OS PODERES DO VESTIBULAR: DA CONSTRUÇÃO DA HEGEMONIA AO PRENÚNCIO DA QUEDA1 Euzebio Carvalho (UEG/UnU Porangatu) 2 Resumo: Apresentamos neste texto, uma súmula histórica do vestibular. Ao longo do século XX, ele foi constituído como o único e principal processo de seleção para ingresso no ensino superior. A década de 1990, na esteira da publicação da LDB (1996) e com o processo de discussão curricular da educação básica que ela provocou, a expansão das IES privadas, a criação do ENEM (1998), representaram o primeiro golpe em sua “hegemonia”. Na década de 2000, com a diversificação dos processos de seleção (SAS), a utilização das notas do ENEM para a concessão de bolsas do ProUni (2004), e recentemente o SiSU (2009), apontam para uma nova conjuntura em que o vestibular tem sua configuração transformada. Contudo, no interior da lógica de construção das questões, na concepção do conhecimento histórico a ser avaliado na prova de história, será que há o diálogo com as novas discussões e concepção do ensino/aprendizagem de história? Neste trabalho, apresentamos uma parte das informações levantadas no projeto de pesquisa História para quê? Ensino de história, currículo e o vestibular (UEG/PrP 2011). PALAVRAS-CHAVE Vestibular. História do vestibular. Ensino de história. A CONSTRUÇÃO DA HEGEMONIA Em 1911, um dos artigos da Lei Orgânica do Ensino Superior e do Fundamental da República3 instituiu a obrigatoriedade do exame para ingresso no 1 Este texto é um dos produtos finais do projeto de pesquisa História para quê? Ensino de história, currículo e o vestibular apresentado à Pró-reitoria de Graduação e Pesquisa, da UEG, em 2011 (Memorando PrP/CP n.072/2011). 2 Professor de Didáticas, Práticas e Estágios em História na Universidade Estadual de Goiás (UEG), Unidade Universitária de Porangatu. Mestre em história PPGH/UFG (2008). E-mail: [email protected] Currículo: http://lattes.cnpq.br/7307117258225181 3 Sob competência do Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Disponível em http://www2.camara.gov.br/legin/fed/decret/1910-1919/decreto-8659-5-abril-1911-517247-republicacao101732-pe.html 1 Ensino Superior (OLIVEIRA, 2011, p.55). Em decorrência da pouca oferta de vagas, estava implícito o processo de seleção para o ingresso no ensino superior. Apesar da quase inexistente pressão social sobre o vestibular – já que a formação superiora era destinada somente à elite do país – a seleção era rígida e temida, como veremos nos depoimentos a seguir. Ao longo do século XX, o crescimento demográfico, com o processo de urbanização e industrialização provocaram maior aspiração por educação. Com a expansão do sistema escolar, a pressão social sobre o vestibular se tornou cada vez maior. Com a lei de 1911, os institutos federais de ensino superior e fundamental que à época estavam submetidos ao Ministério do Interior tornaram-se autônomos. À época eram poucos, como sita o próprio texto: Nas faculdades de medicina do Rio de Janeiro e da Bahia será ministrada cultura medica; nas faculdades de direito de S. Paulo e de Pernambuco, a das lettras juridicas; na Escola Polytechnica do Rio de Janeiro, a de mathematica superior e engenharia, com todas as suas modalidades; no Collegio Pedro II se ensinarão as disciplinas do curso fundamental, com o seu desenvolvimento litterario e scientifico (art. 4º, Lei 8.659/1911. Grifo nosso). Nos artigos 64 e 65, a lei traz informações sobre o perfil do candidato e sobre o exame de admissão. Art. 64. Para requerer matricula nos institutos de ensino superior os candidatos deverão provar: a) idade minima de 16 annos; b) idoneidade moral. Art. 65. Para concessão da matricula, o candidato passará por exame que habilite a um juizo de conjuncto sobre o seu desenvolvimento intellectual e capacidade para emprehender efficazmente o estudo das materias que constituem o ensino da faculdade. § I. O exame de admissão a que se refere este artigo constará de prova escripta em vernaculo, que revele a cultura mental que se quer verificar e de uma prova oral sobre línguas e sciencias; § II. A commissão examinadora será composta, a juízo da Congregação, de professores do proprio instituto ou de pessoas estranhas, escolhidas pela Congregação, sob a presidencia de um daquelles professores, com a fiscalização, em ambos os casos, do director e de um representante do Conselho Superior; § III. O exame de admissão se realizará de 1 a 25 de março (Lei 8.659/1911. Grifo nosso). A preocupação do exame para ingresso nas acadêmicas era oferecer uma avaliação global do desenvolvimento intelectual do candidato. Em seu início, o exame não deveria distorcer os objetivos do ensino fundamental. O artigo 6º da referida lei era 2 explícito ao