VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES Luziane Zacché Avellar Mariane Ranzani Ciscon-Evangelista Milena Bertollo-Nardi Andréa dos Santos Nascimento Pedro Machado Ribeiro Neto (organizadores) Psicologia Social: Desafios Contemporâneos PROGRAMA e RESUMOS 23 a 25 de maio de 2012 Vitória-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 1 08/05/2012 18:37:19 http://abrapso-es.com.br/ VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 2 08/05/2012 18:37:22 COMISSÕES COMISSÃO ORGANIZADORA Ana Claudia F. Sanches Beatriz Baptista Tesche Carolina Lemos Cravo Célia Regina Rangel Nascimento Daiana Stursa Hugo Cristo Sant'Anna Isabele Santos Eleotério Lidio de Souza Luziane Zacché Avellar Marcela Tommasi Abaurre Maria Cristina Smith Menandro Monica Nogueira dos Santos Nailane Fabris Rosa Paulo Rogério Meira Menandro Valeschka Martins Guerra Zeidi Araujo Trindade Renata G. L. Vescovi Roberta Ingrid Schimitberger Roberta Rangel Batista CONSULTORES AD HOC Alexandra Iglesias (UFES) Alexandra Ayache Anache (UFMT) Alexandre Cardoso Aranzedo (UNISALES) Ana Lucia Coelho Heckert (UFES) Ana Paula Figueiredo Louzada (UFES) Andréa dos Santos Nascimento (UFES) Anna Beatriz Carnielli Howat Rodrigues (USP) Beatriz Baptista Tesche (UFES) Célia Regina Rangel Nascimento (UFES) Cynthia Ciarallo (UNICEUB) Daiana Stursa (UFES) Daniel Henrique Pereira Espíndula (UNIVASF) Diemerson Saquetto (UFES) Eduardo Coelho Ceotto (UNIVIX) Elisa Zaneratto Rosa (PUC SP) Fabrícia Rodrigues Amorim Aride (SÃO CAMILO) Francisco de Assis Lima Filho (UFES) Gardenia Furtado Lemos (UNIFESP) Gilead Marchezi Tavares (UFES) Grace Kelly Freitas (UFES) Grace Rangel Felizardo (UFES) Janine Marinho Dagnoni Neiva (UFES) Juliana Peterle Ronchi (UFES) Kirlla Cristhine Almeida Dornelas (UNISALES) Lidio de Souza (UFES) Lilian Rose Margotto (UFES) Lorena Badaró Drumond (UFES) Luciana Bicalho Reis (UVV) Luciano de Sousa Cunha (FAESA) Luziane Zacché Avellar (UFES) Maria Cristina Smith Menandro (UFES) Maria de Fatima de Souza Santos (UFPE) Maria Elizabeth Barros (UFES) Maria Inês Badaró Moreira (UNIFESP) Mariana Bonomo (UFES) Mariane Ranzani Ciscon-Evangelista (UFES) Milena Bertollo-Nardi (UFES) Monalisa Barros (UFBA) Mônica Cola Cariello Brotas Corrêa (UVV) Mônica Trindade Pereira Sant’Ana (FAESA) Odair Furtado (PUC SP) Paola Vargas Barbosa (UFRGS) Paula Coimbra da Costa Pereira Hostert (UFES) Paulo Castelar Perim (UFES) Pedro Machado Ribeiro Neto (UFES) Priscila Valverde Fernandes (UERJ) Rebeca Valadão Bussinger (UFES) Renata Danielle Moreira Silva (UFES) Roberta Scaramussa da Silva (PITÁGORAS) Sabrine Mantuan dos Santos Coutinho (UVV) Sirley Trugilho da Silva (UFES) Vitor Silva (USP) Zeidi Araujo Trindade (UFES) VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 3 COMISSÃO CIENTÍFICA Andréa dos Santos Nascimento Alexandra Iglesias Luziane Zacché Avellar Mariane R. Ciscon-Evangelista Milena Bertollo-Nardi Mariana Bonomo Pedro Machado Ribeiro Neto 08/05/2012 18:37:22 © COPYRIGHT A reprodução dos textos da presente coletânea, no todo ou em parte, está autorizada desde que sejam citados os autores e a fonte. Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP) (Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil) Encontro Regional da ABRAPSO-ES, VII. Vitória, 2012 Psicologia social - desafios contemporâneos: programa e resumos / Luziane Zacché Avellar, Mariane Ranzani Ciscon-Evangelista, Milena BertolloNardi, Andréa dos Santos Nascimento, Pedro Machado Ribeiro Neto / organizadores. - Vitória, ES : GM Editora : 2012. 120p. : il. ; 21 cm ISBN - 978-85-99510-32-2 1. Psicologia Social. I. Avellar, Luziane Zacché et al. II. Título CDU: 000.00 Os textos estão publicados na versão final encaminhada e o seu conteúdo é de inteira responsabilidade dos autores. Editoração Edson Maltez Heringer 27 8113-1826 - [email protected] Impressão GM Gráfica e Editora 27 3323-2900 - www.gmgrafica.com.br RESUMOS PUBLICADOS EM MAIO DE 2012 NO FORMATO ENVIADO PELOS AUTORES 4 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 4 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:22 Apresentação Fundada em 1980, a ABRAPSO – Associação Brasileira de Psicologia Social constitui-se em importante espaço de intercâmbio e posicionamento crítico frente a perspectivas naturalizantes e a-históricas de produção de conhecimento e intervenção política em nossa sociedade. Em consonância com os objetivos da ABRAPSO Nacional, a Regional Espírito Santo tem buscado garantir e desenvolver as relações entre pessoas dedicadas ao estudo, ensino, investigação e práxis da Psicologia Social no estado. O VII Encontro Regional pretende promover a integração da Psicologia Social com outras áreas do conhecimento que atuam em uma perspectiva social crítica. Com o título Psicologia Social: desafios contemporâneos, propõe-se o diálogo com áreas emergentes dentro da Psicologia, articulando temas consolidados, como Saúde, Trabalho, Direitos Humanos, Políticas Públicas e Cidadania, Infância, Juventude, Vida Adulta e Velhice, Grupos e Exclusão Social, Violência, Gênero e Sexualidade, Religiosidade, com áreas em processo de consolidação, como Psicologia Jurídica e Mediação de Conflitos, Psicologia do Trânsito e Mobilidade, Psicologia Ambiental, Psicologia dos Esportes, Psicologia das Emergências e dos Desastres, Neurociências e Novas Tecnologias. Com esta iniciativa pretende-se fomentar articulações teóricas e metodológicas e fornecer subsídios para o desenvolvimento de práticas éticas e alinhadas com as demandas advindas da sociedade. O Encontro foi organizado no formato de: Conferências, Mesas Redondas, Apresentações Orais, Painéis e Minicursos. Sejam todos bem vindos ao VII Encontro Regional da ABRAPSO - ES! Comissão Organizadora VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 5 5 08/05/2012 18:37:22 SUMÁRIO Apresentação...............................................................................................................................................................................5 PROGRAMAÇÃO...............................................................................................................................................................................6 MINICURSOS MC 01: “TOMANDO POSSE” - TÓPICOS EM GÊNERO E SEXUALIDADE ENTRE SUJEITOS RELIGIOSOS..................13 MC 02: ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO: DO SETTING À TÉCNICA..........................................................................13 MC 03: PROMOÇÃO DA SAÚDE E PROCESSOS GRUPAIS.....................................................................................................14 MC 04: SAÚDE MENTAL DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE..............................................................................................15 MC 05: ESTUDO DE REDE DE APOIO SOCIAL E AFETIVA: MAPA DOS CINCO CAMPOS, GENOGRAMA E ECOMAPA............................................................................................................................................16 MC 06: TRABALHANDO COM O ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO.........................................................................................17 COMUNICAÇÕES ORAIS Eixo: Desafios contemporâneos: Psicologia do Trânsito e Mobilidade, Psicologia Ambiental, Psicologia dos Esportes, Psicologia das Emergências e dos Desastres, Neurociências, Novas tecnologias ......................................18 CO 001:A PSICOLOGIA HOSPITALAR E A PSICOLOGIA DOS DESASTRES: UM ESTUDO SOBRE O ATENDIMENTO ÀS SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA..............................................................................................18 CO 002:A REPRESENTAÇÃO SOCIAL DOS CAMINHONEIROS DE ESTRADA SOBRE O USO DE ARREBITE (ANFETAMINAS).......................................................................................................................18 CO 003:ANÁLISE DA SAÚDE MENTAL EM PACIENTES COM FOBIA DE DIRIGIR...........................................................19 CO 004:CONDUTORES DE VEÍCULOS COM CARTEIRA NACIONAL DE HABILITAÇÃO (CNH) PROVISÓRIA: RELATOS DAS PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS................................................................................................................20 CO 005:CONSIDERAÇÕES SOBRE FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA E AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA DE CONDUTORES.............................................................................................................................................................21 CO 006:OS PROCESSOS DE APRENDIZAGEM NO REMO: O GRUPO E SEU POTENCIAL................................................21 CO 007:POR OUTRAS PERSPECTIVAS DE PESQUISAR EM CIÊNCIAS HUMANAS: A NARRATIVA COMO DISPOSITIVO PARA CONVERSAR E A PRODUÇÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS...................................22 CO 008:PROJETO TRILHA CIDADÃ.............................................................................................................................................23 CO 009:PROJETO VIDA – ATUAÇÃO INTERDICIPLINAR NAS EMERGÊNCIAS E DESASTRES......................................24 CO 010:PSICOLOGIA VAI À ESCOLA: É BRINCANDO QUE A GENTE SE ENTENDE........................................................24 CO 011:RELAÇÃO ENTRE O NÍVEL DE ANSIEDADE E O DESEMPENHO NA PROVA PRÁTICA PARA OBTENÇÃO DA CARTEIRA NACIONAL DE HABILITAÇÃO NA GRANDE VITÓRIA...............................25 CO 012:REPRESENTAÇÕES SOCIAIS, MÍDIAS E CIBERCULTURA.......................................................................................26 Eixo: Psicologia Jurídica e Mediação de Conflitos ....................................................................................27 CO 013:A MEDIAÇÃO DE CONFLITOS COMO ALTERNATIVA PARA PROMOÇÃO DA CULTURA DE PAZ...................27 CO 014:PSICODIAGNÓSTICO EM CONTEXTO PRISIONAL: FRAQUEZAS E FORTALEZAS. RELATO A PARTIR DE UMA EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO.......................................................................................28 Eixo:Saúde ...............................................................................................................................................................................28 CO 015:A CLÍNICA DO ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO NA INSTITUIÇÃO ESCOLAR..........................................28 CO 016:ABSENTEÍSMO POR DOENÇAS DO CID F E A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO................................................29 CO 017:CONCEPÇÕES DO ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO NAS PRÁTICAS EM SAÚDE MENTAL NA GRANDE VITÓRIA......................................................................................................................................................30 CO 018:CUIDE-SE BEM: UMA ALTERNATIVA SOCIAL PARA O BEM-ESTAR.....................................................................31 CO 019:DIREITO À VIDA SEGURA: UMA ANÁLISE DA SITUAÇÃO PSICOSSOCIAL DO POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL DO MUNICÍPIO DA SERRA/ES.........................................................................................32 CO 020:ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM UTILIZADAS POR ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS COM E SEM INDÍCIOS DO TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE...........................32 6 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 6 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:23 CO 021:ESTRATÉGIAS TERAPÊUTICAS NA ATENÇÃO AO USO DE ÁLCOOL E DE OUTRAS DROGAS: A APLICABILIDADE DO GRUPO DE MOVIMENTO NO CAPS AD..........................................................................33 CO 022:GRUPOS DE SALA DE ESPERA NO AMBULATÓRIO DE ONCOLOGIA DO HOSPITAL ESTADUAL INFANTIL NOSSA SENHORA DA GLÓRIA....................................................................................................................34 CO 023:IMPASSES NO DIÁLOGO ENTRE SAÚDE MENTAL E JUSTIÇA: A QUESTÃO DO LOUCO INFRATOR............35 CO 024:MATRICIAMENTO: UM PROJETO DE INTERVENÇÃO..............................................................................................35 CO 025:O BASQUETEBOL COMO POTENCIALIZADOR DO DEFICIENTE FÍSICO CADEIRANTE: UMA CARTOGRAFIA........................................................................................................................................................36 CO 026:O CONSUMO DE ÁLCOOL E SUAS DIMENSÕES NO DESENHO “OS SIMPSONS”...............................................36 CO 027:PSICODIAGNÓSTICO: PRÁTICA OU OLHARES REDUCIONISTAS?........................................................................37 CO 028:QUALIDADE DE VIDA DE UNIVERSITÁRIOS COM E SEM INDÍCIOS DE TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE........................................................................................................38 CO 029:QUALIDADE DE VIDA NO PÓS-CIRÚRGICO BARIÁTRICO: RELATO DA EXPERIÊNCIA DE PACIENTES SUBMETIDOS AO PROCEDIMENTO................................................................................................39 CO 030:REDES DE SOCIABILIDADE E ESPAÇOS DE CIRCULAÇÃO: SIGNIFICADOS DA CONVIVÊNCIA DO MORADOR DE RESIDÊNCIA TERAPÊUTICA NA COMUNIDADE.......................................40 CO 031:REPRESENTAÇÃO SOCIAL E QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES COM DIABETES MELLITUS...............40 CO 032:REPRESENTAÇÃO SOCIAL, GÊNERO E PRÁTICAS DE SAÚDE: ESTUDO COM PESCADORES.......................41 Eixo:Trabalho.......................................................................................................................................................................42 CO 033:A PROFISSÃO DO MOTOBOY: CONSTRUÇÃO SOCIAL DO MEDO E DA INSEGURANÇA.................................42 CO 034:ALGUNS OLHARES CONSTRUÍDOS ACERCA DO EX-USUÁRIO DE DROGAS: OS DESAFIOS PARA UMA REINSERÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO.....................................................................................43 CO 035:O PROCESSO DE INTEGRAÇÃO DE NOVOS COLABORADORES...........................................................................44 Eixo: Direitos Humanos, Políticas Públicas e Cidadania...........................................................................45 CO 036:“ATÉ HOJE EU SINTO AQUELE ABRAÇO...”: MEMÓRIAS PESSOAIS E COMUNS DE PRESAS POLÍTICAS SOBRE SEUS FAMILIARES DURANTE A DITADURA MILITAR........................................45 CO 037:A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA E DA COMUNIDADE NO PROCESSO DE SOCIOEDUCAÇÃO DOS ADOLESCENTES INFRATORES SUBMETIDOS A MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS EM MEIO ABERTO............45 CO 038:ADOLESCÊNCIA, CRIMINALIDADE E SEMILIBERDADE: PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO DIANTE DA PERSPECTIVA DE UMA MORTE ANUNCIADA....................................................................................46 CO 039:AMOR POR TRÁS DAS GRADES: MATERNIDADE NO PRESÍDIO...........................................................................47 CO 040:JUSTIÇA E AFETIVIDADE: INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL COM MULHERES PRESAS...................................48 CO 041:MEMÓRIA HISTÓRICA DOS ANOS DOURADOS: RESULTADOS PRELIMINARES DE BELO HORIZONTE.....48 CO 042:O COMPROMISSO SOCIAL E A INICIAÇÃO CIENTÍFICA EM PSICOLOGIA..........................................................49 CO 043:PSICOLOGIA: (RE)CRIAÇÃO DE ESTRATÉGIAS JUNTO AOS POPULARES DE RUA DO MUNICÍPIO DE VITÓRIA.................................................................................................................................................50 CO 044:UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO EM HABILIDADES SOCIAIS COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO SOCIAL DE RISCO............................................................................................51 CO 045:VIVÊNCIAS INVISIBILIZADAS: FAMILIARES DE PRESOS POLÍTICOS DURANTE A DITADURA MILITAR BRASILEIRA...........................................................................................................................52 Eixo: Infância, Juventude, Vida Adulta e Velhice...........................................................................................53 CO 046:(RE)PENSANDO O CONCEITO DE FAMÍLIA: O ROMPIMENTO DE ALGUNS ESTEREÓTIPOS..........................53 C0 047: A EXPERIÊNCIA “CALOURO” EM UMA UNIVERSIDADE: ENTRE A REGULAÇÃO E A INVENÇÃO...............54 CO 048:A PRODUÇÃO DE UM INFORMATIVO COM IDOSOS: HISTÓRIAS, MEMÓRIAS E VIVÊNCIAS.......................55 CO 049:A TRANSIÇÃO À PATERNIDADE NA ADOLESCÊNCIA: ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO E REDE DE APOIO SOCIAL.............................................................................................................................................55 CO 050:BRINCADEIRAS DE ONTEM E HOJE: UM ESTUDO TRANSGERACIONAL...........................................................56 CO 051:E AGORA: POR QUE FAZER PSICOLOGIA? INTERVENÇÕES NO ENSINO MÉDIO E A ESCOLHA DA PROFISSÃO...............................................................................................................................................57 CO 052:INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO..................................................57 CO 053:JOVENS PAIS: DEMANDAS PARA A SAÚDE PÚBLICA E ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO....................58 VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 7 7 08/05/2012 18:37:23 CO 054:O “ENCONTRO” COM ADOLESCENTES ABRIGADAS: A EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO BÁSICO EM PSICOLOGIA................................................................................................................................................59 CO 055:PENSANDO A SUCESSÃO NO CAMPO: REPRESENTAÇÃO SOCIAL SOBRE JUVENTUDE EM UM GRUPO DE JOVENS RURAIS DE RIO BANANAL/ES..................................................................................60 CO 056:PERCEPÇÕES SOBRE A INFÂNCIA SOB A ÓTICA DE CRIANÇAS RESIDENTES NO ASSENTAMENTO DO SEZÍNIO, LIGADAS AO MOVIMENTO DOS SEM TERRA (MST).....................................61 CO 057:REPRESENTAÇÃO SOCIAL DE MORTE NATURAL E ACIDENTAL.........................................................................61 CO 058:REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA EM CRIANÇAS ABRIGADAS.....................62 Eixo: Grupos e Exclusão Social .................................................................................................................................63 CO 059:A INCLUSÃO DA CRIANÇA COM SÍNDROME DE DOWN NA ESCOLA REGULAR SEGUNDO A PERSPECTIVA DAS MÃES...........................................................................................................................................63 CO 060:A INVENÇÃO DE COTIDIANOS DISCENTES EM UMA UNIVERSIDADE...............................................................64 CO 061:BRASILEIROS NA ALEMANHA: UM ESTUDO DA IDENTIDADE SOCIAL DE IMIGRANTES ATRAVÉS DE FÓRUNS ONLINE....................................................................................................................................65 CO 062:CAFÉ COM PROSA: GRUPO PSICOTERAPÊUTICO COM MÃES DE UTIN.............................................................65 CO 063:CONSTRUÇÕES SOBRE O MUNDO CIGANO: REPRESENTAÇÕES E AFETOS ENTRE OS NÃO CIGANOS.....66 CO 064:ENFRENTANDO O PRECONCEITO RACIAL: JUVENTUDE NEGRA E A COMUNIDADE COMO REFÚGIO.....67 CO 065:IDENTIDADE SOCIAL E RURALIDADE NO CONTEXTO SOCIOCULTURAL CAMPONÊS.................................68 CO 066:INCLUSÃO E APROVEITAMENTO ESCOLAR DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR........69 CO 067:OPENEVOC: UM PROGRAMA DE APOIO À PESQUISA EM REPRESENTAÇÕES SOCIAIS.................................70 CO 068:PROJETO AFLORANDO POTENCIALIDADES: UM OLHAR PARA AS PECULIARIDADES DOS ALUNOS VISTOS COMO PROBLEMAS...............................................................................................................71 CO 069:REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE CIGANOS ENTRE BRASILEIROS E ITALIANOS..............................................71 CO 070:SINAIS E SINTOMAS: A PERCEPÇÃO DE PROFESSORES SOBRE O COMPORTAMENTO DE ALTERAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO E A APRENDIZAGEM..........................................................................72 CO 071:TRANSPORTE COLETIVO URBANO: UMA PESQUISA SOBRE A PERCEPÇÃO DO USUÁRIO...........................73 CO 072:UMA INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL: A ARTE COMO UMA FERRAMENTA PARA CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA.....................................................................................................................................................................74 CO 073:“A PARTIR DO MOMENTO QUE NÃO VENHA ME AGREDIR”: UM ESTUDO SOBRE A DESINSTITUCIONALIZAÇÃO DA LOUCURA SOB A PERSPECTIVA DA TEORIA DA IDENTIDADE SOCIAL......................................................................................................................................................75 Eixo:Violência ......................................................................................................................................................................76 CO 074:ATENDIMENTO PSICOLÓGICO COM UM ADOLESCENTE: A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE SEXUAL.....76 CO 075:EXPERIÊNCIA DE ATUAÇÃO INTERDISCIPLINAR QUANTO À VIOLÊNCIA NO COTIDIANO ESCOLAR......76 CO 076:NA IMPOSSIBILIDADE DA PALAVRA O ATO: ADOLESCÊNCIA E A LEI................................................................77 CO 077:REPRESENTAÇÃO SOCIAL DE VIOLÊNCIA PARA PAIS DE ADOLESCENTES DO SERTÃO NORDESTINO...77 CO 078:REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE VIOLÊNCIA PARA PAIS DE ALUNOS DE ESCOLAS PARTICULARES DE ENSINO MÉDIO DE PETROLINA-PE.......................................................................................................................78 CO 079:TRABALHO EM GRUPO COM ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE RISCO SOCIAL: CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA...............................................................................................................................79 CO 080:VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇA: UMA PESQUISA SOBRE CASOS NOTIFICADOS E SERVIÇOS DE ACOLHIMENTO EM TRÊS MUNICÍPIOS DO SUL CAPIXABA..................................................................................80 CO 081:VIVÊNCIAS DE MULHERES VÍTIMAS DE ABUSO SEXUAL NA INFÂNCIA.........................................................81 Eixo: Gênero e Sexualidade ..........................................................................................................................................82 CO 082:A PRODUÇÃO BRASILEIRA EM SEXUALIDADE: UM ESTUDO EM PSICOLOGIA SOCIAL...............................82 CO 083:O CIÚME E SUA RELAÇÃO COM O BEM-ESTAR NOS RELACIONAMENTOS ROMÂNTICOS..........................82 CO 084:O CONSUMO DE DROGAS NA VIDA MULHERES: UM ESTUDO NO CAPS AD....................................................83 CO 085:PORNOGRAFIA: O QUE FALA E O QUE CALA............................................................................................................84 CO 086:REPRESENTAÇÃO SOCIAL DA SEXUALIDADE NA VELHICE: A CONCEPÇÃO DE JOVENS A RESPEITO DA SEXUALIDADE NO ENVELHECIMENTO......................................................................................85 CO 087:REPRESENTAÇÃO SOCIAL DE MASCULINIDADE DE HOMENS GAYS................................................................85 CO 088:SER HOMEM NA PÓS-GRADUAÇÃO: REPRESENTAÇÕES E VIVÊNCIAS DE ESTUDANTES...........................86 8 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 8 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:23 CO 089:SER MULHER NA PÓS-GRADUAÇÃO: REPRESENTAÇÕES E VIVÊNCIAS DE ESTUDANTES..........................87 CO 090:TRANSTORNOS DA SEXUALIDADE NAS PARCEIRAS DE ALCOÓLATRAS.........................................................88 CO 091:UMA ALMA FEMININA EM UM CORPO MASCULINO: IDENTIDADE DE GENÊRO............................................89 CO 092:VIVÊNCIA DA SEXUALIDADE FEMININA EM CONTEXTO RELIGIOSO...............................................................89 PAINÉIS Eixo: Desafios contemporâneos: Psicologia do Trânsito e Mobilidade, Psicologia Ambiental, Psicologia dos Esportes, Psicologia das Emergências e dos Desastres, Neurociências, Novas tecnologias ......................................91 P 001: A ABORDAGEM DA SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA.......................................................................................91 P 002: COMPORTAMENTO AMBIENTAL: DIAGNÓSTICO E MONITORAMENTO............................................................92 P 003: RELAÇÕES AMOROSAS DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA........................................................................92 Eixo: Psicologia Jurídica e Mediação de Conflitos ....................................................................................93 P 004: CARACTERIZAÇÃO DE JOVENS E ADOLESCENTES QUE ENTRAM NO INSTITUTO DE ATENDIMENTO SÓCIO-EDUCATIVO DO ESPÍRITO SANTO...................................................................................93 P 005: OLHARES SOBRE A PRISÃO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO EM PSICOLOGIA NUMA PENITENCIÁRIA CAPIXABA............................................................................................................................94 Eixo:Saúde ...............................................................................................................................................................................95 P 006: ADESÃO DE PACIENTES RENAIS CRÔNICOS EM ATENDIMENTO AMBULATORIAL........................................95 P 007: CONCEPÇÃO SOCIAL SOBRE O MORADOR DE RESIDÊNCIA TERAPÊUTICA....................................................96 P 008: FAMILIARES CUIDADORES DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES ATENDIDOS NO CAPSI DE VITÓRIA-ES: CONCEPÇÕES SOBRE SOFRIMENTO PSÍQUICO E INTERVENÇÃO NO CAMPO DA SAÚDE MENTAL INFANTO-JUVENIL...........................................................................................................................................................97 P 009: O COTIDIANO DE FAMILIARES CUIDADORES DE CRIANÇAS COM IRC (INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA)...........................................................................................................................................................................98 P 010: OFICINAS EM SALA DE ESPERA: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO COM CUIDADORES..........................98 P 011: SERVIÇOS RESIDENCIAIS TERAPÊUTICOS EM SAÚDE MENTAL - O DESAFIO DAS PRÁTICAS DE CUIDADO............................................................................................................................................................................99 P 012: SIGNIFICANDO A DOENÇA RENAL CRÔNICA: RELATOS DE UMA ADOLESCENTE.......................................100 P 013: “SÓ POR HOJE”: UM ESTUDO SOBRE RITUALIDADES E SIMBOLISMOS DENTRO DO GRUPO NARCÓTICOS ANÔNIMOS............................................................................................................................................101 Eixo:Trabalho ....................................................................................................................................................................101 P 014: A PERCEPÇÃO DE ATORES SOCIAIS ACERCA DO TRABALHO E SUAS IMPLICAÇÕES NA VIDA HUMANA.........................................................................................................................................................101 P 015: AS COMPETÊNCIAS DOS ADMINISTRADORES: A RELAÇÃO ENTRE AS EXIGÊNCIAS DO MERCADO DE TRABALHO E A FORMAÇÃO EDUCACIONAL DE NÍVEL SUPERIOR..............................102 Eixo: Direitos Humanos, Políticas Públicas e Cidadania ........................................................................103 P 016: CONCEPÇÕES DE PSICÓLOGOS QUE ATUAM NOS CENTROS DE REFERÊNCIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SOBRE SUA PRÁTICA PROFISSIONAL............................................................................103 P 017: “NEM MELHOR, NEM PIOR”: APENAS ADOLESCENTES!......................................................................................104 Eixo: Infância, Juventude, Vida Adulta e Velhice ........................................................................................105 P 018: INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL NA COMUNIDADE: EXPERIÊNCIA ACADÊMICA NO CONTEXTO COMUNITÁRIO.........................................................................................................................................105 P 019: O FENÔMENO DA HIPERATIVIDADE EM CRIANÇA NO AMBIENTE ESCOLAR: UMA INTERVENÇÃO POR MEIO DA LUDOTERAPIA............................................................................................106 P 020: O IDOSO NA CONTEMPORANEIDADE: PERSPECTIVAS E ALGUMAS QUESTÕES RELEVANTES................106 P 021: PERCEBENDO A CULTURA NORMATIVA EM AMBIENTE EDUCACIONAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO..........................................................................................................107 P 022: TRANSTORNO DE CONDUTA NA ADOLESCÊNCIA.................................................................................................108 P 023: “ADOTADO”: ESTEREÓTIPOS E QUESTÕES PERTINENTES AO PROCESSO DE ADOÇÃO.............................109 VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 9 9 08/05/2012 18:37:23 Eixo: Grupos e Exclusão Social ...............................................................................................................................110 P 024: A INSERÇÃO DO PSICÓLOGO E O CONTEXTO SOCIOCULTURAL: PROMOVENDO UMA INTERAÇÃO ENTRE EDUCADORES E EDUCANDOS.....................................................110 P 025: A PARTICIPAÇÃO POLÍTICA DA TRÍADE PAI-MÃE-FILHO EM UMA ASSOCIAÇÃO PARA DEFICIENTES INTELECTUAIS..........................................................................................................................110 P 026: CATEGORIAS SOCIAIS EM CONFLITO DE IDENTIDADE: A FAMÍLIA E O INDIVÍDUO COM SOFRIMENTO PSÍQUICO......................................................................................................... 111 P 027: O DESAFIO DA INSERÇÃO SOCIAL PARA IDOSOS EM UMA INSTITUIÇÃO ASILAR......................................112 P 028: PICHAÇÃO: O QUE HÁ POR TRÁS DOS MUROS?....................................................................................................113 P 029: PRECONCEITO, MOTIVAÇÃO E AUTO-IMAGEM: UMA ANÁLISE CONTEMPORÂNEA DA HEGEMONIA DO OUVINTISMO..................................................................................................................................114 P 030: VIVÊNCIAS COTIDIANAS E PERSPECTIVAS DE FUTURO DE MENINAS EM SITUAÇÃO DE RUA...............114 Eixo:Violência ....................................................................................................................................................................115 P 031: SUJEITAS OU SUJEITADAS? ESTUDO ACERCA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA CONJUGAL NO MUNICÍPIO DE MUNIZ FREIRE-ES..................................................115 Eixo: Gênero e Sexualidade ........................................................................................................................................116 P 032: A PERCEPÇÃO DE ATORES SOCIAIS ACERCA DA HOMOAFETIVIDADE...........................................................116 P 033: SEXUALIDADE E PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS: CORPOS CATIVOS VERSUS SUJEITOS LIVRES.............117 Eixo:Religiosidade ..........................................................................................................................................................118 P 034: PERCEPÇÕES DE PADRES E PASTORES SOBRE AS PRÁTICAS PROFISSIONAIS E RELIGIOSAS DE LIDERES ECLESIÁSTICOS QUE ATUAM COMO PSICÓLOGOS.............................................118 P 035: RELIGIOSIDADE E SATISFAÇÃO COM A VIDA: UM ESTUDO COM EVANGÉLICOS........................................119 P 036: REPRESENTAÇÃO SOCIAL DA MAÇONARIA PARA GRADUANDOS DE HISTÓRIA.........................................119 10 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 10 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:23 PROGRAMA 23 DE MAIO – Quarta-feira 07h00 - 08h00 Credenciamento 08h00 - 08h30 Solenidade de Abertura 08h30 - 09h45 Conferência de Abertura A Psicologia Social no Brasil: história e perspectiva Leôncio Camino [Universidade Federal da Paraíba] 10h00 - 11h45 Mesa Redonda Mediação de Conflitos Angela Almeida [Universidade de Brasília] Fernanda Helena de Freitas Miranda [Doutoranda PPGP-UFES] 13h30 - 17h00 Minicursos MC 01: “Tomando Posse”: Tópicos em Gênero e Sexualidade entre Sujeitos Religiosos Diemerson Saquetto MC 02: Acompanhamento Terapêutico: do setting à técnica Kelly Guimarães Tristão e Luziane Zacché Avellar MC 03: Promoção da Saúde e Processos Grupais Mônica Cola Cariello Brotas Correa e Elzimar Evangelista Peixoto Pinto MC 04: Saúde Mental da criança e do adolescente Juliana Peterle Ronchi MC 05: Estudo de rede de apoio social e afetiva: mapa dos cinco campos, genograma e ecomapa. Danielly Bart do Nascimento e Silvia Neitzel MC 06: Trabalhando com o estresse pós-traumático Maria Dolores Pinheiro de Souza e Andreia da Silva Ferreira 17h00 - 18h30 Lançamento do livro Infância e Juventude: promovendo diálogos e construindo ações. VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 11 11 08/05/2012 18:37:23 24 DE MAIO – Quinta-feira 08h00 - 09h45 Conferência 10h00 - 11h45 Mesa Redonda 13h30 - 18h30 Painéis e/ou Comunicações Orais Psicologia e Neurociência Paulo Sergio Boggio [Universidade Presbiteriana Mackenzie] Psicologia do Trânsito e Mobilidade Fábio Henrique Vieira de Cristo [Universidade de Brasília] Andréa dos Santos Nascimento [Universidade Federal do Espírito Santo] 25 DE MAIO – Sexta-feira 08h00 - 09h45 Conferência Psicologia Ambiental José Q. Pinheiro [Universidade Federal do Rio Grande do Norte] 10h00 - 11h45 Conferência Psicologia e Novas Tecnologias Oliver Zancul Prado [Universidade Paulista – Araraquara] 13h30 - 16h00 Painéis e/ou Comunicações 16h30 - 18h00 Mesa Redonda Psicologia do Esporte Robert J. Brustad [University Northern Colorado] Paulo Castelar Perim [Universidade Federal do Espírito Santo] 18h00 Sessão de Encerramento 12 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 12 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:23 MINICURSOS MC 01: “TOMANDO POSSE” - TÓPICOS EM GÊNERO E SEXUALIDADE ENTRE SUJEITOS RELIGIOSOS Diemerson Saquetto Eixo: Religiosidade As religiões estão entre os agrupamentos humanos mais profícuos à elaboração psicossocial de identidades, uma vez que congregam a cognição social aos artefatos da semiologia da fé, gestando ordenamentos de sentido e pertença próprios como um modus vivendi específico em cada grupo. O cristianismo, assim como as outras religiões da hierarquia de Abraão a que é donatário, possui uma característica muito própria: o patriarcalismo. A centralidade da figura paterna, correlata ao divino “Pai” e personificada autoridade pelo “Senhor”, mantém-se como imago historicamente, perpetuada como Representação Social e traço objetivo da Identidade Cristã. A forte hierarquia religiosa não deixa dúvidas quanto a esse núcleo central, uma vez que mesmo diante de variações associadas às eclesiologias distintas e às liturgias cultuais, os lugares do homem e da mulher são bem delimitados, assim como as relações de gênero advindas dessas posturas. Este curso busca, portanto, apontar, por meio do arcabouço conceitual oriundo das Teorias das Representações Sociais e da Identidade Social, hermenêuticas descritivas sobre esse fenômeno. A subalternidade a que é sobrepujado o feminino nas religiões cristãs é antagônico ao espaço e à importância que ocupam. Compararemos o lugar da mulher no Neopentecostalismo e as claras diferenças com o espiritualismo de cunho Afroconfessional. A efetivação deste curso e de seu objetivo percorrerá os seguintes tópicos: A compreensão do lugar feminino na história judaica explícita nos textos bíblicos; a segregação feminina da menstruação à bruxaria; a Casa Grande e o Quarto de Costura - a mulher no colonialismo brasileiro; a religião Paterna e a reza como espaço de expiação e submissão à autoridade; Ética Calvinista: diálogos sobre a mulher puritana; saias e calças jeans: modernizam-se os costumes?; e, por fim, analisaremos a pesquisa documental do “Jornal Folha Universal” e as marcas de gênero nele impressas, comparando esses dados com a figura feminina presente na religiosidade afro-brasileira. Palavras-chave: Religião; Gênero; Patriarcalismo e Identidade Feminina MC 02: ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO: DO SETTING À TÉCNICA Kelly Guimarães Tristão e Luziane Zacché Avellar Eixo: Saúde O Acompanhamento terapêutico (AT) é uma modalidade de atendimento em Saúde Mental marcada por encontros que acontecem no cotidiano do sujeito e em espaços de circulação pública, utilizando um setting diferente do clássico, no qual o sujeito VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 13 13 08/05/2012 18:37:23 pode experimentar novos caminhos e construir possibilidades de relação com o mundo com progressivo resgate de sua autonomia. Tendo como objetivo apresentar e discutir elementos da prática AT, bem como conhecer as peculiaridades do setting terapêutico, o curso seria apresentado de forma expositiva aberta a discussões e atenderia a número de 30 vagas. A bibliografia básica seria composta pelos livros: BARRETO, K. D. Ética e técnica no Acompanhamento Terapêutico. Andança com Dom Quixote e Sancho Pança. São Paulo: Unimarco Editora, 1998, EQUIPE DE ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO DO HOSPITAL-DIA A CASA. A rua como espaço clínico. Escuta: São Paulo, 1991 e MAUER, S. K. de; R., Silvia. Acompanhantes Terapêuticos e pacientes psicóticos, Campinas: Papirus, 1987. Palavras-chave: Saúde mental. Desinstitucionalização. Serviços de saúde mental. Atividades cotidianas. Reabilitação. MC 03: PROMOÇÃO DA SAÚDE E PROCESSOS GRUPAIS Mônica Cola Cariello Brotas Correa e Elzimar Evangelista Peixoto Pinto Eixo: Saúde As políticas de promoção da saúde compõem um campo novo e complexo de conhecimento. No entanto, ainda carecem de aperfeiçoamento de estratégias teóricas e metodológicas que permitam sua operacionalização no cotidiano das práticas, de forma a desenvolver o potencial de saúde das comunidades e indivíduos em seus diferentes momentos dos ciclos de vida (BUSS, 2003). Tomando como marco conceitual os debates realizados nas conferências internacionais realizadas em Otawa (1986), Adelaide (1988), Sunsval (1991), Jakarta (1997) e México (2000), a promoção da saúde identifica e atua sobre micro e macro determinantes que influenciam os processos de saúde/doença. Logo, ações voltadas à promoção da saúde envolvem o desenvolvimento de políticas públicas em âmbito governamental e, por outro lado, da singularidade e autonomia dos sujeitos. Diversos estudos (FREITAS, 2003; BRICEÑO E LEÓN,1996; GREEN E KREUTER, 1991) destacam a importância dos processos grupais no desenvolvimento de ações de promoção à saúde. Tais processos propiciam a interlocução entre os diversos atores envolvidos no fazer saúde. Baseados na prática social, no diálogo, quer dizer, na troca de saberes, favorecem a compreensão processual dos fenômenos de saúde e doença e oferecem oportunidade para o intercâmbio entre o saber científico e popular. Ao mesmo tempo, reforçam a responsabilidade de cada comunidade por sua própria saúde. Ao construir um espaço coletivo de troca de saberes e informações, com respeito e valorização da participação de todos, institui-se a possibilidade de estabelecimento de uma tarefa comum em torno da qual se organizam pensamentos e ações. Aprender em grupo, como salienta Abduch (1999), torna possível uma leitura crítica da realidade, em que cada resposta 14 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 14 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:23 obtida se transforma em novas questões, e assim se desenvolvem, para além da troca informativa, novas habilidades de cooperação fundamentais em um processo de humanização da saúde. O minicurso Promoção da Saúde e Processos Grupais objetiva aprimorar a debate sobre a promoção da saúde e apresentar estratégias para o desenvolvimento de ações coletivas. A proposta, que será conduzida pelas duas autoras, compreende uma metodologia vivencial e a oferta de 30 vagas para participantes. Palavras-chave: grupo. Promoção da saúde. Ações coletivas MC 04: SAÚDE MENTAL DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Juliana Peterle Ronchi e Luziane Zacché Avellar Eixo: Saúde As políticas públicas de saúde mental voltadas às crianças e aos adolescentes, historicamente vinculadas às áreas educacionais e da assistência social, passam por reformulações a partir da Lei n.º 10.216, de 06/04/2001 e da portaria n.