Pró-Reitoria de Graduação Curso de Enfermagem Trabalho de Conclusão de Curso O TRABALHO EDUCATIVO REALIZADO PELO ENFERMEIRO NA ASSISTÊNCIA À GESTANTE DURANTE O PRÉ-NATAL Autor: Maria Edileuza Menezes e Marlene Santos do Nascimento Orientador: Prof.Esp. Letícia de Matos Araújo Nicoletti Co-orientador:Msc. Leila Bernarda Donato Gottems Brasília - DF 2010 MARIA EDILEUZA MENEZES MARLENE SANTOS DO NASCIMENTO O TRABALHO EDUCATIVO REALIZADO PELO ENFERMEIRO NA ASSISTÊNCIA À GESTANTE DURANTE O PRÉ-NATAL. Monografia apresentada ao curso de graduação em Enfermagem da Universidade Católica de Brasília, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Enfermagem. Orientadora: Prof. Esp. Letícia de Matos Araújo Nicolleti Co-orientadora: Prof. Dra. Leila Bernarda Donato Gottems Brasília 2010 Monografia de autoria de Maria Edileuza Menezes e Marlene Santos do Nascimento, intitulada “O TRABALHO EDUCATIVO REALIZADO PELO ENFERMEIRO NA ASSISTÊNCIA À GESTANTE DURANTE O PRÉ-NATAL”, apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Enfermagem da Universidade Católica de Brasília, junho de 2010, defendida e aprovada pela banca examinadora abaixo assinada: _____________________________________________________________________ Prof. ª Enf. Esp. Letícia de Matos Araújo Nicolletti Orientadora Universidade Católica de Brasília – UCB ____________________________________________________________________ Prof.ª Valéria Fernandes Segatto Rabelo _________________________________________________________________ Prof.º Maurício de Oliveira Chaves Brasília 2010 AGRADECIMENTOS Edileuza: A Deus por estar sempre em minha vida, iluminando o meu caminho. Ao meu querido e amado esposo Artur que soube compreender minha ausência e me estimulou a continuar nesta caminhada. Aos meus pais e toda minha família que mesmo ausentes se esforçam para que eu me sinta acolhida. As amigas, Márcia e Suzana pela ajuda e apoio que tanto necessitei. As pessoas que torceram para que essa etapa de minha vida se concretizasse. A nossa orientadora professora Letícia Nicolletti, por ter nos dado apoio nos momentos mais difíceis deste trabalho. A nossa co-orientadora professora, Leila Gottems, pelo tempo dedicado a nós, pois foram de grande contribuição para nossa conclusão. Marlene: Em primeiro lugar agradeço a Deus pela oportunidade concedida de realizar o sonho de ingressar na faculdade. Aos meus queridos pais, filho e irmãos pelo apoio, paciência e dedicação. À universidade Católica de Brasília e a todos os professores que nos acompanharam nesses anos. “Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocamos nela corre por nossa conta.” CHICO XAVIER RESUMO MENEZES, Maria Edileuza; NASCIMENTO, Marlene Santos do. O trabalho educativo realizado pelo enfermeiro na assistência à gestante durante o pré-natal. 2010. 43f. Monografia (graduação em Enfermagem) – Universidade Católica de Brasília. Brasília, 2010. A assistência pré-natal objetiva acolher a mulher desde o início da gravidez, pois se trata de um período onde ocorrem mudanças físicas e emocionais importantes que são vivenciadas de forma distinta por cada gestante. Esta pesquisa teve por objetivos avaliar a importância do trabalho educativo do enfermeiro no programa de assistência pré-natal na atenção básica de saúde; identificar no protocolo da saúde da mulher a existência de recomendações para atividades de educação em saúde na assistência pré-natal; identificar e analisar quais são as atividades educativas no programa pré-natal realizadas pelo enfermeiro no centro de saúde; avaliar as dificuldades enfrentadas pelo enfermeiro na realização do trabalho educativo na assistência pré-natal e observar e analisar como são repassadas as orientações pelo enfermeiro durante a consulta de pré-natal. A pesquisa foi do tipo qualitativa, com utilização de entrevista semi estruturada e observação participante na qual foi utilizado roteiro e diário de campo para coleta das informações. Foi constado que as atividades educativas realizadas pelo profissional de enfermagem são de extrema importância, para tanto o enfermeiro realiza atividades em nível individual e grupal. Palavra-chave: Pré-natal. Educação em saúde. Gestante. ABSTRACT MENEZES, Maria Edileuza; NASCIMENTO, Marlene Santos do. The educational work done by nurses in care to pregnant women during prenatal. 2010. 43f. Monograph (Graduation in Nursing) - Catholic University of Brasilia. Brasília, 2010. The prenatal care aims to welcome women from early pregnancy, because it is a period where there are significant physical and emotional changes that are experienced differently by each pregnant woman. This study aimed to evaluate the importance of educational work of nurses in the program of prenatal care in primary care, identifying the protocol of women's health that there are recommendations for activities in health education in prenatal care, identifying and analyze what are the educational activities in the prenatal program performed by nurses at the health center and to evaluate the difficulties faced by nurses in carrying out educational work in prenatal care and to observe and analyze how the guidelines are forwarded by the nurse during the consultation prenatal care. The research design was qualitative, using semi structured interviews and participant observation in which script was used and a field diary to collect the information. Has been demonstrated that the educational activities undertaken by the nursing professional are of utmost importance for both the nurse conducts individual and group therapy. Key - words: Prenatal care. Health education. Pregnant. LISTA DE TABELAS Tabela 1- Perfil dos entrevistados........................................................................................28 Tabela 2- Atividades educativas..........................................................................................29 Tabela 3- Observação participante/ Atividades de grupo.....................................................31 Tabela 4- Atividades educativas individuais........................................................................34 LISTA DE ABREVIATURAS CS- Centro de Saúde. DST- Doenças Sexualmente Transmitidas. SES/DF- Secretaria de Saúde do Distrito Federal. HIV- Vírus da Imunodeficiência Humana. LDB- Lei de Diretrizes e Bases. MS- Ministério da Saúde. PAISM- Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher. PAISC- Programa de Assistência Integral à Saúde da Criança. PACS- Programa de Agentes Comunitários de Saúde. PN- Pré-natal. SISVAN- Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional. TCLE- Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 10 1.1 JUSTIFICATIVA ............................................................................................................... 12 OBJETIVOS ............................................................................................................................. 13 1.2.1 Objetivo geral .................................................................................................................. 13 1.2.2 Objetivo específico .......................................................................................................... 13 2 REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................................................. 14 2.1 O Programa de Assistência Pré-natal no Brasil .................................................................. 14 2.2 A Importância do Pré-Natal na Atenção a Saúde da Mulher e Recém-Nascido ................ 17 2.3 O Enfermeiro na Assistência Pré-natal ............................................................................... 18 2.4 O Trabalho Educativo na Assistência Pré-Natal ................................................................ 20 3 METODOLOGIA.................................................................................................................. 23 3.1 Classificação da pesquisa ................................................................................................... 23 3.2 Local de realização da pesquisa.......................................................................................... 23 3.3 Estratégias de coleta de dados ............................................................................................ 24 3.4 População ........................................................................................................................... 24 3.5 Critérios de inclusão ........................................................................................................... 25 3.6 Critérios de exclusão .......................................................................................................... 25 3.7 Análises dos resultados....................................................................................................... 25 3.8 Aspectos éticos ................................................................................................................... 26 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO .......................................................................................... 