2011
Boletim Mensal dos Amigos de São Francisco • Nº 80 • Junho de
Santo Antônio homem simples,
mas de palavra forte
Nasceu na cidade de Lisboa, em Portugal, pelos fins do
século XII. Professou entre os
Cônegos Regulares de Santo Agostinho, passando, pouco depois
da ordenação sacerdotal, para
os Frades Menores, a fim de se
dedicar à pregação da fé entre
os povos da África. Pregando com
grande fruto na França e mais
tarde na Itália, converteu muitos
hereges e foi o primeiro a ensinar Teologia aos irmãos de sua
Ordem. Escreveu sermões cheios
de doutrina e unção. Morreu em
Pádua, Itália, no ano de 1231.
Geralmente
Santo
Antônio traz a fama popular de
santo casamenteiro, mas hoje
vamos falar de outro aspecto
deste grande santo da Ordem
dos Frades Menores: o pregador
da fé.
Santo Antônio transmite
para nós uma grande sabedoria e simplicidade, ele mesmo
homem simples, possuía uma
grande sabedoria, isso era fruto
de seu amor constante à Palavra
de Deus. “A sabedoria é resp-
landecente e sempre viçosa (Sb
6,12)”, esta frase tirada do livro
da Sabedoria nos mostra o espírito de Santo Antônio, homem
de sabedoria resplandecente e
viçosa, porém muito humilde naquilo que ele mesmo pregava.
Mas o foco de nossa reflexão é a admiração de nosso
Seráfico Pai, São Francisco de Assis, por Santo Antônio. Nas fontes
franciscanas encontramos a carta
que São Francisco escreve a Santo Antônio, ela diz o seguinte:
“Eu Frei Francisco saúdo a Frei
Antônio, meu bispo. Apraz-me
que ensine a Sagrada Teologia
aos irmãos, contanto, que nesse
estudo, não extinga o espírito
de oração e devoção, como esta
contido na Regra”. Nesta carta
ficam claros dois sentimentos
que São Francisco tem a Santo
Antônio: primeiro, a admiração
pela pessoa do santo; e segundo,
o desejo de que os frades sejam
instruídos para assim melhor servir.
O desejo de Francisco de
Assis ao chamar Santo Antônio
para tal ofício, é justamente o
de encontrar alguém que não
pregue apenas por palavras, mas
que pregue também por obras e
que ao pregar não perca o espírito de oração e devoção tão caro
aos Frades Menores.
O que Santo Antônio pode
nos ensinar hoje? Acredito que o
maior ensinamento é justamente
o de ensinar o que se sabe com
humildade, não se vangloriar
de nada daquilo que se tem e,
Frei Lucas Fortunato, ofm
no máximo possível, ajudar os
irmãos a crescer na fé. A fé que
Antônio prega não é de forma alguma infantil, mas uma fé adulta,
que decide pelo Cristo Ressuscitado e que mais do que palavras
deve ser colocada em prática no
meio dos irmãos.
Vejamos um trecho de um de
seus sermões, “A palavra é viva
quando são as obras que falam.
Cessem, portanto os discursos e
falem as obras. Estamos fartos de
palavras, mas vazios de obras; diz
São Gregório: ‘há uma lei para o
pregador, que faça o que prega.’
Em vão pregará o conhecimento
da lei quem destrói a doutrina
por suas obras.
Nestas belas palavras de Santo Antônio possamos nós também
aprender a pregar o Cristo por
meio de nossas obras, e que não
possamos ficar apenas falando,
mas que nossa maior obra seja
o testemunho no lugar onde estivermos e principalmente dentro da Igreja no trabalho dentro
da comunidade.
Reflexão
1 - Estamos fazendo o que
pregamos?
2 - Qual está sendo a motivação para a nossa pregação e
nosso testemunho?
3 - Jesus Cristo está sendo o
centro de nossa pregação?
1
Editorial
Queridos(as) Amigos(as)
de São Francisco, Paz e Bem!
Cara irmã, caro irmão. Chegamos
ao boletim de junho. Já estamos
no meio do ano, o tempo passa
rápido. O evangelho que fechou
o mês de maio, nos recordou que
Maria foi apressadamente à casa
de Isabel, sua prima (Lc 1,39).
Estamos num tempo de pressa,
tudo é para ontem. Uma coisa,
porém, não podemos perder de
vista, nosso amor a Deus e aos
irmãos e irmãs que ele nos deu.
