VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
Luziane Zacché Avellar
Mariane Ranzani Ciscon-Evangelista
Milena Bertollo-Nardi
Andréa dos Santos Nascimento
Pedro Machado Ribeiro Neto
(organizadores)
Psicologia Social:
Desafios Contemporâneos
PROGRAMA e RESUMOS
23 a 25 de maio de 2012
Vitória-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 1
08/05/2012 18:37:19
http://abrapso-es.com.br/
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 2
08/05/2012 18:37:22
COMISSÕES
COMISSÃO ORGANIZADORA
Ana Claudia F. Sanches
Beatriz Baptista Tesche
Carolina Lemos Cravo
Célia Regina Rangel Nascimento
Daiana Stursa
Hugo Cristo Sant'Anna
Isabele Santos Eleotério
Lidio de Souza
Luziane Zacché Avellar
Marcela Tommasi Abaurre
Maria Cristina Smith Menandro
Monica Nogueira dos Santos
Nailane Fabris Rosa
Paulo Rogério Meira Menandro
Valeschka Martins Guerra
Zeidi Araujo Trindade
Renata G. L. Vescovi
Roberta Ingrid Schimitberger
Roberta Rangel Batista
CONSULTORES AD HOC
Alexandra Iglesias (UFES)
Alexandra Ayache Anache (UFMT)
Alexandre Cardoso Aranzedo (UNISALES)
Ana Lucia Coelho Heckert (UFES)
Ana Paula Figueiredo Louzada (UFES)
Andréa dos Santos Nascimento (UFES)
Anna Beatriz Carnielli Howat Rodrigues (USP)
Beatriz Baptista Tesche (UFES)
Célia Regina Rangel Nascimento (UFES)
Cynthia Ciarallo (UNICEUB)
Daiana Stursa (UFES)
Daniel Henrique Pereira Espíndula (UNIVASF)
Diemerson Saquetto (UFES)
Eduardo Coelho Ceotto (UNIVIX)
Elisa Zaneratto Rosa (PUC SP)
Fabrícia Rodrigues Amorim Aride (SÃO CAMILO)
Francisco de Assis Lima Filho (UFES)
Gardenia Furtado Lemos (UNIFESP)
Gilead Marchezi Tavares (UFES)
Grace Kelly Freitas (UFES)
Grace Rangel Felizardo (UFES)
Janine Marinho Dagnoni Neiva (UFES)
Juliana Peterle Ronchi (UFES)
Kirlla Cristhine Almeida Dornelas (UNISALES)
Lidio de Souza (UFES)
Lilian Rose Margotto (UFES)
Lorena Badaró Drumond (UFES)
Luciana Bicalho Reis (UVV)
Luciano de Sousa Cunha (FAESA)
Luziane Zacché Avellar (UFES)
Maria Cristina Smith Menandro (UFES)
Maria de Fatima de Souza Santos (UFPE)
Maria Elizabeth Barros (UFES)
Maria Inês Badaró Moreira (UNIFESP)
Mariana Bonomo (UFES)
Mariane Ranzani Ciscon-Evangelista (UFES)
Milena Bertollo-Nardi (UFES)
Monalisa Barros (UFBA)
Mônica Cola Cariello Brotas Corrêa (UVV)
Mônica Trindade Pereira Sant’Ana (FAESA)
Odair Furtado (PUC SP)
Paola Vargas Barbosa (UFRGS)
Paula Coimbra da Costa Pereira Hostert (UFES)
Paulo Castelar Perim (UFES)
Pedro Machado Ribeiro Neto (UFES)
Priscila Valverde Fernandes (UERJ)
Rebeca Valadão Bussinger (UFES)
Renata Danielle Moreira Silva (UFES)
Roberta Scaramussa da Silva (PITÁGORAS)
Sabrine Mantuan dos Santos Coutinho (UVV)
Sirley Trugilho da Silva (UFES)
Vitor Silva (USP)
Zeidi Araujo Trindade (UFES)
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 3
COMISSÃO CIENTÍFICA
Andréa dos Santos Nascimento
Alexandra Iglesias
Luziane Zacché Avellar
Mariane R. Ciscon-Evangelista
Milena Bertollo-Nardi
Mariana Bonomo
Pedro Machado Ribeiro Neto
08/05/2012 18:37:22
© COPYRIGHT
A reprodução dos textos da presente coletânea, no todo ou em parte,
está autorizada desde que sejam citados os autores e a fonte.
Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP)
(Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil)
Encontro Regional da ABRAPSO-ES, VII. Vitória, 2012
Psicologia social - desafios contemporâneos: programa e resumos / Luziane
Zacché Avellar, Mariane Ranzani Ciscon-Evangelista, Milena BertolloNardi, Andréa dos Santos Nascimento, Pedro Machado Ribeiro Neto /
organizadores. - Vitória, ES : GM Editora : 2012.
120p. : il. ; 21 cm
ISBN - 978-85-99510-32-2
1. Psicologia Social. I. Avellar, Luziane Zacché et al. II. Título
CDU: 000.00
Os textos estão publicados na versão final encaminhada
e o seu conteúdo é de inteira responsabilidade dos autores.
Editoração
Edson Maltez Heringer
27 8113-1826 - [email protected]
Impressão
GM Gráfica e Editora
27 3323-2900 - www.gmgrafica.com.br
RESUMOS PUBLICADOS EM MAIO DE 2012 NO FORMATO ENVIADO PELOS AUTORES
4
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 4
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:22
Apresentação
Fundada em 1980, a ABRAPSO – Associação Brasileira de
Psicologia Social constitui-se em importante espaço de intercâmbio e
posicionamento crítico frente a perspectivas naturalizantes e a-históricas
de produção de conhecimento e intervenção política em nossa sociedade.
Em consonância com os objetivos da ABRAPSO Nacional, a
Regional Espírito Santo tem buscado garantir e desenvolver as relações
entre pessoas dedicadas ao estudo, ensino, investigação e práxis da
Psicologia Social no estado.
O VII Encontro Regional pretende promover a integração da
Psicologia Social com outras áreas do conhecimento que atuam em
uma perspectiva social crítica. Com o título Psicologia Social: desafios
contemporâneos, propõe-se o diálogo com áreas emergentes dentro
da Psicologia, articulando temas consolidados, como Saúde, Trabalho,
Direitos Humanos, Políticas Públicas e Cidadania, Infância, Juventude,
Vida Adulta e Velhice, Grupos e Exclusão Social, Violência, Gênero e
Sexualidade, Religiosidade, com áreas em processo de consolidação,
como Psicologia Jurídica e Mediação de Conflitos, Psicologia do
Trânsito e Mobilidade, Psicologia Ambiental, Psicologia dos Esportes,
Psicologia das Emergências e dos Desastres, Neurociências e Novas
Tecnologias.
Com esta iniciativa pretende-se fomentar articulações teóricas e
metodológicas e fornecer subsídios para o desenvolvimento de práticas
éticas e alinhadas com as demandas advindas da sociedade.
O Encontro foi organizado no formato de: Conferências, Mesas
Redondas, Apresentações Orais, Painéis e Minicursos.
Sejam todos bem vindos ao VII Encontro Regional da ABRAPSO - ES!
Comissão Organizadora
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 5
5
08/05/2012 18:37:22
SUMÁRIO
Apresentação...............................................................................................................................................................................5
PROGRAMAÇÃO...............................................................................................................................................................................6
MINICURSOS
MC 01: “TOMANDO POSSE” - TÓPICOS EM GÊNERO E SEXUALIDADE ENTRE SUJEITOS RELIGIOSOS..................13
MC 02: ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO: DO SETTING À TÉCNICA..........................................................................13
MC 03: PROMOÇÃO DA SAÚDE E PROCESSOS GRUPAIS.....................................................................................................14
MC 04: SAÚDE MENTAL DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE..............................................................................................15
MC 05: ESTUDO DE REDE DE APOIO SOCIAL E AFETIVA: MAPA DOS CINCO CAMPOS,
GENOGRAMA E ECOMAPA............................................................................................................................................16
MC 06: TRABALHANDO COM O ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO.........................................................................................17
COMUNICAÇÕES ORAIS
Eixo: Desafios contemporâneos: Psicologia do Trânsito e Mobilidade,
Psicologia Ambiental, Psicologia dos Esportes, Psicologia das
Emergências e dos Desastres, Neurociências, Novas tecnologias ......................................18
CO 001:A PSICOLOGIA HOSPITALAR E A PSICOLOGIA DOS DESASTRES: UM ESTUDO SOBRE
O ATENDIMENTO ÀS SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA..............................................................................................18
CO 002:A REPRESENTAÇÃO SOCIAL DOS CAMINHONEIROS DE ESTRADA SOBRE
O USO DE ARREBITE (ANFETAMINAS).......................................................................................................................18
CO 003:ANÁLISE DA SAÚDE MENTAL EM PACIENTES COM FOBIA DE DIRIGIR...........................................................19
CO 004:CONDUTORES DE VEÍCULOS COM CARTEIRA NACIONAL DE HABILITAÇÃO (CNH) PROVISÓRIA:
RELATOS DAS PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS................................................................................................................20
CO 005:CONSIDERAÇÕES SOBRE FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA E AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA
DE CONDUTORES.............................................................................................................................................................21
CO 006:OS PROCESSOS DE APRENDIZAGEM NO REMO: O GRUPO E SEU POTENCIAL................................................21
CO 007:POR OUTRAS PERSPECTIVAS DE PESQUISAR EM CIÊNCIAS HUMANAS: A NARRATIVA
COMO DISPOSITIVO PARA CONVERSAR E A PRODUÇÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS...................................22
CO 008:PROJETO TRILHA CIDADÃ.............................................................................................................................................23
CO 009:PROJETO VIDA – ATUAÇÃO INTERDICIPLINAR NAS EMERGÊNCIAS E DESASTRES......................................24
CO 010:PSICOLOGIA VAI À ESCOLA: É BRINCANDO QUE A GENTE SE ENTENDE........................................................24
CO 011:RELAÇÃO ENTRE O NÍVEL DE ANSIEDADE E O DESEMPENHO NA PROVA PRÁTICA
PARA OBTENÇÃO DA CARTEIRA NACIONAL DE HABILITAÇÃO NA GRANDE VITÓRIA...............................25
CO 012:REPRESENTAÇÕES SOCIAIS, MÍDIAS E CIBERCULTURA.......................................................................................26
Eixo: Psicologia Jurídica e Mediação de Conflitos ....................................................................................27
CO 013:A MEDIAÇÃO DE CONFLITOS COMO ALTERNATIVA PARA PROMOÇÃO DA CULTURA DE PAZ...................27
CO 014:PSICODIAGNÓSTICO EM CONTEXTO PRISIONAL: FRAQUEZAS E FORTALEZAS.
RELATO A PARTIR DE UMA EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO.......................................................................................28
Eixo:Saúde ...............................................................................................................................................................................28
CO 015:A CLÍNICA DO ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO NA INSTITUIÇÃO ESCOLAR..........................................28
CO 016:ABSENTEÍSMO POR DOENÇAS DO CID F E A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO................................................29
CO 017:CONCEPÇÕES DO ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO NAS PRÁTICAS EM SAÚDE MENTAL
NA GRANDE VITÓRIA......................................................................................................................................................30
CO 018:CUIDE-SE BEM: UMA ALTERNATIVA SOCIAL PARA O BEM-ESTAR.....................................................................31
CO 019:DIREITO À VIDA SEGURA: UMA ANÁLISE DA SITUAÇÃO PSICOSSOCIAL DO POLICIAL
RODOVIÁRIO FEDERAL DO MUNICÍPIO DA SERRA/ES.........................................................................................32
CO 020:ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM UTILIZADAS POR ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS
COM E SEM INDÍCIOS DO TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE...........................32
6
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 6
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:23
CO 021:ESTRATÉGIAS TERAPÊUTICAS NA ATENÇÃO AO USO DE ÁLCOOL E DE OUTRAS DROGAS:
A APLICABILIDADE DO GRUPO DE MOVIMENTO NO CAPS AD..........................................................................33
CO 022:GRUPOS DE SALA DE ESPERA NO AMBULATÓRIO DE ONCOLOGIA DO HOSPITAL ESTADUAL
INFANTIL NOSSA SENHORA DA GLÓRIA....................................................................................................................34
CO 023:IMPASSES NO DIÁLOGO ENTRE SAÚDE MENTAL E JUSTIÇA: A QUESTÃO DO LOUCO INFRATOR............35
CO 024:MATRICIAMENTO: UM PROJETO DE INTERVENÇÃO..............................................................................................35
CO 025:O BASQUETEBOL COMO POTENCIALIZADOR DO DEFICIENTE FÍSICO CADEIRANTE:
UMA CARTOGRAFIA........................................................................................................................................................36
CO 026:O CONSUMO DE ÁLCOOL E SUAS DIMENSÕES NO DESENHO “OS SIMPSONS”...............................................36
CO 027:PSICODIAGNÓSTICO: PRÁTICA OU OLHARES REDUCIONISTAS?........................................................................37
CO 028:QUALIDADE DE VIDA DE UNIVERSITÁRIOS COM E SEM INDÍCIOS DE TRANSTORNO
DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE........................................................................................................38
CO 029:QUALIDADE DE VIDA NO PÓS-CIRÚRGICO BARIÁTRICO: RELATO DA EXPERIÊNCIA
DE PACIENTES SUBMETIDOS AO PROCEDIMENTO................................................................................................39
CO 030:REDES DE SOCIABILIDADE E ESPAÇOS DE CIRCULAÇÃO: SIGNIFICADOS DA
CONVIVÊNCIA DO MORADOR DE RESIDÊNCIA TERAPÊUTICA NA COMUNIDADE.......................................40
CO 031:REPRESENTAÇÃO SOCIAL E QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES COM DIABETES MELLITUS...............40
CO 032:REPRESENTAÇÃO SOCIAL, GÊNERO E PRÁTICAS DE SAÚDE: ESTUDO COM PESCADORES.......................41
Eixo:Trabalho.......................................................................................................................................................................42
CO 033:A PROFISSÃO DO MOTOBOY: CONSTRUÇÃO SOCIAL DO MEDO E DA INSEGURANÇA.................................42
CO 034:ALGUNS OLHARES CONSTRUÍDOS ACERCA DO EX-USUÁRIO DE DROGAS: OS DESAFIOS
PARA UMA REINSERÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO.....................................................................................43
CO 035:O PROCESSO DE INTEGRAÇÃO DE NOVOS COLABORADORES...........................................................................44
Eixo: Direitos Humanos, Políticas Públicas e Cidadania...........................................................................45
CO 036:“ATÉ HOJE EU SINTO AQUELE ABRAÇO...”: MEMÓRIAS PESSOAIS E COMUNS DE
PRESAS POLÍTICAS SOBRE SEUS FAMILIARES DURANTE A DITADURA MILITAR........................................45
CO 037:A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA E DA COMUNIDADE NO PROCESSO DE SOCIOEDUCAÇÃO DOS
ADOLESCENTES INFRATORES SUBMETIDOS A MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS EM MEIO ABERTO............45
CO 038:ADOLESCÊNCIA, CRIMINALIDADE E SEMILIBERDADE: PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO
DIANTE DA PERSPECTIVA DE UMA MORTE ANUNCIADA....................................................................................46
CO 039:AMOR POR TRÁS DAS GRADES: MATERNIDADE NO PRESÍDIO...........................................................................47
CO 040:JUSTIÇA E AFETIVIDADE: INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL COM MULHERES PRESAS...................................48
CO 041:MEMÓRIA HISTÓRICA DOS ANOS DOURADOS: RESULTADOS PRELIMINARES DE BELO HORIZONTE.....48
CO 042:O COMPROMISSO SOCIAL E A INICIAÇÃO CIENTÍFICA EM PSICOLOGIA..........................................................49
CO 043:PSICOLOGIA: (RE)CRIAÇÃO DE ESTRATÉGIAS JUNTO AOS POPULARES DE RUA DO
MUNICÍPIO DE VITÓRIA.................................................................................................................................................50
CO 044:UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO EM HABILIDADES SOCIAIS COM CRIANÇAS
E ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO SOCIAL DE RISCO............................................................................................51
CO 045:VIVÊNCIAS INVISIBILIZADAS: FAMILIARES DE PRESOS POLÍTICOS DURANTE
A DITADURA MILITAR BRASILEIRA...........................................................................................................................52
Eixo: Infância, Juventude, Vida Adulta e Velhice...........................................................................................53
CO 046:(RE)PENSANDO O CONCEITO DE FAMÍLIA: O ROMPIMENTO DE ALGUNS ESTEREÓTIPOS..........................53
C0 047: A EXPERIÊNCIA “CALOURO” EM UMA UNIVERSIDADE: ENTRE A REGULAÇÃO E A INVENÇÃO...............54
CO 048:A PRODUÇÃO DE UM INFORMATIVO COM IDOSOS: HISTÓRIAS, MEMÓRIAS E VIVÊNCIAS.......................55
CO 049:A TRANSIÇÃO À PATERNIDADE NA ADOLESCÊNCIA: ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO
E REDE DE APOIO SOCIAL.............................................................................................................................................55
CO 050:BRINCADEIRAS DE ONTEM E HOJE: UM ESTUDO TRANSGERACIONAL...........................................................56
CO 051:E AGORA: POR QUE FAZER PSICOLOGIA? INTERVENÇÕES NO ENSINO MÉDIO E A
ESCOLHA DA PROFISSÃO...............................................................................................................................................57
CO 052:INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO..................................................57
CO 053:JOVENS PAIS: DEMANDAS PARA A SAÚDE PÚBLICA E ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO....................58
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 7
7
08/05/2012 18:37:23
CO 054:O “ENCONTRO” COM ADOLESCENTES ABRIGADAS: A EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO
BÁSICO EM PSICOLOGIA................................................................................................................................................59
CO 055:PENSANDO A SUCESSÃO NO CAMPO: REPRESENTAÇÃO SOCIAL SOBRE JUVENTUDE
EM UM GRUPO DE JOVENS RURAIS DE RIO BANANAL/ES..................................................................................60
CO 056:PERCEPÇÕES SOBRE A INFÂNCIA SOB A ÓTICA DE CRIANÇAS RESIDENTES NO
ASSENTAMENTO DO SEZÍNIO, LIGADAS AO MOVIMENTO DOS SEM TERRA (MST).....................................61
CO 057:REPRESENTAÇÃO SOCIAL DE MORTE NATURAL E ACIDENTAL.........................................................................61
CO 058:REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA EM CRIANÇAS ABRIGADAS.....................62
Eixo: Grupos e Exclusão Social .................................................................................................................................63
CO 059:A INCLUSÃO DA CRIANÇA COM SÍNDROME DE DOWN NA ESCOLA REGULAR SEGUNDO
A PERSPECTIVA DAS MÃES...........................................................................................................................................63
CO 060:A INVENÇÃO DE COTIDIANOS DISCENTES EM UMA UNIVERSIDADE...............................................................64
CO 061:BRASILEIROS NA ALEMANHA: UM ESTUDO DA IDENTIDADE SOCIAL DE IMIGRANTES
ATRAVÉS DE FÓRUNS ONLINE....................................................................................................................................65
CO 062:CAFÉ COM PROSA: GRUPO PSICOTERAPÊUTICO COM MÃES DE UTIN.............................................................65
CO 063:CONSTRUÇÕES SOBRE O MUNDO CIGANO: REPRESENTAÇÕES E AFETOS ENTRE OS NÃO CIGANOS.....66
CO 064:ENFRENTANDO O PRECONCEITO RACIAL: JUVENTUDE NEGRA E A COMUNIDADE COMO REFÚGIO.....67
CO 065:IDENTIDADE SOCIAL E RURALIDADE NO CONTEXTO SOCIOCULTURAL CAMPONÊS.................................68
CO 066:INCLUSÃO E APROVEITAMENTO ESCOLAR DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR........69
CO 067:OPENEVOC: UM PROGRAMA DE APOIO À PESQUISA EM REPRESENTAÇÕES SOCIAIS.................................70
CO 068:PROJETO AFLORANDO POTENCIALIDADES: UM OLHAR PARA AS PECULIARIDADES
DOS ALUNOS VISTOS COMO PROBLEMAS...............................................................................................................71
CO 069:REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE CIGANOS ENTRE BRASILEIROS E ITALIANOS..............................................71
CO 070:SINAIS E SINTOMAS: A PERCEPÇÃO DE PROFESSORES SOBRE O COMPORTAMENTO
DE ALTERAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO E A APRENDIZAGEM..........................................................................72
CO 071:TRANSPORTE COLETIVO URBANO: UMA PESQUISA SOBRE A PERCEPÇÃO DO USUÁRIO...........................73
CO 072:UMA INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL: A ARTE COMO UMA FERRAMENTA PARA CONSTRUÇÃO
IDENTITÁRIA.....................................................................................................................................................................74
CO 073:“A PARTIR DO MOMENTO QUE NÃO VENHA ME AGREDIR”: UM ESTUDO SOBRE A
DESINSTITUCIONALIZAÇÃO DA LOUCURA SOB A PERSPECTIVA DA TEORIA DA
IDENTIDADE SOCIAL......................................................................................................................................................75
Eixo:Violência ......................................................................................................................................................................76
CO 074:ATENDIMENTO PSICOLÓGICO COM UM ADOLESCENTE: A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE SEXUAL.....76
CO 075:EXPERIÊNCIA DE ATUAÇÃO INTERDISCIPLINAR QUANTO À VIOLÊNCIA NO COTIDIANO ESCOLAR......76
CO 076:NA IMPOSSIBILIDADE DA PALAVRA O ATO: ADOLESCÊNCIA E A LEI................................................................77
CO 077:REPRESENTAÇÃO SOCIAL DE VIOLÊNCIA PARA PAIS DE ADOLESCENTES DO SERTÃO NORDESTINO...77
CO 078:REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE VIOLÊNCIA PARA PAIS DE ALUNOS DE ESCOLAS PARTICULARES
DE ENSINO MÉDIO DE PETROLINA-PE.......................................................................................................................78
CO 079:TRABALHO EM GRUPO COM ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE RISCO SOCIAL:
CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA...............................................................................................................................79
CO 080:VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇA: UMA PESQUISA SOBRE CASOS NOTIFICADOS E SERVIÇOS DE
ACOLHIMENTO EM TRÊS MUNICÍPIOS DO SUL CAPIXABA..................................................................................80
CO 081:VIVÊNCIAS DE MULHERES VÍTIMAS DE ABUSO SEXUAL NA INFÂNCIA.........................................................81
Eixo: Gênero e Sexualidade ..........................................................................................................................................82
CO 082:A PRODUÇÃO BRASILEIRA EM SEXUALIDADE: UM ESTUDO EM PSICOLOGIA SOCIAL...............................82
CO 083:O CIÚME E SUA RELAÇÃO COM O BEM-ESTAR NOS RELACIONAMENTOS ROMÂNTICOS..........................82
CO 084:O CONSUMO DE DROGAS NA VIDA MULHERES: UM ESTUDO NO CAPS AD....................................................83
CO 085:PORNOGRAFIA: O QUE FALA E O QUE CALA............................................................................................................84
CO 086:REPRESENTAÇÃO SOCIAL DA SEXUALIDADE NA VELHICE: A CONCEPÇÃO DE JOVENS
A RESPEITO DA SEXUALIDADE NO ENVELHECIMENTO......................................................................................85
CO 087:REPRESENTAÇÃO SOCIAL DE MASCULINIDADE DE HOMENS GAYS................................................................85
CO 088:SER HOMEM NA PÓS-GRADUAÇÃO: REPRESENTAÇÕES E VIVÊNCIAS DE ESTUDANTES...........................86
8
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 8
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:23
CO 089:SER MULHER NA PÓS-GRADUAÇÃO: REPRESENTAÇÕES E VIVÊNCIAS DE ESTUDANTES..........................87
CO 090:TRANSTORNOS DA SEXUALIDADE NAS PARCEIRAS DE ALCOÓLATRAS.........................................................88
CO 091:UMA ALMA FEMININA EM UM CORPO MASCULINO: IDENTIDADE DE GENÊRO............................................89
CO 092:VIVÊNCIA DA SEXUALIDADE FEMININA EM CONTEXTO RELIGIOSO...............................................................89
PAINÉIS
Eixo: Desafios contemporâneos: Psicologia do Trânsito e Mobilidade,
Psicologia Ambiental, Psicologia dos Esportes, Psicologia das
Emergências e dos Desastres, Neurociências, Novas tecnologias ......................................91
P 001: A ABORDAGEM DA SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA.......................................................................................91
P 002: COMPORTAMENTO AMBIENTAL: DIAGNÓSTICO E MONITORAMENTO............................................................92
P 003: RELAÇÕES AMOROSAS DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA........................................................................92
Eixo: Psicologia Jurídica e Mediação de Conflitos ....................................................................................93
P 004: CARACTERIZAÇÃO DE JOVENS E ADOLESCENTES QUE ENTRAM NO INSTITUTO DE
ATENDIMENTO SÓCIO-EDUCATIVO DO ESPÍRITO SANTO...................................................................................93
P 005: OLHARES SOBRE A PRISÃO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO EM PSICOLOGIA
NUMA PENITENCIÁRIA CAPIXABA............................................................................................................................94
Eixo:Saúde ...............................................................................................................................................................................95
P 006: ADESÃO DE PACIENTES RENAIS CRÔNICOS EM ATENDIMENTO AMBULATORIAL........................................95
P 007: CONCEPÇÃO SOCIAL SOBRE O MORADOR DE RESIDÊNCIA TERAPÊUTICA....................................................96
P 008: FAMILIARES CUIDADORES DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES ATENDIDOS NO CAPSI DE VITÓRIA-ES:
CONCEPÇÕES SOBRE SOFRIMENTO PSÍQUICO E INTERVENÇÃO NO CAMPO DA SAÚDE MENTAL
INFANTO-JUVENIL...........................................................................................................................................................97
P 009: O COTIDIANO DE FAMILIARES CUIDADORES DE CRIANÇAS COM IRC (INSUFICIÊNCIA RENAL
CRÔNICA)...........................................................................................................................................................................98
P 010: OFICINAS EM SALA DE ESPERA: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO COM CUIDADORES..........................98
P 011: SERVIÇOS RESIDENCIAIS TERAPÊUTICOS EM SAÚDE MENTAL - O DESAFIO DAS PRÁTICAS DE
CUIDADO............................................................................................................................................................................99
P 012: SIGNIFICANDO A DOENÇA RENAL CRÔNICA: RELATOS DE UMA ADOLESCENTE.......................................100
P 013: “SÓ POR HOJE”: UM ESTUDO SOBRE RITUALIDADES E SIMBOLISMOS DENTRO DO GRUPO
NARCÓTICOS ANÔNIMOS............................................................................................................................................101
Eixo:Trabalho ....................................................................................................................................................................101
P 014: A PERCEPÇÃO DE ATORES SOCIAIS ACERCA DO TRABALHO E SUAS IMPLICAÇÕES
NA VIDA HUMANA.........................................................................................................................................................101
P 015: AS COMPETÊNCIAS DOS ADMINISTRADORES: A RELAÇÃO ENTRE AS EXIGÊNCIAS
DO MERCADO DE TRABALHO E A FORMAÇÃO EDUCACIONAL DE NÍVEL SUPERIOR..............................102
Eixo: Direitos Humanos, Políticas Públicas e Cidadania ........................................................................103
P 016: CONCEPÇÕES DE PSICÓLOGOS QUE ATUAM NOS CENTROS DE REFERÊNCIA DE
ASSISTÊNCIA SOCIAL SOBRE SUA PRÁTICA PROFISSIONAL............................................................................103
P 017: “NEM MELHOR, NEM PIOR”: APENAS ADOLESCENTES!......................................................................................104
Eixo: Infância, Juventude, Vida Adulta e Velhice ........................................................................................105
P 018: INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL NA COMUNIDADE: EXPERIÊNCIA ACADÊMICA NO
CONTEXTO COMUNITÁRIO.........................................................................................................................................105
P 019: O FENÔMENO DA HIPERATIVIDADE EM CRIANÇA NO AMBIENTE ESCOLAR:
UMA INTERVENÇÃO POR MEIO DA LUDOTERAPIA............................................................................................106
P 020: O IDOSO NA CONTEMPORANEIDADE: PERSPECTIVAS E ALGUMAS QUESTÕES RELEVANTES................106
P 021: PERCEBENDO A CULTURA NORMATIVA EM AMBIENTE EDUCACIONAL:
UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO..........................................................................................................107
P 022: TRANSTORNO DE CONDUTA NA ADOLESCÊNCIA.................................................................................................108
P 023: “ADOTADO”: ESTEREÓTIPOS E QUESTÕES PERTINENTES AO PROCESSO DE ADOÇÃO.............................109
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 9
9
08/05/2012 18:37:23
Eixo: Grupos e Exclusão Social ...............................................................................................................................110
P 024: A INSERÇÃO DO PSICÓLOGO E O CONTEXTO SOCIOCULTURAL:
PROMOVENDO UMA INTERAÇÃO ENTRE EDUCADORES E EDUCANDOS.....................................................110
P 025: A PARTICIPAÇÃO POLÍTICA DA TRÍADE PAI-MÃE-FILHO EM UMA ASSOCIAÇÃO
PARA DEFICIENTES INTELECTUAIS..........................................................................................................................110
P 026: CATEGORIAS SOCIAIS EM CONFLITO DE IDENTIDADE: A FAMÍLIA E
O INDIVÍDUO COM SOFRIMENTO PSÍQUICO......................................................................................................... 111
P 027: O DESAFIO DA INSERÇÃO SOCIAL PARA IDOSOS EM UMA INSTITUIÇÃO ASILAR......................................112
P 028: PICHAÇÃO: O QUE HÁ POR TRÁS DOS MUROS?....................................................................................................113
P 029: PRECONCEITO, MOTIVAÇÃO E AUTO-IMAGEM: UMA ANÁLISE CONTEMPORÂNEA DA
HEGEMONIA DO OUVINTISMO..................................................................................................................................114
P 030: VIVÊNCIAS COTIDIANAS E PERSPECTIVAS DE FUTURO DE MENINAS EM SITUAÇÃO DE RUA...............114
Eixo:Violência ....................................................................................................................................................................115
P 031: SUJEITAS OU SUJEITADAS? ESTUDO ACERCA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE MULHERES
VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA CONJUGAL NO MUNICÍPIO DE MUNIZ FREIRE-ES..................................................115
Eixo: Gênero e Sexualidade ........................................................................................................................................116
P 032: A PERCEPÇÃO DE ATORES SOCIAIS ACERCA DA HOMOAFETIVIDADE...........................................................116
P 033: SEXUALIDADE E PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS: CORPOS CATIVOS VERSUS SUJEITOS LIVRES.............117
Eixo:Religiosidade ..........................................................................................................................................................118
P 034: PERCEPÇÕES DE PADRES E PASTORES SOBRE AS PRÁTICAS PROFISSIONAIS E
RELIGIOSAS DE LIDERES ECLESIÁSTICOS QUE ATUAM COMO PSICÓLOGOS.............................................118
P 035: RELIGIOSIDADE E SATISFAÇÃO COM A VIDA: UM ESTUDO COM EVANGÉLICOS........................................119
P 036: REPRESENTAÇÃO SOCIAL DA MAÇONARIA PARA GRADUANDOS DE HISTÓRIA.........................................119
10
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 10
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:23
PROGRAMA
23 DE MAIO – Quarta-feira
07h00 - 08h00 Credenciamento
08h00 - 08h30 Solenidade de Abertura
08h30 - 09h45 Conferência de Abertura
A Psicologia Social no Brasil:
história e perspectiva
Leôncio Camino [Universidade Federal da Paraíba]
10h00 - 11h45
Mesa Redonda
Mediação de Conflitos
Angela Almeida [Universidade de Brasília]
Fernanda Helena de Freitas Miranda [Doutoranda PPGP-UFES]
13h30 - 17h00 Minicursos
MC 01: “Tomando Posse”: Tópicos em Gênero e Sexualidade
entre Sujeitos Religiosos
Diemerson Saquetto
MC 02: Acompanhamento Terapêutico: do setting à técnica
Kelly Guimarães Tristão e Luziane Zacché Avellar
MC 03: Promoção da Saúde e Processos Grupais
Mônica Cola Cariello Brotas Correa e Elzimar Evangelista
Peixoto Pinto
MC 04: Saúde Mental da criança e do adolescente
Juliana Peterle Ronchi
MC 05: Estudo de rede de apoio social e afetiva: mapa dos
cinco campos, genograma e ecomapa.
Danielly Bart do Nascimento e Silvia Neitzel
MC 06: Trabalhando com o estresse pós-traumático
Maria Dolores Pinheiro de Souza e Andreia da Silva Ferreira
17h00 - 18h30 Lançamento do livro
Infância e Juventude: promovendo diálogos e construindo ações.
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 11
11
08/05/2012 18:37:23
24 DE MAIO – Quinta-feira
08h00 - 09h45
Conferência
10h00 - 11h45
Mesa Redonda
13h30 - 18h30
Painéis e/ou Comunicações Orais
Psicologia e Neurociência
Paulo Sergio Boggio [Universidade Presbiteriana Mackenzie]
Psicologia do Trânsito e Mobilidade
Fábio Henrique Vieira de Cristo [Universidade de Brasília]
Andréa dos Santos Nascimento [Universidade Federal do Espírito Santo]
25 DE MAIO – Sexta-feira
08h00 - 09h45
Conferência
Psicologia Ambiental
José Q. Pinheiro [Universidade Federal do Rio Grande do Norte]
10h00 - 11h45 Conferência
Psicologia e Novas Tecnologias
Oliver Zancul Prado [Universidade Paulista – Araraquara]
13h30 - 16h00
Painéis e/ou Comunicações
16h30 - 18h00 Mesa Redonda
Psicologia do Esporte
Robert J. Brustad [University Northern Colorado]
Paulo Castelar Perim [Universidade Federal do Espírito Santo]
18h00
Sessão de Encerramento
12
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 12
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:23
MINICURSOS
MC 01: “TOMANDO POSSE” - TÓPICOS EM GÊNERO E SEXUALIDADE ENTRE SUJEITOS
RELIGIOSOS
Diemerson Saquetto
Eixo: Religiosidade
As religiões estão entre os agrupamentos humanos mais profícuos à elaboração
psicossocial de identidades, uma vez que congregam a cognição social aos artefatos
da semiologia da fé, gestando ordenamentos de sentido e pertença próprios como
um modus vivendi específico em cada grupo. O cristianismo, assim como as outras
religiões da hierarquia de Abraão a que é donatário, possui uma característica muito
própria: o patriarcalismo. A centralidade da figura paterna, correlata ao divino “Pai”
e personificada autoridade pelo “Senhor”, mantém-se como imago historicamente,
perpetuada como Representação Social e traço objetivo da Identidade Cristã. A forte
hierarquia religiosa não deixa dúvidas quanto a esse núcleo central, uma vez que
mesmo diante de variações associadas às eclesiologias distintas e às liturgias cultuais,
os lugares do homem e da mulher são bem delimitados, assim como as relações de
gênero advindas dessas posturas. Este curso busca, portanto, apontar, por meio do
arcabouço conceitual oriundo das Teorias das Representações Sociais e da Identidade
Social, hermenêuticas descritivas sobre esse fenômeno. A subalternidade a que é
sobrepujado o feminino nas religiões cristãs é antagônico ao espaço e à importância
que ocupam. Compararemos o lugar da mulher no Neopentecostalismo e as claras
diferenças com o espiritualismo de cunho Afroconfessional. A efetivação deste curso e
de seu objetivo percorrerá os seguintes tópicos: A compreensão do lugar feminino na
história judaica explícita nos textos bíblicos; a segregação feminina da menstruação à
bruxaria; a Casa Grande e o Quarto de Costura - a mulher no colonialismo brasileiro;
a religião Paterna e a reza como espaço de expiação e submissão à autoridade; Ética
Calvinista: diálogos sobre a mulher puritana; saias e calças jeans: modernizam-se os
costumes?; e, por fim, analisaremos a pesquisa documental do “Jornal Folha Universal”
e as marcas de gênero nele impressas, comparando esses dados com a figura feminina
presente na religiosidade afro-brasileira.
Palavras-chave: Religião; Gênero; Patriarcalismo e Identidade Feminina
MC 02: ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO: DO SETTING À TÉCNICA
Kelly Guimarães Tristão e Luziane Zacché Avellar
Eixo: Saúde
O Acompanhamento terapêutico (AT) é uma modalidade de atendimento em Saúde
Mental marcada por encontros que acontecem no cotidiano do sujeito e em espaços
de circulação pública, utilizando um setting diferente do clássico, no qual o sujeito
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 13
13
08/05/2012 18:37:23
pode experimentar novos caminhos e construir possibilidades de relação com o
mundo com progressivo resgate de sua autonomia. Tendo como objetivo apresentar
e discutir elementos da prática AT, bem como conhecer as peculiaridades do setting
terapêutico, o curso seria apresentado de forma expositiva aberta a discussões e
atenderia a número de 30 vagas. A bibliografia básica seria composta pelos livros:
BARRETO, K. D. Ética e técnica no Acompanhamento Terapêutico. Andança com
Dom Quixote e Sancho Pança. São Paulo: Unimarco Editora, 1998, EQUIPE DE
ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO DO HOSPITAL-DIA A CASA. A rua
como espaço clínico. Escuta: São Paulo, 1991 e MAUER, S. K. de; R., Silvia.
Acompanhantes Terapêuticos e pacientes psicóticos, Campinas: Papirus, 1987.
Palavras-chave: Saúde mental. Desinstitucionalização. Serviços de saúde mental.
Atividades cotidianas. Reabilitação.
MC 03: PROMOÇÃO DA SAÚDE E PROCESSOS GRUPAIS
Mônica Cola Cariello Brotas Correa e Elzimar Evangelista Peixoto Pinto
Eixo: Saúde
As políticas de promoção da saúde compõem um campo novo e complexo de
conhecimento. No entanto, ainda carecem de aperfeiçoamento de estratégias
teóricas e metodológicas que permitam sua operacionalização no cotidiano das
práticas, de forma a desenvolver o potencial de saúde das comunidades e indivíduos
em seus diferentes momentos dos ciclos de vida (BUSS, 2003). Tomando como
marco conceitual os debates realizados nas conferências internacionais realizadas
em Otawa (1986), Adelaide (1988), Sunsval (1991), Jakarta (1997) e México
(2000), a promoção da saúde identifica e atua sobre micro e macro determinantes
que influenciam os processos de saúde/doença. Logo, ações voltadas à promoção da
saúde envolvem o desenvolvimento de políticas públicas em âmbito governamental
e, por outro lado, da singularidade e autonomia dos sujeitos. Diversos estudos
(FREITAS, 2003; BRICEÑO E LEÓN,1996; GREEN E KREUTER, 1991)
destacam a importância dos processos grupais no desenvolvimento de ações de
promoção à saúde. Tais processos propiciam a interlocução entre os diversos atores
envolvidos no fazer saúde. Baseados na prática social, no diálogo, quer dizer, na
troca de saberes, favorecem a compreensão processual dos fenômenos de saúde
e doença e oferecem oportunidade para o intercâmbio entre o saber científico
e popular. Ao mesmo tempo, reforçam a responsabilidade de cada comunidade
por sua própria saúde. Ao construir um espaço coletivo de troca de saberes e
informações, com respeito e valorização da participação de todos, institui-se
a possibilidade de estabelecimento de uma tarefa comum em torno da qual se
organizam pensamentos e ações. Aprender em grupo, como salienta Abduch
(1999), torna possível uma leitura crítica da realidade, em que cada resposta
14
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 14
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:23
obtida se transforma em novas questões, e assim se desenvolvem, para além da
troca informativa, novas habilidades de cooperação fundamentais em um processo
de humanização da saúde. O minicurso Promoção da Saúde e Processos Grupais
objetiva aprimorar a debate sobre a promoção da saúde e apresentar estratégias
para o desenvolvimento de ações coletivas. A proposta, que será conduzida pelas
duas autoras, compreende uma metodologia vivencial e a oferta de 30 vagas para
participantes.
Palavras-chave: grupo. Promoção da saúde. Ações coletivas
MC 04: SAÚDE MENTAL DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Juliana Peterle Ronchi e Luziane Zacché Avellar
Eixo: Saúde
As políticas públicas de saúde mental voltadas às crianças e aos adolescentes,
historicamente vinculadas às áreas educacionais e da assistência social, passam por
reformulações a partir da Lei n.º 10.216, de 06/04/2001 e da portaria n.º 336/2002,
que institui o Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi), ligado
ao Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo deste minicurso será apresentar a
experiência do CAPSi da cidade de Vitória/ES em seu primeiro ano de funcionamento
relevando as representações sociais de crianças e adolescentes com transtornos
mentais compartilhadas entre cuidadores e profissionais do CAPSi, o que coloca a
saúde mental da criança e do adolescente como um campo em constituição, tanto
nos aspectos teóricos como nos relacionados à intervenção. Ainda, por ser um
novo serviço direcionado a crianças e adolescentes com transtornos mentais graves
e entendendo que a saúde engloba os aspectos do ambiente, pretende-se, a partir
do conceito de ambiência, um dos aspectos da política de humanização do SUS,
evidenciar a importância de se atentar para as constituições espaciais de um serviço
de saúde - uma vez que, em alguns momentos, elementos físicos de um serviço como
o CAPSi podem possibilitar comunicações significativas de crianças e adolescentes.
Além disso, a presença, a atenção aos objetos disponíveis nos espaços e a sustentação
e o manejo das atividades, aspectos importantes na constituição da ambiência,
podem facilitar o oferecimento de um ambiente seguro e adequado às necessidades
das crianças e adolescentes que sofrem com transtornos mentais graves. Por fim,
será apresentada uma possibilidade metodológica para investigações científicas no
campo da atenção psicossocial infanto-juvenil que guarda peculiaridades como a
articulação entre o social, a clínica e as políticas de assistência em saúde, o que se
mostra uma realidade complexa presente no fazer da pesquisa em saúde mental da
criança e do adolescente.
Palavras-chave: Serviços de Saúde Mental. Crianças. Adolescentes. Ambiente. Pesquisa.
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 15
15
08/05/2012 18:37:23
MC 05: ESTUDO DE REDE DE APOIO SOCIAL E AFETIVA: MAPA DOS CINCO CAMPOS,
GENOGRAMA E ECOMAPA.
Danielly Bart do Nascimento e Silvia Neitzel.