27 4.1 Caracterização dos cenários................................................................................................ 27 4.2 Perfil dos entrevistados....................................................................................................... 27 4.3 Atividades educativas desenvolvidas pelas enfermeiras .................................................... 29 4.4 Atividades educativas em grupo ......................................................................................... 30 4.5 Observação participante das consultas de enfermagem no pré-natal ................................. 34 CONCLUSÃO .......................................................................................................................... 36 REFERÊNCIA ......................................................................................................................... 38 APÊNDICE A .......................................................................................................................... 42 APÊNDICE B ........................................................................................................................... 43 ANEXO A ................................................................................. Erro! Indicador não definido. 10 1 INTRODUÇÃO A assistência pré-natal(PN) tem por objetivo acolher a mulher desde o início da gravidez, pois, se trata de um período onde ocorrem mudanças físicas e emocionais importantes que são vivenciadas de forma distinta por cada gestante. As gestantes que têm acesso aos serviços de pré-natal com qualidade, realizando os principais exames e consultas preconizadas, têm os possíveis riscos identificados e controlados, refletindo na diminuição da morbimortalidade materna e perinatal. Os principais objetivos da atenção pré-natal são: assegurar a evolução normal da gravidez, preparação da gestante para o parto, puerpério, lactação e identificação precoce de possíveis situações de risco. Estas ações favorecem a prevenção das complicações mais freqüentes da gravidez e do puerpério (COSTA et al., 2005). Duarte e Andrade (2008) afirmam que o profissional que atende a mulher gestante deve buscar compreendê-la no contexto em que vive, age e reage considerando seus aspectos sociais, econômicos e culturais. Por esta razão, a assistência pré-natal não deve se restringir apenas a ações clínico-obstétricas, mas também deve ter em sua rotina orientações educacionais em saúde. Para se prestar uma assistência de qualidade é necessário conhecer o que a gestante pensa sobre o PN, praticar o acolhimento, estabelecer um vínculo com a paciente e permitir que a mesma tenha acesso a informações e que estas sejam repassadas de forma que a cliente possa entender. De acordo com o Manual Técnico de Assistência ao Pré Natal do Ministério da Saúde (BRASIL, 2005), devem ser trocadas experiências entre as mulheres e os profissionais de Saúde, pois, este intercâmbio de experiências e conhecimentos é considerado uma excelente forma de promover a compreensão do processo de gestação. Para Cardoso et al. (2007), a educação em saúde no pré-natal é sugerida e normatizada nos documentos oficiais, que por sua vez estão respaldados por estudos científicos que comprovam sua importância na promoção da saúde durante o evento reprodutivo. A mudança de um estado de desconhecimento relativo para um estado de conhecimento que pode transformar a realidade é uma das metas dos processos educativos. Diante do exposto é necessário, porém, considerar o contexto e o meio em que o indivíduo vive (ITO et al., 2006). 11 Para Candeias (1997 p. 210), “educação em saúde refere-se a quaisquer combinações de experiências de aprendizagem delineadas com vistas a facilitar ações voluntárias conducentes à saúde.” Segundo a autora, o termo “combinação” salienta a necessidade de combinar múltiplos determinantes do comportamento humano com várias experiências de aprendizagem e de intervenções educativas. A palavra “delineada” divisa o processo de educação em saúde de quaisquer outras ações que tenham experiências acidentais de aprendizagem, pois, se trata de uma atividade sistematicamente planejada. Já o termo “facilitar” quer dizer predispor, possibilitar. O vocábulo “voluntariedade” significa sem coerção e com plena aceitação e entendimento dos objetivos educativos implícitos e explícitos nas atividades desenvolvidas e recomendadas, e por fim, a palavra “ação” se refere às medidas comportamentais adotadas por uma pessoa, grupo ou comunidade para alcançar um efeito intencional sobre a própria saúde. 12 1.1 JUSTIFICATIVA Considerando a importância do trabalho educativo realizado pela equipe de enfermagem na promoção da saúde, faz-se necessário avaliar a qualidade do trabalho educativo, apontando as dificuldades para a realização do mesmo no serviço público de saúde. O interesse em pesquisar o assunto surgiu ao passarmos pelo estágio no serviço de atenção básica à saúde quando detectamos que o trabalho educativo é uma rotina realizada pela equipe de enfermagem, responsável pela assistência pré-natal. Dessa forma nos propomos a questionar se existe um protocolo para realização deste trabalho e qual seria a forma ideal de realizá-lo, detectando as dificuldades encontradas pela equipe para a execução do mesmo. 13 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo geral Avaliar a importância do trabalho educativo do enfermeiro no programa de assistência pré-natal na atenção básica de saúde. 1.2.2 Objetivo específico Identificar no protocolo da saúde da mulher a existência de recomendações para atividades de educação em saúde na assistência pré-natal. Identificar e analisar quais são as atividades educativas no programa de pré-natal realizada pelo enfermeiro no Centro de Saúde. Avaliar as dificuldades enfrentadas pelo enfermeiro na realização do trabalho educativo na assistência pré-natal. Observar e analisar como são repassadas as orientações pelo enfermeiro durante a consulta de pré-natal. 14 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 O Programa de Assistência Pré-natal no Brasil A evolução histórica do pré-natal no Brasil e no mundo se deu em períodos diferentes, mas de forma semelhante. Até o século XIX, a assistência pré-natal era desconhecida, sendo assunto apenas das mulheres, cercado por preconceitos. Aos poucos o médico foi ganhando espaço no atendimento gestacional, assumindo o papel de cuidar da saúde da família. No final do século XIX, a mulher passou a ser objeto do saber e do poder médico e ao mesmo tempo o parto hospitalar passou a ser aceito pelas mulheres. E assim, hospitais e maternidade foram criadas em diversos países, como na Inglaterra, Estados Unidos, França, Alemanha. O Brasil embasou nesses modelos, principalmente dos Estados Unidos, e estabeleceu políticas para cuidar da saúde da mulher e do feto. Consequentemente houve a necessidade de se constituir uma especialidade médica voltada para a gravidez e o parto (ZAMPIERI, 2006). No século XIX, surgem os tratados de obstetrícia que falam sobre os estudos anatômicos e fisiológicos sobre o corpo feminino, a gravidez e o seu diagnóstico, o exame físico da mulher, o parto normal, as complicações do pós-parto e os cuidados com o recémnascido, etc. No final deste século, a medicina eliminou as parteiras. No século XX, os obstetras conseguiram o controle do parto e do período gestacional e houve uma evolução dos exames para diagnóstico de gravidez, assim como o conceito de exame de pré-natal dando segurança para realização de procedimentos cirúrgicos e cuidados com o bem-estar do recémnascido. Após a segunda guerra mundial estabeleceu-se o monitoramento e vigilância sobre a gravidez, o parto e o pós-parto, sendo que a gestação passou a ser um processo onde é incluída a família, surgindo então, um movimento em prol da humanização do parto. Na primeira década do século XX, criaram-se os serviços de pré-natal para dar assistência às gestantes em caráter preventivo e curativo (ZAMPIERI, 2006). Segundo Zampieri (2006), no final do século XIX e inicio do século XX, iniciaram as primeiras recomendações para fazer exames durante a gravidez, surgindo à medicalização da gravidez, parto, puerpério e modificações no comportamento referente à nutrição, repouso e consultas, porém, no Brasil, nem todas as gestantes tinham acesso a esse acompanhamento. Existe divergência entre alguns autores com relação ao início do pré-natal no Brasil, mas a partir de 1901, concluíram que tratando a mulher de maneira adequada antes do parto poderiam evitar a mortalidade materna. Na década de 20/30, surgiram os primeiros serviços de 15 pré-natal no Brasil, porém, pensava-se mais na mãe e pouco no feto. Após esse período houve aumento na produção de conhecimento sobre o corpo feminino, pois surgiram novas instituições médico-hospitalares dando condições para o ensino prático, pesquisas científicas, etc. O processo de hospitalização e hábito de consultas antes do parto só se fortaleceu quando os médicos convenceram as mulheres de classe rica e média de que o hospital maternidade era seguro. Contribuiu para esse fortalecimento após a década de 30, o estabelecimento