XV ENCONTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS DO NORTE E NORDESTE e PRÉALAS BRASIL 04 a 07 de Setembro de 2012 UFPI, Teresina-Piauí GT19-Juventudes, territorialidades e identidades Pelo rio, pela ponte e pelo asfalto: notas sobre trajetórias juvenis na Vila da Barca em Belém-Pa Deylane Corrêa Pantoja Baía Universidade Federal do Pará [email protected] Ao final da década de 1960, alguns estudos antropológicos com foco na urbanização e grilagem de terra no contexto da cidade de Belém vinham sendo empreendidos por estudantes e pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG)1. Entre outros aspectos, a ocupação de áreas ditas “periféricas” da cidade constituía ponto de partida para pesquisas referentes à migração de populações rurais e o surgimento de lugares como a Vila da Barca. Segundo Lourdes Furtado & Maria da Conceição Santana (1974), o surgimento da Vila da Barca remonta a década de 1940. Após trinta anos de seu surgimento, era constituída por 152 “prédios habitados”, dividida em vielas e becos onde a circulação dos moradores se fazia através de “estivas” 2. Sua localização às margens da Baía do Guajará esteve, e ainda está sujeita, às influências das marés, não somente no aspecto físico, mas também na própria relação de proximidade estabelecida com o rio que difere daquela de outros moradores da cidade. Morar às margens do rio é estar imerso em outras práticas, em outro tempo, me arrisco a dizer. A origem dos moradores no local acompanha um movimento observado em diversos centros urbanos do país a partir dos anos de 1950, que corresponde à migração de pessoas oriundas de outras regiões da própria capital, de outros municípios do Pará, ou até mesmo de outros estados do Brasil para Belém (FURTADO & SANTANA, 1974). Como atesta Eunice Durham (2004), a constituição das cidades brasileiras dentro de um movimento de crescimento tem no surgimento das periferias um processo constante. Para ela, ao chegar à cidade a população mais pobre tende a se localizar nas fímbrias da área urbanizada marcadas pela ausência de serviços como luz, água, iluminação, calçamento e esgoto, o que em certa medida colabora para o barateamento do solo, tornando-o acessível. 1 O Estudo sobre grilagem em Belém, coordenado pelo antropólogo Eduardo Galvão no MPEG, teve início em 1969. (Furtado & Santana, 1974). 2 Compreendo que as “estivas” referidas pelas autoras sejam as pontes de madeira que até hoje podem ser encontradas na Vila, mesmo após o início das obras de urbanização da área. Os interlocutores dessa pesquisa se referem a elas como pontes. Sendo para alguns deles uma importante referência da vida no local, capaz, inclusive, de fazê-los rememorar muitos momentos de infância. Esta constatação também não me impede de dialogar com moradores mais antigos a fim de comparar as possíveis diferenças destas denominações ao longo do tempo. As famílias que na Vila se estabeleceram, imprimiram marcas físicas e simbólicas de suas origens e modos de fazer. É comum no período de férias letivas, ao perguntar sobre alguns dos jovens moradores, receber como resposta às ausências o fato de estarem no interior, passando férias na casa de algum parente. Isto pode indicar relações muito marcadas pelo contínuo campo-cidade, ao ponto de atingirem até mesmo jovens nascidos na capital, mas que acabam tendo algum tipo de circulação nos demais municípios do estado. Hoje, a Vila está situada na parte leste da cidade, às margens Baía do Guajará ao longo Avenida Pedro Álvares Cabral - importante via de acesso ao centro de Belém e corredor de escoamento de produtos que entram e saem da cidade através dos rios – iniciando na Rodovia Artur Bernardes até a Rua Djalma Dutra. Embora esta localização seja mais abrangente, é possível dizer que a Vila propriamente dita, compreende o trecho posterior a Rua Nelson Ribeiro, definida pelos jovens como a Vila da Barca. Para Solange Silva Souza (2006), que desenvolveu em sua dissertação de mestrado reflexões sobre o processo de implementação do projeto de urbanização da Vila da Barca, o desenvolvimento da zona portuária figura como principal fator de ocupação da área na época de seu surgimento. O Umarizal, bairro vizinho à Vila, ajuda a marcar uma paisagem contrastante. De um lado, a crescente verticalização e o luxo de um bairro nobre de Belém e, de outro, um cenário tipicamente periférico da cidade com equipamentos urbanos precários. No meio desses contrastes sociais, completa o quadro um espaço de lazer denominado “Ver-o-Rio”, cujo propósito inicial era “abrir as janelas” de Belém para o rio, ainda que o grau de refinamento de tais janelas destoassem das suas vizinhas, as janelas da Vila. A próxima fotografia (foto 1) corresponde à perspectiva que temos da porta de uma das casas, de onde é possível avistar os edifícios do bairro do Umarizal. O registro da imagem foi feito após a conclusão de uma entrevista iniciada na beira do rio, mas que com a chuva acabou tendo que continuar na casa da avó do interlocutor, localizada ainda na entrada da Vila, entre as primeiras casas construídas pelo projeto de urbanização Nova Vila da Barca3. 