Eixo: Trabalho
A rede de apoio social de um indivíduo é formada pelos vínculos percebidos e
recebidos por ela. O elemento afetivo se conecta a esse constructo pela importância
na construção e manutenção do apoio. É importante observar que a rede de
apoio não é algo estático; ela irá variar conforme as necessidades do indivíduo
e de sua capacidade ou disposição para formar vínculos e mantê-los. Alguns
instrumentos que podem ser utilizados na clínica, em pesquisas ou em políticas
públicas sociais podem ajudar os profissionais a mapear e compreender a rede
de apoio social de uma pessoa. O Mapa dos Cinco Campos é um instrumento
criado por Samuelsson, Therlund e Ringströn (1996) no qual a pessoa deve
representar em um mapa constituído por seis círculos concêntricos divididos
em cinco setores (Família, Parentes, Amigos, Escola e Contatos Formais) as
pessoas que considera importantes em sua vida. Quanto mais próxima ao centro
a pessoa for representada, maior significado positivo ela representa; quanto mais
afastada, menor significado, sendo que no círculo mais afastado são representadas
as pessoas que despertam afeto negativo. O Ecomapa (HARTMAN, 1975/1995)
ou Mapa das Redes Sociais consiste em um diagrama que retrata as relações
que o sujeito estabelece com seu meio social, incluindo pessoas e instituições.
O Genograma se presta ao mapeamento da estrutura e organização familiar. Ele
traz informações sobre aspectos genéticos, médicos, sociais, comportamentais e
culturais da família (WENDT; CREPALDI, 2007). Esse instrumento facilita a
análise dos eventos significativos ao longo das gerações e na geração dos iguais;
auxilia também a encontrar os pontos de vulnerabilidade, traumas, fracassos e
fraquezas do indivíduo (QUAGLIA; MARQUES; PEDEBOS, 2001). O que esses
instrumentos possuem em comum é a possibilidade de facilitar a visualização
da rede de apoio social e afetiva do indivíduo, pois tendem a reunir em sua
configuração as pessoas que influenciam a vida de um indivíduo. O Genograma
está centralizado na composição familiar; contudo, o Mapa dos Cinco Campos
e o Ecomapa ampliam essa visão para os demais componentes sociais da rede.
São instrumentos que podem revelar dados importantes na vida do indivíduo e
auxiliar os profissionais em suas intervenções.
Palavras-chave: Rede de apoio. Instrumentos. Mapa dos cinco campos. Ecomapa.
Genograma.
16
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 16
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:23
MC 06: TRABALHANDO COM O ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO
Maria Dolores Pinheiro de Souza e Andreia da Silva Ferreira.
Eixo: Saúde
Os desastres naturais, as catástrofes e a violência são realidades cada vez mais
vivenciadas pela população mundial e em particular pelo povo brasileiro, exigindo
respostas urgentes de atuação profissional frente às demandas geradas por esses
eventos traumáticos. Como consequência devastadora dessas realidades temos
a síndrome do estresse pós-traumático, que acarreta desordens e prejuízos para
indivíduos, suas famílias e a sociedade. O estresse é definido como numa resposta
natural e saudável do nosso organismo a mudanças às quais o ser humano precisa
se adaptar. Em alguns momentos de nossas vidas em que vivenciamos situações
extremas, pode ocorrer o estresse pós-traumático, patológico. O choque traumático
ocorre quando experienciamos acontecimentos potencialmente ameaçadores à vida,
que superam nossa capacidade para responder a eles de modo eficaz. É produto da
sobrecarga provocada por evento ou experiência avassaladora, impossibilitando
o organismo de defender-se saudável e ativamente (lutando ou fugindo). É o
modo como reagimos às experiências estressantes que cria respostas saudáveis
ou patológicas frente aos acontecimentos. Isso é determinado por fatores de
ordem individual (disposição biológica e psicológica) e pelas diversas situações e
experiências. O trauma é definido, então, não pelo evento que o causou, mas pelo
resultado que provoca no nosso organismo. O cérebro de uma pessoa traumatizada
continua a responder como se a pessoa estivesse sob o estresse do momento do
trauma, gerando estado alterado de resposta de “imobilidade” ou de “congelamento”
do ciclo ativação-descarga no sistema neurofisiológico. Consequentemente,
aparecem sintomas físicos, emocionais, relacionais e sociais. Inserido nesse
contexto teórico-metodológico do tratamento de vítimas de desastres e situações de
emergências propomos esse minicurso, com objetivo de apresentar o tema e discutir
a proposta terapêutica do manejo da sintomatologia do estresse pós-traumático e das
respostas de reorganização do padrão saudável de estresse baseada na metodologia
da Experiência Somática inaugurada por Peter Levine.
Palavras-chave: Estresse pós-traumático. Psicologia das emergências e desastres.
Experiência somática.
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 17
17
08/05/2012 18:37:23
COMUNICAÇÕES ORAIS
Eixo: Desafios contemporâneos: Psicologia do Trânsito e Mobilidade,
Psicologia Ambiental, Psicologia dos Esportes, Psicologia das
Emergências e dos Desastres, Neurociências, Novas tecnologias
CO 001: A PSICOLOGIA HOSPITALAR E A PSICOLOGIA DOS DESASTRES: UM ESTUDO SOBRE
O ATENDIMENTO ÀS SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA
Raquel Otoni de Araújo, Bruno Birro Coutinho.
O presente trabalho é um estudo monográfico que tem por objetivo analisar algumas
aproximações entre a Psicologia Hospitalar - neste caso, a atuação do psicólogo
hospitalar orientada pela psicanálise -, e a Psicologia dos Desastres, no que se refere
ao atendimento às situações emergenciais. O desenvolvimento da Psicanálise para
além dos moldes tradicionais tem permitido que o trabalho do analista no ambiente
hospitalar se desenvolva em conjunto com as demais especialidades do campo da
saúde no atendimento às urgências demandadas pelo sujeito hospitalizado. No Brasil,
a Psicologia dos Desastres é um campo que vem ganhando espaço nos últimos anos,
apesar de a Psicologia estudar as emergências em desastres, catástrofes e guerras desde
meados do século XX. Ambas as áreas são permeadas por situações de emergência, que
demandam ações rápidas, pois acontecimentos imprevistos, como acidentes, quadros
agudos de adoecimento, catástrofes e acidentes em grandes proporções desestabilizam
os sujeitos desde a dimensão de sua subjetividade até inclusive acontecimentos que
podem afligir toda uma nação. Desse modo, observa-se que é possível traçar algumas
aproximações entre a Psicologia Hospitalar e a Psicologia dos Desastres, como
a realização dos atendimentos em um setting diferente do tradicional, a oferta da
escuta, o trabalho interdisciplinar, o atendimento à equipe, o acolhimento da família
e o resgate da condição de sujeito da pessoa vítima de um desastre ou internada em
hospital. Mesmo assim, ainda há muito que se construir, tanto no campo teórico
quanto prático – principalmente na área dos desastres naturais. Por fim, verifica-se
que os estudos no campo da Psicologia Hospitalar, especificamente sobre a atuação
do psicólogo em situações de emergência como as do pronto-socorro, podem auxiliar
no desenvolvimento da Psicologia dos Desastres.
Palavras-chave: Psicologia Hospitalar. Psicologia dos Desastres. Pronto-Socorro.
Psicanálise, Emergência.
CO 002: A REPRESENTAÇÃO SOCIAL DOS CAMINHONEIROS DE ESTRADA SOBRE O USO DE
ARREBITE (ANFETAMINAS)
Roberta Ingrid Schimitberger, Mayara Pires Guzzo, Sibelle Maria Martins de Barros.
Buscamos refletir sobre os impactos dos prazos na entrega de cargas sobre
os caminhoneiros, obrigados a esforços que desconsideram a necessidade de
18
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 18
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:23
descanso e sono dos trabalhadores. Para permanecerem acordados, eles se valem
de recursos como cocaína e os muito usados atualmente arrebites (anfetaminas),
que têm como principais efeitos colaterais alucinações, delírios persecutórios,
taquicardia, agressividade, irritação e paranoia. Torna-se necessário implantar
campanhas preventivas nas empresas de transportes e nos meios de comunicação,
além de realizar fiscalizações em pontos suspeitos, como postos de combustíveis,
borracharias, etc. De acordo com pesquisa realizada por Eurípedes (2007), 66% dos
caminhoneiros fazem uso de anfetaminas durante a viagem, sendo 27% diariamente
e 60% de duas a três vezes por semana. Ainda 27% relataram acidentes pelo uso
das substâncias anfetamínicas. Pela relevância dos acidentes de trânsito e pela
dependência causada por uso de anfetamínicos, buscamos identificar por meio desta
pesquisa a representação social do caminhoneiro de estrada quanto ao uso dessas
substâncias. Intencionamos caracterizar os motivos do início do uso, da manutenção
e das tentativas de parar. Buscamos identificar o nível de conhecimento do usuário
de estimulantes quanto às consequências, como a dependência e outros transtornos,
podendo assim contribuir no alargamento de informações e quiçá contribuir para
conscientização dos caminhoneiros. Serão realizadas entrevistas com caminhoneiros
de estrada moradores do Município de Viana/ES. Esses sujeitos foram escolhidos
pela acessibilidade em relação às pesquisadoras, assim como pelo grande número
desses profissionais na localidade - o bairro Marcílio de Noronha. A coleta de dados
será efetuada por meio de entrevistas individuais do tipo semi-estruturadas. Por meio
da técnica de Análise de Conteúdo, poderemos visualizar o nível de conscientização
dos riscos, tanto para eles próprios quanto para outros que possam ser envolvidos
em acidentes de trânsito por eles causados.
Palavras-chave: Anfetamina. Caminhoneiro. Representação social.
CO 003: ANÁLISE DA SAÚDE MENTAL EM PACIENTES COM FOBIA DE DIRIGIR
Naiara Ferreira Vieira Castello, Aline Hessel, Elizeu Borloti.
A pesquisa partiu da definição sobre saúde mental feita pela Organização Mundial de
Saúde (OMS), que a coloca como um estado de bem-estar que vai além da ausência
de doença. Dessa forma, o sofrimento advindo da impossibilidade de dirigir causada
por um transtorno como a fobia de dirigir pode interferir na condição de saúde mental
do sujeito acometido. Sendo assim, o presente estudo teve por objetivo avaliar quais
são as possíveis correlações entre a fobia de dirigir e saúde mental. O instrumento
utilizado nessa avaliação foi o Questionário de Saúde Geral de Goldberg (QSG), que
foi aplicado em 42 indivíduos, de idade entre 20 e 59 anos, sendo 39 mulheres e 3
homens que procuraram uma clínica particular especializada em fobia de direção. Os
questionários foram aplicados na clínica onde os participantes buscaram o tratamento
para a fobia, nas cidades de Vitória/ES, Rio de Janeiro/RJ e Belo Horizonte/MG.
Seguiram-se rigorosamente as instruções de aplicação reproduzidas no manual.
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 19
19
08/05/2012 18:37:23
As respostas de cada indivíduo foram tabeladas por meio do Statistical Package
for the Social Sciences (SPSS) e foram calculados os escores correspondentes aos
fatores específicos e ao fator geral. No fator geral da escala, 52,4% dos participantes
apresentaram escore superior ao padrão apresentado pela tabela de normas presente
no manual do questionário. Na categoria estresse psíquico, foram 57%; em desejo
de morte, 23%; em desconfiança no próprio desempenho, 57%; em distúrbios do
sono, 38%; e em distúrbios psicossomáticos, 47,6%. Esses resultados apontam para
a importância do tratamento da fobia de direção como contribuição à saúde mental.
A ausência de literatura a respeito do tema revela a necessidade de novos estudos
buscando compreendê-lo. Esta pesquisa pretende informar e abrir caminho para
essas futuras investigações.
Palavras-chave: saúde mental, fobia de dirigir, transtornos de ansiedade
CO 004: CONDUTORES DE VEÍCULOS COM CARTEIRA NACIONAL DE HABILITAÇÃO (CNH)
PROVISÓRIA: RELATOS DAS PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS
Lais Sudre Campos, Jaciara Scal Duia Castello, Gina Strozzi.
O presente projeto propõe-se a relatar as primeiras experiências de condutores de
veículos com carteira nacional de habilitação (CNH) provisória nas categorias B ou
AB. Este projeto proporciona uma visão dos próprios condutores sobre o trânsito,
suas reações, frustrações e comportamentos. Os dados foram coletados por meio de
pesquisas documentais e bibliográficas, pesquisa de campo exploratória com registros
escritos e realização e transcrição das entrevistas com roteiro padronizado. O projeto
é classificado como uma pesquisa exploratória quantitativa e qualitativa, de acordo
com os dados que se desejava levantar. Os sujeitos do projeto foram cinco motoristas
que retiraram sua CNH no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, na cidade
de Vitória/ES. Os dados obtidos pelas entrevistas foram analisados e interpretados
por meio da Análise de Conteúdo. O projeto teve como objetivo geral levantar dados
sobre as primeiras vivências/experiências no trânsito da cidade de Vitória de sujeitos
com CNH provisória que se habilitaram no ano de 2010 ou 2011 na mesma cidade.
Já seus objetivos específicos foram levantar dados sobre as infrações em que os
sujeitos da pesquisa se envolveram em seu período de aprovação; investigar as reações
emocionais dos sujeitos quando estão no trânsito; identificar o nível de confiança
que eles possuem em relação a seu desempenho no trânsito; e relatar as primeiras
vivências/experiências dos sujeitos em seu período de aprovação. De acordo com
esses objetivos, a finalidade do projeto foi analisar se houve envolvimento desses
condutores recém-habilitados em infrações de trânsito e acidentes, como também
os motivos para esse comportamento e suas emoções no período de aprovação da
carteira. Os resultados obtidos revelaram alguns comportamentos inadequados dos
sujeitos de pesquisa no trânsito, assim como seu descontentamento sobre a forma como
20
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 20
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:23
o trânsito de Vitória está organizado. Com relação aos sentimentos apresentados no
período da auto-escola, os mais relatados foram ansiedade, felicidade, nervosismo,
conforto, medo e satisfação. Já em relação aos sentimentos no trânsito atualmente
foram felicidade, liberdade, nervosismo, estresse, apreensão, medo e raiva.
Palavras-chave: trânsito; CNH provisória; sentimento
CO 005: CONSIDERAÇÕES SOBRE FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA E AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA
DE CONDUTORES
Andréa dos Santos Nascimento, Marcele Verdin, Alexandro de Andrade.
A avaliação psicológica de motoristas aparece no Brasil muito antes de a Psicologia
ter sido reconhecida como profissão. Em 1951, o Instituto de Seleção e Orientação
Profissional (Isop), sob coordenação do pesquisador Mira y López, aplicava
entrevistas e testes de aptidão e de personalidade em motoristas no intuito de
avaliar suas performances no trânsito, o que era conhecido à época como exame
psicotécnico. No ano de 1961, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) reconheceu
essa prática como obrigatória a todos os candidatos à obtenção da CNH. Desde
então, a avaliação psicológica tornou-se compulsória para esse fim. A presente
pesquisa possui um caráter qualitativo, com objetivo de investigar e discutir, por
meio de um estudo de caso, a formação e a prática do profissional Perito Examinador
de Trânsito, além de questões éticas desses elementos na formação dos alunos de
Psicologia. Para o levantamento das informações, foi utilizado o recurso de diário
de campo para o registro de eventos e das atividades de estágio complementar em
uma clínica credenciada ao Departamento Estadual de Trânsito do Estado do Espírito
Santo (Detran/ES). Os resultados apontaram diversas ocorrências ligadas a práticas
inadequadas no manejo de testes e procedimentos de avaliação psicológica, tais
como: aplicação com orientações diferentes do manual, fotocópia de material de
testagem e interpretação enviesada de resultados. Esses aspectos, no conjunto geral,
remetem a questionamentos sobre a formação no nível da graduação, tornando sua
prática questionável e por vezes duvidosa em termos éticos. A escassez de orientação
por parte do psicólogo contratante, bem como a ausência de mecanismos eficazes de
fiscalização à luz dos resultados desta pesquisa, sinalizam um processo de trabalho
precário, levando a uma visão equivocada sobre avaliação psicológica de motoristas.
Palavras-chave: psicologia do trânsito, avaliação psicológica, ética e formação.
CO 006: OS PROCESSOS DE APRENDIZAGEM NO REMO: O GRUPO E SEU POTENCIAL
Érika Camilo Silverol, Hércules Wagner Paiva, José Eduardo Almeida Felix, Sâmia Gabler da Eira.
Este trabalho pretendeu, por meio do conhecimento do ambiente esportivo, bem
como da aproximação com os atletas do remo do Clube Álvares Cabral, em Vitória/
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 21
21
08/05/2012 18:37:23
ES, trazer à compreensão a forma como eles empreendem uma aprendizagem
inventiva no esporte e como eles lidam com o estresse, a disciplina e o rigor diante
dos obstáculos. Com isso, os objetivos eram o de possibilitar a eles a produção da
própria autonomia na resolução de problemas e ainda observar como conseguiam
criar novas estratégicas de enfrentamento aos desafios do esporte - além de
poderem ter, como eventual consequência, a ampliação da potência/força de agir.
Para a realização deste trabalho, foram necessários seis encontros semanais com
os atletas para que eles pudessem discutir sobre suas experiências no remo, suas
vitórias, desafios, assim como o trabalho em equipe, a promoção de autonomia e
novos meios de aprendizagem, de maneira coletiva, buscando novas formas de
construção de estratégias para esses fins. De certo modo, a comissão técnica já havia
percebido essa necessidade da participação dos atletas nas decisões finais acerca
das estratégias de competições e dos treinos. Esse pensamento desconstrói a ideia
tradicional de um técnico que busca a vitória a qualquer preço sem ouvir o que os
atletas têm a dizer. Busca-se, portanto, uma interação do coletivo para que, assim,
o grupo (comissão técnica e esportistas) possa alcançar o objetivo maior - no caso,
o melhor desempenho e as vitórias, levando em consideração que a derrota e os
problemas são de todos os envolvidos na prática do remo.
Palavras-chave: Esporte.Remo. Autonomia. Aprendizagem.
CO 007: POR OUTRAS PERSPECTIVAS DE PESQUISAR EM CIÊNCIAS HUMANAS: A NARRATIVA
COMO DISPOSITIVO PARA CONVERSAR E A PRODUÇÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS
Ruth Batista, Elizabeth Maria Andrade Aragão, Leila Aparecida Domingues Machado, Maria
Carolina de Andrade Freitas.
O presente trabalho é fruto de duas pesquisas em andamento: uma com adolescentes
em conflito com a lei em cumprimento de medida socioeducativa de internação
na Unidade de Internação Socioeducativa (Unis), e outra que investiga processos
de subjetivação em curso no contexto da medicalização na educação a partir da
análise de narrativas de crianças em idade escolar. Apesar de se formalizarem como
campos distintos, tais pesquisas realizam aproximação sobre certo modo de pesquisar
e escrever, uma vez que se utilizam da narrativa como dispositivo de escritura.
Como produzir uma escrita acadêmica que mobilize afetos e novas experiências?
Como construir um texto que revele um modo de pensar e pesquisar encarnado,
fabricado em ato? A partir de tais interrogações, este trabalho objetiva articular e
afirmar certo modo de pesquisar, como aposta ética e política, que corrobora para a
produção de novas tecnologias no campo das pesquisas em ciências humanas. Por
meio da discussão sobre dispositivo e narrativas, visa contribuir para a fomentação
de um espaço de reflexão sobre as práticas em pesquisa. Aposta que fazer pesquisa
é traçar mapas, é cartografar. Percorrer linhas e terras em escapes. Buscar as curvas
22
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 22
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:23
de visibilidade e as de enunciação, atentando-se pelas mutações e limiares. Pois um
dispositivo, assinala Deleuze (1990), implica linhas de forças operando idas e vindas
entre o ver e o dizer, convocando batalhas e penetrações em coisas e palavras. A
escolha da posição narrativa não está desvencilhada das políticas em jogo: políticas
de saúde, políticas de pesquisa, políticas da subjetividade, políticas de escrita. Os
resultados no campo da socioeducação apontam para o acolhimento e produção de
subjetividades presentes no cotidiano e nas relações; a compreensão do modo de
funcionamento da Unidade e do jogo de forças ali existentes; e para uma práticapostura de escutar as histórias dos meninos privados de liberdade que se situam
para além do ato infracional, ampliando o trabalho de pesquisa e valorizando as
singularidades envoltas pelo coletivo. No campo da medicalização na educação, as
histórias-narrativas de meninos permitem a afirmação da língua como um espaço
de tensões, de resistência e de luta. Corroboram para sustentar a proposição de
que o cotidiano se inventa. A língua se inventa. Constituem ainda a esteira para as
inventividades possíveis, escapando das totalizações que requerem o engessamento
patologizador como forma de cuidado e atenção.
Palavras-chave: Dispositivo. Narrativa. Pesquisa. Implicações ético-políticas.
CO 008: PROJETO TRILHA CIDADÃ
Karla Barros de Lacerda Fafá, Silvia Amélia Cardoso Sardenberg.
O Projeto Trilha Cidadã é desenvolvido pela Gerência de Educação Ambiental (GEA)
do Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). Iniciou-se a
implantação em 2011, tendo por objetivo ampliar a inclusão de pessoas com deficiência
física e/ou intelectual e transtorno mental nas atividades de Educação Ambiental do
Parque Estadual Paulo César Vinha (PEPCV). Por meio de um trabalho em parceria
com instituições educacionais, assistenciais e de saúde, utiliza-se dos referenciais
da Psicologia Ambiental, no que diz respeito aos Ambientes Restauradores, para
incentivar o uso das unidades de conservação como instrumento de intervenção
psicossocial. Nessa parceria, até o momento foram desenvolvidos instrumentos para
análise do local quanto à acessibilidade específica para cada grupo e mapa de visitação
para identificação prévia das trilhas a serem utilizadas. Também houve visita às
instituições participantes para identificação do público beneficiado, assim como visita
técnica dessas instituições ao PEPCV para elaboração do relatório de acessibilidade e
capacitação dos profissionais das instituições - equipes do PEPCV e da GEA - sobre
os temas Inclusão Social, Educação Ambiental e Qualidade de Vida pela inter-relação
humano-ambiental. Participam do projeto as seguintes instituições do município de
Guarapari: Centro de Referência de Assistência Social, Centro de Atenção Psicossocial
II e Apae. De Vitória, participaram o Instituto Luiz Braille, o Centro de Prevenção e
Tratamento ao Toxicômano, a Apae e a Escola Estadual de Educação Oral Auditiva. As
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 23
23
08/05/2012 18:37:23
visitas dos grupos ao PEPCV ocorrem a partir de abril 2012, e o acompanhamento será
realizado posteriormente, por meio de reuniões com a equipe do parque para discussão
da dinâmica das trilhas desenvolvidas e práticas construídas durante as visitas. Ao
final de um ano, será elaborado um relatório quali/quantitativo e de acessibilidade,
proporcionando um levantamento do potencial do PEPCV para orientar a adequação
futura de sua estrutura física, bem como a consolidação de diretrizes para implantação
do projeto nas demais unidades de conservação administradas pelo Estado. Esperamos
que o referido projeto incentive, por meio dos benefícios advindos do contato direto
com a natureza e do trabalho interinstitucional, a prática de utilização de ambientes
naturais públicos como um instrumento de intervenção psicossocial.
Palavras-chave: Inclusão. Educação ambiental. Qualidade de vida.
CO 009: PROJETO VIDA – ATUAÇÃO INTERDICIPLINAR NAS EMERGÊNCIAS E DESASTRES
Andreia da Silva Ferreira, Maria Dolores Pinheiros de Souza, Marcela Arrivabene.
O Projeto Vida é um projeto de extensão acadêmica, desenvolvido no curso de
Psicologia da Faesa, em parceria com a Defesa Civil Estadual e outros cursos de
graduação, desde agosto de 2011. Tem como premissa norteadora uma perspectiva
social e preventiva da Psicologia, para tornar as comunidades mais seguras e diminuir
os danos sociais e psicológicos das pessoas envolvidas nas situações de desastre,
emergência e calamidade pública. Os objetivos centrais do projeto são trabalhar
em parceria com os órgãos de defesa civil, atuando nos planos de contingência
das emergências e desastres que ocorrem no estado do Espírito Santo; compor a
equipe de planejamento e resposta das defesas civis municipais e Estadual; e realizar
intervenções nas quatro ações de redução de desastres definidas no Plano Nacional
de Defesa Civil (prevenção, preparação, resposta e reconstrução). Além de tudo,
buscamos capacitar os futuros psicólogos para atuarem em situações de emergências
e desastres, ampliando a visão do graduando em Psicologia sobre as possibilidades
da prática profissional no âmbito da prevenção e da assistência, contribuindo para a
formação de profissionais qualificados, comprometidos com os desafios da sociedade
brasileira contemporânea e com uma vida comunitária sustentável.
Palavras-chave: Defesa Civil. Emergências e Desatres. Psicologia.
CO 010: PSICOLOGIA VAI À ESCOLA: É BRINCANDO QUE A GENTE SE ENTENDE
Priscilla Simões Madeira, Lidiane Vogas Andreão, Isabele Santos Eleotério.
Este trabalho consiste em um relato de experiência dos Estágios Supervisionados
Básicos I e II e foi dividido em duas fases. Na primeira fase, compreendida entre
16 de março e 9 de junho de 2011, as estagiárias realizaram pesquisa bibliográfica e
observação dos processos psicossociais no campo em uma escola pública de Vitória
24
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 24
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:24
na modalidade de ensino Educação de Jovens e Adultos (EJA), com o objetivo
de elaborar um projeto de intervenção. Na segunda fase, de 2 de agosto a 22 de
novembro de 2011, as estagiárias realizaram a intervenção intitulada “É brincando
que a gente se entende”, que visava promover interação entre os alunos do EJA por
meio de atividades lúdicas ou esportivas. Foram utilizados os horários de intervalo
dos alunos às terças-feiras para a proposição de atividades lúdicas, de forma que todos
eles pudessem participar, independentemente da idade. Foram realizadas atividades
como dinâmicas de grupo, que estimularam os participantes a pensar em suas rotinas,
incluindo hábitos alimentares e prática de exercícios físicos; e brincadeiras coletivas,
como escravos de Jó e jogo de peteca, para trabalhar a cooperação e integração dos
participantes. Após as atividades, as estagiárias aproveitavam para discutir questões
sobre vivência na escola e interesses pessoais, como a importância de continuar
os estudos e de realizar cursos profissionalizantes e a relação estudo e trabalho.
Durante essas atividades, os alunos puderam manter com as estagiárias um canal de
comunicação por meio do qual falavam de suas vidas e pretensões de futuro. Com a
aplicação do projeto, as estagiárias perceberam a importância dessa experiência para
a formação em Psicologia, pois dentro da escola puderam estabelecer contato com
diferentes pessoas, e perceber seus conflitos e refletir sobre possibilidades -além de
exercitar a escuta presente no fazer do psicólogo, algo que não se consegue dentro das
salas de aula e sim no campo de estágio, em contato direto com a comunidade escolar.
Palavras-chave: Experiência de estágio. Atividades lúdicas. Interação Social.
Psicologia do esporte.
CO 011: RELAÇÃO ENTRE O NÍVEL DE ANSIEDADE E O DESEMPENHO NA PROVA PRÁTICA
PARA OBTENÇÃO DA CARTEIRA NACIONAL DE HABILITAÇÃO NA GRANDE VITÓRIA
Aline Hessel de Araújo, Naiara Castello, Elizeu Borloti.
A ansiedade é definida como um estado de apreensão e medo causados pela antecipação
de perigo ou de uma situação desconhecida. Em circunstâncias nas quais o indivíduo
se submete a avaliações ou se envolve em competições, como a realização de provas,
apresentações em público e atividades desportivas, produzem frequentemente níveis
significativos de ansiedade-estado, aquela que pode acometer tanto pessoas que têm
traços altos de ansiedade como as que geralmente não respondem de maneira ansiosa
a eventos cotidianos. Esses altos índices de ansiedade, por sua vez, estão comumente
relacionados a um baixo desempenho nas avaliações. Este trabalho procura verificar
se há alguma relação entre o nível de ansiedade no momento da prova prática para
obtenção da Carteira Nacional de Habilitação e o desempenho do participante, definido
pela aprovação ou não. Para isso, será utilizada a Escala de Ansiedade de Beck (BAI),
que é respondida pelos participantes à espera da prova prática mediante leitura e
assinatura de um termo de consentimento livre e esclarecido. Após a finalização da
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 25
25
08/05/2012 18:37:24
prova pelo participante, é verificado, no próprio local de prova ou por um telefonema
posterior, se houve aprovação ou reprovação. Dessa forma será possível observar se
o nível de ansiedade obtido no BAI correlaciona-se com o desempenho durante a
prova prática. O procedimento de coleta de dados foi realizado em alguns locais de
prova da região da Grande Vitória e os dados serão tabelados e analisados por meio
Statistical Package for the Social Sciences (SPSS).
Palavras-chave: Transtornos de Ansiedade. Ansiedade de desempenho. Processo
de habilitação. BAI.
CO 012: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS, MÍDIAS E CIBERCULTURA
Beatriz Baptista Tesche, Salomão Calheiros.
Este trabalho objetivou analisar as Representações Sociais de mídias sociais da
internet para adolescentes residentes em Marataízes/ES. Buscou-se também verificar
quais os usos que esses adolescentes fazem dessas mídias. Fez-se um levantamento
bibliográfico sobre Ciberespaço e Cibercultura, termos compreendidos como
espaços de vivências virtualizadas, não sendo físicas, mas reais, ou seja, espaços
de experiências e relações que se dão em um ambiente não físico. A Teoria das
Representações Sociais proposta por Moscovici foi utilizada para a análise dos
dados coletados. Para essa teoria, representações sociais são conhecimentos práticos,
produzidos no coletivo, que servem para compreensão da realidade social de um
grupo. Foram utilizados questionários aplicados coletivamente que continham
questões sociodemográficas, sobre os usos do computador e o acesso a internet
e ainda questões de evocação com os termos indutores “orkut”, “facebook” e
“twitter”. Participaram desta pesquisa 50 adolescentes, estudantes do 6º ano do
ensino fundamental (EF) e do 3º do ensino médio (EM). Foram utilizadas a análise
de conteúdo e a análise de evocações a partir do software EVOC. Os termos
Amigos, Recados, Conversas, Fotos, Jogos, Famosos e Seguidores podem fazer
parte do núcleo central das representações sociais desses jovens sobre mídias sociais
pois apresentam alta frequência e são os primeiros em evocações; também estão
descritos nas práticas dos adolescentes face à internet. Entre os usos identificados,
comunicação com os amigos está presente tanto no EF quanto no EM. O elemento
Fotos está nas práticas de vários participantes, seja ao postar uma foto, atualizar
ou compartilhar. Jogos está em maior frequência nas práticas dos entrevistados
do EF, e Famosos e Seguidores, relacionados principalmente ao Twitter, aparece
com maior frequência nas práticas dos alunos do EM. O twitter apresentou poucas
evocações entre alunos do EF, o que pode ser explicado pelo fato de ser uma mídia
imediata de comunicação; a maioria dos participantes do EF não acessa a internet
todos os dias, acessa apenas do PC e permanece em média 2 horas por dia na
internet. Já os alunos do ensino médio, que apresentaram elementos relacionados
26
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 26
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:24
diretamente ao usos na internet do twitter, apresentam maios acesso à internet e
maior permanência na rede.
Palavras-chave: Ciberespaço. Cibercultura. Mídias Sociais. Psicologia Social. Teoria
das Representações Sociais.
Eixo: Psicologia Jurídica e Mediação de Conflitos
CO 013: A MEDIAÇÃO DE CONFLITOS COMO ALTERNATIVA PARA PROMOÇÃO DA CULTURA
DE PAZ
Charlisson Mendes Gonçalves, Alessandra Barcelos Menezes, Francislaine Oliveira Soares
Sampaio.
A diversidade existente na sociedade sempre foi geradora dos mais variados
conflitos. Restabelecer o diálogo e pacificar as relações é um desafio frente à
complexidade do contexto – social, econômico e cultural - em que o ser humano
está inserido. Nessa perspectiva surge o Programa Mediação de Conflitos (PMC),
que é uma política pública da Secretaria de Estado de Defesa Social, desenvolvida
pela Coordenadoria Especial de Prevenção à Criminalidade, destinada às áreas com
maior índice de criminalidade no Estado de Minas Gerais. O PMC faz parte do
Centro de Prevenção à Criminalidade (CPC) e propõe à comunidade em que está
inserido, ações que fomentem a cultura de paz e promovam a resolução pacífica de
conflitos. O presente trabalho é fruto de uma pesquisa que consistiu em analisar 15
casos de mediação atendidos no PMC de uma cidade do interior de Minas Gerais
no ano de 2011. Seguindo a metodologia do programa, primeiramente é feito um
atendimento individual com as partes envolvidas e são definidos seus objetivos
com a mediação. Após essa etapa, acontece o encontro das partes, onde ambas têm
a oportunidade de se expressar uma à outra e posteriormente pensar nas possíveis
soluções para o caso. Os mediadores participam como facilitadores do diálogo.
Entre os casos atendidos, observou-se que 66% tratavam de questões familiares
e dentre, eles, 70% estavam relacionados à pensão de alimentos. Os outros casos
variavam entre conflitos de vizinhança (20%), questões trabalhistas (7%) e relações
de consumo (7%). Nas resoluções dos referidos casos, foi possível observar que
67% dos atendimentos foram concluídos com acordo entre as partes; 26% passaram
pelo processo de mediação, não fizeram acordo e foram encaminhados para outras
instituições; e 7% desistiram do processo de mediação. A partir dos dados coletados,
concluímos que a mediação de conflitos mostra-se eficaz como alternativa para a
resolução pacífica de conflitos, a promoção da cultura de paz, a viabilização do
acesso a direitos e a prevenção da criminalidade e da violência.
Palavras-chave: Mediação. Conflitos. Resolução pacífica. Cultura de paz.
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 27
27
08/05/2012 18:37:24
CO 014: PSICODIAGNÓSTICO EM CONTEXTO PRISIONAL: FRAQUEZAS E FORTALEZAS.
RELATO A PARTIR DE UMA EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO
Rafaela Figueredo de Aguiar, Lorena Guimarães Firme, Mônica Cola Cariello Brotas Corrêa,
Reury Costa Martins.
A ação da Psicologia no contexto prisional constitui-se em uma prática recente para a
qual ainda não existe um conjunto de técnicas e estratégias que ofertem aos profissionais
que atuam nesse campo de conhecimento uma base técnico-instrumental consistente.
Nesse sentido, algumas iniciativas vêm sendo instituídas de forma a consolidar essa
área de atuação com oferta de práticas inovadoras. No caso específico da avaliação
psicológica, muitas questões são referidas na literatura sobre as dificuldades na relação
do resultado dos testes com o seu uso. Destacam-se, dentre elas, a escassez de recursos
humanos, técnicos e materiais, bem como a falta de articulação dos dados produzidos
por meio da avaliação psicológica com a rede de atenção ao interno. Realizado em
uma unidade prisional do ES, este estudo objetivou identificar as contribuições da
avaliação psicológica para a progressão dos reeducandos para um regime prisional
menos rigoroso. A unidade pesquisada segue o modelo estrutural dos mais novos
presídios, contando com 750 internos em regime fechado, sendo um psicólogo penal
e uma estagiária para atendimento de toda a população carcerária. Utilizou-se, para a
pesquisa, a observação direta da prática e entrevistas semi-estruturadas com a equipe
da unidade para o alcance de informações pertinentes à temática. Os resultados indicam
que os profissionais reconhecem a avaliação psicológica como estratégia fundamental
para a tomada de decisões do projeto de ressocialização a ser proposto para o sujeito
que ingressa no sistema prisional. Todavia, ressaltam a função meramente burocrática
que a atividade alcança em razão da legislação que rege tal prática. Os dados sinalizam
a importância de qualificação dos profissionais e a necessidade de novas pesquisas
que possam embasar práticas inovadoras que integrem a avaliação psicológica ao
processo de ressocialização previsto para o interno do sistema prisional - e ainda
a necessidade de articulação com o sistema jurídico a fim de que tais avaliações
psicológicas ganhem efetivamente utilidade.
Palavras-chave: Reeducação. Sistema prisional. Psicodiagnóstico. Avaliação psicológica.
Eixo: Saúde
CO 015: A CLÍNICA DO ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO NA INSTITUIÇÃO ESCOLAR
Camyla Bastos Gonçalves, Luiza Helena de Castro Victal e Bastos.
O resgate histórico da clínica do Acompanhamento Terapêutico (AT) e a articulação
desse conceito com a noção de território escolar como um espaço de inclusão para
28
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 28
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:24
crianças e adolescentes que apresentam transtorno mental severo constituiu o campo
teórico para a experiência de estágio em Psicologia no CAPS Infantil de Vitória. A
descrição e a reflexão referentes à clinica do AT a partir da inserção da aluna como
acompanhante terapêutico na escola da criança em tratamento no serviço constituiu
objetivo da experiência. Por meio de observação direta, que acontece de maneira
assistemática, participante, busca identificar os limites e possibilidades dessa clínica
não convencional realizada no cotidiano da adolescente acompanhada no ambiente
escolar. Os resultados parciais referem uma dificuldade da instituição escolar em
relação à inserção e ao desenvolvimento da adolescente com transtorno psíquico.
Deficiências referentes ao suporte facilitador para a inclusão dessa adolescente e dos
demais alunos com necessidades especiais produzem sentimento de sobrecarga aos
profissionais educadores. A ausência de um trabalho articulado em rede potencializa
uma rigidez nos processos escolares, sendo muitas vezes, complicado estabelecer
uma relação aberta e em conjunto. Identifica-se uma posição de abandono da
adolescente por parte de alguns profissionais, deixando de haver o investimento
necessário para seu desenvolvimento, seja ele no âmbito cognitivo, no social ou em
ambos. Vislumbra-se que o trabalho do acompanhante terapêutico permite, ainda
que de modo limitado, articular a atenção psicossocial realizada no CAPS Infantil
e os processos escolares, visando o cuidado de maneira integral.
Palavras-chave: Acompanhamento Terapêutico. CAPS infantil. Atenção Psicossocial.
CO 016: ABSENTEÍSMO POR DOENÇAS DO CID F E A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO
Mariane Henriques França.
A partir dos anos 90, intensificou-se no mundo o processo de mudanças na relação
capital x trabalho. Essas mudanças passaram a exigir um novo perfil do trabalhador,
com maiores concessões em termos do uso de sua subjetividade. Fatores como o
aumento do ritmo de trabalho e de responsabilidade e a polivalência, assim como
um maior controle e supervisão, caracterizam o novo perfil do trabalhador. As
mudanças promovidas por essa “nova” organização do trabalho geram situações
desgastantes em um ambiente envolvido com a produção em ritmo intensificado,
com máxima utilização dos recursos em menor tempo, qualidade e produtividade.
Nesse contexto, o trabalhador assalariado formal sofre, se desmotiva e, em alguns
casos, se destrói. Dejours (1992) aponta dois tipos de sofrimentos que sobressaem
no ambiente de trabalho: a insatisfação e a ansiedade. Esse sofrimento, quando não
mediado por estratégias de enfrentamento, provoca a modificação da vinculação
do trabalhador com a empresa e se criam processos patogênicos de adaptação,
ou seja, a somatização do sofrimento na doença propriamente dita. A doença dos
trabalhadores gera consequências negativas tanto para os trabalhadores como
para as instituições, posto que afetam diretamente os indicadores de saúde e
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 29
29
08/05/2012 18:37:24
absenteísmo. Isso observado na práxis profissional do Serviço Social de uma
Unidade de Operação de uma Estatal do ramo de energia no ES, propomos o
objeto de estudo da presente pesquisa, cujo objetivo é analisar a correlação entre
absenteísmo dos empregados por afastamento legal por auxílio-doença com
vinculação específica ao CID F e a organização do trabalho. Trata-se de uma
pesquisa qualiquantitativa. Por meio do levantamento dos trabalhadores afastados
do trabalho por auxílio-doença com vinculação ao CID F nos anos de 2009 e
2010 e da análise do discurso das entrevistas realizadas com esses trabalhadores
chegamos a algumas conclusões. Os afastamentos relacionados ao CID F assumem
o primeiro lugar em termos de absenteísmo e o segundo lugar em relação ao
número incidente. Isso porque esses afastamentos apresentam características de
serem prolongados. Muito embora a estatística seja alta, não podemos afirmar a
sua vinculação com a organização do trabalho, fato que está sendo repensado em
um novo projeto de pesquisa.
Palavras-chave: Absenteísmo. Sofrimento no trabalho. Patologização. Saúde mental.
CO 017: CONCEPÇÕES DO ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO NAS PRÁTICAS EM SAÚDE
MENTAL NA GRANDE VITÓRIA
Kelly Guimarães Tristão, Luziane Zacche Avellar.
A partir do movimento da Reforma Psiquiátrica, iniciado na década de 70, o
Brasil tem passado por uma profunda reestruturação no que diz respeito à atenção
em saúde mental, que exige a criação de uma rede articulada de serviços que
substituam a internação hospitalar por novas modalidades de intervenção. É
nesse contexto que o Acompanhamento Terapêutico vem se configurando como
uma prática importante na ampliação da rede de assistência em saúde mental. É
uma modalidade de atendimento em Saúde Mental marcada por encontros que
acontecem no cotidiano do sujeito e em espaços de circulação pública, utilizando
um setting diferente do clássico, no qual o sujeito pode experimentar novos
caminhos e construir possibilidades de relação com o mundo com progressivo
resgate de sua autonomia. O objetivo deste trabalho é refletir sobre as concepções
de Acompanhamento Terapêutico para profissionais que atuam com tal modalidade
na rede de assistência em Saúde Mental na Grande Vitória, priorizando os
aspectos que dizem respeito às concepções sobre a prática. Para isso, foram
realizadas entrevistas parcialmente estruturadas com profissionais que utilizem
o Acompanhamento Terapêutico na rede pública e/ou privada. Os dados foram
analisados a partir da Análise de Conteúdo na modalidade de Análise Temática. Os
resultados obtidos discorrem sobre a ligação do sujeito com o social, a retomada
de funções do cotidiano, a construção de autonomia e a desmistificação da doença
mental, apontado para a importância do Acompanhamento Terapêutico como um
30
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 30
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:24
dispositivo capaz de proporcionar uma assistência mais eficaz ao paciente e a seus
familiares e a possibilidade de tornar mais próximo o contato entre o profissional
de saúde, o usuário e a comunidade.