de uma política de saúde materno- infantil focalizada na proteção do binômio mãe-filho e na reprodução (ZAMPIERI, 2006). Para Neme (2005), a atenção pré-natal ocorreu em três fases: a primeira iniciou em meados do século XVI e terminou em 1901, constituía-se do aconselhamento ou recomendações para que a gestante se mantivesse alegre, evitasse a cólera, medo e obedecesse a regras dietéticas. Esses aconselhamentos eram feitos por mulheres da comunidade que tinham noção de cuidados na gestação e parto. A segunda fase iniciou nos Estados Unidos em 1901 terminando em 1960, organizada por reformistas e enfermeiras. A terceira fase iniciouse após 1960 até os nossos dias, com a introdução do conceito de perinatologia e valorização do concepto devido os altos índices de mortalidade infantil. Na década de 80, o ministério da saúde e secretarias estaduais e municipais de saúde implementaram programas, tais como: os programas de Assistência Integral à saúde da Mulher (PAISM) e da criança (PAISC). Uma assistência de pré-natal adequada é fundamental para reduzir a morbi-mortalidade materna e neonatal (BENIGNA et al., 2005). A partir de 1986 foi regulamentado o PAISM (Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher), dando oportunidade de acesso à toda a população feminina, tendo como objetivo melhorar a cobertura e concentração do atendimento pré-natal. Com o surgimento do SUS em 1990 e do Programa de Saúde da Família em 1994, fortaleceu-se a assistência à gestante e os cuidados com o pré-natal. No PAISM em 1986, 1988 e 2000 é lançado o manual de pré-natal de baixo risco ou Assistência de Pré-Natal propondo que essa assistência ocorra na unidade básica de saúde, que é a porta de entrada do sistema e também enfoca as consultas, visita domiciliar e atividades educativas. Em 1999, enfoca a humanização, o acolhimento, o trabalho interdisciplinar e as atividades dos profissionais. Lança também o manual de pré-natal de alto risco que fala sobre as complicações da gravidez, os cuidados e avaliação fetal. Em 1995, o Ministério da Saúde lança o Projeto Maternidade Segura e no ano 2000, o Programa Nacional de Humanização de 16 Pré-Natal e Nascimento com direito de acesso ao pré-natal, assistência ao parto e pós-parto e de ter um acompanhante. Em 2005, surge o Manual Técnico: Pré-Natal e Puerpério - Atenção Qualificada e Humanizada que aborda violência na gestação, no nascimento e complicações na gravidez. Estabelecendo o número mínimo de seis consultas de pré-natal de baixo risco e encoraja a gestante a iniciar o pré-natal no primeiro trimestre. As consultas são alternadas entre a enfermeira e o médico. Busca-se o histórico da gestante, identificação, antecedentes pessoais, familiares, ginecológicos e obstétricos, situação da gravidez atual, exames laboratoriais. No exame físico, busca os fatores de risco, o estado nutricional, crescimento e desenvolvimento do feto e o bem-estar da mãe e filho. Para Coimbra et al. (2003), a assistência pré-natal ainda possui uma cobertura baixa, apesar de estar aumentando ao longo dos tempos. Ainda ocorrem desigualdades no uso desta assistência, pois o percentual de mulheres residindo na zona rural, que não realizam o prénatal, é alto. Na região nordeste, o Maranhão é um dos estados onde o percentual de mulheres que não realizam estas consultas ainda é muito elevado. Segundo recomendações de organismos oficiais da saúde, o controle do pré-natal, deve ter início precocemente, ter cobertura universal, ser realizado com periodicidade e estar interligado com as ações curativas e preventivas, obedecendo ao mínimo de consultas. Sua efetividade depende, em grande parte, do momento em que tais procedimentos se iniciam e do número de consultas realizadas. Dependendo do mês de início e intercorrências durante a gravidez este número varia (COIMBRA et al.,2003). De acordo com o Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento instituído pelo Ministério da Saúde por intermédio da Portaria/GM nº 569 de 01/06/2000, busca-se reduzir as altas taxas de morbimortalidade materna e perinatal, melhorando o acesso e a qualidade do pré-natal como também oferecendo uma melhor assistência ao parto e puerpério, estabelecendo que toda gestante possui o direito ao acesso digno e de qualidade desse serviço. Com isso, é necessário que toda gestante siga as recomendações que são asseguradas pelo programa em todas as Unidades Básicas de Saúde. É recomendada a realização da primeira consulta de pré-natal até o quarto mês de gestação, realizando no mínimo seis consultas de pré-natal, sendo, preferencialmente, uma no primeiro trimestre, duas no segundo trimestre e três no terceiro trimestre da gestação, além de uma consulta no puerpério até quarenta e dois dias do nascimento, efetuando-se exames laboratoriais, oferta de teste anti- 17 HIV, aplicações da vacina antitetânica quando necessária, atividades educativas, e a classificação de risco gestacional, dentre outras (BRASIL, 2000). 2.2 A Importância do Pré-Natal na Atenção a Saúde da Mulher e Recém-Nascido A assistência pré-natal é importante para o preparo da maternidade devendo ser encarada não somente como assistência médica, mas também como trabalho de prevenção de intercorrências clínico-obstétricas e assistência emocional (BENIGNA et al., 2005). O objetivo da atenção ao pré-natal e período puerperal é acolher a mulher desde o início da gravidez até o fim, garantindo o bem-estar da mãe e neonato. Essa atenção deve ser qualificada e humanizada através de condutas acolhedoras, facilitando o acesso a serviços de saúde de qualidade e garantindo atendimento nos níveis de promoção, prevenção e assistência á saúde da gestante e do recém-nascido. Deve ser iniciada no atendimento ambulatorial básico abrangendo até o atendimento hospitalar para alto risco, quando necessário (BRASIL, 2005). Outras regiões do Brasil adotaram programas para ampliar o apoio à gestante e o concepto, como: Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), o Programa de Imunização, o Programa de Prevenção de Câncer cérvico-uterino, Câncer de Mama, Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e outros. O Programa de Saúde da Família desenvolve ações de promoção da saúde e prevenção de doenças na mulher. A efetividade das ações desenvolvidas no pré-natal depende de vários fatores, dentre eles elementos socioeconômicos e culturais, além de fatores assistenciais à saúde (PAULA et al, 2008). A atenção obstétrica e neonatal deve ter como características essenciais a qualidade e a humanização. È dever dos serviços e profissionais de saúde acolher com dignidade a mulher e o recém nascido, enfocando-os como sujeitos de direitos. Considerar o outro como sujeito e não como objeto passivo da nossa atenção é a base que sustenta o processo de humanização (BRASIL, 2005 p. 9). Para Zampieri (2006), humanizar é respeitar a peculiaridade e a variedade do ser humano, ajudando-o no seu potencial para ser agente transformador de sua realidade. A humanização deve ser percebida e compreendida pelos profissionais que cuidam e pelos que são cuidados. Depende de uma atitude ética do profissional em se colocar no lugar do outro para entender o que este sente, pensa e precisa, além de valorizar pequenas ações do dia-a-dia no cuidado. Consiste, portanto numa atitude diferenciada. 18 O acolhimento à mulher na unidade de saúde é de fundamental importância. Ela deve ser recepcionada desde a sua chegada à unidade. Tem o direito de se queixar e expressar preocupações e angústias. Tal acolhimento deve garantir atenção resolutiva e articulada com outros serviços de saúde para a continuidade da assistência, sempre que necessário. 2.3 O Enfermeiro na Assistência Pré-natal Segundo Gastald e Hayashi (2002), o enfermeiro desempenha uma série de atividades e de funções como integrante da equipe de saúde, e dentre os vários papéis desempenhados destaca-se, nos tempos atuais, o papel de educador, tanto no sentido de formação de novos profissionais, quanto educador do próprio paciente/cliente. Dessa forma o profissional de enfermagem se vê diante de um desafio de transformação social no qual seu papel é promover a saúde, sendo a educação a mola-mestra para seu sucesso. O papel educativo do enfermeiro constitui um importante instrumento, sem o qual corre-se o risco de se restringir a assistência a uma manutenção do estado vigente do indivíduo, ou seja, recuperam-se os desequilíbrios, que novamente se manifestarão, pela falta de informação quanto ao como se cuidar. É necessária a conscientização sobre o que realmente significa saúde, para se buscá-la ou se mantê-la (GASTALD; HAYASHI, 2002 p. 99 ). Tobase et al. (2007), afirmam que a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) foi reformulada em 1996 para que o profissional de saúde seja preparado com um espírito de cidadania, de criticidade, de criatividade, do desenvolvimento da autonomia e da capacidade de resolução de problemas, sendo necessária a formação de profissionais capazes de se inserir de forma contextualizada conscientes de seus papéis na produção de serviços e nas relações com a sociedade. A área de atuação do profissional de enfermagem é muito extensa, dessa forma, entende ser imprescindível uma reflexão sobre o ensino profissional em enfermagem e sobre a competência dos futuros profissionais. Após a LDB, as diretrizes curriculares nacionais para enfermagem reiteram que a educação, assim como a assistência e a gerência, deve ser uma das competências a serem desenvolvidas nos profissionais da saúde. Merighi e Gualda (2009) referem que existe uma crise na assistência à saúde materna no Brasil e que há problemas na área educacional. 