Nitro Química e a história de ocupação de São Miguel Paulista Trabalho realizado por Alana Lopes da Silva, Alexsander Pereira da Silva, Fabio Oliveira dos Santos, Guilherme Bella Cruz de Paula e Síntia Martins Rodrigues, sob orientação do professor Mario Gilvan Queiroz Viana, e Angélica Ramos Barreto, Carina Teixeira Junqueira, Rafael de A. Domingos, Rodney Dantas e Thiago de Souza Lima, do Centro Social Marista Senhor Lourenço (Cesomar). foto do fundo Luiz Dias Fernandez Sandra Regina Santos Silva Garó HistAmbZL_2new.indd 113 Em 1935, foi instalada em São Miguel a Companhia Nitro Química Brasileira. A facilidade de transporte oferecida pela ferrovia Central do Brasil, o preço da terra e a proximidade do Rio Tietê e do Córrego Itaquera, que garantia o escoadouro dos detritos resultantes do processo produtivo, eram atrativos para a empresa. Em meados do século XX, a empresa ocupava uma área de 200.000 m2 e empregava 8 000 operários, produzindo ácido sulfúrico, tintas e sulfato de sódio, entre outros produtos. Quando a indústria fez sua primeira descarga de resíduos no Tietê, a mortalidade de peixes foi tão grande que eles se acumularam aos milhares nos remansos dos rios, cobrindo a superfície das águas. A Nitro Química foi um grande estímulo à ocupação mais intensa de São Miguel. Muitos operários, com suas famílias, procuravam morar perto do lugar onde trabalhavam, evitando, assim, se deslocar pela cidade. Em 1934, São Miguel tinha 2 224 habitantes, em 1940, eles passaram a 7 700 e, em 1950, eram 39 376. Em 2004, a população da área administrada pela subprefeitura de São Miguel, os distritos de Jardim Helena, Vila Jacuí e São Miguel, é de 378 438 pessoas. Maria de Lourdes Rodrigues Chierri é uma viúva de 71 anos que usa óculos, tem cabelos grisalhos e, pra nossa sorte, adora conversar. Mora em uma casa com a filha e divide o quintal com a casa do neto já casado. Solteira, trabalhava no bairro de Santo Amaro como copeira na casa do pai do ator Raul Cortez. Dona Lourdes só voltava para São Miguel nos finais de semana porque trabalhava, como ela mesma define, na região central da cidade de São Paulo. “Naquela época era muito difícil de se locomover e quando íamos pro centro dizíamos que íamos pra cidade”, diz Dona Lourdes. Quando se casou, em 1953, fixou moradia no bairro de São Miguel e desde então reside na mesma casa, construída com muito esforço. A Nitro Química teve influência na vida da dona Lourdes. Em 1942, ela tinha 9 anos de idade e morava perto da cidade de Alfenas, no sul de Minas Gerais, quando seu pai e seu irmão mais velho foram convidados por Benedito Marcino, funcionário da Nitro Química, para trabalhar em São Miguel. Eles aceitaram o emprego e mudaram-se para São Paulo. Em 1953, seu marido, João Batista Chierri, trabalhou, como pedreiro, por dois meses na área de manutenção da fábrica. Mais tarde sua irmã também trabalhou ali. 113 12/16/04 1:29:41 AM Como era São Miguel, em 1953? São Miguel não tinha nada. Tinha a estaçãozinha, mas o trem passava poucas vezes por dia. Era um espaço de duas, três horas entre uma passagem e outra. Eram fazendas, chácaras, os tipos de moradia, criava-se gado, coisas desse tipo. Isso daqui era tudo um barro só. Aquela matinha, aquelas árvores fininhas, era tudo capoeira. A Nitro Química foi que levantou São Miguel. Quando a senhora veio morar em São Miguel a Nitro Química já existia? Já, ela é bem mais antiga do que eu. Eu tinha uns 9 ou 10 anos lá em Minas quando foram buscar as pessoas para trabalhar na Nitro Química. Aqui não tinha nada, a empresa teve que sair buscando gente de fora para trabalhar, de