Palavras-chave: Saúde mental. Desinstitucionalização. Serviços de saúde mental.
Atividades cotidianas. Reabilitação.
CO 018: CUIDE-SE BEM: UMA ALTERNATIVA SOCIAL PARA O BEM-ESTAR
Isabele Santos Eleotério, Joanna Fernandes Reblim, Berta Maria Gomes Pinto.
Cuide-se Bem é um projeto de iniciação científica que tem como proposta
desenvolver atividade em grupo para trabalhar o conceito de bem-estar. O
projeto propõe a constituição um grupo de até 20 participantes selecionados entre
profissionais ou estudantes de saúde, educação ou assistência social. Considera-se
que grande parte dos adoecimentos decorre de situações estressoras cotidianas;
percebe-se a necessidade de realizar ações preventivas a fim de estimular
mudanças nas relações interpessoais dos sujeitos, quer no trabalho, na família
ou na comunidade. Considera-se ainda que, para mudar a sociedade, é necessário
que cada ser humano transforme-se primeiro. Essa transformação pode se dar por
meio da construção de um modo mais harmonioso de sentir, conhecer e expressar
os próprios sentimentos. Espera-se que os participantes sejam estimulados a
vivenciar relações mais fraternas e gratificantes nos espaços onde se processam
suas interações sociais cotidianas. Além disso, as atividades em grupo apresentamse como alternativa para o autoconhecimento e o restabelecimento do equilíbrio
psíquico, ao estimular o bem-estar e a busca da superação de situações conflituosas
ou desagradáveis. Para tanto, pretende-se trabalhar os seguintes temas: cuidado
e saúde, família, cidadania, trabalho, sentimentos, aprimoramento pessoal e
perspectivas para o futuro. Serão utilizadas dinâmicas de grupo, aplicação de
questionários (no inicio e ao final do processo), vídeos, reportagens e técnicas
expressivas pertinentes ao objeto de pesquisa. As atividades desenvolvidas até
o momento envolveram grupo de estudos e a produção de um questionário para
obter dados acerca de:1) caracterização dos respondentes, 2) hábitos alimentares,
3) prática e frequência de atividade física, 4) relações interpessoais, 5) percepção
de beleza por meio da arte e natureza, 6) característica de moradia, 7) percepção
do trabalho e 8) ponto de vista filosófico ou religioso. O que se busca neste projeto
é o estímulo ao estudo, à prática e à reflexão acerca da utilização de processo
grupal como meio de promoção do bem-estar humano, lançando ênfase sobre as
mudanças que o indivíduo pode empreender em si próprio e em seu cotidiano,
interagindo com o ambiente físico e social que o circunda.
Palavras-chave: Processo grupal. Iniciação Científica. Bem-estar.
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 31
31
08/05/2012 18:37:24
CO 019: DIREITO À VIDA SEGURA: UMA ANÁLISE DA SITUAÇÃO PSICOSSOCIAL DO POLICIAL
RODOVIÁRIO FEDERAL DO MUNICÍPIO DA SERRA/ES
Andréa dos Santos Nascimento, Márcia Tirres Barretto, Julia Carolina Rafalski.
As organizações policiais desempenham a missão de garantir a segurança da
sociedade e de preservar os demais direitos e garantias fundamentais do cidadão.
A profissão de policial se constitui em uma atividade que lida invariavelmente
com o limite entre a vida e a morte, vivenciando o sofrimento alheio, o que acaba
por influenciar na condição de saúde, física e emocional, do policial rodoviário
federal (PRF). Por esse motivo, foi proposta pela Coordenação Regional de Direitos
Humanos da 12ª SRPRF/ES, do Município da Serra/ES uma pesquisa exploratória
que teve por objetivo analisar possíveis problemas de saúde relacionados ao trabalho
dos PRFs. Por meio da observação participante e de entrevistas abertas, foi observado
que a atividade profissional do PRF é geradora de estresse pela exigência de estado
de prontidão contínuo, trabalho noturno, crescente quantidade de competências
institucionais, além de um efetivo insuficiente. O crescente aumento da criminalidade
e o risco diário da própria vida pela missão creditada pelo Estado de garantir a
incolumidade dos cidadãos também foram caracterizados como fatores estressantes.
O PRF está envolvido diariamente com dois fatores externos mais letais, de acordo
com o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM): a arma de fogo e os acidentes
de trânsito. Os resultados parciais apontaram para a necessidade de um diagnóstico
mais aprofundado sobre as sequelas invisíveis dos atendimentos prestados pelos
policiais (estresse pós-traumático), que não têm atendimento psicossocial e suporte
emocional. Para tanto, é necessário que mais dados sejam levantados no sentido de
propor o subsídio de um programa de atenção psicossocial voltado para o benefício
da qualidade de vida e do trabalho do policial rodoviário federal.
Palavras-chave: Segurança pública. Saúde. Trabalho. Qualidade de vida.
CO 020: ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM UTILIZADAS POR ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS
COM E SEM INDÍCIOS DO TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE
Paola Zanotti Epifanio, Julia Dias Andrade Sgrancio, Monique Falcão Zuccarello Lôbo,
Priscila Barbosa Prates Coloma, Rafaela Almeida Feitosa, Simone Chabudee Pylro.
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma desordem
neurocomportamental que pode vir a afetar vários aspectos do desenvolvimento,
como o social, emocional, escolar e familiar. Considerando as possíveis implicações
da desatenção e da hiperatividade nas atividades da vida acadêmica de estudantes,
uma vez que os sintomas podem persistir até a idade adulta, esta pesquisa tem
por objetivo identificar as principais estratégias de aprendizagem utilizadas por
universitários com e sem indícios de TDAH. A escassez de material relacionado
32
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 32
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:24
a essa temática nos indica a necessidade de ampliação da investigação acerca
do assunto. Além disso, é importante verificar a utilização de estratégias de
aprendizagem, visto que elas podem trazer melhorias para o sujeito em seu percurso
acadêmico. A amostra será composta por, aproximadamente, 180 estudantes dos
cursos de Psicologia e Engenharia de uma instituição de ensino superior de Vitória/
ES. Os instrumentos utilizados são: (a) a escala ASRS – 18 (Adult Self Report Scale),
para a identificação de indícios de TDAH; e (b) a Escala de Avaliação de Estratégias
de Aprendizagem. Os instrumentos estão sendo aplicados coletivamente, junto aos
estudantes, na própria instituição de ensino, em horários previamente acordados com
as coordenações dos cursos. Esta pesquisa de campo tem caráter exploratório, sendo
a coleta de dados do tipo levantamento. Todos os critérios éticos que envolvem a
pesquisa com seres humanos estão sendo devidamente respeitados, e para a realização
da coleta de dados o projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa da instituição na qual será realizada a coleta.
Palavras-chave: TDAH. Estratégias de aprendizagem. Universitários.
CO 021: ESTRATÉGIAS TERAPÊUTICAS NA ATENÇÃO AO USO DE ÁLCOOL E DE OUTRAS
DROGAS: A APLICABILIDADE DO GRUPO DE MOVIMENTO NO CAPS AD.
Scheila Silva Rasch, Maria Lúcia Teixeira Garcia.
A política de atenção ao uso álcool e de outras drogas do Ministério da Saúde incita
a pensar estratégias de intervenções diferenciadas para usuários de substâncias
psicoativas, visando ao seu acolhimento numa lógica não somente centrada na
abstinência, mas em práticas que tenham como referencial a redução de danos.
Com base nessa diretriz, realizamos uma pesquisa, nível mestrado, no Programa de
Pós-Graduação em Atenção à Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito
Santo (Ufes). O objetivo do estudo foi o de refletir sobre a aplicabilidade, como
estratégia terapêutica para os usuários de álcool e de outras drogas, do grupo de
movimento, recurso terapêutico da prática clínica neorrechiana. O estudo, de caráter
qualitativo, teve como cenário o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas
(CAPS Ad), da Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Vitória. Os sujeitos
foram os participantes do grupo de movimento realizado no período de novembro
de 2002 a maio de 2003. Para coleta de dados, utilizamos pesquisa documental,
tendo como fontes os relatórios de gestão da instituição em questão, prontuários dos
sujeitos, registros e planejamentos das sessões do grupo de movimento realizados
por ocasião da realização da atividade. Empregamos também a entrevista semiestruturada para buscar a interpretação que os sujeitos participantes da experiência
deram ao processo realizado. A interpretação dos sujeitos entrevistados sobre essa
experiência destaca-se pela repetição dos efeitos produzidos pelo trabalho, como
sensações de vitalização e de relaxamento que podem instaurar novas vivências,
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 33
33
08/05/2012 18:37:24
capazes de ajudá-los num reposicionamento de suas histórias e padrões de consumo
das substâncias psicoativas. Apontamos a viabilidade do grupo de movimento como
recurso terapêutico possível para esses usuários, resguardando a singularidade dessa
clientela - por exemplo, a oferta de grupos abertos e não fechados considerando
a dificuldade de adesão e continuidade do tratamento por parte desses usuários.
Palavras-chave: Droga. Saúde Coletiva. Saúde mental. Centro de Atenção
Psicossocial Álcool e Drogas.
CO 022: GRUPOS DE SALA DE ESPERA NO AMBULATÓRIO DE ONCOLOGIA DO HOSPITAL
ESTADUAL INFANTIL NOSSA SENHORA DA GLÓRIA
Izabella Zippinotti de Lima Moscoso, Ana Carolina de Almeida Castro, Bruno Birro Coutinho,
Jana Silva Novaes e Rita de Cassia Corrêa Mello.
A partir das atividades de estágio de Psicologia desenvolvidas no Hospital Estadual
Infantil Nossa Senhora da Glória (HEINSG) foi feito um levantamento sobre
os aspectos psicológicos que emergiam dos pacientes (crianças e adolescentes)
e acompanhantes no ambiente da sala de espera do ambulatório de oncologia.
Entende-se o grupo de sala de espera como espaço dinâmico, no qual ocorrem
vários fenômenos psíquicos, culturais, singulares e coletivos - e que possibilita a
emergência de inúmeros sentimentos, resultantes das experiências de adoecimento
e tratamento do câncer infantil. O objetivo do trabalho era a diminuição dos
fatores que provocam dificuldade frente ao tratamento, como a ansiedade, por
meio de atividades lúdicas grupais na sala de espera. Os encontros aconteceram
semanalmente no período de 26 de abril a 8 de novembro de 2011, com duração
de 4 horas, totalizando 27 encontros. Participaram crianças e adolescentes, sempre
acompanhados de seus pais/responsáveis, caracterizando-se como um grupo aberto.
As atividades foram planejadas de acordo com orientações recebidas da psicóloga do
hospital (preceptora), do professor orientador e da demanda manifestada pelo grupo.
Abrangeram jogos como o bingo, teatro, desenhos livres, recorte e colagem, pintura,
brincadeiras de “faz-de-conta” de médico-paciente, confecção de cartazes e manuseio
de instrumentos musicais. Os resultados apontaram que as crianças/adolescentes,
ao desempenharem as atividades no grupo de sala de espera, se mostraram menos
ansiosas nesse período e se preocuparam menos com os fatores adversos que
fazem parte do tratamento oncológico. O envolvimento dos pais/responsáveis em
diversas atividades foi importante para a adesão dos participantes, favorecendo
assim a expressão de sentimentos não manifestados. Por fim, cabe destacar que o
ambulatório era visto como aversivo e ameaçador, gerador de grande ansiedade e
tristeza, e ao longo dos encontros essa visão negativa foi aos poucos minimizada,
possibilitando o melhor enfrentamento da espera pela consulta/tratamento.
Palavras-chave: Grupo de sala de espera. Atividades lúdicas. Câncer infantil.
crianças/adolescentes.
34
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 34
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:24
CO 023: IMPASSES NO DIÁLOGO ENTRE SAÚDE MENTAL E JUSTIÇA: A QUESTÃO DO LOUCO
INFRATOR
Fernanda Zimmer, Raquel Fabris Moscon, Renata Costa Moura.
Neste trabalho buscamos retratar os impasses referentes ao diálogo entre Saúde Mental
e Justiça, no que se refere às questões relativas aos pacientes com cessação da medida
de segurança, e que transitam do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico para
o Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, no Espírito Santo. Visa-se questionar, a partir
de alguns casos, as soluções aplicadas pelo sistema judiciário, tentando demonstrar a
inadequação dessas alternativas em relação aos princípios da Reforma Psiquiátrica.
Os tensionamentos emergem quando os pacientes do manicômio judiciário recebem
a cessação de periculosidade, suspendendo a relação com o sistema de justiça. No
momento em que poderíamos esperar o retorno deles para a comunidade, alguns são
forçosamente conduzidos a um novo confinamento; desta vez, no Hospital Psiquiátrico
comum, perpetuando-se o cárcere, pois apesar de possuir normas um pouco mais
flexíveis que um manicômio judiciário, o hospital psiquiátrico também carrega o
peso de uma instituição asilar na medida em que priva o sujeito da liberdade e do
exercício da cidadania. O fato de o paciente com cessação de medida de segurança
ser submetido a uma nova internação após sua saída do manicômio judiciário consiste
em um ato que viola os direitos humanos das pessoas com transtornos mentais, como
demonstra a situação de A., paciente atualmente internada no Hospital Adauto Botelho,
diretamente encaminhada do manicômio judiciário. Mostraremos como a trajetória
desse caso presentifica a existência de um confronto entre a lógica discursiva do
sistema penal em contraponto com a visão clínica.
Palavras-chave: Louco infrator. Sistema de saúde. Sistema judiciário. Reforma
psiquiátrica.
CO 024: MATRICIAMENTO: UM PROJETO DE INTERVENÇÃO
Larissa Escopelli Moulim da Silva, Scheila Alvarenga Sales, Roger Elias B. Machado.
O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é o principal serviço da rede de saúde
mental constituída na lógica da desinstitucionalização e, dentre suas funções,
destacam-se o acompanhamento de pacientes com transtorno mental grave e
persistente e a promoção da integralidade da assistência por meio da articulação
com os demais serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), além da ligação com
outros recursos comunitários. Nesse contexto, o matriciamento constitui-se como
estratégia fundamental na assistência compartilhada entre o CAPS e as Unidades
Básicas de Saúde. A equipe de apoio matricial tem por finalidade proporcionar
tanto apoio assistencial às equipes da atenção primária no acompanhamento dos
casos do território quanto suporte técnico pedagógico a esses profissionais. O
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 35
35
08/05/2012 18:37:24
presente trabalho refere-se, portanto, à experiência de estágio curricular do curso de
Psicologia da Faesa junto à equipe de apoio matricial do CAPS Cidade, localizado
no município de Cariacica/ES. Como estratégias de intervenção foram realizadas
reuniões com as equipes das Unidades de Saúde da área de abrangência do CAPS,
discussão de casos e visitas domiciliares. A constatação da dificuldade dos Agentes
Comunitários de Saúde (ACS) em lidar com questões relacionadas à saúde mental e
sua falta de conhecimento dos pressupostos da luta antimanicomial deram origem a
um treinamento em saúde mental para os ACS. O treinamento foi composto de três
encontros, e foram trabalhados os seguintes temas: história da loucura, Reforma
Psiquiátrica, características de alguns transtornos mentais e a política de saúde mental
no Brasil. Foram utilizadas palestras expositivas e dialogadas, recursos audiovisuais
e distribuição de material informativo. Como resultado desse trabalho, destaca-se
a aproximação do CAPS com os profissionais da atenção básica e a possibilidade
de ampliação do treinamento para toda a rede de Cariacica, sugerida pela própria
Coordenação de Saúde Mental da Secretaria de Saúde do município.
Palavras-chave: Matriciamento. Integralidade da assistência. Saúde Mental.
CO 025: O BASQUETEBOL COMO POTENCIALIZADOR DO DEFICIENTE FÍSICO CADEIRANTE:
UMA CARTOGRAFIA
Mariana Monteiro de Barros Miotto, Tulio Alberto Martins de Figueiredo.
Estudo descritivo de abordagem qualitativa buscando reconhecer a importância da
prática desportiva – no caso o basquetebol – como dispositivo potencializador da
ressocialização do deficiente físico cadeirante. O universo do estudo foi constituído
por 12 (doze) sujeitos inseridos em um Centro de Reabilitação Física do Espírito
Santo, e o trabalho de campo constou de entrevistas abertas e observação. A
cartografia – como método – constituiu a baliza norteadora da investigação. Nesse
movimento grupal, os treinos eram marcados por conversas e discussões técnicas
muito semelhantes ao que se nota entre os desportistas não cadeirantes, constituindose também como espaço de encontro afetivo e realização pessoal. Assim, o basquete
transforma os cadeirantes, contribuindo na superação de suas dificuldades iniciais
e configurando-se como um passaporte para reinserção social do sujeito.
Palavras-chave: Deficiência física. Basquetebol. Prática desportiva. Cartografia.
CO 026: O CONSUMO DE ÁLCOOL E SUAS DIMENSÕES NO DESENHO “OS SIMPSONS”
Ana Paula da Silva Milani Patrocínio, Paulo Rogério Meira Menandro
A presente pesquisa teve como objetivo investigar como o desenho animado Os
Simpsons aborda o consumo de bebidas alcoólicas envolvendo o contexto familiar.
A relevância desta pesquisa encontra-se no fato de que, por meio dos desenhos
36
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 36
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:24
voltados para o público adulto, possa-se conhecer como o consumo de bebidas
alcoólicas é retratado no contexto familiar dos personagens e transmitido para os
telespectadores. É ainda uma oportunidade para estudar um tema de saúde pública
que afeta milhares de pessoas em diferentes faixas etárias, com consequências
biopsicossociais para o sujeito e para os familiares. Para esta pesquisa, foi
considerada a 22ª temporada da série e foram assistidos todos os seus 22 episódios.
Constituíram objeto de análise as cenas que apresentaram consumo de bebidas
alcoólicas pelos personagens principais da série e os momentos em que houve
alguma referência – direta ou indireta – ao álcool, bem como às consequências
do seu consumo no contexto familiar. Para a apreciação dos resultados utilizouse a Análise de Conteúdo. A bebida alcoólica não foi assunto central em nenhum
episódio da 22ª temporada, mas esteve presente em todos, aparecendo 81 vezes.
Os resultados apontam para uma postura complacente em relação ao consumo
de bebida alcoólica entre os personagens, sendo a maior parte do consumo em
ambiente familiar. Existem diferenças entre homens e mulheres no que tange ao
consumo de bebida alcoólica; ela é transmitida como algo inerente ao contexto
masculino, fazendo parte da sua natureza e o distinguindo do sexo oposto. Também
se observou estreita relação da bebida com a interação social e com o ambiente
familiar dos personagens principais. Em relação ao tema estudado, o desenho não
aborda o conceito da realidade interpretado nas cenas, bem como as consequências
sociais que o consumo constante e em excesso da bebida alcoólica acarretaria,
colocando a bebida como algo que não causa problemas em nenhuma dimensão
da vida dos personagens, apesar de estar presente o tempo todo.
Palavras-chave: Álcool. Bebidas alcoólicas. Família. Desenho Animado.
CO 027: PSICODIAGNÓSTICO: PRÁTICA OU OLHARES REDUCIONISTAS?
Aislane Messa Lemos, Danielly Corteletti Thomazi, Diogo Lourenço Ramaldes, Sarah Izis
Meirelles Bucher Martins Costa, Mônica Cola Cariello Brotas Corrêa.
O psicodiagnóstico, função privativa do psicólogo garantida pela Lei n° 4119 de
27.08.1962, consiste em avaliação psicológica com fins clínicos que, embasada
em um instrumental técnico científico, permite identificar forças e fraquezas
em um sujeito e auxiliá-lo a encontrar possibilidades para o enfrentamento
e/ou superação das dificuldades que encontra. Em seu surgimento, fortemente
influenciada pela psicometria e pela medicina, concentrou-se em seguir uma
abordagem nomotética, voltada à comparação normativa de resultados dos sujeitos
com o grupo. Tal tendência foi fortemente criticada e, com o crescimento do
movimento psicanalítico, passou a dominar a prática psicodiagnóstica uma nova
tendência: a idiográfica, que visa compreender o sujeito dentro de sua própria
história. Atualmente, a orientação da prática psicodiagnóstica busca a integração
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 37
37
08/05/2012 18:37:24
das abordagens idiográfica e nomotética. Todavia, ainda se observam muitas
críticas, formuladas pelos próprios psicólogos, que descrevem o psicodiagnóstico
como prática reducionista e normativa. Nota-se, portanto, desconhecimento
dos profissionais da área sobre essa modalidade de ação que responde a muitas
demandas feitas ao psicólogo. Afinal, o psicodiagnóstico pode ter vários objetivos,
tais como descrição da cognição, perícia forense, avaliação neuropsicológica, entre
outros. A presente pesquisa qualitativa objetiva conhecer a visão de profissionais
psicólogos de várias áreas de atuação sobre a prática do psicodiagnóstico. Foram
realizadas entrevistas com dez profissionais que atuam em diferentes áreas da
Psicologia e que não utilizam esse método em sua prática. Os resultados indicam
o reconhecimento dos entrevistados para a importância dessa prática psicológica.
Todavia, ainda acreditam que a garantia de uma prática ética e profissional depende
mais de fatores pessoais do que de uma adequação teórico-metodológica para a
área. Identifica-se ainda desconhecimento quanto às bases legais e metodológicas
que orientam o processo, indicando a necessidade de fomentar espaços de discussão
sobre o psicodiagnóstico junto a profissionais e estudantes.
Palavras-chave: Psicodiagnóstico. Reducionismo. Prática profissional.
CO 028: QUALIDADE DE VIDA DE UNIVERSITÁRIOS COM E SEM INDÍCIOS DE TRANSTORNO
DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE.
Bruna Heintze Ferreira, Adriana Barbosa Adão, Arthur Suave Santos, Daniel Paulo de
Oliveira Filho, Isabela Santos Caiado, Ismênia Resende Fonseca, Simone Chabudee Pylro.
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição
neuropsicológica caracterizada pela presença de impulsividade e hiperatividade
e pela diminuição da atenção. Na vida adulta, o TDAH pode se apresentar de
forma mascarada, tendo em vista que uma série de comorbidades acaba por
dificultar o diagnóstico do transtorno. Pesquisas na área indicam que pessoas
que apresentam algum déficit de atenção e hiperatividade, que em alguns casos
configura-se como TDAH, apresentam maior número de divórcios, maiores taxas
de desemprego e menor renda média. Tais dados revelam a necessidade de se
investigar possíveis relações entre indícios de desatenção e hiperatividade e a
qualidade de vida. Portanto, o objetivo deste estudo é avaliar a qualidade de vida
de universitários com e sem indícios de TDAH. Participarão da pesquisa 180
estudantes, matriculados nos cursos de Psicologia e Engenharia de uma instituição
particular de ensino superior do município de Vitória/ES. Para a realização deste
estudo, serão utilizadas a escala Adult Self-Report Scale (ASRS-18, versão 1.1) e
a escala Medical Outcomes Study 36 – Item Short-Form Health Survey (SF-36).
Elas serão aplicadas coletivamente, em sala de aula, em dias e horários previamente
acordados com as coordenações dos cursos. Este estudo foi aprovado pelo Comitê
38
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 38
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:24
de Ética em Pesquisa da instituição em que os dados serão coletados, de modo
que serão respeitados os critérios éticos previstos para a realização de pesquisas
com seres humanos.
Palavras-chave: TDAH. Universitários. Qualidade de vida.
CO 029: QUALIDADE DE VIDA NO PÓS-CIRÚRGICO BARIÁTRICO: RELATO DA EXPERIÊNCIA
DE PACIENTES SUBMETIDOS AO PROCEDIMENTO
Ana Claudia Ferreira Sanches, Elzimar Evangelista Peixoto, Edina da Silva Guimarães.
As discussões atuais sobre qualidade de vida enfatizam a percepção dos indivíduos
sobre os diversos fatores que podem interferir no processo saúde doença. Dentre
esses fatores, a obesidade destaca-se como um importante aspecto na determinação
da qualidade de vida, sendo considerado, em função do número crescente de
indivíduos obesos, um grave problema de saúde pública. Diante dessa realidade,
várias ações e intervenções foram propostas, dentre elas a técnica da cirurgia
bariátrica. Este trabalho teve como objetivo levantar o perfil dos pacientes do
Sistema Único de Saúde (SUS) submetidos ao procedimento bariátrico no serviço
de cirurgia bariátrica do Hospital Evangélico de Vila Velha (HEVV), destacando-se
os aspectos da qualidade de vida após a realização da cirurgia. Utilizou-se como
instrumento de coleta um roteiro semi-estruturado de entrevista, aplicada pelo
pesquisador, e as respostas foram analisadas por meio da técnica de Análise de
Conteúdo. Os resultados encontrados apontaram uma percepção da obesidade
vinculada a sofrimento, vergonha, problema, medo, limitação física e exclusão
social, o que, de acordo com os entrevistados, se reflete numa qualidade de vida
ruim. Diante da pergunta sobre o que é ter saúde, as respostas se mostraram
inversas à percepção apontada para o termo obesidade, tendo como palavras
referidas alegria, auto-estima, vigor/ânimo, bem-estar, trabalho e diversão. Para a
efetivação dos resultados esperados com a realização da cirurgia, foram apontados
outros fatores externos ao procedimento médico/cirúrgico, com destaque para
o apoio social e familiar como determinante no cumprimento das orientações
pós-cirúrgicas. Quanto aos aspectos psicológicos, foi destacada a dificuldade
inicial em lidar com a nova imagem corporal e a ruptura com o modelo anterior
de relacionamento social, sendo possível sair do lugar constante de busca de
aceitação que exigia agradar e divertir as pessoas próximas. Conclui-se que a
cirurgia bariátrica é uma importante intervenção na busca pela qualidade de vida
de pacientes obesos; entretanto, destaca-se, em alguns casos, a necessidade de
um trabalho de orientação com a família e um acompanhamento psicológico
posterior à realização da cirurgia, com o objetivo de fortalecer e consolidar esse
novo lugar social.
Palavras-chave: Cirurgia bariátrica. Qualidade de vida. Representação social.
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 39
39
08/05/2012 18:37:24
CO 030: REDES DE SOCIABILIDADE E ESPAÇOS DE CIRCULAÇÃO: SIGNIFICADOS DA
CONVIVÊNCIA DO MORADOR DE RESIDÊNCIA TERAPÊUTICA NA COMUNIDADE
Pedro Machado Ribeiro Neto, Luziane Zacché Avellar.
Trata-se de um projeto de doutorado sobre a desinstitucionalização da loucura no
Espírito Santo, com foco na relação entre os Serviços Residenciais Terapêuticos
(SRTs) e a comunidade onde eles estão inseridos. Para o Ministério da Saúde, uma
das dificuldades para a expansão das Residências Terapêuticas no país se ilustra na
resistência das comunidades ao processo de reintegração social de ex-moradores
de longa data de hospitais psiquiátricos. No Espírito Santo, existem cinco SRTs em
funcionamento sob gestão estadual. Três dessas residências se localizam relativamente
próximas umas das outras, em um bairro caracterizado basicamente como um conjunto
residencial. Por se tratar de uma região de significativa importância para os processos
de desinstitucionalização no estado, este projeto objetiva conhecer os espaços de
circulação dos moradores das residências terapêuticas nesse conjunto residencial e em
seus arredores, assim como verificar os significados para os habitantes, comerciantes
ou frequentadores do bairro sobre essa convivência, no intuito de compreender a
receptividade social e as concepções dos participantes sobre essa população e esses
serviços. Os dados estão sendo coletados a partir de uma perspectiva etnográfica,
sendo utilizadas entrevistas individuais e coletivas com as pessoas que moram,
trabalham ou frequentam aquele conjunto, realizadas no espaço público, além de
observações participantes no local de estudo. O roteiro contempla quatro tópicos
principais, investigando a concepção dos participantes sobre o Hospital Psiquiátrico
Adauto Botelho, as residências terapêuticas, os moradores dessas residências e por fim
sobre a experiência da loucura. O material coletado a partir das entrevistas e diários
de campo será submetido à técnica da Análise de Conteúdo, sendo utilizada uma de
suas subcategorias, a Análise Temática dos dados obtidos.
Palavras-chave: Saúde mental. Rede social. Morador de residência terapêutica.
Perspectiva etnográfica. Comunidade.
CO 031: REPRESENTAÇÃO SOCIAL E QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES COM DIABETES
MELLITUS
Ana Claudia Ferreira Sanches, Eduardo Coelho Ceotto.
O Diabetes Mellitus, por ser uma doença crônica e de alta prevalência na população
mundial, se torna um importante objeto de estudo para a compreensão de
modificações no cotidiano do paciente após o diagnóstico e seu entendimento sobre
a doença. Nesse sentido, buscou-se identificar elementos de representação social em
120 sujeitos (57 homens e 63 mulheres) com diagnóstico de diabetes mellitus, todos
com idade entre 20 e 92 anos, moradores da Grande Vitória e com tempo médio de
40
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 40
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:24
diagnóstico de 12 anos. Para coleta de dados, foi utilizado um roteiro de entrevista
semi-estruturado, com questões de evocação e sobre a qualidade de vida após o
diagnóstico da doença. Os dados sobre as representações sociais foram analisados
com a utilização do método Tiscon, demonstrando como elementos de representação
social do diabetes as palavras medicamento, tristeza, medo, dieta, açúcar, insulina,
doença, sem cura e cuidado sempre. A partir do procedimento Anacor, verificou-se
que o elemento medicamento se apresentou com maior tendência à centralidade.
As modificações no cotidiano de vida dos pacientes foram verificadas por meio da
utilização do procedimento de Análise de Conteúdo. Somente 3% dos participantes
relataram que não modificaram os hábitos após o diagnóstico da doença; entretanto,
97% afirmam que modificaram um ou mais hábitos de vida. Sobre as mudanças
mais difíceis, 45% estão relacionadas aos hábitos alimentares restritivos, como
dietas e 23%, e estão ligados especificamente à restrição de açúcar e doces. Não
determinando o hábito mais difícil de ser modificado, 13% dos participantes
afirmaram que modificaram seus hábitos/comportamentos, mas não elegeram um
como o mais difícil. Em seguida, 9% dos participantes disseram que a sistematização
dos medicamentos e a correta adesão ao tratamento foram mais difíceis de modificar,
e 3% afirmaram que a dificuldade em se exercitar e realizar atividades físicas foram
os hábitos mais difíceis de mudança. Os resultados demonstram o impacto que o
diagnóstico de diabetes tem no cotidiano dos pacientes e, diante disso, as práticas de
saúde devem considerar a realidade vivenciada pelos pacientes para melhor adesão
ao tratamento e maior possibilidade de busca da qualidade de vida.
Palavras-chave: Diabetes Mellitus. Representação Social. Qualidade de vida.
CO 032: REPRESENTAÇÃO SOCIAL, GÊNERO E PRÁTICAS DE SAÚDE: ESTUDO COM
PESCADORES.
Andressa Tonini Pissaia, Célia Regina Rangel Nascimento; Jéssica Pontara Marciano; Maria
Cristina Smith Menandro e Zeidi Araujo Trindade.
Vários fatores dificultam o cuidado masculino com a saúde, como o fato de
que os serviços de saúde são na sua maioria voltados para mulheres, idosos e
crianças; o fato de que o cuidado com o corpo é visto como uma preocupação
feminina; e a socialização ainda pautada em valores tradicionais que consideram
que características como força, coragem e autocontrole definem a masculinidade.
O trabalho, sendo uma atividade fundamental para a construção da identidade
masculina, também é um fator que tem consequências significativas para o
adoecimento e/ou cuidado com a saúde. A atividade da pesca é considerada
arriscada, sendo um trabalho que possui condições que podem ter impacto na
saúde dos homens. Este trabalho teve por objetivo investigar, junto aos homens
que exercem atividade de pesca em Vitória/ES, quais são as práticas por eles
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 41
41
08/05/2012 18:37:24
desenvolvidas relacionadas à saúde, bem como as concepções sobre diferenças
de gênero nessas práticas. Utilizou-se um roteiro semi-estruturado de entrevista
com 40 pescadores de Vitória/ES, com idade entre 23 e 67 anos. Pouco mais
da metade dos participantes afirmaram cuidar da própria saúde pelos seguintes
motivos: envelhecer bem e com saúde, viver por muito tempo, já ter alguma
doença, medo de ficar doente. No entanto, 22,5 % disseram que não se cuidam,
justificando que fazem uso de álcool, cigarro ou drogas, não têm problemas de
saúde ou não têm tempo. Os dois grandes fatores que contribuem para a saúde
dos pescadores são as unidades de saúde (45%) e as esposas/companheiras/
namoradas (42,5%). Sobre diferenças de gênero no cuidado da saúde, 95% dos
pescadores disseram que as mulheres se cuidam mais, por serem mais vaidosas,
por procurarem mais os médicos e por terem mais tempo. Sobre a necessidade
de haver um serviço de saúde específico para os pescadores, 90% afirmaram
que gostariam que existisse, pois os pescadores sofrem muitos acidentes; assim
ficariam mais à vontade e o atendimento seria mais rápido. Conclui-se que é
importante conhecer mais a opinião dos homens sobre os cuidados com a saúde
e desenvolver programas e estratégias contemplando também grupos de homens
que exercem atividades de risco.
Palavras-chave: Representação social. Saúde do homem. Processo saúde-doença.
Eixo: Trabalho
CO 033: A PROFISSÃO DO MOTOBOY: CONSTRUÇÃO SOCIAL DO MEDO E DA INSEGURANÇA
Marilene Olivier, Vanessa Covre Rangel, Simone da Costa Fernandes, Cybelle Olivier de Araujo.
Esta pesquisa foi desenvolvida a partir do construto sócio-histórico da relação
capital-trabalho. Teve-se como objeto de estudo os “motoboys”, cujas condições
de trabalho vem sendo tratadas com displicência, uma vez que seu contexto
evidencia a presença do sofrimento e do risco permanentes. Foi realizada uma
pesquisa qualitativa, tendo sido entrevistados 32 “motoboys” da Grande Vitória
que atuam em atividades diversas. Buscou-se verificar qual a sua percepção sobre
o próprio trabalho e as relações trabalhistas. As entrevistas, gravadas e transcritas,
passaram pela Análise de Conteúdo. As categorias encontradas foram: o surgimento
da profissão de motoboy, as configurações das relações de trabalho, a natureza
do trabalho, máquinas e equipamentos, o local de trabalho, os acidentes e a (in)
segurança ontológica. Os achados revelam uma compreensão intuitiva de que
a profissão nasceu do ambiente dinâmico da atual sociedade impregnada pela
cultura do imediatismo. Eles se sentem excluídos do mercado de trabalho formal.
Não existe uma classe profissional que lute por seus direitos, e os profissionais
42
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 42
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:24
ficam fragmentados em suas demandas e reivindicações. As relações de trabalho
configuram-se como outras do início do século XX, à semelhança das minas de
carvão, onde a insalubridade e a periculosidade eram implícitas à profissão do
mineiro. Na percepção dos “motoboys”, a responsabilidade referente à higiene
e à segurança do trabalho é transferida a eles e ao governo. Este, por sua vez,
mostra-se pouco participativo, emitindo algumas normas a serem cumpridas pelo
“motoboy” numa espécie simbólica de aval da precariedade da situação. Assim,
não há hora para a entrega; não existem considerações ou compensações devido
às condições climáticas; não existe – na maior parte dos casos – a possibilidade
de amparo do INSS em caso de acidentes; as máquinas e equipamentos são de
investimento obrigatório do empregado; não há espaço físico nas organizações
para as quais prestam serviços e eles ficam ao relento pelas calçadas; e os acidentes
passaram a fazer parte de seu cotidiano, como se integrassem a própria profissão.
Por fim, revelou-se o medo do dia a dia e a insegurança que lhes marca o ser,
quanto ao futuro e à estabilidade, tendo conflitos íntimos em relação a assumir
compromissos e constituir família.
Palavras-chave: Motoboy. Profissão. Construção social.
CO 034: ALGUNS OLHARES CONSTRUÍDOS ACERCA DO EX-USUÁRIO DE DROGAS: OS
DESAFIOS PARA UMA REINSERÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO
Angelo Moreira Arruda, Raphael Pinto Gandolfo, Gabriela de Brito Martins.
Ao refletir acerca da reinserção de ex-usuários de drogas no mercado de trabalho,
é preciso levar em consideração vários aspectos sociais, os quais são perpassados
por uma série de fenômenos muito complexos. Tal complexidade se deve ao fato
de que o homem é um ser biopsicossocial, isto é, um ser que constantemente é
atravessado por várias questões que circunscrevem sua existência. Um desses
fenômenos são os múltiplos olhares sociais que são construídos historicamente no
seio de cada sociedade. Diante desse panorama, o presente artigo visa pesquisar
se alguns olhares sociais que são construídos acerca dos ex-usuários de drogas, os
quais se comunicam com as percepções do mercado de trabalho, interferem na sua
reinserção profissional. A pesquisa foi descritiva, realizada de forma qualitativa e
baseada na técnica da análise de discurso. Para atingir os resultados, foi feita uma
revisão bibliográfica referente ao tema, como também foi realizada e analisada
uma entrevista semi-estruturada com uma gerente de recursos humanos. A partir
das informações construídas diante da entrevista e das informações provindas das
fontes bibliográficas, pode-se perceber que ambas confirmaram os olhares sociais,
citados pela literatura, referentes à contratação de um ex-usuário de drogas, os quais
giram em torno de discursos que rotulam tais pessoas como doentes, duvidosos e/
ou problemáticos. Os resultados obtidos por tal pesquisa revelaram que os olhares
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 43
43
08/05/2012 18:37:24
construídos em torno dos ex-usuários de drogas, as quais são formados por meio
de várias questões circunscritas no cerne da sociedade moderna, interferem muito
na sua reinserção profissional.
Palavras-chave: Ex-usuários de drogas. Olhares sociais. Mercado de trabalho.
Reinserção social.
CO 035: O PROCESSO DE INTEGRAÇÃO DE NOVOS COLABORADORES
Carolina Lemos Cravo, Sueli Zamprogno, Priscilla de Oliveira Martins da Silva.
As organizações podem ser concebidas como produtoras de elementos culturais
como rituais, estórias e cerimônias. Essas produções culturais têm o objetivo
de conferir regularidade e previsibilidade nas relações entre os diferentes
participantes. Uma das estratégias utilizadas pelas organizações para alcançar esse
objetivo é o processo de socialização de novos membros por meio do qual o novo
integrante organizacional aprende valores, normas e comportamentos esperados
que permitem a ele participar como membro de uma organização. O objetivo do
presente trabalho é compreender a relação entre as estratégias de socialização e
a adaptação do funcionário recém-admitido à organização. Metodologicamente,
utilizou-se a abordagem quantitativa, sendo aplicado um questionário padronizado
dividido em duas partes: a primeira continha dados sobre o cargo e o tempo de
permanência na organização, e a segunda abrangia questões referentes ao objetivo
da pesquisa. O questionário foi aplicado para dois grupos separados: o Grupo 1
era formado por pessoas que haviam feito o treinamento de integração, e o Grupo
2, por pessoas que não haviam realizado o treinamento. Todos foram escolhidos
de forma aleatória. Para a análise dos dados foi utilizada a estatística descritiva.
Os resultados mostraram que as estratégias de socialização utilizadas durante o
período de ambientação dos novos colaboradores contribuíram para passar as
informações necessárias para os novos entrantes na organização - uma vez que
no Grupo 1 houve uma assimilação dos preceitos que permeiam a filosofia da
empresa, facilitando assim a sua adaptação no ambiente de trabalho, enquanto
que no Grupo 2 observou-se uma dificuldade na adaptação em função de não
terem recebido informações suficientes sobre a organização. Portanto, o conjunto
de dados indica de fato que o treinamento de integração é um instrumento válido
como estratégia de socialização organizacional - uma vez que é a maneira pela
qual a organização recebe os novos colaboradores e os integra à sua cultura, ao
seu contexto e ao seu sistema para que eles possam comportar-se de maneira
adequada às expectativas da organização, e facilitando assim sua adaptação.
Palavras-chave: Socialização organizacional. Treinamento de integração. Adaptação
dos colaboradores
44
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 44
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:24
Eixo: Direitos Humanos, Políticas Públicas e Cidadania
CO 036: “ATÉ HOJE EU SINTO AQUELE ABRAÇO...”: MEMÓRIAS PESSOAIS E COMUNS DE
PRESAS POLÍTICAS SOBRE SEUS FAMILIARES DURANTE A DITADURA MILITAR
Priscilla Praude Duarte, Ingrid Faria Gianordoli-Nascimento, Priscilla Praude Duarte, Jaíza
Pollyanna da Cruz, Sara Angélica Teixeira da Cruz Silva, Flaviane da Costa Oliveira, Flávia
Gotelip Veloso, Thayna Larissa Aguilar dos Santos.
O regime militar brasileiro (1964-1985) foi marcado pela intensa repressão a
todos os grupos considerados de esquerda, principalmente nos anos após a edição
do AI-5, ocorrida em 1968. As práticas repressivas atingiram não somente os
opositores ao regime, mas também seus familiares - que sofreram física, moral e
psicologicamente os atos autoritários cometidos pelo Estado. Nessa perspectiva,
apresentaremos narrativas das militantes sobre o lugar e a importância dos familiares
em suas trajetórias no período da ditadura, a partir de memórias pessoais e comuns.
Este trabalho é um recorte da pesquisa “Identidade, Geração e Gênero durante
‘os anos de chumbo’: a memória de mulheres militantes sobre os impactos de sua
militância na trajetória de seus familiares durante a ditadura militar”, financiada
pelo CNPq, em que foram entrevistadas nove mulheres que foram presas políticas
durante o período militar em Vitória (ES). O enfoque ao gênero feminino se deu
com o intuito de destacar a militância política de mulheres que, fazendo parte
dos grupos de resistência ao regime, provocaram uma ruptura de regras morais
ao assumir um papel inédito tanto no campo da política quanto no das relações
familiares. A partir da Análise de Conteúdo das entrevistas, evidenciaram-se dois
eixos temáticos: 1) Clandestinidade: A distância das relações familiares; 2) Prisão
e tortura: 2.1) Família como apoio no momento da prisão, 2.2) Familiares como
rede de proteção e denúncia, 2.3) Família utilizada pela repressão como instrumento
de tortura. Portanto, investigar a vivência de presas sobre o envolvimento de seus
familiares em sua trajetória oferece importantes elementos para a construção da
memória histórica do período da ditadura militar no Brasil.