19 Segundo as autoras há um desmantelamento do ensino em todos os níveis, inclusive na formação de profissionais de saúde. Afirmam que é necessário reformular o modelo de formação de profissionais da saúde tanto qualitativa quanto quantitativamente. A resolução nº 3 de novembro de 2001 do Conselho Nacional de Educação que dispõe sobre as diretrizes curriculares para os cursos de graduação em enfermagem, diz no artigo 5º que a formação do enfermeiro tem por objetivo dotar o profissional dos conhecimentos requeridos para o exercício das seguintes competências e habilidades específicas: VII – atuar nos programas de assistência integral à saúde da criança, do adolescente, da mulher, do adulto e do idoso; XVII – identificar as necessidades individuais e coletivas de saúde da população, seus condicionantes e determinantes; XIII – intervir no processo de saúde-doença, responsabilizando-se pela qualidade da assistência/cuidado de enfermagem em seus diferentes níveis de atenção à saúde, com ações de promoção, prevenção, proteção e reabilitação à saúde, na perspectiva da integralidade da assistência; XXV – planejar e implementar programas de educação e promoção à saúde, considerando a especificidade dos diferentes grupos sociais e dos distintos processos de vida, saúde, trabalho e adoecimento; O artigo 6º da mesma resolução diz que os conteúdos essenciais para o curso de Enfermagem devem contemplar: III- Ciências da Enfermagem – Neste tópico de estudos incluem-se: d) Ensino de Enfermagem: os conteúdos pertinentes à capacitação pedagógica do enfermeiro, independente da licenciatura em enfermagem. Dessa forma, Moura; Lopes e Santos (2009), referem que a universidade tem o papel de transformar e sistematizar o saber em conhecimento para que este seja útil aos interesses da sociedade. O setor saúde tem requerido mudanças e as instituições de ensino devem promover a formação de profissionais que atendam adequadamente às mudanças que o setor saúde tem requerido. Estes autores destacam a importância da VIII Conferência Nacional de Saúde ocorrida em 1986, que buscou romper com o modelo biomédico da época e que também foi responsável pela criação do Sistema Único de Saúde. Citam que a IX Conferência Nacional de 20 Saúde apontou a necessidade da revisão curricular para a formação de profissionais “ajustados às realidades sociais, étnico-cultural e epidemiológica do país, dentro de uma visão integral e de comprometimento social”. 2.4 O Trabalho Educativo na Assistência Pré-Natal O trabalho educativo a ser realizado, de acordo com o Ministério da Saúde(MS), deve ser através de discussões em grupo, dramatizações e dinâmicas que facilitam a troca de experiências entre os componentes do grupo, as palestras devem ser evitadas por serem pouco produtivas. As ações educativas são úteis na promoção da saúde e conscientização da mulher sobre sua autonomia e poder de escolha (CARDOSO et al., 2007). No primeiro atendimento à gestante e durante todo o pré-natal, o ministério da saúde também recomenda que os profissionais forneçam informações sobre os seguintes temas: importância do pré-natal, cuidados de higiene, realização de atividade física de acordo com os princípios fisiológicos e metodológicos específicos para gestantes, pois, segundo o referido manual, tais atividades proporcionam benefícios através do ajuste corporal à nova situação, ressalta-se que a atividade física deve ser estimulada tanto na assistência pré-natal quanto puerperal, pois o preparo corporal e emocional permite que a mulher vivencie a gravidez com prazer e permite à mesma desfrutar plenamente o parto (BRASIL, 2005). A gestante deve ser orientada sobre nutrição saudável, com enfoque na prevenção dos distúrbios nutricionais e das doenças associadas – baixo peso, sobrepeso, obesidade, hipertensão e diabetes; acrescentando suplementação de ferro, ácido fólico e vitamina A – para as áreas e regiões endêmicas (BRASIL, 2005). As atividades educativas devem fornecer entendimento sobre o desenvolvimento da gestação, bem como as modificações corporais e emocionais decorrentes do processo vivido, sintomas comuns na gravidez e orientações para as queixas mais freqüentes; medos e fantasias referentes à gestação e ao parto, sinais de alerta e o que fazer nas situações de sangramento vaginal, dor de cabeça, transtornos visuais, dor abdominal, febre, perdas vaginais, dificuldade respiratória e cansaço. A paciente deve saber quais são os sinais e sintomas do parto, bem como cuidados após este consigo mesma e com o recém-nascido, ser estimulada a retornar ao serviço de saúde (BRASIL, 2005). 21 Segundo Brasil (2006) a mulher deve ser informada sobre atividade sexual, incluindo prevenção das DST/Aids e aconselhamento para o teste anti-HIV; preparo para o parto: planejamento individual considerando local, transporte, recursos necessários para o parto e para o recém-nascido, apoio familiar e social, orientações e incentivo para o parto normal, resgatando-se a gestação, o parto, o puerpério e o aleitamento materno como processos fisiológicos. Para o manual de pré-natal, é durante este período que deve ser incentivado o protagonismo da mulher, e sua capacidade inata de dar à luz deve ser potencializada. O aleitamento materno deve ser incentivado, porém, o profissional de saúde não deve esquecer de fornecer orientações específicas para as mulheres que, por algum motivo, não podem amamentar (BRASIL, 2005). De acordo com Brasil (2005), as atividades educativas devem abordar a importância do planejamento familiar num contexto de escolha informada, com incentivo à dupla proteção. A saúde mental e violência doméstica também devem ser abordadas assim como os benefícios legais a que a mulher tem direito, incluindo a Lei do Acompanhante. Devem ser abordados o impacto e agravos das condições de trabalho sobre a gestação, o parto e o puerpério, a importância da participação do pai durante a gestação e o parto para o desenvolvimento do vínculo entre pai e filho que é fundamental para o desenvolvimento saudável da criança. É durante a gravidez que devem ser dadas informações sobre cuidados com o recémnascido, importância da realização da triagem neonatal (teste do pezinho) na primeira semana deste, além das recomendações sobre a importância do acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criança, e das medidas preventivas (vacinação, higiene e saneamento do meio ambiente). A gravidez na adolescência e suas repercussões também devem ser colocadas em pauta (BRASIL, 2005). As orientações devem ser dadas de forma clara e objetiva com escuta aberta e diálogo franco. O profissional deve evitar emitir julgamento de valores, permitir que a mulher expresse suas dúvidas e necessidades, valorizar os sentimentos e as histórias relatadas pela mulher e seu parceiro, pois isso, torna a assistência individualizada e contextualizada, fortalecendo o vínculo profissional-cliente (RIOS; VIEIRA, 2007). A comunicação se faz adequada quando se estabelece uma relação de confiança e entendimento com o outro, o que irá beneficiar a identificação de necessidades e potencialidades que serão trabalhadas para o alcance de metas. A comunicação é o meio para o sucesso das interações entre enfermeiros e clientes, representando, 22 talvez, a principal estratégia dos enfermeiros no cuidado dos seres humanos (MOURA et al., 2003 p. 3). A educação em saúde constitui uma prática voltada para a promoção da saúde e a prevenção de doenças (MELO et al., 2007). Segundo Alves (2005) as orientações prestadas pelo profissional de saúde são importantes para conduzir o usuário do sistema de saúde na compreensão dos condicionantes do processo saúde-doença e a partir daí adotar novos hábitos e condutas de saúde. A prática de educação deve desenvolver autonomia e responsabilidade no indivíduo no cuidado com a saúde, no entanto, a transmissão das informações não deve se dar pela imposição de um saber técnico científico detido pelo profissional de saúde, mas sim, pelo desenvolvimento da compreensão da situação de saúde. O autor defende que seja estabelecido um diálogo e intercâmbio de saberes técnico-científicos e populares, onde profissionais e usuários possam construir de forma compartilhada um saber sobre o processo saúde/doença. As trocas de conhecimentos promovem o alívio de ansiedades, a superação de dúvidas e de temores, a fim de ampliar a margem de segurança com relação ao parto, puerpério e cuidados com o recém-nascido (RODRIGUES et al., 2006). Para Rebert e Hoga (2005), as atividades de grupo com gestantes visam a vivência da gravidez de forma mais saudável e plena, já que esta é uma importante fase na vida da mulher e da família. De acordo com o Manual Técnico de Assistência ao Pré Natal do Ministério da Saúde, devem ser trocadas experiências entre as mulheres e os profissionais de Saúde, pois este intercâmbio de experiências e conhecimentos é considerado uma excelente forma de promover a compreensão do processo de gestação. As orientações prestadas devem favorecer a compreensão das diversas alterações que ocorrem no corpo da gestante e sobre o desenvolvimento do bebê (BRASIL, 2005). 