DOSES DE BIOFERTILIZANTE FOLIAR SUPERMAGRO NAS CULTURAS DA SOJA E DO MILHO RATES OF THE LEAF BIOFERTILIZER SUPERMAGRO IN SOYBEAN AND CORN CROPS PAVINATO, P.S.; MULLER, M.M.L.; MEERT, L.; KOLLN, O.T.; MICHALOVICZ, L. Universidade Estadual do Centro-Oeste, Unicentro, Rua Simeão Camargo Varela de Sá, 03. 85040-080 Guarapuava, PR E-mail: [email protected] Resumo O uso de fertilizantes naturais tem se propagado nos últimos anos com o intuito de diminuir o uso de produtos químicos e obter, assim, uma produção mais natural. A pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de estudar o uso do biofertilizante Supermagro em culturas comerciais, avaliando doses e épocas de aplicação do produto na cultura do milho e da soja. Para os dois experimentos avaliados, a massa seca do milho foi levemente incrementada com a aplicação de Supermagro, mas as variações não diferiram estatisticamente. As doses de 3 e 6% de Supermagro foram as que apresentaram melhores resultados, já doses acima de 12% parecem ter afetado negativamente a produção de massa seca, uma hipótese seria que esta dose já teria causado toxidez às plantas. No entanto, visualmente não foi detectado nenhum efeito adverso das doses de Supermagro. Para a cultura da soja, a produção de massa seca foi afetada negativamente com o aumento da concentração de Supermagro via foliar, pois todas as doses promoveram redução na massa seca, com destaque para a dose de 24%, onde a redução foi significativa. Os sintomas visuais de toxidez foram severos na soja, sendo a provável causa da redução na produção de massa seca por esta cultura. Abstract The use of natural fertilizers has incremented in the last few years, with the intention to reduce the use of chemical products and obtain, in this way, a more natural production. The research was developed with the objective to study the use of biofertilizer Supermagro in commercial crops, evaluating rates and stages of product application in corn and soybean crops. For the two experiments evaluated, corn dry matter was a little beat increased by Supermagro application, but the variations were not statistically different. The Supermagro rates of 3 and 6% showed the best results, while rates higher than 12% seems to negatively affect the dry matter production, a hypothesis could be that these rates had already promoted toxicity in plants. However, was not detected visually any adverse effect by the rates of Supermagro. For the soybean crop, dry matter production was negatively affected by the increments in Supermagro concentration applied via plant leaf, because all the rates promoted dry matter reduction, detaching the rate of 24%, in which a significant reduction. The visual toxicity symptoms were severe in soybean, being a probable cause of the reduction in dry matter production by this crop. Introdução O uso de fertilizantes naturais tem se propagado nos últimos anos com o intuito de diminuir o uso de produtos químicos e obter, assim, uma produção mais natural de produtos agrícolas, com melhor qualidade nutricional para consumo in natura, além de reduzir o uso de fertilizantes industriais, os quais são os principais incrementadores no custo de produção agrícola. O Supermagro é uma mistura de micronutrientes fermentados em um meio orgânico, na tentativa de quelatizá-los para aplicação nas plantas como adubo foliar. A receita foi desenvolvida pelo Sr. Delvino Magro e agrônomos do CAE (Centro de Agricultura Ecológica Ipê – Rio Grande do Sul). No Paraná, a região Centro-Sul, onde está Guarapuava, detém os menores valores em três dos quatro componentes do IDH-M (índice de desenvolvimento humano municipal), além das menores medianas de freqüência escolar e renda (IPARDES, 2003). A principal vocação local é a produção rural, entretanto, os solos, como recursos naturais geradores de riquezas, não são dos mais favoráveis: Latossolos Brunos, com transições para Cambissolos, Terras Brunas Estruturadas e Solos Litólicos, normalmente ricos em matéria orgânica, mas ácidos, ricos em oxihidróxidos de Fe/Al e pobres em P, sendo imprescindível o uso de corretivos e fertilizantes para se obter boa