Queremos todos ser amigos de
são Francisco, conviver com ele,
ter intimidade com seus pensamentos, ouvir suas queixas.
Amigo é pra isso. Também é
aquele que nos chama a atenção
quando estamos errando em algo
que muitas vezes nem nos damos
conta.
Queremos seguir são Francisco,
fazer da proposta dele a nossa
vida. Nesse mês, temos três
bons exemplos de pessoas que
seguiram o seráfico Pai e que
nos ajudam também em nosso
caminho de fé. Junho é o mês
de Santo Antonio, que antes de
entrar para a Ordem Franciscana
tinha o nome de Fernando de
Bulhões. São Antonio falava português, como nós, porque nasceu
em Portugal. Nesse boletim, Frei
Lucas Fortunato vai nos mostrar
algumas características de suas
pregações.
O segundo exemplo que o mês de
junho nos dá é um dos primeiros
companheiros de são Francisco,
Benvindo, nascido em Gúbio e
que deixou as armas militares
para se tornar um discípulo exemplar do Santo de Assis.
Por fim, a terceira figura é nossa
velha conhecida, Clara de Assis,
que estamos comemorando este
o oitavo centenário de sua conversão.
Com todas as criaturas de Deus,
queremos louvar e bendizer por
tudo aquilo que o Senhor Deus
nos deu até agora, em 2011, e
recarregar nossas baterias para
seguir em frente. Este louvor das
criaturas também nos é apresentando por Frei Lucas Fortunato, ao relembrar o cântico das
criaturas, no qual são Francisco
convida a todos: ‘louvai e bendizei o meu Senhor e servi-o com
grande humildade’.
Equipe dos
Amigos São Francisco
Ceia Judaica
Queridos amigos e amigas de São
Francisco
É com muita alegria que nosso
grupo do Vale do Jatobá - BH vem
falar da experiência que tivemos
em celebrar a ceia Judaica.
Foi muito interessante, pois
muitos nunca nem ouviram falar.
A celebração da ceia judaica
aconteceu no dia 25 de abril na
casa da nossa amiga de São Francisco, Nair. Estava uma noite
muito tranqüila quando de pouco
a pouco foram chegando os convidados. Como era muita gente,
celebramos no terreiro, a mesa já
estava pronta com uma enorme
toalha branca de renda e vários
pratos pra serem consumidos por
nós. Havia vinho, pão ázimo, patê
de maçã, muitas ervas amargas e
2
ovos, tinha também frango assado, no lugar do cordeiro. Todas
as pessoas presentes teriam que
participar da alimentação servida
pelos mestre-salas.
Nosso presidente foi frei Edivaldo
que explicava o sentido da oração e dos gestos. Algumas pessoas
ficaram curiosas ao ver um prato
de ossos, mas frei Edivaldo tirou
a dúvida de todos com suas sabias
explicações. Assim foi celebrada
também nossa páscoa que é vida
é ressurreição.
Obrigado Deus, obrigado frei Edivaldo por nos ensinar a oração e
a partilhar conosco seus conhecimentos.
Fraternalmente, Marlene Vale do
Jatobá- BH
Falecimentos
Louvado sejas, meu Senhor, por
nossa irmã, a morte corporal
A Província Santa Cruz, entre os
meses de maio e junho perdeu
três de seus frades. No dia 18 de
maio, faleceu no hospital Felício
Rocho, Frei Estanislau Bartholdy,
aos 83 anos. Ele era natural de
São Vicente de Minas, MG. Dentre os serviços que prestou estão o de Custódio provincial e
mestre de noviços em Daltro
Filho (RS) e em Visconde do Rio
Branco. Como pároco ou vigário
paroquial, trabalhou em Betim,
Pará de Minas, Divinópolis e São
João del-Rei, onde atualmente
residia. Seu sepultamento se deu
no dia 18 de maio, em são João
del Rei.
No dia 26 de maio, faleceu em Divinópolis, Frei João José van der
Slot, aos 84 anos. Ele era natural
de Noordwijkerhout (Holanda).
Ao longo de sua vida, trabalhou
em mais de vinte cidades de Minas Gerais. Foi sepultado no cemitério provincial, em Ribeirão
das Neves.
No dia 4 de junho faleceu também em Divinópolis, Frei Bernardino Leers, aos 91 anos. Natural
de Bergen op Zoom (Holanda),
Frei Bernardino foi professor
de Teologia Moral por mais de
50 anos, em Divinópolis e Belo
Horizonte. Lecionou também sociologia e psicologia. Residia em
Divinópolis desde 1953.