Minas, da Bahia, do Nordeste. Ela (Nitro Química) funcionava dia e noite, não parava. Eram três horários: das 6h às 14h, das 14h às 22h e das 22h às 5h. Depois tinha o escritório que o povo trabalhava de dia. As mulheres trabalhavam também. Tinha berçário para elas deixarem as crianças. Quem trabalhava na Nitro Química tinha algum privilégio? Quem conseguia tinha todos os direitos, inclusive no restaurante. A comida era baratinha para eles. As mulheres que tinham filhos, dois, três filhos, iam de manhã com eles e deixavam no berçário. Ele tinha a parte da enfermagem, tudo direitinho, se precisasse de médico, de socorro para as crianças, tinha tudo. A mãe amamentava o filho lá dentro. As pessoas se referiam à fábrica como Mãe Nitro. José Cecílio Irmão tem 74 anos e é migrante de Pernambuco. Morador de São Miguel desde 1960, trabalhou na Nitro Química por 27 anos, de onde só saiu aposentado. Em 1988, entrou na Associação dos Aposentados Químicos e Farmacêuticos e, desde 1997, é o presidente desse grupo do sindicato. 114 HistAmbZL_2new.indd 114 O senhor entrou na Nitro Química a convite de alguém? Havia um primo que já trabalhava aqui. E então cheguei no sábado, na terça-feira tirei os documentos, na quarta-feira entrei em exame e na quarta-feira já estava trabalhando. Era uma necessidade da empresa. Naquela época tinham 8 000 funcionários, era um período de pessoas que entravam e saíam da Nitro Química devido às condições de saúde, que eram péssimas. E olha que eu já entrei num período bom. 12/16/04 1:29:48 AM Qual era o seu cargo na empresa? Eu passei por diversas funções: servente, que depois mudaram para ajudante de produção, e fui operador por quatro anos. Depois passei pra contramestre em 68 e exerci esta função até 83 – era mestre de fabricação de fibra artificial. Foi dif ícil aprender o trabalho? Não era dif ícil, o trabalho era braçal. Você chegava e logo aprendia o serviço. As máquinas eram todas iguais, mas tinha as linhas, então tive muita dificuldade. Quando a gente parava para almoçar, pegava o avental e, do jeito que o pessoal colocava lá debaixo da bandeja, eu colocava a minha também. Só que quando eu voltava, não sabia qual era a máquina. Com que tipo de produtos a Nitro Química trabalhava? Naquela época eles fabricavam o raiom. Com o fio era formado um cano que eles vendiam para determinadas partes do Brasil e até para o exterior. Devido às péssimas condições de trabalho, a produção de raiom foi acabando no mundo inteiro. A Nitro Química continuou até que, em dezembro de 97, a área foi extinta e mais ou menos 75% da fábrica parou. Carina Teixeira Junqueira Jeane C. Benevides Lá dentro tinha uma comunidade? Tinha uma cooperativa de vender tudo, açougue, lojas de alfaiataria. Tudo era descontado na folha de pagamento. Tinha companheiro que recebia folha zero. Era tanta facilidade que eles abusavam. Trabalhavam mulheres na época? Existia algum lugar dentro da Nitro Química para que deixassem seus filhos? Sim, trabalhavam muitas mulheres. Na época não tinha essa exigência não, isso veio bem depois, mas tinha um berçário aqui fora e um médico que cuidava das crianças, tudo da Nitro Química. Onde a Nitro Química despejava seus resíduos químicos? Muita coisa era no Rio Tietê. 