dizer que ele não deveria ser meio preparatório para as academias, referendado pelo decreto 8.660, do Colégio Pedro II (RIBEIRO NETTO, 1985, p.42). Para Ribeiro Netto, De fato, o terceiro grau de ensino tem, frequentemente, desconsiderado a importância dos objetivos mais nobres e abrangentes dos graus de ensino que o precedem, preocupado apenas com o papel propedêutico que desempenham, relativamente ao ensino de algumas disciplinas consideradas de maior relevância para o aprendizado de outras que figuram no currículo de nível superior pretendido pelo candidato. Desta forma, contribui o ensino superior para que se instale uma especialização precoce, imediatista e mesquinha nos seus propósitos (1985, p.42). O presente autor é bastante crítico quanto à vinculação que se estabeleceu entre o vestibular e o currículo do ensino básico: apenas parcela diminuta dos que ingressam na base do sistema de ensino chega às portas da universidade e, portanto, também não faz sentido que, numa postura egoísta, o ensino superior queira moldar o ensino fundamental de 10 e, sobretudo, de 29 graus ao seu bel prazer (RIBEIRO NETTO, 1985, p.42) A reforma seguinte a de 1911 deu-se em 1931, quando é criado o Ministério da Educação e Saúde. Nela, o vestibular “passou a ser determinado pela natureza do curso de nível superior e restrito a algumas disciplinas tidas como pré-requisitos mais importantes” (FERREIRA NETTO, 1985, p.42). Em 1942, surgiram os cursos colegiais, correlatos dos nosso atual ensino médio. Os cursos colegiais possuíam duas modalidades, clássico e científico, destinados a preparar os estudantes para a continuação dos estudos em nível superior. Esta orientação existiu até 1996, quando a LDB entendeu que o ensino médio fazia parte da educação básica, desobrigando-o da função propedêutica para o ensino superior. O ramo científico subdividia-se em científico para medicina, por não necessitar de conhecimentos em matemática, e científico para engenharia, por não necessitar de conhecimentos em biologia. A lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional (4.024/61) dividiu o secundário em normal, comercial, industrial e o agrícola. Como vimos, o desenvolvimento da população, da urbanização e industrialização do país provocaram maior demanda por educação. Esses fatores, dentre outros, faziam com que contingentes cada vez mais numerosos de candidatos procurassem ingressar nas escolas superiores, notadamente naquelas de maior prestígio e que ofereciam as carreiras de 3 maior tradição. Crescia assustadoramente a relação candidato/vaga. Algumas instituições começavam a sofrer as consequências do ingresso, por força de mandados de segurança dos chamados excedentes, ou seja, dos candidatos habilitados além do limite das vagas oferecidas. O vestibular transformava-se num instrumento para descartar candidatos e não para selecioná-los; aumentava o grau de dificuldade das provas, tornando-as incompatíveis com aquilo que, de fato, era ensinado no curso colegial. O distanciamento entre o que era ensinado ao aluno no secundário e o que era pedido ao candidato no vestibular criou um vazio entre o ensino secundário e o superior no qual, com muito senso de oportunismo, os conhecidos “cursinhos” se insinuaram e floresceram (RIBEIRO NETTO, 1985, p.43). Por isto, com a reforma de 1968, o MEC determinou que os testes para admissão no Ensino Superior fossem classificatórios. Isto contribuiu mais ainda para que o vestibular perdesse a característica de avaliação do conhecimento adquirido e se tornasse altamente seletivo (OLIVEIRA, 2011, p.55; FONSECA, 2003, p.17; RIBEIRO NETTO, 1985, p.43). Nas décadas de 80 e 90, a prova passou a medir todo o conteúdo aprendido durante a Educação Básica em questões de múltipla escolha, modelo de verificação que se tornou tradicional na prova do vestibular O modelo de múltipla escolha4 alimentou a infame prática das “pegadinhas” nas provas, isto é, pequenas variações no conteúdo que invalidavam toda a questão e cujo objetivo maior era ludibriar o candidato. A pegadinha deveria passar incólumes durante a leitura e interpretação das questões. Esse estratagema objetivava minar o sucesso do vestibulando. De sua parte, ao tempo que lutava contra o esquecimento da incomensurável quantidade de informações recebidas ao longo dos anos do ciclo básico, o candidato ainda tinha que enfrentar uma lógica de avaliação fundamentada em estratagemas mal intencionados e abertamente contrários à sua aprovação (todas as forças eram contrárias à sua aprovação, pensaria o supersticioso. “Não há superstições que a história não explique”, pensaria o materialista histórico). Partimos da hipótese de que um teste longo, detalhista, factual, de múltipla escolha favorece mais a discriminação entre o número cada vez maior de candidatos do que a verificação e a avaliação dos conteúdos por eles apreendidos. Por isto uma 4 O sucesso desta metodologia de elaboração está ligada à racionalidade técnica, a qual é utilizada até a atualidade. 