Aos nossos irmãos, o repouso
eterno na plenitude de nosso
Deus, Senhor da Vida. “Como
São Francisco, aprendamos a
bem viver e a bem morrer, para
que possamos também cantar da
mesma maneira quando nossa
hora tiver chegado”.
Frei Oton Júnior
29 de junho
B Benvindo de Gúbio, IO, ( 1232).
Gregório IX e Inocêncio XI concederam em sua honra ofício e missa.
Quando, em 1222, São Francisco
encontrava-se em Gúbio, apresentou-se-lhe Benvindo, um nobre
cavaleiro, ilustre pelo seu valor
militar, suplicando-lhe que o admitisse na Ordem para combater
as santas batalhas da penitência e
da pobreza e levar a toda a parte
a mensagem de paz e bem. Já
noutras oportunidades o santo recebera como discípulos homens de
armas, como Ângelo Tancredo, por
estar convencido que certas características da vida militar eram
uma espécie de noviciado para a
vida religiosa, como por exemplo
a obediência, as fadigas, as privações e os perigos. Por isso não
hesitou em acolher o novo candidato, que foi mesmo considerado
e chamado “Bem-vindo” entre os
irmãos.
Apesar da sua ascendência nobre,
escolhia agora para si as tarefas
mais humildes e pesadas, distinguindo-se por uma obediência
pronta, uma modéstia admirável,
uma pobreza que o levava a contentar-se com um simples hábito
remendado, um rigor de vida que
só concedia ao corpo o estritamente indispensável. Não tardou
assim a alcançar um alto nível de
os braços, embriagando-o de
doçura.
Encarregado por São Francisco de
tratar leprosos nas gafarias, esse
exercício de caridade serviu-lhe
de trampolim para a mais alta
perfeição. Via-se assim obrigado
a vencer-se constantemente a si
mesmo e a vencer a repugnância
natural em lidar com esses doentes, que se mostravam agradecidos pela caridade com que ele os
tratava e comovido com sua santidade, e se encomendavam às
suas orações.
experiências místicas, e carismas
vários, como o dom das lágrimas.
Era com orações e lágrimas que intercedia pelos pecadores e pedia a
sua conversão.
A Eucaristia foi o sol que iluminou
toda a sua vida espiritual. Jesus
apareceu-lhe algumas vezes em
forma de menino, que desde a
hóstia consagrada lhe descia para
Novos Amigos
Maria Nízia de Oliveira Lage ; Belo Horizonte
Por causa da austeridade de vida
e do trabalho árdua nas leprosarias, não tardou a ficar sem
forças, suportando com paciência as graves enfermidades que
agora padecia, continuou assim a
imolação que já fizera ao Senhor
quando se pusera ao serviço dos
leprosos. As etapas que o fizeram
chegar à santidade foram a contemplação, o amor à Eucaristia,
a devoção a Nossa Senhora, a imitação do seráfico Pai, a paciência nos sofrimentos e, sobretudo
a inesgotável caridade para com
os leprosos. O senhor levou-o
para junto de si a 27 de Junho de
1232.
Prestação de
Contas
São João Del-Rei: R$ 520.00
(Referente a Dezembro 2010 a
Maio 2011)
Formiga: R$ 98,00
(Ref a Maio 2011); R$ 114,70
Formiga: 195,00
(Ref. aos meses de Fevereiro,
Março, Abril, )
Betim: R$52,00
(Colônia Santa Isabel)
Belo Horizonte: R$ 100,00
Belo Horizonte: R$201,00
(Vale do Jatobá)
3
O louvor e o
Frei Lucas Fortunato, ofm
Em todos os tempos e épocas
o ser humano sempre procurou
motivos para sua existência,
algo que o movesse para além
de si mesmo, que o levasse a
uma realidade superior. Tomando então esta consciência
de busca a algo superior, ele
descobre que uma dessas vias
seria a arte, expressa muitas vezes de forma simples e
magnífica.
A arte pode ser expressa de
várias formas, mas trabalharemos em especifico as “expressões verbais”. A palavra
tem grande importância na
comunicação humana, e transmite sentimentos. Uma palavra pode transformar o mundo e pode também mostrar a
alma e as experiências de um
ser humano.