23 3 METODOLOGIA 3.1 Classificação da pesquisa Essa pesquisa é de natureza qualitativa. Segundo Minayo (2007) é um método que se aplica ao estudo da história, das relações, das representações, das crenças, das percepções e das opiniões, produtos das interpretações que os humanos fazem a respeito de como vivem, constroem a si mesmos, sentem e pensam. As abordagens qualitativas se conformam melhor a investigar grupos e segmentos delimitados e focalizados, estudar histórias sociais sob a ótica dos atores e para análises de discursos e documentos. 3.2 Local de realização da pesquisa O estudo foi realizado no centro de saúde n° 02, 03 e 08 da Ceilândia, cidade satélite de Brasília/ Distrito Federal (DF), nos meses de março e abril de 2010. A coleta de dados foi realizada após aceitação de participação dos gerentes das unidades estudadas e aprovação do comitê de ética em pesquisa da secretaria de saúde do DF. O centro de saúde nº02 foi inaugurado em março de 1981, esta situado à QNN 15 lote F área especial. Atende as especialidades, médica, pediatria, gineco/obstetrícia, odontologia e serviço social. Possui os programas especiais tais como: combate e tratamento da hipertensão, diabetes, DST/ AIDS, auto massagem, assistência ao idoso, planejamento familiar, imunização e V.E. A unidade de saúde nº03 situada à QNM 15 lote D área especial Ceilândia Sul, atende as clínicas: médica, pediatria, gineco/obstetrícia, odontologia, serviço social e nutrição. Possui programas para hipertensos, diabéticos, DST/AIDS, auto massagem, imunização, assistência ao idoso, planejamento familiar e tisiologia. O centro de saúde nº 08 situa-se à EQNP 13/17 AE-A, B, C, D. Atende as clinicas médica, pediatria, gineco/obstetrícia e serviço social. Possui programas especiais para hipertensos, diabéticos, DST, tuberculose, hanseníase, cárie zero auto massagem, imunização e saúde da família. 24 Os locais para estudo foram escolhidos por serem de fácil acesso para as pesquisadoras e orientadora, além disso, são unidades de saúde conveniadas com a Universidade Católica de Brasília (UCB). 3.3 Estratégias de coleta de dados O procedimento técnico do estudo foi feito através de entrevista semi-estruturada, combinando perguntas fechadas e abertas, que de acordo com Minayo (2007) o entrevistado tem a possibilidade de discorrer sobre o tema em questão sem se prender à indagação formulada. A pesquisa incluiu também a observação participante que é essencial no trabalho de campo na pesquisa qualitativa. A observação participante é definida como um processo pelo qual se mantém a presença do observador na situação social com a finalidade de realizar uma investigação científica. O observador está em relação face a face com os observados e, ao participar da vida deles, no seu cenário cultural, colhe dados (MINAYO, 2007). 3.4 População Participaram da pesquisa quatro enfermeiras e cinco técnicas em enfermagem, sendo todas elas funcionárias das instituições referidas. Tendo em vista que o objetivo da pesquisa era analisar a qualidade do trabalho educativo realizado pelo enfermeiro, foi dado ênfase apenas no depoimento dos enfermeiros, porém é importante ressaltar que os técnicos e auxiliares de enfermagem também fazem parte da equipe de enfermagem e são profissionais importantes no processo de acolhimento às gestantes. Foi empregado questionário para analisar o perfil das entrevistadas e utilizado roteiro e diário de campo para coleta dos dados da observação participante nas consultas de pré-natal e palestras. Na elaboração e desenvolvimento desta pesquisa foram considerados os preceitos da resolução 196/96 do conselho nacional de saúde, para tanto foi esclarecido aos participantes que a pesquisa seria destinada à elaboração de trabalho científico e possível publicação, sendo garantidos sigilo e anonimato dos entrevistados. 25 3.5 Critérios de inclusão Participaram da pesquisa enfermeiros, técnicos, auxiliares de enfermagem envolvidos na assistência pré-natal, que consentiram participar mediante assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, após serem informados dos objetivos e metodologia do estudo. 3.6 Critérios de exclusão Os profissionais de enfermagem que não aceitaram participar da pesquisa após serem informadas dos objetivos e metodologia da mesma. Aqueles que não atuam diretamente na assistência a gestante nas regionais pesquisadas. 3.7 Análises dos resultados A análise dos dados foi feita através da análise do conteúdo, segundo Berelson apud Minayo (2007) é uma técnica de pesquisa para descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto das comunicações com o objetivo de interpretá-los. Minayo (2007) refere que a análise de conteúdo parte de uma leitura de primeiro plano das falas, depoimentos e documentos para atingir um nível de interpretação mais profundo. Os dados da entrevista semi estruturada e da observação participante foram ordenados de forma organizada para serem analisados. A análise dos resultados envolveu os dados coletados durante a observação participante nas reuniões de pré-natal das regionais pesquisadas e entrevista semi-estruturada com enfermeiros e técnicos envolvidos na assistência e trabalho educativo do pré-natal das unidades de saúde estudadas. A escolha da entrevista como técnica para coleta de dados apoiou-se no fato de que este é um instrumento privilegiado de coleta de informações, pela possibilidade que tem a fala de ser reveladora das condições estruturais dos sistemas de valores, normas e símbolos e, ao mesmo tempo, de transmitir as representações de determinados grupos (MINAYO, 2004). 26 3.8 Aspectos éticos A pesquisa seguiu todas as recomendações da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, que trata de pesquisas envolvendo seres humanos (BRASIL, 1996). Foram garantidos aos cidadãos envolvidos na pesquisa todos os direitos citados no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi apresentado em duas vias. Uma permanecendo com o entrevistado e outra ficará com o pesquisador por até cinco anos, assim como os instrumentos de coleta de dados. O nº do parecer do CEP é 025/2010 27 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 Caracterização dos cenários Os cenários onde foi realizada a coleta de dados constituíram-se de três Centros de Saúde. No centro de saúde n° 02 são realizadas consultas de pré-natal pelas enfermeiras as segundas e quartas-feiras à tarde, enquanto as reuniões com as gestantes acontecem a cada quinze dias nas segundas-feiras. Na unidade de saúde n° 08, na data da coleta de dados da pesquisa, as palestras de primeiro trimestre do pré-natal ocorriam nas sextas-feiras e palestras de segundo e terceiro trimestre nas segundas-feiras. No referido centro de saúde não há consulta de pré-natal com enfermeira, pois, segundo a gerente de enfermagem do local, não existe sala disponível para consulta de enfermagem e a unidade de saúde dispõe de muitos médicos obstetras. Percebe-se que nesta unidade de saúde não há estímulo para o atendimento individual pelo enfermeiro na consulta pré-natal, a consulta médica é mais valorizada, pois no planejamento dos gestores locais houve espaço para colocar vários médicos obstetras e não restou espaço para o atendimento de enfermagem em nível individual. No centro de saúde n°03 a enfermeira realiza consultas de pré-natal nas sextas-feiras pela manhã (atende de quatro a oito gestantes no período) e palestras de pré-natal às terçasfeiras pela manhã. De acordo com as enfermeiras das unidades pesquisadas, as atividades educativas são feitas com base no que é recomendado pelo manual de pré-natal do MS, pois, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal não possui um protocolo específico para atendimento à gestante. 4.2 Perfil dos entrevistados O perfil dos entrevistados se encontra na tabela 01. Foram entrevistadas quatro enfermeiras. As profissionais 1 e 4 atuam no CS 2, enfermeiro 2 no CS 8 e a profissional 3 no CS 3. 