4 questão difícil é tão valorizada na prova dos cursos mais concorridos. À medida que a concorrência pelo Ensino Superior público aumenta, torna-se cada vez mais necessário a existência de questões que favoreçam a discriminação entre os candidatos. O acerto de uma questão fácil não discriminaria tanto quanto uma difícil, ou seja, detalhista. A ênfase no detalhe, puro e simples, sem relação com o contexto, é uma estratégia que valoriza a memória em detrimento de outras habilidades como a crítica, a interpretação ou a propositiva. Numa disputa, a importância da classificação relaciona-se diretamente ao aumento da quantidade de candidatos. Quanto mais concorrentes, mais difícil a discriminação. Quanto mais candidatos, mais necessárias são as questões que favorecem a distinção rígida. Nessa realidade, uma questão fácil, acertada por muitos, é menos desejada que uma questão difícil. O problema que identificamos não é no grau de dificuldade da questão. É que dentro da lógica do paradigma tradicional, a dificuldade reside no detalhe que por sua vez, apresenta a capacidade de memorização do candidato. Dentro da lógica classificatória de uma prova muito concorrida (como os cursos de medicina, direito e engenharia), é a questão difícil que discrimina. Com a junção entre classificação e aumento da concorrência, importa mais discriminar para classificar do que verificar conhecimento histórico que o indivíduo apresenta. A dificuldade é associada ao detalhe; a inteligência associada à memória. As outras habilidades ou competências tornam-se menos importantes. Daí a difusão de metodologias (tão desesperadas quanto ridículas), largamente empregadas nos cursinhos, por supostamente favorecer a memorização de certo conteúdo ou fórmula. Vão desde as grosseiras paródias musicais às associações inusitadas (com conotação sexual, em sua maioria) para memorização de fórmulas e conteúdos. Os métodos de memorização variam desde aqueles, supostamente fundamentados em procedimentos racionais, aos assumidamente mágicos e/ou religiosos. Ler andando, dormir ouvindo no fone de ouvido o áudio da leitura de um conteúdo, colocar o livro debaixo do travesseiro... Ou, deixar logo de subterfúgios menores e partir para as relações com o suprassensível: fazer promessas e negociações, numa relação abertamente de expiação, apelativa ou ameaçadora, com o sobrenatural. 5 “Se passar no vestibular, subo de joelhos a escadaria da igreja!”; “enquanto não passar no vestibular, não te devolvo o menino Jesus, ouviu São José?”; “se meu filho passar no vestibular mando rezar uma dezena de missas!”; “oferto o meu carro ao Senhor para que meu filho passe no vestibular!”... Por falar em carro, quem não soube um filho de fulano rico que foi presenteado pelos pais depois de sua aprovação no vestibular? (seria uma pedagogia do investimento?). Atualmente, os jovens estão entrando cada vez mais novos na Universidade (graduam-se com 21 anos). Há pouco tempo, o ingresso na faculdade coincidia também com a passagem para uma vida minimamente adulta. Passar no vestibular se confundia com mudar da cidade do interior para a capital, sair da casa paterna, iniciar na prática da sexualidade (de fato), experimentar a liberdade de pensamento (mesmo que alimentada por substâncias ilícitas...). Passar no vestibular era o início de um ritual de passagem que durava, no mínimo, quatro anos. A vida universitária passou a representar o momento ápice das transgressões juvenis. No interior desse entendimento, a maior das transgressões era, justamente, abandonar a universidade (o fizeram muitos músicos, cineastas dentre outros artistas) 5. Os universitários franceses se rebelaram em maio de 1968, evento índice da crise dos grandes paradigmas epistemológicos, do conhecimento científico, da crença na verdade, da contestação dos valores burgueses constituídos ao longo do século XIX. Os jovens estadunidenses abandonaram as universidades e se tornaram Easy riders. Montados em suas motocicletas, cabeludos sem destino, movidos a contravenções, entorpecentes e sexo casual, constituíram um tipo social até então inexistente naquela sociedade. Abandonou o conforto burguês, o destino seguro garantido pelas relações de trabalho do mundo capitalista (promessa da graduação) e escolheram ser “sem destinos”, pois “pedras que rolam não criam limo”, como dizia o poeta cantor e ídolo dessa juventude transgressora. A estrada torna-se metáfora para a vida. Road movie, road life. 5 Principalmente, os músicos das bandas de rock brasileiro da década de 80. 