3 A proposta do projeto prevê como um de seus objetivos construir no lugar das palafitas, prédios de dois andares com apartamentos populares de 65m². Fotografia 1 - Vista da sacada de Dona Dulce, ao fundo, o bairro do Umarizal Fonte: Deylane Baía, 2012 Segundo Souza (2006), o Projeto de Habitação e Urbanização da Vila da Barca figurou como principal demanda reivindicada pelos moradores, principalmente no início da organização comunitária na década de 1970, mas os primeiros sinais só foram dados a partir de algumas iniciativas pontuais com ações do Governo Federal, executadas pela prefeitura de Belém, na época da gestão de Edmilson Rodrigues, do Partido dos Trabalhadores (PT), na segunda metade da década de 1990. Após amplo processo de negociação, apenas no início dos anos 2000, definições para a implementação do projeto foram estabelecidas ainda na gestão daquele prefeito. Dan Rodrigues Levy (2008), que trabalhou em sua pesquisa o direito de morar no contexto de implementação do referido projeto, aponta que após a mudança de prefeito e um longo período de indefinições, a Prefeitura de Belém, sob a gestão de Duciomar Costa, entregou em dezembro de 2007 (após o prazo estabelecido) 136 unidades habitacionais construídas na área de um antigo curtume na entrada da Vila. Como a obra ainda não foi concluída é possível perceber uma grande parte de casas em seu formato original, além de um número significativo de moradores que foram remanejados, mas que continuam morando de aluguel na própria Vila ou fora dela. A imagem de satélite na página seguinte (imagem 1) apresenta a vista aérea da Vila e a divisão do espaço após a conclusão da primeira fase do projeto. É importante destacar que estou em fase de construção do croqui a ser utilizado no trabalho, e o mesmo deve conter importantes colaborações dos interlocutores. Isto porque a referida imagem não apresenta todas as vielas e becos ainda existentes, por onde certamente os interlocutores circulam e conhecem melhor do que eu. Imagem 1 - Mapa aéreo da Vila da Barca após a conclusão da primeira fase do projeto Fonte: Google Maps A linha azul na imagem corresponde à Avenida Pedro Álvares Cabral, onde se observa ampla circulação de automóveis, veículos de carga e linhas de ônibus que por ela cruzam a cidade. Perpendicularmente, está a Travessa Coronel Luís Bentes, principal rua de entrada à Vila; e, paralela à Pedro Álvares Cabral, está a Rua Nelson Ribeiro. Ambas são constituídas de paralelepípedos, sendo que nesta última se localiza a Fundação Curro Velho (FVC) e a Unidade Municipal de Saúde da Vila da Barca, marcadas respectivamente pelas letras “A” e “B”. A Associação dos Moradores da Vila da Barca está situada em um prédio que fica aos fundos da Unidade de Saúde. As três principais passagens, a Praiana, a Padre Julião e a Cametá, são entrecortadas por muitas pequenas passagens que só poderão ser visualizadas no croqui. É importante destacar que a parte mais próxima do rio abrange, além das casas, dois trechos de terra batizados pelos jovens de prainha ou beira, onde é possível ver crianças, jovens e adultos tomando banho na maré. Essas duas áreas são marcadas pela presença de empresas que deixam atracadas à margem da baía alguns barcos e balsas – estas são espaços para as brincadeiras dos meninos mais novos, como foi possível perceber no dia em que registrei a fotografia dois. Fotografia 2- Balsas às margens da Vila Fonte: Deylane Baía, 2012 Segundo um dos interlocutores, a primeira dessas beiras figura como importante ponto de encontro dos jovens da Vila e diz que quando um deles está triste e não é visto em sua casa, pode facilmente ser encontrado sentado na beira do rio. No entanto, este mesmo local foi se tornando pouco frequentado por eles no momento em que adolescentes, jovens e adultos passaram a utilizar o local para o consumo de drogas. Além das embarcações das empresas, é possível visualizar pequenas embarcações4, canoas de propriedade de moradores ou utilizadas por eles em atividades como a pesca, a exemplo da fotografia três. Fotografia 3 - Embarcações dos moradores ancoradas às margens da beira Fonte: Deylane Baía, 2012 4 Essas pequenas embarcações são chamadas de “pôpôpôs”- onomatopeia em referência ao ruído emitido pelo motor - e, depois das canoas (com ou sem motor), se configuram como as principais embarcações utilizadas para o transporte de passageiros em pequenas e médias distâncias nos rios da Amazônia. No início da passagem Praiana está o campinho, também muito utilizado