Palavras-chave: Ditadura Militar. Presas políticas. Familiares de presas políticas.
CO 037: A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA E DA COMUNIDADE NO PROCESSO DE SOCIOEDUCAÇÃO
DOS ADOLESCENTES INFRATORES SUBMETIDOS A MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS
EM MEIO ABERTO
Alini Altoé, Poliane dos Passos Almeida.
O presente trabalho relata a experiência de duas psicólogas com “Encontros de
Familiares” realizados em um programa de execução de medidas socioeducativas em
meio aberto (Liberdade Assistida e Prestação de Serviços à Comunidade), de setembro
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 45
45
08/05/2012 18:37:24
a dezembro de 2010. Os Encontros de Familiares reuniram profissionais do programa
(psicólogos, assistentes sociais, pedagogo e educadores sociais), representantes da rede
de serviços do município, adolescentes e seus familiares. O objetivo dos encontros
era conhecer a realidade familiar dos socioeducandos, estimular a participação dos
familiares como atores no processo de ressocialização, promover espaço de escuta,
desenvolver vínculos, traçar o plano individual de atendimento familiar e gerar
articulações com a rede de serviços de saúde, educação e social. Os encontros seguiram
as orientações do Estatuto da Criança e do Adolescente e do Sistema Nacional de
Atendimento Socioeducativo, tendo em vista que ambos os documentos preconizam
a co-responsabilidade da família e da comunidade no processo de socioeducação e a
valorização do convívio familiar como elemento fundamental para o desenvolvimento
da subjetividade, das crenças, dos valores e das regras sociais. O fortalecimento do
convívio familiar e comunitário para os adolescentes em conflito com a lei promove a
reinserção familiar e comunitária e possibilita o protagonismo social a fim de superar
a situação de exclusão. Ao longo dos Encontros de Familiares, os principais desafios
foram promover as reuniões nos bairros em que os socioeducandos residiam e adequar
os horários das reuniões e a participação da família de todos os adolescentes. No que
diz respeito às conquistas, elas se caracterizam, principalmente, pelo aprimoramento
dos vínculos, pela criação do espaço de escuta, reflexão e troca, pela proposição
de mudança de comportamentos e pensamentos, pelo alcance das metas que foram
propostas pelas famílias e pela potencialização dos participantes por meio da troca
de experiências. Pode-se concluir que a interlocução entre equipe profissional,
família e comunidade contribuiu de forma positiva no processo de socioeducação dos
adolescentes em conflito com a lei ao fortalecer os vínculos familiares e desenvolver
nesses atores sociais o protagonismo e a autonomia.
Palavras-chave: Socioeducação. Adolescente em conflito com a lei. Família.
CO 038: ADOLESCÊNCIA, CRIMINALIDADE E SEMILIBERDADE: PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO
DIANTE DA PERSPECTIVA DE UMA MORTE ANUNCIADA
Fernanda Pinheiro de Oliveira Rubim.
Trata-se de uma pesquisa elaborada no curso de Mestrado em Psicologia da PUC
Minas que objetiva investigar os processos de subjetivação relacionados às mortes
violentas que atravessam a vida dos adolescentes e jovens do sexo masculino autores
de infração penal. Sua motivação está articulada à minha trajetória profissional,
relacionada ao acompanhamento desses sujeitos na medida socioeducativa de
semiliberdade em Belo Horizonte, Minas Gerais. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com adolescentes, jovens e profissionais inseridos na semiliberdade, o
que permitiu analisar aspectos da subjetividade desses sujeitos que convivem com
a possibilidade da ocorrência de uma morte violenta. As entrevistas realizadas com
46
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 46
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:24
os profissionais, bem com as análises dos documentos institucionais, objetivaram
também observar aspectos da prática institucional que podem ou não aprisionar
esses sujeitos em contextos de morte. Outras ferramentas importantes na coleta de
campo foram o diário de campo, no qual constam anotações feitas ainda no período
em que eu atuava como coordenadora da semiliberdade, e dados da realização da
observação participante. A problematização proposta por esta pesquisa tem como
fundamento as teorizações sobre os processos de subjetivação, ancorados na Análise
Institucional e nas postulações foucaultianas e deleuzianas. A análise dos segmentos
que compõem a subjetividade dos adolescentes que vivenciam as ameaças e as
“guerras” contraídas no “mundo do crime” evidenciou que, a partir da relação com a
criminalidade, a subjetividade desses sujeitos passa a funcionar pelo mecanismo da
“correria”, da “atividade”, que se apóia em ideais viris, individualistas, hedonistas
e consumistas, típicos da contemporaneidade. Como consequência, a vida banalizase, e a possibilidade da morte violenta é vivenciada intensamente. Esse modo de
funcionamento, calcado na “correria” e no medo da morte, também é um aspecto
constitutivo da subjetividade dos trabalhadores da semiliberdade. Em suma, esses
são os pontos centrais deste trabalho, que objetiva ser um mais um instrumento de
análise dos processos subjetivos atuais.
Palavras-chave: Adolescência. Criminalidade. Semiliberdade. Ameaças de morte.
Processos de subjetivação.
CO 039: AMOR POR TRÁS DAS GRADES: MATERNIDADE NO PRESÍDIO
Renata Soares Loiola, Angelita Lopes Cardoso, Jussara Cristina Schiffler, Lucilene de
Oliveira, Shirley Silva Martiniano, Mônica Nogueira dos Santos.
Trata-se de uma pesquisa realizada num presídio feminino no estado do Espírito
Santo, cujo objetivo foi investigar a maternidade no contexto presidiário. Para tanto,
o instrumento de coleta de dados utilizado foi o Grupo Focal, do qual participaram
seis internas que estavam grávidas ou haviam dado à luz havia menos de seis meses.
Procurou-se investigar, junto a essas mães, os laços construídos com os bebês e a
continuidade dessa relação dentro do presídio, garantida por lei nos primeiros seis
meses, e fora dele. Observamos que, para as participantes, o momento de separação
do filho é extremamente doloroso, sendo considerado por elas pior do que o fato de
estarem presas; elas também demonstraram muita dificuldade em falar e, conforme
revelaram, até de pensar sobre esse assunto. Foi possível perceber também que, para
essas mães, seus filhos acabam sendo um ponto de apoio para enfrentar a realidade
prisional e as dificuldades encontradas durante o cárcere. Nesse contexto, entendemos
que o psicólogo deve desempenhar uma atuação voltada para promoção de saúde,
respeitando a singularidade de cada sujeito e estando aberto às diversas realidades,
como na intervenção com essas mães.
Palavras-chave: Maternidade. Presídio. Relação mãe-bebê. Atuação do Psicólogo.
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 47
47
08/05/2012 18:37:25
CO 040: JUSTIÇA E AFETIVIDADE: INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL COM MULHERES PRESAS
Monica Trindade Pereira Santana, Drielle Bianchini Alexandre Glauber dos Reis Ribeiro
Leticia Scarpatti Rodrigues, Maria das Graças Raimundi, Suzane Tavares Targa.
Discute-se neste trabalho a Intervenção Psicossocial realizada no Estágio da
Ênfase em Educação do curso de Psicologia da Associação Educacional de Vitória
(AEV/Faesa). O trabalho foi realizado em uma penitenciária feminina localizada
no Espírito Santo. Participaram deste trabalho 15 mulheres que cumprem pena no
regime fechado e 15 mulheres que cumprem pena no regime semiaberto. A seleção
das participantes foi feita pela equipe técnica da penitenciária, e cada participante
assinou termo de consentimento para participação. Para a realização das intervenções,
utilizou-se como técnica trabalhos manuais como recortes de figuras e montagem
de painéis temáticos, escultura com argila, confecção de porta-retratos, exibição
comentada de filmes, exibição comentada de músicas e técnicas de relaxamento,
que serviram como promotoras de discussão sobre temáticas relevantes no cotidiano
das presas. A escolha dos temas a serem discutidos e trabalhados se dava a partir de
sugestão das presas, e também a partir do que se observava nos grupos. Os principais
temas trabalhados foram a saudade da família, ser boa mãe, o envolvimento com
as drogas e o crime, a ausência dos companheiros após a prisão, a sexualidade, a
homossexualidade, a vontade de não praticar mais crimes, a atuação autoritária dos
agentes penitenciários. À medida que as intervenções foram realizadas, percebeu-se
que as detentas ficaram mais participativas no grupo e trouxeram reflexões sobre
o seu papel ativo seu processo de mudança. Garantido o sigilo, muitas queixas
levantadas pelas presas quanto ao processo de ressocialização foram levadas ao
conhecimento da administração da penitenciária e da equipe psicossocial, que
providenciou encaminhamentos quanto à revisão de pena, à inclusão de algumas
presas em tratamento de saúde e a frentes de trabalho. Ainda há muito a ser feito,
além de ser necessário continuar a discussão sobre o papel das prisões da sociedade
e as características específicas do aprisionamento feminino.
Palavras-chave: Penitenciária. Ressocialização e intervenção psicossocial.
CO 041: MEMÓRIA HISTÓRICA DOS ANOS DOURADOS: RESULTADOS PRELIMINARES DE
BELO HORIZONTE
Flaviane da Costa Oliveira, Ingrid Faria Gianordoli-Nascimento, Jaíza Pollyanna Dias da
Cruz, Flávia Gotelip Corrêa Veloso, Luciana Moura Ribeiro.
Os anos 50, período que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, e suas características
políticas, econômicas e sociais foram chamados por historiadores no mundo
inteiro como Anos Dourados. No Brasil, alguns elementos da história se destacam
como marcos desse período. Na política e na economia, nota-se o governo
48
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 48
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:25
desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek, a construção de uma nova capital,
Brasília, e o desenvolvimento da indústria automobilística. No âmbito cultural,
salienta-se o surgimento da Bossa Nova, além da primeira conquista de uma Copa do
Mundo de Futebol pelo Brasil. Este trabalho integra a pesquisa “Análise Psicossocial
da Memória Histórica dos Anos Dourados: política, cultura e cotidiano”, financiada
pelo CNPq e pela Faperj, e realizada em cinco capitais brasileiras: Rio de Janeiro,
Belo Horizonte, Brasília, Recife e Vitória. Serão apresentados resultados preliminares
das análises dos dados obtidos com a aplicação de questionários a 456 habitantes da
cidade de Belo Horizonte. Foram selecionados sujeitos de diferentes faixas etárias:
idosos (entre 65 e 80 anos), adultos (entre 40 e 55 anos) e jovens (entre 15 e 30 anos).
Os resultados preliminares apontam para importantes elementos da memória social
das três gerações, concernentes ao Governo de Juscelino Kubitschek, à construção
de Brasília, à Copa do Mundo de 1958, aos concursos de misses, à Bossa Nova
e ao desenvolvimento da indústria automobilística brasileira, com destaque para
a popularização do “Fusca”. Além de aspectos da memória histórica do período,
em Belo Horizonte verifica-se uma peculiaridade relacionada aos fenômenos de
identidade social, principalmente em relação à figura de Juscelino Kubitschek,
apontado, para além da figura pública, como pessoa, participante do cotidiano do
grupo social, “gente como a gente”, que em seu Governo fez “mais coisas boas que
ruins”, o que nos indica prováveis mecanismos de valorização e proteção endogrupal.
Palavras-chave: Anos dourados. Memória histórica. Juscelino Kubitschek. Identidade
Social.
CO 042: O COMPROMISSO SOCIAL E A INICIAÇÃO CIENTÍFICA EM PSICOLOGIA
Isabele Santos Eleotério, Bruna Ramos Ferreira, Jaciara Scal Duia Castello, Laís Sudré
Campos.
O Partícipe é um projeto de iniciação científica em Psicologia Social comunitária e
controle social. Esse projeto tem por objetivo geral compreender o funcionamento
e a atuação dos órgãos de controle social estadual e a participação ou ausência
dos psicólogos nesses órgãos sob o prisma do movimento sindical. Os objetivos
específicos para esse intento são os de investigar a participação dos psicólogos
nos órgãos de controle social estadual, e identificar a relação entre o Sindicato dos
Psicólogos e a participação dos psicólogos nos órgãos de controle social estadual.
Espera-se com esta pesquisa investigar se o compromisso social da Psicologia
mobiliza ou mobilizou psicólogos filiados ao sindicato da categoria a tomar assentos
nos órgãos de controle social estadual. Para essa finalidade, foram selecionados 15
conselhos estaduais: assistência social; pessoa portadora de deficiência; ciência e
tecnologia; cultura; defesa do consumidor; defesa dos direitos da mulher; defesa
dos direitos da pessoa idosa; educação; esportes e lazer; saúde; segurança pública e
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 49
49
08/05/2012 18:37:25
defesa social; trânsito; meio ambiente; direitos da criança e do adolescente; e direitos
humanos. Serão os seguintes os procedimentos para coleta de dados: 1) pesquisa
documental e bibliográfica; 2) observação do contexto, pesquisa participante e
produção de diário de campo; 3) instrumentos para coleta de dados - serão utilizados
dois instrumentos para coleta de dados: a) formulário para seleção de sujeitos - serão
aplicados aos 100 primeiros filiados ao Sindicato dos Psicólogos do Estado do
Espírito Santo (SINDPSI-ES); b) questionário sobre participação do(a) psicólogo(a)
nos órgãos de controle social estadual e 4) supervisão em grupo. Os sujeitos serão
informados no início da coleta de dados que terão total liberdade de se recusarem
a participar da pesquisa em qualquer fase, sem penalização ou prejuízo. Espera-se,
com esta pesquisa, realizar duas ações: 1) capacitar estudantes de Psicologia na
execução de pesquisa e promover espaço de iniciação científica para alunos a partir
do quinto período e 2) investigar se o compromisso social da Psicologia mobiliza
ou mobilizou psicólogos filiados ao sindicato da categoria a tomar assentos nos
órgãos de controle social estadual.
Palavras-chave: Compromisso social, Movimento sindical, Iniciação científica.
CO 043: PSICOLOGIA: (RE) CRIAÇÃO DE ESTRATÉGIAS JUNTO AOS POPULARES DE RUA DO
MUNICÍPIO DE VITÓRIA
Janaina Erler Cardoso, Amanda Prezentino Eliziário, Bruna Bonatto Batista, Julyanna
Demoner Knaack e Sátina Priscila Marcondes Pimenta Melo.
Pretende-se discutir a atuação do psicólogo no campo da Assistência Social,
especificamente no Centro de Referência Especializado para População em
Situação de Rua (CREAS Pop), do município de Vitória. Entende-se que população
em situação de rua são sujeitos que utilizam as ruas como espaço de moradia
e sobrevivência. O CREAS Pop oferta atendimento humanizado e atividades
direcionadas ao desenvolvimento da sociabilidade dos envolvidos, com perspectiva
de construção de projeto de vida em consonância com suas demandas e respeitando
suas escolhas; assim, a atuação da Psicologia é re-criada cotidianamente. Dentre
as atividades desenvolvidas estão acolhida humanizada, atendimento individual/
grupal, busca das famílias, oficinas terapêuticas, encaminhamentos e articulação
com políticas públicas e rede, atendimento à família, fortalecimento de vínculos
sociocomunitários, inserção no mercado de trabalho, atividades culturais de
inclusão, visitas domiciliares, reinserção familiar e moradia. O objetivo é pensar
as estratégias criadas na atuação do psicólogo no campo da Assistência Social
com população em situação de rua. Metodologia: Análise institucional do CREAS
Pop, pesquisa bibliográfica, pesquisa-ação e “orientações” com outros psicólogos
quanto ao trabalho realizado. Resultados: Estudos de casos e articulações com
a rede rompendo preconceitos e garantindo atendimento qualificado em outros
50
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 50
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:25
equipamentos; realização de grupos auto-analíticos com intuito de promoção da
autonomia e superação da situação de vulnerabilidade; suporte e orientação para o
mercado de trabalho; acompanhamento das famílias; reinserção familiar e moradia.
Dessa forma, o nosso fazer está implicado com a construção de um modelo de
assistência pautada na Política Nacional da Assistência Social, nos princípios
da dignidade humana e na garantia dos direitos, com uma visão diferenciada da
produção da subjetividade do popular de rua. O que se propõe é a invenção de
práticas que priorizem o trabalho em equipe e uma participação atuante do usuário
como agente desse processo, para a construção conjunta de um cuidado ampliado
e integral, rompendo com preconceitos e discriminações.
Palavras-chave: Assitência Social. População de Rua. Psicologia.
CO 044: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO EM HABILIDADES SOCIAIS COM CRIANÇAS E
ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO SOCIAL DE RISCO
Fernanda Felix Dantas, Ilana Martins Mendonça, Natila Thomaz do Carmo, Eduardo
Barbosa Lopes.
O presente trabalho descreve os efeitos de uma intervenção de um treinamento
em Habilidades Sociais numa instituição não filantrópica e não governamental
cuja atuação visa acolher meninos, entre sete e dezessete anos e onze meses, que
se encontram em situação social de risco. As instituições de abrigo a crianças e
adolescentes têm por objetivo geral colocar em prática a doutrina de Proteção
Integral à Criança e ao Adolescente, de modo integrado, como prescrito na forma
estabelecida nos Arts. 226 a 230 da Constituição Federal e na Lei 8.069/90, de
13.07.90, que trata do Estatuto da Criança e do Adolescente. Para que o objetivo das
casas de acolhimento alcance êxito, faz-se necessária a ação de empresas privadas
e da comunidade em geral, visando promover a reintegração dessas crianças e
adolescentes ao convívio em sociedade. Sendo assim, o objetivo desta intervenção foi
a promoção de habilidades sociais, avaliando-se o repertório social dos participantes
antes e após o treinamento. A intervenção foi realizada em 33 encontros e as
técnicas utilizadas foram dinâmicas de grupo, oficinas psicossociais e o treino
em habilidades sociais. Por meio da observação sistemática participante, tornouse possível notar dificuldades acentuadas em estabelecer relações interpessoais
e também em lidar com questões intrapessoais, como por exemplo habilidade
em identificar, expressar e nomear adequadamente as emoções, comunicação de
ideias, tomada de decisões e resolução de problemas. A partir dessa observação,
tornou-se possível estabelecer uma linha de base relativa a algumas atitudes que
foram consideradas inadequadas, como intolerância nas relações, ofensas verbais,
segregações, depredações, agressões físicas, discriminações, humilhações e atitudes
de desmerecimento, o que indicava certa dificuldade em estabelecer relacionamentos
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 51
51
08/05/2012 18:37:25
assertivos. A avaliação geral dos resultados obtidos foi realizada a partir do relato
dos integrantes da instituição, bem como mediante o contraste entre a linha de base e
a frequência dessas atitudes após a intervenção. As evidências positivas referem-se,
principalmente no que concerne à habilidade social de comunicação, à explicação
da causa de determinado comportamento e à expressão de sentimentos de maneira
assertiva. Essa intervenção foi considerada particularmente eficaz na melhoria das
habilidades sociais dos participantes.
Palavras-chave: Treino em Habilidades Sociais. Assertividade. Crianças em risco
social.
CO 045: VIVÊNCIAS INVISIBILIZADAS: FAMILIARES DE PRESOS POLÍTICOS DURANTE A
DITADURA MILITAR BRASILEIRA
Priscilla Praude Duarte, Ingrid Faria Gianordoli-Nascimento, Flavia Gotelip Corrêa Veloso,
Flaviane da Costa Oliveira, Jaíza Pollyanna Cruz, Sara Teixeira da Silva, Thayna Larissa
Aguilar dos Santos.
O regime militar brasileiro (1964-1985) foi marcado pela intensa repressão a todos
os grupos considerados de esquerda, principalmente nos anos após o AI-5 editado
em 1968. Institucionalizadas por meio de normas e discursos, as práticas repressivas
atingiram não somente os opositores ao regime, mas também seus familiares, que
sofreram física, moral e psicologicamente os atos autoritários ocorridos no referido
período. Este trabalho é um recorte da pesquisa “Identidade e Memória dos ‘Anos
de Chumbo’: a trajetória de familiares de presos políticos durante a ditadura
militar em Belo Horizonte, Brasília, Recife e Vitória”, financiada pelo CNPq.
Nessa perspectiva, buscamos investigar a importância das ações sociopolíticas e
afetivas dos familiares de militantes durante a ditadura, evidenciando a dimensão
psicossocial ainda pouco explorada. Para tanto, foram analisadas 8 entrevistas
de familiares cujos parentes militaram no Espírito Santo, Minas Gerais, Distrito
Federal e Pernambuco. Os apontamentos iniciais, obtidos por meio da Análise de
Conteúdo das entrevistas, evidenciaram os seguintes eixos temáticos: Alteração
do cotidiano da família; Família e clandestinidade (Comunicação como um risco;
Desconhecimento dos familiares sobre o paradeiro do militante); e Prisão e
tortura (Família como apoio e rede de proteção e denúncia; Ameaça e tortura aos
familiares). Este trabalho favorece a compreensão dos elementos representacionais
que formam a rede de significações e práticas que os parentes construíram junto
à trajetória dos militantes. Nesse sentido, os familiares tiveram que lidar de
forma inesperada com a repressão, alguns optando pela proteção do seu parente
e/ou pela denúncia das arbitrariedades. Grande parte dos sujeitos que sofreram a
violência do governo não pode assumir e contar suas histórias, que apontam para
o esquecimento de um passado demasiadamente incômodo do país. Investigar a
52
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 52
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:25
experiência dos familiares aponta para informações que podem colaborar para
assimilação de discursos antes silenciados na memória histórica, contribuindo
assim para a memória social acerca do período.
Palavras-chave: Ditadura Militar. Familiares de ex-presos políticos. Repressão.
Eixo: Infância, Juventude, Vida Adulta e Velhice
CO 046: (RE)PENSANDO O CONCEITO DE FAMÍLIA: O ROMPIMENTO DE ALGUNS ESTEREÓTIPOS
Anna Paula Sampaio Barbosa, Daniella Messa Melo e Cruz, Tânia Mara Silva de Azevedo
Macedo.
A família tem passado por transformações que possibilitam a emergência de
vários tipos de arranjos e significações. Apesar dessas transformações, o modelo
de família nuclear burguesa ainda resiste como um parâmetro de família ideal
na atualidade. Essa constatação tornou-se evidente durante uma experiência de
estágio no contexto de uma organização não governamental que tem por objetivo
ensinar para crianças e adolescentes a prática de primeiros socorros, bem como
estimular o exercício da cidadania, do respeito e da ética. Foram realizadas
reuniões com a equipe responsável pelo programa, encontros com os educandos
e um período de observação participativa, o que possibilitou o levantamento de
demandas para realização da intervenção psicossocial. A proposta sugerida foi
a condução de oficinas com técnicas em dinâmicas de grupo compreendendo
temas referentes à sexualidade, a relações interpessoais e a drogas. Observouse, entretanto, a necessidade de um enfoque direcionado à temática familiar,
pois esse assunto voltava a emergir a cada semana por parte dos participantes
do grupo. Assim, elaborou-se um trabalho que envolvia educandos, familiares e
instituição, mas a concepção da instituição em relação à participação da família
no processo não permitia essa interlocução. A família como “imagem burguesa
saudável” era incisiva na concepção da instituição, pois tudo o que não se adequava
a esse modelo era estereotipado como uma “família desestruturada”, expressão
muito presente na fala dos educadores e apontada como causa e justificativa de
qualquer comportamento dito “inadequado” dos educandos. Em continuidade
ao trabalho, foram realizadas cinco oficinas com os educandos nas quais foram
utilizadas técnicas em dinâmicas de grupo direcionadas à temática familiar. A partir
dessas intervenções, observou-se que alguns educandos sentiam-se distantes em
relação aos seus contextos familiares e não se percebiam inseridos neles; outros
relatavam com sofrimento suas vivências, acreditando que suas problemáticas
familiares eram exclusivas. Ao final do trabalho, pode-se constatar que houve
um rompimento de verdades absolutas com relação ao conceito de família e
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 53
53
08/05/2012 18:37:25
avanços em relação à compreensão dos diversos tipos de configurações familiares.
Os educandos demonstraram entender e ressiginificar suas próprias histórias
pessoais, mesmo em uma instituição em que tais histórias eram consideradas
como “inadequadas/desestruturadas”, fortalecendo o grupo como um todo por
meio do compartilhamento de suas histórias.
Palavras-chave: Grupo. Adolescentes. Família. Intervenção psicossocial.
C0 047: A EXPERIÊNCIA “CALOURO” EM UMA UNIVERSIDADE: ENTRE A REGULAÇÃO E A
INVENÇÃO
Eduardo Simonini Lopes.
Esta pesquisa foi realizada na Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas
Gerais, tendo sido elaborada na intenção de trazer à discussão processos de
diferença e de invenção que se formam em meio às vivências universitárias. Nesse
sentido, colocamos em análise a inserção do estudante calouro dentro da vida
universitária, no momento em que hipotetizamos que o calouro se constitui em
uma expressão de novidade que anualmente adentra o cotidiano das universidades.
Para instrumentalizar este estudo, pesquisamos, então, o processo de entrada do
aluno novato nos alojamentos da UFV (sendo que há sete moradias estudantis
dentro do campus que abrigam cerca de 1500 discentes), realizando entrevistas
com estudantes (novatos e veteranos) e funcionários da instituição. A partir das
reflexões que emergiram das entrevistas, percebemos que o estudante, quando
institucionalizado e subjetivado como calouro, é continuamente infantilizado,
hostilizado e até mesmo agredido em práticas de coerção à possível diferença
que o novato poderia vir a inserir na vida universitária. No decorrer da pesquisa,
porém, propomo-nos a complexificar as problematizações a respeito do novato e
passamos a defender que o conceito de “calouro” não diz respeito necessariamente
a uma entidade personificada, mas a uma produção coletiva, a um devir calouro
(movimento de diferença) relacionando-se a um modo de subjetivação e controle
do que é novo dentro da dinâmica universitária, e que passamos a chamar de um
devir veterano. Consideramos, então, a existência, nas mais diversas relações
universitárias (professor-aluno, aluno-aluno, aluno-funcionário, professorfuncionário) de tais devires que não necessariamente encarnam em um personagem
específico, mas que funcionam como campos de intensidades nos quais estão
imersos todos os agentes que ali atuam. Concluímos, então, que o que se quer
fazer calar e desqualificar (por meio de práticas que insistem na subordinação do
que é “novo” ao que é “velho”) não seria, portanto, a pessoa do estudante calouro,
mas a experiência de indeterminação e insegurança que é lidar com o inusitado
e a diferença nas diversas dimensões do fazer universitário.
Palavras-chave: Universidade. Calouro. Diferença.
54
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 54
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:25
CO 048: A PRODUÇÃO DE UM INFORMATIVO COM IDOSOS: HISTÓRIAS, MEMÓRIAS E
VIVÊNCIAS
Priscila Valverde Fernandes.
No processo de escuta dos usuários do serviço Centro de Convivência da Terceira
Idade, muitas questões sobre o processo de envelhecimento compõem os discursos que
circulam pelo espaço. Foi pensando nessas inquietações e nessa busca de significados
que optamos pela criação de um grupo terapêutico dentro do Centro de Convivência.
A Psicologia tem desenvolvido atividades de grupo visando oferecer um espaço de
fala e discussão que leva em conta as experiências de cada integrante, trabalhando
as emoções e motivações de forma a potencializar a vida dos participantes. Como
processo e produto desse grupo, temos produzido bimestralmente um Informativo
do Centro de Convivência da Terceira Idade de Jardim Camburi. Esse informativo,
cujo nome escolhido pelos participantes do grupo foi Com Vivência, tem se colocado
como um disparador das questões que permeiam o cotidiano dos idosos. Para essa
produção, todos os integrantes do grupo participam ativamente, o que faz com que
nossas discussões naquele espaço sejam ressignificadas e materializadas por meio da
escrita de cada matéria do informativo. Essa estratégia tem estimulado a autonomia
e feito com que eles sejam protagonistas de suas histórias na medida em que eles
são os autores e responsáveis pelo informativo.
Palavras-chave: Idosos. Autonomia. Protagonismo social
CO 049: A TRANSIÇÃO À PATERNIDADE NA ADOLESCÊNCIA: ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO
E REDE DE APOIO SOCIAL
Fernanda Vieira Biajoli, Zeidi Araujo Trindade, Sibelle Maria Martins de Barros.
O nascimento de uma criança implica um processo de adaptação para a mulher e
para o homem, pois existem preocupações, dificuldades e ansiedades antes mesmo
do nascimento do filho. Geralmente as ações dos profissionais são dirigidas às mães,
e em decorrência disso, as necessidades do pai não são reconhecidas e atendidas. Tal
fato agrava-se quando a paternidade ocorre na adolescência: aos estereótipos sobre
o pai somam-se os estereótipos sobre a adolescência como fase de imaturidade e de
irresponsabilidade. Diante desse cenário, este estudo pretende compreender como
pais adolescentes representam a paternidade, bem como de que forma vivenciam e
lidam com as mudanças advindas da gestação e do puerpério. Serão entrevistados
10 adolescentes homens em três diferentes momentos: na gestação (a partir do sexto
mês); um mês após o nascimento do bebê; e seis meses após o nascimento. Como
instrumentos, serão utilizados o genograma, seguido de uma entrevista com roteiro
semi-estruturado, abarcando os seguintes temas: transformações e dificuldades
relacionadas à paternidade, expectativas em relação à paternidade/maternidade,
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 55
55
08/05/2012 18:37:25
aspectos transgeracionais referentes à paternidade, estratégias de enfrentamento e
rede de apoio. Além desses instrumentos, será utilizado o mapa de rede social. Os
dados serão verificados a partir da Análise de Conteúdo, especificamente a análise
categorial-temática.
Palavras-chave: Paternidade. Adolescência. Estratégias de enfrentamento. Rede
de apoio.
CO 050: BRINCADEIRAS DE ONTEM E HOJE: UM ESTUDO TRANSGERACIONAL
Luana Sfalsin Zatta, Jucineide Della Valentina de Oliveira, Kleber de Oliveira, Francismichael
Silva Machado, Gerson Carlos Rigoni Bonfá Junior, Jéssica Barbosa Caran, Marlana da
Silva Menezes, Zilma Pereira Antunes Botelho.
A cultura lúdica, conjunto de regras e significações próprias do jogo, possui caráter
dinâmico dado pela apropriação de brincadeiras feita pelas pessoas em diferentes
contextos históricos, culturais e sociais - fato que produz mudanças na constituição
do jogo, apesar da permanência de alguns padrões lúdicos universais. Coexistem
em um mesmo momento histórico jogos recentes e tradicionais. Os primeiros são
caracterizados por serem produtos da cultura lúdica contemporânea, em geral sob
a exploração capitalista na forma de mercadorias, e os segundos têm características
de tradicionalidade, conservação, mudança e universalidade; são jogos transmitidos
culturalmente. O presente trabalho objetivou investigar a dinâmica da cultura
lúdica entre gerações a partir de um estudo transgeracional com três gerações
pertencentes a mesma família: criança (3ª geração), pai (2ª geração) e avô (1ª
geração). Utilizou-se um questionário aberto semi-estruturado para identificar as
diferenças na cultura lúdica entre gerações. Ele era composto de seis perguntas,
três direcionadas às crianças e três direcionadas à 1ª e à 2ª gerações, estas últimas
sobre a infância dos participantes. Foram quinze entrevistados que pertenciam a
um total de cinco famílias; logo, cada geração teve cinco representantes. Além
da categorização de jogos recentes e jogos tradicionais, também foi realizada a
classificação de brinquedos industrializados e artesanais. Os brinquedos preferidos
citados pela 3ª geração mostraram indicativos da cultura contemporânea, pois
todos eles eram industrializados. Em contrapartida, todos os brinquedos preferidos
da 1ª geração eram artesanais e, na 2ª geração, há predominância de brinquedos
industrializados; porém, também aparecem alguns artesanais. Quanto às brincadeiras
ou jogos preferidos, observa-se que muitos jogos tradicionais foram transmitidos
culturalmente às crianças, apesar de serem citados em maior quantidade entre os
pais e avós. Jogos recentes só aparecem a partir da 2ª geração. Ainda foi possível
constatar que as brincadeiras e jogos ensinados pelos pais aos seus filhos eram,
predominantemente, tradicionais. Os resultados mostram que há a permanência de
alguns jogos tradicionais, mas que eles sofreram variações dadas pelo novo cenário
56
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 56
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:25
histórico, cultural e social que ambienta a realização das atividades lúdicas. Concluise também que os brinquedos citados pelos participantes denotam características
do contexto em que vivem ou viviam os entrevistados.
Palavras-chave: Brincadeiras. Jogos tradicionais. Cultura lúdica.
CO 051: E AGORA: POR QUE FAZER PSICOLOGIA? INTERVENÇÕES NO ENSINO MÉDIO E A
ESCOLHA DA PROFISSÃO.
Nathália Almeida Togneri, Ana Sayuri Ribeiro Waricoda, Carlos Henrique OfrantiBrioli, Jânia
Aparecida Correia.
Entre os desafios encontrados pelos jovens durante a sua transição para a vida adulta
destaca-se a escolha da profissão; contudo, em uma sociedade tão globalizada há
uma grande diversidade de cursos existentes no mercado, sendo comum a dúvida
diante dessa decisão. O que se pretende é apresentar intervenções e discutir, com
base na Teoria das Representações Sociais desenvolvida por Serge Moscovici,
qual “Psicologia” é concebida pelo senso comum, principalmente por estudantes
de ensino fundamental e médio, desmistificando certas concepções. Esta proposta
surgiu pelo Projeto de Extensão Psicologia nas Escolas, composto por estudantes do
curso de Psicologia da Faculdade do Espírito Santo (Unes), na cidade de Cachoeiro
de Itapemirim/ES. O projeto tem o propósito de levar aos alunos de ensino básico
informações sobre a Psicologia como ciência, apresentando também as áreas de
atuação do psicólogo e quando e onde procurá-lo. Os integrantes do projeto reúnemse quinzenalmente para discussão e planejamento, dividem-se em grupos e fazem
intervenções em escolas da região, esclarecendo as dúvidas e desmistificando as
visões do senso comum. No decorrer das intervenções, foi comprovado que grande
parte dos jovens tem uma visão distorcida sobre a Psicologia; muitos acham que este
profissional é “médico de louco”, outros têm a ideia de que o curso ajudará a resolver
os conflitos pessoais. Assim, por meio do discurso desses alunos, procurou-se uma
compreensão sobre qual representação sobre a Psicologia esses alunos possuem - e
como é possível colaborar para que haja uma mudança de concepção, auxiliando
também no ingresso nos cursos de Psicologia sem grandes surpresas.
Palavras-chave: Ensino Médio. Psicologia. Representações sociais. Senso comum.
CO 052: INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO
Maria José dos Reis Gonçalves, Daniella Messa e Melo Cruz.
Este trabalho tem como objetivo relatar uma experiência de estágio em uma
organização não governamental localizada no município de Vitória que atende
crianças e adolescentes em situação vulnerabilidade pessoal e social, que tem por
objetivo a prevenção e o distanciamento de situações de violência sociofamiliar e
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 57
57
08/05/2012 18:37:25
a inserção dos educandos em ensino profissionalizante. A proposta inicial para o
estágio foi de observação participativa da rotina dos profissionais e educandos, além
de reuniões com a equipe técnica. Percebeu-se a necessidade de um acompanhamento
com um grupo de crianças da instituição, que apresentavam queixas de agressividade,
indisciplina e comportamento violento. Entretanto, percebeu-se a necessidade de
fazer um acompanhamento direcionado não somente ao educandos, mas também a
suas famílias e aos educadores da instituição. Dessa maneira, foram desenvolvidas
ações interventivas utilizando técnicas em dinâmica de grupo, encontros com as
famílias e reuniões com a equipe técnica. A partir das ações praticadas, foi observada
uma aproximação entre família e instituição, maior adesão dos educandos às
atividades desenvolvidas pelos educadores sociais, diminuição do comportamento
violento entre os educandos, além da constatação do aumento do diálogo entre
eles não somente nos momentos das oficinas, mas durante as outras atividades
desenvolvidas na instituição. Entretanto, percebe-se a necessidade da continuidade
do trabalho envolvendo as famílias para que os resultados alcançados com as
intervenções desenvolvidas possam ser mantidos e a relação família/instituição
possa ser fortalecida.
Palavras-chave: Violência. Intervenção psicossocial. Família.
CO 053: JOVENS PAIS: DEMANDAS PARA A SAÚDE PÚBLICA E ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO
, Eduardo Coelho Ceotto, Zeidi Araújo Trindade.
A gravidez é um tema cada vez mais recorrente nos estudos acerca da adolescência,
alguns deles visando investigar os serviços de saúde prestados às mães e/ou
parturientes. Entretanto, com as mudanças sociais ocorridas, espera-se que o
pai também se envolva emocional e fisicamente com o bebê. Com base nessas
informações, buscou-se investigar se os pais/companheiros de gestantes frequentam
a Unidade Básica de Saúde (UBS) e como eles avaliam os serviços oferecidos;
se acompanham as gestantes; se participam dos cuidados diários com o bebê; e
até mesmo qual nível de informação que possuem sobre isso. Para tanto, foram
entrevistados 8 homens com idade entre 15 e 35 anos moradores de um bairro
na periferia da cidade de Vitória/ES que no momento da pesquisa residiam com
a mãe da criança. Utilizou-se o software N6 na categorização das respostas, e os
dados foram verificados a partir de uma Análise de Conteúdo. Metade dos pais
entrevistados afirmou frequentar a UBS quando necessita de atendimento para o
bebê, mas o mesmo não acontece quando eles mesmos necessitam de atendimento.
Os homens percebem que acompanhar a gestante é importante, mas afirmam não
poder acompanhá-las devido o horário de trabalho; entre os que acompanham,
todos afirmam não questionar o médico/enfermeira sobre os cuidados com a
58
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 58
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:25
criança e/ou com a mãe. Em relação aos cuidados com o bebê, a mãe ainda é
considerada a cuidadora principal e mais importante, enquanto o pai funciona
como uma espécie de “ajudador” - aquele que auxilia quando há necessidade.
Vê-se a necessidade do desenvolvimento de formas para envolver esses pais no
processo de gestação, possibilitando uma aproximação tanto da gestante quando
da criança, fornecendo assim uma experiência para que ele se sinta seguro no
papel de cuidador.
Palavras-chave: Paternidade. Adolescência. Saúde. Ações.
CO 054: O “ENCONTRO” COM ADOLESCENTES ABRIGADAS: A EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO
BÁSICO EM PSICOLOGIA
Galiléia Paula da Silva, André B. do Nascimento, Marcus Vinícius Lopes Dan, Maria Bastos
Cacciari, Sabrine Mantuan dos Santos Coutinho.
Compreendendo a criança e o adolescente como sujeitos de direitos, várias medidas
foram criadas com o objetivo de garantir os direitos assegurados pelo Estatuto da
Criança e do Adolescente (ECA). Entre elas, pode-se citar o abrigamento, que
consiste em uma medida protetiva provisória que busca proporcionar atendimento
integral às crianças até que elas retornem às famílias de origem ou sejam adotadas
por famílias substitutas. Esse trabalho consiste no relato da experiência do Estágio
Básico III vivenciada por alunos do curso de Psicologia da Universidade Vila Velha
(UVV) numa Casa Lar que funciona como abrigo para crianças e adolescentes
do sexo feminino situada em Vila Velha/ES. O estágio teve início em agosto de
2011 e será finalizado em julho de 2012. Após a aproximação teórica com o tema,
foi realizada a entrada no campo, que, inicialmente, consistiu em observação
participante com o intuito de conhecer a dinâmica institucional, levantar demandas,
e estabelecer vínculos. Também foi realizada uma reunião com a equipe. A
partir daí, foram organizadas oficinas psicoeducativas sobre diversas temáticas
relacionadas ao contexto de vida das meninas, em sua maioria adolescentes, sendo
também construído um espaço de fala e de troca. O planejamento das atividades
se dá nas supervisões, momento em que elas são permanentemente avaliadas
numa perspectiva psicossocial. A eleição dos temas de trabalho se dá a partir da
interação com as meninas, e neste semestre estão sendo abordadas duas temáticas
específicas - sexualidade e adolescência e projetos de vida/futuro. O contato com
a equipe por meio de reuniões se mostrou essencial para o desenvolvimento das
atividades e acontece mensalmente. Entende-se que a experiência do estágio tem
possibilitado às adolescentes ressignificar algumas questões, e aos estagiários tem
permitido o confronto com situações desafiadoras, que apontam para a necessidade
de comprometimento da Psicologia com as questões sociais.
Palavras-chave: Crianças e adolescentes. Abrigo. Psicologia. Estágio básico.
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 59
59
08/05/2012 18:37:25
CO 055: PENSANDO A SUCESSÃO NO CAMPO: REPRESENTAÇÃO SOCIAL SOBRE JUVENTUDE
EM UM GRUPO DE JOVENS RURAIS DE RIO BANANAL/ES
Poliana Sfalsin Zatta, Kleber de Oliveira, Bruna Cipriano, Larissa Silva Cabral.