6 Ao longo dessa mesma década (os emblemáticos anos 60), os universitários brasileiros abandonaram a universidade para defender seus valores políticos por meio da luta armada. Pegaram em armas para derrubar o governo ditatorial e golpista, imposto em abril de 1964. Alimentados pelos valores políticos comunistas, socialistas, democráticos ou, simplesmente, pela liberdade, os jovens universitários tornaram-se protagonistas de seu momento histórico, verdadeiramente, sujeitos. Esses processos sociais, historicamente, aproximaram juventude e universitário como termos sinônimos, mesmo que fosse pelo caminho da negação e do abandono do banco universitário em favor das diferentes causas urgentes. Após a reforma de 1982, quando legalmente se finda a predominância da formação específica (os chamados “cursos” de magistério, contabilidade, ciências domésticas ou agrônomas etc.) sobre a geral (o “científico”), os vestibulares ganham novo status. Massificam-se. Pressionam os currículos e os processos de ensino nas escolas de 2º Grau (como era chamado o Ensino Médio, na época), dificultando a reflexão, o livre debate, enfim, da formação integral dos jovens (FONSECA, 2003, p.19). Com a ascensão do Rock BR, ao longo da década de 1980 o vestibular passou a ser tema de várias canções numa atitude satírica e debochada (CARVALHO, 2012). Neste contexto, a Blitz banda carioca gravou em seu disco de estreia As aventuras da Blitz 1, de 1982, em sua quinta faixa a música O romance da universitária otária (Evandro Mesquita, 2’10’’): Essa é a história / De uma universitária otária / Que não sabia se fazia / Oceanografia ou veterinária / Arquitetura aquela altura era loucura / Mas em compensação comunicação era uma opção / Ela se dava bem, ela se dava bem / Ela se dava em redação / Era boa em línguas mas não sabia beijar / Aíi um dia, um cara apreceu e disse: / -"Eu sou o Abreu, muito prazer, / eu me lembro de você dos tempos do IBEU" / Aí ela disse: / -"Ai, Abreu, eu não sei o que eu vou ser" / Eis a questão. Ser ou não ser / O que será que serei. O que será que vou ser / Aí lá pelas tantas, O Abreu já tonteo respondeu: / -"Você está meio confusa mas fica mais bonita assim sem blusa" / Eu não queria falar mas agora vou dizer, / Todo mundo quer ir pro céu / mas ninguém quer morrer / E por sorte ou por azar / Eles não passaram no vestibular / Moram juntos até hoje mas resolveram / Não casar pra não complicar / Esse foi apenas um lance do / Romance de Aparecida e Abreu. / Hoje moram no campo e / São dois grandes amigos meus / Vivem na natureza, na santa paz de Deus. / - Abreu, desce do coqueiro, o almoço tá esfriando! (Disponível em 7 http://www.blitzmania.com.br/site/discografia/as-aventuras-da-blitz-1 Acessado em 25/10/2012). O VESTIBULAR AO RÉS DA VIDA A história do vestibular está presente na trajetória de profissionalização dos professores e professoras de história, no Brasil. As memórias de docentes colhidas e reunidas na obra Ser professor no Brasil (1997), de autoria de Selva Fonseca, podem nos dar uma mostra disto. Em sua juventude, Eduardo D’Oliveira França (1915) presenciou a estruturação do curso de história e a própria USP. Em 1932, aos 17 anos, portanto, entrou na Faculdade de Direito. Sobre o importante momento da definição de seu futuro profissional, assim como da própria profissionalização da história, no Brasil, conta-nos o professor: Preparei-me para o vestibular e vim prestá-lo aqui na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, sem ter feito cursinho, sem ter professores particulares, a não ser uns 15 dias antes das provas, para saber como fazê-las. Tive sorte, fui aprovado com boas notas [...] foi nesse tempo que começou a brotar, nos meios intelectuais de São Paulo, a ideia de uma universidade. Logo depois, criava-se a Universidade de São Paulo. Eu participava daquelas inquietações dos que eram da minha idade. Inquietações de natureza intelectual, e a criação da Faculdade de Filosofia, para mim, pareceram um desafio. A notícia da vinda de professores estrangeiros excitava uma certa curiosidade nos meios estudantis mais predispostos à vida intelectual. E foi assim que me decidi a fazer o curso de história da Faculdade de Filosofia. Não precisei fazer vestibular, porque valia o vestibular da Faculdade de Direito. Não deixei a Faculdade de Direito, cursei cumulativamente (FONSECA, 1997, p.96-97). Deusdá Magalhães Mota (1912) também fez sua graduação em história e geografia na USP, concluída em 1945. Há época, saia-se com habilitação para os dois cursos: na época, era muito difícil estudar na faculdade da USP. Eu já entrei velho na faculdade, com 28 anos, em 1941. Eram professores estrangeiros a examinar, tinha a dificuldade de língua, as provas do exame eram em português, mas as aulas eram em francês. Quase todas as aulas eram em francês, só os assistentes brasileiros que davam aula em português. Entrei na faculdade e cursei quatro anos e mais dois de licenciatura. A maioria da turma era feminina, só quatro homens (FONSECA, 1997, p.90). 