pelos moradores, sobretudo pelas crianças e jovens, para a realização de jogos e torneios de futebol5. Ao lado deste local encontra-se a área dos primeiros apartamentos construídos pelo projeto de urbanização e ao centro deles, uma praça que também se configura como ponto de encontro de meus interlocutores. Fotografia 4 – O campinho, espaço de lazer dos moradores Fonte: Deylane Baía, 2011 As imagens cinco e seis apresentam um cenário onde parte das casas continua da forma original e parte foi construída pelo projeto de urbanização em sua primeira fase6. As famílias de alguns dos interlocutores foram contempladas nessa primeira fase, havendo casos de famílias que continuam nas casas antigas e famílias que foram remanejadas, mas que não receberam o novo apartamento. De uma maneira geral, a parte “antiga” continua sendo muito frequentada pelos jovens que dela já saíram, pois sua circulação não ficou restrita à parte urbanizada - o que denota uma forte ligação com outros jovens ainda residentes nesta parte, bem como um vínculo com as pontes e suas disposições, como me disse Iran Saldanha, 15 anos. 5 O torneio deste ano de 2012 teve início no mês de janeiro e acontece sempre aos finais de semana. 6 As fotografias cinco e seis foram capturadas em julho de 2010, por meu amigo Gilson Dias, então estudante do curso de geografia, com o intuito de construir um trabalho para uma disciplina de seu curso. Na ocasião já havia estabelecido a Vila como espaço de pesquisa, mas ainda não possuía equipamento fotográfico para fazer nenhum registro. Fotografia 5 – As pontes e casas da parte antiga da Vila Fotografia 6 – A praça e as novas Casas do projeto de urbanização da PMB Fonte: Gilson Dias, 2010 Segundo Furtado & Santana (1974), na época em que realizaram a pesquisa, 23,7% da população da Vila da Barca era constituída por pessoas oriundas dos distritos de Mosqueiro, Icoaraci e do bairro de Val-de-Cans. O percentual restante correspondia aos moradores provenientes de outros municípios (47,3 %) e de outros estados (10,5%), mais especificamente, das zonas rurais do Amazonas e do Maranhão. As razões que impulsionariam tais movimentos se justificavam em grande parte por questões econômicas, educacionais, familiares ou afetivas (juntar-se a parentes ou amigos) ou mesmo mudanças dentro do próprio local de moradia - a cidade de Belém. A Vila, hoje, compõe um cenário dentro da cidade que nos remete, ao mesmo tempo, à vida ribeirinha e à vida urbana. Nesse sentido, pode-se dizer, a partir dessas autoras que a presença da população rural na cidade é passível da “manipulação de hábitos rotulados rurais, quer seja a vida doméstica, no tratamento da saúde à base de remédios caseiros, ou mesmo no linguajar caboclo.” (FURTADO & SANTANA, 1974, p. 52). Entre as crianças e jovens da Vila pude escutar expressões que ouvia com frequência entre meus familiares mais velhos – oriundos da cidade de Igarapé-Miri, no Baixo Tocantins. Uma delas, “Mas porém...” (seguida do nome da pessoa para quem se fala), era usada pelos interlocutores quando estavam admirados com a atitude de alguém. Na minha infância, quando passava as férias escolares naquela cidade, era comum escutar esta e outras expressões. O que me instiga, no caso dos interlocutores, é que mesmo tendo nascido na capital, eles utilizem estas construções frasais, o que pode indicar um tipo de socialização e um modo de falar característico de alguns municípios do Pará, que suponho, sejam os locais de origem de suas famílias. Ao dividir a população da Vila da Barca em dois grupos - o da cidade e o do campo - as autoras constataram que o percentual de pessoas oriundas do campo equivalia a 81,5% dos moradores. Acompanhando um processo visto em diversas capitais brasileiras, de crescimento desordenado frente ao processo de urbanização das cidades, uma série de condicionantes pode ser listada como responsáveis por tal fenômeno, entre eles, a especulação imobiliária, o desemprego e o subemprego, as altas taxas de serviços urbanos com IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), água, energia elétrica etc. Tudo isso, obriga, direta ou indiretamente, os indivíduos a se tornarem agentes ou co-agentes das ocupações irregulares, invasões, ou nas palavras das autoras, “grilagens”. Tais razões também são narradas em um documentário produzido pelo cineasta paraense Renato Tapajós no ano de 19647. Intitulado “Vila da Barca”, o vídeo produzido com apenas uma câmera de 16mm, mostra o cotidiano dos moradores da Vila da Barca enquanto são narradas características do lugar. As informações contidas com relação ao número de moradores na década de 1960 destoam do número apresentado por Furtado & Santana (1974), no entanto, é possível destacar diversos elementos que, resguardando seu lugar na história, se coadunam também com as