Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo: desigualdades e indicadores para as Políticas Sociais Financiamento FINEP – FNDTC/NEPP/Regiões Metropolitanas Estudos Regionais Pólo Econômico de Ribeirão Preto Organizadores: Claudio Dedecca, Lilia Montali, Rosana Baeninger Março/2009 FINEP/NEPP/NEPO/IE UNICAMP Pólo Econômico de Ribeirão Preto Pólo Econômico de Ribeirão Preto 2 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO .................................................................................................................. 5 CAPÍTULO 1 – ECONOMIA E MERCADO DE TRABALHO ............................................................ 7 Claudio Dedecca CAPÍTULO 2- DINÂMICA DEMOGRÁFICA ................................................................................29 Rosana Baeninger e Claudia Gomes de Siqueira Introdução ....................................................................................................................29 Evolução da População ................................................................................................34 Tendência do crescimento da população......................................................................39 Movimentos Migratórios Inter e Intra-Regionais............................................................54 Estrutura Etária – RG de Ribeirão Preto .......................................................................70 Referências Bibliográficas ............................................................................................79 ANEXO I - Municípios do Pólo Regional de Ribeirão Preto...........................................80 CAPITULO 3 - A QUESTÃO SOCIAL NO PÓLO RIBEIRÃO PRETO ..............................................81 Lilia Montali, Eugenia Troncoso Leone e Stella B. Silva Telles 1. Renda, Pobreza e Desigualdade no Pólo Regional de Ribeirão Preto ......................81 2. Mudanças no domicílio, na inserção domiciliar no mercado de trabalho e as políticas sociais ..........................................................................................................................90 2.1. Mudanças nos arranjos domiciliares: configurações e tamanho.............................92 2.2. Mudanças nos arranjos domiciliares de inserção no mercado de trabalho e na provisão dos domicílios. .............................................................................................104 2.3. Arranjos domiciliares mais suscetíveis ao empobrecimento.................................115 2.4 A mulher e a renda dos domicílios: 1991-2000 .....................................................130 3. Políticas Sociais no Pólo de Ribeirão Preto ............................................................141 3.1. Os programas de transferência de renda no Pólo Regional de Ribeirão Preto Mapeamento e Acesso ...............................................................................................141 3.2. Educação Básica no Pólo Regional de Ribeirão Preto .........................................159 3.3. Atenção Básica à Saúde e Acesso às Ações e Serviços de Saúde .....................177 Referências Bibliográficas ..........................................................................................191 Pólo Econômico de Ribeirão Preto 3 Pólo Econômico de Ribeirão Preto 4 Apresentação Nesses últimos 20 anos, a dinâmica socioeconômica paulista não mais se associa a dualidade região metropolitana – interior prevalecente até os anos 70. Novas regiões metropolitanas se consolidaram, outras se encontram em processo de formação e pólos regionais com algum grau de integração econômica vêm sendo constituídos. Essa nova configuração impõe tanto um melhor conhecimento da dinâmica espacial como a construção de instrumentos de política pública adequados da estrutura socioeconômica do Estado de São Paulo. A implantação de bases industriais em diversas regiões do interior do Estado e o revigoramento da atividade agrícola, nestes quase 30 anos, induziram um processo de transformação substantiva da configuração econômica e social do interior do Estado, que tem resultado em progressiva metropolização, bem como na constituição de diversos pólos econômicos com alguma integração e especialização no espaço local. Os desequilíbrios sociais hoje presentes no Estado exigem a construção de um diagnóstico mais integrado de sua diversidade regional, que apóie adequadamente a elaboração de políticas públicas mais consistentes para o desenvolvimento econômico e social paulista. Este projeto tem o propósito de produzir um mapa da dinâmica socioeconômica do Estado com foco nas regiões metropolitanas e em alguns pólos econômicos, que possibilite acesso estruturado e rápido à informação básica para a elaboração e implementação das políticas públicas para o desenvolvimento estadual. Três eixos temáticos são adotados na análise e no sistema informação produzidos: i. economia e trabalho, ii. dinâmica demográfica; e iii. proteção social. Os dois primeiros eixos articulam as dinâmicas econômica, social e demográfica. O último congrega, no âmbito das políticas públicas, o acesso dos segmentos específicos da população, a disponibilidade de equipamentos e de serviços pelos órgãos competentes e o perfil das recentes políticas de transferência de renda. Em suma, este projeto espera contribuir para a compreensão da complexidade econômica e social presente no Estado, bem como para o desenho e a gestão das políticas públicas voltadas para o Estado de São Paulo. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 5 Pólo Econômico de Ribeirão Preto 6 Capítulo 1 – Economia e Mercado de Trabalho1 O pólo de Ribeirão Preto, de acordo com a Fundação Seade, teve sua população residente estimada em aproximadamente 1,1 milhão de pessoas, para o ano de 2005. Do total da população do Estado de São Paulo, o pólo de Ribeirão Preto representa cerca de 4%, sendo que os municípios mais expressivos são Ribeirão Preto e Sertãozinho, com mais de 47% da população, o que indica que os dois municípios são importantes para se entender a conformação do mercado de trabalho, nesta região. A dinâmica demográfica e econômica dentro do Estado de São Paulo, na primeira metade da atual década, indica que o pólo apresentou uma taxa anual de crescimento populacional de 1,6%, ficando pouco acima da média das regiões consideradas no estudo. Apesar de não possuir uma participação elevada no total da população e do produto, esse pólo tem se mostrado uma peça importante, tanto em termos demográficos como em termos econômicos, no interior do estado de São Paulo. Centro importante da atividade agroindustrial, organizada a partir da cana de açúcar e da laranja, o pólo econômico de Ribeirão Preto tem progressivamente ampliado a complexidade de sua atividade produtiva, com o desenvolvimento tanto de atividades industriais como de serviços modernos. 1 Ficha Técnica: Coordenação: Claudio Dedecca, Auxiliares de pesquisa: Adriana Jungbluth, Cassiano Trovão, Camila Ribeiro, Fernando Hajime. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 7 Tabela 1 Evolução da População Residente Pólo de Ribeirão Preto, 2000-2005 Taxa anual de População total 2000 2005 crescimento Pólo de Ribeirão Preto 1.060.644 1.147.195 1,6 Altinópolis 15.481 16.574 1,4 Barrinha 24.207 27.242 2,4 Brodowski 17.139 18.874 1,9 Cajuru 21.085 22.045 0,9 Cássia dos Coqueiros 2.871 3.019 1,0 Cravinhos 28.411 31.605 2,2 Dumont 6.307 7.043 2,2 Guariba 31.085 32.486 0,9 Guatapará 6.371 6.877 1,5 Jaboticabal 67.408 71.505 1,2 Jardinópolis 30.729 34.311 2,2 Luis Antônio 7.160 7.853 1,9 Monte Alto 43.613 45.660 0,9 Pitangueiras 31.156 33.762 1,6 Pontal 29.681 33.333 2,3 Pradópolis 12.912 14.479 2,3 Ribeirão Preto 504.923 543.885 1,5 Santa Cruz da Esperança 1.796 1.891 1,0 Santa Rosa de Viterbo 21.435 22.438 0,9 Santo Antônio da Alegria 5.764 6.106 1,2 São Simão 13.675 14.591 1,3 Serra Azul 7.446 8.132 1,8 Serrana 32.603 37.706 3,0 Sertãozinho 94.664 102.953 1,7 Taquaral 2.722 2.825 0,7 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Fundação Seade. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Como já apontado, os municípios mais representativos, em termos populacionais, apresentaram taxas de crescimento anuais da ordem de 1,5% para Ribeirão Preto e 1,7% para Sertãozinho. Ambos tiveram taxas anuais de crescimento superiores à média do Estado e da RM de São Paulo, indicando que o pólo tende ampliar sua participação na população do estado. Deve-se destacar ainda que participação do pólo na atividade econômica do Estado de São Paulo mostra-se significativa e apresenta uma tendência de crescimento, com aumento da participação, acompanhando o movimento de recente recuperação da economia brasileira. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 8 Gráfico 1 - Participação do Valor Adicionado e da População do Pólo de Ribeirão Preto nos Totais do Estado de São Paulo, Estado de São Paulo, 2002/2005 4,5 4,0 3,9 4,0 Valor Adicionado População 3,5 3,0 2,7 2,6 2,5 2,0 1,5 1,0 0,5 0,0 2002 2005 Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE; Fundação Seade. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Os dados sobre valor agregado indicam que o pólo tem acompanhado o movimento de recuperação econômica nacional, tendo na atividade industrial uma referência importante. Esse movimento fica mais aparente quando se analisa da evolução recente do valor adicionado das diversas regiões metropolitanas e pólos, que são objeto deste estudo, permitindo situar absoluta e relativamente o desempenho econômico do Pólo de Ribeirão Preto, no âmbito do Estado. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 9 Gráfico 2 - Taxas Anuais de Crescimento do Valor Adicionado, segundo Regiões Geográficas e Pólos Econômicos, Estado de São Paulo, 2002-2005 Total 3,0 Demais municípios 1,2 Presidente Prudente (0,3) Araçatuba 0,5 São José do Rio Preto 0,2 Bauru 4,2 Ribeirão Preto 3,8 RM de Campinas 5,6 Sorocaba 5,4 São José dos Campos (2,2) RM da Baixada Santista 2,0 RM de São Paulo 3,8 (3,0) (2,0) (1,0) - 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 7,0 Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE; Fundação Seade. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Ao longo da recuperação econômica recente da economia brasileira, o Estado de São Paulo conheceu um crescimento anual de seu produto interno bruto da ordem de 3% ao ano. O pólo de Ribeirão Preto apresentou um crescimento do valor adicionado de 3,8 %, ao ano, situando-se em patamar semelhante ao observado para a RM de São Paulo. Esse movimento pode se refletir positivamente na incorporação da crescente população no mercado de trabalho regional, principalmente no mercado formal, peça fundamental para a população que almeja melhores condições de inserção na atividade econômica. A recuperação da economia brasileira no período recente é de suma importância para entender as dinâmicas econômicas e do mercado de trabalho regionais. Ao focar o desempenho econômico do o pólo de Ribeirão Preto percebe-se um desempenho robusto do setor industrial robusto que apresentou uma expressiva taxa de crescimento do produto de, aproximadamente, 9%, ao ano entre 2002 e 2005. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 10 Gráfico 3 - Taxas Anuais de Crescimento do Valor Adicionado Pólo de Ribeirão Preto, 2002 - 2005 8,8 9,0 7,0 5,0 3,9 3,8 3,1 2,5 3,0 1,0 -1,0 -3,0 -5,0 -7,0 -9,0 -11,0 -10,0 Agroindústria Indústria Serviços Setor Privado Total Administração Pública Total Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE; Fundação Seade. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. O setor privado, em termos de produto, expandiu a uma taxa de 8,8% ao ano, entre 2002 e 2005, mesmo com a atividade agrícola apresentando uma perda significativa (10%), entre os setores. Nesse período, a atividade industrial, que representa quase um terço do produto total do pólo, foi a principal responsável pelo crescimento elevado da atividade econômica. A participação dos serviços nesse pólo é relevante e apresentou uma tendência de crescimento positivo, mostrando que esse setor, também, contribuiu de forma favorável para o crescimento do produto. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 11 Gráfico 4 - Composição do Valor Adicionado e da população, segundo municípios Pólo de Ribeirão Preto, 2005 Taquaral Sertãozinho Serrana Serra Azul São Simão Santo Antonio da Alegria Santa Rosa do Viterbo Santa Cruz da Esperança Ribeirão Preto Pradópolis Pontal Pitangueiras Monte Alto População Luís Antônio Jardinópolis Valor adicionado Jaboticabal Guatapará Guariba Dumont Cravinhos Cássia dos Coqueiros Cajuru Brodowski Barrinha Altinópolis (5,0) 5,0 15,0 25,0 35,0 45,0 55,0 Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE; Fundação Seade. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. A evolução do valor agregado apresentou diferenças importantes para os municípios que compõem o pólo. O gráfico 4 permite avaliar a dinâmica que existe entre população e produto. O município de Ribeirão Preto é aquele que apresenta a posição mais favorável no que se refere à participação do produto na estrutura da população. A conclusão a que se pode chegar é que esse município aparece em posição mais vantajosa, pois seu produto é relativamente superior ao contingente populacional, representando mais de 50% do valor agregado regional. No entanto, deve-se ter em mente que o crescimento do produto, e a ampliação da relação produto-população são importantes, pois implicam no crescimento do número de postos de trabalho, principalmente pela via da indústria, o que se pôde ser notado, no período. O fato relevante que se pode destacar é que o município de Ribeirão Preto, sozinho, representa mais de 53% de todo o valor adicionado da região, evidenciando prontamente uma ponderável disparidade entre estruturas produtivas municipais no pólo. Quanto aos Pólo Econômico de Ribeirão Preto 12 outros municípios pode-se perceber, no que tange à relação população-produto, um situação menos favorável. Tanto o crescimento da população em idade ativa quanto o da população economicamente ativa, ao longo dos anos 2000, aparecem como indicadores de que a região dependerá, em grande medida, de um bom desempenho da atividade econômica, afim de garantir tanto a absorção adequada da oferta de trabalho quanto viabilizar uma elevação das remunerações em seu mercado de trabalho. Os resultados do Censo Demográfico de 2000, no que tange a estrutura do mercado de trabalho, neste pólo, mostram que, juntos, os municípios de Ribeirão Preto e Sertãozinho, representam mais da metade da PIA e da PEA. Vale destacar a elevada participação do município de Ribeirão Preto, que apresenta cerca de 48% do total. Quando observadas as taxas de desemprego percebe-se que o principal município do pólo, com elevada participação do total da população economicamente ativa, apresenta um indicador de desemprego pouco abaixo da média, o que deve ser ressaltado, pois ele apresenta elevada concentração tanto em termos de população quanto em termos de atividade econômica. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 13 Tabela 2 Participação dos municípios, segundo indicadores de mercado de trabalho e taxas de desemprego Pólo de Ribeirão Preto, 2000 Taxa de PIA PEA Desemprego Pólo de Ribeirão Preto 100,0 100,0 13,2 Altinópolis 1,5 1,5 9,0 Barrinha 2,1 2,1 16,2 Brodowski 1,6 1,7 7,1 Cajuru 1,9 1,9 12,5 Cássia dos Coqueiros 0,3 0,3 2,0 Cravinhos 2,7 2,7 11,6 Dumont 0,6 0,6 9,1 Guariba 2,8 2,7 17,1 Guatapará 0,6 0,5 13,0 Jaboticabal 6,4 6,2 12,0 Jardinópolis 2,8 2,9 10,0 Luis Antônio 0,6 0,6 18,4 Monte Alto 4,2 4,2 11,7 Pitangueiras 2,8 2,6 18,0 Pontal 2,7 2,6 14,0 Pradópolis 1,2 1,1 17,8 Ribeirão Preto 48,4 49,0 12,6 Santa Cruz da Esperança 0,2 0,2 8,0 Santa Rosa de Viterbo 2,0 1,8 17,2 Santo Antônio da Alegria 0,6 0,5 6,1 São Simão 1,3 1,2 14,8 Serra Azul 0,7 0,6 14,6 Serrana 2,9 3,0 15,1 Sertãozinho 9,0 9,2 15,8 Taquaral 0,3 0,3 10,7 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Os municípios de Luis Antônio e Pitangueiras apresentam as maiores taxas de desemprego da região (aproximadamente 18%), indicando que os municípios ainda sofrem grandes dificuldades em absorver a oferta de mão-de-obra. Ademais, deve-se destacar que Serrana e Pontal, municípios com elevadas taxas de crescimento populacionais, apresentavam taxas de desemprego significativas, em 2000, aparecendo como locais, onde o crescimento econômico é decisivo para a incorporação de muitos trabalhadores ao mercado de trabalho. Uma recuperação do nível de atividade pode se traduzir em geração de novos postos de trabalho, mas pode também não atenuar os problemas de renda e mesmo aqueles do mercado de trabalho, em especial nos municípios com maior participação da PEA. A Pólo Econômico de Ribeirão Preto 14 recuperação econômica pode e certamente influencia positivamente o mercado de trabalho, o que reitera a importância de se pensar em ações de fomento à atividade econômica e à geração de empregos em uma perspectiva regional, que possa contemplar espacialmente a distribuição do produto. A questão migratória é importante para se observar o movimento conjunto da economia e do mercado de trabalho, em especial, quando se observam condições econômicas favoráveis e se estas serão capazes de favorecer uma maior absorção da população pelo mercado de trabalho e se este será capaz de garantir melhores remunerações. Tabela 3 Participação da população por município e por condição de migração Pólo de Ribeirão Preto, 2000 Natural Até 3 anos 4 a 9 anos 10 anos e mais Total Pólo de Ribeirão Preto 56,0 3,4 5,3 35,3 100,0 Altinópolis 62,2 2,5 5,5 29,8 100,0 Barrinha 49,6 5,7 7,7 36,9 100,0 Brodowski 64,3 2,7 4,1 28,9 100,0 Cajuru 72,2 2,1 3,7 22,1 100,0 Cássia dos Coqueiros 65,6 2,5 5,0 26,9 100,0 Cravinhos 63,5 2,5 4,2 29,7 100,0 Dumont 54,2 3,0 5,3 37,5 100,0 Guariba 56,5 2,8 5,5 35,2 100,0 Guatapará 60,2 3,2 5,4 31,3 100,0 Jaboticabal 62,2 2,2 2,8 32,8 100,0 Jardinópolis 66,2 2,6 3,9 27,2 100,0 Luis Antônio 38,3 8,4 10,7 42,6 100,0 Monte Alto 57,3 2,1 3,2 37,4 100,0 Pitangueiras 54,6 3,3 6,1 36,0 100,0 Pontal 51,9 7,1 9,6 31,4 100,0 Pradópolis 56,6 3,9 5,3 34,2 100,0 Ribeirão Preto 53,7 3,4 5,2 37,7 100,0 Santa Cruz da Esperança 56,0 2,3 7,5 34,2 100,0 Santa Rosa de Viterbo 65,3 2,3 3,0 29,5 100,0 Santo Antônio da Alegria 65,2 2,2 3,9 28,6 100,0 São Simão 60,0 3,9 4,7 31,4 100,0 Serra Azul 59,7 2,0 4,3 34,0 100,0 Serrana 47,9 6,1 10,4 35,6 100,0 Sertãozinho 55,3 3,7 5,9 35,1 100,0 Taquaral 48,2 3,6 4,6 43,6 100,0 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. O Censo demográfico de 2000 mostra que o pólo de Ribeirão Preto que população natural ou que reside em seus municípios a mais de 10 anos predomina sua estrutura populacional. Isto indica que a região, apesar de incorporar população migrante sazonal durante o período de corte da cana de açúcar, não apresenta tendência de reter esta Pólo Econômico de Ribeirão Preto 15 população, apresentando uma participação da população com residência recente não diferente da média do Estado. Analisando o Mercado de trabalho regional, observa-se que, de maneira geral, cerca de 67% dos trabalhadores do pólo de Ribeirão Preto estava inserida no mercado de trabalho formal. Por outro lado, constata-se que 1 de cada 3 ocupados encontrava-se tinham relação de trabalho informal. Tabela 4 Taxa de Formalização segundo Municípios e Intervalos decílicos de Renda Domiciliar Pólo de Ribeirão Preto, 2000 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º Total Pólo de Ribeirão Preto 48,1 59,0 62,5 63,4 65,5 66,2 70,2 71,8 75,0 79,6 67,9 Altinópolis 55,1 61,1 63,9 53,4 69,1 65,1 63,9 65,9 67,9 74,3 63,6 Barrinha 58,3 68,0 67,9 70,9 69,4 69,1 72,5 64,5 55,9 53,6 66,5 Brodowski 33,9 36,8 58,7 38,9 40,6 56,0 67,8 57,8 64,2 75,1 54,2 Cajuru 54,1 59,4 62,7 56,0 71,7 55,2 49,6 51,6 60,1 73,0 59,3 Cássia dos Coqueiros 32,6 44,2 48,0 34,3 66,6 43,4 52,3 80,4 87,7 85,4 51,0 Cravinhos 45,8 63,1 61,9 58,3 61,3 66,3 70,4 70,9 71,6 72,9 65,5 Dumont 46,4 65,1 70,2 54,3 68,2 61,6 66,8 58,3 56,0 52,5 60,6 Guariba 62,0 61,7 70,4 76,1 75,1 73,3 68,1 79,6 66,7 85,1 71,3 Guatapará 45,0 58,0 65,4 66,6 74,0 71,6 58,1 74,5 62,1 59,3 64,0 Jaboticabal 40,2 55,5 62,0 62,0 57,0 66,1 69,7 77,3 79,7 77,4 66,8 Jardinópolis 38,4 62,5 61,0 67,1 59,5 66,2 56,6 71,3 72,4 73,1 63,7 Luis Antônio 53,7 61,1 72,8 71,7 69,7 67,8 81,8 83,4 71,0 60,0 70,8 Monte Alto 39,8 51,4 59,5 60,2 63,1 63,2 64,2 73,0 76,2 81,2 64,1 Pitangueiras 55,6 63,4 69,3 67,5 77,2 60,9 68,9 71,3 79,3 82,9 68,6 Pontal 62,2 70,2 76,0 73,3 68,7 65,3 84,8 77,9 72,3 89,3 73,7 Pradópolis 52,9 49,2 68,5 66,9 70,8 68,1 65,2 72,0 79,4 82,2 68,2 Ribeirão Preto 42,6 55,9 59,6 62,3 66,7 68,5 71,0 72,7 77,0 80,3 69,9 Santa Cruz da Esperança 56,7 53,9 54,2 54,7 67,3 87,5 52,0 68,6 68,2 61,0 Santa Rosa de Viterbo 64,0 58,3 73,8 70,1 65,6 69,3 80,3 76,3 79,0 87,8 72,1 Santo Antônio da Alegria 39,5 25,7 26,9 40,2 40,7 45,5 42,1 52,9 55,7 67,4 40,8 São Simão 53,3 63,0 64,9 75,8 73,4 66,9 66,5 74,0 75,7 83,1 69,6 Serra Azul 64,8 73,7 63,1 73,7 74,3 64,7 58,8 62,4 73,6 75,4 67,6 Serrana 55,9 64,1 60,9 74,4 65,4 60,7 77,1 70,9 71,7 82,1 67,2 Sertãozinho 42,4 64,6 63,4 61,4 63,4 61,6 72,8 67,6 69,7 80,7 66,5 Taquaral 68,2 68,2 82,3 74,8 73,7 67,2 64,7 71,0 84,1 100,0 73,7 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Santo Antônio da Alegria e Cássia dos Coqueiros são municípios cuja atividade informal de trabalho mostrava-se muito elevada, em 2000, tendo aproximadamente metade dos ocupados dessas localidades sem contribuição para a previdência social. Já os municípios que apresentavam as maiores taxas de formalização eram os municípios de Pontal e Taquaral, cujas taxas ficavam próximas a 73%. O setor industrial aparece como um dos principais responsáveis pela geração de postos de trabalho formais, seja pela necessidade de formalização das empresas para obtenção de crédito, movimento atual e crescente na economia brasileira, seja pela própria eficácia de fiscalização da atividade industrial, que se mostra mais eficiente que na atividade dos serviços, por exemplo. Quando considerado o rendimento auferido, nota-se que quanto maior o estrato de renda menor é a proporção dos ocupados que se encontram no mercado informal de trabalho. Pode-se observar que os estratos inferiores apresentam baixas taxas de Pólo Econômico de Ribeirão Preto 16 formalização o que indica que municípios como Jardinópolis e Cássia dos Coqueiros apresentavam mais de 60% dos ocupados mais pobres como trabalhadores informais. Isso mostra que ocupações de baixa remuneração eram e são partes integrantes do setor informal da economia. Esse quadro tenderá a melhorar caso possa ser viável a sustentação do crescimento econômico e da recuperação do mercado de trabalho. Fazem-se necessárias algumas considerações sobre a configuração do desemprego, no início da década atual, quanto às classes de renda. Como apresentado anteriormente, o pólo de Ribeirão Preto apresentou elevadas taxas de desemprego, no entanto, a questão relevante que deve ser explicitada, refere-se às diferenças entre os estratos de renda. Nota-se tendência inexorável de que quanto menor a remuneração maior é a taxa de desemprego. Isso indica que o mercado de trabalho apresentava-se, em 2000, com problemas estruturais, pois a população com maiores dificuldades, em termos de remuneração, é aquela que mais sofre com a situação de elevado desemprego (tabela 5). Tabela 5 Taxa de Desemprego segundo Municípios e Decis de Renda Domiciliar Pólo de Ribeirão Preto, 2000 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º Total Pólo de Ribeirão Preto 34,2 23,4 18,6 14,2 12,3 12,0 10,1 8,4 6,7 4,5 13,2 Altinópolis 22,9 12,6 9,0 8,1 8,5 5,5 9,0 4,8 7,2 1,2 9,0 Barrinha 32,0 20,3 21,2 16,5 9,7 9,9 11,2 5,3 2,0 3,9 16,2 Brodowski 28,5 8,6 14,1 10,8 3,0 3,6 4,4 3,3 2,2 7,6 7,1 Cajuru 27,6 23,7 13,0 12,0 8,2 7,0 4,1 7,1 6,6 8,3 12,5 Cássia dos Coqueiros 1,9 2,3 4,3 8,8 7,0 3,8 2,0 Cravinhos 29,1 18,2 16,3 14,2 10,1 8,8 10,6 4,4 12,4 2,7 11,6 Dumont 27,7 18,4 9,6 7,0 8,7 14,5 5,3 3,3 1,2 4,0 9,1 Guariba 34,8 22,6 18,5 6,9 16,1 12,8 10,4 16,5 5,6 5,4 17,1 Guatapará 33,4 18,1 21,1 6,7 8,7 6,6 8,2 7,0 2,1 4,2 13,0 Jaboticabal 31,4 22,9 19,9 14,5 9,3 11,0 7,8 7,8 3,6 2,2 12,0 Jardinópolis 25,9 16,3 8,2 10,7 9,0 9,9 7,9 5,3 9,4 2,2 10,0 Luis Antônio 31,7 21,8 20,1 26,1 25,1 16,1 17,0 9,7 2,6 7,3 18,4 Monte Alto 34,9 21,9 17,6 11,7 8,4 10,4 6,3 5,8 3,0 4,1 11,7 Pitangueiras 34,8 23,7 21,1 12,2 15,8 12,8 17,4 9,3 6,3 8,5 18,0 Pontal 35,0 19,2 17,2 15,9 10,8 10,6 4,9 9,4 4,2 14,0 Pradópolis 38,7 21,3 18,1 21,6 16,6 15,4 14,4 16,0 10,8 17,8 Ribeirão Preto 38,2 27,5 20,6 15,3 12,3 12,5 10,7 8,4 7,0 4,6 12,6 Santa Cruz da Esperança 25,1 8,5 8,2 13,9 7,9 8,0 Santa Rosa de Viterbo 34,5 22,3 22,4 15,8 22,2 20,7 10,3 4,6 7,6 7,4 17,2 Santo Antônio da Alegria 5,6 12,1 5,3 7,8 2,0 6,0 3,5 6,7 5,7 2,1 6,1 São Simão 38,5 22,8 13,5 16,7 10,3 9,7 11,2 10,4 5,9 3,1 14,8 Serra Azul 35,6 18,2 13,8 16,4 7,3 5,0 6,2 4,9 7,9 14,6 Serrana 35,4 23,7 18,5 9,9 12,0 14,4 10,9 5,7 5,7 8,1 15,1 Sertãozinho 34,7 26,2 20,8 17,2 19,0 15,7 11,4 12,0 8,2 5,4 15,8 Taquaral 17,0 19,2 13,4 2,7 7,8 8,7 5,1 9,8 10,7 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Os primeiros e segundos intervalos decílicos, em média, apresentavam taxas de desemprego próximas a 30%, com alguns casos podendo chegar a quase 40%, situação muito grave, principalmente por que essas pessoas representam os 20% mais pobres da população. Já os 10% mais ricos da estrutura do mercado de trabalho deparam-se com uma taxa muito mais baixa de desemprego, inferiores a 5%, com exceção de municípios como Cajuru e Pitangueiras, onde os 10% mais ricos conviviam com uma taxa de desemprego significativa, acima de 8%, apesar destas serem muito menores que a taxa média do pólo. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 17 Em suma, pode-se perceber que há um forte indício de que as classes mais abastadas da população do pólo, percebem baixas taxas de desemprego. Em contraste, os mais pobres, mais precisamente os 20% que se encontram nas camadas mais baixas da população, aparecem de forma desfavorável sob a ótica do mercado de trabalho, em que se verificam taxas superiores a 20%. Outro indicador que se deve observar é a taxa de assalariamento, que representa a participação dos trabalhadores empregados sobre o total dos ocupados. Pode-se perceber que, em média, o pólo de Ribeirão Preto possuía, em 2000, mais de 60% dos seus ocupados sob a forma de remuneração assalariada. Tabela 6 Taxa de Assalariamento segundo Municípios e Decis de Renda Domiciliar (1) Pólo de Ribeirão Preto, 2000 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º Total Pólo de Ribeirão Preto 63,1 70,3 67,7 69,7 70,0 68,9 71,0 70,7 65,3 51,3 66,9 Altinópolis 77,1 80,2 78,8 75,5 72,1 77,4 64,6 65,2 52,0 49,0 71,2 Barrinha 74,7 78,6 67,1 76,7 76,2 77,1 76,1 69,5 55,4 44,5 72,6 Brodowski 89,1 69,9 81,0 65,7 67,1 63,6 66,8 59,9 61,4 48,5 66,3 Cajuru 71,6 80,9 63,2 63,3 73,1 65,1 58,6 57,5 45,4 45,2 64,0 Cássia dos Coqueiros 45,7 49,1 66,3 67,0 81,5 61,4 52,3 74,1 63,2 55,9 60,8 Cravinhos 68,8 78,4 68,8 75,7 76,6 68,6 69,9 72,6 67,1 52,9 70,3 Dumont 78,1 70,0 81,7 61,5 76,2 65,6 67,2 59,8 44,4 42,0 63,5 Guariba 75,9 72,6 73,5 80,3 83,1 78,3 75,4 77,7 64,7 40,9 75,3 Guatapará 76,9 87,8 80,8 80,2 92,7 78,0 78,4 65,1 45,3 25,2 75,1 Jaboticabal 53,7 68,7 63,1 66,2 58,1 70,7 73,6 70,4 65,4 51,5 64,8 Jardinópolis 50,5 67,9 66,2 73,0 68,9 72,6 58,9 67,9 57,8 35,3 64,5 Luis Antônio 72,2 75,3 71,9 69,5 78,3 72,3 82,0 85,9 72,2 69,9 75,4 Monte Alto 65,2 72,2 72,5 68,6 72,4 74,2 70,3 63,9 57,0 49,4 67,8 Pitangueiras 67,7 77,7 74,4 76,5 80,5 75,8 75,6 68,7 71,6 53,9 73,9 Pontal 79,7 79,4 76,8 78,0 71,7 68,8 79,8 77,9 68,6 53,2 74,8 Pradópolis 63,6 62,1 68,2 71,2 72,7 68,7 70,1 68,0 73,9 52,6 68,6 Ribeirão Preto 53,6 63,0 62,7 65,5 68,1 67,5 69,8 71,8 66,9 52,0 64,9 Santa Cruz da Esperança 47,7 80,9 59,5 71,8 59,6 92,3 64,0 79,1 55,5 65,4 Santa Rosa de Viterbo 74,7 71,7 83,0 70,2 71,2 75,0 80,3 66,6 58,2 46,2 70,9 Santo Antônio da Alegria 71,2 69,9 70,6 64,0 65,8 59,6 58,7 65,2 38,8 40,9 62,6 São Simão 72,7 76,9 68,0 74,3 78,6 61,7 68,8 58,2 56,4 68,8 68,4 Serra Azul 69,1 74,9 71,8 78,7 76,7 78,6 65,3 75,1 46,6 31,3 71,2 Serrana 64,3 71,6 63,0 76,5 66,7 60,5 75,2 68,5 63,3 61,0 67,4 Sertãozinho 59,3 73,1 72,8 72,4 68,8 67,3 77,1 72,6 66,2 50,8 68,4 Taquaral 85,3 94,3 78,8 89,4 90,6 63,4 56,2 30,5 47,2 28,9 79,8 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. (1) Assalariados, exclusive o emprego doméstico, no total da população ocupada. No entanto, não se pode identificar uma lógica geral, no que se refere à distribuição das taxas de assalariamento, por classes de renda. Porém, cabe destacar que as baixas taxas encontradas no estrato mais rico se devem ao fato de que muito dos ocupados encontram-se sob a condição de empregador, por tanto, não podem estar inseridos na ocupação que aufere ganhos provenientes de salários. Diferenças entre classes de rendimentos também podem ser observadas, tanto no âmbito do mercado de trabalho, quanto no que se refere à questão das condições de vida da população, mais precisamente, o acesso a bens públicos como no caso do tratamento geral de esgoto. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 18 Tabela 7 Porcentagem de Domicílios com Rede Geral de Esgotamento Sanitário Pólo de Ribeirão Preto, 2000 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º Total Pólo de Ribeirão Preto 90,2 89,3 91,9 92,9 94,5 95,6 97,0 97,7 98,0 96,5 94,4 Altinópolis 73,8 69,8 73,5 82,7 84,9 85,4 86,8 96,4 95,8 95,3 81,9 Barrinha 99,0 96,3 97,6 99,0 98,6 100,0 100,0 96,5 100,0 92,8 98,2 Brodowski 91,0 85,4 88,6 95,4 95,9 91,9 94,8 98,9 100,0 95,0 94,0 Cajuru 74,9 74,0 82,7 87,8 79,6 87,4 81,4 93,6 93,9 93,0 83,1 Cássia dos Coqueiros 57,4 38,2 40,2 52,8 45,0 66,7 84,0 72,7 79,9 71,5 54,6 Cravinhos 93,4 87,2 94,2 90,1 98,7 99,1 100,0 96,8 96,3 98,7 95,4 Dumont 95,5 76,9 93,7 98,2 98,0 83,1 96,3 97,8 100,0 84,4 92,7 Guariba 95,5 91,3 93,0 93,5 93,4 95,6 100,0 97,4 100,0 84,1 94,4 Guatapará 78,1 67,2 75,0 76,5 76,8 81,4 77,1 62,6 64,6 28,2 72,1 Jaboticabal 95,9 89,4 91,1 93,7 97,4 96,6 96,7 97,1 99,6 96,4 95,2 Jardinópolis 85,4 84,6 95,0 94,3 93,3 95,1 95,8 96,9 97,5 95,8 93,0 Luis Antônio 85,0 80,2 88,6 87,4 83,2 97,3 97,8 93,9 100,0 94,8 90,4 Monte Alto 93,1 89,7 86,5 92,3 93,6 94,5 96,3 94,9 95,5 97,9 93,1 Pitangueiras 93,4 91,6 92,5 97,9 93,4 95,8 98,7 95,0 92,4 97,2 94,5 Pontal 92,0 95,2 93,7 93,5 96,1 99,0 97,6 98,0 95,9 96,8 95,4 Pradópolis 93,8 90,8 94,5 96,0 96,9 96,6 98,2 98,7 97,9 100,0 96,1 Ribeirão Preto 89,7 91,5 93,2 93,4 95,5 96,3 97,9 98,5 98,5 97,3 95,8 Santa Cruz da Esperança 47,6 59,7 63,8 74,6 61,2 63,5 76,3 100,0 68,6 56,7 62,9 Santa Rosa de Viterbo 92,8 93,9 96,4 97,9 96,0 94,6 95,9 98,2 100,0 100,0 96,1 Santo Antônio da Alegria 74,4 55,8 76,8 74,6 80,4 68,8 73,6 70,5 79,9 81,3 71,9 São Simão 89,9 80,5 85,6 87,1 92,2 94,4 98,5 96,9 96,8 91,2 90,5 Serra Azul 86,3 83,7 94,2 89,3 92,7 82,0 92,5 96,6 80,1 92,1 88,7 Serrana 97,3 100,0 98,9 95,2 95,6 98,9 97,2 97,6 100,0 100,0 97,7 Sertãozinho 90,3 90,6 94,2 92,5 94,8 96,5 96,7 98,3 98,8 95,5 94,9 Taquaral 88,6 83,0 95,5 84,5 100,0 91,1 100,0 100,0 100,0 54,3 90,0 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Os dados do Censo de 2000 pressupõem que esta questão é importante para se entender as nítidas e presentes divergências e diferenças entre as diversas classes de renda. O que se pode perceber é que a população mais pobre apresenta dificuldades diversas de acesso aos bens necessários para que se tenha uma melhor qualidade de vida. No entanto, o pólo de Ribeirão Preto, apresenta uma das melhores situações entre todas as regiões do estudo, pois, mesmo a parcela dos 10% mais pobres da população apresentava nível elevado de acesso à rede geral de esgoto. Porém, algumas diferenças ainda podem ser vistas entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres. Os mais pobres do pólo de Ribeirão Preto possuem cerca de 90% de pessoas com acesso ao esgotamento geral, enquanto que para os mais ricos esse valor sobe para 96,5%, indicando assim, suave disparidade entre classes de renda. Em 2000, a taxa de emprego formal no pólo correspondia a 47,8%, o que significa que, pouco mais da metade da população da região encontrava-se fora do mercado de trabalho assalariado formal. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 19 Tabela 8 Taxa de crescimento do emprego formal, número de estabelecimentos e tamanho médio do estabelecimento Pólo de Ribeirão Preto, 2000 - 2005 Emprego formal Taxa de Taxa anual Número de Tamanho médio do emprego formal 2000 2005 de estabelecimentos estabelecimento (1) crescimento 2005 2005 Pólo de Ribeirão Preto 47,8 210.951 265.679 4,7 27.407 10 Altinópolis 37,3 2.589 3.066 3,4 511 6 Barrinha 12,7 1.117 2.590 18,3 252 10 Brodowski 27,2 2.222 2.917 5,6 436 7 Cajuru 27,0 2.232 3.022 6,2 553 5 Cássia dos Coqueiros 24,6 302 498 10,5 109 5 Cravinhos 29,6 3.643 5.587 8,9 647 9 Dumont 32,8 875 1.139 5,4 139 8 Guariba 40,5 4.617 6.354 6,6 453 14 Guatapará 30,1 693 809 3,1 133 6 Jaboticabal 49,6 13.681 17.373 4,9 1.738 10 Jardinópolis 40,6 5.339 6.012 2,4 760 8 Luis Antônio 133,0 3.478 4.353 4,6 188 23 Monte Alto 41,8 7.865 9.982 4,9 1.231 8 Pitangueiras 34,6 3.794 5.139 6,3 467 11 Pontal 31,3 3.644 5.419 8,3 495 11 Pradópolis 81,1 3.906 5.003 5,1 204 25 Ribeirão Preto 53,3 116.194 141.514 4,0 15.064 9 Santa Cruz da Esperança 24,7 196 194 (0,2) 34 6 Santa Rosa de Viterbo 48,3 3.686 4.530 4,2 500 9 Santo Antônio da Alegria 18,4 452 789 11,8 212 4 São Simão 38,7 1.988 2.986 8,5 292 10 Serra Azul 25,2 685 596 (2,7) 108 6 Serrana 38,1 4.978 6.643 5,9 471 14 Sertãozinho 57,8 22.618 28.937 5,1 2.369 12 Taquaral 13,4 157 227 7,7 41 6 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE e Relação Anual de Informações Sociais 2000 e 2005. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. (1) Emprego formal informado pela RAIS sobre o total da ocupação encontrada no Censo Demográfico O indicador de taxa de emprego formal refere-se aos dados obtidos na RAIS sobre o total da população que pode ser encontrada no Censo. Pode-se perceber que apenas os municípios de Pradópolis, Ribeirão Preto, Sertãozinho e Luis Antônio apresentaram mais da metade da sua população residente trabalhando formalmente no município. A relação Anual de Informações Sociais (RAIS) permite mostrar a evolução do emprego formal, entre os anos de 2000 e 2005, segundo município. Em média, no pólo de Ribeirão Preto o número de empregos formais cresceu 4,7% a.a., entre 2000 e 2005, merecendo destaque as cidades de Barrinha, Santo Antônio da Alegria e Cássia dos Coqueiros, que apesar de representar uma pequena parcela dos trabalhadores formais do pólo cresceram, em número de empregos formais, a taxas significativas e superiores a 10% a.a. Apenas Santa Cruz da Esperança e Serra Azul apresentaram taxas negativas de crescimento do emprego formal, no período. No que se refere à dimensão das empresas que compõem os seus mercados de trabalho, os municípios que possuem empresas cujos tamanhos médios, em número de funcionários, encontram-se acima de 20 funcionários foram, em 2005, Pradópolis e Luis Pólo Econômico de Ribeirão Preto 20 Antônio, o que indica que estes apresentam em seu mercado de trabalho empresas de maior porte. A questão relevante que deve ser levantada diz respeito ao fato de que o emprego formal tem crescido consideravelmente, apesar da maioria dos municípios conviverem com taxas de desemprego respeitáveis e taxas de emprego formal muito aquém do desejável. O incremento do número de empregos formais, ao longo da presente década, revela algumas dinâmicas importantes: uma caracterizada pelo incremento da população economicamente ativa; outra determinada pelo aumento da ocupação em geral; e, por fim, a dinâmica de crescimento do emprego formal. Estas questões parecem não apresentar especificidades espaciais, pelo contrário, nota-se que há a possibilidade de se ter um elevado crescimento do emprego formal pari passu a uma alta taxa de desemprego e a uma contração considerável do produto, movimentos observados com grande peso na maioria dos municípios da região. O Mercado de trabalho do pólo de Ribeirão Preto possui uma configuração complexa em termos de ocupação e desemprego, que se reflete nas informações obtidas sobre a renda. Há disparidades entre os municípios, mas o que mais chama a atenção é o fato de que todos os municípios com exceção de Ribeirão Preto, apresentaram rendas médias abaixo da média do pólo como um todo, de acordo com o Censo Demográfico, em 2000. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 21 Gráfico 5 - Rendimento médio, Pólo de Ribeirão Preto, 2000 782 Pólo de Ribeirão Preto 435 Taquaral Sertãozinho 754 Serrana 486 Serra Azul 486 577 São Simão 458 Santo Antônio da Alegria Santa Rosa de Viterbo 629 Santa Cruz da Esperança 498 Ribeirão Preto 943 599 Pradópolis 622 Pontal 533 Pitangueiras Monte Alto 658 Luis Antônio 675 Jardinópolis 625 730 Jaboticabal Guatapará 522 Guariba 524 Dumont 729 Cravinhos 621 453 Cássia dos Coqueiros 552 Cajuru Brodowski 567 Barrinha 483 Altinópolis 527 - 200 400 600 800 1.000 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE e Relação Anual de Informações Sociais 2000 e 2005. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. A Renda média do pólo (R$ 782,00) encontra-se muito abaixo da observada na RM de São Paulo, cujo valor estava em torno de R$ 1.028,00, em valores correntes. Vale Pólo Econômico de Ribeirão Preto 22 destacar que na maioria dos municípios da região de Ribeirão Preto, o rendimento era bem menor que a metade da média da RMSP, o que mostra que há dificuldades a serem enfrentadas pelo mercado de trabalho, e que o crescimento econômico, em especial o da indústria pode ser uma fonte positiva para o problema. Diversos municípios encontravam-se em situação desfavorável em termos de renda média, não alcançando 500 reais, em valores correntes de 2000. O município de Ribeirão Preto, fonte do maior número de ocupados e de população, é aquele que melhor aparece em termos de rendimento médio, R$ 943,00, apesar de ficar abaixo do rendimento médio da RMSP. Outra questão relevante para se entender a dinâmica da renda no interior do mercado de trabalho da região é a distinção entre salários e rendimentos médios, que apresentam divergências intermunicipais. Os rendimentos dizem respeito ao rendimento médio revelados pelo Censo Demográfico e abarca o total da ocupação residente em cada município, já os salários referem-se aos ganhos do trabalho formal, no ambiente de trabalho. Tabela 9 Indicadores de Rendimento Médio, Salário Médio, Massa Total de rendimentos e Massa Total de Salários (1) Pólo de Ribeirão Preto, 2000 - 2005 2000 2000 Crescimento Crescimento Massa Total de anual da Massa Salário Médio / anual do Salário Massa Total Rendimento Salário Massa Total Salários / Massa Real de Salários Rendimento Médio Real 2000de de Salários Médio Médio Total de 2000-2005 2005 Médio Rendimentos Rendimentos Pólo de Ribeirão Preto 782 708 90,5 -1,0 345.387.504 149.362.539 43,2 3,7 Altinópolis 527 378 71,6 1,2 3.661.596 977.511 26,7 4,7 Barrinha 483 485 100,4 -1,9 4.257.162 541.769 12,7 16,1 Brodowski 567 534 94,1 -4,3 4.626.720 1.185.544 25,6 1,1 Cajuru 552 464 84,1 0,1 4.570.008 1.035.894 22,7 6,3 Cássia dos Coqueiros 453 427 94,3 -4,1 555.831 128.985 23,2 5,9 Cravinhos 621 578 93,1 0,1 7.630.227 2.106.460 27,6 9,0 Dumont 729 494 67,8 -0,1 1.946.430 432.530 22,2 5,3 Guariba 524 608 116,0 -0,6 5.974.124 2.806.946 47,0 5,9 Guatapará 522 467 89,5 -2,6 1.203.732 323.596 26,9 0,5 Jaboticabal 730 739 101,2 -1,6 20.150.190 10.103.810 50,1 3,2 Jardinópolis 625 557 89,2 0,7 8.219.375 2.974.840 36,2 3,1 Luis Antônio 675 971 143,9 0,4 1.765.125 3.377.291 191,3 5,0 Monte Alto 658 627 95,3 -1,6 12.387.508 4.930.607 39,8 3,3 Pitangueiras 533 614 115,2 -1,4 5.852.340 2.330.540 39,8 4,8 Pontal 622 714 114,7 -1,4 7.245.056 2.600.122 35,9 6,7 Pradópolis 599 671 112,0 2,4 2.884.784 2.619.570 90,8 7,6 Ribeirão Preto 943 767 81,3 -1,7 205.457.068 89.065.514 43,3 2,2 Santa Cruz da Esperança 498 517 103,9 -3,2 394.416 101.416 25,7 -3,4 Santa Rosa de Viterbo 629 621 98,8 1,1 4.802.415 2.290.240 47,7 5,3 Santo Antônio da Alegria 458 406 88,7 -2,3 1.124.390 183.548 16,3 9,3 São Simão 577 453 78,5 0,9 2.962.895 901.002 30,4 9,5 Serra Azul 486 407 83,8 3,6 1.319.004 278.815 21,1 0,8 Serrana 486 555 114,2 2,4 6.348.132 2.763.883 43,5 8,5 Sertãozinho 754 674 89,3 2,1 29.483.662 15.236.451 51,7 7,3 Taquaral 435 418 96,1 -1,1 508.080 65.655 12,9 6,5 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE e Relação Anual de Informações Sociais 2000 e 2005. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. (1) Os dados sobre rendimentos tem como fonte o Censo Demográfico e aqueles de salários a Relação Anual de Informações Sociais O que se pode notar é uma certa heterogeneidade entre os municípios da região, pois alguns apresentavam uma relação entre salário médio e rendimento médio superior a Pólo Econômico de Ribeirão Preto 23 100%, o que significa que os ganhos do trabalho formal mostraram-se superiores aos ganhos médios do total da ocupação, no início da década. Em suma, os dados ressaltam uma configuração heterogênea da estrutura de renda no interior do pólo, além de identificar o papel diferenciado da dinâmica do mercado formal de trabalho para a composição da renda dos municípios. O município exemplo mais expressivo dessa dinâmica foi Luis Antônio, cuja relação entre salário médio e rendimento médio foi superior a 140%. Nesse sentido, o setor formal pode contribuir positivamente para o comportamento do rendimento médio, na medida em que o emprego gerado abarque parcela crescente da população residente do próprio município. Por outro lado, em vários outros municípios, o setor formal contribuiu menos para a composição da renda, indicando que de forma geral o mercado de trabalho da região apresenta uma estrutura de remunerações complexa, em que os rendimentos médios mostram-se maiores que os salários médios. Esse fato indica que esses municípios sofrem menos influência do crescimento do emprego formal para a recuperação do mercado de trabalho como um todo. Considerando-se apenas o segmento formal do mercado de trabalho, pode-se perceber que este apresentou, em média, uma tendência desfavorável à evolução do salário médio real, caindo cerca de 1% a.a., durante todo o período. Porém, observam-se diferenças no seu interior. Os municípios que mais perderam em termos reais de salários foram: Brodowski e Cássia dos Coqueiros, mais de 4% ao ano. Há uma tendência de aproximação dos salários médios, aqueles obtidos a partir do trabalho formal, aos rendimentos médios, aqueles obtidos sob qualquer forma de trabalho, pois pode se verificar que, ao longo do período, diversos municípios que apresentaram relações elevadas entre salários e rendimentos sofreram perdas significativas reais de salário médio. Esse movimento traduz os problemas a serem enfrentados quanto à estrutura de remunerações, principalmente do emprego formal, que apesar de ter crescido significativamente durante todo o período, sofreu uma tendência de queda, em termos de salário real. Em síntese, pode-se afirmar que a recuperação recente da economia pode incentivar e melhorar a situação do mercado de trabalho e o crescimento do número de trabalhadores formais, o que, não necessariamente, implica numa reestruturação desse mercado. A dinâmica geral e mais importante que deve ser apreendida, no que concerne à estrutura e à configuração da renda no mercado de trabalho do pólo de Ribeirão Preto, entre Pólo Econômico de Ribeirão Preto 24 2000 e 2005, é um duplo movimento: por um lado observa-se uma queda no salário real médio e por outro há um considerável incremento na massa real de salários. Esse duplo movimento, que está na base da dinâmica da renda, desse período, revela que o crescimento do emprego formal, e não o aumento dos salários foi o determinante do incremento da massa de salários, na composição da renda da região. Em síntese, pode-se perceber que se o crescimento significativo do produto se sustentar ao longo do tempo e se houver uma elevação nos níveis de rendimentos e/ou de salários acompanhada pela recuperação do mercado formal de trabalho, poderá haver uma ampliação significativa da massa total de rendimentos/salários e do bem-estar da sociedade. Após a exploração das dimensões gerais do mercado de trabalho, algumas considerações devem ser feitas a respeito da dinâmica do mercado de trabalho regional, sob a ótica da estrutura setorial da atividade econômica. De maneira geral, como já mencionado anteriormente, o pólo de Ribeirão Preto, no que tange a estrutura setorial de emprego, apresenta um volume significativo de trabalhadores no setor industrial, o que representa 23,5% do mercado formal de trabalho da região. O setor de Serviços (inclusive comércio) também tem um papel importantíssimo, pois é responsável por mais de 50% do total do emprego. Deve-se destacar que é de suma importância a observação das diferenças entre os municípios, pois algumas características específicas do mercado formal de trabalho regional revelam a possibilidade de se avaliar a relevância das dimensões da participação de cada setor de atividade, na composição da estrutura municipal do mercado de trabalho, indicando possíveis alvos de políticas públicas de emprego e de valorização do mercado de trabalho. A dimensão não desprezível da participação da indústria de transformação, em alguns municípios do pólo, que, segundo a RAIS, continua tendo seu nível de emprego crescendo durante o período analisado, em um ambiente de crescimento econômico elevado, aponta para a importância de se estimular o crescimento econômico, como forma de incorporação de parte da população ao mercado de trabalho. De modo geral, o setor de serviços, que apresenta muita relevância na estrutura do mercado de trabalho, percebeu uma tendência de crescimento do nível de emprego formal, durante todo o período, muito significativa, porém pouco inferior a indústria. Ademais, tal movimento foi reiterado e fortalecido pelo setor comercial, que apresentou uma significante taxa de crescimento de 7,5% a.a. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 25 Tabela 10 Estrutura e crescimento anual do número de trabalhadores do mercado de trabalho formal, segundo municípios e setores de Pólo de Ribeirão Preto, 2005 Estrutura de emprego, 2005 Indústria de Transformação Pólo de Ribeirão Preto Altinópolis Barrinha Brodowski Cajuru Cássia dos Coqueiros Cravinhos Dumont Guariba Guatapará Jaboticabal Jardinópolis Luis Antônio Monte Alto Pitangueiras Pontal Pradópolis Ribeirão Preto Santa Cruz da Esperança Santa Rosa de Viterbo Santo Antônio da Alegria São Simão Serra Azul Serrana Sertãozinho Taquaral 23,2 2,0 2,7 40,5 23,5 15,0 34,4 46,6 54,4 5,5 26,6 20,6 25,8 43,1 25,5 16,2 75,6 11,9 2,6 50,5 10,6 37,0 2,5 51,0 43,9 2,6 Servicos Ind. Construção de Util. Comércio Civil Pública 0,3 3,6 23,9 0,1 1,1 14,8 0,0 10,5 31,9 1,3 17,7 0,9 1,1 16,4 0,2 1,6 2,6 0,1 5,9 16,2 0,5 12,3 0,5 2,3 16,3 8,9 1,0 4,9 19,6 0,2 0,1 0,1 0,2 2,4 0,1 2,4 0,1 0,1 - 0,8 1,6 1,2 0,3 0,3 2,8 4,8 0,3 0,6 1,1 1,7 0,4 1,9 - 19,0 4,3 22,6 11,1 17,3 8,7 29,2 5,7 18,4 8,7 17,4 14,3 13,9 21,6 17,6 Serviços Administração Pública 33,0 25,0 24,1 11,6 22,1 2,4 20,1 11,9 9,5 9,9 29,9 10,9 14,1 29,0 19,2 18,1 43,9 11,4 13,9 14,2 27,5 13,0 Agropecuária, Extração Vegetal 5,1 42,9 1,9 9,9 17,9 34,2 11,9 14,8 2,9 48,1 5,0 32,7 28,4 16,0 19,6 24,7 4,8 43,7 3,6 11,9 13,4 19,4 11,4 11,3 23,2 3,5 16,4 11,4 12,0 17,0 15,0 7,7 9,1 62,9 11,8 30,3 17,5 44,3 15,1 6,7 62,1 10,2 28,6 4,9 26,5 26,5 0,4 1,0 25,3 4,7 36,2 7,4 23,4 8,2 2,7 14,1 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Crescimento anual, 2000-2005 Pólo de Ribeirão Preto 8,8 1,4 4,4 7,5 5,1 2,9 (11,3) 4,7 Altinópolis (2,7) 6,5 19,3 (2,4) (0,5) 3,5 Barrinha (4,3) (19,7) 13,2 16,4 25,4 32,5 (14,8) 18,3 Brodowski 6,9 (100,0) (6,8) 5,0 4,2 8,1 2,0 5,6 Cajuru 1,3 13,9 11,4 7,6 (0,3) 5,7 Cássia dos Coqueiros 89,9 5,4 11,4 8,1 5,1 10,4 Cravinhos 14,6 5,2 11,7 1,8 (1,1) 9,0 Dumont 26,5 3,8 (2,7) 3,8 (11,3) 5,4 Guariba 28,8 (0,6) 96,4 9,8 4,7 6,4 (36,9) 6,6 Guatapará 44,4 11,6 6,4 0,8 0,7 3,0 Jaboticabal 8,6 4,3 10,6 (11,5) 4,9 Jardinópolis 6,2 (2,5) (10,3) 8,1 0,2 2,1 (3,1) 2,4 Luis Antônio (1,8) 9,4 7,2 11,6 5,2 4,6 Monte Alto 4,6 (32,0) 14,7 8,0 6,4 0,8 2,7 4,9 Pitangueiras 7,6 10,1 15,3 6,6 (0,5) 6,3 Pontal (0,2) (100,0) 12,8 16,5 2,9 8,6 7,8 Pradópolis 37,0 116,3 20,8 2,1 5,6 (61,7) 5,1 Ribeirão Preto 2,6 2,8 6,2 4,3 0,4 (1,8) 4,0 Santa Cruz da Esperança 29,7 (37,1) 7,0 7,0 (0,2) Santa Rosa de Viterbo 8,2 29,0 (30,1) 9,7 4,0 3,9 (18,9) 4,3 Santo Antônio da Alegria 56,3 13,9 35,7 5,8 7,0 11,8 São Simão 18,3 4,5 7,7 11,5 (8,4) 8,9 Serra Azul (5,8) (23,6) 14,4 (3,5) (2,9) Serrana (27,5) 16,9 2,3 3,3 (22,3) 6,0 Sertãozinho 13,4 (10,4) (6,1) 12,4 10,6 0,2 (32,7) 5,0 Taquaral 18,7 32,0 5,3 2,0 7,7 Fonte: Relação Anual de Informações Sociais 2005. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Em síntese, deve-se realçar que o pólo de Ribeirão Preto apresenta uma estrutura de emprego bastante diferenciada em seu interior. Isto é, os municípios guardam diferenças bastante significativas entre si em termos de estrutura de emprego, não se podendo identificar um padrão comum na região. Esta heterogeneidade de estruturas de emprego sustenta basicamente três tipos de dominância sobre a estrutura do mercado formal de Pólo Econômico de Ribeirão Preto 26 trabalho: a do setor de Serviços (inclusive administração pública), a da Indústria de Transformação e a da agropecuária. Ribeirão Preto, Pradópolis e Guatapará, são respectivamente três exemplos dessa tipologia. Segundo as informações da RAIS, vários municípios apresentaram, na primeira metade da década atual, taxas anuais de crescimento do emprego na Indústria de Transformação muito elevadas, pois quando observa o período como um todo se percebe que isso representa um incremento pesado do estoque de emprego formal encontrado no início do período. Mesmo alguns municípios apresentando taxas de crescimento negativas no setor industrial, é fundamental reconhecer que o pólo de Ribeirão Preto, ainda preserva e reproduz um espaço para o emprego industrial. Isso não deve ser somente analisado, como, também, pressupõe o cuidado que qualquer estratégia de política pública, orientada para a atividade econômica ou para o mercado de trabalho, deva ter. Por fim, cabe destacar que esse último movimento, o de crescimento do emprego formal industrial, caminha na mesma direção da tendência de crescimento do produto regional, que por sua vez, reitera a dinâmica e o movimento geral de recuperação econômica do Brasil, no período que compreende a atual década. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 27 Pólo Econômico de Ribeirão Preto 28 Capítulo 2- Dinâmica Demográfica2 Introdução Localizada a nordeste do Estado de São Paulo e fazendo fronteira com o Estado de Minas Gerais, a Região de Governo (RG) de Ribeirão Preto conta com 25 municípios (Anexo I) e se destaca como uma das regiões de melhor desempenho agroindustrial no âmbito nacional3. Sua ocupação econômica e populacional esteve intimamente relacionada à expansão da cultura do café e ao conseqüente deslocamento de frentes pioneiras agrícolas. Anteriormente ao café, desde meados do século XIX, já existiam fazendas de gado que proporcionaram a formação de núcleos de povoamento que posteriormente passariam a exercer grande importância para a "marcha cafeeira". Apesar da atividade criatória não ter desaparecido totalmente da região, foi o café que possibilitou de forma mais intensa sua ocupação e a exploração de seu território à medida que contribuiu para atrair contingentes populacionais significativos (Pires, 1994). Enquanto a produção cafeeira do Vale do Paraíba entrava em decadência, as fazendas de café se multiplicavam no "velho oeste paulista", expandindo-se em direção ao norte a partir da Região de Campinas. No início do século XX, a Região de Ribeirão Preto caracterizava-se como uma das mais importantes zonas de produção cafeeira do Estado (Pires, 1994). Vale ressaltar que nesta região, o café precedeu a estrada de ferro e, mesmo sem contar com uma infra-estrutura adequada de transportes, o município de Ribeirão Preto, em 1886, ano em que foi atingido pela ferrovia, já concentrava mais de 10.000 habitantes (SÃO PAULO, Estado, 1972). A princípio, a produção de alimentos provinha das culturas intercalares, desenvolvidas pelos colonos dentro da propriedade cafeeira. O desenvolvimento do complexo cafeeiro e da urbanização dele decorrente, além das implicações da Primeira Guerra Mundial, exigiram o desenvolvimento da produção alimentar fora da propriedade cafeeira, proporcionando uma diversificação da produção na região de Ribeirão Preto. 2 Ficha Técnica: Coordenação: Rosana Baeninger, Coordenação Adjunta: Claudia Gomes de Siqueira; Auxiliares de Pesquisa: Juliana Arantes Dominguez, Kátia Isaías, Karina Silveira, Maria Ivonete Zorzetto Teixeira, Camila Matias, Natália Belmontti, Katiane Shishito, Flávia Cescon 3 Este estudo consiste em versão atualizada e ampliada de Pires (1994). Texto NEPO 30 (1994). Migração em São Paulo 6. Região de Governo de Ribeirão Preto. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 29 Estruturou-se nessa época uma rede urbana relativamente densa e ramificada na região, pontuada por centros urbanos maiores que centralizavam o comércio e a prestação de serviços, fazendo a mediação entre a Capital e o Interior (NEGRI, GONÇALVES e CANO, 1988). Com relação à rede de cidades da região de Ribeirão Preto, a Figura I ilustra o processo de desmembramento da região. Observa-se que se trata de uma região na qual os municípios começaram a se constituir a partir da segunda metade do século XIX – Cajuru e São Simão foram criados em 1865, e Ribeirão Preto, em 1871–, momento de grande expansão da cafeicultura no interior paulista. Dos 25 municípios que compõem a região de Ribeirão Preto, 13 foram criados ao longo do século XX, dos quais três municípios surgiram no contexto do processo emancipatório da década de 1990 (Santa Cruz da Esperança, Guatapará e Taquaral), caracterizado pela predominância de pequenos municípios. Com base na produção agrícola diversificada, na rede urbana e na divisão do trabalho a economia paulista, a região de Ribeirão Preto conseguiu ultrapassar a crise de 1929 e se restabelecer com novas características. Nos anos 30, teve início um novo padrão de acumulação, baseado na expansão industrial gerada pela economia cafeeira. A partir daí, o setor industrial ganhou autonomia frente ao capital mercantil e passou a determinar o nível e o ritmo da atividade econômica do País (NEGRI, GONÇALVES e CANO, 1988). Assim, "a agricultura exportadora nacional ganhou nova dimensão, no sentido de garantir as importações necessárias ao bom desempenho do desenvolvimento industrial, o que refletiu de forma positiva sobre a agricultura paulista, estimulando sua diversificação e modernização" (TARTAGLIA e OLIVEIRA, 1988). Ribeirão Preto e Campinas foram as regiões que, com a decadência do café, reorganizaram mais facilmente sua agricultura; formavam a base territorial desse dinamismo e diversificação agrícola ocorridos no Estado de São Paulo, entre os anos 30 e 50. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 30 Figura I Desmembramentos de Municípios Região de Governo de Ribeirão Preto – 1865-2000 Fonte: Fundação Seade. Memórias das Estatísticas Demográficas – para municípios criados até 1990; Siqueira (2003), para municípios criados a partir de 1991. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 31 Nas décadas de 30 e 40, na Região de Ribeirão Preto, o café em crise foi parcialmente substituído por cana-de-açúcar, algodão, produtos alimentares e pecuária. Segundo Semeghini, foi a partir dos anos 50, entretanto, que se acelerou a recuperação econômica da região. Nesse sentido, o autor destaca que “o ritmo de recuperação econômica da região, com renovado dinamismo no setor agropecuário. A expansão da cultura canavieira, as mudanças nas diretrizes para importação - permitindo intensificar a entrada de fertilizantes – tratores e outros itens, favorecendo a modernização; as políticas do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) para o açúcar e o álcool; o próprio aumento no preço externo do café depois de 1954 e a necessidade acentuada de incentivar atividades exportáveis, beneficiando a laranja, a soja e a pecuária de corte (e por extensão a leiteira) impuseram um quadro de circunstâncias que certamente explicam aquele dinamismo. Não se pode esquecer, também, os efeitos positivos advindos da melhoria da rede de transportes rodoviários; a via Anhanguera, ligando Ribeirão Preto a Campinas e a São Paulo, foi asfaltada em 1948”. (SEMEGHINI, 1990, p.8). Assim, o movimento de modernização baseado na implantação de indústrias de bens de produção e de insumos básicos para a agricultura, cerne da desconcentração industrial, encontrou as condições e meios necessários para se desenvolver amplamente na região. Esse desenvolvimento, baseado na agroindústria, provocou forte impacto no mundo urbano. A substituição das culturas permanentes - principalmente o café - por temporárias transformaram significativamente as relações de trabalho, tanto em termos das relações sociais estabelecidas como na quantidade da força de trabalho requerida. Em um primeiro momento (1930-1950), o esvaziamento do campo devido à modernização da agricultura provocou intensa migração no sentido campo-cidade, bem como do interior para a metrópole, que estava em formação (Cano, 1988). Na Região de Ribeirão Preto houve, nesse período, decréscimo, em números absolutos, de população. A urbanização crescente da mão-de-obra rural, com a subordinação da agricultura à indústria nos anos 60 e 70, foi a maior conseqüência da modernização agrícola sob as cidades. Nesse sentido, Negri et ali destacam que A integração do mercado de trabalho urbano e rural, paralelo à formação de mercados regionais de trabalho no interior, contribuiu para a manutenção dos baixos níveis de remuneração tanto no campo como na cidade, e também para a criação, nos núcleos urbanos do interior, de uma "periferia urbana" pobre e desaparelhada, onde se instala a população urbana de baixa renda, não mais concentrada apenas na metrópole (...) A rede urbana (...) teve seu crescimento reforçado apenas nos núcleos urbanos capazes de oferecer oportunidade de emprego que constituem alternativas para o trabalho cíclico na agricultura, isto é, os centros maiores, com alguma produção industrial e de serviços. (NEGRI, GONÇALVES e CANO, 1988). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 32 Essas alterações ocorridas no mercado e na organização do trabalho, no processo de urbanização e nos movimentos populacionais, criaram condições para uma desconcentração relativa da população e das atividades industriais em direção ao interior paulista de maneira mais intensa a partir dos anos 70 (PATARRA e BAENINGER, 1989). A década de 70 marcou a consolidação do processo de modernização agrícola que desencadeou a expansão industrial iniciado no final dos anos 50. A região de Ribeirão Preto foi uma das regiões que registrou com maior intensidade os impactos dessas transformações. "O setor terciário, reagindo aos estímulos advindos dessa dinâmica agrícola e industrial, e àqueles derivados da urbanização teria seu crescimento liderado pelos segmentos mais modernos dos serviços produtivos e pessoais e pela ampliação dos serviços sociais. Persistiriam, entretanto, como é notório, profundos desequilíbrios setoriais, regionais e sociais." (SEMEGHINI, 1990, p.10-11). O projeto de maior impacto na região, nesse período, foi o Programa Nacional do Álcool - PROÁLCOOL, criado pelo Governo Federal em 1975. Ribeirão Preto e Campinas eram as regiões que estavam em melhores condições para responder com maior agilidade às metas fixadas pelo Governo no Programa do Álcool. Com forte incentivo público (financiamento a “juros baixos e crédito fácil") para ampliação e implantação de destilarias, obteve resposta imediata na região, produtora de cana-de-açúcar desde os anos 304. Também marcaram presença na região as políticas de incentivo à exportação. Na Região de Ribeirão Preto, a expansão da cultura da cana-de-açúcar e seu processamento têm sido responsáveis pelos efeitos mais marcantes na estruturação do espaço regional, nas relações de produção e de trabalho e, conseqüentemente, nos movimentos populacionais (Pires, 1994). Os principais impactos do aumento da produção canavieira na região foram: substituição de outras culturas pela cana-de-açúcar (monocultura); valorização das terras e maior concentração fundiária; substituição da mão-de-obra permanente pela temporária, com residência na cidade e o aumento dos fluxos migratórios, com destaque para o movimento sazonal na época da safra. Destaca-se, ainda, que a região de Ribeirão Preto é conhecida pelo importante peso da agroindústria sucro-alcooleira. 4 Ver: FSEADE (1988). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 33 Evolução da População Em 1940, a população da RG de Ribeirão Preto chegava perto de 300 mil pessoas, correspondendo a 4,11 % da população estadual (Tabela 1). No período 1940/50 a RG chegou a registrar taxa de crescimento negativo de 0,37% a.a., enquanto o Estado de São Paulo apresentava uma taxa de 2,44% a.a. Esse comportamento da dinâmica populacional refletia, em grande medida, a substituição do café por produtos como a cana-de-açúcar e o algodão, que contribuiu para o êxodo rural na Região, com decréscimos expressivos nas taxas de crescimento da população rural (Tabela 2). No período 1950/60, no entanto, já se observa uma recuperação demográfica da região; a taxa de crescimento foi superior a 3% a.a., aproximando-se da do Estado (3,46% a.a.). Essa retomada deveu-se exclusivamente à elevada taxa de crescimento da população urbana, uma vez que a população rural continuava a decrescer. Tabela 1: Evolução da População Total Região de Governo de Ribeirão Preto e Estado de São Paulo 1940/2007 RG de Estado de São Dist. Relat. RG/ESP Ano Paulo (%) Ribeirão Preto 1940 295.008 7.180.316 4,11 1950 284.354 9.134.423 3,11 1960 384.243 12.829.806 2,99 1970 475.022 17.771.948 2,67 1980 654.794 25.040.712 2,61 1991 892.884 31.436.273 2,84 2000 1.058.652 36.974.378 2,86 2007 1.178.623 41.029.414 2,87 Taxas de crescimento (% a.a.) RG Ribeirão Preto Estado de S. Paulo -0,37 2,44 3,06 3,46 2,14 3,31 3,26 3,49 2,86 2,12 1,91 1,82 1,55 1,50 Fonte: Fundação IBGE. Censos Demográficos de 1940 a 2000; Fundação SEADE. Projeção populacional de 2007. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Os anos 60 e 70 imprimiram à região uma nova dinâmica econômica e populacional. A formação de complexos agroindustriais e a desconcentração industrial, a partir da Região Metropolitana de São Paulo em direção ao Interior, alavancaram seu desenvolvimento. Nesse processo, ocorreu um forte investimento na agroindústria, no emprego de tecnologias Pólo Econômico de Ribeirão Preto 34 e insumos para a agricultura, o que contribuiu para o florescimento de outros setores produtivos regionais, induzindo à dinamização e ampliação das atividades urbanas, sobretudo de comércio e prestação de serviços. O incentivo à diversificação do parque industrial, a ampliação das atividades urbanas, e, na década de 70, o PROÁLCOOL, ocasionaram uma demanda de mão-de-obra, ao mesmo tempo em que continuava a expulsão da mão-de-obra rural para as cidades. A década de 70 registrou a maior taxa de crescimento da RG no período em estudo, em que pese a manutenção da taxa de crescimento negativa da população rural. De fato, a população da RG quase dobrou no período 1960/80, passando de 384 mil habitantes para quase 654 mil. A taxa de crescimento da população no período 1960/70 foi de 2,14% a.a., e no período 1970/80 de 3,26 % a.a. Essa recuperação populacional ocorreu principalmente, em função do crescimento das áreas urbanas da região, que chegou a apresentar taxas de 4,94% a.a. e de 4,72% a.a., nos períodos mencionados. Em contrapartida, as taxas de crescimento da população rural foram de -3,67% a.a., nos anos 60 e de -3,37% a.a., nos anos 70. Tabela 2: Taxas de crescimento da População Total, Urbana e Rural Região de Governo de Ribeirão Preto 1940/2007 Período Urbana Taxas de Crescimento (% a.a.) Rural Total 1940/50 2,06 -1,79 -0,37 1950/60 5,86 -0,52 3,06 1960/70 4,94 -3,67 2,14 1970/80 4,72 -3,37 3,26 1980/91 3,38 -2,49 2,86 1991/2000 2,27 -4,63 1,91 2000/2007 1,68 -2,51 1,55 Fonte: Fundação IBGE. Censos Demográficos de 1940 a 2000; Fundação SEADE. Projeção populacional de 2007. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Nos anos 80, a RG de Ribeirão Preto, acompanhando a tendência nacional e estadual, registrou menor ritmo de crescimento populacional, em comparação com a década de 70: 2,86% a.a., muito embora se destaque por ter apresentado uma das mais altas taxas do Estado. Inclusive, a região cresceu mais do que o Estado de São Paulo, cuja taxa de Pólo Econômico de Ribeirão Preto 35 crescimento ficou em torno de 2,12% a.a., para o mesmo período. A população rural, por sua vez, continuou a manter taxas negativas na década de 1980, embora num ritmo menor que o verificado anteriormente. Entre 1991 e 2000, a taxa de crescimento da RG de Ribeirão Preto diminui um pouco em relação à década anterior, passando para 1,91% a.a. Isso pode ser explicado, simultaneamente, pela diminuição na taxa de crescimento da população urbana e pelas maiores perdas populacionais verificadas na zona rural. Esta tendência de menor crescimento também pode ser verificada para o Estado de São Paulo, considerado em conjunto. Entretanto, vale ressaltar que, durante este período, a RG de Ribeirão Preto atinge, pela primeira vez, a cifra de mais de um milhão de habitantes: em 2000, a população local contava com 1.058.652 habitantes. Já no período de 2000 a 2007, constata-se que as taxas de crescimento populacional, tanto para a RG quanto para o Estado, continuam a decrescer. A RG de Ribeirão Preto, mais especificamente, sustenta uma taxa de 1,55% a.a., taxa esta que se mostra superior à verificada para o Estado de São Paulo (1,50% a.a.). Em termos absolutos, o acréscimo populacional da região é de quase 120.000 pessoas. Por outro lado, a tendência de decréscimo da população rural da região também se mantém. O setor de comércio, na Região de Ribeirão Preto, segundo as tabelas 3 e 4, exerce um papel relevante no desenvolvimento urbano local. Em 1991, a região possuía 5.531 estabelecimentos de comércio varejista e atacadista, que empregavam cerca de 30.000 pessoas. Em 1995, por sua vez, o número de estabelecimentos cresce razoavelmente, passando a totalizar mais de 7.000 unidades. Em termos percentuais o crescimento é de 6,33% a.a. O pessoal ocupado por estes estabelecimentos também aumenta em 3,32% a.a., neste mesmo período. Tabela 3: Número de Estabelecimentos do Comércio Varejista e Atacadista e Pessoal Ocupado Região Administrativa de Ribeirão Preto. 1991-2005 1991 Áreas 1995 2005 Número Pessoal Pessoal/ Número Pessoal Pessoal/ Número Pessoal Pessoal/ estabelec. Ocupado Estabelec. estabelec. Ocupado Estabelec. estabelec. Ocupado Estabelec. RA Ribeirão Preto 5.531 30.473 5,5 7.069 34.721 4,9 11.912 63.335 5,3 RG Ribeirão Preto 5.531 30.473 5,5 7.069 34.721 4,9 11.912 63.335 5,3 Fonte: Fundação SEADE. Informações Municipais, 1991, 1995 e 2005, disponível em www.seade.gov.br, acessado: 03/08/2008. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 36 Entre 1995 e 2005, o número de estabelecimentos comerciais continua a crescer. Em 2005, havia 11.912 estabelecimentos deste tipo instalados na região, o que equivale a um crescimento de 5,36% a.a. em relação ao período anterior. Entretanto, a alteração mais significativa diz respeito ao total de pessoal ocupado, que cresce mais de 6% a.a. entre 1995 e 2005. Em termos absolutos, isto corresponde a um aumento de quase 30.000 novas pessoas empregadas pelo setor. Tabela 4: Taxa de crescimento (% a.a.) de Estabelecimentos e Pessoal ocupado - Comércio Varejista e Atacadista Região Administrativa de Ribeirão Preto 1991-2005 1991-1995 1995-2005 Áreas Pessoal Pessoal Número estabelec. Número estabelec. Ocupado Ocupado RA Ribeirão Preto 6,33 3,32 5,36 6,20 RG Ribeirão Preto 6,33 3,32 5,36 6,20 Fonte: Fundação SEADE. Informações Municipais, 1991, 1995 e 2005, disponível em www.seade.gov.br, acessado: 03/08/2008. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. O setor industrial, de acordo com as tabelas 5 e 6, também apresenta um papel importante na RG de Ribeirão Preto, embora não tenha se desenvolvido tanto quanto o setor comercial, nos últimos anos. Em 1991, 1.772 estabelecimentos industriais estavam instalados na região, ocupando 46.686 pessoas. Em 1995, quase 200 novos estabelecimentos deste setor se instalaram na região, mas o total de pessoal ocupado não se altera de maneira significativa, aumentando somente 0,98% a.a. em relação a 1991. Tabela 5: Número de Estabelecimentos da Indústria de Transformação e Pessoal Ocupado Região Administrativa de Ribeirão Preto 1991-2005 1991 Áreas 1995 2005 Número Pessoal Pessoal/ Número Pessoal Pessoal/ Número Pessoal Pessoal/ estabelec. Ocupado Estabelec. estabelec. Ocupado Estabelec. estabelec. Ocupado Estabelec. RA Ribeirão Preto 1.772 46.686 26,3 1.943 48.545 25,0 2.471 62.805 25,4 RG Ribeirão Preto 1.772 46.686 26,3 1.943 48.545 25,0 2.471 62.805 25,4 Fonte: Fundação SEADE. Informações Municipais, 1991, 1995 e 2005, disponível em www.seade.gov.br, acessado: 03/08/2008. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 37 Entre 1995 e 2005, entretanto, o crescimento do setor industrial é mais pronunciado. O número de estabelecimentos cresce 2,43% a.a., o que corresponde a um aumento absoluto de pouco mais de 500 unidades. O total de pessoal ocupado na indústria também cresce de maneira mais acentuada que em relação ao período anterior. O aumento percentual é de 2,61% a.a., o que equivale a um acréscimo absoluto de mais de 14.000 novos empregados. Tabela 6: Taxa de crescimento (% a.a.) de Estabelecimentos e Pessoal ocupado - Indústria de Transformação Região Administrativa de Ribeirão Preto 1991-2005 1991-1995 1995-2005 Áreas Pessoal Pessoal Número estabelec. Número estabelec. Ocupado Ocupado RA Ribeirão Preto 2,33 0,98 2,43 2,61 RG Ribeirão Preto 2,33 0,98 2,43 2,61 Fonte: Fundação SEADE. Informações Municipais, 1991, 1995 e 2005, disponível em www.seade.gov.br, acessado: 03/08/2008. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Quanto à produção de álcool na região de Ribeirão Preto, no período de 1995-2000, os dados da tabela 7 mostram que a produção de álcool anidro aumentou em 6% a.a., enquanto a produção de álcool hidratado diminuiu sensivelmente, apresentando queda de mais de 14% a.a. Devido a esta redução, a produção total de álcool da região para o período considerado também registrou taxa de crescimento negativa, de -5,8% a.a. Em termos absolutos, a produção total de álcool, considerando-se os dois tipos, diminuiu mais de 562 milhões de litros produzidos. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 38 Tabela 7: Produção de Álcool por tipo (em 1000 litros) e Tx crescimento (% a.a.) Região de Governo de Ribeirão Preto 1995-2000 Produção de álcool (em 1000 litros) Áreas 1995 2000 Tx crescimento (% a.a.) 1995-2000 RG Ribeirão Preto Anidro 711.688 952.307 6,0 Hidratado 1.474.087 671.301 -14,6 Total 2.185.775 1.623.608 -5,8 Fonte: Fundação SEADE. Anuário Estatístico do Estado de São Paulo, 1995 e 2000, disponível em: www.seade.gov.br (acessado: 03/08/2008). Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Apesar dessa redução na produção, no período 1995 a 2000 – redução que foi registrada em outras áreas produtoras de álcool, no estado de São Paulo –, o setor alcooleiro não reduziu sua importância na região, influenciando, inclusive, no período mais recente, as características dos deslocamentos populacionais, conforme captado no trabalho de campo, principalmente, nos municípios de Sertãozinho e Barrinha, onde se localizam importantes usinas da região. Tendência do crescimento da população Através dos dados apresentados pela tabela 8, é possível analisar a evolução populacional da Região de Governo de Ribeirão Preto, no período de 1960 a 2007. Ao longo destes 47 anos, o crescimento absoluto total da região foi de mais de 800.000 pessoas. O período de mais elevado crescimento populacional foi a década de 1970, quando as taxas de crescimento ficaram em torno de 3,26% a.a. Na década de 1980, verifica-se uma queda significativa na taxa de crescimento, que passa para 2,86% a.a.. Desde então, a população da região vem crescendo a um ritmo cada vez mais reduzido. Por outro lado, no que se refere à participação relativa da RG de Ribeirão Preto no total populacional do interior, pode-se notar que, até 1991, houve uma tendência de participação crescente da região. Em 1960, a RG de Ribeirão Preto aglutinava 4,26% da população interiorana, enquanto que em 1991 este percentual sobe para 5,56%. Em 2000 e Pólo Econômico de Ribeirão Preto 39 2007, entretanto, esta participação diminui um pouco, passando, respectivamente, para 5,54% e 5,50%. Já o acompanhamento da evolução da população dos municípios que compõem a RG de Ribeirão Preto no período 1960/2007 permite observar distintas dinâmicas demográficas na região (Tabelas 9 e 10). Na década de 60, o município de Ribeirão Preto apresentava a maior taxa de crescimento da RG (3,75% a.a.), enquanto municípios como Altinópolis, Brodowski, Cajuru, Cássia dos Coqueiros, Luís Antônio e São Simão, registravam taxas negativas. Pode-se subdividir os demais municípios em dois grupos: aqueles com taxa de crescimento abaixo da média regional, no período 1960/70 (2,14% a.a.) – Cravinhos, Jaboticabal, Jardinópolis, Pitangueiras, Pontal, Santa Rosa do Viterbo, Santo Antônio da Alegria, Serra Azul, Serrana e Sertãozinho - e aqueles com taxas acima da média – Barrinha, Pradópolis, Guariba e Monte Alto. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 40 Tabela 8: Evolução da População, segundo Regiões de Governo Região Administrativa de Ribeirão Preto 1960-2007 População Total Regiões de Governo 1960 1970 1980 1991 Distribuição Relativa no Total da RA (%) 2000 2007 1960 1970 1980 1991 2000 2007 Participação Relativa no Total Populacional do Interior (%) 1960 1970 1980 Taxas Anuais de crescimento populacional (% a.a.) 1991 2000 2007 60/70 70/80 80/91 91/2000 2000/2007 RG Ribeirão Preto 384.243 475.022 654.794 892.884 1.058.652 1.178.623 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 4,70 4,93 5,28 5,56 5,54 5,50 2,14 3,26 2,86 1,91 1,55 RA Ribeirão Preto 384.243 475.022 654.794 892.884 1.058.652 1.178.623 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 4,70 4,93 5,28 5,56 5,54 5,50 2,14 3,26 2,86 1,91 1,55 Fonte: Fundação IBGE. Censos Demográficos de 1960 a 2000; Fundação SEADE. Projeção populacional de 2007 Pólo Econômico de Ribeirão Preto 41 No período seguinte, década de 70, os municípios de Ribeirão Preto, Sertãozinho, Serrana, Barrinha e Guariba apresentaram as taxas mais elevadas, com Sertãozinho e Guariba registrando taxas superiores a 5% a.a. De fato, estes municípios beneficiaram-se do desenvolvimento do PROÁLCOOL na Região; Sertãozinho e Serrana como sedes de grandes usinas e Barrinha e Guariba, como local de moradia dos trabalhadores para o corte da cana-deaçúcar (Pires, 1994) Municípios como Brodowski, Cajuru e Altinópolis, que haviam apresentado taxas de crescimento populacional negativas na década anterior, cresceram a taxas positivas superiores a 1,5% a.a., nos anos 70. Os municípios de Cravinhos, Jardinópolis, Pitangueiras, Pontal, Santa Rosa do Viterbo e Santo Antônio da Alegria também registraram taxas mais elevadas de crescimento populacional nos anos 70, embora bastante inferiores à média de crescimento regional. Cássia dos Coqueiros, Luís Antônio e São Simão continuaram a perder população na década de 70, registrando taxas negativas de crescimento. No período 1980/91, apesar do menor ritmo de crescimento populacional da região (de 3,26% a.a., na década de 70, para 2,86% a.a. no período 1980/91), esta apresentou taxa de crescimento acima da média do Interior, que foi de 2,38% a.a. Vale ressaltar que o município de Ribeirão Preto, à semelhança de algumas cidades de porte médio do Estado e mesmo da Capital, registrou um ritmo de crescimento inferior aos municípios vizinhos; enquanto a taxa de crescimento do município de Ribeirão Preto havia sido de 2,9% a.a. nos anos 80, a dos municípios do entorno alcançavam valores superiores a 3,5% a.a., como são os casos de Serrana, Sertãozinho, Dumont e Luís Antônio. O município de Luís Antônio, que havia registrado taxas negativas de crescimento da população nas décadas de 60 e 70, apresentou nos anos 80 taxa de 6,5% a.a. Esse excepcional desempenho do último período deveu-se à instalação da CELPAV - indústria de papel e celulose do Grupo Votorantin – atraindo, para a localidade, empreiteiras e funcionários; a COHAB-RIbeirão Preto já construiu no município mais de 440 casas, de 1987/1992 (Pires, 1994). O município de Serrana manteve no período 1970/80 e 1980/91, taxas de crescimento da população superiores a 4% a.a. Esse município abriga trabalhadores da agroindústria sucroalcooleira e exerce também o papel de cidade-dormitório de Ribeirão Preto. Destaca-se ainda o elevado crescimento populacional apontado pelo município de Pitangueiras nos anos 80 (4,28% a.a.); neste município estão localizadas 6 destilarias de álcool, além da produção da cana-deaçúcar e da laranja. Os municípios de Cravinhos e Dumont também registraram taxas de Pólo Econômico de Ribeirão Preto 42 crescimento superiores às verificadas na década de 70, provavelmente pela proximidade com o município-sede da RG. O município de Santo Antônio da Alegria foi o único a exibir taxa negativa de crescimento (-0,35% a. a.), nos anos 80. No período de 1991 a 2000, a taxa de crescimento total da região cai de maneira razoável, se comparada com os períodos anteriores: de 2,86% a.a., na década de 1980, para 1,91% a.a., na década de 1990. O município-sede de Ribeirão Preto também diminui seu ritmo de crescimento, apresentando uma taxa de 1,68% a.a. Os municípios que mais cresceram neste período foram Serrana, Pontal e Pradópolis, com taxas de 3,92% a.a., 3,00% a.a. e 3,04% a.a., respectivamente. Diversos outros municípios também apresentaram taxas de crescimento significativas, superiores a 2% a.a. – Barrinha, Brodowski, Cravinhos, Dumont, Jardinópolis, Luis Antônio, Serra Azul e Sertãozinho. É válido notar que, neste período, nenhum dos municípios da região apresentou taxa de crescimento negativa: a menor das taxas verificadas foi a de Cajuru, de 0,31% a.a. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 43 Tabela 9: Evolução da População Urbana, Rural e Total segundo Municípios Região de Governo de Ribeirão Preto 1970/2007 População Total População Urbana População Rural Grau de Urbanização Municípios 1970 1980 1991 2000 2007 1970 1980 1991 2000 2007 1970 1980 1991 2000 2007 1970 1980 1991 2000 2007 Altinópolis 10.819 12.744 13.619 15.463 16.973 5.241 7.337 9.509 12.532 14.520 5.578 5.407 4.110 2.931 2.453 48,4 57,6 69,8 81,0 85,5 Barrinha 8.430 12.563 18.736 24.150 28.403 6.850 11.497 18.205 23.888 28.184 1.580 1.066 531 262 219 81,3 91,5 97,2 98,9 99,2 Brodowski 8.328 11.201 13.756 17.104 19.516 5.268 9.164 11.765 16.252 18.803 3.060 2.037 1.991 852 713 63,3 81,8 85,5 95,0 96,3 Cajuru 13.725 16.237 20.183 20.755 22.555 7.462 10.348 15.600 18.382 20.570 6.263 5.889 4.583 2.373 1.985 54,4 63,7 77,3 88,6 91,2 Cássia dos 2.521 2.717 2.870 3.079 589 837 1.148 1.664 2.070 1.979 1.684 1.569 1.206 1.009 22,9 33,2 42,3 58,0 67,2 Coqueiros 2.568 Cravinhos 14.230 16.942 22.417 28.349 32.777 9.937 13.809 20.439 27.123 31.751 4.293 3.133 1.978 1.226 1.026 69,8 81,5 91,2 95,7 96,9 Dumont 3.055 3.306 4.945 6.293 7.315 1.523 2.480 4.298 5.857 6.950 1.532 826 647 436 365 49,9 75,0 86,9 93,1 95,0 Guariba 11.448 18.893 28.619 31.061 33.118 9.144 16.234 27.301 30.200 32.398 2.304 2.659 1.318 861 720 79,9 85,9 95,4 97,2 97,8 Guatapará * * * 6.365 7.088 * * * 4.140 5.226 * * * 2.225 1.862 * * * 65,0 73,7 Jaboticabal 38.779 46.985 58.936 67.325 73.028 29.592 40.869 53.733 63.761 70.045 9.187 6.116 5.203 3.564 2.983 76,3 87,0 91,2 94,7 95,9 Jardinópolis 16.992 19.677 24.053 30.660 35.725 10.933 15.601 20.955 28.003 33.502 6.059 4.076 3.098 2.657 2.223 64,3 79,3 87,1 91,3 93,8 Luís Antônio 3.083 2.933 5.777 7.146 8.141 625 1.254 3.753 6.545 7.638 2.458 1.679 2.024 601 503 20,3 42,8 65,0 91,6 93,8 Monte Alto 21.520 31.221 39.607 43.574 46.471 14.059 25.446 35.439 40.729 44.090 7.461 5.775 4.168 2.845 2.381 65,3 81,5 89,5 93,5 94,9 Pitangueiras 15.813 18.474 29.298 31.112 34.739 8.342 14.279 26.121 29.265 33.193 7.471 4.195 3.177 1.847 1.546 52,8 77,3 89,2 94,1 95,5 Pontal 13.731 16.742 22.694 29.608 34.714 7.309 12.317 20.696 28.515 33.800 6.422 4.425 1.998 1.093 914 53,2 73,6 91,2 96,3 97,4 Pradópolis 5.796 7.837 9.834 12.880 15.049 3.037 6.087 8.767 11.846 14.184 2.759 1.750 1.067 1.034 865 52,4 77,7 89,1 92,0 94,3 Ribeirão Preto 212.879 318.496 434.142 504.162 557.156 196.242 306.837 424.311 502.002 555.348 16.637 11.659 9.831 2.160 1.808 92,2 96,3 97,7 99,6 99,7 Sta Cruz Esperança * * * 1.795 1.930 * * * 1.196 1.429 * * * 599 501 * * * 66,6 74,0 Sta Rosa do Viterbo 11.840 14.435 19.123 21.413 22.820 6.868 11.555 17.441 20.175 21.784 4.972 2.880 1.682 1.238 1.036 58,0 80,0 91,2 94,2 95,5 Sto Antonio Alegria 4.462 5.271 5.069 5.757 6.241 1.657 2.471 2.911 4.189 4.929 2.805 2.800 2.158 1.568 1.312 37,1 46,9 57,4 72,8 79,0 São Simão 12.728 10.670 11.955 13.658 14.963 7.681 7.977 10.246 11.925 13.513 5.047 2.693 1.709 1.733 1.450 60,3 74,8 85,7 87,3 90,3 Serra Azul 4.735 4.809 6.141 7.433 8.414 2.850 3.670 5.442 6.796 7.880 1.885 1.139 699 637 534 60,2 76,3 88,6 91,4 93,7 Serrana 8.995 14.336 22.997 32.499 39.668 6.692 12.657 21.998 31.718 39.015 2.303 1.679 999 781 653 74,4 88,3 95,7 97,6 98,4 Sertãozinho 31.066 51.544 78.266 94.499 105.879 22.878 45.130 73.039 90.373 102.425 8.188 6.414 5.227 4.126 3.454 73,6 87,6 93,3 95,6 96,7 Taquaral * * * 2.721 2.861 * * * 2.580 2.743 * * * 141 118 * * * 94,8 95,9 RG RIBEIRÃO PRETO 475.022 657.837 892.884 1.058.652 1.178.623 364.779 577.856 833.117 1.019.656 1.145.990 110.243 79.981 59.767 38.996 32.633 76,8 87,8 93,3 96,3 97,2 Fonte: Fundação IBGE. Censos Demográficos de 1970 a 2000; Fundação SEADE. Projeção populacional de 2007. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. (*) Dados não disponíveis - municípios criados na década de 1990 Pólo Econômico de Ribeirão Preto 44 Entre 2000 e 2007, o ritmo de crescimento total da RG continua a diminuir, passando para 1,55% a.a. Nenhum dos municípios apresenta taxa superior a 3% a.a.: aqueles que mais crescem são Serrana (2,89% a.a.), Barrinha (2,34% a.a.) e Pontal (2,30% a.a.). O municípiosede de Ribeirão Preto apresenta uma taxa de crescimento de 1,44% a.a., inferior à média regional verificada para o mesmo período. Mais uma vez, pode-se constatar que nenhum dos municípios da região apresentou taxas de crescimento negativas. A menor taxa registrada para o período foi a do município de Taquaral, de 0,72% a.a. Apesar de nenhum município da RG ter apresentado taxas negativas de crescimento populacional, deve-se ressaltar que, de modo geral, o ritmo de crescimento da região diminuiu bastante, em comparação com décadas anteriores. Isso pode ser verificado, por exemplo, nos casos dos municípios de Guariba e Sertãozinho, que na década de 1970 apresentavam taxas superiores a 5% a.a. e, entre 2000 e 2007, passam a ter taxas inferiores a 2% a.a. Através das tabelas 9 e 10 também é possível acompanhar o crescimento específico das populações rural e urbana, para cada município da região. Nota-se que a RG de Ribeirão Preto urbanizou-se substancialmente ao longo das décadas consideradas: em 1970, o grau de urbanização da RG era de 76,8 e, em 2007, sobe para 97,2. Enquanto a população urbana da RG apresentou taxas de crescimento positivas, embora decrescentes, ao longo do tempo, a população rural manteve taxas de crescimento negativas durante todo o período compreendido pelas tabelas. Em termos absolutos, a redução da população rural foi de mais de 70.000 pessoas. Por outro lado, a população urbana saltou de pouco mais de 350.000 pessoas, na década de 1970, para mais de um milhão de pessoas, em 2000. O período da década de 1970 foi aquele em que a população urbana da região de Ribeirão Preto mais se desenvolveu, crescendo a uma taxa de 4,71% a.a. Nas décadas posteriores, a população urbana continuou a crescer, embora a taxas mais reduzidas. Para todos os municípios da RG, em todos os períodos considerados na tabela, a taxa de crescimento da população urbana foi positiva. Já no que se refere à população rural, também é possível perceber que a grande maioria dos municípios apresentou taxas de crescimento negativas, condizentes com o cenário verificado para a RG, como um todo. Na década de 1970, somente o município de Guariba apresentou uma taxa positiva de crescimento da população rural (1,44% a.a.). Na década de 1980, com exceção de Luis Antonio, todos os municípios apresentaram taxas negativas e, entre 1991/2000, verifica-se, novamente, que somente um município apresentou crescimento positivo da população rural: é o caso de São Simão, que possui uma taxa de 0,16% a.a., para este Pólo Econômico de Ribeirão Preto 45 período. Ainda é interessante notar que, entre 2000 e 2007, as taxas de crescimento da população rural se mantêm negativas para todos os municípios da RG e, além disso, apresentam valores quase padronizados, variando somente entre -2,49% a.a. e -2,52% a.a. Por fim, pode-se avaliar, através das tabelas, a distribuição relativa de cada município no total populacional da RG. O município-sede de Ribeirão Preto é aquele que mais concentra população: em 2007, mais de 47% da população da RG residia neste município. Sertãozinho é o segundo município da RG que mais concentra população, embora com percentual significativamente menor que o de Ribeirão Preto. Na década de 1970, Sertãozinho concentrava 6,54% da população regional e, em 2007, este valor sobe para 8,98%. Em terceiro lugar, está o município de Jaboticabal, que, apesar de vir diminuindo sua participação relativa em relação ao total da região, ainda figura como importante pólo de concentração populacional. Na década de 1970, Jaboticabal era responsável por 8,16% da população regional e, em 2007, este valor passa para 6,20%. Os municípios de Monte Alto, Serrana e Jardinópolis participam, respectivamente, com 3,94%, 3,37% e 3,03% do total. Já os demais municípios da região concentram um percentual populacional inferior a 3% e, portanto, possuem uma participação relativa bem mais reduzida. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 46 Tabela 10: Taxa de Crescimento Populacional (% a.a.) e Distribuição Relativa da População (%) Região de Governo de Ribeirão Preto 1970/2007 Taxa de Crescimento (% a a) Municípios 1970/80 1980/91 1991/2000 Total Urbana Rural Total Urbana Rural Total Urbana Rural Total 2000/2007 Urbana Distribuição Relativa na População Total Rural 1970 1980 1991 2000 2007 Altinópolis 1,65 3,42 -0,31 0,61 2,39 -2,46 1,42 3,11 -3,69 1,34 2,13 -2,51 2,28 1,94 1,53 1,46 1,44 Barrinha 4,07 5,31 -3,86 3,70 4,27 -6,14 2,86 3,06 -7,55 2,34 2,39 -2,53 1,77 1,91 2,10 2,28 2,41 Brodowski 3,01 5,69 -3,99 1,89 2,30 -0,21 2,45 3,66 -9,00 1,90 2,10 -2,51 1,75 1,70 1,54 1,62 1,66 Cajuru 1,69 3,32 -0,61 2,00 3,80 -2,25 0,31 1,84 -7,05 1,20 1,62 -2,52 2,89 2,47 2,26 1,96 1,91 Cássia dos Coqueiros -0,18 3,58 -1,60 0,68 2,91 -0,64 0,61 4,21 -2,88 1,01 3,17 -2,52 0,54 0,38 0,30 0,27 0,26 Cravinhos 1,76 3,35 -3,10 2,58 3,63 -4,09 2,64 3,19 -5,18 2,10 2,28 -2,51 3,00 2,58 2,51 2,68 2,78 Dumont 0,79 5,00 -5,99 3,73 5,13 -2,20 2,71 3,50 -4,29 2,17 2,47 -2,51 0,64 0,50 0,55 0,59 0,62 Guariba 5,14 5,91 1,44 3,85 4,84 -6,18 0,91 1,13 -4,62 0,92 1,01 -2,52 2,41 2,87 3,21 2,93 2,81 Guatapará * * * * * * * * * 1,55 3,38 -2,51 * * * 0,60 0,60 Jaboticabal 1,94 3,28 -3,99 2,08 2,52 -1,46 1,49 1,92 -4,12 1,17 1,35 -2,51 8,16 7,14 6,60 6,36 6,20 Jardinópolis 1,48 3,62 -3,89 1,84 2,72 -2,46 2,73 3,27 -1,69 2,21 2,59 -2,52 3,58 2,99 2,69 2,90 3,03 Luís Antônio -0,50 7,21 -3,74 6,36 10,48 1,71 2,39 6,37 -12,62 1,88 2,23 -2,51 0,65 0,45 0,65 0,68 0,69 Monte Alto 3,79 6,11 -2,53 2,19 3,06 -2,92 1,07 1,56 -4,15 0,92 1,14 -2,51 4,53 4,75 4,44 4,12 3,94 Pitangueiras 1,57 5,52 -5,61 4,28 5,64 -2,50 0,67 1,27 -5,85 1,59 1,82 -2,51 3,33 2,81 3,28 2,94 2,95 Pontal 2,00 5,36 -3,66 2,80 4,83 -6,97 3,00 3,63 -6,48 2,30 2,46 -2,52 2,89 2,55 2,54 2,80 2,95 Pradópolis 3,06 7,20 -4,45 2,08 3,37 -4,40 3,04 3,40 -0,35 2,25 2,61 -2,52 1,22 1,19 1,10 1,22 1,28 Ribeirão Preto 4,11 4,57 -3,49 2,86 2,99 -1,54 1,68 1,89 -15,50 1,44 1,45 -2,51 44,81 48,42 48,62 47,62 47,27 Santa Cruz da Esperança * * * * * * * * * 1,04 2,58 -2,52 * * * 0,17 0,16 Santa Rosa do Viterbo 2,00 5,34 -5,31 2,59 3,81 -4,77 1,26 1,63 -3,35 0,91 1,10 -2,51 2,49 2,19 2,14 2,02 1,94 Santo Antonio da Alegria 1,68 4,08 -0,02 -0,35 1,50 -2,34 1,42 4,13 -3,49 1,16 2,35 -2,51 0,94 0,80 0,57 0,54 0,53 São Simão -1,75 0,38 -6,09 1,04 2,30 -4,05 1,49 1,70 0,16 1,31 1,80 -2,51 2,68 1,62 1,34 1,29 1,27 Serra Azul 0,16 2,56 -4,91 2,25 3,65 -4,34 2,14 2,50 -1,03 1,79 2,14 -2,49 1,00 0,73 0,69 0,70 0,71 Serrana 4,77 6,58 -3,11 4,39 5,15 -4,61 3,92 4,15 -2,70 2,89 3,00 -2,52 1,89 2,18 2,58 3,07 3,37 Sertãozinho 5,19 7,03 -2,41 3,87 4,47 -1,84 2,12 2,39 -2,59 1,64 1,80 -2,51 6,54 7,84 8,77 8,93 8,98 Taquaral * * * * * * * * * 0,72 0,88 -2,51 * * * 0,26 0,24 RG RIBEIRÃO PRETO 3,31 4,71 -3,16 2,86 3,38 -2,61 1,91 2,27 -4,63 1,55 1,68 -2,51 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 Fonte: Fundação IBGE. Censos Demográficos de 1970 a 2000; Fundação SEADE. Projeção populacional de 2007. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. (*) Dados não disponíveis - municípios criados na década de 1990 Pólo Econômico de Ribeirão Preto 47 Por sua vez, considerando-se os desmembramentos municipais recentes, observa-se que o fenômeno emancipatório da década de 1990 ocasionou importante impacto na reestruturação da hierarquia urbana, na Região de Governo de Ribeirão Preto. Esse impacto pode ser captado, num primeiro aspecto, através das taxas de crescimento populacional dos municípios envolvidos nos desmembramentos recentes, conforme ilustram os dados do quadro 1: Quadro 1: População Total, Taxas de Crescimento e Distribuição Relativa Municípios desmembrados Região de Governo de Ribeirão Preto 1991-2000 Taxa de Crescimento (% a.a.) 1991População População Distribuição 2000 Total Total Relativa Municípios Com Sem (1991) (2000) (2000) Desmembramento Desmembramento Ribeirão Preto 434.142 Guatapará (*) Cajuru 20.183 Sta. Cruz Esperança (**) Pitangueiras 29.298 Taquaral (**) RG RIBEIRÃO PRETO 892.884 504.162 47,62 1,68 1,82 6.365 0,60 - - 20.755 1,96 0,31 1,24 1.795 0,17 - - 31.112 2,94 0,67 1,61 2.721 0,26 - - 100,00 1,91 1,91 1.058.652 Fonte: Fundação SEADE. Censo demográfico de 1991 e 2000 (IBGE). Nota: (*) Município criado pela Lei 6645, de 9-1-1990; (**) Municípios criados pela Lei 8550, de 30-12-1993 apud Siqueira (2003). Observa-se, primeiramente, que dois grupos de municípios estiveram envolvidos do processo emancipatório recente, na região de Ribeirão Preto: o primeiro, formado pelo município de Ribeirão Preto, de porte populacional superior a 500 mil habitantes, em 2000, originou um outro município – Guatapará – com população acima de 5 mil habitantes. O segundo grupo é formado por dois municípios, de porte populacional entre 20 e 50 mil habitantes: por um lado, a partir de Cajuru (com 20.755 habitantes, em 2000), desmembrou-se Santa Cruz da Esperança, com 1.795 habitantes e, por outro lado, a partir de Pitangueiras (com 31.112 habitantes, em 2000) desmembrou-se o município de Taquaral, com 2.721 habitantes. Considerando as taxas de crescimento populacional dos municípios originários nas duas situações destacadas (com e sem desmembramento), verifica-se que o desmembramento Pólo Econômico de Ribeirão Preto 48 municipal causa impacto direto nessas taxas. Nesse sentido, observa-se que se não tivesse ocorrido o desmembramento municipal recente, ao invés de uma taxa de crescimento de 1,68%a.a., entre 1991 e 2000, Ribeirão Preto apresentaria uma taxa de 1,82%a.a. Por sua vez, sem o desmembramento municipal, Cajuru, ao invés de crescer a uma taxa de 0,31%a.a., cresceria a 1,24%a.a., e o município de Pitangueiras passaria de uma taxa de 0,67 para 1,61%a.a., no período de 1991 a 2000. Com isso, observa-se que o impacto do desmembramento municipal na taxa de crescimento populacional apresenta um diferencial, no caso da Região de Ribeirão Preto: ele é maior no caso dos municípios de Cajuru e Pitangueiras, pois se trata de um situação na qual dois micro municípios (com menos de 5 mil habitantes) – Santa Cruz da Esperança e Taquaral – foram originados a partir de dois municípios de pequeno porte, com população entre 20 e 50 mil habitantes. No caso de Ribeirão Preto, o impacto do desmembramento foi menor, pois se trata de uma situação na qual um município grande (com mais de 450 mil habitantes) deu origem a um pequeno município (com mais de 5 mil habitantes). Os componentes do crescimento populacional podem fornecer uma outra dimensão desse impacto na taxa de crescimento populacional nos municípios envolvidos nos desmembramentos municipais recente. Assim, tomando os dados da tabela 11, da seção seguinte, destaca-se que o crescimento vegetativo, entre 1991 e 2000, de Cajuru (2.787 pessoas) e Pitangueiras (5.135 pessoas) é superior à população dos municípios desmembrados. Considerando, por sua vez, os respectivos saldos migratórios, observa-se que grande parte da perda populacional sofrida pelos dois municípios – Cajuru perdeu 2.215 pessoas e Pitangueiras, 3.321 pessoas – deveuse ao desmembramento municipal. Em contraste, no caso de Ribeirão Preto observa-se que o surgimento de um novo município, com 6.365 habitantes, não se fez sentir nos componentes de seu crescimento populacional, pois o seu crescimento vegetativo foi de 45.543 pessoas e o seu saldo migratório representou um acréscimo de 24.477 pessoas à população municipal. Para complementar essa discussão, serão abordadas as mudanças na distribuição dos municípios, segundo classes de população, no período mais recente, entre 1991 e 2007, a partir dos dados do quadro 2: Pólo Econômico de Ribeirão Preto 49 Quadro 2: Número de municípios existentes, por classes de tamanho da população Região de Governo de Ribeirão Preto 1991-2007 1991 Classes de municípios n 2000 % n 2007 % n % Até 5.000 habitantes 2 9,1 3 12,0 3 12,0 5.000 a 10.000 habitantes 4 18,2 5 20,0 5 20,0 10.000 a 20.000 habitantes 5 22,7 4 16,0 4 16,0 20.000 a 50.000 habitantes 8 36,4 10 40,0 10 40,0 50.000 a 100.000 habitantes 2 9,1 2 8,0 1 4,0 100.000 a 500.000 habitantes 1 4,5 0 0,0 1 4,0 Acima de 500.000 habitantes 0 0,0 1 4,0 1 4,0 Total 22 100,0 25 100,0 25 100,0 Fonte: Fundação SEADE. De acordo com o quadro 2, destaca-se que, em 1991, antes do processo de criação de municípios característico dos anos 90, marcado pela criação preponderante de pequenos municípios, não somente no estado de São Paulo, mas em todas as unidades da federação do país (Gomes & Mac Dowell, 2000; 1997), a Região de Governo de Ribeirão Preto possuía 22 municípios, sendo que 8 municípios possuíam população entre 20 e 50 mil habitantes; 2 municípios possuíam entre 50 e 100 mil habitantes e a 1 município com mais de 400 mil habitantes. Ou seja, a região possuía, em 1991, 50% dos seus municípios com população superior a 20 mil habitantes, contrastando, por exemplo, com a região de Araçatuba, onde somente 15% dos seus municípios possuíam população superior a 20 mil habitantes. No outro extremo dessa rede de cidades, observa-se que 27% dos municípios possuíam, em 1991, população inferior a 10 mil habitantes, o que contrasta novamente com Araçatuba, onde 50% dos municípios possuíam menos de 10 mil habitantes. Com isso, observa-se que, em comparação com a região de Araçatuba, a região de Ribeirão Preto possuía, em 1991, uma rede urbana onde os municípios estão mais distribuídos entre as diferentes classes de tamanho populacional, resultante, entre outros fatores, como a forma de inserção dessa região na redistribuição das atividades econômicas do estado, da própria antiguidade dessa rede, cujos primeiros municípios se instalam já na segunda metade do século XIX (ver Figura I). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 50 Em 2000, essa estrutura na distribuição dos municípios da região de Ribeirão Preto sofre uma importante alteração, expressa, por um lado, por um pequeno crescimento na participação da classe de municípios de até 5 mil habitantes e da classe de 5 mil a 10 mil habitantes, e, por outro, do aumento da participação da classe de municípios com população entre 20 mil e 50 mil habitantes, e do surgimento de um município com mais de 500 mil habitantes (no caso, Ribeirão Preto). Essas alterações na hierarquia dos municípios da região ocorreram em função de dois fatores: os desmembramentos municipais da década de 1990 e o próprio crescimento populacional dos municípios. Já em 2007, apesar do crescimento populacional acima da média regional (vide tabela 10), registrado pela maioria dos municípios, a distribuição dos municípios pelas classes populacionais permaneceu, praticamente, a mesma, com a principal alteração sendo expressa pelo surgimento de um município na classe de 100 mil a 500 mil habitantes (caso de Sertãozinho), contribuindo para uma maior diversificação na hierarquia dos municípios dessa região. Com relação ao primeiro fator de alteração da hierarquia dos municípios, tem-se o processo emancipatório recente, cujas principais características estão resumidas nos dados constantes no quadro 3. A partir desses dados, observa-se que, entre 1991 e 2000, o país registrou a ocorrência de 1.405 desmembramentos municipais – número que representou ¼ do total dos municípios existentes no Brasil, em 2000 (Siqueira, 2003). Quadro 3: Número de municípios criados, durante a década de 1990 RG Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, Região Sudeste e Brasil (*) 1991-2000 RM Ribeirão Preto São Paulo Classes de municípios n % n % Sudeste n % Brasil n % Até 5.000 habitantes 5.000 a 10.000 habitantes 10.000 a 20.000 habitantes 20.000 a 50.000 habitantes 50.000 a 100.000 habitantes 100.000 a 500.000 habitantes 2 1 0 0 0 0 66,7 33,3 0,0 0,0 0,0 0,0 50 12 6 4 0 1 68,5 16,4 8,2 5,5 0,0 1,4 116 87 29 14 2 3 46,2 34,7 11,6 5,6 0,8 1,2 735 360 234 61 11 4 52,3 25,6 16,7 4,3 0,8 0,3 Total 3 100,0 73 100,0 251 100,0 1.405 100,0 Fonte: Fundação IBGE, para Brasil e Sudeste apud GOMES & MACDOWELL, 2000. Fundação SEADE, para São Paulo e RG Ribeirão Preto apud SIQUEIRA, 2003. (*) Para Brasil e Sudeste, os dados são de 1997 – o que torna necessária atualização dos dados, incluindo os desmembramentos a partir de 1997. No caso do estado de São Paulo e da Região de Ribeirão Preto, a fonte utilizada inclui todos os desmembramentos ocorridos no período, atualizados até o ano de 2000. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 51 Desses 1.405 novos municípios brasileiros criados, 78% (1.095 municípios) tratavam-se de pequenos municípios, ou seja, possuíam população inferior a 10.000 habitantes, sendo que, 735 municípios possuíam menos de 5.000 habitantes. Destaca-se, ainda, que a mesma tendência observada em nível nacional foi registrada nas escalas sub-nacionais. Assim, observa-se que a região Sudeste seguiu a tendência nacional, registrando, no mesmo período, a ocorrência de 251 desmembramentos municipais, onde 81% (203 municípios) possuíam menos de 10.000 habitantes. Por sua vez, no estado de São Paulo, durante 1991 e 2000, foram criados 73 municípios, que correspondem a 11% do total dos municípios paulistas existentes, nos permitindo afirmar que o processo emancipatório recente foi mais significativo em nível nacional do que no contexto paulista. Desses municípios, 62 (85%) possuíam população inferior a 10.000 habitantes; em contraste, foi criado somente um município no estado, no mesmo período, com população superior a 100.000 habitantes. Especificamente com relação ao estado de São Paulo, em Siqueira (2003) foi destacado que o processo emancipatório recente apresentou um significado peculiar: na década de 1990, ocorreu uma alteração na lógica de criação de municípios no estado. Nesse sentido, destaca-se que, até então, o ritmo do processo de criação de municípios, esteve diretamente relacionado pelo maior ou menor dinamismo econômico e populacional vivenciado pelas diferentes regiões paulistas. A partir de 1990, por sua vez, tendo já consolidado o processo de ocupação territorial do estado (Gonçalves, 1998), a lógica no desmembramento municipal passou a ser determinada, principalmente, pela dimensão político-institucional, a partir da qual a criação de um novo município não se constituiu na resultante direta de um significativo crescimento econômico e demográfico, mas teria representado um mecanismo para se beneficiar do espírito municipalista e descentralizante, presente na Constituição de 1988 (Siqueira, 2003). Assim, através da criação de novos municípios, grupos políticos locais buscavam ter acesso aos cargos públicos surgidos com o desmembramento e à parcela de transferências intergovernamentais proveniente, principalmente, do Fundo de Participação dos Municípios – FPM (Gomes e Mac Dowell, 2000 e 1997; Serra e Afonso, 1999). Por sua vez, se essas benesses foram o estímulo ao processo, o seu facilitador foi representado pelas regras e condições pouco rigorosas para a efetivação do processo de Pólo Econômico de Ribeirão Preto 52 surgimentos de novos municípios, elaboradas pelas diferentes Assembléias Estaduais, favorecendo enormemente a proliferação de micro-municípios por todo o país (Tomio, 2002). A Região de Ribeirão Preto, assim como a Região de Araçatuba, é uma expressão desse fenômeno dentro do estado de São Paulo, pois, de acordo com os dados do quadro 3, observa-se que os três municípios criados tinham população inferior a 10 mil habitantes, sendo que 1 estava na classe de 5 mil a 10 mil habitantes (Guatapará), que se desmembrou do município de Ribeirão Preto, com mais de 500 mil habitantes, em 2000, e dois tinham menos de 5.000 habitantes: Santa Cruz da Esperança e Taquaral, que se desmembraram, respectivamente, de Cajuru e Pitangueiras – municípios com população entre 20 mil e 50 mil habitantes (vide quadro 1). Esses desmembramentos municipais contribuíram para que o número de municípios com até 10 mil habitantes passasse de 6 para 8, de 1991 para 2000, significando um aumento na participação desses municípios, na rede urbana regional, de 27 para 32% (quadro 2). O segundo fator de alteração na estrutura da hierarquia dos municípios, no período 1991 a 2000, é expresso pelo crescimento populacional, principalmente de três municípios: por um lado, de Barrinha, cujo crescimento a uma taxa de 2,86 % a.a., entre 1991 e 2000 – superior à taxa regional (1,91% a.a.) –, e de Santa Rosa de Viterbo, que cresceu a uma taxa anual de 1,26%, fez com que os municípios passassem da classe de 10.000 a 20.000 para a classe de 20.000 a 50.000 (vide tabelas 9 e 10). Por outro lado, nota-se a importância demográfica do município de Ribeirão Preto que, no período 1991-2000, cresceu a uma taxa de 1,68%a.a., que fez com que o município passasse a fazer parte da classe de municípios com população acima de 500 mil habitantes, em 2000 (vide tabelas 9 e 10). Destaca-se ainda que, 35% desse crescimento deveu-se ao movimento migratório, através do qual o município teve um “ganho” de cerca de 24,4 mil pessoas, no período considerado (tabela 11, na próxima seção). Já em relação ao período 2000-2007, a principal alteração na estrutura de hierarquia de municípios refere-se ao crescimento populacional do município de Sertãozinho (1,64% a.a.) – superior à taxa regional de 1,55% a.a. –, que contribuiu para que a população desse município ultrapasse os 100.000 habitantes (tabelas 9 e 10). Com isso, observa-se que as mudanças ocorridas na estrutura de hierarquia dos municípios, no período 1991-2007, contribuíram para que, ao final do período, a Região de Ribeirão Preto apresentasse uma estrutura caracterizada por uma relativa diversificação de portes populacionais, quando comparado com o perfil existente em 1991. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 53 Assim, a região caracteriza-se, em 2007, pelo predomínio de municípios com população entre 20 mil e 50 mil habitantes (40% da rede) e pela existência de grandes municípios, com população acima de 90 mil habitantes, com destaque para Ribeirão Preto, que possui mais de 500 mil habitantes. No outro extremo, a região caracteriza-se por uma participação menos expressiva, em termos comparativos, de pequenos municípios (apenas 8 municípios – um terço da rede – possuem população inferior a 10 mil habitantes). Esse perfil de hierarquia de municípios, aliada à sua relativa antiguidade, pode resultar numa diversidade de situações de poder público local, onde, diferentemente da Região de Araçatuba, não se tem uma polarização de situações, ou seja, a coexistência de prefeituras de poucos municípios de porte grande com o grande número de prefeituras de pequenos municípios. Assim, a distribuição mais diversificada dos municípios da região de Ribeirão Preto por porte populacional favorece a coexistência e inter-relação entre prefeituras com graus diferenciados de margem de tomada de decisão, de recursos disponíveis e de organização institucional; além disso, a relativa antiguidade da maioria dos municípios favorece também uma certa diversidade em relação à experiência prévia acumulada. Essa diversidade institucional no governo local, em âmbito regional, aliada a existência de certa complementaridade entre os municípios, revelada pela pesquisa de campo, pode significar um elemento importante na implementação de políticas públicas, particularmente as de transferências de renda e geração de renda, cuja performance é bastante influenciada pelas condições locais, tanto institucionais quanto de recursos humanos. Movimentos Migratórios Inter e Intra-Regionais A participação dos componentes vegetativo e migratório no crescimento populacional possibilita caracterizar a evolução demográfica desta Região de Governo. Observa-se, a partir dos dados da tabela 11, que grande parcela do crescimento absoluto desta região se deveu ao componente vegetativo, no período de 1970 a 2007, embora tenha havido significativa participação da migração, sendo que, na década de 1970, ela correspondeu a 47% do crescimento absoluto da população. Os anos 80 revelaram uma redução dos movimentos migratórios para as áreas tradicionais de atração do Estado de São Paulo, inclusive para a RG de Ribeirão Preto, onde a Pólo Econômico de Ribeirão Preto 54 migração, nesse período, correspondeu a 35% do crescimento total, mantendo essa região como importante pólo de atração populacional. Já entre 1991 e 2000, o componente vegetativo foi responsável por 65,7% do crescimento populacional total, enquanto o saldo migratório respondeu por 34,3%. No período de 2000 a 2007, a participação do componente migratório no crescimento total da região aumenta um pouco, passando para 39,2%. Apesar deste aumento na participação relativa, entretanto, em termos absolutos, o número total de imigrantes que chegam à região é inferior ao de períodos anteriores. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 55 Tabela 11: Crescimento Absoluto Populacional, Crescimento Vegetativo e Saldo Migratório Região de Governo de Ribeirão Preto 1970/2007 Municípios Altinópolis Barrinha Brodowski Cajuru Cássia dos Coqueiros Cravinhos Dumont Guariba Guatapará Jaboticabal Jardinópolis Luís Antônio Monte Alto Pitangueiras Pontal Pradópolis Ribeirão Preto Santa Cruz da Esperança Santa Rosa do Viterbo Santo Antonio da Alegria São Simão Serra Azul Serrana Sertãozinho Taquaral RG RIBEIRÃO PRETO Crescimento Absoluto Crescimento Vegetativo Saldo Migratório 1970/80 1980/91 91/2000 2000/2007 1970/80 1980/91 91/2000 2000/2007 1.925 891 1.844 4.133 6.253 5.414 2.873 2.592 3.348 2.512 4.003 572 -47 200 153 2.712 5.551 5.932 251 1.660 1.348 7.445 9.850 2.442 * * * 8.206 12.124 8.389 2.685 4.441 6607 -150 2.875 1.369 9.701 8.506 3.967 2.794 10.824 1.814 3.011 6.033 6.914 2.041 2.026 3.046 105.617 117.224 70.020 * * * 2.595 4.753 2.290 809 -204 688 -2.058 1.306 1703 74 1.351 1.292 5.341 8.768 9502 20.478 27.063 16.233 * * * 182.948 238.090 165.768 1.510 4.253 2.412 1.800 209 4.428 1.022 2.057 723 5.703 5065 995 2.897 3.627 5.106 2.169 52.994 135 1.407 484 1305 981 7169 11.380 140 119.971 1.958 2.556 1.585 1.780 3.682 3.303 1.655 2.308 1.787 2.828 3.515 2.787 420 445 331 2.958 3.660 2.939 651 1.054 638 3.275 7.028 5.082 * * * 6.689 9.452 5.620 3.077 4.084 3.257 448 603 1.050 4.252 6.275 3.759 2.755 5.450 5.135 3.086 4.778 4.469 1.394 2.118 1.352 43.666 69.255 45.543 * * * 2.169 3.225 2.344 634 959 516 1.346 1.591 1.152 741 1.105 1.012 2.245 4.630 4.551 9.154 15.575 10.770 * * * 97.181 153.348 108.982 979 2.447 1.198 1.513 135 1.898 437 2.625 500 3.575 2.285 814 1.819 3.218 3.517 1.111 31.708 101 1.155 265 691 625 3.383 6.822 174 72.995 1970/80 1980/91 91/2000 2000/2007 -33 2.353 1.218 -316 -467 -246 -400 4.170 * 1.517 -392 -598 5.449 39 -75 647 61.951 * 426 175 -3.404 -667 3.096 11.324 * 85.767 -1.665 2.571 284 488 -245 1.891 606 2.822 * 2.672 357 2.272 2.231 5.374 1.255 -92 47.969 * 1.528 -1.163 -285 246 4.138 11.488 * 84.742 259 2.111 1.561 -2.215 -178 2.993 710 -2.640 * 2.769 3.350 319 208 -3.321 2.445 1.694 24.477 * -54 172 551 280 4.951 5.463 * 56.786 531 1.806 1.214 287 74 2.530 585 -568 223 2.128 2.780 181 1.078 409 1.589 1.058 21.286 34 252 219 614 356 3.786 4.558 -34 46.976 Fonte: Fundação IBGE. Censos Demográficos de 1970 a 2000; Fundação SEADE. Projeção populacional de 2007. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. (*) Dados não disponíveis - municípios criados na década de 1990 Pólo Econômico de Ribeirão Preto 56 Considerando-se os saldos migratórios por município, em diferentes períodos, entre 1970 e 2007, através dos dados da Tabela 11, notam-se diferenças significativas entre eles. O município de Ribeirão Preto apresentou o maior saldo migratório nos períodos inter-censitários considerados: cerca de 62 mil pessoas, no período 1970-1980 (o que corresponde a quase 60% de seu crescimento populacional total nesta década); 47 mil pessoas, no período 1980-1991, e, aproximadamente, 24.500 pessoas, no período 19912000. Já no período 2000-2007, o município de Ribeirão Preto mantém sua preponderância, apresentando um saldo migratório que indica a entrada de cerca de 21 mil pessoas. Apesar da marcada redução no volume absoluto do saldo migratório de Ribeirão Preto, entre 1970 e 2007, a participação relativa do mesmo, no crescimento populacional total do município, oscila ao longo das décadas. Em 1980, por exemplo, o saldo migratório era responsável por 40,9% do crescimento populacional de Ribeirão Preto, enquanto que no período de 1991 a 2000, este valor cai para aproximadamente 35%. Entretanto, nos anos de 2000 a 2007, houve um aumento da participação relativa do saldo migratório, que passa a responder por 40,2% do crescimento populacional do município. Dentre os demais municípios da RG, Sertãozinho é aquele que, depois de Ribeirão Preto, mais recebeu imigrantes entre 1970 e 2007. A maior participação relativa do componente migratório no crescimento deste município é verificada nos anos 70, quando responde por 55,3% de seu acréscimo populacional total. Por sua vez, municípios como Cajuru, Cravinhos e Dumont passaram de saldos negativos para positivos, ao longo das décadas analisadas. Na verdade, de modo geral, é possível notar que o número de municípios com saldos migratórios negativos vem se reduzindo ao longo das décadas. Em 1970/80, 10 municípios da RG possuíam saldos negativos – São Simão, Jardinópolis e Cravinhos, entre outros; em 1980/91, este número cai pela metade, e os municípios que mais perdem população através da emigração passam a ser Altinópolis e Santo Antonio da Alegria. Entre 1991/2000, este número permanece e, finalmente, em 2000/2007, apenas Guariba e Taquaral registram saldos migratórios negativos. É interessante notar que, sem exceção, todos os municípios da RG apresentam um aumento no crescimento vegetativo na década de 1980, em comparação com a década anterior. Ainda vale ressaltar que este aumento se verifica somente nos anos 80, já que, entre 1991 e 2000, os valores do crescimento vegetativo passam a reduzir novamente (somente o município de Luis Antônio apresenta um valor superior ao da década de 1980). Entre 2000 e 2007, por sua vez, o crescimento vegetativo de todos os municípios reduz, em relação ao período anterior. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 57 Segundo Pires (1994), com os dados censitários de 1980, pôde-se verificar que a RG de Ribeirão Preto recebeu um contingente migratório de 122.696 mil pessoas nos anos 70, sendo que 62,4% deste total corresponderam a migrantes do próprio Estado de São Paulo e 37,6% a migrantes interestaduais. Ainda de acordo com a autoria, do total dos imigrantes que se deslocaram de outros estados para a RG de Ribeirão Preto, na década de 70, verifica-se que 27,8% eram procedentes do estado do Paraná e 46,6% do estado de Minas Gerais. Os estados da Região Nordeste foram responsáveis por 11,5% do volume de imigração interestadual para a RG, nessa década5 (PIRES, 1994, p.40). Já no período de 1995 a 2000, o perfil dos fluxos interestaduais para a RG de Ribeirão Preto se alterou bastante. Os dados apresentados pela tabela 12 mostram que o valor absoluto total dos fluxos interestaduais para a RG foi de pouco mais de 32.000 pessoas. A participação dos Estados nordestinos no volume total de fluxos migratórios tornouse substancialmente maior. 33,5% dos migrantes que se dirigiram para a região vinham de alguma parte do Nordeste, sendo que a Bahia foi responsável pela maior parte dos fluxos: 15,5%. Por outro lado, a participação do Estado do Paraná diminuiu bastante, passando de mais de 25%, na década de 1970, para 8,7%, em 1995/2000. A região Sudeste (exceto o Estado de São Paulo) é a que mais fornece imigrantes para a RG de Ribeirão Preto, sendo responsável por 39,1% dos fluxos. Os Estados da região Sul, por sua vez, contribuem com 11,5% dos fluxos, representando a terceira corrente mais volumosa para a RG, atrás do Nordeste. A participação do Centro-Oeste também é significativa, com destaque para o Estado de Goiás. 5 PIRES, 1994, p.40. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 58 Tabela 12: Movimentos Migratórios Interestaduais Região de Governo de Ribeirão Preto 1995/2000 Grandes Regiões e Estados Região Sudeste (exceto SP) Valor Absoluto do Fluxo Distribuição Relativa 12.502 39,1 Região Sul Paraná 3.666 2.774 11,5 8,7 Região Centro Oeste Goiás 3.435 1.403 10,7 4,4 10.717 4.953 33,5 15,5 1.256 3,9 426 32.002 1,3 100,0 Região Nordeste Bahia Região Norte Brasil s/ espec. e s/ decl. Total Interestadual Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Já no que se refere à migração intra-estadual, na década de 1970, a RG de Ribeirão Preto recebeu cerca de 62 mil migrantes paulistas, sendo que o maior contingente era proveniente da Região Metropolitana de São Paulo (mais de 18 mil pessoas)6. Porém, foi nas trocas migratórias com as RGs vizinhas que Ribeirão Preto mais “ganhou” população. A RG de Franca, por exemplo, contribuiu com mais de 12.000 imigrantes, compondo o segundo fluxo migratório mais intenso para a RG de Ribeirão Preto neste período. Juntas, a RMSP e as RGs de Franca, Barretos, São Joaquim da Barra e Araraquara foram responsáveis por mais de 80% dos fluxos migratórios totais para a região7. Com relação à migração intra-estadual, no período 1995-2000, os dados da tabela 13 apontam para um cenário diferente. Em primeiro lugar, nota-se a diminuição do volume total dos fluxos migratórios, de mais de 60.000 pessoas para somente 34.587. Embora a distribuição relativa dos imigrantes da RMSP tenha aumentado (de 29,4% para 34,27%), o valor absoluto dos fluxos provenientes deste local de origem reduziu, passando para 11.853 pessoas. Do mesmo modo, as RGs de Franca, Barretos, São Joaquim da Barra e Araraquara também diminuíram sua participação em relação ao total dos fluxos migratórios. 6 7 PIRES, 1994, p.43. Idem. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 59 Por outro lado, as RGs de Campinas, São Carlos e São João da Boa Vista aumentaram a sua participação relativa na distribuição total dos fluxos direcionados à região de Ribeirão Preto. O conjunto de outras RGs também passa a compor um volume de fluxos mais significativo, que corresponde a 22,23% do total. Tabela 13: Movimentos Migratórios Intra-Estaduais Região de Governo de Ribeirão Preto 1995/2000 Origem dos Imigrantes Valor Absoluto dos Fluxos Região Metropolitana de São Paulo Distribuição Relativa (%) 11.853 34,27 Franca 3.546 10,25 Barretos 3.272 9,46 Araraquara 2.099 6,07 Campinas 1.479 4,28 São Joaquim da Barra 1.262 3,65 São Carlos 1.139 3,29 São José Rio Preto 1.133 3,28 São João Boa Vista 1.117 3,23 Outras RGs 7.687 22,23 34.587 100,00 Total Intra-Estadual Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Já o movimento emigratório intra-estadual, no período 1995-2000, é evidenciado a partir dos dados da tabela 14. Percebe-se que, neste período, 70.596 pessoas saíram da RG de Ribeirão Preto, sendo que, dentre estas, 30.770 tiveram como destino outras localidades do Estado de São Paulo (43,59% do total dos fluxos). Mais de 16% dos emigrantes intra-estaduais se dirigiram para a RMSP, o que corresponde a um valor absoluto de pouco mais de 5.000 pessoas. Do mesmo modo, as RGs de Franca e Barretos foram pólos bastante atrativos para os emigrantes da região, recebendo, juntas, mais de 7.000 pessoas (23,65% do total dos fluxos). Araraquara e Campinas também desempenham um papel relevante, sendo destino de mais de 2.600 emigrantes da região, cada uma. Ainda vale ressaltar que outras RGs do Estado, em conjunto, receberam pouco mais de 27% do total de emigrantes intra-estaduais da RG de Ribeirão Preto. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 60 Tabela 14: Movimentos Emigratórios Intra-Estadual Região de Governo de Ribeirão Preto 1995/2000 Valor Absoluto dos Destino dos Emigrantes Fluxos Distribuição Relativa (%) RM São Paulo 5.093 16,55 Franca 3.879 12,61 Barretos 3.397 11,04 Araraquara 2.675 8,69 Campinas 2.628 8,54 São José Rio Preto 1.347 4,38 São Carlos 1.192 3,87 Santos 1.133 3,68 S Joaquim da Barra 1.072 3,48 Outras RGs 8.354 27,15 Total Estado de São Paulo 30.770 100,00 Total Intra-Estadual 30.770 43,59 Outros Estados 39.826 56,41 Total Brasil 70.596 100,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. De acordo com Pires (1994), os dados sobre as trocas migratórias líquidas referentes à região de Ribeirão Preto, no período 1970-1980, evidenciam que a RG apresentou um saldo migratório final positivo, com um acréscimo de 18.638 pessoas. Das trocas realizadas com a RG de Franca, resultou o maior saldo para Ribeirão Preto: 8.032 pessoas. A RG de Barretos vem logo em seguida, contribuindo com um saldo de mais de 5.500 pessoas para a RG de Ribeirão Preto. Destacam-se também as contribuições da RMSP e da RG de São Joaquim da Barra nas trocas migratórias com a RG de Ribeirão Preto, sendo que cada uma delas apresentou troca líquida final de mais de 3.000 pessoas8. 8 PIRES, 1994, p.43. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 61 Por outro lado, a maior perda de população da RG de Ribeirão Preto foi para a RG de Campinas. Para esta emigraram 4.660 pessoas e imigraram 2.068, resultando em uma perda líquida de 2.592 pessoas. Outra RG que se destacou por ter “ganho” população nas trocas migratórias com Ribeirão Preto foi São Carlos, com quase 900 pessoas9. Por sua vez, As trocas migratórias líquidas da região de Ribeirão Preto, no período 1995-2000, são evidenciadas pelos dados da tabela 15. Nota-se, mais uma vez, que houve uma alteração significativa dos padrões migratórios intra-estaduais. Tanto o número total de imigrantes para a RG quanto o número total de emigrantes da RG diminuem sensivelmente em relação à década de 1970, embora em ritmos distintos. Essa redução acaba se manifestando, também, nas trocas líquidas finais referentes à população ganha pela RG de Ribeirão Preto: em 1970, o acréscimo populacional resultante da migração foi de 18.639 pessoas e entre 1995/2000, este valor cai para somente 3.817 pessoas. Tabela 15: Trocas Líquidas Populacionais Intra-Estaduais Região de Governo de Ribeirão Preto 1995/2000 Regiões Imigrantes para a RG Emigrantes da RG Troca Líquida RM São Paulo Franca Barretos Araraquara Campinas São Joaquim da Barra São Carlos São José Rio Preto São João Boa Vista Outras RGs 11.853 3.546 3.272 2.099 1.479 1.262 1.139 1.133 1.117 7.687 5.093 3.879 3.397 2.675 2.628 1.072 1.192 1.347 1.048 8.439 6.760 -333 -125 -576 -1.149 190 -53 -214 69 -752 Total 34.587 30.770 3.817 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Além disso, é possível verificar grandes mudanças nos perfis das trocas migratórias mais específicas entre Ribeirão Preto e outras RGs do estado de São Paulo. Na década de 1970, por exemplo, a RG de Franca era aquela que mais contribuía com o crescimento populacional da RG de Ribeirão Preto, através da imigração. No período 1995/2000, entretanto, a troca líquida entre as duas regiões passa a ser negativa, ou seja, é a RG de Ribeirão Preto que perde população para Franca. As trocas migratórias líquidas das RGs de 9 Idem. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 62 Barretos e São Joaquim da Barra também sofrem quedas bruscas, sendo que a primeira delas se torna, inclusive, negativa. Devido, principalmente, à redução do número total de emigrantes da RG de Ribeirão Preto em direção à RMSP, a troca líquida final entre estas duas regiões resultou positiva e relativamente mais elevada que na década de 1970. Nos anos 70, a RG de Ribeirão apresentava um saldo de 3.398 pessoas vindas da RMSP, enquanto em 1995/2000, este número sobe para 6.760 pessoas. De modo geral, pode-se dizer que a RG de Ribeirão Preto apresentou maiores perdas populacionais relativas no período de 1995 a 2000, do que na década de 1970. Através da tabela 25 percebe-se que as trocas migratórias líquidas para a RG de Ribeirão Preto foram positivas em somente três casos: com a RMSP, com a RG de São Joaquim da Barra e com a RG de São João da Boa Vista. Nos demais casos, houve perda de população da RG para outras regiões do Estado. No contexto intra-regional, durante a década de 1970, cerca de 32 mil pessoas declararam ter mudado, pelo menos, uma vez, de município. Nos anos 80, os municípios do entorno regional passaram a exibir saldos migratórios mais elevados do que na década anterior, muito embora o município de Ribeirão Preto concentrasse o maior saldo migratório da Região10. Por sua vez, as trocas migratórias intra-regionais, no período 1995-2000, são evidenciadas pelos dados da tabela 16. Observa-se que a maior parte dos municípios da RG obteve saldos positivos, sendo que os municípios com maior saldo de migração intraregional no período foram Jardinópolis (1.167 pessoas) e Cravinhos (1.082 pessoas). Serrana e Brodowski também apresentaram saldos relativamente elevados, superiores a 500 pessoas, cada um. É válido ressaltar que municípios como Sertãozinho e Jaboticabal receberam número significativo de imigrantes neste período, mas, devido aos valores também elevados de emigração, não apresentaram saldos finais muito elevados. De modo semelhante, o município-sede de Ribeirão Preto é o que mais recebe imigrantes (4.222), mas apresenta um saldo migratório negativo (-2.782) devido ao grande número de habitantes que perde através da emigração (7.004). Após Ribeirão Preto, o município que registra menor saldo migratório é Guariba, com perda líquida de 944 pessoas, seguido por Pitangueiras, com saldo de -220 habitantes. 10 PIRES, 1994, p.43. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 63 Tabela 16: Volumes de Imigração e Emigração Intra-Regional Região de Governo de Ribeirão Preto 1995/2000 Municípios da RG Imigrantes Saldo Migratório IntraRegional Emigrantes Altinópolis 553 381 172 Barrinha 654 823 -169 Brodowski 661 142 519 Cajuru 501 642 -141 Cássia dos Coqueiros 124 111 13 1.082 Cravinhos 1.635 553 Dumont 523 248 275 Guariba 465 1.409 -944 Guatapará 213 160 53 Jaboticabal 1.092 1.005 87 Jardinópolis 1.529 362 1.167 Luís Antônio 360 254 106 Monte Alto 553 398 155 Pitangueiras 534 754 -220 Pontal 494 624 -130 Pradópolis 496 361 135 4.222 7.004 -2.782 Ribeirão Preto Santa Cruz da Esperança 162 47 115 Santa Rosa do Viterbo 414 579 -165 Santo Antonio da Alegria 189 184 5 São Simão 648 553 95 Serra Azul 413 498 -85 Serrana 1.420 826 594 Sertãozinho 1.876 1.729 147 2 86 -84 19.733 19.733 0 Taquaral RG RIBEIRÃO PRETO Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Tabulações Especiais NEPO/UNICAMP. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Os dados da tabela 17 ilustram os principais fluxos migratórios intra-regionais dos municípios que compõem a RG de Ribeirão Preto, de maneira mais detalhada. O município de Ribeirão Preto é aquele que mais forneceu população para outras localidades da RG. Dos 25 municípios que compõem a RG, 22 tiveram Ribeirão Preto como um dos três principais municípios de origem de imigrantes. No caso de Jardinópolis, por exemplo, 80,84% dos imigrantes vieram do município-sede. Cravinhos também apresentou perfil semelhante, recebendo mais de 80% de seus imigrantes de Ribeirão Preto. Por outro lado, muitas cidades também perderam população para Ribeirão Preto. Sertãozinho, Jaboticabal e Serrana foram as localidades que mais forneceram migrantes Pólo Econômico de Ribeirão Preto 64 para o município-sede. O município de Sertãozinho, além de perder população para Ribeirão Preto, também forneceu emigrantes para Pontal e Barrinha, em menor proporção. Jaboticabal, por sua vez, forneceu população para Ribeirão Preto, Guariba e Monte Alto, e também recebeu um número significativo de imigrantes de Guariba (45,88% do total). Já o município de Serrana, que também apresentou valores significativos de imigração, recebeu população de Ribeirão Preto, Serra Azul e Santa Rosa do Viterbo. De modo geral, é possível afirmar que os fluxos migratórios intra-regionais são, em sua grande maioria, movimentos de curta distância. Ou seja, os migrantes tendem a se deslocar entre os municípios mais próximos. Tabela 17: Fluxos Migratórios Intra-Regionais Numericamente mais Importantes RG de Ribeirão Preto 1995/2000 Imigrantes Emigrantes Destino Municípios n % Municípios Altinópolis Ribeirão Preto 233 42,13 Ribeirão Preto Barrinha 88 15,91 Serrana 73 19,16 Cajuru 74 13,38 Cajuru 53 13,91 Outros 158 28,57 Outros 82 21,52 Total Sertãozinho 553 214 100,00 32,72 Total Ribeirão Preto 381 303 100,00 36,82 Ribeirão Preto 134 20,49 Jaboticabal 159 19,32 88 13,46 Sertãozinho 141 17,13 Outros 218 33,33 Outros 220 26,73 Total Ribeirão Preto 654 500 100,00 75,64 Total Ribeirão Preto 823 82 100,00 57,75 Jardinópolis 87 13,16 Jardinópolis 41 28,87 Serrana 31 4,69 Sertãozinho 10 7,04 Outros 43 6,51 Outros 9 6,34 661 100,00 Total 142 100,00 Imigrantes Municípios Ribeirão Preto Emigrantes n 167 % 33,33 Municípios Ribeirão Preto n 182 % 28,35 Santa Rosa Viterbo 93 18,56 Santa Cruz Esperança 90 14,02 Cássia dos Coqueiros 81 16,17 Santa Rosa Viterbo 81 12,62 Outros 160 31,94 Outros 289 45,02 Total Cajuru 501 50 100,00 40,32 Total Cajuru 642 81 100,00 72,97 Total Destino Cajuru Cássia dos Coqueiros % 45,41 Serrana Pradópolis Brodowski n 173 Pólo Econômico de Ribeirão Preto 65 Santo Antonio Alegria 36 29,03 Ribeirão Preto Ribeirão Preto 30 24,19 8 6,45 Outros Cravinhos Dumont Guariba Guatapará Total Ribeirão Preto Santa Cruz Esperança 7 6,31 Outros 0 0,00 Total Ribeirão Preto 111 260 100,00 47,02 90 5,50 Serrana 79 14,29 Serrana 73 4,46 Jardinópolis 74 13,38 Outros 158 9,66 Outros 140 25,32 553 70 100,00 28,23 Total Ribeirão Preto 1.635 361 100,00 69,02 Total Ribeirão Preto Sertãozinho 83 15,87 Sertãozinho 55 22,18 Pradópolis 43 8,22 Pradópolis 44 17,74 Outros 36 6,88 Outros 79 31,85 Total Jaboticabal 523 246 100,00 52,90 Total Jaboticabal 248 501 100,00 35,56 Monte Alto 66 14,19 Ribeirão Preto 271 19,23 Sertãozinho 53 11,40 Pradópolis 163 11,57 Outros 100 21,51 Outros 474 33,64 Total Guariba 465 56 100,00 26,29 Total Ribeirão Preto 1.409 76 100,00 47,50 Sertãozinho 46 21,60 Cajuru 33 20,63 Ribeirão Preto 35 16,43 Guariba 18 11,25 Outros 76 35,68 Outros 33 20,63 213 100,00 Total 160 100,00 Emigrantes n 501 % 45,88 Municípios Ribeirão Preto n 439 % 43,68 Ribeirão Preto 205 18,77 Guariba 246 24,48 Barrinha 159 14,56 Monte Alto 117 11,64 Outros 227 20,79 Outros 203 20,20 1.092 1.236 100,00 80,84 Total Ribeirão Preto 1.005 121 100,00 33,43 Destino Jardinópolis 100,00 80,37 20,72 São Simão Total Jaboticabal 124 1.314 23 Imigrantes Municípios Guariba Total Ribeirão Preto Cravinhos 74 4,84 Brodowski 87 24,03 Pontal 60 3,92 Sertãozinho 34 9,39 Outros 159 10,40 Outros 120 33,15 Pólo Econômico de Ribeirão Preto 66 Luís Antônio Monte Alto Pitangueiras Pontal Total São Simão 1.529 86 100,00 23,89 Total São Simão 362 68 100,00 26,77 Ribeirão Preto 72 20,00 Ribeirão Preto 58 22,83 Serra Azul 69 19,17 Serrana 40 15,75 Outros 133 36,94 Outros 88 34,65 Total Ribeirão Preto 360 189 100,00 34,18 Total Ribeirão Preto 254 167 100,00 41,96 Guariba 121 21,88 Jaboticabal 92 23,12 Jaboticabal 117 21,16 Guariba 66 16,58 Outros 126 22,78 Outros 73 18,34 Total Ribeirão Preto 553 143 100,00 26,78 Total Ribeirão Preto 398 304 100,00 40,32 Sertãozinho 129 24,16 Sertãozinho 184 24,40 Pontal 109 20,41 Serrana 67 8,89 Outros 153 28,65 Outros 199 26,39 Total Sertãozinho 534 282 100,00 57,09 Total Sertãozinho 754 267 100,00 42,79 Ribeirão Preto 68 13,77 Pitangueiras 109 17,47 Guariba 44 8,91 Ribeirão Preto 105 16,83 Outros 100 20,24 Outros 143 22,92 Total 494 100,00 Total 624 100,00 Emigrantes n 163 % 32,86 n Barrinha 88 % 24,38 Ribeirão Preto 94 18,95 Sertãozinho 63 17,45 Monte Alto 46 9,27 Ribeirão Preto 60 16,62 Outros 193 38,91 Outros 150 41,55 Total Sertãozinho 496 696 100,00 16,49 Total Cravinhos 361 1.314 100,00 18,76 Jaboticabal 439 10,40 Jardinópolis 1.236 17,65 Serrana 350 8,29 Sertãozinho 805 11,49 Outros 2.737 64,83 Outros 3.649 52,10 Total 4.222 100,00 Total 7.004 100,00 Cajuru 90 55,56 São Simão 25 53,19 Ribeirão Preto 35 21,60 Serra Azul 22 46,81 Serrana 15 9,26 Destino Pradópolis Ribeirão Preto Santa Cruz da Esperança Imigrantes Municípios Guariba Municípios Pólo Econômico de Ribeirão Preto 0,00 67 Outros 22 13,58 Outros 162 164 100,00 39,61 Total Ribeirão Preto 47 169 100,00 29,19 Ribeirão Preto 95 22,95 Serrana 113 19,52 Cajuru 81 19,57 Cajuru 93 16,06 Outros 74 17,87 Outros 204 35,23 414 100,00 Total 579 100,00 Ribeirão Preto 85 44,97 Ribeirão Preto 57 30,98 Altinópolis 39 20,63 Cajuru 44 23,91 Sertãozinho 30 15,87 Cássia dos Coqueiros 36 19,57 Outros 35 18,52 Outros 47 25,54 189 350 100,00 54,01 Total Santa Rosa Viterbo 184 164 100,00 29,66 Santa Rosa Viterbo 76 11,73 Ribeirão Preto 160 28,93 Luís Antonio 68 10,49 Cravinhos 90 16,27 Outros 154 23,77 Outros 139 25,14 Total 648 100,00 Total 553 100,00 Emigrantes n 176 % 42,62 Serrana n 171 % 34,34 Serrana 89 21,55 Ribeirão Preto 96 19,28 Cravinhos 46 11,14 Luís Antonio 69 13,86 Outros 102 24,70 Outros 162 32,53 Total Ribeirão Preto 413 655 100,00 46,13 Total Ribeirão Preto 498 350 100,00 42,37 Serra Azul 171 12,04 Serra Azul 89 10,77 Santa Rosa Viterbo 113 7,96 Altinópolis 88 10,65 Outros 481 33,87 Outros 299 36,20 1.420 805 100,00 42,91 Total Ribeirão Preto 826 696 100,00 40,25 Pontal 267 14,23 Pontal 282 16,31 Pitangueiras 184 9,81 Barrinha 214 12,38 Outros 620 33,05 Outros 537 31,06 1.876 2 100,00 100,00 Total Pitangueiras 1.729 48 100,00 55,81 Total Santa Rosa de Viterbo São Simão Total Santo Antonio da Alegria São Simão Destino Serra Azul Serrana Sertãozinho Taquaral Total Ribeirão Preto Imigrantes Municípios Ribeirão Preto Total Ribeirão Preto Total Pitangueiras 0 Municípios Pólo Econômico de Ribeirão Preto 68 0,00 0,00 Jaboticabal 12 13,95 0,00 Jardinópolis 10 11,63 Outros 16 18,60 Total 86 100,00 Outros 0 0,00 Total 2 100,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000 (tabulações especiais). Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 69 Estrutura Etária – RG de Ribeirão Preto Gráfico 6 Estrutura Etária por sexo RG de Ribeirão Preto – 2000 Estrutura Etária - RG Ribeirão Preto - 2000 Homens Mulheres 80 anos e mais 75 a 79 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Ao analisar-se a estrutura etária da população residente na RG de Ribeirão Preto (Gráfico I), no ano de 2000, é possível perceber algumas características mais marcantes, que seguem as tendências verificadas para o Estado de São Paulo. Um primeiro aspecto que chama a atenção é o estreitamento da base, indicando uma queda da taxa de fecundidade, em relação às décadas anteriores. Apesar da população jovem ainda ser bastante significativa, nota-se que o peso relativo das idades mais adultas vem se tornando considerável. Da mesma forma, a participação de idosos também é relativamente elevada. No que se refere à proporcionalidade entre homens e mulheres, para as diferentes faixas etárias, percebe-se que, nas primeiras idades, o número de homens é um pouco maior que o de mulheres. Entretanto, nas faixas etárias jovens e adultas, o número de mulheres vai aumentando aos poucos, tornando-se superior ao de homens. É nas faixas etárias idosas, a partir dos 60 anos de idade, que esta predominância se torna mais evidente. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 70 Partindo para uma análise mais detalhada das pirâmides etárias específicas de cada município da região, pode-se perceber a existência de alguns caracteres destoantes entre si. O município-sede de Ribeirão Preto (Gráfico XVIII) é aquele que apresenta características mais próximas das contidas na pirâmide da Região de Governo. Isto se deve, principalmente, ao grande peso populacional exercido por Ribeirão Preto dentro da região. Dentre os demais municípios, as pirâmides de Cravinhos (Gráfico VII), Jaboticabal (Gráfico XI), Jardinópolis (Gráfico XII), Monte Alto (Gráfico XIV) e Sertãozinho (Gráfico XXV) também estão entre as que mais se assemelham à estrutura etária da RG. Em alguns municípios, por outro lado, a estrutura etária se mostra bastante diferente do perfil verificado para a RG, como um todo. Barrinha (Gráfico III), Guariba (Gráfico IX), Luis Antônio (Gráfico XIII), Pontal (Gráfico XVI), Pitangueiras (Gráfico XV), Serrana (Gráfico XXIV) e Serra Azul (Gráfico XXIII), por exemplo, apresentam uma base piramidal ainda bastante larga, indicando que suas taxas de fecundidade permanecem relativamente altas. A população destes municípios ainda é predominantemente jovem e o peso relativo da parcela idosa é menor, se comparada com a da RG. Por fim, vale destacar que, em algumas das pirâmides, é possível notar os efeitos dos movimentos migratórios. As pirâmides de Cássia dos Coqueiros (Gráfico VI), Dumont (Gráfico VIII), Santo Antônio da Alegria (Gráfico XXI) e Taquaral (Gráfico XXVI), por exemplo, apresentam características que podem, facilmente, ser interpretadas como resultado dos fluxos migratórios de e para estes municípios, em diferentes faixas etárias. Entretanto, é importante ressaltar que, em certos casos, o volume total da população também pode interferir na constituição das pirâmides. Ou seja, quanto menor a população total do município, maiores serão os efeitos aparentes das migrações (bem como dos nascimentos e óbitos) sobre o perfil das pirâmides. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 71 Gráfico II Estrutura Etária por sexo Altinópolis - 2000 Gráfico III Estrutura Etária por sexo Barrinha - 2000 Estrutura Etária - Altinópolis - 2000 Estrutura Etária - Barrinha - 2000 Homens Mulheres Homens Mulheres 80 anos e mais 80 anos e mais 75 a 79 anos 75 a 79 anos 70 a 74 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 6,00 0 a 4 anos 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Gráfico IV Estrutura Etária por sexo Brodowski - 2000 Gráfico V Estrutura Etária por sexo Cajuru - 2000 Estrutura Etária - Cajuru - 2000 Estrutura Etária - Brodowski - 2000 Homens Homens Mulheres Mulheres 80 anos e mais 80 anos e mais 75 a 79 anos 75 a 79 anos 70 a 74 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 0 a 4 anos 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 72 Gráfico VI Estrutura Etária por sexo Cássia dos Coqueiros - 2000 Gráfico VII Estrutura Etária por sexo Cravinhos - 2000 Estrutura Etária - Cravinhos - 2000 Estrutura Etária - Cássia dos Coqueiros - 2000 Homens Homens Mulheres Mulheres 80 anos e mais 80 anos e mais 75 a 79 anos 75 a 79 anos 70 a 74 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 0 a 4 anos 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Gráfico VIII Estrutura Etária por sexo Dumont - 2000 Gráfico IX Estrutura Etária por sexo Guariba - 2000 Estrutura Etária - Dumont - 2000 Homens Estrutura Etária - Guariba - 2000 Mulheres Homens 80 anos e mais 75 a 79 anos 70 a 74 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 6,00 Mulheres 80 anos e mais 75 a 79 anos 0 a 4 anos 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 73 Gráfico X Estrutura Etária por sexo Guatapará - 2000 Gráfico XI Estrutura Etária por sexo Jaboticabal - 2000 Estrutura Etária - Guatapará - 2000 Homens Mulheres Estrutura Etária - Jaboticabal - 2000 80 anos e mais Homens Mulheres 75 a 79 anos 80 anos e mais 70 a 74 anos 75 a 79 anos 65 a 69 anos 70 a 74 anos 60 a 64 anos 65 a 69 anos 55 a 59 anos 60 a 64 anos 50 a 54 anos 55 a 59 anos 45 a 49 anos 50 a 54 anos 40 a 44 anos 45 a 49 anos 35 a 39 anos 40 a 44 anos 30 a 34 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 6,00 0 a 4 anos 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Gráfico XII Estrutura Etária por sexo Jardinópolis - 2000 Gráfico XIII Estrutura Etária por sexo Luís Antônio - 2000 Estrutura Etária - Jardinópolis - 2000 Homens Mulheres Estrutura Etária - Luís Antônio - 2000 80 anos e mais Homens Mulheres 75 a 79 anos 80 anos e mais 70 a 74 anos 75 a 79 anos 65 a 69 anos 70 a 74 anos 60 a 64 anos 65 a 69 anos 55 a 59 anos 60 a 64 anos 50 a 54 anos 55 a 59 anos 45 a 49 anos 50 a 54 anos 40 a 44 anos 45 a 49 anos 35 a 39 anos 40 a 44 anos 30 a 34 anos 35 a 39 anos 25 a 29 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 6,00 0 a 4 anos 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 74 Gráfico XIV Estrutura Etária por sexo Monte Alto -2000 Gráfico XV Estrutura Etária por sexo Pitangueiras - 2000 Estrutura Etária - Pitangueiras - 2000 Estrutura Etária - Monte Alto - 2000 Homens Homens Mulheres Mulheres 80 anos e mais 80 anos e mais 75 a 79 anos 75 a 79 anos 70 a 74 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 0 a 4 anos 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Gráfico XVI Estrutura Etária por sexo Pontal - 2000 Gráfico XVII Estrutura Etária por sexo Pradópolis - 2000 Estrutura Etária - Pradópolis - 2000 Estrutura Etária - Pontal - 2000 Homens Homens Mulheres 80 anos e mais Mulheres 80 anos e mais 75 a 79 anos 75 a 79 anos 70 a 74 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 0 a 4 anos 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 75 Gráfico XVIII Estrutura Etária por sexo Ribeirão Preto - 2000 Gráfico XIX Estrutura Etária por sexo Santa Cruz da Esperança - 2000 Estrutura Etária - Santa Cruz da Esperança - 2000 Estrutura Etária - Ribeirão Preto - 2000 Homens Homens Mulheres Mulheres 80 anos e mais 80 anos e mais 75 a 79 anos 75 a 79 anos 70 a 74 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 0 a 4 anos 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Gráfico XX Estrutura Etária por sexo Santa Rosa de Viterbo - 2000 Gráfico XXI Estrutura Etária por sexo Santo Antônio da Alegria - 2000 Estrutura Etária - Santa Rosa de Viterbo - 2000 Estrutura Etária - Santo Antônio da Alegria - 2000 Homens Mulheres Homens 80 anos e mais 75 a 79 anos 70 a 74 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 6,00 Mulheres 80 anos e mais 75 a 79 anos 0 a 4 anos 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 76 Gráfico XXII Estrutura Etária por sexo São Simão - 2000 Gráfico XXIII Estrutura Etária por sexo Serra Azul - 2000 Estrutura Etária - Serra Azul - 2000 Estrutura Etária - São Simão - 2000 Homens Homens Mulheres Mulheres 80 anos e mais 80 anos e mais 75 a 79 anos 75 a 79 anos 70 a 74 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 0 a 4 anos 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Gráfico XXIV Estrutura Etária por sexo Serrana - 2000 Gráfico XXV Estrutura Etária por sexo Sertãozinho - 2000 Estrutura Etária - Serrana - 2000 Homens Mulheres Estrutura Etária - Sertãozinho - 2000 80 anos e mais Homens 75 a 79 anos Mulheres 80 anos e mais 70 a 74 anos 75 a 79 anos 65 a 69 anos 70 a 74 anos 60 a 64 anos 65 a 69 anos 55 a 59 anos 60 a 64 anos 50 a 54 anos 55 a 59 anos 45 a 49 anos 50 a 54 anos 40 a 44 anos 45 a 49 anos 35 a 39 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 6,00 0 a 4 anos 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 77 Gráfico XXVI Estrutura Etária por sexo Taquaral - 2000 Estrutura Etária - Taquaral - 2000 Homens Mulheres 80 anos e mais 75 a 79 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 78 Referências Bibliográficas GOMES, G. M.; MAC DOWELL, M. C. Descentralização política, federalismo fiscal e criação de municípios: o que é mau para o econômico nem sempre é bom para o social. Texto para Discussão n.706, Brasília, IPEA, fev.2000. _____. Os elos frágeis da descentralização: observações sobre as finanças dos Municípios Brasileiros, 1995. In: Encontro Nacional dos Centros de PósGraduação em Economia, 25., 1997, Recife. Anais... Rio de Janeiro: ANPEC, 1997. GONÇALVES, M. F. As engrenagens da locomotiva. Campinas, 1998. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas. PIRES, M. C. S. Região de Governo de Ribeirão Preto. Textos NEPO 30, Campinas: Nepo/Unicamp, 1994. (Migração em São Paulo 6). SERRA, J.; AFONSO, J. R. R. O federalismo fiscal à brasileira: algumas reflexões. 1999. (Texto apresentado no Forum of Federations Internacional Conference of Federalism, Canadá, apoio do BNDES). SIQUEIRA, C. G. Emancipação Municipal Pós Constituição de 1988: um estudo sobre o processo de criação dos novos Municípios Paulistas. Campinas, 2003, 236f. Dissertação (Mestrado em Ciência Política) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas. TOMIO, F. R. L. Instituições, processo decisório e relações executivolegislativo nos Estados: estudo comparativo sobre o processo de criação após a Constituição de 1988. Campinas, 2002. Tese (Doutorado em Ciência Política) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 79 ANEXO I - Municípios do Pólo Regional de Ribeirão Preto 1- Altinópolis 14 - Pitangueiras 2- Barrinha 15 - Pontal 3- Brodowski 16 - Pradópolis 4- Cajuru 17 - Ribeirão Preto 5- Cássia dos Coqueiros 18 - Santa Cruz da Esperança 6- Cravinhos 19 - Santa Rosa do Viterbo 7- Dumont 20 - Santo Antonio da Alegria 8- Guariba 21 - São Simão 9- Guatapará 22 - Serra Azul 10 - Jaboticabal 23 - Serrana 11 - Jardinópolis 24 - Sertãozinho 12 - Luís Antônio 25 - Taquaral 13 - Monte Alto Pólo Econômico de Ribeirão Preto 80 Capitulo 3 - A Questão Social no Pólo Ribeirão Preto11 Introdução A análise da questão social nas espacialidades estudadas no Estado de São Paulo concentra-se em três vertentes. A primeira tem por objeto a pobreza e a desigualdade, indicando as tendências observadas entre os anos 1991 e 2000, com base nos dados censitários, que são os únicos disponíveis para a análise dessas regiões; bem como evidenciando para esses períodos as desigualdades entre as regiões analisadas. A segunda toma por objeto as mudanças na família e as mudanças na provisão familiar nesse período, relacionando-as a mudanças demográficas e a mudanças no papel da mulher na sociedade, dando destaque ao aumento da participação desta no mercado de trabalho e na responsabilidade pela manutenção do domicílio. Nesta vertente ressaltam-se a importância do conhecimento das mudanças na família e no domicílio como elementos importantes para o planejamento e implementação de políticas de proteção social. O destaque é dado à política de transferência de renda, que tem a família como principal unidade de referência. A terceira vertente trata das políticas sociais, privilegiando quatro aspectos, quais sejam, identificar nas distintas espacialidades o perfil da recente política de transferência de renda, os programas de apoio ao migrante pobre, o acesso e a qualidade dos serviços básicos de educação e de saúde. 1. Renda, Pobreza e Desigualdade no Pólo Regional de Ribeirão Preto Renda e população O pólo de Ribeirão Preto, com uma população de 1.147.195 pessoas que concentra 2,9% da população do estado, respondia, em 2005, por 2,5% do PIB estadual. Em termos de renda, no ano 2000, o pólo de Ribeirão Preto detinha uma renda domiciliar per capita de R$ 426,6, inferior à média estadual em 3,5%. Sua renda era pouco menor à da região metropolitana da Baixada Santista e maior à de todos os pólos regionais considerados neste estudo (Gráfico 1). 11 Ficha Técnica: Coordenação: Lilia Montali, Coordenação Adjunta: Eugenia Troncoso Leone e Stella Barberá da Silva Telles, Assistentes de Pesquisa: Fabiana de Andrade, Luciana Ramirez Cruz, Marcelo Tavares de Lima e Alessandra Scalioni Brito, Auxiliares de pesquisa: Bruno Martins de Oliveira e Edina Paula Souza. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 81 Gráfico 1: Renda Domiciliar per capita. Estado de São Paulo, Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais, 2000. RENDA DOMICILIAR PER CAPITA - 2000 76,5 84,3 85,3 Pres. Araçatuba Sorocaba Prudente 92,4 94,0 95,6 96,5 98,7 100,0 108,4 114,7 Bauru S. José Rio Preto S. José Campos Ribeirão Preto RM Baix. Santista Est. São Paulo RM Campinas RM São Paulo Fonte: Censo Demográfico, 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdade e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP – FINEP. Em 2000, o pólo de Ribeirão Preto participava com 2,8% da renda domiciliar total do estado, uma das maiores participações entre os pólos regionais junto com o pólo de Sorocaba. Na década de 90 a taxa anual de crescimento da renda domiciliar total de Ribeirão Preto foi de 3,9% ao ano e a da população de 1,9% ao ano12. Verifica-se que essas taxas foram praticamente idênticas às verificadas para o conjunto do Estado de São Paulo. Ao analisar o que ocorreu com a renda domiciliar no interior do pólo de Ribeirão Preto, com base nos seus municípios ordenados de maior a menor em função de sua renda domiciliar per capita em 2000 e atribuindo o valor 100 à renda domiciliar per capita e à população do pólo de Ribeirão Preto, o que sobressai é o elevado tamanho da população do município de Ribeirão Preto (47,6%). Os demais municípios participam com menos de 10% da população do pólo, sendo que os 12 Como salientadoanteriormente, é difícil a partir dos dados do censo avaliar o verdadeiro desempenho da economia paulista na década de 90, pois o ano de 1991 foi de atividade econômica muito baixa e a do ano 2000 razoável, o que leva a superestimar o verdadeiro desempenho desta economia na década de 90 Pólo Econômico de Ribeirão Preto 82 maiores são Sertãozinho (8,9%) e Jaboticabal (6,4%). Observa-se, também, que somente o município de Ribeirão Preto possuía renda domiciliar per capita superior à média do pólo de Ribeirão Preto (26,7% superior). O município de Barrinha apresentou a menor renda per capita (metade da do pólo). Tabela 1. Tabela 1: Renda domiciliar per capita, população e taxas de crescimento anual Pólo de Ribeirão Preto e Municípios 19910-2000 taxa variação anual 1991-2000 Renda Pólo de Ribeirão Preto e População domiciliar per renda domiciliar municípios 2000 População capita 2000 total 100,0 1,9 100,0 126,7 47,6 1,7 93,1 8,9 2,1 92,4 1,5 1,4 91,7 6,4 1,5 83,5 2,8 3,0 82,9 4,1 1,1 82,6 0,6 2,7 82,6 2,7 2,6 76,2 2,9 2,7 75,1 1,3 1,2 74,7 1,6 2,5 70,1 2,0 1,2 69,1 0,7 4,6 67,6 1,2 2,4 65,9 2,0 0,4 63,3 0,5 1,2 62,4 0,2 57,8 2,9 0,8 57,3 2,9 0,6 55,6 0,3 0,5 55,6 3,1 3,8 54,9 0,6 51,2 0,7 2,1 51,0 0,3 50,7 2,3 2,9 Fonte: Censo Demográfico 1991, 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Pólo de Ribeirão Preto Ribeirão Preto Sertãozinho Altinópolis Jaboticabal Pontal Monte Alto Dumont Cravinhos Jardinópolis São Simão Brodowski Santa Rosa de Viterbo Luís Antônio Pradópolis Cajuru Santo Antônio da Alegria Santa Cruz da Esperança Guariba Pitangueiras Cássia dos Coqueiros Serrana Guatapará Serra Azul Taquaral Barrinha 3,9 3,9 4,9 6,4 2,7 7,3 3,0 4,4 4,2 5,0 2,9 4,3 2,9 8,9 3,6 3,1 7,4 2,5 0,5 4,9 3,3 4,2 2,6 Como mencionado, entre 1991 e 2000, a renda domiciliar total do pólo de Ribeirão Preto cresceu 3,9% ao ano enquanto a população cresceu a um ritmo de 1,9% ao ano. Merece registro o ainda importante crescimento populacional de alguns dos municípios que constituem o pólo de Ribeirão Preto. Acima da média do pólo Pólo Econômico de Ribeirão Preto 83 cresceram os municípios de Sertãozinho, Pontal, Dumont, Cravinhos Jardinópolis, Brodowski, Luis António, Pradópolis, Serrana e Barrinha. Todos os outros municípios cresceram abaixo da média, porém nenhum apresentou taxa de crescimento negativo como em alguns dos outros pólos regionais considerados. O menor crescimento populacional foi a do município de Cajuru (0,4%) e Cássia dos Coqueiros (0,5%). Quanto à renda domiciliar vários municípios mostraram taxas de crescimento superiores à média do pólo (3,9% ao ano). Os destaques foram para Sertãozinho (4,9% ao ano), Altinópolis (6,4% ao ano), Pontal (7,3%), Dumont (4,4%), Cravinhos (4,2%), Jardinópolis (5,0%), Brodowski (4,3%), Luis Antonio (8,9%), Santo Antonio da Alegria (7,4%) e Cássia dos Coqueiros (4,9%). Com exceção dos municípios de Altinópolis, Santo António da Alegria e Cássia dos Coqueiros, estes municípios registraram também taxas de crescimento populacionais importantes. Pobreza, desigualdade e concentração de renda A proporção de pobres aumentou ligeiramente na década de 90 no pólo de Ribeirão Preto de 9,4% para 10,8%, mas continua sendo uma das menores do estado de São Paulo. O gráfico 2 a seguir mostra a situação de pobreza deste pólo no ano de 2000 em comparação às três regiões metropolitanas paulistas e aos pólos regionais. Em 2000, a proporção de pobres no pólo de Ribeirão Preto ocupava a terceira posição de menor a maior13. 13 Utilizou-se uma linha de pobreza de ½ salário mínimo de 2000 (R$ 75,50). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 84 Gráfico 2: Proporção de pobres. Estado de São Paulo, Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais, 2000. % POBRES - 2000 9,8 10,1 10,8 RM Campinas S. José Rio Preto Ribeirão Preto 11,9 Bauru 12,9 13,2 13,2 13,4 13,6 13,7 Araçatuba S. José Campos Sorocaba RM São Paulo Est. São Paulo RM Baix. Santista 19,7 Pres. Prudente Fonte: Censo Demográfico, 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdade e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP – FINEP. No que diz respeito à desigualdade, o índice de Gini do pólo de Ribeirão Preto tinha um valor intermediário no estado (0,549) em 2000, bem como a relação entre as rendas médias dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres (4,55). Assim, em termos de desigualdade, o de Ribeirão Preto ocupava uma posição intermediária entre os pólos e regiões metropolitanas do estado de São Paulo. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 85 Gráfico 3: Relação entre as rendas médias dos 10% mais ricos e os 40% mais pobres. Estado de São Paulo, Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais, 2000. Relação rendas médias 10 % mais ricos e 40% mais pobres - 2000 3,69 4,09 S. José Rio Preto RM Baixada Santista 4,19 4,28 RM Sorocaba Campinas 4,46 4,55 4,94 5,41 5,57 5,80 6,58 S. José Campos Ribeirão Preto Bauru RM São Paulo Est. São Paulo Araçatuba Pres. Prudente Fonte: Censo Demográfico, 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdade e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP – FINEP. Quanto à concentração de renda, os 20% mais ricos do pólo de Ribeirão Preto concentravam 60,5% da renda em 2000. Assim, analogamente à desigualdade, este pólo também ocupa uma posição intermediária em termos de concentração de renda, entre as regiões metropolitanas e pólos regionais considerados neste estudo (Gráfico 4). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 86 Gráfico 4 Renda apropriada pelos 20% mais ricos Estado de São Paulo, Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais 2000. RENDA APROPRIADA PELOS 20% MAIS RICOS - 2000 58,3 59,2 59,5 59,5 RM Baix. Santista Sorocaba RM Campinas S. José Campos 60,5 61,9 62,4 62,9 Ribeirão Preto Bauru S. José Rio Preto RM São Paulo 63,0 65,6 66,0 Est. São Araçatuba Pres. Paulo Prudente Fonte: Censo Demográfico, 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdade e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP – FINEP. Do ponto de vista dos municípios do pólo de Ribeirão Preto, as situações de pobreza (% de pobres), desigualdade (relação entre as rendas médias dos 10% mais ricos e 40% mais pobres) e concentração (20% mais ricos) são ilustradas na Tabela 2. Como os municípios estão ordenados conforme sua renda domiciliar per capita de 2000, de maior a menor observa-se uma correlação inversa entre renda per capita e proporção de pobres. Ou seja, a proporção de pobres é em geral maior para aqueles municípios com renda per capita menor. Ademais, nota-se que as proporções de pobres são muito elevadas em alguns municípios deste pólo em 2000 e somente os municípios de Ribeirão Preto, Sertãozinho, Monte Alto e Brodowski tinham proporções de pobres abaixo da média do pólo que era de 10,7%. Alguns municípios ainda que tivessem renda per capita não muito baixa apresentavam significativa proporção de pobres. São os casos de Altinópolis e Pontal. As piores situações de pobreza em 2000 são encontradas em Serra Azul (23,0% de pobres), Guatapará (23,2%) e Cássia dos Coqueiros (23,5%). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 87 Tabela 2: Pobreza, Concentração e Desigualdade da renda Domiciliar Pólo de Ribeirão Preto e Municípios 1991-2000 Pólo de Ribeirão Preto e Municípios % pobres 1991 Pólo de Ribeirão Preto Ribeirão Preto Sertãozinho Altinópolis Jaboticabal Pontal Monte Alto Dumont Cravinhos Jardinópolis São Simão Brodowski Santa Rosa de Viterbo Luís Antônio Pradópolis Cajuru Santo Antônio da Alegria Santa Cruz da Esperança Guariba Pitangueiras Cássia dos Coqueiros Serrana Guatapará Serra Azul Taquaral Barrinha Proporção da renda apropriada pelos 20% mais ricos 2000 1991 2000 Relação entre as rendas médias dos 10% mais ricos e 40% mais pobres 1991 2000 9,2 5,9 7,9 20,1 9,5 12,2 7,2 6,0 16,1 12,8 15,2 10,0 12,0 15,3 7,3 22,4 43,9 18,8 12,0 38,9 8,7 15,9 - 10,7 8,1 9,1 13,6 10,2 15,2 8,1 10,1 10,7 11,9 14,6 8,4 15,9 14,8 12,3 14,9 17,1 22,2 19,5 18,4 23,5 14,9 23,2 23,0 14,4 58,4 66,2 52,2 48,3 56,5 35,6 44,1 53,4 55,8 47,5 45,5 42,6 43,1 27,9 43,1 42,6 37,2 34,0 40,5 38,6 38,7 21,3 - 60,5 68,1 58,5 59,9 55,8 53,0 48,8 49,9 50,0 47,4 50,4 39,3 44,6 40,3 38,6 45,5 44,0 48,3 36,3 38,1 38,9 33,0 39,4 31,2 34,9 4,0 7,0 3,3 1,8 3,4 1,1 1,9 3,0 3,1 1,8 1,7 1,5 1,5 0,7 1,5 1,5 0,8 1,0 1,2 0,5 1,5 0,3 - 4,5 8,2 4,0 3,3 3,4 2,8 2,4 3,1 2,8 2,4 2,0 1,5 1,7 1,8 1,4 1,5 1,2 1,6 1,1 0,9 1,0 0,7 0,9 0,8 0,6 12,5 19,6 32,5 32,3 0,9 0,7 Fonte: Censo Demográfico 1991, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Deve-se mencionar que a maioria dos municípios teve ampliação de sua proporção de pobres na década. Em geral, os municípios que reduziram sua pobreza são aqueles municípios que apresentaram uma proporção de pobres muito elevada em 1991. São os casos, por exemplo, de Cássia dos Coqueiros, Santo António da Alegria, Cajuru e Altinópolis. A concentração de renda expressa pela renda apropriada pelos 20% mais ricos revela que no pólo de Ribeirão Preto os 20% mais ricos concentravam 60,5% da renda no ano 2000, tendo sofrido um acréscimo de dois pontos percentuais na década. Em 2000, a concentração de renda era superior à média do pólo somente no município de Pólo Econômico de Ribeirão Preto 88 Ribeirão Preto. Deve-se chamar à atenção para a correlação direta entre renda e concentração. Ou seja, aqueles municípios que possuem renda per capita mais elevada têm também maior concentração de renda. Entre 1991 e 2000 a concentração da renda aumentou na maioria dos municípios. O destaque fica com o município de Ribeirão Preto onde a proporção da renda apropriada pelos 20% mais ricos já era muito elevada em 1992 e aumentou na década, variando de 66,2% para 68,1% em 2000. A concentração de renda dos 20% mais ricos só diminuiu entre os municípios de renda intermediária e de menor renda (Dumont, Cravinhos, Brodowski, Pradópolis, Pitangueiras e Serrana). A desigualdade medida pela razão entre as rendas médias dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres revela, assim como nos outros pólos, o elevado valor no pólo de Ribeirão Preto em 2000: os 10% mais ricos tinham uma renda média equivalente a 4,5 vezes a renda média dos 40% mais pobres do pólo. Essa razão foi ainda superada pelo município de Ribeirão Preto (8,2). Entre 1991 e 2000, a desigualdade, medida por este indicador, aumentou na maioria dos municípios. O destaque fica novamente com Ribeirão Preto onde essa razão era muito elevada em 1991 e continuou elevada em 2000 variando de 7,0 para 8,2 na década. Considerações Finais Na década de 90 houve ligeiro aumento da renda domiciliar per capita no pólo de Ribeirão Preto abrangendo seus 25 municípios. Nenhum município teve, entretanto, decréscimo na sua renda domiciliar, mas alguns cresceram muito pouco como, por exemplo, Pitangueiras. Ainda assim, o pólo de Ribeirão Preto tinha a maior renda domiciliar entre os pólos e a terceira menor proporção de pobres. A concentração e a desigualdade aumentaram em alguns municípios e diminuíram em outros, revelando um comportamento bastante heterogêneo das distribuições de renda dos municípios do pólo. Quanto à proporção de pobres, esta se reduziu em aqueles municípios onde essa proporção era elevada em 1991. O município de Ribeirão Preto destaca-se por apresentar a maior renda per capita, acima da média do pólo. Este município apresenta, também, relativamente alta desigualdade e forte concentração de renda. Vários municípios deste pólo apresentaram, de forma simultânea, crescimento de renda e de população. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 89 2. Mudanças no domicílio, na inserção domiciliar no mercado de trabalho e as políticas sociais Introdução Neste projeto, o trabalho e o domicílio são considerados como elementos centrais para a análise das mudanças sociodemográficas nas diferentes regiões metropolitanas e pólos regionais e de suas implicações para as demandas das políticas públicas. Nesse sentido, este item tem por objetivos recuperar as mudanças nos domicílios e nos arranjos domiciliares de inserção no mercado de trabalho e para a provisão familiar. A análise destas mudanças, bem como a identificação dos arranjos domiciliares mais suscetíveis ao empobrecimento visa também oferecer indicações para a orientação das políticas sociais voltadas para a superação da pobreza e para a redução da desigualdade. Por outro lado, os indicadores de pobreza e de não pobreza e de desigualdade social apresentam maior precisão por serem elaborados a partir de informações que têm o domicílio como unidade de análise e as especificidades de sua estruturação. Assim, a composição dos arranjos domiciliares e o ciclo vital das famílias são adotados como referências para se pesquisar os grupos de domicílios mais suscetíveis ao empobrecimento nos contextos regionais diferenciados. Outro aspecto relevante na análise é a ampliação do numero de domicílios com renda da mulher e o aumento da participação da renda da mulher na renda do domicilio14. A relevância desta abordagem está ancorada na centralidade na família assumida para a concepção e implementação dos benefícios, serviços, programas e projetos como um dos princípios da Política Nacional de Assistência Social desde 1993, mantida em 2004 na atualização da Política Nacional de Assistência Social e nas diretrizes da atual gestão federal 15 . A centralidade na família é reafirmada ao ter sido eleita como unidade do principal programa de transferência de renda federal, o Programa Bolsa-Familia, que visa atingir a totalidade das famílias pobres. O Programa 14 Neste estudo as unidades domiciliares são assumidas como equivalentes a unidades familiares, tendo por referência análise metodológica de Bilac (2001) explicitada no item 2.1., a seguir. 15 Política Nacional de Assistência Social. Resolução nº 145 de 15 de outubro de 2004 (DOU 28/10/2004). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 90 Bolsa-Família de forma distinta dos programas anteriores e sob a referida concepção, inclui o conjunto dos membros da família como público alvo. A recente implantação do SUAS, por sua vez, implementa tais diretrizes e dá ênfase à atenção familiar. Como se sabe, o SUAS (Sistema Único de Assistência Social) em implantação no País é assentado em alguns princípios, dentre eles: a universalidade; a matricialidade sociofamiliar, que se fundamenta no direito à proteção das famílias; e a territorialização. Frente às novas características das políticas de proteção social cada vez mais o conhecimento sobre as famílias e as mudanças que a família vem sofrendo, passam a ser de interesse crescente para os agentes institucionais envolvidos na implementação das novas políticas sociais. Por outro lado, desperta o interesse dos estudiosos da família, que procuram entender tanto suas transformações e as novas configurações; bem como as possibilidades de que as novas políticas sociais provoquem novas mudanças na estruturação das famílias, na relação interna de poder, dentre outras. É importante acrescentar nesta introdução uma informação metodológica. Este projeto optou por utilizar como fonte básica de informação para a análise das três regiões metropolitanas paulistas e dos pólos regionais os microdados do Censos Demográficos 1991 e 2000 - IBGE. Isto porque o Censo Demográfico é a única fonte de informação domiciliar que possibilita investigar estas questões para as novas áreas metropolitanas e as espacialidades regionais adotadas pelo projeto (pólos regionais), através do recurso de agregar o conjunto de municípios que compõem tais regiões. As PNADs – IBGE, que poderiam trazer dados mais recentes, não permitem desagregação da informação para as regiões estudadas. Apresentam informações desagregadas apenas para as Unidades da Federação (UF) e para as regiões metropolitanas que incluem as capitais das UF, não incluindo, portanto as regiões metropolitanas de Campinas e da Baixada Santista e as demais regiões pesquisadas. Nas análises dos censos são utilizados os dados da Amostra, representativos da população das áreas estudadas. No tópico 1. são apresentadas as principais mudanças nos arranjos domiciliares identificados no Pólo Regional Ribeirão Preto entre 1991 e 2000, bem como os perfis dos arranjos domiciliares e tamanho de família nos dois momentos censitários. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 91 No tópico 2. são tratados os arranjos domiciliares de inserção no mercado de trabalho, bem como se investigam mudanças na responsabilidade pela manutenção do domicílio no Pólo Regional Ribeirão Preto. No tópico 3 são indicados os arranjos familiares mais suscetíveis ao empobrecimento, oferecendo indicações para os arranjos domiciliares que demandam maior atenção das políticas sociais e, também indicações de acesso programas de transferência de renda. No tópico 4 é analisada a participação da renda da mulher no domicilio no Pólo Regional de Ribeirão Preto. 2.1. Mudanças nos arranjos domiciliares: configurações e tamanho Não desconhecendo as dificuldades de se identificar famílias através dos censos demográficos, optou-se neste estudo por assumir as unidades domiciliares como equivalentes a unidades familiares, tendo por referência análise metodológica de Bilac (2001) que fundamenta essa escolha, por apontar três aspectos. O primeiro é que o Censo Brasileiro identifica famílias no domicílio assim considerando “um conjunto de pessoas ligadas por laços de parentesco, dependência ou normas de convencia, que moram num mesmo domicílio” (IBGE, 1990, apud Bilac, 2001, pp.4). O segundo aspecto é que aponta no Censo critérios de identificação de domicilio particular independente, que o aproxima do conceito de “unidade doméstica” 16 , que pressupõe o partilhamento de orçamento comum, definido minimamente pelo partilhamento das despesas com alimentação. O terceiro aspecto é que Bilac no estudo referido, ao analisar a presença de famílias conviventes em um mesmo domicílio identifica relações de parentesco entre as pessoas de referência das famílias conviventes na maior parte dos casos, sugerindo a existência de família ampliada, bem como aponta a pequena ocorrência de famílias conviventes, da ordem de 7 % dos domicílios (Bilac, 2001). As mudanças nas formas de organização familiar nas regiões metropolitanas e pólos regionais do Estado de São Paulo em 2000, aqui analisadas através dos dados 16 “Ao empregar os critérios de Separação e de Independência para a determinação do número de domicílios particulares permanentes existentes em uma determinada habitação, deverá ser verificado, inicialmente, se a pessoa ou grupo de pessoas vive e se alimenta separadamente das demais e, em seguida, se a pessoa ou grupo de pessoas têm acesso direto ao seu local de habitação sem passar por habitação de outras pessoas. Se em um dos casos ou em ambos a conclusão for negativa, a habitação será considerada um domicílio particular.” (IBGE, 1990, pp.22, apud Bilac, 2001). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 92 censitários, expressam tendências de mudanças iniciadas em décadas anteriores para as famílias brasileiras, acentuadas nos anos 90. As mais importantes são: - redução do tipo de organização familiar predominante constituído pelas famílias conjugais e casais com filhos; - crescimento da proporção de famílias monoparentais, tanto chefiadas por mulheres como por homens; - crescimento dos domicílios unipessoais. Outra tendência observada é a redução do tamanho da família que se relaciona tanto às novas formas de estruturação da família como à redução do número de filhos. Estas tendências são também as principais observadas no Pólo Regional de Ribeirão Preto no período 1991-2000. Os arranjos domiciliares no Pólo Regional de Ribeirão Preto no ano 2000 Os arranjos domiciliares do Pólo Regional de Ribeirão Preto apresentam um perfil com as seguintes características, segundo dados do Censo Demográfico do IBGE de 2000: os arranjos familiares nucleados por casais compreendem 72,6% do total dos arranjos domiciliares e os arranjos de chefes masculinos e femininos sem cônjuges totalizam 27,4%, com maior peso dos arranjos chefiados por mulheres, que perfazem 20,6% dos arranjos domiciliares (Tabela 3). Comparando-se esses percentuais entre as três regiões metropolitanas paulistas e pólos regionais, observase que o perfil apresentado pelo Pólo Regional de Ribeirão Preto é bastante próximo ao apresentado pelos demais pólos do Estado de São Paulo sob análise, diferenciando-se das regiões metropolitanas e especialmente da Região Metropolitana da Baixada Santista e da Região Metropolitana de São Paulo. Dessa maneira, a configuração familiar predominantemente no Pólo Regional de Ribeirão Preto é do tipo conjugal com ou sem a presença de filhos residentes, compreendendo 72,6% dos domicílios do pólo. Dentre os arranjos nucleados por casais, predominam os casais com filhos e parentes, os quais apresentam um percentual de 59,2% dos domicílios, percentual muito próximo ao apresentado pelo Estado de São Paulo (58,2%). Considerando os casais com a presença de filhos, estes estão distribuídos de forma semelhante entre aqueles de até 34 anos, 22,2,3% , seguidos pelos casais de 35 até 49 anos, 23,6% dos arranjos domiciliares. Os casais de 50 anos e mais com filhos e ou parentes apresentam os maiores percentuais, 10,4, semelhantes ao apresentado para esse arranjo domiciliar pelos Pólos Regionais Araçatuba, Bauru e São José do Rio Preto. O perfil da distribuição dos arranjos Pólo Econômico de Ribeirão Preto 93 nucleados por casais se assemelha às médias apresentadas pelo Estado de São Paulo, que são, respectivamente, 22,9%, 22,3% e 9,7%. Por outro lado, a proporção de casais sem a presença de filhos no Pólo Regional de Ribeirão Preto 13,4% dos arranjos domiciliares, coincide com a mesma apresentada pelo Estado (13,4%), Tabela 3. Com relação aos arranjos com chefia feminina sem cônjuge (19,5%), o Pólo Regional de Ribeirão Preto apresenta proporção pouco menor quando comparada ao Estado de São Paulo (20,5%) e especialmente quando comparado às RMSP e RMBS, porém mais próxima às proporções observadas nos pólos regionais (Tabela 3). Da mesma forma, os arranjos domiciliares com chefia feminina sem cônjuge com a presença de filhos e/ou parentes (14,6%), apresentam proporções inferiores às médias apresentadas pelo Estado de São Paulo (15,6%), bem como em relação às RMSP e RMBS, ambas da ordem de 17%, assemelhando-se aos pólos regionais estudados. Por outro lado, a proporção de arranjos domiciliares chefiados por homem sem a presença de cônjuge, de 7,9%, é um pouco mais elevada, mas está próxima da apresentada pelos pólos regionais analisados e coincide com a média do Estado (7,9%). Merece observar que estes se distribuem entre aqueles com a presença de filhos 3,7% e os domicílios unipessoais masculinos, 4,2% (Tabela 3). Estas especificidades da estruturação dos arranjos domiciliares no Pólo de Ribeirão Preto podem ser associadas às características da sua estrutura etária. No ano de 2000 o Pólo Regional de Ribeirão Preto apresentava, estrutrura etária muito semelhante à média do Estado de São Paulo, 26,2% de pessoas com até 14 anos de idade; 64,2% entre as idades de 15-59 e 9,6% de pessoas com 60 anos17. Informações sobre a estrutura etária da população do Pólo Regional de Ribeirão Preto podem ser encontradas no Capítulo 3, Item 2.1. do Documento 1 – Relatório Consolidado para o Estado de São Paulo, deste Projeto, bem como no Capitulo 2 do mesmo Documento 1, na análise das pirâmides etárias. 17 Em 2000, a estrutura etária do Estado de São Paulo era a seguinte: 26,2% de pessoas com até 14 anos de idade; 64,3% entre as idades de 15-59 e proporção de pessoas com 60 anos e mais da ordem de 9,4%. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 94 Tabela 3 Distribuição dos domicílios segundo arranjo domiciliar Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais 1991-2000 Sem Total filhos Total Casais Com filhos e parentes até 34 de 35 a anos 49 anos Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge com filhos com filhos Total e/ou Unipessoal Total e/ou Unipessoal 50 anos Total parentes parentes e mais Estado São Paulo 77,0 12,8 64,2 28,2 23,3 9,6 16,0 12,4 3,7 7,0 4,1 2,9 100,0 RM São Paulo 74,7 12,5 62,2 26,9 23,2 8,8 17,8 13,8 4,0 7,5 4,6 2,9 100,0 100,0 RM Baixada Santista 73,0 14,4 58,6 24,7 21,6 8,8 19,0 14,3 4,8 8,0 4,0 4,0 RM Campinas 80,1 12,8 67,3 30,1 24,5 9,9 13,8 10,7 3,1 6,1 3,7 2,4 100,0 Pólo Araçatuba 79,8 13,5 66,3 29,5 23,6 10,5 14,4 11,3 3,1 5,9 3,2 2,6 100,0 1991 Pólo Bauru 78,9 12,8 66,0 29,5 23,0 10,5 15,1 11,3 3,8 6,1 3,5 2,6 100,0 Pólo Presidente Prudente 79,4 12,5 66,9 30,3 23,2 10,7 14,6 11,2 3,4 6,0 3,1 2,9 100,0 Pólo Ribeirão Preto 79,3 12,4 66,8 29,9 23,6 10,5 14,8 11,4 3,4 6,0 3,3 2,6 100,0 Pólo São José dos Campos 78,6 10,4 68,3 31,4 25,4 8,5 13,9 11,5 2,4 7,4 4,1 3,3 100,0 Pólo São José do Rio Preto 79,6 15,0 64,6 28,7 23,0 10,4 14,5 10,7 3,7 6,0 3,4 2,6 100,0 Pólo Sorocaba 80,6 12,2 68,5 32,0 23,5 9,9 13,5 10,6 2,9 5,9 3,2 2,7 100,0 Estado São Paulo 71,6 13,4 58,2 22,3 22,9 9,7 20,6 15,6 4,9 7,9 3,7 4,1 100,0 RM São Paulo 69,6 12,6 56,9 21,8 22,4 9,3 22,4 17,2 5,2 8,0 4,0 4,1 100,0 RM Baixada Santista 67,0 14,2 52,8 19,5 20,7 8,9 23,8 17,7 9,2 3,9 6,1 5,3 100,0 RM Campinas 74,2 14,1 60,1 22,8 24,6 9,8 18,3 13,9 7,5 3,7 4,4 3,9 100,0 Pólo Araçatuba 73,7 15,5 58,2 21,5 23,3 10,4 19,2 14,2 4,9 7,1 3,1 4,0 100,0 2000 Pólo Bauru 73,1 13,9 59,2 22,5 23,1 10,4 19,6 14,5 5,2 7,3 3,2 4,1 100,0 Pólo Presidente Prudente 73,0 14,3 58,7 23,3 22,3 9,7 19,6 14,5 5,2 7,4 2,9 4,5 100,0 Pólo Ribeirão Preto 72,6 13,4 59,2 22,2 23,7 10,4 19,5 14,6 4,9 7,9 3,7 4,2 100,0 Pólo São José dos Campos 73,3 11,5 61,9 23,1 25,7 9,7 18,5 14,9 3,6 8,2 3,7 4,5 100,0 Pólo São José do Rio Preto 73,3 16,4 56,9 21,1 22,8 10,0 19,3 13,7 5,7 7,4 3,1 4,3 100,0 Pólo Sorocaba 75,5 13,1 62,4 25,1 24,1 9,8 17,5 13,6 3,9 7,0 3,4 3,6 100,0 Fonte: Censo Demográfico 1991, 2000. IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Observando-se os percentuais dos municípios do Pólo de Ribeirão Preto no ano de 2000 para os arranjos chefiados por casais, é possível perceber que estes variam entre 69,2% e 84,2%, sendo que a média do Pólo é de 72,6%, como já referido (Tabela 4). Nos arranjos chefiados por mulheres sem cônjuges os percentuais apresentados pelos municípios ficam entre 9,2% e 23%, sendo que a média do pólo é de 19,5%. Por fim, nos arranjos chefiados por homens sem cônjuges os percentuais variam entre 5,1% e 10,2%, sendo que a média é de 7,9% no ano de 2000. O município de Ribeirão Preto, sede do Pólo regional e o maior município 550 mil habitantes, segundo a Contagem de 2007, IBGE -, apresenta proporção de domicílios nucleados por casais da ordem de 69,2% (abaixo da média regional) e 27,4% nucleados por chefe feminino ou masculino sem cônjuge, dentre os quais, 22,7% chefiados por mulheres sem cônjuge (acima da média regional), e 8,1% com chefia masculina sem cônjuge (próximo da média regional), no ano 2000. Para evidenciar a heterogeneidade entre os municípios do Pólo em relação ao perfil dos arranjos domiciliares, apresentamos outros dois municípios com características distintas. O município de Sertãozinho, o segundo maior em tamanho (104 mil habitantes - Contagem de 2007, IBGE), apresenta percentuais de arranjos Pólo Econômico de Ribeirão Preto 95 chefiados por casais (76,7%) acima da média regional e percentual de casais com filhos e/ou parentes (64,3%) também acima da média regional. A média regional é de 72,6%, referindo-se ao total daqueles nucleados por casais e de 59,2% para arranjos domiciliares de casais com filhos e/ou parentes. Apresenta ainda percentual de arranjos domiciliares de chefes femininas sem a presença de cônjuge de 16,2%, abaixo da média do pólo, que é de 19,5%, no ano 2000 e percentual de arranjos domiciliares de chefes masculinos sem a presença de cônjuge pouco abaixo da média regional (7,1%). Estes dois arranjos sem a presença de cônjuge perfazem 23,3% dos domicílios de Sertãozinho. Por outro lado, Dumont, município considerado pequeno - pois tem 7.600 habitantes, segundo a Contagem Populacional de 2007, IBGE -, e um dos municípios com renda per capita abaixo da média do Pólo, apresenta o maior percentual de arranjos chefiados por casais do pólo de Ribeirão Preto, totalizando 84%; dentre estes o arranjo domiciliar de casais com filhos, apresenta percentuais de 70,5%, acima da média regional. Apresenta ainda como peculiaridade um dos menores percentuais s de arranjos de chefes femininos e masculinos sem cônjuges, da ordem de 15,8%. Com relação aos arranjos de chefes femininos sem cônjuges, estes perfazem 9,2%, muito abaixo da média regional (19,5%), enquanto os arranjos de chefes masculinos sem cônjuges perfazem 6,6% dos domicílios do município, também muito abaixo da média regional, que é de 7,9% (Tabela 4). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 96 Tabela 4 Distribuição dos Domicílios segundo arranjos domiciliares Pólo Regional de Ribeirão Preto 1991 Casais Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge Com filhos e/ou parentes Casal com filhos Com filhos Total sem e/ou Unipessoal Total e/ou Unipessoal Até 34 de 35 a 50 anos Total Total filhos parentes parentes anos 49 anos e mais Pólo Ribeirão Preto 79,3 12,4 66,8 29,9 23,6 10,5 14,8 11,4 3,4 6,0 3,3 2,6 Altinópolis 80,4 11,7 68,7 29,0 24,0 12,6 12,9 9,6 3,3 6,7 2,8 3,9 Barrinha 81,5 11,8 69,6 40,6 18,7 7,4 10,6 9,4 1,1 8,0 4,6 3,4 Brodowski 83,3 12,3 71,0 29,7 25,8 14,1 11,8 8,6 3,1 5,0 2,5 2,5 78,8 14,5 64,3 32,2 20,5 8,6 12,9 8,0 4,9 8,3 5,3 3,0 Cajuru 81,4 14,7 66,7 28,5 25,7 10,0 8,4 4,0 4,4 10,3 6,3 4,0 Cássia dos Coqueiros 82,0 10,8 71,2 34,3 23,3 11,4 13,2 10,4 2,7 4,9 3,8 1,1 Cravinhos 87,0 15,3 71,7 29,8 26,8 12,2 7,0 6,1 1,0 6,0 3,3 2,7 Dumont Guariba 82,0 10,2 71,8 38,0 23,3 8,0 10,7 8,8 1,9 7,4 4,7 2,7 Guatapará Jaboticabal 80,8 14,5 66,3 28,5 23,9 10,5 14,4 10,9 3,5 4,8 2,9 1,9 81,8 12,4 69,5 32,2 23,1 11,4 13,1 10,1 3,1 5,0 2,4 2,7 Jardinópolis 84,0 10,7 73,3 40,9 21,2 7,8 6,6 5,7 0,9 9,5 4,7 4,8 Luís Antônio 84,2 15,1 69,1 30,8 23,9 12,1 11,7 8,9 2,8 4,2 2,6 1,6 Monte Alto 81,7 12,1 69,7 35,7 21,2 10,1 11,3 8,8 2,5 6,9 2,9 4,1 Pitangueiras Pontal 79,2 12,0 67,2 35,9 21,6 7,4 12,4 10,6 1,8 8,4 5,1 3,4 Pradópolis 88,3 8,8 79,5 38,2 28,6 10,3 8,4 5,9 2,5 3,4 1,5 1,9 Ribeirão Preto 76,5 12,6 63,9 26,5 23,6 10,8 17,5 13,4 4,1 6,0 3,3 2,7 Santa Cruz da Esperança 80,8 12,0 68,8 32,0 23,1 11,0 14,1 11,1 3,0 5,1 2,1 3,0 Santa Rosa de Viterbo 80,2 11,4 68,9 29,5 27,2 10,1 11,0 5,9 5,0 8,8 6,2 2,6 Santo Antônio da Alegria 76,6 12,2 64,5 27,6 20,8 12,6 15,7 10,6 5,1 7,6 3,5 4,1 São Simão Serra Azul 83,4 10,4 73,1 33,6 25,3 11,0 11,7 8,4 3,3 4,9 3,0 1,9 Serrana 83,1 9,9 73,3 38,8 23,2 9,1 11,2 10,1 1,1 5,7 2,8 2,8 Sertãozinho 83,1 10,9 72,2 33,5 25,6 9,5 11,5 9,4 2,1 5,4 3,3 2,1 Taquaral Fonte: Censo Demográfico 1991. IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Tabela 4 Distribuição dos domicílios segundo arranjos domiciliares Pólo Regional de Ribeirão Preto 2000 Casais Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge Com filhos e/ou parentes Casal com filhos Com filhos Total sem Unipessoal Total Unipessoal e/ou e/ou Até 34 de 35 a 50 anos Total Total parentes filhos parentes anos 49 anos e mais Pólo Ribeirão Preto 72,6 13,4 59,2 22,2 23,7 10,4 19,5 14,6 4,9 7,9 3,7 4,2 Altinópolis 77,9 14,1 63,9 23,4 25,8 12,0 14,5 8,6 6,0 7,5 3,0 4,6 Barrinha 75,3 12,1 63,2 30,9 21,4 7,1 15,1 12,9 2,1 9,7 4,6 5,1 77,7 12,2 65,5 23,9 26,8 11,2 15,0 9,9 5,1 7,4 2,1 5,2 Brodowski 77,5 15,4 62,2 25,7 23,1 9,7 16,8 13,4 3,4 5,7 3,1 2,6 Cajuru 76,5 15,8 60,7 23,6 23,3 10,2 13,3 7,8 5,5 10,2 3,6 6,6 Cássia dos Coqueiros 77,1 13,5 63,6 26,0 25,0 10,4 16,0 12,6 3,4 6,9 4,6 2,3 Cravinhos 84,2 13,7 70,5 27,3 25,7 15,1 9,2 9,0 0,2 6,6 2,3 4,3 Dumont 75,3 11,0 64,4 28,4 23,1 8,6 15,3 12,9 2,3 9,5 3,3 6,1 Guariba Guatapará 77,0 11,1 65,9 27,1 25,6 10,1 13,0 9,5 3,5 10,0 3,8 6,2 Jaboticabal 73,9 14,2 59,7 21,8 24,1 10,8 19,1 13,2 5,8 7,1 3,3 3,7 Jardinópolis 77,6 13,0 64,5 25,4 25,1 11,5 16,4 12,5 3,9 6,1 2,7 3,4 Luís Antônio 80,2 10,7 69,5 34,1 24,2 8,1 10,8 9,4 1,5 9,0 3,5 5,5 Monte Alto 75,8 17,2 58,6 22,1 23,6 10,2 17,1 12,7 4,4 7,1 3,7 3,4 Pitangueiras 76,0 13,5 62,5 29,2 19,2 9,9 16,0 11,0 5,0 8,0 3,9 4,0 75,4 10,7 64,7 31,4 21,6 8,2 15,8 12,1 3,7 8,8 3,1 5,7 Pontal 78,9 9,5 69,4 28,2 27,1 10,9 13,0 10,5 2,5 8,2 5,4 2,8 Pradópolis 69,2 13,9 55,3 18,7 23,2 10,5 22,7 16,9 5,9 8,1 3,8 4,3 Ribeirão Preto 82,9 14,3 68,6 30,3 26,8 9,1 12,0 8,7 3,4 5,1 3,4 1,7 Santa Cruz da Esperança 72,5 11,5 61,0 21,0 23,9 12,5 18,4 12,8 5,6 9,0 3,7 5,3 Santa Rosa de Viterbo 71,4 14,6 56,8 22,0 23,1 9,8 18,8 10,8 8,0 9,8 2,9 6,8 Santo Antônio da Alegria 70,8 12,7 58,2 20,9 21,3 12,4 20,5 14,7 5,9 8,7 3,9 4,8 São Simão Serra Azul 72,6 10,9 61,6 26,5 23,6 9,4 18,4 15,2 3,2 9,0 3,5 5,6 Serrana 75,6 9,7 65,9 30,4 23,9 8,8 15,8 13,3 2,5 8,6 5,0 3,6 Sertãozinho 76,7 12,4 64,3 24,2 26,2 11,0 16,2 12,6 3,6 7,1 3,2 3,9 Taquaral 73,1 7,3 65,8 28,7 25,0 11,6 18,1 15,1 3,1 8,8 4,5 4,3 Fonte: Censo Demográfico 2000. IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 97 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 - Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Tendências de mudanças nos arranjos domiciliares: 1991-2000 O Pólo Regional de Ribeirão Preto apresenta, entre 1991 e 2000 as tendências de queda nos arranjos domiciliares chefiados por casais e de crescimento nos arranjos chefiados por homens e mulheres sem cônjuges. Compartilha dessas tendências tanto com o Estado de São Paulo, como com as outras Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais Paulistas (Tabela 3). Assim, no ano de 1991 a o Pólo Regional de Ribeirão Preto apresentava percentual de 79,3% de arranjos nucleados por casais, que caiu para 72,6% em 2000, apresentando queda acentuada nessa configuração familiar, superior à experimentada pelo Estado de São Paulo. A variação percentual observada no Pólo de Ribeirão Preto aproximou-se da variação negativa apresentada pelo Pólo de Presidente Prudente, sendo um pouco maior que a apresentada pelos Pólos de Araçatuba e de São José do Rio Preto. Os arranjos domiciliares chefiados por homens e mulheres sem cônjuges, em movimento inverso, apresentaram crescimento e passaram de 20,7% em 1991 para 27,4% no Pólo Regional de Ribeirão Preto em 2000. Ambas as tendências foram apresentadas, com maiores ou menores proporções, por todo o Estado de São Paulo. No caso do Estado de São Paulo, este apresentava, em 1991, 77% dos arranjos domiciliares chefiados por casais e 23% dos arranjos com chefias femininas e masculinas sem cônjuges; no ano 2000 esses percentuais passaram a ser de 71,6% e de 28,4%, respectivamente. Na tendência de redução dos arranjos domiciliares nucleados pelo casal, o Pólo Regional de Ribeirão Preto, registrou acentuada queda naqueles arranjos chefiados por casais com a presença filhos e/ou parentes, que passaram de 66,8% em 1991 para 59,2% em 2000. A redução desse arranjo domiciliar no período, ocorre com diferentes intensidades também no restante do Estado de São Paulo. A queda nos arranjos nucleados pelo casal ocorreu, principalmente, nos domicílios dos casais na faixa etária de até 34 anos, com a presença de filhos, que somavam 30% em 1991 e passaram a ser 23,3% em 2000, expressando diversas mudanças pelas quais passa a família, nestas incluindo tanto a redução da fecundidade, como as mudanças nos padrões de nupcialidade. Observa-se por outro lado, no Pólo de Ribeirão Preto a manutenção das proporções de arranjos domiciliares nucleados pelo casal entre aqueles de 35 a 39 anos com a presença de filhos e daqueles na faixa etária de 50 anos ou mais, com a presença de filhos. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 98 Deve-se ainda ressaltar, dentre os arranjos nucleados por casais, o crescimento moderado nos arranjos de casais sem filhos, que passam de 12,5% para 13,4% no período analisado; tais percentuais são próximos aos apresentados pelo Estado de São Paulo, que no mesmo período apresentou a manutenção da proporção 12,5% (Tabela 3). Gráfico 5 Distribuição dos arranjos domiciliares segundo tipologia Pólos Regionais – Estado de São Paulo 1991 – 2000 100,00 90,00 80,00 70,00 60,00 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0,00 1991 2000 1991 2000 Pólo Araçatuba 1991 2000 Pólo Bauru Pólo Presidente Prudente 1991 2000 1991 2000 Pólo Ribeirão Preto Pólo São José dos Campos 1991 2000 Pólo São José do Rio Preto 1991 2000 Pólo Sorocaba 1991 2000 Estado São Paulo Casal sem filhos Casal até 34 anos com filhos e parentes Casal de 35 a 49 com filhos e parentes Casal de 50 anos e mais com filhos e parentes Casal com filhos e parentes - Residual Chefe feminina sem conjuge e/ou filhos e parentes Chefe feminina unipessoal Chefe masculino sem conjuge e/ou filhos e/ou parentes Chefe masculino unipessoal Fonte: Censo Demográfico 1991 e 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Os arranjos chefiados por homens e mulheres sem a presença de cônjuge apresentaram no Pólo Regional de Ribeirão Preto, complementarmente, crescimento significativo e mais acentuado para aqueles com chefia feminina; ou seja, os domicílios com esta configuração com chefia feminina passam de 14,8% em 1991, para 19,5% em 2000, enquanto os arranjos dos chefes masculinos sem cônjuge, representavam 6% dos arranjos em 1991 e passaram a ser 7,9% em 2000. Dentre os arranjos domiciliares com chefes femininas, o crescimento foi relevante tanto naqueles com a presença de filhos e/ou parentes, que passaram de 11,4% em 1991 para 14,6% em 2000, como nos domicílios unipessoais que passaram Pólo Econômico de Ribeirão Preto 99 de 3,4% em 1991 para 4,9% em 2000, indicando maior intensidade no crescimento. No caso dos arranjos domiciliares com chefias masculinas sem cônjuge, o crescimento no período foi devido principalmente aos domicílios unipessoais, que de 2,6%, em 1991, passaram para 4,2% em 2000 (Gráfico 5), ao passo que os arranjos com a presença de filhos e/ou parentes permanecem pouco maiores que 3% (Tabela 3). A análise dos municípios do Pólo de Ribeirão Preto no período de 1991-2000, ainda que com diferenciações nesse processo, evidenciam as tendências de mudanças nos arranjos domiciliares indicadas acima, ou seja, queda nos arranjos domiciliares chefiados por casais; crescimento de domicílios com chefias femininas sem cônjuges, e menor crescimento de domicílios com chefias masculinas sem cônjuge (Tabela 4).Para evidenciar algumas das diferenciações dos processos de mudanças nos arranjos domiciliares no Pólo apresentamos indicações destas em dois municípios com características distintas. Observa-se em Ribeirão Preto, município sede do Pólo, acentuada queda nos arranjos chefiados por casais para o período de 1991-2000, bem como acentuado crescimento nos arranjos chefiados por mulher sem a presença de cônjuge e nos arranjos com essa configuração chefiados por homem. Assim, em 1991, os arranjos nucleados por casais representavam 76,5% dos domicílios e passam a representar 69,2%, em 2000. Em contrapartida, ocorreu crescimento no período para os arranjos chefiados por mulheres sem cônjuges, que passam de 17,5% para 22,7% dos arranjos domiciliares do município; aqueles com esse arranjo e com a presença de filhos e/ou parentes atingem, em 2000, a cifra de 16,9% dos arranjos domiciliares em Ribeirão Preto (Tabela 4). Merece destaque também o crescimento dos domicílios unipessoais femininos que, em 2000, chegam a ser 5,9% dos domicílios. Ocorreu ainda o crescimento no período para os arranjos domiciliares de homens sem cônjuges, que passam de 6% para 8,1% dos arranjos domiciliares no período, com crescimento dos domicílios unipessoais, que chegam 4,3% dos domicílios do município em 2000. Serra Azul, um município pequeno (9.100 habitantes) – um dos municípios de menor renda domiciliar per -, apresentou uma das maiores reduções nos arranjos domiciliares chefiados por casais, que passaram de 83,4% em 1991, para 72,6% em 2000 (Tabela 4); os arranjos chefiados por casais sem filhos mantiveram a proporção 10,5% dos seus domicílios, para 20% dos mesmos. Dentre os casais com filhos, apresentaram queda acentuada tanto os casais jovens (até 34 anos), que passaram de 33,6% para 26,5% entre 1991 e 2000, como os casais entre 35 e 49 anos, que Pólo Econômico de Ribeirão Preto 100 caíram do percentual de 25,3% para 23,6% e também os casais mais velhos (50 e mais), tendo passado de 11% dos domicílios do município, para 9,4% (Tabela 4). Esse município apresentou ainda acentuado crescimento dos domicílios com chefe feminino sem a presença de cônjuge (11,7% em 1991, e 18,4% em 2000), bem como daqueles com chefia masculina sem cônjuge (4,9% em 1991, e 9% em 2000). Naqueles com chefia feminina, apresentam crescimento principalmente os arranjos com a presença de filhos e naqueles com chefia masculina o maior aumento foi nos domicílios unipessoais. Mudanças no tamanho médio dos domicílios A literatura especializada aponta a tendência de redução do tamanho médio dos domicílios no país. Essa tendência foi constatada também para o Estado de São Paulo e para as regiões metropolitanas paulistas e pólos regionais na análise do período entre os censos 1991 e 2000. Como já se mencionou, a redução no tamanho médio dos domicílios expressa mudanças na família, tais como a redução na fecundidade e no número de filhos tidos, a nuclearização da família e o aumento da proporção das famílias monoparentais e dos domicílios unipessoais. Essas mudanças, por afetarem a composição dos núcleos familiares, revestem-se de importância para a análise das alterações na inserção familiar no mercado de trabalho e das alterações na responsabilidade pela provisão do domicilio. O tamanho médio dos domicílios é relevante também para a análise do rendimento domiciliar per capita, cujo valor é utilizado como critério de elegibilidade na seleção de famílias beneficiárias de programas sociais diversos. O Pólo Regional de Regional de Ribeirão Preto também apresenta no período de 1991-2000 tendência de redução do número de pessoas por domicílio. Observa-se que, em 1991, a média de pessoas por domicílio no Pólo de Regional de Ribeirão Preto era de 3,9, tendo passado em 2000 para 3,6 pessoas. Apresenta queda, no entanto no ano 2000 o tamanho médio do domicílio é igual ao observado na Região Metropolitana de São Paulo e pouco superior à média estadual e a todos os outros Pólos Regionais analisados, com a exceção do Pólo de Sorocaba. No entanto, tanto a tendência como os valores são muito próximos daqueles observados para o Estado de São Paulo, bem como são próximos em relação às regiões metropolitanas e aos pólos regionais paulistas (Tabela 5). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 101 Tabela 5 Número médio de componentes dos domicílios segundo tipologia de arranjo domiciliar Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais - Estado de São Paulo 1991-2000 Estado São Paulo RM São Paulo RM Baixada Santista RM Campinas Pólo Araçatuba 1991 Pólo Bauru Pólo Presidente Prudente Pólo Ribeirão Preto Pólo São José dos Campos Pólo São José do Rio Preto Pólo Sorocaba Total Sem Filhos 4,2 4,2 4,1 4,2 4,1 4,2 4,2 4,2 4,4 4,0 4,3 2,2 2,2 2,2 2,2 2,2 2,2 2,2 2,2 2,2 2,2 2,2 Casais com filhos e/ou parentes Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem conjuge Total Total com filhos Unipessoal Total com filhos Unipessoal (1) e/ou e/ou até 34 de 35 a 50 anos e Total parentes parentes anos 49 anos mais 4,6 4,2 5,0 4,7 3,0 3,6 1,0 2,4 3,4 1,0 3,9 4,6 4,3 5,0 4,7 3,0 3,6 1,0 2,4 3,3 1,0 3,9 4,6 4,2 5,0 4,6 2,9 3,6 1,0 2,1 3,3 1,0 3,7 4,6 4,2 5,0 4,7 3,0 3,6 1,0 2,5 3,4 1,0 3,9 4,5 4,1 4,9 4,7 3,0 3,6 1,0 2,3 3,4 1,0 3,9 4,6 4,2 5,0 4,6 3,0 3,6 1,0 2,4 3,4 1,0 3,9 4,6 4,1 5,1 4,8 3,0 3,6 1,0 2,2 3,3 1,0 3,9 4,6 4,2 5,0 4,6 3,0 3,6 1,0 2,3 3,3 1,0 3,9 4,7 4,3 5,1 5,1 3,4 3,9 1,0 2,2 3,3 1,0 4,1 4,4 4,1 4,7 4,4 2,7 3,3 1,0 2,2 3,2 1,0 3,7 4,7 4,3 5,2 4,8 3,1 3,7 1,0 2,4 3,5 1,0 4,0 Estado São Paulo 3,9 2,2 4,3 4,0 4,6 4,4 2,8 3,4 1,0 RM São Paulo 4,0 2,2 4,3 4,0 4,6 4,4 2,8 3,4 1,0 RM Baixada Santista 3,9 2,2 4,4 4,1 4,6 4,4 2,8 3,4 1,0 RM Campinas 3,9 2,1 4,3 4,0 4,5 4,4 2,8 3,3 1,0 Pólo Araçatuba 3,8 2,2 4,2 3,9 4,4 4,2 2,7 3,3 1,0 3,9 2,2 4,3 4,0 4,5 4,3 2,8 3,4 1,0 2000 Pólo Bauru Pólo Presidente Prudente 3,8 2,2 4,2 4,0 4,5 4,3 2,6 3,2 1,0 Pólo Ribeirão Preto 3,9 2,2 4,3 4,1 4,6 4,3 2,8 3,4 1,0 Pólo São José dos Campos 4,1 2,2 4,4 4,1 4,7 4,6 3,0 3,5 1,0 Pólo São José do Rio Preto 3,7 2,2 4,1 3,9 4,3 4,2 2,5 3,1 1,0 Pólo Sorocaba 4,0 2,2 4,4 4,1 4,7 4,5 2,9 3,5 1,0 Fonte: Censo Demográfico 1991, 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. (1) O Total inclui outros tipos de arranjos domiciliares. 2,0 3,1 1,0 2,0 3,1 1,0 1,9 3,0 1,0 2,0 3,1 1,0 1,9 3,1 1,0 2,0 3,2 1,0 1,8 3,0 1,0 2,0 3,2 1,0 2,0 3,3 1,0 1,8 3,0 1,0 2,0 3,1 1,0 do Estado de São Paulo - A redução no número de componentes foi observada em todos os tipos de arranjos domiciliares entre 1991 e 2000, no Pólo de Ribeirão Preto, no entanto esta foi mais acentuada nos arranjos chefiados por casais, nos quais o número de componentes caiu de 4,2 para 3,9 pessoas por domicílio, repetindo a tendência e valores observados para o Estado de São Paulo (Tabela 5). Entre estes, os arranjos de casais com filhos e/ou parentes destacam-se por apresentarem redução na média de componentes de 4,6 para 4,3 pessoas, permanecendo, entretanto como os arranjos domiciliares mais numerosos em 2000 no Pólo Regional de Regional de Ribeirão Preto. Considerando-se os arranjos nucleados por casais com filhos nas diferentes idades que correspondem a etapas do ciclo vital da família, todos experimentaram queda em seu tamanho. Com os tamanhos maiores estão os domicílios dos casais entre 35 e 49 anos (4,6 pessoas), seguidos pelos casais de 50 anos ou mais (4,3 pessoas) e, por fim, os domicílios chefiados por casais de até 34 anos, com a presença de filhos (4,1 pessoas), ver Tabela 5. Observa-se que a principal queda no período ocorreu no arranjo domiciliar chefiado por casais com filhos e/ou parentes na faixa etária de 35 a 49 anos, passando de 5,0 pessoas por domicílio em 1991 para 4,6 em 2000. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 102 3,5 3,6 3,5 3,5 3,4 3,5 3,4 3,6 3,7 3,3 3,7 As menores médias de componentes por domicílio no Pólo de Ribeirão Preto são encontradas entre os arranjos de chefias femininas e masculinas sem cônjuges, e estes também apresentaram reduções: os primeiros passaram de 3 componentes em 1991, para 2,8 em 2000, e aqueles com chefia masculina passaram de 2,3 para 2 pessoas por domicílio no ano 2000. É preciso destacar que, nos arranjos citados nesse parágrafo, esse número é mais elevado quando se trata de arranjos domiciliares de chefes sem cônjuges com a presença de filhos e/ou parentes, tanto para os femininos, como para os masculinos, observando-se, respectivamente, os valores de 3,4 e de 3,2 pessoas por domicílio, no ano de 2000, pois as médias para os totais de cada arranjo de chefia sem cônjuge incluem os domicílios unipessoais. Considerando-se os municípios no Pólo Regional de Regional de Ribeirão Preto, ao analisar o ano de 2000 observa-se que existe variação entre estes com relação ao tamanho dos domicílios, encontrando-se municípios onde o tamanho médio dos domicílios é de 3,9 pessoas (Guatapará e Luis Antonio) e municípios onde o tamanho médio dos domicílios 3,4 componentes (Monte Alto), enquanto a média regional é de 3,6 pessoas por domicílio. Considerando o arranjo domiciliar predominante, observam-se também variações entre os municípios no tamanho dos domicílios com arranjos chefiados por casais, que ficam entre 3,7 (Monte Alto) e 4,3 (Guatapará), enquanto a média regional é de 3,6 componentes por domicílio (Tabela 6). O município sede, Ribeirão Preto, apresentou em 2000, 3,5 componentes por domicílio – pouco abaixo da média observada pelo Pólo Regional - e valores correspondentes à média regional para os arranjos domiciliares nucleados por casais, observando-se numero de componentes um pouco menores que a média regional 2,7 naqueles com chefia feminina sem cônjuge e também naqueles com chefia feminina e masculina sem cônjuge com a presença de filhos 3,3 e 3,1, respectivamente (Tabela 6). O município de Guatapará, por outro lado, apresenta médias de pessoas por domicílio mais elevadas que a média regional, como mencionado, bem como em todos os arranjos domiciliares, exceto para os arranjos com chefes femininos e masculinos sem cônjuge, ainda que sejam maiores que a média os domicílios destes arranjos com a presença de filhos e/ou parentes, 3,5 e 3,7, respectivamente (Tabela 6). Considerando-se os extremos de tamanho de domicílio segundo o arranjo domiciliar no Pólo de Ribeirão Preto, observa-se no ano 2000 que, nos arranjos chefiados por casais, destaca-se com a menor média de componentes o município de Pólo Econômico de Ribeirão Preto 103 Monte Alto (3,7) e, com as maiores médias, os municípios de Guatapará (4,3) e de Serra Azul (4,3), enquanto a média da região para o arranjo é de 3,9 pessoas por domicílio. Nos arranjos com chefia feminina sem cônjuge, o menor número de componentes é observado no município de Altinópolis (2,3), sendo que os domicílios com mais componentes encontram-se nos municípios de Luis Antônio (4,1) e Dumont (3,9), enquanto a média do pólo é de 2,8 pessoas por domicílio. Nos arranjos com chefia masculina sem cônjuge, a menor média de componentes para o arranjo é observada no município de Brodowski (1,5) e as maiores nos municípios de Pradópolis (2,5) e Cravinhos (2,4), enquanto a média do Pólo é de 2,0 pessoas por domicílio. Tabela 6 Número médio de componentes dos domicílios segundo tipologia de arranjo domiciliar Pólo Regional de Ribeirão Preto 2000 Casais Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge Com filhos e parentes com filhos com filhos Sem Total Total e/ou Unipessoal Total e/ou Unipessoal até 34 de 35 a 50 anos Total filhos Total parentes parentes anos 49 anos e mais Pólo Ribeirão Preto 3,9 2,2 4,3 4,1 4,6 4,3 2,8 3,4 1,0 2,0 3,2 1,0 3,6 Altinópolis 4,0 2,2 4,4 4,1 4,6 4,5 2,3 3,1 1,0 2,0 3,4 1,0 3,6 Barrinha 4,0 2,1 4,3 4,2 4,5 4,1 3,6 4,0 1,0 2,3 3,8 1,0 3,8 Brodowski 4,0 2,1 4,3 4,1 4,5 4,4 2,5 3,3 1,0 1,5 2,6 1,0 3,6 Cajuru 4,0 2,2 4,5 4,0 5,0 4,5 2,8 3,3 1,0 2,0 2,7 1,0 3,7 Cássia dos Coqueiros 3,9 2,1 4,3 4,3 4,5 4,1 2,8 4,0 1,0 1,7 2,9 1,0 3,5 Cravinhos 4,1 2,2 4,4 4,2 4,7 4,4 2,9 3,4 1,0 2,4 3,1 1,0 3,8 Dumont 3,9 2,1 4,3 3,9 4,6 4,5 3,9 3,9 1,0 1,8 3,4 1,0 3,8 Guariba 4,0 2,2 4,4 4,1 4,6 4,4 3,3 3,7 1,0 1,8 3,1 1,0 3,7 4,3 2,3 4,6 4,3 5,1 4,0 2,8 3,5 1,0 2,0 3,7 1,0 3,9 Guatapará Jaboticabal 3,9 2,1 4,3 4,0 4,6 4,1 2,6 3,3 1,0 2,1 3,3 1,0 3,5 Jardinópolis 4,0 2,2 4,4 4,1 4,7 4,4 2,9 3,5 1,0 2,0 3,3 1,0 3,7 Luís Antônio 4,1 2,2 4,4 4,1 4,9 4,1 4,1 4,6 1,0 1,9 3,4 1,0 3,9 Monte Alto 3,7 2,2 4,2 4,0 4,4 4,3 2,5 3,1 1,0 2,2 3,2 1,0 3,4 Pitangueiras 4,0 2,1 4,4 4,1 4,6 4,4 2,9 3,8 1,0 2,2 3,5 1,0 3,7 Pontal 4,1 2,2 4,4 4,1 4,7 4,7 2,9 3,5 1,0 1,7 3,0 1,0 3,7 Pradópolis 4,0 2,3 4,3 3,9 4,6 4,3 3,1 3,6 1,0 2,5 3,3 1,0 3,8 Ribeirão Preto 3,9 2,2 4,3 4,1 4,5 4,3 2,7 3,3 1,0 2,0 3,1 1,0 3,5 4,0 2,0 4,4 4,5 4,5 3,6 2,5 3,1 1,0 2,3 2,9 1,0 3,7 Santa Cruz da Esperança Santa Rosa de Viterbo 4,0 2,2 4,4 4,0 4,6 4,7 2,6 3,3 1,0 2,0 3,4 1,0 3,6 Santo Antônio da Alegria 4,0 2,2 4,5 4,2 4,8 4,3 2,5 3,7 1,0 1,7 3,4 1,0 3,5 São Simão 4,0 2,1 4,5 4,3 4,7 4,3 2,6 3,3 1,0 1,9 2,9 1,0 3,6 Serra Azul 4,3 2,2 4,6 4,3 5,0 4,5 3,1 3,5 1,0 1,7 2,9 1,0 3,8 Serrana 4,1 2,3 4,4 4,3 4,6 4,4 3,0 3,4 1,0 2,3 3,2 1,0 3,8 Sertãozinho 4,0 2,2 4,4 4,0 4,7 4,4 2,9 3,4 1,0 1,9 3,1 1,0 3,7 Taquaral 4,1 2,1 4,3 4,2 4,6 4,1 2,5 2,8 1,0 1,9 2,7 1,0 3,6 Fonte: Censo Demográfico 2000. IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP 2.2. Mudanças nos arranjos domiciliares de inserção no mercado de trabalho e na provisão dos domicílios. Introdução De maneira semelhante ao que foi observado no documento relativo ao conjunto de regiões analisadas para o Estado de São Paulo18, deve-se mencionar, 18 FINEP/NEPP/NEPO/IE. 2009. Documento 1 - Relatório Consolidado para o Estado de São Paulo. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais. Convênio FINEP-FNDCT/NEPP/Regiões Metropolitanas. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 104 inicialmente, que este estudo considera que os arranjos de inserção dos componentes da família no mercado de trabalho são definidos, articuladamente, pela dinâmica da economia e pela dinâmica das relações familiares e das relações de gênero. Considera também que a composição familiar predominante da etapa do ciclo de vida familiar é outro aspecto que influi nos arranjos de inserção no mercado de trabalho e de provisão familiar articulados pelos diferentes tipos de família. Estudo longitudinal sobre a Região Metropolitana de São Paulo sobre os anos 80 e 90, mostrou que nesse período alteram-se tanto a composição familiar em alguns tipos de família, como os arranjos de inserção familiar (Montali, 2004). A generalização das mudanças nos arranjos de inserção familiar e na responsabilidade pela provisão familiar é também apontada, por outro estudo, para o conjunto das regiões metropolitanas brasileiras nos anos 2000, guardadas algumas especificidades regionais (Montali e Tavares, 2007). No atual projeto, utiliza-se a mesma metodologia dos estudos referidos, buscando-se identificar nas análises as mudanças nos arranjos de inserção familiar e na responsabilidade dos componentes da família pela provisão familiar que ocorreram entre os anos de 1991 e de 2000 nas regiões metropolitanas paulistas e nos pólos regionais. Análise anterior sobre os anos 90 referente à Região Metropolitana de São Paulo (Montali, 2004), evidenciou que ocorreu nesse período um rearranjo de inserção no mercado de trabalho entre os diferentes componentes da família, fortemente relacionado ao crescente desemprego e às novas características dos desempregados provocados conjuntamente pelo baixo ritmo de crescimento da economia nacional e pelo processo de reestruturação produtiva que se intensificou naquela década. O estudo referido atribui peso preponderante à mudança do padrão de absorção da força de trabalho ocorrida nos anos 90 para explicar as mudanças verificadas nos arranjos familiares de inserção no mercado ocorridas; ainda que considere como elementos importantes na sua explicação as alterações havidas nas características da composição familiar, dentre estas a redução na proporção de filhos menores de 10 anos e a pequena redução no seu tamanho médio. Assim, a hipótese assumida pelo estudo citado, é que a nova tendência observada na articulação dos arranjos familiares de inserção no mercado foi viabilizada pela mudança no papel da mulher na sociedade, nesta incluindo o aumento de sua inserção no mercado de trabalho, porém expressa fortemente a alteração no padrão de absorção da força de trabalho. A reestruturação produtiva e organizacional nos anos 90 reduziu postos de trabalho principalmente Pólo Econômico de Ribeirão Preto para ocupações 105 predominantemente masculinas e promoveu o crescente desemprego daqueles que eram os principais mantenedores das famílias nos anos 80: chefes masculinos e filhos/filhas maiores de 18 anos (Montali, 2004). Nos anos 90 também aumentam as dificuldades de absorção dos jovens pelo mercado de trabalho e amplia-se a participação da mulher. Tais impactos da reestruturação produtiva sobre o mercado de trabalho apresentam características semelhantes e são registrados em diversos estudos tanto para o Brasil, como para países da America Latina, destacando-se o aumento da absorção da mulher e as maiores restrições para a absorção dos jovens (Leone, 2003; Oliveira e Salas, 2008). Considerando-se os arranjos familiares de inserção no mercado de trabalho nos anos 90, a mudança mais freqüente, verificada em praticamente todos os tipos de família, foi o aumento da participação da mulher-cônjuge e da mulher-chefe entre os ocupados da família em face do desemprego de parte dos componentes do grupo doméstico e da dificuldade em aumentar o número de pessoas ocupadas das unidades familiares. No caso das famílias na etapa final do ciclo de vida familiar (caracterizadas pelos casais com 50 anos e mais) com a presença de filhos, a mudança manifesta-se no aumento da participação do chefe e da cônjuge entre os ocupados, ao mesmo tempo em que cresce o desemprego dos filhos adultos. Dessa maneira, os rearranjos familiares de inserção observados a partir de 1991 – diferenciando-se dos arranjos encontrados na década de 1980 – indicam o maior partilhamento da responsabilidade da manutenção da família. Estas mudanças foram constadas no estudo longitudinal sobre a Região Metropolitana de São Paulo, já referido (Montali, 2004). A análise para o conjunto das regiões metropolitanas brasileiras também confirma esses padrões de arranjos de inserção nos anos 2004 e 2006 (Montali e Tavares, 2007). A atual análise sobre as regiões metropolitanas e pólos regionais paulistas com base nos dados censitários, evidenciou características semelhantes às encontradas nos estudos referidos no que se refere aos arranjos domiciliares de inserção, bem como nas mudanças observadas na responsabilidade pela provisão dos domicílios no ano 2000, utilizando-se dos dados dos Censos Demográficos 1991 e 2000. No Documento 1 - Relatório Consolidado, deste Projeto, que analisa o conjunto das regiões metropolitanas e pólos regionais do Estado se São Paulo, foi possível realizar análise detalhada das mudanças na inserção dos componentes dos domicílios no mercado de trabalho nos diferentes arranjos familiares, por tratar de dados mais Pólo Econômico de Ribeirão Preto 106 agregados, o que não se torna possível na análise regional com detalhamento por municípios19. Assim, na presente análise regional dessa problemática são utilizados dois indicadores selecionados: a taxa de geração de renda e a participação na composição da renda domiciliar. A taxa de geração de renda é um indicador das mudanças nos arranjos familiares de inserção no mercado de trabalho e de responsabilidade pela manutenção da família. Essa taxa expressa a proporção de pessoas que aportam renda de alguma fonte para o grupo familiar, considerando-se sua posição na família. Estudo longitudinal sobre a RMSP mostrou que, embora a taxa específica de geração de renda tenha caído nos anos de maior desemprego do início da década de 1990, ela tem sido crescente a partir de 1995 evidenciando a importante participação dos diversos componentes no aporte de renda para o núcleo doméstico (Montali, 2004). A análise para o Estado de São Paulo e as regiões metropolitanas e pólos regionais paulistas confirmam essa tendência entre os anos censitários de 1991 e 2000 (Documento 1 - Capitulo 3, item 2.2.). No âmbito deste projeto, as tendências observadas no período 1991 e 2000 nas distintas espacialidades do Estado de São Paulo sob análise, e para o conjunto dos arranjos domiciliares, confirmam tanto o crescimento da taxa de geração de renda domiciliar, bem como a queda nas taxas de geração de renda dos chefes, a elevação das taxas das cônjuges, a manutenção da taxa dos filhos e a queda na proporção de parentes e não parentes que contribuem para compor a renda domiciliar (Tabela 7). Deve-se ressaltar que no Pólo Regional de Ribeirão Preto, entre 1991 e 2000, a taxa de geração de renda por domicílio passou de 48,8%, para 52,4%, significando que, em 2000, mais que a metade dos componentes aporta renda de alguma natureza para o domicílio. Observa-se que nos dois momentos analisados a taxa de geração de renda domiciliar deste Pólo é superior à do Estado de São Paulo e mais semelhante à observada nos pólos regionais, do que nas regiões metropolitanas paulistas. No Pólo Regional de Ribeirão Preto no período de 1991-2000, considerando-se os arranjos domiciliares nucleados por casais, ocorreu redução na taxa de geração de renda dos chefes, com queda de aproximadamente 3 pontos percentuais; essa taxa era de 97,5% em 1991 e cai para 94,5% em 2000, mantendo-se, entretanto, elevada. 19 Essa análise pode ser encontrada no Capitulo 3, item 2.2 do Documento 1 - Relatório Consolidado para o Estado de São Paulo. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/IE-UNICAMP-FINEP. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 107 Por outro lado, eleva-se a taxa de geração de renda das cônjuges, que, em 1991, era de 34,1% e, passou a ser de 47,4%, em 2000. Merece ressalvar que a taxa apresentada pelas cônjuges nesse arranjo domiciliar, no Pólo de Ribeirão Preto, está um pouco acima da média do Estado de São Paulo, no entanto ocupa uma posição intermediária, entre as observadas nos pólos e superior em relação as observadas nas RMSP e RMBS no ano 2000 (Tabela 7). Ainda nesse arranjo domiciliar, a taxa de geração de renda dos filhos se mantém entre 1991 e 2000, em 24,4%. Também experimentam queda em sua taxa de geração de renda no período os parentes e não parentes, cuja taxa passa de 48,3% para de 44,7%. Nestes arranjos domiciliares nucleados por casais houve, no período, elevação da taxa domiciliar de geração de renda de 45,6% para 49,3%. Tabela 7 Taxa de geração de renda por tipologia e posição na família Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais - Estado de São Paulo 1991-2000 Casais Chefe Cônjuge Filhos Parentes e não parentes Estado São Paulo 96,1 34,1 22,1 45,9 RM São Paulo 94,8 34,0 20,2 46,2 RM Baixada Santista 96,7 34,1 20,1 43,8 RM Campinas 96,9 36,4 24,6 49,5 Pólo Araçatuba 97,7 35,8 27,6 43,7 1991 Pólo Bauru 97,6 37,5 24,8 45,4 Pólo Presidente Prudente 97,5 32,2 24,2 41,2 Pólo Ribeirão Preto 97,5 34,1 24,4 48,3 Pólo São José dos Campos 95,9 32,1 19,0 43,2 Pólo São José do Rio Preto 98,4 37,3 26,9 48,3 Pólo Sorocaba 96,0 34,0 21,1 44,8 Chefe feminina sem cônjuge Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes e não parentes 44,1 89,5 46,6 46,9 43,0 87,9 43,3 48,4 43,9 92,1 42,1 44,0 46,4 91,6 51,0 48,8 47,6 89,6 52,7 46,3 46,5 93,8 52,1 45,8 44,6 91,6 50,5 43,5 45,6 90,8 53,2 45,8 41,0 91,2 42,5 45,4 49,1 94,5 55,3 52,5 42,9 91,0 46,9 44,0 Chefe masculino sem cônjuge Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total e não parentes 61,1 93,1 48,1 58,9 71,5 59,4 91,1 45,2 58,9 70,2 59,7 94,7 39,9 58,1 72,2 64,3 94,7 50,7 62,5 73,6 63,7 94,7 58,8 54,0 72,6 65,1 96,6 56,2 56,4 73,2 63,3 96,0 46,5 57,0 72,2 64,3 96,4 54,8 63,7 76,6 57,6 93,1 39,4 62,3 72,0 69,1 97,8 51,1 63,5 76,6 60,5 94,5 48,1 58,6 71,7 Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes e não parentes 94,9 34,1 25,6 48,4 93,3 34,0 23,9 49,3 95,7 34,1 23,8 46,1 96,1 36,4 27,9 51,4 96,3 35,8 31,0 45,8 97,0 37,5 28,5 47,2 96,6 32,2 27,7 43,9 96,4 34,1 28,1 49,9 95,1 32,1 22,1 46,9 97,8 37,3 30,4 51,5 95,2 34,0 24,3 46,6 Estado São Paulo 91,8 46,4 22,5 42,0 47,4 90,1 42,2 44,1 59,7 89,6 45,5 59,2 72,1 91,3 46,4 26,4 45,2 RM São Paulo 89,8 45,3 21,2 41,6 45,9 88,6 39,7 44,3 57,9 88,4 43,1 59,4 71,0 89,5 45,3 25,2 45,3 RM Baixada Santista 91,1 45,6 20,4 38,7 46,3 90,3 39,3 41,7 58,1 86,8 41,3 55,2 69,8 90,5 45,6 24,8 41,9 RM Campinas 92,5 47,9 24,7 43,8 49,5 90,5 45,2 45,6 61,6 89,5 49,1 61,3 73,3 91,9 47,9 28,4 47,0 Pólo Araçatuba 94,5 51,8 28,1 42,5 53,0 91,6 50,5 44,4 64,5 92,8 50,8 60,8 75,7 93,8 51,8 32,2 45,5 2000 Pólo Bauru 94,1 49,5 24,4 43,0 50,0 93,6 44,9 45,1 62,5 92,6 49,5 55,4 73,3 93,9 49,5 28,1 45,4 Pólo Presidente Prudente 92,7 47,9 22,3 39,8 48,3 91,3 45,4 44,8 62,7 88,7 48,6 56,7 73,3 92,1 47,9 26,4 43,3 Pólo Ribeirão Preto 94,5 47,4 24,4 44,7 49,3 91,9 45,8 46,4 62,7 92,5 50,5 57,7 74,0 93,8 47,4 28,3 47,2 Pólo São José dos Campos 92,3 42,6 21,6 40,2 45,3 90,8 40,2 42,0 57,4 89,9 40,0 54,3 69,4 91,8 42,6 24,9 42,8 Pólo São José do Rio Preto 94,0 50,1 25,9 46,2 52,2 92,1 49,5 49,6 66,8 92,1 51,1 67,8 78,5 93,5 50,1 30,0 50,0 Pólo Sorocaba 92,6 48,1 21,8 41,1 47,3 92,6 44,5 45,0 61,1 91,5 45,7 60,6 72,8 92,5 48,1 25,6 44,9 Fonte: Censo Demográfico 1991 e 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Considerando-se os arranjos chefiados por mulheres sem cônjuge, no Pólo de Ribeirão Preto, as chefes apresentam taxa bastante elevada em 1991 (90,8%) pequena elevação na taxa de geração de renda no ano 2000, quando passa a ser de 91,9%. Observa-se nesse arranjo domiciliar, no mesmo período, queda na taxa de geração de renda dos filhos, que em 1991 era de 53,2% e, em 2000, passa a ser de 45,8%, possivelmente expressando restrições do mercado ao trabalho jovem e também restrições impostas ao trabalho infantil por políticas governamentais. Em movimento inverso, outro componente domiciliar, os parentes e não parentes, apresentando pequena elevação em sua taxa de geração de renda nesse arranjo, de 45,8% em 1991, para 46,4% em 2000. Conclui-se o período com pequena queda da Pólo Econômico de Ribeirão Preto 108 Total 47,4 46,5 47,5 49,3 50,3 49,6 47,6 48,8 44,1 52,3 45,7 50,5 49,2 49,7 52,2 55,7 52,9 51,4 52,4 48,2 55,4 50,2 taxa de geração de renda deste arranjo domiciliar, pois passa de 64,3% em 1991 para 62,7%, em 2000 (Tabela 7). Por fim, nos arranjos domiciliares dos chefes masculinos sem cônjuges percebe-se diminuição da taxa de geração de renda dos chefes (96,4% em 1991 e 92,5 em 2000), queda na taxa dos filhos (54,8%, em 1991, e 50,5%, em 2000) e redução na taxa dos parentes (63,7%, em 1991, e 57,7%, em 2000), resultando para esse arranjo, redução na taxa domiciliar de geração de renda no período analisado; assim, em 1991, 76,6%, e em 2000, 74% dos componentes em idade ativa aportavam renda para o domicílio (Tabela 7). Esta taxa domiciliar de geração de renda é a mais elevada dentre as observadas nos distintos arranjos domiciliares. As mesmas tendências assinaladas acima para os diferentes arranjos domiciliares são observadas, com poucas especificidades, na análise dos municípios do Pólo Regional de Ribeirão Preto. Assim, considerando-se os arranjos nucleados por casais, a tendência geral nos municípios da região é de diminuição da taxa de geração de renda dos chefes e de intenso crescimento na taxa de geração de renda das cônjuges; o comportamento da taxa dos filhos apresenta mais oscilações (Tabela 8). No período de 1991-2000, no município de Ribeirão Preto, sede regional, as tendências observadas são as seguintes: a taxa de geração de renda dos chefes cai de 97,5% % em 1991 para 94% em 2000 e, em movimento inverso, a taxa de geração das cônjuges experimenta forte crescimento: em 1991 era de 38,8% e, em 2000, de 53,4%, significando que mais que a metade das cônjuges nesse arranjo aportavam renda para o domicílio. Ambas as tendências são acompanhadas de pequena elevação na taxa de geração de renda dos filhos no período (23,8%, em 1991, e 25%, em 2000). A taxa domiciliar de geração de renda desse arranjo se eleva de 46,8%%, para 51,5% no período em análise. Considerando-se os arranjos domiciliares da chefe feminina sem cônjuge, observa-se nos municípios do Pólo Ribeirão Preto, conforme mencionado acima, taxa regional de geração de renda bastante elevada e com crescimento no período de 1991-2000. A análise dos municípios mostra que apresenta crescimento na maioria destes e manutenção da taxa em alguns nesse período (Tabela 8). Em relação aos filhos nesse arranjo domiciliar, percebe-se uma tendência geral nos municípios de queda na taxa de geração de renda. Em relação aos parentes, embora a tendência na região seja de elevação na taxa de geração de renda, há oscilações para baixo em alguns municípios. Tomando-se novamente o município de Ribeirão Preto como referência, observa-se que, em 1991, 91,6% dos chefes femininos aportavam renda Pólo Econômico de Ribeirão Preto 109 para o domicílio, passando a ser de 92,7% em 2000. Observa-se ainda que, embora tenha ocorrido queda na taxa de geração dos filhos, de 52,1% em 1991 para 47%, esta permanece elevada em 2000, e que ocorre também pequena elevação na taxa dos parentes de 48% em 1991, para 49,7% em 2000. Como resultado dessas tendências ocorre manutenção da taxa domiciliar de geração de renda nesse arranjo domiciliar no período, cerca de 64%. No arranjo dos chefes masculinos sem cônjuge, no período de 1991-2000, a tendência geral nos municípios da região é de queda da taxa de geração de renda dos chefes, mantendo-se elevada; outra tendência é a de queda da participação dos filhos e dos parentes na geração de renda dos domicílios. No município de Ribeirão Preto, em 1991 a taxa de geração de renda dos chefes masculinos sem cônjuge era de 96,4%, caindo em 2000 para 92,5%; a taxa de geração de renda dos filhos neste arranjo, bastante elevada, apresenta elevação, passando de 52,8%% em 1991, para 54,5% em 2000; enquanto a taxa dos parentes cai de 76,4% em 1991, para 74,5% em 2000; resultando em pequena queda da taxa domiciliar de geração de renda nesse arranjo, de 76% em 1991, para 74%. Merece ser ressaltado que considerando-se a totalidade dos domicílios, no município de Ribeirão Preto cresce a taxa de geração de renda domiciliar de 50% em 1991, para 55% em 2000. Tabela 8 Taxa de geração de renda por tipologia e posição na família Pólo Regional de Ribeirão Preto 1991 Casais Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total e não e não e não e não parentes parentes parentes parentes Pólo Ribeirão Preto 97,5 34,1 24,4 48,3 45,6 90,8 53,2 45,8 64,3 96,4 54,8 63,7 76,6 96,4 34,1 28,1 49,9 48,8 Altinópolis 97,9 35,0 31,8 44,5 48,6 90,4 74,6 33,4 69,7 95,6 35,6 64,7 76,4 96,7 35,0 35,9 44,9 51,7 Barrinha 97,6 25,5 20,7 48,3 41,2 79,8 49,0 32,3 53,9 94,4 54,8 54,0 71,3 95,5 25,5 24,2 46,3 43,8 Brodowski 99,8 34,5 33,4 54,3 50,8 90,4 69,0 39,7 70,7 100,0 40,9 54,9 74,5 98,7 34,5 36,5 51,1 53,2 Cajuru 95,6 28,7 23,1 48,5 42,7 94,2 46,8 41,9 65,5 97,9 57,1 62,5 75,7 95,6 28,7 26,1 50,5 46,2 Cássia dos Coqueiros 99,1 27,8 23,1 57,0 44,2 77,6 77,0 24,1 67,7 100,0 100,0 66,7 86,3 97,4 27,8 27,0 55,8 47,7 Cravinhos 96,8 24,7 25,8 49,0 43,4 86,0 49,0 42,3 59,9 95,2 73,1 57,9 71,3 95,3 24,7 29,0 49,8 46,2 Dumont 93,9 19,6 28,7 49,6 43,4 72,3 47,9 32,4 52,9 100,0 84,0 60,8 80,6 92,6 19,6 30,8 50,2 45,2 Guariba 97,4 22,3 17,0 41,1 38,0 80,1 37,4 39,1 50,2 95,9 31,3 51,3 63,8 95,5 22,3 19,4 42,5 40,2 Guatapará Jaboticabal 96,8 32,4 23,4 46,8 45,1 93,0 50,5 42,2 64,1 98,0 63,1 71,1 81,5 96,3 32,4 26,9 48,1 48,1 Jardinópolis 97,8 28,7 26,4 56,6 45,4 88,1 74,3 53,4 74,3 98,7 71,0 80,6 87,8 96,5 28,7 32,0 58,0 49,5 Luís Antônio 95,7 29,2 19,9 51,7 41,5 89,5 50,0 48,0 61,1 100,0 5,8 57,5 65,5 95,6 29,2 21,4 52,6 43,8 Monte Alto 99,0 35,6 28,8 49,9 49,6 92,5 55,6 44,5 66,0 100,0 66,7 58,8 80,7 98,3 35,6 32,0 49,5 51,8 Pitangueiras 98,9 30,2 24,6 43,7 44,1 93,0 59,9 50,7 68,9 89,4 80,6 65,6 79,3 97,6 30,2 28,0 49,4 47,4 Pontal 98,4 34,1 24,2 48,2 45,6 82,7 55,2 40,1 60,5 98,6 34,0 62,0 77,1 96,5 34,1 28,0 50,0 48,7 Pradópolis 97,0 25,0 28,1 50,3 44,5 85,1 62,5 31,6 62,8 100,0 56,7 46,6 69,2 96,1 25,0 30,5 46,9 46,2 Ribeirão Preto 97,5 38,8 23,8 49,6 46,8 91,6 52,1 48,1 64,8 96,2 52,8 64,0 76,4 96,4 38,8 27,9 51,1 50,2 Santa Cruz da Esperança Santa Rosa de Viterbo 99,0 26,3 25,5 46,0 44,1 95,1 60,2 47,4 69,1 100,0 40,2 74,1 78,2 98,5 26,3 29,3 49,4 47,7 Santo Antônio da Alegria 97,6 26,5 21,9 42,2 41,1 84,5 53,3 27,9 59,5 75,4 100,0 50,5 68,5 94,3 26,5 25,1 41,2 43,8 São Simão 96,0 25,5 21,0 43,2 40,8 94,4 58,9 30,0 61,8 89,2 67,9 32,0 65,7 95,2 25,5 25,3 36,6 44,3 Serra Azul 96,7 26,8 24,7 39,1 41,9 94,0 49,0 43,6 64,2 95,7 66,7 77,2 83,6 96,2 26,8 27,0 46,8 45,0 Serrana 95,9 29,0 25,4 43,3 43,4 89,8 52,6 22,7 57,9 98,4 28,6 77,1 85,3 95,4 29,0 28,6 43,7 45,9 Sertãozinho 97,3 31,0 25,6 46,4 44,7 90,0 52,0 52,0 64,8 98,1 61,3 72,6 82,1 96,5 31,0 28,3 51,4 47,5 Taquaral Fonte: Censo Demográfico 1991, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Excluídos da análise dos domicílios/família, os pensionistas, empregados domésticos residentes e parentes dos empregados domésticos Pólo Econômico de Ribeirão Preto 110 Tabela 8 Taxa de geração de renda segundo tipologia e posição na família Pólo Regional de Ribeirão Preto 2000 Casais Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes e e não e não e não não parentes parentes parentes parentes Pólo Ribeirão Preto 94,5 47,4 24,4 44,7 49,3 91,9 45,8 46,4 62,7 92,5 50,5 57,7 74,0 93,8 47,4 28,3 47,2 98,3 47,6 28,3 40,1 51,3 92,9 53,0 45,8 69,7 98,1 75,3 61,4 82,0 97,5 47,6 31,2 44,9 Altinópolis Barrinha 92,6 34,3 18,7 35,3 42,2 84,0 35,1 36,4 49,0 89,5 46,5 54,8 69,2 91,0 34,3 22,2 39,6 Brodowski 97,0 49,5 29,8 47,7 52,7 90,5 54,8 53,6 68,8 100,0 100,0 67,0 94,3 96,3 49,5 33,2 50,3 Cajuru 95,7 43,6 20,6 46,6 46,4 90,1 46,8 43,2 61,4 85,5 15,9 52,5 59,9 94,2 43,6 23,8 46,0 Cássia dos Coqueiros 98,1 44,2 19,2 47,3 47,1 95,4 48,9 25,5 62,2 96,4 62,1 85,2 86,4 97,4 44,2 23,6 46,7 94,4 48,4 25,0 46,0 49,2 96,8 51,2 61,4 69,0 99,0 39,8 69,8 74,7 95,1 48,4 28,8 53,5 Cravinhos 96,6 40,7 25,8 52,5 49,2 92,8 42,9 33,6 53,9 95,4 69,2 59,5 81,0 96,1 40,7 28,0 49,4 Dumont Guariba 94,2 33,1 21,3 41,0 43,4 86,0 41,9 30,6 53,5 96,0 40,2 65,5 79,4 93,1 33,1 24,9 42,2 Guatapará 89,9 36,6 24,5 39,5 43,9 76,2 45,1 38,3 54,4 84,0 52,6 52,3 68,2 87,6 36,6 27,2 40,8 Jaboticabal 95,1 47,8 25,4 41,2 50,1 92,1 50,0 46,6 65,4 93,9 44,9 58,1 72,3 94,5 47,8 29,2 45,2 Jardinópolis 95,9 44,3 26,2 48,2 49,5 89,8 50,0 35,8 61,1 93,6 51,9 43,4 70,6 94,7 44,3 30,1 44,4 93,6 34,8 18,1 51,7 42,9 80,4 33,0 37,7 45,7 92,8 54,9 45,2 71,3 92,1 34,8 20,7 46,6 Luís Antônio 95,8 45,5 25,1 50,6 51,3 89,3 47,9 50,4 64,5 91,7 58,7 58,9 74,2 94,4 45,5 29,3 52,0 Monte Alto 92,9 36,5 18,8 37,6 42,9 88,2 33,0 32,2 51,6 82,7 17,2 42,5 55,9 91,3 36,5 20,8 37,2 Pitangueiras Pontal 95,2 35,3 22,2 35,6 44,3 91,2 40,5 38,9 57,9 94,5 49,5 73,7 81,7 94,5 35,3 25,2 40,5 Pradópolis 95,3 33,5 21,7 37,8 44,1 97,4 43,9 35,2 59,4 82,6 31,1 68,5 70,0 94,5 33,5 24,6 44,8 Ribeirão Preto 94,0 53,4 25,0 47,8 51,5 92,7 46,9 49,7 64,5 92,3 54,5 56,2 74,5 93,6 53,4 29,6 49,7 Santa Cruz da Esperança 97,0 45,8 19,2 52,2 46,4 87,9 46,5 75,0 66,9 100,0 100,0 100,0 100,0 96,1 45,8 22,2 70,5 93,3 38,5 24,3 31,9 45,4 95,9 36,7 42,0 60,1 89,4 55,9 70,1 76,0 93,4 38,5 27,2 38,4 Santa Rosa de Viterbo 97,3 50,0 30,0 51,2 52,6 92,9 66,3 36,2 70,2 95,6 47,6 87,9 79,8 96,3 50,0 34,9 47,4 Santo Antônio da Alegria 94,5 47,3 23,6 43,3 47,9 92,1 46,4 36,6 62,0 93,8 50,0 67,1 77,7 93,9 47,3 27,7 44,5 São Simão Serra Azul 96,3 37,6 22,9 32,8 44,4 96,6 52,5 21,9 58,3 90,9 44,7 46,2 72,0 95,9 37,6 27,3 30,1 Serrana 93,0 42,3 20,7 46,4 45,0 86,9 39,6 42,0 55,8 93,4 45,2 49,5 67,7 92,1 42,3 24,0 46,0 Sertãozinho 95,2 41,9 26,1 38,5 48,0 91,2 45,0 41,6 60,8 93,7 52,9 62,7 76,8 94,4 41,9 29,2 42,9 Taquaral 94,2 48,7 25,3 56,6 49,7 100,0 47,6 72,7 72,9 90,9 26,9 87,9 76,8 95,0 48,7 28,1 65,6 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Excluídos da análise dos domicílios/família, os pensionistas, empregados domésticos residentes e parentes dos empregados domésticos Deve-se ressaltar que embora tenha havido entre 1991-2000 aumento da participação dos componentes do domicílio em atividades para geração de renda, a renda domiciliar é predominantemente composta pela contribuição dos chefes do domicílio, sendo eles chefes masculinos ou femininos. Este fato ocorre tanto no Pólo de Ribeirão Preto como no conjunto de regiões sob análise por este Projeto e no Estado de São Paulo. Dessa maneira, utiliza-se de mais um indicador para conhecer as mudanças no padrão de arranjos domiciliares de provisão da família, que é a participação dos membros da família na composição renda domiciliar, indicada pelo percentual de contribuição de cada componente do domicílio na renda do domicílio. Ainda que a participação dos chefes na composição da renda do domicílio seja a mais elevada, o indicador também evidencia a tendência de queda da participação deste componente do domicílio, quando considerado o total da população segundo posição na família. No entanto, a análise considerando os arranjos domiciliares e a posição na família mostra diferenciações nas tendências entre os domicílios nucleados por casal e nos domicílios de chefes sem cônjuges. Assim, nos arranjos nucleados pelo casal, observa-se como tendência a queda da participação dos chefes na composição da renda domiciliar. De forma distinta, nos arranjos sem a presença de cônjuge, cresce a participação dos chefes femininos e masculinos na composição da renda domiciliar (Tabela 9). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 111 Total 52,4 54,2 44,6 55,7 48,7 50,6 52,7 50,7 46,4 46,2 53,2 51,7 44,5 54,0 44,7 47,5 47,1 54,9 49,7 48,9 56,4 51,4 47,6 47,5 50,7 53,8 Outras tendências apresentadas pelos arranjos nucleados pelo casal são o crescimento da participação das cônjuges na composição do rendimento domiciliar e queda na participação dos filhos, nesse período, também verificadas neste pólo regional. Duas outras tendências, generalizadas entre as diversas regiões do Estado de São Paulo sob análise, são a queda na participação dos filhos, e dos parentes e não parentes na composição da renda domiciliar em todos os arranjos domiciliares. Este conjunto de tendências indica mudanças e um maior partilhamento da responsabilidade pela subsistência entre os componentes do domicílio, embora se mantenha elevada a responsabilidade dos chefes das diferentes configurações domiciliares. Tabela 9 Participação na composição da massa da renda domiciliar por tipologia e posição na família Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais - Estado de São Paulo 1991-2000 Casais Chefe feminina sem cônjuge Chefe Cônjuge Filhos Parentes e Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes não e não parentes parentes Estado São Paulo 70,0 14,1 13,0 3,0 100,0 56,4 . 30,8 12,8 RM São Paulo 69,8 14,4 12,9 3,0 100,0 57,4 . 29,4 13,2 RM Baixada Santista 72,1 13,9 10,7 3,3 100,0 60,8 . 27,1 12,1 RM Campinas 69,7 13,9 13,2 3,2 100,0 55,8 . 31,6 12,6 Pólo Araçatuba 70,3 14,1 13,0 2,6 100,0 56,3 . 31,2 12,5 1991 Pólo Bauru 69,2 14,9 13,1 2,8 100,0 53,8 . 35,7 10,5 Pólo Presidente Prudente 70,6 14,2 12,9 2,2 100,0 51,1 . 40,5 8,4 Pólo Ribeirão Preto 70,3 13,7 13,0 3,1 100,0 55,4 . 31,7 12,9 Pólo São José dos Campos 72,7 13,4 11,0 2,9 100,0 50,9 . 31,1 18,0 Pólo São José do Rio Preto 70,6 13,9 12,7 2,8 100,0 58,4 . 30,2 11,5 Pólo Sorocaba 70,1 13,2 13,3 3,3 100,0 51,9 . 36,7 11,3 Chefe masculino sem cônjuge Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total e não parentes 100,0 71,2 . 8,4 20,3 100,0 100,0 71,3 . 7,4 21,3 100,0 100,0 77,2 . 6,1 16,7 100,0 100,0 73,7 . 8,3 18,0 100,0 100,0 68,5 . 11,8 19,8 100,0 100,0 70,0 . 10,4 19,6 100,0 100,0 74,3 . 10,2 15,5 100,0 100,0 71,2 . 7,8 21,0 100,0 100,0 70,8 . 10,3 19,0 100,0 100,0 70,7 . 9,6 19,7 100,0 100,0 68,0 . 11,4 20,6 100,0 Estado São Paulo RM São Paulo RM Baixada Santista RM Campinas Pólo Araçatuba 2000 Pólo Bauru Pólo Presidente Prudente Pólo Ribeirão Preto Pólo São José dos Campos Pólo São José do Rio Preto Pólo Sorocaba 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 67,0 66,2 67,6 67,3 69,7 68,9 68,0 68,7 69,2 68,3 67,3 19,3 20,0 19,5 18,9 18,0 19,1 20,0 18,1 17,7 19,0 18,9 11,3 11,5 10,1 11,5 10,3 9,9 10,0 10,9 10,7 10,0 11,3 2,4 2,4 2,8 2,4 2,0 2,1 2,1 2,3 2,4 2,7 2,5 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 63,8 63,8 65,6 64,8 65,3 66,3 66,0 65,8 63,2 65,7 61,3 . . . . . . . . . . . 25,5 25,2 23,0 24,9 25,8 22,8 24,2 24,1 25,7 24,7 27,6 10,7 11,0 11,3 10,4 8,9 11,0 9,8 10,1 11,1 9,6 11,1 78,6 78,6 81,0 78,1 79,1 81,5 84,0 78,6 79,2 81,8 76,9 . . . . . . . . . . . 7,3 6,7 6,9 7,4 9,4 7,2 6,6 9,3 7,3 5,9 8,1 14,1 14,7 12,2 14,5 11,5 11,3 9,4 12,1 13,5 12,3 15,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes e não parentes 68,5 11,6 14,7 5,2 68,3 11,6 14,5 5,5 70,9 11,2 12,6 5,3 68,6 11,7 14,8 4,9 68,9 12,1 14,7 4,3 67,6 12,7 15,4 4,4 68,9 12,3 15,5 3,4 68,8 11,6 14,6 5,0 70,5 11,3 13,0 5,3 69,4 11,9 14,3 4,4 68,3 11,3 15,5 4,9 67,3 66,7 68,2 67,6 69,7 69,3 68,7 68,9 69,2 68,8 67,0 15,2 15,4 14,7 15,3 15,0 15,5 16,1 14,5 14,3 15,5 15,5 13,1 13,3 12,2 13,0 12,0 11,5 11,7 12,6 12,3 11,7 13,2 4,4 4,6 5,0 4,1 3,3 3,8 3,5 4,0 4,2 4,1 4,3 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Fonte: Censo Demográfico 1991 e 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. No Pólo de Ribeirão Preto verificam-se todas as tendências apontadas acima, entretanto, percebe-se através dos censos de 1991 e 2000, que nos arranjos nucleados pelo casal, é pequena a queda da participação dos chefes na composição da renda domiciliar na média regional, passando de 70,3% para 68,7%. Ainda que na maioria dos municípios que compõem o Pólo haja queda nessa participação, ela apresenta pequeno crescimento em alguns municípios, enquanto em outros se mantém nas mesmas proporções (Tabela 10). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 112 Por sua vez, as cônjuges, nos domicílios compostos por casais, elevaram sua participação na composição da renda familiar no período de 1991-2000, nessa região. Considerando-se os arranjos domiciliares nucleados pelo casal, em 1991, a contribuição da cônjuge era de 13,6% e passou a ser de 18% em 2000. Essa tendência, que apresenta-se com diferentes intensidades nas diversas espacialidades sob análise, é registrada também para o Estado de São Paulo, para as regiões metropolitanas e para os pólos regionais paulistas (Tabela 9). A tendência indicada de queda na participação dos filhos, e dos parentes na composição da renda domiciliar também evidencia-se no Pólo de Ribeirão Preto. Observa-se a queda dessa participação dos filhos entre os anos de 1991 e 2000 em todos os arranjos domiciliares, com a exceção dos arranjos chefiados por homens sem cônjuge, nos quais cresce em determinados municípios. Nos arranjos nucleados pelos casais, a contribuição dos filhos para a composição da renda era de 13%, passando a ser de 10,9% em 2000. Considerando-se os arranjos domiciliares nucleados pelas chefes femininas sem cônjuge, destaca-se a redução apresentada pelos filhos que participavam com parcela de 31,7% da composição da renda domiciliar em 1991 e passaram a contribuir com 24,1% em 2000. Nos arranjos domiciliares dos chefes masculinos sem cônjuge, na média regional, há pequena elevação da contribuição dos filhos que é de 7,8% da renda em 1991, para 9,3% em 2000 (Tabela 10). No município de Ribeirão Preto, considerando os arranjos nucleados por casais observa-se que a participação dos chefes apresenta pequena redução, passando de 69,7% para 67,8% entre 1991 e 2000, acompanhada de significativo crescimento da participação da cônjuge, de 15,4% para 20% no período e de redução da contribuição dos filhos na provisão domiciliar de 11,8% para 9,9%. Também em municípios menores e com características distintas da sede regional, são observadas tendências semelhantes (Tabela 10). Merece ressaltar outra informação que indica a crescente responsabilidade da mulher na provisão familiar. Observa-se no arranjo domiciliar de chefes femininas sem cônjuge o aumento na participação das chefes femininas na composição da renda domiciliar em todas as regiões sob análise. No Pólo de Ribeirão Preto, em 1991, as chefes contribuíam com 55,4% da renda domiciliar e passaram a contribuir com 65,8% em 2000, frente à redução da participação dos filhos apontada acima e também a redução da participação dos parentes, resultando no aumento do encargo das chefes femininas na manutenção do domicílio. Os dados apresentados seguem tendência semelhante à observada para o Estado de São Paulo, no qual as chefes femininas Pólo Econômico de Ribeirão Preto 113 sem cônjuge contribuíam com 56% em 1991 e passaram a contribuir com 63,8% em 2000 para a composição da renda domiciliar (Tabela 9). No município de Ribeirão Preto, em 1991 as chefes femininas sem cônjuge eram responsáveis por 58,6% da renda domiciliar e, em 2000, seu encargo passou a ser de 68%. A tendência de crescimento do encargo na provisão domiciliar é também apresentada pelos dos chefes masculinos sem cônjuge em todas as regiões sob análise. No Pólo de Ribeirão Preto sua contribuição para composição da renda domiciliar desse arranjo era de 71,2% em 1991 e passou para 78,8% em 2000, com proporções semelhantes às observadas para o Estado de São Paulo. No município de Ribeirão Preto a participação dos chefes em 1991 era de 71,7% e em 2000 passou a ser responsável por 80,4% da composição da renda domiciliar. Para o arranjo domiciliar dos chefes masculinos sem cônjuge além da queda na contribuição já apontada para os filhos nesse arranjo, observa-se a redução da participação dos parentes e não parentes na composição da renda domiciliar de 21% em 1991, para 12% em 2000, no Pólo de no Pólo de Ribeirão Preto. Analisando-se os municípios que compõem o no Pólo de Ribeirão Preto observam-se as mesmas tendências apontadas acima. Tabela 10 Participação na massa da renda domiciliar por tipologia e posição na família Pólo Regional de Ribeirão Preto 1991 Casais Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total e não e não e não e não parentes parentes parentes parentes Pólo Ribeirão Preto 70,3 13,7 13,0 3,1 100,0 55,4 . 31,7 12,9 100,0 71,2 . 7,8 21,0 100,0 68,8 11,6 14,6 5,0 Altinópolis 67,2 11,0 18,9 2,9 100,0 37,3 . 50,6 12,1 100,0 74,6 . 1,2 24,2 100,0 65,0 9,4 20,7 4,9 Barrinha 74,3 7,6 12,4 5,7 100,0 29,5 . 53,8 16,7 100,0 66,1 . 11,3 22,5 100,0 70,9 6,6 15,1 7,4 Brodowski 64,8 11,9 21,1 2,2 100,0 35,1 . 55,8 9,1 100,0 79,4 . 4,2 16,4 100,0 63,1 10,7 23,2 3,1 Cajuru 68,8 15,6 11,9 3,7 100,0 59,9 . 31,6 8,5 100,0 64,9 . 18,8 16,3 100,0 68,0 13,8 13,5 4,6 Cássia dos Coqueiros 70,1 10,5 16,3 3,1 100,0 31,3 . 65,4 3,3 100,0 63,0 . 4,0 33,0 100,0 68,0 9,5 17,9 4,6 Cravinhos 77,2 7,4 13,3 2,0 100,0 56,7 . 33,7 9,6 100,0 46,2 . 21,0 32,8 100,0 74,7 6,6 15,1 3,6 Dumont 65,6 6,4 21,8 6,2 100,0 33,4 . 63,0 3,7 100,0 67,9 . 8,6 23,5 100,0 64,6 5,6 22,0 7,8 Guariba 68,1 9,8 18,7 3,4 100,0 43,6 . 44,2 12,2 100,0 71,1 . 9,3 19,6 100,0 66,6 8,8 20,1 4,6 Guatapará Jaboticabal 73,2 13,1 10,3 3,4 100,0 59,0 . 31,5 9,6 100,0 77,4 . 9,8 12,8 100,0 72,1 11,4 12,2 4,3 Jardinópolis 64,9 14,6 17,7 2,8 100,0 35,3 . 49,2 15,4 100,0 70,7 . 16,6 12,7 100,0 62,3 12,8 20,6 4,3 Luís Antônio 70,5 10,5 14,7 4,2 100,0 31,4 . 53,2 15,5 100,0 80,2 . 0,8 19,0 100,0 69,3 9,2 15,6 5,9 Monte Alto 70,1 11,4 15,3 3,2 100,0 54,0 . 37,4 8,6 100,0 76,7 . 17,3 6,0 100,0 69,3 10,2 16,9 3,7 Pitangueiras 71,5 9,3 16,9 2,3 100,0 41,5 . 45,4 13,1 100,0 66,4 . 9,8 23,8 100,0 69,2 8,3 18,7 3,8 Pontal 70,3 11,8 15,3 2,6 100,0 33,5 . 45,3 21,2 100,0 62,9 . 2,3 34,7 100,0 66,7 9,9 16,8 6,6 Pradópolis 70,4 9,4 16,7 3,5 100,0 27,5 . 64,6 7,9 100,0 62,1 . 21,3 16,6 100,0 67,8 8,6 19,4 4,2 Ribeirão Preto 69,7 15,4 11,8 3,1 100,0 58,6 . 27,6 13,8 100,0 71,7 . 6,9 21,4 100,0 68,6 12,7 13,4 5,4 Santa Cruz da Esperança Santa Rosa de Viterbo 70,7 10,1 16,6 2,7 100,0 46,7 . 41,5 11,8 100,0 82,5 . 6,7 10,8 100,0 69,0 8,8 18,4 3,8 Santo Antônio da Alegria 75,9 10,6 12,8 0,8 100,0 49,7 . 31,4 19,0 100,0 50,5 . 21,2 28,3 100,0 73,3 9,5 14,2 3,0 São Simão 75,4 11,1 10,9 2,5 100,0 55,3 . 35,1 9,6 100,0 73,2 . 13,6 13,3 100,0 73,3 9,4 13,4 3,8 Serra Azul 63,7 11,5 20,1 4,7 100,0 44,5 . 46,4 9,1 100,0 47,6 . 6,8 45,6 100,0 61,4 10,0 21,7 6,9 Serrana 65,7 12,3 18,4 3,6 100,0 32,8 . 59,3 7,9 100,0 63,3 . 1,3 35,5 100,0 63,1 10,8 20,9 5,3 Sertãozinho 72,8 10,7 14,0 2,5 100,0 51,4 . 39,3 9,3 100,0 72,0 . 6,8 21,2 100,0 71,5 9,7 15,3 3,6 Taquaral Fonte: Censo Demográfico 1991, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Excluídos da análise dos domicílios/família, os pensionistas, empregados domésticos residentes e parentes dos empregados domésticos Pólo Econômico de Ribeirão Preto 114 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 - Tabela 10 Participação na massa da renda domiciliar por tipologia e posição na família Pólo Regional de Ribeirão Preto 2000 Casais Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes e Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes e Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total não não e não e não parentes parentes parentes parentes Pólo Ribeirão Preto 68,7 18,1 10,9 2,3 100,0 65,8 . 24,1 10,1 100,0 78,6 . 9,3 12,1 100,0 68,9 14,5 12,6 4,0 100,0 Altinópolis 76,5 11,9 10,2 1,5 100,0 63,8 . 26,3 9,9 100,0 76,1 . 9,1 14,8 100,0 75,5 10,5 11,4 2,6 100,0 Barrinha 72,7 14,2 10,3 2,9 100,0 49,1 . 36,7 14,3 100,0 74,0 . 9,7 16,3 100,0 70,2 11,4 13,2 5,3 100,0 Brodowski 64,0 17,4 15,3 3,4 100,0 54,7 . 36,8 8,5 100,0 65,0 . 27,6 7,4 100,0 63,0 14,8 18,1 4,1 100,0 Cajuru 68,4 18,4 10,4 2,9 100,0 58,3 . 31,3 10,3 100,0 82,9 . 8,4 8,8 100,0 67,5 15,3 13,1 4,1 100,0 Cássia dos Coqueiros 64,6 20,5 13,5 1,4 100,0 64,2 . 27,2 8,7 100,0 88,3 . 5,8 5,9 100,0 66,7 16,4 14,4 2,6 100,0 Cravinhos 68,4 15,9 12,8 2,9 100,0 55,2 . 32,4 12,4 100,0 61,1 . 7,8 31,2 100,0 66,4 13,1 14,9 5,7 100,0 Dumont 68,5 11,8 15,4 4,4 100,0 42,4 . 42,9 14,7 100,0 80,5 . 2,1 17,4 100,0 67,1 10,6 16,9 5,5 100,0 Guariba 70,8 13,1 12,3 3,8 100,0 62,2 . 32,5 5,3 100,0 70,0 . 7,8 22,2 100,0 69,7 10,7 14,4 5,1 100,0 Guatapará 67,2 13,1 16,2 3,6 100,0 59,1 . 22,8 18,1 100,0 66,1 . 18,3 15,7 100,0 66,4 11,1 16,9 5,6 100,0 Jaboticabal 68,5 18,7 11,1 1,7 100,0 65,3 . 22,2 12,6 100,0 77,9 . 10,5 11,7 100,0 68,5 15,6 12,4 3,5 100,0 Jardinópolis 67,3 15,2 14,7 2,9 100,0 59,4 . 33,7 6,9 100,0 83,9 . 