º 336/2002, que institui o Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi), ligado ao Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo deste minicurso será apresentar a experiência do CAPSi da cidade de Vitória/ES em seu primeiro ano de funcionamento relevando as representações sociais de crianças e adolescentes com transtornos mentais compartilhadas entre cuidadores e profissionais do CAPSi, o que coloca a saúde mental da criança e do adolescente como um campo em constituição, tanto nos aspectos teóricos como nos relacionados à intervenção. Ainda, por ser um novo serviço direcionado a crianças e adolescentes com transtornos mentais graves e entendendo que a saúde engloba os aspectos do ambiente, pretende-se, a partir do conceito de ambiência, um dos aspectos da política de humanização do SUS, evidenciar a importância de se atentar para as constituições espaciais de um serviço de saúde - uma vez que, em alguns momentos, elementos físicos de um serviço como o CAPSi podem possibilitar comunicações significativas de crianças e adolescentes. Além disso, a presença, a atenção aos objetos disponíveis nos espaços e a sustentação e o manejo das atividades, aspectos importantes na constituição da ambiência, podem facilitar o oferecimento de um ambiente seguro e adequado às necessidades das crianças e adolescentes que sofrem com transtornos mentais graves. Por fim, será apresentada uma possibilidade metodológica para investigações científicas no campo da atenção psicossocial infanto-juvenil que guarda peculiaridades como a articulação entre o social, a clínica e as políticas de assistência em saúde, o que se mostra uma realidade complexa presente no fazer da pesquisa em saúde mental da criança e do adolescente. Palavras-chave: Serviços de Saúde Mental. Crianças. Adolescentes. Ambiente. Pesquisa. VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 15 15 08/05/2012 18:37:23 MC 05: ESTUDO DE REDE DE APOIO SOCIAL E AFETIVA: MAPA DOS CINCO CAMPOS, GENOGRAMA E ECOMAPA. Danielly Bart do Nascimento e Silvia Neitzel. Eixo: Trabalho A rede de apoio social de um indivíduo é formada pelos vínculos percebidos e recebidos por ela. O elemento afetivo se conecta a esse constructo pela importância na construção e manutenção do apoio. É importante observar que a rede de apoio não é algo estático; ela irá variar conforme as necessidades do indivíduo e de sua capacidade ou disposição para formar vínculos e mantê-los. Alguns instrumentos que podem ser utilizados na clínica, em pesquisas ou em políticas públicas sociais podem ajudar os profissionais a mapear e compreender a rede de apoio social de uma pessoa. O Mapa dos Cinco Campos é um instrumento criado por Samuelsson, Therlund e Ringströn (1996) no qual a pessoa deve representar em um mapa constituído por seis círculos concêntricos divididos em cinco setores (Família, Parentes, Amigos, Escola e Contatos Formais) as pessoas que considera importantes em sua vida. Quanto mais próxima ao centro a pessoa for representada, maior significado positivo ela representa; quanto mais afastada, menor significado, sendo que no círculo mais afastado são representadas as pessoas que despertam afeto negativo. O Ecomapa (HARTMAN, 1975/1995) ou Mapa das Redes Sociais consiste em um diagrama que retrata as relações que o sujeito estabelece com seu meio social, incluindo pessoas e instituições. O Genograma se presta ao mapeamento da estrutura e organização familiar. Ele traz informações sobre aspectos genéticos, médicos, sociais, comportamentais e culturais da família (WENDT; CREPALDI, 2007). Esse instrumento facilita a análise dos eventos significativos ao longo das gerações e na geração dos iguais; auxilia também a encontrar os pontos de vulnerabilidade, traumas, fracassos e fraquezas do indivíduo (QUAGLIA; MARQUES; PEDEBOS, 2001). O que esses instrumentos possuem em comum é a possibilidade de facilitar a visualização da rede de apoio social e afetiva do indivíduo, pois tendem a reunir em sua configuração as pessoas que influenciam a vida de um indivíduo. O Genograma está centralizado na composição familiar; contudo, o Mapa dos Cinco Campos e o Ecomapa ampliam essa visão para os demais componentes sociais da rede. São instrumentos que podem revelar dados importantes na vida do indivíduo e auxiliar os profissionais em suas intervenções. Palavras-chave: Rede de apoio. Instrumentos. Mapa dos cinco campos. Ecomapa. Genograma. 16 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 16 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:23 MC 06: TRABALHANDO COM O ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO Maria Dolores Pinheiro de Souza e Andreia da Silva Ferreira. Eixo: Saúde Os desastres naturais, as catástrofes e a violência são realidades cada vez mais vivenciadas pela população mundial e em particular pelo povo brasileiro, exigindo respostas urgentes de atuação profissional frente às demandas geradas por esses eventos traumáticos. Como consequência devastadora dessas realidades temos a síndrome do estresse pós-traumático, que acarreta desordens e prejuízos para indivíduos, suas famílias e a sociedade. O estresse é definido como numa resposta natural e saudável do nosso organismo a mudanças às quais o ser humano precisa se adaptar. Em alguns momentos de nossas vidas em que vivenciamos situações extremas, pode ocorrer o estresse pós-traumático, patológico. O choque traumático ocorre quando experienciamos acontecimentos potencialmente ameaçadores à vida, que superam nossa capacidade para responder a eles de modo eficaz. É produto da sobrecarga provocada por evento ou experiência avassaladora, impossibilitando o organismo de defender-se saudável e ativamente (lutando ou fugindo). É o modo como reagimos às experiências estressantes que cria respostas saudáveis ou patológicas frente aos acontecimentos. Isso é determinado por fatores de ordem individual (disposição biológica e psicológica) e pelas diversas situações e experiências. O trauma é definido, então, não pelo evento que o causou, mas pelo resultado que provoca no nosso organismo. O cérebro de uma pessoa traumatizada continua a responder como se a pessoa estivesse sob o estresse do momento do trauma, gerando estado alterado de resposta de “imobilidade” ou de “congelamento” do ciclo ativação-descarga no sistema neurofisiológico. Consequentemente, aparecem sintomas físicos, emocionais, relacionais e sociais. Inserido nesse contexto teórico-metodológico do tratamento de vítimas de desastres e situações de emergências propomos esse minicurso, com objetivo de apresentar o tema e discutir a proposta terapêutica do manejo da sintomatologia do estresse pós-traumático e das respostas de reorganização do padrão saudável de estresse baseada na metodologia da Experiência Somática inaugurada por Peter Levine. Palavras-chave: Estresse pós-traumático. Psicologia das emergências e desastres. Experiência somática. VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 17 17 08/05/2012 18:37:23 COMUNICAÇÕES ORAIS Eixo: Desafios contemporâneos: Psicologia do Trânsito e Mobilidade, Psicologia Ambiental, Psicologia dos Esportes, Psicologia das Emergências e dos Desastres, Neurociências, Novas tecnologias CO 001: A PSICOLOGIA HOSPITALAR E A PSICOLOGIA DOS DESASTRES: UM ESTUDO SOBRE O ATENDIMENTO ÀS SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA Raquel Otoni de Araújo, Bruno Birro Coutinho. O presente trabalho é um estudo monográfico que tem por objetivo analisar algumas aproximações entre a Psicologia Hospitalar - neste caso, a atuação do psicólogo hospitalar orientada pela psicanálise -, e a Psicologia dos Desastres, no que se refere ao atendimento às situações emergenciais. O desenvolvimento da Psicanálise para além dos moldes tradicionais tem permitido que o trabalho do analista no ambiente hospitalar se desenvolva em conjunto com as demais especialidades do campo da saúde no atendimento às urgências demandadas pelo sujeito hospitalizado. No Brasil, a Psicologia dos Desastres é um campo que vem ganhando espaço nos últimos anos, apesar de a Psicologia estudar as emergências em desastres, catástrofes e guerras desde meados do século XX. Ambas as áreas são permeadas por situações de emergência, que demandam ações rápidas, pois acontecimentos imprevistos, como acidentes, quadros agudos de adoecimento, catástrofes e acidentes em grandes proporções desestabilizam os sujeitos desde a dimensão de sua subjetividade até inclusive acontecimentos que podem afligir toda uma nação. Desse modo, observa-se que é possível traçar algumas aproximações entre a Psicologia Hospitalar e a Psicologia dos Desastres, como a realização dos atendimentos em um setting diferente do tradicional, a oferta da escuta, o trabalho interdisciplinar, o atendimento à equipe, o acolhimento da família e o resgate da condição de sujeito da pessoa vítima de um desastre ou internada em hospital. Mesmo assim, ainda há muito que se construir, tanto no campo teórico quanto prático – principalmente na área dos desastres naturais. Por fim, verifica-se que os estudos no campo da Psicologia Hospitalar, especificamente sobre a atuação do psicólogo em situações de emergência como as do pronto-socorro, podem auxiliar no desenvolvimento da Psicologia dos Desastres. Palavras-chave: Psicologia Hospitalar. Psicologia dos Desastres. Pronto-Socorro. Psicanálise, Emergência. CO 002: A REPRESENTAÇÃO SOCIAL DOS CAMINHONEIROS DE ESTRADA SOBRE O USO DE ARREBITE (ANFETAMINAS) Roberta Ingrid Schimitberger, Mayara Pires Guzzo, Sibelle Maria Martins de Barros. Buscamos refletir sobre os impactos dos prazos na entrega de cargas sobre os caminhoneiros, obrigados a esforços que desconsideram a necessidade de 18 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 18 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:23 descanso e sono dos trabalhadores. Para permanecerem acordados, eles se valem de recursos como cocaína e os muito usados atualmente arrebites (anfetaminas), que têm como principais efeitos colaterais alucinações, delírios persecutórios, taquicardia, agressividade, irritação e paranoia. Torna-se necessário implantar campanhas preventivas nas empresas de transportes e nos meios de comunicação, além de realizar fiscalizações em pontos suspeitos, como postos de combustíveis, borracharias, etc. De acordo com pesquisa realizada por Eurípedes (2007), 66% dos caminhoneiros fazem uso de anfetaminas durante a viagem, sendo 27% diariamente e 60% de duas a três vezes por semana. Ainda 27% relataram acidentes pelo uso das substâncias anfetamínicas. Pela relevância dos acidentes de trânsito e pela dependência causada por uso de anfetamínicos, buscamos identificar por meio desta pesquisa a representação social do caminhoneiro de estrada quanto ao uso dessas substâncias. Intencionamos caracterizar os motivos do início do uso, da manutenção e das tentativas de parar. Buscamos identificar o nível de conhecimento do usuário de estimulantes quanto às consequências, como a dependência e outros transtornos, podendo assim contribuir no alargamento de informações e quiçá contribuir para conscientização dos caminhoneiros. Serão realizadas entrevistas com caminhoneiros de estrada moradores do Município de Viana/ES. Esses sujeitos foram escolhidos pela acessibilidade em relação às pesquisadoras, assim como pelo grande número desses profissionais na localidade - o bairro Marcílio de Noronha. A coleta de dados será efetuada por meio de entrevistas individuais do tipo semi-estruturadas. Por meio da técnica de Análise de Conteúdo, poderemos visualizar o nível de conscientização dos riscos, tanto para eles próprios quanto para outros que possam ser envolvidos em acidentes de trânsito por eles causados. Palavras-chave: Anfetamina. Caminhoneiro. Representação social. CO 003: ANÁLISE DA SAÚDE MENTAL EM PACIENTES COM FOBIA DE DIRIGIR Naiara Ferreira Vieira Castello, Aline Hessel, Elizeu Borloti. A pesquisa partiu da definição sobre saúde mental feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que a coloca como um estado de bem-estar que vai além da ausência de doença. Dessa forma, o sofrimento advindo da impossibilidade de dirigir causada por um transtorno como a fobia de dirigir pode interferir na condição de saúde mental do sujeito acometido. Sendo assim, o presente estudo teve por objetivo avaliar quais são as possíveis correlações entre a fobia de dirigir e saúde mental. O instrumento utilizado nessa avaliação foi o Questionário de Saúde Geral de Goldberg (QSG), que foi aplicado em 42 indivíduos, de idade entre 20 e 59 anos, sendo 39 mulheres e 3 homens que procuraram uma clínica particular especializada em fobia de direção. Os questionários foram aplicados na clínica onde os participantes buscaram o tratamento para a fobia, nas cidades de Vitória/ES, Rio de Janeiro/RJ e Belo Horizonte/MG. Seguiram-se rigorosamente as instruções de aplicação reproduzidas no manual. VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 19 19 08/05/2012 18:37:23 As respostas de cada indivíduo foram tabeladas por meio do Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) e foram calculados os escores correspondentes aos fatores específicos e ao fator geral. No fator geral da escala, 52,4% dos participantes apresentaram escore superior ao padrão apresentado pela tabela de normas presente no manual do questionário. Na categoria estresse psíquico, foram 57%; em desejo de morte, 23%; em desconfiança no próprio desempenho, 57%; em distúrbios do sono, 38%; e em distúrbios psicossomáticos, 47,6%. Esses resultados apontam para a importância do tratamento da fobia de direção como contribuição à saúde mental. A ausência de literatura a respeito do tema revela a necessidade de novos estudos buscando compreendê-lo. Esta pesquisa pretende informar e abrir caminho para essas futuras investigações. Palavras-chave: saúde mental, fobia de dirigir, transtornos de ansiedade CO 004: CONDUTORES DE VEÍCULOS COM CARTEIRA NACIONAL DE HABILITAÇÃO (CNH) PROVISÓRIA: RELATOS DAS PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS Lais Sudre Campos, Jaciara Scal Duia Castello, Gina Strozzi. O presente projeto propõe-se a relatar as primeiras experiências de condutores de veículos com carteira nacional de habilitação (CNH) provisória nas categorias B ou AB. Este projeto proporciona uma visão dos próprios condutores sobre o trânsito, suas reações, frustrações e comportamentos. Os dados foram coletados por meio de pesquisas documentais e bibliográficas, pesquisa de campo exploratória com registros escritos e realização e transcrição das entrevistas com roteiro padronizado. O projeto é classificado como uma pesquisa exploratória quantitativa e qualitativa, de acordo com os dados que se desejava levantar. Os sujeitos do projeto foram cinco motoristas que retiraram sua CNH no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, na cidade de Vitória/ES. Os dados obtidos pelas entrevistas foram analisados e interpretados por meio da Análise de Conteúdo. O projeto teve como objetivo geral levantar dados sobre as primeiras vivências/experiências no trânsito da cidade de Vitória de sujeitos com CNH provisória que se habilitaram no ano de 2010 ou 2011 na mesma cidade. Já seus objetivos específicos foram levantar dados sobre as infrações em que os sujeitos da pesquisa se envolveram em seu período de aprovação; investigar as reações emocionais dos sujeitos quando estão no trânsito; identificar o nível de confiança que eles possuem em relação a seu desempenho no trânsito; e relatar as primeiras vivências/experiências dos sujeitos em seu período de aprovação. De acordo com esses objetivos, a finalidade do projeto foi analisar se houve envolvimento desses condutores recém-habilitados em infrações de trânsito e acidentes, como também os motivos para esse comportamento e suas emoções no período de aprovação da carteira. Os resultados obtidos revelaram alguns comportamentos inadequados dos sujeitos de pesquisa no trânsito, assim como seu descontentamento sobre a forma como 20 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 20 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:23 o trânsito de Vitória está organizado. Com relação aos sentimentos apresentados no período da auto-escola, os mais relatados foram ansiedade, felicidade, nervosismo, conforto, medo e satisfação. Já em relação aos sentimentos no trânsito atualmente foram felicidade, liberdade, nervosismo, estresse, apreensão, medo e raiva. Palavras-chave: trânsito; CNH provisória; sentimento CO 005: CONSIDERAÇÕES SOBRE FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA E AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA DE CONDUTORES Andréa dos Santos Nascimento, Marcele Verdin, Alexandro de Andrade. A avaliação psicológica de motoristas aparece no Brasil muito antes de a Psicologia ter sido reconhecida como profissão. Em 1951, o Instituto de Seleção e Orientação Profissional (Isop), sob coordenação do pesquisador Mira y López, aplicava entrevistas e testes de aptidão e de personalidade em motoristas no intuito de avaliar suas performances no trânsito, o que era conhecido à época como exame psicotécnico. No ano de 1961, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) reconheceu essa prática como obrigatória a todos os candidatos à obtenção da CNH. Desde então, a avaliação psicológica tornou-se compulsória para esse fim. A presente pesquisa possui um caráter qualitativo, com objetivo de investigar e discutir, por meio de um estudo de caso, a formação e a prática do profissional Perito Examinador de Trânsito, além de questões éticas desses elementos na formação dos alunos de Psicologia. Para o levantamento das informações, foi utilizado o recurso de diário de campo para o registro de eventos e das atividades de estágio complementar em uma clínica credenciada ao Departamento Estadual de Trânsito do Estado do Espírito Santo (Detran/ES). Os resultados apontaram diversas ocorrências ligadas a práticas inadequadas no manejo de testes e procedimentos de avaliação psicológica, tais como: aplicação com orientações diferentes do manual, fotocópia de material de testagem e interpretação enviesada de resultados. Esses aspectos, no conjunto geral, remetem a questionamentos sobre a formação no nível da graduação, tornando sua prática questionável e por vezes duvidosa em termos éticos. A escassez de orientação por parte do psicólogo contratante, bem como a ausência de mecanismos eficazes de fiscalização à luz dos resultados desta pesquisa, sinalizam um processo de trabalho precário, levando a uma visão equivocada sobre avaliação psicológica de motoristas. Palavras-chave: psicologia do trânsito, avaliação psicológica, ética e formação. CO 006: OS PROCESSOS DE APRENDIZAGEM NO REMO: O GRUPO E SEU POTENCIAL Érika Camilo Silverol, Hércules Wagner Paiva, José Eduardo Almeida Felix, Sâmia Gabler da Eira. Este trabalho pretendeu, por meio do conhecimento do ambiente esportivo, bem como da aproximação com os atletas do remo do Clube Álvares Cabral, em Vitória/ VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 21 21 08/05/2012 18:37:23 ES, trazer à compreensão a forma como eles empreendem uma aprendizagem inventiva no esporte e como eles lidam com o estresse, a disciplina e o rigor diante dos obstáculos. Com isso, os objetivos eram o de possibilitar a eles a produção da própria autonomia na resolução de problemas e ainda observar como conseguiam criar novas estratégicas de enfrentamento aos desafios do esporte - além de poderem ter, como eventual consequência, a ampliação da potência/força de agir. Para a realização deste trabalho, foram necessários seis encontros semanais com os atletas para que eles pudessem discutir sobre suas experiências no remo, suas vitórias, desafios, assim como o trabalho em equipe, a promoção de autonomia e novos meios de aprendizagem, de maneira coletiva, buscando novas formas de construção de estratégias para esses fins. De certo modo, a comissão técnica já havia percebido essa necessidade da participação dos atletas nas decisões finais acerca das estratégias de competições e dos treinos. Esse pensamento desconstrói a ideia tradicional de um técnico que busca a vitória a qualquer preço sem ouvir o que os atletas têm a dizer. Busca-se, portanto, uma interação do coletivo para que, assim, o grupo (comissão técnica e esportistas) possa alcançar o objetivo maior - no caso, o melhor desempenho e as vitórias, levando em consideração que a derrota e os problemas são de todos os envolvidos na prática do remo. Palavras-chave: Esporte.Remo. Autonomia. Aprendizagem. CO 007: POR OUTRAS PERSPECTIVAS DE PESQUISAR EM CIÊNCIAS HUMANAS: A NARRATIVA COMO DISPOSITIVO PARA CONVERSAR E A PRODUÇÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS Ruth Batista, Elizabeth Maria Andrade Aragão, Leila Aparecida Domingues Machado, Maria Carolina de Andrade Freitas. O presente trabalho é fruto de duas pesquisas em andamento: uma com adolescentes em conflito com a lei em cumprimento de medida socioeducativa de internação na Unidade de Internação Socioeducativa (Unis), e outra que investiga processos de subjetivação em curso no contexto da medicalização na educação a partir da análise de narrativas de crianças em idade escolar. Apesar de se formalizarem como campos distintos, tais pesquisas realizam aproximação sobre certo modo de pesquisar e escrever, uma vez que se utilizam da narrativa como dispositivo de escritura. Como produzir uma escrita acadêmica que mobilize afetos e novas experiências? Como construir um texto que revele um modo de pensar e pesquisar encarnado, fabricado em ato? A partir de tais interrogações, este trabalho objetiva articular e afirmar certo modo de pesquisar, como aposta ética e política, que corrobora para a produção de novas tecnologias no campo das pesquisas em ciências humanas. Por meio da discussão sobre dispositivo e narrativas, visa contribuir para a fomentação de um espaço de reflexão sobre as práticas em pesquisa. Aposta que fazer pesquisa é traçar mapas, é cartografar. Percorrer linhas e terras em escapes. Buscar as curvas 22 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 22 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:23 de visibilidade e as de enunciação, atentando-se pelas mutações e limiares. Pois um dispositivo, assinala Deleuze (1990), implica linhas de forças operando idas e vindas entre o ver e o dizer, convocando batalhas e penetrações em coisas e palavras. A escolha da posição narrativa não está desvencilhada das políticas em jogo: políticas de saúde, políticas de pesquisa, políticas da subjetividade, políticas de escrita. Os resultados no campo da socioeducação apontam para o acolhimento e produção de subjetividades presentes no cotidiano e nas relações; a compreensão do modo de funcionamento da Unidade e do jogo de forças ali existentes; e para uma práticapostura de escutar as histórias dos meninos privados de liberdade que se situam para além do ato infracional, ampliando o trabalho de pesquisa e valorizando as singularidades envoltas pelo coletivo. No campo da medicalização na educação, as histórias-narrativas de meninos permitem a afirmação da língua como um espaço de tensões, de resistência e de luta. Corroboram para sustentar a proposição de que o cotidiano se inventa. A língua se inventa. Constituem ainda a esteira para as inventividades possíveis, escapando das totalizações que requerem o engessamento patologizador como forma de cuidado e atenção. Palavras-chave: Dispositivo. Narrativa. Pesquisa. Implicações ético-políticas. CO 008: PROJETO TRILHA CIDADÃ Karla Barros de Lacerda Fafá, Silvia Amélia Cardoso Sardenberg. O Projeto Trilha Cidadã é desenvolvido pela Gerência de Educação Ambiental (GEA) do Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). Iniciou-se a implantação em 2011, tendo por objetivo ampliar a inclusão de pessoas com deficiência física e/ou intelectual e transtorno mental nas atividades de Educação Ambiental do Parque Estadual Paulo César Vinha (PEPCV). Por meio de um trabalho em parceria com instituições educacionais, assistenciais e de saúde, utiliza-se dos referenciais da Psicologia Ambiental, no que diz respeito aos Ambientes Restauradores, para incentivar o uso das unidades de conservação como instrumento de intervenção psicossocial. Nessa parceria, até o momento foram desenvolvidos instrumentos para análise do local quanto à acessibilidade específica para cada grupo e mapa de visitação para identificação prévia das trilhas a serem utilizadas. Também houve visita às instituições participantes para identificação do público beneficiado, assim como visita técnica dessas instituições ao PEPCV para elaboração do relatório de acessibilidade e capacitação dos profissionais das instituições - equipes do PEPCV e da GEA - sobre os temas Inclusão Social, Educação Ambiental e Qualidade de Vida pela inter-relação humano-ambiental. Participam do projeto as seguintes instituições do município de Guarapari: Centro de Referência de Assistência Social, Centro de Atenção Psicossocial II e Apae. De Vitória, participaram o Instituto Luiz Braille, o Centro de Prevenção e Tratamento ao Toxicômano, a Apae e a Escola Estadual de Educação Oral Auditiva. As VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 23 23 08/05/2012 18:37:23 visitas dos grupos ao PEPCV ocorrem a partir de abril 2012, e o acompanhamento será realizado posteriormente, por meio de reuniões com a equipe do parque para discussão da dinâmica das trilhas desenvolvidas e práticas construídas durante as visitas. Ao final de um ano, será elaborado um relatório quali/quantitativo e de acessibilidade, proporcionando um levantamento do potencial do PEPCV para orientar a adequação futura de sua estrutura física, bem como a consolidação de diretrizes para implantação do projeto nas demais unidades de conservação administradas pelo Estado. Esperamos que o referido projeto incentive, por meio dos benefícios advindos do contato direto com a natureza e do trabalho interinstitucional, a prática de utilização de ambientes naturais públicos como um instrumento de intervenção psicossocial. Palavras-chave: Inclusão. Educação ambiental. Qualidade de vida. CO 009: PROJETO VIDA – ATUAÇÃO INTERDICIPLINAR NAS EMERGÊNCIAS E DESASTRES Andreia da Silva Ferreira, Maria Dolores Pinheiros de Souza, Marcela Arrivabene. O Projeto Vida é um projeto de extensão acadêmica, desenvolvido no curso de Psicologia da Faesa, em parceria com a Defesa Civil Estadual e outros cursos de graduação, desde agosto de 2011. Tem como premissa norteadora uma perspectiva social e preventiva da Psicologia, para tornar as comunidades mais seguras e diminuir os danos sociais e psicológicos das pessoas envolvidas nas situações de desastre, emergência e calamidade pública. Os objetivos centrais do projeto são trabalhar em parceria com os órgãos de defesa civil, atuando nos planos de contingência das emergências e desastres que ocorrem no estado do Espírito Santo; compor a equipe de planejamento e resposta das defesas civis municipais e Estadual; e realizar intervenções nas quatro ações de redução de desastres definidas no Plano Nacional de Defesa Civil (prevenção, preparação, resposta e reconstrução). Além de tudo, buscamos capacitar os futuros psicólogos para atuarem em situações de emergências e desastres, ampliando a visão do graduando em Psicologia sobre as possibilidades da prática profissional no âmbito da prevenção e da assistência, contribuindo para a formação de profissionais qualificados, comprometidos com os desafios da sociedade brasileira contemporânea e com uma vida comunitária sustentável. Palavras-chave: Defesa Civil. Emergências e Desatres. Psicologia. CO 010: PSICOLOGIA VAI À ESCOLA: É BRINCANDO QUE A GENTE SE ENTENDE Priscilla Simões Madeira, Lidiane Vogas Andreão, Isabele Santos Eleotério. Este trabalho consiste em um relato de experiência dos Estágios Supervisionados Básicos I e II e foi dividido em duas fases. Na primeira fase, compreendida entre 16 de março e 9 de junho de 2011, as estagiárias realizaram pesquisa bibliográfica e observação dos processos psicossociais no campo em uma escola pública de Vitória 24 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 24 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:24 na modalidade de ensino Educação de Jovens e Adultos (EJA), com o objetivo de elaborar um projeto de intervenção. Na segunda fase, de 2 de agosto a 22 de novembro de 2011, as estagiárias realizaram a intervenção intitulada “É brincando que a gente se entende”, que visava promover interação entre os alunos do EJA por meio de atividades lúdicas ou esportivas. Foram utilizados os horários de intervalo dos alunos às terças-feiras para a proposição de atividades lúdicas, de forma que todos eles pudessem participar, independentemente da idade. Foram realizadas atividades como dinâmicas de grupo, que estimularam os participantes a pensar em suas rotinas, incluindo hábitos alimentares e prática de exercícios físicos; e brincadeiras coletivas, como escravos de Jó e jogo de peteca, para trabalhar a cooperação e integração dos participantes. Após as atividades, as estagiárias aproveitavam para discutir questões sobre vivência na escola e interesses pessoais, como a importância de continuar os estudos e de realizar cursos profissionalizantes e a relação estudo e trabalho. Durante essas atividades, os alunos puderam manter com as estagiárias um canal de comunicação por meio do qual falavam de suas vidas e pretensões de futuro. Com a aplicação do projeto, as estagiárias perceberam a importância dessa experiência para a formação em Psicologia, pois dentro da escola puderam estabelecer contato com diferentes pessoas, e perceber seus conflitos e refletir sobre possibilidades -além de exercitar a escuta presente no fazer do psicólogo, algo que não se consegue dentro das salas de aula e sim no campo de estágio, em contato direto com a comunidade escolar. Palavras-chave: Experiência de estágio. Atividades lúdicas. Interação Social. Psicologia do esporte. CO 011: RELAÇÃO ENTRE O NÍVEL DE ANSIEDADE E O DESEMPENHO NA PROVA PRÁTICA PARA OBTENÇÃO DA CARTEIRA NACIONAL DE HABILITAÇÃO NA GRANDE VITÓRIA Aline Hessel de Araújo, Naiara Castello, Elizeu Borloti. A ansiedade é definida como um estado de apreensão e medo causados pela antecipação de perigo ou de uma situação desconhecida. Em circunstâncias nas quais o indivíduo se submete a avaliações ou se envolve em competições, como a realização de provas, apresentações em público e atividades desportivas, produzem frequentemente níveis significativos de ansiedade-estado, aquela que pode acometer tanto pessoas que têm traços altos de ansiedade como as que geralmente não respondem de maneira ansiosa a eventos cotidianos. Esses altos índices de ansiedade, por sua vez, estão comumente relacionados a um baixo desempenho nas avaliações. Este trabalho procura verificar se há alguma relação entre o nível de ansiedade no momento da prova prática para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação e o desempenho do participante, definido pela aprovação ou não. Para isso, será utilizada a Escala de Ansiedade de Beck (BAI), que é respondida pelos participantes à espera da prova prática mediante leitura e assinatura de um termo de consentimento livre e esclarecido. Após a finalização da VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 25 25 08/05/2012 18:37:24 prova pelo participante, é verificado, no próprio local de prova ou por um telefonema posterior, se houve aprovação ou reprovação. Dessa forma será possível observar se o nível de ansiedade obtido no BAI correlaciona-se com o desempenho durante a prova prática. O procedimento de coleta de dados foi realizado em alguns locais de prova da região da Grande Vitória e os dados serão tabelados e analisados por meio Statistical Package for the Social Sciences (SPSS). Palavras-chave: Transtornos de Ansiedade. Ansiedade de desempenho. Processo de habilitação. BAI. CO 012: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS, MÍDIAS E CIBERCULTURA Beatriz Baptista Tesche, Salomão Calheiros. Este trabalho objetivou analisar as Representações Sociais de mídias sociais da internet para adolescentes residentes em Marataízes/ES. Buscou-se também verificar quais os usos que esses adolescentes fazem dessas mídias. Fez-se um levantamento bibliográfico sobre Ciberespaço e Cibercultura, termos compreendidos como espaços de vivências virtualizadas, não sendo físicas, mas reais, ou seja, espaços de experiências e relações que se dão em um ambiente não físico. A Teoria das Representações Sociais proposta por Moscovici foi utilizada para a análise dos dados coletados. Para essa teoria, representações sociais são conhecimentos práticos, produzidos no coletivo, que servem para compreensão da realidade social de um grupo. Foram utilizados questionários aplicados coletivamente que continham questões sociodemográficas, sobre os usos do computador e o acesso a internet e ainda questões de evocação com os termos indutores “orkut”, “facebook” e “twitter”. Participaram desta pesquisa 50 adolescentes, estudantes do 6º ano do ensino fundamental (EF) e do 3º do ensino médio (EM). Foram utilizadas a análise de conteúdo e a análise de evocações a partir do software EVOC. Os termos Amigos, Recados, Conversas, Fotos, Jogos, Famosos e Seguidores podem fazer parte do núcleo central das representações sociais desses jovens sobre mídias sociais pois apresentam alta frequência e são os primeiros em evocações; também estão descritos nas práticas dos adolescentes face à internet. Entre os usos identificados, comunicação com os amigos está presente tanto no EF quanto no EM. O elemento Fotos está nas práticas de vários participantes, seja ao postar uma foto, atualizar ou compartilhar. Jogos está em maior frequência nas práticas dos entrevistados do EF, e Famosos e Seguidores, relacionados principalmente ao Twitter, aparece com maior frequência nas práticas dos alunos do EM. O twitter apresentou poucas evocações entre alunos do EF, o que pode ser explicado pelo fato de ser uma mídia imediata de comunicação; a maioria dos participantes do EF não acessa a internet todos os dias, acessa apenas do PC e permanece em média 2 horas por dia na internet. Já os alunos do ensino médio, que apresentaram elementos relacionados 26 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 26 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:24 diretamente ao usos na internet do twitter, apresentam maios acesso à internet e maior permanência na rede. Palavras-chave: Ciberespaço. Cibercultura. Mídias Sociais. Psicologia Social. Teoria das Representações Sociais. Eixo: Psicologia Jurídica e Mediação de Conflitos CO 013: A MEDIAÇÃO DE CONFLITOS COMO ALTERNATIVA PARA PROMOÇÃO DA CULTURA DE PAZ Charlisson Mendes Gonçalves, Alessandra Barcelos Menezes, Francislaine Oliveira Soares Sampaio. A diversidade existente na sociedade sempre foi geradora dos mais variados conflitos. Restabelecer o diálogo e pacificar as relações é um desafio frente à complexidade do contexto – social, econômico e cultural - em que o ser humano está inserido. Nessa perspectiva surge o Programa Mediação de Conflitos (PMC), que é uma política pública da Secretaria de Estado de Defesa Social, desenvolvida pela Coordenadoria Especial de Prevenção à Criminalidade, destinada às áreas com maior índice de criminalidade no Estado de Minas Gerais. O PMC faz parte do Centro de Prevenção à Criminalidade (CPC) e propõe à comunidade em que está inserido, ações que fomentem a cultura de paz e promovam a resolução pacífica de conflitos. O presente trabalho é fruto de uma pesquisa que consistiu em analisar 15 casos de mediação atendidos no PMC de uma cidade do interior de Minas Gerais no ano de 2011. Seguindo a metodologia do programa, primeiramente é feito um atendimento individual com as partes envolvidas e são definidos seus objetivos com a mediação. Após essa etapa, acontece o encontro das partes, onde ambas têm a oportunidade de se expressar uma à outra e posteriormente pensar nas possíveis soluções para o caso. Os mediadores participam como facilitadores do diálogo. Entre os casos atendidos, observou-se que 66% tratavam de questões familiares e dentre, eles, 70% estavam relacionados à pensão de alimentos. Os outros casos variavam entre conflitos de vizinhança (20%), questões trabalhistas (7%) e relações de consumo (7%). Nas resoluções dos referidos casos, foi possível observar que 67% dos atendimentos foram concluídos com acordo entre as partes; 26% passaram pelo processo de mediação, não fizeram acordo e foram encaminhados para outras instituições; e 7% desistiram do processo de mediação. A partir dos dados coletados, concluímos que a mediação de conflitos mostra-se eficaz como alternativa para a resolução pacífica de conflitos, a promoção da cultura de paz, a viabilização do acesso a direitos e a prevenção da criminalidade e da violência. Palavras-chave: Mediação. Conflitos. Resolução pacífica. Cultura de paz. VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 27 27 08/05/2012 18:37:24 CO 014: PSICODIAGNÓSTICO EM CONTEXTO PRISIONAL: FRAQUEZAS E FORTALEZAS. RELATO A PARTIR DE UMA EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO Rafaela Figueredo de Aguiar, Lorena Guimarães Firme, Mônica Cola Cariello Brotas Corrêa, Reury Costa Martins. A ação da Psicologia no contexto prisional constitui-se em uma prática recente para a qual ainda não existe um conjunto de técnicas e estratégias que ofertem aos profissionais que atuam nesse campo de conhecimento uma base técnico-instrumental consistente. Nesse sentido, algumas iniciativas vêm sendo instituídas de forma a consolidar essa área de atuação com oferta de práticas inovadoras. No caso específico da avaliação psicológica, muitas questões são referidas na literatura sobre as dificuldades na relação do resultado dos testes com o seu uso. Destacam-se, dentre elas, a escassez de recursos humanos, técnicos e materiais, bem como a falta de articulação dos dados produzidos por meio da avaliação psicológica com a rede de atenção ao interno. Realizado em uma unidade prisional do ES, este estudo objetivou identificar as contribuições da avaliação psicológica para a progressão dos reeducandos para um regime prisional menos rigoroso. A unidade pesquisada segue o modelo estrutural dos mais novos presídios, contando com 750 internos em regime fechado, sendo um psicólogo penal e uma estagiária para atendimento de toda a população carcerária. Utilizou-se, para a pesquisa, a observação direta da prática e entrevistas semi-estruturadas com a equipe da unidade para o alcance de informações pertinentes à temática. Os resultados indicam que os profissionais reconhecem a avaliação psicológica como estratégia fundamental para a tomada de decisões do projeto de ressocialização a ser proposto para o sujeito que ingressa no sistema prisional. Todavia, ressaltam a função meramente burocrática que a atividade alcança em razão da legislação que rege tal prática. Os dados sinalizam a importância de qualificação dos profissionais e a necessidade de novas pesquisas que possam embasar práticas inovadoras que integrem a avaliação psicológica ao processo de ressocialização previsto para o interno do sistema prisional - e ainda a necessidade de articulação com o sistema jurídico a fim de que tais avaliações psicológicas ganhem efetivamente utilidade. Palavras-chave: Reeducação. Sistema prisional. Psicodiagnóstico. Avaliação psicológica. Eixo: Saúde CO 015: A CLÍNICA DO ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO NA INSTITUIÇÃO ESCOLAR Camyla Bastos Gonçalves, Luiza Helena de Castro Victal e Bastos. O resgate histórico da clínica do Acompanhamento Terapêutico (AT) e a articulação desse conceito com a noção de território escolar como um espaço de inclusão para 28 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 28 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:24 crianças e adolescentes que apresentam transtorno mental severo constituiu o campo teórico para a experiência de estágio em Psicologia no CAPS Infantil de Vitória. A descrição e a reflexão referentes à clinica do AT a partir da inserção da aluna como acompanhante terapêutico na escola da criança em tratamento no serviço constituiu objetivo da experiência. Por meio de observação direta, que acontece de maneira assistemática, participante, busca identificar os limites e possibilidades dessa clínica não convencional realizada no cotidiano da adolescente acompanhada no ambiente escolar. Os resultados parciais referem uma dificuldade da instituição escolar em relação à inserção e ao desenvolvimento da adolescente com transtorno psíquico. Deficiências referentes ao suporte facilitador para a inclusão dessa adolescente e dos demais alunos com necessidades especiais produzem sentimento de sobrecarga aos profissionais educadores. A ausência de um trabalho articulado em rede potencializa uma rigidez nos processos escolares, sendo muitas vezes, complicado estabelecer uma relação aberta e em conjunto. Identifica-se uma posição de abandono da adolescente por parte de alguns profissionais, deixando de haver o investimento necessário para seu desenvolvimento, seja ele no âmbito cognitivo, no social ou em ambos. Vislumbra-se que o trabalho do acompanhante terapêutico permite, ainda que de modo limitado, articular a atenção psicossocial realizada no CAPS Infantil e os processos escolares, visando o cuidado de maneira integral. Palavras-chave: Acompanhamento Terapêutico. CAPS infantil. Atenção Psicossocial. CO 016: ABSENTEÍSMO POR DOENÇAS DO CID F E A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO Mariane Henriques França. A partir dos anos 90, intensificou-se no mundo o processo de mudanças na relação capital x trabalho. Essas mudanças passaram a exigir um novo perfil do trabalhador, com maiores concessões em termos do uso de sua subjetividade. Fatores como o aumento do ritmo de trabalho e de responsabilidade e a polivalência, assim como um maior controle e supervisão, caracterizam o novo perfil do trabalhador. As mudanças promovidas por essa “nova” organização do trabalho geram situações desgastantes em um ambiente envolvido com a produção em ritmo intensificado, com máxima utilização dos recursos em menor tempo, qualidade e produtividade. Nesse contexto, o trabalhador assalariado formal sofre, se desmotiva e, em alguns casos, se destrói. Dejours (1992) aponta dois tipos de sofrimentos que sobressaem no ambiente de trabalho: a insatisfação e a ansiedade. Esse sofrimento, quando não mediado por estratégias de enfrentamento, provoca a modificação da vinculação do trabalhador com a empresa e se criam processos patogênicos de adaptação, ou seja, a somatização do sofrimento na doença propriamente dita. A doença dos trabalhadores gera consequências negativas tanto para os trabalhadores como para as instituições, posto que afetam diretamente os indicadores de saúde e VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 29 29 08/05/2012 18:37:24 absenteísmo. Isso observado na práxis profissional do Serviço Social de uma Unidade de Operação de uma Estatal do ramo de energia no ES, propomos o objeto de estudo da presente pesquisa, cujo objetivo é analisar a correlação entre absenteísmo dos empregados por afastamento legal por auxílio-doença com vinculação específica ao CID F e a organização do trabalho. Trata-se de uma pesquisa qualiquantitativa. Por meio do levantamento dos trabalhadores afastados do trabalho por auxílio-doença com vinculação ao CID F nos anos de 2009 e 2010 e da análise do discurso das entrevistas realizadas com esses trabalhadores chegamos a algumas conclusões. Os afastamentos relacionados ao CID F assumem o primeiro lugar em termos de absenteísmo e o segundo lugar em relação ao número incidente. Isso porque esses afastamentos apresentam características de serem prolongados. Muito embora a estatística seja alta, não podemos afirmar a sua vinculação com a organização do trabalho, fato que está sendo repensado em um novo projeto de pesquisa. Palavras-chave: Absenteísmo. Sofrimento no trabalho. Patologização. Saúde mental. CO 017: CONCEPÇÕES DO ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO NAS PRÁTICAS EM SAÚDE MENTAL NA GRANDE VITÓRIA Kelly Guimarães Tristão, Luziane Zacche Avellar. A partir do movimento da Reforma Psiquiátrica, iniciado na década de 70, o Brasil tem passado por uma profunda reestruturação no que diz respeito à atenção em saúde mental, que exige a criação de uma rede articulada de serviços que substituam a internação hospitalar por novas modalidades de intervenção. É nesse contexto que o Acompanhamento Terapêutico vem se configurando como uma prática importante na ampliação da rede de assistência em saúde mental. É uma modalidade de atendimento em Saúde Mental marcada por encontros que acontecem no cotidiano do sujeito e em espaços de circulação pública, utilizando um setting diferente do clássico, no qual o sujeito pode experimentar novos caminhos e construir possibilidades de relação com o mundo com progressivo resgate de sua autonomia. O objetivo deste trabalho é refletir sobre as concepções de Acompanhamento Terapêutico para profissionais que atuam com tal modalidade na rede de assistência em Saúde Mental na Grande Vitória, priorizando os aspectos que dizem respeito às concepções sobre a prática. Para isso, foram realizadas entrevistas parcialmente estruturadas com profissionais que utilizem o Acompanhamento Terapêutico na rede pública e/ou privada. Os dados foram analisados a partir da Análise de Conteúdo na modalidade de Análise Temática. Os resultados obtidos discorrem sobre a ligação do sujeito com o social, a retomada de funções do cotidiano, a construção de autonomia