falas dos interlocutores de minha pesquisa. No trecho abaixo, que inicia o documentário, um homem fala, com voz compassada e carregada de sofrimento, da vida diária na Vila dos anos de 1960: Vim para cá, pelo menos junto do Rio eu fico. A patroa trabalha na castanha, quando tem safra, mas ela voltou e não pode mais esse ano. Nem pagaram nada os homens. Direito tinha. E então pergunto: pobre tem direito algum? Compro a fruta na maré e depois vendo na 7 Primeiro filme documentário de curta metragem do cineasta e cientista social Renato Tapajós, produzido nos anos de 1964 e 1965 sobre a Vila da Barca em Belém. O filme ganhou prêmio de melhor documentário do Festival Internacional de Filme de Curta Metragem em Leipzig (então Alemanha Oriental) no ano de 1968. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=dRGIdSeefoQ Acesso em: 08 de Janeiro de 2012. feira, pago licença para a prefeitura assim, senão proíbem. Direito nenhum da gente (Vila da Barca, 1964). Neste trecho é possível perceber que as aptidões e capacidades descritas por Furtado e Santana (1974) também se apresentam no off do vídeo, a exemplo dos ofícios de pescadores, vendedores ambulantes, jornaleiro, peixeiro, calafateiros, biscateiros, servente de obras, carregador, pedreiros e ajudante de pedreiro (e outros ligados à construção civil), balconista de mercearia e carregador - no caso dos homens. Já as atividades envolvendo mulheres eram marcadas por sua presença no emprego doméstico, sobretudo para as mulheres que antes não trabalhavam. As formas como as famílias que na Vila se estabeleceram no início de sua ocupação, são apresentadas por uma dupla possibilidade de entrada, a direta e a indireta. Na direta, os moradores foram os responsáveis pela primeira ocupação da área, sendo designados por Furtado & Santana (1974) como indivíduos que ocuparam a área sem intermediários; enquanto que a entrada indireta revela a intermediação de terceiros no processo, alugando ou vendendo casas no local. Para as autoras, este fato configura a Vila da Barca como um espaço de grande flutuação populacional, revelando a situação de transição característica desses aglomerados urbanos. Embora isto deva ser considerado, respeitado o período em que as autoras realizaram a pesquisa, é possível dizer também que muitas dessas famílias que entraram pela via direta, ou seja, chegaram, ocuparam a área e construíram suas próprias casas; permanecem até hoje residindo na Vila e são responsáveis pelo delineamento de uma complexa rede de parentesco que pode ser observada desde os sobrenomes de seus moradores até o fato de os jovens que dizem que ser primo de alguém na Vila é algo frequente. As motivações educacionais também podem ser descritas como definidoras desse contínuo campo-cidade. Segundo Raimundo Farias Júnior (2006), a sua própria trajetória é exemplo disso, uma vez que seus pais vieram do município de Cametá, cidade que dá nome a uma das três principais passagens da Vila, no intuito de proporcionar aos filhos a escolarização. Os meandros dessa história são contados pelo autor, nascido e ainda residente na Vila da Barca, nos agradecimentos de sua dissertação de mestrado sobre a realidade educacional do local. A partir do levantamento socioeconômico realizado pela Prefeitura de Belém no ano 2003, visando a implementação do projeto Nova Vila da Barca, Souza (2006) destaca que grande parte dos moradores da Vila da Barca possui baixo poder aquisitivo, em grande medida determinado pela pouca escolaridade que se somam a fenômenos estruturais oriundos da política neoliberal implementada no país nos últimos anos, a exemplo da crise do emprego. Os jovens da Vila, suas escolhas e os campos de possibilidades Para Regina Novaes (2006), além dos marcadores sociais como raça, classe, gênero, local de moradia, entre outros; temos que considerar, no caso das juventudes brasileiras, as disparidades entre regiões e entre o campo e a cidade. O que também é corroborado por Stella Maria Olyntho et al. (2008) quando indica que mesmo que se considere a juventude como uma categoria social composta de sujeitos que compartilham a mesma faixa etária, à medida que nos aproximamos da realidade social, percebemos que tais clivagens aumentam, mesmo no interior dos próprios grupos étnicos ou classes sociais. Para Pierre Bourdieu (1983), é importante sempre lembrarmos que as divisões entre as idades são arbitrárias e que tais limites, entre juventude e velhice, por exemplo, vêm sendo historicamente objeto de disputas em todas as sociedades. Para ele, a representação ideológica contida em tal divisão, estrutura também um tipo de relação marcada pelo poder, ou melhor, nessa divisão lógica entre jovens e velhos se estabelece a repartição desse poder. “As classificações por idade (mas também por sexo, ou, é claro, por classe...) acabam