8 Sobre o vestibular, Hellius Skinner (1924) não apresenta muitas informações em sua memória. Mas, suas informações são importantes para entendermos o contexto em que ele estava inserido. Minha 5ª série do ginásio coincidiu com a Reforma Capanema que previa que os alunos da 5ª série tivessem acesso direto à faculdade sem cursar as duas séries do clássico, que só existiriam no ano seguinte. Foi quando se criaram o clássico e o científico. Escolhi o curso de história e geografia, naquele tempo juntos, com 17 para 18 anos, por volta de 1940. Entrei na Faculdade Nacional, passei para o Instituto Lafaiete, que é a célula mater da UERJ atual. Abandonei o curso e, depois de casado, vim terminar na UEG, que era a Universidade do Estado da Guanabara que também deu origem à UERJ. Isso por causa da militância política (FONSECA, 1997, p.107) Em seu depoimento, Célia Gomes José (1926), conta-nos que seu pai a questionava: “‘Puxa, minha filha, mas você pode fazer medicina e pretende fazer outra coisa. Por quê?’ Eu respondia que gostaria de fazer história, sempre, desde pequenininha”.6 No fim de 1943, já voltei a Belo Horizonte para fazer o vestibular. Eu havia convencido papai de que não ia fazer nada ligado com física e química. Eu queria fazer história ou línguas. Para ela, “o vestibular foi relativamente fácil”. Fez sua graduação em Belo Horizonte MG, na Faculdade Santa Maria, instituição privada, dirigida pelas freiras dominicanas.7 A Faculdade também funcionava como colégio e foi, posteriormente, encampada pela atual PUC-MG (1958). Em sua época, a graduação em história era junto com geografia. “Eu queria fazer só história, mas as faculdades todas naquele tempo eram a mesma coisa” (FONSECA, 1997, p. 69). Outra historiadora que também nasceu em 1926 e que teve sua memória registrada na obra em questão foi Miriam Moreira Leite. Fez o curso de ciências sociais, na USP, com ingresso em 1944, finalizando-o três anos depois. Infelizmente, não nos oferece maiores detalhes sobre sua experiência do vestibular. Rubim Santos Leão de Aquino (1929), conta-nos que começou o curso de história em 1958, ou seja, com 30 anos, com idade um pouco diferente dos demais, na 6 A narrativa sobre a reação da família diante da escolha profissional pela graduação em história é um lugar comum na memória de quase todo formado na área. Tal clichê profissional não deixa de funcionar quase como uma mea culpa. 7 “As freiras eram francesas e a maior parte dos livros era em francês. Eu tinha três professores que davam aula em francês. Era muito difícil para gente, já pensou, geografia, física, em francês” (FONSECA, 1997, p. 69). 9 Faculdade Nacional de Filosofia. “Apesar de todas as falhas, era uma das faculdades mais badaladas na época, assim como a USP. Tive como professor Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro, Maria Yedda Linhares [...] tinha que conciliar, trabalho, faculdade, família, os filhos”. Dentre os depoentes, foi o único que fez referência ao curso prévestibular, mesmo que sem fazer maiores comentários. A historiadora Déa Fenelon (1933) conta-nos que depois do Curso Normal começou a trabalhar como professora. Por conta do baixo salário, fez concurso para ser ferroviária na Rede Mineira de Viação, mas já tinha decidido que faria vestibular para história e geografia, na Faculdade de Filosofia, que em seu tempo ainda eram unidas. A graduação durava cinco anos. Ela não nos dá muitos detalhes da instituição, nem do processo seletivo. Ao que indica outras partes de sua memória, trata-se da atual PUCMinas. Minha vida na universidade, como aluna de história, teve definições importantes. É aí que vemos por que gostamos da história, não é mais uma questão apenas de gostar, mas de saber por que gosta. Eu estava na universidade num momento muito forte (1957-1960) de politização, da discussão das reformas básicas, da Reforma Universitária, do papel da universidade. Isso tudo tinha um nome naquela época: discutir a realidade brasileira! (FONSECA, 1997, p.76) Também nascida em 1933 é Miriam Zeltzer Fialkow. Em sendo judia, achava que o curso de Direito poderia instrumentalizá-la na defesa das situações de discriminação que sofreu desde criança, como nos conta. Sobre o vestibular e a escolha profissional, há algumas