e a desmistificação da doença mental, apontado para a importância do Acompanhamento Terapêutico como um 30 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 30 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:24 dispositivo capaz de proporcionar uma assistência mais eficaz ao paciente e a seus familiares e a possibilidade de tornar mais próximo o contato entre o profissional de saúde, o usuário e a comunidade. Palavras-chave: Saúde mental. Desinstitucionalização. Serviços de saúde mental. Atividades cotidianas. Reabilitação. CO 018: CUIDE-SE BEM: UMA ALTERNATIVA SOCIAL PARA O BEM-ESTAR Isabele Santos Eleotério, Joanna Fernandes Reblim, Berta Maria Gomes Pinto. Cuide-se Bem é um projeto de iniciação científica que tem como proposta desenvolver atividade em grupo para trabalhar o conceito de bem-estar. O projeto propõe a constituição um grupo de até 20 participantes selecionados entre profissionais ou estudantes de saúde, educação ou assistência social. Considera-se que grande parte dos adoecimentos decorre de situações estressoras cotidianas; percebe-se a necessidade de realizar ações preventivas a fim de estimular mudanças nas relações interpessoais dos sujeitos, quer no trabalho, na família ou na comunidade. Considera-se ainda que, para mudar a sociedade, é necessário que cada ser humano transforme-se primeiro. Essa transformação pode se dar por meio da construção de um modo mais harmonioso de sentir, conhecer e expressar os próprios sentimentos. Espera-se que os participantes sejam estimulados a vivenciar relações mais fraternas e gratificantes nos espaços onde se processam suas interações sociais cotidianas. Além disso, as atividades em grupo apresentamse como alternativa para o autoconhecimento e o restabelecimento do equilíbrio psíquico, ao estimular o bem-estar e a busca da superação de situações conflituosas ou desagradáveis. Para tanto, pretende-se trabalhar os seguintes temas: cuidado e saúde, família, cidadania, trabalho, sentimentos, aprimoramento pessoal e perspectivas para o futuro. Serão utilizadas dinâmicas de grupo, aplicação de questionários (no inicio e ao final do processo), vídeos, reportagens e técnicas expressivas pertinentes ao objeto de pesquisa. As atividades desenvolvidas até o momento envolveram grupo de estudos e a produção de um questionário para obter dados acerca de:1) caracterização dos respondentes, 2) hábitos alimentares, 3) prática e frequência de atividade física, 4) relações interpessoais, 5) percepção de beleza por meio da arte e natureza, 6) característica de moradia, 7) percepção do trabalho e 8) ponto de vista filosófico ou religioso. O que se busca neste projeto é o estímulo ao estudo, à prática e à reflexão acerca da utilização de processo grupal como meio de promoção do bem-estar humano, lançando ênfase sobre as mudanças que o indivíduo pode empreender em si próprio e em seu cotidiano, interagindo com o ambiente físico e social que o circunda. Palavras-chave: Processo grupal. Iniciação Científica. Bem-estar. VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 31 31 08/05/2012 18:37:24 CO 019: DIREITO À VIDA SEGURA: UMA ANÁLISE DA SITUAÇÃO PSICOSSOCIAL DO POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL DO MUNICÍPIO DA SERRA/ES Andréa dos Santos Nascimento, Márcia Tirres Barretto, Julia Carolina Rafalski. As organizações policiais desempenham a missão de garantir a segurança da sociedade e de preservar os demais direitos e garantias fundamentais do cidadão. A profissão de policial se constitui em uma atividade que lida invariavelmente com o limite entre a vida e a morte, vivenciando o sofrimento alheio, o que acaba por influenciar na condição de saúde, física e emocional, do policial rodoviário federal (PRF). Por esse motivo, foi proposta pela Coordenação Regional de Direitos Humanos da 12ª SRPRF/ES, do Município da Serra/ES uma pesquisa exploratória que teve por objetivo analisar possíveis problemas de saúde relacionados ao trabalho dos PRFs. Por meio da observação participante e de entrevistas abertas, foi observado que a atividade profissional do PRF é geradora de estresse pela exigência de estado de prontidão contínuo, trabalho noturno, crescente quantidade de competências institucionais, além de um efetivo insuficiente. O crescente aumento da criminalidade e o risco diário da própria vida pela missão creditada pelo Estado de garantir a incolumidade dos cidadãos também foram caracterizados como fatores estressantes. O PRF está envolvido diariamente com dois fatores externos mais letais, de acordo com o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM): a arma de fogo e os acidentes de trânsito. Os resultados parciais apontaram para a necessidade de um diagnóstico mais aprofundado sobre as sequelas invisíveis dos atendimentos prestados pelos policiais (estresse pós-traumático), que não têm atendimento psicossocial e suporte emocional. Para tanto, é necessário que mais dados sejam levantados no sentido de propor o subsídio de um programa de atenção psicossocial voltado para o benefício da qualidade de vida e do trabalho do policial rodoviário federal. Palavras-chave: Segurança pública. Saúde. Trabalho. Qualidade de vida. CO 020: ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM UTILIZADAS POR ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS COM E SEM INDÍCIOS DO TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE Paola Zanotti Epifanio, Julia Dias Andrade Sgrancio, Monique Falcão Zuccarello Lôbo, Priscila Barbosa Prates Coloma, Rafaela Almeida Feitosa, Simone Chabudee Pylro. O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma desordem neurocomportamental que pode vir a afetar vários aspectos do desenvolvimento, como o social, emocional, escolar e familiar. Considerando as possíveis implicações da desatenção e da hiperatividade nas atividades da vida acadêmica de estudantes, uma vez que os sintomas podem persistir até a idade adulta, esta pesquisa tem por objetivo identificar as principais estratégias de aprendizagem utilizadas por universitários com e sem indícios de TDAH. A escassez de material relacionado 32 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 32 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:24 a essa temática nos indica a necessidade de ampliação da investigação acerca do assunto. Além disso, é importante verificar a utilização de estratégias de aprendizagem, visto que elas podem trazer melhorias para o sujeito em seu percurso acadêmico. A amostra será composta por, aproximadamente, 180 estudantes dos cursos de Psicologia e Engenharia de uma instituição de ensino superior de Vitória/ ES. Os instrumentos utilizados são: (a) a escala ASRS – 18 (Adult Self Report Scale), para a identificação de indícios de TDAH; e (b) a Escala de Avaliação de Estratégias de Aprendizagem. Os instrumentos estão sendo aplicados coletivamente, junto aos estudantes, na própria instituição de ensino, em horários previamente acordados com as coordenações dos cursos. Esta pesquisa de campo tem caráter exploratório, sendo a coleta de dados do tipo levantamento. Todos os critérios éticos que envolvem a pesquisa com seres humanos estão sendo devidamente respeitados, e para a realização da coleta de dados o projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição na qual será realizada a coleta. Palavras-chave: TDAH. Estratégias de aprendizagem. Universitários. CO 021: ESTRATÉGIAS TERAPÊUTICAS NA ATENÇÃO AO USO DE ÁLCOOL E DE OUTRAS DROGAS: A APLICABILIDADE DO GRUPO DE MOVIMENTO NO CAPS AD. Scheila Silva Rasch, Maria Lúcia Teixeira Garcia. A política de atenção ao uso álcool e de outras drogas do Ministério da Saúde incita a pensar estratégias de intervenções diferenciadas para usuários de substâncias psicoativas, visando ao seu acolhimento numa lógica não somente centrada na abstinência, mas em práticas que tenham como referencial a redução de danos. Com base nessa diretriz, realizamos uma pesquisa, nível mestrado, no Programa de Pós-Graduação em Atenção à Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). O objetivo do estudo foi o de refletir sobre a aplicabilidade, como estratégia terapêutica para os usuários de álcool e de outras drogas, do grupo de movimento, recurso terapêutico da prática clínica neorrechiana. O estudo, de caráter qualitativo, teve como cenário o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS Ad), da Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Vitória. Os sujeitos foram os participantes do grupo de movimento realizado no período de novembro de 2002 a maio de 2003. Para coleta de dados, utilizamos pesquisa documental, tendo como fontes os relatórios de gestão da instituição em questão, prontuários dos sujeitos, registros e planejamentos das sessões do grupo de movimento realizados por ocasião da realização da atividade. Empregamos também a entrevista semiestruturada para buscar a interpretação que os sujeitos participantes da experiência deram ao processo realizado. A interpretação dos sujeitos entrevistados sobre essa experiência destaca-se pela repetição dos efeitos produzidos pelo trabalho, como sensações de vitalização e de relaxamento que podem instaurar novas vivências, VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 33 33 08/05/2012 18:37:24 capazes de ajudá-los num reposicionamento de suas histórias e padrões de consumo das substâncias psicoativas. Apontamos a viabilidade do grupo de movimento como recurso terapêutico possível para esses usuários, resguardando a singularidade dessa clientela - por exemplo, a oferta de grupos abertos e não fechados considerando a dificuldade de adesão e continuidade do tratamento por parte desses usuários. Palavras-chave: Droga. Saúde Coletiva. Saúde mental. Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas. CO 022: GRUPOS DE SALA DE ESPERA NO AMBULATÓRIO DE ONCOLOGIA DO HOSPITAL ESTADUAL INFANTIL NOSSA SENHORA DA GLÓRIA Izabella Zippinotti de Lima Moscoso, Ana Carolina de Almeida Castro, Bruno Birro Coutinho, Jana Silva Novaes e Rita de Cassia Corrêa Mello. A partir das atividades de estágio de Psicologia desenvolvidas no Hospital Estadual Infantil Nossa Senhora da Glória (HEINSG) foi feito um levantamento sobre os aspectos psicológicos que emergiam dos pacientes (crianças e adolescentes) e acompanhantes no ambiente da sala de espera do ambulatório de oncologia. Entende-se o grupo de sala de espera como espaço dinâmico, no qual ocorrem vários fenômenos psíquicos, culturais, singulares e coletivos - e que possibilita a emergência de inúmeros sentimentos, resultantes das experiências de adoecimento e tratamento do câncer infantil. O objetivo do trabalho era a diminuição dos fatores que provocam dificuldade frente ao tratamento, como a ansiedade, por meio de atividades lúdicas grupais na sala de espera. Os encontros aconteceram semanalmente no período de 26 de abril a 8 de novembro de 2011, com duração de 4 horas, totalizando 27 encontros. Participaram crianças e adolescentes, sempre acompanhados de seus pais/responsáveis, caracterizando-se como um grupo aberto. As atividades foram planejadas de acordo com orientações recebidas da psicóloga do hospital (preceptora), do professor orientador e da demanda manifestada pelo grupo. Abrangeram jogos como o bingo, teatro, desenhos livres, recorte e colagem, pintura, brincadeiras de “faz-de-conta” de médico-paciente, confecção de cartazes e manuseio de instrumentos musicais. Os resultados apontaram que as crianças/adolescentes, ao desempenharem as atividades no grupo de sala de espera, se mostraram menos ansiosas nesse período e se preocuparam menos com os fatores adversos que fazem parte do tratamento oncológico. O envolvimento dos pais/responsáveis em diversas atividades foi importante para a adesão dos participantes, favorecendo assim a expressão de sentimentos não manifestados. Por fim, cabe destacar que o ambulatório era visto como aversivo e ameaçador, gerador de grande ansiedade e tristeza, e ao longo dos encontros essa visão negativa foi aos poucos minimizada, possibilitando o melhor enfrentamento da espera pela consulta/tratamento. Palavras-chave: Grupo de sala de espera. Atividades lúdicas. Câncer infantil. crianças/adolescentes. 34 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 34 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:24 CO 023: IMPASSES NO DIÁLOGO ENTRE SAÚDE MENTAL E JUSTIÇA: A QUESTÃO DO LOUCO INFRATOR Fernanda Zimmer, Raquel Fabris Moscon, Renata Costa Moura. Neste trabalho buscamos retratar os impasses referentes ao diálogo entre Saúde Mental e Justiça, no que se refere às questões relativas aos pacientes com cessação da medida de segurança, e que transitam do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico para o Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, no Espírito Santo. Visa-se questionar, a partir de alguns casos, as soluções aplicadas pelo sistema judiciário, tentando demonstrar a inadequação dessas alternativas em relação aos princípios da Reforma Psiquiátrica. Os tensionamentos emergem quando os pacientes do manicômio judiciário recebem a cessação de periculosidade, suspendendo a relação com o sistema de justiça. No momento em que poderíamos esperar o retorno deles para a comunidade, alguns são forçosamente conduzidos a um novo confinamento; desta vez, no Hospital Psiquiátrico comum, perpetuando-se o cárcere, pois apesar de possuir normas um pouco mais flexíveis que um manicômio judiciário, o hospital psiquiátrico também carrega o peso de uma instituição asilar na medida em que priva o sujeito da liberdade e do exercício da cidadania. O fato de o paciente com cessação de medida de segurança ser submetido a uma nova internação após sua saída do manicômio judiciário consiste em um ato que viola os direitos humanos das pessoas com transtornos mentais, como demonstra a situação de A., paciente atualmente internada no Hospital Adauto Botelho, diretamente encaminhada do manicômio judiciário. Mostraremos como a trajetória desse caso presentifica a existência de um confronto entre a lógica discursiva do sistema penal em contraponto com a visão clínica. Palavras-chave: Louco infrator. Sistema de saúde. Sistema judiciário. Reforma psiquiátrica. CO 024: MATRICIAMENTO: UM PROJETO DE INTERVENÇÃO Larissa Escopelli Moulim da Silva, Scheila Alvarenga Sales, Roger Elias B. Machado. O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é o principal serviço da rede de saúde mental constituída na lógica da desinstitucionalização e, dentre suas funções, destacam-se o acompanhamento de pacientes com transtorno mental grave e persistente e a promoção da integralidade da assistência por meio da articulação com os demais serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), além da ligação com outros recursos comunitários. Nesse contexto, o matriciamento constitui-se como estratégia fundamental na assistência compartilhada entre o CAPS e as Unidades Básicas de Saúde. A equipe de apoio matricial tem por finalidade proporcionar tanto apoio assistencial às equipes da atenção primária no acompanhamento dos casos do território quanto suporte técnico pedagógico a esses profissionais. O VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 35 35 08/05/2012 18:37:24 presente trabalho refere-se, portanto, à experiência de estágio curricular do curso de Psicologia da Faesa junto à equipe de apoio matricial do CAPS Cidade, localizado no município de Cariacica/ES. Como estratégias de intervenção foram realizadas reuniões com as equipes das Unidades de Saúde da área de abrangência do CAPS, discussão de casos e visitas domiciliares. A constatação da dificuldade dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) em lidar com questões relacionadas à saúde mental e sua falta de conhecimento dos pressupostos da luta antimanicomial deram origem a um treinamento em saúde mental para os ACS. O treinamento foi composto de três encontros, e foram trabalhados os seguintes temas: história da loucura, Reforma Psiquiátrica, características de alguns transtornos mentais e a política de saúde mental no Brasil. Foram utilizadas palestras expositivas e dialogadas, recursos audiovisuais e distribuição de material informativo. Como resultado desse trabalho, destaca-se a aproximação do CAPS com os profissionais da atenção básica e a possibilidade de ampliação do treinamento para toda a rede de Cariacica, sugerida pela própria Coordenação de Saúde Mental da Secretaria de Saúde do município. Palavras-chave: Matriciamento. Integralidade da assistência. Saúde Mental. CO 025: O BASQUETEBOL COMO POTENCIALIZADOR DO DEFICIENTE FÍSICO CADEIRANTE: UMA CARTOGRAFIA Mariana Monteiro de Barros Miotto, Tulio Alberto Martins de Figueiredo. Estudo descritivo de abordagem qualitativa buscando reconhecer a importância da prática desportiva – no caso o basquetebol – como dispositivo potencializador da ressocialização do deficiente físico cadeirante. O universo do estudo foi constituído por 12 (doze) sujeitos inseridos em um Centro de Reabilitação Física do Espírito Santo, e o trabalho de campo constou de entrevistas abertas e observação. A cartografia – como método – constituiu a baliza norteadora da investigação. Nesse movimento grupal, os treinos eram marcados por conversas e discussões técnicas muito semelhantes ao que se nota entre os desportistas não cadeirantes, constituindose também como espaço de encontro afetivo e realização pessoal. Assim, o basquete transforma os cadeirantes, contribuindo na superação de suas dificuldades iniciais e configurando-se como um passaporte para reinserção social do sujeito. Palavras-chave: Deficiência física. Basquetebol. Prática desportiva. Cartografia. CO 026: O CONSUMO DE ÁLCOOL E SUAS DIMENSÕES NO DESENHO “OS SIMPSONS” Ana Paula da Silva Milani Patrocínio, Paulo Rogério Meira Menandro A presente pesquisa teve como objetivo investigar como o desenho animado Os Simpsons aborda o consumo de bebidas alcoólicas envolvendo o contexto familiar. A relevância desta pesquisa encontra-se no fato de que, por meio dos desenhos 36 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 36 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:24 voltados para o público adulto, possa-se conhecer como o consumo de bebidas alcoólicas é retratado no contexto familiar dos personagens e transmitido para os telespectadores. É ainda uma oportunidade para estudar um tema de saúde pública que afeta milhares de pessoas em diferentes faixas etárias, com consequências biopsicossociais para o sujeito e para os familiares. Para esta pesquisa, foi considerada a 22ª temporada da série e foram assistidos todos os seus 22 episódios. Constituíram objeto de análise as cenas que apresentaram consumo de bebidas alcoólicas pelos personagens principais da série e os momentos em que houve alguma referência – direta ou indireta – ao álcool, bem como às consequências do seu consumo no contexto familiar. Para a apreciação dos resultados utilizouse a Análise de Conteúdo. A bebida alcoólica não foi assunto central em nenhum episódio da 22ª temporada, mas esteve presente em todos, aparecendo 81 vezes. Os resultados apontam para uma postura complacente em relação ao consumo de bebida alcoólica entre os personagens, sendo a maior parte do consumo em ambiente familiar. Existem diferenças entre homens e mulheres no que tange ao consumo de bebida alcoólica; ela é transmitida como algo inerente ao contexto masculino, fazendo parte da sua natureza e o distinguindo do sexo oposto. Também se observou estreita relação da bebida com a interação social e com o ambiente familiar dos personagens principais. Em relação ao tema estudado, o desenho não aborda o conceito da realidade interpretado nas cenas, bem como as consequências sociais que o consumo constante e em excesso da bebida alcoólica acarretaria, colocando a bebida como algo que não causa problemas em nenhuma dimensão da vida dos personagens, apesar de estar presente o tempo todo. Palavras-chave: Álcool. Bebidas alcoólicas. Família. Desenho Animado. CO 027: PSICODIAGNÓSTICO: PRÁTICA OU OLHARES REDUCIONISTAS? Aislane Messa Lemos, Danielly Corteletti Thomazi, Diogo Lourenço Ramaldes, Sarah Izis Meirelles Bucher Martins Costa, Mônica Cola Cariello Brotas Corrêa. O psicodiagnóstico, função privativa do psicólogo garantida pela Lei n° 4119 de 27.08.1962, consiste em avaliação psicológica com fins clínicos que, embasada em um instrumental técnico científico, permite identificar forças e fraquezas em um sujeito e auxiliá-lo a encontrar possibilidades para o enfrentamento e/ou superação das dificuldades que encontra. Em seu surgimento, fortemente influenciada pela psicometria e pela medicina, concentrou-se em seguir uma abordagem nomotética, voltada à comparação normativa de resultados dos sujeitos com o grupo. Tal tendência foi fortemente criticada e, com o crescimento do movimento psicanalítico, passou a dominar a prática psicodiagnóstica uma nova tendência: a idiográfica, que visa compreender o sujeito dentro de sua própria história. Atualmente, a orientação da prática psicodiagnóstica busca a integração VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 37 37 08/05/2012 18:37:24 das abordagens idiográfica e nomotética. Todavia, ainda se observam muitas críticas, formuladas pelos próprios psicólogos, que descrevem o psicodiagnóstico como prática reducionista e normativa. Nota-se, portanto, desconhecimento dos profissionais da área sobre essa modalidade de ação que responde a muitas demandas feitas ao psicólogo. Afinal, o psicodiagnóstico pode ter vários objetivos, tais como descrição da cognição, perícia forense, avaliação neuropsicológica, entre outros. A presente pesquisa qualitativa objetiva conhecer a visão de profissionais psicólogos de várias áreas de atuação sobre a prática do psicodiagnóstico. Foram realizadas entrevistas com dez profissionais que atuam em diferentes áreas da Psicologia e que não utilizam esse método em sua prática. Os resultados indicam o reconhecimento dos entrevistados para a importância dessa prática psicológica. Todavia, ainda acreditam que a garantia de uma prática ética e profissional depende mais de fatores pessoais do que de uma adequação teórico-metodológica para a área. Identifica-se ainda desconhecimento quanto às bases legais e metodológicas que orientam o processo, indicando a necessidade de fomentar espaços de discussão sobre o psicodiagnóstico junto a profissionais e estudantes. Palavras-chave: Psicodiagnóstico. Reducionismo. Prática profissional. CO 028: QUALIDADE DE VIDA DE UNIVERSITÁRIOS COM E SEM INDÍCIOS DE TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE. Bruna Heintze Ferreira, Adriana Barbosa Adão, Arthur Suave Santos, Daniel Paulo de Oliveira Filho, Isabela Santos Caiado, Ismênia Resende Fonseca, Simone Chabudee Pylro. O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição neuropsicológica caracterizada pela presença de impulsividade e hiperatividade e pela diminuição da atenção. Na vida adulta, o TDAH pode se apresentar de forma mascarada, tendo em vista que uma série de comorbidades acaba por dificultar o diagnóstico do transtorno. Pesquisas na área indicam que pessoas que apresentam algum déficit de atenção e hiperatividade, que em alguns casos configura-se como TDAH, apresentam maior número de divórcios, maiores taxas de desemprego e menor renda média. Tais dados revelam a necessidade de se investigar possíveis relações entre indícios de desatenção e hiperatividade e a qualidade de vida. Portanto, o objetivo deste estudo é avaliar a qualidade de vida de universitários com e sem indícios de TDAH. Participarão da pesquisa 180 estudantes, matriculados nos cursos de Psicologia e Engenharia de uma instituição particular de ensino superior do município de Vitória/ES. Para a realização deste estudo, serão utilizadas a escala Adult Self-Report Scale (ASRS-18, versão 1.1) e a escala Medical Outcomes Study 36 – Item Short-Form Health Survey (SF-36). Elas serão aplicadas coletivamente, em sala de aula, em dias e horários previamente acordados com as coordenações dos cursos. Este estudo foi aprovado pelo Comitê 38 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 38 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:24 de Ética em Pesquisa da instituição em que os dados serão coletados, de modo que serão respeitados os critérios éticos previstos para a realização de pesquisas com seres humanos. Palavras-chave: TDAH. Universitários. Qualidade de vida. CO 029: QUALIDADE DE VIDA NO PÓS-CIRÚRGICO BARIÁTRICO: RELATO DA EXPERIÊNCIA DE PACIENTES SUBMETIDOS AO PROCEDIMENTO Ana Claudia Ferreira Sanches, Elzimar Evangelista Peixoto, Edina da Silva Guimarães. As discussões atuais sobre qualidade de vida enfatizam a percepção dos indivíduos sobre os diversos fatores que podem interferir no processo saúde doença. Dentre esses fatores, a obesidade destaca-se como um importante aspecto na determinação da qualidade de vida, sendo considerado, em função do número crescente de indivíduos obesos, um grave problema de saúde pública. Diante dessa realidade, várias ações e intervenções foram propostas, dentre elas a técnica da cirurgia bariátrica. Este trabalho teve como objetivo levantar o perfil dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) submetidos ao procedimento bariátrico no serviço de cirurgia bariátrica do Hospital Evangélico de Vila Velha (HEVV), destacando-se os aspectos da qualidade de vida após a realização da cirurgia. Utilizou-se como instrumento de coleta um roteiro semi-estruturado de entrevista, aplicada pelo pesquisador, e as respostas foram analisadas por meio da técnica de Análise de Conteúdo. Os resultados encontrados apontaram uma percepção da obesidade vinculada a sofrimento, vergonha, problema, medo, limitação física e exclusão social, o que, de acordo com os entrevistados, se reflete numa qualidade de vida ruim. Diante da pergunta sobre o que é ter saúde, as respostas se mostraram inversas à percepção apontada para o termo obesidade, tendo como palavras referidas alegria, auto-estima, vigor/ânimo, bem-estar, trabalho e diversão. Para a efetivação dos resultados esperados com a realização da cirurgia, foram apontados outros fatores externos ao procedimento médico/cirúrgico, com destaque para o apoio social e familiar como determinante no cumprimento das orientações pós-cirúrgicas. Quanto aos aspectos psicológicos, foi destacada a dificuldade inicial em lidar com a nova imagem corporal e a ruptura com o modelo anterior de relacionamento social, sendo possível sair do lugar constante de busca de aceitação que exigia agradar e divertir as pessoas próximas. Conclui-se que a cirurgia bariátrica é uma importante intervenção na busca pela qualidade de vida de pacientes obesos; entretanto, destaca-se, em alguns casos, a necessidade de um trabalho de orientação com a família e um acompanhamento psicológico posterior à realização da cirurgia, com o objetivo de fortalecer e consolidar esse novo lugar social. Palavras-chave: Cirurgia bariátrica. Qualidade de vida. Representação social. VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 39 39 08/05/2012 18:37:24 CO 030: REDES DE SOCIABILIDADE E ESPAÇOS DE CIRCULAÇÃO: SIGNIFICADOS DA CONVIVÊNCIA DO MORADOR DE RESIDÊNCIA TERAPÊUTICA NA COMUNIDADE Pedro Machado Ribeiro Neto, Luziane Zacché Avellar. Trata-se de um projeto de doutorado sobre a desinstitucionalização da loucura no Espírito Santo, com foco na relação entre os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs) e a comunidade onde eles estão inseridos. Para o Ministério da Saúde, uma das dificuldades para a expansão das Residências Terapêuticas no país se ilustra na resistência das comunidades ao processo de reintegração social de ex-moradores de longa data de hospitais psiquiátricos. No Espírito Santo, existem cinco SRTs em funcionamento sob gestão estadual. Três dessas residências se localizam relativamente próximas umas das outras, em um bairro caracterizado basicamente como um conjunto residencial. Por se tratar de uma região de significativa importância para os processos de desinstitucionalização no estado, este projeto objetiva conhecer os espaços de circulação dos moradores das residências terapêuticas nesse conjunto residencial e em seus arredores, assim como verificar os significados para os habitantes, comerciantes ou frequentadores do bairro sobre essa convivência, no intuito de compreender a receptividade social e as concepções dos participantes sobre essa população e esses serviços. Os dados estão sendo coletados a partir de uma perspectiva etnográfica, sendo utilizadas entrevistas individuais e coletivas com as pessoas que moram, trabalham ou frequentam aquele conjunto, realizadas no espaço público, além de observações participantes no local de estudo. O roteiro contempla quatro tópicos principais, investigando a concepção dos participantes sobre o Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, as residências terapêuticas, os moradores dessas residências e por fim sobre a experiência da loucura. O material coletado a partir das entrevistas e diários de campo será submetido à técnica da Análise de Conteúdo, sendo utilizada uma de suas subcategorias, a Análise Temática dos dados obtidos. Palavras-chave: Saúde mental. Rede social. Morador de residência terapêutica. Perspectiva etnográfica. Comunidade. CO 031: REPRESENTAÇÃO SOCIAL E QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES COM DIABETES MELLITUS Ana Claudia Ferreira Sanches, Eduardo Coelho Ceotto. O Diabetes Mellitus, por ser uma doença crônica e de alta prevalência na população mundial, se torna um importante objeto de estudo para a compreensão de modificações no cotidiano do paciente após o diagnóstico e seu entendimento sobre a doença. Nesse sentido, buscou-se identificar elementos de representação social em 120 sujeitos (57 homens e 63 mulheres) com diagnóstico de diabetes mellitus, todos com idade entre 20 e 92 anos, moradores da Grande Vitória e com tempo médio de 40 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 40 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:24 diagnóstico de 12 anos. Para coleta de dados, foi utilizado um roteiro de entrevista semi-estruturado, com questões de evocação e sobre a qualidade de vida após o diagnóstico da doença. Os dados sobre as representações sociais foram analisados com a utilização do método Tiscon, demonstrando como elementos de representação social do diabetes as palavras medicamento, tristeza, medo, dieta, açúcar, insulina, doença, sem cura e cuidado sempre. A partir do procedimento Anacor, verificou-se que o elemento medicamento se apresentou com maior tendência à centralidade. As modificações no cotidiano de vida dos pacientes foram verificadas por meio da utilização do procedimento de Análise de Conteúdo. Somente 3% dos participantes relataram que não modificaram os hábitos após o diagnóstico da doença; entretanto, 97% afirmam que modificaram um ou mais hábitos de vida. Sobre as mudanças mais difíceis, 45% estão relacionadas aos hábitos alimentares restritivos, como dietas e 23%, e estão ligados especificamente à restrição de açúcar e doces. Não determinando o hábito mais difícil de ser modificado, 13% dos participantes afirmaram que modificaram seus hábitos/comportamentos, mas não elegeram um como o mais difícil. Em seguida, 9% dos participantes disseram que a sistematização dos medicamentos e a correta adesão ao tratamento foram mais difíceis de modificar, e 3% afirmaram que a dificuldade em se exercitar e realizar atividades físicas foram os hábitos mais difíceis de mudança. Os resultados demonstram o impacto que o diagnóstico de diabetes tem no cotidiano dos pacientes e, diante disso, as práticas de saúde devem considerar a realidade vivenciada pelos pacientes para melhor adesão ao tratamento e maior possibilidade de busca da qualidade de vida. Palavras-chave: Diabetes Mellitus. Representação Social. Qualidade de vida. CO 032: REPRESENTAÇÃO SOCIAL, GÊNERO E PRÁTICAS DE SAÚDE: ESTUDO COM PESCADORES. Andressa Tonini Pissaia, Célia Regina Rangel Nascimento; Jéssica Pontara Marciano; Maria Cristina Smith Menandro e Zeidi Araujo Trindade. Vários fatores dificultam o cuidado masculino com a saúde, como o fato de que os serviços de saúde são na sua maioria voltados para mulheres, idosos e crianças; o fato de que o cuidado com o corpo é visto como uma preocupação feminina; e a socialização ainda pautada em valores tradicionais que consideram que características como força, coragem e autocontrole definem a masculinidade. O trabalho, sendo uma atividade fundamental para a construção da identidade masculina, também é um fator que tem consequências significativas para o adoecimento e/ou cuidado com a saúde. A atividade da pesca é considerada arriscada, sendo um trabalho que possui condições que podem ter impacto na saúde dos homens. Este trabalho teve por objetivo investigar, junto aos homens que exercem atividade de pesca em Vitória/ES, quais são as práticas por eles VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 41 41 08/05/2012 18:37:24 desenvolvidas relacionadas à saúde, bem como as concepções sobre diferenças de gênero nessas práticas. Utilizou-se um roteiro semi-estruturado de entrevista com 40 pescadores de Vitória/ES, com idade entre 23 e 67 anos. Pouco mais da metade dos participantes afirmaram cuidar da própria saúde pelos seguintes motivos: envelhecer bem e com saúde, viver por muito tempo, já ter alguma doença, medo de ficar doente. No entanto, 22,5 % disseram que não se cuidam, justificando que fazem uso de álcool, cigarro ou drogas, não têm problemas de saúde ou não têm tempo. Os dois grandes fatores que contribuem para a saúde dos pescadores são as unidades de saúde (45%) e as esposas/companheiras/ namoradas (42,5%). Sobre diferenças de gênero no cuidado da saúde, 95% dos pescadores disseram que as mulheres se cuidam mais, por serem mais vaidosas, por procurarem mais os médicos e por terem mais tempo. Sobre a necessidade de haver um serviço de saúde específico para os pescadores, 90% afirmaram que gostariam que existisse, pois os pescadores sofrem muitos acidentes; assim ficariam mais à vontade e o atendimento seria mais rápido. Conclui-se que é importante conhecer mais a opinião dos homens sobre os cuidados com a saúde e desenvolver programas e estratégias contemplando também grupos de homens que exercem atividades de risco. Palavras-chave: Representação social. Saúde do homem. Processo saúde-doença. Eixo: Trabalho CO 033: A PROFISSÃO DO MOTOBOY: CONSTRUÇÃO SOCIAL DO MEDO E DA INSEGURANÇA Marilene Olivier, Vanessa Covre Rangel, Simone da Costa Fernandes, Cybelle Olivier de Araujo. Esta pesquisa foi desenvolvida a partir do construto sócio-histórico da relação capital-trabalho. Teve-se como objeto de estudo os “motoboys”, cujas condições de trabalho vem sendo tratadas com displicência, uma vez que seu contexto evidencia a presença do sofrimento e do risco permanentes. Foi realizada uma pesquisa qualitativa, tendo sido entrevistados 32 “motoboys” da Grande Vitória que atuam em atividades diversas. Buscou-se verificar qual a sua percepção sobre o próprio trabalho e as relações trabalhistas. As entrevistas, gravadas e transcritas, passaram pela Análise de Conteúdo. As categorias encontradas foram: o surgimento da profissão de motoboy, as configurações das relações de trabalho, a natureza do trabalho, máquinas e equipamentos, o local de trabalho, os acidentes e a (in) segurança ontológica. Os achados revelam uma compreensão intuitiva de que a profissão nasceu do ambiente dinâmico da atual sociedade impregnada pela cultura do imediatismo. Eles se sentem excluídos do mercado de trabalho formal. Não existe uma classe profissional que lute por seus direitos, e os profissionais 42 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 42 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:24 ficam fragmentados em suas demandas e reivindicações. As relações de trabalho configuram-se como outras do início do século XX, à semelhança das minas de carvão, onde a insalubridade e a periculosidade eram implícitas à profissão do mineiro. Na percepção dos “motoboys”, a responsabilidade referente à higiene e à segurança do trabalho é transferida a eles e ao governo. Este, por sua vez, mostra-se pouco participativo, emitindo algumas normas a serem cumpridas pelo “motoboy” numa espécie simbólica de aval da precariedade da situação. Assim, não há hora para a entrega; não existem considerações ou compensações devido às condições climáticas; não existe – na maior parte dos casos – a possibilidade de amparo do INSS em caso de acidentes; as máquinas e equipamentos são de investimento obrigatório do empregado; não há espaço físico nas organizações para as quais prestam serviços e eles ficam ao relento pelas calçadas; e os acidentes passaram a fazer parte de seu cotidiano, como se integrassem a própria profissão. Por fim, revelou-se o medo do dia a dia e a insegurança que lhes marca o ser, quanto ao futuro e à estabilidade, tendo conflitos íntimos em relação a assumir compromissos e constituir família. Palavras-chave: Motoboy. Profissão. Construção social. CO 034: ALGUNS OLHARES CONSTRUÍDOS ACERCA DO EX-USUÁRIO DE DROGAS: OS DESAFIOS PARA UMA REINSERÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO Angelo Moreira Arruda, Raphael Pinto Gandolfo, Gabriela de Brito Martins. Ao refletir acerca da reinserção de ex-usuários de drogas no mercado de trabalho, é preciso levar em consideração vários aspectos sociais, os quais são perpassados por uma série de fenômenos muito complexos. Tal complexidade se deve ao fato de que o homem é um ser biopsicossocial, isto é, um ser que constantemente é atravessado por várias questões que circunscrevem sua existência. Um desses fenômenos são os múltiplos olhares sociais que são construídos historicamente no seio de cada sociedade. Diante desse panorama, o presente artigo visa pesquisar se alguns olhares sociais que são construídos acerca dos ex-usuários de drogas, os quais se comunicam com as percepções do mercado de trabalho, interferem na sua reinserção profissional. A pesquisa foi descritiva, realizada de forma qualitativa e baseada na técnica da análise de discurso. Para atingir os resultados, foi feita uma revisão bibliográfica referente ao tema, como também foi realizada e analisada uma entrevista semi-estruturada com uma gerente de recursos humanos. A partir das informações construídas diante da entrevista e das informações provindas das fontes bibliográficas, pode-se perceber que ambas confirmaram os olhares sociais, citados pela literatura, referentes à contratação de um ex-usuário de drogas, os quais giram em torno de discursos que rotulam tais pessoas como doentes, duvidosos e/ ou problemáticos. Os resultados obtidos por tal pesquisa revelaram que os olhares VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 43 43 08/05/2012 18:37:24 construídos em torno dos ex-usuários de drogas, as quais são formados por meio de várias questões circunscritas no cerne da sociedade moderna, interferem muito na sua reinserção profissional. Palavras-chave: Ex-usuários de drogas. Olhares sociais. Mercado de trabalho. Reinserção social. CO 035: O PROCESSO DE INTEGRAÇÃO DE NOVOS COLABORADORES Carolina Lemos Cravo, Sueli Zamprogno, Priscilla de Oliveira Martins da Silva. As organizações podem ser concebidas como produtoras de elementos culturais como rituais, estórias e cerimônias. Essas produções culturais têm o objetivo de conferir regularidade e previsibilidade nas relações entre os diferentes participantes. Uma das estratégias utilizadas pelas organizações para alcançar esse objetivo é o processo de socialização de novos membros por meio do qual o novo integrante organizacional aprende valores, normas e comportamentos esperados que permitem a ele participar como membro de uma organização. O objetivo do presente trabalho é compreender a relação entre as estratégias de socialização e a adaptação do funcionário recém-admitido à organização. Metodologicamente, utilizou-se a abordagem quantitativa, sendo aplicado um questionário padronizado dividido em duas partes: a primeira continha dados sobre o cargo e o tempo de permanência na organização, e a segunda abrangia questões referentes ao objetivo da pesquisa. O questionário foi aplicado para dois grupos separados: o Grupo 1 era formado por pessoas que haviam feito o treinamento de integração, e o Grupo 2, por pessoas que não haviam realizado o treinamento. Todos foram escolhidos de forma aleatória. Para a análise dos dados foi utilizada a estatística descritiva. Os resultados mostraram que as estratégias de socialização utilizadas durante o período de ambientação dos novos colaboradores contribuíram para passar as informações necessárias para os novos entrantes na organização - uma vez que no Grupo 1 houve uma assimilação dos preceitos que permeiam a filosofia da empresa, facilitando assim a sua adaptação no ambiente de trabalho, enquanto que no Grupo 2 observou-se uma dificuldade na adaptação em função de não terem recebido informações suficientes sobre a organização. Portanto, o conjunto de dados indica de fato que o treinamento de integração é um instrumento válido como estratégia de socialização organizacional - uma vez que é a maneira pela qual a organização recebe os novos colaboradores e os integra à sua cultura, ao seu contexto e ao seu sistema para que eles possam comportar-se de maneira adequada às expectativas da organização, e facilitando assim sua adaptação. Palavras-chave: Socialização organizacional. Treinamento de integração. Adaptação dos colaboradores 44 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 44 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:24 Eixo: Direitos Humanos, Políticas Públicas e Cidadania CO 036: “ATÉ HOJE EU SINTO AQUELE ABRAÇO...”: MEMÓRIAS PESSOAIS E COMUNS DE PRESAS POLÍTICAS SOBRE SEUS FAMILIARES DURANTE A DITADURA MILITAR Priscilla Praude Duarte, Ingrid Faria Gianordoli-Nascimento, Priscilla Praude Duarte, Jaíza Pollyanna da Cruz, Sara Angélica Teixeira da Cruz Silva, Flaviane da Costa Oliveira, Flávia Gotelip Veloso, Thayna Larissa Aguilar dos Santos. O regime militar brasileiro (1964-1985) foi marcado pela intensa repressão a todos os grupos considerados de esquerda, principalmente nos anos após a edição do AI-5, ocorrida em 1968. As práticas repressivas atingiram não somente os opositores ao regime, mas também seus familiares - que sofreram física, moral e psicologicamente os atos autoritários cometidos pelo Estado. Nessa perspectiva, apresentaremos narrativas das militantes sobre o lugar e a importância dos familiares em suas trajetórias no período da ditadura, a partir de memórias pessoais e comuns. Este trabalho é um recorte da pesquisa “Identidade, Geração e Gênero durante ‘os anos de chumbo’: a memória de mulheres militantes sobre os impactos de sua militância na trajetória de seus familiares durante a ditadura militar”, financiada pelo CNPq, em que foram entrevistadas nove mulheres que foram presas políticas durante o período militar em Vitória (ES). O enfoque ao gênero feminino se deu com o intuito de destacar a militância política de mulheres que, fazendo parte dos grupos de resistência ao regime, provocaram uma ruptura de regras morais ao assumir um papel inédito tanto no campo da política quanto no das relações familiares. A partir da Análise de Conteúdo das entrevistas, evidenciaram-se dois eixos temáticos: 1) Clandestinidade: A distância das relações familiares; 2) Prisão e tortura: 2.1) Família como apoio no momento da prisão, 2.2) Familiares como rede de proteção e denúncia, 2.3) Família utilizada pela repressão como instrumento de tortura. Portanto, investigar a vivência de presas sobre o envolvimento de seus familiares em sua trajetória oferece importantes elementos para a construção da memória histórica do período da ditadura militar no Brasil. Palavras-chave: Ditadura Militar. Presas políticas. Familiares de presas políticas. CO 037: A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA E DA COMUNIDADE NO PROCESSO DE SOCIOEDUCAÇÃO DOS ADOLESCENTES INFRATORES SUBMETIDOS A MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS EM MEIO ABERTO Alini Altoé, Poliane dos Passos Almeida. O presente trabalho relata a experiência de duas psicólogas com “Encontros de Familiares” realizados em um programa de execução de medidas socioeducativas em meio aberto (Liberdade Assistida e Prestação de Serviços à Comunidade), de setembro VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 45 45 08/05/2012 18:37:24 a dezembro de 2010. Os Encontros de Familiares reuniram profissionais do programa (psicólogos, assistentes sociais, pedagogo e educadores sociais), representantes da rede de serviços do município, adolescentes e seus familiares. O objetivo dos encontros era conhecer a realidade familiar dos socioeducandos, estimular a participação dos familiares como atores no processo de ressocialização, promover espaço de escuta, desenvolver vínculos, traçar o plano individual de atendimento familiar e gerar articulações com a rede de serviços de saúde, educação e social. Os encontros seguiram as orientações do Estatuto da Criança e do Adolescente e do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, tendo em vista que ambos os documentos preconizam a co-responsabilidade da família e da comunidade no processo de socioeducação e a valorização do convívio familiar como elemento fundamental para o desenvolvimento da subjetividade, das crenças, dos valores e das regras sociais. O fortalecimento do convívio familiar e comunitário para os adolescentes em conflito com a lei promove a reinserção familiar e comunitária e possibilita o protagonismo social a fim de superar a situação de exclusão. Ao longo dos Encontros de Familiares, os principais desafios foram promover as reuniões nos bairros em que os socioeducandos residiam e adequar os horários das reuniões e a participação da família de todos os adolescentes. No que diz respeito às conquistas, elas se caracterizam, principalmente, pelo aprimoramento dos vínculos, pela criação do espaço de escuta, reflexão e troca, pela proposição de mudança de comportamentos e pensamentos, pelo alcance das metas que foram propostas pelas famílias e pela potencialização dos participantes por meio da troca de experiências. Pode-se concluir que a interlocução entre equipe profissional, família e comunidade contribuiu de forma positiva no processo de socioeducação dos adolescentes em conflito com a lei ao fortalecer os vínculos familiares e desenvolver nesses atores sociais o protagonismo e a autonomia. Palavras-chave: Socioeducação. Adolescente em conflito com a lei. Família. CO 038: ADOLESCÊNCIA, CRIMINALIDADE E SEMILIBERDADE: PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO DIANTE DA PERSPECTIVA DE UMA MORTE ANUNCIADA Fernanda Pinheiro de Oliveira Rubim. Trata-se de uma pesquisa elaborada no curso de Mestrado em Psicologia da PUC Minas que objetiva investigar os processos de subjetivação relacionados às mortes violentas que atravessam a vida dos adolescentes e jovens do sexo masculino autores de infração penal. Sua motivação está articulada à minha trajetória profissional, relacionada ao acompanhamento desses sujeitos na medida socioeducativa de semiliberdade em Belo Horizonte, Minas Gerais. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com adolescentes, jovens e profissionais inseridos na semiliberdade, o que permitiu analisar aspectos da subjetividade desses sujeitos que convivem com a possibilidade da ocorrência de uma morte violenta. As entrevistas realizadas com 46 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 46 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:24 os profissionais, bem com as análises dos documentos institucionais, objetivaram também observar aspectos da prática institucional que podem ou não aprisionar esses sujeitos em contextos de morte. Outras ferramentas importantes na coleta de campo foram o diário de campo, no qual constam anotações feitas ainda no período em que eu atuava como coordenadora da semiliberdade, e dados da realização da observação participante. A problematização proposta por esta pesquisa tem como fundamento as teorizações sobre os processos de subjetivação, ancorados na Análise Institucional e nas postulações foucaultianas e deleuzianas. A análise dos segmentos que compõem a subjetividade dos adolescentes que vivenciam as ameaças e as “guerras” contraídas no “mundo do crime” evidenciou que, a partir da relação com a criminalidade, a subjetividade desses sujeitos passa a funcionar pelo mecanismo da “correria”, da “atividade”, que se apóia em ideais viris, individualistas, hedonistas e consumistas, típicos da contemporaneidade. Como consequência, a vida banalizase, e a possibilidade da morte violenta é vivenciada intensamente. Esse modo de funcionamento, calcado na “correria” e no medo da morte, também é um aspecto constitutivo da subjetividade dos trabalhadores da semiliberdade. Em suma, esses são os pontos centrais deste trabalho, que objetiva ser um mais um instrumento de análise dos processos subjetivos atuais. Palavras-chave: Adolescência. Criminalidade. Semiliberdade. Ameaças de morte. Processos de subjetivação. CO 039: AMOR POR TRÁS DAS GRADES: MATERNIDADE NO PRESÍDIO Renata Soares Loiola, Angelita Lopes Cardoso, Jussara Cristina Schiffler, Lucilene de Oliveira, Shirley Silva Martiniano, Mônica Nogueira dos Santos. Trata-se de uma pesquisa realizada num presídio feminino no estado do Espírito Santo, cujo objetivo foi investigar a maternidade no contexto presidiário. Para tanto, o instrumento de coleta de dados utilizado foi o Grupo Focal, do qual participaram seis internas que estavam grávidas ou haviam dado à luz havia menos de seis meses. Procurou-se investigar, junto a essas mães, os laços construídos com os bebês e a continuidade dessa relação dentro do presídio, garantida por lei nos primeiros seis meses, e fora dele. Observamos que, para as participantes, o momento de separação do filho é extremamente doloroso, sendo considerado por elas pior do que o fato de estarem presas; elas também demonstraram muita dificuldade em falar e, conforme revelaram, até de pensar sobre esse assunto. Foi possível perceber também que, para essas mães, seus filhos acabam sendo um ponto de apoio para enfrentar a realidade prisional e as dificuldades encontradas durante o cárcere. Nesse contexto, entendemos que o psicólogo deve desempenhar uma atuação voltada para promoção de saúde, respeitando a singularidade de cada sujeito e estando aberto às diversas realidades, como na intervenção com essas mães. Palavras-chave: Maternidade. Presídio. Relação mãe-bebê. Atuação do Psicólogo. VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 47 47 08/05/2012 18:37:25 CO 040: JUSTIÇA E AFETIVIDADE: INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL COM MULHERES PRESAS Monica Trindade Pereira Santana, Drielle Bianchini Alexandre Glauber dos Reis Ribeiro Leticia Scarpatti Rodrigues, Maria das Graças Raimundi, Suzane Tavares Targa. Discute-se neste trabalho a Intervenção Psicossocial realizada no Estágio da Ênfase em Educação do curso de Psicologia da Associação Educacional de Vitória (AEV/Faesa). O trabalho foi realizado em uma penitenciária feminina localizada no Espírito Santo. Participaram deste trabalho 15 mulheres que cumprem pena no regime fechado e 15 mulheres que cumprem pena no regime semiaberto. A seleção das participantes foi feita pela equipe técnica da penitenciária, e cada participante assinou termo de consentimento para participação. Para a realização das intervenções, utilizou-se como técnica trabalhos manuais como recortes de figuras e montagem de painéis temáticos, escultura com argila, confecção de porta-retratos, exibição comentada de filmes, exibição comentada de músicas e técnicas de relaxamento, que serviram como promotoras de discussão sobre temáticas relevantes no cotidiano das presas. A escolha dos temas a serem discutidos e trabalhados se dava a partir de sugestão das presas, e também a partir do que se observava nos grupos. Os principais temas trabalhados foram a saudade da família, ser boa mãe, o envolvimento com as drogas e o crime, a ausência dos companheiros após a prisão, a sexualidade, a homossexualidade, a vontade de não praticar mais crimes, a atuação autoritária dos agentes penitenciários. À medida que as intervenções foram realizadas, percebeu-se que as detentas ficaram mais participativas no grupo e trouxeram reflexões sobre o seu papel ativo seu processo de mudança. Garantido o sigilo, muitas queixas levantadas pelas presas quanto ao processo de ressocialização foram levadas ao conhecimento da administração da penitenciária e da equipe psicossocial, que providenciou encaminhamentos quanto à revisão de pena, à inclusão de algumas presas em tratamento de saúde e a frentes de trabalho. Ainda há muito a ser feito, além de ser necessário continuar a discussão sobre o papel das prisões da sociedade e as características específicas do aprisionamento feminino. Palavras-chave: Penitenciária. Ressocialização e intervenção psicossocial. CO 041: MEMÓRIA HISTÓRICA DOS ANOS DOURADOS: RESULTADOS PRELIMINARES DE BELO HORIZONTE Flaviane da Costa Oliveira, Ingrid Faria Gianordoli-Nascimento, Jaíza Pollyanna Dias da Cruz, Flávia Gotelip Corrêa Veloso, Luciana Moura Ribeiro. Os anos 50, período que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, e suas características políticas, econômicas e sociais foram chamados por historiadores no mundo inteiro como Anos Dourados. No Brasil, alguns elementos da história se destacam como marcos desse período. Na política e na economia, nota-se o governo 48 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 48 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:25 desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek, a construção de uma nova capital, Brasília, e o desenvolvimento da indústria automobilística. No âmbito cultural, salienta-se o surgimento da Bossa Nova, além da primeira conquista de uma Copa do Mundo de Futebol pelo Brasil. Este trabalho integra a pesquisa “Análise Psicossocial da Memória Histórica dos Anos Dourados: política, cultura e cotidiano”, financiada pelo CNPq e pela Faperj, e realizada em cinco capitais brasileiras: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Recife e Vitória. Serão apresentados resultados preliminares das análises dos dados obtidos com a aplicação de questionários a 456 habitantes da cidade de Belo Horizonte. Foram selecionados sujeitos de diferentes faixas etárias: idosos (entre 65 e 80 anos), adultos (entre 40 e 55 anos) e jovens (entre 15 e 30 anos). Os resultados preliminares apontam para importantes elementos da memória social das três gerações, concernentes ao Governo de Juscelino Kubitschek, à construção de Brasília, à Copa do Mundo de 1958, aos concursos de misses, à Bossa Nova e ao desenvolvimento da indústria automobilística brasileira, com destaque para a popularização do “Fusca”. Além de aspectos da memória histórica do período, em Belo Horizonte verifica-se uma peculiaridade relacionada aos fenômenos de identidade social, principalmente em relação à figura de Juscelino Kubitschek, apontado, para além da figura pública, como pessoa, participante do cotidiano do grupo social, “gente como a gente”, que em seu Governo fez “mais coisas boas que ruins”, o que nos indica prováveis mecanismos de valorização e proteção endogrupal. Palavras-chave: Anos dourados. Memória histórica. Juscelino Kubitschek. Identidade Social. CO 042: O COMPROMISSO SOCIAL E A INICIAÇÃO CIENTÍFICA EM PSICOLOGIA Isabele Santos Eleotério, Bruna Ramos Ferreira, Jaciara Scal Duia Castello, Laís Sudré Campos. O Partícipe é um projeto de iniciação científica em Psicologia Social comunitária e controle social. Esse projeto tem por objetivo geral compreender o funcionamento e a atuação dos órgãos de controle social estadual e a participação ou ausência dos psicólogos nesses órgãos sob o prisma do movimento sindical. Os objetivos específicos para esse intento são os de investigar a participação dos psicólogos nos órgãos de controle social estadual, e identificar a relação entre o Sindicato dos Psicólogos e a participação dos psicólogos nos órgãos de controle social estadual. Espera-se com esta pesquisa investigar se o compromisso social da Psicologia mobiliza ou mobilizou psicólogos filiados ao sindicato da categoria a tomar assentos nos órgãos de controle social estadual. Para essa finalidade, foram selecionados 15 conselhos estaduais: assistência social; pessoa portadora de deficiência; ciência e tecnologia; cultura; defesa do consumidor; defesa dos direitos da mulher; defesa dos direitos da pessoa idosa; educação; esportes e lazer; saúde; segurança pública e VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 49 49 08/05/2012 18:37:25 defesa social; trânsito; meio ambiente; direitos da criança e do adolescente; e direitos humanos. Serão os seguintes os procedimentos para coleta de dados: 1) pesquisa documental e bibliográfica; 2) observação do contexto, pesquisa participante e produção de diário de campo; 3) instrumentos para coleta de dados - serão utilizados dois instrumentos para coleta de dados: a) formulário para seleção de sujeitos - serão aplicados aos 100 primeiros filiados ao Sindicato dos Psicólogos do Estado do Espírito Santo (SINDPSI-ES); b) questionário sobre participação do(a) psicólogo(a) nos órgãos de controle social estadual e 4) supervisão em grupo. Os sujeitos serão informados no início da coleta de dados que terão total liberdade de se recusarem a participar da pesquisa em qualquer fase, sem penalização ou prejuízo. Espera-se, com esta pesquisa, realizar duas ações: 1) capacitar estudantes de Psicologia na execução de pesquisa e promover espaço de iniciação científica para alunos a partir do quinto período e 2) investigar se o compromisso social da Psicologia mobiliza ou mobilizou psicólogos filiados ao sindicato da categoria a tomar assentos nos órgãos de controle social estadual. Palavras-chave: Compromisso social, Movimento sindical, Iniciação científica. CO 043: PSICOLOGIA: (RE) CRIAÇÃO DE ESTRATÉGIAS JUNTO AOS POPULARES DE RUA DO MUNICÍPIO DE VITÓRIA Janaina Erler Cardoso, Amanda Prezentino Eliziário, Bruna Bonatto Batista, Julyanna Demoner Knaack e Sátina Priscila Marcondes Pimenta Melo. Pretende-se discutir a atuação do psicólogo no campo da Assistência Social, especificamente no Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (CREAS Pop), do município de Vitória. Entende-se que população em situação de rua são sujeitos que utilizam as ruas como espaço de moradia e sobrevivência. O CREAS Pop oferta atendimento humanizado e atividades direcionadas ao desenvolvimento da sociabilidade dos envolvidos, com perspectiva de construção de projeto de vida em consonância com suas demandas e respeitando suas escolhas; assim, a atuação da Psicologia é re-criada cotidianamente. Dentre as atividades desenvolvidas estão acolhida humanizada, atendimento individual/ grupal, busca das famílias, oficinas terapêuticas, encaminhamentos e articulação com políticas públicas e rede, atendimento à família, fortalecimento de vínculos sociocomunitários, inserção no mercado de trabalho, atividades culturais de inclusão, visitas domiciliares, reinserção familiar e moradia. O objetivo é pensar as estratégias criadas na atuação do psicólogo no campo da Assistência Social com população em situação de rua. Metodologia: Análise institucional do CREAS Pop, pesquisa bibliográfica, pesquisa-ação e “orientações” com outros psicólogos quanto ao trabalho realizado. Resultados: Estudos de casos e articulações com a rede rompendo preconceitos e garantindo atendimento qualificado em outros 50 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 50 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:25 equipamentos; realização de grupos auto-analíticos com intuito de promoção da autonomia e superação da situação de vulnerabilidade; suporte e orientação para o mercado de trabalho; acompanhamento das famílias; reinserção familiar e moradia. Dessa forma, o nosso fazer está implicado com a construção de um modelo de assistência pautada na Política Nacional da Assistência Social, nos princípios da dignidade humana e na garantia dos direitos, com uma visão diferenciada da produção da subjetividade do popular de rua. O que se propõe é a invenção de práticas que priorizem o trabalho em equipe e uma participação atuante do usuário como agente desse processo, para a construção conjunta de um cuidado ampliado e integral, rompendo com preconceitos e discriminações. Palavras-chave: Assitência Social. População de Rua. Psicologia. CO 044: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO EM HABILIDADES SOCIAIS COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO SOCIAL DE RISCO Fernanda Felix Dantas, Ilana Martins Mendonça, Natila Thomaz do Carmo, Eduardo Barbosa Lopes. O presente trabalho descreve os efeitos de uma intervenção de um treinamento em Habilidades Sociais numa instituição não filantrópica e não governamental cuja atuação visa acolher meninos, entre sete e dezessete anos e onze meses, que se encontram em situação social de risco. As instituições de abrigo a crianças e adolescentes têm por objetivo geral colocar em prática a doutrina de Proteção Integral à Criança e ao Adolescente, de modo integrado, como prescrito na forma estabelecida nos Arts. 226 a 230 da Constituição Federal e na Lei 8.069/90, de 13.07.90, que trata do Estatuto da Criança e do Adolescente. Para que o objetivo das casas de acolhimento alcance êxito, faz-se necessária a ação de empresas privadas e da comunidade em geral, visando promover a reintegração dessas crianças e adolescentes ao convívio em sociedade. Sendo assim, o objetivo desta intervenção foi a promoção de habilidades sociais, avaliando-se o repertório social dos participantes antes e após o treinamento. A intervenção foi realizada em 33 encontros e as técnicas utilizadas foram dinâmicas de grupo, oficinas psicossociais e o treino em habilidades sociais. Por meio da observação sistemática participante, tornouse possível notar dificuldades acentuadas em estabelecer relações interpessoais e também em lidar com questões intrapessoais, como por exemplo habilidade em identificar, expressar e nomear adequadamente as emoções, comunicação de ideias, tomada de decisões e resolução de problemas. A partir dessa observação, tornou-se possível estabelecer uma linha de base relativa a algumas atitudes que foram consideradas inadequadas, como intolerância nas relações, ofensas verbais, segregações, depredações, agressões físicas, discriminações, humilhações e atitudes de desmerecimento, o que indicava certa dificuldade em estabelecer relacionamentos VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 51 51 08/05/2012 18:37:25 assertivos. A avaliação geral dos resultados obtidos foi realizada a partir do relato dos integrantes da instituição, bem como mediante o contraste entre a linha de base e a frequência dessas atitudes após a intervenção. As evidências positivas referem-se, principalmente no que concerne à habilidade social de comunicação, à explicação da causa de determinado comportamento e à expressão de sentimentos de maneira assertiva. Essa intervenção foi considerada particularmente eficaz na melhoria das habilidades sociais dos participantes. Palavras-chave: Treino em Habilidades Sociais. Assertividade. Crianças em risco social. CO 045: VIVÊNCIAS INVISIBILIZADAS: FAMILIARES DE PRESOS POLÍTICOS DURANTE A DITADURA MILITAR BRASILEIRA Priscilla Praude Duarte, Ingrid Faria Gianordoli-Nascimento, Flavia Gotelip Corrêa Veloso, Flaviane da Costa Oliveira, Jaíza Pollyanna Cruz, Sara Teixeira da Silva, Thayna Larissa Aguilar dos Santos. O regime militar brasileiro (1964-1985) foi marcado pela intensa repressão a todos os grupos considerados de esquerda, principalmente nos anos após o AI-5 editado em 1968. Institucionalizadas por meio de normas e discursos, as práticas repressivas atingiram não somente os opositores ao regime, mas também seus familiares, que sofreram física, moral e psicologicamente os atos autoritários ocorridos no referido período. Este trabalho é um recorte da pesquisa “Identidade e Memória dos ‘Anos de Chumbo’: a trajetória de familiares de presos políticos durante a ditadura militar em Belo Horizonte, Brasília, Recife e Vitória”, financiada pelo CNPq. Nessa perspectiva, buscamos investigar a importância das ações sociopolíticas e afetivas dos familiares de militantes durante a ditadura, evidenciando a dimensão psicossocial ainda pouco explorada. Para tanto, foram analisadas 8 entrevistas de familiares cujos parentes militaram no Espírito Santo, Minas Gerais, Distrito Federal e Pernambuco. Os apontamentos iniciais, obtidos por meio da Análise de Conteúdo das entrevistas, evidenciaram os seguintes eixos temáticos: Alteração do cotidiano da família; Família e clandestinidade (Comunicação como um risco; Desconhecimento dos familiares sobre o paradeiro do militante); e Prisão e tortura (Família como apoio e rede de proteção e denúncia; Ameaça e tortura aos familiares). Este trabalho favorece a compreensão dos elementos representacionais que formam a rede de significações e práticas que os parentes construíram junto à trajetória dos militantes. Nesse sentido, os familiares tiveram que lidar de forma inesperada com a repressão, alguns optando pela proteção do seu parente e/ou pela denúncia das arbitrariedades. Grande parte dos sujeitos que sofreram a violência do governo não pode assumir e contar suas histórias, que apontam para o esquecimento de um passado demasiadamente incômodo do país. Investigar a 52 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 52 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:25 experiência dos familiares aponta para informações que podem colaborar para assimilação de discursos antes silenciados na memória histórica, contribuindo assim para a memória social acerca do período. Palavras-chave: Ditadura Militar. Familiares de ex-presos políticos. Repressão. Eixo: Infância, Juventude, Vida Adulta e Velhice CO 046: (RE)PENSANDO O CONCEITO DE FAMÍLIA: O ROMPIMENTO DE ALGUNS ESTEREÓTIPOS Anna Paula Sampaio Barbosa, Daniella Messa Melo e Cruz, Tânia Mara Silva de Azevedo Macedo. A família tem passado por transformações que possibilitam a emergência de vários tipos de arranjos e significações. Apesar dessas transformações, o modelo de família nuclear burguesa ainda resiste como um parâmetro de família ideal na atualidade. Essa constatação tornou-se evidente durante uma experiência de estágio no contexto de uma organização não governamental que tem por objetivo ensinar para crianças e adolescentes a prática de primeiros socorros, bem como estimular o exercício da cidadania, do respeito e da ética. Foram realizadas reuniões com a equipe responsável pelo programa, encontros com os educandos e um período de observação participativa, o que possibilitou o levantamento de demandas para realização da intervenção psicossocial. A proposta sugerida foi a condução de oficinas com técnicas em dinâmicas de grupo compreendendo temas referentes à sexualidade, a relações interpessoais e a drogas. Observouse, entretanto, a necessidade de um enfoque direcionado à temática familiar, pois esse assunto voltava a emergir a cada semana por parte dos participantes do grupo. Assim, elaborou-se um trabalho que envolvia educandos, familiares e instituição, mas a concepção da instituição em relação à participação da família no processo não permitia essa interlocução. A família como “imagem burguesa saudável” era incisiva na concepção da instituição, pois tudo o que não se adequava a esse modelo era estereotipado como uma “família desestruturada”, expressão muito presente na fala dos educadores e apontada como causa e justificativa de qualquer comportamento dito “inadequado” dos educandos. Em continuidade ao trabalho, foram realizadas cinco oficinas com os educandos nas quais foram utilizadas técnicas em dinâmicas de grupo direcionadas à temática familiar. A partir dessas intervenções, observou-se que alguns educandos sentiam-se distantes em relação aos seus contextos familiares e não se percebiam inseridos neles; outros relatavam com sofrimento suas vivências, acreditando que suas problemáticas familiares eram exclusivas. Ao final do trabalho, pode-se constatar que houve um rompimento de verdades absolutas com relação ao conceito de família e VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 53 53 08/05/2012 18:37:25 avanços em relação à compreensão dos diversos tipos de configurações familiares. Os educandos demonstraram entender e ressiginificar suas próprias histórias pessoais, mesmo em uma instituição em que tais histórias eram consideradas como “inadequadas/desestruturadas”, fortalecendo o grupo como um todo por meio do compartilhamento de suas histórias. Palavras-chave: Grupo. Adolescentes. Família. Intervenção psicossocial. C0 047: A EXPERIÊNCIA “CALOURO” EM UMA UNIVERSIDADE: ENTRE A REGULAÇÃO E A INVENÇÃO Eduardo Simonini Lopes. Esta pesquisa foi realizada na Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, tendo sido elaborada na intenção de trazer à discussão processos de diferença e de invenção que se formam em meio às vivências universitárias. Nesse sentido, colocamos em análise a inserção do estudante calouro dentro da vida universitária, no momento em que hipotetizamos que o calouro se constitui em uma expressão de novidade que anualmente adentra o cotidiano das universidades. Para instrumentalizar este estudo, pesquisamos, então, o processo de entrada do aluno novato nos alojamentos da UFV (sendo que há sete moradias estudantis dentro do campus que abrigam cerca de 1500 discentes), realizando entrevistas com estudantes (novatos e veteranos) e funcionários da instituição. A partir das reflexões que emergiram das entrevistas, percebemos que o estudante, quando institucionalizado e subjetivado como calouro, é continuamente infantilizado, hostilizado e até mesmo agredido em práticas de coerção à possível diferença que o novato poderia vir a inserir na vida universitária. No decorrer da pesquisa, porém, propomo-nos a complexificar as problematizações a respeito do novato e passamos a defender que o conceito de “calouro” não diz respeito necessariamente a uma entidade personificada, mas a uma produção coletiva, a um devir calouro (movimento de diferença) relacionando-se a um modo de subjetivação e controle do que é novo dentro da dinâmica universitária, e que passamos a chamar de um devir veterano. Consideramos, então, a existência, nas mais diversas relações universitárias (professor-aluno, aluno-aluno, aluno-funcionário, professorfuncionário) de tais devires que não necessariamente encarnam em um personagem específico, mas que funcionam como campos de intensidades nos quais estão imersos todos os agentes que ali atuam. Concluímos, então, que o que se quer fazer calar e desqualificar (por meio de práticas que insistem na subordinação do que é “novo” ao que é “velho”) não seria, portanto, a pessoa do estudante calouro, mas a experiência de indeterminação e insegurança que é lidar com o inusitado e a diferença nas diversas dimensões do fazer universitário. Palavras-chave: Universidade. Calouro. Diferença. 54 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 54 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:25 CO 048: A PRODUÇÃO DE UM INFORMATIVO COM IDOSOS: HISTÓRIAS, MEMÓRIAS E VIVÊNCIAS Priscila Valverde Fernandes. No processo de escuta dos usuários do serviço Centro de Convivência da Terceira Idade, muitas questões sobre o processo de envelhecimento compõem os discursos que circulam pelo espaço. Foi pensando nessas inquietações e nessa busca de significados que optamos pela criação de um grupo terapêutico dentro do Centro de Convivência. A Psicologia tem desenvolvido atividades de grupo visando oferecer um espaço de fala e discussão que leva em conta as experiências de cada integrante, trabalhando as emoções e motivações de forma a potencializar a vida dos participantes. Como processo e produto desse grupo, temos produzido bimestralmente um Informativo do Centro de Convivência da Terceira Idade de Jardim Camburi. Esse informativo, cujo nome escolhido pelos participantes do grupo foi Com Vivência, tem se colocado como um disparador das questões que permeiam o cotidiano dos idosos. Para essa produção, todos os integrantes do grupo participam ativamente, o que faz com que nossas discussões naquele espaço sejam ressignificadas e materializadas por meio da escrita de cada matéria do informativo. Essa estratégia tem estimulado a autonomia e feito com que eles sejam protagonistas de suas histórias na medida em que eles são os autores e responsáveis pelo informativo. Palavras-chave: Idosos. Autonomia. Protagonismo social CO 049: A TRANSIÇÃO À PATERNIDADE NA ADOLESCÊNCIA: ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO E REDE DE APOIO SOCIAL Fernanda Vieira Biajoli, Zeidi Araujo Trindade, Sibelle Maria Martins de Barros. O nascimento de uma criança implica um processo de adaptação para a mulher e para o homem, pois existem preocupações, dificuldades e ansiedades antes mesmo do nascimento do filho. Geralmente as ações dos profissionais são dirigidas às mães, e em decorrência disso, as necessidades do pai não são reconhecidas e atendidas. Tal fato agrava-se quando a paternidade ocorre na adolescência: aos estereótipos sobre o pai somam-se os estereótipos sobre a adolescência como fase de imaturidade e de irresponsabilidade. Diante desse cenário, este estudo pretende compreender como pais adolescentes representam a paternidade, bem como de que forma vivenciam e lidam com as mudanças advindas da gestação e do puerpério. Serão entrevistados 10 adolescentes homens em três diferentes momentos: na gestação (a partir do sexto mês); um mês após o nascimento do bebê; e seis meses após o nascimento. Como instrumentos, serão utilizados o genograma, seguido de uma entrevista com roteiro semi-estruturado, abarcando os seguintes temas: transformações e dificuldades relacionadas à paternidade, expectativas em relação à paternidade/maternidade, VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 55 55 08/05/2012 18:37:25 aspectos transgeracionais referentes à paternidade, estratégias de enfrentamento e rede de apoio. Além desses instrumentos, será utilizado o mapa de rede social. Os dados serão verificados a partir da Análise de Conteúdo, especificamente a análise categorial-temática. Palavras-chave: Paternidade. Adolescência. Estratégias de enfrentamento. Rede de apoio. CO 050: BRINCADEIRAS DE ONTEM E HOJE: UM ESTUDO TRANSGERACIONAL Luana Sfalsin Zatta, Jucineide Della Valentina de Oliveira, Kleber de Oliveira, Francismichael Silva Machado, Gerson Carlos Rigoni Bonfá Junior, Jéssica Barbosa Caran, Marlana da Silva Menezes, Zilma Pereira Antunes Botelho. A cultura lúdica, conjunto de regras e significações próprias do jogo, possui caráter dinâmico dado pela apropriação de brincadeiras feita pelas pessoas em diferentes contextos históricos, culturais e sociais - fato que produz mudanças na constituição do jogo, apesar da permanência de alguns padrões lúdicos universais. Coexistem em um mesmo momento histórico jogos recentes e tradicionais. Os primeiros são caracterizados por serem produtos da cultura lúdica contemporânea, em geral sob a exploração capitalista na forma de mercadorias, e os segundos têm características de tradicionalidade, conservação, mudança e universalidade; são jogos transmitidos culturalmente. O presente trabalho objetivou investigar a dinâmica da cultura lúdica entre gerações a partir de um estudo transgeracional com três gerações pertencentes a mesma família: criança (3ª geração), pai (2ª geração) e avô (1ª geração). Utilizou-se um questionário aberto semi-estruturado para identificar as diferenças na cultura lúdica entre gerações. Ele era composto de seis perguntas, três direcionadas às crianças e três direcionadas à 1ª e à 2ª gerações, estas últimas sobre a infância dos participantes. Foram quinze entrevistados que pertenciam a um total de cinco famílias; logo, cada geração teve cinco representantes. Além da categorização de jogos recentes e jogos tradicionais, também foi realizada a classificação de brinquedos industrializados e artesanais. Os brinquedos preferidos citados pela 3ª geração mostraram indicativos da cultura contemporânea, pois todos eles eram industrializados. Em contrapartida, todos os brinquedos preferidos da 1ª geração eram artesanais e, na 2ª geração, há predominância de brinquedos industrializados; porém, também aparecem alguns artesanais. Quanto às brincadeiras ou jogos preferidos, observa-se que muitos jogos tradicionais foram transmitidos culturalmente às crianças, apesar de serem citados em maior quantidade entre os pais e avós. Jogos recentes só aparecem a partir da 2ª geração. Ainda foi possível constatar que as brincadeiras e jogos ensinados pelos pais aos seus filhos eram, predominantemente, tradicionais. Os resultados mostram que há a permanência de alguns jogos tradicionais, mas que eles sofreram variações dadas pelo novo cenário 56 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 56 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:25 histórico, cultural e social que ambienta a realização das atividades lúdicas. Concluise também que os brinquedos citados pelos participantes denotam características do contexto em que vivem ou viviam os entrevistados. Palavras-chave: Brincadeiras. Jogos tradicionais. Cultura lúdica. CO 051: E AGORA: POR QUE FAZER PSICOLOGIA? INTERVENÇÕES NO ENSINO MÉDIO E A ESCOLHA DA PROFISSÃO. Nathália Almeida Togneri, Ana Sayuri Ribeiro Waricoda, Carlos Henrique OfrantiBrioli, Jânia Aparecida Correia. Entre os desafios encontrados pelos jovens durante a sua transição para a vida adulta destaca-se a escolha da profissão; contudo, em uma sociedade tão globalizada há uma grande diversidade de cursos existentes no mercado, sendo comum a dúvida diante dessa decisão. O que se pretende é apresentar intervenções e discutir, com base na Teoria das Representações Sociais desenvolvida por Serge Moscovici, qual “Psicologia” é concebida pelo senso comum, principalmente por estudantes de ensino fundamental e médio, desmistificando certas concepções. Esta proposta surgiu pelo Projeto de Extensão Psicologia nas Escolas, composto por estudantes do curso de Psicologia da Faculdade do Espírito Santo (Unes), na cidade de Cachoeiro de Itapemirim/ES. O projeto tem o propósito de levar aos alunos de ensino básico informações sobre a Psicologia como ciência, apresentando também as áreas de atuação do psicólogo e quando e onde procurá-lo. Os integrantes do projeto reúnemse quinzenalmente para discussão e planejamento, dividem-se em grupos e fazem intervenções em escolas da região, esclarecendo as dúvidas e desmistificando as visões do senso comum. No decorrer das intervenções, foi comprovado que grande parte dos jovens tem uma visão distorcida sobre a Psicologia; muitos acham que este profissional é “médico de louco”, outros têm a ideia de que o curso ajudará a resolver os conflitos pessoais. Assim, por meio do discurso desses alunos, procurou-se uma compreensão sobre qual representação sobre a Psicologia esses alunos possuem - e como é possível colaborar para que haja uma mudança de concepção, auxiliando também no ingresso nos cursos de Psicologia sem grandes surpresas. Palavras-chave: Ensino Médio. Psicologia. Representações sociais. Senso comum. CO 052: INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO Maria José dos Reis Gonçalves, Daniella Messa e Melo Cruz. Este trabalho tem como objetivo relatar uma experiência de estágio em uma organização não governamental localizada no município de Vitória que atende crianças e adolescentes em situação vulnerabilidade pessoal e social, que tem por objetivo a prevenção e o distanciamento de situações de violência sociofamiliar e VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 57 57 08/05/2012 18:37:25 a inserção dos educandos em ensino profissionalizante. A proposta inicial para o estágio foi de observação participativa da rotina dos profissionais e educandos, além de reuniões com a equipe técnica. Percebeu-se a necessidade de um acompanhamento com um grupo de crianças da instituição, que apresentavam queixas de agressividade, indisciplina e comportamento violento. Entretanto, percebeu-se a necessidade de fazer um acompanhamento direcionado não somente ao educandos, mas também a suas famílias e aos educadores da instituição. Dessa maneira, foram desenvolvidas ações interventivas utilizando técnicas em dinâmica de grupo, encontros com as famílias e reuniões com a equipe técnica. A partir das ações praticadas, foi observada uma aproximação entre família e instituição, maior adesão dos educandos às atividades desenvolvidas pelos educadores sociais, diminuição do comportamento violento entre os educandos, além da constatação do aumento do diálogo entre eles não somente nos momentos das oficinas, mas durante as outras atividades desenvolvidas na instituição. Entretanto, percebe-se a necessidade da continuidade do trabalho envolvendo as famílias para que os resultados alcançados com as intervenções desenvolvidas possam ser mantidos e a relação família/instituição possa ser fortalecida. Palavras-chave: Violência. Intervenção psicossocial. Família. CO 053: JOVENS PAIS: DEMANDAS PARA A SAÚDE PÚBLICA E ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO , Eduardo Coelho Ceotto, Zeidi Araújo Trindade. A gravidez é um tema cada vez mais recorrente nos estudos acerca da adolescência, alguns deles visando investigar os serviços de saúde prestados às mães e/ou parturientes. Entretanto, com as mudanças sociais ocorridas, espera-se que o pai também se envolva emocional e fisicamente com o bebê. Com base nessas informações, buscou-se investigar se os pais/companheiros de gestantes frequentam a Unidade Básica de Saúde (UBS) e como eles avaliam os serviços oferecidos; se acompanham as gestantes; se participam dos cuidados diários com o bebê; e até mesmo qual nível de informação que possuem sobre isso. Para tanto, foram entrevistados 8 homens com idade entre 15 e 35 anos moradores de um bairro na periferia da cidade de Vitória/ES que no momento da pesquisa residiam com a mãe da criança. Utilizou-se o software N6 na categorização das respostas, e os dados foram verificados a partir de uma Análise de Conteúdo. Metade dos pais entrevistados afirmou frequentar a UBS quando necessita de atendimento para o bebê, mas o mesmo não acontece quando eles mesmos necessitam de atendimento. Os homens percebem que acompanhar a gestante é importante, mas afirmam não poder acompanhá-las devido o horário de trabalho; entre os que acompanham, todos afirmam não questionar o médico/enfermeira sobre os cuidados com a 58 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 58 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:25 criança e/ou com a mãe. Em relação aos cuidados com o bebê, a mãe ainda é considerada a cuidadora principal e mais importante, enquanto o pai funciona como uma espécie de “ajudador” - aquele que auxilia quando há necessidade. Vê-se a necessidade do desenvolvimento de formas para envolver esses pais no processo de gestação, possibilitando uma aproximação tanto da gestante quando da criança, fornecendo assim uma experiência para que ele se sinta seguro no papel de cuidador. Palavras-chave: Paternidade. Adolescência. Saúde. Ações. CO 054: O “ENCONTRO” COM ADOLESCENTES ABRIGADAS: A EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO BÁSICO EM PSICOLOGIA Galiléia Paula da Silva, André B. do Nascimento, Marcus Vinícius Lopes Dan, Maria Bastos Cacciari, Sabrine Mantuan dos Santos Coutinho. Compreendendo a criança e o adolescente como sujeitos de direitos, várias medidas foram criadas com o objetivo de garantir os direitos assegurados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Entre elas, pode-se citar o abrigamento, que consiste em uma medida protetiva provisória que busca proporcionar atendimento integral às crianças até que elas retornem às famílias de origem ou sejam adotadas por famílias substitutas. Esse trabalho consiste no relato da experiência do Estágio Básico III vivenciada por alunos do curso de Psicologia da Universidade Vila Velha (UVV) numa Casa Lar que funciona como abrigo para crianças e adolescentes do sexo feminino situada em Vila Velha/ES. O estágio teve início em agosto de 2011 e será finalizado em julho de 2012. Após a aproximação teórica com o tema, foi realizada a entrada no campo, que, inicialmente, consistiu em observação participante com o intuito de conhecer a dinâmica institucional, levantar demandas, e estabelecer vínculos. Também foi realizada uma reunião com a equipe. A partir daí, foram organizadas oficinas psicoeducativas sobre diversas temáticas relacionadas ao contexto de vida das meninas, em sua maioria adolescentes, sendo também construído um espaço de fala e de troca. O planejamento das atividades se dá nas supervisões, momento em que elas são permanentemente avaliadas numa perspectiva psicossocial. A eleição dos temas de trabalho se dá a partir da interação com as meninas, e neste semestre estão sendo abordadas duas temáticas específicas - sexualidade e adolescência e projetos de vida/futuro. O contato com a equipe por meio de reuniões se mostrou essencial para o desenvolvimento das atividades e acontece mensalmente. Entende-se que a experiência do estágio tem possibilitado às adolescentes ressignificar algumas questões, e aos estagiários tem permitido o confronto com situações desafiadoras, que apontam para a necessidade de comprometimento da Psicologia com as questões sociais. Palavras-chave: Crianças e adolescentes. Abrigo. Psicologia. Estágio básico. VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 59 59 08/05/2012 18:37:25 CO 055: PENSANDO A SUCESSÃO NO CAMPO: REPRESENTAÇÃO SOCIAL SOBRE JUVENTUDE EM UM GRUPO DE JOVENS RURAIS DE RIO BANANAL/ES Poliana Sfalsin Zatta, Kleber de Oliveira, Bruna Cipriano, Larissa Silva Cabral. No Brasil, aproximadamente um quarto da população reside em municípios com menos de 20.000 habitantes. Todavia, a Psicologia, com suas questões e metodologias, historicamente tem se voltado preferencialmente para os fenômenos psicossociais do ambiente urbano. Esse trabalho propõe o olhar da Psicologia Social para um dos temas mais relevantes do futuro da ruralidade: a Agricultura Familiar e a sucessão no campo. Para tanto, é proposta a análise das representações sociais sobre a juventude rural por parte de um grupo de jovens agricultores familiares, participantes do Programa de Valorização da Juventude Rural promovido pela Secretaria de Estado da Agricultura (SEAG) em parceria com o Sindicato de Trabalhadores Rurais do município de Rio Bananal/ES. Esse grupo de jovens revelou que a juventude é uma fase de responsabilidades, nas quais decisões devem ser tomadas. A instituição familiar aparece como amparo para se constituírem adultos comprometidos e éticos, visto que no campo há maior qualidade de vida e autonomia para fazer escolhas. Contudo, acreditam ser responsáveis por agregar tecnologia nas formas de produção, fato que gera cobranças social e familiar significativas. No contexto rural, as famílias ensinam valores e têm domínio sobre os filhos, os jovens discutem questões sociopolíticas e têm autonomia e acesso tecnológico, enquanto que na cidade existem famílias desestruturadas e os jovens estão mais expostos às drogas e à prostituição. O lazer tende a ser coletivo e a educação pública escolar no campo é voltada para o urbano e focada no emprego, sendo assim inadequada para a realidade rural. Para finalizar, o grupo é unânime com relação a permanecer no campo implementando tecnologia, melhorando o plantio e se profissionalizando. Os dados evidenciam forte identidade do grupo, com grande politização do discurso. Tal identidade está voltada para o mundo rural e para família, ambientes que potencializam seu desenvolvimento como sujeitos. Infere-se que a participação no Programa de Valorização da Juventude Rural e o envolvimento com as atividades do Sindicato de Trabalhadores Rurais apresentam-se como prováveis disparadores desse posicionamento, apontando importantes reflexões sob a possibilidade de criação de espaços de fortalecimento dessa juventude, bem como favorecendo a sucessão no campo e a reprodução das formas familiares de produção agrícola. Palavras-chave: Psicologia Social. Representações Sociais. Juventude Rural. 