produtividade (EMBRAPA, 1984). A agricultura familiar ocupa grande parte da área que envolve Guarapuava e municípios vizinhos, onde se cultiva muito milho e feijão com baixo nível tecnológico. Apenas 58% destes agricultores declaram o uso de fertilizantes (FÁVARO et al., 2004), em função de custos e falta de recomendação técnica. Considerando este panorama e a vocação natural destes produtores para formas de agricultura conhecidas como “natural”, “ecológica” ou “orgânica”, que protegem o solo, o ambiente e a qualidade de vida dos agricultores, é necessário pesquisar formas de manejo da fertilidade dos solos que sejam mais baratas, naturais e acessíveis, utilizando-se recursos naturais locais. A pesquisa foi baseada na possibilidade de uso de produtos naturais como fertilizantes nas culturas comerciais, obtendo-se assim, produtos com menor uso de insumos industrializados. Foi utilizado o Supermagro como fonte de nutrientes para aplicação foliar nas culturas. Esse Supermagro é muito comumente utilizado por pequenos produtores rurais da região Centro-Sul do Paraná, agricultura familiar, na produção de culturas de grãos e essências aromáticas. O objetivo foi estudar o uso do biofertilizante Supermagro em culturas comerciais, com variação de doses e épocas de aplicação do produto na cultura do milho e da soja. Material e Métodos As culturas utilizadas nos experimentos foram o milho e a soja, culturas normalmente cultivadas na região, tanto por pequenos como por grandes produtores. Há uma certa limitação quanto a concentração destes biofertilizantes para aplicação foliar, pois poderá causar desequilíbrio interno na planta. Por isso, a idéia básica dos experimentos foi detectar as concentrações máximas toleráveis e a produção de matéria seca pelas culturas, quando sob aplicação via foliar. A lavagem da areia e preparo dos vasos para receber as plantas foi executada com uso de água de torneira, água destilada e solução 1% de HCl. Sendo lavado várias vezes com água de torneira, para retirar sujeiras e contaminantes da areia; depois foi adicionada a solução ácida para remoção dos possíveis íons presentes na areia; e posteriormente realizada uma lavagem com água destilada para remoção do excesso de ácido na areia. Primeiro experimento A cultura utilizada foi o milho. A semeadura foi realizada no dia 08/10/07, com a condução inicial de 4 plantas por vaso, e depois de duas semanas foram excluídas as plantas em excesso, mantendo-se duas plantas uniformes em cada vaso. O experimento foi conduzido com aplicação diária (100 mL por vaso) de solução nutritiva nos vasos com areia, para manter a nutrição das plantas. A solução utilizada é descrita por MACHLIS & TORREY (1956). A aplicação de doses do biofertilizante Supermagro foi realizada via foliar. Neste primeiro experimento foram utilizadas doses baixas de Supermagro, sendo testada a variação temporal no começo da aplicação na cultura, para ver se haveria algum efeito fitotóxico nas plantas no ciclo inicial de desenvolvimento. As doses utilizadas foram: 0, 3, 6 e 12% em volume da solução. As épocas de início da aplicação foram: 23 DAE (média de 4-5 folhas), 31 DAE (média de 6-7 folhas) e 39 DAE (média de 7-8 folhas abertas), sendo aplicadas a cada 8 dias em todos os tratamentos. As plantas foram cultivadas até 57 dias após a emergência. Neste experimento foi avaliada a produção de massa seca da cultura aos 57 dias após a emergência, e também foram realizadas avaliações visuais de possível toxidez do Supermagro na planta. Segundo experimento O segundo experimento foi semeado no dia 09/02/08, nos mesmos vasos e local de cultivo do primeiro experimento, usando a solução nutritiva em meia força, ou seja, na metade das concentrações utilizadas no primeiro experimento, para tentar visualizar efeitos dos tratamentos com Supermagro nas culturas. No segundo experimento foram utilizadas doses mais elevadas de Supermagro, já que não foram detectados sintomas visuais de toxidez no primeiro experimento, para avaliar a produção de matéria seca e também para ver se haveria algum efeito fitotóxico nas plantas no ciclo inicial de desenvolvimento. As doses