28 Tabela 01- Perfil dos entrevistados Variáveis Enfermeiro 1 Enfermeiro 2 Enfermeiro 3 Enfermeiro 4 Idade Tempo de serviço Tempo de formado Tempo de atuação no PN Pós graduação 32 6 anos 6 anos 35 10 anos 13 anos 46 18 anos 23 anos 53 28 anos 29 anos 6 anos 3 anos 5 anos 28 anos Especialização Especialização Especialização Especialização Saúde Pública Saúde da família Enfermagem psiquiátrica Saúde Coletiva Especialização Mestrado Saúde pública Gerenciamento Obstetrícia Os profissionais entrevistados são todos do sexo feminino, possuem idade entre 32 e 53 anos, sendo 41.5 a média de idade das entrevistadas. A média de tempo de formação acadêmica varia entre 13 e 29 anos e o tempo de serviço na instituição entre 6 e 28 anos, com média de 15.5 e 17.75 respectivamente. Todas têm carga horária semanal de quarenta horas. Três das enfermeiras são especialistas (saúde pública, gerenciamento e enfermagem psiquiátrica) e uma possui mestrado. Percebe-se que todas são pós-graduadas, sendo que o direcionamento é voltado em sua maioria para a atenção em saúde pública, exceto a enfermeira 2, podendo assim, abrir questionamentos sobre a necessidade de apoio e incentivo aos profissionais para especialização na área obstétrica ou de saúde da mulher. Tal situação é semelhante a encontrada por Lima e Moura (2008) que constatou que, de 42 enfermeiros que atuavam na área de saúde da mulher apenas cinco tinham especialização na área. As pesquisadoras chamam a atenção para a necessidade de investimento pessoal e institucional para a qualificação profissional de enfermeiros na área obstétrica. Contudo vale ressaltar que a lei do exercício profissional (Lei 7.498 de 25 de julho de 1986) diz que é competência do enfermeiro oferecer assistência de enfermagem à gestante, parturiente e puérpera, dessa forma o profissional deve adquirir esta habilidade no processo de formação profissional em nível de graduação, porém, o trabalho de Dotto et al. (2006), constatou que no início da vida profissional das enfermeiras estudadas foi possível desempenhar uma série de atributos necessários para uma assistência pré-natal de qualidade, 29 mas ainda assim verificou que há falhas na graduação para aquisição de habilidades pelo aluno tanto nos aspectos teóricos quanto práticos. 4.3 Atividades educativas desenvolvidas pelas enfermeiras Tabela 02 - Atividades educativas - Perguntas abertas Pergunta Enfermeiro 1 Enfermeiro 2 Enfermeiro 3 Enfermeiro 4 Atividades que desenvolve no C.S Saúde da mulher, PCS e outras Coordenação do PAISM local, PAISC e V.E Palestras do PN, planejamento familiar e puerpério Todas Metodologia Explicativa Expositiva Palestra áudio visual, panfletos, vídeo de preparo para o parto, ficha perinatal na consulta de PN, todos os conteúdos vinculados aos atendimentos Exposição do assunto, dúvidas, apresentação do grupo ? Conteúdo Pré natal Importância do PN, sinais e sintomas da gravidez, exames, aconselhamento,de HIV, hepatite e TP Rotina do PN Temas trabalhado por trimestre Importância do cartão do PN, amamentação, alimentação, mudanças do corpo, vacinas e outros 1° T- Exames, sintomas, cartão, vacinas, alimentação. 2° TTrabalho de parto, cuidados com o RN, amamentação. ? Falta de cartilha para dar as palestras, manual atualizado, folders. Falta de espaço físico e material educativo 1° T-Direitos e deveres da gestante, avaliação nutricional, periodontica, exames, consultas, imunização, intercorrências gestacionais. 2° e 3° T - Revisão nutricional com nutricionista, preparo para o parto, retorno puerpério, teste do pezinho, situações de risco para a gestante, desmistificar o parto normal Dificuldades encontradas na realização do trabalho educativo Espaço, Tempo, falta de material didático. Espaço físico inadequado, sala pouco ventilada, pouco material didático, Em relação às atividades educativas, observou-se que todas as enfermeiras atuam em outras atividades além da saúde da mulher. As outras atividades incluem o Programa de 30 Agentes Comunitários de Saúde (enfermeiro 01), coordenação do Programa de Acompanhamento da Saúde da Criança e Vigilância Epidemiológica (enfermeiro 2) e atuação em todas as demais atividades de enfermagem do CS (profissional 4). Quanto à metodologia usada nas atividades educativas, observou-se a predominância das palestras com metodologia expositiva (2), sendo que apenas uma usa recursos áudio visual, panfletos dentre outros. Em relação ao conteúdo das atividades, o Pré-Natal é o mais citado (2) além dos temas indicados no Manual do Pré-Natal. Todos afirmaram que o público-alvo das atividades educativas são as gestantes, excluindo-se cônjuges e familiares. Um dos entrevistados afirmou que também realiza atividades para puérperas e mulheres do planejamento familiar e climatério. Quanto às dificuldades na realização de atividades educativas, o espaço físico (3) e a falta de material didático (3) foram os mais citado, seguido da falta de um manual atualizado, cartilhas e folderes (1). Diante das informações colhidas foi possível constatar que os profissionais são conscientes da necessidade da prática do tema em questão e utilizam os temas conforme recomendado pelo MS. Tal constatação foi semelhante a encontrada por Nery e Tocantins (2006) bem como por Moura e Rodrigues (2003), que salientam que o enfermeiro deve ser conhecedor de sua contribuição para adoção de práticas saudáveis por parte do paciente. Ressalte-se que a lista do manual de PN do MS, com os temas a serem abordados é bem longa, necessitando de planejamento cuidadoso por parte do profissional de enfermagem com vistas a um aproveitamento efetivo do trabalho executado. 4.4 Atividades educativas em grupo Os dados referentes às atividades educativas de grupo coletados na observação participante constam na tabela a seguir: 31 Tabela 03 - Observação participante/ atividades de grupo Palestras C.S 2 C.S 3 C.S 8 Infra-estrutura Sala pequena, pouco arejada, possui televisão, quadro branco pequeno. Disposição dos assentos em U Sala confortável, pouco arejada com poucos assentos, possui TV, vídeo e quadro branco. Bancos em U Sala de reunião confortável, bem iluminada com TV, vídeo e quadro branco. Disposição dos bancos em fileira. Tipo de atividade Palestra expositiva Palestra expositiva Palestra expositiva Material de apoio Não houve Não houve Álbum seriado, demonstração prática com dentadura, uso do quadro branco Participantes 18 gestantes e 2 homens 12 gestantes 10 gestantes e 3 homens Informações fornecidas Importância do cartão da gestante, aleitamento materno, cuidado com as mamas, vestuário adequado, alimentação, problemas comuns da gravidez e importância de realização do PN de forma correta Cartão da gestante, aleitamento materno, sintomas comuns da gravidez, cuidados com as mamas, alimentação regular, ingesta hídrica, vestuário adequado, o que fazer em caso de intercorrências gestacionais. Explicação sobre a evolução do atendimento PN, importância do cartão da gestante, uso do sulfato ferroso, evitar automedicação, alimentação adequada e fracionada, explicação da importância de cada exame solicitado e aconselhamento para realização do anti HIV, sintomas da gravidez, sinais de alerta, aleitamento materno, vestuário adequado, cuidado com as mamas, atividade sexual , vacinas, higiene bucal, direito a acompanhante na maternidade, teste do pezinho, direito de registro da criança. Duração Cerca de 1 hora e meia. Cerca de 3 horas e meia. Em todas as unidades pesquisadas o método de trabalho educativo utilizado foi palestra. Nos centros de saúde 02 e 03 as palestras são ministradas somente pela enfermeira e no centro 08 participaram a enfermeira, a dentista, a assistente social e também o agente comunitário de saúde. Os conteúdos das palestras são de acordo com os temas citados no protocolo do MS. 32 O protocolo sugere que o trabalho educativo seja realizado na forma de discussões em grupo, dramatizações e outras dinâmicas que facilitam a fala e a troca de experiências entre os componentes do grupo e que o estilo palestra deve ser evitado. De acordo com Brasil (2005), a troca de informações sobre as diferentes vivências entre as mulheres e os profissionais de saúde é considerada a melhor forma de promover a compreensão do processo de gestação. Para Rios e Vieira (2007), os profissionais de saúde devem assumir a postura de educadores que compartilham saberes, para dar às mulheres autoconfiança para viver a gestação, o parto e o puerpério. Neste sentido, observou-se que a prática educativa realizada nas unidades é considerada inadequada e necessita de melhorias com vistas a um melhor aproveitamento do trabalho realizado e a uma promoção de saúde eficaz. Os profissionais devem assumir a responsabilidade com o cuidado prestado para proporcionar atenção de qualidade. Verificouse que os temas trabalhados condizem com as recomendações do MS. Em um dos locais pesquisados os assuntos são explorados de forma mais abrangente e de forma multidisciplinar, as participantes tem mais liberdade para se expressar e a palestrante utiliza material de apoio para favorecer o entendimento do tema em questão. Contudo, observou-se que a ausência do trabalho de grupo, a não realização das dinâmicas para intercâmbio de conhecimento nas unidades pesquisadas, impossibilita a interação entre as pacientes e conseqüentemente o efeito esperado da atividade cumprida pode ser afetado. Espera-se que o profissional não seja apenas um cumpridor de tarefas, mas que execute suas atividades de forma dinâmica, criativa e responsável. Esta realidade encontrada na pesquisa vem de encontro com um trabalho realizado por Cardoso et al. (2007), que constatou que há um distanciamento entre os discursos oficiais e as ações realizadas na prática assistencial, e que as práticas educativas realizadas no pré-natal são inadequadas, pois, dão ênfase no fornecimento