115 HistAmbZL_2new.indd 115 12/16/04 1:29:51 AM A Nitro Química dava benef ícios para os funcionários? Quais eram eles? O pessoal só tinha leite, tinha um restaurante. Na fiação, onde eu trabalhava, a refeição era gratuita. Em outras sessões era cobrada, mas era um precinho bem acessível. Na época não tinha o 13º, que eles falavam abono de Natal. Aquilo ali era dado só para algumas pessoas que o patrão achava que merecia, porque não era obrigado. Não era lei, a chefia, no geral, sempre recebia alguma coisa. Mas a peãozada, só aqueles que não tinha processo – e ali era muito processo. Como está a Nitro Química hoje? Ela trabalha com ácidos, que são exportados pro mundo inteiro. Deve ter em torno de umas 460 pessoas que trabalham na Nitro Química como funcionários, com os terceirizados talvez chegue a mil. Quem está trabalhando na Nitro hoje tá bem satisfeito, sem dúvida. Sempre no final da aula a gente se reúne para conversar sobre o trabalho que é pesquisar a Nitro Química e nós debatemos sobre o assunto e sempre temos uma ótima conclusão. Hoje discutimos o que realmente está faltando para concluirmos nossa pesquisa que são marcar uma data para a reportagem, fita de gravador e eu acho que só. Eu estou bastante empolgado, porque eu quero descobrir o que realmente aconteceu para a Nitro ser tão falada e descobrir os efeitos prejudiciais que causam tantos danos em São Paulo e em São Miguel Paulista. Hoje também sei que antigamente a Nitro era a maior indústria de São Paulo e hoje ela é a menor por causa de vários danos que ela fez e pode fazer. Por isso estou aqui para descobrir tudo sobre São Paulo porque este lugar é onde eu vivo. 116 Rodney Dantas de Oliveira Centro Social Marista HistAmbZL_2new.indd 116 12/16/04 1:29:53 AM Nosso grupo está pesquisando sobre a Nitro Química e os danos que ela provocou no Rio Itaquera e também os benefícios a São Miguel Paulista. Os danos que a Nitro Química causou no nosso rio foram ambientais e ecológicos. Por outro lado, a Nitro Química foi a maior indústria que São Paulo teve naquela época e ajudou no desenvolvimento de São Miguel. Fábio Oliveira dos Santos Centro Social Marista O pernambucano da Nitro Química Em algum lugar de Pernambuco vivia um nordestino chamado José Cecílio Irmão, trabalhador do campo desde pequenino. O trabalho era braçal, embaixo de forte sol que muitas vezes trazia a seca e acabava com a colheita. Muito sofrimento... Eis que uma carta relata a vida em São Paulo, mais precisamente em Vila São Miguel, trazendo a esperança. Primeiro a recusa, pelo amor familiar e pelo apego à sua terra, mas depois a decisão: partir em busca do melhor. Aqui foi logo acolhido pela grande mãe Nitro Química. Muitas máquinas se agitavam, diferente trabalho, porém também braçal. A recompensa vinda por Deus poderia ser dividida com todos os amigos que ficaram na Nitro: uma HistAmbZL_2new.indd 117 aposentadoria com muita lucidez para pensar nas diversas possibilidades de melhorar as condições de lazer daquelas pessoas que tanto mereciam. Participantes do Centro Social Marista 117 12/16/04 1:29:53 AM Pedreiras do Lajeado e São Mateus: marcas na paisagem feitas pelo ser humano Trabalho realizado pelos alunos Felipe P. dos Santos, Fernando Lourenço da Silva, Francisco J. Gomes Alves, Ivan S. Gomes Filho e Wagner Sales, da Associação de Mães do Novo Amanhecer. Antes mesmo do vertiginoso crescimento demográfico observado, sobretudo a partir da década de 70, algumas atividades econômicas marcaram a paisagem das bacias do Rio Aricanduva e do Córrego Itaquera. Desde a primeira metade do século XX, estabeleceram-se pedreiras na região, além das olarias que ocupavam as margens dos rios. Pedreiras, como as de Santa Isabel, a de Vila Jahu, a de São Mateus e Lageado, estão presentes no imaginário dos moradores, que relatam seu cotidiano permeado pelas explosões e pela poeira sempre presente na região. José Batista, de 60 anos, teve grande parte de sua vida relacionada com essas pedreiras, uma vez