sempre por impor limites e produzir uma ordem onde cada um deve se manter, em relação à qual cada um deve se manter em seu lugar” (Bourdieu, 1983, p.2) O autor lembra que a juventude e a velhice não são dados simplesmente, mas se situam na ordem do social, onde são construídas na própria luta entre os jovens e velhos. Desse modo, pode-se dizer que as relações entre a idade social e a idade biológica são de uma complexidade extrema. Ele acredita que os diferentes campos possuem leis específicas de envelhecimento, ou seja, para que se conheça um pouco mais sobre os recortes entre as gerações é necessário identificar as leis específicas de funcionamento de cada campo. Embora para o próprio autor isto pareça algo sem importância, possibilita mostrar que a própria idade é um dado biológico socialmente manipulado e manipulável. Destaca que já se constitui uma manipulação evidente o próprio fato de se falar dos jovens como uma unidade social, “um grupo constituído, dotado de interesses comuns, e relacionar estes interesses a uma idade definida biologicamente” (p.2). É importante analisar as diferenças entre as juventudes. Para ele, é possível compararmos sistematicamente entre dois jovens com a mesma idade biológica, suas condições de vida, sua inserção no mercado de trabalho, o “orçamento do tempo” etc. Ou entre aqueles que já trabalham e os que são apenas estudantes. Encontra-se aí, segundo Bourdieu (1983), diferenças análogas em todos os domínios da existência desses jovens. No caso de um jovem trabalhador teríamos um cenário de coerções do universo econômico real, que seriam atenuadas pela solidariedade familiar, enquanto que no caso do jovem estudante, sua existência estaria profundamente marcada pelas facilidades “de uma economia de assistidos quase-lúdica fundada na subvenção, com alimentação e moradia” (p.3) e outras benesses do caso francês analisado por ele. Ao destacar a entrada dos “adolescentes” das classes populares no mercado de trabalho em detrimento de sua permanência na escola, Bourdieu (1983) evidencia que eles são movidos por um único desejo, o de poder usufruir com mais brevidade possível, do estatuto de adulto e as supostas capacidades econômicas a ele associadas. Ter dinheiro é muito importante para se afirmar em relação aos colegas, em relação às meninas, para poder sair com os colegas e com as meninas, portanto para ser reconhecido e se reconhecer como um „homem‟. (Bourdieu, 1983, p.3). Este é um ponto importante porque desconstrói a visão de que os “adolescentes” que querem trabalhar, no caso brasileiro, são movidos pela pobreza. Embora seja necessário resguardar as especificidades do caso descrito, a perspectiva de Bourdieu (1983) auxilia a desconstruir também a ideia de que os jovens fazem escolhas desorientadas. Simone Monteiro (1999) ao analisar as experiências sociais do gênero e da sexualidade de jovens moradores da favela de Vigário Geral, na cidade do Rio de Janeiro, aponta que a literatura que confere à evasão escolar entre as camadas populares apenas uma necessidade de contribuição para a subsistência familiar parece um tanto reducionista. A motivação para o trabalho está, muitas vezes, associada às ofertas do mercado de trabalho, ao sentido de liberdade que tal inserção pode trazer ao jovem que desde cedo começa a trabalhar, à autonomia e certa mobilização para o „consumo de símbolos juvenis‟, entre outros aspectos. Considerando esse eixo de análise, posso dizer que no caso dos jovens da Vila da Barca essa inserção é também baseada em critérios mais complexos do que sua simples relação com a condição econômica desses jovens. Por outro lado, Bourdieu (1983) fala de instituições que manipulam as aspirações dos jovens, uma delas é a escola. E destaca que: A escola, sempre se esquece disto, não é simplesmente um lugar onde se aprende coisas, saberes, técnicas, etc., é também uma instituição que concede títulos, isto é, direitos, e, ao mesmo tempo, confere aspirações (Bourdieu, 1983, p. 4). Do mesmo modo, Novaes (2006) aponta que as pesquisas tem revelado que os jovens das camadas populares não mais se iludem com, ou melhor, não embarcam, no „mito da escolaridade‟. A escola então deixou de ser vista com instrumento de garantia de emprego futuro, pois mesmo com o ensino médio, estes jovens esbarrarão em candidatos com curso superior nos processos seletivos e concursos. Segundo a autora, são muitos os jovens que tem consciência de que a escola é um importante passaporte de entrada ao mercado de trabalho, contudo, não o garante a todos. Segundo ela, a questão da inserção dos jovens no mercado de trabalho se apresenta como um conflito instalado entre pais e filhos tantos nas camadas populares quanto nas médias. A autora ressalta que a incerteza com relação à entrada no mundo do trabalho pode ser comparada à