passagens em sua memória. Como profissão, continuei querendo Direito, mas em São Leopoldo não existia faculdade. Existia só o Colégio Cristo Rei que era seminário jesuíta. Fiz parte do movimento para pressionar os jesuítas a abrirem uma faculdade. Foi criada a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letra Cristo Rei que é a célula da atual Unisinos [...] num determinado dia, passei pela faculdade e vi que havia sobrado vagas, e que haveria um exame de segunda época. Eu me inscrevi, fiz o vestibular. Isso foi em 1961. Houve um intervalo de 13 anos depois do Normal nos meus estudos, mas voltei a estudar a fiz Ciências Sociais, porque, pelo currículo que apresentava, era mais próximo das cadeiras de que gostava e que se aproximava do Direito, se um dia eu fosse cursar. Nessa época, ainda não existia o curso de história. Quando cursava a metade desse curso, veio uma reforma e introduziram História Geral dentro do curso de Ciências Sociais [...] Fiz o curso no momento da agitação política de 1964 (FONSECA, 1997, p. 148) 10 Outro depoimento de mesma idade que o anterior é o de Luiza Teodoro (1933). Conta-nos que logo depois de terminado a Escola Normal, entrou para a universidade. Confessa que fez o curso de História por falta de opção. “Eu tinha muita vontade de fazer História Natural, mas isso não existia aqui, estavam muito no começo. Não existia nem a Universidade Federal [do Ceará]”. Antes de concluir o curso, na Faculdade Católica de Filosofia dos Irmãos Maristas que se tornou posteriormente a Universidade Estadual do Ceará, já estava trabalhando no magistério. É bastante crítica a se referir à formação recebida na Faculdade: Com uma ou duas exceções, não me ensinaram nada que valesse a pena [...] o curso era história e geografia, mas não me lembro de nada de geografia. Aí comecei a me encantar por história. Mas acho que minha história, minha formação profissional, não tem nada a ver com faculdade, não. Minha formação profissional foi na Ação Católica. [...] foi aí, realmente, que despertei para o senso da história. estávamos-nos construindo este país, nós acreditávamos nisso. Eu sou daquela geração que, em 1960, foi punida por ter sonhado fazer o Brasil. Sem demagogia, era o nosso sonho. Nós nos preparávamos para isso, estudávamos para isso [...] quando entrei na faculdade passei para a JUC [Juventude Universitária Católica] e foi aí que conheci meus verdadeiros mestres, que foram os padres dominicanos de São Paulo, como frei Romeu [...] começamos a militância e a Igreja ficou com medo e nos expulsou da JUC. Nós passamos a serem católicos comunistas, como eles diziam. Aí é que se deu o meu grande aprendizado político (FONSECA, 1997, p.125-127) Um depoimento singular foi o de Sinval Leitão Filho (1936), o único professor de história, entre os demais depoente, que não cursou nenhuma faculdade: “Não tenho cultura acadêmica. Tudo o que aprendi devo a meu esforço próprio”. Depois da lei 9.394, publicada em 1996 esta situação deixou de ser possível (ao menos em tese). Até então, o curso Normal (depois chamado Magistério) era o suficiente para a habilitação como professor. Esta lei passa a exigir a graduação como formação mínima para os professores e professoras. No depoimento de Antonieta Borges Lopes (1940), ela nos confessa que, diante do vestibular, foi um período de muita confusão. Iniciou o curso de letras neolatinas, que logo abandonou para fazer nova seleção. Desta vez para o curso de história, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santo Tomás de Aquino, instituição privada e católica, em Uberaba-MG. Iniciou o curso em 1959, graduando-se quatro anos depois. À época, conta “eram três anos de bacharelado, quando eram 11 estudadas as disciplinas específicas, e um ano de licenciatura, onde se concentravam todas as disciplinas pedagógicas” (FONSECA, 1997, p. 62). No mesmo período, Janete Martins Campos (1940), fez sua graduação na USP. Em sua memória, registrou sobre o momento iniciado com o vestibular. Quando cheguei ao 3º ano [do colegial], inscrevi-me para fazer o vestibular. Foi em 1957, ano em que se separaram os cursos de história e geografia. O vestibular para ingresso na USP foi tranquilíssimo [...] nós entramos em 1957 e nos formamos em 1960, 1961. O primeiro ano foi uma experiência assim fundamental. Recém-entrada na faculdade, para quem vem de colegial, nós fomos jogados na primeira aula com o professor francês Jean Glenisson, que havia chegado da França para dar um curso de introdução aos estudos históricos. [...] fomo jogados numa aula toda falada em francês, os textos todos em francês. Foi uma experiência fantástica para mim, uma menina de 17 anos, ter oportunidade de conviver com esse