São Francisco de Assis, homem
sensível à realidade humana,
usa de forma esplendorosa a
arte das palavras. Entre seus
escritos, um conjunto de palavras chama a atenção: “O
cântico das criaturas”.
São Francisco vive a presença e o encontro místico com
Deus em sua vida em todos os
instantes, e não deixa de forma alguma que algo lhe atrapalhe, pois a experiência de
Deus é única, e o que ele simplesmente faz é cantar esta
grande e única experiência de
Deus, feita na criação.
Ao passar por grandes tormen-
4
tos, São Francisco percebae
que não está sozinho, encontra Deus presente em sua vida,
mas não de forma sobrenatural, mas sim de forma comum,
na própria criação. A criação
para Francisco é uma grande
prova de amor, na qual Deus
expressa o seu amor infinito
pelo ser humano.
O “Cântico das Criaturas” é a
síntese de toda a vida de São
Francisco de Assis. Não como
resultado final de um processo, mas como constante
crescimento na experiência
mística de encontro com o
Cristo.
Francisco, em toda sua existência, nos alerta a este cuidado com o próximo, pois no
próximo está a presença de
Deus. Não usa de forma abusiva aquilo que ele ganhou do
Criador, a sua vida e a vida dos
outros.
O cântico das criaturas é um
louvor por tudo aquilo de bom
que Deus concede às pessoas.
No cântico se pode perceber
um ciclo no qual agradecemos
a Deus o dom da vida e também agradecemos a graça de
poder voltar a ele através da
irmã morte corporal.
Nesse cântico, Francisco nos
lembra que não somos maiores
que ninguém, mas que somos
filhos de um mesmo Pai, no
qual devemos render graças
incessantemente.
Francisco compõe o “Cântico das Criaturas” diante
um grande sofrimento, que o
assolava devido a grande ex-
igência que colocava sobre
seu corpo. Em toda existência
de São Francisco ele sempre
colocou toda sua confiança
em Deus, mas não deixou de
viver o processo de angústia
que todo ser humano vive.
Colocar a confiança em Deus
não significa se tornar um fantoche, mas fazer uma escolha,
e toda escolha gera angústia.
A angústia faz com que o ser
humano cresça e se conheça
cada vez mais, e foi isto que
aconteceu com Francisco ao
compor o Cântico das Criaturas, ele mostra que tem conhecimento de si mesmo.
São Francisco de Assis conseguiu captar o louvor das
criaturas ao seu criador. Tendo
esta experiência como referência podemos nos perguntar:
“As criaturas conseguem louvar a Deus nos dias de hoje?”
Com tanta ganância pelo
lucro, e exploração desenfreada dos recursos naturais,
a resposta se torna algo complexo. Pois, o homem perdeu
a sensibilidade para consigo
mesmo e para com a criação,
e o grande exemplo está no
desmatamento, na caça ilegal de animais silvestres, nos
Cântico das Criaturas
maus tratos com animais e seres humanos, decorrentes
em várias regiões do mundo.
E nós franciscanos, possuímos ainda a sensibilidade que
Francisco ensinou? Francisco no cântico das criaturas
demonstra que possui uma sensibilidade imensa, dentro
da espiritualidade humano-cristã. Francisco ao escrever
este cântico tem o intuito de nos mostrar quão frágil
é o ser humano e quão esplêndido é
Deus. Ele não faz comparativos entre animais racionais e irracionais,
ele engloba todo o cosmos, criação
divina, como fraternidade universal.
O amor de Deus está expresso em todas as realidades, e esta é a mensagem
que Francisco nos transmitiu. A experiência mística de Francisco se foca em seguir
o Cristo pobre, humilde e crucificado
que ao se encarnar coloca toda
a criação em pé de igualdade e
louvor diante de Deus. Conforme
os Atos nos Apóstolos, “em Deus
somos, nos movemos e existimos”
(17,28), ou seja, nossa realidade
existencial só tem sentido em
Deus.
O cântico das criaturas é o convite universal que Francisco faz
a louvarmos a Deus por toda a
eternidade. Não louvores criados por nossa inteligência e capacidade, mas louvores que se
dão com o nosso próprio modo de
ser. “Diante de Deus somos aquilo
que somos”. A realidade divina na
criação não é de escravos, mas de
gratuidade cordial. Louvamos a Deus
em gratuidade de espírito.
Portanto, no cântico das criaturas,
que procede da experiência mística
de Francisco de Assis, está sintetizado
de forma simples e objetiva, o sentido
de toda existência criacional, louvar a
Deus. Louvar a Deus não é bajular, mas
completar a nossa finitude com o infinito
amor do Pai Criador.