60 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 60 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:25 CO 056: PERCEPÇÕES SOBRE A INFÂNCIA SOB A ÓTICA DE CRIANÇAS RESIDENTES NO ASSENTAMENTO DO SEZÍNIO, LIGADAS AO MOVIMENTO DOS SEM TERRA (MST) Paulo Sergio Cosme Pereira, Carolina Mardieli Muller, Daiane Kellen Magnago, Kleber de Oliveira, Michele da Silva Reis, Nauwanny Thais dos Santos, Renata Caliman Pezzin, Roberta Scaramussa. A Psicologia Social compreende a infância não apenas como uma etapa da vida, e sim como um conceito geográfico e historicamente determinado, que implica debates sobre a família, os vínculos, a escola, a cultura e o ambiente em que a criança está inserida; em suma, a infância é uma construção social. Estudos como o de Ariès apontam que os sentimentos e práticas de cuidado em relação à criança não existiam como conhecemos hoje, mas foram se constituindo ao longo da história. Esta pesquisa, então, tem por objetivo apresentar a percepção acerca da infância sob o olhar da própria criança, especificamente de um grupo ligado ao Movimento dos Sem Terra (MST) residente no Assentamento do Sezínio, em Linhares/ES. Para coleta de dados foram selecionados 13 desenhos confeccionados por crianças com idade entre seis e oito anos, todas as alunas da “E.E.P.E.F. Paulo Damião Tristão – Purinha”. Também foi elaborado um roteiro de entrevista para nortear a análise dos desenhos. Tal roteiro não foi respondido por escrito, mas nas conversas informais, tanto com as crianças quanto com o professor. A partir das entrevistas e desenhos, observa-se que existe uma concepção de infância e do “ser criança” própria desse grupo, que está relacionada principalmente à liberdade e ao brincar, representado pelo elemento natureza que está presente em todos os desenhos selecionados. Natureza aqui compreende árvores, sol, flores, nuvens, animais, lagoa, frutas, estrelas, chuva. Isso reflete o contexto no qual essas crianças residem. Outro elemento interessante foi a representação da “Escola” e da “Casa”, que apareceram sete vezes cada, separadamente ou juntas no mesmo desenho, o que denota que a educação é um processo que não depende apenas de um espaço físico, mas que se dá em qualquer espaço. Consideramos estudos como este importantes para construir práticas psicológicas desnaturalizadas no que se refere ao conceito de infância, abrindo espaço para práticas pautadas na realidade dos diferentes grupos sociais. Palavras-chave: Infância. MST. Psicologia CO 057: REPRESENTAÇÃO SOCIAL DE MORTE NATURAL E ACIDENTAL Kaíza Oliva Donadia, Andressa Tonini Pissaia, Lara Rocha Andrade, Stéfane Stolze Vieira, Valeschka Guerra. O presente trabalho discute as representações sociais acerca da morte natural e acidental das estudantes, professoras e servidoras da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Por se tratar de um assunto pouco abordado dentro das VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 61 61 08/05/2012 18:37:25 unidades acadêmicas, vê-se uma necessidade de tal pesquisa para uma melhor compreensão da temática “morte”, com o intuito de melhor entender a visão sobre ela. As representações sociais são uma forma de conhecimento, elaborada e compartilhada coletivamente, tendo uma visão prática, com finalidade de construir uma realidade comum a um conjunto social. Tendo como base esse referencial teórico, esta pesquisa foi realizada com uma amostra de 30 (trinta) participantes, todas do sexo feminino. Foram realizadas entrevistas estruturadas, compostas por duas evocações, utilizando como palavras-estímulo: morte natural e morte acidental. Em seguida, foram realizadas duas perguntas acerca das reações emocionais mais comuns perante a morte (natural e acidental) e, para finalizar, as participantes foram solicitadas a responder se sua religião poderia influenciar em suas concepções de morte. A Análise de Conteúdo Temático-Categorial foi utilizada para a redução e organização dos dados. Análises das duas primeiras questões apresentaram como categorias principais: fim natural, sentimentos envolvidos com a morte, causas e impactos. Nas questões acerca das reações emocionais, foram observadas as seguintes categorias: sentimento, descanso, surpresa, falta e causa. No que diz respeito à influência da religião, 63,3% das participantes responderam que sim, sua concepção de morte é influenciada pela denominação religiosa da qual fazem parte. As categorias levantadas são discutidas a partir das características sociodemográficas dos participantes, a saber ocupação, escolaridade e religião. Consideramos, no estudo, que a representação de morte, processo natural e inexorável, é fortemente influenciada pelo meio e pela experiência individual. Palavras-chave: Representação social. Morte natural. Morte Acidental. CO 058: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA EM CRIANÇAS ABRIGADAS Kellen Bonfim caíres, Sara bahia, Sarah Sayuri, Franscielly Martins, Mônica Cola Cariello Brotas Corrêa. A avaliação psicológica clínica é ação privativa do psicólogo. Nos últimos anos, observou-se um crescimento significativo de estudos sobre o tema, bem como uma valorização da avaliação psicológica pela sociedade em geral, sobretudo na investigação de problemas de aprendizagem e desenvolvimento. A avaliação psicológica compreende a operacionalização de teorias psicológicas em eventos observáveis. Exige uma abordagem científica que implica em métodos e técnicas específicas. O crescimento da área, no entanto, faz com que na prática observe-se uma supervalorização de suas possibilidades e, simultaneamente, sua redução ao uso de instrumentos. A pesquisa qualitativa apresentada aqui objetivou identificar as Representações Sociais sobre a avaliação psicológica de oito profissionais e voluntários que atuam em uma instituição não governamental com crianças em situação de 62 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 62 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:25 abrigamento. Realizada como atividade integrante da disciplina Psicodiagnóstico, compreendeu a aplicação de um roteiro de entrevista contendo quatro questões que abordaram o conceito de avaliação psicológica e a importância de tal procedimento para as crianças em abrigamento e para os profissionais que as assistem. Os dados foram submetidos à Análise de Conteúdo de Bardin. Os resultados indicam que os profissionais e voluntários veemm a avaliação psicológica apenas como uma estratégia para a identificação de problemas, e identificam a criança em abrigamento como necessariamente em uma condição patológica. Sinalizam a necessidade de ofertar estratégias clínicas inovadoras que não reforcem a abordagem individualizante, biológica e descontextualizada da criança em situação de abrigamento. Palavras-chave: representação social, avaliação psicologica, abrigamento, crianças abrigadas. Eixo: Grupos e Exclusão Social CO 059: A INCLUSÃO DA CRIANÇA COM SÍNDROME DE DOWN NA ESCOLA REGULAR SEGUNDO A PERSPECTIVA DAS MÃES. Roberta Ingrid Schimitberger, Bruna Rodrigues Bragança, Geisiane do Carmo Almeida, Mayara Pires Guzzo, Roberta Ingrid Schimitberger, Thamise Leite Guimarães, Sibelle Maria Martins de Barros. A inclusão de crianças com deficiência em escolas de ensino regular está prevista na Lei n.º 7.853/89; no entanto, vimos que tal inclusão trata-se de um desafio para pais, professores e instituição de ensino que, muitas vezes, encontram-se despreparados para recebê-los. A integração dessas crianças nesse meio social poderá trazer resultados significantes em seu desenvolvimento, visto que a família e a escola atuam como principais responsáveis na formação da identidade da criança - incluindo a personalidade, a moral, a cultura e os valores. Através das perspectivas de mães de crianças com Síndrome de Down (SD) e que frequentam a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), buscamos conhecer o processo de inclusão dessas crianças na escola regular de ensino, identificando as informações que essas mães possuem sobre o processo, as dificuldades enfrentadas e suas expectativas a respeito do futuro de seus filhos. Esta pesquisa foi realizada na Apae de Vitória–ES e contou com a participação de oito mães com idades entre 27 a 49 anos, cujos filhos com diagnóstico de SD apresentavam idade entre 6 a 15 anos e frequentam ou frequentaram uma escola regular. Utilizamos o método de Análise de Conteúdo como ferramenta para a compreensão e a interpretação do discurso das entrevistadas. Com base no desenvolvimento da pesquisa, pudemos observar que a maioria das mães atribuiu ao fator genético SD um empecilho para efetuar a matrícula de seus filhos - e que algumas delas não conseguiram na primeira VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 63 63 08/05/2012 18:37:25 tentativa. Das oito mães entrevistadas, sete relataram que se encontram insatisfeitas com o sistema regular de ensino pois acham que há pouco investimentos por parte dos profissionais em relação ao ensino-aprendizagem de seus filhos; mesmo assim, relataram maior desenvolvimento nas áreas de comunicação, escrita e habilidades sociais depois que eles passaram a frequentar a escola regular. Considerando os relatos das mães, pudemos evidenciar a importância da inclusão para as crianças com SD, uma vez que a partir disso possibilita-se a socialização e a diminuição do preconceito. O desenvolvimento das habilidades após a inclusão é resultado satisfatório para que ela ocorra, mas há sinais de que há muito o que se fazer para melhorar a qualidade desse processo. Palavras-chave: Síndrome de Down. Inclusão. APAE. Escola. CO 060: A INVENÇÃO DE COTIDIANOS DISCENTES EM UMA UNIVERSIDADE Eduardo Simonini Lopes. O presente trabalho pretende discutir a importância de se oferecer atenção às inventivas redes relacionais discentes construídas no cotidiano da Universidade Federal de Viçosa/MG (UFV), sendo essas redes entendidas como produtoras de diferentes currículos e conhecimentos não institucionalizados na universidade. Assim, a partir da análise da construção de um grupo estudantil de diversidade sexual chamado “Primavera nos Dentes”, buscou-se cartografar diferentes modos de subjetivação da experiência discente que transversalizava aquele grupo e, por conseguinte, os enovelamentos políticos, sociais e desejantes com os quais o Primavera se cumpliciava. Tais cumplicidades se tornaram indicadoras da existência de uma vida estudantil plural que estava urdida em universos de sentido que não se restringiam apenas ao estudo das sexualidades. Acompanhado, portanto, a partir de suas interseções e seus contágios com diferentes processos grupais, encontramos que as dinâmicas do grupo “Primavera nos Dentes” construíam ramificações e conflitos que se estendiam ao Movimento Estudantil, a proposições político-partidárias, a orientações religiosas, a movimentos sociais diversos (como o MST, a Marcha Mundial das Mulheres, o Movimentos dos Atingidos por Barragens) que postulavam diferentes propostas “revolucionárias” para a universidade e para sociedade em geral. Assim, ao acompanhar as dinâmicas de um grupo pontual, “invisível” e institucionalmente frágil como o Primavera, fomos apresentados a redes de relações (geralmente ignoradas pela Administração Superior da universidade) que fomentavam outros conhecimentos e que também interferiam nos modos como os estudantes nelas envolvidos praticavam não apenas a UFV, mas também suas próprias vidas fora da instituição. Palavras-chave: Cotidiano. Vida estudantil. Universidade. 64 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 64 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:25 CO 061: BRASILEIROS NA ALEMANHA: UM ESTUDO DA IDENTIDADE SOCIAL DE IMIGRANTES ATRAVÉS DE FÓRUNS ONLINE Roberta Rangel Batista, Mariane R. Ciscon-Evangelista, Beatriz B. Tesche. Considerando a escassez de produções científicas que enfoquem a realidade da imigração brasileira atualmente na Alemanha, o presente estudo teve como objetivo compreender e analisar como se dá a construção da identidade social em brasileiros que lá residem. A Alemanha apresentava, em 2010, um número de aproximadamente 91.087 brasileiros, de acordo com dados do Ministério Brasileiro de Relações Exteriores. Esse fato justifica a necessidade da compreensão e aprofundamento nas questões sociais que perpassam essa população. Para tanto, utilizamos como material de análise fóruns online que possuem a característica de reunir esses brasileiros na Alemanha para que possam discutir temas de interesse comum, além de tópicos específicos para esse mesmo fim, presentes em uma rede social durante outubro de 2010 e outubro de 2011. A Análise de Conteúdo foi utilizada e possibilitou a formação de três categorias: 1) questões do dia a dia, 2) questões burocráticas e 3) questões de saudosismo versus críticas ao Brasil. Os resultados nos mostram que os fóruns de discussão online se tornam um espaço que conecta esses brasileiros em terras alemãs e fazem uma ponte comunicacional entre eles, que muitas vezes não se conhecem pessoalmente, apesar das frequentes conversas que se dão virtualmente. É interessante ressaltarmos também que, apesar da grande diversidade cultural que existe no Brasil, as conversas online acontecem no sentido de diferenciar a cultura brasileira, em geral, da cultura alemã. Constatamos ainda que há uma flexibilização da identidade brasileira, de certo modo, pois o outgroup agora é outro país e não outros estados. É visto também que muitas vezes essa diferenciação feita pelos brasileiros com relação aos alemães ocorre de forma positiva, embora correlações negativas também sejam vigentes. Portanto, a identidade social dos brasileiros na Alemanha que utilizam os fóruns de discussões online se apresenta de forma fluida, e a dinâmica identitária se dá pela conveniência de conferir valor positivo ou valor negativo ao grupo que mostrar melhor ou pior imagem de acordo com as situações enfrentadas. Palavras-chave: Identidade Social. Imigrantes Brasileiros. Alemanha. CO 062: CAFÉ COM PROSA: GRUPO PSICOTERAPÊUTICO COM MÃES DE UTIN Claudia Moura de Sant Anna C. de Oliveira, Claudia Moura de Sant´Anna C. de Oliveira, Luciana Bicalho Reis. O nascimento prematuro representa um evento estressante para a família, principalmente a mãe, devido às condições de instabilidade orgânica e à necessidade da família de separar-se do bebê após o nascimento. Estudos revelam significativa VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 65 65 08/05/2012 18:37:25 incidência de depressão e ansiedade em mães de bebês internados em Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal (UTIN). Assim, a assistência psicológica à mãe apresenta-se como forma de suporte para a construção de estratégias de enfrentamento. Este trabalho relata a experiência de um grupo psicoterapêutico com mães de bebês internados em uma UTIN em um hospital público de Vila Velha-ES. Os encontros semanais tinham duração aproximada de uma hora. Utilizavam-se como dispositivos de intervenção dinâmicas de grupo e vivências por meio das quais as mães podiam dar contorno à suas dores e angústias, o que permitia alívio emocional, além de favorecer a criação de estratégias de enfrentamento para lidar com seus medos e fantasias a respeito do filho. Após o término das dinâmicas, oferecia-se um café com biscoitos, daí surgindo como sugestão das próprias participantes o nome do grupo. Durante os encontros, percebeu-se que as mães passaram a gravidez idealizando um bebê perfeito, sem problemas ou qualquer alteração de saúde. Dessa forma, o nascimento prematuro e a internação do bebê na UTIN constituíam-se experiências emocionais difíceis para essas mães. No início dos encontros, observouse uma dificuldade dos sujeitos em participar e expor seu sofrimento. Entretanto, à medida que ouviam das outras mães falas semelhantes às suas, foi-se constituindo um sentimento de grupo e pertencimento, além da compreensão de que aquele espaço serviria para amenizar suas angústias. Outro sentimento relatado pelas mães era o de terem abandonado seus filhos, principalmente à noite, quando iam para casa. Somado a isso, as participantes relatavam sentir impotência frente à condição de saúde do bebê. Diante do exposto, observa-se a importância da intervenção psicológica com sujeitos que enfrentam problemas graves de saúde, pois é possível contribuir para a criação de estratégias de enfrentamento dessas situações de estresse, além de possibilitar a elaboração de experiências emocionais bastante difíceis. Por meio das vivências, as mães puderam se tornar conscientes de seus afetos, medos e fantasias em relação aos bebês. Palavras-chave: Mães. Bebês prematuros. UTIN. Grupo Psicoterapêutico. CO 063: CONSTRUÇÕES SOBRE O MUNDO CIGANO: REPRESENTAÇÕES E AFETOS ENTRE OS NÃO CIGANOS Jéssica Maria Gomes de Faria, Amandha Gyselle Martins do Nascimento, Mariana Bonomo, Lídio de Souza, André Mota do Livramento, Julia Alves Brasil. Apesar dos séculos de vivência das comunidades ciganas no Brasil, pouco se sabe a respeito dessa população, da sua história e cultura. Esse desconhecimento, em muitos aspectos, favorece o quadro discriminatório sofrido por esse grupo em nossa sociedade. Referenciada na Teoria das Representações Sociais, esta pesquisa tem como objetivo investigar a elaboração do objeto “cigano” para não ciganos e, de modo mais específico, analisar a dimensão afetiva dessas representações. O estudo 66 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 66 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:25 está sendo desenvolvido por meio de duas etapas: (1) aplicação de questionários em 108 estudantes universitários da Grande Vitória/ES; e (2) realização de entrevistas semi-estruturadas com 20 participantes da primeira etapa do estudo, subdivididos em dois grupos, segundo a dinâmica afetiva apresentada (afetos positivos ou negativamente valorados). Os dados referentes à primeira etapa foram sistematizados por meio da Análise de Conteúdo e do software SPAD-T, estratégia que possibilitou a identificação de três grupos de sujeitos com distintas representações sociais sobre os ciganos. No primeiro grupo, composto por 27 sujeitos, foram identificados indivíduos que expressaram sentimentos negativos associados aos ciganos, tais como “malestar”, “aversão” e “desprezo”. O segundo grupo, por sua vez, é constituído por 18 sujeitos que manifestaram sentimentos positivos como “simpatia”, “admiração” e “respeito”. Por fim, um grupo de 63 sujeitos apresentou, simultaneamente, sentimentos positivos e negativos relacionados aos ciganos e, por isso, foi nomeado de ambíguos. No que concerne à segunda etapa da pesquisa, os resultados estão sendo tratados com o auxílio do software ALCESTE e da Análise de Conteúdo Categorial Temática, visando apreender com maior clareza e profundidade as representações sociais e sua dimensão afetiva. Esperamos que o estudo contribua para a ampliação do corpo de conhecimento produzido sobre a cultura cigana, bem como auxilie na desmistificação dos estereótipos negativos largamente difundidos no imaginário social não cigano. Palavras-chave: Afetos. Ciganos. Representações Sociais. CO 064: ENFRENTANDO O PRECONCEITO RACIAL: JUVENTUDE NEGRA E A COMUNIDADE COMO REFÚGIO Beatriz Baptista Tesche, Maria Cristina Smith Menandro. Tendo como base a Teoria das Representações Sociais proposta por Serge Moscovici, o presente trabalho busca conhecer a representação social de juventude negra para jovens negros e sua relação com a inserção na comunidade. Participaram desta pesquisa 12 jovens, de 19 a 28 anos, seis rapazes e seis moças, residentes em bairro populares em Vitória/ES. As entrevistas seguiram um roteiro semi-estruturado com questões sociodemográficas e dois blocos temáticos: 1) adolescência e juventude, 2) comunidade e participação dos jovens. Identificamos diferentes espaços de atuação juvenil e os agrupamos em três categorias: políticos (centro comunitário, assembleias do Orçamento Participativo e em diversas instâncias de negociação com o poder público); culturais (Escola de Samba, congo, capoeira, grupos musicais, grupos de dança, grupos desportivos); e religiosos (eventos religiosos, festas religiosas, procissões, grupos musicais religiosos). Para os participantes, os jovens atuam nos diferentes espaços sociais que identificamos, mas menos no campo político comunitário. Podemos afirmar que a representação social dos participantes sobre VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 67 67 08/05/2012 18:37:25 juventude negra é a liberdade com responsabilidade, o trabalho e a resistência ao preconceito racial. Identificamos nos espaços de convivência juvenil relações comunitárias e familiares que são um apoio para os participantes enfrentarem o preconceito racial. Para os participantes, os espaços sociais nos quais atuam foram de grande importância na construção de suas relações sociais e familiares - e, principalmente entre os rapazes, na permanência fora do tráfico de drogas e da criminalidade em geral. Por esse motivo, os participantes destacam a importância do envolvimento dos jovens na mobilização da comunidade para lutar por melhorias em seus bairros. Nesse ponto, os participantes diferem: para os rapazes, os jovens devem se apropriar dos espaços políticos para buscar melhorias; já as moças acreditam que os jovens devem se apropriar dos espaços culturais e religiosos para buscar melhorias. Percebemos que, em uma comunidade onde a cultura negra é valorizada e difundida, os jovens utilizam suas redes sociais como apoio e referência para enfrentarem o preconceito racial. O bairro torna-se um refúgio contra o preconceito e a discriminação, em detrimento da criminalidade ou falta de estrutura. Palavras-chave: Juventude. Relações raciais. Preconceito. Comunidade. Representação social. CO 065: IDENTIDADE SOCIAL E RURALIDADE NO CONTEXTO SOCIOCULTURAL CAMPONÊS Mariana Bonomo, Lídio de Souza, Eliana Zandonade. A identidade ganha especial importância em um contexto de globalização que favorece o confronto entre grupos sociais diversos, bem como a manifestação de categorias minoritárias que reclamam seu espaço de existência face à crescente pressão à hegemonia instaurada pelos grupos dominantes. Entender como as minorias têm vivenciado esse momento histórico mostrou-se uma relevante tarefa, especialmente no que se refere ao modo de vida rural, simbolizado como contrário ao que é moderno e civilizado. A partir do aporte teórico-conceitual da Teoria da Identidade Social, o objetivo deste estudo consistiu em identificar os elementos que constituem as dimensões identitárias no contexto de comparação social campo-cidade entre membros de uma comunidade rural, caracterizada pelo modo de produção agrícola, fundamentada na agricultura familiar, e na estrutura sociocomunitária. Participaram do estudo 200 integrantes da comunidade, subdivididos entre quatro gerações, entrevistados a partir de um roteiro estruturado, contendo os seguintes núcleos de informação: 1) dados sociodemográficos; e 2) identificação dos elementos que constituem as dimensões identitárias (cognitiva, avaliativa e afetiva) referentes ao rural e à cidade. Os corpora de dados foram sistematizados por meio do software SPSS e da Análise de Conteúdo. Os resultados evidenciaram o trabalho de elaboração dos integrantes do grupo rural a fim de compor uma imagem social positiva de seu grupo. A análise fatorial referente ao conjunto de dados do rural 68 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 68 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:25 indicou a presença de 14 fatores estatisticamente significativos, e a análise fatorial relacionada à cidade, por sua vez, indicou a presença de 15 fatores. A análise dos elementos presentes nas três dimensões (estereótipos, valores e afetos) de cada fator, para os dois objetos, favoreceu a elaboração de um sistema comparativo rural vs. cidade, quais sejam: (1) autossustentabilidade vs. modo de produção capitalista; (2) igualdade vs. desigualdade; (3) familiaridade vs. não familiaridade; e (4) vida feliz vs. vida triste. As ambiguidades e tensões identificadas revelam a complexidade do fenômeno identitário, confirmam a força do imaginário na tomada de posição dos indivíduos, bem como destacam a função do grupo social na inserção de seus membros na estrutura e dinâmica da sociedade e da cultura. Apoio: CNPq Palavras-chave: Afeto. Estereótipos. Identidade social. Ruralidade. Valores sociais. CO 066: INCLUSÃO E APROVEITAMENTO ESCOLAR DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR. Carlos Roberto de Jesus Melo, Luciana Bicalho Reis, Matheus Aguiar, Whyllian Zampirolli. O processo de inclusão das pessoas com deficiência apresenta avanços significativos no Brasil. A Declaração de Salamanca (1994) preconiza a inserção desses estudantes na rede regular de ensino desde o nível fundamental ao superior. Entretanto, o processo de inclusão enfrenta inúmeras barreiras e há pouca discussão relativa ao acesso das pessoas com deficiência ao ensino superior. Não existem dados, ou ao menos não são veiculados, que indiquem o número de pessoas com deficiência que frequentam as universidades. Este trabalho propôs-se a investigar a inclusão educacional de pessoas com deficiência no ensino superior. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de que participaram 6 (seis) sujeitos, sendo dois com deficiência física, dois com deficiência visual, uma com deficiência auditiva e uma intelectual leve. Utilizou-se como instrumento para coleta dos dados uma entrevista semi-estruturada, que foi gravada e em seguida transcrita. As respostas foram analisadas segundo as categorias previamente definidas: sentimentos vivenciados no processo de inclusão, situações de estigmatização e discriminação, relacionamento interpessoal com colegas e professores, rendimento e aproveitamento do escolar e as estratégias adotadas para superação das dificuldades. Os resultados revelam que os alunos enfrentam mais dificuldades relativas aos aspectos psicopedagógicos, como adequação de métodos de ensino e avaliação, e psicossociais, tais como relacionamento com colegas e professores, do que relativas às adaptações arquitetônicas. Evidenciou-se que o preconceito e o estigma produzem dificuldades no relacionamento com os colegas de sala. Três dos sujeitos entrevistados declararam que se sentem discriminados e consequentemente inferiorizados em relação aos colegas. Com relação ao processo de aprendizagem, quatro entre os seis sujeitos disseram não encontrar nenhuma dificuldade para acompanhar a turma. Em relação às estratégias individuais adotadas VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 69 69 08/05/2012 18:37:25 para superação das dificuldades, os entrevistados relataram uma intensificação da luta pelos seus direitos, o uso de recursos tecnológicos, a busca por maior autonomia e desenvolvimento de habilidades sociais, entre outras coisas. O estudo, apesar de pontual, revela que a inclusão escolar ainda enfrenta sérias barreiras atitudinais e de relacionamento, apontando para a necessidade da implementação de estratégias institucionais que favoreçam a criação de novas formas de relacionamento entre dos ditos “normais” e “deficientes” dentro das universidades. Palavras-chave: Pessoas com deficiência. Inclusão educacional. Ensino superior. CO 067: OPENEVOC: UM PROGRAMA DE APOIO À PESQUISA EM REPRESENTAÇÕES SOCIAIS Hugo Cristo Sant Anna. O openEvoc é um programa online e gratuito destinado a coleta, processamento, análise e visualização de dados de pesquisas em Representações Sociais (RS) na perspectiva da Teoria do Núcleo Central de Jean-Claude Abric. A ferramenta tem como objetivo oferecer recursos de apoio ao processo de pesquisa em RS cuja operação seja simples e em língua portuguesa, tendo em vista usuários de qualquer sistema operacional, desde que conectados à Internet. O desenvolvimento do openEvoc foi iniciado no segundo semestre de 2011 no Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), por meio de um levantamento que mapeou os principais programas e recursos mais utilizados em estudos sobre RS publicados em periódicos latino-americanos nos últimos 12 anos. Nesse levantamento, observou-se a aplicação mais intensa dos programas Alceste e EVOC, com destaque para o emprego, respectivamente, do dendrograma de classes classificações hierárquica descendente (CHD) e ascendente (CHA) - e do quadro de frequências versus ordem de evocação na comunicação dos resultados das pesquisas. Partindo da análise realizada, optou-se pela construção de uma alternativa online, gratuita e em língua portuguesa ao pacote EVOC, utilizando tecnologias também livres: HTML5, PHP, MySQL e Javascript. Resumidamente, o programa oferece ferramentas para criação e aplicação de questionários presencialmente e a distância, recursos básicos de estatística descritiva com visualização gráfica de dados, geração de tabelas de frequência, tabelas de contingência e quadros de frequência versus ordem das evocações, além de ferramentas para exportação e importação de dados de outros programas. Dentre os recursos planejados para as futuras versões pode-se citar a geração de gráficos interativos que permitam a exploração em tempo real dos dados de pesquisa e a exportação de gráficos e relatórios em PDF. Espera-se que o openEvoc possa se tornar efetivamente, a médio prazo, uma alternativa de livre acesso e brasileira ao pacote EVOC. Palavras-chave: Representações Sociais. Núcleo Central. Evocação. Computação. EVOC. 70 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 70 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:26 CO 068: PROJETO AFLORANDO POTENCIALIDADES: UM OLHAR PARA AS PECULIARIDADES DOS ALUNOS VISTOS COMO PROBLEMAS Angelo Moreira Arruda, Angelo Moreira, Raphael Pinto Gandolfo, Alessandra Oliveira Henriques. Em cada sociedade, o homem exalta certas potencialidades específicas, as quais são rotuladas como as únicas corretas e desejáveis; a partir disso, são criadas diversas estratégias educacionais com o intuito de institucionalizá-las. No entanto, no ambiente escolar se pode notar o quanto tal objetivo é complexo, visto que certos alunos passam a ser considerados como fracassados por não se enquadrar nos padrões educacionais vigentes. Sendo assim, quais são as estratégias possíveis para promover reflexões acerca das potencialidades de alunos que são vistos como problemas por não possuir as mesmas potencialidades exaltadas pela sociedade contemporânea? Promover o desenvolvimento de estratégias capazes de aflorar o potencial dos alunos que são considerados fracassados a partir de suas características e contextos particulares, destacando sua criatividade e capacidade de superação. Para atingir esse objetivo, foram construídos três grupos de reflexão e oficinas, compostos por dez professores, doze mães e 140 alunos do Ensino Fundamental (5ª à 8ª série) da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) “Ercy Arruda Bonfim”, situada na Comunidade de São Gabriel “Camará”, distrito de Muqui/ES. A partir das discussões levantadas nos três grupos, pode-se perceber que grande parte dos participantes se preocupa excessivamente em seguir os padrões de potencialidades instituídos pela sociedade, explicitando, dessa forma, a necessidade de promover reflexões acerca das peculiaridades individuais de cada um. Concluiu-se que grupos de reflexão e oficinas são excelentes estratégias para provocar reflexões acerca das potencialidades dos alunos vistos como problemas, e configuram-se como dispositivos que podem levantar questionamentos construtivos sobre tal temática, promovendo a valorização do potencial de desenvolvimento e da criatividade dos alunos que podem se reconhecer como capazes e participantes ativos do processo educacional como um todo. Palavras-chave: Potencialidade. Alunos-problema. Processos educacionais. CO 069: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE CIGANOS ENTRE BRASILEIROS E ITALIANOS Mariana Bonomo, Lídio de Souza, Giannino Melotti, Chiara Berti, Monica Pivetti. Dados históricos revelam que a perseguição a grupos ciganos tem sido registrada ao longo dos últimos séculos, chegando a se configurar como política oficial de extermínio na Europa do século XVI. Na atualidade, em diferentes contextos e nacionalidades, inúmeros episódios de banimento e práticas discriminatórias contra integrantes dessa etnia têm sido verificados, fortalecendo as relações de conflito VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 71 71 08/05/2012 18:37:26 entre os universos cigano e não cigano. Em consonância com essa realidade, de acordo com a literatura internacional, no imaginário social contemporâneo o povo cigano tem sido representado com elementos estereotipados cujos significados têm favorecido a difusão de sua imagem como ladrões, amaldiçoados, sujos e traiçoeiros. Conhecer a dinâmica constitutiva de tal campo representacional apresenta-se como uma importante questão a ser explorada. Tendo como referência a Teoria das Representações Sociais, o presente estudo tem como objetivo investigar em grupos de brasileiros e italianos a constituição do campo semântico associado ao objeto “ciganos”, dimensionado nas configurações de gênero - “homem cigano” e “mulher cigana”. Apoiada na perspectiva não consensual das representações sociais, a proposição deste estudo visa à análise dos diferentes níveis de ancoragem (social, psicológica e psicossocial) para a identificação das posições individuais frente aos diversos núcleos de significado que constituem as representações sociais. A pesquisa está sendo desenvolvida a partir da aplicação de questionários entre 400 estudantes de universidades das cidades italianas de Bolonha e Chieti e da região da Grande Vitória/Brasil. O instrumento de coleta dos dados é constituído pelos seguintes tópicos de informação: dados socioeconômicos; técnica de associação para os termos indutores “cigano”, “mulher cigana” e “homem cigano”, com questões exploratórias; campo afetivo e valorativo relacionado ao objeto de representação; e exploração da experiência e contatos com ciganos ou ciganas. No que se refere ao tratamento dos dados, as análises estão sendo conduzidas por meio dos softwares SPAD-T e SPSS. Espera-se que os resultados gerados a partir deste estudo possam contribuir para o conhecimento mais refinado dos estereótipos negativos largamente difundidos no imaginário social, núcleo do preconceito e da violência cometida contra essa etnia. Apoio: CAPES/PRODOC, CNPq. Palavras-chave: Afeto. Cigano. Estereótipos. Representação social. Valores sociais. CO 070: SINAIS E SINTOMAS: A PERCEPÇÃO DE PROFESSORES SOBRE O COMPORTAMENTO DE ALTERAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO E A APRENDIZAGEM Rozane Couto Dias Uliana, Alice Pellacani, Priscila Susan, Sirlaine Oliveira. Os problemas de aprendizagem constituem-se na maior causa de encaminhamento de crianças e adolescentes para psicodiagnóstico nos serviços de Psicologia. Tais dados refletem a dificuldade em compreender todas as variáveis envolvidas no processo de ensino e aprendizagem - ao mesmo tempo em que se observa a patologização de tais problemas, reduzindo todas as dificuldades escolares à condição de distúrbio de aprendizagem. A pesquisa qualitativa que apresentamos resultou de uma atividade desenvolvida na disciplina de psicodiagnóstico em um curso de graduação em Psicologia de uma instituição de ensino no município de Vila Velha. Objetiva identificar a percepção de professores sobre as alterações de 72 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 72 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:26 desenvolvimento e aprendizagem e as estratégias que identificam como adequadas para o enfrentamento do problema de aprendizagem. Foi definida uma amostra de conveniência, e participaram da pesquisa dez professores de uma escola de ensino fundamental do município de Vila Velha. O instrumento utilizado para a coleta de dados foi um questionário contendo seis perguntas abertas sobre o percentual de alunos que identificam com problemas de aprendizagem, as causas de tais problemas, os comportamentos sinalizadores de problemas de aprendizagem e as estratégias utilizadas para abordagem e intervenção quando identificavam um desses alunos. Os questionários foram respondidos pelos professores manualmente e sem a presença do entrevistador. Os resultados indicaram que a maioria (9 professores) identifica fatores socioculturais como determinantes para os problemas de aprendizagem, e culpabilizam as famílias dos estudantes pela ocorrência das dificuldades. Dos entrevistados, todos classificam os problemas como distúrbios comportamentais e neurológicos que são identificados principalmente pelo que denominam de falta de motivação. Comportamentos típicos do desenvolvimento do adolescente são descritos como sinais ou sintomas de alterações comportamentais. Os dados indicam a importância de problematizar os encaminhamentos ao psicodiagnóstico e a construção de uma rede de cuidado que possa avaliar não só os indivíduos com distúrbios, mas também os determinantes psicossociais que estão envolvidos na produção dos problemas de aprendizagem. Palavras-chave: Problemas de aprendizagem. Psicodiagnóstico CO 071: TRANSPORTE COLETIVO URBANO: UMA PESQUISA SOBRE A PERCEPÇÃO DO USUÁRIO Marilene Olivier, Winicius Mendonça Teodoro, Christyne Gomes Toledo de Oliveira, Simone da Costa Fernandes. O serviço de transporte público por ônibus é um dos principais meios de locomoção da maior parte da população, constituído num processo de interação entre usuário, o prestador de serviços e o contexto social. A mídia tem publicado com frequência as reclamações das pessoas quanto à qualidade desses serviços, ora enfatizando o veículo, ora o motorista, ora o passageiro. Buscou-se, assim, identificar e descrever como os usuários do transporte coletivo da Grande Vitória percebem e vivenciam o seu movimento de deslocamento utilizando esse meio. Para tal, foi realizada uma pesquisa de campo, de caráter fenomenológico, participativa. Os dados foram coletados durante todos os dias da semana, em horários variados, durante três meses, utilizando diversas rotas de ônibus, totalizando cerca aproximadamente 170 horas de observações permeadas por entrevistas. Houve ainda a simulação de situações atípicas, tanto nos pontos de ônibus quanto no próprio veículo de transporte, a fim de se verificar a reação das pessoas. Entre as simulações estiveram presentes o uso de muletas, botas ortopédicas e barriga postiça. Para registro, foi utilizado VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 73 73 08/05/2012 18:37:26 um diário de campo, sendo as anotações revisadas nos finais de semana. Fatos, atos e relatos foram registrados em abundância. Foram encontrados significados e comportamentos que apontam não só algo do real para o usuário, como a falta de respeito e de cortesia, assim como coisas do imaginário, do simbólico, como as lembranças e sentimentos suscitados pelos locais que os passageiros usam para se segurar. Eventos como assaltos, superlotação, adolescentes pulando a catraca, discussões e brigas, comportamentos inadequados, o tempo de espera no ponto, a irregularidade do horário, “passar batido no ponto”, dentre outros, traduzem sentimentos de medo, ansiedade, raiva, tristeza, impotência e frustração. Poucos foram os casos nos quais sentimentos positivos foram declarados destacando a alegria e satisfação. Os participantes da pesquisa apontam para um universo diversificado em termos de suas relações com os demais usuários e o próprio veículo, que vai desde a violentação simbólica e o desprezo pelo ser humano à satisfação. Dessa forma, destaca-se que o transporte tem um componente dialético, inscrevendo-se na ordem do coletivo e configurando-se como uma marca de exclusão. Palavras-chave: Transporte Coletivo. Passageiro. Percepção. Comportamentos. Exclusão CO 072: UMA INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL: A ARTE COMO UMA FERRAMENTA PARA CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA. Jeane Ruchdeschel Silva, Daniella Messa e Melo Cruz. Uma das definições existentes com relação à identidade é a de que ela seja uma concepção de si mesmo, composta de valores, crenças e metas com os quais o indivíduo está solidamente comprometido. Baseado nessa concepção, e com o objetivo de possibilitar o processo de descoberta do próprio universo cultural e social, foram desenvolvidas por uma estagiária de Psicologia, juntamente com educadores sociais de uma instituição não governamental que atende crianças e adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade social, oficinas de fotografia com construção de portfólios pessoais utilizando técnicas de grafitagem. Tal proposta surgiu a partir do contato da estagiária com os educandos e educadores da instituição para o levantamento de demandas por meio de observação participativa e de encontros utilizando técnicas em dinâmicas de grupo. Foi constatada a presença de estereótipos direcionados ao fatalismo da criminalidade em relação aos educandos da instituição em que suas identidades eram determinadas pelo local no qual vivem - e que, no caso, seriam futuros traficantes. A partir das oficinas de fotografia, grafitagem e construção de portfólio, foi facilitado aos participantes imergir em suas histórias pessoais e suas escolhas a partir de seu contexto histórico-social, promovendo seu processo de autoconhecimento e visão de si mesmos. Os educandos foram orientados a fotografar imagens que possibilitassem “mostrar quem eram” e o que 74 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 74 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:26 acreditavam ser importante em suas vidas dentro da comunidade em que viviam. Observou-se, a partir das primeiras intervenções, um processo de ressignificação das próprias histórias dos educandos, facilitando o autoconhecimento e a tessitura de uma identidade social a partir de outra visão de si mesmos. Foi possível observar também que o espaço criado possibilitou aos educandos que “falassem” de si a partir de outras linguagens além da verbal, permitindo, dessa maneira, a elaboração de sua própria subjetividade, respeitando seus valores, histórias e contexto sociocultural. Palavras-chave: Identidade. Intervenção psicossocial. Arte. CO 073: “A PARTIR DO MOMENTO QUE NÃO VENHA ME AGREDIR”: UM ESTUDO SOBRE A DESINSTITUCIONALIZAÇÃO DA LOUCURA