que trabalhou em São Mateus e Lageado desde a mais tenra idade: Com quantos anos você começou a trabalhar na pedreira? Com 10 anos, comecei a ajudar meu pai a encher as caçambas de pedra. Com 18 anos, comecei como marreteiro e, mais tarde, a trabalhar por conta própria. Qual era o salário para os funcionários da pedreira naquela época? Não me lembro a quantia exata, mas era obrigado a trabalhar com meu pai, pois ganhávamos por produção. Qual a profundidade da pedreira? Mais de 60 metros abaixo do solo. Havia muitos funcionários na pedreira? Antes eram os donos que trabalhavam, pois não havia empregados. O já falecido Isidoro era a pessoa responsável pela pedreira, Nico Mateus era um dos proprietários juntamente com o também já falecido senhor Arthur. HistAmbZL_2new.indd 118 12/16/04 1:29:54 AM Então eram duas pedreiras com apenas um dono? Sim. Quando o pai morreu deixou de herança para os filhos a pedreira, que dividiram entre si. Uns venderam sua parte, outros ficaram com as pedreiras. Tanto que o Nico e o Isidoro moravam aqui de frente à pedreira nesta casa que estou morando agora, que era de propriedade do Isidoro. Que também construiu uma linha férrea de escoamento da pedra para a Central do Brasil. Não só para lá, mas para vários outros locais. A linha cortava a pedreira, transportava em vagões pedra tipo três. Depois de alguns anos, (esta) foi deixando de ser utilizada e começou a ser utilizada pedra tipo um, dois e pedrisco. É verdade que a avenida era fechada durante as explosões? Sim. Antes de acontecer, subíamos lá em cima para impedir a passagem dos carros. Avisávamos que iria pisar fogo, quando ocorriam acidentes, os técnicos apuravam se foi por causa da pedreira e indenizavam as pessoas. Valdir, de 59 anos, nascido em São Roque, é casado e pai de um garoto. Morador de Santa Isabel, passou as últimas décadas empregado nas pedreiras da região: Já houve algum problema com rachadura nas casas? Com certeza, mas os técnicos não vêm até o local, vêm de vez e nunca. Já trabalhou na pedreira? Sim, de 1966 até o ano de 2000, me aposentei lá. Qual o período de trabalho dos funcionários? Das 7 às 17 horas, de segunda à sexta, só não havia atividade no local quando havia chuvas muito fortes. Qual a profundidade da pedreira atualmente? Mais ou menos 50 metros abaixo do nível do solo. Já houve algum acidente grave no local? Em meados dos anos 70, alguns faleceram e outros ficaram com seqüelas graves. Uns calçavam 44 e passaram a calçar 40. Nós dávamos um jeito. HistAmbZL_2new.indd 119 119 12/16/04 1:29:59 AM Virgínio Furtado de Sousa nasceu em Itaquera, em 1955, e trabalha nas pedreiras São Mateus e Lageado desde a década de 70. Desde quando você conhece essas pedreiras? Em 1965, eu já andava muito aqui na região. Nos rios por aqui a gente pescava, tinha condições de tomar banho, nadar, porque era límpida a água. Não tinha habitações em volta, então a garotada vinha brincar e tomar banho no Córrego Itaquera. A água era pura mesmo. Ele começou a ficar poluído em 1980, 1981. Foi quando começaram os conjuntos habitacionais. O pessoal ainda pescava, era possível pegar peixe. Foram muitas as modificações desde a sua entrada como funcionário? A pedreira era mais artesanal. Ela começou a se modernizar em 1975. Até mais ou menos 1970 ou 1972, tinha um ramal da Rede Ferroviária Federal, que era o maior comprador da pedreira. A mecanização se deu por causa da rede. Antes o trabalho era todo manual, com marrões e marretas de 7 a 15 quilos. O tema que eu e os meus amigos estamos trabalhando é sobre a pedreira. É um pouco estranho para mim porque moro bem perto de duas pedreiras e eu não sabia nada sobre elas. Fui para lá ontem com o meu amigo fazer a entrevista com os moradores e foi muito legal, porque eles contaram muitas histórias que eu nem imaginava. Foi uma experiência muito proveitosa porque nós achamos a casa onde o proprietário da pedreira morou parte de sua vida. Eu só gostaria de saber mais sobre a pedreira, porque me interessei muito com as histórias contadas pelas pessoas que entrevistamos. 