5
Missões
Canidé
Frei Emanuel Fernandes Pereira
Durante os dias 2 a 5 de maio
aconteceu, no meio do sertão nordestino, o grande encontro nacional de jovens da CFMB.
Foi uma viagem cheia de expectativas para nós franciscanos.
Dirigimos-nos à cidade Canindé(CE)
que é o segundo maior centro de
peregrinação franciscana. A basílica, a imagem de São Francisco
com mais de 30 metros, tudo o
que víamos nos surpreendia, de
tal forma que nos levava ter belos sentimentos e reflexões sobre
o nosso carisma.
A cidade é realmente um lugar de muita mística, andando pelas ruas, é normal ver peregrinos
vestidos de São Francisco agradecendo a graça recebida. Um lugar
de pessoas muito simples, humildes que sofrem com as políticas
públicas corruptas e com o fator
geográfico, mas que nem por isso
perdem a esperança. Isso nos deu
um grande testemunho de fé.
Ao chegar pela madrugada do
dia 2, a juventude canindeense já
estava a nossa espera e, nos acolheram saudosamente com cantos
transmitindo-nos muita simpatia
e alegria do povo nordestino. No
mesmo dia, no mosteiro Santíssimo Sacramento, das irmãs clarissas, nós rezamos o ofício com mais
de 80 irmãs.
No dia 4, o nosso ministro geral
Frei José Rodríguez Carballo que
nos direcionou palavras afetuosas
no seguimento do Evangelho, ele
dizia: “somos sempre mendicantes
de sentido”, ou seja, precisamos
saber lidar e discernir o que Cristo
nos revela na atualidade para perseverarmos em nossa escolha.
6
A juventude vibrava com o
jeito franciscano de rezar e louvar
a Deus, pois mesmo sendo diferentes e de lugares diversos há algo
muito peculiar que nos fazia sentir fraternos, tal encantamento
atraia e fazia o gaúcho, o nordestino e o mineiro a dançarem a
mesma música. Isso só foi possível
porque todos entenderam a linguagem amorosa que se introduz
com simplicidade na cultura que
se pertence.
Cada província mostrou-nos o
que de mais rico tem em suas culturas. Às vezes não temos noção
que, umas das maiores riquezas
que nosso Brasil tem é justamente a diversidade de raças que
se relacionam e buscam interdependência e completude em vez
de indife-rença e distanciamento.
As ofici-nas com seus diversos temas proporcionaram a evolução
da consciência e esclarecimento
de dúvidas dos jovens que perceberam que o Evangelho pode ser
redescoberto como uma novidade
atual e possível de ser vivida.
Grandes momentos como este,
proporcionam aos jovens e, até
mesmos aos frades, aprofundarem
no carisma franciscano, pois todos
são chamados a saírem da individualidade estéril e partir para uma
individualidade frutuosa, engajadora e esperançosa nas comunidades.
Saímos de Canindé cheios de
motivação, pois sendo jovem no
meio de jovens, o sentimento de
pertença pela fraternidade nos faz
ser ousados na vivência do Evangelho.
800 anos do Carisma Clariano
Frei Vitório Mazzuco Filho1
A utopia de
Francisco se fez
Clara
Estamos em pleno Ano Clariano
e na oportuna comemoração dos
750 anos da Morte de Santa Clara
de Assis. Comemorar a morte de
uma santa é comemorar o modo
como sua presença permanece
em plena vitalidade. A pessoa
santa vive na perenidade da obra
que deixou. Clara de Assis está
vivendo! Mesmo que nós,
frades, não estejamos atentos a esta verdade, a presença de Clara é muito forte
para a humanidade e para a
igreja.
O que sabemos da mãe do
nosso movimento? Ela não é
a sombra de Francisco, mas
brilha com ele na primavera
da sociedade e da igreja medieval até os tempos atuais.
Cidadãos de Assis e cidadãos
do mundo, os dois são portadores de uma personalidade
forte e original. Há 800 anos
o Movimento de Assis sacode o mundo com valores
profundamente humanos e
divinos, nele o Evangelho
faz estrada. E desde então
temos esta Mulher Nova que
nos legou um modo de amar
e um modo de abraçar a
revolução que vem da altíssima pobreza.