No Brasil, aproximadamente um quarto da população reside em municípios
com menos de 20.000 habitantes. Todavia, a Psicologia, com suas questões
e metodologias, historicamente tem se voltado preferencialmente para os
fenômenos psicossociais do ambiente urbano. Esse trabalho propõe o olhar da
Psicologia Social para um dos temas mais relevantes do futuro da ruralidade: a
Agricultura Familiar e a sucessão no campo. Para tanto, é proposta a análise das
representações sociais sobre a juventude rural por parte de um grupo de jovens
agricultores familiares, participantes do Programa de Valorização da Juventude
Rural promovido pela Secretaria de Estado da Agricultura (SEAG) em parceria
com o Sindicato de Trabalhadores Rurais do município de Rio Bananal/ES. Esse
grupo de jovens revelou que a juventude é uma fase de responsabilidades, nas
quais decisões devem ser tomadas. A instituição familiar aparece como amparo
para se constituírem adultos comprometidos e éticos, visto que no campo há
maior qualidade de vida e autonomia para fazer escolhas. Contudo, acreditam
ser responsáveis por agregar tecnologia nas formas de produção, fato que gera
cobranças social e familiar significativas. No contexto rural, as famílias ensinam
valores e têm domínio sobre os filhos, os jovens discutem questões sociopolíticas
e têm autonomia e acesso tecnológico, enquanto que na cidade existem famílias
desestruturadas e os jovens estão mais expostos às drogas e à prostituição. O
lazer tende a ser coletivo e a educação pública escolar no campo é voltada para o
urbano e focada no emprego, sendo assim inadequada para a realidade rural. Para
finalizar, o grupo é unânime com relação a permanecer no campo implementando
tecnologia, melhorando o plantio e se profissionalizando. Os dados evidenciam
forte identidade do grupo, com grande politização do discurso. Tal identidade
está voltada para o mundo rural e para família, ambientes que potencializam
seu desenvolvimento como sujeitos. Infere-se que a participação no Programa
de Valorização da Juventude Rural e o envolvimento com as atividades do
Sindicato de Trabalhadores Rurais apresentam-se como prováveis disparadores
desse posicionamento, apontando importantes reflexões sob a possibilidade de
criação de espaços de fortalecimento dessa juventude, bem como favorecendo a
sucessão no campo e a reprodução das formas familiares de produção agrícola.
Palavras-chave: Psicologia Social. Representações Sociais. Juventude Rural.
60
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 60
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:25
CO 056: PERCEPÇÕES SOBRE A INFÂNCIA SOB A ÓTICA DE CRIANÇAS RESIDENTES NO
ASSENTAMENTO DO SEZÍNIO, LIGADAS AO MOVIMENTO DOS SEM TERRA (MST)
Paulo Sergio Cosme Pereira, Carolina Mardieli Muller, Daiane Kellen Magnago, Kleber
de Oliveira, Michele da Silva Reis, Nauwanny Thais dos Santos, Renata Caliman Pezzin,
Roberta Scaramussa.
A Psicologia Social compreende a infância não apenas como uma etapa da vida,
e sim como um conceito geográfico e historicamente determinado, que implica
debates sobre a família, os vínculos, a escola, a cultura e o ambiente em que
a criança está inserida; em suma, a infância é uma construção social. Estudos
como o de Ariès apontam que os sentimentos e práticas de cuidado em relação à
criança não existiam como conhecemos hoje, mas foram se constituindo ao longo
da história. Esta pesquisa, então, tem por objetivo apresentar a percepção acerca
da infância sob o olhar da própria criança, especificamente de um grupo ligado
ao Movimento dos Sem Terra (MST) residente no Assentamento do Sezínio, em
Linhares/ES. Para coleta de dados foram selecionados 13 desenhos confeccionados
por crianças com idade entre seis e oito anos, todas as alunas da “E.E.P.E.F. Paulo
Damião Tristão – Purinha”. Também foi elaborado um roteiro de entrevista para
nortear a análise dos desenhos. Tal roteiro não foi respondido por escrito, mas nas
conversas informais, tanto com as crianças quanto com o professor. A partir das
entrevistas e desenhos, observa-se que existe uma concepção de infância e do “ser
criança” própria desse grupo, que está relacionada principalmente à liberdade e ao
brincar, representado pelo elemento natureza que está presente em todos os desenhos
selecionados. Natureza aqui compreende árvores, sol, flores, nuvens, animais, lagoa,
frutas, estrelas, chuva. Isso reflete o contexto no qual essas crianças residem. Outro
elemento interessante foi a representação da “Escola” e da “Casa”, que apareceram
sete vezes cada, separadamente ou juntas no mesmo desenho, o que denota que a
educação é um processo que não depende apenas de um espaço físico, mas que se
dá em qualquer espaço. Consideramos estudos como este importantes para construir
práticas psicológicas desnaturalizadas no que se refere ao conceito de infância,
abrindo espaço para práticas pautadas na realidade dos diferentes grupos sociais.
Palavras-chave: Infância. MST. Psicologia
CO 057: REPRESENTAÇÃO SOCIAL DE MORTE NATURAL E ACIDENTAL
Kaíza Oliva Donadia, Andressa Tonini Pissaia, Lara Rocha Andrade, Stéfane Stolze Vieira,
Valeschka Guerra.
O presente trabalho discute as representações sociais acerca da morte natural e
acidental das estudantes, professoras e servidoras da Universidade Federal do
Espírito Santo (Ufes). Por se tratar de um assunto pouco abordado dentro das
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 61
61
08/05/2012 18:37:25
unidades acadêmicas, vê-se uma necessidade de tal pesquisa para uma melhor
compreensão da temática “morte”, com o intuito de melhor entender a visão
sobre ela. As representações sociais são uma forma de conhecimento, elaborada e
compartilhada coletivamente, tendo uma visão prática, com finalidade de construir
uma realidade comum a um conjunto social. Tendo como base esse referencial
teórico, esta pesquisa foi realizada com uma amostra de 30 (trinta) participantes,
todas do sexo feminino. Foram realizadas entrevistas estruturadas, compostas por
duas evocações, utilizando como palavras-estímulo: morte natural e morte acidental.
Em seguida, foram realizadas duas perguntas acerca das reações emocionais mais
comuns perante a morte (natural e acidental) e, para finalizar, as participantes foram
solicitadas a responder se sua religião poderia influenciar em suas concepções de
morte. A Análise de Conteúdo Temático-Categorial foi utilizada para a redução e
organização dos dados. Análises das duas primeiras questões apresentaram como
categorias principais: fim natural, sentimentos envolvidos com a morte, causas
e impactos. Nas questões acerca das reações emocionais, foram observadas as
seguintes categorias: sentimento, descanso, surpresa, falta e causa. No que diz
respeito à influência da religião, 63,3% das participantes responderam que sim, sua
concepção de morte é influenciada pela denominação religiosa da qual fazem parte.
As categorias levantadas são discutidas a partir das características sociodemográficas
dos participantes, a saber ocupação, escolaridade e religião. Consideramos, no
estudo, que a representação de morte, processo natural e inexorável, é fortemente
influenciada pelo meio e pela experiência individual.
Palavras-chave: Representação social. Morte natural. Morte Acidental.
CO 058: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA EM CRIANÇAS
ABRIGADAS
Kellen Bonfim caíres, Sara bahia, Sarah Sayuri, Franscielly Martins, Mônica Cola Cariello
Brotas Corrêa.
A avaliação psicológica clínica é ação privativa do psicólogo. Nos últimos anos,
observou-se um crescimento significativo de estudos sobre o tema, bem como
uma valorização da avaliação psicológica pela sociedade em geral, sobretudo
na investigação de problemas de aprendizagem e desenvolvimento. A avaliação
psicológica compreende a operacionalização de teorias psicológicas em eventos
observáveis. Exige uma abordagem científica que implica em métodos e técnicas
específicas. O crescimento da área, no entanto, faz com que na prática observe-se
uma supervalorização de suas possibilidades e, simultaneamente, sua redução ao
uso de instrumentos. A pesquisa qualitativa apresentada aqui objetivou identificar as
Representações Sociais sobre a avaliação psicológica de oito profissionais e voluntários
que atuam em uma instituição não governamental com crianças em situação de
62
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 62
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:25
abrigamento. Realizada como atividade integrante da disciplina Psicodiagnóstico,
compreendeu a aplicação de um roteiro de entrevista contendo quatro questões que
abordaram o conceito de avaliação psicológica e a importância de tal procedimento
para as crianças em abrigamento e para os profissionais que as assistem. Os dados
foram submetidos à Análise de Conteúdo de Bardin. Os resultados indicam que os
profissionais e voluntários veemm a avaliação psicológica apenas como uma estratégia
para a identificação de problemas, e identificam a criança em abrigamento como
necessariamente em uma condição patológica. Sinalizam a necessidade de ofertar
estratégias clínicas inovadoras que não reforcem a abordagem individualizante,
biológica e descontextualizada da criança em situação de abrigamento.
Palavras-chave: representação social, avaliação psicologica, abrigamento, crianças
abrigadas.
Eixo: Grupos e Exclusão Social
CO 059: A INCLUSÃO DA CRIANÇA COM SÍNDROME DE DOWN NA ESCOLA REGULAR
SEGUNDO A PERSPECTIVA DAS MÃES.
Roberta Ingrid Schimitberger, Bruna Rodrigues Bragança, Geisiane do Carmo
Almeida, Mayara Pires Guzzo, Roberta Ingrid Schimitberger, Thamise Leite
Guimarães, Sibelle Maria Martins de Barros.
A inclusão de crianças com deficiência em escolas de ensino regular está prevista
na Lei n.º 7.853/89; no entanto, vimos que tal inclusão trata-se de um desafio
para pais, professores e instituição de ensino que, muitas vezes, encontram-se
despreparados para recebê-los. A integração dessas crianças nesse meio social
poderá trazer resultados significantes em seu desenvolvimento, visto que a família
e a escola atuam como principais responsáveis na formação da identidade da
criança - incluindo a personalidade, a moral, a cultura e os valores. Através das
perspectivas de mães de crianças com Síndrome de Down (SD) e que frequentam
a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), buscamos conhecer o
processo de inclusão dessas crianças na escola regular de ensino, identificando as
informações que essas mães possuem sobre o processo, as dificuldades enfrentadas
e suas expectativas a respeito do futuro de seus filhos. Esta pesquisa foi realizada na
Apae de Vitória–ES e contou com a participação de oito mães com idades entre 27
a 49 anos, cujos filhos com diagnóstico de SD apresentavam idade entre 6 a 15 anos
e frequentam ou frequentaram uma escola regular. Utilizamos o método de Análise
de Conteúdo como ferramenta para a compreensão e a interpretação do discurso
das entrevistadas. Com base no desenvolvimento da pesquisa, pudemos observar
que a maioria das mães atribuiu ao fator genético SD um empecilho para efetuar
a matrícula de seus filhos - e que algumas delas não conseguiram na primeira
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 63
63
08/05/2012 18:37:25
tentativa. Das oito mães entrevistadas, sete relataram que se encontram insatisfeitas
com o sistema regular de ensino pois acham que há pouco investimentos por parte
dos profissionais em relação ao ensino-aprendizagem de seus filhos; mesmo assim,
relataram maior desenvolvimento nas áreas de comunicação, escrita e habilidades
sociais depois que eles passaram a frequentar a escola regular. Considerando os
relatos das mães, pudemos evidenciar a importância da inclusão para as crianças
com SD, uma vez que a partir disso possibilita-se a socialização e a diminuição
do preconceito. O desenvolvimento das habilidades após a inclusão é resultado
satisfatório para que ela ocorra, mas há sinais de que há muito o que se fazer para
melhorar a qualidade desse processo.
Palavras-chave: Síndrome de Down. Inclusão. APAE. Escola.
CO 060: A INVENÇÃO DE COTIDIANOS DISCENTES EM UMA UNIVERSIDADE
Eduardo Simonini Lopes.
O presente trabalho pretende discutir a importância de se oferecer atenção às
inventivas redes relacionais discentes construídas no cotidiano da Universidade
Federal de Viçosa/MG (UFV), sendo essas redes entendidas como produtoras de
diferentes currículos e conhecimentos não institucionalizados na universidade.
Assim, a partir da análise da construção de um grupo estudantil de diversidade
sexual chamado “Primavera nos Dentes”, buscou-se cartografar diferentes modos
de subjetivação da experiência discente que transversalizava aquele grupo e,
por conseguinte, os enovelamentos políticos, sociais e desejantes com os quais
o Primavera se cumpliciava. Tais cumplicidades se tornaram indicadoras da
existência de uma vida estudantil plural que estava urdida em universos de sentido
que não se restringiam apenas ao estudo das sexualidades. Acompanhado, portanto,
a partir de suas interseções e seus contágios com diferentes processos grupais,
encontramos que as dinâmicas do grupo “Primavera nos Dentes” construíam
ramificações e conflitos que se estendiam ao Movimento Estudantil, a proposições
político-partidárias, a orientações religiosas, a movimentos sociais diversos
(como o MST, a Marcha Mundial das Mulheres, o Movimentos dos Atingidos
por Barragens) que postulavam diferentes propostas “revolucionárias” para a
universidade e para sociedade em geral. Assim, ao acompanhar as dinâmicas
de um grupo pontual, “invisível” e institucionalmente frágil como o Primavera,
fomos apresentados a redes de relações (geralmente ignoradas pela Administração
Superior da universidade) que fomentavam outros conhecimentos e que também
interferiam nos modos como os estudantes nelas envolvidos praticavam não apenas
a UFV, mas também suas próprias vidas fora da instituição.
Palavras-chave: Cotidiano. Vida estudantil. Universidade.
64
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 64
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:25
CO 061: BRASILEIROS NA ALEMANHA: UM ESTUDO DA IDENTIDADE SOCIAL DE IMIGRANTES
ATRAVÉS DE FÓRUNS ONLINE
Roberta Rangel Batista, Mariane R. Ciscon-Evangelista, Beatriz B. Tesche.
Considerando a escassez de produções científicas que enfoquem a realidade da
imigração brasileira atualmente na Alemanha, o presente estudo teve como objetivo
compreender e analisar como se dá a construção da identidade social em brasileiros
que lá residem. A Alemanha apresentava, em 2010, um número de aproximadamente
91.087 brasileiros, de acordo com dados do Ministério Brasileiro de Relações
Exteriores. Esse fato justifica a necessidade da compreensão e aprofundamento nas
questões sociais que perpassam essa população. Para tanto, utilizamos como material
de análise fóruns online que possuem a característica de reunir esses brasileiros na
Alemanha para que possam discutir temas de interesse comum, além de tópicos
específicos para esse mesmo fim, presentes em uma rede social durante outubro
de 2010 e outubro de 2011. A Análise de Conteúdo foi utilizada e possibilitou a
formação de três categorias: 1) questões do dia a dia, 2) questões burocráticas e 3)
questões de saudosismo versus críticas ao Brasil. Os resultados nos mostram que os
fóruns de discussão online se tornam um espaço que conecta esses brasileiros em
terras alemãs e fazem uma ponte comunicacional entre eles, que muitas vezes não se
conhecem pessoalmente, apesar das frequentes conversas que se dão virtualmente.
É interessante ressaltarmos também que, apesar da grande diversidade cultural que
existe no Brasil, as conversas online acontecem no sentido de diferenciar a cultura
brasileira, em geral, da cultura alemã. Constatamos ainda que há uma flexibilização
da identidade brasileira, de certo modo, pois o outgroup agora é outro país e não
outros estados. É visto também que muitas vezes essa diferenciação feita pelos
brasileiros com relação aos alemães ocorre de forma positiva, embora correlações
negativas também sejam vigentes. Portanto, a identidade social dos brasileiros
na Alemanha que utilizam os fóruns de discussões online se apresenta de forma
fluida, e a dinâmica identitária se dá pela conveniência de conferir valor positivo
ou valor negativo ao grupo que mostrar melhor ou pior imagem de acordo com as
situações enfrentadas.
Palavras-chave: Identidade Social. Imigrantes Brasileiros. Alemanha.
CO 062: CAFÉ COM PROSA: GRUPO PSICOTERAPÊUTICO COM MÃES DE UTIN
Claudia Moura de Sant Anna C. de Oliveira, Claudia Moura de Sant´Anna C. de Oliveira,
Luciana Bicalho Reis.
O nascimento prematuro representa um evento estressante para a família,
principalmente a mãe, devido às condições de instabilidade orgânica e à necessidade
da família de separar-se do bebê após o nascimento. Estudos revelam significativa
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 65
65
08/05/2012 18:37:25
incidência de depressão e ansiedade em mães de bebês internados em Unidade
de Tratamento Intensivo Neonatal (UTIN). Assim, a assistência psicológica à
mãe apresenta-se como forma de suporte para a construção de estratégias de
enfrentamento. Este trabalho relata a experiência de um grupo psicoterapêutico com
mães de bebês internados em uma UTIN em um hospital público de Vila Velha-ES.
Os encontros semanais tinham duração aproximada de uma hora. Utilizavam-se como
dispositivos de intervenção dinâmicas de grupo e vivências por meio das quais as
mães podiam dar contorno à suas dores e angústias, o que permitia alívio emocional,
além de favorecer a criação de estratégias de enfrentamento para lidar com seus
medos e fantasias a respeito do filho. Após o término das dinâmicas, oferecia-se
um café com biscoitos, daí surgindo como sugestão das próprias participantes o
nome do grupo. Durante os encontros, percebeu-se que as mães passaram a gravidez
idealizando um bebê perfeito, sem problemas ou qualquer alteração de saúde. Dessa
forma, o nascimento prematuro e a internação do bebê na UTIN constituíam-se
experiências emocionais difíceis para essas mães. No início dos encontros, observouse uma dificuldade dos sujeitos em participar e expor seu sofrimento. Entretanto, à
medida que ouviam das outras mães falas semelhantes às suas, foi-se constituindo
um sentimento de grupo e pertencimento, além da compreensão de que aquele
espaço serviria para amenizar suas angústias. Outro sentimento relatado pelas mães
era o de terem abandonado seus filhos, principalmente à noite, quando iam para
casa. Somado a isso, as participantes relatavam sentir impotência frente à condição
de saúde do bebê. Diante do exposto, observa-se a importância da intervenção
psicológica com sujeitos que enfrentam problemas graves de saúde, pois é possível
contribuir para a criação de estratégias de enfrentamento dessas situações de estresse,
além de possibilitar a elaboração de experiências emocionais bastante difíceis. Por
meio das vivências, as mães puderam se tornar conscientes de seus afetos, medos
e fantasias em relação aos bebês.
Palavras-chave: Mães. Bebês prematuros. UTIN. Grupo Psicoterapêutico.
CO 063: CONSTRUÇÕES SOBRE O MUNDO CIGANO: REPRESENTAÇÕES E AFETOS ENTRE OS
NÃO CIGANOS
Jéssica Maria Gomes de Faria, Amandha Gyselle Martins do Nascimento, Mariana Bonomo,
Lídio de Souza, André Mota do Livramento, Julia Alves Brasil.
Apesar dos séculos de vivência das comunidades ciganas no Brasil, pouco se sabe
a respeito dessa população, da sua história e cultura. Esse desconhecimento, em
muitos aspectos, favorece o quadro discriminatório sofrido por esse grupo em nossa
sociedade. Referenciada na Teoria das Representações Sociais, esta pesquisa tem
como objetivo investigar a elaboração do objeto “cigano” para não ciganos e, de
modo mais específico, analisar a dimensão afetiva dessas representações. O estudo
66
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 66
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:25
está sendo desenvolvido por meio de duas etapas: (1) aplicação de questionários em
108 estudantes universitários da Grande Vitória/ES; e (2) realização de entrevistas
semi-estruturadas com 20 participantes da primeira etapa do estudo, subdivididos
em dois grupos, segundo a dinâmica afetiva apresentada (afetos positivos ou
negativamente valorados). Os dados referentes à primeira etapa foram sistematizados
por meio da Análise de Conteúdo e do software SPAD-T, estratégia que possibilitou a
identificação de três grupos de sujeitos com distintas representações sociais sobre os
ciganos. No primeiro grupo, composto por 27 sujeitos, foram identificados indivíduos
que expressaram sentimentos negativos associados aos ciganos, tais como “malestar”, “aversão” e “desprezo”. O segundo grupo, por sua vez, é constituído por
18 sujeitos que manifestaram sentimentos positivos como “simpatia”, “admiração”
e “respeito”. Por fim, um grupo de 63 sujeitos apresentou, simultaneamente,
sentimentos positivos e negativos relacionados aos ciganos e, por isso, foi nomeado
de ambíguos. No que concerne à segunda etapa da pesquisa, os resultados estão
sendo tratados com o auxílio do software ALCESTE e da Análise de Conteúdo
Categorial Temática, visando apreender com maior clareza e profundidade as
representações sociais e sua dimensão afetiva. Esperamos que o estudo contribua
para a ampliação do corpo de conhecimento produzido sobre a cultura cigana, bem
como auxilie na desmistificação dos estereótipos negativos largamente difundidos
no imaginário social não cigano.
Palavras-chave: Afetos. Ciganos. Representações Sociais.
CO 064: ENFRENTANDO O PRECONCEITO RACIAL: JUVENTUDE NEGRA E A COMUNIDADE
COMO REFÚGIO
Beatriz Baptista Tesche, Maria Cristina Smith Menandro.
Tendo como base a Teoria das Representações Sociais proposta por Serge Moscovici,
o presente trabalho busca conhecer a representação social de juventude negra para
jovens negros e sua relação com a inserção na comunidade. Participaram desta
pesquisa 12 jovens, de 19 a 28 anos, seis rapazes e seis moças, residentes em bairro
populares em Vitória/ES. As entrevistas seguiram um roteiro semi-estruturado com
questões sociodemográficas e dois blocos temáticos: 1) adolescência e juventude, 2)
comunidade e participação dos jovens. Identificamos diferentes espaços de atuação
juvenil e os agrupamos em três categorias: políticos (centro comunitário, assembleias
do Orçamento Participativo e em diversas instâncias de negociação com o poder
público); culturais (Escola de Samba, congo, capoeira, grupos musicais, grupos
de dança, grupos desportivos); e religiosos (eventos religiosos, festas religiosas,
procissões, grupos musicais religiosos). Para os participantes, os jovens atuam
nos diferentes espaços sociais que identificamos, mas menos no campo político
comunitário. Podemos afirmar que a representação social dos participantes sobre
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 67
67
08/05/2012 18:37:25
juventude negra é a liberdade com responsabilidade, o trabalho e a resistência
ao preconceito racial. Identificamos nos espaços de convivência juvenil relações
comunitárias e familiares que são um apoio para os participantes enfrentarem o
preconceito racial. Para os participantes, os espaços sociais nos quais atuam foram
de grande importância na construção de suas relações sociais e familiares - e,
principalmente entre os rapazes, na permanência fora do tráfico de drogas e da
criminalidade em geral. Por esse motivo, os participantes destacam a importância do
envolvimento dos jovens na mobilização da comunidade para lutar por melhorias em
seus bairros. Nesse ponto, os participantes diferem: para os rapazes, os jovens devem
se apropriar dos espaços políticos para buscar melhorias; já as moças acreditam
que os jovens devem se apropriar dos espaços culturais e religiosos para buscar
melhorias. Percebemos que, em uma comunidade onde a cultura negra é valorizada
e difundida, os jovens utilizam suas redes sociais como apoio e referência para
enfrentarem o preconceito racial. O bairro torna-se um refúgio contra o preconceito
e a discriminação, em detrimento da criminalidade ou falta de estrutura.
Palavras-chave: Juventude. Relações raciais. Preconceito. Comunidade.
Representação social.
CO 065: IDENTIDADE SOCIAL E RURALIDADE NO CONTEXTO SOCIOCULTURAL CAMPONÊS
Mariana Bonomo, Lídio de Souza, Eliana Zandonade.
A identidade ganha especial importância em um contexto de globalização que
favorece o confronto entre grupos sociais diversos, bem como a manifestação de
categorias minoritárias que reclamam seu espaço de existência face à crescente
pressão à hegemonia instaurada pelos grupos dominantes. Entender como as
minorias têm vivenciado esse momento histórico mostrou-se uma relevante tarefa,
especialmente no que se refere ao modo de vida rural, simbolizado como contrário
ao que é moderno e civilizado. A partir do aporte teórico-conceitual da Teoria da
Identidade Social, o objetivo deste estudo consistiu em identificar os elementos que
constituem as dimensões identitárias no contexto de comparação social campo-cidade
entre membros de uma comunidade rural, caracterizada pelo modo de produção
agrícola, fundamentada na agricultura familiar, e na estrutura sociocomunitária.
Participaram do estudo 200 integrantes da comunidade, subdivididos entre quatro
gerações, entrevistados a partir de um roteiro estruturado, contendo os seguintes
núcleos de informação: 1) dados sociodemográficos; e 2) identificação dos
elementos que constituem as dimensões identitárias (cognitiva, avaliativa e afetiva)
referentes ao rural e à cidade. Os corpora de dados foram sistematizados por meio
do software SPSS e da Análise de Conteúdo. Os resultados evidenciaram o trabalho
de elaboração dos integrantes do grupo rural a fim de compor uma imagem social
positiva de seu grupo. A análise fatorial referente ao conjunto de dados do rural
68
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 68
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:25
indicou a presença de 14 fatores estatisticamente significativos, e a análise fatorial
relacionada à cidade, por sua vez, indicou a presença de 15 fatores. A análise dos
elementos presentes nas três dimensões (estereótipos, valores e afetos) de cada fator,
para os dois objetos, favoreceu a elaboração de um sistema comparativo rural vs.
cidade, quais sejam: (1) autossustentabilidade vs. modo de produção capitalista; (2)
igualdade vs. desigualdade; (3) familiaridade vs. não familiaridade; e (4) vida feliz
vs. vida triste. As ambiguidades e tensões identificadas revelam a complexidade
do fenômeno identitário, confirmam a força do imaginário na tomada de posição
dos indivíduos, bem como destacam a função do grupo social na inserção de seus
membros na estrutura e dinâmica da sociedade e da cultura. Apoio: CNPq
Palavras-chave: Afeto. Estereótipos. Identidade social. Ruralidade. Valores sociais.
CO 066: INCLUSÃO E APROVEITAMENTO ESCOLAR DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA NO ENSINO
SUPERIOR.
Carlos Roberto de Jesus Melo, Luciana Bicalho Reis, Matheus Aguiar, Whyllian Zampirolli.
O processo de inclusão das pessoas com deficiência apresenta avanços significativos
no Brasil. A Declaração de Salamanca (1994) preconiza a inserção desses estudantes
na rede regular de ensino desde o nível fundamental ao superior. Entretanto, o processo
de inclusão enfrenta inúmeras barreiras e há pouca discussão relativa ao acesso das
pessoas com deficiência ao ensino superior. Não existem dados, ou ao menos não
são veiculados, que indiquem o número de pessoas com deficiência que frequentam
as universidades. Este trabalho propôs-se a investigar a inclusão educacional de
pessoas com deficiência no ensino superior. Trata-se de uma pesquisa qualitativa
de que participaram 6 (seis) sujeitos, sendo dois com deficiência física, dois com
deficiência visual, uma com deficiência auditiva e uma intelectual leve. Utilizou-se
como instrumento para coleta dos dados uma entrevista semi-estruturada, que foi
gravada e em seguida transcrita. As respostas foram analisadas segundo as categorias
previamente definidas: sentimentos vivenciados no processo de inclusão, situações
de estigmatização e discriminação, relacionamento interpessoal com colegas e
professores, rendimento e aproveitamento do escolar e as estratégias adotadas para
superação das dificuldades. Os resultados revelam que os alunos enfrentam mais
dificuldades relativas aos aspectos psicopedagógicos, como adequação de métodos
de ensino e avaliação, e psicossociais, tais como relacionamento com colegas e
professores, do que relativas às adaptações arquitetônicas. Evidenciou-se que o
preconceito e o estigma produzem dificuldades no relacionamento com os colegas
de sala. Três dos sujeitos entrevistados declararam que se sentem discriminados e
consequentemente inferiorizados em relação aos colegas. Com relação ao processo
de aprendizagem, quatro entre os seis sujeitos disseram não encontrar nenhuma
dificuldade para acompanhar a turma. Em relação às estratégias individuais adotadas
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 69
69
08/05/2012 18:37:25
para superação das dificuldades, os entrevistados relataram uma intensificação da
luta pelos seus direitos, o uso de recursos tecnológicos, a busca por maior autonomia
e desenvolvimento de habilidades sociais, entre outras coisas. O estudo, apesar de
pontual, revela que a inclusão escolar ainda enfrenta sérias barreiras atitudinais e
de relacionamento, apontando para a necessidade da implementação de estratégias
institucionais que favoreçam a criação de novas formas de relacionamento entre
dos ditos “normais” e “deficientes” dentro das universidades.
Palavras-chave: Pessoas com deficiência. Inclusão educacional. Ensino superior.
CO 067: OPENEVOC: UM PROGRAMA DE APOIO À PESQUISA EM REPRESENTAÇÕES SOCIAIS
Hugo Cristo Sant Anna.
O openEvoc é um programa online e gratuito destinado a coleta, processamento,
análise e visualização de dados de pesquisas em Representações Sociais (RS) na
perspectiva da Teoria do Núcleo Central de Jean-Claude Abric. A ferramenta tem
como objetivo oferecer recursos de apoio ao processo de pesquisa em RS cuja
operação seja simples e em língua portuguesa, tendo em vista usuários de qualquer
sistema operacional, desde que conectados à Internet. O desenvolvimento do
openEvoc foi iniciado no segundo semestre de 2011 no Programa de Pós-Graduação
em Psicologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), por meio de um
levantamento que mapeou os principais programas e recursos mais utilizados em
estudos sobre RS publicados em periódicos latino-americanos nos últimos 12 anos.
Nesse levantamento, observou-se a aplicação mais intensa dos programas Alceste e
EVOC, com destaque para o emprego, respectivamente, do dendrograma de classes classificações hierárquica descendente (CHD) e ascendente (CHA) - e do quadro de
frequências versus ordem de evocação na comunicação dos resultados das pesquisas.
Partindo da análise realizada, optou-se pela construção de uma alternativa online,
gratuita e em língua portuguesa ao pacote EVOC, utilizando tecnologias também
livres: HTML5, PHP, MySQL e Javascript. Resumidamente, o programa oferece
ferramentas para criação e aplicação de questionários presencialmente e a distância,
recursos básicos de estatística descritiva com visualização gráfica de dados, geração
de tabelas de frequência, tabelas de contingência e quadros de frequência versus
ordem das evocações, além de ferramentas para exportação e importação de dados
de outros programas. Dentre os recursos planejados para as futuras versões pode-se
citar a geração de gráficos interativos que permitam a exploração em tempo real
dos dados de pesquisa e a exportação de gráficos e relatórios em PDF. Espera-se
que o openEvoc possa se tornar efetivamente, a médio prazo, uma alternativa de
livre acesso e brasileira ao pacote EVOC.
Palavras-chave: Representações Sociais. Núcleo Central. Evocação. Computação.
EVOC.
70
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 70
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:26
CO 068: PROJETO AFLORANDO POTENCIALIDADES: UM OLHAR PARA AS PECULIARIDADES
DOS ALUNOS VISTOS COMO PROBLEMAS
Angelo Moreira Arruda, Angelo Moreira, Raphael Pinto Gandolfo, Alessandra Oliveira
Henriques.
Em cada sociedade, o homem exalta certas potencialidades específicas, as quais
são rotuladas como as únicas corretas e desejáveis; a partir disso, são criadas
diversas estratégias educacionais com o intuito de institucionalizá-las. No entanto,
no ambiente escolar se pode notar o quanto tal objetivo é complexo, visto que
certos alunos passam a ser considerados como fracassados por não se enquadrar
nos padrões educacionais vigentes. Sendo assim, quais são as estratégias possíveis
para promover reflexões acerca das potencialidades de alunos que são vistos como
problemas por não possuir as mesmas potencialidades exaltadas pela sociedade
contemporânea? Promover o desenvolvimento de estratégias capazes de aflorar o
potencial dos alunos que são considerados fracassados a partir de suas características
e contextos particulares, destacando sua criatividade e capacidade de superação. Para
atingir esse objetivo, foram construídos três grupos de reflexão e oficinas, compostos
por dez professores, doze mães e 140 alunos do Ensino Fundamental (5ª à 8ª série)
da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) “Ercy Arruda Bonfim”,
situada na Comunidade de São Gabriel “Camará”, distrito de Muqui/ES. A partir
das discussões levantadas nos três grupos, pode-se perceber que grande parte dos
participantes se preocupa excessivamente em seguir os padrões de potencialidades
instituídos pela sociedade, explicitando, dessa forma, a necessidade de promover
reflexões acerca das peculiaridades individuais de cada um. Concluiu-se que grupos
de reflexão e oficinas são excelentes estratégias para provocar reflexões acerca
das potencialidades dos alunos vistos como problemas, e configuram-se como
dispositivos que podem levantar questionamentos construtivos sobre tal temática,
promovendo a valorização do potencial de desenvolvimento e da criatividade dos
alunos que podem se reconhecer como capazes e participantes ativos do processo
educacional como um todo.
Palavras-chave: Potencialidade. Alunos-problema. Processos educacionais.
CO 069: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE CIGANOS ENTRE BRASILEIROS E ITALIANOS
Mariana Bonomo, Lídio de Souza, Giannino Melotti, Chiara Berti, Monica Pivetti.
Dados históricos revelam que a perseguição a grupos ciganos tem sido registrada
ao longo dos últimos séculos, chegando a se configurar como política oficial de
extermínio na Europa do século XVI. Na atualidade, em diferentes contextos e
nacionalidades, inúmeros episódios de banimento e práticas discriminatórias contra
integrantes dessa etnia têm sido verificados, fortalecendo as relações de conflito
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 71
71
08/05/2012 18:37:26
entre os universos cigano e não cigano. Em consonância com essa realidade, de
acordo com a literatura internacional, no imaginário social contemporâneo o povo
cigano tem sido representado com elementos estereotipados cujos significados têm
favorecido a difusão de sua imagem como ladrões, amaldiçoados, sujos e traiçoeiros.
Conhecer a dinâmica constitutiva de tal campo representacional apresenta-se
como uma importante questão a ser explorada. Tendo como referência a Teoria
das Representações Sociais, o presente estudo tem como objetivo investigar em
grupos de brasileiros e italianos a constituição do campo semântico associado ao
objeto “ciganos”, dimensionado nas configurações de gênero - “homem cigano” e
“mulher cigana”. Apoiada na perspectiva não consensual das representações sociais,
a proposição deste estudo visa à análise dos diferentes níveis de ancoragem (social,
psicológica e psicossocial) para a identificação das posições individuais frente
aos diversos núcleos de significado que constituem as representações sociais. A
pesquisa está sendo desenvolvida a partir da aplicação de questionários entre 400
estudantes de universidades das cidades italianas de Bolonha e Chieti e da região
da Grande Vitória/Brasil. O instrumento de coleta dos dados é constituído pelos
seguintes tópicos de informação: dados socioeconômicos; técnica de associação para
os termos indutores “cigano”, “mulher cigana” e “homem cigano”, com questões
exploratórias; campo afetivo e valorativo relacionado ao objeto de representação; e
exploração da experiência e contatos com ciganos ou ciganas. No que se refere ao
tratamento dos dados, as análises estão sendo conduzidas por meio dos softwares
SPAD-T e SPSS. Espera-se que os resultados gerados a partir deste estudo possam
contribuir para o conhecimento mais refinado dos estereótipos negativos largamente
difundidos no imaginário social, núcleo do preconceito e da violência cometida
contra essa etnia. Apoio: CAPES/PRODOC, CNPq.
Palavras-chave: Afeto. Cigano. Estereótipos. Representação social. Valores sociais.
CO 070: SINAIS E SINTOMAS: A PERCEPÇÃO DE PROFESSORES SOBRE O COMPORTAMENTO
DE ALTERAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO E A APRENDIZAGEM
Rozane Couto Dias Uliana, Alice Pellacani, Priscila Susan, Sirlaine Oliveira.
Os problemas de aprendizagem constituem-se na maior causa de encaminhamento
de crianças e adolescentes para psicodiagnóstico nos serviços de Psicologia.
Tais dados refletem a dificuldade em compreender todas as variáveis envolvidas
no processo de ensino e aprendizagem - ao mesmo tempo em que se observa
a patologização de tais problemas, reduzindo todas as dificuldades escolares à
condição de distúrbio de aprendizagem. A pesquisa qualitativa que apresentamos
resultou de uma atividade desenvolvida na disciplina de psicodiagnóstico em um
curso de graduação em Psicologia de uma instituição de ensino no município de
Vila Velha. Objetiva identificar a percepção de professores sobre as alterações de
72
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 72
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:26
desenvolvimento e aprendizagem e as estratégias que identificam como adequadas
para o enfrentamento do problema de aprendizagem. Foi definida uma amostra de
conveniência, e participaram da pesquisa dez professores de uma escola de ensino
fundamental do município de Vila Velha. O instrumento utilizado para a coleta de
dados foi um questionário contendo seis perguntas abertas sobre o percentual de
alunos que identificam com problemas de aprendizagem, as causas de tais problemas,
os comportamentos sinalizadores de problemas de aprendizagem e as estratégias
utilizadas para abordagem e intervenção quando identificavam um desses alunos. Os
questionários foram respondidos pelos professores manualmente e sem a presença
do entrevistador. Os resultados indicaram que a maioria (9 professores) identifica
fatores socioculturais como determinantes para os problemas de aprendizagem,
e culpabilizam as famílias dos estudantes pela ocorrência das dificuldades. Dos
entrevistados, todos classificam os problemas como distúrbios comportamentais
e neurológicos que são identificados principalmente pelo que denominam de
falta de motivação. Comportamentos típicos do desenvolvimento do adolescente
são descritos como sinais ou sintomas de alterações comportamentais. Os dados
indicam a importância de problematizar os encaminhamentos ao psicodiagnóstico
e a construção de uma rede de cuidado que possa avaliar não só os indivíduos com
distúrbios, mas também os determinantes psicossociais que estão envolvidos na
produção dos problemas de aprendizagem.
Palavras-chave: Problemas de aprendizagem. Psicodiagnóstico
CO 071: TRANSPORTE COLETIVO URBANO: UMA PESQUISA SOBRE A PERCEPÇÃO DO USUÁRIO
Marilene Olivier, Winicius Mendonça Teodoro, Christyne Gomes Toledo de Oliveira, Simone
da Costa Fernandes.
O serviço de transporte público por ônibus é um dos principais meios de locomoção
da maior parte da população, constituído num processo de interação entre usuário,
o prestador de serviços e o contexto social. A mídia tem publicado com frequência
as reclamações das pessoas quanto à qualidade desses serviços, ora enfatizando o
veículo, ora o motorista, ora o passageiro. Buscou-se, assim, identificar e descrever
como os usuários do transporte coletivo da Grande Vitória percebem e vivenciam
o seu movimento de deslocamento utilizando esse meio. Para tal, foi realizada
uma pesquisa de campo, de caráter fenomenológico, participativa. Os dados foram
coletados durante todos os dias da semana, em horários variados, durante três meses,
utilizando diversas rotas de ônibus, totalizando cerca aproximadamente 170 horas
de observações permeadas por entrevistas. Houve ainda a simulação de situações
atípicas, tanto nos pontos de ônibus quanto no próprio veículo de transporte, a
fim de se verificar a reação das pessoas. Entre as simulações estiveram presentes
o uso de muletas, botas ortopédicas e barriga postiça. Para registro, foi utilizado
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 73
73
08/05/2012 18:37:26
um diário de campo, sendo as anotações revisadas nos finais de semana. Fatos,
atos e relatos foram registrados em abundância. Foram encontrados significados
e comportamentos que apontam não só algo do real para o usuário, como a falta
de respeito e de cortesia, assim como coisas do imaginário, do simbólico, como
as lembranças e sentimentos suscitados pelos locais que os passageiros usam para
se segurar. Eventos como assaltos, superlotação, adolescentes pulando a catraca,
discussões e brigas, comportamentos inadequados, o tempo de espera no ponto,
a irregularidade do horário, “passar batido no ponto”, dentre outros, traduzem
sentimentos de medo, ansiedade, raiva, tristeza, impotência e frustração. Poucos
foram os casos nos quais sentimentos positivos foram declarados destacando a alegria
e satisfação. Os participantes da pesquisa apontam para um universo diversificado
em termos de suas relações com os demais usuários e o próprio veículo, que vai
desde a violentação simbólica e o desprezo pelo ser humano à satisfação. Dessa
forma, destaca-se que o transporte tem um componente dialético, inscrevendo-se
na ordem do coletivo e configurando-se como uma marca de exclusão.
Palavras-chave: Transporte Coletivo. Passageiro. Percepção. Comportamentos.
Exclusão
CO 072: UMA INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL: A ARTE COMO UMA FERRAMENTA PARA
CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA.
Jeane Ruchdeschel Silva, Daniella Messa e Melo Cruz.
Uma das definições existentes com relação à identidade é a de que ela seja uma
concepção de si mesmo, composta de valores, crenças e metas com os quais o
indivíduo está solidamente comprometido. Baseado nessa concepção, e com o
objetivo de possibilitar o processo de descoberta do próprio universo cultural e social,
foram desenvolvidas por uma estagiária de Psicologia, juntamente com educadores
sociais de uma instituição não governamental que atende crianças e adolescentes
em situação de risco e vulnerabilidade social, oficinas de fotografia com construção
de portfólios pessoais utilizando técnicas de grafitagem. Tal proposta surgiu a
partir do contato da estagiária com os educandos e educadores da instituição para
o levantamento de demandas por meio de observação participativa e de encontros
utilizando técnicas em dinâmicas de grupo. Foi constatada a presença de estereótipos
direcionados ao fatalismo da criminalidade em relação aos educandos da instituição
em que suas identidades eram determinadas pelo local no qual vivem - e que, no
caso, seriam futuros traficantes. A partir das oficinas de fotografia, grafitagem e
construção de portfólio, foi facilitado aos participantes imergir em suas histórias
pessoais e suas escolhas a partir de seu contexto histórico-social, promovendo
seu processo de autoconhecimento e visão de si mesmos. Os educandos foram
orientados a fotografar imagens que possibilitassem “mostrar quem eram” e o que
74
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 74
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:26
acreditavam ser importante em suas vidas dentro da comunidade em que viviam.
Observou-se, a partir das primeiras intervenções, um processo de ressignificação
das próprias histórias dos educandos, facilitando o autoconhecimento e a tessitura
de uma identidade social a partir de outra visão de si mesmos. Foi possível observar
também que o espaço criado possibilitou aos educandos que “falassem” de si a partir
de outras linguagens além da verbal, permitindo, dessa maneira, a elaboração de sua
própria subjetividade, respeitando seus valores, histórias e contexto sociocultural.
Palavras-chave: Identidade. Intervenção psicossocial. Arte.
CO 073: “A PARTIR DO MOMENTO QUE NÃO VENHA ME AGREDIR”: UM ESTUDO SOBRE
A DESINSTITUCIONALIZAÇÃO DA LOUCURA SOB A PERSPECTIVA DA TEORIA DA
IDENTIDADE SOCIAL
Pedro Machado Ribeiro Neto, Lídio de Souza.