importância que a questão sexual teve, sobretudo entre as mulheres, nas gerações passadas. Monteiro (1999) destaca que a importância conferida à educação formal e ao investimento que é possível dar a ela não exclui, no caso dos jovens, o valor dado ao trabalho para aquisição de uma autonomia e de bens de consumo. Esta é uma estratégia adotada pelos jovens nos cursos noturnos, onde é possível, em alguma medida, conciliar trabalho e estudo. Mas segundo a autora, é o cansaço e desestímulo com o sistema de ensino que muitas vezes levam estes jovens a definirem por um dos dois. No caso estudado por ela, os rapazes escolhiam uma função que fosse capaz de lhes gerar algum recurso, enquanto que as meninas solteiras tendiam a compatibilizar o estudo com as tarefas domésticas; e aquelas que dedicavam seu tempo à vida conjugal, em geral, pouco conseguiam manter-se na escola. Além disso, a autora chama atenção para o fato de que a percepção e a trajetória escolar dos jovens com os quais ela trabalhou revelou que o fracasso no ensino formal dos jovens de camadas populares não deve ser reduzido aos problemas individuais de cada aluno. Ao contrário, deve-se ter em mente as consequências causadas pela deficiência das políticas publicas para a educação e as dimensões relacionadas aos valores culturais de casa aluno, a exemplo das diferenças assinaladas entre a experiência social feminina e masculina. Beaud & Pialoux (2006) destacam que as rebeliões urbanas na França8, sobretudo a ocorrida um ano antes, estavam inscritas em uma „ordem das coisas‟ que os remetiam a fenômenos estruturais que produzem ao longo do tempo uma violência social. Tais fenômenos podem também ser considerados no contexto brasileiro, na medida em que França e o Brasil são acometidos pelo desemprego dos jovens com baixa escolaridade; pelo agravamento da segregação urbana; pelo fracasso escolar de determinados grupos sociais, seguida da pauperização e a desestruturação das famílias de setores populares – dos conjuntos habitacionais HLM (Habitação de Locação Moderada) no caso francês aos inúmeros espaços populares do Brasil, entre eles, a Vila da Barca. O que os autores procuram evidenciar a partir disso é que as juventudes das periferias devem ser encaradas como um universo social diferenciado, que quando observados de perto, tendem a contradizer as representações correntes a seu respeito. E que, mesmo constituindo um grupo de camada popular, apresenta clivagens9 dentro de si mesmo. 8 Após constatar que ao contrário do discurso oficial na França, os jovens participantes das rebeliões compunham um grupo de jovens „comuns‟ que pertenciam meios populares e que em sua maioria ainda estudava ou havia terminado os estudos, outros faziam bicos em empregos temporários, atuavam como vendedores ou ajudantes de cozinha. Isto indicava aos autores uma contradição à cômoda tese de que as rebeliões eram comandadas pela „ralé‟ – termo imputado por Nicola Sarkozy aos „deliquentes‟ e „arruaceiros‟ responsáveis por tais acontecimentos. 9 Tais clivagens, também em grande medida observadas no grupo dos dez jovens interlocutores de minha pesquisa, se apresentam no contraste entre os estudantes bem situados em busca de diplomas e os jovens desempregados ou aqueles que estudam em cursos que não escolheram nas escolas profissionais francesas que não apresentam perspectiva de futuro. No universo da Vila da Barca, é possível observar clivagens entre os jovens que anseiam a continuação dos estudos em nível superior, os que concluíram o ensino médio, mas que almejam trabalhar tão logo seja possível e os jovens com atraso no fator idade-série, desestimulados para frequentarem a escola, com outros interesses e inserção no crime. E ainda os que nutrem profundo interesse pelas artes, como a música, a dança e o teatro. Os anseios dos interlocutores com relação ao futuro ora se relacionam com a educação escolar ora apenas com o mundo do trabalho. Alguns pretendem concluir o ensino médio e trabalhar, procurando qualificar-se por meio de cursos como operador de caixa, encanador, soldador, etc.; em outros casos, os jovens têm aspirações diretamente relacionadas à educação formal, a exemplo de cursos superiores, ou mesmo profissões relacionadas às artes. Até o momento nenhum possui emprego formal, embora um número reduzido tenha atuado (ou atue) em algum tipo de ocupação que gere renda, trabalhando como ajudantes de pedreiro, vendedores de lanches e quentinhas10 em empreendimentos familiares, entregador de panfleto, atriz, entre outras. Também há relatos do exercício de atividades ilícitas, tais como o comércio de drogas em pequena escala, além da atuação em ações dos ratos d’água11. Além disso, uma parte significativa almeja seguir carreira no meio Hip Hop12. Souza (2006) também destaca que ainda hoje os laços de parentesco figuram como fator importante nas relações entre os moradores. As festas são realizadas coletivamente, a exemplo do período de carnaval quando muitos moradores se mobilizam para participar do desfile nas alas e alegorias da Associação Carnavalesca “Unidos da Vila da Barca”. As redes de solidariedade se intensificam quando os moradores passam por momentos de muita dificuldade, como é o caso de doenças. 