45 ± 4 35 ± 5 42 ± 1 40 ± 1 43 ± 7 Aspecto da Fratura dúctil (%) 67 ± 6 77 ± 6 53 ± 6 37 ± 6 30 ± 10 30 ± 10 20 ± 0 20 ± 0 27 ± 6 49 Na figura 30 pode-se observar as superfícies de fratura dos corpos-de-prova, corpos onde a região opaca se refere à região de fratura dúctil enquanto a região fibrosa e com maior brilho se refere à região de fratura frágil. Pode-se visualizar também que os corpos-de-prova a, b e c são os que possuem maior região de fratura dúctil, o que pode ser associado ao fato destes corpos-de-prova corpos prova possuírem uma grande quantidade de ferrita acicular uma vez que estes foram soldados com uma proteção gasosa que juntamente com os elementos de de liga presente no arame utilizado formam óxidos que são pontos de início da formação deste microconstituinte. Figura 3030 Aspectos das das fraturas dos CP’s obtidos no MEV, usado para a avaliação da tenacidade ao impacto do metal de solda. a=2,1kJ/mm e 25%CO2; b=1,6kJ/mm e 25%CO2; c=1,3kJ/mm e 25%CO2; d=2,1kJ/mm e 15%CO2; e=1,6kJ/mm e 15%CO2; f=1,3kJ/mm e 15%CO2; g=2,1kJ/mm e 08%CO2; h=1,6kJ/mm e 08%CO2; i=1,3kJ/mm e 08%CO2. 50 5.1.3.1 Tratamento Estatístico dos Resultados de Energia Absorvida no Impacto no metal de Solda Pela tabela 12 pode-se obeservar os dados estatísticos que mostram a influência da energia de soldagem e da proteção gasosa na energia absorvida no impacto. Temos que os valores de P(quando <0,05) asseguram a influencia de todas as variáveis sobre a energia absorvida no impacto. Tabela 12 - Resultados obtidos para verificar a influencia dos parâmetros obsevados. DF=Graus de Liberdade; SS=Soma dos Quadrados; MS=Média dos Quadrados; F=Frequência Observada; P= nível de significância, R²=Medida de Ajustamento do Modelo. Fonte Constante Proteção Gasosa Energia de Soldagem Proteção Gasosa*Energia de Soldagem DF 8 2 2 SS 4654,80 3850,49 227,65 MS 581,85 1925,25 113,82 F 28,983 95,900 5,670 p-value 0,000 0,000 0,012 4 576,66 144,16 7,181 0,001 R² = 90% Na figura 31 tem-se que a energia absorvida no impacto foi maior para os maiores valores de energia de soldagem, o que pode ser explicado pelo fato de terem taxa de resfriamento mais lento o que favorece a formação de microconstituintes mais dúcteis. Pode-se observar que na energia de 1,6 kJ/mm a energia absorvida ao impacto é ligeiramente superior do que a energia 2,5 kJ/mm, isso pode ser explicado pelo fato de que a tenacidade não está somente relacionada à quantidade de ferrita acicular, mas também a outros microconstituintes. 51 58 56 Energia Absorvida (J) 54 52 50 48 46 44 42 2,1 kJ/mm 1,6 kJ/mm 1,3 kJ/mm Energia Imposta na Soldagem(kJ/mm) Figura 31- Variação da Energia Absorvida no Impacto em função da Energia Imposta na Soldagem. Na figura 32 pode-se observar que os maiores valores de energia absorvida no impacto foram para a mistura com o maior teor de CO2. Esse resultado pode ser consequência da maior porcentagem de ferrita acicular encontrada nas proteções gasosas com maiores teores de CO2. Maiores teores desse gás levam a uma maior formação de óxidos que são nucleantes da ferrita acicular. 75 70 Energia Absorvida (J) 65 60 55 50 45 40 35 25% CO2 15% CO2 08% CO2 Proteção Gasosa Figura 32- Variação da Energia Absorvida no Impacto em função da Proteção Gasosa. 52 Na figura 33 tem-se que os maiores valores de energia absorvida foi proporcional aos maiores teores de CO2, como citado anteriormente se deve ao fato de maiores teores desse gás facilitar a formação da ferrita acicular. Na energia de 1,6kJ/mm a microestrutura tem uma tendência de ser menos dúctil do que na energia de 2,5kJ/mm, pois maiores taxas de resfriamento contribuem para microestruturas mais frágeis. Na condição utilizando 1,3kJ/mm, os resultados foram semelhantes, apenas nas menores proporções de CO2 existe uma tendência de inversão nas propriedades mecânicas. O que pode ser explicado pela quantidade de FA na condição com 8% CO2 ter probabilidade de ser maior. Já na amostra com 25% CO2 ocorreu uma redução na ductibilidade que pode ser em função das microestruturas mais frágeis resultantes de menores taxas de resfriamento. Pode-se observar na figura 33 que a tenacidade ao impacto não sofre influência apenas pela quantidade de ferrita acicular. Foi citado anteriormente que uma menor energia de soldagem contribui para uma maior formação de ferrita acicular, no entanto, podemos observar que para uma determinada composição de proteção gasosa, ao se variar os valores de energia de soldagem, houve uma tendência de se ter no menores valores de energia de soldagem um decréscimo da energia absorvida no impacto. A princípio isso pode ser explicado pelo fato de ter-se um balanço entre ferrita acicular e ou microconstituintes, como por exemplo, microconstituintes frágeis, já que nas menores energias tem-se altas taxas de resfriamento, condição favorável para sua formação. 