120 Fernando Henrique P. dos Santos Novo Amanhecer HistAmbZL_2new.indd 120 12/16/04 1:30:03 AM Cohab Cidade Tiradentes: um dos maiores conjuntos habitacionais da capital Trabalho realizado por Jeane C. Benevides, Joel Fernando dos Santos, Kátia Cristina Cândido e Mara Alice A. de Carvalho, sob orientação da educadora Sandra Regina dos Santos Garó, da Comunidade Kolping. Luiz Dias Fernandez Sandra Regina Santos Silva Garó Na década de 70, na Fazenda Santa Etelvina, a 35 quilômetros do centro de São Paulo, surgia a Cidade Tiradentes. Lá foi construído um dos maiores conjuntos habitacionais da cidade de São Paulo pela Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab), Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) e por grandes empreiteiras, financiadas pelo BNH. A taxa de crescimento de Cidade Tiradentes, nos anos 80, chegou a 25% ao ano. Hoje é uma das maiores Cohabs da capital, com 190 555 moradores que convivem com grandes problemas. Em 1980, o bairro tinha cerca de 10 000 habitantes. Nos últimos nove anos, foram construídos mais de 200 edif ícios de quatros andares, com 30 apartamentos cada. Os moradores da Cidade Tiradentes e dos bairros que nasceram ao redor dele são, na maioria, migrantes ou membros da classe média empobrecida e desempregada. Nosso grupo entrevistou Severino José do Nascimento, de 54 anos, que mora há 20 anos na Cohab Cidade Tiradentes. Severino veio de Pernambuco em busca de novas oportunidades e trabalhou muitos anos como segurança. Hoje é comerciário. Há quanto tempo o senhor mora na Cohab? Quando vim de Pernambuco, morei no bairro de Jabaquara. Depois fui para a Cohab Tiradentes. Logo quando cheguei, 50% já estava construído. Eu fui um dos primeiros moradores. Entrei em um dos primeiros blocos, há mais ou menos 20 anos. Por que o senhor deixou Pernambuco? Em busca de oportunidades. Trabalhei em supermercado e agora trabalho no meu bar. Como eram as condições na Cohab quando chegou? No começo, tudo era dif ícil, a condução, o comércio era longe, não tinha mercado. HistAmbZL_2new.indd 121 121 12/16/04 1:30:04 AM O senhor tinha dificuldade para se locomover? Era a pé ou de ônibus. Tinha uma linha que fazia Cidade Tiradentes à Vila Formosa e Estação Saúde. O percurso durava três horas. Fora as condições precárias, o ônibus era cheio porque só tinha uma linha. Há postos de saúde? Há quatro postos de saúde e agentes comunitários de saúde. E a questão da segurança, da violência? É seguro morar na Cohab. O policiamento melhorou, tem delegacia, plantão de batalhão, polícia toda hora. A violência está em todo o lugar. Está em São Paulo e no Brasil inteiro. A violência está para aqueles que procuram. O importante é não se envolver com drogas. Luiz Dias Fernandez Sandra Regina Santos Silva Garó 122 HistAmbZL_2new.indd 122 O que falta para a Cohab hoje? Lazer e recursos para os moradores, que ainda são esquecidos. Falta também mais limpeza, mais escolas, mais creches para as crianças, postos de saúde. O que significa a Cohab para você? Significa tudo: onde criei minha família, onde moro e tenho meu comércio. A Cohab é vista como uma favela. Muitas pessoas têm medo de entrar aqui. Muitos