Clara não é fotocópia de
Francisco, mas é o lado feminino
do projeto sonhado por ele. Ela
viveu o discipulado como uma
mestra autônoma e responsável
do mesmo projeto de vida evangélica. Por séculos, Clara ficou
desconhecida por que culturalmente achamos que experiências,
escritos, mística, espiritualidade,
carisma fundacional, capacidade
1
de conduzir grupo religioso é
atribuição apenas de homem; aliás, descobrir o potencial feminino é o que falta ainda no processo
de conversão da própria eclesialidade.
Quem de nós conhece as fontes
clarianas? Os escritos de Santa
Clara e os textos ligados à sua vida
são as fontes para o conhecimento
primário da experiência religiosa
e mística da mãe do Movimento
de Assis. Clara é nossa primeira
mística e primeira escritora, contudo as suas Cartas à Inês de Praga
foram publicadas e divulgadas em
1953 por Fausta Casolini, por ocasião do VII Centenário da Morte da
Santa. A Legenda de Santa Clara,
atribuída a Tomas de Celano, foi
traduzida para o italiano e daí
para outras línguas a partir de
1962. O Processo de Canonização
de Clara foi descoberto apenas
em 1920. A partir do estudo e conhecimento destas obras podemos
saber muito sobre Clara. E o que
devemos saber?
Ela é fundamental para a nossa
família religiosa. É fundadora com
Francisco e mestra da nossa rica
espiritualidade. Ela tem muito a
dizer. Ela nos ensinou a pensar a
realidade sob a ótica da contemplação; com ela temos que aprender a transformar o nosso tempo
em tempo. Nós falamos de um
modo conceitual sobre a pobreza,
Clara casou-se com ela. Nós seguimos o Senhor, Clara se enamorou
por Ele. Nós estudamos a pobreza,
Clara pediu ao Papa o “Privilégio
da Pobreza”, o privilégio de
viver sem nenhum privilégio, a renúncia a qualquer
status, a coragem de ter
tudo em comum.
Clara é um ícone da vivência
radical do Evangelho: vivêlo e nada mais! Transformou a essência do cristianismo num modo cotidiano,
simples e fraterno. Uma
Dama Nobre que escolheu
viver a sobriedade longe
do barulho escandaloso das
colunas sociais.
Clara é uma Mulher Nova
a viver seus dons naturais
aperfeiçoados pelas virtudes do Evangelho: inteligente,
bela,
corajosa, bondosa, segura,
compreensível, acolhedora
e contemplativa. Viveu
40 anos reclusa em São
Damião e fez do mosteiro
não uma prisão mas um
útero onde cada dia gerou o Reino de Deus. De São Damião ajudou a resolver as inquietudes de
seu tempo, salvou Assis da invasão
e da guerra, como mulher olhou
muito no Espelho para ver o melhor de si mesma: a beleza e a
graça do Amado. De São Damião
passou para a história como uma
mulher e santa universal.
Publicado no blog http://carismafranciscano.blogspot.com
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Amigos aniversariantes
Junho
01/06 - Bertilha Lara da Silva (Capitólio);
Gilmar Xavier (Manhuaçu); Mario Rodrigues
da Silva (Belo Horizonte);
12/06 - Antônio Luiz Nunes Furtado (Belo
Horizonte); Célia Soares Teixeira (Brás
Pires);
02/06 - Ana Dos Reis Santos (Taiobeiras);
Conceição Donata Paula (Brás Pires); Ilasmar Maria de Lima (Fruta de Leite); Maria