SOB A PERSPECTIVA DA TEORIA DA IDENTIDADE SOCIAL Pedro Machado Ribeiro Neto, Lídio de Souza. Com o objetivo de analisar a reintegração social de ex-moradores de hospitais psiquiátricos, o estudo aborda a desinstitucionalização da loucura na perspectiva da Teoria da Identidade Social (TIS). Inicialmente são analisadas as principais proposições da TIS e, posteriormente, são apresentados os resultados de pesquisa empírica qualitativa sobre a receptividade social em relação à implantação das residências terapêuticas. Participaram 20 pessoas de ambos os sexos, entre 17 e 58 anos, com diferentes escolaridades e atividades, em dois bairros da Grande Vitória onde não há residências terapêuticas. O roteiro continha duas questões, sobre as residências terapêuticas e a redução de leitos psiquiátricos. O material das entrevistas foi submetido à Análise de Conteúdo Temática. A TIS informa que as categorizações sociais favorecem uma imagem positivamente valorizada do próprio grupo, contribuindo para preservar o sistema de valores, e servem também como instrumento de contraste necessário para a afirmação da identidade social. A manutenção da loucura em posição inferior permite esse contraste, mas favorece atitudes discriminatórias contra o “louco”. Nesse contexto o “doente mental” funcionaria como o “selvagem”, instrumento de comparação intergrupal importante para constituição da identidade social. Os dados empíricos indicaram posição favorável às residências terapêuticas, mas essa postura esteve, em vários momentos das entrevistas, acompanhada de condições: os entrevistados são favoráveis à reinserção social do morador de residência terapêutica “desde que”, “contanto que”, ou “se” alguma coisa. As concepções sobre os moradores de residência terapêutica estiveram associadas às ideias de doença, problema e risco, ocasionando o sentimento de medo. O estereótipo negativo associado aos “loucos” é um empecilho ao processo de desinstitucionalização, podendo colocar em risco a participação social daqueles incluídos nessa categoria. Mesmo que o indivíduo possua algum grau de participação nas decisões e contextos sociais, as questões encontradas nesta pesquisa sugerem a necessidade de discutir a qualidade dessa participação. A VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 75 75 08/05/2012 18:37:26 posição favorável presente no discurso dos entrevistados parece demonstrar a existência de um comportamento social acolhedor, solidário, de aceitação positiva do morador de residência terapêutica; mas a imposição de certas condições para sua reintegração social, somada às características negativas associadas à loucura, evidenciam uma postura que concretiza o contrário, o distanciamento social. Palavras-chave: Teoria da Identidade Social. Desinstitucionalização. Saúde mental. Reintegração social. Eixo: Violência CO 074: ATENDIMENTO PSICOLÓGICO COM UM ADOLESCENTE: A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE SEXUAL. Timoteo de Souza Ferreira. Este trabalho foi realizado no curso de graduação em Psicologia da Faesa, baseado no Estágio Supervisionado da Ênfase em Educação, Projeto Fala Sério. O objetivo deste trabalho é relatar a experiência de atendimentos psicológicos realizados com um adolescente vítima de abuso sexual. O paciente é do sexo masculino, tem treze anos e está na quinta série do ensino fundamental. O adolescente mora com sua irmã mais velha, mas mantém contanto com o restante da sua família. Os atendimentos aconteceram uma vez por semana, com duração de 50 minutos, na Clínica de Psicologia da Faesa, no período do mês de setembro de 2011 até o mês de março de 2012, totalizando dez atendimentos, nos quais foram utilizados jogos, dinâmicas e o diálogo. Durante as sessões, o adolescente falou muito sobre sua família, expressando seu sentimento em relação aos seus principais cuidadores. Foi possível trabalhar também a questão do abuso sexual que ele sofreu na infância e de como esee ocorrido influencia no processo de construção de sua identidade sexual. O paciente demonstra um sentimento de alívio por poder falar sobre suas angústias nos atendimentos, o que reforça ainda mais a importância desse tipo de acolhimento a adolescentes que sofreram violência. Palavras-chave: Atendimento psicológico. Abuso sexual. Identidade sexual. CO 075: EXPERIÊNCIA DE ATUAÇÃO INTERDISCIPLINAR QUANTO À VIOLÊNCIA NO COTIDIANO ESCOLAR. Sirley Trugilho da Silva, Leessanny Carlesso dos Santos Lirio, Terezinha de Jesus Lyrio Loureiro. Retrata-se uma experiência de atuação interdisciplinar em um dos campi do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) em questões relacionadas à violência no âmbito escolar. As ações são desenvolvidas em equipe envolvendo profissionais da área de Psicologia e Pedagogia, e ocasionalmente da Assistência Social, sempre que possível envolvendo observações em sala de aula para construção coletiva da demanda e ações 76 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 76 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:26 de intervenção. Dentre os métodos utilizados, constam a aplicação de uma versão adaptada do questionário “Tell Us About Bullying”, da organização Anti-Bullying Alliance’s (2005); o desenho do sociograma da turma; a apresentação, discussão e realização de redações de filmes e textos relacionados à temática; o incentivo a ações cooperativas; a realização de oficinas em eventos com comunidade escolar e externa; a realização de reuniões e dinâmicas de grupo com o corpo discente, bem como reuniões e correspondência com o corpo docente. Em diversas ocasiões, a análise da demanda constitui-se como ação mediadora, colaborando para interromper o processo de culpabilização e auxiliando a identificação das variáveis sistêmicas envolvidas na produção do problema. Observamos que as ações de prevenção oportunizaram o relato de situações de violência, possibilitando intervenção nesses casos. Constatou-se redução acentuada nos casos que poderiam exigir aplicação de sansões disciplinares. Em relação a políticas institucionais, foi feita a revisão do Código de Ética do corpo discente, envolvendo toda comunidade escolar no processo. Palavras-chave: Violência escolar. Bullying. Intervenção. Interdisciplinaridade. CO 076: NA IMPOSSIBILIDADE DA PALAVRA O ATO: ADOLESCÊNCIA E A LEI. Renata Goltara Liboni, Vanda Valle de Figueiredo Ferreira. O atual estudo teve como objetivo investigar a lógica subjacente ao ato infracional praticado por adolescentes em conflito com a lei, margeando duas áreas do saber: a psicanálise e o direito. Para tal, optou-se por um estudo de caso a partir da análise do texto de Jean Genet, intitulado A criança criminosa. Adotou-se, para o tratamento dos dados, a abordagem qualitativa, sendo o texto submetido ao método de Análise de Conteúdo proposto por Bardin. Foram definidas cinco categorias temáticas para extrair do artigo os elementos textuais que elucidassem o sentido do ato infracional. Verificou-se que a lógica que o sustenta é a da reivindicação por um “olhar” que possa dar algum lugar subjetivo ao seu autor. O enfraquecimento dos referenciais simbólicos contemporâneos – sobretudo a função paterna -, aliado a uma ausência de políticas públicas sociais que garantam algum lugar para os jovens na sociedade neoliberal, contribuem para a sua reincidência no caminho da delinquência. Palavras-chave: Ato infracional; Adolescentes; Psicanálise. CO 077: REPRESENTAÇÃO SOCIAL DE VIOLÊNCIA PARA PAIS DE ADOLESCENTES DO SERTÃO NORDESTINO. Daniel Henrique Pereira Espindula, Lauriston de Araujo Carvalho, Larissa dos Santos Alves, Marianna Barbosa Almeida, Suzyelaine Tamarindo Marques Cruz. Atualmente, a violência é um fenômeno que atinge tanto os grandes centros quanto os espaços mais afastados, sendo vista sob diferentes formas e significados. Nos discursos cotidianos, encontram-se ideias de que qualquer pessoa, independentemente VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 77 77 08/05/2012 18:37:26 de classe, condição e grupo social, pode ser vítima da violência. Vários estudos apontam a associação entre pobreza e violência, e mais recentemente, entre violência e juventude. O papel da família e dos pais diante do envolvimento dos jovens em atos de violência geralmente é salientado no senso comum. Dar voz a esses atores que cuidam e exercem papel de tutores de jovens parece ser uma estratégia preventiva do envolvimento de jovens, seja como vítimas ou algozes de atos violentos. Partindo dessas indagações, o presente estudo investiga as representações de pais de adolescentes do sertão pernambucano sobre violência e as práticas de enfrentamento alusivas à questão. Participaram do estudo 60 pais de adolescentes de ensino médio. Como instrumento, foi utilizado um questionário semi-estruturado com questões sobre violência e práticas preventivas. Os resultados foram analisados segundo a Análise de Conteúdo de Bardin. Para os pais de adolescentes, a violência é representada como sendo violência de ordem física/verbal e como violação dos direitos provocada por pessoas que não seguem as normas sociais e morais do grupo. As práticas preventivas desenvolvidas por esses atores correspondem em evitar lugares ermos e pessoas estranhas, recorrer a Deus e evitar discussões e brigas. Apesar de a representação social da violência para esse grupo apresentar como um de seus elementos a violação dos direitos, as práticas preventivas são direcionadas às atividades individualistas frente às questões coletivas. Ao tomar a representação como guia de base para ações, percebe-se que as práticas protetivas adotadas pelos pais de adolescentes podem levar os jovens a uma discussão do problema a partir de lógicas individualizantes ao invés de discussões coletivas e da formação cidadã. Buscar articular as práticas desenvolvidas pelas famílias frente aos problemas sociais parece ser uma estratégia de levantamento de informações quanto ao modo como elas discutem questões relacionadas à formação para cidadania dos jovens. Palavras-chave: Representação social. Violência. Jovens. CO 078: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE VIOLÊNCIA PARA PAIS DE ALUNOS DE ESCOLAS PARTICULARES DE ENSINO MÉDIO DE PETROLINA-PE. Lauriston de Araujo Carvalho, Daniel Henrique Pereira Espídula, Marianna Barbosa Almeida; Thaylline Oliveira, Larissa dos Santos Alves, Suzyelaine Tamarindo Marquez Cruz, A violência é um fenômeno sócio-histórico que transita entre vários espaços a partir das relações sociais. Tal fenômeno manifestado dentro do ambiente escolar, em suas várias dimensões, mostra-se multideterminado e precisa ser levado em consideração a partir dos diversos atores que participam de sua dinâmica. O presente estudo buscou compreender a representação social de violência para pais de alunos de escolas particulares de ensino médio de Petrolina/PE. Participaram da pesquisa 60 pais de estudantes matriculados em escolas particulares, sendo utilizado, para tal, um questionário com questões abertas versando sobre a 78 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 78 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:26 representação social da violência, causas, agressores e vítimas. Após a coleta, o material foi transcrito na íntegra e analisado segundo a Análise de Conteúdo de Bardin. A violência é representada para esses atores sob a forma de agressão verbal/física, violação dos direitos humanos e algo que foge às normais sociais e morais. Os principais agentes da violência são objetivados na figura dos jovens, homens e pessoas de classes sociais mais baixas. Aqui a representação de violência se relaciona à representação de adolescência conflituosa e na associação entre pobreza e violência. Segundo os participantes da pesquisa, as causas da violência estariam ancoradas a partir de desestrutura familiar, políticas públicas ineficazes e educação doméstica/escolar precária. À família é atribuído o peso da socialização primária para a formação e a manutenção de um cidadão. Ao passo que esse processo é falho e/ou precário, gera adolescentes/jovens com propensão para atos violentos. Na outra ponta, o Estado aparece também como potencializador da violência. Segundo os participantes, a ineficácia de políticas públicas produz contextos sociais vulneráveis, refletidos na falta de oportunidade e informação, levando os sujeitos ao envolvimento em práticas violentas para sobreviver e buscar por direitos. A importância da família na elaboração de estratégias preventivas da violência, favorecendo espaços de diálogo e formação para cidadania aliados a políticas que garantam a inclusão dos atores sociais, parecem ser um caminho vislumbrado pelos participantes para a redução dos índices de violência observados atualmente. Palavras-chave: Representação social. Violência. Pais. CO 079: TRABALHO EM GRUPO COM ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE RISCO SOCIAL: CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA. Cláudia Perim Baldo, Leandro Mozart. Atualmente, muitos pais precisam enfrentar uma situação difícil todos os dias: sair para trabalhar sabendo que seus filhos não poderão contar com a supervisão de um adulto no período em que estão em casa. Percebe-se, então, que algumas instituições vêm surgindo com o intuito de auxiliar essas famílias no cuidado com seus filhos menores de idade. Este trabalho consiste em um relato de experiência de atendimentos psicológicos em um grupo de adolescentes que frequentam uma instituição de apoio às famílias que se encontram em risco social. O grupo foi formado com adolescentes de onze a quatorze anos. Os atendimentos em grupo aconteceram dentro da própria instituição, em uma sala reservada, com duração de uma hora e meia, uma vez por semana. Para o desenvolvimento do trabalho, foram realizadas dinâmicas de grupo e técnicas com o uso de recortes de revistas. Os temas para serem trabalhados nos encontros foram sugeridos pelos próprios adolescentes, como por exemplo drogas, sexualidade, esportes. O trabalho iniciouVII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 79 79 08/05/2012 18:37:26 se em março de 2012 e deve durar até junho do mesmo ano. Percebeu-se que a iniciativa foi bem aceita pelos adolescentes e que a cada encontro eles reforçam os laços de confiança no grupo. Apresentam muita curiosidade sobre alguns temas, demonstrando desejo de que no espaço do grupo haja oportunidade de aprender e de se desenvolver. Pretende-se, ao longo dos encontros, desenvolver uma melhor integração no grupo e proporcionar momentos de reflexão e aprendizagem, ajudando os adolescentes a enxergar além daquele mundo reservado e retraído para um mundo que transcende suas realidades. Palavras-chave: Família em situação de risco social. Instituições de apoio. Psicoterapia em grupo com adolescentes. CO 080: VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇA: UMA PESQUISA SOBRE CASOS NOTIFICADOS E SERVIÇOS DE ACOLHIMENTO EM TRÊS MUNICÍPIOS DO SUL CAPIXABA. Bruna de Oliveira, Fabricia Rodrigues Amorim Aride, Adriana Mastela Gomes Grasseli, Francinne Alves Cabelino, Lívia Sgulmero de Moraes, Fabíola Magnago Pedruzzi, Ana Cristina Silva Fernandes de Souza, Solange Maria Sarti. As práticas violentas contra crianças foram estabelecidas ao longo de uma construção histórica, social e cultural e manifestam-se de diferentes formas: violência física, sexual, simbólica, psicológica, abandono ou negligência, atingindo qualquer classe social, sexo e faixa etária. Observa-se que ao tentar situar o problema da violência contra crianças, conceitos como Violência Social, Intrafamiliar e Institucional são descritos. O ECRIAD dispõe sobre garantias de direitos a crianças e adolescentes vítimas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão; determina também que o abuso sexual em criança e adolescente é de notificação obrigatória, havendo apuração de responsabilidade para aqueles que se omitirem. Ponderando, há necessidade de maiores estudos sobre as mudanças que engendram essa discussão. Com a presente pesquisa, propôs-se verificar junto aos Centros de Referência Especializada de Assistência Social e Conselhos Tutelares dos municípios de Muniz Freire, Castelo e Rio Novo do Sul o quantitativo de casos notificados de violência contra a criança no período de janeiro a outubro de 2010, a forma de acolhimento e como os profissionais dessas instituições mediavam as relações de conflitos que envolviam esses sujeitos. Fundamentando-se em uma pesquisa qualitativa e documental, utilizou-se um questionário com quatro questões abertas, e uma questão para preenchimento do quantitativo de casos notificados. Como resultados encontrados, destacamos que as entidades pesquisadas trabalham articuladas às redes de apoio disponíveis - e que os profissionais, principalmente os psicólogos, trazem um discurso desencontrado quanto à sua forma de atuação nesse contexto. Vale ressaltar que em casos de violência contra crianças não se deve acolher 80 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 80 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:26 apenas a vítima; é importante escutar os familiares da criança, assim como seu agressor (quando ele também é uma criança ou adolescente). Assim, a presença de um mediador na relação vítima-agressor é de fundamental importância, pois espera-se uma “solução” resolutiva e adequada para os envolvidos. Conclui-se que vários fatores podem fomentar a violência em todas as esferas. Instituições como escola, justiça, família ou sociedade, muitas vezes, colocam-se inertes frente a essa realidade social, mantendo-se omissas, sem questionar, refletir, ou produzir políticas adequadas para oferecer suporte, acolher, socializar e envolver os sujeitos, de forma humanizada e no caminho da cidadania. Palavras-chave: Violência contra criança. ECRIAD. Acolhimento. CO 081: VIVÊNCIAS DE MULHERES VÍTIMAS DE ABUSO SEXUAL NA INFÂNCIA. Anna Paula Sampaio Barbosa, Stephanye Porto da Silva, Daynara Ferreira Lovate Fialho, Kathleen Cruz dos Santos, Tânia Mara da Silva Azevedo Macedo, Alexandre Cardoso Aranzedo. As múltiplas formas da violência sexual têm sido consideradas como questões de saúde e segurança pública, devido ao crescimento e à gravidade dos casos notificados no Brasil. Apesar dos avanços conquistados, as mulheres em diversas faixas etárias figuram como as principais vítimas desse processo de violência. O presente trabalho objetivou investigar as consequências psicológicas na vida de mulheres que foram vítimas de abuso sexual durante a infância. O método preconizou o desenvolvimento de estudo de caso, com a participação de quatro mulheres adultas, na faixa etária de 19 a 31 anos. Verifica-se, entre os principais resultados, a vivência dos seguintes aspectos afetivos: dificuldade de relacionar-se com figuras masculinas; inibição exacerbada no desenvolvimento de relacionamentos afetivos e sexuais; vivência de sentimentos de culpa; insegurança e distorção da autoimagem. Em decorrência da gravidade da violência, ainda se observa em alguns casos a depressão e a ideação suicida. Os dados obtidos apontam que, como estratégia de superação da violência sofrida, as participantes deste estudo utilizam a religião. Nesse sentido, a crença religiosa apresenta-se como um pilar para a reelaboração resiliente, e o apoio social produzido pela igreja é de fundamental importância. A partir da análise e interpretação dos dados, pode-se constatar a necessidade de intervenções direcionadas a esse público a fim de proporcionar momentos de reflexão sobre as consequências psicológicas da violência sofrida, bem como a ressignificação atribuída ao ato sexual. Palavras-chave: Mulheres. Gênero. Abuso sexual. Violência. Violência sexual. Eixo: Gênero e Sexualidade VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 81 81 08/05/2012 18:37:26 CO 082: A PRODUÇÃO BRASILEIRA EM SEXUALIDADE: UM ESTUDO EM PSICOLOGIA SOCIAL. Clarisse Lourenço Cintra, Valeschka M. Guerra, Eduardo C. Ceotto, Arielle S. Scarpati, Camila N. Bonfim-Duarte, Lucas Có B. Duarte. O conhecimento construído pela Psicologia Social tem muito a oferecer para a compreensão da sexualidade como objeto de estudo. Nesse sentido, a presente pesquisa objetivou realizar um mapeamento da produção científica brasileira sobre a sexualidade que utilize conceitos derivados da Psicologia Social, identificando o campo representacional construído por esse conjunto de produções a partir dos objetivos gerais dos artigos publicados no país nos últimos dez anos (2001 a 2011). Foram pesquisados artigos teóricos ou empíricos publicados em periódicos brasileiros, indexados no SciELO, contendo o termo “sexualidade”. Os 173 artigos selecionados foram catalogados de acordo com ano de publicação; área de conhecimento; objetivos; população; métodos de coleta e análise, além de teoria e/ou construto utilizados. Os resultados demonstraram um aumento nas publicações relativas ao tema no período de 2001 a 2003. O ápice de publicações (31,2%) ocorre entre 2006 e 2007. A área de conhecimento com maior número de artigos publicados foi a de Ciências da Saúde (42,8%). A Psicologia é responsável por 23,2% das publicações na área das Ciências Humanas. Estudos em Psicologia Social somam apenas 6,4% do total de artigos publicados no país. Dos conceitos e teorias relacionados à Psicologia Social, a concepção de gênero (41,2%), a Teoria das Representações Sociais (9,8%) e a Teoria da Identidade Social (7,7%) são as mais citadas. Visando compreender o movimento de construção das representações sociais dos autores, as palavras-chave dos objetivos dos artigos foram homogeneizadas a partir do software SPAD-t (Método TISCON). A partir da análise do campo representacional, observa-se que os elementos DSTAIDS, Adolescentes-Jovens e Gênero encontram-se agrupados próximos, indicando associabilidade e tendências à centralidade. Os elementos Percepções, Sexualidade e Saúde compõem a periferia do campo representacional, demonstrando a multiplicidade da Sexualidade como campo de estudo. Focar o tema a partir de diferentes perspectivas poderá colaborar para a construção do conhecimento na área. Palavras-chave: Sexualidade. Psicologia social. Produção científica. Campo representacional. CO 083: O CIÚME E SUA RELAÇÃO COM O BEM-ESTAR NOS RELACIONAMENTOS ROMÂNTICOS. Mateus Dias Pedrini, José Agostinho Correia Junior, Alexsandro Luiz de Andrade, Valeschka Martins Guerra. O ciúme romântico é apontado por diversos autores como uns dos principais problemas da qualidade dos relacionamentos românticos. Tal pressuposto é corroborado por meio de nosso estudo, o qual teve como objetivo conhecer a relação 82 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 82 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:26 entre ciúme romântico e bem-estar nos relacionamentos diádicos. Partimos da concepção de que os afetos positivos e negativos estão relacionados com o bem-estar e com as emoções, portanto, aplicável à predição qualidade dos relacionamentos amorosos. Participaram da pesquisa 203 indivíduos, com média de idade de 25 anos (DP=8,66), sendo 151 do sexo feminino (74,4%) e 52 do sexo masculino (25,6%); do total da amostra, 50,7% dos participantes estavam envolvidos em relacionamentos românticos. Na metodologia do estudo foi empregada, respectivamente, a Escala de Ciúme Romântico (ECR) e a Escala de Afetos (PANAS). Os dados foram analisados via Correlação de Pearson, com auxílio do programa PASW. Os resultados demonstram que o ciúme, em geral, tende a ser vivenciado nas relações em que há ameaça real da perda do(a) parceiro(a), na maioria das vezes, pela figura de outro, gerando também sentimentos negativos para os protagonistas da relação. Essa ideia é reforçada pelos resultados – correlação positiva entre o fator de ameaça do ciúme e afetos negativos (r=0,22; p= 0,001); e negativa entre ameaça e afetos positivos (p=0,23; p=0,01). Destaca-se a importância de promover novos estudos sobre o impacto dos ciúmes nos relacionamentos românticos contemporâneos. Palavras-chave: Ciúme. Afeto. Relacionamento romântico. Bem-estar CO 084: O CONSUMO DE DROGAS NA VIDA MULHERES: UM ESTUDO NO CAPS AD Scheila Silva Rasch, Angela Nobre de Andrade. O consumo de drogas por mulheres sempre ocorreu na história da humanidade e não é um fenômeno contemporâneo. Os transtornos relacionados a esse consumo têm sido progressivos e um acontecimento comum a diversos países. Mulheres estão aumentando o consumo de drogas de maneira significativa, e os estudos nessa área discutem se esse aumento tem relação com uma maior proximidade das funções sociais desempenhadas por homens e mulheres. Observa-se que o início do consumo da droga por mulheres vem se dando cada vez mais cedo, o que oportuniza o risco de desenvolver o quadro de dependência. Nesse sentido, estamos desenvolvendo uma pesquisa, nível doutorado, no Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), visando identificar como o consumo de substâncias psicoativas lícitas ou ilícitas, com padrão de consumo abusivo ou dependente, vem se destacando na vida de mulheres e como esse consumo interfere em seu cotidiano existencial no contexto de seus trabalhos, de suas famílias e de suas relações afetivas. O estudo empregará a metodologia qualitativa, mediante pesquisa documental e etnográfica, e terá como sujeitos as mulheres participantes do Grupo de Acompanhamento de Mulheres em tratamento no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPSAd), da Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Vitória. Realizaremos coleta de dados em prontuários e no acompanhamento grupal, mediante as narrativas das mulheres, compreendendo que esse é o lugar dos VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 83 83 08/05/2012 18:37:26 acontecimentos e da riqueza dos seus relatos diante do enfrentamento de situações relativas à utilização de substâncias psicoativas. A técnica da Análise de Conteúdo será empregada para a análise dos dados. Destacamos a relevância de aprofundar estudos singulares e pertinentes às mulheres e o consumo de drogas que possam gestar cada vez mais estratégias de atenção e cuidado terapêuticos peculiares para suas necessidades e demandas. Palavras-chave: Mulheres. Drogas. Tratamento. Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas. CO 085: PORNOGRAFIA: O QUE FALA E O QUE CALA Lara Rocha Andrade, Kaíza Oliva Donadia, Stéfane Stolze Vieira, Andressa Tonini Pissaia, Kelvin Fonseca, Valeschka Guerra. Este trabalho tem como objetivo identificar quais as atitudes de homens e mulheres frente ao uso de pornografia. Tomando o indivíduo, definido por Lévi-Strauss como um ser biopsicosociocultural que está em constante construção e interação com meio, e considerando a pornografia como um fenômeno humano, perpassado pelas mais diversas construções históricas, este trabalho tem como foco as questões de normas de gênero nas atitudes frente à pornografia. Adicionalmente, é importante compreender sua atual construção e averiguar como esse tema tem sido produzido para o público feminino atualmente. Participaram desta pesquisa 251 pessoas, sendo a maioria (67,3%) do sexo feminino. Os participantes responderam a um questionário composto por dois instrumentos: a Escala de Atitudes frente ao Uso de Materiais Pornográficos e a Escala de Normas de Gênero. Os questionários foram respondidos online, sendo distribuídos por meio de redes sociais. Os dados foram analisados no programa SPSS, pelo qual obtivemos alguns dos seguintes resultados: não houve diferença entre homens e mulheres no que diz respeito ao efeito da pornografia, sendo observada, ainda, uma maior frequência de respostas relacionadas aos efeitos nocivos da pornografia do que aos efeitos positivos. Participantes que indicaram utilizar materiais pornográficos apresentaram atitudes mais positivas frente ao tema; no entanto, de forma contraditória, o uso desse tipo de material foi considerado imprudente. Atitudes positivas frente à pornografia também se mostram inversamente relacionadas ao nível de religiosidade e à idade dos participantes; ou seja, quanto maior o nível de religiosidade e quanto maior a idade do participante, mais negativa a atitude. Também foi observada uma maior incidência do uso de material pornográfico por homens, corroborando assim com estudos anteriores que mostram como os discursos entre os gêneros se opõem. Contudo, a participação mais expressiva de mulheres no estudo pode ter influenciado nos resultados. Palavras-chave: Pornografia. Gênero. Sexualidade e mídia. 84 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 84 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:26 CO 086: REPRESENTAÇÃO SOCIAL DA SEXUALIDADE NA VELHICE: A CONCEPÇÃO DE JOVENS A RESPEITO DA SEXUALIDADE NO ENVELHECIMENTO Jéssica Maria Gomes de Faria, Isadora Lee Padilha, Valeschka Martins Guerra. Os avanços da ciência e na medicina e o consequente aumento da longevidade ocasionaram um crescimento significativo da população idosa. Embora o envelhecimento seja um processo “natural”, ele é construído socialmente e, infelizmente, a velhice é permeada por estigmas, produto do ideológico social. A representação que a sociedade tem sobre a velhice como uma fase de inabilidades e perdas, sempre associada à doença e ao declínio, também é um aspecto que dificulta, grandemente, a vivência com a velhice. Acredita-se que, se a sociedade ampliasse a visão que possui do envelhecimento, conseguiria ter estrutura para compreender as dificuldades dos idosos e, assim, lhes proporcionar melhor qualidade de vida. Dessa forma, é de grande relevância a discussão e o entendimento de temáticas a respeito da velhice e, com especial atenção, da sexualidade durante essa etapa da vida. Para tanto, referenciado pela Teoria das Representações Sociais, este estudo objetiva investigar a concepção que os jovens de Vitória/ES apresentam acerca do comportamento e da vivência sexual no envelhecimento. Participaram da pesquisa 20 jovens universitários. Para a coleta de dados, foram utilizados um questionário sociodemográfico e um questionário semi-estruturado com questões utilizando a técnica de evocação aos termos indutores: velhice, fatores positivos e negativos da velhice; sexo; sexo na velhice, fatores positivos e negativos do sexo na velhice. Para o tratamento dos dados, utilizou-se a Análise de Conteúdo Categorial Temática. Os resultados, de forma geral, permitiram identificar que os jovens participantes do estudo apresentam uma concepção de sexualidade na velhice baseada no ideológico sociocultural de que o idoso é impotente, indisposto, doente, pouco atraente, sendo a sexualidade nessa fase da vida pouco comum ou inexistente. Para finalizar, é discutida a necessidade de desmistificar esse comportamento no imaginário social, ampliando o corpo de conhecimento e gerando políticas públicas a esse respeito. Palavras-chave: Representação Social. Sexualidade. Velhice. CO 087: REPRESENTAÇÃO SOCIAL DE MASCULINIDADE DE HOMENS GAYS Isadora Lee Padilha, Rebeca Valadão Bussigner, Maria Cristina Smith Menandro. No campo dos estudos de gênero são propostas diferentes perspectivas e definições de masculinidade. A concepção de “ser homem” é uma construção social, cultural, histórica e dinâmica que cada sociedade possui (PEREIRA & PONTAROLLO, 2010). A Teoria das Representações Sociais, proposta por Moscovici, permite entender como se formam e como funcionam os sistemas de referência que utilizamos para classificar pessoas e grupos e para interpretar os acontecimentos VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 85 85 08/05/2012 18:37:26 da realidade cotidiana (MAZZOTTI, 2008). Para esta pesquisa, buscaremos identificar de que forma as representações sociais de masculinidade influenciam nos comportamentos afetivo-sexuais e como as questões de preconceito e homofobia atuam na construção dessas representações. Participaram da pesquisa cinquenta homens gays. A coleta de dados foi realizada por meio da técnica em cadeias ou “bola de neve”, na qual cada participante indicava outros possíveis participantes. Outras estratégicas adotadas foram a aplicação do questionário em grupos e a construção do questionário online no Google® docs, divulgado nas redes sociais. O instrumento utilizado consistiu num questionário com perguntas abertas e fechadas que abordavam três grandes temas: “ser homem” e “ser mulher”, relações afetivo-sexuais e homofobia e preconceito. Com a finalização da coleta, passou-se para a construção do banco de dados para a análise. Nessa etapa, será utilizado a Análise de Conteúdo de Bardin (2009) e também à análise lexical realizada pelo software Alceste. No momento, estão sendo feitos experimentos e treinamentos com o software para maior habilidade dos pesquisadores. Com a análise dos dados, espera-se correlacionar as representações sociais de masculinidade dos participantes às práticas apresentadas por eles, bem como inferir sobre o contexto de discriminação e suas possíveis relações com as representações apresentadas. Palavras-chave: Representação Social. Gênero. Masculinidade. Homossexualidade. Homofobia. CO 088: SER HOMEM NA PÓS-GRADUAÇÃO: REPRESENTAÇÕES E VIVÊNCIAS DE ESTUDANTES Júlia Carvalho dos Santos, Mariane Ranzani Ciscon-Evangelista, Paulo Rogério Meira Menandro. A área acadêmica tem sido no Brasil nos últimos anos o objetivo de muitos jovens que ingressam nos programas de pós-graduação stricto sensu almejando conquistar um espaço nessa área. Entretanto, o tempo de formação e a consequente inserção no mercado de trabalho são mais longos em comparação a outras profissões. Para os homens, ainda tidos como principais responsáveis pelo provimento de seu núcleo familiar, o tempo de instabilidade profissional e financeira pode se tornar um fator complicador, especialmente nas questões familiares. Assim, conhecer como jovens do sexo masculino têm lidado com as decisões da esfera profissional e as pressões exercidas pelo meio social torna-se interessante na medida em que promove maior conhecimento de fatos que emergem recentemente no contexto social, como a formação prolongada. Para aprofundar os conhecimentos acerca dessa temática, está sendo realizada uma pesquisa cujos objetivos consistem em obter e analisar as representações sociais dos participantes sobre as questões de gênero, constituição de família própria, construção de carreira e sobre sua condição atual, suas reflexões e planos para o futuro relacionados a tais questões. Foram 86 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 86 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:26 entrevistados cinco estudantes de pós-graduação stricto sensu, bolsistas, com mais de 30 anos, por meio de roteiro semi-estruturado, abordando as questões mencionadas nos objetivos. Em análise preliminar dos dados já obtidos, foi observado que apesar do desejo em trabalhar com pesquisa e docência no nível superior, as dificuldades que emergem nessa empreitada são grandes, como a própria manutenção financeira do estudante, tendo em vista o valor das bolsas de estudos e a quase sempre necessidade de exclusividade de dedicação durante sua vigência, sendo a bolsa a única fonte de renda. Essa é uma questão que abrange outros aspectos da vida do estudante, interferindo diretamente em algumas decisões da vida pessoal, como um possível relacionamento de casal mais estável e a escolha do momento certo para ter o primeiro filho. A expectativa é de que haja estabilidade no futuro, o que possibilitaria arcar com os compromissos financeiros decorrentes de ter uma família. Palavras-chave: Família. Pós-graduação. Masculinidade. CO 089: SER MULHER NA PÓS-GRADUAÇÃO: REPRESENTAÇÕES E VIVÊNCIAS DE ESTUDANTES Naara Knupp de Oliveira, Lara de Sá Leal, Mariane Ranzani Ciscon-Evangelista, Paulo Rogério Meira Menandro. Por muitos anos a mulher ocidental foi reconhecida como aquela responsável pelos cuidados com os filhos, o casamento e os afazeres domésticos. Após sucessivas mudanças decorrentes das ideias feministas, novos lugares e hábitos foram sendo conquistados pela mulher, que passou a assumir posições de maior autonomia e liberdade na família e na sociedade. A partir de então, o investimento nos estudos/profissão e o adiamento ou a opção pelo não exercício da maternidade e do casamento têm sido tema de discussão. Assim, este estudo teve como objetivo compreender o investimento realizado por acadêmicas do sexo feminino na formação da carreira e da família, e a distribuição de tarefas diante das mudanças nos lugares sociais femininos. Participaram do estudo seis alunas matriculadas em cursos de pós-graduação (mestrado/doutorado) stricto sensu da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), nos campi de Vitória, com idade entre 30 e 40 anos, bolsistas. As participantes foram divididas em mulheres com filhos e sem filhos. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas com roteiro semi-estruturado, que englobaram desde a percepção da participante sobre as questões de gênero, constituição de família própria, construção de carreira, até suas reflexões e planos para o futuro. Para análise do material das entrevistas utilizou-se a Análise de Conteúdo. É possível perceber que a divisão de tarefas para mulheres que já exercem a maternidade e cursam a Pós-Graduação se torna exaustiva e desafiante. Para as mulheres sem filhos, existe a cobrança social para que se tornem mães e formem uma família, mas tais projetos têm sido adiados VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 87 87 08/05/2012 18:37:26 por elas em função do maior investimento de tempo para a construção da carreira profissional. Maternidade e casamento são apresentados como planos para o futuro. No entanto, enquanto são dados os passos que se consideram necessários para estabelecer sua carreira acadêmica, os planos relacionados a casamento e/ ou filhos são relatados como possibilidades e ideais, permanecendo em segundo plano quando comparados ao investimento profissional. Palavras-chave: Maternidade. Representações sociais. Pós-graduação. CO 090: TRANSTORNOS DA SEXUALIDADE NAS PARCEIRAS DE ALCOÓLATRAS Sérgio Werner Baumel. Introdução: As relações entre o álcool e a sexualidade são conhecidas há muitos séculos, e muito tem sido escrito sobre os efeitos do uso e do abuso de bebidas alcoólicas na sexualidade masculina e feminina. Os efeitos do alcoolismo sobre a sexualidade de parceiros, em especial das parceiras de alcoólatras, têm sido negligenciados pela literatura, embora elas se queixem frequentemente de questões relacionadas ao sexo nos consultórios médicos e psicológicos. Objetivos: Neste estudo, buscou-se uma abordagem dos problemas sexuais vivenciados pelas parceiras de alcoólatras, abordando também os problemas da mesma esfera vivenciados pelos homens alcoólatras. Método: Foram utilizados dois formulários de autopreenchimento, um para cada gênero, compreendendo alguns poucos dados demográficos, as 28 questões do Golombock Rust Inventory of Sexual Satisfaction (GRISS) e outras 12 questões abordando o uso e o abuso do álcool, distribuídos em diversos locais de diferentes características. Um total de 152 formulários foi preenchido por completo e devolvido, sendo 100 femininos e 52 masculinos. A análise dos problemas sexuais seguiu a orientação do manual do GRISS, enquanto os problemas com o álcool foram identificados a partir das demais questões, com base nos critérios do DSM-IV para intoxicação aguda pelo álcool e para abuso do álcool. O nível de significância estatística foi determinado pelo teste “t” de Student e pelo teste do “qui-quadrado”. Resultados: A análise dos resultados permitiu reconhecer uma tendência tanto das mulheres de alcoólatras quanto dos homens alcoólatras a ter mais problemas em relação à sua sexualidade, mais particularmente nos itens relacionados à insatisfação sexual e à evitação sexual. Conclusões: A partir desses dados, sugere-se que sejam realizados estudos mais abrangentes nessa área e se propõe uma mudança paradigmática na abordagem dos transtornos da sexualidade, na direção da teoria dos sistemas. Palavras-chave: Sexualidade. Alcoolismo. Satisfação Sexual. Parceiras de alcoólatras. 88 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 88 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:26 CO 091: UMA ALMA FEMININA EM UM CORPO MASCULINO: IDENTIDADE DE GENÊRO Geane Uliana Miranda, Alice Andrade Silva, Bianca Cristina Parreiras, José Agostinho Correa Junior, Mateus Dias Pedrini. Intitulado de “Uma alma feminina em um corpo masculino: identidade de gênero”, este trabalho apresenta uma reflexão sobre a concepção que drag queens, travestis e transexuais têm a respeito do feminino e o grau de identificação que esses subgrupos do transgênero possuem com essa representação social. A pertinência da concepção biológica na percepção social do corpo é manifesta na categorização científica dos indivíduos em dois gêneros - o masculino e o feminino – a partir dos órgãos genitais. Porém, muitas vezes “homens” e “mulheres” assumem outras identidades que não a do sexo biológico, pois a identidade de gênero depende do autoconceito, do pertencimento e da convicção do indivíduo a respeito do sexo com o qual se identifica. A heteronormatividade presente na sociedade limita o ser o humano ao ser homem ou ser mulher heterossexual, não havendo espaço, portanto, para aqueles que possuem “uma alma feminina em um corpo masculino”. Coloca-se em questão se travestis, transexuais e drag queens “podem” ser mulheres – ou, dito de outro modo, se podem coexistir numa sociedade que as reconheça como mulheres. A metodologia utilizada foi a análise qualitativa das repostas ao questionário semiestruturado, baseado principalmente nos estudos de Tajfel, e a produção de um vídeo documentário com os participantes. Os resultados mostraram que o nível de pertencimento com o gênero feminino variou entre os transgêneros: drag queens apresentaram baixa identificação, travestis demonstram identificação mediana e transexuais mostraram um alto grau de identificação. Este estudo permite inferir que a questão dos transgêneros não é ter ou não de concordar com sua identidade de gênero, mas compreender que independentemente da concepção ou da vontade de outrem, há pessoas que nascem com pênis que se transforma em vagina e vice-versa. Não cabendo julgar, mas entender o complexo processo pelo qual os transgêneros passam. Palavras-chave: Identidade. Genero. Feminino. CO 092: VIVÊNCIA DA SEXUALIDADE FEMININA EM CONTEXTO RELIGIOSO Fernanda Vieira Biajoli, Amandha Gyselle Martins do Nascimento, Laís Rocha Ávila, Valeschka Martins Guerra. A religião, vista como uma construção sócio-histórica, influencia em modos de subjetivações, promovendo o bem-estar e dando sentido à vida das pessoas. No entanto, ao mesmo tempo que adiciona características positivas às experiências individuais, também pode influenciar negativamente, enrijecendo relações e papéis sociais. A literatura indica uma maior dedicação e aproximação das mulheres a VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 89 89 08/05/2012 18:37:26 grupos religiosos. No entanto, há pouca informação no que diz respeito à influência desses grupos na sexualidade feminina. O comportamento sexual da mulher foi marginalizado historicamente, estando associado a uma desvalorização do papel feminino na sociedade. No que diz respeito à sociedade brasileira, há uma ênfase na figura de boa mãe e da boa esposa, seguindo um modelo “Maria” de ser mulher. Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo investigar a influência da religião na percepção da sexualidade feminina. Para tanto, foi realizada uma pesquisa com 145 mulheres, de diferentes religiões, sendo a maioria universitária e urbana, fato possivelmente influenciador dos resultados da pesquisa. Elas responderam a um questionário online estruturado constituído de duas escalas: Escala de Sexualidade e Escala de Religiosidade. Também foram incluídas questões abertas sobre a vivência da sexualidade, caracterizando assim um estudo misto, e questões sociodemográficas. As análises dos dados quantitativos foram realizadas pelo software SPSS, e as análises dos dados qualitativos foram feitas baseadas na Análise de Conteúdo Temático-Categorial. A partir dos resultados, foi possível identificar uma correlação negativa entre as atitudes religiosas e a preocupação sexual. Tal resultado pode ser interpretado à luz das características demográficas da amostra (jovens universitárias de meio urbano), que apresenta atitudes consideradas mais liberais. Discute-se também a possível influência do movimento de ressignificação que vem ocorrendo por parte das mulheres em relação às suas religiões, processo caracterizado por uma separação do aspecto religioso do aspecto sexual em suas vidas. Palavras-chave: Religiosidade. Sexualidade. Gênero. 90 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 90 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:26 PAINÉIS Eixo: Desafios contemporâneos: Psicologia do Trânsito e Mobilidade, Psicologia Ambiental, Psicologia dos Esportes, Psicologia das Emergências e dos Desastres, Neurociências, Novas tecnologias P 001: A ABORDAGEM DA SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA. Flávia Santos Ramos, Alessandra Henriques Oliveira, Marcio Neves, Marinéa Neves Telles, Flávia Santos, Iza Mara Escarpini. A adolescência é uma fase da vida que tem características peculiares e conturbações, fortemente influenciada pelas transformações físicas e emocionais que marcam o fim da terceira infância. Os adolescentes buscam algo que atenda às suas expectativas e que possa tranquilizá-los com respostas aos seus anseios, e não uma metodologia médico biológica sobre a sexualidade humana. Dessa forma, pretendemos abordar a sexualidade na adolescência como um contexto significativo, que possa suprir a carência de informações e de recursos pedagógicos e nortear pais e professores na orientação sexual dos adolescentes. A proposta é abordar metodologias mais reflexivas e flexíveis que vão possibilitar a abertura de discursos sobre os tabus e preconceitos preexistentes. O presente projeto de intervenção tem como objetivo atender às expectativas e aos anseios dos adolescentes sobre as questões da sexualidade, por meio de uma abordagem preventiva e de conhecimento de si mesmo. O projeto será desenvolvido em escolas municipais e estaduais de Cachoeiro de Itapemirim/ES, nas quais serão constituídos grupos terapêuticos. O processo se dará em encontros com momentos grupais e individuais, utilizando como referência a abordagem Existencial Humanista. Acredita-se que o projeto consiga em primeiro plano dar voz aos adolescentes para que expressem suas necessidade ou curiosidade sobre a sexualidade, permitindo assim uma maior integração entre escola/adolescente/pais, para que em um ambiente que remete à segurança eles/os adolescentes possam conseguir expor suas angústias e trocar experiências. Espera-se, assim, fortalecer as relações afetivas e dar subsídios pra que o adolescente tenha uma educação sexual sem dúvidas e, ao mesmo tempo, conscientizá-los da importância da responsabilidade. Diante da falta de informação a respeito da sexualidade, e devido ao crescente número de adolescentes que iniciam sua vida sexual precocemente, expondo-se e ficando vulneráveis à paternidade ou à maternidade precoces e a doenças sexualmente transmissíveis, tornase necessário usar diferentes metodologias para que o sucesso do projeto possa surtir o efeito desejado. Assim, este projeto oferece a possibilidade de abordar o sugerido tema de forma eficaz e agradável, trazendo à luz o real papel dos pais como principais VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 91 91 08/05/2012 18:37:26 orientadores sociomorais dos filhos e a escola como entidade social formadora de cidadãos críticos e conscientes de suas opções e atitudes. Palavras-chave: Sexualidade. Adolescência e projeto. P 002: COMPORTAMENTO AMBIENTAL: DIAGNÓSTICO E MONITORAMENTO. Karla Barros de Lacerda Fafá, Elson Marcelo Kunsch. Introdução: A Gerência de Educação Ambiental (GEA) do Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) desenvolve diversas ações para descentralização das atividades de Educação Ambiental e implantação da Política Estadual de Educação Ambiental - Lei 9.265, que fundamenta-se na construção de valores, saberes, conhecimentos, atitudes e hábitos, visando uma relação sustentável da sociedade humana com o ambiente que integra. Objetivo: Construir instrumentos que subsidiem o monitoramento e diagnóstico das ações desenvolvidas pela GEA no que diz respeito ao comportamento e crenças relativas às questões ambientais. Método: Adaptar dois questionários da dissertação de mestrado de CAIXETA no quesito linguagem e número total de questões para aplicação em indivíduos a partir de 10 anos, baseados na Escala de Ecocentrismo e Antropocentrismo de Thompson e Barton e o Inventário de Valores de Schwartz. Estes correspondem, respectivamente, a um instrumento de avaliação das predisposições ambientais e a um inventário dos valores universais, culturais, e o sistema estruturado sob os quais estes valores se inter-relacionam. Os questionários adaptados - o primeiro, com dez questões, e o segundo com 20 - investigam, respectivamente, crenças eco e antropocêntricas; comportamentos relacionados ao consumo, descarte de lixo e uso de água e energia. Em 2011, foram aplicados 30 questionários na E.M.E.F. Biriricas de Cima – Domingos Martins, nas turmas de 6ª e 7ª séries, para verificação das adaptações realizadas e do tempo de aplicação, bem como para fundamentar a construção de uma orientação aos aplicadores dos questionários. Resultados: De acordo com os resultados obtidos, os questionários apresentaram-se adequados quanto às adaptações realizadas, sendo de fácil e rápida aplicação e de simples compreensão, bem como sensíveis quanto à realidade socioambiental local. Conclusões: Os instrumentos adaptados são viáveis de serem utilizados como apoio para o monitoramento e diagnóstico das atividades de Educação Ambiental. Palavras-chave: Comportamento ambiental. Educação ambiental. Monitoramento. P 003: RELAÇÕES AMOROSAS DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA. Galiléia Paula da Silva, Anna Carolina Figueiredo de Mattos, Luciana Bicalho Reis, Mayara Pereira dos Santos. A sociedade tende a achar que pessoas com deficiência física não se relacionam amorosamente porque normalmente essas pessoas são vistas como tendo um 92 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 92 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:26 desenvolvimento incompleto. Sabe-se que a sexualidade humana desenvolve-se desde o nascimento, o que não vai ser diferente para a pessoa com deficiência. A falta de conhecimento sobre a sexualidade dessas pessoas produz estigmas e preconceitos. A deficiência em si não traz impedimentos à vida sexual, embora possa produzir formas diferentes de experimentá-la e de lidar com o próprio corpo. Objetivou-se, com este trabalho, discutir e analisar como pessoas com deficiências físicas estabelecem relações amorosas e sexuais. Para isso, procedeu-se à entrevista de duas mulheres e dois homens cadeirantes, com idades entre 21 e 41 anos. As entrevistas foram semi-estruturadas e tinham como foco entender se o cadeirante sentia dificuldade em conhecer possíveis parceiros, em se aproximar deles (paquerar) e em estabelecer relacionamentos, e se isso gerava alguma insegurança. Além disso, nos casos em que os sujeitos relatassem dificuldades, objetivou-se entender que estratégias de enfrentamento foram adotadas. Após a transcrição, realizou-se a análise de conteúdo das entrevistas. Os sujeitos entrevistados relataram não se sentir inseguros com relação ao fato de serem cadeirantes, já que a pessoas com quem poderiam vir a se relacionar já estavam cientes de sua condição. Todos já haviam tido experiências amorosas, que incluíam desde namoros até casamento. Com relação às dificuldades encontradas nas relações, somente um atribuiu parte delas à sua deficiência e acha que isso influenciou o fim de um relacionamento (casamento). Com isso, percebeu-se que as vivências amorosas e sexuais de pessoas com deficiência física não se diferem tanto das relações dos ditos “normais”. Na verdade, os sujeitos entrevistados relataram sentir dificuldades e inseguranças que são comuns a qualquer sujeito em um relacionamento. Em relação à sua condição de deficiente, percebe-se que o fato de a deficiência ser física (visível) já elimina parte das dificuldades, pois os potenciais parceiros já se aproximam sabendo das limitações da pessoa com deficiência. Palavras-chave: Deficientes físicos. Sexualidade. Relacionamento amoroso. Eixo: Psicologia Jurídica e Mediação de Conflitos P 004: CARACTERIZAÇÃO DE JOVENS E ADOLESCENTES QUE ENTRAM NO INSTITUTO DE ATENDIMENTO SÓCIO-EDUCATIVO DO ESPÍRITO SANTO. Dominique Costa Goes, Célia Regina Rangel Nascimento, Cristiane Maria Leite, Elciara Reis Mathias, Inês Francischetto, Kelly Cristina Pereira, Renata Lopes Pinto Ribeiro. Existem no Brasil poucas pesquisas sobre socioeducação e adolescentes em conflito com a lei. Tendo em vista a importância de ampliação das pesquisas sobre o tema para o desenvolvimento de políticas públicas e a escassez de estudos no Espírito Santo, esse trabalho buscou conhecer as características dos jovens e adolescentes que VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 93 93 08/05/2012 18:37:27 entram no Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases). Para isso, foi realizado um estudo descritivo baseado nas informações que constam no Sistema de Informação do Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Siases). O Siases é um sistema de informações via web alimentado por profissionais de todas as unidades de atendimento do Iases. Foram analisados dados de 2.429 jovens e adolescentes atendidos pelo instituto, cujos ingressos se deram de janeiro a dezembro de 2011, quanto às características dos socioeducandos e o tipo de ato infracional cometido. Os resultados mostraram que houve predomínio de idades entre 16 e 17 anos (61%), sexo masculino (91%), local de residência em municípios da Grande Vitória (69%) e etnia parda (75%). O ato infracional predominante foi o Tráfico de drogas (34%) e outras atividades associadas ao mesmo (17%). Foi possível observar que os dados encontrados se aproximaram de resultados de outros estudos em relação ao predomínio da idade, ao local de residência em regiões metropolitanas e ao sexo predominante entre os adolescentes. No entanto, houve diferença em relação à etnia e ao ato infracional cometido pelos socioeducandos investigados por esta pesquisa. Tais dados podem apontar uma particularidade dos adolescentes em conflito com a lei no Espírito Santo e mostram a importância de se conhecer melhor esses jovens para o desenvolvimento das ações de instituições e políticas voltadas a esse público. Palavras-chave: Adolescência. Adolescente em conflito com a lei. Ato infracional. Socioeducação P 005: OLHARES SOBRE A PRISÃO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO EM PSICOLOGIA NUMA PENITENCIÁRIA CAPIXABA. Lorena Silva Coser, Camila Lisboa e Silva. Neste trabalho, relata-se a experiência do Estágio Supervisionado de Ênfase II em Educação realizado em uma unidade prisional do Espírito Santo destinada a mulheres. Ele é vinculado ao projeto Justiça e Afetividade - que tem como objetivo atender as demandas específicas de educação da população carcerária, levando em consideração as diferentes dimensões das práticas educativas previstas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação no Brasil, e proporcionar espaços educativos que desenvolvam a educação na integralidade. Particularmente, neste relato descreve-se as atividades específicas de um dos grupos de estágio, que teve como objetivo conhecer novos campos do trabalho do psicólogo: atuar na área da justiça e segurança, diretamente com os sujeitos alvo destes projetos, conhecendo a realidade desses espaços, e trabalhar temas que surgirem a partir da demanda das internas. Os sujeitos da intervenção psicossocial realizada no Estágio Supervisionado Ênfase II foram aproximadamente 15 mulheres, com idade 19 e 50 anos, do regime fechado. Utilizou-se a teoria da Psicologia Social, que auxilia na análise do contexto no qual o projeto foi realizado, bem como outros autores que discutem as temáticas abordadas ao longo do texto e discutidas nas 94 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 94 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:27 intervenções. Foram realizadas intervenções psicossociais semanalmente, por meio de oficinas lúdicas que propiciassem momentos de distração e lazer, levando em consideração que as participantes do Projeto ficavam a maior parte do seu tempo em celas. Os dados foram tratados qualitativamente e esboçados por meio de relato de experiência. Como resultados, podemos destacar as demandas mais trabalhadas durante o período: identidade, família, saudade, “ser” mãe, drogas e vontade de mudar. A partir das intervenções, percebeu-se que a prisão fragiliza o Eu construído e não oferece possibilidade para construção de diferentes formas de expressar a identidade. As emoções estão constantemente presentes nesse ambiente: amor, raiva, tristeza e arrependimento; mas muitas vezes não podem ser manifestadas ou expressadas pelas internas. Para que essas emoções e esses sentimentos sejam trabalhados mais profundamente, acredita-se que o trabalho realizado dentro da instituição pelo profissional psicólogo possa contribuir bastante para a ressocialização das internas, diretriz colocada nas novas práticas do sistema prisional. Palavras-chave: Penitenciária feminina. Drogas. Ressocialização. Eixo: Saúde P 006: ADESÃO DE PACIENTES RENAIS CRÔNICOS EM ATENDIMENTO AMBULATORIAL Camila Sunderhus Nogueira, Juliana Santos Oliveira, Viviane Aparecida Andrade Silveira, Nágela Valadão Cadê. Os avanços tecnológicos e terapêuticos têm contribuído para o aumento da sobrevida dos pacientes renais crônicos. Esses pacientes têm um tratamento contínuo, de longo prazo, sendo primordial a adesão para controle da doença renal e suas consequências. O objetivo do trabalho é identificar a adesão ao tratamento farmacológico e a expectativa quanto à doença e tratamento da disfunção renal entre pacientes em acompanhamento ambulatorial no Programa de Prevenção e Assistência Integral ao Paciente Renal – PREVENIR do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Trata-se de estudo descritivo exploratório desenvolvido com 37 pacientes atendidos no ambulatório de nefrologia. Os dados foram coletados mediante entrevista e levantamento de dados do prontuário. No que diz respeito ao tratamento farmacológico, 54% dos 37 entrevistados apresentam quatro a seis medicamentos prescritos, e 27% tinham mais de seis medicamentos prescritos. Ao serem perguntados se eles haviam interrompido a medicação nos últimos 30 dias, 48,7% relataram que não haviam interrompido a medicação, enquanto 51,3% disseram ter interrompido. Ao ser feita uma análise estratificada dos pacientes que relataram a interrupção da medicação, identificaram-se reações desagradáveis relatadas por cinco pacientes 26,3% e motivos de ordem não intencional, como esquecimento ou descuido, explicitados VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 95 95 08/05/2012 18:37:27 por cinco pacientes 26,3% como principais motivos para esse comportamento. A falta de acesso à medicação foi o motivo apontado por 15,8% dos pacientes para não terem tomado a medicação nos últimos 30 dias. Os demais pacientes, 31,6%, não justificaram o motivo da interrupção. O número de pacientes não aderentes ao tratamento medicamentoso foi maior quando confrontou-se a prescrição médica (receita ou prontuário) com o relato de como essa medicação foi usada pelo paciente. Fizeram uso da medicação de forma diferente daquela prescrita 24 pacientes – 65% -, sendo que 13 deles, além do uso incorreto, relataram ter interrompido a medicação. Nesse sentido, dentre os 37 entrevistados, somente 18,9% aderiram ao tratamento farmacológico, considerando os critérios de adesão propostas neste estudo, interrupção da medicação e uso incorreto. Os pacientes que fazem uso da medicação conforme prescrições médicas relataram auxílio de membros da família, principalmente filhos, no controle de horários e de dosagem da medicação. Em relação à expectativa, eles esperam um controle da doença e um retardo nas possíveis complicações. Concluiu-se que há necessidade de maior atenção dos profissionais de saúde que atendem a esses pacientes, bem como de melhoria no acesso aos medicamentos. Palavras-chave: Doença renal crônica. Atendimento ambulatorial. Nefrologia. P 007: CONCEPÇÃO SOCIAL SOBRE O MORADOR DE RESIDÊNCIA TERAPÊUTICA Eliane Barcellos Souza, Luziane Zacché Avellar, Pedro Machado Ribeiro Neto. Resumo: O projeto de Lei 10.216/2001 prevê a reabilitação psicossocial assistida para o paciente portador de doença mental grave hospitalizado ou com elevado grau de institucionalização. Para atingir esse objetivo, foram criados os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs), casas localizadas em espaços urbanos. No entanto, ao mesmo tempo em que a cidade se configura como um espaço de ressocialização, ela pode ser um lugar de exclusão dos moradores das residências terapêuticas. No Espírito Santo, prevê-se a implantação de mais dez SRTs, que se somarão às já existentes cinco casas. O desconhecimento social acerca desse serviço é fator de baixa receptividade social e estigmatização dos moradores de tais lugares. Diante da iminência da implantação de mais dez unidades de SRTs, é necessário aprofundar o conhecimento sobre a realidade local e investigar a receptividade social em relação ao morador de residência terapêutica. Objetivo: Analisar a concepção social sobre o morador de residência terapêutica. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo pelo meio do qual serão entrevistados moradores de bairros residenciais localizados no município de Vitória–ES, utilizando-se de roteiro estruturado. Resultados: Esta pesquisa poderá explicar como o desconhecimento acerca dos SRTs pode ser fator de resistência e, dessa forma, fornecer subsídios para intervenção na comunidade. Palavras-chave: Serviços Residenciais Terapêuticos. Desinstitucionalização. Reabilitação psicossocial. Comunidade. 96 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 96 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:27 P 008: FAMILIARES CUIDADORES DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES ATENDIDOS NO CAPSI DE VITÓRIA-ES: CONCEPÇÕES SOBRE SOFRIMENTO PSÍQUICO E INTERVENÇÃO NO CAMPO DA SAÚDE MENTAL INFANTO-JUVENIL Marcela Tommasi Abaurre, Luziane Zacché Avellar. A adesão da família ao tratamento de crianças e adolescentes com transtornos mentais graves, público alvo de investimentos tardios no contexto da Reforma Psiquiátrica, constitui-se um desafio. Com a atual política de saúde mental, a família torna-se alvo de intervenções e parceira no tratamento. No entanto, trabalhos apontam que a família encontra dificuldades devido a uma série de fatores no cuidado e no tratamento desse público. O Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi) é o serviço destinado à assistência de crianças e adolescentes com transtornos mentais graves. Buscar ações que sejam compatíveis às reais demandas e necessidades dos familiares cuidadores é um desafio que se apresenta ao serviço. Propõe-se a realização de dois estudos no CAPSi da cidade de Vitória/ES. O primeiro tem como objetivo conhecer as concepções dos familiares cuidadores acerca dos processos de saúde e doença de crianças e adolescentes atendidos no serviço e compreender as estratégias de cuidado adotadas no cotidiano das famílias. O segundo estudo objetiva verificar as mudanças nas concepções de saúde e doença desses familiares, bem como nas formas de lidar com as dificuldades encontradas no cuidado e no tratamento do público infanto-juvenil atendido no CAPSi identificadas no Estudo 1, a partir de uma intervenção psicossocial. Serão realizados grupos focais no primeiro estudo e grupos de intervenção no segundo. Em ambas as modalidades grupais, serão utilizados roteiros com questões norteadoras que auxiliarão na condução dos grupos. As conversas serão gravadas para posterior análise. Será utilizada a Análise de Conteúdo Temática para os dados coletados no estudo 1. No segundo estudo, os grupos de intervenção serão analisados mediante um grupo focal com os participantes. Como os estudos 1 e 2 serão realizados com os mesmos participantes, será comparada a atuação discursiva dos grupos-focais do estudo 1 com a atuação discursiva do grupo focal do estudo 2, o que permitirá analisar se houve transformação, após a intervenção, nas concepções dos familiares cuidadores acerca dos processos de saúde e doença de seus filhos, assim como nas formas de lidarem com as dificuldades encontradas no cuidado e no tratamento. Palavras-chave: Familiares cuidadores de crianças e adolescentes com sofrimento psíquico. CAPSi. VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 97 97 08/05/2012 18:37:27 P 009: O COTIDIANO DE FAMILIARES CUIDADORES DE CRIANÇAS COM IRC (INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA) Fabíola Emiliano Carneiro da Silva, Luiz Fernando Zippinotti, Luana dos Santos Paulino, Felício Manuel Mosa Mação, Luciano Moura de Castro. A criança com insuficiência renal crônica não é capaz de responder sozinha a todas as demandas exigidas num tratamento por diálise peritonial; faz-se necessária a presença de um cuidador, que recebe significativa carga de responsabilidade e trabalho, com sérias consequências para sua vida social, amorosa, pessoal e financeira. Com o objetivo de compreender a experiência vivida por essas pessoas, foi realizado um estudo descritivo-exploratório, de caráter qualitativo, com 7 sujeitos, utilizando-se a análise fenomenológica. Foram examinados os impactos do diagnóstico da doença, as posturas usadas no seu enfrentamento e as perspectivas de futuro para a vida da criança, no curto e longo prazo. Observamos que as mudanças na vida pessoal e familiar são profundas, fazendo com que a renda diminua, a vida íntima se reduza e as relações sociais se tornem escassas. Por outro lado, constatamos que, à medida que amadurece a tomada de consciência da missão de cuidar, seja pelas pequenas crises diárias, seja por alguma grande crise que acelere o processo, há uma completa reorganização da vida. Então, tornam-se os objetivos a serem alcançados enfrentar a doença e orientar a construção de uma identidade consistente para a criança, a partir da qual ela possa se ver como uma pessoa capaz e deseje construir um futuro para si. Finalmente, constatamos a importância das agências de apoio social - em especial a igreja, bem como a terapia psicológica, como suporte para a vida diária. Palavras-chave: Cuidador. Diálise Peritonial. Insuficiência Renal Crônica. P 010: OFICINAS EM SALA DE ESPERA: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO COM CUIDADORES. Luana Camata Campi, Juraci Pilon de Ângelo, Luiza Helena de Castro Victal e Bastos, Maria de Fátima Garcia Lima. Dinâmicas de grupo e atividades reflexivas foram norteadoras da experiência de três estagiárias de Psicologia da Universidade Vila Velha (UVV). O projeto de estágio, denominado Sala de Espera, foi realizado na Clínica de Psicologia durante o ano de 2011. Objetivou a reflexão e o desenvolvimento de estratégias para a potencialização de cuidadores e visou também à ampliação da sua participação no processo de reabilitação de crianças que apresentavam dificuldades de comunicação e que estavam em tratamento na Clínica de Fonoaudiologia. A proposta incluiu trinta e dois encontros, realizados uma vez por semana com duração de 50 minutos. Organizados em quatro blocos temáticos - “Construindo a integração”, “Comunicação promove mudanças”, “Trabalhando com sentimentos” e “Encerrando a atividade grupal”-, foram coordenados por três estagiárias do curso de Psicologia que adotaram a 98 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 98 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:27 metodologia das oficinas com foco em educação e saúde. Foram utilizadas atividades lúdicas, educativas e reflexivas por meio de técnicas de dinâmicas de grupo e fala livre. Os resultados revelaram que o trabalho possibilitou a integração e a coesão grupal e a ampliação da capacidade dos participantes de comunicar ideias e sentimentos de angústia, medo e expectativas em relação às crianças. O trabalho contribuiu também para a troca de experiências entre os cuidadores. A evolução do grupo compareceu no discurso de cada um e revelou a potencialização dos participantes para colaborar no tratamento das crianças. Palavras-chave: Oficina. Sala de espera. P 011: SERVIÇOS RESIDENCIAIS TERAPÊUTICOS EM SAÚDE MENTAL - O DESAFIO DAS PRÁTICAS DE CUIDADO. Andreia Solar de Almeida Gomes Couto. Este trabalho é uma experiência de estágio realizada entre agosto e dezembro de 2011 como acompanhante terapêutico em um Serviço Residencial Terapêutico (SRT). Tal serviço vem se constituindo como importante dispositivo para a desinstitucionalização de pessoas há longo tempo internadas em hospitais psiquiátricos ou hospitais de custódia e que perderam os vínculos sociais e familiares. Inserida no espaço urbano, a Residência Terapêutica visa à reabilitação psicossocial dos moradores por meio da estratégia de reconstrução de vínculos sociais, resgate de direitos de cidadania, habitar a casa. Como estagiária de Psicologia imersa nessa experiência, surgiu a questão de saber se a cultura hegemônica em nosso social, a cultura manicomial, interfere no fazer cotidiano dos moradores, saber se essas pessoas, membros dessa mesma sociedade, permitem e estimulam a reabilitação psicossocial. No campo da atenção psicossocial, tem-se como desafio inventar novos modos de cuidar que se remetam à vida e envolvam compromissos e “responsabilidades” em relação ao outro; formas de cuidado que se voltem para as variações nos modos de vida, para além do diagnóstico e do sintoma. A capacitação dos cuidadores e a supervisão constante são necessárias para que eles possam desenvolver práticas condizentes com os princípios da Reforma Psiquiátrica, transformando seu fazer cotidiano. Com fundamento em um método de observação participante, os diários de campo relatam o constante esforço coletivo de se evitar que a Residência Terapêutica reproduza a mesma lógica do funcionamento manicomial. Observa-se alta rotatividade desses profissionais, sofrimento psíquico advindo dessa tarefa, momentos em que não sabem como agir, ações de cuidado e produção de autonomia, assim como ações de tutela e repetição da lógica manicomial. Sobressai a dificuldade desses profissionais em circular em espaços de cultura e lazer, privilegiando as ações de saúde. O cotidiano revela ainda o esforço coletivo procurando conceber o SRT como uma morada a VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 99 99 08/05/2012 18:37:27 partir da qual moradores e moradoras experimentam construir as suas vidas, cada um a seu modo, em meio ao encontro com os outros, com a cidade e consigo, contribuindo para novos fazeres e saberes na invenção de novas possibilidades de/na vida. Palavras-chave: Reabilitação Psicossocial. Cuidador. Cidadania. Linhas de Cuidado. P 012: SIGNIFICANDO A DOENÇA RENAL CRÔNICA: RELATOS DE UMA ADOLESCENTE. Camila Sunderhus Nogueira, Andressa Neves Rebello Dyna, Juliana Santos Oliveira. O presente estudo tem como objetivo compreender pela ótica de uma adolescente de 12 anos, acometida de Doença Renal Crônica (DRC), mais especificamente Glomerulopatia, diagnosticada em setembro de 2009, o significado da doença e como ela percebe o ambiente hospitalar. Foram utilizados como instrumentos de pesquisa entrevista semi-estruturada, entrevista por associação livre, leitura de prontuário hospitalar e nove meses de acompanhamento psicológico contínuo. Este estudo fundamenta-se pelos pressupostos da investigação qualitativa e na teoria fenomenológica existencial, visando compreender como essa adolescente constrói sua relação com o mundo do hospital e com a DRC. Foram identificados quatro eixos temáticos relevantes para o estudo do fenômeno: Compreensão da DRC, em que a adolescente fala do conhecimento que possui desta doença; Sentimentos expressos, onde fala dos sentimentos que a perpassam desde a descoberta da DRC; e Convivendo com a DRC, que retrata a repercussão da doença, do tratamento em si e das internações recorrentes na sua vida. Os resultados do estudo sugerem que a DRC se configura na vida da paciente por meio de uma série de questões e situações: baixo grau de informação, desinteresse em se informar sobre a DRC e sua atual situação, aceitação passiva da doença e dos cuidados da equipe, desânimo, mudanças no cotidiano decorrentes da DRC, incertezas e cansaço relacionado ao tratamento. Foi notada, ainda, a vontade expressada por essa adolescente de que a doença nunca tivesse existido ou desaparecesse de sua vida. É possível que o baixo grau de informação, bem como o desinteresse em obtê-la, seja proveniente de uma negação da doença, uma não aceitação de sua condição e de seu caráter permanente. O estudo possibilitou compreender a importância de colocar o paciente em contato com a realidade e apoiá-lo no período de enfrentamento da doença e seu tratamento, transmitindo informações e orientando-o para que ele se sinta seguro e compreendido no caminhar de sua vida. Palavras-chave: Doença renal crônica. Teoria fenomenológica–existencial. Adolescência. 100 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 100 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:27 P 013: “SÓ POR HOJE”: UM ESTUDO SOBRE RITUALIDADES E SIMBOLISMOS DENTRO DO GRUPO NARCÓTICOS ANÔNIMOS Anna Carolina Nascimento de Araujo, Dayana Cynthia Paulino Dutra, Nayara Rocha Mairinck. A temática das drogas, complexa em si, é atravessada por discursos e épocas que atribuíram a elas um caráter de ilegalidade e, paralelamente, uma representação estigmatizante pela esfera pública, por conta da possibilidade de dependência. Este trabalho buscou conhecer um dos aspectos relacionados a ela: o tratamento da drogadição por meio de um programa específico de recuperação, o grupo de ajuda mútua dos Narcóticos Anônimos (NA). Realizou-se uma pesquisa de caráter qualitativo em duas reuniões de NA (administrativas e abertas) no município de Vitória/ES entre setembro e outubro de 2011. Com os participantes das reuniões administrativas, fez-se uma entrevista com um roteiro estruturado com questões que contemplavam: a) história e o funcionamento da irmandade; b) experiências individuais dos membros, antes e depois de NA. Já com o segundo grupo, teve-se a oportunidade de frequentar uma reunião aberta no intento de observar como a filosofia da irmandade se concretizava na prática grupal. Verificou-se, durante a análise dos serviços desenvolvidos pela irmandade, a complexidade de assuntos e representações que circundam e transpõem o NA. Concomitantemente, percebeu-se que o empenho dos membros nesses afazeres trazia um modo ritualístico e recorrente de atuação, que só traz significado naquele determinado contexto. Diante da problemática das drogas, que envolve diversas dimensões sociais, o NA posiciona-se como uma opção fundamentada e eficaz no que diz respeito ao trato com a dependência química. O modo singular como os membros significam suas experiências, durante as reuniões, é atravessado por uma ordem de significação proposta pelo grupo. Trata-se de uma corporificação de códigos, valores, práticas e discursos. Estima-se que este trabalho promova inquietações a respeito da eficácia e das limitações que transversalizam as práticas do grupo em questão, a fim de que esses questionamentos não se limitem às perspectivas propostas. Palavras-chave: Drogas. Ritualidades. Grupos. Identidade Eixo: Trabalho P 014: A PERCEPÇÃO DE ATORES SOCIAIS ACERCA DO TRABALHO E SUAS IMPLICAÇÕES NA VIDA HUMANA Christian Sullivan Emerick Soares, Anne Michaela Gomes de Almeida, Ana Clara Pignaton Moro, Amanda Pereira da Silva, Daiane Cruz Ferreira, Larissa Silva Cabral, Laryssa Frinhani Viturini Marchiori, Poliana Sfalsin Zatta. Para a Psicologia, o trabalho pode ser entendido como uma instituição construída sócio-historicamente. Ela funciona como modo de subjetivação capaz de produzir VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 101 101 08/05/2012 18:37:27 formas de ser e estar no mundo que transformam o contexto social no qual estamos inseridos. Sucintamente, o trabalho humano pode ser definido como um conjunto de forças (física ou intelectual) direcionadas para um objetivo, ou seja, a construção e o resultado de uma intencionalidade. Com este estudo, objetiva-se verificar a percepção de atores sociais acerca do trabalho e suas implicações na vida humana. Para tanto, foram realizadas entrevistas estruturadas de cunho qualitativo com doze atores sociais, com idade média de 38 anos: dois professores, dois autônomos, dois estudantes, um administrador, um técnico de segurança do trabalho, um médico, uma faxineira e um aposentado. Diante dos resultados obtidos, percebe-se que, de modo geral, o trabalho na contemporaneidade é visto como fonte de sustento, acumulação de capital, auto-realização e dignidade para o ser humano, aparecendo também, mas em menor freqüência, o tédio e o sacrifício por ele ocasionados. Além disso, acreditam que o trabalho no século XX era basicamente hereditário, patriarcal e escravocrata, não considerando a subjetividade do sujeito. Já na atualidade, avaliam que são levados em conta as habilidades, potencialidades e o desejo de cada sujeito, que possui mais liberdade para escolher o ofício que vai exercer devido às oportunidades de estudo e emprego oferecidas pelo mercado, bem como o avanço tecnológico, a melhoria nas condições de trabalho, a qualificação da mão de obra, entre outros. Foi unânime ainda entre os entrevistados a diferenciação entre os conceitos de trabalho e emprego, no qual a relação de emprego está associada a um vínculo jurídico estabelecido entre o empregado e o empregador, enquanto a relação de trabalho engloba outras formas de prestação de serviço. Dessa maneira, pode-se dizer que o trabalho é uma construção sócio-histórica que vem se transformando ao longo dos anos, e que a concepção de trabalho vigente influencia diretamente os modos de subjetivação e subjetividade, produzindo adoecimento psíquico e físico nas diversas classes trabalhadoras. Palavras-chave: Trabalho. Percepção. Subjetividade. P 015: AS COMPETÊNCIAS DOS ADMINISTRADORES: A RELAÇÃO ENTRE AS EXIGÊNCIAS DO MERCADO DE TRABALHO E A FORMAÇÃO EDUCACIONAL DE NÍVEL SUPERIOR Camila Santos Silva, Vitor Corrêa da Silva, Priscilla de Oliveira Martins Silva. Contratar e reter profissionais qualificados e detentores de competências variadas é uma das formas que as organizações encontraram para se manterem competitivas em um contexto de acirrada concorrência. Assim, as competências individuais têm sido utilizadas como referencial para a avaliação dos trabalhadores pelas organizações. Diante dessa realidade, a presente pesquisa tem como objetivo identificar a visão de administradores sobre a relação entre as competências requeridas pelas organizações e as competências desenvolvidas pela formação educacional de nível superior. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa quantitativa com a utilização de 102 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 102 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:27 questionário semi-estruturado aplicado aos administradores inscritos no Conselho Regional de Administração (CRA/ES). A taxa de retorno dos questionários está de acordo com a literatura, pois ficou na faixa entre 7% e 10%. Foram analisados 172 questionários respondidos de forma completa. A maioria dos respondentes é natural do Espírito Santo (72,67%), a maior parte está na faixa etária de 21 a 30 anos (33%) e 31 a 40 anos (34%) e tem até 5 anos de registro no CRA (47%). Os três cargos com maior número de pessoas são: gestor (33%), técnico operacional (20%) e técnico especializado (19%). De acordo com os dados, as competências mais exigidas pelas organizações são capacidade de comprometer-se com os objetivos da organização, capacidade para trabalhar em equipe e capacidade de comunicação. As competências mais desenvolvidas na formação educacional são visão de mundo ampla e global, capacidade de gerar resultados efetivos e capacidade de trabalhar em equipe. Observa-se uma divergência entre as competências requeridas pelas organizações e as competências desenvolvidas na formação educacional. Uma explicação possível são as diferentes perspectivas de carreira assumida pelos respondentes. A perspectiva de carreira utilizada para analisar as competências exigidas pela organização está alinhada à carreira tradicional/linear, enquanto que a perspectiva utilizada para a competência individual está alinhada à visão de carreira sem fronteiras. Palavras-chave: Competência. Mercado de trabalho. Formação. Eixo: Direitos Humanos, Políticas Públicas e Cidadania P 016: CONCEPÇÕES DE PSICÓLOGOS QUE ATUAM NOS CENTROS DE REFERÊNCIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SOBRE SUA PRÁTICA PROFISSIONAL Karine Santos Souza, Milena Bertollo-Nardi, Luziane Zacché Avellar. A maneira de conceber a assistência social no Brasil começa a mudar a partir da aprovação da Constituição Federal de 1988, passando a ser entendida como direito do cidadão e dever do Estado. O Sistema Único de Assistência Social (Suas) é a primeira política pública a definir a presença do psicólogo como condição necessária e obrigatória para a implantação de vários serviços. Essa recente conquista de espaço institucional de atuação profissional demanda um aparato teórico-metodológico cuja especificidade representa uma novidade que ainda não se encontra suficientemente delineada. Assim, este projeto de pesquisa tem como objetivo identificar, descrever e analisar a atuação profissional dos psicólogos nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). Sua relevância situa-se na necessidade, sob nosso ponto de vista, de análise mais aprofundada sobre a atuação do psicólogo no campo das políticas públicas de assistência social ainda em seu princípio. Participarão da pesquisa oito psicólogos atuando em CRAS, sendo quatro no município de Vitória/ VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 103 103 08/05/2012 18:37:27 ES e quatro em Colatina/ES. O interesse em investigar a atuação também em um município do interior do estado justifica-se pelo processo de interiorização pelo qual a Psicologia tem passado. Os dados serão coletados por meio de entrevistas individuais com os profissionais e submetidos à Análise de Conteúdo. Um roteiro semi-estruturado foi elaborado e, após a realização de um pré-teste, foi adaptado, resultando nos seguintes tópicos: caracterização do participante, motivações para a atuação no CRAS, atividades desenvolvidas, dificuldades e realizações, relatos de casos bem sucedidos, articulação com a comunidade e com os demais profissionais. Com a execução deste projeto, esperamos levantar informações sobre as formas de inserção e atuação do psicólogo, aparatos teórico-metodológicos utilizados, atividades desenvolvidas e relações que se estabelecem no trabalho. Esperamos, ainda, que os resultados possam contribuir para o desenvolvimento do campo de estudo que começa a ser delineado. Palavras-chave: Atuação profissional. Psicólogo. Política pública de assistência social. Centro de Referência de Assistência Social. P 017: “NEM MELHOR, NEM PIOR”: APENAS ADOLESCENTES! Salua Vazzoler Largura Salvador, Fabíola Marques Destefani, Stephanie do Amaral Secchim. Esta pesquisa tem base teórica na Psicologia sócio-histórica e na Teoria das Representações Sociais. Considerando o crescente número de adolescentes autores de ato infracional no município de Castelo/ES e a recente implantação do serviço de medida socioeducativa (MSE), objetivou-se investigar as representações sociais dos profissionais da área de atenção ao adolescente autor de ato infracional sobre esses adolescentes. A pesquisa desenvolvida foi de campo qualitativa. A análise dos dados foi a partir da técnica de Análise de Conteúdo. As entrevistas foram realizadas individualmente com profissionais do judiciário, equipe psicossocial e conselho tutelar, num total de 10 pessoas. Verificou-se que os profissionais representam o adolescente autor de ato infracional como um indivíduo que se encontra em uma fase determinada pela idade e por transformações físicas e psicológicas, como nos adolescentes em geral. Podem praticar o ato infracional devido ao contexto no qual estão inseridos, sob influência do meio ou da família, desestruturada (por não atender ao modelo nuclear) e/ ou carente. Destaca-se a visão de que o adolescente pode ter um “perfil criminoso” dependendo do grau do ato infracional cometido. Embora a perspectiva sócio-histórica aqui defendida considere a influência do meio social no desenvolvimento do indivíduo, enfatiza-se sob essa abordagem que a adolescência não é entendida como “inata”, ou “natural”, mas sim construída, formando-se e constituindo-se pelas experiências e relações que vão sendo estabelecidas no processo de desenvolvimento humano. Frente ao atual sistema econômico, político e social regido pelo capitalismo, que muitas vezes 104 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 104 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:27 proporciona o crescente envolvimento de adolescentes com o ato infracional, se faz necessário desenvolver políticas públicas em favor do adolescente por meio das quais os profissionais recebam preparação adequada para lidar com medidas de prevenção, promoção e proteção desses adolescentes, ampliando seu olhar ao contexto social em que eles se inserem. Palavras-chave: Adolescente, ato infracional, representações sociais. Eixo: Infância, Juventude, Vida Adulta e Velhice P 018: INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL NA COMUNIDADE: EXPERIÊNCIA ACADÊMICA NO CONTEXTO COMUNITÁRIO. Tainá Moreira Bolelli Tatagiba, Mariana Belém Barbosa, Daniella Messa e Melo Cruz. Este trabalho retrata uma experiência de estágio realizado por um grupo de alunas em uma organização não governamental do município de Vitória que atende crianças e adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade social. Inicialmente foi solicitada pela instituição a participação das alunas estagiárias em uma pesquisa institucional, com o objetivo de levantamento de demandas a serem trabalhadas e desenvolvidas com os educandos da instituição. A partir da inserção no campo de estágio, houve a possibilidade da realização de observação participante e atuação em oficinas com técnicas em dinâmicas de grupo direcionadas às necessidades surgidas e o acompanhamento da rotina e do cronograma da instituição. Assim, as ações interventivas foram sendo colocadas em prática na medida em que as estagiárias participavam do cotidiano e do planejamento com equipe técnica da instituição; dessa maneira, foram trabalhados em oficinas temas envolvendo o bullyng com os educandos, atendimentos psicossociais, visitas domiciliares e participação em campanhas de conscientização com/na comunidade. A inserção na comunidade a partir das ações da instituição foi um fator diferencial para que houvesse uma desmitificação do contexto sociocultural das pessoas em situação de vulnerabilidade pessoal e social, propiciando uma interlocução entre as histórias de vidas dos educadores, estagiárias e equipe técnica com as dos educandos e uma ressignificação dos valores preexistentes. Constatou-se uma aproximação entre comunidade e instituição, educandos e equipe técnica - e assim foi possível (re)construções de práticas profissionais envolvendo as estagiárias e a equipe multidisciplinar, o que foi primordial para a implicação dos educandos nas oficinas e atividades propostas, bem como para a adesão da comunidade às propostas da instituição. Fica evidente que o psicólogo, desde sua formação, deve ter como foco as necessidades, objetivos e demandas dos indivíduos no âmbito da comunidade. Palavras-chave: Intervenção Psicossocial. Comunidade. Vulnerabilidade. VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 105 105 08/05/2012 18:37:27 P 019: O FENÔMENO DA HIPERATIVIDADE EM CRIANÇA NO AMBIENTE ESCOLAR: UMA INTERVENÇÃO POR MEIO DA LUDOTERAPIA Fabíola Magnago Pedruzzi, Adriana Mastela Gomes Grasseli, Ana Crinstina Silva Fernandes de Souza, Francinne Alves Cabelino, Jane Nunes Fraga, Lívia Sgulmero de Moraes Zampirolli. O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um fenômeno que se caracteriza por apresentar um distúrbio neurológico sério que interfere na vida familiar, escolar e social da criança, pois seus principais sintomas são desatenção, hiperatividade e impulsividade. A criança com TDAH tem dificuldade de se concentrar, distraindo-se com facilidade, esquecendo-se de seus compromissos e objetos; apresenta também dificuldade em seguir instruções e regras; e possui uma fala excessiva, não conseguindo esperar sua vez. Embora de difícil diagnóstico e acompanhamento, esse transtorno é tratável, e para isso é necessário um trabalho multidisciplinar contínuo. O principal objetivo será conhecer e analisar as principais contribuições teóricas sobre Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade e assim elaborar uma intervenção para crianças no ambiente escolar. Metodologia: Serão realizados encontros semanais com crianças tendo como principal técnica a ludoterapia, assim como uma orientação aos pais e professores a respeito do transtorno e sobre como lidar com essa questão. O fenômeno TDAH gera um impacto em uma grande pluralidade de dimensões, tais como comportamentais, intelectuais, sociais e emocionais, pois promove dificuldades, como as de controle de impulsos, concentração, memória, organização, planejamento e autonomia, bem como a dificuldade encontrada pelos professores e pais e o comportamento inadequado da criança em ambiente escolar. Percebe-se que as dificuldades de aprendizagem e a má adaptação escolar do aluno com TDAH se intensificam não só em razão de um planejamento educacional rígido e inadequado quanto aos objetivos e metodologia, mas também pela falta de interação apropriada entre professor e aluno, bem como pela falta de orientação/informação dos pais. Dessa forma, espera-se que as intervenções que serão realizadas possam auxiliar os envolvidos na questão. Palavras-chave: TDAH. Ludoterapia. Professor. Aluno. P 020: O IDOSO NA CONTEMPORANEIDADE: PERSPECTIVAS E ALGUMAS QUESTÕES RELEVANTES Fabricia Rodrigues Amorim Aride, Guilherme de Melo Decotti, Dulcilene Tagliaferro Sório. O processo de envelhecimento e suas consequências naturais vêm se instituindo como uma das grandes preocupações da humanidade, e ganhou evidência no século XX a partir de diversas pesquisas científicas. Os estudos iniciais propunham a busca pelo envelhecer livre de doenças e da degeneração que os anos e hábitos acarretavam. 