Com o objetivo de analisar a reintegração social de ex-moradores de hospitais
psiquiátricos, o estudo aborda a desinstitucionalização da loucura na perspectiva da
Teoria da Identidade Social (TIS). Inicialmente são analisadas as principais proposições
da TIS e, posteriormente, são apresentados os resultados de pesquisa empírica
qualitativa sobre a receptividade social em relação à implantação das residências
terapêuticas. Participaram 20 pessoas de ambos os sexos, entre 17 e 58 anos, com
diferentes escolaridades e atividades, em dois bairros da Grande Vitória onde não
há residências terapêuticas. O roteiro continha duas questões, sobre as residências
terapêuticas e a redução de leitos psiquiátricos. O material das entrevistas foi submetido
à Análise de Conteúdo Temática. A TIS informa que as categorizações sociais
favorecem uma imagem positivamente valorizada do próprio grupo, contribuindo
para preservar o sistema de valores, e servem também como instrumento de contraste
necessário para a afirmação da identidade social. A manutenção da loucura em posição
inferior permite esse contraste, mas favorece atitudes discriminatórias contra o “louco”.
Nesse contexto o “doente mental” funcionaria como o “selvagem”, instrumento
de comparação intergrupal importante para constituição da identidade social. Os
dados empíricos indicaram posição favorável às residências terapêuticas, mas essa
postura esteve, em vários momentos das entrevistas, acompanhada de condições: os
entrevistados são favoráveis à reinserção social do morador de residência terapêutica
“desde que”, “contanto que”, ou “se” alguma coisa. As concepções sobre os moradores
de residência terapêutica estiveram associadas às ideias de doença, problema e risco,
ocasionando o sentimento de medo. O estereótipo negativo associado aos “loucos”
é um empecilho ao processo de desinstitucionalização, podendo colocar em risco a
participação social daqueles incluídos nessa categoria. Mesmo que o indivíduo possua
algum grau de participação nas decisões e contextos sociais, as questões encontradas
nesta pesquisa sugerem a necessidade de discutir a qualidade dessa participação. A
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 75
75
08/05/2012 18:37:26
posição favorável presente no discurso dos entrevistados parece demonstrar a existência
de um comportamento social acolhedor, solidário, de aceitação positiva do morador
de residência terapêutica; mas a imposição de certas condições para sua reintegração
social, somada às características negativas associadas à loucura, evidenciam uma
postura que concretiza o contrário, o distanciamento social.
Palavras-chave: Teoria da Identidade Social. Desinstitucionalização. Saúde mental.
Reintegração social.
Eixo: Violência
CO 074: ATENDIMENTO PSICOLÓGICO COM UM ADOLESCENTE: A CONSTRUÇÃO DA
IDENTIDADE SEXUAL.
Timoteo de Souza Ferreira.
Este trabalho foi realizado no curso de graduação em Psicologia da Faesa, baseado
no Estágio Supervisionado da Ênfase em Educação, Projeto Fala Sério. O objetivo
deste trabalho é relatar a experiência de atendimentos psicológicos realizados
com um adolescente vítima de abuso sexual. O paciente é do sexo masculino,
tem treze anos e está na quinta série do ensino fundamental. O adolescente mora
com sua irmã mais velha, mas mantém contanto com o restante da sua família. Os
atendimentos aconteceram uma vez por semana, com duração de 50 minutos, na
Clínica de Psicologia da Faesa, no período do mês de setembro de 2011 até o mês
de março de 2012, totalizando dez atendimentos, nos quais foram utilizados jogos,
dinâmicas e o diálogo. Durante as sessões, o adolescente falou muito sobre sua
família, expressando seu sentimento em relação aos seus principais cuidadores. Foi
possível trabalhar também a questão do abuso sexual que ele sofreu na infância
e de como esee ocorrido influencia no processo de construção de sua identidade
sexual. O paciente demonstra um sentimento de alívio por poder falar sobre suas
angústias nos atendimentos, o que reforça ainda mais a importância desse tipo de
acolhimento a adolescentes que sofreram violência.
Palavras-chave: Atendimento psicológico. Abuso sexual. Identidade sexual.
CO 075: EXPERIÊNCIA DE ATUAÇÃO INTERDISCIPLINAR QUANTO À VIOLÊNCIA NO COTIDIANO
ESCOLAR.
Sirley Trugilho da Silva, Leessanny Carlesso dos Santos Lirio, Terezinha de Jesus Lyrio Loureiro.
Retrata-se uma experiência de atuação interdisciplinar em um dos campi do Instituto
Federal do Espírito Santo (Ifes) em questões relacionadas à violência no âmbito
escolar. As ações são desenvolvidas em equipe envolvendo profissionais da área de
Psicologia e Pedagogia, e ocasionalmente da Assistência Social, sempre que possível
envolvendo observações em sala de aula para construção coletiva da demanda e ações
76
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 76
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:26
de intervenção. Dentre os métodos utilizados, constam a aplicação de uma versão
adaptada do questionário “Tell Us About Bullying”, da organização Anti-Bullying
Alliance’s (2005); o desenho do sociograma da turma; a apresentação, discussão
e realização de redações de filmes e textos relacionados à temática; o incentivo a
ações cooperativas; a realização de oficinas em eventos com comunidade escolar e
externa; a realização de reuniões e dinâmicas de grupo com o corpo discente, bem
como reuniões e correspondência com o corpo docente. Em diversas ocasiões, a
análise da demanda constitui-se como ação mediadora, colaborando para interromper
o processo de culpabilização e auxiliando a identificação das variáveis sistêmicas
envolvidas na produção do problema. Observamos que as ações de prevenção
oportunizaram o relato de situações de violência, possibilitando intervenção nesses
casos. Constatou-se redução acentuada nos casos que poderiam exigir aplicação de
sansões disciplinares. Em relação a políticas institucionais, foi feita a revisão do
Código de Ética do corpo discente, envolvendo toda comunidade escolar no processo.
Palavras-chave: Violência escolar. Bullying. Intervenção. Interdisciplinaridade.
CO 076: NA IMPOSSIBILIDADE DA PALAVRA O ATO: ADOLESCÊNCIA E A LEI.
Renata Goltara Liboni, Vanda Valle de Figueiredo Ferreira.
O atual estudo teve como objetivo investigar a lógica subjacente ao ato infracional
praticado por adolescentes em conflito com a lei, margeando duas áreas do saber: a
psicanálise e o direito. Para tal, optou-se por um estudo de caso a partir da análise
do texto de Jean Genet, intitulado A criança criminosa. Adotou-se, para o tratamento
dos dados, a abordagem qualitativa, sendo o texto submetido ao método de Análise
de Conteúdo proposto por Bardin. Foram definidas cinco categorias temáticas para
extrair do artigo os elementos textuais que elucidassem o sentido do ato infracional.
Verificou-se que a lógica que o sustenta é a da reivindicação por um “olhar” que
possa dar algum lugar subjetivo ao seu autor. O enfraquecimento dos referenciais
simbólicos contemporâneos – sobretudo a função paterna -, aliado a uma ausência
de políticas públicas sociais que garantam algum lugar para os jovens na sociedade
neoliberal, contribuem para a sua reincidência no caminho da delinquência.
Palavras-chave: Ato infracional; Adolescentes; Psicanálise.
CO 077: REPRESENTAÇÃO SOCIAL DE VIOLÊNCIA PARA PAIS DE ADOLESCENTES DO SERTÃO
NORDESTINO.
Daniel Henrique Pereira Espindula, Lauriston de Araujo Carvalho, Larissa dos Santos Alves,
Marianna Barbosa Almeida, Suzyelaine Tamarindo Marques Cruz.
Atualmente, a violência é um fenômeno que atinge tanto os grandes centros quanto
os espaços mais afastados, sendo vista sob diferentes formas e significados. Nos
discursos cotidianos, encontram-se ideias de que qualquer pessoa, independentemente
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 77
77
08/05/2012 18:37:26
de classe, condição e grupo social, pode ser vítima da violência. Vários estudos
apontam a associação entre pobreza e violência, e mais recentemente, entre violência
e juventude. O papel da família e dos pais diante do envolvimento dos jovens
em atos de violência geralmente é salientado no senso comum. Dar voz a esses
atores que cuidam e exercem papel de tutores de jovens parece ser uma estratégia
preventiva do envolvimento de jovens, seja como vítimas ou algozes de atos
violentos. Partindo dessas indagações, o presente estudo investiga as representações
de pais de adolescentes do sertão pernambucano sobre violência e as práticas de
enfrentamento alusivas à questão. Participaram do estudo 60 pais de adolescentes
de ensino médio. Como instrumento, foi utilizado um questionário semi-estruturado
com questões sobre violência e práticas preventivas. Os resultados foram analisados
segundo a Análise de Conteúdo de Bardin. Para os pais de adolescentes, a violência
é representada como sendo violência de ordem física/verbal e como violação dos
direitos provocada por pessoas que não seguem as normas sociais e morais do grupo.
As práticas preventivas desenvolvidas por esses atores correspondem em evitar
lugares ermos e pessoas estranhas, recorrer a Deus e evitar discussões e brigas.
Apesar de a representação social da violência para esse grupo apresentar como um
de seus elementos a violação dos direitos, as práticas preventivas são direcionadas
às atividades individualistas frente às questões coletivas. Ao tomar a representação
como guia de base para ações, percebe-se que as práticas protetivas adotadas pelos
pais de adolescentes podem levar os jovens a uma discussão do problema a partir
de lógicas individualizantes ao invés de discussões coletivas e da formação cidadã.
Buscar articular as práticas desenvolvidas pelas famílias frente aos problemas
sociais parece ser uma estratégia de levantamento de informações quanto ao modo
como elas discutem questões relacionadas à formação para cidadania dos jovens.
Palavras-chave: Representação social. Violência. Jovens.
CO 078: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE VIOLÊNCIA PARA PAIS DE ALUNOS DE ESCOLAS
PARTICULARES DE ENSINO MÉDIO DE PETROLINA-PE.
Lauriston de Araujo Carvalho, Daniel Henrique Pereira Espídula, Marianna Barbosa Almeida;
Thaylline Oliveira, Larissa dos Santos Alves, Suzyelaine Tamarindo Marquez Cruz,
A violência é um fenômeno sócio-histórico que transita entre vários espaços a
partir das relações sociais. Tal fenômeno manifestado dentro do ambiente escolar,
em suas várias dimensões, mostra-se multideterminado e precisa ser levado em
consideração a partir dos diversos atores que participam de sua dinâmica. O
presente estudo buscou compreender a representação social de violência para pais
de alunos de escolas particulares de ensino médio de Petrolina/PE. Participaram
da pesquisa 60 pais de estudantes matriculados em escolas particulares, sendo
utilizado, para tal, um questionário com questões abertas versando sobre a
78
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 78
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:26
representação social da violência, causas, agressores e vítimas. Após a coleta,
o material foi transcrito na íntegra e analisado segundo a Análise de Conteúdo
de Bardin. A violência é representada para esses atores sob a forma de agressão
verbal/física, violação dos direitos humanos e algo que foge às normais sociais e
morais. Os principais agentes da violência são objetivados na figura dos jovens,
homens e pessoas de classes sociais mais baixas. Aqui a representação de violência
se relaciona à representação de adolescência conflituosa e na associação entre
pobreza e violência. Segundo os participantes da pesquisa, as causas da violência
estariam ancoradas a partir de desestrutura familiar, políticas públicas ineficazes e
educação doméstica/escolar precária. À família é atribuído o peso da socialização
primária para a formação e a manutenção de um cidadão. Ao passo que esse
processo é falho e/ou precário, gera adolescentes/jovens com propensão para
atos violentos. Na outra ponta, o Estado aparece também como potencializador
da violência. Segundo os participantes, a ineficácia de políticas públicas produz
contextos sociais vulneráveis, refletidos na falta de oportunidade e informação,
levando os sujeitos ao envolvimento em práticas violentas para sobreviver e buscar
por direitos. A importância da família na elaboração de estratégias preventivas
da violência, favorecendo espaços de diálogo e formação para cidadania aliados
a políticas que garantam a inclusão dos atores sociais, parecem ser um caminho
vislumbrado pelos participantes para a redução dos índices de violência observados
atualmente.
Palavras-chave: Representação social. Violência. Pais.
CO 079: TRABALHO EM GRUPO COM ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE RISCO SOCIAL:
CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA.
Cláudia Perim Baldo, Leandro Mozart.
Atualmente, muitos pais precisam enfrentar uma situação difícil todos os dias:
sair para trabalhar sabendo que seus filhos não poderão contar com a supervisão
de um adulto no período em que estão em casa. Percebe-se, então, que algumas
instituições vêm surgindo com o intuito de auxiliar essas famílias no cuidado com
seus filhos menores de idade. Este trabalho consiste em um relato de experiência
de atendimentos psicológicos em um grupo de adolescentes que frequentam uma
instituição de apoio às famílias que se encontram em risco social. O grupo foi
formado com adolescentes de onze a quatorze anos. Os atendimentos em grupo
aconteceram dentro da própria instituição, em uma sala reservada, com duração
de uma hora e meia, uma vez por semana. Para o desenvolvimento do trabalho,
foram realizadas dinâmicas de grupo e técnicas com o uso de recortes de revistas.
Os temas para serem trabalhados nos encontros foram sugeridos pelos próprios
adolescentes, como por exemplo drogas, sexualidade, esportes. O trabalho iniciouVII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 79
79
08/05/2012 18:37:26
se em março de 2012 e deve durar até junho do mesmo ano. Percebeu-se que a
iniciativa foi bem aceita pelos adolescentes e que a cada encontro eles reforçam
os laços de confiança no grupo. Apresentam muita curiosidade sobre alguns temas,
demonstrando desejo de que no espaço do grupo haja oportunidade de aprender e
de se desenvolver. Pretende-se, ao longo dos encontros, desenvolver uma melhor
integração no grupo e proporcionar momentos de reflexão e aprendizagem,
ajudando os adolescentes a enxergar além daquele mundo reservado e retraído
para um mundo que transcende suas realidades.
Palavras-chave: Família em situação de risco social. Instituições de apoio.
Psicoterapia em grupo com adolescentes.
CO 080: VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇA: UMA PESQUISA SOBRE CASOS NOTIFICADOS E
SERVIÇOS DE ACOLHIMENTO EM TRÊS MUNICÍPIOS DO SUL CAPIXABA.
Bruna de Oliveira, Fabricia Rodrigues Amorim Aride, Adriana Mastela Gomes Grasseli,
Francinne Alves Cabelino, Lívia Sgulmero de Moraes, Fabíola Magnago Pedruzzi, Ana
Cristina Silva Fernandes de Souza, Solange Maria Sarti.
As práticas violentas contra crianças foram estabelecidas ao longo de uma
construção histórica, social e cultural e manifestam-se de diferentes formas:
violência física, sexual, simbólica, psicológica, abandono ou negligência,
atingindo qualquer classe social, sexo e faixa etária. Observa-se que ao tentar
situar o problema da violência contra crianças, conceitos como Violência Social,
Intrafamiliar e Institucional são descritos. O ECRIAD dispõe sobre garantias
de direitos a crianças e adolescentes vítimas de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão; determina também que o abuso
sexual em criança e adolescente é de notificação obrigatória, havendo apuração
de responsabilidade para aqueles que se omitirem. Ponderando, há necessidade de
maiores estudos sobre as mudanças que engendram essa discussão. Com a presente
pesquisa, propôs-se verificar junto aos Centros de Referência Especializada
de Assistência Social e Conselhos Tutelares dos municípios de Muniz Freire,
Castelo e Rio Novo do Sul o quantitativo de casos notificados de violência contra
a criança no período de janeiro a outubro de 2010, a forma de acolhimento e
como os profissionais dessas instituições mediavam as relações de conflitos
que envolviam esses sujeitos. Fundamentando-se em uma pesquisa qualitativa
e documental, utilizou-se um questionário com quatro questões abertas, e uma
questão para preenchimento do quantitativo de casos notificados. Como resultados
encontrados, destacamos que as entidades pesquisadas trabalham articuladas às
redes de apoio disponíveis - e que os profissionais, principalmente os psicólogos,
trazem um discurso desencontrado quanto à sua forma de atuação nesse contexto.
Vale ressaltar que em casos de violência contra crianças não se deve acolher
80
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 80
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:26
apenas a vítima; é importante escutar os familiares da criança, assim como seu
agressor (quando ele também é uma criança ou adolescente). Assim, a presença
de um mediador na relação vítima-agressor é de fundamental importância, pois
espera-se uma “solução” resolutiva e adequada para os envolvidos. Conclui-se
que vários fatores podem fomentar a violência em todas as esferas. Instituições
como escola, justiça, família ou sociedade, muitas vezes, colocam-se inertes
frente a essa realidade social, mantendo-se omissas, sem questionar, refletir, ou
produzir políticas adequadas para oferecer suporte, acolher, socializar e envolver
os sujeitos, de forma humanizada e no caminho da cidadania.
Palavras-chave: Violência contra criança. ECRIAD. Acolhimento.
CO 081: VIVÊNCIAS DE MULHERES VÍTIMAS DE ABUSO SEXUAL NA INFÂNCIA.
Anna Paula Sampaio Barbosa, Stephanye Porto da Silva, Daynara Ferreira Lovate Fialho,
Kathleen Cruz dos Santos, Tânia Mara da Silva Azevedo Macedo, Alexandre Cardoso
Aranzedo.
As múltiplas formas da violência sexual têm sido consideradas como questões
de saúde e segurança pública, devido ao crescimento e à gravidade dos casos
notificados no Brasil. Apesar dos avanços conquistados, as mulheres em diversas
faixas etárias figuram como as principais vítimas desse processo de violência.
O presente trabalho objetivou investigar as consequências psicológicas na
vida de mulheres que foram vítimas de abuso sexual durante a infância. O
método preconizou o desenvolvimento de estudo de caso, com a participação
de quatro mulheres adultas, na faixa etária de 19 a 31 anos. Verifica-se, entre os
principais resultados, a vivência dos seguintes aspectos afetivos: dificuldade de
relacionar-se com figuras masculinas; inibição exacerbada no desenvolvimento de
relacionamentos afetivos e sexuais; vivência de sentimentos de culpa; insegurança
e distorção da autoimagem. Em decorrência da gravidade da violência, ainda
se observa em alguns casos a depressão e a ideação suicida. Os dados obtidos
apontam que, como estratégia de superação da violência sofrida, as participantes
deste estudo utilizam a religião. Nesse sentido, a crença religiosa apresenta-se
como um pilar para a reelaboração resiliente, e o apoio social produzido pela
igreja é de fundamental importância. A partir da análise e interpretação dos dados,
pode-se constatar a necessidade de intervenções direcionadas a esse público a fim
de proporcionar momentos de reflexão sobre as consequências psicológicas da
violência sofrida, bem como a ressignificação atribuída ao ato sexual.
Palavras-chave: Mulheres. Gênero. Abuso sexual. Violência. Violência sexual.
Eixo: Gênero e Sexualidade
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 81
81
08/05/2012 18:37:26
CO 082: A PRODUÇÃO BRASILEIRA EM SEXUALIDADE: UM ESTUDO EM PSICOLOGIA SOCIAL.
Clarisse Lourenço Cintra, Valeschka M. Guerra, Eduardo C. Ceotto, Arielle S. Scarpati,
Camila N. Bonfim-Duarte, Lucas Có B. Duarte.
O conhecimento construído pela Psicologia Social tem muito a oferecer para a
compreensão da sexualidade como objeto de estudo. Nesse sentido, a presente
pesquisa objetivou realizar um mapeamento da produção científica brasileira sobre
a sexualidade que utilize conceitos derivados da Psicologia Social, identificando
o campo representacional construído por esse conjunto de produções a partir dos
objetivos gerais dos artigos publicados no país nos últimos dez anos (2001 a 2011).
Foram pesquisados artigos teóricos ou empíricos publicados em periódicos brasileiros,
indexados no SciELO, contendo o termo “sexualidade”. Os 173 artigos selecionados
foram catalogados de acordo com ano de publicação; área de conhecimento; objetivos;
população; métodos de coleta e análise, além de teoria e/ou construto utilizados. Os
resultados demonstraram um aumento nas publicações relativas ao tema no período
de 2001 a 2003. O ápice de publicações (31,2%) ocorre entre 2006 e 2007. A área
de conhecimento com maior número de artigos publicados foi a de Ciências da
Saúde (42,8%). A Psicologia é responsável por 23,2% das publicações na área das
Ciências Humanas. Estudos em Psicologia Social somam apenas 6,4% do total de
artigos publicados no país. Dos conceitos e teorias relacionados à Psicologia Social, a
concepção de gênero (41,2%), a Teoria das Representações Sociais (9,8%) e a Teoria
da Identidade Social (7,7%) são as mais citadas. Visando compreender o movimento
de construção das representações sociais dos autores, as palavras-chave dos objetivos
dos artigos foram homogeneizadas a partir do software SPAD-t (Método TISCON).
A partir da análise do campo representacional, observa-se que os elementos DSTAIDS, Adolescentes-Jovens e Gênero encontram-se agrupados próximos, indicando
associabilidade e tendências à centralidade. Os elementos Percepções, Sexualidade e
Saúde compõem a periferia do campo representacional, demonstrando a multiplicidade
da Sexualidade como campo de estudo. Focar o tema a partir de diferentes perspectivas
poderá colaborar para a construção do conhecimento na área.
Palavras-chave: Sexualidade. Psicologia social. Produção científica. Campo
representacional.
CO 083: O CIÚME E SUA RELAÇÃO COM O BEM-ESTAR NOS RELACIONAMENTOS ROMÂNTICOS.
Mateus Dias Pedrini, José Agostinho Correia Junior, Alexsandro Luiz de Andrade, Valeschka
Martins Guerra.
O ciúme romântico é apontado por diversos autores como uns dos principais
problemas da qualidade dos relacionamentos românticos. Tal pressuposto é
corroborado por meio de nosso estudo, o qual teve como objetivo conhecer a relação
82
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 82
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:26
entre ciúme romântico e bem-estar nos relacionamentos diádicos. Partimos da
concepção de que os afetos positivos e negativos estão relacionados com o bem-estar
e com as emoções, portanto, aplicável à predição qualidade dos relacionamentos
amorosos. Participaram da pesquisa 203 indivíduos, com média de idade de 25 anos
(DP=8,66), sendo 151 do sexo feminino (74,4%) e 52 do sexo masculino (25,6%);
do total da amostra, 50,7% dos participantes estavam envolvidos em relacionamentos
românticos. Na metodologia do estudo foi empregada, respectivamente, a Escala
de Ciúme Romântico (ECR) e a Escala de Afetos (PANAS). Os dados foram
analisados via Correlação de Pearson, com auxílio do programa PASW. Os resultados
demonstram que o ciúme, em geral, tende a ser vivenciado nas relações em que há
ameaça real da perda do(a) parceiro(a), na maioria das vezes, pela figura de outro,
gerando também sentimentos negativos para os protagonistas da relação. Essa ideia
é reforçada pelos resultados – correlação positiva entre o fator de ameaça do ciúme
e afetos negativos (r=0,22; p= 0,001); e negativa entre ameaça e afetos positivos
(p=0,23; p=0,01). Destaca-se a importância de promover novos estudos sobre o
impacto dos ciúmes nos relacionamentos românticos contemporâneos.
Palavras-chave: Ciúme. Afeto. Relacionamento romântico. Bem-estar
CO 084: O CONSUMO DE DROGAS NA VIDA MULHERES: UM ESTUDO NO CAPS AD
Scheila Silva Rasch, Angela Nobre de Andrade.
O consumo de drogas por mulheres sempre ocorreu na história da humanidade e
não é um fenômeno contemporâneo. Os transtornos relacionados a esse consumo
têm sido progressivos e um acontecimento comum a diversos países. Mulheres estão
aumentando o consumo de drogas de maneira significativa, e os estudos nessa área
discutem se esse aumento tem relação com uma maior proximidade das funções
sociais desempenhadas por homens e mulheres. Observa-se que o início do consumo
da droga por mulheres vem se dando cada vez mais cedo, o que oportuniza o risco
de desenvolver o quadro de dependência. Nesse sentido, estamos desenvolvendo
uma pesquisa, nível doutorado, no Programa de Pós-Graduação em Psicologia da
Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), visando identificar como o consumo
de substâncias psicoativas lícitas ou ilícitas, com padrão de consumo abusivo ou
dependente, vem se destacando na vida de mulheres e como esse consumo interfere
em seu cotidiano existencial no contexto de seus trabalhos, de suas famílias e de suas
relações afetivas. O estudo empregará a metodologia qualitativa, mediante pesquisa
documental e etnográfica, e terá como sujeitos as mulheres participantes do Grupo
de Acompanhamento de Mulheres em tratamento no Centro de Atenção Psicossocial
Álcool e Drogas (CAPSAd), da Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de
Vitória. Realizaremos coleta de dados em prontuários e no acompanhamento
grupal, mediante as narrativas das mulheres, compreendendo que esse é o lugar dos
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 83
83
08/05/2012 18:37:26
acontecimentos e da riqueza dos seus relatos diante do enfrentamento de situações
relativas à utilização de substâncias psicoativas. A técnica da Análise de Conteúdo
será empregada para a análise dos dados. Destacamos a relevância de aprofundar
estudos singulares e pertinentes às mulheres e o consumo de drogas que possam
gestar cada vez mais estratégias de atenção e cuidado terapêuticos peculiares para
suas necessidades e demandas.
Palavras-chave: Mulheres. Drogas. Tratamento. Centro de Atenção Psicossocial
Álcool e Drogas.
CO 085: PORNOGRAFIA: O QUE FALA E O QUE CALA
Lara Rocha Andrade, Kaíza Oliva Donadia, Stéfane Stolze Vieira, Andressa Tonini Pissaia,
Kelvin Fonseca, Valeschka Guerra.
Este trabalho tem como objetivo identificar quais as atitudes de homens e mulheres
frente ao uso de pornografia. Tomando o indivíduo, definido por Lévi-Strauss como
um ser biopsicosociocultural que está em constante construção e interação com
meio, e considerando a pornografia como um fenômeno humano, perpassado pelas
mais diversas construções históricas, este trabalho tem como foco as questões de
normas de gênero nas atitudes frente à pornografia. Adicionalmente, é importante
compreender sua atual construção e averiguar como esse tema tem sido produzido
para o público feminino atualmente. Participaram desta pesquisa 251 pessoas,
sendo a maioria (67,3%) do sexo feminino. Os participantes responderam a um
questionário composto por dois instrumentos: a Escala de Atitudes frente ao Uso de
Materiais Pornográficos e a Escala de Normas de Gênero. Os questionários foram
respondidos online, sendo distribuídos por meio de redes sociais. Os dados foram
analisados no programa SPSS, pelo qual obtivemos alguns dos seguintes resultados:
não houve diferença entre homens e mulheres no que diz respeito ao efeito da
pornografia, sendo observada, ainda, uma maior frequência de respostas relacionadas
aos efeitos nocivos da pornografia do que aos efeitos positivos. Participantes que
indicaram utilizar materiais pornográficos apresentaram atitudes mais positivas
frente ao tema; no entanto, de forma contraditória, o uso desse tipo de material foi
considerado imprudente. Atitudes positivas frente à pornografia também se mostram
inversamente relacionadas ao nível de religiosidade e à idade dos participantes; ou
seja, quanto maior o nível de religiosidade e quanto maior a idade do participante,
mais negativa a atitude. Também foi observada uma maior incidência do uso de
material pornográfico por homens, corroborando assim com estudos anteriores que
mostram como os discursos entre os gêneros se opõem. Contudo, a participação
mais expressiva de mulheres no estudo pode ter influenciado nos resultados.
Palavras-chave: Pornografia. Gênero. Sexualidade e mídia.
84
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 84
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:26
CO 086: REPRESENTAÇÃO SOCIAL DA SEXUALIDADE NA VELHICE: A CONCEPÇÃO DE JOVENS
A RESPEITO DA SEXUALIDADE NO ENVELHECIMENTO
Jéssica Maria Gomes de Faria, Isadora Lee Padilha, Valeschka Martins Guerra.
Os avanços da ciência e na medicina e o consequente aumento da longevidade
ocasionaram um crescimento significativo da população idosa. Embora o
envelhecimento seja um processo “natural”, ele é construído socialmente e,
infelizmente, a velhice é permeada por estigmas, produto do ideológico social. A
representação que a sociedade tem sobre a velhice como uma fase de inabilidades e
perdas, sempre associada à doença e ao declínio, também é um aspecto que dificulta,
grandemente, a vivência com a velhice. Acredita-se que, se a sociedade ampliasse
a visão que possui do envelhecimento, conseguiria ter estrutura para compreender
as dificuldades dos idosos e, assim, lhes proporcionar melhor qualidade de vida.
Dessa forma, é de grande relevância a discussão e o entendimento de temáticas a
respeito da velhice e, com especial atenção, da sexualidade durante essa etapa da
vida. Para tanto, referenciado pela Teoria das Representações Sociais, este estudo
objetiva investigar a concepção que os jovens de Vitória/ES apresentam acerca do
comportamento e da vivência sexual no envelhecimento. Participaram da pesquisa
20 jovens universitários. Para a coleta de dados, foram utilizados um questionário
sociodemográfico e um questionário semi-estruturado com questões utilizando a
técnica de evocação aos termos indutores: velhice, fatores positivos e negativos da
velhice; sexo; sexo na velhice, fatores positivos e negativos do sexo na velhice. Para
o tratamento dos dados, utilizou-se a Análise de Conteúdo Categorial Temática. Os
resultados, de forma geral, permitiram identificar que os jovens participantes do
estudo apresentam uma concepção de sexualidade na velhice baseada no ideológico
sociocultural de que o idoso é impotente, indisposto, doente, pouco atraente, sendo
a sexualidade nessa fase da vida pouco comum ou inexistente. Para finalizar, é
discutida a necessidade de desmistificar esse comportamento no imaginário social,
ampliando o corpo de conhecimento e gerando políticas públicas a esse respeito.
Palavras-chave: Representação Social. Sexualidade. Velhice.
CO 087: REPRESENTAÇÃO SOCIAL DE MASCULINIDADE DE HOMENS GAYS
Isadora Lee Padilha, Rebeca Valadão Bussigner, Maria Cristina Smith Menandro.
No campo dos estudos de gênero são propostas diferentes perspectivas e definições
de masculinidade. A concepção de “ser homem” é uma construção social, cultural,
histórica e dinâmica que cada sociedade possui (PEREIRA & PONTAROLLO,
2010). A Teoria das Representações Sociais, proposta por Moscovici, permite
entender como se formam e como funcionam os sistemas de referência que
utilizamos para classificar pessoas e grupos e para interpretar os acontecimentos
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 85
85
08/05/2012 18:37:26
da realidade cotidiana (MAZZOTTI, 2008). Para esta pesquisa, buscaremos
identificar de que forma as representações sociais de masculinidade influenciam nos
comportamentos afetivo-sexuais e como as questões de preconceito e homofobia
atuam na construção dessas representações. Participaram da pesquisa cinquenta
homens gays. A coleta de dados foi realizada por meio da técnica em cadeias ou
“bola de neve”, na qual cada participante indicava outros possíveis participantes.
Outras estratégicas adotadas foram a aplicação do questionário em grupos e a
construção do questionário online no Google® docs, divulgado nas redes sociais.
O instrumento utilizado consistiu num questionário com perguntas abertas e
fechadas que abordavam três grandes temas: “ser homem” e “ser mulher”, relações
afetivo-sexuais e homofobia e preconceito. Com a finalização da coleta, passou-se
para a construção do banco de dados para a análise. Nessa etapa, será utilizado a
Análise de Conteúdo de Bardin (2009) e também à análise lexical realizada pelo
software Alceste. No momento, estão sendo feitos experimentos e treinamentos
com o software para maior habilidade dos pesquisadores. Com a análise dos
dados, espera-se correlacionar as representações sociais de masculinidade dos
participantes às práticas apresentadas por eles, bem como inferir sobre o contexto
de discriminação e suas possíveis relações com as representações apresentadas.
Palavras-chave: Representação Social. Gênero. Masculinidade. Homossexualidade.
Homofobia.
CO 088: SER HOMEM NA PÓS-GRADUAÇÃO: REPRESENTAÇÕES E VIVÊNCIAS DE ESTUDANTES
Júlia Carvalho dos Santos, Mariane Ranzani Ciscon-Evangelista, Paulo Rogério Meira
Menandro.
A área acadêmica tem sido no Brasil nos últimos anos o objetivo de muitos jovens
que ingressam nos programas de pós-graduação stricto sensu almejando conquistar
um espaço nessa área. Entretanto, o tempo de formação e a consequente inserção
no mercado de trabalho são mais longos em comparação a outras profissões. Para
os homens, ainda tidos como principais responsáveis pelo provimento de seu
núcleo familiar, o tempo de instabilidade profissional e financeira pode se tornar
um fator complicador, especialmente nas questões familiares. Assim, conhecer
como jovens do sexo masculino têm lidado com as decisões da esfera profissional
e as pressões exercidas pelo meio social torna-se interessante na medida em que
promove maior conhecimento de fatos que emergem recentemente no contexto
social, como a formação prolongada. Para aprofundar os conhecimentos acerca
dessa temática, está sendo realizada uma pesquisa cujos objetivos consistem em
obter e analisar as representações sociais dos participantes sobre as questões de
gênero, constituição de família própria, construção de carreira e sobre sua condição
atual, suas reflexões e planos para o futuro relacionados a tais questões. Foram
86
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 86
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:26
entrevistados cinco estudantes de pós-graduação stricto sensu, bolsistas, com
mais de 30 anos, por meio de roteiro semi-estruturado, abordando as questões
mencionadas nos objetivos. Em análise preliminar dos dados já obtidos, foi
observado que apesar do desejo em trabalhar com pesquisa e docência no nível
superior, as dificuldades que emergem nessa empreitada são grandes, como a
própria manutenção financeira do estudante, tendo em vista o valor das bolsas de
estudos e a quase sempre necessidade de exclusividade de dedicação durante sua
vigência, sendo a bolsa a única fonte de renda. Essa é uma questão que abrange
outros aspectos da vida do estudante, interferindo diretamente em algumas decisões
da vida pessoal, como um possível relacionamento de casal mais estável e a
escolha do momento certo para ter o primeiro filho. A expectativa é de que haja
estabilidade no futuro, o que possibilitaria arcar com os compromissos financeiros
decorrentes de ter uma família.
Palavras-chave: Família. Pós-graduação. Masculinidade.
CO 089: SER MULHER NA PÓS-GRADUAÇÃO: REPRESENTAÇÕES E VIVÊNCIAS DE ESTUDANTES
Naara Knupp de Oliveira, Lara de Sá Leal, Mariane Ranzani Ciscon-Evangelista, Paulo
Rogério Meira Menandro.
Por muitos anos a mulher ocidental foi reconhecida como aquela responsável pelos
cuidados com os filhos, o casamento e os afazeres domésticos. Após sucessivas
mudanças decorrentes das ideias feministas, novos lugares e hábitos foram sendo
conquistados pela mulher, que passou a assumir posições de maior autonomia
e liberdade na família e na sociedade. A partir de então, o investimento nos
estudos/profissão e o adiamento ou a opção pelo não exercício da maternidade e
do casamento têm sido tema de discussão. Assim, este estudo teve como objetivo
compreender o investimento realizado por acadêmicas do sexo feminino na
formação da carreira e da família, e a distribuição de tarefas diante das mudanças
nos lugares sociais femininos. Participaram do estudo seis alunas matriculadas
em cursos de pós-graduação (mestrado/doutorado) stricto sensu da Universidade
Federal do Espírito Santo (Ufes), nos campi de Vitória, com idade entre 30 e
40 anos, bolsistas. As participantes foram divididas em mulheres com filhos e
sem filhos. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas com roteiro
semi-estruturado, que englobaram desde a percepção da participante sobre as
questões de gênero, constituição de família própria, construção de carreira, até
suas reflexões e planos para o futuro. Para análise do material das entrevistas
utilizou-se a Análise de Conteúdo. É possível perceber que a divisão de tarefas
para mulheres que já exercem a maternidade e cursam a Pós-Graduação se torna
exaustiva e desafiante. Para as mulheres sem filhos, existe a cobrança social para
que se tornem mães e formem uma família, mas tais projetos têm sido adiados
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 87
87
08/05/2012 18:37:26
por elas em função do maior investimento de tempo para a construção da carreira
profissional. Maternidade e casamento são apresentados como planos para o
futuro. No entanto, enquanto são dados os passos que se consideram necessários
para estabelecer sua carreira acadêmica, os planos relacionados a casamento e/
ou filhos são relatados como possibilidades e ideais, permanecendo em segundo
plano quando comparados ao investimento profissional.
Palavras-chave: Maternidade. Representações sociais. Pós-graduação.
CO 090: TRANSTORNOS DA SEXUALIDADE NAS PARCEIRAS DE ALCOÓLATRAS
Sérgio Werner Baumel.
Introdução: As relações entre o álcool e a sexualidade são conhecidas há muitos
séculos, e muito tem sido escrito sobre os efeitos do uso e do abuso de bebidas
alcoólicas na sexualidade masculina e feminina. Os efeitos do alcoolismo
sobre a sexualidade de parceiros, em especial das parceiras de alcoólatras, têm
sido negligenciados pela literatura, embora elas se queixem frequentemente
de questões relacionadas ao sexo nos consultórios médicos e psicológicos.
Objetivos: Neste estudo, buscou-se uma abordagem dos problemas sexuais
vivenciados pelas parceiras de alcoólatras, abordando também os problemas da
mesma esfera vivenciados pelos homens alcoólatras. Método: Foram utilizados
dois formulários de autopreenchimento, um para cada gênero, compreendendo
alguns poucos dados demográficos, as 28 questões do Golombock Rust Inventory
of Sexual Satisfaction (GRISS) e outras 12 questões abordando o uso e o abuso
do álcool, distribuídos em diversos locais de diferentes características. Um
total de 152 formulários foi preenchido por completo e devolvido, sendo 100
femininos e 52 masculinos. A análise dos problemas sexuais seguiu a orientação
do manual do GRISS, enquanto os problemas com o álcool foram identificados a
partir das demais questões, com base nos critérios do DSM-IV para intoxicação
aguda pelo álcool e para abuso do álcool. O nível de significância estatística foi
determinado pelo teste “t” de Student e pelo teste do “qui-quadrado”. Resultados:
A análise dos resultados permitiu reconhecer uma tendência tanto das mulheres
de alcoólatras quanto dos homens alcoólatras a ter mais problemas em relação
à sua sexualidade, mais particularmente nos itens relacionados à insatisfação
sexual e à evitação sexual. Conclusões: A partir desses dados, sugere-se que
sejam realizados estudos mais abrangentes nessa área e se propõe uma mudança
paradigmática na abordagem dos transtornos da sexualidade, na direção da
teoria dos sistemas.
Palavras-chave: Sexualidade. Alcoolismo. Satisfação Sexual. Parceiras de alcoólatras.
88
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 88
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:26
CO 091: UMA ALMA FEMININA EM UM CORPO MASCULINO: IDENTIDADE DE GENÊRO
Geane Uliana Miranda, Alice Andrade Silva, Bianca Cristina Parreiras, José Agostinho
Correa Junior, Mateus Dias Pedrini.
Intitulado de “Uma alma feminina em um corpo masculino: identidade de gênero”,
este trabalho apresenta uma reflexão sobre a concepção que drag queens, travestis e
transexuais têm a respeito do feminino e o grau de identificação que esses subgrupos
do transgênero possuem com essa representação social. A pertinência da concepção
biológica na percepção social do corpo é manifesta na categorização científica
dos indivíduos em dois gêneros - o masculino e o feminino – a partir dos órgãos
genitais. Porém, muitas vezes “homens” e “mulheres” assumem outras identidades
que não a do sexo biológico, pois a identidade de gênero depende do autoconceito,
do pertencimento e da convicção do indivíduo a respeito do sexo com o qual se
identifica. A heteronormatividade presente na sociedade limita o ser o humano ao
ser homem ou ser mulher heterossexual, não havendo espaço, portanto, para aqueles
que possuem “uma alma feminina em um corpo masculino”. Coloca-se em questão
se travestis, transexuais e drag queens “podem” ser mulheres – ou, dito de outro
modo, se podem coexistir numa sociedade que as reconheça como mulheres. A
metodologia utilizada foi a análise qualitativa das repostas ao questionário semiestruturado, baseado principalmente nos estudos de Tajfel, e a produção de um
vídeo documentário com os participantes. Os resultados mostraram que o nível de
pertencimento com o gênero feminino variou entre os transgêneros: drag queens
apresentaram baixa identificação, travestis demonstram identificação mediana e
transexuais mostraram um alto grau de identificação. Este estudo permite inferir
que a questão dos transgêneros não é ter ou não de concordar com sua identidade
de gênero, mas compreender que independentemente da concepção ou da vontade
de outrem, há pessoas que nascem com pênis que se transforma em vagina e
vice-versa. Não cabendo julgar, mas entender o complexo processo pelo qual os
transgêneros passam.
Palavras-chave: Identidade. Genero. Feminino.
CO 092: VIVÊNCIA DA SEXUALIDADE FEMININA EM CONTEXTO RELIGIOSO
Fernanda Vieira Biajoli, Amandha Gyselle Martins do Nascimento, Laís Rocha Ávila,
Valeschka Martins Guerra.
A religião, vista como uma construção sócio-histórica, influencia em modos de
subjetivações, promovendo o bem-estar e dando sentido à vida das pessoas. No
entanto, ao mesmo tempo que adiciona características positivas às experiências
individuais, também pode influenciar negativamente, enrijecendo relações e papéis
sociais. A literatura indica uma maior dedicação e aproximação das mulheres a
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 89
89
08/05/2012 18:37:26
grupos religiosos. No entanto, há pouca informação no que diz respeito à influência
desses grupos na sexualidade feminina. O comportamento sexual da mulher foi
marginalizado historicamente, estando associado a uma desvalorização do papel
feminino na sociedade. No que diz respeito à sociedade brasileira, há uma ênfase
na figura de boa mãe e da boa esposa, seguindo um modelo “Maria” de ser mulher.
Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo investigar a influência da religião
na percepção da sexualidade feminina. Para tanto, foi realizada uma pesquisa com
145 mulheres, de diferentes religiões, sendo a maioria universitária e urbana, fato
possivelmente influenciador dos resultados da pesquisa. Elas responderam a um
questionário online estruturado constituído de duas escalas: Escala de Sexualidade e
Escala de Religiosidade. Também foram incluídas questões abertas sobre a vivência
da sexualidade, caracterizando assim um estudo misto, e questões sociodemográficas.