de Lourdes Silva São João del Rei); Patricia
Campos (Belo Horizonte); Wallace Silva de
Oliveira (Nova Venécia);
13/06 - Andreía dos Santos (Itapiruçu / Palma); Antonieta Almeida (Belo Horizonte);
Enilda Silva Magalhães (Brás Pires);Isaura
Filogonio (Belo Horizonte); Letícia Luiza da
Costa (Formiga); Lilianne Maria P. de Carvalho (São João del-Rei); Maria de Lourdes P. de
Oliveira (São João del-Rei);
03/06 - Daniel de Sousa Reis (Formiga);Hélio
de Oliveira Silva (Brás Pires); Maria Rodrigues
de Oliveira (Passos); Michele Marchiote de
Carvalho (Itapiruçu / Palma); Renata Leandra F. Santos (Salinas);
04/06 - Gabriel Luiz da Costa (Formiga); Hélio José da Silva (Visconde do Rio Branco);
Maura Martins Gonzaga (Brás Pires);
05/06 - Almir José Toledo da Silva (Santos
Dumont); Enir Aparecida Fernandes (Passos);
Maria de Fátima Oliveira (Betim);
06/06 - Edilson de Almeida Dias (Guidoval);
Lucélia Alves Souza (Novorizonte); Marina
Alvarenga (São João del-Rei); Nágela Chaves
da Conceição (Fruta de Leite);
07/06 - Francielle Martins Azevedo (Rubelita); José Edimar Pereira (Nova Venécia);
Ludeci Rodrigues da Silva Teixeira (Itinga);
Maria Aparecida Sebim Zanom (Nova Venécia); Maria José Pinto Paiva (São João Del
Rei); Shirley Aparecida alves Gonçalves
(Divinópolis); Tereza de Oliveira Marcolino
(Cabo Verde);
08/06 - Mara Lucia Alves Ribeiro (Salinas);
Maria da Luz de Souza Araújo (Manhuaçu);
Maria Helena Castro Silveira (Formiga); Maria Teresa Amorim Lopes (Visconde do Rio
Branco); Marileny Barbosa de Andrade e
Prates (Taiobeiras); Trindade Catti Santiago
(Rio Espera);
09/06 - Antônio Cassiano da Silva (Formiga);
Caetana Gomes Dutra (Manhuaçu); Gilson
Bergamim (Nova Venécia); Ionara Santos
Oliveira (Novorizonte); Maria de Jesus Lima
(Fruta de Leite); Sibeçi Soares Alves (Montes
Claro);
10/06 - Jamir José Coelho da Silva (Nova
Venécia); Maria Aparecida Alves Peixoto
(Itaúna); Maria de Lourdes Martins de Lanna
(Belo Horizonte); Maria Geralda (Brás Pires);
Maria Olímpia de Oliveira Celestino (Rubelita); Rodrigo Silveira Filho (Rubelita); Valéria
Júnia Cardoso dos Santos (Indaiá/Novorizonte);
11/06 - Antônieta Maria Santana (São João
del Rei);Eleny Mendes de Souza (Rubelita);
Gilton Luiz da Costa (Formiga); Maria Alice
Teodora Da Silva Martins (Capitólio); Maria
Ladeira Pinto (São João del-Rei); Terezinha
de F. Pereira (Carmo do Cajuru);
14/06 - Alcir Ribeiro de Souza (Betim); Cleusa dos Anjos Rodrigues (Brás Pires); Giani
Vieira Tavares de Oliveira (Formiga); Perpétua Raimunda Calçavara (São João del-Rei);
Tamara Guimarães Dantas (Formiga); Tamara
Santos Ferreira (Capitólio);
15/06 - Antônio Reinaldo de Trindade (São
João del-Rei); Baltazar Francisco de Carvalho (Passos); Edinete Cleydiane Ferreira
Santos (Itinga); Fernando Gonzaga de Barros
(Formiga) Maria José Cruz Pereira (Formiga);
Solange Martins (Salinas);
16/06 - Alcina Alves (Novorizonte); Antônio
Geraldo Pereira de Lima (São João del-Rei);
Antônia Neusa dos Santos Soares (São João
del-Rei); Aurelino Rodrigues Lima (Fruta de
Leite); Belarmina De Fatima Pinto Assis F.