8,0 8,1 100,0 66,9 12,9 16,7 3,5 100,0 Luís Antônio 68,6 18,3 9,8 3,3 100,0 45,7 . 24,4 29,9 100,0 77,8 . 13,2 9,0 100,0 67,6 15,7 11,1 5,6 100,0 Monte Alto 69,2 16,9 10,9 3,0 100,0 63,2 . 29,3 7,4 100,0 64,5 . 19,9 15,6 100,0 68,3 14,1 13,5 4,2 100,0 Pitangueiras 68,5 17,0 11,6 2,9 100,0 68,6 . 23,7 7,7 100,0 72,2 . 6,1 21,7 100,0 68,7 14,3 12,7 4,4 100,0 Pontal 79,3 9,6 8,7 2,3 100,0 63,5 . 28,4 8,1 100,0 84,6 . 7,5 7,9 100,0 78,6 8,2 10,0 3,1 100,0 Pradópolis 72,0 12,5 12,6 3,0 100,0 48,3 . 35,7 16,1 100,0 59,8 . 4,5 35,7 100,0 68,5 10,3 14,9 6,3 100,0 Ribeirão Preto 67,8 20,0 9,9 2,3 100,0 68,1 . 21,6 10,3 100,0 80,5 . 8,4 11,1 100,0 68,7 15,6 11,6 4,1 100,0 Santa Cruz da Esperança 67,0 17,9 14,1 0,9 100,0 65,3 . 28,3 6,4 100,0 56,8 . 7,9 35,3 100,0 66,6 16,2 14,9 2,3 100,0 Santa Rosa de Viterbo 65,7 18,3 14,1 1,9 100,0 58,2 . 32,9 8,9 100,0 84,5 . 8,7 6,8 100,0 67,2 13,7 15,7 3,4 100,0 Santo Antônio da Alegria 63,6 19,5 15,4 1,5 100,0 61,4 . 30,2 8,4 100,0 76,4 . 13,5 10,1 100,0 64,2 16,1 16,9 2,8 100,0 São Simão 66,9 18,4 12,4 2,3 100,0 71,3 . 19,2 9,5 100,0 84,2 . 5,6 10,2 100,0 68,9 14,3 12,9 3,9 100,0 Serra Azul 66,3 13,0 17,7 2,9 100,0 52,0 . 36,5 11,6 100,0 88,2 . 5,6 6,3 100,0 66,6 10,0 19,0 4,4 100,0 Serrana 66,8 15,3 14,2 3,7 100,0 54,9 . 32,8 12,3 100,0 71,4 . 13,7 14,9 100,0 65,9 12,8 16,0 5,3 100,0 Sertãozinho 72,1 13,4 12,8 1,6 100,0 62,1 . 31,9 6,0 100,0 75,9 . 12,3 11,8 100,0 71,3 11,4 14,7 2,6 100,0 Taquaral 63,1 18,1 15,4 3,5 100,0 62,4 . 27,7 10,0 100,0 89,3 . 2,8 7,9 100,0 65,6 14,4 15,4 4,6 100,0 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Excluídos da análise dos domicílios/família, os pensionistas, empregados domésticos residentes e parentes dos empregados domésticos 2.3. Arranjos domiciliares mais suscetíveis ao empobrecimento Estudos sobre a Região Metropolitana de São Paulo nos anos 90 e 2000 (Montali, 2004) e sobre o conjunto das regiões metropolitanas brasileiras na década de 2000 (Montali e Tavares, 2008) evidenciaram que a precarização do trabalho e o aumento do desemprego vigentes nesses períodos afetam diferenciadamente os arranjos familiares de inserção no mercado, que são articulados de maneiras distintas nos momentos do ciclo de vida familiar, evidenciando maior fragilização para determinados segmentos sociais nas formas encontradas para garantir a sobrevivência. Diversos indicadores reafirmam essa maior fragilidade apresentada por determinados arranjos domiciliares. Os arranjos mais suscetíveis ao empobrecimento foram assim identificados por apresentarem rendimentos médios familiares per capita mais baixos que os demais arranjos domiciliares e abaixo da média regional, por apresentarem as mais elevadas concentrações entre os decis inferiores de renda familiar per capita, bem como por apresentarem as menores taxas de geração de renda (Montali e Tavares, 2008). Esse tópico pretende apresentar os arranjos domiciliares mais suscetíveis ao empobrecimento no Pólo Regional de Ribeirão Preto no ano de 2000 e destacar os municípios da região em que essa fragilidade se mostra mais acentuada. Para tanto, serão utilizados dois indicadores: rendimento domiciliar per capita e taxa de geração de renda, ambos analisados segundo arranjo domiciliar. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 115 O Pólo Regional de Ribeirão Preto apresentou, no ano de 2000, rendimento domiciliar per capita de R$ 426,60, média inferior a apresentada pelo Estado de São Paulo e pelas regiões metropolitanas paulistas. Quando comparado aos outros Pólos Regionais sob análise, o Pólo de Ribeirão Preto apresenta o maior rendimento domiciliar per capita (Gráfico 6). Considerando-se o outro indicador selecionado para análise, a taxa domiciliar de geração de renda verificada foi de 52,40%, acima das médias observadas no Estado de São Paulo e nas regiões metropolitanas, com a exceção da RMC com a qual se aproxima. Comparando aos pólos regionais, o pólo de Ribeirão Preto apresenta taxa de geração de renda intermediária, uma vez que a taxa de geração de renda nos Pólos Regionais Paulistas varia entre 48,2% e 55,7% no ano de 2000, sendo superada apenas pelos pólos de Araçatuba e de São José do Rio Preto (Tabela 7). A análise da taxa de geração de renda por composição familiar no ano de 2000 evidencia que, em todos os arranjos domiciliares, as taxas médias da região estão acima das médias do Estado de São Paulo. Estes dois dados, rendimento per capita e taxa de geração de renda evidenciam que no Pólo Regional de Ribeirão Preto embora seja mais elevada a proporção de pessoas por domicílio envolvidas em atividades de geração de renda, é mais baixa a remuneração auferida por estas, significando em termos comparativos às regiões metropolitanas paulistas, situações mais desfavoráveis de remuneração e indicando a possibilidade de vínculos mais precários de inserção no mercado de trabalho. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 116 Gráfico 6 Rendimento domiciliar per capita Região Metropolitanas e Pólos Regionais – Estado de São Paulo 2000 Pólo Presidente Prudente 338,0 Pólo Araçatuba 372,6 Pólo Sorocaba 377,2 Pólo Bauru 408,3 Pólo São José do Rio Preto 415,4 Pólo São José dos Campos 422,5 Pólo Ribeirão Preto 426,6 RM Baixada Santista 436,4 RM Campinas 479,0 506,9 RM São Paulo Estado São Paulo 442,1 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1.000 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Entre os municípios que compõem o Pólo Regional de Ribeirão Preto no ano de 2000, é grande a disparidade de níveis de rendimento domiciliar per capita. Apenas Ribeirão Preto, o município-sede da região encontra-se acima do valor correspondente à média regional em relação ao rendimento per capita, além de ser duas vezes e meia maior que o rendimento per capita dos municípios de Barrinha, Taquaral e Serra Azul, que apresentam os menores valores no Pólo de Ribeirão Preto (Gráfico 7). Entre os municípios com renda per capita mais elevada, na sequência após Ribeirão Preto, estão os municípios de Sertãozinho, Altinópolis e Jaboticabal, com renda per capita pouco abaixo da média regional e representado três quartos da renda per capita do município-sede (Gráfico 7). Dentre os vinte e cinco municípios do Pólo de Ribeirão Preto, três têm rendimento per capita que corresponde à metade da média regional, são os mesmo indicados acima como os que apresentam rendimento per capita mais baixos: Barrinha, Taquaral e Serra Azul, dentre os quais o primeiro é um município de quase 26 mil habitantes e os outros dois têm, respectivamente, 2.800 e 9.200 habitantes, segundo a Contagem Populacional de 2007-IBGE. Fica evidente através do Gráfico 7 que outros cinco municípios apresentam rendimento per capita pouco acima da Pólo Econômico de Ribeirão Preto 117 metade da média regional, evidenciando a precariedade de rendimentos em muitos municípios do Pólo Regional de Ribeirão Preto. Gráfico 7 Rendimento domiciliar per capita Pólo Regional de Ribeirão Preto 2000 216,2 217,7 218,5 234,2 237,2 237,2 244,5 246,4 266,2 270,2 281,1 288,4 294,6 298,9 318,7 320,4 324,9 352,4 352,5 353,7 356,4 391,1 394,3 397,3 Barrinha Taquaral Serra Azul Guatapará Serrana Cássia dos Coqueiros Pitangueiras Guariba Santa Cruz da Esperança Santo Antônio da Alegria Cajuru Pradópolis Luís Antônio Santa Rosa de Viterbo Brodowski São Simão Jardinópolis Cravinhos Dumont Monte Alto Pontal Jaboticabal Altinópolis Sertãozinho Ribeirão Preto Pólo Ribeirão Preto 540,6 426,6 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1.000 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. A disparidade regional na renda per capita observada nos municípios do Pólo Regional vai se refletir nos arranjos mais suscetíveis ao empobrecimento presentes em cada um deles, acentuando sua fragilidade . Considerando-se os dois indicadores selecionados para a análise, constata-se que os arranjos domiciliares mais suscetíveis à pobreza, identificados no Pólo Regional de Ribeirão Preto, no ano de 2000, são, em ordem crescente aqueles chefiados por casais na faixa etária de até 34 anos com filhos e/ou parentes, seguidos pelos arranjos de chefias femininas sem cônjuges com filhos e/ou parentes e, por fim, os chefiados por casais na faixa etária dos 35 aos 49 anos com filhos e/ou parentes (Gráficos 8 e 9). Comparado ao estudo de Montali e Tavares (2008), sobre as regiões metropolitanas brasileiras no ano de 2004, observa-se a mesma ordem de fragilidade identificada por aquele estudo segundo tipos de arranjos domiciliares. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 118 Gráfico 8 Rendimento domiciliar per capita segundo tipo de arranjo domiciliar Pólo Regional de Ribeirão Preto 2000 Casal até 34 anos com filhos e parentes 272,7 Chefe feminina sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 337,1 Casal de 35 a 49 anos com filhos e parentes 440,5 Chefe masculino sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 438,0 Casal de 50 anos e mais com filhos e parentes 528,5 864,7 Chefe feminina unipessoal Chefe masculino unipessoal 971,1 Total 426,6 0 200 400 600 800 1.000 1.200 1.400 1.600 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Gráfico 9 Taxa Específica de geração de renda por tipos de arranjos domiciliares Pólo Regional de Ribeirão Preto 2000 Casal até 34 anos com filhos e parentes 37,1 Casal de 35 a 49 anos com filhos e parentes 48,1 Chefe feminina sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 59,4 Casal de 50 anos e mais com filhos e parentes 62,1 Chefe masculino sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 66,9 72,9 Casal sem filhos 93,1 Chefe masculino unipessoal Chefe feminina unipessoal 94,5 Total 52,4 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 119 Os arranjos nucleados por casais na faixa etária de até 34 anos com a presença de filhos e/ou parentes, que apresentam maior suscetibilidade à pobreza no ano de 2000 no Pólo de Ribeirão Preto, com base nos indicadores adotados, têm rendimento domiciliar per capita de R$ 272,00 e taxa de geração de renda do domicílio de apenas 37,1%, o que significa que pouco mais de um terço da população em idade ativa aporta renda para o domicílio. Observa-se, entretanto, que nos municípios do Pólo Regional de Ribeirão Preto, este arranjo familiar identificado por sua maior fragilidade no enfrentamento das necessidades para a subsistência, apresenta valores bastante distintos de sua renda domiciliar per capita. Assim, os arranjos chefiados por casais na faixa etária dos 34 anos com filhos e/ou parentes, apresentam em todos os municípios os menores valores do rendimento domiciliar per capita, porém, o valor deste varia de forma associada à renda per capita do município. Foram encontrados entre os municípios analisados valores do rendimento domiciliar per capita para esse tipo de arranjo, que variam entre R$ 162,00 (Serra Azul) e R$ 342,00 (Ribeirão Preto) e taxas de geração de renda entre 32% (Serra Azul e Barrinha) e 39,6% (Monte Alto e Brodowski) no ano de 2000 (Anexo 2). Em Ribeirão Preto, município-sede, o arranjo domiciliar dos casais na faixa etária de até 34 anos com filhos e/ou parentes, apresentou taxas de geração de renda de 38,8% acima da média regional para o arranjo e rendimento domiciliar per capita de R$ 342,00, também acima da média regional para o arranjo. Em situação oposta está Serra Azul, um dos municípios de menor rendimento per capita, em que esse arranjo apresenta rendimento de R$ 162,00, per capita e taxa de geração de renda de 32,5%, ambos indicadores abaixo da média regional para o arranjo domiciliar, evidenciando uma das situações em que são maiores as fragilidades destes arranjos que caracterizam-se pela maior susceptibilidade ao empobrecimento. O segundo arranjo domiciliar mais suscetível à pobreza no ano de 2000, do Pólo Regional de Ribeirão Preto é evidenciado nos arranjos domiciliares chefiados por mulheres sem cônjuges com filhos e/ou parentes. Nesse tipo de arranjo, o rendimento domiciliar per capita observado foi de R$ 337,00, abaixo da média regional (R$ 385,00) e a taxa de geração de renda foi de 59,4%, mais elevada que a média da região. Ou seja, mais pessoas contribuem para a geração de renda, mas o rendimento domiciliar per capita é menor que nos outros arranjos domiciliares em decorrência das características de sexo e de idade de seus componentes, bem como das Pólo Econômico de Ribeirão Preto 120 características de inserção dos mesmos no mercado de trabalho, com parcela importante em atividades não formalizadas (Montali, 2008). Nos arranjos domiciliares chefiados por mulheres sem cônjuges com filhos e/ou parentes os municípios do Pólo de Ribeirão Preto tiveram rendimento domiciliar per capita variando entre R$ 162,00 (Barrinha) e R$ 406,00 (Ribeirão Preto), e as taxas de geração de renda variaram entre 45,7% (Pitangueiras) e 69,7% (Altinópolis). Tomando Barrinha como um dos municípios em que esse tipo de arranjo apresentou maior suscetibilidade à pobreza, observa-se rendimento per capita de R$ 162,00, abaixo da metade da média regional para o arranjo e taxa de 49%, acima da média regional, porém abaixo da média para o arranjo. Situação mais favorável pode ser apontada Ribeirão Preto, no qual esse arranjo domiciliar apresentou rendimento de R$ 406,00 e taxa de geração de renda de 64,5%, acima da média do arranjo. Por fim, os casais na faixa etária dos 35 aos 49 anos com filhos e/ou parentes são o terceiro arranjo mais suscetível à pobreza do Pólo de Ribeirão Preto. Estes apresentam rendimento domiciliar per capita de R$ 440,00, próximo à média metropolitana, no entanto, apresentam taxa de geração de renda de 48%, abaixo da média regional. Nos municípios do Pólo, o arranjo domiciliar nucleado pelo casal de 35 a 49 anos com filhos e/ou parentes apresentou rendimentos per capita que variaram entre R$ 183,00 (Serra Azul) e R$ 551,00 (Ribeirão Preto), bem como taxas de geração de renda que variaram entre 42,8% (Pitangueiras) e 53,2% (Taquaral), no ano de 2000. O município de Ribeirão Preto, apresenta mais uma vez situações mais favoráveis, com rendimento per capita de R$ 551,00 superior à renda per capita do Pólo de Ribeirão Preto; e taxas de geração de renda de 49%, acima da média regional para esse arranjo domiciliar. Esta análise além de apontar os arranjos mais suscetíveis ao empobrecimento no Pólo Regional de Ribeirão Preto, teve por objetivo explicitar a fragilidade dos mesmos no contexto da conhecida disparidade social. Ao mostrar que o rendimento per capita domiciliar de Ribeirão Preto é duas e meia vezes maior que o de Barrinha, Taquaral e Serra Azul (Gráfico 7), estamos também mostrando que é proporcional a gravidade dos arranjos domiciliares mais fragilizados nestes locais, demandando atenção especial das políticas sociais de combate à pobreza. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 121 Arranjos domiciliares mais suscetíveis ao empobrecimento em 2006 20 Um dos objetivos do presente projeto ao identificar os arranjos mais suscetíveis ao empobrecimento nas regiões metropolitanas e pólos regionais do Estado de São Paulo é oferecer indicações sobre os arranjos domiciliares que demandam maior atenção das políticas sociais. Nesse sentido, e buscando informações mais recentes para essa temática, recorreu-se aos dados de 2006 da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizada pelo IBGE. Pretende-se aqui mostrar no ano 2006, o perfil dos arranjos mais suscetíveis ao empobrecimento e o acesso destes aos programas de transferência de renda. Embora a fonte de informação disponível (PNAD-IBGE, 2006) não permita a desagregação para as regiões metropolitanas paulistas e pólos regionais, esse fato não invalida a inclusão destas informações no estudo regional, porque estes dados informam sobre o Estado de São Paulo, a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e o restante do Estado excluindo-se a RMSP, o qual foi denominado neste estudo como Interior. Deve-se ressaltar que os dados referentes ao ano de 2006, em comparação com os referentes ao ano censitário de 2000 aqui analisados, refletem uma conjuntura econômica distinta, com recuperação do crescimento da economia, expansão do emprego formal, bem como de expansão do acesso a programas de transferência de renda, que passam a ser massivamente implementados a partir de 2004. A nova fonte de dados confirma os mesmos arranjos domiciliares como os mais suscetíveis ao empobrecimento, identificados através dos censos de 1991 e 2000, e na mesma ordem de maior suscetibilidade, quais sejam, aqueles de casais jovens, de até 34 anos, com filhos e /ou parentes, os arranjos das famílias com chefia feminina sem a presença de cônjuge, com filhos e/ou parentes, e os arranjos de casais com idades entre 35 e 49 anos com filhos e/ou parentes (Gráficos 8 e 10). Essa fonte de dados também indica para o Interior o surgimento de mais um arranjo domiciliar que demanda atenção das políticas de proteção social, que são os arranjos com chefia masculina sem a presença de cônjuge, com filhos e/ou parentes, confirmando a 20 Este item traz informações apresentadas no FINEP/NEPP/NEPO/IE. 2009. Documento 1 Relatório Consolidado para o Estado de São Paulo. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais. Convênio FINEP-FNDCT/NEPP/Regiões Metropolitanas. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 122 identificação desse arranjo domiciliar por este Projeto, nas análises com base nos dados do Censo 2000. Os arranjos domiciliares identificados como mais suscetíveis ao empobrecimento, conforme análise apresentada nos tópicos anteriores deste Item 2.3, apresentam os níveis mais baixos de rendimentos familiares per capita e também apresentam maiores concentrações nos decís inferiores de renda domiciliar. Estas características são evidenciadas tanto na análise com base nos dados censitários de 2000 (Anexo 3), como na análise do ano de 2006, utilizando os dados da PNAD 2006 – IBGE (Anexo 1). Os dados da PNAD 2006 mostram que os três tipos de arranjos domiciliares identificados como mais suscetíveis ao empobrecimento compõem, no ano de 2006, cerca de 56,5% dos domicílios da Região Metropolitana de São Paulo, 55% do Interior e 55,6% do conjunto do Estado de São Paulo e que apresentam concentrações mais elevadas que os demais arranjos domiciliares nos decís inferiores de rendimento domiciliar per capita. Dessa maneira, encontram-se abaixo do valor do 5º decil da distribuição de renda domiciliar per capita metropolitana, que identifica os 50% mais pobres, mais que 70% dos arranjos domiciliares dos casais jovens com filhos. Proporções mais elevadas são encontradas na Região Metropolitana de São Paulo (73%) em comparação como o Interior (71%) (Anexo 1). Nos domicílios com arranjos de chefe feminina sem a presença de cônjuge, com filhos e/ou parentes, pouco menos de 60% apresentam rendimento abaixo do valor do 5º decil; dentre estes se observa percentual um pouco mais elevado no Interior. Entre os domicílios dos casais de 35 a 49 anos com filhos e/ou parentes pouco mais que 50% estão abaixo do valor do 5º decil, com proporções mais elevadas na RMSP (54%) do que no Interior (52%). Em síntese, os domicílios mais suscetíveis ao empobrecimento apresentam maior concentração entre os 50% mais pobres na Região Metropolitana de São Paulo comparativamente aos do Interior e ao total do Estado de São Paulo. Este indicador está bastante coerente com as análises apresentadas no Estudo Regional – Região Metropolitana de São Paulo21, Capitulo 3, Parte 1. Renda, Pobreza e Desigualdade na Região Metropolitana de São Paulo, que evidencia o aprofundamento da desigualdade de rendimentos entre as pessoas de 10 anos e mais na Região Metropolitana de São Paulo, no ano 2000. 21 FINEP. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/IE-UNICAMP-FINEP. Documento 2 – Estudos Regionais – Região Metropolitana de São Paulo, Capitulo 3. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 123 Gráfico 10 Rendimento domiciliar per capita segundo tipo de arranjo domiciliar Região Metropolitana de São Paulo, Interior e Estado São Paulo 2006 Casal até 34 anos com filhos e parentes Chefe feminina sem cônjuge e/ou filhos e/ou parentes Casal de 35 a 49 anos com filhos e parentes RMSP Estado São Paulo Interior Chefe masculino sem cônjuge e/ou filhos e/ou parentes Casal de 50 anos e mais com filhos e parentes Casal sem filhos Chefe feminina unipessoal Chefe masculino unipessoal Total 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1200 1300 1400 1500 1600 1700 1800 Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2006. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Os arranjos domiciliares mais suscetíveis ao empobrecimento e o acesso aos programas de transferência de renda em 2006 Durante a década de 2000, dentre as políticas de combate à pobreza diversificam-se os programas e amplia-se a cobertura daqueles caracterizados pela transferência de renda. Os programas de transferência de renda apresentam abrangência incipiente no ano 2000, portanto não poderiam ser analisados através dos dados censitários correspondentes a esse ano. Na década de 90 inicia-se esse tipo de política de combate à pobreza com a predominância de programas municipais, que passaram a ser implementados a partir de 199522, além de dois programas federais: o Beneficio de Prestação Continuada (BPC) e o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), instituídos em 1996. No decorrer da década de 2000 aumenta a cobertura dos programas de transferência de renda com a ampliação da implementação destes dois programas federais e, a partir de 2001, com a 22 Detalhamento dos programas municipais de transferência de renda nesse período pode ser encontrado em Fonseca, 2001. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 124 implementação dos programas Bolsa-Escola e Bolsa-Alimentação e na seqüência os programas Auxilio-Gás, em 2002 e o Cartão Alimentação, em 2003. A partir de outubro de 2003, ocorre a implementação do Programa Bolsa-Família, que unifica estes últimos quatro programas de transferência e gradativamente amplia a cobertura, tornando-a massiva. Assim, a partir de 2003 aumenta o acesso a esse tipo de programa de combate à pobreza pelos domicílios com rendimentos mais baixos23. No entanto ainda é bastante modesto o acesso dos domicílios do Estado de São Paulo e da RMSP a programas de transferência de renda, segundo pesquisa da Fundação SEADE cerca de 9% deles têm acesso a pelo menos um programa dessa natureza24. Considerando-se o total dos domicílios brasileiros, 18,3% correspondem à proporção dos que receberam transferência de renda de programa social do governo (IBGE, 2008: Tabela 1.2.3). Existem no entanto diferenças regionais na distribuição dos domicílios brasileiros com acesso a tais programas governamentais e as maiores proporções são encontradas nas regiões Nordeste (35,9%) e Norte (24,6%), seguidos pelas das regiões Centro-Oeste (18%), Sul (10,4%) e Sudeste (10,3%). Tendo por referência os grupos de arranjos domiciliares mais suscetíveis ao empobrecimento, investiga-se aqui o acesso destes aos programas de transferência de renda. Constata-se que, se por um lado ainda é restrito o aceso do conjunto dos domicílios a programas de transferência de renda, por outro lado existem indicações de que o acesso a programa social de transferência de renda governamental mostrase bem focalizado, pois mais que 90% dos domicílios beneficiários no Estado de São Paulo encontram-se entre os 50% mais pobres segundo os dados da PNAD 2006 (Tabela 11). A focalização dos programas sociais de transferência de renda se evidencia também através das proporções mais elevadas do acesso a tais programas sociais pelos domicílios acima caracterizados como arranjos mais suscetíveis ao empobrecimento nas diversas espacialidades sob análise em comparação com os demais arranjos domiciliares (Tabela 11 % coluna). Considerando-se o conjunto dos tipos de arranjos domiciliares fica evidente a focalização nos três tipos apontados como mais suscetíveis ao empobrecimento quais sejam: casal de até 34 anos, com filhos e parentes, chefe feminina sem cônjuge, com 23 Mais informações sobre programas de transferência de renda podem ser encontradas na Parte 3 deste capítulo. 24 Resultados da Pesquisa de Condições de Vida – PCV 2006 - Fundação SEADE, mostram que 8,7% das famílias do Estado de São Paulo e 9% das famílias da Região Metropolitana de São Paulo têm acesso a benefícios oriundos dos programas governamentais de transferência de renda. Disponível em http://www.seade.gov.br. Acesso em 28/03/2008. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 125 filhos e parentes, e casal entre 34 e 49 anos com filhos e parentes, que juntos perfazem mais de 80% dos domicílios com acesso a algum programa de transferência de renda em todas as espacialidades analisadas em 2006. Assim, na RMSP, enquanto os arranjos domiciliares identificados por este estudo como mais fragilizados representam 56,5% do total dos domicílios (Anexo 1), ao se considerar os 50% mais pobres representam 83% dos domicílios atendidos por programas de transferência de renda (Tabela 11 % coluna). No Interior, estes arranjos domiciliares representam 55% do total dos domicílios (Anexo 1) e, considerando –se os 50% mais pobres, são 82% dentre os beneficiários destes programas (Tabelas 11 % coluna). Tabela 11 Distribuição dos domicílios com acesso aos programas de transferência de renda entre os 50% mais pobres - Estimativa (%) (1) Região Metropolitana de São Paulo, Interior e Estado de São Paulo 2006 RMSP Interior Estado 50% mais pobres 50% mais pobres 50% mais pobres % linha % coluna % linha % coluna % linha % coluna Casais 96,3 69,1 93,0 73,6 94,2 72,0 Casal sem filhos 91,7 3,3 76,3 4,3 78,0 3,9 Casal com filhos e parentes 96,5 65,9 94,3 69,3 95,3 68,2 Casal até 34 anos com filhos e parentes 96,1 29,1 96,4 31,9 96,6 31,0 Casal de 35 a 49 anos com filhos e parentes 98,8 25,2 95,2 26,6 96,4 26,1 Casal de 50 anos e mais com filhos e parentes 86,4 5,6 80,4 5,5 83,8 5,7 97,1 29,7 95,8 23,6 96,7 25,7 Chefe feminina sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 97,0 28,5 96,9 23,0 96,9 24,8 Chefe feminina unipessoal 100,0 1,2 66,7 0,6 90,1 0,9 80,0 1,2 95,0 2,8 92,0 2,3 Chefe masculino sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 80,0 1,2 94,1 2,4 90,9 2,0 Chefe masculino unipessoal 0,0 0,0 100,0 0,5 100,0 0,3 Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge Total (2) 96,3 100,0 93,7 100,0 94,8 100,0 Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2006. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. (1) Estimativa obtida através da variável V1273. Domicílios até o 8º decil do rendimento domiciliar per capita. (2) O Total inclui outros tipos de arranjos domiciliares (residual). Outro aspecto que se pretende ressaltar é que o acesso a programas de transferência está relacionado à composição dos domicílios e aos distintos arranjos domiciliares associados a ciclos vitais da família (Tabela 12). Observa-se que o Beneficio de Prestação Continuada, que atende a deficientes e principalmente idosos em situação de risco, apresenta peso maior entre as famílias unipessoais, caracterizadas por idosos, entre os arranjos nucleados pelos casais de 50 anos com filhos e/ou parentes, bem como entre os casais sem filhos residentes, dentre os quais uma parcela importante é composta por idosos. Representa ainda cerca de 15 % dos benefícios a que têm acesso os domicílios com chefia feminina sem a presença de Pólo Econômico de Ribeirão Preto 126 cônjuge no Estado de São Paulo, lembrando que nestes arranjos cerca de metade das chefes têm 50 anos e mais. Nos demais arranjos familiares é bastante menor a participação desse programa (Tabela 12). O programa Bolsa-Família, por sua vez, apresenta peso importante entre os programas de transferência de renda, abrangendo cerca de 67% dos domicílios metropolitanos com acesso e 73% dos domicílios do Interior com acesso. No Estado de São Paulo, dentre os beneficiários de algum programa de transferência de renda governamental, 70% têm acesso ao programa Bolsa-Família (Tabela 12). É mais elevado o acesso ao Bolsa Família pelos três tipos de arranjos identificados como mais suscetíveis ao empobrecimento, que contam em sua composição familiar com parcela importante de crianças, adolescentes e jovens, ou seja, os tipos de arranjo domiciliar: casal de até 34 anos, chefe feminina sem cônjuge, com filhos e/ou parentes e casal entre 34 e 49 anos com filhos e/ou parentes. Na Região Metropolitana de São Paulo, considerando-se os domicílios com acesso a algum tipo programa de transferência de renda, cerca de 70% dos domicílios desses três arranjos domiciliares referidos como mais fragilizados, são beneficiários do Programa Bolsa Família. Proporção mais elevada que a apresentada pelos demais arranjos domiciliares (Tabela 12). Tabela 12 Distribuição dos domicílios com acesso a programas de transferência de renda por arranjos domiciliares, segundo distribuição por programa Região Metropolitana de São Paulo, Interior e Estado de São Paulo 2006 RMSP BOLSA BPC PETI OUTRO TOTAL FAMÍLIA PROGRAMA Tipos de arranjos Casais Casal sem filhos Interior BOLSA BPC PETI OUTRO TOTAL FAMÍLIA PROGRAMA Estado São Paulo BOLSA BPC PETI OUTRO TOTAL FAMÍLIA PROGRAMA 67,0 6,5 0,7 25,7 100,0 74,7 11,7 0,7 12,9 100,0 72,1 10,0 0,7 17,2 100,0 61,5 15,4 0,0 23,1 100,0 37,5 52,5 0,0 10,0 100,0 43,5 43,2 0,0 13,3 100,0 Casal até 34 anos com filhos e parentes 70,3 2,5 1,7 25,4 100,0 84,4 3,4 0,8 11,4 100,0 79,6 3,1 1,1 16,1 100,0 Casal de 35 a 49 anos com filhos e parentes 69,0 4,0 0,0 27,0 100,0 75,6 8,5 1,0 14,9 100,0 73,4 7,0 0,7 19,0 100,0 Casal de 50 anos e mais com filhos e parentes 48,0 28,0 0,0 24,0 100,0 44,0 38,0 0,0 18,0 100,0 45,4 34,6 0,0 20,0 100,0 68,7 7,0 0,9 23,5 100,0 67,8 21,1 1,1 10,0 100,0 68,1 15,5 1,0 15,3 100,0 Chefe feminina sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 70,3 4,5 0,9 24,3 100,0 70,1 18,4 1,1 10,3 100,0 70,2 12,9 1,1 15,9 100,0 Chefe feminina unipessoal 25,0 75,0 0,0 0,0 100,0 0,0 100,0 0,0 0,0 100,0 10,1 89,9 0,0 0,0 100,0 16,7 33,3 0,0 50,0 100,0 60,0 30,0 0,0 10,0 100,0 49,8 30,8 0,0 19,4 100,0 Chefe masculino sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 16,7 33,3 0,0 50,0 100,0 70,6 23,5 0,0 5,9 100,0 56,3 26,1 0,0 17,6 100,0 Chefe masculino unipessoal 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 66,7 0,0 33,3 100,0 0,0 66,7 0,0 33,3 100,0 66,8 7,1 0,8 25,4 100,0 72,7 14,4 0,8 12,2 100,0 70,6 11,8 0,8 16,8 100,0 Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge Total (1) Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2006. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. (1) o total inclui outros tipos de arranjos domiciliares (residual). Merece destaque o fato de que, na Região Metropolitana de São Paulo, 61% dos domicílios de casais sem filhos e 25% dos domicílios unipessoais femininos são Pólo Econômico de Ribeirão Preto 127 beneficiários do Bolsa Família em 2006. Informações semelhantes foram identificadas por estudo de Montali e Tavares sobre as regiões metropolitanas brasileiras para o mesmo ano e atribui-se o acesso de domicílios sem a presença de crianças ou adolescentes à ampliação do Bolsa Família que privilegiou o limite da renda domiciliar per capita como critério para a seleção das famílias beneficiárias (Montali e Tavares, 2008). Além destes arranjos identificados como mais suscetíveis ao empobrecimento, foi identificado outro tipo de arranjo domiciliar como beneficiário de programas de transferência de renda, demandando atenção no planejamento dos programas de proteção social, trata-se do arranjo domiciliar do chefe masculino sem cônjuge, com filhos e/ou parentes. Este arranjo é apontado principalmente para o Interior como um dos que apresenta elevada concentração entre os 50% mais pobres, da ordem de 45%; na RMSP apresenta concentração um pouco menor, da ordem de 40% (Anexos 1 e 3). Observou-se também que o acesso desse arranjo a programas de transferência de renda mostra-se diferenciado, quando consideradas a Região Metropolitana e o Interior do Estado de São Paulo. Na Região Metropolitana de São Paulo este arranjo domiciliar é beneficiário do BPC , no caso de 33% dos domicílios, e de Outro Programa, com a importante porcentagem de 50%; esta categoria Outro Programa inclui programas estaduais e municipais. No Interior, 70% destes domicílios são beneficiários do Bolsa Família e 23% do BPC (Tabela 12). Esta nova situação de fragilidade merece um estudo especial, considerando-se as mudanças na estruturação das famílias, bem como na dinâmica do mercado de trabalho e as novas restrições ao emprego nos anos recentes. Considerações Finais Merece ressaltar que a análise do acesso aos programas de transferência de renda governamentais pelos domicílios caracterizados por arranjos mais suscetíveis ao empobrecimento explicita, ao mesmo tempo, a confirmação da condição de maior suscetibilidade ao empobrecimento destes arranjos, bem como a focalização dos programas de transferência de renda nos domicílios mais pobres. Por outro lado esta análise apontou um outro arranjo domiciliar identificado nos anos recentes, que evidencia fragilidade em face à sobrevivência, demandando atenção das políticas de proteção social, que é o arranjo do chefe masculino sem cônjuge, com filhos e/ou parentes. Embora este arranjo domiciliar represente cerca de Pólo Econômico de Ribeirão Preto 128 4% dos domicílios da RMSP, Interior e Estado de São Paulo em 2006, apresenta uma das concentrações mais elevadas entre os 50% mais pobres (Anexo 1) e evidencia acesso a programas de transferência de renda, demandando conhecimento mais aprofundado de sua configuração e da condição de precariedade. Anexo 1 Distribuição dos arranjos domiciliares por tipologia segundo decis do rendimento domiciliar per capita (R$) Região Metropolitana de São Paulo, Interior e Estado São Paulo 2006 RMSP Interior Estado São Paulo Distribuição 50% Distribuição 50% Distribuição 50% Tipologia mais Tipologia mais Tipologia mais pobres pobres pobres Casais 65,0 52,2 70,2 51,7 67,7 51,9 Casal sem filhos 13,3 30,3 16,3 36,2 14,8 34,0 Casal até 34 anos com filhos e parentes 16,3 72,7 17,8 70,6 17,1 71,5 Casal de 35 a 49 anos com filhos e parentes 21,1 54,5 22,3 51,6 21,7 52,7 Casal de 50 anos e mais com filhos e parentes 11,3 39,7 10,4 40,2 10,9 39,5 Chefe feminina sem cônjuge 25,5 52,0 21,1 51,2 23,2 51,3 Chefe feminina sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 19,1 58,4 14,8 59,4 16,8 58,3 Chefe feminina unipessoal 6,5 33,3 6,3 32,0 6,4 32,7 Chefe masculino sem cônjuge 9,4 29,9 8,8 35,0 9,1 33,4 Chefe masculino sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 4,1 40,0 3,3 45,0 3,7 43,0 Chefe masculino unipessoal 5,3 22,3 5,5 29,1 5,4 27,0 Total (1) 100,0 50,1 100,0 50,1 100,0 50,0 Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2006. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. (1) O Total inclui outros arranjos domiciliares. Tipos de arranjos Anexo 2 Rendimento domiciliar per capita (em R$) Pólo Regional de Ribeirão Preto 2000 Casais Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem conjuge com filhos e/ou parentes com filhos com filhos Sem Total Total e/ou Unipessoal Total e/ou Unipessoal até 34 de 35 a 50 anos Filhos Total Residual parentes parentes anos 49 anos e mais Pólo Ribeirão Preto 425,9 730,1 391,6 272,7 440,5 528,5 338,0 385,3 337,1 864,7 579,6 438,0 971,1 Altinópolis 401,7 1.578,4 273,1 184,9 294,5 384,2 273,8 326,6 280,1 537,3 388,4 389,4 388,1 Barrinha 217,4 378,3 202,2 171,1 217,3 238,7 291,2 165,2 161,9 245,4 322,1 277,5 475,6 Brodowski 314,0 489,1 298,1 225,1 314,9 336,4 505,1 325,2 315,6 386,6 432,8 428,5 439,0 Cajuru 278,4 429,4 260,0 198,0 275,4 375,7 236,8 291,5 260,5 695,1 313,4 281,5 420,2 Cássia dos Coqueiros 223,5 294,7 214,3 213,4 197,2 311,2 53,5 255,1 185,8 645,9 437,1 130,2 928,1 Cravinhos 346,1 564,2 322,9 246,8 362,0 413,7 273,5 348,1 338,8 465,3 483,2 486,2 465,1 Dumont 364,4 457,6 355,5 303,4 344,4 449,2 409,8 250,2 249,2 399,5 329,8 232,7 499,3 Guariba 246,8 432,0 231,1 168,2 279,7 301,6 205,6 211,0 212,6 177,4 346,8 290,6 443,4 Guatapará 234,1 369,1 222,7 159,3 242,4 353,2 190,6 240,3 223,2 405,9 224,0 210,2 252,8 Jaboticabal 400,0 627,2 373,4 255,6 410,0 528,5 320,5 337,8 308,0 561,7 397,2 291,0 713,4 Jardinópolis 328,3 564,5 304,0 214,3 328,8 438,0 268,3 295,9 248,7 831,4 351,7 209,6 715,6 Luís Antônio 300,5 768,9 264,8 210,7 325,6 281,9 257,0 178,7 173,5 331,0 478,6 443,6 554,7 Monte Alto 356,0 531,2 328,7 246,9 372,6 394,5 309,0 311,7 299,9 415,3 427,8 374,4 613,9 Pitangueiras 249,7 407,3 233,4 183,5 265,9 340,5 161,8 211,2 186,7 416,9 243,8 184,9 444,0 Pontal 365,9 537,4 351,5 323,5 410,8 290,7 347,9 205,8 181,6 477,2 615,5 640,1 574,7 Pradópolis 283,8 461,9 270,8 239,9 281,0 333,8 207,1 320,6 307,3 520,0 296,1 248,9 595,5 Ribeirão Preto 541,9 899,5 497,1 342,0 551,5 658,7 402,8 475,2 406,5 1.130,0 765,7 578,3 1.287,2 Santa Cruz da Esperança 271,0 179,1 279,7 121,6 352,8 704,8 159,9 220,5 204,3 366,4 245,4 204,8 499,1 Santa Rosa de Viterbo 274,5 406,0 261,9 189,3 269,1 299,7 447,3 268,0 240,1 478,7 784,2 302,5 1.920,0 Santo Antônio da Alegria 273,5 321,3 267,5 184,3 290,9 409,4 154,5 212,6 165,8 447,6 376,5 363,3 396,0 São Simão 310,0 564,9 283,9 194,7 334,0 345,3 267,7 312,1 262,2 726,6 532,2 344,7 983,0 Serra Azul 207,9 424,0 189,3 162,0 183,6 294,0 124,5 191,9 185,5 300,0 529,4 216,7 1.085,3 Serrana 240,7 348,2 232,5 182,4 280,1 279,8 187,7 189,6 187,6 224,9 297,3 253,4 493,2 Sertãozinho 403,3 667,6 377,9 261,1 416,0 534,8 300,9 322,8 306,0 522,5 513,6 445,0 688,7 Taquaral 209,2 221,8 208,5 197,2 244,0 153,5 147,4 181,5 182,7 173,1 469,7 191,2 1.279,1 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 129 Anexo 3 Distribuição dos domicílios por arranjos domiciliares segundo decis do rendimento domiciliar per capita (50% mais pobres) Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais 2000 Regiões Metropolitanas RMSP RMBS RMC Tipo de arranjo Casais Pólos Regionais Araçatuba Bauru Presidente Ribeirão São José dos São José do Sorocaba Prudente Preto Campos Rio Preto 51,8 52,2 52,7 49,6 51,2 50,0 51,1 50,3 50,3 Casal sem filhos 33,2 30,3 36,8 38,8 37,3 36,6 36,1 32,2 32,2 Casal até 34 anos com filhos e parentes 69,7 72,3 69,1 65,6 67,5 64,0 67,9 65,2 65,2 Casal de 35 a 49 anos com filhos e parentes 49,7 51,5 49,9 44,9 47,2 46,5 48,1 47,1 47,1 Casal de 50 anos e mais com filhos e parentes Chefe feminina sem cônjuge 36,5 50,6 39,8 50,0 42,0 51,9 42,0 55,5 40,5 50,3 41,3 52,4 40,0 51,8 42,3 55,0 42,3 55,0 Chefe feminina sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes Chefe feminina unipessoal Chefe masculino sem cônjuge 56,1 57,0 57,1 59,2 55,4 54,6 56,0 59,5 59,5 32,4 32,7 29,7 34,8 35,3 37,7 45,0 39,9 36,1 37,7 46,1 43,6 39,4 35,6 35,8 37,1 35,8 37,1 47,3 Chefe masculino sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 39,9 43,6 46,4 45,7 47,6 48,9 44,6 47,3 Chefe masculino unipessoal 25,7 28,3 29,5 35,3 30,1 40,2 27,8 28,7 28,7 50,0 50,0 51,4 50,0 50,0 50,0 50,0 50,0 50,0 Total Fonte: Censo demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projetos Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP 2.4 A mulher e a renda dos domicílios: 1991-2000 Domicílios com rendimento da mulher Conforme mencionado anteriormente o Pólo Regional de Ribeirão Preto tinha em 2000, 60,7% dos domicílios com renda da mulher, sendo esta proporção inferior à da Região Metropolitana de Campinas e dos pólos regionais de São José do Rio Preto, Bauru e Araçatuba. Já a participação da renda da mulher na renda dos domicílios com mulher com renda era uma das mais reduzidas, ficando acima somente dos Pólos de Bauru e Araçatuba como pode ser visualizado no Gráfico 11 a seguir. Em 1991, o Pólo de Ribeirão Preto apresentava 52,2% dos domicílios auferindo rendimentos da mulher e essa porcentagem passou para 60,7% em 2000. Quanto à participação da renda da mulher na renda total dos domicílios com mulher com renda esta era de 39,3% em 1991 e passou para 41,3% em 2000. Assim, a ampliação do número de domicílios com mulher com renda foi de 8,4 pontos percentuais, enquanto a variação da participação da renda da mulher na renda domiciliar foi bem menos intensa (2,0 pontos percentuais). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 130 Gráfico 11 Domicílios com renda da mulher e participação da renda da mulher na renda domiciliar Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais 2000 Domicílios com renda da mulher (%) - 2000 63,9 62,0 60,7 59,8 59,9 RMBaix Santista RMSão Paulo 60,0 60,2 62,1 60,8 57,1 Ribeirão Preto S. J. dos Campos Sorocaba Presidente RM S. J. do Prudente Campinas Rio Preto Bauru Araçatuba Renda da mulher na renda domiciliar (%) - 2000 46,6 45,3 42,6 41,3 Ribeirão Preto 41,7 41,0 Bauru 41,9 42,7 42,1 41,2 Araçatuba S. J. dos Campos S. J. do Sorocaba RM Presidente Rio Preto Campinas Prudente RMSão Paulo RMBaix Santista Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. A tabela 13 mostra os municípios do Pólo de Ribeirão Preto ordenados de menor a maior conforme a participação da renda da mulher na renda domiciliar, sendo 2000 o ano de referência. O percentual de domicílios com renda da mulher varia muito entre os municípios do Pólo Regional de Ribeirão Preto. Em 1991 essa variação ia de 33,3% em Cássia dos Coqueiros a 57,4% em Ribeirão Preto. Em 2000 o menor percentual ficava com Barrinha (47,0%) e o maior continuava com Ribeirão Preto (65,9%). Quando se compara a proporção de domicílios com mulher com renda do Pólo Econômico de Ribeirão Preto 131 Pólo de Ribeirão Preto (60,7% em 2000) à observada em cada município, tem-se que Ribeirão Preto, Taquaral, Jaboticabal e Cravinhos possuem proporções que superam a média do pólo. Entre 1991 e 2000 houve aumento generalizado do número de domicílios com mulher auferindo renda. Merecem destaque os municípios de Santo Antônio da Alegria, Cássia dos Coqueiros e Cravinhos, que apresentaram as maiores variações da proporção de domicílios com mulher auferindo renda no período (22; 19 e 16,5 pontos percentuais respectivamente). Quanto à participação da renda da mulher na renda dos domicílios nos municípios do Pólo de Ribeirão Preto o que se observa é que, em 1991, ela variava de 27,9% em Barrinha a 45,2% em Cajuru. Em 2000, o menor peso da renda da mulher na renda domiciliar ficava com Altinópolis (25,1%) e o maior com São Simão (45,3%). No período 1991-2000 houve ampliação do número de domicílios com mulher auferindo renda em quase todos os municípios do pólo de Ribeirão Preto, com exceção de Altinópolis, Pontal e Cajuru. Merecem destaque os municípios de Pradópolis, Barrinha e Santa Rosa de Viterbo, cuja ampliação do número de domicílios com mulher com renda superou a média do pólo (8,4 pontos percentuais) Pólo Econômico de Ribeirão Preto 132 . Tabela 13 Proporção de domicílios com mulher ocupada e participação da renda da mulher na renda domiciliar ordenados de menor a maior conforme a participação da renda da mulher na renda domiciliar em 2000. Pólo de Ribeirão Preto (1991-2000) 1991 2000 % Domicílios com mulher com renda (todas as fontes) % Renda da mulher na renda total dos domicílios com mulher que tem renda Altinópolis 52,1 33,5 58,9 25,1 Pontal 48,5 31,8 49,5 29,0 Dumont 37,8 29,1 53,0 33,9 - - 54,9 34,0 Sertãozinho 49,2 33,3 55,8 36,5 Guatapará - - 48,8 37,1 Santo Antônio da Alegria 37,8 33,3 59,8 37,4 Barrinha 42,1 27,9 47,0 38,5 Serrana 47,6 35,7 54,7 39,1 Jardinópolis 47,2 36,4 59,0 39,2 Luís Antônio 39,5 35,6 47,2 39,6 Pólo de Ribeirão Preto Santa Cruz da Esperança % Renda da mulher % Domicílios com na renda total dos mulher com renda domicílios com mulher (todas as fontes) que tem renda Monte Alto 51,5 35,4 59,4 39,8 Cravinhos 44,5 34,0 61,1 40,4 Brodowski 52,4 35,3 60,5 40,6 Pradópolis 43,6 29,9 49,6 40,6 Jaboticabal 49,8 38,5 61,3 40,8 - - 61,6 41,2 44,6 34,3 48,6 41,5 Taquaral Pitangueiras Serra Azul 46,9 38,5 51,7 41,7 Cássia dos Coqueiros 33,3 34,4 52,3 42,4 Ribeirão Preto 57,4 41,3 65,9 42,8 Cajuru 49,1 45,2 56,1 42,8 Guariba 36,7 43,2 47,8 43,8 Santa Rosa de Viterbo 46,7 35,6 54,8 44,1 São Simão 45,6 42,0 60,4 45,3 Pólo de Ribeirão Preto 52,2 39,3 60,7 41,3 Fonte: Censos, microdados, IBGE. Os aumentos de participação da renda da mulher na renda dos domicílios foram bem menores que aqueles verificados para os aumentos nos percentuais dos domicílios com mulher com renda. Isto fica evidente no gráfico 12 a seguir, onde do lado esquerdo se visualiza a considerável ampliação nos percentuais referentes aos domicílios com mulher com renda. Todos os municípios tiveram variação positiva e muitos deles tiveram variação acima da verificada para o pólo de Ribeirão Preto. Já no Pólo Econômico de Ribeirão Preto 133 que diz respeito à participação da mulher na renda domiciliar o que se observa, no mesmo gráfico, do lado direito, é que os acréscimos (em pontos percentuais) foram mais modestos e vários municípios tiveram decréscimos no peso da renda da mulher na renda domiciliar. Um aspecto que vale destacar é a falta de correlação entre os aumentos no número de domicílios com mulher com renda e a participação da renda da mulher na renda domiciliar. Para ilustrar, o município de Altinópolis teve um acréscimo de 6,8 pontos no percentual de domicílios com mulher com renda e uma redução de 8,4 pontos na participação da renda da mulher na renda domiciliar. Já o município de Barrinha teve uma das menores variações no percentual de domicílios com mulher com renda e uma das maiores mudanças na participação da renda da mulher na renda domiciliar. Destaca-se o município de Pontal, que obteve os piores resultados tanto no percentual de domicílios com mulher com renda quanto na participação da renda da mulher na renda domiciliar. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 134 Gráfico 12 Mudanças no percentual de domicílios com mulher com renda e na participação da renda da mulher na renda familiar (pontos percentuais) Pólo de Ribeirão Preto 1991 e 2000 Mudanças na participação da renda da mulher na renda domiciliar (pontos percentuais) Mudanças no percentual de domicílios com mulher com renda (pontos percentuais) Pólo de Ribeirão Preto Pólo de Ribeirão Preto 2,0 8,4 Santo Antônio da Alegria 22,0 Cássia dos Coqueiros 19,0 Cravinhos 8,5 16,5 Dumont 15,2 São Simão 14,8 Jardinópolis 8,0 7,2 6,4 11,8 Jaboticabal 5,2 11,4 Guariba 4,8 11,1 10,7 Pradópolis 10,6 Barrinha Santa Rosa de Viterbo Cássia dos Coqueiros Pitangueiras Cravinhos Brodowski Dumont Ribeirão Preto 8,6 4,4 Monte Alto Brodowski 8,1 4,0 Santo Antônio da Alegria Santa Rosa de Viterbo 8,1 4,0 Luís Antônio Monte Alto 7,9 3,4 Serrana Luís Antônio 7,7 3,3 São Simão Serrana 7,1 3,2 Sertãozinho Cajuru 7,0 3,1 Serra Azul Altinópolis 6,8 2,8 Jardinópolis Sertãozinho 6,6 Pradópolis 6,0 Barrinha 4,9 Serra Azul 4,7 Pitangueiras Pontal 2,3 1,5 0,6 -2,4 4,0 -2,8 1,0 -8,4 Jaboticabal Ribeirão Preto Guariba Cajuru Pontal Altinópolis Fonte: Censo Demográfico 2000. IBGE. Microdados. Atividade remunerada da mulher O Pólo Regional de Ribeirão Preto tinha, em 2000, uma taxa de ocupação masculina de 64,8% e feminina de 37,7%25. A taxa de ocupação masculina estava entre as maiores do Estado de São Paulo, sendo superada apenas pelos pólos de Araçatuba e de São José do Rio Preto (gráfico 13). Já a taxa de ocupação feminina era inferior à das regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas e dos pólos de São José do Rio Preto e Araçatuba. A discrepância entre homens e mulheres com relação à taxa de ocupação era, em 2000, bastante significativa no Pólo de Ribeirão Preto 25 Taxa de ocupação foi calculada dividindo o número de pessoas ocupadas pela população em idade ativa (PIA) e multiplicado por 100. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 135 (27,1 pontos percentuais), sendo maior apenas no pólo de São José do Rio Preto (27,6 pontos). Gráfico 13 Taxas de ocupação e desemprego masculinas e femininas Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais, 2000. Taxas de Ocupação 2000 64,8 37,7 Ribeirão Preto 66,1 62,8 61,6 60,6 59,4 66,4 63,3 60,5 56,9 34,8 34,8 35,4 35,9 S. J. dos Campos Sorocaba Pres. Prudente RM Baix. Santista Bauru RMSão Paulo 39,8 39,0 38,6 38,1 37,5 S. J. do Araçatuba Rio Preto Campinas Homens Fonte: Censo Demográfico, 2000 Mulheres Taxas de Desemprego 2000 Ribeirão Preto 21,4 18,9 17,6 16,4 13,5 10,9 21,3 21,2 19,6 9,5 10,2 Araçatuba S. J. do Rio Preto Pres. Prudente 13,0 RM Campinas 12,6 Bauru 25,8 25,6 24,1 22,8 18,3 16,6 13,8 Sorocaba RM São Paulo Fonte: Censo Demográfico, 2000 RMBaix Santista Homens S. J. dos Campos Mulheres Fonte: Censo Demográfico 1991, 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdade e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP – FINEP. No que se refere à taxa de desemprego, esta era de 10,9% para os homens e 19,6% para as mulheres no Pólo de Ribeirão Preto no ano 2000. Ao contrário do observado para a taxa de ocupação, este pólo apresentava uma das menores taxas de desemprego entre os pólos e regiões metropolitanas de São Paulo. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 136 Do ponto de vista dos municípios do pólo de Ribeirão Preto observa-se que somente os municípios de Brodowsky (42,6%), Ribeirão Preto (41,5%), Cravinhos (39,3%), Santa Cruz da Esperança (38,3%) e Taquaral (37,8%) tinham, em 2000, taxas de ocupação femininas superiores à média do pólo (37,7%). Todos os outros municípios apresentavam taxas femininas de ocupação inferiores à do pólo (Tabela 14). A menor participação feminina na atividade econômica ficava com Santa Rosa de Viterbo (27,6%). Entre os homens o número de municípios com taxas de ocupação superiores à média do pólo era bem maior destacando-se Brodowsky com taxa de participação de 73,8%, Santa Cruz da Esperança (73,5%), Altinópolis (72,5%), Cássia dos Coqueiros (72,3%), Santo Antônio da Alegria (71,7%), Jardinópolis (69,7%), Pontal (69,4%), Cravinhos (67,8%), Monte Alto (67,4%), Dumont (67,2%), Sertãozinho (66,6%), Serrana (66,2%), Taquaral (66,1%) e Cajuru (65,1%). No que tange ao desemprego este era elevado para homens e mulheres, mas o das mulheres superava o dos homens de forma significativa. Entre os homens a menor taxa de desemprego era, em 2000, a de Cássia dos Coqueiros (3,0%) e a maior a de Pradópolis (14,7%). Entre as mulheres a menor taxa de desemprego era a de Cássia dos Coqueiros (2,8%) e a maior a de Luís Antônio (32,0%). Tabela 14 Taxas de Ocupação e Desemprego Masculinas e Femininas Pólo de Ribeirão Preto (1991 - 2000) 1991 Homens 2000 Mulheres Homens Mulheres Pólo de Ribeirão Preto Taxa Ocup.* Taxa Desemp.** Taxa Ocup. Taxa Desemp. Taxa Ocup. Taxa Desemp. Taxa Ocup. Taxa Desemp. Altinópolis Barrinha Brodowski 79,6 77,8 79,8 0,8 1,3 1,2 35,8 26,9 36,5 2,0 6,6 0,9 72,5 63,9 73,8 5,9 12,5 5,6 37,2 28,4 42,6 15,7 29,6 11,0 Cajuru Cássia dos Coqueiros Cravinhos Dumont 74,7 83,2 74,1 78,7 0,9 1,5 0,6 29,4 24,2 29,9 29,3 3,7 2,5 3,8 1,6 65,1 72,3 67,8 67,2 9,7 3,0 10,2 6,1 32,8 36,6 39,3 34,6 20,4 2,8 17,0 17,8 Guariba 72,3 3,3 24,7 5,1 63,4 12,5 29,1 29,6 Guatapará Jaboticabal Jardinópolis 72,0 78,6 2,6 2,6 31,8 31,6 5,5 1,4 63,3 63,8 69,7 13,0 9,5 7,2 29,2 36,8 37,5 29,0 18,6 16,2 Luís Antônio Monte Alto Pitangueiras 73,6 77,8 77,9 2,7 0,9 1,7 32,4 35,4 30,5 10,0 2,1 4,3 64,4 67,4 61,2 14,3 9,5 14,6 28,6 36,0 27,6 32,0 19,0 30,6 Pontal 82,0 0,4 37,0 0,3 69,4 9,6 29,5 28,7 Pólo Econômico de Ribeirão Preto 137 Pradópolis 80,0 3,1 28,2 3,9 60,5 14,7 30,6 28,9 Ribeirão Preto 70,8 2,4 38,8 4,2 63,6 11,3 41,5 17,0 Santa Cruz da Esperança - - - - 73,5 7,3 38,3 25,5 Santa Rosa de Viterbo Santo Antônio da Alegria São Simão Serra Azul 70,3 74,8 65,9 75,9 2,3 0,3 5,3 1,3 28,5 20,5 26,0 27,1 4,6 4,1 15,9 4,2 59,3 71,7 59,4 64,6 12,4 3,5 13,1 11,1 27,6 32,2 32,9 28,0 29,9 13,6 21,2 22,4 Serrana Sertãozinho Taquaral 77,0 75,3 - 2,3 2,3 - 32,6 32,8 - 4,7 4,5 - 66,2 66,6 66,1 12,0 11,7 7,8 36,3 34,9 37,8 23,3 24,9 19,6 Pólo de Ribeirão Preto 73,3 2,1 35,1 4,2 * Nº de pessoas ocupadas / População em Idade Ativa ** Nº de pessoas desempregadas / População Economicamente Ativa Fonte: Censos, microdados, IBGE. 64,8 10,9 37,7 19,6 Como já foi mencionado, entre 1991 e 2000 as taxas de ocupação masculinas diminuíram enquanto as femininas aumentaram no pólo de Ribeirão Preto. Isto também se verificou na maior parte dos municípios deste pólo. O gráfico 14 mostra as mudanças (em pontos percentuais) nas taxas de ocupação masculina e feminina. As taxas de ocupação masculinas se reduziram em todos os municípios, variando de -3,1 pontos percentuais em Santo Antônio da Alegria a -19,4 em Pradópolis. Quanto à variação nas taxas de ocupação feminina, estas foram negativas somente em Pontal, Luís Antônio, Pitangueiras e Santa Rosa de Viterbo. Os demais municípios todos tiveram variação positiva no período destacando-se os municípios de Cássia dos Coqueiros e Santo Antônio da Alegria com acréscimos acima de dez pontos percentuais no período. No que se refere às mudanças nas taxas de desemprego estas foram positivas tanto para os homens como para as mulheres, sendo mais intensas entre as mulheres. Os aumentos nas taxas de desemprego masculinas variaram de 3,2 pontos percentuais em Santo Antônio da Alegria a 12,8 pontos em Pitangueiras, enquanto as femininas variaram de 0,4 em Cássia dos Coqueiros a 28,4 em Pontal (Gráfico 15). Destaca-se o fato de Pitangueiras e Pradópolis estarem entre os municípios com as maiores variações da taxa de desemprego tanto masculina quanto feminina. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 138 Gráfico 14 Mudanças nas taxas de ocupação masculina e feminina (em pontos percentuais) Pólo regional de Ribeirão Preto e Municípios 1991-2000. Mudanças nas taxas de ocupação femininas (pontos percentuais) Mudanças nas taxas de ocupação masculinas (pontos percentuais) Pólo de Ribeirão Preto 2,6 -8,5 Santo Antônio da Alegria Pólo de Ribeirão Preto 12,4 Cássia dos Coqueiros -3,1 Brodowski 11,6 Santo Antônio da Alegria -5,9 Cravinhos 9,4 -6,3 São Simão 6,9 -6,5 Cravinhos São Simão Altinópolis -7,1 6,1 Brodowski Ribeirão Preto -7,2 5,9 Jardinópolis Jaboticabal -8,2 5,3 Sertãozinho -8,7 5,0 Guariba -8,9 Jardinópolis 4,4 -9,2 Cajuru -9,6 Monte Alto -10,5 Jaboticabal Guariba 3,7 Serrana 3,4 Cajuru -8,9 Luís Antônio Dumont 2,7 Ribeirão Preto 2,4 Pradópolis 2,1 Sertãozinho Serrana -10,8 Cássia dos Coqueiros -10,9 1,6 Barrinha Santa Rosa de Viterbo -10,9 1,5 Altinópolis Serra Azul -11,3 Dumont -11,5 Pontal Pitangueiras Pradópolis 0,6 Monte Alto -2,9 -13,9 -3,7 -16,7 -19,4 Serra Azul -0,9 -12,6 Barrinha 0,9 -7,5 Santa Rosa de Viterbo Pitangueiras Luís Antônio Pontal Fonte: Censos Demográficos 1991, 2000. IBGE. Microdados. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 139 Gráfico 15 Mudanças nas taxas de desemprego masculina e feminina (em pontos percentuais) Pólo Regional de Ribeirão Preto e Municípios 1991-2000. Mudanças nas taxas de desemprego masculinas (pontos percentuais) 15,5 8,8 Pólo de Ribeirão Preto Pólo de Ribeirão Preto 28,4 Pontal 12,8 Pitangueiras Pradópolis 26,3 Pitangueiras 11,6 25,4 Santa Rosa de Viterbo 25,0 Pradópolis 24,5 Guariba 11,6 Luís Antônio 11,2 Barrinha 10,1 Santa Rosa de Viterbo 23,0 9,8 Serra Azul 22,0 9,7 Serrana Sertãozinho 9,5 Guariba 9,2 Pontal 9,2 Ribeirão Preto 8,9 Cajuru 8,8 Cravinhos 8,7 Monte Alto 8,6 20,4 Dumont 5,5 Altinópolis 5,1 Jardinópolis 4,6 Brodowski 4,4 3,2 Luís Antônio Sertãozinho Serrana 18,2 Serra Azul 16,9 Monte Alto 16,7 Cajuru 14,8 13,7 6,9 Barrinha 18,6 16,1 7,8 São Simão Jaboticabal Santo Antônio da Alegria Mudanças nas taxas de desemprego femininas (pontos percentuais) Dumont Jardinópolis Altinópolis 13,2 Cravinhos 13,0 Jaboticabal 12,8 Ribeirão Preto 10,1 9,5 5,3 0,4 Brodowski Santo Antônio da Alegria São Simão Cássia dos Coqueiros Fonte: Censos Demográficos 1991, 2000. IBGE. Microdados. Em síntese, pode-se concluir que a ampliação do número de domicílios com mulher com renda ocorreu de forma generalizada e intensa nos municípios do Pólo regional de Ribeirão Preto. Essa ampliação, de forma análoga à verificada para as regiões metropolitanas e pólos regionais do estado de São Paulo, foi mais importante que o aumento da participação da renda da mulher na renda domiciliar. Quanto às taxas de ocupação estas aumentaram para as mulheres e diminuíram para os homens. Já as taxas de desemprego aumentaram tanto para os homens quanto para as mulheres, sendo este aumento mais intenso no caso feminino. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 140 3. Políticas Sociais no Pólo de Ribeirão Preto Introdução Neste item são apresentados para o Pólo Regional de Ribeirão Preto os aspectos da política de proteção social privilegiados pelo atual Projeto, quais sejam, o mapeamento e o acesso aos programas de transferência de renda, o acesso e a qualidade dos serviços básicos de educação e de saúde. Para a realização do estudo das políticas sociais recorreu-se a um conjunto de informações oriundas tanto de fontes oficiais, como de levantamento de campo. A pesquisa de campo, de caráter qualitativo e complementar, visou mapear os programas de transferência de renda e os programas de apoio ao migrante nas regiões metropolitanas e pólos regionais do Estado de São Paulo, relatados com maior detalhe no Documento 1 – Relatório Consolidado. Nesse levantamento foram realizadas entrevistas com os agentes institucionais envolvidos. O item 3.1. apresenta o perfil dos programas de transferência de renda implementados na o Pólo Regional de Ribeirão Preto. O mapeamento dos programas de transferência identifica os programas presentes na região, a parcela atendida da população alvo, bem como os principais problemas na implementação do Programa Bolsa Família e dos programas de transferência de renda de natureza municipal. Os itens 3.2 e 3.3. contemplam, no âmbito das políticas públicas, por um lado o acesso de segmentos específicos da população às políticas básicas de educação e de saúde e, por outro, a disponibilidade de equipamentos e serviços pelos órgãos competentes. 3.1. Os programas de transferência de renda no Pólo Regional de Ribeirão Preto - Mapeamento e Acesso O Pólo Regional de Ribeirão Preto apresenta em 2007, de acordo com a Contagem Populacional realizada pelo IBGE, um total de 1.147.479 habitantes,com tamanho da população próximo ao apresentado pelo Pólo Regional de Sorocaba que apresentam os maiores contingentes quando comparado aos demais Pólos Regionais Paulistas, analisados por este Projeto. Para o mesmo ano segundo estimativas do IPEA utilizadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), o Pólo de Ribeirão Preto apresenta 29.401 famílias Pólo Econômico de Ribeirão Preto 141 pobres assim classificadas por terem renda per capita de até meio salário mínimo vigente (Tabela 15). No Pólo de Ribeirão Preto, considerando-se o conjunto dos programas de transferência de renda que tomam a família como unidade beneficiária, tem-se, em 2007, a estimativa próxima de 119% de famílias classificadas como pobres que recebem algum tipo de benefício. O município de Ribeirão Preto, sede do Pólo, possui 112% das famílias beneficiadas por Programas de Transferência de Renda; e no município de Dumont, que apresentou a maior proporção de famílias classificadas como pobres pelo MDS, com acesso a algum programa de transferência de renda dirigido à família, cerca de 226% delas, ver Tabela 16. Os programas de transferência de renda que tomam as famílias como unidade beneficiária são: Bolsa Família, Renda Cidadã e Ação Jovem, sendo primeiro de natureza federal e os outros dois de natureza estadual. Os outros programas têm o indivíduo como beneficiário e para o cumprimento das condicionalidades. Dentre estes, devem ser mencionados os programas federais BPC (Benefício de Prestação Continuada), o PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) e o Programa Agente Jovem Deve-se mencionar ainda que estes programas federais, o primeiro dirigido a idosos e a deficientes e aqueles dirigidos à criança e ao adolescente - PETI e Agente Jovem - embora dirigidos ao indivíduo, têm como referência para a seleção do beneficiário dados familiares de renda. Atenta-se também para o fato de que o Pólo Econômico de Ribeirão Preto 142 PETI em 2007 encontrava-se em transição para o Bolsa Família e atualmente encontra-se integrado a este. O Programa Agente Jovem, por sua vez, transformou-se em ProJovem Adolescente26. São beneficiárias do programa federal Bolsa Família, no ano de 2007, 98,5% das famílias consideradas pobres pelos critérios do MDS, no Pólo de Ribeirão Preto. Essa proporção de famílias beneficiárias em relação às famílias classificadas como pobres evidencia uma posição intermediária quando comparada com as regiões metropolitanas e os pólos regionais. Apenas o Pólo de Bauru apresenta cobertura média de 100% em relação à população alvo (Tabela 15). A menor cobertura foi encontrada no Pólo de São José do Rio Preto (80,1%), seguido do Pólos de Araçatuba (88,8%); entre as regiões metropolitanas a menor cobertura é encontrada na Região Metropolitana de São Paulo (83,4%) (Tabela 15). Entre os municípios com renda per capita mais baixa no Pólo Regional de Ribeirão Preto, correspondendo à metade da renda per capita regional (com valores cerca de 218,00, no ano 2000), constatou-se que em apenas em dois deles a cobertura do Programa Bolsa Família atinge a totalidade das famílias classificadas como pobres; são eles Barrinha e Serra Azul; no município de Taquaral, apenas 88,2% das famílias pobres são beneficiárias do programa Bolsa Família (Tabela 16). Foi possível observar, através das entrevistas realizadas no trabalho de campo, que ocorre combinação dos diversos programas na composição do benefício recebido pelas famílias, possibilitando maior cobertura e evitando maiores disparidades entre as famílias beneficiárias. Dessa maneira observou-se, através da pesquisa nos municípios do Pólo de Ribeirão Preto a complementaridade entre o Programa Bolsa Família e outros programas de transferência de renda. Essa observação pode ser constatada também através da análise dos dados obtidos junto ao MDS, governo federal, e junto ao Sistema Pró-Social do Estado de São Paulo, organizados nas Tabela 15 e 16. Através da análise destes se evidencia que, embora na média regional do Pólo de Ribeirão Preto não seja muito elevada a cobertura dos programas de natureza estadual em relação às famílias classificadas como pobres pelo MDS, esta é mais elevada em muitos municípios com menores e especialmente entre aqueles com até 10 mil habitantes deste Pólo Regional e 26 O ProJovem Adolescente tem como objetivos: o retorno e a permanência na escola, proteção social básica e assistência às famílias. Além de atender adolescentes de famílias com renda per capita inferior a meio salário mínimo, o programa priviliegia jovens atendidos pelo Bolsa Família e participantes do PETI. Lei nº 11.692, de 10 de Junho de 2008. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 143 desempenha papel importante nos três municípios indicados como os mais pobres da região (Tabela 16). Tomando-se como referência o total de famílias pobres do Pólo Regional de Ribeirão Preto, constata-se que são atendidas pelo Programa Renda Cidadã cerca de 12% delas, e que são atendidas pelo Programa Ação Jovem, cerca de 6% (Tabela 16). Outra constatação é que ambos os programas estaduais estão presentes em todos os municípios do Pólo Regional.Tomando como exemplo o caso do município de Barrinha, que apresenta a menor renda per capita do Pólo de Ribeirão Preto, onde a cobertura estimada do programa Bolsa Família é de 117,6%, nota-se que é complementado pelos programas estaduais Renda Cidadã (20,7%) e Ação Jovem (6,2%). Outro município que merece destaque é Taquaral, o qual apresenta a segunda menor renda do Pólo (R$ 217,70), cobertura do Programa Bolsa Família de 88,2% e a complementação significante dos Programas Renda Cidadã (77,0%) e Ação Jovem (51,4%). Da mesma maneira, no município de Ribeirão Preto, sede do Pólo de Ribeirão Preto, em 2007 foram atendidas 11.534 famílias pelo Programa Bolsa família, abrangendo cerca de 102,7% das famílias pobres. Considerando ainda os programas voltados para as famílias, cerca de 620 famílias recebem transferências de renda do Programa Estadual Renda Cidadã (5,5%) e 363 famílias (3,2%) do Programa Estadual Ação Jovem. Duas informações devem ser acrescentadas com relação às famílias beneficiárias dos programas de transferência de renda. A primeira, é que uma família pode receber benefício de mais de um programa de transferência de renda; a segunda é que dificilmente será atendida a totalidade das famílias que seriam o público alvo desses programas. Tendo por referência os municípios visitados na pesquisa de campo do pólo Regional de Ribeirão Preto, constatou-se a prevalência dos Programas Federais Bolsa Família e BPC. Apenas o PETI e o Agente Jovem não foram encontrados em todos os municípios. O PETI só não foi encontrado no município de Barrinha, assim como o Programa Agente Jovem não foi observado novamente em Barrinha e no município de Sertãozinho (Quadro 1). Deve-se observar, com base nos dados do MDS e do Pró-Social-ESP, organizados na Tabela 16, que o PETI consta em apenas quatro municípios do Pólo, dentre eles o município-sede, e o programa Agente Jovem consta em somente seis municípios. Já os Programas Estaduais, Renda Cidadã e Ação Jovem foram encontrados em todos os municípios pesquisados e em todos os municípios do Pólo de Ribeirão Preto (Tabela 16), como observado também nas Pólo Econômico de Ribeirão Preto 144 Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais do Estado de São Paulo analisados por este Projeto. A pesquisa de campo foi a única fonte de informação sobre os programas municipais, pois não existem registros oficiais para os mesmos, de maneira distinta do que atualmente ocorre com os programas federais e estaduais. Dessa maneira, a pesquisa de campo evidenciou no Pólo de Ribeirão Preto a existência de programas municipais de transferência de renda apenas no município sede do Pólo, Ribeirão Preto. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 145 Quadro 1 Programas de transferência de renda vigentes nos municípios pesquisados, ordenados por tamanho Pólos Regionais do Estado de São Paulo 2007 Federais Pólos Tamanho Municipais Bolsa Família Araçatuba Bauru Presidente Prudente Ribeirão Preto São José do Rio Preto São José dos Campos Sorocaba mais de 100 mil mais de 20 até 50 mil mais de 100 mil mais de 50 até 100 mil mais de 20 até 50 mil mais de 100 mil mais de 20 até 50 mil até 20 mil mais de 100 mil mais de 20 até 50 mil mais de 100 mil mais de 50 até 100 mil até 20 mil mais de 100 mil até 20 mil mais de 100 mil até 20 mil Estaduais Municípios PETI Agente Jovem BPC Renda Cidadã Ação Jovem Araçatuba - SEDE Birigui Valparaíso Bauru - SEDE Lençóis Paulista Pederneiras Presidente Prudente - SEDE Rancharia Euclides da Cunha Ribeirão Preto - SEDE Sertãozinho Barrinha São José do Rio Preto - SEDE Mirassol Bady Bassit São José dos Campos - SEDE Jacareí Santa Branca Sorocaba - SEDE Itu Tapiraí Fonte: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo: desigualdades e indicadores para as Políticas Sociais – Pesquisa de campo. NEPP/NEPO/IE-UNICAMP. 2007. Convenio FINEPUNICAMP. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 146 Pólo Econômico de Ribeirão Preto 147 Programas Municipais de transferência de renda A pesquisa de campo no Pólo de Ribeirão Preto foi realizada em três municípios, a saber Ribeirão Preto, sede de pólo, Sertãozinho e Barrinhas. Apenas o município sede do Pólo, Ribeirão Preto, possui Programas Municipais de transferência de renda. Assim, observa-se no município de Ribeirão Preto a existência de 5 programas de transferência de renda, dos quais 3 estão voltados para o atendimento à família e 2 tem como público-alvo o indivíduo. Os Programas voltados para o atendimento de famílias em situação de pobreza são os Programas Família Substituta/Acolhedora (131 famílias), Renda Mínima (564 famílias) e Apoio Alimentar (2.757 famílias). Por sua vez, os Programas de Transferência de Renda voltados para o indivíduo são o Programa Bolsa Horto (90 pessoas) e o Programa Auxílio às Famílias Carentes de Recursos Materiais (90 pessoas). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 148 Quadro 2 Beneficiários dos Programas Municipais de Transferência de Renda Pólos Regionais Paulistas - Pesquisa de Campo 2007 RM/Pólo Municípios Araçatuba Valparaíso Presidente Prudente Ribeirão Preto Euclides da Cunha Paulista Presidente Prudente Ribeirão Preto Santa Branca São José dos Campos São José do Rio Preto São José dos Campos São José do Rio Preto Programas Municipais de Transferência de Renda Jovem cidadão Programa de Capacitação e Qualificação profissional de Desempregados e Frentes emergenciais de trabalho Criança cidadã Cuidadores de idosos (Valo vovô) Bolsa do Horto Auxílio as famílias carentes de recursos materiais Família substituta Renda mínima Apoio alimentar Lar hospedeiro Bolsa auxílio de qualificação Renda mínima Vida em família Bolsa-Escola Beneficiários Famílias Pessoas 16 16 66 66 140 50 141 50 90 90 131 564 2.757 2 1.430 850 60 3.100 1.430 5.300 Benefícios para mães de gêmeos 375 Sorocaba Sorocaba Projeto Travessia 20 Fonte: Pesquisa de Campo. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de são Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2007 Apesar dos Programas de Transferência de Renda encontrados no Pólo de Ribeirão Preto se dividirem entre aqueles que atendem a família e aqueles que atendem o indivíduo, todos tem como meta final melhorar as condições de vida da família como um todo. É o caso, por exemplo, do Programa Bolsa do Horto, do município sede Ribeirão Preto, que é um programa voltado para as crianças e adolescentes, mas que tem como objetivo melhorar as condições de vida da família carente. A Secretaria Municipal de Assistência Social é a responsável pela coordenação e a articulação de todos os programas encontrados no município de Ribeirão Preto.; da execução participam a própria Secretaria, CRAS, Ongs e Fundação Social do Município. Deve-se ressaltar com relação ao programa de Renda Mínima de Ribeirão Preto, que ele faz parte dos programas pioneiros de transferência de renda, tendo sido criado no ano de 1995, concomitantemente com as experiências de Campinas e do Pólo Econômico de Ribeirão Preto 149 Distrito Federal, mencionadas com maior detalhe no Documento 1 deste Projeto, item 3.127 Principais dificuldades na implementação dos programas de transferência de renda Nos três municípios visitados no pólo de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, Sertãozinho e Barrinhas, as principais dificuldades encontradas nos Programas de Transferência de Renda Federais, Estaduais e Municipais são mais recorrentes em relação aos recursos humanos, infra-estrutura e no controle das condicionalidades. Com relação a recursos humanos destacam-se dificuldades com a equipe reduzida, falta de pessoal qualificado e baixa remuneração; destacando-se ainda a centralização das atividades em poucas pessoas. O principal problema com infra-estrutura foi observado, entre outros, na falta de espaço para execução das ações complementares. Os problemas observados com o controle das condicionalidades decorreram de problemas principalmente relacionados à falta de profissionais para acompanhar as famílias com dificuldades no cumprimento das condicionalidades. Tomando ainda as dificuldades apontadas pelo programa de transferência de renda de maior abrangência, o Bolsa Família, observa-se que as maiores dificuldades encontradas no Pólo de Ribeirão Preto dividem-se entre os itens Recursos e InfraEstrutura, Relações entre esferas de governo e Recursos humanos. Entretanto uma das maiores dificuldades apresentadas pelos gestores tem relação com as famílias beneficiárias. Um dos aspectos é o insuficiente comprometimento destas famílias com o cumprimento das condicionalidades e com a frequencia às atividades complementares ao programa. Outro aspecto está relacionado a dificuldades na atualização das informações das famílias provocadas por mudanças de endereço e de cidade, bem como pela não atualização dos cadastros. Estas dificuldades podem estar relacionados à mobilidade da população e, possivelmente, à migração sazonal ligada à produção canavieira que caracteriza esse Pólo. Ampliando a análise das dificuldades encontradas na implementação do Programa Bolsa Família para o conjunto de municípios pesquisados nas Regiões Metropolitanas e os Pólos Regionais Paulistas, a partir da sistematização das informações coletadas pelo trabalho de campo, fica patente que as principais 27 FINEP/NEPP/NEPO/IE. 2009. Documento 1 - Relatório Consolidado para o Estado de São Paulo. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais. Convênio FINEPFNDCT/NEPP/Regiões Metropolitanas. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 150 deficiências apontadas em relação ao item Recursos e Infra-Estrutura são apresentadas pelos maiores municípios28. A principal deficiência apontada por sete dentre estes municípios, incluindo-se as sedes das regiões metropolitanas de São Paulo e da Baixada Santista, refere-se a recursos insuficientes para a realização de visitas para o acompanhamento das famílias beneficiárias, havendo destaque para as deficiências de funcionário para exercer as tarefas necessárias e a necessidade de veiculo para locomoção. Estas funções são executas pela prefeitura municipal e explicita a dificuldade imposta pelo porte do município. Desse modo foi possível captar através da pesquisa de campo que a rápida expansão do Programa Bolsa Família entre os anos de 2004 e 2007, apontada na análise para o conjunto das regiões e pólos regionais não foi devidamente acompanhada da ampliação da estrutura básica necessária para seu funcionamento, como foi apresentada no Documento 1. Relatório Consolidado para o Estado de São Paulo, parte desta pesquisa. Da mesma forma, a análise dos municípios menores, traz evidências de que as deficiências decorrentes da rápida expansão do Programa Bolsa Família também se fazem sentir nos menores municípios em análise nas Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais do Estado de São Paulo. Tomando-se como referência para qualificar os municípios menores aqueles com população de até 50 mil habitantes, constata-se que estes também apresentam deficiência de veículo e de funcionário para desempenhar a atividade de acompanhamento das famílias beneficiárias. Assim, as limitações relacionadas a Recursos e Infra-Estrutura afetam de distintas maneiras os municípios maiores e os menores das três regiões metropolitanas paulistas e dos sete pólos regionais pesquisados. Por outro lado, as deficiências relacionadas com a Equipe, ou seja, com os profissionais envolvidos na operação, afetam menos os municípios grandes da RMSP, porém surgem em municípios grandes e pequenos das demais regiões metropolitanas e dos pólos regionais. Com relação a esse aspecto, são apontadas com maior freqüência a falta de profissionais ou equipe reduzida frente às demandas e ao tamanho do programa. Em segundo lugar e de maneira mais acentuada nos municípios das regiões metropolitanas da Baixada Santista e Campinas e também em 28 A análise que se segue baseia-se no documento de pesquisa referido: FINEP/NEPP/NEPO/IE. 2009. Documento 1 - Relatório Consolidado para o Estado de São Paulo. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais. Convênio FINEPFNDCT/NEPP/Regiões Metropolitanas. Capitulo 3., Item 3.1. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 151 alguns dos pólos, foi apontada a falta de capacitação permanente e a baixa capacitação dos profissionais que integram a equipe. Um terceiro aspecto com maiores indicações de dificuldades nessas regiões e pólos é relativo ao Acompanhamento de Condicionalidades. Deve-se ressaltar que essa deficiência é apontada nas regiões metropolitanas paulistas como a segunda maior dificuldade na implementação do programa Bolsa Família, enquanto nos pólos regionais aparece como sendo a primeira maior dificuldade, conforme apresentado no Gráfico 16. Como se sabe, em sua execução o Programa Bolsa Família deve contar com ações articuladas entre as secretarias municipais de assistência, educação e saúde que acompanham e informam sobre o cumprimento das condicionalidades e a secretaria que realiza a gestão do beneficio. Nesse sentido, a principal dificuldade apontada reside na relação entre as esferas de governo, principalmente pelos municípios menores de 100 mil habitantes tanto das regiões metropolitanas, como nos municípios nessa classe de tamanho dos pólos regionais, bem como por alguns maiores. A dificuldade apontada refere-se à falta de articulação entre as secretarias envolvidas, ou seja, de educação, de saúde e de assistência social ou outra secretaria que esteja gerindo o programa. Dessa falta de articulação decorre a dificuldade de obtenção das informações sobre o acompanhamento das condicionalidades relacionadas à educação e à saúde mencionadas nas entrevistas. Outro aspecto no controle das condicionalidades, mais freqüente nas regiões metropolitanas do que nos Pólos, embora seja uma queixa também nos municípios destes, refere-se ao acompanhamento das famílias. É ressaltada a dificuldade de localização das famílias e de interação com aquelas que apresentam dificuldades no cumprimento das condicionalidades. No caso das dificuldades com as famílias, estas são provocadas por mudanças de endereço e de cidade, bem como pela não atualização dos cadastros. No caso das regiões metropolitanas essas dificuldades estão associadas à complexidade do urbano e ao volume da população atendida; nos pólos regionais essas dificuldades, em alguns casos estão relacionados à mobilidade da população e, possivelmente, à migração sazonal ligada à produção agrícola. Como fica evidente no gráfico abaixo, em ordem de importância segue-se a dificuldade de maior comprometimento das famílias com o cumprimento das condicionalidades e com a frequencia a atividades complementares ao programa, sendo citado o comprometimento insatisfatório com atividades de capacitação para geração de renda. Esta dificuldade é apresentada com maior freqüência nos municípios dos pólos regionais. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 152 Gráfico 16 Principais dificuldades apontadas pelos Gestores – Programa Bolsa Família Pesquisa de Campo 2007 P r i n c i p a i s d i f i c u l d a d e s a p o P R e g i õ e s M e t r o p o l i t a n a n e t s a q d u a i s s a s p e d l e o s C G a m e s p t o o r 2 e 0 s 0 – P r o g r a m a B o l s a F a m í l i a 7 P ó l o s R e g i o n a i s Fonte: Pesquisa de Campo, 2007. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Outro aspecto ressaltado é o valor do benefício. Uma das dificuldades relativas ao programa Bolsa Família, apontadas pelos entrevistados é o baixo valor em relação à realidade do município, evidenciando a necessidade de ajustes regionais para o valor das transferências de renda no caso para o Estado de São Paulo. A inadequação do valor do benefício à realidade das cidades é apontada com maior freqüência nos municípios das Regiões Metropolitanas Paulistas, mas também é apontada nos municípios maiores dos pólos regionais. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 153 Quadro 3 Dificuldades citadas pelos gestores responsáveis pelos programas municipais de Transferência de Renda. Regiões Metropolitanas do Estado de São Paulo – 2007 Regiões Metropolitanas Região Dificuldades Tamanho Município Programa Municipal recursos e com valor do Infra-estr. profissionais benefício outras Adolescente Aprendiz Diadema Bolsa transporte Bolsa aluguel Bolsa Auxílio Desemprego Guarulhos Programa de Oportunidade ao jovem Bolsa Trabalho Osasco RMSP Começar de Novo Operação Trabalho mais de 100 mil rotativo cidadão Turma Cidadã S. Bernardo do Campo PEAT - prog.educativo Adolescente para o trabalho PRODESIP (*) Usina sócio-educativa São Paulo Renda Mínima Família Andreense Sto. André GTIS (Geração de Trabalho e Interesse Social) Praia Grande PAD (Programa de Apoio ao Desempregado) Programa Nossa Família RMBS mais de 100 mil Prog.Valoriz. do Jovem: Juventude e Comunidade Santos Programa de Inclusão Cidadã - FÊNIX Programa de Valorização do Idoso RMCP mais de 100 mil Campinas Programa de Garantia de Renda Mínima Municipal Hortolândia Frente de Trabalho (*) Programa de Desenvolvimento Social e Inclusão Produtiva Fonte: Pesquisa de Campo, 2007. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Quadro 4 Dificuldades citadas pelos gestores responsáveis pelos programas municipais de Transferência de Renda. Pólos Regionais do Estado de São Paulo Dificuldades Polos Regionais Região Tamanho Município Programa Municipal com recursos com em controlar e Infra-estrutura profissionais condicionalidade Araçatuba mais de 20 até 50 mil até 20 mil P. Prudente mais de 20 até 50 mil Valparaíso outras Jovem Cidadão Euclides da Cunha C. e Q.de desemp. e Fr. E. de Trabalho (*) P. Prudente Criança Cidadã (**) Vale vovô Bolsa do Horto Auxílio às Fam. Carentes de Rec. Materiais Ribeirão Preto mais de 100 mil Ribeirão Preto Família Substituta / Família Acolhedora Renda Mínima Apoio Alimentar S.J. Rio Preto S.J. Campos mais de 50 até 100 mil S. J. do Rio Preto até 20 mil Santa Branca mais de 100 mil S. J.dos Campos mais de 100 mil Sorocaba Bolsa - Escola Programa Lar Hospedeiro Renda Mínima Vida em Família Bolsa Auxílio Qualificação Sorocaba Gêmeos Travessia (*) Programa de Capacitação e Qualificação profissional de desempregados e Frentes Emergenciais de Trabalho (**) Estadual + Municipal Fonte: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo: desigualdades e indicadores para as Políticas Sociais – Pesquisa de campo. NEPP/NEPO/IE-UNICAMP. 2007. Convenio FINEPUNICAMP. No entanto, sobre os programas municipais de transferência de renda, os municípios relataram não enfrentar muitas dificuldades na sua implementação e Pólo Econômico de Ribeirão Preto 154 quando estas existem são consideradas menores do que as enfrentadas na implementação dos programas de responsabilidade de outros níveis de governo, segundo entrevistas realizadas pela pesquisa de campo. Este fato pode estar relacionado á própria natureza municipal dos programas, que por dependerem exclusivamente de recursos e de decisões políticas do âmbito municipal, muitas das dificuldades podem ser mais facilmente solucionadas. Entre as dificuldades apontadas pelos programas municipais, as principais referem-se a limitações relativas aos recursos e infra-estrutura, tendo sido mencionadas a falta de local para realizar as atividades; falta de pessoal para realizar o acompanhamento e monitoramento; a falta de recursos para ampliar o programa e para a formação de profissionais capacitados. Outras dificuldades apontadas relacionam-se à insuficiência de vagas, observada pelos gestores, frente à grande demanda pelos programas, à falta de adesão das famílias ao programa, à alta rotatividade de beneficiários em alguns programas e, à falta de recursos de uma forma mais ampla. Considerações finais Em síntese, as principais dificuldades na implementação do Programa Bolsa Família nas regiões metropolitanas paulistas estão mais relacionadas à grande demanda, bem como à necessidade de ampliação de vagas e à falta de recursos para sua implementação. São apontadas deficiências relativas a: recursos e de infraestrutura; a equipes reduzidas frente à demanda de atendimento e necessidade de capacitação destas, bem como dificuldades para o acompanhamento das condicionalidades. Com menor freqüência são apontados: problemas na relação entre as esferas de governo; relativos ao valor do benefício, considerado baixo para a realidade da região. Nos pólos regionais, os principais problemas apontados são relativos: a dificuldades para o acompanhamento das condicionalidades, apontado como o principal; a equipes reduzidas frente à demanda de atendimento e necessidade de capacitação dos profissionais; problemas na relação entre as esferas de governo; e comprometimento insatisfatório das famílias beneficiárias. Concluindo, observa-se que os gestores apontaram menores problemas na implementação dos programas municipais em comparação aos federais e estaduais, Pólo Econômico de Ribeirão Preto 155 possivelmente associados ao fato de estes serem menores; de terem sido criados para atender a demandas locais e serem mais adaptados à gestão municipal. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 156 Pólo Econômico de Ribeirão Preto 157 Pólo Econômico de Ribeirão Preto 158 3.2. Educação Básica no Pólo Regional de Ribeirão Preto Introdução O propósito deste capítulo é apresentar de maneira sintética o panorama da educação no Pólo Regional de Ribeirão Preto com foco na educação básica, a qual compreende a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio. O capítulo estrutura-se em três partes. Na primeira exploram-se indicadores de contexto onde se evidencia a evolução dos municípios com relação ao analfabetismo, à proporção de adultos com educação básica completa e às taxas de escolarização líquidas obtidas através de tabulações dos censos demográficos de 1991 e 2000. Na segunda parte, será apresentado o volume de matrículas e de funções docentes para caracterizar as condições de oferta entre 1999 e 2006 e, indicadores de desempenho e rendimento para o ano de 2002. Para esta parte foram utilizadas as informações disponibilizadas pela Fundação SEADE que tomou como fonte os dados do Censo Escolar elaborado pelo INEP/MEC e tabulações do INEP/MEC. Na terceira parte do capítulo, é realizada uma análise da qualidade do ensino no Pólo Regional de Ribeirão Preto comparativamente aos indicadores estaduais. Para tanto, lançamos mão dos resultados das avaliações do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo – SARESP - da Secretaria Estadual de Educação no ano de 2007. Os resultados do SARESP permitem avaliar o ensino regular de todas as escolas da rede pública estadual que oferecem a 1ª, 2ª, 4ª, 6ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e a 3ª série do Ensino Médio. Nesta etapa, são apresentados os resultados das provas de Língua Portuguesa e Matemática e dos níveis de desempenho em Redação para as 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e 3ª série do Ensino Médio. Índice de Analfabetismo da População de 15 anos ou mais anos de idade Em 1991, o índice de analfabetismo entre as pessoas com 15 anos ou mais de idade no Pólo Regional de Ribeirão Preto foi de 9,7%, valor equivalente à média estadual. Com a queda de 56% no índice, a região passa a apresentar taxa de analfabetismo entre a população com mais de 15 anos equivalente a 4,2%, patamar inferior à média estadual no ano 2000 de 6,1%. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 159 Os municípios de Jardinópolis, São Simão, Santa Rosa do Viterbo e Ribeirão Preto, apresentaram as taxas mais baixas de analfabetismo que variaram entre 6,4% e 10,8% da população residente com mais de 15 anos no ano de 1991. Os municípios de Guariba e Cássia dos Coqueiros apresentaram as mais altas taxas de analfabetismo em 1991 entre os municípios da região, taxas superiores a 21% (Mapa 1). No ano 2000 foi possível constatar o avanço conquistado com a queda na taxa de analfabetismo na região, em todos os municípios da região. Os municípios de Serrana e Guariba tiveram suas taxas reduzidas em mais de 90%. No ano 2000 os municípios da região com as taxas mais altas de analfabetismo superior a 6,0% foram: São Simão, Luis Antonio, Pontal e Pradópolis (Mapa 2). Mapas 1 e 2 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Proporção da população adulta com mais de 12 anos de estudo Pólo Econômico de Ribeirão Preto 160 Este índice aponta para a proporção da população adulta, definida como aquela na faixa etária entre 25 e 59 anos, que completou o ensino básico e freqüenta ou freqüentou e, concluiu pelo menos um ano do ensino superior. O Pólo Regional de Ribeirão Preto apresentou, em 1991, proporção de adultos com 12 anos ou mais de estudo de 11,8%, valor inferior, porém muito próximo à média estadual correspondente a 12,1%. No ano 2000 ficou evidente o avanço conquistado pelo Pólo Regional de Ribeirão Preto que apresentou resultados muito melhores que a média estadual, 24,8% e 14,5% respectivamente. Em 1991 o município sede, Ribeirão Preto e o município de Jaboticabal contrastaram dos demais por apresentarem as taxas mais altas, 17% e 12,4% respectivamente. Mapas 3 e 4 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Pólo Econômico de Ribeirão Preto 161 Por outro lado, Pontal, Pitangueiras, Serrana, Pradópolis, Barrinha e Serra Azul sequer apresentavam 4% da população adulta com pelo menos 12 anos de estudo (Mapa 3). Apesar do censo populacional realizado em 2000 mostrar a grande melhora deste índice para o Pólo Regional de Ribeirão Preto, com incremento de quase 110%, esta melhora não ocorreu de forma homogênea nos municípios. Nem todos os municípios da região que concentravam mais população adulta com alta escolaridade em 1991, são os mesmos que concentram maiores proporções de população mais instruída no ano 2000. Dos municípios que apresentaram altas proporções de adultos com mais escolaridade tanto em 1991 quanto no ano 2000, destacamos os municípios de Serrana, Sertãozinho, Guariba e Serra Azul, os quais apresentaram proporções de população com alto nível de instrução superior a 44% (Mapa 4). Taxas de Escolarização Líquida do Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série29 Em 1991 a Taxa de Escolarização Liquida do Ensino Fundamental de 1ª a 4ª serie no Pólo Regional de Ribeirão Preto já era considerada elevada comparativamente com a de outras regiões da pesquisa e atingiu em média 98,5%, patamar ligeiramente superior ao índice estadual de 87,5%. Enquanto a Taxa de Escolarização Líquida no ano 2000 para o Estado de São Paulo cresceu 2,5% com relação à década anterior, no Pólo Regional de Ribeirão Preto a taxa cresceu menos, 1,3%. Os municípios que mais incrementaram suas taxas foram: Serra Azul, Cravinhos e Cássia dos Coqueiros com taxas de crescimento entre 1991 e 2000 de respectivamente: 16,1%, 12,8% e 9,6%. São estes municípios que junto com Pitangueiras e Luis Antonio faziam parte do grupo com as mais baixas taxas de escolarização líquida em 1991. Em 1991, as taxas líquidas de escolarização do Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série nos municípios pertencentes ao Pólo de Ribeirão Preto variaram entre 77,2% e 92,4%. Na década seguinte, foi registrado um intervalo de variação um pouco maior entre 77,5% a 97,1% entre os municípios do Pólo. 29 Esse índice representa o percentual da população que freqüenta o ensino fundamental entre a 1ª e a 4ª serie com idade correspondente a esse nível de ensino, ou seja, entre 7 a 10 anos. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 162 Os municípios com as taxas mais elevada no ano 2000 foram: Brodowski, Guatapará, Santo Antonio da Alegria e Cássia dos Coqueiros, os quais apresentaram taxas superiores a 93%. Os mapas evidenciaram que no início da década o município de Ribeirão Preto, sede do Pólo Regional, era um dos detinham taxa de escolarização líquida do Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série mais elevada com relação a alguns municípios de seu entorno mais afastados. Na década seguinte, com a tendência de universalização do ensino Fundamental esta configuração se transforma e os municípios localizados nas pontas do Pólo, no sentido nordeste ganham evidencia por apresentarem melhores taxas de escolarização líquida de 1ª a 4ª série no ano 2000. (Mapas 5 e 6). Mapas 5 e 6 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Taxas de Escolarização Líquida do Ensino Fundamental de 5ª a 8ª série. A taxa de escolarização líquida de 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental no Pólo Regional de Ribeirão Preto passou de 59,9% em 1991 para 80,4% no ano 2000. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 163 A taxa de escolarização líquida referente à segunda fase do ensino fundamental apresentou incremento de quase 40% entre as décadas de 90 e de 2000 no Estado de São Paulo e, de mais de 34% no Pólo Regional de Ribeirão Preto. Os municípios de Barrinha, Dumont, Guariba, Cássia dos Coqueiros, Altinópolis e Cravinhos foram os municípios que mais elevaram suas taxas, com incrementos que variaram entre 75,1% e 115,7%. Foram estes municípios que em 1991 apresentavam as mais baixas taxas de escolarização líquida do ensino fundamenta de 5ª a 8ª série, inferiores a 52% e, portanto tinham uma lacuna maior para preencher (Mapa 7). No ano 2000, os municípios com as taxas mais elevadas, isto é, com mais de 88% das crianças de 11 a 14 anos freqüentando a segunda fase do ensino fundamental foram: Cássia dos Coqueiros, Santo Antonio da Alegria, Serrana e Sertãozinho (Mapa 8). Mapas 7 e 8 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Pólo Econômico de Ribeirão Preto 164 Taxas de Escolarização Líquida do Ensino Médio30 Aproximadamente 54% dos jovens de 15 a 17 anos no Estado de São Paulo foram atendidos pelo Ensino Médio no ano 2000. Entre o ano de 1991 e o ano 2000 houve um efetivo crescimento da taxa de escolarização que no início do período alcançou apenas 25% dos jovens. Entre 1991 e 2000 a taxa de escolarização líquida do Ensino Médio cresceu quase 113% no Estado de São Paulo e quase 124% no Pólo Regional de Ribeirão Preto. A taxa que em 1991 para o Pólo Regional de Ribeirão Preto foi de 25,6%, passou para 57,2% no Pólo de Ribeirão Preto no ano 2000. Em 1991 o Pólo Regional de Ribeirão Preto concentrou municípios com taxas líquidas de escolarização do ensino Médio que variaram entre 4,6% e 31,5%. No ano 2000, a variação foi de 33,2% a 76,6%. Em 1991, Ribeirão Preto, Jaboticabal, Jardinópolis, Brodowski e Monte Alto detinham as mais elevadas taxas de escolarização líquida do Ensino Médio da região, superiores a 25% (Mapa 9). No ano 2000, alguns dos municípios que apresentaram as maiores taxas, ou seja, municípios com mais de 70% dos adolescentes de 15 a 17 anos freqüentando o Ensino Médio estavam localizados na região do entorno do município sede, a saber: Santa Cruz da Esperança, Sertãozinho, Brodowski, Serrana, Guariba e Guatapará (Mapa 10). Mapas 9 e 10 30 Esse índice representa o percentual da população que freqüenta o ensino médio na idade correspondente a esse nível de ensino, ou seja, entre 15 e 17 anos. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 165 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Matrículas no Pólo Regional de Ribeirão Preto De acordo com as informações do Censo Escolar (MEC-INEP), o Pólo Regional de Ribeirão Preto concentrou em 2006 quase 133 mil matrículas entre os níveis de ensino infantil, fundamental e médio. A educação infantil, formada por creche e pré-escola, representou quase 20% do total de matrículas e a maior concentração das matrículas aconteceu na pré-escola (Tabela 17). No ensino básico, no nível Fundamental e Médio, as matrículas do Pólo Regional de Ribeirão Preto totalizaram 218.215 matrículas, onde o maior peso recaiu no ensino Fundamental que representou quase 61,4% do total de matrículas. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 166 Tabela 17 Matrículas por nível de ensin o Matrículas em 2006 Creche Pré-Escola E. F undamental E . Médio Total Pólo d e Ribeirão P reto 11.583 42.395 167.113 51.102 272.193 Altinópolis 204 540 2.284 695 3.723 Barrinha 143 884 4.444 1.181 6.652 Brodowski 87 984 3.000 784 4.855 Cajuru 365 946 3.524 1.150 5.985 Cássia dos Coqueiros 0 114 504 169 787 Cravinhos 297 1.185 4.489 1.291 7.262 Dumont 82 349 990 401 1.822 Guariba 136 1.414 5.370 1.404 8.324 Guatapará 0 281 1.107 318 1.706 Jaboticabal 672 2.496 9.410 3.106 15.684 Jardinópolis 274 1.370 5.370 1.244 8.258 Luis Antônio 91 467 1.804 405 2.767 Monte A lto 666 1.653 5.592 1.892 9.803 Pitangueiras 252 1.450 5.652 1.477 8.831 Pontal 171 1.251 5.618 1.478 8.518 Pradópolis 675 629 2.330 604 4.238 Ribeirão Preto 5.431 18.563 75.967 24.403 124.364 Santa Cruz da Esperança 11 85 309 112 517 Santa Rosa de Viterbo 174 724 3.395 1.226 5.519 Santo Antônio da A legria 0 87 875 356 1.318 São Simão 226 576 2.187 754 3.743 Serra Azul 24 139 1.533 343 2.039 Serrana 415 1.643 6.076 1.688 9.822 Sertãozinho 1.113 4.456 14.888 4.554 25.011 Taquaral 74 109 395 67 645 Fonte: Censo Escolar - INEP - MEC 1999 e 2006. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Entre 1999 e 2006 houve decréscimo do número médio de alunos por professor em todos os níveis de ensino no Pólo regional de Ribeirão Preto. No ensino infantil foi onde a queda no número de alunos por professor foi menor. Neste nível de ensino havia, em 1999, 20,1 alunos por professor e, no ano de 2006 foram 18,2 alunos para cada professor. Os municípios com as maiores razões de alunos por professor neste nível de ensino em 2006 foram: Pradópolis, Taquaral, Pitangueiras, São Simão e Barrinha. Estes municípios tinham em média mais de 27 alunos por professor em 2006. No ensino fundamental, a média de alunos por professor passou de 25,3 para 18,8, configurando uma queda de quase 7 alunos por turma entre 1999 e 2006. Este declínio no indicador foi causado em todos os municípios pelo aumento do número de professores e na grande maioria dos municípios pela queda no volume de Pólo Econômico de Ribeirão Preto 167 matrículas31. As maiores quedas neste indicador ocorreram nos municípios de Luis Antonio, Serra Azul, Pradópolis, São Simão, Taquaral e Serrana. Nestes municípios houve queda de mais de 10 alunos por professor entre 1999 e 2006. No ensino Médio havia no ano de 1999 19,0 alunos por professor. Em 2006 observou-se queda de 4,4 alunos por professor, fazendo com que o indicador passasse para 14,6 alunos por professor. As maiores quedas do índice aconteceram nos municípios de Barrinha, Pradópolis, Guariba, e Taquaral. Assim como no ensino fundamental, foi resultado da queda no volume de matrículas em 10 dos 25 municípios que formam o Pólo, concomitante ao fato de ter havido incremento no número de professores em 21 municípios do Pólo. (Tabela 18). Vale dizer que a queda no número de alunos por professor, sobretudo no ensino fundamental e médio, se deu em alguns municípios pelo incremento no número de professores, mas em alguns casos concomitante a este fato também ocorreu uma diminuição na pressão por matrículas devido às mudanças demográficas. 31 Em apenas 6 municípios do Pólo Regional de Ribeirão Preto houve aumento no volume de alunos do Ensino Fundamental entre 1999 e 2006 (Brodowski, Jardinópolis, Luis Antonio, Pontal, Serra Azul e Serrana). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 168 Tabela 18 – Número de Alunos por professor Ind icad ores de E du cação - F un çõ es D ocen tes e núm ero de m atriculad os Ensin o In fan til En sino Fu nd am ental 1999 2006 1999 2006 Pólo d e Rib eirão P reto 2 0,1 18,2 25,3 18,8 Altinópolis 2 6,3 22,5 21,5 17,3 Barrinha 2 8,2 27,0 29,9 23,3 Brodowski 2 1,3 19,5 18,3 15,1 Cajuru 1 5,7 17,0 22,9 14,4 Cássia dos Coqueiros 2 2,7 22,8 21,0 14,4 Cr avinhos 2 1,6 14,7 28,2 20,3 Dum ont 2 6,6 15,4 31,6 22,0 Guariba 2 3,8 21,8 27,6 19,6 Guata pará 2 4,4 16,5 29,7 22,6 Jaboticabal 1 9,1 17,5 24,1 17,3 Jardinópolis 2 2,3 17,3 19,9 16,4 Luis Antônio 2 4,3 19,2 33,6 17,5 Monte A lto 1 9,4 21,1 25,5 16,0 Pitangueiras 2 4,0 27,9 27,9 22,0 Pontal 2 0,0 17,8 23,5 16,1 Pradópolis 2 8,5 37,3 35,7 21,8 Ribeirão Pr eto 1 8,5 16,8 25,4 20,3 Santa Cruz da Esperança 3 7,0 16,0 19,2 14,0 Santa Rosa de Viterbo 2 3,2 14,3 23,6 15,9 Santo Antônio da A legria 6 5,5 9,7 21,0 15,6 São Simão 2 1,1 27,7 26,5 14,1 Serra Azul 1 9,3 23,3 32,1 17,4 Serrana 2 4,9 21,7 31,8 21,6 Sertãozinho 2 1,6 18,3 25,0 16,5 T aquar al 30,5 26,3 15,2 En sino M édio 1999 2006 19,0 14,6 14,4 12,2 35,7 14,9 12,8 12,4 15,5 11,2 9,6 14,1 15,6 12,4 16,6 20,1 27,9 14,5 14,7 15,9 17,4 12,9 14,8 14,6 14,8 16,9 18,4 14,1 22,0 12,8 20,6 11,9 36,2 22,4 19,2 16,9 0,0 11,2 17,9 11,2 17,5 12,3 13,7 8,0 16,6 15,6 20,9 17,1 21,4 12,1 13,9 3,5 F o nte : Censo E scolar - INE P - M EC 1 999 e 2 006 . Micro dad os. Elab oração: P rojeto Regiõ es Metropolita nas e Pólos Econ ôm ic os do Estado de S ão Pa ulo - Desigu ald ade s e Indicadores p ara a s Po líticas Socia is, NE PP/NE PO /UNICAM P-FINE P Indicadores de Rendimento32 Taxas de Aprovação Escolar33 No ano de 2002, no Pólo Regional de Ribeirão Preto, as taxas médias de aprovação no ensino Fundamental de 1ª a 4ª série, 5ª a 8ª série e no Ensino Médio foram de respectivamente 91,4%, 88,2% e 81,4%. A taxa de aprovação no ensino Fundamental na região, de 1ª a 4ª série, foi inferior à taxa média estadual de 94,5%. No Ensino Fundamental de 5ª a 8ª série e no 32 Dados obtidos da Fundação SEADE / Secretaria de Estado da Educação – SEE/Centro de Informações Educacionais – CIE. 33 Porcentagem de alunos que preencheram em avaliação final, os requisitos mínimos em aproveitamento e freqüência, previstos em legislação, em relação ao total de alunos matriculados no fim do ano letivo. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 169 Ensino Médio, as taxas de aprovação para o Pólo de Ribeirão Preto foram também inferiores à média estadual de respectivamente 92% e 84,2%. Os municípios que obtiveram os índices mais baixos de aprovação no ensino Fundamental de 1ª a 4ª série foram Santa Cruz da Esperança, Luis Antonio, Guariba, Jardinópolis e Sertãozinho com menos de 85% de aprovação. (Tabela 19). Entre a 5ª e 8ª serie, o melhor e o pior índice de aprovação variou entre 64,8% e 96,8% taxas equivalentes respectivamente aos municípios de Luis Antonio e Cássia dos Coqueiros. No ensino médio a diferença entre os extremos é um pouco mais acentuada (de 73,1% a 93,9%) correspondendo respectivamente a Santa Rosa do Viterbo e Cássia dos Coqueiros. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 170 Tabela 19 - Taxas de Aprovação Escolar34 Taxa de Aprovação. Pólo Regional de Ribeirão Preto, 2002 E. Fundamental E. Fundamental 1ª a 4ª série 5ª a 8ª série Pólo de Ribeirão Preto 91,4 88,2 Altinópolis 86,0 82,6 Barrinha 90,4 91,8 Brodowski 86,8 93,1 Cajuru 89,4 81,6 Cássia dos Coqueiros 95,0 96,8 Cravinhos 91,3 86,3 Dumont 98,1 93,3 Guariba 82,1 74,6 Guatapará 96,1 92,2 Jaboticabal 92,5 88,3 Jardinópolis 82,6 84,2 Luis Antônio 80,5 64,8 Monte Alto 90,6 94,2 Pitangueiras 91,2 90,8 Pontal 94,2 92,5 Pradópolis 88,0 80,7 Ribeirão Preto 95,2 89,5 Santa Cruz da Esperança 77,4 92,4 Santa Rosa de Viterbo 96,2 89,6 Santo Antônio da Alegria 89,7 85,3 São Simão 87,7 87,5 Serra Azul 92,2 81,2 Serrana 85,2 84,5 Sertãozinho 84,5 88,8 Taquaral 85,9 76,2 Ensino Médio 81,4 77,6 78,3 81,8 76,7 93,9 77,9 80,0 77,3 84,9 83,6 81,8 82,3 82,7 82,8 76,1 77,0 83,9 77,4 73,1 79,4 79,9 74,0 82,8 75,5 74,9 Fonte: SEE-SP. Tabulações Especiais. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo. Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Taxas de Evasão Escolar35 Em 2002 as taxas de evasão no Pólo Regional de Ribeirão Preto para a 1ª a 4ª série, para a 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental e para o Ensino Médio foram de respectivamente 1,0%, 4,1% e 9,3%. Nos três níveis de ensino as taxas médias de evasão escolar para o Pólo foram superiores às taxas médias estaduais equivalentes 34 Porcentagem de alunos que preencheram em avaliação final, os requisitos mínimos em aproveitamento e freqüência, previstos em legislação, em relação ao total de alunos matriculados no fim do ano letivo. 35 Porcentagem de alunos que abandonaram a escola antes da avaliação final ou que não preencheram os requisitos mínimos em frequência previstos em legislação, em relação ao total de alunos matriculados no fim do ano letivo. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 171 a 0,95%, 3,2% e 7,3% respectivamente aos níveis de ensino de: 1ª a 4ª série, 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental e ao Ensino Médio. No nível de ensino que compreende da 1ª à 4ª série do Ensino Fundamental, as taxas de evasão entre os municípios foram muito baixas, sendo inferiores a 2,2%. Os municípios com as menores taxas nesse nível de ensino, menores que 0,2% foram: São Simão, Dumont e Guatapará. Gráfico 17 – Taxa de Evasão Escolar. Pólo de Ribeirão Preto, 2002 (%) 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental 2,0 1,8 1,5 1,3 1,0 0,8 0,5 0,3 0,0 Fonte: SEE-SP. Tabulações Especiais. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo. Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Na segunda fase do Ensino Fundamental, as taxas de evasão ficaram bastante heterogêneas e variaram entre 1,0% e 17,8%. As taxas mais elevadas neste nível de ensino corresponderam a Taquaral, Cajuru e Guariba com 17,8%, 10,3% e 10,2% de taxas de evasão respectivamente (Gráfico 18). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 172 Gráfico 18 – Taxa de Evasão Escolar. Pólo de Ribeirão Preto, 2002 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental (%) 18,0 16,0 14,0 12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0 Fonte: SEE-SP. Tabulações Especiais. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo. Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Os maiores índices de evasão aconteceram no Ensino Médio onde se verificou uma amplitude nas taxas de 0,6% a 20,9%. As maiores taxas de evasão, aquelas superiores a 15%, foram encontradas nos municípios: Taquaral, Sertãozinho e Santa Rosa do Viterbo. (Gráfico 19). Gráfico 19 – Taxa de Evasão Escolar. Pólo de Ribeirão Preto, 2002 (%) Ensino Médio 21,0 18,0 15,0 12,0 9,0 6,0 3,0 0,0 Fonte: SEE-SP. Tabulações Especiais. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo. Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Pólo Econômico de Ribeirão Preto 173 Indicadores de qualidade do ensino Para estudar as tendências com relação à qualidade do ensino, lançamos mão dos resultados das avaliações do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo – SARESP – para o ano de 2007. Os resultados do SARESP permitem avaliar o ensino regular de todas as escolas da rede pública estadual que oferecem a 1ª, 2ª, 4ª, 6ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e a 3ª série do Ensino Médio. Assim, apresentamos os resultados das provas de Língua Portuguesa e Matemática e dos níveis de desempenho em Redação para as 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e 3ª série do Ensino Médio para o Pólo Regional de Ribeirão Preto e para o Estado de São Paulo. De acordo com os resultados do SARESP, as notas médias nas disciplinas de matemática e de português para a 4ª série do Ensino Fundamental estiveram bem abaixo da média estadual com 6 pontos de desvantagem (Tabela 20 e 21). O Pólo Regional de Ribeirão Preto se destacou no desempenho na disciplina de Matemática com pontuações superiores às médias estaduais na 8ª série do Ensino Fundamental e na 3ª. Série do Ensino Médio. Entre todas as regiões da pesquisa, a nota média de matemática para a 8ª série do Ensino Fundamental e a 3ª série do Ensino Médio ocupou respectivamente a 7ª e a 5ª posição entre as 10 regiões estudadas na pesquisa. Assim, na disciplina de matemática para os alunos de 1ª a 4ª série, o Pólo de Ribeirão Preto obteve nota média de 176,41 pontos, patamar inferior à pontuação média do Estado que foi equivalente a 182,45. Para os alunos de 5ª a 8ª série a pontuação do Pólo de Ribeirão Preto alcançou 234,33 pontos, enquanto que a média estadual ficou em 231,53 pontos. No ensino médio o Pólo Regional de Ribeirão Preto atingiu 272,2 pontos e a média estadual foi de 263,68 pontos. (Tabela 20). Tabela 20 - Média de Proficiência em Matemática, 2007 Matemática Pólo Regional de Estado de Ribeirão Preto São Paulo 4ª. Série do E. F. 176,41 182,45 8ª. Série do E. F. 234,33 231,53 3ª. Série do E. M. 268,02 263,68 Fonte: SARESP, SEE-SP. Tabulações Especiais. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo. Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Pólo Econômico de Ribeirão Preto 174 Na disciplina de Língua Portuguesa, o desempenho dos alunos do Pólo de Ribeirão Preto, assim como em matemática, foi pior que o desempenho médio do Estado no Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série com quase 7 pontos de desvantagem. O Pólo de Ribeirão Preto obteve nota média em língua portuguesa equivalente a 180,01, nota abaixo da média estadual que alcançou 186,8. No ensino de 5ª a 8ª o Pólo obteve nota média de 243,44, valor praticamente igual à média estadual de 242,6. No Ensino Médio a diferença entre a nota do Pólo e do Estado é de 3,5 com vantagem para o Pólo de Ribeirão Preto (Tabela 21). Tabela 21 - Média de Proficiência em Língua Portuguesa, 2007 Língua Portuguesa Pólo Regional de Ribeirão Preto Estado de São Paulo 4ª. Série do E. F. 180,01 186,84 8ª. Série do E. F. 243,44 242,62 3ª. Série do E. M. 266,71 263,22 Fonte: SARESP, SEE-SP. Tabulações Especiais. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo. Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Já em relação ao nível de desempenho em Redação36, o Pólo Regional de Ribeirão Preto obteve resultados inferiores ao Estado, o qual concentrou menores proporções de avaliações de redação consideradas abaixo do conceito básico. Os maiores diferenciais foram percebidos para a 4ª série do Ensino Fundamental. 36 Para o cálculo da distribuição percentual, foram excluídas do total das avaliações, aquelas categorizadas pelo sistema SARESP como: não válidas: anuladas, em branco e não calculada. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 175 Gráfico 20 Desempenho em Redação na 4a série do Ensino Fundamental, 2007 100% 80% 60% 40% 20% 0% Pólo de Ribeirão Preto Avançado Adequado Estado de São Paulo Básico Abaixo do Básico Gráfico 21 Desempenho em Redação na 8a série do Ensino Fundamental, 2007 100% 80% 60% 40% 20% 0% Pólo de Ribeirão Preto Avançado Adequado Estado de São Paulo Básico Abaixo do Básico Gráfico 22 Desempenho em Redação na 3a série do Ensino Médio, 2007 100% 80% 60% 40% 20% 0% Pólo de Ribeirão Preto Avançado Adequado Estado de São Paulo Básico Abaixo do Básico Pólo Econômico de Ribeirão Preto 176 3.3. Atenção Básica à Saúde e Acesso às Ações e Serviços de Saúde Introdução O capítulo da saúde procurou abordar questões relacionadas à Atenção Básica à Saúde e ao Acesso às Ações e Serviços de Saúde, dimensões fundamentais para o estabelecimento de políticas públicas, no Pólo Regional de Ribeirão Preto. Na Atenção Básica à Saúde foram analisados indicadores relacionados às taxas de mortalidade infantil, indicadores relacionados à saúde da criança, à atenção ao pré-natal, à saúde da mulher e do adulto. No bloco referente ao Acesso às Ações e Serviços de Saúde são apresentadas as taxas de cobertura do programa PSF (Programa de Saúde da Família), as consultas médicas básicas por habitante, o número de leitos por habitantes e a proporção de Beneficiários de Plano de Saúde Privado. O estudo procurou levar em conta as taxas médias dos indicadores para o Estado de São Paulo e os parâmetros ou metas do Ministério da Saúde, quando possível para efeitos de comparação. Mortalidade Infantil No Pólo Regional de Ribeirão Preto a taxa de mortalidade infantil, vem caindo sistematicamente, assim como acontece no Brasil e no Estado de São Paulo. O Pólo de Ribeirão Preto apresentou níveis de mortalidade infantil abaixo da média estadual entre 1990 e 2006. No ano de 1990 a taxa de mortalidade infantil no Pólo Regional de Ribeirão Preto foi de 25,1 óbitos de menores de um ano por mil nascidos vivos e caiu para 11,6 no ano de 2006. Em 1990 os municípios do Pólo Regional de Ribeirão Preto com taxas mais elevadas foram Luis Antonio, São Simão, Pontal, Pitangueiras e Cajuru com taxas de respectivamente: 83,3; 43,1; 38,7; 38,3 e 37,2 óbitos de menores de um ano por mil nascidos vivos (Gráfico 23)37. O município que mais avançou na queda da mortalidade infantil foi Luis Antonio que passou a apresentar em 2006 taxa de mortalidade infantil equivalente a 6,8 óbitos 37 Devido a indisponibilidade da informação em alguns municípios para os anos analisados, foram tomados os anos mais próximos onde existe a informação. Assim, para o primeiro período, em alguns casos foram tomados os anos de: 1991, 1993 e 1997. Analogamente para o segundo período: 2001, 2002, 2003, 2005, 2007. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 177 enquanto que em 1990 ocorriam 83,3 óbitos de menores de um ano para cada mil nascidos vivos. A redução média nas taxas de mortalidade infantil dos municípios do Pólo Regional de Ribeirão Preto foi de cerca 54% entre 1990 e 2006. No final do período em análise, as taxas ficaram mais homogêneas e se concentraram em um intervalo de 3,2 a 25,0 óbitos de menores de um ano por mil nascidos vivos. Gráfico 23 100,0 90,0 Taxa de Mortalidade Infantil (óbitos 80,0 de menores de um ano por mil nascidos vivos) 70,0 1990 2006 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 Fonte: Fundação Seade; Sec. Estadual da Saúde; Sec. Municipais da Saúde. Base Unificada de Nascimentos e Óbitos. Saúde da Criança A taxa de Internação por Infecção Respiratória Aguda em menores de cinco anos é um indicador frequentemente usado, pois fornece uma medida da qualidade da atenção à saúde preventiva e curativa à criança. O Ministério da Saúde recomenda que a taxa deva ser inferior a 35 internações por mil crianças menores de cinco anos. No ano 2000 o Pólo Regional de Ribeirão Preto já apresentava taxa de internação por IRA abaixo do recomendado pelo Ministério da Saúde. Neste ano, a taxa de internações por IRA em menores de cinco anos no Pólo alcançava 28,1 crianças de cada mil menores de cinco anos, taxa praticamente igual à média estadual de 28,2 internações por mil. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 178 Em 2007 a situação do Pólo melhorou e a taxa de internações por IRA cai para 15,6 internações, taxa muito abaixo da média estadual neste ano equivalente a 21 internações. A observação das taxas de internação por Infecção Respiratória Aguda em menores de cinco anos nos municípios do Pólo Regional de Ribeirão Preto revela que houve melhora das taxas no sentido de ter ocorrido declínio de 44,4%. Ainda assim em 5 dos 25 municípios que compõem o Pólo de Ribeirão Preto houve incremento da taxa de internação por Infecção Respiratória Aguda em menores de cinco anos, a saber: Santa Rosa do Viterbo, São Simão, Brodowski, Luis Antonio e Serrana. O mapa 11 mostrou que as taxas mais altas no ano 2000 corresponderam aos municípios de Cajuru, Guariba e Monte Alto (taxas superiores a 66 internações por mil crianças) (Mapa 11). Em 2007, os municípios de Serrana, Guariba e Cajuru foram ainda os que apresentaram as taxas mais elevadas entre todos os municípios do Pólo (Mapa 12). Mapas 11 e 12 Taxa de internação por IRA (Infecção Respiratória Aguda) em menores de cinco anos (por mil) Pólo Econômico de Ribeirão Preto 179 Fonte: SIH/SUS – DATASUS, Censo Demográfico e estimativas populacionais do IBGE Atenção ao Pré-Natal Para avaliar a cobertura e a qualidade da assistência ao parto no Pólo Regional de Ribeirão Preto utilizamos o indicador: Proporção de mulheres com filhos nascidos vivos que realizaram sete ou mais consultas de pré-natal. O número mínimo de consultas recomendadas pelo Ministério da Saúde é sete. É necessário dizer, baseado em alguns estudos (SERRUYA, 2004), que este indicador é fortemente influenciado pelo nível de pobreza da região, além de outros fatores. Além disso, em uma análise longitudinal, as taxas podem em grande parte terem sido afetadas, positivamente, pelas ações do Programa Saúde da Família e pela implementação do Programa de Humanização do Pré-Natal e Nascimento do Ministério da Saúde lançado em junho de 2000 onde o foco principal tem sido proporcionar a melhora do acesso, da cobertura e da qualidade do acompanhamento pré-natal, da assistência ao parto e puerpério das gestantes e ao recém-nascido. A proporção média de nascidos vivos cujas mães realizaram pelo menos sete consultas por mês no Pólo Regional de Ribeirão Preto no ano 2000 foi superior à média estadual. No ano 2000, enquanto a proporção média de nascidos vivos cujas mães completaram o pré-natal era de 54,5% no Estado de São Paulo, o Pólo Regional de Ribeirão Preto realizou 8,7% a mais. No ano de 2005, a média estadual ficou em mais de 73%, enquanto que no Pólo Regional de Ribeirão Preto passou para quase 77% dos nascidos vivos, cujas mães haviam realizado 7 consultas ou mais de prénatal. Assim, houve um incremento de quase 35% na proporção de mães que Pólo Econômico de Ribeirão Preto 180 realizaram pelo menos 7 consultas de pré-natal no Estado e de 21,4% no Pólo Regional de Ribeirão Preto entre 2000 e 2005. Em 2005 os municípios de Iepê, Alfredo Marcondes, Álvaro Machado e Nantes destacaram-se por apresentarem mais de 90% dos nascimentos onde as mães realizaram 7 consultas ou mais de pré-natal. Os municípios de Barrinha, Jardinópolis, Serrana, Pontal e Santa Rosa do Viterbo apresentaram as mais baixas taxas de cobertura de pré-natal da região em 2005 e não atingiram mais do que 70% dos nascimentos com pré-natal concluído. Tabela 22 Proporção de nascidos vivos de mães com 7 ou mais consultas de pré-natal 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Crescimento (%) 2000-2005 8,7 Total ESTADO 54,5 59,0 63,2 67,1 71,4 73,4 34,7 21,4 Pólo de Ribeirão Preto 63,2 66,8 72,1 72,4 76,0 76,7 Altinópolis 49,0 80,1 79,2 62,5 58,3 81,1 65,5 Barrinha 71,4 70,7 73,8 68,4 70,1 68,9 -3,4 Brodowski 59,8 67,7 72,2 78,7 78,9 72,5 21,3 Cajuru 77,9 85,0 87,3 88,0 87,9 88,8 14,0 Cássia dos Coqueiros 2,0 33,3 54,6 75,9 76,0 82,4 4017,5 Cravinhos 68,1 62,8 63,7 84,9 79,3 77,4 13,7 Dumont 69,0 71,4 68,1 78,3 85,7 90,6 31,3 Guariba 45,6 46,2 55,2 69,6 92,4 96,6 111,7 Guatapará 75,2 70,7 73,3 72,2 70,5 77,0 2,4 Jaboticabal 28,7 30,3 35,8 47,1 90,8 89,7 212,1 Jardinópolis 38,5 46,6 67,0 64,0 64,3 68,6 78,2 Luís Antônio 69,9 70,9 71,9 83,6 84,9 88,9 27,2 Monte Alto 80,7 80,4 92,2 91,3 94,1 97,4 20,7 Pitangueiras 50,3 42,1 63,7 71,4 72,9 73,6 46,4 Pontal 70,9 67,7 69,6 53,8 54,1 49,7 -30,0 Pradópolis 48,0 48,7 55,9 64,2 93,2 93,0 93,9 Ribeirão Preto 68,7 74,3 78,9 77,1 77,1 77,6 12,9 Santa Cruz da Esperança 84,6 92,9 100,0 100,0 88,0 85,0 0,4 Santa Rosa de Viterbo 32,0 40,5 42,7 44,3 40,1 41,8 30,5 Santo Antônio da Alegria 59,1 59,4 69,1 74,6 76,0 80,0 35,4 São Simão 49,0 54,6 68,8 80,6 85,1 80,0 63,2 Serra Azul 65,8 54,4 57,3 66,1 68,9 74,6 13,4 Serrana 49,5 51,9 50,4 55,8 60,1 56,7 14,5 Sertãozinho 78,8 82,2 83,1 76,4 73,2 76,9 -2,4 Taquaral 63,4 57,5 74,4 70,7 78,2 77,1 21,6 Fonte: SINASC/SUS - DATASUS. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 181 Controle da Hipertensão A taxa de internações por Acidente Vascular Cerebral (AVC) na população de 40 anos ou mais, além de apontar o nível de morbidade para esta doença, também avalia a oferta de ações básicas preventivas para o controle da doença hipertensiva. O número de internações entre 2000 e 2007 por Acidente Vascular Cerebral (AVC) na população de 40 anos ou mais no Pólo Regional de Ribeirão Preto praticamente ficou estabilizado entre 2000 e 2007. No ano 2000 ocorreram na região 26,7 internações por grupo de 10.000 habitantes e no ano de 2007 o indicador atingiu 27,2 internações. As taxas médias para o Pólo Regional de Ribeirão Preto, no ano 2000 e em 2007 foram bem mais altas que as médias estaduais que corresponderam a 15,2 e 20,8 respectivamente a 2000 e 2007. Os municípios que apresentaram as mais altas taxas em 2007 foram: Santa Cruz da Esperança, Cajuru e Guariba (Mapa 14). Em contrapartida, Sertãozinho e Pradópolis foram os municípios com as taxas mais baixas de internações por AVC e atingiram menos de 12 internações a cada 10.000 pessoas com mais de 40 anos. Mapas 13 e 14 Taxas de Internação por AVC (por 10.000 habitantes com 40 anos ou mais) Pólo Econômico de Ribeirão Preto 182 Fonte: SIH/SUS – DATASUS, Censo Demográfico e estimativas populacionais do IBGE. Indicadores Gerais de Atenção à Saúde Consultas Médicas Básicas por Habitante No Brasil a média anual de consultas médicas por habitante nas especialidades básicas pouco variou entre o ano de 2000 e 2007. No ano 2000 este indicador atingiu 1,51 consultas básicas por habitante e em 2007 atinge 1,54. No Estado de São Paulo, o patamar é praticamente o mesmo referente à média brasileira em 2000 e, em 2007 chegou a 1,7 consultas básicas por habitante. O Pólo Regional de Ribeirão Preto foi o que realizou mais consultas por habitantes nas especialidades básicas tanto no ano 2000 quanto em 2007, entre todas as regiões da pesquisa. No ano 2000 foram realizadas em média 2,3 consultas médicas básicas por habitante e no ano de 2007, 2,4 consultas, portanto constatou-se um pequeno crescimento de 5% no número médio de consultas. Os municípios que mais realizaram consultas básicas por habitante em 2007, entre 4,6 e 7,7 consultas básicas por habitantes foram: Luis Antonio, Taquaral, Guatapará e Brodowski (Mapas 15 e 16). Os municípios que apresentaram queda expressiva de mais de 20% no numero médio de consultas realizadas nas especialidades básicas entre 2000 e 2007 foram: Cajuru, Pradópolis, Pitangueiras, Pontal e Jaboticabal. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 183 Mapas 15 e 16 - Consultas Básicas por Habitante (média anual) Fonte: SIA/SUS - DATASUS, Censo Demográfico 2000 e projeções, IBGE. Cobertura do Programa de Saúde da Família As informações sobre percentuais de cobertura do Programa Saúde da Família em grandes cidades e capitais revelam que em geral há uma dificuldade maior de consolidação deste programa em cidades maiores e mais urbanizadas (ELIAS, 2006). Como já foi dito, a região do país com menor cobertura do Programa Saúde da Família é a Sudeste, com menos de 30% de cobertura da população no ano de 2007. No Estado de São Paulo em 2007, quase 26% da população foi atendida pelo PSF e, no Pólo de Ribeirão Preto, 12,8% da população foi atendida pelo PSF. Os dados mostraram que houve crescimento da proporção de famílias atendidas pelo PSF no Estado de São Paulo e no Pólo Regional de Ribeirão Preto entre 2000 e 2007. O ritmo de crescimento do PSF no Pólo Regional de Ribeirão Preto foi menos intenso após o ano de 2002. A partir deste ano, acontece um arrefecimento Pólo Econômico de Ribeirão Preto 184 no ritmo de crescimento e o Pólo de Ribeirão Preto passa a apresentar taxas cada vez mais baixas em comparação com as médias estaduais. (Gráfico 24). Nesse sentido, enquanto as proporções de cobertura do PSF mais do que quadruplicaram no Estado de São Paulo entre 2000 e 2007, no Pólo Regional de Ribeirão Preto estas proporções foram triplicadas. Os mapas 17 e 18 evidenciam que não somente a cobertura de famílias atendidas vem aumentando como também o número de municípios que em 2000 não tinham implementado o programa e, em 2007 já implantaram. Gráfico 24 P r o p o r ç ã o d e P o S a p ú u l d a ç e ã d o a c F o a b m e í l i r a t a ( p 3 2 2 2 , 8 , 2 , 6 , 3 , o P r o 0 , 4 4 , 0 a m a 2 4 , 3 6 , 2 4 6 , 4 2 5 , 8 2 , 8 3 9 6 1 1 3 , 9 1 3 , 3 1 6 , 9 1 4 , 5 1 9 , 2 1 4 , 9 1 , 1 0 , 1 1 , r 7 1 6 g 6 2 1 l ) 4 3 e % 3 1 4 , 3 1 9 4 2 , , 1 3 0 0 B 0 r 2 a s i l 0 0 1 2 E s 0 t 0 a 2 d 2 o d e 0 S 0 ã 3 o 2 P a u 0 l o 0 4 2 0 0 P 5 ó 2 l o d e 0 0 R 6 i b 2 e i r ã 0 o 0 P 7 r e t o No ano 2000, 14 dos 25 municípios do Pólo de Ribeirão Preto já haviam implementado o PSF. No ano de 2007 o PSF estava presente em 20 municípios pertencentes ao Pólo de Ribeirão Preto. Entre os municípios que já em 2000 apresentavam uma cobertura maior que 54% destacam-se Taquaral, Altinópolis, Luis Antonio e Serra Azul (Mapa 17). No período 2000-2007 os municípios do Pólo que mais haviam incrementado suas taxas de cobertura populacional pelo PSF foram: Cajuru, Luis Antonio, Barrinha e Luis Antonio com percentuais de crescimento superiores a 110,0% (Mapas 17 e 18). O crescimento da cobertura populacional pelo PSF no Pólo de Ribeirão Preto é um fato que demonstra que o PSF tem sido uma estratégia de organização da atenção básica à saúde na região. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 185 Mapas 17 e 18 Proporção da população atendida com o Programa Saúde da Família Fonte: Fonte: Número de pessoas cadastradas, de 2000 a 2006, por município. Fonte: SIAB/SUS DATASUS, Censo Demográfico 2000 e projeções, IBGE. Atenção Hospitalar - Leitos Hospitalares por Habitante A análise deste indicador tem como objetivo ilustrar como acontece a concentração de leitos hospitalares por habitantes nos municípios pertencentes ao Pólo Regional de Ribeirão Preto. Como este indicador é suscetível a uma variedade de fatores relativos às localidades ou regiões distintas, não há parâmetros validados para efeitos de comparação. O que acontece é que a própria demanda juntamente com a capacidade de financiamento do local acaba definindo as metas a serem alcançadas. Assim, este indicador não é adequado para avaliar o sistema de saúde de uma região, mas auxilia nas ações de planejamento e gestão. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 186 Apesar de não termos parâmetros validados, o Ministério da Saúde preconiza que o volume de leitos hospitalares esteja entre 2,3 a 3 leitos por mil habitantes (Portaria do Ministério da Saúde 1101/2002). No Pólo Regional de Ribeirão Preto a oferta de leitos hospitalares foi de 2,5 leitos por mil habitantes em 2006, onde 1,7 leitos foram disponibilizados através do SUS. A média de leitos hospitalares por mil habitantes no Pólo Regional de Ribeirão Preto foi um pouco inferior à média estadual e à nacional. No Estado foram disponibilizados 2,6 leitos e no Brasil 2,7 leitos por mil habitantes em 2006 (Tabela 23). No Pólo Regional de Ribeirão Preto de cada 3 leitos hospitalares, 2 foram disponibilizados pelo SUS. Esta proporção é ligeiramente superior à proporção média estadual de 1,95 a cada 3 leitos em 2006. Tabela 23 - Leitos Hospitalares por mil habitantes Leitos* Por Mil Habitantes Hab. Leitos Hospitalares em 2006 Total SUS Proporção de Leitos do SUS (%) 2,5 2,6 2,7 1,7 1,7 2,0 67,5 65,4 74,1 Pólo Presidente Prudente Estado de São Paulo Brasil Fonte: CNES - Recursos Físicos - Hospitalar - Leitos de internação - São Paulo SUS - DATASUS, Censo Demográfico 2000 e projeções, IBGE. O município sede, Ribeirão Preto, se destacou na região por ser o município com a maior oferta de leitos hospitalares, 3,7. Além de Ribeirão Preto, os municípios de: Cajuru e São Simão apresentaram elevada oferta de leitos hospitalares por mil habitantes: 3,0 e 2,7 respectivamente. No caso destes municípios a disponibilidade de leitos hospitalares pelo SUS foi superior a 73% do total de leitos hospitalares (Mapa 19). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 187 Mapa 19 – Leitos Hospitalares por mil habitantes em 2006 Fonte: CNES -Recursos Físicos - Hospitalar - Leitos de internação - DATASUS, projeções, IBGE. Beneficiários de Plano de Saúde Privado De acordo com PINTO, 2004; a região Sudeste concentra cerca de 70% da população que possui planos de saúde e, as maiores proporções de cobertura acontecem nas capitais. Ainda segundo este autor: Estudos anteriores (Costa e Pinto, 2002; Siqueira et al., 2002) demonstram que, nas cidades de pequeno e médio porte (menos de 80.000 habitantes), a participação das modalidades de saúde suplementar é menor que a prestação de serviços mediante o SUS, enquanto que nas cidades de mais de 80.000 habitantes, a hegemonia dos planos de saúde já ocorria em 1992 e expandiu-se ainda mais em 1999. O indicador proporção de cobertura da população por planos de saúde privados considera como plano privado, segundo os critérios da ANS/MS, os planos de assistência à saúde que são operados por medicina de grupo, cooperativas, seguradoras, autogestão e filantropia. Pode haver superestimação do indicador na medida em que pode haver beneficiários com mais de um plano de saúde privado. A cobertura da população por planos de saúde privado no país foi de quase 20% da população entre 2000 e 2005. A região Sudeste apresentou a maior cobertura entre as regiões, e entre 2000 e 2005 a representação ficou praticamente constante por volta de 30% (Tabela 24). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 188 Tabela 24 - Proporção (%) da população coberta por planos privados de saúde segundo ano por região. Brasil, 2000 a 2005 Regiões 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Brasil 19,1 18,6 18,5 18,6 19,1 19,9 Norte 5,7 5,5 6,2 6,8 7,3 7,2 Nordeste 7,6 7,2 7,6 8,0 8,2 8,4 Sudeste 32,0 30,9 30,2 29,9 30,3 31,7 Sul 14,0 14,1 14,6 15,5 16,7 17,4 Centro-Oeste 12,7 12,2 12,5 12,5 12,5 12,8 Fonte: Ministério da Saúde/Agência Nacional de Saúde - Sistema de Informações de Beneficiários e IBGE Especificamente no Pólo Regional de Ribeirão Preto as taxas foram superiores que as do Estado de São Paulo no ano 2000 e inferores em 2007. No ano 2000, a cobertura média populacional de planos de saúde privados para o Estado e para o Pólo Regional de Ribeirão Preto foi de respectivamente 41,6% e 47,1%. Em 2007 foi constatado o declínio da cobertura populacional por planos de saúde no Pólo Regional de Ribeirão Preto que passou a apresentar percentuais de 44,9%, patamar inferior a cobertura média estadual de 48%. Os planos de saúde privados aumentaram em 14 dos 25 municípios do Pólo Regional de Ribeirão Preto entre 2000 e 2007. Os municípios do Pólo onde haviam proporcionalmente mais pessoas com planos de saúde privados em 2007 foram: Pradópolis, Sertãozinho, Pontal e Jaboticabal com respectivamente: 87,7%; 61,1%, 58,0% e 54,8%. Nos demais municípios a proporção da população com planos de saúde privados variou de 3,6% a 48,6% (Mapas 20 e 21). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 189 Mapas 20 e 21 - Proporção da população com plano privado de saúde Fonte: Sistema de Informações de Beneficiários (SIB), Sistema de Cadastro de Operadoras (Cadop) e Sistema de Registro de Produtos (RPS), todos geridos pela ANS - DATASUS. SIA/SUS - DATASUS, Censo Demográfico 2000 e projeções, IBGE. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 190 Referências Bibliográficas ABRAMOVAY, Miriam; CASTRO, Mary Garcia. Ensino Médio: Múltiplas Vozes. Brasília: UNESCO; MEC. 2003 ANDRADE, Cibele Y., TELLES, Stella M.B.S. Universalização e equidade: análise da evolução do acesso à educação básica no Brasil de 1995 a 2005. In: Anais do ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS POPULACIONAIS, 16º., 2008. Caxambu. Disponível em: <http://www.abep.org.br.>. ARRIAGADA, I. Câmbios y desigualdad en las famílias latinoamericanas. Revista de la Cepal 77, Santiago de Chile, 2002. __________. Estructuras familiares, trabajo y bienestar en América Latina, In: Arraigada, I. e Aranda, V. (comp.) Cambio de las familias en el marco de las transformaciones globales: necesidad de políticas públicas eficaces, Serie Seminarios y Conferencias, CEPAL, nº 42. Santiago de Chile, 2004. BAENINGER, Rosana; BRITO, Fausto. Crescimento das Cidades, das Metrópoles e do Interior do Brasil Contemporâneo. In: Anais. XII ENCONTRO NACIONAL DA ANPUR , Sessão temática ST2 – Rede Urbana e Estrutura Territorial. Belém, Pará. 2007. BERQUÓ, E.. Arranjos Familiares no Brasil: Uma visão demográfica. In: SCHWARCZ, L. M. (Org.) História da vida privada no Brasil. São Paulo: Cia das Letras, Vol. 4, 2000. BILAC, E.. Estruturas familiares e padrões de residência. Campinas: NEPO, UNICAMP. 2001. BRASIL; Ministério da Cultura. Mapa do Analfabetismo no Brasil. Brasília : INEP; MEC, 2003. Disponível em: < www.inep.gov.br/ >. CECCHINI, S. e UTHOFF. A. Reducción de la pobreza, tendências demográficas, famílias y mercado de trabajo en America Latina. In: Série: Políticas Sociales, CEPAL, División de Desarrollo Social, Santiago de Chile, julio de 2007. FINEP/NEPP/NEPO/IE. Relatórios de Pesquisa de Campo - Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo: desigualdades e indicadores para as Políticas Sociais. Convênio 3595-FINEP-FNDCT/NEPPUNICAMP. 9 volumes, 2008. COSTA N. R. & PINTO L.F.. Avaliação de programa de atenção à saúde: incentivo à oferta de atenção ambulatorial e a experiência da descentralização no Brasil. In: Ciência & Saúde Coletiva 7(4): 907-923. 2002. DRAIBE, Sônia; FONSECA, Ana Maria; MONTALI, Lilia. Programas de Renda Mínima para Famílias Carentes: Levantamento das Experiências e Metodologias de Avaliação. In: IPEA. LOBATO, Ana Lucia (org.). Garantia de Renda Mínima: Ensaios e Propostas. Brasília, IPEA, 1998. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 191 ELIAS, Paulo Eduardo et al . Atenção Básica em Saúde: comparação entre PSF e UBS por estrato de exclusão social no município de São Paulo. Ciência & Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, v.11, n.3, set. 2006. Disponível em: <http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S14138123200600030001 2&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 31 mar. 2009. doi: 10.1590/S141381232006000300012. FINEP/NEPP/NEPO/IE. Relatório da Pesquisa de Campo – Pólo Regional de Ribeirão Preto. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais. Convênio FINEPFNDCT/NEPP/Regiões Metropolitanas, 2007. FINEP/NEPP/NEPO/IE. Relatório da Pesquisa de Campo – Município de Ribeirão Preto. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais. Convênio FINEPFNDCT/NEPP/Regiões Metropolitanas, 2007. FINEP/NEPP/NEPO/IE. Base de Dados - Pesquisa de Campo, Módulos 2A e 2B. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais. Convênio FINEPFNDCT/NEPP/Regiões Metropolitanas, 2008. FINEP/NEPP/NEPO/IE. Documento 1 - Estudo Consolidado para o Estado de São Paulo. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais. Convênio FINEPFNDCT/NEPP/Regiões Metropolitanas, 2009. Capítulo 3. Item 3.1. FLETCHER, P. As dimensões transversal e longitudinal do Modelo Profluxo. Brasília, Ministério da Educação e da Cultura, 1997, Mimeo. FONSECA, Ana Maria M. Família e Política de Renda Mínima. São Paulo: Cortez Editora, 2001. FONSECA, A. M. M.; COHN, A.. O Bolsa-Família e a Questão Social. SEGUNDO WORKSHOP INTERNACIONAL SOBRE TRANSFERÊNCIA CONDICIONAL DE RENDA. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. São Paulo, Brasil. Abril 2004. GUIMARÃES DE CASTRO, Maria Helena. As desigualdades regionais no sistema educacional brasileiro. In: Ricardo Henriques. (Org.). Desigualdade e Pobreza no Brasil. Rio de Janeiro: IPEA, v., p. 425-458. 1999. GUIMARÃES DE CASTRO, Maria Helena. Política Social en Brasil: continuidades y cambios. In: Instituto de Estudios Internacionales; Embajada de Brasil en Chile. (Org.). Brasil y Chile: una mirada hacia América Latina. 1ed ed. Santiago, Chile: RIL Editores, v. único, p. 253-264. 2006. HOFFMANN, R. e LEONE, E. (2003). Participação da mulher no mercado de trabalho e desigualdade de renda domiciliar per capita no Brasil: 1981-2002. Campinas: IE/UNICAMP. (mimeo). HOFFMANN, R.; LEONE, E. Participação da mulher no mercado de trabalho e desigualdade da renda domiciliar per capita no Brasil: 1981-2002. Nova Economia, vol. 14, Nº 2, maio-agosto, Belo Horizonte – MG, 2004. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 192 IBGE-MDS, 2008. Acesso a transferências de renda de programas sociais – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios- 2006. Rio de Janeiro, IBGE. IDB – DATASUS. Disponível em: http://www.datasus.gov.br/idb IDESP – http://idesp.edunet.sp.gov.br/ IPEA. Assistência Social e Segurança Alimentar. IN: Políticas Sociais: Acompanhamento e Análise, n. 15. Brasília, IPEA, p. 51-72. Março de 2008. IPEA, Boletim do desenvolvimento social 14. Disponível em: www.ipea.gov.br/sites/000/2/publicacoes/bpsociais/bps_14/politicasocialdesenvo lvimento.pdf IPEA. LOBATO, Ana Lucia (org.). Garantia de Renda Mínima: Ensaios e Propostas. Brasília, IPEA, 1998. KAGEYAMA, A; HOFFMANN, R. Pobreza no Brasil: uma perspectiva multidimensional. Economia e Sociedade, Campinas, v.15, n.1 (26), p. 58-78, jan./jun.2006. KLEIN, R. Produção e utilização de indicadores educacionais: metodologia de cálculo de indicadores de fluxo escolar da educação básica. Brasília, INEP/MEC, 1995. Mimeo. LEONE, E.. Renda familiar e trabalho da mulher na Região Metropolitana de São Paulo nos anos 80 e 90, em ROCHA, M.I.B. (coord.): Trabalho e gênero: mudanças, permanências e desafios. Campinas: ABEP, NEPO / UNICAMP e CEDEPLAR / UFMG, São Paulo: editora 34. 2000. ____________. Mudanças no Trabalho da Mulher na Região Metropolitana de São Paulo nos anos 90. Anais do XII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESTUDOS POPULACIONAIS. Ouro Preto, MG. Novembro de 2002. ____________. Trabalho da Mulher em Regiões Metropolitanas do Brasil. In: Proni, Marcelo W. e Henrique, Wilnês (orgs.) Trabalho, mercado e sociedade: O Brasil nos anos 90. São Paulo: Editora UNESP; Campinas, SP: Instituto de Economia da UNICAMP. 2003. LEONE, E.; GORI MAIA, A.; BALTAR, P.. Trabajo remunerado de las mujeres e ingesso de las familias brasileñas: 1981 – 2005. In: II CONGRESSO DE ECONOMIA FEMINISTA, Zaragoza. 2007. MEDEIROS, M. e OSÓRIO, R.. Mudanças na composição dos arranjos domiciliares no Brasil – 1978 a 1998. Revista Brasileira de Estudos de População v. 17 (1/2). 2000. Ministério da Saúde Brasil 2007: uma análise da situação de saúde. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Análise de Situação em Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2007. 641 p.:Il. – (Série G. Estatística e Informação em Saúde). Pólo Econômico de Ribeirão Preto 193 MONTALI, L.. Família e trabalho na conjuntura recessiva: crise econômica e mudança na divisão sexual do trabalho. Tese de Doutoramento. Departamento de Sociologia. Universidade de São Paulo. São Paulo. 1995. ____________.; LOPES, G.. Relações Familiares e Trabalho Feminino na Região Metropolitana de São Paulo na Década de 90. In: Caderno CRH n.38, jan-jun de 2003. __________. Rearranjos Familiares de Inserção, Precarização do Trabalho e Empobrecimento. In: Revista Brasileira de Estudos de População, v. 21(2), jul/dez. 2004. __________. Provedoras e co-provedoras: mulheres-cônjuge e mulhereschefe de família sob a precarização do trabalho e desemprego. Revista Brasileira de Estudos de População – ABEP, v. 23 (2), pp. 223-245. 2006. __________. Regiões Metropolitanas: mudanças na família e na relação famíliatrabalho, as condições sociais e as políticas de transferência de renda. Relatório de Pesquisa CNPq, abril 2008, Campinas. NEPP/UNICAMP. 2008. MONTALI, L. e TAVARES, M.. Famílias Metropolitanas: precarização do trabalho e empobrecimento. In: SEMINÁRIO POPULAÇÃO, POBREZA E DESIGUALDADE ABEP, Belo Horizonte - MG. 05-06 de novembro de 2007. __________. Família, Pobreza e acesso a programas de transferência de renda nas regiões metropolitanas brasileiras. In: Revista Brasileira de Estudos de População – ABEP, v. 25 (2), pp. 211-231. 2008. MONTALI, Lilia; BAENINGER, Rosana; TELLES, Stella B.S. Virtudes e vicissitudes dos programas de transferência de renda nas regiões metropolitanas paulistas. In: 6º ENCONTRO ABCP – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIÊNCIA POLÍTICA. Unicamp, 29 de julho a 01 de agosto de 2008. OLIVEIRA, O. e SALAS, M.. Entre la inclusion e la exclusion laboral de los jóvenes: Um análisis comparativo de México y Costa Rica. In: III CONGRESO DE LA ASOCIACIÓN LATINOAMERICANA DE POBLACIÓN – ALAP, Córdoba, Argentina, 24 a 26 de setembro de 2008. OPAS. REDE Interagencial de Informações para a Saúde. Indicadores básicos de saúde no Brasil: conceitos e aplicações/ – Rede Interagencial de Informações para a Saúde Ripsa – Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde. 299p.:il. 2002. PINTO, Luiz Felipe; SORANZ, Daniel Ricardo. Planos privados de assistência à saúde: cobertura populacional no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 9, n.1, 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232004000100009&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 31 Mar. 2009. doi: 10.1590/S1413-81232004000100009. SCAVONE, L.. Maternidade: Transformações na família e nas relações de gênero. In: Interface. n. 8, fevereiro de 2001. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 194 SCHWARTZMAN, S.. Redução da desigualdade, da pobreza, e os programas de transferência de renda. Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade. Versão 3, 13 de fev. 2006. SERRUYA, Suzanne Jacob; LAGO, Tânia Di Giácomo and CECATTI, José Guilherme. O panorama da atenção pré-natal no Brasil e o Programa de Humanização do Prénatal e Nascimento. Rev. Bras. Saúde Mater. Infant. [online]. V. 4, n. 3, pp. 269-279. ISSN 1519-3829. 2004. SILVA, Maria O. da Silva e.; YAZBEK, M. C.; GIOVANNI, Geraldo di. A Política Social Brasileira no Século XXI: A prevalência dos programas de transferência de renda. São Paulo: Cortez Editora, 2006. SIQUEIRA, S.A.V., SENNA, M.C.M., OLIVEVEIRA, P.T.R. & PINTO, L.F.. Descentralização e assistência à saúde no Brasil: um balanço dos anos 90. Revista Saúde em Debate 26(60):25-36. 2002. SUPLICY, Eduardo M. Programa de Garantia de Renda Mínima. Brasília, Senado Federal, 1992. SZWARCWALD CL, BASTOS FI, VIACAVA F, Andrade CLT. Income inequality and homicide rates in Rio de Janeiro, Brazil. Am J Public Health.; 89(6):845–50. 1999. TAKAHASHI, R.F. & OLIVEIRA, M.A.C. A visita domiciliária no contexto da saúde da família In BRASIL. Instituto para o Desenvolvimento da Saúde. Universidade de São Paulo. Ministério da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2001. TOLEDO; OVALLE. Estatística básica. São Paulo: Atlas, 1985. WAJNMAN, S.; RIOS NETO, E.. Quantas serão as mulheres: cenários para a atividade feminina. In: ROCHA, M. I. B. (coord.). Trabalho e gênero: mudanças, permanências e desafios. Campinas: ABEP, NEPO/UNICAMP e CEDEPLAR/UFMG, Editora 34. 2000. WAISELFISZ, Julio Jacobo. Mapa das mortes por violência. Estudos Avançados, São Paulo, v. 21, n. 61, Dec. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010340142007000300009&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 18 Mar. 2009. doi: 10.1590/S0103-40142007000300009. Pólo Econômico de Ribeirão Preto 195