de informações e não levam em conta as raízes psicossociais dos agravos à saúde, tendo assim, repercussões negativas na vulnerabilidade feminina. Além disso, os assuntos abordados no pré-natal são tratados de forma superficial e, raras vezes, há uma participação da gestante frente às orientações. O espaço físico precário destinado para a realização das reuniões nas instituições pesquisadas é uma realidade nas unidades públicas de saúde. Rios e Vieira (2007) encontraram semelhante crítica em sua pesquisa. As autoras entendem que diante da realidade 33 do serviço e diante das condições nas quais as enfermeiras realizam o atendimento, as estratégias de educação em saúde têm alcance limitado, dessa forma o fortalecimento individual e coletivo da gestante tende a ficar comprometido. Uma pesquisa de Zampieri (2006), verificou nos depoimentos de gestantes, que o trabalho educativo de grupo possibilita que elas e seus familiares se identifiquem com pessoas que vivem situações similares e isso proporciona para as gestantes e família o fortalecimento da auto-estima, auto-imagem, autonomia e aumenta os laços de solidariedade. Para as participantes da pesquisa as palavras ditas de forma descontraída nas conversas servem para superar dificuldades, minimizar os medos e diminuir a dimensão dos problemas. A pesquisadora percebeu na fala de todas as gestantes pesquisadas a importância de terem seus questionamentos respondidos, de receberem “orientações e informações a respeito do que estão vivenciando, sobre todas as dimensões que envolvem o processo de nascimento, as mudanças e os cuidados na gestação, no trabalho de parto, no parto, no pós parto com a mãe e o bebê.” (ZAMPIERE, 2006, p. 241). Zampiere (2006), também averiguou com as entrevistadas (gestantes) as qualidades ideais do profissional, verificou que as mesmas percebem e aprovam quando são atendidas por alguém que gosta e tem prazer no que faz, tem disponibilidade de tempo, tem capacidade de compartilhar conhecimentos, tem competência técnica e relacional, utiliza linguagem coloquial. Para as gestantes é muito importante poder expressar as próprias vivências e conhecimentos. Rios e Vieira (2007, p.485) entendem que o profissional de saúde deve empregar esforço para promover assistência educativa de qualidade com vistas a melhorar o impacto dessa ação na saúde física, mental e emocional da gestante tanto individual quanto coletivamente, para as mesmas autoras o processo educativo é importante para a mulher não só para a aquisição de conhecimentos sobre o processo da gravidez e do parto, mas também para se fortalecer como ser e cidadã, entendem que ainda que haja empecilhos “faz-se necessário a persistência dos profissionais de enfermagem no sentido de que sejam implementadas atividades que visem à melhoria das ações educativas no pré-natal e que o enfermeiro tenha seu papel reconhecido nesse contexto”. 34 4.5 Observação participante das consultas de enfermagem no pré-natal O relato do que foi coletado na observação nas consultas de pré-natal consta na tabela 4. Tabela 04 - Atividades educativas individuais conforme roteiro de observação participante Questões observadas C.S 2 C.S 2 C.S 3 Quantidades de consulta realizadas 13 consultas. 5 consultas 5 consultas. Tempo em min. Disponibilizado para o atendimento. 5 minutos. Entre 20 e 30 minutos. Entre 10 e 15 minutos. Como as orientações são dadas? Foram dadas de forma rápida durante o exame físico. De forma tranqüila. Durante a consulta e exame físico. Houve liberdade para escuta das dúvidas? Não houve para a maioria das pacientes atendidas. Houve, a enfermeira conferia calmamente se a paciente havia entendido. Houve. A gestante demonstrou satisfação? Algumas demonstraram satisfação, outras não. Sim. Sim. Foram observadas consultas de enfermagem em duas ocasiões no CS n° 2 e uma vez no CS 3. No CS n° 08, não há agendamento para consulta de enfermagem, portanto, não são realizadas atividades educativas individuais, o que não corresponde ás normatizações oficiais, dessa forma a gestante deixa de receber informações importantes sobre autocuidado e cuidado com o recém-nascido além de outras recomendações que seriam dadas na consulta de enfermagem. Para Costa et al. (2005), a presença do enfermeiro na assistência pré-natal contribui para ampliação da cobertura e da qualidade da assistência oferecida, por esta razão, a participação desse profissional no programa, tem sido incentivada no país. Cabe aos gestores das unidades de saúde estimular a participação do enfermeiro no processo. 35 O manual de PN (BRASIL, 2006) cita as recomendações da OMS para a assistência pré-natal, perinatal e puerperal e dentre essas recomendações assinala que o cuidado na gestação e no parto não deve ser medicalizado, ou seja, deve utilizar um conjunto mínimo de intervenções que sejam realmente necessárias e que seja multidisciplinar e multiprofissional, com a participação de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, educadores, dentre outros, assim, é também uma competência do enfermeiro participar da assistência PN quer tenha ou não disponibilidade de médicos na unidade de saúde. Na primeira observação, no CS 02, conforme consta na tabela 04, a enfermeira atendeu 13 pacientes, disponibilizando um tempo muito pequeno para o atendimento (5 minutos), tal espaço de tempo é insuficiente para acolher as queixas, realizar um exame físico adequado e prestar as orientações necessárias. Na segunda visita ao mesmo local, o número de gestantes atendidas foi bem menor, o tempo disponibilizado (entre 20 e 30 minutos) revelou ser satisfatório para a realização de todos os procedimentos que se devem realizar na consulta de enfermagem do PN. O trabalho educativo durante a consulta de pré-natal foi feito com base em achados identificados durante a anamnese, exame físico e nas queixas e questionamentos da paciente, tal como recomendado pelo MS. Em todas as consultas realizadas percebeu-se que a linguagem adotada pelo enfermeiro foi clara, e objetiva. Constatação semelhante foi encontrada no trabalho de Rios e Vieira (2007) que verificou ser de 15 a 20 minutos o tempo médio de atendimento nas consultas de enfermagem no local pesquisado, as mesmas referem que o tempo ideal de acordo com a OMS é de 15 minutos de atendimento por cliente. 36 CONCLUSÃO O trabalho educativo realizado pelo enfermeiro na assistência pré-natal é de fundamental importância, pois, é parte integrante do cuidado prestado. O período gestacional é um momento importante no ciclo de vida familiar e considerado uma ocasião em que a mulher está receptiva para receber informações sobre cuidados com a própria saúde e do bebê. As orientações prestadas objetivam tornar a mulher protagonista do processo vivenciado, consciente do que está ocorrendo, apta a tomar decisões sobre o próprio tratamento. No centro de saúde 08, a atividade educativa de grupo foi considerada a mais completa, o único local que teve participação multiprofissional, ainda que o estilo utilizado (palestra) não seja o recomendado. Ressalte-se, porém, que na referida unidade não há participação do enfermeiro nas consultas de pré-natal, ficando dessa forma o atendimento fragmentado, pois certamente o atendimento de enfermagem que deveria ser fornecido ficará em aberto podendo trazer conseqüências para o cuidado de saúde prestado. Na SES DF não há um protocolo específico para a saúde da mulher. No protocolo do MS está previsto uma série de recomendações para educação em saúde tanto no nível individual quanto coletivo e constam sugestões de como tais orientações devem ser repassadas. Nas unidades de saúde pesquisadas, o enfermeiro realiza atividades educativas em nível individual e coletivo. Para desempenhar bem a atividade de educador em saúde, o profissional necessita de uma boa base em sua formação acadêmica, mas deve também buscar atualização constante, ler sobre o assunto e participar de cursos para se preparar efetivamente, e assim prestar um atendimento de qualidade. Nas unidades de saúde pesquisadas, o enfermeiro efetua o trabalho educativo em conformidade com os temas sugeridos no protocolo, as orientações de grupo, porém, são repassadas em forma de palestra, contrário ao que é recomendado. Dentre as dificuldades encontradas pelo enfermeiro podem ser citadas: falta de infraestrutura adequada das unidades de saúde para oferecer local confortável para a prática de educação em saúde coletiva, falta de material de apoio, dentre outras. 