53 90 25% CO2 15% CO2 08% CO2 80 Energia Absorvida (J) 70 60 50 40 30 20 2,1 1,6 1,3 Energia Imposta na Soldagem (kJ/mm) Figura 33- Variação da Energia Absorvida no Impacto em função da Energia Imposta na Soldagem juntamente com a Variação da Proteção Gasosa. 5.2. Avaliação do Metal de Base Neste capítulo foram avaliados os resultados obtidos da ZTA dos corpos-de-prova referente ao aço API 5L X70. 5.2.1 Influência da Variação da Energia de Soldagem na ZTA do Metal de Base Através da figura 34 pode-se comparar as micrografias para as diferentes energias de soldagem. 54 a b c Figura 34- Micrografias da ZTA dos CP's aço API 5L X70- Energia de Soldagem a) 2,1 KJ/mm b) 1,6KJ/mm e c) 1,3KJ/mm. c Pode-se observar na figura 34 que os grãos grosseiros estão associados ao maior nível de energia 2,1 KJ/mm, o que pode ser explicado pelo maior aporte térmico que o metal de base foi exposto o que leva a uma menor taxa de resfriamento. A uma diferença significativa do tamanho dos grãos quando se compara a energia de soldagem de 2,1 KJ/mm com as de 1,6 KJ/mm e 1,3 KJ/mm. Pode-se visualizar também que entre os níveis de energia 1,6 KJ/mm e 1,3 KJ/mm a diferença do tamanho dos grãos é praticamente desprezível. 5.2.2 Ensaio de Microdureza da ZTA Pela figura 35 tem-se que o perfil de microdureza é maior para maiores níveis de energia. Isso pode ser devido ao fato que um maior aporte térmico pode levar uma maior transformação de microcontituintes já que se pode alcançar maiores temperaturas na região de austenização. 55 Figura 35- Perfil de Microdureza do último passe de enchimento para os CP's de aço API 5L X70 em função da Energia na Soldagem. 5.2.3 Ensaio de Impacto Charpy na ZTA De acordo com a tabela 14 podemos observar que os maiores valores de energia absorvida foram para o corpo-de-prova corpo prova soldado com menor valor de energia de soldagem. Tabela 13 - Valores do Ensaio de Impacto em função da Energia Imposta na Soldagem para a ZTA do aço API 5LX70. Proteção Gasosa 75%Ar + 25% CO2 Energia Imposta na Soldagem (KJ/mm) 2,1 1,6 1,3 Energia Absorvida no Impacto (J) 72,0 ± 3 75,0 ± 3 82,0 ± 3 Aspecto da Fratura 70 ± 5 80 ± 6 90 ± 5 Podemos associar esse resultado com os tamanhos dos grãos, de acordo com as micrografias figura 35 temos que os maiores valores de energia absorvido no 56 impacto se apresentaram nos menores tamanhos de grãos da ZTA. Menores tamanho de grão são normalmente associados a uma boa tenacidade. Outro aspecto importante é que de acordo com a tabela (dureza) a dureza foi proporcional ao tamanho de grãos, assim grãos grandes tendem a ser mais frágeis. 6. Conclusões A partir dos resultados obtidos conclui-se que: • A quantidade de FA, a dureza e a energia absorvida no impacto sofrem influencia da energia de soldagem e da proteção gasosa; • Uma proteção gasosa com maior teor de CO2 contribui para uma maior quantidade de FA no metal de solda; • Menores energias de soldagem contribuíram para a formação de ferrita acicular; • O microconstituinte FA influenciou nas propriedades mecânicas do metal de solda; • A taxa de resfriamento influenciou na tenacidade da zona fundida; 57 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. PETROBRÁS MAGAZINE. Rio de Janeiro: v.7, n.32, 2001. 2. MAGNABOSCO, R.; ROSSETO, L.C. Toughness of two HSLA steel sheets. Journal of the Brazilian Society of Mechanical Sciences and Engineering, v.25, n.2, p.170-173, 2003. 3. ESTADOS UNIDOS. American Society for Metals. High-strength structural and high-strength low-alloy steel. 10.ed. Metals handbook: Properties and selection: Irons, steels and high-performance alloys, 1990. 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