10 O termo quentinha corresponde à forma utilizada em Belém para designar uma refeição que é vendida em um pequeno recipiente descartável de alumínio. Outras denominações conhecidas são marmita, marmitex, entre outros. 11 Ratos d’água, categoria êmica utilizada para designar quadrilhas de assaltantes de embarcações nos rios da nossa região. Na Vila da Barca, essa prática é facilitada pela localização do local às margens da Baía do Guajará. 12 Novaes (2006) aponta que “(...) o rap (com seus DJs e MCs), o break e o grafite compõem a trilogia de um fenômeno social que é chamado, pelos próprios participantes, de movimento, ou de cultura hip hop. O hip hop não é um movimento orgânico que produz grupos homogêneos. Ao contrário, existem várias correntes, linhas e ênfases que diferenciam o rap feito em países, cidades, bairros e grupos específicos” p. 116. Clarice Ehlers Peixoto (2000) indica que uma boa parte dos estudos sobre as relações familiares tem o fator proximidade geográfica como fundamental para o estabelecimento de solidariedade familiar e a criação de laços afetivos, o que não se configura como regra absoluta, já que em seus estudos constata a existência de tais sentimentos entre avós e netos que residem distantes uns dos outros. Na Vila, as redes de solidariedade permanecem, ainda que os parentes se mudem para outros bairros da cidade. Tal característica também pode indicar o motivo pelo qual algumas famílias – na ocasião do remanejamento por parte da Prefeitura de Belém visando a continuidade do projeto de urbanização - tenham procurado encontrar estratégias de manutenção dessas relações. Uma forma que pude identificar foi o aluguel de casas dentro da própria Vila, pago com o recurso destinado pela prefeitura, de oitocentos reais a cada dois meses, enquanto as novas casas são construídas. Em conversa no ano de 2010 com Iran Saldanha, hoje com 15 anos, constatei que sua família havia sido remanejada há pouco tempo e a opção de seus pais foi permanecer próximo à Vila, mesmo tendo a possibilidade de alugar uma casa em outro ponto da cidade. Ao ser indagado sobre o fato, Iran me dizia que ele e sua família não gostariam de sair do local, visto que ele e seus irmãos haviam nascido e crescido ali, tinham amigos de longa data e não se acostumariam em outro lugar. Atualmente, a família mora em uma casa alugada em uma rua próxima, porém fora da Vila, mas não deixou de estar no local com alguma frequência, visto que para lá voltará quando seu apartamento for entregue. Esse mesmo sentimento foi manifestado por outros jovens em entrevistas ou mesmo em conversas. Recordo-me de palavras ditas por eles sobre nunca imaginarem sair da Vila - lugar onde nasceram, foram criados e querem morar pelo resto de suas vidas. Nesse sentido, falar dos jovens da Vila sem falar de suas famílias e de seu local de moradia, é desconsiderar a ampla rede de parentesco existente e também afastar toda e qualquer chance de reflexão acerca de suas trajetórias - principalmente no que diz respeito aos aspectos referentes à educação e ao trabalho - e, mais do que isso, é empobrecer seu universo. Longe de padrões estabelecidos do que venha ser uma família, as dos interlocutores raramente são compostas somente do pai, da mãe e dos filhos. Do mesmo modo, não se enquadram no padrão oposto de famílias desestruturadas que, aliás, tem sido historicamente vinculado às camadas populares também dentro do discurso da desestruturação. Até agora foi possível ter referências das famílias de meus interlocutores apenas a partir das conversas realizadas com eles próprios, com exceção de Dona Dulce Saldanha, avó de Iran, que me recebeu em sua casa e me contou algumas histórias de sua família. Mas meu interesse também reside no fato de que para se alcançar uma visão mais aprofundada dos contextos familiares nos quais eles estão inseridos, se faz necessária a aproximação junto aos seus parentes também. Os grupos familiares dos jovens da Vila podem ser classificados como extremamente heterogêneos, ao passo que cada caso deve ser detidamente exposto para, a partir disso, se inferir qualquer tipo de análise. Desse modo, é possível dizer que dos dez jovens com os quais estou em contato, parte mora com pais e irmãos, enquanto outros residem em casas onde a constituição é absolutamente diversa, sendo composta por avós, tios, cunhados, “chegados”, agregados, sobrinhos e primos. Há casos em que habitam