professor ter que encarar seriamente a história! Na faculdade, ainda tive uma influência muito forte do professor Eduardo Oliveira França. Didaticamente falando, era um professor perfeito! O que ele falava, o que ele ensinava, você não esquecia nunca mais [...] mas os cursos, de um modo geral, foram muitos fracos. Eu achava que um curso universitário ia me dar uma formação em história e, quando saí da universidade, estava decepcionada, pois os cursos ficaram aquém das minhas expectativas (FONSECA, 1997, p.115-116) O PRENÚNCIO DA QUEDA Para os especialistas, o vestibular é um dos principais definidores dos currículos do Ensino Médio, impactando, inclusive, a estrutura do livro didático. Muitos programas da prova de História dos vestibulares, incluindo de universidades públicas, ainda são pautados pelos temas e cronologias tradicionais e, num certo sentido, dificultam a renovação ampla do ensino e do material didático de História (NAPOLITANO, 2008, P.178). A força deste exame se origina do fato de, por muitos anos e majoritariamente, ainda se constituir como a única porta de entrada na Universidade (OLIVEIRA, 2011, p. 55). Daí decorre o nome desse exame: vestibular que deriva de vestíbulo, termo utilizado na arquitetura para se referir ao pátio ou pórtico principal de entrada de uma construção. Sua importância social é tão grande que o exame de ingresso no Ensino Superior individualizou-se: tem seu nome batismal conhecido de norte a sul do país. Entre todas as provas existentes ao longo da vida escolar, assim como os diferentes exames, concursos e seleções existentes na vida social, o vestibular é o mais conhecido. 12 Até as pessoas que podem não saber bem as diferenças entre o curso superior e outro curso qualquer de formação profissional, conhecem o vestibular. Além de alimentar toda a rede privada de ensino básico e superior, o vestibular também foi responsável pelo surgimento de uma verdadeira indústria de cursinhos preparatórios chamados pré-vestibulares. Para quem pretende cursar a faculdade e não passou no vestibular, resta-lhe o cursinho. A contradição é que as universidades públicas, que produzem o conhecimento com mais condições de validade, atualizados e com reconhecida qualidade, são as mesmas que favoreceram e reforçaram, ao longo do tempo, o vestibular como a forma tradicional de avaliar os conhecimentos disciplinares de quem conclui o ciclo básico. Por muitos anos, as questões do vestibular, ao valorizarem o conteúdo, favoreceram a competência da simples memorização. Não estimulavam uma compreensão mais verticalizada dos conteúdos, a transdisciplinaridade dos saberes, sua relação dos conhecimentos com a vida prática, nem o desenvolvimento de um raciocínio crítico. Esse panorama começou a mudar ao longo da década de 1990. Com a instituição da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (nº. 9394, de 1996) que subsidiou um extenso processo de reformulação do Ensino Médio. Este processo acentua-se após 1998, com a criação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Em sua esteira, veio o Programa Universidade para Todos (ProUni), programa federal instituído em 2004 que passou a nota do ENEM para conceder bolsas integrais e parciais em cursos de graduação em universidades privadas. O Sistema de Seleção Unificada (SiSU), outro programa federal, instituído em 2009, disponibilizou, no primeiro semestre de 2010, 47 mil vagas no ensino superior público, também a partir da nota do ENEM. A Lei 9.394, de 1996 (LDB) representa um marco recente para se estudar a história do Ensino Médio no Brasil. Ao apresentar novas finalidades, a lei abriu caminho para uma nova organização curricular, iniciando o rompimento com as práticas arraigadas na tradição de nosso sistema de ensino/aprendizagem. O artigo 35 apresenta as novas finalidades do ensino médio: 13 o aprimoramento do educando como ser humano, sua formação ética, desenvolvimento de sua autonomia intelectual e de seu pensamento crítico, sua preparação para o mundo do trabalho e o desenvolvimento de competências para continuar seu aprendizado (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2006, p. 7). Para além da simples formação para o mercado de trabalho, a principal ênfase do ensino médio até então, as novas finalidades criaram novas demandas de organização curricular. Ele deveria ter uma base curricular nacional comum, mas sem prescindir de uma parte diversificada, para atender as especificidades regionais e locais da sociedade, cultura, economia e do próprio aluno (art. 26). A política curricular é entendida como expressão de uma política cultural, “na medida em que seleciona conteúdos e práticas de uma dada cultura para serem trabalhados no