(Manhuaçu); Ivanilde Maria de Fátima Silva
(Formiga); Maria de Lourdes Francisco da Paz
Pereira (Rubelita); Matheus Patrício Ferreira
(Manhuaçu);
17/06 - Andressa de Oliveira Jacundino (Novorizonte); Gilson José de Sousa (Formiga);
Ivete Martins Silveira (Rubelita); Izaura Dejanira de Brito Campos (Nova Venécia); João
Nilton Mendes Santos (Rubelita); Manoelita
da Silva Lopes (São João del-Rei);
18/06 - Donato Borges Pereira (Fruta de
Leite); Elizabeth Magalhães Sales (Montes
Claros); Evanildo do Nascimento Silva (São
João del-Rei); Geralda Maria Aparecida (Brás
Pires); João Batista Gonçalves (Divinópolis);
Maria da Conceição Francisco Veloso (UBÁ);
Maria da Conceição Santos Oliveira (Betim);
Maria de Fátima Silva (São João del-Rei);
19/06 - Belmiro Adilson Ramos (São João
del-Rei); Esnir Clemente Rezende (Betim);
Gui-lherme Matheus de Oliveira (Visconde
do Rio Branco) Maria Aparecida Cardoso de
Oliveira (Formiga);
20/06 - Gilmar Sena Saraiva (Novorizonte);
Judite Maria Tavares (Formiga); Leni de Oliveira Rosa (Betim); Maria Pereira dos Santos
(Salinas); Neusa Consoladora Silva Costa (Brás
Pires); Nice Sebastiana Cunha (Visconde do
Rio Branco); Valdir José Pires (Formiga);
21/06 - Horácio Justino (Cabo Verde); José
Milton Martins Azevedo (Salinas); Juliana
Apa-recida Figueiredo (São João del-Rei);
Margarida Coutinho Prata (Visconde do Rio
Branco); Ritchelli Guimarães Tavares (Formiga); Rosangela Maria Fonseca (Formiga);
22/06 - Ailton dos Santos (Rubelita); Albertina Vieira Tavares (Formiga); Cláudia Bezerra
de Freitas Souza (São João Del-Rei); Haroldo
Tavares da Silva (Visconde do Rio Branco);
Manuelina Agostinho Machado (Visconde do
Rio Branco); Paula Domingues Ribeiro Marchiote (Itapiruçu/Palma)
23/06 - Ana Teixeira de Sousa (Formiga);
Antônio Marcos Gonçalves (Divinópolis); Gilsiana Márcia Teixeira (Manhuaçu); Lourival
Alves do Couto (Formiga); Maria Agripina de
Souza (Brás Pires); Maria Euzébia de Oliveira
(Visconde do Rio Branco); Marlene Nunes dos
Santos (Passos); Thaíssa Paloma de Souza
Santos (Belo Horizonte);
24/06 - Deusmira Godinho Braga (Belo Horizonte); Eva Marques da Silva (Taiobeiras);
Jéssica Ariadne Souza Lima (Betim); João
Evangelista pereira (Passos); João Gualberto
de Melo (Capitólio); Lúcia de Jesus Abreu
(Belo Horizonte); Neuza Maria de Olioveira
(Passos); Roque Gonçalves de Oliveira (Passos);
25/06 - Araceli Maria Silva Cardoso (Brás
Pires); Bárbara Oliveira Fernandes (Formiga);
Daniella de Souza Bergamim (Nova Venécia);
Geny Pereira da Silva Araújo (Fruta de Leite);
José Geraldo Rodrigues de Silva (Brás Pires);
Magda Terezinha Evangelista Dutra (Itinga);
Maria dos Santos Barbosa (São João Del-Rei);
26/06 - Ana Maria Alves (Brás Pires); Antônio
Luiz de Carvalho (Capitólio); Maria Aparecida
Carvalho (Capitólio);
27/06 - Aldo José de Rezende (São João del
Rei); Maurício Pedrosa Teixeira (Formiga);
Pierry Augusto Gusmão de Menezes (Itinga);
Sandro Figueiredo Marques Canário (São
João del-Rei).;
28/06 - Aparecida da Silva Luiza Flores (Visconde do Rio Branco); Dayriara de Souza
Fortes da Fonseca (Itapiruçu / Palmas); Nileide Ervilha Teixeira dos Santos (Visconde do
Rio Branco); Pedro de Paula Soares (São João
del-Rei);
29/06 - Alaíde Alves de Oliveira (Salinas);
Alaide Alves de Oliveira (Salinas); Ana Helena dos Reis Casarim (UBÁ); Elaine Pereira
Soares (Novorizonte); Geni de Oliveira (Passos); Izabel Leonel de Oliveira (Capitólio);
José Vaz de Oliveira (Capitólio); Maria do
Carmo Rodrigues (Formiga); Raquel Siqueira
(Cabo Verde);
30/06 - Erica Fernanda dos Santos Ribeiro
(Novorizonte); Júlia Ubaldo Oliva (Visconde
do Rio Branco); Maria Efigenia Poupe (Passos); Mariza Batista Pereira (Novorizonte);
Paulo Rodrigues de Matos (Betim); Vera Costa Ferreira (Betim);
09/06: Dario Campos
23/06: João Ricardo teodoro
10/06: José Gomes Vieira
27/06: Donizete Afonso da Silva
19/06: Jacir de Freitas Faria
29/06: Pedro Paulo Chiatetti
20/06: Mário Rodrigues dos Reis
8
Parabéns!
!
Paz e bem
es!
Felicidad
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Santo Antônio homem simples,