106 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 106 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:27 Com isso, desconsiderava-se o potencial e as qualidades do idoso baseando-se numa cultura que supervaloriza o jovem e sua força de produção. No entanto, sabe-se que, com o aumento da expectativa de vida, e consequentementeo aumento do número de idosos, houve uma série de ganhos na qualidade de vida, bem como despertaram inquietações dos órgãos governamentais quanto aos cuidados e gastos com essa faixa etária. O objetivo do presente estudo, baseado em livros e em artigos científicos, é apresentar o impacto do viver na terceira idade na contemporaneidade, e refletir sobre as necessidades de mudanças emergenciais no que tange essa fase do desenvolvimento humano. Destaca-se que uma das faces do envelhecimento é caracterizada pela incapacidade funcional, acarretando maior vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos; além disso, em alguns casos, o idoso perde sua autonomia e independência. No entanto, o número crescente de idosos retoma uma discussão quanto ao seu papel em sociedade, provocando desconforto para muitos, pois disso depende uma nova visão sobre papéis sociais e sobre a necessidade de políticas públicas eficazes que promovam uma vida digna, onde se inclui o lazer, a saúde, o convívio social, entre outros. Sabe-se que a rápida mudança no cenário nacional (e mundial) quanto ao processo de envelhecimento traz a emergência da discussão e de ações eficazes voltadas para o idoso em sociedade - que não deve viver em isolamento, apesar de muitas práticas nesse sentido. Destarte, não se pode negar a importância de amparo e preparo das equipes muldisciplinares que envolve tanto médicos quanto psicólogos na luta por um atendimento às necessidades desses indivíduos. Palavras-chave: Contemporaneidade. Idoso. Processo de Envelhecimento. P 021: PERCEBENDO A CULTURA NORMATIVA EM AMBIENTE EDUCACIONAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ESTÁGIO. Heline Ewald Lemos, Adam Sant’anna Santos, Stephanye Porto da Silva, Daniella Messa e Melo Cruz. Este trabalho tem como objetivo o relato de experiência de estágio de um grupo de alunos da Faculdade Católica Salesiana do Espírito Santo em uma organização não governamental que atende crianças e adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade pessoal e social. Inicialmente, foram adotadas para a coleta de demandas a serem trabalhadas a observação participante com os educandos tanto em sala de aula como em atividades externas e reuniões com a equipe psicopedagógica. A partir dessa ação, foi construída uma proposta de intervenção envolvendo oficinas utilizando técnicas em dinâmicas de grupo e jogos cooperativos, a fim de proporcionar reflexão e discussão acerca de temas observados e também sugeridos pela instituição, tais como violência, família e relacionamento interpessoal. Após as primeiras intervenções, foram percebidos nos educandos comportamentos agitados VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 107 107 08/05/2012 18:37:27 e dificuldades de seguir as regras estabelecidas para a realização das oficinas, o que acarretou dificuldades no desenvolvimento do trabalho. Entretanto, após análise e reflexão dos resultados das oficinas, foi possível constatar que o comportamento manifestado pelos educandos “falava” de um lugar de “insatisfação”, de um lugar do “não-dito/não-ouvido”. Observou-se o quanto a regra/norma imposta massificava o seu cotidiano, que o lugar da discussão e construção conjunta não existia em nenhuma das atividades que eram oferecidas a eles pela instituição. Percebeu-se também, no decorrer das atividades, que o lugar desejado para a Psicologia naquele espaço seria o de conduzir o indivíduo a um modelo de comportamento planejado e aceito pelas normas da instituição, com possível utilização de métodos curativos de dificuldades “comportamentais”. Foi necessária a reflexão da cultura institucional, constituída de representações sócio-históricas do comportamento infantil dito “inadequado”, o que revelou a necessidade de ir além de intervenções pontuais com os educandos, abrangendo também reflexões das verdades preexistentes sobre o atendimento e acompanhamento de crianças em situação de risco e vulnerabilidade social e da própria atuação do psicólogo no contexto social. Palavras-chave: Vulnerabilidade social. Educação. Intervenção psicossocial. P 022: TRANSTORNO DE CONDUTA NA ADOLESCÊNCIA Marinéa Neves Telles, Marcio Neves, Adriana Mastela Gomes Grasseli. Introdução: O transtorno de conduta (TC) é comumente identificado na infância e na adolescência, sendo que pessoas com idade superior a 18 anos somente são diagnosticadas quando os critérios de análise para Transtorno de Personalidade Antissocial não são atendidos. Assim, o jovem que apresenta TC tem uma particularidade padrão de repetição e persistência que infringe os direitos fundamentais dos outros ou as normas sociais estabelecidas, podendo comprometer sua saúde mental e física por meio de conduta violenta e do consumo de álcool e drogas. Um dos TC muito encontrados na infância e na adolescência por meio de comportamentos repetidos de agressividade e reação agressiva a outras pessoas é o Bullying. Objetivo: O presente trabalho é um projeto que tem como objetivo sensibilizar os jovens sobre o real teor do transtorno e suas consequências, bem como orientar os pais para os problemas de conduta de seus filhos a fim de preveni-los, manejá-los e tratá-los. Método: O projeto acontecerá nas Unidades de Atendimento Socioeducativo e em escolas municipais e estaduais de Cachoeiro de Itapemirim/ ES, por meio de interações socioculturais com atravessamento jurídico, dinâmicas, palestras e vídeos educativos sobre o tema proposto. As interações ocorrerão semanalmente, intercalando-se encontros com os jovens, com a família e com os pais. Conclusões: Acredita-se que o projeto possa esclarecer e sensibilizar os jovens e suas famílias sobre as consequências oriundas do TC. Por haver poucos projetos 108 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 108 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:27 sobre o referido assunto na cidade de Cachoeiro de Itapemirim, este trabalho também poderá orientar e auxiliar profissionais nas áreas jurídica, social e pedagógica, fomentando novas estratégias junto aos jovens. Palavras-chave: Adolescência. Família. Violência P 023: “ADOTADO”: ESTEREÓTIPOS E QUESTÕES PERTINENTES AO PROCESSO DE ADOÇÃO. Fabricia Rodrigues Amorim Aride, Gabriela de Brito Martins, Ana Arlete dos Santos Saltori, Mary Kayth da Silva Hartuiq, Priscyla de Castro Cogo Thezolin. O presente artigo tem como ênfase estabelecer algumas considerações sobre os conflitos e consequências gerados no sujeito quando rotulado como adotado. A adoção é comumente reconhecida como um processo pelo qual uma pessoa é levada para dentro de uma família por um ou mais adultos que não são seus pais biológicos, mas são nomeados pela lei. Na contemporaneidade, apesar de todo o contexto de incentivos à adoção e de práticas que pretendem desmistificar esse processo, ainda permanece uma concepção preconceituosa em relação ao assunto. Percebe-se que essa concepção afeta diretamente as pessoas adotadas, que são corriqueiramente associadas a estereótipos, como abandonados, excluídos e etc. Devido à complexidade do tema, optou-se por realizar uma investigação científica, delineada pela abordagem qualitativa da realidade, pois se entende que o objeto de estudo é histórico e socialmente construído. A coleta dos dados se deu por meio de roteiro de entrevista semi-estruturado, contendo questões que focalizaram dados sociodemográficos, evocações livres associadas ao termo indutor “adoção” e questões complementares que visaram à contextualização dos objetos. A amostra pesquisada teve como público alvo cinco filhos adotivos, com idades entre três e vinte e seis anos, e seis pais ou/cuidadores, com idade entre trinta e cinco e cinquenta anos. Como resultado encontrado, destacam-se as angústias pertinentes ao processo de adoção, e o medo, por parte dos pais, de que esse filho seja retirado da vida deles, especialmente naqueles sujeitos que optaram por omitir, temporariamente, que houve a adoção. Além disso, os filhos relatam que já sofreram preconceito por parte de algumas pessoas, e sentem-se desprivilegiados em relação aos irmãos que são filhos naturais do casal. Essa última informação não é encontrada no discurso dos pais, que alegam a igualdade no tratamento dos filhos, naturais ou adotivos. Conclui-se que a temática da adoção encerra em si a complexidade que toca desde as relações familiares, os processos sociais de institucionalização, os fenômenos sociais mais amplos e a formação psíquica dos sujeitos. Portanto, estudos científicos sobre o assunto são primordiais para mediar esses relacionamentos, promovendo uma intervenção para minimizar os conflitos e possíveis desajustes na interação familiar. Palavras-chave: Adoção. Estereótipos. Família. VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 109 109 08/05/2012 18:37:27 Eixo: Grupos e Exclusão Social P 024: A INSERÇÃO DO PSICÓLOGO E O CONTEXTO SOCIOCULTURAL: PROMOVENDO UMA INTERAÇÃO ENTRE EDUCADORES E EDUCANDOS. Livia Maria Maulaz Freitas, Daniella Messa e Melo Cruz. Por meio de observações em uma organização não governamental que atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, no município de Vitória, percebeu-se que as práticas dos educadores sociais se restringiam a questões de cunho religioso, desfavorecendo discussões de interesse dos educandos a partir de suas vivências socioculturais. Diante dessa constatação, foi elaborada uma proposta de trabalho que incluía treze oficinas, com o objetivo de promover reflexões de questões sociais e culturais que permeiam o universo dos adolescentes inseridos na instituição, envolvendo tanto os educadores quanto os próprios adolescentes. As intervenções foram sendo desenvolvidas a partir das observações participantes das estagiárias, de encontros com a equipe de educadores sociais e de grupos de discussão com os adolescentes. Nas oficinas propostas foram adotadas técnicas de dinâmica de grupo, dramatizações em teatros realizados pelos educandos e utilização de vídeos e textos com intuito de debate e reflexão no grupo de adolescentes, além de reuniões com a equipe de educadores sociais. A partir das intervenções realizadas, notou-se uma reflexão a respeito dos paradigmas religiosos por parte dos educadores sociais com relação à escolha e comportamento dos adolescentes e com isso, a abertura de um espaço de escuta que possibilitou uma aproximação entre educadores e educandos e a constatação da importância da compreensão e respeito ao contexto sociocultural da comunidade em que está inserida a instituição. Palavras-chave: Intervenção psicossocial; Adolescentes; Religião; Comunidade. P 025: A PARTICIPAÇÃO POLÍTICA DA TRÍADE PAI-MÃE-FILHO EM UMA ASSOCIAÇÃO PARA DEFICIENTES INTELECTUAIS Camila Conceição Mufalani, Diana Nascimento Freire, Nathalia Rúbia Braz Ribeiro, Jairo Tadeu Guerra. Este trabalho discute a participação política da tríade pai-mãe-filho em uma associação que atende a pessoas com deficiência intelectual e múltipla. A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) é integrante do movimento apaeano, fundado em 1954. Esse movimento luta pelo atendimento das necessidades de pessoas com deficiência intelectual e múltipla não supridas pelo Estado. Sua principal estratégia foi constituir, ao nível municipal, entidades com atuação no campo da reabilitação e da educação especial, financiadas principalmente por governos. Como entidade da sociedade civil, a Apae congrega familiares e amigos para lutar pela 110 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 110 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:27 inclusão social. O objetivo do presente estudo é conhecer a participação política da tríade pai-mãe-filho em uma Apae/ES. A metodologia utilizada é a observação participante. Resultados parciais revelam que os familiares veem a instituição como uma prestadora de serviço e não como uma associação que luta por direitos na qual todos participam das decisões e, portanto, deveriam colaborar ativamente na luta pela inclusão social. Não há mecanismos de participação formal que congreguem os familiares. As mães se reúnem informalmente em oficinas de artesanato e criticam os serviços como se não tivessem nenhuma capacidade de intervir neles, ao passo que a presença dos pais é inexistente no cotidiano da instituição. Constata-se também que alguns profissionais não concebem os deficientes como sujeitos de direitos, pois os tratam como se fossem eternas crianças, mesmo quando já adultos, incapacitando-os para o exercício de uma cidadania “possível”. Desse modo, o desafio da Apae/ES é repensar suas práticas centradas na oferta de serviços terapêuticos aos deficientes e no modelo clínico individual que a impossibilita de superar a atual crise gerada pela nova politica da educação. Palavras-chave: Deficiência Intelectual. Família. Associação. P 026: CATEGORIAS SOCIAIS EM CONFLITO DE IDENTIDADE: A FAMÍLIA E O INDIVÍDUO COM SOFRIMENTO PSÍQUICO Marcela Tommasi Abaurre, Lídio de Souza. O tratamento do indivíduo com sofrimento psíquico durante muito tempo consistiu em seu afastamento da família e da sociedade, em hospitais específicos e isolados, estando os cuidados para com essas pessoas centralizados na medicina sob a custódia psiquiátrica. Com o atual modelo de assistência em saúde mental, a transferência de responsabilidade dos cuidados para a família configura-se um desafio, uma vez que, além da sobrecarga emocional, ao cuidarem de pessoas rejeitadas pela sociedade as famílias também sofrem com a exclusão e o estigma. Muitas vezes, os familiares tendem a afastar o indivíduo com sofrimento psíquico do meio sociofamiliar. As patologias psiquiátricas são frequentemente associadas ao preconceito, ao estigma e à exclusão social do indivíduo com sofrimento psíquico, e tanto esse indivíduo quanto a sua família têm de lidar com a incapacidade e a possível periculosidade do “louco” presentes no imaginário social, além de seus próprios preconceitos e os da sociedade. O presente trabalho objetivou abordar a exclusão, o preconceito e o abandono decorrentes de conflitos identitários que emergem da relação entre o indivíduo com sofrimento psíquico e a sua família. Adotou-se a Teoria da Identidade Social, de Henri Tajfel, como aporte teórico para discutir as situações de conflito que se instauram entre as categorias sociais, a do indivíduo com sofrimento psíquico e da família. Algumas famílias, pressionadas pelo discurso social preconceituoso em relação à loucura, tendem a assimilar o preconceito e atribuir ao seu familiar VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 111 111 08/05/2012 18:37:27 com sofrimento psíquico uma identidade estigmatizada, incluindo-o numa categoria negativamente valorizada. A Reforma Psiquiátrica ainda caminha em direção a construções de ações voltadas para a transformação do pensamento consensual sobre a loucura no sentido da aceitação das diferenças. Estratégias como o grupo de familiares nos serviços abertos e a formação de alianças com outros grupos ou instituições sociais que ofereçam abertura para integração podem contribuir para a desestruturação de crenças acerca da loucura e o seu reconhecimento, uma vez que por meio do convívio intergrupal é possível desconstruir estereótipos e amenizar a relação de conflito entre as categorias sociais, da família e do indivíduo com sofrimento psíquico. Palavras-chave: Família. Indivíduo com sofrimento psíquico. Preconceito. Exclusão. Alianças grupais. P 027: O DESAFIO DA INSERÇÃO SOCIAL PARA IDOSOS EM UMA INSTITUIÇÃO ASILAR Jairo Tadeu Guerra, Aline de Araújo Vale, Ismael Anderson Gomes da Silva, Leonardo Sturzeneker Damázio, Maria Giovana de Freitas Faria, Matheus Aguiar Silva, Rafael da Silva Bráz Ribeiro. Este relato discute a intervenção promovida pelo Estágio Básico em Psicologia realizado por alunos do 6º período do curso de Psicologia da Universidade Vila Velha/ES em uma instituição asilar para idosos. O asilo foi fundado na década de 40 por uma instituição religiosa e, com o Estatuto do Idoso, adequou-se às novas exigências legais. No entanto, a organização vivencia problemas cotidianos dessa mudança, uma vez que o modelo asilar/caritativo historicamente sedimentado se choca com o modelo de proteção cidadã recém-implantado pelo novo marco legal. A metodologia utilizada foi a pesquisa ação participante. A demanda inicial dos dirigentes (técnicos e religiosos) aos estagiários de Psicologia foi de uma intervenção clínica, a partir da ideia de que os idosos eram “problemáticos”, “tendentes ao isolamento”, “depressivos” e “avessos a qualquer trabalho coletivo”. Foram inicialmente realizadas junto aos idosos oficinas psicossociais que revelaram críticas ao modo de organização asilar e desrespeito de direitos garantidos pelo Estatuto do Idoso. Após o primeiro semestre de intervenções, o grupo de estagiários concluiu que o isolamento das famílias e da comunidade local deveria ser o principal problema a ser enfrentado, entendido como causa principal dos problemas inicialmente citados pelos dirigentes. Desse modo, o grupo de estagiários elaborou o projeto “Em casa por um dia”, que tem por objetivo ampliar os laços sociais dos internos, inserindo os idosos na comunidade local e propiciando o retorno do idoso com mais frequência à sua família de origem. Desse modo, busca promover o bem-estar pela mudança no cotidiano relacional de idosos dentro e fora dos muros do asilo, com o intuito de gerar o estabelecimento 112 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 112 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:27 de novos vínculos afetivos, novas experiências existenciais com as famílias que residem ao redor do asilo e com suas próprias famílias. Tal projeto foi apresentado e discutido na instituição pelos próprios estudantes, sendo aprovado com total apoio dos dirigentes. No atual momento, os estudantes estão elaborando os materiais impressos e articulando os meios de sensibilizar os familiares e vizinhos do asilo para adesão ao projeto. Constata-se que o estágio básico propiciou aos estagiários conhecimento da assistência asilar e visão crítica dessa tradição como solução frente ao envelhecimento. Palavras-chave: ILP. Pesquisa ação. Estágio básico. P 028: PICHAÇÃO: O QUE HÁ POR TRÁS DOS MUROS? Carolina Pimentel Batitucci, Fernanda Negri Smith, Izabela Orlandi Môro, Nathália Nunes Pirola, Luana Keren Moura Garcia, Adailton Sá dos Santos, Elizeu Borloti. A pichação é um fenômeno cultural ilegal fortemente presente no cenário urbano, fazendo parte do cotidiano de todos os indivíduos que circulam pelas cidades. Seus atores são, na maioria, jovens habitantes das periferias, e sua prática consiste em deixar marcas em superfícies de lugares públicos, como muros e prédios. A prática da pichação urbana é frequentemente incompreendida e condenada pela sociedade, que critica os pichadores, considerando-os marginais. O presente trabalho teve como objetivo entender os controles da organização interna da pichação, incluindo os motivos que levam seus atores a realizá-la. Para isso, a partir da base teórica da Análise do Comportamento, utilizamos o conceito de metacontingência e consideramos as “marcas” deixadas pelos pichadores como sendo o produto agregado dessa intensa relação social. O método utilizado foi uma pesquisa bibliográfica na base de dados Scientific Eletronic Library (SciELO), de artigos de apoio para a análise da prática de pichação e de trabalhos de revisão conceitual e teórica em análise comportamental da cultura. As descrições da prática nos artigos de apoio foram submetidas à análise comportamental. A partir dos resultados, pode-se observar que operações estabelecedoras do reforço da pertença a algum grupo e da visibilidade social são os fatores principais que motivam a prática dos pichadores. Essas operações estabelecedoras, somadas ao controle de estímulo/de regras e às consequências do entrelaçamento de contingências para comportamentos individuais, mantêm a organização interna da pichação, bem como as relações existentes entre os pichadores e o seu líder. Por fim, concluiuse que a prática da pichação é mantida pelo seu produto agregado, o “piche”, que retroage sobre os comportamento dos seus atores e aumenta a visibilidade do pichador individual, do grupo ou da “grife”. Palavras-chave: Pichação. Exclusão social. Metacontingência. Análise comportamental da cultura. VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 113 113 08/05/2012 18:37:27 P 029: PRECONCEITO, MOTIVAÇÃO E AUTO-IMAGEM: UMA ANÁLISE CONTEMPORÂNEA DA HEGEMONIA DO OUVINTISMO Anna Carolina Nascimento de Araujo, Dayana Cynthia Paulino Dutra, Joquebeyde Bilquis de Oliveira Manenti, Lorena Rocha Nunes. Com efeito, face às pressões da legislação e dos princípios da igualdade e da liberdade apregoados pelas democracias, aparentemente, com base em pesquisas atuais (Fernandes & Almeida, 2006; Lima & Vala, 2004), parece que o preconceito contra grupos minoritários está em declínio na atualidade, estando em vias de se resolver. Entretanto, o que se percebe é que as pessoas começaram a expressar seu preconceito de uma forma mais sutil e velada. Toda atitude é composta por três componentes: um cognitivo, um afetivo e um comportamental. Dessa forma, entende-se o preconceito como uma atitude negativa que um indivíduo está tendente a sentir, pensar e conduzir-se em relação a determinado grupo de uma forma negativa previsível (Pereira, Lima & Camino, 2001; Rokeach, 1968, citados por Fernandes et al., 2007). O presente estudo é um recorte de um olhar ouvinte sobre a questão da surdez. Para a realização desta pesquisa, com caráter quantitativo, foi utilizado um questionário online destinado ao público ouvinte. Para isso utilizaramse duas escalas. A primeira se consistiu numa adaptação da “Escala de Motivação Interna e Externa para Responder sem Preconceito”, e a segunda foi a “Escala de Auto-imagem” adaptada ao tema deste trabalho. Obteve-se uma amostra de 164 participantes ouvintes com idades variando entre 15 e 68 anos, sendo a maioria do sexo feminino. No contemporâneo há uma hegemonia de um modelo social marcado pela oralidade; qualquer modo de experiência que não passe por essa via é vista como despadronizada, que foge à regra, é uma inadaptação. Com base nessa afirmação, pode-se dizer que existe a construção de um estereótipo, de um modelo, uma forma do que é a surdez, do que é o sujeito surdo. Palavras-chave: Surdez. Preconceito. Motivação. Auto-imagem. P 030: VIVÊNCIAS COTIDIANAS E PERSPECTIVAS DE FUTURO DE MENINAS EM SITUAÇÃO DE RUA Ana Carla Ribeiro Lirio, Elaine Barbosa da Rosa Guimarães, Kelly Cristine Silva do Couto, Lilian Karla Bittencourt do Valle, Ludmila Wladmir Sotero Andrade. A questão das crianças em situação de rua pode ser assinalada como um dos sintomas mais agudos da crise social no contexto brasileiro. Sabe-se que a forma com que as pessoas representam umas às outras é uma construção popular e de senso comum que se torna instituída socialmente pelo meio que as pessoas interpretam uma dada realidade. Portanto, pretende-se, com este trabalho, abarcar um tipo de violência simbólica construída na história social da infância por meio de representações do seu 114 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 114 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:27 cotidiano, muitas vezes apresentados a nós como um passado feito de negativismo e interpretações reducionistas e preconceituosas. Objetiva-se também compreender o autoconceito, ou seja, a representação que fazem de si e da realidade que vivenciam na construção de sua identidade e das suas perspectivas de futuro. Para tanto, foi realizada uma pesquisa exploratória e de campo, de caráter qualitativo e quantitativo, por meio de entrevistas individuais semi-estruturadas com meninas em situação de rua com idade de 12 anos. Percebeu-se, a partir da pesquisa, que crianças em situação de rua apresentam, assim como outras crianças, a capacidade de relacionar-se e vivenciar sonhos e anseios, mesmo diante das circunstâncias específicas, muitas vezes hostis e de riscos, advindas do ambiente externo. Constatou-se, por meio das falas, que o “viver na rua” traduz para elas parte do seu desenvolvimento, um meio de socialização, de interagir com pessoas, trabalho, educação e lazer. Já as condições às quais estão sujeitas as fazem criar alternativas para sobrevivência pessoal e dos demais membros da família. E, embora os arranjos familiares sejam heterogêneos e fragilizados, não se deve negar a existência de vínculos familiares e local de moradia. Notou-se por fim que, mesmo em meio aos conflitos, perdura a expectativa de um futuro melhor, para si e para as pessoas próximas. No entanto, para uma melhor condição de vida, faz-se necessário, além do próprio desejo, que a pobreza, a violência e as adversidades sociais sejam percebidas como problemas de ordem coletiva, no intuito de promover oportunidades, resiliência e sustentar o projeto de vida das nossas crianças. Palavras-chave: Crianças. Rua. Representação social. Futuro. Eixo: Violência P 031: SUJEITAS OU SUJEITADAS? ESTUDO ACERCA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA CONJUGAL NO MUNICÍPIO DE MUNIZ FREIRE-ES Bruna de oliveira, Solange Maria Sarti, Fabrícia Rodrigues Amorim Aride. No Brasil, por aproximadamente quatro séculos, o sistema patriarcal foi predominante nas relações familiares; o homem detinha o poder sobre os bens, a família e a mulher. Às mulheres era reservado o mundo privado, e aos homens, o mundo público. Tal segmentação estabeleceu culturalmente certos estereótipos e gerou diferentes formas de discriminação e desigualdade na sociedade até os dias atuais. Fundamentando-se na Teoria das Representações Sociais, este trabalho propõe-se a revisar alguns conceitos e a problematizar certos aspectos comumente envolvidos nas investigações com mulheres vítimas de violência conjugal e doméstica. A pesquisa realizar-se-á com seis mulheres vítimas de violência VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 115 115 08/05/2012 18:37:27 conjugal, acompanhadas pela equipe do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) na cidade de Muniz Freire/ES. A coleta dos dados se dará por meio de roteiro de entrevista estruturado, contendo questões que focalizarão dados sociodemográficos, denúncias das agressões, evocações livres associadas aos termos indutores “violência doméstica” e questões complementares que visam à contextualização dos objetos. Como resultados esperados, pretendese que esse trabalho corrobore para a construção de políticas públicas e para a desmistificação do olhar dicotômico que coloca as mulheres e as violências vividas por elas dentro de um enquadre “vítima-culpada”. Por trás da violência, existem inúmeras outras consonâncias que precisam ser consideradas, diversos entraves e perspectivas que necessitam ser vislumbrados com uma visão aberta, e não balizada no preconceito. Palavras-chave: Violência Conjugal. Representações Sociais. Mulheres. Eixo: Gênero e Sexualidade P 032: A PERCEPÇÃO DE ATORES SOCIAIS ACERCA DA HOMOAFETIVIDADE Ana Clara Pignaton Moro, Amanda Pereira da Silva, Daiane Cruz Ferreira, Larissa Silva Cabral, Laryssa Frinhani Viturini Marchiori, Poliana Sfalsin Zatta, Roberta Scaramussa. A sexualidade é um elemento da vida humana que serve como mecanismo de controle tanto dos corpos individuais quanto do comportamento da sociedade. Além disso, não se restringe ao coito, mas pode envolver pensamentos, sentimentos, ações e a saúde física e mental. Desse modo, novas maneiras de amar e se relacionar estão sendo construídas para contestar as expectativas da sociedade, nas quais crenças e normas estão em constantes mudanças. A homoafetividade emerge como um conjunto de representações e imaginários que se referem à identidade sexual, ao gênero, aos papéis sociais/sexuais, entre outros. Tudo o que não se enquadra no esquema heterossexual sustentado socialmente passa a ser considerado da ordem do “desvio”, do “bizarro”, da “anomalia” - o que dá origem aos preconceitos e à discriminação, sendo, portanto, gerador de violência. Com este estudo, objetivase analisar a percepção de alguns atores sociais acerca da homoafetividade, assim como os processos de violência atrelados a esse grupo. Para tanto, foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com pessoas que exercem papéis sociais distintos: criança, secretária, músico, médico e aposentada. A maioria dos entrevistados relata não concordar com a homoafetividade, mas diz que, apesar disso, não há necessidade de desrespeito e preconceito para com os membros desse grupo. Percebe-se ainda que há uma preocupação com a violência física sofrida pelos homossexuais e a ausência de atitudes das autoridades. Revelam a 116 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 116 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:28 homossexualidade como algo novo no panorama social, fato que gera estranheza, e faz com que as pessoas manifestem uma aceitação mascarada, pois na realidade não se conformam com o “estilo de vida” homoafetivo. Sendo assim, no interior da sociedade, o homossexual representa o grupo mau no imaginário coletivo, visto que os aparelhos ideológicos do estado, a escola, a família, a igreja e os meios de comunicação sustentam esse imaginário e influenciam a violência brutal aos homoafetivos de tal forma que os coloca na posição de “não gente”. A posição de inferior ocupada pelo homossexual é justificada pelo corpo social por representar perigo à sociedade, provocando assim desordem social. Palavras-chave: Sexualidade. Homoafetividade. Violência. P 033: SEXUALIDADE E PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS: CORPOS CATIVOS VERSUS SUJEITOS LIVRES Fabricia Rodrigues Amorim Aride, José Antônio Souto Siqueira, Camila Almeida de Deus, Raphael Pinto Gandolfo, Caroline Sarti Quaresma, Angelo Arruda. O corpo é sem dúvida um dado relacional irredutível por meio do qual as pessoas projetam-se para a vida. Nessa projeção de subjetividades peculiares, individualidades escapam por entre frestas das contingências da cultura. É possível afirmar que certos temas, com o decorrer do tempo, são vivenciados de forma diferenciada ou têm suas conotações alteradas; outros se mantêm em um padrão, sofrendo lentos processos de modificação. Quando se aborda a sexualidade de pessoas com deficiências físicas, constata-se que ainda nos dias atuais ela remonta a preconceitos, tabus e resistências por parte dos indivíduos. Um olhar mais atento sobre o tema denuncia o quão complexa e ambígua é essa articulação, pois não há uma conceituação unívoca sobre ela, uma vez que as discussões estão imersas em questões sociológicas e psicológicas. O objetivo deste estudo foi trazer à tona questões que permitam a apropriação e a dispersão de conhecimentos sobre essa realidade, visto que podem definir suas práticas as concepções que os pesquisadores e profissionais das áreas de educação e saúde têm em relação à sexualidade, ao corpo e ao gênero. Portanto, problematizá-las é um ato ético e político. Utilizouse como metodologia uma pesquisa bibliográfica que foi realizada em outubro de 2010 no site BIREME. Para o levantamento dos artigos foram utilizados os descritores “deficiência física e sexualidade” e encontrou-se quatro trabalhos. Posteriormente, foi realizado o estudo da arte dos artigos com a finalidade de identificar as perspectivas utilizadas pelos autores. A pesquisa evidenciou que, embora a produção do conhecimento relacionada à sexualidade da pessoa com deficiência física tenha crescido a partir da década de 80, as discussões ainda são incipientes ou insuficientes, carecendo de um olhar aprofundado para promover o desenvolvimento de práticas e políticas mais implicadas com o rompimento de VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 117 117 08/05/2012 18:37:28 tabus e preconceitos. Fazem-se necessárias problematizações sobre as concepções da sexualidade em pessoas com deficiências uma condição, não-absoluta, nãonatural, mas essencialmente móvel, que se recria permanentemente pela relação, pela significação das trocas, refazendo-se para além dos engessamentos de cada época. Palavras-chave: Sexualidade. Pessoa com Deficiência. Preconceito. Eixo: Religiosidade P 034: PERCEPÇÕES DE PADRES E PASTORES SOBRE AS PRÁTICAS PROFISSIONAIS E RELIGIOSAS DE LIDERES ECLESIÁSTICOS QUE ATUAM COMO PSICÓLOGOS Luana Sfalsin Zatta, Roberta Scaramussa, Marlana da Silva Menezes, Mirella Ribeiro Alves de Souza, Roberta Pereira Leite. A Psicologia estuda a religião como uma das instituições culturais que contribuem para a constituição do ser humano. Deste modo, o conhecimento das diversas crenças e religiões colabora com a atividade do profissional de Psicologia para melhor compreensão clínica dos sujeitos em sua complexidade históricocultural. Contudo, psicólogos também são sujeitos constituídos por crenças e valores sociais que são levados para seu campo de trabalho. Como lidar com as contradições desses campos de saber sem cair no discurso da neutralidade? O presente trabalho procurou identificar as percepções de padres e pastores sem graduação em Psicologia sobre as práticas profissionais e espirituais de líderes religiosos que atuam como psicólogos. Para tanto, foi aplicado um questionário aberto estruturado contendo três perguntas direcionadas a líderes religiosos que não possuem formação em Psicologia. Participaram dessa pesquisa cinco pessoas, três pastores e dois padres. Para melhor compreensão e análise, as respostas foram categorizadas levando-se em consideração as diferenças atribuídas pelos próprios participantes ao conhecimento religioso e psicológico e práticas religiosas e psicológicas. No que se refere ao campo de conhecimento, de modo geral, os entrevistados relataram que o conhecimento psicológico é uma ferramenta importante para a prática religiosa de lideres eclesiásticos; e alguns afirmaram também que o conhecimento religioso é uma ferramenta para a prática psicológica desses profissionais. Já no que se refere ao campo da prática, uma pequena parte destacou que o fazer pastoral de um líder religioso não pode comprometer o fazer de um padre ou pastor que também é psicólogo. Observou-se também que todos os entrevistados consideraram que o conhecimento psicológico contribui para a prática religiosa de líderes eclesiásticos; uns disseram que o conhecimento psicológico não é um empecilho para essa prática, e outros, que pode ser um 118 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 118 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:28 empecilho caso contradiga ou não se submeta ao conhecimento religioso. Os resultados apontaram para a necessidade de aprofundamento dessas e outras questões na relação entre conhecimentos e práticas psicológicos e religiosos. Palavras-chave: Psicologia. Religião. Líderes religiosos. P 035: RELIGIOSIDADE E SATISFAÇÃO COM A VIDA: UM ESTUDO COM EVANGÉLICOS. Wagner Simões Ferreira Neto, Camila Kaori Watanabe; Ingrid Rodrigues Coutinho; Raiany Stéfane Gomes Saué. Nas últimas décadas, o interesse da Psicologia no estudo de temas como felicidade, bem-estar e satisfação com a vida, representados pela chamada “Psicologia Positiva”, cresceu de forma considerável, o que pode ser constatado pelos livros e trabalhos publicados recentemente. Da mesma maneira, a religião, mesmo como uma temática antiga, mas por ser um dos fatores constituinte na cultura humana, mostra-se ainda presente nos questionamentos da ciência. O objetivo deste trabalho foi verificar, entre os participantes da pesquisa, a correlação entre a satisfação com a vida e a prática da religião protestante, visto que esse seguimento do cristianismo, chamado por muitos de “evangélico”, multiplicou-se no país, principalmente nos últimos anos. Para isso, foi utilizado um questionário online, contendo a Escala de Satisfação com a Vida (Diener, E., Emmons, R. A., Larsen, R. J. & Griffin, S., 1985) e a Escala de Atitude Religiosa/ Espiritualidade (Aquino, T, A., A., 2005). Além das escalas, uma pergunta elaborada pelos próprios pesquisadores, com escala do tipo likert, foi também aplicada. Participaram do estudo 114 pessoas; 73 do sexo feminino e 41 do sexo masculino. Os resultados confirmaram a hipótese de uma correlação positiva entre a satisfação com a vida e a vivência do protestantismo pelos participantes. Em contraponto, as diferenças entre satisfação, religiosidade e sexo não foram significativas. Também foi percebido que quanto mais importância os participantes atribuíam à religião, dentro da perspectiva da vida ideal, mais satisfeitos com a vida eles se mostravam. Diante dos dados, a prática da religião foi apontada como um fator quase que decisivo para a felicidade dos protestantes. Palavras-chave: Religiosidade. Satisfação com a Vida. Protestantismo. Espiritualidade. P 036: REPRESENTAÇÃO SOCIAL DA MAÇONARIA PARA GRADUANDOS DE HISTÓRIA. Marina Pandolfi Miranda, Anna Carolina Nascimento de Araujo, Joquebeyde Bilquis de Oliveira Manente, Raphaela de Melo e Silva Aguiar. A Maçonaria, ao longo de toda sua existência, provoca diversas indagações a respeito de suas práticas, conceitos e visões, deixando em aberto muitos enigmas e curiosidades por conta de seu caráter sigiloso. Poucos são os estudos que tratam da Maçonaria, e ainda são escassas as informações sobre o tema. Visou-se, nesta VII Encontro Regional da ABRAPSO-ES VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 119 119 08/05/2012 18:37:28 pesquisa, averiguar a representação social de um determinado grupo, os estudantes do curso de História da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), sobre essa prática, pois se compreendeu que, dentro do âmbito acadêmico, o grupo de alunos que mais poderia ter conhecimento a respeito são estes estudantes. Como metodologia, aplicou-se um questionário aberto a 16 estudantes cursistas do 2º ao 5º período da graduação, de ambos os sexos e independentemente da faixa etária. A coleta de dados foi realizada na própria universidade por meio da abordagem pessoal dos pesquisadores. O instrumento de coleta continha questões pessoais (sociodemográficas) e específicas sobre a Maçonaria. As questões foram baseadas tanto na técnica de evocação quanto em perguntas abertas que contemplavam as percepções iniciais, as vantagens de pertencimento ao grupo, a participação feminina e a identidade grupal. Para a organização e análise dos dados, foram elaboradas categorias de acordo com as respostas encontradas e suas frequências. Construíramse tabelas, separando os resultados de homens e mulheres e, para finalizar, foram elaboradas conclusões inter-relacionando os resultados com as bibliografias extraídas. Verificou-se, nos resultados, que as representações concentraram-se: a) no caráter sigiloso e misterioso da sociedade maçônica; b) no encadeamento entre a participação no grupo com sucesso pessoal e financeiro; c) nos resquícios de uma sociedade patriarcal influenciando a participação feminina; d) na possibilidade de conexão entre Maçonaria e política; e) nas práticas voltadas ao fortalecimento interno e externo do grupo. Embora a resistência na participação e a pouca produção científica tenham operado como limitadores da extensão de dados, funcionam como analisadores a serem verificados em pesquisas posteriores. Palavras-chave: Maçonaria. Representação social. História. Religiosidade 120 VII Encontro Regional de Psicologia Social - ABRAPSO - RESUMOS.indd 120 Psicologia Social: desafios contemporâneos 08/05/2012 18:37:28