jovens não têm emprego e uma faculdade por morarem na Cohab, principalmente da Cidade Tiradentes. Se um jovem tem uma formação boa, quando entra na faculdade fica dif ícil para morar na Cidade Tiradentes. É como no mercado de trabalho, também se torna dif ícil uma colocação. Eu tenho dois filhos que estudaram aqui e se formam aqui. Para arranjar emprego, enviar currículo, é dif ícil porque há uma certa discriminação por morar na Cohab Tiradentes. Quem mora na Cohab é discriminado, como as pessoas que moram em favelas. Pessoa de bem que mora em favela é discriminada pela sociedade. A gente que mora aqui não, mas o pessoal que mora fora vê a Cohab como um lugar marginalizado. 12/16/04 1:30:08 AM Existe algum tipo de trabalho comunitário? Existem as associações. O pessoal daqui se interessa muito pelo povo. Os próprios moradores, uns ajudam aos outros. Passam nas casas pedindo, todo mundo ajuda se está com dificuldade. Tem associações que dão leite, cestas básicas. O pessoal das Cohabs não é o que imaginam, que só tem vagabundo, ladrão. Não é nada disso. São pessoas normais como qualquer outro lugar. Fora a dificuldade de arranjar emprego, tem pessoas que têm faculdade. Tem que trazer mais emprego pra cá. Nós estamos pesquisando assuntos e o meu grupo ficou com as Cohabs. Até agora nós já elaboramos as perguntas e onde vamos fazer entrevista com um morador mais velho da Cohab Tiradentes. Na semana que vem, nós vamos até Tiradentes entrevistá-lo. A entrevista vai ser muito boa porque vamos tirar muitas dúvidas sobre a história de Tiradentes, a cultura, os problemas, e vamos poder comparar com a cidade onde moro. Joel Fernando dos Santos Comunidade Kolping Nosso tema é Cohab Tiradentes. Fizemos pesquisas, na semana que vem já vamos fazer a entrevista, tirar fotos, vamos descobrir coisas que nunca pudemos imaginar e vão ser bem interessantes. Tenho curiosidade em saber como era a Cohab e a cidade antes, tenho certeza que vamos fazer grandes descobertas. Jeane C. Benevides Comunidade Kolping HistAmbZL_2new.indd 123 123 12/16/04 1:30:14 AM O pioneiro da Cohab Tiradentes Severino José do Nascimento Filho nasceu em Pernambuco e veio pra São Paulo em busca de oportunidades. Mora na Cohab Tiradentes há 20 anos. Está desempregado, mas trabalha no bar do Bio. Quando chegou na Cohab já havia moradores. O local sofreu várias transformações até os dias de hoje. Os comércios, por exemplo, ficavam longe – quem construiu a maioria das lojas lá, foram os próprios moradores. Ele adora morar na Cohab, que significa tudo pra ele. Foi onde criou sua família, é onde mora e trabalha. Podemos perceber que não gosta que falem mal dela. Diz Severino: – Problemas todos os bairros pobres têm. Não têm pontos de lazer para dar mais recursos para os moradores, que são muito esquecidos. As pessoas que vêm para cá tiram um barato, acham que se trata de uma ilha desabitada. Quem mora na Cohab é discriminado e perde muitas oportunidades por morar nela. É igual às pessoas que moram em favela – os outros de fora acham que ali só tem ladrão e traficante. Ele diz que a violência está no mundo todo, está em São Paulo e no Brasil. Hoje em dia a Cohab está maravilhosa. 124 Kátia Cristina Cândido Jeane C. Benevides Joel Fernando dos Santos Mara Alice Araújo de Carvalho Comunidade Kolping HistAmbZL_2new.indd 124 12/16/04 1:30:14 AM 125 Rafael de Araujo Domingos Anilma Alves da Silva HistAmbZL_2new.indd 125 12/16/04 1:30:15 AM 126 HistAmbZL_2new.indd 126 12/16/04 1:30:17 AM Diário de Bordo 127 HistAmbZL_2new.indd 127 12/16/04 1:30:24 AM Oficina de Cinema 128 HistAmbZL_2new.indd 128 12/16/04 1:30:25 AM