As análises dos dados quantitativos foram realizadas pelo software SPSS, e as
análises dos dados qualitativos foram feitas baseadas na Análise de Conteúdo
Temático-Categorial. A partir dos resultados, foi possível identificar uma correlação
negativa entre as atitudes religiosas e a preocupação sexual. Tal resultado pode ser
interpretado à luz das características demográficas da amostra (jovens universitárias
de meio urbano), que apresenta atitudes consideradas mais liberais. Discute-se
também a possível influência do movimento de ressignificação que vem ocorrendo
por parte das mulheres em relação às suas religiões, processo caracterizado por uma
separação do aspecto religioso do aspecto sexual em suas vidas.
Palavras-chave: Religiosidade. Sexualidade. Gênero.
90
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 90
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:26
PAINÉIS
Eixo: Desafios contemporâneos: Psicologia do Trânsito e Mobilidade,
Psicologia Ambiental, Psicologia dos Esportes, Psicologia das
Emergências e dos Desastres, Neurociências, Novas tecnologias
P 001: A ABORDAGEM DA SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA.
Flávia Santos Ramos, Alessandra Henriques Oliveira, Marcio Neves, Marinéa Neves Telles,
Flávia Santos, Iza Mara Escarpini.
A adolescência é uma fase da vida que tem características peculiares e conturbações,
fortemente influenciada pelas transformações físicas e emocionais que marcam o fim
da terceira infância. Os adolescentes buscam algo que atenda às suas expectativas
e que possa tranquilizá-los com respostas aos seus anseios, e não uma metodologia
médico biológica sobre a sexualidade humana. Dessa forma, pretendemos abordar
a sexualidade na adolescência como um contexto significativo, que possa suprir a
carência de informações e de recursos pedagógicos e nortear pais e professores na
orientação sexual dos adolescentes. A proposta é abordar metodologias mais reflexivas
e flexíveis que vão possibilitar a abertura de discursos sobre os tabus e preconceitos
preexistentes. O presente projeto de intervenção tem como objetivo atender às
expectativas e aos anseios dos adolescentes sobre as questões da sexualidade, por
meio de uma abordagem preventiva e de conhecimento de si mesmo. O projeto será
desenvolvido em escolas municipais e estaduais de Cachoeiro de Itapemirim/ES, nas
quais serão constituídos grupos terapêuticos. O processo se dará em encontros com
momentos grupais e individuais, utilizando como referência a abordagem Existencial
Humanista. Acredita-se que o projeto consiga em primeiro plano dar voz aos
adolescentes para que expressem suas necessidade ou curiosidade sobre a sexualidade,
permitindo assim uma maior integração entre escola/adolescente/pais, para que em
um ambiente que remete à segurança eles/os adolescentes possam conseguir expor
suas angústias e trocar experiências. Espera-se, assim, fortalecer as relações afetivas
e dar subsídios pra que o adolescente tenha uma educação sexual sem dúvidas e, ao
mesmo tempo, conscientizá-los da importância da responsabilidade. Diante da falta de
informação a respeito da sexualidade, e devido ao crescente número de adolescentes
que iniciam sua vida sexual precocemente, expondo-se e ficando vulneráveis à
paternidade ou à maternidade precoces e a doenças sexualmente transmissíveis, tornase necessário usar diferentes metodologias para que o sucesso do projeto possa surtir
o efeito desejado. Assim, este projeto oferece a possibilidade de abordar o sugerido
tema de forma eficaz e agradável, trazendo à luz o real papel dos pais como principais
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 91
91
08/05/2012 18:37:26
orientadores sociomorais dos filhos e a escola como entidade social formadora de
cidadãos críticos e conscientes de suas opções e atitudes.
Palavras-chave: Sexualidade. Adolescência e projeto.
P 002: COMPORTAMENTO AMBIENTAL: DIAGNÓSTICO E MONITORAMENTO.
Karla Barros de Lacerda Fafá, Elson Marcelo Kunsch.
Introdução: A Gerência de Educação Ambiental (GEA) do Instituto Estadual
do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) desenvolve diversas ações para
descentralização das atividades de Educação Ambiental e implantação da Política
Estadual de Educação Ambiental - Lei 9.265, que fundamenta-se na construção de
valores, saberes, conhecimentos, atitudes e hábitos, visando uma relação sustentável
da sociedade humana com o ambiente que integra. Objetivo: Construir instrumentos
que subsidiem o monitoramento e diagnóstico das ações desenvolvidas pela GEA
no que diz respeito ao comportamento e crenças relativas às questões ambientais.
Método: Adaptar dois questionários da dissertação de mestrado de CAIXETA no
quesito linguagem e número total de questões para aplicação em indivíduos a partir
de 10 anos, baseados na Escala de Ecocentrismo e Antropocentrismo de Thompson e
Barton e o Inventário de Valores de Schwartz. Estes correspondem, respectivamente,
a um instrumento de avaliação das predisposições ambientais e a um inventário
dos valores universais, culturais, e o sistema estruturado sob os quais estes valores
se inter-relacionam. Os questionários adaptados - o primeiro, com dez questões, e
o segundo com 20 - investigam, respectivamente, crenças eco e antropocêntricas;
comportamentos relacionados ao consumo, descarte de lixo e uso de água e
energia. Em 2011, foram aplicados 30 questionários na E.M.E.F. Biriricas de Cima
– Domingos Martins, nas turmas de 6ª e 7ª séries, para verificação das adaptações
realizadas e do tempo de aplicação, bem como para fundamentar a construção de
uma orientação aos aplicadores dos questionários. Resultados: De acordo com os
resultados obtidos, os questionários apresentaram-se adequados quanto às adaptações
realizadas, sendo de fácil e rápida aplicação e de simples compreensão, bem como
sensíveis quanto à realidade socioambiental local. Conclusões: Os instrumentos
adaptados são viáveis de serem utilizados como apoio para o monitoramento e
diagnóstico das atividades de Educação Ambiental.
Palavras-chave: Comportamento ambiental. Educação ambiental. Monitoramento.
P 003: RELAÇÕES AMOROSAS DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA.
Galiléia Paula da Silva, Anna Carolina Figueiredo de Mattos, Luciana Bicalho Reis, Mayara
Pereira dos Santos.
A sociedade tende a achar que pessoas com deficiência física não se relacionam
amorosamente porque normalmente essas pessoas são vistas como tendo um
92
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 92
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:26
desenvolvimento incompleto. Sabe-se que a sexualidade humana desenvolve-se
desde o nascimento, o que não vai ser diferente para a pessoa com deficiência.
A falta de conhecimento sobre a sexualidade dessas pessoas produz estigmas e
preconceitos. A deficiência em si não traz impedimentos à vida sexual, embora
possa produzir formas diferentes de experimentá-la e de lidar com o próprio corpo.
Objetivou-se, com este trabalho, discutir e analisar como pessoas com deficiências
físicas estabelecem relações amorosas e sexuais. Para isso, procedeu-se à entrevista
de duas mulheres e dois homens cadeirantes, com idades entre 21 e 41 anos. As
entrevistas foram semi-estruturadas e tinham como foco entender se o cadeirante
sentia dificuldade em conhecer possíveis parceiros, em se aproximar deles (paquerar)
e em estabelecer relacionamentos, e se isso gerava alguma insegurança. Além
disso, nos casos em que os sujeitos relatassem dificuldades, objetivou-se entender
que estratégias de enfrentamento foram adotadas. Após a transcrição, realizou-se
a análise de conteúdo das entrevistas. Os sujeitos entrevistados relataram não se
sentir inseguros com relação ao fato de serem cadeirantes, já que a pessoas com
quem poderiam vir a se relacionar já estavam cientes de sua condição. Todos já
haviam tido experiências amorosas, que incluíam desde namoros até casamento.
Com relação às dificuldades encontradas nas relações, somente um atribuiu parte
delas à sua deficiência e acha que isso influenciou o fim de um relacionamento
(casamento). Com isso, percebeu-se que as vivências amorosas e sexuais de pessoas
com deficiência física não se diferem tanto das relações dos ditos “normais”. Na
verdade, os sujeitos entrevistados relataram sentir dificuldades e inseguranças que
são comuns a qualquer sujeito em um relacionamento. Em relação à sua condição
de deficiente, percebe-se que o fato de a deficiência ser física (visível) já elimina
parte das dificuldades, pois os potenciais parceiros já se aproximam sabendo das
limitações da pessoa com deficiência.
Palavras-chave: Deficientes físicos. Sexualidade. Relacionamento amoroso.
Eixo: Psicologia Jurídica e Mediação de Conflitos
P 004: CARACTERIZAÇÃO DE JOVENS E ADOLESCENTES QUE ENTRAM NO INSTITUTO DE
ATENDIMENTO SÓCIO-EDUCATIVO DO ESPÍRITO SANTO.
Dominique Costa Goes, Célia Regina Rangel Nascimento, Cristiane Maria Leite, Elciara Reis
Mathias, Inês Francischetto, Kelly Cristina Pereira, Renata Lopes Pinto Ribeiro.
Existem no Brasil poucas pesquisas sobre socioeducação e adolescentes em conflito
com a lei. Tendo em vista a importância de ampliação das pesquisas sobre o tema
para o desenvolvimento de políticas públicas e a escassez de estudos no Espírito
Santo, esse trabalho buscou conhecer as características dos jovens e adolescentes que
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 93
93
08/05/2012 18:37:27
entram no Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases). Para
isso, foi realizado um estudo descritivo baseado nas informações que constam no
Sistema de Informação do Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Siases).
O Siases é um sistema de informações via web alimentado por profissionais de todas
as unidades de atendimento do Iases. Foram analisados dados de 2.429 jovens e
adolescentes atendidos pelo instituto, cujos ingressos se deram de janeiro a dezembro
de 2011, quanto às características dos socioeducandos e o tipo de ato infracional
cometido. Os resultados mostraram que houve predomínio de idades entre 16 e 17
anos (61%), sexo masculino (91%), local de residência em municípios da Grande
Vitória (69%) e etnia parda (75%). O ato infracional predominante foi o Tráfico de
drogas (34%) e outras atividades associadas ao mesmo (17%). Foi possível observar
que os dados encontrados se aproximaram de resultados de outros estudos em relação
ao predomínio da idade, ao local de residência em regiões metropolitanas e ao sexo
predominante entre os adolescentes. No entanto, houve diferença em relação à etnia
e ao ato infracional cometido pelos socioeducandos investigados por esta pesquisa.
Tais dados podem apontar uma particularidade dos adolescentes em conflito com a
lei no Espírito Santo e mostram a importância de se conhecer melhor esses jovens
para o desenvolvimento das ações de instituições e políticas voltadas a esse público.
Palavras-chave: Adolescência. Adolescente em conflito com a lei. Ato infracional.
Socioeducação
P 005: OLHARES SOBRE A PRISÃO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO EM PSICOLOGIA
NUMA PENITENCIÁRIA CAPIXABA.
Lorena Silva Coser, Camila Lisboa e Silva.
Neste trabalho, relata-se a experiência do Estágio Supervisionado de Ênfase II em
Educação realizado em uma unidade prisional do Espírito Santo destinada a mulheres.
Ele é vinculado ao projeto Justiça e Afetividade - que tem como objetivo atender as
demandas específicas de educação da população carcerária, levando em consideração
as diferentes dimensões das práticas educativas previstas na Lei de Diretrizes e Bases
da Educação no Brasil, e proporcionar espaços educativos que desenvolvam a educação
na integralidade. Particularmente, neste relato descreve-se as atividades específicas
de um dos grupos de estágio, que teve como objetivo conhecer novos campos do
trabalho do psicólogo: atuar na área da justiça e segurança, diretamente com os sujeitos
alvo destes projetos, conhecendo a realidade desses espaços, e trabalhar temas que
surgirem a partir da demanda das internas. Os sujeitos da intervenção psicossocial
realizada no Estágio Supervisionado Ênfase II foram aproximadamente 15 mulheres,
com idade 19 e 50 anos, do regime fechado. Utilizou-se a teoria da Psicologia Social,
que auxilia na análise do contexto no qual o projeto foi realizado, bem como outros
autores que discutem as temáticas abordadas ao longo do texto e discutidas nas
94
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 94
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:27
intervenções. Foram realizadas intervenções psicossociais semanalmente, por meio
de oficinas lúdicas que propiciassem momentos de distração e lazer, levando em
consideração que as participantes do Projeto ficavam a maior parte do seu tempo
em celas. Os dados foram tratados qualitativamente e esboçados por meio de relato
de experiência. Como resultados, podemos destacar as demandas mais trabalhadas
durante o período: identidade, família, saudade, “ser” mãe, drogas e vontade de mudar.
A partir das intervenções, percebeu-se que a prisão fragiliza o Eu construído e não
oferece possibilidade para construção de diferentes formas de expressar a identidade.
As emoções estão constantemente presentes nesse ambiente: amor, raiva, tristeza
e arrependimento; mas muitas vezes não podem ser manifestadas ou expressadas
pelas internas. Para que essas emoções e esses sentimentos sejam trabalhados mais
profundamente, acredita-se que o trabalho realizado dentro da instituição pelo
profissional psicólogo possa contribuir bastante para a ressocialização das internas,
diretriz colocada nas novas práticas do sistema prisional.
Palavras-chave: Penitenciária feminina. Drogas. Ressocialização.
Eixo: Saúde
P 006: ADESÃO DE PACIENTES RENAIS CRÔNICOS EM ATENDIMENTO AMBULATORIAL
Camila Sunderhus Nogueira, Juliana Santos Oliveira, Viviane Aparecida Andrade Silveira,
Nágela Valadão Cadê.
Os avanços tecnológicos e terapêuticos têm contribuído para o aumento da sobrevida
dos pacientes renais crônicos. Esses pacientes têm um tratamento contínuo, de longo
prazo, sendo primordial a adesão para controle da doença renal e suas consequências.
O objetivo do trabalho é identificar a adesão ao tratamento farmacológico e a
expectativa quanto à doença e tratamento da disfunção renal entre pacientes em
acompanhamento ambulatorial no Programa de Prevenção e Assistência Integral ao
Paciente Renal – PREVENIR do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do
Espírito Santo (Ufes). Trata-se de estudo descritivo exploratório desenvolvido com 37
pacientes atendidos no ambulatório de nefrologia. Os dados foram coletados mediante
entrevista e levantamento de dados do prontuário. No que diz respeito ao tratamento
farmacológico, 54% dos 37 entrevistados apresentam quatro a seis medicamentos
prescritos, e 27% tinham mais de seis medicamentos prescritos. Ao serem perguntados
se eles haviam interrompido a medicação nos últimos 30 dias, 48,7% relataram que
não haviam interrompido a medicação, enquanto 51,3% disseram ter interrompido.
Ao ser feita uma análise estratificada dos pacientes que relataram a interrupção da
medicação, identificaram-se reações desagradáveis relatadas por cinco pacientes 26,3%
e motivos de ordem não intencional, como esquecimento ou descuido, explicitados
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 95
95
08/05/2012 18:37:27
por cinco pacientes 26,3% como principais motivos para esse comportamento. A
falta de acesso à medicação foi o motivo apontado por 15,8% dos pacientes para
não terem tomado a medicação nos últimos 30 dias. Os demais pacientes, 31,6%,
não justificaram o motivo da interrupção. O número de pacientes não aderentes ao
tratamento medicamentoso foi maior quando confrontou-se a prescrição médica
(receita ou prontuário) com o relato de como essa medicação foi usada pelo paciente.
Fizeram uso da medicação de forma diferente daquela prescrita 24 pacientes – 65%
-, sendo que 13 deles, além do uso incorreto, relataram ter interrompido a medicação.
Nesse sentido, dentre os 37 entrevistados, somente 18,9% aderiram ao tratamento
farmacológico, considerando os critérios de adesão propostas neste estudo, interrupção
da medicação e uso incorreto. Os pacientes que fazem uso da medicação conforme
prescrições médicas relataram auxílio de membros da família, principalmente filhos,
no controle de horários e de dosagem da medicação. Em relação à expectativa, eles
esperam um controle da doença e um retardo nas possíveis complicações. Concluiu-se
que há necessidade de maior atenção dos profissionais de saúde que atendem a esses
pacientes, bem como de melhoria no acesso aos medicamentos.
Palavras-chave: Doença renal crônica. Atendimento ambulatorial. Nefrologia.
P 007: CONCEPÇÃO SOCIAL SOBRE O MORADOR DE RESIDÊNCIA TERAPÊUTICA
Eliane Barcellos Souza, Luziane Zacché Avellar, Pedro Machado Ribeiro Neto.
Resumo: O projeto de Lei 10.216/2001 prevê a reabilitação psicossocial assistida
para o paciente portador de doença mental grave hospitalizado ou com elevado
grau de institucionalização. Para atingir esse objetivo, foram criados os Serviços
Residenciais Terapêuticos (SRTs), casas localizadas em espaços urbanos. No entanto,
ao mesmo tempo em que a cidade se configura como um espaço de ressocialização,
ela pode ser um lugar de exclusão dos moradores das residências terapêuticas. No
Espírito Santo, prevê-se a implantação de mais dez SRTs, que se somarão às já
existentes cinco casas. O desconhecimento social acerca desse serviço é fator de
baixa receptividade social e estigmatização dos moradores de tais lugares. Diante da
iminência da implantação de mais dez unidades de SRTs, é necessário aprofundar o
conhecimento sobre a realidade local e investigar a receptividade social em relação
ao morador de residência terapêutica. Objetivo: Analisar a concepção social sobre o
morador de residência terapêutica. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo
pelo meio do qual serão entrevistados moradores de bairros residenciais localizados
no município de Vitória–ES, utilizando-se de roteiro estruturado. Resultados: Esta
pesquisa poderá explicar como o desconhecimento acerca dos SRTs pode ser fator
de resistência e, dessa forma, fornecer subsídios para intervenção na comunidade.
Palavras-chave: Serviços Residenciais Terapêuticos. Desinstitucionalização.
Reabilitação psicossocial. Comunidade.
96
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 96
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:27
P 008: FAMILIARES CUIDADORES DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES ATENDIDOS NO CAPSI
DE VITÓRIA-ES: CONCEPÇÕES SOBRE SOFRIMENTO PSÍQUICO E INTERVENÇÃO
NO CAMPO DA SAÚDE MENTAL INFANTO-JUVENIL
Marcela Tommasi Abaurre, Luziane Zacché Avellar.
A adesão da família ao tratamento de crianças e adolescentes com transtornos
mentais graves, público alvo de investimentos tardios no contexto da Reforma
Psiquiátrica, constitui-se um desafio. Com a atual política de saúde mental,
a família torna-se alvo de intervenções e parceira no tratamento. No entanto,
trabalhos apontam que a família encontra dificuldades devido a uma série
de fatores no cuidado e no tratamento desse público. O Centro de Atenção
Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi) é o serviço destinado à assistência de
crianças e adolescentes com transtornos mentais graves. Buscar ações que sejam
compatíveis às reais demandas e necessidades dos familiares cuidadores é um
desafio que se apresenta ao serviço. Propõe-se a realização de dois estudos no
CAPSi da cidade de Vitória/ES. O primeiro tem como objetivo conhecer as
concepções dos familiares cuidadores acerca dos processos de saúde e doença
de crianças e adolescentes atendidos no serviço e compreender as estratégias de
cuidado adotadas no cotidiano das famílias. O segundo estudo objetiva verificar
as mudanças nas concepções de saúde e doença desses familiares, bem como
nas formas de lidar com as dificuldades encontradas no cuidado e no tratamento
do público infanto-juvenil atendido no CAPSi identificadas no Estudo 1, a partir
de uma intervenção psicossocial. Serão realizados grupos focais no primeiro
estudo e grupos de intervenção no segundo. Em ambas as modalidades grupais,
serão utilizados roteiros com questões norteadoras que auxiliarão na condução
dos grupos. As conversas serão gravadas para posterior análise. Será utilizada a
Análise de Conteúdo Temática para os dados coletados no estudo 1. No segundo
estudo, os grupos de intervenção serão analisados mediante um grupo focal
com os participantes. Como os estudos 1 e 2 serão realizados com os mesmos
participantes, será comparada a atuação discursiva dos grupos-focais do estudo 1
com a atuação discursiva do grupo focal do estudo 2, o que permitirá analisar se
houve transformação, após a intervenção, nas concepções dos familiares cuidadores
acerca dos processos de saúde e doença de seus filhos, assim como nas formas de
lidarem com as dificuldades encontradas no cuidado e no tratamento.
Palavras-chave: Familiares cuidadores de crianças e adolescentes com sofrimento
psíquico. CAPSi.
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 97
97
08/05/2012 18:37:27
P 009: O COTIDIANO DE FAMILIARES CUIDADORES DE CRIANÇAS COM IRC (INSUFICIÊNCIA
RENAL CRÔNICA)
Fabíola Emiliano Carneiro da Silva, Luiz Fernando Zippinotti, Luana dos Santos Paulino,
Felício Manuel Mosa Mação, Luciano Moura de Castro.
A criança com insuficiência renal crônica não é capaz de responder sozinha a todas as
demandas exigidas num tratamento por diálise peritonial; faz-se necessária a presença
de um cuidador, que recebe significativa carga de responsabilidade e trabalho, com
sérias consequências para sua vida social, amorosa, pessoal e financeira. Com o
objetivo de compreender a experiência vivida por essas pessoas, foi realizado um
estudo descritivo-exploratório, de caráter qualitativo, com 7 sujeitos, utilizando-se a
análise fenomenológica. Foram examinados os impactos do diagnóstico da doença,
as posturas usadas no seu enfrentamento e as perspectivas de futuro para a vida da
criança, no curto e longo prazo. Observamos que as mudanças na vida pessoal e
familiar são profundas, fazendo com que a renda diminua, a vida íntima se reduza
e as relações sociais se tornem escassas. Por outro lado, constatamos que, à medida
que amadurece a tomada de consciência da missão de cuidar, seja pelas pequenas
crises diárias, seja por alguma grande crise que acelere o processo, há uma completa
reorganização da vida. Então, tornam-se os objetivos a serem alcançados enfrentar
a doença e orientar a construção de uma identidade consistente para a criança, a
partir da qual ela possa se ver como uma pessoa capaz e deseje construir um futuro
para si. Finalmente, constatamos a importância das agências de apoio social - em
especial a igreja, bem como a terapia psicológica, como suporte para a vida diária.
Palavras-chave: Cuidador. Diálise Peritonial. Insuficiência Renal Crônica.
P 010: OFICINAS EM SALA DE ESPERA: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO COM CUIDADORES.
Luana Camata Campi, Juraci Pilon de Ângelo, Luiza Helena de Castro Victal e Bastos, Maria
de Fátima Garcia Lima.
Dinâmicas de grupo e atividades reflexivas foram norteadoras da experiência de três
estagiárias de Psicologia da Universidade Vila Velha (UVV). O projeto de estágio,
denominado Sala de Espera, foi realizado na Clínica de Psicologia durante o ano de
2011. Objetivou a reflexão e o desenvolvimento de estratégias para a potencialização
de cuidadores e visou também à ampliação da sua participação no processo de
reabilitação de crianças que apresentavam dificuldades de comunicação e que
estavam em tratamento na Clínica de Fonoaudiologia. A proposta incluiu trinta e dois
encontros, realizados uma vez por semana com duração de 50 minutos. Organizados
em quatro blocos temáticos - “Construindo a integração”, “Comunicação promove
mudanças”, “Trabalhando com sentimentos” e “Encerrando a atividade grupal”-,
foram coordenados por três estagiárias do curso de Psicologia que adotaram a
98
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 98
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:27
metodologia das oficinas com foco em educação e saúde. Foram utilizadas atividades
lúdicas, educativas e reflexivas por meio de técnicas de dinâmicas de grupo e
fala livre. Os resultados revelaram que o trabalho possibilitou a integração e a
coesão grupal e a ampliação da capacidade dos participantes de comunicar ideias
e sentimentos de angústia, medo e expectativas em relação às crianças. O trabalho
contribuiu também para a troca de experiências entre os cuidadores. A evolução
do grupo compareceu no discurso de cada um e revelou a potencialização dos
participantes para colaborar no tratamento das crianças.
Palavras-chave: Oficina. Sala de espera.
P 011:
SERVIÇOS RESIDENCIAIS TERAPÊUTICOS EM SAÚDE MENTAL - O DESAFIO DAS
PRÁTICAS DE CUIDADO.
Andreia Solar de Almeida Gomes Couto.
Este trabalho é uma experiência de estágio realizada entre agosto e dezembro de
2011 como acompanhante terapêutico em um Serviço Residencial Terapêutico
(SRT). Tal serviço vem se constituindo como importante dispositivo para a
desinstitucionalização de pessoas há longo tempo internadas em hospitais
psiquiátricos ou hospitais de custódia e que perderam os vínculos sociais e
familiares. Inserida no espaço urbano, a Residência Terapêutica visa à reabilitação
psicossocial dos moradores por meio da estratégia de reconstrução de vínculos
sociais, resgate de direitos de cidadania, habitar a casa. Como estagiária de
Psicologia imersa nessa experiência, surgiu a questão de saber se a cultura
hegemônica em nosso social, a cultura manicomial, interfere no fazer cotidiano dos
moradores, saber se essas pessoas, membros dessa mesma sociedade, permitem e
estimulam a reabilitação psicossocial. No campo da atenção psicossocial, tem-se
como desafio inventar novos modos de cuidar que se remetam à vida e envolvam
compromissos e “responsabilidades” em relação ao outro; formas de cuidado que
se voltem para as variações nos modos de vida, para além do diagnóstico e do
sintoma. A capacitação dos cuidadores e a supervisão constante são necessárias
para que eles possam desenvolver práticas condizentes com os princípios da
Reforma Psiquiátrica, transformando seu fazer cotidiano. Com fundamento em um
método de observação participante, os diários de campo relatam o constante esforço
coletivo de se evitar que a Residência Terapêutica reproduza a mesma lógica do
funcionamento manicomial. Observa-se alta rotatividade desses profissionais,
sofrimento psíquico advindo dessa tarefa, momentos em que não sabem como
agir, ações de cuidado e produção de autonomia, assim como ações de tutela e
repetição da lógica manicomial. Sobressai a dificuldade desses profissionais em
circular em espaços de cultura e lazer, privilegiando as ações de saúde. O cotidiano
revela ainda o esforço coletivo procurando conceber o SRT como uma morada a
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 99
99
08/05/2012 18:37:27
partir da qual moradores e moradoras experimentam construir as suas vidas, cada
um a seu modo, em meio ao encontro com os outros, com a cidade e consigo,
contribuindo para novos fazeres e saberes na invenção de novas possibilidades
de/na vida.
Palavras-chave: Reabilitação Psicossocial. Cuidador. Cidadania. Linhas de
Cuidado.
P 012: SIGNIFICANDO A DOENÇA RENAL CRÔNICA: RELATOS DE UMA ADOLESCENTE.
Camila Sunderhus Nogueira, Andressa Neves Rebello Dyna, Juliana Santos Oliveira.
O presente estudo tem como objetivo compreender pela ótica de uma adolescente
de 12 anos, acometida de Doença Renal Crônica (DRC), mais especificamente
Glomerulopatia, diagnosticada em setembro de 2009, o significado da doença e
como ela percebe o ambiente hospitalar. Foram utilizados como instrumentos de
pesquisa entrevista semi-estruturada, entrevista por associação livre, leitura de
prontuário hospitalar e nove meses de acompanhamento psicológico contínuo. Este
estudo fundamenta-se pelos pressupostos da investigação qualitativa e na teoria
fenomenológica existencial, visando compreender como essa adolescente constrói
sua relação com o mundo do hospital e com a DRC. Foram identificados quatro
eixos temáticos relevantes para o estudo do fenômeno: Compreensão da DRC,
em que a adolescente fala do conhecimento que possui desta doença; Sentimentos
expressos, onde fala dos sentimentos que a perpassam desde a descoberta da DRC;
e Convivendo com a DRC, que retrata a repercussão da doença, do tratamento
em si e das internações recorrentes na sua vida. Os resultados do estudo sugerem
que a DRC se configura na vida da paciente por meio de uma série de questões e
situações: baixo grau de informação, desinteresse em se informar sobre a DRC e
sua atual situação, aceitação passiva da doença e dos cuidados da equipe, desânimo,
mudanças no cotidiano decorrentes da DRC, incertezas e cansaço relacionado ao
tratamento. Foi notada, ainda, a vontade expressada por essa adolescente de que
a doença nunca tivesse existido ou desaparecesse de sua vida. É possível que o
baixo grau de informação, bem como o desinteresse em obtê-la, seja proveniente
de uma negação da doença, uma não aceitação de sua condição e de seu caráter
permanente. O estudo possibilitou compreender a importância de colocar o paciente
em contato com a realidade e apoiá-lo no período de enfrentamento da doença
e seu tratamento, transmitindo informações e orientando-o para que ele se sinta
seguro e compreendido no caminhar de sua vida.
Palavras-chave: Doença renal crônica. Teoria fenomenológica–existencial.
Adolescência.
100
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 100
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:27
P 013: “SÓ POR HOJE”: UM ESTUDO SOBRE RITUALIDADES E SIMBOLISMOS DENTRO DO
GRUPO NARCÓTICOS ANÔNIMOS
Anna Carolina Nascimento de Araujo, Dayana Cynthia Paulino Dutra, Nayara Rocha Mairinck.
A temática das drogas, complexa em si, é atravessada por discursos e épocas que
atribuíram a elas um caráter de ilegalidade e, paralelamente, uma representação
estigmatizante pela esfera pública, por conta da possibilidade de dependência. Este
trabalho buscou conhecer um dos aspectos relacionados a ela: o tratamento da
drogadição por meio de um programa específico de recuperação, o grupo de ajuda
mútua dos Narcóticos Anônimos (NA). Realizou-se uma pesquisa de caráter qualitativo
em duas reuniões de NA (administrativas e abertas) no município de Vitória/ES entre
setembro e outubro de 2011. Com os participantes das reuniões administrativas, fez-se
uma entrevista com um roteiro estruturado com questões que contemplavam: a) história
e o funcionamento da irmandade; b) experiências individuais dos membros, antes e
depois de NA. Já com o segundo grupo, teve-se a oportunidade de frequentar uma
reunião aberta no intento de observar como a filosofia da irmandade se concretizava
na prática grupal. Verificou-se, durante a análise dos serviços desenvolvidos pela
irmandade, a complexidade de assuntos e representações que circundam e transpõem
o NA. Concomitantemente, percebeu-se que o empenho dos membros nesses afazeres
trazia um modo ritualístico e recorrente de atuação, que só traz significado naquele
determinado contexto. Diante da problemática das drogas, que envolve diversas
dimensões sociais, o NA posiciona-se como uma opção fundamentada e eficaz no que
diz respeito ao trato com a dependência química. O modo singular como os membros
significam suas experiências, durante as reuniões, é atravessado por uma ordem de
significação proposta pelo grupo. Trata-se de uma corporificação de códigos, valores,
práticas e discursos. Estima-se que este trabalho promova inquietações a respeito da
eficácia e das limitações que transversalizam as práticas do grupo em questão, a fim
de que esses questionamentos não se limitem às perspectivas propostas.
Palavras-chave: Drogas. Ritualidades. Grupos. Identidade
Eixo: Trabalho
P 014: A PERCEPÇÃO DE ATORES SOCIAIS ACERCA DO TRABALHO E SUAS IMPLICAÇÕES
NA VIDA HUMANA
Christian Sullivan Emerick Soares, Anne Michaela Gomes de Almeida, Ana Clara Pignaton
Moro, Amanda Pereira da Silva, Daiane Cruz Ferreira, Larissa Silva Cabral, Laryssa Frinhani
Viturini Marchiori, Poliana Sfalsin Zatta.
Para a Psicologia, o trabalho pode ser entendido como uma instituição construída
sócio-historicamente. Ela funciona como modo de subjetivação capaz de produzir
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 101
101
08/05/2012 18:37:27
formas de ser e estar no mundo que transformam o contexto social no qual estamos
inseridos. Sucintamente, o trabalho humano pode ser definido como um conjunto de
forças (física ou intelectual) direcionadas para um objetivo, ou seja, a construção
e o resultado de uma intencionalidade. Com este estudo, objetiva-se verificar a
percepção de atores sociais acerca do trabalho e suas implicações na vida humana.
Para tanto, foram realizadas entrevistas estruturadas de cunho qualitativo com doze
atores sociais, com idade média de 38 anos: dois professores, dois autônomos, dois
estudantes, um administrador, um técnico de segurança do trabalho, um médico,
uma faxineira e um aposentado. Diante dos resultados obtidos, percebe-se que,
de modo geral, o trabalho na contemporaneidade é visto como fonte de sustento,
acumulação de capital, auto-realização e dignidade para o ser humano, aparecendo
também, mas em menor freqüência, o tédio e o sacrifício por ele ocasionados. Além
disso, acreditam que o trabalho no século XX era basicamente hereditário, patriarcal
e escravocrata, não considerando a subjetividade do sujeito. Já na atualidade,
avaliam que são levados em conta as habilidades, potencialidades e o desejo de cada
sujeito, que possui mais liberdade para escolher o ofício que vai exercer devido às
oportunidades de estudo e emprego oferecidas pelo mercado, bem como o avanço
tecnológico, a melhoria nas condições de trabalho, a qualificação da mão de obra,
entre outros. Foi unânime ainda entre os entrevistados a diferenciação entre os
conceitos de trabalho e emprego, no qual a relação de emprego está associada a um
vínculo jurídico estabelecido entre o empregado e o empregador, enquanto a relação
de trabalho engloba outras formas de prestação de serviço. Dessa maneira, pode-se
dizer que o trabalho é uma construção sócio-histórica que vem se transformando
ao longo dos anos, e que a concepção de trabalho vigente influencia diretamente os
modos de subjetivação e subjetividade, produzindo adoecimento psíquico e físico
nas diversas classes trabalhadoras.
Palavras-chave: Trabalho. Percepção. Subjetividade.
P 015: AS COMPETÊNCIAS DOS ADMINISTRADORES: A RELAÇÃO ENTRE AS EXIGÊNCIAS
DO MERCADO DE TRABALHO E A FORMAÇÃO EDUCACIONAL DE NÍVEL SUPERIOR
Camila Santos Silva, Vitor Corrêa da Silva, Priscilla de Oliveira Martins Silva.
Contratar e reter profissionais qualificados e detentores de competências variadas é
uma das formas que as organizações encontraram para se manterem competitivas em
um contexto de acirrada concorrência. Assim, as competências individuais têm sido
utilizadas como referencial para a avaliação dos trabalhadores pelas organizações.
Diante dessa realidade, a presente pesquisa tem como objetivo identificar a visão de
administradores sobre a relação entre as competências requeridas pelas organizações
e as competências desenvolvidas pela formação educacional de nível superior.
Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa quantitativa com a utilização de
102
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 102
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:27
questionário semi-estruturado aplicado aos administradores inscritos no Conselho
Regional de Administração (CRA/ES). A taxa de retorno dos questionários está de
acordo com a literatura, pois ficou na faixa entre 7% e 10%. Foram analisados 172
questionários respondidos de forma completa. A maioria dos respondentes é natural
do Espírito Santo (72,67%), a maior parte está na faixa etária de 21 a 30 anos (33%)
e 31 a 40 anos (34%) e tem até 5 anos de registro no CRA (47%). Os três cargos com
maior número de pessoas são: gestor (33%), técnico operacional (20%) e técnico
especializado (19%). De acordo com os dados, as competências mais exigidas pelas
organizações são capacidade de comprometer-se com os objetivos da organização,
capacidade para trabalhar em equipe e capacidade de comunicação. As competências
mais desenvolvidas na formação educacional são visão de mundo ampla e global,
capacidade de gerar resultados efetivos e capacidade de trabalhar em equipe.
Observa-se uma divergência entre as competências requeridas pelas organizações e
as competências desenvolvidas na formação educacional. Uma explicação possível
são as diferentes perspectivas de carreira assumida pelos respondentes. A perspectiva
de carreira utilizada para analisar as competências exigidas pela organização está
alinhada à carreira tradicional/linear, enquanto que a perspectiva utilizada para a
competência individual está alinhada à visão de carreira sem fronteiras.
Palavras-chave: Competência. Mercado de trabalho. Formação.
Eixo: Direitos Humanos, Políticas Públicas e Cidadania
P 016: CONCEPÇÕES DE PSICÓLOGOS QUE ATUAM NOS CENTROS DE REFERÊNCIA DE
ASSISTÊNCIA SOCIAL SOBRE SUA PRÁTICA PROFISSIONAL
Karine Santos Souza, Milena Bertollo-Nardi, Luziane Zacché Avellar.
A maneira de conceber a assistência social no Brasil começa a mudar a partir da
aprovação da Constituição Federal de 1988, passando a ser entendida como direito
do cidadão e dever do Estado. O Sistema Único de Assistência Social (Suas) é a
primeira política pública a definir a presença do psicólogo como condição necessária
e obrigatória para a implantação de vários serviços. Essa recente conquista de espaço
institucional de atuação profissional demanda um aparato teórico-metodológico cuja
especificidade representa uma novidade que ainda não se encontra suficientemente
delineada. Assim, este projeto de pesquisa tem como objetivo identificar, descrever
e analisar a atuação profissional dos psicólogos nos Centros de Referência de
Assistência Social (CRAS). Sua relevância situa-se na necessidade, sob nosso
ponto de vista, de análise mais aprofundada sobre a atuação do psicólogo no campo
das políticas públicas de assistência social ainda em seu princípio. Participarão da
pesquisa oito psicólogos atuando em CRAS, sendo quatro no município de Vitória/
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 103
103
08/05/2012 18:37:27
ES e quatro em Colatina/ES. O interesse em investigar a atuação também em um
município do interior do estado justifica-se pelo processo de interiorização pelo
qual a Psicologia tem passado. Os dados serão coletados por meio de entrevistas
individuais com os profissionais e submetidos à Análise de Conteúdo. Um roteiro
semi-estruturado foi elaborado e, após a realização de um pré-teste, foi adaptado,
resultando nos seguintes tópicos: caracterização do participante, motivações para a
atuação no CRAS, atividades desenvolvidas, dificuldades e realizações, relatos de
casos bem sucedidos, articulação com a comunidade e com os demais profissionais.
Com a execução deste projeto, esperamos levantar informações sobre as formas
de inserção e atuação do psicólogo, aparatos teórico-metodológicos utilizados,
atividades desenvolvidas e relações que se estabelecem no trabalho. Esperamos,
ainda, que os resultados possam contribuir para o desenvolvimento do campo de
estudo que começa a ser delineado.
Palavras-chave: Atuação profissional. Psicólogo. Política pública de assistência
social. Centro de Referência de Assistência Social.
P 017: “NEM MELHOR, NEM PIOR”: APENAS ADOLESCENTES!
Salua Vazzoler Largura Salvador, Fabíola Marques Destefani, Stephanie do Amaral Secchim.
Esta pesquisa tem base teórica na Psicologia sócio-histórica e na Teoria das
Representações Sociais. Considerando o crescente número de adolescentes autores
de ato infracional no município de Castelo/ES e a recente implantação do serviço
de medida socioeducativa (MSE), objetivou-se investigar as representações sociais
dos profissionais da área de atenção ao adolescente autor de ato infracional sobre
esses adolescentes. A pesquisa desenvolvida foi de campo qualitativa. A análise
dos dados foi a partir da técnica de Análise de Conteúdo. As entrevistas foram
realizadas individualmente com profissionais do judiciário, equipe psicossocial
e conselho tutelar, num total de 10 pessoas. Verificou-se que os profissionais
representam o adolescente autor de ato infracional como um indivíduo que se
encontra em uma fase determinada pela idade e por transformações físicas e
psicológicas, como nos adolescentes em geral. Podem praticar o ato infracional
devido ao contexto no qual estão inseridos, sob influência do meio ou da família,
desestruturada (por não atender ao modelo nuclear) e/ ou carente. Destaca-se a
visão de que o adolescente pode ter um “perfil criminoso” dependendo do grau
do ato infracional cometido. Embora a perspectiva sócio-histórica aqui defendida
considere a influência do meio social no desenvolvimento do indivíduo, enfatiza-se
sob essa abordagem que a adolescência não é entendida como “inata”, ou “natural”,
mas sim construída, formando-se e constituindo-se pelas experiências e relações
que vão sendo estabelecidas no processo de desenvolvimento humano. Frente ao
atual sistema econômico, político e social regido pelo capitalismo, que muitas vezes
104
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 104
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:27
proporciona o crescente envolvimento de adolescentes com o ato infracional, se
faz necessário desenvolver políticas públicas em favor do adolescente por meio
das quais os profissionais recebam preparação adequada para lidar com medidas
de prevenção, promoção e proteção desses adolescentes, ampliando seu olhar ao
contexto social em que eles se inserem.
Palavras-chave: Adolescente, ato infracional, representações sociais.
Eixo: Infância, Juventude, Vida Adulta e Velhice
P 018: INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL NA COMUNIDADE: EXPERIÊNCIA ACADÊMICA NO
CONTEXTO COMUNITÁRIO.
Tainá Moreira Bolelli Tatagiba, Mariana Belém Barbosa, Daniella Messa e Melo Cruz.
Este trabalho retrata uma experiência de estágio realizado por um grupo de alunas
em uma organização não governamental do município de Vitória que atende
crianças e adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade social. Inicialmente
foi solicitada pela instituição a participação das alunas estagiárias em uma pesquisa
institucional, com o objetivo de levantamento de demandas a serem trabalhadas e
desenvolvidas com os educandos da instituição. A partir da inserção no campo de
estágio, houve a possibilidade da realização de observação participante e atuação em
oficinas com técnicas em dinâmicas de grupo direcionadas às necessidades surgidas
e o acompanhamento da rotina e do cronograma da instituição. Assim, as ações
interventivas foram sendo colocadas em prática na medida em que as estagiárias
participavam do cotidiano e do planejamento com equipe técnica da instituição;
dessa maneira, foram trabalhados em oficinas temas envolvendo o bullyng com
os educandos, atendimentos psicossociais, visitas domiciliares e participação em
campanhas de conscientização com/na comunidade. A inserção na comunidade
a partir das ações da instituição foi um fator diferencial para que houvesse uma
desmitificação do contexto sociocultural das pessoas em situação de vulnerabilidade
pessoal e social, propiciando uma interlocução entre as histórias de vidas dos
educadores, estagiárias e equipe técnica com as dos educandos e uma ressignificação
dos valores preexistentes. Constatou-se uma aproximação entre comunidade e
instituição, educandos e equipe técnica - e assim foi possível (re)construções de
práticas profissionais envolvendo as estagiárias e a equipe multidisciplinar, o que
foi primordial para a implicação dos educandos nas oficinas e atividades propostas,
bem como para a adesão da comunidade às propostas da instituição. Fica evidente
que o psicólogo, desde sua formação, deve ter como foco as necessidades, objetivos
e demandas dos indivíduos no âmbito da comunidade.