interior” da escola. Esta organização curricular deveria superar o isolamento da organização disciplinar, por meio do planejamento e desenvolvimento orgânico entre as várias disciplinas. Isto favoreceria uma nova organização curricular pautada pela contextualização dos saberes e por sua integração e articulação, ou seja, pela interdisciplinaridade. Respeitadas as normas comuns, a proposta pedagógica deveria ser elaborada e executada pelos estabelecimentos de ensino, por meio da participação direta dos próprios docentes. Assim, a escola seria pensada a partir de sua própria realidade, privilegiando o trabalho coletivo (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2006, p.7-8). A construção desse currículo deveria afirmar o valor histórico-social do conhecimento, assim como reconstruir os procedimentos envolvidos em sua produção, ou seja, teria valorizada a sua dimensão epistemológica. Fomentando esses debates, o Ministério da Educação, por meio de sua Secretaria de Educação Básica, passou a publicar, ao longo da década de 2000, uma série de documentos voltados à discussão da reformulação do currículo do Ensino Médio8. No ano de 2000, publicou os Parâmetros Curriculares Nacionais para o 8 Segundo os documentos ministeriais, em sua primeira etapa, o projeto contou com a participação de professores universitários de várias instituições brasileiras, que atuaram como consultores. Posteriormente, os técnicos que participavam do projeto reuniram-se com representantes de todas as secretarias estaduais de educação. Os documentos foram debatidos nos estados envolvendo professores e técnicos que atuavam no Ensino Médio. Após a incorporação dessas críticas, os documentos foram, então, submetidos aos secretários da educação. A primeira versão da proposta de reforma curricular foi coordenada pela professora Eny Marisa Maia e elaborado no âmbito do Departamento de 14 Ensino Médio, documento no qual são apresentada as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, dividido e organizado em acordo com o currículo de estabelecido para a Educação Básica no Brasil: I. Linguagem, códigos e suas tecnologias; II. Ciências da natureza, matemática e suas tecnologias e III. Ciências humanas e suas tecnologias9. Cada uma dessas áreas recebeu publicações específicas. Em 2000, é publicado os Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio. Ciências Humanas e suas Tecnologias. Este documento é o primeiro a discutir pontualmente as novas competências e habilidades específicas para o ensino de história. Em 2002, é publicado o PCN+ Ensino Médio: orientações educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Ciências Humanas e suas Tecnologias. Quatro anos depois, em 2006, temos uma nova publicação: as Orientações Curriculares para o Ensino Médio: Ciências Humanas e Suas Tecnologias. Este conjunto de publicações, decorrentes da instituição da LDB (1996), a criação do ENEM (1998), a implantação do ProUni (2004) e o SiSU (2010) são fatores que somados diminuíram, paulatinamente, os poderes do vestibular. Tal processo culminou, em 2009, com a apresentação da proposta do ministro da educação, Fernando Hadadd, em unificar o processo de ingresso em todas as universidades públicas brasileiras utilizando por meio do ENEM. No processo de enfraquecimento social do vestibular tradicional, que claramente deve ser celebrado como um estímulo à democratização do acesso à Desenvolvimento da Educação Média e Tecnológica, dirigido à época por Ruy Leite Berger Filho. Em 1997, a proposta de reforma curricular foi apresentada por este diretor num debate organizado pelo jornal Folha de São Paulo. Em julho deste ano, o documento foi encaminhado ao Conselho Nacional de Educação (CNE), solicitando o respectivo parecer. A relatora foi a professora Guiomar Namo de Mello. Em junho de 1998, o CNE aprova o documento de reforma curricular do Ensino Médio (Parecer da Câmara de Educação Básica (CEB)/CNE nº 15/98. Na seqüência, procedeu-se à elaboração das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (Resolução CEB/CNE nº 03/98). (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2000, p.7-8). 9 Foi para facilitar o desenvolvimento dos conteúdos a partir de uma perspectiva interdisciplinar e contextualizada que o currículo foi organizado por essas grandes áreas do conhecimento (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2000, p.7). 15 formação universitária pública, não podemos deixar de elencar, também, a instituição das cotas para acesso nas Universidades públicas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARONI, J. M. B. Acesso ao ensino superior público: realidade e alternativas. 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