utilizadas foram: 0, 6, 12, 24 e 48% do volume da solução. Neste segundo experimento foi cultivado também soja, porém na soja foram aplicadas somente doses de até 24% de Supermagro. O início da aplicação foi aos 18 DAE (milho com média de 6 folhas abertas e soja com 2 trifólios abertos), sendo aplicado novamente o Supermagro a cada 7 dias em todos os tratamentos. As plantas foram cultivadas até 46 dias após a emergência. No segundo experimento foram avaliadas visualmente as plantas após a aplicação do Supermagro, devido a serem observados sintomas de toxidez, e também foi avaliada a produção de massa seca pelas culturas da soja e milho, aos 46 dias após a emergência. Resultados e Discussão Os resultados de massa seca obtidos com os experimentos estão apresentados nas figuras 1 e 2. No primeiro experimento, o qual foi realizado somente com a cultura do milho, a massa seca foi levemente incrementada com a aplicação de Supermagro, mas as variações não diferiram estatisticamente (Figura 1). As doses de 3 e 6% de Supermagro foram as que apresentaram melhores resultados, já a dose de 12% parece ter afetado negativamente a produção de massa seca, uma hipótese seria que esta dose já teria influenciado negativamente. No entanto, visualmente não foi detectado nenhum efeito adverso das doses de Supermagro, não sendo detectada a possível toxidez foliar. No segundo experimento as culturas da soja e do milho foram cultivadas. A produção de massa seca do milho não foi estatisticamente afetada pela dose de Supermagro (Figura 1). No entanto, com a dose de 48% da concentração em Supermagro na aplicação foliar, as plantas foram visualmente afetadas (manchas nas folhas). Deve-se considerar também que quando se usa altas concentrações de Supermagro também há problemas com a aplicação em si, pois houve entupimento de bicos do pulverizador. Para a cultura da soja, a produção de massa seca foi afetada negativamente com o aumento da concentração de Supermagro via foliar (Figura 2). Todas as doses de Supermagro promoveram redução na massa seca, mas o destaque foi a dose de 24%, onde a redução foi mais acentuada, sendo significativa pela comparação de médias. Os sintomas de toxidez foram severos na soja, sendo que doses acima de 6% já apresentaram sintomas visíveis (Figura 4), o que provavelmente pode ter sido a causa da redução na produção de massa seca por esta cultura. Conclusões A eficiência da fertilização com biofertilizantes foliares não pode ser comprovada em produção de massa seca para o milho e a soja, o que talvez pudesse ser detectado quando conduzida a cultura até o final do ciclo. Doses superiores a 6% do volume da calda de Supermagro podem se tornar tóxicas para aplicação foliar, especialmente para a soja. Referências IPARDES. Índice de desenvolvimento Humano Municipal – IDHM – 2000. Anotações sobre o desempenho do Paraná. Curitiba: IPARDES, 2003. 47p. EMBRAPA. EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Levantamento de reconhecimento dos solos do Estado do Paraná. Tom. I e II. Londrina: IAPAR/SUDESUL, 1984 (EMBRAPA/SNLCS – Bol. Téc. no 57). FÁVARO, J.L.; SALVADOR, E.D.; FÁVARO JR, J.L. A presença da agricultura familiar na região de Guarapuava-PR. In: Semana de Estudos Agronômicos da Unicentro. II. Anais... Guarapuava: Ed. Unicentro, p.11-19, 2004. MACHLIS, L.; TORREY,J.G. A laboratory manual of plant physiology. W.H. Freemann and Co, Califórnia. 1956. 14 Massa seca (g pl-1) 12 10 8 6 0% 3% 6% 12% 4 2 0 23 DAE 31 DAE 39 DAE Dias após a emergência Figura 1. Massa seca produzida pelas plantas de milho 57 dias após a emergência, cultivado sob diferentes concentrações e épocas de início da aplicação de Supermagro, no primeiro experimento. Resultados não diferem estatisticamente nas épocas pelo teste Duncan a 5%. 12 Soja Milho Massa seca (g pl-1) 10 8 a ab ab b 6 4 2 0 0% 6% 12% 24% 48% Concentração de supermagro na solução Figura 2. Massa seca produzida pelas plantas de soja e milho 46 dias após a emergência, no experimento 2, cultivado sob diferentes concentrações de Supermagro. Resultados do milho não diferem estatisticamente. Médias da soja diferem pelo teste Duncan a 5%.