Palavras-chave: Intervenção Psicossocial. Comunidade. Vulnerabilidade.
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 105
105
08/05/2012 18:37:27
P 019: O FENÔMENO DA HIPERATIVIDADE EM CRIANÇA NO AMBIENTE ESCOLAR: UMA
INTERVENÇÃO POR MEIO DA LUDOTERAPIA
Fabíola Magnago Pedruzzi, Adriana Mastela Gomes Grasseli, Ana Crinstina Silva
Fernandes de Souza, Francinne Alves Cabelino, Jane Nunes Fraga, Lívia Sgulmero de
Moraes Zampirolli.
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um fenômeno que
se caracteriza por apresentar um distúrbio neurológico sério que interfere na vida
familiar, escolar e social da criança, pois seus principais sintomas são desatenção,
hiperatividade e impulsividade. A criança com TDAH tem dificuldade de se
concentrar, distraindo-se com facilidade, esquecendo-se de seus compromissos e
objetos; apresenta também dificuldade em seguir instruções e regras; e possui uma
fala excessiva, não conseguindo esperar sua vez. Embora de difícil diagnóstico e
acompanhamento, esse transtorno é tratável, e para isso é necessário um trabalho
multidisciplinar contínuo. O principal objetivo será conhecer e analisar as principais
contribuições teóricas sobre Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade e
assim elaborar uma intervenção para crianças no ambiente escolar. Metodologia:
Serão realizados encontros semanais com crianças tendo como principal técnica
a ludoterapia, assim como uma orientação aos pais e professores a respeito do
transtorno e sobre como lidar com essa questão. O fenômeno TDAH gera um
impacto em uma grande pluralidade de dimensões, tais como comportamentais,
intelectuais, sociais e emocionais, pois promove dificuldades, como as de controle
de impulsos, concentração, memória, organização, planejamento e autonomia,
bem como a dificuldade encontrada pelos professores e pais e o comportamento
inadequado da criança em ambiente escolar. Percebe-se que as dificuldades de
aprendizagem e a má adaptação escolar do aluno com TDAH se intensificam não só
em razão de um planejamento educacional rígido e inadequado quanto aos objetivos e
metodologia, mas também pela falta de interação apropriada entre professor e aluno,
bem como pela falta de orientação/informação dos pais. Dessa forma, espera-se
que as intervenções que serão realizadas possam auxiliar os envolvidos na questão.
Palavras-chave: TDAH. Ludoterapia. Professor. Aluno.
P 020: O IDOSO NA CONTEMPORANEIDADE: PERSPECTIVAS E ALGUMAS QUESTÕES
RELEVANTES
Fabricia Rodrigues Amorim Aride, Guilherme de Melo Decotti, Dulcilene Tagliaferro Sório.
O processo de envelhecimento e suas consequências naturais vêm se instituindo como
uma das grandes preocupações da humanidade, e ganhou evidência no século XX a
partir de diversas pesquisas científicas. Os estudos iniciais propunham a busca pelo
envelhecer livre de doenças e da degeneração que os anos e hábitos acarretavam.
106
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 106
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:27
Com isso, desconsiderava-se o potencial e as qualidades do idoso baseando-se numa
cultura que supervaloriza o jovem e sua força de produção. No entanto, sabe-se
que, com o aumento da expectativa de vida, e consequentementeo aumento do
número de idosos, houve uma série de ganhos na qualidade de vida, bem como
despertaram inquietações dos órgãos governamentais quanto aos cuidados e gastos
com essa faixa etária. O objetivo do presente estudo, baseado em livros e em artigos
científicos, é apresentar o impacto do viver na terceira idade na contemporaneidade,
e refletir sobre as necessidades de mudanças emergenciais no que tange essa fase
do desenvolvimento humano. Destaca-se que uma das faces do envelhecimento é
caracterizada pela incapacidade funcional, acarretando maior vulnerabilidade e maior
incidência de processos patológicos; além disso, em alguns casos, o idoso perde sua
autonomia e independência. No entanto, o número crescente de idosos retoma uma
discussão quanto ao seu papel em sociedade, provocando desconforto para muitos,
pois disso depende uma nova visão sobre papéis sociais e sobre a necessidade de
políticas públicas eficazes que promovam uma vida digna, onde se inclui o lazer,
a saúde, o convívio social, entre outros. Sabe-se que a rápida mudança no cenário
nacional (e mundial) quanto ao processo de envelhecimento traz a emergência da
discussão e de ações eficazes voltadas para o idoso em sociedade - que não deve
viver em isolamento, apesar de muitas práticas nesse sentido. Destarte, não se pode
negar a importância de amparo e preparo das equipes muldisciplinares que envolve
tanto médicos quanto psicólogos na luta por um atendimento às necessidades desses
indivíduos.
Palavras-chave: Contemporaneidade. Idoso. Processo de Envelhecimento.
P 021: PERCEBENDO A CULTURA NORMATIVA EM AMBIENTE EDUCACIONAL: UM RELATO
DE EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO.
Heline Ewald Lemos, Adam Sant’anna Santos, Stephanye Porto da Silva, Daniella Messa
e Melo Cruz.
Este trabalho tem como objetivo o relato de experiência de estágio de um grupo
de alunos da Faculdade Católica Salesiana do Espírito Santo em uma organização
não governamental que atende crianças e adolescentes em situação de risco e
vulnerabilidade pessoal e social. Inicialmente, foram adotadas para a coleta de
demandas a serem trabalhadas a observação participante com os educandos tanto em
sala de aula como em atividades externas e reuniões com a equipe psicopedagógica.
A partir dessa ação, foi construída uma proposta de intervenção envolvendo
oficinas utilizando técnicas em dinâmicas de grupo e jogos cooperativos, a fim de
proporcionar reflexão e discussão acerca de temas observados e também sugeridos
pela instituição, tais como violência, família e relacionamento interpessoal. Após as
primeiras intervenções, foram percebidos nos educandos comportamentos agitados
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 107
107
08/05/2012 18:37:27
e dificuldades de seguir as regras estabelecidas para a realização das oficinas, o que
acarretou dificuldades no desenvolvimento do trabalho. Entretanto, após análise e
reflexão dos resultados das oficinas, foi possível constatar que o comportamento
manifestado pelos educandos “falava” de um lugar de “insatisfação”, de um lugar do
“não-dito/não-ouvido”. Observou-se o quanto a regra/norma imposta massificava o
seu cotidiano, que o lugar da discussão e construção conjunta não existia em nenhuma
das atividades que eram oferecidas a eles pela instituição. Percebeu-se também, no
decorrer das atividades, que o lugar desejado para a Psicologia naquele espaço seria
o de conduzir o indivíduo a um modelo de comportamento planejado e aceito pelas
normas da instituição, com possível utilização de métodos curativos de dificuldades
“comportamentais”. Foi necessária a reflexão da cultura institucional, constituída
de representações sócio-históricas do comportamento infantil dito “inadequado”, o
que revelou a necessidade de ir além de intervenções pontuais com os educandos,
abrangendo também reflexões das verdades preexistentes sobre o atendimento e
acompanhamento de crianças em situação de risco e vulnerabilidade social e da
própria atuação do psicólogo no contexto social.
Palavras-chave: Vulnerabilidade social. Educação. Intervenção psicossocial.
P 022: TRANSTORNO DE CONDUTA NA ADOLESCÊNCIA
Marinéa Neves Telles, Marcio Neves, Adriana Mastela Gomes Grasseli.
Introdução: O transtorno de conduta (TC) é comumente identificado na
infância e na adolescência, sendo que pessoas com idade superior a 18 anos
somente são diagnosticadas quando os critérios de análise para Transtorno de
Personalidade Antissocial não são atendidos. Assim, o jovem que apresenta TC
tem uma particularidade padrão de repetição e persistência que infringe os direitos
fundamentais dos outros ou as normas sociais estabelecidas, podendo comprometer
sua saúde mental e física por meio de conduta violenta e do consumo de álcool e
drogas. Um dos TC muito encontrados na infância e na adolescência por meio de
comportamentos repetidos de agressividade e reação agressiva a outras pessoas
é o Bullying. Objetivo: O presente trabalho é um projeto que tem como objetivo
sensibilizar os jovens sobre o real teor do transtorno e suas consequências, bem como
orientar os pais para os problemas de conduta de seus filhos a fim de preveni-los,
manejá-los e tratá-los. Método: O projeto acontecerá nas Unidades de Atendimento
Socioeducativo e em escolas municipais e estaduais de Cachoeiro de Itapemirim/
ES, por meio de interações socioculturais com atravessamento jurídico, dinâmicas,
palestras e vídeos educativos sobre o tema proposto. As interações ocorrerão
semanalmente, intercalando-se encontros com os jovens, com a família e com os
pais. Conclusões: Acredita-se que o projeto possa esclarecer e sensibilizar os jovens
e suas famílias sobre as consequências oriundas do TC. Por haver poucos projetos
108
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 108
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:27
sobre o referido assunto na cidade de Cachoeiro de Itapemirim, este trabalho também
poderá orientar e auxiliar profissionais nas áreas jurídica, social e pedagógica,
fomentando novas estratégias junto aos jovens.
Palavras-chave: Adolescência. Família. Violência
P 023: “ADOTADO”: ESTEREÓTIPOS E QUESTÕES PERTINENTES AO PROCESSO DE
ADOÇÃO.
Fabricia Rodrigues Amorim Aride, Gabriela de Brito Martins, Ana Arlete dos Santos Saltori,
Mary Kayth da Silva Hartuiq, Priscyla de Castro Cogo Thezolin.
O presente artigo tem como ênfase estabelecer algumas considerações sobre os
conflitos e consequências gerados no sujeito quando rotulado como adotado. A
adoção é comumente reconhecida como um processo pelo qual uma pessoa é
levada para dentro de uma família por um ou mais adultos que não são seus pais
biológicos, mas são nomeados pela lei. Na contemporaneidade, apesar de todo o
contexto de incentivos à adoção e de práticas que pretendem desmistificar esse
processo, ainda permanece uma concepção preconceituosa em relação ao assunto.
Percebe-se que essa concepção afeta diretamente as pessoas adotadas, que são
corriqueiramente associadas a estereótipos, como abandonados, excluídos e etc.
Devido à complexidade do tema, optou-se por realizar uma investigação científica,
delineada pela abordagem qualitativa da realidade, pois se entende que o objeto de
estudo é histórico e socialmente construído. A coleta dos dados se deu por meio de
roteiro de entrevista semi-estruturado, contendo questões que focalizaram dados
sociodemográficos, evocações livres associadas ao termo indutor “adoção” e questões
complementares que visaram à contextualização dos objetos. A amostra pesquisada
teve como público alvo cinco filhos adotivos, com idades entre três e vinte e seis
anos, e seis pais ou/cuidadores, com idade entre trinta e cinco e cinquenta anos.
Como resultado encontrado, destacam-se as angústias pertinentes ao processo de
adoção, e o medo, por parte dos pais, de que esse filho seja retirado da vida deles,
especialmente naqueles sujeitos que optaram por omitir, temporariamente, que houve
a adoção. Além disso, os filhos relatam que já sofreram preconceito por parte de
algumas pessoas, e sentem-se desprivilegiados em relação aos irmãos que são filhos
naturais do casal. Essa última informação não é encontrada no discurso dos pais,
que alegam a igualdade no tratamento dos filhos, naturais ou adotivos. Conclui-se
que a temática da adoção encerra em si a complexidade que toca desde as relações
familiares, os processos sociais de institucionalização, os fenômenos sociais mais
amplos e a formação psíquica dos sujeitos. Portanto, estudos científicos sobre o
assunto são primordiais para mediar esses relacionamentos, promovendo uma
intervenção para minimizar os conflitos e possíveis desajustes na interação familiar.
Palavras-chave: Adoção. Estereótipos. Família.
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 109
109
08/05/2012 18:37:27
Eixo: Grupos e Exclusão Social
P 024: A INSERÇÃO DO PSICÓLOGO E O CONTEXTO SOCIOCULTURAL: PROMOVENDO UMA
INTERAÇÃO ENTRE EDUCADORES E EDUCANDOS.
Livia Maria Maulaz Freitas, Daniella Messa e Melo Cruz.
Por meio de observações em uma organização não governamental que atende crianças
e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, no município de Vitória,
percebeu-se que as práticas dos educadores sociais se restringiam a questões de cunho
religioso, desfavorecendo discussões de interesse dos educandos a partir de suas
vivências socioculturais. Diante dessa constatação, foi elaborada uma proposta de
trabalho que incluía treze oficinas, com o objetivo de promover reflexões de questões
sociais e culturais que permeiam o universo dos adolescentes inseridos na instituição,
envolvendo tanto os educadores quanto os próprios adolescentes. As intervenções
foram sendo desenvolvidas a partir das observações participantes das estagiárias,
de encontros com a equipe de educadores sociais e de grupos de discussão com os
adolescentes. Nas oficinas propostas foram adotadas técnicas de dinâmica de grupo,
dramatizações em teatros realizados pelos educandos e utilização de vídeos e textos
com intuito de debate e reflexão no grupo de adolescentes, além de reuniões com
a equipe de educadores sociais. A partir das intervenções realizadas, notou-se uma
reflexão a respeito dos paradigmas religiosos por parte dos educadores sociais com
relação à escolha e comportamento dos adolescentes e com isso, a abertura de um
espaço de escuta que possibilitou uma aproximação entre educadores e educandos
e a constatação da importância da compreensão e respeito ao contexto sociocultural
da comunidade em que está inserida a instituição.
Palavras-chave: Intervenção psicossocial; Adolescentes; Religião; Comunidade.
P 025: A PARTICIPAÇÃO POLÍTICA DA TRÍADE PAI-MÃE-FILHO EM UMA ASSOCIAÇÃO
PARA DEFICIENTES INTELECTUAIS
Camila Conceição Mufalani, Diana Nascimento Freire, Nathalia Rúbia Braz Ribeiro, Jairo
Tadeu Guerra.
Este trabalho discute a participação política da tríade pai-mãe-filho em uma
associação que atende a pessoas com deficiência intelectual e múltipla. A Associação
de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) é integrante do movimento apaeano,
fundado em 1954. Esse movimento luta pelo atendimento das necessidades de
pessoas com deficiência intelectual e múltipla não supridas pelo Estado. Sua principal
estratégia foi constituir, ao nível municipal, entidades com atuação no campo da
reabilitação e da educação especial, financiadas principalmente por governos. Como
entidade da sociedade civil, a Apae congrega familiares e amigos para lutar pela
110
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 110
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:27
inclusão social. O objetivo do presente estudo é conhecer a participação política
da tríade pai-mãe-filho em uma Apae/ES. A metodologia utilizada é a observação
participante. Resultados parciais revelam que os familiares veem a instituição como
uma prestadora de serviço e não como uma associação que luta por direitos na qual
todos participam das decisões e, portanto, deveriam colaborar ativamente na luta
pela inclusão social. Não há mecanismos de participação formal que congreguem os
familiares. As mães se reúnem informalmente em oficinas de artesanato e criticam os
serviços como se não tivessem nenhuma capacidade de intervir neles, ao passo que a
presença dos pais é inexistente no cotidiano da instituição. Constata-se também que
alguns profissionais não concebem os deficientes como sujeitos de direitos, pois os
tratam como se fossem eternas crianças, mesmo quando já adultos, incapacitando-os
para o exercício de uma cidadania “possível”. Desse modo, o desafio da Apae/ES é
repensar suas práticas centradas na oferta de serviços terapêuticos aos deficientes
e no modelo clínico individual que a impossibilita de superar a atual crise gerada
pela nova politica da educação.
Palavras-chave: Deficiência Intelectual. Família. Associação.
P 026: CATEGORIAS SOCIAIS EM CONFLITO DE IDENTIDADE: A FAMÍLIA E O INDIVÍDUO
COM SOFRIMENTO PSÍQUICO
Marcela Tommasi Abaurre, Lídio de Souza.
O tratamento do indivíduo com sofrimento psíquico durante muito tempo consistiu
em seu afastamento da família e da sociedade, em hospitais específicos e isolados,
estando os cuidados para com essas pessoas centralizados na medicina sob a custódia
psiquiátrica. Com o atual modelo de assistência em saúde mental, a transferência de
responsabilidade dos cuidados para a família configura-se um desafio, uma vez que,
além da sobrecarga emocional, ao cuidarem de pessoas rejeitadas pela sociedade as
famílias também sofrem com a exclusão e o estigma. Muitas vezes, os familiares
tendem a afastar o indivíduo com sofrimento psíquico do meio sociofamiliar. As
patologias psiquiátricas são frequentemente associadas ao preconceito, ao estigma
e à exclusão social do indivíduo com sofrimento psíquico, e tanto esse indivíduo
quanto a sua família têm de lidar com a incapacidade e a possível periculosidade
do “louco” presentes no imaginário social, além de seus próprios preconceitos e
os da sociedade. O presente trabalho objetivou abordar a exclusão, o preconceito
e o abandono decorrentes de conflitos identitários que emergem da relação entre o
indivíduo com sofrimento psíquico e a sua família. Adotou-se a Teoria da Identidade
Social, de Henri Tajfel, como aporte teórico para discutir as situações de conflito
que se instauram entre as categorias sociais, a do indivíduo com sofrimento psíquico
e da família. Algumas famílias, pressionadas pelo discurso social preconceituoso
em relação à loucura, tendem a assimilar o preconceito e atribuir ao seu familiar
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 111
111
08/05/2012 18:37:27
com sofrimento psíquico uma identidade estigmatizada, incluindo-o numa categoria
negativamente valorizada. A Reforma Psiquiátrica ainda caminha em direção a
construções de ações voltadas para a transformação do pensamento consensual
sobre a loucura no sentido da aceitação das diferenças. Estratégias como o grupo
de familiares nos serviços abertos e a formação de alianças com outros grupos ou
instituições sociais que ofereçam abertura para integração podem contribuir para a
desestruturação de crenças acerca da loucura e o seu reconhecimento, uma vez que
por meio do convívio intergrupal é possível desconstruir estereótipos e amenizar
a relação de conflito entre as categorias sociais, da família e do indivíduo com
sofrimento psíquico.
Palavras-chave: Família. Indivíduo com sofrimento psíquico. Preconceito. Exclusão.
Alianças grupais.
P 027: O DESAFIO DA INSERÇÃO SOCIAL PARA IDOSOS EM UMA INSTITUIÇÃO ASILAR
Jairo Tadeu Guerra, Aline de Araújo Vale, Ismael Anderson Gomes da Silva, Leonardo
Sturzeneker Damázio, Maria Giovana de Freitas Faria, Matheus Aguiar Silva, Rafael da
Silva Bráz Ribeiro.
Este relato discute a intervenção promovida pelo Estágio Básico em Psicologia
realizado por alunos do 6º período do curso de Psicologia da Universidade Vila
Velha/ES em uma instituição asilar para idosos. O asilo foi fundado na década de
40 por uma instituição religiosa e, com o Estatuto do Idoso, adequou-se às novas
exigências legais. No entanto, a organização vivencia problemas cotidianos dessa
mudança, uma vez que o modelo asilar/caritativo historicamente sedimentado
se choca com o modelo de proteção cidadã recém-implantado pelo novo marco
legal. A metodologia utilizada foi a pesquisa ação participante. A demanda inicial
dos dirigentes (técnicos e religiosos) aos estagiários de Psicologia foi de uma
intervenção clínica, a partir da ideia de que os idosos eram “problemáticos”,
“tendentes ao isolamento”, “depressivos” e “avessos a qualquer trabalho
coletivo”. Foram inicialmente realizadas junto aos idosos oficinas psicossociais
que revelaram críticas ao modo de organização asilar e desrespeito de direitos
garantidos pelo Estatuto do Idoso. Após o primeiro semestre de intervenções, o
grupo de estagiários concluiu que o isolamento das famílias e da comunidade
local deveria ser o principal problema a ser enfrentado, entendido como causa
principal dos problemas inicialmente citados pelos dirigentes. Desse modo, o grupo
de estagiários elaborou o projeto “Em casa por um dia”, que tem por objetivo
ampliar os laços sociais dos internos, inserindo os idosos na comunidade local
e propiciando o retorno do idoso com mais frequência à sua família de origem.
Desse modo, busca promover o bem-estar pela mudança no cotidiano relacional de
idosos dentro e fora dos muros do asilo, com o intuito de gerar o estabelecimento
112
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 112
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:27
de novos vínculos afetivos, novas experiências existenciais com as famílias que
residem ao redor do asilo e com suas próprias famílias. Tal projeto foi apresentado
e discutido na instituição pelos próprios estudantes, sendo aprovado com total apoio
dos dirigentes. No atual momento, os estudantes estão elaborando os materiais
impressos e articulando os meios de sensibilizar os familiares e vizinhos do asilo
para adesão ao projeto. Constata-se que o estágio básico propiciou aos estagiários
conhecimento da assistência asilar e visão crítica dessa tradição como solução
frente ao envelhecimento.
Palavras-chave: ILP. Pesquisa ação. Estágio básico.
P 028: PICHAÇÃO: O QUE HÁ POR TRÁS DOS MUROS?
Carolina Pimentel Batitucci, Fernanda Negri Smith, Izabela Orlandi Môro, Nathália Nunes
Pirola, Luana Keren Moura Garcia, Adailton Sá dos Santos, Elizeu Borloti.
A pichação é um fenômeno cultural ilegal fortemente presente no cenário urbano,
fazendo parte do cotidiano de todos os indivíduos que circulam pelas cidades.
Seus atores são, na maioria, jovens habitantes das periferias, e sua prática consiste
em deixar marcas em superfícies de lugares públicos, como muros e prédios. A
prática da pichação urbana é frequentemente incompreendida e condenada pela
sociedade, que critica os pichadores, considerando-os marginais. O presente
trabalho teve como objetivo entender os controles da organização interna da
pichação, incluindo os motivos que levam seus atores a realizá-la. Para isso, a
partir da base teórica da Análise do Comportamento, utilizamos o conceito de
metacontingência e consideramos as “marcas” deixadas pelos pichadores como
sendo o produto agregado dessa intensa relação social. O método utilizado foi uma
pesquisa bibliográfica na base de dados Scientific Eletronic Library (SciELO), de
artigos de apoio para a análise da prática de pichação e de trabalhos de revisão
conceitual e teórica em análise comportamental da cultura. As descrições da prática
nos artigos de apoio foram submetidas à análise comportamental. A partir dos
resultados, pode-se observar que operações estabelecedoras do reforço da pertença
a algum grupo e da visibilidade social são os fatores principais que motivam a
prática dos pichadores. Essas operações estabelecedoras, somadas ao controle de
estímulo/de regras e às consequências do entrelaçamento de contingências para
comportamentos individuais, mantêm a organização interna da pichação, bem
como as relações existentes entre os pichadores e o seu líder. Por fim, concluiuse que a prática da pichação é mantida pelo seu produto agregado, o “piche”,
que retroage sobre os comportamento dos seus atores e aumenta a visibilidade
do pichador individual, do grupo ou da “grife”.
Palavras-chave: Pichação. Exclusão social. Metacontingência. Análise comportamental
da cultura.
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 113
113
08/05/2012 18:37:27
P 029: PRECONCEITO, MOTIVAÇÃO E AUTO-IMAGEM: UMA ANÁLISE CONTEMPORÂNEA
DA HEGEMONIA DO OUVINTISMO
Anna Carolina Nascimento de Araujo, Dayana Cynthia Paulino Dutra, Joquebeyde Bilquis
de Oliveira Manenti, Lorena Rocha Nunes.
Com efeito, face às pressões da legislação e dos princípios da igualdade e da
liberdade apregoados pelas democracias, aparentemente, com base em pesquisas
atuais (Fernandes & Almeida, 2006; Lima & Vala, 2004), parece que o preconceito
contra grupos minoritários está em declínio na atualidade, estando em vias de se
resolver. Entretanto, o que se percebe é que as pessoas começaram a expressar
seu preconceito de uma forma mais sutil e velada. Toda atitude é composta por
três componentes: um cognitivo, um afetivo e um comportamental. Dessa forma,
entende-se o preconceito como uma atitude negativa que um indivíduo está tendente
a sentir, pensar e conduzir-se em relação a determinado grupo de uma forma
negativa previsível (Pereira, Lima & Camino, 2001; Rokeach, 1968, citados por
Fernandes et al., 2007). O presente estudo é um recorte de um olhar ouvinte sobre
a questão da surdez. Para a realização desta pesquisa, com caráter quantitativo, foi
utilizado um questionário online destinado ao público ouvinte. Para isso utilizaramse duas escalas. A primeira se consistiu numa adaptação da “Escala de Motivação
Interna e Externa para Responder sem Preconceito”, e a segunda foi a “Escala de
Auto-imagem” adaptada ao tema deste trabalho. Obteve-se uma amostra de 164
participantes ouvintes com idades variando entre 15 e 68 anos, sendo a maioria
do sexo feminino. No contemporâneo há uma hegemonia de um modelo social
marcado pela oralidade; qualquer modo de experiência que não passe por essa via
é vista como despadronizada, que foge à regra, é uma inadaptação. Com base nessa
afirmação, pode-se dizer que existe a construção de um estereótipo, de um modelo,
uma forma do que é a surdez, do que é o sujeito surdo.
Palavras-chave: Surdez. Preconceito. Motivação. Auto-imagem.
P 030: VIVÊNCIAS COTIDIANAS E PERSPECTIVAS DE FUTURO DE MENINAS EM SITUAÇÃO
DE RUA
Ana Carla Ribeiro Lirio, Elaine Barbosa da Rosa Guimarães, Kelly Cristine Silva do Couto,
Lilian Karla Bittencourt do Valle, Ludmila Wladmir Sotero Andrade.
A questão das crianças em situação de rua pode ser assinalada como um dos sintomas
mais agudos da crise social no contexto brasileiro. Sabe-se que a forma com que as
pessoas representam umas às outras é uma construção popular e de senso comum
que se torna instituída socialmente pelo meio que as pessoas interpretam uma dada
realidade. Portanto, pretende-se, com este trabalho, abarcar um tipo de violência
simbólica construída na história social da infância por meio de representações do seu
114
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 114
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:27
cotidiano, muitas vezes apresentados a nós como um passado feito de negativismo e
interpretações reducionistas e preconceituosas. Objetiva-se também compreender o
autoconceito, ou seja, a representação que fazem de si e da realidade que vivenciam
na construção de sua identidade e das suas perspectivas de futuro. Para tanto, foi
realizada uma pesquisa exploratória e de campo, de caráter qualitativo e quantitativo,
por meio de entrevistas individuais semi-estruturadas com meninas em situação de
rua com idade de 12 anos. Percebeu-se, a partir da pesquisa, que crianças em situação
de rua apresentam, assim como outras crianças, a capacidade de relacionar-se e
vivenciar sonhos e anseios, mesmo diante das circunstâncias específicas, muitas
vezes hostis e de riscos, advindas do ambiente externo. Constatou-se, por meio
das falas, que o “viver na rua” traduz para elas parte do seu desenvolvimento, um
meio de socialização, de interagir com pessoas, trabalho, educação e lazer. Já as
condições às quais estão sujeitas as fazem criar alternativas para sobrevivência
pessoal e dos demais membros da família. E, embora os arranjos familiares sejam
heterogêneos e fragilizados, não se deve negar a existência de vínculos familiares
e local de moradia. Notou-se por fim que, mesmo em meio aos conflitos, perdura a
expectativa de um futuro melhor, para si e para as pessoas próximas. No entanto,
para uma melhor condição de vida, faz-se necessário, além do próprio desejo, que
a pobreza, a violência e as adversidades sociais sejam percebidas como problemas
de ordem coletiva, no intuito de promover oportunidades, resiliência e sustentar o
projeto de vida das nossas crianças.
Palavras-chave: Crianças. Rua. Representação social. Futuro.
Eixo: Violência
P 031: SUJEITAS OU SUJEITADAS? ESTUDO ACERCA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS
DE MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA CONJUGAL NO MUNICÍPIO DE MUNIZ
FREIRE-ES
Bruna de oliveira, Solange Maria Sarti, Fabrícia Rodrigues Amorim Aride.
No Brasil, por aproximadamente quatro séculos, o sistema patriarcal foi
predominante nas relações familiares; o homem detinha o poder sobre os bens, a
família e a mulher. Às mulheres era reservado o mundo privado, e aos homens,
o mundo público. Tal segmentação estabeleceu culturalmente certos estereótipos
e gerou diferentes formas de discriminação e desigualdade na sociedade até os
dias atuais. Fundamentando-se na Teoria das Representações Sociais, este trabalho
propõe-se a revisar alguns conceitos e a problematizar certos aspectos comumente
envolvidos nas investigações com mulheres vítimas de violência conjugal e
doméstica. A pesquisa realizar-se-á com seis mulheres vítimas de violência
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 115
115
08/05/2012 18:37:27
conjugal, acompanhadas pela equipe do Centro de Referência Especializado de
Assistência Social (CREAS) na cidade de Muniz Freire/ES. A coleta dos dados
se dará por meio de roteiro de entrevista estruturado, contendo questões que
focalizarão dados sociodemográficos, denúncias das agressões, evocações livres
associadas aos termos indutores “violência doméstica” e questões complementares
que visam à contextualização dos objetos. Como resultados esperados, pretendese que esse trabalho corrobore para a construção de políticas públicas e para
a desmistificação do olhar dicotômico que coloca as mulheres e as violências
vividas por elas dentro de um enquadre “vítima-culpada”. Por trás da violência,
existem inúmeras outras consonâncias que precisam ser consideradas, diversos
entraves e perspectivas que necessitam ser vislumbrados com uma visão aberta,
e não balizada no preconceito.
Palavras-chave: Violência Conjugal. Representações Sociais. Mulheres.
Eixo: Gênero e Sexualidade
P 032: A PERCEPÇÃO DE ATORES SOCIAIS ACERCA DA HOMOAFETIVIDADE
Ana Clara Pignaton Moro, Amanda Pereira da Silva, Daiane Cruz Ferreira, Larissa Silva
Cabral, Laryssa Frinhani Viturini Marchiori, Poliana Sfalsin Zatta, Roberta Scaramussa.
A sexualidade é um elemento da vida humana que serve como mecanismo de
controle tanto dos corpos individuais quanto do comportamento da sociedade. Além
disso, não se restringe ao coito, mas pode envolver pensamentos, sentimentos,
ações e a saúde física e mental. Desse modo, novas maneiras de amar e se relacionar
estão sendo construídas para contestar as expectativas da sociedade, nas quais
crenças e normas estão em constantes mudanças. A homoafetividade emerge como
um conjunto de representações e imaginários que se referem à identidade sexual,
ao gênero, aos papéis sociais/sexuais, entre outros. Tudo o que não se enquadra no
esquema heterossexual sustentado socialmente passa a ser considerado da ordem
do “desvio”, do “bizarro”, da “anomalia” - o que dá origem aos preconceitos e à
discriminação, sendo, portanto, gerador de violência. Com este estudo, objetivase analisar a percepção de alguns atores sociais acerca da homoafetividade,
assim como os processos de violência atrelados a esse grupo. Para tanto, foram
realizadas entrevistas semi-estruturadas com pessoas que exercem papéis sociais
distintos: criança, secretária, músico, médico e aposentada. A maioria dos
entrevistados relata não concordar com a homoafetividade, mas diz que, apesar
disso, não há necessidade de desrespeito e preconceito para com os membros
desse grupo. Percebe-se ainda que há uma preocupação com a violência física
sofrida pelos homossexuais e a ausência de atitudes das autoridades. Revelam a
116
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 116
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:28
homossexualidade como algo novo no panorama social, fato que gera estranheza,
e faz com que as pessoas manifestem uma aceitação mascarada, pois na realidade
não se conformam com o “estilo de vida” homoafetivo. Sendo assim, no interior
da sociedade, o homossexual representa o grupo mau no imaginário coletivo, visto
que os aparelhos ideológicos do estado, a escola, a família, a igreja e os meios
de comunicação sustentam esse imaginário e influenciam a violência brutal aos
homoafetivos de tal forma que os coloca na posição de “não gente”. A posição de
inferior ocupada pelo homossexual é justificada pelo corpo social por representar
perigo à sociedade, provocando assim desordem social.
Palavras-chave: Sexualidade. Homoafetividade. Violência.
P 033: SEXUALIDADE E PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS: CORPOS CATIVOS VERSUS SUJEITOS
LIVRES
Fabricia Rodrigues Amorim Aride, José Antônio Souto Siqueira, Camila Almeida de Deus,
Raphael Pinto Gandolfo, Caroline Sarti Quaresma, Angelo Arruda.
O corpo é sem dúvida um dado relacional irredutível por meio do qual as
pessoas projetam-se para a vida. Nessa projeção de subjetividades peculiares,
individualidades escapam por entre frestas das contingências da cultura. É possível
afirmar que certos temas, com o decorrer do tempo, são vivenciados de forma
diferenciada ou têm suas conotações alteradas; outros se mantêm em um padrão,
sofrendo lentos processos de modificação. Quando se aborda a sexualidade de
pessoas com deficiências físicas, constata-se que ainda nos dias atuais ela remonta
a preconceitos, tabus e resistências por parte dos indivíduos. Um olhar mais atento
sobre o tema denuncia o quão complexa e ambígua é essa articulação, pois não
há uma conceituação unívoca sobre ela, uma vez que as discussões estão imersas
em questões sociológicas e psicológicas. O objetivo deste estudo foi trazer à tona
questões que permitam a apropriação e a dispersão de conhecimentos sobre essa
realidade, visto que podem definir suas práticas as concepções que os pesquisadores
e profissionais das áreas de educação e saúde têm em relação à sexualidade, ao
corpo e ao gênero. Portanto, problematizá-las é um ato ético e político. Utilizouse como metodologia uma pesquisa bibliográfica que foi realizada em outubro
de 2010 no site BIREME. Para o levantamento dos artigos foram utilizados os
descritores “deficiência física e sexualidade” e encontrou-se quatro trabalhos.
Posteriormente, foi realizado o estudo da arte dos artigos com a finalidade de
identificar as perspectivas utilizadas pelos autores. A pesquisa evidenciou que,
embora a produção do conhecimento relacionada à sexualidade da pessoa com
deficiência física tenha crescido a partir da década de 80, as discussões ainda são
incipientes ou insuficientes, carecendo de um olhar aprofundado para promover
o desenvolvimento de práticas e políticas mais implicadas com o rompimento de
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 117
117
08/05/2012 18:37:28
tabus e preconceitos. Fazem-se necessárias problematizações sobre as concepções
da sexualidade em pessoas com deficiências uma condição, não-absoluta, nãonatural, mas essencialmente móvel, que se recria permanentemente pela relação,
pela significação das trocas, refazendo-se para além dos engessamentos de cada
época.
Palavras-chave: Sexualidade. Pessoa com Deficiência. Preconceito.
Eixo: Religiosidade
P 034: PERCEPÇÕES DE PADRES E PASTORES SOBRE AS PRÁTICAS PROFISSIONAIS E
RELIGIOSAS DE LIDERES ECLESIÁSTICOS QUE ATUAM COMO PSICÓLOGOS
Luana Sfalsin Zatta, Roberta Scaramussa, Marlana da Silva Menezes, Mirella Ribeiro Alves
de Souza, Roberta Pereira Leite.
A Psicologia estuda a religião como uma das instituições culturais que contribuem
para a constituição do ser humano. Deste modo, o conhecimento das diversas
crenças e religiões colabora com a atividade do profissional de Psicologia
para melhor compreensão clínica dos sujeitos em sua complexidade históricocultural. Contudo, psicólogos também são sujeitos constituídos por crenças e
valores sociais que são levados para seu campo de trabalho. Como lidar com as
contradições desses campos de saber sem cair no discurso da neutralidade? O
presente trabalho procurou identificar as percepções de padres e pastores sem
graduação em Psicologia sobre as práticas profissionais e espirituais de líderes
religiosos que atuam como psicólogos. Para tanto, foi aplicado um questionário
aberto estruturado contendo três perguntas direcionadas a líderes religiosos que
não possuem formação em Psicologia. Participaram dessa pesquisa cinco pessoas,
três pastores e dois padres. Para melhor compreensão e análise, as respostas
foram categorizadas levando-se em consideração as diferenças atribuídas pelos
próprios participantes ao conhecimento religioso e psicológico e práticas religiosas
e psicológicas. No que se refere ao campo de conhecimento, de modo geral,
os entrevistados relataram que o conhecimento psicológico é uma ferramenta
importante para a prática religiosa de lideres eclesiásticos; e alguns afirmaram
também que o conhecimento religioso é uma ferramenta para a prática psicológica
desses profissionais. Já no que se refere ao campo da prática, uma pequena parte
destacou que o fazer pastoral de um líder religioso não pode comprometer o
fazer de um padre ou pastor que também é psicólogo. Observou-se também que
todos os entrevistados consideraram que o conhecimento psicológico contribui
para a prática religiosa de líderes eclesiásticos; uns disseram que o conhecimento
psicológico não é um empecilho para essa prática, e outros, que pode ser um
118
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 118
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:28
empecilho caso contradiga ou não se submeta ao conhecimento religioso. Os
resultados apontaram para a necessidade de aprofundamento dessas e outras
questões na relação entre conhecimentos e práticas psicológicos e religiosos.
Palavras-chave: Psicologia. Religião. Líderes religiosos.
P 035: RELIGIOSIDADE E SATISFAÇÃO COM A VIDA: UM ESTUDO COM EVANGÉLICOS.
Wagner Simões Ferreira Neto, Camila Kaori Watanabe; Ingrid Rodrigues Coutinho; Raiany
Stéfane Gomes Saué.
Nas últimas décadas, o interesse da Psicologia no estudo de temas como felicidade,
bem-estar e satisfação com a vida, representados pela chamada “Psicologia Positiva”,
cresceu de forma considerável, o que pode ser constatado pelos livros e trabalhos
publicados recentemente. Da mesma maneira, a religião, mesmo como uma temática
antiga, mas por ser um dos fatores constituinte na cultura humana, mostra-se ainda
presente nos questionamentos da ciência. O objetivo deste trabalho foi verificar, entre
os participantes da pesquisa, a correlação entre a satisfação com a vida e a prática
da religião protestante, visto que esse seguimento do cristianismo, chamado por
muitos de “evangélico”, multiplicou-se no país, principalmente nos últimos anos.
Para isso, foi utilizado um questionário online, contendo a Escala de Satisfação com
a Vida (Diener, E., Emmons, R. A., Larsen, R. J. & Griffin, S., 1985) e a Escala
de Atitude Religiosa/ Espiritualidade (Aquino, T, A., A., 2005). Além das escalas,
uma pergunta elaborada pelos próprios pesquisadores, com escala do tipo likert, foi
também aplicada. Participaram do estudo 114 pessoas; 73 do sexo feminino e 41 do
sexo masculino. Os resultados confirmaram a hipótese de uma correlação positiva
entre a satisfação com a vida e a vivência do protestantismo pelos participantes.
Em contraponto, as diferenças entre satisfação, religiosidade e sexo não foram
significativas. Também foi percebido que quanto mais importância os participantes
atribuíam à religião, dentro da perspectiva da vida ideal, mais satisfeitos com a vida
eles se mostravam. Diante dos dados, a prática da religião foi apontada como um
fator quase que decisivo para a felicidade dos protestantes.
Palavras-chave: Religiosidade. Satisfação com a Vida. Protestantismo. Espiritualidade.
P 036: REPRESENTAÇÃO SOCIAL DA MAÇONARIA PARA GRADUANDOS DE HISTÓRIA.
Marina Pandolfi Miranda, Anna Carolina Nascimento de Araujo, Joquebeyde Bilquis de
Oliveira Manente, Raphaela de Melo e Silva Aguiar.
A Maçonaria, ao longo de toda sua existência, provoca diversas indagações a
respeito de suas práticas, conceitos e visões, deixando em aberto muitos enigmas
e curiosidades por conta de seu caráter sigiloso. Poucos são os estudos que tratam
da Maçonaria, e ainda são escassas as informações sobre o tema. Visou-se, nesta
VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 119
119
08/05/2012 18:37:28
pesquisa, averiguar a representação social de um determinado grupo, os estudantes
do curso de História da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), sobre
essa prática, pois se compreendeu que, dentro do âmbito acadêmico, o grupo de
alunos que mais poderia ter conhecimento a respeito são estes estudantes. Como
metodologia, aplicou-se um questionário aberto a 16 estudantes cursistas do 2º ao
5º período da graduação, de ambos os sexos e independentemente da faixa etária.
A coleta de dados foi realizada na própria universidade por meio da abordagem
pessoal dos pesquisadores. O instrumento de coleta continha questões pessoais
(sociodemográficas) e específicas sobre a Maçonaria. As questões foram baseadas
tanto na técnica de evocação quanto em perguntas abertas que contemplavam as
percepções iniciais, as vantagens de pertencimento ao grupo, a participação feminina
e a identidade grupal. Para a organização e análise dos dados, foram elaboradas
categorias de acordo com as respostas encontradas e suas frequências. Construíramse tabelas, separando os resultados de homens e mulheres e, para finalizar, foram
elaboradas conclusões inter-relacionando os resultados com as bibliografias
extraídas. Verificou-se, nos resultados, que as representações concentraram-se: a)
no caráter sigiloso e misterioso da sociedade maçônica; b) no encadeamento entre
a participação no grupo com sucesso pessoal e financeiro; c) nos resquícios de uma
sociedade patriarcal influenciando a participação feminina; d) na possibilidade
de conexão entre Maçonaria e política; e) nas práticas voltadas ao fortalecimento
interno e externo do grupo. Embora a resistência na participação e a pouca produção
científica tenham operado como limitadores da extensão de dados, funcionam como
analisadores a serem verificados em pesquisas posteriores.
Palavras-chave: Maçonaria. Representação social. História. Religiosidade
120
VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 120
Psicologia Social: desafios contemporâneos
08/05/2012 18:37:28
Download

Arquivo - Abrapso-ES