37 A realização deste trabalho trouxe para as pesquisadoras, em primeiro lugar o entendimento prático do que é uma pesquisa e como se aplica o método científico; trouxe o entendimento da importância das pesquisas para se conhecer a realidade do atendimento à saúde pública no país e conseqüente busca de melhorias. Realizar um trabalho deste tipo conduz o pesquisador ao exercício da criticidade, criatividade e busca da resolução de problemas, que são requisitos indispensáveis para uma atuação profissional de qualidade. Finalmente, a execução do trabalho propiciou um novo olhar para a mulher no período gestacional, para o programa de pré-natal e conseqüentemente para o papel do enfermeiro na prestação de um cuidado integral e humanizado. Foi possível verificar que o bom profissional é aquele que colabora para que o cliente alcance crescimento e autonomia como ser e cidadão. Os achados apontam que são necessárias mudanças na forma em que são realizadas as atividades de grupo nas unidades pesquisadas. Tais mudanças devem começar na formação de profissionais conscientes e comprometidos em prestar uma assistência de qualidade. Cabe também, investimento da parte dos gestores na capacitação e incentivo dos profissionais e melhorias das condições de trabalho nas unidades de saúde para a implementação de uma promoção de saúde efetiva. Diante dos resultados verifica-se a necessidade de implementação de um protocolo para a atenção integral à saúde da mulher na SES/DF com vistas a padronização do cuidado prestado em todas as regionais de saúde. 38 REFERÊNCIA ALVES, V.S. Um modelo de educação em saúde para o Programa Saúde da Família: pela integralidade da atenção e reorientação do modelo assistencial. Interface- Comunic, Saúde, Educ, v.9, n.16, p.39-52, set.2004/fev.2005. BENIGNA, M.; NASCIMENTO, W. do; MARTINS, J. Pré-natal no programa saúde da família (PSF): com apalavra, os enfermeiros. Cogitare Enfermagem, América do Sul, v.9, n. 2, p. 23-31, jul.-dez. 2004. BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Conselho Nacional de Ética e pesquisa-CONEP. Resolução nº 196/96 sobre pesquisa envolvendo seres humanos. Brasília: Ministério da saúde, 1996. BRASIL. Ministério da Saúde. Pré – Natal e Puerpério, Atenção qualificada e humanizada. Brasília: Ministério da saúde, 2005. BRASIL. Ministério da saúde. Programa Humanização no Pré-Natal e Nascimento. Cartilha de Informação para Gestores e Técnicos. Portaria 569. Brasília: Ministério da saúde, 01 de junho de 2000. CANDEIAS, N. M. F. Conceitos de educação e de promoção em saúde: mudanças individuais e mudanças organizacionais. Rev. Saúde Pública, v.3, n.1, p.209-12, 1997. CARDOSO et al. O pré natal e a atenção à saúde da mulher na gestação: um processo educativo?. Revista Diálogos Possíveis. Salvador FSBA, Janeiro/Junho de 2007.Disponível em: <www. fsba.edu.br/dialogospossiveis>. Acesso em: 25/02/10. COIMBRA, L. C. et al. Fatores associados à inadequação do uso da assistência pré-natal. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 37, ago. 2003. Conselho Nacional de Educação (BR). Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CES nº 3, de 09 de novembro de 2001. Dispõe sobre as diretrizes curriculares para os cursos de graduação em enfermagem. Diário Oficial da Republica do Brasil, 09 nov. 2001. COSTA, A. M.; GUILHERM, D.; WALTER, M. I. T. Atendimento a gestantes no Sistema Único de Saúde. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 39, n. 5, oct. 2005. 39 DOTTO, L. M. G.; MOULIN, N. M.; MAMEDE, M. V. Assistência pré-natal: dificuldades vivenciadas pelas enfermeiras. Rev. Latino-Am. Enfermagem [online]. v. 14, n.5, p. 682688, 2006. Disponível em: <www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104>. Acesso em: 10/04/10. DUARTE, S. J. H, ANDRADE, S. M. O. O significado do pré-natal para mulheres grávidas: uma experiencia no município de Campo Grande Brasil. Saúde Soc. São Paulo, v.17, n.2, p.132-139, 2008. GASTALDI, A. B; HAYASHI, A. A. M. Enfermeiros e educadores: um desafio. Terra e Cultura. Ano XVIII, N° 35, 2002. Disponível em: <web.unifil.br/.../terra_cultura/35/Terra%20e%20Cultura_35-8>. Acesso em: 15/03/10. ITO et al. O ensino de enfermagem e as diretrizes curriculares nacionais: utopia x realidade. Rev Esc Enferm USP, São Paulo, v. 40, n. 4, p.570-5, 2006. LIMA, Y. M. S; MOURA, M. A.V. A percepção das enfermeiras sobre a competência social no desenvolvimento da assistência pré-natal. Esc Anna Nery Rev Enferm, v.12, n.4, p. 67278, dez. 2008. MELO et al., 2007. Conhecendo a captação de informações de mães sobre cuidados com o bebê na Estratégia Saúde da Família. Texto Contexto Enferm, Florianópolis, v. 16 n.2 p. 280-6, Abr-Jun, 2007. MERIGHI, M. A. B; GUALDA, D. M. R. O cuidado a saúde materna no Brasil e o resgate do ensino de obstetrizes para assistência ao parto. Revista Latino-am enfermagem. Ribeirão Preto, v. 17, n. 2, Apr 2009. Disponível em: <www.eerp.usp.br/rlae.>. Acesso em: 25/03/10. MINAYO, M.C.S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 8.ed. São Paulo: Hucitec; Rio de Janeiro: Abrasco, 2004. MINAYO, M. C. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 10. ed. São Paulo: Hucitec, 2007. MOURA, E. R. F.; SOUSA, R. A. Educação em saúde reprodutiva: proposta ou realidade do programa saúde da família. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.18, n.6, pp. 1809-1811 2002. 40 MOURA, E. R. F; RODRIGUES, M. S. P; SILVA, R. M. Percepções de enfermeiros e gestantes sobre a assistência pré-natal: uma análise á luz de king*. Rev Cubana Enfermer, v. 19, n. 3, 2003. MOURA, E. R. F; RODRIGUES, M. S. P. Comunicação e informação em Saúde no pré-natal. Interface (Botucatu), Botucatu, v. 7, n. 13, Aug. 2003 . MOURA, C. F.S; LOPES, G.T; SANTOS, T. C. F. Humanização e Desmedicalização da Assistência à Mulher:do Ensino à Prática. Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, v.17, n.2, p.182-7, abr/jun. 2009. NEME, B. Obstetrícia Básica. São Paulo: Sarvier, 2005. NERY T.A; TOCANTINS F.R. O enfermeiro e a consulta de pré-natal: o significado de assistir a gestante. R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, v.14, n. 1, p.87-92, jan/mar. 2006. PAULA, G. M.; SILVA, L. G. P.; MOREIRA, M. E. L.; BONFIM, O. Repercussões da amniorrexe prematura no pré-termo sobre a morbimortalidade neonatal. Cad. Saúde Pública [online]. v.24, n.11, p. 2521-2531, 2008. Disponível em: www.scielosp.org/pdf/csp/v24n11/07.pdf>. Acesso em: 20/04/10. REBERT, L.M; HOGA, L.A.K. O desenvolvimento de um grupo de gestantes com a utilização da abordagem corporal. Texto Contexto Enferm, v.14, n. 2, p.186-92, Abr-Jun 2005. RIOS, C. T. F.; VIEIRA, N. F. C. Ações educativas no pré-natal: reflexão sobre a consulta de enfermagem como um espaço para educação em saúde. Ciência & Saúde Coletiva, v.12, n.2, p.477-486, 2007. RODRIGUES et al. O domicílio como espaço educativo para o auto-cuidado de puérperas: binômio mãe-filho. Texto Contexto Enferm, v. 15, n. 2, p. 277-86, Abr- Jun 2006. TEIXEIRA, E.; VALE, E. G.; FERNANDES, J. D.; DE SORDI, M. R. L. Trajetória e tendências dos cursos de enfermagem no Brasil. Rev. bras. enferm. [online]. v.59, n.4, p. 479-487, 2006. Disponível em: <www.scielo.br/scielo.php?pid=S003>. Acesso em: 10/12/09. TOBASE, L.; GESTEIRA, E. C. R.; TAKASHI, R. T. Revisão de literatura: a utilização da dramatização no ensino de enfermagem. Revista Eletrônica de Enfermagem [serial on line] v. 9, n. 1, p. 214-228, Jan-Abr. 2007. Disponível em: <http://www.fen.ufg.br/revista/v9/n1/v9n1a17.htm>. Acesso em: 20/11/09. 41 ZAMPIERI, M. de F.M. Cuidado humanizado no pré-natal: Um olhar para além das divergências e convergências. Tese (Doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, Universidade Federal de Santa Catarina, Sante Catarina, 2006. 42 APÊNDICE A Curso: Enfermagem Título: A importância do trabalho educativo realizado pelo enfermeiro na assistência a gestante durante o pré-natal Pesquisadores: Maria Edileuza Menezes, Marlene Santos do Nascimento Orientador: Letícia de Matos Araujo Nicolletti Co-orientadora: Leila Bernarda Donato Göttems ROTEIRO DE ENTREVISTA Idade:_______ Ano Sexo: ( ) Masculino Tempo de serviço na instituição: ____ Tempo de formado em anos: ______ Pós graduação: ( ) Especialista ( ) Mestre ( ) doutor ( ) Feminino ( ) Sem pós graduação Se especialista, qual área: ______________________________ Tempo de atuação na área do pré-natal. __________________ Carga horária: _______________________________________ I. Quais as atividades que desenvolve no centro de saúde. II. Qual é o número de consultas de pré-natal/mês. III. Quais são as atividades educativas que desenvolve em grupo no programa de pré-natal. Local: Metodologia: Conteúdo: Público alvo: IV. Quais os temas trabalhados com as gestantes inscritas no pré-natal em cada trimestre. V. Você acha que as orientações dadas às gestantes, durante as consultas e palestras no pré-natal, são importantes para redução de agravos.VI. Quais as dificuldades encontradas para a realização do trabalho educativo. 43 APÊNDICE B Curso: Enfermagem Título: A importância do trabalho educativo realizado pelo enfermeiro na assistência a gestante durante o pré-natal Pesquisadores: Maria Edileuza Menezes, Marlene Santos do Nascimento Orientador: Letícia de Matos Araujo Nicolletti Co-orientadora: Leila Bernarda Donato Göttems ROTEIRO PARA OBSERVAÇÃO PARTIPANTE Identificação; Nome________________________________________________ I. Quantidade de consulta realizada pelo enfermeiro durante a observação. II. Tempo (em minutos) disponibilizado para o atendimento de cada gestante agendada no dia. III. Como as orientações são dadas durante a consulta. IV. Houve liberdade para escuta dos questionamentos e dúvidas da gestante. V. A gestante demonstrou satisfação no final da consulta. 44 45 ANEXO B 46 ANEXO C 47