até quinze pessoas em uma mesma residência, sendo possível identificar situações onde ela é transformada em mais de uma, com divisões nos próprios cômodos ou divisão do terreno em que está assentada. Segundo Souza (2006), a Vila da Barca, desde o início de sua ocupação, esteve associada à pobreza, à prostituição e à violência, mas isto também se apresenta como uma visão equivocada da realidade da Vila. Para a autora, os meios de comunicação ocupam um duplo papel no momento em que instigam o poder público a implementar políticas sociais, mas também sendo responsáveis pela promoção de ações no sentido contrário, ao divulgar imagens que podem comprometer a relação que os próprios moradores tem com o lugar. A noção de “comunidade de experiência” adotada por Beaud & Pialoux (2006) se apresenta aqui como importante instrumento de análise do contexto dos jovens da Vila. No caso francês, eles dizem: Esses rapazes cresceram juntos nos mesmos locais de moradia e partilham uma comunidade de experiência que cria laços muito fortes entre eles („para toda a vida, até a morte‟). Comunidade de experiência vivida frequentemente na forma de gangues, marcada pela mesma privação material, pelas mesmas humilhações derivadas de uma pobreza endêmica e associada a cor da pele (controles pessoais reiterados cada vez mais agressivo e brutal com os negros e os árabes, que são a grande maioria dos moradores dos conjuntos habitacionais na região parisiense” (p. 40). A partir desta noção, me proponho a analisar nesse conjunto de narrativas, as trajetórias sociais de dez jovens moradores da Vila da Barca nove rapazes e uma moça, procurando identificar quais as estratégias utilizadas para que tenham acesso ao lazer, à educação escolarizada, ao emprego formal, a relacionamentos afetivos, entre outros, a partir de suas redes de sociabilidade e relações de troca na cidade de Belém. Ou seja, que escolhas estes jovens fazem para que suas experiências sociais sejam delineadas desta ou daquela maneira. Objetivo analisar suas trajetórias escolares e aspectos familiares, especialmente no que diz respeito à educação e ao trabalho, além de seus anseios com relação ao primeiro emprego, buscando pensar como tais elementos convergem para a definição de um presente incerto ou para o delineamento de um futuro promissor. Além disso, busco investigar a construção de sentimentos de pertencimento com a Vila a partir de saberes, práticas e representações construídas nas trajetórias e vivenciadas em seu cotidiano. Procurando, entre outras coisas, evidenciar sua presença na urbe e suas visões sobre o espaço urbano e o espaço rural 13, sobre a própria Vila e a cidade em sua totalidade. Além disso, penso ser importante destacar a necessidade de considerar as diferenças internas dentro do grupo e quais as posições ocupadas na relação com outras gerações. Interessa-me quais os conflitos existentes e como eles contribuem para a construção do “ser jovem” na Vila, pois como destaca Stella Maria Olynthon et al. “a vivência dessa fase também envolve comportamentos antagônicos diante do controle e de determinações do „outro‟ 13 A perspectiva de também se pensar o rural no caso dos interlocutores pode, em certa medida, se justificar pela própria relação que eles estabelecem com o rio. Tomando os devidos cuidados para não romantizar a questão, suponho que os jovens da Vila, apesar de estarem inseridos na cidade, trazem consigo, a partir de suas práticas, elementos que poderiam estar muito mais ligados ao universo do campo. Um exemplo prático é a pesca na Vila, onde desde muito cedo as crianças são socializadas e aprendem, por consequência, a nadar com muita presteza e a reconhecer o tempo das marés. externo – entendido aqui não apenas como os pais, mas também com todos os adultos que representam figuras de autoridade (...)” (2008, p. 98.). Bibliografia BEAUD, Stéphane & PIALOUX, Michel. Rebeliões urbanas e a desestruturação das classes populares (França, 2005). Tempo Social. Revista de Sociologia da USP, v.18, n.01, 2006. pp-37-59. BOURDIEU, Pierre. (Coord.). A Miséria do mundo. 5ª Ed. São Paulo: Vozes, 2003. ______. A juventude é apenas uma palavra. Questões de Sociologia. Rio de Janeiro: E. Marco Zero, 1983. FARIAS JÚNIOR, Raimundo Sérgio de. O Fracasso escolar e a realidade educacional da Vila da Barca: retratos de exclusão e resistência. Dissertação - Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal do Pará, Belém, 2006. FURTADO, Lourdes. & SANTANA, Maria da Conceição. Vila da Barca, Belém; Notas sobre grilagem. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Belém: Antropologia, nº 52, 6, Janeiro de 1974. 18 p. LEVY, Dan Rodrigues. O Direito de moradia nos espaços urbanos e a justiça ambiental: uma análise do Projeto Vila da Barca. 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